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Numero do processo: 10280.003829/2002-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2000
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DECORRENTE DE ESTIMATIVAS PAGAS A MAIOR. VALORES NÃO COMPUTADOS NA APURAÇÃO ANUAL.
O contribuinte tem direito à restituição/compensação de valores de estimativas mensais pagos em valor maior do que o devido, em face da legislação aplicável. No caso concreto, restou comprovado que eventuais excessos e insuficiências dos recolhimentos mensais não foram levados à apuração do tributo ao final do ano-calendário, pelo que cabível seu tratamento individualizado.
Numero da decisão: 1301-000.685
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DECORRENTE DE ESTIMATIVAS PAGAS A MAIOR. VALORES NÃO COMPUTADOS NA APURAÇÃO ANUAL. O contribuinte tem direito à restituição/compensação de valores de estimativas mensais pagos em valor maior do que o devido, em face da legislação aplicável. No caso concreto, restou comprovado que eventuais excessos e insuficiências dos recolhimentos mensais não foram levados à apuração do tributo ao final do anocalendário, pelo que cabível seu tratamento individualizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003829/200299 Acórdão n.º 130100.685 S1C3T1 Fl. 228 2 Relatório AMAZÔNIA CELULAR S.A., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0110.432, de 21/02/2008, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face da não homologação da Compensação de fl. 01. Nesta declaração a contribuinte compensa pagamento a maior de estimativa de CSLL relativo ao mês de fevereiro de 1999 com CSLL de janeiro de 1999 (fls. 01 e 02). A autoridade administrativa, às fls. 91 a 98, não homologou a Compensação Declarada pois o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário 1999, já tinha sido restituído no processo 10245.00523/0038, conforme documentos de fls. 54 a 58. Foi considerado que é vedada a restituição de pagamento a maior ou indevido de estimativas, visto que o valor pago ou retido só poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração. Como foi utilizada a estimativa referente a fevereiro de 1999, conforme fl. 56, que é o crédito requerido neste processo, na recomposição do saldo credor da CSLL do anocalendário 1999, no processo 10245.00523/0038, este valor não pode ser mais restituído/compensado. Cientificada em 04/07/2007 (fl. 100) do despacho decisório de fls. 91 a 98, a empresa, irresignada, apresentou em 02/08/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 102 a 114, na qual alega em síntese que: 1. o recolhimento mensal da CSLL por estimativa tem regra própria de apuração do montante a ser recolhido e de prazo de recolhimento sendo que eventual recolhimento em valor superior ao apurado segundo as normas aplicáveis ao cálculo da estimativa mensal deve ser tratado como recolhimento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação; 2. a empresa apurou que nada tinha a recolher de CSLL no mês de fevereiro, conforme demonstrado na Ficha 29 da DIPJ/2000, ano calendário 1999, contudo, foi efetuado recolhimento de R$ 16.057,18, apurando assim, recolhimento a maior de estimativa. Este valor foi objeto do Pedido de Restituição de fl. 01 e base para o Pedido de Compensação de fl. 02; 3. não havia na IN SRF 21/97, norma à época vigente, a restrição estipulada posteriormente na IN SRF 460/2004, no seu artigo 10, de que os valores pagos indevidamente ou a maior de CSLL a título de estimativa somente poderiam ser utilizados para a dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período; Fl. 247DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003829/200299 Acórdão n.º 130100.685 S1C3T1 Fl. 229 3 4. figurase inadequado o direito creditório reconhecido em favor da requerente relativo ao saldo negativo de CSLL, referente ao ano base 1999, em valor diferente do indicado na Ficha 30 da DIPJ/2000 sob o argumento de que o mesmo já havia sido restituído/compensado através do processo 10245.000523/0038, vez que os valores pagos a maior, supostamente não incluídos na composição do saldo negativo de CSLL na DIPJ/2000, foram objeto de Pedido de Restituição/Compensação, por isto não entraram na composição de tal saldo. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0110.432, de 21/02/2008 (fls. 162/164), consideroua improcedente com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 1999 ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INDEVIDO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Cabe a compensação de estimativa recolhida a maior conforme Declaração de Rendimentos, Declaração de Contribuições e Tributos Federais e Documento de Arrecadação de Receitas Federais, confirmados nos bancos de dados da administração tributária, desde que os valores recolhidos não tenham sido utilizados na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão bem esclarece acerca dos fundamentos da decisão: [..], ocorre que o valor pago foi utilizado para compor o saldo credor da CSLL do anocalendário 1999 no processo 10245.000523/0038, conforme documentos de fls. 54 a 58, e esta utilização não foi contestada na época. Não é possível a discussão neste processo sobre o que foi decidido no processo 10245.000523/0038. Como o valor aqui requerido já foi utilizado para compor o saldo negativo e isto não foi contestado pelo contribuinte no momento oportuno e no processo apropriado, conforme documentos de fls. 85 a 89, correta está decisão recorrida. Ciente da decisão de primeira instância em 07/03/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 169v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/04/2008 conforme carimbo de recepção à folha 170. No recurso interposto (fls. 170/178), em apertada síntese, a interessada sustenta que a decisão recorrida se teria equivocado, “ao presumir que a Recorrente já havia utilizado o crédito declarado no Pedido de Compensação objeto do presente processo na composição do saldo credor de CSLL do ano calendário 1999, vez que o valor compensado e efetivamente homologado no processo 10245.00523/0038, qual seja, R$ 59.269,48 (cinquenta e nove mil duzentos e sessenta e nove reais e quarenta e oito centavos), de fato não contemplava os créditos decorrentes de recolhimento a maior de estimativas mensais de CSLL no período”. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003829/200299 Acórdão n.º 130100.685 S1C3T1 Fl. 230 4 Afirma que seu procedimento encontra respaldo na legislação vigente à época, e que tem direito à compensação de tributos recolhidos a maior. Reitera que o valor aqui pleiteado (R$ 16.057,18, correspondente à competência fev/1999) bem assim outros valores pagos a maior ao longo do ano, não integraram o saldo negativo de CSLL apurado na Ficha 30 da DIPJ 2000, no montante de R$ 59.269,48, objeto de compensação no processo 10245.000523/0038. Aduz, ainda, que a própria decisão recorrida teria considerado a regularidade de seu procedimento, de não considerar os valores de recolhimento a maior de estimativas mensais de CSLL para composição do saldo credor/devedor do período, mas de utilizálos para compensação com débitos posteriores. Reclama que a manifestação de inconformidade não alcançou os itens “c” a “e” do Despacho Decisório, que lhe teriam sido favoráveis, restando configurada a coisa julgada quanto a esses pontos. Assim pede a exclusão dos valores a eles correspondentes do demonstrativo de débito que lhe foi enviado. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Cumpre, inicialmente, fixar os pontos incontroversos do presente processo. Não há dúvidas acerca do direito de compensar valores indevidamente pagos ou em montante maior do que o devido. O Código Tributário Nacional é claro nesse sentido, e igualmente as leis ordinárias que disciplinam a matéria. Especialmente no que tange às estimativas mensais da CSLL, a lei estipula como deve ser calculado o valor devido, com base na receita bruta e acréscimos ou, a critério do contribuinte, com base em balanços/balancetes de suspensão/redução. As estimativas a serem computadas na apuração da contribuição efetivamente devida ao final do período de apuração anual são aquelas que, além de efetivamente pagas, eram também devidas, de acordo com a legislação pertinente. A decisão de primeira instância não discordou do entendimento acima, ressalvando apenas os fatos ocorridos após a vigência da IN SRF nº 460/2004. Não é essa, entretanto, a situação aqui discutida. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem admitido a compensação direta de estimativas pagas a maior mesmo após a vigência do referido normativo, por entender que não cabe à norma infralegal limitar direito estabelecido em lei. Não há, pois, divergência sobre o direito à compensação, nestas condições. Naturalmente, é possível que o contribuinte não se aperceba de imediato sobre o pagamento de estimativa em valor maior do que o devido, e leve a totalidade do valor pago (devido mais indevido) como estimativas pagas, a serem abatidas da CSLL apurada ao final do anocalendário. Em tal situação, o pagamento que, enquanto estimativa, era em valor maior do que o devido, passa a integrar o saldo devedor (a pagar) ou credor (a restituir) da Fl. 249DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003829/200299 Acórdão n.º 130100.685 S1C3T1 Fl. 231 5 contribuição. Se o saldo final é credor, e dele o contribuinte se apropria, tanto contabilmente, quanto pela via do pedido de restituição ou declaração de compensação, descabe o pleito de aproveitamento do valor mensal recolhido a maior, posto que significaria benefício em dobro sobre a mesma quantia paga em excesso. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à situação de saldo final devedor (a pagar), o qual estaria reduzido pelo valor pago a maior em um determinado mês. Pois bem. No entendimento do julgador de primeira instância, foi o que sucedeu com o contribuinte. O valor aqui pleiteado (R$ 16.057,18), correspondente à estimativa do mês de fevereiro/1999, já teria sido considerado na apuração do saldo anual da contribuição e objeto de compensação, como saldo negativo de CSLL, nos autos do processo administrativo nº 10245.000523/0038. O pedido de um valor individual, portanto, seria descabido. Para respaldar sua conclusão, fez juntar aos autos cópia do Parecer Seort/DRF/BEL nº 0416/2005 (fls. 54 e segs.), especialmente a Tabela 3 – Saldo Credor de CSLL – Exercício 2000, à fl. 56. Nesse quadro: (i) são somados os pagamentos a título de estimativa mensal (coluna A), totalizando R$ 117.076,54; de se ressaltar que nesse total está expressamente incluído o valor aqui pleiteado, de R$ 16.057,18; (ii) a CSLL apurada (coluna C), no montante de R$ 125.508,27, é integralmente compensada pelo 1/3 da COFINS paga (coluna B), pelo que (iii) resulta um saldo credor de CSLL (A + B – C) numericamente igual às estimativas pagas, de R$ 117.076,54. De se observar, no entanto, que o mesmo parecer, em seu item 2.5., ressalta que o reconhecimento do direito creditório lá apreciado se daria nos limites do pedido, ou, no que tange à CSLL, o valor original de R$ 59.269,48. Esse foi, afinal, o direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL no anocalendário 1999 que veio a ser reconhecido naquele processo, vide Despacho Decisório à fl. 58: Com base nas informações e documentos constantes deste processo, particularmente no Parecer SEORT/DRF/BEL/N° 0416/2005, que aprovo, [...], resolvo: a) Reconhecer, em favor do interessado, direito à restituição/compensação [...] de saldo credor de CSLL, no valor de R$ 59.269,48, relativos ao período de apuração 1999; As alegações da recorrente, então, ganham robustez. O exame da DIPJ do anocalendário 1999 apresentada mostra que o valor pleiteado e reconhecido (R$ 59.268,48) no outro processo correspondia não à totalidade das estimativas pagas, mas tão somente às parcelas calculadas pela interessada com base nos balanços/balancetes de suspensão/redução (vide Ficha 29, linha 08, fls. 134/139, e Ficha 30, linhas 27 e 31, fl. 140). Observo, por pertinente, que a exatidão ou mesmo a existência desses balanços/balancetes não é posta em questão nos autos. Com isso, é de se reconhecer que eventuais excessos – e também algumas insuficiências – entre os valores pagos e as estimativas devidas com base na legislação não foram levados à apuração da CSLL ao final do período e, por consequência, não foram incluídos no saldo credor (a restituir/compensar) reconhecido no processo nº 10245.000523/00 38. Especificamente quanto ao valor aqui discutido de R$ 16.057,18, da competência de fevereiro/1999, a Ficha 29 (fl. 134) registra estimativa devida zero, pelo que deve ser integralmente passível de restituição/compensação. De se observar, ainda, que o Pedido de Compensação de fl. 02 é exatamente da diferença (insuficiência) do mês anterior, Fl. 250DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003829/200299 Acórdão n.º 130100.685 S1C3T1 Fl. 232 6 janeiro de 1999: o valor devido (Ficha 29, fl. 134) foi de R$ 14.816,55, diante de um pagamento de R$ 13.588,83 (fl. 56), do que resultou uma insuficiência de R$ 1.227,72, a ser coberta com parte do pagamento do mês de fevereiro, feito em excesso. Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito creditório de R$ 16.057,18 por pagamento de estimativa de CSLL no mês de fevereiro de 1999 em valor maior do que o devido, homologandose as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 251DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000605/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a
arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência.
SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual,
quando tratar de isenção, deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário.
VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições
previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual.
NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços,
enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção,
podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do
contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os
artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais CARF,
c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias
administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de
inconstitucionalidade, cabendolhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação
vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.117
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar o pedido de perícia; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores pagos a título de vale transporte. Vencidos os conselheiros Elaine
Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual, quando tratar de isenção, deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. Fl. 324DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar o pedido de perícia; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do Fl. 325DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 325 3 lançamento os valores pagos a título de vale transporte. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 Relatório LUPO SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão n° 1230.671/2010, às fls. 288/303, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal correspondentes destinada a Terceiros (INCRA, Salário Educação, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 148/188, concernentes aos seguintes levantamentos: 1) ALU ALUGUEL LUIS CLAUDIO MARROCO período de 01 e 02, 04 a 07, 09, 10 e 12/2004 — aluguel imóvel pago para moradia de Luis Cláudio Marroco considerado salário de contribuição previdenciário; 2) SUL — ASSIST MEDICA SUL AMERICA — período de 01 a 12/2004 — concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário, arbitrado por não ter individualização e indicação de beneficiário; 3) AMD — ASSIST MED DlF CONTAB FOL PGTO período de 01 a 12/2004 — concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário, arbitrado por não ter individualização e indicação de beneficiário; 4) AME — ASSIST MED EMPREG período de 01 a 12/2004 concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário referente a empregados; 5) AMC — ASSIST MED CONTR INDIV período de 01 a 06 e 12/2004 concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário referente a contribuintes individuais; 6) SVE — SEGURO DE VIDA EMPREGADOS — período de 01 a 12/2004 concessão de seguro de vida em grupo considerado salário de contribuição previdenciário referente a empregados; 7) VT — VALE TRANSPORTE — período de 01 a 12/2004 — desconto a título de reembolso de vale transporte menor que o preconizado na legislação previdenciária; 8) RPF — REPRES PESSOA FISICA — período de 04/2004 e 10/2004 — pagamento de valores a pessoas jurídicas ainda não constituídas; 9) D1C VIAGEM CONTA 30203010500012 — período de 07, 08 e 11/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a contribuintes individuais; 10) D1E VIAGEM CONTA 30203010500012 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 11) D2C VIAGEM CONTA 30203020500012 — período de 02 a 07, 09 a 12/2004 reembolso de despesas de viagem não comprovadas a contribuintes individuais; Fl. 327DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 326 5 12) D2E VIAGEM CONTA 30203020500012 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 13) D3E — VIAGEM CONTA 30103010500012 — período 01, 05 e 07 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 14) FLC — FLORIO CONFECCOES período de 02 a 12/2004 — pagamento de valores com Florio Confecções no histórico sem qualquer comprovante; 15) PRO PROMOTORAS 30203020900029 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de com atividade laboral não comprovadas; 16) PRE — PREMIO DEMONSTRADORAS período de 01 a 12/2004 — valores dispendidos com histórico prêmio demonstradoras; 17) CON — CONVENCAO 30203020900027 — período de 01, 06, 11 e 12/2004 valores dispendidos com contratação de pessoas físicas apropriados na conta contábil 30203020900027; 18) CIN CONTR INDV NAO DECLARADO — período de 01 a 12/2004 — valores dispendidos com contribuintes individuais apropriados na contabilidade; 19) DPJ — DESCONSIDERACAO PJ — período de 01 a 06 e 08 a 12/2004 — valores pagos a empregado mascarado em pessoa jurídica; Tratase de Auto de Infração (Antiga NFLD), lavrado em 24/11/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 278.679,07 (Duzentos e setenta e oito mil, seiscentos e setenta e nove reais e sete centavos). Irresignada com a autuação, a contribuinte interpôs impugnação, às fls. 194/216, ressaltando que seu inconformismo diz respeito, exclusivamente, às rubricas assistência médica, transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, uma vez ter promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem reconhecer a insubsistência parcial do feito, excluindo do lançamento a rubrica Assistência Médica, com esteio na jurisprudência administrativa, no sentido de que a concessão de planos diferenciados entre os funcionários não desnatura tal verba, não se cogitando, portanto, na incidência de contribuições previdenciárias. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 306/319, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, repisa os argumentos lançados em sua defesa inaugural, a propósito do seu insurgimento tão somente em relação às rubricas transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, tendo promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes Fl. 328DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”, e excluídas contribuições previdências incidentes sobre os valores pagos a título de assistência médica. Contrapõese ao presente lançamento, com arrimo no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, por entender que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, devidamente elencadas nos autos, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de salário. Quanto aos valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, infere que o fato de a contribuinte somente descontar 4% de participação dos beneficiários não afasta a natureza indenizatória de aludida verba, sobretudo quando o percentual de 6% contemplado na legislação de regência é o teto de referida importância, não podendo a quantia suportada pela empresa ultrapassar tal percentual, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. A fazer prevalecer seu entendimento, transcreve no bojo da peça recursal jurisprudência administrativa e judicial a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da empresa, especialmente julgado do Supremo Tribunal Federal, reafirmando o caráter indenizatório da verba em comento. No que tange às importâncias pagas a título de despesas de viagens, reitera o pedido de diligência/perícia formulado na sua impugnação, com o fito de oportunizar o levantamento dos documentos comprobatórios de aludidas despesas, de maneira a corroborar a documentação já colacionada aos autos. Assevera que o lançamento fora promovido com base na escrituração contábil da contribuinte, deixando a autoridade fazendária de compulsar os documentos ofertados pela autuada quando da ação fiscal, o que justifica a realização de perícia nesta oportunidade para a sua devida análise. Em defesa de sua pretensão, argumenta que alguns valores concernentes a despesas de viagens são insuscetíveis de comprovação, mas nem por isto pode se duvidar da sua existência, como, por exemplo, as importâncias gastas com táxi, ônibus, metrô, etc, os quais, em sua maioria, não fornecem documentos de comprovação. Opõese à exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos Conselheiros do Conselho de Administração a título de reembolso de despesas de viagens, aduzindo para tanto que referidos beneficiários não são segurados empregados que prestam serviços à empresa, inexistindo, portanto, fato gerador do tributo ora exigido. Relativamente à rubrica “Promoção de Vendas”, onde o fiscal autuante considerou as despesas de viagens das promotoras de vendas, insurgese contra a pretensão fiscal, utilizando como esteio à sua empreitada os mesmos fundamentos acima aduzidos, mormente quando o valor admitido pelo Fisco, na maioria dos casos, diverge do lançamento na escrituração contábil. No que concerne aos “Prêmios Demonstradoras”, onde se exige contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de prêmio aos representantes comerciais, igualmente, entende que os argumentos da fiscalização não encontram amparo legal ou fático, eis que concedidos unicamente aos representantes comerciais que mantêm em seus quadros funcionários promotores de vendas. Fl. 329DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 327 7 Esclarece que as vendas da empresa são feitas a partir de comissões pagas aos representantes comerciais autônomos (Lei nº 4.886/1965) que, em algumas oportunidades, contratam promotores de vendas, vinculados exclusivamente a eles, com a finalidade de aumentar a lucratividade, recebendo, nestes casos, prêmios a título de estímulo em face do empenho demonstrado na divulgação do produto, não caracterizando, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. Acrescenta que a afirmação do Fisco de “que os pagamentos eram concedidos a pessoas jurídicas, os montantes foram considerados como repasse a contribuinte individual”, não tem o condão de prosperar, tendo em vista que pagamentos a pessoas jurídicas, sem que se desconsidere a personalidade jurídica, não pode ser considerado repasse a contribuintes individuais, sob pena, inclusive, de bin in idem, porquanto tais empresas já promovem o recolhimento dos tributos devidos incidentes sobre as remunerações dos promotores de vendas. Por sua vez, em relação à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Fiscont Assessoria Fiscal e Contábil S/S Ltda, defende que o Sr. Tuyoshi Futata, de fato, fora por longo período empregado da autuada. No entanto, após a sua aposentadoria, constituiu pessoa jurídica e começou a prestar serviços à recorrente, notadamente por conta de sua experiência contábil e conhecimento da contribuinte, o que não demonstra qualquer vínculo empregatício, inexistindo subordinação e/ou cumprimento de horários pré estabelecidos. Ressalta, ainda, a prestação de serviços a outras empresas (Comercial Lupo SA e Condomínio Shopping Lupo SA). Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva dos autos, mais precisamente do Relatório Fiscal, às fls. 288/303, o crédito tributário objeto da presente Autuação fora constituído com base nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais da empresa, assim consideradas as inúmeras verbas concedidas àqueles segurados, bem como outra rubrica decorrente da desconsideração da personalidade jurídica de empresa prestadora de serviços e caracterização do sócio como empregados da autuada. Em sede de impugnação a contribuinte manifestou inconformismo exclusivamente em relação aos levantamentos relativos à assistência médica, transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, uma vez ter promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”. Por sua vez, os julgadores de primeira instância decretaram a improcedência parcial do crédito previdenciário, afastando a tributação sobre as verbas pagas a título de Assistência Médica, por entender não ser necessária a sua concessão de maneira idêntica a todos segurados empregados e diretores da empresa. Ainda irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando seus argumentos a propósito da não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas inicialmente combatidas, com exceção do plano de assistência médica, já afastada pelo Acórdão recorrido. PRELIMINAR REALIZAÇÃO PERÍCIA Preliminarmente, reitera pedido de diligência formulado na sua defesa inaugural, objetivando oportunizar o levantamento dos comprovantes das despesas realizadas a título de viagens, de maneira a corroborar a documentação já colacionada aos autos, sobretudo em razão de o lançamento ter sido promovido com arrimo na escrituração contábil da contribuinte, deixando a fiscalização de compulsar os documentos ofertados pela empresa quando da ação fiscal, o que justifica a realização de perícia nesta oportunidade para a sua devida análise. Observase, que relativamente ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a então impugnante não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter parte do lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despicienda a produção de prova pericial. Com efeito, a realização de perícia se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento Fl. 331DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 328 9 nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Nesse contexto, o pedido de produção de prova pericial é desprovido de qualquer elemento motivador, eis que bastaria a recorrente ter apresentado a documentação exigida pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, para afastar a tributação sobre os valores concedidos a título de despesas viagens, desnecessário para tanto qualquer meio de produção de prova pericial. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. MÉRITO No mérito, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, aduzindo para tanto que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, elencadas nos autos, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de saláriodecontribuição. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais ainda objeto de contestação, quais sejam, Despesas Viagens, Promoção de Venda, Fl. 332DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 Prêmios Demonstradoras, concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Em virtude das inúmeras verbas lançadas na presente notificação como salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, senão vejamos. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer a contribuinte. Por sua vez, as importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário decontribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o Fl. 333DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 329 11 art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 334DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 12 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 335DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 330 13 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ” Como se observa, tendo a autoridade lançadora inserido os pagamentos realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito de remuneração (saláriodecontribuição), nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, comprovando/demonstrado com especificidade a natureza remuneratória das verbas concedidas, impõese ao contribuinte afastar a pretensão fiscal enquadrando tais pagamentos em uma das hipóteses de não incidência e/ou isenção elencadas na norma encimada, observando, porém, os requisitos legais para tanto. Em outras palavras, desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte somente se insurgiu contra a tributação de parte das verbas pagas aos seus funcionários, razão pela qual passaremos a analisar os argumentos relacionados a tais rubricas individualmente, senão vejamos: a) DESPESAS VIAGENS E PROMOÇÃO DE VENDAS – Reembolso de despesas de viagens e promoção de vendas, sem a devida comprovação. Relativamente a estas verbas a contribuinte solicitou a conversão do julgamento em diligência, com a finalidade de colacionar aos autos os comprovantes das despesas, na forma que exige a legislação de regência. Ressaltou, ainda, que parte de tais despesas, em razão da própria natureza, não oferecem condições à comprovação, sendo impossível apresentar à fiscalização os documentos requeridos necessários a afastar a tributação. Observese, que a própria argumentação da contribuinte oferece guarida a pretensão fiscal. Com efeito, referidas despesas com viagens e/ou deslocamentos, com fulcro no artigo 28, § 9°, incisos “h” e “m”, da Lei n° 8.212/91, exigem a sua comprovação, objetivando, inclusive, demonstrar que não excederam 50% da remuneração dos empregados. Assim, como a recorrente em nenhuma fase processual logrou comprovar aludidas despesas mediante documentação hábil e idônea, não há como se acolher o seu pleito. b) PRÊMIO DEMONSTRADORAS valores dispendidos com histórico premio demonstradoras. No que concerne a esta rubrica, considerou a fiscalização como remuneração aludidas verbas pagas a contribuintes individuais, assim considerados os prestadores de serviços dos representantes comerciais, uma vez que a empresa não logrou comprovar que tais pagamentos eram, de fato, realizados a pessoas jurídicas, mas, sim, destinados a gratificações a “free lancer”. Por sua vez, opõese à recorrente à conclusão fiscal, aduzindo que a caracterização desses pagamentos como remuneração de contribuintes individuais somente Fl. 336DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 14 poderia ser levada a efeito com a desconsideração da personalidade jurídica dos representantes comerciais. Não obstante as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, o entendimento acima alinhavado, igualmente, não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando não demonstrou que tais pagamentos, de fato, se destinavam a pessoas jurídicas, constando de sua contabilidade, inclusive, os termos “free lancer” e “regist”, dando a entender que se destinam a prestadores de serviços contribuintes individuais. Diante de tais considerações, em que pese o esforço da contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal em comento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, não se cogitando na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Com efeito, ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas retro, pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais em total afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9º, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição às importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados e/ou contribuintes individuais as verbas encimadas, ser levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas importâncias, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. c) VALE TRASPORTE período de 01 a 12/2004 — desconto a título de reembolso de vale transporte menor que o preconizado na legislação previdenciária; Em que pese se tratar de caracterização de salário indireto pela fiscalização, o que determinaria sua análise com as demais verbas acima contempladas, examinaremos a rubrica em epígrafe de forma apartada, em razão de suas peculiaridades, arrimadas especialmente na jurisprudência atual de nossos Tribunais Superiores. Ao promover o lançamento, o ilustre fiscal autuante constatou que a empresa concede valetransporte aos segurados empregados, descontando 4% das respectivas remunerações a título de reembolso, o que malfere a legislação de regência que estabelece que referido desconto, nos vencimentos dos laboradores, será equivalente a 6%, salvo quando expressamente autorizada dedução a menor mediante Acordo ou Convenção Coletiva, o que não se vislumbra na hipótese vertente. Neste sentido, considerou a fiscalização a diferença de 2% como salário indireto dos funcionários. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 331 15 Em suas razões recursais, precipuamente, aduz a contribuinte que os valores concedidos aos segurados empregados a título de ValeTransporte possuem natureza indenizatória, não integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme o Supremo Tribunal Federal reconheceu nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/2010. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a legislação de regência estabeleceu o percentual de 6% como teto do desconto nas remunerações dos beneficiários, não impedindo que seja procedido em percentuais menores, como aqui se constata. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Supremo Tribunal Federal afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, ainda que pago em pecúnia, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, consoante se positiva do Acórdão assim ementado: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” É bem verdade que a decisão com sua ementa acima transcrita não transitou em julgado, ou seja, não se tornou definitiva, de maneira a fazer incidir o permissivo regimental constante do artigo 62, parágrafo único, inciso I, do RICARF, nos seguintes termos: Fl. 338DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 16 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Destarte, extraise do andamento processual no site do Supremo Tribunal Federal que o Acórdão em comento fora objeto de Embargos de Declaração por parte da Procuradoria, estando, desde 13/06/2011, concluso para o Relator. Assim, em tese, não seria viável o acolhimento da pretensão da contribuinte, reconhecendo a natureza indenizatória do ValeTransporte, na forma que o STF decidiu, diante da não definitividade de tal decisão. Entrementes, é de bom alvitre destacar que o Superior Tribunal de Justiça, que já vinha reconhecendo a natureza indenizatória da verba em questão, salvo quando concedida em pecúnia, vem reiterando sua conclusão, adotando, inclusive, o entendimento do STF, quando o pagamento se der em espécie, o que não seria capaz de desnaturar seu caráter indenizatório, como se observa dos recentes julgados com as seguintes ementas: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÃO NATALINA. CÁLCULO EM SEPARADO. LEGALIDADE. MATÉRIA PACIFICADA EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (Resp 1.066.682/SP). VALETRANSPORTE. VALOR PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A Primeira Seção, em recurso especial representativo de controvérsia, processado e julgado sob o regime do art. 543C do CPC, proclamou o entendimento no sentido de ser legítimo o cálculo, em separado, da contribuição previdenciária sobre o 13º salário, a partir do início da vigência da Lei 8.620/93 (REsp 1.066.682/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 1º/2/10) 2. O Superior Tribunal de Justiça reviu seu entendimento para, alinhandose ao adotado pelo Supremo Tribunal Federal, Fl. 339DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 332 17 firmar compreensão segundo a qual não incide contribuição previdenciária sobre o valetransporte devido ao trabalhador, ainda que pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. 3. Agravo regimental parcialmente provido.” (Primeira Turma do STJ, AgRg no REsp 898932 / PR, Rel.: Ministro Arnaldo Esteves Lima – Dje 14/09/2011 – Unânime) (grifamos) “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REVISÃO DA JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR 1. Com a decisão tomada pela Excelsa Corte, no RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, em que se concluiu ser inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, houve revisão da jurisprudência deste Tribunal Superior, a fim de se adequar ao precedente citado. Assim, não merece acolhida a pretensão da recorrente, de reconhecimento de que, "se pago em dinheiro o benefício do valetransporte ao empregado, deve este valor ser incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias". 2. Precedentes da Primeira Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 25.3.2011; e AR 3.394/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.9.2010. 3. Recurso especial não provido.” (Segunda Turma do STJ REsp 1257192 / SC, Rel.: Ministro Mauro Campbell Marques – Dje de 15/08/2001 Unânime) (grifamos) Partindo dessas premissas, inobstante ainda não ter ocorrido a definitividade da decisão do STF a propósito do tema, em face de oposição de Embargos de Declaração, além da remotíssima possibilidade de reforma do julgado, com acolhimento de efeitos infringentes ao recurso da Procuradoria, não podemos olvidar que o próprio Superior Tribunal de Justiça já vem acolhendo o entendimento do Pretório Excelso, não fazendo sentido a esta Corte Administrativa aguardar um simples formalismo processual, em detrimento ao entendimento dos dois Órgãos máximos do Poder Judiciário, sobretudo em face da economia processual, evitando demandas despiciendas no âmbito Judicial. Mais a mais, a jurisprudência deste Colegiado é firme e mansa no sentido de acolher entendimentos já sedimentados no âmbito dos Tribunais Superiores, senão vejamos: “NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é competente para apreciar matéria constitucional. No entanto, a constitucionalidade das leis deve ser presumida e apenas quando pacífica a jurisprudência, consolidada pelo STF, será merecida consideração da esfera administrativa. Preliminar rejeitada. COFINS. Em Sessão plenária de 01.12.93, no julgamento de Ação Declaratória de Constitucionalidade, o STF, em decisão unânime, declarou constitucional a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, criada pela Lei Complementar nº 70/91. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 18 Recurso negado.” (3a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, Processo n° 10880.041416/9373, Acórdão n° 20308023 – Rel.: Lina Maria Vieira) Encampando o entendimento acima, a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF já se manifestou a propósito da matéria, adotando posicionamento consolidado na esfera Judicial, reconhecendo a natureza indenizatória das verbas pagas a título de ValeTransporte, como segue: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 01/12/2006 VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDEN1ZATÓRIA. NÃO SE CARACTERIZA COMO SALÁRIO INDIRETO, DECRETO 95,247/87 EXTRAPOLOU O SEU CARÁTER DE REGULAMENTAR A LEI 7.418/85, O pagamento de Vale Transporte em pecúnia, não é integrante da remuneração do segurado, pois nítido o seu caráter indenizatório, referendado esse entendimento, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, a vedação quanto ao pagamento do vale transporte em pecúnia inserida em nosso Ordenamento Jurídico pelo Decreto n. 95247/87, é ilegal, pois extrapolou o seu poder de regulamentar a Lei n, 7.418/85. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.” (1a TO da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 14041.001392/200818 – Acórdão n° 230101.476, Sessão de 08/06/2010) (grifamos) Na esteira da jurisprudência uníssona dos Tribunais Superiores, uma vez reconhecida à natureza indenizatória do Vale Transporte, não se pode cogitar na incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, sobretudo quando se pautou em simples diferença de percentual de desconto nas remunerações dos beneficiários, o que se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja excluído do crédito tributário referida rubrica. DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURIDICA Por derradeiro, contrapõese a contribuinte à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Fiscont Assessoria Fiscal e Contábil S/S Ltda, sob o argumento de que o Sr. Tuyoshi Futata, de fato, fora por longo período empregado da autuada. No entanto, após a sua aposentadoria, constituiu pessoa jurídica e começou a prestar serviços à recorrente, notadamente por conta de sua experiência contábil e conhecimento da contribuinte, o que não demonstra qualquer vínculo empregatício, inexistindo subordinação e/ou cumprimento de horários pré estabelecidos. Ressalta, ainda, a prestação de serviços a outras empresas (Comercial Lupo SA e Condomínio Shopping Lupo SA). Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais Fl. 341DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 333 19 (autônomos) ou outros prestadores de serviços pessoas jurídicas como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: “Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os pressupostos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não mais vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO – DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário”. 2. Parecer pelo não conhecimento da avocatória. Precedente Parecer/CJ nº 330/1995.” “EMENTA Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento.” Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, e o artigo 3º da CLT, que assim estabelecem: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” Fl. 342DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 20 “Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (pessoas jurídicas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada a existência dos pressupostos legais do vínculo empregatício, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora, ao proceder a caracterização do prestador de serviços (funcionário da pessoa jurídica desconsiderada) como segurado empregado, foi muito feliz em sua empreitada, demonstrando e comprovando, no entendimento deste Conselheiro, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima elencados, consoante se positiva do Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 85/126, não havendo dúvidas quanto à regularidade do feito. Constatase, assim, que o fiscal autuante, ao promover o lançamento, agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência, demonstrando circunstanciadamente os fatos que ensejaram a constituição do crédito previdenciário, impondo a manutenção da autuação relativamente a este levantamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 343DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 2401002.117 S2C4T1 Fl. 334 21 Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 22 Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para excluir do lançamento a rubrica Vale Transporte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 345DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000177/00-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de
“atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1.150.188)
Numero da decisão: 9303-001.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos dos relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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Numero do processo: 13808.000456/00-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1996
Ementa:
GLOSA DE DESPESAS – CONTA 7420.0002 (MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS PRODUTIVOS – MATERIAL), CONTA 7420.0004 (MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS NÃO PRODUTIVOS MATERIAL), CONTA 7211.0001 (REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PAGOS OU CREDITADOS A PF) E CONTA 7150.0003 (OUTROS ENCARGOS SOCIAIS)
Conforme o Termo de Encerramento de Diligência, as despesas nos valores
de R$ 393.617,02 da conta 7420.0002, de R$ 193.093,41 da conta
7420.0004, e de R$ 583.009,61 da conta 7211.0001 foram integralmente
comprovadas, e as despesas nos valores de R$ 492.912,97 da conta
7150.0003 também foram comprovadas. Glosa despesas deduzidas
descabida.
GLOSA DE DESPESAS – DIFERENÇA DIRPJ
Trata-se de falta de demonstração de que o quanto registrado na rubrica
sintética de “outras despesas operacionais” da ficha 5 da DIRPJ consta na
escrituração contábil em diversas contas de resultado (despesas),
demandando sua conciliação com o constante na ficha da DIRPJ. Os totais
das contas de resultado são os mesmos aos constantes como despesas na
DIRPJ. Isso é confirmado pelo perito contábil que afirmara a existência tão
somente de divergência de rubricas entre a ficha da DIRPJ e o balanço, pois
naquela há limitação da quantidade de rubricas para registro das despesas.
De outra parte, não há nenhuma indicação de que as despesas nas quais estão
contidas a diferença em questão sejam indedutíveis. Descabimento da glosa
de despesas deduzidas.DIFERENÇA ENTRE BALANÇO E DIRPJ
Exigência fiscal sobre o valor de R$ 290.545,13 decorrente da diferença entre a informação prestada como total de receitas sujeitas ao ICMS de R$
119.136.053,46 e o declarado nas DIRPJ de R$ 118.845.508,32.
Apreciando as DIRPJ referente aos períodos em discussão, o total informado
nas DIRPJ como receita resulta em R$ 121.912.914,58, e não em R$
118.845.508,32 como acusado pela fiscalização. Assim, não houve diferença
de receitas declaradas a maior ao fisco estadual em relação às declaradas nas DIRPJ. Inclusive é a conclusão do perito contábil do Ministério Público
Federal. Exigência que deve ser afastada.
RECURSO DE OFÍCIO – EXIGÊNCIA DE VALOR, GLOSA DE DESPESAS E PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS
Há exigência sobre valor de despesa operacional, mas que havia sido
adicionado ao lucro líquido, de modo que houve afastamento daquela pelo
órgão julgador de origem. Decisão que não merece reparos.
A presunção de omissão de receitas cuida de diferença entre o valor
declarado na ficha 5 da DIRPJ e o informado à fiscalização, a título de outras despesas operacionais. Não há diferença no total das contas de despesas (contábil e declaradas na DIRPJ). Caberia ao autuante ter aprofundado a investigação, sem o que não poderia simplesmente presumir omissão de receitas. A manutenção da decisão é de rigor.
Comprovação (matéria de fato) feita pela recorrente, com o que as glosas
foram afastadas pelo órgão julgador de origem. Decisão que não merece ser
rechaçada.
Recurso de ofício a que se nega provimento integralmente
Numero da decisão: 1103-000.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício, e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: GLOSA DE DESPESAS – CONTA 7420.0002 (MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS PRODUTIVOS – MATERIAL), CONTA 7420.0004 (MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS NÃO PRODUTIVOS MATERIAL), CONTA 7211.0001 (REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PAGOS OU CREDITADOS A PF) E CONTA 7150.0003 (OUTROS ENCARGOS SOCIAIS) Conforme o Termo de Encerramento de Diligência, as despesas nos valores de R$ 393.617,02 da conta 7420.0002, de R$ 193.093,41 da conta 7420.0004, e de R$ 583.009,61 da conta 7211.0001 foram integralmente comprovadas, e as despesas nos valores de R$ 492.912,97 da conta 7150.0003 também foram comprovadas. Glosa despesas deduzidas descabida. GLOSA DE DESPESAS – DIFERENÇA DIRPJ Tratase de falta de demonstração de que o quanto registrado na rubrica sintética de “outras despesas operacionais” da ficha 5 da DIRPJ consta na escrituração contábil em diversas contas de resultado (despesas), demandando sua conciliação com o constante na ficha da DIRPJ. Os totais das contas de resultado são os mesmos aos constantes como despesas na DIRPJ. Isso é confirmado pelo perito contábil que afirmara a existência tão somente de divergência de rubricas entre a ficha da DIRPJ e o balanço, pois naquela há limitação da quantidade de rubricas para registro das despesas. De outra parte, não há nenhuma indicação de que as despesas nas quais estão contidas a diferença em questão sejam indedutíveis. Descabimento da glosa de despesas deduzidas. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 2 2 DIFERENÇA ENTRE BALANÇO E DIRPJ Exigência fiscal sobre o valor de R$ 290.545,13 decorrente da diferença entre a informação prestada como total de receitas sujeitas ao ICMS de R$ 119.136.053,46 e o declarado nas DIRPJ de R$ 118.845.508,32. Apreciando as DIRPJ referente aos períodos em discussão, o total informado nas DIRPJ como receita resulta em R$ 121.912.914,58, e não em R$ 118.845.508,32 como acusado pela fiscalização. Assim, não houve diferença de receitas declaradas a maior ao fisco estadual em relação às declaradas nas DIRPJ. Inclusive é a conclusão do perito contábil do Ministério Público Federal. Exigência que deve ser afastada. RECURSO DE OFÍCIO – EXIGÊNCIA DE VALOR, GLOSA DE DESPESAS E PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS Há exigência sobre valor de despesa operacional, mas que havia sido adicionado ao lucro líquido, de modo que houve afastamento daquela pelo órgão julgador de origem. Decisão que não merece reparos. A presunção de omissão de receitas cuida de diferença entre o valor declarado na ficha 5 da DIRPJ e o informado à fiscalização, a título de outras despesas operacionais. Não há diferença no total das contas de despesas (contábil e declaradas na DIRPJ). Caberia ao autuante ter aprofundado a investigação, sem o que não poderia simplesmente presumir omissão de receitas. A manutenção da decisão é de rigor. Comprovação (matéria de fato) feita pela recorrente, com o que as glosas foram afastadas pelo órgão julgador de origem. Decisão que não merece ser rechaçada. Recurso de ofício a que se nega provimento integralmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes e Cristiane Silva Costa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 3 3 Relatório DO LANÇAMENTO Conforme Termos de Verificação nº 1 (fls. 50 a 55), nº 2 (fls. 58 a 63) e nº 3 (fls. 97 e 98), em fiscalização relativa ao anocalendário de 1996, foram constatadas as seguintes irregularidades. No Termo de Verificação nº 1, a fiscalização verificou a “Subavaliação de Estoques de Produtos Inventariados”, o que significa que, ao lançar em custos valores de estoques finais menores que os constantes em seu balanço, a recorrente está majorando o seu CPV (Custo dos Produtos Vendidos) e, consequentemente, diminuindo o seu lucro e os tributos a recolher. A empresa aumentou, indevidamente, seu custo em R$ 2.302.307,83 (maio/96) e em R$ 1.186.486,10 (dez/96), pois, como a recorrente apura seu custo integrado e coordenado com o restante da escrituração, os estoques finais lançados em custos hão de ser necessariamente idênticos aos do balanço, sob pena de, não o sendo, desvirtuar o lucro tributável. O Termo de Verificação nº 2 trata dos “Custos e Despesas não Comprovados com Documentos Hábeis – Indedutíveis”. A empresa apresentou duas declarações de IRPJ para o anocalendário de 1996, em razão da cisão ocorrida em maio de 1996. Intimada a comprovar os custos e despesas operacionais referentes a esses períodos, a empresa deixou de atendêlos, com documentos hábeis, com relação às contas discriminadas às fls. 58 e 59 (período de 1º/01/96 a 31/05/96) e fl. 59 (período de 1º/06/96 a 31/12/96). No Termo de Verificação nº 3, o auditor fiscal verificou no Sistema Gerador de Ação Fiscal (SIGA) que para o anocalendário de 1996 constou o valor de R$ 62.459.887,20 como omissão de ICMS (fl. 99), ou seja, a recorrente teria declarado a maior ao Fisco estadual em relação ao IRPJ. Intimada, a recorrente esclarece que o SIGA apenas considerou a receita do período de 1º/06/96 a 31/12/96, deixando de incluir a receita do período de 1°/01/96 a 31/05/96. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 23/03/2000 (fls. 104, 109, 113 e 117), a recorrente apresentou, em 24/04/2000, a impugnação de fls. 122 a 184, alegando, em síntese, o que segue. Em relação ao Termo de Verificação nº 1. alega a recorrente que em 31/05/96 os valores de estoque constantes do ativo a título de “outros” e “outros materiais” eram de R$ 2.237.042,29 e R$ 65.265,54, e, por não se constituírem em insumos (matérias primas, embalagens ou produtos intermediários), não figuram nas linhas indicadas a esse título na ficha 05. O mesmo ocorre e, 31/12/96 com os valores de “outros materiais”, de R$ 1.186.546,10, documentado analiticamente à fl. 57. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 4 4 Por se tratarem de estoques de outros materiais e constantes do ativo realizável, não oneram o custo das vendas, nem diminuem o lucro tributável. Ao contrário, se não constassem ao ativo, embora existentes em estoque, aí sim caracterizaria a redução do lucro como um custo ou despesa indevida no exercício. Sobre a autuação constante no Termo de Verificação nº 2, a recorrente requer que nas contas “outras despesas operacionais” sejam deduzidos os valores já tributados como despesas indedutíveis, nos montantes de R$ 69.355,85 (ficha 05/29, fl. 8) e R$ 23.012,77 (ficha 05/28, fl. 26), posto que sobre esses valores seriam cobrados os tributos em duplicidade. Com relação a cada conta objeto de apuração dos valores tributários, a recorrente apresentou considerações acerca de cada conta, indicando as folhas constantes do processo onde se encontra sua comprovação. Sobre o Termo de Verificação nº 3 afirma que os cálculos efetuados pelo auditor fiscal precisam ser reconstituídos, pois as informações contábeis devem ser melhor distribuídas conforme balancete sintético e analítico anexo, bem como as anotações do auditor fiscal à fl. 97, referente ao período de 1º/06/96 a 31/12/96, não correspondem ao declarado na DIRPJ. Enquanto a recorrente declarou uma receita bruta de R$ 61.655.402,06 (fl. 177), o auditor apontou apenas R$ 58.587.995,80, esquecendose de somar a linha 04 – receita de exportações não incentivadas de produtos, no valor de R$ 3.067.406,26. Mais ainda, alega que eventuais diferenças entre as informações prestadas ao fiscal estadual e os valores contábeis podem ter inúmeras explicações, pois nem tudo que é considerado fato gerador do ICMS, em princípio todas as saídas, constituem receitas do ponto de vista do Imposto de Renda. Requer a recorrente a retificação das declarações, somente para adequar de forma mais clara e demonstrada cada rubrica das respectivas declarações, sem nenhuma alteração do resultado ou nos tributos devidos. A recorrente requer as diligências e perícias necessárias à comprovação do alegado. Nomeia perito à fl. 179 e formula quesitos às fls. 180 a 182. Caso prevaleça o auto de infração, a recorrente requer que seja deduzida ou expurgada da base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela correspondente às exportações de mercadorias e de produtos industrializados, pois tais operações são isentas das supracitadas contribuições. Requer ainda que do lucro real e da base de cálculo da CSL apurados em 31/12/96 sejam integralmente compensados o prejuízo fiscal e a base negativa acumulados até 1994, no valor de R$ 538.278,19, e o de 1995 no valor de R$ 3.961,76, conforme demonstrativo do Lalur juntado aos autos, retificandose as declarações dos exercícios seguintes, onde já foram efetuadas as compensações, para efeito da incidência dos juros Selic. Por todo exposto a recorrente requer: que seja devolvido o prazo para complementar sua impugnação e para juntada de outros documentos, posto que o processo só esteve disponível em 14/04/2000; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 5 5 que não seja julgada preclusa a juntada de documentos, que estão sendo providenciados dentro do prazo de instrução necessário para esclarecimento e comprovação das alegações efetuadas, pois tratase da juntada de centenas/milhares de documentos; a realização de diligências que essa DRJ considerar necessárias e úteis à elucidação do presente procedimento; a juntada do laudo de perícia contábil com os quesitos formulados às fls. 180 a 182; o cancelamento do presente autos de infração, em relação ao principal e todos os seus consectários e decorrências. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Considerando as alegações da recorrente e o grande volume de documentos por ela juntados aos autos, fezse necessário o confronto dessas alegações e documentos com os assentamentos contábeis e fiscais da empresa. Assim, o presente processo foi encaminhado à Seção de Fiscalização da DRF/Sorocaba, para que o auditor fiscal diligenciante, analisando a contabilidade comercial e fiscal da recorrente, se manifestasse acerca de suas alegações e dos documentos por ela juntados, emitindo relatório conclusivo de todos os itens autuados. DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE ACERCA DA REPRESENTAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL Em 13/05/2003, a recorrente manifestouse nos autos, às fls. 3036 a 3038, expondo o seguinte. Após a autuação, e contrariando o disposto no art. 83 da Lei 9.430/96, o agente fiscal encaminhou ao Ministério Público Federal uma representação para apuração de eventuais crimes contra a ordem tributária, que teriam sido praticados por diretores e funcionários da recorrente. Após a oitiva de todos os funcionários e diretores da época, e da elaboração de um laudo contábil pelo “expert” do Ministério Público, o Promotor Federal atuante requereu o arquivamento do inquérito, por não haver elementos suficientes para embasar a propositura da ação penal. Tal pedido foi aceito pela Exma. Juíza Federal Adriana Piteggi de Soveral, em despacho de 3/04/2003. Requer a recorrente que sejam as cópias do laudo contábil, o pedido de arquivamento e o despacho judicial de arquivamento, recebidos como provas adicionais à impugnação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 6 6 DO RELATÓRIO DA FISCALIZAÇÃO A Seção de Fiscalização da DRF/Sorocaba, devido à complexidade da matéria, entendeu que a análise proposta pela DRJ seria melhor realizada pela DEFIC/São Paulo, responsável pela autuação. Encaminhados os autos à DEFIC/São Paulo, o auditor fiscal autuante elaborou o relatório de fls. 3058 a 3062, expondo, em síntese, o seguinte. Com relação ao Termo de Verificação nº 1 as alegações da recorrente em nada alteram a matéria tributável. As compras de insumos e mercadorias para revenda adquiridas durante o ano, se não consumidas ou revendidas, deveriam compor os respectivos estoques finais, em 31/05/96 e 31/12/96, nas rubricas próprias, a saber: Estoque Final de Insumos, Estoque Final de Produtos em Elaboração, Estoque Final de Produtos Acabados e/ou Estoque Final de Mercadorias para Revenda. Sobre o Termo de Verificação nº 2, no período de 1º/01/96 a 31/05/96, as glosas relativas às contas 7150.0003 (Outros Encargos Sociais), 6110.0010 (Ajuste Estoque Inventário Físico), 7420.0002 (Manut. Equip. Prod. – Matl.) e 7420.0004 (Manut. Equip. Ñ Prod. – Matl.) devem der mantidas, por falta de comprovação. O valor glosado da conta 7570.0001 (Encargos Depreciação, Amortização e Exaustão), de R$ 1.306.969,17, deve ser restabelecido, logrando a recorrente comproválo. Do valor de R$ 104.446,02, glosado da conta “Outras Despesas Operacionais”, a recorrente comprovou R$ 65.355,85, reatando não comprovado o montante de R$ 39.090,17, cuja glosa deve ser mantida. No período de 1º/06/96 a 31/12/96, a glosa relativa à conta “Encargos Sociais” deve ser mantida, por falta de comprovação. Do valor de R$ 657.169,37, glosado da conta 7211.0001 (Rem. Prest. Serv. Pago ou Creditado a PF sem vínculo empregatício), a recorrente comprovou R$ 4.517,00, restando não comprovado o montante de R$ 652.652,37. cuja glosa deve ser mantida. Do valor de R$ 233.263,77, glosado da conta “Outras Despesas Operacionais”, a recorrente comprovou R$ 23.012,77, restando não comprovado o montante de R$ 210.251,00, cuja glosa deve ser mantida. Sobre o Termo de Verificação nº 3, a fiscalização entende que a tributação relativa à omissão de receitas deve ser mantida, pois a recorrente não logrou esclarecer o valor correspondente. DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência (fl. 3062), a recorrente o faz às fls. 3063 a 3074, expondo o seguinte. Sobre o Termo de Verificação nº 1, ao contrário das conclusões do auditor fiscal, os valores tributados não passaram pelo sistema de custos, e sim foram contabilizados diretamente nas contas do ativo realizável, e transferidos, à medida em que foram requisitados, para custos ou despesas, pois tratamse de “outros materiais”, que não fazem parte das matérias primas e demais insumos que compõem o custo dos produtos fabricados. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 7 7 Em perícia realizada por perito judicial, no laudo juntado aos autos, respondendo especificamente a esse ponto no quesito 2.3.4, afirmase que os valores mencionados constam do ativo no título estoque e na ficha 17 do formulário da declaração, mas não constam da ficha 04 do formulário, pois segundo o apurado tais valores não correspondem a insumos. Tratandose do Termo de Verificação nº 2, com relação à conta 7150.0003 (Outros Encargos Sociais), o perito judicial afirma que ela representa pagamentos efetuados a título de transporte de bens nas transferências de funcionários e planos de saúde, e que os documentos anexados aos autos, mais o examinado pela perícia, atendem às formalidades legais permissivas da dedução. Com relação à conta 6110.00010 (Ajuste Estoque Inventário Físico), o laudo pericial registra que as quebras são admitidas pela legislação e pela técnica contábil, desde que lastreadas em documentos idôneos. O ajuste feito pela empresa, no percentual de 5% do volume de compras, é perfeitamente admitida como variação de estoque físico. Com relação às contas 7420.0002 (Manut. Equip. Prod. – Matl) e 7420.0004 (Manut, Equip. Ñ Prod. – Matl), o fato de na listagem razão constar duplicidade de línguas não invalida sua legalidade, posto que o contribuinte pode acrescer às informações obrigatórias outras que forem de seu interesse. Com relação à conta “Outras Despesas Operacionais”, a perícia contábil reconstituiu rubrica por rubrica da DIRPJ, conforme anexo 3 e anexos 1 a 8, encontrando o mesmo resultado apontado nas DIRPJ entregues ao fisco, só que agora com a memória da composição de casa rubrica. Com relação à conta “Encargos Sociais”, feitas as reconciliações e refeitas as fichas conforme anexo 02 do laudo pericial, cada rubrica da DIRPJ foi recomposta e memorizada, chegandose ao mesmo resultado em cada período. Com relação à conta 7211.0001 (Ren. Prest. Serv. Pago ou Creditado a PF sem vínculo empregatício), o laudo pericial contábil, após a impugnação, constatou a correção dos documentos, em sua maioria referentes à pessoas jurídicas, e apenas por rateio desdobradas em 2 rubricas na DIRPJ de 31/12/96. Sobre o Termo de Verificação nº 3, o perito contábil em seu laudo após a redigitação de todas as subcontas componentes do saldo, elaborou os anexos 1 e 5, nos quais podese agora visualizar com nitidez a composição dos valores que deveriam ter sido apresentados ao fisco por ocasião do andamento da fiscalização, fechando os valores contábeis e fiscais como resumido à fl. 3070, e analisando às fls. 3071 e 3072, e que, além das devoluções encontradas no valor de R$ 1.911.829,55, indicada à fl. 101, contêm outras sub contas redutoras da receita bruta que não se indicou inicialmente. DOS ESCLARECIMENTOS FINAIS DO AUDITOR FISCAL AUTUANTE O auditor fiscal autuante presta, à fl. 3075, os seguintes esclarecimentos: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 8 8 “Pela oportunidade, a respeito do item 3.2.3.1 referente à citada manifestação do contribuinte, informo que todos os documentos juntados foram analisados, consoante, aliás, se observa do relatório de fls. 3.058/62. Quanto ao Anexo, os valores registrados em custos (Ficha 04) e despesas operacionais (Ficha 05), tanto na declaração entregue em maio/96, como naquela entregue em dezembro/96, e que serviram de base para a fiscalização e os decorrentes autos de infração, foram alterados quando da juntada de tal Anexo, razão pela qual não foram considerados para efeitos de comprovação dos valores então autuados e que, como disse, constavam das duas declarações de IRPJ entregues em 1996”. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO DE OFÍCIO Em 8/09/2004, acordaram os membros da 10ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo, por unanimidade de votos, considerar procedentes em parte os lançamentos. Seguem os fundamentos, em síntese. Preliminares Foram perfeitamente satisfeitos os pedidos da recorrente e a devida instrução do processo, inexistindo cerceamento do direito de defesa. Dos laudos periciais e da livre convicção do julgador No presente caso, há que se analisar a autuação, a impugnação, as conclusões do auditor fiscal autuante e os laudos apresentados pela recorrente, tendo, no entanto, o órgão julgador, a liberdade de formar a sua convicção, principalmente por se tratar estritamente de matéria contábil e fiscal, prescindindo de conhecimentos técnicos específicos de outras áreas. Do Termo de Verificação nº 1 Conforme de observa das DIRPJ (fls. 7 e 25), os estoque finais das contas “Estoques – Outros” e “Outros Materiais”, de fato, não estão explícitas na demonstração do CPV, como constatou a fiscalização. No entanto, a fiscalização não observou que também os estoques iniciais das supracitadas contas não estão explícitas na demonstração do CPV, fato que implicaria uma diminuição do custo apurado. Esse fato, por si só, já macula a autuação. Segundo a recorrente, e se comprova nos autos, como não havia linhas específicas, na apuração do CPV na DIRPJ, para a discriminação dos valores das contas mencionadas, a apuração se deu, apenas com relação a essa contas, diretamente na linha 04/04 – Compras de Insumos, como lhe era facultado. Quanto às demais contas de estoque, procedeu à apuração conforme a fórmula básica de “CPV + Ei + compras – Ef”. Essa diversidade de procedimentos confundiu a fiscalização, mas não trouxe prejuízos ao Erário. Termo de Verificação nº 2 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 9 9 Período de 1/01/96 a 31/05/96. Conta 7150.0003 – Outros Encargos Sociais. Os referidos documentos não demonstram qualquer vinculação com os valores glosados, relacionados às fls. 65 a 69. Assim, há que se manter a glosa. Conta 7570.001 – Encargos de Depreciação. A recorrente junta documentos que comprovam o valor da conta. Há que restabelecer o valor glosado, no montante de R$ 1.306.969,17. Conta 6110.0010 – Ajuste de Inventário Físico – Os documentos juntados não comprovam as alegações, nem o valor da conta, nem sua legitimidade. Mantida a glosa. Conta 7420.0002 – Manutenção de Equipamentos Produtivos – Material e Conta 7420.0004 – Manutenção de Equipamentos não Produtivos – Material. Os documentos não demonstram a vinculação com os valores glosados, portanto, mantida a glosa. Despesas Operacionais/Outras Despesas Operacionais. A tributação do valor de R$ 104.446,02 referese à diferença entre o valor declarado pela recorrente (fls. 8, Ficha 05, linha 29), de R$ 2.779.176,82, e o comprovado durante a fiscalização (fls. 83 a 87), de R$ 2.674.730,80. Assim, há que se restabelecer o valor de R$ 69.355,85, mantendose a glosa do valor de R$ 35.090,17. Período de 1º/06/96 a 31/12/96. Encargos Sociais. Dos valores que compõem o montante de R$ 5.746.326,47, demonstrado pela recorrente à fls. 176, apenas o valor de R$ 117.976,67 não é facilmente identificado no documento de fl. 217. Isso não afeta a convicção de que os valores lançados pela recorrente em sua DIRPJ estão corretos, principalmente porque os demais valores estão claramente explicados à fl. 217. Assim, há que se exonerar a tributação relativa a este item da autuação, no montante de R$ 2.379.753,74. Conta 7211.0001 – Remuneração de Prestação de Serviços Pagos ou Creditados às Pessoas Físicas sem vínculo empregatício. As DIRF que relacionam pagamentos a pessoas físicas, são as de fls. 2368, 2369, 2420, 2456, 2458, 2462, 2505, 2510, 2511, 2512, 2514, 2516, 2517 e 2518 são consideradas como comprovação de despesas. Assim, há que se restabelecer o valor de R$ 74.159,76, mantendose a glosa do valor de R$ 583.009,61. Outras Despesas Operacionais. As alegações da recorrente elidem a presunção de que teria havido omissão de receita, devolvendo à fiscalização o ônus da prova. Não trazendo a fiscalização aos autos prova conclusiva da omissão de receita, há que se aceitar a argumentação da recorrente. Além disso, independentemente das alegações da recorrente, a atuação relativa a esse item, não se sustenta, pois, se a recorrente deixou de reconhecer receitas, no montante de R$ 233.263,77, também deixou de se reconhecer despesas no mesmo montante, pois teria levado à apuração do resultado um valor inferior ao que teria gasto, sem qualquer prejuízo ao fisco. Assim, há que se exonerar a tributação relativa a este item da autuação, no montante de R$ 233.263,77. Termo de Verificação nº 3 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 10 10 Cumpre observar que: a) o valor de R# 3.067.406,26, a título de “Receita de exportação não incentivada de produtos”, constante da DIRPJ não foi considerada porque também no sistema SIGA só foi considerado o “Total da Receita – Exceto Exportação” (fl. 99); b) a recorrente não esclarece, nem comprova, quais os valores que justificariam as diferenças entre as informações prestadas ao fiscal estadual e os valores contábeis; c) as devoluções no montante de R$ 1.911.829,55 já haviam sido consideradas pela fiscalização, e as comparações efetuadas pela fiscalização, entre o sistema SIGA e as DIRPJ, tomaram como base as receitas brutas. Assim, há que se manter a tributação relativa a este item da autuação, no montante de R$ 290.545,13, a título de omissão de receita. Tributação Reflexa Os lançamentos decorrentes da autuação do IRPJ (PIS, COFINS e CSL) devem seguir o decidido no lançamento principal (IRPJ). Das parcelas isentas do PIS e da COFINS A única matéria tributável mantida, quanto ao PIS e à COFINS, é a decorrente do Termo de Verificação nº 3, no montante de R$ 290.545,13, como omissão de receita, não sendo possível identificar as parcelas que seriam relativas a exportações (a recorrente não traz aos autos nenhum elemento de prova para tanto). Assim, há que ser mantida a tributação integral deste item. Da compensação do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL Considerando que a recorrente já efetuou as compensações a que tinha direito, descabe a compensação nos autos deste processo e a retificação das declarações dos exercícios seguintes. Assim, há que se negar o pedido. Deste ato recorrese de ofício, pois verificase que o crédito tributário exonerado ultrapassa o limite de alçada deste Delegacia. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão em 16/11/2004, e inconformada com a decisão, a recorrente apresentou seu recurso voluntário em 10/12/2004 de fls. 3113 a 3141. Seguem os fundamentos, sintetizados. Sobre a conta 7150.0003 – Outros Encargos Sociais, a recorrente alega que pela documentação apresentada fica comprovado os lançamentos. Que até mesmo o laudo pericial esclareceu que os documentos anexados atendem as formalidades legais permissivas da dedução. Conta 6110.0010 – Ajuste Estoque de Inventário Físico. A decisão da DRJ diz que os documentos juntados às fls. 543/570 não comprovam as alegações, nem o valor da conta, nem sua legitimidade. Entretanto, o laudo pericial esclarece que o ajuste foi efetuado de maneira correta. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 11 11 Conta 7420.0002 – Manutenção Equipamentos Produtivos e Conta 7420.0004 – Manutenção Equipamentos Improdutivos. A decisão entendeu que os documentos juntados às fls. 573/2320, por se tratarem de relatórios internos da empresa, além de não demonstrarem a vinculação com ao valores relacionados às fls. 81 e 82, estão desacompanhadas da documentação que embasou a escrituração. O perito judicial confirmou estarem as deduções efetuadas em documentos idôneos e perfeitamente escriturados na contabilidade da empresa. Despesas Operacionais. Diferença DIPJ. Foi mantida a base de R$ 35.090,17, pois a recorrente comprovou com documentos hábeis. Insiste a recorrente não se tratar de provar com documentos e sim de demonstração dos valores lançados na contabilidade com o registrado na ficha 05/29, sendo as divergências constatadas apenas na conciliação das diversas nomenclaturas contábeis com o sinteticismo da DIPJ, pois como a própria rubrica da DIPJ indica, nesta linha devem ser lançadas as demais despesas operacionais. A perícia contábil comprovou o confronto de totais e da conta de resultado, afirmando que são iguais e que o que existia era divergência de rubricas entre o formulário da declaração e o balanço. Remuneração prestação de serviços pagos ou creditados às pessoas físicas. O acórdão aceitou parte dos documentos apresentados. Mas a perícia contábil confirma a legitimidade da dedução ao esclarecer que os documentos anexos são perfeitamente hábeis em demonstrar e comprovar os lançamentos contábeis. Termo nº 3 – Omissão de receitas. O perito contábil elaborou anexos de 01 e 05 nos quais podese visualizar com nitidez a composição dos valores que deveriam ter sido apresentados ao fisco por ocasião do andamento da fiscalização. Outras Informações. Anexos. Não há nenhuma divergência, as anexadas foram frutos das retificações efetuadas pelo perito judicial para indicar como tais fichas deveriam realmente ter sido preenchidas se obedecidas as indicações retiradas dos balancetes e balanços de forma correta e memorizada pelo referido laudo. Base de cálculo do PIS/COFINS. A decisão disse que não foi possível determinar as parcelas que seriam relativas às exportações. Ocorre que, não em uma, mas em diversas passagens há referências do volume de exportações do ano, como por exemplo, no item “2.2.2.3.1” da inicial onde constata, por indicação do próprio fiscal o valor de R$ 3.067.406,26, contra um faturamento total de R$ 121.912.914,58. O mesmo valor foi demonstrado pelo laudo do perito judicial. Compensação de Prejuízos. Como já havia pedido anteriormente, se por absurdo prevalecer alguma parcela, deve darse no próprio exercício de 1996, com a conseqüente redução de juros. Requer a recorrente: preliminarmente que não seja considerada preclusa a juntada de relatórios conciliativos das contas e documentos já juntados e a juntar face à fixação pela decisão dos pontos controvertidos a partir do acórdão recorrido; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 12 12 a realização de diligências que a Câmara considerar necessárias e úteis à dilucidação do presente procedimento; o cancelamento do remanescente do auto em relação ao principal e todos os seus consectários. DA DILIGÊNCIA EM RESOLUÇÃO DA 7ª CÂMARA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES Em 26/04/2006, propôs o então relator pela retirada do recurso da pauta de julgamento, para que a PFN fosse intimada e cientificada da juntada dos documentos dos anexos I, II e III, na fase posterior da distribuição do processo para julgamento, para sua manifestação. Foi intimada a PFN em 17/05/2006, não manifestando em contrário. Em 20/09/2003, através da Resolução nº 10700.624, a então 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Conforme essa resolução, a diligência deve se focar na verificação das alegações contidas às fls. 1 a 6 do Anexo I; na documentação contida nos três anexos; bem como, em outras documentações e livros fiscais e contábeis da recorrente, caso se mostrarem necessário. No Termo de Encerramento de Diligência, em 18/06/07 concluiuse: Em relação à conta 7150.0003: A recorrente foi autuada em R$ 606.453,70, neste item. Após os exames dos documentos, verificouse que a recorrente deixou de apresentar documentos ou justificar satisfatoriamente os seguintes itens dessa relação de fls. 7/10: 6, 15, 34, 72, 74, 75, 88, 89, 90, 100, 111, 117, 118, 120, 176, 7, 11, 13, 16, 17, 26, 28 a 33, 40, 42 a 47, 53, 54, 59, 61, 66, 67, 76, 87, 91, 110, 113, 116, 119, 128, 132, 133, 164, 177 a 182, atingindo a R$ 18.049,64; Portanto, do total autuado, restou como não comprovado o valor de R$ 95.491,09 (R$ 606.453,70 menos R$ 511.962,61, conforme relação do recorrente), assim como os itens não documentados satisfatoriamente e que somaram R$ 18.049,64, totalizando R$ 113.540,73. Foi comprovado o valor total de R$ 492.912,97 e, por conseqüência, mantido o valor de R$ 113.540,73. Em relação à conta 7420.0002: A recorrente juntou documentos que comprovam o valor então tributado de R$ 393.617,02, estando, pois, comprovado este item em sua totalidade. Em relação à conta 7420.0004: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 13 13 Da mesma forma que o item anterior, a recorrente comprovou em sua totalidade o valor autuado de R$ 193.093,41, com documentos satisfatórios. Em relação à conta 7211.0001; Após a análise dos documentos ora juntados, a recorrente também comprovou o saldo deste item, no valor de R$ 583.009,61. DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE A recorrente manifestouse em 25/06/2007. Foram aceitas integralmente as comprovações e explicações das contas, exceto pela conta 7150.0003 – Outros Encargos Sociais, onde foi aceito parcialmente. Alega a recorrente que no ano de 1996 a empresa passou por uma cisão, onde parte da documentação ficou em uma empresa e parte na outra, e, ainda em decorrência da reestruturação, parte da equipe anterior foi desfeita, sendo difícil a recomposição documental 4 anos depois, data da autuação. A recorrente conseguiu comprovar quase 94% de todo o valor ora diligenciado, podendo se inferir residual o saldo restante. Reitera o pedido de conhecimento e provimento total. DA DESISTÊNCIA PARCIAL Em dezembro de 2009, manifestouse a recorrente pela desistência parcial do recurso em virtude da adesão à anistia concedida pela Lei 11.941/2009. Resolveu pagar os tributos sobre as bases de cálculo de R$ 113.540,73 e de R$ 845.150,06, respectivamente, “Outros Encargos Sociais” e “Ajuste Estoque de Inventário”. Efetuou cálculos do IR e CSL, nas alíquotas e no vencimento posto no AI e efetuou o pagamento conforme cópias autenticadas dos DARFs. Em relação às despesas de “Outros Encargos Sociais” supracitadas, a desistência compreendeu a exigência sobre o valor de R$ 113.540,73, não alcançando a parcela remanescente glosada de R$ 492.912,97 (o total da glosa dessas despesas é de R$ 606.453,70). É o relatório. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 14 14 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA Como se viu do relatório, o presente feito havia sido baixado em diligência, pela Resolução 10700.624 da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, tendo como então relator o nobre Conselheiro Nilton Pêss, por se entender não estarem reunidas informações suficientes para exame com profundidade, o que inclusive decorre da enormidade de documentos acostados aos autos. Retornando os autos da diligência levada a efeito e da manifestação da recorrente, eles foram distribuídos a mim. Há, ainda, remessa de ofício, ou na linguagem do PAF, recurso de ofício do Presidente da 10ª Turma da DRJ/São Paulo I. Principio com o exame do recurso voluntário. Após o relatório da diligência e da manifestação da recorrente, esta aderira à anistia da Lei 11.941/09, com petição de desistência parcial do recurso, de modo que remanesceram para lide no recurso voluntário somente as questões referentes: a) à conta de resultado 7420.0002 – Manutenção de Equipamentos Produtivos – Material , no valor de R$ 393.617,02; b) à conta de resultado 7420.0004 – Manutenção de Equipamentos Não Produtivos – Material, no valor de R$ 193.093,41; c) à conta de resultado 7211.0001 – Remuneração de Serviços Pagos ou Creditados a PF, no valor de R$ 583.009,61; d) à conta de resultado 7150.0003 – Outros Encargos Sociais, no valor de R$ 492.912,97; e) a Despesas Operacionais – Diferença DIRPJ, no valor remanescente do acórdão a quo de R$ 35.090,17; f) à Diferença entre Balanço e DIPJ, de R$ 290.545,13. As questões em “e” e “f” não foram objetivadas na resolução para diligência. Conforme o Termo de Encerramento de Diligência, as despesas nos valores de R$ 393.617,02 da conta 7420.0002, de R$ 193.093,41 da conta 7420.0004, e de R$ 583.009,61 da conta 7211.0001 foram integralmente comprovadas, e as despesas no valor de R$ 492.912,97 da conta 7150.0003 também foram comprovadas (fls. 3186 e 3187). Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 15 15 Outrossim, em relação à glosa dessas despesas, nos montantes acima descritos, dou provimento ao recurso. Relembro que a glosa das despesas da conta 7150.0003 – Outros Encargos Sociais foi no valor de R$ 606.453,70. Da glosa das despesas dessa conta, houve desistência parcial do recurso (por adesão à anistia da Lei 11.941/09) sobre a parcela de R$ 113.540,73 (R$ 606.453,70 – R$ 492.912,97). Passase à questão da diferença remanescente de R$ 35.090,17 de despesas operacionais segundo a escrituração contábil e o valor constante na ficha 5, linha 29, da DIRPJ (“outras despesas operacionais”). Como aduz a recorrente, a bem ver, tratase de falta de demonstração de que o quanto registrado na rubrica sintética da ficha 5 da DIRPJ de “outras despesas operacionais” consta na escrituração contábil em diversas contas de resultado (despesas), demandando sua conciliação com o constante na ficha da DIRPJ. Com efeito, os totais das contas de resultado são os mesmos aos constantes como despesas na DIRPJ. Aliás, isso é também confirmado pelo perito contábil, que afirmara a existência tão somente de divergência de rubricas entre a ficha da DIRPJ e o balanço, pois naquela há limitação da quantidade de rubricas para registro das despesas. De outra parte, observo que não há nenhuma indicação de que as despesas nas quais estão contidas a diferença em questão sejam indedutíveis. Relembrando, diferença entre o valor constante na linha 29 da ficha 5 da DIRPJ (“outras despesas operacionais”) e o registrado em contas de nomenclatura semelhante na escrituração contábil. Aliás, o valor de despesa de R$ 69.355,85 contida nessa rubrica sintética da ficha 5 da DIRPJ (“outras despesas operacionais”) foi considerado indedutível pela recorrente, ab initio (em sua declaração), razão por que o próprio órgão julgador a quo reconheceu que tal valor deveria ser expurgado da glosa em comentário. Daí a diferença atuada de R$ 104.446,02 ter caído para os R$ 35.090,17 (R$ 104.446,02 – R$ 69.335,85) em discussão. Por tais razões, dou provimento ao recurso quanto à glosa da diferença em questão. No que pertine à última questão, a exigência fiscal sobre o valor de R$ 290.545,13 decorreu da diferença entre a informação prestada como total de receitas sujeitas ao ICMS de R$ 119.136.053,46 e o declarado nas DIRPJ de R$ 118.845.508,32. É de se ver que a recorrente sofrera cisão em 31/05/96, de modo que apresentara DIRPJ relativa a 1º/01/96 a 31/05/96 e a 1º/06/96 a 31/12/96. Entretanto, segundo conclusão do perito contábil do Ministério Público Federal, não há a referida diferença. Apreciando as DIRPJ referente aos períodos supradescritos, o total informado nas DIRPJ como receita resulta em R$ 121.912.914,58, e não em R$ 118.845.508,32 como Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 16 16 acusado pela fiscalização. Assim, não houve diferença de receitas declaradas a maior ao fisco estadual em relação às declaradas nas DIRPJ. É o que conclui, inclusive, o perito contábil do Ministério Público Federal (fls. 3042, 3043, 3047). Também o perito contábil da recorrente elaborara os anexos 1 a 5, com abertura de todos os valores das receitas de venda de mercadorias e de prestação de serviços, em que o valor da receita bruta escriturada é igual ao das DIRPJ, de R$ 121.912.914,58, sendo que a receita bruta escriturada sem as de prestação de serviço (= receitas somente de venda de mercadorias) é de R$ 120.347.445,07. E, conforme seu laudo (anexos 1 e 5), há inúmeras contas redutoras da receita bruta, com o que o total da receita líquida declarada na ficha 3, linha 13 das DIRPJ (relativas a 1°/01/96 a 31/05/96 e 1º/06/96 a 31/12/96) é igual ao da receita líquida escriturada (de 1º/01/96 a 31/05/96 e 1º/06/96 a 31/12/96). Nessa ordem de considerações, dou provimento ao recurso quanto à exigência de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, por omissão de receitas sobre os R$ 290.545,13. Quanto ao recurso de ofício, observo o seguinte. As questões objetivadas são em quase sua totalidade de matéria de fato, que, tornandose controvertidas, foram comprovadas pela recorrente. Há um valor de R$ 69.355,85 declarado pela recorrente como parte de despesas operacionais, mas que foi adicionado ao lucro líquido, de modo que a exigência sobre tal valor foi afastada pelo órgão julgador de origem. Evidentemente, tal decisão não merece ser rechaçada. A exigência por presunção de omissão de receitas de R$ 233.263,77 também foi afastada pelo decisório a quo. Cuidase de diferença entre o valor declarado na ficha 5 da DIRPJ e o informado à fiscalização, a título de outras despesas operacionais. Houve a alegação de que não houve falta de comprovação do declarado na rubrica “outras despesas operacionais”, mas somente falta de demonstração da total composição dela, vez que várias despesas sem nome específico na ficha da DIRPJ são agrupadas naquela rubrica (“outras despesas operacionais”). Tanto que não há diferença no total das contas de despesas (contábil e declaradas na DIRPJ). Ora, caberia ao autuante ter aprofundado a investigação, sem o que não poderia simplesmente presumir omissão de receitas. Inclusive, em face de intimação que fizesse, advindo resposta como acima descrita, competiria ao autuante o aprofundamento da investigação. É dele o ônus para comprovar a omissão de receita que ele simplesmente presumiu, como bem deduzido pelo órgão jugador a quo. Decisão que não merece reparos. As demais questões implicaram comprovação (matéria de fato) feita pela recorrente, inclusive algumas delas objetivadas na resolução em diligência, por não terem sido as glosas integralmente afastadas, ou seja, postas no recurso voluntário. E no resultado da Fl. 16DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.000456/0063 Acórdão n.º 110300.539 S1C1T3 Fl. 17 17 diligência se reputou comprovada boa parte das despesas glosadas, objeto do recurso voluntário. Dispensáveis maiores considerações, a meu ver, para manter o decisório a quo que afastou as glosas. Portanto, nego provimento ao recurso de ofício. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso voluntário, cabendo ao órgão de origem verificar o pagamento integral da parcela objeto da desistência por adesão à anistia da Lei 11.941/09. É o meu voto. Sala das Sessões, em 4 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) MARCOS TAKATA Relator Fl. 17DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15983.000979/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2001, 2002, 2003, 2004, 2005
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRÁTICA REITERADA.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que infringe a legislação
tributária deve ser excluído do Simples de ofício com efeitos a partir do mês em que fique caracterizada a reiteração na prática infracional.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os
princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia.
