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Numero do processo: 11080.724976/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES.
A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrente NORTE GÁS COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES. A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 49 76 /2 01 0- 25 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 389 3 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.251.9768, lavrado em 22/10/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa, bem como o adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT) incidentes sobre remunerações dos empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2006 a 12/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 491.854,06, fls. 01. A autoridade fiscal apontou que a recorrente declarou em GFIP ser optante pelo SIMPLES, mas sua inscrição não foi localizada. Assim, as contribuições previdenciárias incidentes sobre o total da folha de pagamentos seriam devidas e, conseqüentemente, a GFIP não teria sido apresentada com informações de todos os fatos geradores. Após tomar ciência pessoal da autuação em 09/11/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 278/279, na qual apenas questiona o valor da multa e dos juros, afirmando que a informação quanto ao SIMPLES deveuse a um equívoco da sua contabilidade. Informa que não agiu de máfé. A 6ª Turma da DRJ/Porto Alegre no Acórdão de fls. 343/347, julgou a impugnação procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 11/05/2012, fls. 351. A DRJ consignou que a análise quanto à multa mais benéfica, segundo planilha que juntou, será feita no momento do pagamento. O recurso voluntário, apresentado em 06/06/2012, fls. 353/362, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Defende que não foi cientificada de sua exclusão do SIMPLES, o que resultaria na necessidade de o presente processo ser enviado para a Primeira Seção do CARF em vista da competência daquele órgão. Faz considerações sobre o regime tributário do SIMPLES, insistindo que nunca foi notificada de sua exclusão do regime, apesar de ter feito os pagamentos por meio de tal modalidade. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 390 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Opção pelo SIMPLES. Necessidade de ato formal. A recorrente alega ser optante pelo SIMPLES, pois teria feito os pagamentos com base em tal modalidade e, segundo ela, preencheria os requisitos para tanto. Porém, a opção pelo SIMPLES exige a interessada submeta formalmente ao fisco sua opção de modo que este faça a análise do preenchimento dos requisitos previstos na legislação, podendo resultar em indeferimento do pedido. A Lei 9.317/96, vigente até 30 de junho de 2007, assim prescrevia: Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. (...) Art. 8º A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da FazendaCGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2º A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. § 3º Excepcionalmente, no anocalendário de 1997, a opção poderá ser efetuada até 31 de março, com efeitos a partir de 1º de janeiro daquele ano. § 4º O prazo para a opção a que se refere o parágrafo anterior poderá ser prorrogado por ato da Secretaria da Receita Federal. § 5º As pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES deverão manter em seus estabelecimentos, em local visível ao público, placa indicativa que esclareça tratarse de microempresa ou empresa de pequeno porte inscrita no SIMPLES. § 6 o O indeferimento da opção pelo SIMPLES, mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeterseá ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972 . ( Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003 ) Assim, não bastava a mera realização de pagamentos, pois legislação exigia o cumprimento de algumas formalidades. Como a recorrente apenas alegou que fez os pagamentos com base no SIMPLES, mas não demonstrou ter feito, formalmente, a opção, restam insubsistentes seus argumentos sobre seu direito à tal sistemática. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 391 7 das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 392 9 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 393 11 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício Fl. 398DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma Fl. 399DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 394 13 interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as Fl. 400DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 09/11/2010, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2004. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Porém, no presente caso não temos fatos geradores nesse período, o que fasta qualquer efeito da decadência. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 395 15 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 16 demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 396 17 deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 18 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724976/201025 Acórdão n.º 2301003.375 S2C3T1 Fl. 397 19 A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 20 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a: (a) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, limitar esta a 20%; (b) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, manter a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 407DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13629.003039/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS
Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. Quanto às aquisições de Tubo Calorizado, Tipo CCC, foram vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que reconheciam o direito ao crédito. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor quanto às aquisições de Tubo Calorizado, Tipo CCC.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(Assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Participantes: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. Quanto às aquisições de Tubo Calorizado, Tipo CCC, foram vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que reconheciam o direito ao crédito. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor quanto às aquisições de Tubo Calorizado, Tipo CCC. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Participantes: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. Quanto às aquisições de Tubo Calorizado, Tipo CCC, foram vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que reconheciam o direito ao crédito. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor quanto às aquisições de Tubo Calorizado, Tipo CCC. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 30 39 /2 00 7- 28 Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 2 (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Participantes: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório de Primeira Instância, por bem refletir a contenda: Em julgamento os autos de infração de fls.08, 116 e 133, que exigem respectivamente os montantes de R$ 2.814.383,17, R$ 2.616.973,70 e R$ 4.855.034,78. A razão de existência dos lançamentos supra foi explicitada no Termo de Verificação de fls.13/19, que assim vai resumido: "(..) Foi verificado que o estabelecimento industrial não recolheu, ou recolheu a menor, o IPI em diversos períodos de apuração por ter se apropriado de créditos de IPI indevidamente, em aquisições de materiais que não se caracterizam como matériasprimas, produtos intermediários, e:materiais de embalagem. Por não estarem amparados pela legislação art.25 da Lei n°4.502/64; art.147 do RIPI/98; art. 164 do RIPI/2002 e Parecer Normativo CST n°65/79, os créditos relacionados no Demonstrativo do IPI, folhas 20 a 23, foram glosados". As citadas glosas foram rechaçadas na peça de impugnação de fls.461/493 da forma seguinte, em apertada síntese: "(..) Considerando que se tratam de milhares de produtos, a Impugnante trabalhará por amostragem, mas todos os produtos glosados pela Fiscalização são essenciais e se consomem pelo desgaste direto na fabricação do produto final. produtos refratários A questão dos materiais refratários nas siderúrgicas já foi debatida à exaustão nos tribunais, sempre com ganho de causa aos contribuintes. Com efeito, os produtos autuados são isolantes térmicos, essenciais para atividades de uma usina siderúrgica cujo manuseio com altas temperaturas é constante e inerente a atividade. (...) Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302002.100 S3C3T2 Fl. 851 3 No material anexado aos autos de infração ("Demonstrativo de justificativas das glosas relativas a produtos não caracterizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem”) encontramos diversos produtos refratários utilizados no lingotamento continuo, essenciais ao processo produtivo, que se desgastam por ação direta do produto em elaboração e com duração, muitas vezes, menor do que I dia.... produtos destinados ao tratamento de água e produtos de tratamento de gases Quanto aos produtos destinados ao tratamento de água no processo siderúrgico tratase de procedimento imprescindível a elaboração do aço, pois se a água não está corretamente balanceada o produto em fabricação é feito com defeitos e, portanto, imprestável às vendas. cilindros de laminação Todos os aços fabricados pela Acesita S/A passam pelos laminadores Rougher e Steckel na laminação de tiras a quente. Já na laminação a frio, todos os aços silicosos passam no laminador Sendzimir n°2. Os aços inoxidáveis, dependendo do tipo de aço, podem passar pelos laminadores Sendzimir N° 3 ou 4 ou somente por um deles. E da mesma forma, no que diz respeito aos laminadores de encruamento, vai depender do tipo de aço e da solicitação do cliente, para que o aço inoxidável passe por estes laminadores. Ora, novamente, tais cilindros não fazem parte do laminador, se desgastam pela ação direta do produto em elaboração e não detém as características de ativo imobilizado, portanto, os créditos devem ser mantidos. Milhares de outros exemplos poderiam ser dados, mas restou demonstrado que a Fiscalização pecou nas premissas. Na verdade, o que se deveria discutir é se os produtos glosados fazem parte do ativo imobilizado da empresa ou não (critérios de contabilização) partes e peças de máquinas e equipamentos não têm o crédito de IPI garantido (ao contrário do que determina o texto constitucional) porque fazem parte do imobilizado. E a fiscalização, em momento algum, demonstrou que os produtos glosados deveriam ser imobilizados e que os critérios contábeis utilizados pela empresa não são aceitos universalmente. Do pedido de perícia Considerando o caráter técnico da matéria em questão, requer a PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL, para que seja demonstrada a função de cada produto glosado no processo produtivo da Impugnante e que tais produtos são intermediários, essenciais á sua linha de produção, consumidos de forma imediata e integral, compondo ainda o preço final dos produtos de sua fabricação." Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o auto de infração. Intimada do acórdão supra em 12/01/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 11/02/2011. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Contextualização O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Não se trata de Recurso de Ofício, uma vez que a DRJ reduziu o lançamento em valores inferiores a R$ 1 milhão, contudo, importante mencionar que foram excluídos determinados créditos, que a DRJ entendeu como sendo pertencentes ao ciclo de transformação, independentemente do desgaste sofrido. Foram excluídos: cone superior do vaso do MRPL descrição contida no TDF n°56/2007: "peça do equipamento denominado vaso MRPL, que por sua vez é responsável pela conversão do ferro gusa em aço liquido. O desgaste desta peça é pelo calor e pelo contato direto com o aço liquido. Sua vida útil é, em média, de 1 ano." coquilha, DES 010401077 descrição contida no TDF n° 61/2007: "a coquilha é uma forma pertencente esteira do equipamento denominado "lingotadeira de gusa", que tem a função de receber o gusa liquido e resfriálo até o estado sólido, Este gusa pode ser vendido ou utilizado na linha de produção. A vida útil da coquilha é de aproximadamente 12 meses." dromo, DES 614702208 descrição contida no TDF n° 34/2007 (f1.371): "o insumo é, na realidade, uma peça denominada "garrafa", que é parte integrante do dromo, conforme já descrito no TDF n° 32/2007, tendo a mesma vida útil (TDF n° 32/2007: "a garrafa é adquirida e levada à oficina mecânica sendo ali realizada a montagem do dromo. Sua vida útil é, em média, seis meses. Sua função é enrolar e desenrolar a tira de aço no processo de laminação." Rolo deflector,. DES 614703057 descrição contida no TDF n°36/2007 (11.373): "o insumo faz parte do processo de laminação compondo o forno auxiliar do Steckel. Sua função é fazer uma deflexão da tira, facilitando o processo de laminação. Sua vida útil é, em média, de três meses". De início, esclareço que os argumentos lançados pela recorrente para a caracterização da nulidade do acórdão da DRJ estão relacionados à discussão neste processo sobre o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para fins de apuração de créditos básicos de IPI na fabricação do aço. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302002.100 S3C3T2 Fl. 852 5 Mais precisamente, discutese acerca da possibilidade de tomada de créditos considerando dois corolários decorrentes. O primeiro, sobre se possível o crédito nos ciclos denominados de transformação ou operacional, ponderados pelo segundo corolário, ou seja, pelo eventual desgaste decorrente do contato com as matériasprimas. Perceptível, como visto, que para a DRJ, independentemente da vida útil do insumo, mais importante fora o fato de que tais insumos pertenceriam ao denominado ciclo de transformação. Da alegação de nulidade do Acórdão recorrido Quanto à suposta nulidade do acórdão, não os enfrentarei em face da regra constante do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que estabelece: Art. 59. [...] [...] § 3º. