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Numero do processo: 16561.720236/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Evandro Correa Dias, Murillo Lo Visco e Paulo Mateus Ciccone que votavam pelo prosseguimento do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada para eventuais substituições) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). . Ausente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Evandro Correa Dias, Murillo Lo Visco e Paulo Mateus Ciccone que votavam pelo prosseguimento do julgamento. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada para eventuais substituições) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). . Ausente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relatório Tratase de lançamento de IRPJ e CSLL decorrente da contabilização indevida de despesas com amortização de ágio no anoscalendários de 2011 e 2012 no valor de R$ 18.633.599,17 em ambos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 23 6/ 20 16 -1 6 Fl. 3144DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.136 2 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls 21/72, pela análise das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos anos calendários 2011 e 2012, apresentadas pela Recorrente, foram identificadas amortizações de ágio, declaradas nas linhas 55 das fichas 7A no valor de R$ 89.639.960,05 em 2011 e R$ 91.117.501,20 em 2012. Buscando identificar a origem dos mencionados ágios, a autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar diversos documentos e esclarecimentos. Diante dos esclarecimentos prestados, relata as seguintes reorganizações societárias ocorridas nos anos de 2008 a 2012: 26/06/2008: KAVIEDES PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 09.352.780/000103 adquire a totalidade das quotas da REMIL, sendo os alienantes COCA COLA, CMR e ITACAN, pelo valor de R$ 495.839.409,27, mais uma dívida no valor de R$ 14.007.000,00 22/08/2008: KAVIEDES constitui a PRISTINE, com capital em dinheiro; 21/10/2008: REMIL ingressa como quotista da PRISTINE, por meio de integralização com ativos operacionais da REMIL de quotas subscritas; 14/11/2008: REMIL sofre cisão, com a parcela cindida composta da participação na PRISTINE sendo incorporada pela KAVIEDES; 01/12/2008: SPAL adquire as quotas da PRISTINE da KAVIEDES, pelo valor de R$ 552.803.021,00 (valor de mercado conforme laudo da pessoa jurídica Apsis Consultoria, considerando acréscimos decorrentes de variação cambial e atualização dos juros incidentes sobre valores de mutuo tomados pela aquisição da REMIL). 27/11/2009: Incorporação, pela SPAL, da REFRESCOS e da JURUBATUBA 30/04/2012: Incorporação, pela SPAL, da DIXER No que diz respeito ao ágio, esclareceu a contribuinte que a amortização realizada em 2011 e 2012 referese a: Ágio pago pela KAVIEDES pelas quotas da REMIL, no valor de R$ 495.839.409,27 e posteriormente pela SPAL pelas quotas da PRISTINE, no valor de R$ 552.803.021,00 Ágio pago pela JURUBATUBA por ações da REFRESCOS, adquiridas pelos acionistas minoritários, no valor de R$ 1.675.112,09, incorporada pela Spal em 27/11/2009 Ágio pago pela REFRESCOS por ações da SPAL, adquiridas de acionistas minoritários, incorporada pela Spal em 27/11/2009; Ágio pago pela DIXER por ações da SPAL, adquiridas de acionistas minoritários no valor de R$ 1.307.760,60, incorporada pela SPAL em 30/04/2012; Já em relação à forma de pagamento do ágio na aquisição da PRISTINE, esclareceu a fiscalizada que se deu da seguinte forma: Quitação de mútuo anteriormente desembolsado pela SPAL para a KAVIEDES, no valor de R$ 372.729.775,00. Foi apresentado o Fl. 3145DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.137 3 contrato de mútuo e esclarecido que a quitação se deu em 01/12/2008 com a entrega de quotas da PRISTINE na mesma data; Assunção de dívidas da KAVIEDES junto às pessoas jurídicas abaixo, nos seguintes valores: DIXER R$ 29.602.312,00; AMERICAN R$ 9.205.083,00; KRISTINE CV R$ 127.258.852,00; Vendedores da REMIL R$ 14.007.000,00. Após intimada a esclarecer as vantagens obtidas com a incorporação da PRISTINE, a SPAL informou, em síntese, que: “para que as contingências então existentes que são de responsabilidade da Vendedora ficassem segregadas, os ativos operacionais da Remil foram transferidos a título de aumento de capital para a Pristine. Com isso, a Pristine passou a exercer todas as atividades operacionais antes conduzidas pela Remil, inclusive com os mesmos empregados, os quais também foram transferidos. Portanto, toda a substância econômica da Remil foi transferida para a Pristine.” Quanto aos fundamentos dos ágios, foram apresentados os seguintes laudos de avaliação: Laudo solicitado pela DIXER, tendo por objeto a avaliação da SPAL – sem data; Laudo solicitado pela KAVIEDES, tendo por objeto a avaliação da REMIL – data do laudo 11/11/2008; Laudo solicitado pela SPAL, tendo por objeto a avaliação da PRISTINE – data do laudo 17/12/2008; Laudo solicitado pela FEMSA, tendo por objeto a REFRESCOS e a SPAL – data do laudo 28/09/2007. Após o relato das operações acima descritas, a autoridade fiscal atesta que foram apresentados os seguintes contratos de assunção de dívidas, fls.1392 a 1406: a) contrato de assunção de dívida celebrado entre SPAL e KAVIEDES, tendo como objeto parte da dívida dessa sociedade com a DIXER (fls. 1392 a 1394); b) Contrato de assunção de dívida celebrado entre SPAL e KAVIEDES, tendo como objeto a dívida dessa sociedade com a KRISTINE CV (fls. 1395 a 1401); c) Contrato de assunção de dívida celebrado em 01/12/2008, entre SPAL e KAVIEDES, tendo como objeto a dívida dessa sociedade com a AMERICAN em Contrato de Mútuo de 27/11/2008 (fls. 1402 a 1404); d) Contrato de assunção de dívida celebrado entre SPAL e KAVIEDES, em 01/12/2008, sem anuência das credoras, COCA COLA, CMR e ITACAN (fls. 1405 a 1406). Fl. 3146DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.138 4 Atesta também que foram apresentados os seguintes comprovante de desembolso da SPAL e da DIXER para a empresa KAVIEDES (fls. 1383 a 1385) a) TED nº 276408 emitido às 11:19 do dia 26/06/2008, tendo como remetente SPAL (Unibanco, ag 0352, cta 1005243) e favorecida KAVIEDES (Itau, ag 09120, cta 094281), no valor de R$ 329.050.000,00. b) Comprovante de transferência bancária Banco Bradesco datado de 30/10/2008, de SPAL para KAVIEDES no valor de R$ 8.851.000,00 c) TED Banco Unibanco nº 276099 emitido às 10:56 do dia 30/10/2008, tendo como remetente SPAL (Unibanco, ag 0352, cta 10005243)e favorecida KAVIEDES (Itau, ag 09120, cta 094281), no valor de R$ 13.961.000,00 d) TED nº 276099 emitido às 11:18 do dia 26/06/2008, tendo como remetente DIXER (Unibanco, ag 0352, cta 1006852) e favorecida KAVIEDES (Itau, ag 09120, cta 094281), no valor de R$ 60.000.000,00. O presente litígio referese ao ágio amortizado em razão do negócio que envolve a aquisição da PRISTINE, considerada pela Autoridade Fiscal uma “empresa veículo” criada apenas para intermediar a aquisição da REMIL pela SPAL operacionalizada pela KAVIEDES qualificada como “empresa de prateleira”, cuja constituição viabilizou um acréscimo no valor do ágio efetivamente havido no negócio. O ágio registrado pela KAVIEDES pelas quotas da REMIL foi no valor de R$ 367,8 mil e posteriormente pela SPAL pelas quotas da PRISTINE, no valor de R$ 448,8 mil. Ou seja, surge um novo ágio de R$ 80,4 mil, relacionado ao mesmo investimento. A Autoridade Fiscal, à luz do Contrato de Quota Purchase Agreement, fl. 2156, aplicou os juros SELIC entre a data da aquisição, 01/05/2008, e a data do fechamento do negócio, 26/06/2008, chegando a um preço final da REMIL de R$ 496.514.141,52, o qual tomou por base para determinar o ágio. Esse preço, segundo a KAVIEDES, foi de R$ 495.839.409,27, mais R$ 14.007.000,00 em dívidas assumidas, e para a SPAL, o preço teria sido R$ 552.803.021,52. Concluiu a autoridade fiscal que A efetiva interessada na aquisição da REMIL foi a SPAL, que visava a aquisição dos ativos dessa sociedade, para ampliação da capacidade operacional da SPAL. A SPAL não foi capaz de comprovar em sua integralidade o valor pago a título de aquisição das quotas da REMIL, e que sendo a PRISTINE uma “empresaveículo”, o ágio deve ser calculado tendo por base a diferença entre o valor pago pelo grupo SPAL e o valor contábil da REMIL. Como ficou claro, a PRISTINE era uma sociedade de curta duração, não operacional, criada unicamente para abrigar os ativos da REMIL e posteriormente ser incorporada. Carece de qualquer fundamento que seu valor operacional, de mercado e rentabilidade futura seja diferente do da REMIL. Cientificada a ora Recorrente apresentou a impugnação de fls. 2476/2532, na qual alegou, resumidamente, o seguinte: Fl. 3147DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.139 5 a) o ágio amortizado obedece permissivo legal do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77, tendo fundamento na lucratividade futura da PRISTINE e que não se pode assumir que, somente por serem do mesmo grupo econômico, não existam. razões para que houvesse essa diferença de preço. b) A aquisição da REMIL pela KAVIEDES, com a transferência do acervo operacional da REMIL a título de aumento de capital na PRISTINE, e posterior transferência das quotas da PRISTINE para a KAVIEDES por meio cisão da REMIL ocorreu justamente para que seus ativos operacionais fossem transferidos à PRISTINE, e teve como objetivos segregar o ativo operacional dos processos administrativos e judiciais da adquirida, de forma que esses processos “que sem dúvida estão sob a responsabilidade do Grupo CocaCola Femsa, fossem isolados de maneira a não afetar a condução dos negócios operacionais”, nem dificultar a obtenção de certidões negativas. c) Se a própria IMPUGNANTE tivesse tomado os empréstimos para fazer a aquisição (empréstimos esses que totalizariam R$ 180.073.247,00, se descontada a parcela de recursos que a IMPUGNANTE emprestou para a KAVIEDES), as despesas de juros e variação cambial teriam sido reconhecidas imediatamente pela IMPUGNANTE, e não sob forma diferida como parte do ágio amortizado em cinco anos. Em suma, o procedimento adotado pela Impugnante causou um benefício ao Erário, e não ao contrário. d) As operações de aquisição da REMIL e da PRISTINE foram dois negócios jurídicos distintos e autônomos, e que o ágio gerado pela aquisição da PRISTINE não se confunde – nem pode ser considerado o mesmo – que o ágio gerado na aquisição da REMIL pela KAVIEDES. e) O ponto de coincidência entre as duas aquisições – da REMIL pela KAVIEDES, e da PRISTINE pela IMPUGNANTE se baseia no fato de, em ambos os casos, tratase de amortização de ágio com base em rentabilidade futura do mesmo negócio: produção e venda de produtos CocaCola principalmente no Estado de Minas Gerais. f) Sobre o pagamento do preço, também não há inovação na comparação com as respostas às intimações durante o procedimento fiscal, ou seja, que o preço da compra da PRISTINE foi pago em compensação de crédito de mútuo devido pela KAVIEDES (R$ 372.729.775,00), somado a assunção de dívidas da KAVIEDES, perante a Dixer (no valor de R$ 29.602.312,00), American Participações (R$ 9.205.083,00), Kristine Overseas S.A. de CV (R$ 127.258.852,00) e com os Vendedores da REMIL (R$ 14.007.000,00). g) os valores dos empréstimos assumidos foram efetivamente pagos pela SPAL nas respectivas datas de vencimento (Doc. 04), à exceção do montante anteriormente desembolsado pela Dixer que, incorporada posteriormente à SPAL, teve o crédito liquidado por confusão. E conclui: Assim, não restam dúvidas de que o preço de aquisição foi integralmente desembolsado pela SPAL, seja diretamente, seja por meio da Dixer, da qual ela é sucessora universal em função da incorporação h) Que as TED´s juntadas durante à fiscalização comprovam os pagamentos. i) O valor pago pela IMPUGNANTE à KAVIEDES, superior ao custo de aquisição “geraram ganho de capital que foi oferecido à tributação, conforme informação da própria KAVIEDES j) Existe razoabilidade econômica no negócio, e os erros e inconsistências apontadas no Laudo pela Autoridade Fiscal não comprometem a sua fidedignidade. O custo da REMIL para a KAVIEDES não corresponde apenas ao valor efetivamente despendido no Fl. 3148DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.140 6 negócio, mas também contempla juros e variação cambial no período: devem ser acrescido os juros e a variação cambial arcados pela KAVIEDES (fl. 2495): l) partir do momento em que tais despesas foram incorridas pela KAVIEDES e computadas por esta para a formação do preço a cobrar da IMPUGNANTE, podese afirmar que essas despesas foram, do ponto de vista econômico, “convertidas” em ágio que a IMPUGNANTE somente pode amortizar no decorrer de cinco anos. Alega também que "como os juros foram estabelecidos com base em parâmetros de mercado, e a variação cambial nada mais é do que o efeito da variação do preço do dólar dos EUA conforme também o mercado, a IMPUGNANTE entendeu como razoável a inclusão desses valores para se chegar ao preço final do negócio" m) Sobre a lucratividade da PRISTINE, a Impugnante afirma que apresentou Relatório de estudos de sinergia acerca do qual a Autoridade Fiscal nada mencionou. n) Destaca, ainda, que foi desconsiderado no preço da PRISTINE a dívida de R$ 14.007.000,00, de tal maneira que, o preço efetivamente cobrado pelas quotas da REMIL foi de R$ 509.839.416,27 e não R$ 495.839.409,27. o) Questiona a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. b) Alega a confiscatoriedade da multa de ofício de 75%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA negou provimento à impugnação. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2011, 2012 JUROS INCIDENTES SOBRE A MULTA. Na constituição do crédito tributário de ofício os juros de mora e a multa são calculados sobre o principal. Após o prazo para impugnação ou pagamento, não ocorrendo este, o montante do lançamento é classificado como débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, e inclui todas as rubricas, dentre as quais a multa de ofício. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas vigentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PESSOA JURÍDICA BENEFICIÁRIA. IDENTIFICAÇÃO. A pessoa jurídica a que se refere o caput do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, é o “contribuinte” mencionado pelo caput do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, ou seja, a pessoa jurídica beneficiária da dedutibilidade antecipada da despesa de ágio é aquela que, por ocasião da aquisição da participação, efetuou o desembolso dos recursos, real investidor para fins da amortização que decorre do encontro, no mesmo patrimônio, da participação societária adquirida com o ágio pago por essa participação. Em face dessa “confusão patrimonial” entre o investimento e o ágio pago pela sua aquisição, Fl. 3149DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.141 7 somente nessa situação a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com o ágio e, assim, deduza a despesa que ele teve quando da sua aquisição. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. Em regra, o ágio gerado em operação entre empresas não ligadas, atendidos os requisitos legais, deve compor o custo do investimento, sendodedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). A exceção trazida pela Lei nº 9.532/97, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa, comprovado o fundamento do ágio e o desembolso correspondente. ÁGIO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. EMPRESA ‘VEÍCULO’. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A ausência de um efetivo dispêndio (sacrifício patrimonial) revela a falta de substância econômica das operações. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, quando ausente o propósito negocial, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente quando dessa reorganização surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. A operação levada a termo nesses moldes deve ser desconsiderada para fins tributários, sem que seja necessário demandar a nulidade das operações societárias praticadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 LANÇAMENTOS REFLEXOS. DECORRENTES. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Os fundamentos utilizados pela decisão recorrida foram, resumidamente, os seguintes: 35. Denominase ágio interno ou intragrupo o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico, ou seja, é gerado numa operação de reorganização societária na qual o alienante da participação societária e o adquirente desta pertencem ao mesmo grupo econômico, possuindo ambos o mesmo quadro societário/acionário e/ou os mesmos controladores, embora tenham personalidades jurídicas distintas. Fl. 3150DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.142 8 36. Nesse sentido, quando a operação societária que deu origem ao ágio é realizada intragrupo, as normas contábeis não autorizam a sua dedutibilidade, e por consequência, também não há amparo para que seja admitida a dedutibilidade fiscal: se o intangível gerado internamente não é ativo para a Contabilidade, o lucro líquido e, por conseguinte, o lucro real não pode ser reduzido por um encargo que nada mais é do que a alocação, pro rata temporis, de um ativo inexistente. O ágio cuja dedutibilidade é admitida contabilmente é o decorrente de uma transação entre partes independentes e não relacionadas. (...) 41. Por isso, na jurisprudência, são aspectos relevantes para determinação da dedutibilidade do ágio: a sua origem entre partes independentes, a determinação consistente do fundamento econômico do ágio, a existência comprovada do efetivo pagamento, o que geralmente não acontece nas operações entre empresas sob mesmo controle. 42. Em resumo, o ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. O ágio ou a parcela deste gerada de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem prova do desembolso que lhe corresponda, e com a utilização de empresa de curta duração (sociedade veículo) torna inválida sua amortização, sem que seja necessário demandar a nulidade das operações societárias praticadas. 43. No caso, a Impugnante afirma, item 3.2 da Impugnação, fl. 2490, que foi reconhecido no TVF a efetividade dos pagamentos realizados para a aquisição da PRISTINE, entretanto, nos textos que transcreve do TVF, a conclusão é diametralmente oposta, afirmando a Autoridade Fiscal que: (...) a fiscalizada não logrou êxito em apresentar o efetivo desembolso de recursos na compra das ações da REMIL, alegando principalmente contrato de confidencialidade assinado pela KAVIEDES (fl. 2493). 44. Com base nos documentos apresentados, o que fica comprovado é: Na data da efetivação da compra da REMIL, 26/06/2008, a SPAL e a DIXER transferem recursos para a KAVIEDES no montante, respectivamente de R$ 329.050.000,00 e R$ 60.000.000,00. Em 30/10/2008, véspera da segregação do ativo operacional da REMIL, datada de 01/11/2008, a SPAL transfere para a KAVIEDES recursos da ordem de R$ 22.812.000,00. 45. Também não foi comprovado o pagamento às vendedoras da REMIL (COCA COLA, CMR e ITACAN), nem à KAVIEDES. 46. Não foram apresentados documentos que comprovassem que as transferências efetuadas pela SPAL para a COCA COLA, CMR e ITACAN, no total de RS 12.812.833,00 em 08/10/2009 com a finalidade de ‘pagamento de fornecedores’ se referiam, na verdade, a quitação de mútuo. Aliás, não foi apresentado documento que comprove os mútuos, Fl. 3151DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.143 9 nem as supostas credoras assinaram o título de assunção de dívida celebrado entre a KAVIEDES e a SPAL. 47. Quanto aos extratos bancários da cliente AMERICAN PARTICIPACOES LTDA, contêm registros de resgate de aplicação financeira em 28/11/2008 RENDA FIXA BBB – no valor de R$ 9.200.074,31, e aplicação de R$ 9.200.000,00 em 01/12/2008; logo, não comprovam qualquer pagamento feito pela SPAL. 48. A KAVIEDES, por sua vez, não comprovou qualquer pagamento (...) 51. Quanto ao valor de R$ 14.007.000,00, devidos pela KAVIEDES, junto aos vendedores da REMIL, foi apresentado contrato particular de assunção de dívida entre a SPAL e KAVIEDES em 01/12/2008, fls. 1405/1406, constando que: “CONSIDERANDO QUE em 30 de maio de 2008, Kaviedes celebrou um Quota Purchase Agreement ("Contrato de Compra de Quotas") com CocaCola indústrias Ltda, CMR Indústria de Refrigetantes Ltda, Itacan Refrigerantes Ltda (as "Vendedoras"), através do qual a KAVIEDES assumiu diversas obrigações, dentre as quais a de eventualmente efetuar um pagamento às Vendedoras de acordo com a Cláusula 2.3 do Contrato de Compra de Quotas, o qual veio a se apurar, no valor de RS 14.007.000,00 (Quatorze milhões e sete mil reais); 52. No entanto, não consta nos autos o acordo entre o Comprador e os Vendedores sobre itens de que trata a Cláusula 2.3 do Contrato de Compra de Quotas, bem como o contrato, assinado por LUIZ e EDUARDO, representantes da SPAL não possui anuência dos credores, (TVF fl. 52) representantes das Vendedoras, quando o artigo 299 do Código Civil requer o consentimento expresso do credor 53. Anotese: consta em Balanço Patrimonial da Impugnante que o ágio na compra da PRISTINE registrado pela SPAL foi amortizado no primeiro mês considerando uma expectativa de realização em 9 anos. A partir de 1º de janeiro de 2009 o ágio não foi mais amortizado para fins contábeis, estando sujeito a análises anuais de seu valor recuperável. (fl. 1644 – BP 31/12/2008, Nota 10.g e fl. 1647 – BP 31/12/2010, Nota 2.i). (...) 58. Notadamente, a SPAL transferiu para a KAVIEDES recursos da ordem de R$ 329.050.000,00 sem qualquer documento que formalizasse essa operação, pois o contrato de mútuo data de 16/10/2008, ou seja quase 4 meses após a entrega dos recursos ocorrida em 26/06/2008. 59. Não é verossímil que recursos nesse montante seja entregue por uma empresa a outra informalmente, pois é princípio do direito e da contabilidade, a autonomia patrimonial ̶ Princípio da Entidade ̶̶̶ , que tende a proteger os investidores, os sócios minoritários, os trabalhadores, o interesse público; Princípio este que se reflete na excepcionalidade da medida drástica da desconsideração da personalidade jurídica. Fl. 3152DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.144 10 65. A autuação na SPAL se justifica exatamente em razão desse interesse que se apresenta desde o início da negociação, estando claramente demonstrado que a KAVIEDES e a PRISTINE foram constituídas apenas com esse objetivo, não havendo, portanto, fundamento no ágio gerado nas operações que sucederam ao pagamento e fechamento da compra da REMIL do Grupo Coca Cola. 66. Também está comprovado que a KAVIEDES e a PRISTINE não possuíam lastro financeiro para a aquisição da REMIL, e que o negócio foi viabilizado com recursos fornecidos pelo Grupo Econômico FEMSA, notadamente pela SPAL, que direta e imediatamente mobilizou recursos, bem como de forma indireta e mediata, incorporando a credora DIXER, bem como assumindo as dívidas com demais mutuantes. Quanto à alegação da impugnante de que se houvesse sido a adquirente direta das quotas da REMIL ao invés de ágio adicional objeto do presente lançamento teria tido um efeito tributário imediato de dedução dos juros e da variação cambial do período, num ano em que obteve lucro real, assim se manifestou a decisão recorrida: 68. O argumento é improcedente. Não há que se falar em encargos monetários sobre R$ 432.729.775,00, que correspondem à parte do preço do negócio que foi suportada pela Impugnante, direta (R$ 372.729.775,00) ou indiretamente – dívida “liquidada por confusão”, na incorporação da DIXER (R$ 60.000.000,00). Ou seja, do valor do preço pago em 26/06/2008, R$ 495.839.409,27, restam apenas R$ 63.109.634,27 e R$ 14.007.000,00, sobre os quais poderia haver incidência de juros, segundo o regime de competência, nos limites dos termos contratados e mediante comprovação. 