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Numero do processo: 14479.000838/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS. SAT. RAT.
TERCEIROS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.497
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
1.0 = *:*
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Recorrida DRP/SÃO PAULO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS. SAT. RAT. TERCEIROS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. '4\ • • .... Processo n° 14479.000838/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00497 Fl. 512 ACORDAM os membros da 3* Câmara I l • Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por un * a midade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, noi - o voto do relator. ' 1 JULIO ES • ti'. z3/4 0MES •) Presid - :1 ) ti --s.......0• DAMIÂO CO • 10 EP O DE MORAES Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente Marcelo Tadeu Angelo, OAB/SP n° 161.230. 2 Processo n° 14479.000838/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.497 Fl. 513 Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa W/BRASIL PUBLICIDADE LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, parte da empresa, do financiamento de beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a terceiros. 2. O julgado restou assim ementado: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados a seu serviço. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCL4. O Relatório Fiscal e os Anexos da NFLD oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para constituição do crédito previdenciá rio é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O prazo decadencial das contribuições devidas às outras entidades ou fundos é de 10 anos, a partir de 19.06.1995. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integra o salário de contribuição . a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando não paga ou creditada em desacordo com lei específica. DESCONSIDERAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR MEIO DE PESSOAS JURÍDICAS. TERCEJRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os serviços prestados por pessoas jurídicas podem ser desconsiderados quando verificada a ocorrência de simulação para burlar o Fisco e a existência de elementos caracterizadores da prestação de serviços na qualidade de segurados empregados da empresa contratante. Çç"- 3 . • . Processo n° 14479.000838/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.497 Fl. 514 O auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil possui competência para enquadrar os trabalhadores na categoria de segurados empregados e lançar crédito tributário correspondente, independentemente dos vínculos pactuados com a empresa. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada dos documentos e outras provas admitidas em direito após impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser motivado e acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de seu indeferimento. LANÇAMENTO PROCEDENTE." 3. Não conformada com a decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando os mesmos argumentos ventilados em sede de l a instância, quais sejam: a) preliminarmente, a recorrente alega nulidade de lançamento tendo em vista o fato de que a "fiscalização não apontou exatamente de que forma a Lei n° 10.101/2000 teria sido desrespeitada", culminando, então, em cerceamento de defesa; b) ainda em sede preliminar, afirma que os créditos não podem ser cobrados em sua integralidade haja vista o instituto da decadência; c) aponta que houve abuso por parte do fisco ao desconsiderar a contratação entre a recorrente e outras pessoas jurídicas que lhe prestavam serviços. Inclusive a empresa alega que as prestadoras de serviços prestavam serviços também a outras empresas, logo, não há que se falar em exclusividade dos serviços prestado; d) além disso, a empresa aborda o fato de se designar um sócio, detentor de conhecimento especifico, a prestar serviços não seria justificativa para enquadrá-lo como empregado da tomadora; e) por fim, entende ser ilegal a mera presunção do fisco ao desconsiderar a contratação entre a recorrente e as pessoas jurídicas que lhe prestaram serviços. 4. Por fim, não foram apresentadas contra-razões, sendo os autos encaminhados a este Conselho. É o relatório. 4 . Processo n° 14479.000838/2007-76 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.497 Fl. 515 Voto Conselheiro DAIVILk0 CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Acolho o recurso, uma vez que é tempestivo a atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Sobre a decadência, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: "Parte final do voto proferido pelo Ermo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do C77V. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, HL b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n°1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 5 Processo n0 14479.000838/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.497 Fl. 516 3. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos dentais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n2 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1a O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão." 4. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. 5. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se nos documentos de folhas 23/37 que a recorrente efetuou o pagamento parcial de suas obrigações. Então, deve-se prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4° do CTN. 6. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 30/10/2007, referente às contribuições do período de 01/01/1997 a 31/12/2001, fica alcançado pela decadência qüinqüenal o lançamento fiscal em sua totalidade. ot 6 y• • Processo n° 14479.00083812007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.497 Fl..517 7. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso interposto. CONCLUSÃO 8. Assim, voto por dar PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. Sala das Sessões, ,---,L de • o de 2009 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator • 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003839/2008-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO DE INSUMOS.
Comprovado que os créditos das aquisições de insumos da Zona Franca de Manaus não foram utilizados em duplicidade para fins de levantamento do direito creditório relativo à COFINS não-cumulativa, deverá ser restabelecida a apuração feita pelo sujeito passivo.
COFINS. CRÉDITOS DECORRENTES DE IMPORTAÇÕES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE NOS CASOS EM QUE FOR DEMONSTRADO O EFETIVO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO.
Os créditos da COFINS oriundos de operações de importação só poderão ser admitidos uma vez comprovado que a contribuição foi efetivamente paga.
Recurso a que se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: i) afastar a glosa dos créditos correspondentes às aquisições da Zona Franca de Manaus; ii) afastar a glosa dos créditos correspondentes à rubrica créditos a descontar COFINS importação alíquota de 7,6% relativa aos meses de novembro e dezembro de 2005; iii) manter a exclusão do cômputo dos créditos, na rubrica créditos a descontar COFINS importação alíquota de 7,6%, da quantia de R$ 1.890,99 referente ao mês de outubro de 2005; iv) homologar as respectivas compensações até o valor do crédito reconhecido.
Vencido o Conselheiro Francisco José Barroso Rios (relator) que declarava a nulidade, por vício material, do despacho decisório a fls. 444 a 452 em sua parte denegatória.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda Presidente e redator designado.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO DE INSUMOS. Comprovado que os créditos das aquisições de insumos da Zona Franca de Manaus não foram utilizados em duplicidade para fins de levantamento do direito creditório relativo à COFINS não-cumulativa, deverá ser restabelecida a apuração feita pelo sujeito passivo. COFINS. CRÉDITOS DECORRENTES DE IMPORTAÇÕES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE NOS CASOS EM QUE FOR DEMONSTRADO O EFETIVO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Os créditos da COFINS oriundos de operações de importação só poderão ser admitidos uma vez comprovado que a contribuição foi efetivamente paga. Recurso a que se dá parcial provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: i) afastar a glosa dos créditos correspondentes às aquisições da Zona Franca de Manaus; ii) afastar a glosa dos créditos correspondentes à rubrica créditos a descontar COFINS importação alíquota de 7,6% relativa aos meses de novembro e dezembro de 2005; iii) manter a exclusão do cômputo dos créditos, na rubrica créditos a descontar COFINS importação alíquota de 7,6%, da quantia de R$ 1.890,99 referente ao mês de outubro de 2005; iv) homologar as respectivas compensações até o valor do crédito reconhecido. Vencido o Conselheiro Francisco José Barroso Rios (relator) que declarava a nulidade, por vício material, do despacho decisório a fls. 444 a 452 em sua parte denegatória. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO DE INSUMOS. Comprovado que os créditos das aquisições de insumos da Zona Franca de Manaus não foram utilizados em duplicidade para fins de levantamento do direito creditório relativo à COFINS nãocumulativa, deverá ser restabelecida a apuração feita pelo sujeito passivo. COFINS. CRÉDITOS DECORRENTES DE IMPORTAÇÕES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE NOS CASOS EM QUE FOR DEMONSTRADO O EFETIVO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Os créditos da COFINS oriundos de operações de importação só poderão ser admitidos uma vez comprovado que a contribuição foi efetivamente paga. Recurso a que se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: i) afastar a glosa dos créditos correspondentes às aquisições da Zona Franca de Manaus; ii) afastar a glosa dos créditos correspondentes à rubrica créditos a descontar COFINS importação – alíquota de 7,6% relativa aos meses de novembro e dezembro de 2005; iii) manter a exclusão do cômputo dos créditos, na rubrica créditos a descontar COFINS importação – alíquota de 7,6%, da quantia de R$ 1.890,99 referente ao mês de outubro de 2005; iv) homologar as respectivas compensações até o valor do crédito reconhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 38 39 /2 00 8- 37 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vencido o Conselheiro Francisco José Barroso Rios (relator) que declarava a nulidade, por vício material, do despacho decisório a fls. 444 a 452 em sua parte denegatória. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda – Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 769/772 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte não reconhecida do direito creditório reclamado, referente a supostos créditos da COFINS não cumulativa de competência do quarto trimestre de 2005. Segue relatório objeto da decisão recorrida, transcrito na sua integralidade: O processo em pauta trata de Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins, apurados sob o regime da nãocumulatividade, no valor de R$ 154.207,96 (cento e cinqüenta e quatro mil, duzentos e sete reais e noventa e seis centavos), relativo ao 4° trimestre/2005. A Delegacia Federal em Joinville/SC, reconheceu parcialmente o direito creditório postulado, no valor de R$ 90.169,49 (noventa mil, cento e sessenta e nove reais e quarenta e nove centavos). Conforme descrito no Termo de verificação e encerramento da análise fiscal (fls. 425/35), na auditoria procedida nos arquivos digitais contendo a relação de Notas Fiscais de Entrada e Saída informadas nos respectivos Livros de Registro entregues pelo interessado, detectouse que: sobre as notas fiscais das aquisições de insumos junto a fornecedores da Zona Franca de Manaus (relação às fls. 440/444) foram calculados créditos às aliquotas normais, compondo a base de cálculo dos créditos na rubrica "Bens utilizados como insumos", sendo que, concomitantemente, a grande maioria destas mesmas notas fiscais foram informadas no Demonstrativo dos Créditos Calculados à Alíquotas Diferenciadas; em determinados trimestres, a interessada declarou em Dacon créditos oriundos de operações de importação sob o regime de drawback, cujas respectivas contribuições não foram pagas. Desta forma, excluiuse da base de cálculo dos créditos na rubrica "Bens utilizados como Insumos" as aquisições de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, conforme relação às fls. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10920.003839/200837 Acórdão n.º 3802001.763 S3TE02 Fl. 838 3 440/444, no total de R$ 1.188.343,04 no trimestre. Da mesma forma, excluiuse do cômputo dos créditos, na rubrica "Créditos a Descontar de Cofins Importação Alíquota 7,6%", os valores de R$ 1.890,99 em outubro/2005, R$ 5.328,87 em novembro/2005 e R$ 14.099,29 em dezembro/2005. Em sua manifestação, a interessada alega que não houve duplicidade, pois teria sido diminuído o valor das compras de insumos de Manaus na composição dos créditos. Traz um pequeno demonstrativo dos valores de insumos totais em cada um dos meses (fls. 505/6), do qual teria diminuído o valor das compras de insumos na Zona Franca de Manaus, resultando no valor constante do Dacon. Anexa ainda a cópia do LRE — Registro de Entradas (fls. 507/680). Alega, ainda, que os valores informados na linha 22, referente a "Créditos a descontar de Cofins na importação" foram efetivamente pagos dentro do mês de referência do crédito, cujos comprovantes de pagamento encontramse anexos ao processo (fls. 681/8). Requer, por fim, a improcedência do pleito fiscal. O processo em tela foi encaminhado inicialmente para a DRJ/Curitiba, sendo posteriormente encaminhado para esta Delegacia de Julgamento, em vista da Portaria RFB 1.269/2010. Os encaminhamentos dados ao processo pelo relator designado na DRJ/Curitiba, conforme constantes do processo às fls. 689/715, ainda em fase de análise, não serão aqui relatoriados. Em vista da mudança de competência entre as Delegacias e a designação de outro relator para o processo, a análise se restringirá à manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório emitido pela DRF/Joinville. Os argumentos aduzidos pela interessada não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, que indeferiu o pleito em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão de primeira instância, alicerçandose no exame feito pelo fisco nos arquivos digitais fornecidas pela reclamante, não acolheu a tese do suposto erro de apuração, tendo ressaltado que o contribuinte “não demonstra claramente como chegou ao resultado que pleiteia”, e ainda, que o fisco já examinou o arquivo digital em evidência. Cientificada da referida decisão em 29/06/2012 (fls. 773), a interessada, em 27/07/2012 (fls. 7875), apresentou o recurso voluntário de fls. 775/779, onde se insurge contra Fl. 839DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que “[...] os insumos adquiridos da ZFM realmente não compõem a rubrica Bens utilizados como insumos, porque foram descontados da base para crédito dos insumos, conforme tabela demonstrativa em anexo”. Assevera ainda o seguinte: O valor total das compras de insumos foi de R$ 1.937.521,94 no mês de outubro, descontadas as compras de insumos da ZFM R$ 491.010,52, chegase ao valor declarado na DACON de R$ 1.446.511,42, fl. 64. O valor total de compras de insumos foi de R$ 1.765.248,08 no mês de novembro, descontadas as compras de insumos da ZFM R$ 482.341,64, chegase ao valor declarado na DACON de R$ 1.282.906,44, fl. 65. O valor total de compras de insumos foi de R$ 1.036.604,65 no mês de dezembro, descontadas as compras de insumos da ZFM R$ 214.990,87, chegase ao valor declarado na DACON de R$ 821.613,78, fl. 66. O valor total de compras de insumos são a soma dos produtos CFOP 1101 e 2101, descontados o IPI, Frete FOB e o valor gasto com a empresa Maná Refeições Ltda., conforme documentos em anexo. As compras de insumos da Zona Franca de Manaus estão registradas nos Registros de Entradas de cada mês, conforme documentos em anexo. Dessa forma, os valores de insumos apresentados na DACON evidentemente já tinham sofrido o desconto dos insumos da ZFM, portanto, os créditos não foram aproveitados em duplicidade na linha "Bens utilizados como Insumos" e de "Créditos Calculados a Alíquotas Diferenciadas", ao contrário do alega a DRJ/FNS. Com isso, requer a reforma da decisão da primeira instância para que seja reconhecido o crédito da contribuinte, com base no art. 6° da Lei 10.833. A suplicante aponta ainda suposto equívoco na decisão recorrida no tocante a pagamentos realizados em 13/10/2008. Reproduzo, abaixo, o trecho do voto da decisão contestada: Quanto aos valores informados na linha 22, referente a "Créditos a descontar de Cofins na importação" pelos quais a contribuinte alega que foram efetivamente pagos dentro do mês de referência do crédito, verificase que a interessada recolheu os valores em 13/10/2008 (fls. 681/8), ou seja, após a ciência do despacho decisório, em setembro deste mesmo ano. Desta forma, quando da emissão do despacho decisório, a contribuinte ainda não havia recolhido os valores passíveis de ressarcimento/compensação, portanto, não poderia têlos pleiteado. Correta, pois, a glosa fiscal. Contudo, segundo a reclamante, os pagamentos em tela teriam sido feitos nos meses de outubro a dezembro de 2005. O dia 13/10/2008 corresponderia ao dia em que os comprovantes foram emitidos no sítio eletrônico da Receita Federal. É mera data de visualização e reimpressão dos documentos quitados, sim, em 20/10/2005 até 19/12/2005. