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Numero do processo: 13748.720051/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2402-006.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o reconhecimento da isenção no caso concreto.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MONICA PEREIRA PINTO BOTAFOGO MUNIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe se o reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 00 51 /2 01 1- 21 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13748.720051/201121 Acórdão n.º 2402006.993 S2C4T2 Fl. 85 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/CGE, consubstanciada no Acórdão nº 0428.007 (fls. 47), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de notificação de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa física (fls. 10/14), resultante de procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2009, anocalendário 2008, por meio da qual se exige o crédito tributário de R$ 19.350,81, assim discriminado: Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 12), foi feito o lançamento de ofício do imposto sobre a renda, com o acréscimo de multa e juros, em decorrência da seguinte infração: rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, no valor de R$ 158.859,30, em virtude da contribuinte, regularmente intimada, não apresentar laudo pericial emitido por serviço oficial, especificando a moléstia grave e quando esta se manifestou. A contribuinte foi cientificada do lançamento por meio de aviso de recebimento postal, em 07/02/2011 (fls. 42/43). IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação em 04/03/2011 (fls. 02/06), por meio da qual o sujeito passivo, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa, acompanhada de cópia de documentos pessoais do procurador (fls. 07/09) e de outros Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13748.720051/201121 Acórdão n.º 2402006.993 S2C4T2 Fl. 86 3 documentos (fls. 16/26), cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: é portadora de uma moléstia óssea deformante, degenerativa, grave e irreversível que a impossibilita de exercer qualquer atividade profissional e, por esta razão, o INSS lhe concedeu benefício previdenciário por invalidez permanente, em 10/09/1993, conforme documento que anexa; além disso, conforme se extrai dos laudos médicos anexos, é igualmente portadora de outras enfermidades, tais como doença pulmonar obstrutiva crônica severa e doença arterial coronária, o que reforça ainda mais o seu direito de ser isenta do imposto de renda, como prevê expressamente o Decreto nº 3.000/1999, em seu artigo 39, inciso XXXIII; já possui o reconhecimento exigido pela lei, uma vez que o INSS lhe concedeu o benefício em razão da constatação, através de perícia médica, da existência de moléstia grave e irreversível, inclusive valendo lembrar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também reconheceu seu direito de ser isenta do IR, conforme decisão anexa, bem como a Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro, conforme a Decisão DRJRJ/SEPEF nº 02384/96, que transcreve. Ao final, solicita o cancelamento da notificação. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 0428.007 (fls. 47), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS PELOS PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto sobre a renda dos portadores de moléstia grave se aplica aos proventos de aposentadoria ou reforma, quando reconhecida por laudo pericial do serviço médico oficial e constante da relação de doenças especificadas na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 55, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13748.720051/201121 Acórdão n.º 2402006.993 S2C4T2 Fl. 87 4 Conforme exposto no relatório supra, a Fiscalização apurou Imposto de Renda Suplementar em decorrência da constatação da seguinte infração à legislação tributária: 1) Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 158.859,30, recebidos pelo titular e/ou dependentes, das fontes pagadoras relacionadas abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. A DRJ, em face dos documentos e esclarecimentos apresentado pela Contribuinte em sede de impugnação, concluiu que: No caso deste processo, a isenção pleiteada é a disposta no inciso XIV do artigo 6º da Lei no 7.713/1988, com a redação dos artigos 47 da Lei nº 8.541/1992 e 30, § 2º, da Lei nº 9.250/1995: Verificase assim que o primeiro requisito para se usufruir do benefício legal é que os rendimentos correspondam a proventos de aposentadoria ou reforma, sendo esta uma condição indispensável prevista na legislação. O segundo requisito é que a pessoa comprove ser portadora de moléstia grave entre as especificadas na legislação, visto que a isenção só se aplica aos portadores destas moléstias discriminadas, sendo estas condições cumulativas. A contribuinte comprovou receber rendimentos de aposentadoria mas foi especificamente intimada pela autoridade lançadora a apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave e quando esta se manifestou (fl. 35), não tendo cumprido esta exigência, razão pela qual ocorreu o lançamento. Agora em sua impugnação, apresenta atestados de médicos particulares (fls. 16/17 e 20), laudo médico do DETRAN/RJ (fl. 18) e Declaração de Invalidez para fins de seguro compreensivo especial do Plano Nacional de Habitação (fl. 19), sendo que apenas o laudo do DETRAN/RJ se reveste da condição de laudo pericial do serviço médico oficial. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13748.720051/201121 Acórdão n.º 2402006.993 S2C4T2 Fl. 88 5 Nele consta ser a impugnante portadora de poliartrose nas articulações coxofemorais e joelhos, apresentando incapacidade funcional, sendo apta a conduzir veículo adaptado ou automático. Constatase assim que esta doença não está relacionada na legislação do imposto sobre a renda anteriormente descrita, na qual consta a paralisia irreversível e incapacitante, entre outras, cuja classificação médica é diferente no CID 10. A este respeito, verificase na declaração de invalidez preenchida pelo INSS que o CID relativo à doença que constatou a invalidez permanente em 10/09/1993 é 715.8/7 (fl. 19), atualmente M15.8, cuja descrição confirma ser a impugnante portadora de poliartrose. Deste modo, apesar da existência no processo de vários documentos que apontam ser a impugnante portadora de moléstia grave, porém não uma dentre as descritas na Lei nº 7.713/1988, e utilizados para finalidades específicas de outros órgãos que não a Receita Federal do Brasil, a falta de atendimento a um requisito especial estabelecido na legislação para reconhecimento da isenção do imposto sobre a renda e para o qual ela foi especificamente intimada impede a concessão do benefício de isenção pleiteado. Como se vê, o órgão julgador de piso, apesar de reconhecer que a Contribuinte é portadora de moléstia grave, concluiu que enfermidade da Recorrente não está relacionada entre aquelas previstas na legislação, razão pela qual a falta de atendimento a um requisito especial estabelecido na legislação impede a concessão do benefício de isenção pleiteado. Ora, não se deve olvidar que, no caso concreto, o próprio INSS reconheceu a incapacidade da Recorrente para o labor, aposentandoa por invalidez nos idos de 1993, conforme atesta a Declaração de Invalidez de fls. 19. Registrese, pela sua importância que a aposentadoria por invalidez foi concedida em 1993 e que está em análise a isenção do IR sobre rendimentos recebidos no ano calendário de 2008, sendo certo que, nos termos do relatório médico de fls. 16, emitido em agosto de 2001, a experiência tem demonstrado que a evolução desses processos tende a se acentuar com o decorrer do tempo, incapacitando o seu portador, definitivamente, para as atividades normais do diaadia. Destaquese, ainda, que, o Laudo Médico Pericial emitido pelo DETRAN em março/2003 (fls. 18) é expresso ao afirmar que a “candidata apresenta incapacidade funcional”. Impende destacar, também, os precedentes, da mesma Contribuinte, tanto deste Egrégio Conselho, quanto de DRJ, reconhecendo o direito da Recorrente à isenção aqui analisada, in verbis: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13748.720051/201121 Acórdão n.º 2402006.993 S2C4T2 Fl. 89 6 Acórdão CARF nº 10249.322 (fls. 72) Registrese, pela sua importância, que, regularmente cientificada, a PGFN não opôs Recurso Especial contra essa decisão. Decisão DRJ/RJ/SEPEF nº 02384/96 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13748.720051/201121 Acórdão n.º 2402006.993 S2C4T2 Fl. 90 7 Outra informação que merece destaque ainda, e que, salvo melhor juízo, não foi devidamente abordada pela DRJ, diz respeito à Declaração Médica de fls. 20, emitida pelo médico João Gaspar Corrêa Meyer Neto, em julho de 2007, noticiando que a Recorrente é portadora de doença pulmonar obstrutiva crônica severa (CID10: J44) e doença arterial coronária (CID10: I20.0 e I25), tendo sido submetida a cineangiocoronariografia em fevereiro de 2005, que evidenciou obstrução acentuada da artéria coronária direita tratada com colocação de stent farmacológico. Como se vê, além de ser portadora de moléstia grave incapacitante reconhecida tanto pelo INSS, quanto pelo DETRAN, ressaltese – a Recorrente é portadora também de cardiopatia grave, nos termos da Declaração Médica em destaque, sendo certo que, conforme hodierna jurisprudência do STJ, a apresentação de laudo médico oficial é prescindível para o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda, in verbis: AREsp 968384 / SP TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PROVA. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. LAUDO DE PERITO OFICIAL. PRESCINDIBILIDADE. PROVA PRÉ CONSTITUÍDA. SÚMULA 7/STJ. 1. O Tribunal a quo reformou sentença de improcedência do pedido declaratório do direito à isenção do imposto de renda, por constatar que, a prova (laudos de exames laboratoriais de fls. 09/10) é robusta no sentido de atestar que o impetrante foi acometido de neoplasia maligna (adenocarcinoma acinar usual, presença de lesões displásicas e arranjos pseudocribiformes, Gleason grau histológico II) (fl. 127). 2. Inicialmente, constatase que não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil de 1973, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. In casu, a omissão alegada se refere à existência de prova pré constituída, matéria afeta ao próprio mérito da demanda e devidamente enfrentada, conforme se verifica no inteiro teor do acórdão recorrido. 3. Quanto à questão probatória, a jurisprudência do STJ encontrase assentada no sentido de que, pelo princípio do livre convencimento motivado, o juiz não está adstrito ao laudo do perito oficial para efeito do reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda em razão de moléstia grave. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13748.720051/201121 Acórdão n.º 2402006.993 S2C4T2 Fl. 91 8 4. A revisão do entendimento impugnado acerca da existência de prova préconstituída demanda revolvimento fáticoprobatório (Súmula 7/STJ). 5. Agravo em Recurso Especial não provido. (DJe 30/06/2017) Neste contexto, sendo a Recorrente portadora de não uma, mas de duas moléstias graves previstas na legislação de regência da matéria, sendo os rendimentos por si percebidos proventos de aposentadoria, impõese o reconhecimento do seu direito à isenção do IR no caso concreto. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002959/2004-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999
DESPESAS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE.
Para a comprovação de despesas não basta apresentar notas fiscais, recibos, e comprovantes de pagamentos, pois é necessário a demonstração do recebimento da contrapartida.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO.
os tributos lançados por homologação só fiquem alcançados pelo prazo decadencial determinado no § 4o do art. 150, do CTN, naquilo que corresponda a fatos considerados pelo contribuinte na quantificação da base de cálculo do tributo.
Numero da decisão: 1101-000.441
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, rejeitar a arguição de decadência, votando pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa e José Ricardo da Silva, e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 DESPESAS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE. Para a comprovação de despesas não basta apresentar notas fiscais, recibos, e comprovantes de pagamentos, pois é necessário a demonstração do recebimento da contrapartida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. os tributos lançados por homologação só fiquem alcançados pelo prazo decadencial determinado no § 4o do art. 150, do CTN, naquilo que corresponda a fatos considerados pelo contribuinte na quantificação da base de cálculo do tributo.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, rejeitar a arguição de decadência, votando pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa e José Ricardo da Silva, e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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Numero do processo: 13227.000381/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO E COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, haverá a incidência de acréscimos moratórios sobre o débito até a data da entrega da respectiva DCOMP, incluindo juros e multa de mora.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
Numero da decisão: 1201-002.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente em exercício e Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Sérgio Abelson (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente)
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO E COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, haverá a incidência de acréscimos moratórios sobre o débito até a data da entrega da respectiva DCOMP, incluindo juros e multa de mora. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente em exercício e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Sérgio Abelson (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO E COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, haverá a incidência de acréscimos moratórios sobre o débito até a data da entrega da respectiva DCOMP, incluindo juros e multa de mora. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente em exercício e Redator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 03 81 /2 00 9- 61 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13227.000381/200961 Acórdão n.º 1201002.714 S1C2T1 Fl. 60 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Sérgio Abelson (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente) Relatório Na condição de Presidente em exercício da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome para formalizar o Acórdão 1201002.714, de 24 de janeiro de 2019, referente a este processo, tendo em vista que o ConselheiroRelator, Rafael Gasparello Lima, deixou de fazêlo, por ter deixado de integrar o colegiado. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado pelo referido Conselheiro no repositório oficial do CARF, o qual se segue. O contribuinte interpôs seu tempestivo recurso voluntário, considerando que o acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, que reconheceu o valor do crédito pretendido, porém, não homologou integralmente a Declaração de Compensação (PER/DCOMP). De acordo com referido despacho decisório, "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." A Declaração de Compensação (DCOMP) foi transmitida em 26/07/2005 (fls. 26). O débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) foi compensado após o vencimento, segundo a referida Declaração de Compensação (DCOMP), sem acréscimo de multa de mora e juros (fls. 31): Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável suficiente, questionando a incidência de juros e multa de mora sobre o valor devido e vencido, quando da mencionada transmissão da declaração de compensação (DCOMP). É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13227.000381/200961 Acórdão n.º 1201002.714 S1C2T1 Fl. 61 3 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerqur, Redator ad hoc. A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto disponibilizado pelo Conselheiro Rafael Gasparello Lima, o qual se segue. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O acórdão recorrido concluiu pela insuficiência do crédito, ressaltando a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), in verbis: Assim, tratandose de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, esta devese realizar com o acréscimo de juros Selic acumulados mensalmente e de juros de um por cento no mês em que houver a entrega da declaração de compensação, da forma que procedeu a delegacia de origem. Em relação aos acréscimos legais aplicados a débitos vencidos vinculados em PER/DCOMP, a legislação de regência, referida no caput do art. 36 da IN RFB nº 900/2008, nos termos dispostos no art. 161 do Código Tributário Nacional determina que os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (destituída de caráter punitivo, dada sua natureza reparatória), calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, bem como sofrerão a incidência de juros Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No Detalhamento da Compensação (fl. 37), integrante do Despacho Decisório, notese que na análise do pleito foi procedida a atualização do valor restituído, tendo sido utilizado na compensação o crédito corrigido. A homologação apenas parcial deuse em função da acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação. (grifado no original) O Recorrente impugna os acréscimos de juros e da multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP). O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13227.000381/200961 Acórdão n.º 1201002.714 S1C2T1 Fl. 62 4 A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de ressarcimento, restituição e compensação, determinando a incidência dos acréscimos moratórios no seu artigo 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei). A Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 210, de 30 de setembro de 2002, foi modificada pela Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 323/2005, incluindo no seu artigo 28 que "Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação." Posteriormente, a Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 460/2004 revogou a citada Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 210/2002, igualmente, prevendo que "Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação." O artigo 38 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 210/2002, reiterado no artigo 52 da ulterior Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 460/2004, expressamente, determina a incidência dos "juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic)": Art. 38. As quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF serão restituídas ou compensadas com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que a quantia for disponibilizada ou utilizada na compensação de débitos do sujeito passivo, observandose, para o seu cálculo, o seguinte: II como termo final de incidência: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.000381/200961 Acórdão n.º 1201002.714 S1C2T1 Fl. 63 5 (...) b) nos demais casos, o mês anterior ao da restituição ou compensação. (grifado) Outrossim, tanto a Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 600/2005 como a Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 900/2008 endossaram tais acréscimos moratórios sobre o débito vencido, informado na Declaração de Compensação (DCOMP). Atualmente, a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, a Declaração de Compensação (DCOMP) extemporânea ocasiona o acréscimo de juros e multa de mora, convergindo com acórdão nº 1201002.209, relatado pela i. conselheira e expresidente desta 1ª Turma Ordinária, Ester Marques Lins de Sousa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora). (grifado) Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13227.000381/200961 Acórdão n.º 1201002.714 S1C2T1 Fl. 64 6 Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000109/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DEPRECIAÇÃO. IMÓVEIS. EDIFICAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
Para que o contribuinte possa contabilizar depreciação de prédio é necessário que exista: ou o controle de seu valor; ou laudo pericial distinguindo o custo do prédio e do terreno. Constatada a inexistência de controle de valor e de laudo, cabe o lançamento de oficio.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA.
No caso de glosa de depreciação a decadência se rege pelo art. 150 do CTN, pois a matéria foi contabilizada e declarada.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Sendo a decadência matéria de ordem pública, é possível seu conhecimento de oficio.
MATÉRIA INCONTROVERSA. RECURSO VOLUNTÁRIO.
Os ternas não impugnados se tornam incontroversos e não podem ser objeto de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1101-000.755
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, NÃO
CONHECER do recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e, no que tange ao recurso de oficio: 1) relativamente às exigências decorrentes de glosa de depreciação, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de oficio para restabelecer as exigências não alcançadas pela decadência e informar que as glosas dos 1° e 2° trimestres de 2005 não devem
gerar cobrança de oficio; 2) relativamente as exigências decorrentes de omissão de variação monetária ativa, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; 3)
relativamente à parcela exonerada no 1º trimestre/2004 em razão da falta de adição da CSLL ao lucro real: 3.1) por maioria de votos, ADMITIR a apreciação da matéria, pela turma julgadora da DRJ, vencido o Relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedict° Celso Benicio Junior, e 3.2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 DEPRECIAÇÃO. IMÓVEIS. EDIFICAÇÃO. LAUDO PERICIAL. Para que o contribuinte possa contabilizar depreciação de prédio é necessário que exista: ou o controle de seu valor; ou laudo pericial distinguindo o custo do prédio e do terreno. Constatada a inexistência de controle de valor e de laudo, cabe o lançamento de oficio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. No caso de glosa de depreciação a decadência se rege pelo art. 150 do CTN, pois a matéria foi contabilizada e declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Sendo a decadência matéria de ordem pública, é possível seu conhecimento de oficio. MATÉRIA INCONTROVERSA. RECURSO VOLUNTÁRIO. Os ternas não impugnados se tornam incontroversos e não podem ser objeto de recurso voluntário.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e, no que tange ao recurso de oficio: 1) relativamente às exigências decorrentes de glosa de depreciação, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de oficio para restabelecer as exigências não alcançadas pela decadência e informar que as glosas dos 1° e 2° trimestres de 2005 não devem gerar cobrança de oficio; 2) relativamente as exigências decorrentes de omissão de variação monetária ativa, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; 3) relativamente à parcela exonerada no 1º trimestre/2004 em razão da falta de adição da CSLL ao lucro real: 3.1) por maioria de votos, ADMITIR a apreciação da matéria, pela turma julgadora da DRJ, vencido o Relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedict° Celso Benicio Junior, e 3.2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio.
