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Numero do processo: 10325.000272/2007-85
Data da sessão: Sun Jan 16 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.108
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karen Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 448DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 253 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0817.052, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FortalezaCE. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de Declaração de Compensação protocolizada em 28/06/2005 pelo contribuinte em epígrafe, a qual recebeu o número de controle 24859.20653.280605.1.3.037702, vide fls. 05/08, apontando débito compensado de estimativa de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL apurada em maio/2005, no valor de R$ 82.138,22. No Demonstrativo do Crédito à fl. 06 é indicado como origem do indébito o saldo negativo de CSLL apurado no exercício de 2001, anocalendário/2000, no valor de R$ 46.455,64, conforme pedido de restituição n° 10707.46725.280605.1.2.037469 (fls. 02/04). Consubstanciado na Informação Fiscal emitida pelo Núcleo de Arrecadação e Cobrança NURAC, folhas 96/101, o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz/MA prolatou o Despacho Decisório (fls. 101), onde indefere o pedido de restituição referente à CSLLajuste, do anocalendário de 2000, na importância de R$ 46.455,64, e não homologa a compensação declarada do pretenso crédito com o débito de estimativa de CSLL referente a o mês de maio de 2005. Os elementos apontados na Informação Fiscal, integrante do Despacho Decisório que levaram ao não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação são, em síntese, os seguintes: Inicialmente a autoridade fiscal atesta que houve a apuração de crédito no montante de R$ 46.455,64, referente ao saldo negativo do anocalendário de 2000, conforme item 7 da informação (fls. 100); Entretanto, o crédito acima apurado foi utilizado pelo contribuinte para compensar os débitos de estimativa de CSLL de fevereiro/2001, na importância de R$ 3.510,52; maio/2001, no valor de R$ 23.817,98; setembro/2001, no valor de R$ 7.723,86; e novembro/2001, no valor de R$ 11.403,28, como comprovam as DCTF retificadoras juntadas às fls. 71/74; Por outro lado, no Livro Razão do anocalendário de 2001 (fls. 65), constam inicialmente registradas as compensações da CSLLestimativa de fevereiro/2001 e maio/2001, supra mencionadas, com tal saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2000, posteriormente essas compensações foram estornadas em 30/06/2001, tendo, o dito crédito, sido utilizado em outubro/2001 para compensar a CSLLestimativa de setembro/2001, cuja compensação foi, num segundo momento, parcialmente estornada, ficando a referida CSLLestimativa de outubro/2001 finalmente compensada na importância de R$ 27.483,97, sendo o saldo remanescente do crédito original, no valor de R$ 18.971,67, utilizado para compensar a CSLLestimativa de outubro/2001; No item 10 da informação fiscal é feita a explanação da metodologia do cálculo da utilização do crédito referente ao saldo negativo de CSLL. Os valores considerados para fins de compensação estão consolidados à fl. 83; Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 254 3 Finalizando, concluiu que, devido a total utilização do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2000, não existe crédito remanescente para suportar a pretensa compensação do débito de CSLLestimativa de maio/2005. Cientificada da decisão em 24/03/2008 (fls. 111), o interessado apresentou em 04/04/2008 sua inconformidade (fls. 112/119) com os argumentos a seguir resumidos: inicialmente alega a existência de erro de fato. Informa que a auditoria realizada na DIPJ 2002/2001, que originou o processo 10325.000111/200619, glosou todas as compensações efetuadas que tomaram por base o saldo negativo da CSLL do exercício/2001, anocalendário 2000; informa ter pago o valor de R$ 39.619,94 referente à diferença de CSLL decorrente de compensações glosadas; — assim, teria retornado o crédito ao seu valor original, e apto a ser utilizado na compensação que não fora homologada. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/05/2005 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. INSUFICIÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Ratificase a não homologação da compensação em litígio dada a confirmação de inexistência do direito creditório vinculado, uma vez que o saldo negativo de CSLL foi totalmente utilizado na compensação de estimativas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: A Requerente faz jus ao crédito da CSLL negativa do exercício de 2001, ano calendário de 2000, no valor original de R$ 46.455,64. Pleiteou a compensação deste crédito com estimativas da CSLL do ano calendário de 2001, exercício de 2002, porém não obteve êxito face a auditoria de sua DIPJ do exercício de 2002 ter recusado as compensações pleiteadas. Acatando a não homologação acima referida, a Requerente efetuou o pagamento da diferença de CSLL lançada sobre o ano calendário de 2001, acrescidas dos encargos legais, conforme lhe foi cobrado. Fl. 450DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 255 4 Restando comprovado que as compensações pleiteadas pela Requerente no ano calendário de 2001 não foram homologadas, correto o procedimento da Requerente em apresentar o PER n° 10707.46725.280605.1.2.037469, transmitido em 28/06/2005 e a Dcomp eletrônica n° 24859.20653.280605.1.3.037702, transmitida em 28/06/2005. A não homologação da compensação declarada através da DCOMP eletrônica 24859.20653.280605.1.3.037702 teve por alegação as compensações efetuadas pela Requerente para o pagamento da CSLL do ano calendário de 2001 que foram glosadas pela auditoria da Receita Federal que validou apenas as compensações efetuadas com crédito de IPI e cobrou a diferença encontrada de R$ 39.619,94, paga pela Requerente. No momento em que as compensações efetuadas pela Requerente com base na CSLL negativa do exercício de 2001, ano calendário de 2000, foram glosadas pela Receita Federal sob alegação de procedimento inadequado no processo da compensação efetuada, e, que a Receita Federal reconhece expressamente a existência do crédito, vide item 7 do relatório fiscal processo 10325.000.272/200785, restabelecese o crédito da Requerente como se as compensações nunca tivessem acontecido, retornando, pois, o seu direito a utilizálo na forma prevista em Lei, e foi isto o que se fez. Pede, por fim, a reforma do Despacho Decisório ora combatido, amparado que estaria por entendimento pacífico da jurisprudência, tanto administrativa quanto judicial. Esta Quarta Câmara, então, baixou o julgamento em diligência para verificar o alegado pela Recorrente através da Resolução n. 140100.046. Às fls. 222/225, consta pronunciamento da Fiscalização. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência discordando do mesmo (fls. 228/248).. É o relatório. . Fl. 451DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 256 5 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria relevante da lide cingese em identificar se o saldo negativo do ano calendário/2000, no valor de R$ 46.455,64, foi ou não utilizado pelo contribuinte para compensar valores de estimativa de CSLL devidas ao longo do ano de 2001. Segundo a DRJ: A página 2426 do "Razão Analítico", extraída dos registros contábeis da empresa (fls. 65), esclarece a questão. Ali está comprovado que houve o efetivo consumo do saldo negativo de CSLL de 2000, crédito este que foi totalmente utilizado para compensar estimativas de CSLL durante o ano de 2001. Percebese que, mesmo tendo havido estornos em alguns meses, ao final do ano não restou crédito algum. E mais a seguir, ainda emenda o decidido na DRJ, ainda a esse mesmo respeito: O contribuinte alega ter havido glosa nos procedimentos de compensação referente a débitos de estimativas de CSLL do ano de 2001, e assim faria jus ao crédito que, decorrente das glosas, não teria sido utilizado. Sobre o assunto cabe esclarecer que o interessado não trouxe aos autos elementos que possam identificar de forma precisa, quais as compensações que especificamente teriam sido objeto de glosa. Ficando assim prejudicada a sua argumentação. O processo n° 10325.000111/200619, citado na impugnação, referese a auto de infração que apurou as seguintes exigências: a) falta de recolhimento de CSLL no ano de 1999, b) cobrança de multas isoladas em função de diferenças não pagas de CSLL estimativas nos meses de outubro/1999, maio/2001 e dezembro/2001, e c) exigência de multas referentes a diferenças detectadas em procedimento de compensação envolvendo débitos de CSLLestimativa de março de 2003 e estimativa de IRPJ de abril do mesmo ano. Como se vê o assunto trazido no citado processo não consegue reforçar as alegações formuladas, por tratar de auto de infração que atingiu matéria diversa do que ora se cuida em analisar. No item 4.0 da impugnação (fl. 116), o defendente relaciona pedidos de compensação (fls. 135/138) e aponta diferença a recolher (R$ 39.619,94), valor este que foi pago através de DARFPGFN (fl. 132). Aqui também não se consegue adicionar substância aos argumentos aduzidos na impugnação, visto que, em primeiro lugar os pedidos de compensação são lastreados em créditos de IPI. Quanto ao pagamento realizado, este referese a diferença de CSLL anual respeitante ao ano de 2001. O demonstrativo de fls. 152, que apura o valor de R$ 39.619,94, apenas indica a existência de quantia paga decorrente de diferença apurada entre a CSLL anual de 2001 informada em DIPJ e aquela confessada por meio de DCOMP. A Recorrente apresentou, no recurso, afim de refutar os pontos acima, os seguintes argumentos: Fl. 452DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 257 6 A Requerente faz jus ao crédito da CSLL negativa do exercício de 2001, ano calendário de 2000, no valor original de R$ 46.455,64. Pleiteou a compensação deste crédito com estimativas da CSLL do ano calendário de 2001, exercício de 2002, porém não obteve êxito face a auditoria de sua DIPJ do exercício de 2002 ter recusado as compensações pleiteadas. Acatando a não homologação acima referida, a Requerente efetuou o pagamento da diferença de CSLL lançada sobre o ano calendário de 2001, acrescidas dos encargos legais, conforme lhe foi cobrado. Restando comprovado que as compensações pleiteadas pela Requerente no ano calendário de 2001 não foram homologadas, correto o procedimento da Requerente em apresentar o PER n° 10707.46725.280605.1.2.037469, transmitido em 28/06/2005 e a Dcomp eletrônica n° 24859.20653.280605.1.3.037702, transmitida em 28/06/2005. A não homologação da compensação declarada através da DCOMP eletrônica 24859.20653.280605.1.3.037702 teve por alegação as compensações efetuadas pela Requerente para o pagamento da CSLL do ano calendário de 2001 que foram glosadas pela auditoria da Receita Federal que validou apenas as compensações efetuadas com crédito de IPI e cobrou a diferença encontrada de R$ 39.619,94, paga pela Requerente. No momento em que as compensações efetuadas pela Requerente com base na CSLL negativa do exercício de 2001, ano calendário de 2000, foram glosadas pela Receita Federal sob alegação de procedimento inadequado no processo da compensação efetuada, e, que a Receita Federal reconhece expressamente a existência do crédito, vide item 7 do relatório fiscal processo 10325.000.272/200785, restabelecese o crédito da Requerente como se as compensações nunca tivessem acontecido, retornando, pois, o seu direito a utilizálo na forma prevista em Lei, e foi isto o que se fez. Para o melhor aprofundamento da matéria esta 4a Câmara da 1a Seção do CARF converteu o julgamento em diligência a fim de aprofundar e esclarecer melhor essa questão. Segue abaixo os termos da diligência, naquilo de relevante: “(...) A princípio é bom esclarecer que a DRJ ao desconsiderar os argumentos da recorrente, deixa margem à dúvidas na medida em que não investiga mais a fundo o reflexo de outro procedimento fiscal no presente feito. A DRJ a princípio admite que o feito limitase “em identificar se o saldo negativo do ano calendário/2000, no valor de R$ 46.455,64, foi ou não utilizado pelo contribuinte para compensar valores de estimativa de CSLL devidas ao longo do ano de 2001.” Depois em seu voto, assevera que: O processo n° 10325.000111/200619, citado na impugnação, referese a auto de infração que apurou as seguintes exigências: a) falta de recolhimento de CSLL no ano de 1999, b) cobrança de multas isoladas em função de diferenças não pagas de CSLL estimativas nos meses de outubro/1999, maio/2001 e dezembro/2001, e c) exigência de multas referentes a diferenças detectadas em procedimento de compensação envolvendo débitos de CSLLestimativa de março de 2003 e estimativa de IRPJ de abril do mesmo ano. Como se vê o assunto trazido no citado processo não consegue reforçar as alegações formuladas, por tratar de auto de infração que atingiu matéria diversa do que ora se cuida em analisar.(grifei) Fl. 453DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 258 7 Ora, conforme bem colocado pela recorrente, isso destoa do que afirmou o relatório da Auditoria Fiscal anexo ao processo 10325.000.272/200785 que na letra b, do item 9, diz: "9. Verificouse ainda: b a CSLL estimativa de 2/2001 e 5/2001, supra mencionadas, foram objeto de Representação Fiscal desse NURAC em 12/04/2005, então SAORT à época, junto ao NUFIS, então FIANA na ocasião, propondo lançamento de multa de ofício isolada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre as importâncias correspondentes, nos termos do art. 44, inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996; sendo que com relação à CSLL estimativa de 2/2001, a multa proposta foi em virtude de que na data da recepção da DCTF retificadora em 16/04/2004 o entendimento é que não caberia mais o procedimento da compensação sem processo, haja vista que a partir de 1º de outubro/2002 a referida compensação deveria ser efetuada mediante a apresentação da Declaração de Compensação, nos termos do art. 49, § 1º da Lei n° 10.637/2002, c/c o art. 68, inciso I, do mesmo ato legal; e com relação à CSLL estimativa de 5/2001, a multa proposta, nos termos acima, foi decorrente de que na época da Representação, em 12/04/2005 a referida estimativa constava declarada somente na DIPJ, tendo o NUFIS efetuado o lançamento da multa somente com relação a essa última estimativa, visto que não estava declarada em DCTF, cujo valor está suspenso em virtude da impugnação apresentada pelo contribuinte à DRJ Fortaleza no processo n° 10325.000111/200619, onde se encontra atualmente, como demonstram as telas juntadas às fls. 7576 emitidas pelos sistemas SINCOR/PROFISC e COMPROT, respectivamente. (grifei) As razões mais adiante no voto da DRJ para refutar o pagamento de R$ 39.619,94 feito pela Requerente também não são convincentes. Eis suas palavras: No item 4.0 da impugnação (fl. 116), o defendente relaciona pedidos de compensação (fls. 135/138) e aponta diferença a recolher (R$ 39.619,94), valor este que foi pago através de DARFPGFN (fl. 132). Aqui também não se consegue adicionar substância aos argumentos aduzidos na impugnação, visto que, em primeiro lugar os pedidos de compensação são lastreados em créditos de IPI. Quanto ao pagamento realizado, este referese a diferença de CSLL anual respeitante ao ano de 2001. O demonstrativo de fls. 152, que apura o valor de R$ 39.619,94, apenas indica a existência de quantia paga decorrente de diferença apurada entre a CSLL anual de 2001 informada em DIPJ e aquela confessada por meio de DCOMP. A DRJ demonstra espanto pela origem do crédito em comento ter natureza de créditos de IPI. Ora, não consigo entender em que a natureza do crédito seria relevante para ir contra os argumentos da recorrente. O ponto relevante aqui são os débitos em 2001 correlacionado a esse crédito que segundo a recorrente parte deles foram acatados por desistência dessa outra lide, tendo sido pago o valor de R$ 39.619,94. Como se alega no caso, que os créditos do anocalendário foram consumidos por compensações em 2001, percebese logo que o argumento da recorrente precisa ser melhor averiguado. Posto isso, e tendo sempre como norte o princípio da verdade material, inclino me pela conversão do julgamento em diligência para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Fl. 454DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 259 8 aprofundar melhor a investigação de tudo quanto foi descrito acima de forma a verificar a pertinência dos argumentos recursais em relação a interligação desse feito com outros que possivelmente lhe dizem respeito. Se for o caso, refazer os cálculos em cima das conclusões chegadas pela DRF e após as imputações e atualizações, de forma a quantificar eventual saldo credor a ser compensado; indicando assim também o quantum não homologado de compensações. O Fiscal diligenciante não dá razão à Recorrente, assim concluindo o seu relatório: 8. As informações apontadas no item 7 são confirmadas pela analise do Auto de Infração (fls. 209 a 217, numeração eprocesso), referente ao processo 10325.00011/200611. Nesse Auto de Infração foi lançada a diferença no valor da CSLL a pagar, referente ao anocalendário 1999. Também foram lançadas multas isoladas pela falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre a Base Estimada. Em nenhum caso houve glosa de compensações efetuadas pela requerente utilizando crédito de saldo negativo de CSLLanocalendárío 2000, conforme alegação do contribuinte. 9. Alega também a requerente que, em função da suposta glosa de valores referente ao processo 10325.00011/200611, a mesma teria recolhido DARF (conforme documento de fl. 132) no valor total de 83.843,70 (Valor do Principal R$ 39.619,94, Valor da Multa R$ 7.923,98 e Valor dos Juros e/ou Encargos R$ 36.299,78 ). 10. Ao analisar o DARF acima mencionado, constatase que o mesmo foi recolhido em 31/05/2005 para extinguir o débito de CSLL código de receita 1804, inscrito em Dívida Ativa da União (DAU). O débito inscrito em DAU foi de CSLL ajuste anual, código de receita 6773, referente ao ano calendário 2001. A tela do sistema SIEF/FISCEL (fl.221, numeração eprocesso) mostra que o valor do principal inscrito em DAU foi R$ 59.658,74. As Informações Gerias da Inscrição 31 6 05 00131607 (fls. 218 a 220) mostram, na parte relativa a Informações sobre Ocorrências, que o houve alteração de valor do principal do débito inscrito em DAU de R$ 59.658,74 para R$ 36.619,94. Conforme análise da DIPJ 2002 (fl. 133), o valor de R$ 59.658,74 foi declarado pela requerente na entrega da DIPJ em 06/04/2004. O Auto de Infração do processo 10325.00011/200611 foi lavrado em 14/02/2006 (fl. 209, numeração e processo). Concluise assim que o DARF foi recolhido antes mesmo do lançamento do Auto de Infração do processo 10325.00011/200611. 