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10920.003839/200837 Acórdão n.º 3802001.763 S3TE02 Fl. 839 5 O valor total informado em novembro na linha 22, fls. 65, de R$ 6.016,42 foi devidamente quitado pelas guias pagas em 01/11/2005, 11/11/2005 e 25/11/2005, nos valores de e R$ 629,26, R$ 2.740,66 e R$ 2.646,49, respectivamente. O valor total informado em dezembro na linha 22, fls. 66, de R$ 14.099,29 foi devidamente quitado pelas guias pagas em 06/12/05, 12/12/2005, 13/12/2005, 15/12/2005, 15/12/2005 e 19/12/2005, nos valores de R$ 2.353,17, R$ 1.796,88, R$ 1.839,24, R$ 262,48, R$ 2.212,45 e R$ 5.635,07, respectivamente. Diante do exposto, requer seja reformada a decisão vergastada e dado provimento ao seu recurso, “[...] em razão da confirmação do pagamento dos valores que deram origem a esse crédito”. Antes do julgamento pela DRJ Florianópolis, o processo em tela chegou a ser trabalhado pela DRJ Curitiba, que, mediante despachos de fls. 718 e 722, baixou os autos duas vezes em diligência, não tendo obtido, todavia, resposta satisfatória por parte da unidade de origem (DRF Joinville). Tais questões, dado seu liame com a motivação para a decisão aqui tomada, serão abordadas em maiores detalhes no voto. É o relatório. Voto Vencido O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. As leis nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, que, respectivamente, instituíram o regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS, autorizam o desconto de créditos calculados mediante a aplicação das alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre custos, despesas e encargos da pessoa jurídica (vide artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). O caso em exame envolve, justamente, suposto erro cometido pela recorrente no cálculo dos créditos da COFINS nãocumulativa relativa ao 4° trimestre de 2005. Conforme relatado, vêse que o direito creditório inicialmente arguido pelo sujeito passivo foi reconhecido apenas parcialmente pela unidade de origem, já que, segundo a fiscalização, os insumos adquiridos da Zona Franca de Manaus – ZFM (relação às fls. 440/444) teriam sido computados em duplicidade, ou seja, tanto no cálculo a partir da aplicação das alíquotas normais como, em sua maioria, pela aplicação de alíquotas diferenciadas estipuladas pela § 17 do artigo 3o da Lei no 10.833/03. Portanto, segundo consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, a empresa teria se beneficiado de um “duplo creditamento” (v. fls. 437/438). De fato, no cálculo do crédito decorrente do regime da nãocumulatividade as mercadorias adquiridas da ZFM não integram a base de cálculo ordinária sobre a qual são aplicadas as alíquotas comuns do regime (1,65% para o PIS/PASEP e 7,6% para a COFINS), visto que sobre tais aquisições incidem alíquotas específicas, normalmente de 4,6% para a Fl. 841DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 COFINS e de 1% para o PIS, nos termos do § 17 do artigo 3o da Lei no 10.833/03, bem como do § 12 do artigo 3o da Lei no 10.637/02, respectivamente. Relata ainda a fiscalização que, em determinados trimestres, a interessada declarou no DACON créditos oriundos de operações de importação sob o regime de drawback, onde as respectivas contribuições não foram pagas, não podendo a empresa, portanto, se creditar em relação às correspondentes transações (v. fls. 441). A fiscalização concluiu seu trabalho com duas tabelas onde discrimina os processos objeto do exame e os montantes do direito creditório solicitados e reconhecidos inerentes a cada um dos processos (conf. fls. 442). Importa ressaltar que o trabalho em tela foi concluído em 22 de dezembro de 2006, não tendo contemplado, consequentemente, o processo em tela, formalizado em 05/08/2008. Apenas às fls. 443 é que é juntado aos autos um demonstrativo de apuração dos créditos da COFINS específico para o processo em análise. Referido demonstrativo, de uma única folha, traz apenas um comparativo entre os montantes dos créditos declarados no DACON e aqueles que foram deferidos, todos relativos ao 4o trimestre de 2005. De fato, da leitura do despacho decisório de fls. 444/452, contatase que os cálculos procedidos foram aproveitados do processo no 10920.001102/200618, inerente a pedido de ressarcimento do PIS/Pasep do mesmo período (4o trimestre de 2005) – v. fls. 445. Assim, dada a similaridade das legislações regentes de ambas as contribuições, utilizouse os mesmos elementos de prova levantados naquele processo, sintetizados no Termo de Verificação e Encerramento de Análise Fiscal emitido à época (fls. 425/435) [fls. 431/442 do processo eletrônico], do qual aqui se faz uso visando determinar a legitimidade do direito creditório reclamado, cuja metodologia e conclusões também se aplicam. O despacho decisório em referência não possui nenhum demonstrativo de apuração. Apenas relaciona as notas fiscais que foram excluídas da base de cálculo dos créditos na rubrica bens utilizados como insumo (v. fls. 447/451), no valor total de R$ 1.888.343,04, ressaltando ainda haverem sido excluídos do cômputo dos créditos, na rubrica créditos a descontar COFINS importação – alíquota de 7,6%, as quantias de R$ 1.890,99, R$ 5.328,87 e R$ 14.099,29, respectivamente, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2005. Também faz menção às metodologias descritas no termo de verificação fiscal itens 4.3.1.3 (“bens e serviços utilizados como insumos dos produtos industrializados pela PJ” – fls. 436/438 – e 4.3.2.7 (“créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins importação” – fls. 441). Segundo o termo de verificação fiscal acima referenciado, a auditoria realizada nos arquivos digitais fornecidos pela empresa, relativos à relação de Notas Fiscais de Entrada e de Saída informadas nos respectivos Livros de Registro entregues pelo interessado detectouse que sobre as notas fiscais das aquisições de insumos junto a fornecedores da Zona Franca de Manaus foram calculados créditos às alíquotas normais, compondo a base de cálculo dos créditos na rubrica Bens Utilizados como Insumos. Concomitantemente, a grande maioria destas mesmas notas fiscais foram informadas no Demonstrativo dos Créditos Calculados a Alíquotas Diferenciadas também entregue pelo interessado, tornando patente o duplo creditamento. Desta forma, foram Fl. 842DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10920.003839/200837 Acórdão n.º 3802001.763 S3TE02 Fl. 840 7 glosadas todas as aquisições referidas da linha Bens Utilizados como Insumos. (v. fls. 437/438) A interessada afirma que os insumos adquiridos da ZFM não integraram a rubrica dos bens utilizados como insumos, já que os mesmos teriam sido descontados da correspondente base de cálculo. Nesse sentido, ressalta que os valores utilizados como base para a apuração do crédito foram obtidos da seguinte forma: Total de insumos adquiridos (R$) Insumos da ZFM (R$) Valor base para o cálculo do crédito (declarado DACON) Outubro/2005 1.937.521,94 491.010,52 1.446.511,42 Novembro/2005 1.765.248,08 482.341,64 1.282.906,44 Dezembro/2005 1.036.604,65 214.990,87 821.613,78 Conforme relatado, o processo em tela chegou a ser trabalhado pela DRJ Curitiba, a qual, mediante despacho de fls. 718, remeteu os autos à unidade de origem (DRF Joinville) para que esta se pronunciasse “quanto às divergências apontadas pela contribuinte, procedendo, se for o caso, a diligência e intimações cabíveis”, uma vez que a reclamante alegara, com base no livro Registro de Entradas, que, na linha 02 do DACON – bens utilizados como insumos –, já teriam sido descontadas as compras da Zona Franca de Manaus. Tal providência, decerto, é razoável, uma vez que os autos contemplam unicamente a descrição da metodologia utilizada pela autoridade fiscal, os montantes dos créditos pleiteados e deferidos, e a relação das notas fiscais que foram excluídas da base de cálculo dos créditos na rubrica bens utilizados como insumo. Não há nenhum documento ou demonstrativo capaz de evidenciar, de forma clara, a duplicidade de utilização das notas fiscais no cômputo dos créditos pelo sujeito passivo. É relevante destacar que o trabalho fiscal foi conduzido com dados de arquivos magnéticos e planilhas eletrônicas inerentes a milhares de registros de notas fiscais, conforme disposto no item 4.1 do relatório fiscal (fls. 434): Como apoio à análise do direito creditório, fezse uso de planilhas eletrônicas que, a partir da consolidação dos valores contábeis das notas fiscais de entrada e de saída, apresentadas em arquivos digitais pela pessoa jurídica, confrontados com os dados transcritos dos DACON's do contribuinte, permitem uma visão geral das distorções a analisar. Oferecem, ainda, maior clareza ao entendimento dos pontos de divergência apurados, em razão de facilitar a confrontação entre o declarado pelo interessado e o levantado na análise. Não obstante a relevância do pleito da DRJ Curitiba, a DRF Joinville, em despacho de fls. 719/721, não recepcionou o documento em tela como pedido de diligência e não examinou a documentação do requerente, tendo ressaltado, sobre o trabalho fiscal, o seguinte: [...] Fl. 843DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 O contribuinte, em suas alegações, não apresenta pedido de reconsideração da decisão, tampouco fatos novos que justificassem a inadequação da penalidade aplicada, nem faz pedido de diligência, não sendo oportuno ou exigível desta autoridade manifestação sobre as alegações do mesmo pois, neste caso, estaria esta autoridade travestindose de julgador ao emitir juízo sobre as mesmas, o que por óbvio não lhe cabe. Se o despacho de fl. 689 é diligência requerida de oficio pelo julgador, s.m.j, carece de elementos fundamentais pois não aponta especificamente onde há obscuridade que impeça o convencimento do julgador, nem formula os quesitos a serem respondidos, mas sim pede que a "autoridade administrativa se pronuncie quanto a divergência apontada pela contribuinte", ora, é inerente a toda impugnação existência de divergência entre os apontamentos da autoridade fiscal e os procedimentos tomados pelos contribuintes. A metodologia aplicada na auditoria de créditos efetuada está extensamente detalhada no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal em que, no item 3, Instrução do Processo, consignouse que o contribuinte apresentou arquivos digitais contendo a relação de Notas Fiscais de Entrada e de Saída referentes à totalidade das operações informadas nos respectivos Livros de Registro nos períodos em análise, em cumprimento à Portaria DRF/JOI n.° 35/2005. Portanto os Livros de Registro de Entradas já foram verificados na auditoria sob a forma de arquivos digitais, repisese, apresentados pelo próprio contribuinte. O Parecer COSIT n.° 2.243/1985 cita que a diligência após a impugnação só poderá ser promovida mediante determinação da autoridade julgadora e sua execução não equivale a segundo exame de livros e documentos. O reexame dos registros de entrada juntados à manifestação de inconformidade seria reabrir por via indireta ação fiscal já encerrada ou ainda pior, avaliação de elemento de prova em fase recursal por autoridade não julgadora. Na tentativa de sanear eventual dúvida ainda existente acerca dos cálculos efetuados em auditoria, esclarecese que os citados arquivos digitais devem representar os livros fiscais e contêm os seguintes campos: estabelecimento de entrada, CNPJ do fornecedor, número e série da nota fiscal, data de emissão, data de entrada, valor total, valor do IPI, valor de crédito de PIS/PASEP e valor de crédito de COFINS. Nas notas fiscais em que não se computam créditos estes dois últimos campos devem ser zerados, por outro lado, sob as quais o contribuinte computa crédito, este deve ali ser informado. Na totalização dos arquivos digitais verificouse que o montante total de créditos era compatível com o demonstrado em DACON nas rubricas vinculadas a notas fiscais (item 4.3.1 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal), razão pela qual tomaramse os mesmos como verdadeiros. Então qualquer nota fiscal com crédito destacado que não pudesse estar ali somada ou não fosse insumo deveria ser glosada. Ora, a amostragem de notas fiscais mostrou que aquisições da ZFM estavam ali creditadas e por isso foram glosadas da base de cálculo dos créditos normais ou básicos, como exposto no item 4.3.1.3 Fl. 844DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10920.003839/200837 Acórdão n.