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Numero do processo: 10280.004393/2007-60
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS OMITIDOS. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos comprovadamente omitidos na Declaração de Ajuste Anual, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados, para efeito de cálculo do imposto devido, à base de cálculo declarada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatosconcretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES. JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO. AÇÃO TRABALHISTA. REPASSE DE VALORES. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Incabível o lançamento tributário, tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação, hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação (ação trabalhista com repasse de valores). RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS LANÇADOS DE OFÍCIO. JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual e os valores lançados de ofício, que não guardam relação com a tributação de depósitos bancários e não considerados no levantamento de depósitos bancários realizado pela autoridade fiscal responsável pela constituição do crédito tributário. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.652
Decisão: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia
Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos comprovadamente omitidos na Declaração de Ajuste Anual, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados, para efeito de cálculo do imposto devido, à base de cálculo declarada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES. JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO. AÇÃO TRABALHISTA. REPASSE DE VALORES. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Incabível o lançamento tributário, tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação, hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação (ação trabalhista com repasse de valores). RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS LANÇADOS DE OFÍCIO. JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual e os valores lançados de ofício, que não guardam relação com a tributação de depósitos bancários e não considerados no levantamento de depósitos bancários realizado pela autoridade fiscal responsável pela constituição do crédito tributário. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao item 2 do Auto de Infração (depósitos bancários), o valor de R$ 222.370,18 (R$ 124.262,18 + R$ 98.108,00), bem como excluir da exigência a multa isolada do carnêleão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que provia parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 124.262,18 e Antonio Lopo Martinez, que provia parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 124.262,18, bem como para excluir da exigência fiscal a multa isolada aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 2 3 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 4 Relatório JOSÉ ACREANO BRASIL, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 014.915.71268, com domicílio fiscal na cidade de Belém – Estado do Pará, à Av. Senador Lemos, nº 754 –Bairro Umarizal, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 168/183, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 187/192. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 09/11/2007, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/14), com ciência através de AR, em 13/11/2007 (fls. 16), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 381.014,41 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75%, da multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão de 50% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. Do procedimento fiscal desenvolvido a autoridade lançadora firmou o entendimento de que o autuado é responsável pelas seguintes irregularidades: 1 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊ LEÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vinculo. Infração capitulada nos artigos 1º ao 3º e §§, e 8º, da Lei nº 7.713, de 1988 e artigos 1º ao 4º, da Lei nº 8.134, de 1990. 2 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme disposto no Relatório Fiscal em anexo. Infração capitulada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997 e artigo 21 da Lei n° 9.532, de 1997. 3 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO: Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnêleão, apurada conforme elucidado no texto da infração n° 01. Infração capitulada no artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988 c/c os artigos 43 e 44, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da MP nº 351, de 2007 c/c artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Auto de infração (fls. 03/14), entre outros, os seguintes aspectos: que no dia 30.08.2007 foram expedidos Termos de Esclarecimentos a 03(três) pessoas físicas (Constantino Maciel Ferreira, Boris Zubok e Evanir da Conceição do Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 3 5 Couto) que informaram gastos com honorários advocatícios, com o fiscalizado, em suas Declarações Anuais de AjustePF/2005 a.b.2004; através desses Termos foram solicitadas a apresentação de documentos comprobatórios das despesas com o advogado "José Acreano Brasil" em processos judiciais no ano de 2004; que as 03(três) pessoas físicas intimadas compareceram A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém e apresentaram o seguinte: Constantino Maciel Ferreira informou em sua Declaração de Ajuste/pessoa física 2005DIRPF/2005 despesas com o fiscalizado no valor de R$4.200,00 e atendeu ao Termo de Esclarecimento encaminhando as mesmas Declarações já anteriormente entregues pelo próprio fiscalizado; Boris Zubok atendeu ao Termo de Esclarecimento encaminhando cópias do Proc.n ° 801401129/2001 8(Justiça do Trabalho da 8ª Região) onde se encontram, entre outros: Planilha de cálculo cujo valor liquido recebido pelo reclamante foi de R$213.629,66; Recibo (conferido com original) assinado pelo Sr. Boris Zubok recebendo do Dr. José Acreano Brasil a importância liquida de R$124.262,18 pela liquidação da execução do processo trabalhista n ° 0801401129/200108 14, datado de 12.11.2004; Cópia de extrato do HSBC onde consta o depósito no valor de R$124.262,18 no dia 12.11.2007; Cópia do acórdão onde cita o Dr. José Acreano Brasil. Cópia da Guia de Retirada Parcial onde consta o fiscalizado como sacador; Obs.: Em análise ao material acima, através de simples cálculo matemático, encontrado o valor de R$89.367,48(informado na DIRPF/5002 do Sr. Boris Zubok a titulo de despesa com advogado) como sendo a diferença entre o valor liquido apresentado na planilha de cálculo (expedida pelo Juiz) e o valor efetivamente repassado ao cliente o Sr. Boris Zubok.Além do que, este valor de R$89.367,48, pago ao seu cliente, corresponde exatamente a 30% do total devido ao reclamante que foi de R$297.891,62(também demonstrado na planilha de cálculo apresentada); que o valor apresentado por Evanir da Conceição do Couto em sua DIRPF/2005, a titulo de despesas com advogado foi de R$4.540,52(quatro mil,quinhentos e quarenta reais e cinquenta e dois centavos). Semelhante ao caso do cliente anterior, calculado 30% de R$26.877,80(valor bruto apresentado no Demonstrativo acima) encontrase o valor de R$8.063,34 (oito mil,sessenta e três reais e trinta e quatro centavos) e que, de acordo com a planilha (acima) elaborada pelo advogado e repassada As mãos de seu cliente, desse total, naquele ano de 2004 o advogado recebeu o valor de R$4.540,52 permanecendo a diferença de honorários a receber no valor de R$3.522,82(três mil,quinhentos e vinte e dois reais e oitenta e dois centavos); que o recibo,do escritório de advocacia José Acreano Brasil & Associados, no valor de R$6.713,65(seis mil,setecentos e treze reais e sessenta e cinco centavos),assinado por Evanir da Conceição do Couto datado de 30.03.2005 referente parte final do Processo de N°0120085/20002, dando plena geral e definitiva quitação; que, pelo exposto, lavrase o presente Auto de Infração para lançamento do valor de R$67.608,00(sessenta e sete mil e seiscentos e oito reais) referente omissão de rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas; que no dia 23.08.2007 o fiscalizado encaminhou a este Serviço de Fiscalização os extratos de sua contacorrente junto ao Banco HSBC conta n°0532 17.574 50 no ano de 2004;. que a conta junta ao Banco do Brasil, o fiscalizado encaminhou a este Serviço documento, do próprio Banco do Brasil,onde afirmava não constar em seus arquivos qualquer contacorrente movimentada com o CPF 014.915.71268 durante o ano de 2004; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 6 que em 11.09.2007 foi encaminhado ao fiscalizado Termo de Ciência e de Solicitação de esclarecimentos (ciência em 13.09.2007AR) intimandoo a comprovar a origem dos depósitos efetuados em sua contacorrente n°05321757450 junto ao HSBC BANK BRASIL S.A. BANCO MÚLTIPLO, no ano de 2004; conforme valores constantes de planilha I encaminhada anexa ao Termo; que em 11.10.2007 foi encaminhado ao fiscalizado Termo de Reintimação Fiscal intimandoo a apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados no Termo anterior, não atendido até aquela data; que considerando a falta de resposta por parte do contribuinte fiscalizado, até esta data, relativamente à comprovação da origem dos créditos em sua conta junto ao Banco HSBC, lavrase o presente Auto de Infração para lançamento dos depósitos efetuados na conta do fiscalizado n°05321757450, junto ao Banco HSBC, no ano de 2004, cujas origens não foram comprovadas. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 13/12/2007, a sua peça impugnatória de fls. 161/163, instruído pelos documentos de fls. 164/166, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que quanto ao lançamento da importância de R$196.067,46 no mês de agosto de 2004, do referido valor foi adimplindo através do cheque n° 0011541/909706, — Banco 399, datado de 23.08.04, a favor de Marileusa Rebelo Clos a importância de R$136.622,07 (cento e trinta e seis mil, seiscentos e vinte e dois reais e sete centavos), correspondente ao processo n° 1553/1992, 5ª Vara Federal do Trabalho, conforme espelha cheque (doc.1) anexo; que na mesma esteira no mês de novembro/2004, o valor lançado de R$218.304,43 (duzentos dezoito mil, trezentos e quatro reais e quarenta e três centavos), deveria ter sido deduzido a importância de R$124.262,18 (cento e vinte e quatro mil, duzentos e sessenta e dois reais e dezoito centavos), conforme declarou no Auto de Infração a zelosa Auditora as (fls.4); que, com efeito, os valores apresentados pelos Srs. Constantino Maciel Ferreira, Boris Zubok e Evanir da Conceição do Couto, emergiu o fato gerador, do imposto no valor de R$67.608,00 (sessenta e sete mil, seiscentos e oito reais), consoante consta as (fls.6), do Auto de Infração, ora guerreado; que a bem se vê, no quadro espelhado às fls.10 do auto, ora impugnado, se impõe o abatimento dos valores pagos, aos senhores CONSTANTINO MACIEL FERREIRA, BORIS ZUBOK e EVANIR DA CONCEIÇÃO DO COUTO, uma vez que, já gerou o imposto no valor de R$67.608,00 (sessenta e sete mil, seiscentos e oito reais); que no mesmo pari passu, também, o valor pago a Sra. Marileusa Rebelo Clos, no patamar de R$124.262,18 (cento e vinte e quatro mil, duzentos e sessenta e dois reais e dezoito centavos), consoante prova material através de cópia do cheque anexado a esta impugnação; que, demais disso, diversos recibos foram extraviados, além do mais solicitei ao Banco HSBC cópias de diversos cheques pagos a terceiros (clientes), contudo, estou em dificuldades para provar documentalmente estas alegações, uma vez que o referido banco informou a impossibilidade de atender ao pedido, trazendo manifesto e irreparável Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 4 7 prejuízo ao impugnante, todavia, estou pressionando a instituição de crédito na busca dos cheques solicitados. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belém PA, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que antes que sejam efetuados os cálculos necessários a aferição do quantum de imposto sobre a renda pessoa física resta a pagar, deve ser apreciada argumentação do sujeito passivo acerca da impropriedade de aplicação de multa de oficio no percentual de 75%; que a pretensão, desprovida de qualquer fundamento, de ver afastada a incidência da multa de oficio, não é oponível na instancia julgadora administrativa; que o julgador administrativo se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III. da Lei n.° 8.112/90), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não lhe sendo dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal por inconstitucionalidade que, de modo inequívoco, estabelece ser de 75% a penalidade calculada sobre o tributo recolhido fora do vencimento e sem o acréscimo da multa moratória (inc. I do art. 44 da Lei n.° 9.430/96); que, quanto a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, é de se dizer que no auto de infração está perfeitamente demonstrado a percepção de rendimentos tributáveis pelo recebimento de honorários advocatícios. O próprio contribuinte admite que recebeu aqueles rendimentos. Tal fato, porém, não tem o condão de suspender a ocorrência do fato gerador do imposto de renda; que no que tange à exigência da multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, o artigo 44, § 1º, III, da Lei n° 9.430, de 1996, estabelecia a sua aplicação para o caso de a pessoa física sujeita ao pagamento do imposto na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que tenha deixado de fazêlo; que são irregularidades distintas, ensejando a aplicação de duas multas que não se confundem: uma é a multa de oficio decorrente de omissão de rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeito ao carnêleão e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não justificada; outra é a multa isolada pela falta do pagamento do imposto mensal (carnêleão). As penalidades que incidem sobre essas irregularidades são evidentemente distintas; que o legislador estabeleceu, urna presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse caracterizado o montante do fato gerador, ou seja, os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. O fato gerador foi constatado com base no art. 43, II, do CTN, que prescreve que o imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais relativas — o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 8 creditado não é renda ou provento tributável. Alertese que não cabe à autoridade administrativa afastar a eficácia de lei; que o objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos; que, desta forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. O deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; que não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Principio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação; que a autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3° do CTN é "atividade administrativa plenamente vinculada". Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômico financeira do sujeito passivo. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOST° SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.ÔNUS O CONTRIBUINTE. No caso de disponibilidade econômica decorrente do recebimento de recursos financeiros, o contribuinte possui o ônus de demonstrar o imediato repasse ou a natureza não tributável de tais recursos. São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo (art. 3, § 4, da Lei n7.713, de 1988). OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 5 9 A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido. A autoridade lançadora aplica tão somente o que determina a lei tributária. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Nesse passo, o Fisco deve comprovar regularmente seu direito ao crédito tributário provando o acréscimo patrimonial. Já o contribuinte deve apresentar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/10/2009, conforme Termo constante às fls. 184/186, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (08/01/2010), o recurso voluntário de fls. 187/192, instruído pelos documentos de fls. 193/195, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da movimentação financeira do recorrente e que pela análise dos extratos bancários apurouse a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996. Constatouse, ainda, omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Notase, ainda, que foi o próprio contribuinte que apresentou os extratos bancários em atendimento a intimação fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância resolveu julgar procedente o lançamento, por entender que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias no anocalendário questionado. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde se insurge contra o lançamento mantido pela autoridade julgadora, argüindo, tãosomente, matéria de mérito, tecendo considerações sobre a impossibilidade de se tributar por mera presunção, já que entende que os recursos que deram origem aos depósitos bancários lançados foram devidamente comprovados pelas apresentação de documentação hábil e idônea. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas a autoridade lançadora, com base nos dados informados pelas pessoas físicas notificou o suplicante para que apresentasse os fatos materiais e de direito que poderiam elidir a questão, entretanto, nada apresentou. Ademais, verificase, que o contribuinte não contesta a irregularidade, em si, apontada pela autoridade fiscal do qual resultou o lançamento em tela. Requer, todavia, que sejam desconsideradas as multas e os juros que entende como abusivos, bem como seja o valor tributado (R$ 67.608,00) considerado como origem para justificar depósitos bancários realizados. Desta forma, a discussão que resta neste colegiado se prende sobre o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. Através de sua peça recursal, o suplicante solicita o provimento ao seu recurso, alegando, em síntese, que os depósitos estão justificados pela disponibilidade de recursos e pela apresentação de documentação hábil e idônea. Entende, ainda, que o Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 6 11 lançamento não tem sustentação legal por ter sido realizado exclusivamente sobre depósitos bancários e não restou comprovado os sinais exteriores de riqueza. Ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do inciso XXI, do artigo 88, da Lei nº 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5º do artigo 6º, da Lei nº 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do Decretolei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancários, não há como se falar em Lei nº 8.021, de 1990, ou Decretolei n° 2.471, de 1988, já que os mesmos não produzem mais seus efeitos legais. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se “omissão de rendimentos” fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 12 Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar os argumentos do recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Lei n.º 9.481, de 13 de agosto de 1997: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 7 13 Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 58. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 6°: Art. 42. (...) § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titular. Instrução Normativa SRF nº 246, 20 de novembro de 2002: Dispõe sobre a tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Art. 1º Considerase omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. § 1º Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 2º Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Art. 2º Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 14 Art. 3º Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualizadamente. § 1º Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do anocalendário. § 2º Os créditos decorrentes de transferência entre contas de mesmo titular não serão considerados para efeito de determinação dos rendimentos omitidos. Da interpretação dos dispositivos legais acima transcritos podemos afirmar, que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, onde devem ser observados os seguintes critérios/formalidades: I – não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II – os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); III – nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV – todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada; V – no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de titulares, sendo que todos os titulares deverão ser intimados para prestarem esclarecimentos; VI – quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento; VII – os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de ofício, na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Podese concluir, ainda, que: I na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no anocalendário; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 8 15 II – caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III – na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do anocalendário, a oitenta mil reais; IV – na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V – na hipótese de créditos não comprovados que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; VI os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específica previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos; VII para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 16 Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. Por outro lado, também é verdadeiro, como visto anteriormente, que dos valores constantes dos extratos bancários do contribuinte, devem ser excluídos os valores dos depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, os referentes a proventos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Por fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Esta comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito os rendimentos anteriormente auferidos ou já tributados, se não for comprovada a vinculação da percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação, submetendose aos limites individual e anual para os depósitos, como omissão de rendimentos, utilizandose a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela Instituição Financeira. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 9 17 Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou não aquisição de disponibilidade financeira tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar rendimentos tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verificase que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa, justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988. Ora, no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face do contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei nº 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Ademais, à luz da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o benefício que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 18 A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a totalidade da presunção legal autorizada. É transparente que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese fática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei nº 8.021, de 1990. O contribuinte na tentativa de comprovar a origem dos depósitos bancários questionados apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: que o recorrente, se insurge contra o lançamento no valor de R$381.014,41 (trezentos e oitenta e um mil, quatorze reais e quarenta e hum centavos), exercício de 2005, anoscalendários de 2004, para isso, do valor apontado de R$196.067,46 no mês de agosto de 2004, foi pago a cliente através do cheque n°. 0011541/909706 – Banco 399, datado de 23.08.2004, a favor de Marileusa Rebelo Clos a importância de R$136.622,07 (cento e trinta e seis mil, seiscentos e vinte e dois reais e sete centavos), referente ao processo n°.1553/1992, originário da 5ª Vara do Trabalho; que, com efeito, deve ser deduzido o valor pago, a cliente senhora Marileusa Rebelo Clos, através do cheque (R$136.622,07) indicado, e, não a incidência da obrigação (IRRF)) sobre o valor de R$381.014,41 (trezentos e oitenta e um mil, quatorze reais e quarenta e um centavos); que no mesmo pari passu, o lançamento do mês de novembro/2004, o valor lançado no patamar de R$218.304,43 (duzentos e dezoito mil, trezentos e quatro reais e Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 10 19 quarenta e três centavos), deve observar a dedução do valor de R$124.262,18 (cento e vinte e quatro mil, duzentos e sessenta e dois reais e dezoito centavos), consoante espelha as (fls.06) do auto de Infração, portanto, não poderá incidir o fato gerador sem as deduções pagas aos clientes epigrafados; que, por outro lado, os valores apontados na informação protegida por sigilo fiscal, os valores indicados não constam dos extratos bancário do fiscalizado perante o Banco HSBC, salvo, dos senhores Evanir da Conceição Couto, Boris Zuboc, o fato gerador emergindo incidência sobre o valor de R$67.608,00 (sessenta e sete mil seiscentos e oito reais). Ora, não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Após a análise da documentação apresentada tanto na fase impugnatória como na fase de recursal e observada as argumentações tanto da autoridade fiscal como do suplicante entendo que cabe razão parcial ao recorrente. Senão vejamos: Como visto, a legislação determina que o simples depósito bancário não justificado perante a autoridade lançadora, nos termos da presunção legal, por si só, já caracterizará omissão de rendimentos ou de receita, passível de tributação pelo imposto de renda, no caso de pessoa física e, no caso de pessoa jurídica, também pelos demais impostos e contribuições incidentes sobre receitas omissas (IRPJ, CSL, PIS, COFINS). Por outro lado, a legislação determina, ainda, que os valores cuja origem houver sido identificada e/ou comprovada e que, quando for o caso, não foi adicionada na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, deverão se submeter às normas de tributação especifica. Ou seja, é incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando restar identificado, através de documentação anexada aos autos, as pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeterseão às normas de tributação específica prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É certo que a Lei nº 9.430, de 1996 (art. 42 e §§) operou uma significativa mudança no tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas ou rendimentos omitidos. Por outro lado, a omissão de receitas ou rendimentos, baseada em certos indícios, há de repousar, comparativamente, em dado concretos, objetivos e coincidentes, sólidos em sua estruturação, devendo ser descartados as opções simplistas, baseadas em provas emprestadas, cujos dados levantados não são conclusivos. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 20 Não tenho dúvidas, da análise deste processo, que o maior obstáculo a ser sanado é a questão da base de cálculo. Ou seja, qual é a base de cálculo a ser tributada neste processo: é o somatório dos depósitos bancários, cujos depositantes estão devidamente identificados, onde a autoridade lançadora conhece a origem dos recursos (omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários – presunção de omissão) ou deveria ser, quando for o caso, o somatório dos valores dos depositantes (omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e/ou jurídicas, sem comprovação de já terem sido tributados). Ora, com as devidas vênias, entendo, que neste caso em especial onde os depositantes estão identificados e onde tenho a origem dos recursos o procedimento correto será, quando for o caso, o lançamento por omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e/ou jurídicas com amparo na legislação específica. Nesta situação, a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, está incorreta, pois a origem dos recursos está identificada, a autoridade lançadora, nestas situações, deve aprofundar as suas investigações questionando a razão pelo qual os depositantes efetuaram os depósitos, procurando detectar possíveis omissões de rendimentos/receitas por parte dos depositantes e por parte do titular da conta bancária recebedora dos depósitos. É evidente, que não se pode questionar a possibilidade do fisco, partindo das informações fornecidas por terceiros, iniciar o trabalho fiscal, porém, antes de proceder à autuação, deveria aprofundar e confrontar tais dados com outros elementos necessários para caracterizar a irregularidade praticada. O ônus do lançamento é da autoridade tributária, o fato do suplicante não ter respondido as intimações não pode obstar a sua defesa na fase impugnatória ou na fase recursal, bem como vedar a possibilidade da matéria ser levantada de ofício pelo julgador. Para o não atendimento das intimações existe punição especifica que é o agravamento da multa de lançamento de ofício em 50% e que foi aplicada no presente caso. Evidentemente que, quer a nível de cidadão contribuinte, quer a nível de terceiros envolvidos, o interesse do Estado prevalece, segundo os princípio do bem comum e os objetivos da justiça social. Porém, o Estado não pode e nem deve avançar sobre o cidadão, ao arrepio de leis que regem especificamente o assunto, já que tal situação redundará, por sem dúvidas, em nulidade processual junto ao poder judiciário. E, inúteis esforços administrativos, com o risco de o mesmo Estado ser condenado ao pagamento de honorários de sucumbência e custas judiciais, acaso a questão seja levada àquele Poder. Ora, não é possível colocarse em plano secundário, como que num passe de mágica, o princípio da legalidade e da verdade material. Digase, a bem da verdade, que a legislação é clara por demais no sentido de que quando restar provado nos autos, que sobre os valores depositados/creditados se tem noticia dos depositantes, ou seja, se sabe quem os depositou e por via de conseqüência se conhece a origem dos recursos, incabível se torna à aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (lançamento com base em depósitos bancários). Por essas razões, não vejo como imprimir um tratamento diferenciado neste processo, onde consta nos autos documentação que identifica parte dos depositantes dos valores questionados, ou seja, onde parte dos valores de depósitos bancários está, devidamente, identificado. Assim sendo e após a análise de cada alegação apresentada firmo as seguintes posições: 1 – No que diz respeito a alegação de que do valor apontado de R$196.067,46 no mês de agosto de 2004, foi pago a cliente através do cheque n°. 0011541/909706 – Banco 399, datado de 23.08.2004, a favor de Marileusa Rebelo Clos a Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 11 21 importância de R$136.622,07 (cento e trinta e seis mil, seiscentos e vinte e dois reais e sete centavos), referente ao processo n°.1553/1992, originário da 5ª Vara do Trabalho, entendo que a razão está com a autoridade lançadora, já que não restou comprovado, através da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, que a origem dos recursos depositados na conta corrente do suplicante provem desta ação trabalhista, já que nada consta dos autos que indicassem tal fato (falta absoluta de provas da origem dos recursos). 2 – No que diz respeito a alegação de que do lançamento do mês de novembro/2004, o valor lançado no patamar de R$218.304,43 (duzentos e dezoito mil, trezentos e quatro reais e quarenta e três centavos), deve observar a dedução do valor de R$124.262,18 (cento e vinte e quatro mil, duzentos e sessenta e dois reais e dezoito centavos), consoante espelha as fls.06 do auto de Infração, portanto, não poderá incidir o fato gerador sem as deduções pagas aos clientes epigrafados, entendo que o recorrente forneceu todos os dados relativo as operações, identificando a origem do recurso depositado e o repasse efetuado, atendendo o disposto na legislação de regência, já que existe prova material de que a autorização de transferência é de 14/11/2004 e o depósito ocorreu em 11/11/2004 (fls. 108/137). Diante disso, é de se excluir dos depósitos bancários lançados o valor de R$ 124.262,18. Alega, ainda, o recorrente, que se faz necessário a exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários o valor lançado de ofício relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 67.608,00. Inicialmente, se faz necessário ressaltar de que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Não tenho dúvidas, que quando se trata de questões preliminares, tais como: nulidade do lançamento, decadência, erro na identificação do sujeito passivo, intempestividade da petição, erro na base de cálculo, aplicação de multa, etc., são passíveis de serem levantadas e apreciadas pela autoridade julgadora independentemente de argumentação das partes litigantes. Faz se necessário esclarecer, que o julgador independe de provocação da parte para examinar a regularidade processual e questões de ordem pública aí compreendido o princípio da estrita legalidade que deve nortear a constituição do crédito tributário. Assim, em especial, neste processo, entendo que por uma questão de justiça fiscal existe necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre o fisco e o contribuinte. Ou seja, parece ser possível concluir por uma questão de coerência, que o tratamento a ser dado nestas circunstâncias deva ser mesmo a exclusão do valor oferecido à tributação através da Declaração de Ajuste Anual apresentada, sob pena de se lhe dar tratamento tributário mais gravoso do que se o contribuinte estivesse ficado inerte (não apresentar a respectiva declaração). Por outro lado, tal aspecto não chega a se constituir em prova absoluta de que o valor declarado de fato tem origem nestes depósitos bancários não justificados. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 22 Embora não abandone a idéia de que a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deva ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente, sou forçado a reconhecer que a jurisprudência neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de reconhecer a necessidade de se excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, os rendimentos declarados / lançados / receitas da atividade rural ou utilizou critérios que não considerem a totalidade, nos casos em que a autoridade fiscal lançadora deixou de considerálos. Ora, se o recorrente apresentou as Declarações de Ajuste Anual, tempestivamente, não vejo como deixar de reconhecer o direito de reduzir em igual montante o valor dos rendimentos tributados do item de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, para efeito de cálculo do imposto devido. Nesta mesma linha de raciocínio se encontra os valores lançados de ofício pela autoridade lançadora. Ou seja, aqueles valores lançados a título de omissão de rendimentos, que não sejam oriundos de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários cuja origem de recursos não foi justificada, devem ser considerados como origem de recursos passíveis de comprovar depósitos bancários. É de se registrar, que em situações análogas esse conselho já se manifestou no sentido de excluir da tributação dos rendimentos omitidos por decorrência de depósito bancário, uma vez que tais valores ou já foram objeto de lançamento por receita omitida na atividade rural e/ou omissão de rendimentos diversos (diferentes de omissão de rendimentos por depósitos bancários), ou porque constam nas Declarações de Ajuste Anual, conforme podemos observar nos julgados abaixo, cujas ementas se transcreve na parte que interessa: Acórdão 10419.984 DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL A interpretação harmônica da Lei n.º 9.430, de 1996 com a Lei n.º 8.023, de 1990 que regula a atividade rural, induz ao entendimento de que os rendimentos totais da atividade se prestam como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de data e valores. Acórdão 10419.845 DEPÓSITOS BANCÁRIOS – LEI Nº. 9.430, DE 1996 – COMPROVAÇÃO Estando as pessoas físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive aqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. No mesmo sentido se manifesta a jurisprudência nos casos de rendimentos tributáveis declarados da Declaração de Ajuste Anual: Acórdão nº 220200.415 RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 12 23 É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual. Acórdão nº 220200.422 DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES/JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS Incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação anexada aos autos, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeterseão às normas de tributação específica prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual. Acórdão nº 220200.170 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3°, do citado diploma legal. Devendo ser excluídos os valores dos rendimentos declarados na DIRPF. Assim sendo, entendo que deva ser excluído da base de cálculo da exigência relativo a depósitos bancários de origem não identificada os rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual, somados aos valores lançados de ofício do item 01 do Auto de Infração (Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas). Observase às fls. 19/21 e 05/08, que o recorrente declarou como rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual relativo ao anocalendário de 2004 o valor de R$ 30.500,00, bem como houve o lançamento de ofício no valor de R$ 67.608,00. Assim sendo, é de se excluir o valor de R$ 98.108,00 da base de cálculo da exigência do item 02 do Auto de Infração (depósitos bancários de origem não justificada). Por outro lado, é de se manter os valores dos demais depósitos bancários, já que a falta de justificação de sua origem faz nascer à presunção de omissão de rendimentos e por via de conseqüência à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 24 O contribuinte na tentativa de comprovar a origem dos demais depósitos bancários, relaciona alguns valores e datas junta extratos bancários e cópias de cheques os quais, segundo o interessado, comprovariam a origem dos recursos utilizados nos depósitos contestados. Todavia, tais valores não guardam relação alguma com os depósitos lançados, pois não são coincidente em datas e valores. Ora, ao recorrente é atribuído o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. O que se vê nos autos, porém, é que a defesa não consegue relacionar e equacionar os demais valores que alega ter recebido no período em análise, com os depósitos bancários levantados no auto de infração. Com todas as vênias necessárias, se nem mesmo o recorrente sabe o quanto foi depositado em suas contas, como poderia a fiscalização saber. O ônus da prova, neste caso especifico, é do contribuinte, o qual deverá comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos valores/créditos depositados em suas contas bancárias, pormenorizadamente, individualizandoos e identificandoos, de acordo com os respectivos contratos de locação, os quais estavam sob sua administração. Aparente informalidade no controle dos negócios efetuados pelas pessoas físicas não pode eximir o fiscalizado de apresentar prova da efetividade das transações, porquanto a relação entre Fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei, sem exceção. Assim, independentemente do grau de controle, exigido pelo Fisco, das operações realizadas pelas pessoas físicas, tal fato não exime o contribuinte de apresentar a prova da origem dos montantes de dinheiro ingressados em sua conta bancária. O que não se pode, a meu ver e com a devida vênia, é se eleger como sujeito passivo, principalmente para fins de gozar de tributação minorada pelo imposto de renda, tudo o que, “lato sensu”, todo o contribuinte entenda ser conveniente para si e quando estiver com vontade de fazêlo. As ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real capacidade econômica, e assim se beneficiar indevidamente de algum tratamento diferenciado, deve merecer sempre a ação saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Na perquirição do fato de relevância econômica capaz de caracterizar a ocorrência do fato gerador do tributo, a ação fiscal jamais se deterá na superficialidade dos aspectos formais dos atos, fatos e negócios jurídicos dos contribuintes, aceitandoos como eles se apresentam e sem poder investigar o que realmente aconteceu. Muito pelo contrário, a função precípua do Fisco é a de examinar a essência e a natureza dos fatos e dos negócios jurídicos, nada se importando com a nomenclatura que os contribuintes lhes tenham emprestado. Assim, não pode o contribuinte usar em sua defesa o fato de ter criado em sua vida tributária uma situação indefinida para beneficiarse do princípio do in dublio pro reo, situação esta derivada da prática de ato contrário ao ordenamento jurídico. Os fatos devem ser devidamente comprovados de forma coerente e com meios de prova idôneos, que não deixe margem à dúvida quanto à consistência das operações. Isto não foi feito no presente processo, nada foi apresentado pelo suplicante que pudesse orientar o julgador. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 13 25 É de se ressaltar, que, a princípio, para servir de documentação comprobatória da origem dos recursos questionados, se faz necessário a apresentação de documentos idôneos, objetivos e precisos em dados ou elementos que sejam coincidentes em datas, quantidades e valores no sentido de ficar caracterizada a transferência de numerário à conta bancária do contribuinte. Cumpre observar que capacidade econômica e financeira, assim como instrumentos particulares de contrato, por si só, são provas ineficazes porquanto ainda se deixa de oferecer o que interessa, a procedência incontestável do numerário e a natureza precisa da operação que motivou a entrega da importância, mediante dados irrefutavelmente coincidentes. E essa prova compete ao contribuinte produzila porquanto somente ele tem ciência da operação previamente praticada, da qual redundaria a entrega do numerário creditado. Por fim, é de se dizer que simples alegações desacompanhadas de documentação que as comprovem não são suficientes para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n.° 9.430, de 1996. Eis que, por força do caput e § 3.° do referido artigo, os depósitos bancários devem ser comprovados mediante documentação hábil e idônea. Como a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal e como, no presente caso, o contribuinte nada apresentou é de se manter o lançamento na forma que foi realizado pela autoridade lançadora. Quanto à aplicação das multas de lançamento de ofício, se faz necessário ressaltar que a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Entendo, que toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Seguindo nesta linha de pensamento, é de se observar que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal, incumbe a este colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Neste contexto, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à aplicação das multas de lançamento de ofício. Quanto ao lançamento da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se faz necessário destacar que o lançamento da multa isolada engloba os valores tributados como sendo omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, cujos valores foram lançados de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 26 A Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: Art. 43 – Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II – isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (...). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 14 27 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o “carnêleão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnêleão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. Por fim, não cabe razão ao recorrente no que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva, não confisco e juros abusivos), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 28 ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 15 29 Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 30 juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10280.004393/200760 Acórdão n.º 220201.652 S2C2T2 Fl. 16 31 no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao item 2 do Auto de Infração (depósitos bancários), o valor de R$ 222.370,18 (R$ 124.262,18 + R$ 98.108,00), bem como excluir da exigência a multa isolada do carnêleão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10845.009030/86-10
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 1988
Numero da decisão: 302-00.286
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, arguidas pela recorrente e converter o julgamento em diligência à repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE AFFONSO MONTEIRO DE BARROS MENUSIER.
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ACORD;40 N.° Recurso n.° 109.511 - Proc. n 2 10845.009.030/86-10 Recorrente NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA Recomkt DRF SANTOS • • RESOLUÇÃO N2 302-0.286 Visto, relatado e discutido o presente processo, RESOLVEM os Membros da Segunda Cgmara do Terceiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as preli minares, argiiidas pela recorrente e converter o julgamento em di- ligencia à repartição de origem, na forma do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, 26 de janeiro de 1988 EP ALDO REIS DA S VA - Presidente J St'TPFaS0 MONTE RO DE BARR S 2)-M-:-N175i- R - Relator • • IN MARIA SANTOS DE SA-ARAOJO - Procurador da Fazenda Nacional VISTO EM SESSÃO DE: 29 JAN 1988 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes' Conselheiros: Moagyr Eloy de Medeiros, Ubaldo Campello Neto, Pau lo Sergio Caputo, Paulo Cesar de Avila e Silva, Enrique Manuel Garbayo Guarido e Luis Carlos Viana de Vasconcelos. - • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 2. MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA CÂMARA RECURSO N2 109.511 - RESOLUÇÃO N 2 302-0.286 RECORRENTE: NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA RECORRIDA : DRF - SANTOS RELATOR : JOSE AFFONSO MONTEIRO DE BARROS MENUSIER RELATÓRIO Em ato de Vistoria Aduaneira, a pedido do importador ' foi apurada avaria na mercadoria (3.000 folhas de cobre) transpor tada pelo navio Itaimbe, de nacionalidade brasileira, coberta pelo Conhecimento de Carga n 2 K40-Kobe, proveniente do Japão. Responsabilizada pela avaria, e com base em Laudo Tec- nico (fls. 16) que depreciou a mercadoria em 50%, foi a firma Nau- tilus Agencia Marítima Ltda, agente consignatária do navio, notifi cada a pagar a quantia de Cz$27.504,00 de Imposto de Importação. Inconformada e em tempo hábil a notificada impugna o feito, aduzindo em sua defesa: 1 - Ilegitimidade de parte passiva "ad causam"; 2 - Exclusão de responsbilidade do transportador, caso fortuito, para tal apresentando, devidamente registrado, o compe - tente Protesto Marítimo, ratificado perante a Justiça Brasileira; 3 - Aliquota incorretamente aplicada, mercadoria impor tada com os benefícios da Resoluggo CPA n 2 05.0934/86, que reduziu a allquota do 1.1 de 45% para 30%; e 4 - Taxa de câmbio incorretamente aplicada. Na contestação da defesa (fls. 67/69) o AFTN vistorian te conclui pela manutengão da ação fiscal. Em Decisgo n 2 113/87 (fls. 78) o DRF em Santos julga procedente o feito fiscal e determina o seu prosseguimento. Inconformada, e em tempo hábil, a firma Nautilus Agen- cia Marítima Ltda recorre a este Conselho trazendo em sua defesa a argumentag5o que se segue: 1 - Ilegitimidade de parte passiva "ad causam"; 2 - Decisgo estemporgnea, nulidade da decisão de lg instância; 3 - Caso fortuito ou força maior; 4 - No apurada, pela comissão vistoriadora, outra cau- sa determinante da avaria; SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 5 - Da adequação da embalagem da mercadoria; 6 - Aliquota incorretamente aplicada; e 7 - Taxa de cgmbio incorretamente aplicada na conver so da moeda. E o relatOrio. \i--- 6/ 2 -7 • 3. - Rec. 109.511 Res. 302-0.286 Rec. 109.511 Res. 302-0.286 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 4. VOTO • A tese de ilegitimidade de parte passiva "ad causam", bastante discutida nesta Câmara, tem sido rejeitada, por unanimida de, com fulcro nos artigos 39 e 95, II, do Decreto-lei n 2 37/66, ' que determinam que o agente consignatário do navio responde pelas infragOes fiscais praticadas pelo transportador, e, bem assim, pe- la indenização tributéria correspondente. Entendo, também, quanto segunda preliminar, no ser cabível a nulidade da decisão de lg instância por no ter sido atendido o prazo previsto no artigo 550, inciso II, do R.A., pois tal descumprimento no esté arrolado como causa de nulidade previs- ta no artigo 59 do Decreto n 2 70.235/72. Rejeito pois as preliminares. Quanto ao mérito, entendo no estar bastante clara a ocorrencia de caso fortuito ou força maior pois ao tempo em que a recorrente argumenta com a possibilidade da avaria ter sido provo- cada pela molhadura decorrente da debelagão do incêndio a bordo, verifica-se que do Termo de Avaria n 2 78104, fls. 10, consta que os estrados foram molhados por chuva. Por sua vez, das respostas ' aos quesitos formulados, constante do laudo pericial, em particu- lar da resposta 3 c (fls. 16v), no está claro ter sido a avaria ' provocada por égua salgada ou égua de chuva. Em assim sendo, voto por transformar o presente julga- mento em diligencia a fim de que seja providenciado, pela autorida de de lg instância, a anexagão aos autos das estatísticas de ocor- rencia de chuvas, no Porto de Santos, no período de 02/10/86 a 21/10/86, bem como seja esclarecida a divergência de data de entra da do navio, pois do Termo de Avaria (fls. 10) consta 17/10/86, e do Termo de Vistoria Aduaneira (fls. 17) campo 09 consta 02/10/86. Finalmente, solicito, também, esclarecer, o local e sob a responsa bilidade de quem que a mercadoria em tela ficou armazenada desde a sua descarga (data) e a sua entrada (21/10/86) no armazém 38 da CODESP. Ap6s cumprida a diligencia, de-se vistas recorrente. Sala das SessOes, 26 de janeiro de 1988. ak4 J0S'1FF0N'SO MONTEIRO DE BA ROS MENUSIER Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10880.018749/99-21
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 1994
Ementa: DESAPROPRIAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS E COMPENSATÓRIOS.
