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Numero do processo: 12963.000387/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/12/2005 a 31/12/2005
RECURSO CONTRA DECISÃO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL.
Não se conhece de recurso interposto pelo contribuinte contra decisão proferida pela DRJ que lhe foi favorável, ante a falta de interesse em recorrer.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2402-001.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/12/2005 a 31/12/2005 RECURSO CONTRA DECISÃO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Não se conhece de recurso interposto pelo contribuinte contra decisão proferida pela DRJ que lhe foi favorável, ante a falta de interesse em recorrer. Recurso não conhecido.
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E CORRETORA DE SEGUROS S/C Recorrida DRJJUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/12/2005 a 31/12/2005 RECURSO CONTRA DECISÃO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Não se conhece de recurso interposto pelo contribuinte contra decisão proferida pela DRJ que lhe foi favorável, ante a falta de interesse em recorrer. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Igor Soares, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado Fl. 119DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 25/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12963.000387/200780 Acórdão n.º 2402001.533 S2C4T2 Fl. 111 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa no valor de R$ 5.975,65, em razão da Recorrente não ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP relativas aos períodos de 13/2004 e 13/2005. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 38/55) requerendo a total improcedência da autuação, ou, quando menos, a relevação da multa. A d. Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora – MG (fls. 58/62), ao analisar o processo, julgou o lançamento parcialmente procedente e relevou totalmente a penalidade, sob os argumentos de que a obrigatoriedade de entrega de GFIP para a competência 13 somente entrou em vigor a partir do ano de 2005, e que a falta de entrega da GFIP para o período de 13/2005 foi corrigida em tempo. A Superintendência Regional da 6ª Região Fiscal da Receita Federal em Poços de Caldas – MG determinou o envio dos autos ao arquivo (fl. 65). Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 67/108) alegando que o lançamento ofende ao princípio da razoabilidade, bem como que deve ser aplicado o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 25/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12963.000387/200780 Acórdão n.º 2402001.533 S2C4T2 Fl. 112 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que há óbices quanto ao conhecimento do recurso. Isto porque, conforme se pode verificar na decisão de fls. 58/62, houve a procedência parcial da autuação e a relevação total da multa restante, de modo que não há mais, neste momento, exigência de qualquer valor. Conforme se pode verificar ainda no ofício nº 444/2008/SARAC/EAC/2 (fl. 63) – o qual foi enviado à Recorrente, vide AR anexado nos autos (fl. 64) – há expressa informação de que o presente processo foi baixado do sistema de dados da Receita Federal do Brasil. Desta forma, não havendo mais qualquer valor exigido, vislumbro que há total carência de interesse recursal por parte da empresa, motivo pelo qual não deve ser conhecido o seu recurso. Este Conselho Administrativo já se manifestou, em caso análogo, quanto ao não conhecimento de recursos interpostos por contribuintes contra decisões que lhes foram favoráveis. Vejamos: “(...) FALTA DE INTERESSE EM RECORRER Não se conhece de recurso interposto pela contribuinte contra decisão proferida pela DRJ que lhe foi favorável, ante a falta de interesse em recorrer. Recurso de ofício provido. Recuso voluntário não conhecido.” (CARF, PAF nº 10680015739200581, Acórdão nº 10422726, 1º Conselho, 4ª Câmara, Cons. Rel. Pedro Paulo Pereira Barbosa, Sessão de 17/10/2007) Diante do exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 121DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 25/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18184.003171/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/12/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de prestar à auditoria fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, constitui infração ao artigo 32,
inciso III, da Lei n° 8.212/1991.
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co-Responsáveis
CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação.
PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.506
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à co-responsabilidade
para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de Co-Responsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade
solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida.
Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/12/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de prestar à auditoria fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, constitui infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n° 8.212/1991. CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co-Responsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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(CÓDIGO FUNDAMENTO LEGAL CFL 35) Recorrente JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/12/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de prestar à auditoria fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, constitui infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n° 8.212/1991. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à coresponsabilidade para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de CoResponsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida. Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003171/200720 Acórdão n.º 240201.506 S2C4T2 Fl. 229 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, c/c os art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, em razão da empresa não ter prestado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, com como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme exposto no Relatório Fiscal da Infração de fls. 14. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 14), a autuada deixou de apresentar Contratos de Prestação de Serviços celebrados com as empresas fornecedoras dos cartões de premiação e seus respectivos aditivos, bem como deixou de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, com como os esclarecimentos necessários à fiscalização, o que acarretou a emissão por aferição indireta das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD’s) nos 37.058.2152 e 37.058.2144, conforme solicitado por intermédio do Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) de 03/09/07 (fls. 08 e 09). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 15) informa que a multa aplicada para esta infração foi de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos), com fundamento nos artigos 92 e 102, ambos da Lei no 8.212/1991, bem como pelos artigos 283, incisos II, alínea “b”, e 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, atualizada através da Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007. Consta do relatório que não ficaram configuradas circunstâncias agravantes ou atenuantes na ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/12/2007 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 23 a 31) – acompanhada de anexos de fls. 32 a 132 –, alegando, em síntese, que: 1. Dos fatos. Diz que em nenhum momento deixou de cumprir o que determina a legislação vigente bem como de atender à fiscalização, assim tal auto é um equívoco, pelas razões adiantes expostas. 2. Do direito. O primeiro motivo da atuação ora impugnada decorre da não entrega pela impugnante dos contratos celebrados com as empresas “Spirit Incentivo e Fidelizacão Ltda e Salles, Adan & Associados Marketing Promocional, Incentivo, Publicidade e Propaganda Ltda”. Contudo informa, que não possui tais contratos, tendo informado isto à fiscalização, assim tornouse totalmente inviável atender a exigência em decorrência da inexistência dos contratos. Afirma, ainda que o fato de não entregar os contratos (que Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 não existiam), em nada prejudicou a fiscalização, já que a natureza dos pagamentos realizados pela impugnante a tais empresas constava das Notas Fiscais, que sempre deixaram claro se tratar de pagamentos relacionados às campanhas de incentivo como se remuneração fossem, independentemente das características que envolvem tais campanhas, daí que, mesmo que, existissem suas entregas em nada influenciaria o rumo da fiscalização, e as autuações dela decorrentes. Diz ainda que inexiste uma especificação de quais documentos exatamente não foram apresentados em relação ao TIAD, o que teria justificado os valores levantados em duas das NFLD’s lavradas. Não pode assim a impugnante identificar qual documento não teria sido entregue, restando assim impedida de comprovar o regular atendimento da fiscalização, o que prejudicou o contraditório e a ampla defesa, caracteriza assim um vício formal do presente Auto de Infração. 3. Da impossibilidade da responsabilização das pessoas arroladas. Entende que somente poderão ser responsabilizados os diretores, sócios gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado quando a obrigação tributária advir de um ato por eles praticado com excesso de poderes ou infração a Lei ou contrato social, o que não ocorreu e não restou comprovado em nenhum momento. Assim, a mera inadimplência não configura a prática de um ato com excesso de poderes ou com infração à Lei ou contrato social, e nem é possível cogitar da aplicação do artigo 124, inciso II, do CTN, o qual trata da responsabilidade solidária. 4. Da necessidade de correção das listas. Conforme exposto na NFLD, o período fiscalizado vai de 11/2003 a 12/2006, contudo percebese que na relação de vínculos, encontramse diversas pessoas cuja época de autuação não contempla nenhum período nos quais são exigidos valores. Isso se dá com os Srs. Gian Carlo Cilento; Philippe Olivier Boutaud, Maria Eduarda Mascarenhas Kertsz, Sérgio Ricardo dos Santos Pompilio e Claudia Nicolo dos Santos. Assim como forma de coibir quaisquer atitudes que venham a impor gravames à tais pessoas, é imperativa a necessidade de retificação de tal listagem. Manifestase ainda, no sentido de ser absurda a limitação imposta pelo Sistema da Receita Federal do Brasil, que obriga que todas as pessoas, (representantes legais e pessoas com vínculos), ou seja, enquadradas como sócias da Impugnante, quando na verdade o que possuem são cargos de diretoria ou gerência. 5. Do pedido. Em face do exposto, requer seja julgada improcedente a presente exigência fiscal consubstanciada no AI de n° 37.058.2195, afirmando que o lançamento é totalmente nulo em face da existência de decadência, e pela total irregularidade da apuração fiscal, que se fundamentou em legislação não aplicável à casuística em epígrafe, além de violar o seu direito de defesa. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo ISP – por meio do Acórdão n° 1617.085 da 11a Turma da DRJ/SPOI (fls. 135 a 144) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que o auto de infração encontrase revestido das formalidades legais, foi lavrada de acordo com as Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003171/200720 Acórdão n.º 240201.506 S2C4T2 Fl. 230 5 disposições expressas da legislação e a Impugnante não apresentou argumentos e/ou elementos de prova capazes de elidir e/ou modificar o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A Notificada apresentou recurso (fls. 150 a 153) – acompanhado de anexos de fls. 154 a 225 –, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações apresentadas na peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São PauloSP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fls. 226 e 227). É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 227). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: Inicialmente na análise das preliminares, a Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei nº 6.830/1980, que dispõe: “Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.);” Assim, a responsabilidade tributária também será discutida na eventual execução do débito, sendo obrigação da fiscalização, indicar os eventuais representantes da empresa. Se houve violação a lei ou estatuto, não importa neste momento. O que importa é a legalidade do lançamento e a existência do fato gerador. Na possível cobrança efetuada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, irá ser apurado a eventual responsabilidade em caso de omissão do devedor principal, no caso a Recorrente. A finalidade do simples arrolamento, no processo administrativo, dos representantes legais do sujeito passivo, na condição de corresponsáveis, é que os mesmos sejam previamente identificados e não significa que essas pessoas serão convocadas para pagamento do débito que é imputado à empresa. E tanto é assim, que nem ao menos foram notificados com vistas ao exercício dos seus respectivos direitos de defesa e nem conferiram mandato aos patronos da impugnante para propor defesas em seus nomes. Dessa forma, essa discussão, sobre a intimação dos sócios corresponsáveis, não pode prosperar em esfera administrativa. Seria cabível, possivelmente, se o débito Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003171/200720 Acórdão n.º 240201.506 S2C4T2 Fl. 231 7 estivesse inscrito em dívida ativa, e, na via da execução judicial, caso os dirigentes tivessem sido convocados para o pagamento do crédito. Com isso, rejeito a preliminar supramencionada e passo ao exame da preliminar de nulidade do lançamento fiscal ora alegada pela Recorrente. Ainda em preliminar, a Recorrente alega que a auditoria fiscal não atendeu as formalidades legais, com isso deverá haver nulidade do auto de. Tal alegação não será acatada, pois os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja: a empresa deixou de apresentar Contratos de Prestação de Serviços celebrados com as empresas fornecedoras dos cartões de premiação e seus respectivos aditivos, conforme solicitado através do Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) de 03/09/07 ( fls. 08 e 09). Portanto, a Recorrente foi autuada por ter deixado de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, apesar de regularmente notificada para este fim, por meio dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD's). Tal postura ensejou a emissão das NFLD’s nos 37.058.2152 e 37.058.2144. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, já que, no auto de infração com seus anexos, consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal ora analisado, pois estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 15) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária acessória (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada e devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, dispõem o art. 142 do CTN e o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 14) e o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 15) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da infração incorrida pela Recorrente. A fundamentação legal aplicada encontrase na folha 01 do auto de infração (AI). Anexo ao auto de infração, foi enviado à empresa, por meio de arquivos digitais – conforme Recibo de arquivos entregues ao contribuinte de fls. 12 e 13 –, as NFLD’s contendo o lançamento fiscal pelo descumprimento da obrigação principal. Esse documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito. Além disso, no Termo de Início da Ação Fiscal TIAF (fls. 08 e 09) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 10 e 11), assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória lançada e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal da Infração fls. 14. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o auto de infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória, fazendo constar, nos relatórios que compõem o lançamento fiscal, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do auto de infração (AI) são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade no lançamento fiscal ora analisado, e não serão acatadas. A constituição do auto de infração foi detalhadamente descrita, conforme documentos às fls. 01 a 15, fornecendo todos os fatos necessários para sua compreensão e análise. Por tudo isso, não há que se falar em vícios e nulidade do presente lançamento fiscal. Diante disso, não acato a preliminar ora examinada de nulidade e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: No aspecto meritório, a Recorrente não nega que concedeu aos segurados empregados e contribuintes individuais os valores decorrentes das parcelas Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003171/200720 Acórdão n.º 240201.506 S2C4T2 Fl. 232 9 pagas a título de programa de incentivo, por meio de cartão de premiação. Ela apenas registra em sua peça recursal que em nenhum momento deixou de atender a fiscalização. Diz ainda que os contratos solicitados pela fiscalização não poderiam ser entregues porque não existem, e que a sua não entrega em nada prejudicou o levantamento, já que a fiscalização se baseou nas notas fiscais emitidas. Tal alegação não deve prosperar, pois a Recorrente deveria ter apresentado os Contratos de Prestação de Serviços celebrados com as empresas fornecedoras dos cartões de premiação e seus respectivos aditivos, conforme solicitado através do Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) de 03/09/07 (fls. 08 e 09). Esses contratos são importantes, eis que trazem importantes esclarecimentos acerca dos prazos de validade, valores ajustados, beneficiários a que faziam jus, condições para pagamento, dentre outros motivos, reforçando os elementos probatórios para a lavratura do auto de infração e, por consectário lógico, a convicção pessoal do auditor fiscal. A autuação se deu ainda porque a impugnante deixou de oferecer “todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização”, apesar de regularmente notificada para este fim, por meio dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD’s), o que ensejou a emissão das NFLD’s nos 37.058.2152 e 37.058.2144, segundo o critério da Aferição Indireta. Desse modo, a Recorrente incorreu em infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n° 8.212/1991, que dispõe: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecido, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, em seu art.225, inciso III, dispõe: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecido, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Logo, não será acatada a alegação susomencionada da Recorrente, eis que ela estava obrigada a prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da auditoria fiscal, na forma que foi estabelecida pelo Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 de 03/09/07 (fls. 08 e 09), bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, nos termos do art. 32, inciso III, da Lei no 8.212/1991. A Recorrente insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova testemunhal e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito, tais como a prova testemunhal, quando não se referir a matéria fática documental, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova testemunhal que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, no auto de infração com seus anexos (fls. 01 a 15), consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova testemunhal. Estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 15) – para o procedimento de lançamento fiscal analisado – todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária acessória descumprida (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada e devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Dessa forma, a realização de prova testemunhal, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003171/200720 Acórdão n.º 240201.506 S2C4T2 Fl. 233 11 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 12 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Embora na essência não exista dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, entendo que a decisão do colegiado passou a ser no sentido do acolhimento parcial dessa preliminar argüida. Isto porque após a revogação acima a denominada “Relação de CoResponsáveis – CORESP” não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma coresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003171/200720 Acórdão n.º 240201.506 S2C4T2 Fl. 234 13 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, embora não se atenda ao requerido para exclusão de sócios e diretores da “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, devese acolher parcialmente a preliminar para que se reconheça que a finalidade do documento é apenas indicar os representantes legais da empresa, “Representantes Legais – REPLEG”, como subsídio para a PFN. Voto pelo acolhimento parcial da preliminar de coresponsabilidade. Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 13888.001883/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01012001
a 31122003
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS COM INFORMAÇÕES DIVERGENTES DA REALIDADE.
Constitui infração ao art. 33, 2º e 3º da Lei 8.212/91 a apresentação de livros contábeis com informações que não correspondem a realidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01012001 a 31122003 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS COM INFORMAÇÕES DIVERGENTES DA REALIDADE. Constitui infração ao art. 33, 2º e 3º da Lei 8.212/91 a apresentação de livros contábeis com informações que não correspondem a realidade. Recurso Voluntário Negado.
