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Numero do processo: 19515.000763/2003-30
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL
Exercício: 1997
DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Declarada a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo
Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 - DOU de 20
de junho de 2008), cancela-se o lançamento no qual não foi
observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário
Nacional.
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.107
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado)e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Susy Gomes Hoffmann, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto q passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alexandre Andrade de Lima da Fonte Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício: 1997 DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 - DOU de 20 de junho de 2008), cancela-se o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
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Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, !vete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado)e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Susy Gomes Hoffinann, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto q passam a integrar o presente julgado. A NIO P GA Pre dente Processo n° 19515.000763/2003-30 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.107 Fls. 3 jt— A XANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO Relator FORMALIZADO EM 2 5 int 2009 • fr Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos . Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Gustavo Lian Hadadd. Relatório Em face do Acórdão n° 01-05.634, proferido pela Egrégia Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou o Recurso Extraordinário de fls. 3457/3469, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, _com fundamento no art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais dos Conselhos de Contribuintes, e nas razões seguintes. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio da decisão recorrida de fls. 3435/3453, por maioria de votos, entendeu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN, salvo se ocorrido dolo, fraude ou simulação. Assim, considerando o lapso temporal superior a cinco anos entre os fatos geradores ocorridos até 31.12.1997 e a ciência do lançamento, ocorrida em 11.03.2003, reconheceu a decadência do respectivo crédito tributário da CSLL, estando o julgado assim ementado: "DECADÊNCIA — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1991, por força do artigo 38 da Lei n o 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada' a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § e do artigo 150 do CT1V. Tendo o Pleno do STF ja se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando as matérias contidas no artigo 146-111 (\72 Processo n° 19515.000763/2003-30 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.107 Fls. 4 da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicando-se o Código Tributário em detrimento de Lei Ordinária. (STF TRIBUNAL PLENO - RE 407190/RS -SESSÃO DE 27-1 0-2 004). ." (destacamos) Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional afirmou que a decisão recorrida, ao julgar a decadência do crédito tributário, contrariou o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, que prevê o prazo decadencial de 10 anos para a constituição de crédito tributário das contribuições sociais. Afirmou que não cabe à esfera administrativa afastar a aplicação de norma vigente, sendo a apreciação da constitucionalidade das leis matéria restrita à análise do poder judiciário, conforme art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Acrescentou que, conforme jurisprudência do STF, afastar a aplicação de lei significa declarar a sua inconstitucionalidade. - Defendeu a legalidade e a constitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, sob o argumento de que o CTN admite a edição de norma específica sobre a decadência, inexistindo qualquer conflito entre a referida norma, de natureza especial, e o disposto no art. 150 do CTN. Afirmou, ainda, que o próprio STF determinou o sobrestamento do julgamento dos feitos atinentes à matéria, não cabendo ao presente Conselho agir de forma contrária, proferindo ditames em contrariedade à lei plenamente vigente. Como divergência jurisprudencial, a Recorrente reporta-se ao Acórdão CSRF/02-01.722, ofertado em cópia, em que decidiu-se pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei n° 8.212/91 (dez anos), para as contribuições destinadas à seguridade social, cuja ementa tem o seguinte teor: "COFINS - DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição . para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins é de dez anos, contado a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído." (destacamos) A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso extraordinário, às fls. 3489/3506 Em suas razões, o recorrido afirmou que a doutrina admite a derrogação do prazo constante no art. 150 do CTN por lei infra-complementar apenas para reduzi-lo, e não para aumentá-lo. O prazo previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91 seria aplicável tão somente às contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária, em favor do INSS. Afirmou que o STF já declarou a inconstitucionalidade do referido dispositivo, tendo, inclusive, editado súmula vinculante nesse sentido. De acordo com o Decreto ti" 2.346/97, o Conselho de Contribuintes e a CSRF devem observar as decisões do STF que, de forma inequívoca e definitiva, ainda que sem eficácia erga omnes, fixem a interpretação ou considerem inconstitucional determinada norma, como é o caso da Súmula Vinculante do STF n°08. É o relatório 3 Processo n° 19515.000763/2003-30 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.107 Fls. 5 Voto Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Relator A questão posta à apreciação cinge-se ao prazo decadencial aplicável à constituição de créditos tributários referentes às contribuições sociais destinadas à seguridade social. Não obstante a Lei n° 8.212/91 prever prazo decadencial de dez anos para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições sociais, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 146, III, "b", reserva à Lei Complementar dispor sobre a decadência em matéria tributária, nos seguintes termos: - Art. 146. Cabe à lei complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Em decorrência, tendo em vista a natureza tributária das contribuições sociais, em conformidade com os arts. 146 e 150 da Constituição Federal, aplica-se a esses tributos o prazo decadencial constante no Código Tributário Nacional, recebido como Lei Complementar pela Constituição Federal de 1988, e não aquele prazo constante no art. 45 da Lei n° 8.212/91. Corroborando com esse entendimento, os ministros do STF decidiram, por unanimidade, declarar a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, editando a Súmula vinculante n° 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n°8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" A CSLL é tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição dos respectivos créditos tributários é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, cujo teor é o seguinte: "Art. 150 — O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". b..1 • Parágrafo quarto — Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirando esse klç6 4 Processo n 19515.000763/2003-30 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.107 Els 6 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Dessa maneira, ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada ou pagamento antecipado. Em decorrência, considerando o lapso temporal superior a cinco anos entre os fatos geradores ocorridos em 1997, e a lavratura do presente lançamento, ocorrida em 11.03.2003, entendo que, à época de sua lavratura, já havia decaído o direito da Fazenda em proceder ao lançamento do crédito tributário correspondente à CSLL. Isto posto, VOTO no sentido . de NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto pelo ilustre representante da Fazenda Nacional, mantendo-se a decisão recorrida em todos os termos. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILH 5 Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004239/2006-80
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
Ementa: ADMISSIBILIDADE. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.
No caso, não há demonstração de interpretação divergente entre decisões, motivo para o não conhecimento do recurso.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 Ementa: ADMISSIBILIDADE. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso, não há demonstração de interpretação divergente entre decisões, motivo para o não conhecimento do recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 370 1 369 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35464.004239/200680 Recurso nº 143.320 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.218 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (PFN) Interessado NESTLÊ BRASIL LTDA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 Ementa: ADMISSIBILIDADE. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso, não há demonstração de interpretação divergente entre decisões, motivo para o não conhecimento do recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.004239/200680 Acórdão n.º 920202.218 CSRFT2 Fl. 371 3 Relatório Tratase de recurso especial por divergência, fls. 309, elaborado pela nobre Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), contra acórdão, fls. 0301, que deu provimento ao recurso voluntário, devido à aplicação de regra decadencial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a ocorrência de antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante para aplicação do instituto, os quais se quedaram às conclusões do Conselheiro Relator em virtude de aludido fato. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Em seu recurso especial a PFN alega, em síntese, que: 1. Não ocorreu pagamento antecipado sobre todas as rubricas da competência 12/1998, mas somente sobre a contribuição referente à empresa, restando sem pagamento antecipado as rubricas segurados e terceiros, conforme fls. 0297; 2. Portanto, para elas deve ser aplicada a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 3. A decisão recorrida diverge da decisão paradigma, expressa no acórdão 20501579; 4. Em face do exposto, requer a PFN o conhecimento e o provimento do recurso. Por despacho, fls.0326, deuse seguimento ao recurso. Devidamente intimado, o sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0338, argumentando, em síntese, que o acórdão recorrido deve ser mantido, devido a seus fundamentos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.004239/200680 Acórdão n.º 920202.218 CSRFT2 Fl. 372 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Quanto à admissibilidade, há questão a ser analisada. Como consta no Relatório acima, a questão em discussão referese a forma de contagem do prazo decadencial, em que a nobre PFN solicita que a contagem do prazo decadencial seja feita levando em consideração recolhimentos efetuados por rubrica. Ocorre que na leitura integral do voto e do dispositivo do acórdão paradigma, de Relatoria do nobre Conselheiro Marco André Ramos Vieira, não há menção, em nenhum momento, sobre essa tese: “Quanto há questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5" do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matiria constitucional, aprovar súmula que a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder ci sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela l a Seção no Recurso Especial de n 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: ... Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de oficio substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente caso o lançamento foi efetuado em 16 de dezembro de 2005, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplicase a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. In caso a fiscalização não detinha as informações para efetuar o lançamento, devendo, necessariamente, os valores serem apurados em ação fiscal, portanto há que ser observado em conjunto o disposto no art. 173, parágrafo único do CTN. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte da medida preparatória indispensável ao lançamento. A partir dessa notificação da medida preparatória o Fisco possui o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente o termo inicial do prazo decadencial é I de janeiro de 1998, o que findaria em 1 de janeiro de 2003. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO. É como voto.” Certo, a bem do esclarecimento, que consta da ementa o termo “rubrica”, mas e ementa não faz coisa julgada, não servindo para comprovação da divergência. Assim, não ficou demonstrado requisito para o conhecimento do recurso, a divergência. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.004239/200680 Acórdão n.º 920202.218 CSRFT2 Fl. 373 7 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto em não conhecer do recurso da PFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 36474.004113/2004-97
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1994 a 30/11/2001
APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ABRANGIDA PELO RGPS.