De acordo com a jurisprudência deste tribunal administrativo, os valores recebidos a título de indenização por desapropriação não são tributáveis, inclusive os juros moratórios e compensatórios (RIR/1994, art. 58, XIV).
Uma vez que não representam efetiva aquisição de disponibilidade de renda e proventos de qualquer natureza.
Numero da decisão: 2202-001.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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JUROS MORATÓRIOS E COMPENSATÓRIOS. De acordo com a jurisprudência deste tribunal administrativo, os valores recebidos a título de indenização por desapropriação não são tributáveis, inclusive os juros moratórios e compensatórios (RIR/1994, art. 58, XIV). Uma vez que não representam efetiva aquisição de disponibilidade de renda e proventos de qualquer natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 28/04/2011 por NELSON MALLMANN, 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 EDITADO EM: 28/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 28/04/2011 por NELSON MALLMANN, 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.018749/9921 Acórdão n.º 220201.076 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de pedido de restituição que faz o Recorrente Ubirajara Keutenedjian. do imposto de renda que alega ter sido indevidamente retido sobre o valor da indenização e juros que lhe foi pago pela Municipalidade de São Paulo em ação de desapropriação processo. n° 171/79. Apreciando o pedido a DIORT/DERAT/SP proferiu despacho decisório 1.399/2007, indeferindoo, sob o fundamento de que a União não é sujeito passivo da ação impetrada e que de acordo com a legislação que rege a matéria os juros em questão são tributáveis haja vista o art. 802, § 6° do Decreto 1.041/1994. Inconformado, o contribuinte, mediante procurador regularmente constituído, protocolizou manifestação de fls.36/40 na qual, em resumo, alega: que a obrigação da União de restituir decorre do art. 153, inciso III da Constituição Federal que lhe atribui a competência para a sua instituição; que, por se tratar de juros compensatórios de natureza indenizatória houve a tributação indevida de imposto sobre valor destinado a mera reposição patrimonial; que é entendimento do STJ que não incide imposto de renda sobre verbas recebidas a titulo de indenização expropriatória conforme jurisprudência que transcreve. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SPOII, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em indeferir a solicitação do Recorrente, através do acórdão DRJ/SPOII n° 1724.507, de 23 de abril de 2008 (fls. 47/49), cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995 SENTENÇA JUDICIAL DECLARATÓRIA DE DESCABIMENTO DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS COMPENSATÓRIOS E MORATÓRIOS DECORRENTES DE DESAPROPRIAÇÃO. Sentença que se desconhece por não ter a União participado da respectiva lide. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS .ISENÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Por falta de previsão legal não prospera a restituição pleiteada. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 28/04/2011 por NELSON MALLMANN, 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Devidamente intimado em 15 de setembro de 2008, o recorrente apresenta tempestivamente recurso em 13 de outubro de 2008, de fls. 50/61, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 84DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 28/04/2011 por NELSON MALLMANN, 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.018749/9921 Acórdão n.º 220201.076 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A discussão central no presente caso é se cabe a tributação pelo imposto de renda sobre os juros decorrentes de indenização para fins de desapropriação de imóvel. No caso em concreto houve processo judicial de desapropriação onde foi pago a indenização pelo imóvel desapropriado. Quando houve o pagamento a fonte pagadora efetuou a retenção na fonte do imposto de renda, sobre os juros incidentes sobre o valor desapropriado. Não se conformando com isso o Recorrente ingressou com pedido de restituição de indébito. Antes de mais nada devemos verificar o que dispõe o artigo 43 do Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nos termos da referida norma legal, o imposto de renda tem como fato gerador a efetiva aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 28/04/2011 por NELSON MALLMANN, 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 No caso de uma indenização decorrente de uma desapropriação de um imóvel, podemos verificar que o contribuinte que sofreu tal ato por parte do Poder Público, somente recebe um valor que se destina a recompor o dano patrimonial decorrente da indenização. Não nesse caso qualquer aumento ou acréscimo no patrimônio de qual sofre tal ato por parte do Pode Público, portanto não há que se falar na ocorrência do fato gerador do imposto de renda, uma vez que os pressupostos para o preenchimento da relação jurídico tributária não ocorrem. No caso dos juros incidentes sobre o valor a ser pago decorrente de uma indenização decorrente de uma desapropriação, também deve ser aplicado o mesmo entendimento, uma vez que o juros simplesmente servem para atualizar ou compensar o contribuinte que sofreu a desapropriação do valor a ser fruto da recomposição patrimonial. Frisese nesses casos não há acréscimo patrimonial nenhum sofrido pelo contribuinte, simplesmente há uma recomposição patrimonial do bem pelo valor pago pelo Poder Público. Os juros compensatórios são as compensações ao expropriado pela perda antecipada de sua posse e do direito ao uso e gozo de sua propriedade. Integram a indenização e não são rendas ou produto do capital ou do trabalho Aliás esse é o entendimento do antigo conselho de contribuintes, atual conselho administrativo de recursos fiscais, como podemos observar nos acórdãos abaixo transcritos: 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102 49.057 em 28.05.2008 IRPF Ex(s): 1996, 1998 DESAPROPRIAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS E COMPENSATÓRIOS. De acordo com a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça, os valores recebidos a título de indenização por desapropriação não são tributáveis, inclusive os juros moratórios e compensatórios (RIR/1994, art. 58, XIV). Recurso provido. 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102 46.269 em 18.02.2004 IRPF Exs: 1992 a 1995 INDENIZAÇÃO DESAPROPRIAÇÃO O imposto incidente sobre a "renda e proventos de qualquer natureza" alcança a "disponibilidade nova", fato inexistente na desapropriação causadora da obrigação de indenizar pela diminuição patrimonial (propriedade), reparando ou compensando pecuniariamente os danos sofridos, sem aumentar o patrimônio anterior ao gravame expropriatório. Na desapropriação não ocorre a transferência de propriedade por qualquer forma de Fl. 86DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 28/04/2011 por NELSON MALLMANN, 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10880.018749/9921 Acórdão n.º 220201.076 S2C2T2 Fl. 4 7 negócio jurídico amoldado ao direito privado e não se configura o aumento da capacidade contributiva. O imposto de renda não incide sobre o valor indenizatório IMPOSTO DE RENDA DESAPROPRIAÇÃO JUROS COMPENSATÓRIOS INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA IMPOSSIBILIDADE Os juros compensatórios são as compensações ao expropriado pela perda antecipada de sua posse e do direito ao uso e gozo de sua propriedade. Integram a indenização e não são rendas ou produto do capital ou do trabalho Recurso provido. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso 1º Conselho de Contribuintes / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 104 19.630 em 04/11/2003 IRPF Ex(s): 1997 e 1998 IRPF DESAPROPRIAÇÃO NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos em decorrência de desapropriações, incluindose os juros compensatórios e moratórios, são meras indenizações, não acrescendo o patrimônio, caracterizando, portanto, hipótese de nãoincidência do imposto. A incidência do imposto, na espécie, acarretaria indevida redução do valor recebido, ferindo o princípio constitucional da justa indenização. Recurso provido. Desta forma, como não há efetivo aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza no presente caso, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 28/04/2011 por NELSON MALLMANN, 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10880.018749/9921 Recurso nº : _____________ TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220201.076 Brasília/DF, 18 de abril de 2011. (Assinado Digitalmente) NELSON MALLMANN Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 88DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 28/04/2011 por NELSON MALLMANN, 28/04/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10166.007875/2003-54
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 202-00.802
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o DI. Spencer Daltro de
Miranda Filho. O Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia - DF, em 0.1 I /~~ &ii:.~ RESOLUÇÃO N° 202-00.802 Secretária da Segunda Câmara Segundo Conselho de COIltribuintes!MF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS SIA - ELETROBRÁS. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o DI. Spencer Daltro de Miranda Filho. O Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski declarou-se impedido de votar' Sffia/d~ sesoo.es,~ 2 de abril de 2005 /~~!ltuj .Nrít~s Atunm Presidente I\t iranda Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Maria Cristina Roza da Costa, Raimar da Silva Aguiar e Antonio ZomeI. I Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10166.007875/2003-54 125.513 CONFERE COM 080~G~~Ç Brasília - DF, em 1 1 ~1rJ~ Secretária da Segunda Câmara Segundo Conselho de COJitribuintes!MF ~bd Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A - ELETROBRÁS RELATÓRIO Do Auto de Infração de fls. 13 a 16 e a bem parcialmente relatar a discussão destes autos, destaco: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigâções tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001-COFINS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO/PAGO - COFINS (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Em 16.12.2002, iniciou-se a ação fiscal nas Centrais Elétricas Brasileiras S/A - determinando o Mandado de Procedimento Fiscal a verificação da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados, pelo sujeito passivo em sua escrita contábil efiscal em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos 05 (cinco) anos, (fls. 17). Em 17.03.2003, intimou-se a Fiscalizada a apresentar Quadro Demonstrativo Analítico da Receita Bruta às Receitas consideradas isentas e como outras exclusões nas DIP J, na apuração mensal da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, (fls. 21 a 52). Em 13.06.2003, expediu-se intimação à Empresa com vista a esclarecer os fundamentos legais para as exclusões diferenciadas na apuração da base de cálculo da COFINS em relação ao PIS/PASEP, registradas no seu Quadro Demonstrativo Analítico da Receita Bruta às Receitas consideradas isentas e como outras exclusões na apuração mensal dejan/1998 a nov/2002, (fls. 53). Em 24.06.2003, pelo expediente CTA-PRB-0154/2003, a ELETROBMS justifica-se para as exclusões praticadas na determinação da base de cálculo da COFINS reproduzindo parte do artigo XIL alínea ub" do Tratado Brasil-Paraguai, objeto do Decreto Legislativo n. 23, de 30.05.73: - "não aplicarão impostos, taxas e empréstimos compulsórios, de qualquer natureza, sobre os materiais e equipamentos que a ITAIPU adquira em qualquer dos dois países ou importe de um terceiro país, para utilizá-los nos trabalhos de construção da central elétrica, seus acessórios e obras complementares, ou para incorporá-los à central elétrica, seus acessórios e obras complementares. Da mesma forma, não aplicarão impostos, taxas, e empréstimos compulsórios, de qualquer natureza, que incidam sobre as operações relativas a esses materiais e equipamentos, nas quais ITAIPU seja parte;" e citando também do Ato Declaratório n. 147, de 29.07.94, do Coordenador-Geral do Sistema de Tributação " - Declara: 2 - Não incide a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social-COFINS, instituída pela Lei Complementar n. 70, de 30.12.91, sobre o faturamento proveniente da venda de materiais e equipamentos, bem como da prestação de serviços decorrentes dessas operações, desde que efetuadas diretamente à Itaipu 2 Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo' Conselho de Contribuintes 10166.007875/2003-54 125.513 CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia - DF, em -;g 1 6 12~ ~ ~~ Sccrctâria da ~. Câmara Segundo Conselho de Corrtribuintes!MF ~ld Binacional."; e finalmente o teor do artigo único do Ato Declaratório SRF n. 74 de 10.08.99, - "Não incidem as contribuições de que trata o art. 2 o da Lei n. 9. 