Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13116.001384/2003-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA APRESENTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Sob pena de violação do princípio da verdade material, que direciona o contencioso administrativo tributário, as provas apresentadas após o protocolo da impugnação devem ser apreciadas pela autoridade julgadora, seja para emitir juízo de valor ou para converter o julgamento em diligência. Busca-se, com isso, saber se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em questão é a legalidade da tributação.
No caso, o Colegiado levou em consideração o fato de que o contribuinte trouxe aos autos o laudo de avaliação, embora após a impugnação, em momento anterior à ciência da decisão de primeira instância, além do que a ação fiscal cingiu-se a uma única intimação recebida, sem resposta por parte do autuado, ou seja, na segunda vez em que se manifestou nos autos trouxe as provas das suas alegações (a primeira foi a impugnação, onde informou que estava providenciando o laudo).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.328
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA APRESENTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Sob pena de violação do princípio da verdade material, que direciona o contencioso administrativo tributário, as provas apresentadas após o protocolo da impugnação devem ser apreciadas pela autoridade julgadora, seja para emitir juízo de valor ou para converter o julgamento em diligência. Busca-se, com isso, saber se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em questão é a legalidade da tributação. No caso, o Colegiado levou em consideração o fato de que o contribuinte trouxe aos autos o laudo de avaliação, embora após a impugnação, em momento anterior à ciência da decisão de primeira instância, além do que a ação fiscal cingiu-se a uma única intimação recebida, sem resposta por parte do autuado, ou seja, na segunda vez em que se manifestou nos autos trouxe as provas das suas alegações (a primeira foi a impugnação, onde informou que estava providenciando o laudo). Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13116.001384/2003-83
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4826272
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.328
nome_arquivo_s : 920201328_13116001384200383_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Gonçalo Bonet Allage
nome_arquivo_pdf_s : 13116001384200383_4826272.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
id : 4746202
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230802243584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13116.001384/200383 Recurso nº 332.817 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.328 – 2ª Turma Sessão de 9 de fevereiro de 2011 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDIVAM ADORNO BUENO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA APRESENTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Sob pena de violação do princípio da verdade material, que direciona o contencioso administrativo tributário, as provas apresentadas após o protocolo da impugnação devem ser apreciadas pela autoridade julgadora, seja para emitir juízo de valor ou para converter o julgamento em diligência. Buscase, com isso, saber se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em questão é a legalidade da tributação. No caso, o Colegiado levou em consideração o fato de que o contribuinte trouxe aos autos o laudo de avaliação, embora após a impugnação, em momento anterior à ciência da decisão de primeira instância, além do que a ação fiscal cingiuse a uma única intimação recebida, sem resposta por parte do autuado, ou seja, na segunda vez em que se manifestou nos autos trouxe as provas das suas alegações (a primeira foi a impugnação, onde informou que estava providenciando o laudo). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.001384/200383 Acórdão n.º 920201.328 CSRFT2 Fl. 2 2 Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Edivam Adorno Bueno foi lavrado o auto de infração de fls. 02 07, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente, de reserva legal, ocupada com benfeitorias e com pastagens e, ainda, pela majoração do VTN, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Delgado, situado no município de Niquelândia (GO). A ação fiscal teve duas intimações (fls. 11 e 12), enviadas para endereços diversos, sendo que a primeira retornou com a informação “mudouse” e o contribuinte não apresentou nenhuma manifestação. Assim foi lavrado o auto de infração. Em sede de impugnação, apresentada em 16/12/2003 (fls. 19), o sujeito passivo alegou que discordava do lançamento e estaria providenciando laudo de avaliação do imóvel. Em 12/05/2004 a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 3033). Às fls. 3572 está juntado o laudo de avaliação, cujo protocolo ocorreu em 27/05/2004, ou seja, em momento anterior à ciência da decisão de primeira instância. Apreciando o recurso voluntário interposto pelo autuado, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 30133.615, que se encontra às fls. 190193, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 Ementa: ITR. PROVA. Devem ser considerados os dados comprovados por meio de Laudo Técnico elaborado por Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.001384/200383 Acórdão n.º 920201.328 CSRFT2 Fl. 3 3 profissional habilitado e acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, revestido de formalidades e exigências técnicas mínimas, devendo produzir os efeitos pretendidos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para que sejam considerados integralmente os dados informados no Laudo de Avaliação apresentado pelo sujeito passivo. Cientificada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 197 199, os quais restaram rejeitados por intermédio do acórdão n° 30134.567 (fls. 202205). Intimada desta decisão em 25/03/2009 (fls. 207), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 209213, acompanhado dos documentos de fls. 214216, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão proferido pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes na parte em que, por unanimidade, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para, admitindo a juntada de documentos mesmo após o decurso do prazo para a impugnação, determinar que sejam considerados integralmente os dados informados no Laudo de Avaliação apresentado de forma extemporânea pelo recorrido; b) O entendimento esposado no acórdão recorrido divergiu de acórdãos proferidos por outras câmaras sobre o alcance do princípio da verdade material e a possibilidade de aceitação de documentos apresentados de forma extemporânea pelo sujeito passivo da obrigação tributária; c) Para demonstrar a divergência interpretativa, trazse à colação os acórdãos nos 10246.765 e 20305845; d) O dissídio jurisprudencial é cristalino: no acórdão recorrido, foi admitida, independentemente da configuração de uma das hipóteses legalmente previstas (art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72), a juntada extemporânea de documentos por parte do sujeito passivo. Nos paradigmas, por seu turno, o julgador é expresso ao consignar que somente nos casos em que fique demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna de provas, por motivo de força maior, ou em que elas se refiram a fato ou direito superveniente ou se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, é admitida a juntada após a fase de impugnação; e) Do confronto entre as duas teses, entende a Fazenda Nacional que deve prevalecer a esposada nos arestos paradigmas, porquanto, com efeito, nos termos do § 4°, do art. 16 do Decreto n°. 70.235/72, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.001384/200383 Acórdão n.º 920201.328 CSRFT2 Fl. 4 4 sujeito passivo, não podendo ser carreada aos autos após tal momento processual; f) Excepcionase a referida norma apenas nas hipóteses em que fica demonstrada a impossibilidade da apresentação oportuna do material probatório, por motivo de força maior, ou quando este se refere a fato ou a direito superveniente; g) No caso dos autos, porém, não se comprovou a impossibilidade de apresentação oportuna ou a existência de fato superveniente. O que se observa, em verdade, é a insuficiência na produção de provas e que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus processual; h) Requer seja admitido o recurso e, no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar o r. acórdão recorrido. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 920200.312 (fls. 219 220), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 248252, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para que sejam considerados integralmente os dados informados no Laudo de Avaliação apresentado pelo sujeito passivo. A recorrente insurgiuse contra tal conclusão, suscitando que a prova documental não pode ser carreada aos autos após a impugnação, exceto nas hipóteses em que fique demonstrada a impossibilidade da apresentação oportuna do material probatório, por motivo de força maior ou quando este se refere a fato ou a direito superveniente, o que não ocorre no caso, invocando como paradigmas os acórdãos nos 10246.765 e 20305845. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72 estabelece que: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.001384/200383 Acórdão n.º 920201.328 CSRFT2 Fl. 5 5 § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso, o documento (laudo de avaliação) analisado e acolhido pelo acórdão recorrido foi juntado aos autos após o protocolo da impugnação, devendose trazer à colação a justificativa dada pela relatora da decisão de segunda instância para tal procedimento. Afirmou ela (fls. 193): A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve as glosas efetuadas pela fiscalização em razão da ausência nos autos de Laudo Técnico até à data daquele julgamento, muito embora na impugnação o contribuinte tenha informado que estava providenciando referido documento. Conforme afirmou a decisão a quo, dispõe o Decreto n° 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal, que as provas que fundamentam a defesa do recorrente devem ser apresentadas quando da impugnação. In casu, entendo, entretanto, que somente a observância formal da lei não é o melhor posicionamento, sendo que as provas apresentadas pelo contribuinte, que permitem o acolhimento do mérito postulado pela reclamante, devem ser acolhidas em fase recursal, mesmo quando oferecidas em momento posterior ao da impugnação. Isto porque, comprovada a situação fática alegada pela recorrente, não deve o formalismo sobreporse à busca pela verdade real como principio informador do processo administrativo fiscal. Tal posicionamento resguarda a boafé do contribuinte, que declarou corretamente o valor tributário devido, bem como evita o enriquecimento sem causa em prol do Fisco, até mesmo porque este não é o intento do tributo em questão, que não possui caráter meramente arrecadatório, mas visa desonerar aqueles que cumprem a função social da terra (produtividade, proteção ao meioambiente, etc) e onerar apenas aqueles que especulam. Isto posto, e considerando que o Laudo Técnico juntado aos autos foi elaborado em estrita conformidade com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que sejam considerados integralmente os dados informados no Laudo de Avaliação apresentado. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.001384/200383 Acórdão n.º 920201.328 CSRFT2 Fl. 6 6 Segundo penso, tal conclusão é irretocável, pois o princípio da verdade material deve sobreporse à regra do artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Reitero que, no caso, o contribuinte trouxe aos autos o laudo de avaliação, embora após a impugnação, em momento anterior à ciência da decisão de primeira instância. Ademais, a ação fiscal cingiuse a uma única intimação recebida, sem resposta por parte do autuado, ou seja, na segunda vez em que se manifestou nos autos trouxe as provas das suas alegações (a primeira foi a impugnação, onde informou que estava providenciando o laudo). Tal situação pode até ser enquadrada na regra da alínea “a”, do § 4°, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72. De acordo com James Marins1: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material; deve apurar e lançar com base na verdade material. As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do processo administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Sob minha ótica, no processo administrativo tributário deve prevalecer o princípio da verdade material, ou seja, buscase saber se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em questão é a legalidade da tributação. Devese apurar se o fato gerador ocorreu, surgindo assim a obrigação tributária. É exatamente esse o teor da decisão recorrida. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes era amplamente majoritária nesse sentido, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 1 Na obra Direito processual tributário brasileiro : (administrativo e judicial), 2. ed., São Paulo: Dialética, 2002, p. 177178. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.001384/200383 Acórdão n.º 920201.328 CSRFT2 Fl. 7 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 – 3ª Câmara 1°. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Terceiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso Voluntário n° 136.880, Acórdão n° 30239.947, Relatora Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, julgado em 13/11/2008) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência. (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.001384/200383 Acórdão n.º 920201.328 CSRFT2 Fl. 8 8 (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso Voluntário n° 163.221, Acórdão n° 10617.111, Redator Designado Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 09/08/2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL – A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. Recurso Voluntário Provido. (Primeiro Conselho, Oitava Câmara, Recurso Voluntário n° 149.820, Acórdão n° 10809.655, Relator Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, julgado em 27/06/2008) Não se pode olvidar, ainda, que o artigo 3°, inciso III, da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assim determina: Art. 3°. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Tal regra legal também dá sustentação ao acórdão recorrido, o qual merece ser confirmado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Gonçalo Bonet Allage Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.001384/200383 Acórdão n.º 920201.328 CSRFT2 Fl. 9 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10707.000024/2007-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário:
1988 a 1995
CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS.
Inexistindo decisão judicial expressa autorizando a compensação de tributos
com créditos de terceiros, a simples cessão destes mesmos créditos não
autoriza o cessionário a utilizálos
na compensação tributária.
Numero da decisão: 3403-001.300
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1988 a 1995 CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. Inexistindo decisão judicial expressa autorizando a compensação de tributos com créditos de terceiros, a simples cessão destes mesmos créditos não autoriza o cessionário a utilizálos na compensação tributária.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10707.000024/2007-40
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4941017
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.300
nome_arquivo_s : 3403001300_10707000024200740_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10707000024200740_4941017.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
id : 4747359
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230808535040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 430 1 429 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10707.000024/200740 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.300 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2011 Matéria Declaração de Compensação PIS Recorrente ALLIED DEMECQ BRASIL IND E COM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1988 a 1995 CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. Inexistindo decisão judicial expressa autorizando a compensação de tributos com créditos de terceiros, a simples cessão destes mesmos créditos não autoriza o cessionário a utilizálos na compensação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida de fls. 361/364: Fl. 430DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP ° 11603.27693.150903.1.3.571862, transmitida em 15/09/2003, de crédito adquirido de terceiros, oriundo de pagamentos da contribuição para o PIS, reconhecidos como indevidos ou maiores que os devidos na Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 9500149397, ajuizada na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, com trânsito em julgado no dia 03/10/2001. Por meio desta efetuou a compensação de débitos da Contribuição para o PIS no valor de R$ 322.490,80 e da Cofins no valor de R$ 408.446,48, correspondente ao período de apuração agosto/2003. A ação ordinária de repetição de indébito n° 9500149397 foi ajuizada em 18.05.1995 pelas empresas C1VECOMERCIAL E IMPORTADORA DE VEÍCULOS LTDA, RIVECAR COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA E AUTOMACO COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA, na qual requereram provimento judicial para declarar incidentalmente a inconstitucionalidade dos Decretoslei 2445/88 e 2449/88 e, em conseqüência, o direito de recolherem o PIS na forma da LC 7/70, bem como o direito a repetição do indébito, ou, o direito a compensação do excesso recolhido à Contribuição para o PIS desde 1988 com prestações da mesma contribuição ou com tributos federais da mesma espécie, em especial a COFINS, condenando a União Federal a reconhecer e efetivar as referidas compensações (fls. 29 a 46). Em 20.01.1999, o Juízo de primeiro grau proferiu sentença de mérito julgando procedente o pedido, para reconhecer às impetrantes o direito de compensar os valores representados pela diferença apurada entre os dois regimes de recolhimento, ou seja, o da LC 7/70 e o dos Decretoslei 2445/88 e 2449/88, com parcelas vincendas do próprio PIS e da COFINS, corrigidos monetariamente pelos mesmos índices utilizados para a atualização dos tributos federais, mais juros de mora de 1% ao mês, a partir do trânsito em julgado. O TRF da 1ª Região negou provimento à remessa necessária, mantendo integralmente a decisão de primeira instância. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial e o STJ, por unanimidade, deu provimento ao mesmo, no sentido de possibilitar a compensação de valores recolhidos a título de PIS somente com o próprio PIS, não se admitindo a compensação do mesmo com a Cofins. Em 07.10.2003 a interessada, nos autos do processo de execução n° 2002.38.00.0068531, requereu ao Juízo da 3ª VF/MG a sua inclusão no pólo passivo da ação judicial n° 95.00149397, em razão da aquisição parcial dos direitos creditórios da CIVE, que por sua vez havia incorporado as empresas RIVECAR (fl. 73), e AUTOMACO (fls. 74/78). Por meio do Despacho Decisório eletrônico, de fls. 108/110, a Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda/RJ não homologou a compensação pretendida pelo fato de a mesma ter utilizado créditos adquiridos de terceiros. Fl. 431DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10707.000024/200740 Acórdão n.