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Numero do processo: 10880.005005/00-14
Data da sessão: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO
CREDITÓRIO - O direito de se pleitear o reconhecimento de
crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação,
perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada
inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n° 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do
recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%.
Precendentes: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404 e
301-31.321.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.783
Decisão: Acordam os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação das demais matérias. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto que deu provimento ao recurso. As Conselheiras
Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões quanto ao prazo para pleitear o direito.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n° 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Precendentes: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-31.321. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
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RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%. Precendentes: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-31.321. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação das demais matérias. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto que deu provimento ao recurso. As Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões quanto ao prazo para pleitear o direito. ANTONIO PRAGA - Presidente e Relator FORMALIZADO EM: 25/07/2008 Processo n° 10880.005005/00-14 CSRF/103 Atilo n.° 03-05.783 Fls. 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Otacfiio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Anelise Daudt Prieto Judith do Amaral Marcondes, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Trata-se de recurso(s) especial(ais), interposto(s) pela(s) PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 7, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 47 de 2008, que foi admitido em relação à(s) seguinte(s) matéria(s): Finsocial - Prazo para pleitar reconhecimento de direito creditório. Na sessão plenária de 07/07/04, a SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES julgou o Recurso Voluntário n° 302-125527, interposto por CANTINA OURO BRANCO LTDA e decidiu: "Pelo voto de qualidade, deu-se provimento ao recurso para afastar a decadência. Vencidos os Conselheiros Luis Antonio Flora, relator, Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Maria Helena Cotta Cardozo e Walber José da Silva que negavam provimento. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior.". A decisão foi formalizada no Acórdão n° 302-36228, da relatoria do Conselheiro LUIS ANTONIO FLORA, cuja ementa abaixo se transcreve: "O prazo decadencial de cinco anos para pedir a restituição dos pagamentos de Finsocial inicia-se a partir da edição da MP 1.110, de 30/08/1995, devendo ser reformada a decisão monocrótica para, considerando a não decadência do direito de fazer esse pleito, examinar a questão do mérito, além de se certificar se o contribuinte reveste a forma jurídica que o habilita a pleitear tal restituição. RECURSO PROVIDO PELO VOTO DE QUALIDADE.." Cientificada do recurso especial, a parte contrária não apresentou contra-razões, É sucinto relatório. Voto Conselheiro Antonio Praga. Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A argumentação expendida no Especial é improcedente. Ressalvado meu entendimento pessoal manifestado em julgamentos anteriores, tendo em vista a reiterada jurisprudência desta turma da CSRF, adoto, como razões de decidir, 2 Processo n° 10880.005005100-14 CSRF/T03 Mórdíto n.° 03-06.783 Fls. 3 os fundamentos da declaração de voto do Conselheiro e Presidente do Terceiro Conselho de Contribuintes, Otacilio Dantas Cartaxo, no Acórdão 301-31943: "A matéria versa sobre o reconhecimento de direito creditório de contribuinte, oriundo de indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCL4L declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n°. 150.764-1, em 02/04/93, bem como quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do indébito. (.) Isto posto, passa-se a apreciação dos autos. De antemão, assinale-se que a tese esposada pela decisão de primeira instância, apesar de reconhecer o direito creditório, nos termos do art. 165-1 do CI7V; defende que o direito de o contribuinte pleitear a restituição extinguiu-se com o decurso de prazo de cinco anos, contado da data do pagamento antecipado, de acordo com o disposto no art. 168-1 do mesmo mandamus, nele não influenciando a condição resolutória (a homologação). Observou-se, também, que a autoridade fiscal manteve-se inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Logo, depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, da data para o contribuinte exigir o ressarcimento do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do C77V, não havendo o que se falar em decadência, por conseguinte em homologação. A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSI7' n°. 58/98, de 27/10/98, o reconhecimento expresso naquele Parecer que referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores . pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n°. 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n° 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa o novo entendimento a se contrapor àquele esposado anteriormente. Como visto, a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n° 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. 3 Processo n° 10880.005005/00-14 CSPE1T03 Acórdão n.° 03-05.783 Fls. 4 Ao contrário do que expôs o juízo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz- se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FLYSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto à Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação à prescrição. Análise essa pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTI§O, para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional matéria essa questionada pela ora recorrente, traz-se à baila o Ac. CSRF/01-03.239 que sabiamente estabelece que em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo STF em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a (mans. titucionalidade de tributo; e c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. A MP n", 1.110/95, art. 17— III, DOU., de 31/08/95 —p. 013397, por sua vez, foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, passando a ser utilizado como referencial para o marco inicial da contagem do prazo decadenciat Somente com o advento dessa MP é que os contribuintes, de boa-fé e com a observância do dever legal, puderam demandar sobre o ressarcimento dos pagamentos indevidos, com base nas alíquotas majoradas, acima de 0,5%, nas épocas indicadas, da referida Contribuição para o FINSOCIAL, estabelecendo-se, certamente, com isso, o marco iniciaL O reconhecimento desse indébito restou consolidado através das reiteradas reedições e posteriores edições da retromencionada Ml' sob os n's 1.142/95, 1.175/95, 1.209/95, 1.244/95, 1.281/96, 1.320/96,..., 1.490/96 e 1.621-36/98, sendo convertida na Lei n°. 10.522/02, a qual trata da matéria através do art. 18-111. 4 • Processo n° 10880.005005/00-14 CSFtF/T03 Acórdão n.° 03-06.783 Fls. 5 Posteriormente a essa MP a Secretaria da Receita Federal através da N/SRF n°. 32, de 09/04/97, em seu artigo 2° convalidou a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Cofins, com fundamento no art. 9° da Lei n°. 7.689/88, na alíquota superior a 0,53t Signca dizer que a Administração Tributária por meio de ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Marfins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a título de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, sç 6°, da CE" (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178). Finalmente, considerando que o pedido de restituição de Finsocial formulado junto a DRF/Niterói é de 03/04/02 (ff 01). Considerando que o término da contagem do prazo sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido dá-se em 31/08/00. Ante o exposto, conheço do recurso por preencher os requisitos à sua admissibilidade para, no mérito, negar-lhe provimento, em razão de haver expirado o prazo concernente ao direito de a recorrente postular pela repetição do indébito tributário." Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional, ressaltando que o mérito encontra-se pendente de análise pela DRF de origem para onde devem retomar OS autos. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2008. ANTONIO PRAGA - Relator 5 Page 1 _0094300.PDF Page 1 _0094500.PDF Page 1 _0094700.PDF Page 1 _0094900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10410.003798/2005-96
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.659
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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materia_s : DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-16T18:00:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-16T18:00:22Z; Last-Modified: 2009-11-16T18:00:22Z; dcterms:modified: 2009-11-16T18:00:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-16T18:00:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-16T18:00:22Z; meta:save-date: 2009-11-16T18:00:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-16T18:00:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-16T18:00:22Z; created: 2009-11-16T18:00:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-11-16T18:00:22Z; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-16T18:00:22Z | Conteúdo => CCO3,CO2 Fls. 96 MINISTÉRIO DA FAZENDA ----,'",0—n•,;\t"; TERCEIRO COINSELA-10 DE CONTRII3UINICES SEGUNDA CAIVIA.FtA Processo n° 10410.003 79 8/2005 -96 Recurso n° 138.563 Voluntário Matéria DCTF Acórdão n° 302-39.659 Sessão de 10 de julho de 2008 Recorrente COOPERATIVA DE CRÉDITO MÚTUO DOS FUNCIONÁRIOS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE EM MACEIÓ Recorrida DRJ-RECIFE/PE • AssUIN-Teb: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-ca_lendário: 2004 IDCTF. IVIUL-TA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - =TF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Anf.flç:ko DE ILEGALIDADE E IInT C ONS T IT UC TONA_ LIDADE INCOMPETÊNCIA DAS Fl\TSTÂNCIA_S ADMINISTRATIV_AS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inc onstitucionalidade e ilegalidade de • atos regularmente editados. RECURSO VOLUNTÁRIO -NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JUDITH DO A ARAI- 1\4 - • CONDES ARMANDO - P -sidente • LUCIANO LOPES DE A IDA MORA S - Relato': Processo n° 10410.003798/2005-96 CCO31CO2 Acórdão n.° 302-39.659 Fls. 97 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Arnorirn, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Ausente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. 110 2 _ _ Processo n° 10410.003798/2005-96 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.659 Fls. 98 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a pessoa jurídica acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração com cópia à fl. 05, por meio do qual é exigida multa no montante de R$ 2.000,00, em vista de atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTFs relativas aos quatro trimestres de 2004. O enquadramento legal e a demonstração do crédito tributário estão consignados no auto de infração. • 2.A contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/04), alegando, em apertada síntese, que: i) não teve intenção de descumprir a obrigação, nem houve prejuízo para o Fisco; ii) as cooperativas não têm objetivo de lucro e iii) a multa afronta aos princípios da proporcionalidade e da capacidade contributiva. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/REC n° 15/12/2006, fls. 50/54, assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. A alegação de falta de condições financeiras não é oponível ao lançamento, em face do seu caráter obrigatório e vinculado. 01110 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONAL1DADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO .... -- 3 Processo n° 10410.003798/2005-96 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.659 Fls. 99 A apresentação da DCTF fora do prazo sujeita a pessoa jurídica à multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Lançamento Procedente. Às fls. 57 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário e depósito extra judicial de fls. 58/93, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o relatório • 4 Processo n° 10410.003798/2005-96 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.659 Fls. 100 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A recorrente discute o afastamento da aplicação da multa por atraso na entrega de DCTF, em face dos princípios de princípios constitucionais, como o da capacidade contributiva e o da proporcionalidade. Em relação às questões constitucionais, é vedado a este colegiado analisá-las, conforme art. 49 do seu Regimento Interno: Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicaçã o ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; - que fundamente crédito tributário objeto de: • a) dispensa legal de constituição ou de ato declara tório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n." 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar tf' 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. Como nenhuma das exceções supra são cabíveis a este caso, não pode ser analisado do tema sob fundamento constitucional. Mesmo que assim não o fosse, o simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura ‘infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. 5 _ Processo n° 10410.003798/2005-96 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.659 Fls. 101 In São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui es ivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argu entos. Sala das Sessões, em lO ide julho de 2008 i LUCIANO LOPES P : • MEIDA Me • • ES - Relator e • 6
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Numero do processo: 11516.002235/2003-01
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174, DE 2001 – É legítimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei nº. 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais).
IRPF - DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. - Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.723
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA da CÂMARA SUPERIOR DE
RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros
Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Gonçalo Bonet Allage, quanto a irretroatividade, e os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Leonardo Henrique Magalhães De Oliveira (Substituto convocado), quanto a decadência. Os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Substituto convocado) apresentarão declaração de voto. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Vanessa Amadeu Ramos, OAB/SP n° 199.760
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Ana Maria Ribeiro dos Reis
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IRPF - DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN. - Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Gonçalo Bonet Allage, quanto a irretroatividade, e os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Leonardo Henrique Magalhães De Oliveira (Substituto convocado), quanto a decadência. Os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Substituto convocado) apresentarão declaração de voto. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Vanessa Amadeu Ramos, OAB/SP n° 199.760. az Processo n°11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 04.00.723 Fls. 3.049 < Presidente ANAV 'a•Liji•;-.. • " HEIR DOS REIS SEM DECLARAÇÃO DE VOTO Relatora Art. 31, §11, do RICSRF 17 MAR 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Helena Cotta Cardozo e Remis Almeida Estol. 2 , Processo n° 11516.002235/2003-01 CSRETTO4 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.050 Relatório ANTÔNIO CARLOS SILVA, com base no art. 32, II, do então vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e art. 7 0, § 2°, do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, interpõe Recurso Especial em face do Acórdão n° 104-20.239 (fls. 2.742/2.781), consoante o qual, pelo voto de qualidade, foi rejeitada a preliminar de nulidade do lançamento em face da utilização de dados obtidos com base na informação da CPMF, e no mérito, dado provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000, quando o total no ano não ultrapassa R$ 80.000,00. A decisão restou assim ementada: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do C1N, tampouco dos artigos. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72 e artigo 5° da Instrução Normativa n° 94/1997, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA - Não estando configurado nos autos qualquer óbice ao pleno exercício por parte do contribuinte do seu direito de defesa, nos termos definidos na legislação, não há filar em nulidade, seja do lançamento, seja da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. IRPF - FATO GERADOR - ENCERRAMENTO - O fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física é complexivo anual, completando-se apenas em 31 de dezembro de cada ano, devendo ser esse o termo inicial para contagem do prazo decadencial, na hipótese do artigo 150, § 4° do CIN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁMOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em contas bancárias mantidas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁMOS - EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO - Na determinação da base de cálculo do lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, excluem-se os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, quando o total desses depósitos no ano não ultrapassar a cifra de R$ 80.000,00. At APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI c irN°10.174, DE 2001 - Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei - ise" 3 Processo n° 11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.723 F. 3.051 n°9.311, de 1996, a Lei n°10.174, de 2001 nada mas fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicando-se, no caso, a hipótese prevista no § 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional. JUROS MORATÓRIOS - SELIC - A exigência de juros com base na taxa SEL1C decorre de legislação vigente no ordenamento jurídico, não cabendo ao julgador dispensá-los unilateralmente, mormente quando sua aplicação ocorre no equilíbrio da relação Estado/Contribuinte, quando a taxa também é utilizada na restituição de indébito. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Pugna o recorrente pela revisão do julgamento relativamente às seguintes matérias: i) decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, ii) irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001 e iii) comprovação da origem de todos os depósitos bancários necessários, sendo que o recurso somente foi admitido no tocante às duas primeiras. Com relação à decadência, alega o recorrente que o Acórdão recorrido afirma que o fato gerador do imposto de renda das pessoas fisica é complexivo anual, completando-se somente em 31 de dezembro de cada ano, aplicando-se ao caso o art. 150, § 4°, do CTN, o que não se harmoniza com a melhor interpretação. Assim, pede a reforma do julgado na parte que não reconheceu a decadência dos valores compreendidos entre janeiro e setembro de 1998. Sobre a utilização dos dados da CPMF para apurar tributo nos prazos anteriores à Lei n° 10.174, de 2001, afirma haver contrariedade com a jurisprudência dominante nos Conselhos de Contribuintes e CSRF, que sustentam que somente seria possível a retroatividade se a regra anterior a ela não proibisse expressamente o acesso aos dados. Aduz que, mesmo se admitindo a natureza procedimental da norma, ela não poderia alcançar informações, cujo acesso era vedado pela legislação anterior, pois afrontaria ao princípio da segurança jurídica. Ciente do Despacho N° 104-329/2006 (fls. 3.023/3.031), que admitiu o recurso especial no tocante às matérias i) decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento e ii) irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, a representante da Fazenda Nacional apresenta, tempestivamente, as contra-razões de fls. 3.032/3042; Relativamente à decadência refere que, apesar do art. 2° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1998, estabelecer que o imposto de renda das pessoas fisicas é devido mensalmente, somente em 31 de dezembro de cada ano se completa o período que totaliza os rendimentos auferidos, dúvida dissipada pelos arts. 10 e 11 da Lei n° 8.134, de 1990. Em conclusão, a teor do art. 150, § 40, do CTN, o prazo decadencial começa a contar em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Quanto à retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, traz o art. 144, § 1°, do CTN, que trata retroatividade da legislação tributária e transcreve jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que confirma a natureza procedimental e a aplicação imediata da Lei n° 10.174, de 2001.A, fr 4 Processo n°11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.052 Na sessão de 19 de junho de 2007 foram os autos distribuídos a esta conselheira, numerados até a fl. 3.047. É o RelatórioA,. - Processo n° 11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 00-00.723 Fls. 3.053 Voto Conselheira ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS, Relatora O presente recurso especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Relativamente à irretroatividade da Lei n° 10.174, de 09 de janeiro de 2001, convém recordar que seu art. 1° deu nova redação ao § 3° da Lei n° 9.311, de 1996, facultando a utilização das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo e efetuar lançamento de outros tributos, conforme se depreende de sua simples leitura: Art. I° § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." Logo, ao autorizar a instauração de procedimento de fiscalização referente a qualquer outro imposto ou contribuição, com base nas informações decorrentes da CPMF, a Lei n° 10.174, de 2001, inquestionavelmente, estabeleceu novos procedimentos de fiscalização, que ampliaram o poder de investigação das autoridades administrativas. Sua aplicação rege-se, pois, pelo § 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (.)" (grife°. A análise de artigo permite concluir que o seu caput do art. 144 põe regra de direito material, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto os seus parágrafos contêm uma solução aplicável ao procedimento, processo ou aspecto formal do lançamento.4 • k 6 • Processo n° 11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 01-00.723 Fls. 3.054 O § 1° do art. 144, regulando matéria diferente de seu caput, consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse sentido, a lição de José Souto Maior Borges', que, ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: Lançamento está, aí, no art. 144, 'caput', no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1° o art. 144 reporta-se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § 1°, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao 'caput' desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplica-se, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplica-se legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente a estabelecer as alterações estipuladas no § 1° do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico — enquanto 'in fieri' o procedimento de lançamento - legislação nova, aplicar-se-lhe-á também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário. Também a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional se pronunciou sobre a questão, ao editar o Parecer PGFN/CAT n° 1.649/2003, cuja conclusão é a seguinte: IV - Conclusão 81. Ante o exposto, conclui-se: 81.1) alteração introduzida na parte final do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, por força da Lei n°10.174, de 2001, deve ter aplicação imediata, de modo que a Secretaria da Receita Federal está autorizada a utilizar as informações obtidas no âmbito da fiscalização da CPMF, já disponíveis ou obtidas após o advento da nova Lei, para, após o início da vigência da Lei n° 10.174, de 2001, instaurar procedimento administrativo com o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador de obrigação tributária relativa a tributo distinto da CPMF e de realizar o lançamento respectivo, ainda que se trate de obrigação cujo fato gerador tenha ocorrido antes da vigência da Lei n° 10.174, de Á2001; 'BORGES, José Souto Maior. Lançamento tributário, 2 ed.,São Paulo: Malheiros Editores Ltdai.. 