11. Diante do exposto no item 10, concluise que o recolhimento do DARF se deu em função de saldo a pagar de CSLL anocalendário 2001, fato esse ocorrido antes mesmo do lançamento do Auto de Infração do processo 10325.00011/200611. Com isso, fica descaracterizada a alegação do contribuinte de que recolheu o DARF em função de glosas de compensações realizadas nos autos do processo 10325.00011/200611. CONCLUSÃO: 1. Com base no relatório acima, verificase que não houve glosa de compensações efetuadas pela Requerente com base no saldo negativo da CSLL ano calendário 2000. Assim, não deve prosperar o argumento do contribuinte de que o seu direito creditório em relação ao PER n° 10707.46725.280605.1.2.037469 seja baseado em possíveis glosas efetuadas pela RFB no processo 10325.000111/200619. Fl. 455DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 260 9 A Recorrente em suas contrarrazões procura refutar o resultado de diligência, nos seguintes termos: As informações prestadas pelo NURAC, transcritas no item acima, inclusive com grifo, é a prova mais cabal de que assiste razão a Requerente: (i) O DARF efetivamente foi recolhido antes do Auto de Infração do Processo 10325.00011/200611. Tivesse o Informante consultado os Autos do referido processo, observaria na peça inicial de defesa da Requerente naqueles Autos que uma das provas apresentadas pela Requerente foi exatamente o DARF quitado em 31/05/2005, cuja cobrança decorreu da análise que indeferiu o procedimento de compensação realizado pela Requerente com o saldo negativo da CSLL do exercício de 2001, ano calendário de 2000, referente a CSLL antecipação 12/2001 e portanto resultou no saldo devedor quitado pela Requerente conforme comprova o referido DARF. (...) (v) Ao contrário do que afirma o NURAC no final do item 8, que transcrevemos: "Em nenhum caso houve glosa de compensações efetuadas pela Requerente utilizando crédito de saldo negativo de CSLL, ano calendário 2000, conforme alegação do contribuinte. A tela extraída do SIEF (cópia anexa) com a informação: DEVEDOR COM RETIFICAÇÃO REJEITADA; joga por terra esta afirmação. A que se refere esta Retificação Rejeitada? (vi) Na composição dos valores utilizados para o pagamento da CSLL do exercício de 2002, ano calendário de 2001 não se observa nenhuma compensação efetuada com o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2000. Ao informar que não houve nenhuma glosa de compensações efetuadas pela Requerente; utilizando crédito de saldo negativo de CSLL, ano calendário de 2000, o NURAC omitiuse, deliberadamente ou não, pois também não informa se houve alguma compensação com o referido crédito que tenha sido aceita e considerada pela Receita Federal, quais os valores e a que períodos se referiram. Senhor Julgador: Observase que ao prestar seus esclarecimentos, o NURAC se focou em verificar se houve ou não glosa de valores compensados em 2001 com o saldo negativo da CSLL de 2000. Entretanto, em nenhum momento esclarece: (i) A Requerente era detentora do crédito postulado, referente ao saldo negativo da CSLL ano calendário de 2000? (ii) Se negativo, por que ao indeferir a compensação da CSLL antecipação 12/2001 o motivo alegado foi “Retificação Rejeitada”; porque não alegou: inexistência do crédito postulado? Qual foi o resumo da conta gráfica da Requerente referente a CSLL do ano calendário de 2000? Qual o valor devido e como foi pago? (iii) Confirmada a existência do saldo negativo da CSLL ano calendário de 2000, quando o valor foi restituído a Requerente ou quando e como esta o utilizou para quitação de outros débitos? De fato, a Recorrente traz argumentos plausíveis e que colocam em dúvida a conclusão chegada pela NURAC: Em primeiro lugar esclarece porque o DARF foi recolhido antes do Auto de Infração do Processo 10325.00011/200611, justamente conduzindo ao entendimento de que o Fl. 456DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 261 10 auto de infração veio depois porque pode ser consequência justamente da glosa da compensação referida pela Recorrente. Faz referência ao processo nº 10325.500348/200514 que possivelmente pode explicar a glosa de compensações envolvendo o período 12/2001, processo este não mencionado pela NURAC denotando que não foi analisado. Outrossim, verifico que a diligência não fez referência a esse processo, não aprofundando a investigação. Analisando trecho do recurso da Recorrente ao processo n.10325.00011/2006 11 verifico que ela não foi bem sucedida em justificar as diferenças entre DIPJ a maior e DCTF, a menor, em função de compensações feitas em sua escrita contábil, mas sem constar em DCTF ou Dcomp, o que conduziu a lançamentos de CSLL a menor e multas isoladas por recolhimento a menor das estimativas. Ora, se a Recorrente não foi bem sucedida nesse processo justamente porque tais compensações não foram aceitas como justificativas, elas deveriam se tornar inócuas e retornar o crédito compensado ao seu estado original. Anexa tela extraída do SIEF com a informação: DEVEDOR COM RETIFICAÇÃO REJEITADA. A que se refere esta Retificação Rejeitada? Posto essas questões em aberto e tendo sempre como norte o princípio da verdade material, inclinome mais uma vez pela conversão do julgamento em diligência para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: aprofundar melhor a investigação de tudo quanto foi descrito acima de forma a verificar a pertinência dos argumentos trazidos como contrarrazões ao resultado de diligência não somente em relação a interligação desse feito com outros que possivelmente lhe dizem respeito como é o caso do processo 10325.500348/200514, mas também dessa feita responder as questões muito bem colocadas pela : A Requerente era detentora do crédito postulado, referente ao saldo negativo da CSLL ano calendário de 2000? (ii) Se negativo, por que ao indeferir a compensação da CSLL antecipação 12/2001 o motivo alegado foi: Retificação Rejeitada; porque não alegou: inexistência do crédito postulado? Qual foi o resumo da conta gráfica da Requerente referente a CSLL do ano calendário de 2000? Qual o valor devido e como foi pago? (iii) Confirmada a existência do saldo negativo da CSLL ano calendário de 2000, quando o valor foi restituído a Requerente ou quando e como esta o utilizou para quitação de outros débitos? Se for o caso, refazer os cálculos em cima das conclusões chegadas pela DRF e após as imputações e atualizações, de forma a quantificar eventual saldo credor a ser compensado; indicando assim também o quantum não homologado de compensações. apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores . Fl. 457DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10325.000272/200785 Resolução n.º 1401000.108 S1C4T1 Fl. 262 11 Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 458DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.12121.SK5N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO BEZERRA NETO em 09/03/2012 11:15:31. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO BEZERRA NETO em 09/03/2012. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 28/03/2012 e ANTONIO BEZERRA NETO em 09/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0520.12121.SK5N Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: FEDB67A864B53C04F2C00B5D32A6FF335F956A40 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10325.000272/2007-85. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000008/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.124
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª
Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o feito em função da Repercussão Geral (inconstitucionalidade do RMF).
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o feito em função da Repercussão Geral (inconstitucionalidade do RMF). (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e João Carlos de Figueiredo Neto. RELATÓRIO Dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente. A constitucionalidade de referido instrumento está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601.314. VOTO Fl. 713DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10872.000008/201041 Resolução n.º 1401000.124 S1C4T1 Fl. 68 2 Segundo o art. 62, § 1º Código de Processo Civil, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543b, do CPC”. Ainda, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543B do CPC. Senão, vejase: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (sem grifos no original). Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal, impõe que todo processo onde tiver havido repercussão geral deverá ser sobrestado, independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leiase o dispositivo, in verbis: PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 543B, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 11.418/06, e no art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno, com redação da Emenda Regimental nº 21/07, RESOLVE: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10872.000008/201041 Resolução n.º 1401000.124 S1C4T1 Fl. 69 3 Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais os processos múltiplos ainda não distribuídos relativos a matérias submetidas à análise de repercussão geral pelo STF, os encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543B, do Código de Processo Civil, bem como aqueles em que os Ministros tenham determinado sobrestamento ou devolução. Pelo exposto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente feito até ulterior análise da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Transitada em julgada a decisão do Excelso Pretório, retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 715DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.018212/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.215
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .0 18 21 2/ 20 02 -1 1 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 31/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10480.018212/200211 Resolução nº 1401000.215 S1C4T1 Fl. 494 2 RELATÓRIO Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO do Contribuinte em que se alega OMISSÃO/CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 140100.153, proferido pela 1ª Turma ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF (fls. 407/410), relativamente ao provimento parcial que reconheceu os efeitos da postergação nos lançamentos referentes à compensação de prejuízos fiscais superior a 30%. A embargante assim afirma: “(...) Com isso, foi acolhido, no acórdão embargado, o argumento de que a Autoridade Lançadora deveria ter aplicado os efeitos da postergação no lançamento do crédito sob pena de ensejar nulidade do lançamento. Acontece que o acórdão embargado foi contraditório quando salientou que "o imposto foi postergado em quase sua totalidade, restando ainda um valor de R$ 24.000,00 favorável à recorrente que será abatido dos juros e da multa de mora" e determinou ao "Órgão executor ... cobrar a diferença considerada paga a menor com multa de ofício e juros de mora". De fato, há duas contradições: a primeira que, se restou um valor favorável à Recorrente, não se pode dizer que o imposto foi postergado em quase sua totalidade, porque, de fato, fora postergado em sua totalidade e ainda sobrou uma fração; segundo que, se o tributo foi pago (postergação) em sua totalidade, não há que se falar em diferença paga a menor, mas apenas de juros e multa sobre a parcela não paga na época certa. (...) E a contradição e falta de clareza do julgamento, levou o órgão executor a cobrar diferença de tributo, como se o tributo tivesse sido recolhido a menor, quando esse órgão é claro que o imposto fora pago a maior, mesmo que extemporâneo daí passível de multa e juros. E esse ponto é de extrema relevância. É que, sanada a contradição e firmada a premissa de que o IRPJ e a CSLL mesmo postergados foram pagos mais do que a sua totalidade, esse fato resulta que esse colegiado deve definir para evitar que se pague tributo já pago em sua totalidade estando, pois, correta a aplicação dos juros moratórios e correção monetária, consoante item 7 do Parecer Normativo CST 57/79 e item 6.2 do Parecer Normativo 02/96. Com efeito, cumpre a esse colegiado corrigir os efeitos desse vício de lançamento a fim de que não se descumpra o objetivo colimado com a lei, que é evitar o solvet et repete. Para tanto se impõe que se enfrente e se defina para o órgão executor, a existência da postergação total do tributo (principal) e do pagamento dos acréscimos legais (multa e juros) realizados pela Embargante já que a Delegacia de origem atualizou o valor do IRPJ e da CSLL do AC 1997 (principal, multa e juros) e compensou com os pagamentos a maior dos períodos subsequentes ao invés de cobrar exclusivamente a multa e os juros. E pior. Quando remeteu a Carta de Cobrança, deixou de considerar o DARF pago da multa e dos juros e referido no acórdão embargado, transferindo sua alocação para um terceiro momento. E o segundo ponto onde a Embargante enxerga omissão: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 31/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10480.018212/200211 Resolução nº 1401000.215 S1C4T1 Fl. 495 3 A segunda omissão, em relação a esse ponto, se relaciona à aplicação da MP 66/2002 e da MP 75/2002. O acórdão recorrido até ensaia o enfrentamento em relação a esse ponto, quando o voto condutor relata: (...) Entretanto, no parágrafo seguinte ao relatório passa a enfrentar a aplicação, ou não, do art. 138 do CTN alusivo à denúncia espontânea. Com isso, incorreu em omissão sobre esse ponto relevante para que se possa executar corretamente o acórdão embargado Da análise perfunctória dos embargos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. Da análise perfunctória dos autos, por entender estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma foi proferido despacho de informação propondo à Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção que submetesse referidos embargos à deliberação da Turma, que foi aceito como proposto. É o relatório, no que interessa a este julgamento. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 31/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10480.018212/200211 Resolução nº 1401000.215 S1C4T1 Fl. 496 4 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Alega contradição/obscuridade no julgado, nos seguintes termos: (...) De fato, há duas contradições: a primeira que, se restou um valor favorável à Recorrente, não se pode dizer que o imposto foi postergado em quase sua totalidade, porque, de fato, fora postergado em sua totalidade e ainda sobrou uma fração; segundo que, se o tributo foi pago (postergação) em sua totalidade, não há que se falar em diferença paga a menor, mas apenas de juros e multa sobre a parcela não paga na época certa. (...) E a contradição e falta de clareza do julgamento, levou o órgão executor a cobrar diferença de tributo, como se o tributo tivesse sido recolhido a menor, quando esse órgão é claro que o imposto fora pago a maior, mesmo que extemporâneo daí passível de multa e juros.(...) O escopo dessa diligência se volta apenas para a primeira contradição/obscuridade. Portanto, o escopo dessa diligência não se relaciona à segunda omissão relacionada à aplicação da MP 66/2002 e da MP 75/2002. E, se for o caso, essa segunda omissão será enfrenta ainda em sede de embargos quando do retorno da diligência. Voltemos então os olhos para a primeira contradição/obscuridade alegada. Apesar de a tabela de fls. 423 elaborada pela fiscalização tenha sido muito bem feita e detalhada, restou uma dúvida em relação à consideração ou não apenas da cobrança de multa e juros de mora, uma vez que o tributo pela própria tabela de recálculo se vê que o tributo teria sido totalmente pago/compensado em períodos posteriores, restando apenas uma diferença de juros e multa de mora sobre essa postergação. Porém, a tabela aponta ao fim um diferença de imposto+multa e juros de mora no montante de R$ 135.917,77. Não explica precisamente como chegou a tal valor, mas deixa implícito que estaria cobrando imposto também. Ao que parece o fiscal considerou a postergação total do crédito relativa ao ano de 1998 no valor de R$ 132.209,26 e atualizandoo com o juros selic para uma situação temporal mais recente, quando deveria apenas considerar a diferença de multa e juros de mora. Elaborar relatório esclarecendo as dúvidas acima, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 496DF CARF MF Impresso em 31/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.002835/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias, que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmin Teixeira Relator (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.573 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1616.973, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança integral do crédito tributário. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao estabelecimento do contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: 01.01. IRPJ (fls. 338) R$ 11.028.935,09 (onze milhões, vinte e oito mil, novecentos e trinta e cinco reais e nove centavos); 01.02. CSLL (fls. 346) R$ 3.970.416,44 (três milhões, novecentos e setenta mil, quatrocentos e dezesseis reais e quarenta e quatro centavos); 01.03. PIS (fls. 359) R$ 528.648,08 (quinhentos e vinte e oito mil, seiscentos e quarenta e oito reais e oito centavos), 01.04. COFINS (fs. 373) R$ 1.325.706,44 (um milhão, trezentos e vinte e cinco mil, setecentos e seis reais e quarenta e quatro centavos). 01.05. Dessa forma, o crédito tributário consolidado totalizou a importância de R$ 16.853.706,05 (dezesseis milhões, oitocentos e cinqüenta e três mil, setecentos e seis reais e cinco centavos), aí incluídos os valores dos tributos, das multas de oficio e dos juros de mora (estes calculados até 31/0812007). 02. Segundo o descrito no "Termo de Verificação FiscalIRPJ" (fls. 326/328), as irregularidades que motivaram mencionadas exigências consistiram em, verbis: “(...................) OS FATOS 1) Nos anos de 2.002 e 2.003, a empresa apresentou nas suas Declarações de Informações Econômico Fiscais as receitas de R$ 4.595,259,81 e R$ 5.055.011,78, respectivamente, conforme itens 07 das Fichas 06A, de fls. 34 a 37 e 88 0 91. 2) A empresa foi intimada a apresentar, entre outros livros e documentos, os extratos de suas conta bancarias movimentadas nos anos de 2.002 e 2.003, conforme documentos de fls. 7 e 8. 3) Apresentou os extratos solicitados; conforme documentos de fls. 146 a 150, e extratos nos Anexos I e II deste processo. A ANÁLISE Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.574 3 4) Foi intimada a apresentar um demonstrativo das origens dos depósitos bancários não justificados, efetuados naqueles dois anos, e relacionados nas colunas "Não Justificado” nas planilhas de fls. (151 a 294). 5) Não comprovou os valores intimados, conforme documentos de fls. 297. 6) Os valores desses créditos bancários não comprovados são considerados receitas omitidas, sujeitas a tributação por meio de auto de infração, conforme previsto nos artigos 287, 288 e 850 do RIR/99, baixado pelo Decreto n°3.000 de 29.03.1999. (................) ENQUADRAMENTO LEGAL 8) O enquadramento legal das infrações estão (sic) relacionados nas Folhas de Continuação dos autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido. 02.01. Foram lavrados, ainda, "Termo de Verificação Fiscal" específicos, em relação ao PIS (fls. 350/352) e à COFINS (fls. 363/365), de semelhantes teores ao acima. 02.02. Pela prática das irregularidades acima apontadas, foram dados por infringidos os seguintes dispositivos legais: 02.02.01. IRPJ art. 24, da Lei n° 9.249/1995; art. 42, da Lei n°9.430/1996, e; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287 e 288, todos do RIR/1999 (fls. 339); 02.02.02. CSLL art. 2° e §§, da Lei nº 7.689/1988; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/1995; art. 1°, da Lei n°9.316/1996; art. 28, da Lei n°9.430/1996; art. 6° da MP n° 1.858/1999 e reedições, e; art. 37, da Lei n°10.637/2002 (fls. 348); 02.02.03. PIS arts. 1°e 3°, da LC n°07/1970; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9°, da Lei n° 9.715/1998; arts. 3° e 3°, da Lei n°9.718/1998, e; arts. 2°, inciso I, alínea a, e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto n° 4.524/2002 (fls. 361), e; 02.02.04. COFINS = art. 1°, da LC n° 70/1991; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/1998, com as alterações da MP n° 1.807/1999 e reedições, com as alterações da MP no 1.858/1999 e reedições, e; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10,22 e 51, do Decreto n° 4.524/2002. 