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Resta claro, desde já, o meu alinhamento à tese defendida pela recorrente quanto ao conceito de certos insumos, bem como ao aproveitamento dos créditos de IPI, relacionados aos produtos intermediários que serão utilizados na fabricação de produto novo, cujos argumentos, porém, serão lançados em seguida. Quanto à razão principal da alegada nulidade, discordo da recorrente uma vez entender, a partir da leitura dos autos, que há elementos suficientes para esse Colegiado decidir, elementos inclusive de ordem técnica apresentados ao longo do procedimento. Do mérito A controvérsia cingese acerca do aproveitamento de créditos sobre determinados produtos que são consumidos no processo de industrialização realizado pela Recorrente. Primeiramente, cumpre esclarecer que, de acordo com o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II da Constituição Federal, o IPI será nãocumulativo, compensandose o imposto devido em cada fase do processo produtivo, com o montante cobrado nas fases anteriores, nos seguintes termos: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 6 § 3º O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; Em face das disposições constitucionais supracitadas podemos afirmar que a nãocumulatividade é princípio basilar do sistema constitucional tributário brasileiro, pois encerra disposição de fundamental importância para a compreensão e aplicação do sistema normativo. Nos termos do artigo 226 do RIPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212/2010, temos que é permitido à pessoa jurídica apropriar créditos de insumos que, relacionados à produção, tenham suas propriedades físicas ou químicas consumidas, em razão de sua relevância para o processo industrial, in verbis: “Art.226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): Ido imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Nesse mesmo sentido o item 11 do Parecer Normativo CST nº 65/79 prevê: “11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no Ativo Permanente.” Assim, tendo em vista que o fato imponível do IPI ocorre no momento da saída do produto do estabelecimento do contribuinte que tenha sofrido processo de industrialização, resta evidente que todos os insumos que se consumiram ou foram agregados a um produto final sejam aceitos para fins de creditamento do IPI, pois tais insumos se confundem com o próprio produto, sendo submetidos à tributação, que incidirá sobre o valor total da operação de saída. Tendo o insumo apresentado perda em suas características químicas ou físicas em razão do contato com o bem em fabricação, resta justificável o crédito de IPI, a fim de impedir a tributação do valor deste insumo em cascata no processo produtivo. No presente caso, conforme exposto pelo Recorrente os produtos intermediários, quais sejam: cilindros de laminação, produtos para tratamentos de água e os refratários, são essenciais para a atividade da empresa no processo produtivo, pois sem esses produtos intermediários, a elaboração do produto final, não seria possível. Os referidos Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302002.100 S3C3T2 Fl. 853 7 elementos se desgastam pela ação direta com o produto em elaboração, devendo os créditos ser mantidos. Esse relator manifestouse em diversas ocasiões no sentido de que o Parecer Normativo no. 65/79 é imprestável para avaliar, em diversos sentidos e conceitos, o processo produtivo da realidade econômica de três décadas posteriores. O Direito deve seguir a economia. Se pretensiosos formos a tentar moldar a economia ao Direito, permaneceremos subdesenvolvidos, o que aliás parece ser um elemento cultural crônicodominante na modus pensandi de nossas autoridades, de nossos julgadores, dos nossos legisladores, e de boa parte dos agentes econômicos. A primeira questão que ora exsurge é, pois, sobre como entender que tais insumos não fariam parte do processo produtivo, se sem eles o produto final não pode ser produzido. Assim, em sendo a Recorrente uma indústria siderúrgica, o primeiro raciocínio plausível é o de que a totalidade dos insumos glosados pela autoridade lançadora deveriam ser classificados dentro do conceito de produto intermediário do Regulamento, por obviamente pertencerem ao seu processo de produção de forma indireta, sofrendo desgaste ou perda de sua propriedade, e, mesmo sem fazer parte do produto final, contribuiriam para a sua fabricação, sendo assim, indispensáveis na produção da requerente. Oportuno anexar decisão semelhante deste mesmo Colegiado, em que a matéria foi assim ementada: "(..) CONCEITO DE MAÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, aqueles que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Recurso negado." (2º Conselho de Contribuintes 1 13 Câmara, Acórdão n2 201 77.777, Recurso nº122.122, Processo n2 11080.000569/9980, Relatora: Adriana Gomes Rego Galvão, Data da sessão: 11/08/2004, DOU de 07/04/2005) Contudo, entendo que a própria noção de desgaste é por demais volátil para que sejam fixados parâmetros para qualquer indústria. Pretendo, portanto, e mais adiante, avaliar a partir desse desgaste o que poderia ser passível de creditamento, à luz da sua inserção no processo de transformação. Antes, entretanto, um aparte. A recorrente, impecavelmente, alega em sua defesa um aspecto importante, no sentido de que a fiscalização teria deixado olvidado de discutir se tais insumos, particularmente aqueles integrados ao seu maquinário, seriam despesas ou se deveriam ter sido “imobilizados”, e que nesse sentido, não sendo passíveis de imobilização, despesas portanto em sendo, estariam automaticamente contidos no campo indiscutível sujeição ao creditamento. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Nesse sentido, em que pese reconhecer tratarse de interessante argumento, discordo da recorrente. Imobilizar ou não determinado bem ou mercadoria decorre de duas variáveis. Uma contábil, outra fiscal. A boa técnica contábil manda que tudo aquilo que agregue vida útil ao bem seja imobilizado. Isso tem a ver com desgaste, mas independe do tempo. Depende da vida útil do conjunto do equipamento, ou seja, apenas uma peça contendo alguma nova tecnologia, ou alguma novo elemento conjunto que realmente possa dilatar o período de depreciação/vida útil em período considerável e avaliável. Não passíveis de imobilização novos elementos que agreguem capacidade de produção ao maquinário, por exemplo. Ocorre que a segunda variável é fiscal. O RIR fixa um critério em valores. Bens ou mercadorias com valores superiores a pouco mais de R$ 200 devem ser imobilizados. Como usualmente aquilo que agrega vida útil é superior a esse valor, imobilizase, mas não é verdade que algo que sofra desgaste não possa ser imobilizado. Outrossim, aquilo que sofre desgaste muito rápido, pelo próprio ciclo operacionalcontábil de depreciação, é lançado ao resultado do exercício, a débito de conta de despesa ou custo. O que tampouco é fator determinante para a tomada de créditos de IPI. Isso dito, creio que os elementos argumentativos relativos a esse tema, por não serem determinantes, devem ser desconsiderados no caso concreto, conquanto possa rediscutilos em outro caso que o comporte. Voltando ao caso concreto, temos que não foram considerados pela DRJ para fins de crédito os seguintes elementos, cuja descrição sintética abaixo colacionarei, para ao final decidir individualmente quando entenderei ser passível de creditamento. 1. Produtos Refratários a) Termo de diligência fiscal no. 01/2007 PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA — PANELA — fls. 39/42 do laudo em anexo e página 338 dos autos. As panelas de aço precisam ser revestidas pelos refratários, pois caso não houvesse a proteção dos refratários a panela se fundiria. O TDF diz que o insumo entra em contato com o aço. b) Termo de diligência fiscal n°. 02/2007, 06/2007, 08/2007, 09/2007, 14/2007 — PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA — TAMPÃO MONOBLOCO fls 43/45 do laudo em anexo e paginas 339, 343, 345, 346 e 351 do processo. Peça utilizada para injetar o Argônio no aço para evitar formação de defeitos não produto final. O TDF diz que o insumo entra em contato com o aço. Sua vida útil é de menos de um dia. c) Termo de diligência fiscal n°. 03/2007, 04/2007, 05/2007 PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA VALVULA SUBMERSA fls 46/49 do laudo em anexo e páginas 340, 341, 342 dos autos. Estes insumos têm como função conduzir o aço liquido do distribuidor para o molde das placas no lingotamento impedindo que ele entre em contato com o oxigênio do ar, o que prejudicaria o produto final. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço: "Sua função é conduzir o aço liquido para o molde, protegendo o jato de aço do contato com oxigênio do ar." Sua vida útil é de menos de um dia. d) Termo de diligência fiscal n°. 10/2007, 11/2007, 15/2007 e 16/2007 — PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA TUBO SUBMERSO. fls 50/54 do laudo em anexo e 347, Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302002.100 S3C3T2 Fl. 854 9 348, 352 e 353 dos autos Estes insumos têm como função de conduzir o metal liquido da panela para o distribuidor impedindo que entre em contato com o oxigênio do ar, o que prejudicaria o produto final. Sua vida útil é de menos de um dia. e) Termo de diligência fiscal n°. 27/2007, 28/2007 e 29/2007 — PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA KIT TOJOLOS REFRATÁRIOS fls 55/57 do laudo em anexo e páginas 364, 365 e 366 do processo Estas peças refratárias têm como finalidade proteção dos fornos elétricos a “arcos” e no Pré Tratamento de Gusa para que estes não fundam. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço: "é utilizado no revestimento refratário do convertedor AODL (..) composto por todos os tijolos refratários utilizados no AODL". Sua vida útil é de 10 dias. f) Termo de diligência fiscal n°. 31/2007 — PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA AC, PANELA VER. fls 59/63 do laudo em anexo e página 368 do processo Este insumo tem como função receber o aço liquido impedindo que o mesmo tenha contato com a panela. Tratase de um produto essencial pois sem ele o aço entraria em contato com o a panela, provocando fusão. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço e diz expressamente que entra em contato com o aço: "Conjunto de refratários para revestimento interno da panela de aço". Sua vida útil é de 15 dias no máximo. g) Termo de diligência Fiscal n°. 26 — PEÇA ESPECIAL REFRATARIA AC, CUNHA RADIA fls. 64/65 do laudo em anexo e página 363, do processo Este insumo possui a função de proteger a panela do aço liquido e impedir que essa se funda. O TDF diz expressamente que sua função é essencial para fabricação do aço: "é utilizado como revestimento refratário da panela (..) tem contato com o aço". Sua vida útil é de 10 dias. h) Termo de diligência Fiscal n°. 17/2007, 18/2007 e 24/2007 PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA Ac, PLUG POROSO, PANELA DE 80 T, ALUMINOSO, PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA Ac, PLUG POROSO, PANELA DE AÇO E PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA Ac, PLUG POROSO, PANELA DE 80 T ALUMINOSO — fls. 66/68 do laudo em anexo e páginas 354, 355 e 361 do processo Esses insumos são montados no fundo da panela com a função de injetar gases causando agitação do aço liquido. O TDF diz expressamente que o insumo entra em contato com o ago. Sua vida útil é de um dia. i) Termo de diligência fiscal n°. 19/2007 e 21/2007 —SEDE DE VÁLCULA, CODE 1 FLOGATES PARA VALVULA ISID fls. 69/71 do laudo em anexo e páginas 356 e 358 do processo Estes insumos são a sede dos insumos apresentados no item 3.6.8 de forma que evita o vazamento de aço liquido. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço: "é uma pega que fica no interior da panela que sustenta o plug poroso que é o responsável pela injeção de gases no banho do aço liquido."Sua vida útil é de 15 dias. j) Termo de diligência fiscal n°. 20/2007 e 22/2007 PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA AC, CONE INFERIOR LS 50, VALV. GAVETA, PANELA DE AV), Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 10 ALUMINOSO, AL20386 fls. 72/74 do laudo em anexo e páginas 364, 365 e 366 do processo Este insumo possui a função de direcionar o aço da panela para o distribuidor do lingotamento continuo, quando do vazamento da panela. O TDF diz expressamente que o insumo entra em contato com o aço. Sua vida útil é de uma corrida, o que equivale a menos de um dia. k) Termo de diligência fiscal n°. 23/2007 — PEÇA ESPECIAL REFRATÁRIA AC, SEDE DE VALCULA LS50, SOLEIRA, PANELA DE AP:), ALUMINOSO, AL203 fls. 75177 do laudo em anexo e páginas 357 e 359 do processo Este insumo tem como função escoar o metal liquido para o distribuidor do lingotamento continuo. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço: "peça do equipamento denominada panela, e fica localizada no interior deste equipamento, e é por onde o metal liquido passa, sendo direcionado para o cone superior e posteriormente para as placas, para o cone inferior e depois para o lingotamento". Sua vida útil é de menos de 10 dias. Importante observar que o Acórdão recorrido segue o critério adotado pela fiscalização (fls. 582), no sentido de limitar o crédito quando houvera i) ausência de contato direto com o produto; ii) quando houvera contato direto, porém o material pertenceria ao ciclo operacional; iii) parte ou peça de maquinário; iv) prenchidas todas as condições anteriores, vida útil superior a um ano. Ora, da análise dos descritivos acima, e utilizandome do próprio suposto critério adotado pela fiscalização, vejo claramente preenchidas a condição relativa ao contato direto (refratários), ainda que sua denominação seja de “peça”, pois peça indica a integração ao ativo imobilizado como algo que seja fundamental ao seu próprio funcionamento. Vejo preenchida também a condição de vida útil, uma vez que esta vida útil em todos os casos é brevíssima, o que indica ainda mais o contato direto com material em altíssima temperatura. Restaria apenas decidir quanto ao ciclo. Conquanto entenda que a classificação do insumo dentro do ciclo possa ser um indicativo, que no caso concreto essa classificação não seria determinante. Entrementes, entendolhes todos como pertencentes ao ciclo transformacional, e não o operacional, o que nos dizeres do próprio relator do Acórdão recorrido seria um dos elementos para tornar o insumo passível de creditamento. Concluindo, quanto a esses itens, voto no sentido de dar provimento à pretensão da recorrente. Prosseguindo: 2. Partes e peças I) Termo de diligência fiscal n°. 13/2007 e 58/2007 — CONJUNTO MECÂNICO PNALV. GAVETA LS 50 INTE fls 78/81 do laudo e páginas 350 e 395 do processo Este insumo tem como função regular a quantidade de aço que sai da panela para o distribuidor do lingotamento continuo. Uma falha em seu sistema pode provocar vazamento do aço liquido com graves acidentes de grandes proporções. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço. "A função desse insumo é regular a quantidade de aço que sai destas panelas". Sua vida útil é em média um ano. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302002.100 S3C3T2 Fl. 855 11 m) Termo de diligência fiscal n°. 30/2007 —TUBO CALORIZADO, TIPO CCC, DN 3/4 PLO, CO fls. 82/84 do laudo em anexo e página 367 do processo Este insumo tem como função promover a homogeneização, controle da temperatura e composição química e oxidação do Silício. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço. "Sua função é a injeção de oxigênio no banho do aço". Tem vida útil de menos de um dia. n) Termo de diligência fiscal n°. 62/2007 — CONCRETO REFRATÁRIO, ALUMINOSO, AL 2°3 — 86,00%, BAIXO CIMENTO, AQUECEDOR DE PANELA fls. 85/89 do laudo em anexo e página 399 do processo Este insumo é utilizado para concretar a superfície interna da abóboda do forno, assim como os outros materiais refratários, sua função é evitar o contato do metal liquido com o equipamento. O TDF diz expressamente que o insumo entra em contato com o aço. "tem a função de possibilitar a passagem dos eletrodos para a fusão da carga sólida no interior do forno, sem perda térmica e impacto ambientar Tem vida útil de aproximadamente 20 dias. o) Termo de diligência fiscal n°. 07/2007 e 25/2007 — TERMOPAR IMERSÃO, SENSOR S, PTPTRH10%, TUBO PAPELÃO 610 MM C/305MM REVESTIDO REFRATÁRIO E TERMOPAR IMERSÃO, SENSOR S, PTPTRH10%, TUBO PAPELÃO 1220 MM fls 90/92 do laudo em anexo e páginas 344 e 362 do processo Este insumo tem contato direto com o produto em fabricação e seu consumo é imediato, não permitindo recuperação ou outra utilização. O TDF diz expressamente que sua função é essencial para fabricação e compra do aço. "instrumento para medição de temperatura do aço liquido". Sua vida útil é de “apenas uma medição.” p) Termo de diligência fiscal n°. 52/2007 — ARRUELA CERÂMICA, DIAMETRO INTERNO 258,50MM fls. 93/95 do laudo em anexo e página 389 do processo Este insumo é um material refratário que reveste rolos de aço que são indispensáveis para fabricação do aço. O TDF diz expressamente que o insumo tem contato direto com a chapa de aço. E sua vida útil é de 15 dias. q) Termo de diligência fiscal n°. 50/2007 e 51 12007 — CILINDRO LAMINADOR, LAM. SENDZIMIR Ill fls. 96/100 do laudo em anexo e páginas 387 e 388 do processo São insumos que tem contato direto com a bobina de aço, com a função de promover a redução final de espessura do aço. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço. "Sua função é diminuir a espessura da tira de aço conforme especificado pelo cliente." Tem vida útil de 10 meses r) Termo de diligência fiscal n°. 45/2007, 48/2007 — CILINDRO LAMINADOR, LAM. SEDIZIMIR II fls 101/102 do laudo em anexo e páginas 382 e 385 do processo Este insumo tem como função promover a redução final de espessura do aço, deixando o material dentro das especificações do cliente. O TDF diz expressamente que sua Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 12 função é essencial para fabricação do aço. "Não entra em contato com o produto em fabricação (chapas de aço silício), mas sendo essencial para o processo de laminação."Tem vida útil de 11 meses. s) Termo de diligência fiscal n°. 46/2007 e 47/2007 — CILINDRO LAMINADOR, LAM. SEDIZIMIR II fls. 103/106 do laudo em anexo e páginas 383 e 384 do processo Estes insumos promovem a redução da espessura da tira conforme especificado pelo cliente. È impossível laminar bobinas de aço se os cilindros não estiverem trabalhando em conjunto. 0 TDF diz expressamente que sua função é essencial para fabricação do aço. Não entra em contato com o produto em fabricação (chapas de aço silício), mas sendo essencial para o processo de laminação." Tem vida útil de 10 meses. t) Termo de diligência fiscal n°. 37/2007 — CILINDRO LAMINADOR, LAM. STECKEL — ACABADOR, DIAMETRO, 736,00 MM, DES. 614712028 fls. 107/109 do laudo em anexo e página 374 do processo Este insumo tem como função promover a redução da espessura do aço em fabricação, dando ao material as dimensões, formas e qualidade superficial exigida pelos clientes. O TDF diz que sua função é essencial para fabricação do aço. "Sua função é promover o acabamento final das tiras laminadas a quente dentro dos padrões estabelecidos, de dimensão, forma e qualidade superficial. Sendo o cilindro de trabalho, tem contato direto com a tira laminada (bobina de aço)." Tem vida útil de três meses. u) Termo de diligência fiscal n°. 39/2007 — CILINDRO LAMINADOR, LAM. STECKEL — ACABADOR, DIAMETRO 1450MM DES. 613102001 fls. 110/111 do laudo em anexo e página 376 do processo. Estes insumos, mesmo não tendo contato direto com a chapa de aço durante a laminação, caracterizamse como produtos intermediários em função de sua essencialidade na fabricação do principal produto da Recorrente, pois, ainda são desgastados durante a produção do aço. 0 TDF diz expressamente: Apesar de não ter contato direto com o produto em fabricação (tiras laminas quente), ele interfere na qualidade do mesmo, pois ele dá suporte mecânico ao cilindro de trabalho." v) Termo de diligência fiscal n°. 38/2007 e 40/2007 — CILINDRO LAMINADOR, LAMINADOR DESBASTADOR ROUGHER DIÂMETRO 930MM, DES 613102005 E CILINDRO LAMINADOR, LAMINADOR EDGER fls.112/113 do laudo em anexo e páginas 375 e 377 do processo Sendo sua ação sobre o material, imprescindível para se obter o resultado desejado. O TDF diz expressamente que o insumo tem contato direto com a bobina de aço. w) Termo de diligência fiscal n°. 44/2007 — CILINDRO LAMINADOR, LAMINADOR DESBASTADOR ROUGHER, DES. 613102266 fls. 114/115 do laudo em anexo e páginas 364, 365 e 366 do processo. Este insumo promove a redução da espessura da tira conforme especificado pelo cliente. O cilindro de trabalho atua diretamente em contato com a superfície da chapa de aço. O TDF diz expressamente: Apesar de não ter contato direto com o produto em fabricação (tiras laminas 5 quente), ele interfere na qualidade do mesmo, pois ele dá suporte mecânico ao cilindro de trabalho." Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302002.100 S3C3T2 Fl. 856 13 x) Termo de diligência fiscal n°. 41/2007 — SEGUIMENTO DE MANDRIL, DESENHO 615606016 IT. 1, 1A, 6, DESENHO 615606017 1E. 1A fls.116/118 do laudo em anexo e página 378 do processo Este insumo tem como função enrolar. a tira de aço, dandoa forma de bobina. Sua vida útil não ultrapassa dozes meses em razão do desgaste. E qualquer defeito provocado pelo desgaste provocará grandes defeitos na bobina. y) Termo de diligência fiscal n°. 49/2007 e 57/2007 — CORREIA TRANSPORTADORA, LARG. 36 POLEGADAS E CORREIA TRANSPORTADORA, LARG. 30 POLEGADAS fls. 119/123 do laudo em anexo e páginas 386 e 394 do processo Estes insumos têm contato com as matérias primas e FerrosLiga. Como bem relatado no TDF: "Sua função é transportar matériaprima até os silos do autoforno." Possuem vida útil de até um ano. Quanto a tais itens, possível verificar a relativa heterogeneidade de sua classificação. Há peças, há aqueles com desgaste menor, outros com desgaste maior, uns com presença de refratários em sua composição, outros pertencentes ao ciclo operacional. Entendo que os únicos itens que preenchem as características mencionadas no item anterior, e que tornaria possível o creditamento são os itens “m)” e “n)”. Quanto aos demais, nego provimento a pretensão da recorrente. 3. Produtos destinados ao tratamento de água e de gases z) Termo de diligência fiscal n°. 42/2007— SÍLICA COLIDAL CONCENTRAÇÃO 40% fls. 124/131 do laudo em anexo e página 379 do processo Este insumo é aplicado ao aço formando uma camada isolante sobre ele. Além disso, o TDF diz expressamente que este insumo compõe o material. "é misturado a outros insumos e é aplicado ao produto (chapas de aço). Compõe o material". aa)Termo de diligência fiscal n°. 43/2007— VERNIZ, ISOLANTE C 3 COM PIGMENTO CINZA fls. 132/139 do laudo em anexo e página 380 do processo Este insumo é essencial ao aço que é aplicado em materiais elétricos. Sem esse produto este aço não tem utilidade. Além disso, o TDF diz expressamente que este insumo compõe o material. "é misturado a outros insumos e é aplicado ao produto (chapas de aço). Compõe o material". bb) Termo de diligência fiscal n°. 53/2007, 54/2007, 55/2007— POLÍMERO FLOCULANTE ANIÔNICO GRANULAR BRANCO, DENSIDADE 0708 G/CM3, ANTIESPUMANTE ORGÂNICO PARA SISTEMA DE LAVAGEM DE GÁS DE ALTO FORNO E DISPERSANTE ESPECÍFICO PARA SISTEMA DE LAVAGEM DE GÁS fls. 1401146 do laudo em anexo e paginas 390, 391 e 392 do processo Afirma o recorrente que “O tratamento da Água é imprescindível no processo de fabricação do aço, embora não compondo a estrutura deste produto, pois, a não utilização da água comprometeria a vida útil dos referidos equipamento de produção, podendo levar a Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 14 Recorrente a um acidente de grandes proporções em razão de acúmulo de substâncias impróprias, colocando em risco a segurança de trabalhadores, comunidade e meioambiente.” Quanto a esse último grupo, temos que esses produtos são “aplicados” ao produto final, complementando as suas características. Desgastamse, é fato, porém pertencem ao ciclo operacional. Não entendo como passível de auferimento de créditos. Por todo exposto, conheço do presente recurso, e doulhe provimento parcial, conforme especificado anteriormente, item a item. (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Redator Designado em relação às aquisições de Tubo Calorizado, tipo CCC O entendimento oficial da RFB considera que, nos termos do Parecer Normativo CST n. 65, de 1979, o produto intermediário que gera direito a crédito de IPI, quando não se incorpore ao produto fabricado, deve desgastarse em contato com ele no processo de fabricação e não de forma incidental. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302002.100 S3C3T2 Fl. 857 15 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Se, de um lado, tal entendimento, de aplicação obrigatória pelo Carf, nos termos do art. 62A de seu Regimento Interno (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), afasta a condição de contato físico direto com o produto fabricado, de outro, estabelece de forma clara que o insumo deva sofrer desgaste de forma imediata e integral durante o processo de fabricação. Como consequência, o acórdão afastou a possibilidade de creditamento de qualquer insumo que seja utilizado em maquinário no parque industrial, como partes e peças de Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 16 equipamentos e combustíveis neles empregados, que não sofrem desgaste ou que o sofram de forma mediata. Há, ainda, precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE AÇO PARA CREDITARSE DO IMPOSTO RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATÁRIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE É FABRICADO O PRODUTO FINAL. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. TIJOLOS REFRATÁRIOS. PRODUÇÃO DE AÇO. ART49 DO CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Constou o seguinte do voto do ministro Relator: Como observa o acórdão recorrido o ilustre relator Carlos Mário Veloso, há, no processamento da ação, refratários que se consomem, e nesse caso a dedução se impõe, e refratários que integram o meio de produção, que se não consomem, apenas se desgastam e devem ser substituídos. Portanto, podese concluir que que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. Nesse contexto, o Tubo Calorizado (item “m” do voto do Relator), como parte e peça de equipamento, não satisfaz os requisitos para classificarse como produto intermediário. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302002.100 S3C3T2 Fl. 858 17 Dessa forma, voto com o E. Relator, exceto em relação ao Tubo Calorizado do tipo CCC, em relação ao qual não reconheço o direito de gerar crédito de IPI. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 19515.002859/2004-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Decisão fundamentada em informações produzidas pela fiscalização no curso do procedimento fiscal e não contestadas no âmbito do PAF é dotada da necessária fundamentação fática, não se configurando omissão ou descumprimento do dever do julgador.