7 • Processo n° 11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.055 81.2) não se trata, no caso, de aplicação retroativa da Lei n°10.174, de 2001, mas da sua aplicação imediata, com espeque no principio tempus regit actum, no art. 6° da Lei de Introdução ao Código Civil, e no § 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional, pois não ocorre, no caso, ofensa potencial a ato jurídico perfeito, a direito adquirido ou a coisa julgada, devendo-se, apenas nesta última hipótese, realizar o exame caso a caso; 81.3) não está correto o entendimento adotado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de que a Lei n° 10.174, de 2001, criou nova hipótese de incidência do imposto de renda; 81.4) o § 2 0 do art. 144 do Código Tributário Nacional não constitui exceção à regra do § I° do mesmo dispositivo, não sendo relevante para o deslinde da questão relativa à aplicação no tempo da alteração introduzida pela Lei n°10.174, de 2001; 81.5) os dispositivos da Lei Complementar n° 105, de 2001, que autorizam o acesso da administração tributária a informações bancárias mais detalhadas acerca da vida financeira dos contribuintes não são inconstitucionais; 81.6) os Conselhos de Contribuintes não estão autorizados, atualmente, a afastar a aplicabilidade desses dispositivos com fundamento na sua inconstitucionalidade, mas compete-lhes apreciar se o acesso às informações em questão foi realizada com a observância do devido processo legal; 81.7) a aplicação no tempo dos dispositivos da Lei Complementar n" 105, de 2001, ou não oferece conflitos de direito intertemporal, ou, se admitido o conflito, há de ser regulada mediante a regra da aplicação imediata, adotando-se a mesma solução proposta para a Lei n" 10.174, de 2001, por se tratar de disciplina jurídica de aspectos processuais da atividade de lançamento. O referido Parecer foi aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, mediante Despacho, abaixo reproduzido, e publicado no Diário Oficial da União de 13/01/2004 (Seção 1, pág. 00007): Despacho: Aprovo o Parecer PGFNICAT/IV" 1.649/2003, que concluiu pela aplicação imediata da alteração legislativa que possibilita a utilização de informações obtidas no âmbito da fiscalização da CPMF para instaurar procedimento administrativo destinado a verificar a existência de obrigação tributária relativa a outros tributos e a constituir o respectivo crédito, e pela constitucionalidade dos dispositivos da Lei Complementar n° 105, de 2001, que permitem a complementação dessas informações. Na mesma linha de entendimento, o Superior Tribunal de Justiça, por sua Primeira Turma, assim decidiu no julgamento da Medida Cautelar n o 6.2571RS (2003/0039117- 0), conforme ementa a seguir transcrita: AÇÃO CAUTELAR. TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER fr,PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO IIV7'ERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO . DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO 4 DA Processo n° 11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.056 CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMI77DA PELO ARE 144, I° DO CIN. I. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que compõem a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identcação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o 3° da art. 11 da mencionada lei, a utilização - dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6° dispõe: "Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente". 5. A teor do que dispõe o art. 144, 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norrna que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e I° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançaria pela decadência. 9 Processo n° 11516.002235/2003-01 CSRF71"04 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.057 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário, a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9.Processo cautelar acessório ao processo principal. 10.Juizo prévio de admissibilidade do recurso especial. 11.Ausência de fumus boni juris ante à impossibilidade de êxito do recurso especial. 12.Ação Cautelar improcedente. Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça." (Ac. da Primeira Turma do STJ, Rd Ministro Luiz Fia — Decisão de 03/02/2004 — DJU 25/02/2004, Seção I, pág. 095) Posteriormente, o mesmo Superior Tribunal de Justiça ratificou o entendimento acima, em julgamento proferido pela sua Segunda Turma, cuja ementa transcreve-se a seguir: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E II, § 3° DA LEI N° 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N°10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144,5 1° DO Cm. I. O artigo 38 da Lei n° 4.595/64 que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar n°105/2001. 2. A Lei n° 9.311/96 instituiu a CPMF e no § 2° do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federal, especcamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3° a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 3.A Lei 10.174/2001 revogou o § 3° do artigo 11 da Lei n°9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativo-fiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 4. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001. 5. O artigo 144 , § I° do CIN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos Ageradores ocorridos durante a sua vigência. A .2r,.. .0 Processo? 11516.00223512003-01 CSRF/T04 Acórdão n. 04-00.723 Fls. 3.058 6. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao principio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. 7. Ressalvado o prazo que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. 8. Recurso especial improvido. (RESP 628116, Ac. da Segunda Turma do STJ, Rd Ministro Castro Meira - Decisão de 15/09/2005 - DJU 03/10/2005, Seção I, pág. 181) Firme também a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme ementa abaixo transcrita: AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF - APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174, DE 2001 - É legítimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). (Ac. CSRF/04-00.500, sessão de 20/03/2007) Com relação à decadência, vale ressaltar que ,tratando-se o Imposto de Renda da Pessoa Física de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a regra de decadência a se aplicar encontra-se plasmada no art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), que tem a seguinte dicção: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. ét 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se omprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. II Processo n• 11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.059 Caracteriza tal modalidade de lançamento pela realização pelo sujeito passivo de pagamento anterior a qualquer notificação por parte da Fazenda, provavelmente, por isso o tratamento a ele conferido pelo Código de pagamento antecipado. Realizado tal pagamento, compete à Administração a homologação ou não dessa atividade realizada pelo obrigado. Nos termos do § 1°, esse "pagamento antecipado" pelo sujeito que tem o dever de fazê-lo extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Daí a previsão pelo art. 156 desse pagamento como forma de extinção do crédito tributário, colocado em inciso topologicamente distinto do pagamento normal, este no inciso I e aquele no inciso VII. Esse pagamento antecipado extingue o crédito tributário, ficando esta extinção sujeita ao implemento de condição resolutória, que será a "não-homologação" do pagamento. Apesar de o artigo tratar da modalidade de lançamento dito por homologação, traz o seu § 40 uma regra de decadência, ao dispor que, se a autoridade administrativa não se manifestar durante o prazo de cinco anos contados do fato gerador, considera-se homologado o lançamento e "definitivamente" extinto o crédito — homologação tácita. Como o pagamento antecipado está sujeito à condição resolutória da não homologação, provavelmente esta é a razão para o § 40 falar em sua definitividade, como se esse pagamento fosse provisório. Assim, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos para homologar a atividade do sujeito passivo ou, não a homologando, efetuar o competente lançamento de oficio, acrescida dos consectários legais. A ocorrência da homologação tácita, portanto, implica reconhecer definitivamente extinto o crédito tributário. Em síntese, a homologação tácita opera a decadência do direito de realização do lançamento de oficio relativo ao tributo que deixou de ser pago e os respectivos acréscimos legais. Em razão dessas vicissitudes que cercam o dito lançamento por homologação e, por decorrência, sua decadência, as críticas não são poucas na doutrina brasileira.3 Em razão da previsão pelo art. 150 do dever do sujeito passivo de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, e do ato em que essa autoridade, tomando conhecimento da atividade exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, uma das correntes sobre a decadência, que é a adotada pelo STJ, advoga que só há falar em homologação, quando o sujeito passivo realiza algum pagamento, ainda que em quantum menor que o que deveria ser efetuado. Esse pagamento, ainda que a menor, daria conhecimento dessa atividade do sujeito passivo, o que possibilitaria o agir da Administração. Não tendo o contribuinte efetuado qualquer pagamento do tributo, não existe atividade a ser homologada pela Fazenda, devendo o lançamento ser efetuado de oficio pela autoridade administrativa, conforme preceitua o art. 149, V, do CTN. 2 Para Paulo de Barros Carvalho, o pagamento antecipado não extingue o crédito tributário, mas apenas deflagra um processo de extinção desse crédito, que chega ao término com o ato homologatório, expresso ou tácito (Lançamento por homologação: decadência e pedido de restituição, in Repertório IOB de Jurisprudência n° 3/97 - Caderno 1) 3 AMARO, Luciano. Op cit., p. 393400. 12 Processo n°11516.002235/2003-0I CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.060 Nesse caso, a regra para contagem do prazo decadencial seria a regra geral estabelecida no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito será de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Caso tenha sido realizado o pagamento antecipado, na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a Fazenda Pública exigir eventuais diferenças será de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Findo este prazo, sem que tenha havido lançamento, o pagamento antecipado será homologado tacitamente e o crédito extinto independentemente do montante recolhido pelo contribuinte. De forma diversa a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), entendimento ao qual me filio. Para essa corrente, o tipo de lançamento a que está sujeito o tributo é que determina a regra de decadência aplicável, independente de haver ou não pagamento. Nessa linha a decisão proferida pela CSRF, na sessão de 27 de setembro de 2006, mediante o Acórdão CSRF/04-00.341, conforme ementa abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA - Nos casos em que a lei atribui ao sujeito passivo a obrigação de apurar e recolher o tributo independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento ajusta-se à modalidade por homologação, devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro do ano-calendário correspondente, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Assim, como a ciência do lançamento deu-se em 24/09/2003 (AR de fl. 2290 - vol. X), higido o lançamento levado a efeito pela Administração Tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2007. ANAM - - - A EIRSOS REIS ,j‘,/- ) 13 Processo n°11516.002235/2003-01 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.061 DECLARAÇÃODEVOTO Conselheiro LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA Peço vênia a eminente relatora, Conselheira Ana Maria Ribeiro dos Reis, por entender que não é o caso de se enfrentar a acusação de omissão de rendimentos constatada por meio de depósito bancário apontada pelo Fisco na peça vestibular do procedimento, na forma consignada no voto. Com efeito, tenho entendido que o lançamento com base na constatação de movimentação de valores em instituição bancária deve, consoante preceitua a lei, ser apurado no mês, ou seja, o suposto rendimento omitido deve ser tributado no próprio mês em que for recebido (depositado). Diante a natureza da discussão, a qual, na essência, refere-se aos princípios constitucionais, notadamente o da legalidade, necessário transcrever o dispositivo que, como é cediço, consta na Constituição Federal de 1988, e por meio do qual atribuiu-se à União competência para instituir e cobrar imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, verbis: "Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...); III — renda e proventos de qualquer natureza;" Daí infere-se que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem seu suporte legal no artigo 153, III da Constituição Federal de 1998, no qual, além de conferir à União competência para instituí-lo, estabeleceu princípios que delineiam a sua regra-matriz de incidência. Por sua vez, o artigo 43 do Código Tributário Nacional, cuidou de normatizar a cobrança do referido imposto e disciplinar os elementos que o compõem, verbis: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade económica ou jurídica: I — de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II — de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." Destarte, em razão de a Constituição ocupar no sistema jurídico pátrio posição mais elevada, todos os conceitos jurídicos utilizados em suas normas passam a vincular tanto o legislador ordinário quanto os operadores do direito. Á /V 14 Processo n°11516.002235/2003-01 CSRU1-04 Acórdão n.° 04-00.723 Fls. 3.062 Verifica-se, pois, que os conceitos de renda e proventos de qualquer natureza estão albergados na Carta Magna. Para a melhor aplicação a ser adotada relativamente à regra- matriz de incidência dos tributos, imprescindível perscrutar quais princípios estão condicionando a exação tributária. É de se notar que para que haja a obrigação tributária seja ela pagamento de tributo ou penalidade (principal) ou acessória (cumprimento de dever formal), necessário a adequação do fato existente no mundo real à hipótese de incidência prevista no ordenamento jurídico, sem a qual não surgirá a subsunção do fato à norma. Neste contexto, sobreleva o principio da legalidade que, como um dos fundamentos do Estado de Direito eleito pelo o legislador foi reproduzido à exaustão na Carta da República. Dentro dos direitos e garantias fundamentais, fixou o artigo 5°, II, "ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; ", conferiu, também, à Administração Pública a observância do princípio da legalidade, conforme artigo 37 (redação dada pela Emenda constitucional n.° 19 de 1998): "A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:" (grifou-se). Já no âmbito tributário a Constituição trouxe no artigo 150, I: "Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I — exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;" Ultrapassadas as anotações com vistas, em apertada síntese, ressaltar a importância dos princípios como alicerces nucleares do ordenamento jurídico, pode-se especificamente apontar o da legalidade como condição de legitimidade para que seja perpetrada a exigência tributária. É, portanto, o princípio da legalidade referência basilar entre a necessidade do Estado arrecadar e a proteção aos direitos fundamentais dos administrados. No caso ora em discussão, o enquadramento legal que se apoiou a suposta existência de fatos geradores com intuito de exigir tributos foi o artigo 42, da Lei n.° 9430/1996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito o de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoas fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." De fato, compulsando os autos verifica-se que nos demonstrativos anexos ao Auto de Infração, a fiscalização procedeu apuração individualizada das supostas omissões e, ao final de cada mês, efetuou a totalização do valor a ser tributado. No entanto, ao invés de exigir o tributo com base no fato gerador do mês que foi identificada a omissão, promoveu o fisco, indevidamente e sem base legal, a soma dos valores ali apurados e tributou-as no final do mês de dezembro do (s) ano-calendário (s) que consta (am) do Auto de Infração. fi- 15 11 Processo n°11516.002235/2003-01 CSRF/T04 . Acórdão n.° 0400.723 Fls. 3.063 Assim, o esforço que a fiscalização engendrou na ânsia de exigir eventual crédito tributário foi atropelado pela opção do seu procedimento, o qual estabeleceu, repita-se, sem suporte legal, critério na apuração temporal da constituição do crédito tributário. Por certo, o procedimento laborou em equivoco, eis que os rendimentos omitidos deverão ser tributados no mês em que considerados recebidos, consoante dicção do § 4° do artigo 42 da Lei n.° 9.430/1996: "§ 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira." Registre-se que o Regulamento do Imposto de Renda - RIR11999 (Decreto n.° 3000/1999), reproduziu no capuz do artigo 849 e no seu § 3° os mesmos mandamentos do artigo 42 e § 4°, da Lei n.° 9.430/1996. Assim, do confronto do enquadramento legal que contempla a exigência em razão de movimentação de valores em conta bancária, com a opção da fiscalização em proceder a cobrança do crédito tributário mediante "fluxo de caixa", apurado de forma anual, conforme o procedido nos presentes autos, evidente a transgressão dos fundamentos constitucionais, acima referidos, notadamente o princípio da legalidade. À vista do exposto, resta patente a ilegitimidade de todo o feito fiscal, por processar-se em desacordo com a legislação de regência, seja em relação à base de cálculo, seja em relação à data do efetivo fato gerador, o que, por conseguinte, desperta a necessidade de cancelamento do lançamento por erro no critério temporal da constituição do crédito tributário. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 11 de dezembro de 2007. 7......._,LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIV a.EI 16 Page 1 _0053200.PDF Page 1 _0053400.PDF Page 1 _0053600.PDF Page 1 _0053800.PDF Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054200.PDF Page 1 _0054400.PDF Page 1 _0054600.PDF Page 1 _0054800.PDF Page 1 _0055000.PDF Page 1 _0055200.PDF Page 1 _0055400.PDF Page 1 _0055600.PDF Page 1 _0055800.PDF Page 1 _0056000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.003667/95-25
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRELIMINARES - NULIDADE - Simples alegações de suposta violação de sigilo profissional e de uso de dados obtidos ilegalmente, desacompanhadas de qualquer prova e sem a indicação do segredo profissional violado e dos dados obtidos de forma ilegal, não podem dar causa à nulidade do lançamento.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - A contagem do prazo prescricional não se inicia enquanto pendente de julgamento a impugnação oferecida contra o lançamento. A exigibilidade do crédito tributário está suspensa, não ocorrendo a prescrição mesmo que, entre a data do oferecimento da impugnação e a decisão, transcorram mais de cinco anos.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A Lei nº 9.065/95, que determina a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa SELIC para os débitos tributários não pagos no vencimento, está validamente inserida no nosso ordenamento jurídico, não existindo decisão judicial com eficácia erga omnes que lhe haja declarado a inconstitucionalidade.
IRPJ - INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - Não logrando o fisco provar a não efetividade da prestação de serviços, estes devem ser tidos como efetivamente prestados, mormente quando assim reconhecido em decisão judicial transitada em julgado.
IRRF - ALUGUEL - CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL - IPTU - O reajuste mensal do valor arbitrado do aluguel contraria, não só a praxe do mercado, mas também a lei de regência. Não entram no cômputo do vencimento do aluguel os impostos incidentes sobre o imóvel.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 103-21.581
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas, e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento Parcial ao recurso para excluir da tributação as verbas de cr$ 75.000.000,00 e cr$ 100.133.880,00, autuadas a título de glosa de despesas com "Honorários de Terceiros - PF" (março/1992) e "Honorários de Terceiros - Semec" (julho/1992), respectivamente; e em relação ao IRF excluir a majoração mensal dos aluguéis de imóvel cedido a sócio bem como o valor do IPTU correspondente, vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero e Cândido