º 3802001.763 S3TE02 Fl. 841 9 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, pela simples redução do valor declarado em DACON naqueles montantes. E ainda que o interessado tivesse razão, a exclusão daquelas notas fiscais de entrada dos arquivos digitais (se estes estivessem incorretos) acarretaria a falta de aquisições/créditos na comparação com os valores declarados em DACON, também motivo de glosa por não ter respaldo em seus registros de entrada. Por não ser entendido o despacho de fl. 689 como diligência, desnecessária a ciência ao interessado deste. Em decorrência da resposta supra, a DRJ Curitiba solicitou nova diligência (fls. 722) onde requereu a juntada aos autos de “cópia dos arquivos digitais contendo a relação de notas fiscais de entrada em que se baseou a autoridade fiscal para concluir pelo duplo creditamento das aquisições efetuadas junto a fornecedores da ZFM”. Em resposta à solicitação em tela, a unidade preparadora acostou cópia da Portaria no 35, de 18/07/2005, do Delegado da Receita Federal em Joinville, que trata da apresentação de arquivos digitais por contribuintes (fls. 723), além de extenso impresso dos “arquivos digitais LRE” (fls. 724/767), acompanhado de despacho de encaminhamento (fls. 768), onde também se noticia a possibilidade de envio dos registros em meio magnético. De tudo o que foi acima exposto resta evidente que a fiscalização utilizou uma metodologia de cálculo indireta, e por amostragem, para apurar o valor do crédito e promover a glosa parcial dos valores levantados pela recorrente. A autoridade fiscal afirma em seu relatório (trecho acima reproduzido) que as notas de aquisição de insumos da ZFM foram consideradas no cálculo dos créditos relacionados às alíquotas normais, e que, “a grande maioria” dessas mesmas notas fiscais teria sido informada no demonstrativo de créditos calculados a alíquotas diferenciadas. Contudo, como já dito, não há nos autos nenhum documento ou demonstrativo capaz de evidenciar, de forma clara, a duplicidade de utilização das notas fiscais no cômputo dos créditos pelo sujeito passivo. O demonstrativo de apuração dos créditos da COFINS (fls. 443), anexado posteriormente ao termo de verificação fiscal (fls. 431/442), é insuficiente para atestar que as aquisições de insumos da ZFM estavam também computadas na base de cálculo da contribuição segundo alíquotas normais. A metodologia e a motivação para a glosa parcial do pedido de ressarcimento pecam pela falta de clareza. A DRJ Curitiba, sentindo também dificuldade de checar os cálculos procedidos pela fiscalização, solicitou, por duas vezes, esclarecimentos que foram respondidos de forma indevida (não acatamento da diligência) e insuficiente (remessa de informações não trabalhadas, sem qualquer utilidade) pela unidade preparadora. É certo que pedido de diligência não se reveste apenas em direito do sujeito passivo, mas também em uma faculdade da autoridade julgadora que “[...] determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias [...]” (artigo 18 do Decreto no 70.235/72). É imprescindível para o exercício do ofício de julgador o pleno conhecimento dos fatos objeto do litígio, cabendo somente a este discernir se está apto para proferir seu voto frente a complexidade do problema cuja solução lhe compete. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Se a dúvida envolve questão de fato, como no presente caso, não só pode como deve o julgador baixar o processo em diligência, cujo atendimento é obrigatório por parte da unidade responsável pelo trabalho fiscal. Se o julgador “[...] não aponta especificamente onde há obscuridade [...]” é porque todo o trabalho peca pela falta de clareza, uma vez que, como já amplamente demonstrado, os autos padecem de falta de transparência no levantamento dos créditos objeto da lide. A unidade preparadora, nas duas vezes em que foi instada a se manifestar, ficou ciente de que o problema estava relacionado com o exame das notas fiscais de aquisição da ZFM, especificamente se estas estariam ou não incluídas no cômputo dos créditos normais da COFINS nãocumulativa. Apresentar um demonstrativo sobre a apuração dos créditos não significa que a autoridade administrativa responsável pela glosa do direito estaria “travestindo se de julgador”, mas apenas cumprindo com seu dever de ofício de aclarar o trabalho fiscal, possibilitando não só a formação de um juízo da contenda por parte do julgador, como, também, o exercício mais adequado do direito de defesa por parte da recorrente. Em resposta à segunda diligência solicitada pela DRJ Curitiba (fls. 722), que requereu a juntada aos autos de “cópia dos arquivos digitais contendo a relação de notas fiscais de entrada em que se baseou a autoridade fiscal para concluir pelo duplo creditamento das aquisições efetuadas junto a fornecedores da ZFM”, a unidade preparadora apresentou extenso impresso dos “arquivos digitais LRE” (fls. 724/767) cujo exame na fase de julgamento foge completamente à razoabilidade. Uma simples olhada nos documentos acima referenciados demonstra que os mesmos não tem nenhuma serventia para o julgador (não há qualquer tabulação ou organização mínima que seja dos dados). No lugar dessa listagem, que nada contribui para o esclarecimento dos fatos, deveria ter sido acostada aos autos planilha de apuração contendo a relação das notas fiscais correspondentes aos créditos normais da COFINS nãocumulativa e aos créditos pela aquisição de insumos da ZFM, com destaque daquelas que estariam repetidas nas duas apurações. No caso presente, a amostragem, entendo, poderia servir para examinar o correto cômputo do crédito pelo sujeito passivo. Porém, uma vez encontrado algum problema, necessário se faz a apuração clara do crédito alegado, inclusive para permitir o exercício do direito de defesa, prejudicado no caso em tela, dada a metodologia indireta, por amostragem e pouco transparente em que se fundou a autoridade fiscal para glosar parcialmente o direito pleiteado. A fim de demonstrar que as aquisições junto à Zona Franca de Manaus não teriam sido deduzidas, a autoridade fiscal poderia, ainda, ter se baseado nos dados informados na linha 2 da DACON (fls. 507/509) – “Bens utilizados como insumos”, cujos montantes, quando comparados com os valores correspondentes ao total de entradas lançado no livro Registro de Entradas (fls. 516/708), acaso houvesse identidade entre os mesmos, representaria indicativo de que as aquisições da ZFM estariam indevidamente consignadas na DACON. Mas isso também não foi feito pela autoridade responsável. Para finalizar, releva ainda mencionar que a decisão de primeira instância indeferiu a manifestação de inconformidade não com base em demonstração, nos autos, de que o crédito reclamado seria inferior ao correto, mas sim na alegada não comprovação do direito creditório por parte do contribuinte. A decisão em tela repete a metodologia indireta utilizada pela autoridade fiscal e ressalta que o contribuinte “não demonstra claramente como chegou ao resultado que pleiteia”. Tal entendimento não me parece razoável, já que, por tudo o que foi exposto, resta claro que o direito do sujeito passivo foi cerceado pela falta de transparência na apuração Fl. 846DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10920.003839/200837 Acórdão n.º 3802001.763 S3TE02 Fl. 842 11 procedida pelo fisco. O contribuinte apurou os créditos decorrentes do regime da não cumulatividade da COFINS no período. Sua contabilidade foi submetida à fiscalização. Cabia a esta, não tendo concordado com os cálculos, o dever de mostrar claramente como chegou a resultado diverso, motivando, assim, adequadamente, sua discordância, com documentos e demonstrativos suficientes para as exigências do caso. Impor à interessada a obrigação de comprovar que não computou em duplicidade (com alíquota normal e com alíquota diferenciada) as notas fiscais de aquisição de insumos me parece ser caso de exigência de prova impossível, ou prova negativa – tão rechaçada pela doutrina –, isso considerando a necessidade de abertura da contabilidade para exame de todas as aquisições, documentação já apresentada à autoridade fiscal pelo contribuinte, como relatado. Quanto ao resultado do juízo aqui expresso sobre a lide entendo estar diante de realidade que exige seja declarada a nulidade da ação fiscal por vício material. Com efeito, no caso em tela a exigência não carece de nenhum dos elementos formais necessários à sua exteriorização, dentre os quais a descrição dos fatos e o demonstrativo do montante devido. Tais elementos, embora presentes – o que afasta a hipótese de nulidade por vício formal – estão expressos de forma defeituosa, posto que insuficientes para subsidiar a glosa parcial do crédito pleiteado e o próprio exercício do direito de defesa por parte da querelante. Assim, muito embora a lide retrate fato em que estão preenchidos todos os elementos essenciais à sua plena validade do ponto de vista formal, existe uma mácula na motivação do próprio ato que glosou parcialmente o direito creditório alegado, mácula esta de natureza substancial, não sanada nas duas diligências requeridas junto à unidade preparadora, que, a julgar pela forma como tratou os pedidos feitos pela autoridade julgadora, parece também não ser capaz de explicar como procedeu em relação às glosas dos créditos do sujeito passivo. Por tal razão, não podendo me pronunciar sobre a improcedência da exigência – pois também não há elementos suficientes para tanto –, é que concluo deva ser a ação fiscal declarada nula, por vício material, por ser este resultado mais adequado para o caso examinado. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente, no sentido de declarar nula a ação fiscal, por vício material. Sala de Sessões, em 21 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 847DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 Voto Vencedor Dos insumos adquiridos da Zona Franca de Manaus Consoante anotado pelo i. relator, o direito creditório inicialmente arguido pelo sujeito passivo foi reconhecido apenas parcialmente pela unidade de origem, já que, segundo a fiscalização, os insumos adquiridos da Zona Franca de Manaus – ZFM (relação às fls. 440/444) teriam sido computados em duplicidade, ou seja, tanto no cálculo a partir da aplicação das alíquotas normais como, em sua maioria, pela aplicação de alíquotas diferenciadas estipuladas pela § 17 do artigo 3o da Lei no 10.833/03. Portanto, segundo consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, a empresa teria se beneficiado de um “duplo creditamento” (v. fls. 437/438). Entretanto, as seguintes passagens do voto condutor trazem questões de relevo ao deslinde da questão: O despacho decisório em referência não possui nenhum demonstrativo de apuração. Apenas relaciona as notas fiscais que foram excluídas da base de cálculo dos créditos na rubrica bens utilizados como insumo (v. fls. 447/451), no valor total de R$ 1.888.343,04, ressaltando ainda haverem sido excluídos do cômputo dos créditos, na rubrica créditos a descontar COFINS importação – alíquota de 7,6%, as quantias de R$ 1.890,99, R$ 5.328,87 e R$ 14.099,29, respectivamente, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2005. ..................................................................................................... Contudo, como já dito, não há nos autos nenhum documento ou demonstrativo capaz de evidenciar, de forma clara, a duplicidade de utilização das notas fiscais no cômputo dos créditos pelo sujeito passivo. O demonstrativo de apuração dos créditos da COFINS (fls. 443), anexado posteriormente ao termo de verificação fiscal (fls. 431/442), é insuficiente para atestar que as aquisições de insumos da ZFM estavam também computadas na base de cálculo da contribuição segundo alíquotas normais. Já a interessada afirma que os insumos adquiridos da ZFM não integraram a rubrica dos bens utilizados como insumos, já que os mesmos teriam sido descontados da correspondente base de cálculo. No caso presente, consoante leitura do despacho decisório de fls. 444/452, contatase que a fiscalização valeuse do resultado da análise procedida no processo no 10920.001102/200618, inerente a pedido de ressarcimento do PIS/Pasep do mesmo período (4o trimestre de 2005) – v. fls. 445. Em análise do andamento desse processo, verifiquei que a matéria já fora objeto de julgamento pela DRJ Curitiba em 24 de fevereiro de 2010, tendo o colegiado julgador, por unanimidade de votos, acolhido as razões da manifestação de inconformidade e restabelecido o crédito referente à contribuição ao PIS/Pasep nãocumulativo relativo ao 4º trimestre de 2005. A decisão restou assim ementada: Fl. 848DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10920.003839/200837 Acórdão n.º 3802001.763 S3TE02 Fl. 843 13 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE INSUMOS. Comprovado pelo Registro de Entrada que os créditos das aquisições de insumos da Zona Franca de Manaus não foram incluídos como “Bens Utilizados como Insumos”, deve ser restabelecida a glosa que considerou em duplicidade o correspondente creditamento. Com efeito, como bem anotado no voto condutor desse aresto, pelas cópias do Registro de Entradas apresentadas pela empresa no processo 10920.001102/200618 (fls. 417 a 487), relativamente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2005, e pelo informado no DACON, observamos os seguintes valores: outubro/2005 (Fl. 62 e 63 vol. 3 digital PIS) novembro/2005 (Fl. 82 e 83 vol. 3 digital PIS) dezembro/2005 (Fl. 98 e 99 vol. 3 digital PIS) Total de Entradas Registradas 1.966.380,66 1.711.747,43 1.030.127,78 () IPI 71.000,46 55.752,73 35.457,65 Total das Aquisições sem IPI 1.895.380,20 1.655.994,70 994.670,13 Registro de Entradas da ZFM 491.010,52 482.341,64 214.990,87 Declarado – DACON (1) 1.446.511,42 1.282.906,44 821.613,78 Assim, verificase que as notas fiscais listadas pela fiscalização cujo crédito foi objeto de glosa já foram excluídas pela interessada quando do preenchimento da linha 02 – “Bens Utilizados como Insumos” do Dacon, e, portanto, não foram aproveitadas em duplicidade. Pontuese que esses mesmos dados podem também ser colhidos dos autos do presente processo a partir dos registros de entrada acostados a fls. 507 a 680, filtrandoos pelo código fiscal (CFOP) 1101 e 2101. Já as compras de insumos da Zona Franca de Manaus estão registradas a fls. 793 a 797, 809 a 813, e 822 a 822 (processo digital). Dessa forma, há que se afastar a glosa dos créditos correspondentes às aquisições da Zona Franca de Manaus. Dos pagamentos relativos aos créditos de Cofins na importação. Relata ainda a fiscalização que, em determinados trimestres, a interessada declarou no DACON créditos oriundos de operações de importação onde as respectivas contribuições não foram pagas, não podendo a empresa, portanto, se creditar em relação às correspondentes transações (v. fls. 441). Fl. 849DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 14 Entretanto, compulsando os comprovantes de pagamento acostados a fls. 681 a 688, verificamos que os valores informados a título de "Créditos a descontar de Cofins na importação" foram efetivamente pagos dentro do mês de referência do crédito (novembro e dezembro de 2005), a exceção apenas do valor glosado referente ao mês de outubro de 2005 (R$ 1.890,99) cujos comprovantes juntados atestam apenas o pagamento de R$ 2.465,67 em relação aos R$ 4.356,66 declarados na DACONlinha 22 (fl. 62). Com efeito, há equívoco na decisão recorrida ao entender que os pagamentos em tela teriam sido feitos no dia 13/10/2008. Referida data corresponde ao dia em que os comprovantes foram emitidos no sítio eletrônico da Receita Federal, sendo os recolhimento efetuados no 4º trimestre de 2005 (fls. 681 a 688). Dessa forma, há também que se afastar a glosa dos créditos correspondentes à rubrica créditos a descontar COFINS importação – alíquota de 7,6% relativa aos meses de novembro e dezembro de 2005. Da conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário para i) afastar a glosa dos créditos correspondentes às aquisições da Zona Franca de Manaus; ii) afastar a glosa dos créditos correspondentes à rubrica créditos a descontar COFINS importação – alíquota de 7,6% relativa aos meses de novembro e dezembro de 2005; iii) manter a exclusão do cômputo dos créditos, na rubrica créditos a descontar COFINS importação – alíquota de 7,6%, da quantia de R$ 1.890,99 referente ao mês de outubro de 2005. iv) homologar as respectivas compensações até o valor do crédito reconhecido. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda – Redator designado Fl. 850DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10925.000706/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO COM A PROVA DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ACOLHIMENTO.