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IMÓVEIS. EDIFICAÇÃO. LAUDO PERICIAL. Para que o contribuinte possa contabilizar depreciação de prédio é necessário que exista: ou o controle de seu valor; ou laudo pericial distinguindo o custo do prédio e do terreno. Constatada a inexistência de controle de valor e de laudo, cabe o lançamento de oficio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. No caso de glosa de depreciação a decadência se rege pelo art. 150 do CTN, pois a matéria foi contabilizada e declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Sendo a decadência matéria de ordem pública, é possível seu conhecimento de oficio. MATÉRIA INCONTROVERSA. RECURSO VOLUNTÁRIO. Os ternas não impugnados se tornam incontroversos e não podem ser objeto de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. VALMAR FONSEC . - EZES - Presidente. CARLOS EDUARDO ALMEIDA GUERREIRO - Relator. BENEDICT° CSI BENICI IOR — Redator Designado Processo n° 16832.000109/2009-31 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.755 Fl. 1.035 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e, no que tange ao recurso de oficio: 1) relativamente às exigências decorrentes de glosa de depreciação, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de oficio para restabelecer as exigências não alcançadas pela decadência e informar que as glosas dos 1° e 2° trimestres de 2005 não devem gerar cobrança de oficio; 2) relativamente as exigências decorrentes de omissão de variação monetária ativa, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; 3) relativamente à parcela exonerada no 1 0 trimestre/2004 em razão da falta de adição da CSLL ao lucro real: 3.1) por maioria de votos, ADMITIR a apreciação da matéria, pela turma julgadora da DRJ, vencido o Relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedict° Celso Benicio Junior, e 3.2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso de oficio e voluntário contra decisão que considerou improcedente o auto de infração. Conforme termo de constatação (proc. fls. 653 a 681), foram constatadas diversas infrações, que implicaram no lançamento de oficio. Uma das infrações verificadas foi que o contribuinte não adicionou ao lucro liquido o valor da CSLL, para fins de apuração do lucro real. A fiscalização diz que intimou a empresa a apresentar a liminar que autorizava a deixar de efetuar a adição, determinada no art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996. Explica que o contribuinte apresentou documentação relativa ao processo 92.002844-6 (proc. fls. 137 a 157), mas que tal processo não versa sobre a adição em tela. Informa que solicitou a PGFN cópia do processo 97.0007630-0, que trata da questão em exame. Diz que verificou no material enviado pela PGFN (proc. fls. 164 a 199 e 202 a 256) que 2 Processo n° 16832.000109/2009-31 Si -Cl Ti Acórdão n.° 1101-000.755 Fl. 1.036 o judiciário considerou improcedente o pleito do contribuinte. Transcreve a resposta da PGFN (pore. fl. 163): Através do memorando n. 18/2008Defis/RJO/EFI-09, de 04 de julho de 2008, foi solicitado a esta Procuradoria o envio de cópias de decisões no processo judicial em epigrafe onde transitada em em julgado sentença que julgou improcedente o pedido autoral. Assim, conforme solicitado, em anexo, cópias de principais peças e decisões, para ciência e verificações cabíveis A fiscalização diz que intimou o contribuinte a apresentar a liminar e todos os recursos referentes ao litígio judicial referente A. adição em tela. 0 contribuinte apresentou sua resposta (proc. fls. 259 a 331), onde confirmou que o contribuinte não tinha liminar a seu favor, uma vez que a justiça, no 1° e 2° grau, entendeu que o art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996, é constitucional. 0 Fisco também relata que, em razão do que dispõem os arts. 373 e 375 do RIR11999, o contribuinte registrou receita financeira de 2004 apenas em 2005. Diz que, nos termos do art. 6° do Decreto-lei n° 1.598, de 1977, e do Parecer Normativo Cosit n° 2, de 1996, fez os ajustes necessários. Explica que as aplicações financeiras feitas pelo contribuinte são aplicações pós-fixadas em CDB, com prazo de 3 anos, tendo como indexador de rendimento a variação da taxa do CDI. Diz que o contribuinte reconheceu as receitas financeiras pelo regime de caixa, no momento do resgate, e não pelo regime de competência. Esclarece que as aplicações foram feitas em 2002 e 2003 e foram resgatadas em 2005. Apresenta tabela com o índice mensal de CDI, de 2002 a 2005, conforme dados do Banco Central do Brasil, (proc. fls. 504 e 505): Ano/Mês 2002 2003 2004 2005 JAN 1,53 1,97 1,26 1,38 FEV 1,25 1,83 1,08 1,22 MAR 1,37 1,77 1,37 1,52 ABR 1,48 1,87 1,17 1,41 MAI 1,40 1,96 1,22 1,50 JUN 1,31 1,85 1,22 1,58 JUL 1,53 2,08 1,28 1,51 AGO 1,45 1,76 1,29 1,65 SET 1,38 1,67 1,24 1,50 OUT 1,64 1,63 1,21 1,40 NOV 1,53 1,34 1,25 1,38 DEZ 1,73 1,37 1,48 1,47 Diz que, em razão do contribuinte estar no sistema do lucro real trimestral, apresenta a taxa por trimestre: Trimestre 2002 2003 2004 2005 10 4,21 5,67 3,76 4,18 2° 4,25 5,79 3,65 4,56 30 4,42 5,61 3,86 4,73 4° 4,98 4,40 3,99 4,31 A fiscalização diz que a empresa resgatou 96 aplicações financeiras em 2005 (proc. fls. 340 e 341) e exemplifica como deveria ter sido feito o reconhecimento das receitas e como deve ser calculado os ajustes necessários. Descreve as memórias de cálculo da apuração das receitas que deveriam ter sido consideradas em cada trimestre de 2004, constantes da 3 Processo n° 16832.000109/2009-31 SI -CITI Acórclao n.° 1101 -000.755 Fl. 1.037 planilha 1 (proc. fls. 682 a 684), planilha 2 (proc. fls. 685 a 687), e planilha 3 (proc. fls. 688 a 690). Apura os valores apropriados a mais em 2005. Descreve que o contribuinte também deixou de reconhecer receitas em 2005, 2006 e 2007, em razão de reconhecer as receitas pelo regime de caixa. Explica como apurou as receitas que deveriam ter sido declaradas nos trimestres de 2005 a 2007 e indica as memórias de cálculo (proc. fls. 691 a 706) e os ajustes necessários. Ainda, informa que foram glosadas despesas de depreciação, porque o contribuinte não tinha laudo de avaliação discriminando o valor da edificação e do terreno, conforme alínea "b", do inciso I, do art. 307 do RIR/1999. A fiscalização totaliza os valores a serem somados na base de cálculo em cada trimestre de 2004 a 2007. Constata que, em razão dos ajuste, o 1° e o 2° trimestre de 2005 terão uma redução na base de cálculo de R$ 7.922.423,95 e R$ 25.319.393,39, respectivamente. Informa que a compensação ou restituição é de iniciativa do contribuinte e, por isso, não será feita qualquer compensação na autuação. Em 08/04/2009, o contribuinte é cientificado do auto de infração (proc. fls. 707 a 728). Em 05/05/2009, apresentou impugnação (proc. fls. 749 a 759). Diz inúmeras vezes que o auto é nulo. Alega que não poderia ter sofrido a glosa total das depreciações e que o fiscal deveria ter arbitrado algum valor se discordasse dos indicados na contabilidade, conforme o art. 148 do CTN. Argumenta que a fiscalização não poderia ter deixado de compensar o valor que teria sido pago a mais nos 1° e 2° trimestre de 2005, e no 2° trimestre de 2008, em razão dos ajustes. Pede perícia. Em 16/10/2009, a 9a Turma da DRJ I no Rio de Janeiro decide que a impugnação é procedente em parte (proc. fls. 914 a 945) e recorre de oficio de sua decisão. Conforme o voto condutor, não há qualquer nulidade na autuação. Mas, já havia decaído o direito de lançar o 1° trimestre de 2004, pois houve pagamento de IRPJ deste período, de sorte que o prazo decadencial se rege pelo art. 150 do CTN. Assim, como o fato gerador se completou em 31/03/2004, o lançamento só poderia ser feito até 01/04/2009, mas a ciência do auto ocorreu em 08/04/2009. Quanto ao mérito, o voto condutor inicia pela análise da glosa de depreciação (infração 4 no termo de verificação). Transcreve o Parecer Normativo CST n° 14, de 1972, destacando que a fiscalização deveria ter arbitrado o valor da edificações e dos terrenos. Diz que as turmas julgadoras estão vinculadas às interpretações da Receita, conforme Portaria MF no 58, de 2006. Cita algumas decisões que entende ser no mesmo sentido e propõe cancelar a exigência relativa a este ponto. Na seqüência, aborda a omissão de variação monetárias ativas, referente ao ano de 2004 (infração 2 no termo de verificação) e dos anos de 2005, 2006 e 2007 (infração 3 no termo de verificação). Quanto a inobservância da competência em 2004 e 2005, diz que o lançamento é improcedente, pois deveria ter sido considerado que houve apenas postergação de imposto de 2004 para 2005. Fundamenta e explica a decisão do seguinte modo: 4 Processo n° 16832.000109/2009-31 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.755 Fl. 1.038 Da leitura dos artigos 273 e 247 do RIR/1999, verifica-se que o Fisco deixou de observar que o lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de receitas ou rendimentos deve ser feito pelo valor liquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração. Assim sendo, preparei a tabela abaixo, a qual demonstra que se adicionarmos aos Lucros Reais Trimestrais declarados nas DIPJ dos anos calendários de 2004 e 2005 os valores de CSLL que deixaram de ser adicionados (ver item 22 deste voto), e ao resultado destas somas adicionarmos, no ano-calendário de 2004, as receitas financeiras computadas pelo regime de competência pela Autoridade Fiscal, e, no ano-calendário de 2005, retirarmos as receitas financeiras apuradas pelo regime de caixa, também pela Autoridade Fiscal, quando do resgate das aplicações financeiras, verificamos que, considerando tão somente o efeito das receitas financeiras acrescidas no ano- calendário de 2004 e retiradas no ano-calendário de 2005, o aumento total do valor do principal de IRPJ, no ano-calendário de 2004, foi de R$ 16.429.389,41, e a diminuição total do valor do principal do IRPJ, no ano-calendário de 2005, foi de R$ 16437.770,36, ou seja, em termos líquidos, o valor do principal diminuiria de R$ 8.380,95 (16.437.770,36 — 16.429.389,41), o que demonstra que não há qualquer valor de principal de IRPJ a ser lançado, em conseqüência da postergação do oferecimento à tributação das receitas financeiras. E de se observar que a essa diferença de R$ 8.380,95 poder-se-ia chegar de maneira muito mais simples. E que ela advém do fato de que no 20 trimestre de 2004 a Interessada declarou um Prejuízo Real de R$ 9.523,79, o que significou que parte da receita financeira adicionada ao 2° trimestre de 2004 sofresse um incremento total de IRPJ menor (os primeiros R$ 9.523,79 sem qualquer IRPJ, os R$ 60.000,00 seguintes com aliquota de 15%) do que o valor correspondente de IRPJ diminuído em 2005 (todo ele com aliquota de 25%), o que dá a seguinte diferença de IRPJ: 25% de 9.523,79 (diminuição no ano-calendário de 2005) + 25% de 60.000,00 (diminuição no ano-calendário de 2005) — 15% de60.000,00 (aumento no ano-calendário de 2004) = 8.380,95. Portanto, não há valor de principal de IRPJ a ser lançado em decorrência da postergação do oferecimento das receitas financeiras. 0 que poderia e deveria ter sido lançado são os juros e a multa de mora decorrente do pagamento após o vencimento do IRPJ correspondente às receitas financeiras postergadas em foco. Quanto a inobservância da competência em 2005, 2006, e 2007, entende que o lançamento é improcedente, pois deveria ter sido considerado que houve apenas postergação de imposto destes anos para o ano de 2008. Explica que a fiscalização deveria ter examinado o ano de 2008 e informa que os registros da Receita sugerem que apenas houve postergação de imposto. Fundamenta e explica a decisão do seguinte modo: 5 Processo n° 16832.000109/2009-31 Sl-CITI Acórdão n.° 1101-000.755 FL 1.039 Os Auditores Fiscais Autuantes afirmam, no Termo de Constatação (l1. 677), que a receita financeira das aplicações feitas no ano de 2005 não tinham sido oferecidas a tributação quando da lavratura do Auto de Infração (a referida lavratura se deu em 07/04/2009 e a ciência da Interessada em 08/04/2009), "pois as mesmas foram resgatadas no ano de 2008 e a DIPJ ainda não tinha sido entregue pelo contribuinte". (Grifei) 0 fato de que a D1PJ do ano-calendário de 2008 não tenha sido entregue em 07/04/2009 ou em 08/04/2009 não significa que a Interessada tenha ou não oferecido à tributação as receitas financeiras em foco no ano-calendário de 2008. Lembremo-nos que a DIPJ do ano-calendário de 2008 serve para a Interessada dar as informações econômico-fiscais do ocorrido no ano- calendário de 2008. Pelas DCTF do 1°, 2°, 3° e 4° trimestres da Interessada, assim como pelos registros contábeis dela desses períodos e de auditoria feita pelo Fisco era perfeitamente possível aos Auditores saberem se a Interessada havia ou não oferecido a tributação, quando do resgate das aplicações financeiras no ano-calendário de 2008, as receitas financeiras das aplicações feitas no ano-calendário de 2005. E na DCTF que o contribuinte confessa os seus débitos e não na DIPJ. Compulsando os autos, não resta dúvida de que a Autoridade Fiscal deveria ter analisado a escrituração contábil da Interessada no ano-calendário de 2008 para verificar se ela, quando dos resgates, em 2008, das aplicações financeiras efetuadas no ano-calendário de 2005, reconheceu contabilmente as receitas financeiras em questão, bem como pelo exame da DCTF, se o Imposto de Renda apurado contabilmente foi nela declarado. Em caso afirmativo, isto é, se houve o registro contábil das receitas financeiras em foco no ano de 2008 e se ela foi oferecida à tributação mediante declaração de débito do IRPJ que computou em sua apuração essas receitas financeiras, o Fisco deveria proceder como descrito nos itens 21.3.1. a 21.3.9. deste voto. Obviamente, se a Interessada não tivesse oferecido a tributação as referidas receitas financeiras, então não se estaria diante de um lançamento por postergação e, em principio, estaria correto o lançamento efetuado. Consultei a D1PJ 2009 (ano-calendário de 2008), e verifiquei que a Interessada informou como Outras Receitas Financeiras (lis. 895/898) os valores de R$ 25.815.909,38 (1° trimestre de 2008), R$ 122.337.458,61 (2° trimestre de 2008), R$ 97.680.469,68 (3° trimestre de 2008) e R$ 22.158.481,66 (4° trimestre de 2008), num total de R$ 267.992.319,43 (25.815.909,38 + 122.337.458,61 + 97.680.469,68 + 22.158.481,66) no ano de 2008. Numa análise perfunctória, pode-se dizer que este valor é compatível com o apurado pelo Fisco, uma vez que, pelo regime de competência, para as aplicações financeiras feitas em 2005 com resgate em 2008, o Fisco apurou uma Receita Financeira, de 2005 a 2007, de R$ 194.092.050,96 (R$ 46.635.82 ,00 em-2005, R$ 77.367.048,34 6 Processo n° 16832.000109/2009-31 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.755 Fl. 1.040 em 2006, e R$ 70.089.178,62 em 2007), o que mostra ser possível, mesmo considerando a Receita Financeira faltante, pelo regime de competência, de 2008, e outras receitas financeiras de aplicações financeiras que não as consideradas neste processo, a expressiva Receita Financeira informada pela Interessada na DIPJ 2009, ano-calendário de 2008, no valor de R$ 267.992.319,43. Além disso, verifiquei na DIPJ 2009, ano- calendário de 2008, que o Imposto de Renda a Pagar apurado nesta Declaração (fls. 899/900) foi de RS' 2.312.040,68 (1° trimestre de 2008), RS 12.158.572,21 (2° trimestre de 2008), R$ 22.139.150,84 (3° trimestre de 2008) e R$ 1.435.651,37 (4° trimestre de 2008), valores estes que foram confessados tempestivamente em DCTF e pagos no vencimento (conforme pesquisas de fls. 901/913). Por fim, examina a falta de adição da CSLL na base de