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Numero do processo: 10140.003415/2003-45
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA
Não configurado dissídio jurisprudencial, a reclamar uniformização, não se conhece do recurso.
Numero da decisão: 9101-001.377
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Valmir Sandri
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NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Não configurado dissídio jurisprudencial, a reclamar uniformização, não se conhece do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório Nos termos do Acórdão n° 10323.542 (Sessão de 14/08/2008), a Terceira Câmara do Extinto Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário interposto, relativamente aos anoscalendário de 2002 e 2003, em razão de equivocado regime de tributação adotado pela autoridade fiscal (lucro presumido). Inconformada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de Divergência, sob a alegação de que a interpretação dada pela Câmara recorrida difere da abraçada pela 2ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzida no Acórdão nº 10248.896. A divergência jurisprudencial alegada pela Fazenda Nacional estaria na atribuição de eficácia a declaração retificadora apresentada após o lançamento. A Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF admitiu o recurso, por entender demonstrada a divergência. É o relatório. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10140.003415/200345 Acórdão n.º 9101001.377 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso especial de divergência tem por objeto uniformizar a jurisprudência quando, diante de idênticas situações fáticas, diferentes colegiados divirjam quanto à interpretação a ser dada à legislação tributária aplicável. A situação fática objeto do acórdão recorrido, no que interessa, é a seguinte: A empresa entregou sua DIPJ dos anoscalendário de 2001 a 2003 no formulário do lucro real, porém no primeiro recolhimento de cada um desses períodos indicou, no DARF, o código do lucro presumido. A fiscalização entendeu que a entrega das declarações pelo lucro real estaria em desacordo com a lei, sujeitando a empresa às penalidades previstas na legislação tributária, ao fundamento de que, nos termos do artigo 516 e seus parágrafos do RIR/99, o pagamento da primeira quota com o código do lucro presumido implicou opção definitiva por aquela sistemática de apuração para todo o ano calendário correspondente. Nesse sentido, intimou o contribuinte a apresentar as DIPJ pelo lucro presumido, ou documentação hábil e idônea que justifique o procedimento adotado em relação à apresentação de suas declarações. Ao tomar ciência da intimação, o contribuinte alegou erro de fato no preenchimento do código nos DARF, e requereu sua retificação, para lucro real. Esse requerimento foi indeferido com base em disposição expressa de Instrução Normativa, que veda a retificação de DARF para fins de alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação de imposto de renda pessoa jurídica, por contrariar o disposto na legislação vigente do Imposto de Renda. Diante desses fatos, foi lavrado o auto de infração em razão das divergências entre os valores declarados pela empresa em DIPJ e DCTF e os valores calculados pela sistemática do lucro presumido, tomandose por base a receita escriturada em seus livros fiscais e contábeis. A empresa impugnou o lançamento alegando erro de fato no preenchimento do DARF, e não mudança de opção. A decisão de primeira instância não acolheu a impugnação, ao argumento de que não ficou provado o erro, porque a apresentação de declarações DIPJ no formulário próprio para o Lucro Real e a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), não se constituem em provas inequívocas da opção exercida. Ao apreciar o recurso do contribuinte, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu ter ficado comprovado que o contribuinte não optou pelo lucro presumido, mas apenas preencheu erroneamente os códigos de arrecadação, e deu provimento ao recurso. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 4 Constou do voto condutor: “Assim, estou convencido de que o recorrente apenas se equivocou quanto ao código de recolhimento. Sua intenção evidente era a de recolher antecipações estimadas relativas ao regime do lucro real e não optar pelo lucro presumido.” A ementa do acórdão recorrido, na parte objeto deste especial, está assim vazada: LUCRO PRESUMIDO — OPÇÃO — uma vez comprovado que o contribuinte não optou pelo lucro presumido, mas apenas preencheu erroneamente os códigos de arrecadação, deve ser afastado o lançamento realizado com base neste regime. O paradigma, por seu turno, tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício. 2002 Ementa: DECLARAÇÃO RETIFICADORA — APRESENTAÇÃO APÓS LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO — INEFICÁCIA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento (art. 147, § 1º, do CTN). Recurso negado No caso acima, a situação fática examinada era de contribuinte em cuja declaração foram glosadas despesas médicas relativas à sua companheira, que não constou de sua declaração como dependente e que apresentou declaração em separado, optando pelo desconto simplificado. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento, argumentando que: “ (...) A Sra. Neusa não está relacionada como dependente na declaração de ajuste anual e apresentou declaração de rendimentos em separado, no modelo simplificado, onde já se beneficiou do desconto de 20% sobre os rendimentos declarados. Portanto, as despesas efetuadas com a companheira não são dedutíveis em sua declaração de rendimentos." O contribuinte recorreu, alegando que sua companheira apresentou, na época, declaração de rendimentos em separado em razão de possuir empresa registrada em seu nome, fato que não a exclui de ser dependente do recorrente, e que, para fins de prova da dependência, apresentou declaração retificadora incluindoa como dependente. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho negou provimento ao recurso com base na seguinte motivação: (i) ao não incluir a companheira como dependente, o contribuinte não pode deduzir da base de cálculo do seu imposto de renda os valores das despesas médicas em face do tratamento médico a que se submeteu Neusa Pereira da Costa. (ii) a declaração Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10140.003415/200345 Acórdão n.º 9101001.377 CSRFT1 Fl. 3 5 retificadora, por iniciativa do próprio declarante, que vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível quando apresentada antes do lançamento, e, no caso, o lançamento deuse no ano de 2004 e o recorrente apresentou a declaração retificadora no ano de 2006. Como se vê, são situações fáticas totalmente distintas. No caso do acórdão recorrido, não houve retificação de declaração com objetivo de reduzir tributo, como no caso tratado no paradigma. E em momento algum a Câmara recorrida expressou entendimento de que, após o lançamento, poderia ser feita retificação de declaração visando reduzir tributo. Portanto, não configurado o dissídio jurisprudencial, não conheço do recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 0404 de junho de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901704/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1202-000.673
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso
voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 139 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 140 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório denegatório da homologação da compensação declarada em PER/DCOMP. A homologação da compensação foi denegada na unidade de origem sob o fundamento de que, em se tratando o crédito de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, este somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte descreveu, inicialmente, os seguintes fatos, in verbis: 0 Banco procedeu a compensação via PER/DCOMP, utilizando se do crédito de estimativa de CSLL base set/05, no valor de R$996,63, decorrente do valor pago a maior em 31.10.2005, considerando que a base estimada foi com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, para quitar os seguintes débitos: IRPJ base estimada de out/2005, no valor de R$732,71, mais juros/multas, totalizando R$993,63. Importa esclarecer que o valor apurado de CSLL base set/2005, com base no balancete acumulado do período, foi declarado A SRF, o valor de R$109.143,58, através de DCTF n° 24.73.80.50.7225, transmitida em 08.11.2005, devidamente registrado na Contabilidade A época devida, e com alterações posteriores efetuadas até 22.12.2006, em decorrência do Acórdão,DRJ/BEL.n° 3.795, de 17.03.2005, a sua apuração passou a ser R$108.294,25, declarado em DCTF retificadora n° 25.28.98.85.4720, transmitida em 03.01.2007, passando a existir crédito de pagamento a maior do referido período( darf no valor total de R$109.143,58, pago em 31.10.2005) utilizado para compensar o IRPJ base out/05, conforme PER/DCOMP n° 00260.91646.291206.1.3.04 0552, totalizando R$993,63. Pediu a homologação da compensação realizada, invocando o art. 165 do CTN como fundamento principal do direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Especificou que, no caso em análise, tratase de pagamento a maior de IRPJ devidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução, havendo a possibilidade de compensação imediata e inexistência de vedação legal, hipótese essa, segundo ele, distinta do simples pagamento a maior de estimativa. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 141 4 Citou o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, para amparar o seu direito à compensação pleiteada, assim como o art. 35 da Lei nº 8.981/95, o qual orientou seu procedimento na apuração do crédito. Aduziu que inexiste vedação legal para a compensação imediata de pagamento a maior de tributo indevidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução. Criticou a interpretação literal do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005 dada pela decisão recorrida, aduzindo, em reforço, que a IN RFB nº 900/2008, em seu art. 34, §3º, inciso IX, não proíbe a compensação pretendida. Requereu, subsidiariamente, o afastamento da multa de mora respectiva, em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, e com base no Parecer PGFN/CDA n° 777/2008, de 30/04/2008. Juntou cópia do balancete respectivo, dos extratos das DCTF originária e retificadora e da cópia do acórdão referido, a fim de comprovar seu direito. A DRJ/Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando a impossibilidade de compensar os recolhimentos, calculados segundo os critérios da Lei nº 9.430/1996, efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real durante o anocalendário, por se caracterizarem, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, não podendo ser considerados, a priori, como pagamentos indevidos ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Referiuse a decisão ao art. 10 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e ao art. 10 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, os quais, enquanto vigentes, determinaram que o pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manteve também a multa de mora, por se tratar de multa de natureza compensatória, devida em razão do prejuízo causado em virtude de atraso do cumprimento de uma obrigação que lhe é devida. A decisão recorrida teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da DCOMP em data em que o débito já estava vencido. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 142 5 Inconformado com o resultado do acórdão do qual foi cientificado em 09/12/10 (fl.120,v.), o contribuinte apresenta o recurso voluntário ora em julgamento, protocolizado em 06/01/11 (fls.121 ss), nos mesmos moldes da manifestação de inconformidade, acrescentando a distinção entre os casos de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento a maior de estimativa (IRPJ e CSLL), sujeita a apuração de saldo negativo passível de compensação somente no final do exercício, dos casos de emissão de balanço acumulado em que o contribuinte apura devidamente o crédito, por meio de balanço acumulado, podendo efetuar a compensação já no mês seguinte, como é o caso. Nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, considerando que se trata de mesma questão jurídica, tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos abaixo relacionados, os quais se referem às respectivas PER/DCOMP: PROCESSO NR.PER/DCOMP 10280901700/200914 29934.96823.291206.1.3.048020 10280900603/200912 25638.24072.211206.1.3.049206 10280901694/200903 25153.57480.211206.1.3.043050 10280901701/200969 18844.26431.291206.1.3.047718 10280901702/200911 42507.08057.291206.1.3.044079 10280901970/200925 18357.35012.291206.1.3.049453 10280901703/200958 26578.95543.291206.1.3.041912 10280901696/200994 32909.17212.291206.1.3.043236 10280901697/200939 16526.67481.291206.1.3.047035 10280901704/200901 00260.91646.291206.1.3.040552 10280901679/201091 08777.71029.310107.1.3.045580 10280901695/200940 20506.00720.291206.1.3.041899 10280901698/200983 28712.11429.291206.1.3.043728 10280901699/200928 11550.04167.230107.1.7.044845 10280901705/200947 09068.21813.291206.1.3.043592 É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 143 6 Voto Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A questão posta em análise resumese à possibilidade ou não de apuração de pagamento indevido ou a maior de tributo recolhido de forma antecipada, consoante a modalidade de tributação pelo lucro real anual, para fins de compensação com outros débitos. Sabese que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige que o tributo a ser compensado seja passível de restituição. Resta definir se esse valor pago a maior, como alega a recorrente, pode ser incluído no conceito de indébito passível de restituição. Inicialmente, deve ser bem compreendida a modalidade de tributação pela sistemática das bases estimadas. A pessoa jurídica sujeita à apuração pelo lucro real tem, como alternativa à regra geral de apuração trimestral, a opção pela apuração de IRPJ e CSLL em período anual, ficando obrigada a fazer os recolhimentos de IRPJ e CSLL por antecipação mensal sobre base de cálculo estimada (art. 222, RIR/99). Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo estimada resulta de percentual aplicado sobre a receita bruta mensal, acrescido das demais receitas (art.223, RIR/99), porém, o contribuinte, a cada mês, pode suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido sobre aquela base, desde que demonstre, através de balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado sobre o lucro real do período (art. 230, RIR/99). Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). .............. Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 144 7 O contribuinte pode permanecer recolhendo sobre as bases estimadas em função da receita mensal, durante todo o anocalendário e, ao final, apurar o lucro real, ou, visualizando um cenário real de prejuízo ou lucro reduzido, pode elaborar balancete acumulado (o qual deverá refletir a situação contábilfiscal desde o início do ano até o último dia do mês a que se refere), e apurar a base de cálculo real do tributo devido no período. Após comparar os valores recolhidos por estimativa com o que seria efetivamente devido à vista do balancete, o contribuinte tem o direito de suspender o recolhimento do mês, se houver diferença a maior já recolhida, ou reduzir o valor calculado com base na receita bruta até o limite da diferença a menor apurada. No mês seguinte, assim como nos posteriores, caso queira proceder a uma nova suspensão ou redução do tributo devido, a cada mês, com base na receita mensal, o contribuinte deverá efetuar o mesmo procedimento. Nesse sentido dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ainda em vigor, em seu art. 10: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. Esta é, em suma, a sistemática da tributação pelo lucro real mensal, prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96, cuja opção tem caráter irretratável durante todo o anocalendário, conforme o art. 3º da mesma lei: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ...................................... Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 145 8 Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Por sua vez, a Lei nº 8.981, de 20/01/95, é mais específica quanto ao papel dos balancetes como auxiliares para a determinação, não da base de cálculo para fins de recolhimento no mês, mas do limite do recolhimento com fulcro na base de cálculo estimada: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. [...] § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (destaquei) Notase que, dentro da sistemática da tributação do lucro real anual, o levantamento de balancete de suspensão/redução acumulado de 1º de janeiro até o último dia de determinado mês serve unicamente para determinar qual o limite do recolhimento do tributo a ser realizado no mês, quando comparado com o tributo devido com base na receita bruta daquele mês. Caso, por exemplo, tenham sido efetuados recolhimentos durante os três primeiros meses do ano e se apure prejuízo fiscal, demonstrado através de levantamento mensal de balancetes acumulados, em todos os meses subsequentes, esses balancetes não servirão de comprovação de indébito em relação aos recolhimentos efetuados anteriormente, já que indébito não há. Por se tratar de fato gerador de natureza complexa, na tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real anual apenas a geração de saldo credor em função de prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário dará ensejo à caracterização do indébito, na forma determinada pela legislação acima referida. Quanto ao reconhecimento da possibilidade de restituição/compensação de indébito gerado a partir de recolhimentos indevidos a título de estimativas, cabe citar a evolução da legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que, inicialmente, buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, como se vê: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 146 9 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005) Assim, a Administração apenas admitia a caracterização de indébito, em qualquer hipótese, após a verificação de saldo negativo na apuração anual do tributo, o qual seria atualizado, com juros à taxa SELIC, a partir do mês subsequente ao do encerramento do anocalendário, consoante o disposto no Ato Declatatório Normativo SRF nº 03/2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Desde 30/12/2008, contudo, com a edição da IN RFB nº 900, a restrição à restituição dos recolhimentos a título de estimativa deixou de existir na esfera administrativa: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Mas, mesmo no período anterior à vigência dessa norma, podese entender pela inexistência de restrição no tocante ao aproveitamento de recolhimentos por estimativa efetuados a maior, caracterizados como indébito, tendo em vista que não caberia ao legislador infralegal criar distinção onde a lei não criou. A interpretação a contrario sensu a norma legal que determina que o valor do imposto pago antecipadamente – na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96 – deve ser considerado na apuração anual, permite concluir que os excessos de recolhimento, considerando uma receita bruta indevidamente majorada ou um balancete retificado, por exemplo, caracterizamse como indébitos desde o seu nascedouro. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 147 10 Nesse sentido, cabe citar jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (Acórdão nº 910100406, de 02/10/2009) A especificidade do caso ora analisado traduzse no fato de que, através de PER/DCOMP, a recorrente pleiteia a compensação de valor pago a maior apurado após levantamento de balancete de suspensão/redução, considerando os valores retificados, sendo que o valor originalmente recolhido também havia sido definido após o levantamento de balancete. Embora a recorrente aponte que a simples apuração através de balanço de suspensão/redução lhe daria o direito de compensar o montante recolhido a maior a partir do mês seguinte, a situação verificada nos autos é bem distinta, haja vista que houve retificação da própria base de cálculo do lucro real levantada no período. A recorrente alega que o Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17/03/2005, formalizado nos autos do processo nº 10280.005581/200209, juntado por cópia na fase de manifestação de inconformidade, conferiulhe o direito de reduzir a base de cálculo do tributo no período de apuração em questão. À vista de tal decisão, providenciou a retificação da DCTF, reduzindo o montante do tributo devido e, com ele, o aproveitamento do pagamento via DARF, o que resultou, segundo ela, num indébito tributário. Verificase que o acórdão referido pela recorrente como ensejador da alteração do montante apurado tratou de analisar um lançamento destinado à redução de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no ano de 1998. A parcela da autuação julgada improcedente, referente à possibilidade de dedução de determinadas despesas na apuração do lucro real, transitou em julgado na data da ciência (10/06/2005), porque o crédito tributário exonerado estava abaixo do limite de alçada fixado na legislação de regência, não se sujeitando ao recurso de ofício à instância superior. Disso se depreende, em tese, a justificativa de ter havido redução da base de cálculo do tributo devido por antecipação, ensejadora da retificação da DCTF respectiva, caracterizandose o indébito em função da retificação da base de cálculo do lucro real apurado no período. Como se trata de retificadora entregue em data posterior ao encerramento do exercício, quando já era possível verificar a existência de saldo negativo porventura existente, em que pese a pretensão de compensar crédito de estimativa, teria deixado de existir fundamento para a negativa da restituição/compensação do crédito. Todavia, na verdade, o que está em jogo é a data do início da atualização monetária, a depender do momento de caracterização do indébito: se na data do recolhimento da estimativa mensal ou na data da apuração do saldo negativo (31 de dezembro). Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 148 11 A situação ora analisada, teoricamente, enquadrase na hipótese de caracterização de indébito gerado por recolhimento a maior a título de estimativa, considerando que a recorrente faz expressa referência a DCTF retificadora, onde passou a declarar um débito menor e, proporcionalmente, utilizouse de uma parcela menor do valor recolhido via DARF, gerando um crédito pela parcela recolhida a maior. Ao apresentar a DCTF retificadora, a recorrente desfez uma parte do crédito das estimativas incluído na apuração do saldo final do exercício, pretendendo compensar a parcela excedente com outro débito de estimativa. Conforme consta da impugnação e do recurso voluntário, a recorrente, inicialmente, informou em DCTF a obrigação de antecipar um valor de IRPJ (ou CSLL) no mês, recolheu esse valor e, posteriormente, o recalculou em razão do trânsito em julgado de decisão administrativa parcialmente favorável e informou o valor recalculado em DCTF retificadora. Em que pese não ter juntado a tela da DCTF retificadora em todos os processos analisados em conjunto, a juntada em alguns deles e a expressa referência em todos os recursos indica que foi realizado o mesmo procedimento. Diante disso, deve ser afastado o entendimento restritivo quanto à possibilidade de aproveitamento das estimativas recolhidas a maior, dado pela DRF e confirmado pela DRJ, o que não implica na automática homologação da compensação pretendida. O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza, cumprindo ao contribuinte fazer prova inequívoca da base de cálculo correta do tributo que teria gerado o crédito. Todavia, no presente caso, em razão da negativa de homologação da compensação por motivo de direito, deixou de ser analisado o aspecto fático do crédito, como a sua existência, suficiência e disponibilidade para fins de homologação da compensação pretendida. A unidade de origem, responsável pela análise da compensação e, a priori, pela sua homologação, após verificar que se tratava de crédito decorrente de recolhimento efetuado a título de estimativa, estancou a análise nesse ponto. Concluindo não haver fundamentação jurídica para o pleito, consequentemente, deixouse de verificar a fundamentação fática no caso. Assim, resta verificar, no caso concreto, a existência de elementos de prova do crédito alegado para fins de homologação da compensação pretendida. Considerando a inexistência de prévia manifestação da autoridade competente sobre a liquidez e certeza do crédito, é de rigor que seja observada a competência original para a análise do crédito, não competindo a este órgão de julgamento em segunda instância manifestarse pela primeira vez sobre os elementos fáticos do processo. Assim, é possível concluir que, embora o direito seja bom, a homologação da compensação pretendida depende da comprovação da liquidez e certeza do crédito. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901704/200901 Acórdão n.º 120200.673 S1C2T2 Fl. 149 12 Com tais fundamentos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP, bem assim a sua suficiência para quitar os débitos compensados, homologando ou não a compensação pretendida. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003652/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES TRIBUTADOS PELA FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO QUE DEMONSTRE A NATUREZA DE TAIS RENDIMENTOS COMO ISENTOS.