PROVA. APRESENTAÇÃO POSTERIOR À AUTUAÇÃO. CABIMENTO.
EXONERAÇÃO. Exonera-se a parcela do crédito tributário decorrente de depósitos bancários cuja origem foi comprovada com a apresentação de esclarecimentos e documentos comprobatórios ocorrida após a lavratura do auto de infração.
DECADÊNCIA. IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Tendo sido
verificado o intuito doloso, o direito de a Fazenda Pública lançar de ofício crédito Tributário referente a imposto somente decai após o prazo de cinco anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de
ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que infringe a legislação tributária deve ser excluído do Simples de ofício com efeitos a partir do mês em que fique caracterizada a reiteração na prática infracional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. PROVA. APRESENTAÇÃO POSTERIOR À AUTUAÇÃO. CABIMENTO. EXONERAÇÃO. Exonerase a parcela do crédito tributário decorrente de depósitos bancários cuja origem foi comprovada com a apresentação de esclarecimentos e documentos comprobatórios ocorrida após a lavratura do auto de infração. DECADÊNCIA. IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Tendo sido verificado o intuito doloso, o direito de a Fazenda Pública lançar de ofício crédito Tributário referente a imposto somente decai após o prazo de cinco anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório A F SALGADO TRANSPORTES ME com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que manteve em parte as exigências consubstanciadas nos autos de infração de que tratam este processo. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: 1. A empresa acima identificada, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/STS nº 34, de 06 de dezembro de 2007, de emissão do Senhor Delegado da Receita Federal em SantosSP (fl. 917), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) por ter cometido a prática reiterada de infração à legislação tributária, infringindo de janeiro de 2001 a dezembro de 2005 o disposto no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/1996. Os efeitos da exclusão da empresa do Simples são a partir de 01/02/2001, conforme inciso V do artigo 15 da mesma Lei nº 9.317/1996 e inciso VII do artigo 24 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 608/2006. 2. Este ato declaratório foi expedido atendendo a Representação Fiscal (fls. 870 e 871), na qual o auditor fiscal relata que a empresa, em relação ao ano calendário 2001, apresentou declaração de inatividade, e em relação ao anocalendário 2002, apresentou declaração simplificada com valores zerados (fls. 889 a 894), e não fez nenhum recolhimento referente ao Simples de 01/01/2001 a 28/11/2007 (fl. 895), apesar de ter auferido receitas da atividade no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, conforme constatado em notas fiscais emitidas (relacionadas no demonstrativo fls. 872 e 873) e em depósitos bancários que a contribuinte intimada, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 3 conforme termo de fls. 896 a 907, não comprovou a origem (os depósitos e créditos bancários também estão relacionados no demonstrativo de fls. 874 a 881). 3. A interessada foi cientificada em 12 de dezembro de 2007 do Ato Declaratório de Exclusão (fls. 921 e 922). 4. Inconformada, a contribuinte apresentou em 26 de dezembro de 2007, representada por procuradora (fls. 936 a 939), a Manifestação de Inconformidade de fls. 924 a 936, acompanhada dos documentos que comprovam a representação (fls. 937 a 939) e de duas ementas de acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes em processo que trata de penalidade aduaneira (fls. 940 e 941), na qual alega, em síntese, o seguinte: 4.1 há cerceamento do direito de defesa, pois sua exclusão do Simples somente poderia ocorrer depois de devidamente apurada, com o exercício do contraditório e da ampla defesa, a alegada “prática reiterada de infração à legislação tributária” em processo administrativo regular, conforme prevê o artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.317/1996; 4.2 conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes em casos semelhantes, cujas ementas dos Acórdãos são reproduzidas, o Ato Declaratório Executivo nº 17, de 27/08/2007 é nulo, já que não esclarece as razões pelas quais considerou a manifestante praticante de reiteradas infrações à legislação tributária, limitandose a indicar o dispositivo legal infringido e o processo administrativo 15983.000295/200750, no qual teria sido apurada a prática; 4.3 “a sansão prevista no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96, que prevê a exclusão de ofício do Simples em decorrência da ‘prática reiterada de infração à legislação tributária’, é inaplicável, por tratarse de norma penal em branco, que necessita ser integrada por outra norma, ainda não editada”, já que não está definido se apenas uma ou várias repetições são necessárias, nem quais infrações à legislação tributária dariam margem à exclusão do Simples; 4.4. o Terceiro Conselho de Contribuintes já decidiu, conforme as ementas de fls. 940 e 941, pela inaplicabilidade de penalidade aduaneira, já que sua base legal é uma norma penal em branco não complementada (artigo 526, inciso IX do Regulamento Aduaneiro); 4.5 “se existentes as ‘reiteradas infrações’, não restam dúvidas de que a exclusão do Simples, na hipótese, corresponde a um agravamento de penalidade, razão pela qual somente pode ser aplicada após restar devidamente caracterizada, em processo administrativo regular, a referida reiteração”, nos termos dos Pareceres Normativos CST nºs 55/1973 e 194/1974; 4.5 “mesmo que tivesse ocorrido tal prática, tal circunstância acarretaria a sua exclusão do Simples somente a partir do momento em que constatado tal comportamento, e nunca de data aleatoriamente escolhida pela autoridade administrativa”; 5. A exclusão do Simples, bem como a manifestação contrária à exclusão, relatadas acima, compunham originariamente o processo administrativo 15983.000896/2007 62, que por força da Portaria do Secretário da Receita Federal nº 6.129, de 02 de dezembro de 2005, foi juntado por anexação ao presente processo conforme o despacho de fl. 869 e os Termos de fls. 946 e 947, compondo as atuais fls. 870 a 945. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 4 6. O presente processo foi formalizado em decorrência de ação fiscal, em relação a qual a contribuinte, acima identificada, foi cientificada de lançamentos de ofício de tributos federais em 27/12/2007 (fls. 09, 30, 51 e 72), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. 7. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal e nos demonstrativos anexos (fls. 07 a 152), a contribuinte teve, em face de sua exclusão do Simples desde 01/02/2001 e da impossibilidade de apuração do Lucro Real pela não apresentação da escrituração contábil elaborada pela mesma fiscalizada intimada de acordo com as leis comerciais e fiscais, seu lucro arbitrado com base nas receitas omitidas verificadas nas Notas Fiscais de emissão da própria fiscalizada e nos valores mensais de depósitos bancários de origem não comprovada pela mesma contribuinte intimada nos valores superiores aos constantes nas Notas Fiscais emitidas. 8. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os Autos de Infração de IRPJ (fls. 08 a 16), de contribuição para o PIS (fls. 29 a 37), de COFINS (fls. 50 a 58) e de CSLL (fls. 71 a 80), com os respectivos enquadramentos legais e demonstrativos dos montantes dos tributos, multas de ofício aplicadas e juros de mora calculados até 30/11/2007. Devido ao fato de a contribuinte ter apresentado declaração de inatividade em 2001 e Declaração Simplificadas zeradas referentes aos anos calendário 2002 a 2005, apesar das receitas auferidas nestes períodos, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, pela existência de evidente intuito de fraude, caracterizada pela omissão de informação e prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias. 9. Irresignada com os lançamentos, a autuada apresentou em 25/01/2008 (fl. 835), representada por procuradora (fls. 850 a 853) a impugnação de fls. 835 a 850, instruída com os documentos que comprovam a representação (fls. 851 a 853) e com cópia da manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples (fls. 854 a 866), alegando, em síntese, que: 9.1. os lançamentos são nulos por desvio de poder e desrespeito aos princípios constitucionais da impessoalidade, da imparcialidade e da isonomia, pois em nenhum momento foram indicadas pelo auditor fiscal autuante as razões ou a origem da fiscalização, nem qual programa de fiscalização estava sendo executado, nem foi apresentada a prévia autorização, para fiscalizar a contribuinte, do Coordenador do Sistema de Fiscalização (COFIS), conforme previsto no caput e § 2º do artigo 1º da Portaria do Secretário da Receita Federal (SRF) nº 500/1995 e no caput e § 4º do artigo 1º da Portaria SRF nº 3.007/2002; 9.2. descabe a exigência tributária enquanto não for decidido o processo 15983.000295/200750, no qual a impugnante discute sua exclusão do Simples, conforme cópia da manifestação de inconformidade anexada às fls. 854 a 866, efetivada ilegalmente, pois teve seu direito de defesa desconsiderado em afronta ao conteúdo do artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.317/1996; 9.3. segundo a doutrina e a jurisprudência administrativas dominantes, esta última com várias ementas de julgados transcritas, a parcela dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até 30/09/2002, já tinha o direito de formalização pela Fazenda decaído quando da ciência do lançamento em 27 de dezembro de 2007, pois os tributos ora discutidos são sujeitos ao lançamento por homologação e o termo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 5 inicial de seu prazo decadencial é a data do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN; 9.4. a multa de ofício qualificada (150%) foi aplicada indevidamente, pois a fiscalização não provou a fraude, e segundo o volume 2, nº 4/5 da Revista de Política e Administração Fiscal da própria Secretaria da Receita Federal, acórdão da própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo e acórdãos do Conselho de Contribuintes, o ônus de provar a fraude é da Administração Tributária; nem indicou quais as práticas cometidas pela impugnante que levariam à incidência das disposições dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964, o que é necessário segundo doutrina transcrita; 9.5 a aplicação da multa qualificada de 150% encontrase pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes como se lê em sua Súmula nº 14, segundo a qual “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimento, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”; 9.6. na petição nº 09538 de 28/12/2007 (fls. 760 a 832), a fiscalizada justificou depósitos efetivados nos anoscalendário de 2003 e 2004, que não foram considerados pela fiscalização, porque o auto de infração já havia sido lavrado; 9.7. em relação ao anocalendário 2001, apesar de ter sido apurada ‘diferença a tributar’ de R$120.207,96 no ‘Quadro Demonstrativo nº 003 – Valores a Tributar’ (fl. 148), “foi efetivamente tributada a quantia de R$132.834,28, correspondente a soma dos fatos geradores 03/2001, 06/2001, 09/2001 e 12/2001, caracterizando a exigência de tributo maior que o devido”. A decisão recorrida está assim ementada: INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que infringe a legislação tributária deve ser excluído do Simples de ofício com efeitos a partir do mês em que fique caracterizada a reiteração na prática infracional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. PROVA. APRESENTAÇÃO POSTERIOR À AUTUAÇÃO. CABIMENTO. EXONERAÇÃO. Exonerase a parcela do crédito tributário decorrente de depósitos bancários cuja origem foi comprovada com a apresentação de esclarecimentos e documentos comprobatórios ocorrida após a lavratura do auto de infração. DECADÊNCIA. IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O direito de a Fazenda Pública lançar de ofício crédito Tributário referente a imposto somente decai após o prazo de cinco anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SEGURIDADE SOCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O direito de a Fazenda Pública lançar de ofício crédito Tributário referente a contribuição para a Seguridade Social somente decai Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 6 após o prazo de dez anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 996 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto a parte mantida, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final conclui e requer (verbis) CONCLUSÃO E REQUERIMENTO. 6.1 Considerando, portanto, que o ATO DECLARATORIO EXECUTIVO N° 34/2007 não contém os elementos necessários à sua defesa, quer porque baseado em legislação que reflete norma penal em branco, não completada por legislação existente, quer porque houve a condenação antes da observância do devido processo legal, quer ainda porque deuse por ato administrativo que não contém a respectiva motivação, a exclusão da RECORRENTE do SIMPLES revelouse absolutamente ilegal. 6.2 Como conseqüência dessa ilegalidade, revelase improcedente, por igual, a exigência dos tributos de que se trata, como também pela invalidade da seleção do RECORRENTE para fiscalização, seja em face da decadência. Por outro lado, ainda que válida dita autuação, não caberia, pelas razões expostas, a aplicação da multa qualificada. 6.3 Em face do exposto, pede e espera a RECORRENTE, por ser de justiça, que seja dado provimento ao presente recurso, com o consequente cancelamento da exigência impugnada. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento de oficio para exigência dos tributos devidos pela contribuinte, em razão de ter optado indevidamente pelo Simples, omitido receitas, apresentado declaração de inatividade em 2001 e declaração com valores zerados em 2002, dentre outras irregularidades. No recurso voluntário a contribuinte combateu a decisão de 1a. instância, cujos fundamentos transcrevese: (...) DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES 10. Para bem analisarmos a exclusão de ofício do Simples, bem como a relacionada manifestação de inconformidade, cabe observar os seguintes dispositivos da Lei nº 9.317/1996: Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4° . § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 8 (...) § 3o A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (…) 11. Conforme a representação fiscal de fls. 870 e 871 e os documentos que a acompanham (fls. 872 a 910) a partir de janeiro de 2001 até, pelo menos, dezembro de 2002, a contribuinte omitiu receitas, já que não ofereceu à tributação do Fisco Federal receitas de serviços constantes em Notas Fiscais emitidas e relacionadas às fls. 872 e 873, nem comprovou a origem, apesar de intimada, de depósitos e créditos bancários recebidos entre janeiro de 2001 e dezembro de 2002 (relação de fls. 874 a 882 e intimação de fls. 896 a 907). Desta forma, em fevereiro de 2002 ocorreu a reiteração na prática de infração à legislação tributária, que é justamente a hipótese prevista no inciso V do artigo 14 da Lei nº 9.317/1996, acima transcrito, segundo o qual o contribuinte nesta situação deve ser excluído de ofício no Simples. Observese que em relação ao anocalendário 2001 a contribuinte apresentou declaração de inatividade (fls. 889 e 890) e quanto ao anocalendário 2002 entregou declaração Simples zerada (fls. 891 a 894), além de não ter efetuado nenhum recolhimento relativo ao Simples (fl. 895). 12. O inciso V do artigo 14 da Lei nº 9.317/1996 não é, como acredita a manifestante, norma penal, nem norma em branco que necessite de norma complementadora a ser editada. As normas que regem a exclusão do Simples são normas tributárias, pois o Simples é um instituto tributário. Além disto, não há necessidade da edição de nova norma para que o inciso V do artigo 14 da Lei nº 9.317/1996 seja aplicável, pois as infrações tributárias já estão definidas no ordenamento jurídico nacional. O que a contribuinte acredita é que é necessária a edição de uma norma que restrinja o alcance do citado inciso V. Contudo, como esta norma restritiva não é necessária, nem existe, observada a reiteração, materializada pela simples repetição consecutiva da mesma infração à legislação tributária, o contribuinte deve ser excluído do sistema de tributação favorecido. O entendimento expresso nos acórdãos do Terceiro Conselho de Contribuintes, além de se referir a norma específica da legislação aduaneira, somente é aplicável aos contribuintes interessados nos processos nos quais citados acórdãos foram exarados. Quanto à definição do momento em que ocorre a reiteração, esta se caracteriza no segundo mês, já que o período de apuração do Simples é mensal. 13. Devese registrar que também é incorreto o raciocínio da impugnante de que “não restam dúvidas de que a exclusão do Simples, na hipótese, corresponde a um agravamento de penalidade”, pois não existe nenhum grau menor ou maior de exclusão do Simples ou outro tipo de penalidade que deva ser aplicada anteriormente à exclusão. Portanto, incabível no caso aplicação analógica dos Pareceres Normativos CST nºs 55/1973 e 194/1974 no sentido de que a exclusão só pode ser aplicada se restar devidamente caracterizada em processo administrativo regular. 14. Em relação a questionamento sobre quando iniciam os efeitos da exclusão do Simples, o inciso V do artigo 15 combinado com o inciso V do artigo 14, ambos da Lei nº 9.317/1996 e acima transcritos, são claros ao afirmar que a exclusão surtirá efeito a partir inclusive do mês em que a prática reiterada de infração à legislação tributária ocorrer. Descabida, portanto, a tese de que a exclusão somente valeria a partir da data de constatação da prática reiterada da infração tributária. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 9 15. Finalmente, a manifestante alega que não foram observados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, descumprindose o § 3º do artigo 15 da Lei nº 9.317/1996, a Lei nº 9.784/1999 e o Decreto nº 70.235/1972, já que o Ato Declaratório somente poderia ser editado ao fim da discussão administrativa e que o mesmo seria nulo por se limitar a apenas indicar o dispositivo legal infringido e o número do processo administrativo, no qual a prática foi apurada. 16. Primeiramente é necessário dizer que o princípio do devido processo legal foi e está sendo respeitado nos autos administrativos, pois o contraditório e a ampla defesa, que são manifestações daquele princípio, estão sendo assegurados ao contribuinte. O Ato Declaratório de exclusão do Simples foi cientificado à excluída em 12 de dezembro de 2007 e, em seu artigo 3º, facultou a possibilidade de manifestação da contribuinte em trinta dias. 17. Durante todo este período de trinta dias, não obstante o Ato Declaratório, além da identificação da contribuinte, da autoridade subscritora e da data de início de seus efeitos, conter apenas o dispositivo legal infringido e o número do processo 15983.000896/200762, este mesmo processo, atualmente juntado por anexação ao presente às fls. 870 a 945, com todos os documentos embasadores, ficou na repartição à disposição da manifestante para consulta e solicitação de cópias. Mas mesmo que isto não tivesse ocorrido, não se pode esquecer que os documentos caracterizadores da prática reiterada de infração à legislação tributária (intimações fiscais, declarações de rendimentos inativa e zerada, depósitos e créditos bancários e notas fiscais de prestação de serviços) são de conhecimento e, em parte, de produção da própria contribuinte. 18. Cabe ainda dizer que o Ato Declaratório foi editado no tempo oportuno, pois com a sua publicação foi aberta a oportunidade de defesa da ora manifestante, que somente pode exercer o contraditório e a ampla defesa a partir do momento em que seja acusada de cometer algo. DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS A EXCLUSÃO DO SIMPLES 19. A autuada alega que foram desrespeitados os princípios constitucionais da impessoalidade, da imparcialidade e da isonomia, pois não lhe foram informadas as razões ou origens da fiscalização ou o programa de fiscalização que estava sendo executado, nem lhe foi exibida a autorização do Coordenador da COFIS nos termos da Portarias SRF nºs 3.007/2001 e 500/1995. 20. Quanto a este assunto, inicialmente é necessário dizer que as atividades de seleção e execução de fiscalização, desde 02 de maio de 2007, estão reguladas pela Portaria do Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 4.066, 02/05/2007. A Portaria RFB nº 4.066/2007 em termos gerais apenas adaptou as regras já veiculadas pela Portaria SRF nº 3.007/2001 à nova estrutura administrativa, criada com a fusão entre a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Receita Previdenciária, determinada pela Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Vejamos a Portaria 4.066/2007, que é a Portaria vigente nos momentos em que se iniciou (em 02/08/2007, conforme Termo de Início de Fiscalização de fls. 153 e 154) e se encerrou a ação fiscal contida neste processo, cujos dispositivos a seguir transcritos interessam à lide ora discutida: Art. 1º O planejamento das atividades de fiscalização dos tributos e contribuições federais, a serem executadas no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano, será elaborado pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis) e pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), no âmbito de suas respectivas áreas de competência, considerando Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 10 as propostas das unidades descentralizadas da RFB, observados os princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade, da finalidade, da razoabilidade e da justiça fiscal. (...) Dos Procedimentos Fiscais Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela RFB, bem assim da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário ou apreensão de mercadorias; (...) Do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 4º O MPF será emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos de I a V desta Portaria, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (...) IV Delegado de Delegacia da Receita Federal do Brasil, de Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária, de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, de Delegacia Especial de Instituições Financeiras e de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais; (...) Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso anterior; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 11 VII o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § 1º será de dez anos. § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPFF alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. (...) (negritos meus) 21. Como se vê, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é o instrumento que a autoridade fiscalizadora apresenta ao contribuinte fiscalizado para que este tome ciência, entre outras informações, do tributo e do período que serão examinados, qual fiscal está autorizado a realizar o trabalho e por quanto tempo. No presente caso, este documento foi regularmente emitido e prorrogado pelo administrador competente, no caso o Delegado da Receita Federal em Santos, bem como foi cientificado ao sujeito passivo (fls. 01, 02 e 04 a 06). Assim, presumese até prova em contrário a cargo da impugnante que apenas alega, que a mesma contribuinte foi selecionada para ser fiscalizada em observância aos princípios da impessoalidade, imparcialidade e interesse público, previstos no artigo 1º da Portaria RFB nº 4.066/2007. Portanto, o que está caracterizado, segundo os documentos presentes no processo, é que estes princípios foram observados. 22. A alegação da impugnante de que os lançamentos são descabidos enquanto não for decidida sua exclusão do Simples é improcedente, pois, conforme fundamentado nos itens 10 a 18 deste voto, esta exclusão tratada originalmente no processo 15983.000896/200762, atualmente apreciada no presente processo devido à juntada por anexação determinada pela Portaria SRF nº 6.129/2005, apesar dos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade de fls. 924 a 936 (cópia às fls. 854 a 866), está sendo mantida. 23. A autuada também afirma que a parcela dos lançamentos contidos nestes autos cujos fatos geradores ocorreram até 30 de setembro de 2002 estaria decaída, pois os lançamentos foram formalizados (cientificados) em 27 de dezembro de 2007 e os tributos sujeitos ao lançamento por homologação seguem o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN (cinco anos após o fato gerador). 24. Com o objetivo de esclarecer esta questão, é necessário dizer que o prazo decadencial para lançamentos de ofício está previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, nos seguintes termos: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 12 Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 25. Assim, em relação aos fatos geradores de IRPJ ocorridos em 31/03/2001, 30/06/2001 e 30/09/2001, o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, é 01 de janeiro de 2002, cabendo reconhecer a decadência do direito de a Fazenda lançar esta parcela do crédito tributário de IRPJ cujo lançamento foi formalizado em 27 de dezembro de 2007, pois o termo final deste prazo decadencial foi 31 de dezembro de 2006. Contudo, a parcela do crédito tributário de IRPJ relativa aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002 e 30/09/2002 não tinha seu direito de constituição decaído no momento do lançamento, pois o termo final do prazo decadencial foi 31 de dezembro de 2007, já que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi 01 de janeiro de 2003. (...) 28. Por fim, em relação à decadência é preciso dizer que não é aplicável o artigo 150, § 4º, do CTN, simplesmente porque este dispositivo trata de homologação tácita, que somente atinge o que foi devidamente recolhido antecipadamente, não acobertando o que é objeto de ilícito tributário. O prazo decadencial para lançamentos de ofício de IRPJ é regulado exclusivamente pelo artigo 173 do CTN e para lançamentos de ofício de Contribuições Sociais para a Seguridade Social é o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991. 