O recurso de embargos não se presta ao reexame de provas dos autos com vistas corrigir decisões consideradas erradas pela embargante. A contradição exigida para o seu acolhimento é intrínseca à própria decisão. Assim, não se acolhem embargos cuja contradição apontada reside entre elementos dos autos e à decisão embargada.
Numero da decisão: 1302-001.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos interpostos para, no mérito, rejeitá-los, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO COM A PROVA DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ACOLHIMENTO. O recurso de embargos não se presta ao reexame de provas dos autos com vistas corrigir decisões consideradas erradas pela embargante. A contradição exigida para o seu acolhimento é intrínseca à própria decisão. Assim, não se acolhem embargos cuja contradição apontada reside entre elementos dos autos e à decisão embargada.
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CONTRADIÇÃO COM A PROVA DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ACOLHIMENTO. O recurso de embargos não se presta ao reexame de provas dos autos com vistas corrigir decisões consideradas erradas pela embargante. A contradição exigida para o seu acolhimento é intrínseca à própria decisão. Assim, não se acolhem embargos cuja contradição apontada reside entre elementos dos autos e à decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos interpostos para, no mérito, rejeitálos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 07 06 /2 00 5- 16 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10925.000706/200516 Acórdão n.º 1302001.091 S1C3T2 Fl. 285 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por SADIA S/A, em face do Acórdão nº 130200.082, proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 29/09/2009, com a seguinte ementa: IRPJ. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem compensação como forma de extinção da obrigação tributaria, devem estar revestidos de liquidez e certeza. Assim, o IR FONTE sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser utilizado para fins de compensação ou restituição, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O colegiado negou provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Cientificada em 26/07/2010, a interessada, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 02/08/2010, sustentando que ao negar provimento ao recurso voluntário, este colegiado ao proferir o acórdão incorreu em contradição com a prova dos autos. Alega a embargante que, não obstante ter apresentado robusta prova da retenção do IRRF pela instituição financeira, o relator do voto condutor, em contradição com o conjunto probatório, negou provimento ao recurso. Ao final, a embargante requer que os embargos sejam conhecidos e acolhidos para sanar a contradição entre o conjunto probatório e o acórdão embargado. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10925.000706/200516 Acórdão n.º 1302001.091 S1C3T2 Fl. 286 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, assim, deles tomo conhecimento. Alega a interessada, ora embargante, que a decisão recorrida ao negar provimento ao recurso voluntário incorreu em contradição com a prova dos autos. Desde logo, cumpre observar que a contradição exigida para o acolhimento dos embargos é intrínseca à própria decisão. Assim, “a contradição pode estar nos fundamentos, no decisório, pode existir entre os fundamentos e o decisório, ou ainda, localizandose entre a ementa e o corpo do acórdão.” 1. Deste modo, não se acolhem embargos cuja contradição apontada reside entre elementos dos autos e à decisão embargada. No caso em apreço, verificase que o colegiado acolheu os argumentos do relator do acórdão, no sentido que os elementos trazidos aos autos eram insuficientes para comprovar a retenção do IRRF pela instituição financeira, com vistas à sua compensação com outros tributos, como se extrai das conclusões do voto condutor: Efetivamente, os documentos que instruem a parte remanescente do crédito pretendido não se prestam para o fim colimado. A incerteza fica evidenciada na medida em que a própria agência do Banco do Brasil informou à recorrente que não havia obtido confirmação interna acerca da inclusão ou não do valor pretendido na respectiva DIRF (fls. 226). Como se vê, os elementos probantes trazidos aos autos apenas têm valor na relação negocial existente entre a interessada e o Banco do Brasil e não se prestam para autorizar o reconhecimento do direito creditório aqui pretendido. Tratase, a toda evidência, de valoração das provas apresentadas, pelo colegiado, com vistas à formação de sua livre convicção. Como cediço, “o objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão. Não se presta, portanto, esse recurso, a corrigir uma decisão errada” 2. Portanto, se assim entende a interessada, deve a interessada manejar o recurso adequado para atingir tal fim. 1 WAMBIER, Luiz Rodrigues; TALAMINI, Eduardo. CURSO AVANÇADO DE PROCESSO CIVIL .Volume I : Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. 12 ed. Editora Revista dos Tribunais, 2011. p. 714. 2 Op. cit., p. 714. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10925.000706/200516 Acórdão n.º 1302001.091 S1C3T2 Fl. 287 4 Ante ao exposto, voto por conhecer dos embargos, para, no mérito, rejeitá los. Sala de sessões, em 07 de Maio de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E
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Numero do processo: 11080.720525/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 52 5/ 20 10 -1 9 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/10/2008 a 30/09/2009 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno e exportação. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: Créditos Indevidos 1 – Serviços Utilizados como Insumos Fretes incorridos em compras à alíquota zero, com suspensão e com crédito presumido PF. 2 – Serviços Utilizados como Insumos Fretes Transferências MatériaPrima p/depósito. 3 Fretes nas operações de vendas – Fretes de transferências entre estabelecimentos. 4 Crédito indevido de aluguéis veículos. 5 Outras operações com direito a crédito – Controle de pragas e Serviços de Terceiros (serviços prestados por pessoas físicas, serviços de estiva, movimentação de cargas, combustível de veículos, aferição do INMETRO, manutenção de ar condicionado split e outros). 6 Apuração de créditos calculados sobre aquisições de insumos com suspensão das Contribuições. A Auditora fiscal, neste item de infração, esclarece em sua Informação fiscal que: “19. (...). No caso específico do beneficiamento de arroz a empresa adquire o arroz em casca de vários fornecedores, tanto pessoas físicas como pessoas jurídicas, bem como de cooperativas de produção agropecuária. 20. Em relação ao produto arroz em casca, a empresa calcula crédito integral (1,65% PIS e 7,6% para Cofins) sempre que realiza aquisições de pessoas jurídicas. Ocorre que de acordo com a legislação que regulamenta a matéria não é toda a aquisição de pessoa jurídica que dá direito a crédito integral, sendo que boa parte dos insumos agropecuários é adquirida com suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins”. Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 4 3 pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno e exportação, referente ao período do 4º TRIM. 2008 ao 3º TRIM.2009. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando,em síntese: Defende a apuração de créditos sobre os fretes incorridos nas operações de compra de bens sujeitos à alíquota zero, com suspensão e com crédito presumido. No caso, aponta que as compras de arroz em casca teriam sido todas tributadas pelo PIS e Cofins, alega adiante que não teria cumprido os requisitos para aplicar a suspensão e apurar crédito presumido. Esclarece, também, que a autoridade administrativa teria deixado de perceber que o creditamento realizado foi tãosomente sobre os valores referentes às despesas de fretes dos produtos e não sobre os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero destas contribuições. Entende que a vedação do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, só seria aplicável ao caso, se na aquisição dos insumos sujeitos à alíquota zero das contribuições, o frete fosse arcado pelo vendedor. Da mesma forma, considera que ainda que adquirisse o arroz em casca com suspensão e apurado crédito presumido, o art. 8º, § 3º, inciso III, da Lei nº 10.925/2004, só seria aplicável ao caso, se na aquisição dos insumos o frete fosse arcado pelo vendedor. Explica que na situação em apreço, a aquisição dos insumos e do arroz em casca, tributados à alíquota zero, contempla apenas o preço de aquisição das mercadorias, sendo o frete das mercadorias de responsabilidade do comprador. Cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento e conclui pela legitimidade do creditamento destes valores referentes às despesas de frete, visto que esses serviços foram tributados pelas contribuições. Considera as despesas de fretes na transferência de matériaprima para depósitos como intrínsecas à sua atividade, portanto seriam legítimos os créditos calculados sobre as mesmas. Informa que, eventualmente, contrata serviços de industrialização por encomenda para o beneficiamento de arroz e necessita remeter matéria prima para terceiros, bem como retornála a seus estabelecimentos após o beneficiamento, o que acarreta em despesas com serviços de transporte para estas operações. Desta forma, os correspondentes fretes de transferência integrariam seu processo produtivo, o que legitimaria o respectivo creditamento. Acrescente que a prestação destes serviços de frete, prestados por pessoas jurídicas nacionais, são tributadas pelas contribuições PIS e Cofins, o que já autorizaria o respectivo creditamento sobre estas despesas, com base no art. 3º, inc. II da Lei nº 10.833/2003. Com o mesmo fundamento, defende o direito a apurar créditos sobre as despesas decorrentes dos serviços de estiva e movimentação de cargas, as quais também entende como integrantes do processo produtivo da empresa. Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferência entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir diversos centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Conclui, então, que pelas razões logísticas expostas, as Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 5 4 operações de fretes entre seus estabelecimentos seriam apenas um desdobramento das operações de venda e também se enquadrariam como custos, gerando igualmente direito ao correspondente creditamento pela lógica da não cumulatividade. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da não cumulatividade e do nãoconfisco. Sustenta seu direito a apurar créditos sobre as despesas incorridas com aluguel de veículos utilizados nos deslocamentos de seus representantes comerciais, bem como dos combustíveis utilizados nestes veículos, com base no disposto no art. 3º, incisos II e IV, da Lei nº 10.833/2003. Argumenta que o dispositivo legal em comento, ao prever a expressão “máquina”, não estabeleceu a sua definição ou restrição de seu alcance, desta forma os veículos automotores poderiam ser enquadrados como máquinas. Entende que, por ser a comercialização a atividade que dá vazão à sua produção, todas as despesas envolvidas com este fim se demonstram como necessárias. Da mesma forma, entende como legítimos os créditos apurados sobre as despesas com o controle de pragas, o qual se trataria de serviço indispensável, consumido de forma direta em sua atividade. Esclarece que durante seu processo produtivo seria obrigada a cumprir normas sanitárias com a finalidade de manter seu produto final (arroz) dentro da classificação adequada, como apto ao consumo e livre de pragas. Para amparar seus argumentos, cita e transcreve legislação e atos normativos tributários, jurisprudência administrativa, soluções de consulta, bem como trechos de normas e regulamentos expedidos pela ANVISA. Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei 10.925/04 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela IN SRF nº 660/2006, portanto não estaria sujeita à obrigatoriedade de observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Novamente cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que o advento da IN RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º de novembro de 2009, alterou o anteriormente disposto na IN SRF nº 660/2006, para tornar obrigatória a aplicação da suspensão em todos os casos elencados no Art. 2º da IN 660/66. Desta forma, sustenta que a nova Instrução Normativa modificou o sentido que até então era vigente para o caso, ou seja, trouxe uma inovação no ordenamento, tornando obrigatório o que antes era facultativo. Conclui, assim, que anteriormente à inovação trazida pela IN 977/09, a utilização da sistemática da suspensão/crédito presumido não era obrigatória, sendo ela, portanto, uma opção do contribuinte. Acrescenta, ainda, que nas Notas Fiscais de aquisição do arroz em casca emitidas no período de janeiro a setembro de 2008 não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 6 5 PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art. 2º, § 2º da IN 660/06. Cita e transcreve jurisprudência do STJ para amparar seu entendimento. Alternativamente, requer a garantia de que nas operações aqui guerreadas seja mantida a possibilidade de registro do crédito presumido nos termos da Lei 10.925/04. Considera que na hipótese de desprovimento da presente Manifestação de Inconformidade, não poderia restar sem qualquer possibilidade de registro de crédito nestas operações, sendo que se revestiria de caráter lógico a concessão do crédito presumido no caso de desacolhimento dos pedidos aqui trazidos. Ao final, pede que sua Manifestação de Inconformidade seja acolhida, para a imediata reforma do Despacho Decisório ora combatido, com o deferimento total do crédito pleiteado. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido. Com relação aos créditos pleiteados sobre os fretes de transferência, caso não sejam acolhidos como mero desdobramento das operações de venda e exportação, pede, sucessivamente, que lhe seja concedido o creditamento pela forma prevista no art. 3º, inc. II e § 3º, inc. II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois o frete se trataria de insumo utilizado na concretização da comercialização. Requer, ainda, a possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar com a comprovação da legitimidade dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal”. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 Ementa: FRETES NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COM SUSPENSÃO. Se não ocorreu a tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e serviços que se agregam à matériaprima. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 7 6 CREDITAMENTO SOBRE DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Existe vedação legal para o creditamento sobre despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de Pis e Cofins. MOVIMENTAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DE MERCADORIAS. As despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesas de armazenamento. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Preenchidos os requisitos para aplicar a suspensão das contribuições PIS e Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DO DIREITO II. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS II. II – DA AUSÊNCIA DE SUPOSTAS IRREGULARIDADES APONTADAS PELA INFORMAÇÃO FISCAL II.II.1. DESPESAS DE FRETES NA OPERAÇÃO DE COMPRA DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO, COM SUSPENSÃO E COM CRÉDITO PRESUMIDO II. II. 2. DESPESAS DE FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAPRIMA PARA DEPÓSITO II. II.3 DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS II. II.4 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE VEÍCULOS II. II. 5 DAS DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS II. II. 6 SERVIÇOS DE TERCEIROS Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 8 7 II. III DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS SEM SUSPENSÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS II. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 II. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 977/09 II. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II. IV DA PERÍCIA III DO PEDIDO: Formula seu pedido nos seguintes termos: “...requer seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legalidade. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca e cana de açúcar) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido.” Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 9 8 quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: 24. Tendo em mente os dispositivos legais transcritos acima, as condições para que a fiscalizada, adquira produtos com contribuições PIS e Cofins suspensas nas vendas no mercado interno, são totalmente implementadas: apurar imposto de renda com base no lucro real, exercer atividade agroindustrial e utilizar o produto adquirido (arroz em casca) como insumo no processo produtivo dos produtos listados no artigo 5º da IN 660/2006 (arroz industrializado). 