Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10073.720234/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Considera-se definitiva a glosa que não foi objeto de recurso por parte do contribuinte;
DEDUÇÃO DESPESAS COM INSTRUÇÃO
As provas trazidas aos autos demonstram, satisfatoriamente, a realização das despesas com instrução.
Numero da decisão: 2202-003.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Considera-se definitiva a glosa que não foi objeto de recurso por parte do contribuinte; DEDUÇÃO DESPESAS COM INSTRUÇÃO As provas trazidas aos autos demonstram, satisfatoriamente, a realização das despesas com instrução.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10073.720234/2013-08
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736528
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.957
nome_arquivo_s : Decisao_10073720234201308.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 10073720234201308_5736528.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6819279
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212135931904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 133 1 132 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720234/201308 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.957 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente JOEDES SARRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Considerase definitiva a glosa que não foi objeto de recurso por parte do contribuinte; DEDUÇÃO DESPESAS COM INSTRUÇÃO As provas trazidas aos autos demonstram, satisfatoriamente, a realização das despesas com instrução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 02 34 /2 01 3- 08 Fl. 133DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2007, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 68 a 76, em que foram apuradas as seguintes infrações: 1) dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 1.584,60; 2) dedução indevida de despesa com instrução, no valor de R$ 2.480,66; 3) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$10.220,96; 4) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 10.660,00. Em virtude dessas infrações, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 6.860,21, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 14.966,91. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 68 a 76, o Contribuinte apresentou em 01/03/2013 a impugnação de fls. 2 e 3, juntando aos autos os documentos de fls. 4 a 61. Foi solicitada prioridade no julgamento, com fulcro no Estatuto do Idoso. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ deu parcial provimento a impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Considerase como não impugnada a parte do lançamento contra a qual o Contribuinte não apresenta óbice. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual os valores de pensão alimentícia determinada por decisão judicial, cujos pagamentos foram devidamente comprovados por documentos hábeis. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. As deduções de despesas com instrução e de despesas médicas somente são permitidas quando devidamente comprovadas por Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10073.720234/201308 Acórdão n.º 2202003.957 S2C2T2 Fl. 134 3 documentos hábeis que preencham os requisitos previstos na legislação de regência. Cientificado da decisão (AR fls. 88) o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de 90/91 no qual impugna, exclusivamente, a manutenção da glosa das despesas com instrução de Pedro Gil Lopes Sárria. Para comprovação da mencionada despesa o Recorrente junta, em fase recursal, as seguintes provas: a) microfilmagens dos cheques prédatados, nominal a entidade de ensino ACAE, os quais foram autenticados pelo Banco do Brasil e depositados no Banco Real S/A b) Histórico escolar do ensino médio para provar que o aluno Pedro Gil Lopes Sárria, cursou o ano de 2007 no Colégio ACAE, sob a matrícula 1843 Por fim, alega que ficou impossibilitado de obter mais provas com relação à Entidade ACAE, pois esta encerrou suas atividades no ano de 2008. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme exposto no relatório, o presente lançamento decorreu da glosa das seguintes deduções: 1) dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 1.584,60; 2) dedução indevida de despesa com instrução, no valor de R$ 2.480,66; 3) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$10.220,96; 4) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 10.660,00. Em sua impugnação, o contribuinte não contestou a glosa da dedução com dependentes. Em relação às demais verbas, a DRJ deu parcial provimento à Impugnação por considerar comprovada a dedução das despesas com pensão alimentícia, mantendo, todavia, a glosa das deduções com despesas médicas e com instrução. O recurso voluntário, por sua vez, abrange, exclusivamente, a glosa das despesas com instrução, tornandose, definitiva, portanto, a glosa das despesas médicas. Em relação as despesas com instrução entendeu a DRJ que: No que tange à dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 2.480,66, o Impugnante trouxe aos autos cópias de cheques que comprovariam pagamentos ao Colégio Acae. Fl. 135DF CARF MF 4 Contudo, as cópias de cheques de fls. 14 a 57 não atestam o efetivo pagamento de importâncias a título de despesas de instrução no anocalendário de 2007. Em primeiro lugar, não há a comprovação da compensação dos referidos cheques. Além disso, mesmo que se considerasse que esses cheques foram recebidos pelo Colégio Acae, ainda assim não estaria comprovado que se trataria de despesa com a instrução do Interessado ou de seus dependentes. Esclareçase que o fato de constar no verso de alguns cheques o nome do dependente Pedro Gil Lopes Sarria não serve de prova de que esse dependente estaria matriculado em estabelecimento de ensino. Não há no processo nenhuma declaração do Colégio Acae atestando que Pedro Gil Lopes Sarria estaria matriculado no ensino fundamental, médio, creche ou préescola.Nem tampouco evidência de que se tratava de curso de graduação, pósgraduação ou educação profissional. Em fase recursal o Recorrente junta, novamente, as cópias dos cheques nominais ao Colégio Acae, bem como Histórico escolar do ensino médio para provar que o aluno Pedro Gil Lopes Sárria, cursou o ano de 2007 no Colégio ACAE, sob a matrícula 1843. Esclarece que não foi possível obter o documento de quitação por parte do Colégio, uma vez que o estabelecimento fechou no ano de 2008. Entendo que o conjunto probatório trazido pelo Recorrente demonstra, satisfatoriamente, a realização da despesa com instrução. Em primeiro lugar, o histórico escolar demonstra que seu filho cursou o ano de 2007 no referido colégio. Além disso, os cheques juntados aos autos foram nominais à referida instituição. Conforme constante do site do Banco Central (www.bcb.gov.br), os cheques podem ser emitidos por três formas: · nominal (ou nominativo) à ordem: só pode ser apresentado ao banco pelo beneficiário indicado no cheque, podendo ser transferido por endosso do beneficiário; · nominal não à ordem: não pode ser transferido pelo beneficiário; e · ao portador: não nomeia um beneficiário e é pagável a quem o apresente ao banco sacado. Não pode ter valor superior a R$ 100,00 Verificase, assim, que o cheque só poderia ser sacado ou endossado pela referida instituição de ensino. Além disso, é possível constatar que todos os cheques possuem o valor de R$ 294,00, que indica que eles se referiam a uma despesa fixa. Por fim, é importante destacar que a prova incontestável no pagamento seria a declaração de quitação das mensalidades pela instituição de ensino. No entanto, como alega o Recorrente, o mencionado colégio fechou em 2008. Tal fato encontrase noticiado no site www.voltaredonda.com.br em matéria intitulada "EDUCAÇÃO: ACAE fecha as portas às vésperas de vestibular, deixando alunos desolados e pais preocupados" . Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para admitir a dedução das despesas com instrução no montante de R$ 2.480,66. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10073.720234/201308 Acórdão n.º 2202003.957 S2C2T2 Fl. 135 5 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000079/2002-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - MOTIVAÇÃO DOS FATOS INSUBSISTENTES - PROC JUD COMPROVADO - ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS- AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do Contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no polo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento.
Ao aditar do auto de infração, mister que o Fisco notifique o contribuinte para franquear a possibilidade de igual aditamento da impugnação outrora apresentada, em respeito dos princípios da ampla defesa e do contraditório.
Numero da decisão: 9303-004.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - MOTIVAÇÃO DOS FATOS INSUBSISTENTES - PROC JUD COMPROVADO - ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS- AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do Contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no polo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Ao aditar do auto de infração, mister que o Fisco notifique o contribuinte para franquear a possibilidade de igual aditamento da impugnação outrora apresentada, em respeito dos princípios da ampla defesa e do contraditório.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13974.000079/2002-83
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5727684
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.924
nome_arquivo_s : Decisao_13974000079200283.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 13974000079200283_5727684.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6776028
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212142223360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 367 1 366 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13974.000079/200283 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.924 – 3ª Turma Sessão de 10 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOVEIS JOR LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE MOTIVAÇÃO DOS FATOS INSUBSISTENTES PROC JUD COMPROVADO ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do Contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no polo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Ao aditar do auto de infração, mister que o Fisco notifique o contribuinte para franquear a possibilidade de igual aditamento da impugnação outrora apresentada, em respeito dos princípios da ampla defesa e do contraditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 00 79 /2 00 2- 83 Fl. 367DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 280400.023, de 10 de março de 2009 (fls. 334 a 337 do processo eletrônico), proferido pela 4ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do artigo CARF, decisão que por unanimidade de votos, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar o lançamento realizado, ao argumento que "se o auto de infração tem como arrimo a inexistência de processo judicial garantidor de créditos passíveis de compensação pelo contribuinte, a comprovação idônea de sua existência é bastante para afastar o fundamento do auto de infração”, conforme acórdão assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO — PROCESSO JUDICIAL — COMPROVAÇÃO. Se o auto de infração tem como arrimo a inexistência de processo judicial garantidor de créditos passíveis de compensação pelo contribuinte, a comprovação idônea de sua existência é bastante para afastar o fundamento do auto de infração. ADITAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO — AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO Ao aditar do auto de infração, mister que o Fisco notifique o contribuinte para franquear a possibilidade de igual aditamento da impugnação outrora apresentada, em respeito dos princípios da ampla defesa e do contraditório. FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES A simples indicação de artigos de leis ou regulamentos, não é bastante para preencher o requisito da fundamentação, essencial em todas as decisões administrativas e judiciais. Recurso provido. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho de fls. 352 e 353, salientandose que embora não previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13974.000079/200283 Acórdão n.º 9303004.924 CSRFT3 Fl. 368 3 aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF), vigente à época da sessão que prolatou o acórdão ora recorrido. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 356 a 360 postulando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial da Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Tratase de auto de infração, decorrente de auditoria interna de DCTF, através do qual se exige a contribuição para a COFINS relativa aos 2º e 3º trimestres de 1997. Segundo os demonstrativos integrantes do presente auto de infração (fls. 14/16), constam das DCTF auditadas valores informados a titulo de "VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO", cujos créditos vinculados, informados como "Comp s/ DARF — Outros PJU" ou "Pagamentos", não foram confirmados, sob a ocorrência "Proc jud não comprovad" ou "Pagto não Localizado”. E o lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para compensação autorizada pelo Processo Judicial. Notase que o Contribuinte possui processo judicial, que foi devidamente declarado em DCTF, tendo sido a regularidade do mesmo, comprovada com os documentos acostados de fls.01/03. Desta maneira, entendo que foi demonstrada a existência de crédito em favor do Contribuinte, eis que declarado nos autos da ação judicial n.º 94.1948 (88.00246249). Fl. 369DF CARF MF 4 Indiscutível, também, é o seu direito à compensação do crédito reconhecido na ação judicial com débitos da COFINS, consoante se verifica pela decisão transitada em julgado nos autos da ação nº 95.00143020. Ademais, o referido processo judicial bem como o direito reconhecido foi objeto de análise em procedimento fiscal adotado pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal em Joinville. Quanto aos débitos de fl.16, informados em DCTF foram declarados como extintos por pagamentos, é informado que os respectivos pagamentos foram confirmados. E a próprio DRJ confirma a existência dos processos judiciais, conforme trecho extraído do voto: “Considerando que, conforme já relatado, as demandas judiciais indicadas pela autuada foram examinadas em procedimento fiscal desenvolvido pela Delegacia da Receita Federal em Joinville, temse, de acordo com a informação de fls .236/249, instruída com os documentos de fls. 28/235, que: • A contribuinte, mediante a Ação Ordinária n° 94.1948, obteve o direito de repetição de indébito relativamente ao reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança do FINSOCIAL no ano de 1982; • A contribuinte, mediante a Ação Declaratória de Compensação n° 95.0014302, obteve o direito de compensar o indébito tributário reconhecido pela Ação Ordinária n° 94.1948 com débitos da COFINS;” Diante de tudo que foi exposto, entendo que não houve a apontada "declaração inexata" que motivou a lavratura do auto de infração. Cumpre ressaltar que o fundamento do acórdão recorrido repousa na alteração da motivação do lançamento, que foi realizado com base em "declaração inexata" por falta de comprovação de processo judicial. No presente caso, a existência do processo foi devidamente comprovada, pelo que não há como manterse o lançamento improcedente na sua origem, ainda que por outro fundamento. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13974.000079/200283 Acórdão n.º 9303004.924 CSRFT3 Fl. 369 5 Por fim, ressalto que após reconhecer a existência do processo judicial, a Fazenda aditou o auto de infração, alterando o motivo que lhe dava azo (fls. 230/242). Desta alteração o contribuinte somente foi notificado para efetuar o pagamento das diferenças apuradas em razão da insuficiência da compensação. Verificase que o contribuinte não fora notificado para apresentar uma nova impugnação sobre a alteração do auto de infração, ficando claro o desrespeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, garantias constitucionais que balizam o procedimento administrativo, assim impossível reconhecer como válida a notificação realizada pelo Fisco, aportada às fls. 242 dos autos, mas sim reconhecêla carecedora dos misteres processuais para o seu aproveitamento. Ressalto, ainda, que as diferenças mencionadas na página 005/16 do auto de infração foram recolhidas por meio dos DARF’s e os respectivos pagamentos foram confirmados. Com efeito, no presente caso, houve inovação na matéria que foi objeto de apreciação nos autos. Foi trazida uma matéria jurídica não presente originariamente. Esse fato traz um inaceitável cerceamento ao direito de defesa. Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 371DF CARF MF 6 Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.724920/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e obscuridades apontadas.
