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Numero do processo: 10580.011708/2003-17
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 28/02/1999, 30/06/1999
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO.
Comprovada a insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, cumpre à autoridade fiscal efetuar o lançamento do valor devido, por meio de auto de infração.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, por expressa previsão legal.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento, será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento, por expressa previsão legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.736
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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LANÇAMENTO, Comprovada a insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, cumpre à autoridade fiscal efetuar o lançamento do valor devido, por meio de auto de infração. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, por expressa previsão legal, MULTA DE OFÍCIO, EXIGIBILIDADE, Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento, será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento, por expressa previsão legal, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, EDITADO EM: 07/10/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata-se de Auto de Infração (fls, 06/18) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS relativa aos períodos de fevereiro, junho a agosto, novembro e dezembro de 1999; .fevereiro a agosto de 2000; junho, agosto, outubro e novembro de 2001; janeiro, abril a agosto, novembro e dezembro de 2002.. O enquadramento legal do lançamento inclui: art 77, inciso III do Decreto-lei na 5,844, de 23 de setembro de 1943; art.. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, arts. 1° e 3 0, alínea "b", da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970, art.. I', parágrafo único da lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973; Título 5, capitulo I, seção I, alínea "b", itens 1 e lido Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria ME n.° 142, de 15 de julho de 1982; arts. 2 0, inciso I, 8 0, inciso I, e 9' da Lei n°9715, de 25 de novembro de 1998; arts, 20 e 30 da Lei n°9,718, de 27 de novembro de 1998; art. 2 0, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3 0, 10,22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002. O autuante informa â folha 08 ter constatado divergências entre os valores declarados e escriturados a titulo de PIS, conforme "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" (Os 10/13). As bases de cálculo utilizadas no lançamento foram informadas pela contribuinte às folhas 19/22 A contribuinte foi cientificada da exigência fiscal em 20/11/2003 (fl. 07), e, inexistindo impugnação ao lançamento, foi lavrado o termo de revelia de folha 26 e emitida a carta cobrança de folhas 27/28, cuja ciência ocorreu em 20/01/2004, conforme Aviso de Recebimento — AR à folha 29 Contudo, a contribuinte apresentara em 19/12/2003 a impugnação de folhas 31/41 junto à DRE/Recife, objeto do processo administrativo n° 19647,005966/2001, 17, que foi juntado ao presente processo (17 30), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Em face de segurança parcial que lhe foi concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.33,00,001911-8, foi determinado que a contribuição para o PIS continuasse a ser recolhida sobre a base de cálculo vigente anteriormente à Lei n° 9,718, de 1998, tendo sido a sentença ('fU, 110/114) confirmada Processo tf 10580 011708/2003-17 S3-C1T2 Acórdão n " 3102-00.736 Fl 2 pelo Tribunal Regional Federal da I' Região (AMS n° 2000,01.00.028937-3/BA, às . folhas 115/125); • Contudo, em .face do disposto no art. 21 da Medida Provisória n'66, de 2002, que permitiu aos contribuintes o pagamento dos débitos com aplicação da T3LP e redução da multa em 50%, desde que houvesse desistência da ação judicial com renúncia do direito, a contribuinte optou pelo referido beneficio, conforme petição de desistência (fls. 126/128) com a conversão em renda da União do depósito efetuado (planilha às folhas 76/77), fatos que a despeito de informados à SRF, e em particular à fiscalização, não foram considerados no Auto de Infração; • Assim, tendo em vista que a autuada cumpriu todos os requisitos exigidos na referida MP, e uma vez que o débito foi pago, deve ser declarada a nulidade do Auto de Infração ou pelo menos a improcedência dos valores cobrados; • A contribuição relativa aos anos de 2001 e 2002 também foi paga com o beneficio da MP n° 66, de 2002, mas o autuante apenas se baseou nas informações constantes nas DCTF daqueles períodos, nas quais havia erros nos valores suspensos da contribuição, conforme .fato gerador ocorrido em junho de 2001, citado pela impugnante como exemplo de suas alegações, mas cujo equivoco da .fiscalização também ocorreu nos meses de novembro de 2001, janeiro, abril, .junho, agosto e setembro de 2002; • Igualmente, o autuante não considerou os recolhimentos efetuados a maior nos meses de março a maio, setembro e outubro de 1999, .janeiro e setembro a dezembro de 2000, janeiro a dezembro de 2001 e março e outubro de 2002, cuja compensação deve ser reconhecida nos termos do art. 66 da Lei n°8383, de 1991, e da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, pois prescinde de autorização do Fisco por tratar-se de tributo da mesma espécie; • A inulta de oficio no percentual de 75% e confiscatória, e descabida a aplicação da taxa SEL1C no cálculo dos juros de mora; • Ao final, protesta e requer todos os meios de prova permitidas em direito, inclusive juntada posterior de provas, perícia e diligência, formulando ainda quesitos que entende necessários ao deslinde do presente litígio. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente, ASSUNTO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador.: 28/02/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, .30/11/1999, 31/12/1999, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, .31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/06/201, 31/08/2001, 30/11/2001, 31/01/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/11/2002, 31/12/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO Tendo em vista que não restou caracterizada a insuficiência no recolhimento da contribuição para o PIS, é de se afastar a parcela da contribuição lançada de oficio e recolhida anteriormente à autuação. COMPENSAÇÃO. PROVAS A compensação é opção do contribuinte, e o .fato deste ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de oficio relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercido a compensação antes do inicio do procedimento administrativo. MULTA DE OFICIO CONFISCO, A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades INCONSTITUCIONAL1DADE A Secretaria da Receita Federal, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionandade de norma legal.. JUROS DE MORA, TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Assevera que o acórdão proferido pela DRJ/Salvador manteve a cobrança do PIS dos meses de fevereiro, junho, julho, agosto, novembro e dezembro do ano-calendário de 1999, sem considerar o pagamento do PIS com os beneficias da Medida Provisória 66/2002, bem como despreza os recolhimentos a maior efetuados pela empresa nos meses de março a maio, setembro e outubro de 1999, que podiam ser compensados nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/90, Reitera entendimento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório. Protesta contra exigência de juros de mora com base na taxa SELIC É o Relatório. Processo n° 10580011708/2003-17 S3-C1T2 Acórdão n '3102-00,736 El 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário, Conforme se depreende dos autos, a empresa autuada recolhia, ao amparo de mandado de segurança concedido pelo Poder Judiciário, as contribuições para o PIS e COFINS sobre a base de cálculo vigente anteriormente à Lei 9.718/98, Com a edição da Medida Provisória n° 66/2002, a recorrente optou pelo beneficio previsto na norma, permitindo o pagamento dos débitos com aplicação dos juros da TJLP e redução de multa em 50%. Para tanto, houve desistência da ação judicial, com renúncia do direito e conseqüente conversão em renda em favor da União dos depósitos efetuados. A recorrente afirma também que, quanto ao PIS, houve pagamento por meio de DARF. Ocorre que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento exonerou apenas o crédito constituído para os fatos geradores dos anos de 2000, 2001 e 2002, se não vejamos. Quanto ao mérito, em relação aos fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, ao contrário do que afirmou a impugnante, verifica-se que o autuante não desconsiderou os valores recolhidos com os beneficias da Medida Provisória n° 66, de 2002. Na verdade, no Auto de Infração, nenhuma menção se fez a tal fato., O Auto de Infração limitou-se a confrontar os valores da contribuição para o PIS informados pela própria contribuinte no demonstrativo de folhas 19/22 e aqueles declarados em DCTF, Assim, nos meses em que a contribuição apurada e recolhida/depositada pela contribuinte foi superior ao debito declarado em DCTF, houve o lançamento de oficio da diferença constatada. Como bem sintetizou a impugnante, "a Autoridade Lançadora apenas se baseou nas informações constantes das DCT.Ps dos anos de 2001 e 2002 (doc 12), que apresentavam erros nos valores da suspensão, os quais, por equivoco, .foram informados a menor", Portanto, de fato, equivocou-se a contribuinte ao informar na DCTF o valor da contribuição suspensa, mas extinguiu integralmente o crédito tributário nos períodos autuados pelo pagamento em DARF, pelo depósito judicial convertido em renda da União e pelo recolhimento com o beneficio previsto na MP n° 66, de 2002, (grifos meus) Destaque-se, como fét mencionado neste voto, que os pagamentos foram efetuados antes da autuação, não tendo sido contestados pelo autuante. Desta forma, não restaram caracterizadas as "diferenças para menos no recolhimento do PIS" mencionadas no Auto de Infração g 08), e que Motivaram o lançamento de oficio, (grifas meus) Embora a leitura isolada das passagens do texto acima grifadas leve à conclusão de que o lançamento de oficio foi exonerado in totum, o quadro apresentado ao final do voto condutor da decisão recorrida deixa claro que tais afirmações se referem somente aos anos de 2000, 2001 e 2002, como de fato consta no primeiro parágrafo dos excertos do voto supra-transcritos, ao indicar que está-se tratando do mérito, mas apenas "em relação aos fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002", seguintes termos, É a seguir que os valores mantidos são mencionados no corpo da decisão, nos A impugnante alega, ainda, que no Auto de Infração não foram considerados recolhimentos efetuados a maior nos meses de março a maio, setembro e outubro de 1999, janeiro e setembro a dezembro de 2000, janeiro a dezembro de 2001 e março e outubro de 2002, cuja compensação "deve ser reconhecida". De fato, a compensação entre tributos da mesma espécie prescinde de autorização prévia da SRF'. Contudo, a compensação é opção do contribuinte, e o fato deste ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de oficio relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercido a compensação antes do início do procedimento administrativo. É necessário que os assentamentos contábeis e os documentos fiscais comprovem que os ditos créditos já foram utilizados para extinção de débitos especificados, o que não se verifica no presente caso.. Como fica claro no texto, o crédito tributário correspondente ao ano de 1999 foi mantido por duas razões. Primeiro, porque ele não foi considerado extinto pelo "pagamento em DARF, pelo depósito judicial convertido em renda da União e pelo recolhimento com o beneficio previsto na MP n° 66, de 2002", tal como o foram os débitos dos anos de 2000, 2001 e 2002. Segundo, por que o i. Julgador de primeira instância não considerou a impugnação a via adequada para o pedido de compensação de valores escriturados a maior na contabilidade da empresa. De sua parte, a recorrente considera não haver razões para que os débitos correspondentes ao ano de 1999 não sejam, tal como foram os demais, considerados extintos, É o que se depreende do teor do recurso, E tudo foi informado, com apresentação de documentos à Receita Federal e á Autoridade responsável pela fiscalização, conforme petição em anexo (doe, 11, da Impugnação), contudo, mesmo a par de que o contribuinte apurou e pagou o PIS devido nos períodos a DIU/Salvador não levou e consideração, em evidente afronta ao princípio da legalidade definido no artigo 2' da Lei 9,784/99. Pela planilha das diferenças devidas do PIS, pagas pela Recorrente de acordo com a MP 66/2002 (doc. 05, da Impugnação), observa-se que os valores' cobrados' no lançamento fiscal, foram incluídos no pagamento efetuado pela empresa em outubro/2002 (doc. 06, da Impugnação). Basta comparar o demonstrativo do auto de infração com a planilha de composição do pagamento realizado. Processo n° 10580.011708/2003-17 S3-C1T2 Acórdão n 3102-00.736 Fl 4 O doc. 05 da impugnação mencionada pela recorrente encontra-se às folhas 76 do processo. Trata-se de uma planilha de cálculo à qual a empresa deu o nome de "BOMPREÇO BAHIA - ATUALIZAÇÃO DOS VALORES DO PIS MP66 - ALARGAMENTO DA BASE" que compreende o período de fevereiro de 2000 a abril de 2002, perfazendo um total de R$ 652349,89. Foi com base nesta que a recorrente efetuou os recolhimentos com os beneficias da MP 66. Contudo, não restam dúvidas que nem nela, nem nos DARFs correspondentes estão incluídos os débitos do ano de 1999, razão pela qual estes não foram considerados pagos pelo i. Julgador de primeira instância. Quanto à possibilidade de que estes débitos sejam compensados com os valores que a recorrente alega ter pago a maior, penso que a leitura dos fatos feita em primeira instância não merece qualquer reparo, Adoto, assim, o voto condutor da decisão de piso neste particular, estendendo as conseqüências dele extraídas ao recurso voluntário apresentado pela empresa e à possibilidade de que o assunto seja examinado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A impugnante alega, ainda, que no Auto de Infração não foram considerados recolhimentos efetuados a maior nos ',leses de março a maio, ,setembro e outubro de 1999, janeiro e setembro a dezembro de 2000, .janeiro a dezembro de 2001 e março e outubro de 2002, cuja compensação "deve ser reconhecida", De . fato, a compensação entre tributos da mesma espécie prescinde de autorização prévia da SRF. Contudo, a compensação é opção do contribuinte, e o fato deste ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de oficio relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercido a compensação antes do início do procedimento administrativa É necessário que os assentamentos contábeis e os documentos fiscais comprovem que os ditos créditos já .foram utilizados para extinção de débitos especificados, o que não se verifica no presente caso. Aqui não se trata de compensação efetuada pela contribuinte e desconsiderado pelo autuante. Logo, trata-se de pedido de compensação em sede de impugnação de lançamento de oficio. Porém, tal análise não compete à esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ Às DRJ só compete julgar processos relativos à restituição/ressarcimento/compensação quando ocorrer a manifestação de inconformidade do contribuinte, ou seja, quando já tenha havido a apreciação pela autoridade da Delegacia da Receita Federal, conforme artigo 224 da Portaria MF n° 030, de 25 de fevereiro de 2005.. A impugnação não é instrumento adequado para solicitar compensação. O regime de compensação é uma opção que pode ser utilizada pelos contribuintes para extinguir o crédito tributário, inclusive de débitos apurados em procedimento fiscal. Desta forma, inexistindo nos autos comprovação da correspondente escrituração contábil e fiscal que demonstre que a compensação foi, de fato, adotada tempestiva e espontaneamente, e não sendo o pedido de compensação passível de julgamento originário pela DRJ e muito menos em sede de impugnação de lançamento, dele não se toma conhecimento No que diz respeito aos juros de mora exigidos, há que se observar, liminarmente, que a legislação não exclui em nenhum momento a exigência de juros do auto de inflação, se não vejamos, Art, 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n 2 5,172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficia (Redação dada pela Medida Provisória n°2.158-35, de 20011 § 1" O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo, § 2' A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Por outro lado, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1°, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.° 9,065195 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13, A partir de 1' de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art.. 14 da Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n°8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n° 8981, de 1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alinea a. 2, da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPITULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórias Art. 84. Os tributos e contribuições. sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de I° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de.: 1 - juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei n° 9.065, de 1995 II - multa de mora aplicada da seguinte forma: Processo n° 10580.011708/2003-17 S3-C1T2 Acórdão fl.' 3102-00.736 Fl. 5 a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1 0 Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2" O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3" Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso 1, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1 0, da Lei n°5,172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei n° 8,383, de 1991, e no ali, 3° da Lei n° 8.620, de 5 de janeiro de 1993.. § 40 Os juros de mora de que trata o inciso 1, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação especifica.. § 5 0 Em relação aos débitos referidos no art.. 5' desta lei incidirão, a partir de 1" de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mês-calendário ou fração. § 60 O disposto no § 2' aplica-se, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei, § 7' A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso 1 deste artigo, § e O disposto neste artigo aplica-se aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional,(Incluído pela Lei n° 10..522, de 2002). Ainda mais, trata-se de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula 3°CC n°4 - A partir de 1' de abril de 1995 é legitima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Finalmente, deve ser mantida a multa de oficio exigida, por expressa previsão legal — artigo 44, inciso 1, da Lei 9430/96 e alterações posteriores. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas:. 1 - de 75% (Setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de .falta de declaração e nos de dedaração inexata. voluntário apresen0 R todo o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso 6pela contribuinte. 1 4 ulo Rosa 297/-
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Numero do processo: 18471.001224/2005-71
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004
Ementa:
BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO.
