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Numero do processo: 10380.009931/2004-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 9101-002.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Subvenções. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado M DIAS BRANCO S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DIVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará e do Rio Grande do Norte, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem ser registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 99 31 /2 00 4- 31 Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 2 (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial (fls.842/861), interposto pela Fazenda Nacional, em 06/05/2008, contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova, e por divergência jurisprudencial, com fundamento no art. 7º, incisos I e II, respectivamente, e art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. 2. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10196.416, sessão de 07 de novembro de 2007, por meio do qual os membros da 1a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), assim acordaram: "por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos documentos apresentados após o início do julgamento e rejeitar a preliminar de decadência; no mérito: 1) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso quanto a matéria subvenção, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Antonio José Praga de Souza; 2) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto a matéria "projeto de modernização"; 3) Por unanimidade de votos, DAR provimento quanto a exclusão da CSL no lucro da exploração; 4) Por unanimidade de votos, apartar a exigência da multa de ofício isolada para que seja julgada em conjunto com o Processo nr. 10380.008521/200473. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado". 3. A Fazenda Nacional alega divergência jurisprudencial entre Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes em relação ao tratamento dado ao lucro da exploração e à aplicabilidade da multa prevista no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9430/1996. Alega, também, contrariedade à lei em relação a questão das subvenções, da seguinte forma: "A análise dos contratos de mútuo firmados pelo Recorrido demonstra que os recursos percebidos não podem ser classificados como subvenção para investimento, logo não podem ser excluídos da apuração do lucro real. Portanto, verificase que a decisão ora impugnada contraria os arts. 392 e 443 do RIR/99, já que há falta de adição ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, de rendimentos auferidos a título de subvenção para capital de giro." 4. Por meio do Despacho 101212/2008 (fls.863/865), de 10/07/2008, o Presidente da 1a Câmara do 1ºCC reconheceu a tempestividade e: Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 9101002.085 CSRFT1 Fl. 1.019 3 a) NEGOU seguimento ao Recurso Especial em relação à suposta divergência jurisprudencial, por entender que "a Recorrente deixou de efetuar o devido cotejo analítico" e "que a Recorrente não atendeu requisito indispensável ao seguimento do apelo, isto é, deixou de demonstrar, fundamentadamente, o pretendido dissídio jurisprudencial. Ou seja, deixou de realizar o necessário cotejo analítico entre as decisões postas em confronto"; b) DEU seguimento ao Recurso Especial em relação a suposta contrariedade à lei, isso "porque a câmara entendeu por maioria que eram sim subvenções para investimentos e por isso poderiam ser excluídos da apuração do Lucro Real". 5. Inconformada, a Fazenda Nacional, por intermédio de seu representante legal, apresentou, em 29/08/2008, AGRAVO (fls.867/869) em face do Despacho 101212/2008 (do qual tomou ciência em 28/08/2008), com fulcro no art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. 6. O Despacho nº 91012010.197 (fl.878/878v), de 20/10/2009, declarou a tempestividade do Agravo, nos termos do §1º do art. 17 do RICSRF, mas o REJEITOU, confirmando o despacho agravado, ao asseverar que "não cabe ao presidente da câmara recorrida "detectar" a divergência. O Recorrente deve fundamentála, confrontando as razões de decidir dos arestos". Também registrou que o referido despacho "é definitivo na esfera administrativa e não comporta qualquer tipo de recurso, sejam embargos ou pedido de reconsideração, dentre outros, cabendo à Secretaria da 1a. Seção de Julgamento do CARF verificar o adequado prosseguimento do processo". 7. O contribuinte interpôs, em 15/01/2010, Embargos de Declaração (fls.891/908) e Contrarazões (fls.911/919) ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista sua intimação em 11/01/2010 (fl.890). 8. Através do Despacho nº 110100.167 (fls.936/942), de 02/07/2012, da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento (SeJul) do CARF, os Embargos de Declaração foram admitidos nos termos propostos. Por meio do Acórdão nº 1101000.974, de 09/10/2013, os membros do citado colegiado, por unanimidade de votos, conheceram dos Embargos de Declaração e deramlhe provimento. 9. Em resumo, chega a esta Câmara Superior o Recurso Especial da Fazenda Nacional por contrariedade a lei contra decisão nãounânime de Câmara, quanto a natureza das subvenções em apreço, se de custeio ou de investimentos. Os Embargos de Declaração e o respectivo Acórdão deles decorrentes trataram de questão diferente da que sobe a CSRF e não têm influência na discussão da parte subsistente do Recurso Especial. 10. A Fazenda Nacional tratou dos fundamentos para a reforma do acórdão recorrido às fls. 845 a 853 do Recurso Especial. Por sua vez, o Contribuinte, em sede de Contrarrazões, levantou preliminar de não conhecimento (fls.913/914), onde defendeu que a fundamentação a sustentar a alegada contrariedade à lei foi toda fundada e amparada na decisão de 1a instância, que, por sua vez, foi "manifestamente rechaçada pelo v. acórdão recorrido", tendo esta e seus argumentos sido enfrentados e julgados em instância própria; e, no mérito, sustentou o não provimento do recurso às fls. 914 a 918. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 4 11. Feito esse breve histórico do processo, por bem descrever os fatos, adoto, com algumas modificações para maior clareza, o bem detalhado Relatório do acórdão recorrido, elaborado pelo Conselheiro Valmir Sandri, na parte que interessa a esta Excelsa Câmara: M. DIAS BRANCO INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA., já qualificado nos autos, recorre a esse E. Conselho de Contribuintes de decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE, que, por unanimidade de votos julgou procedente os lançamentos efetuados a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 04/15) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 16/27), relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1999 a 2002, ... Referidas autuações tiveram origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias efetuado no estabelecimento da Contribuinte, onde a fiscalização constatou falta de adição, para fins de determinação do lucro real, de rendimentos auferidos a título de subvenção para capital de giro, não incluídos na apuração do lucro liquido referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, bem como ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, da CSLL do anocalendário de 2000. ... Devidamente notificada dos lançamentos, impugnou o feito em 30.11.2004 (fls. 131/159), onde contestou integralmente as exigências. À vista de sua Impugnação, a 4a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza CE, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos. Inicialmente a decisão recorrida fez um breve histórico acerca das subvenções que a empresa celebrou com a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará e o Banco do Estado do Ceará S/A. (BEC Contrato de Mútuo de Execução Periódica PROVIN/BECCONTRATO 440070/4 (fls. 48/61) FDI/PROVIN33.0321 (fls. 63/66) AGN/PROADI 2004/017 repasse do Contrato PROADI 99/04), asseverando que pela Cláusula Primeira dos Contratos de Mútuo firmados pela empresa com o Governo do Estado do Ceará (itens 1.3 e 1.4), verifica se que os recursos decorrentes do empréstimo contratado destinamse à composição do esquema financeiro necessário ao capital de giro da unidade industrial da Recorrente. Por outro lado, do Contrato de Mútuo firmado pela empresa com o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, vêse que os recursos financiados destinamse à formação de seu ativo, não especificando, contudo, o grupo de ativo a que estes poderiam ser alocados. Sendo assim, esclarecem os julgadores que o cerne do litígio reside em saber se se tratam tais recursos de subvenções de capital, como considerou a fiscalização, ou subvenções para investimento, como aduz a contribuinte em sua defesa. Ressaltaram que o tratamento tributário das subvenções recebidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, está determinado nos artigos 392 e 443 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Dessa forma, as subvenções correntes para custeio ou operação devem ser classificadas nos resultados operacionais da empresa beneficiada, enquanto que as subvenções para investimento não serão computadas na determinação do lucro real, segundo se pode concluir da leitura dos referidos artigos do RIR/99. Entretanto, as subvenções para investimento não serão computadas na determinação do lucro real, desde que satisfeitas as condições exigidas no art. 443 do RIR/99. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 9101002.085 CSRFT1 Fl. 1.020 5 Os julgadores transcreveram também o Parecer Normativo CST n° 112/78, editado com o objetivo de analisar o tratamento fiscal das subvenções, face às disposições da Lei n° 4.506/64, art. 44, IV e do DecretoLei n° 1.598/77, art. 38, §2°. Observaram que no item 2.12 do referido Parecer Normativo, as subvenções, para se caracterizarem como de investimento, devem apresentar características bem marcantes. A primeira, é que haja a clara manifestação do subvencionador de que os recursos relativos à subvenção sejam aplicados em investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado; a segunda característica é que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, segundo a manifestada intenção do subvencionador, nos mencionados investimentos. Verificaram que no caso dos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, a lei estadual que autorizou o pagamento do financiamento com desconto de até 75% (CE) ou até 99% (RN), não dispôs sobre a obrigatoriedade de que os recursos decorrentes de tal benefício fossem destinados a investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado. Consignaram que uma das características do financiamento beneficiado concedido pelo Governo do Estado do Ceará é a destinação para aplicação em investimento fixo ou capital de giro, ou ambos, cumulativamente. Com efeito, os incentivos, ora em análise, provenientes do PROVIN e PROADI, tratam de colocar à disposição da empresa beneficiária recursos que serão cobrados, que farão parte de uma obrigação de pagamento, portanto, exigível, que fará parte do passivo da empresa. Prosseguiram afirmando que os incentivos fiscais tratam, a princípio, da concessão de um financiamento em determinado instante (ingresso de recursos com a contrapartida da exigibilidade), e num segundo instante, que será o do pagamento das parcelas do dito financiamento em que ocorre um desconto, que poderá chegar até aos 75% (setenta e cinco por cento) no Estado do Ceará ou 99% (noventa e nove por cento) no Estado do Rio Grande do Norte, incluindo, o principal e juros (dispensa da cobrança de um percentual, ou melhor dizendo, a anulação da exigibilidade). Verificaram os julgadores que segundo se deflui dos Contratos de Mútuo firmados pelo fiscalizado, os recursos do financiamento se destinam a investimento fixo ou capital de giro. Assim, indaga a r. decisão recorrida como classificar então, esses recursos como subvenção para investimento se o conceito desta inclui apenas a transferência de recursos com a finalidade de auxiliar o beneficiário na aplicação específica em bens ou direitos? Quanto à outra característica das subvenções para investimento seria a perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. No presente caso, se se pudesse considerar o desconto como subvenção, destacaram os julgadores que tais recursos não utilizados para o pagamento do financiamento, poderiam ter qualquer utilização, sem qualquer sincronia de ação por parte do beneficiário com a intenção de quem concedeu o benefício, o que o descaracteriza como subvenção para investimento. Nesse sentido, afirmaram que o auxílio obtido pela empresa beneficiária com o desconto evidencia, apenas, um não desembolso financeiro, o qual poderá ser utilizado como ela bem aprouver. Nesse caso, se tratam de recursos não vinculados a aplicações específicas, os quais devem integrar a receita bruta operacional da empresa beneficiária para efeito de determinar o lucro sujeito à tributação. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 6 Do teor dos contratos de mútuo acostados aos autos concluíram os julgadores pela total impossibilidade de se acatar a pretensão da Contribuinte, uma vez que o benefício em questão não traz desde a sua concepção, as características necessárias para que o mesmo se configure como subvenção para investimento. Com base no exposto, concluíram que não se configura como subvenção para investimento os recursos financeiros decorrentes dos Contratos de Mútuo de Execução Periódica, aportados na empresa mediante incentivo financeiro concedido pelos Governos dos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte, uma vez que tais recursos destinamse ao capital de giro da empresa, caso do PROVIN, e à formação do ativo da pessoa jurídica, sem especificar o grupo de ativo a que estes poderiam ser utilizados, caso do PROADI, concluindose que ditos recursos podem ser utilizados, pelo beneficiário, como bem lhe aprouver. Também, os contratos firmados não prevêem a comprovação da aplicação dos recursos, tratandose, portanto, de aportes não vinculados a aplicações específicas, o que implica que estes devem integrar a receita bruta operacional da empresa beneficiária para efeito de determinação do lucro real sujeito à tributação. ... Intimada da decisão de primeira instância (fls. 589), recorreu a este E. Conselho de Contribuintes às fls. 590/634, oportunidade em que asseverou: Inicialmente, esclarece que o chamado Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI destinase a custear os incentivos concedidos através do Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas PROVIN. Prossegue afirmando que o referido Programa representa um incentivo do Governo do Ceará para estimular à instalação, ampliação ou modernização de parques fabris no Estado. Este incentivo consiste em concessão de empréstimos por meio do Banco do Estado do Ceará BEC, com recursos advindos do FDI. Os recursos do FDI provêm de parte da arrecadação do Imposto sobre Operações de Circulação de Mercadorias ICMS. A característica fundamental deste benefício é a de estimular o crescimento e modernização do setor industrial do Ceará. Afirma que o PROVIN utilizase de recursos do FDI, conforme se observa do Contrato de Mútuo em favor da Empresa Comercial e Industrial de Produtos Vegetais Ltda. e seus aditivos (Contrato 44.0070/4) e Contrato em favor de M. Dias Branco S/A. Comércio e Indústria Divisão GME e seus aditivos (Contrato 33.0321). Em ambos os contratos o BEC atua como órgão gestor do FDI, em favor e em benefício do desenvolvimento do setor industrial do Estado do Ceará. Aduz que os objetivos do FDI e dos mútuos em favor das empresas são os incentivos à implantação, relocalização e ampliação de unidades fabris; incentivos às empresas fabricantes de componentes adquiridos fora do Estado do Ceará; promoção da diversificação e sofisticação da pauta de produção industrial cearense, conforme Decreto n° 22.719A, de 20/08/1993. Nesse sentido, conclui que o benefício tem relação com o investimento às atividades industriais desenvolvidas no Estado do Ceará. E, para que a empresa seja qualificada para receber tal benefício, os órgãos competentes devem fazer uma análise criteriosa, do valor que esta empresa possa agregar para o Estado. Assim, afirma a Contribuinte que o PROVIN claramente se enquadra como um benefício fiscal, na medida em que cada concessão de empréstimo depende do efetivo pagamento do ICMS e, também, é baseada no percentual do ICMS efetivamente recolhido. A Lei Complementar n° 24/1975 inclui como os benefícios sujeitos à avaliação do Conselho Nacional de Política Fazendária ("CONFAZ") a quaisquer outros incentivos ou favores fiscais ou financeirosfiscais, concedidos com base no ICMS. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 9101002.085 CSRFT1 Fl. 1.021 7 Ainda a esse respeito, afirma que teve seus projetos aprovados sob o âmbito do PROVIN, celebrando os contratos: (a) Contrato 44.0070/4 em 23/12/1992, prorrogado até dezembro de 2005; e (b) Contrato 33.0321, celebrado em 19/04/2002, com efeitos até 2017; Em relação ao PROADI Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte, ressalta que este tem características semelhantes como as do PROVIN, tendo, portanto, como principal objetivo apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do estado do Rio Grande do Norte, conforme expresso no art. 1o do Decreto n° 13.723/97. Trata se, pois, de subvenção de investimento visando ao desenvolvimento industrial, cujas ferramentas são empréstimos concedidos em favor das empresas. A subvenção se condiciona ao comprometimento do Mutuário a instalar novas empresas e/ou aumentar a produção existente, recebendo em troca isenções parciais do ICMS devido no Estado do Rio Grande do Norte. Dessa forma, entende a Contribuinte que no presente caso faz jus ao beneficio fiscal, uma vez que cumpriu com todas as condições e formalidades necessárias após a assinatura do "Protocolo Moinho Potiguar", através do Contrato de Mútuo firmado entre Grande Moinho e Indústria de Massas Ltda. e o Banco do Brasil S/A. (Contrato 99/04), sob determinadas condição suspensiva do cumprimento. Alega, ainda, que conforme o Contrato 99/04, o BB se compromete a conceder empréstimo cujas liberações são mensais e prazo de vencimento de dois meses, a contar de cada liberação, conforme Cláusula Sexta. Neste empréstimo, a empresa beneficiária dispõe de taxa de juros inferior ao que encontraria caso fosse contratálo no mercado. Como condição para liberação dos empréstimos, está a obrigação da empresa beneficiária em cumprir fielmente com suas obrigações de recolhimento de ICMS ao Estado do Rio Grande do Norte. Pelo exposto, afirma que o PROVIN e o PROADI claramente se enquadram como um benefício fiscal. Ressalta que os benefícios concedidos no âmbito do PROVIN e PROADI têm natureza jurídica de subvenção para investimento; conforme expresso no art. 443 do RIR/99, equiparase à subvenção para investimento a concessão de benefícios fiscais de isenção ou redução de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Sendo assim, no caso em tela, afirma ser beneficiário de incentivos que, claramente e pela legislação que os regem, servem para estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Ainda segundo a Contribuinte, "investimento" deve ser entendido na sua acepção nata, ou seja, não se trata do "investimento" contábil, eis que, sob essa rubrica, na contabilidade das empresas, caberia apenas e tãosomente os investimentos permanentes em outras sociedades. Claramente, o "investimento" deve ser entendido como qualquer dispêndio necessário para a implementação, expansão ou manutenção dos empreendimentos econômicos. Prossegue afirmando que a caracterização de um aporte de recursos como "subvenção para investimento" depende, fundamentalmente, da finalidade que sustenta a entrega de recursos públicos ao particular. No caso em tela, a finalidade do PROVIN e PROADI é estimular o desenvolvimento industrial. Esta finalidade, por si só é suficiente para que o benefício se caracterize como sendo subvenção para investimento. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 8 Alega que ao contrário do que afirma o Fiscal Autuante, os recursos provenientes do mútuo visam a estimular a expansão e modernização da empresa, tratandose, pois, de subvenção para investimento. O que se percebe também no "Protocolo Moinho Potiguar" firmado com base no PROADI, segundo o qual o Mutuário "comprometese a instalar no Estado do Rio Grande do Norte uma unidade industrial, e tem por objetivo a moagem e industrialização do trigo em grão, para fabricação de farinha de trigo e demais produtos derivados". Afirma que registrou todos os valores de subvenção para investimento em conta de reserva de capital, conforme determina o art. 443 do RIR/99, observando o disposto no art. 182 da Lei das Sociedades Anônimas e o entendimento da Comissão de Valores Mobiliários em relação ao tratamento contábil aplicável às subvenções para investimentos. Assim, foram cumpridas as condições expressamente listadas no referido artigo para que se caracterize uma subvenção para investimento: (a) redução de impostos (ICMS) concedido como estímulo à expansão de empreendimentos econômicos; e (b) registro das subvenções como reserva de capital; Quanto a CSLL, destaca que, em se tratando de uma reserva de capital e não de uma receita contabilizada no resultado do exercício não há que se falar em incidência desta Contribuição, seja porque as subvenções para investimento não compõem o lucro líquido do exercício, seja porque não há base legal exigindo a tributação dos montantes registrados como reserva de capital. Por conseqüência e expressa determinação legal, os valores registrados como reserva de capital correspondentes às subvenções para investimentos recebidas pela Contribuinte não podem de maneira alguma compor a base de cálculo da CSLL ou do IRPJ; Transcreve, ainda, diversas jurisprudências do Conselho de Contribuintes reconhecendo a natureza de subvenção para investimento, em se tratando de benefícios concedidos pelos Estados. 12. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Conheço do recurso, pois presentes os pressupostos de admissibilidade, afastando a preliminar de nãoconhecimento no próximo item. 3. Como motivação para o nãoconhecimento, como visto no relatório, a recorrida alega que a Fazenda Nacional embasou o recurso nos fundamentos da decisão de primeira instância. 3.1. Consultandose o recurso especial, de fato, percebese que a recorrente reproduziu a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Fortaleza/CE sobre a matéria. 3.2. Não obstante, a recorrente também citou doutrina (o Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2006. Coordenador Marcelo Magalhães Peixoto); transcreveu trecho do Parecer Normativo CST nº 112/78, que não consta na decisão de 1a instância (o item 2.12, na pg.846 e 850; e os itens 2.14 e 3.1, na pg.851) e fez verificações próprias (pg.846, segundo parágrafo). Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 9101002.085 CSRFT1 Fl. 1.022 9 3.3. Assim, encampar adicionalmente os fundamentos da decisão da DRJ não pode ser tomado como justificativa para não se chegar a conhecer o recurso especial, até mesmo porque o Regimento Interno da CSRF, vigente à época, não incluiu, entre os requisitos de admissibilidade do recurso por contrariedade a lei ou a evidência de prova, a vedação de adotar as razões da decisão da primeira instância. 3.4. Assim, há que se reconhecer que a transcrição de parte da decisão da DRJ de Fortaleza/CE teve por fim apenas, nos termos da recorrente, "fortalecer esse entendimento"; o entendimento que defendeu linhas acima. 3.5. Portanto, com base no dito acima, não encontro lógica em deixar de se conhecer do recurso especial. 4. Superada essa questão, passo ao mérito, entendendo que assiste razão a recorrida. 5. A respeito das subvenções outorgadas por Estados Membros da Federação Brasileira como incentivos a implementação ou ampliação da atividade industrial, adoto, com pequenos ajustes, por estar bem fundamentado e apropriado à situação (já que trata do mesmo benefício fiscal do Estado do Ceará), o voto do ilustre Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, condutor do Acórdão unânime nº 9101001.798, de 19/11/2013, desta mesma Turma da Câmara Superior. "Tema 2 Não reconhecimento de incentivo fiscal de ICMS como subvenção para investimento. O acórdão recorrido1, em relação ao tema, tem a ementa com o seguinte teor: IRPJ SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL NÃO CARACTERIZAÇÃO Incentivo financeiro concedido por governo estadual, a titulo de subvenção para capital de giro, não se traduz em "subvenção para investimento", mormente quando não efetiva e especificamente aplicada pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, mas sim para atender despesas correntes do beneficiário. Não subsiste dúvida de que o tema em debate diz respeito à natureza pela qual os benefícios fiscais concedidos pelo Estado do Ceará devem ser contabilizados: se como subvenção de custeio (conforme definido no acórdão recorrido) ou se subvenção de investimento (conforme defendido pela Recorrente)2. Em seu recurso especial o contribuinte discorre sobre as diferenças entre transferência de renda e transferência de capital, e também entre as subvenção de custeio e de investimento, cita o Parecer Normativo CST n. 112/78 e acrescenta que no caso de subvenção para investimento, a transferência de capital pode ser feita de duas formas: por meio de ingressos de recursos; ou por meio de isenções ou reduções de impostos, e após fixa 1 Naquele caso, tratavase do Acórdão nº 130100129. 2 Aqui invertemse as posições. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 10 quatro premissas para a caracterização dos ingressos como subvenção para investimento: I. As transferências devem ser contabilizadas como reserva de capital; II. Vinculação de sua aplicação aos projetos aprovados pelo Poder Público para ampliação ou expansão do empreendimento econômico; III. O seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico; e IV. As subvenções para investimentos podem ser tanto ingressos de recursos como isenções ou reduções de impostos. A seguir sustenta que não há dúvidas sobre o cumprimento das premissas I, III e IV e discorre sobre o cumprimento da premissa II a partir dos termos do contrato de mútuo e cita jurisprudência do CARF. Nas contrarrazões a PGFN discorre sobre os conceitos de subvenção e seus efeitos tributários, cita o Parecer Normativo CST n. 112/79 e doutrina, sustentando que subvenções são receitas e que devem ser tributadas salvo se estiver prevista isenção, a qual deve ser interpretada literalmente (art. 111, II, do CTN). Adiante cita a Solução de Divergência Cosit n. 15/2003 (pareceme que, no caso presente, todos os requisitos ali previstos foram cumpridos). Adiante a PGFN sustenta que "a decisão recorrida foi perfeita ao classificar como de investimento as subvenções concedidas à Recorrente pelo Estado do Ceará." (pg. 12) Adiante revisa o pacto de mútuo e ressalta a cláusula que trata do uso dos recursos como capital de giro e sustenta que (a meu ver de maneira contraditória): "Além disso, o Contrato de Mútuo firmado pela Recorrente dispõe que os recursos do financiamento se destinam ao capital de giro, isto é, inclui apenas a transferência de recursos com a finalidade de auxiliar o beneficiário, o que afasta a subvenção da classe "subvenção de investimento"." Adiante cita a decisão da DRJ e Parecer Normativo CST n. 112/1978 e jurisprudência da CSRF que em casos semelhantes entendeu ser subvenção de custeio. Verificadas as posições do recorrente da Fazenda, passamos à análise do tema. Há um argumento, não constante do acórdão recorrido, mas que consta da decisão da DRJ/FOR (fl. 307), de que tal operação não se trata de subvenção, que merece consideração preliminar. Ora, se a operação em debate não for considerada subvenção, seria um empréstimo puro e simples e o lançamento da obrigação em conta de passivo eliminaria qualquer dúvida de que a contrapartida não deve ser contabilizada como receita tributável. Trata se de subvenção e o desenlace futuro da conta de reserva de capital (baixa ou conversão em participação) é tema cujo deslinde não impacta o lançamento em debate. Inicialmente há que se ressaltar que as subvenções são em regra receitas tributáveis pelo IRPJ, somente que as subvenções para custeio ou operação são sempre tributáveis e as subvenções de investimento não são receitas tributáveis se cumprirem determinados requisitos. É que se extrai do conjunto normativo que rege a matéria, em especial os artigos 392, I (com base no art. 44, IV, da Lei n. 4.506/1964), que trata das subvenções para custeio ou operação e 443 do RIR/1999, que tem a seguinte redação: Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 9101002.085 CSRFT1 Fl. 1.023 11 Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 38, § 2 º, e DecretoLei n º 1.730, de 1979, art. 1 º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Frisese que no presente caso não se trata de isenção, mas de uma forma de redução do ICMS devido por via de esquema financeiro, o que a afasta a incidência do art. 111, II, do CTN. Do que consta dos autos defluise que a contrapartida efetuada pelo contribuinte foi na conta reserva3 de capital (conta 2.4.2.3.02000000 EEC FDI/PROVIN OPERAÇÃO 33.0097/8, representativa de Reserva de Capital e integrante do Patrimônio Liquido, cf. fls. 27 e 28). Assim neste aspecto cumpre a exigência do art. 443, I, do RIR. Resta perquerir se esta subvenção é de investimento no termos do caput do artigo, em virtude de que não há acusação de descumprimento dos termos do art. 545 do RIR, pois não resta dúvida de que tratase de redução de impostos, ainda que por via de esquema financeiro envolvendo agente financeiro oficial. Consta do item 1.3. do contrato4 que envolve o benefício que os recursos5 "destinamse à composição do esquema financeiro necessário ao capital de giro da unidade industrial da MUTUÁRIA para a produção de farinha, farelo, margarina e óleos vegetais de acordo com o projeto econômico e respectiva memória de análise elaborada por equipe técnica do BEC." (fl.49). Destaquese que foi a destinação à constituição de capital de giro, tendo sido o ICMS sobre vendas deduzido da receita, caracterizando a parcela do subsídio como redução de custos/despesas, que fundamentou a acusação fiscal para descaracterizar como subvenção de investimento (fl. 056), visto que os outros requisitos estão cumpridos. ... ... A PGFN em suas contrarrazões reforça este entendimento, mesmo porque no auto de infração e TVF não há motivação adicional (i.e., provas de destinação diversa dos recursos). Contudo pareceme não ser coerente considerarse apenas o contrato de mútuo para efeito da análise do caso 3 No caso concreto, podese encontrar afirmação da autoridade fiscal de que há contabilização de reserva à fl.05 do Auto de Infração de IRPJ e à fl.17 do Auto de Infração de CSLL. 4 No caso concreto, mesmo item. 5 No original do voto: "destinamse à composição do esquema necessário ao capital de giro da unidade industrial da Mutuária (contribuinte) para a produção industrializada, comercialização e representação de conformados de chapas e vergalhões de aço, bem como a importação e exportação, de acordo com o projeto econômico e respectiva memória de análise elaborada por equipe técnica do BEC" (fl. 60) 6 No caso concreto, fl.05 para o IRPJ e fl.17 para a CSLL. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 12 presente. Antes do contrato, que é feito com um agente financeiro, há que se verificar os termos impostos pelo Governo do Estado que concedeu o benefício, e que fiscaliza o seu cumprimento. Assim, no protocolo de intenções, que decorre da lei que concedeu o incentivo, fica claro que o destino dos recursos é a expansão do empreendimento, condição que satisfaz a norma do art. 443 do RIR, pois se trata de utilizar os recursos da subvenção em "investimentos" que aqui tem sentido genérico7 (que não deve ser entendido somente como inversão em ativo imobilizado ou o investimento conforme consta da Lei 6.404/76, em seu art. 179, III, o que levaria à necessidade de usar os recursos para aquisição de ações ou quotas de capital de outra sociedade o que seria uma contradição em relação à finalidade da lei estadual que criou o incentivo). Neste sentido, sustenta o contribuinte, em aspecto não refutado (fls.142): Com efeito, a concessão do aludido beneficio fiscal teve origem no Protocolo de Intenções assinado com o Governo do Estado do Ceará em 21 de novembro de 1995, cujo objetivo foi formalizar o estimulo à implantação de uma unidade industrial da empresa autuada. Referido documento deixou manifesto o interesse público do Estado do Ceará em fomentar o desenvolvimento da atividade econômica da empresa citada, por considerála de grande importância para o incremento da economia local e para a geração de empregos. Filiome à mesma linha de raciocínio do voto condutor do paradigma apresentado pela corrente, i.e., o Acórdão da CSRF n. 910100.566, 10 de maio de 2010, de relatoria do i. Claudemir Rodrigues Malaquias que, forte na legislação do estado que concede o benefício, entende haver subvenção para investimento, dentre outros aspectos que reforçam aquele entendimento. O mesmo me parece ocorrer no caso presente em face de lei cearense (Lei n° 10.367, de 07/12/79), que prevê em seu art. 2º: Art.2° Para a promoção industrial o FDI assegurará às empresas industriais consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento econômico do Estado e/ou seus acionistas incentivos de implantação, funcionamento, relocalização, ampliação e modernização ou recuperação, sob a forma de subscrição de ações, participações societárias, empréstimos, observada a legislação federal pertinente. Forte também nos argumentos expendidos pela i. C. Sandra Faroni no Acórdão 10194.676, da 1a Câmara do 1o CC, de 15 de setembro de 2004, sobre tema idêntico (mesma matéria ...), considero que a operação no caso concreto corresponde à subvenção para investimento, não tendo a fiscalização comprovado sua desqualificação enquanto tal ou demonstrado, sob o ponto de vista fático ou legislativo, que se trata de subvenção de custeio." (Grifouse) 6. Assim, acertadas as seguintes colocações da recorrida8: Com efeito, a fim de estimular o crescimento e modernização do setor industrial, foram implementados programas de incentivo fiscal no âmbito dos Estados em que a recorrida instalou seus empreendimentos. 7 A doutrina também entende nesta forma, ver, e.g., Edmar Oliveira Andrade Filho. Imposto de Renda das Empresas. 6a ed. rev. at. São Paulo: Atlas, 2009, p. 133. 8 Em sede de memoriais, apresentados em sessão de julgamento de novembro de 2014. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 9101002.085 CSRFT1 Fl. 1.024 13 Dessa forma, para fazer jus aos incentivos, a contribuinte obrigavase a apresentar projetos de investimento referentes à construção de novas unidades fabris, os quais eram submetidos aos respectivos órgãos estaduais que analisavam e deferiam, ou não, o benefício mediante promessa de concessão de investimento. Uma vez aprovada a referida promessa, a contribuinte assumia o ônus de adiantar o investimento, realizando, às suas expensas, todas as obras concernentes à sua implantação, ou seja, construção de unidades fabris, aquisição e instalação dos equipamentos necessários ao pleno funcionamento, seleção e contratação de empregados. Mediante o constante acompanhamento do projeto e a realização de diversas auditorias pelos órgãos estaduais, apuravase se haviam sido cumpridos os projetos aprovados e o compromisso de desenvolvimento econômico de cada região, contemplandoo com a possibilidade de recomposição do capital investido mediante subvenção para investimento concedida pelo poder público estadual. Ora, diante das circunstâncias em que os incentivos para investimento eram concedidos não só pelo Estado do Ceará, mas por qualquer Estado a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do processo administrativo 10283.005506/200391, em 17 de maio de 2010, muito similar ao presente, sedimentou que a subvenção para investimento estará caracterizada quando a Lei Estadual trouxer mecanismos que assegurem a efetiva aplicação da transferência na implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos. Nesse sentido, eis trecho do voto proferido pelo Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias: "[...], de início, impõese investigar a natureza jurídica do benefício fiscal do ICMS, do qual a Recorrente é beneficiária, e verificar se tal benefício pode ser considerado, para fins fiscais, como subvenção para investimento, ou para custeio, conforme entendimento do acórdão recorrido. Para tal, a análise da lei concessiva tornase essencial para o deslinde da questão. [...] Ora, verificase na lei estadual, que os incentivos visam promover os investimentos para integração, expansão, modernização e consolidação dos setores econômicos daquele Estado. Ao percorrer o dispositivo, notase que a lei é clara ao estabelecer que os incentivos visam essencialmente o incremento e a consolidação da atividade econômica na região. Assim, ao contrário da decisão, não há como considerar que a renúncia fiscal, consubstanciada pela restituição do ICMS à Recorrente, seja única e tão somente para recuperar custos de sua atividade operacionai, desvinculada de qualquer interesse público" De fato, interessante observar que depois de firmado esse entendimento, a Primeira Turma da Câmara Superior passou a analisar a legislação estadual para caracterizar o incentivo como subvenção para Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 14 investimento, o que pode ser confirmado pelos acórdãos proferidos em diversos processos pós 17 de maio de 2010. ... Particularmente sobre a legislação cearense que regulamenta a concessão do incentivo, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já se debruçou9 e, após análise detalhada, concluiu, por unanimidade, que se trata de subvenção para investimento. ... 