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Numero do processo: 10510.003220/2007-73
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABATIMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Caso seja apurado crédito a favor do contribuinte, é mister que este seja devidamente abatido do montante devido.
OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Havendo a realização de diligência para verificar os documentos apresentados pelo contribuinte, e tendo sido dado a este a oportunidade de se manifestar sobre todos os atos processuais, não há que se falar em ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-003.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial para que seja retificado o lançamento nos termos em que proposto pelo relator.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABATIMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Caso seja apurado crédito a favor do contribuinte, é mister que este seja devidamente abatido do montante devido. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Havendo a realização de diligência para verificar os documentos apresentados pelo contribuinte, e tendo sido dado a este a oportunidade de se manifestar sobre todos os atos processuais, não há que se falar em ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABATIMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Caso seja apurado crédito a favor do contribuinte, é mister que este seja devidamente abatido do montante devido. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Havendo a realização de diligência para verificar os documentos apresentados pelo contribuinte, e tendo sido dado a este a oportunidade de se manifestar sobre todos os atos processuais, não há que se falar em ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 32 20 /2 00 7- 73 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial para que seja retificado o lançamento nos termos em que proposto pelo relator. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10510.003220/200773 Acórdão n.º 2402003.245 S2C4T2 Fl. 918 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 17/08/2007 (fls. 197/198) para exigir contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no período de 07/1999 a 12/2006. A Recorrente apresentou impugnação em 14/09/2007 (fls. 202/288) pleiteando pela nulidade da NFLD, pois teria havido violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, da proporcionalidade, da razoabilidade e aos mandamentos contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Ainda, a Recorrente demonstrou que efetuou em 13/09/2007 (ou seja, dentro do prazo de impugnação) o pagamento dos débitos compreendidos nos períodos de 10/2002, 02/2003, 03/2003, 04/2003, 05/2003, 06/2003, 11/2003, 12/2003, 01/2004, 02/2004, 04/2004, 05/2004, 08/2004, 09/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004, 01/2005, 02/2005, 03/2005, 04/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 13/2005, 01/2006, 07/2006, 08/2006 e 12/2006, pleiteando ao final a sua exclusão da demanda. Por fim, a Recorrente pleiteou pelo(a): (i) descabimento da aplicação da multa moratória por ausência de dolo; (ii) caráter confiscatório da multa moratória e nulidade em face da desproporcionalidade; (iii) inexigibilidade de cumulação de juros no crédito tributário e (iv) decadência tributária do período compreendido entre 07/1999 a 08/2002. A d. Delegacia Regional de Julgamento em Salvador – BA (fls. 770/783), ao analisar o processo: (i) rejeitou a preliminar de nulidade em face do indeferimento do requerimento de prova pericial; (ii) declarou o crédito parcialmente extinto pela decadência nas competências de 07/1999 a 07/2002; (iii) retificou a base de cálculo da remuneração dos contribuintes individuais de R$ 15.015,78 para R$ 12.714,20 na competência 01/2003; (iv) entendeu que “os pagamentos efetuados posteriores ao lançamento regularmente notificado não o invalidam e não são computáveis para fins de sua redução de valor no momento do presente julgamento”. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 806/837) alegando que: (i) o lançamento ofende ao princípio do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório; (ii) não foram consideradas as GPS’s pagas durante o prazo de impugnação; (iii) efetuou recolhimento a maior na competência do mês 06/2004 e que este valor deve ser deduzido da competência do mês de 07/2004; (iv) os valores correspondentes à competência de 08/2002 está decaído; e (v) os valores referentes às competências de 08/2002, 01/2003, 07/2004 e 13/2004 estão sendo cobrados indevidamente. Este Conselho determinou a realização de diligência (fls. 884/887) para que a fiscalização verificasse os pagamentos efetuados pela Recorrente. A autoridade fiscal reconheceu o pagamento de 28 GPS’s, conforme planilhas de fls. 890/902. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 A Recorrente apresentou manifestação (fls. 907/909) pleiteando pela exclusão dos valores informados na planilha da auditoria fiscal, bem como requerendo a análise das demais questões suscitadas no processo, no que tange à decadência do período de 08/2002, pagamento a maior em 06/2004 e cobrança indevida dos valores referentes aos meses de 01/2003, 07/2004 e 13/2004. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10510.003220/200773 Acórdão n.º 2402003.245 S2C4T2 Fl. 919 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Sustenta a Recorrente que o crédito tributário exigido na competência de 08/2002 deve ser excluído pela decadência. No entanto, como se verifica na r. decisão recorrida, já foi reconhecida a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, parágrafo 4º do CTN, de modo a extinguir os débitos tributários exigidos até a competência de 07/2002, notadamente pelo fato de que o presente lançamento foi constituído em 17/08/2007 (fls. 197/198). Em se tratando de contribuições previdenciárias, os fatos geradores devem ser verificados mensalmente. Como os fatos geradores da competência de 08/2002 somente se aperfeiçoam no dia 31/08/2002, este período somente estaria decaído no dia 31/08/2007, levandose em consideração o art. 150, parágrafo 4º do CTN. Como o lançamento ocorreu no dia 17/08/2007, não há que se falar na extinção dos valores exigidos na competência de 08/2002 pela decadência. A Recorrente alega que não pode ser exigido débito relativo à competência de 07/2004, haja vista que houve pagamento a maior na competência de 06/2004, que deve ser devidamente compensado. Em que pese o fato de o contribuinte possuir créditos em seu favor não invalide o lançamento do crédito tributário devido, é mister que a autoridade administrativa, quando da exigência dos débitos relativos à competência de 07/2004, verifique se há créditos em favor do contribuinte na competência de 06/2004, e caso positivo, realize a devida compensação. Deve portanto, ser verificada a existência de créditos relativos à competência de 06/2004, para fins de abatimento do valor apurado na competência de 07/2004, antes que seja realizada a cobrança do contribuinte. Defende a Recorrente que os débitos pagos devem ser abatidos do presente processo. A autoridade administrativa apurou o montante efetivamente pago pelo contribuinte, retificando o código de recolhimento de 2100 para 4200, de modo a possibilitar o abatimento do crédito, conforme se verifica nas planilhas de fls. 890/902, não tendo o contribuinte apresentado qualquer insurgência em sua manifestação. Destarte, deve ser reconhecida as alterações realizadas pela autoridade fiscal, de modo a retificar o débito tributário exigido, nos termos das planilhas de fls. 890/902. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 Em relação à competência de 01/2003, cumpre destacar que a r. decisão recorrida já promoveu a sua retificação (fl. 783), não tendo a Recorrente apresentado qualquer elemento novo. No que tange à competência de 13/2004 (fl. 836), sustenta a Recorrente que a diferença de R$ 1.134,80 é decorrente da apropriação incorreta do valor de terceiros, que deveria ser de R$ 58.589,66 e não de R$ 57.715,92. Entretanto, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova de que a apropriação efetuada no RADA estaria incorreta. Por fim, a Recorrente defende que houve ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, especialmente pelo fato de que a fiscalização não considerou os pagamentos realizados por ela. Contudo, além dos pagamentos efetuados pela Recorrente terem sido devidamente analisados pela fiscalização por ocasião da diligência, houve a devida retificação do débito. Outrossim, verificase que foi dada à Recorrente a oportunidade de se manifestar sobre todos os atos processuais. Assim, não há que se falar em ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Ante o exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que a autoridade administrativa verifique se há créditos em favor do contribuinte na competência de 06/2004, e caso positivo, realize a devida compensação com o valor apurado na competência de 07/2004 antes de se promover a cobrança do débito remanescente, bem como para que seja efetuada a retificação do débito, nos termos da planilha apurada pela fiscalização em diligência (fls. 890/902). É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 922DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 35464.004937/2006-85
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/1999
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NFLD. DECADÊNCIA. SÚMULA
VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN.
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das
contribuições previdenciárias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.100
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Lourenço Ferreira Do Prado
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/1999 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NFLD. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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NFLD. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM); . mbros 4 a 4' Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por u 4 n : - de v. tos, em dar provimento ao recurso. / f loiír AR g, .. • IVEIRA -Presidente I \ , LO • NÇO FE RA DO PRADO — Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vidal (Suple -- Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. ..• • 1 Processo n° 35464.004937/2006-85 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.100 Fl. 224 Relatório Trata-se da NFLD 37.043.603-2 lavrada pela competente autoridade fiscal, em desfavor do Banco Santander do Brasil relativamente aos valores de contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento de seguro de vida em grupo e que não foram declaradas em GFIP, igualmente não foram recolhidas e nem mesmo apresentados documentos hábeis a comprovar a não-incidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento das verbas em comento, conforme se extrai do Relatório de fls. 40/49. As competências sob análise vão de 01/1999 a 11/1999, e o contribuinte foi cientificado em 12/12/2006. Regularmente intimado o sujeito passivo oferta impugnação às fls 80/140. Em suas razões suscita a aplicação da decadência nos moldes do artigo 150 §4° do CTN, aduz que o seguro de vida é concedido aos seus empregados a título de beneficio motivo pelo qual não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária, acosta jurisprudência do STJ a seu favor. Entende indevidos também os valores relativos à contribuição ao INCRA. A DN 21.404.4/00094/2007, fundamentando na inteligência do artigo 45 da Lei 8.212/91, entendeu aplicável o prazo decadencial de dez anos e entendeu que o seguro de vida integra a base de calculo das contribuições objeto da NFLD, mantendo integralmente o lançamento. Irresignado, recorre o Banco Santander às fls. 161/178, alegando em seu favor a necessidade da aplicação da decadência nos moldes do artigo 150 § 4° do CTN, colaciona doutrina e jurisprudência do E. 3° Conselho de Contribuintes, do TRF 4a Região e do STJ a seu favor. Ademais, repisa os argumentos ofertados na impugnação relativos ao seguro de vida e à contribuição ao INCRA. Processado o recurso sem co a razões da Procuradoria da Fazendaà Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. 2 Processo n° 35464.004937/2006-85 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.100 Fl. 225 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator O recuso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, portando deve ser conhecido. Analisando a preliminar de decadência argüida, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n ° 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante n o 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo no art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 40 ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacifica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos 1 os por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. , 4° do CTN. Dessa forma, 3 Processo n° 35464.004937/2006-85 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.100 Fl. 226 verificado o pagamento antecipado, observar-se-á a rega de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso Ido CTN, hipótese na qual o credito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, conforme amplamente demonstrado no relatório fiscal de fls.40/49, verifico restar claro que não houve qualquer pagamento ou mesmo antecipação do pagamento das contribuições sociais devidas, o que atrai, para efeitos de verificação do prazo decadencial, a incidência da regra constante do art. 173, Ido CTN, verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer , medida preparatória indispensável ao lançamento." Neste passo, as competências declinadas nesta NFLD, quais sejam: 01/1999 a 11/1999, somadas à cientificação do contribuinte acerca do lançamento em 12/12/2006, entendo que deve ser extinto integralmente o crédito tributário, posto que fulminado pela decadência. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência e declarar a total extinção do débito objeto da presente NFLD, restando prejudicadas as demais alegações de mérito aduzidas pelo recorrente. Sala das sões, em 18 de agosto de 2009 ft LOURENÇO FERREIRA DO PRADO - Relator 4
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Numero do processo: 14474.000011/2007-11
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO ÀS CONTRIBUIÇÕES ARRECADADAS PELO INSS E DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA DESTINADA AO FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO E TAMBÉM ÀS DESTINADAS AOS FUNDOS E ENTIDADES DENOMINADOS TERCEIROS (FNDE, SESI, SENAI, INCRA E SEBRAE).
A Decadência, seguindo orientação da Súmula 08 do STF se dá em 05 anos, conforme determina o Código Tributário Nacional, artigo 173 e incisos. E, o texto constitucional em seu art. 103-A não deixa margem de dúvidas quando da aprovação da súmula vinculando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2301-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir - devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN - as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa,Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO ÀS CONTRIBUIÇÕES ARRECADADAS PELO INSS E DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA DESTINADA AO FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO E TAMBÉM ÀS DESTINADAS AOS FUNDOS E ENTIDADES DENOMINADOS TERCEIROS (FNDE, SESI, SENAI, INCRA E SEBRAE). A Decadência, seguindo orientação da Súmula 08 do STF se dá em 05 anos, conforme determina o Código Tributário Nacional, artigo 173 e incisos. E, o texto constitucional em seu art. 103A não deixa margem de dúvidas quando da aprovação da súmula vinculando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 00 11 /2 00 7- 11 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 2 (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa,Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva Fl. 219DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14474.000011/200711 Acórdão n.º 2301001.937 S2C3T1 Fl. 216 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, no valor de R$ 2.566.237,39 (dois milhões quinhentos e sessenta e seis mil duzentos e trinta e sete reais e trinta e nove centavos), lavrada em 20/04/2007, para constituição do crédito previdenciário (parte patronal, inclusive para o custeio das prestações decorrentes do acidente do trabalho ou do grau de incidência de incapacidade laborativa proveniente dos riscos ambientais do trabalho RAT, previsto no art. 20 e 22, I e II da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do crédito destinado às entidades denominadas "terceiros" (FNDE — SalárioEducação, SESI, SENAI, INCRA E SEBRAE), previsto na legislação de cada entidade, não recolhidos e incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de janeiro/1997 a dezembro/2006. Observase ainda que o lançamento inclui contribuições incidentes sobre remuneração de contribuintes individuais previstas na Lei Complementar 84, de 1996, até fevereiro/2000, e no inciso III do art. 22 da Lei 8.212, de 1991, a partir de março/2000. A base de cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período 01/1997 a 10/2004 foi apurada mediante arbitramento, com fundamento no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991, em face de omissão da empresa na apresentação das folhas de pagamento das remunerações e dos Livros Diários e Razão desse período. As contribuições, a partir de 11/2004 foram apuradas com base nas folhas de pagamento. As contribuições dos contribuintes individuais foram apuradas por arbitramento em todo o período do lançamento. A Recorrente foi notificada do lançamento em 26/04/2007, e no prazo legal, aviou e apresentou impugnação, requerendo a declaração de nulidade do lançamento, apresentando as seguintes razões: i) o período do débito até 12/2001 estaria atingido pela decadência, eivando de nulidade todo o lançamento, que não se revestiria das formalidades essenciais previstas no CTN e no art. 37 da Lei 8.212, de 1991. Já que desacatado o preceito legal acima e que cobrado valor atingido pela decadência, deve ser declarada a nulidade do feito; ii) a Recorrente seria optante pela tributação pelo lucro presumido, estando desobrigada de manter livros diário e razão. Por sua vez, possuiria o Livro Caixa, conforme art. 225, parágrafo 16, do Decreto 3.048, de 1999. Também as folhas de pagamento foram apresentadas, conforme consta do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, que menciona o período fiscalizado 01/1997 a 12/2006 e como documentos examinados no período — folha de pagamento. Ainda nos itens 3.3.1 e 6.61 do Relatório Fiscal consta que o débito foi apurado por meio da folha de pagamento, que comprovaria a apresentação desses documentos pela empresa; iii) os valores para compor a base de cálculo seriam irreais e não refletiriam a movimentação da empresa a título de verbas salariais. Os elementos utilizados pelo fisco não foram colocados à disposição da empresa para que essa tivesse a oportunidade de conhecer o seu conteúdo e assim, ter plena ciência do conteúdo objeto da NFLD. Os elementos retirados dos sistemas informatizados internos do órgão não seriam confiáveis. iv) existiriam erros nas Fl. 220DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 4 alíquotas dos segurados aplicadas em determinadas competências. As contribuições corresponderiam a alíquotas superiores a 11%. v) o Discriminativo Analítico do Débito contém descrições como "período com redução de multa, período sem redução de multa, período com lançamentos em GFIP, período sem lançamento em GFIP e período anterior a GFIP, que não trazem no Relatório Fiscal os devidos esclarecimentos sobre essas discriminações, causando cerceamento de defesa do contribuinte. Esses diversos levantamentos deveriam estar contidos em NFLD separadas para respeitar a legislação que instituiu a GFIP; vi) a fundamentação legal correta para lançamento de débito a partir da folha de pagamento da remuneração dos empregados não encontra amparo legal no tópico Contribuições Devidas Apuradas por Aferição Indireta, Empresas em Geral e se encontram incongruentes com as informações da DAD e do REFISC; vii) a fundamentação legal correta para o lançamento de débito a partir do implemento da GFIP inexiste no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito. A ausência da fundamentação enseja nulidade de caráter absoluto do débito. A seguir a impugnação designa qual deveria ser a fundamentação legal que deveria constar do lançamento. A fiscalização informa que nunca foi recolhida nenhuma contribuição previdenciária sobre pagamentos de salário de seus funcionários. Inconformada a Recorrente aviou tempestivamente o presente Recurso Voluntário com as mesmas argumentações e fundamentações. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14474.000011/200711 Acórdão n.º 2301001.937 S2C3T1 Fl. 217 5 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação ‘a quo’. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares ao exame do mérito. DA DECADÊNCIA QUANTO A decadência o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL pronunciouse recentemente, aplicandose o prazo previsto no CTN. De forma que, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de lançamento por homologação e a lei não fixa prazo, entendo ser aplicado o artigo 173, I, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Portanto, o início da aplicação da NFLD tem a se contar de DEZ/2001 em diante. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 6 Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que foi de 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Portanto, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo 173, inciso I, uma vez que os valores lançados não foram objeto de recolhimento previdenciário. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência dezembro de 2001 inclusive esta: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. DA NULIDADE DE TODO LANÇAMENTO Esta matéria argüida em defesa, não deve prosperar, porque desprovida de sustentação legal, já que a NFLD foi revestida de todos os requisitos legais para sua confecção, conforme determina o artigo 37 da Lei 8.212, de 1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14474.000011/200711 Acórdão n.º 2301001.937 S2C3T1 Fl. 218 7 Assim, não olvidemos que a NFLD tem que ser discriminativa, clara e precisa, quanto aos os fatos geradores, das contribuições devidas e do período que trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Compulsando os autos vêse que o relatório fiscal e os demais anexos que compõem a NFLD, não há nenhum erro que tenha impedido o exercício da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, capaz de ensejar nulidade. Vêse que todos os aspectos e atos administrativos foram descritos os fatos geradores das contribuições (pagamento de remunerações aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais), foram discriminados mês a mês as bases de cálculo e os valores das contribuições devidas, que a empresa deixou de recolher à previdência social. A Recorrente pode exercer seus direito em sua plenitude. Por isto, neste quesito, não assiste razão a Recorrente. DO LUCRO PRESUMIDO Alega ser optante pelo regime de tributação pelo lucro presumido, e por isto estaria desobrigada de manter livros diário e razão. Em substituição, possuiria o Livro Caixa, conforme estabelece art. 225, parágrafo 16, do Decreto 3.048, de 1999. Mas a Recorrente somente alegou e não provou através de juntada de documentos a sua tese, e isto não olvide é ônus seu, conforme estabelece o CPC, 333 e incisos. Por isto, acolho as razões da fiscalização, diante da inércia da Recorrente para apresentar documentos que comprovassem o regime de lucro presumido. VALOR DA BASE DE CÁLCULO IRREAL A peça de defesa alega que os valores que compuseram a base de cálculo seriam irreais e não refletiriam a movimentação da empresa a título de verbas salariais. Diz que os elementos utilizados pelo fisco não foram colocados à disposição da empresa para que esta tivesse a oportunidade de conhecer o seu conteúdo e assim, ter plena ciência do conteúdo objeto da NFLD. Alega também que os elementos retirados dos sistemas informatizados internos do órgão não seriam confiáveis. Isto, assim como no quesito acima, mais pareceu um negativa geral do que defesa propriamente dita, isto porque a mera alegação não satisfaz o ordenamento jurídico. Da mesma forma, não apresentou aos autos outros elementos que pudessem fulcrar a sua reclamação. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 8 Mister esclarecer que a fiscalização utilizou os elementos RAIS, FGTS e Livro de Registro de Empregados. Portanto, são elementos de que a própria empresa dispõe, já que Livro de Registro de Empregados é um documento seu e RAIS e FGTS são documentos contendo informações que ela se obriga a prestar mensalmente aos órgãos competentes. São, elementos razoáveis para se obter o montante das remunerações o mais próximo da realidade possível. Então, se os elementos que a fiscalização utilizou são da lavra da Recorrente há de se reconhecer que se há algum erro não é do fisco, mas do próprio contribuinte que não os confeccionou de forma precisa. Quanto a desconfiança do sistema de informatização da previdência social (que por sua vez são processados a partir de documentos que ela mesma informa, anual ou mensalmente, aos órgãos competentes), com a sua própria documentação a empresa deveria/poderia perfeitamente comprovar o movimento real dos salários pagos aos empregados e contribuintes individuais que lhes prestaram serviços e assim estabelecer a verdade material em seu favor. Portanto, neste quesito, razão também não assiste a Recorrente, a uma porque o sistema da previdência é municiado com documentos oferecidos pelo contribuinte, a duas porque não trouxe aos autos qualquer documento assaz que pudesse mudar o rumo da fiscalização. DOS ERROS DAS ALÍQUOTAS Novamente a Recorrente alega fatos sem trazer provas que sustentem a sua defesa. Quanto aos ditos erros das alíquotas, vêse que, através da "Planilha Demonstrativa das Bases de Cálculo do Débito e Auto de Infração", os valores apontados como errados pela defesa são importâncias que a própria empresa declarou na GFIP como devidas. De forma que, se há erro deveria a Recorrente juntar documentos satisfatórios e adequados para demonstrar que os valores que ela mesma declarou em GFIP estariam errados. Como nada fez a não ser meras alegações, não assiste razão a Recorrente, também neste quesito. DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO DAD De acordo com o relatório fiscal, o débito é composto de quatro levantamentos distintos, assim descritos: i) levantamento fp1: folha de pagamento aferida: pré gfip (01/97 a 12/98); ii) levantamento fp2 folha de pagamento aferida: pós gfip (01/09 a 10/04); iii) levantamento fp3 folha de pagamento sem aferição: (11/2004 a 12/2006); iv) levantamento pro labore: 01/97 a 12/206. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14474.000011/200711 Acórdão n.º 2301001.937 S2C3T1 Fl. 219 9 Estes levantamentos estão perfeitamente identificados no DAD — Discriminativo Analítico de Débito. E, da sua cristalina informação, tornase desnecessária a lavratura de NFLD distintas para cada levantamento e também não há que se falar em cerceamento de defesa. Também improcede a alegação de defesa, neste teor. LANÇAMENTO PARA FOLHA DE PAGAMENTO Da tese defensiva que a fundamentação legal correta para o lançamento de débito a partir do implemento da GFIP inexiste no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, é desprovida de qualquer sustentabilidade fática e de direito. Como se vê dos fundamentos legais para lançamento do débito o fiscal acudiu todas exigências da lei, não deixando margem a qualquer dúvida, quanto ao débito. Razão pela qual não assiste razão ao Recorrente. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL em razão da aplicação da decadência, uma vez que, neste quesito, deverseá aplicar o disposto no artigo 173, II do CTN. Quanto as demais alegações recursivas, estas não foram assaz para determinar a improcedência da NFLD, que a tenho como procedente o lançamento do débito fiscal. É como voto. (Assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001192/2001-51
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo de decadência/prescrição para requerer-se
restituição/compensação de valores referentes a indébitos referentes à legislação em que, em sede de controle incidental, o STF declarou inconsticional, começa a fluir para todos os contribuintes a partir do momento em que a decisão do Excelso Tribunal passou a ter efeitos erga omnes, in casu, 10 de outubro de 1995, data da publicação da resolução do Senado da República que suspendeu o dispositivo inquinado de inconsticionalidade.
Recurso Especial Negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.558
Decisão: ACORDA os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez que vota pelo prazo de dez anos para pleitear a restituição (tese 5+5).
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Numero do processo: 10380.011893/2005-68
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. DOAÇÕES. JUSTIFICATIVAS PARA OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A alegação da existência de doação realizada pelo cônjuge, para justificar os depósitos havidos na conta corrente da contribuinte, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário doado.
MEIOS DE PROVA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas.
Numero da decisão: 2201-001.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do recurso, arguida pela Conselheira RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, vencido também o Conselheiro RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. IRPF. DOAÇÕES. JUSTIFICATIVAS PARA OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A alegação da existência de doação realizada pelo cônjuge, para justificar os depósitos havidos na conta corrente da contribuinte, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário doado. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. IRPF. DOAÇÕES. JUSTIFICATIVAS PARA OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A alegação da existência de doação realizada pelo cônjuge, para justificar os depósitos havidos na conta corrente da contribuinte, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário doado. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do recurso, arguida pela Conselheira RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, vencido também o Conselheiro RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 18 93 /2 00 5- 68 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/13, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 232.173,02. A fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) Comprovação da origem dos Depósitos bancários: 1. A Impugnante, como de praxe, apurou e pagou regularmente a tributação devida no exercício em tela, não omitindo quaisquer rendimentos provenientes de depósitos bancários feitos na conta corrente 00100040000, agência 0578, da CEF. Sua obrigação fiscal, portanto, restou total e plenamente satisfeita. 2. Na verdade, atendendo à solicitação dos Auditores responsáveis, a Impugnante apresentou, de acordo com as suas possibilidades, respostas suficientemente claras e verídicas, esclarecendo que os depósitos bancários decorrem de transferências patrimoniais realizadas pelo seu cônjuge. 3. Tais transferências foram devida e anteriormente declaradas nas respectivas DIRPF’s da Impugnante e de seu cônjuge, pelo que não há dúvidas a esse respeito. 4. Porém, de forma arbitrária os Fiscais autuantes desconsideraram a origem dos recursos e lavraram o auto de infração aqui impugnado, que não pode prosperar. 5. De fato, a Impugnante não tem a obrigação de manter escrituração contábil e o registro de todos os seus depósitos bancários em documentos que indiquem datas e valores, sobretudo quando se trata de períodos antigos. 6. O que verdadeiramente importa é saber que as transferências de valores realizadas pelo marido da Impugnante justificam com Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011893/200568 Acórdão n.º 2201001.759 S2C2T1 Fl. 3 3 sobra os valores dos referidos depósitos, afastando, assim, qualquer hipótese de que tenha omitido rendimentos. b) Rendimentos recebidos de pessoa jurídica: 1. Por ser pessoa idônea e mantendo honrosa postura de total cooperação com a fiscalização, declarou a Impugnante abertamente que obtinha rendimento de 0,5% nas operações de desconto de duplicatas que realizava. 2. E mais, como se já não bastasse a palavra da Impugnante, todos os contribuintes diligenciados ratificaram a veracidade de tal informação, comprovando, mais uma vez, a improcedência da exigência fiscal ora rechaçada. 3. Não obstante tais fatos, os auditores fiscais imaginaram que a Impugnante teria recebido o absurdo percentual de 5,4653% (mais de 10 vezes o valor fidedigno!) como margem de rendimento nas referidas operações de desconto de títulos, e consideraram a diferença entre o 0,5% efetivamente recebido pela mesma e os 5,4653% por eles imaginados, como rendimento omitido da tributação. 4. Com efeito, o real valor da margem de rendimentos obtidos já se encontra nos autos administrativos, qual seja, 0,5%, valor que é plausível e que reflete a realidade dos fatos declarados pela Impugnante, o que é confirmado pela totalidade dos contribuintes diligenciados. 5. em verdade, a abusividade do percentual atribuído, no valor de 5,4653% resta manifestamente evidenciada, consistindo em uma ficção sem qualquer base legal e excessivamente prejudicial e danosa à Impugnante, pelo que torna inevitável a improcedência da exigência fiscal. c) IRPF devido a título de carnêleão: 1. Os agentes autuantes exigem, ainda, multa isolada apurada em virtude da suposta falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física que seria devido a titulo de carnêleão, o que não procede, conforme passa a demonstrar. 2. Importa esclarecer desde logo que a Impugnante recolheu todo o IRPF devido. Isso, por si só, afasta a aplicação da referida multa. 3. Como é cediço, somente quando há omissão do recolhimento do tributo devido é que resta inadimplida a obrigação do contribuinte. No presente caso, frisese, a Impugnante pagou o tributo e cumpriu com a sua obrigação, antes de qualquer ação fiscal. É o caso de aplicação do art. 138 do CTN. Da decadência 1. Além das razões fáticas e jurídicas supra colacionadas, é imperioso destacar a decadência tributária, que, neste caso, Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 atinge fulminantemente quase que a totalidade da exigência fiscal ora rebatida, conforme passa a demonstrar. 2. Em se tratando de IRPF é tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação – conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial já pacificado em nosso Direito , sendo de conhecimento basilar que o prazo do Fisco para homologação do lançamento relacionado ao mesmo é de 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º). 3.Conseqüentemente, a inépcia da autoridade administrativa, que se verifica patente no presente caso, implica, por força de lei, na extinção definitiva do crédito respectivo. (...) 6. Logo, em vista o A.I. ser datado de 15.12.05, as únicas “infrações apuradas” que sobreviveriam ao decurso fulminante do prazo referido seriam aquelas cujos fatos geradores ocorreram em 15.12.00 ou diante, como os datados de 31.12.00 (pois decairiam apenas em 31/12/05), que somam um total de R$ 42.497,92 (ver demonstrativo de apuração integrante do A.I. anexo). 7. Por conseguinte, mesmo se fossem procedentes as autuações fiscais aqui afastadas veementemente, os reais valores a serem exigidos seriam os seguintes: IRPF – R$ 12.784,01; Juros de Mora – R$ 10.404,90; e Multa – R$ 9.588,00; perfazendo montante equivalente a R$ 32.776,91. 8. Em conclusão, resta evidente a completa ausência de amparo a respaldar a pretensão arrecadatória do Fisco, aqui impugnada. (...) 10. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, tais como depoimento pessoal, a ouvida de testemunhas, a juntada posterior de documentos, etc., tudo desde logo requerido. 11. Finalmente, a Impugnante pede a Vossas Senhorias que: a) Acolham a presente impugnação, como medida de Justiça, extinguindo em sua totalidade o crédito tributário indevidamente lançado, nos termos do art. 156, IX, do CTN, determinando ainda o arquivamento do Auto de Infração e do Proc. Administrativo correspondentes; b) e, na improvável hipótese de entenderem pela procedência da autuação rechaçada, que declarem a flagrante decadência do direito do Fisco de lançar os créditos tributários cujos fatos geradores datam de antes de 15.12.2000, o que implicará obrigatoriamente, na redução do montante exigido de R$ 232.173,02 para R$ 32.776,91. A 1ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011893/200568 Acórdão n.º 2201001.759 S2C2T1 Fl. 4 5 Omissão de rendimentos. Lançamento com base em depósitos bancários. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Ônus da prova. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Serão computados no cálculo do imposto os rendimentos omitidos pelo contribuinte. Multa exigida isoladamente. Redução. Impõese reduzir a multa exigida isoladamente aplicada no percentual de 75%, para o percentual de 50%, em decorrência do princípio da retroatividade benigna da lei tributária. Lançamento Procedente em Parte Intimada da decisão de primeira instância em 03/03/2008 (fl. 303), Rosângela Oriá Sampaio Guizardi apresenta Recurso Voluntário em 27/03/2008 (fls. 306 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia cingese, nesta segunda instância, na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, relativa ao anocalendário de 2000. Em sua peça recursal alega a recorrente, preliminarmente, decadência, pois, segundo seu ponto de vista, os depósitos bancários são tributados no mês em que são recebidos, na forma do § 4° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Assim, assevera a recorrente que a exigência “... jamais poderia alcançar fatos geradores ocorridos antes de 15 de dezembro de 2000”. Quanto ao mérito sustenta que os recursos que transitaram em sua conta bancária advêm de empréstimo do cônjuge no valor de R$ 208.000,00. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Pois bem, em relação à decadência associada ao fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2000 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2001 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2005. Destarte, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 16 de dezembro de 2005 (fl. 05), o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia sido atingido pela decadência. Sobre a preliminar de sobrestamento arguida pela Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, penso que a mesma não deve ser acolhida, pois o caso em apreço não se subsume ao § 1º do art. 62A do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Ressaltese que de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012, o procedimento de sobrestamento somente será aplicado nas hipóteses em que houver sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida na Suprema Corte. Ademais, a tese de sobrestamento não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. No mérito, alega a suplicante que os recursos que transitaram em sua conta bancária, anocalendário de 2000, advêm de doação de seu cônjuge no valor de R$ 208.000,00, conforme faz prova a declaração de rendimentos tempestivamente entregue. Pois bem, a tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautouse no art. 42 e parágrafos, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo o legislador estabelecido uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, desde que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Assim, a falta de comprovação da origem dos depósitos é suficiente para materializar a presunção legal de omissão de receitas prevista e, consequentemente, o fato gerador do imposto de renda na forma descrita no art. 43 do CTN. No que tange a alegação de que efetuou os depósitos de acordo com as sobras de valores doados pelo cônjuge, entendo, pois, que é plenamente possível que tenha de fato ocorrido. Entretanto, não restou provado que o valor doado foi efetivamente depositado na conta bancária da contribuinte. Neste caso, deveria a recorrente, como forma de comprovar sua alegação, indicar o valor, o dia e o mês que ocorreu às saídas dos recursos na conta do doador. Frisese que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 referese à comprovação da origem dos depósitos de forma individualizada. Não se trata, portanto, de se apontar possíveis fontes que dariam lastro aos depósitos (doação), é preciso demonstrar a coincidência ou até mesmo a proximidade de datas e valores entre as apontadas origens e os depósitos. Além do Fl. 345DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011893/200568 Acórdão n.º 2201001.759 S2C2T1 Fl. 5 7 mais, as provas e argumentos apresentados pela recorrente são sobremaneira frágeis, pois para a comprovação da doação não basta que a operação seja informada em sua Declaração de Ajuste, uma vez que a prova, neste caso, é meramente unilateral. Com efeito, em momento algum informou a recorrente que a suposta doação também constou da declaração do doador. Tal alegação, muito embora não se revelasse como prova inequívoca da operação, traduziria, no entanto, mais um indício de sua efetivação. Ressaltese que quando não estão presentes nos autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, na forma do art. 29 do Dec. 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção... Assim, sem outros elementos de prova não há como acolher a alegação da recorrente. Por fim, em que pese alegue a recorrente que não está obrigada a ter escrituração contábil e, consequentemente, guardar toda movimentação bancária, tal argumento, por si só, não tem o condão elidir a contribuinte da apresentação das provas. Embora trabalhosa é obrigação da autuada a produção de provas, pois, por meio do contraditório probatório se pode afastar a presunção legal operada em favor do Fisco. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 346DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10980.010043/00-34
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL
PAF - REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO.
Decadência constituição crédito tributário das contribuições
previdenciárias. O prazo para a contagem da decadência das
contribuições previdenciárias deve seguir as regras veiculadas
pelo Código Tributário Nacional.
Julgado inconstitucional dispositivo legal pelo Supremo Tribunal
Federal não pode prevalecer o lançamento tributário nele
fundamentado.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o
desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do
Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o
julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte.
LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173).