69. Ademais, os encargos porventura relacionados ao passivo da KAVIEDES não têm o condão de justificar ágio por rentabilidade futura da PRISTINE (REMIL), tenha a SPAL assumido ou não qualquer parcela do passivo. 70. Convém também anotar que sob nenhum “ponto de vista” despesas financeiras se “convertem” em ágio, nem se confunde preço com ágio fundamentado em rentabilidade futura, que também não decorre do que a “IMPUGNANTE entendeu como razoável” (vide fls. 2496 a 2498). 71. Enfim, a referida despesa financeira não integra o preço do negócio; se comprovada, o que não foi, poderia constituir despesa financeira sobre empréstimos a terceiros não integrantes da relação jurídica lá estabelecida; independentemente de o recurso ter sido aplicado nesta aquisição, em qualquer outro ativo, na quitação de passivo, ou mesmo como capital de giro ou qualquer outra destinação. Quanto à alegação da Impugnante de que a KAVIEDES ofereceu à tributação o ganho de capital sobre o ágio que resultou do négocio da PRISTINE, a decisão recorrida argumentou que: 74. Esse também não é argumento válido. Não cabe à Impugnante valorar as informações que constam no Doc. 05 (fl. 2678) página de DIPJ Ficha 06A – Demonstração do Resultado da KAVIEDES, ano Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.145 11 calendário 2008; seja a receita da Linha 23 Ganhos Alienação Partic.Integ.Ativo Circ.ou Real.L.Prazo, sejam as despesas das Linhas 36.()Variações Cambiais Passivas = R$ 47.652.436,00, e despesas financeiras da Linha 40 = R$ 28.587.169,29, seja o ágio amortizado no valor de R$ 22.989.479,82, Linha 43. Por fim, conclui a decisão recorrida: 76. Concluindo, quanto ao fundamento do ágio, a Autoridade Fiscal não nega a existência da expectativa de rentabilidade futura, apenas limita essa expectativa ao valor apurado quando da aquisição da REMIL pelo Grupo FEMSA. As razões da Autuante encontram eco nas palavras da Autuada, segundo a qual o ágio baseiase em rentabilidade futura do mesmo negócio, no mesmo mercado, e se pode acrescentar: aferida no mesmo momento (Laudo APIS de 11/11/2008, fl. 949 e Laudo APIS de 17/12/2008, fl. 1059), fl. 2489: Cientificada (fls. 3038) a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 3042/3124, no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Quanto à justificativa econômica do ágio pela aquisição da empresa PRISTINE alega a Recorrente que desde a fiscalização foi apresentado o laudo que previa como fundamento a lucratividade futura; b) Quanto ao efetivo pagamento: Ao analisar a decisão recorrida verificase que ela reconhece que 97% dos pagamentos (R$ 411.862.000,00), informados pela Recorrente foram de fato realizados e apenas 2,83% não teriam sido comprovados; c) Ausência de documento que formalizasse o contrato de mútuo entre a SPAL e a KAVIEDES. No tocante a alegação da decisão recorrida que "a SPAL transferiu para a KAVIEDES recursos da ordem de R$ 329.050.000,00 sem qualquer documento que formalizasse a operação, pois o contrato de mútuo data de 16/10/2008, ou seja quase 4 meses após a entre dos recursos ocorrida em 26/06/2008. Não é verossímel que recursos nesse montante sejam (sic) entre por uma empresa a outra informalmente", Recorrente argumenta que o contrato de mútuo original ocorreu em 23/06/2008, portanto, três dia antes de transferência de valores e que tal fato está comprovado pelo Instrumento Particular de quitação de fls. 1390/1391; d) Ausência de anuência do credor em relação a assunção entre a SPAL e a KAVIEDES . De acordo com o acórdão recorrido a assunção de dívida não seria válida, tendo em vista que do contrato não constou a concordância dos credores nos termos do artigo 299 do Código Civil. A Recorrente alega que, de acordo com o referido artigo (art. 299), a anuência do credor é relevante apenas para fins de exoneração do devedor original. Sendo assim, o fato da SPAL ter assumido dívidas para adquirir quotas da PRISTINE não desnatura o fato de que o pagamento da SPAL para a KAVIEDES efetivamente ocorreu. e) Quantificação do ágio dedutível. Alega a Recorrente que o valor efetivamente despendido pela KAVIEDES para aquisição da REMIL não havia sido apenas correspondente ao valor desembolsado para as vendedoras, mas também contemplava os valore de juros e variação cambial desde a aquisição da REMIL. Não fosse assim, a venda das quotas se daria por valor menor do que o efetivamente despendido para aquisição. Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.146 12 f) Ágio gerado entre empresas do mesmo grupo Alega a Recorrente que a vedação do ágio entre partes relacionadas só passou a existir a partir da publicação da Lei nº 12.973/2014. Sendo assim, à época em que realizada a operação questionada não havia norma jurídica que vedasse o aproveitamento do ágio gerado em transações entre empresas do mesmo grupo econômico. g) Do propósito negocial Alega a Recorrente que a transferência do acervo operacional da REMIL a título de aumento de capital na PRISTINE, e posterior transferência das quotas da PRISTINE para KAVIEDES por meio da cisão da REMIL ocorru ara que seus ativos operacionais fossem transferidos à PRISTINE. Assim, na medida em que os ativos e passivos operacionais da REMIL foram transferidos para a PRISTINE, o relatório denominado "Processo de Integração da REMIL" cumpre com o objetivo de demonstrar as reduções de custos, aumento de lucratividade e eficiência operacional. h) Necessária adição ao preço de aquisição das dívidas no valor de R$ 14.000.007,00 relativa à aquisição da REMIL Por fim, alega a Recorrente que ainda que não sejam acatados os argumentos suscitados devem ser incluídos os valores relativos à assunção de dívidas da REMIL no preço de aquisição. Ao realizar a referida inclusão a glosa do ágio de R$ 18.633.599,17 deveria ser reduzida em R$ 2.800.001,40 por cada um dos anos, ou seja, R$ 5.600,002,80, que representa 2/5 de R$ 14.000,00, com o consequente recálculo e redução do valor lançado. i) Requer a exclusão dos juros sobre multas e da multa de 75% tendo em vista sua natureza confiscatória; É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme se verifica pelo extenso relatório, as questões controvertidas suscitadas pelas partes são as seguintes: a) existem dois ágios distintos (um relativo a compra da REMIL pela empresa KAVIEDES e outro da empresa PRISTINE pela SPAL) tal como alega a Recorrente? b) O denominado ágio interno era aceito pela jurisprudência do CARF e somente passou a ser vedado com a publicação da Lei nº 12.973/14? c) É possível que as despesas com juros e variação cambial sejam convertidas em ágio como alega a Recorrente? São essas as questões que passaremos analisar a seguir 1) CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O ÁGIO Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.147 13 O ágio é instituto que inicialmente foi tratado no DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, fundamento legal do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, abaixo: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. O referido artigo estabelecia, em seu parágrafo 2º, que, no momento da contabilização do ágio devese indicar o seu fundamento econômico dentre os seguintes: I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor da expectativa de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III. fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. O que se questiona nos autos é exatamente a ausência de fundamento do ágio em rentabilidade futura. Isso porque, durante o trabalho fiscal a fiscalizada, embora tenha juntados laudos de avaliação distintos para o registro dos ágios da KAVIEDES e da PRISTINE, não conseguiu demonstrar quais as razões que justificariam o lançamento do ágio na incorporação da PRISTINE pela Recorrente que não fossem aquelas já suscitadas para aquisição da REMIL. Conforme, observa o Relatório Fiscal (fls. 29) ao ser intimada a esclarecer as vantagens obtidas com a incorporação da PRISTINE a SPAL (ora Recorrente), informou: “para que as contingências então existentes que são de responsabilidade da Vendedora ficassem segregadas, os ativos operacionais da Remil foram transferidos a título de aumento de capital para a Pristine. Com isso, a Pristine passou a exercer todas as atividades operacionais antes conduzidas pela Remil, inclusive com os mesmos empregados, os quais também foram transferidos. Portanto, toda a substância econômica da Remil foi transferida para a Pristine. Assim, na medida em que os ativos operacionais da Remil, incluindo funcionários, ativos fiscos e etc foram transferidos para a Pristine, o relatório denominado "Processo de Integração da Remil, no entender da Requerente, cumpre com o objetivo de demonstrar as reduções de custos, aumentos de lucratividade, eficiência operacional. (grifamos) A partir das fls. 37 do TVF (fls. 57 do eprocesso) a fiscalização faz a comparação entre os dois laudos e conclui que "a despeito da avaliação de empresas distintas, os laudos são em si semelhantes, o que se nota do resumo da rentabilidade operacional indicada pela consultoria. Essa rentabilidade está diferenciada somente pelo período em exame, bem como pela caracterização do objeto de avaliação(...) Tamanha é a semelhança, que em Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.148 14 determinadas partes dos laudos há confusão das empresas avaliadas (p.ex. pg. 16 de ambos os laudos, constando que "A REMIL, vendeu...). É importante ressaltar que não estou fazendo uma análise do mérito dos referidos laudos para a qual entendo não possuir competência jurídica ou técnica. O que o trabalho fiscal demonstrou é que não existe fundamento autônomo para apuração da rentabilidade futura da empresa PRISTINE que não aqueles já utilizados para justificar o ágio apurado quando da aquisição da REMIL. Como bem observado pelo Conselheiro Pauto Mateus Ciccone, quando do julgamento do Ac. 1402002.336, a presença e dedutibilidade da despesa com amortização de ágio exige: a efetiva aquisição dos controles acionários; que o custo de aquisição seja superior ao patrimônio líquido das participações societárias adquiridas; haver fundamento econômico baseado na expectativa de rentabilidade futura; ocorrer o efetivo pagamento da aquisição da participação societária; haver a incorporação total pela incorporadora da incorporada; e, extinção da incorporada, via incorporação integral, ainda que reversa. No caso dos autos, o que se verifica é que não houve a demonstração, por parte da Recorrente, do fundamento econômico do ágio relativo a aquisição da empresa PRISTINE. Ao justificar a quantificação do ágio apurado na aquisição da empresa PRISTINE superior ao ágio gerado na aquisição da REMIL pela KAVIEDES a Recorrente tece as seguintes observações: Assim, verificouse que o valor efetivamente despendido pela KAVIEDES para aquisição da REMIL não havia sido apenas correspondente ao valor desembolsado para as vendedoras CocaCola Indústrias Ltda. (“CocaCola”), CMR Indústria de Refrigerantes Ltda (“CMR”) e Itacan Refrigerantes Ltda. (“Itacan”), mas TAMBÉM CONTEMPLAVA OS VALORES DE JUROS E VARIAÇÃO cambial incorridos desde a aquisição da REMIL e arcados pela Kaviedes. Como os juros foram estabelecidos com base em parâmetros de mercado, e a variação cambial nada mais é do que o efeito da variação do preço do dólar dos EUA também conforme o mercado, a RECORRENTE entendeu como razoável a inclusão desses valores para se chegar ao preço final do negócio Tanto é assim que o valor acordado pela RECORRENTE para a aquisição da PRISTINE (R$ 552.803.021,00) é justamente a soma (i) dos saldos contábeis do empréstimo anteriormente desembolsado pela SPAL para a KAVIEDES (R$ 372.729.775,00); (ii) das dívidas que a KAVIEDES tinha junto às empresas Dixer (R$ 29.602.312,00), (iii) American Participações (R$ 9.205.083,00), (iv) Kristine Overseas S.A. de CV (R$ 127.258.852,00) e com os (v) Vendedores da REMIL (R$ 14.007.000,00). Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.149 15 Em suma, se foi necessário que a KAVIEDES tomasse empréstimos para a aquisição da REMIL em 26/06/2008, quando da venda da PRISTINE, sucessora nos negócios operacionais da REMIL, em 01/12/2008, obviamente deveriam ser considerados os custos de tais empréstimos OU, sob o ponto de vista financeiro, A VENDA DAS QUOTAS SE DARIA POR VALOR MENOR DO QUE O EFETIVAMENTE DESPENDIDO PARA A AQUISIÇÃO. É imprescindível destacar ainda, que a operação foi extremamente coerente, na medida em que os valores pagos pela RECORRENTE à KAVIEDES, superiores ao custo de aquisição geraram ganho de capital que foi oferecido à tributação, conforme informação da própria KAVIEDES (fls. 2.675/2.679), solicitada pela RECORRENTE. (...) Enquanto a variação cambial do período foi de 47,73%, a variação do preço – entre preço de REMIL e preço de PRISTINE – foi somente de 8,43%, muito razoável em relação à condição de mercado, ou seja, à remuneração que se obteria aplicando os recursos utilizados na compra da REMIL entre os meses de junho e dezembro de 2008. No entanto, não é segredo que investidores institucionais, ou seja, investidores de grandes volumes de recursos, como seria o caso da RECORRENTE, obtém no mercado financeiro rendimentos acima da taxa CDI, de tal maneira que o acréscimo de 8,43% no preço cobrado pela KAVIEDES é mais do que razoável do ponto de vista de mercado. Uma vez demonstrado que o preço cobrado pela KAVIEDES na venda das quotas da PRISTINE refletiu nada mais, nada menos, do que as condições de mercado, não podem prosperar o questionamento do v. acórdão recorrido (grifamos) Embora longa, a transcrição das razões recursais fezse necessária para demonstrar que o fundamento econômico para o "ágio" apurado na empresa PRISTINE foi a incidência de juros e variação cambial e não a expectativa de rentabilidade futura da referida empresa. 2) DO ÁGIO INTERNO A Recorrente questiona a conclusão do trabalho fiscal de que o ágio gerado entre partes relacionadas, o denonimado "ágio interno", não seria vedado pela legislação tributária antes da publicação da Lei nº 12.973/2014. A verdade é que, embora não existisse vedação expressa, a jurisprudência do CARF, diante de uma série de situações concretas levadas à julgamento, identificou que, via de regra, o ágio gerado internamente carecia de substância econômica. Como esclarece a Conselheira Edeli Pereira Bessa no voto condutor do Acórdão nº 1101000.968 a ausência de vedação expressa na lei não fornece, por si, tal como alegado pelo Recorrente, o fundamento de validade do ágio gerado entre partes relacionadas. Não era necessário “que a lei expresse claramente a necessidade de o ágio ser formado em aquisições com a intervenção de terceiros. Este requisito integra a essência do ágio por rentabilidade futura. Sem Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.150 16 terceiros, a rentabilidade futura somente passa a gerar efeitos patrimoniais para investidora e investida quando ela efetivamente for auferida”. Ainda neste voto, a Relatora lembra que na forma da legislação que trata da matéria, “somente há aquisição quando há intervenção de terceiro e efetiva transmissão de propriedade do direito”. Marcos Shigueo Takata alerta que não é possível estabelecer, de plano, que todo ágio gerado internamente seja fictício. Em artigo intitulado "Ágio Interno sem Causa ou "Artificial e Ágio Interno com causa ou Real Distinções Necessárias" o autor estabelece os requisitos para se identificar o ágio interno real: 5.6. Colocada a base para recriminação do reconhecimento contábil do ágio gerado internamente, em seus devidos termos, podemos extrair a seguinte inteligência. 5.7. O reconhecimento contábil do ágio interno é condenado quando ele não decorre de pagamento de preço e não há minoritários envolvidos ou terceiros ao quadro societário, na geração do ágio em reorganizações societárias ocorridas dentro do grupo societário. Os lucros nos estoques na controladora não são eliminados (vendas de baixo para cima); os lucros downstream não são eliminados(obrigatoriamente); mesmo na venda entre controladas, os lucros nos estoques na compradora não são eliminados, e, também (por reflexo), não são eliminados na controlada. Associese a tudo isso, a existência de terceiros ou minoritários envolvidos oi implicados (valores de sáida contra valores de entrada justificados por equivalência patrimonial)na geração do ágio interno. 5.8 Daí dizermos: é que quando inexiste pagamento de preço e minoritários ou terceiros que se põe a condenação ao reconhecimento contábil do ágio interno, com ausência de geração de riqueza nova à luz do Direito Contábil anterior à convergência às normas internacionais de contabilidade. É nesse contexto que se coloca o chamado ágio "de si mesmo" ou ágio "consigo mesmo". Dessa forma, para que se legitime o ágio interno não basta a comprovação do pagamento do preço. É fundamental que o contribuinte comprove a participação de terceiros ou mesmo dos acionistas minoritários. Em outras palavras, a existência de ágio interno real é exceção e, como tal, traz ao contribuinte o ônus da comprovação das situações excepcionais. Ao refutar as alegações do trabalho fiscal e da decisão recorrida, a Recorrente insiste que o ágio seria legítimo, uma vez que a venda da empresa PRISTINE foi efetuada pelo valor de mercado. Confirase: No caso em tela, conforme já esclarecido em mais de uma ocasião, o cálculo do preço pago pela RECORRENTE para aquisição da PRISTINE (R$ 552.803.021,00) considerou todos os custos de juros e variação cambial que foram necessários para a aquisição anterior da REMIL pela KAVIEDES, bem como o fato de a SPAL estar adquirindo uma empresa que já estava LIVRE DAS CONTINGÊNCIAS que a REMIL possuía. Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.151 17 Mais uma vez, o preço pago pela RECORRENTE nada mais é do que a soma: Dos saldos contábeis do empréstimo anteriormente desembolsado pela SPAL para a KAVIEDES (R$ 372.729.775,00); e Ora, o preço pago refletiu tudo que a KAVIEDES teve que despender para adquirir o negócio da PRISTINE, bem como o custo do capital aplicado pela KAVIEDES no negócio e não no mercado financeiro! Vale destacar que, se os custos com juros e variação cambial tivessem sido arcados diretamente pela RECORRENTE, a dedutibilidade teria sido imediata e não diferida em cinco anos a título de ágio, tendo em vista que a RECORRENTE obteve lucro tributável em 2008 (fls. 2.679/2.680). Logo, tanto não se tratou de reorganização com cunho tributário, pois se a própria RECORRENTE tivesse tomado os empréstimos para fazer a aquisição (empréstimos esses que totalizariam R$ 180.073.247,00, se descontada a parcela de recursos que a RECORRENTE emprestou para a KAVIEDES), as despesas de juros e variação cambial teriam sido reconhecidas imediatamente pela RECORRENTE, e não sob forma diferida como parte do ágio amortizado em cinco anos! Em suma, o procedimento adotado pela RECORRENTE causou um benefício ao Erário, e não ao contrário. Ao procurar justificar que a alienação da empresa se operou tomando por base o valor de mercado, a Recorrente não fundamenta a existência do ágio, mas a existência d despesas financeiras. 3) INEXISTÊNCIA DE “PREJUÍZOS” À FAZENDA PÚBLICA E APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL PELO ALIENANTE DA EMPRESA ADQUIRIDA COM SOBRE PREÇO FUNDADO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. Como bem observado pelo Conselheiro Luis Flavio Neto, no julgamento do Processo nº 10880.721862/201045, a pragmática do CARF, ao mesmo tempo que gravou situações como indicativas de "abuso" que viciaria as operações e, por conseqüência, destituiriam o direito direito de amortização do ágio, "resultou em progressiva indicação de safe harbours, fatores que, quando presentes, evidenciariam à administração fiscal a legitimidade fiscal dos negócios praticados pelo contribuinte, colocandoo em um porto seguro. Muitas vezes, a presença de algum desses fatores resulta na consideração de uma operação como a priori legítima. Duas situações indicativas desses safe harbours seriam: a) a inexistência de prejuízo ao fisco e b) apuração de ganho de capital pelo alienante da empresa adquirida. Sendo assim, se uma restruturação societária não conduzir à minoração de ônus tributário em comparação com aquele que seria suportado com a mais simples e direta absorção da empresa adquirida pela adquirente e, inclusive, não multiplicar ou de alguma forma ampliar o ágio, então a administração fiscal sequer teria interesse de agir. Como exemplo, é possível observar a decisão a seguir, a qual confirmou a legitimidade da amortização fiscal do ágio: “A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, Fl. 3160DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.152 18 não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio”(BANCO GMAC S/A Acórdão n. 1301001.224. Processo n. 16327.001482/201052) Dessa forma, é necessário reconhecer que também não é lícito à Fazenda Nacional tributar mais a renda em questão do que seria tributado em comparação com o ônus que seria suportado com a mais simples absorção da empresa adquirida pela adquirente. Essas ponderações são importantes porque, como já exposto nos itens anteriores, a Recorrente, desde a impugnação, alega que o sobrepreço por ela pago a título de ágio pela aquisição da empresa PRISTINE não gerou qualquer prejuízo à fiscalização, uma vez que, se deduzisse as despesas financeiras, teria uma situação mais favorável do que a situação fiscal gerada com a amortização do ágio. Alega, também, que a Alienante (KAVIEDES) apurou ganho de capital e submeteu à tributação os valores recebidos em virtude do sobrepreço. Tais situações, embora não possam transformar o valor em ágio, podem resguardar a situação da contribuinte. Isso porque, se comprovada a ausência de prejuízo à fazenda, juntamente com a tributação do ganho de capital pela alienante, o lançamento seria cancelado por ausência de interesse de agir por parte da fiscalização. As alegações da contribuinte foram julgadas improcedentes pela decisão recorrida por três motivos: a) os encargos monetários não incidiriam sobre o montante pretendido pela então Impugnante; b) a despesa financeira não integra o preço do negócio, c) as despesas não teriam sido comprovadas. Confirase: 68. O argumento é improcedente. Não há que se falar em encargos monetários sobre R$ 432.729.775,00, que correspondem à parte do preço do negócio que foi suportada pela Impugnante, direta (R$ 372.729.775,00) ou indiretamente – dívida “liquidada por confusão”, na incorporação da DIXER (R$ 60.000.000,00). Ou seja, do valor do preço pago em 26/06/2008, R$ 495.839.409,27, restam apenas R$ 63.109.634,27 e R$ 14.007.000,00, sobre os quais poderia haver incidência de juros, segundo o regime de competência, nos limites dos termos contratados e mediante comprovação. 69. Ademais, os encargos porventura relacionados ao passivo da KAVIEDES não têm o condão de justificar ágio por rentabilidade futura da PRISTINE (REMIL), tenha a SPAL assumido ou não qualquer parcela do passivo. Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.153 19 70. Convém também anotar que sob nenhum “ponto de vista” despesas financeiras se “convertem” em ágio, nem se confunde preço com ágio fundamentado em rentabilidade futura, que também não decorre do que a “IMPUGNANTE entendeu como razoável” (vide fls. 2496 a 2498). 71. Enfim, a referida despesa financeira não integra o preço do negócio; se comprovada, o que não foi, poderia constituir despesa financeira sobre empréstimos a terceiros não integrantes da relação jurídica lá estabelecida; independentemente de o recurso ter sido aplicado nesta aquisição, em qualquer outro ativo, na quitação de passivo, ou mesmo como capital de giro ou qualquer outra destinação. Quanto à ausência de comprovação do pagamento dos valores, assim se manifestou a decisão recorrida: 44. Com base nos documentos apresentados, o que fica comprovado é: Na data da efetivação da compra da REMIL, 26/06/2008, a SPAL e a DIXER transferem recursos para a KAVIEDES no montante, respectivamente de R$ 329.050.000,00 e R$ 60.000.000,00. Em 30/10/2008, véspera da segregação do ativo operacional da REMIL, datada de 01/11/2008, a SPAL transfere para a KAVIEDES recursos da ordem de R$ 22.812.000,00. 45. Também não foi comprovado o pagamento às vendedoras da REMIL (COCA COLA, CMR e ITACAN), nem à KAVIEDES. 46. Não foram apresentados documentos que comprovassem que as transferências efetuadas pela SPAL para a COCA COLA, CMR e ITACAN, no total de RS 12.812.833,00 em 08/10/2009 com a finalidade de ‘pagamento de fornecedores’ se referiam, na verdade, a quitação de mútuo. Aliás, não foi apresentado documento que comprove os mútuos, nem as supostas credoras assinaram o título de assunção de dívida celebrado entre a KAVIEDES e a SPAL. 47. Quanto aos extratos bancários da cliente AMERICAN PARTICIPACOES LTDA, contêm registros de resgate de aplicação financeira em 28/11/2008 RENDA FIXA BBB – no valor de R$ 9.200.074,31, e aplicação de R$ 9.200.000,00 em 01/12/2008; logo, não comprovam qualquer pagamento feito pela SPAL. 48. A KAVIEDES, por sua vez, não comprovou qualquer pagamento. 49. A Autoridade Fiscal tomou por comprovação do pagamento pela aquisição da REMIL as Cláusulas 3.2 a 3.4 do Contrato de Quota Purchase Agreement, ou seja, considerou paga a aquisição em função de ter havido a transferência das quotas (fl. 53): (...) 50. Somando todos os documentos apresentados relativos a desembolsos da SPAL (incluindo o desembolso da DIXER que veio a ser incorporada) se chega ao total de R$ 424.474.833,00. Segue resumo: Fl. 3162DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.154 20 51. Quanto ao valor de R$ 14.007.000,00, devidos pela KAVIEDES, junto aos vendedores da REMIL, foi apresentado contrato particular de assunção de dívida entre a SPAL e KAVIEDES em 01/12/2008, fls. 1405/1406, constando que: “CONSIDERANDO QUE em 30 de maio de 2008, Kaviedes celebrou um Quota Purchase Agreement ("Contrato de Compra de Quotas") com CocaCola indústrias Ltda, CMR Indústria de Refrigetantes Ltda, Itacan Refrigerantes Ltda (as "Vendedoras"), através do qual a KAVIEDES assumiu diversas obrigações, dentre as quais a de eventualmente efetuar um pagamento às Vendedoras de acordo com a Cláusula 2.3 do Contrato de Compra de Quotas, o qual veio a se apurar, no valor de RS 14.007.000,00 (Quatorze milhões e sete mil reais); 52. No entanto, não consta nos autos o acordo entre o Comprador e os Vendedores sobre itens de que trata a Cláusula 2.3 do Contrato de Compra de Quotas, bem como o contrato, assinado por LUIZ e EDUARDO, representantes da SPAL não possui anuência dos credores, (TVF fl. 52) representantes das Vendedoras, quando o artigo 299 do Código Civil requer o consentimento expresso do credor. De acordo com trecho da decisão acima transcrito, teriam sido comprovados os seguintes valores: a) Na data da efetivação da compra da REMIL, 26/06/2008, a SPAL e a DIXER transferem recursos para a KAVIEDES no montante, respectivamente de R$ 329.050.000,00 e R$ 60.000.000,00 b) Em 30/10/2008, véspera da segregação do ativo operacional da REMIL, datada de 01/11/2008, a SPAL transfere para a KAVIEDES recursos da ordem de R$ 22.812.000,00. Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 16561.720236/201616 Resolução nº 1402000.866 S1C4T2 Fl. 3.155 21 Permaneceriam sem comprovação os seguintes valores; a) os pagamentos às vendedoras da REMIL (COCACOLA, CMR E ITACAN) e à KAVIEDES; b) não foram apresentados documentos que comprovassem que as transferências efetuadas pela SPAL para a COCA COLA, CMR e ITACAM com a finalidade "pagamento à fornecedores" se referiam, na verdade, a quitação de mutuo; c) Não foi comprovada a anuência dos credores quanto ao título de assunção de dívida celebrado entre a KAVIEDES e a SPAL. Diante do exposto, como pondera a Recorrente, a rigor, não se pode falar em ausência de comprovação do pagamento, pois do total de comprovantes analisados pelo (R$ 424.474,754,00) o acórdão recorrido reconheceu a comprovação de 97% dos pagamentos (R$ 411.862.000,00) e apenas 2,83% (R$ 12.612.754,00) não teriam sido comprovados. No entanto, ainda que se admita a comprovação do pagamento, o trabalho fiscal se limitou a analisar o sobrepreço pago pela Recorrente como ágio. E, partindo dessa premissa, corretamente concluiu que de ágio não se tratava por ausência de fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura. Todavia, admitindose que tais valores equivalem à despesas financeiras e que estas seriam aptas a justificar o sobrepreço na venda da empresa PRISTINE, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal esclareça se. a) O montante superior ao registros dos ativos e demais bens do patrimônio liquido equivale ou se aproxima do valor das despesas financeiras e demais encargos correspondente aos empréstimos envolvidos na transação, bem como se houve pagamento de Imposto de Renda sobre ganho de capital em ambos os ágios pela alienante KAVIEDES, manifestandose por meio de relatório conclusivo; b) Dê vista ao contribuinte para, querendo, se manifestar no prazo de 30 dias. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 3164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720041/2011-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte.
Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS.
A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR- Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância.
SÚMULA CARF Nº 125
No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS INDUMENTÁRIAS, SERVIÇOS DE LIMPEZA OPERACIONAL DO FRIGORÍFICO, GESTÃO DE MAQUINÁRIO DE PRODUÇÃO E FRETES DE TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE.
Deve-se observar, para fins de se definir insumo para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstram-se dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS, referente as despesas incorridas com a aquisição de indumentárias, serviços de limpeza operacional do frigorífico, gestão energética do maquinário da produção, e fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados.
Numero da decisão: 9303-008.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR- Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. SÚMULA CARF Nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS INDUMENTÁRIAS, SERVIÇOS DE LIMPEZA OPERACIONAL DO FRIGORÍFICO, GESTÃO DE MAQUINÁRIO DE PRODUÇÃO E FRETES DE TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. Deve-se observar, para fins de se definir insumo para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstram-se dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS, referente as despesas incorridas com a aquisição de indumentárias, serviços de limpeza operacional do frigorífico, gestão energética do maquinário da produção, e fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13005.720041/201189 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303008.599 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2019 Matéria CONCEITO DE INSUMOS PIS/PASEP Recorrentes FAZENDA NACIONAL FRS S/A AGRO AVICOLA INDUSTRIAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 00 41 /2 01 1- 89 Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 3 2 creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. SÚMULA CARF Nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS INDUMENTÁRIAS, SERVIÇOS DE LIMPEZA OPERACIONAL DO FRIGORÍFICO, GESTÃO DE MAQUINÁRIO DE PRODUÇÃO E FRETES DE TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. Devese observar, para fins de se definir “insumo” para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstramse dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS, referente as despesas incorridas com a aquisição de indumentárias, serviços de limpeza operacional do frigorífico, gestão energética do maquinário da produção, e fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 4 3 Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do Acórdão n° 3301003.941. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional suscita divergência referente as seguintes matérias: i). Conceito de insumo para fins de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas; ii). direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com a aquisição de indumentárias; iii). direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com os serviços de limpeza operacional do frigorífico e gestão energética do maquinário da produção; iv). direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas com fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados. O Presidente da 3ª Seção de julgamento, deu seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade que instrui os autos. Regularmente notificada do Acórdão recorrido, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte apresentou, contrarrazões ao recurso fazendário e recurso especial, apontando divergência referente a aplicação da taxa Selic para atualização de créditos da contribuição objeto do pedido de ressarcimento indeferido. Do juízo de admissibilidade, o Presidente da 3ª Seção de Julgamento, deu seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade carreado aos autos. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.596, de 15 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13005.720025/201196, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.596): "Os recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 5 4 Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 18/11/2010, por meio do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de PIS não cumulativo vinculados à receita do mercado externo relativos ao 3º trimestre de 2010. Do julgamento do Recurso Voluntário, a turma a quo, decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: 1. Conceito de insumos para PIS e Cofins não cumulativos referentes a: 1.1 Transporte de funcionários: negar provimento por maioria; 1.2 Locação de uniformes: dar provimento por unanimidade; 1.3 Limpeza e higiene: dar provimento por maioria, exclusivamente quanto ao credito referente à câmara frigorífica; 1.4 Construção civil: negarprovimento por unanimidade; 1.5 Tratamento de resíduos industriais: negar provimento por voto de Qualidade; 1.6 Despesa com energia elétrica: dar provimento por unanimidade; 2. Despesas com fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados: dar provimento por unanimidade; 3. Créditos extemporâneos/preclusos: dar provimento por unanimidade, ressaltandose que a lide restringese à admissão dos créditos extemporâneos, negado sumariamente na origem por falta de declaração, a aferição do crédito não foi tratada nos autos, devendo ser executada pela Unidade de Origem, quando da execução do Acórdão; 4. Créditos presumidos: 4.1 Aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB: negar provimento por unanimidade; 4.2 Regularidade do valor da base de cálculo do crédito presumido atribuído pelo Contribuinte: dar provimento por maioria de votos; 4.3 Alíquota para o cálculo do crédito presumido: Por unanimidade de votos: (i) dar provimento ao recurso voluntário quanto a aplicação da alíquota de 60% sobre Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 6 5 todos os insumos utilizados na produção e (ii) negar provimento no sentido de não ser possível a compensação ou ressarcimento do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004; 4.4 Aplicação da taxa Selic: negar provimento por unanimidade. Decido. Recurso da Fazenda Nacional A matéria devolvida no Recurso Especial da Fazenda Nacional, diz respeito as seguintes matérias: i). Conceito de insumo para fins de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas; ii). direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com a aquisição de indumentárias; iii). direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com os serviços de limpeza operacional do frigorífico e gestão energética do maquinário da produção; iv). direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas com fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados. 1. Conceito de Insumos Com efeito, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 7 6 um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 8 7 comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 9 8 relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve: “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa". Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 10 9 Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Destarte, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. ii) Direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com a aquisição de indumentárias Centrandose a divergência dos autos, verifico junto ao objeto social da Contribuinte, ás efls. 42, que a Sociedade empresária tem por objetivo: a) o desenvolvimento genético, a produção de aves, suínos e ovinos de corte e, a produção e criação das respectivas matrizes; b) A industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais que convier, inclusive subprodutos e respectivo comércio, por atacado e a varejo; c) A fabricação e comercialização de rações e concentrados para consumo animal; d) A industrialização e comercialização de cereais de qualquer espécie; e) A exploração de atividade agropecuária; f) A importação e exportação para uso próprio ou para comércio, dos produtos e subprodutos elencados nas alíneas "a" a "d" supra; g) Transporte terrestre de carga de seus produtos e .de terceiros; h) Representação mercantil, e outros empreendimentos correlatos aos objetivos sociais; i) A exploração de depósito portuário em área especifica de porto marítimo com a finalidade de viabilizar a estocagem e embarque de mercadorias e ou produtos próprios frigorificados, para exportação. Analisando a quaestio, como dito em linhas acima, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, de modo que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. No que tange a pretensão da Fazenda Nacional, em não reconhecer o direito da Contribuinte de ressarcir créditos da COFINS não cumulativa referente aos dispêndios relacionados a utilização de "indumentárias", não lhe assiste razão. Como visto, a Contribuinte exerce atividade relacionada ao "desenvolvimento genético, a produção de aves, suínos e ovinos de corte e, a produção e criação das respectivas matrizes", Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 11 10 de modo que, a indumentária tornase de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes, sendo insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins. Ademais, o uso de indumentária nas vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens para atividade desenvolvida pela Contribuinte, é essencial para a execução da atividade fim, sendo que, para a concessão da indumentária aos empregados, a Contribuinte deve observar as exigências contidas na legislação editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – IN 1/94, da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho. Neste mesmo sentido, esta E. Câmara Superior já se manifestou sobre o tema. Vejamos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. Devese observar, para fins de se definir “insumo” para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstramse dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços. No caso vertente, a indumentária na indústria de processamento de carnes, por ser necessária e essencial à atividade do sujeito passivo que, por sua vez, deve zelar pela higiene, segurança à saúde dos consumidores e dos próprios empregados, além de sua utilização ser regulamentada pela ANVISA, deve gerar crédito da contribuição ao PIS". (Acórdão nº 9303004.383– 3ª Turma. Julgado em 08 de novembro de 2016, Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama). Neste ponto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. Já o Recurso Especial da Contribuinte, lhe assiste razão em parte. iii) direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com os serviços de limpeza operacional do frigorífico e gestão energética do maquinário da produção Como visto, a Contribuinte exporta grande parte de sua produção, de modo que as carnes e aves, em parte ou inteiras, assim como os produtos derivados com empanados, embutidos Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 12 11 ou pratos prontos, são acomodados em containeres dotados de grande capacidade de resfriamento e/ou congelamento, para o fim de que os produtos cheguem ao seu destino em condições próprias para o consumo, de modo que, gastos com os serviços de limpeza operacional do frigorífico e gestão energética do maquinário da produção são essenciais atividade empresária, passiveis de creditamento/ressarcimento do PIS e da COFINS. iv) direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas com fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 13 12 PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 14 13 aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 15 14 àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 16 15 Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 17 16 do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 18 17 [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 19 18 f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 20 19 Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 21 20 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 22 21 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins não cumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicando se o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 23 22 Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância , considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Vejamos fragmentos do Voto: "São "insumos", para efeitos do art. 3º., II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º., II, da Lei 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 24 23 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Observase, como bem delineado no voto proferido pelo eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, que a conceituação de insumo prevista nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 está atrelada ao critério da essencialidade para a atividade econômica da empresa, de modo que devem ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo , de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto; é fora de dúvida que não ocorre a ninguém afirmar que os produtos de limpeza são insumos diretos dos pães, das bolachas e dos biscoitos, mas não se poderá negar que as despesas com aqueles produtos de higienização do ambiente de trabalho oneram a produção das padarias. A essencialidade das coisas, como se sabe, opõese à sua acidentalidade e a sua compreensão (da essencialidade) é algo filosófica e metafísica; a maquiagem das mulheres, por exemplo, não é essencial à maioria dos homens, mas algumas mulheres realmente não a podem dispensar – e não a dispensam – ou seja, lhes é realmente essencial e isso não poderia ser negado; em outros contextos, dizse até que certa pessoa é essencial à existência de outra – não há você sem mim e eu não existo sem você, como disse o poeta VINÍCIUS DE MORAES (19131980) – mas isso, como todos sabemos, é claramente um exagero carioca e não serve para elucidar uma questão jurídica de PIS/COFINS e muito menos o problema que envolve a essencialidade das cosias e dos insumos: é apenas uma metáfora do amor demais. A adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final". Nos termos do art. 62, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 25 24 recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. In verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014". Deste modo, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha o equilíbrio impositivo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 26 25 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Destarte, o conteúdo contido no artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS referente as despesas incorridas com a aquisição de indumentárias, serviços de limpeza operacional do frigorífico, gestão energética do maquinário da produção, e fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados. Recurso da Contribuinte A matéria devolvida no Recurso Especial da Contribuinte, cingese quanto a possibilidade de aplicação da taxa Selic sobre o ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS não cumulativos. Com relação à questão da correção monetária e incidência da taxa Selic sobre os créditos de PIS e da COFINS, importante lembrar pela impossibilidade do pedido, face à expressa vedação por dispositivo legal, da Lei nº 10.833, de Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 13005.720041/201189 Acórdão n.º 9303008.599 CSRFT3 Fl. 27 26 29/12/2003 (conversão da MP 135, de 31/10/2003, que tratou da cofins nãocumulativa). Esta discussão foi definitivamente dirimida por este Conselho, por meio da edição da Súmula nº 125. Vejamos: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e Contribuinte. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1922DF CARF MF
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Numero do processo: 12157.000022/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1991 a 30/09/1995
COMPENSAÇÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE. DECLARAÇÃO APENAS EM DCTF. PRESCRIÇÃO DE DÉBITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não se acolhe alegação desacompanhada de provas ou sem suporte nos autos, notadamente quando o ônus de demonstrá-la é do contribuinte.
NÃO CONHECIMENTO. ALEGAÇÃO DE ERROS MATERIAIS. PERÍODO DE INDÉBITO SUPERIOR AO APURADO PELO FISCO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Não devem ser incluídos nos cálculos os fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 1991, por fazerem parte de outra ação judicial, Mandado de Segurança nº 2000.61.00.038850-7/SP, cujo indébito discute-se em processo administrativo específico. Portanto, tal questão não deve ser considerada nos cálculos do indébito aqui tratado, por representar matéria de concomitância judicial.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1, vinculante)
NÃO CONHECIMENTO. ALEGAÇÃO DE ERROS MATERIAIS. SISTEMÁTICA DA SEMESTRALIDADE. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
A questão da semestralidade é objeto do Mandado de Segurança n° 2000.61.00.038850-7/SP, cujo direito creditório discutido faz parte de controle de outros autos administrativos. Portanto, tal questão não deve ser considerada nos cálculos do indébito aqui tratado, por representar matéria de concomitância judicial.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1, vinculante).