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APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS COM INFORMAÇOES DIVERGENTES DA REALIDADE. Constitui infração ao art. 33, 2º e 3º da Lei 8.212/91 a apresentação de livros contábeis com informações que não correspondem a realidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Julio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares Fl. 179DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração sob o n. 35.834.5103, lavrado em desfavor de GRUPO TRÊS CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA, com esteio no art. 33, § 3o da Lei 8.212/91, por ter a recorrente apresentado livro diário e razão, das competências de 01/1997 a 09/2001, com informações de aquisição de portas e janelas/vitrôs, para a obra de construção civil matrícula CEI 39.270.0159571, divergentes da realidade. Não foram verificadas circunstâncias agravantes ou atenuantes. A irregularidade apontada nos livros referese a diferenças detectada entre o número de portas e janelas especificadas no projeto da obra e aquelas constantes das notas de aquisição de tais materiais contabilizadas pela recorrente. Em razão da lavratura do presente AI, o débito de contribuições previdenciárias fora lançado na NFLD n. 35.834.5146 por aferição indireta. Apresentada a defesa, foi determinada a realização de diligência através da qual restou concluído pelo Il. Fiscal autuante que a recorrente contabilizou em seus livros 50 (cinqüenta ) portas a mais do número total de portas e janelas constantes no projeto. A recorrente foi devidamente intimada do resultado da diligência, tendolhe sido reaberto o prazo de defesa, o qual transcorreu in albis. Sobreveio, pois, o acórdão da DRJ, o qual manteve a integralidade do lançamento da multa, sendo, então, interposto o presente recurso voluntário (fls. 134/144), por meio do qual sustenta o contribuinte: 1. que o presente Auto de Infração deve ser anulado, da mesma forma como a NFLD n. 35.834.5146, na qual foram lançadas contribuições sociais por aferição indireta, decorrentes da desconsideração da contabilidade decorrente do AI ora recorrido; 2. que tanto o presente Auto de Infração, quanto a NFLD anulada, foram objeto da mesma diligência fiscal e julgados em conjunto, devendo possuir a mesma conclusão; 3. a nulidade do Auto de Infração por ser desproporcional e irrazoável; 4. que o auto deve ser anulado na medida em que o fiscal, ao efetuar a diligência, reconhecendo o acerto das alegações do recorrente quanto ao correto número de porta e janelas, resolveu retificar, por assim dizer, sua tipificação infracional, sob o novo argumento de que a contabilidade da recorrente não está clara e precisa por deixar de lançar em contas contábeis individualizadas, registros por obra de construção civil, fundamentandose, Fl. 180DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 13888.001883/200763 Acórdão n.º 2402001.479 S2C4T2 Fl. 172 3 desta forma, do contido no artigo 225, parágrafo 13, incisos I e II do Regulamento da Previdência Social; 5. que a alteração do fundamento da infração fere o principio do devido processo legal, da finalidade, da motivação, dentre outros aplicáveis ao processo administrativo fiscal; 6. que as notas fiscais n. 1307 e 1350, deveriam ser desconsideradas, pois referemse a outra obra, no caso a do Ed. Potiguara, sendo que esta fora a quantidade de unidades de porta considerada excedente pela fiscalização; 7. que a desconsideração da contabilidade foi desarrazoada e ilegal; Processado o recurso sem contrarrazoes da Procuradoria Geral da Fazenda nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Em suma o contribuinte sustenta a nulidade do Auto de Infração por dois fundamentos. O primeiro deles em razão de que a NFLD n. 35.834.5146, lavrada em decorrência de ter sido desconsiderada a contabilidade da recorrente no presente Auto de Infração, foi anulada por acórdão da DRJ de BrasíliaDF, que concluiu não ser o caso de lançamento com base na aferição indireta, já que o Fisco possuía elementos suficientes para lançar as contribuições que entendesse devidas de forma direta, sendo que sua contabilidade não apresentava qualquer irregularidade quanto aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. O segundo, de que não poderia o ilustre fiscal, ao realizar a diligência fiscal que lhe foi requerida, alterar a fundamentação legal e os motivos de fato que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. Quanto ao primeiro ponto de insurgência, ressalto que a assertiva da recorrente, sustentada na via do recurso voluntário, pode ser confirmada no teor do acórdão proferido pela DRJ de Brasília, juntado aos autos as fls. 153/157, o qual efetivamente anulou o lançamento das contribuições previdenciárias levantadas em razão da mesma situação de fato descrita no relatório fiscal do presente Auto de Infração, qual seja, a apuração de divergência entre o número de portas e janelas descritas no projeto e efetivamente utilizadas na obra de construção civil do Ed. Sapucaia. Confirase, a propósito, o seguinte trecho do relatório do acórdão da DRJ de Brasília: “De acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 23/26, o crédito previdenciário, relativo à execução de obra de construção civil, foi apurado por aferição indireta, com base no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, em decorrência da desconsideração da contabilidade do sujeito passivo, sob fundamento de ter sido constatada divergência entre a quantidade de portas e janelas estabelecidas nos projetos da obra (516 janelas e 509 portas) e nas notas fiscais de aquisição contabilizadas (291 janelas e 529 portas).” Referido julgamento entendeu pela nulidade da NFLD, em razão de que o procedimento de aferição indireta não teria se justificado, pois a fiscalização não comprovou que o registro de remunerações e pagamentos efetuados a contribuintes individuais e segurados Fl. 182DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 13888.001883/200763 Acórdão n.º 2402001.479 S2C4T2 Fl. 173 5 empregados era feito de forma irregular, mas ao contrário, inclusive, reconheceu não haver qualquer irregularidade na contabilização de tais pagamentos. Dessa forma, não haviam motivos aptos a levar a desconsideração da contabilidade da recorrente para que viessem a ser lançadas contribuições previdenciárias por aferição indireta, uma vez que a contabilidade registrava devidamente todos os seus fatos geradores. Entretanto, entendo que a anulação da NFLD não tem o condão de, por si só, determinar a anulação do presente auto de infração, na medida em que, a infração constatada pela fiscalização foi a de que o contribuinte apresentou livro diário e razão com informações divergentes da realidade, fato este que configura o descumprimento de obrigação acessória, apto a atrair a incidência de multa, mas não a desconsideração da contabilidade para fins de aferição indireta. O julgamento da NFLD, decorrente do presente auto de infração apenas determinou que o procedimento da aferição indireta não poderia vir a ser utilizado para o lançamento de contribuições previdenciárias devidas em decorrência da obra de construção civil, já que o fiscal dispunha de elementos suficientes para o fazêlo de forma direta. E, ao que se verifica dos documentos juntados aos autos, o julgamento não adentrou o mérito do fato de terem sido verificadas diferenças no número de portas excedentes apropriadas na obra do Ed. Sapucaia, sendo, esta, portanto, a discussão dos presentes autos. Há de se verificar, também, que não houve qualquer mudança nos fatos ou na fundamentação legal da infração aplicada, na medida em que a conclusão da diligência fiscal foi no sentido de que mesmo com os esclarecimentos e a defesa apresentada, ainda assim, os livros retratavam situação divergente da realidade, qual seja, a apropriação de número excedente de portas em referida obra de construção civil. Vejamos a conclusão do fiscal quando da diligência efetuada: “15. Diante do exposto e em tais condições, este AFPS concluiu que persiste a afirmação, constante das fls. 13 do Relatório Fiscal da Infração, de que "ficou comprovado que os Livros Diário e Razão apresentados pelo mesmo contêm informações divergentes da realidade e omitem informações verdadeiras, razão pela qual foi lavrada a NFLD Debcad 35.834.5146 para o débito por aferição indireta pelo CUB. 16. Comparando as quantidades consideradas no projeto de construção, conforme item 5 acima (569 portas), com as respectivas quantidades efetivamente apropriadas na obra, conforme item 12 acima (619 portas), persiste, ainda, uma diferença de 50 portas excedentes.” A alegação da não contabilização de notas em títulos próprios da contabilidade não fora utilizada pela fiscalização como novo fundamento para o lançamento da multa objeto do Auto de Infração, mas sim como meros esclarecimentos acerca da tese de defesa do contribuinte, de modo que não houve qualquer alteração nos fundamentos originais de fato e de direito do lançamento, tendo sido mantidos incólumes desde a lavratura do AI. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 6 Por tais motivos, o fiscal bem aplicou ao caso aquilo o que disposto no art. 33 da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1º [...] § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º [...] Diante disso, rejeito as preliminares. MÉRITO Ainda atento aos argumentos que demonstraram a necessidade da rejeição das preliminares aventadas, há de se pontuar, primeiramente, que restou determinado que de fato não houve a alteração da fundamentação legal e de fato da infração que originou a autuação do recorrente. Neste ínterim, ao analisar o relatório fiscal da diligência fiscal, tenho que o ilustre auditor deixou claro ter tomado como verdadeiras as alegações da recorrente no tocante ao número de portas e janelas indicadas pelo contribuinte no projeto de construção do Ed. Sapucaia. Entretanto, mesmo assim e diante dos argumentos de defesa, a apuração da diferença de portas excedentes foi devidamente comprovada pelo Fisco, inclusive mediante diligência fiscal, e se deu em virtude da fiscalização ter considerado que determinadas notas fiscais de aquisição das portas, as quais o contribuinte alega serem relativas a outro empreendimento imobiliário, estavam contabilizadas na conta da obra do Ed. Sapucaia, sendo, por isso, da própria obra, além de não ter considerado que outras notas fiscais do Ed. Potiguara, cuja alegação recursal é do erro na grafia do documento, deveriam ser apropriadas na obra do Ed. Sapucaia. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 13888.001883/200763 Acórdão n.º 2402001.479 S2C4T2 Fl. 174 7 Logo, restou devidamente demonstrado que a contabilidade da autora realmente não reflete fielmente a realidade da obra de construção civil do Ed. Sapucaia, no que se refere ao número de portas apropriadas no prédio, estando correta a imposição da multa com base no art. 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91, uma vez que as alegações do contribuinte, em já tendo sido analisadas pelo acórdão recorrido, não têm o condão de elidir a infração objeto do Auto. Ante todo o exposto NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 185DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10746.720639/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2010
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária tem natureza objetiva e alcança o contribuinte independentemente da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, salvo disposição de lei em contrário.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária atribuída pessoalmente a agentes do contribuinte não afasta a responsabilidade objetiva do contribuinte pela mesma infração.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2010
DIRF. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA REGULAMENTAR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A multa prevista no §3º do art. 86 da Lei n° 8.981/95 deve ser exigida do contribuinte em razão da responsabilidade objetiva prevista no artigo 136 do CTN e pode ser exigida do agente do contribuinte em razão da responsabilidade pessoal prevista no artigo 137 do CTN, para o qual é necessário demonstrar a existência de dolo específico do responsabilizado.
Numero da decisão: 1201-005.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Neudson Cavalcante Albuquerque
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária tem natureza objetiva e alcança o contribuinte independentemente da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, salvo disposição de lei em contrário. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. A responsabilidade por infrações da legislação tributária atribuída pessoalmente a agentes do contribuinte não afasta a responsabilidade objetiva do contribuinte pela mesma infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2010 DIRF. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA REGULAMENTAR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A multa prevista no §3º do art. 86 da Lei n° 8.981/95 deve ser exigida do contribuinte em razão da responsabilidade objetiva prevista no artigo 136 do CTN e pode ser exigida do agente do contribuinte em razão da responsabilidade pessoal prevista no artigo 137 do CTN, para o qual é necessário demonstrar a existência de dolo específico do responsabilizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária tem natureza objetiva e alcança o contribuinte independentemente da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, salvo disposição de lei em contrário. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. A responsabilidade por infrações da legislação tributária atribuída pessoalmente a agentes do contribuinte não afasta a responsabilidade objetiva do contribuinte pela mesma infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2010 DIRF. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA REGULAMENTAR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A multa prevista no §3º do art. 86 da Lei n° 8.981/95 deve ser exigida do contribuinte em razão da responsabilidade objetiva prevista no artigo 136 do CTN e pode ser exigida do agente do contribuinte em razão da responsabilidade pessoal prevista no artigo 137 do CTN, para o qual é necessário demonstrar a existência de dolo específico do responsabilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 06 39 /2 01 3- 78 Fl. 751DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.385 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10746.720639/2013-78 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório MUNICÍPIO DE LAGOA DA CONFUSÃO, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 07-35.022 (fls. 696), pela DRJ Florianópolis, interpôs recurso voluntário (fls. 711) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de lançamento tributário para exigir multa regulamentar pela apresentação de DIRF com informações falsas sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte no ano 2009, com fundamento no artigo 86, §3º, da Lei nº 8.981/1995, no valor de R$ 759.360,96 (fls. 2). O procedimento fiscal está relatado no Relatório Fiscal de fls. 8. O contribuinte impugnou o lançamento tributário (fls. 608). A decisão de primeira instância, ora recorrida, julgou a impugnação improcedente (fls. 696). O recurso voluntário apresentado em seguida (fls. 711) repisa os argumentos já oferecidos na impugnação, assim sintetizados: i) o recorrente não é parte legítima para figurar no polo passivo desse processo; ii) o julgamento do presente processo deve aguardar a conclusão da apuração criminal iniciada pela representação apresentada à Procuradoria da República; iii) a falsidade apontada é fruto de erro no sistema de recursos humanos da Prefeitura Municipal, quando o sistema foi alimentado, mas já foi retificado; iv) o Município não pode ser prejudicado em razão de eventual ato criminoso dos seus agentes. Esses argumentos serão detalhados e analisados no voto que se segue. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 06/09/2014 (fls. 708) e o seu recurso voluntário foi apresentado em 29/09/2014 (fls. 711). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O recorrente opõe-se à decisão de primeira instância com os argumentos a seguir apresentados e apreciados. Fl. 752DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.385 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10746.720639/2013-78 1 Legitimidade passiva O recorrente afirma que não é parte legítima para figurar no polo passivo desse processo, conforme o seguinte excerto do recurso voluntário (fls. 715): Diante do exposto, considerando a ilegitimidade passiva ad causam da Empresa: SHOPPING CAR, requer sua exclusão do polo passivo da presente ação, e a conseqüente extinção do processo sem julgamento do mérito, nos termos do Artigo 267 VI do CPC. Entendo que houve um equívoco do recorrente, pois a empresa Shopping Car não faz parte do polo passivo do presente processo, de modo que não é juridicamente possível atender ao pedido de exclusão aventado. Verifico que o argumento do recorrente, apesar de se fundamentar em tese válida, não possui qualquer congruência com a realidade fática do presente processo, pelo que deve ser rejeitado. 2 Apuração criminal - sobrestamento O recorrente defende que o julgamento do presente processo aguarde a conclusão da apuração criminal iniciada por ele, conforme o seguinte excerto (fls. 715): Assim, é inegável para possibilitar a ampla defesa ao recorrente é necessário conclusão da apuração dos fatos ora discutidos. Ou seja, averiguar quem efetivamente praticou a conduta criminosa. A alínea "a" inciso IV do art. 265 do CPC diz que quando o julgamento depender de outra causa (que é caso) suspende-se o processo. Neste sentido, veja-se: O citado dispositivo do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973) tem a seguinte redação: Art. 265. Suspende-se o processo: [...] IV - quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Esse dispositivo trata da dependência existente entre dois processos quando o julgamento de um deve ter como fundamento o resultado do julgamento do outro. Na espécie, está sendo feita uma comparação entre um processo criminal e o presente processo administrativo. Inicialmente, deve-se salientar que o recorrente não demonstrou a alegada existência do referido processo penal, mencionou apenas uma “representação” ao Ministério Público, o que não é suficiente para disparar a litispendência prevista no supracitado dispositivo legal. Fl. 753DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.385 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10746.720639/2013-78 Ainda que existisse tal processo criminal, entendo que este não impediria o julgamento do presente processo, pois a caracterização jurídica do ato de prestar declaração falsa ao Fisco, independentemente de esta possuir natureza penal ou não, não elide a responsabilização frente à Administração Tributária. Ainda que a conduta seja a mesma, a repercussão penal é distinta da repercussão tributária, não havendo interdependência entre elas, salvo expressa determinação legal. Tratando-se de esferas distintas de atuação do Estado, não há que se falar em dependência entre a investigação criminal e a investigação administrativa. Muito menos se pode falar entre dependência entre a legislação penal e a legislação administrativa. Com isso, o julgamento administrativo não depende de eventual julgamento criminal, pelo que deve ser afastada a alegada aplicação do artigo 265 do antigo CPC. Considerando o exposto, afasto o pedido de suspenção do curso processual. 