º 3403001.300 S3C4T3 Fl. 431 3 Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 137/154) alegando, em síntese, que: Os créditos adquiridos pela Impugnante foram reconhecidos em decisão transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária n° 95.0014 9397, em trâmite perante a 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, em função da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, ambos de 1988. . Após o trânsito em julgado da referida decisão e a respectiva liquidação de sentença, a Cive, através de contrato de cessão de direitos em anexo (doe. n° 07), cedeu por escritura pública o seu direito creditório à Impugnante, cessão esta da qual a Fazenda Pública foi devidamente notificada nos termos do artigo 290, do Código Civil (doc. n° 08). . A referida cessão de direitos foi homologada pelo Juízo da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo sido, em função disso, admitida a inclusão da Impugnante no pólo ativo da referida ação judicial, conforme documentos em anexo (.docs. n°s 09 e 10), com a devida intimação da União (doc. n° 08), em anexo. . Objetivando dar cumprimento à decisão que reconheceu o direito creditório em tela, a Impugnante optou por formular, administrativamente, pedido de compensação deste crédito, via PER/DCOMP, com débitos a titulo da Contribuição ao PIS e da COFINS, desistindo expressamente da execução da sentença,desistência essa que foi homologada pelo Juízo da 3a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais (doc n° 11) . O § 3º , do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, ao dispor sobre determinados créditos e débitos que não poderiam ser objeto da compensação prevista no aludido dispositivo legal não elencou a compensação com créditos adquiridos de terceiros, o que confirma que a referida norma não estabelecia qualquer vedação neste sentido. . Em momento algum o artigo 74, da Lei n° 9.430/96 restringiu a apuração de crédito como sendo exclusivamente de crédito próprio. . Não há no artigo 74, da Lei n° 9.430/96, vigente àquela época, nenhum comando que exclua a possibilidade do cessionário apurar os créditos adquiridos de terceiros. . Possuindo o cessionário a mesma relação jurídica do titular anterior do referido direito creditório, os mesmos direitos que a este eram assegurados são integralmente transmitidos, com as mesmas garantias e privilégios, a menos que haja lei dispondo em sentido contrário, que como se demonstrou, não existe. .Somente com a entrada em vigor da Lei n° 11.051, de 29.12.2004, que, além de outras disposições, alterou o artigo 74, da Lei n° 9.430/96, passou a ser vedada a compensação de Fl. 432DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 tributos com créditos adquiridos de terceiros, nos termos da alínea "a", do inciso II, do § 12. . Se o artigo 74, da Lei n° 9.430/96, não previa nenhuma vedação nesse sentido, não poderia a IN SRF n° 210/02, uma norma de natureza meramente regulamentar vir a fazêlo, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis, ao qual a Administração Pública está adstrita. . A própria Secretaria da Receita Federal, através da Solução de Consulta n° 16, de 22.02.2002, mesmo período das PER/DCOMPs realizadas pela Impugnante, confirmada em Solução de Consulta mais recente sob o n° 451, de 04.11.2005, pronunciase no sentido de autorizar a compensação de débitos com créditos adquiridos de terceiros, reconhecidos por decisão judicial, ainda que não tenha transitado em julgado: . Se a RFB admite a compensação de tributos com créditos adquiridos de terceiros, reconhecidos mediante decisão judicial não transitada em julgado, porque não poderia a Impugnante compensar seus débitos com créditos que, diferentemente dos mencionados no parágrafo acima, gozam de certeza, liquidez e exigibilidade, uma vez que já foram objeto de liquidação de sentença. . Este tem sido o entendimento do Conselho de Contribuintes. Para que as compensações realizadas com os créditos adquiridos sejam homologados é necessário que a Impugnante comprove: • a cessão do direito creditório e os seus exatos contornos, demonstrado através da Escritura Pública de Cessão de Créditos, (doc. n° 07); • a homologação da referida cessão de direitos pelo Juízo que reconheceu o respectivo direito creditório, (doc. n° 10); • a liquidez do direito creditório, passível de comprovação através dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais DARF's juntados aos autos do processo judicial (doc. n° 12); • a desistência da execução judicial do referido crédito, em anexo (doc. n° 11). . Tendo sido o referido direito creditório cedido à Impugnante poderia ela (i) ter promovido a execução judicial dos mesmos, requerendo a conseqüente expedição de precatório judicial, nos termos do artigo 730, do Código de Processo Civil ou, como optou por fazer, (ii) ter ingressado com pedido administrativo de compensação do seu crédito tributário, reconhecido através de decisão judicial transita em julgado, nos termos do então vigente artigo 74, da Lei n° 9.430/96. . Não assiste razão à decisão ora impugnada quando alega que o processamento dos pedidos de compensação objeto dos presentes autos estaria sujeito a determinação/autorização judicial, haja vista que o artigo 74, da Lei n° 9.430/96, não previa qualquer exigência nesse sentido. Fl. 433DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10707.000024/200740 Acórdão n.º 3403001.300 S3C4T3 Fl. 432 5 . Segundo "Demonstrativo de Consolidação de Saldos de Débitos Auditados Apurados", elaborado por aquela DRF Varginha, a Cive, ao contrário do declarado na referida ação judicial, possuiria débitos a titulo do PISFATURAMENTO. . A Cive não foi intimada da decisão proferida nos autos do Processo n° 10680013.639/200358, a qual declarou a inexistência do direito creditório em tela. . A Cive somente tomou conhecimento da mesma nos autos do Processo Administrativo n° 10660002.485/200650, quando recebeu decisão acerca da não homologação de pedidos de compensação de débitos realizados com parte do referido direito creditório, momento em que, oportunamente, apresentou manifestação de inconformidade contra a alegação de inexistência dos referidos créditos. . A defesa apresentada pela Cive contra a decisão que não reconheceu o direito creditório em comento e, consequentemente, deixou de homologar os seus pedidos de compensação ainda encontrase pendente de julgamento, conforme peças processuais e comprovante de andamento processual da Secretaria da Receita Federal em anexo (doc. n° 13). .Tendo a Cive apresentado defesa contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Varginha que julgou inexistentes os referidos créditos resta suspensa a exigibilidade dos débitos compensados pela Impugnante. Portanto, a cobrança objeto destes autos apresentase absolutamente improcedente, uma vez que suspensa a sua exigibilidade, impondose, pois, seja a mesma julgada insubsistente, ou sobrestada a sua cobrança até que proferida decisão final acerca da defesa apresentada pela Cive. Ao final requer seja julgado improcedente o despacho decisório de fls. 108/110, reformandoo para que seja reconhecido o direito creditório, bem como homologado o pedido de compensação do presente processo. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II, mediante Acórdão nº 1329.131, de 30 de abril de 2010, fls. 360/367, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob os fundamentos conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1988 a 1995 Ementa: CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. Inexistindo decisão judicial expressa autorizando a compensação de tributos com créditos de terceiros, a simples cessão destes mesmos créditos não autoriza o cessionário a utilizálos na compensação tributária. Fl. 434DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 15/04/2011, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 387/414, além das alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, acrescenta que: (...) 10. O artigo 5º, inciso, XXXVI, da Constituição da República Federativa do Brasil, alberga a garantia de segurança na estabilidade das relações jurídicas, de modo que estas relações continuarão, a produzir os mesmos efeitos jurídicos tal qual produziam antes de se mudar a lei que as regulava, desde que tenham se constituído em direito adquirido, ato jurídico perfeito ou em coisa julgada. 11. Esses institutos jurídicos têm por escopo salvaguardar a permanente eficácia dos direitos subjetivos e das relações jurídicas construídas validamente sob a égide de uma lei, frente futuras alterações legislativas ou contratuais. 12. No caso em exame, a 4ª Turma da DRJ/RJ2 ao prolatar a decisão ora recorrida, não observou o primado do ato jurídico perfeito, uma vez que desconsiderou todos os atos praticados pela Recorrente no curso deste processo. Senão, vejamos. (...) 14. Verificase que a recorrente promoveu uma série de atos para efetuar a compensação com os débitos objeto destes autos. 15. Ou seja, tais atos foram praticados com base na legislação em vigor à época da celebração dos mesmos, com anuência da Fazenda Pública credora dos débitos e com a autorização do Juízo que reconheceu o respectivo direito creditório. 16. Ocorre, todavia, que a decisão ora recorrida simplesmente, desconsiderou todos os praticados e, de forma teratológica, não reconheceu o direito creditório da recorrente e, consequentemente, deixou de homologar as respectivas compensações realizadas pela Recorrente. (...) 18. Se não bastasse a 4ª turma da DRJ/RJII desconstituir todos os atos praticados pela recorrente para não conhecer o direito a restituição e à compensação, violou literalmente decisão judicial que homologou a cessão de créditos. 19. Ademais, outro ponto a ser abordado pela Recorrente é quanto à anuência da Fazenda Pública no que concerne a cessão de créditos entre a Recorrente e a CIVE. 20. Ora, se esta operação não tivesse amparo na legislação em vigor à época do fato, a Fazenda Pública ao invés de anuir o ato, teria de insurgido contra o mesmo! Fl. 435DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10707.000024/200740 Acórdão n.º 3403001.300 S3C4T3 Fl. 433 7 21. Assim sendo, a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento merece ser reformada integralmente, uma que desconstituiu diversos atos jurídicos perfeitos praticados pela Recorrente, os quais legitimam o direito creditório objeto destes autos. Cita o entendimento do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que através do julgamento cuja ementa segue abaixo transcrita, reconhece ser válido e legítimo o direito creditório adquirido de terceiros, cuja integra segue anexo: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS. É vedada a compensação de tributos e contribuições federais com créditos adquiridos de terceiros, descabendo a homologação das compensações efetuadas sob essa égide (at. 74 da Lei nº 9.430/96 e IN SRF nº 41/2000. Deferida a substituição de parte, motivada na cessão de créditos de terceiros, no pólo ativo de ação ordinária já transitada em julgado, de forma a que nele venha a constar a recorrente e não tendo sido estabelecida nem referida no despacho judicial a permissão para compensação de tributos, há que se entender que o direito como hábil para qualquer outra modalidade de aproveitamento, exceto aquela decorrente do instituto de compensação previsto no art. 170 do CTN. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Não existindo na legislação de regência qualquer proibição a que o crédito da substituinte de parte do pólo ativo da ação, fundada na cessão de créditos de terceiros, seja objeto de deferimento por meio de processo de restituição, desde que atendidos os requisitos disciplinares estabelecidos nos atos administrativos da RFB, é lícito o reconhecimento do direito creditório e a restituição do valo pleiteado. Acrescenta ainda ser possível a recorrente efetuar a compensação de créditos de PIS com débitos de Cofins, uma vez que ambos os tributos são administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ao final requer a improcedência da decisão recorrida. Reformandoa integralmente para reconhecer o direito creditório da Recorrente, bem como homologar os pedidos de compensação analisados nos presentes autos. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Não tem razão a recorrente. Fl. 436DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 8 Adoto as mesmas razões de decidir consignadas no voto condutor da autoridade julgadora a quo, que a seguir transcrevo: É necessário ressaltar que para a utilização do instituto da compensação, quando o mesmo é regido pelo Direito Tributário, necessário se faz a existência de lei específica autorizadora de sua realização, prevendo os casos, as condições e as garantias em que a compensação deva ocorrer. Além disso, eventual regra regulamentar, dispondo sobre o encontro de contas, nunca pode ser contrária às normas de hierarquia superior, mas sempre vinculada aos seus limites. Assim, para fazer jus à compensação, deve o contribuinte observar todas as exigências previstas na legislação de regência, sob pena de, a bem do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, não ser possível o encontro de contas. Segue abaixo o Parecer PGFN/CDN/ nº 638/93, publicado no Diário Oficial da União, n° 143, de 29.07.93, Seção I, págs. 1076210765, da lavra do Procurador da Fazenda Nacional, então Coordenador da Representação Judicial da Fazenda Nacional Substituto, Dr. OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO, que, a despeito de fazer menção aos revogados Códigos Civil e Comercial, esclarece as peculiaridades da compensação regulada pelo Direito Tributário, principalmente a sua submissão à lei geral (CTN) e às leis ordinárias que tratam dos casos em que a mesma é cabível, do qual transcrevemos trecho substancial, in verbis: "A COMPENSAÇÃO NO DIREITO PRIVADO E NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL 12. Destarte, não se pode dar à compensação de créditos tributários tratamento jurídico igual ao dispensado à compensação de créditos comerciais e civis, uma vez que as normas aplicáveis aos tributos, inclusive ao indébito tributário, atendem ao regime de Direito Público, o que afasta o regime de Direito Privado, também, no que tange à compensação. 13. Aliás, é o nosso próprio Código Civil que reconhece a especialidade do regime jurídico aplicável à compensação de créditos tributários, conforme preceitua o seu art. 1.017, ipsis verbis: 'Art. 1.017. As dívidas fiscais da União, dos Estados e dos Municípios também não podem ser objeto de compensação, exceto os casos de encontro entre a administração e o devedor, autorizados nas leis e regulamentos da Fazenda.' 14. O Código Tributário Nacional contempla a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, II), mas, em homenagem ao principio da indisponibilidade dos bens públicos, o faz, ratificando o preceptivo do art. 1.017, do C.C., e como corolário do art. 97, I, desta Lei Complementar, determinandolhe regime especial, como se infere do seu art. 170, o qual enuncia que 'a lei pode, nas condições e sob as Fl. 437DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10707.000024/200740 Acórdão n.º 3403001.300 S3C4T3 Fl. 434 9 garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 15. A fundamental diferença que despinçamos entre a compensação do Direito Privado e a do Direito Tributário é que esta, apenas, pode ocorrer na hipótese de lei específica, do ente titular da competência tributária autorizar a autoridade fiscal competente a proceder o encontro de contas entre créditos fiscais com créditos do sujeito passivo contra o Fisco, observadas as condições e garantias por essa lei específica, estipuladas, ou as estipulações causus per causus atribuídas por ela a autoridade administrativa. 16. Penso não ser acaciano enfatizar que o art. 170 do C.T.N., como preceito geral de Direito Tributário, é dirigido ao legislador da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo insuficiente, por si só, para conferir ao sujeito passivo da obrigação fiscal direito à compensação, ou, em outras palavras, o sujeito passivo da obrigação tributária não tem, em princípio, direito subjetivo à compensação, inexistindo norma de lei autorizadora específica ou, também, regra regulamentar, prevendo os casos, as condições e as garantias em que a compensação deva ocorrer. 17. Do que foi dito, depreendese que a compensação relacionada ao crédito proveniente de exigências de natureza fiscal e, como tais, sujeitas ao regime tributário, ao contrário do que sucede com a compensação do regime do Direito Comum, não é obrigatória nem se opera automaticamente. 18. Analisando essas constatações, verificase que o sujeito passivo só poderá contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, como direito subjetivo público seu, no caso de existir norma legal autorizadora do encontro de contas e, ainda, submetendose ele aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, ou, nos limites legais, fixados por ato da autoridade fiscal competente, investida de poder discricionário em cada caso concreto" (sem grifo no original).” Prosseguindo, resta analisar sobre a questão da compensação de crédito de um contribuinte com o débito de outro. Em primeiro lugar, devese assentar que a legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. Assim, no mesmo diapasão do Direito Privado, a compensação do regime de Direito Público exige a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra, havendo duas obrigações recíprocas entre as partes, sendo que o que diferencia aqueles regimes de compensação é o fato de que no Direito Tributário (Direito Público) as partes têm de ser credor e devedor recíprocos ex lege e ab initio. A redação do art. 170, do CTN, não deixa margem a dúvidas, na medida em que apenas admite que se proceda ao encontro de Fl. 438DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 10 contas entre créditos fiscais com créditos do próprio sujeito passivo contra o Fisco, ou seja, apenas no caso de o sujeito passivo ter direito a recebimento de algum crédito seu contra a Fazenda ele pode optar por compensar esse valor com débitos seus para com o Fisco. O próprio Código Civil de 1916, no seu art. 1.017, já exigia o "encontro entre a administração e o devedor" para que fosse efetivada a compensação. Do mesmo modo, a lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Novo Código Civil, entende ser essencial à compensação a existência de créditos e débitos recíprocos, conforme regra do seu art. 368, reflexo positivado daquilo que se entende por compensação no âmbito da teoria geral do direito. Neste ponto, a despeito de a compensação tributária exigir que os partícipes da relação jurídica tributária sejam os originais, o regime de direito público e o de direito privado aplicados à compensação têm um denominador comum, senão vejase: "Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem ". Assim, tendo em vista o disposto no citado art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei n.° 9.430/96, e a despeito do que dispunha o art. 15 da IN/SRF n.° 21/97, já revogado, temse que a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal. Neste sentido a Procuradoria da Fazenda Nacional manifestouse, por meio do Parecer PGFN/CAT n.° 1010/2000, que assim dispôs: "11. A IN SRF n" 21, de 10 de março de 1997, com as alterações da IN SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, que dispõe sobre a restituição, o ressarcimento e a compensação de tributos e contribuições federais, a par de instruir os agentes do fisco a respeito dos procedimentos a serem adotados nesses casos em função de créditos decorrentes de sentenças judiciais (art. 17), autorizou a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação (art. 15). 12. Não obstante, as disposições legais que regem a matéria não contemplaram tal procedimento. O já transcrito art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é explícito quando diz que a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos, para fins de compensação, mas não faz referência à utilização de créditos de terceiros. (...) "14. Com efeito, a compensação é restrita aos casos expressamente previstos em lei e as normas legais que dispõem sobre essa forma de extinção do crédito tributário não previram a utilização de crédito não pertencente ao próprio contribuinte. Por tal razão, nos parece acertada a IN SRF n° 41, de 7 de abril de 2000, que vedou a compensação de débito do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pelo órgão, com créditos de terceiros. 15. Somente o fato de a IN SRF n° 21 não ter fundamento de validade, no que se refere à utilização de crédito de terceiro para Fl. 439DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10707.000024/200740 Acórdão n.º 3403001.300 S3C4T3 Fl. 435 11 fins de compensação, seria suficiente para dar cabo ao caso concreto do presente pleito. " Assim, a compensação com crédito de terceiro não tem fundamento legal de validade. Por fim, devese ressaltar a alegação do contribuinte de ter obtido autorização judicial no tocante a cessão dos créditos da empresa CIVE. Ocorre que o reconhecimento do direito à utilização de créditos de terceiros na compensação de tributos não integrou o pedido inicial constante da Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 9500149397. Somente neste caso e com a devida autorização judicial poderia o contribuinte utilizarse deste tipo de compensação. Neste caso, estaríamos diante de decisão judicial transitada em julgado que expressamente teria afastado a aplicação da legislação que rege a compensação, no tocante ao impedimento à utilização de créditos de terceiros. Aliás, as Soluções de Consulta n° n° 16, de 22.02.2002 e n° 451, de 04.11.2005, citadas pelo interessado, bem como as decisões do Conselho de Contribuintes trazidas em sua manifestação de inconformidade, referemse a cumprimento de decisões judiciais transitórias proferidas em processos judiciais nos quais os requerentes solicitam a utilização de créditos de terceiros em compensação tributária. Não é o que se verificou na Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 9500149397. Por tal motivo, improcedente é a alegação da interessada de que seria detentora de autorização judicial para efetuar a compensação pretendida. E, ainda, que a legislação permitisse tal compensação, é de se verificar que a decisão transitada em julgado somente autorizou a compensação com débitos da contribuição para o PIS, sendo totalmente descabida a compensação com os débitos de COFINS. Finalmente, face o acima exposto, resta prejudicado qualquer pronunciamento sobre a questão da exigibilidade suspensa dos débitos da interessada, face o seu argumento de que a empresa CIVE estaria recorrendo da decisão da DRF Varginha, que não lhe reconheceu nenhum direito creditório. Como já foi dito, a interessada não pode utilizar os créditos em questão na compensação tributária, e ainda que lhe fosse possível, não poderia utilizar tais créditos na compensação de débitos da COFINS. Diante do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. A recorrente transmitiu suas declarações de compensação em 15/09/2003. Numa interpretação sistemática das regras jurídicas contidas na Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pelas Lei nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, é vedada a compensação com créditos de terceiros, por conseguinte, não podem ser homologadas as compensações pretendidas pela recorrente. Outro ponto relevante, a compensação de créditos tributários é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ora, pelo que consta nos autos, os créditos que a recorrente alega ter, além de decorrentes de créditos de Fl. 440DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 12 terceiros, ainda padece de confirmação a sua existência e certeza de tais créditos. Portanto, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 441DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900307/2006-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior.