3. O contribuinte foi cientificado, por meio de seu representante (fls. 16), dos teores dos referidos Autos de Infração em 28/09/2007 e, com os mesmos não se conformando, em 29/10/2007, por sua advogada (fls. 407/408), impugnouos (fls. 383/2.088) foram 3 (três) as Impugnações apresentadas, sendo a primeira delas voltada as exigências relativas ao IRPJ e á CSLL (fls. 383/439), enquanto que as demais reportamse, especificamente, aos lançamentos efetuados a titulo de PIS (fls. 440/487) e de COFINS (fls. 488/536) tendo alegado (em cada um delas), em síntese, o que segue: Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.575 4 IRPJ e CSLL (fls. 383/439): 4. ainda que tenha informado valores relativos as suas receitas, nas DIPJs 2003 e 2004, o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários relativos a movimentação ocorrida nos anos calendário de 2002 e 2003, tendo prestado o devido atendimento; foi, por igual, intimado a apresentar as origens de depósitos bancários não justificados, constantes de tais extratos, não logrando comproválos; destes, foram deduzidos os valores constantes daquelas DIPJs, e a diferença considerada como receitas omitidas; 04.01. por uma superficial leitura, entretanto, dos fundamentos legais que embasaram à autuação, notase que laborou em erro o Sr. Fiscal, uma vez que não se utilizou de elementos precisos a respeito da omissão ou não veracidade dos dados informados. Isto é, as situações ocorridas não são albergadas por tal legislação, dai porque merecem reparo, conforme restara demonstrado; 04.02. sobre os valores dados como receitas omitidas, aplicouse, diretamente, as alíquotas respectivas, tanto do IRPJ como da CSLL. No entanto, tal procedimento não deve prosperar, visto que a fiscalização, além dos depósitos não contabilizados, deveria verificar, por igual, o lucro do contribuinte, de maneira a não confundir rendimento com renda, como o fez; 04.03. e o lançamento decorreu de suposta omissão de receitas, que a fiscalização pretende tributar em sua íntegra, como se receita e renda tivessem o mesmo significado, o que é considerado ilegítimo. Ainda relativamente à omissão de receita, que foi tributada como se tratasse de renda, o que não é, temse que considerar que a receita poderá servir de base para o arbitramento do renda como base de cálculo do IRPJ. Traz jurisprudência a fundamentar seu entendimento; 04.04. dessa forma, o mais adequado seria o arbitramento do lucro, pois o Contribuinte se enquadra nas hipóteses que levariam a tal procedimento, na forma do art. 530 do RIR/99, devidamente reproduzido. Depreendese, então, da simples leitura de tal dispositivo, para se concluir que o contribuinte deverá ser submetido ao arbitramento de seu lucro, com base na receita conhecida, que foi aquela verificada pela fiscalização; 04.04.01. levando em conta o lançamento efetuado, nos deparamos com uma empresa que apresenta lucros superiores a 64% de seu faturamento, o que não existe no mercado, o que torna evidente que o lucro real da empresa não é aquele que se pretende tributar no presente auto, evidenciando mais uma vez a imprestabilidade da (sic) contas efetuadas pelo Sr. Fiscal, data vênia. E a constatação da imprestabilidade da escrita comercial, quando ausente a contabilização de movimento bancário, foi verificada em várias decisões administrativas, cujos números de Acórdãos cita; 04.05. dessa forma, em seqüência a tal raciocínio, o autuante, ao proceder aos lançamentos, deveria fazer uso do disposto nos arts. 532 e 537, ambos do RJR/99, cuja análise determina que em casos de inutilidade da escrita contábil, o fisco deve arbitrar o lucro, pois como dito anteriormente, depósitos bancários (rendimento) não são a mesma Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.576 5 coisa que renda (lucro tributado). Da mesma forma, o § 5° do artigo 6° da Lei 8.021/90 diz que o arbitramento de lucros poderá ser feito com base em depósitos bancários quando o Contribuinte não comprovar a origem. E, conhecida a receita bruta, como no caso, devese aplicar os percentuais previstos pelo art. 519 do RIR/99, acrescidos de 20%; 04.05.01. no caso presente, na condição de prestador de serviços, a base de cálculo do tributo corresponderia a 38,4% (32% + 20%) dos valores apurados. Com isso, os depósitos identificados que supostamente seriam o faturamento (receita) do Contribuinte deveriam sofrer a aplicação do percentual acima, que resultaria no lucro arbitrado e pasíivel de tributação pelo imposto de renda pessoa jurídica.; aplicase, ainda, à CSLL a mesma sistemática. Traz jurisprudência e doutrina e embasar tal juízo; 04.05.02. assim sendo, o lançamento encontrase viciado, em razão de majorar de forma equivocada o suposto crédito tributário lançado em desfavor do Contribuinte, por considerar depósitos bancários (receita) como se fosse renda (lucro tributável), e não aplicando as determinações legais de arbitramento de lucros. 04.06. Dentre seus vários objetivos sociais, a empresa atua no ramo de prestação de serviços de administração e manutenção de imóveis e propriedades de terceiros, mais especificamente de cemitério e jazigos. Mantém, para tal fim, contrato com o Cemitério Morumby, em que sua remuneração advém de parte dos valores recebidos dos proprietários dos jazigos e dos serviços prestados no cemitério; 04.06.01. dessa forma, é de se considerar que parte dos depósitos bancários identificados, originamse da cobrança de taxa de administração do imóvel, pagas pelos detentores de jazigos, sob a quota parte individual das despesas de manutenção, conservação, vigilância, limpeza e demais despesas relacionadas ao imóvel e aos jazigos. Tratase de uma espécie de administração de condomínio, isso porque, o Contribuinte arrecada valores de todos os "coproprietários" do cemitério e paga por conta e ordem destes as despesas inerentes aos imóveis, Parte, portanto, dos valores recebidos, não são receitas de suas atividades, mas, apenas, um reembolso de despesas efetuadas por conta e ordem de terceiros; 04.06.02. exemplifica, dizendo que paga despesas de manutenção e conservação de ruas, jardins, reformas, vigilância, incidentes sobre imóvel que não é de sua propriedade, sendo, posteriormente, reembolsado pelos detentores do uso do imóvel. Traz planilha a dizer que, ainda que despesas de terceiros, os valores ali constantes foram por ele pagos, restando evidente que parte dos depósitos identificados nas contascorrentes do Contribuinte não são em sua totalidade tributáveis, o que deveria ser considerado no cálculo efetivado pelo Fisco. 04.07. Traz, ainda, alegações no sentido da ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Selic, em sua integralidade. Que tal taxa, por sua natureza remuneratória, não pode ser utilizada como taxa de juros moratórios dos créditos fiscais federais, visto que seu cálculo baseiase na variação do custo do Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.577 6 dinheiro, que é influenciado pela liquidez do mercado, não guardando qualquer correlação com a função moratória que deveria exercer; 04.07.01. além de que, não há previsão legal expresso para a aplicação da SELIC. O comando da lei restringese ao mandamento da aplicação referida (sic) taxa sem sequer indicar o percentual nem estabelecer qualquer padrão a ser seguido pelo executivo. Tal fato implica em delegação de competência ao Executivo, não aceita pela CF, visto ferir os princípios da legalidade e indelegabilidade; 04.07.02. assemelhase à TR, que já teve sua inconstitucionalidade declarada pela STF, sob os argumentos de que não constituía índice que refletia a variação do poder aquisitivo da moeda, mutatis mutandis, situação idêntica é a da aplicação da SELIC. Além disso, viola o disposto no art. 161, § 1º, do CTN, evidenciandose que somente a lei pode dispor sob a matéria, sob pena de violação ao principio da estrita legalidade, visto instituída por mero ato administrativo (Resolução n° 1.124, do CMN), além de majorar o crédito tributário. Resta, portanto, ilegal e inconstitucional, de forma a macular o Auto de Infração, tornandoo improcedente em relação a tal parcela. 04.08. Além de que, a mencionada taxa Selic está, desde 02/2006, super avaliada em 20%, já que o Governo Federal, por meio de legislação pertinente, concedeu ao residente no exterior que adquirir títulos públicos federais isenção do imposto de renda (20%). Desenvolve raciocínio nesse sentido, concluindo por dizer que, caso seja aplicada SELIC como índice de remuneração dos tributos, esta deverá ser diminuída em 20% pelos motivos expostos. 04.09. Pede, ao final, seja dado provimento a impugnação apresentada, declarandose improcedente, ou nulo, o lançamento, reconhecendose as insubsistências da pretensão fiscal, vez que nem todas as glosas realizadas pelos Srs. Fiscais correspondem efetivamente a receita bruta da Impugnante. PIS e COFINS (fls. 440/487 e 488/536): 5. Cumpre salientar que, ainda que distintas, as impugnações apresentadas a cada um dos lançamentos acima, apresentam semelhantes dizeres, dai porquê, por economia processual, apenas os argumentos trazidos pela primeira delas será, a seguir, sintetizado. 6. Como não bastasse a perversidade do Sistema Tributário, com a incidência, em cascata, de vários tributos, o autuante considerou como omissão de receita parte dos valores constantes dos depósitos bancários identificados nos extratos das contascorrentes fornecidas pela Impugnante quando da fiscalização, deduzindose deste valor os valores lançados em Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica.; 06.01. dessa forma, a diferença entre os valores declarados nas DIPJs e aqueles apurados nos extratos bancários, foram considerados como receita operacional, aplicandose diretamente a alíquota referente ao PIS. Entretanto, nem todos os valores levados às contascorrentes da Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.578 7 Impugnante correspondem a receitas e, por óbvio não compõem a base de cálculo do PIS; 06.02. de se salientar que o lançamento decorreu de suposta omissão de receitas, sobre a qual pretendese tributar integralmente todos os valores recebidos, como se correspondessem a sua receita operacional; assim, necessário demonstrar, dentre tais valores, aqueles que representam receitas não operacionais, pois estas não são tributadas pelo PIS, uma vez que as regras previstas nos artigos 3°, § 1°e 8 (sic) da Lei n°9.718/98 foram consideradas inconstitucionais. Menciona os n°s dos RE onde considerado inconstitucional, especificamente, o referido art. 3°; 06.03. é de se ressaltar que a exclusão dos receitas não operacionais da base de cálculo do PIS já foi considerada pelo STF como matéria de Súmula Vinculante, nos moldes estabelecidos na sessão administrativa do C. STF, realizada no último dia 23 de abril de 2007. Resta evidenciada, portanto, a necessidade de se identificar a natureza dos valores depositados e, não considerálos todos como operacionais, sob pena de se tributar algo que não deveria, ferindo o principio da legalidade; 06.04. e a lei determina, como regra geral, que o PIS (e a COFINS) incide sobre o faturamento, ou seja, a receita bruta das pessoas jurídicas de direito privado, inclusive as instituições financeiras. 0 fato gerador é a obtenção de faturamento, sendo a definição idêntica 6 de receita bruta adotada pela legislação da COFINS. Portanto, a base de cálculo, é o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondente a sua receita bruta.; 06.04.01. e, entendese por esta Ultimo, como sendo a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes tanto o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica, como a classificação contábil adotada para as receitas. Assim, no caso presente, restariam ser identificadas (dever do fisco) quais as naturezas dos depósitos bancários, se de origem operacional ou não, e quais, portanto, comporiam sua receita bruta/faturamento. Isto porque a presunção de que os depósitos bancários são receita operacional não possui respaldo legal.; 06.04.02. nem deve ser aplicado, ao caso, o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que prevê a ocorrência de presunção legal de que os depósitos bancários são omissão de receita, independentemente de prova efetuada pela fiscalização, visto que tal dispositivo é próprio do IRPJ e da CSLL, não servindo ao PIS. Deveria, sim, ser provado o nexo causal entre cada valor depositado e o fato que represente omissão de receita, sob pena de se estar tributando algo que não representa o fato gerador do tributo, em detrimento ao principio da legalidade. Traz jurisprudência a fundamentar tal entendimento; 06.04.03. dessa forma, a autoridade fiscal deveria, antes de proceder ao lançamento, considerando a totalidade dos depósitos como receita operacional, efetuar uma auditoria e perícia na contabilidade da empresa para verificar quais as naturezas dos depósitos bancários e se estes se caracterizam em receitas operacionais ou em receitas não operacionais, ou ainda em reembolso de despesas.; Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.579 8 06.04.04. e a jurisprudência tem sido clara no sentido de que o arbitramento da omissão de receito deve ser precedido do esgotamento de todas as formas possíveis para se determinar a realidade dos fatos e a contabilidade da Impugnante, por se tratar de medida extrema e de última utilização pela fiscalização, como pode se verificar da decisão do 1° C.C. Ac. 10318.743/97.; 06.04.05. assim, o presente auto de infração esta viciado, por majorar de forma equivocada o suposto crédito tributário lançado em desfavor do Contribuinte, por considerar depósitos bancários (receita) como se fosse renda (lucro tributável), e não aplicando as determinações legais de arbitramento de lucros. Além de que, o processo administrativo tem por escopo a busca da verdade real, de forma a que sejam sanados, administrativamente, todos e quais equívocos cometidos, evitandose a tributação excessiva e uma desnecessária busca ao Judiciário. Reproduz jurisprudência, a embasar sua tese; 06.04.06. e a autoridade fiscal preferiu lançar a totalidade dos depósitos bancários, antes mesmo de verificar aqueles que se relacionariam à receita bruta da Impugnante; foram, no caso, lançados tributos sem que se examinasse adequadamente se efetivamente seriam tributáveis os lançamentos contábeis. Traz, sobre o tema, jurisprudência; 06.04.07. dessa forma, indispensável a realização de encontro de contas a se apurar, diante da verdade material, se realmente a Impugnante está em débito para com este Estado. Oporse, então, ao direito da Impugnante de não recolher quantias indevidas a título de PIS é claro afronte aos princípios da legalidade, da capacidade contributiva, da tipicidade tributária e do não enriquecimento ilícito do Erário. 06.05. Repete, a partir de então, os mesmos argumentos expendidos na impugnação apresentada em relação as exigências formuladas a titulo de IRPJ e CSLL, que versam sobre: (I) suas atividades e receitas (item 04.06. e respectivos subitens), (2) a ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência relativa à taxa Selic (item 04.07. e subitens), e, (3) a aplicação de redutor de 20% nessa mesma taxa (item 04.08.). Seus pleitos finais são, por igual, os mesmos trazidos pela Impugnação anterior, de forma que, novamente aplicandose o principio da economia processual, deixam de ser sintetizados, novamente, os temas acima, muito embora venham a ser objeto de apreciação, pelo presente voto, como se aqui estivessem. 7. As Impugnações trazem, ainda, uma série de documentos, devidamente reprografados (fls. 538/2088), que integram os volumes de n's 3 (parte) a 11, constantes do presente processo, objetivando, com tal procedimento, possivelmente querer justificar os dados constantes das planilhas integrantes das defesas apresentadas (fls. 399, 457 e 505). Inconformada com o acórdão proferido pela DRJ, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, no qual reiterou os fundamentos da sua impugnação, e que, neste momento, passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.580 9 É o relatório. Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.581 10 Voto Vencido Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. O presente recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como narrado nos fatos, tratase de lançamento de IRPJ com fundamento na presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, em razão da omissão de receitas oriundas de vultosas movimentações bancárias de origem não comprovada pela Recorrente. Em decorrência, declarouse também a insuficiência na determinação da base de cálculo da CSLL, do PIS e da COFINS. Depreendese do Termo de Verificação Fiscal que “nos anos de 2002 e 2003, a empresa apresentou nas suas Declarações de Informações Econômico Fiscais as receitas de R$ 4.595.259,81 e R$ 5.055.011,78, respectivamente, conforme itens 07 das Fichas 06A, de fls. 34 a 37 e 88 a 91.” No desenvolver dos trabalhos fiscais foi constatado que, embora tenha oferecido à tributação das receitas acima mencionadas, a Recorrente não logrou comprovar a origem para movimentações financeiras equivalentes R$13.459.666,09 e R$14.085.326,29, nos anos de 2002 e 2003, respectivamente (vide planilha de fl. 332). Ao analisar o valor dos lucros declarados pela Recorrente e o valor do lucro real encontrado pela Autoridade Fiscal ao aplicar a presunção de omissão de receitas a discrepância é ainda maior. O lucro declarado pela Recorrente em 2002 foi de R$102.803,96 e em 2003 foi de R$103.166,99; já o lucro tributável evidenciado pela Fiscalização foi de R$8.872.208,33 – relativo ao ano calendário de 2002 – e R$9.038.361,93 – relativo ao ano calendário de 2003. Portanto, foi detectada omissão de receitas com a utilização da presunção relativa instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, em montante vultuoso e totalmente desproporcional às declarações efetuadas pelo contribuinte, restando evidenciada a imprestabilidade de sua escrita contábil para apurar a base de cálculo dos tributos. Em um primeiro momento, a impressão que se passa é que estamos diante de uma presunção legal que inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar a origem das movimentações financeiras. Comprovada a origem, ficaria afastada a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Caso contrário, seria necessária a inclusão das receitas presumidamente omitidas e recálculo do lucro do contribuinte. Contudo, entendo que não deve ser essa a conclusão para o presente caso. Isso porque, se os extratos bancários registram a movimentação de recursos muito superior às receitas declaradas, é de se concluir que, por vias transversas, a Autoridade Fiscal acabou por desconsiderar a contabilidade da Recorrente. A análise numérica dos valores considerados pelo Fisco em comparação aos valores declarados pelo contribuinte evidencia que não estamos diante da simples aplicação da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, mas sim perante a completa desconsideração da contabilidade da Recorrente. Vejamos os números que evidenciam o ocorrido. Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.582 11 No ano calendário de 2002 a receita considerada pelo contribuinte em contraposição à receita considerada pelo Fisco gera uma diferença de 293%, sendo, portanto, a receita considerada na lavratura do Auto de Infração quase o triplo da receita escriturada pelo contribuinte. Já ao analisar os lucros, a divergência gerada é realmente absurda: a base de cálculo do IRPJ e da CSLL considerada pela Fiscalização corresponde a 8.730% do valor declarado pelo contribuinte. Confirase: Ano calendário de 2002 Receita considerada pelo contribuinte Receita considerada pelo Fisco Correspondencia ao cálculo do contribuinte (%) 1º Trimestre 1.040.229,31R$ 3.453.342,39R$ 332% 2º Trimestre 972.786,48R$ 3.210.288,65R$ 330% 3º Trimestre 1.262.107,07R$ 3.271.336,81R$ 259% 4º Trimestre 1.312.334,90R$ 3.524.698,24R$ 269% TOTAL 4.587.457,76R$ 13.459.666,09R$ 293% Ano calendário de 2002 Base de cálculo do IRPJ e CSLL calculada pelo contribuinte Base de cálculo do IRPJ e CSLL considerada pelo Fisco Correspondencia ao cálculo do contribuinte (%) 1º Trimestre 27.779,48R$ 2.440.892,56R$ 8787% 2º Trimestre 13.695,40R$ 2.251.197,57R$ 16438% 3º Trimestre 33.428,45R$ 2.042.658,19R$ 6111% 4º Trimestre 27.900,63R$ 2.240.263,97R$ 8029% TOTAL 102.803,96R$ 8.975.012,29R$ 8730% A mesma discrepância ocorre ao analisar os números relativos ao ano calendário de 2003. A receita considerada pelo contribuinte em contraposição à receita considerada pelo Fisco acarreta uma diferença de 279% também quase o triplo da receita declarada. No mesmo sentido, a base de cálculo do IRPJ e da CSSL apurada pelo Fisco equivale a 6.738% da base de cálculo apurada pelo contribuinte. Confirase: Ano calendário de 2003 Receita considerada pelo contribuinte Receita considerada pelo Fisco Correspondencia ao cálculo do contribuinte (%) 1º Trimestre 1.146.732,81R$ 3.851.332,51R$ 336% 2º Trimestre 1.165.459,20R$ 3.658.197,78R$ 314% 3º Trimestre 1.301.553,44R$ 3.831.668,60R$ 294% 4º Trimestre 1.433.218,91R$ 2.744.127,40R$ 191% TOTAL 5.046.964,36R$ 14.085.326,29R$ 279% Ano calendário de 2003 Base de cálculo do IRPJ e CSLL calculada pelo contribuinte Base de cálculo do IRPJ e CSLL considerada pelo Fisco Correspondencia ao cálculo do contribuinte (%) 1º Trimestre 29.352,46R$ 2.733.952,16R$ 9314% 2º Trimestre 33.436,03R$ 2.526.174,61R$ 7555% 3º Trimestre 31.542,30R$ 2.561.657,46R$ 8121% 4º Trimestre 41.836,20R$ 1.352.744,69R$ 3233% TOTAL 136.166,99R$ 9.174.528,92R$ 6738% Período de apuração Base de cálculo do IRPJ e CSLL calculada pelo contribuinte (1) Base de cálculo do IRPJ e CSLL considerada pelo Fisco (2) Diferença (2/1) Ano calendário de 2002 102.803,96R$ 8.975.012,29R$ 87 vezes Ano calendário de 2003 136.166,99R$ 9.174.528,92R$ 67 vezes TOTAL 238.970,95R$ 18.149.541,21R$ 76 vezes Considerar que a base de cálculo declarada é 76 vezes inferior ao que realmente deveria ser tributado implica a total desconsideração da escrituração contábil da contribuinte, vez que restou evidenciado que a contabilidade da contribuinte é imprestável para espelhar a realidade dos fatos e fornecer informações seguras para a fiscalização. Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.583 12 Desse modo, tenho que a mera comprovação da omissão nos registros contábeis de tão vultosa movimentação bancária já é suficiente para justificar a imprestabilidade da escrituração contábil. Quando este fato, então, é contraposto com a absurda diferença entre a base de cálculo declarada e a base de cálculo considerada pela Fiscalização resta evidente que a escrituração contábil deve ser abandonada. Como se percebe, não se trata de omissão de alguns depósitos o que, obviamente, seria insuficiente para tornar imprestável a escrituração da Recorrente. Entretanto, por se tratar de valores de elevada monta, é nítida a distorção da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. E, ao se admitir a integral tributação das receitas omitidas como se lucro fossem, fica afastada a própria hipótese de incidência do tributo, que é a renda representada por um acréscimo patrimonial oriundo do confronto de receitas e gastos necessários à fonte produtora. Sobre o tema, convém notar o conceito de renda definido pelo jurista Humberto Ávila (obra): Após essas considerações, podese conceituar a hipótese de incidência do imposto sobre a renda: produto líquido (receita menos as despesas necessárias à manutenção da fonte produtora ou da existência digna do contribuinte) calculado durante o período de um ano. (Conceito de Renda e Compensação de Prejuízos Fiscais p. 34) Na mesma linha, também é o entendimento dos Professores Roque Antônio Carrazza e Misabel Abreu Machado Derzi: [...] “renda” não é o mesmo que “rendimento”. De fato, este é qualquer ganho isoladamente considerado, ao passo que aquela é o excedente de riqueza obtido pelo contribuinte entre dois marcos temporais (geralmente um ano), deduzidos os gastos e despesas necessários à sua obtenção e mantença. (Imposto sobre a Renda, 2009, p. 190) Entretanto, o que não foi desmentido nessa corrente, quer nas teorias , quer nas mais expansionistas, é o fato de que renda não é rendimento. Rendimento é só a idéia de determinado ganho e sua noção independe do tempo. Já renda é, necessariamente, a livre disposição da parcela acrescida de riqueza, do excedente de que pode dispor alguém, pressupondo o abatimento dos gastos necessários para produzila e mantêla. (Direito Tributário Brasileiro de Aliomar Baleeiro, 2003, 0. 289) No lançamento em questão, verificase que a Autoridade Fiscal comprovou a existência de vultosa movimentação bancária e considerou todos os depósitos bancários como receita omitida por parte da Recorrente. Em decorrência dos totais de depósitos identificados (conforme planilha de fl. 332), o Fisco apenas amortizou as receitas já declaradas e tributadas pela Recorrente em sua declaração, sendo a diferença integralmente oferecida à tributação, com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, resultando em grave distorção da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É importante destacar que o art. 42 institui apenas uma presunção relativa, na qual presume ser rendimento omitido os depósitos bancários cuja origem não for comprovada. Entretanto, apesar da presunção acima, a lógica da tributação continua sendo a mesma: a tributação da renda efetivamente auferida pelo contriuinte. Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.584 13 O propósito da referida presunção é apenas instituir a inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte, regularmente intimado, afastar a presunção instituída, demonstrando não se tratar o depósito de receita auferida. Vêse que a interpretação realizada pela Autoridade Fiscal deforma a lógica do sistema jurídico no qual o art. 42 foi inserido, resultando em tributação da receita omitida e não do lucro, afastandose completamente do fato gerador dos mencionados tributos. O art. 42 está atrelado e é indissociável do contexto normativo em que ele está inserido, existindo todo um ordenamento jurídico que é anterior e superior à sua existência. O citado dispositivo, entretanto, não autoriza o Fisco a fechar os olhos e ignorar toda a lógica de tributação do Imposto de Renda, tributando às cegas a integralidade das movimentações financeiras, determinando, por absurdo, a ilegal incidência direta do IRPJ e da CSLL sobre as receitas e não sobre o resultado da contribuinte, extrapolando os limites definidos pelo Código Tributário Nacional. A base de cálculo do IRPJ é o lucro, definido conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art. 44 do CTN. Segundo o art. 6° do Decretolei 1.598/72, o lucro real é o lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação própria. Por sua vez, o lucro líquido deve ser apurado com observância das disposições da lei comercia1. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado de acordo com as prescrições da legislação específica. Em vista desse pano de fundo, concluise que o art. 42 não pode ser visto de forma isolada, aplicado às cegas pelo Fisco, de modo a tributar depósitos bancários vultosos que certamente não refletem os lucros auferidos com a atividade. Esse dispositivo deve ser interpretado dentro do contexto normativo no qual está inserido, nunca se esquecendo de que o fato gerador do IRPJ é a própria renda e não meras receitas/faturamento. Assim, estando comprovado que a omissão de receitas efetivamente ocorreu e está inequivocamente comprovada nos autos, tenho que o caminho que deveria ter sido adotado pela Autoridade Fiscal seria o arbitramento do lucro, diante da sua impossibilidade de aceitar ou de apurar o lucro real da pessoa jurídica. O regime de tributação pelo lucro arbitrado, no qual a parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita e não sobre o lucro. Isso porque, o que se visa tributar é a renda e o arbitramento do lucro cumpre essa função, eis que, conhecida a receita, presumese as despesas incorridas na atividade, encontrandose o lucro tributável, sobre o qual devem recair as exigências de IRPJ e CSLL. O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo efeito de penalidade. Inclusive, é interessante destacar que, embora o arbitramento seja uma modalidade mais gravosa de apuração do lucro, o que se pretende, na verdade, é identificar com razoabilidade o lucro tributável, sobre o qual irá incidir o IRPJ e a CSLL. Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.585 14 É importante frisar que não se está afastando a possibilidade de aplicação da presunção de omissão de receitas estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. O que se defende é, no caso de se evidenciar a total incoerência e discrepância entre a base de cálculo declarada e a base de cálculo apurada pela Fiscalização, estarseia diante da desconsideração da escrituração contábil do contribuinte, devendo, portanto, calcular o lucro na modalidade de arbitramento. Assim, caso a Autoridade Fiscal se depare com tamanha divergência, deve apurar o lucro arbitrado e verificar se este é superior ou inferior à base de cálculo calculada considerando as receitas omitidas. Caso o arbitramento seja inferior à base de cálculo encontrada com o acréscimo das receitas omitidas, aplicase o lucro arbitrado, pelo fundamento de que estarseia diante da desconsideração da escrituração fiscal do contribuinte, vez que os valores apurados evidenciariam tamanha divergência que aplicar cegamente a presunção de omissão de receitas, descontextualizandoa do sistema tributário, implicaria tributação de algo divergente da renda e, conseqüentemente, fora do alcance da tributação. Neste contexto, a Autoridade Fiscal deveria agir segundo os passos elencados abaixo: Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.586 15 Caso, diante da divergência entre o valor apurado e o valor declarado, a Autoridade Fiscal tivesse desconsiderado a escrituração contábil do contribuinte e calculado o lucro por meio do arbitramento, chegarseia aos seguintes valores: Ano calendário de 2002 Base de cálculo do IRPJ e CSLL considerada pelo Fisco Hipótese de Lucro Arbitrado considerando a presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430) Diferença entre o critério adotado e o Lucro Arbitrado 1º Trimestre 2.440.892,56R$ 1.326.083,48R$ 1.114.809,08R$ 2º Trimestre 2.251.197,57R$ 1.232.750,84R$ 1.018.446,73R$ 3º Trimestre 2.042.658,19R$ 1.256.193,34R$ 786.464,85R$ 4º Trimestre 2.240.263,97R$ 1.353.484,12R$ 886.779,85R$ TOTAL 8.975.012,29R$ 5.168.511,78R$ 3.806.500,51R$ Ano calendário de 2003 Base de cálculo do IRPJ e CSLL considerada pelo Fisco Hipótese de Lucro Arbitrado considerando a presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430) Diferença entre o critério adotado e o Lucro Arbitrado 1º Trimestre 2.733.952,16R$ 1.478.911,68R$ 1.255.040,48R$ 2º Trimestre 2.526.174,61R$ 1.404.747,95R$ 1.121.426,66R$ 3º Trimestre 2.561.657,46R$ 1.471.360,74R$ 1.090.296,72R$ 4º Trimestre 1.352.744,69R$ 1.053.744,92R$ 298.999,77R$ TOTAL 9.174.528,92R$ 5.408.765,30R$ 3.765.763,62R$ Repare que, na hipótese de cálculo do Lucro Arbitrado considerando todas as presunções de omissão de receitas em conformidade com o art. 42 da Lei nº 9.430/96, chegar seia a uma base tributável no montante de R$7.572.264,14 menor que a base de cálculo considerada pelo Fisco (soma das diferenças de R$3.806.500,51 + R$3.765.763,62). Neste contexto, não vejo como prosperar o Auto de Infração que exige os tributos em uma base de cálculo extremamente superior ao montante calculado com base no Lucro Arbitrado, cuja lógica é impor a tributação mais gravosa. Fazse necessário ressaltar que não se está impondo um critério discricionário por parte da Autoridade Fiscal. O que se impõe é que a Autoridade Fiscal tenha sempre em mira a busca pela tributação da renda. Sempre que a situação fática propicie uma dúvida em relação ao que está se alcançando com a autuação fiscal, que é o caso da extrema divergência entre a base de cálculo encontrada pela aplicação da presunção e a base de cálculo declarada pelo contribuinte, a Autoridade Fiscal deve calcular o lucro na fora arbitrada (onde se presume uma tributação mais gravosa) e compare com a base anteriormente calculada. Caso a tributação mais gravosa (lucro arbitrado) seja inferior à base de cálculo encontrada pela Autoridade Fiscal com a simples adição das receitas presumidamente omitidas à base de cálculo do contribuinte, devese optar pela tributação na modalidade de arbitramento. Longe de se impor um critério discricionário à Autoridade Fiscal, o procedimento ora defendido é decorrência lógica e fática da interpretação harmônica e coerente do sistema tributário, imputando ao contribuinte o regime tributário apropriado ao contexto narrado. Tratase, portanto, de critério objetivo que não admite qualquer análise subjetiva pela Autoridade Fiscal. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.587 16 Assim, verificada a omissão de receitas pela Autoridade Fiscal e evidenciada a imprestabilidade da escrituração contábil, resta como única opção para a fiscalização o arbitramento do lucro tributável nos períodos auditados. No mesmo sentido, seguem os precedentes deste E. Conselho: Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA – IRPJ. ANOCALENDÁRIO 2000. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receitas os valores dos depósitos em conta bancária cuja origem não restar comprovada mediante documentação idônea, por contribuinte intimada a fazêlo, inclusive com relação a alegação de que a conta bancária pertence a terceiro. IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO ART. 42 DA LEI 9430/96 – DESPROPORCIONALIDADE. Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, "a" e "b"). PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins o que restar decidido no lançamento do IRPJ. (Processo nº 10980.010629/200548. Acórdão nº 1301000.425. 3ª Câmara / 1ª Turma. Sessão de 11 de Novembro de 2010) IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO ART. 42 DA LEI 9430/96 DESPROPORCIONALIDADE Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, "a" e "b"). (Processo n°.: 16327.001706/200488. Recurso n°. :146.488. Sessão de 16 de agosto de 2006. Acórdão n°. :10808.953) O posicionamento ora difundido decorre da mesma lógica de se aplicar o lucro arbitrado quando a autoridade fiscal se depara com a glosa quase total de custos ou despesas. Da mesma forma que a comprovação da necessidade e usualidade dos custos/despesas é do contribuinte, não se admite que se utilize da inversão do ônus da prova de forma cega que acarrete a tributação das próprias receitas, uma vez que os custos e despesas foram amplamente glosados. A lógica acima exposta resolveria também os casos de glosa excessiva de custos e/ou despesas. Caso a glosa seja de tal montante que a aplicação do arbitramento resultaria em uma base de cálculo menor, a Autoridade Fiscal deverá desconsiderar a escrituração contábil do contribuinte, aplicandolhe o arbitramento. Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.588 17 Diante dessas situações, este Conselho se posiciona no sentido de aplicar o lucro arbitrado, uma vez que a glosa de tamanha desproporção acaba por evidenciar o desprezo da escrituração contábil do contribuinte. A este respeito, confirase o posicionamento deste órgão: IRPJ — GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS — Incabível a preservação da tributação pelo mal, quando a autoridade fiscal procede à glosa de 100% dos custos e 99,97% das despesas operacionais da pessoa jurídica, em razão da não apresentação dos documentos comprobatórios reiteradamente solicitados. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe escrituração regular, assim entendida, aquela que tem seus lançamentos lastreados em documentos hábeis e idôneos.Recurso voluntário provido (Acórdão n ° CSRF/0102.554, sessão de 07.12.1998) IRPJ GLOSA DE CUSTOS PRESERVAÇÃO DA APURAÇÃO PELO LUCRO REAL Incabível a preservação da tributação pelo lucro real quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade dos custos dos serviços vendidos. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro líquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. (Acórdão nº 10808.823, sessão de 24.05.2006) IRPJ GLOSA DE DESPESAS PRESERVAÇÃO DA APURAÇÃO PELO LUCRO REAL Incabível a preservação da tributação pelo lucro real quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade das despesas operacionais lançadas. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro líquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. (Acórdão nº 10808.184, sessão de 13.02.2005) Mas não é só: a Recorrente, em sede de impugnação, trouxe aos autos inúmeros documentos, pretendendo comprovar que as entradas financeiras que lhe foram imputadas como receita referiamse a valores de terceiros – e não a recursos próprios. Segundo alega, recebia valores de terceiros, repassavaos parcialmente aos seus destinários, retendo parcela dos valores. A se considerar a tese de defesa da Recorrente, teria que ser promovida, nessa fase processual, a recomposição da contabilidade da empresa, o que entendo não ser possível no curso do processo administrativo. Surge, assim, uma controvérsia: a Recorrente tem direito de afastar a presunção relativa do art. 42 da lei nº 9.430/96, mas, para fazêlo, seria necessário recompor as entradas e saídas financeiras da empresa, por meio do refazimento de toda sua escrituração, posto que esta mostrarseia imprestável. Diante dessa situação, reafirmo que a única hipótese possível de o lançamento ser procedente seria por meio do arbitramento, o que não foi feito pela Autoridade Fiscal. Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.589 18 Feitas essas considerações, voto pelo cancelamento dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, pois deveria ter sido aplicado o arbitramento do lucro a fim de evitar distorções na apuração da base de cálculo dos citados tributos, sendo o método mais apropriado e realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No que toca ao PIS e a COFINS, também entendo que essa exigência não merece prosperar. Uma vez determinado que o lucro tributável deveria ser apurado por meio do arbitramento e, sendo cediço que as pessoas jurídicas de direito privado que apuram o IRPJ com base no lucro arbitrado estão sujeitas à incidência cumulativa das citadas contribuições, é de se concluir pelo cancelamento dos referidos autos de infração, haja vista que lavrados para a exigência do PIS e da COFINS na modalidade não cumulativa. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.590 19 Voto vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Trata o referido julgado de lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em razão da omissão de receitas, constatada com base em vultosas movimentações bancárias de origem não comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Conforme declarações DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, a contribuinte submeteuse, nos anoscalendário de 2002 e 2003, ao regime de tributação com base no lucro real trimestral. Assim, a autoridade fiscal, com observância do disposto no art. 24 da Lei n° 9.249/95 (RIR/99, art. 288), partindo da base de cálculo apurada pela contribuinte em cada período de apuração, adicionou à mesma o valor da receita omitida para fins de determinação do lançamento de ofício do imposto de renda e das contribuições CSLL, PIS e COF1NS. Ao apreciar opresente processo, o ilustre conselheiro Relator reconheceu expressamente a possibilidade, no caso concreto, de aplicação da presunção de omissão de receitas estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não obstante este fato, o ilustre Relator entendeu que, em face de se ter evidenciado, no caso concreto, “total incoerência e discrepância entre a base de cálculo declarada e a base de cálculo apurada pela Fiscalização”, deverseia proceder a desconsideração da escrituração contábil do contribuinte, devendo, portanto, tributar o contribuinte com base no lucro arbitrado. Visando identificar o “tamanho da discrepância”, a partir da qual as autoridades autuantees deveriam tributar a contribuinte com base no lucro arbitrado, o ilustre conselheiro Relator propôs o seguinte critério (grifado): Assim, caso a Autoridade Fiscal se depare com tamanha divergência, deve apurar o lucro arbitrado e verificar se este é superior ou inferior à base de cálculo calculada considerando as receitas omitidas. Caso o arbitramento seja inferior à base de cálculo encontrada com o acréscimo das receitas omitidas, aplicase o lucro arbitrado, pelo fundamento de que estarseia diante da desconsideração da escrituração fiscal do contribuinte, vez que os valores apurados evidenciariam tamanha divergência que aplicar cegamente a presunção de omissão de receitas, descontextualizandoa do sistema tributário, implicaria tributação de algo divergente da renda e, conseqüentemente, fora do alcance da tributação. Discordo completamente deste entendimento, por quatro razões principais: 1) por considerar que a construção hermenêutica operada pelo Relator escapa à alçada do julgador administrativo em face de "lei dada" (lege lata), e adentra o campo do legislador positivo da lei a ser criada (lege ferenda); 2) mesmo que se fosse possível aceitar tal tipo de construção hermenêutica pelo julgador administrativo, iríamos esbarrar em premissa falsa que conduzirá necessariamente a Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.591 20 uma conclusão também falsa (necessidade de se arbitrar o lucro, sempre que, no caso concreto, o lucro real superar o montante do lucro arbitrado); 3) na prática, a tese proposta pelo contribuinte produziria situações flagrantemente antiisonômicas, tendo em vista diversos aspectos, dentres os quais destaco a previsão de percentuais de arbitramento de lucro muito diferentes para distintas atividades (variando entre 1,92% para a atividade de revenda de combustíveis até 38,4% para prestadores de serviços em geral); 4) por fim, ainda que pudesse ser aceita a tese apresentada pelo Relator, não seria o caso de se cancelar integralmente os lançamentos, mas simplesmente de se dar parcial provimento ao recurso, tão somente para reduzir o montante das exigências aos valores que seriam devidos segundo as regras do lucro arbitrado. A seguir discorrerei brevemente sobre estes quatro aspectos, esclarecendo que pretendo me aprofundar na análise destas questões por ocasião do julgamento definitivo do presente processo, após a realização da diligência que ora estou propondo. 