7. Também na Câmara Superior, podese encontrar o Acórdão nº 9101001.094, de 29/06/2011, da relatoria do Conselheiro Alberto Pinto, que contém a seguinte ementa: IRPJ. Subvenção para Investimento. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. 8. E, aprofundando a jurisprudência do CARF sobre esse incentivo fiscal do Estado do Ceará (FDI/PROVIN), indico adicionalmente os julgados a seguir. 8.1. O Acórdão nº 1202000.921, de 05/12/2012, do Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que reza que: IRPJ. LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii)) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital. A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. 8.2. Interessante é o Acórdão nº 120200.691, de 17/01/2012, do Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, que registra que a DRJ tem aderido ao entendimento aqui enunciado; sem, entretanto, decidir pelo provimento da impugnação, apenas em função da vinculação funcional ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 29/10/2003. Recomendo a leitura do julgado, tendo em vista a reprodução dos argumentos da primeira instância. 8.3. E, por fim, remeto a precedentes do Extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, a saber: os Acórdãos nºs 10708.736, 10708.737, 10708.738 e 10708.739, 9 Tratase do Acórdão nº 9101001.798, que foi adotado neste voto. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 9101002.085 CSRFT1 Fl. 1.025 15 todos de 20/09/2006, do Conselheiro relator Luiz Martins Valero; e o Acórdão nº 10193.716, de 22/01/2002, da lavra do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, na oportunidade relator, sabiamente encampado pelo voto vencedor do acórdão recorrido, redigido pelo Conselheiro Caio Marcos Cândido. 9. Trouxe ainda, a recorrida, a legislação infralegal que comprova que o benefício estadual não ficou como letra norma na lei estadual, mas chegou a ser regulamentada pelo Governador do Estado. Daí que não se pode presumir que a empresa tenha deixado de observar a lei estadual e as regulamentações dela decorrentes, tendo em vista que o trabalho das autoridades fiscais não foi diligente nesse sentido. Nessa perspectiva, considerando a legislação do Estado do Ceará Decreto Estadual n. 22.719A/1993 e, posteriormente, Decreto n. 27.040/2003 , é possível observar, de forma incontroversa, que o benefício somente será concedido após análise e aprovação de projeto para ampliação, modernização e etc do empreendimento econômico, bem como a fiscalização da correta aplicação dos recursos transferidos e eventual sanção por descumprimento das obrigações. O Decreto n. 27.040/2003 consolida e regulamenta a legislação do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Estado do Ceará FDI e dispõe no artigo 3º, parágrafo 1º; artigo 8º, parágrafo 3º; artigo 10; artigo 13; artigo 29, incisos IV e IX todos os mecanismos de análise do projeto de investimento, fiscalização e etc. 10. A respeito do incentivo fiscal concedido pelo Estado do Rio Grande do Norte (RN), embora eu não tenha encontrado nenhum julgado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, tampouco nas Turmas Ordinárias do CARF ou ainda no Conselho de Contribuintes (exceto, obviamente, o recorrido), entendo que se aplica o mesmo entendimento. 10.1. Assim entendo pois a atuação se deu em situação equivalente a do incentivo concedido pelo Estado do Ceará, conforme visto na exposição anterior, ou seja, constatase que: houve registro em reserva10 de capital, a acusação fiscal foi baseada exclusivamente em cláusula do contrato que prevê utilização dos recursos na formação do seu ativo (sem, portanto, análise da legislação pertinente ou verificação de eventual implantação ou expansão de empreendimentos econômicos), e a legislação do Rio Grande do Norte permite o mesmo tratamento da legislação do Ceará. 10.2. Essa é a inteligência da Lei nº 7.075, de 17/11/1997, que, entre outras providências, dispõe sobre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio Grande do Norte (PROADI). Confirase alguns de seus dispositivos: Art. 1º O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROADI), criado pela Lei nº 5.397, de 11 de outubro de 1985, que foi alterada pela Lei nº 6.768, de 26 de abril de 1995, com o objetivo de apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do estado, passa a regerse por esta Lei. Art. 2º O PROADI destinase a assegurar a concessão de financiamento a empresas industriais, sob a forma de contrato de mútuo de 10 Podese encontrar afirmação da autoridade fiscal de que há contabilização de reserva à fl.07 do Auto de Infração de IRPJ e à fl.19 do Auto de Infração de CSLL. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 16 execução periódica, através de banco oficial credenciado pelo Governo do Estado. Art. 3º O prazo de financiamento com recursos do PROADI é de até 10 (dez) anos, dos quais até 3 (três) de carência, e a sua fixação, em cada caso, depende das características e de sua importância para a economia do Estado, de acordo com critérios definidos em regulamento. ... Art. 5º Pode ser beneficiada com os incentivos do PROADI a empresa industrial: I – nova; II – existente no território do Estado, desde que amplie a sua capacidade produtiva em pelo menos 50% (cinqüenta por cento), mediante a realização de novos investimentos fixos e circulantes; III – existente no território do Estado que, na data do pedido de concessão do incentivo, se encontre paralisada há pelo menos 12 (doze) meses ou que tenha apresentado, nos 60 (sessenta) meses imediatamente anteriores à apresentação do pedido de concessão do incentivo, capacidade ociosa correspondente a pelo menos 50% (cinqüenta por cento) da capacidade instalada total, desde que, a critério do CDE, demonstre esforço de recuperação mediante adoção das seguintes providências: a) realização de novos investimentos capazes de restaurar a viabilidade econômica do empreendimento; b) utilização de capacidade instalada que torne igualmente possível o empreendimento. § 1º. Considerase empresa nova, para efeito de enquadramento no inciso I deste artigo, aquela que estiver em fase de implantação, ou em funcionamento no território do Estado há no máximo 6 (seis) meses, contados da data da formalização do pedido de concessão do benefício, feita a comprovação na forma prevista em regulamento. § 2º. No caso de empresa nova em implantação, o benefício pode ser concedido por antecipação, desde que a entrada em funcionamento do empreendimento ocorra no prazo fixado no respectivo cronograma, na forma que vier a ser estabelecida em regulamento. § 3º. No caso de empresa de que trata o inciso II do “caput” deste artigo, o benefício do PROADI somente atingirá a parte referente ao incremento da produção. 10.3. E no mesmo sentido do item 9: Igualmente, é possível observar na legislação do Estado do Rio Grande do Norte Decreto Estadual n. 13.723/1997 a existência de mecanismos assegurando a efetiva aplicação da transferência na implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos. A Lei n. 7.075/97 e o Decreto n. 13.723/97, que dispõem sobre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial PROADI, respectivamente, prevêem em seu artigo 8º, parágrafo 2º; artigo 10 e artigo 12 da Lei 7.075/97; bem como, artigo 2º, parágrafo 5º, inciso II; artigo 14; artigo 15, incisos II e III; Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 9101002.085 CSRFT1 Fl. 1.026 17 artigo 27 e artigo 33 do Decreto n. 13.723/1997 todos os mecanismos de análise do projeto de investimento, fiscalização e etc. Por fim, nos termos do Decreto Estadual n. 16.332/2002, caberá à Agência de Fomento do Rio Grande do Norte realizar o acompanhamento e a fiscalização das aplicações dos recursos do PROADI, observadas as normas do Programa e as regras que regulam as operações da espécie, encaminhando relatórios semestrais e anuais dos resultados das inspeções (artigo 21, inciso IV do referido Decreto). Dessa forma, caso o beneficiário não cumpra o projeto e não realize o investimento de acordo com o cronograma físicofinanceiro aprovados, será excluído do programa. Ora, diante do arcabouço legal do Estado do Rio Grande do Norte, podese concluir que está caracterizada a subvenção para investimento diante do preenchimento de todos os requisitos elencados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais como suficientes para tanto. 11. A título de conclusão: Ademais, além do que já foi exposto, a recorrida demonstrou que referidos investimentos só foram realizados porque os Estados ofereceram a contrapartida de recursos para subvencionar tais investimentos, mediante o uso de recursos públicos alocados em fundos destinados à atração de novos empreendimentos industriais, nos termos de projetos de investimento apresentados e aprovados por cada Estado. Sendo assim, nenhum dos dois Estados concederia qualquer subvenção se a empresa não tivesse apresentado o projeto de investimento e o executado, construindo a unidade industrial nova e a colocando para funcionar nos termos dos respectivos projetos, auditados pelos Estados respectivos. Portanto, insubsistentes as alegações aduzidas pela recorrente de que não há nas legislações estaduais qualquer obrigatoriedade de que os recursos decorrentes do incentivo oferecido sejam destinados a investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado ou de que se trata de mera redução de custo/despesa. 12. A respeito do auto de infração de CSLL, como tributação reflexa, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. 13. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 14. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 18 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 12466.002875/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/05/2005 a 29/11/2005
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66.
Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
SUBFATURAMENTO.IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO.
Incide osimpostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislaçãotributáriavigente.
SUBFATURAMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA.
Comprovado o subfaturamento na importação de mercadorias incide a multa administrativa prevista no art. Incide osimpostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislaçãotributáriavigente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.876
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/05/2005 a 29/11/2005 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 75 /2 01 0- 38 Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. SUBFATURAMENTO.IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. Incide osimpostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislaçãotributáriavigente. SUBFATURAMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. Comprovado o subfaturamento na importação de mercadorias incide a multa administrativa prevista no art. Incide osimpostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislaçãotributáriavigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran e Daniel Mariz Gudino. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.400 3 "Tratase de quatro autos de infração (II, IPI, PIS e COFINS) correspondentes ao crédito tributário abaixo discriminado, resultante de ação fiscal que constatou interposição fraudulenta e subfaturamento nos preços declarados em várias DI registradas pela empresa acima no período 04/05/2005 a 29/11/2005: ... planilha (fls. 2259 a 2260) As bases de cálculo relativas ao PIS e à COFINS encontramse na planilha de folha 1532. De acordo com a fiscalização, a empresa autuada, Massimex Trading Ltda (doravante nomeada Massimex), declarando operar por sua própria conta e risco, importava mercadoria e repassava à “empresas de fachada” interpostas fraudulentamente para ocultar a verdadeira adquirente, no caso a empresa Alldix Comercial Ltda CNPJ 05.010.453/00112 (doravante nomeada Alldix) que recebia a mercadoria já nacionalizada e revendia para empresa pertencente ao grupo empresarial do exportador, dentre outras, conforme esquema abaixo. ... gráfico (fl. 2261) A mercadoria seria repassada, logo após o desembaraço, para as empresas identificadas como de "fachada" que constavam à época da lavratura do auto de infração como inexistentes de fato ou omissa não localizada e não pagavam tributos, conforme pesquisas nos sistemas da RFB (fls. 4953) e tabela abaixo. ... planilha (fl. 2261) Foram abertos processos diversos de acordo com os diferentes responsáveis solidários identificados nas respectivas importações. No caso presente foram objeto de autuação 10 DI cuja mercadoria era destinada à empresa Alldix. O exportador constante nestas 10 DI é a Thomson Telecom. A mercadoria relativa a 2 DI (Pen drive), chegou à Alldix por intermédio da Slot Line e foi revendida para as Lojas Americanas por ordem da Thomson multimídia, enquanto que a mercadoria relativa às outras 8 DI (modem e cabo RJ) chegou à Alldix por intermédio da Tecno Shop e foi revendida para a Thomson Multimídia. Entretanto, conforme se vê no esquema da figura 1, a fiscalização ainda utilizou como elementos de convicção operações de outros exportadores, com representantes no Brasil que também negociavam com a Alldix; bem como utilizou operações de outras tradings que igualmente negociavam com as mesmas empresas tidas como “de fachada” e que forneciam para a Alldix, configurando assim, segundo a fiscalização, o mesmo modus operandi em todas esses operações sob exame. Do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS) Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Além da empresa Massimex, a fiscalização arrolou no TSPS de fl. 32 a empresa Alldix Comercial Ltda no polo passivo da lide, como Sujeito Passivo Solidário, com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), com hipóteses mais detalhadas e específicas no desdobramento dos artigos 32 e 95, ambos do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, conforme item 9 da Descrição dos fatos, fls. 139140. Continuação da descrição dos fatos Ainda de acordo com a descrição dos fatos de fls. 33143 e seus anexos, a ação fiscal desenvolvida pela Alfândega do Porto de Vitória teve origem na chamada Operação XIV Bis, fl. 144146, realizada em conjunto com a Polícia Federal e Ministério Público, e diligências solicitadas por unidades da RFB localizadas no Rio de Janeiro e São Paulo para subsidiar fiscalizações também por elas realizadas sobre o mesmo esquema. A fiscalização diz ter se baseado para sua convicção nos elementos resumidamente relatados abaixo: 1. Os preços de saída das empresas de fachada eram majorados de forma a aumentar os custos para a empresa Alldix e consequentemente diminuir seu lucro e como aquelas não recolhiam nem declaravam nenhum tributo, o fisco ficava "a ver navios" (item 3 da descrição dos fatos, fl. 48) 2. Toda mercadoria existente numa DI da Massimex era “vendida” para uma só empresa interposta logo após o desembaraço, conforme tabela 5 onde são mostradas as várias empresas interpostas e respectivas DI e ato em contínuo “revendidas” para a empresa Alldix, que por sua vez revendia para empresa brasileira do mesmo grupo dos exportadores também no mesmo dia ou no dia seguinte (item 4.1.1 da descrição dos fatos, fls. 5659); 3. No caso da trading Massimex destacamse como empresas vinculadas ao exportador a Thomson Multimídia Ltda e a ZTE do Brasil, sendo que as DI desta última não foram objeto do presente auto de infração (fls. 4849). 4. Outras duas tradings também sediadas no Estado o Espírito Santo, adotavam o mesmo modus operandi da autuada, inclusive utilizando a mesma interposta Techno Shop, a mesma real adquirente Alldix e o exportador Thomson Telecom, além da Palm One Inc (Tabelas 6 e 7), conforme apuração realizada pela IRF/RJA, assim resumida: A empresa Thomson Multimídia Ltda forneceu à fiscalização da IRF/RJA invoices e purchase orders emitidas pelo exportador Thomson Telecom onde constava como adquirente a empresa Alldix com preços superiores aos declarados pela empresa Massimex, configurando o uso de documentos falsos (fls. 62 65; 81; 92 124; 129 130 e 316 323). As provas colhidas pela IRF/RJA foram emprestadas a este processo também para fins de valoração aduaneira (fls. 5968) dos produtos da Thomson. A empresa ZTE do Brasil teria firmado contrato com a empresa Alldix cujo objeto seria processar pedidos de importação nos termos compactuados e declara que teria condições de realizar Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.401 5 as operações de importação contando com empresas coligadas e/ou parceiras regularmente cadastradas junto ao SECEX e ao BANDES (fls. 76 78; 82 85; 124 129 e 652 663), portanto, continua a fiscalização, a empresa Alldix se apresentava no mercado como importadora sem sequer ser habilitada para operar no comércio exterior (RADAR); A exportadora Palm One tinha como empresa brasileira vinculada a Palm Comércio de Aparelhos Eletrônicos que também apresentou à fiscalização da IRF/RJA invoices emitidas pelo exportador em nome da Alldix com preços superiores aos declarados pela empresa trading, configurando o uso de documentos falsos (fls. 66 69); 5. A empresa Alldix tem como sócia majoritária a empresa Corpamerica inc., sediada no Panamá, país definido como paraíso fiscal, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 188/2002 e IN RFB nº 1.037/2010 (fls. 55 e 671); 6. Com exceção dos documentos fiscais e dos respectivos pagamentos, a Massimex não tinha correspondência comercial e documentos de negociação e cotação de preço tanto com clientes no Brasil quanto com seus fornecedores estrangeiros, todavia informou que as negociações ocorriam verbalmente ou por email (extraviado) através dos representantes dos Exportadores no Brasil que inclusive indicavam eventuais compradores dos seus produtos no mercado brasileiro. Não prestava garantia aos exportadores para as compras à prazo (fls. 70 81, 503, 510 e 526); 7. Nas Operações do presente auto de Infração, parte do pagamento feito à autuada pelas empresas “de fachadas” ocorria antes do registro da DI ou no mesmo dia, configurando antecipação de recursos e importação por conta e ordem não declarada à Aduana. No item 6.1 da descrição dos fatos encontrase o fluxo de pagamento relativo a cada DI objeto da presente autuação; 8. As Declarações de Importação: 05/05259030 (fls. 776), 06/02973125 (fls. 1378), 06/03430427 (fls. 1388), 05/0318349 5 (fls. 1474), 05/11623067 (fls. 1482), 05/12775480 (fls. 1494), 06/00088876 (fls. 1518) tem assinaturas iguais, porém, são documentos emitidos por exportadores diferentes, de diferentes países, conforme tabela abaixo: ... tabela (fl. 2264) Impugnação da empresa Massimex Cientificada por Aviso de Recebimento (AR) em 01/11/2010, fl. 1998, empresa Massimex apresentou impugnação em 01/12/2010 (fls. 1549 1588 e seus anexos), onde alega em síntese que: 1. Em momento algum o nome da autuada é citada no doc. de fls. 144146 como integrante do esquema de corrupção de que trata a operação XIV Bis; 2. Em momento algum a Impugnante recebeu qualquer valor dos compradores das mercadorias que importou antes de realizada a venda, conforme demonstrado nesses autos, mesmo porque, apenas tinha conhecimento da demanda de mercado pelas Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 mercadorias e não imaginava que os diversos compradores que se apresentavam poderiam ser uma mesma pessoa jurídica ou que tivessem entabulado qualquer tipo de ilegalidade. 