Numero da decisão: 2401-004.766
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios e dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e obscuridades existentes no Acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e obscuridades apontadas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.724920/2010-49
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5734242
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.766
nome_arquivo_s : Decisao_10680724920201049.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 10680724920201049_5734242.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios e dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e obscuridades existentes no Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
dt_sessao_tdt : Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6807757
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212162146304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.724920/201049 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.766 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante CEMIG DISTRIBUICAO S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e obscuridades apontadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 49 20 /2 01 0- 49 Fl. 1105DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios e darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e obscuridades existentes no Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 2401004.766 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2302003.179 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 14 de maio de 2014 (fls. 1013/1070), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62ª DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA Nº 99 DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Encontrase finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Fl. 1107DF CARF MF 4 Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de lei. A solidariedade tal como disposta na lei, não deve ser aplicada discricionariamente. Para tanto, deve o auditor demonstrar os interesses em comum das empresas (exemplificativamente: confusão patrimonial ou concentração administrativa) ou a situação de fato que implique a responsabilização solidária. O dever de motivar é inerente a própria atividade administrativa. O art. 50, inciso I da Lei nº 9.784/99 determina que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direito ou interesses. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido A embargante alega a ocorrência de vícios no julgado, pelas seguintes razões: a. Ausência de voto vencedor com os fundamentos adotados pela maioria dos Conselheiros, quanto à questão do PLR. Asseverou que na sessão de 14 de maio de 2014, o colegiado, por maioria de votos (4x2), negou provimento ao recurso voluntário e manteve o lançamento das contribuições previdenciárias sobre a PLR. Contudo, apesar de os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, André Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi terem acompanhado o Relator apenas nas conclusões, não consignaram os motivos pelos quais o recurso teria sido desprovido. É necessária a motivação sob pena de nulidade da decisão; b. A existência de metas vinculadas ao planejamento estratégico da empresa foi matéria levantada no recurso voluntário e não enfrentada no voto que desconsiderou o descrito no Acordo Coletivo de Trabalho; Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 2401004.766 S2C4T1 Fl. 4 5 c. Obscuridade e omissão quanto à multa aplicada. Consta na conclusão do acórdão que o recurso voluntário foi desprovido por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes. Apesar disso, o tema não foi analisado no voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva; d. Ausência de análise no voto do Relator do argumento do registro prévio da CEMIG no PAT. O fato da CEMIG Distribuição se originar da Companhia Energética (atual holding), inclusive no que tange aos seus funcionários, a inscrição desta no PAT deveria alcançar aquela empresa. Em despacho do dia 19 de março de 2014 (1097/1100), os embargos de declaração foram parcialmente admitidos, tendo sido o processo devolvido para relatoria e inclusão em pauta para julgamento. Nesse contexto, os embargos apresentados pelo contribuinte tiveram como objetivo sanar as omissões e obscuridades apontadas, e fazer constar no Acórdão as razões de convencimento da turma julgadora que manteve o lançamento das contribuições previdenciárias sobre o PLR, ou, não sendo possível tal procedimento, anular a decisão proferida. Em face da renúncia do Conselheiro Relator o processo foi redistribuído para a relatoria desta Conselheira. É o relatório Fl. 1109DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Ausência de voto vencedor com os fundamentos adotados pela maioria dos Conselheiros quanto ao PLR e existência de metas A empresa embargante pleiteia que sejam explicitadas a justificativa do resultado divulgado no Acórdão, ou, a nulidade da decisão, tendo em vista que não restou consignada na decisão a conclusão vencedora. Assevera ainda que a matéria relativa à existência de metas vinculadas ao planejamento estratégico da empresa não foi enfrentada no voto que desconsiderou o estava previsto no Acordo Coletivo de Trabalho. É cediço que o PLR envolve muitas nuances e que poderia ter sido aplicada qualquer uma das teses albergadas no voto, tais como, apuração de lucro pela empresa, pactuação de metas, participação sindical, explicitação das regras no instrumento de formalização do acordo, cumprimento de metas dentro do próprio ano, periodicidade. Para uma melhor compreensão dos motivos que ensejaram a maioria do colegiado em manter o lançamento do PLR, destaco excertos do Acórdão nº 2302003.176 da lavra do Relator: Diante dos aludidos dispositivos e considerações, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: ∙ Que a empresa tenha efetivamente apurado lucro no período de apuração/avaliação referido pelo plano de PLR; ∙ A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000; ∙ Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato representativo da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 2401004.766 S2C4T1 Fl. 5 7 ∙ Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. ∙ A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; ∙ O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; ∙ A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; ∙ A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; [...] Compulsando os autos, verificamos que os acordos não estipulam qualquer objetivo extraordinário não habitual a servir de parâmetro de perseguição pelos trabalhadores, tampouco informam como se dará a aferição dos resultados alcançados, limitandose a estipular que a participação corresponderá a 3% do Resultado Operacional da Cemig. Inexiste, igualmente, nos planos de PLR qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir. O valor a ser distribuído a cada trabalhador é composto de duas parcelas: a) Parcela fixa, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, dividido pelo número de empregados. b) Parcela variável, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, multiplicado pelo salário base do empregado em dezembro de cada ano, dividido pelo total da folha de salários base de dezembro de cada ano. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada Fl. 1111DF CARF MF 8 trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo, é indiferente também. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. [...] No caso em apreço, constatou a Autoridade Lançadora que os acordos coletivos: “a) Foram realizados e assinados no mês de novembro de cada respectivo ano, ou seja, Acordo 2004/2005 assinado em 17 de Novembro de 2004 (com pagamento da PLR em Março/2005), Acordo 2005/2006 assinado em 1º de Novembro de 2005 (com pagamento da PRE em Novembro e Dezembro/2005 e PLR em Março/2006) e Acordo 2006/2007 assinado em 30 de Novembro de 2006 (com pagamento da PRE em Dezembro/2006); Da forma como foram realizados os acordos, sendo assinados no final de cada ano, para cumprimento de metas dentro do próprio ano, comprova o não estabelecimento prévio do “programas de metas, resultados e prazos”; Aflora, no caso presente, que os valores pagos sob o rótulo de PLR foram estipulados unilateralmente pela empresa, na medida em vieram ao conhecimento dos empregados quando já se havia escoado 5/6 do período de mensuração dos objetivos colimados pelo plano e de avaliação dos trabalhadores no cumprimento dos fins extraordinários fixados no acordo. [...] Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. Dessarte, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. [...] O conteúdo das cláusulas previstas nos Acordos Coletivos de Trabalho/Participação nos Resultados não contempla os objetivos colimados pela Lei nº 10.101/2000. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 2401004.766 S2C4T1 Fl. 6 9 Assim, a empresa fugiu ao abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88, uma vez que efetuou apagamentos sob o rótulo de PLR, sem, todavia, atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta. O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Conforme se observa, foram analisados os termos de Acordos adunados aos autos, e, a maioria do colegiado, concluiu que o conteúdo das cláusulas neles previstas não contemplaram os objetivos colimados pela Lei nº 10.101/2000, na medida em que não estipulavam os objetivos de perseguição dos trabalhadores e nem informavam como se daria a aferição dos resultados alcançados. Dentro da visão da maioria da Turma, o fato dos Acordos terem estabelecido que a participação dos trabalhadores iria corresponder a 3% do Resultado Operacional da Cemig, e que o valor a ser distribuído a cada trabalhador seria composto de duas parcelas, uma fixa e uma variável, a ser distribuído a cada trabalhador, vinculada ao tempo de serviço na empresa durante o ano, referidas regras não seriam suficientes, pois não incentivavam o trabalho com vistas a uma dedicação superior à habitual, por parte dos trabalhadores. Ademais, entendeu a maioria do colegiado que os acordos deveriam ter sido arquivados previamente pois, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, estará a negociação irregular, incompleta e em desacordo com a Lei de regência. Restam desta forma explicitadas as justificativas do resultado do Acórdão, relativamente ao PLR. Assim, não admito os embargos quanto à PLR, tendo em vista que o resultado do Acórdão está claro no sentido de não acolher referidas verbas com o manto da desoneração, por não atenderem aos parâmetros delineados pela Lei nº 10.101/2000. Obscuridade e Omissão multa Assinala a embargante, quanto à multa, que o tema não foi analisado no voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, conquanto esteja consignado no dispositivo do Acórdão o seguinte: Por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a multa como aplicada, vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa deveria ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Fl. 1113DF CARF MF 10 Entendo que assiste razão à embargante quanto à omissão/obscuridade apontadas. Neste ponto, o julgado merece saneamento e integração objetivando a eliminação das falas apontadas. O crédito tributário exigido através do Auto de Infração nº 37.289.5115, se refere a cobrança de contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, com a aplicação da multa correspondente a 24% (vinte e quatro por cento) nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação estabelecida pela Lei nº 9.876/99. Na visão do relator originário, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, deve ser aplicada a multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, pois a retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica. Trago excertos do Acórdão nº 2401004.286, nos autos do Processo nº 15504.721725/201364, sobre o ponto de vista do Relator, questionado pela embargante: Alega o Recorrente que a multa de mora máxima que poderia ser aplicada é de 20%. Não! [...] Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 2401004.766 S2C4T1 Fl. 7 11 mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. [...] Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Ao revés, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. (Grifamos). De acordo com os fundamentos acima expostos, o colegiado decidiu pela manutenção da multa na forma do lançamento. Dadas às conclusões do voto, acima expostas, deve ser adequado o Acórdão nestes termos, e, ainda, incluir na ementa o seguinte trecho: Fl. 1115DF CARF MF 12 MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Assim, os embargos de declaração devem ser acolhidos, para suprir a omissão apontada, sem efeitos modificativos quanto ao resultado do julgamento. Omissão PAT Segundo a embargante ocorreu ausência de análise no voto do Relator concernente ao argumento do registro prévio da CEMIG no PAT. Inexiste omissão nesse ponto. É clara a análise no voto da matéria relativa ao PAT, conforme se destaca dos seguintes trechos: No caso em exame, ambos os requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social não se encontram presentes. Isto porque a empresa autuada não possuía inscrição no PAT no período de apuração, conforme demonstra o Comprovante de Inscrição de Pessoa Jurídica Beneficiária, a fl. 4889, que revela que a inscrição no PAT apenas se houve por formalizada em 17/07/2008, tampouco a alimentação em apreço houvese por fornecida in natura, mas, sim, mediante tickets de R$ 390,00 até novembro/2005 e de R$ 510,00 a partir de dezembro/2005, os quais possuem liquidez e circulabilidade equiparadas a dinheiro, conforme discriminado nominalmente, por competência, matrícula e valor, no anexo II do Relatório Fiscal, a fls. 796/4.720, sendo certo que nas competências dezembro de cada ano cada funcionário, em regra, recebia dois tickets de valor bem similar (R$ 450,00 e R$ 510,00 em dezembro/2005 e R$ 500,00 e R$ 510,00, em dezembro/2006). [...] Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de vales, tickets ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. [...] No caso em debate, além de a parcela referente à alimentação ter sido fornecida aos empregados na forma de “ticket alimentação”, conforme discriminado nominalmente, por competência, matrícula e valor, no anexo II do Relatório Fiscal, a fls. 796/4.720, com direito a décimo terceiro e tudo, a Fiscalização apurou que, no período de lançamento do débito, Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10680.724920/201049 Acórdão n.º 2401004.766 S2C4T1 Fl. 8 13 a empresa não estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, conforme Comprovante de Inscrição de Pessoa Jurídica Beneficiária, a fl. 4889. (Grifamos). Assim, não devem ser acolhidos os embargos com relação ao PAT, por configurar uma rediscussão da matéria já decidida. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios, darlhes parcial provimento para sanar a omissão com relação à multa, sem atribuirlhe efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000873/2002-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 27/06/1997, 21/08/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À PROVA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Para o juízo de admissibilidade de Recurso Especial por contrariedade à lei ou à evidência de prova, é suficiente que a Fazenda Nacional alegue adequadamente a contrariedade, cabendo unicamente à Instância Especial decidir se a decisão recorrida efetivamente contrariou a lei ou a prova.
DECISÃO DE MÉRITO. COISA JULGADA.
O Acórdão de Recurso Extraordinário determinou a providência saneadora a ser adotada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não incluiu a revisão do mérito do acórdão anulado. Assim, conhecido o Recurso Especial, a decisão de mérito torna-se definitiva na esfera administrativa.
REMESSA AO EXTERIOR. INCIDÊNCIA.
Estão sujeitos à incidência de Imposto de Renda na fonte, de forma definitiva, os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa fís ica ou jurídica residente no exterior.