718, de 27.11.98, sobre o faturamento correspondente a vendas de materiais e equipamentos, bem assim da prestação de serviços decorrentes dessas operações, efetuadas diretamente à Itaipu Binacional. ", fls. (54 a 64). Cabe registrar que as receitas obtidas pela Empresa não são vinculadas a operações abrangidas pela natureza daquelas inseridas no contexto dos atos citados anteriormente conforme se apurou das informações prestadas pela ELETROBRAs, (fls. 26 a 30 e 63, 64). Assim, o crédito tributário apurado emfavor da Fazenda Nacionalfundamentou-se no artigo 30 da Lei n. 9.718, que estabelece: ... Dessa forma, constatou-se nesta verificação serem indevidas as exclusões da base de cálculo para a COFINS, feitas das Receitas de Financiamentos, Empréstimos e Repasses à Itaipu, Receitas de Variação Cambial Itaipu Binacional, por não se tratarem de vendas de materiais e equipamentos, bem assim da prestação de serviços decorrentes dessas operações, efetuadas diretamente à Itaipu Binacional, conforme o estabelecido pela Lei n. 9.718/98 e no Ato Declaratório SRF n. 74/99, .... " A interessada, com -sua tempestiva impugnação de fls. 69 e seguintes, argumenta em apertada síntese que: (i) excluiu da base de cálculo as receitas originárias de contratos financeiros celebrados com Itaipu Binacional com respaldo em cláusula do Tratado Brasil-Paraguai, objeto do Decreto Legislativo n° 23/73; (ii) o Parecer FC-27 do Consultor Geral da República (D.O.V. de 13.3.1990) reconhece a não incidência das contribuições à COFINS e ao PIS/Pasep sobre as operações realizadas diretamente à Itaipu; (iii) é evidente a não incidência das contribuições sobre as receitas originárias das operações financeiras contratadas por Itaipu, porquanto se exigidas atingirão diretamente a entidade binacional, onerando-se através do fenômeno da repercussão dos ônus financeiros dessas contribuições, o que a cláusula mencionada em (i) busca evitar, pois é cediço que nas operações de crédito, as instituições financeiras e demais pessoas jurídicas que emprestam seu capital a terceiros e transferem para os tomadores dos empréstimos todos os gravames incidentes sobre os juros e as comissões recebidas; e (iv) as variações monetárias ativas (variações cambiais) decorrentes dos aludidos contratos não podem ser tributadas pela COFINS, pois aplica-se o princípio de que o acessório segue o principal. A Segunda Turma da DRJ em Brasília - DF, à unanimidade, julgou procedente o lançamento em Acórdão DRJ/BSA n° 7.838 (fls. 423 a 428) assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social- Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 30/1112002 Ementa: Base de Cálculo 3 Processo n° Recurso nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10166.007875/2003-54 125.513 CONFERE COM Q ORlGINAL_ Brasília - DF, em ~ / Ó / cà/.O~ ~~ Secretária da Segtmda Câmara Segundo Conselho de eontribuintesIMF .~ld A base de cálculo da contribuição é o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, entendida como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Isenção Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre a outorga de isenção. No caso, tanto o Tratado Brasil - Paraguai, quanto o Decreto Legislativo, não especificaram a contribuição social em referência como vedada à tributação. Lançamento Procedente Inconformada, a interessada maneja o apelo voluntário de fls. 441 e seguintes no qual, em apertada, síntese, repisa seus argumentos de impugnação à autuação levada a efeito, com promoção ~e arrolamento de bens. ~ E o relatório. ~ 4 Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10166.007875/2003-54 125.513 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília • DF, em g 1 t 12aJ')- cAJt~~ Secretária da Segunda Cimara Segundo Conselho de Con\ibuintesIMF ~.2ºCC-MF bJ converter o presente julgamento em competente apure, conclusiva e VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, daí conhecermos do presente apelo. Como relatado, trata':'se da exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, referente aos períodos de apuração compreendidos entre os meses de fevereiro/1999 e novembro/2002 (fls. 13 a 16). A Fiscalização, quando da autuação - confirmada pelo acórdão recorrido -, sustenta "serem indevidas as exclusões da base de cálculo para a COFINS, feitas das Receitas de Financiamento, Empréstimos e Repasses à Itaipu, Receitas de Variação Cambial Itaipu Binacional, por não se tratarem de vendas de materiais e equipamentos, bem assim da prestação de serviços decorrentes dessas operações, efetuadas diretamente à Itaipu Binacional, conforme estabelecido pela Lei n. 9.718/98 e no Ato Declaratório SRF n. 74/99.... " (fi. 15). Por seu turno, a recorrente argumenta que "os contratos de mútuo de moeda celebrados entre a ELETROBJUS e ITAIPU BINACIONAL estão abrangidos pelo conceito de "operações" desoneradas de tributos e contribuições, de que trata a Cláusula XII do Tratado BrasiL-, Paraguai"" estando, portanto, as receitas decorrentes desses contratos isentas da COFINS .... " (fi. 86). Analisando o que tudo mais consta dos autos, e em razão do acima exposto, verifica-se que nem a Fiscalização nem a recorrente esclareceram/demonstraram se efetivamente as tais "receitas" - oriundas que são de operações financeiras (empréstimos ou financimantos) realizadas pela ITAIPU BINACIONAL e ELETROBRÁS -, foram efetivamente destinadas às aquisições de materiais, equipamentos e serviços para consecução das obras da Usina Hidrelétrica de Itaipu, seus acessórios, obras complementares e na própria Central Elétrica, a ponto de desonerá-las, in casu, da incidência da COFINS. Diante do exposto, voto no sentido de diligência para que a autoridade administrativa detalhadamente, se: (i) os numerários repassados, pela recorrente - com a necessária análise de sua escrita fiscal -, em face dos contratos financeiros firmados (contratos de mútuo de moeda - empréstimos ou financiamentos), efetivamente foram destinados de forma exclusiva para a construção, implantação e incorporação do empreendimento denominado Usina Hidrelétrica de Itaipu; e, (ii) em caso afirmativo, para que se recalcule o montante supostamente devido a título de COFINS, em face da necessária desoneração que deve ser observada a essas 'receitas' (isenção), o que também deverá se estender ",.àsrespectivas variações cambiais delas provenientes. 5 final Após efetivamente atendidos os quesitos acima, bem como elaborado o relatório de diligência, conceda-se prazo hábil à recorrente para sobre o aludido expediente se '\x ~ . ' Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda S'egundo Conselho de Contribuintes 10166.007875/2003-54 125.513 CONFERE COM O ORlGINAL_ Brasilia - DF, em -g 1 6 12aJS ~1rJ~ Secretária da Segimda Câmara Segundo Conselho de eontribuintesIMF ~.2QCC-MF bJ manifestar, sem prejuízo dos esclarecimentos que entender a Fiscalização de utilidade para o deslinde da presente contenda. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de abril de 2005 DA~. 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 11075.000894/2006-84
Data da sessão: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3101-000.145
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10880.720927/2006-59
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.315
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausências justificadas de Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “NESTLÉ BRASIL LTDA, empresa acima identificada, ingressou com PER/DCOMP 04007.62079.150404.1.7.575540, em 15/04/04 (fls. 03/06), com o objetivo de compensar débito de COFINS, no valor de R$ Fl. 250DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720927/200659 Resolução n.º 3201000.315 S3C2T1 Fl. 2 2 14.884.377,31, período de apuração 03/04, com crédito no montante de R$ 39.042.522,03 controlado no processo nº 13804.008966/200251. A DERAT/DIORT/EQITD proferiu Despacho Decisório de fls. 74/76, em 15/12/08, ciência em 11/03/09 (fl. 77v), por intermédio do qual não homologou a DCOMP apresentada. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 78/91, em 03/04/09, alegando em síntese: 3.1.em 11/12/02 ingressou com pedido de restituição de FINSOCIAL recolhido a maior (processo 13804.008966/200251), no período de 09/89 a 10/91, no valor de R$ 35.918.638,01, montante retificado para R$ 40.521.738,02; 3.2.o crédito decorreria de decisão judicial transitada em julgado em 21/08/97; 3.3.ao proceder aos cálculos do crédito que lhe fora deferido, o fez pelos índices indevidos (BTNf e FAP) ao passo que o correto seria utilizar o IPC, o INPC, que substituiu o IPC, a UFIR e a taxa Selic; 3.4.o pedido de restituição decorreria dessa inexatidão na apuração do crédito; 3.5.não foi analisado o mérito da DCOMP; 3.6.pretende ver reconhecido o direito aos expurgos inflacionários, tal como se depreende da Norma de Execução Conjunta nº 08/97, decisões administrativas e reconhecido pelo Poder Judiciário: janeiro/89 (42,72%), fevereiro/89 (10,14%), março/90 (84,32%), abril/90 (44,80%) e maio/90 (7,87%); 3.7.quanto à aplicação dos expurgos inflacionários já há orientação neste sentido da Justiça Federal, AGU e Memorando da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional orientando os procuradores a não recorrer nos processos judiciais que abordem esta matéria; 3.8.cita Parecer AGU/MF nº 01/96 e Memo Circular/PGFN/CRJ nº135/98; 3.9.nos termos do parágrafo 5º do artigo 66 da INSRF nº 900/08 o débito em tela deverá ter sua exigibilidade suspensa; 3.10.requer a reforma do despacho decisório e a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados até decisão final. É o relatório.” Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720927/200659 Resolução n.º 3201000.315 S3C2T1 Fl. 3 3 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPOI no 1622.452, de 13/08/2009, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 DCOMP. Não deve ser homologada a compensação relacionada a crédito cuja liquidez e certeza não possa ser determinada. RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. O prazo para que o contribuinte requeira na esfera administrativa a restituição de valores reconhecidos pelo Poder Judiciário se esvai em cinco anos a contar do trânsito em julgado. RESTITUIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. O montante a ser restituído deve ser corrigido de acordo com a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08 de 27/06/97, exceto se o Poder Judiciário determinar forma de correção diversa. RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Inexiste previsão legal para a aplicação dos expurgos inflacionários ao montante a ser restituído. Estes expurgos somente poderiam ser aplicados se houvesse provimento judicial neste sentido. Solicitação Indeferida” O julgamento foi no sentido de indeferir a solicitação do contribuinte e não homologar a compensação pleiteada. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. VOTO Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de compensação, em 15/04/04, de débito de COFINS, no valor de R$ 14.884.377,31; com crédito de FINSOCIAL no montante de R$ 39.042.522,03 controlado no processo nº 13804.008966/200251. O crédito decorreria de decisão judicial transitada em julgado em 21/08/97. No entanto, o processo de nº 13804.008966/200251, protocolizado em 11/12/2002, já foi objeto de pedido de restituição, via administrativa. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.720927/200659 Resolução n.º 3201000.315 S3C2T1 Fl. 4 4 Na ação judicial houve o reconhecimento do direito da recorrente de pedir restituição/compensação dos valores recolhidos a título de FINSOCIAL calculados à alíquota superior a 0,5%, com a devida correção monetária, nos termos legais. O referido processo foi proferido acórdão que dispôs que a contagem do prazo para o pedido de restituição teria início a partir da data da publicação da MP n° 1.110/95. Em sede de embargos de declaração, a primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes retificou o acórdão embargado para determinar que o prazo para requerer o indébito tributário teria início em 12/06/1998, data da publicação da MP 1.62136/98. Em consulta ao sítio do COMPROT (acompanhamento de processos), observei que o processo após a CSRF, foi movimentado, em 09/12/2010 para o arquivo geral da SAMFSP. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para: ao órgão de origem, para desarquivamento do processo de nº 13804.008966/200251 e anexar cópia (integral) do mesmo a este; bem como, a cópia de toda sentença transitada em julgado (possivelmente deve constar no processo acima, o que deve ser verificado). Realizada a diligência, deverá ser dada ciência ao recorrente desta demanda, assim como a PGFN. Por fim, devem os autos retornar a esta Conselheira para prosseguimento no julgamento. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007218/2008-39
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - 1P1
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
O texto do art, 11 da Lei n° 9.779/99 é taxativo em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes da industrialização e não da revenda de produtos.