1) Afastamento de dispositivo literal de lei Vejamos a redação do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (grifado): Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Vejamos, também, o que dispõe o caput do art. 24 da Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Não é necessário gastar muita tinta para se perceber que a hipótese dos autos se subsume exatamente ao disposto nos artigos supratranscritos: a) o contribuinte movimentou vultosos valores em contas bancárias de sua titularidade; b) o contribuinte deixou de contabilizar tais movimentações; c) regularmente intimado, o contribuinte abstevese de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; d) a contribuinte optou pelo regime de tributação do lucro real trimestral, razão pela qual a receita omitida deve ser tributada de acordo com este mesmo regime. Qualquer interpretação que fuja desse entendimento, a meu ver, estaria afastando a aplicação dos retrocitados dispositivos de lei, o que nos é vedado. Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.592 21 Não se pode, a pretexto de interpretar uma determinada lei, simplesmente declarar a sua ineficácia. Isso equivaleria a declarar sua inconstitucinalidade, invadindo desta forma a seara do Poder Judiciário. 2) Raciocínio de lege ferenda — Interpretação Sistemática — Falsa Premissa Eis, em seus exatos termos, a equivocada premissa geral, a partir da qual partiu o relator (grifado): Caso a tributação mais gravosa (lucro arbitrado) seja inferior à base de cálculo encontrada pela Autoridade Fiscal com a simples adição das receitas presumidamente omitidas à base de cálculo do contribuinte, devese optar pela tributação na modalidade de arbitramento. Em resumo, o relator partiu da tese principal de que o lucro arbitrado é sempre a forma de tributação “mais gravosa” que pode ser aplicada a qualquer contribuinte. Em outras palavras, segundo a distorcida visão do relator, o percentual previsto em lei para o arbitramento de lucros constitui o teto, ou seja, o limite máximo de tributação a que os contribuintes podem se sujeitar. A partir desta falsa premissa, o relator passa a desenvolver o seu raciocínio, no sentido de tentar demonstrar que, mesmo se verificadas as hipóteses que autorizam a presunção de omissão de receitas, devem as autoridades fiscais comparar o montante do tributo devido pela sistemática do lucro real com o montante do tributo devido pela sistemática do lucro arbitrado. No tocante à omissão de receita, ratifico o entendimento do julgado de primeira instância, fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, de que "evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Ratifico, também, o entendimento de que "a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas". Ratifico, por fim, o entendimento de que, uma vez verificada a omissão de receita, a autoridade tributária deve lançar os tributos devidos de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A legislação não prevê exceções a esta regra. Não pode a autoridade administrativa, de qualquer instância, a pretexto de interpretar essa norma, criar exceções à sua aplicação, sob pena de invadir a seara do legislador positivo. O aludido art. 530 do RIR/99, que tem como matriz legal o art. 47 da Lei n° 8.981, de 1995, e o art. 1° da Lei n° 9.430, de 1996, estabelece as hipóteses taxativas em que a autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, quais sejam: Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.593 22 I o contribuinte obrigado à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte, revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para : a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do , comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir ou totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Devese levar em conta que, no presente caso, não ocorreu nenhuma das hipóteses estabelecidas no referido artigo 530 do RIR/99, que justificasse ou autorizasse o arbitramento do lucro da contribuinte. Atendendo às intimações fiscais, a contribuinte apresentou a sua escrituração contábil, a qual foi examinada pela autoridade tributária. Não restou demonstrado nos autos que a falta de contabilização dos depósitos bancários tenha tornado a escrituração contábil da contribuinte imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (lucro real) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — CSLL, bem como para a apuração dos valores dos lançamentos de ofício que originaram o presente processo. A “forçada” interpretação adotada pelo ilustre conselheiro relator equivaleria, em última análise, à criação de uma nova hipótese de arbitramento dos lucros, cujo dispositivo legal (não escrito) poderia assumir a seguinte redação: O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, também será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, optante pelo lucro real, omitir receitas em montante vultoso, de tal forma que a tributação com base no lucro arbitrado seja inferior à tributação calculada com base no lucro real, após a adição do montante das receitas omitidas. Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.594 23 Analisandose o inteiro teor desta norma hipotética, facilmente se constata a total impossibilidade de a mesma, uma dia, vir a ser incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. Em resumo: a tese defendida pelo ilustre relator exige a criação de uma norma, e tal procedimento é inválido, por invadir o campo de competência privativa do legislador positivo. Se isso já não fosse bastante, a norma criada pelo ilustre relator, quando vazada em termos jurídicos, revela evidente caráter casuístico, não reunindo as mínimas condições de ser incorporada ao ordenamento jurídico pátrio. 3) Indesejáveis consequências antiisonômicas Uma das melhores formas de se avaliar o mérito de uma determinada tese consiste em avaliar as suas consequências. Se as consequências da citada tese se mostrarem razoáveis, coerentes e consistentes, em princípio esta tese poderá ser aceita. Por outro lado, se a aludida tese trouxer consequências desproporcionais, injustas, inconsistentes e antiisonômicas, então a mesma deve ser sumariamente rejeitada. Com a devida vênia, é fácil demonstrar que a tese defendida pelo ilustre relator pertence ao segundo grupo, ou seja, ao grupo das teses que, malgrado sua inofensiva aparência, traz em seu bojo nefastas e indesejáveis consequências, que merecem ser energicamente repudiadas. Visando demonstrar este fato, por ora limitarmeei a apresentar um único exemplo. Caso necessário, por ocasião do julgamento definitivo do presente processo (após a realização da diligência que ora estou propondo), discutirei diversas outras consequências indesejáveis que seriam produzidas pela estranha tese apresentada pelo relator. Passo à apresentação do exemplo, de maneira bastante resumida. Inicialmente, vamos considerar dois contribuintes hipotéticos, A (comerciante de combustíveis) e B (prestador de serviços), ambos optantes pelo lucro real no ano calendário 2002. Vamos considerar que o lucro real declarado pelos dois contribuintes tenha sido equivalente a 1% da receita declarada. Consideremos que o contribuinte A tenha omitido receitas em percentual equivalente a 1% da sua receita total declarada. Consideremos, outrossim, que não tenha havido nenhuma outra irregularidade em sua escrituração, além da omissão de receitas no percentual de 1% das suas receitas declaradas. Por outro lado, consideremos que o contribuinte B tenha omitido receitas equivalentes a 59% da sua receita declarada. Consideremos, igualmente, que não tenha havido nenhuma outra irregularidade em sua escrituração, além da omissão de receitas no percentual de 59% das suas receitas declaradas. Considerando os percentuais aplicáveis para o cálculo do lucro presumido acrescidos de 20%, temos que o percentual de arbitramento do lucro deve ser de 1,92% da Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.595 24 receita conhecida para a atividade de revenda de combustíveis e de 38,4% da receita conhecida para a atividade de prestação de serviços. Neste caso hipotético, utilizandose as regras estabelecidas pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 24 da Lei nº 9.249/95 (lucro real), a nova base de cálculo do IRPJ para o contribuinte A seria equivalente a 2% da sua receita declarada. Este valor é determinado pela soma do lucro declarado pelo contribuinte (equivalente a 1% da receita declarada) com a totalidade da sua receita omitida (também equivalente a 1% da receita declarada). Utilizadose as mesmas regras (lucro real), a nova base de cálculo do IRPJ para o contribuinte B seria equivalente a 60% da sua receita declarada. Este valor é determinado pela soma do lucro declarado pelo contribuinte (equivalente a 1% da receita declarada) com a totalidade da sua receita omitida (equivalente a 59% da receita declarada) Agora, cumpre indagar: em qual desses dois casos hipotéticos (A ou B) poderíamos considerar a escrituração imprestável para fins de determinar o lucro real? A resposta correta, obviamente, consiste em afirmar que em nenhum desses casos a escrituração deve ser considerada imprestável, uma vez que a partir dos dados contabilizados é perfeitamente possível reconstituir olucro real dos contribuintes A e B (base tributável do IRPJ). No entanto, supondo que fosse necessário escolher uma dessas situações para desconsiderar a escrituração da contribuinte, qual das duas situaçõs deveria ser escolhida? Ora, a razoabilidade, a proporcionalidade, a coerência e o próprio bom senso nos levaria a afirmar que somente se poderia se cogitar de desprezar a escrituração no caso do contribuinte B, que omitiu receitas equivalentes a 59% da sua receita declarada. Absolutamente ninguém, em sã consciência, cogitaria de desprezar a contabilidade do contribuinte A, que omitiu receitas no ínfimo percentual de 1% das suas receitas declaradas. Pois bem. Para espanto de todos, devo afirmar que o estranho critério proposto pelo ilustre relator levaria a conclusões diametralmente opostas ao bom senso e ao mais elementar sentimento de justiça. Vejamos: Aplicandose a tese defendida pelo ilustre relator, a contabilidade do contribuinte A (que omitiu apenas 1% das receitas declaradas) deveria ser considerada imprestável para fins de apuração do lucro real. De acordo com a tese do relator, o contribuinte A deveria ser tributado com base no lucro arbitrado, pois a base de cálculo do IRPJ seria equivalente apenas a 1,9392% da receita declarada (1,92% da receita total, sendo esta equivalente a 101% da receita declarada). Segundo a legislação de regência (lucro real), a base de cálculo do IRPJ para o contribuinte A seria de 2% da sua receita declarada. Uma vez que a tributação pelo lucro presumido seria mais favorável ao contribuinte, a estranha tese do conselheiro relator preconizaria a desconsideração da Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.596 25 escrituração do contribuinte A (que omitiu míseros 1% de sua receita declarada), aplicandose lhe as regras do lucro arbitrado. Em contraste com esta situação, a contabilidade do contribuinte B (que omitiu expressivos 59% de sua receita declarada) continuaria sendo aceita pelo relator para fins de apuração do lucro real. Aplicandose as regras do lucro arbitrado, teríamos que a nova base de cálculo do IRPJ da contribuinte B seria equivalente a 61,056% da receita declarada (38,4% da receita total, sendo esta equivalente a 159% da receita declarada). Por outro lado, segundo a legislação de regência (lucro real), a nova base de cálculo do IRPJ seria equivalente a 60% da receita declarada. Uma vez que a tributação pelo lucro real continuaria sendo mais favorável ao contribuinte, de acordo com a estranha tese do conselheiro relator deveria ser mantida esta forma de tributação (lucro real), não obstante o expressivo índice de omissão de receitas. A situação acima descrita fere mortalmente os mais comezinhos princípios de justiça, de equidade, de razoabilidade e de proporcionalidade. Consequentemente, é forçoso reconhecer que o critério casuístico defendido pelo ilustre relator não resiste ao mais simples teste de validação prática, razão pela qual merece ser energicamente combatido. 4) Impossibilidade de cancelamento integral do lançamento Ainda que pudesse ser aceita a tese apresentada pelo Relator, não seria o caso de cancelar integralmente os lançamentos. Afinal, é inegável que, no presente caso, a contribuinte cometeu uma grave infração, que consistiu na omissão de expressiva parcela de suas receitas. Inegável, também, que a legislação de regência determina, expressamente, que a referida parcela de omissão de receitas seja tributada de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Como facilmente se percebe, no presente caso as normas legais foram rigorosamente observadas pelas autoridades autuantes ( e ratificadas pelo colegiado julgador de primeira instância). Revelase despropositada a ideia do relator, com base numa tese altamente duvidosa (para dizer o mínimo), pretenda desconstituir inteiramente o crédito tributário regularmente constituído, sob a controvertida alegação de inobservância dos critériors legias aplicáveis à especie. As resumidas considerações anteriormente apresentadas são suficientes para demonstrar as graves falhas da tese sustentada pelo ilustre conselheiro relator. Assim, na remota hipótese deste colegiado vir a acatar tal tese, certamente não seria o caso de se cancelar integralmente os lançamentos, mas tão somente de dar parcial provimento ao recurso, para reduzir o montante das exigências aos valores que seriam devidos segundo as regras do lucro arbitrado. Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.597 26 Esclareço que aprofundarei a análise dessa questão por ocasião do julgamento definitivo do presente processo, após a realização da diligência que ora estou propondo. A diligência proposta Não obstante as razões acima expendidas, considero que o presente processo ainda não reúne condições de ser julgado. Muito embora reconheça a plena correção do raciocínio utilizado pelas autoridades autuantes, verifico que após a lavratura dos autos de infração foram trazidos aos autos milhares de documentos que, em tese, podem ser hábeis a comprovar a origem de alguns dos depósitos bancários encontrados pelo Fisco. Para maior clareza, transcrevo os trechos da decisão recorrida, nos quais se procedeu a análise dos aludidos documentos, fls. 2.146: [...] como atestar que a série de documentos, devidamente reprografados (fls. 538/2088, que compõem carte do volume de n° 3, até o volume de n° 11), apresentados pela impugnação, não teriam sido, já, objeto de escrituração (6 de se presumir que sim) e, devidamente deduzidos (em se presumindo sua escrituração/ certamente o foram) como despesas suas no decorrer daqueles anos calendário, de maneira a que seus resultados fossem, segundo a contabilidade, os "corretos", ou seja, aqueles levados as DIPJs respectivas???; [...]. em relação, entretanto, àqueles valores apurados como omissão de receitas advindos de depósitos bancários, cuja origem o contribuinte não logrou justificar não há que se falar em despesas (e/ou custos) deles decorrentes: não tendo se dado as escriturações correspondentes, não há que se cogitar da possibilidade de se considerar a existência de despesas (e/ou custos) atreladas a valores de receitas omitidas. Como facilmente se percebe, o colegiado julgador a quo equivocouse, ao considerar que os documentos trazidos aos autos pela contribuinte visavam a consideração de custos ou despesas supostamente omitidos em sua escrituração. Na realidade, a recorrente simplesmente alegou que uma parte dos valores que circulou em suas contas bancárias não representava receitas de suas atividades, mas tão somente reembolso de despesas efetuadas por conta e ordem de terceiros. Para maior clareza, transcrevo parte das alegações da recorrente, fls. 456 (grifado): A lmpugnante exerce a atividade de administração de bens, negócios e interesses próprios ou de terceiros e a participação em empreendimentos gerais ou em outras empresas, como sócia ou acionista. Atua no ramo de prestação de serviços de administração e manutenção de imóveis e propriedades de terceiros, mais especificamente de cemitério e jazigos. Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.598 27 De fato, a lmpugnante tem um contrato de prestação de serviços de administração do Cemitério Morumby, de propriedade de uma Comunidade Religiosa, em que sua remuneração advém de parte dos valores recebidos dos proprietários dos jazigos e dos serviços prestados no cemitério. Assim, sucessivamente ou no caso de não ser considerado nulo o presente auto de infração pela não demonstração pelo fisco da natureza dos depósitos bancários, alternativamente, devese apurar que parte dos depósitos identificados nas contascorrentes da Impugnante e glosados pelos Srs. Fiscais, são originários da cobrança de taxa de administração do imóvel (Cemitério) de todos os seus proprietários (detentores dos jazigos) e parte da arrecadação das despesas relativas a cada um destes proprietarios (detentores dos jazigos), sob a quota parte individual das despesas de manutenção, conservação, vigilância, limpeza e demais despesas relacionadas ao imóvel e aos jazigos. Desta forma, temse que a atividade exercida pela lmpugnante nada mais é do que uma espécie de administração de condomínios. Isso porque a Impugnante arrecada valores de todos os "co proprietários" do cemitério e paga por conta e ordem destes as despesas inerentes aos imóveis. Desta forma, parte dos valores recebidos pela lmpugnante em sua contabilidade não são receitas de suas atividades sendo apenas um reembolso de despesas efetuadas por conta e ordem de terceiros. Exemplificativamente, a Impugnante paga despesas sobre o imóvel do cemitério, que não é de sua propriedade, a titulo de manutenção e conservação de ruas, jardins, reformas no imóvel, serviços de vigilância do imóvel, etc. que não são despesas suas mas sim de terceiros, sendo tais despesas reembolsadas pelos detentores do uso do imóvel. Às fls. 457 a contribuinte apresenta um demonstrativo no qual discrimina alegadas “despesas de terceiros” cujos valores supostamente teriam transitado em suas contas correntes. Segundo a recorrente, tais valores não corresponderiam a receitas de suas atividades, sendo apenas reembolsos de despesas efetuadas por conta e ordem de terceiros. Por ora, não descarto completamente a possibilidade de que alguns dos valores que transitaram nas contas correntes da contribuinte efetivamente correspondam a simples reembolsos de despesas efetuadas por conta e ordem de terceiros, conforme alegado pela recorrente. No entanto. em diversas oportunidades, este colegiado já se pronunciou no sentido de que “a prova de uma alegação não pode ser feita mediante a simples juntada de milhares de documentos, sem nenhuma organização interna e sem a devida argumentação que contextualize tais elementos de prova”. Em outras palavras, é necessário que a contribuinte demonstre, com argumentos sólidos, de que forma os milhares de documentos por ela trazidos aos autos são capazes de demonstrar a verdade dos fatos por ela alegados. Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002835/200715 Resolução n.º 1401000.136 S1C4T1 Fl. 2.599 28 Por todo o exposto, em homenagem à busca pela verdade material, julgo necessário realização de diligência, visando dar nova oportunidade ao contribuinte para demonstrar, com argumentos lógicos e concatenados, que parte dos valores omitidos que transitaram em sua conta corrente não correspondem a receitas de suas atividades. Para tanto, deve a autoridade diligenciante seguir os seguintes passos: 1) Intimar o contribuinte a apresentar, no prazo de 20 dias, os esclarecimentos que entender pertinentes, relativos aos documentos trazidos aos autos na fase impugnatória (fls. 538/2088), visando demonstrar que parte dos valores omitidos que transitaram em sua conta corrente não correspondiam a receitas de suas atividades, mas a simples reembolsos de despesas efetuadas por conta e ordem de terceiros. 2) A seguir, deverá a autoridade diligenciante emitir um relatório conclusivo, manifestandose acerca dos argumentos e elementos de prova trazidos aos autos pela contribuinte. Caso aceite a comprovação da origem de alguns depósitos bancários, deverá a autoridade diigenciante elaborar um quadro demonstrativo detalhado, indicando os valores remanescentes nos diversos lançamentos que compõem o presente processo; 3) Por fim, devese dar ciência à contribuinte sobre o aludido relatório conclusivo, reabrindolhe prazo para manifestação, dentro de novo prazo de 20 dias. Cumprida a diligência, retornem os autos para julgamento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13888.003908/2007-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/06/2005
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de apresentar GFIP.