25. E as condições a serem cumpridas por grande parte dos seus fornecedores também se encontram completamente implementadas: serem cerealistas ou exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária e vender produtos agropecuário a ser utilizado como insumos em produtos do artigo 5º da IN 660/2006. 26. Alguns desses fornecedores informaram inclusive no corpo da nota fiscal ou em observação que as vendas foram efetuadas com a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e mesmo assim foram incluídos na base de cálculo de créditos com alíquotas integrais. Cópias de notas fiscais (NF) desse exemplo estão a fls.248 e 249 deste processo entregues em atendimento a solicitação de uma NF de cada fornecedor como amostragem. 27. No caso da compra de arroz em casca pela fiscalizada estão presentes todos os requisitos para a ocorrência da suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, sempre que o produto adquirido for utilizado como insumo na fabricação dos produtos que trata o art. 5º da IN SRF 660/2006. Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais emitidas no período em questão não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições. Diz a Recorrente: Como pode ser observado nas notas fiscais emitidas no período em questão relativas à aquisição de arroz, estas não contém a expressão “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, requisito formal exigido pelo art. 2º, § 2º da IN nº 660/06. Diante da inexistência de ressalva quanto às informações constantes na nota fiscal de seus fornecedores, a Recorrente entendeu que as operações de compra de arroz em casca de cooperativas e demais pessoas jurídicas ocorridas no período, não deveriam ensejar o registro de crédito presumido de Cofins. Pelo contrário, às aquisições aplicamse as regras gerais da nãocumulatividade, tal qual exposto alhures, restando à Recorrente o direito de registrar crédito integral sobre estas operações (com alíquota de 7,6% para a COFINS e 1,65% para o PIS), tendo em vista que as operações realizadas pelos fornecedores devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins (não estando Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 10 9 sujeito à suspensão de sua exigibilidade pelo Fisco, por não cumprimento de requisitos necessários). Como prova de sua alegação, a empresa Recorrente juntou cópia de notas fiscais de 04 (quatro) fornecedores. Das notas fiscais juntadas pela Recorrente, as de emissão das empresas POLIAGRO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA e AGROPEC VIVEIRO S/A, ao contrário do afirmado, constam a expressão “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” no corpo das notas fiscais. Já nas notas fiscais de emissão das empresas SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA e PURO GRÃO IND. E COM. DE ARROZ E SOJA LTDA realmente não consta a referida expressão. Como se vê, a alegação da Recorrente é contraditória e incoerente. De outra banda, confirmase a afirmação da Autoridade Fiscal da DRF de que no corpo de algumas notas fiscais, ou em observação, consta que as vendas foram efetuadas com a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins. No entanto, a Fiscalização não identificou em quais notas fiscais consta a referida informação ou a “observação”. Outro fato relevante é que, no período de apuração objeto deste processo, a Recorrente adquiriu arroz em casca de outros fornecedores, além daqueles que ela trouxe cópia de nota fiscal, conforme “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06, posto que há indícios de que alguns fornecedores não cumpriram as referidas obrigações. Para o julgamento da lide, há necessidade de se comprovar que a mercadoria efetivamente saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário esta comprovação, conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 (possui a declaração fornecida pela SLC Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 11 10 Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins). Outro ponto que precisar ser esclarecido é sobre os produtos e serviços utilizados no controle de pragas. Há necessidade de saber em que momento estes produtos são empregados e com qual objetivo. Deve, portanto, a Fiscalização solicitar à Recorrente informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente relacionar cada despesa realizada, identificando a data da apuração do crédito, o número da nota fiscal, o nome e o CNPJ do fornecedor, o produto/serviço adquirido, o valor pago e a descrição do emprego do produto/serviço, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720525/201019 Resolução nº 3302000.310 S3C3T2 Fl. 12 11 consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito integral pela fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Intimar a Recorrente para prestar informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente informar: 7.1 data da apuração do crédito (separar por período de apuração); 7.2 número da nota fiscal de aquisição; 7.3 nome e CNPJ do fornecedor; 7.4 descrição do produto/serviço adquirido; 7.5 valor do produto/serviço adquirido 7.6 descrição do emprego do produto/serviço adquirido, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. 8 Manifestarse sobre a veracidade das informações prestadas pela Recorrente, a que se refere o item anterior; 9 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 10 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 10768.720422/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.423
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim- Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação referente a pagamento a maior de COFINS, código de retenção 2172, do período de apuração 01.04.2003 a 30.04.2003, no valor de R$ 104.746,38, com o qual pleiteia compensar débito também de COFINS, código 6840, do período de apuração de agosto de 2005. Com vista uma apresentação sistemática e abrangente deste feito aproveitase do relatório da decisão recorrida a adiante transcrito: “Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) de débito da Cofins, código 6840, do período de apuração 08/2005 mediante o aproveitamento de crédito proveniente de pagamento a maior a título de Cofins, código 2172, relativo ao período de apuração de 04/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .7 20 42 2/ 20 07 -6 1 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720422/200761 Resolução nº 3403000.423 S3C4T3 Fl. 6 2 A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 30/2010 (fls. 59 a 65), exarou o despacho decisório de fl. 66, decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, não homologar a compensação declarada. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: Acórdão Andréa Paula de Morais Machado – Relatora. Ricardo Tadeu Bogado Carreteiro – Presidente. a) O contribuinte retificou a DCTF alterando o valor da Cofins devida para o período/em questão. Retificou também o valor da CIDE utilizado para a compensação da Cofins. O valor retificado em DCTF coincide com o declarado na DIPJ. Constam recolhimentos de R$ 44.757.710,81 e R$ 32.948,64 no código de retenção 2172; b) O processo foi encaminhado à DEFIC para realização de diligência visando à apuração do valor efetivo devido à Cofins. O resultado da diligência consta do relatório de fls. 50/57 onde consta que após análise das informações contábeis e extra contábil fornecidas pelo contribuinte, persistiram divergências na base de cálculo da Cofins e quanto aos valores da rubrica "outras receitas", ressaltandose a inclusão das variações cambiais, uma vez que foi utilizado o regime de competência. Também foi alterado o valor das "vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais", pois havia duplicidade de dedução. O valor das receitas sujeitas às alíquotas diferenciadas não coincidiu com o informado pelo contribuinte na DIPJ, tendo sido reapurado. O relatório conclui que o valor a pagar, código 2172, foi retificado para R$ 197.693.436,12 e código 6840 para R$ 626.363.330,84. A dedução da CIDE admitida foi a demonstrada pelo contribuinte em fls. 40; c) A alteração relativa ao valor das "vendas canceladas e descontos incondicionais" não será acatada, posto que não se verificou a duplicidade de exclusão apontada no relatório d) As deduções indicadas pelo contribuinte referentes a "liminares impetradas", tanto para a receita da venda de gasolina quanto de óleo diesel, admitidas no relatório fiscal, não serão consideradas já que não há na legislação da Cofins qualquer autorização para efetuar tal exclusão. Havendo discussão judicial sobre determinada receita, o procedimento apropriado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido e, na DCTF, especificar o montante discutido, que ficará com a exigibilidade suspensa até findar a lide. Assim sendo, foi retificada a planilha elaborada pela fiscalização, para incluir na base de cálculo da Cofins sujeita a alíquotas diferenciadas, o valor indevidamente excluído, bem como para ajustar a receita de venda e as demais exclusões com base na planilha apresentada pelo contribuinte à fl. 39; e) A receita de exportação foi alterada para o valor declarado na planilha apresentada pelo contribuinte; f) A soma das receitas de venda e revenda no mercado interno foram alterados para os valores constantes da planilha do contribuinte; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720422/200761 Resolução nº 3403000.423 S3C4T3 Fl. 7 3 g) As receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero foram consideradas pelo valor informado à fl. 56 do relatório fiscal, com base na planilha do contribuinte; h) O valor de "outras receitas" será o indicado no relatório; i) O valor das vendas canceladas, descontos e devoluções de venda foi considerado pelo indicado na planilha; j) A dedução referente à venda de produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas foi considerada pelo valor líquido para evitar duplicidade de dedução; 1) Após as retificações demonstradas em fls. 64/65 e considerando os pagamentos constantes do sistema SINAL 07, concluise que não há que se falar em pagamento a maior, posto que os pagamentos não são insuficientes para quitar o correspondente débito apurado, seja referente ao código 2172, seja referente ao código 6840. Cientificada do Parecer Seort em 09/09/2010 (fls. 69), a contribuinte apresentou, em 08/10/2010, a Manifestação de Inconformidade de fls. 80 a 100, alegando, em síntese, que a) O Parecer Conclusivo apresenta equívoco em sua linha de raciocínio, ao incluir o valor relativo a venda de combustível objeto de liminares na base de cálculo da Cofins; b) Por força das liminares, os fatos geradores passaram, devido à ordem judicial, a se comportar como fatos geradores condicionais. No caso dos autos, as ordens judiciais adicionaram aos atos jurídicos condição suspensiva, fazendo que o tributo somente incidisse caso as liminares fossem afastadas por decisão judicial posterior; c) Como a exigibilidade estava suspensa por força de ordem judicial, não poderia a requerente incluir tais valores na base de cálculo da Cofins, posto que tal inclusão representaria um reconhecimento da incidência do tributo sobre essas parcelas com liminares, tributo esse cuja exigência foi obstada por força judicial, configurando uma contradição; d) O raciocínio engendrado no Parecer Conclusivo também conduz a uma projeção dos efeitos do fato gerador para além dos comandos legais, já que os mesmos se encontravam afastados por ordens judiciais; e) O cálculo da Cofins não observou as alíquotas corretas no tocante às operações envolvendo gasolina e GLP; f) Na base de cálculo da venda de gasolina foi incluída a venda de gasolina de aviação, na ordem de R$ 2.253.574,20, que deveria ser tributada à alíquota de 3%; g) Do mesmo modo, quanto ao propano/butano, passou a ser tributado como GLP a partir de março/2003, resultando numa base de cálculo de R$ 47.316.704,57, que deve ser diferenciado da receita de GLP; h) A variação cambial positiva é, na realidade, ajuste de valor contabilizado anteriormente, não representando aumento do Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720422/200761 Resolução nº 3403000.423 S3C4T3 Fl. 8 4 patrimônio ou ingresso de novas receitas, razão pela qual não poderia ser tributada pela Cofins; i) O procedimento adotado na apuração da Cofins encontra respaldo na própria Lei 9.718/98, no inciso II do § 2 o do artigo 3 o e no § Io do art. 3°, vigente para a Cofins em j) A doutrina é uníssona no que tange à impossibilidade de se tributar a variação cambial em 2003; k) O STJ apresenta diversos julgados que reforçam o entendimento do contribuinte, o que não foge do entendimento dos tribunais Regionais Federais; 1) O STF já se manifestou sobre esse tema ao considerar a inconstitucionalidade do tf I o do artigo 3o da Lei 9.718/98 que ampliou o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita. O referido precedente, nos termos do que dispõe o art. 26A, § 6o, I do Decreto 70.235/72, deve ser observado de modo a que se afaste da base de cálculo da Cofins a receita oriunda de variação cambial; m) Parte do óleo diesel, da ordem de R$ 3.344.957,45, por ser adquirido de outrem, deve ser excluído do cálculo da Cofins, posto que nesse caso o produto está sob o regime da monofásica, conforme planilha em anexo; n) Na planilha elaborada no Parecer, o óleo diesel apresenta como vendas canceladas, devoluções e descontos o valor de R$ 16.132.671,68, que tem como base a planilha apresentada pelo contribuinte. Contudo, a devolução relativa ao óleo diesel importado, no valor de R$ 9.508.306,75 não foi considerada; o) Segue em anexo planilhas do contribuinte, balancete digitalizado contemplando receita bruta, planilha relativa a venda às empresas com liminares e planilhas relativas a vendas de nafta petroquímica para a central petroquímica e venda de gás natural para o Programa Prioritário de Termoeletricidade; p) Por fim, requer seja declarada legítima e homologada a compensação efetuada e protesta pela juntada posterior de documentos que venham a reforçar os argumentos apresentados”. É o relatório. Relatório Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. A discussão cinge a composição da base de cálculo. Os pontos conflitantes se referem à inclusão de receitas em conformidade com o entendimento da recorrente não compõe a base de cálculo e quanta aplicação da alíquota, mantidos pela decisão recorrida em razão da ausência de segregação contábil, entre esses encontram: a) Gasolina de Aviação; b) produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, c) óleo diesel – tributação monofásica, d) vendas efetuadas para empresas detentora de liminares (gasolina e diesel). Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720422/200761 Resolução nº 3403000.423 S3C4T3 Fl. 9 5 A documentação acostadas pela Interessada a primeira vista parece suficiente a suprir ausência de segregação contábil e possibilitar análise quanto aplicação da alíquota correta ao produto comercializado. Em relação à gasolina de aviação foi incluída à base de cálculo por estar contabilizada em receita de gasolina sem o destaque de produto a sofrer incidência de alíquota diferenciada de 3%, cujo total incluída na conta de gasolina é de R$ 2.253.574,20. O produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, total de R$ 47.316.704,57 relativo às vendas foram incluído à base de cálculo, diante da documentação acostada deve ser apurado com base nos documentos fiscais. Sustentase que a comercialização de óleo diesel alcançada pela tributação monofásica decorre de ter sido adquirido da empresa REPAR, portanto, deveria compor a base de cálculo na determinação da contribuição devida pela Interessada, cujo valor informado é de R$ 3.344.957,45; Assim como, as vendas de mercadorias realizadas a empresas com liminar judicial no montante de R$ 40.997.672,70 e R$ 19.363.211,69, gasolina e diesel respectivamente, não pode ser considerado apropriação de crédito, mas sim receitas excluídas da base de cálculo. Deve ser juntado aos autos prova da existência, uma vez que a fiscalização em diligência acolheu os valores que restou não acatado pela Autoridade Fiscal, que afastou sobre o argumento de que não se pode utilizar crédito pendente de discussão judicial. De modo que vislumbro a necessidade de transformar o julgamento em diligência no sentido de apurar à base de cálculo por meio do exame dos documentos colecionados nos autos e diante da comprovação da existência de liminares relativas às vendas de gasolina e diesel para excluir da base de cálculo as receitas provenientes da comercialização de: a) Gasolina de Aviação; b) produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, c) óleo diesel – tributação monofásica, d) vendas efetuadas para empresas detentora de liminares (gasolina e diesel). Desse modo voto no sentido de converter o julgamento em diligência. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13830.001221/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT.