Numero da decisão: 9202-005.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 27/06/1997, 21/08/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À PROVA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Para o juízo de admissibilidade de Recurso Especial por contrariedade à lei ou à evidência de prova, é suficiente que a Fazenda Nacional alegue adequadamente a contrariedade, cabendo unicamente à Instância Especial decidir se a decisão recorrida efetivamente contrariou a lei ou a prova. DECISÃO DE MÉRITO. COISA JULGADA. O Acórdão de Recurso Extraordinário determinou a providência saneadora a ser adotada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não incluiu a revisão do mérito do acórdão anulado. Assim, conhecido o Recurso Especial, a decisão de mérito torna-se definitiva na esfera administrativa. REMESSA AO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. Estão sujeitos à incidência de Imposto de Renda na fonte, de forma definitiva, os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa fís ica ou jurídica residente no exterior.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13819.000873/2002-10
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5743125
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.536
nome_arquivo_s : Decisao_13819000873200210.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 13819000873200210_5743125.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6864953
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212167389184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 680 1 679 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13819.000873/200210 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.536 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria IRF REMESSA AO EXTERIOR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VOLKSWAGEN DO BRASIL INDUSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 27/06/1997, 21/08/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À PROVA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Para o juízo de admissibilidade de Recurso Especial por contrariedade à lei ou à evidência de prova, é suficiente que a Fazenda Nacional alegue adequadamente a contrariedade, cabendo unicamente à Instância Especial decidir se a decisão recorrida efetivamente contrariou a lei ou a prova. DECISÃO DE MÉRITO. COISA JULGADA. O Acórdão de Recurso Extraordinário determinou a providência saneadora a ser adotada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não incluiu a revisão do mérito do acórdão anulado. Assim, conhecido o Recurso Especial, a decisão de mérito tornase definitiva na esfera administrativa. REMESSA AO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. Estão sujeitos à incidência de Imposto de Renda na fonte, de forma definitiva, os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa fís ica ou jurídica residente no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 08 73 /2 00 2- 10 Fl. 680DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre remessas de numerário ao exterior, a título de indenização por inadimplemento contratual, efetuadas em 27/06/1997 (US$ 27.766.514,00/R$ 30.010.048,33, fls. 51) e 21/08/1997 (US$ 14.240.900,80/R$ 15.558.041,71, fls.52). Em sessão plenária de 13/08/2003, foi julgado o Recurso Voluntário nº 133.408, prolatandose o Acórdão nº 10419.468 (fls.358 a 395), assim ementado: “IRF — PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO — DANO PATRIMONIAL — ARTIGO 70, § 5°, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Estão isentos do imposto de renda retido na fonte os pagamentos relativos a indenizações por dano patrimonial. A isenção prevista no artigo 70, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996 não adotou a culpa como pressuposto e, consequentemente, não faz qualquer distinção entre culpa contratual e culpa extra contratual.” A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann (Relator) e Alberto Zouvi (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Remis Almeida Estol. Apresentou Declaração de Voto o Conselheiro Alberto Zouvi." Cientificada em 26/10/2004 (fls. 396), a Fazenda Nacional interpôs, em 09/11/2004 (carimbo aposto às fls.397), o Recurso Especial de fls. 397 a 412, por contrariedade à lei, com fundamento no art. 5º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 55, de 1998, visando rediscutir a natureza jurídica da remessa de numerário ao exterior. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, por meio do Despacho nº 104 0.174/04, de 07/12/2004 (fls. 414 a 416). Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 681 3 Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresentou os seguintes argumentos, em síntese: Incompetência da Quarta Câmara para afastar texto expresso de lei o controle de constitucionalidade repressivo (aquele realizado após a entrada em vigor do diploma jurídico) das leis e atos normativos pode ser feito pelo Poder Legislativo (arts. 49, V, e 62 da CF188) e pelo Judiciário, em sede de controle difuso ou concentrado (arts. 97, 102 e 103 da CF188); não havendo a expurgação do texto legal por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou por Resolução do Senado Federal, o Poder Executivo não pode deixar de aplicar a lei nos seus atos administrativos; no campo específico da administração tributária, o art. 77, da Lei nº 9.430, de 1996, vem ao encontro da sistemática constitucional acima mencionada ao dispor: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em divida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais". portanto, devese entender, a contrario sensu, que a Lei nº 9.430, de 1996, não estaria autorizando o Poder Executivo a dispensar tributo, enquanto o Supremo Tribunal Federal não tenha declarado a inconstitucionalidade da norma que baseia a sua cobrança; com supedâneo desse dispositivo legal, foi editada a Portaria MF nº 103, de 2002, que incluiu o seguinte artigo nos Regimentos Internos da CSRF e do Conselho: Art. 22A. No julgamento de recurso voluntário, de oficio ou especial, fica vedado à Câmara Superior de Recursos Fiscais afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. no presente caso, não existe notícia de que o Supremo Tribunal Federal tenha se pronunciado sobre a inconstitucionalidade da expressão "ainda que a título de indenização", constante do art. 70, caput, da Lei nº 9. 430, de 1996; esse dispositivo determina que haja tributação sobre qualquer pagamento realizado por pessoa jurídica em virtude de rescisão contratual, mesmo que de indenização se trate; Fl. 682DF CARF MF 4 ao dizer que, por se tratar de indenização, o colegiado não aceita a tributação, está afastando a aplicação da lei, o fundamento só pode ser por inconstitucionalidade indireta, significando ofensa ao CTN, que por sua vez atentaria ao art. 146, III, "a", da CF/88, ou direta ao art. 153, III, da CF188; não podem, portanto, os Conselhos de Contribuintes, invadir competência do Poder Judiciário ou do Presidente da República, devese atentar para o fato de que isso implica em exercício de controle de constitucionalidade de lei, conforme tem se manifestado o Supremo Tribunal Federal; Natureza jurídica da remessa de dinheiro ao exterior a "indenização" paga pela recorrida a sua correspondente na Argentina é, na verdade, uma multa contratual por arrependimento do negócio; tratase de um ajuste realizado entre as partes contratantes, em que se estabeleceu a possibilidade de resilição contratual, desde que, por isso, fosse paga uma multa; ora, indenização é uma recomposição patrimonial decorrente de uma lesão, ou seja, de um ato ilícito praticado por alguém que ofendeu o patrimônio alheio, ela jamais poderá advir de resilição de contrato (cita doutrina de Orlando Gomes); a resolução se faz mediante ação judicial por meio da qual será proferida sentença constitutiva e seus efeitos são a condenação do culpado na obrigação de indenizar os prejuízos do outro contratante; a resolução e a rescisão contratual têm em comum a necessidade de uma sentença judicial que as pronuncie e que fixe a reparação aos danos causados pela parte culpada pelo fim do contrato, salvo existência de pacto comissório (art. 474, do CC de 2002); diferentemente ocorre na resilição, em que as partes aceitam o fim do contrato, desde que seja paga a multa, como ocorreu in casu; o descumprimento de um contrato não é ato ilícito, quando há uma multa contratual onde se fixa, previamente, o jus poenitendi; a presença dessa multa significa, justamente, que as partes admitem o descumprimento do contrato, desde que uma pague à outra um valor previamente estipulado, não há ato ilícito, portanto, não há indenização; em declaração de voto, o Conselheiro Alberto Zouvi ponderou: "No caso dos autos, não há duvida de que a Volkswagen Argentina sofreu decréscimo em seu patrimônio, pois seu ferramental virou sucata em razão de a recorrente ter dela comprado menor quantidade do que a contratada. Ocorre que esse decréscimo ocorreu com o prévio consentimento da Volkswagen Argentina, assentado nas Cláusulas 4.4 e 10.1 do 'Contrato de Compra e Venda Recíproca de Veículos, Componentes e Peças de Reposição', em troca de ressarcimento ou 'indenização'. Essa 'indenização' revelase uma quantia cuja forma de cálculo as partes avençaram para a hipótese de descumprimento de Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 682 5 cláusula 14.3, a única a prever rescisão do contrato. Em seu sentido estrito, oriundo da legislação trabalhista, rescisão é o ato pelo qual uma das partes, sem razão e sem o consentimento da outra parte, rompe a convenção. A Cláusula 14.3 reflete esse sentido estrito de rescisão e sem o consentimento da outra parte, rompe a convenção. A Cláusula 14.3 reflete esse sentido estrito de rescisão, pois estipula que a recusa de uma das partes a se submeter arbitragem ou a cumprir o laudo arbitral poderá ensejar a rescisão imediata do contrato. Como a Clausula 14.3 nunca foi acionada, concluo que houve, no caso em apreço, rescisão contratual no sentido amplo, ou seja, resilição. De acordo com De Plácido e Silva (Vocabulário Jurídico, 15 ed.), resilição entendese dissolução seja por mutuo consentimento, seja por provocação de uma das partes, quando lhe é atribuído o direito de a pedir. Da resilição contratual jamais poderá decorrer indenização, porque há prévio consentimento das partes quanto à dissolução do contrato" (fls. 393/394). o fato de a Volkswagen Argentina S/A utilizar o dinheiro recebido para cobrir os custos que teve na execução do contrato é irrelevante; não se pode retirar a natureza jurídica dos rendimentos, pela análise da forma como essa renda será consumida, o que importa é a presença do fato gerador; nem se alegue que efetuado o desconto do IRRF a indenização estaria incompleta, uma vez que de indenização não se trata, e, eventualmente, se o valor da multa foi estabelecido de forma insuficiente, sem levar em consideração as implicações tributárias do negócio, o ônus é exclusivamente dos contratantes; por oportuno, cabenos esclarecer, para seguir a advertência de De Page, que a "indenização" paga pela VWB não decorre de uma cláusula penal, pois esta tem como objetivo não somente prefixar perdas e danos, mas reforçar o liame obrigacional, por isso o código civil faculta ao credor exigir a cláusula penal ou a tutela especifica da obrigação art 410 do CC/2002 (cita doutrina de Caio Mário da Silva Pereira) verificase, pela clausula 15.5 do contrato (fl. 287), que as partes reservaram o direito de resilir o contrato, ou seja, pactuaram uma multa penintencial, cujo valor seria o equivalente aos gastos da VWA; a cláusula penal é aplicável às resoluções contratuais, ou seja, se aplica ao inadimplemento voluntário da obrigação; nessa parte, entendemos que incorreu em equívoco o ilustre Conselheiro Alberto Zouvi, quando considerou que no contrato entre a VWB e VWA haveria uma cláusula penal, mas nada que prejudique o entendimento de que na remessa de dinheiro ao exterior objeto do Auto de Infração combatido deve haver tributação de IRRF, como demonstraremos a seguir; ad argumentandum tantum, ainda que se admita tratarse de cláusula penal, também aqui não se pode afastar a incidência do IR; Fl. 684DF CARF MF 6 a cláusula penal, assim como a multa penitencial, é contratualmente estabelecida e pouco importa se houve ou não prejuízo experimentado por uma das partes para que a pena convencional seja invocada; a diferença reside em que a cláusula penal é prevista na hipótese de inexecução do contrato, operando sua resolução, podendo ser exigida juntamente com o cumprimento da obrigação principal, e ainda aqui prevaleceria o acordo de vontades, ou seja, o prejuízo sofrido pela VWA foi decorrência do risco por ela assumido ao facultar à VWB a resilição do contrato; como bem observou o Conselheiro Alberto Zouvi, não se pode dar o mesmo tratamento tributário à compensação pela perda involuntária de um bem daquela onde o prejudicado expressamente considerou a perda do bem como possível, desde que por isso fosse remunerado; finalmente, podemos ressaltar que admitir o entendimento da maioria do colegiado da Quarta Câmara é deixar a porta aberta para fraudes, bastando apenas que interessados em enviar dinheiro ao exterior sem tributação simulem um contrato com previsão de "indenização" em caso de descumprimento. Obviamente, que tal contrato nunca será cumprido e a "indenização" será paga sem recolhimento de IR. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, mantendose em sua integralidade o Auto de Infração. Cientificado do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 11/02/2005 (Termo de vistas Processuais e Ciência de fls. 418), o Contribuinte, em 23/02/2005 (carimbo aposto às fls.421), ofereceu as Contrarrazões de fls. 421 a 430, contendo os seguintes argumentos: Da preliminar de não conhecimento do Recurso Especial consoante expressamente consignado pelo Ilustre Procurador da Fazenda Nacional, o Recurso Especial por ele interposto teve como fundamento o Artigo 5º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 1998, que dispõe: "Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: I decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária à lei ou à evidencia da prova;(...)" resta claro no dispositivo que são dois os pressupostos para admissibilidade do Recurso Especial previsto no inciso I, quais sejam: i que a decisão, não unânime, proferida pela Câmara do Conselho de Contribuintes, seja contrária à lei; ou ii que a decisão, não unânime, proferida pela Câmara do Conselho de Contribuintes, seja contrária à evidencia da prova. obviamente que, além desses pressupostos, há outro fundamental a ser observado, referente à tempestividade do recurso, ou seja, à sua interposição no prazo regimental de quinze dias, a contar da data da ciência do acórdão recorrido; Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 683 7 resta claro, pois, que a admissibilidade do Recurso Especial previsto no inciso I, do artigo 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, c/c inciso I, do artigo 32, do Regimento dos Conselhos de Contribuintes, ambos aprovados pela portaria ME nº 55/98, imprescinde da observância, pela Recorrente, de um dos pressupostos acima elencados e do fiel cumprimento ao que dispõe o parágrafo 1°, do artigo 33, que estabelece: "Artigo 33: (...) § 1 ° Na hipótese de que trata o inciso I do art. 32 deste Regimento, o recurso deverá demonstrar fundamentadamente a contrariedade à lei ou evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional" a propósito da imprescindibilidade do cumprimento dos pressupostos regimentais para o conhecimento do Recurso Especial, convém trazer à colação algumas manifestações dessa Câmara Superior de Recursos Fiscais, nas quais se define os verdadeiros requisitos, para fins de admissibilidade do Recurso Especial em questão; dentre outros, podemos citar os Acórdãos nºs CSRF/0104.489, de 14/04/2003; CSRF/0104.951, de 13/04/2004 e CSRF/0105.038, de 09/08/2004, que ostentam as seguintes ementas, respectivamente: "RECURSO ESPECIAL CONHECIMENTO Não pode ser conhecido, por falta de objeto, o recurso que não demonstra contrariedade à