Rodrigues Neuber que negaram provimento integral, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Recurso n° : 133.407 Matéria : IRPJ E OUTROS - Ex(s): 1991 a 1995 Recorrente : MIRACEMA NUODEX INDÚSTRIA QUÍMICA LTDA. Recorrida : 3a TURMA-DRJ/CAMPINAS/SP Sessão de :14 de abril de 2004 Acórdão n° :103-21.581 • PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRELIMINARES - NULIDADE - Simples alegações de suposta violação de sigilo profissional e de uso de dados obtidos ilegalmente, desacompanhadas de qualquer prova e sem a indicação do segredo profissional violado e dos dados obtidos de forma ilegal, não podem dar causa à nulidade do lançamento. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - A contagem do prazo prescricional não se inicia enquanto pendente de julgamento a impugnação oferecida contra o lançamento. A exigibilidade do crédito tributário está suspensa, não ocorrendo a prescrição mesmo que, entre a data do oferecimento da impugnação e a decisão, transcorram mais de cinco anos. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A Lei n° 9.065/95, que determina a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa SELIC para os débitos tributários não pagos no vencimento, está validamente inserida no nosso ordenamento jurídico, não existindo decisão judicial com eficácia erga omnes que lhe haja declarado a inconstitucionalidade. IRPJ - INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - Não logrando o fisco provar a não efetividade da prestação de serviços, estes devem ser tidos como efetivamente prestados, mormente quando assim reconhecido em decisão judicial transitada em julgado. IRRF - ALUGUEL - CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL - IPTU - O reajuste mensal do valor arbitrado do aluguel contraria, não só a praxe do mercado, mas também a lei de regência. Não entram no cômputo do vencimento do aluguel os impostos incidentes sobre o imóvel. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MIRACEMA NUODEX INDÚSTRIA QUÍMICA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas, e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento Parcial ao recurso para excluir da tributação as verbas de cr$ 75.000.000,00 e cr$ 100.133.880,00, autuadas a título de glosa de despesas com "Honorários de Terceiros - PF" (março/1 99 e "Honorários de 133.407*MSR*23/C4/04 . • -•• • , MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;birt; TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 Terceiros - Semec" (julho/1992), respectivamente; e em relação ao IRF excluir a majoração mensal dos aluguéis de imóvel cedido a sócio bem como o valor do IPTU correspondente, vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero e Cândido Rodrigues Neuber que negaram provimento integral, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sler CA- OD' IBER ESIDENTE PAUL"- NTO P • N CIMENTO RELATOR FORMALIZADO EM: 1 4 M Al 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, NILTON PESS e VICTOR LUÍS SALLES FREIRE. 133.407*MSR*23/04/04 2 . I • 't : MINISTÉRIO DA FAZENDA • n • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES çr.:'> TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 Recurso n° : 133.407 Recorrente : MIRACEMA NUODEX INDÚSTRIA QUÍMICA LTDA. RELATÓRIO MIRACEMA NUODEX INDÚSTRIA QUÍMICA LTDA, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão prolatada pela 33 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou parcialmente procedentes os lançamentos objeto dos Autos de Infração relativos à Multa Regulamentar, ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica-IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido-CSLL e ao Imposto de Renda Retido na Fonte-IRRF, recorre a este Conselho. A autuação decorreu da verificação das seguintes infrações: 1 - Multa Regulamentar - Decorrente da inobservância de obrigação acessória que retarde ou impossibilite o conhecimento, pelo fisco, de condições essenciais da ocorrência do fato gerador ou da constituição do crédito tributário,• preenchimento incorreto do Livro de Apuração do Lucro Real, relativo ao prejuízo fiscal apurado indevidamente. Enquadramento legal: art. 723 do RIR/80, art. 2° da Lei 7.784/89, art. 10 da Lei 8.218/91 e art. 3 0 , I, da Lei 8.383/91. 2 - Custos, Despesas Operacionais e Encargos não Necessários - Glosa de despesas relativas a imóvel cedido gratuitamente a sócio, por serem desnecessárias. - Glosa de despesas contabilizadas como honorários pagos a terceiros, sem a comprovação da prestação dos serviços e da sua necessidade para a empresa. Enquadramento legal: art. 2° e seus parágrafos da Lei n° 7.689/88 e arts. 157 e parágrafo 1°; 191; 192 e 387, I, do RIR/80. 3 - Falta de Recolhimento do Imposto de Renda etido na Fonte sobre Trabalho Assalariado i133.40TMSR*23/04/04 3 j\ , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ?f> TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 - A empresa não efetuou as retenções e os recolhimentos do IRRF incidente sobre os valores dos benefícios indiretos auferidos por seu diretor. Enquadramento legal: arts. 1°, 2°, 3° e 7°, II, § 1°, da Lei 7.713/88 e arts. 1° e 3° da Lei n°8.134/90. 4 - Falta de Recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre a Remuneração de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica - A empresa não efetuou a retenção e o recolhimento do IRRF, incidente sobre as importância pagas ou creditadas a pessoas jurídicas, civis ou mercantis, pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional. Enquadramento legal: art. 2° do Decreto-Lei n° 2.030/83; art. 1°, III, do Decreto-Lei n° 2.065/83; arts. 2° e 52 da Lei n° 7.450/85; art. 3° do Decreto-Lei n°2.462/88 e art. 55 da Lei n°7.713/88. A autuação compreendeu os exercícios de 1991 a 1995 e foi lançada a multa de ofício, agravada quanto à CSLL. Cientificada em 22/08/1995, a contribuinte apresentou impugnação em 22/09/1995, alegando, em resumo: Em preliminar - que o alvo não é ela, tendo sido atingida ilegalmente por estilhaços do bombardeio fiscal dirigido contra o Dr. Orestes Quércia; - que a fiscalização não comprova as acusações que lhe faz, partindo de premissas subjetivas, falando repetidamente de lavagem de dinheiro, de simulação, de não realização da prestação dos serviços; - que a fiscalização violou e desrespeitou inteiramente o art. 5°, incisos III, X, XII, XIII e outros da Constituição Federal; o parágrafo único do art. 197 do CTN, a Lei n° 8.906/94, seu regulamento e o correspondente Código de Ética Profissional, assecuratórios da manutenção do segredo profissional; - que, para fundamentar as suas acusações de falsidade material e ideológica, a fiscalização deveria cumprir a legislação tributária de regência, ao invés de, inconsistentemente, partir meros e simpl s 133.407•MSR*23/04/04 4 -n • . e. , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CAMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 dados cadastrais e bancários ilegalmente obtidos; - que a forma absurda, ilegal e ridícula da ação da fiscalização, exigindo-lhe comprovação de atos privados, não tem precedentes, está fora dos padrões e das técnicas fiscais adotados para os contribuintes em geral; - que, por essas razões, as exigências são nulas de pleno direito, devendo ser sumariamente canceladas. No mérito: Quanto à acusação de serviços não realizados: - que não concorda com a afirmação de que os serviços prestados pelo advogado Otavio Ceccato e pela empresa SERNEC-Serviços de Informática e Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, seriam desnecessários, e os pagamentos realizados, meras liberalidades não dedutíveis. - que atendeu a todas as intimações, até mesmo aos excessos fiscais; - que todos os serviços foram efetivamente realizados e todos os rendimentos decorrentes foram rigorosamente declarados e tributados, não tendo consistência a sua rejeição; - que a afrontosa acusação de lavagem de dinheiro é graciosa, pois não restou provada qualquer fraude; - que as operações glosadas são efetivas e regulares, devidamente formalizadas, regularmente escrituradas e tributadas, sendo, por essas razões, inaplicável a multa agravada. Quanto aos benefícios indiretos a sócio: - que o excesso das exigências eiva de nulidade o Auto de Infração, fazendo com que até mesmo algumas despesas que possam caracterizar benefícios indiretos ao sócio se tomem inexigíveis; - que descabe o arbitramento de aluguel do imóvel ocupado pelo sócio porque este o utiliza também para trabalhar no interesse da empresa; - que, mesmo que assim não fosse, os valores arbitrados para os aluguéis não se sustentam porque reajustad mensalmentei \\,e 133.407•MSR*23/04/04 5 "•• • . MINISTÉRIO DA FAZENDA -r''Ç. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 compreensivos do valor do IPTU, uma vez que a lei que regia à época a matéria só permitia reajuste semestral e o IPTU é, sabidamente, ônus do proprietário, salvo cláusula expressa que o transfira ao inquilino; - que a depreciação do imóvel decorre da lei, uma vez que integra o seu ativo imobilizado, independentemente da sua destinação; - que as contas telefônicas não podem ser tidas integralmente como benefício indireto ao sócio, uma vez que o telefone, à semelhança do imóvel, é também utilizado a serviço da empresa; - que, por todas essas razões, espera sejam sumariamente canceladas as ilegais e arbitrárias exigências. A decisão DRJ/CPS n° 450, de 23/01/2002, de fls. 234/252, rejeitou as preliminares e, no mérito, deu pela procedência parcial do lançamento, para retirar da base de cálculo do IRRF as despesas com depreciação do imóvel e reduzir as multas de ofício aplicadas nos percentuais de 100% e 300% para 75% e 150%, respectivamente, mantendo, no resto, as exigências. Eis o seu teor "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Ementa: PRELIMINARES. NULIDADE. No julgamento administrativo só podem ser apreciados os argumentos fundamentados em razões de fato e de direito. Generalizações de procedimento aético, obtenção de dados sigilosos e outras, sem a devida identificação, estão fora do seu alcance. Não é nulo o auto de infração ou o procedimento fiscal que lhe deu origem quando a autoridade tributária competente observa todas as formalidades legais. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 1991, 1992, 1993 Ementa: INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Constatado nos autos que a empresa já possuía assessoria contábil/fiscal e CPD instalado, tornam-se desnecessárias as despesas da mesma natureza, sobretudo quando referidos styiços não fora 133.40rMSR*23/04/04 6 Lt MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 devidamente comprovados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. IRRF. Lavrado o auto principal, devem também ser lavrados os autos reflexos que seguem a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem, dada a relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte-IRRF Exercício: 1993, 1994, 1995 Ementa: IRRF, SALÁRIO INDIRETO A SÓCIO. RENDIMENTOS. Todos os benefícios concedidos pela empresa ao sócio, na forma de salário indireto, devem ser somados ao rendimento tributável para fins de apuração do IRRF. Dentre eles, a cessão gratuita de imóvel e seus respectivos gastos (telefone, água, luz, condomínio, IPTU), bem como as despesas com uso de veículo. IRRF. ALUGUEL. CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL. O rendimento anual arbitrado a título de aluguel corresponde a 10% do valor venal do imóvel. O aumento do valor venal do imóvel produz o aumento do valor do aluguel, dada a relação de correspondência entre eles. Todavia, deve ser considerado como salário indireto o valor do aluguel ou a depreciação do imóvel, o que implica na exclusão da despesa de depreciação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Ementa: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FRAUDE Justifica-se a aplicação de multa de ofício agravada, quando não comprovada a efetiva prestação de serviços, cuja documentação objetivou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Deve-se, entretanto, aplicar retroativamente penalidade menos severa a ato não definitivamente julgado. Lançamento Procedente em Parte". Regularmente intimada da decisão, a contribuinte, tempestivamente, recorre a este Conselho, na conformidade das razões de fls. 447/454, nas quais argumenta: - que o pretenso crédito tributário está extinto, dada a ocorrência da prescrição intercorrente; 133.407*MSR*23/04/04 7 •-•• • 9. MINISTÉRIO DA FAZENDA • • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• :;:r».15 TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 - que, não lhe tendo sido informado o valor devido para que pudesse calcular o valor mínimo da garantia, arrola o imóvel da sua sede de valor muitas vezes superior, protestando por sua futura substituição; - que, ad cautelam, não concorda com a aplicação da taxa SELIC: - que renova inteiramente a preliminar argüida na impugnação, reforçando-a com a transcrição de acórdãos deste Conselho e de decisões da DRJ de Campinas que, em apreciando processos instaurados contra Otávio Ceccato e empresa de que é sócio, julgou improcedentes os lançamentos; bem como de relatórios fiscais dos mesmos processos. No mérito, repete a argumentação esposada na impugnação, aprofundando-a. Com o recurso vieram os documentos de fls. 455/527. O Termo de Arrolamento repousa às fls. 537/538. Em 01/09/2003, a recorrente requereu e lhe foi deferida a juntada de cópia da sentença proferida pelo Juiz Federal da a Vara de Campinas, absolvendo seus sócios e Otávio Ceccato, fls. 552/578. É o relatório. 133.407*MSR*23/04/04 8 )1-1 e I. " MINISTÉRIO DA FAZENDA •- n "z,w PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. )- TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 VOTO Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO - Relator Reunindo o recurso as condições de admissibilidade, impõe-se o seu conhecimento. Suscita a recorrente quatro preliminares. Na primeira preliminar, sustenta que o crédito tributário está extinto, dada a ocorrência da prescrição intercorrente, tendo em vista que, entre a autuação e a intimação da decisão recorrida, se passaram mais de seis anos. A jurisprudência administrativa é pacifica no sentido de que a contagem do prazo prescricional não se inicia enquanto pendente de julgamento a impugnação oferecida contra o lançamento. A exigibilidade do débito está suspensa, não ocorrendo a prescrição mesmo que, entre a data do oferecimento da impugnação e a decisão, transcorram mais de cinco anos. Na segunda preliminar, argüi a inexistência do demonstrativo do crédito exigido, o que lhe impossibilita saber a quanto monta a divida para fim de calcular o valor do bem a ser arrolado, o que a fez oferecer em arrolamento o imóvel em que está sediada, cujo valor é muitas vezes superior à garantia que estava obrigada a oferecer. Tal omissão foi corrigida. O demonstrativo do crédito remanescente corrigido repousa às fls. 541/547. Na terceira preliminar, demonstra sua discordância com a aplicação da taxa SELIC para cobrança de juros. A Lei n° 9.065/95, que determinou a aplicação de juros moratórios com 133.40TMSR*23/04/04 9 ti k • . f; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 base na variação da taxa SELIC para os débitos tributários não pagos no vencimento, está validamente inserida no nosso ordenamento jurídico e em plena vigência, não constando tenha sido a sua inconstitucionalidade declarada em decisão judicial com eficácia erga omnes. Na quarta preliminar, pleiteia a nulidade do lançamento, ao argumento de suposta violação do segredo profissional, apoio em dados cadastrais e bancários obtidos ilegalmente e procedimento fiscal fora dos padrões e das técnicas fiscais adotadas para os contribuintes em geral. Contudo, não especifica que segredo profissional teria sido violado, nem, tampouco, que dados teriam sido obtidos de forma ilegal, bem como que padrões e técnicas fiscais não usuais teriam sido empregados. Não demonstradas as causas apontadas para a pretendida anulação do procedimento fiscal, não há como se acolher a pretensão. No mérito, quanto aos serviços contratados com o Sr. Otávio Ceccato e com a empresa SERNEC-Serviços de Informática e Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda, julgados não prestados, sustenta terem sido os mesmos efetivamente realizados. Para comprovação da realização dos serviços contratados com o Sr. Otávio Ceccato, a recorrente apresentou os seguintes documentos: Contrato de Prestação de Serviços Profissionais, Registro Contábil da Despesa, Recibo de Pagamento a Autônomo-RPA, Declaração do Imposto Retido na Fonte, DARF de Pagamento do Tributo, Cópia do Cheque de Pagamento, Correspondências trocadas entre os contratantes, Oficio à Receita Federal relatando os trabalhos desenvolvidos, Atestado de Capacitação e Execução de Serviços Técnicos do Contratado e Oficio do Contratado relatando todos os assuntos tratados na empresa (fls. 45/54 e 61/87). Em que pese a efetiva comprovação do pagamento e a regularidade dos documentos apresentados, a fiscalização não se convenceu a efetiva prestação dos serviços, oferecendo para tanto as seguintes razões: 133.40r MSR13/04/04 10 - • •L' -• • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 - Desde 1985 a recorrente se utilizava da empresa Assessora- Assessoria e Auditoria Independente S/C para assuntos relativos à auditoria/consultoria, que teria realizado os mesmos serviços atribuídos ao Sr. Otávio Ceccato, conforme comprovam os documentos acostados ao processo. - O único serviço que teria sido realizado exclusivamente pelo Sr. Otávio Ceccato, o diagnóstico societário, foi exposto verbalmente à Diretoria, em reuniões realizadas com esta finalidade. - O contratado não participou das assembléias, não figurou como testemunha ou advogado nos assuntos sociais que, em contra partida foram assinados por funcionários da Assessora. Para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços contratados com a empresa SERNEC-Serviços de Informática e Empreendimentos Imobiliários Ltda, a recorrente apresentou os seguintes documentos: A Contabilização dos Honorários Pagos, o Contrato de Prestação de Serviços, cópia do Cheque de Pagamento, Nota Fiscal do Serviço e Recibo de Pagamento a Autônomo-RPA. Não obstante a comprovação do pagamento efetuado e a regularidade dos documentos apresentados, a decisão recorrida julgou os serviços como não prestados, argumentando que: - o contrato é vago e genérico; - a recorrente não informou o nome do funcionário da contratada que prestou o serviço; - a recorrente adquiriu um computador, no valor equivalente a US$ 93.849,00 e pagou ainda, US$ 50.315,00 pela aquisição do direito de uso de suftwares; - o Sr. Jerônymo Nazário Júnior, sócio da contratada, ao comunicar o encerramento dos trabalhos não se identifica e, além disso, assina sobre o seu nome grafado incorretamente com 1* no lugar de "y"; - o Sr. Jerônymo nada recebeu a titulo de pro labore ou lucros; - os valores pagos à Semec foram superiores qçs pagos ao Sr. Lui Augusto Scarpelli, gerente do CPD da recorrente; 133.40r MSR*23/04/04 11 . • . lk 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA• P .“ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sz.r )" TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 - a recorrente tinha quadro especializado em computação. O art. 90 , § 1°, do Decreto-Lei n° 1.598/77 estabelece que: "A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". No caso, a própria fiscalização atesta que o pagamento dos honorários se encontra escriturado e que os documentos apresentados são regulares. Em conseqüência, ao fisco caberia a prova da inveracidade dos fatos registrados, a teor do § 2°, do mesmo art. 2°, do Decreto-Lei n° 1.598/77, que dispõe: "Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1°". Segundo a lei, pois, não tem a recorrente a obrigação de comprovar que os serviços foram prestados, sendo do fisco o ônus da prova de que os referidos serviços não foram executados e que tudo não passou de uma simulação, como afirma. Disso não se desincumbiu a autoridade fiscal. Não há uma só prova de que os serviços não foram prestados. Há, na verdade, um sem número de conjecturas imprestáveis para urna conclusão segura nem sentido. A impugnação das despesas relativas aos honorários, sem elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão, contraria o disposto no art. 678, § 2°, do RIR/80: "Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão". (Decreto-Lei n° 5.844/43, art. 79, § 1°). A sentença proferida pelo Juizo da 1° Vara Federal de Campinas, acostada às fls. 551/577, bem analisou a matéria, assim se pr unciando acerca do 133.40TMSR*23/04/04 12 . • • .e 4. 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CAMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 serviços contratados com o advogado Otávio Ceccato: "Os argumentos apresentados pela autoridade administrativa são frágeis e inconsistentes, não permitindo qualquer conclusão no sentido de que os serviços não teriam sido prestados. A fiscalização não concordou, a princípio, com a presença de duas pessoas para cuidar do mesmo assunto - a modificação societária da empresa. Ora, isto é irrelevante e não prova nada. No máximo que tal despesa fosse desnecessária (para a legislação do IR) mas nunca inexistente; ou talvez demonstram a prudência da empresa ao contratar outro profissional para a emissão de uma segunda opinião. Mas não pode o órgão acusador concluir deste fato que os serviços não foram prestados. A seguir a fiscalização aponta que os valores pagos são muito elevados. Igualmente este fato não prova a inexistência dos serviços. Diga-se, inclusive, que os valores acordados dizem respeito exclusivamente aos contratantes, não havendo qualquer norma na legislação tributária que limite os valores a determinado patamar. Após, ressaltam os auditores que os valores são maiores do que os pagos a certos empregados assim como à outra empresa que tratou do mesmo tema. Mais um argumento irrelevante. Em primeiro lugar a remuneração do contratado é assunto atinente exclusivamente à órbita privada. Os valores maiores ou menores são pagos de acordo com inúmeras variáveis, a saber o conceito que as pessoas gozam no seu meio social, outros trabalhos realizados, experiência na área, retorno esperado para a empresa, etc., ou seja, elementos completamente estranhos à aferição pela fiscalização. É comum uma empresa contratar especialistas em certas áreas para determinados trabalhos ou para a confecção de pareceres, mesmo que possua um corpo jurídico próprio, e que essas contratações importem em valores bem superiores aos recebidos pelos seus empregados. Nada há de irregular nisto. Frise-se que a opinião ou entendimento dos auditores fiscais acerca da complexidade ou não dos serviços contratados (fis. 46) é de nenhuma importância, pois apenas a lei pode abrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, e não há qualquer determinação legal que condicione a dedutibilidade das despesas ao prévio ou posterior entendimento da fiscalização. Mesmo que tais serviços fossem típicos de escritórios de contabilidade, como entendem os fiscais, a opção pela contratação de um advogado é totalmente lícita e não prova a realização ou não dos serviços. É da mesma forma absurda e não merece sequer um comentário o argumento de que não há documentos que registrem a presença do réu Otávio Ceccato nas reuniões da empresa, tendo em vista o art. 5°, inciso 11, da Constituição Federal". Com igual percuciência se houve a sentença o apreciar os argumentos 133.40rMSR'23/04/04 13 -4 • e MINISTÉRIO DA FAZENDA `P PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 utilizados pelo fisco em desfavor da efetiva prestação de serviços pela empresa SERNEC. A esse respeito, disse a decisão: "Todos os argumentos anteriormente expendidos devem ser aqui aplicados. Não cabe à fiscalização quantificar os valores pagos aos contratantes, nem emitir juízos acerca das decisões tomadas pela empresa, nem tampouco opinar sobre o fato de a empresa ter ou não quadro especializado em determinado setor. Deve, tão somente, aplicar a lei. Para esta tarefa algumas perguntas devem ser respondidas para verificar a existência do crime imputado aos acusados. Há, por acaso, alguma lei que obrigue os sócios a receber remuneração a título de pro- labore? Há alguma lei aplicável a este caso que determine a distribuição de lucros? Há alguma lei que limite os valores pagos aos prestadores de serviços àqueles recebidos pelos funcionários da empresa? Há alguma lei que diga que os contratos devem ser minuciosamente explicativos sob pena de nulidade? A perplexidade nas conclusões dos auditores no que concerne ao contrato relativo à Semec é ainda mais evidente. Observe-se que o próprio funcionário da empresa, o Sr. Luiz Augusto Scarpelli, disse aos auditores que solicitou a contratação de uma empresa de informática tendo sido os serviços prestados pelo Sr. Jerônymo. Há ainda, a nota fiscal, contrato de prestação de serviços e cheque referente ao pagamento efetuado. Ou seja, todos os documentos pertinentes, possíveis e aptos para comprovação dos serviços foram apresentados. Caberia à fiscalização, caso suspeitasse de uma atividade simulada, provar que os serviços não foram efetuados para desconsiderar os valores quando do cálculo do imposto. Contudo, não há sequer um argumento razoável nem sentido. Não há qualquer prova que demonstre que os serviços não foram efetuados, mas somente ilações equivocadas e opiniões sem qualquer pertinência ou respaldo legal." Dessa decisão judicial que, pelos fundamentos aqui revelados, julgou improcedente a denúncia para absolver os acusados, não recorreu o Ministério Público Federal, ensejando o seu trânsito em julgado em 05.03.2003. Diante disso, em respeito à causa julgada, não tem como prosperar o lançamento do IRPJ decorrente da indedutibilidade das despesas correspondentes aos valores pagos aos prestadores dos serviços em referência. No que pertine aos benefícios indiretos a sócios epresentados pelo uso 133.40TMSR*23/04/04 14 .1. a MINISTÉRIO DA FAZENDA•""? " PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10830.003667/95-25 Acórdão n° :103-21.581 de telefone e imóvel residencial pertencentes à recorrente, não fez esta qualquer prova da abusividade do valor arbitrado para a locação, nem, tampouco do uso do imóvel e do telefone para trabalho em beneficio da empresa, devendo por isso prevalecer o valor arbitrado para base de cálculo do aluguel, sendo considerados como salários indiretos os valores integrais do aluguel mensal e da conta telefônica. Contudo, o reajuste mensal do aluguel, além de ferir a praxe do mercado, contraria a lei de regência. De igual modo, o valor do IPTU não pode ser incluído no cômputo do aluguel uma vez que, inexistindo contrato, há de prevalecer o disposto no art. 50, inciso I, do RIR/99: "Art. 50. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei n° 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): I — o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento;" Ante o exposto, voto no sentido de afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores de Cr$ 75.000.000,00 e Cr$ 100.133.880,00, autuados a titulo de glosa de despesas com "honorários de terceiros - PF" (março/1992) e "Honorários de Terceiros - SERNEC" (julho/1992), respectivamente, e, em relação ao IRRF, excluir a majoração mensal do aluguel do imóvel cedido ao sócio, bem como o valor do IPTU correspondente. Sala das Sessões - DF, em 14 de abril de 2004 / PAULesa• • 50 •SCIMENTO 133.40rMSR*23/04/04 15 Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1 _0023900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.007866/98-26