Numero da decisão: 1301-000.679
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10320.900307/2006-47
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 5077012
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.679
nome_arquivo_s : 130100679_10320900307200647_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10320900307200647_5077012.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4744785
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230815875072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.900307/200647 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301.00.679 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria SIMPLES. Recorrente TERCAM TERRAPLENAGEM CONSTRUÇÕES E ASSISTÊNCIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE. Observase dos autos que orginalmente a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 01) contra Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (fls. 13) que assentando a falta de disponibilidade de crédito, não homologou a compensação declarada na DCOMP n° 15918.79526.251103.1.7.048162 (fls. 18 22). Depreendese ainda, pela descrição dos fatos, que o crédito original informado pelo contribuinte teve como origem pagamento indevido de tributo (SIMPLES) mediante o DARF discriminado na referida DCOMP, consignando a autoridade administrativa, que o aludido DARF, apesar de localizado, não pôde ser aproveitado, tendo em vista que já havia sido integralmente restituído ao contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP sob análise. Regularmente notificada do indeferimento, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em síntese, que foram apresentadas duas DCOMP's para fins de se compensar o mesmo débito e em virtude da duplicidade de declarações, requereu que as DCOMP's fossem reanalisadas considerando um único débito, ou seja, desconsiderando uma das declarações em virtude do equívoco cometido no envio de duas DCOMP's com o mesmo débito. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, nos termos do acórdão e voto de folhas 25 a 27, indeferiu a solicitação, fundamentando para tanto, que de início deveria ser demarcado o objeto do litígio, uma vez que não houve contestação por parte da recorrente em relação a não homologação de crédito originado por pagamento a maior de SIMPLES, informado na DCOMP n° 15918.79526.251103.1.7.048162, conforme Manifestação de Inconformidade à folha 01 do presente processo. Diante disso, assentou a decisão recorrida que se deveria considerar como matérias nãolitigiosas, nos termos dos artigo 16 e 17 do Decreto n°70.235/72, as matérias que não foram versadas pelo contribuinte, destacando que na situação analisada a peça impugnatória não atende às normas disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal, pois a defesa alega unicamente o fato de ter enviado DCOMP's em duplicidade e em momento algum contesta o fato do crédito informado não ter sido homologado, tampouco rechaça a informação de inexistência de saldo do crédito pleiteado (ver tela de consulta ao sistema SINCOR,TRATAPAGTO,CONSPAGTO anexada à fl. 24). Sendo assim, considerando que o crédito que deu origem a tal demanda já fora restituído/utilizado integralmente, e não tendo sido objeto de inconformidade por parte do interessado, entendeu a decisão recorrida que descaberia qualquer reforma no Despacho Decisório prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza. Devidamente notificada (fl. 29), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 30), aduzindo ter pedido a reanálise dos referidos PER/DCOMPS, para que fosse considerado apenas um débito, em virtude de constar em duplicidade. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10320.900307/200647 Acórdão n.º 1301.00.679 S1C3T1 Fl. 2 3 Afirmou ainda, que analisando os despachos decisórios dos referidos PER/DCOMP, constatou a cobrança em duplicidade, por isso é pediu a reanálise, pretendendo fosse considerado apenas um débito. Mencionandose que o despacho decisório informa que foram localizados os créditos, mas usados integralmente para quitar os débitos, e diante disso, requereu fosse informado para qual mês foi alocado esse débito, bem como fosse feito um confronto com todos os arquivos que constam na Receita Federal do Brasil, para que seja comprovado a duplicidade desse débito. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como se observa no relatório acima minudenciado, a ora recorrente apresentou declaração de compensação cujo direito creditório, reputou a autoridade administrativa, fora consumido em sua integralidade em momento anterior. Manifestando seu inconformismo contra o primitivo Despacho Decisório, a recorrente limitouse a aduzir que apresentara as compensações em duplicidade requerendo que as DCOMPs fossem analisadas conjuntamente. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, por seu turno, considerou que a recorrente não refutou as constatações da autoridade administrativa, consagradora de que o crédito indicado já havia sido utilizado, indeferindo, portanto, a solicitação da contribuinte. Observase que em sede de Recurso Voluntário, apresentado pela contribuinte à folha 30, voltouse a afirmar unicamente que as compensações foram apresentadas em duplicidade. Cuidando de deslindar o caso concreto, é oportuno revisitar o Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE, bem como a DCOMP apresentada pela recorrente, conferindose assim, se acham presentes os requisitos de certeza e liquidez do crédito indicado para compensação. Nesse mister, ao analisar o Despacho Decisório de folha 13, colhese do item “3” a seguinte fundamentação: (...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) (meus os destaques) Tem razão a decisão recorrida ao afirmar que a recorrente não refuta as constatações da autoridade administrativa. Com efeito, não reputouse que o crédito da recorrente não tenha existido em algum momento, contrário disso, verificouse que a integralidade do tributo recolhido a maior/indevidamente fora utilizado em sua integralidade. Diante dessas constatações e ausente qualquer demonstração por parte da recorrente que de que ainda dispõe de direito creditório, carece a declaração de compensação dos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez para homologação da compensação. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10320.900307/200647 Acórdão n.º 1301.00.679 S1C3T1 Fl. 3 5 Diante desses fatos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000635/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 31/05/2006
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 31/05/2006 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16004.000635/2009-53
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4986348
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-001.259
nome_arquivo_s : 230201259_16004000635200953_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 16004000635200953_4986348.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4743948
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230819020800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1626; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000635/200953 Recurso nº 890.536 Voluntário Acórdão nº 230201.259 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente ATIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AGRÍCOLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 31/05/2006 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausência Momentânea: Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 432DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000635/200953 Acórdão n.º 230201.259 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 12/08/2009, por infração ao art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, contra o sujeito passivo acima referido por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais nos períodos de 07/2004 a 02/2005 e 03/2006 a 05/2006, respectivamente. Após impugnação, Acórdão de fls. 404/409, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso alegando a insubsistência do auto de infração, por falta de respaldo legal, já que o MPF era inválido e o afastamento da SELIC frente a sua manifesta inconstitucionalidade e da multa por ser confiscatória. É o relatório. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 404/409, em 17/09/2010, fls.412, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 20/09/2010, fruindo até 19/10/2010. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 20/10/2010, conforme protocolo de fls. 413 configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000635/200953 Acórdão n.º 230201.259 S2C3T2 Fl. 3 5 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 435DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000306/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Tendo a contribuinte tido ciência de todos os termos e autos de infração que integram o processo, e estando neles claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, e ainda, as disposições legais infringidas, e tendo sido intimada por diversas vezes a comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, e ademais, a oportunidade de
defesa se iniciou com a ciência do lançamento, tendo a empresa autuada o prazo de 30 dias para interposição da impugnação.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Por tratar-se de uma presunção legal, o ônus da prova é do
sujeito passivo.
PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO.
O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44, I, da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2).
Numero da decisão: 1402-000.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentamente, o Conselheiro Moisés
Giacomelli Nunes da Silva
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Tendo a contribuinte tido ciência de todos os termos e autos de infração que integram o processo, e estando neles claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, e ainda, as disposições legais infringidas, e tendo sido intimada por diversas vezes a comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, e ademais, a oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento, tendo a empresa autuada o prazo de 30 dias para interposição da impugnação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Por tratar-se de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44, I, da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11634.000306/2008-91
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4816360
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.793
nome_arquivo_s : 140200793_11634000306200891_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 11634000306200891_4816360.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva
dt_sessao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
id : 4745688
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230848380928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000306/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.793 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria SIMPLES Omissão de receitas Recorrente LCTHEC INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Tendo a contribuinte tido ciência de todos os termos e autos de infração que integram o processo, e estando neles claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, e ainda, as disposições legais infringidas, e tendo sido intimada por diversas vezes a comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, e ademais, a oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento, tendo a empresa autuada o prazo de 30 dias para interposição da impugnação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Por tratarse de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 2 2 O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44, I, da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 193 a 234, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, com aplicação da multa de ofício de 75%. O lançamento abrangeu os meses de maio a dezembro do anocalendário de 2003, e noticia a ocorrência de duas infrações: omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, apurada em decorrência da receita omitida, que, ao ser acrescida àquela, provocou mudança nas faixas das receitas brutas mensais e, consequentemente, nos percentuais para a apuração do Simples. O relatório da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0621.359 (fls. 261 a 268) traz ainda outras informações sobre o trabalho de auditoria fiscal, e também registra os argumentos de impugnação: 5. Às fls. 186/192, no Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação; que, em 21/05/2006, no cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão nº 15/2006 na empresa C. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 3 3 Brusque Costa (Bytec) CNPJ 04.881.945/000110 de propriedade de Celso Brusque da Costa CPF 002.499.67936, cônjuge da sócia da LCTHEC Liciana Lopes Costa CPF 918.201.979/72 e filho da outra sócia (desde a fundação até 02/09/2003) Celeide Brusque da Costa CPF 006.942.899/90, policiais federais estiveram naquela empresa e os documentos apreendidos foram encaminhados à DRF em Londrina por meio do ofício nº 1.997 de 10/05/2006; em 23/03/2007 foi iniciado o procedimento fiscal; esclarecese que a sócia Liciana Lopes Costa da LCTHEC, seu cônjuge Celso Brusque da Costa e seu sogro e procurador da empresa, fls. 48/49, Jair Delfim da Costa CPF 014.052.33915 foram considerados sócios solidários da empresa Lucena & Cia Ltda. CNPJ 02.001.914/000107, do mesmo ramo e também autuada por omissão de receitas no processo administrativo nº. 11634.001279/200793 e onde constatouse que os sócios de direito eram interpostas pessoas. 6. Cientificada em 23/05/2008, fl. 236, a interessada apresentou a impugnação tempestiva em 24/06/2008, fls. 237/253, por meio de sua representante legal, fls. 7/8. 7. Pleiteia preliminarmente a nulidade da autuação, porque os impugnantes foram cerceados no seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório, porque lhes foi negado o acesso e a prorrogação do exíguo prazo consignado pelos auditores para justificarem créditos/depósitos nas contas bancárias da empresa; que se lavrou prematuramente o auto de infração, apenas “para atender ao interesse de “desencargo” do Auditor” quando ainda havia fundadas razões para dar continuidade à elucidação dos fatos; afirma que “A lei não admite que o sujeito passivo integre a instância quando a fase oficiosa não tenha seguido as determinações legais, a fim de não causar dano à pessoa lesada com o pretenso ato fiscal. O legislador quis evitar que o sujeito passivo tivesse o incômodo de percorrer a Instância Administrativa, para demonstrar fato negativo, quando a ação fiscal não tivesse condição de prosperar.” E sugerem que a Administração deveria anular ou revogar, de ofício, esse ato, dado que está eivado de vícios que o tornam ilegal, pois a atividade administrativa é vinculada à lei, mas que, se assim não agir preventivamente, cabe ao sujeito passivo, indevidamente importunado, alegar tais vícios, para que a lei seja cumprida. 8. Aduz que foi violado o princípio da segurança jurídica, porque “não há determinação segura da infração, a autuação foi com base no subjetivismo de que a empresa omitiu receitas, a partir do que foi levantado nos extratos bancários”. 9. Assevera que nem tudo que se apura em conta corrente pode ser havido como fato gerador tributável e ressalta que cabe à União o dever de provar cabalmente que os depósitos/créditos nas contas bancárias da empresa são receitas tributáveis; que a presunção sem provas, conforme acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda CCMF que transcreve, não pode prosperar, nem prevalecer pretensão fiscal cujo fundamento é o arbítrio do agente que a instalou; transcreve Fl. 310DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 4 4 acórdão do CCMF que aceita como justificados pelas receitas de comércio de empresas de que o contribuinte é sócio, depósitos bancários recebidos nas contas bancários da pessoa física desse sócio; também afirma que a autuação se baseou em lançamentos em contas correntes da empresa; entende que depósitos bancários são meros indícios que permitem à fiscalização iniciar o processo de identificação dos acréscimos patrimoniais não oferecidos à tributação no exercício do dever de prova que cabe ao Fisco; que são meros indícios de renda e não há legitimidade em transformálos, nem pela lei tributária, em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação e reafirmam que o fisco falhou ao não intimar o contador responsável pela escrita contábil da empresa a apresentar justificativas, como requereram os impugnantes. 10. Garante que obteria êxito na demonstração de que não omitiu receitas se tivesse sido permitida uma perícia técnica e contábil. 11. Pleiteia o princípio da interpretação mais favorável ao contribuinte e a nulidade da autuação. 12. Taxa de exorbitante e confiscatória a multa de ofício aplicada, que contraria o art. 150, IV da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988; cita Ministro do Supremo Tribunal Federal – STF, no sentido de que as multas são acessórias e não podem, como tal, ultrapassar o valor do principal; requer a nulidade da multa. 13. Conclui, requerendo “cancelamento e anulação do auto de infração e do processo dele decorrente, ou se assim não for entendido, para julgar totalmente improcedente a exigência fiscal, determinandose a devolução dos autos de processo administrativo para o exercício da ampla defesa dos impugnantes e reclassificação dos lançamentos e receitas, extinguindose o crédito tributário em constituição, dada sua nulidade, ilegalidade e total improcedência.” E, como prova, requer “a realização de perícia contábil na escrita e documentos da Impugnante, assegurandolhe a indicação de assistente técnico, quesitos e participação nos atos do contraditório, na época oportuna, bem como juntada de novos documentos, requisição de informações à Secretaria da Fazenda do Estado, ou qualquer outro órgão, oitiva de testemunhas e demais meios em direito admitidos.” Como mencionado, a DRJ Curitiba/PR considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 5 5 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ACESSO A EXTRATOS BANCÁRIOS. PRAZO PARA DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se a empresa não exerceu o direito de vistas ou solicitação de cópias de documentos e dispôs de mais de seis meses para a defesa, além de lhe ser facultada a apresentação de documentos a posteriori, caso haja motivo justificado, bem como recurso à segunda instância de julgamento. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei nº 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS e INSS Simples. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 6 6 NOVAS PROVAS. As provas devem ser apresentadas junto com a impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO Considerase não formulado pedido de perícia genérico, sem formulação de quesitos específicos nem indicação de perito. OITIVA DE TESTEMUNHAS. Indeferese o pedido para oitiva de testemunhas, no âmbito da primeira instância do contencioso administrativo fiscal, por falta de previsão legal. Lançamento Procedente Consta no voto condutor do acórdão, que este processo foi analisado e julgado em conjunto com os seguintes, devido aos elementos em comum existentes entre os mesmos: 11.634.000307/200836 e 11634.000100/200861: Ower Computadores Ltda. 11634.000305/200847 e 11634.000099/200875: C. Brusque Costa 11634.000306/200891 e 11634.000098/200821: LCTHEC Informática Ltda 11.634.001267/200769: Technology Componentes Eletrônicos Ltda. 11634.001279/200793: Lucena e Cia Ltda. 11634.000471/200843: PCPlug Comércio de Equipamentos Eletrônicos Sistemas e Automação Industrial. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 09/04/2009, a Contribuinte apresentou em 07/05/2009 o recurso voluntário de fls. 274 a 290, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima,. A Turma Julgadora julgou a impugnação relativa a estes autos juntamente com a impugnação de outros 9 processos que têm elementos em comum. Desses 9 processos, estão em julgamento nesta sessão, também os recursos relativos ao processos 11634.000098/200821 da LCTHEC Informática Ltda, ao processo 11634.001279/200793, da pessoa jurídica Lucena & Cia Ltda, e aos processos 11634.00 11634.001267/200769 e 11634.001263/200781 relativos ao sujeito passivo Technology Componentes Eletrônicos Ltda. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 7 7 Dos demais processos julgados em conjunto, cujos recursos voluntários foram apreciados pelo CARF, destaco: a) 11634.000099/200875 – C. Brusque Costa: Acórdão 180100.340, de 31.08.2010: recurso voluntário negado; b) 11634.000100/200861 Ower Computadores: Acórdão 120200546, de 28.06.2011: não foi conhecido o pedido de perícia, a preliminar de nulidade dos autos de infração foi negada, foi considerada definitiva a matéria não contestada, e no mérito, foi negado provimento ao recurso; c) 11.634.000307/200836 Ower Computadores: Acórdão 120200.547, de 28.06.2011: recurso voluntário negado. Ainda não foram julgados no CARF os recursos relativos aos seguintes processos: a) 11634.000305/200847 – C. Brusque Costa. b) 11634.000471/200843: PCPlug Comércio de Equipamentos Eletrônicos Sistemas e Automação Industrial. O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de maio a dezembro de 2003. A autuação está fundamentada em omissão de receita apurada com base em depósitos bancários com origem não comprovada. Pela alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, consequentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, a omissão de receita repercutiu em uma outra infração a insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. Em relação à preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, importa mencionar que vício dessa espécie é mais comumente verificado nas decisões, uma vez que estas são proferidas na fase litigiosa, quando o contribuinte vem exercer o seu direito de defesa. Assim, quando constatado, este tipo de nulidade normalmente se dá pela falta de apreciação dos argumentos apresentados nas peças de defesa. Isso não significa, entretanto, negar a possibilidade de que este tipo de nulidade ocorra já no ato de lançamento. Pior do que não ter um argumento de defesa apreciado, é não ter como se defender. E é exatamente por isso que o ato administrativo de lançamento deve estar muito bem fundamentado, com a minuciosa apresentação dos fatos que motivaram a prática do ato, e das conseqüências jurídicas decorrentes destes fatos. No caso concreto, observo que a contribuinte teve a ciência de todos os termos e autos de infração que compõe o processo, e que neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as Fl. 314DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 8 8 disposições legais infringidas. Além disso, todos os documentos bancários que embasaram as conclusões da auditoria sobre a movimentação financeira no ano de 2003 estão juntados ao processo, às fls. 44 a 143. Deste modo, vêse que a Contribuinte possuía plenas condições para exercer o seu direito de defesa. Também é importante registrar que nos trabalhos de auditoria sobre movimentação financeira, a Fiscalização analisa os extratos bancários apresentados pelos próprios Contribuintes, ou obtidos junto às instituições financeiras, e com base nas informações constantes destes extratos é que intima o Contribuinte a comprovar a origem dos depósitos, após excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade, rendimentos de aplicações financeiras, etc., e foi justamente o que ocorreu aqui. A comprovação de origem, por sua vez, já configura um segundo passo durante o procedimento fiscal, a cargo do Contribuinte, comprovação essa que deve ser feita a partir de seus livros e de documentos que justifiquem os registros realizados e indiquem a origem dos valores depositados em suas contas bancárias (notas fiscais de vendas, contratos de mútuo, etc.). Nestes termos, o dever de apresentação destes outros documentos, que trazem informações que vão além das contidas nos documentos bancários, incumbe à Contribuinte, e seu descumprimento não pode definitivamente ser imputado à Fiscalização. Com efeito, é a Contribuinte que deve de antemão saber a origem dos valores que transitaram em suas contas bancárias. Nesse sentido, vale registrar a evolução do procedimento fiscal, conforme consta do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal (fls. 186 a 192): Em 21/05/2006, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão n° 15/2006, policiais federais compareceram na empresa C. Brusque Costa (Bytec) no shopping Catuaí nesta cidade de Londrina/PR, conforme Termo de Arrecadação — Relatório de Cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão. Os documentos apreendidos pelo Departamento da Polícia Federal desta cidade foram encaminhados a este órgão_por meio do ofício n° 1.997 de 10/05/2006. Em 20/03/2007, com o objetivo de cientificar a empresa do início do procedimento fiscal, comparecemos no endereço acima. Entretanto, a mesma não foi localizada. No local estava em funcionamento a empresa INDREL — Indústria Londrinense de Refrigeração Ltda, fls. 03. Em 23/03/2007, a empresa foi cientificada, por meio de sua sócia Sra. Liciana Lopes Costa — CPF: 918.201.97972, do início do procedimento fiscal. Na oportunidade foi intimada a apresentar: fotocópia do contrato social e todas as alterações posteriores; Livros Diário e Razão, ou Livro Caixa, relativos aos anoscalendário 2003 e 2004; Livros de Apuração do ICMS, do período de 01/01/2003 a 31/12/2004 e; extratos de todas as contascorrentes bancárias, contas de poupança e aplicações Fl. 315DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 9 9 financeiras movimentadas no período de 01/01/2003 a 31/12/2004, fls. 04 e 05. (...) Em 19/06/2007, a empresa foi intimada a apresentar extratos de todas as aplicações financeiras e de todas as contascorrentes bancárias movimentadas pela empresa, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, no Unibanco e no Bradesco, fls. 22 e 23. A empresa não atendeu à intimação. Em 11/07/2007, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, intimamos a empresa a apresentar os extratos de todas as aplicações financeiras e de todas as contascorrentes bancárias movimentadas pela empresa, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, no Unibanco e no Bradesco, fls. 24 a 26. Em 12/07/2007, a empresa, por meio de sua procuradora Sra. Maria Izabel, informou que os extratos haviam sido requisitados juntos às instituições financeiras, fls. 27 a 29. Em 02/08/2007, a empresa, por meio de sua procuradora Sra. Maria lzabel, expôs os motivos para não apresentação dos extratos bancários, fls. 30. Face ao exposto, em 13/08/2007, elaboramos a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (Lei Complementar n° 105/2001), fls. 31 e 32. Na mesma data, as requisições (RMF n° 0910200.2007.000481 e n° 0910200.2007.000490) foram encaminhadas às instituições bancárias por meio de ofícios, fls. 33 a 42. Em atendimento aos ofícios, as instituições financeiras encaminharam os documentos solicitados, fls. 43 a 143. Em 28/09/2007, a empresa foi intimada a comprovar, por meio de documentos hábeis, a origem dos valores depositados/ creditados na contacorrente n° 20.4706, agência 09415 do Banco Bradesco e na contacorrente n° 130.4812, agência 092 no Unibanco, nos anoscalendário de 2003 e 2004, fls. 144 a 157. A empresa não atendeu à intimação. Em 23/10/2007, a empresa foi reintimada a comprovar, por meio de documentos hábeis, a origem dos valores depositados/ creditados na contacorrente n° 20.4706, agência 09415 do Banco Bradesco e na contacorrente n° 130.4812, agência 092 no Unibanco, nos anoscalendário de 2003 e 2004, fls. 158 e 159. Em 24/10/2007, a empresa solicitou dilação do prazo para atendimento à intimação, bem como solicitou a restituição de todos os livros contábeis apresentados a esta Seção, fls. 160. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 10 10 A empresa não atendeu à intimação de 23/10/2007. Em 23/11/2007, a empresa foi reintimada a comprovar, por meio de documentos hábeis, a origem dos valores depositados/ creditados na contacorrente n° 20.4706, agência 09415 do Banco Bradesco e na contacorrente n° 130.4812, agência 092 no Unibanco, nos anoscalendário de 2003 e 2004. No ato foi informada de que a documentação solicitada em 24/10/2007 encontravase a sua disposição desde 31/10/2007, fls. 161 a 163. Em 11/12/2007, a documentação solicitada foi entregue a empresa, fls. 164 e 165. A empresa não atendeu à intimação. Em 31/01/2008, a empresa foi reintimada a comprovar, por meio de documentos hábeis, a origem dos valores depositados/ creditados na contacorrente n° 20.4706, agência 09415 do Banco Bradesco e na contacorrente n° 130.4812, agência 092 no Unibanco, nos anoscalendário de 2003 e 2004. No ato foi informada de que a documentação solicitada em 24/10/2007 para atendimento à intimação foi entregue à empresa em 11/12/2007, fls. 166 e 167. A empresa não atendeu à intimação. (grifos acrescidos) A ciência do lançamento ocorreu em 23/05/2008. Realmente, não houve qualquer precipitação por parte do Fisco ao realizar o lançamento. Foram feitas várias intimações e reintimações para que a Contribuinte comprovasse a origem dos créditos em suas contas bancárias, mas ela simplesmente se manteve inerte durante todo o procedimento fiscal. Ademais, a oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento, tendo a empresa autuada o prazo de 30 dias para interposição da impugnação. Sendo assim, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa. Quanto ao mérito, já está bastante claro que o lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei 9.430/96, cujo caput está a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Durante a auditoria fiscal, a Contribuinte foi intimada várias vezes para comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, e, não o fazendo, incorreu na presunção legal de omissão de receitas, que deu base às autuações ora combatidas. A partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em Fl. 317DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11634.000306/200891 Acórdão n.º 140200.793 S1C4T2 Fl. 11 11 contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Deste modo, não procedem os argumentos desenvolvidos na peça de defesa, porque atinentes a um contexto normativo diferente do atual, no qual a valoração da prova em relação à omissão de receitas seguia outros critérios legais. Também não é o caso de se aplicar o art. 112 do CTN, que trata da interpretação mais favorável ao acusado, uma vez que inexistem as dúvidas dispostas em seus incisos. No que toca à alegação sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco da multa de ofício, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 44, I, da Lei 9.430/96), por suposta inconstitucionalidade, cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, nos termos da Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, cabe manter o indeferimento em relação à perícia requerida, bem como à oitiva de testemunhas, juntada de novos documento, etc., posto que se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, cabe mencionar que a realização de diligência ou perícia não se destina a suprir o ônus probatório que incumbe à Contribuinte. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Fl. 318DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000636/2005-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA –
A multa isolada tem natureza tributária e está relacionada ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada sobre base estimada quando não é apurado imposto a pagar ao final do exercício.