Numero da decisão: 2403-000.410
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de apresentar GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente/Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto, Acórdão 1419.343 8ª Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória. Segundo a fiscalização, a empresa enviou os arquivos da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com as irregularidades assim descritas no Relatório Fiscal da Infração, folha 11: 1) Descrição sumária da Infração: A empresa foi autuada : por deixar de informar mensalmente à Secretaria da Receita Previdenciária SRP, por intermédio de documento definido em regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. A empresa foi formalmente intimada através do Termo Início da Ação Fiscal TIAF datado de 02/10/2007, anexo a este Auto de Infração,: deixando de apresentar as Guias de Informação à Previdência Social GFIP nos meses de Maio de 2002, Junho de 2002, Abril de 2005, Maio de 2005 e Junho de 2005. O dispositivo legal infringido e a descrição da infração foram assim apresentados: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por Intermédio de documento definido em Regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafos 3. e 9., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2., 3. e 4. do "caput" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Foi aplicada multa de R$ 10.307,97, está registrado que não houve circunstâncias agravantes ou atenuantes e o contribuinte tomou ciência do lançamento em 23/11/2007. Inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso, onde resumidamente, alaga o seguinte: • Foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo de n° 7, de 9 de janeiro de 2004, pelo motivo de exercer atividade econômica vedada para o SIMPLES (manutenção e/ou montagem de equipamentos industriais; l e prestação de serviço de locação de mão deobra), com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2002. • Não recorreu da exclusão. • Em razão de não concordar com sua exclusão do SIMPLES, bem como com que os efeitos da exclusão levada a Cabo através do Ato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003908/200763 Acórdão n.º 240300.410 S2C4T3 Fl. 154 3 Declaratório Executivo n.° 7, de 9 de janeiro de 2004, retroagiram a 1° de janeiro de 2002, opôs, neste momento, impugnação aos lançamentos/autos de infração referentes à multa. • Discorre sobre a exclusão do SIMPLES. • Afirma que a multa não deve prosperar porque diz respeito ao período em que a Recorrente encontravase incluída no SIMPLES. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso não questiona o lançamento em si, apenas busca abrir litígio acerca da exclusão do SIMPLES, havida em 2004, com efeitos a partir de 1/01/2002. Entendo imprópria essa discussão neste processo. Conclusão À vista do exposto, voto por não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.010627/2006-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.067
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro RELATÓRIO Conforme se extrai do relatório proferido pela DRJ recorrida: Tratase de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples Federal (SRS), formalizada em 17/11/2006, objetivando o enquadramento na sistemática desde 1999. Alega a interessada Fl. 81DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/05/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10166.010627/200633 Resolução n.º 1401000.067 S1C4T1 Fl. 2 2 ter sido excluída naquele anocalendário, mas que recebeu um comunicado para que fosse desconsiderada a exclusão, porquanto efetuada indevidamente. Alega ainda que desde então não recebeu qualquer outra comunicação sobre o Simples. Entretanto, ao solicitar comprovante de inscrição no CNPJ constatou que não estava enquadrada no regime (fl. 01). Junta cópia de comunicado de fl.03, e outros documentos de fls. 04/05. A DRF em Brasília, verificou que a exclusão da contribuinte do Simples Federal no anocalendário 1999 ocorreu em razão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União de um dos sócios; esses débitos foram parcelados naquela época, estando suspensos, cancelandose, assim, a motivação da referida exclusão; posteriormente tal parcelamento foi cancelado, e prosseguiuse na cobrança. Nesse contexto, e apreciando a SRS como um pedido de inclusão retroativa, indeferiu a solicitação da interessada (fls. 47/49), fundamentando: A existência de débito inscrito na Dívida Ativa da União é vedação à opção pelo SIMPLES e motivo de exclusão desta sistemática. Segundo as telas relativas à ocorrência do débito 31), o mesmo, 10.5.98.00114154, estava suspenso á época da exclusão, mas perceba que o motivo que deu causa à exclusão foi cancelado. Ou seja, o contribuinte voltou ao status quo, razão pela qual a exclusão é válida pois à época da exclusão a cobrança foi ativada e a inscrição permanece ativa. Como a contribuinte não exerceu de forma regular sua opção pelo SIMPLES, após eliminação de suas vedações, é incabível sua inclusão retroativa nesta sistemática de apuração e recolhimento de tributos. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 08/10/2008 (fl. 52), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 04/11/2008 (fls. 54/56), informado ter liquidado os débitos inscritos em Dívida Ativa da União de responsabilidade de seu sócio, e requerendo que sua exclusão do Simples Federal seja considerada sem efeito. Posto o feito em julgamento, entendeu a DRJ por indeferir a solicitação, conforme ementa que segue: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999, 2007 DÉBITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/05/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10166.010627/200633 Resolução n.º 1401000.067 S1C4T1 Fl. 3 3 As pessoas jurídicas com débitos inscritos em Dívida Ativa da União, em nome próprio ou de seus sócios, cuja exigibilidade não esteja suspensa, estão vedadas de optar pelo Simples Federal. Solicitação Indeferida É este, em suma, o relatório. VOTO Antes de se analisar o mérito do recurso apresentado pela Recorrente, são necessários alguns esclarecimentos da matéria fática existente nos autos, pelo que proponho a conversão do presente julgamento em diligência, com a seguinte finalidade: a) confirmar a veracidade material do documento de fl. 3, trazendo aos autos o ato ou decisão que cancelou o ato declaratório de exclusão nº 14884 b) informar se houve novo ato declaratório de exclusão relativo aos fatos do presente feito. Em caso negativo, informar qual foi a base legal para exclusão do contribuinte do SIMPLES no sistema SIVEX; c) esclarecer a que se referem os eventos de fls. 40/44, se forem relevantes para o deslinde do presente feito d) elaborar parecer conclusivo acerca do resultado da diligência; e) intimar o contribuinte para se pronunciar sobre os termos da diligência, no prazo legal. Após, os autos deverão retornar ao presente feito a este Conselho para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 83DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/05/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000248/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.016
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHÂES DE OLIVEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Luiz Bezerra Presta, Maria Antonieta Lynch de Moraes, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Assinado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 12/01/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 2 Relatório VENBO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ Nº 71.833.552/0001-29, já qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro RJ, contida no acórdão nº 12-11.521 de 25 de Agosto de 2.006, que manteve os lançamentos IRPJ, CSLL, PIS, e COFINS. Adoto o relatório da DRJ. Em face do sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ (fls. 86/89), no valor de R$ 110.391,15, à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS (fls.90/93), no valor de R$ 339,66; à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (fls. 94/97), no valor de R$ 43.005,17 e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS (fls. 98/101), no valor de R$ 1.045,11, com multa de 75% e demais encargos moratórios. 2.Quanto ao lançamento relativo ao IRPJ, de acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 83/85 e 87, foram apuadas as seguintes irregularidades fiscais: 2.1.Omissão de Receitas /Devolução de Mercadorias Vendidas (item 001). 2.1.1. Caracterizada pela não comprovação de devolução de mercadorias vendidas. O contribuinte, embora intimado e reitimado através dos termos de fls. 80/81, não comprovou as devoluções de vendas contabilizadas à débito da conta 3.1.2, em fevereiro de 1998, no montante de R$ 52.256,00, conforme fl. 476 do diário 074, à fl. 107. 2.1.2. Enquadramento Legal: Art. 195, inc. II, 197 e § único, 225, 226 e 227 do RIR-1997; Art. 24 da Lei nº 9.249/95.. 2.2. Despesas Indedutíveis (item 002). 2.2.1. O contribuinte , em 31/12/98, levou a débito do Resultado do Exercício, através da conta 711224 (Outras Despesas não Operacionais), e a título de anistia em contrato, o montante de R$ 65.500,00. 2.2.2. Enquadramento Legal: Art. 193, 195, inc. I, 197, § único e 242 do RIR/94.. 2.3.Omissão de Variações Monetárias Ativas / Variações Cambiais (item 003). 2.3.1. Omissão de receita financeira, caracterizada pela falta de contabilização de variação cambial dos créditos da empresa junto à controladora estrangeira Brazil Fast Food Corporation, conforme razão da conta 1.2.8.01 (fl.108), no valor de R$ 419.808,63 (Demonstrativo de fl. 85). 2.3.2. Enquadramento Legal: Art. 193, 194, 197 e § único, 224, 320 e 323, do RIR/94; Art. 8º da Lei nº 9.249/95. 3.Inconformado com as exigências, o contribuinte apresentou as impugnações de fls. 131/143(IRPJ), 273/274(PIS), 320/321(CSLL) e 368/369(COFINS), argumentando, em síntese, que: - a suposta falta de provação de devolução de mercadorias somente teria sido constatada pela autuante em fevereiro de 1998, época em a Impugnante teria aderido a um regime especial no carnaval de 1998, através de 53 pontos de vendas e 75 vendedores ambulantes pertencentes ao seu quadro de funcionários; . o regime especial ao qual a Impugnante aderiu previamente às vendas que seriam realizadas com a utilização de tíquetes devidamente numerados, sendo que, ao Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Assinado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 12/01/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000248/2003-41 Resolução n.º 1402-00.016 S1-C4T2 Fl. 2 3 final do dia, seria emitida uma única nota fiscal que registrasse o total das vendas diárias, com base no somatório dos tíquetes utilizados nas vendas de seus produtos. Por sua vez, as vendas realizadas por vendedores ambulantes seriam controladas por um Mapa de Controle de Vendas, que permitiria apurar a diferença entre as mercadorias que lhe foram entregues daquelas negociadas; - a devolução de mercadorias vendidas, tidas por incomprovadas, são, geralmente, dedutíveis, representando receitas não realizadas decorrentes do exercício da atividade da Impugnante em evento festivo; - a lavratura do auto de infração atacado decorre do desprezo pela “lógica do razoável”, pois exige, para que a despesa seja qualificada como dedutível, que haja a adoção de procedimentos fiscais completamente inadequados à realidade; - - a Fiscal Autuante não revelou os motivos que a lavaram a concluir que a Impugnante possuía créditos em moeda estrangeira. Os créditos apontados no auto de infração são empréstimos concedidos em moeda nacional, para cumprimento de obrigações de sua controladora aqui no Brasil; - segundo a sistemática de apuração adotada pela Fiscal Autuante, retratada no “Demonstrativo de Variação Cambial em 1998”, os valores a serem oferecidos à tributação decorreriam de créditos acumulados dos anos anteriores (US$ 2.354.919,39) e de uma operação realizada em março de 1998 (US$ 2.837.827,20); - o saldo acumulado apurado pela Fiscal Autuante é resultado de vários pagamentos realizados pela Impugnante para cumprimento de obrigações de sua controladora no Brasil. Por certo, é muito mais fácil a sua controladora possuir um débito maior com uma única empresa, a Impugnante, do que efetuar vários pagamentos de valores menores, a inúmeras pessoas físicas e jurídicas, necessitando, para cada uma, efetuar operações de câmbio, registros no Banco Central, enfim, cumprir todas as exigências para remeter tais valores para o Brasil. Os comprovantes de pagamentos em anexo e a perícia a seguir requerida comprovam a realização das operações apontadas no livro fiscal da Impugnante; - o crédito de março de 1998 tem origem no contrato de compra e venda que a controladora da Impugnante celebrou com a Bob’s Indústria e Comércio Ltda, em fevereiro de 1998, através da qual restou obrigada a pagar o preço ajustado aqui no Brasil, por meio de cheque administrativo, que, a pedido da credora, foi emitido em nome da Vendex do Brasil Ind. e Com. Ltda; - segundo a doutrina e a jurisprudência, a variação cambial ativa - que, cabe recordar, não existe na presente hipótese - apenas será apropriada quando efetuado o pagamento das obrigações a que as mesmas se referem; - nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, requer a produção de prova pericial para que, através de seus livros fiscais, seja comprovado que as operações de empréstimo apontadas pela Fiscal Autuante foram realizadas em moeda nacional, com a origem e a destinação dos valores devidamente escrituradas, indicando perito e formulando quesitos; - a ação fiscal, deveria ter levado em conta os prejuízos fiscais apurados pela Impugnante no exercício de 1998, procedendo a retificação de seus valores, já que a falta atribuída à Impugnante importa na alteração do resultado do exercício; - admitida a retificação do prejuízo fiscal e a conseqüente inexistência de tributo a recolher, revela-se sem fundamento a cobrança de quaisquer encargos acessórios; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Assinado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 12/01/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 4 - considerando a improcedência dos itens questionados da ação fiscal sob exame, requer-se a desconstituição parcial do auto de infração; - requer seja efetuada a retificação do prejuízo fiscal apurado no exercício de 1998, tendo em vista a glosa das despesas mencionadas no item 2 da presente autuação fiscal, excluindo-se, evidentemente, os encargos acessórios indevidamente cobrados. Levado a julgamento de 1ª Instância em 25 de agosto de 2.006, a 1ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro decidiu por unanimidade de votos rejeitar o pedido de pericia e manter os lançamentos com os argumentos que podem ser resumidos na ementa abaixo transcrita. PERÍCIA. INDEFERIDA - A perícia ou a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS VENDIDAS - A falta de documentação que embase o registro contábil da devolução de mercadorias caracteriza omissão de receitas. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. PREJUÍZO DECLARADO - A matéria tributável apurada em ação fiscal apurado na ação fiscal somente pode ser compensada com prejuízo fiscal declarado de período anterior desde que não tenha sido utilizado antes da época da autuação. OMISSÃO DE RECEITAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS - A receita auferida a título de variações cambiais ativas sujeita-se à tributação pelo imposto de renda. LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL. PIS e COFINS - O decidido para o lançamento do IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, quando não há razão de ordem jurídica para lhes conferir julgamento diverso. Inconformada com a decisão proferida a empresa através do seu procurador apresentou o recurso voluntário de folhas 458 a 470, argumentando em síntese o seguinte. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Argumenta a nulidade da decisão de primeira instância em virtude da mesma ter carreado aos autos documento que comprovaria a utilização total do prejuízo em 1.999, o que diz não ser verdade pois teria utilizado prejuízos apurados entre 1.993 e 1995, no valor de R$ 5.000.000,00 não tendo se utilizado do prejuízo apurado em 1.998, no valor de R$ 7.729.306,90.(item V do RV). OMISSÃO DE RECEITAS - VARIAÇÃO CAMBIAL. Repete as argumentações da inicial, de que não houve empréstimo em moeda estrangeira, que os valores foram emprestados à sua controladora em reais para pagamento da Bob’s Indústria e Comércio Ltda, adquirida no Brasil pela sua controladora e que a pedido da credora o cheque foi emitido para Vendex do Brasil Ind. E Com. Ltda. Afirma que o ARFB presumiu que o contrato seria em moeda estrangeira sujeito a variação cambial. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Insiste no pedido de perícia para demonstrar que o empréstimo foi realizado em moeda nacional com origem e destinação dos valores devidamente escriturados. Indica a perita e formula quesitos. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Assinado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 12/01/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000248/2003-41 Resolução n.º 1402-00.016 S1-C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator. O recurso é tempestivo, dele conheço. Rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância pois a divergência de posições entre a DRJ e o contribuinte, em relação ao aproveitamento de prejuízos, podem ser resolvidas através de diligência. Analisando os autos verifico que o julgamento não tem condição de ser realizado, pois, existem dúvidas e contradições nos autos que precisam ser solucionadas. Inicialmente saliento que Auditora Fiscal, no Termo de Verificação e Constatação, fl. 84 item 03, faz a acusação de omissão de receitas pelo não reconhecimento de variação cambial no empréstimo feito à controladora da autuada simplesmente com base no lançamento na conta 1.2.2.8.01, razão fl. 118. Não questionou a Auditora qual o documento que dera origem àquele lançamento e nem juntou qualquer documento que comprovasse ter sido o empréstimo feito em moeda estrangeira ou mesmo em moeda nacional sujeito à variação cambial. A contribuinte por seu turno apenas atestou através do documento de folha 79 o não reconhecimento de receitas financeiras nos empréstimos feitos à controladora, nada revelando também quanto ao contrato que poderia solucionar a questão. Assim, em homenagem ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo tributário, a questão do empréstimo precisa ser solucionada. Há outra questão a ser solucionada relativa ao aproveitamento, ou não da totalidade dos prejuízos em 1.999, de um lado a administração diz que foram totalmente utilizados em 1.999, de outro o contribuinte que diz ter se utilizado de prejuízos apurados de 1.993 a 1.995 ficando intacto o valor apurado em 1.998. Assim proponho converter o julgamento em diligência para que a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil autuante, ou outro, que a administração designar, verifiquem os livros e documentos fiscais da empresa e respondam aos seguintes quesitos: QUANTO AO EMPRÉSTIMO FEITO PELA AUTUADA À SUA CONTROLADORA. Qual o documento que deu origem aos lançamentos contábeis relativos ao empréstimo? (Juntar contratos e outros documentos comprobatórios). Qual ou quais os índices de atualização monetária e de remuneração do empréstimo? Qual o valor que deveria ser reconhecido e a que título em 31.12.98? QUANTO AOS PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS DA CSLL. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Assinado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 12/01/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 6 Quais os valores dos prejuízos e bases negativas da CSLL, existentes em 31.12.98? Quando e quanto dos referidos valores foram compensados no REFIS e nas apurações de resultados posteriores ao ano base objeto da exigência e anteriores à autuação? Fica a critério do auditor diligência efetuar outras verificações que entender necessárias, relacionadas com o litígio, desde que não importe em aperfeiçoamento da autuação. Ao final, a autoridade deverá elaborar relatório consubstanciado e cientificar a autuada para, se quiser, manifestar sobre o resultado da diligência no prazo de 30 dias. Concluo, pois, em votar pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Assinado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 12/01/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10830.007060/2007-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 23/08/2007
Ementa:
ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA
A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91.
