Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13116.000970/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2006
Ementa: RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES.
FORMULAÇÃO DE PEDIDO. REQUISITO ESSENCIAL.
De acordo com o previsto no art. 55 da Lei n 8.212 (na redação vigente à data do pedido) é necessário que a entidade, entre outros requisitos, formulasse o requerimento junto ao INSS.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
Numero da decisão: 2302-001.808
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2006 Ementa: RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. FORMULAÇÃO DE PEDIDO. REQUISITO ESSENCIAL. De acordo com o previsto no art. 55 da Lei n 8.212 (na redação vigente à data do pedido) é necessário que a entidade, entre outros requisitos, formulasse o requerimento junto ao INSS. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13116.000970/2007-34
conteudo_id_s : 5239756
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.808
nome_arquivo_s : Decisao_13116000970200734.pdf
nome_relator_s : MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13116000970200734_5239756.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4601946
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575958806528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 152 1 151 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.000970/200734 Recurso nº 263.267 Voluntário Acórdão nº 230201.808 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria Folha de Pagamento. Recorrente OSCIP DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL DE GOIANÉSIA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2006 Ementa: RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. FORMULAÇÃO DE PEDIDO. REQUISITO ESSENCIAL. De acordo com o previsto no art. 55 da Lei n 8.212 (na redação vigente à data do pedido) é necessário que a entidade, entre outros requisitos, formulasse o requerimento junto ao INSS. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13116.000970/200734 Acórdão n.º 230201.808 S2C3T2 Fl. 153 3 Relatório O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa a Terceiros, cujos valores constaram em folhas de pagamento e Gfip, referente ao período compreendido entre as competências janeiro de 2005 a maio de 2006, fls. 40 a 43. A autuada não teria direito à isenção no período objeto do lançamento. Não conformado com a autuação, foi apresentada defesa pela entidade, fls. 92 a 103. A Delegacia da Receita Previdenciária analisou os argumentos da autuada e exarou a decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 115 a 119. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, conforme fls. 122 a 141. Alegou em síntese que: a) houvera prejuízo à defesa da recorrente em virtude do deslocamento dos autos para a cidade de Anápolis; b) era ilegal a aplicação da taxa Selic; c) a recorrente era imune às contribuições; d) era ilegal a cobrança do Incra; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 151. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que houvera prejuízo à defesa da recorrente em virtude do deslocamento dos autos para a cidade de Anápolis. No momento em que a fiscalização cientificou o sujeito passivo acerca do lançamento efetuado, foilhe entregue uma cópia dos autos com todos os elementos suficientes para compreensão do objeto da autuação. Além do mais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 40 a 43; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 14 a 10; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 25. Os valores foram apurados na Gfip, que são registros elaborados pela própria recorrente. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13116.000970/200734 Acórdão n.º 230201.808 S2C3T2 Fl. 154 5 especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Para melhor esclarecimento fazse necessário apontar o histórico das isenções de contribuições no direito pátrio, em função das alterações legislativas que envolveram a matéria. Primeiramente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, e às entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 1º/6/1962, que regulamentou a Lei n. 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social (CNSS) a Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse, assim, filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, que: • estivessem registradas no CNSS; • cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; • que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 1º de setembro, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: • que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: o Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; o Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; • que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: o de declaração de utilidade pública; o de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30/11/1977. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendessem aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/7/1991. Dessa forma, os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13116.000970/200734 Acórdão n.º 230201.808 S2C3T2 Fl. 155 7 INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme depreendese do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. No presente caso, como já analisado a recorrente não possuía direito adquirido anteriormente à Constituição de 1988, mesmo porque foi fundada posteriormente – conforme estatuto social. Por meio da Lei n ° 8.909 de 6/7/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) – criado pela Lei n.º 8.742 de 7/12/1993 –, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/5/1992. Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADI 2.0285/1999. Aplicandose, portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Assim, ao contrário do afirmado pela recorrente, o STF não declarou inconstitucional o art. 55 da Lei 8.212, o que foi declarado inconstitucional foi a alteração promovida pela Lei 9.732 no art. 55 da Lei n 8.212. Em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/2/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/8/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda à Constituição nº 32, de 11/9/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, por meio do qual, a existência de débito passou a ser motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. O art. 55 da Lei n º 8.212 de 1991 que previa os requisitos necessários à obtenção do direito à isenção foi revogado pelo art. 44 da Lei n º 12.101 (DOU de 30 de novembro de 2009). De acordo com o previsto no art. 31 da Lei n º 12.101 de 2009, a Receita Federal deixou de ter competência para apreciar os requerimentos de isenção. O direito ao benefício será exercido pela entidade desde a data da publicação da concessão da certificação, atendidos os requisitos do art. 29 da Lei n º 12.101, independentemente de pedido ao órgão fazendário. Nesse sentido é o teor do art. 31, in verbis: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. A atuação do órgão fiscalizador ocorrerá na hipótese de descumprimento pela entidade do art. 29 da Lei n º 12.101, sendo lavrado diretamente o auto de infração, conforme expressamente previsto no art. 32 da Lei n º 12.101, nestas palavras: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.7 § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Por seu turno, a concessão ou de renovação dos certificados não é mais de competência do CNAS, passando tal exercício para os Ministérios respectivos, nestas palavras: Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. § 1o A entidade interessada na certificação deverá apresentar, juntamente com o requerimento, todos os documentos necessários à comprovação dos requisitos de que trata esta Lei, na forma do regulamento. § 2o A tramitação e a apreciação do requerimento deverão obedecer à ordem cronológica de sua apresentação, salvo em caso de diligência pendente, devidamente justificada. § 3o O requerimento será apreciado no prazo a ser estabelecido em regulamento, observadas as peculiaridades do Ministério responsável pela área de atuação da entidade. § 4o O prazo de validade da certificação será fixado em regulamento, observadas as especificidades de cada uma das áreas e o prazo mínimo de 1 (um) ano e máximo de 5 (cinco) anos. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13116.000970/200734 Acórdão n.º 230201.808 S2C3T2 Fl. 156 9 § 5o O processo administrativo de certificação deverá, em cada Ministério envolvido, contar com plena publicidade de sua tramitação, devendo permitir à sociedade o acompanhamento pela internet de todo o processo. § 6o Os Ministérios responsáveis pela certificação deverão manter, nos respectivos sítios na internet, lista atualizada com os dados relativos aos certificados emitidos, seu período de vigência e sobre as entidades certificadas, incluindo os serviços prestados por essas dentro do âmbito certificado e recursos financeiros a elas destinados. Como regra de transição, a Lei n º 12.101 dispõe em seu artigo 35 que os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolados e, ainda, não julgados até a data de publicação dessa Lei serão julgados pelo Ministério da área no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da referida data. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n º 12.101. Desse modo, para os pleitos formulados até a data da publicação da Lei n. 12.101 há que se observar o procedimento disposto na Lei n 8.212. Para os fatos geradores ocorridos após a publicação da Lei n 12.101, não é mais necessária formulação de pedido do reconhecimento do direito. No caso, somente estão sendo cobrados fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação da Lei n ° 12.101. De acordo com o previsto no art. 55 da Lei n 8.212 (na redação vigente à data do pedido) era necessário que a entidade, entre outros requisitos, formulasse o requerimento, o que não ocorreu. Além do mais, a autuada não possui o Certificado fornecido pelo CNAS. O regime jurídico de concessão de benefício fiscal deve ser interpretado literalmente nos termos do art. 111 do CTN. A Lei n ° 8.212/1991 é a todos imposta e para não afastar o princípio da isonomia, não seria o caso de não se aplicar à recorrente. O requerimento do pedido de isenção era essencial para o reconhecimento do direito. Nesse sentido, dispunha o art. 208, § 2º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, vigente à época do pleito: Art.208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: (...) § 2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS reconheça o direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Como se percebe, foi realizada a distinção de atribuições entre o INSS e o CNAS. Corroborando a competência do INSS segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Uma vez que não cumprindo todos os demais requisitos junto ao INSS, não será reconhecido o direito à isenção, conforme redação legal vigente à época dos fatos geradores. Dessa maneira, diante da especificidade da Lei n. 8.212 de 1991 não há que se aplicar o art. 14 do CTN. Por todo o exposto, foi correta a decisão do órgão previdenciário. A recorrente errou ao se enquadrar como entidade beneficente sem ter o reconhecimento do órgão previdenciário. Portanto, são devidas todas as contribuições previdenciárias. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13116.000970/200734 Acórdão n.º 230201.808 S2C3T2 Fl. 157 11 EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdadesregionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e pela negativa de provimento a ele. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10245.003636/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE IN CASU. ALÍQUOTA MENOS GRAVOSA. DISPOSIÇÃO LEGAL DO ART. 24 DA LEI N° 9.249/95. A aplicação do instituto da denúncia espontânea merece aplicação somente nos casos em que houver comprovadamente sido providenciada as correções antes do início do procedimento fiscal. No caso, apesar de demonstrar as correções efetuadas, não demonstra tê-lo feito antes do início do procedimento fiscal. A omissão de receita, comprovada, nos casos de optantes pelo lucro presumido é submetida à disposição do art. 24 da Lei n° 9.249/95, recebendo tais operações a alíquota mais elevada. Tratando-se de prestação de serviço, a presunção de lucro determinada pela lei tributária é de 32% (trinta e dois por cento).
Numero da decisão: 1802-001.345
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE IN CASU. ALÍQUOTA MENOS GRAVOSA. DISPOSIÇÃO LEGAL DO ART. 24 DA LEI N° 9.249/95. A aplicação do instituto da denúncia espontânea merece aplicação somente nos casos em que houver comprovadamente sido providenciada as correções antes do início do procedimento fiscal. No caso, apesar de demonstrar as correções efetuadas, não demonstra tê-lo feito antes do início do procedimento fiscal. A omissão de receita, comprovada, nos casos de optantes pelo lucro presumido é submetida à disposição do art. 24 da Lei n° 9.249/95, recebendo tais operações a alíquota mais elevada. Tratando-se de prestação de serviço, a presunção de lucro determinada pela lei tributária é de 32% (trinta e dois por cento).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10245.003636/2008-50
conteudo_id_s : 5227736
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.345
nome_arquivo_s : Decisao_10245003636200850.pdf
nome_relator_s : MARCIEL EDER COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10245003636200850_5227736.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4578393
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575967195136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 588 1 587 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.003636/200850 Recurso nº 931.148 Voluntário Acórdão nº 180201.345 – 2ª Turma Especial Sessão de 9 de agosto de 2012 Matéria Auto de Infração Recorrente LB CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE IN CASU. ALÍQUOTA MENOS GRAVOSA. DISPOSIÇÃO LEGAL DO ART. 24 DA LEI N° 9.249/95. A aplicação do instituto da denúncia espontânea merece aplicação somente nos casos em que houver comprovadamente sido providenciada as correções antes do início do procedimento fiscal. No caso, apesar de demonstrar as correções efetuadas, não demonstra têlo feito antes do início do procedimento fiscal. A omissão de receita, comprovada, nos casos de optantes pelo lucro presumido é submetida à disposição do art. 24 da Lei n° 9.249/95, recebendo tais operações a alíquota mais elevada. Tratandose de prestação de serviço, a presunção de lucro determinada pela lei tributária é de 32% (trinta e dois por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Relatório Tratam os presentes, de Auto de Infração de IRPJ com seus reflexos em PIS, COFINS e CSLL, por ter supostamente (I) omitido de escrituração os pagamentos efetuados por compras de terrenos, (II) não oferecimento das notas fiscais 146, 147 e 148 à tributação e (III) aplicação incorreta de alíquotas no lucro presumido, sendo aplicado sobre o montante alíquota de 75% por multa de ofício. Por bem descrever os fatos que antecedem a análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, adoto o relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/BEL, através do Acórdão n° 0122.279, constante às fls. 529/530: Auto de infração versou sobre IRPJ, no valor de R$ 61706,78; PIS, no valor de R$ 2739,85; COFINS , no valor de R$ 12645,48; e CSLL, no valor de R$ 16786,18. As ocorrências apuradas foram: I falta de escrituração de pagamentos efetuados: a) compra de terreno rural, em 04/07/2003, no valor de R$ 80.000,00; e b)compra de terreno, em 10/09/2004, no valor de R$ 100.000,00. O fundamento legal está disposto no art. 281, II, do RIR/99. II não oferecimento da notas fiscais 146,147 e 148 à tributação, somadas; III aplicação incorreta da alíquota de IRPJ, lucro presumido. Às infrações apuradas foi aplicada multa de ofício à alíquota de 75%. A impugnação contém: a) matérias não impugnadas; e b) matéria impugnada. Discorreremos sobre o conteúdo da impugnação. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10245.003636/200850 Acórdão n.º 180201.345 S1TE02 Fl. 589 3 A) MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Contribuinte reconhece erro quanto: 1 à aplicação incorreta de percentual de presunção do lucro tributável, em relação ao 1° trimestre de 2004; 2 não oferecimento à tributação das notas fiscais 146,147 e 148. A fl. 482 apresenta "Termo de Transferência de Crédito Tributário", onde os créditos "não impugnados" foram transferidos ao processo 10245.720031/200820. B) MATÉRIA IMPUGNADA. Contribuinte contesta a tributação fundada na presunção de Omissão de Receitas, por não ter registro da operação de compra de imóveis, conforme art. 281, II, do RIR/99: nas datas das compras possuía recursos suficientes para as aquisições, conforme conta caixa, demonstrados à fl. 418; durante certo lapso temporal não manteve escrituração regular, deixando de registrar as compras; em 02/01/2005 e 02/01/2007, foram corrigidas as falhas de escrituração; as "correções na escrita contábil" se enquadram no conceito de denúncia espontânea, pois corrigira erro sanável; ainda que não prosperassem as argumentações acerca da descaracterização da presunção de Omissão de Receitas, a alíquota que deveria ser utilizada na autuação deveria ser a de 8%, pois, a maioria das atividades previstas no contrato, a ela se referem, ao contrário do percentual de 32%, utilizado pela fiscalização. Naquela oportunidade, entendeu a n. Turma julgadora em manter a exigência por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme Ementa constante às fls. 528: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA Considerando que o ônus da prova, nas infrações lançadas por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova de que o fato presumido não ocorreu. REGIME DE COMPETÊNCIA. O regime de competência deve ser observado quando da escrituração dos fatos contábeis, Fl. 596DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 inclusive quando de sua recomposição, ou correção de eventuais falhas. OMISSÃO DE RECEITAS.LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. ATIVIDADES DIVERSAS. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. SALDO EM CONTA CAIXA. O simples fato de, à época dos fatos, haver disponibilidade dos recursos para a compra não demonstra que os recursos utilizados não eram oriundos de Omissão de Receitas, que outras receitas não foram omitidas. Intimado da decisão em 11/10/2011 e inconformado com a manutenção da exigência, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/11/2011, reclamando carência de fundamentação legal que manteve o lançamento e reiterando ter corrigido suas operações antes de haver a exigência fiscal, motivo pelo qual seria insubsistente a suposta infração, bem como, diante desse fato, estaria protegida pelo instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional e ainda, pede pela aplicação de alíquota menos gravosa nas operações, caso tornese superada sua tese principal. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O Recurso é tempestivo e por preencher aos demais requisitos para sua admissibilidade, merece ser conhecido. Sem preliminares a serem enfrentadas, passo a analisar as demais questões de mérito. Do Auto de Infração inicial, persiste o litígio tão somente com relação à presunção de omissão de receitas, esta, com fundamento no art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). Tal omissão de receitas está substanciada, conforme consta às fls. 44, em aquisição de terrenos, cuja origem de numerário não restou identificada pela fiscalização, nem Fl. 597DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10245.003636/200850 Acórdão n.º 180201.345 S1TE02 Fl. 590 5 esclarecidas pelo contribuinte, sendo o primeiro, adquirido em 04/07/2003 no valor de R$ 80.000,00 e o segundo em 10/09/2004, no valor de R$ 100.000,00. A Recorrente em sua resposta à demanda inicial, indicou que os recursos para as aquisições dos terrenos estavam devidamente ordenhados em sua contabilidade. Neste sentido, consta às fls. 478/481 cópia das páginas do livro Diário/Razão dos anoscalendários de 2005 e 2007, comprovando ter ocorrido o registro de aquisição dos terrenos, ainda que em período diverso ao que efetivamente levado a efeito. Fato é que, o registro extemporâneo por si só, não alberga o afastamento da presunção de omissão de receita ocorrido e caracterizado pela leitura do Livro Caixa e Diário dos anoscalendários de 2003 e 2004. Além do mais, não há comprovação da data efetiva em que tais registros foram feitos na contabilidade, capazes de comprovar terem ocorrido antes do início do procedimento fiscal tendente ao lançamento, o que elide as benesses da denúncia espontânea consoante art. 138 do CTN. A Recorrente não comprova ter autenticado os respectivos livros nem comprova serem fidedignos os lançamentos demonstrados. Diante do exposto, não vejo como descaracterizar a exigência, merecendo o afastamento do art. 138 do CTN em seu favor. Em sua linha de defesa, a Recorrente alega ter ocorrido erro de fato e que, o princípio da verdade material merece preferir ao da presunção de omissão de receita. Diz terem sido sanadas as incorreções demandadas, antes de iniciado o procedimento de fiscalização. É verdade que o princípio da verdade material, prefere ao princípio da presunção. Neste sentido, assim já asseverou o STJ, que atestou, contudo, a necessidade de o contribuinte demonstrar a validade de seu saldo credor em caixa disponível, a fim de combater a presunção de omissão de receitas: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. SALDO CREDOR EM CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. FACULDADE DO CONTRIBUINTE PRODUZIR PROVA CONTRÁRIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SUCUMBÊNCIA. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. 1. A presunção juris tantum de omissão de receita pode ser infirmada em Juízo por força de norma específica, mercê do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5.º, XXXV, da CF/1988) coadjuvado pela máxima utile per inutile nom vitiatur. 2. O princípio da verdade real se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do § 2º, do art. 12 do DL 1.598/77 (art. 281 RIR/99 Decreto 3.000/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa. Aplicação do princípio da verdade material. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 3. Outrossim, ainda neste segmento, concluiu a perícia judicial pela inexistência de prejuízo ao Fisco. 4. Deveras, procedido o lançamento com base nos autos de infração, infirmados por perícia judicial conclusiva, constituiu se o crédito tributário principal, mercê de o mesmo ter sido oferecido à tributação, por isso que inequívoco que o resultado judicial gerará bis in idem quanto à exação in foco. 5. Lavrados os autos de infração por erro formal de escrita reconhecido pelos recorrentes, não obstante materialmente exatos os valores oferecidos à tributação, impõese reconhecer que a parte que ora se irresigna foi a responsável pela demanda. 6. Regulada a sucumbência pelo princípio da causalidade, ressoa inacolhível imputála ao Fisco, independente de proverse o recurso para que não haja retorno dos autos à instância a quo, porquanto o aresto recorrido reconheceu a higidez conclusiva da prova mas desprezoua. 7. A responsabilidade pela demanda implica imputarse a sucumbência ao recorrente, não obstante acolhida a sua postulação quanto ao crédito tributário em si. (Precedente: REsp 284926/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 05.04.2001, DJ 25.06.2001 p. 173) 8. Recurso Especial provido, imputandose a sucumbência ao recorrente. (REsp 901.311/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2007, DJe 06/03/2008) Diante do não esclarecimento da origem de numerário composto na conta caixa, passível de permissão à aquisição dos imóveis, não há como considerar esse desiderato em seu favor. Ora, o contribuinte além de não comprovar que as correções feitas a destempo, ocorreram efetivamente antes de iniciado o procedimento de fiscalização, que apurou as incorreções, também não comprovou a origem do montante movimentado em sua conta caixa, que não condiz com o faturamento declarado, especialmente no ano calendário de 2003, senão vejamos. Em 2003, consta às fls. 152 um saldo inicial de caixa no valor de R$ 586.795,25. O saldo ao final do respectivo anocalendário alcançou o montante de R$ 126.990,10 (fls. 176), não havendo registro da aquisição do terreno ocorrido em 04/07/2003, no valor de R$ 80.000,00. Neste período, a movimentação da conta caixa operouse na linha dos R$ 2.320.045,94 a débito e R$ 2.193.055,84 a crédito. Em 2004, consta às fls. 436, um saldo final de caixa no montante de R$ 367.330,57. Neste período, a movimentação da conta caixa operouse na linha dos R$ 3.623.781,46 a crédito (entradas) e R$ 3.256.450,89 a débito (saídas). Ocorre que, o faturamento no ano 2003 (leiase, receita bruta) foi de R$ 251.411,72 (fls. 275). O faturamento no ano 2004 (leiase, receita bruta) foi de R$ 1.618.139,53 (fls. 438). Fl. 599DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10245.003636/200850 Acórdão n.º 180201.345 S1TE02 Fl. 591 7 Da análise de valores, fica evidenciada uma grande diferença nas movimentações da Recorrente de um ano calendário em comparação ao outro. Aliado a falta de escrituração na aquisição dos terrenos, as movimentações indicam claramente a omissão de receitas, sobretudo, no numerário utilizado para aquisição dos terrenos. Desta forma, merecida é a manutenção do auto de infração, pela presunção de omissão de receitas, na medida em que, não restou comprovado pela Recorrente, a origem e a credibilidade de suas operações fiscais, desanuviando a exigência fiscal e não comprovando o subsídio que permitiu a aquisição dos imóveis em discussão. Subsidiariamente, a Recorrente pede pela aplicação da alíquota menos gravosa, em contrário ao aplicado art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda. Ora, neste sentido, também não merece reparos a decisão da DRJ. A imposição legal do art. 528 do RIR/99 está amparada pela Lei n° 9.249 de 26 de dezembro de 1995, em seu art. 24 §1°, não cabendo ao CARF aplicação diferente do dispositivo legal. Por fim, não restou comprovado que a correção das inconsistências ocorreu antes do início do procedimento fiscal tendente a consolidar o lançamento, isto sim, capaz de afastar a exigência da multa, pelo instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Os livros Diário e Razão colacionados aos autos não possuem comprovação da data em que foram registrados (autenticação em Junta Comercial) ou finalizados (fechados). Ressaltase que, o ônus da prova cabia à Recorrente neste caso, tendo em vista ter alegado a validade de seus lançamentos, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil – CPC. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 600DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000400/2004-76
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta- se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos.
Numero da decisão: 9900-000.279
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Pleno
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta- se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 18471.000400/2004-76
conteudo_id_s : 5223480
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9900-000.279
nome_arquivo_s : Decisao_18471000400200476.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 18471000400200476_5223480.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
id : 4577165
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576005992448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18471.000400/200476 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 920000279 – Pleno Sessão de 7 de dezembro de 2011 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida Sebastião Cantídio Drumond Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) RELATOR – FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 01/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Fabiola Cassiano Keramidas, Marcos Aurelio Pereira Valadao, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratase de Auto de Infração referente a IRPF decorrente de omissão de rendimentos a partir da constatação de variação patrimonial a descoberto no ano calendário 1998. A Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 635, mantendo a decisão da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 384/390), tendo sido acolhida a preliminar de decadência mediante aplicação do prazo previsto pelo § 4º do art. 150 do CTN, exarando o Acórdão de nº 0400.998, de 04/08/2008. Eis a ementa do acórdão recorrido: Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício : 1999 IRPF DECADÊNCIA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO . O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação , sendo que o praz o decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso d e acréscimos patrimoniais a descoberto, ocorrem 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência , a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário Fl. 511DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 18471.000400/200476 Acórdão n.º 920000279 CSRFPL Fl. 2 3 extinto, no s termo s do artigo 150, § 4 o e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso negado . O artigo 9º do Regimento Interno da Câmara Superior aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, já revogado, trazia a previsão de seria possível interposição de recurso extraordinário ao Conselho Pleno no tocante a decisões de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que dessem à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com fulcro nesse dispositivo, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário, fls. 646/651, pleiteando a reforma do acórdão proferido pela Primeira Turma, com objetivo de ver aplicado o prazo decadencial cuja contagem tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado com fundamento no inciso I do art. 173 do CTN, indicando como divergência necessária à interposição do recurso, a recorrente a decisão exarada no Acórdão CSRF/0202.1308, de 12/05/2003, juntado aos autos, assim ementado: Ementa: COFTNS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, CTN. . AMPLIAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo o Contribuinte recolhido valor algum a título de COFINS, não é possível a ocorrência da homologação tácita, uma vez que não há pagamento antecipado a ser homologado, aplicandose a regra geral para contagem do prazo decadencial do lançamento de oficio, descrita no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que é de cinco (05) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. A decadência consubstanciase em garantia fundamental dos contribuintes, razão pela qual se veda ao legislador ordinário fixar prazo superior àquele insculpido no art. 173 do CTN. Recurso negado. Às fls. 655 encontrase despacho do Presidente da CSRF dando seguimento ao recurso extraordinário. O contribuinte apresentou suas contrarrazões, informando ter sido comprovado o recolhimento antecipado do imposto para o ano calendário 1998, razão pela qual o recurso da Fazenda Nacional não se sustenta em seu pleito. Os autos foram a mim sorteados, os quais inclui na presente pauta de julgamento. É o relatório. Voto Fl. 512DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls. 655. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação deste colegiado referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito lançado e discutido no presente lançamento que, por sua vez, teve como fato gerador a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, referente a ocorrências no anocalendário 1998. No tocante à preliminar decadência, insta observar que para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 513DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 18471.000400/200476 Acórdão n.º 920000279 CSRFPL Fl. 3 5 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Inexistem dúvidas quanto ao fato de que todos os membros desde colegiado concordam que a modalidade de lançamento por homologação ocorre quando a legislação que rege determinado tributo determine ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do valor devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesses casos, a atuação da administração tributária é posterior, seja ao homologar expressamente o pagamento prévio realizado pelo sujeito passivo, seja de maneira tácita, decorrido o prazo legalmente estabelecido para sua manifestação acerca do recolhimento efetuado pelo obrigado, conforme consta do § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No caso em apreço, em que pese o lançamento referirse a acréscimo patrimonial a descoberto, têmse que tal modalidade integra o gênero omissão de rendimentos sujeito ao ajuste. Por sua vez, em contra razões o contribuinte demonstrou ter ocorrido retenção de imposto de renda na fonte, conforme consta em sua declaração de ajuste às fls. 9/13, razão pela qual restou demonstrada a antecipação de pagamento. Nesse sentido, verificase que o fato de ter ocorrido antecipação de pagamento atrai a aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação, seguese a imperiosa necessidade de aplicação da regra geral esculpida no Código Tributário Nacional nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 515DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005140/2006-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO EM FINAL DE PERÍODO. TRANSPORTE PARA O EXERCÍCIO SUBSEQÜENTE.
As disponibilidades financeiras em espécie existentes no final do ano anterior ao ano objeto da apuração, regularmente declaradas pelo contribuinte na sua Declaração de Ajuste Anual, devem ser consideradas para a apuração do acréscimo patrimonial.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO ENTRE PARENTES. COMPROVAÇÃO.
entre ascendentes ou descendentes, muitas vezes o empréstimo passa por procedimentos mais informais, porém, exige-se, no que a operação seja informada na declaração de ambas as partes e que a pessoa que esteja emprestando o numerário tenha suporte de recursos para tanto.
No caso em apreço, a justificativa referente ao suporte de recursos da pessoa que empresta deu-se pela própria operação envolvida, já que decorrente de alienação de automóvel.