A concessão de aposentadoria por tempo de contribuição não cessa a obrigação de contribuir para a Previdência Social, se o aposentado exerce atividade abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social, conforme artigo 12, § 4º da Lei nº 8,212/91. Portanto, não há indébito de contribuições previdenciárias recolhidas pelo aposentado no exercício de outra atividade de
filiação obrigatória.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2302-000.143
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Júnior
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1994 a 30/11/2001 APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ABRANGIDA PELO RGPS. A concessão de aposentadoria por tempo de contribuição não cessa a obrigação de contribuir para a Previdência Social, se o aposentado exerce atividade abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social, conforme artigo 12, § 4º da Lei nº 8,212/91. Portanto, não há indébito de contribuições previdenciárias recolhidas pelo aposentado no exercício de outra atividade de filiação obrigatória. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ABRANGIDA PELO RGPS. A concessão de aposentadoria por tempo de contribuição não cessa a obrigação de contribuir para a Previdência Social, se o aposentado exerce atividade abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social, conforme artigo 12, § 4 da Lei n 8,212/91. Portanto, não há indébito de contribuições previdenciárias recolhidas pelo aposentado no exercício de outra atividade de filiação obrigatória. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3° Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). ; 1.- Y....7CG, 14 r LIEGE LA OIX THOMASI — Preside, . 4"----------. .-------- -- ,--7--- ,---- MA' a L COELHO ARRUDA J OR elator /1/ t Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar da Silva Vida! (suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior e Liege Lacroix Thomasi (presidenta),.. Relatório Trata-se de pedido de restituição proposto pela Senhora Thereza Nicolay dos Santos, em 30109/2004, tendo em vista suposto recolhimento indevido de valores exigidos para concessão da sua aposentadoria por idade [fls. 01/08]. Instada, a Unidade de Atendimento verificou que houve [fis, 43/44]: [..] a utilização das competências de 01/07/1994 a 30/11/2001 para a concessão do beneficio requerido concluindo-se pela impossibilidade de restituição dos referidos valores. Quanto a alegação da requerente de que em 1998 já possuía as condições necessárias para o benefício, constatou-se que a inscrição era de contribuinte individual-autônomo, e que não houve baixa na atividade, portanto o período é devido Nesse sentido, o pedido foi indeferido pela autoridade de primeira instância. Intimada do derisum [fi, 48], a Interessada interpôs recurso que alega, em síntese: a) O preceito legal que rege o direito à concessão do beneficio à segurada, é a regra contida no art. 142, da Lei n. 9.032/95; b) Em 07/02/1998, a Interessada implementou todas as condições legais, quais sejam, 60 anos de idade e 102 meses de contribuição; c) houve perda da condição de segurado com aposentação. Não houve apresentação de contra-razões. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DO MÉRITO De acordo com o Plano de Beneficias da Previdência Social, aprovado pela Lei n° 8.213, de 24/07/2001, o aposentado que voltar a exercer atividade abrangida pelo RGPS — Regime Geral de Previdência Social é segurado obrigatório em relação a essa atividade, conforme abaixo transcrito: Artigo 11 ( ,) • 2 Processo n°36474.004113/2004-97 S2-C3T2 Acórdão a' 2302-00.143 Fl 2 ,55' 30() pelo Regime Geral de Previdência Social — RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, .ficando sujeito às contribuições de que trata a Lei 8,212, de 24 de julho de 1991, para fins de custeio da Seguridade Social. (Incluído pela Lei n°9,032, de 199.5) No caso, ficou comprovado pela própria recorrente o recolhimento como contribuinte individual. Não se pode perder de vista que a Previdência Social se organiza na forma de um seguro social e, assim, a partir do momento que o interessado, atendendo as exigências legais, recolhe as contribuições previdenciárias torna-se segurado e, como tal, passa a fazer jus ao plano de beneficio, que poderia ser regularmente acionado caso o segurado necessitasse. Por essa razão, não vejo como serem indevidos os recolhimentos efetuados pelo recorrente. A própria lei que instituiu o Plano de Beneficias prevê que no cálculo do beneficio sejam considerados os recolhimentos efetuados em todas as atividades de filiação obrigatória: Art. 32,0 salário-de-beneficio do segurado que contribuir em razão de atividades concomitantes será calculado com base na soma dos salários-de-contribuição das atividades exercidas na data do requerimento ou do óbito, ou no período básico de cálculo, observado o disposto no art, 29 e as normas seguintes: Com relação à restituição, o artigo 89 da Lei n ° 8.212/1991 somente o permite para nos casos de recolhimento a maior ou indevido: Art.89,Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social-INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, (Redação dada ao capta e parágrafos pela Lei n°9129 de 20/11/95) Por tudo, não sendo o caso de recolhimentos indevidos ou maiores que o devido, não vejo como atender o pedido do recorrente. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 de agosto_de 2009 ./ • MANOEL COELHO ARR.4 A .1 1 R - Relator n 3
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Numero do processo: 15586.001532/2008-63
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA A DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO.
O art. 28, parágrafo 9º, alínea q, da Lei n. 8.212/91, não determina a restrição de que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Fez sustentação oral: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR - Advogado Marco Antonio Milfont Magalhães, OAB/ES 4320.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA A DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. O art. 28, parágrafo 9º, alínea q, da Lei n. 8.212/91, não determina a restrição de que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Fez sustentação oral: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR - Advogado Marco Antonio Milfont Magalhães, OAB/ES 4320. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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ASSISTÊNCIA MÉDICA A DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. O art. 28, parágrafo 9º, alínea “q”, da Lei n. 8.212/91, não determina a restrição de que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Fez sustentação oral: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR Advogado Marco Antonio Milfont Magalhães, OAB/ES 4320. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 32 /2 00 8- 63 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001532/200863 Acórdão n.º 2803002.138 S2TE03 Fl. 145 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela UNICAFÉ COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR, em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do relatório fiscal, fl. 62, o crédito previdenciário constante deste auto de infração referese ao período de 01/2005 a 12/2005, e corresponde à contribuição de terceiros devida sobre os valores relativos aos serviços de assistência médica contratados pelo contribuinte e concedida aos dependentes dos empregados, estando em desacordo com o artigo 28, inciso I, parágrafo 9º, alínea "q" da Lei nº 8.212/91 e suas alterações. 3. O relatório assim dispõe (fl. 62): “(...). O crédito apurado referese à contribuição de terceiros devida sobre os valores relativos aos serviços de assistência médica •contratados pelo contribuinte e concedidos aos dependentes dos empregados, estando em desacordo com o artigo 28, inciso I, parágrafo 9º, alínea ‘q’ da Lei 8.212/91 e suas alterações. A legislação mencionada dispõe que os valores supracitados não integram o salário de contribuição dos empregados, ‘‘... desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”, não mencionando que a cobertura possa abranger também os dependentes dos segurados. O contribuinte, através de sua política de recursos humanos, concedeu planos de assistência médica a todos os segurados, sendo extensivo também aos dependentes, conforme consta em Plano de Seguro Coletivo (cópia em anexo). Arcou, portanto, com os custos da assistência médica aos familiares dos segurados. Porém o que prevê o dispositivo legal já mencionado, é que a cobertura do plano deve abranger a totalidade dos segurados da empresa, restritivamente, e não seus familiares. Ou seja, dos valores pagos pelo contribuinte à empresa operadora dos planos de assistência médica, considerouse como não integrante da remuneração para fins de contribuições de terceiros apenas os recursos destinados à cobertura da assistência médica dos segurados (empregados e dirigentes). Os recursos destinados à cobertura da assistência médica dos dependentes dos segurados, por não estarem expressamente previstos no art. 28, §9°, ‘q’, da Lei n° 8.212, de 1991, foram considerados como componentes da remuneração para fins de incidência das contribuições de terceiros.” Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001532/200863 Acórdão n.º 2803002.138 S2TE03 Fl. 146 3 4. O acórdão proferido em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO SAÚDE. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Compete privativamente ao Poder Judiciário a declaração de inconstitucionalidade de normas. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos em legislação especifica, o pagamento em desacordo sujeitase à tributação. Lançamento Procedente” 5. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) a interpretação dada pela fiscalização quanto ao conceito de remuneração e o alcance jurídico do salário de contribuição, estaria em afronta com a Constituição Federal, mais precisamente como § 4º do art. 195, inciso I; b) a legislação previdenciária (Lei nº 8.212/91), em sua alínea “q”, § 9º do art. 29 prevê, de modo expresso, que o valor relativo à assistência prestada por serviço médico e/ou odontológico próprio da empresa ou a ela conveniado, não integra o salário de contribuição; c) as parcelas pagas em virtude da extensão da assistência médica aos dependentes dos segurados não estão contidas no conceito de remuneração, o que exclui o dever de recolher a contribuição previdenciária objeto da presente autuação; d) nulidade do lançamento, tendo em vista a efetiva comprovação de que não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, o que impõe a necessidade de reforma da revisão; e) existência de efetiva violação ao dispositivo legal, uma vez que não há norma legal que determine a incidência de contribuição social sobre a parcela referente ao pagamento da prestação de assistência medica aos dependentes dos segurados empregados; f) impossibilidade de exigência de exação de terceiros sobre parcela referente à prestação de assistência médica aos dependentes dos dirigentes/diretores; g) a autuação da fiscalização, relativa à cobrança de obrigação principal, decorre de uma errônea interpretação analógica do dispositivo do inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, partindo da premissa de que o valor pago a título de prestação de saúde aos dependentes do segurado revestese de natureza remuneratória. 6. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001532/200863 Acórdão n.º 2803002.138 S2TE03 Fl. 147 4 É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001532/200863 Acórdão n.º 2803002.138 S2TE03 Fl. 148 5 Voto Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS SOBRE ASSISTÊNCIA MÉDICA 2. Segundo o relatório fiscal, “o crédito apurado referese à contribuição de terceiros devida sobre os valores relativos aos serviços de assistência médica contratados pelo contribuinte e concedidos aos dependentes dos empregados, estando em desacordo com o artigo 28, inciso I, parágrafo 9º, alínea ‘q’ da Lei nº 8.212/91 e suas alterações”. 3. A recorrente insurgese contra a autuação da fiscalização, relativa à cobrança de obrigação principal, por considerar tributável o valor pago a título de prestação de saúde aos dependentes de seus diretores, sendo que foi dada interpretação errônea ao inciso I, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, posto que essa rubrica possui caráter indenizatório. 4. A assistência médica a dependente de segurados de seus diretores, seja em decorrência de interpretação integrada dos preceitos legais e constitucionais, seja por uma questão de filosofia moral prática e justiça social, não integram o salário de contribuição. Portanto, não podem ser objeto de incidência da contribuição previdenciária. 5. Desse modo, a questão, então, está em definir corretamente o conceito de salário ou de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária. Ou seja, devese saber o que integra o assim denominado salário de contribuição. 6. Em uma análise jurídica sistemática, verificase que os arts. 457 e 458, da CLT não foram modificados para adequarse ao espírito do art. 28, da Lei nº 8.212/91. Ao contrário observese que houve revogação tácita do art. 28, § 9º, “q”, da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº. 10.243/2001, que acrescentou o § 2º, ao art. 458 da CLT. 7. Com efeito, apesar do art. 28, da Lei 8.212/91 tratar do conceito de remuneração, de uma forma abrangente, a CLT o faz de forma diferente. E expressamente exclui o pagamento de assistência médica do conceito de salário e, por via de consequência, do conceito de remuneração, o que faz com que não se possa admitir a afirmativa segundo a qual, por previsão do art. 458, da CLT, o plano de saúde integra o salário para os fins de cálculo da contribuição previdenciária. 8. O art. 457, da CLT, a respeito de remuneração, assim dispõe: “Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001532/200863 Acórdão n.º 2803002.138 S2TE03 Fl. 149 6 empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.” 9. Ou seja, a remuneração constituise de salário mais gorjetas. Mas tal definição não se faz suficiente, pois é necessário saber o que é salário. Essa definição legal encontrase no art. 458, da CLT: “Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro saúde. 10. Assim, se as parcelas referidas no § 2º do art. 458, da CLT, não são nem salário, nem gorjeta, não podem ser consideradas como remuneração, não constituem base de cálculo para o salário de contribuição. 11. De igual modo, a assistência médica paga aos dependentes dos diretores não possui caráter contraprestacional, posto que não está relacionada a retribuição sob forma de salário, em razão da prestação de serviços, sendo excluída do conceito de salário. 12. Resta, pois, demonstrado que seria incabível supor que uma verba fosse excluída do conceito de salário, para fins trabalhistas, mas que, ao mesmo tempo, integre o salário de contribuição. 13. Ademais, cumpre ressaltar, que o art. 28, parágrafo 9º, alínea “q”, da Lei n.º 8.212/1991, não estabelece a restrição de que a assistência médica deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. 458, par. 2º, IV, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários. 14. Nesse sentido, temse a seguinte jurisprudência da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “No presente caso, tenho a salientar que o denominado auxílio excepcional é concedido aos empregados da recorrente, na forma de reembolso, para o tratamento de dependente portador de incapacidade congênita, conforme Relatório fiscal (fls. 113 a 119), in verbis: ‘Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o auxílio excepcional (também chamado de auxíliodeficiente ou Auxílio a Portadores de Necessidades Especiais) tratase de benefício concedido pela Fundação aos seus empregados na forma de reembolso limitado de despesas com o tratamento de seu Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001532/200863 Acórdão n.º 2803002.138 S2TE03 Fl. 150 7 dependente que seja portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento. Saliento que não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias ‘o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médicohospitalares ou com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa’ (art. 28, § 9º, alínea ‘q’ da Lei nº. 8.212, de 1991). Entendo que o auxílio excepcional a que se refere o presente lançamento, nada mais é do que um reembolso para tratamento médico de dependente portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento, que enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alínea ‘q’ da Lei nº. 8.212, de 1991.” 15. Portanto, não deve subsistir o lançamento, pois os valores pagos a dependentes dos diretores a título de assistência médica devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. CONCLUSÃO 16. Diante do exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS – Relator. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.006515/2007-93
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A responsabilidade solidária atribuída em razão do interesse comum, prevista no artigo 124, I, do CTN, deve estar fundada em provas inequívocas que demonstrem o interesse comum na situação que constitui o fato gerador.
Numero da decisão: 1302-001.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma acordam, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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INTERESSE COMUM. AUSÊNCIA DE PROVAS. A responsabilidade solidária atribuída em razão do interesse comum, prevista no artigo 124, I, do CTN, deve estar fundada em provas inequívocas que demonstrem o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 65 15 /2 00 7- 93 Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.805 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ALLEN BRUCE KLEIN, já qualificados nos autos, em face do acórdão nº 1617.3677 (fls. 2752/2764) da DRJ/SPI, proferido em processo administrativo que trata de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Programa de Integração Social – PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição para Seguridade Social – INSS por omissão de receitas referente aos anos calendários de 20042005, resultando em crédito tributário de R$ 2.886.971,91. Conforme o Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (fls. 2495/2515), verificouse que: - a contribuinte teve sua constituição em 05.09.2002, sob a forma de empresa individual, tendo como titular Marcelo de Martini; - a contribuinte integra rol de importadoras que foram objeto de diligência realizada pela Polícia Federal, com indícios da prática sistemática de subfaturamento na internação de mercadorias estrangeiras no mercado nacional; - a contribuinte não apresentou as DIPJ referentes aos anoscalendários abrangidos pela fiscalização 2004 e 2005; contudo, houve movimentação em suas contas bancárias no mesmo período, conforme DCPMF entregues pelas instituições financeiras; - o estabelecimento indicado como sede da contribuinte estava fechado e sem indícios de movimentação recente, conforme constatação do AFRFB (fls. 20 a 23); - todas as comunicações postais foram frustradas, embora a contribuinte tenha sido intimada por diversas vezes a apresentar livros comerciais e fiscais, bem como cópia do contrato social e alterações e os extratos bancários de todas as contas correntes; - a inscrição da contribuinte no CNPJ foi declarada inapta, em razão da ausência de resposta, por meio do processo administrativo nº 19515.001711/200586, tendo sido intimada dos atos da fiscalização por Edital; - a fiscalização constatou nos extratos bancários apresentados pelo Banco do Brasil S/A, em resposta à Requisição de Movimentação Financeira (fl. 193/195), a incompatibilidade entre a movimentação financeira nas contas da contribuinte e ausência de recolhimento de tributos, referente ao anocalendário de 2005; Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.806 3 - dentre os documentos apresentados pelo Banco do Brasil S/A, verificou se a existência de cópia de procuração para Allen Bruce Klein atuar em nome da empresa com poderes específicos para movimentar a conta corrente n° 13.127X, agência n° 1.205X, podendo depositar valores e assinar contratos de fechamento de câmbio (fl. 2490); - a contribuinte, intimada, não comprovou a origem dos valores creditados/depositados na conta corrente mencionada acima. Desta forma, a fiscalização apurou o IRPJ e Contribuições reflexas, utilizando os valores de compras de mercadoria por importação no anocalendário de 2004 e movimentação financeira da empresa fornecida pelo Banco do Brasil referente ao ano calendário de 2005 para arbitramento do lucro, com fundamento no art. 530, III, do RIR/99. Ainda, a fiscalização aplicou multa qualificada de 150% para o ano calendário de 2005, pois entendeu como dolosa a conduta reiterada da empresa de omissão de receitas, bem como arrolou como responsável solidário do crédito tributário Allen Bruce Klein, conforme Termo de Sujeição Passiva às fls. 2578/2580, com base na procuração que concedeu poderes a este para movimentar, em nome da empresa, a conta corrente n° 13.127X, agência n° 1.205X, Banco do Brasil S/A. Às fls. 2695/2700, 2729/2731, 2746/2748, a pessoa física Allen Bruce Klein apresentou petição aduzindo, em síntese que: (i) o seu nome foi usado indevidamente na procuração; (ii) não conhece a pessoa física de Marcelo de Martini, não conhece a empresa individual Marcelo de Martini, não autorizou e não aceitou nenhuma nomeação para ser procurador quer da pessoa física ou da referida empresa individual; (iii) tomou conhecimento da procuração por meio do presente processo administrativo e dirigiuse, então, à autoridade policial informando o ocorrido e lavrando o Boletim de Ocorrência n° 8096/2007, o qual foi juntado às fls. 2701/2702; (iv) as alegações também podem ser confirmadas pelo Termo de Declarações (fls. 2750/2751) de autoria do próprio Marcelo de Martini obtido do 78° Distrito Policial