Numero da decisão: 3402-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente-Substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente-Substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente-Substituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente-Substituto).
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Embargante PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado GALLI CGN CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Decisão fundamentada em informações produzidas pela fiscalização no curso do procedimento fiscal e não contestadas no âmbito do PAF é dotada da necessária fundamentação fática, não se configurando omissão ou descumprimento do dever do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – PresidenteSubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (PresidenteSubstituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 59 /2 00 4- 13 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 2 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) ao Acórdão proferido por este colegiado para formalizar decisão unânime pelo provimento parcial do recurso interposto pelo sujeito passivo, para reconhecer a extinção, pela decadência, do crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a novembro de 1999. A embargante alegou omissão na fundamentação do aresto, pois a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) teria consolidado o entendimento de que o disposto no art. 150, §4º, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), somente seria aplicado na hipótese de haver pagamento parcial do tributo e, no caso em questão, não se identificou, com base nas provas dos autos, esse pagamento. Acusou a embargante que o julgador teria faltado com o seu dever de “fundamentar as decisões, apontando os elementos de prova que justificaram o acolhimento das alegações do contribuinte”, pois a motivação das decisões é princípio constitucional que objetiva garantir às partes a impugnação do ato administrativo, por meio do recurso competente, e possui a função política de aferir a imparcialidade do julgador, a legalidade e a justiça das decisões. Ao final, a embargante solicitou o conhecimento e provimento do seu recurso “para que esta Turma emita pronunciamento sobre a omissão apontada, ou seja, especifique quais provas dos autos autorizam a conclusão de que ocorreu recolhimento parcial dos tributos”. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Os embargos declaratórios são tempestivos, foram propostos por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera das competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por isso devem ser conhecidos. Como reconheceu a Douta PGFN, este colegiado não ignora a jurisprudência do CARF sobre a incidência do art. 150, §4º, do CTN, na contagem do prazo decadencial que corre contra a Fazenda Pública, jurisprudência essa que, conquanto não coincidente com o entendimento pessoal da relatora, foi aqui aplicado por força do art. 62A do anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores – Regimento Interno do CARF. Tampouco desconhece este colegiado o dever de motivação das suas decisões. Ocorre que, da mera leitura do Acórdão n° 340201.777, de 23 de maio de 2012, quanto à matéria objeto destes embargos, extraise o seu fundamento normativo e fático, que são o art. 150, §4º, do CTN, e a existência de pagamento, respectivamente. Vale dizer, não Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 19515.002859/200413 Acórdão n.º 3402002.060 S3C4T2 Fl. 205 3 se vislumbra no aresto embargado a existência de questões fáticas ou de direito sobre as quais este colegiado devese se pronunciar que, não obstante tenham sido trazidas na defesa, deixaram de ser aqui apreciadas. Assim, estando o Aresto um tanto afastado do campo das pessoalidades, parcialidades, ilegalidades e injustiças, embora, quanto a esta última, dada a vinculação legal da atividade administrativa, muitas vezes não se possa atinja a justiça, o que talvez queira sugerir a embargante é que a decisão teria sido contrária à prova dos autos, hipótese que, antes da entrada em vigor do atual Regimento Interno desta casa, era cabível recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Todavia, estes autos são pródigos em afirmação por parte da fiscalização da existência de pagamentos, conforme se verifica no “Demonstrativo de Cofins a Tributar”, anexo ao Termo de Verificação Fiscal, à fl. 38 (numeração do processo digitalizado), coluna “v. pago DARF”, fato que, não tendo sido contestado, nem havendo nestes autos prova em contrário, permite ao julgador aplicar o direito considerando como verídicos os fatos apresentados pela fiscalização e não contestados pelo sujeito passivo. Para concluir, uma vez que o Acórdão possui no art. 150, §4º, do CTN, e na afirmação da fiscalização da existência de pagamento, seus fundamentos jurídicos e fáticos, não há omissão a ser suprida pela via dos embargos declaratórios. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos declaratórios da Douta PGFN. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003132/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
COMPENSAÇÃO.VEDAÇÃO DO ART.170-A DO CTN.DISCUSSÃO JUDICIAL EM ANDAMENTO.
A partir de 11 de janeiro de 2001, por força do art. 170-A do CTN, introduzido pela LC n° 104, é vedada a apresentação de pedido de compensação utilizando créditos decorrentes de direito submetido à discussão judicial.
Os contribuintes que estiverem discutindo em juízo o seu direito de crédito apenas poderão utilizar tais valores depois do trânsito em julgado da decisão judicial que lhes for favorável.
Numero da decisão: 3201-001.308
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO.VEDAÇÃO DO ART.170-A DO CTN.DISCUSSÃO JUDICIAL EM ANDAMENTO. A partir de 11 de janeiro de 2001, por força do art. 170-A do CTN, introduzido pela LC n° 104, é vedada a apresentação de pedido de compensação utilizando créditos decorrentes de direito submetido à discussão judicial. Os contribuintes que estiverem discutindo em juízo o seu direito de crédito apenas poderão utilizar tais valores depois do trânsito em julgado da decisão judicial que lhes for favorável.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. DISCUSSÃO JUDICIAL EM ANDAMENTO. A partir de 11 de janeiro de 2001, por força do art. 170-A do CTN, introduzido pela LC n° 104, é vedada a apresentação de pedido de compensação utilizando créditos decorrentes de direito submetido à discussão judicial. Os contribuintes que estiverem discutindo em juízo o seu direito de crédito apenas poderão utilizar tais valores depois do trânsito em julgado da decisão judicial que lhes for favorável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO – Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO (Presidente), WINDERLEY MORAIS PEREIRA, DANIEL MARIZ GUDIÑO, PAULO GUILHERME DEROULEDE E LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES. Ausente momentaneamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10950.003132/2005-21 Acórdão n.º 3201-001.308 S3-C2T1 Fl. 311 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, abrangendo o período de apuração janeiro de 2005, no valor (principal) de R$ 3.060,75, com multa de oficio de 75% no valor de R$ 2.295,56, e juros de mora, calculados até 31/08/2005, no valor de R$ 281,58, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 5.637,89. O lançamento decorre de débito informado em Declaração de Compensação considerada não declarada, pois seria baseada em decisão judicial não transitada em julgado. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, arguindo ter efetuado as compensações com o aproveitamento de créditos apurados unilateralmente, referente ao crédito de IPI gerado nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, empregados na fabricação de produtos tributados. Afirma que a legislação tributária permite a compensação, e que a iniciativa de compensação ocorreu muito antes de qualquer pronunciamento judicial, haja vista que requereu a compensação junto à SRF com base no art. 66 da Lei n° 8.383/91, pelos recolhimentos parciais efetuados através dos Darf's, independentemente da concessão judicial de liminar. Aduz que, de fato, o processo judicial da empresa ainda não transitou em julgado, mas, como esta matéria (IPI) encontra-se com decisões favoráveis junto ao STJ para empresas que fizeram jus ao incentivo, detém a impugnante o direito a promover a compensação destes valores por sua conta própria. Afirma ser equivocado o entendimento de que a contribuinte veio a apresentar a PER/Dcomp após a denegação judicial do pedido de liminar e declarando que a decisão judicial amparava a compensação, já que a apresentação da PER/Dcomp deu-se tão logo chegou à conclusão de que não haveria outro meio de prestar as informações adequadamente, além do que a compensação em referência ocorrera muito antes, e isto foi confirmado na entrega da DCTF, que apenas corroborou o fato ocorrido no ato do recolhimento dos valores parciais, com a ressalva nos Darf's dos valores compensados, provando-se, portanto, que, em nenhum momento, houve a má-fé por parte da contribuinte. Traz argumentos defendendo seu direito aos créditos de IPI referentes à aquisição de matérias-primas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, e o direito à compensação. Relativamente às penalidades do auto de infração, afirma que o dispositivo alegado pela Receita como infringido não resta caracterizado, e, sendo a impugnante uma empresa de patrimônio reduzido, com receita bruta não significativa, considerando-se a média nacional das empresas do setor, esta não dispõe de capacidade contributiva para o quantum pretendido pelos agentes administrativos, o qual se trata de um valor absurdo, acabando por confiscar o patrimônio mensal do contribuinte, o que é vedado pela Constituição Federal de 1988, art. 150, IV. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10950.003132/2005-21 Acórdão n.º 3201-001.308 S3-C2T1 Fl. 312 3 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 10/07/2008, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II, considerou procedente o lançamento, conforme Acórdão n° 13-20.507: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COFINS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. AUSÊNCIA DE DCTF. LANÇAMENTO. CABIMENTO. A compensação considerada não declarada, em função da ausência de trânsito em julgado da decisão que reconheceu o direito à utilização dos créditos a compensar, implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados. AÇÃO JUDICIAL PROPOSTA PELO INTERESSADO. RENÚNCIA AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE. Não devem ser apreciadas as alegações constantes da impugnação, que já foram analisadas em ação judicial proposta pelo interessado contra a Fazenda Nacional, a impor a renúncia de seu exame pelas instâncias administrativas. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL. A multa de oficio é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não se lhe aplicando o prescrito no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988, que, ao tratar das limitações do poder de tributar, proibiu ao legislador utilizar tributo com efeito de confisco. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 11/08/2008, tendo protocolado seu recurso voluntário em 05/09/2008, com os argumentos abaixo expostos. Afirma ter apresentado suas Dcomp segundo o regime do lançamento por homologação, não se tratando de compensação de tributo pago sem suporte legal (indevido ou à maior). Esclarece ter obtido sentença judicial favorável à geração de créditos sobre os insumos desonerados do IPI. Acrescenta, em relação à ação judicial, que no julgamento de Segunda Instância, em nenhum momento o TRF da 4ª Região se pronunciou sobre o artigo 170-A do CTN, diferentemente do que teria afirmado a decisão recorrida. Aduz que a sentença no mandado de segurança, e consequentemente o acórdão, tem natureza mandamental, ou seja, contém determinação para cumprimento de mandamento judicial, que não se confunde com execução de sentença mandamental, mas que se opera na forma de execução no próprio processo. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10950.003132/2005-21 Acórdão n.º 3201-001.308 S3-C2T1 Fl. 313 4 Afirma que o artigo 170-A do CTN só se aplica aos casos de compensação decorrente de pagamento de tributo indevido e nunca da compensação efetuada através do lançamento por homologação. Argumenta ainda que o Auto de Infração viola o princípio da legalidade, uma vez que somente colacionou “a Lei Complementar Decreto n° 4.524/02” que regulamenta a forma de contribuição da Cofins devida pelas Pessoas Jurídicas. Entende que o valor aplicado é totalmente incabível, uma vez que fundada em Decreto, sendo que, decreto não é lei, é norma complementar e, portanto, não é fundamento legal de auto de infração. Aduz não ter incidido em nenhuma conduta fraudulenta, tendo em vista que realizou a devida compensação de crédito de IPI com o débito da Cofins do PA 01/05, informada através de PER/DCOMP, tornando-se incabível a imposição de multa ao contribuinte. Requer, por fim, para que o recurso apresentado seja conhecido e provido, para homologar a compensação efetuada pelo contribuinte, ou, caso assim não seja entendido, para anular a decisão recorrida e determinar a autoridade de primeira instância que examine a declaração de compensação sem observância do CTN, art. 170-A. Em 30/08/2010, a recorrente apresenta requerimento de juntada de documentos, os quais demonstram a obtenção de êxito em processo judicial (mandado de segurança) vinculado à matéria discutida no feito mencionado acima. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisá-lo. Em relação às provas anexadas aos autos após a apresentação da impugnação e do recurso voluntário, observa-se que foram anexados documentos referentes à ação judicial que já constavam do presente processo. Foram ainda juntadas decisões judiciais prolatadas posteriormente, bem como Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado. Em relação ao tema, o Decreto 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal prevê em seu artigo 16 que as provas da defesa devem ser apresentadas com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo nos casos específicos que prevê: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Fl. 313DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10950.003132/2005-21 Acórdão n.º 3201-001.308 S3-C2T1 Fl. 314 5 § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desta forma, as decisões judiciais posteriores a apresentação da impugnação e do recurso voluntário, bem como o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, dado referirem-se a fato posterior ao momento da impugnação, são aptas a constarem do julgamento. Já as demais cópias de decisões judiciais, por não se enquadrarem em nenhuma das situações previstas na legislação processual tributária, bem como por já estarem incluídas no presente processo, não serão conhecidas. A contribuinte sustenta a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa em face da ausência de indicação da lei em sentido formal na qual se baseia a autuação. Constata-se, entretanto, que o auto de infração apresenta as bases normativas necessárias à compreensão da exigência fiscal, quais sejam os art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 c/c o art. 44, inciso I, Lei n° 9.430/96, referente à multa de ofício; o art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, referente aos juros de mora; e os arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02 em relação ao tributo devido. Ressalte-se que o citado Decreto nº 4.524/02 se limita a reproduzir as disposições da lei que lhe empresta fundamento de validade, inexistindo qualquer prejuízo à defesa da contribuinte nesta informação. O Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, por sua vez, assim esclarece a autuação: [...] Conforme processo 10950.001519/2005-42, os débitos abaixo relacionados foram objeto de compensação na Declaração Eletrônica de Compensação 28132.23022.150205.1.3.57-0086, transmitida à SRF 15/02/2005. Analisando o mencionado processo, a SAORT — Seção de Orientação e Análise Tributária, não aceitou a compensação dos valores pleiteados pela empresa, conforme "Despacho Decisório", às fls. 05 a 11. Para a extinção de débitos próprios a empresa utilizou créditos de IPI gerados nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, empregados na fabricação de produtos tributados, conforme consta no processo 2002.70.03.002888-9 PR (mandado de segurança preventivo). No processo 2002.70.03.002888-9 PR, em decisão de primeira instância, foi concedida a segurança ao contribuinte, "assegurando-lhe o direito de utilizar os créditos de IPI referente às mercadorias isentas, imunes, não Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10950.003132/2005-21 Acórdão n.º 3201-001.308 S3-C2T1 Fl. 315 6 tributadas ou, ainda, submetidas à alíquota zero, desde que utilizadas como insumos na fabricação dos seus produtos...", entretanto os valores pleiteados somente podem ser utilizados após o transito em julgado conforme transcrito "após o transito em julgado da ação, serão lançados contabilmente e aproveitados", às fls. 06. Sendo assim, as compensações que não foram confessadas em DCTF, serão lançados de oficio, conforme demonstrativo abaixo[...] Desta forma, em que pese o alegado, observa-se que os fundamentos de fato e de direito que motivaram a autuação foram claramente apontados no auto de infração e no termo de verificação fiscal que o acompanha, conforme ilustrado no relatório deste acórdão. E restando apontadas, de forma expressa, a fundamentação fática e jurídica da autuação, não há qualquer argumento jurídico para reconhecer a sua nulidade. Adentrando no mérito, conforme se depreende do relatório, trata-se de auto de infração para lançamento de tributo não declarado pelo contribuinte em DCTF, mas informado em Declaração de Compensação (Dcomp), que foi considerada não declarada pela RFB em virtude dos créditos nelas apontados serem decorrentes de ação judicial não transitada em julgado. No presente caso, a contribuinte informou na Dcomp apresentada que a ação judicial transitou em julgado em 27/06/2002, informação esta que se verificou incorreta, tendo o trânsito em julgado ocorrido apenas após a apresentação das Dcomp, fato este incontroverso. Observa-se que as declarações de compensação apresentadas pela ora recorrente, por terem sido consideradas não declaradas, não constituem confissão de dívida, tornando necessário o lançamento dos débitos compensados indevidamente, referentes à Cofins. Constata-se ainda que a contribuinte não contesta a ocorrência do fato gerador da Cofins exigida no Auto de Infração, resumindo-se sua argumentação a ter quitado o débito por meio de compensação, e que o art. 170-A do CTN é inaplicável à seus créditos. Em que pese o alegado, a situação em tela enquadra-se na hipótese prevista pelo artigo 170-A do CTN, o qual determina categoricamente que "É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Tal dispositivo, vigente desde 11 de janeiro de 2001, impede a compensação de créditos em discussão judicial. Desta forma, os contribuintes que discutem em juízo o seu direito de crédito apenas podem utilizá-lo em compensação depois do trânsito em julgado da decisão judicial que lhes for favorável. Neste caso concreto, a contribuinte apresentou sua Dcomp no ano de 2005, quando já estava em vigor o art. 170-A do CTN, e o crédito apresentado na compensação refere-se ao direito que ainda se encontrava em discussão por meio de ação judicial proposta pela mesma contribuinte (Ação Judicial nº 2002.70.03.002888-9). Esclarece-se ainda que o fato das decisões judiciais não afirmarem a utilização desta norma não significa que ela não é aplicável ao caso em análise. Na verdade, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10950.003132/2005-21 Acórdão n.º 3201-001.308 S3-C2T1 Fl. 316 7 esta regra apenas poderia ser desconsiderada caso a autoridade judicial expressamente a afastasse, o que não se verifica neste processo. A contribuinte afirma ter apresentado suas Dcomp segundo o regime do lançamento por homologação, com base em crédito de IPI decorrente da não-cumulatividade, e desta forma não se tratando de compensação de tributo pago sem suporte legal (indevido ou à maior). Os argumentos, todavia, não procedem. Não se trata de créditos escriturais, utilizados para desconto do IPI devido, mas sim compensação tributária de débito da Cofins com a utilização de crédito referente ao IPI. O crédito de IPI é que decorre da não utilização destes créditos escriturais, mas estes créditos escriturais servem apenas para configurar o crédito de IPI, que por sua vez concederia direito a compensação com débitos de Cofins. Quanto à alegação de que, por se tratar de mandado de segurança, a decisão não deveria obedecer ao artigo 170-A do CTN, esclarece-se que a norma estabelecida pelo CTN tem aplicação em relação a qualquer espécie da ação judicial em matéria tributária, não só em razão de ser norma específica como também por estar veiculada em Lei Complementar. No tocante aos argumentos sobre a violação ao princípio da legalidade, esclarece-se que o citado Decreto nº 4.524/02 se limita a reproduzir as disposições da lei que lhe empresta fundamento de validade, qual seja a Lei nº 9.718/98, não configurando a cobrança de tributo não definido em lei. Em relação à imposição de multa de ofício, alega a recorrente que não praticou ilícito fiscal; observa-se, contudo, que a apresentação da declaração inexata de trânsito em julgado da ação judicial na Dcomp teve como implicação direta o fato de permitir à contribuinte a transmissão da declaração de compensação eletrônica via Internet. A Dcomp, por sua vez, considerada não declarada, resultou tanto na ausência de recolhimento referente ao tributo devido quanto na falta de declaração deste débito, o que configura a situação prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata. Dessa forma, voto por não dar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento. É como voto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10950.003132/2005-21 Acórdão n.º 3201-001.308 S3-C2T1 Fl. 317 8 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 44021.000042/2007-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DESISTÊNCIA EXPRESSA DO RECURSO VOLUNTÁRIO - CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO.