ISENÇÃO E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente”
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
DESCUMPRIMENTO.
Deixar a empresa de matricular no INSS obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade, no prazo de 30 (trinta) dias do início de suas atividades, constitui infração à legislação, punível na forma da Lei.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.431
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/08/2007 Ementa: ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91. ISENÇÃO E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente” CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de matricular no INSS obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade, no prazo de 30 (trinta) dias do início de suas atividades, constitui infração à legislação, punível na forma da Lei. Recurso Voluntário Negado
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ISENÇÃO E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente” CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de matricular no INSS obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade, no prazo de 30 (trinta) dias do início de suas atividades, constitui infração à legislação, punível na forma da Lei. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.007060/200719 Acórdão n.º 240300.431 S2C4T3 Fl. 158 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0521.928 9ª Turma , que julgou procedente o lançamento do crédito tributário oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, isto é, a empresa deixou de matricular obras de construção civil. A infração e o dispositivo legal foram assim descritos no documento de constituição do crédito tributário: Deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social INSS obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de 30 (trinta) dias do inicio de suas atividades, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 49, parágrafo 1., "b", e parágrafo 3., combinado com o art. 256, parágrafo 1., II, e parágrafo 3. do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. A multa aplicada fundamentouse nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, I, "d" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O Relatório Fiscal da Infração apresenta que a recorrente deixou de matricular obras nos seguintes endereços: • Construção: Av. Orozirnbo Maia 165; Av. Francisco Glicério, 1913; Av, Francisco Glicério, 1937; Rua José Paulino, 1770; Rua Barão de Parnaiba, 690; • Demolição: Rua José Paulino, 1754; Rua José Paulino, 1770. As matrículas foram efetuadas de ofício e o contribuinte foi cientificado do lançamento em 28/08/2007. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • da ausência do trânsito em julgado da decisão proferida pelo conselho de recursos da previdência social referente ao ato cancelatório das quotas patronais. • do julgamento em conjunto com as NFLD's 37.078.8630, 37.078.8656, 37.078.8672, 37.078.8699, 37.115.2658 (obrigação principal). • da imunidade/isenção. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.007060/200719 Acórdão n.º 240300.431 S2C4T3 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Direito à isenção/imunidade Conforme ficará demonstrado abaixo, o lançamento ocorreu após decisão definitiva em sede administrativa da decisão proferida pelo Conselho de Recursos da Previdência Social referente ao ato cancelatório da isenção das quotas patronais Inicialmente vou relatar os julgamentos ocorridos no CRPS. O Acórdão n° 2057/2006, da 04ª CaJ Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, negou provimento, por maioria, ao recurso da entidade e manteve o Ato Cancelatório que cancelou a isenção usufruída pela mesma. Acórdão: 2057/2006 04ª CaJ Quarta Câmara de Julgamento Vistos e relatados os presentes ,autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros dá Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, em CONHECER DO RECURSO E NEGARLHE PROVIMENTO POR MAIORIA, de acordo com o voto Divergente e sua fundamentação. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Brasília DF, 28/11/2006 O decisão teve por base que a entidade descumpriu o requisito contido no inciso V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, pois possui a concessão de um terminal rodoviário, cuja administração cabe à uma subconcessionária que é remunerada com base num percentual incidente sobre o lucro do terminal. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. No texto do acórdão consta que apesar de ser responsável pelo terminal, a subconcessionária não é a empregadora formal dos empregados que laboram no mesmo, ainda Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 que os mesmos estejam sob sua subordinação. Os empregados estão formalmente vinculados à entidade que usufruía de isenção. Assim, entendeu o CRPS que a entidade remunerou a subconcessionária e ao mesmo tempo assumiu o ânus dos encargos salariais e previdenciários de empregados que na verdade se subordinavam à subconcessionária. Desta maneira majorou indevidamente o lucro operacional do terminal e, conseqüentemente, repassou à subconcessionária parte desse lucro obtido à custa da isenção usufruída. A recorrente interpôs embargos de declaração contra o Acórdão n° 2057/2006 que negou provimento por maioria ao recurso da entidade e manteve o Ato Cancelatório que cancelou a isenção usufruída pela mesma. Em conseqüência, novo julgamento acerca desse processo ocorreu no CRPS em 27/06/2007 e resultou no Acórdão 1078/2007, onde a 04ª CaJ decidiu, por unanimidade, não conhecer do recurso. Acórdão: 1078/2007, 04ª CaJ Quarta Câmara de Julgamento Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, em NÃO CONHECER DO RECURSO DE REVISÃO POR UNANIMIDADE, de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Brasília DF, 27106/2007 Segundo as regras do processo administrativo vigente à época, a decisão transita em julgado quando é dada ciência da decisão lavrada pelo CRPS — Conselho de Recursos da Previdência Social. O lançamento da presente ocorreu em 28/08/2007, portanto, após decisão definitiva em sede administrativa. Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.007060/200719 Acórdão n.º 240300.431 S2C4T3 Fl. 160 7 Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. No caso deste processo, a isenção do recolhimento da cota patronal foi cancelada devido à Maternidade não atender ao disposto no inciso V do artigo 55 da Lei 8.212/91, conforme decisão do CRPS relatada acima. Julgamento conjunto com os recursos referentes às obrigações principais Este recurso está sendo julgado na mesma sessão de julgamento das obrigações principais às quais se referiu a recorrente. Obrigação acessória X Imunidade Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação ora infringida é a acessória, ou seja, obrigação que tem por objeto a prática ou a abstenção de condutas previstas em lei e a lei não excepciona desta Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 obrigação (acessória) nem mesmo as empresas que gozem de isenção tributária. Vejamos o que dispõe o art.175, parágrafo único, do Código Tributário Nacional: “Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente”. (sem grifos no original) Desta forma, o presente AutodeInfração foi corretamente lavrado, pois o contribuinte, ao deixar de matricular as obras descumpriu obrigação acessória determinada em lei. Conclusão À vista do exposto, voto por, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10909.003021/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.018
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antônio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório DISPET INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Por meio dos Autos de Infração, às folhas 341 a 368, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 2.259.881,05 (dois milhões, duzentos e cinqüenta e nove mil, oitocentos e oitenta e um reais e cinco centavos) e de R$ 822.197,17 (oitocentos e vinte e dois mil, cento e noventa e sete reais e dezessete Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, respectivamente, acrescidas de multa de ofício de 75% ou de 150%, conforme o caso, e de juros de mora. Essas exigências referem-se a fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2005. Relato da fiscalização No “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 341 a 356), a fiscalização revela que a empresa atua no ramo de comércio e importação de polímeros e embalagens para revenda. No curso da fiscalização, foram apuradas as seguintes infrações: I – Falta de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL Em análise dos valores registrados na contabilidade da empresa e aqueles informados em DCTF e DIPJ, a fiscalização verificou a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL. Na escrituração contábil, a empresa apurou resultado do exercício de R$ 2.552.879,64, antes da provisão para a CSLL e IRPJ, conforme Livro Diário nº 04, cuja cópia foi acostada aos autos. A fiscalização ressalta que a contribuinte informou que não possui LALUR e não tem ajustes ao lucro líquido do exercício para apuração do IRPJ e CSLL. Deste modo, foi apurado crédito tributário de IRPJ e CSLL sobre o resultado tributável. II – Glosa de despesas e custos – IRPJ e CSLL (a) Perdas no recebimento de créditos – inobservância de requisitos legais A contribuinte foi intimada a comprovar despesas de perdas com devedores duvidosos, no montante de R$ 341.991,41, contabilizados em 31/12/2005. Em atendimento à solicitação, relacionou de forma individualizada , por cliente e data, o valor de cada parcela e o valor total, bem como as notas fiscais que deram origem aos créditos. A fiscalização salienta que a nota fiscal nº 1916 da “Ind. Com. de Bebidas Quefren Ltda.”, no valor de R$ 142.725,65, não foi localizada, nem foi escriturada como venda no Livro de Saídas e Livro Razão, de modo que não se pode falar em perda no recebimento de nota fiscal que sequer foi contabilizada. As notas fiscais que deram origem aos créditos foram emitidas nos meses de agosto a dezembro de 2005, conforme cópias em anexo, mas não poderiam ser baixados em 2005, em face dos prazos estabelecidos no art. 9º da Lei nº 9. 430/96. (b) Perdas de materiais Intimada a comprovar os lançamentos contábeis no montante de R$4.081.690,10, a título de perdas de material, a contribuinte não teria observado a forma estabelecida no art. 291 do RIR/99. A fiscalização assevera que, por tratar-se de empresa comercial, que não efetuava nenhum processo de industrialização, essas perdas são significativas e representam 9,23% do total de compras efetuadas em 2005. A fiscalizada apresentou alguns documentos da empresa Multilog Soluções de Logística (operadora portuária), entretanto o relatório apresentado refere-se apenas a danificação ou avaria nos containers ou paletes, sem qualquer referência às mercadorias neles contidas, e não informa se as mercadorias estavam cobertas por seguros e se houve indenização. Ressalta que, ainda que houvesse avarias ou danificação, a comprovação deveria ser por meio de laudos ou certificados das autoridades citadas no art. 291 do RIR/99. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10909.003021/2007-91 Resolução n.º 1402-00018 S1-C4T2 Fl. 2 3 III – Omissão de receitas da atividade A fiscalização efetuou o confronto das notas fiscais de vendas emitidas com as escrituradas no Livro de Saídas e Razão, tendo constatado que a empresa não escriturou em seu Livro de Saídas e, por conseguinte, não ofereceu à tributação, as notas fiscais constantes no “Demonstrativo de Notas Fiscais Não Registradas em 2005”, que integra os autos. Deste modo, restaria caracterizada omissão de receitas no importe de R$2.158.963,07, ensejando a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. As exigências dessas duas últimas contribuições foram formalizadas em autos separados, para atendimento da legislação específica. IV - Da qualificação da multa O intuito de fraude e sonegação estaria presente ao longo da descrição dos fatos, tendo em vista a omissão de registro de notas fiscais de vendas de mercadorias; falta de registro do PIS e da Cofins destacados nas notas fiscais; falta de apuração e registro do PIS e da Cofins devidos com base no sistema não-cumulativo e apresentação da DIPJ do ano-calendário com valores inexatos. A fiscalização formulou Representação Fiscal para Fins Penais, através do processo nº 10909.003025/2007-70. Impugnação Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 372 a 404, acompanhada de outros documentos, na qual apresenta em síntese os seguintes argumentos: a) Omissão de receitas – vendas não contabilizadas - No curso da ação fiscal esclareceu e comprovou ao agente fiscal que referidas notas fiscais referem-se a notas fiscais de vendas canceladas e/ou devolvidas. Entretanto, o agente fiscal não acolheu os argumentos e provas apresentadas, nem fez qualquer menção sobre a existência de notas de vendas canceladas, quer no Termo de verificação Fiscal, quer no auto de infração. - Além disso, o procedimento fiscal teria incidido em falha grave, qual seja, a completa ausência de levantamento ou auditoria nos estoques, cuja realização é imprescindível para sustentação de autuações feitas a esse título. - O agente fiscal realizou circularizações, com MPF extensivo, em cerca de 30 clientes, certamente na expectativa de constatar notas calçadas ou meia nota, no entanto, não teve êxito, mesmo porque a impugnante não adota tais práticas delituosas. Se tivesse circularizado para constatar a veracidade dos argumentos da impugnante acerca das notas fiscais canceladas, certamente constataria a sua real ocorrência, inclusive, que os clientes não as possuem e muito menos contabilizaram as mesmas. - Deste modo, restaria claro que a exigência fiscal pautou-se em mera presunção de omissão de receitas, por alegada falta ou insuficiência de escrituração de notas fiscais de venda, presunção essa sem amparo legal. - O fisco não cuidou de apurar e demonstrar, com segurança, eventual falha na escrituração da impugnante que pudesse justificar o lançamento de ofício, preferindo lançar mão, pura e simplesmente, da presunção legal preconizada no art. 283 do RIR/99, a qual somente se aplica à hipótese de falta de emissão de nota fiscal, o que não restou demonstrado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 - Para comprovar suas alegações, anexa as primeiras vias das notas fiscais canceladas e/ou devolvidas, iniciando pela nota fiscal nº 293, com termo final na nota fiscal nº 2085, com exceção da nota fiscal nº 1691 e 1989, não localizadas até a presente data. b) Glosa de despesas com perdas de materiais por inobservância dos requisitos legais - As restrições feitas pelo agente fiscal em relação às provas apresentadas, fornecidas pela operadora portuária Multilog Soluções de Logística não tem qualquer fundamento, eis que as mesmas detalham, com precisão as avarias ocorridas (produto, peso, valor, etc.). - Aproveita a oportunidade para anexar aos presentes autos, competente “Declaração” fornecida pelo Departamento de Fiscalização e Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura do Município de Itajaí, Estado de Santa Catarina, comprovando discriminadamente, a quantidade de caixas, bem como os respectivos produtos encontrados em condições impróprias para comercialização. Ressalta que o Departamento de Fiscalização e Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura do Município de Itajaí é órgão de extensão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. - Está diligenciando junto ao CETEA – Centro de Tecnologia de Embalagem, com vistas à obtenção de laudos esclarecendo que, quando na avaria no transporte, em contato com oxigênio o produto estará contaminado para fins alimentícios. Caso não logre obter referidos laudos em tempo para anexar à impugnação, protesta desde já pela juntada dos mesmos quando da apresentação do recurso voluntário para o Conselho, caso não consiga êxito em 1ª instância. - Junta documentos da empresa Multilog comprovando que containers ou paletes foram danificados ou avariados no transporte ou manuseio durante os procedimentos de importação. Esses documentos foram apresentados à fiscalização, mas não foram consideradas provas hábeis. Tal argumento não procede porque o agente fiscal não fez sequer uma única visita que fosse às instalações da empresa, apesar de convidado inúmeras vezes. Anexa inúmeras fotocópias coloridas das fotos tiradas dos paletes com as respectivas mercadorias avariadas. c) Glosa de perdas com devedores duvidosos, por inobservância dos requisitos legais para dedução - A conclusão fiscal não tem qualquer respaldo, porque o agente fiscal contestou tão-somente a apropriação do valor de R$ 142.725,65, sob a alegação de que a respectiva nota fiscal nº 1916 “não foi localizada”, no entanto, sem qualquer justificativa, glosou o montante total da perda deduzida do lucro real no ano de 2005, no montante de R$ 341.991,41. - Com vistas a demonstrar a consistência das perdas com devedores duvidosos apropriados pela impugnante, junta os documentos contábeis e fiscais que respaldaram o procedimento da impugnante, traduzidos em “Relatório de Comportamento em Negócios” fornecido pelo Serasa, comprobatórios da inadimplência dos respectivos clientes que contratavam com a impugnante e que justificam e autorizam o lançamento em despesas advindas de “perdas com devedores duvidosos”. d) Resultados operacionais não declarados - A constatação fiscal refere-se a simples erro formal, representado pela divergência entre os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF em relação àqueles informados na DIPJ, ou seja, enquanto na DCTF foi informado valores a recolher (IRPJ – R$132.010,83 e CSLL – R$ 87.040,11), na DIPJ nada constou (valores em branco). Além disso, a fiscalização teria constatado divergência no cálculo da apuração do IRPJ Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10909.003021/2007-91 Resolução n.