Numero da decisão: 3301-006.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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DECLARAÇÃO APENAS EM DCTF. PRESCRIÇÃO DE DÉBITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não se acolhe alegação desacompanhada de provas ou sem suporte nos autos, notadamente quando o ônus de demonstrála é do contribuinte. NÃO CONHECIMENTO. ALEGAÇÃO DE ERROS MATERIAIS. PERÍODO DE INDÉBITO SUPERIOR AO APURADO PELO FISCO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Não devem ser incluídos nos cálculos os fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 1991, por fazerem parte de outra ação judicial, Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0388507/SP, cujo indébito discutese em processo administrativo específico. Portanto, tal questão não deve ser considerada nos cálculos do indébito aqui tratado, por representar matéria de concomitância judicial. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1, vinculante) NÃO CONHECIMENTO. ALEGAÇÃO DE ERROS MATERIAIS. SISTEMÁTICA DA SEMESTRALIDADE. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. A questão da semestralidade é objeto do Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0388507/SP, cujo direito creditório discutido faz parte de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 7. 00 00 22 /2 00 8- 31 Fl. 729DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 730 2 controle de outros autos administrativos. Portanto, tal questão não deve ser considerada nos cálculos do indébito aqui tratado, por representar matéria de concomitância judicial. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1, vinculante). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por retratar adequadamente os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, ao qual farei as devidas complementações. Relatório Tratase da Manifestação de Inconformidade de fls. 457/492, oposta ao Despacho Decisório de fls. 438/445, com data de 11/08/2008, que indeferiu parcialmente ressarcimento e compensação cujo crédito tem origem em indébito do PIS recolhido com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e objeto da Ação Ordinária nº 96.00.084386. A parte da compensação que se refere aos débitos de PIS de janeiro/1997, fevereiro/1997 e de abril/1997 a abril/2001 foi apenas declarada em DCTF, enquanto a restante foi objeto das Declarações de Compensações (DCOMP) transmitidas entre 15/07/2005 e 15/02/2006. Conforme o referido Despacho, na parte declarada em DCTF foi convalidada parcialmente a compensação relativa ao débito de março de 2001 (não convalidação parcial) e não convalidada a relativa ao total do débito de abril de 2001 (não convalidação integral neste mês), enquanto na parte restante todas as DCOMP foram não homologadas. Ainda segundo o Fl. 730DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 731 3 Despacho, cabe recurso apenas em relação às DCOMP, sendo que em relação à parte não convalidada inexiste previsão legal para apresentação de “qualquer recurso” (ver item 32 do Despacho Decisório, à fl. 445). Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório do Despacho Decisório (parte da folhas referenciadas corresponde à numeração original do processo nº 11610.015030/200229): 01. Serve o processo de n° 11610.015030/200229 de instrumento de impugnação contra Auto de Infração de n° 0032221, lavrado em 09/05/2002 (fls. 01/11). 02. O Auto de Infração originouse da DCTF do contribuinte, referente ao 4º trimestre de 1997. Em suma, foram lançados os débitos de PIS de outubro, novembro e dezembro de 1997, com acréscimo de juros de mora e multa (fls. 15/22). 03. Em consulta à DCTF em análise (fls. 195/198), foi verificado que os débitos lançados haviam sido informados no campo "exigibilidade suspensa", por concessão de "antecipação de tutela" processo judicial n° 96.84386. 04. A par disso, a EQAMJ/DICAT/DERAT/SPO procedeu a análise do processo judicial n° 96.00.084386, a partir do site do TRF 3 a Região, tendo constatado que, de fato, à época da lavratura do Auto de Infração, já havia autorização judicial para a compensação. O processo de Auto de Infração foi então encerrado no sistema SIEF e os débitos recadastrados no sistema de cobrança PROFISC processo administrativo n° 12157.000022/200831, juntamente com os demais débitos compensados em DCTF com a mesma ação judicial em comento, quais sejam, débitos de PIS de janeiro/97, fevereiro/97 e de abril/97 a abril/01 (fls. 308/316). 05. Neste ponto vale destacar que o contribuinte também transmitiu, por via eletrônica, as seguintes DCOMP listadas abaixo, em que informou o processo judicial n° 96.00.084386 como origem do crédito. Essas DCOMP (fl. 421) foram baixadas para tratamento manual para análise conjunta com o presente processo: PER/DCOMP VALOR TOTAL CRÉDITO VALOR TOTAL DÉBITO DATA TRANSMISSÃO 13412.70711.150705.1.3.571852 2.660.814,61 443.469,10 15/07/2005 35146.27690.150805.1.3.579409 2.660.814,61 200.000,00 15/08/2005 01890.72947.150905.1.3.574600 2.660.814,61 443.469,10 15/09/2005 25055.51063.141005.1.3.574155 2.660.814,61 443.469,10 14/10/2005 32426.24438.141105.1.3.577275 2.660.814,61 200.000,00 14/11/2005 11534.85332.151205.1.3.579064 2.660.814,61 443.469,10 15/12/2005 11515.15824.130106.1.3.576567 2.660.814,61 443.469,10 13/01/2006 34231.32342.150206.1.3.570300 2.660.814,61 130.874,59 15/02/2006 06. O processo judicial em tela trata, resumidamente, de ação de conhecimento com tutela antecipada, impetrado na 21ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, em 25/03/1996, objetivando reconhecer o direito da interessada em compensar pretensos valores pagos a maior de PIS (corrigidos monetariamente) entre os períodos de 04/91 e 09/95, com base nos inconstitucionais DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88 (fls. 26/41). 07. Juízo da 1 a instância indeferiu a tutela antecipada (fl. 42) entretanto, após interposição de agravo de instrumento no TRF da 3 a Região (fls. 43/52), a tutela foi deferida a fim de autorizar a compensação com débitos do próprio PIS (fls. 54/62). 08. Após todo o trâmite legal, sobreveio decisão de 1 a instância (fls. 71/84), autorizando a interessada a compensar os valores indevidamente recolhidos de PIS, ante o reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88. A compensação foi autorizada com débitos do próprio PIS, COFINS e CSLL. Determinou a prescrição decendial. No tocante a correção monetária, Fl. 731DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 732 4 determinou a aplicação dos mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional. E ainda ressalvou o direito à União a exercer suas atividades fiscalizadoras ao citar o AGSP 96.0384976, rei. Juiz Homar Cais, DJ de 27.06.96, p. 44432: "(...) Tratase, com efeito, de lançamento por homologação, não inibindo o fisco de exercer sua atividade, quer verificando se o eventual pagamento indevido não está coberto pela prescrição, quer no tocante à conferência de cálculos e à observância dos parâmetros decorrentes do artigo 66 da lei n° 8.383/91 (...)" (fl. 76). 09. Após apelação da União, o acórdão foi reformado tão somente para que a compensação fosse efetuada apenas com débitos do próprio PIS (fls. 79/84). 10. Houve o trânsito em julgado em 14/04/2000 (fl. 85). 11. Em 13/04/2005, a interessada ingressou com Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado sendo este deferido em 15/06/2005. 12. O contribuinte foi então intimado por esta EQITD/DIORT/DERAT/SP à apresentar documentos imprescindíveis a análise do pleito, a partir do Termo de Intimação Fiscal n° 74/2008, sendo estes anexados às folhas 241/243 (intimação) e 244/381 do processo n° 12157.000022/200831. 13. A intimação foi respondida a contento e, quanto ao item 7 (sete) do Termo, que solicitava a desistência ou renúncia da execução do título judicial n° 96.84386, esclareceu que neste processo a empresa buscou única e exclusivamente a compensação dos pagamentos indevidos e que o processo encontrase arquivado, sendo desarquivado apenas para pagamento do precatório relativo aos honorários de sucumbência (fls. 251/253). Essa informação foi corroborada em Certidão de Objeto e Pé constante à folha 289. 14. Segue relação dos principais documentos apresentados e juntados ao processo: • Planilha com demonstrativo das contas que compuseram as bases de cálculo do PIS dos períodos solicitados a partir do Termo de Intimação n° 74/2008 (fls. 260/283); • Declaração assinada pelo contador da empresa de que os lançamentos efetuados no livro Razão representam fielmente os do livro Diário (fl. 284); • Plano de contas da empresa (fls. 286/287); • Demonstrativo das bases de cálculo com base nos Decretos Lei 2.445/88 e 2.449/88 (receita operacional bruta) e Lei Complementar 07/70 (faturamento) e demonstrativo das diferenças de recolhimento (fl. 288); • Cópias das DIRPJ dos anoscalendário de 1991 a 1995 (fls. 292/381). 15. Cabe ainda enfatizar que o crédito solicitado pelo contribuinte monta um total de R$ 8.942.965,06 (oito milhões, novecentos e quarenta e dois mil, novecentos e sessenta e cinco reais e seis centavos), atualizado até 31/12/1995 (fl. 126). Na fundamentação o Despacho Decisório considera o seguinte: com o reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, que determinavam o recolhimento do PIS com base na receita operacional bruta do mês anterior, à alíquota de 0,65%, voltou a viger as regras previstas na Lei Complementar n° 7/70 e alterações posteriores; a LC n° 7/70 determinava a apuração do PIS com base no faturamento do sexto mês anterior, à alíquota de 0,50% (alterada para 0,75% pela LC n° 17/73), e a Lei n° 7.691/88 alterou o interregno de seis meses como prazo de recolhimento da Fl. 732DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 733 5 contribuição, sendo esse entendimento adotado pelo Parecer PGFN/CAT n° 437/98, de 1998 (não foi aplicada, pois, a semestralidade); as bases de cálculo apresentadas pelo contribuinte foram aceitas para apuração do indébito tributário; foi apurado o indébito tributário para os períodos pleiteados e concedidos judicialmente 04/91 a 09/95 com utilização do sistema CTSJ (Crédito Tributário Sub Judice), levandose em conta os valores das bases de cálculo constantes da tabela do contribuinte à fl. 303 (fl. 288 na numeração original, constante do Despacho Decisório) e os pagamentos dos DARF, estes confirmados a partir dos sistemas informatizados da RFB, fls. 430/436 (fls. 414/420 na numeração original), sendo que os valores lançados no sistema (bases de cálculo e pagamentos) podem ser conferidos às folhas 398/406 (fls. 382/390 na numeração original); o saldo dos recolhimentos, constantes dos Demonstrativos de Saldos de Pagamentos de fls. 416/422 e 424, monta R$ 8.307.161,86, com atualização até 31/12/1995. Os meses de maio e junho de 1991 foram calculados separadamente por terem sido recolhidos em parcelamento (para estes meses ver as fls. 423/424); feita a imputação dos débitos, relativos ao PIS de jan/1997, fev/1997 e de abr/1997 a abr/2001, a compensação foi insuficiente para liquidar os débitos, exceto saldos devedores em mar/2001 (com liquidação parcial) e abr/2001 (débito total), conforme os Demonstrativos de Vinculações Auditadas de Pagamentos de fls. 407/415 e 425/428 e o Demonstrativo de Consolidação de Saldos de Débitos Auditados Apurados – Exigível de fl. 429; também não foram homologadas as compensações transmitidas por via eletrônica, por insuficiência de crédito. Na parte dispositiva, o Despacho Decisório informa que cabe manifestação de inconformidade em relação à não homologação das Declarações de Compensação, conforme o disposto no art. 174, § 2º da Portaria MF 95, de 30/04/2007, anexo I da Portaria RFB 10.238, de 15/05/2007, e art. 48 da IN/SRF 600 de 28/12/2005, mas por ausência de previsão legal descabe qualquer recurso em relação à “não convalidação da compensação efetuada com base na Lei n° 8.383, de 1991, e alterações dadas pela Lei n° 9.069, de 1995; na Lei n° 9.430, de 1996 (em sua redação original) e no artigo 14, caput, da IN SRF n° 21, de 1997, declaradas em DCTF” (transcrevo do item 32 do referido Despacho). O valor remanescente referente ao débito de PIS nos meses de mar/2001 e de março/01 e abr/2001 foi transferido para o processo nº 10880.721887/200824, visando à cobrança. Na Manifestação de Inconformidade de fls. 457/492, protocolada tempestivamente em 18/09/2008 (dez dias depois da ciência do Despacho Decisório, que se deu em 08/09/2008), o contribuinte inicialmente defende o direito de contestar por meio deste processo e não mediante recurso hierárquico no âmbito da Lei nº 9.784, de 1999 , a parte da compensação não convalidada (parte do débito do PIS de mar/2001 e total de abr/2001), que segundo a decisão de origem não admite qualquer recurso por ausência de previsão legal. Invocando o art. 48 da IN SRF nº 600, de 2005, e o art. 174 do Regimento Interno da RFB aprovado pela Portaria MF nº 95, de 2007, afirma que “tratandose a decisão recorrida de suposta alegação de inexistência de crédito do contribuinte e conseqüente discordância com as compensações realizadas, entendese pela Fl. 733DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 734 6 possibilidade de interposição da presente Manifestação de Inconformidade, em qualquer uma das hipóteses”. Não obstante, prevenindose contra a possibilidade de se considerar que contra a não convalidação da compensação declarada em DCTF não é cabível a presente Manifestação de Inconformidade, mas sim recurso hierárquico nos moldes da Lei nº 9.784, de 1999, destaca ter interposto a contestação no prazo de dez dias. Requer, então, caso não admitida a presente Manifestação também em relação aos de débitos de mar/2001 (parte) e abril de 2001, seja “o presente recurso recebido nos termos do quanto disposto no art. 56, da Lei 9.784/99, atribuindose a ele efeito suspensivo nos termos preconizados pelo parágrafo único do art. 61, da Lei 9.784/99.” Contesta a parte não convalidada, afirmando que “não caberia mais a Administração Federal proceder a verificação das compensações relativas a contribuição para o PIS no período de janeiro/97, fevereiro/97 e de abril/97 a abril/01, uma vez que já teria transcorrido o prazo legal para a homologação das compensações.” Argúi que o prazo para apreciação é de cinco anos e já ocorreu “a prescrição/decadência do direito do Fisco Federal sujeito ativo da relação obrigacional vir a praticar o ato administrativo de homologação, culminando, pois, na extinção do crédito fiscal, em decorrência da sua inatividade do prazo estipulado”, impondose a homologação tácita. Em relação à parte da compensação objeto de DCOMP eletrônicas, alega a nulidade da não homologação por se encontrarem vinculadas ao Pedido de Habilitação de Decisão Judicial Transitada em Julgado objeto do processo n° 13807.002490/200568, protocolado em 13/04/2005. Afirma haver a nulidade, “nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72, porquanto proferido por autoridade incompetente, diferente daquela a qual compete à análise do Processo n° 13807.002490/200568.” Em seguida, no início do tópico “III.3 DOS ERROS MATERIAIS COMETIDOS NOS DEMONSTRATIVOS DE CÁLCULOS APRESENTADOS PELA RFB”, informa que a questão da semestralidade é objeto do Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0388507, “razão pela qual, muito embora entenda a Manifestante que o seu reconhecimento decorra da decisão judicial transitada em julgado no Processo n° 96.00084386, a não consideração pela RFB em seus cálculos não está sendo objeto de impugnação no presente recurso.” Em função dos erros materiais a seguir alinhados, considera que em vez do valor apurado no Despacho Decisório R$ 8.307.161,86, com atualização até 31/12/1995 , tem um crédito de R$ 10.074.613,61, e que depois de processadas as compensações sobra um saldo remanescente de R$ 11.491.967,70, quando atualizado para setembro de 2008. Visando demonstrar os valores acima, invoca o princípio da verdade material e junta dois demonstrativos: o de cálculos apresentados pela RFB com os destaques dos erros materiais cometidos (doc. 02, fls. 506/540) e o de cálculos elaborados pela Manifestante com destaque das correções realizadas (doc. 03, 541/546). Trata, então, nos subtópicos III.3.1 a III.3.6, dos erros alegados, a saber: 1 DIVERGÊNCIA ENTRE O PERÍODO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO NA AÇÃO JUDICIAL E AQUELE CONSIDERADO NO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULOS DA RFB: transcrevendo partes do pedido formulado na Inicial da Ação Ordinária nº 96.00084386 que se refere ao Fl. 734DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 735 7 reconhecimento do direito de crédito relativo aos pagamentos a maior do PIS nos períodos de recolhimento de abril de 1991 a setembro de 1995 (ver doc 04, fl. 557) , da sentença de 1º grau – segundo a qual o pedido para proceder à compensação foi julgado procedente na forma prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.069, de 1995, “apenas dos valores recolhidos a maior, relativos ao PIS, comprovados nos autos, atualizados monetariamente desde a data do pagamento”, afastadas as restrições da IN SRF nº 67, de 1992 (ver doc. 05, fl. 571) e do Acórdão do TRF da 3ª Região – que negou provimento à Apelação da União e deu provimento parcial à remessa oficial para restringir a compensação com débitos do próprio PIS, reafirmando o limite prescricional de 10 anos (ver fls. 572/576) , afirma que “o período pleiteado e reconhecido na demanda judicial referiuse aos recolhimentos de abril de 1991 a setembro de 1995”, que “em conformidade com a sistemática de apuração e recolhimento da contribuição para o PIS, o valor devido no vencimento de abril de 1991 referiuse ao fato gerador ocorrido em janeiro de 1991” e, no entanto, os cálculos da RFB tem início no fato gerador abril de 1991, desprezando os fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 1991; 2 DO ERRO COMETIDO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA NA VINCULAÇÃO DA DIFERENÇA ENTRE OS PAGAMENTOS REALIZADOS DE ACORDO COM OS DOIS DECRETOSLEIS E OS VALORES DEVIDOS DE ACORDO COM A LEI COMPLEMENTAR, NOS FATOS GERADORES DE AGOSTO, SETEMBRO E OUTUBRO DE 1991: afirma que “no momento da atualização dos valores devidos para vinculação nas datas dos valores recolhidos, foi utilizado um coeficiente indevido e a maior que resultou em uma diminuição do saldo de crédito, com o lançamento de ‘Compensação com DARF’ ocorrido no mês de janeiro de 1992 e janeiro de 1993”, e que “A percepção deste erro fica clara quando observado nas planilhas demonstrativas que os índices que deveriam ter sido utilizados para atualização destes meses foram divergentes e a maior em favor da RFB”; 3 DA IMPOSSIBILIDADE DE ATUALIZAÇÃO (ENTRE O FATO GERADOR E O VENCIMENTO) DO VALOR APURADO CONFORME A LEI COMPLEMENTAR NO MÊS DE JUNHO/1994 DEVIDO EM JULHO/1994: referindose ao art. 36 da Lei nº 9.069, de 1994 – que interrompeu a aplicação da UFIR a partir de 1º de julho de 1994 e até 31 de dezembro de 1994, exclusivamente para efeito de atualização dos tributos federais e receitas patrimoniais, desde que pagos nos prazos originais previstos na legislação –, considera indevida a atualização, até 08 de julho de 1994, do débito apurado pela RFB para o fato gerador de 30/06/1994. Neste item também alega que “a RFB atualizou os créditos da manifestante ocorridos pelo encontro entre débitos pela LC e pelos créditos pelos DLLs nos meses entre setembro de 1994 a setembro de 1995 pela variação da UFIR ocorrida a partir do mês ou trimestre seguinte, ocasionando dessa forma uma correção a menor” em relação ao determinado na sentença judicial, segundo a qual os valores recolhidos a maior devem ser “atualizados monetariamente desde a data do pagamento” (ver. fl. 571); 4 DA CORREÇÃO A MENOR DO CRÉDITO PELA APLICAÇÃO DE COEFICIENTE CALCULADO ATÉ A VARIAÇÃO DA UFIR DE 0,7952 AO INVÉS DA VARIAÇÃO DA UFIR DE 0,8287: referindose ao doc. 5 anexado à Manifestação de Inconformidade (fls. 578/580), que contém os coeficientes aprovados pela Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n° 08, de 27/06/1997, e considerando que a conversão do crédito gerado até o período de 31/12/1995 é atualizado até o valor definido em 1º de janeiro de 1996, que é de 0,8287, alega que a correção do saldo de pagamento está a menor em 4,21% (0,8287/0,7952) e merece Fl. 735DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 736 8 ser revista, em virtude aplicação incorreta das disposições legais pertinentes a tal correção e dos índices reconhecidos pela decisão judicial. Menciona os Demonstrativos de Saldos de Pagamentos e de Parcelamentos, afirmando que “As divergências entre os coeficientes corretos a serem adotados tornase clara se confrontado o demonstrativo dos índices utilizados pela Manifestante (doc. 05) com a coisa julgada material que se formou com o trânsito em julgado do processo judicial, qual seja, INPC de abril de 1991 a dezembro de 1991 e UFIR a partir de janeiro de 1992 até dezembro de 1995”; 5 DA CORREÇÃO A MENOR OCASIONADA PELA UTILIZAÇÃO DE COEFICIENTES INDEVIDOS NO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULOS DA RFB: o contribuinte contesta o emprego da UFIR diária na conversão do indébito. Menciona os arts. 4º a 8º da IN SRF nº 67, de 1992, arguindo que o seu art. 6º, I, “b”, ao estabelecer a UFIR diária para conversão na hipótese de pagamento indevido efetuado a partir de 1º de janeiro de 1992, não tem respaldo em lei, observando que nem o art. 54 nem o § 4º do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, dão suporte a essa utilização da UFIR diária. Para o contribuinte, “é incongruente reconhecer que até 12/91 o coeficiente mensal é válido e a partir de 01/92 não é, motivo pelo qual mostrase necessária a reforma do despacho recorrido nesse ponto”; e 6 – DA FORMA DE IMPUTAÇÃO DOS PAGAMENTOS A PARTIR DE JANEIRO: considerando que o CTN é silente quanto à forma de imputação dos juros e do principal na situação de pagamentos indevidos, defende que diante dos arts. 108 e 109 desse Código cabe utilizar as disposições do Código Civil, especialmente as do art. 354. Argumenta que a repetição do indébito ora em questão é da mesma espécie da obtida por meio de precatório, por decorrerem ambas de pagamentos indevidos, e que não se pode confundir a sistemática de imputação de pagamento defendida com o instituto da capitalização dos juros, ou, em outras palavras, da incidência de juros sobre juros, pois o que pleiteia é o esgotamento do montante de juros vencidos antes da imputação das compensações ao capital, mencionando em favor do que pretende doutrina e jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. Impõese, segundo afirma, “quanto ao crédito a ser compensado, imputarse primeiro os juros vencidos e, depois, o capital”, de modo que “o saldo remanescente a compensar perfaz o montante de R$ 11.491.967,70, em setembro de 2008, conforme Planilha Demonstrativa (doc. 03)”. Ao final requer seja a Manifestação de Inconformidade recebida com efeitos suspensivos também em relação à parte não convalidada da compensação, haja vista o art. 48 da IN SRF nº 600, de 2005, e do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, e formula o seguinte pedido: a) seja reconhecido o transcurso do prazo de 5 anos para a homologação das compensações realizadas em março e abril/01; b) a anulação do Despacho Decisório recorrido, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72, com relação às Declarações de Compensação Eletrônicas não homologadas, uma vez que se encontram vinculadas ao Processo Administrativo n° 13807.002490/200568; c) ACOLHIMENTO da presente Manifestação de Inconformidade e encaminhamento à DRJ, onde se espera que se determine que a Autoridade Administrativa corrija os erros materiais de cálculos aqui apontados, resultando na conclusão de que o crédito tributário da Manifestante é superior às compensações realizadas reconhecendo o direito à compensação do saldo remanescente apurado, culminando na REFORMA INTEGRAL DO DESPACHO DECISÓRIO e cancelamento da Carta Cobrança n° 2969/2008. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 737 9 Em 07/07/2010 a unidade de origem solicitou a DRJ São Paulo I a devolução do presente processo, visando operacionalizar a compensação de outros dois, de nºs 11610.002952/201086 e 11610.003710/201018 (ver fl. 583). Conforme as fl. 449, 585, 586 e 587, foram apensados ao presente os processos nºs 10880.721888/200879, 10880.721887/200824 (este relativo à transferência do débito de PIS nos meses de março/01 e abr/2001, que remanesce em face do indeferimento parcial e que, conforme o Despacho Decisório contestado, não admite recurso) e 11610.015030/200229. É o relatório. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 2ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso apresentado, nos termos do voto do relator, conforme Acórdão nº 1147.066, datado de 30/07/2014, cuja ementa transcrevo a seguir: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1991 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE. DECLARAÇÃO APENAS EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, não se aplica à compensação apenas declarada em DCTF. ALEGAÇÃO DE ERROS MATERIAIS. AUSÊNCIA DE SUPORTE NOS AUTOS. IMPROCEDÊNCIA. Tratandose de supostos erros materiais cometidos pela fiscalização na apuração de indébito tributário, o ônus de apontálos com clareza e demonstrálos é do contribuinte, pelo que não se acolhe a alegação desacompanhada de provas ou sem suporte nos autos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1991 a 30/09/1995 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, na parte em que ambas tratam do mesmo objeto. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. DESPACHO DECISÓRIO. DECISÕES DE AUTORIDADES DISTINTAS. LEGALIDADE. Não há obrigatoriedade de que o Despacho Decisório relativo a compensações seja exarado pela mesma autoridade que decidiu o Pedido de Habilitação de Decisão Judicial Transitada em Julgado. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 738 10 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELAS DRJ. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário e não são utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal, sendo que no âmbito das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a restrição é maior, por haver, nesta primeira instância, vinculação inafastável aos atos infralegais como Instruções Normativas da RFB e Portarias do Ministério da Fazenda. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1991 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA REGRAS DO CÓDIGO CIVIL. SÚMULA 464 DO STJ. Na compensação tributária o encontro de contas entre o crédito do contribuinte e o débito é regido por regras próprias, sendo inaplicáveis as normas da imputação de pagamento estipuladas pelos arts. 352 da 355 do Código Civil. O Superior Tribunal de Justiça, ao aprovar a Súmula 464, de 2010, interpretou que “A regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária.” Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada diante do julgado de primeira instância, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário com destino a este Colegiado, no qual tece os argumentos a seguir: a) Prescrição dos valores cobrados Por força de decisão judicial proferida nos autos da Ação Ordinária nº 96.00.084386, em que declarouse a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e condenouse a União a suportar os efeitos da compensação do indébito (assim entendido o montante indevidamente recolhido de acordo com os aludidos diplomas legais), a Recorrente realizou compensações nos termos do quanto estabelecido nos artigos 66 da Lei nº 8.383/91 e 74 da Lei nº 9.430/96. Para tanto, a Recorrente habilitou seu crédito perante a Delegacia da Receita Federal DERAT/SP e, uma vez autorizada a habilitação, realizou o encontro de contas contra débitos vincendos da própria contribuição ao PIS. [...] Equivocase, por primeiro, a r. decisão recorrida quando, prestigiando o entendimento adotado pela DERAT/SP, afasta a alegação de que, no que toca às compensações feitas em DCTF, não se poderia falar em homologação tácita, diante do que seria possível cobrar valores que, não obstante declarados há mais de cinco Fl. 738DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 739 11 anos, o fisco não reconheceu existência de crédito e, por isto, pretende exigir aquilo que alega ter sido compensado indevidamente — ou excesso — pelo contribuinte. [...] ... a Recorrente informou ao fisco em DCTF que iria aproveitar o seu crédito para compensar débitos vincendos do mesmo PIS, nos termos do artigo 66 da Lei 8.383/91 [...] Realizada a comunicação nas DCTF em janeiro/97, fevereiro/97 e abril/97 a abril/01, no sentido de compensar o seu crédito, cujo montante foi devidamente informado para que as autoridades pudessem conferilo, é a partir dessas declarações que se iniciou o prazo para a homologação dos lançamentos. [...] Como se sabe, a matéria relativa à decadência e à prescrição é das mais controvertidas no Direito Tributário. No bojo dessa controvérsia, os eminentes Professores Luciano da Silva Amaro (em "Direito Tributário Brasileiro" — Ed. Saraiva) e José Antonio de Andrade Martins (em "Autolançamento", Estudos Tributários, pág. 245) estabeleceram profícuo e judicioso debate acerca do lançamento por homologação e de suas conseqüências, afirmando o primeiro que o que se homologa é o pagamento e o segundo que é o próprio lançamento que é homologado pelo decurso do prazo. Sem que se traga o debate doutrinário para os autos do processo (e não obstante se entenda que razão assiste ao Prof. Andrade Martins), importa para o caso muito mais a conseqüência do decurso do prazo, que, em qualquer caso, é a extinção da obrigação tributária. [...] ... a DCTF é por excelência o modo de constituição do crédito tributário, sendo desnecessária qualquer outra providência do fisco para a constituição. Assim, uma vez confessado o débito na DCTF e informado que o débito será liquidado com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, iniciase o prazo para a homologação de cinco anos, após o qual encontrase convalidado o procedimento do contribuinte e extinta a obrigação tributária. [...] Como se sabe, a compensação extingue o crédito tributário em razão de expressa disposição contida no artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, disposição esta que, harmonizada com o que estabelece o art. 150, par. 42, do mesmo CTN, implica na imposição de prazo para que a fazenda pública reveja — e independentemente de pedido — o procedimento adotado pelo contribuinte sob pena de, em razão da preclusão, homologarse os valores declarados e liquidados por meio da compensação. b) Período do indébito superior ao considerado pela RFB Equivocase também a r. decisão recorrida quando erradamente afasta a alegação da empresa no sentido de que o período do indébito tributário é superior àquele considerado no demonstrativo de cálculos da RFB. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 740 12 Entende a Recorrente que a este respeito não é necessário muito se alongar para rebater a conclusão do julgador, porquanto a própria premissa referida pela decisão se incumbe de desqualificar a equivocada conclusão. De fato como mencionado às fls. 608 (parágrafo final da pg. 16 da decisão): "Com base no pedido formulado na Inicial da Ação Ordinário nº 96.00084386 — que se refere aos pagamentos a maior do Contribuição ao PIS realizados nos períodos de recolhimento de abril de 1991 a setembro de 1995", o que de acordo com o título judicial é objeto de execução é o que se pagou a partir do mês da abril de 1.991, o que corresponde ao fato gerador da contribuição ocorrido no mês de janeiro de 1.991 (à consideração de que, à época, a apuração e recolhimento levavam em conta o fato tributável ocorrido no terceiro mês anterior ao da incidência). c) Semestralidade A questão mais importante, no entanto, que macula a r. decisão recorrida e que implica na indevida e incorreta redução do montante do crédito do contribuinte está no fato de haver sido desconsiderado o chamado cálculo da semestralidade, isto é, no cotejo entre o que foi pago indevidamente a título de PIS nos termos dos DL 2.445/88 e DL 2.449/88 e aquilo que seria devido conforme a Lei Complementar 7/70 deixouse de levar em conta a regra de que a base de cálculo do PIS nos termos da LC 7/7 é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Esta não consideração do critério da semestralidade reduz substancial e indevidamente o valor do crédito do contribuinte, não havendo razão para ignorar esta sistemática. Segundo a r. decisão recorrida, "a semestralidade é questão apartada, não debatida aqui", o que impediria a autoridade julgadora de se pronunciar e de determinar a aplicação do referido critério no caso concreto. Ora, pouca importância tem o fato de que a questão da semestralidade haver sido discutida nos autos de outro processo judicial que não aquele que, relacionado ao presente caso, em que houve habilitação do crédito perante a DERAT/SP. A habilitação, como é curial, tem apenas por objetivo fazer com que a execução da decisão judicial seja feita perante a Administração, razão pela qual se impõe a obrigatoriedade de se desistir da execução judicial e da renúncia ao direito de exercêla diante da preferência em se receber o crédito por meio de compensação. Isto não significa, no entanto, que a coisa julgada originária de outro processo judicial e que influencia na questão do crédito possa ou deva ser ignorada pela autoridade incumbida da revisão do lançamento (ou melhor, da verificação do montante do crédito do contribuinte e da higidez da liquidação do débito por meio de compensação). Como bem apanhou a Ilustre DR.1 prolatora da r. decisão recorrida, a questão da semestralidade foi objeto de discussão nos autos do mandado de segurança 2000.61.00.0388507 (003885040.2000.4.03.6100), em que de maneira definitiva o Poder Judiciário definiu os critérios da compensação relativa ao PIS e determinou a aplicação do chamado critério da semestralidade, como se pode verificar das inclusas cópias das decisões proferidas naquele processo (docs. 01 e 02). E mesmo que se admitisse, para efeito de argumentação, que a questão da semestralidade só se aplicaria aos fatos geradores tratados no processo 2000.61.00.0388507 (003885040.2000.4.03.6100), não estariam a DERAT e tampouco o julgador autorizados a ignorar aquela decisão judicial, porquanto: a uma a coisa julgada proferida em mandado de segurança, nada obstante limitada em razão do pedido formulado pelo Impetrante, tem eficácia declaratória e atinge toda a Fl. 740DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 741 13 relação jurídica, de sorte que, ignorar o título Judicial implica desobedecêlo; e a duas: porque a questão da semestralidade já se encontra pacificada pela jurisprudência judicial e no âmbito do próprio CARF, sendo objeto da Súmula de n9 15, cujo teor é o seguinte: "A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 62. da Lei Complementar nf? 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária." Em se tratando de matéria sumulada pelo CARF, a sua adoção é obrigatória por parte dos órgãos julgadores da Administração, inclusive pelo CARF, nos termos do disposto no artigo 72 do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Consequentemente, sob este aspecto também deve ser reformada a r. decisão recorrida para que se determine à autoridade da DERAT o refazimento dos cálculos do crédito do contribuinte considerandose o critério da semestralidade do PIS, isto é que a base de cálculo do PIS (para efeito de cotejo com o que foi pago indevidamente) nos termos da LC 7/70 seja considerada como o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, sem correção monetária. d) Erros de cálculos nos demonstrativos da RFB Quanto aos demais erros de cálculo objeto do recurso, em relação aos quais a r. decisão recorrida não acolheu a argumentação do contribuinte, entende a Recorrente não ser o caso de, neste recurso, revolver o tema, porquanto tais aspectos dizem respeito unicamente à quantificação do crédito e não ao mérito da discussão (isto é, aos critérios de cálculo e os critérios da compensação). De fato, recentemente foi publicado o Parecer Normativo COSIT nº 08, de 2014 (cf. ementa abaixo transcrita), segundo o qual o julgado que tratar a questão da compensação deve fixar o balizamento por meio do qual se dá o encontro de contas entre fisco e contribuinte. E se na execução do julgado administrativo remanescer controvérsia sobre os cálculos, reabrese a instância para discutir o aspecto quantitativo do crédito. Portanto, reservase a Recorrente o direito de, uma vez afastadas as questões aqui combatidas, tais sejam: a homologação tácita no tocante às compensações realizadas Em janeiro/97, fevereiro/97 e abril/97 a abril/01 e a aplicação do critério da semestralidade do cálculo do PIS, cuja consequência, por certo, será a homologação total das compensações realizadas pelo contribuinte, analisar de forma minudente os novos cálculos que deverão ser feitos pela DERAT/SP e, uma vez identificados eventuais erros aritméticos, reabrir a discussão sobre estes. Conclui seu recurso com o pedido a seguir: Em vista de todo exposto e ponderado, só resta ao contribuinte respeitosamente requerer seja conhecido e provido o presente recurso para, reformando integralmente o v. acórdão atacado, homologar a totalidade das compensações realizadas ou, quando menos, determinarse o retorno à DERAT/SP para que novos cálculos sejam feitos a partir dos critérios a serem definidos por esse C. Conselho. Apensados ao presente feito encontramse os seguintes processos administrativos: a) nº 11610.015030/200229, que cuida de Auto de Infração Eletrônico de PIS 4º Trimestre de 1997 Nº 003221; b) 10880.721.887/200824, que trata da cobrança dos Fl. 741DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 742 14 débitos de PIS referentes aos PAs 03/2001 e 04/2001, não convalidados integralmente pelo Despacho Decisório tratado nos presentes autos; e c) 10880.721888/200879, que controla a cobrança dos débitos das DCOMPs não homologadas pelo mesmo ato. É o Relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. I Admissibilidade do Recurso i) Parte Conhecida O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e abrange tanto as compensações não convalidadas quanto não homologadas. A parte dispositiva do Despacho Decisório destes autos está assim consignada: 29. Em face das considerações contidas no despacho supra, com fundamento no Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n° 95/2007, artigo 167, inciso VI, c/c artigo 241, e na competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54/2001, em vigor de acordo com o artigo 48, inciso IV, da Lei n° 11457/2007, CONVALIDO as compensações efetuadas com base na Lei n° 8.383, de 1991, e alterações dadas pela Lei n° 9.069, de 1995; na Lei n° 9.430, de 1996 (em sua redação original) e no artigo 14, caput, da IN SRF n° 21, de 1997, informadas em DCTF, até o limite do direito creditório reconhecido, que, em 31/12/1995, monta um total de R$ R$ 8.307.161,86 (oito milhões, trezentos e sete mil, cento e sessenta e um reais e oitenta e seis centavos) e NÃO HOMOLOGO as Declarações de Compensação transmitidas por via eletrônica e vinculadas ao presente processo. [...] 31. Em caso de discordância da presente decisão quanto a não homologação das Declarações de Compensação, cabe a interposição de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), no prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência, conforme disposto no art. 174, § 2 o da Portaria MF 95, de 30/04/2007 e anexo I da Portaria RFB 10.238, de 15/05/2007 e art. 48 da IN/SRF 600 de 28/12/2005. 32. Quanto a não convalidação da compensação efetuada com base na Lei n° 8.383, de 1991, e alterações dadas pela Lei n° 9.069, de 1995; na Lei n° 9.430, de 1996 (em sua redação original) e no artigo 14, caput, da IN SRF n° 21, de 1997, declaradas em DCTF, não cabe qualquer tipo de recurso, uma vez que não há previsão legal para a sua apresentação. Como visto acima e quanto à lide em causa, uma parte das compensações efetuadas pela Recorrente foi considerada não homologada e a outra, não convalidada, em razão da insuficiência de seu crédito reconhecido. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 743 15 Quanto à parte não homologada, referente às Declarações de Compensação, a autoridade fiscal informou caber Manifestação de Inconformidade. Já em relação à parte não convalidada da compensação efetuada, não caberia qualquer tipo de recurso. Diante da restrição recursal pertinente à parte não convalidada das compensações, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0239501, perante a 22ª Vara da Seção Judiciária de São Paulo, no curso do qual obteve liminar para "... determinar à autoridade coatora que proceda ao recebimento e processamento, em sua integralidade, da "Manifestação de Inconformidade", interposta pela impetrante, em face da decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 12157.000022/200831, atribuindolhe efeito suspensivo, nos termos do art. 74, §§ 7.°, 9.° e 11, da Lei 10.833/03". Quanto à medida judicial favorável à Recorrente, pesquisas atuais às páginas da internet dos órgãos judiciais por onde a ação tramitou/tramita, bem como as peças da ação acostadas no Processo Administrativo nº 10880.721.887/200824 (Apenso), dão conta de sua vigência: a) Em 09/02/2009, sentença julgou o pedido procedente, conforme atestam as fls. 3839 do Processo Administrativo nº 10880.721.887/200824 (Apenso); b) A União apelou e houve remessa oficial. No entanto, em 26/03/2015, foi prolatado acórdão no âmbito do TRF/3 que, por unanimidade, negou provimento à apelação e à remessa oficial, como se vê às fls. 716722; c) A Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial, admitido no TRF/3, conforme decisão datada de 01/09/2015, às fls. 723724; e d) O Recurso Especial, nº 1571735/SP, encontrase pendente de apreciação perante o STJ, conforme provam a consulta processual e a certidão às fls. 725728. Como já dito, o Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e abrange tanto as compensações não convalidadas quanto não homologadas. Assim, quanto ao questionamento das compensações não homologadas, conheço o Recurso Voluntário, por reunir todos os pressupostos de admissibilidade, e também o conheço quanto ao questionamento das compensações não convalidadas, em observância ao provimento judicial, em vigor, concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0239501/SP. ii) Partes não conhecidas Por outro lado, o recurso não deve ser conhecido em relação aos seguintes temas: a) Período do indébito superior ao considerado pela RFB; b) Semestralidade; e c) Erros de cálculos nos demonstrativos da RFB. Fundamento. a) Período do indébito superior ao considerado pela RFB Fl. 743DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 744 16 A DRJ apreciou adequadamente essa questão, nos seguintes termos: Com base no pedido formulado na Inicial da Ação Ordinária nº 96.00084386 que se refere aos “pagamentos a maior da Contribuição PIS realizados nos períodos de recolhimento de abril de 1991 a setembro de 1995” (fl. 557, com negrito acrescentado) , na Manifestação de Inconformidade o contribuinte afirma que “o período pleiteado e reconhecido na demanda judicial referiuse aos recolhimentos de abril de 1991 a setembro de 1995”, que “em conformidade com a sistemática de apuração e recolhimento da contribuição para o PIS, o valor devido no vencimento de abril de 1991 referiuse ao fato gerador ocorrido em janeiro de 1991” e, no entanto, os cálculos da RFB têm início no fato gerador abril/1991, desprezando os fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 1991. A sentença, por sua vez, reconhece o direito “apenas dos valores recolhidos a maior, relativos ao PIS, comprovados nos autos, atualizados monetariamente desde a data do pagamento” (negrito acrescentado). A comprovação a que se refere a sentença há de ser averiguada levandose em conta os DARF apresentados pelo contribuinte, o primeiro com cópia à fl. 89 do processo nº 11610.015030/200229, com valor recolhido de Cr$ 48.007.202,96, vencimento em 05/07/19911 e que no campo “PERÍODO DE APURAÇÃO” informa “04/91”, evidenciando se tratar do fato gerador de abril de 1991, e não do fato gerador de janeiro de 1991. O período de apuração (ou fato gerador, o mês é o mesmo) abril de 1991 foi considerado corretamente pela fiscalização, tanto no Demonstrativo de Apuração de Débitos (fl. 398) quanto no Demonstrativo de Pagamentos (fl. 403). Além do mais, os períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 1991 foram incluídos em outra ação judicial. Refirome ano Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0388507, cujo indébito, discutido no processo nº 16143.000005/2014 71, abrange os períodos de apuração de setembro de 1990 a março de 1991, na totalidade, e de abril de 1991 a setembro de 1998, na parcela da semestralidade. Assim, não devem ser incluídos nos cálculos os fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 1991. Dessa forma, por este tema ser objeto da Ação Judicial nº 2000.61.00.0388507/SP, não se conhece do recurso nesta parte, havendo de se aplicar a Súmula CARF nº 1 (Vinculante), a seguir transcrita: Súmula Carf nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). b) Semestralidade 1 Segundo o at. 3º, III, "b", da Lei nº 7.691, de 15 de dezembro de 1988, o recolhimento do PIS e o Pasep podia ser feito até o dia dez do terceiro mês subsequente ao da ocorrência do fato gerador, sujeito exclusivamente à correção monetária. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 745 17 Quanto a este assunto, entende a Recorrente que deve ser reformada a r. decisão recorrida para que se determine à autoridade da DERAT o refazimento dos cálculos do crédito considerandose o critério da semestralidade do PIS, isto é que a base de cálculo do PIS (para efeito de cotejo com o que foi pago indevidamente) nos termos da LC 7/70 seja considerada como o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, sem correção monetária. Vejamos. A semestralidade é objeto de outra ação judicial, a saber: Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0388507/SP, cujo indébito discutido faz parte de controle dos autos administrativos nº 16143.000005/201471, como bem mencionado na decisão de piso: Nenhum desses seis erros está relacionado à semestralidade, tema que, como informado na Manifestação de Inconformidade, foi objeto de outra ação judicial – o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0388507 – e está sendo discutido no processo nº 16143.720005/201471. A semestralidade é questão apartada, não debatida aqui. Todo o procedimento fiscal realizado nos presentes autos pela unidade de origem com o objetivo de apurar o direito creditório da Recorrente pautouse nos termos do provimento judicial deferido no trâmite da Ação Ordinária nº 96.00084386/SP, sendo estranha ao objeto destes autos a sistemática da semestralidade do PIS. Nem poderia ser diferente, pois, havendo provimento do pedido formulado pela Recorrente no curso do citado Mandado de Segurança, não será o indébito aqui tratado/reconhecido, mas em seu correspondente processo de crédito, 16143.720005/201471. A própria Recorrente era sabedora dessa situação. Tanto é verdade que, em sua Manifestação de Inconformidade, no início do tópico “III.3 DOS ERROS MATERIAIS COMETIDOS NOS DEMONSTRATIVOS DE CÁLCULOS APRESENTADOS PELA RFB”, informa que a questão da semestralidade é objeto do Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0388507, “razão pela qual, muito embora entenda a Manifestante que o seu reconhecimento decorra da decisão judicial transitada em julgado no Processo n° 96.00084386, a não consideração pela RFB em seus cálculos não está sendo objeto de impugnação no presente recurso.” Em outras palavras, a Recorrente já em sua Manifestação de Inconformidade deixou de recorrer dessa questão por entender, adequadamente, que é afeta a outra ação judicial. Portanto, ela mesma fez questão de evitar já na primeira instância essa discussão nos presentes autos. Assim, por este tema também ser objeto da Ação Judicial nº 2000.61.00.0388507/SP, não se conhece do recurso nesta parte, havendo de se aplicar a Súmula CARF nº 1 (Vinculante), já transcrita acima. c) Erros de cálculos nos demonstrativos da RFB Quanto aos supostos erros de cálculo nos demonstrativos da RFB, a Recorrente deixou de recorrer quanto a eles por entender que tais aspectos dizem respeito Fl. 745DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 746 18 unicamente à quantificação do crédito e não ao mérito da discussão (isto é, aos critérios de cálculo e os critérios da compensação). Portanto, não há o que ser conhecido e apreciado quanto a este tema, mencionado neste ponto apenas para esclarecer que ele não será objeto desta decisão. II Mérito Prescrição dos valores cobrados A Recorrente alega que não seria mais possível cobrar os valores compensados via DCTF, em razão do decurso de mais de cinco anos para o Fisco adotar tal providência. Em relação aos ditos valores, ressaltese que apenas os referentes a dois períodos de apuração não foram convalidados, a saber: a) 03/2001, no valor de R$ 232.621,02 (duzentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e um reais e dois centavos); e b) 04/2001, R$ 10.345,06 (dez mil, trezentos e quarenta e cinco reais e seis centavos). Vale transcrever trecho do Despacho Decisório deste autos, do qual a Recorrente foi cientificada em 08/09/2008 (AR à fl. 448), notadamente quantos aos débitos compensados via DCTF: • Foram convalidadas integralmente as compensações dos débitos de PIS de janeiro/97, fevereiro/97 e de abril/97 a fevereiro/01; • Foi convalidada parcialmente a compensação do débito de PIS de março/01, restando um saldo remanescente de débito não compensado no valor de R$ 232.621,02 (duzentos e trinta e dois mil, seiscentos e vinte e um reais e dois centavos), por insuficiência de crédito; • Não foi convalidada a compensação do débito de PIS de abril/01, no valor de R$ 10.345,06 (dez mil, trezentos e quarenta e cinco reais e seis centavos), por insuficiência de crédito; Ainda, importa mencionar que, em ato contínuo à ciência do referido Despacho Decisório, foi encaminhada à Recorrente a Carta Cobrança nº 2.969/2008 (às fls. 12 13 do Processo Administrativo nº 10880.721887/200824, em apenso) referente aos dois valores de PIS não convalidados. Enfim, independentemente da denominação utilizada pelo Fisco para verificação do procedimento compensatório realizado pela Recorrente, convalidação ou homologação, a regra utilizada, nesse caso, para verificação da prescrição é a descrita no art. 174 do CTN, in verbis: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. A constituição definitiva, conforme a própria Recorrente menciona em seu Recurso Voluntário, no item 13, ocorreu por meio de confissão em DCTF. Como se sabe, a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–Lei nº 2.124, de 13/06/1984, representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo Fl. 746DF CARF MF Processo nº 12157.000022/200831 Acórdão n.