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.023
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo
decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL PAF - REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO. Decadência constituição crédito tributário das contribuições previdenciárias. O prazo para a contagem da decadência das contribuições previdenciárias deve seguir as regras veiculadas pelo Código Tributário Nacional. Julgado inconstitucional dispositivo legal pelo Supremo Tribunal Federal não pode prevalecer o lançamento tributário nele fundamentado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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MARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PLENO Processo n° 10980.010043/00-34 Recurso n° 108-132.523 Extraordinário Matéria Decadência CSLL Acórdão n° 00-00.023 Sessão de 15 de dezembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida NITRAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL PAF - REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO. Decadência constituição crédito tributário das contribuições previdenciárias. O prazo para a contagem da decadência das contribuições previdenciárias deve seguir as regras veiculadas pelo Código Tributário Nacional. Julgado inconstitucional dispositivo legal pelo Supremo Tribunal Federal não pode prevalecer o lançamento tributário nele fundamentado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. 1. Processo na 10980.010043/00-34 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.023 Fls. 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Femandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharamf' e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. RAGA Presidente SUSY ES HOFFMANN Relatora títes4f.e)--ria CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES Redator Designado na Preliminar FORMALIZADO EM: 22 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Femandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de 827 Processo n° 10980.010043/00-34 CSRP/T00 Acórdão n.° 00-00.023 Fls. 4 Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Foi proposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, com fimdamento no art. 5°. II, parágrafo 40. do antigo Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, atualmente artigo 9°. do Regimento Interno, Recurso Especial dirigido ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com o fim de reforma do Acórdão CSRF/01-05.489 que veiculou julgado da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que entendeu que o prazo decadencial para constituição dos créditos tributários das contribuições sociais é de 05 anos a contar da ocorrência do fato jurídico tributário, entendendo, assim, pela prevalência do artigo 146, III, "b"da Constituição Federal em detrimento do dispositivo legal do artigo 45 da Lei. 8.212/91, considerando, ainda, que o tributo em questão (CSLL) por ser por homologação tem que ter o prazo decadencial para fins de constituição do crédito tributário computado nos termos do artigo 150, parágrafo 4°. do CTN. Para demonstrar a presença do requisito de admissibilidade do recurso, a saber: julgamento divergente de mesmo tema por outra Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi trazido anexo ao Recurso o Acórdão CSRF/02-01.665, que de forma divergente ao Acórdão objeto deste processo, veiculava o entendimento pela prevalência do prazo decadencial estabelecido no artigo 45 da Lei 8.212/91, isto é, de dez anos. Assim, o objeto deste Recurso Especial está em decidir sobre o prazo decadencial para constituição do crédito tributário da CSLL, se a) 05 anos a contar da ocorrência do fato jurídico tributário, com fundamento no artigo 146, III, "b"da Constituição Federal segundo o qual a lei que deve tratar de decadência é a norma geral de direito tributárioi veiculada por lei complementar, neste caso, o tratamento ao prazo decadencial é dado pelo Código Tributário Nacional, no caso, o artigo 150, parágrafo 4°. Ou se b) 10 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído ou da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição do crédito anteriormente efetuada, nos termos do artigo 45 da Lei. 8.212/91 Pois bem, ainda em sede de relatório, há que ser esclarecido que o Recurso foi interposto em 09 de maio de 2006; ocorre que posteriormente, em 12 de junho de 2008, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional o referido artigo 45 da Lei 8.212/91 editando Súmula Vinculante n2 8, publicada no Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 com o seguinte enunciado: "Em sessão de 12 de junho de 2008, .o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do 4° do art. 2° da Lei n°11.417/2006: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. rç 3 5, 4 Processo n° 10980.010043/00-34 CSRF/T00 Acórdão n." 00-00.023 Fls. 5 , Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rei Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rei Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rei Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, reL Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rei Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: • Decreto-Lei n°1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n°&212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. I) - Em síntese é o relatório. ntç- 4 • . . Processo n° 10980.010043/00-34 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.023 Fls. 6 Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, Relatora. Preliminarmente deve ser verificada a admissibilidade do Recurso Especial. Quanto à tempestividade o Recurso preenche o requisito de admissibilidade. Entretanto, ainda há o requisito da demonstração de divergência entre as Turmas da Câmara Superior, e, neste item, entendo que o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional o artigo 45 da Lei 8.212/91 retira a divergência entre as Turmas. Ora, este fato superveniente torna impossível o entendimento pela divergência entre as Turmas uma vez que pelo teor da Declaração de Inconstitucionalidade e pela abragência dos efeitos da Súmula Vinculante 08 não 'pode este Tribunal Administrativo abrigar qualquer julgamento com fundamento em tal dispositivo legal declarado inconstitucional. Desta forma, se a Segunda Turma que havia julgado no sentido de entender que prevaleceria o disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91 em detrimento da regra geral contida no CTN, não pode mais ter este entendimento (em vista da declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal), por uma razão lógica deixa de existir a possibilidade de divergência, pois o único julgamento possível é seguir pela regra do Código Tributário Nacional. Desta forma, não existindo mais divergência entre as Turmas, não está preenchido o requisito essencial para conhecimento deste Recurso Especial, de tal forma que VOTO POR NÃO CONHECER O RECURSO. Entretanto, como fui vencida quanto à preliminar de não conhecimento do Recurso, adentro no mérito do processo. A questão tratada neste processo é saber o prazo decadencial para o lançamento das Contribuições Sociais destinadas à Seguridade Social. Como foi colocado no relatório, o Supremo Tribunal Federal colocou fim a esta discussão pois em 12 de junho de 2008, a Corte Máxima do País julgou inconstitucional o referido artigo 45 da Lei 8.212/91 editando Súmula Vinculante n2 8, publicada no Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 com o seguinte enunciado: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2° da Lei n°11.417/2006: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. ii . nn-<. 5 . . .. Processo n° 10980.010043/00-34 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.023 • Fls. 7 Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. MM. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Venoso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n°8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, 111 Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" , (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. Assim, o prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais está disciplinado no Código Tributário Nacional, isto é, é de 05 anos, e não pode prosperar o Recurso da Fazenda Nacional que busca a reforma do Acórdão na prevalência de dispositivo legal julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, NEGO. PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Sala das Sessões, 15 de dezembro de 2008. ! CS '-' 4,,,,.,,,,SUSY . • • S HOFFMANN . 6 • Processo n°10980.010043/00-34 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.023 Fls. 8 Voto Vencedor Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Redator Designado. Peço vênia para discordar da proposição de não conhecimento do recurso da Douta procuradoria da Fazenda Nacional por perda do objeto, em face da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal (STF). E o faço baseado nas seguintes razões: Inicialmente, cabe registrar que o Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais está previsto nos artigos 9° e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, segundo pressupostos constantes deste último artigo. Confira-se: "Art. 9° Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. • "omissis" Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9° deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § JO O recurso deverá demonstrar, funda. mentadamente, a divergência - argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2"A cópia de publicação de ementa referida no § 2", quando extraída - da internei, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3° O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. • "omissis" Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite: 7 Processo n° 10980.010043100-34 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.023 Fls. 9 1 - quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurando- se-lhe o prazo de quinze dias para oferecer contra-razões; O recurso da douta Procuradoria atende todos pressupostos processuais constantes do RICSRF, tendo inclusive demonstrado a divergência entre os dois arestos dissidentes, no prazo para a interposição de seu apelo, como bem demonstrou o ilustre Presidente da CSRF. Isto posto, tenho que a Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Muito pelo contrário. Infere-se da referida lei que a autoridade julgadora deve conhecer a impugnação ou recurso para verificar se os fatos se enquadram no trato que lhe der a Suprema Corte, nesse instrumento. Observe-se que a referida lei até prevê no artigo 7° a possibilidade de descumprimento da súmula vinculante e estabelece o remédio para a prevalência da súmula, em tal caso. Ou seja, há lugar para reclamação ao STF sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. O Supremo Tribunal Federal diante da reclamação poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. • Com efeito, dizem os artigos 6° a 9° da mencionada lei, "in verbis": "Art. 6" A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão. Art. 7" Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. § 1° Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. § 2° Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Art. 8° O art. 56 da Lei n° 9.784, de 19 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3°: "Artigo56. (..) . • . ,. . Processo n° 10980.010043/00-34 CSRF/100 Acórdão n.° 00-00.023 Fls. 10 - (..) § 3° Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." (NR) Art. 9° A Lei n° 9.784, de 29 de janeir. o de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-A e 64-B: "Artigo 64-A. Se o recorrente alegar viola 00 de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." "Artigo 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização . pessoal nas esferas cível, administrativa e penaL " Entendo que a Fazenda Nacional tem o direito de ter o seu recurso conhecido . para apreciação do mérito que poderá ser decidido com aplicação da orientação contida na referida súmula. . Isto posto, rejeito a preliminar em questão. Outrossim, também entendo que a preliminar levantada pela ilustre Conselheira Conselheira Karen Jureidini Dias, "data venia", não pode prosperar. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n°8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). É este o litígio a ser composto no Recurso Extraordinário sob exame, a que me atenho. Não há razão para estender-se o litígio assim formado para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN). E, assim, também rejeito esta preliminar. Assim, rejeito as preliminares em questão, e tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das SessNs, em 15 de dezembro de 2008. 1~7~1,e-<„, CARLOS ALBERTO GONÇALVEs'NUNES 4,..,....-- 9 Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10805.720271/2007-58
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULO. VENDA DE VEÍCULOS NOVOS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO.
A Cofins incide sobre o faturamento das empresas, não havendo previsão legal para exclusão, da base de cálculo, do custo dos veículos novos comercializados por concessionárias, operação que não caracteriza venda em consignação. Precedentes do STJ.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.111
Decisão: ACORDAM os membros 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: José Antonio Francisco
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Recorrida DRJ Campinas / SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULO. VENDA DE VEÍCULOS NOVOS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A Cofins incide sobre o faturamento das empresas, não havendo previsão legal para exclusão, da base de cálculo, do custo dos veículos novos comercializados por concessionárias, operação que não caracteriza venda em consignação. Precedentes do STJ. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros 3' Câmara / 2' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. di0•1X/tLCI-- 1/4-a1110~/20 SEF MARIA COELHO MARQUES - Presidtnte JOSÉ &/I0 FRANCISCO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 79 a 91) apresentado em 17 de julho de 2008 contra o Acórdão n° 05-21.065, de 12 de fevereiro de 2008, da DRJ Campinas / SP (fls. 68 e 69), do qual tomou ciência a Interessada em 17 de junho de 2008 e que, relativamente a declaração de compensação (inicial: 21465.99517.200204.1.3.04-7000) de Cofins dos períodos de junho de 1999, considerou não homologada a compensação declarada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pela contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Compensação não Homologada A declaração, apresentada em 22 de junho de 2007, foi inicialmente indeferido pelo despacho de fls. 9 a 11, de 17 de agosto de 2007. Segundo o despacho, inexistiria demonstração de haver sido efetuado pagamento a maior ou indevido. Na manifestação de inconformidade, citando dispositivos da Lei n. 6.729, de 1979, a Interessada alegou que agiria "por conta alheia", em face de um "contrato estimatório ou venda em consignação". Segundo a Interessada, as vendas por consignação seriam juridicamente distintas das vendas ordinárias e o faturamento das concessionárias seria "formado apenas pela margem de comercialização dos produtos da concedente". Dentre outros, citou o Acórdão n. 201-75.328, da antiga Primeira Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, aprovado por unanimidade de votos, segundo o qual a Cofins não incidiria sobre a receita de terceiros. Destacou que as alterações da Lei n. 9.718, de 1998, não justificariam a incidência das contribuições para além do faturamento e que, em relação às operações com contas alheias, o faturarnento resumir-se-ia ao resultado. A DRJ, como noticiado, manteve a decisão. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da manifestação. É o relatório. 2 Processo n° 10805320271/2007-58 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.111 Fl. 112 Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator - O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. A respeito da matéria em discussão no recurso, a antiga 1' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes manifestou-se por várias vezes, seguindo o entendimento de que a operação praticada pelas concessionárias é típica de revenda de veículos, incidindo a contribuição sobre o valor total da operação, adotando o entendimento consagrado da 2' Câmara. Portanto, adoto os argumentos do ilustre Conselheiro Gustavo Kelly Alencar, transcrevendo parte do voto trazido no Acórdão d . 202-14.971, ao ensejo do julgamento do Recurso n2 121.787, nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre traçar alguns pensamentos acerca da natureza da relação jurídica existente entre a Concessionária e o Fabricante, mormente os ditames da Lei n°6.729/79, modificada pela Lei n°8.132/90. Em que pesem as diversas definições jurídicas acerca do instituto da consignação, utilizaremos a novel descrição constante na Lei n° 10.406/2002 — Código Civil Brasileiro, em seu artigo 534, acerca do "contrato estimatório": "Art. 534. Pelo contrato estimató rio, o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa consignada." Ora, em que pese a ausência do contrato firmado entre a Concessionária/Recorrente e o Concedente/Fabricante, esta é a exata descrição da operação levada a efeito pelos mesmos, tendo em vista o artigo 11 da Lei n° 6.279/79: "Art. 11. O pagamento do preço das mercadorias fornecidas pelo concedente não poderá ser exigido, no todo ou em parte, antes do faturamento, salvo ajuste diverso entre o concedente e sua rede de distribuição. "Parágrafo único. Se o pagamento da mercadoria preceder a sua saída, esta se dará até o sexto dia subseqüente àquele ato." Logo, pouco importa se o nome atribuído às operações praticadas é distinto de 'venda por consignação', devendo ser efetivamente considerada a realidade material que é, inequivocamente, a entrega de bens, decorrente de um contrato de concessão que visa, antes de qualquer coisa, ter o condão da exclusividade aos bens a serem objeto da venda, sem pagamento contemporâneo à entrega, ocorrendo, por força legal, o pagamento somente após a venda, pelo concessionário. A ot,k_ 3 , , princípio, parece que se está falando em consignação; entretanto, a Lei n° 9.716/98 prevê hipótese em que ocorre a consignação, entre a concessionária e terceiros. É em seu artigo 50• "As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados." Ora, se há disposição legal que trate do tema, é por que a legislação anterior não o fazia. E esta assertiva acompanha o 1 entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, como1 se verá a seguir. Na prática, não se negue, verifica-se que, após a venda, parte do valor obtido é repassada para a concedente, permanecendo a margem de lucro existente com a concessionária. Entretanto, ao contrário do que dá a entender o Recorrente no decorrer do processo, esta margem de lucro não possui limitação legal alguma, como inclusive prevê o artigo 13 da Lei n° 6.279/79: "Art. 13. É livre o preço de venda do concessionário ao consumidor, relativamente aos bens e serviços objeto da concessão dela decorrentes. (Redação dada ao caput pela Lei n° 8.132/90) " 3Ç 1 0. Os valores do frete, seguro e outros encargos variáveis de remessa da mercadoria ao concessionário e deste ao respectivo adquirente deverão ser discriminados, individualmente, nos documentos fiscais pertinentes. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°8.132/90). 'Ç 2°. Cabe ao concedente fixar o preço de venda aos concessionários, preservando sua uniformidade e condições de pagamento para toda a rede de distribuição. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°8.132/90)." Por tal, nos vemos diante de uma situação no mínimo interessante; o valor de venda é tributado pelo PIS e pela COF1NS, à razão de 3,65%; parte desta base de cálculo é repassada ao concedente, que novamente irá tributá-la como receita própria. Verifica-se então o efeito cumulativo das contribuições, que somente veio a ser parcialmente extinto com a Lei n°9.718/98, e depois com a Lei n°10.637/02. Afirma o Recorrente que sua margem de cálculo seria inferior aos 3,65% cobrados a título da contribuição, logo, estaria ocorrendo tributação de seu patrimônio, o que seria vedado por lei. Não comprova, entretanto, a veracidade de tal alegação, sequer traz aos autos elementos de prova que possam comprovar tal assertiva. Entretanto, tanto a questão da cumulatividade das contribuições, como aquela relativa à natureza da operação das concessionárias de automóveis já foram objeto de apreciação VI Processo n° 10805.720271/2007-58 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.111 Fl. 113 pelo Superior Tribunal de Justiça, como demonstra o voto abaixo, recentíssimo: "RECURSO ESPECIAL N° 417.009 - SC (2002/0022302-5). TRIBUTÁRIO. CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULO. PIS. COFINS. FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LC N° 70/91. LEI N° 9.718/98. "1. Recurso Especial contra v. Acórdão segundo o qual `a empresa concessionária de veículo deve recolher a contribuição para o PIS e COFINS na forma da lei, ou seja, sobre a receita bruta e não sobre a margem de lucro'. "2. A base de cálculo do PIS/C0F1NS é o faturamento da empresa ou a renda bruta, nos termos do art. 2°, da LC n° 70/91. "3. De acordo com a Lei n° 9.718/98, tanto o PIS como a COFINS mantiveram o faturamento como sua base de cálculo; no entanto, ampliou-se o conceito (faturamento correspondente à receita bruta). A referida Lei elevou a base de cálculo do PIS e da COFINS e aumentou a alíquota desta última. "4. Operações realizadas pela recorrente referentes a contratos de compra e venda mercantis (comércio de veículos automotores), e não de compra e venda em consignação. "5. Inocorrência de 'remessa' ou `entrega' de bens pelo fabricante a serem alienados pela concessionária, mas, sim, transferência de domínio desses por meio da compra e venda. 