SP/SP, pois Marcelo de Martini afirma, no referido termo, que não existe relação entre Allen Bruce Klein e a contribuinte e que providenciou a procuração por orientação de terceiros, sendo que a assinatura do outorgado não foi necessária. Após, cientificada por meio de Edital (fl. 2687) a contribuinte apresentou impugnação (fls.2703/2710), alegando essencialmente: (i) ilegalidade da quebra do sigilo bancário administrativamente; Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.807 4 (ii) violação dos princípios constitucionais da legalidade e tipicidade pela eventual presunção legal e existência de depósitos sem a demonstração do efetivo acréscimo patrimonial, conforme a Súmula 182 do extinto TFR; (iii) inconstitucionalidade da multa de 150%, violando o art. 150, IV da Constituição Federal. Sobreveio decisão da 7ª Turma da DRJ/SP1, a qual julgou improcedente tanto a impugnação da contribuinte, como o pedido de Allen Bruce Klein para exclusão do polo passivo, neste ponto havendo voto vencido e voto vencedor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004,2005 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PROCURAÇÃO PÚBLICA PARA MOVIMENTAÇÃO DA CONTA BANCÁRIA. Procuração lavrada por oficial público goza de autenticidade e segurança, nos moldes da lei. Desta forma, se não comprovada sua falsidade, reputase que o outorgado procurador goza dos poderes ali conferidos, no caso, a movimentação da conta bancária. LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. INTIMAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. O imposto devido trimestralmente no decorrer do ano calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos comerciais e fiscais a que estiver obrigado a escriturar. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO ARBITRADO. Caracterizamse como omissão de receita os valores de compras por importação e os valores creditados em contacorrente, sem que haja a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem, desses recursos e da sua tributação. O lucro arbitrado será determinado pela aplicação, sobre os valores dessas receitas, de percentual previsto em lei. MULTA QUALIFICADA. A falta de declaração ao Fisco da movimentação financeira durante o transcurso de todo o anocalendário, reforçada pelo não atendimento a intimações, por parte do sujeito passivo, caracteriza infração à legislação tributária praticada com Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.808 5 evidente intuito de fraude, impondose a aplicação de multa de oficio qualificada. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário, não cabendo à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente O voto vencedor e o voto vencido divergiram em relação à sujeição passiva solidária atribuída a Allen Bruce Klein, que se baseou na existência de procuração pública em seu nome com poderes para movimentar a conta da empresa individual Marcelo de Martini. O relator entendeu que a pessoa física Allen Bruce Klein deveria ser excluída do polo passivo da obrigação tributária, visto que a responsabilidade solidária foi fundamentada apenas na existência de procuração outorgada pelo titular da empresa, sendo que esta prescindiu da assinatura do outorgado. Entendeu, ainda, que o AFRFB deveria ter solicitado esclarecimentos a Allen Bruce Klein e que não há provas materiais nos autos que demonstrem sua participação na movimentação da conta corrente. Entretanto, prevaleceu o entendimento pela manutenção da responsabilidade solidária da pessoa física Allen Bruce Klein. Os fundamentos utilizados no voto vencedor foram: (i) a procuração é a base de prova da autoridade fiscal, pois lavrada por oficial público e goza de autenticidade e segurança, conforma art. 1° da Lei n° 8.935/94; (ii) antes da lavratura de qualquer instrumento público, o Tabelião ou o escrevente autorizado deverá verificar se as partes e demais interessados achamse munidos dos documentos de identificação originais, de acordo com as Normas da Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo; (iii) a partir desta premissa, concluiu “no mínimo, houve a entrega de seus documentos originais para a pessoa outorgante solicitar ao notário a lavratura da procuração”. (iv) por fim, a alegação não é prova suficiente para invalidar procuração pública lavrada por Tabelião de Notas, dotado de fé pública. Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.809 6 Cientificada em 11/07/2008, a pessoa física Allen Bruce Klein interpôs em 31/07/2008 recurso voluntário às fls. 2780/2790, relativamente à manutenção da responsabilidade solidária a ele atribuída, com os seguintes argumentos: (i) desconhecia a existência de procuração pública que lhe conferiu para movimentar a conta bancária da empresa individual Marcelo de Martini e, por isso, lavrou boletim de ocorrência n° 8069/2007 no 78° Distrito Policial de SP/SP, no qual declara que não conhece a pessoa física, nem a empresa individual Marcelo de Martini; (ii) anexou aos presentes autos o Termo de Declarações de Marcelo de Martini em que este afirmou não conhecer a pessoa física Allen Bruce Klein; (iii) houve engano na decisão vencedora que afirmou que para a lavratura de procuração pública há a necessidade de apresentação dos documentos originais do outorgado (Allen Bruce Klein), pois são necessários apenas os documentos do outorgante; (iv) a procuração nunca foi usada pelo recorrente e não tem o condão de provar qualquer vínculo ou ligação com Marcelo de Martini, pessoa física ou jurídica; (v) a recorrida não provou que a procuração foi utilizada pelo recorrente, nem a sua vinculação com Marcelo de Martini, ou mesmo quais atos beneficiam ou trazem interesse ao recorrente; (vi) adecisão da DRJ/SP1 parte de pressupostos equivocados e sem base em nenhum fato ou documento ao afirmar que: o notário viu os documentos do recorrente, que o recorrente tornou a apresentálos perante a autoridade policial, que não há nenhum boletim de ocorrência relatando a perda ou extravio dos documentos do recorrente. (vii) em relação ao mérito, nada alega. A contribuinte não interpôs recurso voluntário. Assim, o presente processo administrativo foi desmembrado, transferindose o débito para o processo nº 16151.000443/200872 para execução. É o relatório. Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.810 7 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O recorrente requer a sua exclusão do polo passivo da obrigação tributária. Inicialmente, alega o desconhecimento da procuração pública assinada por Marcelo de Martini que lhe conferiu poderes para movimentar a conta corrente n° 13.127X, agência n° 1.205X, Banco do Brasil S/A da empresa individual Marcelo de Martini. Afirmou que tomou conhecimento desta apenas com o início do processo administrativo e que não conhece Marcelo de Martini, tanto pessoa jurídica como física. Portanto, nunca utilizou a procuração mencionada. O recorrente aduziu que a responsabilidade solidária não lhe pode ser imputada, pois a utilização da procuração para movimentação da conta corrente da contribuinte não foi comprovada, assim como não há documento nos autos que evidencie a vinculação de Allen Bruce Klein e Marcelo de Martini (pessoa física ou empresa individual). Pois bem. Da análise dos autos, verificase que o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1 (fls. 2578/2580) foi lavrado conforme o art. 124 do Código Tributário Nacional, baseado na procuração pública que outorgou poderes a Allen Bruce Klein para movimentar a conta corrente da contribuinte. A partir deste documento, o auditor fiscal concluiu às fls. 2579/2580, que: “[...] o procurador constituído da empresa Marcelo de Martini, ALLEN BRUCE KLEIN[...] juntamente com o titular da mesma [...]FORAM OS ÚNICOS RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO FINANCEIRA DA EMPRESA MARCELO DE MARTINI no decorrer de todo o anocalendário de 2005, ressaltandose que essa movimentação financeira ultrapassou 14 milhões de reais. g) Isto posto, configurada a participação de ALLEN BRUCE KLEIN, na gestão financeira da empresa fiscalizada, caracterizando desta forma o interesse comum com o titular da mesma nas operações efetuadas nos períodos de ocorrência dos fatos geradores do imposto e contribuições, responderá o mesmo SOLIDARIAMENTE, conforme dispõe o artigo 124 da Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.811 8 Lei n° 5.172, de 25.10.1966 (Código Tributário Nacional CTN)”(grifos no original). A responsabilidade solidária está disciplinada no artigo 124 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II.as pessoas expressamente designadas por lei. A solidariedade constante no inciso I é cominada quando o referido interesse comum configure um vínculo direto com o fato gerador da obrigação tributária principal. Portanto, é o interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário que determina a solidariedade entre os devedores. Todavia, o CTN não define o que seria interesse comum. Paulo de Barros Carvalho leciona que A expressão empregada, sobre ser vaga, não é um roteiro seguro para a identificação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária. [...] Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência de IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel1. O Superior Tribunal de Justiça, ao analisar a responsabilidade solidária, manifestouse da seguinte maneira sobre a definição da expressão “interesse comum”: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 348. Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.812 9 2. [...] Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação [...]2. O AFRFB entendeu, a partir da procuração pública, que Allen Bruce Klein possuiria interesse comum com a Pessoa Jurídica Marcelo de Martini, visto que aquele era um dos responsáveis pela gestão financeira da empresa no decorrer de todo o anocalendário de 2005. Entretanto, o único documento utilizado como prova para fundamentar o interesse comum (gestão financeira da empresa) e, consequentemente, a responsabilidade solidária do recorrente foi a procuração pública lavrada, a qual prescinde de assinatura do recorrente. É neste sentido que ponderou corretamente o relator da decisão da DRJ ao afirmar que Seria de bom alvitre que constasse, nesse momento da descoberta do agente fiscal de tal documento, pedido de esclarecimentos ao outorgado. [...] Só seria dispensada no caso de haver provas materiais da ligação do outorgado com a empresa autuada ou qualquer documento mostrando sua efetiva participação na movimentação da conta corrente, prova esta que não existe nos autos. Desta forma, fica inviável caracterizar o outorgado nos termos do art. 124 do CTN, conforme enquadrado pelo agente fiscal, por não demonstrado o interesse comum (inciso I) ou por não estar previsto em lei tal situação. [...] Na ausência de provas materiais, é de se considerar o boletim de ocorrência apresentado (fls.2159/2160),pelo princípio da boa fé, onde Allen Bruce Klein afirma ter sido vítima de crime de falsificação de documento público, e o Termo de Declarações de fls.2206/2207(grifo nosso). 