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Numero do processo: 11762.720111/2013-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. DATA INICIAL PARA EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO.
CONCOMITÂNCIA.
Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação nos períodos em que reconhecida a concomitância. Porém, esta última (multa de mora) será devida após transcorridos 30 (trinta) dias contados da data da
decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição (art. 63 da Lei n. 9.430/1996).
Numero da decisão: 3302-004.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. DATA INICIAL PARA EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação nos períodos em que reconhecida a concomitância. Porém, esta última (multa de mora) será devida após transcorridos 30 (trinta) dias contados da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição (art. 63 da Lei n. 9.430/1996).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. DATA INICIAL PARA EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação nos períodos em que reconhecida a concomitância. Porém, esta última (multa de mora) será devida após transcorridos 30 (trinta) dias contados da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição (art. 63 da Lei n. 9.430/1996). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da relatora. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 17 62 .7 20 11 1/ 20 13 -6 3 Fl. 11.396Fl. 11.396 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária julho de 2017 Processo Administrativo Fiscal Processo Administrativo Fiscal FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL EMPRESA DE NAVEGAÇÃO ELCANO S.A. EMPRESA DE NAVEGAÇÃO ELCANO S.A. AA Fl. 11396DF CARF MF 2 de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato de Deus, Charles Nunes e Lenisa Prado. Relatório Tratam-se de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com arrimo no art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF n. 343, de 2015, contra o Acórdão n. 3302-003.256, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitos ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio exame de similaridade a isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB) uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitos ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do IPI, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio exame de similaridade a isenção do IPI de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB) uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 11397DF CARF MF Processo nº 11762.720111/2013-63 Acórdão n.º 3302-004.604 S3-C3T2 Fl. 11.397 3 Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep - Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré- registradas no Registro Especial Brasileiro (REB). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep - Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré- registradas no Registro Especial Brasileiro (REB). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. POSSIBILIDADE. Se há medida liminar previamente ao lançamento do crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, está última será devida após transcorridos o prazo de 30 (trinta) dias contados da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei n. 9.430/1996). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 11398DF CARF MF 4 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força da medida judicial não impede a lavratura do auto de infração (Súmula CARF n. 48). CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, a matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF n. 1). MANDADO DE SEGURANÇA NÃO TRANSITADO EM JULGADO. PREJUDICIALIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. O processo administrativo deve ter seguimento até o seu desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva. IMPOSIÇÃO INDEVIDA DE MULTA MORATÓRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imposição de multa de mora, ainda que indevida, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS. MESMO SUJEITO PASSIVO. ÚNICO PROCESSO. CABIMENTO. Em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, por expressa previsão legal (art. 9º, § 1º do Decreto n. 70.235/1972), autos de infração formalizados para exigência de cada tributo integrarão único processo. Recurso Voluntário Provido em Parte Em 07/07/2017 foi proferido o juízo positivo de admissibilidade (fls. 11393/11395), oportunidade na qual foi reconhecida a existência do vício de obscuridade no acórdão embargado, já que não elucidado a partir de que momento poderá ser cobrada a multa devida. Diante do teor do despacho acima indicado, os autos do processo foram devolvidos a este Colegiado, para que o vício apontado seja sanado através de novo julgamento. É o relatório. Fl. 11399DF CARF MF Processo nº 11762.720111/2013-63 Acórdão n.