º 1402-00018 S1-C4T2 Fl. 3 5 e CSLL devidos sobre o resultado do exercício, que foi de R$ 2.552.879,64, antes da CSLL e da Provisão para IRPJ. - Apesar de reclamar tão-somente sobre erros de cálculo e de forma, o agente fiscal pretende exigir de ofício o IRPJ e a CSLL sobre o total do lucro líquido do exercício, desconsiderando, por completo, as exclusões autorizadas por lei para apuração do lucro real, que é a verdadeira base de cálculo dos pretendidos IRPJ e CSLL. Mais ainda, sequer procedeu à compensação do IRPJ e da CSLL, nos montantes de R$ 132.010,83 e R$ 87.040,11, que o próprio auditor admite terem sido apurados, declarados na DCTF e recolhidos, espontaneamente, pela impugnante. - Além de admitir a declaração e recolhimento dos valores acima, reconhece que a impugnante procedeu ao seu Balanço de Encerramento e à Demonstração do Resultado do Exercício (ano-calendário de 2005), os quais foram transcritos no Livro Diário nº 04, página 269, o que corresponde ao reconhecimento expresso de que a empresa agiu com estrita observância da legislação fiscal e comercial. - A divergência de informação constatada pelo agente fiscal entre a DCTF e a DIPJ resultou de simples equívoco formal, sem qualquer influencia na apuração e recolhimento do IRPJ e na CSLL, relativo ao ano-calendário de 2005, sem nenhum prejuízo ao erário. e) Do descabimento da majoração da multa de ofício - A qualificação da penalidade não tem suporte fático ou legal, pois as falhas apontadas pela fiscalização, mesmo que julgadas procedentes, não passa de meros erros de escrita e/ou simples indícios de irregularidade. - Ao se admitir a aplicação de penalidade agravada em autuação pautada em mera presunção de omissão de receitas, por alegada falta ou insuficiência de escrituração de notas fiscais de venda no ano-calendário de 2005, estra-se-ia legitimando a acusação de dolo, fraude ou simulação, por presunção da presunção, em verdadeira afronta ao disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, que exige a prova do crime para a exasperação da penalidade nele prevista. f) Inexatidão da base de cálculo do IRPJ lançado de ofício - A base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica é determinada após a dedução da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Deste modo, a fiscalização teria tributado duas vezes os mesmos fatores, cabendo então a retificação da matéria tributável do imposto de renda. - Ampara-se em julgado constante no acórdão nº 101-91.594, de 20/11/97, do 1º Conselho de Contribuintes. g) Tributações reflexas Ressalta a relação de causa e efeito entre a exigência de IRPJ e as de contribuições sociais, reiterando a improcedência do lançamento de IRPJ e, conseqüentemente, de contribuições sociais. h) Ilegalidade dos juros Selic na correção de débitos tributários A utilização da taxa Selic seria totalmente ilegal e inconstitucional porque careceria de previsão legal e não poderia ser utilizada como índice de correção monetária, mas de remuneração do capital. i) Do pedido Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 Pugna pela interpretação mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, conforme previsto no art. 112, inciso II, do Código Tributário Nacional. Protesta pela juntada de novas provas, demonstrativos, laudos técnicos, periciais e outros elementos que venham a ser necessários à comprovação das alegações articuladas. O acórdão de 1 a . Instância está assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. Caracteriza omissão de receitas a falta do registro na contabilidade de notas fiscais de saídas. Se o contribuinte não logra comprovar o cancelamento das operações consignadas nestes documentos, deve ser reconhecida sua efetividade para comprovar a realização de vendas. QUEBRAS E PERDAS. COMPOSIÇÃO DO CUSTO. REQUISITOS. As quebras e perdas ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio, integrarão o custo, desde que sejam razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade. As quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, integrarão o custo, desde que comprovadas por laudo ou certificado de autoridade competente, que especifique e identifique as quantidades. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, desde que observadas as condições previstas no art. 9º da Lei nº 9.430/96. CSLL. INDEDUTIBILIDADE. A partir de 1º de janeiro de 1997, o valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.Lançamento Procedente” Cientificado via postal, o contribuinte apresentou recurso voluntário na qual repisa as alegações da peça impugnatória, bem como contesta os fundamentos da decisão de 1 a . instancia. Ato continuo, o processo foi encaminhado a este conselho para julgamento em segunda instância administrativa. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10909.003021/2007-91 Resolução n.º 1402-00018 S1-C4T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Relator O recurso preenche os apresenta os requisitos legais para admissibilidade; dele conheço. Passo a apreciar as alegações da recorrente na ordem dos tópicos. 1) Omissão de receitas – vendas não contabilizadas Segundo descrição contida no TVF (fls. 11), a fiscalização apurou alegada omissão de receitas através do confronto das notas fiscais de vendas emitidas com as escrituradas no livro de saídas e razão contábil, pelo qual teria constatado que a Recorrente deixou de escriturar em seu livro de saídas e conseqüentemente não ofereceu a tributação as notas fiscais constantes do "Demonstrativo de Notas Fiscais Não Registradas em 2005", que anexou aos Autos. Nessa linha de raciocínio concluiu que teria restado caracterizada a omissão de receitas, no montante de R$ 2.158.963,07, tributáveis pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. No recurso voluntário, aduz a contribuinte que: [...]a exigência fiscal é de todo improcedente, eis que resultou da desconsideração, pura e simplesmente, por parte do Auditor Fiscal, das Notas Fiscais de Vendas canceladas. No particular, convém notar que a Recorrente, no curso da ação fiscal esclareceu e comprovou tais alegações, mediante quadro demonstrativo contendo a data, o n° da NF e o valor da Nota Fiscal cancelada, bem como a exibição das l a s vias das mesmas. Não obstante, o I. Auditor Fiscal não acolheu os argumentos e provas apresentadas, basta ver que não fez qualquer menção sobre a existência das NF's de Vendas Canceladas, quer no TVF, quer no Auto de Infração. Além do completo descaso à prova cabal da ocorrência das Notas de vendas canceladas, as quais justificariam a diferença de receitas resultante da aiegada falta ou insuficiência de escrituração de Notas Fiscais de vendas, o procedimento fiscal incidiu em outra falha que fulmina de morte a acusada omissão de receitas, qual seja, a completa ausência de levantamento ou auditoria nos estoques, cuja realização é imprescindível para sustentação de autuações feitas a esse título. E mais, com vistas de alicerçar a acusada omissão de receitas, e a aplicação da multa qualificada que fez incidir sobre o tributo daí resultante, o I. Auditor Fiscal circularizou, com MPF- extensivo, cerca de 30 clientes, certamente na expectativa de constatar notas calçadas ou meia nota, no entanto não teve êxito, mesmo porque a Recorrente, como contribuinte séria que é, não adota tais práticas delituosas. Quanto a este fato, frisa-se que, embora tenha o Nobre Auditor efetivado as circularizações supracitadas, estranhamente não integram as mesmas os autos do presente processo administrativo, certamente pelo fato de terem resultado inexitosas, depondo exclusivamente em favor da Impugnante. Com efeito, se o d. Autuante tivesse circularizado para constatar a veracidade dos argumentos da Recorrente acerca das notas fiscais canceladas, certamente constataria a sua real ocorrência, inclusive que os clientes não as possuem e muito menos contabilizaram as mesmas. Ademais, invoca o I. Julgador a quo e transcreve o Art. 31 do anexo 5 do Regulamento do ICMS, do Estado de Santa Catarina, aprovado pelo Decreto Estadual n° 2.870, de 2001, que a legislação do ICMS estabelece formalidades específicas para o cancelamento de notas fiscais. Pois bem, cumprindo o mesmo dispositivo alegado pelo I. Julgador, a Recorrente, conservou todas as vias das notas fiscais canceladas e anexou cópias das I a vias por ocasião da impugnação, o que comprova inequivocamente que as mesmas se Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 encontram em seu poder. Já os motivos dos cancelamentos estão expressos no livro "Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências", às fls. 26, verso até fls. 40, verso, as quais anexamos cópias, juntamente com as cópias dos Termo de Abertura e Termo de Encerramento, datados de 03 de janeiro de 2005. [...] Ora pretender manter exigência de IRPJ, formalizada com base em presunção legal preconizada no art. 283 RIR/99, a pretexto de que a recorrente não observou o regulamento do ICMS no cancelamento das notas fiscais, corresponde, no mínimo, a aplicação cega do princípio da salvabilidade do lançamento. Tal justificativa, contudo, não tem como prosperar, pois além de tratar de dispositivo estadual, que não dá aso ao lançamento de IRPJ, representa verdadeira inovação do lançamento, posto que não foi este o motivo, muito menos a capitulação legal da alegada omissão de receitas. Ad argumentandum tantum, ainda que a Recorrente não tenha observado, com precisão, os dispositivos do Regulamento do ICMS, no cancelamento das notas fiscais, quando muito, poderia o Fisco Estadual lhe imputar eventual penalidade administrativa, nunca, porém, como pretende os julgadores a quo, manter acusada omissão de receitas, capitulada em dispositivo da legislação do IRPJ e não nos artigo do Regulamento do ICM invocados na decisão recorrida para manter a exigência fiscai formalizada a este título. Portanto, senhores Conselheiros, a decisão recorrida não pode prosperar, sob pena de o Contribuinte não ter mais a certeza jurídica da extensão do que lhe poderá ser exigido como Tributo, incerteza essa que, indubitavelmente, implicaria a ausência da segurança jurídica que lhe é devida, ficando seu direito desnudado de proteção e sem garantia de seu cumprimento. Na esteira destas considerações, requer, espera e confia a Recorrente que Vv. Sas reformem a decisão a quo, julgando, em conseqüência, improcedentes os lançamentos fiscais relativos à pretensa omissão de receitas, tendo em vista o Demonstrativo das Notas Fiscais Canceladas e as las vias das mesmas, que anexamos na Ímpugnação, para comprovar as alegações articuladas neste tópico, e, por outro lado, consoante acima demonstrado, os dispositivos invocados na decisão recorrida são da esfera estadual, que não dá aso ao lançamento de IRPJ, e sua invocação representa verdadeira inovação do lançamento, posto que não foi este o motivo, muito menos a capitulação legal da alegada omissão de receitas.” Em análise do argüido, entendo que se faz necessária a realização de diligência fiscal, para juntada dos documentos que foram obtidos em face da circularização realizada pela fiscalização junto aos clientes da empresa, bem como verificar a efetividade, ou não do pagamento dessas operações. Alem disso, faz –se necessário analisar os originais das 1 a . vias da notas fiscais que estão em poder do contribuinte visando atestar que realmente tais notas não chegaram mesmo a sair do estabelecimento. No que tange as infrações “Perdas de Materiais” e “Resultados Operacionais não declarados”, é de bom alvitre que a fiscalização se manifeste sobre as ponderações do contribuinte, às fls. 856 e seguintes, trazidas no requerimento “Razões Aditivas”, que foi apresentado após findo o prazo recursal. A Fiscalização poderá fazer outras verificações que entender adequadas para atestar a veracidade das alegações quanto ao cancelamento das vendas e demais infrações. Ao final, lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, se manifeste no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 06/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10825.900691/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.061
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Viviani Aparecida Bacchmi e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900691/200869 Resolução n.º 140200.061 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório A alteração contratual de fls. 67/71, datada de 11/11/2003, indica que em tal data a recorrente manteve o objeto social no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. A DIPJ fls. 14/27, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/2000 a 31/12/2000, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). A DCTF de fls. 28/36, entregue em 26/03/2008, tratase de declaração retificadora referente ao terceiro trimestre de 2000. Às fls. 37/61 constam as DCTF’s do segundo trimestre de 2004, que não se tratam de declarações retificadoras. Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32%, a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 2000. O acórdão de fls. 73 e seguintes não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Dos fundamentos do acórdão recorrido transcrevo a seguinte passagem: “A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fato...” Após citar o artigo 45, da Lei nº 8.981, de 1995, que determina que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido deverá manter todos os livros e documentos que serviram de base à escrituração e que as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, o acórdão guerreado julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada, de forma tempestiva, a parte ingressou com recurso alegando: Fl. 158DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900691/200869 Resolução n.º 140200.061 S1C4T2 Fl. 3 3 a) que o Pedido de Compensação PER/DCOMP, objeto deste processo, foi transmitido à Receita Federal do Brasil em 23/10/2003, portanto dentro do prazo de 5 (cinco) anos do pagamento indevido ou a maior; b) quanto à averiguação da liquidez e certeza do pagamento indevido ou a maior de tributo, confrontando documentos com registros contábeis e fiscais, entende correto e necessário o procedimento, porém esqueceuse o julgador de primeira instância, que o poder dever dessa obrigação é ônus do Estado e; c) que os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, onde se destacam, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços e Notas Fiscais. Junto com o recurso, o sujeito passivo trouxe aos autos o documento de fl. 88, referente ao início de fiscalização iniciada em 06/08/2007, relativa ao período de 2003 a 2005, que resultou no auto de infração cuja cópia parcial consta da fl. 89/90, notificado ao sujeito passivo em 18/03/2008, que gerou o processo administrativo nº 15889.000.137/200859. Em consulta realizada no COMPROT, em 08/02/2011, verifiquei que o referido processo encontra se na Terceira Turma da Delegacia de Ribeirão Preto. Por inexistir nos autos cópia do referido processo não é possível avaliar se há conexão entre este processo e aquele ou, se aquele, em tese, poderia ser prejudicial ao julgamento deste, o que não considero. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao terceiro trimestre de 2000 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 2000 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF’s de fls. 27 e seguintes, no montante de R$ 11.020,82. O acórdão recorrido indeferiu a compensação por entender que na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900691/200869 Resolução n.º 140200.061 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito. À luz do parágrafo único, do artigo 142, do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, base de cálculo, a alíquota incidente e, quando devido, realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos legalmente fixados. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988 e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142, do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de Fl. 160DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900691/200869 Resolução n.º 140200.061 S1C4T2 Fl. 5 5 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” No caso dos autos, a prevalecer o argumento de que a parte recorrente, tributada com base no lucro presumido, no terceiro trimestre de 2000, recolheu tributo levando em consideração base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto, em tese, seria 8% (oito por cento), não há o que se falar em extinção do direito de postular a compensação, visto que tal direito foi exercido no decorrer do anocalendário de 2004, conforme especificado nas DCTF`s. As DCTF`s entregues em 2004 são documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não há o que se falar em decadência. A falta de retificação imediata da DIPJ referente ao ano de 2000, em nada altera as informações contidas nas DCTF`s referentes ao ano de 2004, cujos créditos de 2000 foram utilizados para pagamento de débitos apurados neste período. Superadas as questões acima enfrentadas, adentro ao mérito donde se extrai que a alteração contratual de fls. 67/71, datada de 11/11/2003, dá conta de que a recorrente se constitui de Laboratório que tem por objeto social a atuação no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”, cuja base de cálculo do imposto de renda é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento), conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a seguinte ementa: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido.” (REsp 837.913/SC, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010). "DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS Fl. 161DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900691/200869 Resolução n.º 140200.061 S1C4T2 Fl. 6 6 NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO 'SERVIÇOS HOSPITALARES'. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão 'serviços hospitalares' prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de 'serviços hospitalares' apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que 'a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares'. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decidida anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade Fl. 162DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900691/200869 Resolução n.º 140200.061 S1C4T2 Fl. 7 7 diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido." (Resp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010). O artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, com a redação dada pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, à luz do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, há que se reconhecer que a base de cálculo dos Laboratórios de Análises Clínicas, em relação às receitas destas atividades, quanto ao IRPJ é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento). Quanto aos aspectos até aqui enfrentados, ao que se depreende do acórdão recorrido, não há divergência. A controvérsia surge em relação à instrução da impugnação. A impugnação foi desacolhida porque a parte recorrente deixou de apresentar documentos que a autoridade julgadora considerou essenciais, dentre os quais a Declaração do Imposto de Renda da época, documento este que, à época, ainda não havia sido retificado e que, ao meu sentir, por estar em poder da Administração esta, à luz do artigo 29, segunda parte, artigo 36, segunda parte e artigo 37, todos da Lei nº 9.784, de 1999, podia ter juntado aos autos. Ao meu sentir, quando da impugnação, em relação ao pedido de compensação não homologado, que tenha por objeto controvérsia relacionada à base de cálculo, a parte recorrente deve apresentar: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido Fl. 163DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900691/200869 Resolução n.º 140200.061 S1C4T2 Fl. 8 8 se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, finalmente, os valores pagos a maior; e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP, etc.). ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: (i) que a requerente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, prestar as informações constantes nas letras “a” a “e”, acima referidas; (ii) após juntada dos documentos apresentados, a fiscalização deverá lançar manifestação analisando a veracidade das informações trazidas aos autos, informando a efetividade dos valores alegadamente pagos ou compensados, em cada um dos períodos; (iii) na análise de que trata o item anterior, a autoridade preparadora também deverá analisar se o mesmo crédito, se existente, foi ou está sendo objeto de compensação em outros processos e, caso afirmativo, em que montantes. (iv) após a manifestação da fiscalização, deverá a parte interessada ser intimada para se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, devendo os autos, juntamente com eventuais processos conexos, retornarem ao CARF para exame do mérito. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 164DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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