º 3301006.252 S3C3T1 Fl. 747 19 pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”. Assim, para apurarmos a ocorrência ou não da prescrição, precisaríamos identificar o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, para, então, concluirmos terse operado tal instituto quando da ciência do Despacho Decisório destes autos, ocorrida em 08/09/2008. O termo inicial corresponde à data de entrega das correspondentes DCTFs. Ocorre, porém, que a Recorrente não trouxe aos autos as cópias de suas DCTFs do 1º e 2º Trimestres de 2001 expondo a data em que foram transmitidas, o que impossibilita saber se, em 08/09/2008, os dois valores cobrados da Recorrente já se encontravam prescritos. A mera alegação de ocorrência da prescrição, desacompanhada de documento apto a comprovála, não é suficiente para infirmar a exigibilidade dos referidos débitos. Caberia à Recorrente trazer aos autos todos os documentos que comprovem suas alegações, e não o fez. Sendo assim, voto por rejeitar a alegação de prescrição. III Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.000459/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 869 1 868 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.000459/200512 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201002.096 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de maio de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente PERDIGAO AGROINDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins, relativo a receitas de exportação, referente a setembro de 2004. Em apertada síntese, a complexidade e a necessidade de apurar a certeza e liquidez dos créditos informados pela contribuinte implicaram o início de auditoria fiscal, ainda não realizada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 45 9/ 20 05 -1 2 Fl. 869DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201002.096 S3C2T1 Fl. 870 2 A interessada apresentou documentos fiscais e outros (arquivos, documentos, inclusive mídias digitais) nos quais relaciona os dispêndios que pretende lhe sejam concedidos créditos da não cumulativadade das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Em sede de manifestação de inconformidade e recurso voluntário complementou o acervo probatório do pleito. À parte de incidentes e matérias de cunho exclusivamente processuais já ultrapassados, o recurso da contribuinte foi submetido a apreciação nesta Turma em outras duas sessões de julgamento. Na sessão de 27/06/2017, por meio da Resolução nº 3201000.902, o julgamento do recurso foi convertido em diligência com a determinação à Unidade de Origem para a análise de todos os documentos apresentados à semelhança do que constou em outro processo do mesma contribuinte, processo nº 13804.000470/200582 Resolução nº 3201000.645, também deste Colegiado. A resolução foi assim redigida: Tal fato, ao meu sentir torna perfeitamente razoável e necessária a flexibilização das regras de preclusão estabelecidas no § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 para que se analise todos os documentos apresentados, relacionados nos Anexos da Manifestação de Inconformidade e em sede de Recurso Voluntário, dentre eles: a. Cópia do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON; b. Cópia da Ficha 25 da DIPJ onde consta a base de cálculo da Cofíns Regime Nãocumulativo Incidência Total ou parcial; c. Cópia da Ficha 24 da DIPJ 2005 AnoCalendario onde consta a Apuração dos Créditos da Cofíns Regime nãocumulativo, cujas informações conferem com o DACON; d. Planilhas informando a composição dos valores constante da DACON (linha a linha), indicando as contas contábeis lançadas; e. Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON; e Demonstrativo do crédito da COFINS; f. Planilha Excel em mídia eletrônica com o respectivo Hash Code, informando a composição dos valores constante da DACON (linha a linha), do mês de setembro/2004, indicando as contas contábeis lançadas (item 1 do termo de Intimação); g. Livros de registro de Entradas e Saídas do ano calendário de 2004 (item 7 do Termo de Intimação); h. Arquivos magnéticos 4.1.1, 4.1.2, 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3. 4.3.4, 4.3.5, 4.3.6, 4.4.1, 4.5.2 (individual para cada início e fim de mês), 4.6.1, 4.7.1, 4.9.1, 4.9.2, 4.9.5, conforme "layout" definido pela IN SRF 86/2001, do ano calendário de 2004 (item 7 do Termo de Intimação); i. Planilha em Excel com a identificação dos produtos utilizados pela empresa referente a Combustíveis e Energia Elétrica nos arquivos Fl. 870DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201002.096 S3C2T1 Fl. 871 3 4.3.4 (arquivo de itens de mercadorias/Serviços (entradas) Emitidas por Terceiros). Ressaltase que este entendimento coadunase com aquele expresso por este Colegiado no julgamento do processo nº 13804.000470/200582, da mesma recorrente e com semelhança fática: Nesse sentido, não tendo sido apreciado quaisquer documentos juntados aos autos em detrimento da Verdade Material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o processo retorne à autoridade preparadora, para serem apreciados os documentos trazidos aos autos, e outros, que se entendam necessários, nesse caso dandose o prazo de 30 dias, para que referida documentação seja apresentada pela Recorrente. Analisados os documentos e elaborado o relatório de diligência, intimese a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, desejando, manifestemse. Após, retornem os autos a esse Turma Julgadora, para prosseguimento do julgamento. (Resolução 3201000.645, sessão de 23/02/2016, Cons. Relatora Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo) Assim, pactuo com a decisão exarada em processo semelhante da mesma recorrente e voto para a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos mesmos termos da Resolução nº 3201000.645, para a análise dos documentos "a" a "i", antes mencionados, dandose às partes o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma única vez por igual, para a manifestação ao relatório de diligência. Paulo Roberto Duarte Moreira. A Unidade de Origem manifestase nos autos por meio da Informação Fiscal, de 30/01/2019 (fls.864/865) em face de recente decisão do STJ, no rito de recurso repetitivo o REsp nº 1.221.170/PR que considerou a ilegalidade da interpretação restritiva das INs SRF nº 247/2002 e 404/2002 no tocante ao conceito de insumos que permitem o creditamento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e definiu os balizamentos para adoção desses conceitos. Referese, ainda, à Nota SEI/PGFN nº 63/2018 e ao Parecer Cosit nº 05, de 17/12/2018, que trazem em seu bojo a delimitação, extensão e o alcance do julgado com fins à adequada observância da tese assentada no precedente judicial pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Expressa o signatário da Informação a opinião de que "deve ser realizada análise com base no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2018, por ser de natureza interpretativa e mais benéfico à contribuinte." Ao final, em razão de orientação interna do Órgão, devolve o presente processo ao CARF para que "determine quais os critérios a observar para esclarecer as possíveis dúvidas remanescentes do colegiado." É o relatório. Voto Fl. 871DF CARF MF Processo nº 13804.000459/200512 Resolução nº 3201002.096 S3C2T1 Fl. 872 4 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Pontuase inicialmente que a Resolução nº 3201000.902 que determinou a realização de diligência pela Unidade de Origem teve por fundamento a inexistência de qualquer análise fiscal em relação ao pleito creditório da contribuinte. Assim, não há que se falar em determinar critérios a observar no esclarecimento de possíveis dúvidas remanescentes do Colegiado. A decisão do Colegiado foi no sentido de que se analise o pedido de ressarcimento em face do conjunto probatório apresentado e ao final emita Relatório conclusivo acerca do direito aos créditos pleiteados com ciência à contribuinte à Procuradoria. Entendese a pertinência dos questionamentos em razão de substancial alteração na análise de direito creditório com fulcro nas INs 247/2002 e 404/2002, outrora vinculante à Autoridade Fiscal. Todavia, os critérios a serem observados na definição ou delimitação dos insumos cujos dispêndios geram créditos da não cumulatividade das Contribuições foram delineados e exaustivamente abordados na Nota SEI/PGFN nº 63/2018 e mormente no Parecer Cosit nº 05/2019. Por fim, para dar cumprimento ao que se determinou na Resolução nº 3201 000.902 ratificase integralmente o que nela constou, observando ainda que, a critério da Autoridade Fiscal, o contribuinte poderá ser intimado a apresentar a relação dos créditos pretendidos de forma que viabilize Diligência e Julgamento objetivos e eficientes. Conclusão Diante do exposto voto para ratificar os termos da Resolução nº 3201000.902 determinandose o cumprimento da diligência pela Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.911013/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece de recurso, tendo em vista tratar-se de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, e não apreciada pela DRJ.
Numero da decisão: 1301-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de fl. 76 e determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento da manifestação de inconformidade de fl 76, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive, se for o caso, quanto à abertura de prazo para apresentação de novo recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verificasse as atividades efetivamente desenvolvidas pelo contribuinte e, se fosse o caso, apurasse a liquidez e certeza do crédito pleiteado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11080.911022/2009-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Não se conhece de recurso, tendo em vista tratarse de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, e não apreciada pela DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de fl. 76 e determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento da manifestação de inconformidade de fl 76, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive, se for o caso, quanto à abertura de prazo para apresentação de novo recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verificasse as atividades efetivamente desenvolvidas pelo contribuinte e, se fosse o caso, apurasse a liquidez e certeza do crédito pleiteado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11080.911022/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 10 13 /2 00 9- 26 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.911013/200926 Acórdão n.º 1301003.923 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação Eletrônico DCOMP, que pleiteia compensação de crédito de pagamento indevido ou a maior. O pedido foi indeferido por Despacho Decisório Eletrônico, visto que o pagamento encontravase integralmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. A empresa apresentou impugnação ao Despacho Decisório, onde alegou que havia apurado indevidamente o tributo e que constatado o erro, apresentou a DCOMP. A DRJ proferiu acórdão, através do qual não reconheceu a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento de que não lhe caberia analisar apenas questões expressamente apreciadas no despacho decisório, que questões não apreciadas na origem transbordam sua competência e deveriam ser analisadas pelo titular da Delegacia de Origem. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual relata erro de apuração do IRPJ e da CSLL, uma vez que sendo optante pelo lucro presumido e dedicada à atividade gráfica, estaria submetida ao percentual de presunção de 8% e 12%, respectivamente, ao invés do percentual de 32%. Informa que constatado o erro apresentou DCOMP e retificou as DCTF e DIPJ. Anexou cópia das DCTF original e retificadora, bem como DIPJ original e retificadora. Ao final, requereu que fosse reconhecido o direito creditório e homologada a compensação. Em seguida, consta do processo cópia de sentença, datada de 05/10/2012, proferida em sede de mandado de segurança impetrado pelo contribuinte. Transcrevese o teor da sentença: (...) Saliento que, com relação ao quantum a compensar apontado pela empresa, incumbe à Fazenda Nacional conferir a regularidade, de forma que não se está aqui reconhecendo os créditos nos valores informados aliás, isso sequer foi requerido. Em decorrência disso, deve ser suspensa a exigibilidade do crédito tributário decorrente da não homologação da compensação até nova análise do pedido, nos termos desta decisão. A consequência é que não pode ser obstada, com base nesses créditos especificamente, a expedição de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa. Após a análise da declaração de compensação, e confirmado no âmbito administrativo o crédito ali declarado, fica garantida a restituição dos valores que excederem o débito compensado. Ressalto que, conforme já referi, incumbe à autoridade administrativa reconhecer a validade e regularidade dos créditos declarados. Eventual divergência nesse particular não faz parte do objeto desta demanda. III Dispositivo Ante o exposto, julgo procedente o pedido e concedo a segurança, nos termos da fundamentação.(grifei) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.911013/200926 Acórdão n.º 1301003.923 S1C3T1 Fl. 4 3 De acordo com a determinação da sentença, os pedidos de compensação foram revisados pela Delegacia de Origem e foi emitida Informação Fiscal73), em 11/01/2013, que concluiu que a atividade preponderante da Recorrente era a prestação de serviços gráficos e que o contribuinte não estava sujeito a alíquotas diferenciadas para o IRPJ e a CSLL, e por conseguinte não havia erro de apuração na base de cálculo. Em fevereiro de 2013, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à Informação Fiscal, onde defende que sua atividade está sujeita aos percentuais de presunção de 8% e 12% por ser atividade industrial nos termos do art. 4º do RIPI/2002, e não prestadora de serviços, como entendeu a Auditora. Acrescenta que os créditos apresentados são efetivos e devidos à Recorrente, considerando que os pagamentos foram efetuados a maior com base nos valores das DCTF retificadoras. Ao final, o contribuinte requereu o cancelamento da Informação Fiscal e a homologação da DCOMP, e subsidiariamente, requereu a determinação do Delegado para que fosse informado à Fazenda Nacional sobre a regularidade do procedimento da Litigante, de modo a possibilitar a essa Procuradoria pedido de arquivamento do processo judicial n° 506291083.2011.404.7100/RS, em tramitação no TRF/ 4a Região. Alternativamente, requereu o encaminhamento da manifestação à DRJ em Porto Alegra para seguimento, nos termos do PAF. A Unidade de Origem enviou questionamento à Procuradoria da Fazenda para dirimir dúvida acerca do fluxo recursal, pois havia pedido do contribuinte para que o processo fosse remetido à DRJ/POA e decisão judicial concedendo a segurança, nos termos da fundamentação. A Procuradoria opinou que a interpretação a ser dada ao caso, em estrita obediência e fidelidade ao comando judicial encartado no writ, é a de que os recursos voluntários fossem remetidos ao CARF para julgamento. Seguindo a opinião da PFN, os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso apresentado pela interessada constante de folha 76. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.917, de 16/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.911022/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.917): Primeiramente, cumpre fazer uma breve síntese das etapas deste processo: 1 Apresentação da DCOMP; Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.911013/200926 Acórdão n.º 1301003.923 S1C3T1 Fl. 5 4 2 Despacho decisório eletrônico indeferiu pedido de compensação pagamento já alocado; 3 Manifestação de Inconformidade alega erro na apuração, pois o contribuinte estaria submetido aos percentuias de presunção de 8% e 12%, informa que houve retificação das declarações; 4 Acórdão da DRJ não conhece da manifestação de Inconformidade; 5 Recurso Voluntário: insiste no erro da apuração, informa retificação das declarações; 6 Decisão judicial em MS, concedendo a segurança; 7 Processo devolvido para DRF, emitida Informação Fiscal que não reconhece o crédito sob o fundamento de que a atividade do contribuinte é de prestação de serviços e não de indústria, logo, não houve erro na apuração; 8 Segunda manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, contra a informação fiscal que indeferiu o crédito; 9 Após consulta à PFN, processo é enviado ao CARF para análise do recurso voluntário. 10 Processo é encaminhado ao CARF para análise do recurso de folha 78, qual seja, a segunda manifestação de inconformidade. Diante desses fatos, em face da opinião da PFN, que sugeriu o envio dos recursos voluntáirios ao CARF, a Delegacia de Origem encaminhou o processo para este Órgão para análise do recurso constante de folha 78, denominado Manifestação de Inconformidade: Considerando o Recurso apresentado pela interessada (...), protocolado no CAC/POA em 01/02/2013, em relação à Informação Fiscal DRF/POA nº 033, do qual o contribuinte tomou ciência em 23/01/2003 e com base no PARECER da PGFN folhas 98/102, proponho o encaminhamento deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ressaltase ainda a existência de recurso voluntário não julgado (...). Pois bem. Por força da decisão judicial, após o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade, o processo foi enviado à DRF/POA que, superando o motivo inicial para indeferimento, procedeu à nova análise de mérito dos pedidos de compensação. A Auditora elaborou documento intitulado de Informação Fiscal, o qual se debruçou sobre a alegação do contribuinte de apuração incorreta dos tributos, e concluiu que a atividade empresarial era a prestação de serviços, não estando o contribuinte sujeito á alíquota diferenciada para a CSLL e IRPJ e tendo efetuado corretamente a apuração de sua base de cálculo. Apesar da denominação de "Informação Fiscal", este documento se consubstancia em novo Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação por fundamento distinto daquele esposado no primeiro despacho decisório. Deste segundo Despacho Decisório/Informação Fiscal, o contribuinte interpôs nova Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.911013/200926 Acórdão n.º 1301003.923 S1C3T1 Fl. 6 5 manifestação de inconformidade de folha 78, a qual foi enviada ao CARF para análise. Entendo que o recurso de fl.(...) (manifestação de inconformidade) não pode ser conhecido por esta Turma Julgadora, posto que se trata de recurso interposto em face de Despacho Decisório/Informação Fiscal (...), o qual deverá ser analisado pela DRJ, sob pena de supressão de instância. Em relação ao recurso voluntário (...), considero que este perdeu seu objeto, uma vez que interposto contra acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade do contribuinte, que versava sob o primeiro despacho decisório (eletrônico), o qual foi substituído pelo Despacho/Informação Fiscal de fl.(...). A partir do momento em que a Unidade de Origem proferiu novo despacho decisório, consubstanciado na Informação Fiscal de fl.(...), há de se retomar o rito processual de praxe, sem que haja supressão de instância. Neste diapasão, voto por não conhecer do recurso de fl. (...)e determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento da Manifestação de Inconformidade de fl.(...), com abertura de prazo, após o acórdão da DRJ, para que o contribuinte apresente novo recurso voluntário, prosseguindose assim, o processo de praxe, em cumprimento à decisão judicial que concedeu a segurança e anulou as decisões que não homologaram as compensações em exame. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso de fl. 76 e determinar o envio dos autos à DRJ para julgamento da Manifestação de Inconformidade de fl.76, com abertura de prazo, após o acórdão da DRJ, para que o contribuinte apresente novo recurso voluntário, prosseguindose assim, o processo de praxe, em cumprimento à decisão judicial que concedeu a segurança e anulou as decisões que não homologaram as compensações em exame. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907719/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas
hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à
Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela
autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação
tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para substituir a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 19 /2 00 9- 62 Fl. 155DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.506 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10850.907719/2009-62 Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 75 a 81) interposto contra o Acórdão nº 14- 34.376, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 64 a 67), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 13/16, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de PIS (código de receita: 8109) e Cofíns (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 10, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não-homologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 14776.40789.180808.1.7.04-6923, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP ". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/45 e 48/55, na qual alega, em síntese, que: a) no preenchimento da DCTF - 2° trimestre de 2007 informou um valor de débito que é indevido, conforme demonstrado na ficha 14A da DIPJ/2008; b) a DCTF - 2o trimestre de 2007 foi retificada, comprovando-se a origem da apuração do crédito, com base nos documentos anexados; c) anexou despacho decisório, DCTF - Fl. 156DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.506 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10850.907719/2009-62 retificadora - 2o trimestre de 2007, ficha 14A da DIPJ/2008, comprovante de pagamento do DARF, no valor de R$ 16.357,87. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise juntando novos documentos afim de se comprovar a existência de seu crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente processo versa sobre a não homologação da DCOMP apresentadas às fls. 14 a 17, no valor de R$ 16.357,87. Conforme narrado, a DRF de origem negou a homologação por ter identificado na DCTF 2ª Semestre/2007 da Recorrente um débito de mesmo valor ao crédito pleiteado para o qual este já teria sido alocado. A Recorrente alega que tal débito jamais existiu, tendo se tratado de mero erro de preenchimento e providenciou a retificação da citada DCTF (fls. 18 a 43). Em que pese a retificação apresentada, a DRJ de origem negou provimento sob o fundamento de que a mera retificação da declaração não é suficiente par ao reconhecimento do crédito, sendo necessária a comprovação da inexistência do débito que fora corrigido. Conforme copio: " (...) Com efeito, no que diz respeito ao IRPJ, atinente ao quarto trimestre do ano- calendário de 2007, observo que a contribuinte retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da dívida originariamente declarada, de R$ 16.357,87 para R$ 0,00 (fls. 17/42), de modo a delinear o crédito pretendido (fl. 14 dos autos). (...) Fl. 157DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.506 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10850.907719/2009-62 Malgrado o intento da contribuinte, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificando-se a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. (...) Nesse prisma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. (...)" Por sua vez, a Recorrente faz um novo esforço, trazendo aos autos o Comprovante de Recolhimento (fl. 137); O balancete analítico do 4º trimestre/2007 (fls. 138 a 149); e a DIPJ Exercício 2008 Ano Calendário 2007 (fls. 151 a 152). Aduz que com esses documentos resta claro se direito creditório, observando, ainda, que pelo que se pode extrair dos balancetes apresentados, não houve receita tributável no período, logo não teria possibilidade do débito consignado na DCTF antes da retificação não ter sido um equívoco. Contudo, a análise da documentação apresentada não parece corroborar os esclarecimentos trazidos pela Recorrente. Apenas a singela constatação que há receita registrada nos balancetes aliada a opção pelo regime de apuração do Lucro Líquido já impossibilita a ausência de qualquer débito em DIPJ, pilar do direito creditório defendida pela Recorrente. De plano, vislumbra-se a ausência de direito por parte da Recorrente. Desta forma, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 158DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.506 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10850.907719/2009-62 Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16404.000207/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO PARCIAL DE RETENÇÃO.
