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Numero do processo: 16327.000638/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 05/01/2005 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE LAPSO MANIFESTO. RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. ADMITIDA.
Uma vez demonstrada a existência de lapso manifesto na redação do enunciado da ementa do acórdão embargado, acolhe-se os embargos de declaração, para corrigir o equívoco e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 05/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE LAPSO MANIFESTO. RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. ADMITIDA. Uma vez demonstrada a existência de lapso manifesto na redação do enunciado da ementa do acórdão embargado, acolhe-se os embargos de declaração, para corrigir o equívoco e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte.
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COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE LAPSO MANIFESTO. RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. ADMITIDA. Uma vez demonstrada a existência de lapso manifesto na redação do enunciado da ementa do acórdão embargado, acolhese os embargos de declaração, para corrigir o equívoco e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 38 /2 00 9- 44 Fl. 603DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração tempestivamente opostos pela contribuinte, com o objetivo de suprir suposto vício de contradição no acórdão nº 3202 001.606, de 18 de março de 2015, em que, por unanimidade de votos, os integrantes da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção rejeitaram as preliminares suscitadas no recurso voluntário e, no mérito, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso, com base nos fundamentos que se encontram resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 02/01/2003 a 29/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade. CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do CTN. INCIDÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTACORRENTE. Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem. Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindolhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores em rede bancária, enquadrase perfeitamente na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recurso Voluntário negado. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 16327.000638/200944 Acórdão n.º 3302003.706 S3C3T2 Fl. 604 3 Nos referidos embargos, a recorrente alegou a existência de vícios de omissão e contradição, bem como equívoco na informação do período de apuração no enunciado da ementa, ou seja, constava do enunciado da ementa o período de 02/01/2003 a 29/12/2004, quando o correto seria o período de 05/01/2005 a 31/12/2007. Com base nas razões consignadas no despacho de fls. 598/602, o Presidente do referido Colegiado, com respaldo no art. 66 do RICARF/2015, admitiu parcialmente os embargos, para reconhecer somente a existência do alegado equívoco quanto ao período de apuração. E, nos termos do art. 4º da Portaria CARF 30/2015, devolveu os autos à Secretaria da Câmara para sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Por atender, em parte, os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento parcial dos presentes embargos de declaração, para corrigir apenas o alegado equívoco, por lapso manifesto, referente ao período de apuração da contribuição lançada. Em relação a esse ponto, a alegação da recorrente procede, pois, de fato, constou do enunciado da ementa do acórdão embargado o período de apuração de 02/01/2003 a 29/12/2004, em vez do período de 05/01/2005 a 31/12/2007, informado no auto de infração (fls. 5/12). Assim, como comprovadamente houve o alegado equívoco na redação do enunciado da ementa do acórdão embargado, para corrigilo, procedese a alteração do período de apuração de 02/01/2003 a 29/12/2004 para 05/01/2005 a 31/12/2007. Em decorrência, a nova redação dos enunciados das ementas passa ter o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 05/01/2005 a 31/12/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. Compete ao Auditor da Receita Federal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, a constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o qual previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade. CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu Fl. 605DF CARF MF 4 pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do CTN. INCIDÊNCIA. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A MARGEM DA CONTACORRENTE. Correta a exigência da CPMF nas hipóteses em que a instituição financeira utiliza recursos provenientes de créditos, direitos ou valores não creditados na conta de depósito de seu titular, para efetuar qualquer pagamento por sua conta e ordem. Os procedimentos operacionais adotados pela Recorrente, ao entregar os cheques (devidamente endossados) e numerários recebidos de seus clientes à empresa de transporte de valores, atribuindolhe a função de efetuar o pagamento de seus fornecedores em rede bancária, enquadrase perfeitamente na moldura tipificada pelo legislador no inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.311/1996. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recurso Voluntário negado. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento parcial dos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900031/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.004
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 03 1/ 20 12 -1 1 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10480.900031/201211 Resolução nº 3401001.004 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.028. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.900031/201211 Resolução nº 3401001.004 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10480.900031/201211 Resolução nº 3401001.004 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.011141/00-07
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1990 a 29/02/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de dez anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91.
Numero da decisão: 9900-000.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a Conselheira Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amádio.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1990 a 29/02/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de dez anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1990 a 29/02/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de dez anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a Conselheira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 11 41 /0 0- 07 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.011141/0007 Acórdão n.º 9900000.971 CSRFPL Fl. 123 2 Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amádio. Relatório A FAZENDA NACIONAL, irresignada com a decisão prolatada por meio do Acórdão CSRF /03 – 05.857 (fls. 91 e ss do volume 1 digitalizado) que, por maioria de votos, negou provimento ao seu recurso especial, interpôs o recurso extraordinário de fls. 100/109 do volume 1 digitalizado, alegando divergência jurisprudencial com o decidido pela 4ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão CSRF/0400.810. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1990 a 29/02/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. O prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça. RECURSO ESPECIAL NEGADO Já o acórdão paradigma colacionado foi assim ementado: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. Em síntese, alega a Fazenda que, enquanto a Terceira Turma da CSRF adotou entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o qual o prazo de 5 anos estabelecido para a prescrição de pedido de restituição de indébito tributário (artigo 168, I, do CTN) deve ser somado ao interstício hábil à homologação assinalada no § 4° do artigo 150 do CTN tese dos 5+5=10 , a Quarta Turma da CSRF entendeu inafastáveis as previsões do CTN que determinam a contagem do prazo para restituição a partir do pagamento indevido, independentemente de qualquer razão, sem acrescer qualquer outro prazo ao legalmente previsto. Tal recurso foi admitido pelo Presidente da CSRF e do CARF, consoante Despacho nº 910100.612, de 18 de maio de 2011, fls. 112/113. A interessada foi cientificada do Acórdão nº CSRF /03 – 05.857, do Recurso Extraordinário da PGFN e do Despacho do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 04/01/2012, mas não apresentou contrarrazões. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.011141/0007 Acórdão n.º 9900000.971 CSRFPL Fl. 124 3 É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Tratase de Recurso Extraordinário manejado contra o Acórdão nº CSRF/03 05.857, sob a alegação de que há divergência jurisprudencial entre esta decisão e outro julgado proferido pela CSRF. É certo que a partir da 1º de julho de 2009, o Recurso Extraordinário deixou de existir na forma prevista no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais com a revogação da Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007 , e da Portaria MF nº 41, de 17 de fevereiro de 2009, pelo art. 8º da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Contudo, o art. 4º da Portaria MF nº 256/2009 c/c art. 3º da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, estabeleceu regra de transição para os recursos apresentados com base na Portaria MF nº 147/2007, determinando que os recursos extraordinários interpostos contra os acórdãos proferidos em sessões ocorridas em data anterior ao dia 1º de julho de 2009 seriam ainda processados de acordo com o rito previsto na Portaria MF nº 147/2007. Como o acórdão Acórdão nº CSRF/03 05.857, ora recorrido, foi proferido em sessão realizada no dia 17/06/2008, concluise que há previsão regimental para processálo e analisálo. O Recurso é tempestivo e, nos termos do despacho de admissibilidade, a divergência restou caracterizada, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão controversa cingese a definir, no caso em apreço, qual o prazo prescricional para repetição de indébitos de FINSOCIAL, cujo pedido foi protocolizado em 20/07/2000. Nesse contexto, é certo que o STF já se pronunciou, na sistemática da repercussão geral, no sentido de que, o prazo prescricional de cinco anos para reaver indébitos tributários imposto pela LC nº 118, de 2005, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, a saber: RE 566.621/RS – Rio Grande do Sul – Recurso Extraordinário. Relator(a): Min. Ellen Gracie. Julgamento: 04/08/2011 – Transito em Julgado em 17/11/2011. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.011141/0007 Acórdão n.º 9900000.971 CSRFPL Fl. 125 4 repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Por esse entendimento, o prazo prescricional de 5 anos somente atinge repetições de indébitos discutidas em ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. As ações de repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizadas antes da vigência da LC n º 118, de 2005, como é o caso sob apreciação, se submetem ao prazo prescricional de 10 anos. E o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, assim determina: Art. 62 [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.011141/0007 Acórdão n.º 9900000.971 CSRFPL Fl. 126 5 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Tendo em vista as decisões reiteradas proferidas no âmbito deste órgão de julgamento com a observância do quanto decidido em sede de repercussão geral, foi editada a Súmula CARF nº 91, de seguinte teor: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso sob apreciação, a interessada protocolizou o pedido de restituição de FINSOCIAL, em 20/07/2000, ou seja, antes de 09/06/2005. Os valores recolhidos a maior se referem a fatos geradores que ocorreram mensalmente, a partir do mês de julho/1990, até fevereiro/1992, conforme demonstrativo à fl. 08, do volume 1 digitalizado. Assim, aplicando se a regra de contagem de prazo prescricional de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador, tem se que o pedido não se encontra prescrito. Isto porque, por ocasião do protocolo do pedido de restituição, formalizado em 20/07/2000, ainda não haviam se passado 10 (dez) anos entre a data do primeiro fato gerador julho/1990 e a data do protocolo do pedido. Em face do exposto, manifestome por NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional para: i) afastar a prescrição do pedido de restituição de Finsocial de que trata os autos; e, ii) determinar o retorno dos autos ao órgão de origem para que analise a certeza e liquidez dos créditos objeto do pedido de restituição cumulado com os pedidos de compensação, haja vista que o despacho de efls. 44 e seguintes limitouse a indeferir o pleito com fundamento da prescrição. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.912705/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.912705/201285 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.335 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria IPI RESSARCIMENTO PRODUTO "NT"/IMUNE Recorrente GRUPO EDITORIAL SINOS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 27 05 /2 01 2- 85 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11065.912705/201285 Acórdão n.º 3401003.335 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado. Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14 045.747, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de pré questionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11065.912705/201285 Acórdão n.º 3401003.335 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.313, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/201423, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.313): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11065.912705/201285 Acórdão n.º 3401003.335 S3C4T1 Fl. 5 4 Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.00 2014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11065.912705/201285 Acórdão n.º 3401003.335 S3C4T1 Fl. 6 5 à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0 Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11065.912705/201285 Acórdão n.º 3401003.335 S3C4T1 Fl. 7 6 carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301 002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912323/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.987
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 32 3/ 20 12 -7 1 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912323/201271 Resolução nº 3402000.987 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912323/201271 Resolução nº 3402000.987 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912323/201271 Resolução nº 3402000.987 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.728065/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. NATUREZA DO VÍCIO.
Do acórdão que invalida lançamento tributário, em razão da existência de vício, se exige a identificação desse vício, mas é desnecessária a sua qualificação.
Numero da decisão: 1301-002.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento aos embargos, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que votaram por seu acolhimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento aos embargos, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que votaram por seu acolhimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
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ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. NATUREZA DO VÍCIO. Do acórdão que invalida lançamento tributário, em razão da existência de vício, se exige a identificação desse vício, mas é desnecessária a sua qualificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento aos embargos, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que votaram por seu acolhimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 80 65 /2 01 3- 11 Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.216 S1C3T1 Fl. 1.726 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 1707) opostos pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 1301002.051, prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 8 de junho de 2016 (fls. 1675/1705). No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, termos em que, segue ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. OCORRÊNCIA. A autoridade fiscal está obrigada, por força do artigo 20A da Lei 9.430/96, a intimar o contribuinte para que, no prazo de trinta dias, apresente novo cálculo de acordo com o método que lhe seja mais favorável. Tratandose de norma de caráter eminentemente procedimental, o preceito do art. 20 A da Lei nº 9.430/96 é imediatamente aplicável. A ausência de intimação do contribuinte para apresentar novo método que pudesse lhe ser mais favorável, em razão da desqualificação dos critérios de cálculo adotados, importa a nulidade do lançamento de ofício, em razão da inobservância de norma que disciplina o seu procedimento. Alega a embargante que o Acórdão combatido estaria eivado de omissão relacionado a ponto de importância fundamental para o deslinde da controvérsia jurídica quanto ao tipo de nulidade que ensejou a anulação do lançamento de ofício, se se trata de nulidade formal ou material. Entende ainda a postulante que "é indispensável o esclarecimento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN: Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.216 S1C3T1 Fl. 1.727 3 Partindo da premissa de que houve nulidade, a Fazenda Nacional entende que se trata de nulidade formal, pois seu fulcro estaria centrado em fato procedimental. No entanto, fazse necessária, para que se espanquem tergiversações, a manifestação expressa dessa Colenda Câmara. Às fls 1.717/1.718 encontramse os despachos de admissibilidade dos embargos. É o relatório Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Os embargos encontramse tempestivos, conforme o estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e demais alterações. Ademais, a embargante apontou objetivamente a omissão que pretende ver sanada, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos. Diante da decisão do Colegiado que anulou o lançamento, a embargante entende que nulidade é termo equívoco e que se torna necessária a especificação do seu sentido, sendo indispensável tal questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173, do CTN: Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Devemos aqui ressaltar que a nulidade do lançamento se deu pelo não atendimento, por parte da fiscalização, do determinado no art. 20A da Lei 9.430/96: Art. 20A. A partir do ano calendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o ano calendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.216 S1C3T1 Fl. 1.728 4 § 1o A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. § 2o A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput: I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. § 3o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput. O Acórdão embargado, no tocante a este ponto trouxe as seguintes palavras: "O artigo 20A da Lei n° 9.430/96 determina que, caso o método eleito pelo contribuinte ou um de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, o sujeito passivo deverá ser intimado para apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, novo cálculo de acordo com outro método previsto na legislação. [...]Considerando que a norma contida no artigo 20A é eminentemente procedimental, disciplinando o processo de fiscalização em matéria de preços de transferência, não há dúvida que a mesma encontrase abarcada pelo comando do art. 144 do CTN. No caso presente, a ausência de intimação do contribuinte para apresentar novo método que pudesse lhe ser mais favorável, em razão da desqualificação dos critérios de cálculo adotados, importa a nulidade do lançamento de ofício, em razão da inobservância de norma que disciplina o seu procedimento. De fato, o acórdão deixou de trazer às claras se a nulidade foi formal ou material. Nesse ponto, necessário verificar as razões que levaram a nulidade do lançamento, qual seja, a do não atendimento, por parte da fiscalização de norma determinada no art. 20A da Lei 9.430/96, por se tratar de norma procedimental, a qual o autoridade lançadora estaria sujeita, e com dever de observância a norma relativas ao preço de transferência. O embargado em suas razões de recurso (fls. 1622/1671), assim justifica, tratandose, pois, de norma de caráter eminentemente procedimental, é imediatamente aplicável, e dessa forma, se aplica a todas as fiscalizações concluídas após a sua vigência, impondo à Autoridade Fiscal, que desqualificando os critérios de cálculo do método eleito pela Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.216 S1C3T1 Fl. 1.729 5 Recorrente, a intimasse para apresentar novos cálculos de acordo com o método que lhe fosse mais favorável. Já que no caso em análise, quando do encerramento da Fiscalização, em 11 de dezembro de 2013, já se encontrava em vigor a Lei 12.715/2012, promulgada em 17 de setembro de 2012, e dessa forma, na data da lavratura do Auto de Infração, a Autoridade Fiscal já se encontrava adstrita à norma contida no artigo 20A da Lei 9.430/96. Tal desobediência ao procedimento determinado em lei e previamente estabelecido demonstrase em vicio formal, dizendo respeito às exigências legais pré estabelecidas para o ato administrativo, qual seja o lançamento tributário, ao qual o fiscalizador está plenamente vinculado, nos termos do art. 142, do CTN. “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Diante do exposto, voto por conhecer dos presentes embargos para, no mérito, darlhes provimento no sentido de esclarecer a omissão apontada, no sentido de se reconhecer para o presente caso, a existência de vício formal no lançamento exarado. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por conhecer e prover os presentes embargos declaratórios. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.216 S1C3T1 Fl. 1.730 6 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para suprir omissão no Acórdão nº 1301002.051, prolatado por esta 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara. A ilustre Conselheira Relatora julgou cabíveis os embargos, votando por dar lhes provimento. Desse entendimento, entretanto, com todo respeito, peço licença para divergir. A embargante busca esclarecer o tipo de nulidade que ensejou a invalidação do lançamento de ofício, ou seja, pretende que se diga se a nulidade é ou não de natureza formal. A importância de esclarecer esse ponto vem do fato de que dele depende a aplicação do art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Posicionandose acerca da matéria, a embargante sustenta que a nulidade fora baseada em fato procedimental, portanto o vício seria de natureza formal. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. Como se vê, em se tratando de omissão, os embargos se mostram cabíveis apenas nas hipóteses em que o órgão julgador, estando obrigado a se manifestar sobre determinada questão, deixar fazêlo. Portanto, só haverá omissão que dê ensejo a embargos, quando e se existir o dever de tratar ou de abordar, na decisão, determinado ponto. No caso dos autos, a embargante quer que o órgão julgador, que já reconheceu a existência de vício a invalidar o lançamento, volte a se manifestar nos autos para, dessa vez, qualificar o vício e, por conseguinte, a própria nulidade, de modo a abrir caminho para a aplicação do disposto no art. 173, inciso II, do CTN, e assim, devolvendose prazo ao Fisco, viabilizar a realização de novo lançamento, agora observando a forma correta. A questão que foi trazida ao órgão julgador, e diante da qual ele tinha de se posicionar, dizia respeito à existência ou não de vício; e, se existente, qual seria o efeito que ele poderia projetar sobre o lançamento. Essa resposta foi dada, e o lançamento veio a ser anulado. Mais do que isso, o órgão julgador não estava obrigado a falar. Classificar a nulidade como decorrente de vício formal ou de vício de outra natureza não cabia ao CARF, nem era necessário fazêlo nesse momento. O que se questionava no recurso era a validade do lançamento. Essa questão foi efetivamente examinada e decidida, sem qualquer omissão que pudesse render ensejo a embargos. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.216 S1C3T1 Fl. 1.731 7 No mais, é ocioso definir, no caso concreto, se o vício é formal ou não, porque essa avaliação, por não estar no centro da controvérsia, não vincula nem a autoridade lançadora, nem o próprio CARF. Se o Delegado da Receita Federal entender que o vício que deu causa à nulidade do lançamento é de natureza formal, ele poderá, com fulcro no art. 173, inciso II, do CTN, determinar a realização de um outro lançamento. Aí, sim, examinar a natureza do vício que motivou a anulação do primeiro passa a ser indispensável para decidir a validade do segundo. A natureza do vício do primeiro lançamento emerge como questão prejudicial no julgamento da validade do segundo. Ao julgar o segundo lançamento, e decidir a questão prejudicial, o órgão julgador (DRJ ou CARF) não estará vinculado às conclusões exaradas no primeiro processo quanto à natureza do vício. Eis aqui o ponto: se qualificar o vício não modifica o resultado do julgamento (que continuará sendo pela nulidade do auto de infração), não vincula a autoridade lançadora (que pode ou não determinar a realização de novo lançamento), nem a DRJ ou o CARF (que podem, quanto à natureza vício, decidir de forma contrária à decisão exarada no processo anterior), então é forçoso concluir que o acórdão embargado não tinha mesmo de se manifestar sobre esse ponto. Por essas razões, é lícito concluir que não existe omissão que possa render ensejo a embargos declaratórios. Conclusão Pelo exposto, considerando que não foi demonstrada a omissão, voto por negar provimento aos embargos de declaração interpostos pela PFN. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Fl. 1731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002086/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 05/02/2003 a 29/10/2003
Ementa:
DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO LEGAL.