Pelo que consta dos autos, a omissão de rendimentos em debate foi informada como rendimento tributável pela fonte pagadora, no mês de dezembro de 2001, em DIRF e no comprovante de rendimentos, sendo descrita no contracheque como um incentivo, não havendo qualquer documentação que explicite a natureza de tal rendimento como isento, como pedido pelo recorrente. Ademais, mesmo que fosse um incentivo para mudança de plano de previdência, como asseverado pelo recorrente, não se vê como tal estipêndio pudesse ser isento, pois não há nada na legislação tributária que
afaste da tributação tal tipo de rendimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.929
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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VALORES TRIBUTADOS PELA FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO QUE DEMONSTRE A NATUREZA DE TAIS RENDIMENTOS COMO ISENTOS. Pelo que consta dos autos, a omissão de rendimentos em debate foi informada como rendimento tributável pela fonte pagadora, no mês de dezembro de 2001, em DIRF e no comprovante de rendimentos, sendo descrita no contra cheque como um incentivo, não havendo qualquer documentação que explicite a natureza de tal rendimento como isento, como pedido pelo recorrente. Ademais, mesmo que fosse um incentivo para mudança de plano de previdência, como asseverado pelo recorrente, não se vê como tal estipêndio pudesse ser isento, pois não há nada na legislação tributária que afaste da tributação tal tipo de rendimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte JOSE LEAL DE SOUZA RODRIGUES, CPF/MF nº 068.237.26504, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 25/08/2006, auto de infração (fls. 08 e seguintes), a partir da revisão da declaração de ajuste anual do anocalendário 2001. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 1.518,23 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.138,67 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos, com a motivação que segue (fl. 10): OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES A PREVIDÊNCIA PRIVADA. O DECLARANTE INFORMOU INDEVIDAMENTE COMO ISENTO O VALOR DE R$ 10.421,55, RECEBIDO DA PETROS A TÍTULO DE INCENTIVO PARA MUDANÇA DE PLANO DE PREVIDÊNCIA. ESSES RENDIMENTOS NÃO PODEM SER CONSIDERADOS ISENTOS POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL; PORTANTO SÃO TRIBUTÁVEIS NA DECLARAÇÃO. ASSIM O CAMPO RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS NA DECLARAÇÃO FOI ALTERADO PARA R$ 55.194,03. ENQUADRAMENTO LEGAL: ARTS. 1 A 3 DA LEI 7.713/88; ARTS. 1 A 3 DA LEI 8.134/90; ARTS. 3, 11 E 33 DA LEI 9.250/95; ART. 11, PARÁGRAFO 1, E ART. 21 DA LEI 9.532/97; LEI 9.887/99; ART. 6 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.06261/2000. Compulsando os autos, vêse que o contribuinte havia originalmente declarado os rendimentos acima como tributável (fl. 27), pagando o imposto devido (fls. 16 e 17). Posteriormente, retificou a declaração original, reduzindo os rendimentos tributáveis, apurando um imposto a restituir de R$ 1.347,98, declaração esta que foi objeto da revisão perpetrada pela autoridade lançadora. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1515.418, de 04 de março de 2008 (fls. 54 e seguintes). A decisão acima não reconheceu o caráter isento dos rendimentos omitidos pelo impugnante, porém reconheceu que o contribuinte pagou o imposto lançado no auto de infração, antes da ação fiscal, no prazo determinado para pagamento das cotas do IRPF Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10510.003652/200601 Acórdão n.º 210201.929 S2C1T2 Fl. 2 3 exercício 2002, excluindo, por tal razão, a multa punitiva de 75%, e dando parcial provimento ao lançamento, para declarar um saldo nulo de imposto a pagar ou a restituir. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 24/07/2008 (fl. 65). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 08/08/2008 (fl. 68). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que o rendimento omitido referese a uma indenização de incentivo para mudança de plano de previdência, submetido indevidamente à tributação pela PETROS, posição que foi ratificada indevidamente pela autoridade fiscal, pois efetivamente se trata de verba indenizatória, não abrangida pela incidência do imposto de renda. Por tal razão, pede a devolução do imposto indevidamente retido. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 24/07/2008 (fl. 65), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 08/08/2008 (fl. 68), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 25/08/2008, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Pelo que consta dos autos, a omissão de rendimentos em debate (R$ 10.421,55) foi informada como rendimento tributável pela fonte pagadora, no mês de dezembro de 2001, em DIRF (fl. 42) e no comprovante de rendimentos (fl. 45), sendo descrita no contracheque como um incentivo (fl. 46), não havendo qualquer documentação que explicite a natureza de tal rendimento como isento, como informado pelo recorrente. Ademais, mesmo que fosse um incentivo para mudança de plano de previdência, como asseverado pelo recorrente, não se vê como tal estipêndio pudesse ser isento, pois não há nada na legislação tributária que afaste da tributação tal tipo de rendimento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000104/2001-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXCLUSÃO, ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO, ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE, Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10,165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo L,ian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. ()(1 Carlos lbe . as Barreto Presidente Julio rLira Gomes - Reltor C 7 0E2 2010 EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual decidiu-se pela isenção correspondente à area do imóvel de preservação permanente, em razão da prescindibilidade do ato declaratório ambiental protocolado tempestivamente. Seguem transcrições do recurso especial e do acórdão recorrido, respectivamente: Manejados embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os mesmos restaram acolhidos e providos para re-ratificar o acórdão embargado esclarecendo que o lançamento foi julgado improcedente tão-somente quanto exigência da apresentação tempestiva do ADA, mantendo-se, entretanto, a multa por atraso na entrega da D1TR. Nesses autos, divergindo do entendimento perfilhado pelo acórdão tecorrido, a Colenda Segunda Crinzara do Terceiro Conselho de Contribuintes (atual Segunda Turma da Pi imeira câmara da Terceira Seção do Conselho Adininisbativo de Recursos Fiscais) exige a apresentação tempestiva do ato especilico do órgão competente, para o i econhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada ODA) A ementa abaixo transcrita consagra a exigência do ato do "BANTA, ou ótgão delegado, protocolado tempestivamente. Confira-se (cópia anexa)• "RECURSO FOLUNTÁRIO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCICIO DE 1997, AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de area de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declarattirio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As areas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE" (Ac, 302- 36 278, Relator Walber José da Silva) CREDITO TRIBUTÃRIO NACIONAL. CONSTITUIÇÃO. Não se pode erigir tributo com base em exigência que mio esteja 2 Pf oceso a" 10821 000104/2001-01 CSRF-T2 AúdiiO 11.° 9202-01.136 Fl 2 lastreada em Lei. A simples entrega do ADA após o prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal não pode ser motivação pain a lavratura do auto de infragdo, ainda mais com o agravante de que tal prazo foi estabelecido sem nenhum amparo em Lei. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pot- unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Corno se constata, após acolhimento dos embargos opostos, somente restou corno matéria recorrida a necessidade ou não de protocolização tempestiva do ADA para fins de isenção do ITR. Os fundamentos para que prevaleça o entendimento trazido através do acórdão paradigma foram adequadamente sintetizados no despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial: Na análise do acórdão paradigma, consta como desiderato que, "torna-se indispensável, para .ft7tigiio do beneficio de exchtsão da tributação, que o contribuinte prove a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) na data da ocorrência do fat° gerador do imposto ou, conforme determina inciso I, sç 4 0, do art. 10, da IN SRF n ° 43/97, com redação dada pela IN SRF n° 67/97 c/c IN SRF n° 56/98, art. 30, com a apresentação do ADA, recepcionada pelo MAMA em até o dia 21 de setembro de 1998 0 interessado não apresentou contra-razões. o relatório, 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Sendo tempestivo e comprovada a divergência, conheço do recurso e passo ao seu exame. Como já relatado, devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto A essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou fOrmalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das Areas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8,847/94, verbis: Art, 11. Sao isentas do imposto as áleas.' I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 196.5, com a nova redação dada pela Lei n" 7.803, de 1989. ‘) A matéria em questão é apenas quanto 6. necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da Area de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Não se discute a necessidade de averbação no registro de imóvel; o acórdão recorrido apenas considerou que a averbação teve a mesma função do ADA e dai a exclusão do lançamento da Area averbada. Quanto à Area remanescente, de fato, não houve averbação e nem ADA tempestivo. Passo então ao exame desta última questão. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tern-se o artigo 10, capta, da Lei n°9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art, 11 São isentas do imposto as cir ens: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. Art, 10 A apuração e o pagamento do 1TR sei ão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secr.etaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1" Par a os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-6: ) II — area ti ibutável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4 771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7,80.3, de 18 de julho de 1989, 4 Process() n" 10821 000104/2001-01 Cs RF-T2 Acórd5o n." 9202-01.136 H 3 Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1" da Instrução Nonnativa SRF if 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Jirea tributável é a circa total do imóvel excluídas as áreas: I - de preservação permanente; II - de utilização § 1" A área total do imóvel deve se referir à situação existente época da entrega do DIAT, e a distribuição das áleas, à situação existente em 1" c/c janeiro de cada exercício, de acordo com os incisor Jell ) § 3" São áreas de utilização § 4" As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório cio MAMA, ou órgão delegado através de convénio, para .fins de apuração do 1TR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do IT]?, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; Ill - se o contribuinte não requerem; ou se o requerimento não/ar reconhecido pelo LBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o IT]? devido (.. .) Nos termos acima esta claro que o contribuinte tern o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao 1BAMA.. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal,. Art 84. Compete privativamente ao Presidente da República, IV - sancionar; promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para suafiel execução; Art 49, É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 5 V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4 0 do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Sect etaria da Receita Federal". Art 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secreta, ia da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar- o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do . fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Publica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, ftaude ou simulação. Art 150 ( ..) § 6." Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito prestunido, anistia on remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual on- municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, SC111 prejuko do disposto no art 155, § 2 ", Xii. g (Redação dada pela Emenda Constitucional n" 3, de 1993). Ai t. 97. Somente a lei pode estabelecer: IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65, Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretat ia da Receita Federal" cinge -se ás verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. 6 Juli f ieira Gomes Process() t .1 0 10821 00010412001-01 CSRF-T2 Acérdilo 9202-01.136 Fl 4 E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competéncialwa especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Art, 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do pi eenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impeditivo para o gozo da isenção. Em exposto, nego provimento ao recurso especial. 7
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Numero do processo: 10209.000078/2003-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 21/08/1998
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL.
A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência.
Recurso Espacial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaram-se impedidos de votar.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL. A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência. Recurso Espacial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaramse impedidos de votar. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. EDITADO EM: 26/10/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Fl. 203DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo (fls. 153/173) dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no artigo 7º, inciso II, c/c art. 15, do Regimento Interno desse órgão — CSRF, insurgindose contra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, mediante o Acórdão n° 30134.011, fls. 159/166, de 11/09/2007. Da autuação 1. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de oficio no percentual de 75% perfazendo, na data da autuação, um credito tributário no valor total de R$ 338.237,42. 2. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa registrou a Declaração de Importação, utilizandose da redução de 80% da alíquota do Imposto de Importação prevista no Acordo de Complementação Econômica n°39 (ACE 39), assinado pelo Brasil no âmbito da ALADI, instituído pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. 3. Após análise dos documentos que instruíram a DI (fatura comercial, certificado de origem e conhecimento de carga), a fiscalização concluiu que em se tratando de urna operação comercial entre uma empresa brasileira e uma sediada nas Ilhas Cayman, não haveria como a interessada invocar a redução tarifária prevista nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. 4. A negativa à redução tarifária nos termos do ACE 39, conforme pleiteada na citada DI, oi justificada pela fiscalização com base nos seguintes fatos e irregularidades: a) “no Certificado de Origem nº ALD 980800470 emitido na Venezuela , está declarado que as mercadorias indicadas correspondem a fatura comercial nº 734880 emitida pela Empresa PDVSA Petróleo y Gas, situada na Venezuela e não apresentada no despacho. Entretanto, a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de n° PIFSB 379/98, emitida pela empresa Petrobras International Finanee Company (PIFC0) situada nas Ilhas Cayman, pais não membro da ALAD1, documento que a fiscalização aduaneira utilizou para fazer as verificações e procedimentos fiscais necessários para o desembaraço aduaneiro da mercadoria ...”; Fl. 204DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000078/200301 Acórdão n.º 930301.218 CSRFT3 Fl. 232 3 b) quanto aoconhecimento de embarque, 98085502 (fl. 18) documento que assegura a propriedade da mercadoria, este foi consignado à empresa Petrobras International Finance Company (PIFC0), logo essa empresa situada nas Ilhas Cayman era a proprietária da mercadoria”; c) “a Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n° 3.325, de 30/12/1999, que trata de sua execução no seu artigo quarto, não prevê a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI na qualidade de exportador caracterizada nesta operação"; d) conquanto o artigo nono da Resolução n° 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n°3.325, de 30.12.1999, "admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro pais, não se aplica ao caso, uma vez que não houve interveniência de um operador, nos termos da Resolução acima mencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI"; e) "mesmo que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração ser faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato, o que não ocorreu"; f) a indicação da invoice emitida pela PDVSÁ PETRÓLEO Y GAS S/A em um campo da fatura emitida pela Petrobras International Finance Company (PIFC0) não supre as exigências da citada Resolução n° 252, tampouco a referência feita à PIFCO neste documento, "visto que não identifica efetivamente a operação pretendida"; g) em função do disposto no artigo 129 do Regulamento Aduaneiro de 1985, então vigente (Interpretase literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação), qualquer situação excepcional em matéria tributária, como a redução de imposto, só poderá ser reconhecida se expressamente prevista na legislação, se utilizada conforme estabelece na legislação, sendo que a não observância dos requisitos da lei implicará na perda da redução. 5. Deste modo, concluiu a fiscalização que as preferências e contrapartidas econômicas, assentadas no regime de origem, contemplam exclusivamente o comércio praticado entre dois países signatários, destinandose tal regime a coibir qualquer interveniência nociva aos objetivos dos acordos pactuados entre os paísesmembros, pois conforme a legislação de vigência á época, o legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro pais, nos moldes da operação de fato ocorrida, de que resultou a importação efetuada pela fiscalizada. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 4 6. Em função do constatado, foi lavrado o auto de infração de fls. 08/12 para cobrança da diferença do Imposto de Importação, acompanhada dos juros de mora e da multa de oficio de 75%. Da impugnação 7. Inconformada com a exigência, a autuada apresentou impugnação, nos termos a seguir resumidos: 7.1. após traçar um histórico acerca dos fatos que permeiam à lide, a impugnante se reporta à operação comercial realizada onde explica que se trata de uma triangulação comercial, prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; 7.2. defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; 7.3. reconhece a ocorrência de equivoco no preenchimento da DI, na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, isso se referindo à condição da PIFCO, onde afirma também que esta sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a revenda; 7.4. diz que a própria fiscalização reconhece que o contribuinte procedeu à importação da PDVSA (Venezuela) com transporte direto ao Brasil; 7.5. destaca ainda que a PIFC0 figura corno exportadora pelo fato da Receita Federal não prever o procedimento especifico nos casos de triangulação comercial; 7.6. defende que os documentos que instruíram a DI são regulares, e estão em consonância com a Resolução n°252; 7.7 opõese a uma suposta multa regulamentar ao descumprimento dos requisitos do art. 425 do Regulamento Aduaneiro/85 inerentes à fatura comercial por entender que tal fato ocorre pela falta de previsão do procedimento de triangulação comercial; Fl. 206DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000078/200301 Acórdão n.º 930301.218 CSRFT3 Fl. 233 5 7.8. alega que a fiscalização laborou em equivoco ao tentar interpretar o Tratado de Montevidéu e suas regras complementares, conforme razões apresentadas às fls. 40 a 49, onde aduz que a legislação não vincula duas formas de documentos (certificado de origem e nota fiscal), mas tão somente a identidade do seu conteúdo, representado pela descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada; 7.9. considera que a Resolução n°252 não definiu afigura do operador, bem como não informou como deveria ser a operação; 7.10. rebate o argumento de que a autuada não cumprira as formalidades exigidas na Resolução nº 252, ressaltando a conduta formalista do autuante, dando destaque aos princípios da razoabilidade e da instrumentalidade das formas; 7.11. ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, onde aduz que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; 7.12. discorda da aplicação da multa proporcional de 75 %, tomando por base o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°13, de 10/09/2002, e ainda, destaca a inaplicabilidade da taxa SELIC. 8. Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente, protestando por lodos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Do Cabimento da Preferência Tarifária No presente recurso, a recorrente não logrou êxito em demonstrar o saneamento da falha perpetrada quando da instrução do despacho de importação da mercadoria objeto do presente litígio. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 6 Ou seja, não foi apresentada a fatura comercial atrelada ao certificado de origem e, por essa razão, não há como se considerar cumpridas as exigências inerentes ao regime de origem da Aladi. Nesse ponto, preciso é o parágrafo único do art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos controvertidos: Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Nessa esteira, entendo aplicáveis, na espécie, as considerações formuladas por ocasição do voto vencido, prolatado quando do julgamento do recurso nº 137831, onde atuou como relator o conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, onde foram enfrentadas as alegações trazidas na jurisprudência da CSRF que apoiaria as considerações do sujeito passivo. Transcrevo: Por sintetizar o raciocínio que orienta esse entendimento, transcrevo ementa de acórdão da CSRF prolatado nos autos do Recurso Especial nº 302124323, que teve como relatora a i. Conselheira Anelise Daudt Prieto, no qual, por maioria de votos, decidiuse: CERTIFICADO DE ORIGEM PREFERENCIA TARIFÁRIA RESOLUÇÃO ALADI 232 Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do país interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso especial provido. Apesar de entender que tal decisão está em harmonia com a regra geral de origem estampada no art. 9º do Decretolei nº 37, de 19661, peço licença para discordar das conclusões consignadas no aresto. Penso que, na espécie, o dispositivo nacional deve ceder espaço ao regime da Aladi, onde não foram produzidos os documentos corretos para a concessão da preferência tarifária objeto do presente litígio, nem suprida a sua ausência pelos meios definidos no mesmo acordo. 1 Art. 9º Respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial. Fl. 208DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000078/200301 Acórdão n.º 930301.218 CSRFT3 Fl. 234 7 Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me levaram a adotar essa conclusão. 1 Tipicidade e Relação Jurídica Tributária Interessa à solução do litígio, a meu ver, avaliar se os fatos carreados aos autos se subsumem perfeitamente à hipótese abstratamente prevista na norma negocial que estabeleceu a preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão. Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou alíquota diferenciada, a aplicação da preferência tarifária negociada é necessariamente orientada pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97, VI e 111, II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966)2 Vejamos o que diz Alberto Xavier3 Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) José Souto Maior Borges4, a seu turno, pontifica: É o fato gerador, consoante se demonstrou, uma entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. 2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; 3 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100. 4 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191 Fl. 209DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 8 Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo. (destaquei) Possivelmente, a principal conseqüência da préfalada tipicidade cerrada, pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se pode recorrer à analogia a pretexto de colmatar supostas lacunas da norma. Nesse caso, há que se aplicar a doutrina do Silêncio Eloqüente do legislador, com as restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” Tal ressalva é importante para a solução do presente litígio porque, como se verá a seguir, o regime de origem do ACE 39, que isola a aplicação do regime do DL 37, de 1966, definiu as formas de suprir eventual falha documental perpetrada na demonstração do cumprimento dos requisitos de origem. É defeso ao intérprete, portanto, considerar suprida eventual falha documental por meios diversos dos previstos no Acordo, invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do art. 9º, que trata do Regime Geral de Origem. Conforme se observa na leitura do já transcrito art. 9º do Decretolei nº 37, de 1966, delimitou com razoável precisão o conceito jurídico de “origem”, que, aliás, muito se aproxima do significado coloquial da expressão (local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial). Assim, para efeito de aplicação da legislação, sempre que a delimitação da origem da mercadoria for relevante, caberia ao intérprete investigar o local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial Tratarseia então do emprego do que Alfredo Augusto Becker5, apoiado na doutrina de Emilio Betti, denominou Cânone Hermenêutico da Totalidade do Sistema Jurídico, que a 5 Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo, Lejus, 3ª ed. p. 123 Fl. 210DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000078/200301 Acórdão n.