Comprovada a retenção de imposto de renda, ainda que parcialmente, impõe-se a glosa do IRRF pela diferença não comprovada.
Numero da decisão: 2402-007.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, restabelecendo-se a compensação de R$ 2.033,90 do Imposto de Renda Retido na Fonte glosado e mantendo a glosa de R$ 10,22.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO PARCIAL DE RETENÇÃO. Comprovada a retenção de imposto de renda, ainda que parcialmente, impõe-se a glosa do IRRF pela diferença não comprovada.
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COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO PARCIAL DE RETENÇÃO. Comprovada a retenção de imposto de renda, ainda que parcialmente, impõe se a glosa do IRRF pela diferença não comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, restabelecendose a compensação de R$ 2.033,90 do Imposto de Renda Retido na Fonte glosado e mantendo a glosa de R$ 10,22. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 4. 00 02 07 /2 00 7- 56 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 16404.000207/200756 Acórdão n.º 2402007.362 S2C4T2 Fl. 56 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 53/57) em face do Acórdão n. 06 24.516 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA (efls. 30/34), que julgou parcialmente procedente a impugnação (efls. 02/03), apresentada em 09/07/2007 (data da assinatura da petição, vez que não há data de protocolo da unidade da RFB), mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 11/06/2007 (efl. 23) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2004/609450243094029 no total de R$ 14,688,78 (efls. 04/07) com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Cientificado do teor da decisão de piso em 03/12/2009 (efl. 37), o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário na data de 04/01/2010 (efl. 38), alegando, em apertada síntese, que o IRRF glosado foi devidamente recolhido, conforme DARF que apresenta. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos no Decreto n. 70.235/1972, e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Passo à análise. Ao apreciar a impugnação, a instância de piso assim concluiu: [...] Conforme se apura no relatório acima, a questão posta nestes autos é meramente probatória, ou seja, o Fisco glosou os valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF pois referidos valores não foram confirmados pela fonte pagadora em DIRF e tampouco foram identificados os recolhimentos indicados. O contribuinte, por sua vez, traz em sua impugnação documentos segundo os quais, em sua ótica, demonstrariam a efetividade das retenções e, por conseqüência, a regularidade das compensações efetuadas em sua Declaração de Ajuste de 2004. Restanos, então, apurar se as provas apresentadas modificam o lançamento ou não. No que diz respeito aos valores declarados como retidos pela empresa Miguel Sallum & Filhos Ltda, afirma o contribuinte que Fl. 56DF CARF MF Processo nº 16404.000207/200756 Acórdão n.º 2402007.362 S2C4T2 Fl. 57 3 decorrem de aluguéis de imóvel comum do casal e que 50% dos valores recebidos já foram oferecidos à tributação por sua esposa em sua Declaração de Ajuste de 2004. A respeito dos rendimentos produzidos por bens comuns do casal, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 dispõe em seu artigo 7° que: [...] Confrontando a disposição normativa acima com as Declarações do notificado (fls. 12 a 18 dos autos) e de sua esposa (consultada nos sistemas informatizados da RFB), se apura que apenas o notificado declarou bens em 2004, cumprindo o que prevê o §3° acima. Além disso, o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do anocalendário 2003, de fls. 06, emitido pela fonte em questão indica como beneficiária dos pagamentos a Sra. Marilia Perpetua Lange Zaneti, CPF 371.512.15991. Consultada a Declaração de Ajuste de 2004 da Sra. Marilia, consta ali a declaração precisa de 50% tanto do valor tributável indicado no referido Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do anocalendário, como também a compensação de 50% do valor do IRRF, tal como feito por seu marido, o ora notificado. Consultando o sistema SIEFWEB, se apura que os valores indicados pela fonte no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte espelham o que foi declarado em DIRF pela fonte pagadora, que, de fato, não indicou o notificado como beneficiário mas sua esposa (Resumo da D1RF fl. 24). Mas já vimos no §1° do art. 7° do RIR/99 acima, que isso não impede a declaração em separado dos rendimentos e do IRRF, 50% para cada um. Desta forma, como a legislação tributária faculta aos cônjuges declararem os rendimentos provenientes dos bens comuns 50% cada cônjuge, me parece que não há irregularidade alguma no procedimento do notificado, sendo indevida a glosa. Quanto aos valores decorrentes dos recebimentos do Banco Central do Brasil, me parece que tem razão apenas parcialmente o notificado, vejamos porque. Às fls. 07 a 09 o notificado junta cópias de um Alvará de Levantamento de valores e dois DARF's, com os quais pretende provar que os valores compensados a título de IRRF relativos ao Banco Central do Brasil estão corretos, havendo apenas um pequeno desencontro de valores entre o declarado e o constante dos documentos apresentados. Entretanto, à fl. 07 temos cópia de Alvará de Levantamento relativo à Ação Ordinária n° 94.00.053010, que indica que o notificado teria recebido em 2003 o valor de R$ 8.624,89, do Fl. 57DF CARF MF Processo nº 16404.000207/200756 Acórdão n.º 2402007.362 S2C4T2 Fl. 58 4 qual deveriam ser descontados 27,5% a título de IRPF, o que resultaria no valor de R$ 2.371,84 de imposto. À fl. 09 há um DARF de recolhimento de Imposto de Renda Retido na FonteIRRF no código 8045 (IRRF Outros rendimentos), vinculado àquela Ação Judicial n° 94.00.053010, mas no valor de R$ 2.049,26. Referido valor, inclusive, consta do sistema informatizado da RFB conforme se apura no extrato de pagamento de fl. 25. Decorre daí que, relativamente à Ação Ordinária n° 94.00.053010 se pode acolher a compensação do valor acima como IRRF na Declaração de Ajuste de 2004. Mas quanto ao valor de que trata o DARF de fl. 08, no valor de R$ 2.033,90, ao que tudo indica houve erro no seu preenchimento e, por isso, referido pagamento não tem como ser localizado. Aparentemente o problema decorre da indicação no campo 03, destinado à indicação do CPF ou CNPJ, do número do CNPJ da fonte pagadora e não o CPF do notificado. Com isso, não há como relacionar aquele pagamento ao notificado. Para que se tenha noção do problema, à fl. 26 anexo tela de consulta de pagamentos por contribuinte e receita, onde se apura que no dia 18/12/2003, data do DARF de fls 08, podemos encontrar três recolhimentos no valor de R$ 2.033,90, mas efetuados pelo CNPJ 00.038.166/000105, também pertencente ao Banco Central do Brasil, mas que difere do CNPJ indicado no DARF de fl. 08, afinal ali consta o estabelecimento de CNPJ final 000440. Não consta nenhum recolhimento, de nenhum outro valor, para o CNPJ 00.038.166/000440. Com isso, é impossível apurar se o valor indicado foi efetivamente recolhido. Tampouco se pode acolher a compensação do valor indicado, considerandose retido aquele valor, pois não há nos autos nenhum documento relativo à Ação Judicial n° 95/24365, indicada no DARF de fl. 09, de onde se possa extrair que o notificado sofreu efetivamente a retenção que afirma ter sofrido. Desta forma, do valor total de R$ 4.093,36 declarado e glosado, resta indevida a glosa de R$ 2.049,26, relativa ao DARF de fl. 09 e confirmado no sistema conforme fl. 25. E fazendose os ajustes necessários, o lançamento deve ser retificado conforme a tabela de fl. 27, pelo que voto pela procedência parcial da impugnação, cancelando R$ 6.704,95 de IR e mantendo o valor de R$ 2.044,10, que ainda deve ser acrescido de multa e juros de mora. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 16404.000207/200756 Acórdão n.º 2402007.362 S2C4T2 Fl. 59 5 [...] Em sede de recurso voluntário, o Recorrente enfrenta a glosa de IRRF no valor de R$ 2.033,90 mantida pela autoridade julgadora de piso: [...] Cumpre esclarecer que os valores recebidos em relação ao Darf no valor de R$ 2.033,90, referese a honorários de sucumbência nos Autos n° 95.00.024365 atualmente em trâmite na 3' Vara Federal da Seção Judiciária de Curitiba. Ocorre que por ocasião do levantamento do alvará de pagamento, o recolhimento foi automático, mediante DARF que acompanhou o Alvará, conforme cópia do Alvará de Levantamento anexo. Presente recolhimento encontrase nos Autos n° 95.00.024365, as fls 275 do referido processo. Entretanto, se houve erro no preenchimento do DARF, seja quanto ao campo 03, destinado à indicação do CPF ou CNPJ, ou mesmo quanto ao número do CNPJ pertencente ao Banco Central do Brasil, este não ocorreu por parte do contribuinte, que somente cumpriu o que fora determinado por decisão judicial. [...] Pois bem. Da análise dos autos, verificase que, de fato, ocorreu recolhimento de IRRF no valor de R$ 2.033,90 Código de Receita 8045 efetuado pelo Banco Central do Brasil CNPJ 00.038.166/000440, na data de 18/12/2003, vinculado à ação judicial 95/24365 (efls. 10 e 52). O Alvará de Levantamento n. 2556/2003 (efl. 53) informa disponibilidade de quantia no valor de R$ 26.120,24 ao Recorrente e outras duas pessoas físicas, na data de 03/12/2003, referente à ação judicial n. 95/24365 em que é requerente José Haraldo Carneiro Lobo e outros contra o Banco Central do Brasil, oportunidade em que determina a dedução da alíquota de 27,5%, relativa a IRRF. De se observar que o Alvará de Levantamento n. 2556/2003 não foi objeto de apreciação pela instância de piso em virtude de não constar dos autos até a data de julgamento, tendi sito trazido aos autos apenas em sede de recurso voluntário. Dividindose a quantia de R$ 26.120,24 por três (o Recorrente e as duas pessoas físicas discriminadas no Alvará de Levantamento n. 2556/2003), temse uma quantia de R$ 8.706,75 para cada um, que, com os acréscimos legais aproximase significativamente do valor declarado pelo Recorrente na sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) Exercício 2004 ND 09/35.319.053 (efls. 14/21) na ordem de R$ 8.971,64 vinculados a IRRF de R$ 2.044,12. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 16404.000207/200756 Acórdão n.º 2402007.362 S2C4T2 Fl. 60 6 Nessa perspectiva, é forçoso reconhecer que houve, sim, recolhimento do IRRF de R$ 2.033.90, embora o Recorrente tenha declarado R$ 2.044.12. Nesse contexto, assiste razão ao Recorrente ao afirmar que se houve erro no preenchimento do DARF, em qualquer dos parâmetros indicados pela instância de piso, não lhe cabe responsabilidade a ponto, inclusive, de ter glosado a totalidade do IRRF efetivamente recolhido. As providências de ajuste do DARF, caso sejam realmente necessários, constituem se ônus da Administração Tributária, que detém os meios de efetiválo, sem que penalizar o Recorrente. Assim, merece reparo a decisão recorrida no sentido de considerar glosa de IRRF de R$ 10,22, correspondente à diferença entre R$ 2.044,12 declarados pelo Recorrente e R$ 2.033,90 efetivamente recolhido. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial. restabelecendose a compensação de R$ 2.033,90 do Imposto de Renda Retido na Fonte glosado e mantendo a glosa de R$ 10,22. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13899.000394/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430/ 1996.
FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO.
A falta do recolhimento mensal obrigatório relativo a rendimentos recebidos de pessoa física enseja a aplicação da multa isolada de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996 e art. 1º, II, da IN SRF 46/97, tendo como base o imposto de renda devido e não pago ou pago após o início do procedimento fiscal.
MATÉRIA NÃO PRÉ-QUESTIONADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece no recurso voluntário matéria não pré-qustionada na impugnação.
PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE PARCELAMENTO.
O pedido subsidiário de parcelamento é matéria a ser tratada na execução do crédito tributário.
Numero da decisão: 2402-007.346
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430/ 1996. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO. A falta do recolhimento mensal obrigatório relativo a rendimentos recebidos de pessoa física enseja a aplicação da multa isolada de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996 e art. 1º, II, da IN SRF 46/97, tendo como base o imposto de renda devido e não pago ou pago após o início do procedimento fiscal. MATÉRIA NÃO PRÉ-QUESTIONADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece no recurso voluntário matéria não pré-qustionada na impugnação. PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE PARCELAMENTO. O pedido subsidiário de parcelamento é matéria a ser tratada na execução do crédito tributário.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430/ 1996. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. A falta do recolhimento mensal obrigatório relativo a rendimentos recebidos de pessoa física enseja a aplicação da multa isolada de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996 e art. 1º, II, da IN SRF 46/97, tendo como base o imposto de renda devido e não pago ou pago após o início do procedimento fiscal. MATÉRIA NÃO PRÉQUESTIONADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece no recurso voluntário matéria não préqustionada na impugnação. PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE PARCELAMENTO. O pedido subsidiário de parcelamento é matéria a ser tratada na execução do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 03 94 /2 00 6- 84 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13899.000394/200684 Acórdão n.º 2402007.346 S2C4T2 Fl. 297 2 (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 287) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso que considerou improcedente impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 35.682,16 (acrescidos de juros, multa de ofício e multa isolada no valor de R$ 28.700,24), incidentes rendimentos omitidos da DIRPF 2004, consubstanciados em depósitos bancário com origem não comprovada. Consta da decisão recorrida o seguinte resumo do fatos verificados até aquele momento processual: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13899.000394/200684 Acórdão n.º 2402007.346 S2C4T2 Fl. 298 3 Ao analisar o caso, em 04.09.2008 (fls 274), a autoridade de piso considerou improcedente a impugnação apresentada, conforme esclarecem as seguintes ementas: Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13899.000394/200684 Acórdão n.º 2402007.346 S2C4T2 Fl. 299 4 Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, reforçando os argumentos apresentados na impugnação. Pede, ao final, o provimento de seu recurso e, caso negativo, que seja cobrado o tributo sobre um lucro arbitrado não superior a 20% dos rendimentos omitidos, com pagamento a ser realizado mediante o máximo de parcelas possíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende os requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido, exceto quanto ao pedido de arbitramento do lucro ao percentual de 20% dos valores omitidos, pois tal matéria não foi préquestionada na impugnação. Das alegações do contribuinte Tratase de recurso meramente procrastinatório, onde o contribuinte reitera as alegações da impugnação. Assim, por entender que deve ser aplicado neste voto o mesmo juízo adotado pela autoridade de piso, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, colacionase excerto da decisão recorrida, tratando da matéria: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13899.000394/200684 Acórdão n.º 2402007.346 S2C4T2 Fl. 300 5 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13899.000394/200684 Acórdão n.º 2402007.346 S2C4T2 Fl. 301 6 Do pedido subsidiário de parcelamento Sobre o pedido de parcelamento, tal matéria deve ser tratada junto à unidade de origem, no momento da execução do crédito tributário. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909846/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica.
O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade presta-se exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação.