cálculo do IRPJ (infração 1 no termo de verificação). Diz que o contribuinte não contestou esta parte do lançamento e, portanto, não há lide sobre esta matéria. Conclui informando que o termo de verificação apresenta algumas diferenças inexplicadas com os valores do auto de infração e que só foi mantida a parcela do lançamento referente a falta de adição da CSLL. Adiciona que a falta de adição não foi contestada, sendo que o 1° trimestre de 2004 não podia ter sido lançado em razão da decadência. Explica que em razão da desconsideração do lançamento e ajustes, referentes às receitas financeiras, a decisão implicaria em cobrança de valores no 10 e 2° trimestre de 2005, mas que em função da proibição do reformatio in pejus são desconsiderados (proc. fl. 944). Em 29/01/2010, os fiscais autuantes apresentam embargos de declaração (proc. fls. 962 a 968). Dizem que: ... a Fiscalização ao tomar conhecimento do julgado verificou que o órgão julgador não averiguou se o imposto pago no ano- calendário de 2008 foi suficiente para suprir o que deixou de ser pago nos anos-calendários de 2005, 2006 e 2007 pelo regime de competência, relativamente as aplicações financeiras que foram objeto da autuação, já que no montante oferecido pela interessada a titulo de outras receitas financeiras encontram-se inclusas outras receitas financeiras que não são atinentes aquelas que foram objeto da autuação. Para determinar o valor correto do imposto a ser compensado em relação a receita financeira não apropriada pelo regime de competência, por trimestre, nos anos-calendários de 2005, 2006 e 2007, mister é, primeiramente, considerar-se a data em que foi realizado o resgate, e, posteriormente, fazer o ajuste excluindo- se a receita financeira apurada pela interessada na data do resgate e adicionar o que deveria ter sido tributado pelo regime de competência, a saber: 7 Processo n° 16832.000109/2009-31 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.755 Fl , 1.041 Assim sendo, podemos proceder a comparação e verificação se o imposto pago pela interessada é suficiente para suprir aquele devido com base no regime de competência: Destarte, considerando que o valor do imposto e adicional apurados pela Fiscalização nos anos-calendários de 2005, 2006 e 2007, em razão de a interessada não haver apropriado as receitas financeiras concernente a conta 6.2.01.18.001, segundo o regime de competência, monta a R$ 48.523.012,75, e o valor que pode ser compensado, apurado após o ajuste do lucro liquido, é de R$ 45.580.392,96, verifica-se que há uma insuficiência de imposto de R$ 2.942.619,79 (R$ 48.523.012,75 - 45.580.392,96), que não foi considerada pelo órgão julgador, havendo que se ressaltar que s sua cobrança é pertinente, conforme acima demonstrado, motivo pelo qual esta Defis representa, para que parte do julgado possa ser reformada Turma Julgadora, caso a mesma assim entender. Em 01/02/2010, o Presidente da 9' Turma da DRJ I no Rio de Janeiro reproduz os arts. 22 e 27 da Portaria MF n° 58, de 2006, e se propõe a tratar o requerimento como para correção do acórdão, sendo irrecorrivel sua decisão sobre a questão apresentada. Decide o seguinte (proc. fls. 970 e 971): A meu pensar, o requerimento de fls. 962 a 968 sequer tenta demonstrar possível inexatidão material devida a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculos eventualmente existente na decisão proferida por meio do Acórdão 12-26.638 de 16 de outubro de 2009 (lls. 914 a 945). O que o requerimento faz, a meu ver, é tentar agora demonstrar que o contribuinte não teria oferecido a tributação (regime de caixa) no ano-calendário de 2008 a totalidade das receitas financeiras que deveria ter oferecido a tributação (regime de competência) nos anos-calendário de 2005, 2006 e 2007. Esta questão sequer foi abordada no Termo de Constatação do Auto de Infração (fls. 653 a 706), uma vez que o Fisco não tratou, na autuação, das receitas financeiras oferecidas à tributação pelo regime de caixa. Em face do exposto, indefiro o requerimento de fls. 962 a 968. Em 12/07/2010, o contribuinte é cientificado do acórdão, dos embargos e da decisão do presidente da turma (proc. fl. 977). Em 03/08/2010, o contribuinte apresenta recurso voluntário (proc. fls. 978 a 984). Repete inúmeras vezes que o auto é nulo. Alega que a autuação considerou que houve insuficiência de imposto, quando ocorreu st j1es ostergação. 8 Processo n° 16832.000109/2009-31 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-000.755 Fl. 1.042 Voto Vencido Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Observando-se o lançamento, a impugnação e a decisão da turma julgadora da DRJ, constata-se que: 1°) as adições da CSLL não foram contestadas na impugnação e, assim, tornaram-se matéria incontroversa; 2°) as outras infrações lançadas foram totalmente canceladas pela turma julgadora (glosa de depreciação e omissão de variação monetária ativa - proc. fls. 709 a 712); 3°) a turma julgadora reconheceu a decadência do 1° trimestre de 2004; 4°) a turma julgadora propôs a desconsideração da parcela da exigência decorrente da falta de adição da CSLL, referente ao 1° e 2° trimestre de 2005, sob o argumento da proibição do reformatio in pejus; 5°) a turma recorreu de oficio de sua decisão. Frente a este quadro, não ha matéria a ser objeto de recurso voluntário. Inclusive, no recurso voluntário apresentado o contribuinte apenas repete parte dos argumentos já apresentados na impugnação. Portanto, voto por não conhecer o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Quanto ao recurso de oficio, cabe analisar todas as alterações efetuadas pela turma julgadora no lançamento. No que tange a glosa de depreciações, a turma julgadora anulou o lançamento argumentando que, nos termos do Regimento Interno, estava vinculada à interpretação da Receita e que o Parecer Normativo CST no 14, de 1972, regrava a matéria. 0 voto condutor transcreveu o parecer, destacando que a fiscalização deveria ter arbitrado o valor da edificações e dos terrenos conforme abaixo (os grifos constaram do voto condutor): 1. Os edificios o construções alugadas ou utilizadas pelo proprietário, na produção dos seus rendimentos, podem ser objeto de depreciação, não podendo a respectiva cota incidir sobre o valor dos terrenos, mesmo aqueles em que os edifícios ou construções se acharem edificados (Lei n° 4.506, de 30/11/64, art. 57, §10; Regulamento do Imposto de Renda, art. 186, § 11). 2. Não estando o valor do terreno separado do valor da edificação que sobre ele existir, deve ser providenciado o respectivo destaque para que seja admitida dedução da depreciação do valor da construção ou edificio. Para isso, o contribuinte servirá de laudo pericial para determinar que parcela do valor contabilizado do imóvel corresponde ao valor do edifício ou construção. Sobre este aplicará o coeficiente de depreciação admitido para essa espécie de bem. 3. Por tratar-se da hipótese prevista no art. 148 do Código Tributário Nacional - o cálculo do tributo ( ) toma em consideração o valor ou o preço de bens - a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que selam omissos ou não merecamlé as declarações ou os esclarecimentos prestados ou os documentos 9 Processo n° 16832.000109/2009-31 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.755 Fl. 1.043 expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, a administrativa ou judicial. Como se vê acima, conforme o parecer, havendo aquisição de terreno com construção, o contribuinte pode depreciar a construção, desde que possua laudo que identifique o valor de um e de outro. De outra banda, o Fisco pode divergir do laudo e arbitrar o valor que entenda correto. Ou seja, como se percebe, o parecer estabelece uma condição para que o contribuinte possa efetuar a depreciação, nos casos do valor do imóvel englobar terreno e edificação. E preciso que ele tenha laudo pericial determinando a parcela do valor que se refere edificação e a que se refere ao terreno. Sem o laudo, ele não pode contabilizar as depreciações. Caso o Fisco constate que o contribuinte registra depreciações de edificações, sem ter o laudo, a fiscalização deve glosar as depreciações. De modo algum é preciso que o Fisco arbitre o valor das construções. No caso em concreto o contribuinte não possui tais laudos, como ele mesmo afirma, e como a fiscalização fez constar do seu relatório. De fato, consta do termo de constatação que o contribuinte foi intimado a apresentar os laudos periciais (proc. fl. 641) e respondeu o seguinte: Em relação a solicitação n° 1 desta mesma Intimação Fiscal, informamos que não possuímos laudos periciais das lojas, e que as mesmas ern quase sua totalidade possuem mais 25 anos, portanto totalmente depreciadas no ano de 2005 Portanto, neste aspecto a decisão da turma julgadora foi equivocada e precisa ser reformada. Assim, voto por dar provimento ao recurso de oficio, no que tange a esta questão. No que tange ao lançamento referente A. omissão de variação monetária ativa, verifica-se no termo de constatação que, para os anos de 2004 e 2005, a fiscalização menciona a base legal correta (art. 273 do RIR/1999), diz que fará a adição e exclusão determinada na lei, e calcula os valores a serem somados ao resultado de 2004 e diminuídos dos de 2005. Porém, ao constatar que, em razão das exclusões de 2005, ficava caracterizada a postergação de impostos, a fiscalização desconsidera o imposto pago a mais em 2005 e lança integralmente o imposto de 2004. Já no que se refere aos anos de 2005, 2006 e 2007, desde o inicio, a fiscalização trata a questão como simples insuficiência de receitas financeiras. Possivelmente, a opção por esta abordagem seja porque o contribuinte ainda não tinha apresentado sua DIPJ para o ano de 2008, no qual estavam computadas a totalidade das receitas. A turma julgadora ao examinar a questão, destacando que o contribuinte havia optado pela tributação trimestral em 2008, verificou que, caso os valores indevidamente recolhidos a mais em 2005 e 2008 tivessem sido considerados, ficaria caracterizado que ocorreu a postergação de todo imposto a pagar, de sorte que não haveria qualquer lançamento de imposto a ser feito. Em razão disto, cancelou a exigência. Cabe destacar que a decisão da turma julgadora foi correta e as demonstrações feitas pela turma julgadora são adotas na integra e passam a fazer parte do 10 Processo n° 16832.000109/2009-31 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-000.755 Fl. 1.044 presente voto. Ademais, não é possível corrigir o lançamento para efetuar a correta cobrança que deveria ter sido feita, nos termos da legislação aplicável (art. 273 do RIR/1999), pois isso implicaria em alteração do lançamento. Assim, voto por negar provimento ao recurso de oficio nesta questão. No que tange a decadência, a turma julgadora entendeu ser aplicável o art. 150 do CTN e decidiu que, na data da ciência do auto de infração, já estava decaída a possibilidade de lançamento do 10 trimestre de 2004. Em razão desta decisão, a turma propôs o cancelamento da cobrança decorrente da adição da CSLL. Mas, a decisão está errada, ao menos em parte. Isso porque a parcela do lançamento decorrente da adição da CSLL não estava em julgamento, pois não houve impugnação deste tema. Deste modo, a decisão da turma extrapolou de sua competência e precisa ser cancelada, pois não poderia se manifestar sobre questão incontroversa. Dessarte, nesta questão, voto por não admitir a apreciação de tal matéria pela turma julgadora da DRJ, de modo a determinar o cancelamento da exoneração da cobrança decorrente da adição da CSLL, referente ao 10 trimestre de 2004, feita pela DRJ. Caso a presente turma julgadora admita que a turma da DRJ poderia se manifestar sobre a adição da CSLL, mesmo não tendo sido questionada sobre isso na impugnação, em razão de aplicar-se ao caso o prazo estabelecido no art. 150 do CTN, voto por negar provimento ao recurso de oficio. Ainda, no que se refere a decadência, cabe examinar a glosa da depreciação, mantida pelo presente julgamento. Nessa linha, considerando que a depreciação estava contabilizada e declarada e, assim, estava informada ao fisco, cabe aplicar o prazo do art. 150 do CTN. Deste modo, como a ciência do auto ocorreu em 08/04/2009, já estava decaído o 1 0 trimestre de 2004. Assim, nesta questão, voto pelo reconhecimento da decadência do 10 trimestre de 2004. Por fim, ainda cabe observar que a turma julgadora diz ter deixado de considerar as parcelas referentes a adição da CSLL do 10 e 2° trimestre de 2005, ao argumento de que não poderia agravar o lançamento, já que no auto de infração não havia nenhuma exigência de imposto em relação a estes trimestres. Porém, na verdade a DRJ em nada alterou o lançamento, pois a fiscalização nada lançou nos 10 e 2° trimestre de 2005. E que como o Fisco encontrou expressivos valores para excluir em 2005, em razão dos ajustes na forma de reconhecimento das receitas financeiras, ele acabou por não lançar nenhum imposto no 1° e 2° trimestre de 2005, porque o montante a ser excluído era maior do que as adições em razão das outras infrações. Não obstante, em razão da reforma da decisão da DRJ referente a glosa de depreciação, e considerando que as glosas atingiram também os 1° e 2° trimestre de 2005, mas tendo em conta que a fiscalização não lançou qualquer imposto referente ao 1° e 2° trimestre de 2005, cabe adotar o procedimento proposto pela DRJ e enfatizar que as glosas de depreciação dos 10 e 2° trimestre de 2005 não devem gerar cobrança de oficio. 11 Processo n° 16832.000109/2009-31 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101 -000.755 Fl. 1.045 Em razão da presente decisão, os valores de glosas de depreciação que devem ser considerados para apuração do imposto devido são os seguintes: Trimestre 2004 2005 2006 2007 10 decadência sem lançamento 171.363,57 185.363,55 2° 171.363,57 sem lançamento 171.363,57 185.363,55 30 171.363,57 121.128,48 171.363,57 185.363,55 40 171.363,57 121.128,48 171.363,57 185.363,55 Tais valores devem ser somados aos relativos à adição da CSLL, indicados na decisão da DRJ. Vale lembrar que, em razão de no presente julgamento ter sido admitido por maioria que a turma da DRJ poderia se manifestar sobre a adição da CSLL, mesmo tendo declarado tal matéria como incontroversa. Foi colocado também em votação o recurso de oficio no que tange ao cancelamento do 1° trimestre de 2004 do lançamento decorrente da adição da CSLL. Em tal votação, por unanimidade se decidiu que ptal parcela estava decaída. Deste modo, os valores que implicam em lançamento referente a adição da CSLL são os seguintes: Trimestre 2004 2005 2006 2007 1' decadência sem lançamento 412.821,30 598.127,33 2° sem lançamento 608.108,79 32.564,16 30 197.868,02 817.582,73 374.775,36 836.360,50 4° 424.069,04 2.029.055,89 439.231,74 246.369,24 Sala das Sessões, 14 de junho de 2012. „d,----/v Carlos Eduardo" e Almeida Guerreiro 12 Processo n° 16832.000109/2009-31 si -cl Ti Acórdão n.° 1101-000.755 Fl. 1.046 Voto Vencedor Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Como bem exposto pelo ilustre Conselheiro-relator, a turma julgadora de la instância decretou a decadência do direito do Fisco ao lançamento tributário em ralação ao 1° trimestre de 2004 ao aplicar o art. 150 do CTN. Apesar de não ter sido impugnada, a decadência é matéria de ordem pública, e pode ser conhecida de oficio. Desse modo andou bem a douta DRJ. julgadora. Possível, então, o levantar7tc4a matéria pela autoridade administrativa . z BENEDICT7CELSO BENÍCIO JÚNIOR 13
score : 1.0
Numero do processo: 18470.905744/2010-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO.
Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE.
Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 57 44 /2 01 0- 21 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 171 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto tempestivamente contra o Acórdão n° 1241.976 (efls. 110 à 119) proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório do Contribuinte. O Despacho Decisório (efl. 12), de 01 de novembro de 2010, aduz que os valores informados na DCOMP (transmitida em 18/08/2006) foram utilizados integralmente para a quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos ora informados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte alegou o que segue: 1. Senhor Delegado como se vê do Despacho Decisório, o contribuinte foi penalizado, com base na seguinte alegação: "Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informada no PER/DCOMP: R$ 2.444,60. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP..." 2. Não pode, data vênia, conformarse o contribuinte com essa apenação haja vista que: a) A DCTF do I o trimestre de 2002 (Pág. 3), nos mostra que o valor principal do débito relativo à competência de fevereiro de 2002 è de R$ 2.444,60. (Doc. 1) b) No DARF datado de 27 de março de 2002 verificase que o pagamento corresponde ao valor total de R$ 2.347,48, débito acima referido. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 172 3 c) Os lançamentos efetuados no Livro Diário No. 19 folhas 114 e 118 e Razão No. 19 folhas 331 e o quadro demonstrativo, nos mostram que o principal do débito e o seu respectivo pagamento, também correspondem ao valor acima mencionado. (Docs. 2, 3 e 4) 3. Portanto, o que daí se extrai, é que o PER/DCOMP foi preenchido e transmitido equivocadamente, ou seja, tanto o DARF no valor de R$ 2.444,60 quanto o débito nesse mesmo valor foram ali apontados indevidamente. (Doc. 5) 4. Isto ainda mais se infere porque o valor de R$ 844,70, objeto do rastreamento, também não foi compensado no mês de agosto de 2002 (3° trimestre de 2002), conforme DCTF às páginas 3, cujos valores compensados neste trimestre estão contabilizados no Livro Diário No. 19 as Fls. 382 e Livro Razão No. 19 Fls. 331, sendo assim não foi aproveitado o valor constante do rastreamento, conforme quadro demonstrativo. (Docs. 6, 7, 8 e 4) 5. Ainda nessa esteira, verificase que o Pedido de Compensação teve como base o regime de apuração mensal, quando na verdade as folhas 252 do mesmo Livro Diário No. 19 e as folhas No. 331 do mesmo Livro Razão No. 19 nos mostram que o regime de apuração era trimestral. (Doc. 9) 6. O valor da compensação, objeto do rastreamento, não foi compensado no 3 o trimestre de 2002 em virtude deste não haver nenhuma compensação. (Doc. em anexo) 7. Cabe citar, que não foi possível reparar o equívoco espontaneamente, em vista do sistema da Receita não ter recepcionado o pedido de cancelamento do PER/DCOMP, por conta da instauração da Ação Fiscal. 8. Sabendo, porém, do espírito de justiça que norteia às decisões proferidas por V. Sa., espera que o PER/DCOMP seja cancelado quando da respectiva análise no âmbito da Receita Federal. Isto posto, inclusive por juntada de documentos cuja menção vai no bojo do presente, pede V. Sa. Se digne mandar cancelar o crédito tributário, bem como tornar sem efeito o respectivo PER/DCOMP, com base nos fatos aqui demonstrados, para que a empresa não seja BITRIBUTÁVEL. Como desiderato final de seu arrazoado, o Acórdão da DRJ concluiu o que segue: Conclusão Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, ao declarante cabe solicitar (antes que a autoridade lançadora emita intimações ou profira decisão administrativa), e sempre através do Programa Gerador de Per/DcompPGD Perdcomp, o cancelamento da Dcomp transmitida, inexistindo previsão para Fl. 172DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 173 4 que a autoridade julgadora nele se subrogue, ou que tal se dê em sede de julgamento. 36 Se o declarante não cancela a Dcomp que ele mesmo transmitiu, as declarações nesta veiculadas se consolidam na esfera administrativa, com os efeitos que lhes são próprios, ainda mais se não comprovado que o débito objeto de compensação era indevido ou inexistente. 37 Assim, o Despacho Decisório deve ser mantido. 38 Observese, por fim, que, nesta data, estão em julgamento nesta Turma 18 (dezoito) processos (incluindo este), nos quais o interessado, em sede de MI, pede o cancelamento das respectivas Dcomps: (...) Ao longo do processo, restou ajuizada execução fiscal pela Fazenda Nacional, tendo sido proferida sentença extintiva sem julgamento de mérito. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte aduz os seguintes aspectos: PRELIMINARMENTE Requer ao D. Julgador de Io Instância, em sede de pressuposto de admissibilidade recursal, em conformidade com o artigo 32 c/c art. 60, ambos do Decreto 70.235/72, dispondo sobre o processo administrativo fiscal, que seja corrigida de ofício a omissão do julgado, ora recorrido, eis que na decisão atacada é mencionado que a empresa ora recorrente compensou tributo de forma indevida. (...) No caso em debate flagrante a nulidade encontrada, devendo este Colegiado decretar a mesma de ofício, posto que ainda criou a esta recorrente cerceio do direito de defesa, conforme art. 59, II do Decreto 70.235/72. Ad Argumentandum, que a Constituição da República Federativa do Brasil prevê em seu art. 5o, II que ninguém, seja pessoa jurídica e/ou física, está obrigado a cumprir determinado preceito sem previsão legal, pois o ato da autoridade Fiscal não encontra fundamento legal, que ampare o r. decisum, o qual pedimos vênia para transcrever: (...) Caso não sejam acolhidas as assertivas acima, para que seja cancelada a decisão, ora recorrida, vejamos então, preliminar abaixo sobre Prescrição e Decadência: (...) Cumprenos mencionar que no item 32 da decisão, ora recorrida, de fls. 112, o próprio julgador menciona que a Fl. 173DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 174 5 compensação foi realizada há mais de 5 (cinco) anos, o que viola a legislação em regência; Bem se a compensação já por isto foi tachado como indevida, mais indevida ainda é a constituição em mora do tributo, sua cobrança, a constituição do crédito tributário, eis que já passados mais de cinco anos. Posto Isto indevida é cobrança, eis que já alcançada pela Decadência, conforme previsão do artigo 173 do Código Tributário Nacional, além ainda de estar prescrita, conforme redação do artigo 174 do CTN, como a seguir pedimos vênia para transcrever: DO MÉRITO Sem nos estendermos por demais, nos comentários, eis que este D. Julgador lê pacientemente todas as questões, ora em comento, melhor sorte não assiste à D. Receita Federal, posto pelas argumentações acima expostas. Verificase claramente pelos documentos acostados aos autos que as declarações e pagamentos estão perfeitamente corretos, conforme os preceitos estipulados na Legislação em vigor, demonstrando toda a boafé da empresa. Ora, passados todos os argumentos, e ainda com a demonstração de todos os protestos acima, requer o provimento do presente recurso para que seja cancelado o débito, em cobrança, por todo exposto acima. DO PEDIDO "Ex Positis" é a presente a fim de requerer a estes Ilustres membros desta Turma Julgadora acolher " In Totun" a presente pretensão, por tudo aquilo que ficou devidamente expositado, dando provimento ao recurso, para que cancelada a cobrança, eis que a PER/DCOMP foi feita de forma equivocada, haja vista a inexistência de débito e saldo a compensar, além da Decadência e Prescrição que já alcançaram o débito, ora cobrado do Recorrente. Cabe consignar que não restou apresentada qualquer prova adicional em sede de Recurso Voluntário. Por fim, consignase a existência de um total de 18 (dezoito) Processos Administrativos Fiscais semelhantes ao presente, sob a relatoria deste Conselheiro que ora subscreve. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade Fl. 174DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 175 6 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço. Preliminares Conforme relatado acima, as preliminares alegadas abarcam uma série de elementos, que serão doravante rechaçados. a) Da correção da suposta omissão do julgado Segundo sustenta o Contribuinte, houve imprecisão material na Decisão de piso, eis que nesta é mencionado que se compensou tributo de forma indevida. No entanto, o Recorrente não aponta exatamente onde estaria o suposto erro material, e se utiliza de argumentos genéricos de impugnação. Sabese que, para que se proponha tal correção, é necessário exibir categoricamente a imprecisão detectada. Caso contrário, a alegação acaba esvaziada por configurar mero argumento de retórica. Portanto, afasto a preliminar de omissão. b) Do suposto cerceamento de defesa Outra preliminar aduzida foi a suposta ocorrência de cerceamento de defesa. Contudo, em momento algum o Recorrente logrou demonstrar em quais oportunidades o dito cerceamento teria se perpetrado. Novamente, notamse alegações genéricas, as quais são desprovidas de amparo fático. Vejo, ainda, que presente Processo Administrativo cumpriu com seu regular deslinde, apresentando todas as oportunidades de defesa à Contribuinte e observando as normas a ele intrínsecas. Assim, não restou comprovada qualquer incidência do rol do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Logo, afasto a preliminar de cerceamento de defesa. c) Da suposta prescrição e decadência Por fim, entende o Recorrente pela existência de prescrição e decadência. Sem embargo, tais fenômenos não ocorreram no presente caso. Isso porque o marco a quo do lustro tem início neste caso quando da apresentação da DCOMP, que, por seu turno, é o veículo introdutório da compensação ora pretendida. Portanto, seria uma absoluta incoerência admitir como início a contagem decadencial ou prescricional em etapa distinta, pois sequer há móvel fáticojurídico para sustentar tal intelecção. Quanto ao mais, anoto que este assunto já se encontra pacificado na jurisprudência deste e. CARF, conforme se extrai do Acórdão n° 340301.376, Rel. i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa Fl. 175DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 176 7 totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 177 8 A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. (GN) Igual intelecção é adotada na prescrição, eis a inocorrência do lustro qüinqüenal na modalidade prescritiva. Rechaçadas, pois, as alegações de decadência e prescrição. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao Recorrente, conforme se observará. Trata o presente caso de pedido de compensação, alegando o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária (Art. 74 da Lei n° 9.430/96). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (Art. 368 do CC). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Autoridade Administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 177DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 178 9 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. 1. Dos erros de adequação instrumental para a compensação de crédito Em que pese a recalcitrância do Recorrente em admitir equívocos em sua sistemática procedimental, notamse claros erros na via eleita para a compensação. Ao invés de requerer seu cancelamento quando da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte deveria procedêlo por iniciativa própria, conforme se extrai do texto claro da norma (IN RFB n° 900/2008). Aliás, o Acórdão a quo logrou a conferir com precisão os procedimentos que necessários, cujo arrazoado adoto desde já como parte da fundamentação do presente Voto, verbis: 14 Na forma da legislação de regência (Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008), o pedido de cancelamento da Dcomp deve ser transmitido através do programa eletrônico Per/dcomp (disponibilizado a partir de 14 de maio de 2003): CAPITULO XII DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação a RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento a RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa a data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. 15 Além disso, a sobredita Instrução Normativa dispõe que o pedido de cancelamento de Declaração de Compensação — Dcomp só pode ser aceito se transmitido antes da ciência para apresentação de documentos referentes A compensação, ou, antes da decisão administrativa correspondente, sendo vejamos: Art. 86 (..) Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 179 10 16 No caso, o interessado transmitiu a Dcomp em 18.08.2006. O Despacho Decisório foi emitido em 01.11.2010. Desse modo, o pedido do interessado para cancelamento da Dcomp contraria a legislação de regência e deve, de plano, ser indeferido. 17 Da data da transmissão da Dcomp – 18.08.2006 até a emissão do Despacho Decisório, o interessado teve 4 (quatro) anos para veicular o pedido de cancelamento da dita Dcomp, porém, não o fez. Destacase, ainda, que o procedimento de DCOMP eletrônica e seu respectivo cancelamento já era há muito tempo adotado pela Receita Federal do Brasil, de modo que não se pode alegar qualquer desconhecimento dessa sistemática. Outrossim, é imperativo ressaltar que a indigitada práxis também é descrita na IN SRF n° 900/2008; e, mesmo editada posteriormente à apresentação da DCOMP, era vigente à época do Despacho Decisório (datado de 01 de novembro de 2010). Logo, o Contribuinte teve ainda mais tempo para proceder com o cancelamento de seu pedido (ainda que se admitisse tal feito após decisão administrativa). Quanto ao mais, o Recorrente não apresenta quaisquer documentos aptos a corroborar seu pleito e sua versão de regularidade contábil. De tal modo, complemento tais aspectos fáticos e normativos com a jurisprudência deste e. CARF na figura do Acórdão n° 1302002.403, Rel. i.Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa , que expõe o trâmite correto na retificação dos valores apresentados na DCOMP, bem como seus consectários: Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. (...) O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários .Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 180 11 Logo, sem receio de redundâncias, é fundamental destacar que os pedidos de compensação para que possam ser analisados e deferidos devem seguir os exatos trâmites delineados pela norma. Tal aspecto é que garante o escorreito deslinde petitório, devendo ser respeitado em sua totalidade, e não encarado como uma espécie de "burocracia dispensável". Impende destacar que, para que se tenha faculdade à compensação, torna se necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, também não foi possível à Administração Tributária por consectário lógico reconhecer a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo Contribuinte, pois lhe faltavam elementos probatórios capazes de assegurar a existência do crédito, fosse um pagamento indevido ou a maior ou, mesmo, crédito decorrente de saldo negativo. Assim, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância, quando conclui que não resta demonstrado o direito creditório Portanto, a decisão da DRJ resta irretocável, razão pela qual sua fundamentação serve de igual amparo no presente caso, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 19 Ainda que a legislação não proibisse que, após a emissão do Despacho Decisório, se intentasse o cancelamento da confissão de dívida (real natureza da Dcomp), a diversidade de informações que o interessado confessou em DCTFs (como a seguir se verá), relativamente à natureza, ao montante e aos modos de extinção do débito apurado nem se resolve com o registro contábil do pagamento, nem blinda a informação contábil de questões concernentes à sua consistência e confiabilidade. 20 Aliás, as folhas de Diário/Razão que o interessado junta aos autos nada dizem acerca das diversas mutações pelas quais passou o dito débito. 21 Com efeito, como se vê no quadro 1, o interessado, nesta Dcomp em tela, confessou débito de estimativa de IRPJ de agosto de 2002, terceiro trimestre. (...) 24 À vista da última DCTF do rol acima, e, considerando que as informações em declarações entregues à RFB têm que espelhar a informação registrada na contabilidade sob pena de desconsideração daquelas, desta ou de ambas , é lícito supor que, nos registros contábeis do interessado, vigorou pelo menos de 23.08.2006 (data de entrega da penúltima DCTF Retificadora) até 01.12.2008 (data de entrega da última DCTF Retificadora) o débito de estimativa mensal que ele agora quer cancelar. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 181 12 25 É ônus do interessado juntar não só a prova dos elementos que compuseram cada um dos diferentes valores apurados, como, também, todos os registros de lançamento e de estorno contábil que embasam tais mutações. 26 Tal está nos moldes da legislação de regência, segundo a qual, a escrituração mercantil só faz prova dos fatos nela registrados se, além de elaborada com a observância das disposições legais e dos princípios contábeis, vier instruída com os documentos em que se lastreia (art.26 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). 27 Mas, o interessado não junta aos autos os documentos correspondentes. 28 Em seu entendimento, movido pela certeza de que esta Dcomp estaria fadada ao cancelamento automático (porque foge à lógica a simultaneidade de dois regimes de apuração: anual (estimativa e trimestral), transmitiu em 01.12.2008 nova DCTF, na qual a compensação a que se refere esta Dcomp sequer existe. 29 A sobredita DCTF – que, ao final, é aquela cujas informações vigorariam, caso se acolhesse, aqui, o pedido de cancelamento desta Dcomp contém informações sobre compensações efetuadas sem a utilização do Programa Gerador de Per/dcomp, de utilização obrigatória desde maio de 2003. 30 De fato, desde a Medida Provisória (MP) nº 66, de 30 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637, de 31 de dezembro de 2002), o procedimento de compensação exige a apresentação de Dcomp a esta Secretaria, através do PGD Per/dcomp o que, no caso, não ocorreu. 31 Ademais disso, tais “compensações”, veiculadas na última DCTF Retificadora, além de informadas sem Dcomp, estão sendo efetuadas com darfs cuja data de arrecadação ocorreu há mais 5 (cinco) anos, e, também por isso, violam a legislação de regência. 32 Com efeito, se desde a entrega da DCTF Retificadora anterior (23.08.2006), o débito estava compensado em Dcomp regularmente entregue a esta Secretaria, e, se apenas em 01.12.2008 o interessado entregou DCTF Retificadora, é essa última data que regerá o procedimento de compensação. 33 No entanto, nela, já havia decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos (darfs de 2001 e darfs de 2002), de forma que tais pagamentos não poderiam mais ser objeto de restituição/compensação. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 182 13 34 Temse, pois, que a última DCTF Retificadora está contrária à legislação em vigor, de modo que as informações nela veiculadas não podem substituir a da DCTF anterior. Nesse espeque, ressalto que não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontar DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e porventura retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria; sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 183 14 No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 184 15 Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, o ponto principal não resta claramente demonstrado o alegado saldo negativo/pagamento a maior. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. No mais, a decisão da DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, apresentando os devidos fundamentos transcritos ao longo destes autos para rebatêla; de seu turno, o Contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, dialeticidade suficiente para apontar, na decisão combatida, quais daqueles argumentos da primeira instância não seriam adequados e conteriam eventual erro de julgamento ou erro de procedimento. Não foram refutados pontos importantes da decisão vergastada, repetindoa sem enfrentar algumas das razões de decidir da decisão objeto do Recurso Voluntário. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 18470.905744/201021 Acórdão n.º 1002000.632 S1C0T2 Fl. 185 16 Dispositivo Ante o exposto, voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.720899/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/03/1992
AÇÃO DE CONHECIMENTO. EXECUÇÃO DO JULGADO. PRAZO PRESCRICIONAL.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que a prescrição da execução, assim como a prescrição da própria ação de repetição do indébito tributário, é de cinco anos, sendo certo que o termo inicial da prescrição da pretensão executória, na hipótese de liquidação por cálculos, é a data do trânsito em julgado da sentença.