No presente caso, não há de se exigir que o mencionado empréstimo entre parentes conste nas declarações de ajuste anual das pessoas envolvidas, tendo em vista o fato de tanto a obtenção do empréstimo, como sua quitação deram- se no mesmo ano calendário.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO EM FINAL DE PERÍODO. TRANSPORTE PARA O EXERCÍCIO SUBSEQÜENTE. As disponibilidades financeiras em espécie existentes no final do ano anterior ao ano objeto da apuração, regularmente declaradas pelo contribuinte na sua Declaração de Ajuste Anual, devem ser consideradas para a apuração do acréscimo patrimonial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO ENTRE PARENTES. COMPROVAÇÃO. entre ascendentes ou descendentes, muitas vezes o empréstimo passa por procedimentos mais informais, porém, exige-se, no que a operação seja informada na declaração de ambas as partes e que a pessoa que esteja emprestando o numerário tenha suporte de recursos para tanto. No caso em apreço, a justificativa referente ao suporte de recursos da pessoa que empresta deu-se pela própria operação envolvida, já que decorrente de alienação de automóvel. No presente caso, não há de se exigir que o mencionado empréstimo entre parentes conste nas declarações de ajuste anual das pessoas envolvidas, tendo em vista o fato de tanto a obtenção do empréstimo, como sua quitação deram- se no mesmo ano calendário. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13839.005140/2006-67
conteudo_id_s : 5231184
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.077
nome_arquivo_s : Decisao_13839005140200667.pdf
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 13839005140200667_5231184.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4579490
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576039546880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 993 1 992 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13839.005140/200667 Recurso nº 166.511 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.077 – 2ª Turma Sessão de 22 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HENRIQUE LAMBERTI JÚNIOR ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO EM FINAL DE PERÍODO. TRANSPORTE PARA O EXERCÍCIO SUBSEQÜENTE. As disponibilidades financeiras em espécie existentes no final do ano anterior ao ano objeto da apuração, regularmente declaradas pelo contribuinte na sua Declaração de Ajuste Anual, devem ser consideradas para a apuração do acréscimo patrimonial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO ENTRE PARENTES. COMPROVAÇÃO. entre ascendentes ou descendentes, muitas vezes o empréstimo passa por procedimentos mais informais, porém, exigese, no que a operação seja informada na declaração de ambas as partes e que a pessoa que esteja emprestando o numerário tenha suporte de recursos para tanto. No caso em apreço, a justificativa referente ao suporte de recursos da pessoa que empresta deuse pela própria operação envolvida, já que decorrente de alienação de automóvel. No presente caso, não há de se exigir que o mencionado empréstimo entre parentes conste nas declarações de ajuste anual das pessoas envolvidas, tendo em vista o fato de tanto a obtenção do empréstimo, como sua quitação deram se no mesmo ano calendário. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 03/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 3301 00.012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção em 04/03/2009 (fls. 930/937), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 940/962). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte. Segue abaixo sua ementa: “CONTA DE DEPÓSITO DE TERCEIRA PESSOA — RECORRENTE ORDENANTE DE TRANSFERÊNCIA FINANCEIRA — AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE 0 RECORRENTE SERIA 0 REAL TITULAR DA CONTA BANCÁRIA DE DESTINO Não há nos autos nada que comprove que o recorrente é o titular dos recursos creditados em conta bancária situada no exterior. Pelas informações dos autos, tratouse de transferências ordenada pelo recorrente para uma conta bancária de terceira pessoa, no exterior. Nesta senda, não se pode considerar tais valores como sendo recursos do recorrente para exigir acréscimo patrimonial a descoberto ou para presumir omissão de rendimentos do procurador da empresa (...). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO OPERAÇÕES BANCARIAS NO EXTERIOR ILEGITIMIDADE PASSIVA PROVA INDICIARIA . A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. (...) Recurso provido.” Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005140/200667 Acórdão n.º 920202.077 CSRFT2 Fl. 994 3 Segundo a recorrente, ao analisar o acréscimo patrimonial a descoberto, infração constante do primeiro item da autuação, o relator aceitou a transposição de saldo de um exercício para o outro, sem prova efetiva de sua existência. Tal entendimento diverge dos paradigmas que apresenta. Explica que a divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas afigura se clara, visto que, enquanto o primeiro considerou válida a transposição para o exercício seguinte de saldo de recursos, independentemente de comprovação efetiva da existência destes, afirmando, outrossim, ser do Fisco o ônus da comprovação, os últimos, a respeito da mesma situação fática (acréscimo patrimonial a descoberto), asseveram não ser possível a referida transposição, se não houver prova efetiva da existência dos valores, atribuindo, ainda, ao contribuinte, o ônus da mencionada demonstração. Em seguida, aponta uma segunda divergência, declarando que o colegiado a quo resolveu aceitar como origem o valor que o contribuinte teria recebido de sua progenitora a título de mútuo, embora não houvesse a menção desta operação na declaração de ambos os envolvidos. A Turma julgadora entendeu ser suficiente a identificação do depósito efetuado na conta corrente do autuado pelo suposto mutuante. Apresenta paradigma que, para considerar comprovada a operação de mútuo, entende que a prova principal são as declarações de rendimentos dos envolvidos. Argumenta que a compensação dos saldos positivos de recursos dentro do mesmo exercício é efetuada sem que seja necessário inquirir o contribuinte acerca da efetiva existência dos recursos, visto que não existe uma declaração mensal de bens onde constem suas dividas e ônus, devendo ser considerado o saldo de disponibilidade no planilhamento do mês seguinte. Entretanto, o mesmo entendimento não se aplica à transposição das sobras de um ano para outro, caso em que o aproveitamento está condicionado a comprovação, por parte do sujeito passivo, da efetiva existência daqueles recursos. Ademais, ressalta que, para se considerar o empréstimo como justificativa da origem de recursos na apuração do acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização, é preciso provar a natureza da operação realizada entre o contribuinte e a pessoa que lhe transferiu o valor em questão. Não basta a simples comprovação da transferência de quantias com coincidência de datas e valores, porquanto, com isso, somente se comprova que o autuado recebeu os numerários de sua progenitora, mas não fica caracterizado sob qual titulo. Assinala que existe dúvida sobre a natureza da operação que lastreou o valor recebido pelo contribuinte, de maneira que se deve manter a respectiva tributação por não restar provado que o mútuo foi o real motivo do recebimento da aludida quantia. Para tanto, conforme decidido no acórdão paradigma, deveria constar tal operação das declarações de rendimentos dos envolvidos. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos do Despacho n.º 21010391/2010 (fls. 964/965), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões às fls. 977/989. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inicialmente, afirma que a PGFN buscou transformar em divergência de interpretação aquilo que, na verdade, consubstancia circunstância de fato. Alega que a recorrente sequer citou ou indicou qual seria a legislação tributária interpretada de forma diferente pelo acórdão recorrido em comparação com os paradigmas indicados. Entende que simplesmente não houve qualquer interpretação divergente de legislação, mas sim valoração da prova diante do caso concreto, de maneira que não está satisfeito o pressuposto de admissibilidade do recurso especial no que diz respeito à primeira divergência argüida. Destaca que a mesma solução deve ser adotada quanto à segunda divergência descrita. Destaca que em nenhum momento afirmou ter recebido um empréstimo da sua genitora. Considera claro que o dinheiro apenas transitou pela sua conta. Desse modo, como não houve empréstimo, os paradigmas indicados são imprestáveis para o exame de qualquer divergência, já que tratam de mútuo, hipótese fática diferente da tratada nos presentes autos. Afirma que a consideração do numerário que transitou pela conta do recorrido foi aceita em razão da prova circunstancial concreta, não havendo como se levantar dai qualquer divergência de interpretação de lei tributária. Explica que o caso trata de valoração da prova dos autos, e não de interpretação divergente da lei tributária, razão por que aplicável, por tudo e em tudo, a jurisprudência remansosa da CSRF, segundo a qual não há dissenso quando os acórdão comparados forem proferidos com base na apreciação de elementos de provas distintos dos respectivos autos. Além disso, aponta que também nesse ponto a recorrente não indicou qual foi a lei tributária supostamente interpretada de forma divergente pelo r. acórdão recorrido, o que é mais um indicativo de que, se divergência há, é de fato, e não de direito, não havendo lugar, portanto, para cabimento do recurso especial. Frisa que a tese exposta nos acórdãos apontados como paradigmas não correspondem ao fim almejado pela recorrente. Observa que, às fls. 946, a recorrente alega que seria preciso "provar a natureza da operação realizada entre o contribuinte e a pessoa que lhe transferiu o valor em questão", ao passo que os acórdãos indicados como paradigmas não exigem tal comprovação, mas apenas que a operação tenha sido declarada tempestivamente. Assim, conclui que os r. acórdãos indicados pela própria recorrente não socorrem a tese por ela exposta, o que é mais um indicativo de que não existe a alegada divergência de interpretação de lei tributária. Quanto ao mérito, relata que a Fazenda Pública, conscientemente, preferiu omitirse na análise da movimentação patrimonial do recorrido relativa ao ano de 2001, razão pela qual o silêncio do órgão fiscalizador, quanto a esse período, corresponde homologação do lançamento, conforme, aliás, reconhecido pelo r. acórdão recorrido. Aponta que o contribuinte não tem como trazer aos autos uma espécie de "comprovante" da disponibilidade em moeda advinda do ano calendário anterior. Tratase de prova impossível. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005140/200667 Acórdão n.º 920202.077 CSRFT2 Fl. 995 5 Explica que, por isso, a legislação adotou o sistema da homologação. O contribuinte declara e recolhe o tributo. A fiscalização tem um prazo legal para rever essa atividade. Transcorrido o prazo legal sem manifestação da autoridade, considerase homologado o lançamento. Ademais, anota que não há qualquer impedimento legal para a transposição do saldo existente no mês de dezembro de 2001 para o mês de janeiro de 2002. A PGFN, muito embora alegue que tal medida só é possível dentro de um mesmo exercício, não informa qual seria o dispositivo legal que impede sua realização entre os meses de dezembro de um ano para janeiro do ano imediatamente seguinte. Quanto ao valor que transitou pela sua conta, ressalta que tal quantia, mesmo que fosse dinheiro recebido a titulo de empréstimo, o que se admite por mera argumentação, não teria sido incluída na sua declaração de ajuste anual, pela simples razão de que o dinheiro entrou e saiu da sua conta dentro do mesmo período. Ou seja, nunca houve qualquer bem ou ônus em 31/12/2002 que pudesse ser declarado. Observa que, de qualquer forma, seja a que título fosse, para fins de verificação de acréscimo patrimonial a descoberto o que importa é a demonstração da origem do recurso e sua respectiva aplicação, para que o fluxo de caixa possa ser composto. Ao final, requer o improvimento do recurso interposto. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Como cediço, o recurso especial têm por escopo uniformizar a jurisprudência no âmbito deste Conselho ante a adoção de teses conflitantes pelos seus órgãos fracionários, cabendo ao recorrente a comprovação do dissídio pretoriano nos moldes estabelecidos no art. 67 e parágrafos do RICARF. Na espécie, em juízo perfunctório e provisório, o Presidente da 1 ª Câmara da 2ª Seção concluiu que o acórdão recorrido e os arestos paradigmas apresentam conclusões dissonantes quanto às seguintes questões: a) a transposição de saldo declarado na Declaração de Ajuste Anual de um exercício para o exercício seguinte depender de prova da existência dos valores; b) a necessidade de constar na Declaração de Ajuste Anual para que empréstimo possa ser considerado para justificar origem de recursos. Quanto as divergência apontadas, apesar da irresignação do recorrido, entendo que a recorrente de desincumbiu do ônus de comproválas, nos termos do despacho proferido em sede de exame de admissibilidade (fls. 964/965). Portanto, por estarem preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial interposto. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Quanto ao primeiro ponto atacado no recurso especial, o acórdão recorrido apreciou a questão de forma detalhada, nos seguintes termos: “Do valor de R$ 170.000,00 declarado na DAA de 2001 (fl. 122). Na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao ano calendário de 2001 o sujeito passivo declarou que em 31/12/2001 possuía, em moeda. Na planilha de fl. 696, ao relacionar as despesas com atividade rural, pagamentos efetuados, empréstimos e doações concedidos a terceiros, a Fiscalização encontrou despesas no valor de R$ 2.496.052,52 (fl. 696 — item ou linha 14). O aproveitamento de recursos de um exercício para o outro deve ser feito com base em critérios objetivos de razoabilidade. Por exemplo: (...) b) se o sujeito passivo declara que em 31 de dezembro possui determinados recursos em moeda corrente e a Fiscalização, em nenhum momento prova que tais recursos não existem, homologando inclusive a declaração apresentada, não há como deixar de considerar tais recursos para cobrir despesas realizadas no mês de janeiro ou fevereiro do ano seguinte, como é o caso dos autos. c) é a avaliação do caso concreto que irá ditar o procedimento quanto inclusão do saldo declarado em 31 de dezembro. Dentro da normalidade, por exemplo, ninguém fica com dinheiro guardado em sua residência e com considerável saldo devedor em cheque especial. Em tal caso, a presunção é de que o valor declarado não corresponde realidade do que foi declarado, hipótese esta que não verifico no caso dos autos. Se no inicio do ano de 2002 o sujeito passivo suportou gastos no valor de R$ 2.496.052,52, diante da declaração, não impugnada, de que em 31/12/2001 possuía, em moeda corrente, o valor de R$ 170.000,00 há que se considerar que tais recursos foram utilizados para satisfazer parte dos gastos anteriormente apontado, motivo pelo qual acolho a pretensão do recorrente para incluir no fluxo do acréscimo patrimonial, a partir de janeiro de 2002, o valor de R$ 170.000,00 informado na Declaração de Ajuste anual de 31/12/2001.” Precedentes do CARF são no sentido de que para que os valores em espécie de determinado exercício possam ser considerados na apuração do acréscimo patrimonial do exercício seguinte o que se exige é que constem na Declaração de Ajuste Anual os referidos valores: “IRPF AUMENTO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Na apuração de eventual aumento patrimonial a descoberto devem ser levadas em conta todas as disponibilidades do contribuinte até a data do evento, nesta incluídos os rendimentos isentos ou de tributação exclusiva e disponibilidades financeiras de exercício anterior, tempestivamente declaradas. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005140/200667 Acórdão n.º 920202.077 CSRFT2 Fl. 996 7 IRPF DISPONIBILIDADES FINANCEIRAS — PROVA Qualquer exação ou sua mantença não pode ser sustentada em não apresentação de prova impossível, exigida do contribuinte, a exemplo da prova documental de disponibilidades financeiras tempestivamente declarada em ano calendário anterior. (...) Recurso provido. (Acórdão nº 10417784, Relator Conselheiro Roberto William Gonçalves) “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – SALDO EM FINAL DE PERÍODO APURADO EM FLUXO DE CAIXA TRANSPORTE PARA O EXERCÍCIO SUBSEQÜENTE INEXISTÊNCIA DOS SALDOS NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS IMPOSSIBILIDADE Para o competente transporte entre exercícios dos saldos apurados em fluxo de caixa, mister que esses constem na declaração de bens e direitos. (...) Recurso voluntário parcialmente provido.” (Acórdão nº 10616894, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos Christian Nunes Campos) “IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO MENSAL A partir da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, aplicandose, inclusive, a incidência mensal, quando apurado acréscimo patrimonial a descoberto. No cálculo do acréscimo patrimonial, as "sobras" detectadas em determinado mês, na ação fiscal, devem ser consideradas "recurso" no mês subseqüente, até o mês de dezembro do mesmo anocalendário. No anocalendário subseqüente, somente as sobras constantes na declaração de rendimentos, relativa ao ano anterior, podem ser utilizadas. (...) Recurso parcialmente provido.” (Acórdão nº 10417359, Relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão) Portanto, no presente caso, as disponibilidades financeiras em espécie existentes no final do ano anterior ao ano objeto da apuração, regularmente declaradas pelo contribuinte na sua Declaração de Ajuste Anual, devem ser consideradas para a apuração do acréscimo patrimonial. Igualmente, no que diz respeito ao segundo ponto atacado no recurso especial, o acórdão recorrido apreciou a questão de forma detalhada, nos seguintes termos: “Do valor de R$ 8.090,00 depositado em 18/02/2002. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 O extrato bancário de fl. 507 demonstra que no dia 18/02/2002 foi creditado na conta do recorrente, mediante cheque, o valor de R$ 8.090,00. Quanto a este valor o recorrente alega, "in verbis": "O Sr. Joao Batista de Almeida entregou, ao impugnante, um cheque de R$ 8.090,00(fls.. 507), no mês de fevereiro de 2002, proveniente de uma opera cão de compra de veiculo com a genitora do recorrente. Este valor foi entregue ao recorrente, intermediador da negociação, pelo comprador do veiculo, a titulo de sinal, em fevereiro de 2002, sendo que em dezembro de 2002, o recorrente retransmitiu o valor em dinheiro, à genitora dele, autentica vendedora do veiculo. A DRJ, ao apreciar este ponto do recurso, fundamentou seu entendimento com base nas seguintes razões de decidir: Também, não constitui Origem de recursos, para efeito de Demonstrativo da Evolução Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal — Ano 2002 (lis. 696/699), o cheque de R$8.090,00 depositado em 18/02/2002 no Banespa (fls.. 507), que o impugnante alega ser proveniente de operação de compra e venda de veiculo entre a genitora do impugnante e um terceiro (doc. 7, fls. 799/800). Diz que esse valor foi entregue ao impugnante, intermediador da negociação, pelo comprador do veiculo, a titulo de sinal, em fevereiro de 2002, e só o retransmitiu, em dinheiro, a sua genitora, em dezembro/2002. Pelo que diz o contribuinte, configurase um empréstimo tomado de sua genitora. Todavia, não restou comprovado, mediante documentação hábil e idônea, quando ocorreu essa retransmissão à sua genitora, pelo que não ficou caracterizado/comprovado o alegado empréstimo. Motivo por que não cabe acatar a referida quantia como Origens no Demonstrativo da Evolução Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal — Ano 2002 (fls. 696/699). O fato de não ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, quando o autuado retransmissão à sua genitora os recursos do alegado empréstimo não é causa de exclusão de tais valores do fluxo de financeiro. O que importa é a conclusão de que autuado recebeu tais recursos em sua conta corrente e, formada a convicção de que pertenciam à sua genitora, restituídos mais tarde, devem ser considerados no fluxo 'de caixa. O Direito, como ciência do razoável, não pode se divorciar da lógica dos fatos da vida que demonstram que em negócios entre mãe e filhos não se costuma fazer contratos e nem exigir recibos. O anormal, no caso concreto, seria a existência de uma nota promissória dizendo que a mãe havia emprestado recursos ao filho e, por conseqüência, um recibo por meio do qual a mãe atestava a quitação.O aplicador do direito não pode ignorar como os fatos ocorrem na vida real, sob pena de abdicar do seu papel de julgador e transformarse em máquina cuja capacidade não passa da leitura do texto legal.” Por certo, entre ascendentes ou descendentes, muitas vezes o empréstimo passa por procedimentos mais informais, porém, exigese, no que a operação seja informada na Fl. 37DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005140/200667 Acórdão n.º 920202.077 CSRFT2 Fl. 997 9 declaração de ambas as partes e que a pessoa que esteja emprestando o numerário tenha suporte de recursos para tanto. No caso em apreço, a justificativa referente ao suporte de recursos da pessoa que empresta deuse pela própria operação envolvida, já que decorrente de alienação de automóvel. Entendo que, no presente caso, não há de se exigir que o mencionado empréstimo entre parentes conste nas declarações de ajuste anual das pessoas envolvidas, tendo em vista o fato de tanto a obtenção do empréstimo, como sua quitação deramse no mesmo ano calendário. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 38DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11618.000297/00-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 NORMAS PROCESSUAIS. CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O parágrafo quarto do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 , introduzido pela Lei n° 10.637/2002, transformou os pedidos de compensação em declarações de compensação, desde o protocolo do respectivo pedido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 05 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerar-se-á homologada (homologação tácita) a compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que não reconhecia as homologações tácitas, e Paulo Sérgio Celani, que reconhecia parcialmente as homologações tácitas para as Declarações de Compensação entregues em 15/02/2000, 15/03/2000, 14/04/2000, 15/05/2000. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Hugo Mendes Plutarco, OAB/DF nº 25.090.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 NORMAS PROCESSUAIS. CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O parágrafo quarto do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 , introduzido pela Lei n° 10.637/2002, transformou os pedidos de compensação em declarações de compensação, desde o protocolo do respectivo pedido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 05 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerar-se-á homologada (homologação tácita) a compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11618.000297/00-17
conteudo_id_s : 5235492
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-001.262
nome_arquivo_s : Decisao_116180002970017.pdf
nome_relator_s : JOSE LUIZ BORDIGNON
nome_arquivo_pdf_s : 116180002970017_5235492.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que não reconhecia as homologações tácitas, e Paulo Sérgio Celani, que reconhecia parcialmente as homologações tácitas para as Declarações de Compensação entregues em 15/02/2000, 15/03/2000, 14/04/2000, 15/05/2000. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Hugo Mendes Plutarco, OAB/DF nº 25.090.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4597249
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576050032640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2046; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 703 1 702 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.000297/0017 Recurso nº 340.730 Voluntário Acórdão nº 3801001.262 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de maio de 2012 Matéria IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente POLIMASSA ARGAMASSAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 NORMAS PROCESSUAIS. CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O parágrafo quarto do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 , introduzido pela Lei n° 10.637/2002, transformou os pedidos de compensação em declarações de compensação, desde o protocolo do respectivo pedido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 05 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerarseá homologada (homologação tácita) a compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que não reconhecia as homologações tácitas, e Paulo Sérgio Celani, que reconhecia parcialmente as homologações tácitas para as Declarações de Compensação entregues em 15/02/2000, 15/03/2000, 14/04/2000, 15/05/2000. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Hugo Mendes Plutarco, OAB/DF nº 25.090. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 05/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 704 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A interessada acima qualificada formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 37.527,11, referente ao período de janeiro a dezembro de 1999, com fundamento no art. 11 da Lei n.° 9.779, de 1999. As fls. 244, 246, 301, 302, 303, 304 e 306, encontramse pedidos de compensação com débitos neles elencados. 2. No Termo de Informação Fiscal de fls. 436/446, a autoridade diligenciadora, depois de elencar os processos de ressarcimento formulados pela contribuinte e os fundamentos jurídicos dos pedidos, consignou, em apertada síntese, as seguintes informações: 2.1. A contribuinte fabrica argamassas colante, para rejuntamento e para revestimentos, que classifica com alíquota de 0% (zero por cento); 2.2. As notas fiscais que embasaram o pedido referemse a insumos destinados industrialização; 2.3. Glosouse o valor de R$ 1.198,66, que se refere a transferências de cimento da filial para a matriz, nas quais a contribuinte creditouse do IPI à alíquota de 4%. A filial é não contribuinte de IPI, pois se dedica à revenda de mercadorias e não fez a opção pela equiparação. Como a filial é estabelecimento comercial que exerce o comércio atacadista, a matriz só terá direito a se creditar do IPI, calculado mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre 50% (cinqüenta por cento) do valor que consta da nota fiscal (art. 148 do Regulamento do IPI de 1998 — RIPI/98); 2.4. Classificando os produtos fabricados pela contribuinte com base na Tabela do IPI IPI e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), editadas pela Instrução Normativa — IN SRF n.° 157/2002, contatouse que a argamassa colante tem classificação na posição 3214.90.00, "Ex" 01, com aliquota de 0% (zero por cento); a argamassa para rejuntamento classifica se na posição 3214.10.10, com aliquota de 10% (dez por cento); e a argamassa para revestimento classificase na posição 3824.50.00, com aliquota de 10% (dez por cento); Fl. 717DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 2.5. Elaborada planilha de apuração de saldo do IPI, constatou se que o saldo credor, relativo ao ano de 1999, foi de R$ 10.189,27. 3. Tendo em vista as informações consignadas, a autoridade a quo deferiu em parte o pedido de ressarcimento, no valor proposto (R$ 10.189,27), e homologou, neste mesmo montante, os pedidos de compensação apresentados (fl. 447). 4. Inconformada, a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, acostada As fls. 453/470, na qual aduz, em apertada síntese: 4.1. Não há que se falar em comércio entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. No aspecto fiscal, os estabelecimentos matriz e filial são autônomos entre si; no aspecto econômico e tributário, um é extensão do outro; 4.2. As transferências de bens de produção (cimento) da filial para a matriz foram feitas com destaque de 4% de IPI, imposto que deve ser creditado integralmente por ocasião da entrada. O estabelecimento filial é contribuinte do IPI, porque se dedica A comercialização de produtos fabricados pela matriz, na forma do art. 9°, III, do RIPI/98. 4.3. O art. 40, XI, do mesmo Regulamento contempla hipótese de suspensão do IPI; seu §3° prevê os casos em que a referida suspensão não se aplica. Só se pode suspender o que existe. 0 imposto destacado nas notas das filiais foi feito com acerto e correção, porque sendo o aludido estabelecimento equiparado a industrial, outro não poderia ser o seu comportamento, ao promover a saída do produto tributado. Cabe salientar que o valor do IPI incidente sobre a compra de cimento portland, destacado nas notas fiscais do fornecedor, cujo produto, embora destinado à fabrica, fora endereçado e entregue no estabelecimento filial, foi registrado em seu Registro de Entradas e, sem seguida, esta promoveu a transferência para o efetivo destinatário. Preliminarmente 4.4. Requer a juntada deste processo ao de n.° 11618.001024/200587, para que sejam decididos conjuntamente. 4.5. O Despacho Decisório é nulo, pois, mesmo que tivesse recolhido a maior ou a menor, o direito de a Fazenda Pública proceder à revisão do lançamento só pode ser realizado no prazo de cinco anos, conforme arts. 149 e 150 do CTN. Em relação ao ano de 1999, a operação se encontra perfeita e acabada, "mormente o atestado da própria fiscalização quanto as entradas consideradas para efeito de crédito do IPI, referir se, efetivamente, a insumos empregados na produção". Reclassificação fiscal dos produtos Fl. 718DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 705 5 4.6. Entre 10 de janeiro e 31 de dezembro de 1999, encontrava se vigente a Tabela de IPI (TIPI), aprovada pelo Decreto n.° 2.092, de 10/12/1996. Nesta tabela, consta o "Ex" 01 na posição 3214.90.00; 4.7. A autoridade autuante, baseandose em Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), editadas pela IN SRF n.° 157/2002, e da Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, datada de 08/06/2004, cuidou de censurar o procedimento da empresa para aplicar aos casos pretéritos legislação que somente veio a ser editada vários anos depois dos fatos geradores; 4.8. Foram consideradas, também, normas do Decreto n.° 4.070, de 28/12/2001, que não se pode aplicar a fatos geradores ocorridos no ano de 1999, pois somente entrou em vigor em 1° de janeiro de 2002; 4.9. As Notas Explicativas para interpretação da TIPI, nos períodos de que cuida o processo, reportamse ao Decreto n.° 435, de 28/01/1992, que aprovou as NESH, "alterado pela IN SRF 111/94; IN 25/95; IN 123/98; IN 05/99; IN 54/99" (sic). Na auditoria, não se percebeu que, até a publicação do Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, existia na TIPI o "Ex" 01 na posição 3214.90.00, que só foi revogado a partir de 1 0/11/2002. A Solução de Consulta SRRF/4a/RF/Diana n.° 8, de 2004, não se presta para situação ocorrida no ano de 1999, porque não se encontrava mais em vigor o "Ex" 01 da posição 3214.90.00; 4.10. Os produtos fabricados pela empresa são classificados no "Ex" 01 da posição 3214.90.00, porque todos eles foram tipificados dentro da especificação estabelecida, por se tratar de mistura de cimento e/ou cal, com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada, pó de pedra e semelhantes, adicionada ou não de agua, corante ou impermeabilizante; Argamassas de Rejuntamento 4.11. Esses produtos são comercializados com a denominação de "Rejunto sem Resina” e "Rejunte com Resina”. Compõese, como descrito, de uma mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), retentor de Agua, corante (pigmento), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, sendo que, em alguns casos, é utilizado areia no lugar de pedra britada. De acordo com a TIPI, o "Ex" 01 da posição 3214.90.00 é a mais especifica para classificar este produto; 4.12. O induto diferenciase de mástique por possuir elevado teor de matérias de carga, sendo este teor muito superior ao dos aglutinantes. No caso da argamassa de rejuntamento, o teor de material de carga é de 73,15% (pedra britada e corante) e de aglutinantes é de 26,85% (cimento, retentor de água, impermeabilizante e polímero). Logo, fácil concluir que a argamassa de rejuntamento é um induto, não um mastigue, pois Fl. 719DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 na mistura dos aglutinantes o cimento corresponde a 25%, ou seja, é um produto rígido, deixando esta argamassa com grande quantidade de material de carga e não elástica ou borracha, que são características do mástique; 4.13. A classificação adequada para a argamassa de rejuntamento é na posição 3214, no "Ex" 01, por se tratar de induto não refratário do tipo dos utilizados em alvenaria e por comporse de cimento e pedra britada. Argamassa de revestimento 4.14. Outro equivoco foi enquadrar a argamassa de revestimento, com nome de fantasia "Assentamento Pronto", "Reboco Pronto", "Massa Única", "Chapisco Pronto", e "Contrapiso Pronto", na posição 3824.50.00, quando a própria disposição do capitulo encontrase claramente ressalvada que a tipificação somente se daria ali caso não estivesse compreendida em outra posição. Existe um "Ex" 01, na posição 3214.90.00, que se constitui "em exceção a regra por mais especifica que seja, destaque prevalente em qualquer situação como já descrito, fato esse que já dispensaria por si só a necessidade de ressalva acima mencionada"; 4.15. Além disso, a Regra Geral 3a. para interpretação do Sistema Harmonizado estabelece que a posição mais especifica prevalece sobre a mais genérica; 4.16. A interpretação da fiscalização, baseada na Solução de Consulta realizada para outra empresa em 8/06/2004, cuida de TIPI que não se aplica ao período examinado. O "Ex" 01 da posição 3214.90.00 já havia sido extinto pelo Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, ou seja, a TIPI utilizada para a resposta era diferente daquela do período fiscalizado; 4.17. A referida Solução de Consulta não deve ser estendida a terceiros e por esses utilizada; 4.18. Consta no Capitulo 32, posição 14, "INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA", "e nas subposições e itens da tabela dessa posição não aparecer especificamente, levando a concluir, logicamente, que se insere no subitem 3214.90.00 e, em especial, dentro do Destaque 'Ex 01' desse subitem"; 4.19. Nas Notas Explicativas previstas na IN SRF n.° 157, de 2002, que tratam de indutos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria, diz que se aplicam nas fachadas, paredes interiores, pavimentos e tetos de prédios, nas paredes e fundos de piscinas etc., de modo a tornálos impermeáveis a umidade e a darlhes boa aparência. Este grupo compreende, entre outros, os indutos pulverizados A base de quartzo em pó e cimento, adicionados de uma pequena quantidade de plastificantes e utilizados, por exemplo, depois de se lhes acrescentar água, para assentamento de ladrilhos de azulejos; 5. Ao final, requer o crédito fiscal indevidamente glosado, que seja desconsiderada a reclassificação feita pela fiscalização, homologada as compensações do imposto acostadas, tornada Fl. 720DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 706 7 sem efeito o refazimento da escrita e nulos os atos decorrentes do procedimento equivocado da autoridade autuante. 6. Através do Acórdão DRJ/REC n.° 13.614, de 27/10/2005 (fls. 473/493), anulouse a decisão proferida nos autos, pois entendida em desconformidade com a legislação. Na oportunidade, o relator do voto vencedor reputou conveniente averiguar se os créditos constantes no RAIPI, na rubrica reservada a "transferências para industrialização", já teriam sido escriturados a titulo de "compras para industrialização", além do que, diante da circunstancia de que algumas mercadorias transitaram inicialmente pela filial, verificar quais insumos chegaram ao estabelecimento industrial e, conseqüentemente, foram empregados no processo produtivo. 7. A autoridade a quo prolatou nova decisão, por meio da qual deferiu em parte o pedido de ressarcimento, no montante de R$ 9.054,33, e homologou a compensação no valor do crédito reconhecido (vide fls. 520). Na Informação Fiscal de fls. 508/519, a autoridade diligenciadora consignou, quanto à primeira das indagações apresentadas pela DRJ, que não houve duplicidade de escrituração; quanto à seguinte, que as aquisições de cimento pela filial foram escrituradas no Livro de Registro de Entradas e, quando da transferência para a matriz, no Livro de Registro de Saídas; no estabelecimento matriz, foram escrituradas no Livro de Registro de Entradas e de Apuração de IPI, respectivamente, com valores equivalentes. Diz, ainda, que as transferências de cimento (sacos) da filial para a matriz, suscitadas no Acórdão DRJ/REC n.° 13.614, de 27/10/2005, como nãopassíveis de direito ao crédito do IPI em sua totalidade, estão sendo glosados integralmente (aplicação da aliquota de 4% sobre 50% do valor das notas fiscais). 8. A contribuinte apresentou, no prazo legal, manifestação de inconformidade contra a nova decisão (fls. 522/549), na qual aduz, em síntese: A filial é equiparada a industrial 8.1. A filial foi constituída como varejista, mas opera no atacado (80%), com venda de bens de produção, e no varejo (20%), com venda de bens de consumo, predominando a venda de produtos de fabricação própria (90%); 8.2. O Decreto n.° 2.637, de 1998 (RIPI198), consagra, em seu art. 14, inciso II, que estabelecimento comercial varejista é aquele que efetuar vendas diretas para consumidor, ainda que realize vendas por atacado esporadicamente, considerandose esporádicas as vendas por atacado quando, no mesmo semestre civil, o seu valor não exceder a vinte por cento do total das vendas realizadas. A fiscalização teve acesso a tais dados; a empresa não poderia ser considerada varejista, pois excedeu o limite várias vezes; 8.3. A filial é estabelecimento equiparado a industrial. Quando de sua implantação, imaginouse que a sua atividade Fl. 721DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 preponderante seria a de comércio varejista, sendo que a sua realidade é outra, tendo sido promovida a correspondente alteração cadastral; Transferências entre matriz e filial 8.4. Para cada nota fiscal emitida pelo fornecedor em nome da filial, sem que o insumo fosse sequer recebido, a empresa emitia uma nota fiscal (de transferência), na mesma quantidade, para "capear" a primeira nota, fazendo o insumo chegar A fábrica acompanhado por ambas os documentos fiscais. O art. 171, III, do RIPI198 prescreve que os créditos serão escriturados pelo beneficiário "nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação". Tal dispositivo consagra o direito da empresa em consonância com o principio da nãocumulatividade e com o disposto no art. 163 do RIPI/2002. Ilegítimo glosar os créditos de tais notas fiscais, emitidas para acompanhar o trânsito entre o estabelecimento filial e a matriz, para neste último ser empregado na produção industrial; Reclassificação fiscal dos produtos 8.5. No período, encontravase vigente a Tabela de IPI (TIPI), aprovada pelo Decreto n.