INSUFICIÊNCIA DOS VALORES EXPORTADOS.
O descumprimento de qualquer uma das condições estabelecidas - o que inclui a inobservância do prazo de validade-, no regime de drawback na modalidade suspensão, ensejam a cobrança de tributos relativos às
mercadorias importadas
Numero da decisão: 3302-003.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Regimes Aduaneiros Período de apuração: 05/02/2003 a 29/10/2003 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO LEGAL. INSUFICIÊNCIA DOS VALORES EXPORTADOS. O descumprimento de qualquer uma das condições estabelecidas - o que inclui a inobservância do prazo de validade-, no regime de drawback na modalidade suspensão, ensejam a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas
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DESCUMPRIMENTO DO PRAZO LEGAL. INSUFICIÊNCIA DOS VALORES EXPORTADOS. O descumprimento de qualquer uma das condições estabelecidas - o que inclui a inobservância do prazo de validade-, no regime de drawback na modalidade suspensão, ensejam a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Fl. 1520DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Walker Araújo, Paulo Guilherme Dérouledè, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado. Relatório A questão tem início em procedimento de fiscalização 1 dos Atos Concessórios de Drawback n. 20020205473; 20030047650; 20030120349; 20030127785 e 2003016441. Diante da ausência de resposta do contribuinte, foi lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização e lançada a multa prevista no inciso IV, alínea c, do art. 107 do Decreto-Lei n. 37/1966, com a redação conferida pela Lei n. 10.833/2003. Em decorrência das informações obtidas após a finalização do procedimento fiscalizatório, foi lavrado auto de infração, que instrumentaliza a exigência de R$5.067.030,00, montante esse que corresponde ao Imposto de Importação, acrescido de juros de mora e multa proporcional devidos pela contribuinte. A contribuinte apresentou suas razões de defesa em impugnação. Nessa oportunidade a contribuinte alega, em síntese, que a obrigação principal para a fruição do benefício aduaneiro é a "vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados, bem como a efetiva exportação da mercadoria" e que o fiscal exige é o "cumprimento das obrigações acessórias" que não são suficientes para caracterizar o inadimplemento alegado. (volume 1 - fls. 151/ 168 dos autos eletrônicos). A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em São Paulo (SP) em acórdão assim ementado: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de Apuração: 05/02/2003 a 29/10/2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO LEGAL. O descumprimento das condições estabelecidas, em relação ao prazo de validade , no regime de Drawback, na modalidade Suspensão, ensejam a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas. DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO: COMPETÊNCIA DA SRFB. Compete à SRFB a fiscalização dos tributos suspensos pela aplicação do regime de drawback, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pelo importador, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente, podendo, inclusive, ter acesso, a qualquer tempo, à escrituração fiscal e aos 1 Inaugurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n. 0812400-2007-00296-7 e do Termo de Início de Fiscalização e de Intimação Fiscal em 20/03/2007. Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 13839.002086/2007-89 Acórdão n.º 3302-003.509 S3-C3T2 Fl. 1.521 3 documentos contábeis da empresa, bem como ao seu produto produtivo, a fim de possibilitar o controle da operação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado A contribuinte foi intimada sobre o teor do acórdão proferido no julgamento de sua impugnação em 14/06/2012 (Aviso de Recebimento Postal acostado aos autos eletrônicos), e o recurso voluntário foi tempestivamente interposto em 13/07/2012 (fl. 1.453), motivo pelo qual dele conheço. MÉRITO A contribuinte ora recorrente sustenta que as Notas Fiscais que integram os autos são provas suficientes que cumpriu fielmente o compromisso de exportar os produtos produzidos, e que o auto de infração foi lavrado em decorrência do não cumprimento das obrigações acessórias. Esclarece que: "o drawback nada mais é que um efetivo favorecimento à exportação, instrumentalizado em um pacto celebrado entre a SECEX (Secretaria de Comércio Exterior) e o Contribuinte, por meio do qual o segundo, utilizando-se de um benefício fiscal para importar insumos, qual seja, a suspensão de tributos, se compromete a exportar um novo produto, elaborado com base nos insumos importados nos termos do pacto que fora celebrado. A regra, portanto, é a da necessária vinculação física entre insumos importados e os produtos exportados, bem como a efetiva exportação da mercadoria par o adimplemento das condições estabelecidas nos Atos Concessórios" (fl. 1.458) Aduz que o fiscal autuante, apesar de reconhecer a existência de Registros de Exportação no sistema SISBACEN, estes vinculados aos Atos Concessórios objeto da fiscalização, erroneamente concluiu que não foram realizadas as exportações prometidas, adotando a "mera presunção, baseando-se exclusivamente na não apresentação dos Laudos Técnicos e dos Cronogramas de Produção" (fl. 1.459). Fl. 1522DF CARF MF 4 Sobre a regra da vinculação física, esclarece que as notas fiscais trazidas aos autos em sede de impugnação (Documento 7) comprovam que "a recorrente efetivamente exportou as mercadorias produzidas a partir dos insumos importados, adimplindo integralmente a obrigação firmada nos atos concessórios" (fl. 1.465). Afirma que o instituto do drawback é um incentivo fiscal alçado ao plano constitucional (art. 153, §2º e art. 155, X, alínea a) porque tem por finalidade garantir o estímulo econômico às exportações de produtos brasileiros, o que leva a seguinte conclusão: "Temos assim, que se comprovado o alcance do objetivo maior do Drawback, qual seja, a exportação dos produtos industrializados, encontra-se atingida a meta do referido incentivo fiscal, o que resulta em um regime aduaneiro cumprido e encerrado. Esse princípio vale, inclusive para o cumprimento extemporâneo do referido Regime Especial de Drawback, pois, ainda que fora do prazo concedido, o objetivo maior fora cumprido, o que quer dizer que divisas entraram no país e a exportação fora fomentada" (fl.1.467). Informa que os pedidos de prorrogação de cada um dos Atos Concessórios foram formulados tempestivamente. Porém, não puderem ser processados em tempo, já que a autoridade administrativa passou a exigir a quitação de todos os débitos tributários existentes e a apresentação de Certidões Negativa de Débito. A contribuinte alega que foi obrigada a exportar os produtos industrializados (para cumprir prazos contratuais) sem que pudesse vincular as Notas Fiscais de Exportação aos Atos Concessórios, já que esses haviam expirado, "o que fez com que, em muitos casos, a mercadoria fosse classificada em um novo NCM, haja vista que a exportação passou a ser considerada comum" (fl.1.470). Ao final requer: "Esclareça-se, por derradeiro, que caso seja mantido os termos do Acórdão, principalmente no que tange a sanção por falhas formais na documentação comprobatória do Ato Concessório de Drawback, não seria esta a presunção do não cumprimento dos mencionados atos, com o conseqüente recolhimento de todos os tributos suspensos desde a importação, mas sim poderia ser aplicada uma multa pelo não cumprimento da vinculação das notas fiscais e pela utilização de outra classificação de produtos, obrigações meramente acessórias, e nada mais" (fl. 1.470). Os argumentos do recorrente podem ser sintetizados da seguinte forma: 1. Foi cumprido o objetivo principal estipulado pelas normas que regulamentam o regime especial aduaneiro de drawback, que é a exportação de produtos brasileiros; 2. O não cumprimento das obrigações acessórias não enseja a penalidade aplicada; 3. O fiscal reconhece a existência de Registros de Exportação, mas presume que as exportações não foram realizadas porque não foram apresentados os Laudos Técnicos e os Cronogramas de Produção; Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 13839.002086/2007-89 Acórdão n.º 3302-003.509 S3-C3T2 Fl. 1.522 5 4. Os documentos que comprovam a vinculação dos produtos importados com os produtos industrializadas estão nos autos - Notas Fiscais - Documento 7 acostado a impugnação; 5. A exigência de Certidão Negativa de Débito fez com que se tornasse impossível obter a prorrogação dos Atos Concessórios, apesar de ter sido solicitada tempestivamente; 6. Por terem os Atos Concessórios expirado, não foi possível vinculá-los às Notas Fiscais de Exportação. Sobre o item 5 é importante ter em mente que a regra do drawback prevê que sempre que ocorrerem modificações nas concessões aprovadas no ato concessório (inclusive para as prorrogações) é necessário apresentar a Certidão Negativa de Débito (art. 94, III da Portaria n. 23 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Desse modo, a inexistência da CND é o próprio fundamento para a negativa do pedido de prorrogação do benefício fiscal, ainda que solicitado tempestivamente. Sobre o item 6, esclareço que a argumentação do recorrente comprova que não foram cumpridos os prazos exigidos nos Atos Concessórios, já que as exportações foram realizadas após expirado o prazo inicialmente estipulado. Entendo que a regra prevista no parágrafo único do art. 340 do Regulamento Aduaneiro é expressa em limitar o prazo de vigência do regime em um ano, podendo este ser prorrogado. Compete a administração tributária fiscalizar as operações de comércio internacional e, para tanto, deve se balizar pelas regras vigentes. Não é permitido ao auditor fiscal flexibilizar os prazos e condições do regime aduaneiro, sob pena de incorrer em desídia. Deste modo está correta a autuação, já que no período da fiscalização constatou-se a extemporaneidades das operações de exportação. Ainda que superada a questão sobre as exportações realizadas fora do prazo previsto nos Atos Concessórios, ainda remanesce o fato que as exportações não foram feitas no montante previsto. Sobre esse ponto o recorrente não apresentou defesa, o que implica a admissão deste fato como incontroverso. A normatização do drawback 2 determina que a comprovação das exportações, para fins de cumprimento das obrigações estipuladas nos Atos Concessórios, deve ser feita pelo cotejo das informações prestadas nas Declarações de Importação e nas dos Registros de Exportação . Não se olvide afirmar que, em atenção ao Princípio da Verdade Material admitir-se-ia outro documento que provasse o que alega o contribuinte. No entanto, como já dito, não houve qualquer manifestação da recorrente sobre as exportações insuficientes para cumprir o acordo como também não há nos autos qualquer outro tipo de prova que pudessem inferir o contrário do que consignado no auto de infração. A Portaria n. 23 do MDIC consigna que é na oportunidade em que o pedido de drawback é feito que se define os montantes dos produtos a serem exportados, conforme se verifica da leitura do artigo abaixo transcrito: Art. 88. O pedido de drawback poderá abranger produto destinado à exportação diretamente pela beneficiária (empresa industrial ou equiparada à industrial), bem como ao 2 Portaria SECEX n. 14/2004; art. 352 do Regulamento Aduaneiro; Decreto n. 4.543/2002. Fl. 1524DF CARF MF 6 fornecimento no mercado interno a firmas industriais- exportadoras (drawback intermediário), quando cabível. § 1º Deverão ser definidos os montantes do produto destinado à exportação e do produto intermediário a ser fornecido, observados os demais procedimentos relativos ao drawback intermediário. (...) § 3º os prazos de suspensão de que trata este artigo terão como termo final a data limite estabelecida no ato concessório de drawback para efetivação das exportações vinculadas ao regime, nos termos do Anexo IX. (grifos nossos) A jurisprudência deste Conselho é uníssona ao garantir que a inobservância dos requisitos previstos nas normas sobre drawback, ainda que seja as exportações em montante insuficiente para cumprir com o acordo assumido, enseja o reconhecimento do inadimplemento do Ato Concessório. A propósito: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF - Terceira Seção OITAVA CMARA - TERCEIRA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO MATÉRIA: II, IPI ACÓRDÃO: 3803-005.106 Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/06/2001 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK SUSPENSÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS NORMATIVOS. INADIMPLEMENTO PARCIAL DO REGIME. Caracteriza a inobservância de requisito normativo para a concessão do benefício fiscal a não comprovação da exportação de produtos em que tenham sido utilizados os insumos importados com suspensão de tributos, ocorrida nos limites, condições e termos do Ato Concessório de Drawback, devendo ser exigidos os tributos que a eles correspondam. REGIME ESPECIAL DE DRAWBACK SUSPENSÃO COMUM. EXPORTAÇÕES EFETUADAS POR EMPRESAS ESTRANHAS AO ATO CONCESSÓRIO. A realização de exportações por meio de empresas estranhas ao Ato Concessório caracteriza o descumprimento de requisito normativo para a concessão do benefício fiscal, devendo ser exigidos os tributos relativos às mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de Drawback Suspensão Comum. (grifos nossos) Assim, considerando que há de ser tido como incontroverso o fato que as exportações realizadas pela contribuinte não atingiram o montante estipulado no Ato Concessório, é de rigor a manutenção da autuação fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 13839.002086/2007-89 Acórdão n.º 3302-003.509 S3-C3T2 Fl. 1.523 7 Lenisa Prado - Relatora Fl. 1526DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.006170/2001-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42.
INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4:
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
A vedação ao confisco estabelecida pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Numero da decisão: 2402-005.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42. INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4: MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação ao confisco estabelecida pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 61 70 /2 00 1- 43 Fl. 310DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13808.006170/200143 Acórdão n.º 2402005.690 S2C4T2 Fl. 310 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO (fls. 234/243), que julgou parcialmente procedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF, relativo ao ano calendário 1998 / exercício 1999, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 223.380,55, montante que inclui valor principal (R$ 86.732,89), multa de ofício de 112,5% (R$ 97.574,50) e juros de mora calculados até 28/12/2001 (R$39.073,16). Consta do Auto de Infração (fls. 178/180) que o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 171/175, foram examinadas as contas mantidas junto ao Banco Itaú S/A, Banco Bradesco S/A e Banco do Estado de São Paulo S/A, tendo sido constatados depósitos bancários não justificados nos respectivos montantes de R$ 165.968,19, R$ 16.468,94 e R$ 148.664,31. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 185/192) alegando, em síntese, que: o Código Tributário Nacional CTN, em seu art. 43, define como fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza a aquisição de disponibilidade econômica, entendendose como renda o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e como proventos de qualquer natureza os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito anteriormente exposto. Dai resulta que a base de cálculo a ser considerada deve sempre referirse à renda efetivamente auferida pelo contribuinte; a Fiscalização entendeu de modo diverso do previsto no CTN, pois considerou todos os depósitos efetuados nas contas correntes do contribuinte como renda ou acréscimo patrimonial, o que não pode ser aceito; no período da autuação exercia atividade informal, consistente na compra e posterior revenda de veículos, aproveitandose para tanto do pequeno patrimônio acumulado em anos de trabalho. Assim, os depósitos efetuados em suas contas bancárias não constituem renda ou provento, no sentido técnicolegal do termo, posto que resultantes do giro de patrimônio preexistente; É dever da fiscalização apurar, dentre os depósitos efetuados, aquilo que efetivamente possa ser considerado como renda ou provento de qualquer natureza, descontandose a parcela referente ao patrimônio já amealhado pelo interessado nos exercícios anteriores; Fl. 312DF CARF MF 4 na fase de fiscalização, foram apresentados documentos comprobatórios do quanto alegado, sem que tivessem sido levados em conta pelo fiscal autuante; presumir que todo e qualquer depósito efetuado em conta do contribuinte constitua renda, é algo que não só repudia ao bom senso, quanto à legislação tributária aplicável, em especial o art. 43, incisos I e II, do CTN; a autuação, nos moldes em que foi feita, fere os princípios constitucionais da estrita legalidade por apoiarse em base de cálculo superestimada e da capacidade contributiva por fazer incidir tributação em muito superior à verdadeira atividade econômica do contribuinte; é incabível a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, estabelecida pelo Banco Central, refletindo a taxa de juros do mercado. Não pode o Estado pretender substituirse às entidades financeiras auferindo ganho defeso, por meio da cobrança de escorchantes juros a seus contribuintes, muito superiores ao patamar de 1% definido pelo CTN. Trata se de anatocismo já repelido pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. a Constituição Federal em seu art. 150, inciso lV, veda a utilização de tributo com efeito de confisco. No caso em apreço, foi aplicada multa equivalente a 112,50% sobre o valor do tributo, superior, portanto, ao valor do imposto apurado. Tal pena fiscal tem o condão de fazer desaparecer o patrimônio sobre a qual incide, caracterizando abuso inconstitucional do poder tributante. A DRJ/SPO, por seu turno, julgou a impugnação parcialmente procedente por entender que: a) o Auto de Infração não fere a quaisquer dispositivos do Código Tributário Nacional e está de acordo com o art. 42 da Lei nº 9.430/1996; b) a presunção legal quanto a omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante comprovação da origem dos recursos; c) embora o contribuinte tenha alegado que exercia atividade informal de compra e revenda de veículos, sendo que os depósitos verificados em suas contas refletiam apenas o giro de patrimônio preexistente, os documentos apresentados no intuito de comprovar tais alegações consistem em cópias, algumas apenas parcialmente legíveis, de recibos de sinal e principio de pagamento emitidos por "Brito Veículos de Qualidade", em que estão discriminados o veiculo vendido, os dados do comprador e a forma de pagamento (valores, datas e, eventualmente, veículos dados como parte de pagamento); d) não foram juntados outros elementos para a efetiva comprovação das operações, como cópias dos certificados de propriedade ou dos documentos de transferência, quer dos veículos vendidos ou dos recebidos, bem como cópias dos documentos de identidade ou do CPF dos compradores. Também não está consignado o vínculo existente entre o interessado e a empresa emitente dos recibos em análise; Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13808.006170/200143 Acórdão n.º 2402005.690 S2C4T2 Fl. 311 5 e) não há correspondência de datas e valores entre os depósitos relacionados às fls. 17/20, objeto do lançamento, e as quantias recebidas como pagamento pelos veículos alienados, na forma discriminada nos recibos anexados. Cita como exemplo o recibo de fl. 211, escolhido apenas por ser um dos mais legíveis, datado de 07/04/1998, que aponta como sinal um cheque de R$ 3.000,00 e que, confrontado com a relação de fls. 17/20, não se vislumbra qual depósito que poderia vir a ser justificado por esta importância. Informa que o mesmo ocorre com os demais recibos apresentados, destacando que aqueles de fls. 213 e 223/229 referemse ao anocalendário de 1999; f) quanto à alegação de que o procedimento feriu o princípio constitucional da legalidade, registra que o lançamento foi efetuado com base nos estritos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Eventual questionamento quanto à inconstitucionalidade deste dispositivo legal deve ser dirigido ao Poder Judiciário, sendo defeso à esfera administrativa apreciar tais arguições; g) quanto à alegada infringência ao princípio da capacidade contributiva, uma vez tratarse de preceito que compete ao legislador observar quando da formulação da lei, resta à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações constatadas; h) no que se refere aos juros aplicados com base na taxa SELIC, há previsão em lei para a correção de tributos não recolhidos em época própria com base nessa taxa, sendo que inexiste declaração de inconstitucionalidade pelo STF em face da norma que trata da matéria; i) com relação à multa de ofício, aplicada no percentual de 112,5%: assevera que a multa foi aplicada com base no inciso do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 que, por estar em pleno vigor, não pode ter sua aplicação afastada pela autoridade administrativa em virtude de alegação de inconstitucionalidade; entenderam os julgadores de primeira instância que, tendo o contribuinte respondido às intimações, chegando a apresentar os extratos bancários que serviram de base para a autuação, o fato de não ter atendido a intimação no que diz respeito à comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes bancárias, por meio de documentos hábeis e idôneos, não leva à conclusão da existência de total negligência, por parte do autuado, para com o trabalho da fiscalização, pois, possivelmente, o contribuinte não tinha como apresentar tais documentos; pelas razões aduzidas, o agravamento da multa foi afastado e seu percentual reduzido para 75%. O Contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/01/2003 (fls. 252/253 e 254/260), tendo sido intimado a instruílo com arrolamento de bens e cópia da última declaração do IRPF (doc. de fl. 262). Tendo em vista a não apresentação do arrolamento, negouse seguimento ao recurso voluntário e procedeuse à inscrição do débito em dívida ativa (doc. de fl. 265 e de fl.274/276) Posteriormente, em análise de petição do Recorrente, a peça recursal foi novamente apresentada (fls. 280/288), tendo sido acolhida com base no Ato Declaratório Fl. 314DF CARF MF 6 Interpretativo RFB nº 16/2007, proferido em face da ADI nº 1976/2007, consoante despacho de fls 290/291. Em seu Recurso Voluntário o sujeito passivo repisa as alegações trazidas na peça impugnatória e argumenta adicionalmente que: A doutrina processual explica que um indício e a presunção nele baseada só seriam capazes de comprovar a existência de um outro fato quando reunidos os requisitos de gravidade, precisão e concordância. Portanto, para que um indício seja passível de consideração jurídica deve compor os seguintes caracteres: a) NÃO PERMITIR DÚVIDA RAZOÁVEL; b) NÃO PERMITIR QUE DELE POSSA SER EXTRAÍDA MAIS DE UMA CONSEQUÊNCIA POSSÍVEL E c) APONTAR DIRETA E PRECISAMENTE PARA O FATO DESCONHECIDO DE FORMA A IMPOSSIBILITAR O ALCANCE DE QUALQUER OUTRO FATO. No caso da presente autuação, a exigência fiscal baseiase exclusivamente em indícios, não havendo por parte do fisco qualquer comprovação de que o contribuinte tenha efetivamente auferido a renda presumida. Outrossim, o fisco quer impor ao contribuinte o ônus de provar as suas próprias alegações, o que não se pode admitir. A esse respeito, esse próprio Conselho de Contribuintes já decidiu, litteris: “ O lançamento não pode deixar qualquer margem de dúvida, pois há de ser demorada e exaustivamente demonstrado, de forma induvidosa, quanto à materialização da hipótese de incidência objeto de sua celebração, e no caso dos autos, o lançamento é de todo inseguro. Apesar das duas diligências levadas a efeito, inexiste a certeza de que realmente ocorreu a falta imputada. Esta certeza se revelaria através das provas dos fatos que levaram a autoridade à convicção que ocorreu o fato gerados, ou seja, ocorreu a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária. O ônus da prova da ocorrência de fato gerador sempre é da autoridade lançadora. Não é correto, com base em alguns indícios, extrairse a conclusão de determinado fato, imputandose ao contribuinte o dever de provar o fato negativo... ( Sétima Câmara do Conselho de Contribuintes acórdão 10705.223, sessão 19 de agosto de 1998) ” (Grifos do Recurso Voluntário) Pede por fim que a decisão seja reformada e o auto seja julgado improcedente. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13808.006170/200143 Acórdão n.º 2402005.690 S2C4T2 Fl. 312 7 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, a o art. 3º § 1º do art. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o imposto alcança ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de acréscimos patrimoniais decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Com relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Fl. 316DF CARF MF 8 Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. [...] Consoante abordado no acórdão recorrido, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados. Vejase que, na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se elidir da tributação. Tratase, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. No presente caso, embora o Recorrente assegure que os depósitos feitos em suas contas bancárias decorreriam de atividade informal, consistente na compra e posterior revenda de veículos, não traz aos autos documentos aptos a comprovar de forma inequívoca suas assertivas. Conforme constatado no julgamento de primeira instância administrativa, os recibos carreados aos autos (fls. 208/229) foram emitidos não pelo contribuinte, mas por “Brito Veículos de Qualidade” e os valores indicados nesses recibos não guardam correspondência com os depósitos de origem não identificada relacionados nos documentos de fls. 17/20. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13808.006170/200143 Acórdão n.º 2402005.690 S2C4T2 Fl. 313 9 Asseverese que a presunção legal de omissão de rendimentos somente pode ser afastada quando são trazidos aos autos elementos de prova que permitam a identificação da fonte do crédito, o seu valor e a data além, principalmente, da demonstração inequívoca da causa pela qual os créditos foram efetuados na conta bancária do autuado. Nesse sentido, convém reproduzir trecho do voto do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo proferido em recente julgado acerca de idêntica matéria nesta mesma Turma Ordinária: Cada crédito em conta corrente deve ter íntima relação com a fonte dos recursos que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não se acatando comprovações que indiquem determinado documento para justificar a existência de vários depósitos. É de se ver que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister a simples apresentação de negativa geral ou afirmações genéricas acerca da origem dos recursos. Há estrita necessidade de que as provas refiramse a documentação hábil e idônea que possua vinculação inequívoca com os depósitos/créditos bancários. (Acórdão nº 2402005.523, de 21 de setembro de 2016 4º Câmara / 2º Turma Ordinária) Por todo o exposto, diferentemente do alegado pelo sujeito passivo, verifica se que não houve vício de legalidade no lançamento, haja vista que a autoridade autuante, tendo constatado a existência de depósitos não identificados em contas bancárias do Recorrente efetuou o lançamento do crédito tributário correspondente, nos estritos termos do § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e em consonância com o inciso II do art. 43 do CTN e com o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/88. Com relação ao argumento do contribuinte de que a autuação teria ferido o princípio da capacidade contributiva, tendo em vista que, segundo se demonstrou acima, o lançamento foi efetuado em conformidade com a legislação que rege a matéria, conferir legitimidade a tal argumento equivaleria a reconhecer a inconstitucionalidade das normas que fundamentaram a lavratura do auto de infração. Ocorre que, a teor do disposto no 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos elencados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 318DF CARF MF 10 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido, Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem lançamento de crédito tributário sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Quanto à jurisprudência administrativa trazida pelo contribuinte (acórdão 10705.223, de 19 de agosto de 1998), além de não possuir caráter vinculante em relação à administração tributária ou aos órgãos de julgamento administrativo, há que se esclarecer que tratase de decisão proferida em face de normativos que em nada se assemelham com aqueles que deram suporte ao lançamento que ora se analisa. Além disso, referida decisão foi adotada em face de contexto fático absolutamente diverso, não se servindo a fundamentar a pretensão Recorrente de ver afastado o lançamento efetuado pelo Fisco. Outra questão abordada no Recurso Voluntário, diz respeito à utilização da taxa SELIC como fator de correção do crédito tributário lançado. Sobre esse assunto, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 é expresso no sentido de que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil incidirão juros de mora calculados à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Desse modo, a despeito da jurisprudência suscitada pelo contribuinte, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 encontrase em pleno vigor, estando a administração tributária vinculada ao citado dispositivo no que se refere à aplicação dos juros moratórios. A respeito dessa matéria, cumpre reproduzir a determinação contida na súmula CARF nº 4, também de observância obrigatória no âmbito deste Colegiado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13808.006170/200143 Acórdão n.º 2402005.690 S2C4T2 Fl. 314 11 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, verificase não haver mácula na imposição dos juros moratórios definidos pela autoridade autuante e confirmados na decisão a quo. Ainda dentro do aspecto meritório, o Recorrente alega que a multa de ofício aplicada é confiscatória e inconstitucional. Informamos que o exame de tal alegação não compete a este foro, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal e em observância à previsão contida no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. De se lembrar que a decisão da DRJ/SPO, inclusive, afastou o agravamento da multa originariamente aplicada, reduzindoa do percentual de 112,5% para o patamar ordinário de 75% por entender que não restou comprovado pelo fisco que o contribuinte teria sido negligente na prestação das informações solicitadas. Ademais, frisese que a vedação ao confisco estabelecida pelo inciso IV do art. 150 da Constituição Federal é dirigida ao legislador e que toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, e em face do disposto no 26A do Decreto nº 70.235/1972 e na Súmula CARF nº 2, não se vislumbra possível o acolhimento das alegações do Recorrente quanto à inconstitucionalidade da multa de ofício. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002229/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/08/2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRABALHO SEM VÍNCULO. EMPRÉSTIMO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Comprovada a transferência de recursos da pessoa jurídica para a pessoa física, bem como a natureza da relação existente entre elas, não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos alegações desacompanhadas de qualquer documentação que lhes dê suporte quanto ao caráter de mútuo da operação.
DEPÓSITO SEM ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AC 2005.
É suficiente para caracterizar a omissão de rendimentos a identificação de depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2201-003.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA- Presidente.
assinado digitalmente
DIONE JESABEL WASILEWSKI - Relator.