DECLARAÇÃO DF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de restituição/Declaração de Compensação (Per/Deomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.712
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - 1P1 Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. O texto do art, 11 da Lei n° 9.779/99 é taxativo em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes da industrialização e não da revenda de produtos. DECLARAÇÃO DF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de restituição/Declaração de Compensação (Per/Deomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Voluntário Negado.
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DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - 1P1 Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL.. IMPOSSIBILIDADE. O texto do art, 11 da Lei n° 9.779/99 é taxativo em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes da industrialização e não da revenda de produtos., DECLARAÇÃO DF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Deomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. . / 'C ,, ,, i ,,, 2 Rodrigo da Cpsta Possas — Presidente 11 'In .‘ 4-1/0 illi :, nnifo Lisboa C. • rdo o — R-. ator ' EDITADO EM: 07/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Relator) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da Turma). Relatório Cuida-se de recurso em face do Acórdão de fls. 147/153, em face do acórdão da DRI-P0A/RS, que não reconheceu direito ao ressarcimento do IPI, relativamente ao 3° trimestre de 2007, e não homologou as compensações declaradas a seguir ementado: "ASSUNTO . IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: ESTABELECIMENTO IMPORTADOR DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE DÁ SAÍDA A ESSES PRODUTOS. -.ãOUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO IPI PAGO NO DESEMBARAÇO ADUANEIRO, DESCABIMENTO O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira equipara-se a estabelecimento industrial, ao dar saída a esses produtos, com suspensão indevida do IPI, não tem direito ao ressarcimento do imposto pago no desembaraço aduaneiro. Manifestação de IncoirfOrmidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Segundo a decisão recorrida, o indeferimento do pedido de ressarcimento e a conseqüente não homologação das compensações ocorreu em virtude de os créditos do IPI constantes da escrita fiscal do interessado decorrem do imposto pago no desembaraço aduaneiro de embalagens por ele importadas, créditos que se prestam exclusivamente para dedução do IPI que é devido na saída dos mesmos produtos, não sendo passíveis de ressarcimento. Consta também que a recorrente importa embalagens e as revende, efetuando, em alguns casos, impressões gráficas nessas embalagens, operações insuficientes para caracterizar industrialização. Conforme Termo de Constatação Fiscal, fis,, lavrado pela fiscalização, não há quaisquer indícios na área útil do estabelecimento capazel ça, e caracterizar as operações por ele realizadas como sendo de industrialização, na forma doAdiposto no art 4' do Decreto a' 4,544, de 26 de dezembro de 2002, concluindo que: 3 Processo n" 11020.007218/2008-39 S3-C3T1 Acórdão ri " 3301- Fl. 213 a) o estabelecimento dedica-se a revenda de mercadorias (embalagens) adquiridas no mercado externo; b) o estabelecimento não realiza operações que possam caracterizar' industrialização, conforme disposto no art.. 4° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 7009; c) o estabelecimento se inclui dentre os EQUIPARADOS A INDUSTRIAL, Cientificada em 1.3/11/2009 (AR — fl. 155), a recorrente apresentou o recurso voluntário de fls. 156 e seguintes, cru 14/12/2009, reiterando os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade, alegando em síntese: a) que se dedica, basicamente, à industrialização de estojos para ovos, conforme disposto no objeto social constante do contrato social, cláusula 2,00, que não realiza apenas revenda de embalagens no mercado interno; mas realiza dentro de seu estabelecimento a fabricação de embalagens de material plástico, sendo que sua atividade de industrialização consiste no processo de coneção de deformações, melhora no acabamento e impressão gráfica nos estojos para ovos, caracterizando a industrialização prevista no art. 4', inciso IV, do RIPI/98, fazendo jus ao beneficio, como estabelecimento industrial, b) que, pelo fato de ser estabelecimento industrial, deu saída dos produtos de seu estabelecimento, com suspensão do IPI, com base na Lei n° 10.637/02, o que acarretou, em determinados períodos, saldo credor de IPI, em razão destas operações de saída, c) que, na forma da Lei 9379/99, têm direito às compensações pleiteadas, considerando equívoco o enquadramento dado ao seu estabelecimento como equiparado a industrial. Cita decisões administrativas que entende serem aplicáveis ao caso concreto. Por fim, requer a suspensão da exigibilidade do crédito, o reconhecimento de seu estabelecimento como executor de atividade industrial e a homologação das compensações pleiteadas. É o Relatório Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI pagos na importação de mercadorias sob o argumento de que se trata de compras para fabricação de embalagens de material p.tatico que consiste no processo de correção de deformações, melhora no acabamento e imptão gráfica daquelas mercadorias, cumulado com declaração de compensação. De acordo com o contrato social, a recorrente tem o seguinte objeto social: "Cláusula..2; 00 Constitui objeto da sociedade , a • industrialização, a importação, exportação, comercialização e distribuição de produtos plásticos e celulose em geral Desta forma, a atividade econômica desenvolvida pela recorrente, consiste na importação de embalagens (estojos) plásticos/papelão para acondicionamento de ovos ia natura e revenda no mercado interno, sendo que, para alguns clientes, realiza, sob encomenda, impressões gráficas, tais corno nome, marca, classificação dos produtos, etc., as quais, não se caracterizam corno processo de industrialização, Os produtos importados e revendidos, estojos de plástico/papelão para acondicionamento de ovos, com exceção da impressão gráfica em algumas embalagens, efetuada sob encomenda, não sofrem quaisquer das ações elencadas no RIPI/2002, art. 4, caput e incisos, senão vejamos, in verbis; "Art. 4" Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n" 4502, de 1964, art 3", parágralb único, e Lei n" 5 172, de 25 de outubro de 1966, art 46, parágrafo único). I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (trailfbrinação),- li - a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer .forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III - a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autónoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem), IV - a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V - a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágralb único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados." O simples fato de o estabelecimento adquirente/revendedor das embalagens colocar rotulagem, marcação, impressão gráfica com indicação do produto, ou indicação da granja, não o transforma em estabelecimento industrial nos moldes preconizados pelo Regulamento do [PI. Conforme bem registróú'o acórdão recorrido, constituem provas inequívocas de que a recorrente não exerce atividade Meiustrial: c) d) e) Processo n" 11020.007218/2008-39 S3-C3T1 Acórdão n " 3301- Fl 214 as rubricas e valores constantes das Declarações do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica — DIPJ — relativas aos anos-calendário de 1999 a 2007, constam que ela declarou que sempre atuou no ramo de importação e revenda de embalagens no mercado interno; b) quase totalidade das aquisições da empresa se classifica como entradas do mercado externo; os insumos/mercadorias que ingressam no estabelecimento são os mesmos que dele é promovida a saída; o custo da empresa se concentra em "custo das mercadorias revendidas (CMV) — compras de mercadorias a prazo"; inexistência de custo de fabricação própria; a alocação da despesa com pessoal e dos encargos de depreciação exclusivamente como despesas operacionais e não como custos de fabricação, e ainda, o ativo imobilizado é incompatível com a existência de um parque fabril que produza embalagens.. Também, o fato de a recorrente estar cadastrada na SRF sob o código o Código Nacional de Atividade Econômica — CNAE, industria de transformação, de ter livro de apuração de IPI, efetuar pagamento desse imposto, estar registrada na Junta Comercial como indústria e, ainda, nos órgãos de classe, não comprova que a atividade de importação e rotulagem de estojos de plástico e/ ou papelão revendidos no mercado interno é de industrialização nos termos definidos pelo RIPI12002, art. 4". A industrialização de produtos é caracterizada pela atividade exercida para a sua fabricação. Uma empresa pode ter como atividade a industrialização e não exercer tal atividade. Inexiste impedimento legal ao registro nos órgãos públicos de atividades que, embora previstas nos estatutos e/ ou contratos sociais das pessoas jurídicas, de fato, não venha ser exercida por ela. Também, o fato de pagar IPI não caracteriza a atividade exercida por ela como de industrialização. O pagamento efetuado por ela decorre de seu enquadramento como estabelecimento equiparado a industrial pela importação dos produtos que revende. O RIPI assim dispõe quanto à equiparação industrial para efeito de pagamento desse imposto: "Art. 9" Equiparam-se a estabelecimento industrial- )" - os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei n" 4 502, de 1964, art. 4", Meã() Art. 34. 7024erador do imposto é (Lei n° 4.502, de 1964, art. 2°).. a) I - o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, ou II - a _salda de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a indusn ia! Conforme demonstrado e a própria recorrente reconhece, ela importa e dá saída a produtos de procedência estrangeira. Daí sua condição de estabelecimento equiparado a industrial e contribuinte do IP1, O ressarcimento de 1P1 está regulamentado pela Lei n° 9379, de 19/01/1999, que assim dispõe: "Art. /1 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à ai/quota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na salda de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts, 73 e 74 da Lei IP 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda Em cumprimento ao comando determinado neste dispositivo legal, a Secretaria da Receita Federal (SRF) expediu a IN n° 210, de 30/09/2002, que assim dispunha, ia verbis: "Ari, 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (1P1), escrituradas na , forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saldas de produtos tributados. § 1" Os créditos do IPI que, ao .final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos rio IPI, caso se refiram I - créditos presumidos do IP1, como ressarcimento das coai, ibuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de .Formação do Patrimônio rio Servidor Público (P1S/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofias), previstos na Lei n" 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei n" 10.276, de 10 de setembro de 2001; - créditos decorrentes de estímulos ,fiscais na área do IPI a que se refere o art. 10 da Portaria MF n" 134, de 18 de fevereiro de 199 7, e 111 — créditos d9yPI passíveis de trans.ferência a filial atacadista nos ternasy do item 6 da IN SRF n" 87/89, de 21 de agosto de 1989.. (P-- 6L Processo n" I 1020 007218/2008-39 S3-01.1 Acórdão n " 3301- F1 215 Ç7 " Remanescendo, ao final de cada trhnestre-calendário, créditos do IPI 1.2assíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o capta e o § I", o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizá-los na . lbrina prevista no art. .21 desta Instrução Normativa. §3" São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se relére o inciso 1 do §I", apurados no trimestre-calendário, exchtído.s os valores recebidos por transferência da matriz e os créditos relativos a entradas de matérias-pré/tias, produto intermediário e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre calendário Conforme se verifica destes dispositivos, o ressarcimento está restringido aos casos de saldo credor, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização e não a produtos de revenda. O estabelecimento equiparado a industrial não tem direito ao ressarcimento pelo fato de ele não ter agregado insumos ao produto adquirido e vendido por ele. Assim, todo o imposto pago na aquisição foi repassado para o adquirente dos respectivos produtos. Houve apenas uma operação comercial típica de compra e revenda de mercadoria,. Em razão da pertinência e similaridade com o presente caso, peço vênia para citar o acórdão n° 20.2- l 8522, datado de 2007, de relatoria da ilustre Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, da 2" Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou o recurso do contribuinte no qual pleiteava o ressarcimento do saldo credor do imposto, na condição de equiparado a estabelecimento industrial, sob a seguinte ementa: 'RESSARCIMENTO, ESTABELECIMENTO EQUIPARADO INDUSTRIAL IMPOSSIBILIDADE, O texto do art. 1] da Lei n'i 9,779/99 é taxativo em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes da industrialização e não da revenda de produtos. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Mentimos da SEGUNDA CAMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Fez sustentação oral o Dr. José Márcio Diniz Filho, OAB/MG n" 90.5.27, advogado da recorrente. ) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gnstavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Ps.nttinToNLisboa-Cdrdõs Zamer, Ivan Allegretti (Suplente), António Lisboa Cardoso e Maria Teresa 11{.fartíner López." Assim, não há que se falar em ressarcimento do saldo credor do 1P1 ora reclamado. Quanto à compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a transmissão de pedido de ressarcimento/declaração de compensação (Per/Dcomp), bem como a extinção dos débitos fiscais declarados, a Lei n" 9,430, de 27/12/1996, art.. 74, assim dispõe, que a compensação, mediante a transmissão de Per/Dcomps pelo contribuinte, assim como a sua homologação, está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financefirOs declarados. Em face do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. a
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Numero do processo: 10840.909296/2009-34