As variações monetárias em função da taxa de câmbio apuradas segundo o regime de competência a serem incluídas na base de cálculo do PIS correspondem à contrapartida da alteração, para mais, em seus direitos ou, para menos, em suas obrigações, deles não se abatendo as variações passivas. Desde janeiro de 2000, elas puderam, por expressa disposição legal, ser apuradas segundo o regime de caixa, o qual, deve, no entanto, ser aplicado uniformemente em relação também ao COFINS, à CSLL e ao IRPJ.
Numero da decisão: 3402-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ali Zraik Jr (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça e Leonardo Siade Manzan. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado.
EDITADO EM: 17/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Júlio César Alves Ramos, Ali Zraik Jr (Relator), Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça e Leonardo Siade Manzan
Este recurso foi julgado em julho de 2010 sob relatoria do Conselheiro Ali Zraik Jr, que não apresentou à Secretaria o voto vencido até sua saída do Conselho. Após uma primeira designação ad hoc igualmente não cumprida a tempo, designa-me, agora, o Presidente da Câmara, dado que eu já havia sido designado para redigir o voto vencedor pela Presidente de Turma, Conselheira Nayra, a qual também não assina este acórdão por não ser mais Conselheira.
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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BASE DE CÁLCULO Recorrente FLOWSERVE DO BRASIL LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004 Ementa: BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO. As variações monetárias em função da taxa de câmbio apuradas segundo o regime de competência a serem incluídas na base de cálculo do PIS correspondem à contrapartida da alteração, para mais, em seus direitos ou, para menos, em suas obrigações, deles não se abatendo as variações passivas. Desde janeiro de 2000, elas puderam, por expressa disposição legal, ser apuradas segundo o regime de caixa, o qual, deve, no entanto, ser aplicado uniformemente em relação também ao COFINS, à CSLL e ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ali Zraik Jr (Relator), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça e Leonardo Siade Manzan. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado. EDITADO EM: 17/07/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 12 24 /2 00 5- 71 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Júlio César Alves Ramos, Ali Zraik Jr (Relator), Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça e Leonardo Siade Manzan Este recurso foi julgado em julho de 2010 sob relatoria do Conselheiro Ali Zraik Jr, que não apresentou à Secretaria o voto vencido até sua saída do Conselho. Após uma primeira designação ad hoc igualmente não cumprida a tempo, designame, agora, o Presidente da Câmara, dado que eu já havia sido designado para redigir o voto vencedor pela Presidente de Turma, Conselheira Nayra, a qual também não assina este acórdão por não ser mais Conselheira. Relatório Tratase de recurso contra a manutenção, pela DRJ Rio de Janeiro II, de lançamento de ofício que visa à exigência da contribuição PIS do período de dezembro de 2002 a julho de 2004, apurado segundo a sistemática nãocumulativa disciplinada pela Lei 10.637/2002. Vale dizer que o lançamento englobara também períodos de apuração em que a sistemática era a cumulativa, com base na Lei 9.718, em relação aos quais a própria DRJ afastou o lançamento, dando cumprimento a decisão judicial transitada em julgado que considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º daquele ato legal. Segundo a autoridade fiscal autora do lançamento o contribuinte, ao compor a base de cálculo mensal da contribuição, adicionava as variações monetárias ativas apuradas em função da variação da taxa de câmbio, mas delas descontava as variações passivas devidas pelo mesmo motivo. Com isso, oferecia à tributação a variação líquida de cada mês, da mesma forma que ocorre no IRPJ. Salienta a autoridade que o sujeito passivo adotou no período o regime de competência para apuração do resultado. Em seu recurso, aponta a empresa que as variações monetárias em discussão não são receita, mas meras expectativas, dado que não houve ainda o ingresso de recursos no caixa. Aponta também que a própria legislação o teria reconhecido, visto que a Media Provisória 2.158 determinara que elas somente deveriam ser incluídas na base de cálculo no momento da liquidação da operação que as origina, no que, aliás, dobravase a jurisprudência consolidada dos tribunais superiores e à melhor doutrina. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS designado ad hoc Não tendo o conselheiro relator apresentado, a tempo e hora, o voto que foi acompanhado pelos dois outros membros da bancada dos contribuintes os quais tampouco são mais conselheiros passo a resumir em seguida os argumentos normalmente por eles expendidos quanto a essa matéria e que corroboram, basicamente o que consta no recurso. Segundo a corrente acolhida por eles, a variação monetária é mero registro contábil que procura preservar o valor real do ativo ou do passivo, em obediência a determinações legais ou contratuais. Como tantos outros registros contábeis efetuados em Fl. 446DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001224/200571 Acórdão n.º 3402000.677 S3C4T2 Fl. 183 3 respeito ao princípio da competência, constitui uma "antecipação" de reconhecimento, dado que ela somente se realiza, efetivamente, quando da sua liquidação. Destarte, no caso de variações que reflitam índices contratual ou legalmente previstos (correção ou atualização monetária), essa antecipação imposta pelo regime de apuração contábil é menos grave na medida em que a variação já havida não se reverterá, podendo se considerar definitiva no momento em que apurada, embora ainda não tenha se transformado em caixa. Mas no caso das variações registradas em função da variação da taxa de câmbio, esse aspecto de antecipação se mostra ainda mais importante quando o País adota o regime de câmbio flexível, dado que um dado valor registrado em um mês pode vir a ser inteira ou parcialmente compensado por uma variação em sentido contrário do câmbio. E isso levaria à exigência sobre valor que não se consumou como receita. Daí que, para essa corrente, mesmo na apuração que leve em conta o regime contábil da competência, no caso específico dessas variações aqui discutidas, elas só devem ser incluídas na base de cálculo após a liquidação dos contratos, pois somente aí são, de fato, receita. Essas, em linhas gerais, as considerações que se expendem para afastar a tributação nessa matéria. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Voto Vencedor A contrário senso, porém, está o reconhecimento de que foi a lei que determinou a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas, não admitindo o abatimento de parcelas referentes a despesas. No presente caso, ademais, observase um total descompasso entre o que efetivamente fez o sujeito passivo incluir a variação cambial líquida e o que sua defesa argumenta para justificar esse procedimento. Com efeito, a primeira tese da defesa, a de que variação cambial simplesmente não é receita, implicaria ausência completa de recolhimento. A segunda, que ele não ocorreria naquele mês em que nenhum contrato vencesse. Mas nenhuma das duas foi adotada pela empresa: ela reconhece, todo mês, a variação ativa e a passiva de todos os contratos, mesmo sem vencimento naquele mês. Como já enfadonhamente repetido, o PIS era exigido no período aqui considerado por força do disposto no art. 1º da Lei 10.637: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 447DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. Destarte, a totalidade das receitas, no sentido contábil do termo, apuradas pela pessoa jurídica é que constitui a base de cálculo do PIS nãocumulativo. Contabilmente, receita é a contrapartida contábil de um evento que tenha como consequência um aumento no Patrimônio Líquido. Esse aumento se dá sempre que algum elemento do Ativo (caixa ou qualquer outro) aumente sem que haja, concomitantemente, um aumento de mesma magnitude no Passivo, a via mais comum. Mas também se processa o mesmo quando um elemento do Passivo se reduz sem concomitante e equivalente redução no Ativo, como ocorreu aqui com as duas rubricas adicionadas. Vêse, de logo que, do ponto de vista contábil, as variações monetárias, sejam elas apuradas em função de determinação legal ou contratual, se subsumem com perfeição ao conceito de receitas. Com efeito, elas registram exatamente a contrapartida do aumento no valor de ativos (por exemplo, direitos decorrentes de vendas a prazo a serem recebidas em moeda estrangeira) ou da redução de passivos, como por exemplo, empréstimos em moeda estrangeira contraídos. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001224/200571 Acórdão n.º 3402000.677 S3C4T2 Fl. 184 5 Ainda que se possa advogar a existência de conceitos outros que não o contábil para o fenômeno receita (tese com a qual também não concordo), entendo que é ele, sim, que o legislador teve em mente quando de sua edição. A não ser assim, sem qualquer sentido a exclusão prevista na alínea "b" do inciso V acima, dado que tais valores decorrem exclusivamente de obrigações contábeis. É claro que todos esses conceitos contábeis foram construídos sempre tendo em conta a apuração do resultado da entidade: receitas menos custos e despesas. Nela, a Contabilidade, não se tomam as receitas sem considerarse no mesmo feito as despesas ou custos a elas correspondentes. Esse reconhecimento, no entanto, apenas nos leva a considerar, no mínimo, uma impropriedade técnica tributação que apenas leve em conta uma "perna" do resultado. Mas isso não muda o fato de que o legislador assim o fez e, especialmente, não nos autoriza a buscar conceituações inovadoras para afastar aquilo que o legislador não afastou, por mais que achemos isso justo. Mas no caso das variações cambiais, o próprio Poder Executivo partilhou esse sentimento de injustiça e editou ato que ao menos o mitigou. Sobre o tema, porém, melhor é transcrever a decisão recorrida que o enfrentou com precisão enquanto que o recurso, no ponto, nada inova com respeito à impugnação. Disse o relator da decisão recorrida: Quanto ao momento de incidência da referida contribuição (regime de competência ou de caixa), cumpre observar que até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra geral de tributação pela COFINS e pelo PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual. Em relação às variações cambiais, contudo, essa regra foi alterada com a edição da Medida Provisória 1.85810 de 26 de outubro de 1999, com os acréscimos da Medida Provisória 1.99114, de 11 de fevereiro de 2000, que continha no artigo 30 a redação abaixo transcrita, confirmada pelo Decreto 4.524, de 17/12/2001 (Regulamento do PIS/PASEP e COFINS) em seu artigo 13 e parágrafos: "Art 30. A partir de 1° de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1° À opção da pessoa jurídica as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 § 2º A opção prevista no parágrafo anterior aplicarseá a todo o anocalendário. § 3° No caso de alteração do critério e reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüente, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos das contribuições serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal." A partir de janeiro de 2000, portanto, por determinação legal, a regra foi alterada apenas em relação As variações monetárias em função da taxa de câmbio. A norma permitiu a apropriação das referidas receitas pelo regime de caixa, facultando à pessoa jurídica o direito de optar pelo regime de competência na determinação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, da contribuição ao PIS e da COFINS, observandose que, neste caso, a opção prevalecerá para todo o ano calendário. Assim, em relação aos fatos geradores objetos do presente lançamento, a lei facultava ao contribuinte o direito de optar pelo regime de apropriação das receitas cambiais. Cabe ao sujeito passivo, portanto, analisar a conveniência da adoção de um ou outro regime, levando em conta os efeitos fiscais decorrentes de sua opção. Se por um lado a adoção do regime de competência pode representar uma desvantagem ao contribuinte para efeito de apuração da COFINS e do PIS, por outro lado, tal sistemática pode ser mais conveniente na apuração de tributos calculados sobre o resultado como o Imposto de Renda e Contribuição Socia l Sobre o Lucro, em razão da possibilidade de considerar as despesas financeiras na determinação do lucro operacional, de acordo com os arts. 375 e 377 do RIR/99. Tratandose de tributação do PIS e da COFINS, a regra geral é a adoção do regime de competência, por força de determinação legal e a sua substituição só pode ocorrer no caso de haver legislação especifica autorizativa. Nessa hipótese, contudo, cabe ao contribuinte demonstrar ter adotado a regra excepcional. No caso em análise, de acordo com as DIPJ apresentadas, é possível constatar que a empresa não exerceu o direito garantido por lei, de apurar a COFINS e o PIS de acordo com o regime de caixa. Conforme descrito em sua impugnação, a empresa apurou mensalmente a variação cambial ativa (regime de competência) efetuando, no entanto, a exclusão indevida dos valores correspondentes à variação cambial passiva em cada mês. Se a autuada tinha o direito garantido por lei de apurar o IR, a CSLL, o PIS e a COFINS incidentes sobre as variações cambiais quando da liquidação das correspondentes operações, ou seja, pelo regime de caixa e optou pela adoção do regime de competência, ainda que de forma equivocada, não cabe agora vir contestar a sistemática por ele escolhida, pretendendo modificar a base de cálculo utilizada no auto, levantada com base nos demonstrativos e registros contábeis da empresa. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001224/200571 Acórdão n.º 3402000.677 S3C4T2 Fl. 185 7 Pelo exposto concluise que as variações cambiais ativas verificadas na contabilidade da empresa devem ser computadas de acordo com o regime de competência para fins de incidência da COFINS e do PIS, sendo incabível a exclusão de valores relativos a resultados negativos ocorridos no decurso do prazo contratual. Esses os motivos que levaram o colegiado, pelo voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 14041.000186/2006-29
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária.
(Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005).
REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL - INEXISTÊNCIA - RECURSO NÃO CONHECIDO.
Ressalvada a posição do relator, é entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão relacionado ao PNUD, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da
Lei n° 9.430, de 1996.
Recursos especial da Contribuinte negado e da Fazenda Nacional não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.672
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso interposto pela Contribuinte. Por maioria de votos, em não conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional Vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que conheciam do recurso
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Júnior
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São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL - INEXISTÊNCIA - RECURSO NÃO CONHECIDO. Ressalvada a posição do relator, é entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão relacionado ao PNUD, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei n° 9.430, de 1996. Recursos especial da Contribuinte negado e da Fazenda Nacional não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ' Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso interposto pela Contribuinte. Por maioria de votos, em não conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Vencidos e. conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que conh,ciam do re urso. CARLOS ALBE''I REITAS :ARRETO- -sidente n1100 '" MA' *E ' • ELHO AR C Á J ' IOR - R tor-- 14 MAM 2010 DITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial por divergência interposto pela Fazenda Nacional [131/157] em face do r. acórdão [folhas 113/129] proferido pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com arrimo no artigo 5 0, inciso II, do anterior RICSRF. Segundo entendimento da d. Fazenda Nacional a multa isolada deve ser mantida, eis que apesar de se referir a mesma base de cálculo da multa de oficio, essas correspondem a infrações distintas. A recorrente utiliza como paradigma o acórdão n° 101-94.858, cuja ementa transcrevo: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO —AC 1998 OMISSIS MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Decidiu-se no acórdão recorrido, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa isolada, eis que fora aplicada em concomitância com a multa de oficio sobre a mesma base de cálculo. 2 Processo n° 14041.000186/2006-29 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.672 Fl. 2 No que tange à isenção suscitada, o e. Órgão do então Conselho de Contribuintes entendeu que são tributáveis os rendimentos auferidos por nacionais em decorrência de prestação de serviços junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU: IRPF — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU — TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legitima quando incidente sobre uma mesma base de cálculo. A ilustre Presidente da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em exame de admissibilidade [folhas 158/159], deu seguimento ao recurso especial, por meio do despacho n° 102-0.259/2007. Irresignado com o acórdão proferido [fls. 113/129], o sujeito passivo da obrigação tributária interpôs recurso especial por divergência [fls. 187/205]. O recorrente apresenta com paradigma, o acórdão n° 104-16.708 proferido pela Quarta Câmara do Conselho de Contribuintes, cuja ementa transcrevo: IRPF — REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL — ISENÇÃO — Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades da Nações Unidas, sujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, estão isentos do imposto de renda brasileiro, os valores auferidos a título de rendimentos do trabalho pelo desempenho de funções especificas junto ao Programa das Nações unidas para o Desenvolvimento. Segundo o sujeito passivo, o acórdão paradigma, em situação similar, acolheu a pretensão de isenção tributária. Aduz o sujeito passivo que, o Decreto n° 59.308/66 estendeu a isenção tributária aos peritos de assistência técnica e, por conseguinte, a todos os demais funcionários do organismo internacional. Outrossim, suscita que não existem diferenças entre funcionários brasileiros e estrangeiros, ou entre funcionário e técnicos de organismos internacionais. Destarte, defende o recorrente que, o acórdão vergastado violou os princípios da igualdade tributária e do in dubio pro contribuinte. ';./ • \ (\ \ \`\nk!3 \—;"1 \\1 A ilustre presidente da então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao realizar exame de admissibilidade [folha 263/264], deu seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo da obrigação tributária, por meio do despacho n° 545/2008. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contra-razões ao recurso especial [folha 267/272], no qual reitera os argumentos consignados no recurso especial interposto por essa. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR, Relator I - Do Recurso da Fazenda Nacional: O recurso é tempestivo, na confoiiiiidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, passo a confrontar a decisão recorrida e o acórdão paradigma: 'Decisão recorrida Acórdão paradigma PRESTAÇÃO -- DE SERVIÇO. MULTA DE OFICIO ISOLADA -- NACIONAIS - '• JUNTO - FALTA - DE RECOLHIMENTO - DE TRIBUTAÇÃO - SãO tributáveis os ESTIMATIVA Cabível a aplicação . de r-e-ridiírientOsdecorrentes'ta.-1,-. preSt-ação---de mtiltã--de-oficio aplicada isoladamente,'na serviço junto ao Programa' das Nações Unidas falta de recolhimento da CSLL com base para o Desenvolvimento, quando recebidos por na estimativa dos valores devidos, por nacionais Contratados no País, por faltar-lhes a expressa previsão legal. - condição de ,_:funcionário, de . organismos 4,-..° internaCiOnals -, este detentor de Privilégios e MULTA DE OFICIO --- MESMA BASE imunidades ernin—átéria. Civil, penal e-tributária. DE CÁLCULO_ - APLICAÇÃO EM (Acãrdló- CSRF 04-00.094 de 21/04/2005). ,- DUPLICIDADE - O lançamento de duas . - multas de oficio, sobre a mesma ,base de MULTA ISO, ADA E MULTA DE ,OFICIO ---_ cá cu o,' e possível, visto ratar-se e duas1 1 - 1 • t d d CONCOMITANCIA - MESMA BASE DE - . • - , in_fr açoes' à: lei tributária, tendo por CoALCrUL, aplicação concomitante da conseqüência a ap icaçaod e _ duas é penalidades distintas. - ' multa e': da militá:- , oficio não. legitima-:quando incide sobre uma mesma base - de calculo (Acórdão. , CSRF n° 01-04.987 de Recurso voluntário não provido. 1-5/0672004).. Recurso Parcialrriente prOvidd. - O artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, dispõe in verbis: Lei n°9.430, de 1996. N 4 Processo n°14041.000186/2006-29 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.672 Fl. 3 . .... Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n°351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra) •••• II- de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido . apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada ao inciso pela Lei n° 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n" 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra). Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por competência precipua apreciar divergência jurisprudencial quanta à aplicação de norma. Assim, para este relator, ainda que a matéria fática em um dos acórdãos verse sobre UNESCO/ONU e no outro sobre a CSLL, o que se discute neste recurso é se a multa isolada de que trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Por tais razões, entendo que estamos diante de situação em que o recurso merecesse ter seu seguimento admitido. Em que pese meu ponto de vista pessoal, ao apreciar esta matéria, na forma regimental, em sessão que se realizou no dia 04 de agosto de 2008, ao examinar os recursos de n° 106-149655; 106-149656; 106-149857; 106-149859; 106-149860 e 106-150058, por maioria de votos, decidiu o colegiado que o acórdão que exigiu multa isolada, de fonna concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática era a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não serve de paradigma para acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática são os rendimentos decorrentes de prestação de serviço à organismo internacional (UNESCO/ONU). Além das decisões administrativas acima referidas, a questão referente à admissibilidade de recurso especial que tem como matéria prestação de serviços a organismos internacionais foi objeto de apreciação pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que ao apreciar o Recurso Especial n° 106-132169, na sessão de 15/10/2008, deliberou por não conhecer do recurso. Com tais considerações, não conheço do recurso. II — Do Recurso do Contribuinte: O recurso é tempestivo, na confolinidade do prazo estabelecido pelo artigo -,,,,, 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° \ i 5 \\k \ , çs.,,,._x •., 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, o acórdão atacado pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD – TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. MULTA ISOLADA - NÃO CUMULATIVIDADE COMA MULTA DE OFÍCIO - Se aplicada a multa de oficio ao tributo apurado em lançamento de oficio, a ausência de anterior recolhimento mensal (via carnê-leão) do referido imposto não deve ocasionar a aplicação cumulativa da multa isolada, já que esta somente é aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penaliza ção sobre a mesma base de incidência. Recurso parcialmente provido. Em relação ao acórdão paradigma apontado como caracterizador da divergência, este apreciou a matéria nos seguintes termos: IRPF — RENDIMENTOS PERCEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE EXERCÍCIO DE FUNÇÃO ESTÁVEL JUNTO AO PNUD — IMUNIDADE — Por força das disposições contidas no Acordo Técnico Regulador das atividades do PNUD e da Convenção sobre Imunidades Privilégios, não pode ser exigido imposto de renda do contribuinte, uma vez que beneficiário da imunidade conferida por estas normas. Recurso negado. Do confronto das ementas acima referidas, tem-se que o acórdão recorrido concluiu pela incidência do imposto de renda sobre a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa à prestação de serviço contratado em território nacional e o acórdão paradigma pela não incidência. Desta forma, fica caracterizada a divergência, razão pela qual admito o Recurso Especial e passo ao exame do mérito. Quanto ao mérito, o litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos, esta Quarta Turma da Câmara Superior, em decisões anteriores, adotou o entendimento constante do acórdão n° 104-20.451 de 23/02/2005, em que foi relatora a ilustre Conselheira Maria Helena Cota Cardoso, "in verbis": " (.) A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da 'ultima ratio' que norteia a concessão da isenção em tela. 6 Processo n° 14041.000186/2006-29 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.672 Fl. 4 O artigo 5° da Lei n° 4.506/64, reproduzido no artigo 23 do RIR/94 e no artigo 22 do RIR/99, assim estabelece: 'Art. 5° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: 1- Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e Ill deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país.' Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso H, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que o art. 5° da Lei n° 4.506/64, acima transcrito, não contempla a situação do Recorrente — brasileiro residente no Brasil. Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no País — o que se admite apenas para argumentar —, o dispositivo legal em foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo PNUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, verifica-se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica promulgado pelo Decreto n°59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: 7 N ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado afazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas': b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas' ; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas (grifei) Ressalte-se que o PNUD é um programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', são: Organização Internacional do Trabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Organização Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Corporação Financeira Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, Organização de Aviação Civil Internacional, União Internacional de Telecomunicações, União Postal Universal, Organização Meteorológica Mundial e Organização Marítima Consultiva Intergovernamental. Sendo o PNUD um programa especifico da Organização das Nações Unidas, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades devem seguir os ditames, conforme comando do artigo Via, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'. Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, em 13/02/1946, e promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/02/1950. Dita Convenção assim prevê: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. 8 Processo n° 14041.000186/2006-29 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.672 Fl. 5 Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórios e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, -dos mesmos privilégios que os fimcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; J) gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos. '(grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: imunidade de jurisdição; isenção de serviço militar; facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de missões diplomáticas; facilidades de repatriamento idênticas às dos funcionários diplomáticos, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção ora enfocado utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um \9 brasileiro residente no País, beneficios tais como facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriaM beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU, na Seção 17, que a seguir se recorda: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo V da Convenção da ONU— e que no inciso lido art. 5° da Lei n°4.506/64 é chamado de servidor — é o funcionário internacional, integrante dos quadros da ONU com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. ,5°, da Lei n° 4.506/64 (transcrito no início deste voto), já que ambos prevêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil. Com ; efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outrós rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários não são residentes no País, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos beneficios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a lo Processo n° 14041.000186/2006-29 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.672 Fl. 6 ditos técnicos. Tal procedimento estaria referenciando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de funcionários da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: 'ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo- se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho- de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo- se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária. fi no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização.' 11 Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar — da relação de beneficios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de beneficios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses benefícios. Tal constatação é corroborada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D. de Albuquerque Mello, no seu `Curso de Direito Internacional Público' (11a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): 'Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. (.) Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini- los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados .a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (.) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (.) O funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (..) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (..) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das 12 Processo n° 14041.000186/2006-29 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.672 Fl. 7 Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (..) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (..) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários- adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais'; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; j) facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado'. Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os subsecretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, • 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais'; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções'; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; j) quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos'. (grifei) 1\\ Ç ..)\if 13 'n', Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos —funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de benefícios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Diante do exposto, constatando-se que o interessado não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo seu Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada (.)." Aos fundamentos acima transcritos, que se aplicam integralmente ao presente litígio, nada merecer ser acrescentado. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência uniforme da CSRF, compartilho do entendimento de que não há fundamentos legais que justifiquem a não incidência sobre os rendimentos percebidos pelo contribuinte de organismo internacional, em decorrência de prestação de serviço de natureza contratual. Desta forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso da Fazenda Nacional e NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, para manter a exigência tributária. É o voto. ano . oelho • • • . ínie -r 14
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720199/2007-05
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.108
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 11/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Alan Fialho Gandra. Ausentes os conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, calculado na forma prevista na Lei nº 10.276/01, relativo ao ano de 2004, atualizado pela taxa Selic. Por força de decisão judicial transitada em julgado, no cálculo do crédito presumido da recorrente foi incluído o valor dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem), energia elétrica e combustível adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas, todos não contribuintes do PIS e da Cofins. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.720199/200705 Resolução n.º 330200.108 S3C3T2 Fl. 218 2 Considerando que a decisão judicial não previa a incidência de juros Selic no crédito pleiteado, o ressarcimento foi efetuado sem a atualização monetária pleiteada pela recorrente, conforme Informação Fiscal e Despacho Decisório de fls. 180/183. Ciente da decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 189/192) pleiteando a atualização monetária do valor ressarcido. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0111.571, de 22/07/2001, cuja ementa abaixo transcrevo: RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. COISA JULGADA JUDICIAL. A Administração Pública deve dar cumprimento às decisões judiciais eficazes nos exatos termos do conteúdo decisório constante da parte dispositiva da sentença passada em julgado. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 28/08/2008, conforme AR de fl. 209, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 19/09/2008, o recurso voluntário de fls. 210/215, no qual lança críticas sobre o posicionamento da RFB de não aceitar a incidência de juros Selic no ressarcimento, posição esta que no seu entender colide com a jurisprudência do STJ, que cita. Na forma regimental o processo foi a mim distribuído. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteado a incidência de juros Selic no ressarcimento efetuado pela RFB, que incluiu no cálculo do valor a ressarcir as aquisições de insumos (matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem), energia elétrica e combustível efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, por força de decisão judicial transitada em julgado. Os cálculos foram efetuados com base na Lei nº 10.276/01. Do valor pleiteado pela recorrente e ressarcido pela RFB, parte é incontroversa e parte foi objeto de ação judicial, cujo decisão foi integralmente acatada pela RFB. No caso em tela, a recorrente necessitou recorrer ao Poder Judiciário para ver reconhecido o direito de incluir no cálculo do benefício fiscal as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e combustível (lenha) feitas junto a pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.720199/200705 Resolução n.º 330200.108 S3C3T2 Fl. 219 3 Portanto, sobre os créditos objeto da controvérsia judicial, onde havia oposição da RFB para incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício fiscal, há a possibilidade desse Colegiado reconhecer a incidência de juros Selic. Ocorre que no cálculo do valor efetivamente ressarcido foi incluído parcelas sobre as quais nunca houve oposição por parte do Fisco, ou seja, as aquisições de insumos, combustíveis e energia elétrica feitas junto a pessoas jurídicas contribuintes do PIS e da Cofins, conforme se pode constatar na relação de fornecedores de fls. 112/134 e 143/155. Mais ainda, não foi possível identificar se no valor ressarcido foi ou não incluído alguma atualização ou juros Selic, posto que os valores efetivamente ressarcidos são diferentes dos valores solicitados pela recorrente e também dos valores apurados nos demonstrativos de fls. 139/141, conforme quadro abaixo. ANO 2004 TRIMESTRE VALOR SOLICITADO(*) VALOR RECONHECIDO PER/DCOMP (fls. 05, 24, 39 e 54) Demonstrativo de fls. 176 Demonstrativos de fls. 139/141 Demonstrativo de fls. 176 1º Trimestre 332.421,43 793.135,80 791.882,79 791.882,79 2º Trimestre 474.039,55 362.224,42 361.887,01 361.887,01 3º Trimestre 74.731,09 58.002,96 (224.501,60) 59.095,33 4º Trimestre 188.393,87 150.639,10 (111.303,57) 149.722,57 TOTAL 1.069.585,94 1.364.002,28 817.964,63 1.362.587,70 (*) Sem atualização. Valor atualizado solicitado R$ 1.991.567,35 (fl. 02) As informações e documentos constantes dos autos ou são inconsistentes ou não foi juntado documentos ou demonstrativos que justifique as divergências acima apontadas. Estes incidentes processuais impedem que este Conselheiro Relator forme sua convicção sobre a solução para a lide, necessitando os autos descer à repartição de origem para prestar esclarecimentos sobre as divergências acima apontadas. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 demonstrar o seguinte: (i) o cálculo do valor do crédito presumido considerando somente as aquisições de pessoas jurídicas; (ii) o cálculo do valor do crédito presumido considerando as aquisições de pessoas jurídicas, de pessoas físicas e de cooperativas; (iii) a diferenças entre esses dois valores (que representa o crédito presumido decorrente das aquisições de pessoas físicas e cooperativas). 2 confirmar ou infirmar o valor do crédito presumido apurado nos demonstrativos de fls. 139/141; 3 informar qual é, efetivamente, o valor original do crédito pleiteado pela recorrente. Se o valor constante das PER/DCOMP (fls. 05, 24, 39 e 54) ou o valor do quadro constante do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fl. 176). 4 caso o valor do crédito pleiteado seja o constante do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fl. 176), juntar os respectivos PER/DCOMP. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.720199/200705 Resolução n.º 330200.108 S3C3T2 Fl. 220 4 5 caso estejam corretos os valores do crédito apurado nos demonstrativos de fls. 139/141, justificar porque o crédito reconhecido e ressarcido (R$ 1.362.587,70) foi superior ao crédito apurado (R$ 817.964,63). Havendo ressarcimento a maior por erro de fato, tomar as providências legais. 6 prestar os esclarecimentos e informações que julgar importante para o deslinde da questão. 7 elaborar relatório circunstanciado do resultado da diligência, no qual fique demonstrado as razões das inconsistências acima apontadas e o valor total do crédito presumido a que tem direito a recorrente, segregando do valor total o valor do crédito decorrente das aquisições de pessoas jurídicas e o valor do crédito decorrente das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. 8 dar ciência à empresa recorrente desta Resolução e do Relatório da diligência, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Relator Fl. 246DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001332/89-99
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 1992
Ementa: REFLEXO - Estende-se ao processo de
reflexo a decisão prolatada no processo matriz
do qual decorre.