3 Erro - retificação O recorrente defende que a falsidade em sua DIRF é fruto de erro no sistema de recursos humanos da Prefeitura Municipal, quando o sistema foi alimentado, mas tal erro já teria sido retificado. Esse argumento foi assim tratado na decisão recorrida (fls. 703): Como se pode observar, foram enviadas cinco DIRF para o ano-calendário de 2009 (uma original e quatro retificadoras), sendo que somente na DIRF retificadora enviada em 09/01/2014, após a conclusão do procedimento fiscal, o montante do IRRF foi reduzido em mais de 50% do informado anteriormente, adequando-se aos valores apurados pela Fiscalização da RFB (o IRRF foi reduzido de R$ 456.536,66 para R$ 203.416,34). De acordo com o parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966), "não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". Dessa forma, a citada DIRF retificadora não estava sob o abrigo da espontaneidade, pois foi transmitida após o início do procedimento fiscal. Não foram juntados aos autos quaisquer comprovantes dos alegados supostos erros nos sistemas da Prefeitura que pudessem resultar na inclusão indevida de informações detalhadas em DIRF de rendimentos pagos, deduções e IRRF de 72 pessoas físicas que nunca tiveram qualquer vínculo com o sujeito passivo. Observe-se que as DIRF podem ser transmitidas somente por pessoas habilitadas e autorizadas pelos respectivos contribuintes. Entendo que a motivação da decisão recorrida afasta de forma acertada o argumento da defesa, pelo que a adoto como razão de decidir. Saliento o fato de o contribuinte não ter demonstrado que a declaração falsa, reprisada por mais três declarações retificadoras, é fruto de um erro. Acrescento que o alegado erro é deveras inverossímil, na medida em que relaciona 72 pessoas estranhas à atividade da municipalidade e majora a obrigação tributária de IRRF por mais do que o seu dobro, de R$ 203.416,34 para R$ 456.536,66. Erro de tamanha magnitude dificilmente passaria despercebido por tanto tempo e depois de tantas retificações. Com isso, afasto o argumento do recorrente. Fl. 754DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.385 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10746.720639/2013-78 4 Responsabilidade tributária O recorrente alega que o Município não pode ser prejudicado em razão de eventual ato criminoso dos seus agentes. Com isso, tenta afastar a sua responsabilidade tributária, atribuindo-a a “terceiro”. Saliente-se que o presente processo foi lavrado em desfavor do Município de Lagoa da Confusão, não tendo sido apontado qualquer terceiro responsável. A presente situação fática é relativamente comum, em que o ente público foi responsabilizado tributariamente por ato de ofício praticado por seus agentes. Uma pesquisa na jurisprudência do CARF permite encontrar decisões que adotam, de per si, várias alternativas possíveis, conforme os exemplos a seguir expostos. No Acórdão nº 1002-000.725, de 05/06/2019, a 2ª Turma Extraordinária da 1ª Seção de Julgamento entendeu que a responsabilidade tributária é objetiva, cabendo ao município o esforço em se defender, conforme a ementa então adotada, verbis: DIRF. INFORMAÇÃO FALSA. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. ÔNUS DA PROVA. Na circunstância de apresentação de informações falsas através de DIRF. cabe ao Contribuinte apresentar provas aptas a rechaçar as constatações do Fisco. Nessa ocasião, recai a responsabilidade objetiva. Já no Acórdão nº 1302-005.495, de 15/06/2021, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, entendeu que a responsabilidade tributária é pessoal do agente, não cabendo responsabilidade ao ente público, a menos que o agente tenha atuado em benefício daquele, conforme a ementa então adotada, verbis: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DISTINÇÃO. As hipóteses do art. 135 do CTN são claramente direcionadas para as situações em que o responsável comete infração a lei. contrato social ou estatuto agindo no interesse da pessoa que lhe é relacionada (conforme as circunstâncias estabelecidas nos seus incisos). É diferente do presente caso, que se amolda às hipóteses do art. 137, também do CTN, onde se verifica as situações em que o agente comete infração com dolo específico para dela tirar proveito próprio. DIRF. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA REGULAMENTAR. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE. A multa prevista no §3o, do art. 86. da Lei n° 8.981/95, poderia ser aplicada, responsabilizando tanto o representado quanto o agente, caso este agisse em proveito daquele. No caso dos autos, em que o agente não agiu em proveito do representado e sua atuação dolosa beneficiou terceiros (de quem. provavelmente, tirou também seu proveito), a multa só poderia ser aplicada em face do agente. Por fim, no Acórdão 2402-005.519, de 21/09/2016, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento entendeu que nem o agente nem o município deveriam responder pela infração, conforme a seguinte ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. ART. 124. INC. II. DO CTN. INEXISTÊNCIA. Fl. 755DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.385 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10746.720639/2013-78 A autoridade lançadora não indicou qualquer dispositivo legal estabelecendo a solidariedade do Prefeito em relação aos débitos do Município. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO PREFEITO. INEXISTÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS. 1. A fiscalização não demonstrou a participação do Prefeito na fraude cometida pelo mandatário. 2. A extensão da relação jurídico-tributária a uma determinada pessoa requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei. ou seja. a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à responsabilidade. Dito de outra fornia, a responsabilidade pressupõe a regra matriz de incidência e a regra matriz de responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, responsáveis, etc). 3. A responsabilização, portanto, requer tenham ocorrido todos esses pressupostos, sem os quais não poderá existir, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DOLO ESPECÍFICO. DECORRÊNCIA DIRETA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ATENUAÇÃO DO PRINCÍPIO DA OBJETIVIDADE. 1. O mandatário foi totalmente infiel ao sujeito passivo, mormente porque não se vislumbra como o contribuinte possa se aproveitar da conduta ilícita retratada nos autos. 2. O art. 137 do CTN exclui a responsabilidade da pessoa jurídica e atribui responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico do mandatário contra o mandante, ex vi do seu art. 137. inc. III. alínea b. 3. Ainda se pode suscitar a aplicação do inc. I do citado art. 137. que igualmente atribui responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações situadas no âmbito penal. Isto é. sendo tão grave a infração, que a lei a enquadra como crime ou contravenção, a responsabilidade administrativa é igualmente do agente, e não da pessoa jurídica. Essa diversidade de entendimentos tem origem em diferentes interpretações dos artigos 136 e 137 do CTN, que tratam da responsabilidade por infrações tributárias, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. O artigo 136 do CTN determina a responsabilidade objetiva do contribuinte, ou seja, independente de fatores subjetivos, relativos ao autor dos atos ou às consequências destes. Este dispositivo é o principal fundamento do supracitado Acórdão nº 1002-000.725. Fl. 756DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.385 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10746.720639/2013-78 O artigo 137 do CTN determina a responsabilidade pessoal do agente quando a infração configurar crime ou for caracterizada com dolo específico do autor. Tal dispositivo permitiria a responsabilização do Prefeito ou de agente público. Ademais, também é levado em consideração o fato de o IRRF retido pela Prefeitura ser destinado diretamente ao Município, não havendo, em tese, prejuízo para a União, mas sim para o Município, o que autorizaria a exclusão de responsabilidade deste. Eu discordo desse último entendimento, uma vez que a conduta infratora é a declaração falsa de pagamentos e retenções. Não vejo prejuízo financeiro para o Município, uma vez que os pagamentos e as retenções nunca existiram, ou seja, o Município não perderá nada de sua arrecadação e não pagará nada a mais em razão dessa declaração. O verdadeiro prejuízo da conduta infratora está exclusivamente na apuração do IRPF dos beneficiários das falsas retenções, os quais poderão reduzir o imposto a pagar ou até restituir imposto que nunca foi retido, ou seja, é a União que será diretamente prejudicada em sua arrecadação do IRPF. Embora a declaração falsa possa ser caracterizada como crime ou de conteúdo doloso, atraindo a responsabilidade pessoal do autor (Prefeito ou agente) prevista no artigo 137, tal fato não afasta a responsabilidade objetiva do contribuinte (Município) prevista no artigo 136. Responsabilidade pessoal não significa responsabilidade exclusiva. As duas responsabilidades podem coexistir, mesmo porque têm matrizes legais distintas. Na espécie, sequer se fala em responsabilização do agente, o que enfraquece ainda mais a tese do recorrente, que pretende afastar a responsabilidade tributária do Município. Destarte, afasto o presente argumento do recorrente. 5 Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 757DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.385 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10746.720639/2013-78 Fl. 758DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10980.016005/2007-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE FUNDAMENTAÇÃO. Os embargos de declaração merecem ser acolhidos quando verificada a omissão na fundamentação do acórdão.
Numero da decisão: 1201-000.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para rerratifícar, sem efeitos infringentes, o Acórdão n° 103-23.588, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 10680.014208/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CSLL. EFEITOS DO RESP Nº 1.118.893/MG. LIMITES DA COISA JULGADA.
Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, não podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que não modificou o tributo em sua essência, nem tampouco em razão de posterior declaração de constitucionalidade do tributo pelo Supremo Tribunal Federal, consoante o entendimento consagrado no REsp no 1.118.893MG.
Numero da decisão: 1401-005.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Claudio de Andrade Camerano.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: André Severo Chaves
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-31T00:23:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-31T00:23:09Z; Last-Modified: 2021-10-31T00:23:09Z; dcterms:modified: 2021-10-31T00:23:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-31T00:23:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-31T00:23:09Z; meta:save-date: 2021-10-31T00:23:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-31T00:23:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-31T00:23:09Z; created: 2021-10-31T00:23:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2021-10-31T00:23:09Z; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-31T00:23:09Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10680.014208/2008-13 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-005.980 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2021 Recorrente COMPANHIA DE SEGUROS MINAS-BRASIL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CSLL. EFEITOS DO RESP Nº 1.118.893/MG. LIMITES DA COISA JULGADA. Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, não podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que não modificou o tributo em sua essência, nem tampouco em razão de posterior declaração de constitucionalidade do tributo pelo Supremo Tribunal Federal, consoante o entendimento consagrado no REsp no 1.118.893MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Claudio de Andrade Camerano. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02-26.301 da 2ª Turma DRJ/BHE, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 42 08 /2 00 8- 13 Fl. 1162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 No caso, fora lavrado contra a contribuinte Auto de Infração (e-Fls. 02 a 05), na data de 28/10/2008, em que fora constituído crédito tributário de CSLL, com a incidência de multa de ofício de 75%, multa isolada no percentual de 50% e, ainda, juros de mora, cujo montante totaliza a quantia de R$ 2.369.780,28, conforme a seguir discriminado: O referido crédito tributário fora apurado pelo cotejo entre os dados informados em planilha de Demonstrativo da Base de Cálculo da CSLL, elaborada pelo próprio contribuinte, cuja base de cálculo contábil coincide com as mesmas utilizadas no LALUR, e os valores declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados. Transcreve-se alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal (e-Fls. 13 a 16), que melhor esclarece os fatos que embasaram o lançamento: 3. DAS INFRAÇÕES 3.1 A Fiscalização, com base nos documentos apresentados pelo contribuinte, nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em relatórios internos, extraiu e compilou os seguintes dados relativos à CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO-CSLL sobre a base estimada e ajuste anual: 3.1.1 BASE ESTIMADA Os dados referentes à CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO- CSLL sobre a Base Estimada estão resumidos nas seguintes tabelas: Fl. 1163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 3.1.2 AJUSTE ANUAL Os, dados referentes à CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO- CSLL sobre ajuste anual estão resumidos nas seguintes tabelas: 4. Os valores acima constantes da coluna DIPJ referem-se aos valores informados pelo contribuinte na planilha DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL _ ANO CALENDÁRIO 2004 e 2005 (ANEXO 6), posto que em sua DIPJ (ANEXO 2) referidos valores não foram informados. 5. Em maio de 1989, o contribuinte propôs Ação Ordinária com pedido declaratório (processo n° 383/89, redistribuído sob o n° 89.00.04088-0) pleiteando que lhe fosse declarado o direito ao não pagamento da contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88, sob a alegação de violação aos princípios constitucionais. Em abril de 1990, o MM Juiz Federal em exercício na 1ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal acatou as razões formuladas na inicial e julgou procedente a ação. A sentença foi submetida ao duplo grau de jurisdição e o acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mantendo a decisão de lª instância, transitou em julgado. No entanto, de acordo com o disposto no artigo 471 do Código de Processo Civil, em se tratando de relação jurídica de caráter continuado, não prospera a exceção da coisa julgada se sobrevier modificação no estado de fato ou de direito. Assim sendo, com a promulgação da Lei n° 8.212/91, a CSLL voltou a ser devida. 6. Conforme entendimento do contribuinte, mesmo sob a égide do novo diploma legal, instituidor da CSLL (Lei n° 8.212/91), este ainda não estaria submetido à obrigatoriedade do referido tributo. Por essa razão, o mesmo impetrou MANDADO DE SEGURANÇA n° 2004.38.00.026873-2 (ANEXO 4), onde se discute o mérito da cobrança da CSLL, no qual foi proferida sentença negando provimento ao pedido. Inconformado com a denegatória da segurança mandamental, o contribuinte interpôs Recurso de Apelação, ainda pendente de julgamento. Fl. 1164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 7. O contribuinte alega ainda a possibilidade de compensação dos tributos ora fiscalizados com depósitos judiciais efetuados em 1997, que tinham como objetivo elidir a exigência dos tributos relativos aos fatos geradores ocorridos no primeiro semestre de 1997. Porém, tais antecipações depositadas judicialmente não têm o condão de afastar a exigibilidade dos tributos ora fiscalizados. 8. Portanto, a apuração dos tributos acima, informados na planilha DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL - ANO CALENDÁRIO 2004 e 2005 (ANEXO 6) elaborada pelo próprio contribuinte, cuja base de cálculo contábil coincide com as mesmas utilizadas no LALUR (ANEXO 5), geraram as infrações de falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, ano calendário 2004 e 2005, e falta de recolhimento da CSLL no ajuste anual, ano calendário 2004 e 2005, conforme demonstrado nas tabelas acima. Irresignada com o lançamento, a contribuinte apresenta Impugnação, ao qual transcreve-se a síntese das alegações realizada pela DRJ: 1- DO AUTO DE INFRAÇÃO Inicialmente, a Impugnante faz um breve relato da autuação. E diz que, para tanto, a Fiscalização ignorou por completo que a Impugnante não é contribuinte da CSLL por força de decisão judicial transitada soberbamente em julgado, a qual, declarando inconstitucional a Lei n° 7.689/88, desobrigou a empresa do recolhimento da exação instituída pela dita lei. O fiscal argumenta na autuação ora impugnada que, “com a promulgação da Lei n° 8.212/91, a CSL voltou a ser devida”. 11 - MÉRITO II.1 - Da Existência de Decisão Transitada em Julgado Desonerando a Impugnante do Recolhimento da CSL. Fundamentalmente, o contribuinte discorre opondo-se ao lançamento; para tanto, alega que está amparado pelo instituto da coisa julgada. Em 07 de dezembro de 1992, transitou em julgado o acórdão pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1” Região que, à época, entendia ser inconstitucional a contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88. A decisão foi proferida nos autos da Ação Declaratória n° 89.00.04088-0. II.2 - Ausência de Reinstituição da CSL pelas Leis Supervenientes. A Impugnante salienta que o diploma legal em vigor, que dispõe sobre a CSLL, ou seja, que disciplina a hipótese de incidência desta exação, é a Lei n° 7.689/88. A Lei n° 8.212/91 somente efetua algumas alterações à legislação anterior. II.3 - DA, SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS CONSTITUÍDOS. Não obstante a realidade fático jurídica definitiva transcrita acima, a Fiscalização lavrou, inicialmente, dois Autos de Infração apontando falta de recolhimento da CSLL. No primeiro, PTA n° 10680.002155/98-46, a autuação referiu-se aos fatos geradores ocorridos no período de 30/09/1993 a 30/11/1995; no segundo, PTA n° 10680002156/98-17, referiu-se ao período compreendido entre 31/01/1996 e 31/10/1996. Apesar de o valor lançado ter sido reduzido após o término dos processos administrativos mencionados, o Conselho de Contribuintes/MF não reconheceu a prevalência da coisa julgada e manteve o lançamento da CSL nos anos de 1995 e 1996. Dessa forma, após o fim dos referidos processos administrativos, a Impugnante levou a questão ao Poder Judiciário, através das seguintes ações: Fl. 1165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 a) Mandado de Segurança n° 2004.38.00.026873-2, no qual se discute o mérito da cobrança, ou seja, a prevalência da coisa julgada material a favor da Minas-Brasil. Nesses autos foi proferida sentença negando provimento ao pedido da empresa, e atualmente aguarda-se o julgamento do Recurso de Apelação interposto (andamento anexo); b) Execução Fiscal n° 2005.38.00.009884-7, na qual está sendo executado judicialmente o débito relativo ao PAF n° 10680.002l55/98-46. O juízo está garantido por meio de penhora e carta de fiança bancária; c) Embargos à Execução nº 2006.38.00.343l4-5, ainda pendente de julgamento em 1” instância, que tem por objeto á Execução Fiscal acima mencionada. Como o MS n° 2004.38.00.026873-2 encontrava-se (e ainda encontra) pendente de decisão que afastasse definitivamente as tentativas do Fisco de relativizar a coisa julgada que exime a Impugnante do recolhimento da CSL, a empresa optou em 30/06/2005 por depositar judicialmente os valores que eventualmente poderiam ser cobrados pelo Fisco, correspondentes à contribuição devida no período de janeiro a junho de 1997. As referidas antecipações depositadas não somente excederam a contribuição calculada no encerramento do ano-base de 1997, como acabaram gerando crédito suficiente para suspensão da exigibilidade dos débitos da CSL dos períodos subseqüentes, inclusive para o período compreendido entre janeiro de 2004 a dezembro de 2005, objeto do auto de infração ora impugnado. Por tal motivo, tem-se que a exigibilidade do crédito ora constituído encontra-se suspensa em razão do depósito judicial acima mencionado, não sendo justificável o lançamento da multa de ofício, nem da multa de revalidação, pois tais valores não são exigíveis em virtude do saldo de crédito da declaração decorrente dos depósitos judiciais das antecipações de CSL do ano base de 1997. A Impugnante explica (na defesa e em anexos, através de demonstrativos) como procedeu ao levantamento da base de cálculo da CSL e à apuração do crédito no valor de R$ 1.305.402,42, gerado em função dos depósitos realizados correspondentemente às antecipações devidas no curso do ano de l997. Deste modo, restando nitidamente demonstrado que: (i) o valor depositado à disposição do Juízo em que tramita o MS n” 2004.38.00.026873-2. a título de CSL ano base 1997. está de acordo com a legislação fiscal aplicável a essa contribuição; (ii) o valor das referidas antecipações depositadas não somente excedeu a contribuição calculada no encerramento do ano-base de 1997 como gerou crédito suficiente para suspensão da exigibilidade dos débitos de CSL dos períodos subseqüentes. inclusive para o período compreendido entre janeiro de 2004 a dezembro de 2005. objeto do Auto de Infração ora impugnado; (iii) TEM-SE, POIS, QUE A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO ORA CONSTITUÍDO ENCONTRA-SE SUSPENSA EM RAZÃO DO DEPOSITO JUDICIAL EFETUADO. Assim, deverá ser cancelado o lançamento ou ao menos reduzido para afastar a cobrança de multas; ou, quando menos, sobrestado enquanto não for obtida decisão final no Mandado de Segurança n° 2004.38.00.026873-2. Ao julgar o caso, a DRJ destacou as seguintes razões: i. DA CSLL ANUAL. 