° 2.092, de 10/12/1996. Nessa tabela, consta o "Ex" 01 na posição 3214.90.00. A empresa aplicou o "ex" tarifário na comercialização dos produtos: argamassa colante, argamassa para rejuntamento e argamassa para revestimento, cujas saídas se deram com aliquota zero. Tais produtos se tratam de mistura de cimento, com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada e pó de pedra e semelhantes, adicionado, ou não, água, corante ou impermeabilizante. Para que o produto pudesse ser tarifado no "ex" 01 da posição 3214.90.00, bastava se tratar de uma mistura de cimento (e/ou cal), com saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada ou pó de pedra. Irrelevante que fosse adicionada, ou não, água, corante ou impermeabilizante; 8.6. A fiscalização considerou a Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, datada de 08/06/2004, que somente veio a ser editada depois dos fatos geradores. A nova apuração do IPI, decorrente da decisão prolatada DRJ/REC, visou corrigir o procedimento antes homologado, permanecendo o entendimento da fiscalização em procurar demonstrar a exaustão que os produtos deveriam ter sido classificados diferentemente; 8.7. A empresa se socorreu de entendimento técnico abalizado, no caso, o CENTRO PROFISSIONAL DE COMÉRCIO EXTERIOR — CENPEC, o qual tem como titular um ex AuditorFiscal e professor de Comércio Exterior, para que fosse aceito ou tivesse valia para Fazenda Pública. Além de discordar da interpretação da fiscalização, consignou, dentre outras informações, que o "Ex 'Tarifário se refere a uma mercadoria muito bem especificada e não simplesmente vinculada a uma Fl. 722DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 707 9 determinado código, muitas vezes mal classificado pela administração pública" (ipsis litteris; sublinho do original); 8.8. Não resta dúvida que, existindo um "ex" tarifário, o produto que se tipifique com a especificação nele trazida, esteja onde estiver classificado na TIPI, terá que se deslocar, para fins de tributação, para esse "ex" tarifário. Não muda a classificação fiscal do produto, o que muda é a tributação incidente (cita decisões do Conselho de Contribuintes para embasar seu raciocínio); 8.9. Utilizandose das características do produto argamassa de revestimento, da Regra Geral do Sistema Harmonizado RGI/SH n.° 1 (valor legal do produto determinado pelo texto da posição) e das notas explicativas da posição, a sua classificação é 3214.90.00, "Ex" 01, conforme atesta o Parecer Técnico n.° 016.454 do Instituto Tecnológico de Pernambuco — ITEP (cita as Soluções de Consulta para embasar o seu entendimento); 8.10. A ressalva contida no texto da posição 3824 somente deve ser considerada se não existirem outras posições cuidando das mesmas coisas (a posição 3214 é mais especifica). A opinião de AuditorFiscal aposentado corrobora o entendimento da empresa; 8.11. No caso de argamassa para rejuntamento, a mesma é um induto, não um mástique; 8.12. As notas fiscais de do Sistema Harmonizado são pobres em definir e distinguir induto de mástique. Segundo tais notas, os mastigues se destinam a obturar fendas. As argamassas de rejuntamento produzidas pela empresa destinamse a preencher juntas de assentamento. Não se pode confundir fenda com junta de assentamento (reproduz trecho de norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, na qual se define junta de assentamento); 8.13. O rejunte da empresa não é utilizado para obturar fenda em alvenaria, mas, sim, para ser aplicado em superfícies mais importantes, isto, é, no acabamento das juntas de assentamento de revestimentos cerâmicos e azulejos. As notas explicativas da posição 3214 explicam que mástique e induto se caracterizam, essencialmente, pela sua utilização. A argamassa de rejuntamento é um induto, e a sua classificação correta é na posição 3214.90.00, "Ex" 01; 8.14. Juntase correspondência do SINAPROCIM, enviada "ao então Sr. Secretário da Receita Federal, em face do Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, que extinguiu o ex 01, da posição 3214.90.00 para as argamassas (Doc. 08), cuja resposta enviada pelo Coordenador Geral de Tributação, datada de 22/05/2003 (Doc. 09), procurou justificar o porquê da alteração de sua tributação para 10%, a partir de 1 0 de novembro de 2002, sem qualquer divergência, com o entendimento esposado na correspondência do Sindicato, quanto Fl. 723DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 à classificação das argamassas de revestimento e de rejuntamento no "ex" 01 da posição 3214.90.00" (ipsis litteris; negritos do original); 8.15. Foram, anexadas notas fiscais emitidas por empresas de grande porte, que tiveram o mesmo entendimento; 8.16. A Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, de 08/06/2004, esta embasada na TIPI aprovada pelo Decreto n.° 4.542, de 26/12/2002, que entrou em vigor em 01/01/2003, embora o presente processo somente se refira ao ano de 1999. 9. Ao final, requer a restauração do crédito indevidamente glosado, a desconsideração da classificação fiscal pretendida pela fiscalização, a homologação da compensação, bem como seja tornado sem efeito o refazimento da escrita fiscal. A Delegacia de Julgamento em Recife proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA COLANTE. TIPI 3214.90.00. A argamassa colante, induto nãorefratário, resultante da mistura, de cimento, areia, retentor de água, resina polímero aderente e resina polímero flexível, que, adicionada de água, é utilizada para assentar Cerâmicas, pastilhas, e porcelanatos, classificase na posição 3214.90.00 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA PARA REJUNTAMENTO. TIPI. 3214.10.10. A argamassa para rejuntamento (mastigue), resultante da mistura de cimento, carbonato de cálcio, retentor de água, hidrofugante, bactericida, resina polímero flexibilizante e pigmentos, que, adicionada de água, é utilizada para rejuntar peças cerâmicas, classificase na posição 3214.10.10 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. TIPI. 3824.50.00. A argamassa para revestimento nãorefratária, resultante da mistura de cimento, cal, carbonato de cálcio, retentor de agua, hidrofugante, bactericida, resina polimero flexibilizante e pigmentos, que, adicionada de água, é utilizada para assentar blocos de concreto ou cerâmicos ou de cimento e revestir paredes e tetos, de áreas internas e externas, para ponte de aderência entre base e revestimento, para regularização de pisos e lajes de revestimento, classificase na posição 3824.50.00 da TIPI. Solicitação Indeferida. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 708 11 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 602 a 702, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese que: • Independente do rumo que tomou a demanda, a matéria discutida se prende a glosa de parte do crédito fiscal do IPI, focado em dois núcleos principais que deram origem aos pedidos de compensação, a saber: • a) aproveitamento (ou não) de crédito fiscal do IPI pela matriz, em relação matériaprima que tendo sido adquirida pela filial, foi transferida para o processo industrial da RecorrenteMatriz; • b) possibilidade (ou não) de enquadramento dos produtos fabricados pela Recorrente no "Ex" tarifário 3214.90.00 sujeito a alíquota "0" (zero) de IPI. • No que tange ao item "b" é importante destacar que a matéria não se prende à classificação fiscal do produto em si, mas, ao ressarcimento de IPI decorrente do efetivo emprego de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens tributados, aplicados na fabricação de produtos industrializados pela Recorrente, cuja tributação desses últimos, nas saídas ocorridas entre Janeiro de 1999 e setembro de 2002, deuse para efeito do IPI, no "Ex" 01, da Posição 3214.90.00, sujeitas à alíquota 0 (zero) . • O julgamento da primeira manifestação de inconformidade da ora Recorrente contra despacho anterior que indeferiu parte do seu pedido de ressarcimento, a Recorrida por maioria de votos julgou NULO o Despacho Decisório. A última manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente não poderia levar em conta o primeiro Despacho nulo, tampouco sua manifestação anterior, considerando que procedimento nulo, ser procedimento inexistente. Todavia, o julgamento ora recorrido além de reportarse, insistentemente, ao procedimento nulo, embasou os seus fundamentos quase que exclusivamente na apreciação anterior, ressalvandose, apenas, as novas questões trazidas quando ao aproveitamento do crédito fiscal (item "b" acima), de modo que não fez um "mínimo" comentário aos argumentos trazidos com a última manifestação de inconformidade, tampouco, quanto as provas produzidas, limitandose, tão somente, a relatar o que constou da impugnação, em evidente cerceamento ao direito de defesa da recorrente, porque não apreciou adequadamente seus argumentos. • O Despacho recorrido não apreciou adequadamente todos os fundamentos da manifestação de inconformidade, não trouxe argumentação lógica, coerente, consistente, com justificativas e detalhamentos relevantes e, ademais, desprezou as informações prestadas e ignorou os pareceres técnicos e demais documentos comprobatórios do direito da ora Recorrente. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 12 • Uma vez que o Despacho Decisório, ato administrativo julgado NULO, não gera obrigação para o sujeito passivo, mas, vincula o administrador gerando efeitos extunc, retroagindo à origem do ato, ou seja, como bem explicita Bandeira de Melo: "fulmina o que já ocorreu, no sentido de que se negam hoje os efeitos de ontem”, transcorrido o prazo de cinco anos desde a entrega da declaração de compensação, operouse a homologação nos termos do §5°, do art. 74, da Lei n° 9.430 de 1996, sendo, observese: • a) A Recorrente formulou pedidos de compensação (convertidos em Declarações de Compensação), conforme o Decreto n° 20.910, de 1932, nas datas abaixo listadas, cuja contagem do prazo qüinqüenal já se exaurira quando se tomou ciência do Mandado de Procedimento – Fiscalização 04.3.01.002006000721 e Termo de Inicio de Ação Fiscal, aos 31/03/2006. • b) Quando se deu a interferência da Fazenda Pública aos 31/03/2006, no entender da Recorrente os créditos fiscais do IPI do ano de 1999, compensados no ano de 2000, na forma do §5º, do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, na redação da Lei n° 10.833, de 2003, já se encontravam homologados. • Da mesma forma, o crédito fiscal do IPI, realizado no ano de 1999, depois de transcorrido o prazo de cinco anos sem a manifestação da Fazenda pública, igualmente não poderia mais ser glosado, tampouco, ser refeita a escrita da Recorrente como ocorreu, eis que ao arrepio das disposições do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002. (grifos do original) Em 29 de outubro de 2007 o processo foi encaminhado para julgamento e em 01 de fevereiro de 2010, pela Resolução nº 380100.043, da Primeira Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento foi convertido em diligência, conforme relatório e voto abaixo colacionado: RELATÓRIO E VOTO Conselheiro Arno Jerke Junior, Relator. Cuidase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, referente aos períodos informados nos autos, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. A discussão do processo se resume a dois pontos cardeais: a classificação dos produtos fabricados e seu enquadramento como produto de saída isenta de IPI, bem como a tributação sobre transferência de mercadoria entre filial e matriz. Contudo, entendo que o julgamento da matéria dependa do conhecimento da composição e da classificação exata da mercadoria objeto dos pedidos, razão pelo qual voto em baixar os autos em diligencias para realização de perícia técnica nos produtos, Argamassa Colante (Colaforte Polimassa), Argamassa Fl. 726DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 709 13 para rejuntamento (Rejuntes Polimassa), Argamassas para Revestimento, objeto dos pedidos de ressarcimento. O objetivo da diligência será definir objetivamente a composição, natureza e o conseqüente enquadramento dos produtos supra referidos, respondendo, inclusive, os questionamentos abaixo: a) se os produtos se configuram mástique ou indultos ou uma terceira opção de enquadramento. b) Se na composição do produtos, estão incluídos os materiais incluídos no ex tarifário, vigente à época do pedido. c) Se carbonato de cálcio é o mesmo que pedra britada; d) Classificação fiscal de cada um deles. É como voto. Arno Jerke Júnior Em atendimento, foi requerida pela autoridade fiscal perícia técnica à Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado da Paraíba – FUNAPE, que apresentou o Laudo Técnico de fls. 656/672. Também, foi juntada aos autos a Informação Fiscal de fls. 673/683. É o relatório. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 14 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requer a interessada que seja declarada a homologação tácita dos Pedidos de Compensação. Sabese que a compensação de tributos é regulada pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de1996, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, passando por diversas alterações legislativas ao longo do tempo. Para melhor compreensão, transcrevo, a seguir, a redação atual do referido artigo: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 728DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 710 15 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 729DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 16 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com Fl. 730DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 711 17 falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)” Por seu turno, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, objetivando regular a matéria a que se refere os parágrafos 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, editou a Instrução Normativa SRF nº 460, de 18/10/2004, dos quais transcrevo os seguintes: “Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de não homologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...] § 2º. prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. [...] Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. [...] Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º. do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização o do pedido na SRF”. Importante ressaltar que os pedidos de compensação de que trata o presente processo são anteriores ao surgimento das Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, as quais modificaram substancialmente o artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Ou seja, na data do pedido de ressarcimento de fls. 01 e nas datas dos pedidos de compensação de fls. 244, 246, 301 a 306, a regulação da matéria estava na IN SRF n° 21/97, com as alterações da IN SRF n° 73/97, não existindo as figuras da “Declaração de Compensação” e “Homologação Tácita Prazo para Homologação”. Assim, em conformidade com a legislação acima transcrita e nos termos dos §§ 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº. 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de análise por parte da SRF em 01/10/2002 foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação desde o seu protocolo, sujeitos, portanto, à homologação tácita quando não Fl. 731DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 18 analisados dentro do prazo de 05 (cinco) anos a contar do seu protocolo. Isto é, a homologação tácita somente ocorre em relação aos pedidos de compensação que foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação, não guardando nenhuma relação com a procedência do crédito, nem tampouco a cumprimento de requisitos que porventura devessem ser cumpridos com relação ao mesmo. O prazo a que se refere o §5º do art. 74 da Lei 9.430/96 ocorre com a intimação da decisão (Despacho Decisório) ao sujeito passivo, conforme dispõe o art. 73, da IN SRF nº 460, de 2004, in verbis: “Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 56, 61 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento”. No caso em análise, a ciência do Despacho Decisório que não homologou as compensações requeridas se deu em 17/07/2006, fls. 521, e a apresentação dos Pedidos de Compensação ocorreu no intervalo compreendido entre o dia 15/02/2000 e 15/08/2000, após cinco anos da data dos respectivos pedidos, conforme consta no quadro abaixo. Pedido de Compensação (Declaração de Compensação) Fls. Data da entrega Ciência do Despacho Decisório 244 15/2/2000 17/07/2006 246 15/3/2000 301 14/4/2000 302 15/6/2000 303 17/7/2000 304 15/8/2000 306 15/5/2000 Assim, considerando o acima exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, declarando tacitamente homologadas as compensações de que tratam os Pedidos de Compensação protocolados entre 15/02/2000 e 15/08/2000. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 732DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.000297/0017 Acórdão n.º 3801001.262 S3TE01 Fl. 712 19 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.003012/2001-72
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996
Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Pleno
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10120.003012/2001-72
conteudo_id_s : 5223511
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9900-000.280
nome_arquivo_s : Decisao_10120003012200172.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10120003012200172_5223511.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
id : 4577169