29. A multa aplicável em lançamentos de ofício está prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja redação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores aqui discutidos, era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 30. A redação atual do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória nº 351/2007, não alterou as normas jurídicas para aplicação das multas de ofício de 75% e 150%, conforme se pode ler abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 13 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)(negrito meu) 31. Para saber se a multa qualificada de 150% foi aplicada corretamente, devese reproduzir o conteúdo dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que tratam das situações ensejadoras do cabimento desta multa qualificada: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 32. No presente caso, justamente o fato de a contribuinte ter emitido Notas Fiscais de fevereiro de 2001 a novembro de 2005 (fls. 422 a 705) e ter sido beneficiária de depósitos bancários (extratos às fls. 165 a 199, 202 a 263, 271 e 277 a 313) cuja origem não foi comprovada (intimação às fls. 314 a 351), ao mesmo tempo em que apresentou Declaração de Inatividade relativa ao anocalendário 2001 (fls. 359 e 360) e Declarações Simplificadas zeradas relativas aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (fls. 361 a 399 e 402 a 420) demonstram o dolo (intenção) de praticar as condutas descritas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, pelo menos em relação aos tributos federais que são os aqui discutidos, motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual § 1º (antigo inciso II) do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. 33. Assim, no presente caso, está caracterizado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo nos termos da Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo a multa de ofício qualificada sido correta e legalmente aplicada, descabendo as afirmações da autuada em sentido diverso. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 14 34. A impugnante ainda alega que as justificativas para comprovar parcela dos depósitos bancários recebidos em 2003 e 2004, apresentados na petição e documentos anexos de fls. 760 a 832, não foram considerados no auto de infração. Além disto, afirma que houve erro no valor tributável apurado no anocalendário 2001 que efetivamente monta a R$132.834,28, enquanto a diferença a tributar constante no “Quadro Demonstrativo nº 003 – Valores a Tributar” de fl. 148 é de apenas R$120.207,96. 35. Em relação à última afirmação é necessário dizer que não há erro de cálculo na parcela do lançamento relativa ao anocalendário 2001, pois os R$120.207,96 constantes no demonstrativo de fl. 148 são totalização anual que considera inclusive os meses em que a diferença entre os créditos bancários e as receitas constantes das notas fiscais emitidas foram negativos, enquanto os lançamentos discutidos neste processo têm períodos de apuração trimestrais (IRPJ e CSLL) ou mensais (PIS e COFINS). Além disto, a totalização do demonstrativo de fl. 148 considera também a diferença positiva apurada em janeiro de 2001, mês cujos fatos geradores não foram lançados nos autos de infração constantes deste processo. 36. Quanto à petição de fls. 760 a 766, acompanhada dos documentos de fls. 786 a 832 (Notas Fiscais referentes a serviços prestados pela empresa Terramar Comércio de Areia e Pedra e Terraplanagem Ltda., CNPJ 04.017.964/000101, e documentos de arrecadação de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS incidente sobre as operações constantes nestas Notas Fiscais), de fato, o empresário titular da empresa individual interessada neste processo é sócio administrador com 95% do capital da referida empresa Terramar, conforme extrato do sistema CNPJ de fl. 948. Assim, os depósitos bancários recebidos pela interessada no presente processo administrativo e relacionados na petição de fls. 760 a 766, coincidentes com os valores constantes das Notas Fiscais emitidas pela empresa Terramar que diminuídos dos valores pagos a título de ISS, constantes dos documentos de arrecadação apresentados, e dos valores pagos a título de INSS, constantes dos comprovantes contidos no processo 15983.000905/200715 de interesse da mesma empresa Terramar, e no qual estão sendo tributadas em lançamento de ofício as receitas constantes nestas notas fiscais, têm sua origem comprovada, devendo ser exonerada a parcela do crédito tributário lançada em sua decorrência. Observese que somente podem ser considerados comprovados os depósitos bancários em relação aos quais foram apresentados a Nota Fiscal, o comprovante de recolhimento do ISS e o comprovante de recolhimento do INSS. Estes depósitos comprovados são relacionados a seguir: (...) 37. O cálculo da parcela do crédito tributário exonerada em decorrência dos depósitos bancários comprovados e do reconhecimento da decadência parcial do IRPJ é demonstrado abaixo: 38. Diante de todo o exposto, voto para: (...) 38.1. MANTER a EXCLUSÃO da empresa A F SALGADO TRANSPORTES – ME do Simples a partir de 01/02/2001 conforme determinado no Ato Declaratório Executivo DRF/Santos nº 34, de 06 de dezembro de 2007; 38.2. Julgar PROCEDENTES EM PARTE os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 15 (...) Peço vênia para adotar os fundamentos acima transcritos como razões adicionais de decidir, acrescentando que as infrações mantidas em 1a. instância estão cabalmente demonstradas nos autos, estando correta a exclusão da empresa do Simples, bem como as exigências remanescentes. E mais: EXCLUSÃO DO SIMPLES Nos item 2 (2.1 a 2.5) do recurso voluntário, a seguir transcritos, a recorrente assevera (Verbis): 2.1 DA IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA APLICAÇÃO DA SANÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 14, V, DA LEI N° 9.317196, POR SE TRATAR DE "NORMA PENAL EM BRANCO". (...) 2.1.2.1 No voto que proferiu, o I. Relator do ACÓRDÃO recorrido houve por bem considerar, às fls. 955, que "... a partir de janeiro de 2001 até, pelo menos, dezembro de 2002, a contribuinte omitiu receitas, já que não ofereceu à tributação receitas de serviços constantes em Notas Fiscais emitidas, (...). Desta forma, em fevereiro de 2002 ocorreu a reiteração na prática de infração 6 legislação tributária, que é justamente a hipótese prevista no inciso V do artigo 14 da Lei n° 9.317/1996, acima transcrito, segundo o qual o contribuinte nesta situação deve ser excluído de oficio no Simples". 2.1.2.2 Para justificar dito entendimento, expõe, As fls. 956, que "12. o inciso V do artigo 14 da Lei no 9.317/1996 não 6, como acredita o manifestante, norma penal, nem norma em branco que necessite de norma complementadora a ser editada. As normas que regem a exclusão do Simples são normas tributárias, pois o Simpies é um instituto tributário". E prossegue: "Além disto, não há necessidade da edição de nova norma para que o inciso V do artigo 14 da Lei no 9.317/1996 seja aplicável, pois as infrações tributdrias ih estão definidas no ordenamento jurídico nacional o que a contribuinte acredita é que é necessária a edição de uma norma que restrinja o alcance do citado inciso V. Contudo, como esta norma restritiva não é necessária, nem existe, observada a reiteração, materializada pela simples repetição consecutiva da mesma infração à legislacao tributária, o contribuinte deve ser excluído do sistema de tributação favorecido. Observese que a reiteração caracterizase no segundo mês, iá que o período de apuração do Simples é mensal". (sublinhamos) 2.1.3 A INVALIDADE DO CONTIDO NA DECISÃO RECORRIDA. 2.1.3.1 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, em seu artigo 179, determinou que a União e as demais pessoas políticas deveriam dispensar As microempresas e As empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e crediticias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei, o que foi realizado, no aspecto tributário, pela LEI N°9.317/96, que assim dispôs, verbis: "Art. 1° Esta Lei regula, em conformidade com o art. 179 da Constituição, o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 16 às empresas de pequeno porte, relativo aos impostos e ás contribuições que menciona." 2.1.3.2 Diante disso, e considerando que o referido diploma legal estabeleceu o SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES SIMPLES, mediante o qual os tributos administrados pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS) seriam pagos em percentuais inferiores aos normais, resta evidente que a exclusão, de oficio, da empresa que tenha optado por essa sistemática de pagamento, caracteriza a imposição de sanção, quer pela exigência das diferenças de tributos, quer em face da imposição de penalidade. Disso não há como escapar. 2.1.3.3 Assim, em se tratando de sanção (agravamento da tributação e exigência de multa exofficio, repitase), a legislação que a impõe deve descrever, por completo, a conduta incriminada, sob pena de não produzir efeitos, refletindo o que a doutrina denomina de "norma penal em branco", como se vê tanto na lição transcrita no SUBITEM 2.1.1.7, supra, quanto naquela constante do voto do I. MINISTRO FELIX FISCHER, proferido, como relator, no RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS N° 9.834SP, do seguinte teor: (...) 2.1.3.6 Uma vez estabelecido que inexistem diferenças entre a infração tributária e a infração penal, cuja qualificação depende, exclusivamente, da gravidade a ela atribuida, resta evidente que a lei tributária que estabelece sanções, deve, para ser aplicada, apresentar descrição completa da conduta incriminada (tipo). Caso não o faça, isto 6, apresente o tipo incompleto, deve ser complementada (conforme a lição expressa na decisão reproduzida no SUBITEM 2.1.3.3, anterior) por outra disposição legal ou mesmo por regulamento, portaria, instrução normativa, etc. 2.1.3.7 Pois bem, considerando que a legislação que impôs a sanção (artigo 14, V, da LEI N° 9.317196) não esclareceu qual o tipo de infração que, praticado reiteradas vezes, implicaria a exclusão do SIMPLES, e muito menos esclareceu o que considerava como infração reiterada, restou incompleta a descrição da conduta incriminada, cabendo fosse complementada por outra lei, ou mesmo por ato da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, que uniformizasse o comportamento da autoridade tributária, de modo a evitar a introdução de conceitos pessoais na aplicação da norma. 2.1.3.8 De fato, no caso, o I. AFRF autuante, calcado em conceitos puramente subjetivos (já que inexistente a norma de complementação), entendeu que, uma vez ocorrida a pretensa omissão de receita em JAN/2001, a repetição desse fato em FEV/2001 caracterizava a prática reiterada da infração, tanto que propôs a exclusão da RECORRENTE do SIMPLES a partir desse segundo mês, no que foi secundado pelo I. Relator do acórdão recorrido. 2.1.3.9 Por evidente, qualquer outro Auditor Fiscal, ou mesmo outra autoridade julgadora, poderia considerar que essa "prática reiterada da infração" somente ocorre com mais de uma repetição, ou mesmo depois de reiterada além do término do exercício social da empresa, com exigência dos tributos normais a partir do ano seguinte. Ou seja, na medida em que inexiste parâmetro objetivamente fixado, os conceitos podem variar infinitamente, o que agride frontalmente o conceito de que na atividade tributária não existe espaço para considerações pessoais, já que vinculada 6 lei. 2.1.3.10 Depois, na medida em que, como exposto no SUBITEM 2.1.1, acima, o artigo 14, inciso V, da LEI N° 9.317/96 não especificou qual o tipo de infração A Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 17 legislação tributária que acarretaria a exclusão do SIMPLES, teríamos, seguindo o mesmo raciocínio dessas autoridades, que caberia fosse excluído do SIMPLES (sob pena de imputação, ao agente público que não o fizesse, da prática do crime de prevaricação) todo e qualquer contribuinte que, por exemplo, (a) deixasse de recolher o tributo por dois meses consecutivos, ou (b) deixasse de apresentar a DCTF por dois períodos consecutivos, já que a falta de pagamento, ou a falta de apresentação desse documento também são "infrações tributárias", tanto que apenada, a primeira, com a multa de mora, e a segunda com multa exofficio. 2.2 A IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES ANTES DE DECISÃO TRIBUTARIA FINAL CONDENATORIA, QUANTO ‘A PRATICA DE INFRAÇÃO REITERADA (...) 2.2.3 A INVALIDADE DO CONTIDO NA DECISÃO RECORRIDA. 2.2.3.1 Com todo o respeito que merece a I. autoridade julgadora de primeira instância, não se pode fugir ao fato de que "reiterar infração" "reincidir em infração" são termos absolutamente equivalentes. Assim, resta evidente a impossibilidade de vir a autoridade administrativa darlhes tratamentos distintos, ou seja, considerar que "reincidência" somente se caracteriza após decisão definitiva (como esta nos citados pareceres normativos), enquanto que o entendimento do que seja "reiterar infração" fica por conta do AFRFB autuante, independentemente de decisão da autoridade superior. 2.2.3.2 Diante do exposto, verificase a completa pertinência na analogia arguida pela RECORRENTE, quanto ao entendimento dado A matéria pela própria administração tributária, consubstanciada nos PARECERES NORMATIVOS CST N°S. 55173 e 194/74. Obs.: a numeração 2.3 não foi utilizada no recurso voluntário. 2.4 SOMENTE HAVERÁ A "PRATICA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA" APÓS A DEVIDA APURAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO REGULAR. (...) 2.4.3 A INVALIDADE DO CONTIDO NA DECISÃO RECORRIDA. 2.4.3.1 Data venha, improcedem tais razões de decidir. Com efeito, no que diz respeito ao argumento constante do acórdão recorrido, reproduzido no SUBITEM 2.4.2.1, anterior, temse que, como é cediço em Direito Administrativo e consta expressamente na LEI N° 9.784/99, artigo 50, "Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...); V decidam recursos administrativos". 2.4.3.1 De fato, exatamente por esse motivo é que tanto os E. 2° e 3° CONSELHOS DE CONTRIBUINTES quanto a E. CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS vêm decidindo pela nulidade do ato de exclusão não motivado, ou motivado Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 18 insuficientemente, como se pode ver nos acórdãos cujas ementas estão a seguir transcritas: (...) .2.4.3.4 Do mesmo modo não têm sentido as demais razões de decidir reproduzidas no SUBITEM 2.4.2.1, acima, visto que se limitam a tentar coonestar o comportamento da autoridade que emitiu o ato administrativo da exclusão, em que primeiro se condena e encarcera, para depois examinar os argumentos da vitima. 2.5 CONCLUSÕES QUANTO A ILEGAL EXCLUSÃO DO SIMPLES. 2.5.1 A evidência, na medida em que o ato de exclusão produz efeitos de imediato, colocando em mora o contribuinte e sujeitandoo ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência (artigo 196, III, do RIR/99), bem como o obriga a apresentar as DCTF dos períodos posteriores A data em que foi considerado excluído dessa sistemática, resta evidente que essa exclusão deve ser precedida do devido processo legal, em que o administrado possa exercer o contraditório e ampla defesa. 2.5.2 Além disso, não é suficiente que o contribuinte seja notificado, pela imprensa, ou diretamente, pela via postal, apenas da decisão final proferida no ato de exclusão, mas, sim, que, antes, sejam observados todos os requisitos impostos pela LEI N° 9.784/99, notadamente o que está em seu artigo 44 ("Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo de outro prazo for legalmente fixado"). 2.5.3 E não cabe alegar que as normas do processo de exclusão do SIMPLES não se submetem As disposições da citada LEI N° 9.784199, mas sim ao que se contém no DECRETO N° 70.235172, visto que este, como está em seu artigo 1 0, cuida apenas da "determinação e exigência dos créditos tributários da Unido" (o que não é o caso), enquanto que aquela lei, além de cuidar inteiramente da matéria, é posterior às disposições do artigo 15, § 3°, da LEI N° 9.317/96, que mandava observar a legislação relativa ao processo tributário administrativo. 2.5.4 Por último, é risível a afirmativa acima reproduzida, no sentido de que, para conhecer o conteúdo do processo de exclusão que lhe era movido, deveria a RECORRENTE dirigirse à repartição para consultas e solicitação de cópias (pagas, por evidente), mesmo porque não se pode perder de vista o fato de que essa exclusão se processava exofficio, isto 6, no interesse na administração. Aliás, tal sistemática, ilegalmente imposta pela autoridade administrativa, lembra KAFKA, que em sua obra "0 PROCESSO", relata a odisséia do personagem que é processado e condenado sem que seja informado, em nenhum momento, das acusações contra ele assacadas. 2.5.5 A vista de todo o exposto, verificase a completa ilegalidade da exclusão da REQUERENTE do SIMPLES, razão pela qual cumpre seja dado provimento ao presente recurso, para isentála da exigência tributária, De outra parte, ainda que válida essa exclusão, improcede a exigência tributária em face do mérito, como mencionado no SUBITEM 1.2, supra, e se demonstra a seguir. (...)” Observase que o digno representante da recorrente aplica dezenas de páginas de seu recurso voluntário para questionar a exclusão do simples, bem com o fato de ter sido Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 19 iniciado o procedimento para lançamento de oficio antes da decisão final no processo que tratou da aludida exclusão. Pois bem, quanto a exclusão do Simples, em face da reiterada pratica de omissão de receitas nos meses de janeiro/2001 a dezembro/2002 entendo que está sobejamente comprovado nos autos que a contribuinte realizou operações, emitiu notas fiscais, auferiu receitas, vide fls. 872 e 873, e mesmo assim não efetuou recolhimentos tampouco apresentou declaração ao Fisco Federal. Observese que em relação ao anocalendário 2001 a contribuinte apresentou declaração de inatividade (fls. 889 e 890) e quanto ao anocalendário 2002 entregou declaração Simples zerada (fls. 891 a 894), além de não ter efetuado nenhum recolhimento relativo ao Simples (fl. 895). Logo incorreu mesmo na reiterada prática de infração à legislação tributária, que é justamente a hipótese prevista no inciso V do artigo 14 da Lei nº 9.317/1996. Portanto, sua exclusão do Simples está absolutamente motivada e correta. Consoante asseverado na decisão recorrida “ O inciso V do artigo 14 da Lei nº 9.317/1996 não é, como acredita a manifestante, norma penal, nem norma em branco que necessite de norma complementadora a ser editada. As normas que regem a exclusão do Simples são normas tributárias, pois o Simples é um instituto tributário. Além disto, não há necessidade da edição de nova norma para que o inciso V do artigo 14 da Lei nº 9.317/1996 seja aplicável, pois as infrações tributárias já estão definidas no ordenamento jurídico nacional. O que a contribuinte acredita é que é necessária a edição de uma norma que restrinja o alcance do citado inciso V. Contudo, como esta norma restritiva não é necessária, nem existe, observada a reiteração, materializada pela simples repetição consecutiva da mesma infração à legislação tributária, o contribuinte deve ser excluído do sistema de tributação favorecido.” De igual forma está correto a imediata ação fiscal após a exclusão do Simples. Isso porque o recurso da contribuinte não suspende o prazo decadencial, ou seja, caso não seja constituído o crédito tributário devido ocorrerá sua caducidade, à luz dos artigos 150 e 173 do CTN. Tanto é verdade que o contribuinte pleiteia a decadência neste recurso. Outrossim o procedimento não causa qualquer prejuízo ao contribuinte posto que, nos termos do art. 151 do CTN, a impugnação e o recurso suspendem a exigibilidade do credito tributário: enquanto não for definitivamente julgada a exclusão do Simples os tributos constituídos não podem ser objeto de cobrança. Diante do exposto, cumpre confirmar a exclusão do Simples, bem assim a correção do procedimento do Fisco no que concerne a imediata lavratura do auto de infração para exigir os tributos devidos. DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS A EXCLUSÃO DO SIMPLES Acerca desse matéria, o recurso voluntário é manejado nas seguintes alegações (verbis): 3. A INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NAS PORTARIAS N°S. 500/95 E 3.007102, DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 20 3.3 A 1NVALIDADE DO CONTIDO NA DECISÃO RECORRIDA. 3.3.1 Data venia, improcedem tais razões de decidir, mesmo porque, em primeiro lugar, o que contém a citada PORTARIA RFB N° 4.06612007 em nada difere das disposições constantes da PORTARIA SRF N° 3.007/2001. Depois, a RECORRENTE, em nenhum momento, contestou a existência (ou a inexistência) do aludido MPF, mas sim o fato de que, nele, não há indicação do programa de fiscalização em que foi ela inserida, como exigem as disposições do artigo 1 0 e seus §§ 1° a 40 , quer da PORTARIA SRF N° 3.00712001, quer da PORTARIA RFB N° 4.066/2007, baixadas, segundo o seu intróito, "tendo em vista a necessidade de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)". 3.3.2 Ou seja, cumpria 6 autoridade administrativa, exatamente na observância dos princípios constitucionais da impessoalidade, da e imparcialidade e do interesse público, apontar, no aludido MPF, em qual programa de fiscalização fora incluída a RECORRENTE, ou então, no caso de inexistência deste, apontar o ato do COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO COFIS que autorizou a fiscalização contra ela realizada, em face do contido no § 4 0 do artigo 10 de ambas as portarias referidas no subitem precedente ("Em situações especiais, o CoordenadorGeral de Fiscalização e o CoordenadorGeral de Administração Aduaneira poderão, no âmbito de suas respectivas áreas de competência e em caráter prioritário, determinar a realização de atividades fiscais, ainda que não constantes do planejamento de que trata este artigo"), sob pena de tornar dito dispositivo normativo absolutamente inócuo e desnecessário. 3.3.3 Ainda, com outras palavras, se inexistente o programa de fiscalização aprovado com base nos "critérios e diretrizes" acima referidos, não pode a autoridade local, determinar a fiscalização do contribuinte, sem antes obter a autorização da COFIS, em obediência ao que se contém nas aludidas Portarias da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. 3.3.4 Desse modo, a afirmativa de que "... presumese até prova em contrário a cargo da impugnante que apenas alega, que a mesma contribuinte foi selecionada para ser fiscalizada em observância aos princípios da impessoalidade, imparcialidade e interesse público, previstos no artigo 1° da Portaria RFB n° 4.066/2007", constante As fls. 959, item 21, e acima reproduzida (SUBITEM 3.2.1), não tem qualquer amparo jurídico, porquanto: a) não é possível à RECORRENTE, no caso, provar que não estava inserida em programa de fiscalização (impossibilidade de produzir prova negativa), e b) na medida em que a atividade administrativa de lançamento é "vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional" (artigo 142, § único, do cTN), e a legislação tributária (as citadas portarias) exigem autorização da COFIS para a realização de fiscalizações não programadas, cabe à autoridade administrativa a prova da existência de tal autorização. 3.3.5 Resumindo, temse que, inexistente programa de fiscalização que incluísse a RECORRENTE, e considerando a igualmente inexistente autorização da COFIS para a fiscalização que resultou no presente processo, a sua exclusão do SIMPLES, e conseqüente autuação, e nula de pleno direito, e assim deve ser declarada por esse E. PRI MEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 21 No que tange ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal, ainda que se entenda que as alegações do recorrente tem procedência, a nulidade do auto de infração não prevaleceria. Isso porque, de acordo com o art. 142 do CTN, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Observese que o parágrafo único do referido dispositivo estabelece, expressamente, que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa maneira, a ausência de MPF, por se tratar de mero instrumento de controle gerencial, não tem o condão de restringir a competência do auditor fiscal, nem de invalidar o lançamento efetuado em conformidade com o art. 142 do CTN. A Lei nº 10.593, de 06/12/2002, ao dispor sobre a competência dos AuditoresFiscais, estabeleceu o seguinte: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Observese que a legislação não vincula a constituição do lançamento à emissão prévia de MPF; tal procedimento administrativo tem caráter apenas instrumental, não sendo, portanto, requisito de validade do lançamento, por falta de previsão legal. Esclareçase que a fase que precede o lançamento é inquisitória, não sendo regida pelos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa; somente com a impugnação tempestiva do sujeito passivo instaurase o processo administrativo fiscal propriamente dito, não devendo prosperar a alegação de cerceamento do direito de defesa da contribuinte no momento da Fiscalização. No presente caso, todos os atos e termos foram lavrados por servidor competente, tendo sido franqueados todos os meios de defesa ao sujeito passivo, sendo, portanto, improcedente a nulidade suscitada pela contribuinte. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou no seguinte sentido: NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. Acórdão: CSRF/0202.187 de 23/01/2006. DECADÊNCIA Vejamos as alegações do recorrente no que tange a decadência de o fisco constituir o crédito tributário, (verbis): Fl. 21DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 22 4. A DECADÊNCIA (...) 4.3 A INVALIDADE DO CONTIDO NA DECISÃO RECORRIDA. 4.3.1 Permissa venha, não há mais o que discutir quanto A aplicação das disposições do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, no que diz respeito à decadência, sobre as contribuições sociais, com pleno afastamento do contido na mencionada LEI N° 8.212/91, por mais que os representantes da Fazenda Naclonal busquem o interesse do Fisco, ao invés de aplicar corretamente o Direito. 