Nos termos da Súmula/CARF n° 20, Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Daniel que dava provimento parcial e fará declaração de voto.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT. Nos termos da Súmula/CARF n° 20, “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Daniel que dava provimento parcial e fará declaração de voto. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 12 21 /2 00 5- 97 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parte das compensações declaradas, em razão da glosa dos créditos utilizados na produção de produtos não tributados pelo imposto (TIPI/NT) Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade, tecendo várias considerações, entremeadas de citações doutrinárias e julgados administrativos e judiciais, sobre a natureza não cumulativa do IPI, a qual justificaria seu direito ao suposto crédito.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1436.206, de 21/12/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Rebate, em seu recurso voluntário, que alguns produtos, porém quando vendidos, são contemplados com isenção, NT ou alíquota zero, tem constantemente estoque de crédito com relação a tais produtos. Indignase, em face do não cumprimento de seu direito líquido e certo de efetuar o lançamento desses créditos, ferindo o Princípio da Não–Cumulatividade, nos termos do art. 155 da CF e 49 do CTN. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.001221/200597 Acórdão n.º 3201001.194 S3C2T1 Fl. 269 3 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de inconformidade, tendo em vista, homologação de parte das compensações declaradas, em razão da glosa dos créditos utilizados na produção de produtos não tributados pelo imposto (TIPI/NT) e alíquotas zero. Dispõe o Termo de Constatação Fiscal, à fl. 54 dos autos: 1A atividade desenvolvida pelo contribuinte é o beneficiamento de arroz,produzindo principalmente produtos não tributados e, em menor quantidade, produtos tributados a alíquota zero: Arroz beneficiado NCM 10063021 NT Quebrado de arroz NCM 10064000 NT Arroz benef.parboilizado NCM 10063011 NT Farelo casca arroz NCM 23022090 zero Farelo de arroz gordo NCM 23022010 zero Farelo premix NCM 23022090 zero Palha de arroz NCM 23022090 – zero Apuramos que o contribuinte creditouse indevidamente do IPI decorrente da aquisição de embalagens destinadas aos produtos NÃO TRIBUTADOS, infringindo o artigo 11 da Lei 9.779/99 e artigo 2°, § 3°, da IN SRF 33/99. 2Verificamos, também, que o contribuinte creditouse indevidamente dos valores de IPI incidente nas aquisições de peças de máquinas, no total de R$ 14.214,21, conforme notas fiscais relacionadas na planilha anexa. De acordo com a legislação é permitido o crédito do IPI apenas sobre matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. ................. O art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998, dispõe: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (grifei) O regramento foi introduzido pela IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999, in verbis: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, dar seá de conformidade com esta Instrução Normativa.(g.n) Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos;II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente;II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT).(grifei) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Assim sendo, o art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, e a IN SRF nº 33, de1999, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso, já que foram aplicados em produtos não tributados pelo imposto. Concluindo, pois, é indiscutível que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do Princípio da nãocumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito. Há limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais para a sua utilização, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Inobstante o exposto, a matéria encontrase pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pela edição de Súmula nº 20, a seguir: SÚMULA CARF N° 20: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.001221/200597 Acórdão n.º 3201001.194 S3C2T1 Fl. 270 5 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como as decisões reiteradas e uniformes do Carf, consubstanciadas em súmula, são de observância obrigatória pelos seus membros, conforme art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, logo, deve incidir ao caso a súmula referida. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Declaração de Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A Súmula CARF nº 20 prescreve que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. De acordo com o art. 72 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a observância das súmulas é de observância obrigatória para os conselheiros. O mesmo regimento estabelece, em seu art. 73, § 1º, que a proposta de súmula será dirigida ao Presidente do CARF, indicando o enunciado, devendo ser instruída com pelo menos 5 (cinco) decisões proferidas cada uma em reuniões diversas, em pelo menos 2 (dois) colegiados distintos. Os precedentes que foram utilizados para justificar a edição da Súmula CARF nº 20 são os seguintes: Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003, Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003, Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004, Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 e Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005. A ementa do Acórdão nº 20215266 assim dispõe: NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O termo inicial de contagem da decadência/prescrição para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, mas com o da resolução do Senado da República que suspendeu do ordenamento jurídico a Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 lei declarada inconstitucional. Pedido acolhido para afastar a decadência. COMPENSAÇÃO. Os indébitos, oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Recurso provido em parte. (2ºCC, 2ª Câmara, Ac. 20215266, de 05/11/2003, rel. Nayra Bastos Manatta) Como se percebe, um dos precedentes que supostamente justificaram a edição da Súmula CARF nº 20 nada dispõe sobre a impossibilidade de creditamento de IPI na aquisição de insumos para industrialização de produtos NT. Diante do exposto, a súmula em comento possui um vício de origem, contrariando o próprio regimento interno do CARF. Não sendo legítima a Súmula CARF nº 20, não resta descumprido o art. 72 do referido regimento. No mérito, a análise dos dispositivos constitucionais e legais pertinentes se faz imprescindível: Constituição Federal Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] IV produtos industrializados; [...] § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Lei n° 9.779 de 1999 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.001221/200597 Acórdão n.º 3201001.194 S3C2T1 Fl. 271 7 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado a alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda Na interpretação da colegiado julgador de 1ª instância, o trecho “inclusive produto isento ou tributado a alíquota zero” contido no dispositivo legal transcrito acima não albergaria os produtos NT, por não haver menção expressa a essa categoria de produtos. Entretanto, ao disciplinar a manutenção do crédito na forma do art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999, a Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999 acrescentou a categoria de produtos imunes no rol daqueles produtos mencionados expressamente no texto legal. Depreendese disso que o legislador não quis restringir a manutenção do crédito apenas à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens destinados à industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero. A vedação à manutenção ao crédito de IPI no tocante aos produtos NT surgiu por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5 de 2006, que assim dispôs: Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Tal dispositivo pretendeu restringir o alcance da Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999, no tocante aos produtos imunes, e da própria Lei nº 9.779 de 1999, relativamente aos produtos NT e imunes, exceto quando a imunidade decorrer da exportação para o exterior. Ocorre que essa interpretação normativa não está alinhada com a plenitude da não cumulatividade do IPI. A Constituição Federal exige o estorno do crédito apenas na Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 apuração do ICMS, quando a saída de mercadoria do estabelecimento comercial for isenta ou não tributada. Tratase de um temperamento da não cumulatividade do ICMS. Confirase: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; II a isenção ou nãoincidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores; Esse temperamento da não cumulatividade não se aplica ao IPI. Não é por outra razão que o art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999 utilizouse do aposto “inclusive produto isento ou tributado a alíquota zero” para esclarecer que não eram apenas as saídas tributáveis que dariam ensejo ao crédito de IPI. Além disso, o termo “inclusive” denota que a intenção do legislador não foi restringir o rol de produtos que ensejariam a manutenção do crédito, mas tãosomente exemplificálo. Portanto, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5 de 2006 nada interpretou sobre o assunto, e sim restringiu deliberadamente o alcance originário da lei e da instrução normativa que versavam sobre o assunto até então. Nesse contexto, a referida norma complementar restritiva é ilegal, violando a hierarquia das normas previstas no art. 96 do Código Tributário Nacional. Consequentemente, é plausível a pretensão da Recorrente, devendo ser deferido o seu pedido de cancelamento do lançamento ora discutido. Ainda que se entenda de forma diversa, o fato é que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5 foi editado em 2006, ou seja, posteriormente à data do fato gerador que motivou o presente lançamento. Vale lembrar que as quantias pleiteadas a título de ressarcimento referemse ao segundo trimestre de 2003. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.001221/200597 Acórdão n.º 3201001.194 S3C2T1 Fl. 272 9 Considerando, pois, que tal norma complementar não interpretou o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999 e muito menos o art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999, a fiscalização jamais poderia ter pretendido aplicar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5 de 2006 retroativamente. Tal conduta violou o art. 105 do Código Tributário Nacional, sendo certo que, também por esse motivo, o lançamento deveria ser cancelado. Mas ainda que se pudesse admitir que o referido ato declaratório é realmente interpretativo, no mínimo, a fiscalização deveria ter lavrado o auto de infração sem a multa de ofício, por força do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; A aplicação da penalidade no caso concreto afronta claramente o dispositivo legal transcrito, e, por essa terceira razão, o lançamento ora analisado deveria ser cancelado, ainda que parcialmente. Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10880.907849/2008-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apurar o crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 78 49 /2 00 8- 67 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apurar o crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório SOBRAL INVICTA SOCIEDADE ANÔNIMA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 08066.59474.111203.1.3.047083, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 2.188,18. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781231788 indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, em preliminar, inquinou o DDE de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, na medida em que não foi intimado a comprovar seu direito creditório. No mérito, explicou que, por intermédio de sua consultoria tributária, identificou, em outubro de 2003, que, no período de fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, lançou na sua escrita fiscal e contábil créditos de tributos pagos indevidamente como receita tributável pelo PIS e pela Cofins, nos termos da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, tendo o referido direito nascido do recolhimento indevido dessas contribuições sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, visto que tais valores não configuram receita nova tributável pelas citadas contribuições, em procedimento que se amolda ao Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 2003. Requereu diligência pai a fins de constatação da veracidade dos fatos narrados. Instruiu sua manifestação com cópia do relatório de crédito promovido pela sua consultoria acerca da origem dos créditos apropriados. A 9ª Turma da DRJ/SP1 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 16028.399, de 9 de dezembro de 2010, fls. 51 a 59, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2001 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte e regularmente cientificado do despacho decisório, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907849/200867 Acórdão n.º 3403002.184 S3C4T3 Fl. 208 3 sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que — por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado — expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação e circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. E requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Improcede o pedido de diligência realizado em desconformidade com o prescrito na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 61 a 77, após dispensarse do arrolamento de bens, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos emergentes da compensação não homologada e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a preliminar de nulidade do DDE, por cerceamento do direito de defesa, nos mesmos termos da oferecida na Manifestação de Inconformidade. No mérito, também repete a explicação sobre a origem dos créditos e o pedido de realização de diligência para que se ateste a veracidade de suas alegações. Aduz que o Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 24 de dezembro de 2003 (DOU de 29.12.2003), que transcreve, ampara o seu procedimento. Nesse ponto, adita sua arguição de nulidade, acrescentando que o DDE é carente de motivação. Desenrola lista de princípios processuais administrativos que teriam sido violados pelo DDE. Instruiu a peça recursal com cópia de extrato do Livro Razão conta 440200 e com demonstrativos denominados COFINS sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais (Lei nº 9.718/98) e PIS sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais (Lei nº 9.718/98). Pede que o patrono da causa seja pessoalmente comunicado da data da realização do julgamento. É o Relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 61 a 77 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/SP19ª Turma nº 16028.399, de 9 de dezembro de 2010. Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório O recorrente e sua assessoria tributária devem saber, não há falar em processo enquanto não houver um pretensão resistida. Daí porque a doutrina costuma distinguir a fase inquisitorial do procedimento de sua fase processual. Nesta, e não naquela, erigemse todas as garantias processuais que o recorrente (e sua assessoria tributária) arrola no seu arrazoado. Em sede de pedido de restituição, por exemplo, procedimento provocado pelo contribuinte, o processo só se instaura quando a Administração opõe resistência à pretensão deduzida do pleito restituitório por meio de um despacho decisório. A partir daí podese falar em garantia à ampla defesa; antes, não. A noção é simples: do que se defenderia o interessado antes da edição de um Despacho Decisório? Percebese desde já que a arguição de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico nº 781231788 é leviana, pois somente a partir de sua edição é que passaram a viger os princípios garantidores do devido processo legal. Antes, não. Dito de outra forma, a Administração simplesmente não estava constrangida a intimar o contribuinte a explicar o seu crédito anteriormente ao Despacho Decisório. Por outro lado, percebese que as garantias do contraditório e da ampla defesa foram plenamente asseguradas a partir de então. A arguição de nulidade do Despacho Decisório por carência de motivação também é esdrúxula. Motivar consiste em apresentar razões porque a autoridade administrativa tomou determinada decisão,... 1. O DDE nº 781231788, para rejeitar a pretensão do contribuinte, expressamente declinou que: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito 1 NEDER, Marcos Vinicius e LÓPES, Maria Teresa Martínez. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL COMENTADO. São Paulo: Dialética, 2002. p. 414. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907849/200867 Acórdão n.º 3403002.184 S3C4T3 Fl. 209 5 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como se vê, a Autoridade Administrativa apresentou as razões de fato e de direito que a levaram à conclusão, demonstrando também o nexo causal existente entre elas. Enfim, inexiste este ou qualquer outro vício a infirmar o presente processo. Rejeito a preliminar. Mérito – Prova do indébito O recorrente já teve julgado diversos recursos voluntários, idênticos ao presente e, em todos eles, foilhe negado provimento à unanimidade dos votos dos respectivos colegiados. À guisa de ilustração, transcrevo duas ementas: Acórdão nº 330201.301, de 09 de novembro de 2011, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, relatoria do Conselheiro José Antônio Francisco: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2002 PIS. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. Restando claros as razões da nãohomologação, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de direito de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 380101.030, de 20 de março de 2012, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção, relatoria da Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 30/04/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 VÍCIOS NO LANÇAMENTO. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO, PELO CONTRIBUINTE, DAS DECLARAÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO CABAL DOS CRÉDITOS INDICADOS NO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Em que pese o processo administrativo ser norteado pelo princípio da verdade material, o contribuinte deve trazer aos autos elementos para o convencimento do julgador, para que este, após análise da documentação e das alegações apresentadas, possa, se for o caso, requer diligências afim de apurar o real acontecimento dos fatos. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907849/200867 Acórdão n.º 3403002.184 S3C4T3 Fl. 210 7 § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. O recorrente, implicitamente à sua arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa, objetou que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF2,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar parecer opinativo e planilhas, elaboradas por consultoria tributária, que pretendem demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. Nesse ponto, destaco a insuficiência da cópia do de extrato do Livro Razão conta 440200, não somente porque não se reveste das formalidades mínimas requeridas para os demonstrativos contábeisfiscais, mas principalmente porque não logram comprovar o erro na confissão operada na DCTF, hábil para afastar o seu atributo de irretratabilidade. Pergunto ao recorrente: existe alguma prova nos autos de que o valor da contribuição do período de apuração 01/08/2001 a 31/08/2001, confessado na DCTF vigente, foi apurado sem a exclusão dos valores dos créditos constantes das tais planilhas elaboradas pro sua assessoria tributária? A resposta, evidentemente, é negativa. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: 2 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.907849/200867 Acórdão n.º 3403002.184 S3C4T3 Fl. 211 9 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11634.001317/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009
AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO
A autoridade fiscal tem por obrigação legal justificar sua autuação.