A desistência expressa do Recurso Voluntário peticionada pelo Recorrente
implica na manutenção do crédito tributário, na hipótese de não haver matéria de ordem pública a ser apreciada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.277
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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A desistência expressa do Recurso Voluntário peticionada pelo Recorrente implica na manutenção do crédito tributário, na hipótese de não haver matéria de ordem pública a ser apreciada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1719.448 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.010.4315, com valor inicial consolidado de R$ 695.549,48. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social descontadas da remuneração paga aos seguradosempregados e não repassadas à Seguridade Social. Será emitida a Representação Fiscal para Fins Penais. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09350191F00 foi cientificado pelo sujeito passivo, fls. 186. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 10, é de 01/2002 a 09/2006. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 22.12.2006, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 196 a 218. Após análise, a primeira instância emitiu o Acórdão nº 1719.448 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP, fls. 236 a 240, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2006 Documento Original: NFLD n° 37.010.4315, de 22/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS EM ATRASO INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTA DE MORA. Sobre as contribuições sociais em atraso há a incidência de juros equivalentes à taxa referencial SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 248 a 268, na qual alega em síntese que: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000042/200752 Acórdão n.º 240301.277 S2C4T3 Fl. 308 3 (i) Do estado de necessidade da Recorrente. (ii) Da multa de mora. (iii) da inconstitucionalidade da taxa SELIC. Após, às fls. 283, a Recorrente peticiona nos autos expressamente a desistência do Recurso Voluntário, nestes termos: DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO interposto em 26 de Setembro de 2.007 (Docto. 01), requerendo que seja recebido, processado e julgado o presente, visando desistir, formal e expressamente, para não mais questionar a N.F.L.D em questão. Nestes termos, Pede deferimento. São Paulo, 25 de Agosto de 2.008 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 306. É o Relatório. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator DA PREJUDICIAL DE ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente peticiona nos autos expressamente a desistência do Recurso Voluntário nestes termos, às fls. 283: DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO interposto em 26 de Setembro de 2.007 (Docto. 01), requerendo que seja recebido, processado e julgado o presente, visando desistir, formal e expressamente, para não mais questionar a N.F.L.D em questão. Nestes termos, Pede deferimento. São Paulo, 25 de Agosto de 2.008 Desta forma, não havendo matéria de ordem pública a ser apreciada nos autos, restou prejudicada a apreciação dos argumentos aduzidos em sede de Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10410.900752/2008-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Catilho.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Catilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .9 00 75 2/ 20 08 -6 0 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.900752/200860 Resolução nº 1802000.119 S1TE02 Fl. 162 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife de fls. 33/35 que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a denegação do direito creditório pleiteado/utilizado na DCOMP não homologada. Quanto aos fatos, consta: que, em 07/04/2006, a contribuinte transmitiu eletronicamente, pela internet, a DCOMP retificadora n º 07323.73505.070406.1.7.032059 (DCOMP retificada nº 18657.51390.140.905.1.3.038881), utilizando programa gerador PER/DCOMP, informando (fls. 12/17): a) débito vencido do IRPJ estimativa mensal, com acréscimos legais, no montante de R$ 15.561,35 (código de receita 5993), quanto ao período de apuração agosto/2005 (vencimento 30/09/2005); b) utilização de crédito, no mesmo valor. Origem do direito creditório: saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004. Valor original do saldo negativo apurado em 31/12/1994, informado na DCOMP, R$ 33.401,53. que na DIPJ 2005, diversamente, consta saldo negativo da CSLL apurado em 31/12/2004, no valor de R$ 123.948,55 (fls. 08/09). A contribuinte foi intimada, em 03/04/2007, a comprovar o direito creditório pleiteado (fls. 21/23), nos seguintes termos: (...) 4DESCRICAO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL O valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ. A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou Imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2005 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 123.948,55 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$ 33.401,53 (...) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. (...) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.900752/200860 Resolução nº 1802000.119 S1TE02 Fl. 163 3 Em face dessa divergência em relação ao valor do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004 e não restando sanada a irregularidade pela contribuinte embora intimada, o crédito pleiteado não foi reconhecido por falta de certeza e liquidez, conforme Despacho Decisório da DRF/Maceió, emissão eletrônica de 09/05/2008, cuja fundamentação transcrevo a seguir (fl. 02), in verbis: (...) 3— FUNDAMENTACAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 33.401,53. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 123.948,55. Diante do exposto, NÃO HOMOLCGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (...) Ciente desse despacho decisório em 21/05/2008 (fl. 25), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 20/06/2008 (fl. 01), juntando ainda os documentos de fls. 02/27, cujas razões, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) 3 Na Per/Dcomp retificadora apresentada em 07/04/2006, (...) informou por engano na página 02 que o valor do saldo negativo era de R$ 33.401,53 quando na verdade deveria ter sido informado o valor de R$ 123.948,55 originando assim a divergência apontada no Despacho Decisório acima em referência (...). Diante do exposto, solicita a revisão do Despacho Decisório mencionado, homologando a compensação declarada através do Per/Dcomp retificador e atestando a regularidade fiscal da empresa. (...) A DRJ/Recife, enfrentando o mérito da lide deduzida nos autos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme Acórdão de 05/05/2011 (fls. 33/35), cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 SALDO NEGATIVO (...). FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.900752/200860 Resolução nº 1802000.119 S1TE02 Fl. 164 4 Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Ainda, consta do voto condutor do acórdão recorrido, na sua fundamentação (fl. 35), in verbis: (...) 8. A contribuinte foi intimada a sanar a irregularidade (...) 9. Tendo em conta que o sujeito passivo não adotou as providências que lhe foram solicitadas, não poderia a autoridade a quo reconhecer direito creditório nem homologar a compensação declarada, haja vista não se revestir o crédito da certeza e liquidez legalmente exigida (art. 170 do CTN). 10. Em sua manifestação de inconformidade, sustenta a contribuinte que o valor correto do saldo negativo é aquele declarado na DIPJ, entretanto não juntou prova alguma do alegado. Por outro lado, o exame dos autos conduz à conclusão de que o crédito suplicado encontrase irremediavelmente carente dos atributos de certeza e liquidez. Vejamos. 11. Conforme se verifica na DCOMP, a interessada informou que todo o saldo negativo, no valor de R$ 33.401,53, teve origem em estimativa apurada em dezembro de 2004 e extinta por compensação com saldo de períodos anteriores (fl. 15). Todavia, apresentou DIPJ original em 2005 e retificadora em 2009, esta última já após o despacho decisório em questão, nas quais declarou haver apurado estimativa em dezembro no valor de R$ 12.222,28, e não de R$ 33.401,53. 12. A estimativa apurada em dezembro, a qual teria dado origem ao saldo negativo, foi, consoante informado pela empresa, compensado com saldos de períodos anteriores por via da DCOMP n° 13266.75892.250805.1.3.038589. Ocorre que a mencionada DCOMP, que corresponde ao processo n° 10410.720019/201088, já foi apreciada pela autoridade administrativa, que não homologou a compensação. Assim, se a estimativa não foi extinta, temse que o saldo negativo dela decorrente não se acha apto a ser restituído ou compensado, por faltarlhe os necessários atributos aos quais já me reportei neste voto. 13. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 23/03/2012 (sexta feira), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2012 (terçafeira) despacho, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que recebeu o Termo de Intimação de irregularidade no preenchimento da DCOMP, para retificar a DIPJ, ou apresentar PER/DCOMP retificadora e, por conseqüência, sanar as irregularidades apontadas; Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.900752/200860 Resolução nº 1802000.119 S1TE02 Fl. 165 5 que, porém, o sistema do PER/DCOMP não aceita a apresentação de pedido retificador depois de expedido Termo de Intimação, restando impossibilitado de realizar a retificadora.; que recebeu o despacho decisório, onde informa a não homologação da compensação pelo fato de não ter sido possível confirmar a apuração do crédito diante da divergência entre o valor informado na DIPJ e o saldo negativo informado na Declaração de Compensação – DCOMP; que apresentou a manifestação de inconformidade esclarecendo que o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 123.945,55, apurado na DIPJ 2005 (anocalendário 2004) encontrase correto e corresponde ao real crédito, e que ocorreu mero engano ao preencher o valor do saldo negativo, fazendo constar R$ 33.401,53, quando deveria ter sido informado R$ 123.948,55, requerendo a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação; que a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando a divergência do saldo negativo entre DIPJ e DCOMP já mencionada e que, ainda, não teria prova, nos autos, de que o valor correto seria o declarado na DIPJ; que o acórdão, ora recorrido, deixa claro a improcedência da manifestação de inconformidade pela ocorrência de três aspectos: (i) divergência do saldo negativo entre a DIPJ e a DCOMP; (ii) ausência de retificação da DCOMP; (iii) ausência de prova de que o valor correto do saldo negativo é o declarado na DIPJ. que a divergência entre os valores constantes na DIPJ e DCOMP a título de saldo negativo, conforme já esclarecido, decorreu de erro no preenchimento no Programa da Receita Federal "PER/DCOMP", no campo Ficha Saldo Negativo de CSLL, onde foi posto o valor de R$ 33.401,53, considerando que este era o crédito remanescente na data da transmissão, pois já teriam ocorrido compensações anteriores. Contudo, o sistema exige que seja colocado neste campo o valor do saldo negativo originalmente apurado na DIPJ; que, assim, trata de mera inexatidão material no preenchimento da DCOMP, sistema de grande complexidade para seu manuseio e preenchimento de informações e que, em muitas oportunidades, como a presente, induz os contribuintes a erros materiais; que, no caso, nenhum prejuízo houve ao erário, considerando que o crédito a ser compensado realmente existe; que não foi efetuada a retificadora da DCOMP pelo fato do sistema eletrônico não permitir a retificação após a emissão e ciência do Termo de Intimação; que, não obstante a impossibilidade de realizar a retificação, deve, no caso, ser aplicado o princípio da moralidade administrativa, o qual veda ao Erário a apropriação de quaisquer valores, sem lastro legal; que a moralidade administrativa não permite que tendo a RFB verificado a existência dos créditos, impeça a compensação por mero erro material no preenchimento da Declaração; que ainda, com base em meras planilhas resumo, a recorrente procura demonstrar a evolução do saldo negativo da CSLL dos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, e respectiva utilização nas DCOMP informadas ao fisco nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Por fim, com base nessas razões e nas citadas planilhas resumo, a recorrente pediu provimento ao recurso, por entender provado e comprovado o seu direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.900752/200860 Resolução nº 1802000.119 S1TE02 Fl. 166 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca do direito creditório denegado pela decisão recorrida. Rememorando os fatos, consta que, em 07/04/2006, a contribuinte transmitiu eletronicamente, pela internet, a DCOMP retificadora nº 07323.73505.070406.1.7.032059 (DCOMP retificada nº 18657.51390.140.905.1.3.038881), utilizando programa gerador PER/DCOMP, informando (fls. 12/17): a) débito vencido do IRPJ estimativa mensal, com acréscimos legais, no montante de R$ 15.561,35 (código de receita 5993), quanto ao período de apuração agosto/2005 (vencimento 30/09/2005); b) utilização de crédito, no mesmo valor. Origem do direito creditório: saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004. Esse crédito (direito creditório) utilizado pela recorrente na compensação tributária, como já dito acima, foi rejeitado pela decisão a quo pela falta de comprovação de certeza e liquidez, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, em face da existência de contradição de dados ou informações entre a DCOMP e a DIPJ. Na DCOMP, a contribuinte informou – como origem do crédito – saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004, no valor original R$ 33.401,53 (fls. 12/17). Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004, consta que o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004 seria, valor original, R$ 123.948,55 (fls. 08/09). Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente argumentou que o saldo negativo, correto, da CSLL do anocalendário 2004, realmente, é o valor informado na respectiva DIPJ, ou seja, valor de R$ 123.948,55; que, por equívoco, quando do preenchimento dos campos da DCOMP, informou o saldo do crédito existente na data da transmissão da declaração de compensação e não o valor do saldo original na data da apuração em 31/12/1994; que, por conseguinte, houve tãosomente erro material no preenchimento da DCOMP. Argumentou, ainda, que, embora tivesse tentado fazer a retificação automática da DCOMP, por meio eletrônico, não conseguiu, pois, após ciência da intimação para tanto, o sistema eletrônico da RFB bloqueou tal possibilidade. Compulsando os autos, observase que houve, sim, intimação fiscal para a contribuinte regularizar a situação, antes da expedição do Despacho Decisório da DRF/Maceió, de 09/05/2008. Vale dizer, em 09/03/2007, a recorrente fora intimada da irregularidade constatada na DCOMP, nos seguintes termos (fls. 18/20): Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.900752/200860 Resolução nº 1802000.119 S1TE02 Fl. 167 7 (...) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no periodo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta Intimação. Base legal: Art. 6º, Parágrafo 1º, inciso II e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF no 600, de 2005. (...) Em face da veemente irresignação da recorrente, argumentando que a discrepância decorreu de erro material no preenchimento da DCOMP e, ainda, considerando que a intimação fiscal antes da expedição do despacho decisório, apenas, tratou da possibilidade de apresentação de retificação DIPJ (que não seria o caso) e de DCOMP retificadora (porém, a hipótese de DCOMP retificadora restou infrutífera pelo bloqueio da possibilidade de apresentação eletrônica de DCOMP retificadora), entendo que os elementos constantes dos autos são insuficentes para formação de convicção acerca do mérito da lide, quanto à existência ou não do direito creditório pleiteado. Como dito, em face da intimação fiscal não ter exigido a comprovação do crédito pleiteado, mediante apresentação de escrituração contábil (livros Diário, Razão e LALUR) com respectivos documentos de suporte, a contribuinte deixou de juntar aos autos esssa provas. Entretanto, para comprovação de fato constitutivo do direito creditório demandado, atinente a pagameno a maior ou indevido da CSLL (pagamento antecipado a maior), além do (s) DARF, devese observar, sobretudo, a legislação de apuração tributo, com respectivos documentos de suporte dos registros nos livros contábeis e fiscais pertinentes, e a legislação de regência da compensação tributária. A propósito, a recorrente, no anocalendário 2000, apurou o IRPJ pelo regime do Lucro Real anual, com obrigação de fazer pagamentos antecipados do IRPJ, mensalmente, por estimativa, com base na receita bruta e acréscimos, ou com base em balancetes de suspensão ou redução. A CSLL, na mesma esteira, segue o regime de apuração do IRPJ, por força do art. 6º, parágrafo único, da Lei nº 7.689/88 e art. 28 da Lei 9.430/96. A contribuinte não produziu prova nos autos, de sua escrituração contábil e fiscal, e respectivos documentos de suporte dos lançamentos contábeis, de que apurou saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004, pois não juntou aos autos cópia dos balancetes de suspensão ou redução que deveriam estar registrados no livro LALUR e transcritos no livro Diário. Nesse sentido, dispõe ao art.35 da Lei nº 8.981/95, in verbis: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.900752/200860 Resolução nº 1802000.119 S1TE02 Fl. 168 8 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) Ainda, inexiste previsão de restituição de mera antecipação de pagamento de CSLL por estimativa mensal, mas sim do saldo negativo apurado no encerramento do respectivo anocalendário em 31 de dezembro – data do fato gerador , caso o somatório dos recolhimentos por estimativa mensal do anocalendário foi maior que a CSLL apurada com base no lucro líquido anual ajustado pelas inclusões e exclusões, no ajuste anual (Lei nº 9.430/96, art. 6º). Ora, o art. 170 do Código Tributário Nacional, para efeito de compensação tributária, exige que o crédito apresentado contra o fisco, para encontro de contas, tenha liquidez e certeza, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Por todas essas razões, conforme demonstrado, não há prova nos autos da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Ainda, conforme já dito alhures, houve falha na intimação fiscal efetuada antes da emissão do despacho decisório, pois não exigiu a comprovação do direito creditório com base na escrituração contábil. Em face disso, e com base no princípio da verdade material, entendo que o presente julgamento deverá ser convertido em diligência, retornando os autos do processo à unidade origem, no caso a DRF/Maceió, para as seguintes providências: a) intimar a contribuinte a comprovar à luz da escrituação contábil e fiscal o direito creditório pleiteado (apresentar os livros Diário, Razão e LALUR, dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004); b) intimar a contribuinte a apresenar os balancetes mensais de suspensão/redução dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, devidamente registrados no livro LALUR e transcritos no livro Dáirio, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.900752/200860 Resolução nº 1802000.119 S1TE02 Fl. 169 9 c) elaborar, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, informando, com demonstrativos pertinentes, se a contribuinte possui, ou não, saldo negativo de CSLL do anocalendário 2004 suficiente para compensar os débitos informados nos presentes autos; d) intimar a contribuinte do resultado do Relatório de Diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias da ciência, para sua manifestação caso queira; e) vencido o prazo dado, com ou sem manifestação da recorrente, retornem os autos do processo a este CARF para julgamento. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10380.012098/2008-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 01/01/2007
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO
REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. PEDIDO DE
PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE
COMPETÊNCIA DESTE CONSELHO. DEMAIS MATÉRIAS
REJEITADAS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 01/01/2007 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. PEDIDO DE PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DESTE CONSELHO. DEMAIS MATÉRIAS REJEITADAS. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 74 1 73 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.012098/200830 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280301.283 – 3ª Turma Especial Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria CP: ARBITRAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES e TERCEIROS. Recorrente AÇO VIGILÂNCIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 01/01/2007 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. PEDIDO DE PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DESTE CONSELHO. DEMAIS MATÉRIAS REJEITADAS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012098/200830 Acórdão n.º 280301.283 S2TE03 Fl. 75 2 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.042.2007, objetiva o lançamento das contribuições destinadas a terceiros outras entidades e fundos, decorrente da remuneração devida, paga ou creditada aos trabalhadores da autuada, tendo em vista a prestação de serviços para as empresas contratantes, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – REFISC do AIOP, de fls. 33 a 39, com período de lançamento de 13º/2004 ao 13º/2006, ainda que de forma intermitente, conforme Discriminativo Sintético de Débito DSD, de fls. 08 a 10. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 22/08/2008, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatória total, acostada, as fls. 43 e 44, recebida, em 22/09/2008, estando acompanhada dos documentos, de fls. 45 a 52. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 54 e 55. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0817.280 5ª Turma da DRJ/FOR, em 01/04/2010, fls. 56 e 60, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 24/06/2010, AR, de fls. 62. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição e razões recursais, as fls. 64 a 66, recebida de 27/07/2010, acompanhada dos documentos, de fls. 67 a 69, onde alega em síntese. • Que vem fazer uso de sua ampla defesa, pois o reclamo anterior não foi atendido e não havendo fatos ou novos argumentos, vem redarguir os anteriores; • Que é empresa de pequeno porte, contestando o valor arbitrado, não podendo arcar com essa e outras situações; • Por fim a recorrente: a) requer encaminhamento do recurso ao órgão competente; b) arquivamento do auto, em razão de...; c) protesta por todos os meios de provas admitidos em direito; d) a improcedência do auto e o não registro de restrições de bloqueio em transações futuras com o governo; e) conversão do auto em advertência escrita nos termos da lei; f) parcelamento em 60 meses, por dispor de recursos. A tempestividade do Recurso Voluntário foi reconhecida pelo órgão preparador, as fls. 73, terceiro parágrafo. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012098/200830 Acórdão n.º 280301.283 S2TE03 Fl. 76 3 Os autos subiram ao CARF/MF, fls. 73. É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012098/200830 Acórdão n.º 280301.283 S2TE03 Fl. 77 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme, AR, de fls. 62, recebido em 24/06/2010, e carimbo de recepção do Recurso, de fls. 64, datado de 27/07/2010. A tempestividade foi reconhecida pelo órgão preparador, fls. 73. Superado o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso. O recurso do contribuinte e reiterativo e nada acrescenta ao que já fora analisado e decidido pela instância a quo. O presente crédito nada tem a ver com o crédito DEBCAD 37.042.1990, pois os dois créditos decorrem de fatos geradores distintos, no débito, anteriormente, citado, temse obrigação principal devida à própria Seguridade Social, decorrente do desconto do trabalhador, contribuição pessoal e nestes autos, sob vergasta, buscase cobrar a obrigação principal destinada a terceiros – outras entidades e fundos, o que demonstra sem sombra de dúvidas a origem distinta dos créditos. Só interessa ao caso as folhas de pagamento do Grupo Hoteleiro Ary o resto citado pela empresa é desnecessário, bem como confirma que até o julgamento do recurso, a recorrente não achou os documentos solicitados pela fiscalização, relacionados ao grupo hoteleiro – folhas de pagamento. Na seara tributária é muito comum as empresas não cumprirem suas obrigações in totum e o fiscal autuante comprovou isso em relação à recorrente daí a autuação. A aferição foi utilizada, porque houve a não apresentou das folhas de pagamento do grupo hoteleiro, o que foi confirmado no recurso, pois até a interposição deste, tais documentos não haviam sido localizados. No que tange ao pedido de parcelamento deixo de analisálo, pois tal assunto não é de competência deste órgão julgador, sendo matéria a ser perquirida junto à DRF origem, com fulcro na legislação própria. Indefiro o protesto por todos os meios de provas admitidos em direito, pois nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto 70.235/72, tais elementos devem ser apresentados na impugnação. Embora, este órgão julgador venha interpretando esta norma com temperamentos no caso em espeque até o julgamento deste nada foi apresentado, o que inviabiliza a produção de provas depois do julgamento. Com os argumentos acima explicitados fica evidente que não há razões para acolher aos pleitos da recorrente. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012098/200830 Acórdão n.º 280301.283 S2TE03 Fl. 78 5 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento, tendo em vista a rejeição das teses suscitadas pela recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002811/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
O pleito da recorrente foi plenamente atendido pela decisão recorrida, não
devendo ser conhecido o recurso que careça do objeto de pedir.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2302-001.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela ausência de interesse.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO O pleito da recorrente foi plenamente atendido pela decisão recorrida, não devendo ser conhecido o recurso que careça do objeto de pedir. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO O pleito da recorrente foi plenamente atendido pela decisão recorrida, não devendo ser conhecido o recurso que careça do objeto de pedir. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela ausência de interesse. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi – Relatora . EDITADO EM: 20/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 03/07/2007, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 10/07/2007, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 02/2004 a 12/2004, todos os valores pagos ao segurados contribuintes individuais, conforme planilhas de fls. 12 a 15. A multa punitiva foi aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, atenuada em 50%, conforme artigo 292, inciso V, vigente à época da autuação, já que o contribuinte corrigiu a falta no decorrer da ação fiscal. Após a impugnação, Acórdão de fls. 51/57, julgou procedente a autuação, mas relevou a multa aplicada. O contribuinte, após a ciência do Acórdão, interpôs recurso solicitando que a multa seja relevada É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.002811/200839 Acórdão n.º 230201.652 S2C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente à tempestividade. O auto de infração referese a falta de informação em GFIP das remunerações dos contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa, no período de 02/2004 a 12/2004, tendo sido a falta corrigida durante a ação fiscal e a multa aplicada com atenuação de 50%. A decisão de primeira instância, com base no artigo 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, relevou a multa aplicada, inexistindo qualquer valor relativo a esta autuação. Da análise dos autos se pode vislumbrar ainda que intimação de fls. 62, dá ciência do Acórdão de primeira instância ao contribuinte e lhe informa que já foram adotados os procedimentos para a baixa administrativa do débito no Sistema Informatizado da Previdência Social. A peça recursal limitase a solicitar a relevação da multa aplicada, o que já foi decidido pelo Acórdão de primeira instância. Pelo exposto, não conheço do recurso interposto, por falta de objeto, já que o pleito da recorrente foi plenamente atendido. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011368/2008-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
São pressupostos de admissibilidade dos embargos de declaração a existência de obscuridade, omissão ou contradição entre a parte dispositiva e os fundamentos do acórdão ou omissão do colegiado quanto ao enfrentamento de tema a ele submetido.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2802-002.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por maioria de votos, REJEITAR os Embargos de Declaração nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que acolhia os embargos sem efeito modificativo do julgado.