º 930301.218 CSRFT3 Fl. 235 9 unicidade dos conceitos jurídicos, independentemente do contexto em que o mesmo esteja sendo empregado. Diz o autor: “...uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão.” Ocorre que, segundo o próprio art. 9º, o conceito de origem ali consignado cede espaço aos critérios fixados em ato internacional de que o Brasil participe, hipótese que se verifica no presente julgamento, onde se encontra em discussão a aplicação de preferência tarifária outorgada nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 39, promulgado pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. Vendo por outro ângulo, para efeito de reconhecimento de preferência tarifária, se o acordo que a concede possuir regime próprio, mercadoria originária de país signatário é aquela que preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem. Ou seja, assim como, para efeito de lei, determinados bens evidentemente móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias evidentemente extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas como originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano. Tanto em um quanto em outro exemplo, configurarseia uma ficção jurídica, onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico. Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita Ferragut6, citando a obra de Perez de Ayala: De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constituise na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem, a determinados supostos de fatos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. E uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência da ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. (grifei) No caso da preferência tarifária em debate, o regime de origem a ser considerado, por determinação expressa do artigo 87 do 6 Presunções no Direito Tributário. São Paulo, Dialética, 2001 p. 85 7 Para a qualificação da origem das mercadorias que se beneficiem do presente Acordo as Partes Signatárias aplicarão o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78 e nas disposições complementares e modificativas do Comitê de Representantes da ALADI, salvo se as Partes Signatárias convierem diferentemente. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 10 ACE nº 39, é o estabelecido na Resolução 78 da Aladi e pelas demais regras que a complementam, dentre as quais destacase a Resolução 252 do Comitê de Representantes da Aladi, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999. Cabe registrar, desde já, que. diferentemente do entendimento consignado no acórdão hostilizado, não vejo a “triangulação” comercial represente uma violação à regra do artigo Quarto da Resolução Aladi nº 78, atualmente consolidado na Resolução nº 252, que condiciona o reconhecimento da origem à expedição direta da mercadoria. Com efeito, o Conhecimento de Transporte juntado por cópia à fl. 17 não faz menção ao fato de que a mercadoria tenha transitado, sido transbordada ou armazenada em um país estranho ao ACE 39: a mercadoria, segundo aquele documento, foi embarcada em Punta Cardon, Venezuela, com destino ao Território Brasileiro. Ou seja, a meu ver, assim como consignado no citado acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a regra em questão impõe restrições ao trânsito físico da mercadoria por um terceiro país, não à sua comercialização por um operador nele estabelecido. Tanto é assim que a Resolução nº 252 estabeleceu regra específica para a importação de mercadoria onde figure como exportador operador sediado em país nãoparticipante do ACE. Vejase o que diz o artigo nono da Resolução 252, incorporado ao Regime de Origem da Aladi por essa mesma resolução: NONO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (destaquei) Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (os grifos não constam do original) Notese que, a mesma resolução 252 estabelece, por via oblíqua, as conseqüências do descumprimento das regras inerentes ao certificado de origem, literalmente: SÉTIMO Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de Fl. 212DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000078/200301 Acórdão n.º 930301.218 CSRFT3 Fl. 236 11 conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. (destaquei) Com efeito, se a norma condiciona o reconhecimento da preferência à apresentação da declaração própria do Certificado de Origem, segundo os ditames do acordo, por óbvio, afasta o tratamento diferenciado se descumpridas as condições préestabelecidas. De se observar, ademais que, analisando o parágrafo único do artigo nono da mesma resolução, podese inferir que a norma definiu com clareza quais são as providências a adotar nas hipóteses em que a triangulação comercial impede o preenchimento na forma préestabelecida, rito que, conforme apontado pelas autoridades autuantes, não foi seguido. Nessa esteira, a meu ver, a tipicidade cerrada que norteia a avaliação do cumprimento dos pressupostos inerentes ao Acordo proíbe que se busquem outros meios para, supostamente demonstrar a observância do regime de origem. Ora, o regime de origem fixado pela Resolução 252 é aquele cuja prova é feita nos termos das regras procedimentais nele previstas, saber o último porto de embarque da mercadoria, neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras. Ou seja, não é suficiente, para aplicação do tratamento diferenciado, a demonstração, por outros meios documentais, que a mercadoria, aparentemente foi produzida e embarcada na Venezuela. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral gizada no artigo 9º do Decretolei nº 37, de 1966. Repisese que, em obediência ao princípio da tipicidade, não se pode partir do pressuposto que a sistemática definida na Resolução 252 contém lacunas. Ela simplesmente optou por não admitir, por exemplo, que a falha na adoção das providências elencadas no art. nono sejam supridas pela apresentação de uma fatura comercial estranha àquela que constou do Certificado de Origem. Finalmente, a meu ver, razão assiste às autoridades autuantes quando apontaram a impossibilidade de se cotejar a quantidade da mercadoria amparada pelo certificado de origem coligido aos autos, que não contém essa informação. Sem que tal informação conste do certificado ou não for possível vincular certificado e fatura comercial, como saber se a totalidade das mercadorias desembarcadas no Brasil foi embarcada na Venezuela? Fl. 213DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 12 Resta prejudicado portanto o cumprimento do requisito estabelecido no artigo oitavo da Resolução 252, literis: OITAVO A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.(grifei) Logo, a certificação da origem é feita com base também em função da fatura comercial que acoberta a saída de mercadorias. Pelas normas internacionais vigentes (art. 4º do Acordo 91 do Comitê de representantes da Aladi), é necessário que haja a vinculação do certificado de origem da mercadoria à fatura comercial correspondente. O próprio formulário adotado para formalizar a certificação possui um campo específico destinado à clara e perfeita informação do número da fatura a que se relaciona. Assim, qualquer certificado de origem somente pode ser usado para amparar a mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. Com efeito, é o vínculo entre certificado de origem e fatura comercial que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima a fruição do benefício tarifário quanto á mercadoria importada. No momento em que há divergência nas informações prestadas no certificado de origem e na fatura comercial, ou a ausência dos requisitos previstos nos acordos internacionais, O estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicado o regime normal de tributação previsto para os países não signatários dos acordos internacionais. Não se pode olvidar, por outro lado que a avaliação do cumprimento das condições fixadas pela legislação específica do regime reclama a observância das normas que disciplinam a fruição da isenção condicionada, especialmente o pelo art. 179, caput e § 2º, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que dizem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (...) § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Fl. 214DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000078/200301 Acórdão n.º 930301.218 CSRFT3 Fl. 237 13 Aplicar o art. 179 e, se for o caso, o art. 155, significa, a meu ver, avaliar, conforme o caso, o cumprimento das condições fixadas no Acordo, inclusive no que se refere ao cumprimento das exigências de ordem instrumental. Sobre a imperiosidade da coexistência dos aspectos instrumental e material, bem assim da obrigatoriedade do sujeito passivo trazer ao processo, pelos meios adequados, os elementos que permitam a avaliação do cabimento da isenção, vale a pena relembrar trecho da obra de Alberto Xavier8: “... Na verdade, enquanto a Administração fiscal tem o dever de investigar oficiosamente os fatos arvorados por lei em elementos do tipo tributário, nem sempre esse dever lhe cabe quanto aos fatos impeditivos da obrigação de imposto. Não pode afirmarse que a Administração não tenha o dever de investigar a verdade material quanto ao fato isento, nos casos a que nos referimos: o que sucede é que a lei faz depender o início da investigação de um pressuposto processual, que é um requerimento ou solicitação expressa do particular, sem o qual a Fazenda não pode reconhecer a isenção, nem portanto operar a sua eficácia impeditiva. É o que resulta do artigo 179 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão”. (destaquei) De se reafirmar, portanto, que, como frisou o mestre lusitano, a regra isencional de caráter especial não gera efeitos ope iuris. É necessário que se cumpra o rito procedimental próprio, consubstanciado no pleito do benefício e na apresentação de prova do preenchimento das condições definidas na norma de caráter substancial. De maneira semelhante, pondera Souto Maior Borges9: “Toda isenção deve ser concedida mediante prova documental da sua causa que remova as contestações e incertezas. (...) Devese distinguir assim, consoante o ensinamento de Amílcar de Araújo Falcão, no estudo das isenções, dois momentos ou aspectos distintos: I) o aspecto substancial ou material, ou seja, os requisitos ou elementos de perfeição ou integração dos pressupostos da isenção; regime que estabelece os pressupostos para o surgimento do direito à isenção (Tatbestandsstücke), os destinatários da norma (Normadressaten) e o âmbito, o alcance ou extensão do preceito isentivo; 8 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro. Forense, 1998, 2ª ed., p. 103/104. 9 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ª ed. p. 336 Fl. 215DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 14 II) o aspecto formal, um processus, um requisito de eficácia para que o efeito desagravatório da isenção se produza (Wirksamkeitserfordernis). Distinguese, deste modo, entre pressupostos integrativos da relação jurídica de isenção e pressupostos de eficácia do resultado legalmente estabelecido. Estes últimos relacionamse pois com as circunstâncias que condicionam a produção dos efeitos jurídicos. (destaquei) Não existe, pois, como debater a incidência da norma isentiva de cunho material ignorando aquelas de natureza processual. Sem o cumprimento dos pressupostos de eficácia, a cargo do sujeito passivo. A norma simplesmente não produz efeitos sem a intervenção do beneficiário. Nesse contexto, à luz do fixado no caput do art. 179 do CTN, é imperioso que o sujeito passivo que pretende usufruir do benefício faça prova que reúne condições para tanto. Ausente a comprovação documental pelos meios estabelecidos no Acordo de Complementação Econômica, incabível é a preferência tarifária. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 216DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001243/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
ADMISSIBILIDADE DE PARECERES JURÍDICOS pareceres jurídicos podem ser apresentados a qualquer tempo se não houver qualquer
inovação no pedido originalmente formulado, nem nas suas razões de direito e de fato.
CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO A
propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, no qual se inclui o pedido subsidiário, importa renúncia às instâncias administrativas.
LUCROS DE COLIGADA NO EXTERIOR DATA DO FATO GERADOR DECADÊNCIA
O fato gerador do IRPJ ocorre na data em
que os lucros são disponibilizados para a coligada, momento que demarca o termo inicial do prazo decadencial.
MULTA DE OFÍCIO RECURSO DE APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA RECEPÇÃO NO DUPLO EFEITO A recepção no duplo efeito pelo juiz sentenciante de apelação em mandado de segurança é medida cautelar concedida com base no poder cautelar geral do juiz (CPC,
art. 798) e tem como resultado prover o recurso de efeito suspensivo. A concessão de efeito suspensivo à apelação que dela não dispunha implica retirada da eficácia autoexecutiva da sentença, impedindo a emanação dos seus efeitos naturais enquanto vigente a medida cautelar. Se na sentença havia decisão revogando medida liminar para suspender a exigibilidade de crédito tributário, a recepção da apelação no duplo efeito tem o condão de sustar, temporária e precariamente, os efeitos da revogação da liminar, mantendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Esta decisão é sujeita a recurso que, se não interposto tempestivamente, acarretará a preclusão.
MEDIDAS CAUTELARES JUDICIAIS. IMPERATIVIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. O dever de o magistrado fundamentar suas decisões é matéria a ser alegada em recurso interposto perante o órgão do Poder
Judiciário hierarquicamente superior aquele que prolatou a decisão. Esse fundamento não pode ser invocado pelo destinatário da medida judicial para justificar desobediência à ordem judicial. Não pode a Secretaria da Receita do Brasil SRB, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN ou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgãos integrantes do
Poder Executivo, se negarem a dar cumprimento à medida cautelar expedida pelo Poder Judiciário ao fundamento de precariedade ou insuficiência da fundamentação utilizada pela autoridade judicial, posto que estes argumentos são cabíveis apenas em sede de recurso. Apenas o órgão judicial hierarquicamente superior, do próprio Poder Judiciário, pode suspender, revogar ou alterar a decisão judicial.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO devem ser excluídos da
base de cálculo da CSLL os lucros apurados por coligadas no exterior antes da vigência da MP 18586/99, que estendeu para esta contribuição o regime de tributação universal.
Numero da decisão: 1201-000.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, vencido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni que afastava a concomitância e determinava o retorno dos autos à primeira instância para sua apreciação. Por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência dos anos 1996 e 1997. Quanto ao mérito, por maioria de votos, afastar a exigência da multa de ofício, vencidos os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator) e Flávio Vilela Campos que a mantinham. Designado o conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz para
redação do voto vencedor. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 ADMISSIBILIDADE DE PARECERES JURÍDICOS pareceres jurídicos podem ser apresentados a qualquer tempo se não houver qualquer inovação no pedido originalmente formulado, nem nas suas razões de direito e de fato. CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, no qual se inclui o pedido subsidiário, importa renúncia às instâncias administrativas. LUCROS DE COLIGADA NO EXTERIOR DATA DO FATO GERADOR DECADÊNCIA O fato gerador do IRPJ ocorre na data em que os lucros são disponibilizados para a coligada, momento que demarca o termo inicial do prazo decadencial. MULTA DE OFÍCIO RECURSO DE APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA RECEPÇÃO NO DUPLO EFEITO A recepção no duplo efeito pelo juiz sentenciante de apelação em mandado de segurança é medida cautelar concedida com base no poder cautelar geral do juiz (CPC, art. 798) e tem como resultado prover o recurso de efeito suspensivo. A concessão de efeito suspensivo à apelação que dela não dispunha implica retirada da eficácia autoexecutiva da sentença, impedindo a emanação dos seus efeitos naturais enquanto vigente a medida cautelar. Se na sentença havia decisão revogando medida liminar para suspender a exigibilidade de crédito tributário, a recepção da apelação no duplo efeito tem o condão de sustar, temporária e precariamente, os efeitos da revogação da liminar, mantendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Esta decisão é sujeita a recurso que, se não interposto tempestivamente, acarretará a preclusão. MEDIDAS CAUTELARES JUDICIAIS. IMPERATIVIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. O dever de o magistrado fundamentar suas decisões é matéria a ser alegada em recurso interposto perante o órgão do Poder Judiciário hierarquicamente superior aquele que prolatou a decisão. Esse fundamento não pode ser invocado pelo destinatário da medida judicial para justificar desobediência à ordem judicial. Não pode a Secretaria da Receita do Brasil SRB, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN ou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgãos integrantes do Poder Executivo, se negarem a dar cumprimento à medida cautelar expedida pelo Poder Judiciário ao fundamento de precariedade ou insuficiência da fundamentação utilizada pela autoridade judicial, posto que estes argumentos são cabíveis apenas em sede de recurso. Apenas o órgão judicial hierarquicamente superior, do próprio Poder Judiciário, pode suspender, revogar ou alterar a decisão judicial. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO devem ser excluídos da base de cálculo da CSLL os lucros apurados por coligadas no exterior antes da vigência da MP 18586/99, que estendeu para esta contribuição o regime de tributação universal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, vencido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni que afastava a concomitância e determinava o retorno dos autos à primeira instância para sua apreciação. Por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência dos anos 1996 e 1997. Quanto ao mérito, por maioria de votos, afastar a exigência da multa de ofício, vencidos os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator) e Flávio Vilela Campos que a mantinham. Designado o conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz para redação do voto vencedor. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
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CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, no qual se inclui o pedido subsidiário, importa renúncia às instâncias administrativas. LUCROS DE COLIGADA NO EXTERIOR DATA DO FATO GERADOR DECADÊNCIA O fato gerador do IRPJ ocorre na data em que os lucros são disponibilizados para a coligada, momento que demarca o termo inicial do prazo decadencial. MULTA DE OFÍCIO RECURSO DE APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA RECEPÇÃO NO DUPLO EFEITO A recepção no duplo efeito pelo juiz sentenciante de apelação em mandado de segurança é medida cautelar concedida com base no poder cautelar geral do juiz (CPC, art. 798) e tem como resultado prover o recurso de efeito suspensivo. A concessão de efeito suspensivo à apelação que dela não dispunha implica retirada da eficácia autoexecutiva da sentença, impedindo a emanação dos seus efeitos naturais enquanto vigente a medida cautelar. Se na sentença havia decisão revogando medida liminar para suspender a exigibilidade de crédito tributário, a recepção da apelação no duplo efeito tem o condão de sustar, temporária e precariamente, os efeitos da revogação da liminar, mantendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Esta decisão é sujeita a recurso que, se não interposto tempestivamente, acarretará a preclusão. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 529 2 MEDIDAS CAUTELARES JUDICIAIS. IMPERATIVIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. O dever de o magistrado fundamentar suas decisões é matéria a ser alegada em recurso interposto perante o órgão do Poder Judiciário hierarquicamente superior aquele que prolatou a decisão. Esse fundamento não pode ser invocado pelo destinatário da medida judicial para justificar desobediência à ordem judicial. Não pode a Secretaria da Receita do Brasil SRB, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN ou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgãos integrantes do Poder Executivo, se negarem a dar cumprimento à medida cautelar expedida pelo Poder Judiciário ao fundamento de precariedade ou insuficiência da fundamentação utilizada pela autoridade judicial, posto que estes argumentos são cabíveis apenas em sede de recurso. Apenas o órgão judicial hierarquicamente superior, do próprio Poder Judiciário, pode suspender, revogar ou alterar a decisão judicial. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO devem ser excluídos da base de cálculo da CSLL os lucros apurados por coligadas no exterior antes da vigência da MP 18586/99, que estendeu para esta contribuição o regime de tributação universal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, vencido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni que afastava a concomitância e determinava o retorno dos autos à primeira instância para sua apreciação. Por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência dos anos 1996 e 1997. Quanto ao mérito, por maioria de votos, afastar a exigência da multa de ofício, vencidos os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator) e Flávio Vilela Campos que a mantinham. Designado o conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz para redação do voto vencedor. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (documento assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. (documento assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, André Almeida Blanco, Flávio Vilela Campos, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 530 3 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, relativamente aos anoscalendário de 2002 a 2005, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 167 a 196. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Trata o presente processo dos autos de infração lavrados pela Defis (RJ), referentes aos anoscalendário de 2002 a 2005, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 748.293.274,48 (fls. 135/142 e relatório fiscal às fls. 129/133), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 244.409.389,76 (fls. 143/149), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 Fundamentaram as exações de IRPJ: não tributação dos resultados de equivalências patrimoniais de empresas coligadas sediadas no exterior e compensações indevidas de prejuízos fiscais. 3 Em 3/2/2003 o interessado impetrou mandado de segurança preventivo com pedido de liminar na Justiça Federal – Seção Judiciária do Rio de Janeiro (processo nº 2003.51010029370 – fls. 228/262), objetivando: a concessão de medida liminar inaudita altera parte com a finalidade de suspender a exigibilidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL resultantes (i) da aplicação do regime de tributação previsto no caput do art. 74 da MP nº 2.15834/01 (e posteriores reedições), na forma como foi regulamentado pela IN nº 213/02, no que concerne ao resultado positivo de equivalência patrimonial de suas controladas e coligadas no exterior no ano de 2002 e exercícios subseqüentes; e (ii) da aplicação do regime constante do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15834/01 aos lucros apurados por sua controlada desde 1996 até dezembro de 2001. por fim, seja concedida em definitivo a segurança no sentido de reconhecer ao interessado o seu direito líquido e certo de não estar sujeita à tributação pelo IRPJ e CSLL na forma do art. 74 e parágrafo único da MP nº 2.15834/01 (e posteriores reedições) tal como regulamentados pela IN SRF nº 213/2002. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 531 4 3.1 Apresenta como primeiro argumento que o art. 74 da MP nº 2.15834/01 é incompatível com os tratados contra a dupla tributação celebrados pelo Brasil com os Estados de domicílio das sociedades controladas (Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo), tratados esses que prevêem uma competência tributária exclusiva do país de domicílio da sociedade controlada estrangeira, no que concerne aos lucros por elas produzidos, e conseqüentemente a exclusão de competência do Brasil, país de domicílio da sociedade controladora. 3.2 Como segundo argumento alega que o art. 74 e parágrafo único da MP nº 2.15834/01 extrapolou a permissão concedida pelo art. 43 caput e §2º do CTN que apenas permitia à lei ordinária fixar as condições e o momento em que dará a disponibilidade de receita ou rendimentos oriundos do exterior, mas não o de utilizar a via ilegítima da ficção legal para considerar como disponibilizado o lucro meramente apurado e não distribuído. 3.3 O terceiro argumento é o de que, ainda que se considerasse que o art. 74 e parágrafo único da MP nº 2.15834/01 se teria conformado com o art. 43 caput e §2º do CTN, a tributação não poderia alcançar a totalidade do resultado de equivalência patrimonial, como determina o art. 7º da IN SRF nº 213/2002, mas tão somente a parcela imputável aos lucros propriamente ditos, com a exclusão da variação cambial do valor do investimento que a legislação contábil e societária considera incluída no conceito de equivalência patrimonial, mas que não pode ser submetida a tributação nem pelo IRPJ, nem pela CSLL. 3.4 No que concerne aos lucros apurados até dezembro de 2001, o argumento de direito que ampara a pretensão do interessado consiste na violação do princípio da não retroatividade, consagrado no art. 150, III, “a”, da Constituição, visto que o parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15834/01 está aplicando a referidos lucros (já formados anteriormente à entrada em vigor da nova lei) o novo fato gerador por ele introduzido que consiste na mesma apuração de lucro no balanço, quando determina a tributação dos lucros formados até 2001 e não disponibilizados no balanço de 31 de dezembro de 2002. 