4.3.2 Com efeito, a demonstrar que tanto a decadência quanto a prescrição são, ambas, matérias de competência da lei complementar, e nunca da lei ordinária, têmse as inúmeras decisões do E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (...) 4.3.3 Depois, como observado por HIROMI HIGUCHI 6 , "Em nenhum dos artigos da Lei no 8.212, de 1991, faz referência ao PIS e com isso tanto a /a como a 2a Câmaras da CSRF estão decidindo que o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de cinco anos. No DOU de 060807 estão publicados vários acórdãos da r Câmara, como o de n° 02139/2005 dizendo: (...) 4.3.4 De outra parte, é certo que a E. CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, no que diz respeito as demais contribuições, também vem decidindo pela decadência nos moldes em que prevista no CTN. Confirase o que ficou decidido no ACÓRDÃO N° CSRF/0105.246: (...) 4.3.9 Pelas razões expostas, cumpre seja dado provimento a este recurso especial, para o fim de se declarar a decadência com referência aos fatos geradores JUN/2001 a NOV/2002, em face do transcurso do prazo superior a 05 (cinco) anos, contado da ocorrência de cada um deles. Quanto a essa matéria não cabe mesmo razão ao contribuinte, haja vista que foi aplicada a multa de oficio qualificada, que está sendo mantida nesta decisão conforme tópico seguinte. Logo, a contagem do prazo decadencial é deslocada para o 1o. dia do ano seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de JustiçaSTJ, cite como exemplo o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, Fl. 22DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 23 inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Uma vez que o contribuinte foi excluído do Simples, a possibilidade de lançamento do anocalendário de 2001 iniciouse em 1/1/2002, logo o 1o. dia do exercício seguinte se dá em 1/1/2003 encerrandose em 31/12/2007 (aplicação do o art. 173, inciso I), sendo que o auto de infração foi cientificado em 27/12/2007. Aliás, tal qual registrado na declaração de voto do ilustre julgador Eduardo Shimabukuro, fl. 967, o colegiado de 1a. instancia equivocouse ao cancelar a exigência do IRPJ do anocalendário de 2001, pos Diante do exposto, não há que se falar em decadência. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. No que tange a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, a recorrente traz as seguintes alegações: 5. DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. (...) Fl. 23DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 24 5.3 A INVALIDADE DO CONTIDO NA DECISÃO RECORRIDA. 5.3.1 Mais uma vez improcedem tais razões de decidir. De fato, no que diz respeito 6. qualificação da multa (150%), porquanto, quer a autuação, quer a decisão recorrida, não demonstram o efetivo intuito de fraude por parte da RECORRENTE, mesmo porque toda a documentação que emitia, no exercicio das suas atividades, era encaminhada ao responsável pela sua contabilidade, realizada por contador externo, a quem cabia apresentálas ao fisco. 5.3.2 Em resumo, não foi, na autuação, em momento algum, demonstrada a existência quer da sonegação, quer da fraude, quer do conluio, que são as três figuras a que alude o inciso II do artigo 44 da LEI N° 9.430/96, definidas nos artigos 71, 72 e 73 da LEI N° 4.502/64, para caracterizar o evidente intuito de fraude, incidindo na observação de EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILH0 , de que "As três figuras referidas na lei têm diferentes pressupostos jurídicos de aplicação, de modo que a conduta do sujeito passivo, em qualquer caso, deve ser individualizada. Será nulo o auto de infração que fizer referência exclusiva ao inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, sem apontar qual o comportamento que foi adotado, ou seja, se há fraude, sonegação ou conluio." 5.3.3 0 que se tem na autuação, na verdade, é a utilização de uma retórica vazia, destinada a impressionar o leitor, de modo a justificar a imposição da gravíssima multa de 150%, sem que tenha sido cabalmente demonstrado o evidente intuito de fraude de que trata o aludido artigo 44 da LEI N° 9.430/96. A meu ver, mais uma vez, não cabe razão ao recorrente. Isso porque restou caracterizada o evidente intuito de fraude mediante a reiterada de declarações inexatas. Consoante o enquadramento legal utilizado pela fiscal autuante, a multa qualificada no percentual de 150% tem fulcro no do art. 44, inciso II, da Lei n.o 9.430/96, que, com a redação vigente à época da autuação, assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Com o advento da Medida Provisória n.º 303, de 29 de junho de 2006, art. 18, foi dada nova redação ao art. 44 da Lei n.º 9.430/96: Art.18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Ide setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; IIde cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 24DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 25 §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Observo que para os casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata será aplicada a multa de 75%, a menos que o fisco detecte e aponte as condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n.º 4.502, de 1964, arts. 71 a 73: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (Grifei). Por sua vez, na Lei n.º 8.137, de 27 de dezembro de 1990, no âmbito do Direito Penal e, portanto, com reflexos no presente caso (aplicação de penalidade qualificada com conhecimento do Ministério Público para fins penais), a sonegação vem definida, de forma genérica, como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária: “Art. 1o Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2o Constitui crime da mesma natureza: I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; ...” (Grifei). O inciso I do art. 1o, bem como o inciso I do artigo 2°, supra transcritos assemelhamse ao tipo penal previsto no artigo 299 do Código Penal, o qual descreve a conduta da falsidade ideológica, que também se materializa neste crime na sua forma omissiva – omitir informação – uma vez que a omissão da verdade pode interferir significativamente no resultado tributário. A importância das declarações entregues ao Fisco fundase nas próprias bases do Direito Tributário. O Código Tributário Nacional estabelece a primazia e importância das informações prestadas tanto pelos contribuintes como por terceiros, elementos estes decisivos no lançamento do crédito tributário. Lembro que a apresentação de declarações, sendo uma obrigação acessória, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” (CTN, art. 113, § 2º). Fl. 25DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 26 O Código Tributário Nacional estabelece que o ‘lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação’ (art. 147 CTN). Aliomar Baleeiro observa que ‘até prova em contrário (e também são provas os indícios e as presunções veementes), o Fisco aceita a palavra do sujeito passivo, em sua declaração, ressalvado o controle posterior, inclusive nos casos do art. 149 do CTN. E prossegue, ‘mas, em relação ao valor ou preço dos bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, o sujeito passivo pode ser omisso, reticente ou mendaz. Do mesmo modo, ao prestar informações, o terceiro, por displicência, comodismo ou conluio, desejo de não desgostar o contribuinte etc., às vezes deserta da verdade e da exatidão ... Daí que, ao produzir uma declaração falsa destinada ao Fisco, sendo ela capaz de reduzir ou suprimir tributo, configurase o delito, que é consumado com a entrega da declaração. Pelo exposto, com a supressão ou redução de tributo obtida através da falsidade ou omissão de prestação de informações na declaração de rendimentos e/ou bens e, concomitantemente, identificada a vontade do agente em fraudar o fisco, por afastada a possibilidade do cometimento de erro natural, independentemente de haver um outro documento falso, configurase o dolo, a fraude, o crime contra a ordem tributária, o que dá ensejo ao lançamento de ofício com a aplicação da penalidade qualificada. Não resta dúvida de que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Neste caso concreto, a autoridade lançadora apontou fatos, sem que haja qualquer prova em contrário, que afastam a possibilidade de simples erro e levam à qualificação da penalidade em virtude da prática dolosa. Ora, as omissões superaram 99,5% ao longo de 3 (três) anos consecutivos. Diante de tais circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar seu pagamento, o que evidencia o intuito de fraude e obriga à qualificação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou Egrégio Conselho de Contribuintes: “MULTA DE OFÍCIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUAÇÃO QUALIFICATIVA FRAUDE O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Recurso ao qual se nega provimento.” (Ac. 20309129, sessão de 13/08/2003. No mesmo sentido: Ac. 20214693, Ac. 20214692 etc). Fl. 26DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 27 “REDUÇÕES SISTEMÁTICA E REITERADA DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS USO DE REDUTOR NO ENTE ACESSÓRIO EXIGÊNCIA PERTINENTE Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações de forma sistemática e reiterada , ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. Recurso negado.” (Ac. 10706937 de 28/01/2003. Publicado no DOU em: 24.04.2003). “MULTA QUALIFICADA – CONDUTA CONTINUADA – A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. ACÓRDÃO CSRF/01 05.810 em 14 de abril de 2008). A colaboração com as investigações no curso da ação fiscal não implica a inexistência de dolo por parte da contribuinte, tampouco afasta prática dolosa anterior. In casu, pelo contrário, pois a escrituração da fiscalizada comprova o dolo e a fraude cometidos quando do lançamento por homologação do tributo, isto é, quando a contribuinte, tendo o dever legal de prestar informações acerca dos fatos geradores ocorridos e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, omitiu fatos e sonegou imposto e contribuições relativos a mais de 99% das receitas escrituradas. A autuada podia até o início da ação fiscal retificar suas declarações e pagar os tributos devidos, entretanto, assim não procedeu. Houvesse a administração tributária confiado passivamente nas informações prestadas pela contribuinte à época da ocorrência dos fatos geradores, indiscutivelmente tal inércia resultaria em perda irremediável do crédito tributário exsurgido em decorrência do procedimento de ofício. A título de ilustração, cito manifestação do TRF da 4ª Região consentânea com o entendimento ora exposto: ‘PENAL. ART. 1º, I, DA LEI Nº 8.137/90. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÕES FALSAS DE IMPOSTO DE RENDA. SUPRESSÃO DE TRIBUTOS. MATERIALIDADE E AUTORIA. DOLO. ... 3. O dolo é genérico e inerente ao tipo penal do art. 1º, inciso I da Lei 8.137/90, que não prevê a modalidade culposa. 4. "A consumação do crime tipificado no art. 1º, caput, ocorre com a realização do resultado, consistente na redução ou supressão do tributo ou da contribuição social (evasão proporcionada pela prática da conduta fraudulenta anterior). (Andreas Eisele, em "Crimes Contra a Ordem Tributária", 2ª edição, editora Dialética, fl. 146). 5. Apelação improvida.’ (Apelação Criminal nº 2001.71.08.005548−2/RS, DJU de 29/10/2003) Do voto condutor do referido acórdão extraio o seguinte fragmento, por esclarecedor: “(...) Fl. 27DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15983.000979/200751 Acórdão n.º 140200.725 S1C4T2 Fl. 0 28 32. No presente caso, justamente o fato de a contribuinte ter emitido Notas Fiscais de fevereiro de 2001 a novembro de 2005 (fls. 422 a 705) e ter sido beneficiária de depósitos bancários (extratos às fls. 165 a 199, 202 a 263, 271 e 277 a 313) cuja origem não foi comprovada (intimação às fls. 314 a 351), ao mesmo tempo em que apresentou Declaração de Inatividade relativa ao anocalendário 2001 (fls. 359 e 360) e Declarações Simplificadas zeradas relativas aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (fls. 361 a 399 e 402 a 420) demonstram o dolo (intenção) de praticar as condutas descritas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, pelo menos em relação aos tributos federais que são os aqui discutidos, motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual § 1º (antigo inciso II) do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. 33. Assim, no presente caso, está caracterizado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo nos termos da Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo a multa de ofício qualificada sido correta e legalmente aplicada, descabendo as afirmações da autuada em sentido diverso. (...)” Portanto, deve ser mantido o lançamento com a aplicação da multa qualificada sobre os débitos autuados. CONCLUSÃO Em verdade, é patente o fato de que a recorrente omitiu receitas e deixou de recolher os tributos devidos. Isso reiteradamente. E mais: tinha pleno sapiência de suas irregularidades e buscou subterfúgios ilícitos para impedir ou retardar o conhecimento pelo autoridade tributária. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 28DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 10923.000306/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa: 1RPJ. COMPENSAÇÃO. FORMALIDADES. RAZOABILIDADE Validade do pedido de restituição de crédito de Sociedade em Conta de
Participação (SCP) procedido por meio de PER/DCOMP ante a evidência de que à época da realização do pedido o programa PER/DCOMP não determinava que esses créditos fossem requeridos por formulário administrativo.
Em observância ao principio da razoabilidade, deve ser reconhecida a validade do pedido de restituição realizado pelo sócio ostensivo via PER/DCOMP quando comprovado pelo mesmo que o crédito era da SCP e que não houve prejuízo à Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1202-000.649
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, para admitir a utilização da Per/Dcomp para informar a compensação, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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COMPENSAÇÃO. FORMALIDADES. RAZOABILIDADE Validade do pedido de restituição de crédito de Sociedade em Conta de Participação (SCP) procedido por meio de PER/DCOMP ante a evidência de que à época da realização do pedido o programa PER/DCOMP não determinava que esses créditos fossem requeridos por formulário administrativo. Em observância ao principio da razoabilidade, deve ser reconhecida a validade do pedido de restituição realizado pelo sócio ostensivo via PER/DCOMP quando comprovado pelo mesmo que o crédito era da SCP e que não houve prejuízo à Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para admitir a utilização da Per/Dcomp para informar a compensação, retornando o processo 6. repartição de origem para confirmação do crédito compensado, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho — Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Documento assinado ctgitalmet confc:me Mt) e° 2.20t;-2 tic 24/CE1200 Autenticado digita:mente em 0510112012 por GERALDO VALENTIM NETO, As ;, :nacIo d;ta'mQnIc cm 131'02/20 1 2 poi NELSON LOSSO FOI to Assinado digItalmenie em n 05,0112012 ;)or GERAL DO VALENTIM NETO Impresso em 21/0312012 pm ANDREA FERNANDES GARCIA -VERSO EM BRANCO DF CARF M1 FL 468 Processo n° 10923.000306/2007-92 S1 -C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 468 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vida Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Trata-se de PER/DCOMP's transmitidos eletronicamente pela Recorrente, formulados como Declarações de Compensação, informando como crédito o saldo negativo de I RPJ no exercício de 2001, ano calendário 2000. A Recorrente demonstra crédito nos PER/DCOMP's no 04338.42734.311003.1.3.02-5870, no valor de R$ 22.593,51 (fl. 281), e n° 05708.15798.151203.1.3.02-1013, no valor de R$ 88.566,75 (fl. 293). Relaciona débitos próprios para compensação no PER/DCOMP n°05708.15798.151203.1.3.02-1013, no valor de 136.862,20 (fl. 294) e débitos de titularidade de Sociedade em Conta de Participação (SCP) nos PER/DCOMP's 04338.42734.311003.1.3.02-5870, no valor de R$ 32.242,19 (fl. 282) e 26038.59490.210906.1.7.02-5998, no valor de R$ 2.019,90 (fl. 291verso). Diante das divergências entre valores do saldo negativo informado na PER/DCOMP n° 04338.42734.311003.1.3.02-5870 e na DIPJ no período de apuração de Fev/00, e o declarado em DCTF, a Recorrente foi intimada eletronicamente em 04/09/2006 (fls.283) para retificar suas declarações e/ou PER/DCOMP. A base legal utilizada na intimação foi: Artigo 6°, § 1 0, inciso II e artigo 74 da Lei no 9.430/96, com alterações posteriores dos artigos 4° e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n° 600. Em atenção à intimação a Recorrente retificou sua DIPJ/2001. Na Ficha 11, Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, no período de apuração Fevereiro/00 incluiu dedução de imposto de renda retido na fonte de R$ 67.437,23, implicando em saldo a pagar igual a "zero" (fl. 199 e 297). Na Ficha 12A, Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, reduziu o valor da dedução de imposto de renda retido na fonte de R$ 90.409,11 para R$ 21.129,52, reduzindo o saldo negativo de R$ 157.846,34 para R$ 88.566,75 (fls. 205 e 298). Persistindo inconsistência entre o valor do saldo negativo em DTPJ e no PER/DCOMP, foi emitida nova intimação eletrônica em 10/09/2007 (fl. 285), para que fossem providenciadas as adequações necessárias em D1PJ e/ou PER/DCOMP e/ou DCTF. Em face da intimação, a Recorrente formulou requerimento administrativo (fls. 01/04) acompanhado de documentos (fls. 05/277), informando que a divergência indicada pela Receita Federal do Brasil refere-se ao IRRF sobre aplicações financeiras da sociedade em conta de participação — SCP denominada DYNEA DO BRASIL, da qual é sócia ostensiva. Argumenta que referido imposto retido não pode ser informado na DIPJ por deficiência técnica do programa gerador da declaração. Afirma que, em consequência do aludido problema de ordem técnica do programa, a RFB fica impedida de ter conhecimento das retenções sofridas pela SCP no montante de R$ 22.593,51, cujos comprovantes foram emitidos com o CNPJ da Requerente, visto que a SCP não possui personalidade jurídica e do saldo negativo apurado pela SCP, que seria passível de utilização em compensações de seus débitos. Diante do fato, Documento assinado digitaiinente conforme MP n de 24/0812001 Autenticado digiialmente em 05/0 1 /2012 per GERALDO VALENTiM NETO. Assinode d:,3itatmcrite cio 13107/201 2 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado ctig - ttilnente em 25/012012 pai GEF-ALDO vAL 2 Impresso em 2110312012 por ANDREA FEiNf-dNDES GA::CIA V50:20 EM BRAt.:GO DF CARF NU; Fi. 469 Processo n° 10923.000306/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 469 requereu a homologação da compensação declarada no PER/DCOMP n° 04338.42734.311003.1.3.02-5870. Foi reconhecido o direito creditório pleiteado pela Recorrente para homologações (Ins compensações PER/DCOMP no 05708.15798.151203.1.3.02-1013, no montante de Rer; 88.566,75, oriundo do saldo negativo do IRPJ no ano calendário de 2000, exercício de 2001, relativos somente à PERTECH DO BRASIL LTDA. Por outro lado, não foram homologadas as compensações dos débitos de ti tularidade da SCP apresentados nos PER/DECOMP's n° 04338.42734.311003.1.3.02-5870 e IV 26038.59490.210906.1.7.02-5998, em face dos seguintes motivos apresentados pela Autoridade Fiscal: (i) Não há que se falar em deficiência ou falha técnica do programa gerador da DIPJ. 0 saldo negativo apurado pela SCP é controlado apenas na escrituração comercial e não deve ser informado na DIPJ, de acordo com o Manual da DIPJ/2001 que continha a seguinte instrução a respeito do Imposto de Renda a pagar por SCP: "Linha 12A/19 - Imposto de Renda a Pagar de SCP Indicar, nesta linha, o valor correspondente à soma do imposto de renda a pagar por SCP, inclusive adicional, das quais a declarante seja sócia ostensiva. 0 valor a pagar será o valor do IRPJ apurado pela SCP diminuído dos valores de imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos, dos valores mensais de imposto de renda pago sobre a base de cálculo estimada, do valor sobre parcelamento efetivamente pago de IRPJ sobre a base de cálculo estimada, e do saldo negativo de IRPJ apurado em períodos anteriores pela SCP. Essas deduções deverão ser feitas até o limite do imposto de renda apurado pela SCP. Atenção: 0 saldo negativo de imposto de renda da SCP deverá s'er controlado na escrituração comercial e não deverá ser informado na DIPJ." (ii) A compensação do saldo negativo deve ser realizada através da diminuição do valor do IRPJ apurado pela SCP em períodos subsequentes, juntamente com as demais deduções previstas, sendo certo que essas diminuições/deduções na declaração estarão sempre limitadas ao valor do IRPJ apurado pela SCP. Uma vez que o saldo negativo é controlado apenas na escrituração comercial, seu aproveitamento mediante situação distinta daquela prevista no manual da DIPJ, nas hipóteses em que admitido, deverá ser solicitado pela sócia ostensiva, em nome da SCP, por intermédio de processo administrativo de restituição, devidamente instruido com a documentação comprobatória do direito pleiteado, baseado nos seguintes dispositivos legais: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR): "Art. 148. As sociedades em conta de participação são Documento assinaoo diValmente cot vo sguiparaclasAsjegsyasjuridicas (Decreto-Lei n° 2.303, de 21 de Autenticado digitaimonle em 05/0112012 pc z' GER/LDO VALENTIV NETO, Aene10 diTtalmento em 13/02/201 2 por NELSON LOSSO F'IL1-10 A5smado ciula;merAe em 0010112012 pm GERALD01./kLEN NM NETO 3 impfesso em 2110312012 po:' ANDREA FERNANDES Gt>,RC,IA - VERSO EM BRANCO DF CARE.. MI' H. 470 Processo n° 10923.000306/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 470 novembro de 1986, art. 7°, e Decreto-Lei n° 2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3°)." 9. A Instrução Normativa n° 179/1987: "3.2 - Os resultados e o lucro real correspondentes à SCP deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros. 5. 0 lucro real da SCP será informado e tributado na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo." Dessa forma, concluiu a D. Autoridade que "a SCP não gera saldo negativo na declaração de rendimentos e, urna vez que é controlado apenas na escrituração comercial, não há como utilizá-lo em compensações eletrônicas, via sistema PER/DCOMP. Reitere-se ainda que, para fins da legislação do imposto de renda, a SCP equipara-se a pessoa jurídica. Dessa forma, não se deve confundir a figura da SCP com a pessoa jurídica da sócia ostensiva. Essa última e responsável pela informação e tributação dos resultados da SCP, mas não é a titular de seus créditos, apenas sua representante". Referida decisão teve a seguinte ementa: "Assunto: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO A PAGAR. Exercício de 2001, Ano-Calendário de 2000. Ementa: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO— SCP. CONTROLE DO SALDO NEGATIVO NA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. DIPJ. PREENCHIMENTO. 0 saldo negativo apurado pela SCP é controlado na escrituração comercial e não é informado na DIPJ. A compensação do saldo negativo deve ser realizada através da diminuição do valor do IRPJ apurado pela SCP em período subseqüente, juntamente com as demais deduções permitidas, limitada ao valor do IRPJ apurado. Nas hipóteses em que admitido, o saldo negativo originado na SCP deve ser solicitado por intermédio de processo administrativo. Para fins da legislação do imposto de renda, a SCP equipara-se à pessoa jurídica e não se confunde com a pessoa jurídica da sócia ostensiva. A sócia ostensiva é responsável pela informação e tributação dos resultados da SCP, porém não é a titular de seus créditos, apenas sua representante. Compensações Homologadas até o Limite do Direito Creditório Reconhecido. Compensações da SCP Não-Homologadas." (não grifado no original) A Recorrente foi intimada da decisão em 18/10/2008 e em 05/11/2008 apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.357/366) acompanhada de documentos (fls.367/415), alegando, em síntese, que: "a) não há qualquer vedação legal para que o pedido de restituição de saldo negativo de IRRI detido por SCP seja feito por via eletrônica (PERMCOMP), quer na Lei 9.430/96, quer na Instrução Normativa SRF 600/05; Documento assinado d•gita'mene, cut tfotmc MP tic 2.200-2 dk-? 2 ,4/29 /2001 Aute.olicado dtgitalmente. em 05101/2012 O1 GERALDO VALF..;.