2004 e 2005. Neste tópico a DRJ argumenta que a decisão declaratória incidental de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, como coisa julgada entre as partes, foi concreta e juridicamente afetada Fl. 1166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 com o advento da Lei nº 8.212/1991. Conclui que, com o amparo desta lei, o lançamento deve ser mantido. Apresenta, por fim, acórdão do TRF da 1ª região no mesmo sentido; ii. DAS MULTAS. Aqui a DRJ basicamente considera que “a aplicação multa proporcional à contribuição devida anualmente conjuntamente com as isoladas pela falta de recolhimento das estimativas mensais segue estritamente a legislação” do Art. 44, da Lei nº 9.430/96; iii. DEPÓSITO JUDICIAL. Já neste item, a autoridade julgadora entende que a destinação do montante depositado, no bojo do mandado de segurança, está a cargo, única e exclusivamente da autoridade judicial competente. Argumenta que nada obsta que, o suposto crédito no valor de R$ 1.305.402,42, indicado pela defesa em função do excesso de quantia depositadas em face da CSLL devida no ano-base de 1997, seja utilizado para quitar a mesma contribuição devida em períodos posteriores, inclusive o crédito tributário constituído no presente lançamento. Entretanto, considera que tal providência deverá ser requerida ao juízo onde tramita onde tramita o Mandado de Segurança, pois somente a autoridade judicial poderá ordená-la; iv. Por fim, a DRJ conclui pela manutenção integral do Auto de Infração. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2010 (quinta-feira), inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 13/09/2010 (segunda-feira). Em sede de recurso, a contribuinte, basicamente repisa os argumentos da Impugnação, trazendo nova coletânea jurisprudencial. Argumenta também a inaplicabilidade da multa isolada sobre a CSLL por estimativa após o encerramento do exercício, trazendo entendimento da CSRF. Destaca-se, ainda, que em 04/03/2021, a recorrente, agora denominada ZURICH MINAS BRASIL SEGUROS S/A, apresentou petição incidental (e-Fls. 1.010 a 1.011), acompanhada de documentos comprobatórios (e-Fls. 1.043 a 1.157), ao qual transcrevo seguinte trecho: Fl. 1167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 No ano de 2010, quando da interposição do Recurso Voluntário pela ora peticionária, a Apelação apresentada pela Recorrente nos autos do Mandado de Segurança nº 2004.38.00.026873-2 estava pendente de apreciação pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Nesse ínterim, o referido processo foi julgado favoravelmente à empresa, tendo ocorrido o trânsito em julgado da decisão favorável (Doc. 02), após aplicação pelo TRF1 da tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo no julgamento do Recurso Especial nº 1.118.893 (Doc. 03): Tema 340/STJ: Não é possível a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestar-se em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Assim, com base nas decisões favoráveis à Recorrente, proferidas pelo STJ em julgamento de recurso repetitivo e pelo TRF1 nos autos do Mandado de Segurança em que se encontram depositados os valores que compreendem o débito objeto do Auto de Infração impugnado, e cuja discussão é idêntica àquela travada nos presentes autos, merece ser provido o presente Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração que flagrantemente viola a coisa julgada material formada em favor da Recorrente. Menciona-se que a referida decisão tem como causa de pedir o cancelamento dos débitos do processo administrativo nº 10680.002155/98-46, referente aos períodos de 1994, 1995 e 1996, conforme recorte da petição inicial: É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Tem-se que a controvérsia principal reside basicamente sobre os efeitos da decisão judicial, transitada em julgado nos autos do processo nº 89.00.04088-0 (Justiça Federal – Fl. 1168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 Seção Judiciária do DF), que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, que havia instituído a CSLL. Como já relatado, fora lavrado Auto de Infração contra a contribuinte, em razão do não recolhimento de CSLL dos períodos de 2004 e 2005, no qual a fiscalização entendeu que, em razão da promulgação da Lei nº 8.212/91, não se aplicaria à coisa julgada. Pois bem. Cumpre ressaltar, que a referida matéria não é nova neste tribunal administrativo, já tendo sido objeto de diversos julgados, como a decisão proferida no Acórdão nº 1301-002.429, conforme ementa e resultado a seguir: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL. LIMITES DA COISA JULGADA. Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, não podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que não modificou o tributo em sua essência, nem tampouco em razão de posterior declaração de constitucionalidade do tributo pelo Supremo Tribunal Federal, consoante o entendimento consagrado no REsp no 1.118.893MG, sujeito ao regime do art. 543C do CPC, de observância obrigatória pelo julgador administrativo, à luz no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha, que votaram por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. No referido acórdão, o redator designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, explanou de forma brilhante a presente controvérsia, razão pela qual adota as suas razões como parte integrante deste voto: A discussão reside em saber se as reformas legislativas implementadas após o ano de 1992 representaram substancial modificação nas regras atinentes à CSLL, a ponto de representar modificação no estado de fato ou de direito, capaz de fazer cessar os efeitos da coisa julgada alcançada pela recorrente, em face do manejo de ação individual que reconheceu à inexistência de relação jurídica entre ela e a União Federal, no que tange à exigência de pagar a Contribuição Social, instituída pela Lei nº 7.689/88. Além disso, busca-se saber a aplicabilidade ou não do entendimento exarado pelo E. Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do Recurso Especial no 1.118.893/MG, em que se assentou o entendimento no sentido de que: (í) alterações legislativas que não modificam a regra matriz da CSLL em sua essência não teriam o condão de flexibilizar as relações pacificadas pela coisa julgada, bem como que; (ii) a posterior manifestação do Supremo Tribunal Federal em sentido oposto à Fl. 1169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte não tem o condão de alterar os efeitos da res judicata. Conforme entendimento doutrinário majoritário, coisa julgada material significa a qualidade que torna imutável e indiscutível o comando originado da parte dispositiva da sentença de mérito, proferida em processo em que respeitado o contraditório e realizada a cognição exauriente da matéria litigiosa, e em relação à qual não caiba mais recurso ordinário ou extraordinário, nem sujeição à remessa necessária. A coisa julgada não é oponível em relação a todas e quaisquer situações que guardam grau de relação com a demanda originalmente proposta ou, ainda, em face de toda e qualquer pessoa.. No particular, necessária a percepção dos limites subjetivos e objetivos (inclusive no aspecto temporal) da res iudicata. Em síntese, os limites subjetivos da coisa julgada consistem na adequada determinação das pessoas sujeitas à imutabilidade e indiscutibilidade decorrentes do trânsito em julgado da sentença de mérito proferida na demanda judicial. Por sua vez, os limites objetivos dizem respeito à determinação da matéria que não mais poderá ser revista ou discutida perante os órgãos judiciários ou administrativos, diante da autorictas rei judicatae que se impõe à sentença de mérito transitada em julgado. Com a delimitação desse objeto busca-se prevenir que o Poder Judiciário ou a Administração Pública aprecie por mais de uma vez o mesmo conflito, evitando-se contradições que possam ocorrer no plano prático. Sob o aspecto temporal, os limites objetivos relacionam-se ao contexto "espaço-tempo" em que a sentença é proferida, o que valor dizer: mantida a situação de fato e de direito verificada entre as partes no tempo da propositura da demanda, mantida a autoridade da coisa julgada. No caso, o contribuinte aduziu pretensão (e obteve decisão judicial) em termos amplos, tomando em conta a perspectiva de repetição periódica da incidência do tributo, razão pela qual a decisão judicial definitiva que a acolheu (tal como formulada) produz efeitos em relação a mais de um exercício fiscal e até que sejam alteradas as situações fáticas e normativas que foram submetidas à apreciação do Poder Judiciário. Ao analisar as reformas legislativas implementadas até então, verifica-se que elas apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídico-tributária. Nenhuma delas foi substancial a ponto de representar "modificação no estado de fato ou de direito" capaz de fazer cessar os efeitos da coisa julgada, conforme prescrito pelo artigo 505, I, do CPC/2015. Isso porque, desde a sua criação até os tempos atuais, não foi alterada a hipótese de incidência da CSLL: a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (e as que lhe forem equiparadas) que vier a auferir lucro deverá apurar e recolher a contribuição social. Nem sequer uma única reforma foi realizada no art. 1º da Lei 7.689/88, que prescreve o aspecto material da hipótese de incidência da CSLL, qual seja, auferir lucro (“Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social”.) Nenhuma alteração tampouco foi realizada no caput do art. 2º da Lei 7.689/88, segundo o qual "a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, o qual deve ser considerado antes mesmo da provisão para o imposto de renda. Em especial, o §1º, "c", embora tenha ganho nova redação em 1989, 1990 e 2014, manteve-se essencialmente inalterado. A mesma diretriz da redação original da Lei 7.689 permanece inalterada desde a sua publicação, 1988: a base de cálculo da CSLL corresponde a acréscimos patrimoniais, ao "lucro" reconhecido pela legislação de regência. Mais evidente ainda é a insignificância, ao presente caso, das alterações de natureza meramente procedimental, atinentes à data ou à forma de recolhimento do tributo. Fl. 1170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 Desta forma, conclui-se, portanto, que não houve reforma legislativa para a introdução de alterações substanciais, capazes de inaugurar um novo esquema normativo com a modificação do estado de direito que foi objeto da ação judicial proposta pelo contribuinte e que goza da autoridade da coisa julgada. Mas não é só. Após o trânsito em julgado da decisão judicial exarada em favor da recorrente, o Supremo Tribunal Federal firmou seu entendimento sobre a matéria em exame, nos autos de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 15), declarando a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Esta ADI transitou em julgado em 12/09/2007. Instado a se manifestar sobre o tema, o E. Superior Tribunal de Justiça analisou o Resp nº 1.118.893/MG, sujeito ao regime do artigo 543-C do CPC, onde assentou o entendimento de que a edição de legislação superveniente (Leis nºs 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.383/91, 8.542/91 e Lei Complementar n. 70/91) e posterior declaração de constitucionalidade do tributo pela C. Suprema, não retiram os efeitos da sentença de mérito transitada em julgado em favor do contribuinte. Veja-se, nesse sentido, ementa do citado precedente jurisprudencial, verbis: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discute-se a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestar-se em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídico-tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afasta-se a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). Fl. 1171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídico-tributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ.” (G.N) Segundo às razões descritas no voto vencido do presente acórdão, entendeu a I. Relatora inaplicável o entendimento do E. STJ, manifestado no Resp. nº 1.118.893/MG, em face da matéria fática analisada naquele precedente está relacionada à CSLL dos exercícios de 1991 e 1992. De fato, na referida decisão, o E. STJ entendeu que as Leis nºs 7.856/89, 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92, não estabeleceram nova relação jurídico-tributária com a União, tendo em vista que apenas dispuseram sobre alíquota e base de cálculo da CSLL, motivo pelo qual assegurou a impossibilidade de cobrança da referida exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992, em respeito à coisa julgada material. Ocorre que, apesar do E. STJ ter analisado as alterações legislativas posteriores à edição da Lei 7.689/88 até 1992, constata-se que os diplomas legais posteriores ao ano- calendário de 1992 também não estabeleceram nova relação jurídica-tributária capaz de ensejar a cobrança da CSLL, tendo em vista que dispuseram apenas (igualmente) sobre (i) alíquota; (ii) base de cálculo; e (iii) normas de apuração e recolhimento. Sendo assim, penso que as alterações legislativas que ocorreram após o ano-calendário de 1992, possuem a mesma natureza daquelas analisadas pelo STJ, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.118.893/MG, mesmo porque tais mudanças não introduziram nova contribuição social. Por fim, impõe-se analisar se a partir da proclamação de declaração de constitucionalidade da CSLL por meio da ADI nº 15, o STF tornou legítima a cobrança do referido tributo, no caso aqui analisado, ou seja, na hipótese do contribuinte possuir em seu favor decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade da CSLL e que sequer foi desafiada por ação rescisória. Entendo que este argumento é meramente teórico e não traz conseqüência efetiva para o julgamento do presente recurso. Isso porque o STF, até o presente momento, NÃO proferiu nenhuma decisão sob o rito de repercussão geral quanto ao aludido mérito, de forma que não há, por esse meio, norma que atribua à União legitimidade para desconsiderar os efeitos da coisa julgada obtida por decorrência automática da ADIn 15, ou seja, à revelia de competente ação rescisória. A recente afetação do RE 929.297 (2016) [sic – correto: RE 949.297] como recurso representativo de repercussão geral¹, especificamente quanto ao tema objeto do presente recurso, é prova cabal de que o STF não possui decisão de tal magnitude. Se hoje não há decisão de mérito, mas mera afetação da matéria ao rito da repercussão geral, a segurança jurídica consagrada pelo instituto da coisa julgado na Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária nº 90.00.036763, proposta pelo contribuinte, o que é mandatório aos conselheiros do CARF. Fl. 1172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 Assim, considerando: a) os expressos termos da decisão judicial cujos efeitos se pretende aplicar neste procedimento (que não os limita a apenas um exercício financeiro); b) o citado precedente exarado pelo E. Superior Tribunal de Justiça (Resp nº 1.118.893MG), que reconhece a eficácia contemporânea de decisões judiciais análogas à sob exame; c) o disposto no artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, que determina serem de observância obrigatória os precedentes jurisprudenciais da E. Corte de Justiça exarados sob o regime do art. 543C do CPC; e, d) a constatação de inexistência de decisão de mérito sob o rito de repercussão geral por parte do STF que atribua à União legitimidade pra desconsiderar os efeitos da coisa julgada por decorrência automática da ADIn 15; impõe-se o acolhimento do presente recurso voluntário para cancelamento dos lançamentos que tenham por objeto a CSLL e seus respectivos consectários. No caso dos autos, a situação posta é exatamente a mesma. Por se tratar de matéria eminentemente de direito, e por concordar com os fundamentos exarados pelo ilustre Conselheiro, adoto-os como parte das razões de decidir do presente processo. Dessa forma, diante da inexistência de alterações substanciais na matriz legal da CSLL, com a manutenção do estado de direito objeto do processo nº 89.00.04088-0, garante-se ao contribuinte a plena eficácia da coisa julgada, pelo menos no que se refere aos períodos objeto da presente autuação que são anteriores à decisão do STF que entendeu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Ademais, cumpre mencionar que, conforme exposto e comprovado pelo contribuinte, o mesmo também conseguiu o reconhecimento do presente direito para os anos- calendário de 1994 a 1996, nos autos do Mandado de Segurança nº 2004.38.00.026873-2, em que o TRF da 1ª Região aplicou o entendimento firmado pelo Tema nº 340/STJ, o que reforça o reconhecimento dos efeitos da coisa julgada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para cancelar integralmente o auto de infração. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 1173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-005.980 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.014208/2008-13 Fl. 1174DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10850.001403/98-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62-A do RICARF, inclui-se na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62-A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido.
CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO JURÍDICO.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST n o 65/79.
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES INDIRETAS.
O direito de incluir a receita auferida com exportações indiretas, na receita de exportação, para cálculo do crédito presumido (Lei nº 9.363/96), não se restringe às vendas a empresa comercial exportadora constituída na forma do Decreto-Lei nº 1.248/72, mas estende-se, também, às demais comerciais exportadoras, desde que observado o fim específico de exportação, nos moldes do art. 39 da Lei nº 9.532/97.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.624
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, assim como o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido; 2) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto ao direito de o contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido as vendas para empresa comercial exportadora. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel
e Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, incluise na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO JURÍDICO. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST no 65/79. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES INDIRETAS. O direito de incluir a receita auferida com exportações indiretas, na receita de exportação, para cálculo do crédito presumido (Lei nº 9.363/96), não se restringe às vendas a empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei nº 1.248/72, mas estendese, também, às demais comerciais exportadoras, desde que observado o fim específico de exportação, nos moldes do art. 39 da Lei nº 9.532/97. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, assim como o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido; 2) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto ao direito de o contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido as vendas para empresa comercial exportadora. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão no 1.027, de 25/05/2001 da DRJ em Ribeirão PretoSP, que negou o direito à inclusão no cálculo do crédito presumido das aquisições de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; de energia elétrica, combustíveis e demais produtos intermediários que não atendem ao PN CST nº 65/79; da correção do ressarcimento pela taxa Selic; bem como o direito de incluir na receita de exportação as vendas para empresa comercial exportadora, não constituídas sob a forma do DL nº 1.248/72. Alegou a recorrente, em preliminar, que os cálculos estão errados porque a fiscalização não respeitou as decisões administrativas proferidas nos processos nº 10850.001951/9718; 10850.001952/9781 e 10850.002408/9700, consubstanciadas nos Acórdãos 20174.525, 20174.526 e 20174.527, referentes aos 1º, 2º e 3º Trimestres de 1997, por meio dos quais foram promovidos ajustes no coeficiente de exportação e nos valores da base de cálculo do crédito presumido. Para que o valor apurado dos trimestres subseqüentes possa refletir o valor real que deve ser pago à recorrente é preciso que os trimestres anteriores sejam ajustados aos termos das decisões finais proferidas naqueles processos. No mérito, insurgiuse contra a interpretação restritiva que o acórdão recorrido deu ao art. 1º , parágrafo único, da Lei nº 9.363/96 que se refere genericamente a “empresa comercial exportadora” sem fazer referência ao DL nº 1.248/72. Disse que os documentos 2 a 5 e 5 a 38 anexados com a impugnação comprovam a condição de que as vendas foram feitas a empresas comerciais exportadoras e com o fim específico de exportação. Acrescentou que faz jus à inclusão dos valores das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido, pelo fato do crédito presumido ser um valor presumido, pouco importando que tenha ocorrido incidência na etapa anterior. Disse que tem direito à inclusão dos valores da soda cáustica, do óleo e do bagaço de cana, da amônia e da energia elétrica no cálculo do Fl. 334DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10850.001403/9823 Acórdão n.º 3403001.624 S3C4T3 Fl. 2 3 crédito presumido, por terem sido aplicados no processo produtivo. Pleiteou a correção do ressarcimento pela taxa Selic. Por meio da Resolução nº 20200.819, de 15 de junho de 2005, os autos foram baixados em diligência a fim de que o cálculo do crédito presumido relativo aos trimestres do anocalendário de 1997 fosse adequado às decisões administrativas derradeiras, proferidas nos processos nº 10850.001951/9718; 10850.001952/9781 e 10850.002408/9700, uma vez que o saldo do 4º trimestre de 1997 gera reflexos sobre os trimestres posteriores do ano de 1998. O processo retornou com os documentos de fls. 268 a 305, com as decisões finais proferidas naqueles processos administrativos anexadas a estes autos, com os cálculos ajustados pela fiscalização e com o relatório de fls. 306 a 308, onde o autor da diligência explicou minuciosamente o procedimento efetuado. Por meio da Resolução nº 340300.032, de 28 de abril de 2010, os autos foram novamente baixados em diligência para que o contribuinte fosse intimado dos novos cálculos e para que lhe fosse aberto prazo para manifestação. Às fls. 311 a 313 constam documentos comprovando que a correspondência contendo a intimação foi devolvida pelos Correios e que a intimação foi feita por edital. Transcorrido in albis o prazo para manifestação do contribuinte, o processo retornou ao CARF para prosseguimento, constando às fls. 315 a 319 que o representante legal da empresa, teve vista dos autos e obteve cópia das fls. 261 a 314. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. A questão da admissibilidade do recurso está superada em face das duas Resoluções anteriormente proferidas. Quanto à matéria de fato, tem razão a recorrente quando questionou os cálculos iniciais do crédito presumido elaborado pela fiscalização. Para que os valores a serem ressarcidos em trimestres subseqüentes sejam quantificados de forma a refletir o direito da recorrente é preciso que os cálculos dos trimestres anteriores sejam ajustados em conformidade com as decisões derradeiras proferidas nos processos administrativos onde tais valores foram questionados. Daí a razão do processo ter sido baixado em diligência para a adequação dos cálculos, os quais presumemse corretos, pois não houve contestação da recorrente. Quanto à matéria de direito, tratase de analisar as questões relativas à inclusão, na receita de exportação, das vendas para empresas comerciais exportadoras não constituídas sob a forma do DL nº 1.248/78; ao direito de inclusão do valor das aquisições de pessoas físicas e de produtos intermediários no cálculo do crédito presumido e da correção do ressarcimento pela taxa Selic. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL 4 As questões relativas às aquisições de pessoas físicas e à correção do ressarcimento pela taxa Selic estão pacificadas nesta instância em face do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Desse modo, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo STJ, sob a sistemática do art. 543C do CPC, Recurso Especial nº 993.164, verbis: RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : EXPORTADORA PRINCESA DO SUL LTDA ADVOGADO : ADRIANO FERREIRA SODRÉ E OUTRO(S) RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO EVERTON LOPES NUNES E OUTRO(S) RECORRIDO: OS MESMOS EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10850.001403/9823 Acórdão n.º 3403001.624 S3C4T3 Fl. 3 5 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL 6 de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10850.001403/9823 Acórdão n.º 3403001.624 S3C4T3 Fl. 4 7 "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Com base nesta decisão do STJ, extraída da página de jurisprudência do Tribunal, e no art. 62A do RICARF os Conselheiros do CARF devem obrigatoriamente aplicar tal entendimento a este caso concreto. No tocante aos produtos intermediários, a controvérsia cingese à questão da adoção do conceito econômico ou jurídico de matériaprima, produto intermediário e material Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL 8 de embalagem, que são os insumos geradores de crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1º da Lei no 9.363/96. O parágrafo único do art. 3o dessa lei é de clareza vítrea ao mandar aplicar subsidiariamente a legislação do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Ora, o significado e o alcance do vocábulo legislação no subsistema jurídico tributário nos é fornecido por interpretação autêntica no art. 96 do CTN e engloba as normas complementares previstas no art. 100 do mesmo diploma, entre as quais incluemse os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Depreendese daí que o legislador, ao mencionar expressamente a utilização subsidiária da legislação do IPI, além de fazer a opção pelo conceito jurídico de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, quis também limitar a abrangência do conceito ao previsto no regulamento e nos demais atos normativos baixados para complementálo. Nessa linha de raciocínio é perfeitamente válida a aplicação da orientação administrativa contida na norma complementar batizada com o nome de Parecer Normativo CST no 65, de 1979, elidindose, com isso, a argüição de sua ilegalidade. A propósito, o Parecer Normativo CST no 65, de 1979, elucida a correta interpretação do inciso I do art. 66 do RIPI/79, o qual corresponde ao mencionado inciso I do art. 82 do RIPI/82. Pela importância do entendimento ali expendido, cumpre reproduzir as disposições do aludido Parecer: “Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2o do Decretolei no 34, de 18 de novembro de 1966, repetida ipsis verbis pelo artigo 1º do Decretolei no 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ex nunc os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10850.001403/9823 Acórdão n.º 3403001.624 S3C4T3 Fl. 5 9 norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei no 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei no 3.466, art. 2o, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados stricto sensu, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários stricto sensu, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL 10 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários stricto sensu, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto no 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto,fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto no 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10850.001403/9823 Acórdão n.º 3403001.624 S3C4T3 Fl. 6 11 de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. ........” A leitura do Parecer acima reproduzido demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os insumos consumidos na industrialização poderiam ser considerados matériasprimas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito. Esclarece, assim, que, dos insumos consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. No mesmo sentido, eis o que dispõe a norma complementar contida no Parecer Normativo CST no 181, de 1974: “...não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas... bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento...” Desse modo, forçoso concluir que os produtos intermediários mencionados pela recorrente, conquanto compreendidos no conceito econômico de insumo, não estão aptos a gerar crédito presumido por não terem sido contemplados pela legislação do IPI, nos moldes preconizados pelo art. 3º da Lei no 9.363/96. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Ademais, em relação à energia elétrica e combustíveis, a interpretação acima exposta foi chancelada pela Súmula CARF nº 19: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” (grifei) Relativamente à inclusão das vendas para comercial exportadora na receita de exportação, verificase que as alegações da recorrente são improcedentes. Com efeito, não se trata de dar interpretação restritiva ao art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, mas sim de interpretálo de forma sistemática com o artigo 3º do Decretolei nº 1.248/72. O art. 3º do Decretolei nº 1.248/72 somente assegura ao produtorvendedor os benefícios fiscais que sejam concedidos por lei, como incentivo à exportação, às vendas que forem efetuadas na forma de seu art. 1º . Vejamos: “Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora.” Em outras palavras, o produtorvendedor só terá assegurado o direito ao crédito presumido (incentivo fiscal à exportação concedido pelo art. 1º da Lei nº 9.363/96) se as vendas que forem efetuadas para empresa comercial exportadora estiverem de acordo com o art. 1º do Decretolei nº 1.248/72, que estabelece o seguinte: “Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento.” A cláusula legal “para o fim específico de exportação” referida no art. 1º , parágrafo único, da Lei nº 9.363/96 foi definida exclusivamente no art. 1º do Decretolei nº 1.248/71 e não existe outra norma legal dispondo sobre a matéria. Logo, é óbvio que as vendas para comercial exportadora somente estarão de acordo com o art. 1º do Decretolei nº 1.248/72, se a comercial exportadora estiver constituída nos termos do art. 2º do referido decretolei, que dispõe o seguinte: “Art.2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10850.001403/9823 Acórdão n.º 3403001.624 S3C4T3 Fl. 7 13 I Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. (...)” Resulta daí, que a receita das exportações indiretas somente integrará a receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido se tais vendas tiverem ocorrido para uma empresa comercial exportadora constituída sob a forma do Decretolei nº 1.248/72. No caso dos autos é incontroverso que as empresas destinatárias das vendas da recorrente não eram constituídas sob a forma do Decretolei nº 1.248/72 e, portanto, tais vendas não são alcançadas pela garantia contida em seu art. 3º. Em face do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como a correção do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento, devendo a apuração deste trimestre levar em conta os valores ajustados nos termos das decisões administrativas relativas aos processos de trimestres anteriores. Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Senhor Presidente, respeitante às vendas a empresas comerciais exportadoras, gostaria de registrar o meu posicionamento acerca do tema, fazendo, inicialmente, um apanhado da legislação que entendo regente da matéria. Nesta senda, reproduzo dispositivos do DecretoLei nº 1.248/72: “Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL 14 a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art.2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. § 1º O registro a que se refere o item I deste artigo poderá ser cancelado, a qualquer tempo, nos casos: a) de inobservância das disposições deste DecretoLei ou de quaisquer outras normas que o complementem; b) de práticas fraudulentas ou inidoneidade manifesta. (...) Art.5º Os impostos que forem devidos bem como os benefícios fiscais, de qualquer natureza, auferidos pelo produtorvendedor, acrescidos de juros de mora e correção monetária, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora nos casos de: a) não se efetivar a exportação após decorrido o prazo de um ano a contar da data do depósito; b) revenda das mercadorias no mercado interno; c) destruição das mercadorias. § 1º Para os fins deste artigo, calcularseá o Imposto sobre a Renda, aplicandose a maior alíquota para tributação das pessoas jurídicas sobre o valor equivalente a 10% (dez por cento) do preço da compra a que se refere o art.1º deste DecretoLei. § 2º O recolhimento dos créditos tributários devidos, em razão do disposto neste artigo, deverá ser efetuado no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da ocorrência do fato que lhes houver dado causa. § 3º Nos casos de retorno ao mercado interno, a liberação das mercadorias depositadas sob regime aduaneiro extraordinário de exportação está condicionada ao prévio recolhimento dos créditos tributários de que trata este artigo. § 4º Ocorrida a hipótese prevista no item "a", independentemente do estipulado neste artigo, considerase abandonada a mercadoria na forma da legislação vigente. Art.6º É admitida a revenda entre empresas comerciais exportadoras, desde que as mercadorias permaneçam em depósito, até a efetiva exportação, passando Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10850.001403/9823 Acórdão n.º 3403001.624 S3C4T3 Fl. 8 15 aos compradores as responsabilidades previstas no artigo anterior, inclusive a de exportar a mercadoria até a data originalmente fixada no item "a". Art.7º Em casos excepcionais, o Ministro da Fazenda poderá determinar ou autorizar o retorno ao mercado interno, fixando condições diferentes das estabelecidas neste DecretoLei. Art.8º Em caso de destruição das mercadorias adquiridas na forma deste DecretoLei, o custo de aquisição só será admitido como parcela dedutível na apuração do lucro sujeito ao Imposto sobre a Renda, quando satisfeita a obrigação tributária prevista no art.5º.” De acordo com o diploma em questão, para que uma venda a empresa comercial exportadora pudesse ser considerada com o fim específico de exportação deveria atender a requisitos próprios e cumulativos, a saber: i.1) serem remetidas as mercadorias do estabelecimento do produtorvendedor diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, ou, alternativamente, i.2) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento; e, ii) deveria a empresa atender aos requisitos de constituição previstos no art. 2º para fruição do tratamento tributário diferenciado. Vejase, porém, que a própria redação do dispositivo remetia às empresas comerciais exportadoras que atendessem àquelas exigências, o que me leva a crer que existiriam outras empresas desta natureza que, por não preencherem tais requisitos, ficariam à margem do regime. Ou seja, a empresa comercial exportadora, lato sensu, seria gênero que comportaria duas espécies, aquela que atenderia às exigências de constituição do DL 1.248/72 e aquela que não preencheria os requisitos, que poderíamos denominar empresa comercial exportadora stricto sensu. Releva destacar, ainda, que o prazo para exportação, pela empresa comercial exportadora regida pelo DL 1.248/72, era de 01 (um) ano, o que, em não se concretizando, sujeitaria ao recolhimento dos tributos devidos, na condição de responsável tributário, assim como nos casos de destruição ou venda no mercado interno, exceção feita à possibilidade de normas baixadas pelo Ministro da Fazenda mitigarem o rigor desta obrigação, ex vi do art. 7º do mesmo ato legal. Posteriormente foi editada a Lei nº 9.532/97, cujo art. 39 cuidava das vendas a empresas comerciais exportadoras, na seara do IPI, verbis: “Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL 16 exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. § 3º A empresa comercial exportadora fica obrigada ao pagamento do IPI que deixou de ser pago na saída dos produtos do estabelecimento industrial, nas seguintes hipóteses: a) transcorridos 180 dias da data da emissão da nota fiscal de venda pelo estabelecimento industrial, não houver sido efetivada a exportação; b) os produtos forem revendidos no mercado interno; c) ocorrer a destruição, o furto ou roubo dos produtos. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, considerase ocorrido o fato gerador e devido o IPI na data da emissão da nota fiscal pelo estabelecimento industrial. § 5º O valor a ser pago nas hipóteses do § 3º ficará sujeito à incidência: a) de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal, referida no § 4º, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento; b) da multa a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, calculada a partir do dia subseqüente ao da emissão da referida nota fiscal. § 6º O imposto de que trata este artigo, não recolhido espontaneamente, será exigido em procedimento de ofício, pela Secretaria da Receita Federal, com os acréscimos aplicáveis na espécie.” Observase do preceptivo infra que não constam de seus termos os requisitos atinentes à constituição da pessoa jurídica para caracterização como empresa comercial exportadora, como o fez o DL 1.248/72, bem assim que, além do embarque direto por conta e ordem da comercial exportadora, seria considerada como finalidade específica de exportação a simples remessa a recintos alfandegados ou a outros locais onde processado o despacho aduaneiro de exportação, não havendo necessariamente que se incluir no regime aduaneiro extraordinário de exportação, como exigia o DL 1.248/72. Outrossim, o prazo de exportação na novel legislação foi reduzido para 180 (cento e oitenta) dias, não havendo previsão para elisão dos tributos devidos pela venda no mercado interno e sequer a possibilidade de estabelecimento de ato normativo neste sentido. Na sequência, sobreveio a Lei nº 10.833/03, que em seu art. 9º, em minha opinião, reprisou o que já estatuído pelo art. 39 da Lei nº 9.532/97, apenas estendendoo aos demais tributos, senão vejase: “Art. 9o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10850.001403/9823 Acórdão n.º 3403001.624 S3C4T3 Fl. 9 17 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, considerase vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazêlo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2o No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, ou da COFINS, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. § 3o A empresa deverá pagar, também, os impostos e contribuições devidos nas vendas para o mercado interno, caso, por qualquer forma, tenha alienado ou utilizado as mercadorias.” Interessante notar que, tanto a Lei nº 9.532/97 como a Lei nº 10.833/03, em seu rol de normas revogadas, não fez menção a qualquer dispositivo do DL 1.248/72, donde se poderia concluir que o prazo de 01 (um) ano para a realização das exportações teria continuado em vigor, entretanto, aplicável apenas às pessoas jurídicas que atendessem aos requisitos de constituição lá previstos, valendo para as demais o prazo ordinário de 180 (cento e oitenta) dias. Por seu turno, a leitura dos regulamentos do IPI e aduaneiro vigentes, Decretos nºs 7.212/10 e 6.759/09, respectivamente, pouco esclarecem, limitandose, como não poderia deixar de ser, a repetir a legislação em epígrafe. Em síntese, dessumo que a legislação prevê a existência de duas espécies de empresas comerciais exportadoras no ordenamento, de maneira que a venda efetuada a qualquer das duas espécies garantiria a fruição de benefícios fiscais, exceção feita às hipóteses em que a própria lei a restringisse, o que não é o caso da Lei nº 9.363/96, que regula o ressarcimento em debate, remetendo seu texto às empresas comerciais exportadora em seu sentido amplo, logo, açambarcando os dois tipos. Portanto, Presidente, com a devida vênia, discordo do posicionamento adotado por V. Exa. nesta parte do voto, entretanto, acompanhoo pelas conclusões, eis que, como se dessume ao longo desta declaração de posicionamento, a simples venda para empresa comercial exportadora, seja ela trading company (DL 1.248/72) ou não, por si só, não tem o condão de convertêla em “exportação”, exigindose para tal desiderato que se tenha observado a finalidade específica de exportação, o que se concretiza pela remessa direta do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No caso vertente, pela análise dos documentos acostados pelo contribuinte (fls. 185/219), não há informação clara de que as mercadorias tiveram o destino especificado pela legislação, razão porque o acompanho pelas conclusões. Robson José Bayerl Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10783.910183/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2011
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. REQUISITOS.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido de tributo, bem como a certeza de que o interessado é o titular da pretensão relativa à restituição do imposto indevidamente recolhido.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Uma vez comprovado direito creditório líquido e certo decorrente de pagamento a maior, as compensações declaradas devem ser homologadas até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1302-005.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer direito creditório ao valor R$ 96.995,28, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto da relatora.
Assinado Digitalmente
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente
Assinado Digitalmente
Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Andréia Lúcia Machado Mourão
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. REQUISITOS. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido de tributo, bem como a certeza de que o interessado é o titular da pretensão relativa à restituição do imposto indevidamente recolhido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Uma vez comprovado direito creditório líquido e certo decorrente de pagamento a maior, as compensações declaradas devem ser homologadas até o limite do crédito reconhecido.
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. REQUISITOS. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido de tributo, bem como a certeza de que o interessado é o titular da pretensão relativa à restituição do imposto indevidamente recolhido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Uma vez comprovado direito creditório líquido e certo decorrente de pagamento a maior, as compensações declaradas devem ser homologadas até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer direito creditório ao valor R$ 96.995,28, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto da relatora. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Assinado Digitalmente Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 01 83 /2 01 2- 17 Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.881 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.910183/2012-17 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 16-88.417 - 7ª Turma da DRJ/SPO, de 18 de julho de 2019. A empresa Chocolates Garoto S/A (atual Chocolates Garoto Ltda.) transmitiu o PER/DCOMP nº 18085.84811.100811.1.3.04-2892, com base em crédito decorrente de pagamentos indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, código de receita 0481 (IRRF - Juros e comissões em geral - residentes no exterior, no valor de R$ 114.112,10. A decisão proferida no Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, tendo em vista ter sido identificado que o pagamento que originou o direito creditório foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos confessados. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a interessada enfatizou a existência do crédito pleiteado. Esclareceu que o pagamento teria sido efetuado a maior, tendo em vista que recolheu como IRRF o total de R$ 114.112,10, que corresponderia ao valor integral “dos juros do contrato de câmbio junto ao Banco do Brasil”, ao invés do montante correspondente à retenção na fonte. Apresentou documentos no intuito de comprovar suas alegações. A DRJ analisou as razões apresentadas e manteve a decisão do Despacho Decisório, por entender que a interessada não comprovou suas alegações. O Acórdão foi emitido sem ementa, nos termos do art. 2.º da Portaria RFB n.º 2.724, de 27 de setembro de 2017. Cientificado do Acórdão da DRJ em 30/08/2019, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 28/09/2019, com as suas razões de defesa. Em suma, a recorrente reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, enfatizando que teria recolhido como IRRF sobre remessas de juros para o exterior o montante correspondente ao total dos juros, de modo que a retenção teria sido maior do que a devida. Esclarece que em 09/02/2011 firmou com o Banco do Brasil contrato de garantia no valor de US$ 10,000,000.00 (dez milhões de dólares americanos), que, por sua vez, serviu como garantia para um contrato de financiamento firmado pela Recorrente com o Banco do Brasil (França), no mesmo valor em moeda estrangeira. Sobre este valor, incidiram juros compensatórios, no montante de US$ 72,200.00 (setenta e dois mil e duzentos dólares americanos), cuja conversão em reais em 05/08/2011, conforme contrato de câmbio firmado com o Banco do Brasil S/A, resultou na quantia de R$ 114.112,10 (cento e quatorze mil, cento e doze reais e dez centavos). Este mesmo montante corresponde ao valor que foi recolhido a título de IRRF sobre remessa de juros para o exterior. Conclui que, a despeito de incidir o imposto de renda na remessa ao exterior (código de receita 0481), o valor recolhido deveria ter sido de R$ 17.116,82, que corresponde a aplicação da alíquota de 15% sobre o valor dos juros incidentes sobre a operação. No intuito de demonstrar seu direito, anexa aos autos: (i) contrato de outorga de garantia bancária; por meio do qual o Banco do Brasil no Brasil garantiu a operação de financiamento entre a Recorrente e o Banco do Brasil na França; Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.881 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.910183/2012-17 (ii) contrato de câmbio firmado entre a Recorrente e o Banco do Brasil no Brasil, através da qual a Recorrente procedeu com a remessa de US$ 72.200 (setenta e dois mil e duzentos mil dólares americanos) ao Banco do Brasil na França, o que em reais à época montava a quantia de R$ 114.112,10 (cento e quatorze mil, cento e doze reais e dez centavos); (iii) Darf por meio do qual a Recorrente comprovou haver pago o IRRF em valor superior ao exigido Ao final, requer: Forte em todo o disposto, a Recorrente requer o recebimento e conhecimento do presente recurso voluntário, posto que nele restam presentes seus pressupostos para a sua admissibilidade, e, no mérito, diante dos elementos probatórios e as dispostas razões nele dispostas, seja o mesmo provido, de modo que seja reformado o acórdão a quo, afastando-se a exigibilidade do valor de R$ 114.112,10 (cento e quatorze mil, cento e doze reais e dez centavos), pagos pela Recorrente a titulo de IRRF, na sua condição de responsável tributária, determinando-se o retorno dos autos à origem, de forma que a autoridade administrativa tributária apure o efetivo imposto de renda devido na operação e homologue a compensação realizada pela Recorrente em face do excedente do imposto recolhido, apurando-se ainda o eventual saldo residual devido. É o relatório. Voto Conselheira Andréia Lúcia Machado Mourão, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e por preencher os requisitos de admissibilidade. Mérito. A interessada transmitiu a DCOMP nº 18085.84811.100811.1.3.04-2892, com base em crédito decorrente de pagamentos indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, código de receita 0481 (IRRF - Juros e comissões em geral - residentes no exterior, no valor de R$ 114.112,10. Em sua defesa, enfatiza que teria recolhido como IRRF sobre remessas de juros para o exterior o montante de R$ 114.112,10, que corresponde ao total dos juros sobre a operação. Anexa aos autos documentos com o intuito de demonstrar seu direito. Acrescenta que, a despeito de incidir o imposto de renda na remessa ao exterior (código de receita 0481), o valor correspondente é de R$ 17.116,82, que corresponde a 15% do valor dos juros incidentes sobre a operação. A contribuinte declarou na DCTF de agosto de 2011 débito relativo à retenção de IRRF – remessas de juros para o exterior (código de receita 0481) no valor de R$ 114.112,10. Confira-se: Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.881 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.910183/2012-17 Nos termos da Súmula CARF nº 168, de observância obrigatória por este Conselho, a discussão sobre inexatidão no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório: Súmula CARF nº 168 Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. No caso dos autos, as informações constantes nos documentos apresentados pela contribuinte desde a manifestação de inconformidade, indicam que a contribuinte pode ter razão em sua argumentação. Segue análise efetuada: a) Contrato de empréstimo efetuado entre a Chocolate Garoto S/A e o Banco do Brasil AG – Paris – França. A interessada anexou aos autos cópia de contrato de outorga de garantia bancária celebrado em 09/02/2011 entre o Banco do Brasil S/A e a empresa Chocolate Garoto S/A – atual Chocolates Garoto Ltda (fls. 41 a 45). Por meio deste documento, o banco compromete-se a emitir carta de crédito stanby a favor do Banco do Brasil AG – Paris – França, no valor de US$ 10,000,000.00 (dez milhões de dólares americanos). Segue reprodução do parte do contrato: Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.881 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.910183/2012-17 b) Contrato de Câmbio – Transferência financeira para o exterior - Venda No intuito de comprovar que o valor de R$ 114.112,10 corresponde ao valor dos juros remetidos ao exterior, a recorrente apresentou cópia do Contrato de Câmbio - Transferência financeira para o exterior – Venda, firmado em 05/08/2011, tendo por objeto a remessa de US$ 72.200,00 ao exterior a título de juros – empréstimos diretos, que corresponde a R$ 114.112,10 em moeda nacional, transcrito parcialmente a seguir. . Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.881 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.910183/2012-17 Consta neste documento que a natureza da operação corresponde ao código nº 35422-50-0- 82-90 (Rend. cap - juros - empréstimos diretos). Tal informação é corroborada por consulta ao Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais – RMCCI 1 , emitido pelo Banco Central do Brasil. Conforme se observa pelo trecho reproduzido, na codificação das operações de câmbio, consta que o código 35422 corresponde a juros incidentes sobre empréstimos diretos: c) Acordo Internacional celebrado entre o Brasil e a França O Decreto nº 70.506, de 12 de maio de 1972, promulgou a convenção com a França para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal em matéria de impostos sobre o rendimento. d) Definições dos elementos que compõem a relação jurídica – IRRF sobre remessa de juros para o exterior (código de receita 0481): A interessada declarou no PER/DCOMP que o pagamento que originou o crédito em discussão seria decorrente de retenção na fonte de remessas de juros para o exterior (código de receita 0481). Transcrevo partes da descrição do código de receita 0481, contida no MAFON 2012 2 – Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte, atualizado até março 2012, que trata do fato gerador, beneficiário, alíquota, regime de tributação, responsabilidade, prazo de recolhimento, além de indicar a fundamentação legal aplicada ao rendimento. 1 https://www.bcb.gov.br/Rex/RMCCI/ftp/RMCCI-27.07.2009ate25.03.2010.pdf 2 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/declaracoes-e-demonstrativos/dirf/arquivos- mafon/mafon2012.pdf Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.881 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.910183/2012-17 Dentre as observações constantes no Mafon 2012 sobre as alíquotas, destaca-se a letra “b” do item “4”, que trata da aplicação da alíquota de 15% para o caso de empréstimos contraído no exterior, junto a países que mantenham acordos tributários com o Brasil. Confira-se: 4) A alíquota será de quinze por cento nas seguintes hipóteses: (...) b) juros decorrentes de empréstimos contraídos no exterior, em países que mantenham acordos tributários com o Brasil, por empresas nacionais, particulares ou oficiais, por prazo igual ou superior a quinze anos, à taxa de juros do mercado credor, com instituições financeiras tributadas em nível inferior ao admitido pelo crédito fiscal nos respectivos acordos tributários, Assim, consta do Mafon 2012 que no cálculo do IRRF devido sobre remessas de juros decorrentes de empréstimos contraídos no exterior deve ser aplicada alíquota de 15%; a reponsabilidade pelo recolhimento é da fonte pagadora; e o prazo de recolhimento é na data de ocorrência do fato gerador. Aplicando-se estas informações ao caso em concreto, chega-se à conclusão de que o montante de R$ 114.112,10 refere-se, de fato, ao valor, em moeda nacional, dos juros remetidos ao exterior em decorrência do contrato de empréstimo efetuado entre a empresa Chocolate Garoto S/A (atual Chocolates Garoto Ltda.) e o Banco do Brasil AG – Paris – França, por intermédio do Contrato de Câmbio – Transferência financeira para o exterior – Venda, firmado em 05/08/2011. A natureza da operação de câmbio está em conformidade com as orientações do Banco Central, externadas no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais – RMCCI. Quanto à apuração do IRRF, no caso do autos, deve ser aplicada a alíquota de 15% sobre o valor da remessa de juros para o exterior, R$ 114.112,10. Diante disso, o valor correspondente ao IRRF (código de receita 0481), apurado em 05/08/2011, é de R$ 17.116,82 (R$ 114.112,10 * 15%). Como o valor recolhido por meio do DARF foi de R$ 114.112,10 (código de receita 0481, data de apuração: 05/08/2011; data de arrecadação: 05/08/211), fica demonstrado direito creditório decorrente de pagamento a maior no montante de R$ 96.995,28 (R$ 114.112,10 - R$ 17.116,82). Importa ressaltar que a contribuinte declarou no PER/DCOMP direito creditório na quantia de R$ 114.112,10, de modo que o valor reconhecido é inferior ao pleiteado. Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.881 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.910183/2012-17 Uma vez comprovada nos autos a existência parcial de direito creditório líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, deve ser reconsiderada a decisão proferida no Acórdão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, VOTO por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, de modo que sejam homologadas as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido, que foi de R$ 96.995,28. Assinado Digitalmente ANDRÉIA LÚCIA MACHADO MOURÃO Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10970.720008/2014-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL.
Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO.
A base de cálculo do PIS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF.
Numero da decisão: 3301-010.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO. A base de cálculo do PIS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 08 /2 01 4- 86 Fl. 1802DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ, que julgou procedente o lançamento de PIS da instituição financeira em epígrafe, tendo como base de cálculo da contribuição a totalidade das atividades desenvolvidas em torno de seu objeto social (intermediação financeira). Insurge-se a Recorrente contra a pretensão fiscal, por entender que a questão já fora dirimida nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.000778-2, por meio do qual foi reconhecido o direito ao afastamento do alargamento da base de cálculo conforme o §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. A controvérsia está na seguinte questão: se as receitas provenientes da atividade operacional da Recorrente sofrem incidência de PIS, ou se apenas as receitas decorrentes de prestação de serviços. A fiscalização aponta que no período autuado o Banco recolheu PIS somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta 7.1.7.00.00.000.9, motivo pelo qual foram lançados de ofício os créditos tributários relativos às demais receitas operacionais. Sustentando entendimento contrário ao do fisco, garante a Recorrente que as receitas provenientes da atividade financeira não se classificam como receitas a fazer incidir o PIS, haja vista a declaração de inconstitucionalidade da expansão da base de cálculo prevista pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. A Lei Complementar n° 70, de 1991, também não comportaria tal incidência. Por pertinente, transcrevo trecho do relatório da decisão recorrida: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 3/11 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep do período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, exigindo-se-lhe o crédito tributário no valor total de R$7.532.131,64. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 12/23, foi apurado que o contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas de sua atividade fim, especialmente as de intermediação financeira. O autuante relatou também a existência de um mandado de segurança impetrado pelo autuado: (...) Baseado no conceito de faturamento consolidado na jurisprudência do STF, o autuante entendeu ser exigível a Contribuição para o PIS/Pasep sobre “as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras, serviços estes remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira” (spread bancário, juros, receitas de operações cambiais). O enquadramento legal da autuação encontra-se às fls. 5, 10 e 11. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1368/1411, na qual tratou do Mandado de Segurança ajuizado e das decisões nele proferidas, para concluir que, como o Recurso Extraordinário por ela impetrado foi “integralmente provido”, Fl. 1803DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 não procede a autuação – “porquanto a decisão transitada em julgado (...) lhe desobriga de recolher o PIS em relação a toda e qualquer receita distinta do conceito de faturamento delimitado pelo Supremo Tribunal Federal nos RE n° 346.084-PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE n° 357.950-RS, RE n° 358.273-RS e RE n° 390.840-MG que como é cediço se resume apenas à receitas oriundas da venda de mercadorias e prestação de serviços”. Argumentou que, caso a União Federal não concordasse com os termos da decisão que lhe era favorável, deveria ter se utilizado dos meios recursais possíveis para questioná-la, o que não foi feito. O lançamento teria incorrido em “contrariedade à coisa julgada”, posto que, além de ter se baseado no art. 557, § 1º-A, do CPC, “ou seja, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria (RE 346.084-PR, RE 357.950-RS, RE 358.273- RS e RE 390.840-MG), a citada decisão também declarou o conceito de faturamento para base de cálculo do PIS como sendo a receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, sendo essas as receitas entendidas como oriundas do exercício das atividades empresariais do Impugnante. Ou seja, as receitas oriundas das atividades empresariais, para fins de incidência do PIS só podem ser as receitas brutas de venda de mercadorias e de prestação de serviços.” Reclamou da interpretação baseada no Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN/CAT nº 2.773/2007), que trata da “situação das instituições financeiras em geral”, no sentido de “fazer prevalecer o entendimento genérico de que o mesmo estendeu a base de cálculo do PIS àquelas receitas oriundas do objeto social do Impugnante, e não ao "faturamento", considerado restritivamente como receitas de prestação de serviços.” No entanto, ignora o autuante que a decisão transitada em julgado não considerou este o conceito de faturamento, além de ter julgado a decisão do TRF da 1ª Região manifestamente contrária à jurisprudência do STF. Reiterou que o STF proveu integralmente o pedido, sem “qualquer ressalva ou delimitação e aplicando a mesma solução dos leading cases” já mencionados, transcrevendo ementa (fl. 1377). Tratou da delimitação da coisa julgada para esclarecer que pleiteou, na referida ação, a declaração de inconstitucionalidade do “art. 3º, inciso I [sic] da Lei nº 9.718/98”, e por conseguinte a “manutenção do conceito de faturamento existente na legislação prévia”. Seu pedido, em síntese, “buscou ver resguardado [quanto ao conceito de faturamento] somente aquele que "equivaleria à receita bruta se compreendido em sua acepção restrita, qual se/a. da soma das receitas comerciais e de serviços,' sem possibilidade de inclusão de outras receitas, como as receitas financeiras". Prosseguiu discorrendo sobre a coisa julgada, preclusão processual e repisando seus argumentos quanto ao conceito de faturamento, transcrevendo jurisprudência e doutrina. No tópico “Conceito de faturamento de acordo com a jurisprudência do STF”, procurou demonstrar que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718 não permite a exigência ora consubstanciada. Aduziu que o entendimento do Ministro Cezar Peluso, fundamento do Auto de Infração, não prosperou, conforme o debate travado com o Ministro Marco Aurélio no RE 346.084/PR por ela transcrito (inclusive com quadro comparativo dos dois Fl. 1804DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 entendimentos – fls. 1393/1396). Assim, prevalecendo o voto do Ministro Marco Aurélio, que “jamais incluiu na definição de faturamento os termos ‘receita de atividades empresariais ou atividade fim’, mas tão somente aquilo que decorra de venda de mercadorias e serviços”, e a “frustrada tentativa do Ministro Cezar Peluso de aprovar súmula vinculante sobre a questão” demonstram a improcedência do entendimento defendido pela Receita Federal neste caso. Destacou que o reconhecimento de repercussão geral no RE nº 609.096/RS, pelo STF, reforça o posicionamento de que o conceito de faturamento até então reconhecido é o restrito, vinculado à venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. E mais, que caso se altere o conteúdo jurídico nesse novo caso, “haverá a produção de efeitos somente para os processos ainda em andamento”. Mencionou ainda o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, que trata das situações em que se poderia retomar a cobrança de tributos de contribuintes com decisão judicial favorável transitada em julgado, para concluir que não se aplica a seu caso. Discorreu ainda sobre o “Conceito de ‘faturamento’ das instituições financeiras”, explicando que suas “receitas primárias e secundárias” já são tributadas pelo IRPJ e CSL, e não se confundem com faturamento, base de cálculo da contribuição. Defendeu que o STF vem adotando conceito restritivo de prestação de serviços, tanto que julgou inconstitucional a tributação do ISS sobre locação de bens móveis, o que implica concluir que seu faturamento, a receita de prestação de serviços, engloba as taxas, tarifas e comissões cobradas pela prestação de serviços bancários, mas não “a movimentação financeira decorrente de operações bancárias”. Por fim, alegou a “desvinculação da base do cálculo do PIS do faturamento” só ocorreu com a entrada em vigor da Medida Provisória nº 627/2013, que promoveu alterações na Lei nº 9.718 e no Decreto-Lei nº 1.598/1977. A 4ª Turma da DRJ/RPO, acórdão n° 14-72.671, julgou procedente o lançamento, com decisão assim ementada: INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das instituições financeiras inclui as receitas das atividades de intermediação financeira, as quais compõem as receitas oriundas do exercício de suas atividades empresariais. No recurso voluntário, discorre sobre o objeto litigioso do Mandado de Segurança por entender que a questão central da autuação está assentada na interpretação e abrangência da decisão proferida no referido mandamus. Para a Recorrente, o Judiciário ao afastar a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, consignou que a incidência do PIS é sobre a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não restando autorizada, em momento algum, a possibilidade de incidência do PIS sobre a receita operacional ou a decorrente do seu objeto social, principalmente as receitas financeiras. Pleiteia reforma integral do acórdão recorrido, “para que seja cancelado o lançamento discutido nos autos, diante de sua flagrante afronta ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte”. É o relatório. Fl. 1805DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Base de cálculo do PIS das instituições financeiras Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.950, RE 390.840, RE 358.273 e RE 346.084), em relação à base de cálculo da COFINS, no que pertine às instituições financeiras, tem-se o seguinte: No julgamento do RE 390.840/MG, conclui-se do voto do Ministro relator Marco Aurélio, que se considera receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Por sua vez, no voto-vista do Ministro Cezar Peluso, depreende-se que faturamento ou receita bruta é o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo das contribuições. Concluiu o Ministro em seu voto: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”... Quanto ao caput do art. 3º, julgo constitucional, para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Em esclarecimentos, enfatizou: Quando me referi ao conceito construído, sobretudo, no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. Da análise do julgamento do STF, observa-se que restou, portanto, assentado que faturamento é o produto das atividades típicas, ou seja, os ingressos que decorram da razão social da empresa. Ademais, o alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmou-se a jurisprudência consolidada pelo STF nos leading cases: Fl. 1806DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. (...) O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (...) Restou pacificado que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS. Assim, as receitas decorrentes das atividades do setor financeiro estão sujeitas à incidência de PIS, na forma dos art. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, considerado inconstitucional pelo STF. Delimitação do objeto do mandado de segurança n° 2000.38.03.000778-2 Confira-se o histórico da ação judicial, bem sintetizado pela decisão de piso: Examinando a documentação relativa ao referido mandado de segurança, que recebeu o nº 2000.38.03.000778-2, temos primeiramente o pedido, assim sintetizado (fls. 1113/1115): V – DA MEDIDA LIMINAR Diante de todo o exposto, requer a V, Exa. a concessão de medida liminar a fim de que a autoridade coatora se abstenha de exigir da Impetrante o recolhimento da contribuição ao PIS: - tomando por base de cálculo a totalidade de suas receitas (art. 3.° da Lei n° 9.718/98), autorizando o recolhimento da referida contribuição à alíquota de 0,65% (art. 1° da Medida Provisória n.° 1991-14) sobre o efetivo faturamento da impetrante (art. 195, I da Constituição tal como redigido à época da promulgação da Lei n. 9.718/98), de prestação de serviços a seus clientes. (...) V – DO PEDIDO Finalmente, requer a Impetrante: I - Seja julgado procedente o pedido consubstanciado mandamental, garantindo-se à Impetrante: a) o direito de recolher a contribuição ao PIS a partir de 1°/01/2000 à alíquota de 0,65% (art. 1° da Medida Provisória n° 1991-14) sobre o eletivo faturamento da Impetrante (art. 195, I da Constituição tal como redigido à época da promulgação da Fl. 1807DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 Lei n° 9.718/98), que engloba a receita decorrente de prestação de serviços a seus clientes, reconhecendo incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718/98, aplicando-se tal diploma no que tange ao restante de suas disposições; Portanto, a ação visava o não recolhimento da contribuição nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, ou seja, com base no faturamento correspondente à receita bruta (caput do artigo) entendida como “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (§ 1). Na decisão referente à liminar, restou decidido (fl. 922): Cuida-se de mandado de segurança, com pedido de liminar, em que a impetrante se insurge contra as alterações promovidas na alíquota e base de cálculo do PIS Lei n° 9.718/98, por entendê-lo inconstitucional, objetivando que seja suspensa sua exigibilidade com base de cálculo sobre a receita bruta da empresa, nos termos da referida Lei Ordinária. (...) Pelo exposto, defiro a medida liminar postulada para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir da impetrante o PIS como base na receita bruta, sendo certo que continuará a incidir sobre o faturamento, nos moldes da Lei complementar n° 07/70, devendo ser expedidas certidões negativas sempre que solicitadas pela impetrante, caso recolhida a exação nos termos aqui mencionado. No mérito, o Juiz da 1ª Vara Federal da Subseção de Uberlândia decidiu: Sintetizando, entendo que alteração da sistemática de cobrança do PIS por meio de lei ordinária não se apresenta inconstitucional porque a LC 07/70 não é materialmente considerada lei complementar Por outro lado, deve ser considerada inconstitucional a alteração da base de cálculo introduzida pela Lei 9.718/98, que não poderia validamente ampliar o conceito de faturamento visto que, á época de sua edição, ainda não havia sido promulgada a Emenda Constitucional n° 20/98. Pelo exposto; modificando a liminar anteriormente defenda, concedo a segurança para determinar que a autoridade coatora se abstenha de exigir da impetrante o PIS pela base de cálculo prevista na Lei 9.718/98, mantendo-se as demais exigências desse diploma legal. Restou pois deferida a possibilidade de recolhimento da contribuição sem a chamada “ampliação” da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718, em especial pelo § 1º do art. 3º - que definiu a receita bruta como a totalidade das receitas auferidas. Ainda, em sede de embargos, o Juízo esclareceu que alíquota aplicável, a partir de fevereiro de 1999, seria a de 0,65% (fl. 1122). Atendendo a apelação da Fazenda Nacional, o TRF da 1ª Região a proveu (fl. 1125): EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. I. Não merece acato a arguição de inconstitucionalidade da equiparação dos conceitos de faturamento e receita bruta, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718, de 27/11/98. Fl. 1808DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 2.As contribuições previstas no art. 195, l; II e III da Constituição, não exigem, para a sua instituição, lei complementar (STF - RE n° 138.284-8/CE). 