Data da sessão: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – SUFRAMA – PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº. 01/94 - Laudos emitidos pela SUFRAMA são instrumentos hábeis a comprovar o efetivo cumprimento do PPB pelo importador. Tendo o contribuinte apresentado PGI´s em prazo, não há que ser responsabilizado pelo atraso na emissão das Guias de Importação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.109
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso
especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando que deu provimento ao recurso.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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TOLEDO DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida :1° CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 06 de novembro de 2006. Acórdão n° : CSRF/03-05.109 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — SUFRAMA — PORTARIA INTERMINISTERIAL N°. 01/94 - Laudos emitidos pela SUFRAMA são instrumentos hábeis a comprovar o efetivo cumprimento do PPB pelo importador. Tendo o contribuinte apresentado PGI's em prazo, não há que ser responsabilizado pelo atraso na emissão das Guias de Importação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando que deu provimento ao recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE NIL N LUI RTOLI) LATOR FORMALIZADO EM: 14 FEV 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACLIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, LUÍS ANTONIO FLORA e ANELISE DAUDT PRIETO. Ausente momentaneamente o Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 Recurso n.°. : 301-120178 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : J. TOLEDO DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão proferida pela 1 13 Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, lavrada no Acórdão n°. 301-29.220 (fls. 283/294), consubstanciado na seguinte ementa: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. SUFRAMA. Tendo sido atestado o cumprimento de Processo Produtivo Básico, o questionamento dos mesmos fatos na esfera tributária pressupõe a inexistência de dúvidas materiais, posto que a existência de entendimentos conflitantes no âmbito da própria Administração, ainda que não se verifique conflito de competências, beneficia o contribuinte (CTN, art. 122, II). O contribuinte não pode ser responsabilizado por atrasos decorrentes da ação ou omissão das autoridades públicas. RECURSO PROVIDO" Do acórdão proferido por maioria dos votos, a Procuradoria da Fazenda Nacional recorre, tempestivamente, com base no art. 5°, inciso I, do Regimento Interno da CSRF, sob o argumento de que a decisão recorrida se mostra contrária à evidência das provas colhidas nos autos. Segundo o d. Procurador da Fazenda Nacional, a contrariedade à evidência das provas se deu nos seguintes termos: • 2 Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 a) todos os laudos esclarecem que ficou constatado in loco pela equipe técnica desta superintendência que as condições de fabricação do produto em análise, estão condizentes com o Processo Produtivo Básico, estabelecido na Portaria Interministerial n°. 01/94, sendo que o de n°. 11/96, esclarece ainda que se refere ao PPB estabelecido no artigo 5°, inciso I, alínea "b", da referida portaria; b) o laudo técnico do produto n°. 339/95-SÃO/GEF, de 22 de novembro de 1995, faz referência aos materiais importados pelas Ars 4.525195 e 4.516/95 e o de n°. 204/95-SÃO/DENGE/DIOB, de 14 de julho de 1995, refere-se aos insumos importados pela GI n°. 02-95/6167-7, enquanto que o de n°. 11/96-SÃO/GEF, emitido com base no Parecer Técnico de Acompanhamento/Fiscalização n°. 05/96- SÃO/GEF, de 31 de janeiro de 1996, é relativo aos insumos importados através das GI's n°s 8.721-8, 6.511-7, 6.177-4, 6.178-2, 6.168-5, 40.677-1, 6.173-1, 6.171-5, 6.175-8, 7.172-5, 6.170-7, 6.180-4, 6.176-6, 6.512-5 e 6.166-9; c) com relação à alegação de que o órgão competente para fiscalizar e dizer se o processo produtivo básico está de acordo com os projetos incentivados aprovados é a SUFRAMA, e essa vem atestando, sistematicamente, o regular e legitimo procedimento da autuada ao aprovar a emissão das Guias de Importação e ao emitir o laudo de produto, é de se esclarecer que os referidos laudos referem-se às condições de fabricação do produto, o que não impede que a empresa proceda à importação desses produtos em desatendimento ao PPB estabelecido, fato esse que somente poderá ser constatado através dos documentos de importação, como ocorreu no presente caso; d) os Laudos Técnicos aludidos, emitidos pela SUFRAMA, inclusive relativos às Guias de Importação objeto do presente, não comprovam por si só que a empresa atendeu ao Processo Produtivo Básico, até porque, nos termos do artigo 10 da então Portaria Interministerial, somente não descaracterizava o atendimento do 3 Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 PPB ali definido a importação de quaisquer módulos e subconjuntos montados, cujos Pedidos de Guias de Importação tivessem sido protocolizados na SUFRAMA até a dada da publicação da dita Portaria (DOU de 23/09/94), e ainda que fossem internados os produtos finais até 1° de março de 1995, fato que não se verificou no presente, sendo que o parágrafo único do mesmo artigo estabelece que a partir da publicação da portaria não seriam liberadas guias de importação que não contemplassem obrigatoriamente a desagregação do motor; e) alguns desses laudos referem-se ao PPB de que trata o inciso I, alínea "b", do artigo 5°, c/c artigo 1°, inciso II, alínea "a", da Portaria Interministerial n°. 01/94, o qual não está em discussão no presente lançamento e, portanto, carecem de ser considerados como prova do cumprimento do PPB em questão; f) no que tange às obrigações fiscais cabe à Fazenda Nacional adotar as medidas necessárias à garantia do crédito tributário e, portanto, dentro da sua competência, a fiscalização deve adotar os procedimentos que achar necessários e, somente se for o caso, poderá efetuar eventual consulta de cunho técnico à SUFRAMA; g) no caso, o simples cotejo entre os documentos fiscais de importação e o disposto no Projeto da empresa e na Portaria Interministerial n°. 1/94 foram suficientes para comprovar o não atendimento do Processo Produtivo Básico; h) examinando-se as Declarações de Importação n°. 24.511 e 24.513, registradas em 14 de julho de 1995 (cópias às fls. 129/225), depreende-se que as Guias de Importações correspondentes tiveram suas autorizações efetuadas pela SUFRAMA em 07 de junho de 1995 (fls. 1291v. e 1951v.), portanto, logo após a solicitação da empresa em 06 de junho de 1995, ao contrário do que alega a contribuinte em sua defesa; i) o fato das Guias de Importação terem sido emitidas em dat posterior a 30 de junho de 1995, ocasionando o desembaraço e a 4 éjf Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 internação das mercadorias após referida data, a qual correspondia ao limite estabelecido na Portaria n°. 01/94, não pode ser aceito como de responsabilidade da SUFRAMA, conforme deseja a empresa, além do que, citados motivos carecem de amparo legal para efeito de eximi-la do atendimento do Processo Produtivo Básico em litígio; j) é inequívoco o descumprimento do Processo Produtivo Básico por parte da autuada, sendo cabível, por conseguinte, a exigência da diferença do li, nos termos previstos no artigo 7°, do Decreto-Lei n°. 288/67, com a nova redação dada pela Lei n°. 8.387/91, c/c os artigos 4°, inciso III, 5°, V e 10, "caput" e parágrafo único, todos da Portaria Interministerial n°. 01/94, bem como a multa do artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96. Diante dos argumentos expostos requer a d. PGFN pela reforma do v. acórdão recorrido e, como conseqüência, seja restabelecida a r. decisão de V. instância. Segundo a Informação Técnica n°. 301-428.02/04 — fls. 306/309 — diante dos argumentos apresentados pelo r. Procurador da Fazenda Nacional, comprovou-se a divergência argüida. Foi o Recurso Especial recebido pelo Despacho de fls. 310. Em tempestivas contra-razões manifesta-se o contribuinte às fls. 314/320, aduzindo, em suma, que: i. a partir da Portaria Interministerial n°. 01/94, a SUFRAMA, além de fiscalizar in /oco se as empresas estavam cumprindo as operações definidas em lei como mínimas para a caracterização do processo produtivo básico, também assumiu o ônus de liberar as importações Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 dos produtos das empresas gozadoras dos incentivos fiscais; ii. se suas guias de importação foram liberadas é conclusão obrigatória que observou as disposições legais para a importação dos insumos, pois o §único, do artigo 10, da Portaria Interministerial 01/94, é claro: "A partir da data de publicação desta portaria, não serão liberados guias de importação que não contemplem obrigatoriamente a desagregação do motor do chassi."; iii. o atendimento ao PPB restou provado a partir da Portaria Interministerial 01/94, tanto no que se refere à importação, quanto às etapas mínimas de industrialização, através da liberação das guias de importação pela SUFRAMA e dos laudos da SUFRAMA, respectivamente; iv. para liberação da importação a SUFRAMA tem a função legal de verificar se os insumos estão sendo importados nos termos legais, consequentemente, pouco importa o texto das declarações, mas deve ser considerado que a autarquia federal certificou, ao liberar as guias, que os chassis foram importados desmontados; v. é incongruente imaginar a importação de chassis em partes e peças agregadas com a montagem completa a partir de partes e peças, exigidas pela Portaria Interministerial n°. 01/94, se a SUFRAMA certificou que foi cumprido o PPB; vi. a SUFRAMA é uma autarquia do Poder Executivo criada única e exclusivamente com a função de fiscalizar o atendimento pelas empresas da exigências legais garantidoras dos incentivos 6 a Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 fiscais, e, no cumprimento de suas funções, efetuou fiscalização por suas oportunidades: na liberação das mercadorias e quando da visita na empresa, em que constatou fisicamente que a Recorrida atendeu ao PPB; vii. apesar da SUFRAMA ter liberado os PGIs em 07.06.95, não se sabe por que razão estas guias somente foram emitidas pelo Banco do Brasil em 28/06/95 (veja-se no cabeçalho do PGI a data, com a inscrição "Para preenchimento pela Dependência emissora", deixando claro que quem apõe a data é o próprio Banco do Brasil); viii. a emissão da guia em 28 dias, em vez dos costumeiros 5, foi o que impossibilitou o cumprimento dos prazos previstos na Portaria Interministerial n°. 01/94, assim, sendo a culpa atribuída exclusivamente aos órgãos administrativos, não se sabe se da SUFRAMA ou do Banco do Brasil, certamente não seria razoável carrear as conseqüências à autuada, que só não montou as motocicletas até 30/06/95 devido a estes atrasos; ix. por outro lado, nem se diga que a guia poderia ter sido devolvida ao importador para corrigi-la, uma vez que se isto tivesse acontecido, estaria carimbado na mesma a data de retorno ao Banco do Brasil, o que não se constata dos documentos anexados ao Auto de Infração. Conclui, o contribuinte, que cumpriu todas as etapas fixadas na Portaria Interministerial n°. 01/94, conforme atestados emitidos pela SUFRAMA, equivocadamente interpretados pela autoridade fiscal, ressaltando que as motocicletas 7 Cr" Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 industrializadas a partir de motores montados só foram internadas após 30106195 por culpa exclusiva da SUFRAMA/Banco do Brasil, que atrasaram a emissão das guias de importação. Requer seja negado provimento ao Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Os autos foram distribuídos a este relator constando numeração até à página 324, última. É o relatório. a .3.-. 8 Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator O Recurso Especial de Divergência oposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e de competência desta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que habilita esta Colenda Turma a examinar o feito. De plano, é de se consignar que para cabimento de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no inciso I, do art. 50 do Regimento Interno da CSRF, deve ser obedecido pelo Recorrente requisito de admissibilidade, inserto no § 1° do artigo 7°, do mesmo Regimento. Dispõe o §1°, do artigo 7°, do referido Regimento, que o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, contrariedade à lei ou à evidência de prova. Nestes termos, em que pese à r. Informação Técnica de fls. 306/309 ter concluído que o Recurso Especial interposto pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional atendeu tal requisito, o que foi acatado por Despacho de fls. 310/311 do ilustre Presidente da i a . Câmara do 3° Conselho de Contribuintes — Dr. Otacílio Dantas Cartaxo, entende este relator que não restou comprovada a alegada contrariedade à evidência de prova. Observo, primeiramente, que a Informação Técnica não aponta em que trecho do Recurso Especial estaria comprovada a contrariedade, eis que se limita a reprisar os argumentos colacionados pelo d. Procurador da Fazenda Nacional em seu Recurso. Por outro lado, não obstante a irresignação do d. Representante da Fazenda quanto ao que fora decidido pela r. Câmara recorrida, não se configura uma patente contrariedade à evidência de prova, mas tão somente entendimento diverso acerca da mesma matéria de fato. 9 . .. Processo n.°. : 10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 Com efeito, o entendimento disposto no v. acórdão recorrido é de que a SUFRAMA, por meio de laudos, atestou o cumprimento do Processo Produtivo Básico pelo contribuinte. Ressaltou ainda a r. decisão em questão, que a fiscalização, embora entendesse pelo descumprimento do PPB pelo contribuinte, não levou ao prévio conhecimento da SUFRAMA as informações que, no seu entender, comprovariam a existência de ilícitos, sendo que, por outro lado, a SUFRAMA assegura por meio de laudos o cumprimento do PPB, o que teria configurado posições conflitantes, devendo ser aplicado o artigo 112, inciso 11 1 , do Código Tributário Nacional. Pois bem, neste ponto, entende o d. Procurador da Fazenda Nacional que "os Laudos Técnicos aludidos, emitidos pela SUFRAMA, inclusive, relativos às Guias de Importação objeto do presente lançamento não comprovam por si só que a empresa atendeu ao Processo Produtivo Básico." Denota-se, pois, que o recorrente discorda do v. acórdão recorrido quanto à validade do laudo emitido pela SUFRAMA como prova do efetivo cumprimento do PPB, contudo, não se pode dizer que a decisão recorrida seja contrária à evidência de prova, uma vez que se pauta em documento emitido por órgão competente para fiscalizar a operação em questão, a SUFRAMA. Trata-se, pois, de divergência de entendimento acerca da mesma matéria. Num segundo momento, alega o contribuinte que descumpriu o prazo fixado pela Portaria Interministerial n°. 01/94, diante do atraso no desembaraço das mercadorias por "culpa" dos órgãos administrativos — SUFRAMA ou Banco do Brasil. Neste aspecto, ditou a decisão recorrida que "pelas evidências trazidas pela Recorrente, e pelo conhecimento das singularidades dos procedimentos aduaneiros, que a liberação das mercadorias foi solicitada quase um mês antes do I CTN — Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: 61II — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; 10 Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CS RF/03-05.109 término do prazo fixado pela Portaria Interministerial n°. 01194, sendo que esta somente foi autorizada quanto o termo final do referido prazo já tinha sido alcançado." Com efeito, o contribuinte traz aos autos prova de que requereu à SUFRAMA desembaraço prioritário das mercadorias que já se encontravam no Porto desde 04/06/95, em 06/06/95, conforme documento de fls. 128. Por seu turno, as Guias de Importação tiveram sua emissão dentro do prazo, em 28/06/95. Neste particular, embora o registro das DI's tenha ocorrido tão somente em 14/07/95, o entendimento do r. julgador recorrido é de que o importador não deixou de cumprir o prazo estatuído na Portaria Interministerial n°. 01/94, haja vista que formalizou pedido de desembaraço da mercadoria, bem como teve emitida suas Guias de Importação, dentro do aludido prazo. E, neste ponto, entende o d. Procurador que tendo em vista a autorização da SUFRAMA para emissão das Guias de Importação ter se dado em 07 de junho de 1995 (fls. 129/195 v°.), não poderia o contribuinte atribuir ao órgão responsabilidade pelo atraso no desembaraço. Mais uma vez se evidencia divergência quanto ao entendimento dos fatos, mas não contrariedade à prova trazida nos autos. Isto posto, entendo que não merece seguimento o Recurso Especial interposto pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, eis que não atende requisito de admissibilidade disposto no §1°, do artigo 5°, do Regimento Interno desta Casa. Contudo, caso os pares divirjam de meu posicionamento e entendam pelo cumprimento do requisito de admissibilidade do Recurso Especial e seu conhecimento, consigno meu juizo acerca da matéria, o qual segue na linha contrária à do ilustre Recorrente. Assim como na r. decisão recorrida, disseco a análise dos autos em dois pontos, quais sejam: a competência da SUFRAMA para atestar o cumprimento d 11 Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° CSRF/03-05.109 PPB por meio dos laudos acostados aos autos, e a questão do cumprimento do prazo fixado pela Portaria Interministerial n°. 01/94. De plano, ressalto que sou pelo mesmo entendimento disposto no v. acórdão recorrido, o qual tomo a liberdade de assumir como reiterado no presente julgamento. Com relação ao primeiro ponto, não há dúvida de que a questão atinente à competência para verificação do atendimento do Processo Produtivo Básico seja aspecto determinante para a solução da controvérsia. E para esclarecer a questão, trago à baila trecho do Acórdão 202- • 12.763, proferido pela d. r. Câmara do 2°. Conselho de Contribuintes, em julgamento do Recurso 111320 — de mesma matéria de fato e contribuinte, pertinente ao IPI e conexo ao presente, de lavra do ilustre Conselheiro Dr. Antônio Carlos Bueno Ribeiro: tom a edição da Lei n°. 8.387, de 30.12.91, foram introduzidas alterações na sistemática de incentivos fiscais conferidos na Zona Franca de Manaus. Assim é que a nova redação dada ao art. 9° do Decreto-Lei n°. 288/672, que trata da isenção do IPI para os produtos produzidos na Zona Franca de Manaus, impôs, no que respeita aos que devam ser internados em outras regiões do Pais, a observância dos requisitos estabelecidos no art. T' daquele decreto-lei, quais sejam: - o atendimento a nível de industrialização local compatível com o Processo Produtivo Básico para produtos compreendidos na 2 Art. 9° - Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. * Artigo, "caput", com redação dada pela Lei n°. 8.387, de 30/12/91. §1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, que devam ser internados em outras regiões do Pais, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 70 deste Decreto-Lei. 91° acrescido pela Lei n°. 8.387, de 30/12/1991. §2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no §1°, do art. 3° deste Decreto-Lei. 92° acrescido pela Lei n°. 8.387, de 30/12/1991. a12 Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil — TAB (art. 70, caput3); - observância aos limites anuais de importação de matérias- primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e alterações (art. 7°, §7°, I); e - objetive o incremento de oferta de emprego na região, a concessão de benefícios sociais aos trabalhadores, a incorporação de tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica, níveis crescentes de produtividade e de competitividade, reinvestimento de lucros na região; e investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico (art. 7°, §7°, II). Na adaptação dessa nova sistemática com a então vigente, a questão que logo se colocou foi a relacionada com a fixação do denominado "Processo Produtivo Básico — PPB", entendido como conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto" (art. 7°, §8°, b), pois a sua observância consistia requisito básico tanto para o gozo da redução da alíquota ad valorem do imposto sobre a importação relativo a matérias-primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira empregados nos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, quando dela saírem para 3 Art. 70 - Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das Posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil — TAB, e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre a Importação relativo a matérias-primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota "ad valorem", n conformidade do §1 0 deste artigo, desde que atendam nível de Industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposiçâo da Tarifa Aduaneira do Brasil — TAB. 13 Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 qualquer ponto do território nacional (art. 7°, caput), quanto à isenção do IPI, nessa mesma circunstância, de que cuida este processo (art. 9°, c/c o art. 7°). Tendo o §6° do art. 7° do Decreto-Lei n°. 288/67, acrescido pela Lei n°. 8.387, de 30.2.9, determinado: "§6° O Poder Executivo fixará os processos produtivos básicos, com base em proposta conjunta dos órgãos competentes do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, da Secretaria de Ciência e Tecnologia da Presidência da República e da Superintendência da Zona Franca de Manaus — SUFRAMA, no prazo máximo de cento e vinte dias, contado da data de vigência desta Lei; esgotado este prazo, a empresa titular do projeto de fabricação poderá requerer à SUFRAMA a definição do processo produtivo básico provisório, que será fixado em até sessenta dias pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, "ad referendum" do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento e da Secretaria da Ciência e Tecnologia." Por sua vez, o Poder Executivo editou o Decreto n°. 783, de 25.03.93 (fixa o Processo Produtivo Básico para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e dá outras providências), do qual pertine destacar os seguintes dispositivos: 1, Art. 3° Para permitir o acompanhamento da implementação do processo produtivo básico, a empresa titular do projeto industrial deverá apresentar à Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), anualmente, de acordo com crono grama por ela fixado, laudos técnicos emitidos por entidades de auditoria Independente, relativamente ao processo produtivo básico e ao sistema da qualidade. tc)14 Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CS RF/03-05.109 Parágrafo único. O laudo técnico relativo à implantação das normas técnicas de qualidade somente poderá ser expedido por entidade credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Art. 5° Os Ministros de Estado da Integração Regional, da Indústria, do Comércio e do Turismo, e da Ciência e Tecnologia, fixarão, por portaria Interministerial, os processos produtivos básicos para os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, não incluídos nos Anexos de I a XV deste decreto. Art. 6° Caracterizada a necessidade de alteração dos processos produtivos básicos fixados, decorrente de fatores técnicos ou econômicos, devidamente comprovados, poderá ser suspensa temporariamente ou modificada a realização de suas etapas, procedendo-se na forma do disposto no artigo anterior. Art. 7° A SUFRAMA poderá realizar, a qualquer tempo, inspeções nas empresas para verificação do fiel cumprimento do disposto neste decreto." Enfeixando as disposições legais e regulamentares que tratam da competência para a fixação dos Processos Produtivos Básicos e da verificação de sua observância, cumpre ainda apresentar os abaixo elementos da Resolução n°. 517, de 17.12.93, do Conselho de Administração da SUFRAMA (aprova a regulamentação para emissão de Laudo Técnico de Viabilidade Operacional e Laudo Técnico de Produto, constantes, respectivamente, dos Anexos I e II desta Resolução): "ANEXO II LAUDO TÉCNICO DE PRODUTO (LTP) 15 Processo n.°. :10283.007868/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 O Roteiro de Medidas a serem adotadas na emissão do Laudo Técnico de Produto (LTP) se aplica a todos os Projetos Industriais aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA localizados na área de abrangência da Zona Franca de Manaus. APRESENTAÇÃO O Laudo Técnico de Produto é o documento que comprova que as condições de fabricação dos produtos aprovados, para efeito do gozo dos incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, estão de acordo com os processos produtivos básicos, conforme preceitua a Lei n°. 