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576091975680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.003012/200172 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 920000280 – Pleno Sessão de 7 de dezembro de 2011 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida Steel Sociedade Técnica de Enfermaria e Empreend. Ltda Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1996 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) RELATOR FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR. (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 01/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Fabiola Cassiano Keramidas, Marcos Aurelio Pereira Valadao, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratase de Auto de Infração referente a IRPJ anocalendário 1996, sendo apurado com base no lucro real mensal. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 215/222, mantendo a decisão da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 145/159), tendo sido acolhida a preliminar de decadência mediante aplicação do prazo previsto pelo § 4º do art. 150 do CTN, exarando o Acórdão de nº 0105.970, de 12/08/2008. Eis a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO : NORMA S GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECADÊNCIA IRPJ – O imposto de renda pessoa jurídica se submete à modalidade de lançamento por homologação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, o fisco dispõe de prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador para homologálo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento. Recurso especial negado Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10120.003012/200172 Acórdão n.º 920000280 CSRFPL Fl. 2 3 O artigo 9º do Regimento Interno da Câmara Superior aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, já revogado, trazia a previsão de seria possível interposição de recurso extraordinário ao Conselho Pleno no tocante a decisões de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que dessem à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com fulcro nesse dispositivo, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário, fls. 226/231, pleiteando a reforma do acórdão proferido pela Primeira Turma, com objetivo de ver aplicado o prazo decadencial cuja contagem tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado com fundamento no inciso I do art. 173 do CTN, indicando como divergência necessária à interposição do recurso, a recorrente a decisão exarada no Acórdão CSRF/0202.1308, de 12/05/2003, juntado aos autos, assim ementado: Ementa: COFTNS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, CTN. . AMPLIAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo o Contribuinte recolhido valor algum a título de COFINS, não é possível a ocorrência da homologação tácita, uma vez que não há pagamento antecipado a ser homologado, aplicandose a regra geral para contagem do prazo decadencial do lançamento de oficio, descrita no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que é de cinco (05) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. A decadência consubstanciase em garantia fundamental dos contribuintes, razão pela qual se veda ao legislador ordinário fixar prazo superior àquele insculpido no art. 173 do CTN. Recurso negado. Às fls. 246 encontrase despacho do Presidente da CSRF dando seguimento ao recurso extraordinário. O contribuinte apresentou suas contrarrazões, apresentando breve histórico da autuação informando ter compensado prejuízos fiscais acumulados, bem como , deixou de adicionar excesso de retiradas e de realizar o mínimo obrigatório do lucro inflacionário acumulado, sendo que tais fatos foram levados tempestivamente ao conhecimento do Fisco, através da DCTF do primeiro trimestre e da DIPJ. Em apertada síntese, sustenta a inadmissibilidade do recurso tendo em vista não ter sido demonstrado que o acórdão indicado como paradigma reporta a mesma situação fática de compensação com prejuízos fiscais. Destaca que a utilização do instituto da compensação, seja ela com créditos de prejuízo fiscal ou com créditos de recolhimento indevido, não se confunde ou não tem a mesma caracterização de não recolhimento do tributo'. São institutos diferentes, e assim devem ser entendidas em todas as implicações tributárias. No mérito, afirma que há muito a doutrina consolidou o entendimento de que a homologação alcança a atividade, tendo em vista inúmeras situações em que o contribuinte Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 nada recolhe, como é o caso da compensação decorrente de prejuízos fiscais, ou, ainda, isenção ou imunidades. Os autos foram a mim sorteados e, após análise, os inclui na presente pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls. 246. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação deste colegiado referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito lançado e discutido no presente lançamento que, por sua vez, teve como fato gerador a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, referente a ocorrências no anocalendário 1998. No tocante à preliminar decadência, insta observar que para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10120.003012/200172 Acórdão n.º 920000280 CSRFPL Fl. 3 5 prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Inexistem dúvidas quanto ao fato de que todos os membros desde colegiado concordam que a modalidade de lançamento por homologação ocorre quando a legislação que rege determinado tributo determine ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do valor devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesses casos, a atuação da administração tributária é posterior, seja ao homologar expressamente o pagamento prévio realizado pelo sujeito passivo, seja de maneira tácita, decorrido o prazo legalmente estabelecido para sua manifestação acerca do recolhimento efetuado pelo obrigado, conforme consta do § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No caso em apreço, não há nos autos documento comprobatório de recolhimento antecipado de imposto de renda, conforme consta nas declarações do contribuinte. Registrese que o sujeito passivo informou que nada recolheu por estar compensando prejuízos fiscais de exercícios anteriores, tendo sido demonstrado que compensou além dos limites permitidos pela legislação regente. Nesse sentido, inexistindo razão para aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação, seguese a imperiosa necessidade de aplicação da regra geral esculpida no Código Tributário Nacional nos termos do artigo 173 .. Assim, a conclusão que se impõe é a de que, não havendo pagamento antecipado, o lançamento de tributo sujeito à homologação poderá ser realizado no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;....” Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo para análise do mérito. Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10120.003012/200172 Acórdão n.º 920000280 CSRFPL Fl. 4 7 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720073/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente equivalente a 371,2 ha, com base no laudo apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11040.720073/2007-46
conteudo_id_s : 5238490
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-001.858
nome_arquivo_s : Decisao_11040720073200746.pdf
nome_relator_s : ODMIR FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 11040720073200746_5238490.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente equivalente a 371,2 ha, com base no laudo apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4599440
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576105607168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.720073/200746 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 220201.858 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria ITR Recorrente BENIGNA DUTRA LESSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente equivalente a 371,2 ha, com base no laudo apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720073/200746 Acórdão n.º 220201.858 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Campo Grande/MS, que manteve a autuação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2003, tendo por objeto o imóvel denominado “Ponta Alegre” cadastrado na RFB sob o nº 0.517.2314, com área total declarada de 948,2ha, sendo 380,2ha de área de preservação permanente, localizado no Município de Arroio Grande/RS.. Os fatos estão assim relatados na autuação: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. O contribuinte foi intimado a comprovar, através de Laudo Técnico e/ou Certidão de órgão Público competente e apresentação do Ato Declaratório Ambiental IBAMA, a área informada na declaração de ITR como sendo área de preservação permanente. Em resposta ao termo de intimação, o contribuinte apresentou memorial Descritivo e Laudo Técnico, onde informa, que a localização da Área de preservação permanente é uma área de banhado (344,1485 ha) e, na margem da Lagoa Mirim, obedecendo A faixa com metragem de 100 (cem) metros ao redor de lagoas naturais, conforme determina o artigo 3°, resolução CONAMA n° 303, de 20 de março de 2002, uma área de preservação permanente de 27,0852 ha. Em relação a área de preservação permanente, estas deverão ser as previstas no art. 2° da Lei n 2 4.771/65, ou no art. 3° da mesma lei, sendo que neste caso deverá ser declarada por ato do Poder Público. No caso do art. 2° da Lei n 2 4.771/65, a área rural em questão na sua confrontação com a Lagoa Mirim (2.714,52 metros), perfazendo uma área de preservação permanente de 27,0852 ha, conforme Laudo Técnico. O contribuinte não apresentou ato expedido pelo Poder Público, conforme art. 3° da Lei n° 4.771/65, declarando os 344,1485 ha de área de banhado como área como de preservação permanente. O Ato Declaratório Ambiental ADA deve ser protocolizado no IBAMA ou em órgãos ambientais estatuais delegados por meio de convênio no prazo até 6 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 4 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, sendo que o contribuinte apenas em 05/10/2007 apresentou o ADA Ato Declaratório Ambiental, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Caso o Ato Declaratório Ambiental (ADA) não tenha sido protocolizado pelo contribuinte no prazo fixado, o contribuinte não pode excluir da tributação pelo ITR as áreas de informação obrigatória em ADA. Em resumo, a autuação ocorreu porque o contribuinte, intimado, não comprovou a área de preservação permanente declarada na DITR – exercício 2003. Assim, houve glosa integral da área de preservação permanente declarada de 380,2 ha, com consequente aumento da área tributável/área aproveitável e da alíquota aplicada, resultando imposto suplementar de R$ 17.163,85, conforme demonstrado às fls. 04. A decisão recorrida (fls. 61/66), com ciência em 09/06/2009 (fls. 71), não admitiu a exclusão da área ambiental declarada do ITR de 380,2 ha, pela falta do Ato Declaratório Ambiental ADA. Recurso Voluntário a fls. 72/85 sustentado que a decisão recorrida está equivocada, a área isenta não está condicionada a tempestividade da apresentação do ADA. Defende que a APP é de interesse ambiental de acordo com o Código Florestal, e uma vez existente, não há possibilidade de sua reversão sem autorização ou aprovação do órgão ambiental. Pugna pela verdade real ou material. A área de preservação permanente foi comprovada por laudo técnico emitido por profissional habilitado, com o ADA protocolado em 05/10/2007 e mapa com memorial descritivo do imóvel rural. É o breve relatório. Voto. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720073/200746 Acórdão n.º 220201.858 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Não há preliminares a vencer. No mérito, tratase de autuação do ITR do exercício de 2003, realtivo a glosa da área de preservação permanente declarada pelo contribuinte Recorrente. A decisão recorrida manteve e autuação pela falta da apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental. A recorrente apresentou laudo técnico emitido por profissional habilitado com registro no CREARS e ART (fls. 15/19), dando conta de que a área de preservação permanente – APP corresponde a 371,2337 ha, enquanto o Recorrente informou na sua declaração que a APP era de 380,2 ha. Há assim pequena divergência em relação a área declarada e a apurada pela fiscalização e prova pericial. Verificada a divergência, o recorrente sustenta que recolheu o imposto complementar, com isso reconheceu parte da autuação, com renuncia parcial do recurso. Temos posição fixada em relação às áreas de exclusão da base de cálculo do ITR. Em nosso sentir, não é necessário o ADA para permitir exclusão das áreas de reserva legal, preservação permanente, interesse ecológico da tributação o ITR; e nem a averbação na matrícula do imóvel, se o contribuinte consegue comprovar, por outros meios de prova firmes e extreme de dúvidas, notadamente laudo pericial subscrito por profissional habilitado, a existência efetiva dessas áreas de exclusão do imposto. A exigência do ADA se fez pelo acréscimo do art. 17O, pela Lei n° 10.165, de 2000, alterando a Lei no 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, cujo artigo possui a seguinte redação: “Art. 17O”. ... § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR). Contudo, a Lei do ITR n° 9.393, de 1996, no art. 10 § 7o, com a redação dada pela Medida Provisória 216667 de 2001, posterior à lei 10.165, de 2000, estabelece: § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem Fl. 117DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 6 prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Ora, a Lei no 6.938, de 1981, com a alteração da Lei n° Lei n° 10.165, de 2000, exige a prévia comprovação pelo ADA, mas a Lei n° 9.393, de 1996, com a redação da MP 216667, de 2001, não faz a prévia exigência. Deixa a critério do contribuinte a comprovação, da reserva legal, preservação permanente e servidão florestal ou ambiental, se questionado pela fiscalização. Há assim aparente conflito ou antinomia de normas no tempo, supletiva, especial e geral, que devem ser resolvidas e compatibilizadas pelo interprete e aplicador da lei. A Lei no 6.938, de 1981 é norma supletiva ou geral em relação ao ITR e a sua alteração pela Lei n° 10.165, de 2000. Por ser lei supletiva e geral não pode derrogar ou revogar a disposição normativa especifica da lei especial do ITR, sob pena de afronta à regra de aplicação e interpretação prevista na Lei de Introdução ao Código Civil. Vejamos. O Decretolei n° 4.657, de 1942 (com força de lei), com a redação dada pela Lei n° 12.376 de 2010, estabelece: “Art. 2o.”... § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Ofende ainda a cronológica das leis. A exigência veio com a Lei n° 10.165, editada no ano de 2000, enquanto a regra especifica do ITR que não faz a exigência é do ano de 2001 (MP 216667). Dessa forma, prevalece a regra da Lei do ITR, estabelecendo: “A declaração para fim de isenção do ITR, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. De outro lado, a tributação busca o aspecto material, os fatos reais praticados ou realizados pelo contribuinte, ou presuntivos, se previstos em lei. A obrigação principal – pagamento do tributo não pode se condicionar à formalidade “do ADA tempestivo”, apenas a existência do fato real comprovado por prova seguras da restrição ambiental, notadamente laudo firmado por profissional habilitado, sem contrariedade, no sentido de o imóvel possuir área de preservação permanente, sem possibilidade de utilização econômica. O ADA é mero ato declaratório ambiental, não se constitui sequer em obrigação acessória do ITR ou condição para dispensa do tributo. Contudo, feita a comprovação pelo ADA temos a dispensa da produção de outras provas. Preservação permanente é restrição do direito de propriedade, limitação do domínio útil e da posse. O proprietário detém domínio direto ou a nuapropriedade, foi destituído de parte do domínio pleno dessas áreas, perdeu os poderes de usar e gozar a propriedade, mas com obrigação de conservar. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720073/200746 Acórdão n.º 220201.858 S2C2T2 Fl. 5 7 O conflito do ITR entre fisco e contribuinte com a exclusão da base de cálculo ou isenção das áreas de preservação permanente, utilização limitada, reserva legal, interesse ecológico e outras, desperta situação curiosa. De um lado a fiscalização exigindo o ADA, tempestivo, ou o registro na matricula imobiliária para excluir o imóvel da tributação; de outro o contribuinte comprovando por provas firmes que o imóvel é de preservação permanente, possui interesse ecológico, restrição de uso, reserva legal e mesmo assim, sem ADA tempestivo ou matrícula contemporânea ao fato gerador, exigese a tributação da nua propriedade. O ITR tem como fato gerador, na expressão constitucional, a propriedade em seu sentido amplo na clássica definição do Código Civil de usar, gozar, dispor e reivindicar, do direito real, mas o CTN estendeu a tributação ao titular do domínio útil e a posse, ao seu possuidor. Domínio exige o registro dominial de dono no registro imobiliário. Posse ou possuidor no alcance da tributação do ITR corresponde à posse aquisitiva com animus domini, ou posse ad usucapionen; posse com os poderes e atributos da propriedade. No momento em que o poder público restringe o direito à propriedade, não permitido seu uso integral esta expropriando parte do domínio do seu titular, cuja utilização – com a restrição de uso se tornou limitada. É certo que o titular do domínio continua detendo a posse, mas esta posse, limitada, com a restrição, não é aquela do possuidor com os poderes e atributos da propriedade para sujeição ao ITR. Esta posse com restrição é posse precária, é detenção, possuidor do domínio direito, mas destituído dos poderes plenos da propriedade. Ao se admitir a exclusão das áreas com restrição, o ITR reconhece a ausência da propriedade, do domínio útil e da posse ao titular, não podendo se falar em tributação, pela ausência do aspecto material e sujeição passiva do imposto. Nestes autos o Recorrente apresentou ADA, embora protocolado de 2007, posterior ao fato gerador (fls. 20). O Laudo Pericial de fls. 15 a 19, sem contrariedade, elaborado em 04/10/2007, comprova a existência da área de preservação permanente de 371,2337 ha. , com pequena diferença, a menor, da área declarada de 380,2 há. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 371,2337 ha., conforme consta do laudo técnico constante dos autos. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 8 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Odmir Fernandes, permitome divergir quanto à exclusão da tributação da área de preservação permanente. Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito à área de preservação permanente, a recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência, em razão da apresentação de laudo técnico. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não restam duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência aplicada às áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR, qual seja, que a área de preservação permanente seja devidamente reconhecida como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas de interesse ambiental), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório Ambiental ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; II Área de Reserva Legal: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720073/200746 Acórdão n.º 220201.858 S2C2T2 Fl. 6 9 a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 10 IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Parágrafo único. É vedada a utilização de isenção pelos adquirentes de áreas de compensação. Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Parágrafo único. A taxa de vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor da redução do imposto, proporcionada pelo ADA, e terá como base de cálculo a área total da propriedade. Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720073/200746 Acórdão n.º 220201.858 S2C2T2 Fl. 7 11 Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal Fl. 123DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 12 ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720073/200746 Acórdão n.º 220201.858 S2C2T2 Fl. 8 13 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 14 providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720073/200746 Acórdão n.º 220201.858 S2C2T2 Fl. 9 15 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA. § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2005, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as áreas de utilização limitada. Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 10. (...). § 1o (...). II –(...). d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES 16 Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11040.720073/200746 Acórdão n.º 220201.858 S2C2T2 Fl. 10 17 Não obstante a pretensão da requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da área de preservação permanente no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo de Avaliação do Imóvel”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada à área de preservação permanente glosada pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do Valor da Terra Nua tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização em relação à área de preservação permanente. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000290/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições sociais previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/01/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. Adequada a solução de primeira instância quando, acatando os documentos trazidos em impugnação, retifica a área construída calculando as contribuições devidas em decorrência da obra de construção civil.