Numero da decisão: 103-12.050
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em RESTITUIR os autos ã repartição de origem a fim de que seja proferida nova decisão singular ã vista do que foi decidido no processo matriz, por força do Acórdão n9 103-12.049, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Maria de Fatima Pessoa de Mello Cartaxo
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DESTILARIA BENALCOOL S/A, ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em RESTITUIR os autos ã repartição de origem a fim de que seja proferida nova decisão singular ã vista do que foi decidido no processo matriz, por força do Acórdão n9 103-12.049, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das essões, em 20 de fevereiro de 1992 wpinallerA/e---- ArEr O MASHADOSALDEIi - PRESIDENTE n 4 eAnt.iLau I/ P si DE nus,'" P. I§JjI34 • 4-4/03- LATORA VISTO EM ZIIIITO HO • 9 ' : — GA - PROCURADOR DA FA- SESSÃO DE: ri 8 FF v 1993 ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros:Dicler de Assunção, Luiz Alberto Cava Maceira, Victor' Luís de Salles Freire, Luiz Henrique Barros de Arruda,e alcenil Franco. 4.14. DAMIEFP/DF — SECOS N I 054/10 +17 t.te") • Lso SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Nt 10820/001.332/89-99 RECURSON9 : : 64.492 ACORDA() NS: : 103-12.050 RECORRENTE: DESTILARIA DENALCOOL S/A RELATÓRIO O presente processo é reflexo do Auto de Infração lavrado contra a mesma empresa, protocolado sob o n9 10.820/001.331/89-26, cu jo recurso recebeu neste Conselho o n9 99.650, e foi objeto de apre- ciação por esta Câmara na sessão de 20.02.92, tendo sido devolvido o processo à repartição de origem para que a petição de fls. 108 a 113 seja apreciada como impugnação, proferindo-se nova decisão singular na boa e devida forma, no resguardo da amplitude do direito de defesa do contribuinte, tudo conforme o Acórdão n9 103-12.049, juntado por cópia às fls. O reflexo refere-se à Contribuição PIS-DEDUÇÃO e está ampa- rada no artigo 39, letra "a", para§rafo 19, da Lei Complementar núme- ro 7/70 e artigo 480 do RIR/80, tudo conforme o Auto de Infração às fls.01. A empresa impugnou a exigência às fls.09 , requerendo que se aguarde o julgamento do processo matriz, o qual estava na ocasião "sub -judice" , tendo em vista ser o presente decorrente daquele. Informado às fls.11, subiu o processo à apreciação da Auto- ridade Singular, que no mérito indeferiu a impugnação, acompanhando o que decidira no processo matriz, conforme a Decisão às fls.15 a 16. Notificada dessa decisão em 09.01.91, conforme AR às fls.18, em 08.02.91 a empresa interpôs contra ela o recurso de fls.19/20 re- querendo fosse o processo apreciado em conformidade com as razões de defesa apresentadas no processo matriz. o relatório. ..- . 3. SERMO ~CO FEDERAL PROCESSO N9 10820/001.332/89-99 ACÓRDÃO N9 103-12.050 VOTO Conselheira MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, relatora. O recurso foi interposto com guarda do prazo regulamentar. Trata-se de processo de reflexo. No processo matriz decidiu -se pela devolução do mesmo à repartição de origem para que a petição de fls.108 a 113 seja apreciada como impugnação, proferindo-se nova decisão singular, na boa e devida forma, no resguardo da amplitude do direito de defesa do contribuinte, conforme o Acórdão n9 103-12049,jun 'I tado por cópia às fls. . Referida decisão reflete-se tarkk'm nes_ te processo decorrente. A vista do exposto, e do mais que do processo consta, conhe ço do recurso, por tempestivo, votando no sentido de ser o mesmo de- volvido à repartição de origem para que a petição de fls.19 e 20 seja apreciada como impugnação, proferindo-se nova decisão singular,em con sonância com o que vier a ser decidido no processo principal. 4-' E o meu voto. Cl. lai silia (DF), em 20 de fevereiro de 1992 amc jk A, e Z, h . . , Á eltA41Á D MARIA DE FATIMA PESSOA DE MELLO CARTA 4- RELATORA Imana Nacional Page 1 _0052800.PDF Page 1 _0053000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13807.000223/98-11
Data da sessão: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/07/1988 a 30/09/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para a compensação do PIS recolhido a maior, por julgamento da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, flui a partir do nascimento do direito à compensação/restituição, no presente caso, a partir da data de publicação da Resolução nº 49/95, do Senado Federal.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.744
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1988 a 30/09/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para a compensação do PIS recolhido a maior, por julgamento da inconstitucionalidade dos Decretos- Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, flui a partir do nascimento do direito à compensação/restituição, no presente caso, a partir da data de publicação da Resolução nº 49/95, do Senado Federal. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento ao recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez Lopez, Antonio Bezerra Neto, Leonardo Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, José Carlos Passuello e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13807.000223/98-11 Acórdão n.º 02-002.744 CSRF/T02 Fls. 1.046 _________ 2 Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão CSRF/02-02.744, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro Gileno Gurjão Barreto deixou o colegiado antes da formalização e assinatura deste acórdão. Por meio do Acórdão nº 202-16.332 a Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição do PIS recolhido com base nos Decretos-Leis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. O julgado recebeu a seguinte ementa: PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. 0 termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para a compensação do PIS recolhido a maior, por julgamento da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nº's 2.445/88 e 2.449/88, flui a partir do nascimento do direito à compensação/restituição, no presente caso, a partir da data de publicação da Resolução n° 49/95, do Senado Federal. Recurso provido. Regularmente notificada do referido acórdão em 06/09/2005 (fl. 966), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial em 08/09/2005 com base no art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, invocando contrariedade à lei. Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional o acórdão recorrido violou o art. 168, I do CTN combinado com o art. 156, I, do CTN. A decisão epigrafada fora proferida contrariamente à lei em razão da inobservância do posicionamento adotado pela 1" Seção do STJ no julgamento do ERESP 423.994/MG, bem como do comando do Ato Declaratório SRF nº 096/99 cujo teor prevê a contagem do prazo decadencial (para pedido de repetição de indébito) a partir da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento. Outrossim, aduz o recorrente que, consoante a nova orientação do STJ, admite-se a data de publicação da Resolução do Senado Federal como termo inicial do prazo, apenas e tão-somente, quando pelas normas gerais do CTN a prescrição ainda não houver se consumado. Por meio do despacho 202-00.282 o recurso especial foi admitido (fls. 977/979). Regularmente notificado do Acórdão nº 202-16.332, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 12/01/2006 (fl. 986), o contribuinte absteve-se de apresentar contrarrazões. É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13807.000223/98-11 Acórdão n.º 02-002.744 CSRF/T02 Fls. 1.047 _________ 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Para o fim de formalização do presente voto, embora discordando de tal interpretação, adoto o entendimento do ilustre relator originário externado por meio do Acórdão CSRF/02-02.745, proferido nesta mesma assentada, e que versou sobre a mesma questão, in verbis: "(...) A questão sub examine refere-se ao termo a quo aplicável aos pedidos de restituição de indébitos referentes ao PIS, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis 2.445/88 e n° 2.449/88 pelo STF, que regulamentam a exação. Esta questão é bastante conhecida por este Conselho de Contribuintes, que possui diversos julgados neste sentido. Aplica-se na espécie o prazo qüinqüenal a partir da Resolução do Senado Federal, tal como asseverado no julgamento do Recurso Voluntário n o 133.571, a seguir transcrito: PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição dos pagamentos da Contribuição para o PIS, efetuados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, é de 5 (cinco) anos, iniciando-se a contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que ocorreu com a publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. Quanto à interpretação dos arts. 165 e 168 do CTN, estes dispõem que: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º, do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; (...)” (grifos meus) Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13807.000223/98-11 Acórdão n.º 02-002.744 CSRF/T02 Fls. 1.048 _________ 4 Com efeito, se um determinado contribuinte recolheu mais tributo do que o devido por um equívoco seu (art. 165, inciso I, CTN), a prescrição tem início com a extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, CTN), que se deu com a homologação do lançamento, sendo a homologação tácita, uma das modalidades de homologação. Todavia, nos casos, como o presente, em que a contribuinte recolheu tributo indevido (art. 165, inciso I, CTN), com base em lei que, em momento ulterior, foi declarada inconstitucional, a contagem se dá de outra forma. Isto porque, no mundo jurídico, os decretos- leis que tinham instituído a cobrança indevida, não existem, de modo que não se pode falar em crédito tributário propriamente dito. Com isso, aplica-se, subsidiariamente o Decreto nº 20.910/32, de acordo com o qual “as dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem.” (art. 1º). Como o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, em controle concreto de constitucionalidade, essa decisão só passou a ter eficácia erga omnes com a publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10/10/1995, momento em que a recorrente passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente. Levando-se ainda em consideração que o prazo prescricional é de cinco anos, a prescrição para a recorrente pleitear a restituição da quantia paga indevidamente somente se consumaria em 10/10/2000. No caso concreto, o pleito foi formulado pela recorrente em 10/10/2000, portanto, exatamente na data do termo final para formular-se o pedido, razão pela qual entendo cabível e tempestivo o ressarcimento. Além disso, o Superior Tribunal de Justiça, por intermédio de sua Primeira Seção, fixou o entendimento de que “..., no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados.” 2 Alinhando-me com o Superior Tribunal de Justiça, portanto, reconhecida é a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de decadência contado segundo a denominada tese dos cinco mais cinco, nos moldes acima transcrito. A Câmara Superior de Recursos Fiscais sintetizou bem essa questão no Acórdão CSRF/01-03.239, de 19 de março de 2001, cuja ementa tem o seguinte teor: “DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL. 2 Recurso Especial nº 608.844-CE, Ministro José Delgado, Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado em DJU, Seção I, de 7/6/2004. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13807.000223/98-11 Acórdão n.º 02-002.744 CSRF/T02 Fls. 1.049 _________ 5 Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; b) da Resolução do senado que confere efeito ‘erga omnes’ à decisão proferida ‘inter partes’ em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.” Com essas considerações, voto no sentido de se NEGAR provimento ao Recurso Especial, para manter o Acórdão recorrido in totum, por estes e por seus próprios fundamentos. (...)" Com essa fundamentação, na assentada do dia 02 de julho de 2007 a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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Numero do processo: 13971.002597/2007-76
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANDTE Nº 08 DO STF.
Nada obstante às alegações da fiscalização e do contribuinte, na situação vertente operou-se uma questão de ordem pública, ou seja, os créditos lançados foram atingidos pela decadência quinquenal, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal - STJ, que julgou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91.
Tendo em vista que o lançamento foi consolidado em setembro de 2007, os créditos lançados relativamente às competências de 05/1997 a 12/1999, estão alcançados pelo instituto da decadência, quer pela regra do art. 173, I, do CTN, quer pela regra do § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.470
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANDTE Nº 08 DO STF. 1. Nada obstante às alegações da fiscalização e do contribuinte, na situação vertente operouse uma questão de ordem pública, ou seja, os créditos lançados foram atingidos pela decadência quinquenal, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal STJ, que julgou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. 2. Tendo em vista que o lançamento foi consolidado em setembro de 2007, os créditos lançados relativamente às competências de 05/1997 a 12/1999, estão alcançados pelo instituto da decadência, quer pela regra do art. 173, I, do CTN, quer pela regra do § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 25 97 /2 00 7- 76 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.002597/200776 Acórdão n.º 2803002.470 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.002597/200776 Acórdão n.º 2803002.470 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas à Seguridade social, referentes aos segurados empregados, nas competências de 05/1997 a 12/1999, consolidado em 28/09/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 15 de fevereiro de 2008 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1999 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é legalmente obrigada a descontar e recolher as contribuições a cargo dos segurados empregados que lhe prestarem serviço. PRESUNÇÃO DO DEVIDO DESCONTO. Presunção do desconto, oportuno e regular, de contribuição e de consignação legalmente autorizadas. FATO GERADOR. Constitui fato gerador da contribuição previdenciária a remuneração declarada pela empresa em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, como, também as declaradas em formulário destinado a processo de parcelamento não formalizado por omissão do contribuinte. AFERIÇÃO INDIRETA. É lícita a presunção do fato gerador, com a apuração por aferição indireta do salário de contribuição quando a empresa deixa de apresentar a documentação comprobatória, cabendo a essa o ônus da prova em contrário. Parágrafo 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. Lançamento Procedente Fl. 340DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.002597/200776 Acórdão n.º 2803002.470 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A empresa/contribuinte apresentou sim todos os documentos exigidos pelo auditor fiscal, não ocorrer a aferição indireta das contribuições, haja vista, que pelos documentos apresentados ficou comprovado que a empresa encerrou suas atividades no ano de 1997. Mesmo tendo apresentado os documentos exigidos pelo auditor fiscal, como as declarações de imposto de renda dos últimos cinco anos, entre outros, o auditor fiscal entendeu que não houve a comprovação da inatividade da empresa, ou seja, o encerramento das atividades da mesma. Diante do exposto, não procede a alegação do auditor fiscal de que a contribuinte não apresentou a documentação solicitada para possibilitar a ação fiscal, devendo o auto de infração nº 37.060.4334 ser julgado totalmente improcedente. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.002597/200776 Acórdão n.º 2803002.470 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento diz respeito a contribuições devidas à Seguridade Social, referentes aos segurados empregados, abrangendo as competências de 05/1997 até 12/1999, situação consolidada em 28/09/2007. Referido lançamento foi realizado por meio de aferição indireta, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar a documentação comprobatória regularmente exigida pela fiscalização, observandose as disposições do § 3º do art. 3º da Lei nº 8.212/91. No recurso, o contribuinte afirma que apresentou sim todos os documentos exigidos pela fiscalização. Refuta o critério da aferição indireta e aduz que a empresa encerrou suas atividades em 1977. Nada obstante às alegações da fiscalização e do contribuinte, na situação vertente operouse uma questão de ordem pública, ou seja, os créditos lançados foram atingidos pela decadência quinquenal, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal – STJ, que julgou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Destarte, tendo em vista que o lançamento foi consolidado em setembro de 2007, os créditos lançados relativamente às competências de 05/1997 a 12/1999, estão alcançados pelo instituto da decadência, quer pela regra do art. 173, I, do CTN, quer pela regra do § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.002597/200776 Acórdão n.º 2803002.470 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 35345.000838/2006-81
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercido: 1996, 1997, 1998, 1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF.
As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade
exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
No período autuado, inclusive, a empresa efetuou recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, sendo que a NFLD envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos.
Aplicabilidade ao caso da Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF.