Autuação que respeita a lei, descreve os fatos e embasa legalmente a lavratura não encontra imperfeição.
No presente caso alega a Recorrente que a ação fiscal foi ababelada, não descrevendo os fatos, o que é mera alegação com fim procrastinatório.
A Recorrente foi devidamente intimada, através de instrumentos próprios, devidos e imperiosos para apresentar à Fiscalização os documentos requeridos, e não o fez, razão pela qual foi multada.
CERCEAMENTO DE DEFESA
O Processo Administrativo Fiscal é dirimido pelo Decreto 70.235/72, e, sendo ele respeitado, não há de se falar em cerceamento de defesa.
No presente caso, cotejando as peças dos autos, vê-se que o procedimento do Fiscal acudiu todas as exigências do mencionado Decreto, razão pela qual não se observa o dito cerceamento de defesa.
DA MULTA INDEVIDA
No direito tributário a responsabilidade do contribuinte é objetiva, não carecendo de ônus probanti a fiscalização, tão pouco demonstrar a intenção do contribuinte. Basta o simples descumprimento da norma.
No caso em tela a Recorrente deseja, de uma forma reflexiva, contrapor-se a abrangência da responsabilidade objetiva tributária imposta pelo artigo 136
do CTN, evidenciando como deveria ter sido construída a prova do Fisco contra ela, para poder aplicar a multa. IMPOSSIBLIDADE.
Numero da decisão: 2301-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO A autoridade fiscal tem por obrigação legal justificar sua autuação. Autuação que respeita a lei, descreve os fatos e embasa legalmente a lavratura não encontra imperfeição. No presente caso alega a Recorrente que a ação fiscal foi ababelada, não descrevendo os fatos, o que é mera alegação com fim procrastinatório. A Recorrente foi devidamente intimada, através de instrumentos próprios, devidos e imperiosos para apresentar à Fiscalização os documentos requeridos, e não o fez, razão pela qual foi multada. CERCEAMENTO DE DEFESA O Processo Administrativo Fiscal é dirimido pelo Decreto 70.235/72, e, sendo ele respeitado, não há de se falar em cerceamento de defesa. No presente caso, cotejando as peças dos autos, vê-se que o procedimento do Fiscal acudiu todas as exigências do mencionado Decreto, razão pela qual não se observa o dito cerceamento de defesa. DA MULTA INDEVIDA No direito tributário a responsabilidade do contribuinte é objetiva, não carecendo de ônus probanti a fiscalização, tão pouco demonstrar a intenção do contribuinte. Basta o simples descumprimento da norma. No caso em tela a Recorrente deseja, de uma forma reflexiva, contrapor-se a abrangência da responsabilidade objetiva tributária imposta pelo artigo 136 do CTN, evidenciando como deveria ter sido construída a prova do Fisco contra ela, para poder aplicar a multa. IMPOSSIBLIDADE.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2299; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 6 1 5 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.001317/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.391 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente USINA CENTRAL DE PARANÁ SA AGRIC IND E COM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO A autoridade fiscal tem por obrigação legal justificar sua autuação. Autuação que respeita a lei, descreve os fatos e embasa legalmente a lavratura não encontra imperfeição. No presente caso alega a Recorrente que a ação fiscal foi ababelada, não descrevendo os fatos, o que é mera alegação com fim procrastinatório. A Recorrente foi devidamente intimada, através de instrumentos próprios, devidos e imperiosos para apresentar à Fiscalização os documentos requeridos, e não o fez, razão pela qual foi multada. CERCEAMENTO DE DEFESA O Processo Administrativo Fiscal é dirimido pelo Decreto 70.235/72, e, sendo ele respeitado, não há de se falar em cerceamento de defesa. No presente caso, cotejando as peças dos autos, vêse que o procedimento do Fiscal acudiu todas as exigências do mencionado Decreto, razão pela qual não se observa o dito cerceamento de defesa. DA MULTA INDEVIDA No direito tributário a responsabilidade do contribuinte é objetiva, não carecendo de ônus ‘probanti’ a fiscalização, tão pouco demonstrar a intenção do contribuinte. Basta o simples descumprimento da norma. No caso em tela a Recorrente deseja, de uma forma reflexiva, contraporse a abrangência da responsabilidade objetiva tributária imposta pelo artigo 136 do CTN, evidenciando como deveria ter sido construída a prova do Fisco contra ela, para poder aplicar a multa. IMPOSSIBLIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 13 17 /2 01 0- 11 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado MARCELO OLIVEIRA Presidente. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11634.001317/201011 Acórdão n.º 2301003.391 S2C3T1 Fl. 7 3 Relatório A Recorrente foi autuada por ter deixado de prestar à Auditoria Fiscal, no decorrer da ação fiscal nela empreendida, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na Lei 8.212, de 1991, art. 32, III e parágrafo 11, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. O relatório fiscal da infração assim noticia a omissão da empresa: 2. O contribuinte embora intimado através de Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), datado de 01/03/2010 e Termos de Intimação Fiscal (TIF), datados de 27/04/2010 e 16/06/2010 (anexos), deixou de apresentar a esta Auditoria Fiscal os documentos que possibilitariam a verificação da ocorrência ou não de cessão de mão de obra (contratos de prestação de serviços), referentes às seguintes empresas: .... Em face dessa omissão, que configura infração ao art. 32, III, da Lei 8.212, de 1991, foi aplicada a multa prevista no art. 92 e 102, da mesma Lei, combinado com o artigo 283, II, "b" e art. 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1991, no valor de R$ 14.317,78. Constata a existência de autuações em duas ações fiscais anteriores por infrações de natureza diversa, fato este que configura a reincidência genérica de que trata o inciso IV do art. 292 do RPS, a pena foi elevada em 4 (quatro) vezes, perfazendo o montante de R$ 57.271,12. Inconformada com a autuação apresentou impugnação com suas razões, cujas quais foram julgadas improcedentes. Em 21.JUNH.2011 foi intimada da decisão singular e no dia 14 do mês seguinte e do mesmo ano aviou o presente recurso voluntário, alegando: i) ausência de motivação; ii) cerceamento de defesa; iii) inaplicação da multa. Eis em apertada síntese o relato dos fatos e o necessário para julgamento. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Sendo que o presente remédio processual recursivo encontrase de conformidade com a determinação legal, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. i) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Alega a Recorrente que a Fiscalização enumerou uma série de normas, mas não descreveu o fato que deu origem à autuação, e que por isto estaria eivada. Que a obrigação de indicar com precisão os elementos da constituição do crédito é da fiscalização, na dinâmica do artigo 142 do CTN. Junta jurisprudência. Razão assiste a Recorrente quanto a tese, mas não quanto aos fatos no caso em testilha. A ação fiscal não foi ababelada como ela pretende demonstrar. Ao contrário, seguiu as normas determinada pela legislação previdenciária. Ora, se devidamente intimada, através de instrumentos próprios, devidos e imperiosos para apresentar à Fiscalização os documentos requeridos, insta por desaguar na aplicação da penalização, conforme determina a lei. No cotejo das peças frias dos autos vêse que a Fiscalização seguiu a lei, mas, mesma razão não seguiu a Recorrente, porque intimada em 01/03/2010 do início de procedimento fiscal, e, em 27/04/2010 e 16/06/2010 para apresentação de documentos indispensáveis para fiscalização, mantevese inerte. Portanto, não restou à Fiscalização senão tomar as sanções disponíveis na lei, que, inclusive, é sua obrigação, na condição de agente público. E, a lei é clara, e, na clareza da lei, já diziam os latinos, cessa sua interpretação. Vejamos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11634.001317/201011 Acórdão n.º 2301003.391 S2C3T1 Fl. 8 5 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo D004.8622003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assim, neste sentido e pelas razões acima nada há de modificarse da decisão ora anatematizada. ii) CERCEAMENTO DE DEFESA Diz a Recorrente que houve o cerceamento de defesa, uma vez que não lhe foi concedido o direito de se defender no presente processo administrativo. O Processo Administrativo Fiscal é dirimido pelo Decreto 70.235/72, e, como nele se vê, há, em que pese o fato de o mesmo ter sido editado bem antes da Carta Maior de 1988, todo o respeito aos princípios pétreos de ampla defesa, contraditório, devido processo legal e outros quejandos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Cotejando as peças dos autos, vêse que o procedimento do Fiscal acudiu todas as exigências do mencionado Decreto, razão pela qual não se observa o dito cerceamento de defesa. Mister se diga que a Recorrente teve todas as oportunidades de exercer o seu livre direito de defesa. Tanto o fez que apresentou impugnação, com suas razões e juntou, oportunamente com a peça defensiva, documentos para que pudessem corroborar com sua tese defensiva. Não olvidemos que aviou o presente remédio recursivo, e, se fato novo houvesse, poderia ter juntado novos documentos. Agora, não pode olvidar a Recorrente que a única coisa que não fez em sua defesa foi juntar os documentos requeridos pela Fiscalização, o que era obrigação sua, conforme alhures demonstrado, desaguando na autuação. Assim, sem razão a Recorrente. DA MULTA INDEVIDA Diz a Recorrente que a MULTA que lhe fora imposta é indevida, haja vista que, pelo fato de ter deixado de apresentar documentos à Fiscalização não trouxe nenhum dano ao erário, e por isto também não pode serlhe imputada a responsabilidade objetiva, conforme preceitua o artigo 136 do CTN. É bem verdade que no Direito Tributário há uma consubstanciada aplicação da responsabilidade tributária objetiva. E ela pode até não ser unanimidade, como é o caso da insurgência da Recorrente, mas que é quase absolutamente aplicável nos tribunais superiores e nessa Casa. No caso em tela a Recorrente deseja, de uma forma reflexiva, contraporse a abrangência da responsabilidade objetiva tributária imposta pelo artigo 136 do CTN, evidenciando como deveria ter sido construída a prova do Fisco contra ela, para poder aplicar a multa. Em primeiro lugar, não olvidemos que a responsabilidade objetiva não se prova, tampouco se inquire sobre o dolo ou a culpa, porque são questões de fórum íntimo que nos remeteria à subjetividade. Portanto, como não é necessário o conhecimento da causa, mas a mera infração, já se tem o resultado infrator, porque assim a lei diz, OU SEJA, não há de se falar na intenção, como pretende a Recorrente. Basta o simples fazer ou deixar de fazer, sem relevância do que se pretendia com aquele ato. E isto é extremamente necessário na relação Fisco/Contribuinte, pois se fosse diferente a intenção de cada contribuinte deveria o Fisco provar para cada descumprimento. E, neste diapasão imaginemos se o legislador não deixasse cristalino que a responsabilidade objetiva na lei tributária seja imperativa? Se introduzisse o dolo e a culpa na descrição da conduta? Por certo o Fisco iria ter que provar que o contribuinte praticou a conduta nos termos em que delineada no critério material da hipótese. E, ademais, no caso de dolo ou culpa, invertese o ônus da prova, cabendo assim à administração provar o fato que sustenta a sua pretensão. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11634.001317/201011 Acórdão n.º 2301003.391 S2C3T1 Fl. 9 7 No caso em tela, como seria? Por certo deseja a Recorrente que o Fiscal provasse o ‘animus neganti’ de apresentar os documentos, entrando na esfera da subjetividade. O que é impossível! Por isto que a responsabilidade tributária é objetiva, ou seja, para garantir de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário, pois, sem a qual a atividade fiscalizadora estaria inviabilizada, haja vista que se a cada infração tivesse que provar que o contribuinte não entregou documentos por negligência, imperícia ou imprudência nunca haveria infração. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 10580.722575/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006