4 Em 5/2/2003 a liminar foi (fls. 115/118): 4.1 deferida, no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ e da CSLL resultante da aplicação do regime de tributação do caput do art. 74 da MP nº 2.15834/01, no que se refere às disponibilizações dos lucros, para que, na espécie, continue sendo obedecido o regime anterior da Lei 9.532, de 10/12/1997, até o julgamento final desta ação; 4.2 deferida parcialmente a liminar, no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ e da CSLL resultante da aplicação do regime de tributação do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15834/01, quanto aos lucros apurados por suas controladas, desde 1996 até dezembro de 2001, aqueles – apenas Fl. 546DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 532 5 e tão somente – que ainda não foram disponibilizados, até o julgamento final desta ação. 4.2.1 As disponibilizações ocorridas até 31 de dezembro de 2001, por terem sido excluídas do campo de incidência do parágrafo único do art. 74 da MP, também deverão se sujeitar ao regime anterior da Lei 9.532/1997, até o julgamento final desta ação; 4.3 indeferida a liminar, para negar o pedido formulado no sentido que o interessado não esteja sujeito à aplicação do regime de tributação estabelecido na IN SRF nº 213/2002, no que concerne ao resultado positivo de equivalência patrimonial de suas controladas e coligadas no exterior no ano de 2002 e sobre os resultados dos exercícios subseqüentes, relativamente à pretensão de exclusão da variação cambial do valor do investimento. 5 Interposto agravo de instrumento no TRF da 2ª Região pela União, contra a decisão que deferiu em parte a liminar, o relator converteuo em agravo retido, em 16/12/2003 (fls. 266/267). 6 Em 1/7/2005 foi julgado improcedente o pedido para negar a segurança pleiteada, com base no art. 269, I, do CPC e, por conseqüência, revogada a liminar deferida (fls. 119/126). 7 Em 23/9/2005 o interessado interpôs recurso de apelação (fls. 276/322), que foi recebido no duplo efeito. 8 Diante da denegação da segurança, constituiuse o crédito tributário, tendo como base os resultados das equivalências patrimoniais, até 31/12/2002, conforme a seguir: Empresa controlada R$ Rio Doce Finance/Europa (Portugal) 514.724.000,00 Rio Doce Internacional S/A RDI (Bélgica) 8.322.000,00 Brasilux S.A. (Luxemburgo) 15.074.000,00 Rio Doce Europa S.a.r.I. (Luxemburgo) 2.616.253.000,30 Brasamerican Limited (Bermudas) 15.763.000,00 Total 3.170.136.000,30 8.1 Enquadramento legal: arts. 249, I e II; 251 e parágrafo único; 384; 394, §§2º e 3º, do RIR/1999. Arts. 21 e 74 da MP nº 2.15835. Lei Complementar 104/2001. 9 Como conseqüência da infração acima, os prejuízos fiscais foram retificados gerando as seguintes compensações indevidas nos anos posteriores: 2003 2004 2005 Prejuízo fiscal compensado 411.435.847,83 11.473.717,89 616.167.049,47 Saldo disponível p/ compensação 63.587.852,34 0 0 Compensação indevida 347.847.995,49 11.473.717,89 616.167.049,47 9.1 Enquadramento legal: arts. 247; 250, III; 251, parágrafo único; 509; 510 do RIR/1999. 10 CSLL. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 533 6 10.1 Em decorrência da primeira infração de IRPJ, lançouse esta contribuição, com a mesma base de cálculo. 10.1.1 Enquadramento legal citado à fl. 144. 10.2 Como conseqüência da infração acima, as bases de cálculos negativas dos anos posteriores foram retificadas, gerando as seguintes compensações indevidas nos anos posteriores: 2003 2005 Base negativa compensada 531.879.738,16 622.923.893,78 Saldo disponível p/ compensação 292.427.334,34 0 Compensação indevida 239.452.403,82 622.923.893,78 10.2.1 Enquadramento legal citado à fl. 145. 11 Multa. 11.1 Os lançamentos foram constituídos com a multa de ofício de 75%, por se entender que a exigibilidade não se encontrava suspensa, visto a sentença ter negada a segurança e cassada a liminar concedida, apesar da apelação ter sido recebida no duplo efeito. 11.2 Segundo entendimento da ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 2ª Região (fls. 108/112), a liminar ficou superada pela posterior sentença que denegou a segurança. O quadro não se altera com o recebimento da apelação no duplo efeito. A concessão de efeito suspensivo à apelação interposta não tem o condão de restabelecer a tutela liminar anteriormente deferida. Dar efeito à apelação não modifica o que foi julgado na sentença. Em síntese, não restabelece a liminar, expressamente revogada na sentença denegatória, o só fato de a apelação a ela interposta ter sido recebida no duplo efeito. 12 Ao impugnar as exigências, fls. 167/196 e documentos de fls. 197/324, o interessado alega, em síntese, que: inexiste qualquer concomitância entre a presente discussão administrativa e a discussão judicial objeto do mandado de segurança. A matéria tratada no mandado de segurança diz respeito à inconstitucionalidade do regime de tributação previsto no art. 74 e parágrafo único da MP nº 2.15834/2001, por violação do requisito da disponibilidade da renda tal como definido pelo art. 43 do CTN, bem como à prevalência sobre a legislação interna das disposições dos tratados contra a dupla tributação celebrados pelo Brasil com países onde se encontram domiciliadas as sociedades controladas; a presente impugnação tratará da (i) inaplicabilidade da multa de ofício na pendência de causa suspensiva da exigibilidade dos créditos tributários, ex vi do art. 63 da Lei 9.430/1996; (ii) da decadência do direito do Fisco quanto aos lucros apurados em 1996 e 1997; (iii) a não sujeição à tributação da variação cambial do investimento no exterior nos anos de 1996 a 2002; e Fl. 548DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 534 7 (iv) a não incidência da CSLL sobre lucros apurados anteriormente a outubro de 1999; ao contrário do que alega a fiscalização, os créditos tributários de IRPJ e CSLL não podem ser lançados com a exigência, por força de decisão judicial obtida nos autos do mandado de segurança; contra a decisão liminar, a União interpôs recurso de agravo de instrumento (processo nº 2003.02.01.00486460), no qual o Desembargador Relator manteve integralmente a decisão liminar, convertendo o agravo de instrumento em agravo retido (fls. 266/267); embora a sentença tenha denegado a segurança, a medida liminar continua produzindo seus efeitos, eis que o recurso de apelação interposto foi recebido nos efeitos suspensivo e devolutivo; na petição de interposição do recurso de apelação, visando a manutenção da medida liminar, foi requerido expressamente o recebimento nos efeitos devolutivo e suspensivo; em virtude da decisão que recebeu a apelação ter sido no duplo efeito, a sentença denegatória da segurança não chegou a produzir os seus efeitos, pelo que a medida liminar anteriormente deferida continua plenamente em vigor, suspendendo a exigibilidade dos créditos tributários sub judice, nos exatos termos do art. 151, IV, do CTN; é ponto pacífico na jurisprudência do STJ a possibilidade de concessão de efeito suspensivo a recurso interposto contra sentença denegatória de mandado de segurança, bem como que a atribuição de tal efeito mantém em vigor a medida liminar anteriormente concedida; a solução juridicamente correta é no sentido de que o recebimento da apelação no efeito suspensivo tem o condão de restabelecer a medida liminar cassada pela sentença denegatória da ordem, tendo em vista, justamente, a necessidade de evitar dano irreparável ao contribuinte que pautou sua conduta protegido por um provimento liminar; a nota da PRFN na 2ª Região incorre no equívoco de se basear em jurisprudência do STJ totalmente inaplicável ao presente caso, já que trata especificamente de caso de tutela antecipatória revogada por sentença de improcedência e não de medida liminar cassada pela denegação do mandado de segurança; o entendimento do auto de infração carece de qualquer lógica, pois entender que a atribuição de efeito suspensivo ao recurso não teria o condão de manter inalterada e vigente a liminar seria o mesmo que assumir ser absolutamente inócuo tal efeito, o que contraria o fundamental princípio da efetividade do processo; Fl. 549DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 535 8 o lançamento da multa de ofício é absolutamente incabível no presente caso, pois a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL decorrente de concessão da liminar em mandado de segurança preventivo é anterior ao início de qualquer procedimento de ofício relativo aos débitos objeto do processo; decaiu o direito do Fisco constituir os créditos tributários de IRPJ e CSLL sobre os lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, visto que o auto de infração foi cientificado após o prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador; com relação aos lucros desses anos, era aplicável o art. 25 da Lei 9.249/1995, segundo o qual “os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondentes ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano”; na sistemática do art. 25 da Lei 9.249/1995 e seus parágrafos, os lucros obtidos no exterior através de controladas e coligadas seriam tributados automaticamente no Brasil mediante adição ao lucro líquido apurado no balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano, independentemente de sua efetiva distribuição; a Lei 9.249/1995 passou a produzir efeitos a partir de 1/1/1996 até 31/12/1997, já que a partir de 1/1/1998 passou a vigorar o novo regime de tributação dos lucros no exterior previsto na Lei 9.532/1997; aos lucros de 1996 e 1997 é aplicável o art. 25 da Lei 9.249/1995 resulta do art. 144 do CTN; não existe disposição legal prevendo a tributação da variação cambial dos investimentos. Apresenta o desdobramento do resultado de equivalência patrimonial e da variação cambial à fl. 324; ao adotar o conceito de resultado positivo de equivalência patrimonial, a IN SRF nº 213/2002 possibilitou que se interpretasse que a tributação em causa alcançaria não só os lucros propriamente ditos das sociedades estrangeiras, mas também a parcela imputável à variação cambial do investimento; a SRRF na 9ª RF manifestou nas soluções de consultas nos 54 e 55 de 2003 não ser base de cálculo do IRPJ e da CSLL a variação cambial decorrente do ajuste de investimentos de sociedades controladas que não funcionem no país. Idêntico entendimento foi manifestado pela SRRF na 2ª RF, na solução de consulta nº 46 de 2003; o art. 46 da MP nº 135/2003 estabelecia que “a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa Fl. 550DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 536 9 financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço em 31 de dezembro de cada ano calendário”. Tal dispositivo foi vetado por ocasião da conversão da referida medida provisória na Lei 10.833/2003, conforme mensagem nº 795, de 29/12/2003 do Presidente da República; a MP nº 232/2003 pretendeu novamente criar base legal para a tributação da variação cambial através do seu art. 9º, que reproduzia o teor do já rejeitado art. 46 da MP nº 135/2003. Referida tentativa também foi afastada na edição da MP nº 243/2005; não poderia ser cobrada a CSLL sobre os lucros apurados pelas controladas/coligadas no exterior anteriormente a outubro de 1999, tendo em vista a inexistência de dispositivo legal que previsse a tributação de tais lucros; a exigência da CSLL sobre lucros no exterior somente veio a ser criada em 29/6/1999, com a edição da MP nº 1.8586 (art. 19); referido dispositivo constou das MP nos 1.8587, 1.991, 2.037, 2.113 e 2.158 (art. 21), estando atualmente vigente como art. 21 da MP nº 2.15835, de 24/8/2001, por força do art. 2º da EC nº 32/2001; considerando que a primeira norma legal que previu a incidência da CSLL data de 29/6/1999 (art. 19 da MP nº 1.858 6), a CSLL somente poderia incidir (na hipótese de se considerar legítima tal incidência, o que se discute no mandado de segurança) sobre os lucros apurados no exterior a partir do mês de outubro de 1999, visto o princípio da anterioridade nonagesimal aplicável às contribuições sociais de que trata o art. 195, §6º, da Constituição. 13 O julgamento foi convertido em diligência para que fosse demonstrado o resultado da equivalência patrimonial por ano calendário e por empresa, Para o anocalendário de 1999 o resultado da equivalência patrimonial deveria ser apurado até 30 de setembro e de 1 de outubro até 31 de dezembro (fl.330). 14 Em resposta à diligência, o interessado apresenta o resultado da equivalência patrimonial até setembro de 1999 e para o 4º trimestre de 1999 (fl. 334). Com relação aos resultados anuais das equivalências patrimoniais, o autuante informa que o demonstrativo apurado pelo interessado encontrase à fl. 90. 15 O julgamento foi convertido novamente em diligência para que se desse ciência da primeira diligência e explicasse as compensações de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL (fl. 346). Em resposta, o autuante apresenta o relatório de fls. 349/357 e documentos de fls. 358/384. 16 Cientificado das diligências, o interessado adita razões às fls. 387/396, alegando em síntese que: Fl. 551DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 537 10 são equivocadas as conclusões apresentadas no relatório da diligência objeto da resolução nº 144, uma vez que os valores ali indicados como saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo da CSLL divergem daqueles constantes da DIPJ apresentadas nos anosbase de 2002 a 2005; as informações do relatório são diferentes daquelas constantes dos livros e das declarações apresentadas. Por outro lado, somente agora teve acesso aos saldos do Sapli; o Sapli por si só não pode ser considerado elemento de prova suficiente para embasar a autuação fiscal. Sendo informações do Sapli mera compilação de dados constantes das declarações, é imprescindível à validade de qualquer autuação fiscal que as informações sejam acompanhadas de cópias das declarações; em 30 de março de 2006 foi lavrado auto de infração em matéria de IRPJ e CSLL, tendo por objeto a glosa das compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, efetuadas no anobase de 2003, sem observância do limite legal de 30%; ao abrigo do mandado de segurança nº 9700209360 obteve autorização para efetuar a compensação integral no anobase de 2003. O auto de infração aplicou àquele exercício o limite de 30%, glosando a compensação excessiva, nos valores de R$ 443.798.574,17 (IRPJ) e R$ 1.077.120.026,04 (CSLL); a decorrência lógica da glosa desta compensação excessiva seria a recomposição do saldo de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL, compensáveis com resultados de exercícios futuros; o relatório fiscal simplesmente ignora este fato, considerando como se a compensação excessiva glosada fosse definitiva; no que concerne às conclusões da diligência objeto da resolução nº 21, importa notar que o relatório extrapola as solicitações, vindo a informar que o interessado não possui registro contábil em separado do valor da variação cambial do investimento de suas controladas no exterior, o qual é efetuado conjuntamente com o da equivalência patrimonial; é da essência da atividade de fiscalização a realização de todas as verificações necessárias à apuração do fato gerador e à correta mensuração da base de cálculo.A atividade fiscal não se limita à mera apreciação dos fatos e informações apresentadas pelo contribuinte. A autoridade tem o poderdever, em face dos princípios inquisitórios e da verdade material, de apurar o correto montante do crédito tributário; disponibilizou todos os documentos necessários à averiguação do fato gerador e da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, especialmente as demonstrações financeiras de suas controladas e coligadas no exterior. A autoridade fiscal poderia ter apurado e segregado o montante do lucro das controladas e coligadas no Fl. 552DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 538 11 exterior da parcela relativa à variação cambial dos investimentos; visando a apuração da verdade material realizou novas verificações internas, tendo por base seus registros contábeis e as demonstrações financeiras de suas controladas e coligadas no exterior, tendo apurado os valores correspondentes aos resultados de variação cambial constantes da planilha anexada à presente petição; conforme se poderá verificar, o resultado global das equivalências patrimoniais mantevese idêntico àquele informado na planilha de fls. 324. Existem certas divergências entre os valores entre as planilhas unicamente no que concerne à alocação dos valores correspondentes aos lucros e à variação cambial. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 402 a 420) deu provimento parcial à defesa, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 LUCROS APURADOS EM 1996 E 1997 POR SOCIEDADES CONTROLADAS NO EXTERIOR. DECADÊNCIA. Visto que o interessado diferiu a tributação dos lucros auferidos por controladas no exterior, o prazo decadencial para os lucros auferidos até 31/12/2001 só começou a contar a partir de 31/12/2002, data imposta pela MP nº 2.15835/2001 como fato gerador da obrigação tributária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS SOBRE INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. TRATADOS DE DUPLA TRIBUTAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial importa em renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR CASSADA. INCIDÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Denegada a segurança com a revogação da medida liminar, o crédito tributário será constituído e exigido com a multa de Fl. 553DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 539 12 ofício. O recurso de apelação recebido no duplo efeito não restabelece a liminar revogada por sentença. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2005 INCIDÊNCIA DA CSLL SOBRE LUCROS POR SOCIEDADES CONTROLADAS NO EXTERIOR ANTERIORMENTE A OUTUBRO DE 1999. Em função do princípio da anterioridade nonagesimal da CSLL, os lucros auferidos por sociedades controladas no exterior são tributados a partir do quarto trimestre de 1999. Vale ainda tecer um resumo de seus fundamentos. Em relação à concomitância, faz um resumo da medida judicial e conclui que “em ambos os processos, ação judicial e procedimento administrativo, o tema versa acerca dos mesmos objetos, exceto a anterioridade nonagesimal para apuração da CSLL, a aplicação da multa e da exigibilidade do crédito”. Desse modo, deixa de conhecer as alegações relativas à tributação das variações cambiais. Quanto à alegação de decadência relativa aos lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, entendeu que o diferimento da tributação deslocou o momento do fato gerador e, de igual forma, o marco inicial do prazo extintivo. Nas palavras do julgador: A questão decadencial só pode ser tratada a partir do momento em que ocorre o fato gerador da obrigação tributária. Caso contrário, teríamos a anômala situação da administração tributária estar impedida de agir, mas o prazo decadencial estar correndo. Afastou a incidência da CSLL sobre os lucros auferidos até setembro de 1999, por aplicar o entendimento prescrito no ADN SRF n° 75/1999. Quanto à aplicação da multa, o julgador considerou que a sentença que denegou a segurança cassou a liminar outrora concedida. Dessarte, a exigibilidade do crédito não mais estava com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, inciso IV, do CTN. Ademais, entendeu que o fato de o recurso ter sido recebido no duplo efeito – devolutivo e suspensivo – não restabeleceu os efeitos da limiar. Para tal, embasou sua decisão em decisões do STF e do STJ, bem como em parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, de cujo teor extraiu alguns trechos, dentre os quais: “De nada altera esse quadro o recebimento da apelação no ‘duplo efeito’. A concessão de efeito suspensivo à apelação interposta não tem o condão de restabelecer a tutela liminar anteriormente deferida. Dar efeito suspensivo à apelação não modifica o que foi julgado na sentença. Em síntese, não restabelece a liminar, expressamente revogada na sentença denegatória, o só fato de a apelação a ela interposta ter sido recebida no duplo efeito”. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 540 13 Assim, como a exigibilidade do crédito no momento do lançamento não estaria suspensa, a autoridade fiscal teria agido legalmente ao aplicar a multa de ofício. DO RECURSO DE OFÍCIO Em razão do montante exonerado relativo à CSLL, a Turma Julgadora promoveu o apelo oficial. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 424 a 453, mediante o qual teceu as considerações que se seguem. No tocante à tributação das variações cambiais, entende que houve erro na apuração da base de cálculo para o período de 1996 a 2001. Foi só com o advento da IN SRF n° 213/02, que se introduziu a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial, no qual está inserida a variação cambial. No período guerreado, vigia a IN n° 38/96 a qual determinava a exclusão do resultado da equivalência na apuração do lucro real; no mesmo sentido, o art. 394, § 9° do RIR/99. Como a IN SRF n° 213/02 só entrou em vigor em 2002, jamais poderia alcançar os resultados dos anos de 1996 a 2001. Assim, toda a autuação desse período deve ser anulada em razão do erro na apuração da base de cálculo. Quanto aos demais períodos, a autuação também se equivocou ao alcançar o resultado da equivalência patrimonial e, portanto, a parcela relativa à variação cambial. Nesse caso, a IN 213/02 teria ultrapassado ilegalmente a tributação sobre o lucro estabelecida pelo art. 74 da MP n° 2.15835/01. Para evitar tal entendimento, a própria Administração Tributária (como exemplo, as soluções de consulta n° 54 e 55 de 2003 emitidas pela 9ª Região Fiscal) “pronunciouse expressamente no sentido de que o IRPJ e a CSLL não incidem sobre a variação cambial de investimento mantido no exterior”. Ademais, foram editadas posteriormente à MP 2.158/01, duas outras medidas provisórias (MPs 135/03 e 232/03) que estabeleciam expressamente a tributação sobre a variação cambial, mas ambas não chegaram a produzir efeitos em razão de revogação, o que conduz à conclusão de reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes de tal tributação não ser legal no período em análise. Equivocouse a autoridade julgadora de primeiro grau ao entender haver concomitância entre os feitos judicial e administrativo. No primeiro, o pedido (identificado pelo item 110, iii, da petição inicial) é para não se sujeitar à tributação prevista no art. 74 da MP 2.158, ao passo que a causa de pedir “reside (fora os casos em que se sustenta a aplicação do art. 7° dos tratados) exclusivamente na incompatibilidade desse dispositivo com o art. 43 do CTN”. Desse modo, não consta do pedido a exclusão da variação cambial da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Reafirma ainda a decadência relativamente aos lucros auferidos em 1996 e 1997. No entender da defesa, em relação a esses anos, vigia o art. 25 da Lei n° 9.249/95, a qual determinava a adição dos lucros auferidos no exterior automaticamente na data do Fl. 555DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 541 14 levantamento do balanço. Assim, apesar da constitucionalidade questionável dessa disposição, os fatos geradores ocorreram em 31/12/96 e 31/12/97 e, portanto, em 12/11/2007, data da ciência da autuação, já havia se operado a extinção por decurso temporal. No que se refere à multa de ofício, entende ser indevida em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ao impetrar mandado de segurança preventivo, obteve liminar com o fito de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Apesar de a sentença posteriormente proferida ter sido denegatória, a apelação foi expressamente recebida no duplo efeito. Dessa forma, em virtude da decisão que recebeu o recurso não só no efeito devolutivo, mas também no suspensivo, “a medida liminar anteriormente deferida, à data da lavratura do auto de infração, estava (como ainda está) plenamente em vigor, mantendose, pois, suspensa a exigibilidade dos créditos sub judice”. Por derradeiro, realizou os seguintes pedidos, in verbis: (i) sejam canceladas as exigências de IRPJ formuladas relativamente aos anos de 1996 e 1997 em razão da decadência do direito do Fisco; (ii) reconhecida ou não a decadência, sejam canceladas as exigências de IRPJ e de CSLL formuladas relativamente aos anos de 1996 a 2001 por erro na determinação da base de cálculo, consistente na indevida aplicação do conceito de “resultado positivo de equivalência patrimonial” a períodos anteriores à vigência da IN SRF n° 213/02; (iii) seja reconhecida a inexistência de concomitância do presente processo administrativo com o processo judicial (mandado de segurança n° 2003.02.01.0048646) no que concerne ao pedido de exclusão da variação cambial da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com a conseqüente apreciação das razões que o fundamentam, apresentadas na impugnação e reiteradas neste recurso; (iv) seja cancelado o lançamento de multa de ofício por violação do art. 63, § 1° da Lei n° 9.430/96, em razão da vigência de medida liminar suspensiva da exigibilidade dos créditos tributários em discussão. Foram juntados posteriormente pareceres jurídicos em relação à aplicação da multa da lavra de Athos Gusmão Carneiro (fls. 475 a 506) e de Humberto Theodoro Jr. (fls. 507 a 526). É o relatório. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 542 15 Voto Vencido Conselheiro Relator, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Preliminares Admissibilidade dos pareceres Nos termos do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. De igual sorte, o mesmo critério de admissibilidade deve ser atendido no caso do recurso voluntário. Seria um contrasenso entender que os critérios temporais para apresentação de elementos de defesa são mais estritos na primeira instância que na segunda. Desse modo, esgotado o prazo para ingresso do recurso voluntário, não devem ser conhecidos novos pedidos, nem novas razões de fato ou de direito relativas a pedidos tempestivamente formulados. Entendo, contudo, que pareceres jurídicos podem ser apresentados a qualquer tempo se não houver qualquer inovação no pedido originalmente formulado, nem nas suas razões de direito e de fato. Nesse caso, tais pareceres servem apenas para reforçar as razões anteriormente formuladas por serem confeccionados por juristas reconhecidos no âmbito Fl. 557DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 543 16 jurídico nacional. São equivalentes, assim, à reprodução de uma lição colhida de um livro de doutrina. Ao estudar um caso para proferir sua decisão, o julgador pode – e é salutar que o faça – consultar a jurisprudência e a doutrina a respeito, sem com isso extrapolar a matéria em litígio. Então, por que razão não poderia a parte trazer ao feito, inclusive na fase da sustentação oral, posições doutrinárias e jurisprudenciais concordantes com a posição defendida? Pois bem, os pareceres não inovam o pedido e nem seus fundamentos. O pedido é o mesmo do recurso voluntário (afastar a multa de ofício) e o fundamento jurídico também (o recebimento da apelação no duplo efeito suspendeu os efeitos da decisão recorrida e, assim, restabeleceu os efeitos da liminar de suspender a exigibilidade do crédito), logo devem ser conhecidos. Concomitância entre os processos judicial e administrativo Em relação à concomitância, vale destacar as seguintes partes da petição inicial: 8. O primeiro objetivo consiste em afastar a aplicação dos preceitos atrás referidos aos resultados positivos de equivalência patrimonial apurados pela IMPETRANTE a partir de 2002, com fundamento em três argumentos jurídicos distintos que desde já sinteticamente se enunciam (nosso negrito): (...) (iii) o terceiro argumento é o de que, ainda que se considerasse que o art. 74 da MP n° 2.15834/01 se teria confinado dentro dos limites autorizados pela lei complementar, a tributação apenas poderia incidir sobre a parte do resultado de equivalência patrimonial referente aos lucros propriamente ditos das sociedades estrangeiras, nunca podendo atingir realidades distintas, como a variação do valor do investimento imputável à desvalorização cambial da moeda brasileira; Não há dúvidas de que se trata de um pedido subsidiário e, portanto, é concomitante com parte da lide administrativa; pelo menos em relação àquilo que vier a ser entendido como tributação a partir do ano de 2002. Quanto à questão da tributação dos assim chamados pela defesa lucros formados nos anos de 1996 a 2001, em razão da aplicação da IN 213/02, também entendo que há concomitância, pois o pedido acima transcrito deve ser interpretado contextualmente com a parte que se segue da petição inicial: 9. Além do objeto atrás referido – qual seja, o de afastar a aplicação das regras contidas no “caput” do art. 74 da MP n° 2.15834/01 e da IN n° 213/02 aos resultados positivos de equivalência patrimonial formados a partir de 2002 –, a IMPETRANTE também pretende afastar a incidência da norma Fl. 558DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 544 17 contida no parágrafo único do art. 74 da MP n° 2.15834/01, que prevê a tributação automática, no balanço de 31 de dezembro de 2002, dos lucros formados antes da entrada em vigor da nova lei (MP n° 2.15834/01) enquanto que, nos termos da legislação anterior, referidos lucros somente seriam tributáveis caso “disponibilizados”, o que fez em ostensiva violação ao princípio da não retroatividade da tributação, consagrado no art. 150, III, “a”, da Constituição. A fim de demonstrar minha conclusão, vamos supor que o sujeito passivo tivesse obtido sucesso no pleito judicial acerca do direito aplicável ao conceito de lucro; em outras palavras, na decisão judicial relativa ao pedido estampado no item 8 da inicial, se fixou que o conceito de lucro não se deveria incluir a variação cambial do investimento. Ainda na linha da suposição, a decisão judicial é favorável à Fazenda quanto ao item 9, ou seja, os lucros relativos a períodos anteriores devem ser tributados em dezembro de 2002, nesse caso não seria legítimo que, relativamente a tais lucros, não se devem incluir as variações cambiais justamente em razão do decidido para o item 8? Como entendo que a resposta é positiva, há desse modo concomitância entre o presente feito administrativo e a ação judicial. Decadência de 1996 e 1997 Em relação à alegação de decadência para os anos de 1996 e 1997, há julgados que adotam a linha da defesa. Abaixo transcrevo dois: Acórdão nº 10197020, de 13/11/2008, da 1ª Câmara do 1º CC DECADÊNCIA. DIES A QUO. LUCRO DISPONIBILIZADO POR EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR – Na vigência do art. 25 da Lei 9.250/95, o termo inicial da contagem do prazo decadencial (ocorrência do fato gerador) é a data de fechamento do balanço da investidora brasileira, correspondente ao período em que se consideram disponibilizados os lucros pela investida no exterior, não se confundindo, portanto, com a data da efetiva disponibilização do lucro. Acórdão nº 10809837, de 05/02/2009, da 8ª Câmara do 1º CC LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1997 LEI Nº 9.249/95 ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 IMPOSSIBILIDADE DECADÊNCIA Antes do advento da Lei nº 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei nº 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 545 18 Os lucros auferidos durante o anocalendário de 1997 deveriam ser adicionados ao lucro real em 31 de dezembro de 1997, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de ofício sob a égide do art. 25 da Lei nº 9.249/95 deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador. Todavia, também há decisões em sentido contrário, inclusive da antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho, a qual foi sucedida por esta turma. Seguem as transcrições: Acórdão nº 10517382, de 04/02/2009, da 5ª Câmara do 1º CC LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DECADÊNCIA Tratandose de lucros auferidos no exterior por meio de coligadas, a lei introdutora da incidência tributária não especificou o momento da ocorrência do fato gerador. Não obstante, definida em norma posterior que a incidência se dá a partir da disponibilização dos resultados auferidos, a contagem do prazo decadencial deve ser feita levandose em consideração essa ocorrência (disponibilização). Acórdão nº 10322330, de 22/03/2006, da 3ª Câmara do 1º CC LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR DATA DO FATO GERADOR – DECADÊNCIA O fato gerador do IRPJ ocorre na data em que os lucros são disponibilizados para a controladora, fluindo daí o prazo decadencial. A questão é, portanto, controvertida. Na época dos fatos, os dispositivos da lei ordinária 9.249/95, que disciplinavam a matéria, possuíam a seguinte redação: 9.249/95 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano..(vide Medida Provisória nº 215835, de 24.8.2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; Fl. 560DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 546 19 II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 547 20 § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. Art. 27.As pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real. Não podemos esquecer que a Lei ordinária n° 9.430/96 também versava sobre o tema sem prejuízo do que havia sido disposto na Lei n° 9.249/95; in verbis: 9430/96 Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. § 1º Os resultados decorrentes de aplicações financeiras de renda variável no exterior, em um mesmo país, poderão ser Fl. 562DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 548 21 consolidados para efeito de cômputo do ganho, na determinação do lucro real. § 2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: I com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; II fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. § 3º Na hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, os lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior serão adicionados ao lucro arbitrado para determinação da base de cálculo do imposto. § 4º Do imposto devido correspondente a lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior não será admitida qualquer destinação ou dedução a título de incentivo fiscal. Não há em nenhum dos diplomas legais, qualquer referência à data da disponibilidade. Foi só com o advento da Lei 9.532/97, art. 1°, que trouxe expressamente a “disponibilização”. Isso, contudo, não significa necessariamente que tal diploma legal tenha exercido uma função modificativa do direito até então posto. Apesar de não haver nos dispositivos das leis 9.249/95 e 9.430/96, qualquer referência expressa à disponibilidade do lucro, também não se encontra qualquer enunciado que expressa e claramente prescreva o dever de oferecer os lucros auferidos no exterior “automaticamente”. Desse modo, considero perfeitamente legal a dicção da IN SRF n° 38/96 (“Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados”), a qual apenas promoveu uma interpretação conforme das leis ordinárias em face das definições estampadas no Código Tributário Nacional, no caso, seu art. 43: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: (meu negrito) Isso posto, não deve ser reconhecida a decadência dos anos de 1996 e 1997. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 549 22 Mérito Multa de ofício Apesar das percucientes análises empreendidas pela defesa e nos pareceres carreados aos autos, a jurisprudência pátria também assevera posição oposta. Abaixo transcrevo acórdão do TRF/4 com sua ementa e parte do voto, onde se afirma não se restaurar a liminar, ainda que concedido o "duplo efeito". Merece ser destacado na sua leitura precedente do STJ no mesmo sentido; in verbis: AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2009.04.00.0201148/PR RELATORA : Des. Federal MARGA INGE BARTH TESSLER AGRAVANTE : ADRIANA GIANELLO COSTA DE OLIVEIRA ADVOGADO : Zelia Mafalda Gianello Oliveira e outros AGRAVADO : UNIÃO FEDERAL PROCURADOR : ProcuradoriaRegional da União EMENTA PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. SENTENÇA DENEGATÓRIA. APELAÇÃO RECEBIDA NO EFEITO DEVOLUTIVO. 1. Concedida liminar, em mandado de segurança, mas prolatada, posteriormente, sentença denegatória da ordem buscada, não há como, por meio de atribuição de efeito suspensivo à apelação interposta contra a sentença, revigorar a medida deferida initio litis. 2. Súmula STF nº 405: Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. 3. Entendendose revogada a liminar deferida no writ, mesmo a concessão do postulado efeito suspensivo ao apelo não teria o condão de reavivála, porquanto existiria, a ser suspensa, unicamente a carga negativa da sentença impugnada. 4. O processo administrativo contra o qual a impetrante se insurge está, ainda, na fase de apresentação de defesa escrita, inexistindo a imputação de qualquer penalidade em seu desfavor. 5. Consta do acórdão lavrado pelo próprio STJ a existência de outros "elementos de convicção", a respeito das irregularidades supostamente praticadas pela recorrente, nos autos da ação Fl. 564DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 550 23 penal, fazendo com que o processo não possa ser tomado como integralmente descabido ou nulo. (...) VOTO A partir de 19 de janeiro de 2006, data em que iniciou a vigência da Lei nº 11.187/2005, que deu nova redação ao parágrafo único do artigo 527 do CPC, não cabe mais agravo regimental (ou qualquer espécie de recurso) de decisão que concede ou indefere efeito suspensivo ou antecipação de tutela recursal em sede de agravo de instrumento. Prolatei decisão nos seguintes termos: "(...) Concedida liminar, em mandado de segurança, mas prolatada, posteriormente, sentença denegatória da ordem buscada, não há como, por meio de atribuição de efeito suspensivo à apelação interposta contra a sentença, revigorar a medida deferida initio litis. Ocorre, primeiramente, que o efeito natural do apelo, em sede e mandado de segurança, é o devolutivo, consoante se extrai do parágrafo único do art. 12 da Lei n. 1.533/51. Não bastasse isso, há que se considerar que a liminar é concedida com base em mero juízo de verossimilhança, ao passo que a sentença é sempre dotada de cognição exauriente, suplantando o juízo provisório anterior e, no caso de ser contrária ao primeiro decisum, revogandoo. Esse é o entendimento, a propósito, já de longa data sumulado pelo Supremo Tribunal Federal, no Verbete n. 405, verbis: Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Na mesma linha, os comentários de Theotonio Negrão (Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor) sobre o tema: Art. 12: 1. A sentença substitui a medida liminar; prolatada aquela, esta fica sem efeitos, seja qual for o conteúdo do julgado. Concedida a segurança, a liminar perde a eficácia e a tutela judicial passa a resultar da sentença, que é de execução imediata, em razão do efeito meramente devolutivo da apelação; se denegada, o provimento liminar também não subsiste, cedendo ao disposto na sentença. Art. 12: 1b. Sentença denegatória da segurança. Súmula 405 do STF (Liminar revogada pela sentença): 'Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar Fl. 565DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 551 24 concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária'. O agravo referido na Súmula é o antigo agravo de petição, originariamente previsto no art. 12 da LMS; hoje, o recurso cabível é a apelação. A súmula 405 continua em vigor (RJTJESP 108/353, bem fundamentado). [...] Assim, entendendose revogada a liminar deferida no writ, mesmo a concessão do postulado efeito suspensivo ao apelo não teria o condão de reavivála, porquanto existiria, a ser suspensa, unicamente a carga negativa da sentença impugnada. Como bem explanado pelo Ministro Demócrito Reinaldo (STJ, Primeira Turma, MC n. 859/RJ): [...] A decisão denegatória de mandado de segurança não tem conteúdo executório, constituindo sentença declarativa negativa, descabendo, por impossibilidade jurídica, suspenderlhe a execução pela via transversa, atribuindo se efeito suspensivo a recurso ordinário. A denegação da segurança impõe, 'ipso facto', a revogação da liminar, acaso anteriormente concedida (Súmula 405/STF). Admitido, que fosse, o conferimento de suspensividade ao recurso ordinário (como acontece com a apelação), o efeito suspensivo significaria, tãosó, a conservação das partes no estado em que se encontram (com a denegação do 'writ'), no aguardo da decisão (no recurso ordinário) do Órgão Jurisdicional Superior. [...] No mesmo sentido, o aresto que segue desta Quarta Turma do TRF4: PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. RECEBIMENTO NO EFEITO TÃOSÓ DEVOLUTIVO. Embora concedida a liminar, com superveniência de sentença denegatória do amparo mandamental, a apelação deve ser recebida no efeito tãosó devolutivo, quer porque o art. 14, da Lei 1.533/51, não autoriza expressamente a atribuição de efeito suspensivo, quer porque o sentido do 'decisum' não aponta nenhuma eficácia a ser suspensa. (TRF4, AG n. 2004.04.01.0477074, Quarta Turma, Relator Des. Federal Valdemar Capeletti, DJ de 29/06/2005.) Ainda, em situação análoga, o julgado do STJ: RECURSO ESPECIAL. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA QUE REVOGA A ANTECIPAÇÃO DA TUTELA. EFEITOS DA APELAÇÃO. MERAMENTE DEVOLUTIVO NO QUE TOCA À ANTECIPAÇÃO. 1. A interpretação meramente gramatical do Art. 520, VII, do CPC quebra igualdade entre partes. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 552 25 2. Eventual efeito suspensivo da apelação não atinge o dispositivo da sentença que tratou de antecipação da tutela, anteriormente concedida. (REsp n. 768.363/SP, Terceira Turma, Rel. Ministro Humberto Gomes De Barros, DJe de 05/03/2008.) Não desconheço julgados que admitem, em situações excepcionais, uma espécie de antecipação da tutela buscada na apelação, por vias transversas, deferida por meio da concessão de "efeito suspensivo" à sentença denegatória de mandamus. Entretanto, ademais de não me parecer a forma adequada de buscar referida antecipação que deve ser pleiteada diretamente à Corte, por simples petição ou no bojo dos autos principais que já tenham sido para cá remetidos , sequer se verifica, no caso presente, efetiva circunstância excepcional, de flagrante ilegalidade ou abusividade, que justifique, diante da presente da verossimilhança das alegações e do risco de dano irreparável, o provimento do agravo. Afinal, o processo administrativo contra o qual a impetrante se insurge está, ainda, na fase de apresentação de defesa escrita, inexistindo a imputação de qualquer penalidade em seu desfavor. Outrossim, consta do acórdão lavrado pelo próprio STJ (http://www.stj.jus.br/webstj/ processo/Justica/detalhe. asp?numreg=200700264056&pv=010000000000&tp=51), no qual foi reconhecida a nulidade da interceptação telefônica procedida julgamento ainda não transitado em julgado, ressaltese , a existência de outros "elementos de convicção", a respeito das irregularidades supostamente praticadas pela recorrente, nos autos da ação penal e, por certo, também nos autos do processo administrativo (já que este recebeu cópia integral dos documentos daquele), fazendo com que o processo não possa ser tomado como integralmente descabido ou nulo. Dessarte, indefiro a concessão de efeito ativo ao agravo de instrumento. Intimemse, sendo a parte agravada na forma e para os fins do art. 527, inc. V, do Código de Processo Civil." Não vejo motivos para alterar o posicionamento adotado. Ante o exposto, voto por não conhecer do agravo regimental e negar provimento ao agravo de instrumento. É o voto. Não posso deixar de citar que também encontramos jurisprudência no sentido de prever o efeito suspensivo que restaura os efeitos da liminar. Abaixo transcrevo um exemplo, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 553 26 REsp 422587 / RJ RECURSO ESPECIAL 2002/00341740 Relator(a) Ministro GARCIA VIEIRA (1082) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 03/09/2002 Data da Publicação/Fonte DJ 28/10/2002 p. 241 Ementa PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCESSÃO DE LIMINAR. SENTENÇA DENEGATÓRIA DA SEGURANÇA. APELAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. RESTABELECIMENTO DOS EFEITOS DA LIMINAR. ADMISSIBILIDADE NA HIPÓTESE EM QUE O TRIBUNAL A QUO CONSIDERA PRESENTES O FUMUS BONI IURIS E OPERICULUM IN MORA. Na hipótese em que o Tribunal a quo entende presentes os pressupostos do fumus boni iuris e o periculum in mora, consideradas a relevância do fundamento e a possibilidade de lesão de difícil reparação, é admissível, excepcionalmente, dar efeito suspensivo à apelação interposta contra decisão denegatória de segurança, para restabelecer liminar anteriormente concedida. Recurso improvido. Uma vez que não é pacífica a jurisprudência acerca desse tema, cabe indagarmos: qual posição adotar? Entendo que, no presente feito, a posição a ser adotada deve ser pela não suspensão da exigibilidade e, portanto, pela manutenção da multa. Ainda que acatássemos a possibilidade de o efeito suspensivo revigorar os efeitos da liminar, nos julgados que adotam essa posição, é sempre feita a ressalva do caráter excepcional da medida, da expressa referência à recomposição dos efeitos da liminar, bem como da necessária demonstração do fumus boni iuris e do periculum in mora. Tais aspectos estão sempre às claras. Nunca são deixados para uma interpretação extensiva por aqueles que devam cumprir a decisão judicial. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 554 27 Pois bem, nas fls. 276 a 282, consta a parte da apelação em que o interessado pede o seu recebimento no duplo efeito: devolutivo e suspensivo. Em nenhum dos trechos, o apelante requer que o efeito suspensivo tenha por condão revigorar os efeitos da liminar e, assim, suspender a exigibilidade do crédito tributário. Evidentemente, também não encontramos qualquer tentativa de demonstrar o fumus boni iuris e o periculum in mora relativos à medida. Nessa parte, o apelante discorre apenas acerca da possibilidade jurídica do efeito suspensivo a luz do direito processual. Em suma, não aduz nada em relação aos fatos concretos ou ao direito material. De igual sorte, o recebimento da apelação no duplo efeito, conforme fl. 276, é promovido por um despacho singelo da autoridade judicial, sem qualquer fundamentação e em que termos deve se dar a suspensão. Desse modo, entendo que o referido despacho, à luz da jurisprudência pátria, não tem o condão de revigorar os efeitos da liminar outrora concedida, conseguintemente, o crédito não estava suspenso na data do lançamento, o que impõe a aplicação da penalidade pecuniária de ofício. Do recurso de ofício Não merece reparos a exoneração da CSLL sobre lucros auferidos no exterior em períodos ocorridos antes da vigência do primeiro diploma legal que instituiu essa incidência – a MP nº 18586/99. Abaixo transcrevo o dispositivo respectivo, bem como acórdão que reflete a jurisprudência pacífica deste Conselho sobre o tema: MP 1.8586/99 Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1o da Lei no 9.532, de 1997. Número do Recurso:146416 Câmara:OITAVA CÂMARA Número do Processo:10280.004798/200455 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente:COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL Recorrida/Interessado:1ª TURMA/DRJBELÉM/PA Data da Sessão:16/04/2008 00:00:00 Relator:Orlando José Gonçalves Bueno Decisão:Acórdão 10809588 Resultado:DPPM DAR PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA Texto da Decisão:Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência nos anos de 1996 e 1997, vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber, e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para, excluir da exigência os lucros apurados nos anos calendários de 1996, 1997 e 1998. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que dava provimento integral ao recurso. O Conselheiro João Fl. 569DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 555 28 Francisco Bianco (Suplente Convocado) fará declaração de voto. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Karem Jureidini Dias. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca e Mariam Seif. Ementa:Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2003 EMENTA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO LUCROS ORIUNDOS DO EXTERIOR FATO GERADOR DECADÊNCIA 1996, 1997 e 1998 MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL A MP 18586/99 introduziu o regime de tributação universal para a CSLL, não podendo retroagir para fatos anteriores, razão pela qual improcede a exigência para os períodos de 1996, 1997 e 1998. De outra feita, como a matéria processual referese a questionamentos constitucionais, e pendente de julgamento perante o STF, não cabe a este órgão administrativo de julgamento o pronunciamento sobre argüições de inconstitucionalidades. DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e ao apelo oficial. (documento assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 570DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 556 29 Voto Vencedor Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz, redator designado: Divergi do douto voto proferido pelo ilustre relator apenas para discordar de seu entendimento acerca dos efeitos do recebimento da apelação interposta contra a r. sentença que denegou a segurança em primeira instância judicial no “duplo efeito”. 1. Contexto fático Do relatório da DRJ pinçamos as seguintes passagens que ilustram os fatos: “4 Em 5/2/2003 a liminar foi (fls. 115/118): 4.1 deferida, no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ e da CSLL resultante da aplicação do regime de tributação do caput do art. 74 da MP nº 2.15834/01, no que se refere às disponibilizações dos lucros, para que, na espécie, continue sendo obedecido o regime anterior da Lei 9.532, de 10/12/1997, até o julgamento final desta ação; (...) 6 Em 1/7/2005 foi julgado improcedente o pedido para negar a segurança pleiteada, com base no art. 269, I, do CPC e, por conseqüência, revogada a liminar deferida (fls. 119/126). 7 Em 23/9/2005 o interessado interpôs recurso de apelação (fls. 276/322), que foi recebido no duplo efeito. (...) 11.1 Os lançamentos foram constituídos com a multa de ofício de 75%, por se entender que a exigibilidade não se encontrava suspensa, visto a sentença ter negada a segurança e cassada a liminar concedida, apesar da apelação ter sido recebida no duplo efeito. 11.2 Segundo entendimento da ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 2ª Região (fls. 108/112), a liminar ficou superada pela posterior sentença que denegou a segurança. O quadro não se altera com o recebimento da apelação no duplo efeito. A concessão de efeito suspensivo à apelação interposta não tem o condão de restabelecer a tutela liminar anteriormente Fl. 571DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 557 30 deferida. Dar efeito à apelação não modifica o que foi julgado na sentença. Em síntese, não restabelece a liminar, expressamente revogada na sentença denegatória, o só fato de a apelação a ela interposta ter sido recebida no duplo efeito. (Os destaques não são do original) O voto vencido aduz que a recepção da apelação com efeito suspensivo, pelo MM. Juiz sentenciante, não teria o condão de “revigorar” os efeitos da liminar senão na hipótese de ter feito expressa referência à recomposição de tais efeitos, além de constatar a presença do fumus boni iuris e do periculum in mora. Também aduziu que apesar de o recorrente ter expressamente pedido o recebimento da apelação nos efeitos suspensivo e devolutivo, ele teria deixado de pedir o revigoramento dos efeitos da liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário discutido no mandado de segurança subjacente. Por fim, relata que o recebimento do apelo no “duplo efeito” se deu por meio de decisão singela, sem nenhuma fundamentação. Daí concluiu que a r. decisão de recepção da apelação no “duplo efeito” não “revigoraria” os efeitos da liminar e, portanto, que o crédito tributário discutido no mandamus era exigível quando da lavratura do auto de infração ora em julgamento. Venia concessa, discordo dos fundamentos e, consequentemente, das conclusões do douto voto vencido. 2. Da consequência do recebimento da apelação no efeito suspensivo É cediço que o recurso de apelação interposto da sentença que julga o mandado de segurança é desprovido de efeito suspensivo, razão porque a sentença “mandamental” emana efeitos imediatamente depois de prolatada e durante a tramitação do processo. Por isso ela é considerada autoexecutável. Já nos recursos que dispõem de efeito suspensivo (seja previsto em lei seja por concessão judicial) ocorre o fenômeno da suspensão da eficácia da sentença prolatada. Isso é, “o efeito suspensivo dos recursos significa o poder que tem o recurso de impedir que a decisão recorrida produza sua eficácia própria” (Vicente Greco Filho, Direito processual civil brasileiro, 2º vol., 4ª ed., 1989, Saraiva, p. 268). Chiovenda falava que a interposição de recurso com efeito suspensivo suspende a “execução da sentença”, o que desemboca na mesma conclusão (Giuseppe Chiovenda, Instituições de direito processual civil, vol 3, SP, 1965, Saraiva, trad. J. Guimarães Menegale, p. 218). Ou seja, o efeito suspensivo nada acrescenta à sentença, apenas retira momentaneamente sua eficácia, impedindo que seja executada ou que de suas prolações emanem os efeitos que normalmente emanariam se ela fosse definitiva ou se tivesse eficácia. Desta forma, o efeito suspensivo impede, na prática, a modificação da situação que as partes se encontravam antes de sua prolação. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 558 31 No caso, apesar de a apelação em mandado de segurança não dispor de efeito suspensivo, o MM. juiz sentenciante a recebeu expressamente com “duplo efeito”, ou seja, com efeitos suspensivo e devolutivo. E o fez amparado pelo poder geral de cautela que lhe concede o art. 798 do CPC, com base no qual podem os juízes determinar medidas provisórias que julgar adequadas para impedir grave lesão ao direito de qualquer das partes litigantes, em qualquer espécie de processo, sempre que houver fundado receio de venha a ocorrer antes do julgamento da lide. Essa era a situação do ora recorrente. Com a denegação da segurança e a revogação da liminar de suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido no mandado de segurança, o impetrante ficou sujeito a sofrer graves medidas restritivas de direitos; de constrição patrimonial; bem como de imposição de multa de valor extravagante pelo não pagamento dos tributos cuja constitucionalidade estava discutindo, o que inclusive acabou ocorrendo com a lavratura do auto de lançamento e imposição de multa sub examen. Por isso, para eximirse legalmente destes riscos o impetrante formulou pedido de recebimento de sua apelação também no efeito suspensivo, o que lhe foi deferido em r. decisão que a recebeu no “duplo efeito”, conforme relatado pela DRJ. E não há dúvida acerca do significado desta r. decisão. É de conhecimento geral que os recursos em geral podem ter dois efeitos: suspensivo e devolutivo. A apelação em mandado de segurança possui efeito uno, qual seja, apenas o devolutivo. Logo, receber a apelação interposta em um mandado de segurança no “duplo efeito” significa, sem qualquer esforço hermenêutico, recebêla com aqueles dois efeitos: suspensivo e devolutivo. Esse foi, aliás, o objeto expresso do pedido formulado pelo impetrante nos autos do mandado de segurança. Ademais, esta é a praxe forense: tratar como “duplo efeito” a conjugação dos efeitos suspensivo e devolutivo na mesma decisão. Desta forma, não pode restar dúvida de que a apelação interposta pelo ora recorrente contra a r. sentença que denegou a segurança foi recebida com efeito suspensivo pelo MM. juiz sentenciante. Mencionese, em adição, que além do risco evidente de grave lesão – de resto confirmada pela imposição de multa extravagante ao recorrente no auto de infração em exame –, é de se levar em consideração que a ADI nº 2.588, onde se discute a constitucionalidade da tributação de receitas geradas no exterior em bases universais, ainda pende de decisão no Col. STF, estando a votação neste momento com 3 votos pela inconstitucionalidade, 1 voto pela inconstitucionalidade parcial e 2 votos pela constitucionalidade, tendo sido o julgamento suspenso por pedido de vista do E. Min. Ayres Britto. Nesse contexto, não considero razoável levantar dúvida acerca do sentido e da extensão do recebimento da apelação no efeito suspensivo. A sua extensão é evidente e deflui claramente do histórico processual: o objetivo do recorrente era – e só podia ser – obter uma nova medida judicial para sustar os efeitos da parte da sentença que havia revogado a liminar ab initio concedida e, desta forma, Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 559 32 impedir que os créditos tributários discutidos no mandado de segurança recobrassem a exigibilidade, o que colocaria o impetrante em grave risco de sofrer restrições a direito, ao patrimônio e sujeição a multa extravagante, precisamente o que ele pretendia evitar. Por isso, não pode restar dúvida de que o recebimento da apelação no “duplo efeito” tinha por objetivo – e uma vez concedido teve o efeito – de retirar da r. sentença a eficácia que naturalmente emanaria de suas prolações, em especial, aquela que revogava a liminar suspensiva da exigibilidade do crédito tributário em discussão. Como se vê, não estamos diante de hipótese de “revigorarão dos efeitos da liminar”, mas sim de suspensão da eficácia da r. sentença que havia revogado a liminar, permitindo que continuasse suspensa a exigibilidade dos créditos tributários discutidos no mandado de segurança subjacente enquanto vigente o efeito suspensivo. 3. Da escassa fundamentação da r. decisão judicial Convém também tecer considerações acerca de outro fundamento trazido pelo voto vencido, acerca da ausência de fundamentação na r. decisão que concedeu efeito suspensivo à apelação, bem como de que ela deixou de demonstrar o fumus boni iuris e o periculum in mora. O dever de fundamentar as decisões é dos mais relevantes, estando até mesmo previsto no art. 93, inc. IX da CF. É pela fundamentação que se permite às partes litigantes conhecerem os direitos que estão sendo afetados pela decisão e, a partir dela, exercerem seu direito de defesa e de recurso. Ao mesmo tempo, é a fundamentação que permite ao órgão superior realizar o dever de controle de sua legalidade. Não obstante tudo isso, a decisão judicial que padece de fundamentação deficiente não perde, por isso, sua forma impositiva e coercitiva enquanto não revista pela autoridade judicial competente. Essa é uma das características das decisões judiciais. Logo, cabia à parte sucumbente manejar o recurso competente visando obter a correção da decisão judicial que considerava deficiente. O fato é que a Fazenda Nacional deixou de insurgirse em tempo contra a r. decisão em questão, deixando transcorrer in albis o prazo recursal permitindo, desta forma, a consolidação da decisão pela preclusão. Não obstante, a SRF ignorou tal fato e lavrou auto de lançamento e imposição de multa como se o crédito tributário não estivesse suspenso pela medida liminar concedida no mandado de segurança, que ainda estava eficaz em razão da suspensão dos efeitos da sentença que a havia revogado. Como se não fosse suficiente, a PGFN apresenta razões ao CARF sustentando que a fundamentação utilizada pela r. decisão judicial não seria suficiente e adequada, como se este órgão julgador administrativo tivesse competência para rever ou revogar uma decisão judicial, reconhecendo nela vícios ou impropriedades. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 560 33 Entretanto, o CARF é órgão do Poder Executivo e, como tal, não tem competência para rever decisão judicial. A irresignação da Fazenda Nacional deveria ter sido apresentada tempestivamente perante o Poder Judiciário, jamais neste Conselho. É absolutamente descabido ao CARF, à SRF à PGFN, ou a quem quer que seja, opor resistência a uma decisão judicial fora do processo em que ela foi prolatada. 3. Da jurisprudência arrolada O douto voto vencido transcreveu um precedente jurisprudencial no qual um tribunal de revisão censurou decisão de primeira instância que, à semelhança do que ocorreu no processo subjacente, havia concedido efeito suspensivo a um recurso sem fundamentar e explicitar o fumus boni iuris, o periculum in mora e a sua extensão. Reconheço, por óbvio, a existência de jurisprudência com esta conclusão. Entretanto, relembro que o CARF não tem competência para aplicálas em suas próprias decisões, pois o Conselho não pode reformar decisões judiciais. Diferentemente do CARF, o tribunal prolator da decisão transcrita pelo douto voto vencido tem competência para rever as decisões judiciais e censurarlhe a forma e o conteúdo. Desta forma, não pode este órgão julgador aplicar aqueles precedentes uma vez que fazêlo implicaria reformar decisão proferida por órgão do Poder Judiciário, em evidente exorbitância de sua competência julgadora. 4. Da jurisprudência favorável Por outro lado, a jurisprudência é farta em decisões que reconhecem a possibilidade de concessão de efeitos suspensivos aos recursos de apelação, quando presentes os requisitos legais, visando retirar eficácia das sentenças recorridas. É o caso, p.ex., (i) do RESP nº 1.020.786SP, (ii) do AgRg no AI nº 1.358.846RS e do (iii) RESP nº 787.051, este último assim ementado: PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – SENTENÇA DENEGATÓRIA – APELAÇÃO – EFEITO SUSPENSIVO. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que o recurso de apelação em mandado de segurança, uma vez denegatória a ordem, comporta apenas efeito devolutivo, compartilhando do entendimento assentado na Súmula 405/STF. 2. Excepciona a jurisprudência desta Corte os casos em que se verifica a existência de dano irreparável ou de difícil reparação, hipótese em que é possível atribuir efeito suspensivo ao recurso de apelação. 3. Situação peculiar configurada nos presentes autos, em que há de ser mantido o efeito suspensivo atribuído ao recurso de Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 561 34 apelação, ante a atestada presença do fumus boni iuris pela Corte a quo. 4. Recurso especial improvido. (RESP nº 787.051PA, Rel. Min. Eliana Calmon, j 03.08.2006, v.u. Os destaques não constam no original) Entretanto, é no AgRg no RESP nº 1.047.525RJ que encontramos o precedente que melhor se encaixa à fattispecie em exame, uma vez que ele foi tirado em processo com situação idêntica ao do mandado de segurança subjacente. Neste precedente, a apelação interposta em mandado de segurança também foi recebida com “duplo efeito” onde se discutia a constitucionalidade da tributação de rendas obtidas do exterior em bases universais, na forma do art. 74, da MP 2.15835/2001. Exatamente a situação do mandado de segurança subjacente a este PAF. Peço vênia para transcrever o v. acórdão prolatado pelo Col. STJ: IRPJ E CSSL. LUCRO AUFERIDO POR EMPRESAS CONTROLADAS OU COLIGADAS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP 2.15835/2001. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO. DUPLO EFEITO. EXCEPCIONALIDADE. MANUTENÇÃO DA TUTELA DE URGÊNCIA OBTIDA. I Na hipótese dos autos a execução da sentença importaria em lesão grave para a empresa haja vista o vulto das importâncias envolvidas. II Tendo em vista que a própria constitucionalidade da exação vem sendo discutida no âmbito do STF, fazse prudente a manutenção da decisão que recebeu a apelação com o duplo efeito apesar de ter sido denegada a segurança. Em hipóteses como a presente a manutenção da tutela de urgência deve ser viabilizada, mitigandose o preceito contido na súmula 405 do STF. Precedentes REsp nº 787.051/PA, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 17.8.2006. (AgRg no RESP nº 1.047.525RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, j. 03.06.2008, v.u. Os destaques não constam no original) Do corpo do voto proferido pelo E. Ministro Relator, extraímos as seguintes passagens: “Na hipótese dos autos, a apelação contra a sentença denegatória de mandado de segurança foi recebida no efeito devolutivo e suspensivo, revigorando liminar concedida anteriormente, para que a empresa se abstivesse de recolher as exações. Tal decisão foi mantida em sede de agravo de instrumento, entendendo o Tribunal a quo que a hipótese dos autos comportava a excepcionalidade, uma vez que se verificava situação de risco extremo, entendendo aquele Sodalício que a Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 562 35 execução da sentença poderia comprometer a normal realização de sua atividade econômica. Ponderouse ainda que o STF no julgamento da ADI 2.588 está decidindo acerca da constitucionalidade da exação, sendo "mister resguardar o direito da agravada de não sofrer dano irreparável ou de difícil reparação". De fato, se verifica que o STF vem decidindo na ADI 2.588, acerca da constitucionalidade do artigo 74 da MP 2.158 35/2001, o qual tem o seguinte teor, verbis : Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento . Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Até o momento foram proferidos 06 (quatro) votos, sendo 03 (três) votos reconhecendo a inconstitucionalidade do dispositivo encimado, 01 (um) voto reconhecendo a inconstitucionalidade parcial (da expressão coligada) e 02 (dois) votos entendendo pela constitucionalidade do dispositivo. Tendo em vista os argumentos vertidos no agravo regimental, voltei a analisar o presente feito, e após minudente exame observo a necessidade da manutenção do acórdão recorrido e conseqüente reforma da decisão ora impugnada. É que na hipótese dos autos a execução da sentença importará com certeza uma lesão grave para a empresa, tendo em vista o vulto das importâncias envolvidas. A própria constitucionalidade da exação, conforme acima referido, vem sendo discutida no âmbito do STF, sendo prudente a manutenção da decisão que recebeu a apelação com o duplo efeito a despeito de ter sido denegada a segurança. Em hipóteses como a presente a manutenção da tutela de urgência deve ser viabilizada, mitigandose o preceito contido na súmula 405 do STF.” (os destaques não constam no original) 5. Conclusão Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Processo nº 18471.001243/200769 Acórdão n.º 120100.252 S1C2T1 Fl. 563 36 Isso posto, não conheço da matéria concomitantemente submetida a apreciação de Poder Judiciário. Afasto a preliminar de decadência dos anos 1996 e 1997. No mérito, dou provimento ao recurso para afastar a multa de ofício. Nego provimento à remessa oficial. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRI Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por GUILHERME ADOL FO DOS SANTOS ME, 20/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000215/00-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS DO SUJEITO PASSIVO.
Independe de lançamento a glosa de créditos alegados pelo sujeito passivo em Dcomp, desacompanhados das provas que o consubstanciem.
COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A manifestação de inconformidade ou o recurso voluntário promovem a suspensão da exigibilidade dos débitos que se pretenda compensar, nos termos do §11 do art.74 da Lei nº 9.430/96.
ERRO DE OFÍCIO. DEMONSTRAÇÃO.
A alegação de que a fiscalização incorreu em erro de ofício na consideração dos créditos do sujeito passivo deve estar fundamentada em provas inequívocas.
Numero da decisão: 1302-000.816
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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GLOSA DE CRÉDITOS DO SUJEITO PASSIVO. Independe de lançamento a glosa de créditos alegados pelo sujeito passivo em Dcomp, desacompanhados das provas que o consubstanciem. COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade ou o recurso voluntário promovem a suspensão da exigibilidade dos débitos que se pretenda compensar, nos termos do §11 do art.74 da Lei nº 9.430/96. ERRO DE OFÍCIO. DEMONSTRAÇÃO. A alegação de que a fiscalização incorreu em erro de ofício na consideração dos créditos do sujeito passivo deve estar fundamentada em provas inequívocas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 130200.816 S1C3T2 Fl. 303 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 130200.816 S1C3T2 Fl. 304 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 8ª Turma da DRJ/RJOI, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, em negar provimento à manifestação de inconformidade da interessada, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas, conforme ementa que abaixo reproduzo: COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. O pressuposto para a compensação tributária é que o crédito do contribuinte contra a Fazenda seja revestida de certeza e liquidez. O contribuinte deve comprovar a pertinência dos créditos que pretenda ver restituídos ou compensados, não sendo necessário o lançamento de ofício dos valores glosados. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o presente processo de pedido de restituição protocolado em 30/06/2000 referente a saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário 1999, no valor de R$ 43.712,14 e R$ 43.310,46, respectivamente (fls.01/02). Foram entregues as dcomps, abaixo relacionadas : PER/DCOMP SALDO NEGATIVO DE CSLL 24075.40158.010304.1.3.032346 26419.20332.290304.1.3.034457 24167.42655.290704.1.7.037065 37101.63382.290704.1.7.033180 04450.81044.290704.1.7.039175 00681.41612.031204.1.3.033239 39054.18272.291204.1.3.033827 22073.82320.280405.1.3.033987 14124.69153.310505.1.3.037630 02156.46037.290605.1.3.035002 20513.87370.270705.1.3.033930 41848.26660.300805.1.3.037990 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 130200.816 S1C3T2 Fl. 305 4 00668.56832.280905.1.3.032031 25799.50203.290508.1.7.037400 40285.58386.290508.1.3.037108 39157.52844.300608.1.3.034881 27129.87902.310708.1.3.031195 03714.20821.290808.1.3.039566 01012.89729.300908.1.3.038522 PER/DCOMP SALDO NEGATIVO DE IRPJ 19148.24507.010304.1.7.0 24454 11218.74113.010304.1.3.0 24260 12392.82980.290304.1.3.0 25550 11922.13345.290704.1.7.0 26028 26393.31406.290704.1.7.0 20500 12830.02050.290704.1.7.0 25256 15937.45474.031204.1.3.0 24564 00987.49089.291204.1.3.0 24020 17834.12430.280405.1.3.0 26034 O direito creditório foi reconhecido parcialmente, uma vez que houve glosa de parte do valor informado a titulo de estimativas tanto em relação ao IRPJ quanto em relação a CSLL. A ciência do despacho decisório (fls. 209/214) ocorreu em 10/03/2009 (fl. 228) e a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 08/04/2009 (fls. 229/249). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 130200.816 S1C3T2 Fl. 306 5 Na manifestação de inconformidade apresentada o contribuinte alega em síntese que é necessário o lançamento de ofício para glosar os valores das estimativas. A competência para julgamento do processo foi transferida pela Portaria nº 1036/2010 (fls. 252/255). A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, reitera as alegações quanto à necessidade de lançamento para fundamentar a não compensação, e suspensão da exigibilidade dos débitos impugnados. Adicionalmente, passa a questionar incorreção no procedimento fiscal, que não atentou para a regularidade das retenções feitas por órgãos públicos no que tange ao IRPJ e CSLL, vez que somente a Cofins foi retida a valores inferiores em virtude de decisão judicial. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 130200.816 S1C3T2 Fl. 307 6 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Necessidade de lançamento para glosar valores alegados em compensação, ainda que harmônicos com a DIPJ Entende a recorrente que a fiscalização deveria ter lançado os valores que glosou da Dcomp prestada, alegados como créditos seus, por ter entendido que não estavam em conformidade com outras provas. A DRJ assim se manifestou sobre o tema: O CTN ao prever a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário o fez com o seguinte teor: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Deriva da norma, então, a convicção que o pressuposto para a compensação tributária é que o crédito do contribuinte contra a Fazenda seja revestida de certeza e liquidez. Diante disso, não há que se confundir o ato de lançamento com a análise para apuração da liquidez e certeza do crédito a ser restituído ou compensado. Não vejo razões para divergir desta conclusão. O ato de lançamento se destina a constituir crédito tributário, e não se confunde com a glosa de valores de direito creditório alegado, que visa a outro objetivo, qual seja, afastar parcela do quantum do crédito alegado pelo sujeito passivo em face da Fazenda, não aceitandoa como líquida e certa para efeito de compensação. Há uma semelhança entre as duas situações, e ela se caracteriza por haver, em ambos os casos, um ato administrativo que se sobrepõe à apuração feita pelo contribuinte, provocando sua desconsideração, ou consideração parcial, e a imposição do resultado que sobrevém como resultante da apuração feita pela Administração, e que num caso se caracteriza pela constituição do crédito tributário, e noutro, pelo indeferimento total ou parcial do pedido de compensação. Mas as semelhanças aí se encerram. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 130200.816 S1C3T2 Fl. 308 7 O lançamento é ato unilateral do Fisco que promove constituição de crédito tributário, criando uma obrigação antes inexistente. É ato no qual o Fisco atua ativamente, inovando o Ordenamento pela geração de uma relação jurídica obrigacional nova. Já o indeferimento do direito creditório é ato passivo do Fisco, que resguardando seu direito de crédito contra o sujeito passivo, simplesmente não aceita a compensação pleiteada por não ser o crédito alegado líquido e certo. Em outras palavras, nesta última hipótese, não há a criação de relação jurídica nova, mas tão somente o impedimento a que haja a extinção de uma obrigação já existente, na forma pretendida pelo sujeito passivo, porque não satisfeitos os critérios de certeza e liquidez que seu crédito deveria ostentar para operarse a compensação. No primeiro caso, o Fisco toma a iniciativa. No segundo, atua somente mediante provocação do sujeito que alega possuir o crédito. Qualquer compensação exige que ambas as partes detenham crédito contra a outra parte, que deve ser provado pelas provas admitidas em direito. Negar este direito à Administração equivale a chancelar eventual enriquecimento sem causa do sujeito passivo, que nesta hipótese poderia basear seu crédito, sem quaisquer turbações, até mesmo em fraude ou em situação inexistente de fato. A tese alegada de que uma delas (o Fisco) estaria impedida de obstar a compensação e de negar crédito da outra parte baseado em mera alegação, não sustentado em provas é contrária ao Direito. Demais disso, o procedimento administrativo para apurar os créditos e homologar a compensação é o procedimento de compensação. Não é razoável supor que deveriase abrir outro (de constituição do crédito tributário) para nele segregar as hipóteses em que o crédito alegado não ostenta certeza e liquidez. Além disso, não há constituição de crédito, não sendo cabível, portanto, requererse lançamento para tal. Neste sentido, posicionome contrário à tese alegada pela recorrente. Suspensão da exigibilidade dos débitos não compensados Postula a recorrente a suspensão dos débitos não compensados, em razão das decisões adotadas pelas autoridades fiscais que negaram sua compensação. O pedido não se justifica, não havendo qualquer interesse nele, posto que o que é requerido – a suspensão da exigibilidade dos débitos não compensados – dáse automaticamente, não sendo necessária qualquer solicitação neste sentido. Isto porque, o §11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (abaixo transcrito) garante expressamente tal direito. Demais disso, não se fez prova de que tal direito estaria sendo indevidamente suprimido pela Administração Tributária. O mero envio de Darf, após o indeferimento da compensação não tem o condão de tornar exigíveis os débitos, caracterizandose como mero procedimento de cobrança amigável. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 130200.816 S1C3T2 Fl. 309 8 passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Desta forma, rejeitoo, pois carece de interesse. Erro no procedimento fiscal por rejeição indevida da consideração no cálculo de retenções de órgãos públicos. A recorrente, na peça recursal de segunda instância, inova em suas alegações, postulando haver erro da fiscalização na desconsideração indevida de retenções de órgãos públicos. Segundo alega, detinha decisão judicial para recolher Cofins sob alíquota de 2%, ao invés de 3% (juntada tão somente quando da interposição do Recurso Voluntário), diversamente, portanto, ao que prescrevia o art. 8º da Lei nº 9718/98. Assim, as retenções feitas por órgãos públicos foram feitas no percentual de 4,85% e não no percentual de 5,85%, como ordinariamente prescrito, conforme tabela abaixo: Isto porque o percentual total de 5,85% fica reduzido para 4,85% acaso a retenção da Cofins seja de 2% ao invés de 3%. Assim, segundo afirma, os percentuais glosados pela fiscalização de IRPJ e CSLL foram indevidos, porque não houve qualquer redução na retenção deles, mas tão somente redução de Cofins. A alegação é intempestiva e se encontra preclusa (art.16, III, c/c art.17, Decreto nº 70.235/72), bem como os documentos ulteriormente acostados (art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72), vez que não demonstrada a força maior, a superveniência de fato ou Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13840.000215/0018 Acórdão n.º 130200.816 S1C3T2 Fl. 310 9 direito, ou que fosse destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, que tenham impedido sua postulação no momento da impugnação. Mas também não está devidamente suportada pelas provas acostadas. Ao mencionar que a retenção de fls.11 não está realizada no percentual de 5,85% não comprova que ela foi, ao revés, feita no percentual de 4,85%, como, inclusive, sugere sua tabela de fls.282. Pelo contrário, se tomarmos, por exemplo, os valores de janeiro e fevereiro, temos que o percentual de retenção é de 4,83% (conforme tabela abaixo), diferentemente do que alega. Não há qualquer explicação para esta discrepância de valores. janeiro fevereiro Rendimento Bruto 369.342,59 356.028,52 Retenção a 4,85% 17.913,12 17.267,38 Retenção a 5,85% 21.606,54 20.827,67 Retenção a 4,83% (efetivamente praticada) 17.841,50 17.193,29 Também a Certidão de Objeto e Pé que traz à colação não é extraída para ela, e sim, para a Clínica de Repouso Mailasqui S/C (CNPJ 70.949.722/000172), ficando, conseqüentemente desacompanhada da necessária prova a alegação de que a retenção a menor se deu em função de ação judicial. Se a recorrente, por acaso, era substituta processual naquele processo do Sindicato dos hospitais, clinicas, casas de saúde, laboratórios de pesquisas e análises clínicas, instituições beneficentes, religiosas e filantrópicas do estado de São Paulo – SINDHOSP, não fez prova de tal condição nestes autos. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 31 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10825.002833/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE
COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF N° 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2, de 2009, este Conselho Administrativo
não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei
tributária.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO
DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO.