6. A recorrente, em momento algum, suportou tributação sobre faturamento em conta alheia, uma vez que, ao realizar operações de compra e venda mercantil, e não de consignação, o faturamento por ela percebido é do valor total da venda, restando devida a cobrança do PIS e da COFINS sobre este valor. "7.Precedente da Segunda Turma desta Corte Superior. "8.Recurso não provido. "VOTO "O SR. MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR): A matéria jurídica encartada nos dispositivos legais tido por violados foi devidamente debatida no acórdão recorrido, merecendo, assim, ser conhecido o apelo extremo. "O voto-condutor do acórdão objurgado encontra-se em perfeita harmonia com o posicionamento deste Relator, pelo que o transcrevo como razão de decidir (fls. 147/150): "No mérito, importa referir que o PIS e a COF1NS sempre tiveram como base de cálculo o faturamento, desde a edição das leis Complementares 07/70 e 70/91. 4sekilk 5 "É o que se depreende pela simples leitura, dos artigos destas leis, respectivamente art. 3 0 (PIS) e art. 2° (COFINS). "Já a Lei 9.718, de 27.11.1998, introduziu significativas alterações nessas leis complementares. "Pela nova redação dada, houve ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS e elevação da alíquota desta última. "Veja-se o texto legal: " 'Art. 2° — As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei'. "Art. 3 0 — Q faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. "Par. 1° — entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ((.) "Art. 8° — Fica elevada para três por cento alíquota da COFINS. "Como se infere do texto da MP n° 1.724, de 29.10.1998, convertida na Lei 9.718, de 27.11.1998, tanto o PIS quanto a COFINS mantiveram o faturamento como sua base de cálculo, contudo, seu conceito foi ampliado (faturamento corresponde a receita bruta). "A alegação de que não possui a disponibilidade econômica do bem, porquanto não adquire a propriedade plena, não leva à conclusão de que as contribuições sociais devam incidir somente sobre a margem de lucro. O conceito de propriedade no Direito Civil indica que nem sempre a propriedade é plena, e nem por isso deixa de ser propriedade. Apenas para clarear o conceito de propriedade, já que contestada veementemente pelo autor da ação, analisando o art. 525 do Código Civil, Maria Helena Diniz em seu Código Civil Anotado, p. 401, diz: - Propriedade plena. A propriedade será plena quando seu titular pode usar, gozar e dispor do bem de modo absoluto, exclusivo e perpétuo, bem como reivindicá-lo de quem injustamente, o detenha. "II - Propriedade limitada. A propriedade será limitada quando: "a) ativer ônus real, ou seja, quando se desmembra um ou alguns de seus poderes, que passa a ser de outra, constituindo-se o direito real sobre coisa alheia. Por exemplo, no usufruto, a 17;:f 6 Processo n° 10805.720271/2007-58 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.111 Fl. 114 propriedade do nu-proprietário é limitado, porque o usufrutuário tem sobre o bem o uso e gozo; "b) for resolúvel, porque no seu título constitutivo as Fartes estabelecem uma condição resolutiva ou termo extintivo. E o que se dá no fideicomisso (CC, art. 1.733 e 1.734) com a propriedade do fiduciário e na retrovenda (CC, art. - 1.140) com o domínio do comprador'. "Na atividade da concessionária ocorre duas vendas, uma da montadora para ela e outra desta ao consumidor final. Não se pode, portanto, considerar faturamento apenas o lucro da concessionária. "Conforme acentuou a Procuradoria da Fazenda Nacional em sua bem fundamentada contestação. 'Há que se observar, ab initio', a real posição da autora frente, por exemplo, aos seus clientes. Estes, como consumidores, firmam contrato com a concessionária - qualidade que detém a Autora -, cabendo a esta responder por todos os seus termos, como prazos de entrega, atributos dos veículos, garantias, orientações, e outros. Para tanto, existirá, obviamente, a emissão pela concessionária, de uma nota fiscal em tudo caracterizada como fruto da existência de uma transação de compra e venda. Portanto, a concessionária posta-se em tudo como a verdadeira responsável pela mercadoria vendida. Podendo, se for o caso, agir regressivamente contra a fábrica, em hipótese de responsabilidade desta'. "No que se refere a alegada definição das concessionárias como sendo meras distribuidoras, tenho que, conforme bem assentou a sentença monocrática 'A referida Lei 6.729/79 não contempla previsões suficientemente hábeis a descaracterizar a operação de compra e venda realizada pelas concessionárias de veículo, de modo que as contribuições em questão venha a incidir somente sobre a diferença do valor pago à montadora e o obtido junto ao consumidor final. O fato de definir aquela lei o concessionário como distribuidor não importa em descaracterizar a existência de operação de compra e venda, sendo que, para isso, seria necessário que ficasse demonstrado nos autos a existência de contrato de consignação mercantil, tampouco a simples referência à mediação em dispositivos daquele diploma servem para alterar a natureza do negócio . jurídico realizado entre as montadoras, concessionárias e consumidores finais. Tanto é assim, que sinais exteriores identificam a operação de compra e venda, como a emissão de notas fiscais pela concessionária, tradição do bem ao consumidor final, fixação do preço e condições de pagamento." " Transcrevo jurisprudência que se afeiçoa ao entendimento ora esposado: "CONSTITUCIONAL - TRIBUTÁRIO - COFINS E PIS - FATURAMENTO -CONCESSIONÁRIA AUTORIZADA DE VEÍCULOS - NATUREZA DA OPERAÇÃO ,4setkk REVENDA OU INTERMEDIAÇÃO CONSTITUCIONALIDADE - COGNIÇÃO SUMÁRIA. "1. Não se avista aperfeiçoada, prima facie, na comercialização de veículos pela rede autorizada de concessionárias, a operação de mera intermediação, própria dos contratos de comissão, pois o que se delineia, com maior rigor, é a situação de transmissão econômica dos produtos da marca, do concedente à concessionária, assumindo esta o risco inerente a negócio próprio, a configurar a hipótese típica de revenda, cujo resultado financeiro configura a hipótese de incidência tributária, indevidamente questionada. "2. Em casos que tais, diante de evidência de tal ordem, ainda que não definitiva, eis que é sumária a cognição da controvérsia, não se pode autorizar a incidência da COFINS e do PIS apenas sobre a diferença financeira entre preço de aquisição e preço de venda, tal como pretendido, na medida em que faturamento, para tal efeito, é o resultado final e global da operação comercial'. (Tribunal Terceira Região, Relator Juiz Carlos Muta, AG — AGRAVO DE INSTRUMENTO, 1.999.03.00.055159-9, DJU data 14/06/2000, página 156). "Desta forma, mantenho a decisão do juiz singular para afirmar que a concessionária deve recolher o PIS e a COFINS, na forma da lei, sobre o faturamento, ou seja, sobre a receita bruta." Da mesma forma, é esclarecedor o voto-vista proferido às fls. 152/155: "No que se refere ao mérito, a controvérsia reside no fato de o Fisco interpretar o valor da venda de veículo automotor ao consumidor (por exemplo, quinze mil reais), como a base de cálculo da COFINS e do PIS, o que difere do entendimento da ora apelante, como acima referido. "Considero estar por demais evidenciado que as concessionárias são dedicadas à revenda e distribuição de produtos das montadoras/fabricantes de automóveis. Não é representante comercial, bem como os produtos não são a ela consignados. Sobre representação comercial temos a lição de Rubens Regul. ão: "A representação comercial deriva do instituto geral da representação nos negócios jurídicos, pela qual uma age em lugar e no interesse de outra, sem ser atingida pelo ato que pratica. O representante comercial é, assim, um colaborador jurídico que, através da mediação, leva as partes a entabular e concluir negócios. Não é também, locação de serviços, pois, como ensinam Plantol e outros autores, o contrato de locação de serviços objetiva levar o locador a realizar, sob a dependência do locató rio, serviços materiais, sendo remunerado em atenção à força do trabalho despendida. O contrato de representação comercial situa-se no plano da colaboração da realização de negócio jurídico, acarretando remuneração de conformidade com seu resultado útil. Consideramos, por isso, o contrato de representação comercial uma criação moderna do direito, pertencente ao grupo dos chamados contratos de mediação, destinado a auxiliar o tráfico mercantil'. 8 Processo n° 10805.720271/2007-58 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.111 Fl. 115 Pelo conceito acima exposto resta claro que para a caracterização da representação mercantil torna-se necessário que o negócio de compra e venda seja concluído entre o fornecedor e o adquirente da mercadoria. Não é o caso da demandante, que adquire os produtos da concedente e os revende, obtendo uma margem de lucro, com a qual atende suas despesas operacionais. Também inocorre a consignação, porquanto a concedente, basta ver a Lei n° 6.729/79, pode obrigar a concessionária a manter estoque. Ora, estoque é um conceito contábil que obrigatoriamente tem como premissa a disponibilidade sobre bens. Sobre consignação, anota Maria Helena Diniz (Tratado teórico e prático dos contratos. São Paulo: Saraiva, 1993, vol. 2, pg. 3): "Há muito tempo existe uma prática mercantil em que o fabricante ou comerciante envia mercadorias ou produtos a outro comerciante, que se obrigará a pagar o preço estimado ou a devolver aquelas coisas, após um certo prazo. Trata-se de consignação de mercadorias a um comerciante para que ele as venda; se vender apenas alguns produtos, deverá devolver os não vendidos, pagando o preço dos que foram alienados; se nada vender, deverá restituir tudo." Com efeito, temos a transmissão econômica do produto da fabricante à concessionária, sendo que esta assume todos os riscos inerentes ao negócio próprio, inclusive o de não conseguir vender os carros - e não há cláusula prevendo a devolução. Típica operação de revenda, portanto. Veja que a própria Lei n 6.729/79, no seu artigo 10, § 3 0, dispõe que 'o concedente reparará o concessionário do valor do estoque de componentes que alterar ou deixar de fornecer, mediante sua recompra por preço atualizado à rede de • distribuição ou substituição pelo sucedâneo ou por outros • indicados pelo concessionário, devendo a reparação dar-se em um ano da ocorrência do fato'. No artigo 11 é dito que `o • pagamento do preço das mercadorias fornecidas pelo concedente não poderá ser exigido, no todo ou em parte, antes do faturamento, salvo ajuste diverso entre o concedente e sua rede de distribuição. No artigo 23 é referenciado que "o concedente que não prorrogar o contrato ajustado nos termos do art. 21, parágrafo único, ficará obrigado perante o concessionário a: 1 - readquirir-lhe o estoque de veículos automotores e componentes novos, estes em sua embalagem original, pelo preço de venda à rede de distribuição, vigente na data de reaquisição." Como se dessume dos termos da Lei, `recompra', `readquirir- lhe', `preço de venda à rede de distribuição', temos entre concedente e concessionário operação de compra e venda, e não de consignação. Ressalto que em nenhum momento, ao contrário do que alegado - quiçá fruto de forçada interpretação - temos a 4latiL 94,7 Lei delimitando que a receita (contabilmente falando) da empresa estaria subsumida à margem de comercialização. Este é o percentual que a empresa pode auferir como lucro bruto, o que é diverso do conceito de receita, ou mesmo de faturamento. Ademais, qualquer empresa poderia obter a exclusão de , `receitas repassadas". Exemplifiquemos com um supermercado, sendo que este supermercado vende copos. Pagou à empresa fabricante dos copos R$ 3,00, e vendeu a R$ 4,00. 'Repassou', ainda antes da revenda, R$ 3,00 da receita dos copos à fabricante. Outro exemplo. O mesmo supermercado vendeu estes copos e obrigou-se a pagá-los somente na medida em que os for vendendo, não havendo cláusula de devolução desses produtos caso não conseguir comercializá-los. Aqui também não estamos tratando de consignação, mas de revenda. Aliás, no preço de um produto (rectius, receita bruta), estão englobados os custos e o lucro. Entre esses custos temos a aquisição de produtos outros (matéria-prima/aquisição para revenda), o salário dos empregados, os tributos. Ora, não teríamos `repasse' de parte da receita aos empregados, bem como parte ao Fisco? Sobraria, então, apenas o lucro para ser tributado, o que se afasta do fato gerador da COFINS, que é a RECEITA. Passada esta fase de fixação de premissas - o que faço para não chegar a sofismática conclusão da empresa impugnante -, passo à análise do § 2°, inciso III, do artigo 3°, da Lei n°9.718 que dispõe `os valores que computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo poder executivo'. Ora, em que pese o poder executivo não ter expedido as normas regulamentadoras, resta claro que está abrangida pela norma a hipótese de transferência de receita, o que somente ocorreria caso estivéssemos tratando de consignação. Aliás, a Lei 9.716/98, em seu artigo 5°, admite que "As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados." 1 Como se vê, somente mediante equiparação definida por lei, poderia a empresa impugnante tratar de compra e venda de veículos novos como se consignação fosse. Não havendo essa equiparação, não há como dar acolhida à sua irresignação. As operações realizadas pela recorrente são, de acordo com o objeto social da empresa, contratos de compra e venda mercantis (comércio de veículos automotores), e não de compra e venda em consignação. n4 ,0 Processo n° 10805.720271/2007-58 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.111 Fl. 116 In casu, o fabricante não efetuou "remessa" ou "entrega" de bens a serem alienados pela recorrente, mas, sim, transferiu-lhe o domínio desses bens por meio da compra e venda. A recorrente, em momento algum, suportou tributação sobre faturamento em conta alheia, uma vez que, ao realizar operações de compra e venda mercantil, e não de consignação, o faturamento por ela percebido é do valor total da venda, restando perfeitamente justificado o recolhimento do PIS e da COF1NS sobre este valor. A propósito, este Tribunal Superior Tribunal já se pronunciou a respeito da matéria em análise, conforme ementa do julgado abaixo reproduzido: "TRIBUTÁRIO - PIS/COFINS - BASE DE CÁLCULO: LC 70/91 - SISTEMÁTICA DA LEI 9.430/96. "1. A base de cálculo do PIS/COFINS é o faturamento da empresa ou a renda bruta (art. 20 da LC 70/91). "2. Mecanismo advogado pela empresa que importa em alterar a base de cálculo para recair a exação sobre o lucro, em interpretação não-autorizada na lei. "3. A sistemática da Lei 9.430/96, dirige-se aos mandatários e representantes dos fabricantes e importadores que intermediam as operações de venda e não as revendedoras que agem como comerciantes, comprando do fabricante e vendendo ao consumidor ou usuário final. "4. Recurso especial improvido." (REsp n° 346524/PR, 2' Turma, DJ de 09/09/2002, Rei' Min a EMANA CALMON) Na citada decisão, a eminente Relatora desenvolveu as seguintes assertivas: "Segundo a LC 70/91, a base de cálculo do PIS - COFINS é o FATURANIENTO ou RECEITA BRUTA DAS VENDAS DE MERCADORIAS (art. 2°), estabelecendo expressamente quais as parcelas que devem ser consideradas excluídas do faturamento (parágrafo único do art. 2° da LC 70/91), dispositivo já declarado constitucional pelo STF (ADC 1-1). A questão da base de cálculo da COFINS, sem nenhuma alteraçã o substancial alguma da LC 70/91, foi ratificada pela Lei 9.718/98. Dentro deste entendimento, a pretensão da empresa leva à alteração da base de cálculo do PIS/PASEP, em interpretação que não se alinha com a norma. O entendimento da empresa desenvolveu-se por força do art. 44 da MP 1.991, transformada na Lei 9.430/96, deixando claro ser os fabricantes e importadores contribuintes de direito do PIS/COFINS incidentes sobre as vendas efetuadas, nas quais tt,t, 11 funcionariam os revendedores como substitutos ou contribuintes de fato. Entretanto, como bem observou o acórdão impugnado, a empresa revendedora realiza operação própria, comprando dos fabricantes e vendendo aos consumidores ou usuários finais, sem ser mero intermediário, o que não permite a devolução. Outra compreensão levaria ao entendimento de que a base de cálculo passaria a ser o LUCRO DA EMPRESA, porque abatido do resultado final das compras e vendas o valor da aquisição. Talvez fosse este o sistema mais justo pois, em verdade, a COFINS termina sendo a mais injusta das contribuições porque, tributando o FATURAMENTO, transforma em contribuinte até mesmo as empresas que sofrem prejuízos em sua atividade. Entretanto, cabe ao Judiciário a justiça legal e, dentro deste enfoque, não há como censurar o acórdão impugnado.' Esse é o posicionamento que sigo, por entender ser o mais coerente. Posto isto, NEGO provimento ao recurso. É como voto." Por fim, como ressaltado no Acórdão n. 201-78.121, de relatoria da ilustre Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, "tenho que na apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS há que se computar o faturamento como um todo, sem exclusão ou glosa de qualquer natureza. Isto pois, a uma, a natureza da operação praticada pela concessionária não configura operação de consignação, ou outro nomen juris qualquer, que enseje o repasse de parcelas que não sejam tributadas; a duas, para os períodos pretéritos à Lei n2 9.718/98 inexiste previsão legal de exclusão; para os posteriores, como o artigo 3 2 da mesma, que previa tais eventuais exclusões, nunca foi regulamentado e hoje encontra-se revogado, nunca produziu efeitos." À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. JOSÉ • •NIO FRANCISCO 12
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Numero do processo: 13116.001531/2003-15
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Numero da decisão: 1803-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