3. Apelação da União provida. Remessa prejudicada. ACÓRDÃO Decide a Turma, à unanimidade, dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a remessa. Com tal decisão, voltou a ser exigível a contribuição nos termos da Lei nº 9.718/1998, in totum. Em julgamento do Recurso Extraordinário impetrado contra o referido acórdão, o Ministro Cezar Peluso decidiu (fl. 1137): DECISÃO: 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1° do art. 39 da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação, da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195,1, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresarias (cf. RE nº 346.084-PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950-RS, RE nº 358.273-RS e RE nº 390.840-MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1º-A, do CPC, conheço do recurso e dou-lhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Sustenta a Recorrente que houve violação da coisa julgada, em virtude da inclusão na “causa de pedir” do afastamento da tributação das receitas financeiras. Entretanto, a decisão final no recurso extraordinário apenas alinhou o entendimento àquele já repetido pelo STF: a constitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Ressalte-se que o acórdão não afastou os art. 2º e o caput do art. 3º: DECISÃO: 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1° do art. 39 da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação, da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei Fl. 1809DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195,1, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresarias (cf. RE nº 346.084-PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950-RS, RE nº 358.273-RS e RE nº 390.840-MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1º-A, do CPC, conheço do recurso e dou-lhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Com efeito, a decisão final da ação judicial restringiu-se a afastar a incidência do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, com fundamento na ocorrência de vício de inconstitucionalidade, o que, todavia, não autoriza inferir a impossibilidade de as receitas financeiras da Recorrente submeterem-se à incidência do PIS, na linha do pronunciamento do STF. Consoante a dicção do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS é o faturamento, equivalente à receita bruta, que corresponde à receita decorrente das atividades típicas, próprias da pessoa jurídica em cada ramo de atividade econômica, não se limitando à venda de mercadorias e prestação de serviços. Essa noção de faturamento intrinsecamente relacionada ao resultado financeiro decorrente do exercício das atividades principais das empresas, ou seja, aquelas vinculadas ao seu objeto e que se referem, em regra, à maior parcela do ingresso de valores da pessoa jurídica, é anterior, inclusive, à edição Medida Provisória nº 627/2013. No caso em comento, tendo em vista que as receitas autuadas resultam de operações desenvolvidas pela Recorrente no desempenho de sua atividade empresarial típica, de rigor a incidência do PIS sobre tais receitas. A declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo pleno do STF nos RE 357.950, RE 390.840, RE 358.273 e RE 346.084 não implica que as receitas financeiras, bem como as rendas de operações de intermediação financeira não estejam sujeitas ao PIS, devendo as mesmas serem tributadas já que compreendidas no conceito de faturamento. Logo, entendo que a autoridade fiscal, ao contrário da alegação da Recorrente, não desconsiderou a decisão judicial vigente. Ademais, não há razão no argumento de que a PGFN, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, impôs a tese de que para as instituições financeiras e equiparadas a base de cálculo do PIS pode ser alargada por meio de mera interpretação administrativa. Isso porque a fundamentação para tributação das receitas operacionais da Recorrente é construída a partir dos textos legais e não do Parecer referido. Fl. 1810DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-010.796 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720008/2014-86 Por outro lado, o conceito de serviço para aplicação da Lei Complementar n° 116, de 2003, não influencia na determinação do conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS, pois como já tratado acima “faturamento” não envolve apenas “serviços”. Conclusão Por conseguinte, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 1811DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10882.004021/2003-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF)
Período de apuração: 13/02/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO
Verificada omissão na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de sanar o vício apontado, sem efeitos infringentes.
LANÇAMENTO DE OFICIO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO.
O único instrumento legal à disposição do Auditor Fiscal para o lançamento tributário, seu dever funcional, é o auto de infração, ainda que inexista infração ou que o respectivo crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa.
Numero da decisão: 3402-009.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, sem efeitos infringentes, para sanar omissão quanto à análise da nulidade/omissão do acórdão embargado sobre o tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Voluntário), e, nessa parte, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: Pedro Sousa Bispo
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, sem efeitos infringentes, para sanar omissão quanto à análise da nulidade/omissão do acórdão embargado sobre o tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Voluntário), e, nessa parte, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO Verificada omissão na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de sanar o vício apontado, sem efeitos infringentes. LANÇAMENTO DE OFICIO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. O único instrumento legal à disposição do Auditor Fiscal para o lançamento tributário, seu dever funcional, é o auto de infração, ainda que inexista infração ou que o respectivo crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, sem efeitos infringentes, para sanar omissão quanto à análise da nulidade/omissão do acórdão embargado sobre o tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Voluntário), e, nessa parte, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 40 21 /2 00 3- 21 Fl. 1169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.122 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.004021/2003-21 Tratam-se de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 3402-00.379, de 17 de novembro de 2009, que foram admitidos para que este Colegiado sanei suposto vício de omissão quanto a nulidade/omissão do Acórdão Embargado Sobre o Tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Voluntário). Para melhor esclarecer os fatos envolvidos, adoto o Relatório do acórdão recorrido, com os devidos acréscimos: Em exame tempestivo recurso do contribuinte contra decisão que considerou procedente autuação da CPMF por ele devida e não recolhida no período de 13 de fevereiro de 1998 a 31 de dezembro de 1998. O lançamento, efetuado com o intuito de prevenir a decadência, visto que a exigibilidade do crédito tributário constituído se encontra suspensa, foi cientificado ao contribuinte no dia 26 de dezembro de 2003. Trata-se de movimentações financeiras que o contribuinte considera submetidas a alíquota zero da contribuição, consoante postulação ao Judiciário, ainda não definida quando da lavratura do auto. O lançamento do principal foi impugnado sob quatro argumentos: a) decadência parcial, dado que há fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos da lavratura (segundo a impugnante, movimentações havidas entre 13 de fevereiro e 14 de dezembro de 1998);, b) nulidade do lançamento em face de ter sido utilizado o instrumento do auto de infração e não a notificação de lançamento; c) aplicabilidade da alíquota zero da contribuição às movimentações ocorridas, argumento que vem precedido da afirmação de que não se teria dado a renúncia à discussão da matéria na esfera administrativa com base no art. 38 da Lei 6.830/80, uma vez que a ação judicial foi impetrada antes da lavratura do auto de infração; d) iliquidez dos valores exigidos. A impugnação combateu ainda a aplicação de juros moratórios em lançamentos destinados apenas a prevenir a decadência, reafirmando que não há mora na vigência da decisão judicial suspensiva, e que, se cabíveis, não poderiam ser calculados por meio da taxa selic já que esta seria ilegal e inconstitucional. Nenhum dos argumentos foi acolhido pela instância julgadora de piso, motivo pelo que a contribuinte os reapresenta no recurso ofertado, no qual combate a adoção do art. 45 da Lei 8.212/91 como embasador do direito de lançar e a aplicabilidade da renúncia à esfera administrativa, insistindo na possibilidade de os órgãos administrativos examinarem argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade (estes repetidos no tocante à aplicação da taxa selic para cálculo dos juros de mora). O recurso repete ainda questão "preliminar" agitada já na impugnação concernente na imposição de multa de mora pelas autoridades preparadoras no documento de arrecadação emitido para cobrança da exação. Ato contínuo, a DRJ-CAMPINAS (SP) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 13/02/1998 a 31/12/1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Fl. 1170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.122 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.004021/2003-21 A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. CPMF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. LANÇAMENTO DE OFICIO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. O único instrumento legal à disposição do auditor fiscal para o lançamento tributário, seu dever funcional, é o auto de infração, ainda que inexista infração ou que o respectivo crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DÁ PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá-los, comprová-los efetivamente, nos termos do Código de • Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Os juros de mora são cabíveis seja qual for o motivo determinante da falta, ainda que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. Lançamento Procedente Em seguida, devidamente notificada, a empresa interpôs o recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No recurso voluntário, foram suscitadas as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na Impugnação. Na análise do recurso, esta colenda Turma, em composição diferente da atual, decidiu, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conforme denota a ementa do acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 13/02/1998 a 31/12/1998 NORMAS GERAIS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de alegação dirigida a parcela não integrante do lançamento formalizado, consistente no documento de arrecadação emitido pela autoridade preparadora. NORMAS GERAIS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fluência do prazo de cinco anos, na forma definida no parágrafo 4° do art. 150 do CTN, Fl. 1171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.122 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.004021/2003-21 retira da Fazenda Pública a possibilidade de constituir crédito tributário em relação àquele fato gerador. NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do § 4° do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos. NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N° 01 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo". NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 02 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. _ Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". JUROS SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. APLICAÇÃO. SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 03 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. "SÚMULA Nº3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — .Sebe para títulos federais". LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. EXIGIBILIDADE DE JUROS. O art. 63 da Lei 9.430196 somente afastou dos lançamentos feitos para prevenir a decadência de créditos tributários cuja exigibilidade esteja suspensa por decisão judicial a multa de oficio, nada referindo aos juros cuja exigência está prevista, sem exceções, na mesma lei, agora em seu art. 61. Recurso Provido em Parte. O Contribuinte tomou ciência da decisão e opôs Embargos de Declaração alegando que houve erro material em relação à análise da decadência, nulidade/omissão do acórdão embargado sobre o tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Fl. 1172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.122 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.004021/2003-21 Voluntário) e obscuridade do acórdão embargado sobre a exigência da multa de mora (Tópico 2.1 do Recurso Voluntário). Contra a referida decisão também foi interposto recurso especial pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, ainda pendente de julgamento. Na análise da admissibilidade dos embargos, admitiu-se o cabimento dos embargos apenas quanto à nulidade/omissão do acórdão embargado sobre o tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Voluntário). Na forma regimental, o Presidente da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara admitiu o presente recurso e determinou que o processo fosse a mim redistribuído para, em seguida, colocar em pauta e deliberação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos por este Colegiado. Como se sabe, nos termos do art.65 do RICARF, cabem os Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Servem, ainda. os Embargos para corrigir eventuais erros materiais. Sua função principal é sanar esses vícios da decisão, não se trata de recurso que tenha por fim reformá-la ou anulá-la (embora o acolhimento dos embargos possa eventualmente resultar na sua modificação), mas aclará-la e sanar as suas obscuridades, contradições, omissões ou erros materiais. No caso concreto, a Embargante sustenta que o acórdão embargado padece do vício de omissão uma vez que o acórdão recorrido não analisou a questão nulidade/omissão do acórdão embargado sobre o tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Voluntário). Pela leitura do acórdão, percebe-se que, de fato, houve omissão na análise da questão suscitada pela Recorrente. Dessa forma, visando sanar o vício de omissão apontado, passa-se a tratar da matéria atinente ao tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Voluntário). A Recorrente argumenta que a lavratura do lançamento por meio de auto de infração é inadequada, uma vez que não houve a aplicação de penalidades, de modo que o instrumento jurídico para a constituição do crédito tributário seria a notificação de lançamento prevista nos arts, 9º e 11 do Decreto nº70.235/72, o que acarretaria na nulidade do auto de infração. Inicialmente, cabe ressaltar que a omissão verificada no acórdão de recurso voluntário não enseja a nulidade do acórdão recorrido, pois não se identifica qualquer das hipóteses de nulidade presentes no art.59 do Decreto nº70.235/72. Para a situação aqui tratada, qual seja, a omissão quanto a análise de tópico relevante para o deslinde da lide, o art.65 do Fl. 1173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.122 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.004021/2003-21 RICARF prevê a interposição de embargos de declaração com o fim de sanar o vício de omissão verificada, conforme manejado pela Recorrente. No que concerne ao mérito deste tópico, entendo que é precisa a análise feita no acórdão da DRJ, de forma que adoto os seus fundamentos como minhas razões de decidir, os quais transcrevo a seguir: 18 - Numa segunda questão preliminar, alega a impugnante que não é cabível a lavratura de auto de infração, mas sim uma notificação de lançamento, por inexistir infração. 19 - Entretanto, o lançamento constitui atividade plenamente vinculada; a forma pela qual ele deve ser feito, portanto, está completamente regulada pela legislação. De fato, o art. 9º do Decreto 70.235/1972 dispõe: Art. 9°A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. 20 - Por sua vez, o art. 10 esclarece que o auto de infração é lavrado pelo Auditor-Fiscal, como foi o caso do lançamento objeto deste processo, enquanto o art. 11 estipula que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, no caso as Delegacias ou Inspetorias da Receita Federal, nos seguintes termos: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: 21 - Assim, para o Auditor-Fiscal não há alternativa quando se depara, durante o seu trabalho, com o dever de constituir o crédito tributário, por meio de Auto de Infração, como foi feito neste caso. 22- A própria lei tributária esclarece que o auto de infração pode conter tributo, multa e juros de mora, ou quaisquer dessas parcelas, isolada ou conjuntamente, conforme deixa claro o art. 43 da Lei 9.430/1996, como segue: Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. 23 - Se é assim, o auto de infração o único instrumento para a constituição do crédito tributário à disposição do Auditor-Fiscal e deve ser lavrado mesmo quando não houver penalidade a lançar, como ocorre no presente caso. Por mais que isso possa causar estranheza, o documento que a lei denomina "auto de infração", segundo ela mesma dispõe, não precisa conter crédito tributário relativo à penalidade correspondente a uma infração tributária e não precisa sempre constituir uma exigência coercitiva. Ou seja, pode ser utilizado como lançamento puro e simples, ainda que somente de tributo, sem multa, apenas uma declaração sobre a espécie e o valor de dívida tributária de responsabilidade do contribuinte. 24 - No caso em questão, o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência e, ainda que inexistente a infração (sendo, portanto, incabível a aplicação de multa de ofício, o que foi devidamente respeitado pela autoridade fiscal) e suspensa a exigibilidade do crédito tributário, deve ser formalizado através da lavratura de Auto de Infração. Fl. 1174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.122 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.004021/2003-21 Forte nas razões do acórdão da DRJ acima expostas, o recurso voluntário deve ser negado provimento, com relação a necessidade de efetuar o lançamento por meio de notificação. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, sem efeitos infringentes, para sanar omissão quanto à análise da nulidade/omissão do acórdão embargado sobre o tópico "Da Inadequação do Meio Utilizado" (Tópico 2.3 do Recurso Voluntário), e, nessa parte, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 1175DF CARF MF Documento nato-digital
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