Lançamento atingido pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.473
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercido: 1996, 1997, 1998, 1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. No período autuado, inclusive, a empresa efetuou recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, sendo que a NFLD envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Aplicabilidade ao caso da Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVMENCIÁRL&S Exercido: 1996, 1997, 1998, 1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. No período autuado, inclusive, a empresa efetuou recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, sendo que a NFLD envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Aplicabilidade ao caso da Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Processo n°35345.000838/2006-SI CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00A73 Fl. 475 n 14/ CARLOS ALBE' FiREITFA. BARRETO - Presidente #000 (ir GONÇALO B 1 : ALLA E - Relator EDITADO EM: 23 ADR Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Brochmann Polis - Industrial e Florestal S.A., CNPJ n° 83.750.604/0001-82, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 37.000.676-3 (fls. 02-101), pelo fato de que a empresa, na condição de agroindústria, não recolheu em época 1 própria as contribuições para a Previdência Social, parte Patronal e SAT/RAT, relativamente ao período compreendido entre 01/1995 e 02/1998. A ciência do lançamento ocorreu em 07/12/2005 (fls. 02). A Delegacia da Receita Federal do Brasil - Previdenciária em Florianópolis (SC) considerou o lançamento procedente (fls. 316-324). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 205-00200, que se encontra às fls. 371-380, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA COM ATIVIDADES DE AGROINDUSTRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTOS. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREYIDENCIÁRLAS. 10 ANOS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10 736. VÍCIOS NO MPF. INOCORRÊNCLA 2 Processo n°35345.00083812006-SI CSRF-T2 Acórdão n.° 9102-00.473 Fl. 476 O produtor rural pessoa jurídica que se dedique a outras atividades, além da produção, deverá recolher as contribuições sobre a folha de pagamentos, não estando abrangido pela substituição tributária prevista no art. 25 da Lei n°8.870/1994. Não seguindo os ditames legais o órgão previdenciá rio possui o direito-dever de efetuar o lançamento fiscaL • O prazo para consti tuição 'clas contribuições previdenciárias é de dez anos, conforme previsto no art. 45 da Lei n°8.212. A Lei n° 10.736 não se aplica ao presente caso, pois no período compreendido entre as competências abril de 1994 a abril de 1997, a empresa não recolheu sobre a comercialização da produção rural. Todos os MPF foram expedidos de acordo com os dispositivos normativos, não havendo qualquer nulidade. Recurso negado. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de decadência suscitada pelo sujeito passivo e, no mérito, negou provimento ao recurso. Em face deste acórdão a contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 387- 392), que restaram rejeitados (fls. 419-422). Na seqüência, interpôs recurso especial de divergência às fls. 426-437, acompanhado dos documentos de fls. 438-463, onde alegou, em apertada síntese, que: a) A NFLD envolve débitos do período compreendido entre 01/1995 e 02/1998, cuja intimação do lançamento ocorreu em 07/12/2005, ou seja, mais de cinco anos dos fatos geradores e, portanto, fora do prazo decadencial fixado no artigo 150, § 4°, do CTN; b) No caso, houve recolhimento do tributo, conforme se verifica no DAD, RDA e RADA, sendo o lançamento sobre suposta diferença decorrente da incidência do artigo 22, inciso 1, da Lei n° 8.212/91 as agroindústrias; c) Após o julgamento recorrido, houve um fato novo, a Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio Supremo Tribunal Federal, que tem efeito vinculante; d) Divergem do entendimento adotado pela decisão recorrida os acórdãos nos 203-121.736, 301-34.720, 303-35.698, entre outros citados; e) Deve ser dado provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento, em obediência ao artigo 103-A da Constituição Federal, por força da Súmula Vinculante do STF n° 08. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 205-025 (fls. 466-470), a Fazenda Nacional foi intimada e deixou de se manifestar, conforme informação de fls. 473. É o Relatório. 3 • Processo e 35345.000838/2006-SI CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.473 Fl. 477 Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de decadência suscitada pelo sujeito passivo e, quanto ao mérito, negou provimento ao recurso. A insurgência da recorrente está relacionada à decadência, sendo que os fatos gerados em apreço referem-se às competências compreendidas entre 01/1995 e 02/1998, enquanto a ciência da NFLD se deu em 07/12/2005. Eis a matéria em litígio. Penso, por força do que dispõe o artigo 103-A da Constituição Federal', que não se pode deixar de aplicar ao caso o Enunciado da Súmula Vinculante n° 08, do Egrégio Supremo Tribunal Federal — STF, segundo o qual "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 45 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário", de modo que a decisão recorrida deve ser reformada, pois a exigência fiscal é improcedente. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, as contribuições previdenciárias em apreço são tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração das suas base de cálculo e o recolhimento dos montantes devidos, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considera-se homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 40 , do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Art. 103-A O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 4 Processo e 35345.000833/2006-SI CSRF-T2 Acórdão n.° 920240473 Fl. 478 (.) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CiN, extingue o crédito tributário. Considerando que, no caso em apreço, o fato gerador mais recente das contribuições em debate ocorreu em 28/02/1998 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência da notificação fiscal de lançamento de débito em 07/12/2005 (fls. 02), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como não se imputou à empresa as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, ainda, não posso deixar de ressaltar que, no período autuado, a empresa efetuou recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, conforme se verifica no Discriminativo Analítico de Débito — DAD de fls. 05-25, de modo que a NFLD em apreço envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da contribuinte, para considerar improcedente a NFLD em apreço, em razão da decadência. te; i• Gonçalo : onet • lage - Relator 5
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Numero do processo: 10120.728006/2011-01
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE.
Constatada a omissão, acolhem-se os embargos para fins sanar a decisão apresentada face ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 1402-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar o Acórdão 1402- 001.311 e determinar o encaminhamento do processo à Unidade de origem a fim de que seja juntado aos autos a cópia integral das peças processuais do mandado de segurança 13402-76.2011.4.01.3500 - Justiça Federal de Goiás; com encaminhamento posterior à DRJ a fim de que seja prolatada decisão complementar com pronunciamento quanto à existência de concomitância entre as esferas administrativa e judicial e retomada do rito processual a partir daí.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE. Constatada a omissão, acolhemse os embargos para fins sanar a decisão apresentada face ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar o Acórdão 1402 001.311 e determinar o encaminhamento do processo à Unidade de origem a fim de que seja juntado aos autos a cópia integral das peças processuais do mandado de segurança 1340276.2011.4.01.3500 Justiça Federal de Goiás; com encaminhamento posterior à DRJ a fim de que seja prolatada decisão complementar com pronunciamento quanto à existência de concomitância entre as esferas administrativa e judicial e retomada do rito processual a partir daí. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 80 06 /2 01 1- 01 Fl. 5450DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.444 2 Fl. 5451DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.445 3 Relatório Trata o presente de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela FAZENDA NACIONAL (fls. 5.408/5.417) contra o Acórdão 1402001.311, proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que deu provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, GOIAS ESPORTE CLUBE. Tais embargos mostramse tempestivos e preenchem os demais requisitos para seu conhecimento. Designado para pronunciarme sobre a admissibilidade dos embargos, assim o fiz: "... Em resumo, alega a Fazenda Nacional que há pequena omissão e contradições no voto condutor do acórdão. Quanto à omissão, assim se pronunciou a embargante: Consta do relatório do r. acórdão embargado que o contribuinte, em resposta aos Termos de Intimação nº 0015 e 0016, informou que “b) a liminar obtida impossibilita a fiscalização de proceder a lavratura do Auto de Infração, até que o juízo se manifeste sobre o enquadramento do contribuinte na isenção disposta no art. 15 da Lei nº 9.532/97;”. Segundo informações da própria autuada, o seu enquadramento ou não na isenção prevista no art. 15 da Lei 9.532/97 estava sendo discutido em sede de Mandado de Segurança. De fato, compulsando os autos, constatouse que o autuado apresentou petição, em resposta ao Termo de Intimação nº 0010, onde comunica que deixava de apresentar a sua opção por quaisquer das formas de tributação, em vista do contido em liminar concedida nos autos do MS nº 1340276.2011.4.01.3500/Classe 2100, em trâmite na Seção Judiciária do Estado de Goiás, que determinava a suspensão da exigência prevista no item 01 do referido termo de intimação. Nesta mesma oportunidade, o contribuinte traz ao bojo do processo cópia da decisão liminar concedida, em cujo relatório consta que um dos argumentos levantados pelo impetrante é o de que teria direito ao tratamento tributário diferenciado do art. 18, parágrafo único, da Lei 9.532/97, que determina que: [...] Em consulta ao sitio eletrônico do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (www.trf1.jus.br), observase que aquele MM Juízo proferiu sentença denegando a segurança pleiteada, tendo o impetrante interposto recurso de apelação em face da r. decisão. Em que pese o resultado da demanda judicial, este e. colegiado não se manifestou sobre o referido Mandado de Segurança, muito menos sobre os eventuais efeitos da sentença no presente processo, considerando que um dos fundamentos do pedido do contribuinte naquela ação era, justamente, o seu enquadramento na isenção do já mencionado art. 15. Nesta toada, o acórdão ora embargado incorreu em omissão ao não se manifestar sobre ponto essencial ao deslinde da controvérsia. Isso porque, a depender do teor da sentença proferida no referido Mandado de Segurança, aquele juízo poderia ter se pronunciado a respeito do enquadramento do contribuinte na isenção ora pleiteada. Fl. 5452DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.446 4 Assim, necessário se torna que este e. colegiado se manifeste sobre o Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte, assim como sobre a sentença denegatória proferida naqueles autos. De fato, compulsando os autos constatase que a interessada apresenta, fls. 4.149/4.152, cópia de liminar concedida nos autos do MS nº 13402 76.2011.4.01.3500/Classe 2100, que determinava a suspensão da exigência prevista no item 01 do termo de intimação nº 0010 (fls. 4.137/4.141). Constatase, também, que no bojo do relatório daquela decisão consta que um dos argumentos levantados pela impetrante é o de que teria direito ao tratamento tributário diferenciado de que trata o art. 18, parágrafo único, da Lei 9.532/97. De outro lado, observase que no voto do acórdão embargado não há manifestação quanto ao aludido mandado segurança, caracterizando, em tese, a omissão aventada pela embargante. Quanto às contradições aventadas, assim se pronuncia a embargante. Conforme já mencionado alhures, este i. colegiado entendeu que o art. 27, no seu §13º, da Lei 9.615/98 (Lei Pelé), ao qual se apegou o autuante, limita seu sentido aos fins de fiscalização e controle do disposto na própria lei Pelé, e não em outras leis tributárias. A Lei nº 9.615, de 1998, apelidada de Lei Pelé, é responsável por prever as estruturas jurídicas e indicar a natureza das atividades desenvolvidas no desporto profissional. Essa lei não trata de tributação dos clubes de futebol, não trata de direito previdenciário, nem de direito financeiro ou contábil. A lei trata, eminentemente, de instituir normas gerais sobre desporto e dar outras providências. Além de considerar o desporto profissional como uma atividade de natureza econômica (art. 2º), a legislação sujeitou as entidades que exercem a atividade ao regime jurídico das sociedades empresárias, conforme o §13, do art. 27 do referido diploma legal. Até 2011, o dispositivo legal em comento tinha a seguinte redação: Art. 27. Omissis [...] § 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de prática desportiva, das entidades de administração de desporto e das ligas desportivas, independentemente da forma jurídica como estas estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias, notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos. (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003) Assim, temse que, para os fins de fiscalização e controle do disposto na mencionada Lei, as atividades profissionais das entidades de prática desportiva, independentemente da forma jurídica como estas estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias, notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos. As entidades em questão, independentemente da forma jurídica adotada, foram equiparadas às sociedades empresárias, notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos. Em outras palavras, mesmo constituindose como associação civil sem fins lucrativos, a citada equiparação considerou as entidades como sociedades empresárias para todos os efeitos nela colacionados, inclusive tributários e fiscais. Fl. 5453DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.447 5 O acórdão embargado, interpretando o dispositivo acima transcrito, apegouse à sua primeira parte para definir que a equiparação da contribuinte autuada a sociedade empresária somente poderia ocorrer para os fins de fiscalização e controle do disposto na própria Lei Pelé. Acontece que tal interpretação não se coaduna com a parte final do dispositivo legal acima. Isso porque, se a lei equipara as entidades de práticas desportivas profissionais a sociedades empresárias para fins tributários e fiscais, tal comando não pode se restringir somente ao disposto na própria Lei Pelé, uma vez que tal normativo não trata de direito tributário, como reconhece o próprio acórdão embargado. Assim, se a Lei Pelé não trata de fiscalização e/ou tributação, qual teria sido a intenção do legislador em equiparar a autuada a sociedade empresária para fins tributários? Obviamente, que sua intenção era abranger