SELENE FERREIRA DE MORAES - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Ausente o conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Ausente o conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 15 31 /2 00 3- 15 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13116.001531/200315 Acórdão n.º 1803001.303 S1TE03 Fl. 112 2 Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Ausente o conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de auto de infração, lavrado contra a recorrente, para cobrar Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Simples e seus reflexos, em virtude de omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados e nem comprovada a origem), relativamente a períodos de apuração dos anoscalendários de 1998 a 2001, e Auto de Infração IPRJ e contribuições social, referente ao anocalendário de 2002, com base no lucro arbitrado, dada a exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2002 e não ter apresentado os livros e documentos da sua escrituração. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta impugnação em que alega, preliminarmente, que a Delegacia da Receita Federal em AnápolisGO não é competente para proceder a fiscalização, tendo em vista que a empresa autuada, com sede em Posse, encerrou suas atividades no ano de 1997 e desde esta data a empresa vem operando com sua empresa de mesmo nome, mas CNPJ diferente, sediada em CorrentinaBA (os Bancos não procederam a alteração do cadastro das contas correntes, modificando o CNPJ da empresa, já que os nomes são idênticos). A empresa faz um breve arrazoado a respeito da quebra do sigilo bancário, referindo a necessidade de uma ordem judicial para que o fisco possa obter as informações constantes nos extratos bancários. Porém importa salientar que a empresa entregou os extratos bancários à fiscalização. No mérito, a recorrente, demonstra estar pasma pelo fato do Auditor não considerar as receitas da empresa em Correntina como justificativa dos depósitos bancários, já que a empresa de Posse não movimenta desde 1997, como pode ser comprovado com declaração de baixa junto à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás. Requer, por fim, com fulcro no parágrafo 5º, do art. 42 da lei 9.430/1996, que sejam consideradas todas as receitas demonstradas nos autos, como justificativas dos depósitos bancários, ficando somente a diferença, entre e valor declarado pela empresa de Correntina e os depósitos, considerada como omissão de receita. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, haja vista concluir que os argumentos da recorrente não procedem. Refere que a empresa não escriturou e não declarou os recursos creditados na conta bancária, não Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13116.001531/200315 Acórdão n.º 1803001.303 S1TE03 Fl. 113 3 comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados, conforme determina a legislação pertinente, qual seja a Lei 9.430/96 e a Lei 9.317/97. Prossegue afirmando que o argumento da empresa de que encerrou suas atividades e que a movimentação financeira em sua conta bancária seria de sua empresa de CorrentinaBA não se sustenta, pelas seguintes razões: (1) não há nos autos qualquer referência de que a recorrente comunicou à Receita Federal o encerramento de suas atividades; (2) apresentou declarações anuais pelo Simples, com valores de receita bruta mensal zerados, mas apresentou significativa movimentação financeira no mesmo período; (3) não comprova com documentos que movimentava numerário de suas duas empresas na mesma conta (4) não há como saber quais receitas da empresa de Correntina, CNPJ 63.230.551/000161, transitaram por conta corrente da autuada, empresa de PosseGO, visto que não apresentou documentação que correlacione as operações escrituradas com os depósitos bancários; (5) dada a não apresentação da escrituração e pela entrega de declarações anuais com valores "zerados", inferese que a própria recorrente não possui, não conhece, não sabe os valores exatos de suas receitas. O julgador a quo salienta que a empresa foi excluída do Simples a partir de janeiro/2002 pelo motivo do titular ou sócio participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, cuja receita bruta global ultrapassou o limite de empresa de pequeno porte (R$ 2.400.000,00). Aborda a autoridade ainda que a recorrente sequer se manifestou contra aquela exclusão. Por fim, a decisão na instância precedente afere que não se pode aplicar o requerido pela empresa quanto ao disposto no parágrafo 5° do art. 42 da Lei 9.430/1996, como facilmente se deduz do já exposto, em virtude de que não restou provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, qual seja empresa de Correntina. Devidamente cientificada da decisão proferida, a empresa apresenta recurso voluntário, aduzindo praticamente os mesmos argumentos da impugnação. Contudo, reportase com mais veemência à quebra do sigilo bancário, juntando jurisprudências ao feito. A empresa elabora planilhas em que por conta própria esboça como, no seu entendimento, deveriam ser feito os cálculos dos tributos apurados na empresa que ele entende ser a correta a sofrer a tributação e não a ora recorrente. Contrapõese ao auto por entender não ser cabida a imputação de imposto de renda com base em depósitos bancários, bem como se contrapõe à multa aplicada por entender que fere o princípio da capacidade contributiva. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13116.001531/200315 Acórdão n.º 1803001.303 S1TE03 Fl. 114 4 O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente feito de cobrança de imposto de renda pessoa jurídica simples, bem como os seus decorrentes e contribuição social em razão de omissão de rendimentos em detrimento de depósitos bancários. A empresa alega que os valores, que transitaram pela sua conta bancária, não são dela, mas sim da empresa de nome muito similar, também pertencente ao sócio, mas que na atualidade se encontra sediada em outra cidade e em outro Estado. A autoridade de primeira instância argumenta que, embora a recorrente tenha juntado ao feito a baixa dada pela Secretaria do Estado de Goiás, fato incontestável é que a mesma permanece ativa aos olhos da Fazenda Nacional. Isso porque se faz necessária a baixa efetiva, junto à Secretaria da Receita Federal, para que a empresa seja considerada efetivamente inativa para efeitos fiscais. Aduz ainda que a movimentação bancária se deu na conta corrente da empresa, ora recorrente, e que esta, mesmo intimada, não demonstra e tão pouco comprova que os valores não são seus. Primeiramente, informo que os extratos bancários, ainda que alegado pela recorrente quebra de sigilo bancário, foram todos entregues por esta à fiscalização, espontaneamente. Por essa razão entendo que o presente feito não se encaixa nas hipóteses disciplinadas para o sobrestamento do feito e tão pouco nas assertivas da recorrente quanto à quebra do sigilo bancário. Ademais, caso fosse questão de adentramos na discussão a respeito de quebra de sigilo bancário, esta esfera administrativa não seria a competente para tratar do tema, haja vista não possuir competência para conhecer e discutir matérias de cunho constitucional, tal como disciplina a Súmula CARF n. 02, que assim dispõe: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” No mérito, há que se atentar para o fato de que a empresa recorrente vinha utilizando as suas duas contas bancárias, movimentandoas nos períodos fiscalizados, com valores bem significativos, muito embora tenha apresentado suas declarações ao fisco federal como “zeradas”. Intimada a informar, explicar e demonstrar, através de documentação com identidade de data e valor, a comprovação dos rendimentos, a empresa recorrente limitase a dizer que os valores não lhe pertencem e sim são de outra empresa, de mesmo sócio, com nome similar, mas de CNPJ diferente. Refere que a confusão se deu por conta da Instituição Bancária que não alterou as contas bancárias. Ocorre que tal argumentação da empresa não se vislumbra no presente feito. Isso porque no decorrer dos anos fiscalizados, a movimentação bancária, através dos depósitos, nas duas contas da empresa recorrente é significativa e esta tanto sacou como depositou em sua conta, tendo movimentado, mesmo seguindo com a mesma agência, com a mesma conta e com o mesmo CNPJ da empresa antiga, da qual refere estar extinta, inativa, sem movimentação. Então resta a pergunta: quem sacou os valores? Para uma empresa que alega mudança de endereço, cuja única implicação teria sido a confusão de CNPJs ocasionada pela Instituição Bancária, pouco crível seria que duas Instituições Bancárias diferentes, quais seja: Banco do Brasil e Bradesco tenham cometido o mesmo erro e persistido nele pelo período compreendido entres os anos de 1998 a 2002. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13116.001531/200315 Acórdão n.º 1803001.303 S1TE03 Fl. 115 5 Certo é que intimada, a empresa não traz ao feito comprovação de que os valores que transitaram pelas suas contas bancárias não lhe pertenciam. Conforme determina a norma disposta no artigo 42 da Lei 9.430/96, a prova é imputada ao contribuinte e não ao fisco, no tocanto ao consumo da renda. Em outras palavras, cumpre à empresa recorrente comprovar, através de documentação hábil e idônea, que não se trata de renda consumida o que está explicitado nos extratos bancários, bem como a origem dos recursos utilizados nessas operações. Importa que se esclareça que cabe à contribuinte comprovar, através de documentos hábeis e idôneos a origem dos valores creditados em suas contas correntes, já que, por se tratar de presunção relativa, admitese a prova em contrário, cujo ônus no caso é da mesma. De igual forma se expõe que a recorrente deixou de juntar documento hábil e idôneo que justificasse os recebimentos de valores depositados. Neste caminho, entendo que o auto de infração é procedente tendo em vista que a própria contribuinte, ora recorrente, não apresenta provas em sua defesa, muito pelo contrário limitase a dizer que os depósitos são de terceiros. Como não foi juntada prova de que os valores tidos como devidos por esse auto de infração foram realmente pagos, fundamento a compreensão de que o auto de infração é procedente e deve ser mantido. No que tange à alegação de que a empresa encontrase baixada, junto à Secretaria do Estado de Goiás, ainda que o documento seja legal e a empresa realmente esteja inativa para a Secretaria Estadual, é de se atentar que a mesma nunca foi baixada perante a Secretaria da Receita Federal. A empresa recorrente sequer pode alegar que deixou de dar baixa na empresa, junto ao fisco federal por esquecimento ou algo do gênero, porque durante todos os anos fiscalizados foram apresentadas as declarações simplificadas zeradas, ou seja, a empresa deu baixa junto à Secretaria do Estado do Goiás porque lhe interessava e não o fez junto à Secretaria da Receita Federal porque não era do seu interesse, por essa razão não pode agora alegar a sua própria torpeza para eximirse da obrigação de arcar com o resultado de suas atitudes, qual seja de pagar os impostos devidos, oriundos da movimentação bancárias que repercute em virtude da omissão de rendimentos. Já no que concerne às argumentações da empresa recorrente quanto à multa aplicada, entendo que não há que se falar em princípio da capacidade contributiva. As razões seguem a mesma linha de racioncínio já dispostas quanto à quebra do sigilo bancário, porquanto não ser essa a esfera competente para tratar de questões constitucionais, como dispõe a Súmula CARF n. 02. Contudo, entendo que a multa aplicada ao feito está coerente com as normas disciplinadas pela legislação em vigor e por essa razão corroboro meu entendimento com o já disposto na decisão de primeira instância. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (Assinado Digitalmente) Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13116.001531/200315 Acórdão n.º 1803001.303 S1TE03 Fl. 116 6 Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000033/2007-35
Data da sessão: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO - PEREMPÇÃO - Não se toma conhecimento
de recursos voluntários interpostos empós 30 (trinta) dias da ciência da decisão a quo.
NULIDADES - Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta a teor das disposições do art. 59, 3°, do Decreto nO70.235/72
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA EXCLUSÃO. Exclui-se do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", exarado com base nas
disposições do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, o contribuinte que mantinha com a pessoa jurídica mera relação comercial de fornecedor, sem prova de ingerência na administração da empresa e nem nos fatos que ensejaram a autuação.
Assunto: Imposto sobre aRenda de Pessoa Juridica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITA - PRESUNÇÃO LEGAL - ART. 42 DA LEI Nº
9.430/1996 - A intimação préviaparaque o titular, pessoajurídica ou pessoa física, comprove com documentação hábil e idônea, aorigem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira se traduz em requisito minimo, indispensável e obrigatório à aplicação dapresunção legal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1202-000.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos interpostos pelas pessoas fisicas Acyr Marcos Briccoli Filho e Márcio Aparecido Tarifa daCostae, por maioria de votos, dar provimento ao recurso interposto pelo contribuinte José Ruy Gomes para cancelar as exigências tributárias, bem como excluí-lo da condição de responsável solidário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada) e Nelson Lósso Filho que negaram provimento
Nome do relator: Cândido Rodrigues Neuber
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO - PEREMPÇÃO - Não se toma conhecimento de recursos voluntários interpostos empós 30 (trinta) dias da ciência da decisão a quo. NULIDADES - Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta a teor das disposições do art. 59, 3°, do Decreto nO70.235/72 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA EXCLUSÃO. Exclui-se do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", exarado com base nas disposições do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, o contribuinte que mantinha com a pessoa jurídica mera relação comercial de fornecedor, sem prova de ingerência na administração da empresa e nem nos fatos que ensejaram a autuação. Assunto: Imposto sobre aRenda de Pessoa Juridica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA - PRESUNÇÃO LEGAL - ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996 - A intimação préviaparaque o titular, pessoajurídica ou pessoa física, comprove com documentação hábil e idônea, aorigem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira se traduz em requisito minimo, indispensável e obrigatório à aplicação dapresunção legal. Recurso Voluntário Provido
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NULIDADES - Quando puder decidir o mérito afavor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta a teor das disposições do art. 59, 3°, do Decreto nO70.235/72 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA EXCLUSÃO- Exclui-se do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", exarado com base nas disposições do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, o contribuinte que mantinha com apessoa jurídica mera relação comercial de fomecedor, sem prova de ingerência naadministração' daempresa e nem nos fatos que ensejaram aautuação. Assunto: Imposto sobre aRenda de Pessoa Juridica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA - PRESUNÇÃO LEGAL - ART. 42 DA LEI N" 9.430/1996 - A intimação prévia paraque o titular, pessoa jurídica ou pessoa fisica, comprove com documentação hábil e idônea, aorigem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira se traduz em requisito minimo, indispensável e obrigatório à aplicação dapresunção legal. \ Processo n" 12963.000033/2007-35 Acórdão n." 1202-00.133 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. SI-C2T2 FI. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos interpostos pelas pessoas fisicas Acyr Marcos Briccoli Filho e Márcio Aparecido Tarifa daCosta e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso interposto pelo contribuinte José Ruy Gomes para cancelar as exigências tributárias, bem como excluí-lo dacondição de responsável solidário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada) e Nelson Lósso Filho que negaram provimento. EDITADO EM Participaram da sessão de julgamento os conselheiros : Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carmen Ferreirá Saraiva(suplente Convocada), Silvana Rescigno Guerra Barreto(Suplente Convocada), Natanael Vieira dos Santos(suplente convocado) e Nelson Lósso Filho. residente). 2 Processo n° 12963.000033/2007-35 Acórdão 1202-00.133 Relatório FI. 3 TANJUMINAS COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. recorre da decisão de primeira instância proferida pela4 Tunna de Julgamento daDRJ no Rio de Janeiro - RJ I, que julgou procedentes as exigências de IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, no total de R$ 3.890.357,82, fls. 05, inclusos os consectários legais, calculados até 14/30/2007, consubstanciadas nos autos de infração fls. 640 a689. A contribuinte teve os lucros arbitrados nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, em virtude de não. ter apresentado os livros e documentos de suaescrituração. A base de cálculo do arbitramento dos lucros foi o montante de depósitos bancários de origem não comprovada, com enquadramento legal nos arts. 27, inciso I, e 42 daLei nO9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 532 e 537, do RIRl99, segundo descrito auto.de infração de fls. 642 a 643 e "Tenno de Verificação Fiscal" - TVF, fls. 626 a639. A multa de lançamento de oficio foi qualificada para 150%. No TVF, os autuantes descrevem que afiscalização foi motivada à vista da incompatibilidade da movimentação financeira da empresa com as receitas informadas nas DIPJ; o tenno de início de fiscalização enviado à sede da empresa, via postal, foi devolvido com ainfonnação de havia mudado de endereço; o referido termo foi enviado também via postal ao domicilio fiscal do sócio representante da empresa, mas foi devolvido com a informação de que o endereço erainexistente; em diligência realizada nacidade de Andradas - MG, o fisco não conseguiu localizar aempresa e nem os seus representantes; foi afixado edital na repartição fiscal dando ciência do termo de inicio de fiscalização, com prazo para atendimento de 20 dias, sem resultado; em consulta interna dos dados do sócio e representante da empresa, existentes na repartição, constatou-se que o Sr. Herminio Junta, não possuia capacidade econômica para a vultosa movimentação financeira; foi solicitada ao Banco Bradesco S/A. informação sobre movimentação financeira - RMF, daempresa em relação ao ano de 2002; de posse dos documentos bancários, extratos de conta corrente e microfichas de cheques emitidos foram selecionados alguns beneficiários de cheques emitidos pelaautuada; o Senhor Acyr Marcos Briccoli Filho, constava no Bradesco como procurador do representante daempresa e signatário de grande parte dos cheques emitidos; intimado ajustificar aorigem das importâncias recebidas daautuada em 2002, nada comprovou, fls. 146 a149 e 186 a245; o Sr. Márcio Aparecido Tarifa da Costa, constava como representante da empresa junto ao B~adesco; intimado naqualidade de beneficiários de alguns cheques emitidos pela empresa em 2002, nada esclareceu, fls. 125 a129 e 247 a268; o Sr. Jº-sé Ruy Gomes, também intimado a justificar os valores recebidos daautuada em 2002, limitoú-se ainformar que se referiam à comercialização de milho, mas sem apresentar qualquer comprovante, fls. 151 a184; o Senhor Agostinho Deperon, também intimado apresentou cópia de nota fiscal de produtor rural, fls. 270 a274; Mandato de Procedimento Fiscal Complementar incluiu na fiscalização os anos- calendário de 2003 a2004; foram solicitadas informações bancárias para os novos períodos incluidos; as pessoas referidas foram novamente intimadas ajustificar anatureza dos valores auferidos da fiscalizada nos anos de 2003 e 2004; o tenno de intimação via postal ao Sr. Márcio Aparecido Tarifa daCosta, retomou com ainformação de que não foi localizado, fls. 564 a625; intimado o Senhor Acyr Marcos Briccoli Filho, não apresentou documentos que justificassem os valores recebidos em 2003 2004; o Sr Acyr, alêm de procurador do 3 Processo n" 12963,000033/2007-35 Acórdão n," 1202-00.133 F1.4 representante da empresa junto ao Bradesco, também figura como fiador, devedor solidário e avalistas em dívidas contraídas em nome da autuada, fls. 371 a397; o SI. José Ruy GOI12.es, intimado ajustificar os valores recebidos daautuada em 2003 e 2004, reiterou que se referiam à comercialização de milho, mas sem apresentar documentação hábil e idônea, fls. 434 a469; deixando, assim, de justificar o total d R$ 1.154.778,62, recebidos da autuada em trés anos: 2002 a2004, figurando como maior beneficiário das operações com aTanjuminas, fls. 157 a 184 e 438 a469; procedido o arbitramento dos lucros da Tanjuminas, os Srs. Acyr Marcos Briccoli Filho, Márcio Aparecido Tarifa daCosta e José Ruy Gomes, foram responsabilizados solidariamente, nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional, segundo "Termo de Sujeição Passiva Solidária", fls. 693, 695 e 697. Intimada dos autos de infração, via edital, fls. 692, com tenno em 29/03/2007, aempresa deixou de impugnar aexigência e foi declarada revel em 02/05/2007, fls. 978. José Ruy Gomes, arrolado como responsável solidário, foi cientificado dos. autos de infração e do "Termo de Sujeição Passiva Solidária" em 27/03/2007, segundo "A. R." afixado às fls. 694~e apresentou impugnação; em 15/05/2007, fls. 706 a722, instruida com os documentos de fls. 723 a 725, e as cópias de notas fiscais emitidas pela empresa WJC Annazéns Gerais LIda. relativas a"entrada para depósito" e "saídas de depósito" de milho, fls. 726a951. ' Os contribuintes Acyr Marcos Briccoli Filho e Márcio Aparecido Tarifà da Costa, arrolados como responsáveis solidários, foram intimados dos autos de infração, via editais, fls. 699, com termo em 18/04/2007. Acyr Marcos Briccoli Filho apresentou impugnação em 17/05/2007, fls. 95 a 963, instruída com os documentos de fls. 964 a970. Márcio Aparecido Tarifa da Costa apresentou impugnação em 17/05/2007, fls. 972 a974, instruida com os documentos de fls. 975 a977. Decisão de primeira instância, fls. 981 a 998, julgou os lançamentos. tributários procedentes sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas, fls. 9811982: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não se toma conhecimento da impugnação apresentada mais de 30 (trinta) dias após adatade daciência do lançamento. ARROLAMENTO DE BENS. COMPETÊNCIA. DRJ. O exame de questões relacionadas ao arrolamento de bens não está nos limites de competência daDelegacia daReceita Federal de Julgamento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário 4 Processo n' 12963.000033/2007-35 Acórdão n.' 1202-00.133 Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SI-C2T2 Fl.5 • • INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. OUTORGA DE MANDATO COM AMPLOS PODERES DE GESTÃO. SÓCIO DE FATO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBANTES CAPAZES DE AFAST AR A IMPUTAÇÃO. A admissão nasociedade (em substituição aos sócios originários) de pessoas que não comprovem capacidade econômico-financeira e que não participem de quaisquer atos de gestão financeira, operacional ou administrativa, combinada com aoutorga desses mesmos atos aterceira pessoa, estranha ao quadro social e verdadeira interessada no negócio (sócio de fato), caracteriza o que em Direito se denomina "interposição de pessoas". RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. PROSSEGUIMENTO NA GERÊNCIA DOS NEGÓCIOS. OMISSÃO DE RECEITA . São solidariamente responsáveis os sócios de fato pelaprática de interposição de pessoas e prosseguimento na gerência dapessoa juridica, com aadoção que caracteriza omissão de receita, o que demonstra o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador dos tributos exigidos, que é condição daresponsabilidade solidária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. Quando o fisco, através de investigação junto ainstituições financeiras, apura que os verdadeiros representantes estavam acobertados sob o manto de interposta pessoas e junta indicios suficientes que, somados, resultam na caracterização da infração tipificada, a qualificação da multa encontra-se subsumida ao fato descrito na nonna, tendo em vista a caracterização da simulação e dasonegação fiscal. Lançamento Procedente" A decisão recorrida llãO conheceu daimpugnação '!P..f.