Numero da decisão: 9101-000.800
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara superior de recursos fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Nelson Losso, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A multa isolada tem natureza tributária e está relacionada ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada sobre base estimada quando não é apurado imposto a pagar ao final do exercício.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13746.000636/2005-01
anomes_publicacao_s : 201012
conteudo_id_s : 4832488
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.800
nome_arquivo_s : 9101000800_13746000636200501_201012.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Karem Jureidini Dias
nome_arquivo_pdf_s : 13746000636200501_4832488.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara superior de recursos fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Nelson Losso, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
id : 4746081
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230854672384
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-18T17:06:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2564564_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-18T17:06:00Z; Last-Modified: 2011-01-18T17:06:00Z; dcterms:modified: 2011-01-18T17:06:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2564564_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:0af45ca3-fd47-4f62-b825-4ec387bfa91b; Last-Save-Date: 2011-01-18T17:06:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-18T17:06:00Z; meta:save-date: 2011-01-18T17:06:00Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2564564_0.doc; modified: 2011-01-18T17:06:00Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-18T17:06:00Z; created: 2011-01-18T17:06:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2011-01-18T17:06:00Z; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-18T17:06:00Z | Conteúdo => CSRF-T1 Fl. 1 1 CSRF-T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13746.000636/2005-01 Recurso nº 107-148.035 Especial do Procurador Acórdão nº 9101-000.800 – 1ª Turma Sessão de 15 de dezembro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS OESTE RIO LTDA. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A multa isolada tem natureza tributária e está relacionada ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada sobre base estimada quando não é apurado imposto a pagar ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara superior de recursos fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Nelson Losso, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Fl. 171DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS 2 Queiroz, Carlos Alberto Freitas Barreto, Nelson Losso e João Carlos de Lima Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, com base no artigo 7º, I do antigo Regimento Interno da Câmara Superior Recursos Fiscais, em face do Acórdão nº 107-09.179, da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige multa isolada em razão do recolhimento a menor de IRPJ-estimativa, referente a períodos dos anos-calendário de 2001 a 2003, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 04/01/2005. Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou o lançamento procedente em parte, cancelando-se as exigências de 2001 e 2002, uma vez que a autoridade fiscal não observou a opção do contribuinte. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o acórdão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual deu provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: IRPJ – MULTA ISOLADA. Falta de recolhimento por estimativa. Valores apurados com base em dados extraído das DIPJs e DCTF. INEXISTÊNCIA DE IRPJ A PAGAR. A inexistência de imposto a pagar no final do ano afasta a exigência da multa isolada por falta de recolhimento. Precedentes: Primeiro Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão n. CSRF/01-05.511). A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, no qual alega que o acórdão recorrido contrariou o artigo 44, I e § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96, uma vez que, independentemente da inexistência de tributo apurado ao final do ano-calendário, a multa isolada deve ser aplicada quando não recolhidas as estimativas. O Despacho de fls. 140/141 deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS Processo nº 13746.000636/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.800 CSRF-T1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e foi determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade. No que tange à impossibilidade de cobrança de multa isolada sobre o valor das estimativas, quando estas correspondem a montante superior ao tributo devido no encerramento do respectivo ano-calendário ou, então, no caso específico da existência de prejuízo fiscal, já me manifestei nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais Neste passo, para que se firme o adequado entendimento da questão que ora se coloca, faz-se necessário ponderar a natureza das penalidades e os critérios para a aplicação da multa. ESTRUTURA E NATUREZA DA SANÇÃO A sanção é instrumento jurídico utilizado pelo Estado para desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe. Significa dizer que a desobediência de um dever estabelecido por uma norma jurídica corresponde a um ilícito – negativa da observância da relação jurídica prevista no conseqüente da norma primária dispositiva - que, por sua vez, é a razão da imposição de sanção (conseqüência jurídica). Segundo Sacha Calmon Navarro Coelho “os ilícitos correspondem às hipóteses de incidência das sanções” (in Teoria Geral do Tributo e da Exoneração Tributária). A norma jurídica que estabelece a sanção contém no antecedente um fato jurídico correspondente ao evento ilícito que se pretende desestimular. No conseqüente da norma primária sancionadora está a própria sanção, com as indicações precisas dos sujeitos vinculados em razão do ilícito, e da forma de cálculo da penalidade a ser imputada ou, na hipótese de aplicação de sanção não pecuniária, a determinação do dever a que estará obrigado aquele que cometeu o ilícito. A natureza jurídica da sanção está diretamente relacionada com a natureza jurídica da norma de comportamento desobedecida, já que a sanção é conseqüência jurídica da desobediência da relação jurídica prevista na norma primária dispositiva. SANÇÕES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória - obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, reveste-se de natureza administrativa. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS 4 Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido converte-se em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal - quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicam-se às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo- constitucional através do qual pode-se concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS Processo nº 13746.000636/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.800 CSRF-T1 Fl. 3 5 O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somar-se outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis:1 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” 1 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS 6 A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278-RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). Fl. 176DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS Processo nº 13746.000636/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.800 CSRF-T1 Fl. 4 7 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC - Relator Ministro João Otávio de Noronha - Segunda Turma - Data do Julgamento 19/09/2006 - DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL - TRIBUTÁRIO - IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO -CSSL - APURAÇÃO POR ESTIMATIVA - PAGAMENTO ANTECIPADO - OPÇÃO DO CONTRIBUINTE - LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/0139718-0 Relator Ministro Humberto Martins - Segunda Turma - DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, infere-se que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaram-se no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que trata-se, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS 8 Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105-139.794, Processo n° 10680.005834/2003- 12, Acórdão CSRF/01-05.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. E ainda que a redação do caput do mencionado artigo 44 tenha sido alterado, conforme disposição do artigo 113 do Código Tributário Nacional, a obrigação não pode ser outra senão a principal ou a acessória. Neste passo, ainda que o caput do mencionado artigo não mais se refira ao termo tributo ou contribuição, o pagamento de montante principal não pode se reportar a outra coisa que não a tributo, ainda que sob a forma de antecipação. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondo-se, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do ano-calendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do ano-calendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, tem-se de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo tem-se o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utiliza-se o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do ano-calendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do ano-calendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do ano-calendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, conclui-se que: Fl. 178DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS Processo nº 13746.000636/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.800 CSRF-T1 Fl. 5 9 i) Quando a multa isolada é aplicada durante o ano-calendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituí-lo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do ano- calendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressalte-se que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do ano-calendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº l05-l39.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio ano-calendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e pode-se conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringir-se- á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do ano-calendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, Fl. 179DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS 10 caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In: “Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Portanto, se a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, então é evidente que a multa instituída pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida em casos de prejuízo fiscal ou base negativa, sendo aplicável, somente, se não houver a apresentação do referido balancete. Significa dizer que a multa isolada deve ser aplicada em casos de apuração negativa e prejuízo fiscal desde que, no próprio ano-calendário, o contribuinte não faça prova de que, mensalmente, inexiste tributo devido, o que se realiza através da apresentação dos balancetes mensais e desde que, ainda, inexistente o balanço final do período. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS Processo nº 13746.000636/2005-01 Acórdão n.º 9101-000.800 CSRF-T1 Fl. 6 11 Se a multa é de natureza tributária e, portanto, tem por base o tributo devido, o balanço final do exercício é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, no caso de apuração de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, bem como, para determinar o limite da multa – cuja base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido - sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal. Cumpre esclarecer que a afirmação de que o contribuinte não apurou saldo de IRPJ a pagar ao final do ano-calendário de 2003 não é contestada pelo Recurso Especial da Procuradoria, bem como foi apontada no acórdão recorrido, o qual cita, por sua vez, o acórdão da DRJ (vide fls. 76 e 122). Desta forma, não se faz possível a exigência da multa isolada para o referido ano-calendário, pela inexistência de imposto apurado de IRPJ. Pelo exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias - Relatora. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 18/01/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001972/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO
FISCAL DEPÓSITO JUDICIAL.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Tendo o
fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se cogita em nulidade do lançamento.
A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.987
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que de ofício excluía multa e juros do lançamento.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL DEPÓSITO JUDICIAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se cogita em nulidade do lançamento. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10920.001972/2007-78
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4808690
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.987
nome_arquivo_s : 2401001987_10920001972200778_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10920001972200778_4808690.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que de ofício excluía multa e juros do lançamento.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4744016
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230860963840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 191 1 190 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.001972/200778 Recurso nº 146.325 Voluntário Acórdão nº 2401001.987 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INDUSTRIA ARTEFAMA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL DEPÓSITO JUDICIAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se cogita em nulidade do lançamento. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que de ofício excluía multa e juros do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Cleusa Vieira de Souza Relatora Fl. 193DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Samapio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henryque Magalhães de Oliveira. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.001972/200778 Acórdão n.º 2401001.987 S2C4T1 Fl. 192 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no valor de R$ 141.105,23 (cento e quarenta e um mil, cento e cinco reais e vinte e três centavos), referente às contribuições destinadas ao INCRA, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados informadas em folha de pagamento e GFIP. Conforme o Relatório Fiscal (fls 43/47), o lançamento foi efetivado com o objetivo de prevenir a decadência, tendo em vista que as contribuições foram depositadas judicialmente e são objeto da Ação Declaratória n°. 200172.01.0045350 que tramita na 3ª. Vara Federal de Joinville. Tempestivamente a Notificada apresentou sua impugnação, alegando, em síntese: Das Preliminares Alega que há erro formal, pois houve fipificação incorreta, obscura e imprecisa; não houve a adequação da tipificação aos fatos; que o dispositivo infringido deixou de ser consignado em ofensa aos Princípios da Legalidade e da Ampla Defesa; que o débito está com a exigibilidade suspensa, de acordo com o artigo 151, III do CTN, e que as contribuições foram integralmente depositadas; Do Mérito Aduz que a contribuição ao INCRA é indevida e reitera as razões da ação judicial. Requer a nulidade, a improcedência do lançamento e a produção de provas. A Secretaria da Receita Previdenciária em Blumenal/SC, por meio da DecisãoNotificação nº 20.421.4/0052/2007, julgou procedene o lançamento. Inconformado o Contribuinte interpôs recurso voluntário a este Conselho, requerendo a reforma da decisão, conforme razões aduzidas às fls.152/181, em que basicamente reproduz as razões trazidas em sua impugnação, alegando ainda: Que decidiu equivocadamente a Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC, no arrazoado já referido. Com efeito, reafirmando o que já se disse na peça impugnatória, não basta colocar no instrumento de autuação fiscal, os artigos da legislação que regulamenta a matéria. Para que ocorra a tipificação correta e legal, ainda mais em se tratando de matéria tributária, onde a legislação é típica, cerrada, não basta descrever o tipo legal. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Muito ao contrário, é preciso distinguir o nexo causal necessariamente existente entre a hipótese de ilegalidade ou ilícito tributário e a perfeita subsunção do fato jurídico supostamente perpetrado pelo contribuinte ao tipo legal. Não basta mera referência das condicionantes jurídicas previstas para a espécie. Sem a demonstração fática do nexo causal, pode existir ilegalidade, mas não a culpabilidade. Nesse sentido, destacase que a recorrente insiste na sua tese inicial segundo a qual o Auto de Infração deve ser anulado e/ou tornado insubsistente por não se coadunar perfeitamente com a legislação de regência, inexistindo o liame perfeito quanto ao enquadramento legal do fato. A decisão atacada incorreu também em cerceamento de defesa ao indeferir a produção de provas, o procedimento da autoridade julgadora afrontou o princípio do devido processo legal, garantidor do contraditório e da ampla defesa. Assim, à autoridade julgadora cabe apreciar a defesa, buscar a verdade material, admitindose inclusive, a juntada de documentos novos até mesmo após a decisão Que o crédito não poderia ser exigido, em face de que o direito cristalino da recorrente encontrase estampado no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, recentemente alterado pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, adiante transcrito: No mérito, reitera todas as razões declinadas na Ação Judicial — Autos n° 2001.72.01.004535 Ao final requer o acolhimento da preliminar retro, para reconhecer a nulidade da autuação, em face do não cumprimento dos requisitos legais para a sua constituição válida e regular, com o conseqüente cancelamento (arquivamento); b)No caso de entendimento diverso, determine o cancelamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito por estarem, os débitos autuados, legalmente suspensos quanto a sua exigibilidade, uma vez que os valores já se encontram depositados, conforme bem assentado na referida Notificação; em face tanto do depósito, quanto da Ação Judicial interposta, já com decisão favorável, quanto ao INCRA; c) Ainda, no mérito, reconheça a IMPROCEDÊNCIA da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, declarando extinta a pretensão fiscal, excluindo a aplicação das penalidades, pelos fundamentos de fato e de direito acima expendidos, reconhecendo ainda o direito ao não mais recolhimento da contribuição para o INCRA; d) A produção de todas as provas materiais e formais em direito admitidas, bem como de outras que se fizerem necessárias, no curso do presente procedimento; Requerse, finalmente, que a intimação, quanto aos atos processuais, sejam encaminhadas no endereço da recorrente. A SRP em Blumenal, ofereceu contrarrazõs, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.001972/200778 Acórdão n.º 2401001.987 S2C4T1 Fl. 193 5 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido Em sede de preliminar, a recorrente alega nulidade da decisão por preterição aos direitos da defesa, sob o argumento de que impugnante alega que há dissonância entre os dispositivos legais invocados e o suporte tático, cuja descrição foi feita de forma imprecisa e com tipificação incorreta e obscura. Alega, ainda, que houve ofensa aos Princípios da Legalidade e da Ampla Defesa, pela ausência de indicação dos dispositivos legais infringidos, não basta colocar no instrumento de autuação fiscal, os artigos da legislação que regulamenta a matéria. Entretanto, conforme já devidamente enfrentadas na decisão de primeira instância, são descabidos tais argumenos, se revelam meramente protelatórios, porquanto auditoria fiscal informa, acerca dos relatórios que compõem a NFLD e indica a sua descrição. O relatório Fundamentos Legais do Débito é bastante claro e preciso, porque somente trata dos dispositivos legais relacionados às contribuições, acréscimos legais e prazos aplicáveis ao presente lançamento, devidamente separados em tópicos e períodos, de forma a facilitar a visualização e identificação da legislação correlata. É de se ver assim, que o presente lançamento observou todos requisitos legais exigidos para a sua constituição, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8212/91, in verbis Art.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Verificase que, ao contrário do que afirma a notificada, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação (FLD e REFISC), os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e, junto com o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. A fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes da Notificação, que as quantias lançadas por intermédio da NFLD discutida referese à contribuição ao INCRA incidente sobre as remunerações dos empregados informadas pela própria empresa por meio das GFIP. Esclarece, ainda, o Relatório Fiscal que a exigibilidade ficará suspensa, tendo sido Fl. 197DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 realizado o depósito integral das contribuições devidas ao INCRA relativa às remunerações informadas em folha de pagamento e em GFIP pagas aos segurados empregados do estabelecimento matriz nas competências 11/2001 a 12/2005. Esclareceu, mais, que a constituição darseá através do presente lançamento somente para fins de prevenir a decadência, ficando o crédito previdenciário com sua exigibilidade suspensa, no aguardo do trânsito em julgado da Ação Ordinária nº 2001.72.01.0045350. No mérito, a notificada reitera todas as razões declinadas na Ação Judicial — Autos n° 2001.72.01.004535 0. Assim, como se pode observar os argumentos da empresa, quanto ao mérito da exigência das contribuições ao INCRA se identificam com o objeto da citada Ação Ordinária, conforme comprovantes e petição juntados, motivo pelo qual não serão apreciados nesta esfera administrativa. Porém, é oportuno esclarecer que a ação judicial proposta suspende apenas a exigibilidade do crédito, ou seja, os atos executórios de cobrança. Ao contrário do que entende a notificada, a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, e nem deve ser suspenso o trâmite do presente processo administrativo, pois a suspensão referese à exigência do crédito e não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento ou de as autoridades julgadoras administrativas apreciarem a defesa e o recurso no processo administrativo fiscal. Dessa maneira, tendo constatada a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal lançou corretamente o débito, em consonância com o disposto no art. 33 da Lei 8.212/91, protegendoo da decadência. Assim, não se verifica, no presente caso, a ocorrência de qualquer vício que possa ensejar a nulidade da NFLD discutida. Pelo exposto; Voto do sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza Fl. 198DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000177/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
GLOSA DE CUSTOS. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. FATOS NÃO ELIDIDOS.