8387, de 30 de dezembro de 1992, regulamentada pelo Decreto 783/93, de 25.03.93 e seus Anexos e Portarias Intermlnisteriais complementares. Para os casos de produtos que ainda não possuem Processo Produtivo Básico aprovado, será observado, conforme faculta a Lei 8387, o Processo Produtivo Básico provisório requerido pela empresa titular e fixado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. A Superintendência Adjunta de Operações exercerá o controle da emissão dos Laudos Técnicos de Produto, os quais serão elaborados em conjunto com a Superintendência Adjunta de Planejamento. ROTEIRO DE MEDIDAS A SEREM ADOTADAS NA EMISSÃO DO • LAUDO TÉCNICO DE PRODUTO (LTP) /) O Laudo Técnico de Produto deverá ser solicitado à Superintendência da Zona Franca de Manaus — SUFRAMA, quando do inicio da fabricação dos produtos, com antecedência mínima de 10 (dez) dias, para que seja realizada a verificação "IN LOCO" do cumprimento do Processo Produtivo Básico, devendo a empresa requerente instruir o pedido com as seguintes informações: a. listagem de insumos, conforme o caso; 16 • Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 b. cópia dos PGI's liberados, conforme o caso; a especificações do produto, designando tipos e modelos a serem produzidos; 2) Os Laudos Técnicos de Produto serão emitidos pela SUFRAMA de forma genérica por família de produtos, especificando os tipos/modelos. 3) A empresa deverá solicitar à SUFRAMA novo Laudo Técnico de Produto quando ocorrer alterações no Processo Produtivo Básico dos produtos já atestados, e nos casos de introduções de novos tipos/modelos. 4) Para efeito da emissão do Laudo Técnico de Produto, entende-se como produtos da mesma família, todos aqueles congêneres ou similares, compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil — TAB. 5) Os Laudos Técnicos de Produtos serão emitidos com o prazo de validade de 02 (dois) anos e poderão vir a ser suspensos, em qualquer tempo, caso a SUFRAMA constate alguma irregularidade quanto ao cumprimento do Processo Produtivo Básico (PPB). 6) Durante a inspeção para emissão deste Laudo, além da estrita observância ao Processo Produtivo Básico (PPB), será verificado o cumprimento das Resoluções relativas às embalagens dos produtos, bem como, a confrontação do(s) respectivo(s) PGI's com a(s) listagem(ns) de insumos do projeto aprovado, atentando sempre para o nível de agregação/desagregação de subconjuntos, partes, peças e outras formas de apresentação de materiais importados, de forma a atender o Processo Produtivo Básico aprovado. 17 tçrAel . Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 7) Tendo em vista a nova política industrial para a Zona Franca de Manaus, que estabelece a fixação dos Processos Produtivos Básicos conforme a Lei n°. 8387, de 30 de dezembro de 1991, todas as empresas com projetos industriais aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA e que se encontram devidamente implantadas na área de abrangência da Zona Franca de Manaus, ficam obrigadas a solicitar da SUFRAMA a emissão do Laudo Técnico de Produto para os produtos que ora estão produzindo, para certificação do fiel cumprimento do Processo Produtivo Básico, a partir da data desta normalização. Do exposto, exsurge inquestionável a primazia conferida pelas disposições legais e regulamentares acima à SUFRAMA para dispor e fiscalizar a observância do Processo Produtivo Básico para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus pelas empresas titulares de projetos aprovados pelo Conselho de Administração daquela Autarquia, com vistas a usufruir dos benefícios fiscais previstos nos artigos 7° e 9° do Decreto-Lei n°. 288, de 28 de fevereiro de 1967, com as modificações da Lei n°. 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e no art. 6° do Decreto-Lei n°. 1.435, de 16 de dezembro de 1975? Isto posto, tendo em vista a evidente competência da SUFRAMA para dispor e fiscalizar a observância do Processo Produtivo Básico, é de se reconhecer da validade dos Laudos emitidos por tal autarquia (documentos de fls. 109/123), apresentados pelo contribuinte como prova do cumprimento do PPB, nos termos do estabelecido na Portada Interministerial n°. 1/94. Repulso, pois, a alegação da Recorrente de que tais Laudos se referem às condições de fabricação do produto, o que não impediria que a importação ocorresse em desatendimento ao PPB estabelecido, uma vez que, se o Laudo Técnico de Produto atesta que as condições de fabricação estão de acordo como PPB, forçoso fr 18 é • • • • Processo n.°. : 10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 reconhecer que as importações dos insunnos destinados à fabricação deste produto se procederam de forma condizente ao PPB. Ressalto, ainda, que a SUFRAMA aprova os Pedidos de Guias de Importação (PGI) e que na emissão dos LTPs procede "a confrontação do(s) respectivo(s) PGI's com a(s) listagem(ns) de insumos do projeto aprovado, atentando sempre para o nível de agregação/desagregação de subconjuntos, partes, peças e outras formas de apresentação de materiais importados, de forma a atender o Processo Produtivo Básico aprovado (Resolução n°. 517/93, Anexo II, item 6)." Desta feita, assim como decidido no Acórdão supra mencionado, que se refere ao IPI, restou evidenciado que o órgão competente para verificar e atestar que as condições de fabricação do produto estão de acordo com o Processo Produtivo básico aprovado, considerou a importação em questão combativel com as disposições da Portaria Interministerial n°. 01/94. Outrossim, ainda que subsistissem dúvidas acerca da comprovação do cumprimento do PPB através dos referidos laudos, haveria que ser observado o artigo 112, inciso 11 4, do Código Tributário Nacional, como bem lembrou a r. decisão recorrida. Quanto ao outro fundamento do lançamento, de que a importadora também descumpriu o PPB ao importar - através das Declarações de Importação n°s 24.511 e 24.513, de 14/07/95 — motores montados para fabricação de motocicletas de 100 cm3 e até 450 cm3, tendo em vista que a Portaria Interministerial n°. 01/94 determinou que a montagem do produto passou a ser obrigatória, a partir de partes e peças, o fato é confirmado pela contribuinte, porém, não assiste razão à Recorrente. Com efeito, os Pedidos das Guias de Importação foram formalizados pelo importador quase um mês antes do término do prazo fixado pela referida Portaria, na data de 01 de junho de 1995 (carimbo da SUFRAMA aposto às fls. 129/195). 4* 4 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: CrII — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; 19 • • P • Processo n.°. :10283.007866/98-26 Acórdão n° : CSRF/03-05.109 É ainda de se mencionar que em 06 de junho de 1995 o importador protocolizou junto à SUFRAMA pedido de prioridade quanto aos PGI's em questão — documento às fls. 128. E, em que pese a SUFRAMA ter procedido a liberação das Guias em 07 de junho de 1995 (fls. 129 e 195 — verso), como aduzido pela Recorrente, as respectivas GI's foram emitidas pelo Banco do Brasil tão somente em 28 de junho de 1995 (vide data de emissão às fls. 129/140 e 195/206), o que acabou por ocasionar no registro da Dl fora de prazo, em 14 de julho de 1995. Não obstante, não pode o importador ser responsabilizado por fato para o qual não concorreu, posto que os PGI's foram solicitados muito antes do término do prazo, assim como as GI's foram emitidas em tempo — em 28 de junho de 1995, quando o prazo determinado pela Portaria Interministerial n°. 01/94 era 30 de junho de 1995. Além disso, é de se mencionar que ao estipular tal prazo, a Portaria Interministerial n° 01/94 silenciou quanto à sua referência, haja vista que não determinou se o cumprimento deveria se dar no momento do PGI, da autorização de emissão da Guia de Importação, da efetiva emissão da Guia, ou do registro da Dl e desembaraço da mercadoria. Assim, tomo por cumprido o prazo estatuído pela Portaria Interministerial n° 01/94 e reitero os argumentos expostos na r. decisão recorrida, pelos quais é de se aplicar ao caso o principio da moralidade. Diante de todo o exposto, se conhecido o Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, NEGO-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões — DF, em 06 de novembro de 2006. 1,20N L BARTOL2 20 Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.011051/96-71
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF - ISENÇÃO - RENDIMENTOS RECEBIDOS DO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL - PNUD - A isenção do imposto de renda sobre rendimentos recebidos do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, por força do que dispõe o art. 98, do Código Tributário Nacional, alcança apenas os valores percebidos pelos funcionários deste organismo internacional que satisfaçam as condições estabelecidas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aprovada em 13/02/1946, pela Assembléia Geral do Organismo, e recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº 27.784/1950, e pela Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21/11/1947, ratificada pelo governo Brasileiro mediante o Decreto Legislativo nº 10/1959, promulgada pelo Decreto nº 52.288, de 1963.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-12.378
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, Orlando José Gonçalves Bueno e Edison Carlos Fernandes.
Nome do relator: Iacy Nogueira Martins Morais
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"04• -4.t-sNir, MINISTÉRIO DA FAZENDA <alp,: rt,kk PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '144' SEXTA CÂMARA Processo n°. : 10166.011051/96-71 Recurso n°. : 15.582 Matéria: : IRPF - Ex(s): 1994 e 1995 Recorrente : HENRIQUE DA COSTA FERREIRA FILHO Recorrida : DRJ em BRASÍLIA - DF Sessão de : 08 DE NOVEMBRO DE 2001 Acórdão n°. : 106-12.378 IRPF — ISENÇÃO — RENDIMENTOS RECEBIDOS DO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL — PNUD — A isenção do imposto de renda sobre rendimentos recebidos do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, por força do que dispõe o art. 98, do Código Tributário Nacional, alcança apenas os valores percebidos pelos funcionários deste organismo internacional que satisfaçam as condições estabelecidas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aprovada em 13/02/1946, pela Assembléia Geral do Organismo, e recepcionada no direito pátrio pelo Decreto ri 27.784/1950, e pela Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21/11/1947, ratificada pelo Governo Brasileiro mediante o Decreto Legislativo n° 10/1959, promulgada pelo Decreto n°52.268, de 1963. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HENRIQUE DA COSTA FERREIRA FILHO. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, Orlando José Gonçalves Bueno e Edison Carlos Femandes. —/IACY NOGUEIRA MARTINS MORAIS PRESIDENTE E RELATORA FORMALIZADO EM: 95 ABR 20ce Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO, THAISA JANSEN PEREIRA e LUIZ ANTONIO DE PAULA. Ausente o Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 Recurso n°. : 15.582 Recorrente : HENRIQUE DA COSTA FERREIRA FILHO RELATÓRIO Os autos retornam a este Conselho de Contribuintes depois de cumprida a diligência solicitada por esta Câmara (fls. 126 a 136), mediante a Resolução n° 106-01.044, de 14/04/1999, da qual o relatório e voto leio em sessão. A diligência foi cumprida a contento, tendo sido oficiado o representante nacional do Programa das Nações Unidas, o qual declarou que o autuado prestou serviços ao PNUD e, "não é objeto da comunicação de que trata o art. 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas". O contribuinte, devidamente cientificado da Diligência, manifestou-se às fls. 150/172, por meio de seu representante legal, argumentando, em síntese, que: - o Auto de Infração é nulo, por falta de respaldo tático e jurídico; - a diligência solicitada pelo Conselho de Contribuintes versa sobre matéria de fato, e não matéria de direito, como é da exigência legal, "tornou o Auto de Infração nulo, uma vez que a condição de contribuinte ou não ainda era desconhecida"; - outro ponto para reflexão é o do novo enfoque em que se baseou a decisão hostilizada, onde os argumentos foram centrados no contrato entabulado entre o Organismo e a contribuinte, e não mais • quanto à lista assinada e expedida pelo órgão, exigência esta que esteve presente desde a primeira decisão; 2 44- .. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 - comenta sobre os procedimentos da auditora quando da realização da diligência, transcrevendo trechos das respostas recebidas; - questiona se é possível um órgão local emitir definições e conceitos, tendo em vista a demora do seu órgão hierarquicamente superior no atendimento das respostas. Entende que não pode prevalecer, uma vez que houve quebra de hierarquia. A informação li não merece guarida, pois foi fornecida por aquele a quem não i competia faze-lo; e - todos os contratos de brasileiros para o desempenho de funções em organismos internacionais, são ratificados pelo governo brasileiro, por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, talvez seja, por isso que o PNUD não tenha emitido a lista de funcionários. Como reforço de suas alegações destaca decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Procurador da Fazenda Nacional, também cientificado, manifestou-se á fl. 291, no sentido de que os documentos acostados aos autos, em atendimento à diligência, comprovam que o recorrente nâo é empregado de organismo internacional, mas apenas prestador de serviço, sujeitando-se, portanto, os rendimentos objeto da lide à incidência do imposto de renda. Requerendo o desentranhamento das contra-razões apresentadas pelo autuado, haja vista te-las denominado de novo recurso. )É o Relatório. k 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 VOTO Conselheira IACY NOGUEIRA MARTINS MORAIS, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em que pese a manifestação do Procurador da Fazenda Nacional em nome dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, passo ao exame das razões apresentadas pela defesa. A preliminar aventada pelo recorrente, a luz das disposições contidas no art. 59 do Decreto n° 70.235, ato que regula o processo administrativo fiscal, deve ser rejeitada, haja vista que da análise dos autos verifica-se que a lavratura do Auto de Infração em tela está conforme a legislação de regência. Adite-se que, equivoca-se o recorrente ao afirmar que quando da realização do lançamento de oficio a autoridade lançadora não tinha certeza de que ele, autuado, era sujeito passivo da obrigação tributária ora em lide, pois esta não foi a razão da conversão do julgamento em diligência. Conforme se verifica do voto condutor da Resolução n° 106 — 01.044, de 1999, considerando o princípio da verdade material, um dos princípios basilares do processo administrativo fiscal, este Colegiado considerou que os fatos trazidos pelo recorrente eram insuficientes para a adequada análise do recurso voluntário interposto. Analisada a preliminar passo à análise do mérito. 4 _ em- MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 A matéria em discussão já é por demais conhecida dos membros desta Câmara — tributação dos rendimentos auferidos por brasileiros, residentes no País, pela prestação de serviços no território nacional a Organismo internacional do qual o Brasil faça parte, na hipótese dos autos ao Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas — PNUD. Conforme relatório, trata-se de rendimentos auferidos em decorrência de serviços prestados a Organismo Internacional - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Brasil — PNUD. O Auto de Infração, ratificado em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, considerou o rendimento como tributável, de acordo com o que dispõe o inciso V do art. 58 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR194, aprovado pelo Decreto n°1.041, de 11/01/1994, in verbis: "Art. 58. São também tributáveis (Lei n°7.713/88, art. 3°, § 4°): / — as importâncias com que for beneficiado o devedor, nos casos de perdão ou cancelamento de dívida em troca de serviços prestados; (..) V — os rendimentos recebidos de governo estrangeiros e de organismos internacionais, quando correspondam à atividade exercida no território nacional;" O recorrente, vez que recebe de organismo internacional em decorrência dos seus serviços prestados, defende a tese de estar amparado pelas disposições do art. 23, inciso II, do RIR194, o qual estabelece: "Art. 23. Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho percebidos por (Leis n°s 4.506, art. 5°, e 7.713/88, art. 30): I — servidores diplomáticos a serviço de seus governos; 5 _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 // — servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; (-.) § 1 9 As pessoas referidas neste artigo serão contribuintes como residentes no exterior em relação a outros rendimentos produzidos no Pais (Lei n° 4.506/64, art. 5°, parágrafo único)." (grifei). Da leitura dos dispositivos supra-transcritos, claro está que os rendimentos percebidos de governo estrangeiros e de organismos internacionais estão sujeitos à tributação do imposto de renda, salvo se alcançados por hipótese de isenção prevista em tratado ou convênio firmados pelo Brasil, o que torna imperioso trazer a lume esses atos internacionais, que passam a se constituir nas principais fontes do direito aplicáveis à situação fática debatida nestes autos, por força do ditame contido no artigo 98 do CTN. Os atos internacionais afetos à matéria objeto da lide são: o Acordo de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, promulgado pelo Decreto n° 59.308, de 23/09/66, que versa sobre as Agências Especializadas da ONU, onde se insere o PNUD; a Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo n° 10/59, promulgada pelo Decreto n° 52.288, de 24/07/63; e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, de 13/0211946, aprovada pelo Decreto Legislativo n° 4, de 13/02/1948, promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/02/1950 os quais dispõem, respectivamente, nos art. V; no art. 6°; e nos ais. V e VI: - Acordo de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas 6 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 'Art. V 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundos e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) Com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'; b) Com respeito às Agências Especializadas, a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas; c) (...).. - Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas "Art. 6° Funcionários 18° Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários aos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-las aos Governos de todos os países partes da Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados. 19° Seção Os funcionários das agências especializadas: a) serão imunes a processo legal quanto às palavras faladas ou escritas e todos os atos por eles executados na sua qualidade oficial; 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às que gozam os funcionários das Nações Unidas (..)" - Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas tiArt. V Funcionários Seção 17. O Secretário determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do art. VII Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: c) serão isentos de qualquer imposto sobre salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas. (..) Art. VI Peritos em missão da Organização das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo V, quando em missão da Organização das Nações Unidas, gozarão (..), dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam em particular dos privilégios e imunidades seguintes: • . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 a) imunidade de arresto pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda jurisdição, no que se refere aos atos por eles efetuados no desempenho de suas missões ; c) inviolabilidade de quaisquer papéis e documentos; (..); t) as mesmas imunidades e facilidades no que se refere às suas bagagens pessoais que as concedidas aos agentes diplomáticos." Ressalte-se que dentre os privilégios e imunidades especificados não há menção à isenção de impostos. Da leitura dos dispositivos transcritos, observa-se que não são todos os funcionários que gozam de isenção, mas apenas os pertencentes a determinadas categorias. Na decisão de primeira instância foi registrada, com propriedade, a conclusão da própria Consultoria Jurídica das Nações Unidas, em Nota divulgada em 1981, abordando a matéria, conforme segue: • . , "Substantivamente, as principais distinções são (i) que os 'funcionários' são isentos dos impostos incidentes sobre os salários e emoluinentos a eles pagos pelas Nações Unidas ou Agências Especializadas, ao passo que aos 'técnicos a serviço' não é conferida tal isenção [..j." Fica portanto claro que existe uma distinção entre os funcionários do quadro efetivo do organismo internacional, que se enquadram na categoria dos que fazem jus ao beneficio fiscal, e os demais. - Assim, a diligência-solicitada mediante a Resolução ri 106-01.044, de 14/04/1999, vem trazer dados relevantes à convicção dos conselheiros desta Câmara, não trazidos pelo contribuinte. 9 à(V , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 O Oficio DIFIS/DRF/DF/BSB n° 2.146, de 01/11/2000, foi atendido pelo Representante Residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — Escritório no Brasil, o qual declarou que o recorrente prestou serviços à projeto de cooperação técnica - BRA/90/010, celebrado entre o Governo Brasileiro e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e, "portanto, não é objeto da comunicação de que trata o artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas ..." Adite-se que a declaração supra-referida está conforme declaração juntada aos autos pelo representante legal do recorrente (fls. 135/136), prestada pela mesma autoridade - Representante Residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — Escritório no Brasil — mediante a qual informava que o recorrente efetivamente havia prestado serviço junto ao Organismo, mas não esclarecia se estava ou não alcançado pelas disposições do artigo 60 da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas. Portanto, considero que os esclarecimentos prestados pela• autoridade acima referida, mediante a declaração de fl. 142, atendem ao objetivo da diligência proposta, ou seja, para que se verificasse a condição de funcionário pertencente a categoria alcançada pelo favor fiscal estabelecido nos atos internacionais de regência multi-referidos, haja vista que o interessado não logrou fazê-lo. Cumpre, ainda, trazer a lume os dispositivos da Lei n° 5.172, de 25/10/1966, Código Tributário Nacional —CTN, os quais determinam, expressamente, que a isenção é matéria de lei (art. 97.VI); de interpretação literal (art. 111); e quando não concedida em caráter geral cabe ao interessado fazer prova do to f MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10166.011051/96-71 Acórdão n°. : 106-12.378 preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei (art. 179). Do manifestado, forçoso é concluir que o recorrente não está alcançado pela isenção prevista na Seção 19° do art. 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, portanto não amparado pelo estatuído no art. 23 do RIR194, cuja matriz legal é a Lei n°4.506, de 30/11/1964. Pelo exposto e por tudo mais que do processo consta, conheço do recurso por tempestivo e interposto na forma da lei, e voto por NEGAR-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 8 de novembro de 2001 ACY NOGU IRA MARTINS MORAIS 11 Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.004175/97-43
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 1999
Ementa: I.R.P.J. - OMISSÃO DE RECEITAS
“Contratos de Fretamento de Aeronaves”. “Promessa de Venda e Compra”. Negócios Jurídicos Autônomos. Não caracteriza uma única operação de compra e venda com reserva de domínio a existência efetiva de um “Contrato de Fretamento de Aeronave”, gravada com hipoteca, por tempo determinado, concomitantemente com um “Contrato de Promessa de Venda e Compra” da mesma aeronave ou outra de mesmo modelo e fabricação, por se tratar de negócios jurídicos autônomos e de natureza distinta.