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1001-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta verifique a idoneidade da documentação, anexada ao Recurso Voluntário e, com base neste exame, se suficiente, que valide (ou não) o crédito pleiteado pela recorrente, nos termos do art. 170, do CTN, notificando a recorrente, caso necessite de outras provas ou esclarecimentos.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta verifique a idoneidade da documentação, anexada ao Recurso Voluntário e, com base neste exame, se suficiente, que valide (ou não) o crédito pleiteado pela recorrente, nos termos do art. 170, do CTN, notificando a recorrente, caso necessite de outras provas ou esclarecimentos. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 14 40.010, da 6ª Turma da DRJ/RPO, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o pedido de compensação declarado através de PER/DCOMP n° 01631.58942.311008.1.3.040294. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 09 29 6/ 20 09 -3 4 Fl. 132DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.909296/200934 Resolução nº 1001000.271 S1C0T1 Fl. 91 2 A ora recorrente, irresignada. apresentou sua manifestação de inconformidade onde alegou que: A empresa Simex Simioni Importadora e Exportadora, situada na Av. Marginal Antonio Waldir Martinelli n. 3013 Sala 01, CNPJ n. 05.461.642/000101, vem esclarecer sobre despacho decisório referente nº. de Rastreamento: 848717432 nº do Processo de Crédito: 10840909.296/200934. Em outubro/2008, foi apurado o IRPJ trimestral e constatou que não foi incluído o IRRF de Aplicação Financeira. Refazendo todos os cálculos e constatou que teria que recolher a diferença. Porém em 31/10/2008, foi feita perdcomp dessas diferenças. Em 13/11/2008 foram retificadas as DCTF do 1º e 2º semestre de 2008, adicionando as compensações, conforme Perdcomp de 31/10/2008. Com o despacho decisório do dia 13/08/2009, a Perdcomp nº 07681.97266.300709.1.7.049251 não foi admitido. Após analise das Perdcomp, foi constato que houve falha na sua elaboração, logo no dia 05/10/2009 foi feito um pedido de cancelamento da Perdcomp incorreta, conforme nº de recibo: 01631.58942.311008.1.3.040294.. Como a empresa obteve, IRRF sobre Aplicação Financeira conforme demonstrativo e extratos bancários em anexo. Concluise que tais retenções não haviam sido deduzidas dos débitos gerados conforme DIPJ do ano calendário 2008. No dia 08/10/2009, foi retificada a DIPJ ano calendário 2008, declarando os IRRF de aplicação financeira, ocasionando redução do imposto a recolher. No dia 08/10/2009 foi retificada a DCTF do 1º semestre de 2008, eliminando as compensações feitas nas perdcomps anteriores e declarando o imposto correto a recolher. A partir daí, houve vários pedidos de compensação, retificações de DCTF e cancelamento de PER/DCOMP. A DRJ negou provimento alegando, em apertada síntese que a ora recorrente deveria ter instruído a manifestação de inconformidade com os documentos que respaldassem as suas afirmações , consoante o disposto nos artigos 15 e 16, do Decreto 70.235/72 e que a ela cabe o ônus da prova, nos termos do artigo 333, do Código de Processo Civil CPC. Menciona que a escrituração contábil, mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte (art. 923, do RIR/99) e, ainda que, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado (artigo 45 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995). Continua: No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, apresentou apenas partes de extratos bancários que refletiriam valores de retenção na fonte, plenamente insuficiente a comprovar o direito alegado. No que diz respeito à DCTF retificadora, o valor declarado referese ao mesmo valor da DCTF original, estando portanto o pagamento informado como origem do crédito integralmente vinculado a um débito declarado pela interessado, conforme pode ser visto na tela de controle do sistema DCTF, ora anexada. Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.909296/200934 Resolução nº 1001000.271 S1C0T1 Fl. 92 3 manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Cita decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ, neste sentido e conclui não ter sido comprovada a existência dos direitos creditórios, no tocante à liquidez e certeza (art. 170, do Código Tributário Nacional CTN). Cientificada em 13/02/2013 (fl 59), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 14/03/2013 (fl 60). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, portanto dele eu conheço. A recorrente apresenta uma preliminar que mais representa um pedido de análise dos fatos. Em apertada síntese, a reitera os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, os quais resumo: Em 31/10/2008, foi feita Perdcomp n° 016315.8942.311008.13.040294, originando de um credito de pgto a maior do Darf 2089 no valor de R$ 255.830,38. Compensando o debito apurado de 25.099,04. Em 05/10/2009, foi feito pedido de cancelamento da mesma. Com o recebimento do Despacho Descisorio n° 852733913, não foi admitido esse pedido. Havendo um saldo devedor de R$25.099,04. Após analise, constatou falha na elaboração da Perdcomp e dos cálculos do imposto da empresa. Na DIPJ 2009/2008 de 08/10/2009 em anexo e como pode notar na FICHA 14A item 25 e 27, foi apurado R$285.853,42 com a dedução (item 28) de IRRF ( informado em extrato bancário e razão contábil do período) o saldo a recolher é de R$265.653,72. Sendo que perante o DARF recolhido dia 31/07/2008, código 2089 é de R$255.830,38, tendo um saldo devedor de R$9.823,34. Do qual foi compensado na perdcomp n° 31482.28968. 081009.1.3.046149 para compensar um debito de IRPJ do 2o trimestre de 2008 no valor de R$ 2.823,34, e o restante no valor de R$ 7.000,00 foi compensado na perdcomp n° 03113.76430.081009.1.3.022484, originando seu credito de saldo negativo de 2007. Anexa ao recurso (denominado, outra vez, de manifestação de inconformidade), além da DIPJ (original e retificadora) e DARF, os seguintes documentos: · Extratos Bancário Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.909296/200934 Resolução nº 1001000.271 S1C0T1 Fl. 93 4 · Fonte Pagadora emitida pelo eCAC Receita Federal · Razão contábil da conta Imposto a Recuperar no ano 2008 Inicialmente, relava ressaltar, o que dispõe o parágrafo 3°, ao artigo 9°, da IN RFB 1.110/2010, in verbis: § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração.(grifei). A decisão da RJ levou em consideração, acertadamente, o que dispõe a IN, acima transcrita. Quanto ao mérito, em si, cabe mencionar que consoante o artigo 170, do Código Tributário Nacional, a certeza e a liquidez do crédito são condições sine qua non para a Fazenda autorizar a sua compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifei) A recorrente anexou ao recurso os documentos contábeis e comprovantes de escrituração, os quais, evidentemente, não foram submetidos ao exame da DRF. Entendo que, levandose em conta o princípio da verdade material, as provas apresentadas devem ser aceitas em qualquer fase do processo, ou seja, a ampla possibilidade de produção de provas, no curso do Processo Administrativo Tributário, ratifica a legitimação dos princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material. Observandose exatamente este princípio, proponho a conversão do julgamento em diligência à Unidade de Origem para que esta verifique a idoneidade da documentação, anexada ao Recurso Voluntário (listada no corpo deste relatório) e, com base neste exame, se suficiente, que valide (ou não) o crédito pleiteado pela recorrente, nos termos do art. 170, do CTN, notificando a recorrente, caso necessite de outras provas ou esclarecimentos. Deverá ser elaborado um relatório fiscal conclusivo e encaminhado a este CARF para continuidade do julgamento. A recorrente deverá ser notificada desta decisão. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10140.722267/2011-71
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 9202-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à DIPRO/COJUL, para devolução à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício),
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-21T21:30:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-02-21T21:30:22Z; Last-Modified: 2020-02-21T21:30:22Z; dcterms:modified: 2020-02-21T21:30:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-02-21T21:30:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-21T21:30:22Z; meta:save-date: 2020-02-21T21:30:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-21T21:30:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-02-21T21:30:22Z; created: 2020-02-21T21:30:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2020-02-21T21:30:22Z; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-21T21:30:22Z | Conteúdo => 00 CCSSRRFF--TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10140.722267/2011-71 RReeccuurrssoo Especial do Contribuinte RReessoolluuççããoo nnºº 9202-000.235 – CSRF / 2ª Turma SSeessssããoo ddee 17 de dezembro de 2019 AAssssuunnttoo DILIGÊNCIA RReeccoorrrreennttee PAULO TADEU HAENDCHEN ADVOGADOS ASSOCIADOS IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à DIPRO/COJUL, para devolução à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 2402-003.821, proferido na Sessão de 19 de novembro de 2013, integrado pelo Acórdão de Embargos nº 2402-004.154, proferido na Sessão de 16 de julho de 2014. O Recurso Voluntário deu provimento ao recurso, conforme o seguinte dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 22 26 7/ 20 11 -7 1 Fl. 765DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 9202-000.235 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10140.722267/2011-71 Quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da sociedade simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados. O rateio dos lucros auferidos é de livre disposição pelos sócios da pessoa jurídica. Uma vez previsto no estatuto ou contrato social e comprovado na escrituração contábil, somente se procede a desconsideração dos métodos eleitos em caso de comprovada simulação ou fraude. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos, proferindo-se o Acórdão de Embargos nº 2402-004.154, que alterou o resultado do julgamento para “negar provimento ao recurso”. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES. Quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da sociedade simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados. O rateio dos lucros auferidos é de livre disposição pelos sócios da pessoa jurídica. Devem prevalecer as estipulações previstas no estatuto, contrato social e suas alterações. Segundo o despacho de admissibilidade, o recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Participação nos Lucros e Resultados – Cláusula de proporcionalidade das quotas. Em exame preliminar de admissibilidade o Presidente da Câmara de origem deu seguimento ao apelo. Em suas razões recursais a contribuinte aduz, em síntese, de que não deve prosperar a teses esposada pelo recorrido, de que, com base no art. 12, V, “f”, da Lei nº 8.212, de 1.991 e na Cláusula Décima Segunda do Contrato Social da Recorrente e que, no caso, os sócios teriam recebido remuneração em decorrência do trabalho na empresa, revestindo-se na condição de segurados obrigatórios; que com isso o Acórdão Recorrido admitiu a criação de novo fato gerador, o que somente poderia ser implementado por lei, e deixou de observar a alínea “j”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1.991; que o que se tem configurado é a distribuição de lucros dos sócios da Recorrente, situação que não se enquadra na hipótese de incidência da contribuição previdenciária; que o conceito de lucro não se confunde com o conceito de salário; que a Recorrente não se reveste na condição de contribuinte individual e nem seus sócios a condição de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões nas quais propugna pela manutenção do Recorrido com base, em síntese, nos seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator Compulsando o Recurso Especial verifiquei que o contribuinte refere-se a três matérias, além de fazer duas arguições de nulidade do Acórdão Recorrido. O contribuinte pede a nulidade do Recorrido por alegado julgamento extra petita; e pede a nulidade do recorrido por falta de intimação da embargada para responder aos embargos de declaração. Sobre as matérias que diz haver divergência, reproduzo a seguir trecho pertinente da peça recursal: Fl. 766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 9202-000.235 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10140.722267/2011-71 No que concerne às matérias objeto do presente Recurso Especial, quais são elas: - (a) desconsideração como distribuição de lucros dos valores rateados entre os sócios da sociedade simples de prestação de atividade profissional regulamentada, (b) desproporção entre os lucros auferidos em relação ao valor do capital subscrito, principalmente no critério adotado de rateio de acordo com a produção do sócio, sem correspondência ao percentual de quotas de capital da pessoa jurídica e (c) da desconsideração por parte da Fiscalização da discriminação contábil, feita pelo Recorrente dos valores correspondente a distribuição dos lucros, tais temas foram devidamente prequestionados pelo ora recorrente na impugnação e no seu Recurso Voluntário, podendo ser facilmente evidenciadas pela leitura das seguintes peças processuais (o que não significa que as discussões estão restritas às peças abaixo mencionadas); O Despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara de origem deu seguimento ao recurso em análise sumária em que afirmou a existência de similitude fática e de divergência de interpretação, sem, contudo, analisar, individualizadamente as matérias suscitadas pelo contribuinte e sem sequer explicitar qual(is) a(s) matéria(as) em relação à(às) qual(ais) estaria caracterizada a divergência. Nessas condições, sem antecipar qualquer juízo de valor sobre a admissibilidade do recurso quanto a essas matérias, entendo que o exame de admissibilidade deve ser complementado de forma a explicitar qual ou quais são as matérias objeto do recurso e sobre o atendimento ou não das condições de admissibilidade de cada uma delas, bem como, se pronunciar em sede de exame de admissibilidade, sobre as arguições de nulidade do recorrido. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DIPRO/COJUL, para devolução à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento. (Documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 767DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10711.002737/85-11
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 1986
Ementa: FALTA DE MERCADORIA IMPORTADA - Rejeitadas as preliminares de nulidade da decisão de primeiro grau e de ilegitimidade de parte passiva ao causam, levantadas pela re60rrente. In casu, inexigível a penalidade pecuniária, em face da denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138, do CTN.
