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Numero do processo: 10805.001401/2003-26
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
IPI. COMPENSAÇÃO DEVIDA. LANÇAMENTO.
Homologa-se a compensação de IPI com crédito tributário de IRRF, cujo pedido de restituição foi acolhido. Nesse contexto deve ser cancelado o lançamento de oficio do crédito tributário que exigia o IPI não recolhido.
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-001.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso e apresentará Declaração de Voto. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dra. Camila Abrunhosa Tapias, inscrita na OAB/SP sob o nº. 224.124.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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COMPENSAÇÃO DEVIDA. LANÇAMENTO. Homologase a compensação de IPI com crédito tributário de IRRF, cujo pedido de restituição foi acolhido. Nesse contexto deve ser cancelado o lançamento de oficio do crédito tributário que exigia o IPI não recolhido. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso e apresentará Declaração de Voto. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dra. Camila Abrunhosa Tapias, inscrita na OAB/SP sob o nº. 224.124. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 14 01 /2 00 3- 26 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10805.001401/200326 Acórdão n.º 2202001.926 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório A contribuinte, BRIDGESTONE DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, protocolizou pedido de restituição de IRRF e compensação com débitos de IPI, por meio do processo n° 10805.001364/9819. Tendo em vista o indeferimento do pleito pela DRF em Santo André, a fiscalização lavrou o auto de infração dos referidos débitos de IPI, consubstanciado neste processo n° 10805.001401/200326. Segundo a descrição dos fatos de fl. 80, e o Termo de Verificação Fiscal de fls.69/75, o estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento do IPI, ou efetuou a menor, no segundo e terceiro decêndio de julho de 1998, e no primeiro decêndio de agosto de 1998. Nestes períodos, a contribuinte compensou indevidamente os valores a serem recolhidos com IRRF a ser restituído. O pedido de restituição do IRRF foi indeferido no processo n° 10805.001364/9819, o qual estava apensado ao presente auto de infração. A contribuinte declarou os débitos de IPI, em DCTF, como sendo compensados com o referido IRRF, não restando saldo a pagar na DCTF. Considerase por isso, que os débitos não foram confessados, resultando no lançamento de oficio dos valores não recolhidos. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 86/90, em 28/07/2003, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. Deve ser declarada nula a decisão que indeferiu o seu pedido de restituição do IRRF, e não homologou os seus pedidos de compensação do IPI (fl. 76 do processo n° 10805.001364/9819) por ter sido proferida por autoridade inconpetente tendo em vista o disposto no art. 31 da IN SRF n°210/2002; 2. Recolheu o imposto de renda em duplicidade, sobre os mesmos rendimentos. A despesa dos juros imputáveis ao capital não foi deduzida do lucro real ou do lucro sujeito a contribuição, e portanto sobre eles, incidiu e foi recolhido o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro; 3. 0 auditor confundiu a data (31/05/1998) do instrumento societário, que formalizou a decisão já tomada de não pagar aos quotistas os juros, com a data do estorno contábil dos juros já lançados como despesa. A data do estorno contábil se deu em 31/12/1997, conforme linha 16 da Ficha 06 que demonstra o lucro liquido; 4. 0 fiscal misturou fato gerador com base de cálculo. 0 fato gerador do imposto de renda está definido no art. 43 do CTN, e não no art. 114 do CTN,citado fiscalização; 5. 0 art. 221 do RIR vigente à época dos fatos, determinava que se considerava ocorrido o fato gerador na data do encerramento do período base; Fl. 520DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 4 A DRJ em Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente, uma vez que os créditos não foram reconhecidos, nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: IPI. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. Verificada a compensação indevida de IPI com IRRF, cuja restituição foi negada, deve ser promovido o lançamento de oficio do crédito tributário, para se exigir o IPI não recolhido. Lançamento Procedente Insatisfeito, o recorrente interpõe recurso voluntário de fls. 137 a 148, onde reitera basicamente as mesmas razões da impugnação. A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 09/08/2005, decide converter em diligência, por perceber que não foi aberto prazo legal para do contribuinte no Processo de Restituição No. 10805.001364/9819, o que prejudica o prosseguimento normal do processo de IPI. Foi decidido que seria necessário: 1) Apartar os processos, e depois, no Processo de Restituição No. 10805.001364/9819, abrir o prazo para defesa de 30 dias, prosseguindose o feito normalmente 2) Envie o processo de IPI para a secretaria da 1ª. Câmara, com os seus efeitos suspensos, aguardando processamento regular de outro processo As fls. 211, figura o TERMO DE DISJUNTADA DE PROCESSO, relativo ao processo 10805.001364/9819 Assim, o referido processo (n° 10805.001364/9819) foi desapensado, conforme Termo de Disjuntada de Processo de fl. 211, encontrandose no CARF conforme consulta ao sistema Comprot. Destarte, conforme decido no item “2” resolução mencionada, este processo deverá aguardar decisão final daquele processo de restituição, o qual se caracteriza como questão prejudicial externa, uma vez que sua apreciação se dá em outro processo, sendo antecedente lógico em relação a este. Constatado o caráter de prejudicialidade destes autos em face daquele no qual se discute o direito creditório, venho requerer que seja retirado o processo de pauta, devolver a secretaria, e aguardar decisão final relativa ao processo n° 10805.001364/9819. É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10805.001401/200326 Acórdão n.º 2202001.926 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A questão cingese a estabelecimento industrial que não efetuou o recolhimento do IPI, ou efetuou a menor, no segundo e terceiro decêndio de julho de 1998, por acreditar que estaria compensando créditos de IRRF sobre juros sobre capital próprio. Da análise do processo notase que a primeira instância havia negado o pleito do recorrente, fundamentalmente pelo fato que foi verificada a compensação indevida de IPI com IRRF, cuja restituição foi negada pela autoridade competente, justificandose assim o lançamento de oficio do crédito tributário, para se exigir o IPI não recolhido. Entretanto, verificouse nos autos que o recorrente não teria tido a oportunidade de apresentar manifestação de inconformidade àquela decisão denegatória. Isto posto, o processo (n° 10805.001364/9819) foi desapensado, conforme Termo de Disjuntada de Processo de fl. 211. Na seqüência do rito do processo n° 10805.001364/9819 (que a este deverá ser apensado novamente), constatase que da manifestação de inconformidade protocolada em 10/07/2007, resultou a seguinte decisão em 10/07/2008: ACORDAM os julgadores da 2ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas, por unanimidade de votos, em RECONHECER o direito creditório em litígio no valor de R$ 3.795.000,00, em 07/01/1998, relativo ao pagamento de IRRF, e HOMOLOGAR as compensações até o limite do crédito ora reconhecido, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deste modo o pedido de restituição foi deferido, sendo apto o crédito para compensar tal como pleiteado originalmente pelo recorrente. Notase que o auto de infração lançado de IPI é exatamente do valor de tributos R$ 3.795.000,00, acrescido das demais cominações legais. Naturalmente demonstrado o direito a crédito tributário em IRRF no montante de IPI que deixou de ser recolhido, e de se cancelar o lançamento deste decorrente. Nestes termos, posicionome no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 522DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 6 Declaração de Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Em que pese o merecido respeito a que faz jus o Ilustre Relator, bem como os demais membros deste Colegiado, peço vênia para deles discordar. Compulsandose os elementos que compõe os autos, verificase que o lançamento em discussão originouse de pedido de restituição de recolhimentos efetuados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fl. 7), cumulado com pedidos de compensação com débitos de IPI (fls. 8 e 31), formulados nos autos do processo administrativo no 10805.001364/9819, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 69 e 70. A Delegacia da Receita Federal em Santo André/SP, por meio do Despacho Decisório de 25/05/2003 (fls. 32 e 33), indeferiu o pedido de restituição e, conseqüentemente, não foram homologados os pedidos de compensação, determinandose que fosse efetuado o lançamento de ofício dos débitos de IPI indevidamente compensados informados pela contribuinte nos formulários de fls. 8 e 31 (2 e 66 do processo original), dando origem ao Auto de Infração de fl. 76 e 80, integrado pelos demonstrativos de fls. 77 a 79, consubstanciado no presente processo. Na seqüência, o processo no 10805.001364/9819 foi apensado ao presente, em 07/07/2003, conforme despacho de fl. 77 daquele processo. Em 28/07/2003, a contribuinte encaminhou a impugnação de fls. 86 a 90, fazendo referência expressa ao processo no 10805.001364/9819 (fl. 86), na qual afirma que: “inconformada com a denegação dos pedidos do processo supra e com o auto de infração acima, dela decorrente, lavrado em 01/07/2003, do qual tomou conhecimento em 04/07/2003, vem tempestiva e respeitosamente, IMPUGNÁLOS bem como ao lançamento e a sua cobrança, pelas razões de fato e direito que passa a expor:” Examinandose a impugnação apresentada (fls. 86 a 90), observase que a defesa consistiu basicamente em refutar os argumentos da fiscalização para negar o pedido de restituição e, por conseqüência, cancelar o Auto de Infração que exigiu os débitos de IPI que teria sido indevidamente compensados. Da mesma forma, o Acórdão no 4.462, de 12/11/2003 (fls. 108 a 111), prolatado pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto/SP, apreciou os argumentos da defesa, sendo oportuno transcrever o voto condutor, na íntegra: A impugnação apresentada atende os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972 e alterações posteriores. Assim sendo, dela tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente questiona a validade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Santo André (fls. 75/76 do processo n° 10805.001364/9819 em apenso, com cópia às fls. 32/33), que indeferiu a restituição e não homologou os pedidos de compensação do IRRF com os débitos de IPI. Segundo a impugnante, seria incompetente a autoridade que proferiu a decisão. A alegação não procede, pois como se verifica à fl. 33, o Chefe do SAORT que prolatou a decisão tinha competência delegada através da Portaria/DRF/SAE 97/2002. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10805.001401/200326 Acórdão n.º 2202001.926 S2C2T2 Fl. 5 7 No mérito, a autuada defende que o lançamento de IPI é indevido porque estaria incorreta a decisão que indeferiu a restituição do IRRF. Teria pago o imposto em duplicidade, e o estorno contábil dos juros a serem pagos teria ocorrido em 31/12/1997, e não em 31/05/1998, data do instrumento societário que formalizou a decisão já tomada. O art. 114 do CTN dispõe que o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. O parágrafo 2°, do art. 9º da Lei n° 9.249/95 estabelece que "Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário." (grifei). Assim, o fato gerador, no caso dos juros sobre o capital próprio, ocorre quando efetuado o pagamento, ou simplesmente, quando creditado. Constatase as fls. 17/18, na cópia da ata de reunião dos sócios quotista, que o crédito aos acionistas foi aprovado em 31/12/1997, e, pela Ficha de Diário (fl.12), que o lançamento contábil também se efetivou em 31/12/1997. Desta forma, nesta data ocorreu o fato gerador do imposto. A alegação da impugnante de que o estorno do lançamento contábil também ocorreu em 31/12/1997 é improcedente. À fl. 13, consta cópia de Ficha de Diário que demonstra que o estorno do lançamento foi realizado em 31/05/1998, portanto, posteriormente à reunião de quotistas de 25/05/1998 que decidiu não pagar os juros (cópia as fls. 19/20). Considerando que ficou caracterizada a ocorrência do fato gerador do imposto, como definida em lei, qual seja, o crédito dos juros ao beneficiário, foi correta a decisão da Delegacia da Receita Federal que indeferiu a restituição do IRRF. O arrependimento sobre o pagamento dos juros, manifestado pela contribuinte cinco meses após o crédito ao beneficiário, não tem o condão de anular a ocorrência do fato gerador, reputado como perfeito e acabado. As decisões do Conselho de Contribuinte transcritas pela recorrente em sua peça impugnatória, em geral, não se adequam ao caso em tela. De qualquer forma, é válido ressaltar que as decisões do Conselho não vinculam o julgamento administrativo de 1ª instância. Também, não é competência do julgador administrativo questionar a legalidade das normas jurídicas. Se o parágrafo 2°, do art. 9° da Lei n° 9.249/95 estabelece que a incidência do imposto ocorre no crédito dos juros ao sócio, não cabe à autoridade julgadora decidir em contrário. Concluise que foi correta a decisão da Delegacia de Santo André que negou a restituição do IRRF recolhido pela contribuinte, e que não homologou a compensação dos débitos de IPI do segundo e terceiro decêndio de julho de 1998, e do primeiro decêndio de agosto de 1998. Como conseqüência, necessária a lavratura do auto de infração para a exigência do IPI que deixou de ser recolhido. Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente o auto de infração. Insurgindose contra a decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 137 a 148, que foi remetido a este Tribunal para apreciação. Inferese, assim, que não só a contribuinte teve oportunidade de se manifestar quanto ao pedido de restituição cumulado com pedidos de compensação, pleiteados no processo 10805.001364/9819, quanto à autoridade de primeira instância apreciou os Fl. 524DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA 8 argumentos da defesa e ratificou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Santo André/SP. Dessa forma, com a devida vênia dos que pensam em contrário, equivocouse a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 206 a 209), em converter em diligência para que fosse aberto prazo legal para do contribuinte se manifestar quanto ao processo de restituição/compensação (no 10805.001364/9819), pois o mesmo já se encontrava em fase de recurso, sendo o oportuno ressaltar que o referido processo encontravase, à época, apensado aos autos. Entendo que o Acórdão no 4.462, de 12/11/2003, prolatado pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (fls. 108 a 111), no qual foram devidamente apreciados os argumentos da defesa quanto ao pedido de restituição/compensação, é válido e, portanto, o recurso voluntário de fls. 137 a 148, no qual a contribuinte se insurge contra a referida decisão de primeiro grau deveria ter sido apreciado por esta Turma na íntegra, ou seja, competia ao Colegiado de segundo grau apreciar os argumentos relacionados ao pedido de restituição/compensação do IRRF. Por decorrência, a decisão da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, de 10/07/2008 (fls. 135 a 141 do processo no 10805.001364/9819), que reconheceu o direito creditório em litígio e homologou as compensações pleiteadas, deveria ter sido declarada nula, ante a existência decisão anterior em vigor, suspensa pela interposição de recurso voluntário. Pelos fundamentos expostos, divirjo do ilustre Relator. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 525DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digit almente em 18/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10183.003873/2006-21
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). AUSÊNCIA.
O MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois somente quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa do processo.
ITR. CONTRIBUINTE. ÁREA INVADIDA.
Estando devidamente comprovado nos autos que, em virtude do seu imóvel ter sido invadido por terceiros, o recorrente não detinha, quando da ocorrência do fato gerador do ITR, a posse ou o domínio útil do bem, e não podia exercer quaisquer dos direitos inerentes à condição de proprietário, não se pode considerá-lo contribuinte do ITR em relação ao respectivo imóvel.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Ausência momentânea: Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). AUSÊNCIA. O MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois somente quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa do processo. ITR. CONTRIBUINTE. ÁREA INVADIDA. Estando devidamente comprovado nos autos que, em virtude do seu imóvel ter sido invadido por terceiros, o recorrente não detinha, quando da ocorrência do fato gerador do ITR, a posse ou o domínio útil do bem, e não podia exercer quaisquer dos direitos inerentes à condição de proprietário, não se pode considerá-lo contribuinte do ITR em relação ao respectivo imóvel. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido.