2 BRASIL. STJ. REsp 884845 / SC. Relator: Ministro Luiz Fux. DJe: 18/02/2009). Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.813 10 O voto vencedor, ao manter a responsabilidade solidária, afirmou que a procuração pública é prova bastante para configurar a solidariedade, pois esta goza de autenticidade e segurança. Ainda, para que se lavre uma procuração pública seria necessária a apresentação dos documentos originais das partes, conforme dispõe as Normas da Corregedoria Geral de São Paulo. Concluiu, com base nesses fundamentos, que: No mínimo, houve a entrega de seus documentos originais para a pessoa outorgante solicitar ao notário a lavratura da procuração. [...]boletim de ocorrência de fls.2159/2160, no qual para a sua identificação apresenta a mesma documentação a qual foi objeto de lavratura da procuração pública. O raciocínio delineado acima não constitui meio de prova, mas presunção dos fatos, pois não é possível afirmar que o recorrente por certo apresentou os originais para lavrar a procuração e os apresentou de novo ao lavrar o Boletim de Ocorrência, apenas porque as Normas da Corregedoria de São Paulo determinam que o tabelião exija os documentos originais. Para que se configure a solidariedade constante no artigo 124, I do CTN, necessário que existam provas inequívocas do vínculo direto do recorrente com o fato gerador da obrigação, caracterizando aquele como verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. É neste sentido que decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, vejamos: Ementa: PAF NORMAS PROCESSUAL RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO LEGITIMADADE PROCESSUAL. [...]RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO TERCEIROS CTN, ART. 124, I ACUSAÇÃO INEXISTÊNCIA DE PROVA – IMPROCEDÊNCIA. A configuração da responsabilidade solidária de que trata o art. 124, I, do CTN, depende da prova inequívoca de que os acusados teriam tido interesse comum na situação que constituía o fato gerador (grifo nosso) 3. Ementa: [...] 3 BRASIL. Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10708791 do Processo 10675003919200327.19/10/2006. Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.814 11 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SITUAÇÃO PREVISTA EM LEI – DESCABIMENTO. Deve ser afastada a responsabilidade tributária solidária, fundada nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, se não restou inequivocamente comprovado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, nem a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (grifo nosso)4. O mesmo entendimento possui o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. Nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, para a imputação da solidariedade tributária, deve restar demonstrado o interesse comum da pessoa natural na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal [...] (grifo nosso)5. Não há qualquer documento nos autos que comprove que o recorrente movimentou a aludida conta corrente, que era gestor financeiro da empresa ou que agiu em nome desta. Tenho que ver que existem decisões no sentido de que os sóciosgerentes não têm interesse comum com os da Pessoa Jurídica e que o próprio Leandro Paulsen afirma em seu livro que o art. 124, I do CTN não é aplicável, seja no caso de sócio ou no caso de procurador da Pessoa Jurídica. Para tanto, valhome do trecho do voto do Conselheiro Regis Magalhães Soares Queiroz, no Processo n° 10980.007898/200527, Acórdão n° 120100217: 4 BRASIL. Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária.Acórdão nº 10516987 do Processo 10950000320200688. 27/05/2008 5 BRASIL. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária.Acórdão nº 130100400 do Processo 10820001924200716.02/09/2010 Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.815 12 Apesar de tudo isso, está bastante claro que a fiscalização declarou a solidariedade do sóciorecorrente, no fato de ele ter interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Não o fez, como se vê, fundada na eventual prática de ato ilegal ou com excesso de poder, situações capituladas no art. 135, do CTN, que sequer foi mencionado no termo de responsabilidade solidária, Também é de notarse inexistir qualquer referência à extinção irregular da sociedade devedora. A solidariedade tributária tratada no art. 124 do CTN é factual, ou seja, decorre da existência de um interesse jurídico, do responsabilizado, na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Mas, conforme explica Marcos Vinicius Neder: "(...) o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim interesse jurídico que surge a partir da existência de direitos e deveres comuns entre pessoas situadas no mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário". (grifamos) Mais adiante, ao analisar especificamente a hipótese de se fixar responsabilidade solidária de sócio por dívidas tributárias da sociedade, o autor discorre concluindo pela impossibilidade, haja vista inexistir interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário. São as suas palavras: “Responsabilização dos sócios por débitos de pessoa jurídica. Na atividade normal das empresas, não há direitos comuns entre a pessoa jurídica e seus sócios. Os negócios jurídicos da pessoa jurídica são efetivados em seu nome e, por conseguinte, não trazem os sócios como coobrigados”. Por óbvio, os sócios e administradores têm interesse no lucro da empresa, mas como procuramos demonstrar ao longo deste estudo, não é esse interesse meramente,fático que torna possível aplicar a norma de responsabilidade prevista no art. 124, inc. 1 do CTN. Conforme as premissas anteriormente firmadas, é indispensável ao órgão aplicado, comprovar o interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário. Não há, portanto, imputar aos sócios o dever solidário de recolher tributos da sociedade sem que haja comprovação de fraude ou outras práticas ilícitas (nota de rodapé: caso evidenciado a atuação do sócio com excesso de poder ou infração à lei, ao contrato social ou estatuto, a previsão de responsabilidade tributária está prevista nos arts. 135 e 137 do CTN), O CTN expressamente prescreve, nos arts 135 e 137, a responsabilidade pessoal dos sócios, administradores e agentes nesses casos’. Nessa linha, há precedente do Col. ST.I ,onde se fixam premissas alinhadas com aquela doutrina, estabelecendo que "o interesse Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.816 13 qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível". Ou seja, a regra determina a incidência da solidariedade "quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador". Vale, dizer: para que seja fixada a responsabilidade na forma estatuída pelo CTN, art. 124, devem as partes cuja solidariedade se quer reconhecer estarem posicionadas do mesmo lado da relação jurídica de direito privado, como ocorre, por exemplo, com os condôminos em relação ao 1PTU do condomínio, situação que não é análoga à dos sócios em relação à sociedade. Como vimos, essa é a direção da doutrina de Marcos Vinicius Neder, para quem é inaplicável a solidariedade prevista no inc. 1, do art. 124 do CTN à situação dos sócios em relação às dívidas tributárias da sociedade. Adverte o autor, entretanto, que tal não significa dar carta branca para que o sócio possa agir como bem entender, sem risco de ser chamado para responder, perante o fisco, por seus atos. É que ele pode ser responsabilizado quando se verificarem as situações previstas nos arts. 135 e 137 do CTN, quais sejam, a prática de atos com excesso de poderes ou em infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta é, para a doutrina e a jurisprudência, a única regra de responsabilidade solidária tributária de sócios em relação aos débitos tributários da sociedade, fixada que foi por lei complementar conforme exige o art. 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal. Sobre o tema já decidiu o Col. STJ: ‘O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador O art. 13 da Lei n° 8.620/93, portanto, só pode ser aplicado quando presentes as condições do art 135, 111, do CTIV; não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art 124, 11, do CTN. O teor do art. 1.016 do Código Civil de 2002 é extensivo às Sociedades Limitadas por força do prescrito no art, 1.053, expressando hipótese em que os administradores respondem solidariamente somente por culpa quando no desempenho de suas .funções, o que reforça o consignado no art. 135, III, do CTN’. Ocorre que a fiscalização não se desenvolveu nesse sentido e não fixou a responsabilidade com espeque nas regras dos arts. 135 e 137 do CTN, preferindo estabelecêla no suposto interesse Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.817 14 que o sócio teria no lucro da sociedade, o que, como vimos não sustenta a solidariedade. Poderia o fiscal, eventualmente, até ter utilizado o art. 135, III do CTN, mas o art.124, I, do CTN é inaplicável ao presente caso. Evidente que apenas procuração pública utilizada como meio de prova pelo AFRFB para caracterizar a solidariedade não é suficiente para afirmar que o recorrente era gestor financeiro da empresa Marcelo de Martini e configurar o interesse comum desses, pois o documento prescinde de assinatura do recorrente. Por fim, devo ressaltar que houve a determinação pelo Juiz Federal da 10ª Vara Federal Criminal de São Paulo do arquivamento do inquérito policial em relação a Allen Bruce Klein, acolhendo a manifestação do Ministério Público Federal, vejamos: Em razão da ausência de provas materiais que evidenciem a prática de gestão da empresa por Allen Bruce Klein, deve ser levado em consideração o Boletim de Ocorrência 8069/2007 (fls. 2701/2702), no qual Allen Bruce Klein declara ter sido vítima de falsificação de documento público: [...] Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10880.006515/200793 Acórdão n.º 1302001.046 S1C3T2 Fl. 2.818 15 Portanto, concluo que não restou comprovado o vínculo do recorrente com o fato gerador da obrigação tributária, não podendo lhe ser imputada, desta forma, a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN. Ademais, entendo como inaplicável o art. 124, I para a presente situação fática. Eventualmente, poderia ser alegado o art. 135, III, em existindo seus requisitos, conforme o exposto acima. 2. CONCLUSÃO Visto que não há nos autos provas materiais suficientes que demonstrem efetivamente que a pessoa física Allen Bruce Klein tenha atuado como gestor financeiro ou em nome da empresa individual Marcelo de Martini, ou ser beneficiado dos recursos da empresa (atividade), e ser inadequada a capitulação legal do art. 124, I para o caso em concreto, julgo procedente o recurso voluntário para excluir a pessoa física Allen Bruce Klein do polo passivo da obrigação tributária, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 13839.001446/2007-25
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2002
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEITAS FINANCEIRAS.
Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
Numero da decisão: 3201-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unaminidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luciano Lopes de Almeida Morais, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2002 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEITAS FINANCEIRAS. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unaminidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luciano Lopes de Almeida Morais, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2002 REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEITAS FINANCEIRAS. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unaminidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 14 46 /2 00 7- 25 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luciano Lopes de Almeida Morais, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à contribuição para o Programa de Financiamento da Seguridade Social — Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 08/15. O feito, referente a fatos geradores ocorridos em 2002, constituiu crédito tributário no total de R$ 51.930,83, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No corpo do auto de infração, fl. 12, a autoridade autuante diz que o lançamento foi motivado pela constatação de diferenças entre os valores declarados como devidos e os apurados pelos valores apurados com base nos registros contábeis, por conta de exclusão indevida das receitas financeiras da base de cálculo do PIS. Assim conclui o auditor: De acordo com os artigos 2°, 3° da Lei nº 9.718 de 27/11/98, a contribuição para o PIS, será calculada com base no seu faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil adotada pelas receitas. Isto posto, a vista da compreensão da legislação acima, as receitas financeiras compõem a base de cálculo da contribuição para o PIS. Notificada da autuação em 19/04/2007, em 18/05/2007 a contribuinte protocolou a impugnação de fls. 17/33 na qual, em síntese, alega a inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, no tocante à ampliação do conceito de faturamento. O vício normativo já teria sido inclusive reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão que deve orientar os órgãos julgadores, a teor do disposto no art. 4 1, parágrafo único do Decreto n° 2.346, de 1997. Assim, é ilegítima a Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.001446/200725 Acórdão n.º 3201001.189 S3C2T1 Fl. 98 3 cobrança da contribuição sobre as receitas de origem financeira, devendo ser cancelado o auto de infração. A impugnação foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0526.568, de 17/08/2009: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, o Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos suscitados em sua impugnação e pugnando pelo reconhecimento da inconstitucionalidade na via administrativa. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 22/11/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne do presente litígio gravita em torno da possibilidade de a Recorrente ser autuada por não ter oferecido à tributação da Contribuição para o PIS as receitas financeiras por força do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Sobre o assunto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou com esteio na jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal. Segue abaixo a ementa de um recente julgado da Câmara Superior em que a questão é abordada: REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. (Acórdão nº 9101001.281, Rel. Cons. Karem Jureidini Dias, Sessão de 26/01/2012) Não havendo qualquer situação fática que possa afastar a aplicação desse precedente no caso concreto, é de se aplicar a mesma solução nele proposta. Apenas para que não pairem dúvidas acerca da decisão do Supremo Tribunal Federal a que se refere a ementa acima transcrita, fazse necessário também transcrever a sua ementa, a saber: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 2811 2008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP 00871 ) Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.001446/200725 Acórdão n.º 3201001.189 S3C2T1 Fl. 99 5 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10166.008936/2002-10
Data da sessão: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Exercício: 1997
NORMAS PROCESSUAIS. REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Para que seja admitido o especial interposto pelo sujeito passivo, além da tempestividade, faz-se necessário a comprovação da efetiva divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Tratando estes de matérias diferentes daquele, não deve ser aberta a via especial. Recurso não conhecido por falta de
pressuposto de admissibilidade.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.845
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso especial.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Para que seja admitido o especial interposto pelo sujeito passivo, além da tempestividade, faz-se necessário a comprovação da efetiva divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Tratando estes de matérias diferentes daquele, não deve ser aberta a via especial. Recurso não conhecido por falta de pressuposto de admissibilidade. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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Numero do processo: 10980.002089/2001-03
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Exercício: 1996
Ementa:DECADÊNCIA.O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.519
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Acompanham o Conselheiro Relator pelas conclusões, os conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antônio Carlos Guidoni Filho, que contam o prazo decadencial sempre a partir da ocorrência do fato gerador (art.150 do CTN).
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 1996 Ementa:DECADÊNCIA.O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso especial negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Acompanham o Conselheiro Relator pelas conclusões, os conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antônio Carlos Guidoni Filho, que contam o prazo decadencial sempre a partir da ocorrência do fato gerador (art.150 do CTN).
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Numero do processo: 10814.000526/00-61
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 15/04/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. REPERCUSSÃO. RESSARCIMENTO. IPI. LIVROS FISCAIS. Tendo a fiscalização comprovado, através de exame dos livros contábeis, o aproveitamento do crédito que o contribuinte pretende ver restituído, e não sendo o contribuinte capaz de ilidir esta prova, não há como autorizar a restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 15/04/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. REPERCUSSÃO. RESSARCIMENTO. IPI. LIVROS FISCAIS. Tendo a fiscalização comprovado, através de exame dos livros contábeis, o aproveitamento do crédito que o contribuinte pretende ver restituído, e não sendo o contribuinte capaz de ilidir esta prova, não há como autorizar a restituição. Recurso Voluntário Negado.