VARIAÇÃO CAMBIAL
O reconhecimento dos “Contratos de Fretamento de Aeronaves” e de “Promessa de Venda e Compra”, torna sem efeito o lançamento da variação cambial por falta de reconhecimento da receita proveniente deste último negócio jurídico, em razão da inocorrência de venda a prazo.
RECEITA FINANCEIRA
Os juros cobrados, quando iguais aos pagos, por aplicados: as mesmas taxas, iguais capitais, e adotados idênticos períodos, não dão causa a diferenças, salvo se demonstrado inobservância do regime de competência.
RECEITA NÃO OPERACIONAL
O valor recebido a título de arras, por inadimplemento da promissária-compradora, encontrando-se sub judice a resolução do contrato, somente se torna juridicamente disponível com a sentença judicial favorável à credora, momento em que esta última deverá efetuar o registro da receita, por tributável.
RECEITA APROPRIADA A MENOR
O critério jurídico adotado para descaracterização dos contratos de fretamento e de promessa de venda e compra, quando alterado apenas para atender ao interesse da Fiscalização, não subsiste principalmente se o fundamento utilizado diz respeito a uma suposta interligação entre pessoas jurídicas.
DIFERIMENTO INDEVIDO DE RECEITAS DE ARRENDAMENTO DE AERONAVES
A postergação do pagamento de imposto pressupõe apuração e recolhimento do tributo no período-base em que ocorrer o reconhecimento da receita. Verificado prejuízo fiscal, não há invocar a figura da postergação, impondo-se a inclusão da receita no período-base de competência e conseqüente exclusão do mesmo valor no período-base de em que ocorreu seu registro contábil, com ajuste tão somente do prejuízo a compensar.
AQUISIÇÃO DE BENS PERTENCENTES AO ATIVO IMOBILIZADO. REGISTRO EM CONTA DE DESPESA
O direito de compensar o prejuízo apurado em um período-base não está condicionado a formal pedido de retificação da Declaração de Rendimentos. No caso de o valor aplicado na aquisição de bem pertencente ao Ativo Imobilizado ter sido registrado como despesa, com posterior regularização por iniciativa do sujeito passivo, descabe a aplicação da regra jurídica inserta no artigo 171 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado com o Decreto nº 85.450, de 1980, sendo válido o ajuste do prejuízo fiscal apurado nos período-base de 1991 e 1992, mediante a inclusão da receita no primeiro e sua exclusão do mesmo valor no segundo.
CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS.
Cabível é a apropriação de depreciações e correspondente correção monetária de bem cedido em comodato, quando comprovado o interesse comercial da comodante na realização furara de negócio.
DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E HOSPEDAGEM
Os gastos suportados com viagens do presidente, diretores e funcionários da empresa, quando comprovadas com documentação hábil e idônea, até prova em contrário, constituem despesas operacionais da pessoa jurídica.
ALUGUEL DE KOMBIS SONORIZADAS
As quantias pagas na locação de veículos, negócio acobertado por nota fiscal emitida pela prestadora dos serviços, é bastante para provar sua efetiva realização, salvo provado o contrário.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA DE FORMA EXPRESSA.
A exigência tributária cuja matéria não foi objeto de recurso, considera-se definitivamente consolidado na esfera administrativa.
EXCESSO DE DESPESAS. AERONAVES ARRENDADAS NO EXTERIOR
A imobilização dos valores investidos na aquisição de bens que, por sua natureza, se classificam como imobilizado, resulta de regra jurídica impositiva. No caso do leasing, tem-se uma exceção à regra. O benefício proporcionado pela Lei n° 6.099, de 1974, é facultativo, voltado para a pessoa jurídica, cabendo tão somente a ela promover sua oportuna utilização.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS
A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possa vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-lei n. 486/69, art. 4o.)
DESPESA OPERACIONAL. APROPRIAÇÃO EM DUPLICIDADE
A regularização contábil, ocorrida posteriormente ao início da ação fiscal, não afasta a exigência do imposto formalizada através de lançamento de ofício.
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS
Os requisitos básicos para caracterização da distribuição disfarçada de lucros, no caso concreto, são: o valor de mercado e o preço pago na aquisição do bem de pessoa ligada. Necessariamente este tem que ser notoriamente superior .àquele. O valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros, na hipótese do inciso II do art. 367 do Regulamento do Imposto de Renda baixado com o Decreto nº 85.450, de 1980.
A atribuição de valor zero para as ações de sociedade anônima com patrimônio líquido negativo se apresenta não só insuficiente como também ineficaz para o fim a que se destina..
INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - Por força do disposto no art. 101 do CTN e no parágrafo 4o. do art. 1o. da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderá ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991, quando entrou em vigor a Lei n.º. 8.218/91.
CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. ÍNDICE. - Nos exercícios financeiros de 1989 e 1990, os índices a serem utilizados para correção das demonstrações financeiras são aqueles que incorporam a variação verificada no Índice de Preços ao Consumidor - IPC, em cada período.
COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO
Havendo prejuízos acumulados, podem eles ser compensados com valores acrescidos ao lucro real em decorrência de lançamento “ex officio”.
INEXATIDÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LANÇADO DE OFÍCIO
Havendo matéria tributável apurada em lançamento de ofício, é cabível a exclusão da contribuição social sobre o lucro da base de Cálculo do Imposto de Renda da pessoa jurídica, bem como a exclusão do reflexo correspondente na base de cálculo do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido.
Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 101-92944
Decisão: Por unanimidade de votos, acolher os embargos para re-ratificar o Acórdão nº 101-91.594, de 20.11.97.
Nome do relator: Sebastião Rodrigues Cabral
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ementa_s : I.R.P.J. - OMISSÃO DE RECEITAS “Contratos de Fretamento de Aeronaves”. “Promessa de Venda e Compra”. Negócios Jurídicos Autônomos. Não caracteriza uma única operação de compra e venda com reserva de domínio a existência efetiva de um “Contrato de Fretamento de Aeronave”, gravada com hipoteca, por tempo determinado, concomitantemente com um “Contrato de Promessa de Venda e Compra” da mesma aeronave ou outra de mesmo modelo e fabricação, por se tratar de negócios jurídicos autônomos e de natureza distinta. VARIAÇÃO CAMBIAL O reconhecimento dos “Contratos de Fretamento de Aeronaves” e de “Promessa de Venda e Compra”, torna sem efeito o lançamento da variação cambial por falta de reconhecimento da receita proveniente deste último negócio jurídico, em razão da inocorrência de venda a prazo. RECEITA FINANCEIRA Os juros cobrados, quando iguais aos pagos, por aplicados: as mesmas taxas, iguais capitais, e adotados idênticos períodos, não dão causa a diferenças, salvo se demonstrado inobservância do regime de competência. RECEITA NÃO OPERACIONAL O valor recebido a título de arras, por inadimplemento da promissária-compradora, encontrando-se sub judice a resolução do contrato, somente se torna juridicamente disponível com a sentença judicial favorável à credora, momento em que esta última deverá efetuar o registro da receita, por tributável. RECEITA APROPRIADA A MENOR O critério jurídico adotado para descaracterização dos contratos de fretamento e de promessa de venda e compra, quando alterado apenas para atender ao interesse da Fiscalização, não subsiste principalmente se o fundamento utilizado diz respeito a uma suposta interligação entre pessoas jurídicas. DIFERIMENTO INDEVIDO DE RECEITAS DE ARRENDAMENTO DE AERONAVES A postergação do pagamento de imposto pressupõe apuração e recolhimento do tributo no período-base em que ocorrer o reconhecimento da receita. Verificado prejuízo fiscal, não há invocar a figura da postergação, impondo-se a inclusão da receita no período-base de competência e conseqüente exclusão do mesmo valor no período-base de em que ocorreu seu registro contábil, com ajuste tão somente do prejuízo a compensar. AQUISIÇÃO DE BENS PERTENCENTES AO ATIVO IMOBILIZADO. REGISTRO EM CONTA DE DESPESA O direito de compensar o prejuízo apurado em um período-base não está condicionado a formal pedido de retificação da Declaração de Rendimentos. No caso de o valor aplicado na aquisição de bem pertencente ao Ativo Imobilizado ter sido registrado como despesa, com posterior regularização por iniciativa do sujeito passivo, descabe a aplicação da regra jurídica inserta no artigo 171 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado com o Decreto nº 85.450, de 1980, sendo válido o ajuste do prejuízo fiscal apurado nos período-base de 1991 e 1992, mediante a inclusão da receita no primeiro e sua exclusão do mesmo valor no segundo. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. Cabível é a apropriação de depreciações e correspondente correção monetária de bem cedido em comodato, quando comprovado o interesse comercial da comodante na realização furara de negócio. DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E HOSPEDAGEM Os gastos suportados com viagens do presidente, diretores e funcionários da empresa, quando comprovadas com documentação hábil e idônea, até prova em contrário, constituem despesas operacionais da pessoa jurídica. ALUGUEL DE KOMBIS SONORIZADAS As quantias pagas na locação de veículos, negócio acobertado por nota fiscal emitida pela prestadora dos serviços, é bastante para provar sua efetiva realização, salvo provado o contrário. MATÉRIA NÃO CONTESTADA DE FORMA EXPRESSA. A exigência tributária cuja matéria não foi objeto de recurso, considera-se definitivamente consolidado na esfera administrativa. EXCESSO DE DESPESAS. AERONAVES ARRENDADAS NO EXTERIOR A imobilização dos valores investidos na aquisição de bens que, por sua natureza, se classificam como imobilizado, resulta de regra jurídica impositiva. No caso do leasing, tem-se uma exceção à regra. O benefício proporcionado pela Lei n° 6.099, de 1974, é facultativo, voltado para a pessoa jurídica, cabendo tão somente a ela promover sua oportuna utilização. DESPESAS NÃO COMPROVADAS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possa vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-lei n. 486/69, art. 4o.) DESPESA OPERACIONAL. APROPRIAÇÃO EM DUPLICIDADE A regularização contábil, ocorrida posteriormente ao início da ação fiscal, não afasta a exigência do imposto formalizada através de lançamento de ofício. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS Os requisitos básicos para caracterização da distribuição disfarçada de lucros, no caso concreto, são: o valor de mercado e o preço pago na aquisição do bem de pessoa ligada. Necessariamente este tem que ser notoriamente superior .àquele. O valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros, na hipótese do inciso II do art. 367 do Regulamento do Imposto de Renda baixado com o Decreto nº 85.450, de 1980. A atribuição de valor zero para as ações de sociedade anônima com patrimônio líquido negativo se apresenta não só insuficiente como também ineficaz para o fim a que se destina.. INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - Por força do disposto no art. 101 do CTN e no parágrafo 4o. do art. 1o. da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderá ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991, quando entrou em vigor a Lei n.º. 8.218/91. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. ÍNDICE. - Nos exercícios financeiros de 1989 e 1990, os índices a serem utilizados para correção das demonstrações financeiras são aqueles que incorporam a variação verificada no Índice de Preços ao Consumidor - IPC, em cada período. COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Havendo prejuízos acumulados, podem eles ser compensados com valores acrescidos ao lucro real em decorrência de lançamento “ex officio”. INEXATIDÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LANÇADO DE OFÍCIO Havendo matéria tributável apurada em lançamento de ofício, é cabível a exclusão da contribuição social sobre o lucro da base de Cálculo do Imposto de Renda da pessoa jurídica, bem como a exclusão do reflexo correspondente na base de cálculo do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido. Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido.