3. Em momento algum foi demonstrado máfé da autuada que importava mercadoria por conta própria. No máximo a impugnante teria sido usada pelas empresas do esquema, sem sequer ter ciência do que acontecia, pois as empresas estavam ativas e aptas no cadastro da Receita Federal e lhe pagavam a vista, justamente por não ter conhecimento comercial aprofundado com essas empresas; 4. Em relação às informações solicitadas por intimação à autuada (tópico 5.1 da descrição do fatos), esta alega que as informações prestadas pelo seu sócio administrador e por sua procuradora não foram consideradas pela fiscalização, e reafirma que: a. Muitas vezes as próprias exportadoras lhe informavam quais eram os revendedores no varejo de suas marcas para que a impugnante pudesse fazer contato e proceder à venda, mas não havia prédeterminação do adquirente. O fato de serem diversos clientes não levantava suspeita da impugnante, mesmo porque teria feito pesquisa da situação fiscal desta empresas na Receita Federal estando elas ativas; mesmo assim tomou providências acautelatórias vendendo a mercadoria somente à vista, no dia do desembaraço, ou antes do embarque, para não ser onerado com pagamento que poderia não receber. b. O próprio pedido e fatura, com o correspondente contrato de câmbio, são suficientes para comprovar a negociação com os exportadores, sendo desnecessário contrato formal. Ademais, a negociação e cotações de preço podem ser verbais ou por emails simples, não configurando, por certo, documentos objeto do art. 70, § 1º da lei 10.833/2003; c. Repete estes argumentos em relação à negociação com seus clientes e confirma, quanto aos pagamentos, que solicitava sinal para embarque da mercadoria depois de efetivada a negociação; d. Reafirma as informações prestadas pela procuradora da impugnante, Sra. Dalva Machiori, sobre as pessoas físicas no Exterior e no Brasil com as quais negociou, bem como as prestadas pelo Sr. Helcius dos Santos Gonzaga Costa, sócio administrador, todas constantes nas fls. 74 a 79; e. Não vê qualquer erro no fato da impugnante manter contato com os representantes das empresa no Brasil e estes indicarem os consumidores do seus produtos; f. Prefere operar na modalidade por conta e ordem, pois nesta condição também continua com direito ao benefício do FUNDAP, recebe antecipadamente os valores necessários a consecução das operações de importação e não corre os riscos pertinentes a operações por conta própria; Teria agido assim com a ZTE em determinada época, conforme documentos juntados; g. Não teria motivo para subfaturar seus preços, pois o ICMS é calculado sobre valor menor e assim também o financiamento que aufere do BANDES; 5. A diferença de diagramação das faturas da Thompson Telecom relativas às DI da impugnante e aquelas apresentadas em outras DI (fls. 579, 588, 589 e 320323) devese ao fato de terem sido expedidas em países diferentes, uma Hong Kong e outra provavelmente na França, e não foi apontado outro Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.402 7 elemento que pudesse tornálas falsas (tópico 5.2 da descrição do fatos); 6. Não pode ser atribuído à impugnante a suposta falsidade de documentos em decorrência de assinatura semelhantes em faturas de empresa diferentes ou diagramação diferente (fl. 129); 7. O fato de a ALLDIX ter contrato com a ZTE, ou com outras empresas, não implica a impugnante pois são relações jurídicas distintas (tópicos 5.3, 5.4 e 6.1 da descrição do fatos e fl. 527); 8. O fato de constar o nome da Alldix como notify nos BL da ZTE destinados à Massimex em princípio não chamou a atenção, pois poderia ser um controle do próprio exportador para avisar seus representantes no Brasil que teria feito uma venda para o país; 9. O recebimento das vendas era através da rede bancária, constando no extrato da conta corrente da Massimex apenas data, valor e tipo de transação, não aparecendo o nome do remetente. A contabilidade destes valores vinculandoos aos respectivos remetentes era feita pela identificação do valor, diferente para cada negociação, pois somente determinado comprador sabia o valor exato devido, além do mais, este informava o depósito; (o nome do remetente só foi descoberto depois que o banco forneceu o documento de depósito); 10. Não tem controle sobre a emissão de notas fiscais de outras empresas (a fiscalização demonstra que a mercadoria entrava e saia das empresas do fluxo logístico no mesmo dia, fl. 96), e emitia sua nota fiscal de venda destacando que o frete seria por conta do comprador; 11. As invoices de fls. 588 e 597 (DI com importação direta) não podem ser utilizadas como parâmetro, por serem relativas a operações entre matriz e filial sem definição do preço real, uma vez que a matriz poderia optar por vender a mercadoria por preço maior (preço de transferência); 12. Os modelos dos modens são diferentes não podendo, igualmente, serem usados como parâmetro; sendo de maior valor, naturalmente, os modelos mais novos; 13. Os produtos comparados não são os mesmos, pois a Impugnante importou MODEM ST 510 e a comparação se deu com o MODEM ST 510 V5, ou seja, modelo posterior do aparelho, cujas diferenças estão especificadas nos documentos juntados com esta petição; 14. A matéria já foi apreciada pela Alfândega do Porto de Vitória, em relação as declarações de importação n°s 05/08982230 e 05/08982930, conforme documentos ora juntados; 15. Os cabos RJ 11 são extremamente simples e quando vendidos a granel diminui sensivelmente o preço; 16. Na DI 05/10300574 (tabelas 09 e 10 apuração fiscal do valor CIF e diferença tributável) a quantidade de volumes é 9.072 unidades e não 9.720; 17. Nas DI 05/04587140 e 05/05259030 a mercadoria é Pen drive, não havendo qualquer explanação física quanto à majoração de seu preço e sua inclusão na tabela nº 10; Finalmente requer: Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 a) Em sede de preliminar, seja restituído à Impugnante o prazo para apresentação da impugnação, pois que as cópias do processo administrativo somente lhe foram ofertadas quando já se encontrava em fase final do prazo para apresentação da presente impugnação, infringindo seu direito constitucional ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa; Caso ultrapassada a preliminar, b) seja provida a presente Impugnação, declarandose a improcedência da ação fiscal em face da Impugnante; c) protesta pela junta da documentação em anexo para comprovação de suas alegações; d) requer que todas as intimações sejam encaminhadas para o escritório do signatário desta, sito na Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 755/602, Enseada do Suá, Vitória/ES, como requisito de validade. Impugnação da empresa Alldix O Aviso de Recebimento (AR) enviado para a empresa Alldix retornou sem ter sido entregue (fl. 20022004). O administrador da empresa Alldix foi cientificado por Aviso de Recebimento (AR) em 30/10/2010 (fl. 1999). Cientificada por Edital afixado em 28/10/2010 (quintafeira) e desafixado em 17/11/2010 (fl. 2006) a empresa Alldix apresentou impugnação em 10/12/2010 (fls. 20082048 e seus anexos) onde faz perguntas e alega em síntese que: a) Houve erro na identificação do sujeito passivo, pois o CNPJ lançado não se sabe de quem é. Como confiar em tal trabalho? b) o procedimento fiscal é nulo, por se basear a autuação em mera presunção, de processo criminal ainda não julgado. c) Existe vício formal pois os livros fiscais não foram examinados pela fiscalização uma vez que se encontravam em poder de outra fiscalização desenvolvida em São Paulo; havendo, portanto abuso de poder discricionário e afastamento da verdade material, o que leva o contribuinte a se defender de algo sem motivação. d) Houve preterição do direito de defesa da impugnante pois a impugnante pela seguintes razões: 1 não teve mais acesso a muitos documentos necessários a sua defesa, constantes nos computadores apreendidos pela Polícia Federal; 2 sob o argumento de sigilo fiscal, foram apagados os nome das empresas (outras trading utilizadas pela Alldix) dos documentos que serviram de base para autuação; 3 seu departamento de compras não foi intimado e 4 pretende o fisco com a indicação das quotas de 5% Relativas a Ricardo Jesus e 5% de Salomão R Guerra de uma empresa (ADX distribuidora) que nunca movimentou nada? Que defesa apresentar nesse sentido??? e) Causa espanto a narração fiscal alegando que a mercadoria teria sido vendida pela Thomson Telecom para a empresa Massimex tendo como comprador final a destinatário a Thomson no Brasil (venda de mãe de para filha) e não se tenha notícia de que esta tenha sido fiscalizada. f) Quem movimentou as contas da Techno Shop? Qual fiscal compareceu àquela empresa? Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.403 9 g) No mérito, alega que há como prosperar qualquer das acusações contra a empresa, uma vez que todas as mercadorias adquiridas das empresas Techo Shop, directa Net Work e Slot Line de forma legítima e legal. E ao contrário do que faz crer a fiscalização, as empresas que supostamente seriam de fachadas se encontravam ativas e eram habilitadas perante o fisco e ainda movimentavam contas correntes. A impugnante não participou de qualquer fraude ou esquema a fim de não pagar impostos, pois todas as mercadorias foram adquiridas e vendidas com notas fiscais e recolhidos todos os impostos devidos. Finalmente a impugnante alega o caráter confiscatório das multas e por fim requer: a) A declaração de nulidade da autuação por abuso de poder discricionariedade, pelo afastamento do principio da verdade material e pelo cerceamento de defesa; b) Se ultrapassadas as nulidades, no mérito deve ser declarado insubsistente o auto de infração por exigir tributo por solidariedade da Impugnante, quando comprovado está que inexistiu qualquer fraude por parte da mesma. Uma vez que todas as certidões comprovam a existência da empresa Techno Shop e não apresentou o fisco nada que comprove em sentido contrário a inexistência das demais. E com relação ao preço nada restou comprovada; c) Se outro for o entendimento, caso a decisão não se dê pela insubsistência total da autuação, deverá ser afastado a multa imposta bem como a cobrança da Taxa Selic; d) Provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela juntada de prova documental posterior, perícia técnica e requerendo a Impugnante ser intimada para tanto, e e) Que todas as intimações do presente processo sejam feiras em nome de ROSIANY RODRIGUES GUERRA, OAB/SP. 112.501, com endereço na Rua Antonio Gebara, nº 282, Planalto Paulista, São Paulo, SP. CEP 04071020." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pelo provimento parcial da impugnação para exonerar parte do lançamento referente a DI 05/10300574 em razão da diferença na quantidade de Modems, reduzindo o número de 9.720 para 9.072. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontram plenamente assegurados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Período de apuração: 04/05/2005 a 29/11/2005 TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência da ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é cabível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre os tributos não recolhidos. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ou, no caso de esta não ser localizada ou ter sido consumida, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real adquirente da mercadoria, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS As operações de comércio exterior realizadas pela autuada por conta e ordem de terceiros, sem atender às condições formais da legislação de regência, inclusive habilitação do adquirente no siscomex, caracterizam simulação visando dano ao erário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontram plenamente assegurados. INDEPENDÊNCIA DE INSTÂNCIAS. PENAL E ADMINISTRATIVA. O julgamento administrativo de infrações tributárias não está adstrito ao que tiver sido decidido em ação penal, ainda que ambos os julgamentos decorram da apuração dos mesmos fatos. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SOLIDARIEDADE PASSIVA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e as que por suas condutas demonstrem ter concorrido para a infração ou dela ter se beneficiado, bem como as pessoas expressamente designadas em lei. Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.404 11 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Cientificadas do julgamento, a empresa Massimex interpôs recursos voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. A empresa Alldix não apresentou recurso, sendo lavrado termo de perempção pela Unidade Preparadora (fl. 2398). É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Ofensa a princípios constitucionais e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requesitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foi interposto recurso voluntário, rebatendo as posições Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Da operações realizadas pelas Massimex por conta e ordem de terceiros A lide gira em torno da exigência de tributos devidos na importação de mercadorias, em razão de subfaturamento cominado com a aplicação de multa agravada e da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora Massimex teria realizado as operações em nome de empresas de fachada, sob o controle da Alldix, sendo este fato, ocultado dos controles legais pertinentes. As autuadas, em sua defesa, alegam a licitude dos recursos utilizados e a atuação de boafé nas operações, estando assim, sofrendo a imputação de uma fraude que não existe. É necessário esclarecer que diferente de outros casos já discutidos neste conselho, o fato que aqui se apresenta, não é de falta de comprovação de origem dos recursos. O que deu origem ao lançamento são as operações de importação da Massimex, que segundo a Fiscalização Aduaneira, teriam ocorrido em razão de um esquema orquestrado pela Alldix para diminuir os tributos devidos e ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. No caminho para esclarecer os fatos faço um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta. O controle aduaneiro, a ocultação dos intervenientes e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.405 13 Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.406 15 Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela Massimex e o envolvimento da empresa Alldix. A fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, a relação da Massimex com empresas que orquestraram um esquema para ocultar das autoridades aduaneiras, os reais adquirentes das mercadorias importadas. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca, o modo de operação para ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. A seguir detalho informações extraídas do relatório fiscal, que motivaram a exigência fiscal. i) O esquema fraudulento que originou o lançamento controlado no presente processo foi apurado pela Operação XIV BIS, que foi objeto de atuação por diversos órgãos da administração pública. "No centro do esquema está a empresa ALLDIX COMERCIAL LTDA, CNPJ 05.010.453/000112, identificada como a real importadora do esquema. Essa empresa promovia a importação de mercadorias estrangeiras, negociando com os exportadores, sem nunca ter sido habilitada pela RFB para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX). Isso significa dizer que a ALLDIX nunca pôde registrar Declarações de Importação no SISCOMEX. Para isso, se valia de trading companies domiciliadas no Estado do Espírito Santo, que registravam as operações como se fossem por conta e risco próprio, quando na verdade estavam ocultando os verdadeiros responsáveis pela operação." ii) O esquema fraudulento utilizado para a ocultação dos reais adquirentes e a redução indevida dos tributos devidos foi claramente identificada pela Fiscalização. "Nas investigações, foi identificado que a ALLDIX utilizava 03 (três) tradings capixabas, para pulverizar as operações e dificultar a identificação das irregularidades por parte do fisco. Uma dessas tradings é a empresa ora autuada. As outras duas Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 tradings não serão mencionadas neste Auto de Infração para preservar o sigilo. Essas tradings declaravam as importações em seu nome, logo, as demais empresas, de forma fraudulenta e simulada, afastavamse do pólo passivo da obrigação tributária constituída pela ocorrência do fato gerador do IPI, qual seja, o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Assim, essas empresas não de creditavam do IPI na entrada das mercadorias, porém também se eximiam do pagamento do IPI relativo à saída das mercadorias do seu estabelecimento. É o que se costuma chamar de "quebra da cadeia do IPI". Após a nacionalização, as tradings emitiam notas fiscais de saída em nome de uma série de empresas identificada como de "fachada". Essas empresas serviam para novamente pulverizar as operações, dando a impressão que se tratavam de operações normais no mercado interno, quando na verdade essas empresas foram posteriormente identificadas pela RFB como inexistentes de fato. Além disso, essas empresas intermediárias serviam para fornecer mais uma camada de ocultação, afastando ainda mais a ALLDIX da ocorrência do fato gerador e dificultando sua identificação como real importadora das mercadorias. Posteriormente eram emitidas notas fiscais de saída das empresas de "fachada" tendo como destinatária a ALLDIX. Importante destacar que o esquema não se limitava a causar dano ao erário relativo aos tributos incidentes nas importações subfaturadas e à quebra da