Numero da decisão: 3201-004.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que, ultrapassadas as questões dirimidas no voto, aprecie o mérito do direito reclamado, devendo, se entender necessário, intimar a Recorrente para apresentar as provas que entender necessárias e/ou ouvir a Procuradoria da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente BROOKLYN EMPREENDIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/03/1992 AÇÃO DE CONHECIMENTO. EXECUÇÃO DO JULGADO. PRAZO PRESCRICIONAL. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que a prescrição da execução, assim como a prescrição da própria ação de repetição do indébito tributário, é de cinco anos, sendo certo que o termo inicial da prescrição da pretensão executória, na hipótese de liquidação por cálculos, é a data do trânsito em julgado da sentença. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que, ultrapassadas as questões dirimidas no voto, aprecie o mérito do direito reclamado, devendo, se entender necessário, intimar a Recorrente para apresentar as provas que entender necessárias e/ou ouvir a Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 08 99 /2 00 6- 70 Fl. 3102DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição/compensação de PIS, com origem no período de apuração de julho de 1988 a março de 1992. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase do prazo para o exercício do direito de pleitear administrativamente a restituição de valor e, fundado em decisão judicial transitada em julgado em processo de conhecimento, bem como a compensação, com base em liminar, em processo cautelar incidental ao subsequente processo de execução. Há apelação na ação cautelar pendente no TRF 3º Região. Comind Participações S/A e outras propuseram ação ordinária 92.00516742 em razão dos DecretosLeis 2.445 e 2.449/88, pedindo condenação à restituição de Pis (fl 2.640). Em 30/12/2003 Brooklyn Empreendimentos S/A, atual razão social dessa litisconsorte, enviou a primeira Declaração de Compensação eletrônica (Dcomp) na qual informa o trânsito em julgado em 12/5/98, com pedido de desistência de execução homologado em 20/3/2001 e valor do crédito R$ 41.023.484,42 (fls. 18). Outras Dcomps eletrônicas a sucedem e também foram impressas para controle e tratamento por meio desta Representação (rol às fls 2/16 e fls 17/202, 205/404, 407/605 e 608/693). Destaquese que a última Dcomp data de 15/02/2005 (fl 16). O pleiteado crédito também foi usado para compensar débitos de Lageado Participações Ltda, CNPJ 47.680.988/000140, incorporada em 30/4/2004 (Proc. apenso 10880.720507/2006 72). Em 24/9/2008 a declarante tomou ciência do Despacho Decisório (fl 2.591, verso) que relata, em suma: a ação ordinária teria garantido o direito à devolução dos valores pagos indevidamente do PIS com base nos Decretoslei 2.445/88 e 2449/88, os quais foram declarados inconstitucionais pelo STF e retirados do mundo jurídico por meio da Resolução 49/95 do Senado Federal; a empresa foi intimada a trazer documentos comprobatórios do crédito (fl. 1.234); como a pretensão ante a lesão ou violação patrimonial é condenatória, a situação é regrada pela prescrição e na data em que surge a pretensão tem início o prazo prescricional; a Lei n° 5.761, de 25 de junho de 1930, o Decreto n° 20.910, de 6 de janeiro de 1932, o DecretoLei n° 4.597, de 19 de agosto de 1942, e a Lei n° 2.221, de 31 de maio de 1954, regulam a Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 10880.720899/200670 Acórdão n.º 3201004.804 S3C2T1 Fl. 3.103 3 prescrição quinquenal em favor da Fazenda Pública e, assim, tem o contribuinte um prazo de cinco anos a contar dessa data para ingressar na via administrativa pleiteando o crédito obtido; esse o entendimento da Divisão de Tributação (DISIT) da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8' Região Fiscal (SRRF/8a RF), reproduzido na Consulta Interna 2/DISIT/SRRF/8a RF, de 9 de maio de 2007, encaminhada à CoordenaçãoGeral de Tributação que dispõe que o prazo para se pleitear administrativamente a restituição ou declarar a compensação de créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é de cinco anos, a contar do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o crédito, não ocorrendo suspensão ou interrupção por eventual ação de execução; à data do protocolo da transmissão da la DComp, em 30/12/2003, já havia esgotado o prazo prescricional de cinco anos após o trânsito em julgado da ação judicial 92.0051674 2, que a partir de 12/05/98 já se constituía título hábil e suficiente para a repetição do indébito por meio da compensação na via administrativa; a empresa como prestadora de serviços sujeitarseia ao PIS com base na Receita Operacional Bruta, mas com a inconstitucionalidade dos DecretosLeis pelo STF, a contribuição volta a ser devida na modalidade PisRepique (§ 2°, art. 3°, LC 7/70); a tutela jurisdicional determinou apenas que o Fisco acatasse a pretensão da contribuinte de compensar, porém, a apuração dos valores a serem compensados ficou a cargo da iniciativa do contribuinte de um lado, e da auditoria posterior da autoridade fiscal de outro e estes são os limites da coisa julgada; a empresa não provou a liquidez de seu crédito e entende não estar obrigada a apresentar os documentos solicitados, pois a pretensão fiscal estaria fulminada pela decadência o contribuinte foi intimado (fl 1.234) a apresentar documentos que pernútissem à Administração apurar o quantum do crédito alegado para verificar a suficiência do crédito na extinção dos débitos compensados por ele e pela incorporada (processo apenso) e não logrou êxito em apresentar a documentação pertinente; os livros contábeis representam a prova cabal na comprovação da base de cálculo da exação, pois refletem a contabilidade fiscal do contribuinte e a materialização dos dados contábeis, sendo imprescindível apresentálos para a apreciação do crédito que originou a compensação; a administração decide sobre direito creditório condicionada à apresentação de documentação comprobatória necessária à verificação da exatidão das informações prestadas; Fl. 3104DF CARF MF 4 ao não apresentar elementos essenciais à verificação dos valores de contribuição ao PIS efetivamente devido, o requerente torna inviável o cotejo dos valores pagos com os de fato devidos e, portanto, inviabiliza sua pretensão; a declaração assinada pelo representante legal e contador responsável de que não possuía processos de auto de infração relacionados ao período (fl 1.256) não condiz com as constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil (pesquisas de folhas 2.584/2.585); impossível aceitar valores meramente alegados mas não comprovados por qualquer documentação hábil; diante das incongruências entre as informações prestadas e aquelas verificadas nos sistemas da RFB, impõese a cobrança de quaisquer débitos declarados como compensados a tutela jurisdicional do direito alegado não significa aceitação incondicional por parte da Fazenda Nacional de aceitar/homologar suas compensações, de forma que o contribuinte ao optar pela via administrativa para satisfazer seu crédito por meio da compensação pretende que ela seja aceita de forma incondicional, privando a Administração da devida verificação; ficou inviabilizada a pretensão pela insuficiência de elementos. Ao final, decidiuse pela não homologação das declarações de compensação. Em 24/10/2008 a empresa, inconformada, argui, em suma que: sua defesa é tempestiva; em 13 de maio de 1992, ingressou com a Ação Declaratória de Inexistência ela~ãc Jurídico Tributária cumulada com Pedido de Repetição de Indébito 92.00516742, para o declaração: de inexistência de relação jurídica entre a empresa e a União no que tange à obrigatoriedade no recolhimento do "PisDedução" e "PisRepique"; de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88; e devolução dos indébitos (Doc.5); a sentença, parcialmente procedente, declara que o Pis segue a lei de instituição, afasta os DecretosLeis 2.445188 e 2.449188, e condena a União a restituir as quantias recolhidas indevidamente a esse título, com juros de 1% (um por cento) ao mês (§ 1% art. 161 e parágrafo único, art. 167, do CTN) e corrigidas (Súnxúa 46 do TRF); em 28 de agosto de 1997, o TRF da 3' Região nega seguimento à apelação para: afastar a contribuição ao Pis prevista no § 2° do artigo 3° da Lei Complementar 7/70 (Pis Repique) e, subsidiariamente, as Leis 8.218/91, 8.383/91 e 8.368/93; fixar juros de mora desde os pagamentos e não do transito em julgado; e que os honorários advocatícios e as custas processuais fossem suportados pela União; Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 10880.720899/200670 Acórdão n.º 3201004.804 S3C2T1 Fl. 3.104 5 transitou em julgado em 12 de maio de 1998 a decisão que reconheceu o direito da Requerente à restituição dos valores pagos indevidamente; em 29 de outubro de 1998, propôs a ação de execução; em 14 de março de 2001, pendente de decisão definitiva a questão, ingressou, na 4ª Vara Federal de São Paulo, com a Medida Cautelar Incidental 2001.61.00.0073460, visando à declaração de compensabilidade dos créditos de Pis até o limite do valor reconhecido como devido pela União, e em 22 de março de 2001 tomou ciência da decisão que concedeu a liminar pleiteada (Doc. 13/14 e 21), autorizando a compensação de valor incontroverso, razão pela qual iniciou o envio eletrônico, em 30 de dezembro de 2003, das Dcomps de fls. 17/1.219, a fim de proceder à compensação de parte desse valor, o que deu início ao presente processo administrativo, não podendo a ela ser imputada qualquer conduta desidiosa; com a autorização judicial determinando a compensação de valor incontroverso, surgiu para a requerente o direito a exercer a compensação administrativa; compensou crédito ia tributário cujo valor é líquido e certo, e não meramente alegado, conforme é afirmado no Despacho Decisório ora combatido; em 25 de março de 2002 a União foi citada da execução nos termos pleiteados desde 1998, ou seja, dentro do prazo de 05 (cinco) anos (vide Doc. 10), fato este que interrompe o prazo prescricional quinquenal para a execução do julgado (arts 219 e 617, CPC); em 31 de outubro de 2002, julgamse parcialmente procedentes os Embargos à Execução fixando a condenação em R$ 20.971.830,77 (vinte milhões, novecentos e setenta e um mil, oitocentos e trinta reais e setenta e sete centavos) em janeiro de 2000, decisão esta que transitou em julgado em 9 de abril de 2007; em 09 de abril de 2007 transitou em julgado a execução decorrente da ação de repetição de indébito, ocasião em que se entendeu que tinha direito à devolução de crédito superior ao compensado nos presentes autos, tendo sido expedido ofício precatório no valor de R$ 30.500.771,59; a compensação é espécie do gênero restituição; se se entende que a restituição fora pleiteada no prazo le al, como houve expedição de oficio precatório (Doc.20), não há como se concluir de forma diversa em relação à compensação; não poderia compensar seu crédito, ainda que incontroverso, antes de 22 de março de 2001, razão pela qual, caso não se considere que o prazo prescricional somente teve o seu início com o trânsito em julgado da decisão que julgou a execução de sentença, somente essa data poderá ser considerada como marco inicial da contagem do prazo prescricional de 05 (cinco) anos; houve Fl. 3106DF CARF MF 6 interrupção do prazo prescricional ocorrida com a citação da União da execução do julgado; compensou seu crédito dentro do prazo; a transmissão das Dcomps de fls. 17/1219 e do processo apenso se deu de maneira tempestiva e cuidou de fazer valer a sua pretensão e em nenhum momento foi inerte, ao contrário, buscou apurar a liquidez do seu crédito tributário e foi a maior prejudicada; transcreve doutrina e decisões do STJ sobre prescrição; descabidas as alegações que pugnam pelo reconhecimento da prescrição; inquestionável a liquidez e a certeza dos créditos tributários compensados que dispensam sem dúvidas a análise, por parte desse Fisco, dos livros contábeis ou quaisquer outros documentos que não constem dos presentes autos; argumentar que não comprovou o seu crédito por ausência de juntada aos autos de Declarações de Imposto de Renda ou de livros fiscais de períodos de apuração tão remotos ofende todos os princípios de direito administrativo, como os da moralidade, da razoabilidade, da eficiência (sem falar na afronta à boafé); apresentou Declarações de Imposto de Renda a esta Secretaria da Receita Federal do Brasil a qual tem acesso a todas as informações nelas contidas e não sofreu qualquer tipo de fiscalização em relação às informações contidas em suas declarações e presumemse verdadeiras as informações nelas contidas; a legislação não mais lhe impõe a guarda de livros fiscais tão antigos, dos períodos de 1988 a 1992, a teor do parágrafo único do artigo 195 do CTN, conforme já expôs em Declaração juntada à fl. 1257 destes autos. Ao final, requer: a) provimento da Inconformidade, reconhecendo a integralidade do direito creditório a título de PisDecretosLeis recolhido indevidamente e homologando as compensações declaradas em Per/Dcomps (fls. 17/1219 e do processo apenso); b) ser intimada para suprir eventuais questões, prestigiandose, assim o princípio da verdade material; c) ser intimada no seguinte endereço: Rua Joaquim Floriano, n° 101, 5° andar, conjunto 501 a 503, São Paulo CEP 04534010. Juntou peças e documentos das ações de conhecimento e execução, destacandose o oficio requisitório 20080000516 no valor de R$ 30.500.771,59 (protocolo 20080096608 de 23/06/2008, fl 2788). Anexou também cópias de planilhas e declarações de IRPJ (fl 2.810 a 2.882). Entre as fls 1.263 e 1.358 (Vol. VI) constam Darfs de pagamentos feitos entre 20/10/88 (PA 7/88) e 20/4/92 (PA 03/92). Coisa julgada e Precatório Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 10880.720899/200670 Acórdão n.º 3201004.804 S3C2T1 Fl. 3.105 7 A petição inicial busca inexistência de relação jurídica do Pis Dedução e Repique, a inconstitucional idade dos DL's e retorno à LC 7/70, com as derrogações do art 195, I, da CF/88, a extinção do Pis Dedução e Repique a partir de março de 1989, a restituição do Pis com juros e correção, da data do recolhimento, com depósito de valores controversos (fl. 2661= 2662). No entanto, a decisão monocrática afasta apenas os Decretos Leis e mantém a lei de instituição, condenando à restituição do recolhido a maior, com juros e correção (fl. 2666). O TRF negou seguimento às apelações, relatando que o juízo singular declarara direito de pagar o Pis pela LC 7/70 e o afastamento dos DecretosLeis inconstitucionais (fl. 2.6672.668). A decisão transitou em julgado em 12/5/98 (fl. 2.669). O sítio da justiça mostra haver execução com requisição de precatório pendente de pagamento (fl 2.889 e 2.890). Ação Cautelar para compensação Quanto à compensação a empresa traz a peça inaugural proposta em 14/3/2001 da cautelar incidental na execução (2001.61.000073460) em que busca afastar a LC 104 (art 170 A do CTN) e deduz ter direito à compensação com base na Lei 8.383/91, na Lei 9.430/96 e na IN SRF 21 com quaisquer tributos vincendos arrecadados pela SRF, a salvo da cobrança com acréscimos. Em 20/3/2001, obteve liminar pela compensabilidade de R$ 13.645.837,12 (fls 2.712 e 2.714). No sítio da JFSP, consta extinção da cautelar em 19/2/2004 sem julgamento de mérito, seguida de apelação, recebida em 14/10/2004 nos efeitos legais (suspensivo e devolutivo), pendente de apreciação no TRF (fl 2.891 a 2.895). Dcomps Nas Dcomps a empresa informa ter pedido desistência da execução judicial com homologação do pedido em 20/3/2001 (e.g fls 18, 22, 36). Na inconformidade afirma que procedeu as compensações com base na liminar concedida em ação cautelar incidental concedida nessa mesma data. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 16 20.292, de 20/01/2009 (fls. 3003 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/03/1992 PROVAS. PRECLUSÃO. Fl. 3108DF CARF MF 8 Há preclusão se não apresentar com a impugnação todos os documentos sustentadores das alegações, ou não demonstrar quaisquer das situações do § 4% do art. 16, do PAF. A autoridade competente pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo facultado diligenciar para examinar, dentre outros, na escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações em que se funda o alegado direito. Uma vez que obteve judicialmente o direito à restituição e na impossibilidade de comprovar seus créditos, não há como acolher a solicitação da contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/03/1992 AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para pleitear as dívidas passivas da União extinguese em cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem (art. 1% Decreto n° 20.910, de 06 de janeiro de 1932). DIREITO À COMPENSAÇÃO. CAUTELAR INCIDENTAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Na presença de ação judicial contra a Fazenda Pública, prévia ou posterior, com o mesmo objeto discutido na esfera administrativa, caracterizase a renúncia à instância administrativa. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM NÃO COMPROVAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. Tendo o sujeito passivo optado por apresentar declaração de compensação à Administração Pública, deve observar as regras relacionadas à restituição na via administrativa de valor atinente a título judicial (entre as quais a que estabelece a necessidade de desistência do Processo de Execução, de assunção de todas as custas e honorários do Processo de Execução e de homologação judicial da desistência dessa ação, ou renúncia ao Processo de Execução), sob pena de inviabilizar a restituição/compensação (IN SRF n.°s 210/2002, 460/2004, 600/2005 e RFB 900/2008). Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário de fls. 3027 e ss., por meio do qual alega, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido (apresentou alegações e documentos que não teriam sido analisados na decisão). No mérito, sustenta não prescrito o direito de pleitear a restituição (direito que considera líquido e certo), efetiva a sua renúncia à execução judicial e, por fim, satisfativa a liminar que autorizou a compensação (perda de objeto da medida cautelar em face do sucesso da demanda principal). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 10880.720899/200670 Acórdão n.º 3201004.804 S3C2T1 Fl. 3.106 9 É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, conforme sustenta a Recorrente, o seu direito à restituição/compensação dos créditos reinvidicados em ação de repetição de indébito não prescreveu. Explicamos. É fato inquestionável que esta ação de conhecimento transitou em julgado em 12/05/1998 (fl. 2697). E que em 29/10/1998, deuse o início a sua liquidação/execução (fl. 2698), no bojo da qual, aliás, a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN reconheceu, por duas vezes, dever à Recorrente um certo valor, de sorte que este restou incontroverso: em 11/10/2000, por meio da petição de fls. 2775/2778, e em 29/04/2002, nos embargos à execução (fls. 2774/2720). Assim, apenas a diferença entre o valor incontroverso e o requerido judicialmente é que permaneceu em discussão até o trânsito em julgado da ação de execução, o que se deu em 09/04/2007. Ora, ainda que se entenda que, para o efeito da contagem do prazo prescricional na esfera administrativa, este se iniciara, com relação à parte incontroversa, quando do primeiro reconhecimento pela PFN, já em 11/10/2000 – porque somente aí passou a ser certo o direito e líquido o valor a se repetir (obviamente, a parte incontroversa!), de modo a verem nascidas, neste momento, em face do princípio da actio nata, as condições para exercêlo –, havendo a Recorrente apresentado o seu pedido de restituição, cumulado com compensações de débitos próprios, em 30/12/2003, não há que se falar em prescrição do direito à restituição na esfera administrativa. Sabese, ademais, que, consoante pacífica jurisprudência, havendo execução judicial da sentença e tendo ela sido interposta dentro do prazo de cinco anos do trânsito em julgado da ação de conhecimento, não há que se falar em prescrição. É o que comprovam as seguintes ementas de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. HIPÓTESE EM QUE O TRIBUNAL DE ORIGEM MANTEVE O RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO PARA A EXECUÇÃO, AO ENTENDIMENTO DE QUE A CITAÇÃO DA DEVEDORA OCORREU APÓS O PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DO TRÂNSITO EM JULGADO DO TÍTULO EXEQUENDO, POR INÉRCIA DA PARTE EXEQUENTE. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL, INTERPOSTO PELA EXEQUENTE, POR INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Tratase de Agravo interno, interposto em 27/06/2016, contra decisão publicada em 20/06/2016. II. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que a prescrição da execução, assim como a prescrição da própria Fl. 3110DF CARF MF 10 ação de repetição do indébito tributário, é de cinco anos, sendo certo que o termo inicial da prescrição da pretensão executória, na hipótese de liquidação por cálculos, é a data do trânsito em julgado da sentença. Precedente do STJ (REsp 1.274.495/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 03/05/2012). III. Na hipótese dos autos, na qual consta do acórdão recorrido que houve liquidação por cálculos da parte exequente, ao negar provimento à Apelação o Tribunal de origem deixou consignado o seguinte entendimento, na ementa do referido acórdão: "Sendo superior a cinco anos o período que medeia o trânsito em julgado e o início da execução, e inerte o exeqüente, verificase a ocorrência da prescrição da pretensão executória". IV. Do voto condutor do acórdão recorrido extraemse as seguintes premissas fáticas: "No caso dos autos, o feito foi julgado nesta Corte em 26/02/97, sendo o trânsito em julgado do acórdão certificado em 23/09/97, conforme fl. 205 dos autos principais. Em 10/09/98 foi dada ciência às partes sobre o retorno dos autos e que estes aguardariam impulso em secretaria pelo prazo de 15 dias (fl. 208). Em 17/09/98 a embargada requereu a expedição de alvará de levantamento dos depósitos judiciais efetivados. Anotese que após a propositura da ação de conhecimento, em 03/09/91, a empresa passou a efetuar depósito administrativo dos valores relativos ao tributo em discussão, assim procedendo até dezembro/91 quando foi publicado o Decreto 356 que regulamentou a Lei 8.212/91 no tocante à exigibilidade da contribuição social (fls. 121, 128, 129/130 e 147). Em 19/03/02, o d. magistrado determinou a conversão em renda da União da quantia equivalente a 25% do que depositado judicialmente e a expedição de alvará de levantamento dos valores excedentes, correspondentes a 75%. Determinou ainda, que após a liquidação do alvará de levantamento e efetivada a conversão em renda, fosse dada vista às partes para que requeressem o que de direito (fl. 22). Em 08/08/02 o patrono da requerente obteve vista dos autos (fl 232) e em 13/08/02 apresentou memória de cálculos, requerendo a citação da devedora. Intimada a apresentar a necessária contrafé para a instrução do mandado citatório (fl. 255), somente em 30/01/03 juntou as cópias reprográficas solicitadas, quando então foi possível a citação da devedora. Depreendese pelo acima demonstrado, ser superior a cinco anos o período que medeia o trânsito em julgado e o início da execução, o que na hipótese configura a ocorrência da prescrição". V. Posteriormente, no acórdão dos Embargos de Declaração, o Tribunal de origem considerou inaplicáveis, in casu, os efeitos retroativos da interrupção da prescrição pela citação válida, uma vez que a expedição do mandado citatório apenas foi possível após a apresentação das cópias necessárias para instruílo, o que somente ocorreu em 30/01/2003, quando decorridos mais de 5 (cinco) anos do trânsito em julgado do título executivo. Também rejeitou a alegação de responsabilidade da serventia do Juízo pela demora na prática dos atos processuais, ao fundamento de que, apesar de intimada Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 10880.720899/200670 Acórdão n.