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"Promessa de Venda e Compra". Negócios Jurídicos Autônomos. Não caracteriza uma única operação de compra e venda com reserva de domínio a existência efetiva de um "Contrato de Fretamento de Aeronave", gravada com hipoteca, por tempo determinado, concomitantemente com um "Contrato de Promessa de Venda e Compra" da mesma aeronave ou outra de mesmo modelo e fabricação, por se tratar de negócios jurídicos autônomos e de natureza distinta. VARIAÇÃO CAMBIAL O reconhecimento dos "Contratos de Fretamento de Aeronaves" e de "Promessa de Venda e Compra", torna sem efeito o lançamento da variação cambial por falta de reconhecimento da receita proveniente deste último negócio jurídico, em razão da inocorrência de venda a prazo. RECEITA FINANCEIRA Os juros cobrados, quando iguais aos pagos, por aplicados: as mesmas taxas, iguais capitais, e adotados idênticos períodos, não dão causa a diferenças, salvo se demonstrado inobservância do regime de competência. RECEITA NÃO OPERACIONAL O valor recebido a título de arras, por inadirnplemento da promissária- compradora, encontrando-se sub judice a resolução do contrato, somente se toma juridicamente disponível com a sentença judicial 767 Processo n.°. : 10680.004175/97-43 2 Acórdão n.°. : 101-92.944 favorável à credora, momento em que esta última deverá efetuar o registro da receita, por tributável. RECEITA APROPRIADA A MENOR O critério jurídico adotado para descaracterização dos contratos de fretamento e de promessa de venda e compra, quando alterado apenas para atender ao interesse da Fiscalização, não subsiste principalmente se o fundamento utilizado diz respeito a uma suposta interligação entre pessoas jurídicas. DIFERIMENTO INDEVIDO DE RECEITAS DE ARRENDAMENTO DE AERONAVES A postergação do pagamento de imposto pressupõe apuração e recolhimento do tributo no período-base em que ocorrer o reconhecimento da receita. Verificado prejuízo fiscal, não há invocar a figura da postergação, impondo-se a inclusão da receita no período- base de competência e conseqüente exclusão do mesmo valor no período-base de em que ocorreu seu registro contábil, com ajuste tão somente do prejuízo a compensar. AQUISIÇÃO DE BENS PERTENCENTES AO ATIVO IMOBILIZADO. REGISTRO EM CONTA DE DESPESA O direito de compensar o prejuízo apurado em um período-base não está condicionado a formal pedido de retificação da Declaração de Rendimentos. No caso de o valor aplicado na aquisição de bem pertencente ao Ativo Imobilizado ter sido registrado como despesa, com posterior regularização por iniciativa do sujeito passivo, descabe a aplicação da regra jurídica inserta no artigo 171 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado com o Decreto n° 85.450, de 1980, sendo válido o ajuste do prejuízo fiscal apurado nos período-base de 1991 e 1992, mediante a inclusão da receita no primeiro e sua exclusão do mesmo valor no segundo. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. Cabível é a apropriação de depreciações e correspondente correção monetária de bem cedido em comodato, quando comprovado o interesse comercial da comodante na realização furara de negócio. 2 Processo n.°. : 10680.004175/97-43 3 Acórdão n.°. : 101-92.944 DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E HOSPEDAGEM Os gastos suportados com viagens do presidente, diretores e funcionários da empresa, quando comprovadas com documentação hábil e idônea, até prova em contrário, constituem despesas operacionais da pessoa jurídica. ALUGUEL DE KOMBIS SONORIZADAS As quantias pagas na locação de veículos, negócio acobertado por nota fiscal emitida pela prestadora dos serviços, é bastante para provar sua efetiva realização, salvo provado o contrário. MATÉRIA NÃO CONTESTADA DE FORMA EXPRESSA. A exigência tributária cuja matéria não foi objeto de recurso, considera- se definitivamente consolidado na esfera administrativa. EXCESSO DE DESPESAS. AERONAVES ARRENDADAS NO EXTERIOR A imobilização dos valores investidos na aquisição de bens que, por sua natureza, se classificam como imobilizado, resulta de regra jurídica impositiva. No caso do leasing, tem-se uma exceção à regra. O benefício proporcionado pela Lei n° 6.099, de 1974, é facultativo, voltado para a pessoa jurídica, cabendo tão somente a ela promover sua oportuna utilização. DESPESAS NÃO COMPROVADAS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possa vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-lei n. 486/69, art. 4°.) DESPESA OPERACIONAL. APROPRIAÇÃO EM DUPLICIDADE A regularização contábil, ocorrida posteriormente ao inicio da ação fiscal, não afasta a exigência do imposto formalizada através de lançamento de oficio. 3 , Processo n.°. : 10680.004175/97-43 4 Acórdão n.°. : 101-92.944 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS Os requisitos básicos para caracterização da distribuição disfarçada de lucros, no caso concreto, são: o valor de mercado e o preço pago na aquisição do bem de pessoa ligada. Necessariamente este tem que ser notoriamente superior .àquele. O valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros, na hipótese do inciso II do art. 367 do Regulamento do Imposto de Renda baixado com o Decreto n° 85.450, de 1980. A atribuição de valor zero para as ações de sociedade anônima com patrimônio líquido negativo se apresenta não só insuficiente como também ineficaz para o fim a que se destina. INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - Por força do disposto no art. 101 do CTN e no parágrafo 4°. do art. 1°. da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderá ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991, quando entrou em vigor a Lei n.°. 8.218/91. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. ÍNDICE. - Nos exercícios financeiros de 1989 e 1990, os índices a ii serem utilizados para correção das demonstrações financeiras são aqueles que incorporam a variação verificada no Indice de Preços ao Consumidor - IPC, em cada período. COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Havendo prejuízos acumulados, podem eles ser compensados com valores acrescidos ao lucro real em decorrência de lançamento "ex officio". INEXATIDÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LANÇADO DE OFÍCIO Havendo matéria tributável apurada em lançamento de oficio, é cabível a exclusão da contribuição social sobre o lucro da base de Cálculo do Imposto de Renda da pessoa jurídica, bem como a exclusão do reflexo correspondente na base de cálculo do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido. 7Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido,. 14 Processo n.°. : 10680.004175/97-43 5 Acórdão n.°. : 101-92.944 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LÍDER TÁXI AÉREO S.A. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, re-ratificar o Acórdão nl 101-91.595, de 20 de novembro de 1997, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ED : • PEREIRA - PRESIDENTE ISEBASTIÃO Ri bl'CABRAL - RELATOR 2un.I t) JA Y nFORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, KAZUKI SHIOBARA, RAUL PIMENTEL, SANDRA MARIA FARONI e CELSO ALVES FEITOSA. Processo n.°. : 10680.004175/97-43 6 Acórdão n.°. : 101-92.944 RELATÓRIO Com fundamento no artigo 28 do Regimento Interno, aprovado com a Portaria MF n° 55, de 1998, foi acolhido o que restou requerido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belho Horizonte — MG, conforme despacho exarado às fls. 1096/1097, ou seja, que fosse examinada a hipótese da ocorrência de "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo" contidos no Acórdão n° 101-91.594, de 1997. Analisado o conteúdo do voto então proferido, e tendo presente o que restou decidido por este Colegiado, concluímos que efetivamente se constata a existência de inexatidões materiais, as quais não se limitam, todavia, às parcelas apontadas no requerido pela D. R. J.. Com efeito, o provimento do recurso voluntário alcançou as parcelas de: EXERCÍCIO DE 1988: CZ$ 15.020.152,49 CZ$ 5.567.592,65 TOTAL CZ$ 20.587.745,14 EXERCÍCIO DE 1989: CZ$ 9.152.986.25 CZ$ 452.308.516,29 CZ$ 34.181.897,47 CZ$ 193.425.173,13 TOTAL CZ$ 689.068.573,14 4r> 6 Processo n.°. : 10680.004175/97-43 7 Acórdão n.°. : 101-92.944 EXERCÍCIO DE 1990: NCZ$ 2.125.575,47 NCZ$ 37.602.737,74 NCZ$ 324.925,97 NCZ$ 5.410.210,06 NCZ$ 16.457.260,54 TOTAL NCZ$ 61.920.709,78 EXERCÍCIO DE 1991: Cr$ 121.250.744,73 Cr$ 230.460.640,39 Cr$ 1.682.301.672,16 Cr$ 15.591.040,00 Cr$ 7.265.121,14 Cr$ 52.738.272,49 Cr$ 652.002.191,90 TOTAL Cr$ 2.761.609.682,81 EXERCÍCIO DE 1992: Cr$ 10.540.777,15 Cr$ 8.021.627.223,05 Cr$ 32.093.185,86 Cr$ 644.000.000,00 Cr$ 25.012.019,03 Cr$ 377.676.509,70 Cr$ 6.213.857.694,27 TOTAL Cr$ 15.324.807.409,06 7 , .. Processo n.°. : 10680.004175/97-43 8 Acórdão n.°. : 101-92.944 Nada há que alterar quanto ao conteúdo do voto proferido naquela oportunidade. Diante do exposto, proponho seja re-ratificado o Acórdão n/ 101- 91.594, de 20 de novembro de 1997, para que sejam promovidas as alterações conforme demonstrado acima, devendo ficar a parte dispositiva da decisão assim redigida: "Face ao acima exposto, rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, dou provimento parcial ao Recurso, para excluir da tributação, nos exercícios de 1988, 1989, 1990, 1991 e 1992, respectivamente, as parcelas de CZ$ 20.587.745,14, CZ$ 689.068.573,14, NCZ$ 61.920.709,78, Cr$ 2.761.609.682,81 e Cr$ 15.324.807.409,06, bem como afastar a incidência da T.R.D. no período de fevereiro a julho de 1991, além de permitir seja recomposto o prejuízo compensável em razão desta decisão. Sala das Sessões - DF, - m 10 de dezembro de 1999 // SEBASTIÃO RO D R' n, :~deo: RAL - RELATOR 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.005543/97-71
Data da sessão: Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - PRESSUPOSTO DE CABIMENTO – Revela falta de objeto ao Recurso Especial, estribado em decisão contrária à lei, quando verificado que o acórdão recorrido se apresenta conforme o decidido na primeira instância de julgamento
Numero da decisão: CSRF/01-04.968
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Dorival Padovan
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE DOR1 4,/ PAD e';‘AN REL Cr FORMALIZADO E 1 9 AGO 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, MARCIO MACHADO CALDEIRA (Suplente convocado), LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CLOVIS ALVES, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, JOSÉ RIBAMAR BARROS PENHA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSÉ HENRIQUE LONGO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Processo n° : 10166.005543/97-71 Acórdão n° : CSRF/01-04.968 Recurso n° : RP/102-123131 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : JOSÉ MARIA RABELO PEREIRA RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu i. Procurador junto à Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com fundamento no art. 32, I, do Regimento Interno, recorre contra a decisão prolatada através do Acórdão n. 102-44.516, de 08.11.2000, que, no que interessa, está assim ementado (f. 179): ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — O acréscimo patrimonial a descoberto deve ser tributado, quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados, exclusivamente, na fonte. Asseverou o d. Procurador da Fazenda Nacional, em seu recurso especial, que o art. 55, XIII e o art. 807, do RIR/1999, possuem respaldo legal nos arts. 43, I, e 116 do Código Tributário Nacional, e, em assim sendo, entende de que o fato gerador do imposto de renda do acréscimo patrimonial a descoberto deva ser mensal, e não anual quando do ajuste na declaração de rendimentos conforme restou consignado no acórdão recorrido. Recebido o recurso (f. 199), foi intimado o sujeito passivo que apresentou contra-razões (f. 200-207), propugnando pelo não-conhecimento do mesmo por falta de prequestionamento ou, no caso conhecido, pela manutenção do aresto recorrido. /11 , É o relatório. O../ 2 Processo n° : 10166.005543/97-71 Acórdão n° : CSRF/01-04.968 VOTO Conselheiro DORIVAL PADOVAN, Relator. O recurso foi oferecido no prazo legal, mas não pode ser conhecido pelas razões a seguir expostas. Com efeito, embora o acórdão sujeito a contraste tivesse deixado claro que a quantificação do acréscimo patrimonial somente ocorre ao final do ano calendário, entretanto, o mesmo não deixou expresso a providência que já adotara o julgamento de primeira instância, no sentido de apurar o imposto mediante a declaração de ajuste anual de rendimentos. De fato, o lançamento fiscal colheu acréscimo patrimonial a descoberto em outubro de 1991 (f.87) e, de forma isolada, exigiu o imposto na rubrica de carne-leão (f. 89) com vencimento em 14/11/91 (f. 90). Porém, com a impugnação, sobreveio a decisão de primeira instância que, seguindo orientação da administração tributária emanada da IN SRF n° 46, de 1997, deslocou a parcela tributável para 31.12.1991, de forma que o imposto restou exigido com base na declaração de ajuste anual (f. 132) e com vencimento em 14/05/1992 (f. 137). Denota-se, portanto, que v. acórdão, no particular, apenas reafirmou o critério de apuração do imposto já implementado pela decisão de primeira instância, que neste aspecto não comporta modificação via recurso especial. Daí a prejudicial que impede o exame do mérito na medida em que o pressuposto invocado, qual seja a existência de decisão contrária à lei, não existe. Ademais, não se pode olvidar que acaso ocorra o provimento do recurso a decisão estará agravando a exigência fiscal que já se acha conformada aos interesses da própria administração tributária, o que demonstra, mais uma vez, o descabimento do pedido. ^1 g 3 Processo n° : 10166.005543/97-71 Acórdão n° : CSRF/01-04.968 Não conheço do recurso. Sala das Sessões — DF, em 14 de junho de 2004. tOt dr))„,i)4 - DORIV PA) AN / ,(2 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 19740.000393/2004-58
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/07/1995
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO
ANTECIPADO.
Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, decai
em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a
Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário do PIS.
Súmula Vinculante n° 8, do STF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-00209
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA
da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE
RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: José Antonio Francisco
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19740.000393/2004-58 Recurso n° 146.746 Voluntário Acórdão n° 3302.00.209 — 3' Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2009 Matéria Auto de Infração - Decadência Recorrente BANCO MÁXIMA S/A Recorrida DRJ no Rio de Janeiro - RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1994 a 31/07/1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário do PIS. Súmula Vinculante n° 8, do STF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento 'ao recurso para reconhecer a decadência. í t,Y)-eict, a4,3CULZja,,. Ia C - • SEF MARIA COE HO MARQUES - Pre i. a ente in , WALB SE DA S LVA - Relator ParticiParam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, José Antonio Francisco e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. Relatório Contra o BANCO MÁXIMA S/A foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS, relativo a fatos geradores ocorridos entre junho de 1994 e julho de 1995, tendo em vista que a Fiscalização constatou insuficiência de recolhimento da exação. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 4a- Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro - RJ julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão n2 13-16.686, de 19/07/2007 — fls. 193/203. Ciente desta decisão em 13/08/2007 (fl. 209), o banco interessado ingressou, no dia 11/09/2007, com o recurso voluntário de fls. 210/220, no qual alega, em síntese, que: (i) preliminarmente, ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento (5 anos do fato gerador); (ii) é inconstitucional a MP 0 517/94; e (iii) a multa de oficio é inconstitucional. - Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos legais e merece ser conhecido. Como relatado, no dia 26/10/2004 o banco recorrente tomou ciência do lançamento do PIS relativo a fatos geradores ocorridos entre junho de 1994 e julho de 1995. O auto de infração foi lavrado em razão de diferenças apuradas pela Fiscalização. No recurso voluntário a interessada alega, em sede de preliminar, que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto deste lançamento. Com razão a recorrente. De plano, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei n 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante n2 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante n' 8 — São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-Lei e 1.569/1977 e os artigos 45 e tgkk- 1 2 Processo n° 19740.000393/2004-58 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.209 Fl. 223 46 da Lei n' 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Afastada a aplicação dos citados dispositivos legais, a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento é a tratada no § 4° do art. 150, do CTN, posto que a recorrente efetuou pagamento antecipado nos períodos de apuração objeto do lançamento. Considerando-se que a ciência do lançamento ocorreu no dia 26/10/2004, está extinto pela decadência o crédito tributário lançado no auto de infração contestado pois refere- se a fatos geradores ocorridos há mais de 05 anos da ciência do lançamento, ou seja, o fato gerador mais recente é de julho de 1995. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar extinto pela decadência do créclito tributário lançado no auto de infração de fls. 93/95. A ) 1 WALBEIt JOSÉ DA SILVA , 4 ' x- 4 3
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Numero do processo: 10835.000514/95-59
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL
É nula a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos
de formalidade. Notificação que não produza efeitos, descabida a
apreciação do mérito.
ANULADO POR MAIORIA.
Numero da decisão: 303-29.718
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acatar a preliminar de nulidade, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman e Carlos Fernando Figueiredo Barros, relator. Designado para redigir o voto o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli.
Nome do relator: CARLOS FERNANDO FIGUEIRÊDO BARROS
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ementa_s : ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL É nula a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. Notificação que não produza efeitos, descabida a apreciação do mérito. ANULADO POR MAIORIA.
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PROCESSO N° : 10835.000514/95-59 SESSÃO DE : 09 de maio de 2001 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 RECURSO N° : 121.283 RECORRENTE : ANTONIO ARMELIN RECORRIDA : DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL É nula a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. Notificação que não produza efeitos, descabida a apreciação do mérito. 010 ANULADO POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acatar a preliminar de nulidade, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman e Carlos Fernando Figueiredo Barros, relator. Designado para redigir o voto o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. Brasília, em 09 de maio de 2001 • JOÃ LANDA COSTA Presi ente NIPON BAR-1,1 Relator Desi ado ‘4\‘\\ /- Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, IRINEU BIANCHI e PAULO DE ASSIS. Ats/I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 RECORRENTE : ANTONIO ARMELIN RECORRIDA : DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP RELATOR(A) : CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS RELATOR DESIG. : NILTON LUIZ BARTOLI RELATÓRIO Versa o presente processo sobre a exigência do crédito tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento de fl. 02, emitida no dia • 08/04/95, referente ao seguinte crédito tributário: 7.605,52 UFIR de ITR, 206,28 UFIR de Contribuição CONTAG, 2.794,50 UFIR de Contribuição CNA e 249,90 UFIR de Contribuição SENAR, perfazendo um total de 10.856,20 UFIR, incidente sobre o imóvel rural cadastrado na SRF sob o n.° 0725252.8, com área de 2.018,2 ha, denominado Fazenda Itaporã, localizado no município de Rosana/SP. O presente lançamento teve por base a Declaração do ITR — DITR, referente ao ano de 1994 (fls. 58), tendo sido fundamentado, quanto ao ITR, na Lei n° 8.847/94 e quanto às Contribuições no Decreto-lei n° 1.146/70, art. 5", c/c o Decreto-lei n° 1.989/82, art. 1° e parágrafos, e no Decreto-lei n° 1.166/71, art. 4' e parágrafos. Na impugnação de fl. 01, o recorrente discorda do Valor da Terra Nua — VTN que serviu de base de cálculo para determinação dos valores lançados, que corresponde ao Valor da Terra Nua mínimo - VTNm que foi fixado para o • município de localização do imóvel rural em questão, por meio da IN-SRF n" 016/95, alegando que a tributação contraria a Lei n°. 8.847/94, "... uma vez que a mesma é excessiva, por ser contrária à realidade valorativa ao preço de mercado da terra nua. Sendo que na mesma região de TOPOGRAFIA e GEOGRAFIA idênticos o valor da terra nua é aproximadamente 6 vezes menor". Para justificar o seu pleito apresentou os seguintes documentos: Parecer Técnico de avaliação e vistoria do imóvel, fls. 04/11, cópia da NBR 5676/80 — AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS, fls. 12/22, certidão da Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha Paulista, fls. 23, e cópia da IN SRF n." 016/95, fls. 24/31. Em 05/09/95, os autos foram enviados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que, inicialmente, em despacho exarado às fls. 34, com o intuito de possibilitar a ampla defesa e o contraditório, decidiu pela intimação do interessado, no sentido de que este apresentasse: 2 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 a) Novo Laudo Técnico de Avaliação de sua propriedade, cujo ITR está sendo contestado, informando o Valor da Terra Nua de sua propriedade, em 31/12/93, efetuado por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro Florestal), devidamente habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 8.799), demonstrando os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica-ART, devidamente registrada no CREA; ou b) Avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (Exatorias) ou Municipais, bem como aquelas efetuadas pela EMATER, com as • características mencionadas na alínea "a", inclusive com a respectiva ART, devidamente registrada no CREA; c) Poderão ser apresentados, a título de referência, anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores e que levem à convicção do valor da terra nua na data supramencionada. Intimado aos 06/06/97, o contribuinte fez juntar, aos 04/07/97, os documentos de fls. 37/58: Ofício de apresentação de documentos, fls. 37, laudo técnico de avaliação, fls. 38/55, tabela de preços de terras de pastagem no Brasil, fls. 56, cópia da ART n.° 060040910297051, fls. 57, e cópia da DIRT/94, fls. 58. Em 19/06/97, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. OID Por atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n.° 70.235/72, a autoridade julgadora de Primeira Instância proferiu a Decisão n.° 11.12.62.7/1076/1998, fls. 60/63, julgando o lançamento procedente, com a seguinte ementa e fundamentos, em síntese: 1 - EMENTA "ASSUNTO: I.T.R. VALOR DA TERRA NUA - VTN. O Valor da Terra Nua — VTN — declarado pelo contribuinte será rejeitado pela Secretaria da Receita Federal, quando inferior ao VTNm/ha fixado para o município de localização do imóvel rural. REDUÇÃO DO VTNM — BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 A autoridade julgadora só poderá rever, aprudente critério, o Valor da Terra Nua mínimo — VTNm, a vista de perícia ou laudo técnico, elaborado por perito ou entidade especializada, obedecidos os requisitos mínimos da ABNT e com ART, devidamente registrada no CREA, caso contrário mantém-se o mínimo tributado. LANÇAMENTO PROCEDENTE 2— FUNDAMENTOS 111 a) A princípio, a lei de regência, conforme preconizado no artigo148 da Lei n° 5.172/66 (CTN), e os artigos 20 e 30 do Decreto n" 70.235/72, concede à autoridade administrativa o poder de rever o valor da terra nua, com base em laudo técnico; b) Da mesma forma, o parágrafo 4°. do artigo 3". da Lei n.4". 8.847/94, estabelece: "A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte."; c) No entanto, embora o laudo apresentado tenha seguido, em parte, as recomendações da NBR 8.799 da ABNT, na realidade, elementos imprescindíveis 'a valoração da terra nua foram omitidos, dentre eles se destacam: 1 — Pesquisa de valores: avaliações e/ou estimativas anteriores; valores fiscais; transações e ofertas; valor dos frutos; produtividade das explorações; formas de arrendamento, locação e parcerias; informações (bancos, cooperativas e assemelhados, órgãos oficiais e de assistência técnica). 2 — Escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação. 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N" : 303-29.718 3 — Tratamento dos elementos de acordo com os critérios escolhidos e com o nível de precisão da avaliação. 