‘Ti.1NETO, Assirwdo 2 pot NELSON LOSSO FILHO Assim7do dtc,paIrtkgite em 0910 1/2012 por C3[1JRALDO VALENTI:VI NETO 4 Impresso em 21;03f2012 por ANDREA FERNAND'LS GARCIA -VERSO LM BRANCO DF CAR I' MI' H. 471 Processo n° 10923.000306/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 471 b) como bem consignado no despacho decisório, a Requerente é a representante da SCP e, portanto, as PER/DCOMPs formuladas pela Requerente (referente ao crédito de saldo negativo de IRPJ da SCP — vide página 2 das PER/DCOMPs) devem ser consideradas válidas para todos os fins de direito; e c) adicionalmente As PER/DCOMPs, a Requerente ainda prestou esclarecimentos e apresentou todos os documentos que demonstram a composição do saldo negativo de IRPJ detido pela SCP, sendo o crédito, portanto, incontestável." Ressalta que, independentemente da forma adotada (PER/DCOMP ou formu!drio), foi requerida a restituição do saldo negativo de IRPJ e comprovado seu direito cieditório, razão pela qual indeferir o pleito pelo simples argumento de não ter sido utilizado o formulário correto é medida deveras formalista, não podendo ser chancelada pela DRJ, em hipótese alguma, sob pena de ser seguramente rechaçada pelo Poder Judiciário. Encerra protestando pelo provimento da manifestação de inconformidade, reformando-se a decisão recorrida, para os fins de deferir a restituição do saldo negativo de IRPJ, apurado pela SCP, no ano-calendário 2000, e homologar as compensações informadas nas PER/DCOMP n's 04338.42734.311003.1.3.02-5870 e 26038.59490.210906.1.7.02-5998. Encaminhados os autos para julgamento, foi julgada improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Ano-calendário: 2000 Declaração de Compensação. Sociedade em Conta de Participação. A SCP deve apresentar a Declaração de Compensação por meio de processo administrativo. A vedação da utilização do meio eletrônico na apresentação de Declaração de Compensação por Sociedade em Conta de Participação decorre da própria lógica do sistema de processamento, passando a ser formalmente expressa a partir da versão 3.3 do programa gerador de PER/DCOMP. Declaração de Compensação. Declarante. Sujeito Passivo detentor do Crédito. A compensação de créditos e débitos originados na SCP deve ser formulada em nome da própria SCP, com o número de inscrição no CNPJ da sócia ostensiva, porque a SCP e desprovida de personalidade jurídica. A indicação, nas PER/DCOMP transmitidas, de contribuinte diferente daquele detentor do crédito não comporta a análise do direito creditó rio, não sendo possível a retificação da PER/DCOMP em sede de manifestação de inconformidade. Indeferido o direito creditório, não se hoinologam as compensações decorrentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tendo sido intimada em 11/02/2010 a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/03/2010, utilizando dos mesmos argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, ressaltando que: Documento assinado digitalmente conforme Mi' n'' 2.200-2 de 24/0012001 Autenticado digitalmente em 05/0112012 par GERALDO VALENt IM NETO, Assinado digit -.!mento ern 13!C2/201 2 por NELSON LOSSO FIL1-10. Assi:oc1c) dig:taracfn.?. or 0:50112012 pm GERALD° VALLNI- Vvi N'ETO Impresso em 21103/2012 pm ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO L51 BRANCO 5 DI' CARL' MF FL 472 Processo n° 10923.000306/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 472 (i) Inexiste vedação legal para que o pedido de restituição de saldo negativo de IRRI detido por SCP seja feito por via eletrônica (PER/DCOMP) tanto na Lei 9.430/96 quanto na Instrução Normativa SRF 600/05; pelo contrário, procedimento padrão é a utilização da PER/DCOMP, sendo que, na impossibilidade de seu uso, poderá ser apresentado pedido de restituição em formulário. Trata-se, portanto de alternativa subsidiária, e não de regra (como ocorre com a PER/DCOMP); (ii) A apresentação de formulário restringe-se às situações em que há (i) ausência de previsão da hipótese de restituição ou (ii) existência de falha no Programa que impeça a geração do pedido Eletrônico de Restituição; (iii) 0 programa PER/DCOMP, versões 1.1 e 2.2, utilizado pela Recorrente à época da formalização dos pedidos de restituição/compensação, não trazia em seu item "Ajuda" qualquer determinação para que o crédito de SCP fosse requerido por meio de processo administrativo autônomo; (iv) Não causou nenhum prejuízo ao Fisco, visto que cumpriu fielmente as regras vigentes à época da entrega do pedido de restituição; (v) A SCP é sociedade despersonificada, sendo suas obrigações assumidas pela sócia ostensiva, conforme prescrição dos artigos 991 e 993 do Código Civil e no âmbito da RFB esse ônus da sócia ostensiva ganha especial relevo, uma vez que ela é responsável pela apuração, recolhimento e cumprimento de todas as obrigações acessórias, nos termos do item 2 da Instrução Normativa 179/87; (vi) Paralelamente às obrigações, todos os créditos detidos perante a RFB (como é o caso do saldo negativo de IRPJ) devem ser requeridos pela sócia, ostensiva, e não pela SCP. Requer, por fim, o provimento do recurso voluntário, para reformar a decisão proferida pela DRJ, a fim de deferir a restituição do saldo negativo de IRPJ apurado pela SCP no ano calendário de 2000 e homologar as compensações 04338.42734.311003.1.3.02-5870 e 26038.59490.210906.1.7.02-5998. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. o relatório. Documento assinado dgitaimente corforme 2.200-2 de 24/00/2001 Autenticado digitaimente em 05101/20 1 2 per GERALDO VALENTIM VETO, Assin8do diteti norte em I 3102/201 2 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado eftl 0513112012 pot G4Drii,\LDO VALENTIM NE I O Impresso em 2110312012 por ANDREA FERNANDES GARCIA -VERSO EM BRANCO DF CART' MI' Fl. 473 Processo n° 10923.000306/2007-92 st-c2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 473 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admisibilidacio. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. I — Competência legal para formalização do pedido de restituição de crédito de SCP Primeiramente, cumpre esclarecer que as Sociedades em Conta de Participação (SCPs) não possuem personalidade jurídica, conforme se depreende dos artigos 991 e 993 do Código Civil: "Art. 991 — Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social e exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob a sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único: Obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social". "Art. 993 — 0 contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica." De acordo com referidos dispositivos, as obrigações perante terceiros são somente do sócio ostensivo e no que compete à RFB esse ônus do sócio ostensivo se refere A apuração, recolhimento e cumprimento de todas as obrigações acessórias, conforme também previsto no item 2 da Instrução Normativa SRF 179/87: "2. Compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação." Além disso, cumpre transcrever o tratamento dado As Sociedades em Conta de Participação pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): "Art. 148. As sociedades em conta de participação são equiparadas as pessoas jurídicas (Decreto-Lei n° 2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7°, e Decreto-Lei n° 2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3°)." "Art. 149. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis as pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (Decreto-Lei n° 2.303, de 1986, art. 70, parágrafo único)." Documento assinado dig talmente conforme ME' n°2.201 2 de 24/00/201 Autenticado citgitalmente em 051010012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assintdc thqdoimactc em 13;021201 2 por NELSON LOSSO HLHO. As$it)odo c:q;itolmente em 05T0 1 12 0 12 par C3ERALDO VALENTiM NET 7 Impresso em 21 103 12012 poi ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO Ervl BRANCO DF CARE' MF H. 474 Processo n° 10923.000306/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 474 "Art. 254. A escrituração das operações de sociedade em conta de participação poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios, observando-se o seguinte: I - quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à sociedade em conta de participação; II - os resultados e o lucro real correspondentes à sociedade em conta de participação deverão ser apurados e demonstrados destacadarnente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros; III - nos documentos relacionados com a atividade da sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo deverá fazer constar indicação de modo a permitir identificar sua vincula ção com a referida sociedade." "Art. 515. 0 prejuízo fiscal apurado por Sociedade em Conta de Participação - SCP somente poderá ser compensado com o lucro real decorrente da mesma SCP. Parágrafo único. É vedada a compensação de prejuízos fiscais e lucros entre duas ou nzais SCP ou entre estas e o sócio ostensivo." Como não estão sujeitas As formalidades prescritas para a formação das outras sociedades, as SCP são equiparadas As pessoas jurídicas para fins fiscais, sendo imposto a elas a apuração do resultado e do lucro real, com observância da legislação comercial e fiscal. Verifica-se, assim, que nessas sociedades somente o sócio ostensivo exerce a atividade constitutiva do objeto social e a exerce em seu nome individual e sob sua responsabilidade, enquanto os demais sócios -- denominados sócios ocultos -- obrigam-se exclusivamente perante o sócio ostensivo e participam dos resultados correspondentes. Infere-se, pois, que as obrigações perante terceiros, assim como perante o Fisco, serão assumidas pelo sócio ostensivo, justamente o que ocorreu no caso em questão. Assim, por serem sociedades desprovidas de cadastro no CNPJ, o lucro real da SCP deve ser informado e tributado na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo, responsável pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela SCP. Porém, não deve constar o saldo negativo de IRPJ apurado pela SCP, o qual tem que ser controlado na escrituração comercial, destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros, como permitido pela legislação tributária. Em atenção ao disposto na legislação, ao requerer os créditos referentes ao saldo negativo de IRPJ perante RFB, e na posição de sócia ostensiva, a Recorrente transmitiu as PER/DCOMP em seu próprio nome e CNPJ, fazendo referência A SCP na discriminação dos débitos compensados. No momento da transmissão das declarações estavam vigentes as versões 1.1 e 2.2 do programa gerador de PER/DCOMP. Nas instruções de preenchimento do programa, consta que deveria ser indicado o nome da contribuinte pessoa jurídica detentora do crédito na Document() as; pasta,t,,,`Cadastro,rt,Fic.ha Dacio5, Iniciais7,2conforme instruções abaixo: Autenticado digitalmeme em 05(01/2012 por GE:1-ZALDO VALENTIM NETO, f,ssinadc.3d1;;ita:mnto em 13/02/201 2 por NELSON LOSSO FILHO Assindo digr,almcnte cm 0001í2012 por GERALDO VALENTIM NETO 8 Impresso em 21/03/2012 por ANDREA PLR:4; 11,1\1DES GARCIA -VERSO EM BRANCO IN CARL' NW H. 475 Processo n° 10923.000306/2007-92 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 475 Versões 1.4 e 2.2: "Ficha Dados Iniciais Na ficha Dados Iniciais', presentes na pasta `Cadastro', deverão ser preenchidos os seguintes campos relativos aos dados do contribuinte em nome do qual está sendo formulado o Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, a Declaração de Compensação ou o Pedido de Cancelamento: 1 - Contribuinte pessoa jurídica: Nome empresarial: Campo no qual deverá ser informado o nome empresarial da pessoa jut-Mica em nome da qual está sendo formulado o Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, a Declaração de Compensação ou o Pedido de Cancelamento (pessoa jurídica detentora do crédito). Embora não tenha sido perfeitamente indicado pela Recorrente o sujeito passivo detentor do crédito oponível 6. Fazenda, visto que a mesma utilizou seu próprio nome e CNPJ para preenchimento das declarações, a mesma se preocupou em demonstrar que o crédito não era próprio, mas sim da Sociedade em Conta de Participação de que era sócia ostensiva, consoante fls. 5/277, além de ter comprovado a validade do seu direito creditório, sequer questionado pela autoridade, a não ser pelo aspecto formal. Sendo assim, por ser medida simplesmente formalista e principalmente pelo fato de ter sido demonstrado através dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente o direito credit6rio da SCP entendo não haver motivo para indeferimento do pedido via PER/DCOMP de restituição do saldo negativo detido pela SCP, sob possibilidade de enriquecimento sem causa do Fisco em face do administrado, conforme já decidido por este E. Conselho, in verbis: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 1997 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇA - O. Deve-se reconhecer à recorrente o efetivo direito de crédito, assim calculado com base no 1RPJ devido, subtraído da soma entre o imposto de renda retido na fonte e o total das estimativas recolhidas ao longo do ano calendário. Assunto: Contribuição Social Sobre o Lucro - CSSL Ano-calendário: 1997 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VEDA ÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. PREPONDERÂNCIA DA LEGALIDADE SOBRE 0 FORMALISMO. Deve-se reconhecer ã recorrente o efetivo direito de crédito, assim calculado com base na CSSL devida, subtraida das estimativas recolhidas ao longo do ano-calendário, ainda que se defira importância superior a requerida no formulário original, evitando-se a consagração do enriquecimento sem causa da Administração em ace do administrado a ora a acolhida e uivocada da superposição da rigidez formal, que imperaria sobre a legalidade." (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3a Camara. Turma Ordinária, Acórdão n° 10322833, Data 08/12/2006). (não grifado no original) Documento assinado dig talmente ccnfol MC Mi 1° 2.200-2 de 24/0812001 Autenticado dtgitalmente em 0 0101/202 por GERALD() VALENT1MNETO, Aoinado uiOíteimonte em 13/02/201 2 por NELSON LOSSO FILHO Assir;ado outa:rnente cm 0510112012 p0, (.1-1IT:1HALDO vALENTIM NETO Implesso ern 21;0312012 por ANDREA FERNANDES OARCiA -VERSO EM BRANCO H. 476 Processo n° 10923.000306/2007-92 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 476 II – Restituição de crédito (saldo negativo de IRPJ) detido pela SCP via PER/DCOMP Conforme informado anteriormente, entendeu o julgador de primeira instância que o saldo negativo de IRPJ detido pela SCP não poderia ser utilizado por meio de compensação eletrônica, razão pela qual estaria impedida a referida forma de compensação "por motivos unicamente operacionais", conforme orientações do Manual de Preenchimento da DIRI/200 1: "Linha I2A/19 — Imposto de Renda a Pagar de SCP Indicar, nesta linha, o valor correspondente a soma do imposto de renda a pagar por SCP, inclusive adicional, das quais a declarante seja sócia ostensiva. 0 valor a pagar será o valor do IRPJ apurado pela SCP diminuído dos valores de imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos, dos valores mensais de imposto de renda pago sobre a base de cálculo estimada, do valor sobre parcelamento efetivamente pago de IRPJ sobre a base de cálculo estimada, e do saldo negativo de IRPJ apurado em períodos anteriores pela SCP. Essas deduções deverão ser feitas até o limite do imposto de renda apurado pela SCP. Atenção: 0 saldo negativo de imposto de renda da SCP deverá ser controlado na escrituração comercial e não deverá ser informado na DIPJ." Ainda, entendeu que não seria possível a utilização do programa gerador da PER/DCOMP por inexistir previsão de análise eletrônica da escrituração da pessoa jurídica. No entendimento da D. Autoridade, a hipótese se enquadraria no artigo 76, §2°, da IN SRF 600/05, o qual prevê a escolha do formulário em detrimento â declaração por meio eletrônico. Entretanto, não concordo com o entendimento do julgador de primeira instância, visto que nos casos de restituição de crédito decorrentes de Sociedade em Conta de Participação o procedimento padrão é a utilização da PER/DCOMP, ressalvados os casos em que não é possível a utilização do programa eletrônico, caso em que poderá ser apresentado pedido de compensação em formulário, de acordo com o artigo 3°, § 10 da IN SRF 600/2005: "Art. 22 Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a titulo de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I – cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II – erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Ill – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenat6ria. Art. 32 A restituição a que se refere o art. 22 poderá ser efetuada: Doou nento assinado digl.almorte confon"e M n 2.200-2 de 241M20;) I Autenticado digitalmente cm 05/0112012 por GE.RAL50 VALENT1M NETO, Assine:.i,o 00 iEnonlc ein 13/02 1201 2 por NELSON LOSSO FILHO, Assnado diçp!,; .ilmente em 051012012 pur GERALD() VALENT ■ M NE TO Impress° em 21/0312012 par ANDREA FERNANDES GARCIA -VERSO EM BRANCO 10 CARL Ml Processo n° 10923.000306/2007-92 Acórdão n.° 1202-000.649- FL 477 S1-C2T2 Fl. 477 I — a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II — mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 12 A restituição de que trata o inciso I send requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório." (não grifado no original) De acordo com o artigo acima transcrito, a apresentação de formulários não é a regra utilizada para a compensação -- mas sim exceção --, pois restringe-se às situações em que há ausência da hipótese de restituição ou de existência de falha no Programa que impeça a geração do pedido eletrônico de restituição. Este também é o entendimento da Receita Federal, conforme manifestado na Solução de Consulta ri° 25/2007: "Restituição. PER/DCOMP. Formulário Incabível pedido de restituição de tributos por meio de formulário, salvo na impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, que se limita aos casos de ausência de previsão da hipótese de restituição ou de existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição". (não grifado no original) Tanto é exceção que só poderão ser utilizados os formulários se comprovada a impossibilidade da utilização do sistema PER/DCOMP por meio eletrônico. Veja, neste sentido, o entendimento já manifestado por este E. Conselho: "RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃ O. FOMULÁRIOS. Não estando devidamente comprovada a impossibilidade da utilização do sistema informatizado PER/DComp, não há como aceitar pedido de restituição em formulário impresso. Recurso voluntário negado." (Acórdão n° 20181403, Segundo Conselho de Contribuintes. 1 0 Camara. Turma Ordinária, Data 04/09/2008) (não grifado no original) Ademais, conforme bem demonstrado pela Recorrente, o programa PER/DCOMP utilizado pela mesma (versões 1.1 e 2.2) à época da realização dos pedidos de restituição/compensação não trazia em seu item "Ajuda" qualquer determinação em sentido contrário ao procedido pela Recorrente ou mesmo a determinação para que o crédito de SCP fosse requerido por meio de formulário administrativo, conforme se observa As f1s. 380/381. Embora não tenha sido acompanhada de fundamentação legal, a vedação de pedido de restituição de crédito de SCP, via PER/DCOMP, somente veio a constar na versão 3.3 do programa, conforme fls. 382, cuja aprovação pela RFB deu-se em 29 de junho de 2007 (IN RFB 751/07). Portanto, verifica-se que antes dessa data não havia orientação contrária no programa PER/DCOMP. Documento asstinOi.i digltaimente cornormi-t vh n° 2.200-2 241002(101 Autenticado digitalmente em 05/0112012 poi' GERALDO VAI.ENT1V NETO, 1 3 /32/201 2 por NELSON LOSSO FILHO. As.siondo 35/01/2312 rr C:iTiALDO Vr6,i EN DM NETO Impresso ern 21103/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VLR80 EV BRANCO 1 1 DF CA RI' NM' 11. 478 Processo n° 10923.000306/2007-92 s1-c2T2 Acórcliio n.° 1202-000.649- Fl. 478 Conforme se depreende da decisão recorrida, a própria DRJ reconhece que essa vedação somente foi imposta a partir da versão 3.3 do programa. Vejamos: "Tanto e assim que a vedação imposta aos casos de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ de SCP passou a constar expressamente das instruções de preenchimento constantes do programa gerador da PER/DCOMP, a partir da versão 3.3, aprovada pela IN RFB n° 751, de 29 de junho de 2007". Observa-se, assim, que a discussão se baseia unicamente quanto à formalidade no preenchimento do pedido de restituição, visto que todas as informações quanto ao crédito foram prestadas e comprovadas (fls. 5/277). Desta forma, entendo que por se basear exclusivamente em procedimento formal de preenchimento do pedido e por não ter havido qualquer prejuízo â fiscalização ou aos cofres públicos, e tendo em vista o Principio da Razoabilidade, deve ser aceito o pedido de restituição de crédito da Recorrente. Transcrevo, a esse respeito, ementa de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que reflete bem a necessidade de observância do Principio da Razoabilidade em casos de mero erro formal de preenchimento de declaração: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA .PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providencia administrativa consoante o consenso social acerca do que e usual e sensato. Razoável e conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto coin o resultado almejado. 4. À luz dessa premissa, é licito afirmar-se que a declaração efetuada de forma incorreta não equivale it ausência de informação, restando incontroverso, na instância ordinária, que o contribuinte olvidou-se em discriminar os pagamentos efetuados às pessoas físicas e às pessoas jurídicas, sem, contudo, deixar de declarar as despesas efetuadas com os aludidos pagamentos. Documento assinado dqdalnier1e corfcnne MP n" 2 200-2 de 24,100/2001 Autenticado d:gitalme;ile em 0510•11202 pr,r GERAL DO Vin, ENTIM NETO, Assily.cio (tgit7.,:moi7le em 13.021201 2 por NELSON LOSSO FILHO Assinado dig,Ialmenle cm 0b?3112012 por GERALDO VALENT:MN - ; 12 Impresso em 21/0312012 poi ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO DI CARF MI' [ 1 1. 479 Processo n° 10923.000306/2007-92 S1 -C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 479 5. Deveras, não obstante a irritualidade, não sobejou qualquer prejuízo para o Fisco, consoante reconhecido pelo mesmo, porquanto implementada a exaccio devida no seu quantum adequado. 6. Jn casu, "a conduta do autor que motivou a autuação do Fisco foi o lançamento, em sua declaração do imposto de renda, dos valores referentes aos honorários advocaticios pagos, no campo Livro-Caixa, quando o correto seria especificá-los, um a um, no campo Relação de Doações e Pagamentos Efetuados, de acordo coin o previsto no artigo 13 e parágrafos I°, a e b, e 2°, do Decreto-Lei n° 2.396/87. Da análise dos autos, verifica-se que o autor realmente lançou as despesas do ano-base de 1995, exercício 1996, no campo Livro-Caixa de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, deixou de discriminar os pagamentos efetuados a essas pessoas no campo próprio de sua Declaração de Ajuste do IRPF 101)" (fls.122/123). 7. Desta sorte, assente na instância ordinária que o erro no preenchimento da declaração não implicou na alteração da base de cálculo do imposto de renda devido pelo contribuinte, nem resultou em prejuízos aos cofres públicos, depreende-se a ausência de razoabilidade na cobrança da multa de 20%, prevista no § 2', do Decreto-Lei 2.396/87. 8. Aplicação analógica do entendimento peifilhado no seguinte precedente desta Corte: "TRIBUTÁRIO — IMPORTAÇÃO — GUIA DE IMPORTAÇÃO — ERRO DE PREENCHIMENTO E POSTERIOR CORREÇÃO — MULTA INDEVIDA. 1. A legislação tributária e rigorosa quanto à observância das obrigações acessórias, impondo multa quando o importador classifica erroneamente a mercadoria na guia própria. 2. A par da legislação sancionadora (art. 44, I, da Lei 9.430/96 e art. 526, II, do Decreto 91.030/85), a própria receita preconiza a dispensa da multa, quando não tenha havido intenção de lesar o Fisco, estando a mercadoria corretamente descrita, com o só equivoco de sua classificação (Atos Declaratórios Normativos Cosit Vs 10 e 12 de 1997). 3. Recurso especial improvido." (REsp 660682/PE, Relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ de 10.05.2006) 9. Recurso especial provido, invertendo-se os 'onus sucumbenciais. (REsp 728999/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/09/2006, DJ 26/10/2006, p. 229) (não grifado no original) Vejam que este também é o entendimento deste E. Conselho, conforme pode se verificar da leitura do Acórdão a seguir transcrito, que muito bem elucida a questão, aplicando-se integralmente ao caso sob análise: Documento assinado digilalmenle confolne td7 n" 2.200-2 de 24C0/2001 Autenticado dgitalme,ntre, em 05;01120:2 por GERALD() VAI_EN TIM NETO, Assilv,do di:;,itairnont orn 13/02/201 2 por NELSON LOSSO FILHO, Assinod3 on 05101/2012 por GENALDo VALENTIM NETO 13 Impress° em 21103/2012 poi ANDREA FERNANDES GARCIA -VERSO EM BRANCO DE CARE MI' FL 480 Processo n° 10923.000306/2007-92 S1 -C2T2 Acórdão n.° 1202-000.649- Fl. 480 RESSARCIMENTO. DIREITO RECONHECIDO. LIQUIDEZ DO CRÉDITO QUE RETROAGE À DATA DO PEDIDO. Por sua natureza declaratória, os efeitos do reconhecimento do direito de crédito remontamà data do pedido de ressarcimento, significando dizer que os créditos devem ser considerados líquidos desde o momento do pedido. COMPENSACA O. FORMALIDADES. RAZOABILIDADE. Validade da compensaciio procedida por meio de DCTF, ante a evidencia de que houve confusão do contribuinte quanto ao manejo dos instrumentos formais, sem que com isso tenha acarretado posterga cão, redução ou falta de recolhimento de tributo devido , nem prejuízo à fiscalização. Na época, o preenchimento da DCTF permitia o detalhamento das "compensações sem Dail", devendo-se reconhecer a validade da compensação quando foram apresentadas informações detalhadas quanto a origem dos créditos, inclusive com a indicação do processo administrativo de restituição e com perfeito encontro de valores com os débitos declarados. Recurso provido." (Segundo Conselho de Contribuintes. 2a Câmara. Turma Ordinária, Acórdão n° 20218358, Data 21/09/2007) (não grifado no original) Portanto, como a Recorrente comprovou o tudo quanto alegado e como época dos fatos não havia nada que a impedisse de apresentar o pedido via PER/DCOMP, deve- se reconhecer a validade do pedido formulado via PER/DCOMP da restituição do crédito detido pela SCP, a exemplo do que já definiu este E. Conselho (Acórdão n°20218358, de 21/9/2007), retomando os autos à repartição de origem para verificação do crédito detido pela SCP (compensações 04338.42734.311003.1.3.02-5870 e 26038.59490.210906.1.7.02.5998), haja vista que não compete a este órgão julgador o controle do crédito tributário mas apenas a apreciação da lide. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto DOCLEITIONO assinado digidimente, coniomie MP n 2.200 2 de 24 /06 /2001 Autenticado digilamenle em 05101/2012 pc,:- GERALD() ',/ALENTILI NETO, Assigi,q10 (1;10,almente em 13:021201 2 por NELSON LOSSO FOLHO. Assinado cliti,iairnente ern 0570112012 por GERALDO VAL ENT:F:4 NETO Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIr\ -VERSO EM eRANCO 14
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Numero do processo: 10950.003409/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008
APURAÇÃO FISCAL COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA E NA ESCRITA CONTÁBIL. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se caracteriza o arbitramento das contribuições sociais quando a apuração fiscal se dá com esteio em documentos de pagamento de remuneração e na escrita contábil.
COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o Fisco mencionou toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da
Auditoria.
APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESE PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.956
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de nulidade e por indeferir os pedidos para realização perícia técnica e análise contábil; II) por maioria de votos declarara a decadência até a competência 06/2004, vencida a
conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhia a decadência; e III) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o arbitramento das contribuições sociais quando a apuração fiscal se dá com esteio em documentos de pagamento de remuneração e na escrita contábil. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco mencionou toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESE PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de nulidade e por indeferir os pedidos para realização perícia técnica e análise contábil; II) por maioria de votos declarara a decadência até a competência 06/2004, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhia a decadência; e III) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003409/200949 Acórdão n.º 240101.956 S2C4T1 Fl. 227 3 Relatório O lançamento Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.194.8878 lavrado em nome do contribuinte acima identificado, cujo valor consolidado em 13/07/2009, assumiu o montante de R$ 158.679,25 (cento e cinqüenta e oito mil e seiscentos e setenta e nove reais e vinte e cinco centavos). O crédito contempla as contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), as quais, segundo o Relatório Fiscal, fls. 121/132, não foram declaras em GFIP até o início da ação fiscal. De acordo com o relato do Fisco, durante a ação fiscal, pela análise das folhas de pagamento, recibos de pagamento de salário, rescisões contratuais e recibos de férias, apresentados pela Instituição, verificouse claramente que a empresa elaborava duas folhas de pagamento, a primeira chamada de Folha (1), tinha seus valores contabilizados, já a outra denominada de Folha (2), não vinha sendo contabilizada, inclusive recibos de pagamentos de salários (2), rescisões (2) e recibos de férias (2), diante disso, tomouse como fato gerador das contribuições lançadas: a) pagamento aos segurados empregados, das remunerações destacadas em Folhas de Pagamento (2), Recibos de Pagamento de Salários (2), Rescisão Contratual (2) e Recibos de Férias (2), cujos valores não foram registradas contabilmente; b) pagamento aos segurados empregados das remunerações destacadas no mês de 12/2007 da Folha de Pagamento (1); c) pagamento aos contribuintes individuais pelos serviços prestados de fretes, destacados em Recibos de Pagamentos a contribuintes individuais (autônomos) e nos registros contábeis contidos nos Livros Diário de n° 6,7,8 e 9, nas contas de despesa, (32104001 — Fretes e carretos) e (32204009 — Serviços prestados por terceiros). Continuando, a Auditoria assevera que para apuração das contribuições devidas foram utilizados os seguintes levantamento (itens de apuração): a) FFL — REMUNER SEG EMPREG FL EXTRA 2 — corresponde ás contribuições patronais destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados constantes Folha (2), recibos pagamento salários (2), rescisão (2), recibos de férias (2), NÃO DECLARADAS EM GFIP E NÃO REGISTRADAS CONTABILMENTE; b) FP — SEG EMPREGADO FOLHA 1 — corresponde às contribuições patronais destinadas a outras entidades e fundo, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados constantes da Folha (1), NÃO DECLARADAS EM GFIP; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 c) FPF — FRETE PESSOA FÍSICA — corresponde às contribuições patronais destinadas a outras entidades, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuas por serviços de fretes, NÃO DECLARADOS EM GFIP; e d) Z3 REMUNER SEG EMPREG FL EXTRA 2 — corresponde ás contribuições patronais destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados constantes Folha (2), recibos pagamento salários (2), rescisão (2), recibos de férias (2), NÃO DECLARADAS EM GFIP E NÃO REGISTRADAS CONTABILMENTE. Informase ainda que, para a apuração dos créditos previdenciários foram tomados por base, os valores constantes nas FOLHAS DE PAGAMENTO (1), FOLHAS DE PAGAMENTO (2)RECIBOS DE PAGAMENTO DE SALÁRIO (2), RESCISÃO (2). RECIBOS DE FÉRIAS ,(2). E RECIBOS DE PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (AUTÔNOMOS), por serviços de fretes, além dos registros contábeis. A impugnação Cientificada da NFLD em 27/07/2009, fl. 01, a empresa ofertou impugnação, fls. 134/151, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/06/2004; b) embora o Fisco afirme que havia folhas de pagamento não contabilizadas, não trouxe ao processo prova contundente dessa alegação, sendo descabido o arbitramento do tributo; c) disponibilizou à Auditoria toda a contabilidade, causandolhe estranheza a acusação de que remunerações haviam sido omitidas da GFIP; d) também efetuou a declaração e o recolhimento de todas as contribuições decorrentes de pagamentos efetuados a contribuintes individuais, não havendo multa a ser cobrada, em face da inexistência de qualquer irregularidade; e) a multa aplicada, no patamar de quarenta por cento ou setenta e cinco por cento, é confiscatória; f) também assumem caráter de confisco os juros aplicados ao crédito lançado; g) o Fisco é que tem o dever de provar suas alegações, não sendo lícito querer que o contribuinte venha a produzir provas em seu favor; h) devem ser compensados todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte; i) para se chegar a uma conclusão segura sobre a contenda, fazse necessária à realização de prova pericial, pelo que indica o assistente da perícia e formula os quesitos. Ao final, requer a utilização de todos os meios de prova em direito admitidas e a concessão de prazo para que possa apresentar considerações sobre a documentação acostada pela Auditoria. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003409/200949 Acórdão n.º 240101.956 S2C4T1 Fl. 228 5 A decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento DRJ em Curitiba (PR) declarou, fls. 192/199, procedente o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 AIOP 37.194.8878 DECADÊNCIA. Havendo início de pagamento das contribuições, aplicase ao caso a disposição do §4°, do art. 150 do CTN, de maneira que os valores apurados em período decaído devem ser excluídos do lançamento. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA NOS AUTOS Não havendo apuração da base de cálculo por meio de arbitramento, resta impertinente a argumentação da defesa relativa a matéria inexistente nos autos. MULTA. INAPLICABILIDADE ANTE A AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO A constatação da existência de crédito tributário devido e não recolhido pelo sujeito passivo configura ilícito tributário que sujeita o infrator à aplicação de multa pecuniária nos termos da legislação de regência. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO PAGAMENTO A apuração da aplicabilidade da regra do artigo 106, II, c do CTN às multas de que trata a lei 8.212/91 só pode ser feita no momento do efetivo pagamento dos tributos exigidos. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. MEIOS DE PROVA. Todos os meios de prova admitidos em direito são cabíveis e aceitáveis no Processo Administrativo Fiscal, havendo apenas que se observar as regras do Decreto n° 70.235, de 1972 quanto ao momento de sua apresentação ou formalidade para sua produção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O recurso Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 206/223, no qual repetiu os mesmos argumentos apresentados na defesa, a exceção da alegação relativa à decadência. Requerendo ao final, que: a) seja decretada a nulidade do feito, em razão do patente cerceamento ao seu direito de defesa, devendo ser oportunizada nova fase contenciosa, para que possa comprovar a sua idoneidade financeira e fiscal; b) caso não se entenda pela nulidade, que os autos retornem à primeira instância para realização de prova pericial; c) cancelese o Auto de Infração, posto que nenhuma irregularidade existiu; d) cancelese a multa aplicada posto que a mesma, da forma como foi fixada, fere princípios do Direito Tributário; e) cancelese a multa, pelo fato de não ter havido inadimplência; f) caso não se entenda dessa forma, que a multa no patamar de 75% seja minorada. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003409/200949 Acórdão n.º 240101.956 S2C4T1 Fl. 229 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Arbitramento Como bem asseverou o órgão recorrido, a manifestação da recorrente contra a suposta apuração do crédito por arbitramento é descabida. Os autos revelam que inexistiu na espécie esse procedimento, posto que o Relatório Fiscal é enfático ao afirmar que as contribuições foram calculadas com base na documentação apresentada pelo sujeito passivo, mormente folhas e recibos de pagamento, além de lançamentos contábeis. Concluindo que esse argumento recursal está totalmente dissociado da realidade dos autos, não devo acolhêlo. Da não comprovação da ocorrência dos fatos geradores e da inversão do ônus da prova A Auditoria mencionou no seu relato a análise de farta documentação, que engloba folhas de pagamento, recibos de salário, rescisões, demonstrativos contábeis e outros. Tal providência atesta a preocupação da Autoridade Fiscal de apresentar no processo todos os elementos que serviram de base para sua apuração. Nesse sentido, não vejo como acolher a alegação da recorrente de que não teria o Fisco demonstrado a contento a ocorrência dos fatos geradores. Ainda mais quando se percebe que o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse vir em socorro de suas ponderações, mantendose no campo das argumentações desprovidas de elementos comprobatórios. Outro aspecto do recurso que tem vinculação com o anteriormente apontado diz respeito ao argumento de que não seria lícito ao Fisco impor ao sujeito passivo a inversão do onus probandi. Devo repelir essa tese. É que todas as afirmações da Auditoria estão baseadas em documentos exibidos pela própria autuada, não se verificando na espécie distribuição do ônus de provar ao sujeito passivo. Caberia a esse apenas comprovar suas alegações, o que efetivamente não o fez. Cerceamento ao direito de defesa Do item precedente já se tem uma idéia da improcedência do argumento de que o lançamento deveria ser declarado nulo em razão do prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam, como já afirmei alhures os fatos geradores estão claramente exposto no relato do Fisco. Vejo que a lavratura fiscal e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Vejase que o fisco indica a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Da multa e dos juros aplicados Do Discriminativo Sintético do Débito DSD, fls. 14/19, verificase que não se utilizou o percentual de 75% para fixação da multa, que foi aplicada em 24%, conforme previa o art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, cujo patamar é inferior ao atualmente previsto no art. 35A da mesma Lei (75%). Quanto ao caráter confiscatório da multa e da inconstitucionalidade da taxa SELIC, para enfrentar essas questões é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003409/200949 Acórdão n.º 240101.956 S2C4T1 Fl. 230 9 Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Dito isso, sintome à vontade para concluir que não devem ser acatados os pedidos de redução da multa aplicada, bem como exclusão da taxa SELIC do lançamento. Da compensação dos créditos do contribuinte Embora alegue o Fisco deixou de compensar na apuração do crédito recolhimentos que houvera efetuado, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação do fato. Digo mais, nos termos do Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados, fls. 30/42, está a demonstrar que todas as guias de recolhimento recolhidas em nome da empresa foram devidamente aproveitadas, não tendo o sujeito passivo trazido outros documentos que pudessem demonstrar a existência dos créditos alegados. Diante disso, não vejo como acatar o pedido de compensação formulado no recurso. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela existência do crédito apurado. Realização de análise contábil Requer o contribuinte que lhe seja concedido prazo para a realização de análise contábil acerca das afirmações do Fisco. Não vejo como acolher esse o pleito. A fiscalização teve como base os documentos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, que teve todo o prazo de defesa para detectar qualquer incorreção no trabalho de apuração fiscal. Todavia, nada foi apresentado naquela fase processual. Sobre esse tema, o Decreto n. 70.235/1972 determina que os inconformismos do contribuinte contra a exigência fiscal devem ser apresentados por ocasião da impugnação, junto a qual também serão juntados os elementos de prova. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003409/200949 Acórdão n.º 240101.956 S2C4T1 Fl. 231 11 § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Em obediência a esse comando, deveria o sujeito passivo ter exposto na sua impugnação as possíveis falhas detectadas na apuração fiscal, todavia, não foi adotada a providência. Vejo que agora também no recurso nada é apresentado de concreto, reprisandose a alegação da defesa, portanto, também afasto esse pedido, por entender que o momento processual já não mais permite a juntada de análise contábil ou de qualquer outro documento que não se enquadre nas hipóteses do § 4.º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972 Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por reconhecer a decadência para as contribuições lançadas no período de 01 a 06/2004, por afastar a preliminar de nulidade, por indeferir os pedidos para realização perícia técnica e análise contábil e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 11853.001186/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005
Ementa: ARBITRAMENTO. RAZOABILIDADE DO CRITÉRIO ADOTADO.
Não se pode confundir lançamento por arbitramento, com lançamento
arbitrário. O lançamento arbitrário é aquele que foge ao razoável, sendo desproporcional. No presente caso, o lançamento foi realizado por arbitramento pelo fato de o contribuinte ter sido omisso na apresentação de documentos. O comportamento da fiscalização está perfeitamente compatível com o disposto no art. 33, parágrafo 3º da Lei n° 8.212 de 1991, bem como no art. 148 do CTN.
REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.101
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente S/A CORREIO BRAZILIENSE Recorrida SRPSECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 Ementa: ARBITRAMENTO. RAZOABILIDADE DO CRITÉRIO ADOTADO. Não se pode confundir lançamento por arbitramento, com lançamento arbitrário. O lançamento arbitrário é aquele que foge ao razoável, sendo desproporcional. No presente caso, o lançamento foi realizado por arbitramento pelo fato de o contribuinte ter sido omisso na apresentação de documentos. O comportamento da fiscalização está perfeitamente compatível com o disposto no art. 33, parágrafo 3º da Lei n ° 8.212 de 1991, bem como no art. 148 do CTN. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.001186/200784 Acórdão n.º 230201.101 S2C3T2 Fl. 401 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa e dos segurados, bem como a destinada a Terceiros. O período do presente levantamento abrange as competências agosto de 2002 a dezembro de 2005, fls. 52 a 60. Referese ao pagamento a segurados por meio de cartão premiação, cujos valores eram depositados para os segurados por meio da sociedade empresária Incentive House S.A. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela autuada, fls. 145 a 162. A Delegacia da Receita Previdenciária em Brasília proferiu decisão confirmando a procedência do lançamento fiscal, fls. 175 a 187. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 189 a 212. Em síntese, a recorrente alega o seguinte: 1. Não poderia ser aplicado o arbitramento; 2. Não houve a individualização de cada segurado; 3. O contribuinte forneceu toda a documentação adequada; 4. Foi irregular o cálculo do rateio das notas fiscais entre os FPAS 566 e 507; 5. Não restou comprovado o recebimento da remuneração pelos segurados; 6. Há empregados que já recolhem sobre o limite máximo do saláriodecontribuição; 7. Os valores não caracterizam remuneração; 8. Os pagamentos referemse à parcelas eventuais; 9. Fica caracterizada a distribuição de lucros na forma da Lei n 10.101; 10. O indeferimento da produção de provas cerceou o direito de defesa do contribuinte; 11. Deve ser realizada a perícia; 12. Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 397. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: A presente NFLD possui todos os elementos necessários e suficientes para que seja proferida a decisão de mérito; portanto não entendo que haja relação de prejudicialidade com outras notificações ou autos de infração. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o arbitramento encontra amparo legal e fático. No relatório fiscal foi afirmado expressamente que não foram apresentadas todas as informações relativas ao período fiscalizado (parágrafos 15 a 18 do relatório fiscal à fl. 56), e assim a fiscalização utilizou como remuneração, de forma indireta, os valores constantes em notas fiscais. Não se pode confundir lançamento por arbitramento, com lançamento arbitrário. O lançamento arbitrário é aquele que foge ao razoável, sendo desproporcional. No presente caso, o lançamento foi realizado por arbitramento pelo fato de o contribuinte ter sido omisso na apresentação da relação de segurados. Diante da omissão, o Auditor utilizou como base os valores que serviram de base ao pagamento da interposta pessoa jurídica, portanto critérios razoáveis e verossímeis. O comportamento da fiscalização está perfeitamente compatível com o disposto no art. 33, parágrafo 3º da Lei n ° 8.212 de 1991, bem como no art. 148 do CTN. Pelo exposto, ao contrário do afirmado pela recorrente, não foi ilegítimo e nem ilegal o procedimento para realizar o arbitramento. Não houve individualização dos segurados empregados, pois o presente lançamento foi realizado por aferição indireta, conforme previsto no art. 33, parágrafo 3º da Lei n º 8.212 de 1991; justamente pelo fato de a empresa não ter apresentado à fiscalização as folhas de pagamento relativas à remuneração por meio da Incentive House, conforme relatório fiscal à fl. 56. Ao contratar segurados, a empresa é obrigada a individualizálos em folhas de pagamentos com as correspondentes remunerações, incluindo parcelas integrante e não integrantes. Uma vez que a empresa não fez tal individualização que lhe era exigido, não foi possível à fiscalização previdenciária ter acesso a tal informação quando da ação na recorrente, desse modo teve que aferir os valores. Em relação à contribuição devida pelos próprios segurados há o limite máximo do RGPS; entretanto pela impossibilidade de identificação dos segurados com a correspondente remuneração, em função da omissão na apresentação de folhas de pagamento, e considerando a inversão do ônus probatório, caberia à recorrente demonstrar que os segurados já haviam recolhido sobre o limite máximo do saláriodecontribuição. Mesmo quando a empresa não efetua os referidos descontos a responsabilidade, perante a Previdência Social, sempre será do empregador, conforme previsto no art. 33, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.001186/200784 Acórdão n.º 230201.101 S2C3T2 Fl. 402 5 Art. 33 (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nos documentos juntados aos autos. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nas notas fiscais de serviços. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que o lançamento é arbitrário, pois não teria ocorrido recusa ou sonegação de documentos ou informações. No relatório fiscal, fls. 52 a 60, foi afirmado expressamente que não foi apresentada a relação de beneficiários concernentes às notas fiscais, e assim a fiscalização utilizou como remuneração, de forma indireta, o valor total da nota fiscal. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o contribuinte não forneceu toda a documentação adequada. Uma vez que a aferição indireta foi regular, não há razão à recorrente ao afirmar que teria sido irregular o cálculo do rateio das notas fiscais entre os FPAS 566 e 507. O ponto controverso, relativo ao mérito, reside na incidência ou não de contribuições sobre os valores pagos aos segurados, por meio da utilização da sociedade empresária Incentive House S.A. Para o deslinde da questão é imprescindível a análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) O argumento recursal de que não foi comprovado o recebimento da remuneração pelos segurados é irrelevante, haja vista o fato gerador ser a remuneração paga, devida ou creditada. Somente o fato de a remuneração ser devida aos segurados, o que restou configurado por meio dos lançamentos contábeis, já é suficiente para sustentar o lançamento. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, como alega a recorrente, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins do conceito salarial. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência de contribuições previdenciárias somente é relevante quando a parcela paga não for em dinheiro. O dinheiro é a ferramenta de troca universal, e logicamente por meio de tal recurso, o beneficiário conseguirá satisfazer as suas necessidades básicas; conforme a disponibilidade financeira escolherá o bem que lhe convier. Por sua vez, quanto ao argumento de que o pagamento deuse para execução do trabalho e não pela execução; também não assiste razão à recorrente. O pagamento para o trabalho não acarreta um rendimento para o trabalhador, um ganho ou uma vantagem para o mesmo. São valores despendidos pelo empregador e utilizados pelo trabalhador como imprescindíveis para a realização do trabalho. Não há provas nos autos da alegação da recorrente de que os valores foram pagos para que o trabalho fosse possível. Pelo contrário, há provas de que os segurados receberam os valores, obtendo assim um ganho econômico, uma Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.001186/200784 Acórdão n.º 230201.101 S2C3T2 Fl. 403 7 vantagem financeira, em função de serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. Quanto à argumentação de que o pagamento é desatrelado ao cumprimento de qualquer condição imposta pela recorrente; o que afastaria a natureza salarial do prêmio; não confiro razão à recorrente. O critério que a sociedade empresária utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam por atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o saláriodecontribuição. Agora, caso a empresa tenha pago os valores sem observar as condições, tais verbas não deixam de ter natureza remuneratória, passando a ser indenizatória. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a mesma remunerou ou não o trabalho realizado. No presente caso, estou convencido, a partir das provas colacionadas, de que a verba foi paga pelo trabalho. No presente caso, não resta dúvida que houve prestação de serviços à sociedade empresária pelos segurados, e os valores pagos pela prestação de serviços estão no campo de incidência tributária, por remunerarem tal serviço. Uma vez que a notificada remunerou segurados, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. O fato de os valores serem repassados a uma interposta empresa, no caso a Incentive House S.A., não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais juntadas pela fiscalização; a Incentive House simplesmente cumpria as determinações da recorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos segurados, bem como a relação nominal dos mesmos. Os valores percebidos pelos segurados surgiram em função do vínculo com a recorrente e não de vinculação com a Incentive House. Ao contrário do afirmado pela recorrente a parcela paga não se caracteriza como distribuição de lucros na forma da Lei n 10.101. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.001186/200784 Acórdão n.º 230201.101 S2C3T2 Fl. 404 9 § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. A parcela paga pela recorrente não se encaixa nos dispositivos legais, não há participação das entidades sindicais, não há sequer um plano de participação. Se não há previsão no instrumento de negociação, tanto os valores, como a forma de avaliação dos trabalhadores serão definidos por ato unilateral do empregador, o que vai de encontro ao objetivo instituído pelo legislador. No instrumento de negociação, por exigência legal, o trabalhador tem que conhecer quanto irá receber, o que terá que fazer para receber, como irá receber, quanto receberá. Em resumo, essas seriam as regras subjetivas e objetivas, devendo os trabalhadores participarem da fixação dos critérios. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamentava o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.001186/200784 Acórdão n.º 230201.101 S2C3T2 Fl. 405 11 A necessidade de o requerimento da perícia ter que constar na peça de impugnação não fere a ampla defesa, pois no processo judicial, rito sumário, os quesitos da perícia tem que constar na petição inicial, bem como na contestação. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória suficiente para sustentar o lançamento já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13909.000091/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS (CAFÉ) ADQUIRIDOS DE
PESSOAS FÍSICAS.
Em razão do art. 32, § 5º da MP nº 66, de 2002, ter sido vetado quando de sua
conversão na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (DOU 31/12/2002),
não é possível o aproveitamento de créditos relativos às aquisições de
produtos rurais de produtores rurais pessoas físicas, em razão de ausência de
previsão legal.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-00.938
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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INSUMOS (CAFÉ) ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Em razão do art. 32, § 5º da MP nº 66, de 2002, ter sido vetado quando de sua conversão na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (DOU 31/12/2002), não é possível o aproveitamento de créditos relativos às aquisições de produtos rurais de produtores rurais pessoas físicas, em razão de ausência de previsão legal. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 15/06/2011 Fl. 127DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fabio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls. 95/96), que não reconheceu o direito de crédito relativo à contribuição ao PIS nãocumulativa do período de apuração de 01/12/2002 a 31/12/2002 (4º trimestre de 2002), decorrente da a aquisição de café em grãos de produtores rurais pessoas físicas, conforme depreendese da ementa a seguir transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS (CAFÉ) ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Para o mês de dezembro de 2002, inexistia previsão legal para o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas produtores rurais. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando incabível qualquer discussão na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Ressalta a decisão recorrida, que consta do Contrato Social da empresa e Alterações, a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebeneficio de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros. Constando ainda a informação no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios" A Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que dispôs sobre a não cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), trazia em seu art. 3º, in verbis: "Art.32. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4..8 a 11. e nos códigos 0504. 00. 07.10. 07.12 a Fl. 128DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO Processo nº 13909.000091/200786 Acórdão n.º 330100.938 S3C3T1 Fl. 102 3 07.14. 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep. devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta. adquiridos. no mesmo período. de pessoas físicas residentes no País." Contudo, referido dispositivo foi vetado quando da conversão da MP nº 66 na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Logo, a contribuinte somente poderia utilizar créditos do PIS inerentes aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País. Em relação à aquisição de pessoas físicas não havia previsão legal à época, ou seja, em dezembro de 2002. Somente quando da edição da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, houve a reintrodução de idêntico dispositivo, autorizando o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas nas condições estabelecidos em seu art. 25, § 10, a partir de 1° de fevereiro de 2003, nos seguintes termos: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Confome preconizam os textos acima transcritos, a contribuinte somente poderia utilizar créditos do PIS inerentes aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País. Em relação à aquisição de pessoas físicas não havia previsão legal à época, ou seja, em dezembro de 2002. Cabe lembrar que o aproveitamento dos créditos de bens (café cru) adquiridos de pessoas físicas produtores rurais, citada pela interessada, somente se tornou possível com o advento da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (conversão da Medida Provisória nº 107, de 10 de fevereiro de 2003), cujos efeitos do art. 25 passaram a Fl. 129DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO 4 viger a partir de 01/02/2003, nos termos do art. 29, e observando as condições ali estabelecidos. Cientificada em 31/05/2010 (AR, fl. 86), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 87/99, em 08/06/2010, alegando, em síntese, que a não cumulatividade como princípio constitucional tem: por objetivo garantir ao contribuinte o direito de compensar o montante pago a titulo de impostos ou contribuições relativo às operações anteriores e, por fonte, a ciência econômica, sendo vedado à lei ordinária alterálo, sem permissão da própria Constituição Federal. Ressalta que mesmo antes da edição da Lei no. 10.637/02 já havia a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas, diante do disposto no § 5°. do art. 3°. da Medida Provisória nº 66, de 29/08/02, que instituiu a cobrança da contribuição para o PIS não cumulativo. Entretanto, em que pese a Lei 10.637/02 não ter trazido em seu bojo as disposições constantes do art. 3°. § 5°. Da MP 66/02, a Lei no. 10.684, de 30/05/03, assim o fez, da seguinte forma: "Art. 25. A Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5°A e com as seguintes alterações dos arts. 1°, 3°, 8°, 11 e 29: "Art. 3°. .... § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." Portanto, restabelecido o direito, ficou expressa a possibilidade da Recorrente em deduzir da Contribuição para o PIS o crédito presumido, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas, porquanto as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, ou seja, se beneficiar do crédito presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Fl. 130DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO Processo nº 13909.000091/200786 Acórdão n.º 330100.938 S3C3T1 Fl. 103 5 O recurso é tempestivo e revestido das demais condições necessárias à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O cerne da questão diz respeito em saber se a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que dispôs sobre a não cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), que trazia em seu art. 3º, a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas, efetivamente vigorou em dezembro de 2002, in verbis: "Art.32. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4..8 a 11. e nos códigos 0504. 00. 07.10. 07.12 a 07.14. 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul destinados à alimentação humana ou animal. poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep. devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput adquiridos no mesmo período de pessoas físicas residentes no País."(grifado) Em razão do dispositivo ter sido vetado, quando da conversão da MP nº 66 na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, não há como aproveitar os supostos créditos relativo às aquisições de produtores rurais, pessoas físicas, no período de 01/12/2002 a 30/12/2002 (DOU 31/12/2002). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 131DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003956/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO.
PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso
voluntário que não tenham sido suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.743
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não tenham sido suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório O lançamento em questão diz respeito ao Auto de Infração – AI n. 37.191.1249, no qual são apuradas a contribuição patronal para a Seguridade Social incidente sobre a remuneração paga aos segurados que executaram obra de construção civil de propriedade da empresa autuada. O crédito, com data de consolidação em 17/10/2008, assumiu o montante de R$ 12. 373,98 (doze mil, trezentos e setenta e três reais e noventa e oito centavos). De acordo com o relato do Fisco, fls. 44/48, foi constatado mediante a análise da contabilidade a existência de lançamentos relativos à obra de construção civil não matriculada no INSS. Diante desse fato, a autuada foi intimada, por duas vezes, a apresentar a documentação relacionada à referida obra de construção, tendo apresentado somente os projetos da mesma. Isso levou a Auditoria a lavrar os AIs n°. 37.191.1184 e n°. 37.191.1109; o primeiro por não apresentar todos os documentos solicitados; o segundo por deixar de matricular a obra no Cadastro Específico do INSS — CEI. Diante da omissão da empresa de apresentar os elementos solicitados, a base de cálculo das contribuições foi obtida mediante aferição indireta da mãodeobra, proporcional à área construída (720,80 m2) e ao padrão da obra, conforme as tabela regionais do CUB — Custo Unitário Básico. A empresa apresentou defesa, fls. 59/88, na qual alegou, em síntese: a) a inconstitucionalidade da multa de 150%, aplicada no Auto de Infração em lide, por ter caráter confiscatório e malferir o disposto no art. 150, inciso IV, da Lei Maior; b) a ilegalidade da SELIC, pelo caráter remuneratório e não moratório, o que atropela o disposto no art. 161, § 1°.do Código Tributário Nacional (CTN) e afronta à Constituição; c) a improcedência das tributações reflexas — PIS, COFINS e CSLL, referindose a pareceres no âmbito da SRF sobre a matéria, concluindo por dizer que, mantidas as tributações reflexas (PIS, COFINS e CSLL), o julgador deverá proceder de acordo com o disposto no art. 48 da Lei n°. 9430/96; d) que o fisco não constatou nenhuma omissão de receita, o que, no seu entendimento, prova e comprova a fragilidade e inconsistência do dolo imputado à impugnante; e) que houve ilegalidade na exclusão da empresa do SIMPLES, argumentando, em síntese, que este fere a legislação de regência, tanto na inadequação do ato, quanto aos efeitos retroativos; f) que a afirmação quanto à existência de sócio participando com mais de 10% do capital social de outra empresa, o que ultrapassaria o limite estabelecido em lei, é uma inverdade; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13971.003956/200893 Acórdão n.º 240101.743 S2C4T1 Fl. 123 3 g) que o Dr. Ari Salésio Brasil é procurador da empresa e não se enquadra na condição de "interposta pessoa". h) que a multa aplicada no patamar de 150% fere o princípio da proporcionalidade; i) que inexistiu nos autos à caracterização do grupo econômico; j) que não restou comprovada a ação dolosa dos sócios, ou que os mesmos pudessem ter a intenção deliberada de formar um grupo econômico; k) a prescrição do débito; Por fim, requereu a nulidade dos lançamentos tributários, o reconhecimento da prescrição e o afastamento da caracterização de "grupo econômico". A DRJ em Florianópolis declarou procedente o lançamento, fls. 100/103. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 107/110, no qual, após relato dos fatos verificados no presente processo, insurgese unicamente contra o enquadramento da obra, efetuado pelo Fisco para obter por aferição indireta a remuneração envolvida na obra de construção civil. Alega que, a obra por ser um galpão com estrutura prémoldada deveria ter sido enquadrado no “tipo” 12 e não no “tipo” 11 como fez a Auditoria. Ao final, pede o crédito seja recalculado, conforme o correto enquadramento da obra. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso não merece conhecimento, conforme veremos. Inicialmente há de se ter em conta que na impugnação a empresa não contesta a ocorrência dos fatos geradores, atacando apenas outros aspectos do lançamento, alguns até impertinentes, haja vista não guardarem relação sequer o com o tributo lançado, quando se reporta tributação reflexa. Também no recurso não se contestou a ocorrência da prestação de serviço na obra de construção civil, pelo contrário, reforçouse esse fato com a juntada de documentos relativos à obra. Pude observar que a decisão recorrida enfrentou todos os pontos trazidos na impugnação. No recurso empresa inova totalmente seus argumentos, ou melhor, apresenta alegação única, contestando o enquadramento da obra efetuado pelo Fisco com vistas a apurar indiretamente a remuneração relativa à execução da obra de construção civil. Nos termos da legislação processual tributária, esse argumento recursal se encontra fulminado pela preclusão, uma vez que não foi suscitado por ocasião da apresentação da defesa, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação Assim, voto pelo não provimento do recurso, em face da preclusão processual. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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