º 3302-004.604 S3-C3T2 Fl. 11.398 5 Voto Conselheira Lenisa Rodrigues Prado A embargante afirma que está evidente no acórdão embargado que a exclusão da multa de mora foi determinada em razão da existência de decisão judicial favorável ao contribuinte, proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n. 0028166.42.2012.4.01.3400. No entanto, requer que este Colegiado se manifeste para esclarecer o alcance da determinação da exclusão da penalidade - se apenas em relação à parte do lançamento em que foi reconhecida a concomitância ou se abrange todos os fatos geradores do lançamento. Na hipótese dos autos, conforme registrado no acórdão embargado, a incidência da multa subsumi-se à regra prevista no art. 63 da Lei n. 9.430/1996, que assim determina: Art. 63. Na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º. O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição de ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição. O artigo 125 do Código Civil/2002 (aplicado subsidiariamente ao CTN) esclarece que diante de condição suspensiva - que na hipótese dos autos é a existência da decisão judicial favorável à pretensão do contribuinte - enquanto esta não se consolidar, não se terá adquirido o direito do Fisco em exigir o pagamento do tributo. Registre-se, pois, para fins de aclaramento da decisão embargada, que a exclusão das multa de ofício e de mora corresponde, apenas, ao fatos geradores submetidos ao crivo do Poder Judiciário, sobre os quais foi reconhecida a concomitância. Deverá constar na parte dispositiva do acórdão o texto presente na ementa do julgado corrigido, já que este corresponde ao que efetivamente foi decidido por este Colegiado, verbis: Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação nos períodos em que reconhecida a concomitância. Porém, esta última (multa de mora) será devida após transcorridos 30 (trinta) dias contados da data da decisão Fl. 11400DF CARF MF 6 judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição (art. 63 da Lei n. 9.430/1996). Diante do exposto, acolho os embargos de declaração para rerratificá-los sem, contudo, prestar-lhes efeitos modificativos. Lenisa Rodrigues Prado - Relatora Fl. 11401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720709/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2202-004.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 11.112,00.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 11.112,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 161 1 160 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720709/201439 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.103 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2017 Matéria IRPF deduções Recorrente ROBERTO VICENTINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 11.112,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 07 09 /2 01 4- 39 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10073.720709/201439 Acórdão n.º 2202004.103 S2C2T2 Fl. 162 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Foi efetuada notificação de lançamento de fls. 59 a 66, em face da apuração de dedução indevida de despesas médicas e de pensão alimentícia no exercício de 2011 (ano calendário 2010). A Fiscalização esclareceu que o Contribuinte informou despesas junto ao plano de saúde Unimed Volta Redonda no valor de R$ 6.652,35, mas o documento apresentado somente comprova despesa no montante de R$ 6.520,95, o que resultou em uma glosa de R$ 131,40. Em relação às deduções de pensão alimentícia judicial, a autoridade fiscal procedeu a glosa parcial da pensão paga a Aparecida de Fátima Campara, informando que somente havia sido acatado o montante de R$ 5.565,00, do total declarado de R$ 6.075,00. Quanto à beneficiária Keila Coimbra de Mendonça, foi