cadeia do IPI. Também eram sonegados os tributos incidentes sobre o lucro e sobre o faturamento, pois as notas fiscais de saída das empresas de "fachada" tinham preços majorados, próximos ao preço pelo qual posteriormente a ALLDIX repassava os produtos. Sendo assim, o lucro aparente da ALLDIX nessas operações era mínimo, e como as empresas de fachada não recolhiam nem declaravam nenhum tributo, o fisco ficava "a ver navios". Por fim, as mercadorias eram repassadas aos destinatários finais da cadeia fraudulenta. Algumas dessas empresas eram coligadas de grandes grupos multinacionais, sendo que os exportadores estrangeiros eram empresas do mesmo grupo, ou seja, o esquema de interposição, em grande parte, cuidava de nacionalizar mercadorias produzidas por ou cujas marcas pertenciam a grandes grupos multinacionais e repassálas às coligadas nacionais. As coligadas nacionais identificadas na presente ação fiscal são: THOMSON MULTIMÍDIA LTDA (CNPJ N° 02.773.531/000142) e ZTE DO BRASIL COMERCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ N° 05.216.804/000146)." iii) Pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal demonstram que as empresas de "fachada" constavam na situação de INAPTA ou BAIXADA. "As mercadorias nacionalizadas ao respaldo das Declarações de Importação investigadas pela presente ação fiscal foram repassadas, logo após o desembaraço, para empresas identificadas como de "fachada". Tais empresas constam Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.407 17 atualmente com a situação INAPTA ou BAIXADA no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme Tabela 3. ... Além da inexistência constada pela RFB, as provas que serão abordadas no decorrer deste Auto de Infração demonstraram que a atuação dessas empresas nas operações em tela foi como meras empresas de "fachada". Isso não bastasse, os indícios levantados em pesquisas realizadas nos sistemas de informação da RFB demonstram que a situação irregular dessas empresas perduram desde o início de suas operações." iv) Diligência na empresa Massimex comprova a venda dos produtos às empresas de "fachada" eram emitidas imediatamente após o desembaraço. (fls. 61 a 62) "Ao final da diligência, restou comprovado que as notas fiscais eram emitidas logo após o desembaraço, e que, para cada Declaração de Importação identificada, toda a carga foi "vendida" para uma só empresa, como pode ser visto na Tabela 5 abaixo. Portanto, ficou claro que as vendas eram todas pré determinadas e exclusivas para as empresas de "fachada", principalmente para a TECHNO SHOP LTDA, constituindo um forte indicio que as operações não eram por conta e risco próprio, como declarado nas Declarações de Importação, o que motivou a instauração do presente procedimento fiscal." v) Ações fiscais realizadas pela Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro, realizadas por força de requisição judicial advinda da 1ª Vara Criminal Federal de Campinas, comprovam o modus operandi das empresas envolvidas no esquema apurado na operação XIV Bis. "A Alfândega do Porto de Vitória recebeu relatório elaborado na Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IRF/RJ ( fls 291 ) sobre a conclusão de dois procedimentos fiscais instaurados naquela Inspetoria, ao respaldo dos MPF Regionais 0715400.2009.003019 (fls 299) e 0715400.2009.003000 (fls 354), em face de duas tradings sediadas no Estado do Espírito Santo. Acompanharam o relatório cópias dos elementos de prova e demais informações levantadas durante as ações fiscais. Os procedimentos fiscais foram instaurados em razão de requisição judicial (fls 301 e 356), proferida pelo juízo da 1ª Vara Criminal Federal de Campinas Especializada em Crimes Contra o Sistema Financeiro e Lavagem de Valores, em virtude de ação penal distribuída e recebida naquele juízo. Analisando o resultado dessas ações fiscais, verificouse que foram autuadas as mesmas operações de importação que foram identificadas pelas diligências citadas no tópico 4.1.2 (Tabela 6 Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 18 e Tabela 7) deste Auto de Infração, ou seja, importações que foram declaradas como por conta e risco próprios pelas trading companies e que depois foram repassadas para uma das empresas de "fachada" identificadas na Operação 14 Bis, a TECHNO SHOP LTDA. Os procedimentos fiscais evidenciaram infrações de duas naturezas: i) a fraude de valor, em razão da prática sistemática em reduzir a base tributável dos gravames aduaneiros; ii) a cessão de nome das empresas fiscalizadas, com o intuito fraudulento de ocultar o real adquirente das mercadorias, identificado como sendo a sociedade empresária ALLDIX COMERCIAL LTDA. Nessas ações ficais também foram obtidas faturas dos exportadores estrangeiros que comprovaram o subfaturamento dos valores declarados nas Declarações de Importação. As provas colhidas pela IRF/RJ motivaram a instauração da presente ação fiscal, haja vista as claras evidências de que a MASSIMEX se valia do mesmo modus operandi. Parte dessas provas, em tempo de obedecer ao principio do contraditório e da ampla defesa, também instruem o presente Auto de Infração, por demonstrarem de forma cabal a prática reiterada pelas empresas envolvidas dos ilícitos identificados, comprovando que se tratava de um verdadeiro esquema fraudulento do qual, conforme restou comprovado na presente ação fiscal, a MASSIMEX participou. Cada uma das ações fiscais empreendidas pela IRF/RJ identificou ilícitos nas importações de produtos proveniente de dois exportadores estrangeiros: a THOMSOM TELECOM e a PALM ONE INC." Os exemplos, aqui apresentados, não citam todas as apurações realizadas pela Fiscalização, mas comprovam a existência de um esquema fraudulento, com objetivo de ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias e ainda, reduzir de forma indevida os tributos devidos. É inequívoco que as operações foram realizadas por encomenda. A Massimex atuava como uma intermediária junto à autoridade aduaneira, realizando importações previamente negociadas, com vendas vinculadas a empresas de "fachada" que completavam as operações revendendo as mercadorias a empresa Alldix, que determinava o destino final de acordo com os reais adquirentes das importações. A fraude no valor aduaneiro declarado e a exigência dos tributos devidos sobre a diferença apurada A Fiscalização Aduaneira, durante os procedimentos de auditoria, identificou a prática contumaz de ocultação do real adquirente das mercadorias e da utilização de artifícios dolosos para a redução dos tributos devidos. Neste caminho identificou os reais valores praticados nas operações de importação e que os valores declarados ao Fisco foram em montante inferior ao praticado, o que ensejou a lavratura de auto de infração para exigência dos tributos que não foram recolhidos diante deste artifícios. A justificativa e as provas estão Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.408 19 demonstradas no Relatório Fiscal, do qual extraio os trechos abaixo, que ao meu sentir, comprovam a irregularidade nos valores declarados ao Fisco. "No presente caso, por tudo que foi demonstrado, restou comprovado que a Autuada participou de forma ativa de um esquema fraudulento de ocultação do efetivo importador e adquirente das mercadorias em operações de importação, nas quais foram declarados valores substancialmente inferiores em relação aos preços efetivamente praticados. Evidenciada a conduta fraudulenta da Autuada, tendo sido identificado o verdadeiro valor de transação praticado, devem ser apurados os valores dos tributos a serem lançados de ofício, bem como a aplicação da pena de perdimento convertida em multa deve incidir sobre o verdadeiros valores aduaneiros, que serão determinados a seguir. Os verdadeiros valores de transação foram devidamente identificados e comprovados através das faturas verdadeiras {comercial invoices) apreendidas durante a Operação XIV Bis, e obtidas por esta fiscalização junto à Justiça Federal, conforme delineado no Tópico 5.4. Para a DI 06/02973135, cuja fatura verdadeira não foi identificada na documentação apreendida, utilizamos a Planilha de Formação de Custo (fls 890) da importadora de fato ALLDIX COMERCIAL, indicando a venda dos produtos à ZTE DO BRASIL, a real adquirente das mercadorias. Nessa planilha, consta o preço FOB em Reais e a Taxa de Câmbio, possibilitando calcular o Valor VMLE em Dólares Americanos. Sendo assim, inicialmente, apresentamos na Tabela 10 abaixo os valores declarados em cada Declaração de Importação, sendo cotados em dólar e moeda nacional, realizada a conversão na data do fato gerador da obrigação tributária." A Recorrente, ao questionar os valores apurados pela Fiscalização, alega que as provas obtidas não são suficientes para comprovar a diferença apurada. Entendo não assistir razão ao recurso. Entendo que a Fiscalização demonstra de forma clara e com provas suficientes, as diferenças entre os preços declarados e os preços praticados. A Recorrente não apresenta documentos que possa contradizer os argumentos apresentados pelo Fisco, limitase a afirmar a procedência dos valores declarados, entretanto, não apresenta nenhum fato que possa ilidir o trabalho fiscal. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. O auto de infração foi motivado pelas provas obtidas pelo Fisco que comprovam a diferença entre os valores declarados e aqueles realmente praticados nas operações de importação. A Recorrente para contrapor as argumentações e provas trazidas pela Fiscalização necessita identificar de forma cristalina os reais valores praticados, trazendo os documentos necessários para embasar a sua afirmação, que podem ser contratos comerciais, trocas de mensagens, cartas emitidas entre fornecedor e adquirentes e tantos outros documentos que poderiam ser apresentados para justificar o valor declarado ao Fisco. Entretanto, a Recorrente não apresenta nenhum documento que possa comprovar as suas afirmações. A Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 20 simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar a exigência fiscal. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 A solidariedade das empresas Alldix em relação às operações de importação da Massimex Verificando todo o arcabouço de provas, constante dos autos, fica evidente o conhecimento das empresas Massimex e Alldix nas operações realizadas e da fraude ocorrida para ocultação dos reais adquirentes das mercadorias. Conforme já demonstrado, a ocultação dos operadores reais nas Declarações de Importação estão plenamente confirmadas nas informações e documentos apurados pela Auditoria Fiscal, onde são detalhadas as operações e responsabilidade de cada um das partes nas operações. Existindo o conhecimento das empresas autuadas nas importações, não há como afastar a responsabilidade nas operações realizadas. Firme neste entendimento devese aplicar as determinações expressas do artigo 95, inciso I e V, do Decretolei nº 37/66, que responsabiliza o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem. " Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(grifo nosso) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.002875/201038 Acórdão n.º 3201001.876 S3C2T1 Fl. 2.409 21 As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre a vinculação das importações das empresas Massimex e Alldix são baseadas em procedimento de investigação detalhado e com fundamentos robustos, não há como afastar após os relatos e informações obtidos, que existia a compra dos produtos importados com intervenção direta da empresa Alldix, sendo a empresa Massimex. uma prestadora de serviços que viabilizava as operações de importação das mercadorias. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.003962/2001-39
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO QUE NEGA PROVIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO ANTES DA PORTARIA MF 147/2007. NÃO CABIMENTO.
A interposição de recurso especial em face de acórdão que nega provimento a recurso de ofício só passou a ser admitida pela Portaria MF 147/2007.
Hipótese em que o recurso especial foi interposto em período anterior.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyazaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo. Fez sustentação oral o advogado Arthur José Faveret Cavalcanti, OAB-RJ 10.854.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente na data da formalização.
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator.
EDITADO EM: 16/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Júlio César Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO QUE NEGA PROVIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO ANTES DA PORTARIA MF 147/2007. NÃO CABIMENTO. A interposição de recurso especial em face de acórdão que nega provimento a recurso de ofício só passou a ser admitida pela Portaria MF 147/2007. Hipótese em que o recurso especial foi interposto em período anterior. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyazaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo. Fez sustentação oral o advogado Arthur José Faveret Cavalcanti, OABRJ 10.854. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 39 62 /2 00 1- 39 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 2 ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Júlio César Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (efls. 738/745), em face do Acórdão n° 910100.019 (efls. 724/724), proferido pela 1a. Turma da CSRF, que teve a seguinte ementa: “Exercício: 1997 Ementa: RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL EM RECURSO DE OFÍCIO Não se toma conhecimento de recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional que, com fundamento na Portaria MF n° 55/98, desafie decisão dos Conselhos de Contribuintes que negarem provimento a recurso de ofício. Recurso especial não conhecido.” (efl. 724). A Recorrente aponta como paradigma o Acórdão 0304.252, proferido pela 3a. Turma da CSRF, que restou assim ementado: “RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL CABIMENTO EM FACE DE DECISÃO DE CÂMARA DE CONSELHOS DE CONTRIBUINTES QUE NEGA PROVIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO A Procuradoria da Fazenda Nacional somente é parte no processo administrativo tributário da União quando o mesmo tramitar nos Conselhos de Contribuinte. A Fazenda Nacional tem interesse em interpor recurso de qualquer decisão de Câmara de Conselhos de Contribuinte que lhe seja desfavorável. Não há na lei processual administrativa (Decreto n° 70.235/72) nem nos regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais qualquer dispositivo que vede a interposição de recurso especial em face de decisão de Câmara de Conselhos de Contribuintes que negue provimento a recurso de ofício. Ao contrário, os referidos atos legal e administrativo autorizam o processamento do recurso em tela. RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO Se os acórdãos paradigmas não sustentam a tese Fl. 818DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 15374.003962/200139 Acórdão n.º 9900000.899 CSRFPL Fl. 818 3 defendida no recurso especial, quer por adotarem tese oposta, quer por cuidarem de questão absolutamente distinta daquele tratada nos autos, não há como se conhecer do recurso. Recurso não conhecido.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 757/758, tendo apresentado a Recorrida as contrarrazões de fls. 770/791. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 757/758. No mérito, o acórdão recorrido aplicou a jurisprudência do CARF, consubstanciada no acórdão que teve a seguinte ementa: “RECURSO ESPECIAL ADMISSIBILIDADE RECURSO DE OFÍCIO A decisão de primeira instância favorável ao sujeito passivo, acima do limite de alçada, constitui o primeiro momento de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de oficio. Nesse caso, o Tribunal não decide recurso simplesmente complementa o ato complexo. A decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tornar definitiva (art. 42 do Decreto n° 70.235/72). Recurso Especial interposto pela Procuradoria é impróprio para desafiar acórdão nãounânime proferido em remessa ex officio. Recurso não conhecido” (Acórdão CSRF/0105.586). Referido acórdão foi objeto de recurso extraordinário, ao qual este Pleno negou provimento, em sessão realizada em 14 de dezembro de 2008 (Acórdão CSRF/1 00.079). No presente caso, o recurso especial foi interposto em 05 de dezembro de 2005, ou seja, antes da Portaria MF n. 147, de 25/06/2007 (DOU de 28/06/2007), que trouxe, expressamente, a possibilidade de interposição de recurso especial em face de decisão que nega provimento a recurso de ofício. Considerandose o princípio segundo o qual tempus regit actum e a jurisprudência deste Pleno do CARF, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 819DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 4 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724181/2012-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL. FASES DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO / PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OBSERVÂNCIA. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. PREVALÊNCIA DA LEI PREVIDENCIÁRIA SOBRE A LEI DE SOCIEDADES POR AÇÕES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA. DISTINÇÕES. PAGAMENTO A COOPERADOS VINCULADOS À COOPERATIVA DE TRABALHO. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. RE 595.838/SP.
Se o relatório fiscal foi elaborado de forma clara e precisa como o foi, o acórdão ora contestado, para ser considerado válido, não precisa repetir aquilo que já foi constatado no âmbito do procedimento fiscalizatório. É oportuno lembrar que o processo administrativo fiscal não se inicia nem está embasado somente a partir da decisão de primeira instância administrativa. O processo, como é sabido, é composto por fases.
Relativamente à caracterização do grupo econômico, correta a decisão ora contestada. O enquadramento legal está em perfeita sintonia com as disposições do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, art. 222 do Decreto nº 3.048, de 1999.
Tendo em vista tratar-se de discussão tributária / previdenciária, sem qualquer sentido tentar deslocar a matéria para as regras da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404, de 1976), como pretende o contribuinte.
No caso concreto, o da responsabilidade solidária, a autoridade administrativa está autorizada a autuar qualquer um ou todos os integrantes do grupo econômico, sem estabelecer ordem de preferência. Tal prerrogativa, obviamente, não se estabelece quando tratar-se de responsabilidade subsidiária, situação que obrigará, primeiramente, a cobrança do devedor principal para, sendo o caso, cobrar posteriormente os outros, quando aquele não dispuser de recurso para realizar o pagamento do devido.