\:.iientada....QeloSr. José Ruy Gome;;; rejeitou as preliminares; não conlieceu da contestação acerca do Termo de "'Arrolamento de Bens; e julgou procedentes os lançamentos de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, mantida' amultaqualificada de 150%. A autuada foi cientificada dadecisão via edital, fls. 1.012, entretanto deixou de apresentar recurso. José Ruy Gomes foi cientificado da decisão recorrida em 26/09/2007, segundo "A. R.", afixado às fls. 1.016, e apresentou recurso voluntário em 17/10/2007, fls. 1.019 a1.032. Argumenta, em síntese: - nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa: o termo de sujeição passiva do qual não constou autorização para que o contribuinte solidário pudesse impugnar tal ato; o termo de sujeição passiva não indica as causas dessa atribuição as quais somente tomou conhecimento através do TVF; o . teresse comum citado no referido termo 5 Processo n' 12963.000033/2007-35 Acórdào n.' 1202-00.133 passa a integrar o ato de lançamento originariamente constituído contra a pessoa jurídica, necessitando de motivação; não tendo recebido cópiado TVF não pode exercer o seu direito de defesa por não conhecer as causas que levaram o fisco a indicá-lo como sujeito passivo solidário; - erro n avaliação daintempestividade daimpugnação: junto com o tenno de sujeição passiva recebeu apenas um demonstrativo consolidado do crédito tributário, fato que o obrigou a se dirigir à repartição fiscal e solicitar cópia do processo que lhe foi entregue em 18/04/2007, dataem deve ser iniciada acontagem do prazo de 30 (trinta) dias paraapresentar a impugnação; assim revelá-se despropositada adecisão que não conheceu daimpugnação sob um equivocado juizo dasuaintempestividade; - agressão à intimidade e desrespeito ao sigilo fiscal por envolver vanas pessoas no mesmo ato decisório: não pode concordar com aemissão de um único ato decisório, no qual situação particular de cada umadessas pessoas toma-se conhecida de todos; manteve com apessoa juridica um relacionamento de simples fornecedor, fato de conhecimento do • fisco, pois suas declarações de rendimentos informa que é produtor rural; o fisco não encontrou nenhum ato envolvendo o ora recorrente, como outorga de mandato com amplos poderes de gestão, sendo diferente asua situação em relação aos demais arrolados; arevelação conjunta das acusações contra essas pessoas vulnera o sigilo de dados protegido pelo art. 5°, inciso XIII daConstituição Federal, bem como o sigilo fiscal protegido pelo art. 198 do CTN; -nulidade do ato de sujeição passiva por não ter os elementos essenciais do ato de lançamento; - ausência de justa causa para aatribuição daresponsabilidade solidária por não configuração do denominado "interesse comum" num relacionamento de simples fornecedor que entregou milho à autuada e recebeu o valor de mercado correspondente; - apresentou notas fiscais do annazém geral onde o milho fornecido à autuada estava depositado; são provas cabais de que os valores recebidos da Tanjuminas são de fornecimento de milho, operações típicas de um fornecedor que não podem ser apontadas como justificativas para a atribuição da sujeição passiva, estando dispensado de avaliação do. lançamento de oficio contra apessoa juridica, entretanto afirma que suaparticipação no fato é _ impossível, pois aempresa foí autuada por depósito de origem não comprovada, e ele não fez nenhum depósito, pelo contrário, recebeu valores dapessoajurídica; - pede seja reformada a decisão de prímeira instância, desconstituindo o questionado termo de sujeição passiva. Márcio Aparecido Tarifa daCosta foi cientificado dadecisão recorrida em 25/09/2007, segundo "A. R.", afixado às fls. 1.017, e apresentou recurso voluntário em 29/10/2007, fls. 1.034 a1.041. Acyr Marcos Briccoli Filho tomou clencia da decisão recorrida em 26/09/2007, segundo "A. R.", afixado às fls. 1.018, e apresentou recurso voluntário em 29/1 0/2007, fls. 1.042 a1.050. Os recursos voluntários apresentados por estes dois contribuintes são de teor semelhante. Em síntese contestam a responsabilidade tributária solidária que lhes foram 6 Processo n' 12963.000033/2007-35 Acórdão n.' 1202-00.133 SI-C2T2 imputadas e pugnam pelo procedência de seus reçursos voluntários para o efeito de serem excluídos do pala passivo ou, caso contrário, sejareduzida amultaaplicada para20% . • Processo n' 12963.000033/2007-35 Acórdão n.' 1202-00.133 FI. 8 Voto Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator A empresa autuada, TANJUMINAS COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. não apresentou impugnação e nem recurso voluntário. Os contribuintes arrolados nos "Tenno de Sujeição Passiva Solidária", fls. 693, 695 e 697, como responsáveis solidários, apresentaram impugnações e recursos voluntários. Os recursos voluntários apresentados pelos contribuintes Acyr Marcos Briccoli Filho e Márcio Aparecido TarifadaCosta são intempestivos. Márcio Aparecido Tarifa daCosta foi cientificado dadecisão recorrida em 25/09/2007, segundo "A. R.", afixado às fls. 1.017, com termo do trintídio recursal em 25110/2007, porém apresentou recurso voluntário em 29110/2007, fls. 1.034, empós perimido o prazo legal. Acyr Marcos Briccoli Filho tomou clencia da decisão recorrida em 26/0912007, segundo "A. R.", afixado às fls. 1.018, com termo do trintidio recursal em 2611012007, todavia apresentou recurso voluntário em 29110/2007, fls. 1.042, empós escoado o prazo legal. Destarte, deixo de conhecer dos recursos voluntários apresentados pelos contribuintes Márcio Aparecido Tarifa daCostae Acyr Marcos Briccoli Filho, por peremptos. O recurso voluntário apresentado pelo contribuinte José Ruy Gomes tempestivo, pois foi cientificado dadecisão recorrida em 26/0912007, segundo "A. R.", afixado às fls. 1.016, e apresentou recurso voluntário em 17110/2007, fls. 1.019. Dele tomo conhecimento. José Ruy Gomes apresentou suaimpugnação intempestivamente. Assim, em grau de recurso voluntário cumpre analisar suas razões de inconformismo com a decisão recorrida no que conceme à intempestividade da impugnação associada ao alegado cerceamento do seu direito de defesa. A questão está assim fundamentada na decisão recorrida, fls. 951/952, in verbis: 8 "A primeira impugnação, então apresentadapelo Sr José Ruy Gomes, não pode ser conhecida, por ter sido apresentadaapós o prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto nO70.235/1972 e ateor do disposto no Ato Declaratório Normativo do Coordenador-Geral do Sistem de Tributação (ADN COSlT) nO 15/1996, in verbis: Processo n° 12963.000033/2007-35 Acórdào n. 1202-00.133 ... In casu, verifica-se pelo Aviso de Recebimento (AR) de fls. 694 que aciência do Termo de Sujeição Passiva, bem como contra aempresa sob aqual lhe foi imputada respectiva responsabilidade, foi efetuado lançamento de ofício, ocorrera em 23/03/2007. Em que pese as alegações do Sr. José Ruy sobre anecessidade de vista dos autos, com extração de cópia do processo oconida em 18/04/2007, cumpre enfatizar que o processo fica disposição dos interessados na apresentação de defesapelo prazo de 30 (trinta) dias, contados dadatadaciência dainteressada. Naverdade, não consta dos autos qualquer declaração de que era impossivel a extração de cópias em data próxima à ciência dos fatos pela interessada. Ela não traz à colação qualquer informação de entraves praticados pelaAdministração Tributária naobtenção de seu desiderato. De acordo com as normas acima mencionadas, o prazo para apresentação daimpugnação findaria em 26 de abril de 2007. Todavia, somente em 15 de maio de 2007 foi apresentada apetição de fls. 706/725. Nestas condições, também não conheço da impugnação apresentada pelo responsável solidário imputado pelo fisco, Sr. José Ruy Gomes." Penso que arazão está com o contribuinte, pelos seguintes fatos. • A respeito da responsabilização solidária o fisco fez a seguinte anotação na campo "Intimação" do auto de infração, fls. 640: "Aos sujeitos passivos solidários, José Ruy Gomes, CPF 173.247.938-00, Acyr Marcos Briccoli Filho, CPF 102.072.338-61 e Márcio Aparecido Tarifa da Costa, CPF 068.639.618-90, que foram assim caracterizados 110 Termo de Verificação Fiscal, co,!forme o artigo 124 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional), será dada à ciência de sua responsabilização neste auto de l'!fração, em termo próprio, o qual será encaminhado via postal, mediante Aviso de Recebimento (AR). Também aos mesmos será concedida vista do Processo Administrativo Fiscal que se encontra nesta Delegacia. " (Destaquei) No campo "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL (IS) Imposto de Renda Pessoa Jurídica" do auto de infração, fls. 642, o fisco fez a seguinte descrição dos fatos, in verbis: "001 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante deste Auto de Infração." (Destaquei) Portanto, no auto de infração, no campo da intimação onde fez referência responsabilização solidária e na descrição dos fatos onde deveria descrever as irregularidades imputadas à pessoa juridica, das quais resultaram aresponsabilização solidária das pessoas fisicas, informou-se que estes fatos estão descritos no TVF. Com efeito, somente daleitura do extenso TVF, fls. 626 a639, é que se tem conhecimento dos fatos que instruem à formalização das exigência tributárias e da responsabilização solidária das pessoas fisicas. Os "Termo de Sujeição Passiva Solidária", fls. 693, 695 e 697, por suavez está descrito, fls. 693, in verbis: "Fica o sujeito passivo solidário acima mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração, lavrado na data de 14/03/07, sob o Processo Administrativo Fiscal n° 12963.000033/2007-35, relativamente aos tributos, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica -IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente Termo são entregues neste ato. " Em nenhuma passagem dos autos há comprovação de que o fisco encaminhou cópia do Termo de Verificação Fiscal às pessoas fisicas arroladas como responsáveis solidários. O excerto dos "Termo de Sujeição Passiva Solidária", fls. 693, 695 e 697, faz referência à entregaapenas de cópias dos autos de infração. A autoridade julgadora recorrida não contestou as razões do impugnante José Ruy Gomes de que não recebeu cópia do Termo de Verificação Fiscal, mas cópias apenas do "Termo de Sujeição Passiva Solidária" e dos autos de infração, aos quais se referiu como demonstrativo consolidado do crédito tributário e, portanto, naquele momento, não teve conhecimento dos motivos que levaram à autuação dapessoa juridica e do seu arrolamento como responsável solidário. Os fundamentos dadecisão recorrida em relação aestaqueixa foi no sentido. de que o processo fica à disposição dos interessados naapresentação de defesa pelo prazo de 30 (trinta) dias; não constar dos autos qualquer declaração de que eraimpossivel aextração de cópias em data próxima à ciência dos fatos pela interessada; e ela (ele o contribuinte responsável solidário) não traz à colação qualquer infonnação de entraves praticados pela Administração Tributária naobtenção de seu desiderato. Houve sim "entraves praticados pela Administração Tributária na obtenção de seu desiderato", ao deixar a Administração Tributária de encaminhar ao responsável solidário cópiado TVF que é onde os fatos foram descritos, de modo que o contribuinte tivesse ao seu dispor todos os elementos necessários aelaborar sua defesa dentro do trintídio legal, mas não foi o que ocorreu, pretendendo aautoridade julgadora recorrida que o contribuinte responsável tributário suprisse afalhadaAdministração Tributária e comparecesse à repartição fiscal logo nos primeiros dias do recebimento dacópia do auto de infração para tomar inteiro conhecimento das acusações que lhe foram imputada. 10 Este fato caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que realmente viu-se prejudicado e sofreu restrições araelaborar suaimpugnação no prazo de 30 (trinta) dias. Processo n° 12963.00003312007-35 Acórdno n,o 1202-00.133 • Há que se considerar que nos presente autos não ocorreu nenhuma intimação pessoal e todas as ciências ao contribuinte ocorreram viaedital ou viapostal, mediante Aviso de Recebimento. A Delegacia daReceita Federal jurisdicionante do domicílio fiscal dapessoa juridica autuada, situa-se em Poços de Caldas - MO e o contribuinte responsável tributário tem seu domicílio fiscal em São João daBoaVista- SP. contribuinte deslocou-se até à repartição fiscal e em 12/04/2007, portanto, dentro do prazo para impugnação, e requereu cópia do processo, tendo a repartição fiscal fixado adatade entrega para 18/04/2007, fls. 703, ou seja, aqui já foram consumidos 6 (seis) dias do prazo de trinta dias para a impugnação, sendo que um procurador do contribuinte retirou acópia do processo em 20/04/2007, fls. 702, já às vésperas do termo do prazo para impugnação. Pretende o contribuinte que aintimação do auto de infração se completou e aperfeiçoou somente com o seu requerimento de cópiado processo, que lhe foi prometida pela repartição fiscal para o 18/04/2007, no sentido de contar o prazo de trinta dias apartir dessa data, circunstância em que aimpugnação apresentada em no seu entendimento, seriatempestiva. Aqui se conclui que aintimação do responsável solidário foi efetuada com irregularidade, e impor-se-ia a declaração de sua nulidade para que nova intimação fosse efetuada naboa e devida forma encaminhando-se ao responsável solidário todas as peças da autuação fiscal inclusive cópia do Termo de Verificação Fiscal, reabrindo-lhe o prazo de trinta dias para apresentar nova impugnação, do que resultaria adeclaração danulidade de todos os atos processuais praticados a partir do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", fls. 693, inclusive, o que incluiria também anulidade dadecisão recorrida, providência que, do ponto de vista, processual, sanearia os autos relativamente às questões do cerceamento do direito de defesa e da tempestividade da impugnação, reabrindo-lhe apossibilidade daapresentação de nova impugnação, provavelmente tempestiva, circunstância em que seria restabelecido o adequado rito processual administrativo esculpido no Decreto n° 70.235/72. Outra providência saneadora possível seria declarar a nulidade da decísão recorrida, para que nova decisão fosse prolatada enfrentando-se as razões de mérito da impugnação do contribuinte responsável solidário, considerando-se superado o cerceamento do direito de defesa nadata do fornecimento dacópia do processo ao contribuinte, data em que tomou conhecimento dos fatos que levaram aautuação dapessoa jurídica e de seu arrolamento como responsável solidário, descritos no TVF, circunstância em que também restaria superada aquestão da intempestividade da impugnação, contudo inclino-me pela primeira alternativa, tecnicamente mais consentânea com as normas processuais. Todavia, atento às disposições do art. 59, ~ 3° do Decreto n° 70.235/72, no sentido de que se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, aautoridade julgadora não apronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe afalta, deixo de declarar anulidade daintimação do auto de infração e dadecisão de primeira instância, visto que, empós compulsar os autos vislumbrei apossibilidade de decidir o mérito em favor do responsável solidário. Neste diapasão são dois os aspectos envolvidos relativamente ao mérito. Processo n' 12963.000033/2007-35 Acórdão n.' 1202-00.133 FI. 12 bancários. primeiro deles diz respeito à regularidade ou não do lançamento perpetrado contra apessoa jurídica e o segundo à própria responsabilização solidária imputada aJosé Ruy Gomes. Ocorre que as exigências tributárias e a responsabilização solidária das pessoas fisicas estão intimamente vinculadas. A exigência tributária contra apessoa juridica, em tese, até pode subsistir sem aresponsabilização solidária nahipótese de não se configurar asituação definida no art. 124 do CTN, mas aresponsabilização solidária não pode prosperar se não existir aexigência tributária ou se não comprovada aocorrência do fato gerador. Assim, mesmo que a pessoa jurídica autuada não tenha se defendido é indispensável analisar aregularidade dos lançamentos tributários contra elaperpetrados parase concluir pela pertinência ou não da responsabilização solidária das pessoas fisicas, no caso especifico o contribuinte José Ruy Gomes, tal como ocorria no passado, nas hipóteses de lançamentos de IRPJ apartados dos lançamentos reflexos contra aprópria pessoa juridica ou contra as pessoas fisicas dos sócios, nas situações em que apessoajurídica não se defendia nos • autos principais relativos ao IRPJ, ou sua impugnação ou recurso era intempestivo, porém sendo tempestivas as defesas nos processos decorrentes ou reflexos. O primeiro fundamento de mérito pelo qual os lançamentos tributários não podem vingar deve ao fato de que foram constituídos com absoluta afronta às disposições do art. 42 daLei n° 9.430/96, que autoriza apresunção legal de omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A base de cálculo do arbitramento foram os montantes mensais dos depósitos O fisco mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF, solicitou ao Banco Bradesco, Banco do Brasil e Banco Sudameris, cópias de extratos, aplicações financeiras, de cheques, contratos de financiamento e documentos de aberturas de contas correntes, tais como procurações, em nome da empresa Tanjuminas, referentes aos- anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, carrea~os aos autos, fls .. 