Lei e, portanto, desatende os pressupostos regimentais de admissibilidade. Recurso Especial Não Conhecido." "RECURSO ESPECIAL PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso especial previsto no art.32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 55 de 16 de março de 1998, tem por pressuposto a demonstração pela Procuradoria da Fazenda Nacional da contrariedade a lei ou a evidência de prova. Recurso que traz matéria e dispositivos não abordados na decisão recorrida, não merece admissão. Recurso não conhecido." "IRPF NORMAS PROCESSUAIS Não tendo o Recurso Especial demonstrado fundamentadamente a contrariedade à lei ou à evidência de prova, mas alegado motivos distintos da matéria objeto do procedimento fiscal, o seu acolhimento deve ser obstado. Recurso não conhecido." pois bem, no presente caso o representante da Fazenda Nacional incidiu nas mesmas falhas apontadas nos trechos acima reproduzidos, ou seja, não cumpriu os pressupostos regimentais, essenciais à admissibilidade do recurso, especialmente no que Fl. 686DF CARF MF 8 respeita à demonstração fundamentada de contrariedade à lei, na medida em que, em momento algum, comprova que a decisão recorrida contraria qualquer dispositivo legal, conforme será demonstrado a seguir; em verdade, o que se infere da leitura de todo o confuso arrazoado da Fazenda Nacional é que se pretende, por meio do recurso especial, reabrir toda a discussão de mérito da decisão proferida pela Quarta Câmara, o que não seria possível senão pela interposição de recurso especial de divergência; até mesmo porque, de outra forma não poderia ser, na medida em que o Acórdão nº 10419.468, de 2003, em momento algum negou validade a qualquer dispositivo legal; o fundamento da decisão recorrida não nega validade a qualquer dispositivo legal, na media em que a Quarta Câmara decidiu que as remessas financeiras ao exterior, para ressarcimento da Volkswagen Argentina S/A, a título de recomposição do seu patrimônio, ou seja, indenização pelo dano patrimonial experimentado, não poderia ser tributado, consoante dispõe o seguinte dispositivo legal: "Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a titulo de indenização, a beneficiaria pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. §5° O disposto neste artigo não se aplica às indenizações pagas ou creditadas em conformidade com a legislação trabalhista e àquelas destinadas a reparar danos patrimoniais." apesar da aparente clareza da decisão recorrida, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional sustenta que "não havendo a expurgação do texto legal por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou por Resolução do Senado Federal o Poder Executivo não pode deixar de aplicar a lei nos seus atos administrativas...", na tentativa de obter o pronunciamento que a decisão proferida pela Quarta Câmara teria incorrido em declaração de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade; essa hipótese, por si só e descabida, assim como, não se ajusta aos fatos versados nos presentes autos; cumpre ressaltar que em nenhum momento a decisão recorrida declarou, ou sequer mencionou, a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, tendo apenas interpretado a lei de forma a atingir o caso concreto; por outro lado, o acórdão em tela nem mesmo afastou a aplicação de qualquer dispositivo legal, apenas dando a sua interpretação ao caso concreto; portanto, é cristalino que no presente caso, se a Fazenda Nacional pretendesse o reexame da matéria versada nos presentes autos, deveria ter interposto o competente recurso especial de divergência, pois no presente caso, contrariedade de lei, simplesmente, não existe; face ao exposto, espera e confia a Contribuinte que V.Exas. acolham a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face da via inadequada, e da não observância dos pressupostos para sua admissibilidade, e o Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 684 9 rejeitem, mantendo inalterada a decisão consubstanciada no acórdão recorrido, n.° 10419.468, de 13/08/2003. Do mérito se ultrapassada a preliminar, e em conseqüência venha a ser examinado o mérito do decisum, ainda assim não merecerá melhor sorte o recurso apresentado pelo ilustre Procurador, porquanto o Acórdão nº 10419.468, de 13/08/2003, julgou a matéria de mérito, objeto do recurso ora contraarrazoado, dentro da mais estrita observância da lei, devendo por isso mesmo ser mantido in totum pelos seus próprios jurídicos e legais fundamentos; segundo se verifica da leitura da autuação, a acusação fiscal é no sentido de ter a Contribuinte efetuado remessas de numerário ao exterior sem o recolhimento do Imposto sobre a Renda incidente sobre esses rendimentos; a Fiscalização simplesmente sustenta na autuação que a hipótese em apreço seria "não inserida no parágrafo 5° do artigo 70 da Lei n° 9.430/ 96", razão pela qual está cobrando o Imposto sobre a Renda na Fonte; antes de passarmos à demonstração da improcedência do lançamento, cabem as seguintes considerações acerca do contrato de compra e venda recíproca de veículos, componentes e peças de reposição firmado pela Contribuinte com a Volkswagen Argentina S/A, em 29/01/1996: a) a Contribuinte se obrigou a comprar um determinado número de veículos automotores e peças de reposição fabricados pela Volkswagen Argentina; b) em contrapartida dessa obrigação, a Volkswagen Argentina teve de realizar um investimento relevante na sua linha e procedimentos de fabricação de veículos e peças, consistentes na aquisição de ferramental com o intuito de poder atender às encomendas pactuadas no contrato; c) no referido contrato, ficou ajustado entre as partes que a Contribuinte se obrigaria a recompor o investimento realizado, caso o objeto não se concretizasse antes da depreciação do investimento; a cláusula 10.1 do referido contrato está assim redigida: "10.1 Caso, em virtude da descontinuidade da fabricação de determinado Produto, por qualquer motivo atribuído à Compradora, não seja mais possível à Fabricante depreciar no prazo normal o ferramental de sua propriedade utilizado por ela ou por seus Fornecedores Externos, na produção do referido Produto descontinuado, ficará a Compradora obrigada a indenizar a Fabricante pela perda decorrente da baixa contábil do valor residual do referido ferramental" nos termos do contrato firmado com a Volkswagen Argentina, esta foi obrigada a realizar um investimento na sua linha de produção, para atender a demanda e a qualidade dos produtos encomendados pela Contribuinte, que consistia na aquisição de ferramental, custo esse que não é repassado para as mercadorias vendidas; Fl. 688DF CARF MF 10 pois bem, no momento em que a Volkswagen Argentina adquiriu ferramental única e exclusivamente para atender a demanda ajustada no contrato, realizou um investimento, que ficou pactuado que seria ressarcido, caso os produtos (veículos e peças) não fossem mais encomendados antes da total depreciação do ferramental específico para a produção de determinado modelo de veículo; ressaltese que somente seriam indenizados os valores do ferramental ainda não depreciado pela Volkswagen Argentina, ou seja, na redação do contrato só haveria o dever de indenizar a diferença ainda não depreciada do ferramental, como formas, moldes, etc; assim, considerando indevidamente que as duas remessas feitas à Volkswagen Argentina em 1997 foram a titulo de pagamento de multa contratual, entendem que estas quantias deveriam ter sofrido incidência do imposto sobre a renda na fonte; feitas essas considerações acerca dos fatos, passase à demonstração da improcedência do lançamento. é absolutamente incontroverso que a Conribuinte pactuou uma indenização em favor da Volkswagen Argentina pelo ferramental que foi adquirido e não depreciado com o único propósito de atender ao contrato; isto porque, como é de notório conhecimento, as linhas de produção, principalmente aquelas em que há emprego de determinados moldes ou formas especificas, como é o caso da produção de veículos, os moldes e/ou formas feitos para um determinado veículo são absolutamente inservíveis para a fabricação de qualquer outro; no momento em que as encomendas simplesmente cessaram em razão da descontinuidade da produção do veículo objeto do contrato, restou para a Volkswagen Argentina amargar prejuízo patrimonial e o elefante branco dos moldes e formas que tinham a expectativa de serem depreciados em determinado tempo, para mais nada serviriam senão para ser revendidos como sucata por peso; em virtude dessa situação, foi pactuado com a Volkswagen Argentina que o valor desembolsado, ou seja, o investimento na produção seria indenizado pela Contribuinte, no caso de extinção do contrato antes da total depreciação do ferramental (moldes, formas, etc.); caso assim não fosse, a Volkswagen Argentina teria não só os prejuízos com o cancelamento de suas exportações, como a perda irrecuperável de ativos, o que certamente lhe causaria um decréscimo patrimonial; o que se conclui na autuação é que a Fiscalização entende que as duas remessas constituem pagamento de rendimentos a domiciliados no exterior, hipótese supostamente "não abrangida pelo parágrafo 5°, do artigo 70, da Lei n° 9:430/ 96"; tal dispositivo legal assim dispõe: "Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a titulo de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à al/quota de quinze por cento. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 685 11 §5º O disposto neste artigo não se aplica às indenizações pagas ou creditadas em conformidade com a legislação trabalhista e àquelas destinadas a reparar danos patrimoniais." ocorre que a hipótese em questão não pode ter o tratamento de multa contratual, porque o vocábulo "multa" é definido na obra Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa como "1. Ato ou efeito de multar; coima 2. Pena pecuniária 3. Papel ou documento que a comprova 4. Pena, condenação..."; por sua vez, o vocábulo "pena" designa punição, castigo, sanção, resposta punitiva a ato ilícito ou violação de pacto; assim, a multa contratual prevista pode ser definida como um castigo previamente pactuado entre os contratantes para punir aqueles que demorarem, não cumprirem ou se arrependerem das obrigações pactuadas por livre manifestação da sua vontade; no caso em exame, não se deve discutir se havia uma pena para a falta de encomendas de veículos ou peças de reposição estipulada no contrato de compra e venda recíproca, mas sim, se havia sido ajustado em comum acordo entre a Contribuinte e a Volkswagen Argentina a recomposição ou ressarcimento de perdas patrimoniais de ferramental não depreciado; não há nesse caso punição pelo não cumprimento de contrato ou arrependimento daquilo que se pactuou, mas sim, ficou previamente ajustado que a Contribuinte teria o dever de recompor o investimento patrimonial promovido pela Volkswagen Argentina para atender ao contrato; a hipótese aqui em apreço sequer se coaduna com o significado da palavra multa, pois em verdade não se tem uma punição pelo não cumprimento do contrato ou de seu arrependimento; em verdade, o que a Contribuinte pactuou com a Volkswagen Argentina foi o dever de recompor o seu patrimônio pelo investimento realizado e perdido, quer por inutilização da linha de produção, quer pelo fato do investimento não depreciado ser inservível sob qualquer aspecto; sem sombra de dúvida, não recompor o patrimônio da Volkswagen Argentina na hipótese em apreço seria, no mínimo, imporlhe uma pesada redução patrimonial irrecuperável; a indenização não se confunde com as perdas e danos e com as multas; a violação de algum direito que imponha malefício ou diminuição do patrimônio sujeita o responsável a repor coisas ao estado anterior, ou seja, a restituição da situação anterior ao prejuízo; desde os mais remotos tempos da antiguidade que se tem notícia, pode haver um acordo entre a vítima e o causador do dano, estimandose pelo consenso mútuo a retribuição pecuniária; essa relação entre dinheiro e dano reflete o caráter de indenização da obrigação de retribuir certa quantia pela lesão causada, para recompor a situação anterior; Fl. 690DF CARF MF 12 a indenização não se confunde com as perdas e danos, ela é o equivalente pecuniário da obrigação de ressarcir e é fixada observandose os prejuízos; o Novo Dicionário da Língua Portuguesa define o verbo "indenizar" como "1. Dar indenização ou reparação a; compensar. A justiça mandou que o patrão indenizasse os operários T. d e i. 2. Dar indenização ou reparação, compensar, ressarcir Indenizeio dos gastos feitas por minha ordem. P. 3. Receber indenização ou compensação..." juridicamente falando, a "indenização" pode ser assim definida: "INDENIZAÇÃO. Derivado do latim indemnis (indene), do que formou o vernáculo e o verbo indenizar (reparar, recompensar, retribuir), em sentido genérico quer exprimir toda compensação ou retribuição monetária feita por uma pessoa a outrem. para reembolsar as despesas feitas ou para ressarcir de perdas tidas. E neste sentido, indenização tanto se refere ao reembolso de quantias que alguém despendeu por conta de outrem ao pagamento frito para recompensa do que se fiz ou reparação de prejuízo ou dano que se tenha causado a outrem. É, portanto, em sentido amplo, toda reparação ou contribuição pecuniária, que se efetiva para satisfazer um pagamento, a que se está obrigado ou que se apresenta como um dever jurídico. Traz a finalidade de integrar o patrimônio da pessoa daquilo que se desfalcou pelos desembolsos, de recompôlo pelas perdas ou prejuízos sofridos (danos), ou ainda de acrescêlo dos proventos, a que faz jus a pessoa, pelo seu trabalho..." "Reparação ou obrigação de reparar um dano causado ao patrimônio econômico de alguém, por parte da pessoa a quem cabe a responsabilidade direta ou indireta do ato, ou fato culposo, ou dolo, que o ocasionou. Ressarcimento" da leitura das lições transcritas acima extraise que a indenização é, essencialmente, uma recomposição para que o patrimônio seja restituído ao status anterior à perda experimentada; a indenização jamais constitui ganho, provento ou aumento, pois a própria palavra designa reparação, compensação patrimonial; a decisão recorrida, ao apreciar esse aspecto, foi muito criativa admitindo que os valores remetidos ao exterior em favor da Volkswagen Argentina constantes da autuação são de fato uma indenização mas, surpreendentemente, manteve a exigência fiscal pois tratase de uma indenização "que não se traduz em recomposição"; ora, em que pese o respeito que a decisão merece, segundo as normas do direito civil vigente, é possível e perfeitamente lícito que as partes contratantes estabeleçam, previamente, a multa pelo não cumprimento das cláusulas contratuais, bem como, quantifiquem previamente o dano material que possa ser experimentado pelas partes; no caso em exame foi exatamente o que aconteceu, ficando estipulado que, em caso de rescisão, o investimento realizado pela Volkswagen Argentina S/A seria recomposto pela Contribuinte; Fl. 691DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 686 13 a acusação fiscal sustenta que esta cláusula em verdade significa uma multa contratual, o que já foi demonstrado ao longo da impugnação e do recurso voluntário que não é o caso, e que a multa possui outra natureza jurídica que não a de recomposição ou compensação; por sua vez, a decisão recorrida traz um longo e criativo arrazoado que ao mesmo tempo que reconhece que os valores remetidos constituem recomposição ou compensações, ou seja, são a indenização pelo dano patrimonial experimentado pela Volks Argentina S/A, mantém a exigência sob a escusa que não se trataria de uma indenização "aquiliana, patrimonial e emergente"; ou o valor remetido é correspondente à recomposição do valor investido pela Volks Argentina ou não o é; curiosidades doutrinárias sobre o dano "aquiliano" não dizem respeito aos autos, pois o que aqui se discute é se as quantias remetidas ao exterior pela Contribuinte são, ou não, indenização à Volks Argentina S/A pelo dano patrimonial experimentado (fato que é reconhecido pela própria decisão recorrida); é absolutamente inquestionável que, com a descontinuidade de produção dos veículos objeto do contrato em questão, a Volkswagen Argentina sofreu um prejuízo no seu patrimônio de valor equivalente àquele correspondente aos equipamentos (moldes ou formas) que ainda não haviam sido depreciados; até mesmo porque os valores remetidos ao exterior são absolutamente incompatíveis com quaisquer multas contratuais, que jamais atingiriam os mesmos patamares da recomposição patrimonial, como no presente caso.; por fim, vale a pena lembrar que o valor da indenização paga à Volkswagen Argentina pela não depreciação de seu ferramental superou a monta de quarenta milhões de dólares, que é absolutamente incongruente com qualquer multa contratual, que por sinal não foi fixada pelo contrato; é também de notório conhecimento que a incapacidade da Argentina de exportar seus produtos foi uma das causas da crise em que acabou afundando todo o País nos últimos anos; dessa forma, a única conclusão a que se chega é que as duas remessas em favor da Volkswagen Argentina em 1997 foram feitas a título de reembolso do investimento em ferramental adquirido e não depreciado antes do término da produção dos veículos e peças contratados em 1996, razão pela qual constituem indenização, livre de qualquer tributação pelo imposto sobre a renda, nos exatos termos do parágrafo 5°, do artigo 70, da Lei n° 9.430, de 1996; pelas razões aqui expostas, só nos resta a conclusão da inteira improcedência do lançamento, ainda que superada a preliminar suscitada, o que só se admite para fins de argumentação. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional ou, caso assim não se entenda, o acolhimento de suas razões, para que seja mantido o recorrido. Fl. 692DF CARF MF 14 Em sessão plenária de 27/09/2006, foi julgado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, prolatandose o Acórdão CSRF/0400.342 (fls.461 a 475), assim ementado: "IRF REMESSA AO EXTERIOR. INCIDÊNCIA NA FONTE — Estão sujeitos à incidência de Imposto de Renda na fonte os rendimentos, de forma definitiva, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no Pais, a pessoa física ou jurídica residente no exterior. Recurso especial provido" A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Remis Almeida Estol e Mário Junqueira Franco Junior que negaram provimento ao recurso." Cientificado do Acórdão de Recurso Especial em 31/01/2007 (Termo de Vistas Processuais e Ciência de fls. 479), a Contribuinte opôs, na mesma data (carimbo aposto às fls.502), os Embargos de Declaração de fls. 502 a 506, rejeitados conforme o Despacho CSRF nº 147/2007, de 20/09/2007 (fls. 545/546). Intimada da rejeição dos Embargos em 17/12/2007 (Termo de Vistas Processuais e Ciência de fls. 593) a Contribuinte interpôs, em 28/12/2007 (carimbo aposto às fls.607), o Recurso Extraordinário de fls. 607 a 615, com fundamento nos arts. 9º e 43, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007, visando rediscutir o conhecimento do Recurso Especial, tendo em vista a falta de apreciação da preliminar arguida em sede de Contrarrazões. Ao Recurso Extraordinário foi dado seguimento, por meio do Despacho nº 175/2008 de 25/08/2008 (fls. 629/630). O processo foi recebido na PGFN em 11/09/2008 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 631) e, em 17/09/2008 (Relação de Movimentação de fls. 638), a Fazenda Nacional ofereceu as Contrarrazões de fls. 632 a 637. Em sessão plenária de 15/12/2008, foi julgado o Recurso Extraordinário do Contribuinte, prolatandose o Acórdão de Recurso Extraordinário nº 0000.028 (fls.640 a 643), assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA Processo Anulado" A decisão foi assim registrada: ACORDAM os Membros do Pleno da câmara superior de recursos fiscais, Por maioria de votos, CONHECER do recurso Fl. 693DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 687 15 extraordinário, vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves, Sandra Maria Faroni (Substituta convocada), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio arlos Atulim, Antonio Bezerra Neto (Substituto convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto convocado), Elias Sampaio Freire, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) que não conheciam do recurso; e no mérito, também por maioria de votos, ANULAR a decisão recorrida determinando o retorno dos autos à Turma da Câmara Superior de origem, para enfrentar a preliminar suscitada pelo contribuinte em contra razões, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Anelise Daudt Prieto, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Sandra Maria Faroni (Substituta convocada), Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mario Sérgio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto (Substituto convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto convocado), Júlio César Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga que consideraram a preliminar enfrentada no voto condutor do acórdão recorrido. Participaram do julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Substituta convocada), Valmir Sandri (Substituto convocado), Leonardo Herique Magalhães de Oliveira (Substituto convocado). Ausentes justificadamente as Conselheiras Judith do Amaral Marcondes Armando, Karem Jureidini Dias, Susy Gomes Hoffinann. Particiaram do presente julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Substituta convocada). Valmir Sandri (Substituto convocado), Leonardo Henrique Magalhães De Oliveira (Substituto convocado). Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Assim, anulado o Acórdão CSRF/0400.342, de 27/09/2006, o processo retorna à Câmara Superior de Recursos Fiscais, para que seja enfrentada a preliminar suscitada pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, conforme o Acórdão de Recurso Extraordinário nº 0000.028, de 15/12/2008. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de decisão proferida em sede de Recurso Extraordinário, que anulou Acórdão de Recurso Especial e determinou o retorno dos autos à respectiva Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para enfrentamento da preliminar apresentada pela Contribuinte em Contrarrazões, no sentido do não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, interposto na modalidade de contrariedade à lei ou à evidência de prova. Em sede de Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a Contribuinte alega, em síntese, o descumprimento de pressuposto regimental, já que a Fl. 694DF CARF MF 16 Recorrente não haveria comprovado que a decisão recorrida teria contrariado qualquer dispositivo legal. Nesse passo, argumentou que a pretensão da Recorrente seria, por meio do Recurso Especial, reabrir toda a discussão de mérito da decisão recorrida, o que a seu ver não seria possível, senão pela interposição de Recurso Especial de Divergência. Finalmente, aduz que a decisão recorrida não teria negado validade a qualquer dispositivo de lei. Quanto ao Acórdão de Recurso Especial CSRF/0400.342, de 27/09/2006, que foi anulado, este assim registrou, relativamente ao conhecimento do apelo: "Os pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial observam os requisitos regimentais e legais pelo que dele conheço. Sem razão a interessada quanto ao pedido de não acolhimento do recurso." Passase agora a enfrentar a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, arguida em sede de Contrarrazões pela Contribuinte, conforme determinou o Acórdão de Recurso Extraordinário nº 0000.028, de 15/12/2008. Tratase de Recurso Especial por contrariedade à lei ou à evidência de prova, previsto no 5º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 55, de 1998, então vigente. Essa modalidade de Recurso Especial ensejou, no passado, inúmeros debates acerca da questão da admissibilidade, uma vez que a interpretação literal dos dispositivos regimentais levaria à descabida situação em que, para decidir se o processo deveria ou não ter seguimento à Instância Especial, o Presidente da Câmara recorrida teria de adentrar ao mérito, a ver se a Fazenda Nacional teria ou não comprovado a alegada contrariedade à lei ou à prova, o que constituiria sem dúvida usurpação da competência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a quem caberia o julgamento do mérito. Nesse contexto, os antigos Conselhos de Contribuintes desde cedo entenderam que era preciso separar a análise da admissibilidade, da análise de mérito, sob pena de invasão de competência da Instância Especial. Nesse passo, convém trazer à colação julgado proferido em 2008 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do qual se demonstra que tal problemática também foi vivenciada pelos Tribunais Superiores, prolatandose julgado magistral pelo STF, que pôs fim à controvérsia há muito remarcada pelo Ilustre Ministro Barbosa Moreira, do STJ. Tratase do Acórdão CSRF 0401.040, de 07/10/2008, cujos fundamentos adoto como razões de decidir no presente voto: "DA PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO Preliminarmente, o contribuinte pede o não conhecimento do apelo da Fazenda Nacional, sob o argumento de que o acórdão recorrido não teria contrariado a lei, tampouco a evidência de prova. Diante de tal alegação, esclareçase que o juízo acerca de contrariedade à lei ou à evidência de prova constitui o próprio mérito do Recurso Especial, cujo exame é prerrogativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a quem compete julgar o apelo. Destarte, não cabe ao examinador da admissibilidade do Recurso Especial perquirir se o acórdão recorrido contrariou ou não a lei ou a evidência de prova, vez que assim estaria usurpando a competência da Instância Especial. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 688 17 Esta problemática não é nova, tampouco está restrita aos Conselhos de Contribuintes. Com efeito, os Tribunais Superiores já enfrentaram a questão e lograram resolvêla. Nesse passo, cabe aqui trazer à colação trechos de voto por mim proferido quando do julgamento do Recurso 130.231, pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, exarandose o Acórdão 30236.409, de 17/09/2004, de minha relatoria: 'Em face deste acórdão, a União Federal interpôs Recurso Extraordinário, fundado no art. 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, alegando violação de dispositivos constitucionais (art. 149 da Carta Magna, e 25, inciso I, e 34, § 5º, do ADCT). O dispositivo constitucional acima negritado estabelece, verbis: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: III julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição;" Ora, é sabido que as possibilidades de apresentação de Recurso Extraordinário estão limitadas aos permissivos constitucionais, materializados nas alíneas do artigo transcrito. Assim, antes de se conhecer do recurso, é feito o seu exame de admissibilidade, para a verificação do enquadramento do caso concreto ao permissivo. Não se configurando o enquadramento, o recurso não pode ser conhecido. No caso da alínea "a", em especial, a análise da admissibilidade do recurso se confunde com a própria análise do mérito, já que, se conhecido, o recurso obrigatoriamente terá de ser provido. Isso porque o ato de perquirir se a decisão recorrida contrariou ou não dispositivos da Constituição no caso, o art. 149 do texto principal, e 25, inciso I, e 34, § 5°, do ADCT envolve a análise do próprio mérito, ou seja, a análise sobre a constitucionalidade do ato inquinado (..). A problemática do permissivo referente ao Recurso Extraordinário, contido na alínea "a", do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal, repetese na alínea "a", do inciso III, do art. 105, da Carta Magna, desta feita em relação ao Recurso Especial, cuja competência para julgamento é do Superior Tribunal de Justiça. Sobre a questão, a manifestação de Barbosa Moreira é válida para ambos os casos (REsp e RE), ressalvando se que, no caso do STF, tratase de contrariedade à Constituição, enquanto que o STJ trata de contrariedade à lei federal: 'Ora, limitando o discurso, commoditatis causa, à hipótese de contrariedade a lei federal, não há quem não perceba que, tomada a Constituição ao pé da letra, se teria conferido ao Superior Tribunal de Justiça atribuição intrinsecamente Fl. 696DF CARF MF 18 contraditória. Ele deveria julgar o recurso especial apenas nos casos em que a decisão recorrida houvesse contrariado lei federal; ou, em outras palavras: apenas nos casos em que o recorrente tivesse razão. Sucede que, para verificar se a lei federal foi mesmo contrariada, e portanto se assiste razão ao recorrente, o Superior Tribunal de Justiça precisa julgar o recurso especial! Quid iuris se, julgandoo, chega o tribunal à conclusão de que não se violou a lei, de sorte que o recorrente não tem razão? Literalmente entendido o texto constitucional, haveria o Superior Tribunal de Justiça andado mal em julgar o recurso: a decisão recorrida não contrariou lei federal, logo a espécie não se enquadra na moldura do art. 105, III, letra 'a' ... Mas como poderia o tribunal, a priori, sem julgar o recurso, adivinhar o sentido em que viria a pronunciarse, na eventualidade de julgá lo? Eis o pobre Superior Tribunal de Justiça metido, sem culpa sua, em dilema implacável: diante do recurso especial, ou o julga, a fim de ver se a lei federal foi violada, e arriscase a, concluindo pela negativa, exceder os limites traçados pela Carta da República; ou então se abstém de julgálo, e assume o risco de descumprir a atribuição constitucional, porque sempre era possível que a lei federal tivesse realmente sido violada...' (MOREIRA, José Carlos Barbosa. Que significa "não conhecer" de um recurso? Revista da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Rio de Janeiro, Ano X, n° 9, 1° semestre de 1996, p. 193.) A questão também não passou despercebida ao Ministro Sepúlveda Pertence, que assim assentou em seu voto, proferido no julgamento do Recurso Extraordinário n° 298.694 (DJ de 23/04/2004): 'A dificuldade, quando se cuida de RE pela letra 'a', parece decorrer do dogma de que, então, conhecido, deva ele necessariamente ser provido. Ouso entender chegada a hora de rever a máxima, construída por motivos pragmáticos, que tenho recordado. Já denunciada pelo notável Castro Nunes, a confusão entre a admissibilidade e o provimento do RE, 'a', tem sido objeto de crítica veemente e de inequívoca procedência de Barbosa Moreira (....).' (...) Resta esclarecer que a problemática do permissivo contido na alínea 'a' do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal, acima retratada, foi recentemente resolvida, por meio do Recurso Extraordinário nº 298.694, publicado em 23/04/2004, assim ementado: "II Recurso extraordinário: letra 'a': alteração da tradicional orientação jurisprudencial do STF, segundo a qual só se conhece do RE, 'a', se for para darlhe provimento: distinção necessária entre o juizo de admissibilidade do RE, 'a' para o qual é Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 689 19 suficiente que o recorrente alegue adequadamente a contrariedade pelo acórdão recorrido de dispositivos da Constituição nele prequestionados e o juizo de mérito, que envolve a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a Constituição, ainda que sob prisma diverso daquele em que se hajam baseado o Tribunal a quo e o recurso extraordinário." Destarte, no presente caso, tendo a Fazenda Nacional alegado adequadamente a contrariedade à lei/evidência de prova, o Recurso Especial deve ser conhecido, razão pela qual REJEITA SE A PRELIMINAR argüida pelo contribuinte em sede de contrarazões." Salientese que, no caso desse precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi conhecido à unanimidade. Confirase: "ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de não conhecimento do recurso, suscitada pelo contribuinte em suas contrarazões e; 2) No mérito, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Ana Ribeiro dos Reis e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que deram provimento ao recurso. O Conselheiro Antonio Praga acompanha a Conselheira Relatora, pelas conclusões , que entende ser possível a redução da base de cálculo aos limites da atividade rural, e também apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva para redigir o voto vencedor." "Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (VicePresidente), Gonçalo Bonet Allage e Gustavo Lian Haddad." Destarte, no caso de Recurso Especial por contrariedade à lei ou à evidência de prova, o juízo de admissibilidade deve ser separado do juízo de mérito, sob pena de invasão de competência da Instância Especial. Nesse passo, conforme reconhecido pelo próprio STF, para o juízo de admissibilidade é suficiente que o Recorrente alegue adequadamente a contrariedade à lei ou à prova, o que no presente caso foi levado a cabo pela Fazenda Nacional, ao longo de extenso arrazoado, tanto é assim que própria Contribuinte a acusa de pretender rediscutir o mérito. Ora, é absolutamente claro que, ao alegar adequadamente que a decisão recorrida teria contrariado a lei, a Fazenda Nacional obviamente pretende levar a discussão do mérito à Instância Especial, legítima detentora de tal competência, inclusive para se pronunciar acerca da interpretação dos dispositivos legais invocados na decisão recorrida. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 698DF CARF MF 20 Registrese que o comando do Acórdão de Recurso Extraordinário limitouse ao enfrentamento da preliminar de não conhecimento do Recurso Especial, de sorte que, no entender desta Conselheira, a manifestação quanto ao mérito, caso seja mantido o conhecimento do apelo, se tornou definitiva. Aliás, não haveria como, em sede de Recurso Extraordinário, lograrse a revisão de matéria específica e exclusiva da 4ª Turma da CSRF, visto que a divergência tem de ser demonstrada entre diferentes Turmas da Instância Especial. Aliás, isso foi remarcado pelo próprio relator do Acórdão de Recurso Extraordinário: "Resta examinar se, nesta instância especial de julgamento, é possível o julgador declarar tal nulidade. Afinal, no recurso extraordinário de divergência, apenas é devolvida ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais a matéria divergente entre Turmas da CSRF." Destarte, não há como admitirse que, pela via transversa do Recurso Extraordinário, em que apenas foi questionado o conhecimento do Recurso Especial, a Contribuinte venha agora, sem qualquer remédio processual que a ampare, rever o mérito do acórdão anulado. Nesse sentido, o Decreto nº 70.235, de 1972, assim especifica: "Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo." (grifei) Compulsandose o Acórdão de Recurso Extraordinário, constatase que a motivação da declaração de nulidade foi a preterição do direito de defesa. Ademais, conforme o dispositivo acima transcrito, a parte dispositiva do referido acórdão especifica exatamente a providência que deve ser adotada: "e no mérito, também por maioria de votos, ANULAR a decisão recorrida determinando o retorno dos autos à Turma da Câmara Superior de origem, para enfrentar a preliminar suscitada pelo contribuinte em contrarazões". Assim, enfrentada a preliminar, reiterase a decisão de mérito proferida no acórdão recorrido, que tornouse definitiva com o conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional: "Como relatado, a questão a ser resolvida respeita à tributação de remessas de recursos ao exterior pela Volkswagen do Brasil Ltda., em beneficio da Volkswagen Argentina S. A. A tributação fundamentase no caput do art. 70 da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito, verbis: Casos Especiais de Tributação Multas por Rescisão de Contrato Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica. ainda que a titulo de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 690 21 de rescisão de contrato, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. §1º A responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda é da pessoa jurídica que efetuar o pagamento ou crédito da multa ou vantagem. § 2° O imposto devera ser retido na data do pagamento ou crédito da multa ou vantagem e será recolhido no prazo a que se refere a alínea "d" do inciso I do art. 83 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 3º O valor da multa ou vantagem será: I computado na apuração da base de cálculo do imposto devido na declaração de ajuste anual da pessoa física; II computado como receita, na determinação do lucro real; Ill acrescido ao lucro presumido ou arbitrado, para determinação da base de cálculo do imposto devido pela pessoa jurídica. § 4º O imposto retido na fonte, na forma deste artigo, será considerado como antecipação do devido em cada período de apuração, nas hipóteses referidas no parágrafo anterior, ou como tributação definitiva, no caso de pessoa jurídica isenta. § 5° O disposto neste artigo não se aplica às indenizações pagas ou creditadas em conformidade com a legislação trabalhista e aquelas destinadas a reparar danos patrimoniais. Fundamenta, ainda, o lançamento, o art. 685, de Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999— RIR/99, cujo teor é o seguinte: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no Pals, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos incidência na fonte (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 100, Lei n° 3.470, de 1958, art. 77, Lei n° 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n° 9.779, de 1999, arts. 7° e 8°): I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação especifica neste Capitulo, inclusive: a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; b) os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; c) as pensões e proventos de aposentadoria, inclusive os pecúlios pagos por entidades sem fim lucrativo; d) os prêmios conquistados em concursos ou competições. II à alíquota de vinte e cinco por cento: Fl. 700DF CARF MF 22 a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vÍnculo empregatÍcio, e os da prestação de serviços; b) ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 691, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em pais que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 245. § 1° Prevalecerá a alíquota incidente sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos residentes ou domiciliados no País, quando superior a quinze por cento (DecretoLei n° 2.308, de 1986, art. 2°, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 18). § 2° No caso do inciso II, a retenção na fonte sobre o ganho de capital deve ser efetuada no momento da alienação do bem ou direito, sendo responsável o adquirente ou o procurador, se este não der conhecimento, ao adquirente, de que o alienante é residente ou domiciliado no exterior. § 3° O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País (Lei n° 9.249, de 1995, art. 18). Não há questionamento que a Volkswagen do Brasil remeteu ao exterior as importâncias de US$27,766,514.00, em 27.06.1997, por meio do Bank of Boston, e US$14,240,900.80, em 21.08.1997, pelo Banco Itaú. Neste sentido houve representação do Banco Central, DESPA/RECAM2098/448, datada de 10.07.98, a Receita Federal (fl. 238). A fiscalização constatou que depois de feitas as remessas a ora recorrente protocolizou consulta junto à Superintendência Regional da Receita Federal na 8ª Região Fiscal sobre o cabimento ou não da incidência de imposto de renda na fonte sobre o pagamento, considerandose abrangida pelas disposições do § 5° do art. 70, da Lei n°9.430, de 1996. A autoridade regional da Receita Federal respondeu a consulta no sentido de ser tributada conforme o teor do caput do artigo, decorrendo o lançamento mantido na Primeira Instância e desconstituído na C. Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Neste julgamento, concordouse com aplicação das disposições do § 5° do 70, da Lei n° 9.430, de 1996, conforme havia sido o entendimento da interessada por ocasião da consulta. Do instituto da Consulta no Processo Administrativo A respeito do instituto da consulta, de ver as disposições do art. 46 e seguintes do Decreto n°70.235, de 1972, e alterações posteriores. Art. 46. O sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 691 23 Parágrafo único. Os órgãos da administração pública e as entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular consulta. Art. 47. A consulta deverá ser apresentada por escrito, no domicilio tributário do consulente, ao órgão local da entidade incumbida de administrar o tributo sobre que versa. Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instancia da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Lei nº 9.430, de1996: Processo Administrativo de Consulta Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1° A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia será atribuída: I a órgão central da Secretaria da Receita Federal, nos casos de consultas formuladas por órgão central da administração pública federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional; II a árgão regional da Secretaria da Receita Federal, nos demais casos. Art. 49. Não se aplicam aos processos de consulta no âmbito da Secretaria da Receita Federal as disposições dos arts. 54 a 58 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Em termos da doutrina especializada, Antonio da Silva Cabra, in Processo administrativo fiscal, São Paulo, Saraiva, 1993, p.485, 486, 487 e 495, ensina: 2. A finalidade da consulta. O instituto da consulta visa a proporcionar ao contribuinte a correta interpretação da norma aplicável a um caso concreto. Com razão Ruy ao comparar o instituto da consulta com a ação declaratória. Este tipo de ação tem sua razão de ser porque pode limitarse à declaração da existência ou inexistência de relação jurídica (art. 4°, I, do CPC). Ora, o que se visa nesse instituto é obter uma interpretação vinculante por parte. do fisco, de tal sorte que a consulta se transforme numa solução antecipada de conflito sobre a própria relação jurídica tributaria, de modo que o contribuinte se sentirá amparado pela orientação que tiver recebido da Administração. Fl. 702DF CARF MF 24 (...) Para que se esclareçam dúvidas semelhantes é que se criou o instituto da consulta fiscal. A própria Administração se antecipa a qualquer ação contra contribuinte e diz o que haverá de fazer quando a situação apontada pelo consulente como objeto de dúvida vier a ocorrer. Por isso é que o instituto colabora para a certeza e segurança do direito e faz desaparecer a luta entre fisco e contribuinte. 4. Consulta e interpretação da lei. O instituto da consulta não está no campo da aplicação do direito, mas da interpretação. Procurase esclarecer o sentido de uma norma, não apenas sua literalidade mas também os seus limites. O instituto da consulta supõe sempre um fato concreto que está por acontecer. Se o fato aconteceu, já se está no terreno da aplicação da let (...) EFEITOS DA CONSULTA. 1. Abstenção de ação fiscal O feito principal da consulta é fazer com que nenhum procedimento fiscal seja instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência de decisão. SZKLAROWSKY, Leon Freida. lnstrumentos de Defesa do Contribuinte. Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas, São Paulo: RT, n°07, ano 02, abriljunho de 1994, p. 126, ensina que a consulta é um verdadeiro catalizador da opinião do Fisco, com relação à controvérsia, com força vinculante, para a administração, se favorável ao contribuinte. Tem força de lei, até que outro ato a modifique ou revogue. BALERA, Wagner. Consulta em Matéria Tributária, in Revista de Direito Tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, n° 45, julhosetembro de 1988, p. 219, define consulta como um procedimento administrativo através do qual alguém objetiva obter interpretação a respeito dos dispositivos da legislação tributária que o Estado reputa aplicáveis a um fato determinado. Prossegue afirmando que "ao buscar uma declaração formal da Administração Pública acerca do direito aplicável ao caso que expõe, o interessado quer obter a segurança jurídica que lhe possibilite adequado planejamento da sua vida fiscal. É como se, de antemão, o particular tomasse conhecimento do regime jurídico tributário aplicável aos fatos descritos na petição de consulta e, munido desses critérios, pudesse orientar sua atuação" (p. 222). ROCHA, Valdir de Oliveira. A Consulta Fiscal. Sao Paulo: Dialética, 1996, p. 117, registra que "a decisão definitiva da Administração, à consulta fiscal, produz um efeito preclusivo ou irretratabilidade para o FiscoAdministração". Na esfera dos órgãos de julgamento administrativo, temos os seguintes exemplos de decisões: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 692 25 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONSULTA. EFEITOS. A resposta dada à consulta vincula a administração até que venha de ser alterada. Inviável à Administração Pública negar validade ao procedimento do contribuinte, quando em conformidade com a orientação recebida, resultante de resposta fornecida em consulta anteriormente formulada (...). Recurso conhecido e provido. (Acórdão 10194540, de 14.04.2004.) EFEITOS DA CONSULTA Cabível a exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, lançado de oficio em virtude de exclusão do SIMPLES, quando a empresa, cientificada de resultado desfavorável de consulta relativa à sua inclusão no sistema de tributação simplificada, deixa de recolher nos trinta dias seguintes à ciência da decisão da consulta os tributos relativos ao período da opção indevida. Recurso negado. (Acórdão 108 08448, de 12.08.2005). II/IPI. CONSULTA. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O crédito tributário decorrente de situação objeto de consulta pode ser constituído após o decurso do prazo de trinta dias da ciência de sua decisão. Nulidade dos autos de infração não configurada. (Acórdão n° 30130.020, de 21.11.2001). De acordo com o exposto o processo de consulta é instrumento disponível ao contribuinte em caso de dúvida quanto 6 interpretação da legislação tributária. Submetida a matéria ao exame administrativo a resposta favorável ao consulente vincula a Administração Tributária. Sendo desfavorável, o contribuinte tem 30 dias para proceder ao recolhimento dos tributos sem incidência de penalidades quanto ao objeto da consulta. Naturalmente, decidida a empresa a formular a consulta é de se esperar o acolhimento do resultado dado pelo Fisco. Caso contrário, com as devidas proporções, seria valerse da própria torpeza. Embora, sabidamente, o contribuinte possa dirigirse ao Judiciário sobre a mesma matéria visando desconstituir o entendimento do fisco, a opção pela esfera administrativa, pelo menos do ponto de vista da coerência, feita a consulta, cabe ao contribuinte vincularse ao resultado. No caso presente, a ora recorrente, não obtendo a resposta desejada a sua consulta no sentido de exonerarse da tributação sobre ato jurídico já praticado (remessa dos recursos ao exterior) deixa de providenciar a arrecadação do tributo no prazo trintenário. Neste sentido, conferese nos autos que em 3.12.2001, foi dado ciência do Termo de Intimação Fiscal de fl. 07, no qual a empresa é intimada a comparecer na unidade da Secretaria da Receita Federal munida de Planilha discriminando o valor de todas as indenizações pagas A empresa Volkswagen Argentina S.A. relativas à quebra de contrato acima mencionado; e dos Comprovantes do recolhimento do imposto de renda na fonte, Fl. 704DF CARF MF 26 incidentes sobre as referidas indenizações. Na seqüência do procedimento fiscal, em 20.03.2002, o crédito tributário foi constituído conforme os termos do lançamento em litígio. Pelos aspectos processuais verificase adequado o lançamento, posto a existência do fato gerador do imposto de renda segundo a ótica da Administração Tributária conhecida pela contribuinte em razão do processo de consulta. Verificada a existência do fato gerador do imposto e não se constatando as providências do contribuinte ou responsável com vistas à apuração e ao recolhimento do montante devido, compete à Fazenda Nacional proceder ao lançamento de oficio do crédito tributário. Da incidência tributaria sobre remessa de recursos ao exterior. Conforme os termos do Auto de Infração (fl. 243) a descrição da infração corresponde a "falta de recolhimento do IRF sobre remessas de dinheiro para a Volkswagen Argentina a titulo de indenização por quebra de contrato não inserida no § 5° do art. 70, da Lei n° 9.430/96". Com vistas ao direcionamento do entendimento que considero legal à matéria, oportuna a transcrição de parte do voto vencido, a seguir: Da análise dos autos, verificase que o ponto central do litígio está restrito a interpretação do artigo 70 da Lei n°. 