Em relação às contribuições relativas à cooperativa de trabalho, entendo que razão assiste ao contribuinte. Os 15% (quinze por cento) previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 foram declarados inconstitucionais, conforme decisão do STF no Recurso Extraordinário 595.838/SP.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.159
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A verba relativa à cooperativa de trabalho deve ser excluída, tendo em vista a decisão do STF, no âmbito do Recurso Extraordinário 595.838/SP. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL. FASES DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO / PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OBSERVÂNCIA. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. PREVALÊNCIA DA LEI PREVIDENCIÁRIA SOBRE A LEI DE SOCIEDADES POR AÇÕES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA. DISTINÇÕES. PAGAMENTO A COOPERADOS VINCULADOS À COOPERATIVA DE TRABALHO. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. RE 595.838/SP. Se o relatório fiscal foi elaborado de forma clara e precisa como o foi, o acórdão ora contestado, para ser considerado válido, não precisa repetir aquilo que já foi constatado no âmbito do procedimento fiscalizatório. É oportuno lembrar que o processo administrativo fiscal não se inicia nem está embasado somente a partir da decisão de primeira instância administrativa. O processo, como é sabido, é composto por fases. Relativamente à caracterização do grupo econômico, correta a decisão ora contestada. O enquadramento legal está em perfeita sintonia com as disposições do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, art. 222 do Decreto nº 3.048, de 1999. Tendo em vista tratar-se de discussão tributária / previdenciária, sem qualquer sentido tentar deslocar a matéria para as regras da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404, de 1976), como pretende o contribuinte. No caso concreto, o da responsabilidade solidária, a autoridade administrativa está autorizada a autuar qualquer um ou todos os integrantes do grupo econômico, sem estabelecer ordem de preferência. Tal prerrogativa, obviamente, não se estabelece quando tratar-se de responsabilidade subsidiária, situação que obrigará, primeiramente, a cobrança do devedor principal para, sendo o caso, cobrar posteriormente os outros, quando aquele não dispuser de recurso para realizar o pagamento do devido. Em relação às contribuições relativas à cooperativa de trabalho, entendo que razão assiste ao contribuinte. Os 15% (quinze por cento) previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 foram declarados inconstitucionais, conforme decisão do STF no Recurso Extraordinário 595.838/SP. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.724181/201268 Recurso nº 13.603.724181201268 Voluntário Acórdão nº 2803004.159 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL. FASES DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO / PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OBSERVÂNCIA. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. PREVALÊNCIA DA LEI PREVIDENCIÁRIA SOBRE A LEI DE SOCIEDADES POR AÇÕES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA. DISTINÇÕES. PAGAMENTO A COOPERADOS VINCULADOS À COOPERATIVA DE TRABALHO. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. RE 595.838/SP. 1. Se o relatório fiscal foi elaborado de forma clara e precisa como o foi, o acórdão ora contestado, para ser considerado válido, não precisa repetir aquilo que já foi constatado no âmbito do procedimento fiscalizatório. É oportuno lembrar que o processo administrativo fiscal não se inicia nem está embasado somente a partir da decisão de primeira instância administrativa. O processo, como é sabido, é composto por fases. 2. Relativamente à caracterização do grupo econômico, correta a decisão ora contestada. O enquadramento legal está em perfeita sintonia com as disposições do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, art. 222 do Decreto nº 3.048, de 1999. 3. Tendo em vista tratarse de discussão tributária / previdenciária, sem qualquer sentido tentar deslocar a matéria para as regras da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404, de 1976), como pretende o contribuinte. 4. No caso concreto, o da responsabilidade solidária, a autoridade administrativa está autorizada a autuar qualquer um ou todos os integrantes do grupo econômico, sem estabelecer ordem de preferência. Tal prerrogativa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 41 81 /2 01 2- 68 Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.724181/201268 Acórdão n.º 2803004.159 S2TE03 Fl. 3 2 obviamente, não se estabelece quando tratarse de responsabilidade subsidiária, situação que obrigará, primeiramente, a cobrança do devedor principal para, sendo o caso, cobrar posteriormente os outros, quando aquele não dispuser de recurso para realizar o pagamento do devido. 5. Em relação às contribuições relativas à cooperativa de trabalho, entendo que razão assiste ao contribuinte. Os 15% (quinze por cento) previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 foram declarados inconstitucionais, conforme decisão do STF no Recurso Extraordinário 595.838/SP. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A verba relativa à cooperativa de trabalho deve ser excluída, tendo em vista a decisão do STF, no âmbito do Recurso Extraordinário 595.838/SP. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.724181/201268 Acórdão n.º 2803004.159 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, incidente sobre valores pagos à cooperativa de trabalho (fls. 12 / 16 do Relatório Fiscal), conforme notas fiscais exibidas pelo sujeito passivo. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 11 de fevereiro de 2014 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 31/08/2008 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. SERVIÇOS PRESTADOS À EMPRESA POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. A empresa deve recolher quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme prevê o art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza constituição de grupo econômico de fato o inequívoco poder de direção e administração exercido por um mesmo grupo de pessoas de modo a decidir e determinar os rumos administrativos e negociais das empresas envolvidas. Configurando o grupo econômico, nos termos do inciso IX do art. 30 da lei nº 8.212, de 1991, as empresas que o integram respondem solidariamente pelo recolhimento das contribuições previdenciárias. IMPEDIMENTO DO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS RETIDOS NAS NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS DE EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. FALTA DE PROVAS. A empresa prestadora de serviços que sofre retenção no ato da quitação da nota fiscal de serviços só poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, se a retenção estiver: a) destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declaradas em GFIP na competência da emissão da nota fiscal de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mãodeobra ou pela execução da empreitada total; ou b) recolhida pelo contratante. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.724181/201268 Acórdão n.º 2803004.159 S2TE03 Fl. 5 4 A falta de elementos comprobatórios (notas fiscais de serviços com o destaque na retenção) prejudica a apreciação dos valores lançados nas planilhas trazidas ao processo pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Infundada a alegação de cerceamento do direito de defesa, por falta de indicação precisa do motivo que teria levado o contribuinte a efetuar deduções errôneas de salário família e salário maternidade. O Relatório Fiscal menciona detalhadamente todo o procedimento fiscal e a descrição fática dos créditos apurados. O presente lançamento não engloba glosas de salário família e salário maternidade. As glosas de pagamentos indevidos de salário família foram efetuadas no AI 37.353.3616, levantamentos AC e AC2, insertos no processo 13603.724037/201221, e encontram se demonstradas na planilha de número 3, denominada “Glosa de Valores de Salário Família Pagos Indevidamente” e no Discriminativo de Débito – DD do referido processo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NA APLICAÇÃO DAS MULTAS DECORRENTES DO DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: PRINCIPAL E ACESSÓRIA. Não há como desunir a multa do crédito tributário de modo a querer imputar a responsabilidade solidária somente no tocante ao tributo, vez que a multa e o tributo são indissociáveis. Aplicase a solidariedade estabelecida no inciso IX do art. 30 da lei nº 8.212, de 1991, às multas impostas pelo descumprimento de obrigação principal e às multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, as quais se convertem em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, em cumprimento ao § 3º do art. 113 do CTN. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.724181/201268 Acórdão n.º 2803004.159 S2TE03 Fl. 6 5 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, a recorrente insiste no cancelamento in continenti do presente lançamento notadamente porque o v. acórdão se limitou a dizer que “o relatório fiscal menciona detalhadamente todo o procedimento fiscal e a descrição fática dos créditos postulados” ou que seja reconhecido o direito à compensação dos valores dos créditos de INSS referentes aos descontos efetuados na fonte de que trata a art. 23 da Lei 9.711/98. Frente à impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRF de julgamento entendeu pela exclusão, apenas e tãosomente do CONSÓRCIO URB TOPO MARINS, mantendo as demais como solidárias pelo suposto débito. Todavia, a Recorrente discorda desta decisão e insiste na inexistência da solidariedade entre todas as demais sociedades identificadas. A existência das chamadas “empresas de fachada” ou “empresas fantasmas” não pode faze com que o INSS cometa abusos em nome de uma suposta justiça fiscal, data máxima vênia. Por conta destas constatações, não há outra conclusão que não seja o reconhecimento da total inconsistência do trabalho fiscal porquanto baseado em pura presunção. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento de multa pelo não recolhimento tributário. Não pode a recorrente concordar com o entendimento adotado pelo v. acórdão de que para fins de cobrança do crédito tributário a multa é equiparada ao tributo. Multa não é obrigação principal e tampouco acessória. A forma com a qual o fisco está atribuindo responsabilidade solidária as demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123 do CTN. Ex Positis, vem o Recorrente requerer seja dado provimento ao presente recurso voluntário, mormente para reconhecer o direito à compensação dos supostos débitos com os créditos de INSS (retidos na fonte de que trata o art. 23 da lei nº 9.711/98) da URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES, bem como para desconstituir a responsabilidade solidária das demais autuadas por não lhes aplicar quaisquer das regras de solidariedade previstas nos arts. 124 ou 128 do CTN. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.724181/201268 Acórdão n.º 2803004.159 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar o contribuinte insiste no cancelamento do lançamento alegando que o acórdão recorrido se limitou a dizer que “o relatório fiscal menciona detalhadamente todo o procedimento fiscal e a descrição fática dos créditos postulados”. Ora, se o relatório fiscal foi elaborado de forma clara e precisa como o foi, o acórdão ora contestado, para ser considerado válido, não precisa repetir aquilo que já foi constatado no âmbito do procedimento fiscalizatório. É oportuno lembrar que o processo administrativo fiscal não se inicia nem está embasado somente a partir da decisão de primeira instância administrativa. O processo, como é sabido, é composto por fases. De outra parte, o reconhecimento ao direito à compensação, quando for o caso, dependerá da estrita observância da legislação, situação não implementada pelo contribuinte, motivo pelo qual referido pleito não foi acatado alhures e nem o será agora, porquanto impertinente. Em razão dos argumentos acima expendidos, rejeito a preliminar. Relativamente à caracterização do grupo econômico, correta a decisão ora contestada. O enquadramento legal está em perfeita sintonia com as disposições do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, art. 222 do Decreto nº 3.048, de 1999. Tendo em vista tratarse de discussão tributária / previdenciária, sem qualquer sentido tentar deslocar a matéria para as regras da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404, de 1976), como pretende o contribuinte. No ponto, adiro meu posicionamento ao do julgador a quo (fls. 402), in verbis: A abrangência da disposição “de qualquer natureza” do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 é bem mais ampla de que a prevista na Lei nº 6.404/76, não necessitando se revestir das modalidades jurídicas tipificas do Direito Comercial e Econômico. Não se exige, sequer, a prova de sua forma institucionalização cartorial: podese acolher a existência do grupo, desde que surjam evidências probatórias de que estão presentes os elementos de integração interempresarial, como ensina a doutrina de escol. Sem fundamento também, a discordância do contribuinte a respeito de suposta ilegalidade em se exigir das empresas solidárias o pagamento de multa pelo não Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.724181/201268 Acórdão n.º 2803004.159 S2TE03 Fl. 8 7 recolhimento tributário. Não há que se confundir responsabilidade solidária com responsabilidade subsidiária. No caso concreto, o da responsabilidade solidária, a autoridade administrativa está autorizada a autuar qualquer um ou todos os integrantes do grupo econômico, sem estabelecer ordem de preferência. Tal prerrogativa, obviamente, não se estabelece quando tratarse de responsabilidade subsidiária, situação que obrigará, primeiramente, a cobrança do devedor principal para, sendo o caso, cobrar posteriormente os outros, quando aquele não dispuser de recurso para realizar o pagamento do devido. Assim sendo, a exemplo do que já se decidiu, entendo aplicável ao caso em debate, a regra de responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, e não aquela estabelecida no art. 123 do CTN, como pretende o contribuinte. As multas aplicadas estão em conformidade com as disposições legais, não havendo motivos para alterálas. Confundese o contribuinte quando contestou os aspectos legais relativos à obrigação principal e acessória. Neste último ponto, dispõe o § 3º do art. 113 do CTN que “a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária”. A multa, portanto, é a penalidade pecuniária de que trata o dispositivo citado. Em relação às contribuições relativas à cooperativa de trabalho, entendo que razão assiste ao contribuinte. Os 15% (quinze por cento) previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 foram declarados inconstitucionais, conforme decisão do STF no Recurso Extraordinário 595.838/SP. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. A verba relativa à cooperativa de trabalho deve ser excluída, tendo em vista a decisão plenária definitiva do STF, no âmbito do Recurso Extraordinário 595.838/SP. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.721787/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 21 78 7/ 20 13 -3 7 Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10980.721787/201337 Resolução nº 3402000.707 S3C4T2 Fl. 1.213 2 Relatório Versam os autos de infração, correspondentes à contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFIS e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 10/2011 e 09/2012, totalizando o valor nos montantes respectivos de R$ 76.093.676,41 e R$ 16.520.337,62 incluindo juros de mora. O referido Auto decorre de falta/insuficiência de recolhimento de Pis e Cofins, cujos valores foram apurados conforme esclarecimentos constantes do Termo de Verificação Fiscal, e, em virtude da DRJ ter sintetizado os fatos de maneira clara e eficiente, transcrevo a síntese dos fatos por ela relatados quando da decisão de Primeira Instância: Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da ação fiscal, foram verificados os dados retirados do Dacon, especialmente os referentes aos bens utilizados como insumos e outras operações com direito a crédito, mediante a observação de um aumento expressivo nos valores dos créditos no período, se comparado com o mesmo período no ano anterior. Diante da solicitação de informações sobre esses créditos, a contribuinte informou tratarse de compensação autorizada por decisão judicial. A fiscalização solicitou o detalhamento dos créditos utilizados e a contribuinte apresentou planilha contendo somente os valores mensais e as informações de que se tratavam de “serviços e materiais indispensáveis à obtenção de receitas, não necessariamente ligados ao processo produtivo” e “serviços e materiais indispensáveis à produção, mas que não se consomem no processo produtivo”. Diante dos elementos apresentados e da situação verificada da ação judicial, entendeu a fiscalização que a empresa não poderia estar utilizando determinados créditos informados na linha 13 das fichas 06A e 16A do Dacon e procedeu à sua glosa, efetuando o lançamento dos respectivos créditos tributários, bem como os juros de mora, não lançando, no entanto, as respectivas multas, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos Autos de Infração em 25/03/2013, o contribuinte apresentou sua impugnação em 24/04/2013, alegando em síntese que foi legítima a tomada de créditos realizada, uma vez que está de acordo com o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, sendo que a possibilidade da discussão judicial em instâncias superiores não seria motivo de descaracterização da decisão já existente. Alega ainda que, existência de decisão judicial a seu favor ensejaria o sobrestamento do processo até o julgamento definitivo da ação ordinária nº 5006556 Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10980.721787/201337 Resolução nº 3402000.707 S3C4T2 Fl. 1.214 3 81.2010.404.7000, colacionada aos autos e que a lavratura do auto de infração teve somente o condão de evitar o prazo decadencial. Argumenta que a fiscalização foi baseada em suposições, sendo que inexiste prova material que justificasse as glosas feitas pela autoridade fiscal. Por fim, requer o sobrestamento do processo até decisão judicial que se pronuncie sobre a questão discutida nos autos da referida ação ordinária, resultando na improcedência do Auto de Infração a fim de se afastar a exigência do crédito tributário. Solicita a produção de provas em direito admitidas, documental e pericial. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em 16/09/2013, através do Acórdão nº 0248.594, restou o processo julgado em primeira instância, no qual a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE) houve por bem em não conhecer da impugnação do contribuinte, ementando este entendimento nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inicialmente A DRJ registra que não pode conhecer do recurso haja vista a existência de concomitância entre as matérias impugnadas, posto que a matéria objeto dos lançamento é a mesma questionada judicialmente pela Recorrente, qual seja, a possibilidade ou não de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, decorrentes de bens e serviços que, embora indispensáveis à obtenção de receitas, não estão necessariamente ligados ao processo produtivo ou não se consomem no processo. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10980.721787/201337 Resolução nº 3402000.707 S3C4T2 Fl. 1.215 4 No que tange ao pedido de sobrestamento do processo até pronunciamento definitivo do Poder Judiciário, ressalta que não é competente para analisar tal pedido e sim a Unidade de origem responsável pela cobrança. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão da DRJ em 15/10/2013, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 14/11/2013 argumentando preliminarmente que é nulo o acórdão proferido em Primeira Instância, pois injustificadamente deixou de se manifestar sobre a inexistência de prova contundente quanto à suposta inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte e, consequentemente, quanto à suposta insuficiência do recolhimento, devendo, dessa maneira, retornar os autos ao juízo a quo para apreciação de todos os argumentos. No mérito repisa os argumentos já expostos em sede de impugnação dos quais por amor a brevidade não os repetirei. Por fim, requer o acolhimento das alegações contidas no Recurso Voluntário, objetivando a reforma da decisão de Primeira instância, e solicita a baixa do processo em diligência para apuração dos créditos de PIS e Cofins que a recorrente tem direito, sem necessidade de ação judicial. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes, numerado até a folha 1212 (mil duzentos e doze), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10980.721787/201337 Resolução nº 3402000.707 S3C4T2 Fl. 1.216 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de desenvolvimento válido e eficaz, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre esclarecer que o cerne da questão apontada pelo recorrente diz respeito à tomada de créditos autorizada por decisão judicial obtida na Ação Ordinária nº 500655681.2010.404.7000, os quais foram glosados pela Autoridade Fazendária, vindo a autuar os valores compensados. Portanto, antes de analisar quaisquer aspectos constantes dos autos, devese verificar qual o destino que tenha sido dado à dita Ação Ordinária e se as matérias colocadas à apreciação do Poder Judiciário se confundem com as matérias ora discutidas. Dessa forma, entendo que para que possa haver o julgamento do mérito deste processo, necessariamente deverseá trazer aos autos cópia integral do processo judicial, pois que preciso avaliar a concomitância e o estágio atual do feito judicial. Ante o exposto, entendo que o julgamento do processo deve ser convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora acoste à estes autos cópia integral do processo judicial nº 500655681.2010.404.7000, sendo que após tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10935.000889/2003-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 00 88 9/ 20 03 -9 9 Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000889/200399 Resolução nº 3801000.936 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Tratase de pedido de ressarcimento (fl. 07) de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, no montante de R$ 664.244,11, respeitante ao 1º trimestrecalendário de 2000, cumulado com as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 1.397/1.398, com débitos no total de R$ 131.805,15. Pelo Despacho Decisório nº 027/2007 (fls. 1044/1051), a DRFB em Cascavel/PR deferiu parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 107.935,23. Na manifestação de inconformidade (fls. 1062/1094), apresentada em 07/08/2007, foram alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade de atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação comporiam a base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais mencionados. Neste ínterim, a interessada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0037088 pleiteando a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício, sendo que, antes que esta instância administrativa se pronunciasse, logrou obter o pedido deduzido no Agravo de Instrumento nº 2007.04.00.0321455/PR, que determinou o recálculo do crédito presumido com a inclusão das controvertidas aquisições. Assim, em 30/05/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 97/2008 (fls. 1144/1149) com o reconhecimento da parcela em questão do crédito presumido e a homologação total da Declaração de Compensação vinculada ao pedido de ressarcimento. Contudo, a requerente apresentou, em 08/07/2008, nova manifestação de inconformidade (fls. 1171/1175) com a alegação de que este processo não poderia seguir para arquivo, na medida em que não foram apreciadas no âmbito do contencioso administrativo de primeira instância as alegações relativas à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das exportações de soja após limpeza e secagem e a atualização monetária, à taxa SELIC, do total requerido. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000889/200399 Resolução nº 3801000.936 S3TE01 Fl. 12 3 Em 17/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 320/2008 (fl. 1218), com a homologação total das Declarações de Compensação, por força de decisão judicial nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0010727 e conforme memorando à fl. 1183. Veio então a manifestação de inconformidade de 09/06/2009 (fls. 1232/1242) em relação a diversos processos atinentes a ressarcimento, inclusive este, com o pedido para apreciação de todos os recursos voluntários interpostos, sob pena de ofensa a direito líquido e certo. O Acórdão DRJ/RPO nº 1433.651 (fls. 1255/1259) foi prolatado em 11/05/2011, com o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade e o nãoreconhecimento do direito creditório. Em conseqüência, foi interposto em 10/07/2012 o recurso voluntário às fls.1264/1301). Sobreviera, antes, o Acórdão (fls. 1309/1317), de 29/06/2011 (publicação em 07/07/2011) nos autos da Apelação Cível nº 2007.70.05.0037088/PR. Em 18/04/2013, no Despacho Decisório nº 199/2013 (fls. 1324/1329) foi decidido o seguinte: “a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 027/2007, no valor de R$ 107.935,23 (cento e sete mil, novecentos e trinta e cinco reais e vinte e três centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 097/2008, no valor de R$ 349.933,39 (trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e trinta e três reais e trinta e nove centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 320/2008 (cópia as fls. 1218), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, caso restar crédito remanescente, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o calculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 13/05/03 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95)”. (grifos do original) Depois da ciência em 07/05/2013 (AR à fl. 1358), foi oposta a manifestação de inconformidade (fls. 1391/1401), em 06/06/2013, Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000889/200399 Resolução nº 3801000.936 S3TE01 Fl. 13 4 firmada pelo representante legal da pessoa jurídica, qualificado na cópia de alteração de contrato social (fls. 1406/1413). Primeiramente, é defendida a tempestividade da manifestação de inconformidade. Em segundo lugar, sustenta que a taxa Selic deve incidir sobre todo o direito creditório requisitado, desde o início do procedimento, conforme doutrina aduzida, não somente sobre o montante de R$ 349.933,39, inicialmente indeferido por se tratar de aquisições de insumos de não contribuintes; do contrário, tratase locupletamento indevido do Fisco: decorreram dez anos do protocolo do pedido de compensação de créditos e débitos até a apreciação conclusiva pela Receita Federal, tendo sido corrigidos monetariamente somente os débitos; a atualização monetária deve incidir sobre todos créditos, inclusive os créditos homologados, e não apenas sobre os créditos não homologados no início do procedimento. Por fim, requer que seja conhecida e provida integralmente a manifestação de inconformidade e homologadas as declarações de compensação, e, especialmente, que seja determinada a correção monetária pela Selic, até a data de encerramento da análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos, do direito creditório inicialmente homologado pela autoridade fiscal, à semelhança do que foi apenas reconhecido judicialmente. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: CRÉDITOS ESCRITURAIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto, passíveis de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após relatar os fatos, no mérito sustenta que a DRJ interpretou equivocadamente o pedido da recorrente, pois entendeu que a pretensão se resumia, pura e simplesmente, em atualizar os créditos presumidos de IPI incontroversos. Pontua que o erro fundamental da DRJ é ignorar o efeito da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 2007.70.05.0037088/PR. Recorda que a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança tem o condão de anular o ato administrativo impugnado e tem efeito “mandamental.” Insiste que a ordem do Juiz foi no sentido de que o AFRFB deixasse de reconhecer apenas o valor de R$ 107.935,23 em créditos presumidos e reconhecesse mais o valor de R$ 349.933,39. Ou seja, que ressarcisse R$ 457.868,62. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000889/200399 Resolução nº 3801000.936 S3TE01 Fl. 14 5 Argumenta que a autoridade fiscal deveria ter ignorado ignorasse toda e qualquer análise até então feita, como se nunca tivesse tido contato com o pedido de ressarcimento da recorrente. A partir de então, apreciando os elementos constantes nos autos, reconhecesse que a recorrente tem direito a R$ 457.868,62. Assim, consoante determina o Mandado de Segurança, deveria a autoridade administrativa fazer incidir a SELIC desde a data do pedido de ressarcimento até o momento em que a recorrente utiliza o crédito ou lhe dê outra destinação. Apresenta quadro do impacto financeiro que referida medida produz no crédito presumido da recorrente. Quanto à matéria atualização pela Selic sobre créditos, apresenta em síntese as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o STJ enfrentou o tema pelo rito dos recursos repetitivos, quando firmou peremptoriamente que a oposição do Fisco faz surgir o direito do contribuinte de ter seus créditos atualizados pela SELIC; é incontroverso no presente feito que houve a oposição do Fisco ao aproveitamento integral do crédito presumido; o ressarcimento foi negado pela Receita Federal do Brasil, o que impossibilitou a recorrente de aproveitar seus créditos devidos por mais de 10 (dez) anos; este Conselho Administrativo possui idêntico entendimento ao que se disse acima; Por fim requer que seja conhecido o recurso voluntário e provido integralmente seus pedidos, especialmente para determinar que incida a correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente (R$ 457.868,62), uma vez que é inequívoca a existência de injusta oposição estatal ao direito líquido e certo da recorrente. É o relatório. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000889/200399 Resolução nº 3801000.936 S3TE01 Fl. 15 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início constatase que não é possível delimitar o litígio. Como relatado, este processo tem uma situação atípica. A tramitação processual foi conturbada em face dos três despachos decisórios, respectivas manifestações de inconformidade, duas decisões da DRJ e dois recursos voluntários. Reconhecese que os despachos decisórios foram complementares, todavia o litígio não ficou demarcado a partir da última decisão da DRJ. Entendese, a princípio, que a recorrente deveria em seu último recurso voluntário reafirmar as teses de seu primeiro recurso o. A simples menção a sua interposição não é suficiente para a apreciação de todas as alegações porque algumas perderam o seu objeto. De sorte que no primeiro recurso a recorrente questiona diversas matérias, enquanto no segundo recurso voluntário, a recorrente simplesmente reiterou de forma genérica as alegações do primeiro recurso e se insurgiu especificamente em relação à incidência da correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente. Ocorre, todavia, que diversas matérias foram objeto de provimento pela primeira decisão a quo. Assim sendo, a reiteração genérica no segundo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não conhecimento do primeiro recurso voluntário implicaria em ofensa ao amplo direito de defesa. No caso vertente, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime a interessada para que consolide em uma única peça recursal as matérias que ainda tem interesse em agir no prazo de 30 (trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11516.722423/2011-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
INDEFERIMENTO DE INCLUSA~O NO SIMPLES. RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINA´RIAS
Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita a`s normas tributa´rias aplica´veis a`s demais pessoas, sendo imperioso o lanc¸amento tributa´rio em honra ao princi´pio da legalidade, uma vez a constituic¸a~o do cre´dito e´ procedimento vinculado a` lei.
SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional.
Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira .
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INDEFERIMENTO DE INCLUSA~O NO SIMPLES. RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINA´RIAS Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita a`s normas tributa´rias aplica´veis a`s demais pessoas, sendo imperioso o lanc¸amento tributa´rio em honra ao princi´pio da legalidade, uma vez a constituic¸a~o do cre´dito e´ procedimento vinculado a` lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINÁRIAS Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 23 /2 01 1- 51 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira . Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722423/201151 Acórdão n.º 2803004.038 S2TE03 Fl. 259 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Transportes Natal Ltda, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do brasil de Julgamento de Belém (PA), que indeferiu a impugnação apresentada pela recorrente e manteve o crédito exigido. Tratase de auto de infração relativo às seguintes contribuições: a) contribuições patronais destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais; b) contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, inclusive o 13º salário; e c) as contribuições da parte patronal, devidas a outras entidades ou fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT). Todas no período de 01/2008 a 07/2011. A fiscalização procedeu ao lançamento das referidas contribuições por ter a empresa declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP que era optante do Simples Nacional, quando na verdade não possuía tal condição, tendo em vista que todos os seus requerimentos foram indeferidos. Eis a composição de cada lançamento, conforme relatório apresentado pela autoridade fiscal às 143/150: DECAD n. 37.344.4079 (FPAS e GILRAT) e 37.344.408 (TERCEIROS) Período: 01/2008 a 13/2008 A empresa efetuou pagamento de salários a seus empregados e de prolabore aos seus sócios, conforme folha de pagamento, recibos prólabore e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP. Tendo o contribuinte declarado indevidamente, em todo o período como se fosse optante do SIMPES nacional, o Sistema SEFIP não calcula nem considera devida a contribuição patronal para o FPAS, para o GILRAT e para TERCEITOS (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT) sobre a base de cálculo ali informada, motivo pelo qual, foram lavrados os competentes autos de infração, com o levantamento dos créditos previdenciários através dos códigos de levantamento “RA – REMUN ANTES DA MP 449 2008”, “RP – REMUN APÓS A MP 449 2008”, “PA – PROLABORE ANTES MP 499 2008”, “PL – PROLABORE APÓS MP449 2008” e “PF – PROLAB F Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 PAGTO ANTES MP 449 2008”, com a aplicação das alíquotas discriminadas no anexo denominado de “DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO” parte integrante dos referidos autos. DEBCAD N. 37.344.4095 (CONTRIBUIÕES DOS SEGURADOS) Período: 03/2008 a 10/2008 A empresa efetuou pagamento de prolabore a seus sócios, conforme folha de pagamento e recibos de prólabore, porém não declarou em GFIP a totalidade das referidas remunerações. Os valores mensais descontados dos segurados contribuintes individuais, sócios da empresa, constituem o crédito previdenciário ora levantado através do auto de infração acima referido, com código de levantamento “CS – CONTRIB C 1 ANTES MP 449 2008” e foram extraídos das Folhas de pagamentos entregues a esta auditoria por meio digital, conforme Recibo com código de autenticação 74866603d4ecd2a82c2d1db6c3e6a086 de 01/09/2011 e Recibos de Prólabore anexados ao presente Processo Administrativo Fiscal. Após devidamente intimada do lançamento em 02/12/2011 a empresa apresentou impugnação tempestiva, às fls. 152/154. Ao analisar os argumentos trazidos, a Delegacia da Receita Federal do brasil de Julgamento de Belém (PA) julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido sob os seguintes fundamentos: “REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. DISCUSSÃO EM PROCESSO PRÓPRIO. A discussão quanto à legalidade/regularidade do indeferimento da opção ao regime de tributação do SIMPLES é levada a efeito em processo próprio, não cabendo o exame da matéria nos autos de Auto de Infração decorrente de referida decisão. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS PARA O SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (fl. 173) A contribuinte foi devidamente cientificada em 28/02/2014, conforme cópia de AR da ECT à fl. 186/187 da decisão supramencionada e apresentou recurso tempestivo em 01/04/2014 às fls. 189/248, no qual aduz, em síntese, os seguintes argumentos: Alega que em momento algum a recorrente confessou não haver apresentado recurso ao não enquadramento do SIMPLES, pelo contrário, quando da apresentação da impugnação combateu tal argumento da autoridade fiscal, pois não foi intimado a apresentar qualquer documento referente a sua solicitação de enquadramento no SIMPLES. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722423/201151 Acórdão n.º 2803004.038 S2TE03 Fl. 260 5 Entende que cabe ao fisco trazer aos autos a prova de que o contribuinte foi cientificado do não enquadramento/exclusão do SIMPLES NACIONAL. Sustenta que a DRJ ao julgar a impugnação apresentada não deve se limitar a consultar o site do SIMPLES, mas deve apreciar o mérito do enquadramento/exclusão da empresa. O recolhimento de elevada quantia, por mais de cinco anos, corrobora a ausência de ciência do contribuinte a respeito de eventual indeferimento da sua opção. Defende que o fisco considerou rubricas que não podem compor a base de cálculo, tais como aviso prévio indenizado e 13º proporcional, aviso prévio, salário maternidade, adicional sobre horasextras, adicional noturno, adicional de férias (terço constitucional, férias gozadas, auxíliodoença (primeiros 15 dias), adicionais de insalubridade, periculosidade e transferência, vale transporte pago em dinheiro e gratificação natalina (13º salário) pois não encontram respaldo legal para a incidência tributária, e portanto não podem ser consideradas para fins de cálculo do quantum devido a título de contribuição previdenciária. Sustenta a nulidade do auto de infração quanto ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre o INCRA, por se tratar de contribuição não recepcionada pela Constituição Federal. Aduz que a exigência da contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos riscos ambientais do trabalho (RAT) é ilegal e inconstitucional. Combate a cobrança de multa de 75% aplicada nos presentes autos de infração por entender que é evidente o caráter confiscatório do lançamento. Na hipótese de nenhum dos seus argumentos anteriores serem acatados, ressalta que, conforme se comprovou, a recorrente, no período de 01/2008 a 12/2001 recolheu mensalmente o referido tributo. Assim, requer que seja compensado o valor que já foi pago a cada competência. Por fim, para fins de comprovação do alegado, requer que sejam baixados os autos em diligência para produção de prova pericial, a fim de que sejam respondidos os quesitos apresentados na peça recursal. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados a este desse Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 O recurso voluntário é tempestivo, contudo necessita de melhor análise para aferir sua admissibilidade. Em que pese as profícuas razões recursais apresentadas pelo patrono da contribuinte, observase, hialinamente, que as matérias na peça recursal não foram objeto de impugnação pela recorrente no momento oportuno, tanto que, ao analisar a peça impugnatória a DRJ deixou assentado que “devese considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidandose administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência.” (fl. 179) Ora, os únicos objetos trazidos na impugnação pela recorrente foram a nulidade quanto a sua não inclusão no Simples e, subsidiariamente, a compensação dos valores eventualmente recolhidos nesta sistemática. Destarte, qualquer manifestação deste Conselho sobre matérias não impugnadas e não apreciadas pela instância a quo, transformarseia em verdadeira supressão de instância, uma vez que não houve qualquer sucumbência da recorrente em relação a elas. Como é cediço, os pressupostos recursais são necessários para se avaliar a admissibilidade dos recursos. Os pressupostos recursais são, deste modo, os chamados requisitos de admissibilidade. Os requisitos de admissibilidade, conforme José Carlos Barbosa Moreira, se dividem em dois grupos, quais sejam: a) requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer): cabimento, legitimação, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer; b) requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercício do direito de recorrer): preparo, tempestividade e regularidade formal. Destarte, observase que o interesse recursal é um dos requisitos essenciais para o conhecimento de qualquer recurso. O professor Fredie Didier Jr. Afirma que a definição do interesse processual segue a metodologia do exame do interesse de agir. Ou seja, deve ser analisado a utilidade e necessidade do recurso. Ocorre que, no caso ora em apreço, não se vislumbra o interesse parcial do presente recurso voluntário, visto que alguns objetivos buscados pela recorrente não podem ser obtidos através do manuseio desta peça processual, razão pela qual conheço parcialmente do recurso voluntário, somente no tocante às controvérsias de não inclusão no Simples e das compensações solicitadas. Da não Inclusão no Simples O relatório fiscal (fls. 153) afima que não foi deferida as três solicitações de inclusão da recorrente no Simples Nacional, sendo que a recorrente recoheu todas as contribuições como se beneficiária fosse desse sistema de tributação. Ademais, a alegação da empresa limitase a afirmar que não tomou conhecimento de nenhum dos três indeferimentos, o que obsta qualquer autuação sob este fundamento. Ora, a contribuinte teve sua solicitação ao Simples Nacional indeferida, contudo quedouse inerte em apresentar defesa em relação à exclusão. Assim, em esfera Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722423/201151 Acórdão n.º 2803004.038 S2TE03 Fl. 261 7 administrativa, operouse a preclusão, de forma que os motivos da exclusão não podem ser objeto de análise neste feito, mormente por tratarse de débitos junto a municipalidade e não à Fazenda Nacional. Diante do quadro fático que se apresenta, entendo que o lançamento tributário é medida que se impõe. A autoridade fazendária representa a administração pública, que deve pautarse pelo princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Assim sendo, patente a realização do fato gerador, incide o tributo, devendo o Fisco proceder o lançamento, uma vez que se encontra subordinado, de forma completa, à lei. Destarte, como preleciona o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento possui natureza vinculada, o que significa que não cabe a autoridade Fazendária a escolha, sendo ele definido em lei. A legislação é clara no sentido que com a não inclusão no Simples, a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas. Observo ainda que, em momento algum o recorrente impugnou a constituição do lançamento, limitandose a rechaçar, intempestivamente, a sua não inclusão no Simples Nacional. Diante no exposto, neste ponto, nego provimento ao recurso voluntário. Da Compensação De ofício faço a aplicação da Súmula 76 do CARF, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10980.720449/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.153
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da 4a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR (Acórdão DRJ/CTA nº 0632.950, de 02/08/2011, às fls. 31/37, que julgou procedente em parte o lançamento formalizado nos autos. Por bem resumir os fatos, transcrevese, a seguir, o Relatório constante da decisão recorrida (fl. 32): “Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2004, anocalendário 2003, emitida para a exigência de: (a) R$ 21.810,14 de imposto suplementar, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais correspondentes; e (b) R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 44 9/ 20 08 -1 1 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.720449/200811 Resolução nº 2801000.153 S2TE01 Fl. 151 2 22.754,78 de imposto, sob o código 0211, além de multa de mora e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, a exigência está relacionada à constatação, em relação a processo judicial trabalhista em face de AGRESTE ENGENHARIA DE CONSTRUÇÕES: (a) de omissão de rendimentos, de R$ 79.309,60, recebidos acumuladamente, conforme detalhado, à fl. 09, na complementação da descrição dos fatos; e (b) compensação indevida a título de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 22.754,78. Cientificado, por via postal, em 14/10/2008 (fl. 27), o interessado apresentou, tempestivamente, em 12/11/2008, impugnação (fls. 02/05), instruída com documentos (fls. 06/17), a seguir sintetizada. Sob o tópico “DA NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO”, argumenta que não houve omissão de rendimentos e nem compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, dizendo haver equívoco de cálculo na notificação, o que impossibilitaria sua manutenção integral. Nesse sentido, diz que R$ 86.641,23 são referentes a juros moratórios incidentes sobre os rendimentos recebidos em decorrência da ação trabalhista, os quais alega terem natureza indenizatória, não se sujeitando ao imposto de renda, o que baseia em decisão do Superior Tribunal de Justiça. Sustenta, assim, que não haveria omissão de rendimento, mas lançamento a maior de R$ 7.331,63. Quanto ao imposto de renda retido na fonte, alega certidão emitida pela 15ª Vara do Trabalho de Curitiba, acrescentando não ter culpa pelo não recolhimento, uma vez que o valor foi retido. Destaca que o imposto retido está sendo objeto de execução na Vara da Justiça do Trabalho. Pelo exposto, requer a nulidade da notificação.” (negritos originais) Ao apreciar o feito, o órgão julgador de primeira instância decidiu, à unanimidade de votos, por restabelecer o IRRF que havia sido glosado, e assim, cancelando a exigência de R$ 17.421,92 de imposto, além da multa e dos juros de mora correspondentes, e mantendo as exigências de R$ 21.810,14 de imposto suplementar, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais correspondentes, e de R$ 5.332,86 de imposto, sob o código 0211, além de multa de mora e juros de mora. Devidamente intimado da referida decisão o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, conforme documentação juntada aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. De proêmio, verificase que o lançamento objeto do presente processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.720449/200811 Resolução nº 2801000.153 S2TE01 Fl. 152 3 Compulsando os autos, denotase que a fiscalização, ao proceder a exigência tributária, aplicou a tabela progressiva anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo recorrente no anocalendário de 2003, valores estes decorrentes de reclamatória trabalhista ajuizada contra a empresa Agreste Engenharia de Construções Ltda. CNPJ nº 78.040.789/000100. Em sua peça recursal, como preliminar, o contribuinte questiona este procedimento adotado pela autoridade lançadora, e defende que a tributação dos rendimentos considerados como omitidos deveria ter sido feita considerandose o pagamento individualizado mês a mês, o que alcançaria uma tributação menor, ou mesmo, estariam referidos valores na faixa de isenção da tabela do Imposto de Renda. Deveras, sobre isto, cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, Dje043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.720449/200811 Resolução nº 2801000.153 S2TE01 Fl. 153 4 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o acima exposto, VOTO por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 11060.724243/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Gervásio Recktenvlad. OAB: 82.093/RS.