Mantêm-se as glosas de custos e de despesas se não elididos os fatos que lhes deram causa. As notas fiscais apresentadas não são suficientes para demonstrar a ocorrência das operações, faltou o contribuinte apresentar o pagamento, a escrituração e o recebimento das mercadorias (conhecimento de transporte e escrituração no livro de entradas).
MULTA DE 150%.
A não comprovação de operações escrituradas com o intuito de reduzir o resultado tributável do período justifica a qualificação da multa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da relação de causa e efeito que os vincula.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006
PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA.
O pagamento sem causa sujeita-se incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Considerando o fato do contribuinte não ter demonstrado a licitude da operação, bem como sua efetiva ocorrência quanto à prestação de serviços pela transportadora, correta a aplicação do artigo 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
AFASTAR a preliminar de ausência de motivação, e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 GLOSA DE CUSTOS. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. FATOS NÃO ELIDIDOS. Mantêm-se as glosas de custos e de despesas se não elididos os fatos que lhes deram causa. As notas fiscais apresentadas não são suficientes para demonstrar a ocorrência das operações, faltou o contribuinte apresentar o pagamento, a escrituração e o recebimento das mercadorias (conhecimento de transporte e escrituração no livro de entradas). MULTA DE 150%. A não comprovação de operações escrituradas com o intuito de reduzir o resultado tributável do período justifica a qualificação da multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2005, 2006 PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. O pagamento sem causa sujeita-se incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Considerando o fato do contribuinte não ter demonstrado a licitude da operação, bem como sua efetiva ocorrência quanto à prestação de serviços pela transportadora, correta a aplicação do artigo 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Recurso conhecido e não provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16832.000177/2010-33
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 5142700
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.583
nome_arquivo_s : 1201000583_16832000177201033_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Rafael Correia Fuso
nome_arquivo_pdf_s : 16832000177201033_5142700.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a preliminar de ausência de motivação, e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
id : 4744847
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230864109568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 785 1 784 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000177/201033 Recurso nº 896.684 Voluntário Acórdão nº 120100.583 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2011 Matéria IRPJ, CSLL e IRFONTE AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BARRA DO CEDRO COM. DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 GLOSA DE CUSTOS. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. FATOS NÃO ELIDIDOS. Mantêmse as glosas de custos e de despesas se não elididos os fatos que lhes deram causa. As notas fiscais apresentadas não são suficientes para demonstrar a ocorrência das operações, faltou o contribuinte apresentar o pagamento, a escrituração e o recebimento das mercadorias (conhecimento de transporte e escrituração no livro de entradas). MULTA DE 150%. A não comprovação de operações escrituradas com o intuito de reduzir o resultado tributável do período justifica a qualificação da multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006 PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 786 2 O pagamento sem causa sujeitase incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Considerando o fato do contribuinte não ter demonstrado a licitude da operação, bem como sua efetiva ocorrência quanto à prestação de serviços pela transportadora, correta a aplicação do artigo 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a preliminar de ausência de motivação, e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcello Cuba Netto, Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto (suplente convocada), Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados pela fiscalização federal, que cobra da empresa contribuinte IRPJ, CSLL e IRFonte, nos seguintes termos: Infração 001 Custos dos Bens ou Serviços Vendidos — Glosa de Custos/Comprovação Inidônea Valor apurado conforme explicitado no Termo de Constatação Fiscal em anexo — item 7.3 (fis.119/151), parte integrante do presente Auto de Infração. Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 300 e 304 do RIR/1999. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 787 3 Infração 002 Custos ou Despesas não Comprovadas — Glosa de Custos/Comprovação Inidônea Valor apurado conforme explicitado no Termo de Constatação Fiscal em anexo — item 7.1 (fls.119/151), parte integrante do presente Auto de Infração. Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 300 e 304 do RIR/1999. Infração 003 Custos ou Despesas não Comprovadas — Glosa de Despesas/ Comprovação Inidônea Valor apurado conforme explicitado no Termo de Constatação Fiscal em anexo — item 7.1 (lls.119/151), parte integrante do presente Auto de Infração. Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 304 do RIR/1999. Infração 004 IRRF sobre Pagamentos a Beneficiários Identificados / Pagamentos sem Causa / IRRF sobre Pagamentos sem Causa e/ou sem Comprovação da Operação Importâncias pagas pela pessoa jurídica ao sócioadministrador, sem comprovar a operação ou a causa, conforme explicitado no Termo de Constatação Fiscal, em anexo (item 7.4 —fls.119/151), parte integrante do Auto de Infração. Art. 61, §§ 1°; 2° e 3° da Lei n° 8.981/95; art. 674 e parágrafos, do RIR/1999. Conforme se constata do relatório fiscal, o procedimento "teve fulcro em indícios de amplo esquema fraudulento elaborado pelo Sr. Mauricio José Inácio de Lima", envolvendo as seguintes empresas, das quais é sócio: "de direito, das duas primeiras, e, de fato, da última": Frilader Laticínios Ltda ME (doravante Frilader), Barra do Cedro Comercial de Alimentos Ltda (doravante, interessado ou Barra do Cedro) e Friominas 2000 Representação Comercial (doravante Friominas). Vejamos as descrições detalhadas das acusações fiscais no termo de constatação, tomando como parte desse relatório as transcrições trazidas na decisão da DRJ: a) o interessado, constituído em 23.06.2005, tendo por sócios o Sr. Mauricio e sua filha Elisa Lucca Inácio de Lima "vem operando desde então, levando a crer que foi constituído para suceder a empresa Friominas, que já tinha sucedido a empresa Frilader" (Frilader fora autuada no ano de 2002 ano calendário de 1998 , ano em que se transferiu para outra unidade da Federação, e fora autuada no ano de 2005 ano calendário de 2000 , em que "observase claramente que a sua movimentação financeira deixou de existir, passando para Friominas, que também deixou de ter movimentação financeira logo após o término da segunda fiscalização em Frilader"), "todas funcionando no mesmo endereço: Rua do Arroz, 121, Penha, Rio de Janeiro"; Fl. 852DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 788 4 b) "Friominas (baixada por liquidação voluntária em 03.04.2006) apresentou declarações do Simples, de 2002 a 2005, cujas receitas somam R$ 1.848.249,10, em total desproporção com a movimentação financeira observada: R$ 39.618.921,75", e cujas sócias (Helena Ináscia de Souza e Edite Francisca Pereira) "praticamente não têm informações fiscais relevantes, ou seja, seriam pessoas bastante limitadas para serem sócias de empresa com tal movimentação financeira, indicando a possibilidade de serem interpostas pessoas ("laranjas")"; c) em Termo de Depoimento (Inquérito PolicialIP n° 1766/2007), "Helena Ináscia de Souza declarou que trabalha como doméstica, ininterruptamente, há mais de 28 anos para a família do Sr. Mauricio, a quem outorgou procuração para cuidar da empresa, e, que tem pleno conhecimento da existência da Friominas"; disse, ainda, que "não conhece a localização da empresa, não sabe informar o início de suas atividades, nunca recebeu qualquer pagamento, a qualquer título, pela sua participação no quadro social e acredita que a atividade da empresa seja a de produção de comércio de laticínios"; d) Edite Francisca Pereira também depôs, dizendo que: "conhece intimamente o Sr. Mauricio, filho de Eurides e Cloe, todos residentes em Governador Valadares, para cuja família trabalha ininterruptamente há mais de 45 anos como doméstica"; concordou em compor o quadro social da empresa porque "acreditava e acredita na idoneidade do mesmo, para cuja família presta serviços há quase meio século"; "não conhece a localização da empresa e nunca recebeu qualquer remuneração"; e) Também em Termo de Depoimento, Marise Quintela Lucca disse que: após relação conjugal de dezenove anos com o Sr. Mauricio, este lhe solicitou "que assinasse alguns documentos para incluir a filha de ambos Elisa Lucca macio de Lima como sócia de uma empresa (Frilader)", na qual, no entanto, nunca ocupou qualquer cargo, nunca recebeu qualquer remuneração e nunca praticou qualquer ato de gestão; não saber informar se ela ou sua filha fazem parte do quadro societário de Barra do Cedro; f) "Denotase que o Sr. Mauricio, sua esposa Marise e sua filha Elisa Lucca Inácio de Lima são sócios de direito de duas empresas situadas na Rua do Arroz, 121 (Frilader e Barra do Cedro)" (...), "tendo sido evidenciada a intenção do Sr. Mauricio de esvaziar seu patrimônio pessoal, após a segunda autuação fiscal em face da empresa Frilader, efetuada em maio de 2005, através de doação, reserva de usufruto vitalício de suas quotas, e a incorporação de seus bens ao capital social da empresa Cedro Participações, na qual sua filha, menor impúbere, detém 90% do referido capital social", verificandose "o objetivo de fraudar as execuções fiscais, inviabilizando a satisfação dos créditos da Fazenda Nacional"; Fl. 853DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 789 5 g) "De acordo com a DOI e a declaração de rendimentos" do Sr. Maurício, ano calendário de 2005, "boa parte do patrimônio (os bens do casal estavam avaliados em R$ 18.689.368,00) já havia sido transferidos para a empresa Cedro Participações e para sua filha adolescente Elisa Lucca, o que demonstra a intenção de proteger o patrimônio do casal de eventual constrição"; h) Nos autos de Medida Cautelar Penal, ajuizada pelo Ministério Público Federal (2007.51.01.8067054 e IF 1.766/2007), o Juízo da 1ª Vara Federal CriminalRJ expediu 6 (seis) mandados de busca e apreensão para diversas localidades, cujos materiais coletados, em operação conjunta desta Secretaria e da Polícia Federal, foram encaminhados a esta Secretaria em 24.08.2007, e cujos elementos "comprovam, mediante exame das evidências e provas obtidas, que as empresa Frilader, Friominas e Barra do Cedro foram constituídas pelo Sr. Mauricio, uma sucedendo a outra, objetivando absterse do recolhimento dos tributos federais, bem como dificultar eventuais execuções fiscais"; i) Entre os documentos apreendidos constam cartas de Paulo Homero Xavier (consultor): a) na de 19.07.2005, para Friominas, "fica evidenciado que o consultor está, nitidamente, orientando como deverá ser a migração entre a Friominas e a Barra do Cedro (...), não havendo como se negar que se trata de uma sucessão fraudulenta, primeiro da Frilader para Friominas e agora, desta última para Barra do Cedro"; b) na de 23.11.2005, para Barra do Cedro, há a seguinte orientação quanto a retiradas do Sr. Mauricio: "Contrato de arrendamento de máquinas entre Friominas e Barra do Cedro: efetuar o pagamento da despesa para a Friominas normalmente pelo Caixa da Barra do Cedro e pagar o Sr. Maurício"; j) "Verificase o envolvimento do Sr. Mauricio em várias outras empresas, sendo responsável pelos atos gerenciais e negociais das empresas Frilader, Barra do Cedro, Cedro Participação e Transportadora Catulé Ltda"; k) em nome de Mauricio José Inácio de Lima foi formalizado o processo administrativo fiscal n° 16832.000591/200917, "ficando evidenciada a continuidade de conduta fraudulenta realizada pelo fiscalizado para se abster do recolhimento de tributo federal, mediante utilização da tributação mais benéfica de atividade rural. Chegase à conclusão que a entrada de recursos na DIRPF do fiscalizado, declarada como oriunda de uma suposta atividade rural, deuse para tentar justificar empréstimo à sua nova empresa BARRA DO CEDRO, no montante de R$ 1.000.076,97, sem oferecer à tributação o montante de R$ 896.000,00, declarado fraudulentamente pelo fiscalizado como resultado não tributável e despesas de custeio e investimento respectivamente". De forma mais detalhada, constou do Relatório da Decisão da DRJ as seguintes transcrições quanto às infrações cometidas pelo contribuinte: Fl. 854DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 790 6 No que se refere à aquisição de mercadorias (infração n° 1), no Termo de Constatação Fiscal: a) Uma vez que o interessado alegou que não podia comprovar a aquisição de mercadorias, porque as notas fiscais haviam sido apreendidas, efetuouse a análise dos documentos apreendidos, nos quais consta fax cujo conteúdo "se reporta a valores auferidos pelo sócio Mauricio, que seriam contabilizados como se fossem aquisições de mercadorias procedentes de três diferentes empresas: Fauze Meat Alimentos Ltda., (doravante Fauze), de Nova IguaçuRJ, Beliza Rio Villar Alimentos, da PenhaRJ (doravante, Beliza) e BSCR 11 Com. Transp. e Rep. de Produtos Alimentícios Ltda (doravante BSCR 111), da Penha RJ"; b) "No fax, datado de 26.07.2007, a contadora, em comunicado à empresa Barra do Cedro, faz referência, mais uma vez, à utilização de "Nota Fiscal de R$ 133.918,00 que vai abaixar saldo de empréstimo do sócio Mauricio para R$ 238.898,66", referindose, ainda, possibilidade de que, "se aparecer mais Nota Fiscal para pagar talvez não chega até o final do ano, o pretenso saldo de empréstimo ainda existente"; c) "Segundo análise dos documentos apreendidos em sede de mandados judiciais, o Sr.Mauricio teria retirado em 2006, do interessado, a quantia de R$ 789.940,27, dos quais R$ 504.194,00 foram contabilizados como suposta aquisição de mercadorias das seguintes empresas: Fauze Meat Alimentos Ltda; BSCR 111 Com. Transportes e Repres. e Produtos Alimentícios Ltda; e Beliza Rio Villar Alimentos Ltda"; d) As empresas Fauze, Beliza, BSCR 111 e Marcal não atenderam a intimações para apresentação de talonários de notas fiscais, recibos de vendas, recibos de prestação de serviços, conhecimentos de transportes, canhotos de notas fiscais, prova de efetivo recebimento, sendo que as empresas Beliza, BSCR 111 e Marcal não foram localizadas em seus domicílios tributários; no exame dos autos de apreensão e demais documentos do interessado não foram localizados conhecimentos de transportes ou quaisquer outros documentos que comprovassem a efetiva realização das ditas operações de aquisição . e) "Procedendo ao exame da escrituração contábil/fiscal do interessado, constatase que as condutas fraudulentas relatadas nos FAX, datados de 27/02/2007 e 28/05/2007, pela contadora (...), "conferem com os dados escriturados na BARRA do CEDRO, conforme abaixo;" f) O resultado do exame grafotécnico em notas fiscais utilizadas, solicitado por esta Receita Federal, "confirma a ligação da Barra do Cedro com as empresas Fauze, Beliza, BSCR 111 e Marcal" (...), "indicando possibilidade de que uma mesma pessoa tenha preenchido estas notas fiscais usadas pela Barra do Cedro, e provenientes de três distintas empresas, o que é um fortíssimo indício de fornecimento de "notas de favor" (...), que Fl. 855DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 791 7 foram utilizadas de modo fraudulento (notas fiscais inidôneas) para justificar as retiradas de numerário pelo Sr. Maurício, sócio da empresa Barra do Cedro e/ou para evitar o pagamento de imposto de renda e seu adicional e da contribuição social sobre lucro líquido incidentes sobre o valor total destes "fornecimentos", uma vez que aumentariam o custo das mercadorias vendidas, reduzindo, conseqüentemente, o lucro tributável"; g) Diante dos inúmeros elementos de prova e evidências obtidas, concluise que a empresa BARRA DO CEDRO e seu administrador MAURÍCIO recorreram ao artifício fraudulento de utilizar notas fiscais inidôneas das empresas FAUZE (n°s 51209, 51201 e 51216), BELIZA (n°s 25126, 25117, 25141), BSCR 111 (n°s 4091, 4079 e 4061) e MARÇAL (n°s 2121, 2147, 2155, 2166, 4214, 4426 e 4579), escriturandoas como custo, objetivando reduzir o valor tributável da BARRA DO CEDRO nos anoscalendário de 2005 e 2006 e/ou ocultar do Fisco as retiradas do referido sócio". Com relação a fretes pagos a terceiros (infração n° 2), no Termo de Constatação Fiscal consta: a) O interessado efetuou lançamentos contábeis consignados como custos, na conta "Fretes Pagos a Terceiros", referentes A "suposta prestação de serviços efetuados por Transportadora Catulé Ltda, que se situa no mesmo endereço da fiscalizada e no qual, anteriormente, funcionaram Frilader e Friominas, todas pertencentes ao Sr. Mauricio"; b) Intimado a comprovar os valores de custos escriturados a titulo de Fretes Pagos a Terceiros (relacionados As fls.136), mediante documentação hábil e idônea, o interessado alegou que todas as notas fiscais haviam sido apreendidas, e ainda não haviam sido devolvidas, razão por que, após autorização judicial, foram examinados os autos da Medida Cautelar e do Inquérito Policial correspondentes, ato em que não foi localizada nenhuma documentação que comprovasse os ditos valores; c) Dentre os documentos existentes nos autos de apreensão, foi selecionada uma carta de 23.11.2005, na qual Paulo Homero Xavier (consultor) transmite a seguinte orientação quanto a "retiradas do Sr. Mauricio José de Lima": "Utilizar as notas fiscais de prestação de serviços da Transportadora Catulé, para pagamento de despesas pessoais do Sr. Mauricio. A medida que for necessário, efetuar saque para o Sr. Mauricio, emitir Nota Fiscal de Serviços da Transportadora Catulé Ltda., pelo valor correspondente a saída de caixa"; d) Instrumento público, lavrado em Governador ValadaresMG, outorgado pela sóciaadministradora Marise Quintela Lucca de Lima, conferiu poderes especiais a Mauricio José Inácio de Lima Fl. 856DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 792 8 para gerir e administrar todos os bens, negócios e interesses da Transportadora Catulé Ltda; (fls.136); e) Intimada, a Transportadora Catulé Ltda não apresentou talonários das notas de prestação de serviços, nem comprovou a efetiva prestação de serviços ao interessado, alegando, inicialmente, que tais documentos não haviam sido encontrados, e, após, que toda a documentação havia sido apreendida; (fls.136); f) Do exame dos autos de apreensão, não foi localizada nenhuma documentação que comprovasse os valores consignados como custos, no que se concluiu que "o Sr. Maurício, seguindo orientações do consultor Paulo Homero, utilizou o artificio de suposta prestação de serviços da Transportadora Catulé Ltda para encobrir, fraudulentamente, suas retiradas, bem como aumentar os custos da empresa Barra do Cedro, configurando a infração A legislação tributária, de custos não comprovados" (fls.138). No que se refere a despesas com arrendamentos mercantis (infração n° 3), o Termo de Constatação Fiscal registra: a) Intimado a apresentar o suporte documental dos valores lançados como despesas (discriminados às fls.138), provenientes de arrendamentos mercantis (conta — Locação de Maq/Equipamentos), bem como, a relação dos equipamentos arrendados, o interessado apresentou contrato de arrendamento firmado em 02.01.2006 com Frilader, que, no entanto, já se declarara inativa desde 2003; b) O interessado "não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea que comprovasse o efetivo pagamento As referidas empresas", e "denotase que o Sr. Mauricio assina como arrendante e arrendatário, tanto nos contratos da Frilader como na Friominas"; c) Nos anoscalendário de 2005 e 2006 "as despesas relativas a supostos arrendamentos/locação de equipamentos com Friominas e Frilader seguiram o mesmo modus operandi orientado pelo consultor Paulo Homero, relativamente A empresa Transportadora Catulé Ltda, com intuito de, fraudulentamente, reduzir o imposto de renda pessoa jurídica devido, bem como justificar as retiradas do seu sócio Maurício, o que enseja lavratura de auto de infração"; d) Relativamente à exigência de IRRF (nosso item 4), cujos demonstrativos de cálculo constam às fls.148/151, assim se lê no Termo de Constatação Fiscal (fls.145): As retiradas do sócio administrador da empresa Barra do Cedro, Sr. Maurício José Inácio de