9.430, de 1996, aliás, esta divergência já vem desde 20/08/97 quando da consulta proposta pela suplicante. (...) Em que pese as razões apresentadas pela ilustre recorrente, entendo que não lhe assiste razão em concluir que as parcelas remetidas ao exterior a titulo de indenização pela perda decorrente da baixa contábil do valor residual do ferramental pela Volkswagen da Argentina. Senão vejamos: A Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim dispõe: "Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a titulo de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte alíquota de quinze por cento". § 5°. O disposto neste artigo não se aplica às indenizações pagas ou creditadas em conformidade com a legislação trabalhista e àquelas destinadas a reparar danos patrimoniais." O Contrato de Compra e Venda Recíproca de Veículos, Componentes e Peças de Reposição, na parte que interessa, assim dispõe (fls. 10/20): "4.4 Se as compras mensais de qualquer uma das partes forem inferiores ao volume mínimo estabelecido no Anexo 1 a este Contrato, ficará a Compradora obrigada a indenizar a Fabricante Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13819.000873/200210 Acórdão n.º 9202005.536 CSRFT2 Fl. 693 27 pelos custos fixos não repassados ou que, nos termos da cláusula 2.2 retro, tenha obrigada a ressarcir a Fornecedores Externos, (...) 10.1 Caso, em virtude da descontinuidade da fabricação de determinado Produto, por qualquer motivo atribuído à Compradora, não seja mais possível à Fabricante depreciar no prazo normal o ferramental de sua propriedade utilizado, por ela ou por Fornecedores Externos, na produção do referido produto descontinuado, ficará a Compradora obrigada a indenizar a Fabricante pela perda decorrente da baixa contábil do valor residual do referido ferramental." Quando do resultado do Processo de Consulta realizada pela suplicante a DECISÃO/DISIT/SRRF/8° RF N° 226, de 1998, assim dispôs (fls. 31/32): "Em virtude do disposto no inciso II, do art. 111 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), passase a interpretação literal do § 5° do referido dispositivo legal, por se tratar de consulta sobre a isenção do imposto de renda na fonte quando do pagamento ou crédito de valores a titulo de reembolso de despesas, denominadas indenizações por danos patrimoniais. Na interpretação do § 5º do art. 70 da Lei n° 9.430/96, fazse necessário definir se o valor pago ou creditado referese a indenização e, se esta foi destinada a reparar danos patrimoniais. (...) Assim, somente as indenizações decorrentes de prejuízo material estão abrangidas pela isenção prevista no § 5°, do art. 70, da Lei n° 9.430/96. Analisando as clausulas previstas no contrato, verificase não se tratar de indenizações para reparação de danos materiais, e sim de valores resultantes de danos contratuais, pela inexecução das obrigações livremente fixadas entre as partes contratantes. Como se verifica do dispositivo legal acima mencionado a norma legal prevê a incidência do imposto de renda na fonte sobre o pagamento de multa ou qualquer outra vantagem, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato. O § 5° do dispositivo mencionado excepciona as indenizações pagas ou creditadas em conformidade com a legislação trabalhista e as indenizações destinadas a reparar danos patrimoniais. (...) entendo que somente as indenizações decorrentes de prejuízo material estão abrangidas pela isenção prevista no § 5°. 0 que não é o caso da suplicante, já que da analise das clausulas contratuais, verificase que não se trata de indenização para reparação de danos materiais, e sim de valores resultantes de danos contratuais, pela inexecução das obrigações livremente fixadas entre as partes contratantes, ou seja, não se trata de indenização por rescisão de contrato, mas de reembolso de despesas incorridas no exterior pela Volkswagen Argentina, tendo em Fl. 706DF CARF MF 28 vista os termos estabelecidos no contrato de compra e venda reciproca de veículos. (...) Assim, a multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. Desta forma, diante da determinação contida no inciso II, do art. 111, da Lei n° 5.171, de 1966 (CTN), a isenção prevista no § 5°, do art. 70 da Lei n° 9.430, de 1996, não se aplica aos valores livremente fixados em contratos pela inexecução das obrigações all contidas, por se tratar de danos contratuais." Por concordar, inteiramente, com as disposições acima transcritas, agregoas ao presente voto, o que me leva a DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, apenas reitero a decisão proferida, no sentido de dar provimento ao apelo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720157/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.925
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.720157/2012-11
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722170
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.925
nome_arquivo_s : Decisao_11516720157201211.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11516720157201211_5722170.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755341
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212206186496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.720157/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.925 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 57 /2 01 2- 11 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.720157/201211 Acórdão n.º 3302003.925 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.094. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.720157/201211 Acórdão n.º 3302003.925 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.720157/201211 Acórdão n.º 3302003.925 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720157/201211 Acórdão n.º 3302003.925 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11516.720157/201211 Acórdão n.º 3302003.925 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900304/2014-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/03/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/03/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13888.900304/2014-96
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735094
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.693
nome_arquivo_s : Decisao_13888900304201496.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13888900304201496_5735094.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6812095
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212210380800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.900304/201496 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.693 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria IPI pagamento a maior ou indevido Recorrente RMF INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/03/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 04 /2 01 4- 96 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900304/201496 Acórdão n.º 3401003.693 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/03/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900304/201496 Acórdão n.º 3401003.693 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900304/201496 Acórdão n.º 3401003.693 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902169/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 29/02/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 29/02/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10820.902169/2012-48
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736790
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.591
nome_arquivo_s : Decisao_10820902169201248.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10820902169201248_5736790.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6824470
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212212477952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.902169/201248 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.591 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente RAMONA ALBA DOS SANTOS YASSIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 29/02/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 69 /2 01 2- 48 Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10820.902169/201248 Acórdão n.º 3401003.591 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 29/02/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10820.902169/201248 Acórdão n.º 3401003.591 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10820.902169/201248 Acórdão n.º 3401003.591 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10820.902169/201248 Acórdão n.º 3401003.591 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1075DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001625/99-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 201-00.129
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILBERTO CASSULI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200106
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10530.001625/99-68
conteudo_id_s : 5732072
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 201-00.129
nome_arquivo_s : Decisao_105300016259968.pdf
nome_relator_s : GILBERTO CASSULI
nome_arquivo_pdf_s : 105300016259968_5732072.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2001
id : 6797888
ano_sessao_s : 2001
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212215623680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20100129_105300016259968_200106; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-06-09T14:00:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20100129_105300016259968_200106; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20100129_105300016259968_200106; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-06-09T14:00:03Z; created: 2017-06-09T14:00:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-06-09T14:00:03Z; pdf:charsPerPage: 821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-06-09T14:00:03Z | Conteúdo => ... •i MI~ISTÉRI6 DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . ./ : i Processo : . .Recurso Resolução: 10530.001625/99.68 115.802 . 201:"00:129 . '" . Sessão Recorrente : Recorrida 20 de junho de 2001 '. . CONFMIL ~ COMERCIAL,DE CONFECÇÕES E MIUDEZAS LTDA DRJ em Salvador - BA .' . ',':' . . ~. ,;- . .... RESOLUÇÃO ~ 201-00.129 " ! . ',. " i i . J . i : í '.i.. .. '.. ,sp.em 20 de junho de 2001 .... Jorge ferre. . . . . .' .... Presidente . " "' .....•... '~'. .•.......... '.:1', Vistos,relatados e 'dis~tidos os presentes autos .de. recúrso' interposto'. por: .. f CONFMIL - COMERÇIAL'DE CONFECÇÕES E MIUDEZAS LTDA. . . . .; .. : . . , ~ ~"". . ".' '. . I•..,;•• " • , RESOLVEM os Membros dá Primeira Cãmára do Segundo' Conselho' de Contribuintes, por unanimidade de .votos, converter" ••iulgamento do recurSo em diligência', nos termos do voto ,doRelator. ", . i I' ....' ..~.•... - .... Gilb assu i' ~ l{elator.' .. ' .. ' cl/ovrs ,/ \ .\ ,t " I .1 " .',' ... 1 . J f' .: ,." • I. i '.i . } J . j ;{ " '. i .~ . , , !, , . :,)"". : , . \" ," , . o,i " :10530.001625/99-68 115.802. 201-00.129 . CONFMlL ~COMERCIAL DE ,CONFECÇÕES E MIUDEZÀS LTDA, , RELATÓRIO MINISTÉRIO DA FAzENDA . '. SEGUNDO CONSé.ÜIO DE CONTRIBUINTES • ~.1 • Processo :. Recurso .: Resolução: Recorrente : ,' .. i; !I ii f. r:" i.!' t! 'I. I" , , .. '\;;-1- i '. I . .1' .. "-1[1,. :: ~.'i . :1 '.' Trata~se de pedido de restituição, protocolado em 19/07/99, sob a al~gação' de iJ' que "A peticionária antecipou iTidevidainenteo FINSOCIAL a maior do período de setembro',d~ 11 . " ,.~ 1989 a marçO de 1992; fazendo jus, portanto,' na forma do Decreto nO 2.138/97, C/C com{zl' , Instrução Normativa nO 21/97, a restituição dtis quantias recolhidas.a mais, devidamente j,\, ' ".! ',' I' ' ,acrescida da SELIC". Requer, a restituição do FINSOCIAL recolhido a maior, pleiteando os 11 .. valores relativos aos penodos de setembro de 1989 a novembrÇ)de 1991. trazendo os docl.imento~ ,\1 '. que comprovam..os recolhimentos.. '. " . . . ':,'p .,:I!. r1-. . ! :!i , âDelegacia da Receit~'FederaI em Feira de Santana - BA, às fls. 24/27; decidill " J;.'. pelo indéferimento do pedido de res~ituição, âfirmando haver se operado li decadência do direit6 à] li, ,', , restituição pleiteada; fiIDdamentarido-senos aits~'"ÜiS:e 168 do CTN, no Parecer PGFN/cA'];'IN°! "'F' 1.538/99, e no Ato DeClaratório SRF n° 096/99, . ' '-1, .', ' . ". ". ,.' \ ,.'\:" .~ . ", ";j Incomon,nada,aempiesa'apresentou suaimp.ugmlção; fls. 29,/.,39,~nlzendo sua.s1 /I razões com fundamel).to.no Parecer COSIT n°' 58/98, afirmando que, os .valores pleiteados ,.~ .{;. poderiam ser, devolvidos sem, restrições com base nos dispositivos deste parecer. Cita doutrina ~ .I! ". fazendoreferêncili à ie~ de que aprazo para pieitear a restituição p~rante a aut<;>ridadei .,~ administrativa, nos casos como.o presente, nasceria somente com a declaração d~ I J! inconstitucionalidade da exação pelo Supremo Tribunal Federal. Faz referência, também, à ~ese d~ .~I' que, em se tratando, de tributo sujeito ao lançamento por homologação,. o prazo de cinco' anos .:'; - r para pedir a repetição do indébito somente começa a correr depois da homologação realizada pele;, (- .';'r Fisco; não' sendo, expressa. essa homologação, ocoiTe a homologação' táCita, após cinco, anos,.l ". i contados da data do fato gerador; assim, afirma que ao prazo de cinco' anos deve ser acrescido f. 'i' mais cinco anos. Afirma, com referência 'ao Ato Declaratório SRF n° 096/99, que a extinç~o do:" i crédito tributário se dá após pecorridoscincoanosdo fato gerador. Colaciona uma série :ele'; precedentes jurisprudenciais que' corroboram como entendimento que adota, e informa 'qúe', i .entraria com Ação Ordinária de Repetíção de Indébito, junto à Justiça Federal,' pleiteando a\!, .' restituição/compensação desses valores. Requer a restituição ou a compensação dos seus alegados'; -;, .' ~~. ' . •• .. ". ,I I i "i ' ! I I • \I . I \ r [. 1 .1' I.l:.. \ í I l I I!. I . A Delegacia'da Receita Federal de Julgamento de Salvador - BA,' à fi. 41, diante .~.;... da afirmação da contribuinte de que ingressaria com ação judicial junto 'à' Justiça Federal, ; ., , determinou a-intimação da.empresa para apresentar cópia da' petição inicial que teria inst'ruíd()'o." '.i" I 2 ~ ' . .' . "~ ;.1, ,,; '1'.:'- , ~,':i ' " ' \,-. 1 . I I .. .~. . I' ;. . : .; ...... 10530.001625/99-68 . .1l5.802. .201-00.129 . .' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,". . .' . MINISTÉRIO DA FAZENDA Processo • Recurso Resolução: processo' ou para firmar declaraçãó de que não intentara a ação. A ora reCorrente. quedoji-'$e'. inerte, e o Fisco juntou comprovação de que a ora recorrentempetrara ~dado _de Segurança, .. 'i';j' individual, ~istribuído em. 14/08/2000, conforme pesquisa realizada na internet •. na.' Seçãp '. ri '1 Judiciária da Balúa.' \ \ . I' ; I! , ReSolveu, então, a Delegacia da Receita .Federal de Julgamento de Salvador:- 1\ BA. às fls. 46/50. não conhecer da impugnação apresentada, sob o fundaIllento de qué I'A opção '1] pela via judicial importa em renúncia ou .desistência da esfera administraiiva, emjace:dqjf' .princípio da uniCidade de jurIsdiÇão contemplado na Carta Política. ". Traz a .lume o princípio'dQ 'Ii Controle Júrisdiciorml,art. 5°, XXXV, CF, afirmando que ao optar pela via judicialo. cidadã9 '1]' .'. renuncia ao julgamento de. seu pleito na esfera administrativa. Fundamenta-se, ainda, no Decreto~l; .Lei nO 1.733/79,.~. 10, ~ 2°, Lei nO6.380/80, art. 38, parágrafo único, Ato De.claratóno~ '1: (Normativo) no'3 da 'Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, julgado doEg. Pri~eirO: ;jj. Conselho de Contribuintes, e Parecer PGFN nO25.046, de 1978, concluindo por não conhecer da\ .Ii - impugnação "em '.raião ..4e a matériaj(l' ter. sido submetida à àpreciação .do Poder Judiciário, ~ .;rl: ~uj,! ~~is~o s~rá cumprida pela adf1fini~tração .tributária, por intermédio do órgão fiscal~ ~IJ JunsdlclOnante . . . '. VI,.,.. . I, 11. • . .