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, BRUNO RODRIGUES PENA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Gervásio Recktenvlad. OAB: 82.093/RS. Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, BRUNO RODRIGUES PENA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO
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ASTROGILDO DE AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Gervásio Recktenvlad. OAB: 82.093/RS. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, BRUNO RODRIGUES PENA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, consolidado em 26/12/2012, formalizado nos seguintes autos de infração: 1) Auto de Infração AI Debcad nº 37.302.1470, no valor de R$ 21.943.964,29 (vinte e um milhões, novecentos e quarenta e três mil, novecentos e sessenta e quatro reais e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .7 24 24 3/ 20 12 -9 1 Fl. 6354DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11060.724243/201291 Resolução nº 2301000.526 S2C3T1 Fl. 3 2 vinte e nove centavos), referente a contribuições previdenciárias, a cargo da empresa, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais; à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e adicionais por exposição a agentes nocivos, incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados, nas competências 01/2007 a 12/2008, inclusive 13/2008. 2) Auto de Infração AI Debcad nº 37.302.1488, no valor de R$ 4.828.657,58 (quatro milhões, oitocentos e vinte e oito mil, seiscentos e cinqüenta e sete reais e cinqüenta e oito centavos), relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, nas competências 01/2007 a 12/2008, inclusive 13/2008. 3) Auto de Infração – AI Debcad nº 37.302.1461, no valor de R$ 1.164.326,40 (um milhão, cento e sessenta e quatro mil, trezentos e vinte e seis reais e quarenta centavos), decorrente da apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2007 a 11/2008, conforme demonstrado na Planilha AI 68 (Anexo 26). A autuada declarou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP's com o código denominado Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) 639, correspondente às entidades beneficentes de assistência social. As GFIP's declaradas com o código FPAS 639 contém apenas os valores devidos de contribuição previdenciária descontada dos segurados a serviço do sujeito passivo. Deste modo, não houve declaração em GFIP de valores devidos a cargo da empresa. Consigna a Autoridade lançadora que o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo HCAA não observou os requisitos legais para que pudesse usufruir o benefício de isenção das Contribuições Previdenciárias. O Relatório de Fiscalização informa que, considerando a legislação de regência relativa ao período fiscalizado de 01/2007 a 12/2011, os fatos que determinaram a suspensão do benefício de isenção foram caracterizados pela fiscalização como infração ao disposto no artigo 55, incisos III a V da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, no artigo 28, incisos II, III, VII e VIII da Medida Provisória 446, de 07/11/2008 e no artigo 29, incisos II, IV e V da Lei 12.101, de 27/11/2009, e encontramse exaustivamente pormenorizados no Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 de suspensão do benefício de imunidade tributária, cientificado o HCAA em 17/07/2012, anexado ao presente processo. Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou que apresentou defesa em face do cancelamento da Isenção formalizado por meio do ADE nº 29/2012 (processo n º 11060.722784/201284); que é ilegal a suspensão da imunidade e que há decadência parcial do crédito tributário. A DRJ de Porto Alegre manteve a autuação na sua integralidade. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o Relatório. Fl. 6355DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11060.724243/201291 Resolução nº 2301000.526 S2C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que o sujeito passivo teve a sua imunidade suspensa por meio do ADE nº 29/2012, contestado pela ora recorrente, originando o processo administrativo n º 11060.722784/201284. Tanto que o relatório fiscal do presente lançamento valese dos fundamentos expostos no processo acima citado como fundamento para exigir as contribuições previdenciárias. Verifico, ademais, que o mencionado processo encontrase em trâmite perante a 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção desse CARF tendo sido julgado em setembro de 2014 e em fase de formalização de acórdão. Entendo que a decisão definitiva a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, influenciar na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, haja vista que se for decidido que o ADE nº 29/2012 é ilegítimo o presente lançamento sofrerá conseqüências, quiçá seu cancelamento se for esse o caso. Por essa razão, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA a fim de que se traga a esses autos cópia do relatório fiscal do processo administrativo 11060.722784/201284, bem como das decisões nele proferidas, seja em primeira ou segunda instâncias, dandose, após, ciência ao contribuinte da diligência realizada para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, seja remetido ao CARF para julgamento. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 6356DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10803.000080/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.167
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-27T15:06:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - APV2202_10803000080201091_PedroRochaBrites.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: 80298141787; dcterms:created: 2012-03-27T15:06:40Z; Last-Modified: 2012-03-27T15:06:40Z; dcterms:modified: 2012-03-27T15:06:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - APV2202_10803000080201091_PedroRochaBrites.doc; Last-Save-Date: 2012-03-27T15:06:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2012-03-27T15:06:40Z; meta:save-date: 2012-03-27T15:06:40Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - APV2202_10803000080201091_PedroRochaBrites.doc; modified: 2012-03-27T15:06:40Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 80298141787; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 80298141787; meta:author: 80298141787; meta:creation-date: 2012-03-27T15:06:40Z; created: 2012-03-27T15:06:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2012-03-27T15:06:40Z; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: 80298141787; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2012-03-27T15:06:40Z | Conteúdo => S2-C2T2 Fl. 1 1 S2-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000080/2010-91 Recurso nº 916.602 Resolução nº 2202-00.167 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2012 Assunto Sobrestamento de Julgamento Recorrente PEDRO DA ROCHA BRITES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10803.000080/2010-91 Resolução n.º 2202-00.167 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 256 a 259, integrado pelos demonstrativos de fls. 260 e 261, pelo qual se exige a importância de R$417.510,80, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 2004. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 270 a 319, instruída com os documentos de fls. 320 e 321, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 327 a 329): Inconformado, o contribuinte impugnou o lançamento nos termos do instrumento de fls. 270/319 onde suscita nulidade preliminarmente: Invalidade do procedimento fiscal Questiona as razões de ter sido fiscalizado e que o procedimento não seria válido pelo fato de que não teria sido observada a portaria PT 500/95 e 3007/02 da Receita Federal. Cerceamento de defesa Alega cerceamento de defesa aduzindo que não teria sido encaminhada relação de créditos, o impugnante não possuía extratos e nenhuma prova foi fornecida para verificar a base de cálculo. Incompetência para o lançamento Ainda em preliminar, alega que os Auditores Fiscais seriam incompetentes para efetuar o lançamento sob argumento de que a repartição competente seria o domicílio tributário do contribuinte. Nesse contexto, em meio a comparações com atos do poder judiciário, afirma que os Auditores Fiscais que fizeram o lançamento tem exercício na Superintendência da Receita Federal em São Paulo, sem competência para fiscalizar e lançar o tributo. Ilegalidade da tributação anual Afirma que o lançamento foi feito em desacordo com o artigo 42 da Lei 9.430/96, pois, o fato gerador teria incidência mensal, entretanto, a fiscalização teria considerado ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 2004. Decadência Prosseguindo seu arrazoado, sustenta que o tributo tem seu lançamento por homologação, nesse contexto, sob o fundamento do artigo 150, § 4o do Código Tributário Nacional, alega que teria ocorrido decadência em 31 de dezembro de 2009. Erro na identificação do sujeito passivo Alega ainda que teria havido erro na identificação do sujeito passivo pelo fato de que os rendimentos seriam da pessoa jurídica Stand By Agência de Viagens que não teria conta bancária no período e se utilizou a conta de pessoa física do contribuinte. Nesse sentido a omissão deveria ser imputada à pessoa jurídica em questão. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10803.000080/2010-91 Resolução n.º 2202-00.167 S2-C2T2 Fl. 3 3 Sustenta que o ônus da prova de falsidade dos esclarecimentos prestados cabe ao fisco que em ano calendário anterior teria atestado a efetividade das atividades comercias do contribuinte. Sigilo bancário Prossegue ainda o impugnante, alegando que teria havido quebra de sigilo sem autorização judicial, induzindo prova ilegal passível de nulidade do procedimento sob argumento de que a apuração dos valores decorreu de informações sobre movimentação financeira ilicitamente obtidas e indevidamente fornecidas pelas instituições financeiras. Mérito No que tratou como mérito da exigência, alega ser impossível contestar os valores lançados pelo fato de que teria havido incompreensível redução de texto, e que os valores de transferência entre contas não poderiam ser considerados omitidos. Nesse cenário, faz alusão à prática de excesso de exação. Da multa qualificada Sustenta que para aplicação da multa qualificada há necessidade de comprovação de fraude e que tal fato não se presume e que cabe ao fisco o ônus da comprovação. Finalizando suas alegações, requer cancelamento do Auto de Infração pelas razões expostas inclusive a aplicação indevida da multa qualificada. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve parcialmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 17-50.418 (fls. 324 a 340), de 03/05/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. AÇÃO FISCAL. SELEÇÃO. Os critérios de seleção de contribuintes para ação fiscal tem suas diretrizes traçadas mediante mecanismos internos e são inerentes à finalidade institucional da Receita Federal que pode através da Superintendência Regional determinar a realização de trabalhos específicos de fiscalização, inclusive sob requisição de órgãos externos, conforme conveniência e oportunidade da execução desses trabalhos. Sendo ato discricionário e não integram o rol de direitos subjetivos do sujeito passivo. Portaria RFB n°11.371/07. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10803.000080/2010-91 Resolução n.º 2202-00.167 S2-C2T2 Fl. 4 4 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa durante a verificação dos fatos, visto ser incabível tal alegação ante a ausência de litígio, na fase inquisitória, ou seja, antes da formalização da exigência fiscal cujo procedimento transcorreu com a regular e exaustiva intimação do contribuinte de todos os atos e ao final forneceu ao contribuinte todos os elementos para impugnação. CF/88 art.5°, LV. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO E LANÇAMENTO. A competência para a fiscalização decorre de Lei e cabe ao Auditor Fiscal que a exerce mediante Mandado de Procedimento Fiscal. O gerenciamento das ações fiscais, não exclui da Superintendência da Região Fiscal a competência para a condução de atividades específicas de fiscalização emitindo Mandados atividade inserida no contexto da função institucional da Receita Federal. A repartição do domicílio tributário do sujeito passivo é competente para o Artigo 142, CTN, Lei 11.457/07, art. 6o , I, Decreto 70.235/72, art. 9o, 10 e 11. DO CRITÉRIO TEMPORAL DA INCIDÊNCIA DO IRPF. Os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Art. 42, da Lei 9.430, IN 246/02. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, por ser complexivo com período anual, ocorre em 31 de dezembro do respectivo ano- calendário. O objeto da homologação é o pagamento, ante a ausência do mesmo, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173,I, do CTN). IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RELAÇÃO PESSOAL COM O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. O contribuinte, detentor dos recursos financeiros de origem não comprovada em conta bancária de sua titularidade, ainda que compartilhada, é sujeito passivo da obrigação tributária emergente, portanto, passível de autuação pelo descumprimento da referida obrigação na forma da legislação em vigor aplicável conforme as normas procedimentais da Receita Federal do Brasil. Art. 121, capuí e parágrafo único, I do CTN. SIGILO BANCÁRIO. Permanecem protegidas por sigilo, nos termos do artigo 198 do Código Tributário Nacional, as informações obtidas mediante procedimento de fiscalização, nos termos do artigo 1o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2.001, não configurando violação. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10803.000080/2010-91 Resolução n.º 2202-00.167 S2-C2T2 Fl. 5 5 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula 25 do CARF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão. A decisão a quo desqualificou a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75%, por entender que “a situação descrita no Termo de Verificação, não se amolda ao disposto na legislação acima transcrita, mas caminha em direção oposta, inclusive ao conteúdo da Sumula 25 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais[...]”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 17/06/2011 (vide AR de fl. 355), o contribuinte interpôs, em 12/07/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 356 a 422, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 320), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 24/10/2011, veio digitalizado até à fl. 4331. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. O processo físico foi numerado até a fl. 343 (fl. 354 da digitalização). Fl. 438DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10803.000080/2010-91 Resolução n.º 2202-00.167 S2-C2T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento relativo ao ano-calendário 2004 decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Numa análise preliminar dos autos, observa-se que os extratos bancários que compõem o presente processo foram entregues diretamente pela instituição financeira, sem prévia autorização judicial, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme consta do Termo de Verificação e Conclusão da Ação Fiscal às fls. 239 a 255. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei Fl. 439DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10803.000080/2010-91 Resolução n.º 2202-00.167 S2-C2T2 Fl. 7 7 no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram-se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 440DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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