º 3201004.804 S3C2T1 Fl. 3.107 11 do retorno dos autos em 10/09/1998, somente em 13/08/2002 a parte exequente apresentou sua conta de liquidação, embora nesse intervalo de tempo tenha comparecido aos autos para requerer a expedição de levantamento dos depósitos judiciais efetivados anteriormente. Assim, concluiu o Tribunal de origem que, se demora houve no impulsionamento do feito, ela não pode ser imputada exclusivamente à serventia do Juízo. VI. Diante do contexto acima, para decidir em sentido contrário, ou seja, pela não ocorrência da prescrição, esta Corte teria de rever as premissas fáticas nas quais se assenta o acórdão recorrido, o que é vedado, em sede de Recurso Especial, tendo em vista o óbice enunciado na Súmula 7/STJ. VII. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 771.809/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2016, DJe 01/09/2016) TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO. INDÉBITO DECLARADO JUDICIALMENTE. PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CAUSA NÃO INTERRUPTIVA. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. VALORAÇÃO JURÍDICA DE FATO INEFICAZ PARA AFASTAR A INÉRCIA. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A controvérsia se refere à ocorrência de prescrição da pretensão executória e o contexto fático encontrase suficientemente descrito no acórdão recorrido. A decisão agravada decorre da valoração jurídica de que o pedido administrativo e a declaração de compensação fatos utilizados pelo Tribunal a quo para afastar a prescrição não interrompem o prazo prescricional para eventual Execução. Assim, não há, no presente caso, necessidade de revolvimento probatório para investigar se houve, ou não, inércia da parte agravante em executar o indébito tributário. Inaplicabilidade da Súmula 7/STJ. 2. O prazo prescricional para pleitear a repetição do indébito tributário é quinquenal e o mesmo se aplica à Execução (AgRg no REsp 1.443.398/PR, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 20/6/2014; REsp 1274495/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 3/5/2012). 3. Sucede que, antes da LC 118/2005, o termo inicial do prazo quinquenal ficava postergado para o momento da homologação tácita do lançamento, que, em regra, ocorre após cinco anos do fato gerador. 4. Ao contrário do que alega a parte agravante, a decisão transitada em julgado não afirma que o prazo prescricional é de dez anos, mas, sim, que é de cinco anos. O que está dito é que, Fl. 3112DF CARF MF 12 como esse prazo só tem início com a homologação do lançamento, deve ser observado o prazo de dez anos a contar do fato gerador, conforme se verifica no acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na Apelação Cível 97.04.5322822/RS (fls. 174182): "O prazo para o contribuinte buscar a repetição do indébito, a teor do disposto no artigo 168, I, do CTN, é de cinco anos e iniciase a contar da extinção do crédito tributário, que, em se tratando de tributo cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento independente do prévio exame pela autoridade pela administrativa (artigo 150, caput, CTN) como é o caso dos autos , só ocorre após a homologação fiscal, que pode ser expressa ou tácita". 5. In casu, é incontroverso que o trânsito em julgado ocorreu em 10.4.2000 (fl. 614), ao passo que o ajuizamento da Execução somente se deu em 12.12.2013 (fl. 1.252), quando ultrapassado o prazo quinquenal. 6. Ainda que fosse possível sustentar que a segunda Ação de Conhecimento proposta pela recorrida contra o indeferimento das compensações, no ano de 2006 extinta em razão da falta de interesse de agir , tivesse o efeito de interromper a prescrição o que não procede , o fato é que isso se deu após o transcurso de 5 (cinco) anos da formação da coisa julgada. 7. O STJ possui jurisprudência assentada no sentido de que o pedido administrativo de repetição do indébito não interfere no prazo prescricional para o ajuizamento da respectiva ação no âmbito judicial, motivo pelo qual tal fato não pode ser valorado como critério para afastar a inércia do credor (REsp 1.047.176/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.085.923/BA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/6/2010; EDcl no REsp 1.057.662/AL, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/5/2011; AgRg no AgRg no REsp 1.116.652/SC, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 6/12/2010). 8. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1533638/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2016, DJe 31/05/2016) Diversa é a situação em que o título jurídico é executado, em sede administrativa, depois da ação de conhecimento. Vale dizer, o contribuinte apresenta, logo após o trânsito em julgado da ação que lhe foi favorável, pedido de restituição/compensação do indébito. Nesse cenário, o prazo para ajuizar a ação de execução continuaria a correr, conforme foi, aliás, recentemente sumulado pelo STJ: Súmula 625: "O pedido administrativo de compensação ou de restituição não interrompe o prazo prescricional para a ação de repetição de indébito tributário de que trata o art. 168 do Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 10880.720899/200670 Acórdão n.º 3201004.804 S3C2T1 Fl. 3.108 13 CTN nem o da execução de título judicial contra a Fazenda Pública." (g.n.) No que respeita à comprovação do crédito, os documentos aqui referidos já se encontravam acostados aos autos quando da prolação do acórdão recorrido. Por fim, registremse duas importantes observações: A Primeira: o Decreto nº 20.910, de 1932, não se aplica à contagem do prazo prescricional aplicável à restituição de espécies tributárias, mas ao seu ressarcimento. À restituição, aplicase tão somente o CTN. A segunda: a Recorrente informou ao Juízo que compensara, na seara administrativa, o valor incontroverso. Em razão disso, o magistrado determinou a redução, dos valores compensados, no cálculo do montante obtido na ação de repetição, conforme assinalado na Certidão de fl. 1272. Daí que, nesse contexto, a renúncia à execução judicial do valor pleiteado – a parte incontroversa (objeto do pedido administrativo) – está plenamente configurada nos autos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que, ultrapassadas as questões aqui dirimidas, aprecie o mérito do direito reclamado, devendo, se entender necessário, intimar a Recorrente para apresentar as provas que entender necessárias e/ou ouvir a Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000030/2003-59
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/06/2003 a 07/06/2003
NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo
administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC).
DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO.
CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO
NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO
INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI Nº 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da M2 nº 135/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de divida.
A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada
com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC.
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.128
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula n2 1, do 22 CC). DCOMP. DECISÃO JUDICIAL. CRÉDITOS POSTERIORES À IMPETRAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO # PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de divida. A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. 1 1 • a Processo n° 13007.00003012003-59 S2-C1Tt " Acórdão n.• 2101-00.128 Fl. 562 Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da Ml' n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 23, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara / P turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, em negar provim .- ao recurso. Vencidos os conselheiros Domingos de Sá Filho (Relator) e Gustavo Kel y Alen ar. Designado o conselheiro Anato e • . Zomer para redigir o voto vencedor. r- Air AIO MARCOS CÂNDID A 10,ER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Carlos Atulim e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da DRJ em Porto Alegre/RS, que manteve o indeferimento e deixou de homologar a Declaração de Compensação apresentada em 30 de janeiro de 2003, para quitação de débito de 1H incluído em DCTF, relativo ao período de apuração de 11101/2003 a 31/01/2003, vencimento em 30/04/2003, com credito de IPI decorrente de aquisição de matéria-prima isenta, não tributadas e tributadas com alíquota zero de IPI, utilizadas no processo produtivo, relativo ao período de apuração de 11/01/2003 a 31/01/2003, amparada em decisão judicial obtida por meio de 2 Processo e 13007.00003012003-59 S2-CIT1 Acórdão 11.° 2101-00.128 Fl. 563 Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS, conforme Declaração de fls.01/02, a ser compensado com débito da mesma natureza. A compensação efetuada pela recorrente não foi homologada pela DRF em Porto Alegre — RS, por tratar-se de créditos vinculados decorrentes de decisão judicial que não transitou em julgado, vedação do art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN). O fundamento para não homologação da compensação pela Autoridade Administrativa, é de que só teria sido reconhecido judicialmente o direito de creditamento do IM para compensação com débitos do próprio IPLainda, assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo sido autorizada a compensação dos créditos de IPI com outros tributos sem obediência das normas que regem a matéria. A Recorrente na fase inicial pugnou pela atribuição de efeito suspensivo a manifestação de inconformidade pela aplicação da norma contida no art. 151 do CTN, sustentando que a norma processual aplicável é aquela vigente quando da apresentação impugnação, nos molde do parágrafo 11, do art. 74, da Lei 9.430, 1996, alterada pela Lei numero 10.833/03. Sustenta também que não se aplica ao caso o disposto no art. 170-A do CTN, pois essa norma só é aplicada nos casos das ações judiciais promovidas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, assim sendo, não alcança o provimento obtido no bojo do Mandado de Segurança impetrado. Também não se aplica a norma do art. 170-A do CTN, uma vez que não há no comando da sentença autorização nesse sentido. Defende que a sentença proferida no mandado de segurança assegurou o direito de compensar os créditos anteriores limitado aos últimos cinco anos à interposição da ação, decisão que foi modificada pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região que estendeu para os últimos 10 (dez) anos, e não importou em exclusão de todo o período subseqüente. Demonstra irresignação em relação aplicação da multa isolada, multa de mora e juros de mora, salientando que o direito ao aproveitamento dos créditos decorrem de decisão judicial, não reformada e tampouco modificada por Instância superior, assim como, a multa isolada, que havendo sentença concessiva da segurança a constituição do crédito dar-se- ia com a exigibilidade suspensa, por essa razão é inaplicável as penalidades pecuniárias. Na fase recursal manteve seu posicionamento jurídico e fático sustentado em sua manifestação de inconformidade, em síntese e fundamentalmente alega que: interpretação -equivocada da decisão judicial obtida em relação à compensação, que a decisão judicial obtida transitou em julgado, inaplicabilidade do art. 170 do CTN, multa de mora, juros mora e da multa isolada, por derradeiro requer a reforma total do acórdão, na medida que se mostra conflitante com decisão judicial que autorizou o creditamento IPI em questão, consequentemente, homologação das compensações efetuadas. É o relatório. 3 Processo e 13007.000030/2003-59 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 564 Voto Vencido Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de crédito de IPI decorrente de aquisições insumos isentos, alíquota zero e não tributados apresentada pela empresa sucedida pela empresa Braskem S/A, efetivado com amparo em provimento judicial obtido em ação mandamental, conforme se vê dos autos. Antes de adentrar no mérito, cabe examinar de oficio se a DECOMP apresentada até 31 de outubro de 2003 pode ser considerada instrumento hábil a constituir o crédito tributário, assim como, se a DCTF, pelo simples ato de sua apresentação constituiria confissão de dívida. É certo que, os débitos declarados por meio da DECOMP, assim como da DCTF, ambas constitui instrumento hábil e confissão de dívida, suficiente para exigir os créditos tributários reconhecidos nestes documentos. No caso vertente, a primeira vista, os valores lançados na DCOMP configuraria confissão dívida, dispensando a intervenção do ato administrativo do fisco em apurar a irregularidade, quantificar o quantum devido e o sujeito passivo da obrigação. Entretanto, não se pode perder de vista que o sistema constitucional e o ordenamento jurídico vigente entre nós é de maior complexidade e, bem mais engenhoso do que a própria formulação da legislação aplicável ao caso especifico. Portanto, impõe-se a necessidade de verificar a eficácia da legislação aplicável ao tempo da apresentação da referida declaração de compensação e se conferia a DECOMP legitimidade para ser considerada confissão de dívida. Neste caso entendo, salvo melhor juízo, de que não se trata de matéria incidental, mas sim como o cerne da questão vinculada diretamente à exigência da dívida. Como se sabe, tanto os juízes togados, quantos os demais julgadores, entre estes encontram os administrativos, não podem aplicar a lei ao caso concreto sem antes observar se a norma respeita os princípios e regras hauridos da Constituição, caso contrário estaria a por em risco toda estrutura jurídica construída a duras penas neste país. A Medida Provisória número 135, publicada em 31/10/2003, promoveu -inovação na legislação vigente, com a introdução do parágrafo 6° ao art. 74 da Lei 9.430/96, a partir de quando a declaração de compensação passou a ser considerada confissão dívida. Neste contexto, é apropriado trazer à baila a orientação editada pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação — COSIT, por meio de Solução de Consulta Interna número 3, que assim disciplina a aplicação da novel norma introduzida no sistema jurídico: 4 • Processo n° 13007.000030/2003-59 S2-C1T1 Acórdão n.• 2101-00.128 Fl. 565 _ "6. A Declaração de Compensação (Dcomp) foi instituída pelo art. 49 da MP No 66, de 19 de agosto de 2002, convertida na Lei No 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 7. Cotejando o tato da Ml' No 66, de 2002, com o da MP no 135, de 2003, verifica-se que a Dcomp, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confissão de dívida. Tal status só lhe foi conferido com a edição da MP número 135, de 2003, cujo art. 17, ao adicionar novo parágrafo e ao art. 74 da Lei número 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atribuiu à declaração de compensação natureza de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 8. Essa é a interpretação mais consentânea com o Direito, segundo a qual as leis, em princípio, produzem efeitos para o futuro. 9. Portanto, somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da M12 no 135, de 2003, constituem-se confissão dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados." É de conhecimento geral, que a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, marco noiteador do Direito Civil Brasileiro, regula por meio do art. 1°', que a lei começa a vigorar oficialmente após sua publicação. Assim, a publicação revela o modo pelo qual se dá conhecimento a todos da lei editada e marca a sua entrada no mundo jurídico. Neste passo se revela oportuno lembrar a lição de GOFFREDO TELLE JÚNIOR, para ele a norma positiva é, em suas palavras: "Uma norma social passa a ser considerada norma de garantia e, portanto, norma atributiva ou norma jurídica, no momento em que o governo do grupo a declare como tal. As normas de garantias ou normas jurídicas são vias essenciais ou úteis para a consecução dos objetivos que o grupo tem em mira. Ora, o governo compete, antes de mais nada, no desempenho de sua missão precípua, indicar essas vias, ou seja, declarar para o conhecimento de todos as normas jurídicas e, depois, assegurar pela força, o seu cumprimento." (Filosofia do Direito, São Paulo, Max Limond, V.2, p.468). Assim, publicidade é o atributo daquilo que, por qualquer motivo, deve ser divulgado, a partir do qual passa gerar seus efeitos, de modo que, mesmo aqueles que não tenha interesse direto no fato tomem conhecimento a respeito, pela notoriedade e divulgação . -que dela se faz. Os princípios constitucionais e o ordenamento jurídico, não permite aplicação de uma legislação a fatos pretéritos, essa é a regra geral, pois se assim não fosse estaria em risco a segurança jurídica. Neste caso está sob exame a aplicação da lei tributária a fatos anterior ao seu evento. Portanto, impõe saber se aplica a lei atual ou por tratar-se de situação jurídica definitiva c_estava ao abrigo da lei anterior. Se concluirmos que apli - lei tributária vigente e não s , • Processo e 13007.000030/2003-59 52-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.128 F1566 aquela que vigia ao tempo da apresentação da declaração de compensação, estamos diante do princípio da irretroatividade. Os princípios devem ser observados de modo intenso, tanto no campo tributário, assim como é em relação as questões penais por acarretar violação aos direitos fundamentais do indivíduo, é o caso da privação da liberdade. A aplicação de lei a fato anterior ao seu evento se revela retroativa e fere princípio basilar, assim sendo, não pode ser ignorado pelo julgador, independentemente de manifestação dos interessados, devendo ser conhecido de oficio. Em relação a irretroatividade no campo tributário, o legislador infraconstitucional tratou do assunto por meio do artigo 105 da Código Tributário Nacional, vedando a sua aplicação, não cabe aqui discussão em relação aos fatos pendentes, pois o direito brasileiro não contempla-os, só considera fato gerador ocorrido ou não ocorrido. Assim sendo, a aplicação da legislação tributária tem de observar o principio da irretroatividade estampado no art. 150, III, "a" da Carta da República de 1988. Os casos excepcionais de aplicação desse instituto são àqueles mencionados no artigo 106 do CTN, que não implicam propriamente em retroação, entre esses encontram as leis meramente interpretativa, que dizem respeito à aplicação de lei mais benigna ao contribuinte, que deixa de considerar certos atos como infração e/ou comine pena mais branda. Portanto, em obediência ao princípio constitucional da irretroatividade das leis, bem como ao ordenamento jurídico infraconstitucional vigente, que vedam aplicação retroativa das leis, impõe-se reconhecer no caso destes autos que os débitos declarados por meio de Dcomp antes de 31 de outubro de 2003 não configura confissão dívida, assim sendo, deixa de ser neste caso documento hábil a permitir que a Fazenda exija a obrigação sem antes constituir o crédito tributário por meio de lançamento. Deste modo a Declaração de Compensação — Decomp - apresentada até 31 de outubro de 2003, não configura confissão de divida, por essa razão, impõe a Autoridade Fiscal diligenciar no sentido de apurar a irregularidade e constituir o crédito por meio de lançamento e, se for o caso inscrever em dívida ativa. Assim sendo, por tratar-se de matéria prejudicial ao mérito, conheço de oficio e declaro inexistente o débito incluído em DCOMP efetivado pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário, por essa razão deixou de ser instrumento hábil para exigir o pagamento do devedor por meio de carta de cobrança. Em relação a DCTF é sabido que trata-se de documento que representa cumprimento de obrigação acessória, apresentada comunicando a existência do crédito tributário, importa em lançamento fiscal. Também é certo que o simples fato da entrega da . DCTF, afasta a decadência relativamente à dívida, em razão da confissão, a partir daí possível efetuar a inscrição em dívida ativa com suporte exclusivo na referida declaração. Entretanto, há peculiaridade que deve ser observada, no caso deste feito, a DCTF apresentada foi confeccionada com o objetivo de declarar o crédito tributário e ao mesmo tempo compensar por meio de crédito fiscal a : • o na contabilidade, cujo saldo resultante deste encontro de contas é igual a zero. 6 • Processo n°13007.000030/2003-59 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.128 9. 567 Assim, em que pese a DCTF ter por objeto a constituição do crédito tributário, depende de operação aritmética para tomar certo e liquido o quantum devido, pois este mesmo documento depende da inserção de dados necessários cujo resultado aritmético revela se a existência de crédito a favor da Fazenda ou não. Se a declaração é por excelência ato voluntário do contribuinte, e este simultaneamente aponta um débito e um crédito, resultando em saldo zero, forçoso convir de que tal procedimento administrativo, cujo objetivo é determinar o fato gerador, a matéria tributável, o quantum do tributo e a sua legitimidade passiva, implica dizer que não há crédito a favor da Fazenda. A inexistência de saldo a favor da Fazenda é uma peculiaridade capaz de afastar o entendimento de que o simples fato da entrega da DCTF configura confissão de divida e o próprio lançamento, suficiente para desprezar a intervenção da Administração no sentido de constituir o crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça - STJ examinando situação idêntica a desse caderno, reconheceu que há peculiaridade capaz de afastar o entendimento em relação ao crédito tributário declarado por meio de DCTF, é o que se extrai do voto aqui transcrito: "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E FINCOSL4L. CRÉDITO DECLARADO EM DCTF OBJETO DE COMPENSAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. (...) I- A jurisprudência desta colenda Corte afirma que, uma vez reconhecido o crédito tributário, por meio de DCTF, tal ato equivale ao próprio lançamento, tornando-se imediatamente exigível o débito não pago [...]. 