RETENÇÃO DE 11% . SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃ-DE-OBRA. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. AUSÊNCIA. VÍCIO MATERIAL QUE MACULA O LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO DO ART. 142 DO CTN. No lançamento de contribuições com base no art. 31 da Lei 8.212/91, deve a fiscalização apontar de forma clara e precisa no relatório fiscal da infração, os motivos determinantes que levaram a conclusão da caracterização da prestação de serviços mediante a cessão de mão-de-obra, sob pena, de violar o disposto no art. 142 do CTN, inclusive, de cercear o direito de defesa do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente CENTRO MÉDICO CASSEB LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006 RETENÇÃO DE 11% . SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃDEOBRA. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. AUSÊNCIA. VÍCIO MATERIAL QUE MACULA O LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO DO ART. 142 DO CTN. No lançamento de contribuições com base no art. 31 da Lei 8.212/91, deve a fiscalização apontar de forma clara e precisa no relatório fiscal da infração, os motivos determinantes que levaram a conclusão da caracterização da prestação de serviços mediante a cessão de mãodeobra, sob pena, de violar o disposto no art. 142 do CTN, inclusive, de cercear o direito de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 75 /2 01 0- 37 Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.722575/201037 Acórdão n.º 2402003.609 S2C4T2 Fl. 2.006 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por CENTRO MÉDICO CASSEB LTDA, em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.249.1332, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias no percentual de 11% incidente sobre serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Conta do relatório fiscal que a recorrente deveria ter efetuado a retenção de 11% sobre as notas fiscais de empresas que lhe prestaram serviços na área de saúde, construção civil, limpeza, zeladoria e conservação, pois tais atividades se encontram elencadas na legislação como sujeitas a cessão de mãodeobra. O fiscal apontou que as notas fiscais da prestação de serviços sobre os quais deveria ter ocorrido a retenção são as seguintes: NOME DA EMPRESA DESCRIÇÃO DO SERVIÇO ASSESSORIA E APOIO PSICOLÓGICO PAULA FRAGA CERQUEIRA SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA CLINICA DE PROCTOLOGIA E ANGIOLOGIA DA BAHIA LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PROCTOLOGIA ACTUALLITY RH TERCEIRIZAÇÃO E SERVIÇOS LTDA SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO PREDIAL CAFAM CENTO DE ASSISTENCIA A FAMÍLIA S/C LTDA SERVIÇOs MÉDICOS DERMATOLOGIA AGE ATENDIMENTO GERIÁTRICO ESPECIALIZADO LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GERIATRIA ALLMED CLINICAS MEDICAS ESPECIALIZADAS S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA AUGUSTA MARIA MASCARENHAS BOMFIM ATENDIMENTO PEDIÁTRICO S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PEDIATRIA CLANP CLÍNICA DE ADOLESCÊNCIA NEONATOLÓGICA E PEDIÁTRICA S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PEDIATRIA ASPAS ASSISTÊNCIA PSICOSOCIAL LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSIQUIATRIA ANA RABELO FISIOTERAPIA E SERVIÇOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS FISIOTERAPIA AL SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLOGIA ANA VIRGÍNIA SANTIAGO ATENDIMENTO PSICANALÍTICO LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA CARECLIN CLÍNICA DO APARELHO CÁRDIO RESPIRATÓRIO S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PNEUMOLOGIA CLAB CENTRO DE ANÁLISES CLÍNICAS DA BAHIA S/C LTDA ANÁLISES CLÍNICAS CORTE CLÍNICA DE ORTOPEDIA REUMATOLOGIA TRAUMATOLOGIAESPECIALIZADA SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA CLÍNICA PSICOLÓGICAFÁTIMA KRUSCHEWSKY S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA CLINICA HOMOSERVIÇOS MÉDICOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS ENDOCRINOLOGIA CLÍNICA NEUROLÓGICA DE JEQUIE LTDA SERVIÇOS MÉDICOS NEUROLOGIA E ELETROENCEFALOGRAMA CLINAGO CLÍNICA GINECOLÓGICA DA BAHIA S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA CLINICA DE PSICOLOGIA MARIA ANGELA TOCHILOVSKY LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 CLINNAZZA CLÍNICA NAZARÉ S/C SERVIÇOS MÉDICOS CIRURGIA GERAL CREG CLÍNICA DE REUMATOLOGIA E GASTROENTEROLOGIA LTDA SERVIÇOS MÉDICOS CLÍNICA PRO SAÚDE LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OTORRINOLARINGOLOGIA CLINICA DE TRATAMENTO DA DOR DA BAHIA CTD SERVIÇOS MÉDICOS ANESTESIOLOGIA E ACUPUNTURA CLINICA VITÓRIA ALVES LTDA SERVIÇOS MÉDICOS REUMATOLOGIA E ACUPUNTURA DOMUS DOMINI CLÍNICA MÉDICA S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PERÍCIA MÉDICA DERMOGIN CLÍNICA MÉDICA LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA E OBSTETRÍÇIA GLOBE ALL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PSICANÁLISE G. B. S. CONSTRUÇÕES E REFORMAS LTDA SERVIÇO DE REFORMAS GAMA GRUPO DE ASSISTÊNCIA A MOLÉSTIAS ANGIOLÓGICAS S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS ANGIOLOGIA GAS GRUPO DE ANESTEIOLOGIA S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS ACUPUNTURA GINOCAP SERVIÇOS MÉDICOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA OBSTETRÍCIA E CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO HOLOCLIN LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GASTROENTEROLOGIA CLÍNICA MÉDICA E ENDOSCOPIA DIGESTIVA HARA SAÚDE FÍSICA E MENTAL LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GASTROENTEROLOGIA E ENDOSCOPIA DIGESTIVA ISME INSTITUTO DE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA INSTITUTO DE SAÚDE MULTIDISCIPLINAR ZOE LTDA SERVIÇOS MÉDICOS NUTRIÇÃO JOVANKA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROISSIONAIS LTDA SERVIÇO DE PORTEIRO FOLGUISTA NO ESTACIONAMENTO J&W STANGL SERVIÇOS MÉDICOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS MASTOLOGIA MAGI CLIN SERVIÇOS MÉDICOS EM IMAGEM LTDAEPP SERVIÇOS MÉDICOS ULTRASSONOGRAFIA MEDVASC S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS ANGIOLOGIA CLÍNICA MÉDICA DE SALVADOR LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA NUTRIVIDA CONSULTÓRIO DE NUTRICAO CLÍNICA LILIANE DE SOUZA BITTENCOURT ME SERVIÇOS MÉDICOS NUTRIÇÃO ONCOCENTRO SERVIÇOS MÉDICOS PSICOLOGIA PROAME PRONTO ATENDIMENTO MÉDICOS S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA PARANHOS CONSULTORIA EM FONOAUDIOLOGIA LTDA SERVIÇOS MÉDICOS FONOAUDIOLOGIA PROGOB POCEDIMENTOS GINECOLÓGICOS E OBST ESP LTDA SERVIÇOS MÉDICOS GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA PLURIMED ESPECIALIDADES MÉDICAS S/C SERVIÇOS MÉDICOS CARDIOLOGIA PNEUMOCLIN PNEUMOLOGISTAS ASSOCIADOS LTDA SERVIÇOS MÉDICOS PNEUMOLOGIA ESPIROMETRIA CLÍNICA PRÓSAÚDE LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OTORRINARINGOLOGIA SOI SERVIÇO OFTALMOLÓGICO DE IT A PO AN LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLOGIA SEDIRBA SERVIÇO DE DIAGNÓSTICO SERVIÇOS MÉDICOS RADIOLOGIA Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.722575/201037 Acórdão n.º 2402003.609 S2C4T2 Fl. 2.007 5 CTO CLÍNICA DE TRATAMENTO DOS OLHOS S/C LTDA SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLOGIA Acresce o fiscal no item 2.5 do relatório que : Os serviços acima descritos caracterizamse como cessão de mão de obra, em virtude da colocação à disposição do contratante em suas dependências de mão de obra para exercer serviços contínuos relacionados ou não com a atividade fim da empresa, conforme demonstram os contratos e notas fiscais em anexo. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 18/03/2010 (fls. 02). O lançamento foi impugnado sob o fundamento de que para os contratos médicos não existe a determinação da necessidade da retenção de 11%, bem como o contribuinte é a empresa prestadora dos serviços, e não a tomadora. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que os serviços médicos da forma como foram prestados não configuram a cessão de mãodeobra, a justificar a imposição da retenção de 11%; 2. que no presente caso o contribuinte é o prestador do serviço, e não o tomador; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. PRELIMINARMENTE Da análise dos autos, percebese que num só lançamento a fiscalização achou por bem que cerca de 50 (cinqüenta) contratos firmados pela recorrente, eram executados sob a forma da cessão de mãodeobra, tendo em vista que se tratam de atividades elencadas pela legislação como sujeitas a referido regime, no caso, atividades de saúde e limpeza. Assim consta no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: Ilimpeza, conservação e zeladoria; [...] XXIVsaúde; e Ressaltese que com relação a atividade de limpeza, somente há nos autos um contrato a este respeito, sendo os demais todos relativos à execução de atividades na área de saúde, nas suas mais variadas especialidades, quais sejam, cardiologia, endocrinologia, acupuntura, fisioterapia, mastologia, psicanálise, gastroenterologia, entre outros. E ao justificar a ocorrência da mão de obra, assim consignou o fiscal quando da autuação lavrada (item 2.5 do relatório fiscal): Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.722575/201037 Acórdão n.º 2402003.609 S2C4T2 Fl. 2.008 7 Os serviços acima descritos caracterizamse como cessão de mão de obra, em virtude da colocação à disposição do contratante em suas dependências de mão de obra para exercer serviços contínuos relacionados ou não com a atividade fim da empresa, conforme demonstram os contratos e notas fiscais em anexo. Em que pese o entendimento adotado e reafirmado pelo v. acórdão de primeira instância, tenho que o mesmo não se adequa aos julgados deste Eg. Conselho, sobretudo tendo em vista que no caso em concreto se tratam de mais de cinqüenta contratos, que mesmo relacionados a área de saúde, são referentes ao exercício de diferentes especialidades, algumas, por exemplo, com uso de aparelhagem, outras não. E no particular, a fiscalização não fez qualquer menção no relatório fiscal sob a forma de execução de cada um dos contratos, mas apenas fez alusão ao conceito da cessão de mão de obra trazido no parágrafo primeiro do art. 219 do Decreto 3.048/99. Não basta para a caracterização da cessão de mãodeobra, que o serviço esteja simplesmente previsto no Decreto, mas que a fiscalização, em cumprimento ainda ao disposto no art. 142 do CTN, faça expressa alusão em seu arroazoado a justificar a imposição da tributação, demonstrando os fatos e razões de direito relativos a execução da prestação contratada, para assim enquadrála no conceito de mão de obra, e, por conseguinte, permitir ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa. A não indicação no relatório fiscal da forma como os serviços eram de fato executados, seja mesmo por mera indicação das cláusulas contidas no contrato de prestação, não permite ao contribuinte contraporse devidamente ao Auto de Infração, exatamente pelo não conhecimento das razões que levam o órgão a divergir de seu entendimento pela desnecessidade em efetuar a retenção pretendida. A ausência da devida exposição fática acerca da ocorrência do fato gerador, viola o disposto no art. 142, a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sobre o assunto, cito recentes julgados deste Eg. Conselho no mesmo sentido. Confirase: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mãodeobra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa. (Rel. Conselheio Damião Cordeiro de Moraes, Sessão de 17/04/2012, Acórdão 2301002.699) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% CARACTERIZADA A CESSÃO DE MÃO DE OBRA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. .FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DEOBRA OU AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11% e para os casos de diferença de retenção não indica o erro cometido quanto a redução da base de materiais. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% DIFERENÇA DE RETENÇÃO SOBRE SERVIÇO DE COLETA DE LIXO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES As empresas prestadoras de serviços de coleta de lixo doméstico, são sujeitas ao adicional de 2% (11% +2% = 13%) na retenção em decorrência dos riscos ambientais do trabalho (aposentadoria especial aos 25 anos). A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006 RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.722575/201037 Acórdão n.º 2402003.609 S2C4T2 Fl. 2.009 9 não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. Recurso Voluntário Provido em Parte (Rel. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Sessão de 12/05/2011, Acórdão 2401001.820) A ausência da devida caracterização da ocorrência do fato gerador, em casos como o presente, macula a própria substância do lançamento, motivo pelo qual entendo que o vício, neste caso, é material. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para anular o lançamento, pela ocorrência de vício material. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13005.000145/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA
RECORRENTE. –
VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em
relação a qualquer ato praticado ou documento juntado.
Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do
contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de
1972. Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo
administrativo merece ser anulada.
Numero da decisão: 2302-001.840
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
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Recorrente ASSOCIAÇÃO PRO CULTURA E EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA DE MONTENEGRO Recorrida DRJ JUIZ DE FORA MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13005.000145/201092 Acórdão n.º 230201.840 S2C3T2 Fl. 302 3 Relatório O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, cujos valores constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências janeiro de 2006 a dezembro de 2007, fls. 23 a 27. A autuada não teria direito à isenção no período objeto do lançamento. Não conformado com a autuação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 183 a 219. Houve conversão do julgamento em diligência, fl. 244, visto que não constava na folha de rosto o local, o dia e a hora de lavratura e a assinatura da autoridade lançadora. A solicitação foi atendida pela fiscalização, conforme fl. 245. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos da autuada e exarou a decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 246 a 248. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, conforme fls. 259 a 294. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme comprovantes às fls. 249 e 259. Pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Federal, antes da emissão da decisão de primeira instância, verificou irregularidade no procedimento, fl. 244, e retornou os autos para a fiscalização. Como resultado dessa diligência, a auditoria fiscal prestou informação à fl. 245. Não há provas de que o recorrente foi cientificado da juntada das fls. 244 a 245, sendo emitida a Decisão de fls. 246 a 248 sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos apontados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fl. 244, ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarrazões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. De acordo com o previsto no art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. Assim, deve ser anulada a decisão de primeira instância, reabrindose o prazo para manifestação e conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência às fls. 244 e 245. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR a DECISÃONOTIFICAÇÃO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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