EDITADO EM: 23/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique De Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa Da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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TRABALHO SEM VÍNCULO. EMPRÉSTIMO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Comprovada a transferência de recursos da pessoa jurídica para a pessoa física, bem como a natureza da relação existente entre elas, não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos alegações desacompanhadas de qualquer documentação que lhes dê suporte quanto ao caráter de mútuo da operação. DEPÓSITO SEM ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AC 2005. É suficiente para caracterizar a omissão de rendimentos a identificação de depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. assinado digitalmente DIONE JESABEL WASILEWSKI Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 22 29 /2 00 9- 29 Fl. 255DF CARF MF 2 EDITADO EM: 23/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique De Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa Da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Este processo tem por origem exigência fiscal relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física IRPF decorrente de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício omitidos em 2004, que somariam R$ 447.510,31, tendo por fonte pagadora a empresa Tyresoles de Sergipe Ind. Com. Ltda., e rendimentos recebidos em 2005, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada totalizando R$ 142.708,00. Além do imposto e juros moratórios, a exigência é composta por multa de 75% para os fatos geradores de 2005 e de 150% para o fato gerador 2004. A fiscalização justificou a aplicação da multa majorada no fato de ter o contribuinte declarado os valores recebidos da empresa Tyresoles como dívidas e ônus reais, o que evidenciaria o intuito de eximirse da obrigação tributária. Regularmente intimado, o contribuinte impugnou o lançamento fiscal (fls 179194) alegando, em síntese, que: · Os depósitos bancários não são fatos geradores de IR e nem se prestam a justificar presunção de omissão de rendimentos. Invoca nesse sentido a Súmula 182 do TFR. · Os depósitos são transferências da pessoa jurídica de que é sócio. · O empréstimo obtido com a empresa Tyresoles está sendo devolvido em serviços. · Não houve dolo ou máfé. · Não pode ser aplicada a multa de 150% sobre infração regulamentar. · Houve cerceamento do direito de defesa porque não pôde contestar a multa. A impugnação foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/SDR, que manteve o lançamento fiscal em sua integralidade (fls 199 e ss). Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário (fls 206 a 224) no qual adota, em linhas gerais, as mesmas teses de defesa utilizadas na impugnação, acrescentando apenas protesto pela nulidade da autuação em função da quebra de sigilo bancário. Seus argumentos podem ser assim resumidos: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10510.002229/200929 Acórdão n.º 2201003.433 S2C2T1 Fl. 256 3 · O método adotado para apuração do imposto devido presunção decorrente de depósitos sem origem comprovada é inadequado, já que as saídas também devem ser consideradas e não apenas as entradas. · Os valores que transitaram pelas contas já foram tributados na pessoa jurídica de que é sócio. · O empréstimo tomado está sendo pago em serviços mensais. · A quebra do sigilo bancário do contribuinte é causa de nulidade do lançamento. Vindo a ter a este Conselho de Contribuinte, o processo foi inicialmente sobrestado (fls 227) em função da repercussão geral reconhecida pelo STF em matéria similar à que nele se debatia: Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Encerrado o sobrestamento, o processo voltou à pauta de julgamento tendo sido convertido em diligência em duas ocasiões distintas (fls 229231 e 248250) para verificar se todos os cotitulares das contas bancárias cuja movimentação deu ensejo ao lançamento haviam sido intimados para comprovar a origem dos depósitos, conforme determina a Súmula Carf nº 29. Como resultado, o Relatório de Diligência (fls 238 241) informa que a co titular, Sra. Letícia Schettino Santos, CPF 005.943.11721, em data anterior ao lançamento, foi intimada a comprovar a origem dos recursos e que, em resposta, teria se limitado a informar que os valores têm por origem a pessoa jurídica de que é sócia. Os documentos comprobatórios do quanto alegado no Relatório de Diligência estão nas fls 236 e 237 do processo eletrônico. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheiro Relatora Dione Jesabel Wasilewski O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminar quebra de sigilo bancário O recorrente invoca como causa de nulidade do lançamento a quebra de seu sigilo bancário, razão pela qual houve sobrestamento do processo, dada a similaridade entre essas alegações e a matéria à qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu repercussão Fl. 257DF CARF MF 4 geral, afetando a julgamento nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil de 1973, conforme descrito no relatório. Julgando o Tema, o pleno do STF fixou as seguintes teses: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal." "A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN." De acordo com o §2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática do art. 543B do CPC/1973 devem ser obrigatoriamente reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Carf. Sendo assim, afasto a preliminar de nulidade do auto de infração, considerando regular o procedimento fiscal no que diz respeito ao acesso às informações bancárias do recorrente. Mérito O lançamento fiscal está suportado em irregularidades de duas naturezas, que ocorreram em distintos fatos geradores: · Em 31/08/2004, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 447.510,31, que recebeu multa de 150%. · Ao longo de todo o anocalendário de 2005, omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em conta de depósito com origem não comprovada, totalizando R$ 142.708,00 (50% do valor depositado sem origem comprovada em função de se tratar de conta conjunta), com multa de 75%. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica O valor de R$ 447.510,31 foi declarado como "dívidas e ônus reais" e, quando intimada para prestar esclarecimentos, a empresa supostamente concedente do empréstimo, Tyresoles de Sergipe Ind. e Com. Ltda., apresentou recibos firmados (fls 155156) pelo recorrente, nos quais atribuía os recebimentos a "liquidação das custas dos processos... provenientes dos autos de infração da Receita Federal" e "adiantamento para liquidação dos processos". Já em fase de impugnação ao lançamento, o recorrente alegou se tratar de empréstimo e que estaria quitandoo mensalmente com a prestação de serviços. De acordo com o art. 43 do Código Tributário Nacional, fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais que não configurem produto do capital/trabalho. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10510.002229/200929 Acórdão n.º 2201003.433 S2C2T1 Fl. 257 5 Quando um contribuinte tem uma variação patrimonial incompatível com a renda declarada, há a clara sinalização de que houve omissão de renda produto do capital/trabalho ou de renda proventos de qualquer natureza. No caso em questão, identificada a origem dessa variação, a empresa Tyresoles, e tendo o contribuinte alegado que lhe presta serviços, o que evidencia a natureza da relação, há indícios suficientes para amparar a presunção de que se trata de omissão de rendimentos do trabalho. Caberia então ao contribuinte afastar essa presunção demonstrando a origem e a natureza dos valores que, aparentemente, foram incorporados ao seu patrimônio. Ocorre que o contribuinte não trouxe ao processo qualquer informação ou documento que pudesse afastar essa caracterização. Nesse intuito, não lhe socorrem alegações genéricas de que se trata de empréstimo e de que o pagamento é em serviços mensais. Sem entrar no mérito da plausibilidade desse tipo de arranjo e da total falta de comprovação documental do quanto alegado, há ainda que se considerar que mesmo adiantamentos por serviços são, em regra, rendimentos tributáveis, conforme estabelece o seguinte artigo do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): Art. 621. O adiantamento de rendimentos correspondentes a determinado mês não estará sujeito à retenção, desde que os rendimentos sejam integralmente pagos no próprio mês a que se referirem, momento em que serão efetuados o cálculo e a retenção do imposto sobre o total dos rendimentos pagos no mês. § 1º Se o adiantamento referirse a rendimentos que não sejam integralmente pagos no próprio mês, o imposto será calculado de imediato sobre esse adiantamento, ressalvado o rendimento de que trata o art. 638. § 2º Para efeito de incidência do imposto, serão considerados adiantamentos quaisquer valores fornecidos ao beneficiário, pessoa física, mesmo a título de empréstimo, quando não haja previsão, cumulativa, de cobrança de encargos financeiros, forma e prazo de pagamento. Em função do exposto, entendo que não merecem reparo o lançamento fiscal e a decisão que o manteve em primeira instância administrativa no que se refere à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no anocalendário de 2004. Multa de 150% O lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica se fez acompanhar de multa no percentual de 150%. Sobre essa matéria, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 259DF CARF MF 6 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifos acrescidos) Daí decorre que, em regra, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, quando da ocorrência de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Por outro lado, a multa de 150% é aplicada quando da ocorrência de uma das situações descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Os artigos citados dispõem que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; (...). Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No caso em questão, a fiscalização logrou demonstrar que a conduta do contribuinte foi além da mera omissão dos rendimentos recebidos, pois prestou informações que não correspondiam à verdade, o que evidencia a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador. A conduta descrita corresponde à sonegação e justifica a aplicação de multa majorada. Mantenho, portanto, a multa de 150%, tal como aplicada pela autoridade fiscal. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10510.002229/200929 Acórdão n.º 2201003.433 S2C2T1 Fl. 258 7 Omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em conta de depósito com origem não comprovada De acordo com o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Foi evidenciado no relatório que os cotitulares das contas bancárias foram intimados a comprovar a origem dos valores nelas creditados e que, em resposta, limitaramse a argumentar se tratar de recursos da pessoa jurídica de que são sócios. Entretanto, não foi juntado um único documento que amparasse essa versão dos fatos. Na verdade, a defesa do contribuinte foi centrada em atacar o método utilizado, argumentando que o cálculo deveria levar em consideração tanto as entradas como as saídas, para tributar apenas a diferença. Quanto a esse aspecto, é de se ressaltar que rendimento consumido também é rendimento tributável. Além disso, a presunção estabelecida por lei é de omissão de "receita ou de rendimento" e não de lucro. Ademais, já se encontra sumulado neste Conselho a dispensa do Fisco de demonstrar a destinação dos depósitos sem origem comprovada, o que demonstra que a "falta de comprovação da origem" é elemento suficiente para a autuação: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Registrese, por fim, que, conforme já foi ressaltado, no caso de depósito bancário sem origem comprovada a presunção da existência de rendimentos é decorrência de lei expressa nesse sentido, cabendo à autoridade fiscal, cuja atividade é plenamente vinculada, aplicála sem qualquer juízo quanto à sua conveniência e oportunidade. Se isso vale na fase de fiscalização, vale também em sede de julgamento administrativo, uma vez que este conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Enunciado nº 2 da Súmula Carf). Assim, também quanto a esse ponto, não assiste razão ao contribuinte, devendo ser mantido a auto de infração em sua integralidade. Decisão: Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. assinado digitalmente Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 261DF CARF MF 8 assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000407/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses.
DECISÃO PROLATADA. SITUAÇÃO SUPERVENIENTE.
A análise e a avaliação quanto a fatos supervenientes só pode ocorrer em fase posterior do processo, se já prolatado o acórdão da turma ordinária em decorrência do Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1201-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos opostos pelo sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Luis Henrique e Luiz Paulo que os acolhiam, com efeitos infringentes, para dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses. DECISÃO PROLATADA. SITUAÇÃO SUPERVENIENTE. A análise e a avaliação quanto a fatos supervenientes só pode ocorrer em fase posterior do processo, se já prolatado o acórdão da turma ordinária em decorrência do Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos opostos pelo sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Luis Henrique e Luiz Paulo que os acolhiam, com efeitos infringentes, para dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 04 07 /2 00 7- 54 Fl. 1167DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste Colegiado, contra o acórdão nº 1201 00.736, da lavra desta Turma. Adoto como parte do relatório excertos daquele contido no Acórdão nº 1201 000.736 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho (fls. 754 a 778), proferido em 8 de agosto de 2012, no que for pertinente à matéria (embargos de declaração), complementandoo a seguir: Tratase de auto de infração referente ao IRPJ dos anos de 2004 a 2006 (fls. 97 a 117) lavrado pelo Setor de Fiscalização da DRFVitória/ES no valor original de R$ 1.043.333.753,82 (um bilhão, quarenta e três milhões trezentos e trinta e três mil, setecentos e cinquenta e três mil reais e oitenta e dois centavos), devido a divergências encontradas na contabilidade da empresa. [...] Também ficou constatado pela fiscalização que em 13 de março de 1995 a recorrente interpôs a Ação Ordinária nº 950087464 requerendo o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989, substituindose a OTN de NCrz$ 6,92 pela NCz$ 10,51 na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, como ajuste de exercícios anteriores, ou ainda, como pedido sucessivo, compensar o imposto pago indevidamente nos últimos 5 anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais. Após contestação da procuradoria (fls. 205 a 219), o pedido da Companhia foi julgado improcedente em 1º instância (fls. 220 a 234). A Autora apresentou embargos de declaração (fls.235 a 240), os quais foram rejeitados em 18/11/1998 (fls.241 e 242). Em recurso de apelação (fls. 243 a 264), para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, a empresa solicitou que fosse reformada a sentença de 1º grau, determinando se a aplicação dos índices do IPC expurgados pelo plano Verão. A União apresentou contrarrazões à apelação (fls. 265 a 277) e, em 06/02/2002, foi proferido acórdão do Tribunal Regional da 1º Região (fls. 278 a 286), no sentido de que as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, em 42,72%. A matéria foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 355 a 359) o qual manteve o IPC de 42,72% para janeiro de 1989 e acrescentou o IPC de 10,14% para o mês de fevereiro de 1989. O processo transitou em julgado dia 01/04/2005 (fls. 383 e 384). De posse dessas informações, a fiscalização concluiu que os cálculos apresentados pelo contribuinte divergem do acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, proferido em 06/02/2002 (fls.278 a 286) e do acórdão do Superior Tribunal de Justiça (fls.355 a 359). Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 3 3 Os cálculos demonstram o ajuste que o Ativo Permanente teria com a aplicação do diferencial de correção monetária de balanço (IPC de janeiro e fevereiro de 1989), no percentual de 51,72% e consideram que esta correção monetária gerou despesas com depreciação do ativo a serem utilizados em exercícios posteriores, pois a empresa supostamente levantou base de cálculo do IRPJ e da CSLL a maior a partir do anocalendário de 1989. A fiscalização afirma que estes cálculos não estariam de acordo com a petição inicial da empresa, pois levaria em consideração apenas o expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas do Ativo Permanente (fls. 169 a 204). [...] A correção monetária do Ativo Permanente gera receita passível de tributação. A correção da formação das despesas de depreciação, amortização e baixas diminui o lucro operacional líquido, conforme as normas básicas de correção monetária. Em consequência disso, entendeu a fiscalização que a empresa não tem o direito de excluir da base de cálculo os valores abaixo descriminados: [...] Por todo o exposto, a fiscalização lavrou auto de infração no valor de R$ 1.043.333.753,82 (um bilhão, quarenta e três milhões, trezentos e trinta e três mil, setecentos e cinquenta e três reais e oitenta e dois centavos), conforme demonstrativo abaixo: A empresa Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade (fls.124 a 229) ... [...] Segundo a DRJ o pedido Inicial foi: Fl. 1169DF CARF MF 4 Sendo que após ter seu pedido negado apresentou apelação discorrendo que: Alega que o interessado jamais obteve a permissão para corrigir, unicamente, suas despesas com depreciação, amortização, baixas e prejuízos fiscais. O que ele conseguiu foi uma decisão que, ao final, lhe foi desfavorável, já que lhe concedeu o direito de corrigir "as demonstrações financeiras" pelo IPC. E daí ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através de adição ao lucro líquido, conforme planilha abaixo: Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 4 5 Assim, em função das informações prestadas pelo próprio interessado, ele teria saldos a adicionar ao lucro líquido, e não direito a deduções deste lucro. Neste ponto, a DRJ concluiu que o interessado ficou realmente com o direito de corrigir suas despesas de depreciação a partir dos meses de janeiro de 1989, mas não porque obteve este direito único. A correção da despesa se dá porque os saldos das contas do ativo permanente deveriam ser todos corrigidos. O que ocorreu é que o interessado quis se beneficiar tão somente da correção destas despesas e não ofereceu à tributação (Adição ao lucro líquido) o Saldo Credor da correção pelo IPC/BTNF (Correção do Ativo Permanente — Correção do Patrimônio Líquido), conforme disposto na decisão judicial e na legislação do IRPJ e da CSLL. [...] A Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 378 a 462), em que repisou os argumentos aduzidos em sua impugnação. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, frente ao Recurso Voluntário do Recorrente, apresentou Contrarrazões (fls. 664 a 690) pleiteando pela improcedência do recurso voluntário, alegando que a requerente distorceu as decisões judiciais a seu favor. Foi proferida a decisão de segunda instância administrativa, cuja ementa está assim redigida: AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional “deva” circunscreverse àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulála, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide. A contribuinte interpôs Embargos de Declaração de acordo com a peça acostada às fls. 785 a 793, em que alegou: A contradição a ser sanada está no fato de que a decisão embargada admite, como não poderia deixar de ser, que a depreciação é parte da correção das demonstrações financeiras, mas nega a sua dedução por força de outro fenômeno tributável. A contradição ora apontada nasceu no fato de que a decisão embargada misturou duas consequências distintas e autônomas da correção das demonstrações financeiras, quais sejam: a) a necessária apuração de um saldo entre a correção do ativo e do passivo, que, no caso, seria um saldo credor (receita), que segundo a decisão embargada deveria ter sido oferecido à tributação; Fl. 1171DF CARF MF 6 b) a correção do ativo, por si, irá gerar sempre o direito à dedução de depreciações, amortizações e baixas em períodos subsequentes, exatamente o que foi feito pela Embargante e glosado pela decisão embargada como se fosse uma alteração do resultado (saldo credor) descrito na alínea a, acima. [...] A contradição ora apontada (admitir haver um saldo credor a ser tributado, mas glosar o direito autônomo de depreciar o saldo corrigido do ativo permanente) decorre, portanto, de uma verdadeira omissão, que foi o não reconhecimento de que a dedução das despesas de depreciação, amortização e baixas integram, fazem parte, estão contidas, na correção das demonstrações financeiras. Fica bastante evidente essa omissão quando a decisão recorrida, ao abordar o aspecto temporal do direito emanado da coisa julgada, afirma que a Embargante teria que apurar os efeitos da coisa julgada no próprio período de apuração em que obtido o provimento jurisdicional definitivo: "Como a contribuinte interpôs a ação com vistas ao reconhecimento de um direito, e tendo em conta o principio contábil da prudência, esse direito há que ser reconhecido na contabilidade da empresa no período de apuração em que ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, no caso, no 2° trimestre do ano de 2005." (fl. 756) Não se pretende corrigir, em sede de Embargos, o erro relativo à data do trânsito em julgado, mas apenas demonstrar que realmente seria correto adotar esse marco temporal (data do trânsito em julgado) em se tratando de tributar o saldo credor de correção monetária, respeitandose a legislação da época de ocorrência dos fatos geradores. Mas seria inviável, por questão de lógica contábil, jurídica e econômica deduzir depreciações do ativo permanente corrigido no mesmo instante do trânsito em julgado. No máximo, poderia ser exigido que a Embargante deduzisse o saldo da parcela da correção pelo IPC das depreciações apurado entre 1989 e a data do trânsito em julgado, mas sequer foi admitida qualquer dedução. Quanto a esse aspecto temporal, a Embargante respeitou a competência mediante dedução fiscal de parcelas de correção monetária do ativo permanente já integralmente depreciadas antes dos períodos de apuração objeto das autuações (último trimestre de 2005 e os quatro trimestres de 2006). Afinal, não se deve olvidar que, mesmo se aplicada sobre toda a demonstração financeira, a ação judicial transitada em julgado diz respeito apenas à correção monetária, portanto, essa correção deve seguir os períodos de apuração em que o principal (ativo permanente, como parte integrante das demonstrações financeiras) é realizado via depreciação, amortização e baixa. Manter a conclusão da decisão embargada conduziria não só a inversão do resultado do julgamento do TRF da 1ª Região, mas terminaria por atingir o intento que a própria decisão embargada pretendeu afastar, qual seja: se a Embargante não poderia corrigir apenas o que lhe interessa (ativo permanente), também não poderia o fisco pretender corrigir "todo balanço" sem considerar que os ativos sofrem depreciação. Ignorar esse direito seria exatamente aplicar a correção apenas no que interessa ao fisco. Por fim, o direito à depreciação do saldo do ativo permanente corrigido não decorre tão somente do comando judicial transitado em julgado. A própria legislação de regência da Correção Monetária de Balanço, conforme exaustivamente Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 5 7 apresentado na Impugnação e no Recurso Voluntário da Embargante, autoriza tal dedução fiscal na base de cálculo do IRPJ e da CSL, até por que a depreciação é um item de custo indissociável da apuração do lucro tributável. (Destaques no original) Os embargos foram admitidos conforme despacho de fls. 796 e 797: Pelo exame do acórdão embargado, em especial do voto vencedor, é possível verificar que de fato tratouse ali apenas dos efeitos da coisa julgada sobre saldo da correção monetária de balanço do ano de 1989, não havendo sido abordada a questão das próprias despesas depreciação, amortização e baixa de ativos no ano de 1989 e nos anos posteriores. Tendo em vista o exposto, proponho sejam admitidos os presentes embargos e submetidos à apreciação da turma. Em 04/12/2015 a embargante juntou aos autos documento com informação sobre "situação jurídica superveniente", nos seguintes termos (fl. 936 e ss.): [...] Ocorre que, posteriormente à oposição dos referidos Embargos Declaratórios, nos autos da liquidação de sentença da Ação Ordinária n.º 95.00087464, ainda em trâmite perante a 13.ª Vara Federal do Distrito Federal, foi proferida decisão definitiva que afeta diretamente a análise dos referidos Embargos Declaratórios por esta Turma julgadora. Em breve relato, a Fazenda Nacional, ao ser intimada naquele processo sobre a destinação dos depósitos judiciais efetuados pela ora Requerente, argumentou que, segundo seu entendimento, todo o montante depositado deveria ser convertido em renda da União, pois o fato de a Embargante ter apurado saldo credor de correção monetária de balanço em 1989 faria, supostamente, com que a empresa tivesse obtido provimento judicial diverso daquele formulado no pedido da Ação Ordinária (documento n.º 1). Esse é o mesmo fundamento que embasa as autuações que originaram os processos administrativos em epígrafe, no que se refere à glosa do "Plano verão". Ao apreciar esse pleito da Fazenda Nacional, o Juízo da liquidação de sentença confirmou os termos e o alcance da decisão transitada em julgado defendidos pela Requerente durante todo o trâmite dos processos administrativos (documento n. 2), nos seguintes termos: Ora, se a pretensão, como visto, versa sobre a dedução da base de cálculo do IR e da CSLL das despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, em relação à diferença do expurgo de janeiro/89, pretender a aplicação do ajuste em rubricas diversas dos demonstrativos financeiros, implica violação da coisa julgada. [...] Devese, pois, considerar as lindes do pedido para a correta interpretação do trânsito em julgado, de modo a entender que a recomposição do ativo permanente, apenas, não desrespeita as decisões favoráveis à autora. Fl. 1173DF CARF MF 8 Contra essa decisão a Fazenda Nacional interpôs o Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000 (documento n.º 3), alegando o mesmo que se alega nos processos administrativos em epígrafe: que os índices de correção monetária reconhecidos nos autos de origem (42,72% + 10,14%) deveriam incidir sobre a totalidade das demonstrações financeiras da ora Requerente, o que geraria IR e CSLL a recolher, e não a recuperar. Contudo, o referido Agravo de Instrumento foi desprovido pelo TRF1 (documento nº. 4), em decisão transitada em julgado. Conforme se infere dos andamentos processuais (documento n. 5), os autos do Agravo de Instrumento foram baixados à origem em 03/09/2015. Na decisão, o Desembargador Novéli Vilanova assim entendeu: A pretensão da União/executada subverte a coisa julgada material e transforma a agravada/autora de vitoriosa em vencida! A sentença exequenda declarou o direito de a autora deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, decorrentes da diferença do expurgo do IPC/89 de janeiro e fevereiro de 1989. O TRF/1ª Região apenas reduziu o índice de 70,28% para 42,72% para janeiro/1989. E o STJ deferiu o índice de 10,14% para fevereiro/1989. Toda a confusão aconteceu porque na parcial reforma da sentença, o TRF, em vez de se referir às despesas de depreciação, amortização e baixa, tratou de demonstrações financeiras/balanço. Destacamos. [...] Portanto, devem ser imediatamente reconhecidos por esta Colenda Turma os efeitos da decisão proferida pelo TRF da 1ª Região, não apenas por constituir fato novo nos termos da alínea b do § 4° do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, mas por representar interpretação autêntica (já que emanada do próprio Poder Judiciário) do comando judicial transitado em julgado nos autos da Ação Ordinária n.º 95.00087464, em sentido diametralmente oposto àquele defendido no acórdão embargado. [...] Em 6 de janeiro de 2016, os autos foram encaminhados à representação da PGFN junto a este Conselho para fins de exame e manifestação sobre o documento juntado pelo recorrente. Em resposta, a PGFN afirmou, ao final, o seguinte (fl. 999 e ss.): Cabe destacar, aliás, que a decisão do STJ foi no mesmo sentido da decisão proferida pelo TRF da 1ª Região. Logo, ainda que em sede de liquidação, não poderia haver alteração dos termos do que já foi decidido em decisão transitada em julgado, ainda mais de uma decisão ratificada pelo STJ. Observase que o caso não trata de mera correção de inexatidões materiais. Ad argumentandum tantum, se algum equívoco ocorreu na decisão do TRF da 1ª Região, no sentido de se referir a demonstrações financeiras/balanço no lugar de despesas de depreciação, amortização e baixa, caberia ao contribuinte, como interessado, valerse dos instrumentos adequados para sanar tal vício. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 6 9 Certo ou errado, decisão infra ou extra petita, o fato é que o trânsito em julgado da decisão ocorreu nos termos já propugnados pela DRJ de origem, bem como pelo acórdão ora embargado. Dessa maneira, não existe fundamento que ampare a pretensão do interessado. Em face da resposta da PGFN (fls. 999 e ss.), em 3 de maio de 2016 foi tomada a Resolução nº 1201000.205 (fls. 1.033 a 1.037), com o seguinte teor: Pois bem, ao que parece houve um desencontro entre o que foi pedido por este Relator no despacho de fl. 997, e a resposta da representação da PGFN junto a este Conselho. De fato, solicitouse que a PGFN se manifestasse sobre a "situação superveniente" informada pela embargante, qual seja, a decisão transitada em julgado no TRF da 1ª Região nos autos do agravo de instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000, a qual interpretou o conteúdo da decisão transitada em julgado no STJ no âmbito do processo 95.00.087464 (nº na origem), assentando o direito da exequente (ora recorrente) em deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente com base nos índices de 42,72% para janeiro de 1989 e 10,14% para fevereiro de 1989, ao invés do direto de corrigir as demonstrações financeiras com base nos mesmos índices, tal como constava da decisão do STJ. Ora, a interpretação do conteúdo da decisão transitada em julgado no STJ foi (ao lado da questão sobre o beneficio de redução do IRPJ com base no lucro da exploração) exatamente o que ensejou a lavratura do auto de infração por exclusão indevida de despesas da base de cálculo do IRPJ (fl. 87 e ss. numeração digital). A autoridade local entendeu que a referida decisão passada em julgado no STJ dava direito à contribuinte de promover a correção monetária das demonstrações financeiras pelos índices acima mencionados, enquanto a interessada entendia que a mesma decisão lhe dava o direito de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente com base nos mesmos índices. A DRJ de origem acolheu o entendimento da autoridade fiscal (fl. 340 e ss. numeração digital), e, da mesma forma, também esta Turma (fl. 754 e ss.). Se, após a oposição dos presentes embargos a interessada noticia que o TRF da 1ª Região promoveu interpretação do julgado do STJ em sentido diverso daquele que lhe emprestou os órgãos administrativos acima referidos, a meu juízo tal situação deve, em princípio, ser reconhecida por este Conselho. Digo "em princípio" pois a decisão do TRF da 1ª Região se deu em agravo de instrumento (processo 004332773.2013.4.01.0000) onde se discutia o levantamento de depósitos judiciais e, ademais, não está claro que contra esta decisão não mais caiba recurso por parte da Fazenda Nacional. Nesse sentido, entendo que a PGFN deve pronunciarse objetivamente sobre a "situação jurídica superveniente", alegada pela embargante, e seus efeitos sobre o presente processo administrativo (vide informação à fl. 967 e ss.). Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência a fim de que a autoridade tributária de jurisdição do sujeito passivo: Fl. 1175DF CARF MF 10 a) junte aos autos cópia da decisão do TRF da 1ª Região nos autos do agravo de instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000; b) oficie a representação da PGFN junto a este Conselho a informar se a decisão acima referida é definitiva, bem como a se manifestar sobre seus efeitos sobre o presente processo administrativo; c) intime a embargante a se pronunciar sobre a manifestação da PGFN no prazo de 20 dias de sua ciência; d) após, encaminhe a este Conselho os presentes autos, bem como os autos dos processos conexos nos 15578.000206/200757, 15578.000207/200700 e 15578.000406/200718 para prosseguimento do feito. Em resposta, a PGFN/CAT assim se pronunciou (fls. 1.049 a 1.055): Quanto ao questionamento acerca do trânsito em julgado da decisão proferida no Agravo de Instrumento de nº 004332773.2013.4.01.0000, temos a informar que sim, a referida decisão de fato transitou em julgado. Já no que concerne aos efeitos desta decisão sobre o presente processo administrativo, devemos, preliminarmente, tecer alguns comentários sobre a sequência de decisões judiciais que circundam o caso em apreço. A pretensão deduzida pela empresa recorrente, nos autos da Ação Ordinária nº 95.00.087464, foi a de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989 e substituindose a OTN de NCrz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, como ajuste de exercícios anteriores, ou ainda, como pedido sucessivo, compensar o imposto pago indevidamente nos últimos 5 anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais. Tal pretensão foi, inicialmente, rejeitada por sentença, motivando a interposição de apelação junto ao TRF1ª Região, nos seguintes termos: Fls. 246 e ss “VII – CONCLUSÃO Presentemente, e por todo o exposto, a Apelante vem, reiterando os termos da peça inaugural, e por todas as razões aqui expendidas, pedir o conhecimento e total provimento da presente Apelação, para que seja totalmente reformada a sentença de 1º grau, determinandose a aplicação, nas demonstrações financeiras para fins fiscais da Autora, ou seja, para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, dos índices reais do IPC expurgados pelo ‘Plano Verão’, à razão de 70,28% para o mês de janeiro, ou, alternativamente, com a aplicação da reposição de 42,72% correspondente a janeiro de 1989, complementada pelo índice de 10,14% correspondente a fevereiro de 1989, tudo consoante a mais escorreita aplicação da jurisprudência pacificada nos Tribunais Superiores, inclusive esse E. Tribunal Regional Federal da 1ª Região.” (Grifos acrescidos) Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 7 11 Em sede de julgamento da apelação, o TRF da 1ª Região julgou a apelação parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: “TRIBUTÁRIO. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. CORREÇÃO NO BALANÇO DE 31/12/89. I – Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em tema relativo a expurgos inflacionários, as demonstrações financeiras de 1990, ano base 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, o qual restou definido pelo Superior Tribunal de Justiça em 42,72%. II – Apelação da autora parcialmente provida.” A contribuinte, então, opôs embargos declaratórios para tratar apenas e tão somente do índice de 10,14% para fevereiro de 1989, que, todavia, foram rejeitados. Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, provido pelo Superior Tribunal de Justiça nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSTO DE RENDA. IPC. JANEIRO DE 1989. REDUÇÃO. CONSEQUÊNCIA EM FEVEREIRO. 1. Este Tribunal, através da Corte Especial, ao reduzir o IPC de janeiro de 1989 de 70,28% para 42,72%, acolheu o entendimento de que o IPC do mês de fevereiro seguinte deve ser fixado no percentual de 10,14%. 2. Recurso especial provido. ” Assim, constatouse que, embora a petição inicial tenha trazido a questão da correção monetária das despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente da empresa, o fato é que o tratamento dado ao caso, a partir da interposição do recurso de apelação, foi de correção monetária sobre as demonstrações financeiras da parte. Em sede de cumprimento da decisão transitada em julgado nos autos da ação ordinária n.º 95.00.087464, a empresa recorrente aduziu que teria direito ao levantamento de 99,71% dos valores depositados judicialmente, cabendo a União a transformação em pagamento definitivo de apenas 0,29% do saldo dos depósitos. Com a aplicação da sistemática autorizada pela decisão transitada em julgado no processo de conhecimento, a RFB discordou da proposta de rateio dos valores depositados, concluindo que não haveriam valores a serem levantados pela empresa demandante, sendo certo que a integralidade dos depósitos judiciais deveria ser transformada em pagamento definitivo da União. Nada obstante, o Juízo da 13ª Vara Federal/DF, proferiu decisão onde consignou que se a pretensão versava “sobre a dedução da base de cálculo do IR e da CSLL das despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, em relação ao expurgo de janeiro/89, pretender a aplicação do ajuste em rubricas diversas dos demonstrativos financeiros, implica violação da coisa julgada”, bem assim que a recomposição apenas do ativo permanente não desrespeitaria as decisões favoráveis à autora, indeferindo, pois, a pretensão da Fl. 1177DF CARF MF 12 União relativa à incidência da correção monetária sobre as demonstrações financeiras. Foi em face desta decisão, proferida já em sede de execução da sentença, que a Fazenda Nacional interpôs o Agravo de Instrumento nº 0043327 73.2013.4.01.0000, requerendo que o cálculo de eventual valor de depósitos a ser levantado em favor da exequente seja efetuado observando a incidência de correção monetária sobre as demonstrações financeiras. O TRF da 1ª Região, analisando o feito e em reconsideração de decisão proferida anteriormente, indeferiu a suspensão do cumprimento da decisão do juiz de primeiro grau que negou a incidência da correção monetária sobre as demonstrações financeiras. Na visão do ilustre Desembargador relator, como a pretensão inicial do contribuinte “versa sobre a dedução da base de cálculo do IR e da CSSL das despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, em relação à diferença do expurgo de janeiro/89, pretender a aplicação do ajuste em rubricas diversas dos demonstrativos financeiros, implica violação da coisa julgada”. A referida decisão transitou em julgado em setembro/2015, em que pese a patente contradição com a decisão final de mérito da Ação Ordinária nº 95.00.087464. Mas não é só. Dando continuidade ao processo de execução, o Juízo da 13ª Vara Federal/DF exarou a decisão declarando o direito da contribuinte de efetuar o levantamento de seus depósitos na proporção requerida de 99,71%, deduzidas apenas as penhoras comandadas às fls. 702, 712 e 721. Novamente, a Fazenda Nacional interpôs Agravo de Instrumento (AI nº 000250367.2016.4.01.0000), requerendo a revogação da r. decisão que declarou o direito da parte agravada ao levantamento de 99,71% dos valores depositados nos autos, com o consequente reconhecimento da necessidade de uma nova análise por parte da Receita Federal do Brasil antes da definição dos percentuais de partilha dos depósitos. Questionase, portanto, o percentual a ser levantado pelo contribuinte e o percentual que deve ser convertido em renda à União. O Desembargador Federal Relator, por decisão proferida em 19/01/2016, negou seguimento ao agravo da União/executada, sob o argumento de que “a agravante não comprovou nenhum vício no referido cálculo. Ela foi devidamente intimada (fl. 53), e não se manifestou a respeito. Como visto na decisão agravada, a conta foi elaborada de acordo com o título judicial, na forma reconhecida no anterior AI 4332773.2013.4.01.0000DF”. Contra esta última decisão, a Fazenda Nacional interpôs agravo interno, que ainda está pendente de apreciação pelo TRF 1ª Região. Sendo assim, constatase que ainda não há definitividade no montante a ser levantado pela contribuinte. A PFN continua a questionar os cálculos efetuados no caso. Observese que esse histórico se faz necessário para demonstrar o contexto em que ocorreu a análise já levada a efeito pela RFB, que, ressaltese, não continha nenhuma impropriedade. Como visto, o presente processo administrativo versa sobre auto de infração de IRPJ, lavrado em decorrência da constatação de que o contribuinte contabilizou a maior as exclusões decorrentes da correção monetária do balanço, gerando, em consequência, redução indevida do lucro real referente aos anoscalendário de 2004 a 2006. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 8 13 Tais correções decorrem exatamente das decisões judiciais proferidas nas ações acima descritas. A princípio, prevaleceu o entendimento no sentido de que a correção monetária deverá incidir sobre as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente da empresa e não sobre as demonstrações financeiras do período, conforme a decisão exarada no AI nº 004332773.2013.4.01.0000. A questão cuida de alteração dos valores que compõem a base de cálculo de tributos cuja apuração é complexa, demandando uma análise mais acurada do próprio lançamento tributário para fins de quantificação do IRPJ e CSLL devidos em conformidade com as decisões judiciais, atribuição de competência exclusiva da Receita Federal do Brasil. Assim, o mais prudente seria que a própria RFB se manifestasse acerca do reflexo deste entendimento que prevaleceu na decisão do agravo sobre os valores apurados no presente lançamento, considerando que não se pode concluir, de imediato, pela improcedência do auto de infração em tela, como pretende a contribuinte, sem que antes seja feita uma análise dos valores devidos e dos seus respectivos cálculos. Com efeito, no PARECER SEORT/DRF/VIT nº 1549/2007, emitido nos autos do processo administrativo de nº 15578.0002071/200700, que trata do pedido de ressarcimento, o fiscal consigna que: "Os cálculos, conforme planilha às fls. 406 e 407, demonstram o ajuste que o Ativo Permanente teria com a aplicação do diferencial de correção monetária de balanço (IPC de janeiro e fevereiro de 1989), no percentual de 51,72% e consideram que esta correção monetária gerou prejuízos fiscais a serem utilizados em exercícios posteriores, pois a empresa supostamente levantou base de cálculo do IRPJ e da CSLL a maior a partir do ano calendário de 1989. Estes cálculos não estão de acordo com a petição inicial da empresa, que questiona apenas o expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas do Ativo Permanente (fls. 169 a 204), nem em conformidade com as regras básicas de correção monetária." (destaques acrescidos) Inclusive, essa é a conduta que adotou a PFN no âmbito do Judiciário, quando da interposição do novo agravo (AI nº 000250367.2016.4.01.0000), onde pleiteia o reconhecimento da necessidade de uma nova análise por parte da Receita Federal do Brasil antes da definição dos percentuais de partilha dos depósitos. Após a ciência quanto à manifestação da PGFN, a contribuinte protocolou o documento de fls. 1.105 a 1.116, em que aduz: I. RECONHECIMENTO EXPRESSO PELA PGFN DO TRÂNSITO EM JULGADO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 004332773.2013.4.01.0000 Na Sessão de Julgamento do processo em epígrafe, realizada no dia 03/05/2016, os membros da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF decidiram converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1201000.202, para Fl. 1179DF CARF MF 14 que a PGFN, de representação do CARF, se manifestasse sobre os efeitos da decisão transitada em julgado nos autos do Agravo de Instrumento nº 0043327 73.2013.4.01.0000. Vejamse os seguintes trechos da Resolução nº 1201000.202: Se, após a oposição dos presentes embargos a interessada noticia que o TRF da 1ª Região promoveu interpretação do julgado do STJ em sentido diverso daquele que lhe emprestou os órgãos administrativos acima referidos, a meu juízo tal situação deve, em princípio, ser reconhecida por este Conselho. Digo "em princípio" pois a decisão do TRF da 1ª Região se deu em agravo de instrumento (processo 004332773.2013.4.01.0000) onde se discutia o levantamento de depósitos judiciais e, ademais, não está claro que contra esta decisão não mais caiba recurso por parte da Fazenda Nacional. – destacouse Ou seja, restou claro na referida Resolução que a decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000 deve ser reconhecida (como não poderia deixar de ser) por este Eg. Conselho. Por este motivo, a PGFN foi intimada a se manifestar acerca da definitividade da referida decisão. Devidamente intimada, a PFGN apresentou a petição de fls. 1.0491.055, RECONHECENDO EXPRESSAMENTE O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO QUE NEGOU PROVIMENTO AO REFERIDO AGRAVO DE INSTRUMENTO. Vale citar o seguinte trecho de sua petição: Quanto ao questionamento acerca do trânsito em julgado da decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 0043327 73.2013.4.01.0000, temos a informar que sim, a referida decisão de fato transitou em julgado. – destacouse Destacase que a Fazenda Nacional já havia reconhecido a definitividade da decisão proferida pelo Des. Novély nos autos do Agravo de Instrumento nº 0043327 73.2013.4.01.0000, conforme o seguinte trecho da petição inicial do Agravo de Instrumento nº 000250367.2016.4.01.0000: A despeito do exposto, fora proferida decisão nos autos do A.I. n.º 43327 73.2013.4.01.0000/DF reconsiderando a decisão anterior do Relator que havia dado provimento ao recurso da União para, em consequência, indeferir “a suspensão do cumprimento da decisão do juiz de primeiro grau que negou a incidência da correção monetária sobre as demonstrações financeiras”, havendo, inclusive, certidão de trânsito em julgado. – destacouse Conforme já demonstrado nos autos e reconhecido pela Resolução nº 1201 000.202, o trânsito em julgado da decisão proferida no referido Agravo de Instrumento afeta diretamente a análise dos Embargos Declaratórios pendentes de julgamento por esta Turma julgadora, uma vez que determinou o seguinte: A pretensão da União/executada subverte a coisa julgada material e transforma a agravada/autora de vitoriosa em vencida! A sentença exequenda declarou o direito de a autora deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 9 15 do ativo permanente, decorrentes da diferença do expurgo do IPC/89 de janeiro e fevereiro de 1989. O TRF/1ª Região apenas reduziu o índice de 70,28% para 42,72% para janeiro/1989. E o STJ deferiu o índice de 10,14% para fevereiro/1989. Toda a confusão aconteceu porque na parcial reforma da sentença, o TRF, em vez de se referir às despesas de depreciação, amortização e baixa, tratou de demonstrações financeiras/balanço. – destacouse Portanto, o equívoco no fundamento da presente autuação é evidente e foi confirmado pela própria PGFN, que reconhece que se trata de decisão judicial contra a qual não são cabíveis outros recursos da Fazenda Nacional. Por este motivo, cabe tão somente a este Egrégio Conselho declarar extinto o crédito tributário que é objeto do presente processo administrativo, em cumprimento à decisão judicial definitiva, a qual fulminou a pretensão da Fazenda Nacional de distorcer a coisa julgada formada na Ação Ordinária n° 95.00087464. Por todo o exposto, reiterase o pedido de imediato cumprimento da decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária n.º 95.00087464, em consonância com a decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 0043327 73.2013.4.01.0000, com o consequente cancelamento integral do lançamento referente à glosa do “Plano Verão”. II. IMPOSSIBILIDADE DE REFORMULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO Apesar de reconhecer o trânsito em julgado da decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000, a Fazenda Nacional parece pretender agora que seja realizada uma absurda reformulação do presente lançamento, sob o argumento de que ainda está pendente nos autos da ação judicial a definição sobre o montante dos depósitos judiciais que deve ser levantado pela Requerente e convertido em renda da União. Ocorre que não há causa jurídica para tal pretensão, uma vez que (i) o objeto do presente Auto de Infração se restringe à interpretação da coisa julgada formada nos autos da Ação Ordinária nº 95.00087464; (ii) é impossível a reformulação do lançamento, sob pena de ofensa direta ao art. 146 do CTN, que veda a alteração do critério jurídico que fundamentou o auto de infração, bem como aos princípios constitucionais da segurança jurídica e da proteção da confiança do contribuinte. Para que não reste qualquer dúvida sobre este ponto, é importante demonstrar com quais fundamentos foi lavrado o presente lançamento fiscal. Segundo o Relatório Fiscal, a Requerente não teria direito a qualquer exclusão na apuração da base de cálculo do IRPJ, decorrente da decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária nº 95.0087464. Conforme trecho do relatório fiscal a seguir transcrito, a coisa julgada material formada no processo judicial e as normas gerais de correção monetária de balanço aplicadas ao caso concreto resultariam, segundo a fiscalização, em apuração de saldo credor decorrente do expurgo do Plano Verão, e não em deduções fiscais: No documento intitulado Termo de Intimação Fiscal 7 (fls. 23 a 27), relatei que os cálculos apresentados pelo Fl. 1181DF CARF MF 16 contribuinte divergem do acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª a Região, proferido em 06/02/2002 (fls. 278 a 286) e do acórdão do Superior Tribunal de Justiça (fls. 355 a 359). (...) As ementas dispõem que as demonstrações financeiras devem ser corrigidas e não apenas o Ativo Permanente. – destacouse O que vem sendo debatido nestes autos, portanto, é se a coisa julgada formada na Ação Ordinária nº 95.0087464 conferiu ou não à Requerente o direito de deduzir fiscalmente, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, as despesas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989, no percentual de 42,72%, complementado pelo índice de fevereiro de 1989, de 10,14%. E foi exatamente neste sentido que foi proferida a decisão transitada em julgado nos autos do Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000, a qual afirmou que “a sentença exequenda declarou o direito de a autora deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente (...)”. No julgamento da Impugnação, a DRJ entendeu que a coisa julgada material formada nos autos da Ação Ordinária nº 95.0087464, ao ser conjugada com as normas gerais de correção monetária de balanço, resultaria em apuração de saldo credor (receita) decorrente do expurgo do Plano Verão, sem qualquer direito às deduções correspondentes à realização do saldo do ativo permanente atualizado pelos índices expurgados. No mesmo sentido foi o entendimento do acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário da Requerente. Concluiu o r. voto vencedor que a coisa julgada formada nos autos da ação ordinária n. 95.00087464 “não assegurou à contribuinte aquilo que foi por ela requerido em sua petição inicial, ou seja, não lhe assegurou o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%(...) como se fosse ajuste de exercícios anteriores(...)” Além disso, a própria Resolução nº 1201000.202, na qual os membros da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF decidiram converter o julgamento dos presentes Embargos de Declaração em diligência, afirma que o objeto do lançamento é a interpretação da coisa julgada formada nos autos da Ação Ordinária nº 95.00087464. Vejase: Ora, a interpretação do conteúdo da decisão transitada em julgado no STJ foi exatamente o que ensejou a não homologação, por inexistência de direito creditório, das DCOMPs transmitidas pela interessada (fl. 583 e ss. numeração digital). A autoridade local entendeu que a referida decisão passada em julgado no STJ dava direito à contribuinte de promover a correção monetária das demonstrações financeiras pelos índices acima mencionados, enquanto a interessada entendia que a mesma decisão lhe dava o direito de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente com base nos mesmos índices. Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 10 17 A DRJ de origem acolheu o entendimento da autoridade fiscal (fl. 710 e ss. numeração digital), e, da mesma forma, também esta Turma (fl. 1019 e ss. e fl. 1041 e ss.). – destacouse Portanto, não há qualquer dúvida de que o objeto do presente processo administrativo se restringe à interpretação da coisa julgada formada nos autos da Ação Ordinária nº 95.000874642. Contudo, apesar de reconhecer o trânsito em julgado favorável à Requerente nos autos do Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000, a Fazenda Nacional sugere que os autos sejam remetidos para a Receita Federal para que “seja feita uma análise dos valores devidos e dos seus respectivos cálculos. ”. Ocorre que a discussão travada atualmente nos autos da ação judicial (relativa à destinação dos depósitos judiciais) em nada interfere no julgamento da presente autuação. Além disso, em nenhum momento foi questionado pela fiscalização, tampouco pelas decisões proferidas nos autos, os valores que compõem a base de cálculo do tributo em discussão, bem como sua forma de apuração. Conforme acima exposto, o objeto da presente autuação se restringe à interpretação da coisa julgada formada nos autos da Ação Ordinária nº 95.00087464 (o que, frisese, já se encontra decidido em sentido contrário ao entendimento da fiscalização e das decisões proferidas no presente processo). Vale esclarecer que não há no presente caso configuração de concomitância com a Ação Judicial nº 95.00087464. O referido processo judicial transitou em julgado há mais de 10 anos, ou seja, antes da lavratura do auto de infração em discussão no presente processo administrativo, fato que demonstra que os processos não são contemporâneos. O que atualmente está em trâmite perante a Justiça Federal de Brasília é a Execução de Sentença contra a Fazenda Pública decorrente da Ação Judicial nº 95.00087464. Nos autos da Execução se discute apenas o destino do depósito judicial, ou seja, o valor a ser levantado pela Requerente e o valor a ser convertido em renda da União Federal. No presente caso, tratase de lançamento fiscal superveniente à decisão judicial transitada em julgado, baseado no entendimento de que a coisa julgada seria desfavorável à Requerente. Ademais, qualquer ato tendente a acatar a infundada “sugestão” da PGFN violará imediatamente a regra do art. 146 do CTN, que veda a alteração retroativa do critério jurídico adotado para a lavratura do presente lançamento. Este dispositivo é plenamente aplicável ao caso em apreço, no qual a Fazenda Nacional pretende, por vias transversas, mudar os critérios jurídicos aplicados pela DRF no lançamento. De acordo com odo art. 146 do CTN, é a alteração de critério jurídico somente é possível em relação a fatos geradores futuros, sob pena de violação, também, dos princípios constitucionais da segurança jurídica e da proteção da confiança do contribuinte. A esse respeito, citemse os comentários de Leandro Paulsen: O artigo 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Fl. 1183DF CARF MF 18 Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente à situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência. Ed Livraria do Advogado, 2008, p. 146 – destacouse Vejase que este entendimento está pacificado tanto no âmbito judicial como no administrativo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO ADOTADO PELO FISCO NO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO A UM MESMO SUJEITO PASSIVO. REEXAME. SÚMULA 7 DO STJ. RESP. 1.130.545/RJ, REL. MIN. LUIZ FUX, DJE 22.02.2011, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Tribunal a quo concluiu ter havido mudança de critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento em relação a um mesmo sujeito passivo. 2. A reapreciação da controvérsia, tal como lançada nas razões do Recurso Especial, demandaria necessariamente a incursão no acervo fáticoprobatório dos autos. Contudo, tal medida encontra óbice na Súmula 7 do STJ, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja Recurso Especial. 3. Em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146 do CTN, segundo o qual a modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução (REsp 1.130.545/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 22.02.2011, submetido ao rito dos recursos repetitivos). 4. Agravo Regimental desprovido. (AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.314.342 MG. RELATOR: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO – 25/02/2014) – destacouse LANÇAMENTO DE OFÍCIO – MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS – VEDAÇÃO – O disposto no art. 146 do CTN veda à administração tributária introduzir modificações, benéficas ou não ao contribuinte, em lançamentos inteiros, perfeitos e acabados, em homenagem à certeza e segurança das relações jurídicas. (Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Processo nº 10855.005522/200271, Recurso nº 133544, Conselheiro Relator Paulo Roberto Cortez, sessão de 13/05/04) – destacouse NORMAS PROCESSUAIS – PROCESSO ADMINISTRATIVO FINDO – LANÇAMENTO ULTERIOR – MODIFICAÇÃO DOS CRÍTÉRIOS Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 11 19 JURÍDICOS – VEDAÇÃO. O disposto o art. 146 do CTN veda ao Fisco a introdução de modificações, benéficas ou não ao contribuinte, em lançamentos inteiros, perfeitos e acabados, em homenagem à certeza e segurança das relações jurídicas. Dessa forma, findo o processo administrativo em razão do recolhimento do tributo lançado não é admissível a revisão posterior com novo lançamento de ofício em razão da modificação dos critérios jurídicos. (Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Processo nº 10980.005654/200186, Recurso nº 131766, Conselheiro Relator Natanael Martins, sessão de 13/08/03) – destacouse Dessa forma, resta demonstrada a insubsistência do pedido da Fazenda Nacional de intimação da Receita Federal do Brasil para a reformulação do Auto de Infração, a qual é expressamente vedada pelo art. 146 do CTN e pelos princípios da confiança e da segurança jurídica. III. CONCLUSÕES Diante da manifestação apresentada pela PGFN e dos fundamentos acima expostos, as principais conclusões são: 1. A Fazenda Nacional, em atendimento à Resolução nº 1201000.202, reconheceu expressamente o trânsito em julgado da decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000, a qual reconhece expressamente que a decisão transitada em julgado no processo 95.0087464 garantiu à Recorrente o direito de corrigir apenas as contas de ativo e não as demonstrações financeiras, diferentemente do que fundamentou a autoridade fiscal ao lavrar a presente autuação. 2. Não é possível acatar o pedido da Fazenda Nacional de remessa dos autos à Receita Federal do Brasil para que reveja o presente lançamento, uma vez que: A autuação foi lavrada sob único entendimento de que a Requerente não teria qualquer benefício de IRPJ decorrente do trânsito em julgado da Ação Ordinária 95.0087464; Em nenhum momento foram questionados pela fiscalização, tampouco pelas decisões proferidas nos autos, os valores que compõem a base de cálculo do tributo em discussão, bem como sua forma de apuração; A questão pendente nos autos da Ação Judicial nº 95.00087464 se restringe à destinação dos depósitos judiciais realizados pela Requerente, não podendo ser confundida com o objeto em discussão na presente autuação; É impossível que haja uma revisão do lançamento pela Fiscalização, na forma pretendida pela PGFN, sob pena de violação ao art. 146 do CTN, bem como aos princípios constitucionais da segurança jurídica e proteção da confiança do contribuinte. Dessa forma, diante da manifestação da Fazenda Nacional e do contexto do presente lançamento, as respostas às indagações apresentadas na Resolução nº 1201 000.202 são as seguintes: Fl. 1185DF CARF MF 20 1) A decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 0043327 73.2013.4.01.0000 é sim definitiva, tendo transitada em julgado em setembro/2015, conforme comprovado nos autos e confirmado pela própria PGFN. 2) O impacto da referida decisão no presente processo administrativo é a imediata extinção do crédito tributário, uma vez que a fundamentação do presente lançamento é diametralmente oposta ao que restou decidido nos autos do Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000. IV. PEDIDOS Face ao exposto, diante do reconhecimento expresso da PGFN de que houve o trânsito em julgado da decisão do TRF1, que confirmou o direito da Requerente a deduzir as depreciações, amortizações e baixas, aplicando o IPC integral em substituição a OTN, requerse seja imediatamente declarado extinto o crédito tributário com o consequentemente cancelamento do lançamento referente à glosa do “Plano Verão”. O processo foi redistribuído em face de o antigo relator não mais fazer parte deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. O despacho de admissibilidade consta às fls. 796 e 797. Provimento jurisdicional obtido pela contribuinte. Interpretação divergente. De início, cumpre salientar que toda a divergência decorre da interpretação dada ao provimento jurisdicional obtido pela contribuinte. Está registrado na Resolução nº 1201000.205, desta Turma, que resolveu converter o julgamento dos presentes Embargos de Declaração em diligência: Ora, a interpretação do conteúdo da decisão transitada em julgado no STJ foi (ao lado da questão sobre o beneficio de redução do IRPJ com base no lucro da exploração) exatamente o que ensejou a lavratura do auto de infração por exclusão indevida de despesas da base de cálculo do IRPJ (fl. 87 e ss. numeração digital). A autoridade local entendeu que a referida decisão passada em julgado no STJ dava direito à contribuinte de promover a correção monetária das demonstrações financeiras pelos índices acima mencionados, enquanto a interessada entendia que a mesma decisão lhe dava o direito de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente com base nos mesmos índices. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 12 21 No acórdão relativo ao Recurso Voluntário, o relator havia se inclinado pela tese da contribuinte, sendo vencido em votação pela qual foi acatada a tese contrária. O voto vencedor abordou a questão com propriedade, fazendo o redator uma análise acurada dessa questão nos itens 2 e 3 de seu voto: "2) Do Conteúdo da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464" e "3) Dos Efeitos da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464". Contradição. Como relatado, na petição dos embargos, a recorrente alega ter havido contradição entre a conclusão do voto vencedor e seus próprios fundamentos. Em resumo: A contradição a ser sanada está no fato de que a decisão embargada admite, como não poderia deixar de ser, que a depreciação é parte da correção das demonstrações financeiras, mas nega a sua dedução por forca de outro fenômeno tributável. A contradição ora apontada nasceu no fato de que a decisão embargada misturou duas consequências distintas e autônomas da correção das demonstrações financeiras, quais sejam: a) a necessária apuração de um saldo entre a correção do ativo e do passivo, que, no caso, seria um saldo credor (receita), que segundo a decisão embargada deveria ter sido oferecido à tributação; b) a correção do ativo, por si, irá gerar sempre o direito à dedução de depreciações, amortizações e baixas em períodos subsequentes, exatamente o que foi feito pela Embargante e glosado pela decisão embargada como se fosse uma alteração do resultado (saldo credor) descrito na alínea a, acima. Pelo que entende a embargante, mesmo que acatada a tese de que a decisão judicial determinou a correção das demonstrações financeiras em detrimento da correção apenas das contas do Ativo Permanente, perduraria o direito quanto à dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens escriturados nesse grupo de contas, devidamente corrigidas pelos índices pleiteados. Assim, a contradição estaria entre o apontado fundamento do voto (a decisão judicial transitada em julgado que assegurou à contribuinte o direito à “correção monetária das demonstrações financeiras” pelos índices de 42,72% e 10,14% nos meses de janeiro e fevereiro de 1989) cuja aplicação, no presente caso, culminaria na apuração de um saldo credor de correção monetária tributável, e a conclusão deste que determinou a glosa das despesas de correção monetária. Entende a recorrente que os fenômenos tributários são distintos, uma vez o saldo de correção monetária tributável decorrer sim da correção das demonstrações financeiras, mas as despesas de correção monetária glosadas referiremse aos encargos de amortização, depreciação e baixa de ativos. Entende também que, independentemente da receita de correção monetária apurada, a dedução das referidas despesas seria decorrente da própria decisão Fl. 1187DF CARF MF 22 (correção monetária das demonstrações financeiras) ou, ainda, da legislação que rege a matéria. Analisandose o voto vencedor, verificase que não há a contradição alegada. Neste, após discorrer no item 2 sobre o "Conteúdo da Coisa Julgada Material", cuidou o redator da questão relativa aos efeitos da coisa julgada, conforme excerto abaixo: 3) Dos Efeitos da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464 Como visto no tópico anterior deste voto, a decisão transitada em julgado assegurou à contribuinte o direito de corrigir suas demonstrações financeiras do ano 1989 mediante a adoção do índice de 42,72% para o mês de janeiro e de 10,14% para o mês de fevereiro. É de se perguntar, todavia, quais são os efeitos da coisa julgada sobre a contabilidade da contribuinte. Em especial, interessa nos agora identificar: (i) o efeito temporal, ou seja, determinar em qual período de apuração o provimento jurisdicional deverá ser contabilmente reconhecido; (ii) o efeito qualitativo, ou seja, determinar em qual conta daquele determinado período de apuração deverá ser contabilmente reconhecido o provimento jurisdicional, e; (iii) o efeito quantitativo, ou seja, determinar o quantum deverá ser contabilmente reconhecido naquela determinada conta, naquele determinado período. No que concerne ao efeito temporal não me parece haver espaço para dúvida. Como a contribuinte interpôs a ação com vistas ao reconhecimento de um direito, e tendo em conta o princípio contábil da prudência, esse direito há que ser reconhecido na contabilidade da empresa no período de apuração em que ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, no caso, no 2º trimestre do ano de 2005. No entanto a contribuinte adotou procedimento diverso. Reconheceu a coisa julgada parceladamente, nos períodos de apuração que mais lhe convinha. Vejamos. Primeiramente, antes mesmo do trânsito em julgado da decisão, a contribuinte “reconheceu” contabilmente seus efeitos no nos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004 e no 1º trimestre de 2005, computando na rubrica “Outras Exclusões” desses períodos parte do montante que entendeu como de direito. Em períodos posteriores ao do trânsito em julgado, continuou a reconhecer parceladamente seus efeitos no 3º trimestre de 2005 e nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2006, também utilizando a rubrica “Outras Exclusões”. Em assim sendo, mesmo abstraindose da questão do efeito qualitativo, que será abordada a seguir, é possível concluir que o auditor fiscal agiu corretamente ao glosar as exclusões ao lucro líquido promovidas pela contribuinte em períodos de apuração diversos do 2º trimestre do ano de 2005. Poderseia argumentar que houve mera postergação no pagamento do tributo. Isso, todavia, dependeria de prova quanto a esses Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 13 23 pagamentos. Mas, no caso, não será necessária essa investigação, haja vista que a contribuinte não possui direito à exclusão alguma, como se verá a seguir. No que concerne ao efeito qualitativo, o provimento jurisdicional transitado em julgado assegurou à contribuinte o direito a promover a correção monetária das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices indicados pelo STJ, e não o direito a corrigir apenas as contas de depreciação, amortização e baixa de ativos, como visto no item 2 deste voto. Como é cediço, quando o somatório dos saldos das contas de ativo sujeitas à correção monetária de balanço (via de regra, as contas do ativo permanente) é superior ao somatório dos saldos das contas do patrimônio líquido, o saldo da conta de correção monetária de balanço será credor, ou seja, haverá receita de correção monetária. Caso contrário, o saldo da conta de correção monetária de balanço será devedor, ou seja, haverá despesa de correção monetária. Pois bem, conforme se verifica nas demonstrações financeiras levantadas pela própria contribuinte, o valor do ativo permanente em 31/12/1988 e em 31/12/1989 era de 1.831.511.337 UFIR e 27.997.878.760 UFIR, respectivamente. Já o valor do patrimônio líquido naquelas mesmas datas era 1.581.013.583 e 25.884.914.833. Ora, como se vê, no caso sob exame a contribuinte apurou receita de correção monetária no ano de 1989, mesmo com a adoção apenas dos índices oficiais, já que tanto no início quanto no final do período o saldo do ativo permanente era superior ao saldo do patrimônio líquido. Como a decisão transitado em julgado determinou a correção das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices definidos pelo STJ (maiores que os oficiais para os meses de janeiro e fevereiro), o saldo credor (receita) de correção monetária apurado originalmente pela contribuinte apenas aumentou de valor. Assim, a diferença de correção monetária determinada pelo STJ implica o reconhecimento de uma receita na contabilidade da contribuinte, e não de uma despesa. Em outras palavras, o provimento jurisdicional deve ser reconhecido em conta de receita de correção monetária. Tal receita deveria ter sido adicionada pela contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do ano de 2005 para fins de apuração de tributos, em conta que poderia ser intitulada “Outras Adições”. Ocorre que a contribuinte, desvirtuado o conteúdo da coisa julgada, contabilizou indevidamente o provimento jurisdicional como despesa de correção monetária, utilizando para tanto a conta “Outras Exclusões”. Tais valores foram corretamente glosados pela fiscalização. Por fim, o efeito quantitativo representa o montante da receita de correção monetária que deveria ter sido adicionada pela Fl. 1189DF CARF MF 24 contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do ano de 2005. Mas como no presente processo administrativo a autoridade fiscal limitouse a glosar a despesa de correção monetária indevidamente contabilizada pela contribuinte nos períodos antes mencionados, não há razão para determinarse, aqui, o montante daquela receita de correção monetária. Resta muito claro pela leitura da parte do voto vencedor acima transcrito que não há nenhuma contradição entre os seus fundamentos e a conclusão. Apurado saldo credor de correção monetária (receita), este teria de ser adicionado ao lucro líquido. Uma vez que houve, ao invés disso, uma dedução de despesa de correção monetária, correta foi a glosa efetuada. E, no caso, como visto, não havia necessidade sequer de apuração quanto ao valor da receita a ser adicionada, já que ocorreu somente a glosa de despesas. Omissão. No entanto, o próprio redator do voto vencedor ponderou no exame de admissibilidade dos presentes embargos: Pelo exame do acórdão embargado, em especial do voto vencedor, é possível verificar que de fato tratouse ali apenas dos efeitos da coisa julgada sobre saldo da correção monetária de balanço do ano de 1989, não havendo sido abordada a questão das próprias despesas depreciação, amortização e baixa de ativos no ano de 1989 e nos anos posteriores. Tendo em vista o exposto, proponho sejam admitidos os presentes embargos e submetidos à apreciação da turma. Tratase, portanto, de suposta omissão, que também pode ser atacada por meio do presente recurso. O assunto já foi abordado supra. Como explanado, entende a embargante que, independentemente da receita de correção monetária apurada, a dedução das referidas despesas seria decorrente da própria decisão transitada em julgado (correção monetária das demonstrações financeiras) ou, ainda, da legislação que rege a matéria. Essas questões foram trazidas no Recurso Voluntário. Ocorre que a questão cingese, como já inúmeras vezes explanado, ao conteúdo do provimento jurisdicional obtido pela recorrente e sua consequência na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL nos anos em tela. Desde a decisão de primeira instância a questão está bem delimitada, conforme se vê pela transcrição abaixo: 147 Assim sendo, o interessado não tem direito a qualquer redução (exclusão) do lucro líquido, ou do lucro real, em função de uma pretensa vitória nesta ação, nem em 1989, nem posteriormente. 