2 — Todavia, verifico que há peculiaridade a afastar tal entendimento, in casu, consubstanciada no fato de que o crédito declarado em DCTF foi objeto de compensação pelo contribuinte, devidamente informada ao Fisco, conforme • atestado pelo acórdão de fis. de maneira que cabe, em conseqüência à Fazenda verificar a regularidade da conduta, por meio do devido procedimento administrativo-fiscal. Assim, somente em concluindo pela ilegitimidade da compensação, após o referido procedimento, é que será possível a constituição do crédito tributário respectivo. Precedentes: AgRg no REsp n° 327.626/R5, Rd Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 19/12/05; AgRg no REsp n° 641.448/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, a1 de 01/02/05 e REsp n° 328.727/P12, ReL Min. FRANCISCO PEÇAN11,4 MARTINS, DJ de 30/08/04. (AgRg no RESP 801.069/1LS, Min. Francisco Falcão, Ia Turma, DJU 26.06.2006) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COMPENSAÇÃO. DCTF. INSCRIÇÃO EM DIVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I — Comunicado pelo contribuinte, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) que o valor do débito foi quitado por meio de utilização de mecanismo compensatório, flL 7 • Processo o° 13007.000030/2003-59 S2-CITI Acórdão n." 2101-00.128 Fl. 568 não há porque se falar em confissão de divida suficiente a inscrição em divida ativa. (RESP 4I9.476/R3, Min. João Otávio Noronha, 2a Turma, DJU 02.08.2006)". Portanto, não se discute que a DCTF possui efeito de lançamento, mas é imperioso, para tanto, que esteja presente todos elementos imprescindíveis, não é o caso nestes autos, pois aqui constata-se a ausência do quantum devido do tributo, pois o valor do débito foi quitado por meio da compensação , portanto, não se pode falar em lançamento perfeito e acabado. A inexistência de saldo residual que configuraria o débito, não abre espaço para o entendimento de que neste caso, o crédito tributário seria o total do débito informado. Também, inexiste justificativa de que deva prevalecer o débito em decorrência do contribuinte não ter logrado êxito em relação ao pedido de compensação. O entendimento oposto, ao meu ver, colocaria-nos diante de crédito inconsistente carregado de ilegitimidade substancial ou formal, que certamente pereceria quando submetido ao crivo do Poder Judiciário. Por tratar-se da eficácia ao ato de lançamento, impõe mencionar os ensinamentos da professora LÚCIA VALLE FIGUEIREDO, que assim ensina: "... é imperioso concluir-se, ao lado de Misabel Derzi, Alberto Xavier, Luciano Amaro, que não se pode inscrever a divida com apenas a declaração do contribuinte, que pode ser de longo tempo, ter-se desatualizado... Ora se esse ato dá eficácia ao ato de lancamento, apresenta-se como ato de controle de legalidade. E os atos de controle de legalidade nada podem acrescentar ao ato anterior ( por isso a necessidade imperiosa de haver ato anterior), mas apenas lhe atribuir eficácia. (..) Por tais razões entendo que haveria cerceamento de defesa na hipótese de ser ter inscrito o crédito sem a realização do ato anterior como necessário e natural antecedente. É dizer, haveria violação do devido processo legal." (Lúcia Valle Figueiredo, A Inscrição da Dívida como Ato de Controle do Lançamento, em Revista Dialética de Direito Tributário n. 36, 1998, p. 83 —). O saldo apresentado na DCTF, sendo igual a zero não configura confissão de dívida. Assim, reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor em decorrência de que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de divida, o que impõe a constituição do crédito tributário por meio de lançamento. Ultrapassado essas questões, passo examinar o mérito: As pretensões submetidas à apreciação do Judiciário se referem ao direito de repetir os pagamentos decorrentes da falta de cômputo dos valores de aquisição dos Sumos isentos, não-tributados, ou tributados com alíquota zero do IPI, nos últimos 10 (dez) anos e das aquisições futuras. Processo e 13007.000030/2003-59 S2-CITI Acórdão n.'2101-00.128 Fl. 569 O pleito foi concedido parcialmente no que tange ao direito de repetir em relação aos últimos dez anos, restringindo aos cinco últimos anos, o que foi modificado pelo julgamento do Tribunal Federal Regional, provendo o recurso para assegurar o direito a contribuinte de aproveitar os dez últimos anos. Não há dúvida de que decisão judicial assegurou o direito aos créditos de IPI nas aquisições de produtos isentos, não tributados e alíquotas zero, tanto em relação aos últimos 10 (dez) anos, bem como os créditos futuros. A matéria submetida à apreciação na esfera administrativa tange ao direito de créditos de IPI decorrentes de finuras aquisições e a restrição de compensação autorizada por decisão judicial antes do transito em julgado contido no art. 170-A do CTN. Assim sendo, não vislumbro a existência de concomitância entre a esfera administrativa e judicial.Portanto, não é o caso da aplicação da Súmula número 1, de 26.09.2007, deste Conselho de Contribuintes. A controvérsia surge em relação à interpretação da parte final da sentença quanto ao aproveitamento dos créditos de IPI referentes as aquisições futuras. O entendimento da Autoridade Administrativa funda-se no fato de não constar da decisão um comando expresso reconhecendo o direito de aproveitamentos dos créditos futuros. Com toda vênia, entendo ser desnecessário constar no comando sentenciai à totalidade dos pedidos formulados. Como se sabe, o Juiz julga procedente (parte ou totalidade) ou improcedente os pedidos, não se julga a ação, bastando, para tanto, que o Julgador mencione àqueles que são negados e os acolhidos parcialmente. O pleito foi acolhido in totum, apenas limitando o aproveitamento do crédito aos cinco últimos anos à interposição do mandado de segurança, esse é o meu entendimento. No que tange a vedação de compensação de créditos autorizados por medida judicial antes do trânsito em julgado, por vedação do artigo 170-A do CTN, não se aplica ao caso deste caderno processual administrativo, pois trata de provimento judicial concedido antes da vigência do referido diploma legal. Como se sabe, as sentenças judiciais monocráticas, não transitadas em julgadas, são passiveis de ser modificadas ou anuladas mediante recursos específicos, entretanto, não podem ser cassadas por força de lei editada posteriormente, se assim não fosse, estaria em risco o princípio da segurança jurídica. Não vislumbro como óbice no caso vertente a restrição do art. 170-A do CTN, portanto, afasto aplicação deste dispositivo, assim como reconheço que a sentença assegurou o direito do crédito IPI das aquisições futuras, beneficio este estendido aos dez anos anteriores à interposição do Mandado de Segurança. A Súmula n. 212 do STJ, assegura o direito de compensação desde que o deferimento tenha ocorrido por meio de sentença, e não por meio de medida liminar, o que restou vedado pela a aludida súmula é compensação fundada em liminar. Além do que, no caso deste caderno processual, o crédito objeto de compensação é de 1999, portanto, anterior ao evento do art. 170-A, introduzido no ordenamento jurídico pela Lei Complementar número 118/2002. Sendo certo que a compensação tributária, nos termos da jurisprudência do STJ, rege-se pela lei vigente ao tempo 9 Processo n° 13007.000030/2003-59 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 570 do nascimento do crédito aproveitado e não por aquela vigente quando do efetivo encontro de contas. Nesse passo é conferir a lição de LEO ICRAKOWIAK: "Com efeito, muito embora a jurisprudência de nossos Tribunais tenha oscilado quanto à determinação de qual a legislação aplicável em se tratando de compensação, se aquela em vigor quando do pagamento indevido ou aquela em vigor no momento da compensação, pacificou-se afinal adotando aquela primeira linha de raciocínio, com se verifica do recente acórdão unânime da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, verbis" I. As limitações das Leis números 9.037/95 e 9.129/95 só incidem a partir da data de sua vigência. 2. Os recolhimentos indevidos efetuados até a data da publicação das leis em referência não sofrem limitações. 3. Embargos de divergência rejeitados "(Embargos de Divergência em Resp. n. I64.739-SP, Rel. Min. Eliana Calmon, I° Seção, DJ,1, 12.02.01). Deste modo, pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça que a compensação de tributos pagos indevidamente se rege pela legislação em vigor à época de cada pagamento, dúvida não há de que o mesmo entendimento deve ser aplicado também à vedação trazido pelo art. 170.A do C1N" (A Compensação e a Correta Aplicação do art. 170-A do CTN. Revista Dialética de Direito Tributário., vol. 68,pág. 82). Assim sendo, por se tratar de sentença prolatada antes do evento do art. 170- A do CTN, conserva a sua eficácia plena. No caso dos autos a recorrente tem assegurado o direito de compensar os créditos de IPI de aquisições anteriores à impetração do mandado de segurança, bem como os futuros incidentes sobre as aquisições de produtos não tributados, aliquota zero e isento. A legislação vigente permite a compensação de crédito de IPI com outros débitos tributários, entretanto, neste caso restou limitado pela sentença, que fixou parâmetro para que o contribuinte pudesse se beneficiar do crédito oriundo das aquisições de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de IPI, que deve ser utilizado para compensar com débitos oriundos da venda dos produtos industrializados, como se vê da parte final do decisão: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI çomo abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuracão do referido tributo...". No caso vertente a compensação de crédito tributário deu-se com débitos de IPI, portanto, dentro dos limites traçado no comando sentenciai. Por essa razão sou inclinado a dar provimento ao apelo da recorrente em relação ao aproveitamento de crédito de IPI para compensar débitos tributários da mesma natureza. ,0 Processo Fe 13007.00003012003-59 S2-C1T1 Acórdão n.• 2101-00.128 Fl. 571 Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Sabe-se que a multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento ocorreu por culpa ou por força maior. Havendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição do enunciado das Súmulas n2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." "Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." De modo que, a Recorrente não obtendo êxito na demanda judicial, está sujeita a aplicação da norma contida no art. 61 da Lei n. 9.430/96. Multa Isolada no caso de Compensação Não Homologada. Em relação aplicação da multa isolada, em que pese ter sido objeto do recurso, não é o caso dos autos, por tratar-se de indeferimento de compensação de crédito. A penalidade é aplicada quando o sujeito passivo efetua compensação ao arrepio da legislação e essas deixam de ser homologadas pela Autoridade Administrativa, por expressa disposição legal. • Processo n° 13007.000030/2003-59 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 572 No caso destes autos não há pena aplicada com arrimo no art. 18 da Lei 10.833, de 2003. De modo que, as sustentações de que não há base legal para imposição de multa em decorrência modificação no referido dispositivo legal por meio da Medida Provisória numero 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, são desnecessárias pelo fato de inexistir aplicação de penalidade. Mesmo assim, consoante se vê da leitura do dispositivo mencionado, com a nova redação, o Legislador Ordinário restringiu à sua aplicação a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei número 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, aplicação da norma contida no art. 18 da Lei 10.833/2003, alcança aqueles que praticarem conduta típica passível punição de acordo com o Direito Penal. Configura conduta típica a pratica de fraude, conluio e sonegação com intuito de causar dano a Fazenda Pública. Entretanto, no caso vertente, trata de direito declarado judicialmente aos créditos oriundos de materiais que não incidiram IPI na etapa anterior, que a Recorrente compensou com débito fiscais, créditos tributários administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos moldes do art. 74 da Lei número 9.430/96. Em relação a constituição do crédito tributário, é direito da União Federal, mesmo tratando de tributo com exigibilidade suspensa com intuito de prevenir a decadência. Como se sabe a discussão judicial não inibe, por si só, a atividade fiscal, portanto, o mero ajuizamento de ação para a discussão de uma obrigação tributária não constitui em óbice para o sujeito ativo do tributo de fiscalizar o cumprimento da lei, verificando a ocorrência do fato gerador. No entanto, para que reste inibida a atividade fiscal em relação exigência tributária, faz-se necessário que o contribuinte esteja protegido por decisão judicial, essa por seu turno suspende a exigibilidade. Assim sendo, não há que se falar em mora. Tanto é verdade que há previsão legal contida no art. 63 da Lei n. 9.430/96, dispõe que o contribuinte incorrerá em mora 30 dias após eventual decisão que modifique a decisão que albergou a suspensão da exigibilidade. • Extraí-se do dispositivo mencionado: "Art. 63 — Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio". Constata-se no caso presente que todo o procedimento de compensação tem amparo em medida judicial, o que por si só afasta a presunção de conduta ilícita ou dolosa da recorrente. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para afastar a qualidade de confissão de dívida e de instrumento hábil para exigir o pagamento de débito informado DCOMP apresentada pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário e exigir o pagamento por meio de carta de cobrança. 12 Processo n° 13007.00003012003-59 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 573 Também reconheço .ue a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor, uma vez que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de divida, impondo a consti ição do crédito tributário por meio de lançamento. Dou . • vimento,ain• a, no sentido d autorizar a compensação pleiteada por • • tar-se de compensação crédito í sbutário com e ébito da mesma natureza, autorização concedida por meio de decisão 'udicial obtida antes do • - - • e o art 170-A do CTN. É como voto. Sala das Sessões, e I7demaiode2 09. • es. DOMINGOS DE SÁ ILHO Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto da parte em que o relator originário foi vencido, ou seja, da preliminar de nulidade da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, por falta de lançamento, e da questão da possibilidade de compensação de créditos oriundos de decisão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva sentença. A ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante do mandado de segurança OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante - a OPP PETROQUÍMICA S/A. 1 - Da preliminar de nulidade das cartas de cobrança Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP n° 135/2003, depois convertida na Lei ri2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de divida, apta a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 62 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: 13 Processo e 13007.00003012003-59 S2-CITIa Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 574 "§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n 2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de divida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. j. ,4 • Processo e 13007.000030/2003-59 S2-CITIe Acórdão n, 2101-00.128 Fl. 575 Entende a recorrente que a confissão de divida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tomaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e r do Decreto-Lei n2 2.124, del3/06/1984, verbis: "Art. 50 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir • obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. I° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF res 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias 15 Processo? 13007.000030/2003-59 S2-CIT1 Acórdão o.° 2101-00.128 Fl. 576 após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O caput do art. 1 2 da N SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. I. É pacifico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de procederá constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacifico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em divida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscaL 16 I r • Processo n° 13007.000030/2003-59 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 577 3. lnexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. 1. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento específico (DCTF, G1A, GFIP e congêneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento espec(co, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido." - Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4' Região, ofendera ao art. 5 0, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tomando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da divida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: 1 17 • Processo n0 13007.000030/2003-59 82-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 578 "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. 1.A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, §* 2°, da Lei 9.430/96. 2.Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de divida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, finda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diffrrenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." 3e1 Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art.I 8. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática 18 Processo n°13007.000030/2003-59 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 579 das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § r A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n 2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: "59" É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 72„ apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9a e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto re 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei ng 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)" ifre 19 . Processo n° 13007.000030/2003-59 S2-CITIA Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 580 e De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de divida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tomar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. ff2 - Da impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado 2.1 - Da inexistência de trânsito em julgado material da sentença As empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas aliquotas de saída, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IPI e outros tributos administrados pela SRF. Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos vkexpurgos inflacionários. 20 • Processo n°13007.000030/2003-59 S2-CIT1 Acém% n.• 2101-00.128 Fl. 581 A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatórios da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 42 Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada, insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justijicadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. I°. Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de alíquota zero e os não tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPL Crédito Presumido. Insumos sujeitos à aliquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à allquota zero. "(grifos acrescidos) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandado de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. • J 21 Processo n° 13007.000030/2003-59 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.128 Fl. 582 %IN Neste contexto, só se poderia falar em coisa julgada material em favor das impetrantes com relação à aquisição de insumos isentos, adquiridos nos dez anos anteriores à impetração, fato que não tem qualquer implicação no caso tratado nos presente autos, pois há informação de que as impetrantes não se utilizavam de Sumos isentos. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 4 4 Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de alíquota zero e não-tributados. 2.2 — Da inexistência de erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo." (destaquei) e, na segunda parte, declarou: "O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UF1R, até 31/12/1995, e daí até o efetivo aproveitamento segundo o if 4°, do art. 39, da L 9.250/1995." Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconformismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que não lhe foi favorável. Não houve, pois, interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem pelo órgão julgador de primeira instância, quanto ao limite do direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, pelas saídas dos produtos fabricados pelas impetrantes. 2.3 — Da compensação de créditos de IPI posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Direito não reconhecido pela decisão judicial. Se o direito reconhecido pela decisão judicial não alcança os créditos utilizados na compensação tratada nos presentes autos, já que decorem de insumos adquiridos em período posterior à data de impetração do mandado de segurança, não tem qualquer implicação no presente caso a limitação imposta pelo art. 170-A do CTN. 22 Processo fr 13007.000030/2003-59 S2-CIT1 Ib Acórdão ri.° 2101-00.128 Fl. 583 AR Não bastasse este fato, a questão da incidência ou não da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN consta do voto proferido pelo Tribunal Regional Federal da *Região, como se pode ver nos excertos a seguir transcritos: Ressalto, outrossim, que o disposto no 170-A do C77V, acrescentado pela Lei Complementar ns 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporaL (grifos acrescidos) Desta forma, no presente caso, é indevido o aproveitamento dos créditos, seja em razão de não estarem abrangidos pela sentença (o que já é motivo suficiente para denegar o pedido de compensação), seja porque o TRF da 4 2 Região determinou a aplicação da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN aos créditos posteriores à data de vigência da Lei Complementar n2104/2001. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não homologação das compensações efetuadas pela recorrente. Conclusão Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da cobrança dos débitos indevidamente compensados, posto que confessados em DCTF e, no mérito, nego provimento ao recurso. Sala • as S - . i es, em 07 de maio de 2009.ii • t .14rIe 10:k, ER * .., 23 Page 1 _0096600.PDF Page 1 _0096700.PDF Page 1 _0096800.PDF Page 1 _0096900.PDF Page 1 _0097000.PDF Page 1 _0097100.PDF Page 1 _0097200.PDF Page 1 _0097300.PDF Page 1 _0097400.PDF Page 1 _0097500.PDF Page 1 _0097600.PDF Page 1 _0097700.PDF Page 1 _0097800.PDF Page 1 _0097900.PDF Page 1 _0098000.PDF Page 1 _0098100.PDF Page 1 _0098200.PDF Page 1 _0098300.PDF Page 1 _0098400.PDF Page 1 _0098500.PDF Page 1 _0098600.PDF Page 1 _0098700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.903495/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.701
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 95 /2 01 2- 05 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903495/201205 Acórdão n.º 3302006.701 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.561. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903495/201205 Acórdão n.º 3302006.701 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903495/201205 Acórdão n.º 3302006.701 S3C3T2 Fl. 5 4 restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903495/201205 Acórdão n.º 3302006.701 S3C3T2 Fl. 6 5 poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.903495/201205 Acórdão n.º 3302006.701 S3C3T2 Fl. 7 6 por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003353/2005-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
O Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta de uma área de 933,2013 hectares, devidamente averbado no cartório de registro de imóveis, em 20/12/90 é documento apto a comprovar a totalidade da área pleiteada pelo contribuinte em sua DITR de 2001.