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AUSÊNCIA. O MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois somente quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa do processo. ITR. CONTRIBUINTE. ÁREA INVADIDA. Estando devidamente comprovado nos autos que, em virtude do seu imóvel ter sido invadido por terceiros, o recorrente não detinha, quando da ocorrência do fato gerador do ITR, a posse ou o domínio útil do bem, e não podia exercer quaisquer dos direitos inerentes à condição de proprietário, não se pode considerálo contribuinte do ITR em relação ao respectivo imóvel. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Ausência momentânea: Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 73 /2 00 6- 21 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN 2 Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 8, relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 532.106,29, acrescido de multa de ofício e juros de mora, referente ao imóvel denominado “Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa”, localizado no município de Aripuanã MT, Número do Imóvel na Receita Federal (NIRF) 0.752.9902. O lançamento foi decorrente das seguintes infrações, conforme descrição dos fatos de fls. 6 e 7: a) glosa da área de utilização limitada, por não ter sido comprovada a averbação dessa área no Registro de Imóveis competente, e pela ausência de Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA no prazo de seis meses, contado do término do prazo para entrega da DITR; b) glosa da área de exploração extrativa, pela falta de comprovação do Plano de Manejo Florestal Sustentado; IMPUGNAÇÃO Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 124/189), juntamente com os documentos de fls. 195/257, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância, que: “3.1 Os créditos tributários relativos aos exercícios de 2002 a 2005 são nulos porque foram formalizados por autoridade incompetente e também pelo cerceamento ao direito de defesa; 3.2 O fiscal autuante para agir na condição de AFRF deve apoiarse em mandado de procedimento fiscal; 3.3 Não pode ser considerado sujeito passivo, porque não possui mais a posse do imóvel, pois o mesmo fora invadido pelos semterras em 1998; 3.4 A invasão e a instauração do processo pelo Incra ocorreram apesar de existir no imóvel um projeto de manejo florestal sustentado aprovado pelo Ibama desde fevereiro de 1987; Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 2801002.771 S2TE01 Fl. 514 3 3.5 Vem apresentando as declarações do ITR desde 1998, efetuando o pagamento do imposto como se devido fosse, para não ter seu nome incluído no CADIN e SERASA; 3.6 A área de reserva legal existente no imóvel corresponde a 80%, devidamente averbada no registro imobiliário e reconhecida pelo Incra conforme Termo de Responsabilidade de Averbação Legal expedido em 26 de outubro de 1998; 3.7 O Valor da Terra Nua foi rejeitado porque o Laudo de Avaliação de imóvel rural é de 1998, desacompanhado de ART do engenheiro responsável pela elaboração do documento; 3.8 A avaliação do imóvel foi extremamente baixa em virtude da pobreza do solo, servindo apenas à exploração pecuária e extrativismo; 3.9 A exigência do ADA é descabida, uma vez que o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, dispensou a sua apresentação para comprovar a isenção da área de reserva legal; 3.10 Transcreveu ementa do Acórdão do Egrégio Tribunal de Justiça para justificar seu entendimento relativo à exigência do Ato Declaratório Ambiental – ADA; 3.11 Se não forem aceitos os argumentos da impugnação, seja determinando diligências/perícias. Caso não sejam aceitas alegações apresentadas, sejam determinadas diligências no imóvel a fim de que fique comprovada a ocupação dos sem terras na propriedade; 3.12 Por último, requer a anulação do auto de infração por cerceamento ao direito de defesa e por ter sido lavrado por instrumento inadequado.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Campo Grande – MS julgou o lançamento procedente (fls. 271/285), nos termos da ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ARGUIÇÃO DE NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A ausência de Mandado de Procedimento Fiscal na revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não acarreta a nulidade do lançamento. Somente serão nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN 4 A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois, o direito do contraditório é exercido quando da impugnação da autuação, momento este em que, de fato, se instaura a fase litigiosa. PEDIDO DE PERÍCIA. Há de ser indeferido o pedido de perícia que visa unicamente, levantar provas a favor do contribuinte, as quais poderiam ser produzidas por ele, por outros meios. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendolhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade da lei. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. ADA Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA ou órgão conveniado, incide o imposto sobre a área declarada a título de reserva legal. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Para aceitação da área utilizada com exploração extrativa declarada na DITR é necessário que o contribuinte faça prova com o plano de manejo sustentado devidamente autorizado pelo órgão competente e que o cronograma físico financeiro esteja sendo cumprido no período a que se referir. Lançamento Procedente.” RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do acórdão de primeira instância em 13/1/2009 (Aviso de Recepção de fls. 290), o interessado interpôs, em 11/2/2009 (protocolo de fls. 293), o recurso de fls. 293/363, juntamente com os documentos de fls. 364/400, expondo, em suma, os mesmos argumentos da impugnação, além de refutar as razões de decidir adotadas no acórdão recorrido. Ao final, requer que: “[...] dirigindose em primeiro lugar ao Douto Relator, que determine a distribuição aos demais Ilustres Conselheiros das anexas cópias da parte da petição de recurso denominada "Medidas confiscatórias contra o impugnante" (docs. 2/8), para que todos formem juízo sobre o tamanho do ônus que está sendo injustamente imposto ao recorrente; dirigindose agora a todos os Doutos Conselheiros, que profiram nova decisão, em que: extingam o processo por decisão de mérito, se de plano entenderem que podem fazêlo; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 2801002.771 S2TE01 Fl. 515 5 caso contrário, decretem a nulidade do processo com base na preliminar de nulidade por instrumento inadequado ou na preliminar por cerceamento do direito de defesa; não atendido qualquer dos pedidos anteriores, decretem a nulidade da decisão recorrida, pelos defeitos relatados nesta petição. [...]” É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que não há previsão legal para que o Relator do recurso voluntário determine a distribuição de peças do processo aos demais Conselheiros, como requer o recorrente. Por conseguinte esse pedido não será atendido. Acerca da alegação de nulidade do lançamento, sob a justificativa de não ter havido perfeita subsunção do fato à norma que fulcrou o lançamento de ofício, não há qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, que esclareceu perfeitamente a inexistência de vícios ou defeitos que possam macular o lançamento. Por conseguinte adoto como razões de decidir, em relação a esta matéria, os fundamentos exposto naquele aresto, que reproduzo a seguir: “7. Preliminarmente o impugnante alega que “na espécie não houve a perfeita subsunção do fato à norma que fulcrou o lançamento de ofício”. 8. No Auto de Infração, Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 26/27, consta a base legal, sendo citada, para cada glosa, o dispositivo específico. 9. Apesar de não ser o caso, registrese que o lançamento, como ato administrativo que é, pode, por deixar de conter os elementos formais a que a lei obriga, conter vícios ou defeitos . Nesta hipótese, a possibilidade de superar o vício existente é limitada pelo fato de o mesmo haver ou não prejudicado, de alguma forma, alguns dos direitos do administrado, em especial o da ampla defesa. 10. No presente caso, além de não conter falha no enquadramento legal, a descrição de fatos realizada através do termo de fls. 26/27 foi detalhada e completa, não deixando dúvidas acerca da imputação. Ademais, o impugnante revelou pleno conhecimento das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas em alentada defesa. [...]” Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN 6 O recorrente requer, também, a nulidade do lançamento, por entender ter sido formalizado por instrumento inadequado e por autoridade incompetente, além de ter havido cerceamento do direito de defesa, embora não tenha demonstrado com clareza esta última alegação. O presente lançamento foi decorrente de um procedimento de fiscalização relativo à revisão interna da DITR/2002 do contribuinte, como pode ser constatado no Termo de Intimação Fiscal de fls. 16, que deu início ao citado procedimento. Nesse caso, não é exigido o Mandado de Procedimento Fiscal, nos termos do art. 11 da Portaria SRF nº 6.087, de 21/11/2005, vigente à época da data da citada Intimação, a seguir reproduzido. Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). [...] Cumpre assinalar que, no caso em apreço, não havia óbice legal para a constituição do crédito tributário mediante auto de infração, haja vista o disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, cuja redação, à época, assim estabelecia: Art. 9º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) O auto de infração em questão obedeceu a todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito, razão pela qual não se encontra eivado de nulidade. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 2801002.771 S2TE01 Fl. 516 7 Também não se encontra presente qualquer cerceamento do direito de defesa, como bem demonstrado no acórdão recorrido, razão pela qual adoto como razões de decidir os fundamentos expostos naquele aresto acerca da matéria, que reproduzo a seguir. “[...] Alega ainda o impugnante que houve cerceamento ao direito de defesa, por esse motivo, o lançamento é nulo. Com relação a esse argumento, temos a salientar que o Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa transparece na Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso LV, que dita que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. A fase litigiosa, na esfera administrativa, se instaura com a impugnação contra o lançamento e, ainda, com o duplo grau de jurisdição na apreciação das provas e dos argumentos de defesa. A tramitação de um processo administrativo fiscal envolve dois procedimentos distintos: o oficioso e o contencioso. A primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência. O destinatário desses elementos de convencimento é o contribuinte que pode reconhecer o seu débito, recolhendoo, ou o julgador administrativo, no caso de ser apresentada impugnação ao lançamento. Na fase oficiosa, portanto, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Na realidade, nessa fase o fisco submetese à regra geral do ônus da prova prevista no Processo Civil – que serve como fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Incumbe ao fisco, como autor, o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito. Ou seja, como já ressaltado, cabe à autoridade fazendária provar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias necessárias à constituição do crédito tributário. Se a fiscalização não se desincumbe a contento de sua tarefa, não se extrai daí qualquer problema de ordem processual, mas apenas insuficiência de provas contra o sujeito passivo. E a suficiência ou não das provas, desde que estas não sejam obtidas de forma ilícita, é questão relacionada ao próprio mérito do lançamento. A fase processual – contenciosa – da relação fiscocontribuinte iniciase com a impugnação tempestiva do lançamento (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972) e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. À litigância e conseqüente solução desse conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do contraditório e da ampla defesa. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN 8 Não há qualquer deficiência quanto à descrição dos fatos constante do Auto de Infração, de fls. 01 a 10, pois o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, por isso, não cabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Esse é o entendimento de Antonio da Silva Cabral, in "Processo Administrativo Fiscal" (Ed. Saraiva, 1993, pág. 223): "(...) Por outro lado, o erro na menção da norma aplicável não invalida, de imediato, o auto de infração, caso a infração realmente exista, apesar do erro na citação da norma aplicável. (...) " Referentemente ao pedido de diligências/perícias in loco, temos a salientar que o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, in verbis: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993).” Art. 28 – Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo, quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993).” No caso em exame, considero desnecessária a diligência proposta pelo impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e, para o presente caso tal conhecimento não se torna necessário, por isso, indefiro o pedido de diligências/perícias, nos termos dos artigos ora mencionados. [...]” Convém ressaltar que o pedido de diligência somente será deferido se a autoridade julgadora entender ser necessária a realização desse procedimento, conforme dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Neste caso, aquela autoridade considerou desnecessária a diligência, tendo explicado as razões que a levaram a essa conclusão, as quais ratifico. Por conseguinte o não atendimento da solicitação do contribuinte, neste caso, não constitui cerceamento do direito de defesa. Por tais razões rejeito as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, uma das alegações do recorrente diz respeito à impossibilidade do lançamento tendo ele como sujeito passivo, por entender não ser contribuinte do ITR, haja vista não ter a posse do imóvel fiscalizado, devido à invasão ocorrida por integrantes do movimento dos “semterras”. O art. 4º da Lei nº 9.393, de 1996, que define o contribuinte do ITR, assim dispõe: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 2801002.771 S2TE01 Fl. 517 9 Art. 4º. Contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Diante dos elementos carreados aos autos, constatase que, em 2002, o recorrente não tinha a posse ou domínio útil do imóvel denominado “Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa”. Nesse sentido cabe destacar os seguintes documentos: a) Boletim de Ocorrência lavrado em 8/9/98 (fls. 44/45) noticia a invasão da propriedade ocorrida em 25/8/98 por pessoas armadas, que procederam à demarcação e fixação de barracos; b) petição judicial formulada em 2/9/98 (fls. 45/52), protocolada na Comarca de Juína – MT, requer a manutenção da posse do imóvel em questão e outras providências relativas aos prejuízos causados pelos invasores daquele imóvel; c) petição judicial protocolada em 9/9/98 (fls. 53) informa que, não obstante ter sido proferida decisão judicial mantendo a posse do imóvel em favor do contribuinte, tal medida não foi cumprida, pois os invasores não desocuparam o imóvel; d) Ofício expedido pela Câmara Municipal de Aripuanã – MT (fls. 55), em 28/7/99, ao Superintende do INCRA – MT informa sobre Parecer daquele Órgão favorável à desapropriação do imóvel do contribuinte; e) Declaração firmada pelo Prefeito do município de Aripuanã – MT (fls. 56), em 19/7/99, favorável à desapropriação do imóvel objeto do lançamento; f) Ofício expedido pelo Sr. Ricarte de Freitas, vicelíder do PSDB, ao Ministro do Desenvolvimento Agrário (fls. 220), em 14/5/2002, nos seguintes termos: “Dirigimonos a Vossa Excelência a fim de solicitar gestões objetivando a aprovação da despropriação do imóvel rural denominado Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, constante do processo administrativo que tramita nesse Ministério Sob o n° 54240.000448/9989. É oportuno salientar a que dezenas de famílias já ocuparam o referido imóvel para retirar o próprio sustento, e estão aguardando anciosamente a referida desapropriação. [...]” (grifo meu) g) Ofício expedido pelo Deputado RIVA, Primeiro Secretário da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso, ao Ministro da Reforma Agrária (fls. 221), em 13/5/2002, nos seguintes termos: “Cumprimentandoo cordialmente, solicito que Vossa Excelência envide esforços no sentido de ser aprovada a desapropriação relativa ao imóvel rural denominado Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, constante do processo Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN 10 administrativo n.° 54240.000448/9989. Importa salientar que o referido imóvel já encontrase ocupado por dezenas de famílias, que tem feito dos lotes o seu sustento, cuidando para que aconteça a tão solicitada função social da terra. [...]” (grifo meu) h) Ofício expedido pela FETAGRI – MT ao INCRA – MT, em 24/2/2003, nos seguintes termos: “Encaminhamos o OF.n.°007 STR Aripuanã, para que seja o mais breve .possível atendido por este órgão. Solicitamos a partir daí, soluções urgentes quanto ao processo de desapropriação das Glebas Medalha Milagrosa e Conselvan, onde encontramse aproximadamente 1000 famílias aguardando para serem assentadas. [...]”(grifo meu) i) Ofício expedido pela FETAGRI – MT ao INCRA – MT, em 15/10/2003, nos seguintes termos: “A FETAGRIMT, servese do presente para solicitar com urgência, a realização de vistoria e cadastramento na Gleba Medalha Milagrosa, município de Aripuanã/MT, onde as familias estão vivendo e produzindo há mais de 05 anos. [...]” (grifo meu) j) informação prestada pelo Sr. Rubens Carlos Alves Madureira (fls. 246/249), Procurador Federal do INCRA – MT, em 8/9/2005, acerca de Parecer da Procuradoria Regional – S.M.J., sobre a proposta de desapropriação do imóvel fiscalizado, relata que a Comissão Vistoriadora do imóvel reconheceu que este se encontra totalmente ocupado desde outubro de 1998. Assim, resta claro que, a partir da invasão do imóvel fiscalizado, ocorrida em 1998, o contribuinte jamais readquiriu a posse do imóvel, posto que desde então a fazenda sempre esteve ocupada pelos invasores e todos os esforços foram envidados para efetuar a desapropriação do bem, sendo que, por meio de Decreto de 24/11/2005 (fls. 252/253), o referido imóvel foi declarado de interesse social, para fins de reforma agrária. Diante do exposto acima o recorrente não pode ser considerado contribuinte do ITR do imóvel fiscalizado, sob o fundamento de ser possuidor a qualquer título ou titular de seu domínio útil, hipótese esta restrita àquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento, que não é o caso. Resta saber se ele poderia figurar como contribuinte por constar como proprietário do bem em 2002. O Código Civil (Lei nº 10.406/99), ao tratar dos direitos do proprietário, assim dispôs: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. [...] Fl. 522DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 2801002.771 S2TE01 Fl. 518 11 No caso em tela, em face da invasão de seu imóvel e do insucesso na tentativa de reavêlo, haja vista que aquele incidente culminou com a declaração, pelo Poder Público, de que o referido bem é de interesse social, para fins de reforma agrária, ao recorrente não é permitido exercer quaisquer dos direitos inerentes à condição de proprietário, estabelecidos no dispositivo legal acima reproduzido. Por conseguinte resta caracterizado que o interessado, em 2002, era proprietário do aludido imóvel apenas “no papel”, posto que a situação fática lhe impedia de exercer seu direito de propriedade. O legislador, ao atribuir ao proprietário do imóvel rural a sujeição passiva ao ITR, evidentemente, teve por objetivo alcançar quem efetivamente poderia exercer os direitos de proprietário. Não faz sentido, tampouco é justo, imputar a condição de contribuinte do ITR à pessoa que não pode de forma alguma usar, gozar ou dispor do imóvel rural. Foge ao princípio da razoabilidade. No presente caso, considerar o recorrente como contribuinte do ITR acarretaria penalizálo ainda mais, pois além de não poder usufruir de seu imóvel, por ter sido ocupado indevidamente por terceiros – sendo que o Estado não lhe garantiu o direito de propriedade, pois a decisão judicial determinando a sua manutenção na posse não foi cumprida estaria sendo obrigado a recolher o ITR. Ora, neste caso, não há como cobrar tal imposto senão dos possuidores do bem, os invasores. O fato de o recorrente ter apresentado a DITR/2002 do imóvel em questão em seu nome não tem o condão, por si só, de “transformálo” em contribuinte do ITR, neste caso. Diante da farta documentação apresentada, comprovando a sua situação perante o respectivo imóvel, não há como deixar de aplicar o princípio da verdade material que, no caso em pauta, acarreta o afastamento do recorrente da condição de contribuinte do ITR. Diante do exposto acima voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 523DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 19515.003431/2005-79
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1999,2000,2001
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. DEPÓSITOS INDIVIDUALMENTE IGUAIS OU INFERIORES A R$12.000,00.
Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, somente não devem ser considerados os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00, em relação a todas as contas bancárias movimentadas pelo contribuinte.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA
No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva.
AQUISIÇÃO DE IMÓVEL. CONTRATO PARTICULAR. COMPROVAÇÃO
É válido, para fins de comprovação da aquisição, contrato particular no qual o alienante transfere todos os direitos sobre o imóvel para o comprador e formaliza procuração pública, dando amplos, gerais e ilimitados poderes à pessoa ligada ao adquirente para vender a quem quiser, pelo preço que convencionar, o imóvel em questão.
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999,2000,2001
PERÍCIA. INDEFERIMENTO
É de se indeferir a solicitação de perícia quando não for necessário o conhecimento técnico especializado, não podendo servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999,2000,2001
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC.
MULTA QUALIFICADA.
A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, não podendo os órgãos julgadores suprirem tal falta.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-000.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de perícia, DESQUALIFICANDO a multa de ofício, ACOLHER a arguição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 1999 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao ano-calendário de 2001, o valor de R$ 75.579,45 e desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999,2000,2001 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. DEPÓSITOS INDIVIDUALMENTE IGUAIS OU INFERIORES A R$12.000,00. Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, somente não devem ser considerados os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00, em relação a todas as contas bancárias movimentadas pelo contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. AQUISIÇÃO DE IMÓVEL. CONTRATO PARTICULAR. COMPROVAÇÃO É válido, para fins de comprovação da aquisição, contrato particular no qual o alienante transfere todos os direitos sobre o imóvel para o comprador e formaliza procuração pública, dando amplos, gerais e ilimitados poderes à pessoa ligada ao adquirente para vender a quem quiser, pelo preço que convencionar, o imóvel em questão. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999,2000,2001 PERÍCIA. INDEFERIMENTO É de se indeferir a solicitação de perícia quando não for necessário o conhecimento técnico especializado, não podendo servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999,2000,2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC. MULTA QUALIFICADA. A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, não podendo os órgãos julgadores suprirem tal falta. Recurso provido em parte.
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Numero do processo: 10882.001656/00-99
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CPC. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF C/C RESP 973.733 DO STJ.
O direito da fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributo sujeito a lançamento por homologação que tenha sido antecipadamente pago, decai, conforme o julgamento do STJ proferido nos autos do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do vencimento, em consonância ao que dispõe o artigo 150, §4º do CTN. Tendo a ciência do lançamento sido em 03/10/2000, o direito da fiscalização constituir créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1995 foi atingido pela decadência.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de contrariedade à lei.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CPC. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF C/C RESP 973.733 DO STJ. O direito da fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributo sujeito a lançamento por homologação que tenha sido antecipadamente pago, decai, conforme o julgamento do STJ proferido nos autos do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do vencimento, em consonância ao que dispõe o artigo 150, §4º do CTN. Tendo a ciência do lançamento sido em 03/10/2000, o direito da fiscalização constituir créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1995 foi atingido pela decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150, §4º DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DO CPC. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF C/C RESP 973.733 DO STJ. O direito da fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributo sujeito a lançamento por homologação que tenha sido antecipadamente pago, decai, conforme o julgamento do STJ proferido nos autos do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do vencimento, em consonância ao que dispõe o artigo 150, §4º do CTN. Tendo a ciência do lançamento sido em 03/10/2000, o direito da fiscalização constituir créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1995 foi atingido pela decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de contrariedade à lei. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 16 56 /0 0- 99 Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de nº 20177.114, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, não conheceu o recurso voluntário no que concerne à matéria semelhante à submetida ao judiciário, e, na parte conhecida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para considerar decaído o direito da fiscalização constituir o crédito tributário de PIS relativo aos períodos de janeiro de 1995 a setembro de 1995, tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 03/10/2000, conforme ementa a seguir: “NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. Pendente a ação de repetição de indébito, caracterizase a renúncia às instâncias administrativas para apreciação da mesma matéria. PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regido pelo artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. O prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Porém, a incidência da regra supõe hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito deverá observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Como, in casu, afirmou a relatora originária, em sessão, que houve antecipação de pagamento, o termo a quo para início da contagem do prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, pelo que decaiu o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. RECEITAS ORIUNDAS DE CONTRATO DE FRANQUIA. As receitas de royalties, taxas de franquia e aluguéis compõem a base de cálculo do PIS por serem receitas próprias da atividade da empresa. Recurso provido em parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 32, inciso I do Regimento Interno dos extintos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF nº 55/98, interpôs recurso especial por contrariedade à lei, aduzindo, para tanto, que o prazo decadencial para se constituir o crédito tributário de contribuições sociais, como seria o caso do Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.001656/0099 Acórdão n.º 9303002.149 CSRFT3 Fl. 1.124 3 PIS, seria de 10 (dez) anos contados do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, a teor do que dispunha o artigo 45, I da Lei 8.212/91 e o artigo 95, I do Decreto 4524/2002. A Presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em despacho proferido em 12/04/2006 às fls. 657/658, recebeu o recurso especial tendolhe dado seguimento. Regularmente intimado tanto do despacho que admitiu o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, como do próprio recurso especial da Fazenda Nacional e, também, do acórdão proferido pela Primeira Câmara, o contribuinte, além de apresentar suas tempestivas contrarrazões, opôs embargos de declaração, os quais não foram conhecidos pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, conforme ementa a seguir transcrita do acórdão de nº 20180.652: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. Não se conhece dos embargos de declaração quando no acórdão embargado não há obscuridades, omissões ou contradições. Embargos não conhecidos.” Após ser intimado do acórdão que não conheceu seus embargos de declaração, o contribuinte interpôs, em 21/02/2008, recurso especial de divergência, do qual manifestou, em 01/03/2010, sua desistência para fins de adesão ao benefício instituído pela Lei 11.941/2009, tendo, entretanto, requerido a manutenção da discussão concernente à matéria objeto do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em despacho de fls. 1081 a 1083 o Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri esclareceu que os débitos de PIS relativos aos períodos de apuração de outubro de 1995 a dezembro de 1997 foram incluídos no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009 e foram transferidos para o processo nº 18208.086490/201123, bem como que os débitos de PIS relativos aos períodos de apuração de janeiro a setembro de 1995 permanecem questionados nos presentes autos. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional por violação à lei é tempestivo, razão pela qual passo a analisar os seus demais pressupostos de admissibilidade previstos no artigo 32, I, do regimento interno dos extintos Conselhos de Contribuintes, o qual foi aprovado pela Portaria MF nº 55/98. Primeiramente, importante esclarecer que a Fazenda Nacional apenas suscitou a violação do artigo 45, I da Lei 8.212/91, bem como ao artigo 95, I do Decreto 4.524/2002, o qual faz referência ao próprio artigo 45, I da Lei 8.212/91. E, como é cediço, aludido dispositivo da Lei 8.212/91 foi reconhecido como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o qual editou a Súmula Vinculante de nº 08 para respaldar essa inconstitucionalidade. Assim, considerando que a Súmula Vinculante deve ser obrigatoriamente aplicada por toda a administração pública, entendo ter se tornado inócuo e sem objeto o recurso especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, vez que embasado em dispositivo inconstitucional. Caso esta Relatora reste vencida quanto ao não conhecimento do recurso especial, passase à análise do mérito. A controvérsia cingese em determinar se o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário da contribuição para o PIS é de 10 (dez) anos contados do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, conforme estipulado pelo artigo 45, I da Lei 8.212/91 ou se o mesmo é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, conforme determinado pelo § 4º do artigo 150 do CTN, ou, ainda, se o mesmo é de 5 (cinco) anos contados do exercício seguinte, conforme prevê o artigo 173, I, também do CTN. A relevância da presente discussão se dá, portanto, para os fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 1995, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte apenas se deu em 03/10/2000, estando, dessa forma, fora de discussão os fatos geradores ocorridos de outubro de 1995 a novembro de 1997, os quais são objeto de processo de parcelamento. A Fazenda Nacional pretende a aplicação do prazo decadencial de 10 (dez) anos previsto no artigo 45, I da Lei 8.212/91. No entanto, tal dispositivo foi declarado inconstitucional pelo STF, conforme previsão da Súmula Vinculante de nº 081, razão pela qual tal prazo não pode ser aplicado. Dessa forma, os únicos dispositivos que preveem prazo decadencial para a constituição de crédito tributário são os artigos 150, §4º e 173, I, ambos do CTN, os quais preveem o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a constituição do crédito tributário, variando, apenas, no que concerne aos seus respectivos termos iniciais. O termo inicial previsto no artigo 150, §4º do CTN é a ocorrência do fato gerador enquanto que o termo inicial previsto no artigo 173, I é o exercício seguinte ao fato gerador. A aplicação de um ou outro dispositivo irá depender da existência ou não de pagamento antecipado do tributo, conforme entendimento do STJ respaldado no recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, o qual deve ser aplicado por esta 1 Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.001656/0099 Acórdão n.º 9303002.149 CSRFT3 Fl. 1.125 5 Conselheira por força do artigo 62A2 do Regimento Interno do CARF. Aludido entendimento encontrase a seguir transcrito: “(...) 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).” 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento 2 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória.(...)” (grifouse) Considerando que, conforme mencionado no próprio auto de infração, o contribuinte realizou depósitos judiciais parciais dos débitos objeto do presente auto de infração, os quais, entretanto, foram desconsiderados pela autoridade fiscal, podese entender pela existência de antecipação de pagamento parcial do tributo. Paralelamente, considerandose Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.001656/0099 Acórdão n.º 9303002.149 CSRFT3 Fl. 1.126 7 que a contribuição para o PIS se trata de tributo sujeito à lançamento por homologação, aplica se aos presentes autos a regra (iii) mencionada na transcrição da jurisprudência acima. Assim, cabe, nos presentes autos, a aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN em detrimento ao prazo de 10 (dez) anos previsto no artigo 45, I da Lei 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, bem como em detrimento ao previsto no artigo 173, I do CTN, o qual apenas se aplica para os casos em que não tenha havido declaração nem pagamento antecipado pelo contribuinte. Face ao exposto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento para reconhecer a decadência do seu direito de constituir os valores de PIS relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1995, tendo em vista a ciência do lançamento se deu em 03/10/2000. Nanci Gama Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.003543/2007-39
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007
SALÁRIO-UTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE.
Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário- utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Se a empresa já considera parte das despesas com veículos como base de cálculo do Imposto de Renda Retido na fonte dos beneficiários, temos a confissão de que parte das despesas são dispensáveis, o que autoriza a inclusão dessa parte na base de cálculo da contribuição previdenciária.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.518
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da incidência ao Salário de Contribuição dos valores pagos aos segurados e presentes no lançamento, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada. Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007 SALÁRIO-UTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário- utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Se a empresa já considera parte das despesas com veículos como base de cálculo do Imposto de Renda Retido na fonte dos beneficiários, temos a confissão de que parte das despesas são dispensáveis, o que autoriza a inclusão dessa parte na base de cálculo da contribuição previdenciária. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da incidência ao Salário de Contribuição dos valores pagos aos segurados e presentes no lançamento, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada. Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
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VEÍCULOS Recorrente MOORE BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007 SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Se a empresa já considera parte das despesas com veículos como base de cálculo do Imposto de Renda Retido na fonte dos beneficiários, temos a confissão de que parte das despesas são dispensáveis, o que autoriza a inclusão dessa parte na base de cálculo da contribuição previdenciária. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da incidência ao Salário de Contribuição dos valores pagos aos segurados e presentes no lançamento, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada. Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes – Redator designado. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 532 3 Relatório Tratase de Lançamento, lavrado em 19/12/2007, por ter o contribuinte acima identificado, segundo Relatório Fiscal, fls. 70/78, deixado de recolher a contribuição previdenciária do empregador, a contribuição em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho e as contribuições de terceiros (Salário Educação/INCRA/SEBRAE) incidentes sobre a remuneração sob a forma de salárioutilidade apurado com o fornecimento de veículos, no período 01/2002 a 08/2007, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 264.523,09. A fiscalização, conforme consta do item 3.10 do relatório de fls. 450/451, lançou o crédito tributário com base nas planilhas de Tributação de Benefícios Indiretos Imposto de Renda na Fonte, fornecida pela empresa, planilhas que incluem a rubrica DESPESAS COM VEÍCULOS como benefício indireto, para os dias não úteis, e com base nos lançamentos contábeis referentes à tributação destes valores considerados como benefícios indiretos pela própria empresa. Após tomar ciência pessoal da autuação em 19/12/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 353/370, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 476/482, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/08/2008, fls. 485. O recurso voluntário, protocolizado em 24/09/2008, fls. 487/506, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo este prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Com relação ao fornecimento de veículos, argumenta que a matéria está pacificada no TST por meio da Súmula 367. Segundo aquele Tribunal não é relevante o veículo servir também em atividades particulares, devendo ser discutida a dispensabilidade destes para o trabalho. Argumenta que os veículos fornecidos a seus funcionários não possuem natureza de remuneração, pois não pagos como contraprestação pelos serviços prestados por estes. Entende que o simples fato de os veículos serem fornecidos à alta administração já demonstra que o fornecimento se dava para o trabalho. Isso porque, os funcionários da dita "alta administração" mantêm uma rotina dinâmica de trabalho, reunindose com clientes e fornecedores e uma infinidade de tarefas as quais, sem o uso de automóvel, tornamse impossíveis de serem realizadas, prejudicando, sobremaneira, o desempenho das funções exercidas por tais profissionais. Não podem tais funcionários ficarem à mercê do Fl. 543DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 transporte público ou do serviço autônomo de táxi, já que, ante a responsabilidade do cargo, estão sempre em locais diferentes, tratando de negócios de forma exclusiva para a empresa. Sustenta que a tese de que somente as despesas com veículos de propriedade do próprio empregado não sofreria a incidência do tributo não pode prosperar, pois o transporte coletivo aos funcionários tem essa característica e está fora da incidência. Teria havido contradição na decisão a quo, tendo em vista que as despesas com vários veículos de propriedade da recorrente foram excluídos da base de cálculo, ao passo que os veículos da “alta administração” foram incluídos. É o relatório. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 533 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 534 7 Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 547DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em Fl. 548DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 535 9 outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 549DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir Fl. 550DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 536 11 que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do Fl. 551DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 12 primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Não há pagamentos antecipados em relação aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência. Logo, devemos aplicar a regra do dies a quo do art. 173, inciso I do CTN. O lançamento foi cientificado em 19/12/2007, assim, o fisco poderia efetuar o lançamento que incluísse até 12/2001. Todos os fatos geradores anteriores a tal Fl. 552DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 537 13 competência (até 11/2001) estão atingidos pelo prazo de caducidade. Porém, o caso dos autos referese somente a fatos geradores ocorridos após essa data. Incidência da contribuição previdenciária sobre salárioutilidade configurado com o fornecimento de veículos. Necessidade de o fisco demonstrar que os veículos eram dispensáveis para o trabalho ou para a prestação de serviço. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre o salárioutilidade configurado com o fornecimento de veículos analisando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos Fl. 553DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 14 casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: • No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; • No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 538 15 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de previdência complementar estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange ao fornecimento de veículos e sua caracterização como salário utilidade, o TST possui a Súmula 367 que esclarece em que situações os veículos fornecidos podem ser considerados como salárioutilidade. In verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 16 II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso, exige que o fornecimento de veículos seja dispensável para a realização do trabalho. Tal circunstância, salvo a caracterização de fato notório, precisa ser provada pelo fisco, pois é este que alega a desnecessidade. A autoridade fiscal precisa carrear aos autos um conjunto probatório que demonstre a desnecessidade dos veículos para a realização do trabalho. Caracterizada a dispensabilidade, estará preenchido o requisito para a consideração do uso do veículo como salárioutilidade e , portanto, como elemento que compõe a remuneração. É de ser notado que, estando dentro do conceito de remuneração, o salário utilidade está no campo de incidência tanto da contribuição da empresas sobre a remuneração dos empregados como da contribuição das empresas sobre a remuneração dos contribuintes individuais. No caso em análise, verificamos que a fiscalização carreou aos autos relatórios da própria recorrente por meio dos quais esta confessou que, em uma fração do mês, os veículos são dispensáveis para o trabalho, pois assim registrava em sua contabilidade fiscal, particularmente em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Em relação à confissão, Fabiana Del Padre Tomé (A Prova no Direito Tributário, 2. Ed., São Paulo, Noeses, 2008, p.110) assevera que “é evidente que, enquanto não contestada pelo contribuinte mediante a produção de provas que infirmem a assertiva enunciada por meio do ato de confissão, este permanece no ordenamento com força probatória relativamente aos fatos que reconhece como verdadeiros...”. Em outras palavras, o que foi confessado pela recorrente pode ser afastado, desde que esta traga provas quanto à nova configuração fática que deseja demonstrar. No caso presente, a recorrente contesta o que havia confessado, sem, no entanto, apresentar qualquer prova do que afirma, seja quanto a indispensabilidade do veículo em parte do período, ou quanto ao percentual de dias nos quais os veículos são dispensáveis. Assim sendo, a confissão externada em sua contabilidade e em relatórios por ela fornecidos não pode ser afastada. É certo que o imposto de renda da pessoa jurídica, o imposto de renda da pessoa física e a contribuição previdenciária são tributos submetidos a regimes jurídicos infraconstitucionais distintos, mas também é certo que há fatos jurídicos tributários que irradiam efeitos que interessam a mais de um tributo. O que estamos tomando aqui é a confissão de um fato. Estamos tomando a confissão da empresa, externada em relatórios e em seus livros fiscais, de que os veículos são dispensáveis em parte do período de modo tal que foram incluídos na remuneração dos beneficiários para efeito de base de cálculo do imposto de renda. A partir do fato confessado da dispensabilidade dos veículos, estabelecemos o efeito jurídico de acordo com a legislação do tributo que aqui cuidamos, a contribuição previdenciária. Se desde sempre assim devíamos agir, a partir da fusão da Secretaria da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal, com mais razão devemos estar atentos para não darmos tratamento distinto a situações idênticas em termos fáticos. Assim, o lançamento deve prevalecer sobre o que a própria empresa considerou como uso do veículo fora do trabalho a ponto de ter sido tomada como base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. Tendo sido esse o procedimento da fiscalização, conforme observamos em fls. 12/25 e 110/125, não há reparos a fazer no lançamento. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 539 17 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 18 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do Fl. 558DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 540 19 caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 20 Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 541 21 tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal Fl. 561DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 22 de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 542 23 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 24 Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 543 25 Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.722455/2010-21
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, conforme provas colhidas por outro órgão fiscalizador, bem como o efetivo ingresso das mercadorias constantes de tais documentos, devem estes ser considerados inidôneos. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco valer-se de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PREJUÍZOS FISCAIS. Não há erro no cálculo do tributo devido quando, no lançamento, é efetuada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. É incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. DOLO.
A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas a operações cuja efetividade não resta comprovada, constitui fato que caracteriza fraude e implica qualificação da multa de ofício.
PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Anocalendário:2007, 2008
LANÇAMENTO DECORRENTE.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase
aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável.
CSLL. DESPESA INEXISTENTE.
A contabilização de notas fiscais inidôneas traduzse
em despesa inexistente,que enseja redução indevida tanto do lucro líquido como do lucro real,devendo ser glosada para a correta apuração do tributo devido.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário:2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase
aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável.
DIFERENÇAS CONTESTADAS. INEXISTÊNCIA DE ARGUMENTOS
E DE PROVAS.
Reputa-se inválida a contestação consistente em negação ampla, desprovida de argumentos específicos e desacompanhada de provas que lhe dêem suporte.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007, 2008
LANÇAMENTO DECORRENTE.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase
aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável.
DIFERENÇAS CONTESTADAS. INEXISTÊNCIA DE ARGUMENTOS E
DE PROVAS.
Reputa- se inválida a contestação consistente em negação ampla, desprovida de argumentos específicos e desacompanhada de provas que lhe dêem suporte.
Numero da decisão: 1401-000.721
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares suscitadas, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à dedutibilidade dos valores de PIS e Cofins lançados de ofício, na apuração do lucro real, vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias e, em relação às demais matérias, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, conforme provas colhidas por outro órgão fiscalizador, bem como o efetivo ingresso das mercadorias constantes de tais documentos, devem estes ser considerados inidôneos. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PREJUÍZOS FISCAIS. Não há erro no cálculo do tributo devido quando, no lançamento, é efetuada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. É incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 2 2 A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas a operações cuja efetividade não resta comprovada, constitui fato que caracteriza fraude e implica qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas traduzse em despesa inexistente, que enseja redução indevida tanto do lucro líquido como do lucro real, devendo ser glosada para a correta apuração do tributo devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. DIFERENÇAS CONTESTADAS. INEXISTÊNCIA DE ARGUMENTOS E DE PROVAS. Reputase inválida a contestação consistente em negação ampla, desprovida de argumentos específicos e desacompanhada de provas que lhe dêem suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. DIFERENÇAS CONTESTADAS. INEXISTÊNCIA DE ARGUMENTOS E DE PROVAS. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 3 3 Reputase inválida a contestação consistente em negação ampla, desprovida de argumentos específicos e desacompanhada de provas que lhe dêem suporte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares suscitadas, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à dedutibilidade dos valores de PIS e Cofins lançados de ofício, na apuração do lucro real, vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias e, em relação às demais matérias, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente em parte o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 810 a 866, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário a seguir discriminado, relativo aos anoscalendário de 2007 e 2008, incluindo juros de mora calculados até 30/09/2010 e multa proporcional de 150%, perfazendo um total de R$ 3.781.555,27. Consoante Termo de Verificação Fiscal às fls. 790 a 809, o procedimento fiscal foi realizado com o objetivo de verificar a efetividade de diversos custos com aquisições de mercadorias para revenda, relativos aos anoscalendário 2007 e 2008, visto que a fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEF/DF) identificara a inexistência de fato de diversos fornecedores da empresa sob análise. Além disso, foi verificada a correspondência entre os valores declarados e os Fl. 788DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 4 4 constantes de sua escrituração contábil e fiscal, no período estipulado no MPF. Por meio do Relatório n° 03/COINF/SUREC/05 JUN 2009, a SEF/DF informou ao fisco federal a existência de um grupo organizado na emissão e distribuição de "notas frias" com o objetivo de fraudar a fazenda pública. Comunicou, ainda, que, em virtude dos fatos constatados nas diligências realizadas, as empresas fictícias tiveram a sua inscrição no Cadastro Fiscal do Distrito Federal (CF/DF) cancelada. Também foi declarada a inidoneidade de grande parte das notas fiscais autorizadas pela SEF/DF a essas pessoas jurídicas, conforme abaixo: Ciente dos fatos, a fiscalização federal emitiu o MPF de nº 01.1.01.002010001465, tendo sido iniciado o procedimento fiscal correspondente em 05/03/2010De posse da escrituração contábil da fiscalizada, a autoridade lançadora identificou as notas fiscais de entrada, relativas aos anos de 2007 e 2008, emitidas pelos fornecedores fictícios anteriormente listados, e intimou a empresa a apresentar os originais de tais documentos, bem como o respectivo comprovante de pagamento (cópias de cheque, boletos bancários, transferências entre contas etc). A intimação foi atendida parcialmente em 10/06/2010, ocasião em que foram apresentados os originais da grande maioria das notas fiscais, porém, sem a devida comprovação de pagamento. Em vista da ausência de comprovação e da falta de algumas notas fiscais, a solicitação foi reiterada por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 2. Entretanto, em resposta datada de 4/8/2010, a empresa informou que as notas fiscais faltantes não haviam sido encontradas e que os pagamentos haviam sido realizados parte por caixa e parte por boletos, mas que os boletos também não haviam sido localizados. Os originais das notas fiscais foram retidos para compor o processo de representação fiscal para fins penais, de acordo com o art. 915, § 1º, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), tendo sido entregues cópias autenticadas ao sujeito passivo, por meio do Termo de Devolução de Livros e Documentos. Esclarece, ainda, a Fiscalização que, no Termo de Intimação Fiscal n° 3, a autuada foi intimada a confirmar se utilizara créditos de PIS e COFINS (nãocumulativos) calculados sobre as notas fiscais de entrada emitidas durante os anos de 2007 e 2008 pelos fornecedores fictícios identificados pela SEF/DF. Em resposta, o sujeito passivo esclareceu que: “numa conferência sumária no prazo concedido, não identificamos nenhuma nota que não tenha sido utilizado o respectivo crédito” Como resultado, a Fiscalização constatou as seguintes irregularidades: 23.GLOSA DE CUSTOS: a contribuinte contabilizou como custo das mercadorias vendidas (compras) notas fiscais declaradas inidôneas pela SEFDF e, intimado e reintimado, não Fl. 789DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 5 5 apresentou os comprovantes dos efetivos pagamentos das mercadorias representadas por essas notas fiscais. Portanto, estamos glosando os valores referentes às notas fiscais contabilizadas, mas que não corresponderam a uma efetiva transação comercial de compra e venda. 