DESCABIMENTO.
Cabe rejeitar a nulidade de lançamento do PIS requerida com base em termo
de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos
decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação
da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações.
ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO A PARTIR DE
NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE
CÁLCULO.
A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I,
da Lei Complementar n° 70/91, encontra-se revogada pela MP n° 2.l58-
35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as
receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da
Contribuição, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória
n°2.158-35/2001, na Lei n°10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO
DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO.
DESCABIMENTO.
Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em
termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos,
embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os
fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das
outras autuações.
ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE
APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA.
EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO.
A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a
base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art.
15 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17
da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de 1999,
somente as receitas dos atos não-cooperativos se submetiam ao PIS
Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS
sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos nãocooperados.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3401-00.680
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer da matéria referente à análise de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, em
rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos
termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento do PIS requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontra-se revogada pela MP n° 2.l58- 35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da Contribuição, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, na Lei n°10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de 1999, somente as receitas dos atos não-cooperativos se submetiam ao PIS Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos nãocooperados. Recurso Negado.
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ISENÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Recorrente UNIMED REGIONAL JAÚ COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento do PIS requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontra-se revogada pela MP n° 2.l58- 35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da Contribuição, com as exclusões estabelecidas n. .rt. 15 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, na Lei n°10.676/2003 e no a .17 da Lei n° 10.684/2003. ASSUNTO: CONTRIBU 7 • IARA o PIS/PASEP ( f 1 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de 1999, somente as receitas dos atos não-cooperativos se submetiam ao PIS Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos não- cooperados. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à análise de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relap. _ ilson Macedo Re 1 ho - Presidente Emanuel tdT1erÁ 4,4 e Assis - Relator 4iW' EDITADO EM 21/05/2011 Participaram do pres e, te jul:,amento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Jean Cleuter Simões Mendonça, O .ssi G erzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Gilson Macedo Rosenburg Filho. 2 Processo n° 10825.002833/2005-88 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.680 Fl. 2 •Relatório O processo trata dos Autos de Infração de fls. 05/15 e 251/261, relativos, respectivamente, à Cofins e ao PIS Faturamento, ambos nos períodos de apuração de 01/2001 a 12/2003. Os valores somam R$ 5.760.596,64 e R$1.248.143,98, com inclusão dos juros de mora e da multa de oficio no percentual de 75%. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: De acordo com a fiscalização, com a publicação da Medida Provisória (MP) n° 1.858, de 1999, a partir de novembro de 1999, as cooperativas passaram a recolher a Cofins e a contribuição ao PIS como as demais sociedades, ou seja, sobre a totalidade das receitas auferidas, sendo admitida, além das exclusões previstas para os demais contribuintes, aquelas previstas na Instrução Normativa (IN) SRF n° 247, de 2002. Sendo assim, foram lançadas de oficio as diferenças apuradas das contribuições. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, quanto ao lançamento da Cofins, em síntese, que: 1. o auto seria nulo, pois não foi conferido o tratamento adequado às sociedades cooperativas previsto na lei e na Constituição Federal; 2. uma medida provisória (MP n° 1.858, de 1999) não poderia •modificar o art. 6° da Lei Complementar (LC) n°.70, de 1991, que na verdade trata de não-incidência, apesar de a lei denominá-la de isenção; 3. a cooperativa não tem faturamento, base de cálculo da Cofins, apenas ingresso de receita advinda da prática de atos cooperados e que a fiscalização somente considera como tal os atos praticados entre os associados da cooperativa; 4. todos os atos praticados para atingir os objetivos da cooperativa devem ser considerados atos cooperativos, de acordo com a legislação de regência e a doutrina, o que não permite a conclusão do autuante que tais atos somente seriam aqueles relativos à consulta médica, o mesmo se aplicaria aos atos auxiliares; 5. o Fisco não poderia ter efetuado a descaracterização da cooperativa fazendo incidir a contribuição sobre receitas que não se incluem no conceito de faturamento; 6. a Lei n° 9.718, de 1998, que elevou a base de cálculo e da aliquota da Cofins, é inconstituci e al/ 3 Com relação ao lançamento da contribuição ao PIS, a impugnante repete as mesmas alegações acima descritas, com o acréscimo da alegação que a contribuição das empresa s sem fins lucrativos seria calculada sobre a folha de salários. A 4' Turma da DRJ julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão de fls. 500/508. Reportando-se aos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98, 15 da MP IV 1.858-6, de 29/06/1999 (reeditada com modificações até a MP n° 2.158-35, de 24/08/2001), 2° da MP 1.212/95 (convertida após reedições na Lei n°9.715/98), bem como à IN SRF O 145/1999 e ao Ato Declaratório SRF n° 088, de 17 de novembro de 1999, interpretou que a partir de novembro de 1999 as cooperativas passaram a ser tributas pela Cofins e pelo PIS da mesma forma que as demais sociedades, ressalvadas as exclusões específicas. Considerou que à luz do novo contexto legislativo mencionado "deixam de existir razões para discutir, em âmbito administrativo, questões relativas ao regime jurídico das sociedades cooperativas e à apuração da receita que gozaria do benefício de isenção, passando a lei a estabelecer, de forma específica e exclusiva, as parcelas a serem excluídas da receita bruta para fins de apuração da base de cálculo, por previsão do art. 15 da MP n° 1.858-7, de 1999, objeto de sucessivas reedições, até redundar no art. 15 da MP n.° 2.158-35, de 2001", e que pelo mesmo motivo também não se trata de descaracterização da condição de cooperativa por parte da fiscalização, como quer a impugnante. Quanto à contestação de validade das modificações introduzidas pela MP n° 1.858 e suas reedições, bem como pela Lei n° 9.718/98, entendeu que não são cabíveis em sede administrativa, por ser de competência exclusiva do Judiciário. O Recurso Voluntário, tempestivo, insiste na improcedência dós lançamentos. Alega inicialmente a nulidade dos lançamentos, desta feita afirmando que "não foi reconhecida a personalidade jurídica da cooperativa, tendo sido considerado o resultado global para efeito de incidência do imposto de renda e da CSLL" (fl. 529) e reportando-se a relatório elaborado pela fiscalização no lançamento do IRPJ, cuja cópia acosta às fls. 541/550 (na Impugnação, diferentemente, a contribuinte argúi que os lançamentos seriam nulos porque a autoridade fiscal "deixou de proceder as exclusões previstas na própria legislação que fundamenta a autuação", como consta da fl. 180). Adentrando no mérito, considera que se Constituição Federal previu tratamento privilegiado (ou "tratamento tributário adequado") para as cooperativas, a pretensão de tributação em tela desqualifica a natureza jurídica da Recorrente. Em seguida, após se reportar aos art. 195, I, "b", e 239 da Constituição Federal e às Leis Complementares nos 70/91 e 7/70, bem como à Lei n° 9.715/98, afirma que a decisão recorrida equivocou-se, ao considerar que o art. 2°, II desta última foi revogado pelo art. 23 da MP n° 1.858-9/1999, já que o art. 13 da MP n°2.158-35/2001 estabelece o PIS sobre a folha de salários para as instituições sem fins lucrativos, como são as cooperativas. Argúi inexistir base de cálculo para o PIS e Cofins, por ser da essência das cooperativas a ausência de finalidade lucrativa e não terem tais sociedades faturamento nem receita, mencionando em favor de sua interpretação o processo n° 10320.00-W78/2003-60, julgado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (refere-se o A órdão n° tf 4 Processo n° 10825.002833/2005-88 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.680 Fl. 3 • 105-15.417, Recurso Voluntário n° 141.585, julgado na sessão de 15/11/2005 e que trata de auto de infração da Cofins nos períodos de apuração nos anos de 1998, 2000, 2001 e 2002). Também afirma que medida provisória ou lei ordinária não pode revogar o art. 6°, I, da LC n° 70/91, e que é imprescindível que toda a matéria versada, inclusive de ordem constitucional, seja regularmente apreciada. Finaliza pedindo vênia para se reportar às razões aduzidas na Impugnação e requerendo seja reconhecida a nulidade do procedimento e, no mérito, a "insubsistência da pretensão fiscal, que confraria a lei ordinária, a lei complementar e a Constituição Federal." É o relatório. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no argúi inconstitucionalidade. Referendando o entendimento do acórdão recorrido, e ao contrário do defendido na peça recursal, considero que este Colegiado não tem competência para analisar matéria de ordem constitucional, por ser de competência exclusiva do Poder Judiciário, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1° e 2° deste último. Neste sentido, também, a Súmula CARF n° 2, constante da consolidação realizada conforme a Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009, segundo a qual "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Na parte conhecida, inicialmente rejeito a preliminar de nulidade dos dois lançamentos. A Recorrente, ao requerer a nulidade dos lançamentos afirmando que "não foi reconhecida a personalidade jurídica da cooperativa, tendo sido considerado o resultado global para efeito de incidência do imposto de renda e da CSLL" (fl. 529), esquece que os fundamentos das autuações do PIS e Cofins são distintos daqueles do IRPJ e da CSLL. Tanto assim que o relatório elaborado pela fiscalização no lançamento do IRPJ, cuja cópia foi acostada junto com a peça recursal, nem ao menos integrava estes autos. Quanto ao argumento posto na Impugnação para argüir a nulidade (naquele primeira contestação considera que a autoridade fiscal "deixou de proceder as exclusões previstas na própria legislação que fundamenta a autuação", como consta da fl. 180), não mais é repetido na peça recursal. Conforme os Termos de Verificação Fiscal que integram os dois lançamentos ora julgados, não há qualquer menção à descaracterização da personalidade jurídica da cooperativa. Ainda que a fiscalização tenha se utilizado dessa descaracterização nos lançamentos do IRPJ e CSLL, esse embasamento nada tem a ver com os fundamentos dos Autos de Infração do PIS e Cofins, descabendo, data vênia, considerar aqui o Termo que informa aqueles outros lançamentos. Apesar de a fiscalização ter sido única, aqui as autuações foram embasadas na circunstância de que a partir do mês 11/199 operativas ficaram 'suj.-t,s( à Cofins e ao 5 PIS, de acordo com a MP n° 1.858/99 e suas reedições, a MP n° 101/2002 e as Leis IN 10.676/2003 e 10.684/2003. Mencionou também, nos dois Termos que integram os Autos do PIS e Cofins, as IN SRF 145/1999 e 247/2002, assentando que conforme a nova sistemática de tributação são previstas exclusões específicas para as sociedades cooperativas, além das exclusões comuns às demais pessoas jurídicas. Dessarte, indubitavelmente os fundamentos das autuações do PIS e Cofins, bem como legislações, são distintos das autuações do IRPJ e CSLL, apresentando-se descabida a nulidade requerida. Doravante cuido do mérito do litígio. • O período em litígio nesta instância recursal, referente a períodos de apuração posteriores a outubro de 1999 (os dois Autos de Infração são relativos aos fatos geradores de 01/01/2001 a 31/12/2003), encontra-se sob a égide da MP 1.858-6, de 29/06/99, reeditada até a edição sob o n°2.158-35, de 24/08/2001. A MP IV 1.858-6 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: - MP n° 1.858-6, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários -, e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; - MP n° 1.858-7, de 29/07/99, que no seu art. 15 introduziu a sistemática de exclusões na base da COFINS (não há menção ao PIS), e no art. 16 possibilitou, com relação • ao PIS e às receitas de não associados, exclusões idênticas às da COFINS. Antes, a Lei n° 9.715/98, oriunda da MP n° 1.212, de 28/11/95, com eficácia a partir de março de 1996, no seu art. 2°, § 1°, já determinara que as cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, contribuíam, também, com o PIS Faturamento, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados; - MP n° 1.858-8, de 27/08/99, que apenas repetiu as disposições da MP n° 1.858- . 6; - MP n° 1.858-9, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindo- se desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Faturamento incidente sobre a base de cálculolreduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese i,de á-/o haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha. • 6;1)) 6 Processo n° 10825.002833/2005-88 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.680 Fl. 4 As disposições da MP n° 1.858-10, de 26/10/99, foram mantidas nas reedições posteriores, até, afinal, a MP n° 2.158-35, de 24/08/2001, que continua em vigor com eficácia de lei, consoante o art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/2001. Conforme o art. 15 da MP n°2.158-35/2001, as exclusões são as seguintes: /- os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV- as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Além das exclusões acima, a IN SRF n° 145, de 10/12/99, consolidando a legislação à época, mencionava no seu art. 3° as exclusões previstas para as demais pessoas jurídicas, constantes dos incisos I, II e III do art. 3° da Lei n° 9.718/98, bem como as "Sobras Líquidas" apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, após a destinação para constituição da Reserva de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES) e para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES). • As sobras, quando excluídas após a destinação aos fundos RATES e FATES, implicavam em incidência do PIS e COFINS sobre os valores desses fundos. Daí a correção levada a cabo pelo Decreto n° 4.524, de 17/12/2002 (Regulamento do PIS/Pasep e COFINS), que no seu art. 32, VI, já previa a exclusão do valor das sobras antes de deduzidos os montantes das reservas obrigatórias. A Lei n° 10.676, de 22/05/2003, conversão da MP n° 101, de 30/12/2002, eliminou qualquer dúvida, repetindo o texto do Decreto. Além do mais, a Lei n° 10.276/2003, no seu art. 1°, § 3°, deixou expresso que a nova exclusão alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP n° 1.858-10, de 26/10/99, ou, vale dizer, desde novembro de 1999. Observe-se a redação da Lei n° 10.676/2003: Art. 12 As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, as sobras • apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinaçã o para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1 o As sobras líquidas da destinaçã o para constituição dos - Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, Li.- distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. 441r) 7 sÇ 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. 39- O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.858- 10, de 26 de outubro de 1999. Outra exclusão tardia diz respeito às sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural, que podem reduzir da base de cálculo das duas Contribuições "os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados." Tal permissivo foi introduzido pelo art. 17 da Lei n° 10.684, de 30/05/2003, que de todo modo também prevê em seu parágrafo único aplicação retroativa a partir de novembro de 1999. Feita a retrospectiva das alterações, cabe agora mencionar o Ato Declaratório SRF n° 88, de 17/11/99, segundo o qual "as contribuições para o PIS/Pasep e para financiamento da seguridade social — Cofins, devidas pelas sociedades cooperativas, serão apuradas de conformidade com o disposto na Medida Provisória n° 1.858-7, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de 1999." A eficácia a partir do mês de novembro de 1999 atende à anterioridade nonagesimal determinada pelo art. 195, § 6°, da Constituição, se contado o prazo a partir da MP n° 1.858-7, de 29/07/99. Como referida anterioridade precisa ser obedecida, andou bem o AD SRF n° 88/99, em estabelecer como verdadeiro ponto de corte para início das alterações o período de apuração de novembro de 1999. Afinal, redução ou fim de isenção implica em aumento de tributo, para o que se pede o interstício mínimo de noventa dias entre a data da lei nova e o início de eficácia, no caso das contribuições para a seguridade social como o PIS e a COFINS, tudo conforme o dispositivo constitucional mencionado. A corroborar a interpretação aqui adotada, e a despeito de julgamentos do STJ no sentido de que a isenção relativa aos atos cooperativos não estaria revogada, trago à colação precedentes deste Segundo Conselho de Contribuintes, incluindo acórdão desta Terceira Câmara (negritos ausentes nos originais)- Número do Recurso:114903 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10166.023092/99-06 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: COFINS Recorrente: COOPERATIVA DE ECONOMIA CREDITO MÚTUO DOS SERVIDORES DA SECRETARIA DE SAÚDE DO DF - CRED SAÚDE Recorrida/Interessado: DRJ-BRASILIA/DF Data da Sessão: 10/07/2002 14:30:00 Relator: Maria Cristina Roza da Costa Decisão: ACÓRDÃO 203-08334 8 Processo n° 10825.002833/2005-88 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.680 Fl. 5 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa: COFINS. SOCIEDADES COOPERATIVAS. Consoante o AD/SRF 088/99, as Contribuições para o PIS/PASEP e para Financiamento da Seguridade Social - COFINS devidas pelas sociedades cooperativas serão apuradas de conformidade com o disposto na Medida Provisória n°1.858- 7, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de 1999. O inciso I do art. 6° da LC n° 70/91, referente à isenção da COFINS para as sociedades cooperativas em relação aos atos cooperativos, foi revogado pela referida MP somente a partir de 30.06.1999. O período autuado está compreendido entre fevereiro e julho de 1999. Recurso provido. Número do Recurso: 120806 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 13855.000607/2001-70 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: COFINS Recorrente: UNIMED DE ORLÂNDIA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Data da Sessão: 14/10/2003 14:00:00 Relatar: Gustavo Kelly Alencar Decisão: ACÓRDÃO 202-15159 Resultado: NPM - NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (relatar), Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Raimar da Silva Aguiar. Designada a Conselheira Nayra Bastos Manatta para redigir o voto vencedor. Ementa: COFINS. ISENÇÃO. A partir da edição da MP n° 1.858-6, de 1999, as sociedades cooperativas passaram a ser contribuintes da COFINS, inclusive em relação aos atos • cooperados. Recurso negado. Reputo legal (e constitucional, saliento, embora sob este aspecto não caiba maiores digressões, posto que matéria reservada ao Judiciário) a nov'àí tributação da COFINS estabelecida para as cooperativas por meio de leis ordinárias e mediAas iprovisórias, levando em conta que o art. 146, III, "c", da Constituição, ao determinar trataMen o diferenciado para o ato 9 cooperativo, trata de "normas gerais." Não de leis específicas sobre a tributação por um ou mais tributo, e segundo por considerar revogado o art. 6°, I, da LC n° 70/91. A ressaltar, por oportuno, que o tratamento diferenciado determinado pela alínea "c" do inc. III do art. 146 não se confunde com imunidade. Assim se pronunciou a Primeira Turma do STF no Recurso Extraordinário n° 141.800, julgado em 01/04/97, relator Min. Moreira Alves, em votação unânime. Apenas no caso de normas gerais é que a Constituição exige lei complementar. Assim, a Lei n° 5.764/71, no que tratou de normas gerais sobre o cooperativismo, foi recepcionada como lei complementar. No mais, e especialmente com relação à tributação das cooperativas pelo PIS e COFINS, ingressou na nova ordem jurídica após a Constituição de 1988 como lei ordinária. Por isto a possibilidade de modificações tributárias via leis ordinárias e medidas provisórias, inclusive. No sentido de que o art. 146, III, ao pedir lei complementar para normas gerais, não impede a veiculação de regas jurídicas específicas sobre os temas relacionados em suas alíneas, cabe mencionar a posição de Roque Antonio Carraza, in Curso de Direito Constitucional Tributário, São Paulo, Malheiros, 9 a edição, 1997, p. 438/484, que tratando do tema decadência (alínea "h" do inciso em comento), afirma: ... a lei complementar, ao regular a prescrição e a decadência tributária, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais. (.) Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada 'economia interna', vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas. (.) afixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria da própria entidade tributante. Não de lei complementar. (.) Falando de modo mais exato, entendemos que os prazos de decadência e de prescrição das 'contribuições previdenciárias', são, agora, de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que, segundo procuramos demonstrar, passam pelo teste da constitucionalidade. Nesta linha também o pronunciamento de Wagner Balera, in As Contribuições Sociais no Sistema Tributário Brasileiro, obra coletiva coordenada por Hugo de Brito Machado, São Paulo, Dialética/ICET, 2003, p. 602/604, quando, comentando acerca da função da lei complementar, afirma, verbis: É certo, que, com a promulgação da Constituição de 1988, o assunto ganhou valor normativo, notadamente pelo que respeita ao disposto na alínea c do inciso III, do transcrito art. 146, quando cogita da disciplina concernente aos temas da prescrição e da decadência. Alias, importa considerar que o tema, embora explicitado pela atual Constituição, não é novo quanto a esse ponto específico. Quando cuidou das normas gerais, a Constituição de 1946, dispondo acerca dos temas do direito financeiro e de previdência social admitia (art. 5°, XV, b, combinado com o art. 6°) que a legislação estadual supletiva e a complementar também poderiam cuidar desses mesmos assuntos. Coalescem, também agora, no ordenamento normativo brasileiro, as competências do legislador complementar — que' '\ editará as normas gerais — com as • o - :islador ordinário — que 0‘ 1111. lo Processo n° 10825.002833/2005-88 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.680 Fl. 6 elaborará as normas especificas — para disporem, dentro dos diplomas legais que lhes cabe. elaborar, sobre os temas da prescrição e da decadência em matéria tributária. A norma geral, disse o grande Pontes de Miranda: "é uma lei sobre leis de tributação". Deve, segundo o meu entendimento, a lei complementar prevista no art. 146, III, da Superlei, limitar- se a regular o método pelo 'qual será contado o prazo de prescrição; dispor sobre a interrupção da prescrição e fixar, por igual, regras a respeito do reinicio do curso da prescrição. Todavia, será a lei de tributação o lugar de definição do prazo de prescrição aplicável a cada tributo. (-) A norma de regência do tema, nos dias atuais, é a Lei de Organização e Custeio da Seguridade Social, promulgada aos 24 de julho de 1991. (Negritos ausentes do original). No tocante à revogação do art. 6 0, I, da LC n° 70/91 pela MP n° 1.858-6/2001 e reedições, a findarem na MP 2.158-35/2001, curvo-me ao entendimento de que a Lei Complementar n° 70/91 é materialmente ordinária. Por isto pôde ser alterado por medida provisória, cuja eficácia, como se sabe, é equivalente à de lei de ordinária. Ressalvo, todavia, o meu ponto de vista pessoal. Entendo que ao legislador é permitida a escolha entre lei complementar ou lei ordinária, independentemente da matéria tratada, de forma que se optar pela primeira deve prevalecer o seu alvedrio. Ou seja, lei formalmente complementar só poderia ser alterada por outra da mesma espécie. Por razões políticas, por exemplo, pode o legislador preferir a lei complementar para dificultar modificações futuras na norma editada, já que a matéria assim tratada, por ter sido submetida ao quorum qualificado e sido aprovada pela maioria absoluta, nos termos exigidos pelo art. 69 da Constituição Federal, não poderia posteriormente ser modificada pela maioria simples da lei ordinária. A opção do legislador deve ser respeitada porque assim haverá maior segurança jurídica. Do contrário, e consoante a interpretação do STF, há insegurança jurídica. Só se sabe se determinada lei é materialmente complementar após o pronunciamento do Colendo Tribunal. Após a ressalva pessoal, retomo ao entendimento prevalente nesta Terceira Câmara, de que o art. 6°, I, da LC n° 70/91 foi, sim, revogado pela MP n°2.158-35/2001. Como já antecipado, a revogação é possível face ao caráter de lei ordinária da LC n° 70/91, que apesar de formalmente complementar, segundo o Supremo Tribunal Federal é materialmente ordinária. Essa interpretação está escorada no art. 195 da Constituição Federal, que não pede lei complementar para a instituição das contribuições contempladas no seu inciso I, dentre elas a COFINS. Foi exposta no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n° 1, e tem prevalecido desde então. i Tanto assim que praticamente todas as alterações na 1 Digo prevalecido porque não desconheço que algumas decisões monocráticas no âmbito do Colendo Tribunal têm considerado que o pronunciamento sobre a materialidade da LC n° 70/91 não passa de declaração incidental (obiter dictutn). Assim, seria não vinculante. Neste sentido as decisões monocrKcas do Mim. do STF Carlos Velloso, em 10/02/2004, na Rei 2.518-MC,[01 e Joaquim Barbosa, em 18/12/20031ná Recl 2.517. De todo modo, é inegável que o art. 195, I, da Constituição, não exige lei com ele -ntar, pelo que se es. . -ra seja referendada a interpretação prevalente. 11111,49 11 legislação da COFINS têm sido por meio de leis ordinárias. Como exemplo mais importante - cabe mencionar a Lei n° 9.718/98. Quanto ao argumento de que as cooperativas não possuem faturamento, pelo que a única renda tributável seria a derivada de operações com não associados, previstas nos arts. 85, 86 e 88 da Lei n° 5.764/71, não me parece sustentável diante da legislação vigente. O art. 79 da Lei n° 5.764/71, ao estabelecer que "O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria", não veda toda e qualquer tributação sobre os ingressos decorrentes dos atos cooperativos. As operações entre uma cooperativa e seus associados envolvem, sempre, uma prestação de serviços por parte da primeira aos segundos, e não estão, necessariamente, incólumes à tributação por um ou mais tributo, desde que a legislação assim determine. É o que aconteceu na situação em foco, após as diversas medidas provisórias já comentadas. Aqui, destaco que o art. 13, IV, da MP n° 2.158-35/2001 — que estabelece o PIS sobre a folha de salários para as entidades filantrópicas e, em conjunto com o § 1° do art. 14 da mesma Medida Provisória, a isenção para a Cofins -, não é aplicável às sociedades cooperativas porque, diante da MP n° 1.858-6/1999 e suas reedições, o tratamento diferenciado implica não incidência do PIS Faturamento e Cofins, com as exclusões específicas. Outrossim, não houve, ao menos para fins da tributação das duas Contribuições em tela, descaracterização das operações de planos de saúde, o que, a meu ver, deveria acontecido. Tivesse a fiscalização procedido à descaracterização, a análise seria outra. Investigar-se-ia, então, se as operações das quais provêm as demais receitas, afora as financeiras e as "eventuais", seriam ou não atos cooperados. Pelo exposto, não conheço do Recurso no que argúi inconstitucionalidade, e na parte conhecida rejeito a nulidad e. • de Infração e, no mérito, nego provimento. ,41444•00" „dps 4*or- -410.Emanu- ssi- , 12
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010875/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
COFINS. REGIME CUMULATIVO. OUTRAS RECEITAS.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF
aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que
não representam venda de mercadoria ou de serviço.
RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO.
No regime das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, a base de cálculo do PIS e da
Cofins é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, não havendo
previsão legal para excluir as receitas de variação cambial ativa, equiparadas
às receitas financeiras por expressa previsão legal.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador,
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos
moldes da legislação que a instituiu.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.408
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COFINS. REGIME CUMULATIVO. OUTRAS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. No regime das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, a base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, não havendo previsão legal para excluir as receitas de variação cambial ativa, equiparadas às receitas financeiras por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativa a fatos geradores ocorridos entre julho de 2003 e julho de 2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou que os valores das exações declarados em DIPJ não foram pagos e nem declarados em DCTF. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0630.711, de 16/03/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2004 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR DEMONSTRADO E O DECLARADO. Correto o Auto de Infração que exige valores de PIS/Pasep apurados a partir da DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) elaborado pela contribuinte se não houve a correspondente declaração cm DCTF e não se comprova o respectivo recolhimento. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. STF. LEI 9.718/98. O julgamento do STF pela inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98 não tem efeito erga amues, só atingindo as partes envolvidas, pois a decisão do Plenário da Corte Maior não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. NATUREZA DE RECEITAS FINANCEIRAS. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010875/200842 Acórdão n.º 330201.408 S3C3T2 Fl. 157 3 As variação cambial ativa tem natureza de receita financeira, devendo, como tal, sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. OPÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. A partir de 1° de janeiro de 2000, as variações cambiais dos direitos de credito e das obrigações da contribuinte, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do 1RPJ. da CSLL, e das contribuições para o PIS/Pasep c Cofins, quando da liquidação da correspondente operação. À opção da pessoa jurídica, essas variações poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo desses tributos segundo o regime de competência. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2004 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR DEMONSTRADO E O DECLARADO. Correto o Auto de Infração que exige valores de Cofins apurados a partir da DIPJ (Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica) elaborado pela contribuinte se não houve a correspondente declaração em DCTF e não se comprova o respectivo recolhimento. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. STF. LEI 9.718/98. O julgamento do STF pela inconstitucionalidade do §1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 não tem efeito erga amues, só atingindo as partes envolvidas, pois a decisão do Plenário da Corte Maior não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. NATUREZA DE RECEITAS FINANCEIRAS. As variação cambial ativa tem natureza de receita financeira, devendo, como tal. sofrer a incidência da Cofins. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. OPÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações cambiais dos direitos de crédito e das obrigações da contribuinte, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, e das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, quando da liquidação da correspondente operação. À opção da pessoa jurídica, essas variações poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo desses tributos segundo o regime de competência. Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 158DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2004 MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao órgão de julgamento administrativo proferir juízo quanto à constitucionalidade de norma vigente. Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003. Ciente desta decisão em 08/04/2011 (fl. 119), a interessada ingressou, no dia 02/05/2011, com o recurso voluntário de fls. 121/137, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 no regime cumulativo (PA 07/03 a 01/04), a Cofins não incide sobre as receitas financeiras identificadas, conforme posicionamento do STF e jurisprudência do CARF; 2 as receitas de variação cambial ativa são receitas decorrentes da exportação e estão imune à tributação do PIS e da Cofins a partir da EC nº 33/01; 3 a multa de 75%, prevista no art. 44. inciso I, da Lei 9.430/96, é exorbitante e, portanto, tem caráter confiscatório, não podendo ser aplicada pelo Fisco. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, dele se conhece. A empresa recorrente foi autuada porque apurou PIS e Cofins na DIPJ e não efetuou o seu pagamento ou a sua declaração na DCTF. Em sua defesa, a empresa autuada alega que, para a Cofins dos períodos de apuração de 07/03 a 01/04, as receitas financeiras não integram a base de cálculo da exação, nos termos do entendimento do STF e da jurisprudência do CARF (inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Alega, também, que as receitas de variação cambial ativa são receitas decorrentes da exportação e estão imunes à tributação do PIS e da Cofins a partir da EC nº 33/01. Por fim, alega que a multa lançada é confiscatória. Pelo Estatuto Social da recorrente, seu objeto social é: Artigo 4º A sociedade tem por objeto, exclusivamente, a emissão de debêntures simples e subordinadas para utilização em negócio de dação em pagamento de dívidas próprias. Em todo o período objeto da autuação, as receitas tributadas são as declaradas na DIPJ como “Receitas de Variações Cambiais” e/ou “Outras Receitas”. Não há receita de venda de mercadorias ou de serviços, inclusive para o exterior. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010875/200842 Acórdão n.º 330201.408 S3C3T2 Fl. 158 5 Em relação ao lançamento da Cofins dos períodos de apuração ocorridos entre julho de 2003 e janeiro de 2004, é incontroverso que o lançamento decorreu da inclusão na base de cálculo da exação, na DIPJ e no auto de infração, das “Outras Receitas”, conforme previsto no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e excluir as “Outras Receitas” da base de cálculo da Cofins dos períodos de apuração de 07/2003 a 01/2004 e, consequentemente, cancelar o valor lançado destes períodos de apuração, com os respectivos acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora). Quanto à inclusão da receita de variação cambial ativa na base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativo a recorrente defende a sua improcedência por ser esta uma receita decorrente da exportação e, portanto, imune após a edição da EC nº 33/01. Mesmo que tivesse razão a recorrente quanto à imunidade de receita de variação cambial ativa decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços, ainda assim o lançamento deveria ser mantido porque a recorrente não efetuou nenhuma exportação de mercadorias ou de serviços, posto que seu objeto social não contempla esta atividade econômica. Tanto é que nas DIPJ não foi declarado receita de exportação. Donde se concluiu que as suas receitas de variação cambial ativa não decorrem de exportação realizadas pela recorrente, mas sim de outras operações realizadas no mercado interno ou no mercado externo. Conforme bem disse a decisão recorrida, a base de cálculo do PIS e da Cofins, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica e não há previsão legal para excluir a receita de variação cambial ativa, mesmo aquelas decorrentes de contratos de câmbio vinculados a exportação, posto que tal receita é, legalmente, uma receita financeira decorrente da flutuação da taxa de câmbio e não da venda de mercadorias ou serviços para o exterior. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório (exorbitante), a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do nãoconfisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/962. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Cofins cumulativa (PA 07/03 a 01/04) as “outras receitas”. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11020.003628/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2003 a 28/02/2005
LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE ALTERAÇÃO
DE NORMA
PROCEDIMENTAL APLICAÇÃO
DA NOVEL LEGISLAÇÃO.
A superveniência de Lei que modifica a forma de apuração, transformandoa
em centralizada e autoriza a compensação dos créditos das filiais, pela matriz,
é imediatamente aplicável ao contribuinte que possui crédito a compensar. A
decisão judicial préexistente
que indeferiu o procedimento com base na
legislação anterior não impede a aplicação da lei nova.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.375
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário,
nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 28/02/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE ALTERAÇÃO DE NORMA PROCEDIMENTAL APLICAÇÃO DA NOVEL LEGISLAÇÃO. A superveniência de Lei que modifica a forma de apuração, transformandoa em centralizada e autoriza a compensação dos créditos das filiais, pela matriz, é imediatamente aplicável ao contribuinte que possui crédito a compensar. A decisão judicial préexistente que indeferiu o procedimento com base na legislação anterior não impede a aplicação da lei nova. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente Fl. 346DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003628/200568 Acórdão n.º 330201.375 S3C3T2 Fl. 345 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa o nome dos conselheiros presentes à sessão. Relatório Tratase de Declarações de Compensação (fls. 01/165) apresentada para quitar débito de PIS (04/2003 a 02/2005) com crédito derivado de medida judicial que discutia a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88 (Mandado de Segurança, processo nº 98.15065424). O Despacho Decisório (fls. 230/231) não homologou parte das compensações realizadas – relativas às competências de janeiro/00 a agosto/00, e parte da competência setembro/00 por insuficiência do crédito, ao considerar que os créditos oriundos de pagamentos efetuados pelas filiais da empresa não poderiam ser compensados pela matriz, conforme teria determinado a decisão judicial que reconheceu o direito ao crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 272/280) a Recorrente alega que: (i) o valor dos débitos cujas compensações não foram homologadas, relacionados a fatos geradores ocorridos antes de 2004 não podem ser cobrados sem o respectivo lançamento; (ii) a desconsideração dos créditos apurados pelas filiais da Recorrente, embora tenha sido estabelecida pela decisão judicial, deixou de ser aplicável com o advento da Lei nº 9.779/99 – legislação superveniente, que determinou o recolhimento centralizado de PIS e COFINS, bem como a centralização da DCTF, também na matriz. A decisão da DRJ (fls. 301/306) indeferiu o pleito da Recorrente, mantendo a não homologação das compensações, por entender que não havia crédito suficiente para suportálas, na medida em que a própria decisão judicial transitada somente autorizou a compensação dos créditos legitimados da matriz da empresa, impedindo o aproveitamento, via compensação, dos créditos de PIS das filiais. Ressalta entendimento de que a coisa julgada naqueles autos impede a aplicação das disposições contidas na Lei nº 9.779/99, assim como a prevalência da decisão judicial – por questões de jurisdição – sobre qualquer outro entendimento que pudesse ser mantido pela autoridade administrativa. A Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 333/338), alegando que os créditos que foram utilizados nas compensações ora questionadas foram homologados pela Fl. 347DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003628/200568 Acórdão n.º 330201.375 S3C3T2 Fl. 346 3 autoridade fiscal, por meio de despacho que habilitou o crédito oriundo da medida judicial (em procedimento próprio). Assim, referido ato administrativo só perderia a eficácia se fosse expressamente revogado, o que não ocorreu. Ademais, entende que a decisão judicial abarcou, necessariamente, todas as filiais da empresa – inclusive os respectivos créditos, de modo que não procederia o fundamento da decisão da DRJ. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão a ser discutida nestes autos referese, essencialmente, à possibilidade de aplicação de nova lei favorável ao procedimento de compensação de crédito de filial, quando a Recorrente possui decisão judicial definitiva impedindo o procedimento com base em lei anterior. Em resumo, a Recorrente interpôs ação judicial em 09/12/98, por meio da qual pretendeu a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei 2445 e 2449, bem como compensar seus créditos de forma centralizada e com débitos de PIS e Cofins. Logo, a Recorrente obteve o reconhecimento de seu crédito mas não a autorização para compensar débitos de COFINS e de filiais, apenas da matriz. O obstáculo à compensação pretendida, alegado pela autoridade fiscal, seria a exatamente a citada decisão, que transitou em julgado nos autos de Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente (Processo nº 98.15065424), especificamente a restrição à forma de compensação pleiteada pela matriz, incluindo os créditos apurados pelas filiais (interpretação dada à questão em virtude da competência do juízo e, à época da causa, a apuração descentralizada da contribuição). No ano de 1999, com ao advento do artigo 15 da Lei nº 9.779/99, a apuração do PIS passou a ser realizada, obrigatoriamente, de forma centralizada. Por ser posterior à interposição da ação judicial, a Lei nº 9.779/99 não foi discutida naquele processo. Portanto, resta definir se com o advento da Lei nº 9.779/99 a apuração centralizada do PIS autorizaria o aproveitamento de créditos das filiais pela matriz, ainda que houvesse decisão judicial analisando cenário legislativo anterior, que expressamente restringisse a centralização da apuração e aproveitamento destes créditos. Ao contrário do defendido na d. decisão de primeira instância administrativa, entendo que não se trata de relativização da coisa julgada. In casu, deve ser aplicada a legislação superveniente, que alterou o procedimento da apuração e arrecadação, passando a Fl. 348DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003628/200568 Acórdão n.º 330201.375 S3C3T2 Fl. 347 4 centralizar a arrecadação e, consequentemente, a compensação de créditos de matriz e filiais, com débitos gerados por quaisquer destes estabelecimentos. A meu ver, o procedimento de centralização acabou por impedir outra forma de utilização do crédito, pois as filiais não teriam mais débitos de PIS para ser compensado. Ademais, a Lei nº 9.779/99 não apenas determinou que os créditos anteriormente apurados por um estabelecimento fossem apurados de forma centralizada, como acabou por superar a celeuma instaurada no processo judicial. Uma vez que a lei passou a autorizar o procedimento antes vedado – e o fez em virtude de ter alterado toda a forma de apuração – a discussão judicial, o pedido, deixou de ter razão, perdeu o objeto. A limitação que foi colocada na decisão judicial, portanto, tornouse inaplicável diante da novel legislação que autorizou a apuração centralizada dos créditos e débitos de PIS. A fiscalização passou a ter ferramentas e competência suficientes para verificar a apuração (centralizada) da contribuição, o que anteriormente não era possível – situação fática distinta, que havia sido analisada no processo judicial em tela. Logo, entendo que no presente caso não se trata de aplicar ou relativizar a coisa julgada, mas aplicar a nova lei que trata sobre a matéria – artigo 15 da Lei nº 9.779/99 que alterou a regra procedimental de arrecadação e permitiu a apuração centralizada na matriz da empresa, com o aproveitamento de créditos apurados pelas filiais da Recorrente. Nestes termos, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para o fim de reformar a d. decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 349DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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