No cálculo da exigência, na espécie, devem ser utilizados valores vigorantes na data da entrada da mercadoria no território nacional (arts. lº do Decreto-lei nº 37/66 e 19 do CTN) .
Numero da decisão: 302-30.900
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares
levantadas pela recorrente; no mérito, por maioria de votos,
quanto à penalidade, dar provimento para considerá-la excluída por denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN), vencido o Conselheiro Sálvio Medeiros Costa; e,também por maioria de votos, quanto ao cálculo do Imposto de Importação devido, dar provimento, vencidos os Conselheiros Levy Valéria de Oliveira, relator, Enrique Manuel Garbayo Guarida e Edwaldo Reis da Silva, que deram provimento parcial para considerar como data de referência a do conhecimento da falta ( protocolização da denúncia espontânea),e Sálvio Medeiros Oliveira que negou provimento, na forma do relatório e voto que passam a
integrar o presente julgado. Relator designado: Conselheiro Paulo
César de Ávila e Silva.
Nome do relator: LEVY VALERIO DE OLIVEIRA
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Q4 ....de ....deze.lliO-rdl> 198.6.. ACORDÃO N.•.}02.",3.(il....g.oO.. Recurson,'108.295 - Processo nº 10711/002737/85-11 RecorrenteAG£:NCIA MARÍTIMA LAURITS LACHlVIANNS/A Recorrid IRF - NO PORTO DO RIO DE JANEIRO FALTA DE MERCADORIA IMPORTADA - Rejeitadas as preliminares de nulidade da decisão de primeiro grau e de ilegitimidade de parte passiva ao'causam, levantadas pela re60rrente. In casu, inexigível a-penalidade pecuniária, em face da denún cia espontânea da infração, nos termos do art. 138,0,0 CTN~ No cálculo da exigência, na espécie, devem ser utilizados valores vigorantes na data da entrada da mercadoria no ter ritório nacional (arts. lºdo Decreto-lei nº 37/66 e 19 do CTN) . Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as prelimina- res levantadas pela recorrente; no mérito, por màioria de votos, ~uanto à penalidade, dar provimento para considerá-la excluída por denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN), vencido o Canse lheiro Sálvio Medeiros Costa; e,também por màtoria de v6tos, ~uanto ao cálculo do Imposto de Importação devido, dar provimento, vencidos os Conselheiros Levy Valéria de Oliveira, relator, Enri~ue Manuel Garbayo Guarida e Edwaldo Reis da Silva, ~ue deram provimento par- cial para considerar como data de referência a do conhecimento da falta (protocolização da denúncia espontânea),e Sálvio Medeiros CO2 ta, ~ue negou provimento, na forma do relatório e voto ~ue passam a integrar o presente julgado. Relator designado: Consélhéiro Paulo César de Ávila e Silva. PAULO C DE ~ALW1fsü CRACCO ezembro de 1986. - Presidente , I'E SILVA - Relator deslgnado - Procurador da Faz. Nacional v.v. ; ;, VISTO EM • SESSÃO DE: 2 9 JAN 1987 RECURSO DO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL: HOUVE RP/302-0.339 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes co~ selheiros: Ubaldo Campello Neto, Newton Paranhos e Luis Carlos Via- na de Vasconcelos .. , ,'. -2- SERViÇO PÚBLICO FEOERAL I l~-TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, SEGUNDA C~ RECORRENTE: AGtNCIA MARíTIMA LAURITS LACHMANN S/A Rec.l08,295 RECORRIDA: IRF - NO PORTO DO RIO DE JANEIRO Ac, 302-30,900 RELATOR DESIGNADO: PAULO CÉSAR DE ÁVILA E SILVA R E L A T Ó R I O , IReporto-me à Resolução nº 302-0.159/86, de D. 68, cujos re latório e voto leio em sessão, para ~ue integrem o presente. Em cumprimento à diligência re~uerida, a""repartição fez juntar os documentos de f. 13 a 86, ~ue leio em sessao. Dada vista à interessada, vem ela, a f. 91/92, insistir na tese da incompetência da signatária da decisão, por nao haver nos atos,expressamente, a possibilidade de subdelegação de competência. É o relatóri~ -3- Rec.108.295 Ac. 302-30.900 SERVIÇO PÚBl.1CO FEDERAL v O T O Com o cumprimento da diligên~ia formulada pela Resolução 302-0.159, verifica-se que existe uma delegação de competência para que o responsável pela Seção de Tributação exercite a~ atribuições de julgamento em primeira instância, pelo que rejeito a preliminar levantada sob este aspecto. Quanto à outra preliminar) de ilegitimidade de parte passi- va, já constitui matéria com jurisprudência mansa e pacífica nesta Câmara, razão que me leva a também rejeitá-la .. No mérito, quanto à aplicação da penalidade, entendenmosda mesma forma que o ilustre relator dos autos, que sobre este aspecto assim se pronuncia: "Coerente com votos anteriores, entendo que a multa é inexigível, em face da denúncia espontânea da infração, em 26/12/84 (proc. apenso), seguida do dep_ó:S;.i.to da impoE tância arbitrada (DARF de fls. 41), obedecidos, assim, os pressupostos do artigo 138 do Código Tributário Nacional." Finalmente; quando ~s faltas são apuradas em conferência fi nal de manifesto, surge a discussão sobre a data a ser adotada para cálculos dos tributos (dólar fiscal) e alíquotas. Em votos recentes, na câmara Superior de Recursos Fiscais e neste Colegiado, tenho defendido a ocorrência do fato gerador fi~ to no momento da importação, com fundamento na argumentação seguin- te. O fato gerador do imposto de importação é definido pelo ar tigo 19 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: "Art. 19 - O imposto, de competência da União, sobre a im- portação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no território nacional". A norma do Código é repetida pelo caput do art. lQ do De- creto-Lei nQ 37/66 que estabelece: "Art. lQ - O imposto de importação incide sobre a mercado- ria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no ter ritório naCional~ _. Rec.10S.295 Ac. 302-30.900 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL A hipótese de falta de mercadoria é tratada no parágrafo único do citado art. lº, ~ue estatue a figura do mesmo fato gerador, porém ficto, ao considerar ••. "entrada no território nacional, para efeito de ocorrência do fato gerador, a mercadoria ~ue constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autorida de aduaneira." De início, há de se estabelecer distinção entre a ocorrên- cia do fato gerador, definida na legislação antes citada, e o pro- cedimento do lançamento ~ue, embora prescrito no art. 142 do Código Tributário Nacional, pode até, por várias razões, nem vir a efeti- var-se. Por outro lado, o parágrafo único do art. 60, do Decreto- lei nº 37/66 prevê a obrigatoriedade do responsável por dano ou a- varia e por extravio "indeniz,ar a Fazenda Nacional do valor dos tri butos ~ue em conse~üência, deixaram de ser recolhidos". Ora os tri- butos recolhidos pelo importador foram calculados à base do dólar fiscal e alí~uotas vigentes no momento do registro da Declaração de I Importação. Outra não poderia ser a base de cálculo para a indeniza ção, pelo transportador, dos tributos não recolhidos em conse~üên- cia da falta. Resta, assim, o disposto no parágrafo único do art. 23, do Decreto-lei nº 37/66, como norma isolada e discrepante do entendi- mento estabelecido por legislação hiBrar~uicamente superior. "Art. 23 - (omissis) Parágrafo Único - no caso do parágrafo único do art. lº a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em ~ue a autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento". Mesmo admitindo-se a prevalência do art. 23, há ~ue se di~ tinguir os dois momentos de ~ue trata o parágrafo único: apuração da falta ou seu conhecimento pela autoridade aduaneira. Por ocasião da descarga do navio, as autoridades aduanei- ras recebem toda a documentação referente à carga e o confronto en- tre conhecimentos, manifestos e folhas de descarga já permite esta- belecer as faltas, danos ou avarias. O próprio desembaraço de parte -5- Rec.l08.295 Ac. 302-30.900 SERVIÇO PUBLICO fEDERAL da mercadoria, promovido pelo importador, permite às autoridades to- marem conhecimento da ocorrência de faltas. Estão, assim, configuradas as circunstâncias materiais a Que se refere o art. 116 do Código Tributário Nacional, para consi- derar ocorrido o fato gerador. O raciocínio Que considera a conferência final de manifes- to como o momento adeQuado para conhecimento oficial da falta, está em curso de colisão com o instituto da decadência quinQuenal (art. 150, ~ 4Q do CTN), uma vez que nenhum prazo é fixado para esta con- ferência. Transfere-se, assim, para o contribuinte, os ônus decor- rentes da inércia da repartição Que, dispondo dos elementos essen- ciais, nao procede ao lançamento. O próprio início do processo de apuração de falta de merca dorias implica na ocorrência anterior do fato gerador ficto descri- to no parágrafo único do art. lQ do Decreto-Lei nQ 37/66. Em abono, ainda, desta tese dispõem os artigos 143 e 144 do Código Tributário Nacional: "Art. 143 - Salvo disposição da lei em contrário, Quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento far~se-á sua conversão em moeda nacional aO câm bio do dia da ocorrência do fato gerador da Obrigação". "Art. 144 - O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação é rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Interpretar-se diferentemente o art. 23 é negar a possibi- lidade de reconciliá-lo com toda a legislação Que o circunscreve e admitir a criação, pela lei ordinária, de fa~o gerador, mesmo ficto, distinto do previsto no art. 19 do Código Tributário Nacional. Inaceitável, então, a partir de uma interpretação restriti va do malfadado art. 23 e de seu parágrafo único, submeter o contri buinte ao pagamento dos tributos calculados à taxa de câmbio e alí~ Quotas do momento em Que a repartição julgar mais oportuno promover seu lançamento. Inconcebível por fim que, para o fisco, o direito de efe- tivar o lançamento nasça no instante em Que o mesmo é exercido, nu- 5 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL numa revogaçao tácita do instituto da decadência. Isto posto, dou provimento ao recurso. r-0- Rec.l08.295 Ac. 302-30.900 Sala Relator designado -7- Rec.108.295 Ac. 302-30.900 SERVIço PúBLICO FEDERAL v O T O V E N C I D O Os documentos juntados a f. 73/86 demonstram, à saciedade, a competência para decidir, na espécie, da signatária da decisão re corrida. Não se trata de subdelegação de competência; na ausência' da titular, ela, como substituta-eventual, assume todos os poderes daquela. Preliminar de nulidade da decisão por mim rejeitada, por- tanto. Igualmente de rejeitar-se a preliminar.de ilegitimidade de parte passiva ad causam, tendo em vista a mansa jurisprudência des- te Conselho, roborada pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fis- cais, arrimada, principalmente, no artigo 95, inciso 11, do Decreto -lei nQ 37/66. No mérito. Coerente com votos anteriores, entendo que a multa é ine- xigível, em face da denúncia espontânea da infração, em 26/12/84 (proc. apenso), seguida do depósito da importância arbitrada (DARF de 41), obedecidos, assim, os pressupostos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Quanto à taxa de conversão da moeda estrangeira, para cál~ culo da exigência, aqui devem ser utilizados valores vigorantes em 26(12/84, data do conhecimento da falta (denúncia), em atendimento ao preconizado na ségunda das alternativas do parágrafo único do ar tigo 23, do Decreto-lei nQ 37/66. Isto exposto, rejeitadas as preliminares, dou provimento parcial ao recurso para ser excluída a multa da exigência e que es- ta seja calculada com valores vigorantes em 26/12/84. ..••.._--~ Sala das Sessões, e dezembro de 1986 . 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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