24.Os valores glosados são aqueles discriminados no item 14 acima, sendo que o Anexo I individualiza as importâncias glosadas por nota fiscal e as consolida mensalmente. 25.Enquadramento legalIRPJ: Artigo 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 256, 289 e300 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). 26.Enquadramento legalCSLL: Artigo 2o e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1o da Lei n° 9.316/96; Art. 28 da Lei n° 9.430/96 e Artigo 37 da Lei n° 10.637/02. 27.GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS (REGIME NÃOCUMULATIVO): a contribuinte utilizou indevidamente, como crédito naapuração do PIS e da Cofins nãocumulativos, notas fiscais declaradas inidôneas pela SEFDF e, intimado e reintimado, não apresentou os comprovantes dos efetivos pagamentos dos produtos representados por essas notas fiscais. Portanto, estamos glosando os valores referentes aos créditos oriundos dessas notas fiscais contabilizadas, mas que não corresponderam a uma efetiva transação comercial de compra e venda. 28.Os valores glosados são aqueles discriminados no item 14 acima, sendo que o Anexo II (PIS) e o Anexo III (Cofins) discriminam a apuração dos valores lançados de ofício. 29.Enquadramento legal PIS: arts. 1o, 3o e 4o da Lei n° 10.637/2002. 30.Enquadramento legal Cofins: arts. 1o, 3o e 5o da Lei n° 10.833/03. Diante da conduta reiterada da pessoa jurídica de utilizar notas fiscais de entrada fictícias em sua escrituração contábil e fiscal, a autoridade autuante entendeu que a contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, com o objetivo de reduzir os montantes dos tributos devidos e, por conseguinte, foi aplicada a multa qualificada de 150% (§ 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96). Além disso, foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, em atenção ao art. 66, inciso I, da Lei de Contravenções Penais (DecretoLei n° 3.688/41); art. 116, incisos VI e XII do Regime Jurídico Único (Lei n° 8.112/90); art. 16 da Lei n° 8.137/90, art. 1º do Decreto nº 2.730/98 e arts. 1º e 5º Portaria RFB n° 665/08, a qual foi formalizada no processo administrativo n° 14041.000257/201070. Cientificada das exigências pessoalmente em 05/10/2010, conforme ciência constante dos autos de infração, a contribuinte apresentou em 03/11/2010 a petição impugnativa de fls. 872 a Fl. 790DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 6 6 889. Apoiada nos documentos acostados aos autos às fls. seguintes, a peça de defesa, em suma, discorre sobre os pontos a seguir expostos. Das Preliminares. Afirma a recorrente que é nulo o procedimento fiscal, uma vez que o MPF não atendeu os requisitos previstos na legislação para a sua finalidade, faltandolhe formalidades a ele inerentes, tais como a ultrapassagem do prazo estipulado e a renovação reiterada sem que houvesse intimação ao contribuinte. Além disso, assevera que, durante a fiscalização, as diligências e intimações para apresentação de documentos também não observaram a legislação, visto que os prazos eram “exíguos e incompatíveis com o cumprimento de obrigação de prestação de informações que demandavam uma quantidade enorme de documentos e pesquisas”. Do Mérito. Documento inidôneo. Glosa de custos. Argumenta a impugnante que a legislação determina que o documento, para ser considerado inidôneo, requer a publicação de ato declaratório e que, no caso em tela, não houve inidoneidade declarada na área federal, mas somente pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. Além disso, defende que, quando publicado, tal ato não pode retroagir para ser aplicado em casos de documentos emitidos em data anterior à publicação. Cita, então, os arts. 80, § 2º, e 82, da Lei n° 9.430/96, bem como jurisprudência judicial sobre o assunto Afirma, ainda, que a contabilidade do contribuinte faz prova plena daquilo que está registrado em sua escrituração comercial e fiscal e que a presente autuação baseouse apenas em informação do Fisco Distrital sobre as idoneidades, não tendo realizado os auditores desse procedimento nenhuma pesquisa ou exame desses casos específicos, para corroborar, se fosse o caso, a procedência da referida inidoneidade fiscal. Conclui, dessa forma, que o lançamento realizouse por presunção. Nessa linha de raciocínio, defende que eventuais indícios, suspeitas ou suposições não autorizam concluir pela ocorrência de sonegação fiscal e que cumpriria uma melhor análise dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário com suporte em prova direta. Cita jurisprudência administrativa sobre o assunto. Consigna a recorrente que as notas fiscais glosadas representam compras efetivas de mercadorias destinadas à sua atividade comercial, que adentraram em seu estabelecimento e foram vendidas, compondo a sua receita de venda operacional, e que eventuais irregularidades com a situação fiscal dos fornecedores não podem atingir a autuada, que agiu de boafé. Defende que os custos glosados são legítimos porque estão de acordo com o RIR/99, em seus arts. 300 e 299, sendo, pois, Fl. 791DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 7 7 passíveis de dedutibilidade, porquanto necessários e indispensáveis ao desenvolvimento da atividade da autuada. Novamente cita jurisprudência administrativa sobre a matéria. Aduz, ainda, a requerente que o procedimento fiscal ora impugnado glosou os custos das mercadorias vendidas, porém manteve a tributação integral das receitas de vendas correspondentes a essas mercadorias, o que teria provocado duplicidade de tributação. Acrescenta que a jurisprudência é no sentido de que não basta examinar a eventual idoneidade do documento fiscal, mas também os efeitos que geraram na contabilidade do contribuinte e na tributação dela decorrente. Erros materiais. A esse título, a impugnante aduz que o lançamento fiscal comete erros materiais ao não considerar os prejuízos fiscais ocorridos nos trimestres, o que resultou em tributos lançados em valor superior ao devido. Afirma, também, que houve erro material no cálculo do adicional do IRPJ, relativamente aos ajustes do limite de R$ 60.000,00, cuja tributação adicional ocorre apenas no excedente. Anexa demonstrativo correspondente. Alega, ainda, que houve erro material no cálculo do IRPJ e da CSLL, pois a auditoria fiscal deixou de considerar, como dedutível do lucro real, os valores de PIS e COFINS lançados de ofício. No tocante às diferenças de PIS e da Cofins, aduz que os valores corretos constam dos arquivos eletrônicos da autuada e que foram entregues à fiscalização. Por fim, consigna que esses erros materiais nulificam o procedimento fiscal. Multa confiscatória de 150%. Alega a impugnante que a multa de ofício de 150%, ainda que prevista na legislação fiscal, não tem amparo e é inaplicável à hipótese dopresente procedimento fiscal, merecendo a sua nulidade, pois tem efeito confiscatório. Cita jurisprudência judicial. Ausência de materialidade de sonegação ou fraude. Em relação à qualificação da multa e à formalização de processo de representação fiscal para fins penais, assevera a impugnante que os documentos fiscais foram escriturados regularmente na contabilidade da autuada e em seus livros fiscais, e foram prestadas todas as informações solicitadas pelo Fisco. Além disso, reafirma que a autuada não pode ser responsabilizada se não havia o ato de declaração da situação irregular e de inidoneidade das empresas fornecedoras e respectivas notas fiscais por ocasião da aquisição das referidas mercadorias, na forma prevista nos arts. 80 a 82 da Lei n° 9.430/96. Cita, por fim, jurisprudência administrativa. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 8 8 Elementos dos dados e elementos autuados. No caso da autuação da CSLL, defende que não cabe a exclusão da despesa do lucro real como indedutível, uma vez que a base desta é o lucro líquido. Cita, em sua defesa, o Acórdão 10708.297 do 1º Conselho de Contribuintes. Pedido de juntada de novas provas. A contribuinte protesta, desde já, pelo aditamento à presente impugnação e pela juntada de outros esclarecimentos ou documentos adicionais para o deslinde da questão. Por fim, pugna a requerente que se julgue improcedente a ação fiscal e o seu consequente lançamento, anulando in totum o crédito tributário, bem como os efeitos dele decorrentes. Analisando a questão entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente, em parte, o auto de infração, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 MPF. VALIDADE. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, são procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante. INTIMAÇÃO. PRAZOS. Reputamse válidos os termos de intimação cujos prazos de atendimento são estabelecidos em consonância com o disposto na legislação de regência, qual seja, art. 71 da MP nº 2.15835/2001. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, conforme provas colhidas por outro órgão fiscalizador, bem como o efetivo ingresso das mercadorias constantes de tais documentos, devem estes ser considerados inidôneos. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PREJUÍZOS FISCAIS. Não há erro no cálculo do tributo devido quando, no lançamento, é efetuada a devida compensação do prejuízo declarado e constante do LALUR no período de apuração correspondente, mediante a dedução dessa quantia do valor da infração lançada, para a determinação do valor tributável e consequente imposto devido. ADICIONAL DO IRPJ. Quando resta comprovado que o lucro real constante do LALUR é inferior ao limite de isenção trimestral de R$ 60.000,00 para o cálculo do adicional do IRPJ, há que se proceder à sua concessão no auto de infração, mediante a Fl. 793DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 9 9 dedução, do valor da infração apurada, da diferença ainda não utilizada pelo contribuinte. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. É incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas a operações cuja efetividade não resta comprovada, constitui fato que caracteriza fraude e implica qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. CSLL. DESPESA INEXISTENTE. A contabilização de notas fiscais inidôneas traduzse em despesa inexistente, que enseja redução indevida tanto do lucro líquido como do lucro real, devendo ser glosada para a correta apuração do tributo devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. DIFERENÇAS CONTESTADAS. INEXISTÊNCIA DE ARGUMENTOS E DE PROVAS. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 10 10 Reputase inválida a contestação consistente em negação ampla, desprovida de argumentos específicos e desacompanhada de provas que lhe dêem suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. DIFERENÇAS CONTESTADAS. INEXISTÊNCIA DE ARGUMENTOS E DE PROVAS. Reputase inválida a contestação consistente em negação ampla, desprovida de argumentos específicos e desacompanhada de provas que lhe dêem suporte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, interpôs a contribuinte o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos anteriormente expostos. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Pereira Faro Em sede de preliminar, alega a Recorrente que é nulo o procedimento fiscal, uma vez que o MPF não atendeu os requisitos previstos na legislação para a sua finalidade, que a fiscalização estabeleceu prazos exíguos e a nulidade da prova emprestada. Cumpre esclarecer, de início, que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF encontravase disciplinado pela Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007. No tocante à emissão e à prorrogação, tal ato normativo determina que: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 doDecreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darse á por intermédio da Internet, no endereço eletrônico Fl. 795DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 11 11 www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal.(g.n.o) Em vista do exposto, não existe a necessidade de qualquer outro ato administrativo para formalizar a prorrogação, além do registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante. No caso em concreto, conforme se vê no Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 204 e 205), a recorrente foi devidamente cientificada do MPFF (Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 01.1.01.002010001465), que determinou a execução da ação fiscal. Por meio do mesmo Termo, foi cientificada do código que lhe possibilitava o acesso, via internet, a todas as informações relacionadas com o aludido mandado. As prorrogações do prazo de validade do MPF foram devidamente registradas na internet e, desse modo, não pode a recorrente alegar seu desconhecimento. Ademais, em todas as intimações efetuadas, a contribuinte foi informada sobre a continuidade da ação fiscal e sobre a possibilidade de consultar o MPF no sítio da RFB na internet, por meio do aludido código de acesso. Não existe, portanto, a irregularidade noticiada. Além de tal aspecto, assevera a recorrente que, durante a fiscalização, as diligências e intimações para apresentação de documentos também não observaram a legislação, em vista de terem sido os prazos exíguos e incompatíveis com o cumprimento de obrigação de prestação de informações que demandavam uma quantidade enorme de documentos e pesquisas. Entretanto, o que se constata da análise dos autos é que a Fiscalização agiu em conformidade com o comando expresso no art. 71 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. No caso em tela, no termo de início da ação fiscal e no termo de intimação nº 1, foi concedido um prazo para atendimento de 20 dias, em consonância, portanto, com o caput do art. 19, antes transcrito. Quanto aos termos nº 2 e 3, as intimações efetuadas dizem respeito a informações e documentos que devem estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do contribuinte, situação que se enquadra no §1º do dispositivo reproduzido; em decorrência, foi concedido, corretamente, o prazo de 5 dias úteis. De concluirse, por conseguinte, que os prazos foram concedidos em conformidade com o estabelecido pela legislação. Ante o exposto, rejeito as preliminares. INIDONEIDADE DE DOCUMENTO FISCAL. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Como visto, o procedimento fiscal teve por principal escopo verificar a efetividade de custos com aquisições de mercadorias para revenda, relativos aos anoscalendário 2007 e 2008, visto que a fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal (SEF/DF) constatara a inexistência de fato de diversos fornecedores da impugnante. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 12 12 Como consequência, tais empresas tiveram a sua inscrição no Cadastro Fiscal do Distrito Federal (CF/DF) cancelada, tendo sido também declarada a inidoneidade de grande parte das notas fiscais autorizadas pela SEF/DF a essas pessoas jurídicas. Cientificada dos procedimentos adotados no âmbito distrital, a fiscalização federal iniciou a ação fiscal na empresa autuada, que utiliza o nome fantasia “Supermercado Big Box”, em 05/03/2010, tendo esta sido intimada a apresentar, entre outras informações, a escrituração contábil em meio magnético e os arquivos de documentos fiscais de entrada. Procedeu, então, a fiscalização à identificação, na escrituração contábil apresentada, de notas fiscais de entrada, relativas aos anos de 2007 e 2008, emitidas pelos fornecedores fictícios considerados inidôneos pelo fisco distrital, tendo sido a empresa intimada a apresentar os originais das notas fiscais, bem como o respectivo comprovante de pagamento. A intimação foi atendida parcialmente em 10/06/2010, ocasião em que foram apresentados os originais da grande maioria das notas fiscais, porém, sem a devida comprovação de pagamento. Em vista da ausência de comprovação e da falta de algumas notas fiscais, a solicitação foi reiterada por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 2. Entretanto, em resposta datada de 4/8/2010, a empresa informou que as notas fiscais faltantes não haviam sido encontradas e que os pagamentos haviam sido realizados parte por caixa e parte por boletos, mas que os boletos também não haviam sido localizados. É importante registrar nesse ponto que a Fiscalização, após identificar as notas fiscais emitidas pelos fornecedores declarados inidôneos pelo fisco estadual, intimou a recorrente para apresentar as vias originais das referidas notas, como também para apresentar os comprovantes de pagamento. Por seu turno, a Recorrente abstevese de apresentar os referidos pagamentos à fiscalização, abstevese de apresentar na impugnação administrativa, como também no recurso administrativo ora analisado. Dessa forma, não obstante o contraditório ter sido franqueado á Recorrente, a mesma mantevese silente a respeito das comprovação dos pagamentos supostamente efetuados. Em decorrência, por considerar tais documentos como inidôneos, procedeu a fiscalização à glosa dos valores constantes das referidas notas fiscais, contabilizadas pela impugnante como despesas dedutíveis. Defende a Recorrente que a legislação determina que o documento, para ser considerado inidôneo, requer a publicação de ato declaratório e que, no caso em tela, não houve inidoneidade declarada na área federal, mas somente pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. Além disso, argumenta que, quando publicado, tal ato não pode retroagir para ser aplicado em casos de documentos emitidos em data anterior à publicação. A Instrução Normativa RFB nº 1.005, de 8 de fevereiro de 2010, em seu art. 45, § 4º, esclarece, ainda, que, além de não excluir as demais formas de inidoneidade, a Fl. 797DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 13 13 declação de inaptidão tampouco legitima os documentos inidôneos emitidos antes da publicação de tal ato, verbis: § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação,nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. Resta claro, portanto, que a consideração ou declaração de inaptidão constituise em uma das hipóteses de inidoneidade de documentos prevista na legislação, masnão a única. Ademais, devese elucidar a natureza declaratória dos atos de inaptidão da RFB, que, como o próprio nome indica, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado, não tendo, portanto, a característica de ato constitutivo. Dessa forma, sendo os elementos de prova acostados aos autos do processo suficientes para caracterizar a inidoneidade dos documentos fiscais, não é necessário que se aguarde a declaração de inaptidão das empresas envolvidas. E foi justamente isso que ocorreu no caso concreto e que se demonstrará mais adiante. Ainda em alusão aos atos declaratórios, aduz a impugnante que a autuação baseouse exclusivamente em declaração de inidoneidade publicada na esfera distrital, não sendo esta válida para efeito de lançamento de tributos administrados pelo fisco federal. Nesse sentido, acrescenta que cumpriria à autoridade lançadora efetuar uma melhor análise dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Entretanto, cumpre observar que a autoridade autuante não se limitou a acolher as conclusões expostas nos relatórios elaborados pelas autoridades competentes do fisco distrital. Foram utilizadas, sim, as constatações verificadas nas diligências, porém, a partir desses documentos, e com base nas respostas às intimações efetuadas no curso da ação fiscal, a autoridade lançadora construiu seu entendimento acerca dos fatos ocorridos. Em verdade, a autoridade lançadora, baseada nos fatos apurados, buscou novas informações junto à contribuinte, a qual não logrou êxito em comprovar os pagamentos e tampouco a entrada das mercadorias objeto das notas fiscais em análise. Em vista do exposto, constatase que a autoridade autuante, com base nas informações prestadas pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, buscou confirmar os indícios apontados, intimando a recorrente a comprovar o pagamento das mercadorias adquiridas. Logo, foi concedida à autuada a oportunidade de demonstrar sua boafé mediante a comprovação da efetividade da transação comercial. Entretanto, em vez de efetivar essa comprovação, limitouse a impugnante a argumentar em torno da possibilidade de utilização de atos declaratórios publicados na esfera distrital e de seus efeitos temporais. Neste ponto, releva ressaltar que, considerando que a autuação não se fundamentou, exclusivamente, na publicação dos atos declaratórios pelo fisco distrital, e sim na falta de comprovação do pagamento das mercadorias adquiridas, não há que se discutir os efeitos temporais de eventual ato declaratório de inidoneidade. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 14 14 PREJUÍZOS FISCAIS. ADICIONAL DO IRPJ. Alega a contribuinte que o lançamento contém erro material ao não considerar os prejuízos fiscais ocorridos nos trimestres, o que teria resultado em lançamentos de IRPJ e CSLL em valor superior ao devido. A forma de tributação escolhida pela empresa, nos anoscalendário de 2007 e 2008, foi o lucro real trimestral, conforme pagamentos efetuados e DCTF apresentadas (fls. 71 a 77). Importa ressaltar que a DIPJ 2009 foi entregue com a opção pelo lucro real anual. No entanto, na autuação, foi considerada a opção pelo lucro real trimestral, uma vez que os pagamentos foram efetuados trimestralmente. Além disso, a contabilidade e o LALUR relativos a este período também indicam a opção pelo lucro real trimestral. Do exame dos autos, verificase que, relativamente aos dois primeiros trimestres de 2007 e aos dois últimos de 2008, consta do LALUR a informação de prejuízo fiscal, nos montantes de R$ 132.701,77, R$ 94.409,81, R$ 173.814,52 e R$ 111.801,55, respectivamente. Entretanto, para os demais períodos, foi apurado lucro real, tendo, inclusive, sido computado no auto de infração, para efeito de cálculo do adicional do imposto de renda. Em que pese a divergência entre os valores de lucro real constantes do LALUR de 2008 (dois primeiros trimestres) e os informados no auto de infração, decorrente da utilização, neste último, dos montantes relativos ao Lucro Líquido Antes do IR, o que se constata é que, para os períodos em que houve apuração de prejuízo fiscal, a fiscalização efetuou a devida compensação, deduzindo essa quantia do valor da infração lançada, para a apuração do valor tributável e do consequente imposto devido, bem como do adicional. Pelo exposto, verificase que, além de correta a compensação do prejuízo fiscal, nos períodos em que houve tal prejuízo, não foi apurado, no auto de infração, adicional do IRPJ sobre o limite de R$ 60.000,00, mas somente sobre a quantia restante (diferença entre o valor tributável, que é o valor da infração deduzida do montante do prejuízo, e o limite de R$ 60.000,00). DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO. No que concerne aos lançamentos de IRPJ e CSLL, alega a recorrente que houve erro material no cálculo desses tributos, pois a auditoria fiscal deixou de considerar, como dedutível do lucro real, os valores de PIS e COFINS lançados de ofício. A dedutibilidade dos tributos está disciplinada pela Lei nº 8.981/95, conforme dispositivo a seguir transcrito: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. [...] (g.n.o) Fl. 799DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 15 15 Da leitura de tal dispositivo, vêse que seu §1º estabelece exceção à regra geral de dedutibilidade de tributos na determinação do lucro real, mediante a vedação da dedutibilidade de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN. Entre essas hipóteses estão as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Assim, se o contribuinte não recolheu ou declarou os tributos devidos nos respectivos períodos de apuração, motivando seu lançamento de ofício e beneficiandose da suspensão da exigibilidade do crédito em virtude da impugnação contra ele interposta (art. 151, inciso III da Lei nº 5.172/66), ilegítima tornase a sua dedução da base tributável no período. Ademais, para ser dedutível, toda despesa precisa estar revestida dos atributos da liquidez e certeza. Ausente sua regular contabilização nos períodos respectivos e antes do julgamento definitivo da exigência relativa a tais contribuições, não se pode concluir que estão presentes tais atributos. INDEDUTIBILIDADE DA DESPESA DO LUCRO REAL NA APURAÇÃO DA CSLL. Em referência ao lançamento de CSLL, defende que não cabe a exclusão da despesa do lucro real como indedutível uma vez que a base desta é o lucro líquido. Cita, em sua defesa, o Acórdão 10708.297 do 1º Conselho de Contribuintes. O teor da ementa do citado acórdão é o seguinte: 31 DESPESAS OU CUSTOS DESNECESSÁRIOS. Não há previsão legal para se exigir a CSLL incidente na glosa de despesas ou custos considerados desnecessários, porque a indedutibilidade atinge tão somente o lucro real e não o lucro líquido.(g.n.o) Entretanto, no caso em apreço, não se tratou da desnecessidade do custo e sim, de sua inexistência, o que afeta diretamente o lucro líquido. Dessa forma, irrelevante prosseguirse na discussão sobre a base de cálculo da CSLL, se lucro real ou lucro líquido, uma vez que, no caso em tela, o fato ocorrido implica a desconsideração do custo em ambas as bases. Isso posto, de concluirse pela correção do lançamento efetuado. DIFERENÇAS DE PIS E COFINS. Consigna a requerente, na peça impugnatória, que, no caso das diferenças do PIS e da Cofins, os valores corretos constam dos arquivos eletrônicos da autuada entregues à fiscalização. Sobre a matéria, considerando que não houve nenhuma contestação específica e tampouco a apresentação de provas suficientes para o cancelamento da exigência, há de se reconhecer que, no caso, há apenas uma negação geral, o que não configura matéria impugnada. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 16 16 MULTA CONFISCATÓRIA A recorrente considerou que a multa de ofício no percentual de 150% possui natureza confiscatória, afrontando o disposto no art. 150, IV da Constituição Federal. Não assiste razão à recorrente. Arguições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, conforme texto de Súmula aprovada por este Egrégio Conselho, verbis: Súmula CARF º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, abstenhome de apreciar a arguição de inconstitucionalidade formulada pela recorrente. Ausência de materialização de sonegação ou fraude Mesmo que superada a arguição de inconstitucionalidade da multa de ofício de 150%, é forçoso apreciar outra alegação da recorrente, relativa à suposta ausência de materialização da sonegação ou fraude, ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Também em relação a este tema, não assiste razão à recorrente. Por questões práticas, limitome a adotar e transcrever parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 885: No caso em apreço, a intenção, ou seja, o dolo, restou evidenciado e provado nos autos, pois claro está que a prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas que inexistem de fato, é tentativa dolosa de reduzir o recolhimento dos tributos devidos. Destarte, quanto à qualificação da penalidade, está configurado que, indubitavelmente, apesar de a contribuinte ter plena consciência de suas obrigações tributárias, optou, reiteradamente, por prestar ao fisco federal informações inverídicas, com o escopo de eximirse do pagamento do valor dos tributos devidos. [...] Notese que os chamados erros escusáveis se distinguem daqueles cometidos intencionalmente e de forma sistemática. O contribuinte que, reiteradamente, escritura notas fiscais inidôneas em sua contabilidade, emitidas por diversas empresas inexistentes de fato, afasta a possibilidade de desatenção eventual e enquadrase no tipo descrito no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Tratase de prova direta, portanto, e não de presunção ou indícios, como afirma a interessada. Observe que tal entendimento encontra guarida no Conselho de Contribuintes (Acórdãos 10192.509 de 1999 e 10805.889 de 1999): Fl. 801DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10166.722455/201021 Acórdão n.º 140100.721 S1C4T1 Fl. 17 17 GLOSA DE CUSTOS – DOCUMENTOS INIDÔNEOS – Comprovada a inidoneidade das notas fiscais escrituradas, cabe ao contribuinte comprovar a efetividade das operações por ela lastreadas, a fim de comprovar, inclusive, a ausência de dolo de sua parte. A não comprovação autoriza a glosa dos custos e a aplicação da penalidade agravada. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS – GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS – PENALIDADE AGRAVADA – Legítima a glosa da dedutibilidade de custos/despesas, assim como a imposição de penalidade agravada, quando as provas são convergentes para atestar a inidoneidade das notas fiscais, pela inexistência da emitente e falta de comprovação da efetividade das operações. Nestes termos, considero materializada a hipótese de fraude e sonegação, ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 802DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10920.000797/98-68
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍODO DE APURAÇÃO: 04/10/1990 a 06/06/1993
CRÉDITOS DE IPI. CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO. DILIGÊNCIA. DATA DA CORREÇÃO DOS CRÉDITOS. DISCORDÂNCIA. MATÉRIA PRECLUSA.
Descabe, em sede de recurso voluntário, determinar o cumprimento de acórdão da DRJ à autoridade fiscal e para esclarecer matéria não aventada no recurso anterior e não questionada pela parte interessada por meio de embargos declaratórios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.259
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o Relator pelas conclusões.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10920.000797198-68 Recurso n° 139.524 Voluntário Acórdão n° 3302-00.259 — 3" Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 17 de novembro de 2009 Matéria IPI Recorrente BUSSCAR ÔNIBUS S/A Recorrida DRJ Porto Alegre / RS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 04/10/1990 a 06/06/1993 CRÉDITOS DE IPI. CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO. DILIGÊNCIA. DATA DA CORREÇÃO DOS CRÉDITOS. DISCORDÂNCIA. MATÉRIA PRECLUSA. Descabe, em sede de recurso voluntário, determinar o cumprimento de acórdão da DRJ à autoridade fiscal e para esclarecer matéria não aventada no recurso anterior e não questionada pela parte interessada por meio de embargos declaratórios. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2 2 Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o Relator pelas conclusões. WALBER J SE DA S VA — Presidente em Exercício Hrt JOSE ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente em Exercício), José Antonio Francisco (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Alexandre Gomes e Gileno Glutão Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 888 a 904) apresentado cru 13 de abril de 2007 contra o Acórdão n°4.153, de 29 de julho de 2004, da DRJ Porto Alegre / RS (fls. 863 a 869), do qual tomou ciência a Interessada em 15 de março de 2008 e que, relativamente a pedido de ressarcimento de créditos de IPI dos períodos de 4 de outubro de 1990 a 6 de julho de 1993, deferiu em parte a solicitação da interessada. A ementa do acórdão de primeira instância foi a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 04/10/1990 a 06/07/1993 Ementa: Crédito Incentivado de 1PI Preliminares: Improcedentes as alegações de incompetência da autoridade que decide com suporte em delegação de competência, bem como a invalidade da verificação de legitimidade de créditos, objeto de pedido de ressarcimento, por falta de mandado de procedimento fiscal É considerado comerciante atacadista aquele que vende bens de produção a estabelecimento industrial, sendo legitimo o crédito de insumos adquiridos para industrialização, na forma autorizada pelo art. 8. LY, do RIPI/82. O lançamento de oficio, na omissão do contribuinte na saída de produto tributado do seu estabelecimento, somente poderá ocorrer no período não alcançado pela decadência. Não há previsão legal para corrigir saldos de créditos escriturais de IPI. Solicitação Deferida em Parte O pedido de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de insumos utilizados na fabricação de veículos para transporte coletivo, apresentado em 24 de julho de 1998, foi inicialmente indeferido pelo despacho de fls. 510 a 512, de 23 de julho de 1998. Segundo o despacho, o pedido teria fundamento no mandado de segurança n. 91.0101332-7 apresentado à Justiça Federal de Joinville, uma vez que o pedido anteriormente apresentado fora indeferido administrativamente. A segurança, mantida pelo Tribunal Regional Federal da Lla Região, determinava o direito "à manutenção dos créditos de IPI decorrentes das entradas de insumos tributados, utilizados na fabricação de produtos cujas saídas sejam tributadas à aliquota zero". No mais, considerou que, no caso em questão, não seria cabível o ressarcimento em espécie. Apresentada a manifestação de inconformidade (fls. 514 e seguintes), a DRS Florianópolis indeferiu a solicitação (fis. 532 a 537), considerando ainda a impossibilidade de correção monetária dos créditos. 2 Processo n° 10920.000797198-68 S3-C3 T2 Acórdão n.