também a legislação tributária aplicável à autuada. Não há como compatibilizar a interpretação do acórdão embargado, segundo o qual tal comando legal estaria voltado unicamente à Lei Pelé, quando o próprio legislador afirma que a equiparação a sociedade empresária se dá para efeitos tributários e a Lei Pelé não trata de tributação! De fato, quanto a esse ponto (§13 do art. 27 da Lei Pelé), assim se pronunciou o acórdão embargado, fls. 5.398/5.399: Com respeito a esse ponto, observo que o parágrafo equipara as atividades profissionais das entidades – independente da forma de sua constituição às atividades das sociedades empresárias. Contudo, há uma ressalva fundamental que não foi devidamente enfatizada pelo autuante. Tratase da estipulação de que essa equiparação existe para os fins de fiscalização e controle do disposto naquela lei (lei Pelé) – e não em outras leis, mormente de cunho tributário. ... Não consigo extrair conseqüências tributárias desse art. 27, principalmente porque, como antecipado, o aludido § 13º, ao qual se apegou o autuante, limita seu sentido aos fins de fiscalização e controle do disposto na própria lei Pelé, e não em leis tributárias. Por isso, em face da ressalva expressa, não me persuado de que a norma possa ser livremente utilizada para outros fins, que não a fiscalização e controle do disposto na própria lei, mormente para revogar isenção concedida por dispositivo legal de natureza tributária. Com efeito, entendo, smj, que o acórdão embargado, ao menos em tese, não levou em conta em sua análise a parte final do dispositivo em comento. A se considerar tal análise, uma das possibilidades de conclusão é a levantada pela embargante: de que o acórdão embargado apresentaria contradição no sentido de que o legislador estipulou efeitos à equiparação das entidades de desporto profissional a sociedades empresárias, que vão além dos dispositivos legais da Lei Pelé. Nesse sentido, entendo necessário que este colegiado elucide a referida contradição, manifestandose acerca do fato de que o §13 do art. 27 da Lei Pelé estabelece efeitos relativos à equiparação como sociedade empresária que vão além daqueles previstos na própria Lei Pelé. Por fim, aventa a embargante outra contradição: a conclusão a que chegou o acórdão embargado, no sentido de que a isenção do art. 15 da Lei 9.532/97 seria aplicável às entidades desportivas que desenvolvem atividade profissional, se mostraria contraditória com o fato de ter a Lei 11.345/2006 estendido, por cinco anos, os efeitos do benefício tributário previstos no próprio art. 15, bem como nos arts. 13 e 14 da MP nº 2.15835/2001, às entidades desportivas profissionais. Nesse sentido, assim se pronunciou a embargante. Fl. 5454DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.448 6 [...] O télos da norma da isenção prevista no art. 15 da Lei nº 9.532/97, a partir do qual foram criadas as isenções da MP nº 215835, de 2001 e Lei nº 11.345, de 2006, não está voltado para atividades econômicas, tanto que, para afastar a incidência da norma de isenção, foi criado um dispositivo que sujeitou as atividades de desporto profissionais como ao regime geral da tributação (§13, do art. 27). Se é verdade que um dos cânones do nosso sistema é o princípio da igualdade, o qual se desdobra na seara tributária no princípio da capacidade contributiva, também é verídico afirmar que a leitura da norma isenção sofre também a inflexão de tais princípio, de maneira que há uma realidade econômica inegável nas atividades de desporto profissional que não permite que o confundamos com atividade associativa, reforçando a leitura de não incidência da norma de isenção aos clubes de futebol profissional. Ainda que seja possível para uma entidade do desporto profissional adotar a forma de associação civil sem fins lucrativos, os princípios contidos no Art. 145, §1º (Capacidade contributiva) e Art. 150, II (Vedação de tratamento desigual), ambos da Constituição Federal, nos levam entender que o Art. 27, §13, da Lei nº 9.615/98, afastou a aplicação das normas de isenção contidas no Art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, e nos artigos 13 e 14 da MP nº 2.15835, de 2001, para as entidades de desporto profissional, inclusive os clubes de futebol. Tanto é assim, que foi necessária uma lei em sentido estrito, qual seja, a Lei 11.345/2006 para assegurar, por cinco anos, os benefícios tributários referentes à isenção prevista no art. 15 da Lei 9.532/97 para as entidades desportivas que desempenham atividade profissional. Considerando a nova previsão legal, que assegura a isenção do art. 15 às entidades de desporto profissional, nos parece bastante claro que, antes, tais entidades não podiam gozar da isenção do art. 15. Caso contrário, não haveria razão de ser de o legislador ter instituído/estendido uma isenção tributária, ainda que por um período determinado, se dos destinatários do comando legal não estivessem impossibilitados de obter tal benefício. Somente se as entidades de desporto profissional não gozassem mais da isenção do art. 15, faria sentido dizer que tal isenção estaria estendida a essas entidades, por mais cinco anos, observandose os requisitos elencados pelo legislador. O acórdão ora embargado, além de não tratar especificamente dos efeitos da Lei 11.345/2006, esboçou conclusão que contradiz esta norma. Se as entidades de desporto profissional estão abarcadas pela isenção do art. 15 da Lei 9.532/97, conforme concluiu esta i. Turma, porque o legislador viria, em seguida, afirmar que estava assegurando, por mais cinco anos, a referida isenção a essas entidades? Diante dessa contradição, necessário se torna que este i. colegiado aclare o decisium, manifestandose sobre os efeitos da edição da Lei 11.345/2006, que passou a assegurar a isenção do art. 15 às entidades de desporto profissional, face ao entendimento adotado pelo acórdão ora embargado, no sentido de que estas mesmas entidades já poderiam gozar da mesma isenção, antes mesmo da edição da referida lei. Como compatibilizar uma norma que institui uma isenção a um determinado grupo, com o fato desta isenção já poder ser exercida? Em outros termos, é imprescindível que este colegiado elucide a contradição criada ao se abraçar a conclusão de que a isenção art. 15 poderia ser adotada por entidades de desporto profissional, com o fato de que uma outra lei, editada posteriormente, ter afirmado que, a partir daquele momento, tais entidades poderiam gozar da isenção do art. 15. Fl. 5455DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.449 7 Como no caso anterior, entendo, smj, que o acórdão embargado, ao menos em tese, não levou em conta em sua análise a Lei 11.345/2006 em comento. A se considerar tal análise, uma das possibilidades de conclusão é a levantada pela embargante: de que o acórdão embargado apresentaria contradição no sentido de que a isenção do art. 15 da Lei 9.532/97 seria aplicável às entidades desportivas que desenvolvem atividade profissional, posição inconsistente, no entender da embargante, com o fato de ter a Lei 11.345/2006 estendido, por cinco anos, os efeitos do benefício tributário previstos no próprio art. 15, bem como nos arts. 13 e 14 da MP nº 2.158 35/2001, às entidades desportivas profissionais. Desse modo, por entender que, em tese, houve omissão/contradição sobre pontos que a turma deveria ter se pronunciado, com base no art. 65, § 2°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, manifestome pela admissão dos embargos de declaração opostos e conseqüente retorno dos autos a este Colegiado para apreciação. ..." O I. Presidente desta Turma aprovou o despacho, admitindo os embargos na forma apresentada acima, retornando os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 5456DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.450 8 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar A questão diz respeito à omissão e contradições no voto condutor do acórdão conforme relatado. Da omissão quanto à opção pela via judicial Sustenta a embargante que a contribuinte, em resposta aos Termos de Intimação nº 0015 e 0016, teria informado que “a liminar obtida impossibilita a fiscalização de proceder a lavratura do Auto de Infração, até que o juízo se manifeste sobre o enquadramento do contribuinte na isenção disposta no art. 15 da Lei nº 9.532/97;”, item (b) daquele documento. Assim, segundo informações da própria autuada, o seu enquadramento ou não na isenção prevista no art. 15 da Lei 9.532/97 estava sendo discutido em sede de Mandado de Segurança. De fato, compulsando os autos, constatase que a interessada apresenta, fls. 4.149/4.152, cópia de liminar concedida nos autos do MS nº 1340276.2011.4.01.3500/Classe 2100, que determinava a suspensão da exigência prevista no item 01 do termo de intimação nº 0010 (fls. 4.137/4.141). Constatase, também, que no bojo do relatório daquela decisão consta que um dos argumentos levantados pela impetrante é o de que teria direito ao tratamento tributário diferenciado de que trata o art. 18, parágrafo único, da Lei 9.532/97, sugerindo a concomitância de objetos constantes da ação judicial e do lançamento que ora se analisa. A embargante, em consulta ao sitio eletrônico do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (www.trf1.jus.br), observou que aquele MM Juízo proferiu sentença denegando a segurança pleiteada, tendo o impetrante interposto recurso de apelação em face da r. decisão. A interessada, por sua vez, informa às fls. 5.425 que apresentara embargos dessa decisão, que resultaram acolhidos em parte para conceder parcialmente a segurança para "afastar definitivamente a exigência prevista no Item 1º do Termo de Intimação Fiscal nº 10, convalidandose os termos da liminar concedida às fls. 66/69. No mais, denego a segurança." Em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (www.trf1.jus.br), constato a baixa definitiva do processo em 13/06/2014, por conta de desistência da parte impetrante, conforme despacho publicado no eDJF1 em 05/05/2014, in verbis: APELAÇÃO CÍVEL 001340276.2011.4.01.3500/GO Processo na Origem: 134027620114013500 RELATOR (A):JUIZ FEDERAL ROBERTO CARVALHO VELOSO (CONV.) APELANTE : GOIAS ESPORTE CLUBE ADVOGADO : ELENILDES NOGUEIRA CONCEICAO Fl. 5457DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.451 9 APELADO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : CRISTINA LUISA HEDLER REC. ADESIVO : FAZENDA NACIONAL DECISÃO Tendo em vista que ao impetrante é facultado desistir do mandado de segurança a qualquer tempo, independentemente da concordância da parte contrária (AMS 1999.01.00.081791 5/DF, AMS 1997.01.00.0431991/MA, AMS 1998.01.00.092009 3/DF e AMS 90.01.038700/GO), HOMOLOGO o pedido de desistência formulado pelo impetrante às fls. 327/329, para que produza os seus jurídicos e legais efeitos, ficando prejudicado(s) o(s) recurso(s) eventualmente interposto(s). Publiquese. Intimese. Após o trânsito em julgado desta decisão, baixem os autos à origem. Brasília/DF, 14 de abril de 2014. Juiz Federal ROBERTO VELOSO Relator Convocado Até 27/08/2014 vigia o ADN Cosit nº 03, de 14 de fevereiro de 1996 que assim orientava: Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT n.º 27/96, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.); c) no caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; Fl. 5458DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.452 10 d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento de mérito (grifei). art. 267 do CPC). Depreendese da citada norma que a propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. Mais ainda, que é irrelevante que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento de mérito. Quanto à extinção do processo, vejase o art. 267 do CPC: Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) ... VIII quando o autor desistir da ação; ... As peças dos autos, conforme acima mencionado, sugerem que, quando da propositura da ação, havia a concomitância de objeto, já que a ação judicial trazia, dentre os seus argumentos, questionamento acerca do direito ao tratamento tributário diferenciado de que trata o art. 18, parágrafo único, da Lei 9.532/97. Ressaltese que no entendimento da referida norma é suficiente, para caracterizar a concomitância, que haja coincidência de objetos por ocasião da propositura da ação judicial, não importando se em posterior análise da ação judicial a parte concomitante tenha sido denegada, como, de fato, ocorrera no caso em análise. Assim, à luz do entendimento exarado no ADN Cosit nº 03 acima transcrito, havendo confirmada a concomitância de objeto na esfera administrativa e judicial, independente de posterior extinção do processo judicial, há que se declarar a definitividade da exigência aqui discutida, conforme orienta a alínea (c) do referido ADN. Em 27/08/2014 sobreveio a publicação do Paracer Normativo COSIT nº 07 que revogou o ADN Cosit nº 03/96. Em seus termos, entretanto, mantevese o entendimento adotado acima. Vejase a ementa do parecer em referência. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. Fl. 5459DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.453 11 RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei n° 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3°; Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2°; Decretolei n° 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1°; Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5°, inciso XXXV; Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei n° 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF n° 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF n° 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB n° 1.300, de 20 de novembro de 2012. eprocesso n° 10166.721006/201316 (Grifei) Transcrevo abaixo parte dos fundamentos do referido parecer, que adoto como razão de decidir neste voto, conforme autoriza o disposto no art. 50 Lei nº 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF. "... 5. As conclusões do ADN supratranscrito (ADN Cosit nº 03/96) assentaramse, basicamente, nas prescrições do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, do Decretolei n° 1.737, de 20 de dezembro de 1979, e da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, que assim disciplinam: Decreto n° 70.235, de 1972 Fl. 5460DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.454 12 Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. (Vide Medida Provisória n° 232, de 2004) Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. (Vide Medida Provisória n° 232, de 2004) (grifouse) Decretolei n° 1.737, de 1979 Art. 1° Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (... ) II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; (... ) § 1° O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1°, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2° A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (grifouse) Lei n° 6.830, de 1980 Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifouse) Fl. 5461DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.455 13 5.1 Quanto ao art. 62 do Decreto n° 70.235, de 1972, reportese que o art. 10 da Medida Provisória (MP) n° 232, de 30 de dezembro de 2004, que intentava conferir nova redação àquele dispositivo, foi revogado pela MP n° 243, de 31 de março de 2005. 