glosado integralmente o valor de R$ 9.600,00 pelo fato de o contribuinte não haver apresentado escritura pública, acordo homologado judicialmente ou sentença judicial. No tocante à pensão alimentícia paga a Leslie Nascimento Cunha, foi acatada a comprovação de R$ 3.517,00, de um total declarado de R$ 14.629,00, em razão de os comprovantes de pagamento relativos aos meses de janeiro, fevereiro, junho, julho, agosto e dezembro estarem ilegíveis. O Contribuinte foi cientificado da exigência em 09/04/2014 (fl. 45) e, em 29/04/2014, apresentou a impugnação de fls. 02/03, alegando, em síntese, que efetuou os pagamentos de pensão alimentícia nos termos da legislação e apresentou declaração retificadora do exercício de 2011, anocalendário 2010, onde consta despesa Unimed do próprio contribuinte, tendo pago o imposto sobre a diferença apurada. O Contribuinte foi cientificado da exigência em 09/04/2014 (fl. 58) e, em 29/04/2014, apresentou impugnação alegando, em síntese, que efetuou os pagamentos de pensão alimentícia nos termos da legislação e a despesa médica glosada não foi declarada por ele e possivelmente tratase de erro da Receita Federal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10073.720709/201439 Acórdão n.º 2202004.103 S2C2T2 Fl. 163 3 Anocalendário: 2010 PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PARTE DO PAGAMENTO. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando comprovada a existência de estipulação através de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública e comprovados os efetivos pagamentos, devendo ser mantida a glosa de parte da despesa declarada e não comprovada. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. A decisão de primeira instância foi no sentido de acatar as deduções da pensão alimentícia pagas a Keila Coimbra de Mendonça e a Aparecida de Fátima Campara, restabelecendo as deduções de R$ 9.600,00 e R$ 510,00, respectivamente. Não foram aceitas as deduções referentes a Leslie Nascimento Cunha, no valor de R$ 11.112,00 e à Unimed, no valor de R$ 131,40. Cientificado dessa decisão em 24/09/2014, por via postal (A.R. de fl. 85), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/10/2014 (fls. 87 a 123), no qual requer a improcedência da ação fiscal e anexando os seguintes documentos: declarações de Leslie Cunha; declaração da Imobiliária Consulplan; declaração da Universidade Federal Fluminense; cópia de sentença judicial; cópia de sentença judicial do acordo. Na sessão de 13/04/2016, esta Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência (fls. 132/137), para que a autoridade fiscal intimasse o Contribuinte a apresentar provas e relatórios detalhando: (i) O valor total pago pelo locatário da loja no ano calendário de 2010; e (ii) A parcela daquele valor total que foi repassado à alimentanda, e de que forma. Em resposta à diligência, o Contribuinte apresentou os documentos de fls. 150/155. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da dedução de despesas médicas pagas a Unimed Volta Redonda e de pensão alimentícia judicial paga a Leslie Nascimento Cunha, ambas no anocalendário de 2010. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10073.720709/201439 Acórdão n.º 2202004.103 S2C2T2 Fl. 164 4 Dedução de despesas médicas A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaquei) O Contribuinte afirmou em sua impugnação que a despesa médica glosada no valor de R$ 131,40 não foi declarada por ele e possivelmente tratase de erro da Receita Federal. Assim, ele próprio reconheceu que não realizou essa despesa e, portanto, a glosa deve ser mantida. Pensão alimentícia judicial Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10073.720709/201439 Acórdão n.