~..•.~.!i..•.. ~F.-t~.~~;.". . ,; . . '1 Em recurso voluntário, às fls. 511l?3, a .recorrente manifesta sua inconfo~dad.e .~ com a decisão atacada, .apresentando suas razões, .iifiímando inicialmente' que' "aindD. não 1.1: . . ingressou, junto aojudiC:iáriO,.pediiul..o que lhe permitido i/compensar os FINSOCIALreco~hi.di?, j: a maior, por i~so, ao não júlgar o seu pedido, data máxima vênia, laborou em grande equNl?co 0.:1 '. II Sr. Delegado da ReCeita Federal dê Julgamento ... ". Tece comeniários acerca da compen~ação e l J da restituição,'fazendo referência' às Leis'nos 8.383/91; às IN'snos 67/92, 21/97 e73/97;ao!~r Decreto nO 2.138/97~ e ao Pareçer COSIT nO 58/98. Alega que a Receita Federal i viriha\ i promovendo normalmente a compensação e a restituição, até o advento do Ato Declaratório ~.RFL.1' . '.i . nO096/99, quando passou a considerar a.decadênciado direito ao pedid~ de restituição de maneira" '.i' diferente. Aduz que a extinção do crédito tributário e a prescrição do direito de pleitear sua': { .) restituição, no lançaffiento por hom,ologação; "se dá após oprazo de cinco anos, contados di>: } .... J . fato gerador,. acrescido dema.is cinco a"'os•. a partir dQ' homologação' tácita". .Colaciona; .'.' precedentesjurisprudenciais na esteira deste pensamento. Conclui por requerer que se considere o.•.; '. termo inicial do prazo para'pléiteara restituição a'data em que <> seu direito se tomou disponível, que considera serido a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, pugnando pelo provimento do recurso. ',1 I.. ,. r" I' I. ' .' \ I. I •I \ 1 I I..I. I I \ I I 1. É o relatório. .... 3 li]y.~ '. I '"I ; . 1 ': \ , 1.I . . "!" . ...., . I..:.r '.1 . / I . Processo Recurso Resolução: MINISTÉRIO OAF'AZENOA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10530.001625/99-68' . 115.802 201-00.129 .' VOTO DO CONSELlIEIR04RELATOR GILBERTO CÀSSULI ;' I I • o recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço .. ' ( , A empresa contribuinte,' ora recorrente, pretende' a restituição dos valores recolhidos a maior referentes ao FINSOCIAL ..Resta claro que o entendimento da empresa de que . pagou tributo indevidamente funda-:sem) julgamento, pelo Egrégip 'Supremo Tribunal Federal, da . inconstitucionalidade das majórações da alíquota da exação em foco . DA CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL" A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não.' conheceu da impugnação apresentada, . ao fundamento de não haver' possibilidade de concomitância .entre o processo. administrativo -c o processo judicial. Defende a tese de que o ajuizamento de quaIquer ação, v. g. o. Mandado de Segurança impetrado, significa a renúJ.lciaou desistência do contribuinte à discussão administrativa. ' . . . " r" '. :. . . : . . O Fisco aferiu que a. ora' r~rrente' impetrara Mandado de Segurança, em face da Delegacia da Receita Federal erilFeir~"~dêSantana ~,BA, e, diante do silêncio da empresa; . quando intimada para se inanirestar a tespeitd; decIdiu ,aDRJ 'não conhecer da"impugríação apresentada. "t.1', ~' . ,.. .~ . ' .' / . lEtn, respeito ao princípio da segurança jurídica e da .unicidade da jurisdição,porque sempre prevalecerá a decisão judicial sobre a administrativa, deve-se ter conhecinientodo ~teor da petição inicial do mandado de segurança interposto pela contribuinte,' bein como dojulgamento do mesmo writ. ' .! •. . Assim, pelo exposto. e por tudo mais que dos autos consta" voto pela baixa dO$ .autos. em diHgência para verificação .da fase. processual da ação: judicial impetrada peta ora recorr~te, informando eventual julgamento de méritQ, sob pena de arquivamento do processo. É comovoto. Sala dás Sessões, em20 deju~o de 2001 . \ ," GILB , I 4 , \, . : !..~'..,~ .õ " 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903519/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.903519/2010-89
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5724651
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.345
nome_arquivo_s : Decisao_16327903519201089.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 16327903519201089_5724651.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6762493
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212273295360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.903519/201089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.345 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 19 /2 01 0- 89 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.903519/201089 Acórdão n.º 1301002.345 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.903519/201089 Acórdão n.º 1301002.345 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.903519/201089 Acórdão n.º 1301002.345 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 16327.903519/201089 Acórdão n.º 1301002.345 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16327.903519/201089 Acórdão n.º 1301002.345 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.903519/201089 Acórdão n.º 1301002.345 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.903519/201089 Acórdão n.º 1301002.345 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.004213/2001-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
Ementa:
RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91.
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005.
Numero da decisão: 9101-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 Ementa: RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10735.004213/2001-69
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5738383
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.882
nome_arquivo_s : Decisao_10735004213200169.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CRISTIANE SILVA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10735004213200169_5738383.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6835101
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212277489664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 470 1 469 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10735.004213/200169 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.882 – 1ª Turma Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria IRPJ Recorrente ASBERIT LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 42 13 /2 00 1- 69 Fl. 470DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por pedido de restituição apresentado em 05/12/2001 (fls. 2) de saldo negativo de 1995. A Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu indeferiu a compensação por aplicar o prazo de 5 anos para restituição. (fls. 289/290), verbis: 3. Tendo em vista que o presente processo foi protocolizado na unidade da SRF em 05 de dezembro de 2001 após decorrido, portanto, o prazo de cinco anos, a restituição pleiteada não deve ser concedida, uma vez que o direiot de fazêlo já estava extinto, conforme Ato Declaratório SRF nº 096, de 26 de novembro de 1999. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento de sua restituição (fls. 298/310), que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (fls. 336/346), em acórdão do qual se destaca: Quanto a alegação de que a extinção do crédito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorre somente após cinco anos contados da data do recolhimento, na hipótese de homologação tácita (art. 150, § 4°, do C'IN), e que a estes cinco anos devem ser somados mais cinco, correspondentes ao prazo decadencial para pedir restituição (art. 168, I, do CTN), totalizando dez anos, cabe asseverar que tal inferência não se ajusta às disposições do Código Tributário Nacional aplicáveis a matéria. (...) Nos exatos termos da Lei Complementar, o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sob condição resolutó ria da ulterior homologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. No direito posto, a homologação apenas vem confirmar a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado, em observância à condição expressamente resolutiva prevista na Lei. (...) O pagamento antecipado, portanto, extingue o crédito tributário e é a partir da sua data que se conta o prazo em que se extingue o direito de pleitear a restituição. (...) Finalmente, quanto ao argumento da aplicação da Taxa Selic ao crédito pleiteado, cai o mesmo por terra em razão de não mais poder a interessada pleitear tal reconhecimento em face do decurso do prazo previsto em lei para solicitar a restituição do tributo ou contribuição recolhido a maior ou indevidamente. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 352/368), no qual alega: (i) tempestividade do pedido de restituição, nos termos dos artigos 168, I e 150, do CTN e a (ii) Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10735.004213/200169 Acórdão n.º 9101002.882 CSRFT1 Fl. 471 3 aplicação da norma de execução Conjunta/SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 1997, que asseguraria a atualização dos seus créditos pela taxa SELIC. A 2ª Turma Especial da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso voluntário (fls. 376/386), verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995 Ementa: PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ O prazo para pleitear a restituição de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extinguese após o transcurso de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos, 165 e 168, do Código Tributário Nacional. Em casos de apuração de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, a contagem inicial do prazo se dá no primeiro dia do mês seguinte ao encerramento do período de apuração, e, se a interessada comprovar que o crédito relativo ao saldo negativo não foi utilizado para compensações em períodos posteriores. O contribuinte foi intimado em 28/03/2011 (fls. 389), interpondo recurso especial em 12/04/2011 (fls. 390/398). Sustenta divergência quanto ao prazo para restituição de indébito tributário, indicando como paradigmas os seguintes acórdãos: a) 30239.739 (Processo Administrativo nº 10875.002449/9817), no qual se decidiu que "No caso de lançamento por homologação, sendo esta tática, na forma da lei, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, a partir da homologação tácita do lançamento." b) 30239.502 (Processo Administrativo nº 10580;015439/9957), do qual se destaca: “Segundo entendimento consolidado pelo STJ, não se pode falar em prescrição antes de esgotado o prazo de 10 (dez) anos condizente à soma do prazo de 5 (cinco) anos previsto no §4º do artigo 150 do CTN, e de igual interstício (cinco anos) assinalado no artigo 168, I, do referido diploma". O contribuinte ainda indica outro acórdão paradigma (nº 30239.663). Nesse contexto, pede seja julgado procedente seu recurso, para que seja afastada a prescrição para restituição do indébito e reconhecido seu direito creditório. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção, conforme despacho às fls. 453/455, destacandose trecho a seguir. Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigma, verificase que o tratamento foi diferenciado vez que, no recorrido, concluise que o prazo para pleitear a restituição de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extingue se após o transcurso de cinco anos, contado da data da extinção Fl. 472DF CARF MF 4 do crédito tributário, nos termos dos artigos, 165 e 168, do Código Tributário Nacional. Já o acórdão paradigma nº 302 39.739 concluiu que no caso de lançamento por homologação, sendo esta tácita, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, a partir da homologação tácita do lançamento, e o de nº 20403.003 concluiu que o prazo para a restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos contados do fato gerador. O art.3° da LC n° 118/2005 só é aplicável aos fatos geradores ocorridos após o inicio da sua vigência. Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela contribuinte, para que seja reapreciada a matéria em discussão. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso em 19/09/2015 (fls. 459/468), sustentando que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, que ocorreria com o pagamento antecipado. A Procuradoria ainda reproduz o artigo 3º, da Lei Complementar nº 118/2005 em suas razões recursais. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial é tempestivo e foi demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, conforme razões da Presidente de Câmara notadamente quanto ao paradigma nº 30239.739. Adoto tais razões para conhecimento do recurso especial. Passo à análise do mérito. O recurso especial trata da interpretação do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, que prevê Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; A interpretação do dispositivo relacionase, ainda ao artigo 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, que prescrevem: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10735.004213/200169 Acórdão n.º 9101002.882 CSRFT1 Fl. 472 5 pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. O citado artigo 4º tinha por finalidade atribuir eficácia retroativa à inovação veiculada pelo artigo 3º. Com efeito, o artigo 106, do Código Tributário Nacional é nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; O Supremo Tribunal Federal decidiu em sessão do Pleno, aplicando a sistemática do artigo 5453B, do Código de Processo Civil, que: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 474DF CARF MF 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Tribunal Pleno, Recurso Extraordinário nº 566.621, DJe 10/10/2011, Rel. Ministra Ellen Gracie) Os Conselheiros deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais devem reproduzir as decisões do Supremo Tribunal Federal, tomadas com fundamento no artigo 543 B, do antigo CPC/1973, na forma do artigo 62, §2º, do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sobreleva considerar, ainda, que a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/06 pode ser proclamada por este Colegiado em observância ao próprio RICARF (Portaria MF nº 343/2015), termos do artigo 62, §1º, I e II, alínea b: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10735.004213/200169 Acórdão n.º 9101002.882 CSRFT1 Fl. 473 7 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; O citado dispositivo regimental encontra fundamento no artigo 26A, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pois bem. Diante disso, entendo necessário adotar o entendimento do STF no julgamento acima, que reconheceu: (i) que a LC 118/2005 não é interpretativa, tendo alterado o prazo para restituição de indébito de 10 anos, para 5 anos (do pagamento indevido). (ii) a segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/05, é inconstitucional; (iii) o novo prazo para restituição de indébito (5 anos) só seria aplicável às ações ajuizadas a partir de 9/06/2005. Cumpre destacar, ainda, que o CARF aprovou Enunciado de Súmula em sentido similar, dispondo que: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso destes autos, a Turma a quo negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer a decadência do direito à restituição e compensação quanto ao saldo negativo de 1995, tendo sido apresentado pedido de restituição 05/12/2001. Destaco trecho do voto da relatora, acompanhado pelo Colegiado a quo: O direito de postular a restituição do saldo negativo do IRPJ e da CSLL somente exsurge após o encerramento do ano calendário. Assim, o direito de restituição do saldo negativo do IRPJ referente ao ano calendário de 1995 teve seu termo inicial no dia 01/03/1996 e o termo final no dia 01/03/2001. Fl. 476DF CARF MF 8 Formulado o pedido de restituição/compensação somente em 05/12/2001, mediante a apresentação do Pedido de REstituição/Compensação, tendose presente ainda que a DIPJ/96 (Retificadora) somente fora apresentada em 30/10/2001, caracterizada está a prescrição, no que se aplica o disposto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. O acórdão recorrido não se coaduna com o entendimento do Pleno do Supremo Tribunal Federal, conforme acórdão acima colacionado, como tampouco com a Súmula 91 do CARF. Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Por tais razões, conheço e dou provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