4 — Cálculo dos valores com base nos elementos pesquisados e nos critérios estabelecidos; 5 — Análise final e fixação do valor; d) Na realidade, o avaliador não avaliou à terra nua do imóvel, simplesmente, se limitou a identificar a propriedade; descrever seus aspectos físicos (hidrografia, clima, relevo, solo, cobertura vegetal); meios de comunicação; disponibilidade de transporte; potencialidade agrícola; descrição e valoração das benfeitorias e custos de formação das culturas, apurando-se um valor estimado de US$ 2.321.165,95, correspondente a 4.031.199,88 UFIR (2.321.164,95/0,5758), conforme cálculo às fls. 53; e) Ao final, para se encontrar o VTN, tomou o preço por hectares de terras de pastagens no Estado de São Paulo de US$ 1.271,00/ha, no segundo semestre de 1993, divulgado por uma única fonte de informação, cópia às fls. 56, converteu esse valor para UFIR pela paridade de 0,5758 por dólar e encontrou-se o valor de 2.207,36 UFIR/ha. Esse valor foi multiplicado pela área total do imóvel, 2.018,2 ha, resultando um montante de 4.454.893,95 UFIR, que o avaliador considerou como sendo o Valor Total do Imóvel (VTI). Desse montante deduziu-se o valor atribuído às benfeitorias e os custos estimados de formação de cultura, encontrando-se 423.693,97 UFIR, que divididas pela área total do imóvel resultou num VTN de 209,93 UFIR, conforme cálculo às fls. 54; O Essa metodologia distorce totalmente o valor da terra nua do imóvel, primeiro porque utilizou-se de uma única fonte de informação; segundo porque o valor informado, conforme consta às fls. 56, foi de terras de pastagem e não de imóveis com benfeitorias; terceiro porque iguala todos os imóveis rurais no mesmo patamar econômico, independentemente, de localização regional, municipal, da infra-estrutura regional e das características específicas de cada um; ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CdkMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 g) Por esse método, se o imóvel estivesse localizado em outros Estados, com exceção do Paraná, o valor de sua terra nua, apurado por essa metodologia, seria negativo; h) Prova concreta e irrefutável da distorção que essa metodologia causa ao VTN, são os laudos de avaliação efetuados por esse mesmo avaliador para apurar, na mesma data, o VTN de imóveis rurais não só na região, mas também no mesmo município de Rosana, em que propriedades com as mesmas características, tais como: relevo, solo, vegetação, clima, hidrografia e pastagem tiveram VTN apurados com diferenças superiores a 100,0%, • dentre os quais destacam-se: Fazenda Itaporã (objeto deste processo), em Rosana: 209,93 UFIR/ha; Fazenda Veneza, em Rosana: 1.137,01 UFIR/ha; Fazenda Nova Veneza, em Rosana: 504,22 UFIFt/ha; Fazenda Nova Veneza I, em Rosana: 746,33 UFIR/ha; e Fazenda Cachoeira IV, em Teodoro Sampaio: 283,67 UFIR/ha; i) Assim, provado que o referido laudo, além de deixar de abordar elementos imprescindíveis à valoração da terra nua (pesquisa de valores), utilizou-se de metodologia que provocou distorções graves e insanáveis no cálculo do VTN do referido imóvel, esse é recusado para efeito de revisão do VTNm tributado. Em 23/07/98, o recorrente foi intimado da citada Decisão. Inconformado, dentro do prazo legal, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 79/83, em que reafirma os argumentos aduzidos na peça impugnatória e apresenta novos que estão sintetizados a seguir: a) o imóvel avaliado situa-se na região chamada PONTAL DO PARANAPANEMA e, para elaboração do respectivo laudo, foram feitas pesquisas em Bancos, órgãos Oficiais e de Assistência Técnica, e Cartórios Regionais. Observa-se que praticamente não houve TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA, no período, motivados pelas invasões de terras e questionamento jurídico dos títulos dominiais o que desvalorizaram as terras na Região do Pontal do Paranapanema; b) a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto em sua informação diz que o Laudo Técnico Agronômico não satisfaz o que prescreve a lei e, ainda mais, não considerou os demais documentos, juntados ao processo corno prova documental, bem como a fonte de informação que é a FUNDAÇÃO 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 GETÚLIO VARGAS — INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA — CENTRO DE ESTUDOS AGRÍCOLAS, no qual tem como uma referência dos dados primários as Empresas Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural, a que prova-se contundentemente as falhas cometidas nestes órgãos públicos; c) Em síntese o Valor da Terra Nua foi fixado pela Secretaria da Receita Federal sem a participação das Secretarias de Agricultura dos Estados, como determina a lei, deixando claro que o procedimento da Administração Fiscal, não obedeceu ao devido processo. Além do mais, ao ser questionado o referido valor e, impugnado através de laudo técnico, devidamente elaborado por pessoa habilitada a Secretaria da Receita Federal, como só acontece, julgou como sendo procedente o 1110 lançamento efetuado, dando pela improcedência do recurso apresentado. O contribuinte apresentou liminar, concedida em Mandado de Segurança, desobrigando-o da exigência do art. 33, parágrafo 2°, do Decreto n." 70.235/72, com a redação dada pela M.P. 1621-30, de 12/12/97, e suas reedições posteriores, ou seja, liberando-o da apresentação do depósito recursal no valor de 30% do valor lançado. Estando o processo devidamente instruido, foi este encaminhado, para prosseguimento, ao 2° Conselho de Contribuintes e, em sucessivo, ao E. Terceiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. o 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N" : 303-29.718 VOTO VENCEDOR Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos demais requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste E. Terceiro Conselho de Contribuintes. Após a minuciosa análise de todo o processado, chega-se à conclusão de que a declaração de nulidade da Notificação de Lançamento, constante dos autos, é irretorquivel. Senão vejamos. Ao realizar o ato administrativo de lançamento, aqui entendido sob qualquer modalidade, a autoridade fiscal está adstrita ao cumprimento de uma norma geral e abstrata que lhe confere e lhe delimita a competência para tal prática e de outra norma, também geral e abstrata, que incide sobre o fato jurídico tributário, que impõe determinada obrigação pecuniária ao contribuinte. O Código Tributário fornece a exata definição do lançamento no art. 142: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituiwrédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional." Não esquecendo que a origem do Direito Tributário é o Direito Financeiro, entendo oportuno lembrar que também a Lei n.° 4.320, de 17/03/1964, que baixa normas gerais de Direito Financeiro, conceitua o lançamento, no seu art. 53: Art. 53. "O lançamento da receita é o ato da repartição competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve o débito desta". ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 As normas legais veiculam, no mundo do direito positivo, conceitos que devem ser observados no momento em que o intérprete jurídico se defronta com uma situação como a que se apresenta nestes autos. O que se verifica é que o lançamento é um ato administrativo, ainda que decorrente de um procedimento fiscal interno, mas é um ato administrativo de caráter declaratório da ocorrência de um fato imponível (fato ocorrido no mundo fenoménico) e constitutivo de uma relação jurídica tributária, entre o sujeito ativo, representado pelo agente prolator do ato, e o sujeito passivo a quem fica acometido de um dever jurídico, cujo objeto é o pagamento de uma obrigação pecuniária. Sendo o ato administrativo de lançamento privativo da autoridade 11. administrativa, que tem o poder de aplicar o direito e reduzir a norma geral e abstrata em norma individual e concreta, e estando tal autoridade vinculada à estrita legalidade, podemos concluir que, mais que um poder, a aplicação da norma e a realização do ato é um dever, pois, como visto, vinculado e obrigatório. Hugo de Brito Machado (op. cit. Pág. 120) ensina: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Tomando conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, ou do descumprimento de uma obrigação tributária acessória, que a este eqüivale porque faz nascer também uma obrigação tributária principal, no que concerne à penalidade pecuniária respectiva, a autoridade administrativa tem o dever indeclinável de proceder ao lançamento tributário. O Estado, como sujeito ativo da obrigação tributária, tem um direito ao tributo, expresso no direito potestativo de criar o crédito tributário, fazendo Oo lançamento. A posição do Estado não se confunde com a posição da autoridade administrativa. O Estado tem um dirs, a autoridade tem um dever. Para Alberto Xavier (in, Do Lançamento — Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2a ed., Forense, Rio de Janeiro, 1998, pág. 54 e 66): "O lançamento é ato de aplicação da norma tributária material ao caso em concreto, e por isso se distingue de numerosos atos regulados na lei fiscal que, ou não são a rigor atos de aplicação da lei, ou não são atos de aplicação de normas instrumentais. ... Devemos, por isso, aperfeiçoar a noção de lançamento por nós de$,inicialmente formulada, definindo-o como o ato administrativo de 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 aplicação da norma tributária material que se traduz na declaração da existência e quantitativa da prestação tributária e na sua conseqüente exigência. Esses atos dos agentes públicos, provocados pelo fato gerador, se chamam lançamento e têm por finalidade a verificação, em caso concreto, das condições legais para a exigência do tributo, calculando este segundo os elementos quantitativos revelados por essas mesmas condições." (Aliomar Baleeiro, "Uma Introdução à Ciência das Finanças", vol. 11281, n.° 193). • Américo Masset Lacombe (in, "Curso de Direito Tributário", coordenação de Ives Gandra da Silva Martins, Ed. Cejup, Belém, 1997) ao tratar do tema "Crédito Tributário", postula: "A atividade do lançamento é, assim, conforme determina o parágrafo único deste artigo, vinculada e obrigatória. É vinculada aos termos previstos na lei tributária. Sendo a obrigação tributária decorrente de lei, não podendo haver tributo sem previsão legal, e sabendo-se que a ocorrência do fato imponivel prevista na hipótese de incidência da lei faz nascer o vinculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, o lançamento que gera o vínculo patrimonial, constituindo o crédito tributário (obligatio, haftung, relação de responsabilidade), não pode deixar de estar vinculado ao determinado pela lei vigente na data do nascimento do vinculo pessoal (ocorrência do fato imponivel previsto na hipótese de incidência da lei). Esta atividade é obrigatória. Uma vez que verificado pela administração o nascimento do vinculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo (nascimento da obrigação tributária, debitum, shuld, relação de débito), a administração estará obrigada a efetuar o lançamento. A hipótese de incidência da atividade administrativa será assim a ocorrência do fato imponivel previsto na hipótese de incidência da lei tributária." Nos conceitos colacionados, vemos a atividade da administração tributária como um dever de aplicação da norma tributária. O agente administrativo, no exercício de sua competência atribuída pela lei, tem o dever-poder de, verificada a ocorrência do fato imponivel, exercer sua atividade e lançar o tributo devido. O ato administrativo do lançamento é obrigatório e incondicional. Em contrapartida, a administração tributária tem o dever jurídico de constituir o crédito tributário (art. 142 e parágrafo único do CTN), segundo as normas regentes. io MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÃMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 No caso em tela, a norma aplicável á notificação de lançamento do ITR é o art. 11, do Decreto n.° 70.235/72, que disciplina as formalidades necessárias para a emanação do ato administrativo de lançamento: Art. 11 - A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor 1111 autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A norma contida no art. 11 e em seu parágrafo único, esboça os requisitos para formalização do crédito, ou seja, em relação às características intrínsecas do documento, as informações que deva conter, e em relação à indicação da autoridade competente para exara-lo. Há, inclusive a dispensa da assinatura da autoridade competente, mas não há a dispensa de sua indicação, por óbvio. Todo ato praticado pela administração pública o é por seu agente, ou seja, a administração como ente jurídico de direito, não tem capacidade fisica de prolação de atos senão por intermédio de seus agentes: pessoas designadas pela lei que são portadoras da competência jurídica. G, Não é, no caso em tela, a Delegacia da Receita Federal que expede o ato, enquanto órgão, mas sim a Delegacia pela pessoa de seu delegado ou pela pessoa do Auditor da Receita Federal. Portanto, supor a possibilidade de considerar válido o lançamento que esteja desprovido da indicação da autoridade que o prolatou é desconsiderar a formalidade necessária e inerente ao próprio ato. Seria entender que é dispensável a capacidade e a competência do agente para constituição do crédito tributário pelo lançamento. O ato administrativo, como qualquer ato jurídico, tem como requisitos básicos o objeto lícito, agente capaz e forma prescrita ou não defesa em lei. Mas como poder aferir tais requisitos não constantes do ato? Como saber se o agente capaz estava autorizado pela lei para prática do ato se não se sabe quem o realizou? II MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 Para Paulo de Barros Carvalho, "a vinculação do ato administrativo, que, no fundo, é a vinculação do procedimento aos termos estritos da lei, assume as proporções de um limite objetivo a que deverá estar atrelado o agente da administração, mas que realiza, mediatamente, o valor da segurança jurídica" (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 372). Em nenhum momento poderia a administração tributária dispor de seu dever-poder, em face da existência de uma norma que, simplesmente, objetiva o vetor da relação jurídica tributária acometida ao sujeito passivo. O processo é constituído de uma relação estabelecida através do • vínculo entre pessoas (julgador, autor e réu), que representa requisitos material (o vínculo entre essas pessoas) e formal (regulamentação pela norma jurídica), produzindo uma nova situação para os que nele se envolvem. Essa relação traduz-se pela aplicação da vontade concreta da lei. Desde logo, para atingir-se tal referencial, pressupõe-se uma seqüência de acontecimentos desde a composição do litígio até a sentença final. Para que a relação processual se complete é necessário o cumprimento de certos requisitos, quais sejam (dentre outros). Os pressupostos processuais — são os requisitos materiais e formais necessários ao estabelecimento da relação processual. São os dados para a análise de viabilidade do exercício de direito sob o ponto de vista processual, sem os quais levará ao indeferimento da inicial, ocasionando a sua extinção. As condições da ação (desenvolvimento) — é a verificação da possibilidade jurídica do pedido, da legitimidade da parte para a causa e do interesse jurídico na tutela jurisdicional, sem os quais o julgador não apreciará o pedido. A extinção do processo por vicio de pressuposto ou ausência de condição da ação só deve prevalecer quando o feito detectado pelo julgador seja insuperável ou quando ordenado o saneamento, a parte deixe de promovê-lo no prazo que se lhe tenha assinado. A ausência desses elementos não permite que se produza a eficácia de coisa julgada material e, desde que não seja julgado o mérito, não há preclusão temporal para essa matéria, qualquer que seja a fase do processo. Inobservados os pressupostos processuais ou as condições da ação ocorrerá a extinção prematura do processo sem julgamento ou composição do litígio, eis que tal vício levará ao indeferimento da inicial. 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 Nessa linha, seguem as normas disciplinadoras no âmbito da Secretaria da Receita Federal, senão vejamos: "ATO DECLARATORIO NORMATIVO COSIT N.° 02 DE 03/02/1999: O Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 227, de 03/09/98, e tendo em vista o disposto nos arts. 142 e 173, inciso 11, da Lei n" 5.172/66 (CTN), nos arts. 10 e 11 do Decreto n" 70.235/72 e no art. 6° da IN/SRF n" 94, de 24/09/97, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: - os lançamentos que contiverem vício de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5 0, da IN/SRF n° 94, de 1997 — devem ser declarados nulos de oficio pela autoridade com netente;(su blin ei) Dessa forma, pode o julgador desde logo extinguir o processo sem apreciação do mérito, haja vista que encontrou um defeito insanável nas questões preliminares de formação na relação processual, que é a inobservância, na Notificação de Lançamento, do nome, cargo, o número da matrícula e a assinatura do autuante, essa última dispensável quando da emissão da notificação por processamento eletrônico. o Agir de outra maneira, frente a um vício insanável, importaria subverter a missão do processo e a função do julgador. Ademais, dispõe o art. 173, da Lei n°5.172/66 — CTN (nulidade por vício formal) que haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, foi preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não tenha sido na forma legalmente prevista. Têm-se, por exemplo, o Acórdão CSRF/01-0.538, de 23/05/85 cujo voto condutor assim dispõe: "Sustenta a Procuradora, com apoio no voto vencido do Conselheiro Antonio da Silva Cabral, que foi o da Minoria, a tese da configuração do vício formal. O lançamento tributário é ato jurídico administrativo. Como todo o ato administrativo, tem como um dos requisitos essenciais á sua 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 formação o da forma, que é definida como seu revestimento material. A inobservância da formas prescrita em lei torna o ato inválido. O Conselheiro Antonio da Silva Cabral, no seu bem fundamentado voto já citado, trouxe a lume, dentre outros, os conceitos de Marcelo Caetano (in "Manual de Direito Administrativo", 10° ed., Tomo I, 1973, Lisboa) sobre vício de forma e formalidade, que peço vénia para reproduzir: O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. Formalidade é, pois, todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança ou formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva. Também DE PLÁCIDO E SILVA (in "Vocabulário Jurídico", vol. IV, Forense, r ed., 1967, pág, 1651, ensina: VICIO DE FORMA. É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou desatenção à solenidade, que prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica" (Destaques no original). E no vol. III, págs. 712/713: o FORMALIDADE — Derivado de forma (do latim formalistas), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativas da maneira por que o ato deve ser formado. Neste sentido, as formalidades constituem a maneira de proceder em determinado caso, assinalada em lei, ou compõem a própria forma solene para que o ato se considere válido ou juridicamente perfeito. As formalidades mostram-se prescrições de ordem legal para a feitura do ato ou promoção de qualquer contrato, ou solenidades próprias à validade do ato ou contrato. Quando as formalidades atendem à questão de forma material do ato, dizem-se extrínsecas. 14 • ‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CAMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 Quando se referem ao fundo, condições ou requisitos para a sua eficácia jurídica, dizem-se intrínsecas ou viscerais, e habitantes, segundo apresentam como requisitos necessários à validade do ato (capacidade, consentimento), ou se mostram atos preliminares e indispensáveis à validade de sua formação (autorização paterna, autorização do marido, assistência do tutor, curador etc.)." E, nos autos, encontra-se notificação de lançamento que não traz, em seu bojo, formalidade essencial, qual seja o nome, cargo e o número da matricula da autoridade a quem a lei outorgou competência para prolatar o ato. 110 Diante do exposto, julgo pela ANULAÇÃO DO PROCESSO, ah m ulo, declarando nula a notificação de lançamento constante dos autos. Sala das Sessões, em 09 maio de 2001 92TO BART2 LI — Relator Designado e 15 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 VOTO VENCIDO Tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário, por ser tempestivo e por tratar de matéria da competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 2° do Decreto n° 3.440/2000. Inicialmente, trataremos da preliminar de nulidade relativa à emissão, por processamento eletrônico, da notificação de lançamento sem a identificação da autoridade administrativa lançadora. A questão foi levantada por Conselheiro desta 3" Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, durante Sessão, realizada no período de 08/05/01 a 10/05/01, em que se votava o presente processo, sendo a mesma colocada em votação pelo Sr. Presidente, decidindo a 3" Câmara, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Carlos Fernando Figueirêdo Barros e Zenaldo Loibman, considerar nulas todas as notificações de lançamento do ITR, por via eletrônica, que não indicasse o cargo ou função e o número de matrícula do chefe do órgão expedidor, consoante o disposto no art. 11, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72 Entretanto, cabe registrar a nossa posição em relação ao assunto: Com efeito, o art. 11 do Decreto n.° 70.235/72, assim dispõe, in verbis: O "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: 1. A qualificação do notificado; O valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III. A disposição legal infringida, se for o caso; IV. A assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico". Fica claro que a preocupação do legislador foi assegurar que a notificação contivesse os elementos mínimos necessários à ciência do notificado e ao ).3. preparo de sua defesa, dai porque a exigência, entre outras, de se indicar na 16 6 ti MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 notificação de lançamento o cargo ou função e o número de matrícula da autoridade administrativa competente para efetuar o lançamento. A notificação de lançamento eletrônica emitida pela SRF, Órgão administrador do 1TR, indica o Órgão emitente; a qualificação do notificado (nome, CPF e endereço); o valor do ITR e Contribuições lançados; o prazo para pagamento; a disposição legal infringida ; a identificação do imóvel (número de registro na SRF, nome, área, município de localização e respectivo estado). Como vemos, a notificação de lançamento eletrônica, mesmo não indicando o cargo ou função e o número de matrícula do chefe da repartição expedidora, não traz prejuízo ao contribuinte, pois contém outros requisitos que, no seu conjunto, constitui informação imprescindível e suficiente à ciência do notificado, bem como asseguram os elementos mínimos necessários à sua ampla defesa. Além do mais, é pacífica a existência de presunção quanto ao conhecimento público da autoridade lançadora, o chefe da repartição notificante, pois sua nomeação se efetiva com a publicação no Diário Oficial da União, veículo informativo de acesso público, não havendo, então, a necessidade de sua identificação na notificação de lançamento, uma vez que a sua investidura no cargo é de conhecimento de todos, presumivelmente. A Secretaria da Receita Federal, Órgão administrador do ITR, está plenamente identificada na notificação, assegurando ao contribuinte que se trata de documento idôneo e emitido por pessoa competente. ONa história do Terceiro Conselho de Contribuintes, são poucos os registros de levantamento de nulidade, por parte dos contribuintes, por a notificação não conter o cargo ou função e o número de matrícula do chefe da repartição expedidora. O motivo do contribuinte não argüir nulidade, acreditamos, está vinculado à certeza de que se trata de um instrumento meramente protelatório, que não traz nenhum benefício a ambas as partes. Existe a concordância tácita do notificado quanto a omissão cometida, pois ele sabe que a ausência desses elementos não prejudica à sua defesa, tanto é que a apresenta. As mais das vezes, o notificado sabe o que está ocorrendo, pois a notificação é clara e objetiva, permitindo-lhe, dentro do prazo estabelecido, apresentar as suas razões de defesa. Como se vê, a ausência do cargo ou função e do número de matrícula, não constitui obstáculo a apresentação tempestiva de sua impugnação. 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.283 ACÓRDÃO N° : 303-29.718 Ora, se o próprio contribuinte entende que não lhe acarreta prejuízo as omissões da notificação de lançamento, muito menos caberia a este Conselho, por puro preciosismo, prequestionar esta falha meramente formal. Se todos os argumentos acima expostos, não fossem suficientes para considerar descabida a tese de nulidade da notificação, restaria o argumento da economia processual, pois a anulação demandaria um tremendo custo adicional, em tempo e dinheiro, à Fazenda Pública, haja vista a existência de dezenas de milhares de processos nesta situação. Posto isto, entendemos que a ausência da função ou cargo e do • número de matrícula da autoridade expedidora da notificação, não motiva a anulação desta. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da notificação de lançamento. É o meu voto. Sala das Sessões, em 09 de maio de 2001 CARLOS FERNAND UEIREDO BARROS — Conselheiro 18 'MINISTÉRIO DA FAZENDA >Q TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n.°: 10835.000514/95-59 Recurso n.°. 121.283 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador, Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do ACORDÃO N' 303.29.718 Atenciosamente • Brasília-DF, 16 DE ABRIL 2002 João a Costa Pre 'dente da Terceira Câmara Ciente em: Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1
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