124 a 149 e 278 a429, c~)Jn• base nos quais elaborou a planilha "DEPOSITOS BANCARIOS DE ORIGEM NAO COMPROVADA - OMISSÃO DE RECEITA:" inserida no Termo de Verificação Fiscal, fls. 629 a638. O art. 42 daLei n° 9.430/96 tem aseguinte dicção: e (Destaquei) Pois bem, no caso dos autos o fisco simplesmente elaborou aplanilha de fls. 629 a638, inserta no TVF, com os montantes mensais dos depósitos tidos com de origem não comprovada, extraídos dos indigitados extratos de contas correntes bancárias e, de pronto, os autuou como receita omitida sem nenhum questionamento à pessoajuridica sobre aorigem dos recursos depositados em suas contas correntes autuadas não tendo, assim, observado requisito minimo, indi "I'liOOçii"@J=mç,o Processo n' 12963.000033/2007-35 Acórdão n.' 1202-00.133 • Nem mesmo as pessoas fisicas arroladas nos "Termo de Sujeição Passiva Solidária", fls. 693, 695 e 697, como responsáveis solidários, foram intimadas acomprovarem a origem dos depósitos efetuados nas contas correntes da autuada, ou esclarecer se tinham conhecimento ou não daorigem dos referidos depósitos. que existe nos autos são intimações dirigidas àquelas pessoas fisicas no sentido de "comprovar. mediante documentação hábil e idônea (Notas Fiscais de Produtor Rural, Contrato de Mútuo e etc), a natureza dos recebimentos listados abaixo, os quais foram auferidos através de cheques emitidos pela empresa TANJUMINAS COMÉRCIO DE CEREAIS:", e segue-se a relação de alguns cheques, como se vê das intimações de fls. 151/152, 186/187, 247/248, 270/271, 470/471 e 564/565, como se o procedimento fiscal instaurado napessoajuridica fosse contraas referidas pessoas fisicas. Portanto, as exigências de IRPJ e contribuições SOCIaiSdiscutidas nestes autos são improcedentes . Quanto ao segundo aspecto inexiste nos autos qualquer prova que amparasse ainclusão de José Ruy Gomes como responsável solidário pelo crédito tributário exigido da Tanjuminas, visto que os motivos e1encados pelo fisco no TVF não são suficiente alegitimar ato de tal magnitude. O art. 124, inciso do CTN, dispositivo utilizado pelo fisco, estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum nasituação que constitua o fato gerador daobrigação principal. O fisco não provou nos autos qual o interesse comum que José Ruy Gomes teria nasituação que constitua o fato gerador dapessoajuridica autuada. Não há prova de que tivesse praticado algum ato de gestão naempresa autuada, ou que ativesse representado em qualquer negociação, ou que tivesse efetuado qualquer um dos depósitos naconta daautuada, dentre aqueles autuados como de origem não comprovada, ou que tivesse obtido algum favorecimento daautuada. A relação entre José Ruy Gomes e aautuada, que o fisco evidenciou no TVF, era a de mero fornecedor de milho. O fato de ter sido um dos principais beneficiários de pagamentos efetuados pelaautuada não é suficiente paralhe imputar responsabilidade solidária se não provado que auferiu algum beneficio indevido nas negociações que encetou com a autuada. No TVF, fls. 628 e 629, o fisco informa apenas que José Ruy Gomes erao maior beneficiário de cheques emitidos pela pessoa juridica o qual, uma vez intimado a justificar as operações com aautuada, infonnou que os cheques se referiam anegociação de milho, mas sem apresentar provas; junto à sua impugnação José Ruy Gomes apresentou alentado conjunto probante, fls. 724 a951, constituído de planilhas e de cópias de notas fiscais de entrada e saídade milho, depositado em seu nome, naempresaWJC Armazéns Gerais Ltda. que teria sido vendido à autuada. Entretanto estas provas não chegaram aser apreciadas pela autoridade julgadora em primeira instância, sob o fundamento daperempção daimpugnação. Se fosse para atribuir responsabilidade solidária por créditos tributários lançados contra pessoas jurídicas pelo simples fato de se constar que apessoa fisica era seu principal fornecedor ou um de seus principais clientes, então qualquer cidadão poderia ser, adrede, responsável solidário pelo credito tributário que viesse aser lançado contra qualquer jmidi," rom • mmtidi> rei.,''"' m Processo n' 12963.000033/2007-35 Acórdão n.' 1202-00.133 Concluindo, nestaparte, não restou comprovado nos autos o interesse comum que o contribuinte José Ruy Gomes pudesse ter tido em relação afatos geradores de tributos da empresa Tanjuminas devendo o mesmo ser excluído como responsável tributário solidário pelo crédito tributário lançado nestes autos. CONCLUSÃO Na esteira. destas considerações oriento o meu voto no sentido de não conhecer dos recursos interpostos pelas pessoas fisicas Acyr Marcos Briccoli Filho e Márcio Aparecido Tarifa daCosta, por peremptos, e dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte José Ruy Gomes para cancelar as exígências tributárias, bem como excluí-lo dacondição de responsável solidário. •
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Numero do processo: 14120.000001/2010-82
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade de Autos de Infração lavrados com observância dos pressupostos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO. LEI 9.784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIARIA. A Lei no 9.784/1999 não revogou as leis que disciplinam processos administrativos específicos, como o de determinação e exigência do crédito tributário, que segue regido pelo Decreto n° 70.235/1972, tendo a referida lei aplicação subsidiária. PRODUÇÃO DE PROVAS. FATO CONTROVERSO E RELEVANTE. CABIMENTO. A realização de diligência só deve ser deferida quando vise a apurar fato controverso e relevante para o julgamento do processo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Não há que se falar ema nulidade da decisão de 1 a. instancia que enfrenta todas as matérias objeto do litígio. VENDA DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. IMUNIDADE. NÃO RECONHECIMENTO. A imunidade prevista no art. 184, §5°, da Constituição Federal, é aplicável apenas aos casos de desapropriação, não alcançando a venda de imóveis rurais, mesmo que se destinem à reforma agrária. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado.
Numero da decisão: 1402-000.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade de Autos de Infração lavrados com observância dos pressupostos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO. LEI 9.784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIARIA. A Lei no 9.784/1999 não revogou as leis que disciplinam processos administrativos específicos, como o de determinação e exigência do crédito tributário, que segue regido pelo Decreto n° 70.235/1972, tendo a referida lei aplicação subsidiária. PRODUÇÃO DE PROVAS. FATO CONTROVERSO E RELEVANTE. CABIMENTO. A realização de diligência só deve ser deferida quando vise a apurar fato controverso e relevante para o julgamento do processo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Não há que se falar ema nulidade da decisão de 1a. instancia que enfrenta todas as matérias objeto do litígio. VENDA DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. IMUNIDADE. NÃO RECONHECIMENTO. A imunidade prevista no art. 184, §5°, da Constituição Federal, é aplicável apenas aos casos de desapropriação, não alcançando a venda de imóveis rurais, mesmo que se destinem à reforma agrária. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado. Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório FAZENDA ELDORADO S. A. recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, constatando exclusão indevida do lucro liquido do exercício na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, formalizou a exigência de crédito no montante de R$ 90.124.917,24, compreendendo tributo, multa e juros, tendo por fundamento normativo o art. 250, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda RIR, e demais dispositivos mencionados nos autos de infração de fls. 1.031 a 1.038. Entendeu a Fiscalização que o valor excluído na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL corresponde a venda de imóveis ao INCRA, operação essa sujeita A incidência de ambos os tributos, porquanto a isenção prevista no art. 423 do RIR restringese apenas As operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. Não resignada, a contribuinte apresentou impugnação, arguindo em preliminar a nulidade do lançamento, motivada pela inobservância dos termos do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF que lhe deu origem, especialmente quanto ao período, tributos passíveis de serem fiscalizados e local de fiscalização. 0 auto de infração também deve ser cancelado, afirma a impugnante, em razão da perda de eficácia do termo de inicio de procedimento fiscal, já que não foi prorrogado, por escrito, dentro do prazo de sessenta dias de sua emissão. Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 3 Por outro lado, a impugnante não teria sido intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase de instrução, como determina o art. 44 da Lei n° 9.784/1999. Afirmou a contribuinte que o lançamento carece de fundamentação jurídica e de motivos de direito. Os autos de infração deveriam indicar os dispositivos que estabelecem a sujeição passiva e os relativos A base de cálculo e aliquota, j á que os dispositivos mencionados não demonstram os elementos que formam a regra matriz de incidência. Referida omissão impediria a exata compreensão do lançamento. Estaria ausente também a demonstração das razões jurídicas necessárias para à realização do ato administrativo. Tudo isso teria acarretado cerceamento de defesa. O exercício do direito A ampla defesa também foi cerceado pela falta de apresentação de cópia integral dos autos de infração e de seus anexos. Além disso, o próprio levantamento fiscal seria precário. A Fiscalização teria deixado de apurar o suposto ganho de capital auferido, considerando como tal a totalidade do preço. Ignorou também o fato de que parte do pagamento se fez mediante emissão de títulos da divida agrária, resgatáveis em períodos subsequentes. A par desses fatos, a invalidade do lançamento viria também da ilegitimidade passiva da impugnante, que só realizou a venda dos imóveis ao INCRA confiando em que não estaria obrigada ao IRPJ e A CSLL, como prescreve o art. 10, §3°, do Decreto n° 433/1992. Assim, concluiu a impugnante que não existe nexo de causalidade entre a pessoa do infrator e o ato tido como infração (sic). A responsabilidade, portanto, seria do INCRA e da própria Unido, que deveriam ter ofertado A impugnante um valor para a compra dos imóveis, expondo os encargos de IRPJ e CSLL, e não deveriam ter assinalado na nota de empenho tratarse de operação de desapropriação. Dispõe o art. 137 do Código Tributário Nacional — CTN que a responsabilidade por infrações é pessoal. Nesse caso, ela deve recair sobre o agente que a cometeu. Assim, devem ser responsabilizados o INCRA e a União, que induziram a impugnante a vender os imóveis sem qualquer encargo ou tributação. A impugnante, que agiu todo tempo de boafé, não pode ser responsabilizada. Os autos de infração são nulos por faltar intimação à União e ao INCRA para se manifestarem como responsáveis tributários, já que ambos têm interesse comum na situação que consistiu fato gerador da obrigação tributária. No mérito, alegou que as regras de imunidade, diferentemente das que concedem isenção, devem ser interpretadas teleologicatnente, buscando a intenção do constituinte, de modo a assegurar As normas constitucionais a máxima efetividade. Assim deve ser feito com o disposto no art 184, §5°, da Constituição Federal, que prevê imunidade para as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. Teria sido da mesma forma desrespeitada a imunidade consagrada no art. 150, inciso VI, letra "a", da Constituição Federal, já que o INCRA, ao adquirir os imóveis, agiu representando a Unido, cujo patrimônio acaba sendo afetado pela tributação. E que a incidência de IRPJ e de CSLL repercute no preço, que, sendo pago pelo adquirente, se reflete ao final sobre o patrimônio. Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 4 Além da imunidade, ampara a impugnante a isenção prevista no art. 10, §3°, do Decreto n° 433, que limita o ônus tributário a taxas, custas, impostos e demais emolumentos inerentes a escritura. A Fiscalização teria deixado de considerar que os imóveis foram adquiridos em 1960 e, com o fator de redução, o ganho de capital seria reduzido em 100%, tal como previsto no art. 18, da Lei n° 7.713/1988. Houve erro também na apuração do ganho de capital. Primeiro porque ele foi confundido com a expressão do valor total da alienação; depois, porque se ignorou que a impugnante recebeu o pagamento em TDA, para resgate a prazo, deixando a Fiscalização de aplicar o disposto no art. 21, da aludida Lei n° 7.713. Ao final, requereu a realização de perícia, a fim de sanar dúvidas sobre a veracidade das informações prestadas pela impugnante, desde logo formulando quesitos e indicando o perito. Com esses fundamentos, pugnou pelo cancelamento dos autos de infração. A decisão recorrida está assim ementada: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na prorrogação do mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. PRODUÇÃO DE PROVAS. FATO CONTROVERSO E RELEVANTE. CABIMENTO. A realização de diligência só deve ser deferida quando vise a apurar fato controverso e relevante para o julgamento do processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO. LEI 9.784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIARIA. A Lei no 9.784/1999 não revogou as leis que disciplinam processos administrativos específicos, como o de determinação e exigência do crédito tributário, que segue regido pelo Decreto n° 70.235/1972, tendo a referida lei aplicação subsidiária. VENDA DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. IMUNIDADE. NÃO RECONHECIMENTO. A imunidade prevista no art. 184, §5°, da Constituição Federal, é aplicável apenas aos casos de desapropriação, não alcançando a venda de imóveis rurais, mesmo que se destinem à reforma agrária. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão em 8/11/2010 (fl. 3038), a contribuinte apresentou em 24/11/2010 o recurso voluntário, fls. 3039 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, argüiu sua nulidade, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final requer (verbis): 117. Por tudo o que foi exposto, requer a Recorrente o provimento do presente Recurso Voluntário para ser cancelado o Acórdão recorrido em razão de não ter deferido o pedido de perícia e diligência e apreciado diversas e importantes Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 5 razões de defesa conforme defendido no tópico 11.1.1. com o retorno dos autos para primeira instância para novo julgamento. 118. Requer, sucessivamente, caso não existe este cancelamento, que seja reformado o Acórdão recorrido com o cancelamento total do lançamento realizado do IRPJ e da CSLL. 119. Reitera, também, a realização da perícia e diligência na forma pleiteada no tópico Ill, no qual estão satisfeitos os pressupostos exigidos pelo artigo 16, inciso IV c/c §1° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. É o relatório. Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Passo a apreciar as alegações recursais. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE DA AÇÃO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO De inicio, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração por vicio no Mandado de Procedimento Fiscal, em face do entendimento majoritário neste Conselho de que o MPF se constitui em instrumento de controle administrativo. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade dos presentes Autos de Infração, conforme demonstrase a seguir. Para análise da questão colocada impõese destacar, primeiramente, o conteúdo do artigo 142 do Código Tributário Nacional e de seu parágrafo único: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Do conceito legal expresso no citado artigo, depreendese que o lançamento é indelegável e privativo da autoridade administrativa devidamente investida nessa competência. A Lei nº 2.354/54, artigo 7º, e o Decreto 2.225/85, expressamente estabelecem a competência exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal para execução do lançamento tributário. Por outro lado, do parágrafo único do artigo 142 do CTN extraise que o lançamento deve ser presidido pelo princípio da legalidade, além de constituirse num dever indeclinável, uma vez constatada a ocorrência de fato gerador da obrigação principal ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória. Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 7 No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (artigo 59, inciso I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (artigo 59, inciso II). A lavratura de Auto de Infração em desacordo com o MPF não configura a hipótese de nulidade do lançamento prevista no inciso I do artigo 59 do Decreto nº 70235/72, uma vez que a competência para a execução dessa atividade, deferida de forma exclusiva ao Auditor Fiscal da Receita Federal só pode ser retirada por norma veiculada em legislação complementar ou ordinária . O Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pela Portaria SRF nº 1.265/99, com o objetivo de regular a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), sendo instrumento de controle administrativo. Já as normas que se referem aos procedimentos de fiscalização visam o disciplinamento de sua execução e, ao tempo em que constituem instrumento para a Administração Tributária, preservam direitos do cidadão perante o Estado. Assim, o MPF não tem o condão de restringir a competência do AFRF designado, para fins de constituição do crédito tributário. A natureza indisponível deste sobrepõese, indubitavelmente, àquela norma de caráter meramente administrativo. A limitação da atividade de fiscalização do AFRF trazida pela norma administrativa, portanto, não desonera o agente fiscal da atividade obrigatória e vinculada do lançamento, sob pena, inclusive, de cometimento de ato de improbidade administrativa, capitulada nos artigos 10, inciso X, e 11, inciso II, da Lei nº 8.429 de 02/06/92, in verbis: “Art. 10 Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no artigo 1o. dessa Lei, notadamente: (...) X Agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda” “Art. 11 Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições e, notadamente: (...) II retardar ou deixar de praticar indevidamente, ato de ofício”. Portanto, não procedem as alegações de nulidade dos Autos de Infração por vícios dos Mandados de Procedimento Fiscal, entendimento esse corroborado por reiteradas decisões do Conselho de Contribuintes, conforme demonstram os julgados abaixo exemplificativamente transcritos: Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 8 “PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.“ (1º Conselho de Contribuintes – 6ª Câmara / Acórdão nº 10612.941 em 16.10.2002 – DOU 02.12.2002) “MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS.INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF ) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância na instauração ou na amplitude do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou.” (1º Conselho de Contribuintes – 7ª Câmara / Acórdão nº 10706797 em 18.09.2002 – DOU 10.12.2002) Quanto as demais preliminares de nulidade do auto de infração e do procedimento fiscal, nada cabe acrescentar as fundamentos da decisão recorrida, a seguir transcritos: Ausência de intimação ao final da fiscalização e antes do lançamento A impugnante alega como motivo de nulidade do lançamento a ausência de intimação, na forma do art. 44, da Lei n° 9.784, que assim dispõe: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. 0 dispositivo, embora determine a intimação ao interessado para que se manifeste após a instrução, não se aplica aos procedimentos inerentes à fiscalização tributos, que permanecem disciplinados por legislação especifica. A Lei n° 9.784, conquanto regule o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, não derrogou as leis especificas, de sorte que o processo de determinação e exigência do crédito tributário segue sob a disciplina do Decreto n° 70.235, aplicandose as disposições daquela lei apenas em caráter subsidiário, como dispõe seu art. 69: Art. 69. Os processos administrativos especificos continuarão a reger se por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Afastase, também aqui, a preliminar de nulidade. Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 9 Falta de apresentação de cópia do auto de infração e anexos Arguiuse o cerceamento do direito de defesa, já que não teriam sido apresentados os autos de infração e os anexos. A alegação não pode ser acolhida. O Aviso de Recebimento de fl. 1.050 demonstra que os auto de infração foi efetivamente entregue á. impugnante. Já a alegação de que não foram entregues os anexos ao auto de infração é completamente desprovida de fundamento, uma vez que o auto de infração não possui nenhum demonstrativo ou relatório anexo. Portanto, nada mais havia de ser entregue além do próprio auto de infração. Notese que a Fiscalização não está obrigada a reproduzir todos os elementos de prova constantes dos autos e remetêlos ao contribuinte. Os documentos devem estar reunidos nos autos do processo, os quais, por sua vez, permanecem à disposição do interessado para vista e para a extração de cópias, na forma do inciso II, do art. 3°, da Lei n° 9.784: Art. 3o. 0 administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: II ter ciência da tramitação dos processos administrativos ern que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; Observese que não há nenhum indicio de que a impugnante tentou ter vista dos autos ou obter cópia de documentos, sem que fosse atendida pela autoridade a quo. Inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito Sustenta a impugnante que não há descrição adequada dos motivos de direito que deram ensejo à lavratura do auto de infração, e que os dispositivos legais citados não demonstram os elementos constitutivos da regramatriz do tributo. 