°3302-00.259 Fl. 917 A seguir, a interessada apresentou o primeiro recurso (fls. 539 a 369), em que requereu a escrituração dos créditos corrigidos monetariamente, a aplicação da Selic e a autorização para compensação. Por meio do Acórdão n. 201-73.130 (fls. 570 a 592), a antiga r Câmara do 2° Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso, para admitir o ressarcimento de créditos decorrentes de insumos empregados em produtos de aliquota zero e sua compensação, com atualização pelos índices oficiais e pela Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial contra o Acórdão (fls. 594 e 595), alegando que não teria havido pedido de correção pela Selic. Nas fls. 596 e seguintes, o recurso foi admitido. A autoridade fiscal, por sua vez apresentou embargos declaratórios (fls. 621 a 630), alegando haver contradição entre a fundamentação e o acórdão, ressaltando que teria reconhecido direito a favor do contribuinte em medida maior do que a decisão judicial, que apenas teria reconhecido o direito em relação à manutenção dos créditos. Nas fls. 638 a 646, o Conselheiro-Relator manifestou-se pela intempestividade e improcedência dos embargos, que foram rejeitados pela então Presidente da Câmara. A interessada apresentou as contra-razões ao recurso especial, tendo sido providenciado, em seguida, a apartação do processo em relação à matéria que foi objeto de recurso (fls. 668 e 669). Para cumprimento do acórdão, foi realizada diligência na empresa, determinada pelo despacho de fl. 671. A fiscalização lavrou o relatório de fls. 706 a 708, dando conta da glosa de créditos de entradas de comerciantes não atacadistas, que a interessada teria escriturado como se fossem de atacadistas; de créditos de notas fiscais sem destaque do imposto e do excesso de correção monetária, relativamente ao que foi decidido no acórdão. Novo despacho da autoridade fiscal foi emitido nas fls. 765 e 766 dos autos, não homologando parcialmente a compensação, com os seguintes esclarecimentos: Proferidas decisões pela Delegacia da Receita Federal em Joinville, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, pelo Segundo Conselho de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, procedeu-se a apuração, concluindo-se que o valor a ser ressarcido seria de 993.053,89 Ufir (fl. 703), equivalente a R$ 822.943,76 em 01/01/1996, cabendo a aplicação de juros pela taxa Selic a partir de então, conforme decisão das instâncias administrativas superiores. Efetuada a compensação da parte cedida à Fica Automóveis Ltda. (fls. 725), processo o. 13603.000446/00-89, e de créditos de Cofins, PIS e IRRF do próprio contribuinte - pedidos juntados a este processo a fls. 672 e 675 e declaração de compensação formalizada no processo n. 10920.002596/2002-24 -, restou um saldo credor de 72.040,18 Ufir, equivalente a R$ 59.699,70 em 01/01/1996 (fls. 727e 739). 01/4A 3 Em 04/09/2003 o contribuinte apresentou declaração de compensação para débitos de P15 e Cotins, PER/Dcomp n. 30105.63067.040903.1.3.51-3289 (/ls. 741/756), indicando como origem de crédito o pedido formulado no presente processo. O saldo de crédito existente, igual a 72.040,18 Ufir, atualizado pela taxa Selic até a data da entrega do PER/Dcomp acima mencionado, equivale a R$ 156.002,78. Tal crédito foi integralmente consumido pelas compensações declaradas nesse PER/Dcomp, restando débitos não liquidados (11. 758), conforme abaixo discriminado: 11.1 A interessada apresentou manifestação de inconformidade, apreciada pelo Acórdão citado da DRJ Porto Alegre, que reconheceu "o direito ao ressarcimento relativo ao crédito de insumos adquiridos de comerciantes não-contribuintes do imposto e ao IPI não destacado e compensado na verificação fiscal, já decaído, nos valores do demonstrativo de fls. 701/702, mantendo a glosa dos demais itens do pedido [...1". Nas fls. 880 a 886, a DRF Joinville exarou novo despacho, reconhecendo parte adicional dos créditos em relação aos já reconhecidos anteriormente. A interessada, então, apresentou o recurso de fls. 888 a 904, requerendo a anulação do "despacho Saort/DRF/Joinville, de 23/02/2007, determinando o cumprimento do Acórdão n. 4.153, nos seus devidos termos" e a determinação de, em respeito à coisa julgada administrativa, que a correção monetária dos créditos seja computada desde a data de encerramento de cada período de apuração, até o seu efetivo ressarcimento [...1". Suas alegações referem-se à divergência de entendimento de que a correção monetária dos créditos ocorreria a partir de sua escrituração e não da data da apresentação do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator Esclareça-se que, inicialmente, propus não se tomar conhecimento do recurso, por considerar impossível a rediscussão de matéria que, se não foi, deveria ter sido resolvida em processo administrativo anterior, conforme se verá adiante. Entretanto, a Turma entendeu caber a apreciação do recurso no âmbito do novo contraditório, razão pela qual, sendo tempestivo recurso e satisfazendo os demais requisitos de admissibilidade, dele deve-se tomar conhecimento. No recurso, a interessada requereu a anulação do despacho Saort de 23 de fevereiro de 2007, que deu origem ao presente contraditório, e discutiu a data de correção dos • créditos. ekil 4 Processo n° 10920.000797/98-68 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.259 Fl. 918 Conforme observado pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva, na apuração de fl. 703, os valores foram indexados na data de protocolo original (e não em 1998), em Ufir (e não em Selic). Portanto, os valores, tendo sido transportados para janeiro de 1996 e, tendo sido os débitos, na maioria das vezes, deflacionados para tal data, a Selic foi considerada na integralidade no deflacionamento dos débitos. Nos casos em que os créditos foram corrigidos a partir de janeiro de 1996 até • a data da apresentação das declarações de compensação, houve, igualmente, consideração integral da Selic. Dessa forma, se alguma diferença há, ela se refere à correção, em Ufir, entre a data do encerramento de cada período de apuração e a data de protocolo original, o que resultaria num valor consideravelmente inferior ao requerido pela Interessada. Entretanto, esclareça-se que um caso como o presente poderia apresentar três hipóteses: o acórdão anterior não apresentaria obscuridade e concederia a atualização dos créditos da forma pleiteada pela interessada; o acórdão apresentaria obscuridade e não concederia a atualização dos créditos da forma pleiteada pela interessada; ou o acórdão seria obscuro. Nos dois primeiros casos, tratar-se-ia de execução do acórdão, pois a autoridade fiscal estaria seguindo ou não a decisão administrativa. No terceiro caso, o acórdão deveria ter sido objeto de embargos declaratórios apresentados à época própria. Não se vislumbra, em qualquer uma das hipóteses, possibilidade de nova manifestação da Câmara, como se verá a seguir. Em relação à anulação do despacho Saort, trata-se, na realidade, de medida que pretensamente -visou a manutenção do acórdão originalmente exarado pela P Câmara. Da diligência efetuada para cumprimento do acórdão, resultaram três providências: glosa de créditos de varejistas, glosa de créditos não lançados em notas e glosa do excesso de correção monetária. A primeira instância encarregou-se de corrigir as duas primeiras questões, ao menos naquilo em que pareceu ter razão a Interessada. A questão do cumprimento do acórdão da DRJ pelo Carf não faz parte de suas atribuições, uma vez que somente caberia ao Carf confirmar ou reformar a decisão da MU e não determinar o seu cumprimento pela autoridade fiscall. Conforme o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes: Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I - às Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Câmaras, os relativos a: a) imposto sobre produtos industrializados (1P1), inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI nos casos de importação; b) imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários (I0F); 5 Restou, portanto, a data de correção dos créditos, questão que não foi expressamente decidida no acórdão e que deveria, se fosse o caso, ter sido objeto de embargos declaratórios2 apresentados à época própria. Dessa forma, se a questão já era preelusa no processo administrativo original, à vista do prazo para interposição de embargos declaratórios, não faz sentido algum examiná-la no âmbito de novo recurso voluntário. Em outras palavras, a matéria já foi decidida e, caso houvesse alguma dúvida sobre as conclusões do acórdão, caberia às partes apresentar embargos deelaratórios, uma vez que o Acórdão CSRF/02-01.200 considerou ter havido pedido indireto em relação à Selic, mas não disse qual seria seu termo inicial. Observe-se que nem a Câmara nem a Turma da CSRF endossaram as planilhas apresentadas pela interessada expressamente. A CSRF apenas entendeu que a sua apresentação representava prequestionamento indireto em relação à Selic. Como a Interessada não tem razão em relação ao alegado erro na aplicação da Selic, o Acórdão da CSRF não faz diferença em relação ao pedido da Interessada. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso da interessada. ONIO F it NCISCO c) contribuição para o PIS/Pasep e a Cotins, quando suas exigências não estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação do imposto sobre a renda; d) contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e de direitos de natureza financeira (CPMF); e e) apreensão de mercadorias nacionais encontradas em situação irregular. II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a titulo de substituição e contribuições devidas a terceiros. 2 Conforme o já citado Regimento Interno, cabem embargos declaratários nas seguintes hipóteses: Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a . decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. U7,'
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002734/2006-45
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PROVENTOS E PENSÕES DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). ISENÇÃO DE TRIBUTAÇÃO. CONDIÇÕES.
Os proventos atribuídos a exintegrantes da Força Expedicionária Brasileira – FEB e as pensões aos herdeiros de excombatentes
estão isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.598
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do Redator designado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Nelson Mallmann
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ISENÇÃO DE TRIBUTAÇÃO. CONDIÇÕES. Os proventos atribuídos a exintegrantes da Força Expedicionária Brasileira – FEB e as pensões aos herdeiros de excombatentes estão isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do Redator designado. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Redator Ad Hoc Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Antonio Lopo Martinez, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 2 Relatório MARIA DELGADO DA FONSECA, contribuinte inscrita CPF/MF sob o n° 722.179.60687 com domicílio fiscal na cidade de Juiz de Fora – Estado de Minas Gerais, à Rua Diogo Alvares nº 784 – Bairro Benfica, jurisdicionado à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora MG, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 50/58), prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 56. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 10/10/2006, o Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 02/04), com ciência através de AR, em 24/10/2006 (fls. 31), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 6.982,17 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda de Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu que da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal, constatouse omissão de rendimentos indevidamente declarados como isentos e nãotributáveis, provenientes de aposentadoria, pensão, reforma ou transferência para a reserva remunerada, auferidos pelo titular e/ou dependentes, com idade superior a sessenta e cinco anos, que excederam ao limite de isenção, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 22.822,30. Sendo que a parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, corresponde à quantia de R$ 1.058,00 (um mil e cinqüenta e oito reais) mensais. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3°, §§ e 6º, inciso XV, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990 e artigos 4°, inciso VI, 8º, § 1º, e 28, da Lei nº 9.250, de 1995. Inconformada a contribuinte apresenta, tempestivamente, em 30/18/2006, a peça impugnatória de fls. 01, instruído pelos documentos de fls. 05/31, discordando da autuação, baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que a declarante é viúva de Divino José da Fonseca, excombatente da II Guerra Mundial, pensionista amparada pela Lei n. 2579; que Divino José da Fonseca é reformado conforme Portaria n. 631DIP/FEB de 01 de novembro de 1977, de acordo com o art. 3° da Lei n°. 2579 de 23 de agosto de 1955 (cópia em anexo); que em conformidade com a Declaração do Ministério do Exército — 12ª Circunscrição de Serviço Militar, Maria Delgado da Fonseca é pensionista militar, possuidora do título de pensão n. 149SIP/4 de 25 de junho de 2004 (cópia em anexo); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10640.002734/200645 Acórdão n.º 220200.598 S2C2T2 Fl. 2 3 que após várias solicitações à fonte pagadora de sua pensão, em agosto de 2006 foi devolvida à impugnante o valor retido para Imposto de Renda de janeiro a julho de 2006, declarando assim seu erro ao reter referido valor. Após resumir os fatos e as razões apresentadas pela recorrente em sua peça impugnatória, a autoridade julgadora de primeira instância resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra a autoridade fiscal lançadora, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, na fase impugnatória, esclareceu a interessada que os rendimentos "reclassificados" pela autoridade revisora corresponderiam à pensão militar, concedida nos termos do título de fl. 9, sendo a contribuinte, de acordo com a declaração de fl. 8, beneficiária de Divino José da Fonseca, falecido em 25/02/2004, reformado nos termos do art. 30 n. 2.579/55, pela Portaria n. 631DIP/FEB, de 01/11/77; que no título de pensão militar, anexado à fl. 9, não consta qualquer registro à legislação supra Em assim sendo, em que pese a menção de que Divino José da Fonseca (falecido cônjuge da impugnante) fora reformado com fulcro na Lei n. 2.579/55, à fl. 8, não se denota daí a clara evidência de que a pensionista teria direito à isenção do imposto em seus rendimentos percebidos do Ministério da Defesa;. que a interpretação de matéria que dispõe sobre outorga de isenção traz a amarra estabelecida no art. 111, II, da Lei n. 5.172/66 (CTN), ou seja, é restritiva. Ademais, as informações prestadas pela citada fonte pagadora em DIRF (fl. 43) refletem valor tributável, no anocalendário de 2004, de R$ 21.257,00, o qual corresponde ao expresso também no comprovante de rendimentos de fl. 46; que esclareçase, por oportuno, que no lançamento foi observado haver as fontes pagadoras considerado, de forma concomitante, a parcela de isenção dos proventos de pensão para maiores de 65 anos, daí a apuração do valor tributável apontado de R$ 52.600,65, já excluída a importância correspondente à isenção em comento, conforme narrado à fl. 3v. A ementa que consubstancia os fundamentos da decisão de primeira instância é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. PENSÃO MILITAR. FEB. A ausência de demonstração cabal de que os rendimentos pagos à contribuinte pelo Ministério da Defesa correspondam à pensão da natureza descrita no art. 39, XXXV, do RIR199, leva à consideração desses rendimentos como tributáveis. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/07/2007, conforme Termo constante às fls. 54/55, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (02/08/2007), o recurso voluntário de fls. 56, instruído com o documento de fls. 57, apresentando, em síntese, os mesmos argumentos da peça impugnatória. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 4 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 220200.597 de 17 de junho de 2010, processo atualmente de competência da 2ª Seção de Julgamento, e tendo em vista que o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção resolveu me designar, como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Inicialmente é de se esclarecer que a competência para apreciar os processos administrativos relativos a restituição, compensação e ressarcimento de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal foi atribuída aos Delegados da Receita Federal e Inspetores das Inspetorias da Receita Federal Classe Especial, no âmbito da respectiva jurisdição (Portaria SRF n.º 4.980/94, art. 1º, X). Por outro lado, compete aos Conselhos de Contribuintes, observada sua competência por matéria e dentro dos limites de alçada fixados pelo Ministro da Fazenda, julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância e de decisões de recursos de ofício, nos processos relativos à restituição de impostos e contribuições (Lei n.º 8.748/93, art. 3º, II). Da análise dos autos, se verifica que o litígio gira em torno de restituição de imposto de renda retido na fonte solicitado através da apresentação de Declaração de Ajuste Anual, ou seja, o litígio se refere ao lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário de 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento de fls. 02/04, uma vez que os dados da declaração não foram acatados pelo Fisco prevalecendo os valores calculados pela autoridade fiscal lançadora. Nesta fase recursal, não há dúvidas de que a Declaração emitida em 09 de maio de 2006 pela Circunscrição do Serviço Militar deixa claro que para fins de aplicação do inciso XII, artigo 6°, da Lei n° 7.713, de 1998, regulamentado pelo inciso XXXV, artigo 39, do Decreto n° 1000, de 1999, que a Sra. MARIA DELGADO DA FONSECA, CPF nº 722.179.60687, pensionista militar, vinculada ao órgão Pagador de Inativos e Pensionistas da 12ª' Circunscrição de Serviço Militar (OPIP/12ªCSM), Título de Pensão Militar n° 149SIP/4, de 25 de junho2004, expedido pela Seção de Inativos e Pensionistas da 4ª Região Militar, é beneficiária do Soldado reformado exintegrante da FEB, Idt 10293.827 , DIVINO JOSÉ DA FONSECA, falecido em 25 de fevereiro de 2004, reformado pela Portaria n° 631DIP/FEB, de 01 Nov 77, publicada no Diário Oficial da União de 21 Nov 77, de acordo com o artigo 3°, da Lei n° 2579, de 23 de agosto de 1955. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10640.002734/200645 Acórdão n.º 220200.598 S2C2T2 Fl. 3 5 Pela leitura dos dispositivos legais supra mencionados e da análise dos documentos contidos no processo, especialmente as declarações, firmo entendimento de que a recorrente tem razão de contestar o lançamento efetuado, no que se refere a omissão de rendimentos, já que comprovou que preenchia todos os requisitos necessários à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos, oriundos de sua pensão. Ora, os proventos atribuídos a exintegrantes da Força Expedicionária Brasileira – FEB e as pensões aos herdeiros de excombatentes estão isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 19679.001893/2004-06