º 2202004.103 S2C2T2 Fl. 165 5 A Fiscalização glosou integralmente o valor deduzido a título de pensão alimentícia judicial paga a Keila Coimbra de Mendonça, no montante de R$ 9.600,00, o qual foi restabelecido pela decisão a quo. No tocante à pensão alimentícia paga a Leslie Nascimento Cunha, foi glosado pela autoridade fiscal o valor de R$ 11.112,00, tendo em vista que os comprovantes de pagamento dos meses de janeiro, fevereiro, junho, julho, agosto e dezembro estavam ilegíveis, o que foi mantido pela DRJ. A DRJ manteve a glosa por entender que a declaração emitida pela responsável pelo alimentando, sra. Leslie Nascimento Cunha, não era suficiente para comprovar a efetiva transferência do dinheiro. A decisão de primeira instância utilizou também como argumento o fato de que o Contribuinte não apresentou provas que comprovassem qual deveria ser o valor da pensão alimentícia estipulado judicialmente, como recibos de pagamento do aluguel do imóvel e comprovante de que o filho cursava o nível superior. Assim, a controvérsia reside na comprovação do pagamento de pensão alimentícia judicial de R$ 11.112,00, feito a Leslie Nascimento Cunha no ano de 2010. Com relação ao tema, assim dispõe o art. 4º da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: I a soma dos valores referidos no art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990; II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Observase que o Contribuinte declarou a dedução da pensão alimentícia paga a Leslie Nascimento Cunha no total de R$ 14.629,00 (fl. 71), porém a Fiscalização somente aceitou a dedução de R$ 3.517,00, restando a glosa de R$ 11.112,00. Conforme Notificação de Lançamento de fls. 59/66, o motivo da glosa foi a comprovação parcial da despesa: Glosa do valor de R$ ********21.222,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. LESLIE DE NASCIMENTO CUNHA(6.075,00): COMPROVADO PARCIAL(3.517,00), HAJA VISTA OS COMPROVANTES DE PAGTO ILEGÍVEIS(JAN, FEV, JUN, JUL, AGO, DEZ). APARECIDA DE FATIMA CAMPARA(14.629,00): COMPROVADO PARCIAL(5.565,00) . CONFORME AUTOS Nº Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10073.720709/201439 Acórdão n.º 2202004.103 S2C2T2 Fl. 166 6 0056.07.1382941 FICOU DECIDIDO JUDICIALMENTE O DEVER DE PAGAR 1 (UM) SALÁRIO MÍNIMO MENSAL A APARECIDA DE FÁTIMA CÂMPARA. NÃO APRESENTOU COMPROVANTE RELATIVO A AGOSTO/2010. [...] (grifei) A autoridade fiscal cometeu um pequeno erro ao trocar os valores de R$ 14.629,00 relativo à Leslie Nascimento Cunha e de R$ 6.075,00 referente a Aparecida de Fátima Campara, na descrição dos fatos na Notificação de lançamento (fl. 61). Porém, esse equívoco formal não prejudicou o lançamento. Assim, o que deve ser aqui discutido é a comprovação da despesa deduzida a título de pensão alimentícia, paga a Leslie Nascimento Cunha. Nessa instância de julgamento não está mais em discussão a questão da obrigação de pagar em virtude das normas do direito de família, pois a Fiscalização não questionou essa parte. Portanto, ao abordar esse ponto, a DRJ inovou, modificando a motivação do lançamento, visto que inexistente tal fato imponível no lançamento. Ademais, nas fls. 110/111 constam declarações que atestam que o alimentando cursava faculdade nos anos de 2010 a 2014. Não se pode admitir a inovação da fundamentação no julgamento de primeira instância por oposição de motivo não constante da autuação. Nesse sentido as seguintes decisões deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido (Acórdão nº 2102002.907, de 14/04/2014, Rel. Alice Grecchi) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS SEM VÍCIO FORMAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10073.720709/201439 Acórdão n.º 2202004.103 S2C2T2 Fl. 167 7 Autuação amparada exclusivamente na constatação de vícios formais no recibo médico trazido pela contribuinte, não pode subsistir caso sejam sanadas tais deficiências, mediante declaração do profissional emitente do recibo. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2802002.929, de 16/07/2014, Rel. Ronnie Soares Anderson) Dessa forma, o que se discute aqui é a comprovação dos pagamentos efetuados pelo Contribuinte à responsável pelo alimentando, a sra. Leslie Nascimento Cunha. O Contribuinte trouxe aos autos duas declarações da beneficiária, na qual ela declara ter recebido em 2010 os seguintes valores: R$ 6.991,00 referentes às pensões do ano de 2011 e R$ 8.100,00 relativos ao acordo judicial dos valores atrasados (fls. 106 e 120). Entendo que tais declarações, por si só, não fazem prova da transferência do dinheiro, como bem observou a decisão de primeira instância. No entanto, é necessário analisá las junto com as demais provas que constam dos autos. Pela análise da documentação acostada aos autos, notadamente após a realização da diligência solicitada por este Colegiado, verificase o seguinte: · o valor da pensão estipulado era de 115% do salário mínimo, a partir de junho de 2006; · em 2007 