0 fato considerado como infração, motivador do lançamento contra o qual a impugnante se insurge, foi a exclusão indevida do valor de R$ 120.470.904,83 do lucro liquido do exercício, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse fato está claramente descrito nos dois autos de infração, permitindo sem qualquer dificuldade a compreensão dos motivos do ato administrativo. Quanto ao enquadramento, também há referência clara aos dispositivos legais e regulamentares pertinentes ao imposto e A contribuição, bastando para comproválo o exame dos autos de infração, em especial o exame das fls. 1.036 e 1.044. Convém ressaltar, a propósito do enquadramento legal, que uma eventual imprecisão, ou mesmo uma omissão nesse ponto, não implicará necessariamente a nulidade do ato administrativo, se a descrição fática tiver Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 10 sido feita com correção e com clareza, possibilitando, a despeito da irregularidade, o exercício do direito de defesa. Nessa hipótese, não terá havido prejuízo para o contribuinte, o que afasta o risco de nulidade. No caso em exame, não houve nenhum prejuízo para a impugnante, que pode exercer plenamente seu direito de defesa, o que se evidencia pela extensa impugnação, vertida em mais de trinta laudas. Digase, por último, que nenhum lançamento, seja qual for o tributo, pode ter a sua validade condicionada A. demonstração esquemática da chamada regramatriz de incidência, que nunca foi um conceito legal, mas sim uma construção doutrinária, que se presta ao estudo e compreensão do direito. Relevante registrar que os procedimentos adotados na ação fiscal e lavratura do auto de infração em nada implicaram em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, muito menos desatendimento a normas processuais ou administrativas, logo, quaisquer outras falhas porventura existentes devem implicar na improcedência do lançamento e não nulidade. Rejeito, pois, as preliminares. DO PEDIDO DE PERICIA Quanto ao pedido de realização de perícia, os fundamentos da decisão recorrida, a seguir transcritos também não merecem reparos: “A impugnante requereu a realização de perícia a fim de confirmar a veracidade das informações por ela prestadas, formulando desde logo os quesitos e indicando, na forma do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, os respectivos quesitos. Dispõe o art. 18 do referido decreto que "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligencias ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". No mesmo sentido aponta o §20 do art. 38 da Lei n° 9.784/1999, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, quando reza que "somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias". Os dispositivos citados, alinhados aos princípios da economia e da celeridade, exigem para o deferimento da prova pericial ou da diligencia que ela preencha simultaneamente aos requisitos pertinência, necessidade e possibilidade. No caso em exame, entretanto, está ausente o requisito necessidade. Embora a impugnante afirme que a perícia se destina a comprovar as informações prestadas, os quesitos revelam que o verdadeiro escopo da perícia é apontar os valores atribuidos aos imóveis, para fins de apuração do ganho de Fl. 3723DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 11 capital. Este não é o ponto em torno do qual gira a solução do problema. E, mesmo que o dado fosse imprescindível, ele poderia ser obtido pelo mero exame dos documentos acostados aos autos, para o qual não se requer conhecimento técnico a exigir a intervenção de perito. Evidenciase, pois, que a intenção da contribuinte é utilizar a pericia para ganhar tempo e produzir as provas que deveria ter trazido aos autos com a impugnação ou recurso voluntário, pelo que deve mesmo ser indeferida. DA NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTANCIA. A recorrente aduz que a decisão de 1a. instancia deixou de apreciar as seguintes matérias argüidas em sua defesa inicial: i) Não analisou os efeitos do artigo 196 do CTN tendentes a cancelar o lançamento fiscal por não ter sido respeito o prazo máximo do Termo de Inicio da Ação Fiscal (Tópico II.1.2); ii) Não analisou os argumentos relacionados a nulidade dos Autos de Infração por ter sido realizado um Levantamento Fiscal Precário sem análise e apuração de importantíssimas questões de fato e de direito necessárias para a realização do lançamento tributário (Tópico II.1.5); iii) Não analisou os argumentos relacionados ao cerceamento do direito de defesa da Recorrente como algo importantíssimo por ocasionar nulidade dos lançamentos tributários realizados (Tópico II.1.6); iv) Não analisou os argumentos relacionados a ilegitimidade da Recorrente por aplicação dos artigos 136,e 137 do CTN e artigo 10, Parágrafo 3° do Decreto n° 433/1992, bem como a responsabilidade do INCRA e da União Federal no crédito tributário se ele for realmente devido(Tópico II.1.8).; e v) Não analisou os argumentos relacionados a necessidade do INCRA e da União Federal terem sido intimados dos lançamentos tributários realizados (Tópico II.1.11). Compulsandose os autos verificase que a decisão de 1a. instancia enfrentou objetivamente todas as alegações do contribuinte, em especial o argumento de que a responsabilidade tributária seria do adquirente, INCRA, em face do disposto no art. 137 CTN e artigo 10, Parágrafo 3° do Decreto n° 433/1992, senão vejamos: “ Ausência de imunidade e de isenção Diferentemente do que sustenta a impugnante, a operação de venda de imóveis rurais ao INCRA, ainda que destinados à reforma agrária, não se faz ao abrigo de imunidade, nem de isenção. Não se aplica, ao caso, a imunidade prevista no §5º do art. 184 da Constituição Federal. O dispositivo se refere às operações de transferência de imóveis Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 12 desapropriados para fins de reforma agrária. A imunidade tem por pressuposto a desapropriação, que não se confunde com o negócio jurídico de compra e venda, o qual depende de manifestação de vontade do proprietário, que pode, se o preço ou as condições não lhe agradarem, recusar o negócio. A liberdade que está presente na venda e não existe na desapropriação justifica o tratamento tributário distinto. A interpretação teleológica, defendida pela impugnante, não pode produzir um resultado que o constituinte não pretendeu, pois se fosse sua intenção equiparar, para fins de imunidade tributária, a desapropriação e a compra de imóveis rurais, para fins de reforma agrária, ele o teria feito de forma expressa, sobretudo considerando que os imóveis produtivos não são passíveis de desapropriação (art. 185, II, CF). A redação do dispositivo constitucional, portanto, não foi obra do acaso, nem descuido do legislador, foi uma escolha que o aplicador da lei deve respeitar. É igualmente inaplicável a chamada imunidade recíproca. A afirmação de que o IRPJ e a CSLL repercutem no preço do bem vendido é, em si, discutível. Entretanto, mesmo que, no plano econômico, esse efeito se verificasse, isso não justificaria elastecer a imunidade recíproca para alcançar os bens adquiridos pela União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas autarquias. Se fosse assim, não poderia incidir ICMS sobre os produtos adquiridos pela União ou ISS pelos serviços a ela prestados. Quanto à suposta isenção concedida pelo art. 10, §3º do Decreto nº 433, tratase de um equívoco de interpretação. Este é o conteúdo do dispositivo: §3° Deverá constar na escritura que o vendedor se responsabiliza, integralmente, pelas obrigações trabalhistas, resultantes de eventuais vínculos empregatícios, mantidos com os que trabalhem ou tenham trabalhado no imóvel sob aquisição e por quaisquer outras reclamações de terceiros, inclusive por aquelas relativas a indenizações por benfeitorias, bem como pelo pagamento das taxas, custas, impostos e demais emolumentos inerentes à lavratura. A referência à responsabilidade do vendedor pelo pagamento das taxas, custas, impostos e demais emolumentos inerentes à escritura não autoriza a conclusão de que o dispositivo esteja a excluir a incidência de todos os demais tributos, a conceder isenção ou qualquer benefício fiscal. A Constituição Federal, no §6º do art. 150, estabelece que todo benefício fiscal deva ser concedido por lei específica. Já o CTN, no art. 176, diz que a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Tanto à luz da Constituição Federal, quanto à luz do CTN, nenhuma isenção pode ser concedida por decreto. Portanto, mesmo que o Decreto nº 433 concedesse isenção, o que à toda evidência não ocorre, o referido benefício seria inexistente, em razão da inidoneidade do instrumento utilizado. Ilegitimidade passiva e boafé A impugnante alega não ser parte legítima para figurar no polo passivo, no qual deveriam estar a União e o INCRA. Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 13 Ninguém pode figurar, a um só tempo, nos polos ativo e passivo de uma relação obrigacional. Não se pode ser credor e devedor da mesma prestação. Quando isso ocorre, a obrigação se extingue. Isso se aplica à União, que não pode ser devedora de IRPJ e de CSLL, uma vez que são tributos cuja competência lhe pertence. Portanto, pretender que a União e o INCRA integrem o polo passivo tangencia o absurdo. No mais, ambos os tributos incidem sobre o lucro, que não foi auferido nem pela União, nem pelo INCRA, mas pela impugnante. No que tange à alegada boafé, ela não torna improcedente o lançamento, nem descaracteriza a infração, porquanto, nos termos do art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações, em princípio, independe da intenção do agente, vale dizer, da existência de dolo. A impugnante afirmou ainda ter sido induzida pelo INCRA e pela UNIÃO a realizar a venda, omitindo a incidência do IRPJ e da CSLL. Esse fato, mesmo que seja verdadeiro (não há prova nesse sentido), não produz nenhum efeito no plano tributário, restando à impugnante buscar em juízo, com fulcro no §6º do art. 37 da Constituição Federal, a reparação de um possível dano material. (...) Grifei. Portanto, todas as preliminares devem mesmo serem rejeitadas. MÉRITO No mérito está patente que não cabe razão ao recorrente. A questão em litígio é óbvia: a empresa alienou terra nua ao INCRA, e deveria ter tributado integralmente o resultado da venda. Todavia efetuou a exclusão indevida da importância de R$ 120.470.904,83 do lucro líquido do exercício, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A decisão recorrida foi precisa ao esclarecer que “A apuração exata do ganho de capital, portanto, só seria importante na hipótese de se admitir a imunidade ou a isenção. Porque, nesse caso, teria o lançamento de ser mantido na parte que correspondesse à diferença entre a receita de venda e o ganho de capital, ou seja, ainda assim subsistiria uma parte do crédito tributário. Daí se conclui que a alegação de que o levantamento foi precário, não apurando o ganho de capital, não concedendo reduções, nem diferindo a tributação de parte do preço, é impertinente, já que o problema concretamente gira em torno da exclusão de R$ 120.470.904,83”. Logo, resta apenas verificar se alguma parcela desse valor deve ser excluída da tributação tal qual alega do contribuinte. Em primeiro lugar reiterese que a operação de venda de imóveis rurais ao INCRA, ainda que destinados à reforma agrária, não se faz ao abrigo de imunidade, nem de isenção. Repitase que não se aplica, ao caso, a imunidade prevista no §5º do art. 184 da Constituição Federal. “O dispositivo se refere às operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. A imunidade tem por pressuposto a Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 14 desapropriação, que não se confunde com o negócio jurídico de compra e venda, o qual depende de manifestação de vontade do proprietário, que pode, se o preço ou as condições não lhe agradarem, recusar o negócio. A liberdade que está presente na venda e não existe na desapropriação justifica o tratamento tributário distinto.” Caso a Constituição Federal tivesse a intenção de equiparar, para fins de imunidade tributária, a desapropriação e a compra de imóveis rurais, para fins de reforma agrária, teria feito de forma expressa, especialmente considerando que os imóveis produtivos não são passíveis de desapropriação (art. 185, II, CF). A Constituição Federal, no §6º do art. 150, estabelece que todo benefício fiscal deva ser concedido por lei específica. Já o CTN, no art. 176, diz que a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Enfim, não há mesmo lei vigente que estabeleça isenção de tributos sobre o ganho de capital na venda de imóvel rural (terra nua) por contribuinte pessoa jurídica. A recorrente repisa a alegação no sentido de que não foram observadas as normas contidas na Lei nº 7.713/1988, que estabelecem redução do ganho de capital segundo a data de aquisição do imóvel; nem o diferimento da tributação, considerando que parte do preço foi pago mediante a entrega de TDA. Tal questão foi adequadamente enfrentada na decisão recorrida: os dispositivos da Lei nº 7.713, em especial os arts. 18 e 21, regulam o Imposto de Renda das pessoas físicas, sendo, por essa razão, inaplicável ao lucro das empresas. O próprio Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/1999 trata essa isenção (redução do ganho tributável) no art. 139, que dispõe: Art. 139. Na alienação de imóvel adquirido até 31 de dezembro de 1988, poderá ser aplicado um percentual fixo de redução sobre o ganho de capital apurado, segundo o ano de aquisição ou incorporação do bem, de acordo com a seguinte tabela (Lei nº 7.713, de 1988, art. 18) Observase que esse dispositivo encontrase no Livro 1, Tributação das Pessoas Físicas. Inexistindo qualquer norma semelhante nos dispositivos que regem a tributação das pessoas jurídicas. A Lei 7.713 de 1988, matriz legal dessa isenção, tratou exclusivamente da tributação das pessoas físicas. Espancando quaisquer dúvidas quanto a aplicação desse benefício apenas às pessoas físicas vejamos a redação original da norma instituidora do mesmo. DECRETOLEI Nº 1.641, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1978. Altera a legislação do Imposto de Renda das pessoas físicas Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 15 Art 1º Constitui rendimento tributável o lucro apurado por pessoa física em decorrência de alienação de imóveis, no que exceder a Cr$4.000.000,00 (quatro milhões de cruzeiros) no anobase. Art. 1º Constitui rendimento tributável o lucro apurado por pessoa física em decorrência de alienação de imóveis efetuada no anobase. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.950, de 1982) (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 1º No caso de pessoa física equiparada à empresa individual, nos termos dos DecretosLeis nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, alterado pelo de nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, o disposto neste artigo somente será aplicável aos imóveis não alcançados pela equiparação e àqueles não computados na apuração do lucro da empresa. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 2º Para os efeitos do disposto neste artigo consideramse: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) I Imóveis os bens definidos no artigo 43 do Código Civil; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) II Alienação as operações que importem na transmissão ou promessa de transmissão, a qualquer título, de imóveis ou na cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por: compra e venda, permuta, adjudicação, dação em pagamento, doação, desapropriação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos à aquisição de imóveis e contratos afins em que haja transmissão de imóveis ou cessão de direitos à sua aquisição. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) III Data de aquisição ou de alienação aquela em que foi celebrado o contrato inicial da operação imobiliária correspondente, ainda que através de instrumento particular. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 3º Quando se tratar de alienação de imóvel edificado em terreno próprio, será considerada, para efeito do disposto no item III do parágrafo anterior, a data de aquisição do terreno. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 4º A data de aquisição ou de alienação constante de instrumento particular só será aceita pela autoridade fiscal, se favorável aos interesses da pessoa física, quando atendida pelo menos uma das seguintes condições: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o instrumento tiver sido registrado no Registro Imobiliário ou no Registro de Títulos e Documentos, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data dele constante; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) b) houver conformidade com cheque nominativo pago ou nota promissória registrada, dentro do prazo de 30 dias contados da data do instrumento; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) c) houver conformidade com lançamentos contábeis da pessoa jurídica, atendidos os preceitos da legislação em vigor; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) d) houver menção expressa da operação nas declarações de bens da parte interessada, apresentadas tempestivamente à repartição competente, juntamente com as declarações de rendimentos. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Fl. 3728DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 16 § 5º O disposto neste artigo não se aplica às doações em adiantamento da legítima e às efetuadas às entidades enumeradas nos artigos 110 e 113 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 02 de setembro de 1975. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 2º O rendimento de que trata o artigo anterior será tributado na declaração de rendimentos, através de uma das formas seguintes, à opção do contribuinte: (Vide Decretolei nº 1.814, de 1983) (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) I inclusao na cédula H; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) II mediante aplicação da alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), sobre os lucros apurados, sem direito a abatimentos e reduções por incentivos fiscais. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 1º Considerase lucro a diferença entre o valor de alienação e o custo corrigido monetariamente, segundo a variação nominal das Obrigações Reajustáveis do tesouro Nacional. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 2º Considerase valor da alienação: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) b) o valor efetivo da contraprestação nos demais casos de alienação; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) c) o valor de mercado nas operações a título gratuito. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) 3º Integram o Custo: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o preço de aquisição; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) b) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos competentes; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) c) os juros pagos por empréstimos contraídos para financiamento das operações mencionadas nos itens anteriores quando não computados na declaração de rendimentos como abatimento ou dedução cedular.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) d) outros gastos que vierem a ser relacionados pelo Ministro da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) 4º Na apuração do montante tributável, o rendimento será reduzido pela aplicação do percentual de 10% (dez por cento) por ano completo transcorrido entre a data de aquisição e a de alienação do imóvel. § 4º Na apuração do montante tributável, o rendimento será reduzido pela aplicação do percentual de 5% (cinco por cento) por ano completo transcorrido entre a data da aquisição e a da alienação do imóvel.(Redação dada pelo Decreto lei nº 1.790, de 1980) (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Fl. 3729DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 17 Art 3º O imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição dos imóveis que deram origem à tributação prevista no artigo 1º, constitui crédito a ser deduzido do imposto de renda. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Parágrafo único O crédito de que trata este artigo não poderá exceder a diferença entre o imposto líquido devido sem a inclusão do rendimento e o imposto líquido devido com a inclusão do mesmo rendimento.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 4º O Ministro da Fazenda poderá baixar normas complementares necessárias à aplicação do disposto nos artigos anteriores. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) (...) Constatase que no art. 1o. do Decretolei 1641/1978 está expressa sua aplicação apenas às pessoas físicas. Em verdade o benefício foi revogado pela Lei 7.713/1998, mas, por se tratar de uma isenção a titulo oneroso, a lei preservou o direito adquirido, daí a tabela estabelecendo o percentual a ser observado a cada ano de aquisição. Quanto as demais matérias de mérito, adoto os fundamentos da decisão de 1a. instância que, a meu ver, está irretocável. Logo, também no mérito não cabe razão ao recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O
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