Lima, realizadas durante os anoscalendário de 2005 e 2006, mediante utilização fraudulenta de contratos de arrendamento/locação de equipamentos e custos com fretes fictícios, assim como notas fiscais inidôneas de aquisição de Fl. 857DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 793 9 mercadorias, ensejam tributação reflexa de imposto de Renda na Fonte, haja vista que, diante dos inúmeros elementos de prova já elencados anteriormente, não ficaram comprovadas as operações ou a causa dos referidos pagamentos, conforme explicitado nos itens 7.1, 7.2 e 7.3; A multa qualificada (150%) está descrita As fls.145/146. A base legal da exigência dos juros de mora e da multa qualificada (150%) consta As fls.158 (IRPJ), 165 (CSLL) e 175/179 (IRRF). Foi lavrado Termo de Responsabilização Tributária em nome de Maurício José Inácio de Lima (fls.638/639). Intimado da lavratura do Auto de Infração, o contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese que: a) Todas as transações estão contabilizadas e o beneficiário do pagamento ou é o emitente das notas fiscais referidas no processo, como quer a suplicante, ou, alternativamente, o sócio administrador, como quer o autuante; b) Para que se aplique a multa de 150%, é indispensável que não haja identificação do beneficiário e que o valor não esteja referido na contabilidade de modo passível de identificação; c) De acordo com o art. 572 do RIR/1999, a multa de 150% só se aplica nos casos de evidente intuito de fraude, e segundo a jurisprudência, não se aplica quando existe a hipótese de omissão de rendimentos e quando o contribuinte atendeu tempestivamente aos pedidos de informação; d) A argüição de fraude, para sustentar a multa de 150%, teria de ser demonstrada unicamente em relação à glosa de custos/despesas e ao IRRF, mas o termo de constatação referese à suspeita de fraude em sucessão indireta da sociedade, questões que não foram objeto do lançamento, como não o foi "a variação patrimonial a descoberto, referida no item 4"; e) A glosa diz respeito à pura comprovação documental das notas fiscais emitidas pela Transportadora Catulé, e as notas fiscais desta "são juntas à presente, no anexo 1, e, no anexo 2, se juntam copias das notas fiscais emitidas por Fausi meat"; f) “Como foi identificado o beneficiário do pagamento, tratado como remuneração, o IRRF é reduzido para a tabela do art.111 do qual a alíquota máxima é de 27,5%", e, deve ser considerado para apuração do resultado, pois, no regime vigente, desapareceu a limitação para a remuneração de administradores (art. 357 do RIR/1999), mesmo quando feita de forma indireta (art.358 do RIR/1999); g) A aplicação do percentual de 35% de IRRF, com a glosa da despesas como não dedutível, só se aplica na forma do art .675, quando se trata de beneficiário não identificado e não seja Fl. 858DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 794 10 possível incorporar o ganho ao salário do beneficiário (o que no caso o autuante fez sem reparo); h) "Digamos por fim, que todos os motivos invocados se tenha a contabilidade como imprestável para efeito de determinação do lucro tributável (tese que, observese, não foi adotada pelo autuante) que apenas desconsiderou custos ou despesas operacionais por vícios de forma e materialidade", impondose o arbitramento do lucro, com base no art. 530 do RIR/1999; i) "O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, adotará qualquer dos percentuais referidos no art. 535 do RIR/1999"; e, "se entendesse, o autuante, que a receita bruta era conhecida, seria o caso de aplicar o art. 532 do RIR/1999, isto é, considerar o resultado como equivalente a 9,6% da receita" (...), e "não é possível cobrar valor maior na hipótese de empresas que têm escrituração regular, embora o autuante considere passíveis de vício de caráter formal e material". j) O contribuinte pede "o cancelamento do auto". Pede, ainda, "que todas as notificações sejam endereçadas ao advogado que esta subscreve, na Rua do Carmo, 11, 20° andar — Centro — Rio de Janeiro — RJ. Em decisão de primeira instância administrativa, a DRJ manteve os lançamentos fiscais, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. As alegações sem provas não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. TERMO DE RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 GLOSA DE CUSTOS. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. FATOS NÃO ELIDIDOS. Mantêmse as glosas de custos e de despesas se não elididos os fatos que lhes deram causa. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 795 11 MULTA DE 150%. A não comprovação de operações escrituradas com o intuito de reduzir o resultado tributável do período justifica a qualificação da multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006 PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. 0 pagamento sem causa ou cuja operação não foi comprovada sujeitase incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 21.12.2010. Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em 30.12.2010, alegando que: A questão relativa à glosa dos chamados custos não comprovados tem origem no relatório anexo ao lançamento que no item 4.1 relaciona uma serie de Notas Fiscais que não teriam sido apresentadas à fiscalização. 0 relatório menciona o numero da Nota Fiscal, sua data e valor, e o nome do emitente, de modo que existe uma perfeita identificação do documento reputado por não entregue à fiscalização. Estas Notas foram todas elas juntadas na impugnação e novamente estão anexas à presente. A decisão recorrida não faz qualquer referência à inviabilidade destes documentos para efeitos fiscais e mesmo que o fizesse caberia à autoridade lançadora demonstrar tal fato justificadamente, o que não ocorreu. Considerando que a decisão não trata especificamente dos motivos pelos quais as Notas Fiscais anexadas à impugnação (e agora reapresentadas) não podem ser consideradas como válidas para o cálculo, cabe reformála, por falta de fundamentação. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 796 12 Obviamente, as demais questões relativas à aplicação de multa decorrem da solução que se der à primeira questão relacionada à dedutibilidade dos gastos ou quando não seja ao menos a identificação do beneficiário. Pelo fato de que os gastos não se encontrarem ao entender da fiscalização devidamente comprovados, considerou o autuante com amparo na decisão recorrida que, além do reajuste da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, caberia cobrar: a) O IRF na alíquota de 35% sob o fundamento de que tratavase de "pagamento sem causa ou cuja operação não foi comprovada" (acórdão, fls. 705). b) A multa de 150% em razão da "não comprovação de operações escrituradas com intuito de reduzir o resultado tributável" (acórdão, fls. 705). Data vênia, nos dois casos o entendimento é equivocado. 0 imposto de renda na fonte na alíquota de 35% de acordo com o art. 674 do RIR, é exigível quando se trate de" pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado". Em outras palavras, existe uma diferença entre pagamentos dedutíveis para apuração do resultado e àqueles que são feitos à pessoas não determinadas. Os pagamentos não identificados não são dedutíveis pois não se pode saber a causa de sua realização, e conseqüentemente determinar se são necessários à produção do rendimento ou à manutenção da fonte produtora. A recíproca porém, não é verdadeira, ou seja, nem todos os pagamentos glosados são feitos a beneficiários não identificados pois a glosa pode derivar tanto de deficiências de documentação quanto da não existência de causalidade entre o pagamento e o resultado. (...) No caso acresce outra circunstância. A autoridade lançadora e a própria decisão recorrida entenderam por presunção que os pagamentos tinham um beneficiário especifico que era MAURICIO JOSE INÁCIO DE LIMA. Se a decisão entende que se trata o caso de pagamento identificado (ao menos por presunção) não pode aplicar a alíquota de 35% na fonte que tem como pressuposto exatamente a arguição de que não existe identificação do favorecido pelo reembolso realizado. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 797 13 Por conseguinte, deve ser reformada a v. decisão recorrida para excluir do lançamento a aplicação da alíquota de 35%, mesmo que se mantenha a indedutibilidade dos pagamentos realizados. A segunda das questões diz respeito à aplicação da multa agravada de 150%. A decisão recorrida entende que a documentação apresentada não comprova a existência de custos ou despesas dedutíveis e presume que os pagamentos foram feitos a terceiro que identifica. Deixandose de lado o mérito das afirmativas acima, (que na verdade afetam o valor do resultado exclusivamente) não existe qualquer justificativa para a aplicação da multa excepcional, o que seria indispensável para que se pudesse validála. Por conseguinte, a multa agravada é incabível na medida em que qualquer que seja o tratamento que venha ser dado ao gasto como despesa ou custo dedutível ou não, há que se reconhecer apenas a existência de uma eventual falta de pagamento do IR e da CSL, sem que exista no processo fundamentação para que se considere a existência de fraude. Por todos estes motivos está certa a suplicante de que, melhor examinada a questão o presente recurso será conhecido e provido para alternada ou cumulativamente: a) Ter por improcedente o lançamento no mérito e seus acréscimos, já que as notas fiscais tidas por inexistentes foram juntas à impugnação e ao presente recurso. b) Ter por inaplicável a multa de 150% por não haver qualquer argüição que sustente a existência de fraude. c) Ter por incabível a aplicação do IR na fonte de 35% pelo fato de que os pagamentos todos foram feitos a beneficiário identificado. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. MATÉRIA PRELIMINAR Fl. 862DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 798 14 Quanto à matéria preliminar suscitada pela Recorrente em relação à falta de motivação e enfrentamento da questão das Notas Fiscais apresentadas, entendo que a decisão não merece reforma. Isso porque, conforme se depreende das transcrições abaixo, a decisão enfrentou sim a matéria e analisou as Notas Fiscais das empresas FAUZE (n°s 51209, 51201 e 51216), BELIZA (n°s 25126, 25117, 25141), BSCR 111 (n°s 4091, 4079 e 4061) e MARÇAL (n°s 2121, 2147, 2155, 2166, 4214, 4426 e 4579), bem como as Notas Fiscais da empresa Transportadora Catulé Ltda., juntadas pelo contribuinte em sua defesa: Vide fl. 716 (relação das Notas Fiscais das empresas Fauze, Beliza e Marçal) No Termo de Constatação Fiscal (item 7.3, As fls.139/144), a fiscalização demonstra que os valores acima foram respaldados em notas fiscais inidôneas. Tais circunstAncias, resumidas em nosso item 7, levaram a fiscalização a concluir que são inidôneas as notas fiscais relacionadas nos quadros 2 e 3 acima, notas que, supostamente, se referiam à aquisição de mercadorias. 0 interessado, em sua defesa, diz que a glosa diz respeito A pura comprovação documental de notas fiscais. A dedutibilidade de custos, de despesas operacionais e de encargos depende da existência de escrituração formal e da correspondente prova documental idônea do fato escriturado. Tanto a dedutibilidade de custos, como a de despesas operacionais e de encargos (Seção III, do Capitulo V, do RIR/1999) deve atender, ainda, aos requisitos legais da necessidade, normalidade e usualidade (art.300 do RIR/1999), sem o que, para fins de apuração do lucro real, o gasto não poderá ter a sua dedutibilidade reconhecida. Não basta que a nota fiscal tenha existência e tenha sido escriturada, como parece crer o interessado. “É imprescindível que o interessado faça prova da efetividade do seu conteúdo (mercadorias fornecidas ou serviços prestados), de sorte a não restar qualquer dúvida de que as notas fiscais contabilizadas como custos corresponderam ao fato contábil registrado. Em sede de fiscalização, o interessado não comprovou a efetividade das aquisições veiculadas nas notas fiscais enumeradas em nossos quadros 2 e 3. Agora, em sede de impugnação, o interessado nada traz aos autos para afastar a imputação de inidoneidade dos ditos documentos, limitandose a juntar cópias das 9 (nove) primeiras notas fiscais do quadro 2. (...) Fl. 863DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 799 15 No Termo de Constatação Fiscal, a fiscalização demonstra que não foi comprovada a efetividade dos valores lançados a titulo de gastos com fretes à Transportadora Catulé Ltda. As circunstâncias resumidas em nosso item 8 estão descritas no item 7.1 do sobredito Termo de Constatação (fls.134/138), em que a fiscalização conclui pela glosa dos sobreditos custos. 0 interessado, em sua defesa, diz que a glosa dos custos diz respeito à pura comprovação documental de notas fiscais, juntando cópias de notas fiscais da Transportadora Catulé Ltda. (fls.652/675). Os requisitos para a dedutibilidade de encargos já foram mencionados na análise da infração anterior (itens 31/34). Não basta que a nota fiscal tenha existência e tenha sido escriturada, como parece crer o interessado. É imprescindível que o interessado faça prova dos serviços prestados, de sorte a não restar qualquer dúvida acerca da efetivação do serviço descrito no documento contabilizado como custo. Conforme já visto no relatório (item 8), além do registro contábil das notas fiscais, não foi localizada nenhuma documentação que comprovasse os valores assim consignados, o que levou a fiscalização a concluir que "o Sr. Mauricio, seguindo orientações do consultor Paulo Homero, utilizou o artificio de suposta prestação de serviços da Transportadora Catulé Ltda para encobrir, fraudulentamente, suas retiradas, bem como aumentar os custos da empresa Barra do Cedro, configurando a infração A legislação tributária, de custos não comprovados". Ao interessado cabe suportar os encargos de provar a efetividade da operação. A prova documental deve ser juntada aos autos juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o interessado apresentála em momento posterior (art. 16, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972), como já mencionado. Nem em sede de fiscalização, nem de impugnação, o interessado comprovou a efetividade dos serviços prestados. Também não afastou a inidoneidade imputada aos documentos escriturados. Porém esses documentos, conforme se observa da decisão, não foram suficientes para afastar a acusação fiscal. Assim, não acolho a questão da falta de motivação alegada pela Recorrente! Fl. 864DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 800 16 Quanto ao mérito, da mesma forma, a decisão da DRJ deve ser mantida. Isso porque, conforme mencionado acima, as provas trazidas pelo Recorrente, quais sejam as Notas Fiscais, não são suficientes por si só para justificar e comprovar a ocorrência da operação, permitindo, com isso, a utilização das operações como custos ou despesas. Cumpre trazer breves considerações das acusações fiscais de forma individualizada: INFRAÇÃO 001 CUSTOS DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS — GLOSAS DE CUSTOS/COMPROVAÇÃO INIDÔNEA" A fiscalização e a DRJ entenderam que as Notas Fiscais n° 2121, 2147, 2155, 2166 (ano calendário de 2005), 51201,51209, 51216, 25117, 25126, 25141, 4061, 4079, 4091, 4214, 4426, 4579 (ano calendário de 2006) foram consideradas inidôneas. Nesse aspecto, em razão daquilo que constou no relatório fiscal e das provas trazidas no mesmo, deveria o contribuinte ter trazido aos autos prova da efetiva aquisição das mercadorias, como o pagamento, o recebimento, o transporte etc., de forma a afastar a imputação fiscal. A mera apresentação das notas fiscais, ainda que escrituradas, não confirma a efetiva realização da operação, necessitando o contribuinte trazer aos autos outras provas. Não o fazendo, resta impraticável a dedutibilidade dessas operações como custos dedutíveis, nos termos do artigo 300 do RIR/99. INFRAÇÃO 002 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS — GLOSA DE CUSTOS/COMPROVAÇÃO INIDÔNEA” A fiscalização e a DRJ entenderam que as Notas Fiscais n° 01,03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 11, 12, 13, 14, 25 e 26 foram consideradas inidôneas, considerando como não comprovada as operações com a Transportadora Catulé Ltda. De fato o Recorrente não traz nos autos prova da efetiva prestação dos serviços. O fato de existir Notas Fiscais e ter havido sua contabilização não traduz em linguagem competente a efetiva ocorrência da prestação de serviços. Logicamente se trata de um indício de que ocorreu, mas em razão das imputações e dos fatos trazidos no Relatório Fiscal quanto à empresa Recorrente, caberia a esta demonstrar que os serviços foram prestados, como a prova do pagamento do serviço, contrato, o conhecimento do transporte etc., o que não feito. Da mesma forma, tornase impossível considerar como dedutíveis tais custos nos termos do art. 300 do RIR/99. INFRAÇÃO 003 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS — GLOSA DE CUSTOS/COMPROVAÇÃO INIDÔNEA” A fiscalização e a DRJ entenderam que o arrendamento mercantil realizado entre a empresa Recorrente e as empresas Frilader como na Friominas não ocorreram de fato. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 801 17 Isso porque não houve demonstração nos autos de que houve o pagamento pela Recorrente a tais empresas, considerando ainda o fato de que o signatário do contrato é a mesma pessoa para as duas partes. Portanto, em princípio, podemos considerar que o arrendamento mercantil entre as empresas não ocorreu, impossibilitando a dedução dos valores como custos nos termos do artigo 300 do RIR/99. DO IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO Quanto à questão da aplicação da alíquota de 35%, cumpre informar ao Recorrente que a acusação fiscal não trata apenas da matéria como pagamento a beneficiário não identificado. Como pode observar tanto a acusação fiscal, quanto da decisão da DRJ, estamos diante de pagamento sem causa ao Sr. Maurício José Inácio de Lima. Ficou muito claro nos autos quem foi o beneficiário dos pagamentos sem comprovação da operação, considerando as retiradas do sócioadministrador da empresa Recorrente, mediante utilização de contratos de arrendamento de equipamentos e custos de fretes fictícios, assim como de notas fiscais inidôneas de aquisição de mercadorias. Se não houve comprovação das operações, estão corretas as acusações fiscais ora analisadas. Isso porque o fundamento legal dos lançamentos está expresso no artigo 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, que assim determina: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto sobre a Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como na hipótese de que trata o § 2° do art. 74 da Lei 8.383/91. (...) Assim, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário sem causa, cuja operação não foi comprovada, sujeitase à incidência do IRFonte, à alíquota de 35%, ainda que tais valores tenham sido contabilizados. DA MULTA QUALIFICADA Por fim, quanto à multa qualificada, considero os fatos narrados no Relatório Fiscal como gravíssimos, ao ponto de considerar a conduta do Recorrente como eivada de fraude, no sentido de buscar por meios ilegais evitar o pagamento de tributos, seja pelo fato de estar comprovado nos autos que o objetivo do Sr. Maurício era de fato enriquecer na sua pessoa física, criando custos e despesas irreais para justificar retiradas de dinheiro. Portanto, o fato de contabilizar as aquisições de mercadorias com os mesmos valores retirados pelo sócio, considerando que os exames grafotécnicos realizados nos autos demonstram que as notas fiscais inidôneas de diferentes prestadores de serviços tinham a Fl. 866DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16832.000177/201033 Acórdão n.º 120100.583 S1C2T1 Fl. 802 18 mesma origem, além da ausência de comprovação das operações, confirmam que o Recorrente, por meio de seus diretores, agiram de forma fraudulenta, buscando aumentar custos e despesas de forma consciente para reduzir o valor tributável, sujeitandose, portanto, à multa disposta no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. DA CSLL Quanto à CSLL, aplicamse, por via reflexa, os mesmos fundamentos acima, mantendose o lançamento fiscal. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso para afastar a preliminar de ausência de motivação, e no mérito NEGOLHE provimento, mantendo a decisão da DRJ. É como voto! RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 867DF CARF MF Impresso em 24/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003107/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2010
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS. NÃO REGULARIZAÇÃO NO PRAZO LEGAL.
Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débitos junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não sendo os débitos regularizados no prazo legal de 30 dias, contados a partir da
ciência do ato de exclusão, tal ato deve ser tido por perfeito e apto a produzir os efeitos que lhe são próprios.
EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DO DEVEDOR. EFEITO SUSPENSIVO. INOCORRÊNCIA.
Os embargos de devedor interpostos em ação de execução fiscal, após a entrada em vigor da Lei nº 11.382/2006, que incluiu no CPC o art. 739A, não possuem, como regra, efeitos suspensivos. Tais efeitos somente se darão se expressamente reconhecidos pelo Poder Judiciário, em atendimento a requerimento do devedor e atendidos os requisitos legais. Não sendo o que se verificou nos presentes autos, persiste a exigibilidade dos débitos executados.
CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. FALTA DE ALEGAÇÃO E COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 22.
Se o contribuinte demonstra pleno e específico conhecimento dos débitos com exigibilidade não suspensa que motivaram sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, não alega nem comprova cerceamento ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório e, além disso, do exame dos autos não se constata qualquer prejuízo a esse direito, não se há de declarar a nulidade do Ato Declaratório de exclusão do regime simplificado. Inaplicável, no caso, a Súmula CARF nº 22.
Numero da decisão: 1301-000.692
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS. NÃO REGULARIZAÇÃO NO PRAZO LEGAL. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débitos junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não sendo os débitos regularizados no prazo legal de 30 dias, contados a partir da ciência do ato de exclusão, tal ato deve ser tido por perfeito e apto a produzir os efeitos que lhe são próprios. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DO DEVEDOR. EFEITO SUSPENSIVO. INOCORRÊNCIA. Os embargos de devedor interpostos em ação de execução fiscal, após a entrada em vigor da Lei nº 11.382/2006, que incluiu no CPC o art. 739A, não possuem, como regra, efeitos suspensivos. Tais efeitos somente se darão se expressamente reconhecidos pelo Poder Judiciário, em atendimento a requerimento do devedor e atendidos os requisitos legais. Não sendo o que se verificou nos presentes autos, persiste a exigibilidade dos débitos executados. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. FALTA DE ALEGAÇÃO E COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 22. Se o contribuinte demonstra pleno e específico conhecimento dos débitos com exigibilidade não suspensa que motivaram sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, não alega nem comprova cerceamento ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório e, além disso, do exame dos autos não se constata qualquer prejuízo a esse direito, não se há de declarar a nulidade do Ato Declaratório de exclusão do regime simplificado. Inaplicável, no caso, a Súmula CARF nº 22.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10855.003107/2008-78
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4859200
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.692
nome_arquivo_s : 130100692_10855003107200878_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10855003107200878_4859200.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4744802
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230891372544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 179 1 178 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.003107/200878 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.692 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria SIMPLES NACIONAL EXCLUSÃO Recorrente ALBERTINO CARLOS PIMENTA E CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS. NÃO REGULARIZAÇÃO NO PRAZO LEGAL. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débitos junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não sendo os débitos regularizados no prazo legal de 30 dias, contados a partir da ciência do ato de exclusão, tal ato deve ser tido por perfeito e apto a produzir os efeitos que lhe são próprios. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DO DEVEDOR. EFEITO SUSPENSIVO. INOCORRÊNCIA. Os embargos de devedor interpostos em ação de execução fiscal, após a entrada em vigor da Lei nº 11.382/2006, que incluiu no CPC o art. 739A, não possuem, como regra, efeitos suspensivos. Tais efeitos somente se darão se expressamente reconhecidos pelo Poder Judiciário, em atendimento a requerimento do devedor e atendidos os requisitos legais. Não sendo o que se verificou nos presentes autos, persiste a exigibilidade dos débitos executados. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. FALTA DE ALEGAÇÃO E COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 22. Se o contribuinte demonstra pleno e específico conhecimento dos débitos com exigibilidade não suspensa que motivaram sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, não alega nem comprova cerceamento ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório e, além disso, do exame dos autos não se constata qualquer prejuízo a esse direito, não se há de declarar a nulidade do Ato Declaratório de exclusão do regime simplificado. Inaplicável, no caso, a Súmula CARF nº 22. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 180 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório ALBERTINO CARLOS PIMENTA E CIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1430.208, de 15/07/2010, da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância descreve de forma sucinta e objetiva o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevê lo. Tratase de processo administrativo relativo à manifestação de inconformidade do Ato Declaratório Executivo – ADE DRF/SJR nº 411657, de 22 de agosto de 2008, de exclusão do Simples Nacional, em virtude de a pessoa jurídica possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, com fundamento no inciso V do art. 17 da Lei Complementar n.º 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinado com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN n.º 15, de 23 de julho de 2007. Em Pesquisa ao Sistema de Vedações e Exclusões do Simples – SIVEX, verificase que, após o prazo para regularização, permanecem débitos na PGFN (fls. 153/154). Da mesma forma, constam débitos no sistema Tratani da RFB (fls. 155/156). O contribuinte, apresentou Manifestação de Inconformidade à exclusão do Simples Nacional, em 06/10/2008, argumentando que: todas as inscrições em dívida ativa estão suspensas, pois encontramse devidamente garantidas por meio de penhora, e, ainda, com oposição de embargos à execução; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 181 3 débitos do Simples referentes ao período de 01/2000 a 11/2000 foram extintos por força de compensação realizada no processo 10855.000225/9882; A 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1430.208, de 15/07/2010 (fls. 157/158), consideroua improcedente com a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, constitui motivo para a exclusão do Simples Nacional. Ciente da decisão de primeira instância em 16/08/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 160, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/09/2010 conforme carimbo de recepção à folha 161. No recurso interposto (fls. 162/175), a interessada revisa a legislação aplicável ao Simples Nacional, desde o art. 179 da Constituição Federal de 1988, passando pela Lei Complementar nº 123/2006 até a Resolução CGSN nº 4/2007. A seguir, a recorrente sustenta que “os valores que figuram como pendências junto a PGFN são as CDA's 8040202273655 e 8040202273736, objeto das execuções fiscais nº 2002.61.10.0092649 e 2002.61.10.0092637, respectivamente, as quais se encontram com penhora e embargos oposto visando a extinção do feito e conseqüentemente encontramse com sua exigibilidade suspensa”. Passa então a discorrer sobre a suspensão da execução fiscal, citando doutrina e dispositivos legais que entende pertinentes. Conclui, então, que “restando comprovado a suspensão da exigibilidade dos valores inscritos em divida ativa resta claro o direito do impugnante em aderir ao Simples Nacional”. No que toca aos débitos do Simples referentes ao período de 01/2000 a 11/2000, que também constam como pendências, aduz a interessada que teriam sido extintos por compensação realizada no processo administrativo nº 10855.000225/9882. A negativa de sua adesão ao Simples Nacional por esse motivo teria sido indevida e arbitrária. Conclui reafirmando a inexistência de débitos em seu desfavor, e requerendo a revisão da decisão recorrida e sua imediata inclusão na sistemática do Simples Nacional. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 182 4 Gira a lide em torno da exclusão do contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, em face de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. A exclusão se fez mediante Ato Declaratório Executivo (fl. 25), datado de 22/08/2008, com ciência por via postal em 17/09/2008 (fl. 151). O prazo para regularização foi até o dia 17/10/2008. Eis os dispositivos da referida Lei Complementar aplicáveis à matéria e que fundamentaram o Ato Declaratório Executivo de exclusão: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão. [...] §2o Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. À fl. 147 e 147v encontro consulta aos sistemas de processamento da RFB, na qual consta a existência de débitos, consolidados até agosto de 2008, motivadores da exclusão do Simples Nacional, a saber: a) Onze (11) débitos não previdenciários na RFB, código de Receita 6106, processo 16027.000324/200845, períodos de apuração de 01/2000 até 11/2000. b) Dois (2) débitos na PGFN, números de inscrição 80 4 02 02273655 e 80 4 02 02273736. À fl. 154, encontro consulta semelhante, porém referida aos débitos ainda encontrados após o prazo de 30 dias para regularização. Ali constam apenas os dois débitos Fl. 188DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 183 5 correspondentes ao item (b), acima, do que se depreende que os débitos do item (a) teriam sido tempestivamente regularizados, não mais integrando o litígio nem constituindo óbice à adesão do contribuinte ao sistema. A existência de débitos ainda em aberto foi decisiva para o desprovimento da manifestação de inconformidade, em primeira instância administrativa. Em sede recursal, a contribuinte busca demonstrar que os dois débitos em questão, na PGFN, estariam com sua exigibilidade suspensa, em face da suspensão da execução junto ao Poder Judiciário. Os dois débitos em questão correspondem às inscrições em Dívida Ativa da União nº 80 4 02 02273736 e nº 80 4 02 02273855, respectivamente processos administrativos nº 10855.201086/200289 e nº 10855.201085/200214 e processos de execução fiscal nº 2002.61.10.92637 e nº 2002.61.10.92649, ajuizados em 26/08/2002 na Seção Judiciária de São Paulo em Sorocaba. Neste processo, cópias às fls. 27/71 e 72/125. A interessada se reporta ao Código de Processo Civil (CPC) para sustentar que os embargos do executado suspendem obrigatoriamente a execução. Deixou de atentar, porém, para as alterações naquele diploma legal introduzidas pela Lei nº 11.382/2006, a qual, entre diversas outras modificações, revogou o parágrafo primeiro do art. 739 e introduziu o art 739A. Confirase como ficou a redação dos dispositivos legais em comento (grifos não constam do original): Art. 739. O juiz rejeitará liminarmente os embargos: [...] § 1o Os embargos serão sempre recebidos com efeito suspensivo. (Incluído pela Lei nº 8.953, de 13.12.1994) (Revogado pela Lei nº 11.382, de 2006) [...] Art. 739A. Os embargos do executado não terão efeito suspensivo. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006). § 1o O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando, sendo relevantes seus fundamentos, o prosseguimento da execução manifestamente possa causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação, e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006). § 2o A decisão relativa aos efeitos dos embargos poderá, a requerimento da parte, ser modificada ou revogada a qualquer tempo, em decisão fundamentada, cessando as circunstâncias que a motivaram. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006). § 3o Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito apenas a parte do objeto da execução, essa prosseguirá quanto à parte restante. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006). § 4o A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram, quando o respectivo fundamento disser Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 184 6 respeito exclusivamente ao embargante. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006). § 5o Quando o excesso de execução for fundamento dos embargos, o embargante deverá declarar na petição inicial o valor que entende correto, apresentando memória do cálculo, sob pena de rejeição liminar dos embargos ou de não conhecimento desse fundamento. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006). § 6o A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de penhora e de avaliação dos bens. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006). Como se vê, a partir das alterações acima, a regra geral passou a ser a ausência de efeitos suspensivos dos embargos. Nesse sentido também se posiciona abalizada doutrina: a) a oposição de embargos na execução fiscal não poderá estar desvinculada da garantia do juízo, por aplicação do princípio da especialidade; b) os embargos na execução fiscal não terão efeito suspensivo, aplicandose a regra geral do CPC em decorrência do princípio da subsidiariedade, já que não há regra especial na LEF. O executado em execução fiscal deve aguardar a garantia do juízo para interpor os embargos, que não terão efeito suspensivo, em regra. [...] A nãoatribuição de efeito suspensivo aos embargos à execução fiscal será a regra, concedendose apenas excepcionalmente e mediante o preenchimento dos requisitos legais estabelecidos pelo CPC. As demais regras que disciplinam o efeito suspensivo, previstas nos §§ 2º a 4º do mencionado art. 739A, também se aplicam aos embargos à execução fiscal já que não há disposição específica na LEF. 1 Igualmente o Superior Tribunal de Justiça já decidiu pela aplicabilidade do novo dispositivo legal2 (grifos não constam do original): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EFEITO SUSPENSIVO. LEI 11.382/2006. REFORMAS PROCESSUAIS. INCLUSÃO DO ART. 739A NO CPC. REFLEXOS NA LEI 6.830/1980. "DIÁLOGO DAS FONTES". 1. Após a entrada em vigor da Lei 11.382/2006, que incluiu no CPC o art. 739A, os embargos do devedor poderão ser recebidos com efeito suspensivo somente se houver requerimento do embargante e, cumulativamente, estiverem preenchidos os seguintes requisitos: a) relevância da argumentação; b) grave dano de difícil ou incerta reparação; e c) garantia integral do juízo. 2. A novel legislação é mais uma etapa da denominada "reforma do CPC", conjunto de medidas que vêm modernizando o 1 MENDES DA SILVA, Márcio Henrique; BEGO, Thiago Pucci; SILVA DE OLIVEIRA, Danilo Mendes. Considerações acerca das principais alterações no processo de execução de título extrajudicial trazidas pela Lei 11.382/2006 e seus reflexos perante a Lei de Execuções Fiscais. RePro 156/154, fev/08. Citado por PAULSEN, Leandro e outros, in Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 6ª Ed, rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010, p. 328. 2 REsp nº 1.024.128 PR (2008/00151467), Relator Ministro Herman Benjamin, julgado em 13/05/2008 DJe 19/12/2008. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 185 7 ordenamento jurídico para tornar mais célere e eficaz o processo como técnica de composição de lides. 3. Sob esse enfoque, a atribuição de efeito suspensivo aos embargos do devedor deixou de ser decorrência automática de seu simples ajuizamento. Em homenagem aos princípios da boa fé e da lealdade processual, exigese que o executado demonstre efetiva vontade de colaborar para a rápida e justa solução do litígio e comprove que o seu direito é bom. 4. Tratase de nova concepção aplicada à teoria geral do processo de execução, que, por essa ratio, refletese na legislação processual esparsa que disciplina microssistemas de execução, desde que as normas do CPC possam ser subsidiariamente utilizadas para o preenchimento de lacunas. Aplicação, no âmbito processual, da teoria do "diálogo das fontes". 5. A Lei de Execuções Fiscais (Lei 6.830/1980) determina, em seu art. 1º, a aplicação subsidiária das normas do CPC. Não havendo disciplina específica a respeito do efeito suspensivo nos embargos à execução fiscal, a doutrina e a jurisprudência sempre aplicaram as regras do Código de Processo Civil. 6. A interpretação sistemática pressupõe, além da análise da relação que os dispositivos da Lei 6.830/1980 guardam entre si, a respectiva interação com os princípios e regras da teoria geral do processo de execução. Nessas condições, as alterações promovidas pela Lei 11.382/2006, notadamente o art. 739A, § 1º, do CPC, são plenamente aplicáveis aos processos regidos pela Lei 6.830/1980. 7. Não se trata de privilégio odioso a ser concedido à Fazenda Pública, mas sim de justificável prerrogativa alicerçada nos princípios que norteiam o Estado Social, dotando a Administração de meios eficazes para a célere recuperação dos créditos públicos. 8. Recurso Especial não provido. Nos embargos à execução interpostos em ambos os processos, em 08/06/2007, posteriormente às alterações legislativas acima referidas, verifico que a recorrente não peticiona para que sejam atribuídos efeitos suspensivos aos embargos. Também não encontro nos autos qualquer sentença ou decisão proferida nos processos judiciais, mediante a qual se possa ter por suspensa a execução fiscal em andamento. Esse entendimento é corroborado pelo fato de que, nos sistemas de controle da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ambos os débitos se encontram com a situação “ATIVA AJUIZADA” (fl. 155) Por todo o exposto, concluo que não assiste razão à recorrente. Os débitos em virtude dos quais se promoveu sua exclusão do Simples Nacional eram exigíveis à época do Ato Declaratório Executivo, e nessa situação persistiam, após o decurso do prazo legal de trinta dias, contados da ciência do ato. Em tais condições, o ato administrativo de exclusão deve ser considerado hígido e apto a surtir os efeitos que lhe são próprios. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 186 8 Finalmente, é de se verificar se seria o caso de declaração de nulidade do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES NACIONAL, em face da súmula CARF nº 22, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. O contexto em que surgiram as decisões administrativas que deram origem à súmula acima era o da vigência da Lei nº 9.317/1996, sendo de especial interesse seu artigo 9º, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; XVI cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por cento), esteja inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Muitos litígios surgiram e foram levados à apreciação do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. A jurisprudência administrativa se firmou no sentido da nulidade do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do SIMPLES e foram colhidos, como paradigmas representativos do consenso, os acórdãos de nº 30331.479, 30331.882, 301 31.763, 30131.917 e 30132.120. Aquele Conselho, então, houve por bem editar a Súmula nº 2 do Terceiro Conselho de Contribuintes, posteriormente recepcionada como Súmula nº 22 do CARF. Releva investigar os fundamentos dos acórdãos tidos por paradigmas para a aprovação da súmula, pois é a partir deles que se poderá concluir por sua aplicação, ou não, ao caso sob exame. Passo a fazêlo. 1) Acórdão 30331.479, de 17/06/2004 • O ADE é nulo de pleno direito por cerceamento do direito de defesa. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN. • A empresa não sabia a qual sócio se referiam as pendências, e apresentou manifestação de inconformidade com CND de outra pessoa. • Fundamento da decisão: cerceamento do direito de defesa, comprovado nos autos. Não se cogitou de vício de forma. 2) Acórdão 30331.882, de 24/02/2005 • ADE é nulo por vício de forma. Falta de demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o embasaram. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN, sem discriminação acerca de quais seriam tais pendências. • O ADE não mencionou o dispositivo legal infringido. • O fato descrito de modo impreciso no ADE não acarretou sua subsunção à norma. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 187 9 • Fundamento da decisão: vício de forma, o ato deve ser motivado com a demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o embasaram. O vício de forma impossibilitou a defesa adequada do contribuinte. 3) Acórdão 30131.763, de 14/04/2005 • O processo de exclusão do Simples é nulo. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN, sem discriminação acerca de quais seriam tais pendências, nem se teriam sido objeto de inscrição em Dívida Ativa. • Fundamento da decisão: cerceamento do direito de defesa. 4) Acórdão 30131.917, de 17/06/2005 • O ADE foi anulado por vício formal. Falta de estabelecimento de nexo entre o motivo do ato (situação material que lhe serviu de suporte) e a norma jurídica. Preterição do direito de defesa. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN. • Fundamento da decisão: Inadequação entre o motivo do ato (pendências junto à PGFN) e a norma jurídica (débito inscrito em Dívida Ativa). A não explicitação da motivação cerceou o direito de defesa. 5) Acórdão 30132.120, de 13/09/2005 • O processo foi anulado por vício formal. Falta de estabelecimento de nexo entre o motivo do ato (situação material que lhe serviu de suporte) e a norma jurídica. Preterição do direito de defesa. • O ADE indicou a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN e ao INSS. • Fundamento da decisão: Inadequação entre o motivo do ato (pendências junto à PGFN e INSS) e a norma jurídica (débito inscrito em Dívida Ativa, com exigibilidade não suspensa). A análise acima, no que toca aos fundamentos de cada decisão, bem pode ser sintetizada no quadro que segue: ACÓRDÃO (1) (2) (3) (4) (5) Fundamento: Inadequação entre situação material e norma jurídica Não Sim Não Sim Sim Fundamento: Cerceamento ao direito de defesa Sim Subsidiário / decorrente Sim Subsidiário / decorrente Não Como se pode observar, dois foram os fundamentos para a declaração de nulidade do ADE. O primeiro deles, adotado em três dos paradigmas, foi a inadequação entre a situação material e a norma jurídica. Naquelas oportunidades, o ADE se limitava a consignar a existência de pendências junto à PGFN (situação material), enquanto o impedimento para a permanência no sistema simplificado seria a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa com exigibilidade não suspensa (norma jurídica, art. 9º da Lei nº 9.317/1996). Entendo que tal fundamento não se aplica à situação ora analisada. A norma jurídica agora vigente é o art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006, já anteriormente transcrito neste voto. Desta feita, a subsunção do fato à norma é correta, e não deixa margem a questionamentos. A situação material apontada pela Administração Tributária coincide com a prevista pela norma jurídica. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 188 10 Quanto ao segundo fundamento, na situação anterior, que motivou o surgimento da súmula nº 22, o ônus de descobrir quais pendências representariam, efetivamente, débitos inscritos em dívida ativa, e quais seriam esses débitos passíveis de regularização era transferido ao contribuinte. Ainda, a regularização exigida não se fazia especificamente com relação aos débitos que motivaram a emissão do ADE, sendo requerida do contribuinte, genericamente, a apresentação de Certidão Negativa de Débitos da pessoa jurídica e de seus sócios. Em tais condições, quatro dos acórdãos paradigmas consideraram consubstanciado o cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório e, diante disso, decretaram a nulidade do ADE. Na situação presente, a indicação dos débitos não foi meramente alusiva à sua existência, mas sim apontando especificamente o local (a página na internet) onde o contribuinte poderia obter o detalhamento dos débitos existentes. Também a regularização exigida é específica quanto a esses débitos. Diante disso, considero que o prejuízo não pode ser teórico nem presumido, devendo ser comprovado nos autos. Se o contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, demonstra conhecer perfeitamente quais débitos motivaram sua exclusão do sistema simplificado, descabe declarar a nulidade do ato por cerceamento ao direito de defesa meramente presumido e nem ao menos alegado. Nesse sentido, pertinente a lição de Neder e López3: Evidentemente, há de se contestar aqueles que defendem a idéia de que as hipóteses de nulidade em processo fiscal são, apenas, as discriminadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF. O legislador explicitamente se referiu a duas regras sancionadoras de nulidade, a primeira referese a pressuposto subjetivo (agente competente) de atos processuais (atos, termos, despachos e decisões), enquanto a segunda atente a pressuposto processual de ato decisório, eis que a obediência ao princípio constitucional da ampla defesa é mandatório em todo o processo administrativo fiscal. A existência de qualquer ato precedente produzido em ofensa ao contraditório e à ampla defesa macula o ato decisório posterior, que deverá ser tornado ineficaz por declaração de nulidade pelo julgador. [...] O inciso II cuida, ainda, da nulidade decorrente de cerceamento do direito de defesa que, no processo administrativo fiscal, é garantido pela Constituição Federal. Daí as decisões administrativas devem ser emitidas sempre em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa sob pena de serem consideradas nulas pela falta de elemento essencial à sua formação. Da mesma forma, a omissão de requisitos essenciais enseja a nulidade do lançamento quando cercearem o direito de defesa do contribuinte. É preciso, no entanto, examinar, no caso concreto, se o vício defensivo prejudica a ampla defesa como um todo, ou não. Para Ada Pellegrini Grinover, “há nulidade absoluta quando for afetada a defesa como um todo; nulidade relativa com prova de prejuízo (para a defesa) quando o vício do ato defensivo não tiver essa conseqüência”. Neste caso, o vício pode ser sanado. Segundo a autora, “o vício ou a inexistência do ato defensivo pode não levar, como conseqüência necessária, à vulneração do direito de defesa, em sua inteireza, dependendo a declaração de nulidade da demonstração do prejuízo à atividade defensiva como um todo”. A nulidade por vícios processuais carece de um fim em si mesma, isto é, não tem 3 NEDER, Marcos Vinicius e LÓPEZ, Maria Tereza Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal comentado. 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, pp. 477, 478, 480 e 481. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 189 11 existência autônoma. Confirmando esta posição, o artigo 60 do Decreto nº 70.235/72 prevê a necessidade da prova de prejuízo no caso de vícios que não alcancem formalidades essenciais. Assim, por exemplo, a falta de indicação da capitulação legal do lançamento pode prejudicar a defesa do contribuinte, mas, se ele, em sua impugnação, demonstra saber, perfeitamente, os fundamentos jurídicos de sua acusação, não é caso de nulidade. Tal imperfeição no ato do lançamento não necessariamente leva ao pronunciamento da nulidade pelo julgador. Entre os fundamentos mais comuns para pedido de nulidade por cerceamento do direito de defesa, encontramse, por exemplo: o nãoatendimento ao princípio do contraditório ou a omissão de formalidade essencial no ato de lançamento. Por sua vez, as autoridades julgadoras para não acolher, ou acolher parcialmente, as argüições de nulidade baseiam suas decisões no fato de o interessado não haver demonstrado o efetivo prejuízo [...]. Na Teoria do Processo, as nulidades não são um fim em si mesmas, antes se destinam a preservar as garantias e direitos das partes. Sob esta ótica, não se há de decretar uma nulidade sem que reste demonstrado o prejuízo ao direito que ela visa a preservar. É exatamente este o sentido do vetusto, mas ainda aplicável, brocardo jurídico pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo), recentemente trazido à baila por um ilustre Conselheiro deste Colegiado. Também nessa linha de raciocínio, peço vênia para transcrever brilhante excerto do voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, por ocasião do julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do Habeas Corpus nº 99.996SP (2008/00271824, data do julgamento 06/05/2008, publicado no DJe em 23/06/2008): 12. O processo não é um fim em si mesmo. Objetiva, sobretudo, garantir o respeito aos princípios considerados fundamentais, fornecendo a todo cidadão a segurança de que só será condenado após o justo processo. Exatamente por sua importância, o EstadoJuiz deve coibir a sua utilização como forma de impedir ou frustrar a atuação jurisdicional, acolhendo interpretações desprovidas de razoabilidade, sempre que constatar a inexistência de prejuízo para a defesa. Admitir a nulidade sem nenhum critério de avaliação, mas apenas por simples presunção de ofensa aos princípios constitucionais, é permitir o uso do devido processo legal como mero artifício ou manobra de defesa e não como aplicação do justo a cada caso, distanciandose o direito do seu ideal, qual seja, a aplicação da justiça. O Supremo Tribunal Federal igualmente se manifestou sobre a matéria, concluindo pela necessidade de demonstração do prejuízo, ainda que se trate de nulidade absoluta. Ilustrativo o julgamento do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 559.6329 MG, em 06/12/2005, sendo Relator o Ministro Sepúlveda Pertence. Ao final, o acórdão foi publicado no DJU em 03/02/2006, e restou assim ementado (grifos no original): 1. Recurso extraordinário: Descabimento: Acórdão recorrido que, para afastar as nulidades argüidas, limitouse a interpretar e aplicar a legislação ordinária pertinente (C.Pr.Penal, arts. 475; 563; e 578, VIII), a cujo reexame não se presta o RE: incidência, mutatis mutandis, do princípio da Súmula 636. 2. Nulidades processuais: ausência de prejuízo: “pas de nullité sans grief”. É da jurisprudência do Supremo Tribunal que não se adstringe ao das nulidades relativas o domínio do princípio fundamental da disciplina das nulidades processuais o velho pas de nullité sans grief , corolário da natureza instrumental do Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003107/200878 Acórdão n.º 130100.692 S1C3T1 Fl. 190 12 processo, donde sempre que possível ser exigida a prova do prejuízo, ainda que se trate de nulidade absoluta (HHCC 81.510, Pertence, 1T., DJ 12.4.02; HC 74.671, Velloso, 2ª T., DJ 11.4.97). 3. Júri: proibição de produção ou leitura de documento no plenário do Júri: nulidade que, além de relativa, não se configura quando o documento impugnado não chegou a ser lido em plenário: precedentes. Retornando ao exame do caso concreto, considero que o prejuízo ao direito à ampla defesa e ao contraditório precisaria ter sido alegado e comprovado pela parte supostamente prejudicada. Mesmo na falta de alegação, o julgador administrativo poderia, do exame dos autos e das circunstâncias do litígio, constatar a ocorrência do prejuízo. Nada disso encontro nos presentes autos. O cerceamento não foi alegado, e na manifestação de inconformidade a interessada demonstra conhecer de modo específico os débitos que lhe são imputados. Em tais condições, não alegado nem comprovado qualquer prejuízo ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório, não encontro aplicabilidade para a Súmula CARF nº 22. É certo que, em oportunidade anterior, já votei pela aplicação da mencionada súmula, não vinculando a nulidade ao exame acerca da efetividade do prejuízo. No entanto, ao reexaminar a matéria em maior profundidade, concluo que descabe sua aplicação automática, pelas razões aqui desenvolvidas. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725358/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAL PARA CONFECCIONAR DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. GLOSAS EM SEGUIDOS ANOS, COM O FITO DE MAJORAR AS RESTITUIÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA.
MANUTENÇÃO DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO VINCULADO AO IMPOSTO DECORRENTE DA GLOSA DE DESPESAS PARA AS QUAIS SE DEMONSTROU O DOLO EVIDENTE.
Considerando que houve glosas de despesas médicas em anos seguidos, em valores absolutamente incompatíveis com os rendimentos do contribuinte, despesas até hoje não comprovadas, tudo com o fito de permitir a restituição quase integral do imposto retido na fonte, correta a qualificação da multa de
ofício vinculada ao imposto apurado referente a tal infração. Para as demais glosas, nas quais não se comprovou o dolo evidente, correta a imputação da multa ordinária no percentual de 75% sobre o imposto lançado.
DESPESAS GLOSADAS. RESTABELECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Somente podem ser restabelecidas as despesas glosadas que são comprovadas com documentação hábil e idônea, não bastando mera alegação, sem prova documental.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAL PARA CONFECCIONAR DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. GLOSAS EM SEGUIDOS ANOS, COM O FITO DE MAJORAR AS RESTITUIÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA. MANUTENÇÃO DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO VINCULADO AO IMPOSTO DECORRENTE DA GLOSA DE DESPESAS PARA AS QUAIS SE DEMONSTROU O DOLO EVIDENTE. Considerando que houve glosas de despesas médicas em anos seguidos, em valores absolutamente incompatíveis com os rendimentos do contribuinte, despesas até hoje não comprovadas, tudo com o fito de permitir a restituição quase integral do imposto retido na fonte, correta a qualificação da multa de ofício vinculada ao imposto apurado referente a tal infração. Para as demais glosas, nas quais não se comprovou o dolo evidente, correta a imputação da multa ordinária no percentual de 75% sobre o imposto lançado. DESPESAS GLOSADAS. RESTABELECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. Somente podem ser restabelecidas as despesas glosadas que são comprovadas com documentação hábil e idônea, não bastando mera alegação, sem prova documental. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10980.725358/2010-96
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 5022160
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.639
nome_arquivo_s : 210201639_10980725358201096_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10980725358201096_5022160.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4745633
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230947995648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725358/201096 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210201.639 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria IRPF GLOSA DE DESPESAS Recorrente LUIZ PAULO MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAL PARA CONFECCIONAR DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. GLOSAS EM SEGUIDOS ANOS, COM O FITO DE MAJORAR AS RESTITUIÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA. MANUTENÇÃO DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO VINCULADO AO IMPOSTO DECORRENTE DA GLOSA DE DESPESAS PARA AS QUAIS SE DEMONSTROU O DOLO EVIDENTE. Considerando que houve glosas de despesas médicas em anos seguidos, em valores absolutamente incompatíveis com os rendimentos do contribuinte, despesas até hoje não comprovadas, tudo com o fito de permitir a restituição quase integral do imposto retido na fonte, correta a qualificação da multa de ofício vinculada ao imposto apurado referente a tal infração. Para as demais glosas, nas quais não se comprovou o dolo evidente, correta a imputação da multa ordinária no percentual de 75% sobre o imposto lançado. DESPESAS GLOSADAS. RESTABELECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. Somente podem ser restabelecidas as despesas glosadas que são comprovadas com documentação hábil e idônea, não bastando mera alegação, sem prova documental. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte LUIZ PAULO MARTINS, CPF/MF nº 667.931.909 97, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 02/12/2010, auto de infração, com ciência postal em 11/12/2010. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 53.007,04 MULTA DE OFÍCIO R$ 64.413,49 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: 1. glosas de todos os dependentes informados nas DIRPFs auditadas (exercícios 2006 a 2010), por ausência de comprovação, conduta essa apenada com multa de ofício no percentual de 75% sobre o imposto lançado; 2. glosas de despesas médicas, nos importes de R$ 25.052,00, R$ 32.563,65, R$ 33.051,09, R$ 35.926,37 e R$ 41.237,04, nos exercícios 2006 a 2010, respectivamente, conduta essa apenada com multa de ofício no percentual exasperado de 150% sobre o imposto lançado, conforme motivação abaixo: 3. glosas de todas as despesas de instrução, nos montantes de R$ 8.792,00, R$ 9.495,36, R$ 7.441,98, R$ 7.776,87 e R$ 8.126,82, nos exercícios 2006 a 2010, respectivamente, por ausência de comprovação, conduta essa apenada com multa ordinária de 75% sobre o imposto lançado. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.725358/201096 Acórdão n.º 210201.639 S2C1T2 Fl. 2 3 Compulsando as declarações de ajuste anual fiscalizadas do contribuinte, vê se que as despesas glosadas acima permitiram a ele receber as restituições de quase todo o imposto retido na fonte em cada anocalendário. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0629.852, de 11 de janeiro de 2011, que restou assim ementado: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO Comprovadas as relações de parentesco e demais requisitos legais, restabelecemse as deduções de dependentes. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA. DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO. PARCIAL. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual a contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Comprovado o direito a parte das despesas deduzidas na declaração de ajuste anual, cabe ajustar o lançamento aos parâmetros correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, possui previsão legal e aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada em inserir informações inverídicas em declaração de ajuste anual, com o objetivo de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, aplicável a multa qualificada. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 18/02/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 17/03/2011. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. contratou profissional contábil para confeccionar suas declarações de ajuste anual, que fez registros indevidos, sendo certo que o contribuinte não agiu com dolo, com a intenção de fraudar, razão suficiente para afastar as penalidades no caso presente; II. tratase de contribuinte trabalhador, em dupla jornada, com problemas de saúde na família, para o qual a Receita Federal jamais o notificou de qualquer irregularidade em suas declarações de ajuste anual, somente o fazendo no final do quinto ano das declarações revisadas, fazendo incidir juros e multas abusivos sobre os impostos apurados, digno de um agiota, que o contribuinte não tem condições de pagar; III. a autoridade fiscal desconsiderou todas as deduções, inclusive aquelas que evidentemente poderiam ter sido comprovadas, o que obsta a produção dos regulares efeitos ao auto de infração. Ademais, o declarante não apresentou os comprovantes das despesas dedutíveis porque não tinha conhecimento dos valores declarados pelo contador (profissional contratado), bem como a própria Receita Federal não informou quais os valores que deveriam ser comprovados; IV. na forma acima, pugna pela exclusão de todas as multas lançadas, nos termos abaixo: V. devem ser restabelecidas as despesas, nos termos que seguem: É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 229DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.725358/201096 Acórdão n.º 210201.639 S2C1T2 Fl. 3 5 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 18/02/2011, sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 17/03/2011, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 22/03/2011. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Apreciando detidamente o recurso voluntário, vêse que o contribuinte não se insurgiu contra nenhum ponto específico da autuação (ou da decisão recorrida), mas fez apenas alegações genéricas contra as multas lançadas, bem como em face das glosas efetuadas. E caberia ao contribuinte expressamente indicar a matéria tributável que entendesse indevida, na linha do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente constestada pelo impugnante). De se ressaltar que a decisão da DRJ já reconhecera que o contribuinte somente contestou algumas (pouquíssimas) das despesas médicas glosadas, sendo definitiva a maior parcela de tal glosa, e, no tocante às demais glosas, contestou a exclusão dos dependentes, que foram restabelecidos pela decisão recorrida, e, parcialmente, as glosas com despesas de instrução, igualmente acatadas em parte pela decisão recorrida. Com o quadro acima, poderseia trancar esta instância para a maior parte das discussões, por ausência de expressa controvérsia no recurso. Porém, considerando que se trata de recurso voluntário produzido pela própria pessoa física, em regra não conhecedora dos meandros da legislação tributária, aqui se será mais indulgente com o trancamento da instância por não contestação, e passase a apreciar, dentro do máximo possível, as questões deduzidas no recurso. Inicialmente, como já dito na decisão recorrida, no âmbito tributário não se investiga se o contribuinte agiu com dolo ou culpa, não importando a contratação de terceiro para confeccionar suas DIRPF, como ato a elidir a responsabilidade do declarante. Na verdade, não interessa investigar qualquer elemento volitivo para imputar uma infração ao contribuinte, com imposto e multa vinculada, como se vê pelo art. 136 do CTN (Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato), ou seja, o contribuinte é responsável pelas declarações apresentadas ao fisco, não podendo se escudar em terceiros contratados para este fim, até porque, como se viu no caso destes autos, o recorrente foi beneficiado por restituições indevidas, ou seja, o ato do pretenso terceiro o favoreceu diretamente, a indicar que o contribuinte não funcionou inocentemente nas infrações que lhe foram imputadas. Para tanto, as despesas inexistentes, mormente as despesas médicas, chegaram a representar parcela expressiva do próprio rendimento tributável, implicando na restituição quase completa do imposto retido na fonte, a partir do processamento das declarações de ajuste anual respectivas. Como exemplo por todos, no anocalendário 2009, as despesas médicas montaram R$ 41.237,04, enquanto os rendimentos tributáveis atingiram R$ 84.629,02 (antes de se abater a despesa com previdência oficial/privada e o próprio IRRF, o que reduz o rendimento líquido), a indicar que a proporção das despesas médicas em face dos rendimentos representou até percentual maior do que a relação entre os dois numerais antes transcritos, é dizer, é completamente descabida a dedução de despesa médica que represente metade dos rendimentos tributáveis do declarante, quando este não demonstre a ocorrência de grave infortúnio a justificar dispêndio dessa magnitude. Na hipótese destes autos, o contribuinte sequer adentrou com profundidade no pedido de restabelecimento das despesas Fl. 230DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 médicas, ficando a se escorar na contratação do tal profissional contábil. Esse quadro ocorreu em todos os anos auditados. Em um cenário como o acima demonstrado, é difícil acreditar que o contribuinte agiu de boafé, sem dolo. É absolutamente inverossímil acreditar na versão de que o contribuinte somente teve conhecimento das infrações quando intimado pela autoridade autuante. Em uma situação dessa espécie, o dolo do contribuinte foi direto, tendo conhecimento das infrações perpetradas, ou indireto, correndo o risco delas, aqui porque se beneficiou diretamente das restituições indevidas. Em ambas as situações, cabível a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o imposto devido, naquelas infrações em que a conduta dolosa emerge dos autos, como no caso das despesas médicas que tiveram a glosa mantida na decisão a quo, despesas essas com diversos “profissionais” informados anos a fio, e até hoje sem qualquer comprovação. No tocante à glosa da despesa com instrução, naquilo que restou mantido na decisão recorrida, correta a incidência da multa ordinária de 75%, na forma do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Repisese, por último, que o recorrente não contestou especificamente as glosas mantidas na decisão recorrida, o que dificulta a compreensão por este relator das matérias que foram efetivamente submetidas a esta Turma de Julgamento. Com as considerações acima, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 231DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