Numero da decisão: 2301-002.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições sociais previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/01/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. Adequada a solução de primeira instância quando, acatando os documentos trazidos em impugnação, retifica a área construída calculando as contribuições devidas em decorrência da obra de construção civil.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11444.000290/2007-73
conteudo_id_s : 5238398
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-002.479
nome_arquivo_s : Decisao_11444000290200773.pdf
nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO
nome_arquivo_pdf_s : 11444000290200773_5238398.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
id : 4599444
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576112947200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 69 1 68 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11444.000290/200773 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301002.479 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2012 Matéria NFLD. Contribuições previdenciárias. Mãodeobra construção civil Recorrente ROBERTO PEREIRA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições sociais previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/01/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. Adequada a solução de primeira instância quando, acatando os documentos trazidos em impugnação, retifica a área construída calculando as contribuições devidas em decorrência da obra de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de NFLD nº 37.077.9185, o qual exige as contribuições destinadas à seguridade social e a outras entidades (salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) decorrentes da mãodeobra utilizada na obra de construção civil matriculada sob n° 21.291.34340/63 (imóvel residencial). A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD foi lavrada com base na Declaração e Informação Sobre Obra — DISO (fls.28/29) emitida de oficio pela Agênica da Previdência Social em Marilia (SP) e no Aviso para Regularização de Obra — ARO (11.35). O autuado apresentou impugnação alegando solicita a revisão do lançamento tendo em vista que no cálculo efetuado não foram considerados os redutores de Areas a que tem direito e anexa cópia da Certidão n° 851/2007 do município de Marilia (SP) e projeto para ampliação de residência em alvenaria (fl.43/44). A DRJ de Santa Maria acolheu em parte a impugnação diante da documentação acostada pelo sujeito passivo. Irresignado com a decisão de primeira instância, o recorrente interpôs recurso voluntário repisando os argumentos iniciais. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. O recurso não merece provimento, haja vista que diante da documentação trazida pelo sujeito passivo em sede de impugnação, demonstrando a real área construída, o órgão julgador de primeira instância acolheu seus argumentos de modo a reduzir as contribuições inicialmente lançadas, para adequálas à realidade do projeto, vejase: “Contudo, tendo em vista a Certidão n° 851/2007, do município de Marilia certificando que foram efetuadas corrigendas no protocolo n° 5.853/94, projeto para ampliação de residência, e apresentando novo quadro de áreas onde faz constar uma varanda com área de 28,97m2, deverá ser retificado o lançamento para que seja aplicado o redutor de 50% previsto no art. 449 da IN/MPS/SRP N° 03/2005 sobre essa área. Assim, aplicandose a mesma sistemática de cálculo utilizada no Aviso para Regularização de Obra — ARO, fl. 35, deverá ser recalculado o valor do salário de contribuição a regularizar conforme demonstrativo a seguir:” Fl. 72DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11444.000290/200773 Acórdão n.º 2301002.479 S2C3T1 Fl. 70 3 Pelo exposto, VOTO por CONHECER o recurso, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000402/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA RETENÇÃO DE 11%
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.951
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA RETENÇÃO DE 11% A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11444.000402/2010-91
conteudo_id_s : 5239927
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.951
nome_arquivo_s : Decisao_11444000402201091.pdf
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 11444000402201091_5239927.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4601995
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576132870144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11444.000402/201091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 230201.951 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente MUNICÍPIO DE ASSIS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA RETENÇÃO DE 11% A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Redator designado. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 17/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 285DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000402/201091 Acórdão n.º 230201.951 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, por ter deixado de reter 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra, descumprindo a Lei n. 8.212/91, artigo 31, caput, com a redação dada pela Lei nº. 9.711/98, combinada com o artigo 219, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, no período de 01/2006 a 12/2006. Após a impugnação, Acórdão de fls. 249/259, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo em síntese: a) a) que não há a obrigatoriedade da retenção porque os serviços foram prestados em regime de empreitada; b) que a empresa Everson Antonio Sala SC Ltda.ME é enquadrada no SIMPLES, estando dispensada da retenção; que os serviços prestados são enquadrados como topografia; c) que deveria ser utilizada a legislação mais benéfica IN 69/2002, ao invés da IN 03/2005, pois aquela isentava os serviços de topografia da retenção; d) que não efetuou a retenção para a empresa Sterlix, porque disposição contratual atribui à prestadora o dever de manter a regularidade fiscal e que as contribuições foram recolhidas; e) que não há fundamentação legal para suportar a autuação, já que os serviços foram prestados por empreitada; f) ilegalidade da multa e da SELIC Requer a destituição deste AI e dos demais conexos, referentes a aplicação da multa; determinação de ofício da realização de diligências ou perícias se entendêlas necessárias; e a determinação de emissão de CND. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade,conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de auto de infração de obrigação principal e descumprida a obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o autodeinfração de obrigação acessória. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No caso presente a obrigação principal consta de outro auto de infração e aqui tratamos da obrigação acessória descumprida. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada deverá reter, a partir de 02/1999, na forma do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998, onze por cento do Fl. 287DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000402/201091 Acórdão n.º 230201.951 S2C3T2 Fl. 3 5 valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher ao INSS a importância retida, em nome da empresa contratada: “Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33”. (Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351 DE 22 DE JANEIRO DE 2007 DOU DE 22/1/2007 Edição extra) (sem grifos no original). Redação da Lei 9.711/98 “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33”. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) (sem grifos no original). No mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, determina que: “Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216”. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (sem grifos no original) Redação Anterior: “Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216”. A obrigação tributária acessória da empresa contratada é clara e cristalina, conforme se depreende da leitura dos dispositivos acima transcritos. De acordo com o descrito no Relatório Fiscal da Infração, solicitados os documentos para exame, por meio do Termo de Intimação, fls. 26/27, verificouse que a empresa autuada, tendo contratado serviços executados mediante cessão de mãodeobra, deixou de efetuar a retenção dos 11% (onze por cento) prevista no caput do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/98. Assim, Fl. 288DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 é inconteste o cometimento da infração, conforme demonstram, a título exemplificativo, as cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços acostadas ao presente Auto de Infração. Portanto, ao constatar a desobediência à obrigação acessória acima descrita, pelo sujeito passivo, o AuditorFiscal lavrou o presente Auto de Infração, aplicando penalidade administrativa de multa, calculada na forma prevista nos artigos 92 e 102 da Lei n º 8.212/91 e no artigo 283, caput e § 3º, e art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com valor mínimo vigente e atualizado na data da lavratura do Auto de Infração. A recorrente se insurge contra a obrigatoriedade da retenção porque diz que os serviços foram prestados por empreitada e por ser uma prestadora inscrita no SIMPLES, além dos serviços de topografia não se prestarem à retenção. Reitero neste voto os argumentos já expendidos no auto de infração da obrigação principal, a Lei nº 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mãodeobra. A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre o INSS e a empresa tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, deixando de existir a solidariedade, criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. O artigo 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção, determinando a observação do disposto no artigo 33, § 5º, in verbis: “Art. 33. “Omissis” ... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei”. Assim, a retenção de 11% sobre o total da fatura ou nota fiscal de prestação de serviços mediante empreitada ou cessão de mãodeobra consiste em antecipação de recolhimento, feita pelo tomador do serviço em nome do prestador e caso a empresa contratante não efetue a retenção, assumirá este ônus. Entendese como cessão de mãodeobra, para os fins da Lei nº 8.212/91, conforme §3º do seu art. 31, “a colocação a disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, submetendoo às ordens do contratante, respeitados os limites do contrato. Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, desde que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. E, por fim, serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da Fl. 289DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000402/201091 Acórdão n.º 230201.951 S2C3T2 Fl. 4 7 contratante, de natureza repetitiva, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Difere da relação de emprego, pois não há pessoalidade da mãodeobra cedida, conforme entendimento de Fábio Zambitte: “A cessão de mãodeobra diz respeito à disponibilidade de mãodeobra, de força de trabalho. Não há obrigação da contratada de fornecer determinada pessoa, mas sim alguma pessoa. Ou seja, não há pessoalidade dos obreiros cedidos”. (Ibrahim, Fábio Zambitte, A Retenção de 11% sobre a Mãode Obra, 2000, p. 55) Empreitada, por sua vez, é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um fim específico ou um resultado pretendido. Fábio Zambitte entende que na empreitada tem presença da independência funcional: “O trabalho do empreiteiro não é subordinado. A direção e fiscalização da obra ou da tarefa cabe ao empreiteiro, e não ao contratante. Isto não impede o dono da obra de, eventualmente, fiscalizar a obra, para verificar se esta progride a contento. Entretanto, não lhe é lícito assumir o controle da empreitada sem o rompimento contratual”. (Ibrahim, Fábio Zambitte, A Retenção de 11% sobre a MãodeObra, 2000, p. 51) O que diferencia, em síntese, a cessão de mãodeobra da empreitada é a colocação de segurados à disposição do tomador, o que se verifica através da forma de contratação dos serviços, isto é, da maneira como se dá a contratação. Se o objeto do contrato forem pessoas, segurados da Previdência Social, tratase de uma cessão de mãodeobra. Se o objeto do contrato for um serviço, um resultado acabado, tratase de uma empreitada. A distinção entre ambas é relevante, já que todos os serviços relacionados no Regulamento da Previdência Social são sujeitos à retenção quando contratados mediante cessão de mãodeobra, mas somente os elencados nos incisos I a V sofrem retenção quando prestados mediante empreitada (art. 219, § 2º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99). Conforme verificado pela fiscalização, os serviços contratados pela autuada, além de estarem previstos no rol exaustivo do art. 219, § 2º, do RPS, enquadramse à definição de cessão de mãodeobra, conforme prescreve o art. 31, § 3º, da Lei 8.212/91. O contrato juntado aos autos, fls. 51/57, permite ver da permanência de segurados à disposição da tomadora, no caso dos serviços prestados de coleta de lixo hospitalar pela prestadora Sterlix Ambiental Tratamento de Resíduos Ltda., que se obriga ao recolhimento diário e destinação final de resíduos hospitalares pelo prazo de um ano, podendo ser renovado por mais 5 anos, o que demonstra a necessidade contínua da prestação de serviços, com segurados à disposição da tomadora, constando inclusive do contrato que o funcionário da contratada que não corresponder à disciplina ou parte técnica deverá ser retirado Fl. 290DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 do serviço em 24 horas, se assim a contratante determinar, evidenciando a clara cessão de mão de obra. A alegação de que a contratante acima citada mantém sua regularidade fiscal, não ilide a obrigatoriedade da retenção disposta na Lei n.º 9.711/98, já que evidenciada a prestação de serviço com cessão de mão de obra. No que se refere aos serviços prestados pela empresa Everson Antonio Sala S/C Ltda. ME, primeiramente é de se atentar que embora não conste dos autos o contrato de prestação de serviços, as notas fiscais e as notas de empenho trazidas às fls.31/37, mostram que referemse a serviços de topografia, terraplenagem e construção de guias e sarjetas, serviços, portanto, de construção civil, na forma como disposto pelo artigo 413, da Instrução Normativa MPS/SRP n.º 03, de 14/07/2005, publicada no DOU em 15/07/2005 e vigente à época dos fatos geradores, sendo totalmente inócua a assertiva do contribuinte quanto à aplicação da Instrução Normativa INSS/DC n.º 69/2002, que já se encontrava revogada quando da emissão das notas fiscais de prestação de serviços, no exercício de 2006: IN MPS/SRP n.º 03/2005 Art. 413. Considerase:( (...) X serviço de construção civil, aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo XIII; Anexo XIII (...) 2.138 OBRAS DE URBANIZAÇÃO RUAS, PRAÇAS E CALÇADAS 42138/00 OBRAS DE URBANIZAÇÃO RUAS, PRAÇAS E CALÇADAS (OBRA) Esta Subclasse compreende: a construção de vias urbanas, ruas e locais para estacionamento de veículos a construção de praças e calçadas para pedestres os trabalhos de superfície e pavimentação em vias urbanas, ruas, praças e calçadas (...) 43134/00 OBRAS DE TERRAPLENAGEM Esta Subclasse compreende: o conjunto de operações de escavação, transporte, depósito e compactação de terras, necessárias à realização de uma obra a execução de escavações diversas para construção civil os derrocamentos (desmonte de rochas) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000402/201091 Acórdão n.º 230201.951 S2C3T2 Fl. 5 9 o nivelamento para a execução de obras viárias e de aeroportos" Os serviços de construção civil estão sujeitos à retenção por ambas as formas de prestação, tanto por cessão de mão de obra como por empreitada , conforme explicita o parágrafo 4º do artigo 31, da Lei n.º 8.212/91, e parágrafo 3º do artigo 219, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, seguem as transcrições: Art. 31 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98 § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) § 4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e Fl. 292DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: Ilimpeza, conservação e zeladoria; IIvigilância e segurança; IIIconstrução civil; IVserviços rurais; Vdigitação e preparação de dados para processamento; VIacabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VIIcobrança; VIIIcoleta e reciclagem de lixo e resíduos; IXcopa e hotelaria; Xcorte e ligação de serviços públicos; XIdistribuição; XIItreinamento e ensino; XIIIentrega de contas e documentos; XIVligação e leitura de medidores; XVmanutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVImontagem; XVIIoperação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIIIoperação de pedágio e de terminais de transporte; XIXoperação de transporte de cargas e passageiros; XIXoperação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XXportaria, recepção e ascensorista; XXIrecepção, triagem e movimentação de materiais; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000402/201091 Acórdão n.º 230201.951 S2C3T2 Fl. 6 11 XXIIpromoção de vendas e eventos; XXIIIsecretaria e expediente; XXIVsaúde; e XXVtelefonia, inclusive telemarketing. §3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. Da leitura dos dispositivos legais supracitados, temos que os serviços prestados pela empresa Everson Antonio Sala S/C Ltda. ME, sujeitavamse à retenção independentemente da forma como que prestados. A alegação de que as empresas optantes pelo SIMPLES não podem sofrer retenção quando prestarem serviços por cessão de mãodeobra não procede, primeiro porque nem a lei nem o regulamento dispensam essas empresas da retenção, segundo porque recolhem contribuições incidentes sobre a folha de serviços, precisamente as contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais. Logo, há contribuição, cujo recolhimento deve ser antecipado, por meio do instituto da retenção. Embora a Instrução Normativa INSS/DC 08/2000, tenha, a partir de janeiro de 2000, considerando o custobenefício da retenção, dispensado as empresas optantes pelo SIMPLES da obrigatoriedade da retenção, a partir de setembro de 2002, com a edição da Instrução Normativa INSS/DC 70/2002, por meio do art. 147, cuja redação foi dada pela Instrução Normativa INSS/DC 80/2002, essa retenção passou a ser novamente exigida: INSS/DC 08/2000 Considerando o custobenefício da retenção sobre os serviços prestados pelas empresas optantes pelo SIMPLES, de acordo com o disposto no art. 54 da Lei 8.212/91, resolve: Art. 1º A retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de mãodeobra na forma do disposto no art. 31 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei nº 9.711/98 e o Decreto nº. 3.048/99, não será efetuada quando os serviços forem executados por empresas optantes pelo SIMPLES nos termos da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1.996. IN INSS/DC 70/2002, na redação da IN INSS/DC 80/2002 Art. 147. No período de 1º de janeiro de 2000 até o dia anterior à vigência desta Instrução Normativa, a empresa optante pelo SIMPLES não está sujeita à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo emitido, quando prestar serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, na forma do disposto no art. 31 da Lei 8.212, de 1991. (Redação dada Instrução Normativa INSS/DC nº 080, de 27.08.2002). Fl. 294DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Tal determinação também vigorou através do art. 151 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003 e, à época dos fatos geradores, o faz por meio do art. 142 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, in verbis: “Art. 142. A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de agosto de 2002”. Assim, apenas no período compreendido entre 01/01/2000 a 31/08/2002, as empresas optantes pelo SIMPLES não estiveram sujeitas à retenção de onze por cento sobre o valor bruto das notas fiscais, faturas ou recibos na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, conforme disposições contidas na IN/INSS/DC nº 08, de 24 de janeiro de 2000, revogada pela IN/INSS/DC nº 70, de 10 de maio de 2002. Para o período do crédito lançado nesta autuação, as normas regulamentares não deixam dúvida quanto ao fato de que as prestadoras de serviços optantes pelo SIMPLES estão sujeitas à retenção quando a prestação de serviços envolver cessão de mãodeobra ou empreitada, na forma da legislação. É totalmente despicienda a realização de diligências ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, em razão da natureza do lançamento, dos elementos que foram examinados e lhe deram suporte, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, indefiro o pedido de diligência e perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do autuado e as razões expostas pela recorrente não merecem exame pericial, até porque não há qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000402/201091 Acórdão n.º 230201.951 S2C3T2 Fl. 7 13 Quanto à SELIC , deixo de me manifestar porquanto não faz parte deste auto de infração que teve a multa punitiva aplicada de acordo com a legislação vigente, já especificada em parágrafos anteriores. Por derradeiro, não compete a este colegiado a emissão de CND, que deve ser buscada no setor competente da Receita Federal do Brasil Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 296DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000684/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL
Período de apuração: 01/01/2000 a 01/02/2003
Multa de ofício aplicada, por conta do recolhimento de tributos, após o vencimento do prazo legal, sem o pagamento da multa de mora, conforme o inciso II do § 1° do art. 44 da Lei de n° 9.430/96; a mesma foi devidamente revogada pela Lei de n° 11.488/2007.