(assinatura digital)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinatura digital)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 24/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 São pressupostos de admissibilidade dos embargos de declaração a existência de obscuridade, omissão ou contradição entre a parte dispositiva e os fundamentos do acórdão ou omissão do colegiado quanto ao enfrentamento de tema a ele submetido. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por maioria de votos, REJEITAR os Embargos de Declaração nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que acolhia os embargos sem efeito modificativo do julgado. (assinatura digital) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinatura digital) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
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Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por maioria de votos, REJEITAR os Embargos de Declaração nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que acolhia os embargos sem efeito modificativo do julgado. (assinatura digital) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinatura digital) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 68 /2 00 8- 56 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em face do 2802001.774, proferido em 14 de agosto de 2012de lavra desta relatora. A embargante denuncia omissão no acórdão embargado, alegando que: “A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso para excluir a cobrança da multa isolada. Contudo, examinado o recurso voluntário, verificase que a e.Turma apreciou matéria preclusa, pois o contribuinte não levantou nenhum tipo de questionamento sobre esse assunto. Dessa forma, há omissão no voto condutor do r. acórdão, pois não foram expressamente mencionados quais os pressupostos e os motivos que fundamentaram a apreciação de tema que não configura matéria de ordem pública e não foi questionado pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Requer, por fim, acolhimento dos embargos para sanar a omissão. É o relatório. Voto Conselheira Relatora,. Dayse Fernandes Leite A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Os embargos de declaração constituem instrumento processual com o escopo de eliminar do julgamento obscuridade, contradição, omissão ou dúvida sobre tema cujo pronunciamento se impunha pelo acórdão, ou, ainda, de corrigir evidente erro material, servindo, dessa forma, como instrumento de aperfeiçoamento do julgado (art. 535 do CPC e art. 48 da Lei n. 9.099/95). Assim, não se prestam a reexaminar, em regra, atos decisórios alegadamente equivocados ou a inclusão, no debate, de novos argumentos jurídicos, uma vez que o efeito infringente não é de sua natureza, salvo em situações excepcionais. A omissão, contradição, obscuridade ou dúvida suscetíveis de serem afastadas por meio de embargos de declaração são as contidas entre os próprios termos do dispositivo ou entre a fundamentação e a conclusão do acórdão embargado. Na hipótese dos autos, inexiste no acórdão omissão, obscuridade, contradição ou dúvida, razão pela qual os presentes embargos devem ser improvidos. Na verdade, pretende a parte embargante revisar o julgado que lhe foi desfavorável a fim de que as questões suscitadas sejam solucionadas de acordo com as teses que julga corretas, o que não se coaduna com as finalidades dos embargos de declaração. Por fim, anoto que no acórdão da DRJ consta: “quanto à multa isolada pelo não recolhimento de carnêleão, em que pese não ter havido manifestação específica do contribuinte quanto ao assunto, cumpre informar que caracterizada a omissão de rendimentos nos autos, não há porque afastar a multa isolada, uma vez que os recolhimentos de carnêleão correspondentes aos rendimentos omitidos efetivamente não ocorreram”. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.011368/200856 Acórdão n.º 2802002.308 S2TE02 Fl. 3 3 No voluntário, a recorrente pede que o lançamento seja cancelado em sua totalidade. No Auto de Infração lavrado em de 25/08/2008 (fls. 53/65), o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal está assim constituído: Em reais Imposto 30.158,81 Juros de Mora (calculados até 31/07/2008) 8.406,37 Multa proporcional (passível de redução) 22.619,10 Multa exigida isoladamente (passível de redução) 14.042,39 Valor do Crédito Tributário apurado 74.866,67 Por todas essas razões, concluo que as alegações suscitadas são improcedentes e proponho REJEITAR os presentes embargos. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10855.902191/2009-95
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2005
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que o IRPJ pago referente ao período de janeiro a julho de 2005 foi suficiente para quitar o IRPJ por estimativa até agosto de 2005. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que o IRPJ pago referente ao período de janeiro a julho de 2005 foi suficiente para quitar o IRPJ por estimativa até agosto de 2005. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 21 91 /2 00 9- 95 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.47/48) que transcrevo a seguir: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n° 34280.03696.200905.1.3.04 8539, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ:2362). Por intermédio do despacho decisório de fls. 02/03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.05/15, acompanhada dos documentos de fls. 16/44, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) apesar de correta a fundamentação utilizada, a mesma não se aplica ao caso em tela; c)realizou uma primeira apuração baseado na estimativa mensal, no mês de maio de 2005, recolhendo a quantia de R$ 11.467,04; d) constatou erro na apuração do IRPJ, sendo o valor apurado para o mês de maio de 2005 revertido para zero; e) de posse desse saldo credor, o contribuinte realizou as compensações devidas, mas não seria caso de preenchimento do PER/Dcomp, mas sim de compensação direta, conforme determina a legislação tributária; f)com base na IN SRF n° 21/97, em seu artigo 12, §1°, o contribuinte realizou a compensação dos tributos ora indeferida; g) dos lançamentos realizados pelo contribuinte nasce, em virtude do recolhimento a maior, o saldo credor e não da apuração normal como julgou o r. agente fazendário; h) os informes fiscais demonstram que toda a operação de compensação foi regularmente escriturada; i) o contribuinte apenas cometeu o equívoco quanto ao preenchimento de obrigação acessória (PER/Dcomp) não podendo ser penalizado Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.902191/200995 Acórdão n.º 1802001.778 S1TE02 Fl. 3 3 com a perda de seu direito creditório previsto em lei; j) a independência entre as obrigações principais e acessórias podem ser extraídas da doutrina e da jurisprudência; k) o PER/Dcomp fora preenchido erroneamente, porém as operações foram efetuadas tempestiva e regularmente; 1) para fundamentar a decisão, o agente fiscalizador utilizase dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e essa mesma legislação reconhece o direito à compensação nos moldes em que o contribuinte procedeu; m) conforme se verifica do enunciado legal emitido pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte realizou suas compensações atendendo completamente o que prevê a norma legal, não incorrendo tais operações em quaisquer irregularidades. Ao final, em virtude de haver apresentado tempestivamente o pedido de compensação, ter realizado todos os registros da operação de compensação em seus livros contábeis e fiscais, haver declarado em suas obrigações acessórias as compensações realizadas, bem como o crédito compensado não ter nascido de regular procedimento de apuração, mas sim de erro de recolhimento a maior, requer a reforma total da decisão e deferimento da compensação realizada. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1433.503, de 27 de abril de 2011 (fls.46/53), cientificado ao interessado em 25/05/2011(Aviso de Recebimento, AR, fl.56). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.46): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2005 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais de IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano calendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano calendário e o quantum do imposto apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto de renda a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 21/06/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. Ratifica que realizou uma primeira apuração baseado na estimativa mensal onde restou no mês de maio de 2005, código 2362, um valor a recolher no montante de R$ 11.467,04 (onze mil, quatrocentos e sessenta e sete reais e quatro centavos) e que, procedeu ao recolhimento do tributo, conforme a cópia do DARF, já juntada ao processo administrativo. Diz que, após realizar este recolhimento, em verificação de auditoria interna promovida pelo Contribuinte, fora constatado erro na apuração, sendo que o saldo correto para o mês 05/2005, foi revertido para zero. Assim, promoveu a compensação desse valor para quitação de débitos, mediante os processos administrativos a seguir : 10855.902.067/200920 – 2362 R$ 4.683,09 10855.902.190/200941 2362 R$ 4.578,52 10855.902191/200995 2362 R$ 2.205,45 Total compensado R$ 11.467,06 Aduz que, se houve irregularidade praticada pelo Contribuinte, esta se resume ao fato de que o PER/DECOMP fora preenchido erroneamente, porém as operações realizadas o foram regular, tempestiva e corretamente efetuadas. Assim, tal ato falho, em tese, não ensejaria a reversibilidade da compensação realizada, pois se assim fosse estaria sendo revertido o próprio direito material do Contribuinte à compensação, jogando por terra a segurança jurídica sobre a qual se funda nosso Estado Democrático de Direito. Por fim conclui que, em virtude de: • Haver o Contribuinte apresentado tempestivamente o Pedido de Compensação frente à Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.902191/200995 Acórdão n.º 1802001.778 S1TE02 Fl. 4 5 • Haver o Contribuinte realizado todos os registros da operação de compensação em seus livros contábeis e fiscais, bem como haver declarado em suas obrigações acessórias, tornando válidas as compensações realizadas; • Haver o Contribuinte entregue as DCTF's dos períodos relativos às compensações, em data hábil, estando em dia com a entrega da obrigação acessória; • Não ter o crédito compensado, nascido de regular procedimento de apuração, mas sim de erro de recolhimento a maior. Requer: 1. A reforma total da decisão do r. agente da Receita Federal do Brasil que indeferiu a compensação pleiteada, anulando o lançamento dos créditos tributários e sua posterior cobrança; 2. O DEFERIMENTO da compensação realizada, em todos os seus termos de efeito e de direito; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 34280.03696.200905.1.3.048539 (fls.01/02), transmitido em 20/09/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ: R$ 2.205,45, código 2362, estimativa mensal relativa ao mês de agosto de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 2.205,45 (Valor total do DARF: R$ 11.467,06, código – 2362; Período de Apuração: 31/05/2005; Data de Arrecadação: 30/06/2005). Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 09/05/2008 que, analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Contrapondose ao despacho decisório, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em 29/04/2009 (fls.05/15), na qual alega, em apertada síntese, que há recolhimento a maior, pois no mês de maio de 2005, embora tenha efetuado recolhimento a título de estimativa, não apurou qualquer valor devido no período, devendo ser afastado o despacho decisório proferido pela autoridade fiscal e homologada a compensação Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 declarada, vez que o preenchimento errôneo da PER/DCOMP não ensejaria a reversibilidade da compensação realizada. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do credito tributário alegado da qual se extrai a seguinte citação relativa ao REsp 924.550SC. ... RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse mesmo diapasão, o indébito em questão não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). ... Conforme relatado o Recorrente argúi que: realizou uma primeira apuração baseado na estimativa mensal, no mês de maio de 2005, recolhendo a quantia de R$ 11.467,04; constatou erro na apuração do IRPJ, sendo o valor apurado para o mês de maio de 2005 revertido para zero; de posse desse saldo credor, o contribuinte realizou as compensações devidas, mas não seria caso de preenchimento do PER/Dcomp, mas sim de compensação direta, conforme determina a legislação tributária. Em síntese, explica a DRJ que, regra geral, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, porém, o óbice pela nãohomologação da compensação reside em que o interessado não se desincumbiu do seu dever em comprovar o indébito tributário objeto do PER/DCOMP. Argúi o recorrente que o indébito está comprovado pelos demonstrativos de fls.42/43. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.902191/200995 Acórdão n.º 1802001.778 S1TE02 Fl. 5 7 De acordo com a legislação vigente consolidada nos artigos 223 e 230 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999), a base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada conforme percentual, definido em lei, aplicado sobre a receita bruta auferida mensalmente. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Como bem frisado na decisão recorrida, o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que comprove o indébito pleiteado. De sorte que, os demonstrativos juntados às fls. 42/43, por estarem desprovidos dos lançamentos contábeis que os lastreiem, não se prestam para reconhecimento de direito creditório. É cediço que, os balanço ou balancetes de suspensão ou redução do imposto devem compreender o período entre 1º de janeiro e a data da apuração do lucro real em que se pretende reduzir ou suspender o IRPJ. No presente caso, o contribuinte não trouxe aos autos balanços ou balancetes, transcritos no Diário ou Lalur, que compreendam o período de 1º de janeiro a agosto/2005 a comprovar que o IRPJ pago referente ao período de janeiro a julho de 2005 foi suficiente para quitar o IRPJ por estimativa até agosto de 2005. O contribuinte não esclarece e não comprova se os recolhimentos das estimativas mensais foram efetuados com base na receita bruta mensal ou com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução de pagamento do IRPJ mensal. A comprovação é importante para dizer quanto à obrigação de apresentação de PER/DCOMP para a compensação de estimativas no decorrer do ano calendário, vejamos: se o caso for de recolhimento de estimativa com base na receita bruta em determinado mês, a apuração do IRPJ é não cumulativa, e havendo pagamento indevido ou a maior em qualquer mês de janeiro a julho/2005, é cabível a apresentação de PER/DCOMP para a quitação da estimativa de agosto/2005, como pretende o contribuinte; se o caso for de recolhimento de estimativa com base em Balanço ou Balancetes de suspensão/redução, o pagamento de estimativa a maior em determinado mês poderá ser deduzido das estimativas calculadas nos meses seguintes do ano calendário, isto porque, um eventual excesso de estimativa, no período de apuração acumulado, será absorvido nos meses subseqüentes e dedução no ajuste anual. Para tanto, não se faz necessária a apresentação de PER/DCOMP. O contribuinte alega que não seria caso de preenchimento do PER/DCOMP, mas sim de compensação direta, conforme determina a legislação tributária. Depreendese, dessa afirmação, que o contribuinte se insere no caso em que se torna indispensável a comprovação do alegado pagamento a maior mediante a comprovação de Balanço ou Balancetes de suspensão/redução. Observase que, nos mencionados “demonstrativos” sintéticos, o contribuinte partiu da apuração do mês de fevereiro/2005 até maio/2005 (mês a mês) sem demonstrar a apuração desde o mês de janeiro/2005 – acumulado – até o mês em que pretende suspender ou reduzir o tributo. Tampouco foram apresentados Balanços ou Balancetes de Janeiro a agosto de Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 2005 e os recolhimentos efetuados a comprovar o excesso de pagamento por estimativa em maio de 2005. Nesse diapasão, adoto os fundamentos da decisão recorrida: ... Caberia a recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que demonstrassem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ do mês de maio de 2005, o imposto de renda devido em meses anteriores (Janeiro/2005 a abril/2005) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis da conta de ativo do imposto de renda a recuperar e a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros "Diário" ou "Lalur", principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte levantou balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução. Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado e compensado de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente. ... Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis correlacionados com os demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.902191/200995 Acórdão n.º 1802001.778 S1TE02 Fl. 6 9 reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 20/09/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, e apresentou a manifestação de inconformidade em 29/04/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado conforme o artigo 170 do CTN. Concluindose pela falta de tal comprovação não se pode homologar a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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