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DE NATUREZA FORMAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alberga a prática do ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de ajuste anual do imposto de renda da pessoa física. A entrega tardia da declaração justifica a aplicação da multa prevista em disposição literal de lei.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DE NATUREZA FORMAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alberga a prática do ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de ajuste anual do imposto de renda da pessoa física. A entrega tardia da declaração justifica a aplicação da multa prevista em disposição literal de lei. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alberga a prática do ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de ajuste anual do imposto de renda da pessoa física. A entrega tardia da declaração justifica a aplicação da multa prevista em disposição literal de lei. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 18 93 /2 00 4- 06 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.001893/200406 Acórdão n.º 2801002.848 S2TE01 Fl. 30 2 Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige multa por atraso na declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física exercício 2003. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3/5, alegando, em síntese, que está albergada pela denuncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN. O lançamento foi julgado procedente, sob o fundamento de que a penalidade aplicada está prevista no art. 88 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Cientificada da decisão de primeira instância, a Interessada interpôs recurso tempestivo (fls. 21/24). Na peça recursal aduz, em síntese, que: Deixou de apresentar declaração porque inexistiam rendimentos tributáveis e porque o sistema não acatava a declaração de isento. Era sócia quotista de pessoa jurídica, criada por seu exmarido, mas jamais auferiu qualquer receita da referida sociedade, nem participou de sua administração. Não sabia que estava obrigada a prestar declaração de rendimentos de pessoa física, mesmo estando na mesma condição das pessoas que podem apresentar declaração de isento. Devidamente orientada, antes de qualquer procedimento da fiscalização, apresentou todas as declarações que até então tinha deixado de apresentar. A exigência de qualquer penalidade, após a denúncia espontânea, é conspirar contra a norma contida no artigo 138 do CTN, malferindo a finalidade inspiradora do instituto. Ao final, pugna a Recorrente pelo acolhimento e provimento do recurso, de forma a cancelar a penalidade injustamente aplicada. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. À época da entrega da declaração estava em vigor a Instrução Normativa SRF nº 290, de 30 de janeiro de 2003, cujo art. 1º, inciso III, assim dispunha: Obrigatoriedade de Apresentação Art. 1º Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2003 a pessoa física residente no Brasil, que no anocalendário de 2002: (...) Fl. 30DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.001893/200406 Acórdão n.º 2801002.848 S2TE01 Fl. 31 3 III participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa; O art. 88 da Lei nº 8.981/1995, por seu turno, estabelece: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. Na espécie, a própria Recorrente afirma que “era sócia quotista de pessoa jurídica”. Logo, estava obrigada a apresentar a declaração de ajuste anual do imposto de renda da pessoa física no prazo estabelecido na legislação tributária, pena de se sujeitar à penalidade prevista no dispositivo legal acima transcrito. A denúncia espontânea não alberga a prática do ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de ajuste anual do imposto de renda da pessoa física, haja vista tratarse de obrigação acessória não alcançada pelo art. 138 do CTN. Em outras palavras: o contribuinte que apresenta a sua declaração de rendimentos após a data limite estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB fica sujeito à multa decorrente do seu atraso, ainda que tenha se antecipado a procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Nesse sentido, a Súmula Carf nº 49, verbis: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Este entendimento está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ. Precedentes: AgRg no REsp. nº 11.340/SC, AgRg no REsp 848.481/PR, REsp 637.753/SC, dentre outros. Face ao exposto, voto negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 31DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.001893/200406 Acórdão n.º 2801002.848 S2TE01 Fl. 32 4 Fl. 32DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 13647.000112/2002-87
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a concomitância nos termos do voto do relator.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a concomitância nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 7. 00 01 12 /2 00 2- 87 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório O processo teve início com o pedido de ressarcimento de IPI protocolado pela Recorrente em 27/09/2002, tendo como crédito o imposto sobre os insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, nos termos do DecretoLei nº 491/69, art. 5º e Lei nº 8.402/92, art. 1º, inciso II e créditoprémio de IPI, previsto no art. 1º do DecretoLei nº 491/69. A unidade de origem ao analisar o pedido entendeu por bem, desmembrar o pedido inicial em dois processos distintos, sendo uma parte os créditos referentes ao art. 5º do DL nº 491/69 e do art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.402/92, permanecendo no presente processo o valor de R$ 7.878.732,60 e os créditos referentes ao crédito prêmio de IPI, previsto no art. 1º, do DL nº 491/96, no valor de R$ 6.340.144,02, transferidos para outro processo. Iniciada a auditoria para verificar a procedência do pedido de Ressarcimento, a Recorrente informou que em razão da demora da Receita Federal em analisar o pedido, impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230, visando à obtenção do ressarcimento pleiteado. A ação judicial em questão teve decisão parcial favorável, mas em razão de apelação apresentado pela União, foi encaminhada ao Tribunal Regional Federal da 1º Região, onde aguardava decisão. Em razão da propositura da ação judicial decidiu a Unidade de origem indeferir o pedido de ressarcimento, em razão da vedação de ressarcimento quando o crédito pleiteado é objeto de discussão judicial não transitada em julgada, nos termos do art. 170A do CTN e ainda, em razão da opção pelo contribuinte pela via judicial, configurar renuncia às instâncias administrativas. Inconformada com a decisão a Recorrente apresentou impugnação alegando que as restrições do art. 170A do CTN não se aplica ao caso em questão, visto os créditos de IPI, serem apurados na contabilidade não sendo necessária autorização do Fisco ou decisão transitada em julgado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu que o Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230 referiase somente ao crédito premio do IPI e não aos créditos referentes ao art. 5º do DL nº 491/69 e do art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.402/92. Afastada a aplicação do art. 170A do CTN, a autoridade a quo analisou o pedido de ressarcimento e entendeu não estarem presentes os requisitos necessários ao ressarcimento, indeferindo o pedido. Transcrevo abaixo os argumentos apresentados pela autoridade de primeira instância para negar o pleito da Recorrente. “Ai surgem os óbices impeditivos para a concessão do valor pleiteado: 1° o montante requerido, ao contrário do que determina a norma legal, não representa saldo credor, mas, sim, o somatório de pretensos créditos atrelados a operações de exportação ocorridas entre 1999 e 2002 lançado no Registro de Apuração do IPI, 2° decêndio de setembro de 2002; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13647.000112/200287 Acórdão n.º 3102001.619 S3C1T2 Fl. 391 3 2° não está comprovado o expurgo de entradas referentes a saídas não tributadas (álcool etílico), o que vai de encontro ao disposto no §3°, do art.2°, da IN SRF n°33/99. Em resumo: só há ressarcimento para saldos credores detectados ao final de cada trimestre civil, restando nãolídimo o pleito de ressarcimento de créditos não confrontados com débitos (nãocumulatividade), considerandose cada período de apuração do imposto, bem como os expurgos relativos a entradas que geraram produtos que se situam fora do campo de incidência do IPI. Diante do exposto, VOTO pelo INDEFERIMENTO da solicitação contida na manifestação de inconformidade de fls.77/96”. A ementa do Acórdão da DRJ foi a seguinte: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Ementa: RESSARCIMENTO DO IPI O ressarcimento de valores vinculados ao Imposto sobre Produtos Industrializados deve obedecer estritamente ao disposto nas Instruções Normativas SRF n's 33/99 e 460/2004. Normas não observadas, é de se indeferir o pedido por carência de suporte legal para seu reconhecimento. Solicitação Indeferida” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, alegando em síntese que o Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230, versa sobre os créditos fundados no art. 1º e 5º do DecretoLei nº 491/96 e este último combinado com o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e inciso II do art. 1º da Lei nº 8.402/92. Alega a Recorrente que embora o objeto da ação judicial seja mais abrangente, pois também inclui a lide sobre o art. 1º do DecretoLei nº 491/69 (crédito presumido) é inequívoca a concomitância da ação judicial com o pedido de ressarcimento constante do presente processo, portanto, a autoridade fazendária perdeu a competência para julgar o mérito da lide. Quanto ao art. 170A do CTN a Recorrente alega não ser aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e apesar do pedido de ressarcimento ser protocolado no ano de 2002, os créditos tributários referemse a períodos anteriores a edição da Emenda Constitucional nº 104 que introduziu a vedação do ressarcimento no art. 170A do CTN. A Recorrente afirma que demonstrou durante a fase de conhecimento, ao atender as intimações da fiscalização que o crédito pleiteado apurado em operações de Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 exportação, tratase de saldo credor e considerando que não houve aproveitamento de créditos não há que se falar em estorno do valor do crédito na contabilidade. Finalizando, afirma que os créditos das entradas relacionadas com as saídas não tributadas (álcool etílico) não estão computadas no crédito pleiteado. Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora providenciasse cópia da Petição Inicial do Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230, com a finalidade de confirmar a matéria em discussão na ação judicial. Concluída a diligência, os autos retornaram ao CARF para retomada do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado a decisão de primeira instância de forma diferente da decisão da unidade de origem, entendeu não existir concomitância entre o Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230 e o pedido de ressarcimento controlado no presente processo. Inconformada a Recorrente impetrou recurso combatendo a decisão de piso da DRJ e afirmando que a ação judicial protocolada abrange os créditos de IPI apurados nos termos do art. 1º e 5º do DecretoLei nº 491/96, desta forma existiria a concomitância, afastando a discussão na esfera administrativa. os artigos 1º e 5º do DecretoLei nº 491/96 em discussão são assim redigidos. " Art. 1º As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão, a título estimulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente. ... Art. 5º É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados" Para solucionar a questão o julgamento foi convertido em diligência a fim de que cópia da Petição Inicial do Mandado de Segurança nº 2002.38.02.0026230 fosse trazida aos autos para averiguar as afirmações constantes do recurso voluntário. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13647.000112/200287 Acórdão n.º 3102001.619 S3C1T2 Fl. 392 5 Com o retorno da diligência ficou confirmado as alegações da Recorrente. A ação judicial impetrada trata de maneira especifica do direito a fruição do crédito prêmio previsto nos art. 5º do Decretolei nº 491/69, mas de forma geral pede o reconhecimento do direito a créditos do IPI e em diversas passagens da petição inicial, alega o direito ao crédito do IPI previsto no art. 5º do Decretolei nº 491/69, conforme se depreende dos textos da petição inicial que transcrevo abaixo. "a) DA PRETENSÃO DA IMPETRANTE/; "CRÉDITO PRÊMIO À EXPORTAÇÃO" FUNDAMENTO, APURAÇÃO E USO DO CRÉDITO. A IMPETRANTE, pessoa jurídica de direito privado, empresa que de acordo com seus estatutos sociais atua no setor sucro alcooleiro, em atividade integrada, plantando, industrializando e comercializando derivados de canadeaçúcar, especialmente açúcares de diversos tipos, no mercado interno e boa parte efetivamente destinado à exportação, conforme inclusas guias/notas de exportação (ANEXO 2 NOTAS DE EXPORTAÇÃO/REGISTRO CACEXSISCOMEX) Sob essas condições é titular de direito a percepção do CRÉDITO PRÊMIO À EXPORTAÇÂO, e decorrente dos insumos ligados ao processo de produção do produtos exportados, fundado nos Artigos 1º e 5º do Decretolei nº 491/69 e no Artigo 1º da Lei 8.402/92, e nos moldes determinados pela Instrução Normativa nº 21/97, e demais normas aplicáveis à espécie. ... b) DO PROCESSO PRODUTIVO DA IMPETRANTE E DO DIREITO AOS CRÉDITOS DOS ARTIGOS 1º E 5º DO DL 491/69 ... Dai porque, conforme o disposto nos Artigos 1º e 5º do Decreto lei 491, de 05 de março de 1969, abaixo transcritos, a IMPETRANTE encontrase apta a detentora do direito à utilização dos créditos decorrentes de estímulos fiscais na área de IPI, na forma de incentivo a exportação (IPI crédito prêmio) e o incidente sobre a aquisição de insumos, matériasprimas, produtos intermediários e embalagens utilizados em seu processo produtivo, relativos as vendas de açúcar destinado à exportação. .... DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS Por todo o exposto, presente os requisitos que autorizam a obtenção de provimento liminar, requerse: Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 a) seja concedida liminar, inaudita altera pars, para preventivamente, afastar os embaraços impostos pela Impetrada, a fim de permitirse à IMPETRANTE o aproveitamento de seus créditos de IPI, tal aqui descritos, lançados em seus livros fiscais, dentro dos limites e alcance de nãocumulatividade constitucional do imposto e das hipóteses da Lei 9.430/96, de modo a garantir, a expedição de certidões de regularidade fiscal, as prerrogativas previstas pela IN SRF 21/97, vigente ao tempo da constituição dos créditos, par ao aproveitamento dos créditos objeto do pedido de ressarcimento suprareferido, mediante compensação, inclusive com a emissão dos documentos comprobatórios de compensação previstos pela referida Instrução Normativa, sem as restrições indevidamente impostas pela IN SRF 41/2000 e IN SRF 210/2002, e, suspendo, nos termos do Art. 151 do CTN, a exigibilidade dos tributos e contribuições compensados, assegurandose, contudo, ao Fisco o regular exercício da fiscalização." Em razão da discussão judicial, as alegações quanto à procedência do crédito do IPI não podem ser apreciadas por esta turma, tampouco poderia se objeto de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, a decisão na Ação Judicial interfere diretamente no lançamento ora combatido. O código Tributário Nacional ao excluir da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, visa evitar decisões divergentes, diante do principio da unidade de jurisdição prevalente no País em que decisões judiciais são soberanas e a propositura destas afasta a possibilidade de apreciação pela via administrativa. Este entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, a propositura de ação judicial discutindo a mesma matéria constante dos autos, importa renúncia ao Processo Administrativo Fiscal. Em que pese a decisão adotada pela autoridade de primeira instância, esta deverá ser afastada em razão da concomitância que afastou o litígio administrativo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a concomitância e quanto ao mérito não conhecer do recurso em razão da concomitância com a ação judicial. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13647.000112/200287 Acórdão n.º 3102001.619 S3C1T2 Fl. 393 7 Winderley Morais Pereira Fl. 396DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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