A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, inclui-se no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-006.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (Recuperação de despesas), 7193000605 (Recuperação de despesas) e 7193000606 (Recuperação de multa). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica. O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade presta-se exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação. A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, inclui-se no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas". Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (Recuperação de despesas), 7193000605 (Recuperação de despesas) e 7193000606 (Recuperação de multa). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 205 1 204 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.909846/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.701 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2019 Matéria PERDCOMPRESTITUIÇÃO DE CRÉDITOS Recorrente PORTOBENS ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica. O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade prestase exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação. A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 98 46 /2 01 1- 11 Fl. 205DF CARF MF 2 A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, incluise no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas". Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (“Recuperação de despesas”), 7193000605 (“Recuperação de despesas”) e 7193000606 (“Recuperação de multa”). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: PORTOBENS ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LTDA contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.909846/201111 Acórdão n.º 3402006.701 S3C4T2 Fl. 206 3 Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10850721148201195, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litígio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 109 e seguintes do “processo principal” transmitida em 28/11/2008 que se refere ao recolhimento da Cofins relativo ao período de apuração de novembro/2004. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 462 e seguintes do “processo principal”, proferido em 14/6/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. A autoridade tributária destaca que a luz do CTN, o contribuinte pode pleitear a restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior, no prazo de 5 anos do recolhimento, desde que faça prova do crédito pretendido. Ocorre que, aplicandose os preceitos e disposições da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e alterações posteriores, que disciplinaram a aplicação das normas legais sobre a matéria, tratadas na Lei 9.430/1996 e alterações, nenhum direito creditório restou apurado. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 287 e seguintes do processo principal alegando que: apresentou diversos pedidos administrativos de restituição de recolhimentos a maior do PIS/Cofins; porém, a despeito da evidente inconstitucionalidade do art. 3° do parágrafo único da Lei 9.718, que sequer chegou a ser abordada no despacho decisório, os pedidos foram indeferidos sob o fundamento de inexistência do credito; ao proceder dessa forma a autoridade tributária deixou de cumprir o art.65 da Instrução Normativa 900/2008 que determina a realização de diligências para Fl. 207DF CARF MF 4 verificar a exatidão das informações prestadas, logo, deixou de aprofundar na investigação dos fatos; no caso, a autoridade sequer tomou conhecimento das razões que justificam a restituição; é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a aplicação do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718/1998, portanto cumpre escoimar o alargamento da base de calculo do PIS/Cofins para alcançar outras receitas que as oriundas das vendas de mercadorias e prestação de serviços; Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, DIPJ, DACON e a própria escrita contábil, não fez com que se materializasse o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretende seja reconhecido. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo constitui instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto ao contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é permitido ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.909846/201111 Acórdão n.º 3402006.701 S3C4T2 Fl. 207 5 Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de repercussão geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário (Carlos Daniel), neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é recorrente aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. No caso concreto, o processo de pedido de compensação formulado pelo contribuinte, por meio de PER/DCOMPs, não foi homologado pela DRF SÃO JOSÉ DO RIO PRETO porque foi constatado que inexistia crédito disponível suficiente relativo ao DARF indicado e visto que todo o valor estaria alocado para extinguir débitos declarados na DCTF apresentada, conforme o constante do despacho decisório em anexo. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas e livro Diário que indicam, supostamente, a existência de receitas estranhas ao conceito de faturamento na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Este Colegiado, em sessão realizada no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da Fl. 209DF CARF MF 6 natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente, que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições (PIS e COFINS) por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu o Auditor Fiscal que o contribuinte concorda que devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS e do PIS as receitas referentes ao recebimento das taxas de inscrição e taxas de administração, porém, de forma divergente ao entendido pela Recorrente, afirma que nas rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis abaixo indicadas deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das referidas contribuições: Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo aquelas receitas financeiras e estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse o PIS a pagar apurado na diligência do período de apuração de 31/12/2000 em confronto com o pagamento do período informado na Perdcomp, obtendose o valor recolhido a maior, conforme planilha juntada nas fls. 180. Por fim, apurou na mesma planilha o valor do crédito reconhecido na Perdcomp constante do processo em epígrafe, limitandose o reconhecimento do crédito até o valor pedido. Preliminarmente, cabe esclarecer que, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, as turmas colegiadas do CARF têm expressado o seguinte entendimento sobre essa questão, ao Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10850.909846/201111 Acórdão n.º 3402006.701 S3C4T2 Fl. 208 7 qual concordo: Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). No mérito, a Recorrente se insurge contra a inclusão das receitas constantes na tabela anteriormente indicada na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, pois, no seu entender, tais receitas são estranhas ao conceito de faturamento, não estando de acordo com o julgado do STF no RE 585.235/MG. Ressalta que, no referido Recurso Extraordinário, o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecido como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, conclui ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, notadamente os valores registrados nas contas contábeis: n. 7193000602 – “Ressarcimento desp. legais judiciais”; n. 7193000603 – “Recuperação de despesas”; n. 7193000605 – “Recuperação de despesas”; n. 7193000606 – “Recuperação de multa”; e n. 7193000607 – “Receitas Diversas”. Temse que o alcance do termo faturamento ou receita bruta como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante assentado no RE nº 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: "EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Fl. 211DF CARF MF 8 Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso, Relator" No voto, o Ministro Cezar Peluso deixou consignado que: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....” (negrito nosso) Nesse passo, cabe a este Colegiado decidir se as rubricas contábeis citadas guardam identidade com o conceito de faturamento, entendido este como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, em sintonia com o assentado no RE nº 585.2351/MG. Inicialmente, oportuno fazer algumas considerações sobre a natureza jurídica das recuperações de despesas/custos, pois a Recorrente argui que essas rubricas contábeis sequer possuem natureza de receitas. Entendo que o conceito mais adequado para receita é como o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Nesse sentido, diversamente ao argumentado pela Recorrente, entendo que as recuperações de custos/despesas são conceitualmente receitas, devendo compor o faturamento ou receita bruta, e sua exclusão da base de cálculo da base de cálculo das contribuições deveria ser veiculada em lei, o que não se identifica na legislação vigente. Confirmando esta natureza, transcrevo o artigo 44 da Lei nº 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (negrito nosso) Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10850.909846/201111 Acórdão n.º 3402006.701 S3C4T2 Fl. 209 9 Dessa forma, no caso ora analisado, o fato da Recorrente aduzir que algumas das rubricas contábeis consideradas pela Fiscalização têm natureza de redução de custos/despesa, isso não afasta a sua natureza de receita, conforme expressamente dispõe o inciso III do artigo 44 da Lei nº 4.506/1964. Nesse mesmo sentido, há decisão do CARF caracterizando como receita a recuperação de despesas/custo, a teor do Acórdão nº 3302003.653, cuja ementa transcrevese a seguir: BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. (Acórdão nº 3302003.653 de 22 de fevereiro de 2017 da Terceira Câmara, Segunda Turma, da Terceira Seção) No presente caso, observase que todos os valores recebidos à título de recuperação de custos/despesas estão acordados em contrato padrão, abaixo reproduzido, e integram os valores pagos habitualmente à Recorrente pelos consorciados. Além disso, como bem pontuado pela Autoridade Fiscal, as administradoras de consórcios tem como receita principal a taxa de administração, mas podem também receber outros valores, desde que previstos nos contratos de adesão, inclusive recuperação de custos/despesas, multas e juros moratórios pagos pelos consorciados no caso de atraso nos pagamentos das parcelas contratadas. Em conseqüência, tais valores devem ser considerados receitas operacionais pois são habituais e típicos do negócio desenvolvido pela empresa. Abaixo, transcrevese cláusula do contrato social do contribuinte, que denota o seu objeto social, bem como, é reproduzido parcialmente o contrato padrão utilizado nos negócios do contribuinte no período analisado: Contrato Social Contrato Padrão de Negócios Fl. 213DF CARF MF 10 Dessa forma, mesmo que se afaste o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, julgado inconstitucional na sistemática dos repetitivos no RE nº 585.2351/MG, ainda assim os valores registrados nas rubricas contábeis aqui discutidas integram o faturamento da empresa, entendido este como "a soma das receitas provenientes das atividades empresariais". Ademais, para aqueles que entendem, em tese, que recuperação de custos/despesas não têm natureza jurídica de receita, oportuno aqui esclarecer que nos autos não restou comprovada esta natureza (recuperação custo/despesa) dos valores ora discutidos. O Contribuinte não demonstrou, por meio de documentos, a existência de correspondência direta entre os custos/despesas de incorridos e os reembolsos recebidos pela Empresa. Assim, as argumentações teóricas sobre o tema expostas pela Recorrente não vieram lastreadas por documentos comprobatórios suficientes, tais como as planilhas de custos/despesas incorridos em correspondência com os valores recebidos. Como se sabe, o momento adequado para apresentação da prova documental pela empresa é na impugnação, precluindo o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual, a menos em caso de impossibilidade de apresentação por motivo de força maior, ou se refira a direito ou fato superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (§4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72, inserido pela Lei n.° 9.532/97) , situações essas que não foram identificadas no presente processo. Por fim, tendo em vista que todas as Perdcomps do processo foram apresentadas dentro do interstício de 5(cinco)anos da data dos pagamentos, não foi observada a ocorrência de prescrição. Dessa feita, deve ser reconhecida a existência de direito creditório da Recorrente do período de apuração de 31/12/2000, na forma indicada no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PIS e do valor do CRÉDITO PASSÍVEL DE RECONHECIMENTO elaborada pela fiscalização, constante do campo crédito reconhecido (fls. 180), devendo compor a base de cálculo da contribuição as contas abaixo relacionadas, conforme consta na Informação Fiscal (fls. 181 a 185): 7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7193000602 RESSARC DESP LEGAIS JUDIC Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10850.909846/201111 Acórdão n.º 3402006.701 S3C4T2 Fl. 210 11 7193000603 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000605 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000606 RECUPERAÇÃO DE MULTA 7193000607 RECEITAS DIVERSAS Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Em sessão, manifestei interesse em apresentar declaração de voto para elucidar as questões pelas quais entendo que o provimento parcial do recurso voluntário deveria ser concedido em maior extensão, para abranger as parcelas que não se enquadram no conceito de faturamento. Não obstante o I. Relator tenha buscado diferenciar os conceitos de receita e faturamento, entendo que estes conceitos ficaram mesclados em seu voto, com todo respeito. Importante, com isso, traçar uma distinção entre os conceitos de receita e faturamento.1 Como é assente, com a edição da Lei 9.718/98 e a indicação pelo legislador ordinário de que o faturamento ou receita bruta da pessoa jurídica corresponderia à “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98), foi instaurada uma extensa discussão na doutrina e na jurisprudência quanto ao conceito de faturamento indicado, à época, no art. 195, I, da CF/88, em sua redação originária, como materialidade suscetível de tributação pelas contribuições securitárias. Essa discussão ganhou ainda maior relevância com a publicação, em dezembro de 1998, da EC 20/98, pela qual foi alterada a redação do art. 195, I, CF/88 para indicar, além do faturamento, o termo receita como uma materialidade suscetível de tributação pelas contribuições securitárias no art. 195, I, ‘b’, CF/88. O conceito constitucional de faturamento incorporado pelo texto constitucional, depreendido do DecretoLei 2.397/87 ao definir a base de cálculo do extinto 1 Para maiores considerações, na seara doutrinária, vide: DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. Receita como elemento de incidência do PIS e da COFINS: conceito jurídico x conceito contábil. In: MURICI, Gustavo Lanna; CARDOSO, Oscar Valente; RODRIGUES, Raphael Silva. (Org.). Estudos de direito processual e tributário em homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: D'Plácido, 2018, p. 841861. Fl. 215DF CARF MF 12 FINSOCIAL é o produto da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços auferidos pelas pessoas jurídicas. 2 Esse foi o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 346.084, um dos primeiros precedentes quanto à inconstitucionalidade do mencionado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, segundo o qual o conceito de faturamento, sinônimo de receita bruta, não pode ser considerado como todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica referindo se, apenas, “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”3. Posteriormente, especialmente em função da discussão envolvendo o faturamento das instituições financeiras, a expressão “totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços” passou a ser indicada na jurisprudência como “a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”4, ou seja, aquelas auferidas exclusivamente no exercício de seu objeto social. Vejase que, ao contrário do que pretende aduzir o relator em seu voto, o exercício da atividade empresarial deve guardar relevância com o objeto social da pessoa jurídica para se enquadrar no conceito de faturamento. Essa necessária correspondência com o exercício da atividade social da pessoa jurídica é depreendida, inclusive, do conceito legislativo de receita bruta introduzido pela Lei n.º 12.973/2014 que alterou o art. 12 do DecretoLei no 1.598/19775, indicando que a receita bruta é aquela auferia pela pessoa jurídica no exercício do objeto social principal, dentre as quais aquelas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, bem como as receitas auferidas em função da realização de operações de conta alheia.6 As polêmicas em torno do conceito de faturamento foram igualmente relevantes para sedimentar o conceito de receita indicado no texto constitucional, tomado como o gênero no qual se inclui o faturamento, abrangendo todos os valores recebidos, a qualquer título, pela pessoa jurídica7. Assim, os conceitos de receita e faturamento não se confundem. A manifestação de José Souto Maior Borges traz uma clara distinção entre os dois conceitos: 2 Conforme: LEÃO, Martha Toribio. A incidência das contribuições sociais sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 214, p. 97, jul. 2013. ÁVILA, Humberto. Contribuição social sobre o faturamento. Cofins. Base de cálculo. Distinção entre receita e faturamento. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 107, p. 104, ago. 2004. 3 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. 4 BRASIL. STF. Agravo Regimental no RE 371258, Relator Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03/10/2006, DJ 27/10/2006. E ainda, BRASIL, STF. Agravo Regimental no RE 816363, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, julgado em 05/08/2014, Pulicado em 15/08/2014. 5 “Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III.” 6 Sem adentrar nos pormenores desta inovação legislativa, o conceito constitucional de faturamento, vigente à época da promulgação da Constituição, não pode ser alterado por legislação infraconstitucional, qual seja, a soma das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Dentre outros, é criticável a previsão do art. 12, §5º, DecretoLei no 1.598/1977, que extrapolou o conceito constitucional de receita ao exigir a inclusão dos tributos sobre ela incidentes. Sobre o tema vide SANTOS, Ramon Tomazela. Notas sobre a ampliação do conceito de receita bruta pela Lei n.º 12.973/2014 e as receitas financeiras das instituições financeiras e sociedades seguradoras. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 228, p. 136154, set. 2014. 7 BRASIL, STF. RE 474132, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 12/08/2010, publicado em 30/11/2010. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10850.909846/201111 Acórdão n.º 3402006.701 S3C4T2 Fl. 211 13 “Faturamento e receita são pois conceitos inconfundíveis. O faturamento é um mero instrumento formal de segurança nas relações jurídicomercantis (atesta uma compra e venda ou serviço prestado). Mas a receita (totalidade dos ingressos) pode decorrer de operações não faturáveis pela empresa [...]. Tratase, pois da relação de implicação dogmática entre o gênero (todas as receitas da empresa) e a espécie (o faturamento). Faturáveis são apenas os ingressos vinculados a compra e venda mercantil e serviços prestados pelas empresas”8. Uma vez que o presente processo se refere à análise da Lei n. 9.718/98, necessário avaliar se as parcelas discutidas pelo sujeito passivo se enquadram no conceito de faturamento, e não de receita. Atentandose para as parcelas em discussão relacionadas ao ressarcimento de custos e despesas incorridas com terceiros junto aos consorciados (“Ressarcimento desp. legais judiciais”, “Ressarcimento vendas de cotas”; “Recuperação de despesas”), elas igualmente não se enquadram no conceito de faturamento, não decorrendo do exercício do objeto social da pessoa jurídica. Como elucidado na diligência fiscal realizada, esses valores se apresentam como verdadeiros reembolsos arcados pela pessoa jurídica, não configurando como receita própria de sua atividade. Tratamse de valores de titularidade de terceiro, arcada pela pessoa jurídica para repassar integralmente aos seus consorciados. Não se tratando de receita própria, essas contas contábeis não representam seja faturamento seja receita da pessoa jurídica. Não correspondem, por conseguinte, à “aquisição de direito novo”, como evidenciado no acórdão 3802001.868, de 23/07/2013: “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (grifei) Da mesma forma, as contas relacionadas à “Recuperação de multas” igualmente não refletem o exercício da atividade principal da pessoa jurídica, tratandose de receita de natureza financeira aferida em razão do descumprimento dos contratos. O objetivo social do Consórcio é remunerado pela taxa de administração, sendo que o recebimento de multas pelo descumprimento do contrato não é um objetivo por ela vislumbrado. 8 BORGES, José Souto Maior. As contribuições sociais (PIS/Cofins) e a jurisprudência do STF. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 118, p. 80, jul. 2005. Fl. 217DF CARF MF 14 Por fim, insta frisar que acompanho o relator quanto às contas contábeis 7193000606 “Receitas Diversas” em razão da ausência de provas para confirmar a natureza das receitas aferidas. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário em maior extensão, para afastar da base de cálculo das contribuições as contas às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (“Recuperação de despesas”), 7193000605 (“Recuperação de despesas”) e 7193000606 (“Recuperação de multa”), e garantir o direito de crédito da contribuição equivalente, quanto às parcelas excluídas, relativas às contas indicadas no resultado deste julgamento. É como declaro meu voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.910626/2011-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma líquida e certa dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma líquida e certa dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 12-63.574, de 25 de fevereiro de 2014, da 2ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 26 /2 01 1- 61 Fl. 139DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.789 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.910626/2011-61 Por economia processual e por bem relatar o início do processo, transcrevo abaixo o Relatório constante no acórdão da DRJ: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº de rastreamento 948127243 emitido eletronicamente em 02/08/2011, fl. 105, referente à declaração de compensação Dcomp nº 05775.18272.291107.1.3.049302 transmitida com o objetivo de compensar o (s) débito (s) discriminado (s) na referida Dcomp com crédito de imposto sobre a renda da pessoa jurídica IRPJ, código 2089, do 3º trimestre de 2007, no valor original na data de transmissão de R$ 73,00, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/10/2007 (R$ 4.631,76). 2. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito na Dcomp acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Assim, diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. 3. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 16/08/2011, conforme documento de fl.65, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls.2/3, em 02/09/2011, alegando, em síntese, que: 4.1. a DCTF do 2º semestre de 2007 foi transmitida com erro. O Darf informado para ser compensado na Dcomp foi recolhido em 31/10/2007 no valor total de R$ 4.631,76; 4.2. porém, na DCTF foi sinalizado outro Darf, no valor total de R$ 244, 25, razão pela qual efetuou a sua retificação. 5. É o relatório. A 2ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, reconhecendo direito creditório no valor de R$ 72,34, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM PARTE. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ no 08/04/2014 e, inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário aos 29/04/2014, abaixo transcrito: Fl. 140DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.789 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.910626/2011-61 É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou DCOMP em razão de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 2390, do 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 73,00, de um DARF no valor de R$ 4.631,76, período de apuração 30/09/2007. A compensação não foi homologada, e, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, tendo o valor recolhido sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. A Recorrente declara que efetuou pagamento a maior de IRPJ e, em razão de erro no preenchimento da Per/Dcomp, o crédito não foi identificado. Em julgamento de primeira instância, a DRJ, ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, reconheceu o recolhimento de dois DARFs, como Fl. 141DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.789 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.910626/2011-61 informado pela Recorrente, um no valor de R$ 4.631,76 e outro no valor de R$ 220,91, os quais coincidem com os valores informados no recurso voluntário, totalizando um recolhimento no valor de R$ 4.852,67. Ocorre que, como demonstrado no r. acórdão e também reconhecido pela Recorrente, parte desse valor foi utilizado para pagamento do débito apontado na DCTF, no importe de R$ 4.779,67. Diante disso, restou como crédito o valor de R$ 72,34. Vide trechos do voto do acórdão recorrido: 7. O interessado declarou na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais– DCTF, relativa ao 3º trimestre de 2007, nº de arquivamento 100.2007.2008203056829, apresentada em 08/10/2008, bem como na DCTF retificadora transmitida após o Despacho Decisório (nº 100.2007.20112080336794), débito de IRPJ no valor de R$ 4.779,67. 8. Em consulta aos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil RFB, fl. 106, verifica-se que foi recolhido por meio de dois Darf o montante de R$ 4.852,67, alocado somente em parte ao débito declarado de R$ 4.779,67. - recolhimento efetuado em 31/10/2007, no valor de R$ 4.631,76: Utilização: Valor Alocado ao débito declarado na DCTF------------------------- 4.559,42 Reservado ao processo nº 11080.910626/201161 (em exame) -----72,34 Total 4.631,76 - recolhimento efetuado em 30/11/2007, no valor de R$ 220,91 , acrescido de encargos legais Utilização: Valor Alocado ao débito declarado na DCTF ------------220,91 9. Como se vê, encontra-se disponível para compensação o valor de R$ 72,34. Conclui-se que os pagamentos demonstrados pela Recorrente como realizados foram reconhecidos na decisão de primeira instância. Ocorre que, o valor do débito apontado na DCTF é maior do que aquele descrito no Recurso Voluntário (DCTF e retificadora às fls. 09 a 17 e 38 a 58, respectivamente). Na página do Livro Razão acostado ao recurso, também é possível verificar que o valor do IRPJ do 3º trimestre/2007 tem como saldo a importância de R$ 4.779,67, vide abaixo: Em recurso voluntário, a Recorrente defende existir um erro no Per/Dcomp, mas nada menciona em relação a eventual equívoco de preenchimento da DCTF, também não junta nos autos outras informações e documentos capazes de comprovar suas alegações. Logo, não há como atender o pleito da Recorrente. Fl. 142DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.789 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.910626/2011-61 Outrossim, é importante mencionar que o crédito pleiteado pela Recorrente na Per/Dcomp é no valor de R$ 73,00 como pagamento a maior de IRPJ e a DRJ reconheceu o crédito no valor de R$ 72,26. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 143DF CARF MF
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