5.2 Além disso, o caput do art. 38 da Lei n° 6.830, de 1980, traz uma enumeração exemplificativa das ações judiciais e a exigência de depósito preparatório que há muito foi afastada pelo STF. 5.3 Depreendese que a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública (o que inclui mandado de segurança, ação de repetição de indébito, ação declaratória ou ação anulatória), em qualquer momento, com o mesmo objeto que está sendo discutido na esfera administrativa, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Apontase, como ressalva, a adoção da via judicial com o mero fim de correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência. 5.4 Neste ponto, vale trazer à baila a Súmula STF n° 429: "A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade". 6. No mesmo sentido reza a Súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovada e divulgada pela Portaria CARF n° 52, de 21 de dezembro de 2010 (publicada no DOU de 23 de dezembro de 2010, Seção I, fls. 87 a 90 e retificada no DOU de 12 de janeiro de 2011, Seção I, fl. 44): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifouse) ... Da extinção do processo judicial sem resolução de mérito 19. Cabe a análise do aspecto concernente à opção do contribuinte pela discussão da matéria controvertida no âmbito judicial, em que se decidiu pela extinção do processo sem resolução do mérito, por uma das hipóteses listadas de forma não taxativa no art. 267 do CPC, o que poderia provocar dúvidas quanto à possibilidade de se retomar o julgamento administrativo da lide quanto ao objeto colidente. 19.1. Entendese que a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação, mesmo porque, embora se trate de uma forma anormal de extinção do processo (a normal seria com resolução de mérito), é uma das duas formas possíveis, colocadas lado a lado nos arts. 267 e 269 do CPC. Ainda, o art. 268 do CPC faculta ao autor intentar de novo a ação judicial quando foi extinto o processo sem resolução de mérito, salvo as hipóteses ali trazidas. Nessa linha: Fl. 5462DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.456 14 O direito atual dá mostras patentes e até desnecessárias de não aceitar esse sistema de extinção do direito. Já no plano infraconstitucional, a permissão de repropor em juízo a mesma pretensão depois de extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC, arts. 28 e 268) tem por óbvia premissa a subsistência do direito apesar da experiência processual frustrada. Nem poderia ser de outro modo, porque dar por extinto o direito nessa situação, ou mesmo fechar as portas do Poder Judiciário para sua defesa, seriam efeitos abertamente transgressivos às garantias constitucionais de acesso à justiça e do devido processo legal (supra, nn. 9495). Essa transgressão ocorreria tanto pela extinção do próprio direito pleiteado, como também, a fortiori, dos direitos concorrentes não pleiteados. No direito moderno a propositura da demanda não tem esse efeito extintivo. (DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. v. II. 5. ed. São Paulo: Malheiros, 2005. p. 5557) 19.2. As hipóteses que ensejam a extinção do processo sem resolução de mérito, previstas no art. 267 do CPC, configuram, na verdade, questões preliminares que, se verificadas, impedem o exame do mérito (à semelhança do que prevê o art. 28 do Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo reproduzido), o que pode dar azo a novo pleito na via judicial sobre a questão versada nos autos. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) 19.3. Tendo propiciado a extinção do processo na forma do art. 267 do CPC, deve o contribuinte arcar com o ônus da irreversibilidade da renúncia à via administrativa, materializada pela escolha da seara judicial. ... Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; ... Fl. 5463DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.457 15 e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão normal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; ... g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; ... i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; ..." Por todo o exposto, considero de importância capital para o deslinde da discussão neste processo a delimitação precisa do objeto da ação judicial em referência. Isso porque, conforme analisado acima, caso confirmada a concomitância de objeto na esfera administrativa e judicial, independente de posterior extinção do processo judicial, há que se declarar a definitividade da exigência aqui discutida. Mais ainda. Tendo em vista que a matéria em debate, quanto à concomitância de objeto, não foi discutida em primeira instância, para evitar supressão de instância e cerceamento do direito de defesa, entendo necessária sua análise pela instância de piso, a Delegacia de julgamento DRJ em Brasília/DF. Nesse sentido Voto por dar provimento aos embargos de declaração para retificar o Acórdão 1402 001.311 e determinar o encaminhamento do processo à Unidade de origem a fim de que seja juntado aos autos a cópia integral das peças processuais do mandado de segurança 1340276.2011.4.01.3500 Justiça Federal de Goiás; com encaminhamento posterior à DRJ Brasília/DF a fim de que seja prolatada decisão complementar com pronunciamento quanto à existência de concomitância entre as esferas administrativa e judicial e retomado do rito processual a partir daí. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 5464DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.728006/201101 Acórdão n.º 1402002.057 S1C4T2 Fl. 5.458 16 Fl. 5465DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13887.000194/99-06
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO
INICIAL. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM CONTROLE DIFUSO. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido, o Recurso Extraordinário deve demonstrar a divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma. Tendo em vista que a tese conclamada pelo acórdão recorrido não diverge da tese adotada pelo acórdão paradigma, sendo apenas divergentes os resultados de julgamento por questão fática, não merece conhecimento o Recurso.
Numero da decisão: 9900-000.138
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não conhecer do recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Leonardo de Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, José Adão Vitorino de Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, que conheciam e enfrentavam o mérito.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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CSRE-PL ai MINISTÉRIO DA FAZENDA frN.-; • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13887.000194/99-06 Recurso n° 303-129.374 Extraordinário Acórdão n° 9900-00.138 - Pleno Sessão de 08 de dezembro de 2009 Matéria FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida CERÂMICA MARISTELA S/A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM CONTROLE DIFUSO. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido, o Recurso Extraordinário deve demonstrar a divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma. Tendo em vista que a tese conclamada pelo acórdão recorrido não diverge da tese adotada pelo acórdão paradigma, sendo apenas divergentes os resultados de julgamento por questão fática, não merece conhecimento o Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não conhecer do recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Leonan o de Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, José A ": Vitorino de Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, que conheciam e enfren vam o mérit . 410 é CARLOS ALBER • ITAS ft • • TO - Presidente da CSRF. /- ID 13 - Relatora. EDITADO EM: 5.10.3j240 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Adriana Gomes Rego, Kaien Jureidini Dias, Leonardo Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Albertina Silva Santos de Lima, Vaniir Sandii,taio Marcos Condido,- Gonçalo Bonet Alage,-Elias Sampaio Freire, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Júlio César Vieira Gomes, Rycardo Henrique Magalhães De 1•A Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez López, Judith do Amaral Marcondes Minando, Leonardo Siade Manzan, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Nanci Gama, José Adão Vitorino de Moraes, Rodrigo Cardozo Miranda, Suzy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de Recurso Extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional (fls. 401/410), com base no artigo 9°, c/c artigo 43 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em fac,e do Acórdão CSRF/03-05.479, da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O processo trata de pedido de restituição de Finsocial recolhido indevidamente. Em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, por entender que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interpor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/1995. O acórdão restou assim ementado: Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITORIO — DUPLO GRAU ANÁLISE DE MÉRITO — Nos processos administrativos fiscais de pedido reconhecimento do direito creditó rio, cujo litígio instaurou-se apenas quanto ao prazo para interposição do pleito, ou seja, a unidade de origem da Receita Federal não apreciou o mérito, afastada essa preliminar, os autos devem retomar àquela origem para essa análise, podendo o contribuinte apresentar outra manifestação de inconformidade à DRL no prazo de 30 dias da ciência, caso discorde da nova decisão. Neste passo, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário, no qual requer seja aplicada a tese de que o termo inicial da contagem do prazo para pleitear a restituição do Finsocial é o momento da extinção do crédito tributário — o pagamento. Aduz, que a Medida Provisória n° 1.110/95 simplesmente autorizou as providências a serem adotadas pelo Poder Executivo, no sentido de amoldar-se à declaração de inconstitucionalidade, no tocante aos créditos tributários ainda não definitivamente constituídos. É o relatório. 2 - Processo n° 13887.000194/99-06 CSRF-PL Aeérdio n.° 9900-00.138 Ft 2 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Delimitando a lide, o Recurso Extraordinário versa sobre o prazo para pleitear a restituição do Finsocial, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Quatro teses distintas são encontradas acerca da questão em discussão. A primeira, defendida pela Recorrente, é no sentido de que o prazo para se pleitear a restituição é de cinco anos contados a partir da extinção do crédito tributário, o que se dá com o pagamento efetuado pelo contribuinte. A segunda tese, vencedora no acórdão recorrido, é a de que o prazo apenas teve inicio com a publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, de 31108/1995, a qual passou a dispensar a Fazenda Pública de exigir o referido tributo. A Recorrida, alternativamente, argumenta no sentido de que o prazo para pleitear a restituição é de cinco anos contados da data em que o lançamento foi homologado (tese dos cinco mais cinco anos). Por fim, há também a tese que defende ser o termo inicial o momento em que foi publicada a Resolução do Senado n°49, de 10/10/1995, que suspendeu a eficácia da norma veiculada pelos Decretos-lei Ws. 2.445 e 2.449, por razões de inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Desta forma, a questão principal que se coloca é em relação ao termo inicial para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Definido o termo inicial, o prazo prescricional é de 5 (cinco) anos para o pleito da restituição. No entanto, antes de adentrar ao mérito, necessário verificar a admissibilidade do presente Recurso Extraordinário, com base nos acórdãos paradigmas juntados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre dizer que, de acordo com o Regimento Interno da CSRF, artigo 43, o Recurso Extraordinário deve demonstrar a divergência argüida e indicar a decisão divergente. Vejamos. O acórdão recorrido aplicou a tese de que o prazo apenas teve inicio com a publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, de 31/08/1995, a qual passou a dispensar a Fazenda Pública de exigir o referido tributo. De outra parte, o acórdão CSRF/02-02.088, citado como paradigma traz fatos distintos aos do presente processo. O pedido de restituição foi protocolado, no acórdão divergente, em 10/11/2000, ou seja, fora do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição, considerando o termo a quo a Resolução do Senado Federal publicada em 10 de outubro de 1.995, que considerou inconstitucionais os aumentos previstos nos Decretos-Lei n° 2.445 e 2449/88. Situação diversa é a do acórdão recorrido, em que o pedido foi feito em 16/12/1998, ou seja, dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição, contado da Resolução do Senado. 3 • . Neste passo, tendo em vista que no acórdão paradigma o pedido foi formalizado após cinco anos a contar da Resolução do Senado Federal e não restou vencedora a tese que considera como termo inicial a data do pagamento, entendo que não está caracterizada a divergência. Veja-se o que concluiu °acórdão paradigma: "Contando-se, pois, a extinção do crédito tributário da data do pagamento antecipado, tem-se que, no caso concreto ora em análise, o direito à repetição foi extinto pelo decurso de prazo, haja vista que o pedido fora protocolado em 10/11/2000 e refere- se a pretensos recolhimentos efetuados a maior, cujo último pagamento dera-se em 14/06119911 Por último, resta esclarecer que a jurisprudência dominante nos Conselhos de Contribuintes e, também, na Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o prazo para 'repetição de eventual indébito conta-se a partir da publicação do ato senatoriaL 1 Especificantente, para a hipótese de restituição de pagamentos efetuados a maior por força dos inconstitucionais Decretos- Leis 2.445/1988 e 2.449/1988, o marco inicial da contagem da prescrição seria 10 de outubro de 1995, data de publicação da " Resolução 49 do Senado da República. Com isso, o termo final para repetição de indébito referente a aplicação dos indigitados decretos-leis seria 10 de outubro de 2.000. Como o pedido só foi protocolado em 10 de novembro de 2000, o direito postulado fora extinto pela inércia de seu detentor. Em. assim sendo, seja o termo inicial contado da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado, seja da data da publicação da Resolução do Senado, não importa,• no momento em que o pedido foi protocolado na repartição fiscal o prazo encontrava-se exaurido." Ora, não resta claro que o acórdão acima referido, utilizado como paradigma, considera o termo inicial como sendo o pagamento antecipado, inclusive, pois, há referência expressa à jurisprudência majoritária do então Conselho de Contribuinte e da Cámara Superior de Recursos Fiscais "no sentido de que o prazo para repetição de eventual indébito conta-se a partir da publicação do ato senatorial". Portanto, haja vista que a tese conclamada pelo acórdão recorrido não diverge do decidido pelo acórdão paradigma, uma vez que este considera o termo inicial como sendo o Ato Declaratório do Senado Federal (ou seja, atribui prazo até maior, na medida em que o acórdão recorrido considera teimo a quo anterior, correspondente a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, de 31/08/1995), entendo que não merece conhecimento o Recurso. Por todo o exposto, deixo de conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, em razão da não comprovação da divergência. OffirKarem Jureii'm Ii. - Relatora 4
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