VALOR DA TERRA NUA.
Prevalece o valor da terra nua indicado pela Administração Tributária, quando o contribuinte não apresenta elementos de prova que refute o VTN arbitrado.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.466
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR
provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a área de reserva legal de 933,2013 hectares, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda e Caio Marcos Cândido que negavam provimento. Declarou-se impedido, em razão da parte, o
Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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'' '. '''ÃG CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4 " krt 'w- G..,..vez:5'. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10675.003353/2005-03 Recurso n° 342.118 Voluntário Acórdão n° 2101-00.466 — i a Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente SOUZA CRUZ S/A Recorrida 1' TURMA/DRJ-BRASILIA/DF Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. O Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta de uma área de 933,2013 hectares, devidamente averbado no cartório de registro de imóveis, em 20/12/90 é documento apto a comprovar a totalidade da área pleiteada pelo contribuinte em sua DITR de 2001. VALOR DA TERRA NUA. Prevalece o valor da terra nua indicado pela Administração Tributária, quando o contribuinte não apresenta elementos de prova que refute o VTN arbitrado. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a área de reserva legal de 933,2013 hectares, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda e Caio Marcos Cândido que negavam provimento. Declarou-se impedido, em razão da parte, o Conselheiro Alexandre-Naoki Nishioka. , ( \ ,,, - ---- , emo. AR-LcL-o-S\,,;ma.,_ _ è_ Á‘L'------N_D I.D_R- Presidente . 7---` -, "---- -"" JOSÉ RAIM-1 n\wo . OSTA SANTOS - Relatori---,,,r- 1 EDITADO EM: 1 8 JUN 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 03-22.312, proferido pela 1' Turma da DRJ Brasília (fls. 82/88), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 04/12/2005, o Auto de Infração/anexos de fls. 02 e 46/55, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 158.905,87, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 2001, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/11/2005, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Buriti da Prata" (NLRF 1.543.121-5), localizado no município de Prata - MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2001 iniciou-se com o termo de intimação de fls. 06, recepcionado em 12/05/2005 (AR de fls.07), para a contribuinte apresentar: • 1° - Matrícula atualizada do imóvel; 2° - Ato Declaratório Ambiental; 30 - Relação das benfeitorias e de sua área (m2); 40 - Preenchimento dos formulários anexos, relativos à produção vegetal e animal, com cópias das respectivas notas fiscais; 50 - Cópias das Declarações de Produtor Rural nos anos de 2000, 2001 e 2002; 6° - No caso de cultura perene, notas fiscais de compra de mudas. Em atendimento, a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 08, acompanhado dos documentos de fls. 09/13, 14, 15/16, 17, 18/36, 37/39, 40, 41/43 e 44. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DUR/2001, a . fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração glosando totalmente as áreas declaradas como sendo de preservação permanente, de 75,1 ha e as de utilização limitada, de 858,1 ha, além de rejeitar o VTN Declarado (R$ 1.235.580,00), arbitrando o valor de R$ 1.947.400,00 (equivalente a R$ 687,18/ha), com base nos valores apontados no SIPT. Desta forni-- a, foi aumentada a área tributável do imóvel, juntamente com a sua área - aproveitável, com redução do Grau de Utilização da área utilizável. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado — devido à glosa das áreas ambientais e ao novo valor atribuído 4--- 2 Processo n° 10675.003353/2005-03 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.466 Fl. 122 ao VTN do imóvel -, bem como a respectiva alíquota de cálculo, alterada de 0,30% para 3,40%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, de R$ 63.725,49, conforme demonstrativo de fls. 46. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 47/49, 51 e 54. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 16/12/2005 (fls. 56), ingressou a contribuinte, em 06/01/2006 (protocolo de recepção às fls. 57), por meio de procuradora legalmente constituída, fls. 69/71 com sua impugnação, anexada às fls. 57/62, e respectiva documentação, juntada às fls. 63/66, 67/68 e 72/78 dos autos. Em síntese, alega e solicita que: • mostra a tempestividade da impugnação e apresenta um resumo dos fatos do presente auto de infração; • no que concerne à averbação da reserva legal junto à escritura do imóvel no RGI, não há qualquer discussão, conforme registro n° R-5-1936, do Livro 2-J, fls. 171 v°, do Registro de Imóveis de Prata, onde se verifica a averbação de uma área de 933,20 ha, conforme Teimo de Responsabilidade de Floresta de 12/03/82; • o Ato Declaratório Ambiental ainda que tenha sido protocolado apenas em 31/03/2004, isto, contudo, não lhe retira a validade, pois, como a sua própria denominação está a indicar, trata-se de um ato declaratório e não constitutivo de direitos; • se assim, de fato, é o ADA, então não há justificativa para que sejam glosadas as áreas preservacionistas, como se pretende por esse malfadado auto de infração, ainda mais considerando-se a circunstância de que é o próprio autuante que no seu relatório diz: "Ressalte que, em nenhum momento, questionamos a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua exigência não atingem o âmago da questão"; • se o próprio autuante não questiona, mas registra a existência das reservas preservacionistas, então não pode haver qualquer dúvida de que essas áreas existem, que as mesmas estão lá, constam de laudos técnicos, estão averbadas em registro de imóveis, e, sendo assim, não se há como negar o direito legal de exclusão dessas áreas da área tributável peloTIR, como assegurado pelo art. 10, § 1 °,11, a, da Lei n° 9.393/96; • não é pela simples falta de apresentação tempestiva do ADA que se pode glosar as áreas preservacionistas, como, aliás, assim, recentemente, já decidiu, por unanimidade, a 3' turma da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais e cita as ementas, bem como a posição do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1- Região; • foi justamente em função dessas indevidas glosas que, da área total do imóvel da Fazenda Buriti do Prata, que é de 2.833,9 ha, foram excluídos 75,1 ha e 858,1 ha, respectivamente, correspondentes às áreas de preservação permanente e de utilização limitada; • pede e espera a autuada que seja reconhecida a inexigibilidade de cobrança de alteração em declaração de 1TR, ano 2001, e que por isso mesmo seja julgado improcedente o equivocada auto de infração. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: r-L) 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANEIVTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA /RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Lançamento Procedente Em sua peça recursal (fls. 98/112), a contribuinte repisa as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. - É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator • O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, entendo que o montante da área de reserva legal, comprovada com a certidão do cartório imobiliário, antes da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da tributação, pois o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 ,55. 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: . - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: 4 Processo n° 10675.003353/2005-03 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.466 Fl. 123 Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: ,55' 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinaçã o, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinaçã o, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.803, de 18.7.1989) No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.6881PB) é explicito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. !) , - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. (GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. O Ministro Sepúlveda Pertence, proferiu voto vista no julgado acima referido, em que afilina peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal. Do voto transcrevo o seguinte excerto: 5 A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se refere a matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, a obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte. Pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal, e para efeito de exclusão da área tributada pelo ITR deverá estar devidamente averbada no cartório de registro de imóveis até a data da ocorrência do fato gerador do imposto. A decisão recorrida manteve como tributável as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, considerando que estas devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAM_A/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Discordo de tal posicionamento no que se refere à área de reserva legal, já que esta somente pode ser averbada no cartório imobiliário com a interveniência do órgão ambiental. Foi o que ocorreu no presente caso. A Certidão à fl. 16 indica precisamente que do imóvel rural denominado Fazenda "Buriti da Prata", com área de 2.833,9313 há, objeto do lançamento em exame, ficou gravada como de utilização limitada uma área de 933,2013 ha, não podendo nela ser, feito qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do IBAMA, compreendida nos limites constantes do mapa da propriedade, anexo ao Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, datado de 10/10/90, do IBAIVIA-MG, devidamente averbado no cartório de registro de imóveis, em 20/12/90. Entendo que referido documento é apto a comprovar a totalidade da área isenta de tributação (75,1 ha + 858,1 há 933,2 ha), pleiteada pelo contribuinte em sua DITR de 2001. Com efeito, para fins de constituição da reserva legal, o ADA não tem qualquer relevância. Somente o Termo de Responsabilidade, com o mapa indicativo da área do - imóvel rural destinada à reserva legal, devidamente averbado no cartório imobiliário, é que constituirá a reserva legal, consoante entendimento manifestado pelo STF. ("ilk 6 Processo n° 10675.003353/2005-03 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.466 Fl. 124 Neste sentido, penso que tal conclusão não malfere o art. 17-0 da Lei 6.938/81, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a seguir transcrito, pois o beneficio fiscal relacionado à área de reserva legal não é concedido com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA: Art. 17-a Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) GRIFEI. Por fim, a decisão recorrida não merece qualquer reparo em relação ao VTN arbitrado pela fiscalização. Primeiro, por que se trata de matéria preclusa, não questionada em sede de impugnação, já que o contribuinte apenas menciona o reflexo no cálculo do valor da terra nua e no cálculo do imposto, com a elevação da alíquota aplicável, em face das glosas das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. À toda evidência, nada foi questionado acerca do arbitramento do VTN. Segundo, por que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento de prova que refutasse a metodologia indicada no item 3 do Relatório anexo ao Auto de Infração (fls. 48/49). Com efeito, inexistente na hipótese qualquer cerceamento do direito defesa do autuado, mormente quando o arbitramento indica precisamente o valor do hectare relacionado aos diversos tipos de terra declarados pelo próprio contribuinte. O Sistema de Preço de Terras —SIPT foi instituído com base no § 1° do art. 14 da Lei 9.393/1996. Referida norma dispõe que a fiscalização procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terra, constantes de sistema a ser por ela instituído, observados os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1 0, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/02/1993, e levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por outro lado, não foi apresentado pela interessada laudo de avaliação, por aptidão agrícola proporcional às áreas declaradas, com Grau II de fundamentação e precisão, nos termos da NBR 14653 da ABNT, a demonstrar que o VTN dos imóveis rurais localizados no município de Prata — MG é inferior ao arbitrado, mediante apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor de mercado da terra nua do imóvel, a preços de 01/01/2001. Em face ao expostos, dou parcial provimento ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal de 933,2013 hectares. Sala das Sessões - DF, em 12 de março de 2010 4 ii4 -7 JOSÉ • • '' .1. `f [ti - OSTA SANTOS 7
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Numero do processo: 10530.900181/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.944
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos nº 3301-002.999 e nº 9303-006.107, proferidos no processo 10983.721188/2013-93, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedidos de ressarcimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de contribuição não cumulativa, transmitido através do Programa PERD/COMP (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento e Reembolso e Declaração de Compensação), que restou indeferido, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual sustenta a necessidade de julgamento conjunto com outros processos de ressarcimento referentes aos mesmos elementos, inclusive para fins de uniformização dos julgados, também em relação ao auto de infração correspondente (10983.721.188/201393). Ainda em preliminar, aborda a superficialidade do trabalho fiscal e discorre sobre o princípio da verdade material, que entende ofendido no procedimento efetuado, citando entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 00 18 1/ 20 13 -6 4 Fl. 4507DF CARF MF Processo nº 10530.900181/201364 Resolução nº 3302000.944 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata da instrução probatória no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e da necessidade de conhecimento do processo produtivo. No mérito, discorre sobre o conceito de insumos, sobre a sistemática não cumulativa das contribuições, e sobre a legitimidade de seu pleito. O colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ nº 10050.806. Insurgindose contra a decisão prolatada, a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.930, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10530.900167/201361, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.930): "O presente recurso é tempestivo, trata de matéria trazida a julgamento de competência desta Turma, devendo ser conhecido. Como podemos verificar do relatório acima, o presente processo trata da glosa de crédito de PIS e COFINS, relacionado a produtos utilizados como insumo, no processo produtivo da recorrente. Verificase ainda do relatório a existência de estreita ligação deste processo e outros mais, com o processo de nº 10983.721188/201393, onde o conceito de insumo já foi minuciosamente tratado em dois acórdãos a saber: (i) o de nº 3301 002.999, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, e o de nº 9303006.107, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O primeiro de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, restou decidido da seguinte forma: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à Preliminar de Nulidade do Lançamento. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na Industrialização Realizada por Terceiros e os correspondentes insumos, com exceção das compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, Fl. 4508DF CARF MF Processo nº 10530.900181/201364 Resolução nº 3302000.944 S3C3T2 Fl. 4 3 em razão de serem adquiridos com alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário na aquisição de Vacinas, Pintos e Ovos. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item pagamento de Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a motivação dos serviços de frete não foi identificadas. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo somente as glosas em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário no item serviços realizados por operador logístico. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo que negavam provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e HorasMáquina de Tratores. Vencida Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Tintas para Carimbo. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Aluguéis de Prédios. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Frangos Vivos, Milho, Sorgo, Soja e Demais Insumos. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Apuração dos Débitos dos Tributos. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Multa Qualificada, para reduzila para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Pedido de Diligência e Perícia. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Da decisão do acórdão acima transcrita, a Fazenda Nacional e contribuinte apresentaram recursos especiais de divergência, sendo certo que a primeira suscitou divergência com relação ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas e, o segundo, além de apresentar contrarrazões, interpôs recurso especial no qual suscitou divergência com relação a duas matérias: 1) possibilidade de tomada de créditos sobre a locação de tratores utilizados na atividade agroindustrial; e 2) não incidência de pis/cofins sobre receitas de exportação e respectiva forma de comprovar. No acórdão da recurso especial, de relatoria do I. Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, restou decidido que: Fl. 4509DF CARF MF Processo nº 10530.900181/201364 Resolução nº 3302000.944 S3C3T2 Fl. 5 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito, (i) quanto à industrialização de produtos lácteos, por unaninimade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. A conselheira Tatiana Midori Migiyama acompanhou o relator pelas conclusões; (ii) quanto às embalagens para transporte, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (iii) quanto ao pagamento de fretes na aquisição de insumos, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento; (iv) quanto aos pallets de madeira, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (v) quanto às despesas com operador logístico, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (vi) quanto às análises laboratoriais, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Locke Freire, que lhe deu provimento e (vii) quanto à repaletização, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e (viii) quanto às tintas para carimbo, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Concluindo, entendo que não há o que ser discutido ou avaliado no presente processo. O que se deve promover é a liquidação dos acórdãos acima mencionados, pela unidade de origem, dentro do objeto de cada um dos pedidos de ressarcimento relacionados ao processo nº 10983.721188/201393. Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos 3301 Fl. 4510DF CARF MF Processo nº 10530.900181/201364 Resolução nº 3302000.944 S3C3T2 Fl. 6 5 002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos 3301002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede . Fl. 4511DF CARF MF
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