Portanto, em face do princípio da retroatividade benigna, há que se declarar a improcedência do lançamento.
Numero da decisão: 3201-000.705
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o conselheiro Luis Eduardo G. Barbieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Período de apuração: 01/01/2000 a 01/02/2003 Multa de ofício aplicada, por conta do recolhimento de tributos, após o vencimento do prazo legal, sem o pagamento da multa de mora, conforme o inciso II do § 1° do art. 44 da Lei de n° 9.430/96; a mesma foi devidamente revogada pela Lei de n° 11.488/2007. Portanto, em face do princípio da retroatividade benigna, há que se declarar a improcedência do lançamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10508.000684/2005-13
conteudo_id_s : 5236230
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.705
nome_arquivo_s : Decisao_10508000684200513.pdf
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 10508000684200513_5236230.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o conselheiro Luis Eduardo G. Barbieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 4597566
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576140210176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1729; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 91 1 90 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508000684/200513 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3201000.705 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOANES INDUSTRIAL S/A PRODUTOS QUÍMICOS E VEGETAIS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Período de apuração: 01/01/2000 a 01/02/2003 Multa de ofício aplicada, por conta do recolhimento de tributos, após o vencimento do prazo legal, sem o pagamento da multa de mora, conforme o inciso II do § 1° do art. 44 da Lei de n° 9.430/96; a mesma foi devidamente revogada pela Lei de n° 11.488/2007. Portanto, em face do princípio da retroatividade benigna, há que se declarar a improcedência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o conselheiro Luis Eduardo G. Barbieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIMRelator Designado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN 2 EDITADO EM: 05/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração, para a cobrança da multa isolada em decorrência do recolhimento da COFINS, em atraso, sem o pagamento da multa de mora (fls. 04), relativo ao período de apuração de 01/01/2000 a 01/02/2003. A fiscalização informou o seguinte enquadramento legal: “Arts. 43, 44, parágrafo 1º, inciso II e 61, parágrafos 1º e 2º da Lei 9.430/96” (folha 06). Por bem descrever os fatos transcrevo o Relatório que integra a decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase do auto de infração, fls. 03 a 06, lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da multa isolada, no valor de R$ 7.345.692,40, devida pela falta de pagamento da multa de mora incidente sobre os pagamentos intempestivos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativo ao período de 29/02/2000 a 31/03/2003. Os dispositivos legais que fundamentam o auto de infração estão indicados à fl. 06 dos autos. Cientificada em 30/12/2005 a contribuinte apresentou, em 30/01/2006, a impugnação de folhas 40 a 51, alegando, em síntese, que: antecipandose a qualquer procedimento de natureza fiscal, voluntariamente,promoveu a denúncia espontânea da infração, fl. 13, a qual foi devidamente instruída com o comprovante de pagamento do tributo correlato, acrescido de juros de mora e correção monetária, conforme disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional — CTN; a regra prevista no art. 138 do CTN exclui qualquer exigência de multa, seja ela moratória, ou punitiva, sobre o débito pago espontaneamente, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo, sendo certo que, no caso em exame, é indevida a exigência do valor relativo à multa de mora. Transcreve ainda vários excertos doutrinários e jurisprudenciais que entende favoráveis à sua tese. requer o integral provimento da defesa administrativa, a fim de anular se integralmente o auto de infração nos termos do art. 138 do CTN. A Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Salvador BA, julgou o lançamento improcedente, nos termos do Acórdão no. 1517.355 (fls. 85/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN Processo nº 10508000684/200513 Acórdão n.º 3201000.705 S3C2T1 Fl. 92 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 29/02/2000 a 31/03/2003 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em decorrência da retroatividade benigna da lei, exonerase a multa isolada sobre o tributo recolhido intempestivamente sem o acréscimo da multa de mora. Lançamento Improcedente. A recorrente foi cientificada do Acórdão, por via postal, e não interpôs recurso voluntário. (fl. 87/89). Foi interposto recurso de ofício pela DRJSalvador (fls. 85). O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Relator – Luis Eduardo Garrossino Barbieri O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Ao meu ver, a lide centrase na controvérsia sobre a exigibilidade da multa de mora quando há denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. O artigo 138 do CTN prescreve que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração. Ressaltese, ainda, que o artigo 138 está inserido na Seção que trata especificamente da “Responsabilidade por Infração”, e deve guardar relação lógica com os dois artigos que o precedem – artigos 136 e 137, que tratam especificamente das responsabilidades objetiva e pessoal do agente. A finalidade deste artigo, no meu entendimento, é incentivar o contribuinte a informar a ocorrência de eventuais infrações cometidas, sujeitas às penalidades de caráter punitivo, que sejam desconhecidas do Fisco. Assim, este dispositivo visa regular os efeitos das penalidades, repitase, de caráter punitivo, por infrações cometidas pelo sujeito passivo, tornando possível o arrependimento eficaz, de forma a regularizar a sua situação perante o Fisco. Pareceme, portanto, que a incidência da multa de mora não é incompatível e nem foi afastada pelo art. 138 do CTN, pois este artigo não trata da exclusão de penalidades compensatórias pela atraso no pagamento, mas apenas da responsabilidade por infrações de caráter punitivo. Não haveria lógica em a legislação “premiar” o contribuinte em atraso, excluindo a multa de mora, em caso de pagamento a destempo. Seria uma afronta ao princípio Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN 4 da isonomia, uma vez que o contribuinte em mora ficaria em situação privilegiada em relação ao que pagou o tributo pontualmente no prazo fixado pela legislação. Seria um estímulo ao não pagamento dos tributos no prazo fixado. Desta forma, deve ser feita uma interpretação sistemática do CTN entre o artigo 138, que trata da responsabilidade por infrações sujeita à multa punitiva (que pode ser excluída pela denúncia espontânea), com o disposto no artigo 161 do mesmo Código, a seguir transcrito: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” (grifei) Assim, no caso em tela, deve ser aplicado o artigo 161 do CTN combinado com o artigo 61 da Lei 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Neste sentido, transcrevo o entendimento do Prof. Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, 17ª edição. Saraiva. São Paulo, pág. 516/518) com o qual comungo: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (CTN, art. 138). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multa de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída de caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas – juros de mora e multa de mora – por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra”. (...) b) As multas de mora são também penalidades pecuniárias, mas destituídas de nota punitiva. Nelas predomina o intuito indenizatório, pela contingência de o Poder Público receber a destempo, com as inconveniências que isso normalmente acarreta, o tributo a que tem direito. Muitos a consideram de natureza civil, porquanto largamente utilizadas em contratos regidos pelo direito privado. Essa doutrina não procede. São previstas em leis tributárias e aplicadas por funcionários administrativos do Poder Público. (grifei) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN Processo nº 10508000684/200513 Acórdão n.º 3201000.705 S3C2T1 Fl. 93 5 Portanto, entendo ser cabível o pagamento da multa de mora nos casos de pagamento de tributos fora do prazo previsto na legislação. Por fim, passo à análise do cabimento da retroatividade benigna ao caso em tela. A multa isolada aplicada pela fiscalização tem fundamento legal no artigo 44 , inciso I, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, cuja redação, entretanto, foi alterada, posteriormente à autuação, pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. A nova redação dada ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, extinguiu a multa isolada nos casos de pagamento de tributo após o vencimento, sem o acréscimo de multa moratória. Assim, entendo que deve ser aplicado o princípio da retroatividade benigna, insculpido no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 — CTN, aplicando se, deste modo, a penalidade menos severa que a prevista na lei ao tempo de sua prática. A fiscalização havia capitulado a infração praticada pelo contribuinte nos seguintes dispositivos legais: multa isolada prevista no artigo 44, parágrafo 1º, inciso II, que com a nova redação data pelo artigo 14 da Lei 11.488/2007 deixou de ser aplicada ao caso em litígio, e multa de mora prevista no artigo 61, parágrafos 1º e 2º da Lei 9.430/96 que à época havia sido absorvida pela multa isolada, por prever para o mesmo fato uma multa mais gravosa (percentual maior). Destarte, afastada a previsão legal da incidência da multa isolada (art. 44,I, Lei 9.430/96), resta, então cabível a multa de mora (art. 61, parágrafos 1º e 2º da Lei 9.430/96), por força do que dispõe o artigo 106, II, alínea "c", do CTN. Não vejo razão lógica para se afastar a incidência da multa de mora ao caso em litígio. O que foi alterado pelo artigo 14 da Lei 11.488/2007 foi tão somente a aplicação da multa de ofício aos casos em que não havia o recolhimento da multa de mora, e não a própria multa de mora, esta permanece válida e vigente em nosso ordenamento jurídico (artigo 61 da Lei 9.430/96). Nesse mister a matéria em tela comporta a seguinte interpretação. Estabelece a Constituição Federal de 1988, a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica. É, portanto, princípio assente no seio constitucional a não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). Com efeito, a matéria objeto da presente lide, com a superveniência da citada Medida Provisória nº. 351 de 22/01/2007 (convertida na Lei no. 11.488/2007) diz respeito à aplicação do disposto no art. 106 do CTN que estabelece, em caráter excepcional, a eficácia retroativa da lei tributária, ou seja, a retroatividade benigna, prevista na alínea “c” do inciso II, a seguir, se transcreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN 6 I – (omissis); II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a (omissis); b (omissis) c quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática .” Tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa de ofício aplicada, para elidir os efeitos da penalidade prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, eliminada do novo texto, artigo 14 da Medida Provisória nº. 351 de 22/01/2007 (convertida na Lei no. 11.488/2007), que regula a matéria. Repitase, mais uma vez, que a fiscalização informou o seguinte enquadramento legal: “Arts. 43, 44, parágrafo 1º, inciso II e 61, parágrafos 1º e 2º da Lei 9.430/96” (folha 06). Assim, ante a tudo que foi exposto, fazendose uma interpretação sistemática das normas de incidência das multas, no caso concreto, temos que afastada a incidência da multa de ofício aplicada em decorrência da retroatividade benigna, para elidir os efeitos da penalidade prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430/1996 (excluída do novo texto, artigo 14 da Medida Provisória nº. 351 de 22/01/2007, convertida na Lei no. 11.488/2007), resta, então, cabível apenas a incidência da multa de mora prevista nos artigos 43 c/c 61 da Lei 9.430/96, que não foi excluída do ordenamento jurídico por força da Lei 11.488/2007 (conversão da Medida Provisória no. 351/2004), verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN Processo nº 10508000684/200513 Acórdão n.º 3201000.705 S3C2T1 Fl. 94 7 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. (grifei) Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de Auto de Infração referente à cobrança da multa de ofício pelo recolhimento de tributo fora do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Quanto à multa de ofício aplicada por conta do recolhimento de tributos após o vencimento do prazo legal, sem o pagamento da multa de mora, conforme o inciso II do § 1° do art. 44 da Lei de n° 9.430/96; a mesma foi devidamente revogada pela Lei de n° 11.488/2007. Portanto, em face do princípio da retroatividade benigna, há que se declarar a improcedência do lançamento. Assim sendo, o art. 14 da Lei n° 11.488/2007 passou a vigorar desse forma: “Art. 14 art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN 8 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Portanto, aplicável ao presente caso, o inciso II do art. 106 do Código Tributário NacionalCTN, que dispõe: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN Processo nº 10508000684/200513 Acórdão n.º 3201000.705 S3C2T1 Fl. 95 9 Por todo o exposto, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/10/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN
score : 1.0