148 Ele saiu `vencedor", apenas, quantos aos índices IPC a serem aplicados na correção de suas demonstrações financeiras. 149 Na verdade, o interessado deixou de reconhecer o lucro inflacionário relativo ao anocalendário de 1989. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 14 25 E, também quanto a isso, é claro o posicionamento exposto no voto vencedor, conforme abaixo: Logo, por tudo o que foi visto acima, não resta a menor dúvida de que o provimento jurisdicional transitado em julgado (conteúdo da coisa julgada) não assegurou à contribuinte aquilo que foi por ela requerido em sua petição inicial, ou seja, não lhe assegurou “o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28% (...) como se fosse ajuste de exercícios anteriores (...)”. Ao contrário, a referida decisão judicial transitada em julgado assegurou à contribuinte o direito à “correção monetária das demonstrações financeiras” pelos índices de 42,72% e 10,14% nos meses de janeiro e fevereiro de 1989, respectivamente, algo que produz efeitos bastante distintos daqueles almejados inicialmente pela autora da ação. (Grifos acrescidos) Vêse, portanto, que a suposta omissão é apenas aparente. Conforme visto também na análise relativa à alegada contradição contida no voto vencedor, concluiu o redator que, efetuada a correção das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices definidos pelo STJ, o saldo credor (receita) deveria ter sido adicionado pela contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do ano de 2005 para fins de apuração de tributos, em conta que poderia ser intitulada “Outras Adições”. Não tendo assim ocorrido, mas havida a contabilização errônea do quanto obtido no provimento jurisdicional como despesa de correção monetária, utilizandose para tanto da conta “Outras Exclusões”, foi correta a glosa efetuada pela fiscalização. Em resumo, no voto vencedor está claro que a contribuinte não tinha direito a nenhuma despesa de correção monetária em face do provimento jurisdicional obtido. Por óbvio, se a conclusão é no sentido de que não há o direito de dedução de nenhuma despesa, não há como se deduzir também as de depreciação, amortização e baixa de bens. Ocorre que "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça conforme transcrito abaixo: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão Fl. 1191DF CARF MF 26 adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeuse pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 002781280.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016. Evidenciada a "omissão aparente", os embargos devem ser conhecidos apenas com o fim de prestar esclarecimentos. Não há como se rediscutir a causa já decidida, conforme jurisprudência abaixo colacionada: TJSC Embargos de Declaração no Agravo (§ 1º art. 557 do CPC) em Apelação Cível em Mandado de Segurança ED 20120916157 SC 2012.0916157 (Acórdão) (TJSC). Publicação: 17/06/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL CONTRADIÇÃO INOCORRÊNCIA REDISCUSSÃO OMISSÃO APARENTE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS APENAS PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS 1. Os embargos de declaração não têm a finalidade de restaurar a discussão da matéria decidida com o propósito de ajustar o decisum ao entendimento sustentado pelo embargante. A essência desse procedimento recursal é a correção de obscuridade, contradição ou omissão do julgado, não se prestando à nova análise do acerto ou justiça deste, mesmo que a pretexto de prequestionamento. 2. É oportuno o recebimento e provimento de embargos de declaração para sanar omissão, mesmo que aparente, com o fim de desfazer dúvidas, sem modificar, contudo, o seu teor. Muito embora se tenha concluído que não houve a omissão alegada, a título de esclarecimento farseá a análise da parte final do arrazoado trazido pela embargante em sua petição, conforme abaixo: A contradição ora apontada (admitir haver um saldo credor a ser tributado, mas glosar o direito autônomo de depreciar o saldo corrigido do ativo permanente) decorre, portanto, de uma verdadeira omissão, que foi o não reconhecimento de que a dedução das despesas de depreciação, amortização e baixas integram, fazem parte, estão contidas, na correção das demonstrações financeiras. Fica bastante evidente essa omissão quando a decisão recorrida, ao abordar o aspecto temporal do direito emanado da coisa julgada, afirma que a Embargante teria que apurar os efeitos da coisa julgada no próprio período de apuração em que obtido o provimento jurisdicional definitivo: Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 15 27 "Como a contribuinte interpôs a ação com vistas ao reconhecimento de um direito, e tendo em conta o principio contábil da prudência, esse direito há que ser reconhecido na contabilidade da empresa no período de apuração em que ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, no caso, no 2° trimestre do ano de 2005." (fls. 756) Não se pretende corrigir, em sede de Embargos, o erro relativo à data do trânsito em julgado, mas apenas demonstrar que realmente seria correto adotar esse marco temporal (data do transito em julgado) em se tratando de tributar o saldo credor de correção monetária, respeitandose a legislação da época de ocorrência dos fatos geradores. Mas seria inviável, por questão de lógica contábil, jurídica e econômica deduzir depreciações do ativo permanente corrigido no mesmo instante do trânsito em julgado. No máximo, poderia ser exigido que a Embargante deduzisse o saldo da parcela da correção pelo IPC das depreciações apurado entre 1989 e a data do trânsito em julgado, mas sequer foi admitida qualquer dedução. Quanto a esse aspecto temporal, a Embargante respeitou a competência mediante dedução fiscal de parcelas de correção monetária do ativo permanente já integralmente depreciadas antes dos períodos de apuração objeto das autuações (último trimestre de 2005 e os quatro trimestres de 2006). Afinal, não se deve olvidar que, mesmo se aplicada sobre toda a demonstração financeira, a ação judicial transitada em julgado diz respeito apenas à correção monetária, portanto, essa correção deve seguir os períodos de apuração em que o principal (ativo permanente, como parte integrante das demonstrações financeiras) é realizado via depreciação, amortização e baixa. No voto vencedor, no item 3 "Dos Efeitos da Coisa Julgada Material", especificamente quando trata do efeito temporal da coisa julgada, assim se pronunciou o redator: No que concerne ao efeito temporal não me parece haver espaço para dúvida. Como a contribuinte interpôs a ação com vistas ao reconhecimento de um direito, e tendo em conta o princípio contábil da prudência, esse direito há que ser reconhecido na contabilidade da empresa no período de apuração em que ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, no caso, no 2º trimestre do ano de 2005. No entanto a contribuinte adotou procedimento diverso. Reconheceu a coisa julgada parceladamente, nos períodos de apuração que mais lhe convinha. Vejamos. Primeiramente, antes mesmo do trânsito em julgado da decisão, a contribuinte “reconheceu” contabilmente seus efeitos no nos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004 e no 1º trimestre de 2005, Fl. 1193DF CARF MF 28 computando na rubrica “Outras Exclusões” desses períodos parte do montante que entendeu como de direito. Em períodos posteriores ao do trânsito em julgado, continuou a reconhecer parceladamente seus efeitos no 3º trimestre de 2005 e nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2006, também utilizando a rubrica “Outras Exclusões”. Em assim sendo, mesmo abstraindose da questão do efeito qualitativo, que será abordada a seguir, é possível concluir que o auditor fiscal agiu corretamente ao glosar as exclusões ao lucro líquido promovidas pela contribuinte em períodos de apuração diversos do 2º trimestre do ano de 2005. Poderseia argumentar que houve mera postergação no pagamento do tributo. Isso, todavia, dependeria de prova quanto a esses pagamentos. Mas, no caso, não será necessária essa investigação, haja vista que a contribuinte não possui direito à exclusão alguma, como se verá a seguir. Como se referiu o redator do voto, não há espaço para dúvida de que o direito obtido há que ser reconhecido na contabilidade da empresa no período de apuração em que ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, no caso, o 2º trimestre do ano de 2005, considerandose como tal direito a correção das demonstrações financeiras. A embargante também concorda com esse entendimento, em tese, divergindo somente porque considera que o direito obtido seria diverso daquele declarado pela decisão administrativa. De fato, se fosse admitida a hipótese de que, por decorrência do trânsito em julgado da decisão judicial foi reconhecido o direito de a contribuinte depreciar/amortizar o saldo corrigido do ativo permanente, no período de apuração em que ocorreu o trânsito em julgado da ação deveria ter havido a dedução do saldo da parcela da correção pelo IPC das depreciações apurado entre 1989 e a data do trânsito em julgado. Também, após essa data, a correção monetária deveria seguir os períodos de apuração em que o principal (ativo permanente) é realizado via depreciação, amortização e baixa. Ocorre que, como foi observado no voto vencedor, a embargante "reconheceu a coisa julgada parceladamente, nos períodos de apuração que mais lhe convinha". As deduções vinham ocorrendo desde 2004, antes portanto do trânsito em julgado da ação judicial em comento. Essa situação aponta, de imediato e no mínimo, um desrespeito aos períodos de apuração em que poderiam se dar as deduções, isso, frisese mais uma vez, se admitida a hipótese de que, por decorrência do trânsito em julgado da decisão judicial foi reconhecido o direito de a contribuinte depreciar/amortizar o saldo corrigido do ativo permanente relativamente aos índices pleiteados o que, como considerado no voto vencedor, não ocorreu. Não obstante isso, verificase que a afirmação contida no voto vencedor relativamente ao efeito temporal da coisa julgada não indica qualquer omissão. Antes, reitera não haver a possibilidade de dedução de nenhuma despesa de correção monetária nos períodos em tela, em face do entendimento veiculado no referido voto. Situação jurídica superveniente. Após o protocolo dos embargos, ocorreram fatos que, segundo a recorrente, afetariam a análise do referido recurso. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 16 29 Nos autos da liquidação de sentença da Ação Ordinária n.º 95.00087464, foi proferida decisão definitiva que confirmou os termos e o alcance da decisão transitada em julgado defendidos pela recorrente durante todo o trâmite do presente processo administrativo. Houve interposição do Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000 pela Procuradoria da Fazenda Nacional com as mesmas alegações contidas no processo administrativo: que os índices de correção monetária reconhecidos nos autos de origem (42,72% + 10,14%) deveriam incidir sobre a totalidade das demonstrações financeiras da recorrente, o que geraria IR e CSLL a recolher, e não a recuperar. O referido agravo não foi provido pelo Tribunal, em decisão transitada em julgado. Conforme informou a embargante, na decisão o Desembargador Novéli Vilanova assim entendeu: A pretensão da União/executada subverte a coisa julgada material e transforma a agravada/autora de vitoriosa em vencida! A sentença exequenda declarou o direito de a autora deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, decorrentes da diferença do expurgo do IPC/89 de janeiro e fevereiro de 1989. O TRF/1ª Região apenas reduziu o índice de 70,28% para 42,72% para janeiro/1989. E o STJ deferiu o índice de 10,14% para fevereiro/1989. Toda a confusão aconteceu porque na parcial reforma da sentença, o TRF, em vez de se referir às despesas de depreciação, amortização e baixa, tratou de demonstrações financeiras/balanço. Destacamos. Em face disso, requereu a embargante: Portanto, devem ser imediatamente reconhecidos por esta Colenda Turma os efeitos da decisão proferida pelo TRF da 1ª Região, não apenas por constituir fato novo nos termos da alínea b do § 4° do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, mas por representar interpretação autêntica (já que emanada do próprio Poder Judiciário) do comando judicial transitado em julgado nos autos da Ação Ordinária n.º 95.00087464, em sentido diametralmente oposto àquele defendido no acórdão embargado. O então relator dos embargos assim se posicionou: Se, após a oposição dos presentes embargos a interessada noticia que o TRF da 1ª Região promoveu interpretação do julgado do STJ em sentido diverso daquele que lhe emprestou os órgãos administrativos acima referidos, a meu juízo tal situação deve, em princípio, ser reconhecida por este Conselho. Digo "em princípio" pois a decisão do TRF da 1ª Região se deu em agravo de instrumento (processo 004332773.2013.4.01.0000) onde se discutia o levantamento de depósitos judiciais e, ademais, não está claro que contra esta decisão não mais caiba recurso por parte da Fazenda Nacional. Fl. 1195DF CARF MF 30 Muito embora esse entendimento, com a devida vênia, ele não pode ser acatado. Não há a possibilidade de que seja reconhecida essa nova situação nesta fase processual. Tratase aqui de Embargos de Declaração que, muito embora possam ter efeitos infringentes, tem um balizamento estreito: obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou no caso de ser omitido ponto sobre o qual devia pronunciar se a turma. Como a própria recorrente informa, o novo entendimento emanado da decisão do e. TRF da 1ª Região representa "interpretação autêntica (já que emanada do próprio Poder Judiciário) do comando judicial transitado em julgado nos autos da Ação Ordinária n.º 95.00087464, em sentido diametralmente oposto àquele defendido no acórdão embargado." (Grifo acrescido) Ou seja, se na fase em que se encontra o processo for admitida essa interpretação, haveria a reforma total da decisão já proferida, não porque teria havido obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, mas em face de um novo entendimento totalmente oposto àquele acatado por metade dos componentes da turma (o entendimento prevaleceu em face do voto de qualidade) que é o fundamento da decisão. Isso não se faz possível em sede de Embargos de Declaração. O fato é que, além do que pode ser, e já foi, atacado por meio dos embargos, não há mais, nesta instância ordinária, como se reformar a decisão prolatada. Somente por meio de Recurso Especial, se cabível, poderia haver tal reforma. Em face disso, muito embora a possibilidade de juntada de provas, nos termos do § 4º, alínea "b", do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (que se refiram a fatos ou direito superveniente), conforme alegado pela recorrente em sua petição, a análise e a avaliação quanto a esses documentos só pode ocorrer em fase posterior do processo, se exaurida a anterior, como no caso ocorreu com a prolação do acórdão da turma ordinária em decorrência do Recurso Voluntário. Cumpre salientar, contudo, que as decisões judiciais devem ser cumpridas. No caso, se não interposto ou não admitido o Recurso Especial, tornandose definitiva a decisão administrativa, a unidade encarregada de executála deverá proceder à análise quanto ao direito alegado pela contribuinte, em face da decisão judicial trazida posteriormente à prolação do acórdão do Recurso Voluntário, observando a orientação da Procuradoria da Fazenda Nacional. Conclusão. Pelo exposto, voto por REJEITAR os Embargos de Declaração. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 15578.000407/200754 Acórdão n.º 1201001.654 S1C2T1 Fl. 17 31 Fl. 1197DF CARF MF
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