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'4, •M' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ..Y.4 5'. Processo n° 10814.000526/00-61 Recurso n° 140.972 Voluntário Acórdão n° 3102-00.216 — 1' Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 Matéria Restituição IPI Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRÁS Recorrida DRJ-São Paulo/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 15/04/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. REPERCUSSÃO. RESSARCIMENTO. IPI. LIVROS FISCAIS. Tendo a fiscalização comprovado, através de exame dos livros contábeis, o aproveitamento do crédito que o contribuinte pretende ver restituído, e não sendo o contribuinte capaz de ilidir esta prova, não há como autorizar a restituição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MÉ 81-1E. LEN-4. 'Rciji---4tM-ORIDM - Pres'ic 1\ ( ROkiu5-e c-k)Sc,-QA,0 „,,,,„..c.J .. • M CELO RIBEIRO NOGUEIRA — Relà EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 i Processo n° 10814.000526/00-61 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.216 Fl. 150 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: A interessada apresentou solicitação de restituição do Imposto sobre Produtos Industrializados, decorrente da retificação da Declaração de Importação de te 97/0271909-7, de 08/04/1997, para alteração da aliquota do IPI. O valor pleiteado de restituição é de R$ 199,82. Foi efetuada pela autoridade aduaneira a retificação solicitada, conforme despacho de fls. 40. Após resposta da interessada a intimação para apresentar documentos, a autoridade aduaneira indeferiu o pedido de restituição por meio do despacho decisório de fls. 96/98, nos seguintes termos: Constatada a necessidade de comprovação do não creditamento e da não transferência do ônus financeiro relativo ao IPI, por parte do contribuinte, para prosseguimento da restituição pleiteada, houve o encaminhamento do processo à unidade da SRF com jurisdição aduaneira sobre o domicilio do contribuinte para realização da diligência pertinente. Expedido o Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência n° 0817800-2007-00270-4 de 23/03/2007, à fl. 70, concluiu-se que o interessado já se creditou do valor pago à maior a titulo de IPI, não assumindo o respectivo encargo financeiro, sendo vedada, portanto, a sua restituição, nos termos do art. 166 do CT1V." Ciente da decisão, a interessada apresentou manifestaçã o de inconformidade de fls. 116 a 124, onde alegou: - observa o GRED que houve a retificaçã o do valor do IPI devido de parte da DI (adição 001), com redução da aliquota de 5% para zero, ou seja, redução do valor de R$ 199,82 para zero; - os demais valores declarados mostraram-se devidos, quais sejam, R$ 100,11 para adição 002, valores estes que não se encontram aqui em discussão; - não se questiona, portanto, se houve ou não o recolhimento do IPI, pois o pagamento ocorreu e é reconhecido pela autoridade Fazendária. Mostra-se inquestionável, também, que quando da Retificação da DI o valor do imposto foi retificado para 0,00, para a adição 001 da DI, o que comprova o fato do recolhimento anterior ter sido feito indevidamente; 2 Processo n° 10814.000526/00-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.216 Fl. 151 - prendeu-se a autoridade fiscal ao argumento de que teria a requerente se creditado do valor que requerer o reconhecimento de seu direito à restituição; - a requerente procedeu à juntada da DI, do comprovante do recolhimento do imposto e do pedido de retificação da DL Juntou ainda cópias das notas fiscais e dos livros fiscais, comprovando que houve efetivamente o pagamento de tributo indevidamente, não existindo dúvidas quanto a ocorrência do recolhimento indevido; - mesmo que ainda existisse alguma dúvida no que se refere ao direito creditório da Requerente, a posição adotada pela Unidade Fiscal não foi a mais acertada. Reitere-se, a tributação deve ser interpretada restritivamente, eis que não obstante, trata-se de lesão patrimonial autorizada pelo Texto Constitucional; - a própria autoridade Fazendária destaca que, para o caso em análise, não se tratou de reclassificação tarifária, mas sim de reconhecimento de isenção para a classificação proposta pelo contribuinte; - situações idênticas à ocorrida nestes autos já foram levados à apreciação do Conselho de Contribuintes, o qual manifestou-se favoravelmente ao contribuinte; - seria desnecessária a produção de qualquer prova acerca da assunção do encargo, pois o ônus de provar que a Requerente não o assumiu é da própria fiscalização e, conforme vem demonstrando no presente processo administrativo, o Fisco não conseguiu fazer tal prova, de modo que pudesse indeferir, validamente, o pedido firmado pela Requerente; - entender-se o contrário consistiria em afronta ao principio da razoabilidade; - requer seja dado provimento a esta manifestação de inconformidade, restituindo-se ao Contribuinte-Requerente o total indevidamente pago, corrigido na forma da lei. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 15/04/1997 Ementa: É ônus do interessado provar, quanto ao LP.L, que assumiu o encargo financeiro, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a receber a restituição. Solicitação indeferida. 3 Processo n° 10814.000526/00-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.216 Fl. 152 O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. •É o Relatório. 4 Processo n° 10814.000526/00-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.216 Fl. 153 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Observo que há às fls. 94 dos autos relato da fiscalização de diligência solicitada pelo GRED — Grupo de Retificação Declaração de Importação, do qual extraio o seguinte trecho: Nos dias 03 e 14/05/2007 (vide cópia dos protocolos de entrega, pedido de prorrogação de prazo, e documento de outorga de poderes às fls. 79 a89) foram-me entregues cópias de diversos documentos, dentre os quais a Nota Fiscal de Entrada de n° 001.965, emitida em 17/04/1997 e referente à Dl n° 97/0271909- 7 (vide fls. 90), e a folha do livro de Registro de Entradas com o respectivo lançamento (vide fls. 91 a 93). Destaca-se em tais documentos o crédito do IPI pelo valor total pago na data do registro da DI (R$ 299,93); em nenhum dos demais documentos apresentados há qualquer registro de estorno de parte deste valor utilizado com contrapartida a débito de uma conta de impostos a recuperar, o que caracterizaria o reconhecimento contábil, pela empresa, do valor de IPI pago a maior de R$ 199,82, sujeito a restituição, decorrente da retificação da Dl ocorrida em 23/07/1999. Sendo assim, concluo que o contribuinte, por já ter se creditado contabilmente deste valor de IPI pago a maior, não assumiu o respectivo encargo financeiro. (grifos do original) Este deveria ser o trabalho realizado em todos os casos de restituição do IPI, tendo em vista as reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça no que se refere à restituição de valores indevidamente pagos por contribuintes a titulo de tributos indiretos, como é o caso do IPI. A exemplo desta posição cito a recente decisão da 1" Seção daquela Corte, nos autos do AgRg nos EREsp 997244 / SP, cujo relator foi o Ministro Francisco Falcão, publicado no DJe de 06/04/2009: TRIBUTÁRIO. ICMS. MAJORAÇÃO DA ALíQUOTA DE 17% - PARA 18%. COMPENSAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CREDITA MENTO. TRIBUTO INDIRETO. CT1V, ART. 166. NECESSIDADE DE PROVA DA NÃO REPERCUSSÃO. 1- É jurisprudência do STJ que a compensação, a restituição ou o creditamento de tributos indiretos, como é o caso do ICMS, exige a comprovação da ausência de repasse do encargo financeiro ao contribuinte de fato, nos termos do disposto no art. 166 do CT1V. Precedentes: AgRg nos EREsp n° 728.325/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ de 26.05.2008; 5 Processo n° 10814.000526/00-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.216 Fl. 154 AgRg na Pet n" 6.055/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ de 09.06.2008; AgRg no Ag 856.006/SP, Rel. Min. DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJ de 17.12.2007; AgRg no Ag n o 910.440/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJ de 21.02.2008; REsp n° 766.682/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJ de 30.05.2008; AgRg no REsp n° 613.188/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJ de 28.03.2005. - Agravo regimental improvido. Como se verifica da diligência a contabilidade do recorrente aponta que o mesmo aproveitou o crédito correspondente e não promoveu o estorno respectivo para possibilitar a restituição. Os livros contábeis servem como prova, conforme o disposto no art. 226 do Código Civil: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Não tendo sido capaz de ilidir a prova em suas peças de defesa, ou de verdadeiramente negar a conclusão da diligência realizada, é impossível deferir o pedido do recorrente. Assim, autorizar a restituição seria permitir o enriquecimento sem causa do mesmo, portanto, VOTO por conhecer do recurso para negar-lhe provimento. N cu.eL&, CX) • MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA 6
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Numero do processo: 13808.006032/2001-64
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1996
FALTA DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. LIMITES.
Verificada a falta de retenção do imposto de renda a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos quando a ação fiscal for instaurada após o encerramento do ano-calendário ou do período de apuração do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 2202-002.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pela Recorrente e declarar extinto o crédito tributário lançado.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pela Recorrente e declarar extinto o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
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IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. LIMITES. Verificada a falta de retenção do imposto de renda a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos quando a ação fiscal for instaurada após o encerramento do anocalendário ou do período de apuração do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pela Recorrente e declarar extinto o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 60 32 /2 00 1- 64 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13808.006032/200164 Acórdão n.º 2202002.120 S2C2T2 Fl. 159 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 45 a 46, integrado pelos demonstrativos de fls. 47 e 48, pelo qual se exige a importância de R$20.084,73, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. DA AÇÃO FISCAL Em consulta ao Termo de Verificação de fls. 40 a 44, verificase que o lançamento decorre da exigência de Imposto de Renda na Fonte – IRRF incidente sobre a parcela dos lucros distribuídos que excedeu ao Lucro Presumido diminuído do valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social, do PIS e da COFINS, conforme planilha de fl. 43. A base de cálculo do imposto foi reajustada, nos termos do art. 796 do RIR/94. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 51 a 60, instruída com os documentos de fls. 61 a 111, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fl. 118): Cientificada do feito em 23/11/01, a empresa apresenta, em 20/12/01, impugnação, de fls. 51/60, argüindo, em síntese, o seguinte: 3.1 Decaiu o direito da Fazenda pública lançar, perante a impugnante, os valores a título de IRPJ, na modalidade fonte, no ano de 1996, citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ; 3.2 O prazo decadencial para tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (parágrafo 6° do art.150 do CTN), portanto, créditos tributários apurados dos meses de janeiro, março, maio, julho, setembro, outubro e novembro de 1996, operouse a decadência em dezembro de 2000, fevereiro, abril, junho, agosto, setembro e outubro de 2001; 3.3 Afirma ter antecipado os valores, a título de IR, nos meses em relação aos quais a Fazenda Nacional pretende constituir o crédito tributário, o que corrobora a assertiva de que o prazo decadencial para lançamento tributário é aquele previsto no art.150, parágrafo 4°, do CTN; 3.4 Por fim, requer a procedência do pedido e o cancelamento do presente Auto de infração. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 8.620 (fls. 116 a 123), de 12/01/2006, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1996 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13808.006032/200164 Acórdão n.º 2202002.120 S2C2T2 Fl. 160 3 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Tratandose de lançamento de ofício, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LUCRO EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. Em se tratando do lucro apurado dentro do próprio período de apuração, a parcela excedente ao calculado pela forma presumida, diminuídas de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de calculo do imposto. DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 30/11/2007 (vide AR de fl. 124 verso), a contribuinte apresentou, em 19/12/2007, tempestivamente, o recurso de fls. 127 a 155, no qual, após breve relato dos fatos, expõe as razões de sua irresiganção a seguir sintetizadas. 1. ILEGITIMIDADE PASSIVA 1.1. Preliminarmente, a recorrente alega que não é legítima para responder ao crédito tributário constituído pelo Auto de Infração em discussão, uma vez que seus sócios são pessoas físicas e, ainda que não tenha havido retenção de imposto de renda sobre os valores distribuídos a título de lucros, o valor não retido era apenas antecipação do imposto devido pelo beneficiário a ser apurado na declaração de ajuste anual. 1.2. Defende que, “caso a fiscalização tivesse lavrado o auto de infração em discussão antes da entrega da declaração de ajuste pelos beneficiários, a Recorrente seria, de fato, responsável pelo tributo” (fl. 131). Ocorre, porém, que o lançamento foi formalizado depois da entrega da declaração anual de ajuste da pessoa física, quando o imposto deveria ter sido exigido dos próprios beneficiários, de acordo com precedente da Quarta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. 2. DECADÊNCIA 2.1. O contribuinte reitera os termos de sua impugnação e se insurge contra a tese do pagamento antecipado para aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional, citando jurisprudência administrativa para corroborar seu entendimento. 3. MÉRITO 3.1. No mérito, o recorrente alega que: · o valor considerou pela fiscalização como distribuído no mês de maio de 1996 está errado, pois foram distribuídos R$23.377,15 a José Ricardo Ventura, e R$1.335,64 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13808.006032/200164 Acórdão n.º 2202002.120 S2C2T2 Fl. 161 4 a Rosa Mary de C. Ventura e, portanto, o total distribuído foi R$24.712,79, e não R$26.712,79, refletindo no montante do crédito tributário apurado; · o art. 51, §2o, da Instrução Normativa no 11, de 1996 não tem base legal para determinar que o excesso de lucros distribuídos deve ser calculado em relação à base de cálculo do imposto devido pelo lucro presumido, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, mencionando jurisprudência administrativa sobre o assunto; · a fiscalização apurou o valor a ser tributado, de forma individualizada, nos meses em que a recorrente distribuiu aos seus sócios valores em excesso ao lucro apurado, desconsiderando a existência saldo de lucros passíveis de distribuição dos meses anteriores, contrariando o art. 51, §4o, da Instrução Normativa SRF no 11, de 1996; · por fim, se insurge contra o reajustamento de base de cálculo, porquanto apenas deverá ser efetuado, a teor do art. 796 do RIR/94, se a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, o que não ocorreu nem a fiscalização logrou comprovar, reportandose a decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes; · às fls. 147 a 153, apresenta planilhas que espelham o valor do crédito tributário que entende ser devido, caso as preliminares não sejam acolhidas. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 14, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio numerado até à fl. 157 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13808.006032/200164 Acórdão n.º 2202002.120 S2C2T2 Fl. 162 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, a recorrente alega erro de sujeição passiva, pois entende que a responsabilidade pelo imposto que ora exigido deveria ser atribuída ao beneficiário dos rendimentos e não à fonte pagadora. De se analisar a questão. É sabido que, com o advento da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a distribuição dos lucros ou dividendos aos sócios passou a ser isenta, nos termos do seu art. 10 (grifos nossos): Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com essa alteração, a partir do anocalendário 1996, os lucros distribuídos pela pessoa jurídica, tributados com base no lucro real, presumido ou arbitrado, voltaram a ser isentos. Disciplinando o assunto foi editada a Instrução Normativa no 11, de 21 de fevereiro de 1996, que assim dispõe em seu art. 51: Art. 51. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1o O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2o No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13808.006032/200164 Acórdão n.º 2202002.120 S2C2T2 Fl. 163 6 imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3o A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputado aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4o Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. § 5o A isenção de que trata o caput não abrange os valores pagos a outro título, tais como pro labore, aluguéis e serviços prestados. § 6o A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7o A distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos, que não tenham sido apurados em balanço, sujeita se à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4o. Como se vê, a partir do anocalendário 1996, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, o valor que exceder a base de cálculo do imposto deduzidos todos os impostos até o valor do lucro efetivo apurado com base na escrituração contábil feita com observância da lei comercial, poderá ser distribuída com isenção (§2o do art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 1996). Os valores que excederem o lucro apurado na escrituração, deverão ser imputados aos lucros acumulados ou lucros de exercícios anteriores e tributados de acordo com a legislação específica e, inexistindo lucros acumulados, estes valores serão tributados (§§ 3o e 4o do art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 1996). Por fim, o §7o do art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 1996, deixa claro que a apuração do resultado deve ser feita mediante a elaboração de demonstrativos contábeis para que os rendimentos pagos a título de lucros distribuídos possam usufruir do benefício da isenção. Sem que se entre no mérito da apuração do valor excedente ao lucro distribuído passível de isenção, verdade é que tratase de rendimento pago a pessoa física que está sujeito ao ajuste anual, uma vez que não existe lei que estabeleça a isenção ou determine a tributação definitiva ou exclusiva na fonte. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13808.006032/200164 Acórdão n.º 2202002.120 S2C2T2 Fl. 164 7 No caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, ou seja, aqueles que não se classificam como rendimentos isentos, nãotributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou de sujeitos à tributação definitiva, existem dois momentos bem definidos em que o imposto de renda é exigido. O primeiro, quando do pagamento efetivo do rendimento, sendo a fonte pagadora responsável pela retenção do imposto a título de antecipação; e o segundo, quando da apresentação da declaração de ajuste anual. Como se sabe, toda pessoa física contribuinte do imposto de renda deverá apresentar anualmente a declaração de rendimentos, incluindo todos os rendimentos tributáveis recebidos no anocalendário a fim de determinar o saldo do imposto a pagar ou a restituir, de acordo com os arts. 10 e 11 da Lei no 8.134, de 27 de dezembro de 1990: Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II das deduções de que trata o art. 8°. Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II será deduzido o valor original, excluída a correção monetária do imposto pago ou retido na fonte durante o ano base, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo (art. 10); [...] O imposto de renda retido na fonte (exceto os casos de tributação exclusiva) e o carnêleão, previstos nos arts. 7o e 8o da Lei no 7.713, foram mantidos na Lei no 8.134, de 1990 (arts. 3º e 4º), como antecipações do imposto apurado anualmente, como se observa pelo teor do art. 5º da citada lei (grifos nossos): Art. 5º Salvo disposição em contrário, o imposto retido na fonte (art. 3º) ou pago pelo contribuinte (art. 4°), será considerado redução do apurado na forma do art. 11, inciso I. Encontrase pacificado neste Conselho, o entendimento, ao qual me filio, de que quando existe previsão de tributação na fonte, a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos, e a ação fiscal for instaurada após o encerramento do ano calendário ou do período de apuração do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. A jurisprudência neste Tribunal é no sentido de que, nesse caso, o rendimento deveria ser tributado pelo beneficiário do rendimento, exigindose da fonte pagadora a multa de ofício de forma isolada, prevista no art. 9o da Lei no 10.426, de 2002. Nesse sentido, existem diversos precedentes administrativos: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13808.006032/200164 Acórdão n.º 2202002.120 S2C2T2 Fl. 165 8 FALTA DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO VERIFICAÇÃO DA FALTA APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO – MULTA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, publicada no D.O.U de 28/12/2001, convertida na Lei nº. 10.426, de 2002 é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. Tal multa será calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, sem o reajustamento da base de cálculo. (Acórdão no 10616798, de 06/03/2008). FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO MOMENTO DE VERIFICAÇÃO DA FALTA MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da Medida Provisória nº. 16, de 27/12/2001, publicada no D.O.U de 28/12/2001, convertida na Lei nº. 10.426, de 2002, é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. (Acórdão no 104 21857, de 20/09/2006) Somente quando se tratar de tributação exclusiva na fonte é que a responsabilidade pelo tributo não retido e não recolhido é da fonte pagadora. Importa aqui fazer um parêntesis. Muito embora exista uma corrente neste Tribunal que defenda que, com o advento da Lei no 11.488, de 2007, a aplicação da multa isolada em razão da falta de retenção e/ou recolhimento do imposto pela fonte pagadora deva ser afastada, por força do princípio da retroativa benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN, visto que a mesma teria excluída das hipóteses de incidência, entendo que a referida multa continua existindo no nosso ordenamento jurídico. Entendimento semelhante é adotado pela própria administração pública, no que diz respeito a responsabilidade da fonte pagadora, como se observa pelo seguinte trecho do Parecer Normativa no 1, de 24 de setembro de 2002, que trata da matéria: IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13808.006032/200164 Acórdão n.º 2202002.120 S2C2T2 Fl. 166 9 a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. No caso dos autos, é desnecessário maiores considerações acerca da multa isolada pela falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, uma vez que está em discussão é o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF exigido da fonte pagadora pela falta de retenção. Logo, por tudo quanto acima se expôs, não existia mais a responsabilidade da fonte pagadora pelo imposto não retido visto que os fatos geradores ocorreram ao longo ano calendário 1996 e crédito tributário foi constituído apenas em 2001. Correto seria efetuar o lançamento de omissão de rendimentos em nome dos beneficiários e exigir, se fosse o caso, o imposto devido . Diante do exposto, voto por ACATAR a preliminar de ilegitimidade passiva suscita pela recorrente e declarar extinto o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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