foi feito um acordo para pagamento de valores em atraso de pensão alimentícia, devidos até novembro de 2007; · a primeira parcela deveria ser paga no mês subsequente ao pagamento do primeiro aluguel da loja 23 do Pontual Shopping, determinado no acordo; · o valor total devido dos atrasados era de R$ 15.000,00; · o valor mensal a ser pago seria equivalente a 50% do aluguel do imóvel; · ao quitar a dívida, caso o alimentando esteja frequentando curso de nível superior, o executado continuará pagando os valores acordados até a conclusão do curso superior. Caso contrário, o executado pagará, tão somente, o valor de R$ 300,00 por mês, até a integralização do débito, independentemente da renda do imóvel; · o pagamento dessas parcelas não influenciam nos pagamentos dos alimentos vincendos já fixados em processo distinto; · o imóvel situado na Rua 14, nº 350, loja 10 (antiga loja 23), foi alugado de março de 2009 a março de 2014 com valor inicial de R$ 1.800,00, conforme contrato de locação; Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10073.720709/201439 Acórdão n.º 2202004.103 S2C2T2 Fl. 168 8 · Conforme a imobiliária, o locador (contribuinte) recebeu os seguintes valores relativos a 50% do aluguel do referido imóvel, descontada a comissão de 10% (fls. 151/152): 2010: R$ 9.213,85 2011: R$ 10.489,64 · a pensionista, Leslie Nascimento Cunha, declara ter recebido em 2010 os seguintes valores: R$ 6.991,00 referentes às pensões do ano de 2010 e R$ 8.100,00 relativos ao acordo judicial dos valores atrasados (fls. 106 e 120); · As declarações de fls. 110 e 111 atestam que o alimentando cursava faculdade nos anos de 2010 a 2014. Conforme o acordo judicial, o alimentante (Contribuinte) deveria pagar ao alimentando 50% do valor recebido de aluguel da loja 23, até quitar o valor devido de R$ 15.000,00. O contrato de locação apresentado referese ao imóvel situado na Rua 14, nº 350, loja 10 (antiga loja 23) e o valor ajustado foi de R$ 1.800,00 mensais, enquanto a declaração da imobiliária inicialmente apresentada era relativa ao imóvel da Rua 14, nº 14, loja 10. A imobiliária esclareceu, por ocasião da diligência efetuada (declaração de fls. 151/155), que o imóvel situado na Rua 14, nº 350, loja 10 (antiga loja 23), foi locado ao sr. José Roberto de Souza Braga e à sra. Elaine Ferreira da Cruz, de acordo com contrato firmado em 26/03/2009. Afirma, ainda, que havia informado o endereço equivocado anteriormente, por erro de digitação. Informa que, ao longo do período inicial da locação, a sra. Keila Coimbra de Mendonça rotineiramente comparecia à imobiliária para cobrar os valores dos alugueis a que tinha direito conforme decisão judicial. Afirma que recebeu notificação judicial, datada de 30/09/2009, para que passasse a depositar 50% do aluguel mensal em nome da sra. Keila Coimbra de Mendonça. Diz que, em razão dos conflitos de interesse, passou a consignar em juízo, por meio do Banco do Brasil, por guia de depósito judicial, em nome do Sr. Roberto Vicentini e da Sra. Keila Coimbra de Mendonça, o valor total do aluguel mensal recebido, no período de 20/10/2009 a 14/04/2014. Declara a imobiliária que, em função de sentença prolatada pelo Juiz de Direito Marcelo Costa Pereira, extraída do processo nº 2003.066.028.3986, da 3ª Vara de Família de Volta Redonda, foi determinada a meação do referido imóvel em favor da sra. Keila Coimbra de Mendonça. Em relação ao anocalendário 2010, objeto do presente litígio, a imobiliária informou que a quantia destinada à Sra. Keila Coimbra de Mendonça foi de R$ 9.213,85, mediante consignação judicial, assim como foi destinada a mesma quantia para o sr. Roberto Vicentini (fls. 153/154). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10073.720709/201439 Acórdão n.º 2202004.103 S2C2T2 Fl. 169 9 Observase, portanto, que as informações da imobiliária referemse a pagamentos efetuados à sra. Keila Coimbra de Mendonça. No entanto, os valores em litígio são relativos à pensão alimentícia paga à sra. Leslie Nascimento Cunha. Pela resposta da imobiliária (fla. 153/154), os valores correspondentes a 50% do valor do imóvel em 2010, repassados ao Contribuinte fiscalizado, foram de R$ 9.213,85 (R$ 10.237,57 R$ 1.023,72), em virtude da meação determinada judicialmente. Vêse, portanto, que os valores declarados pela beneficiária (Leslie Nascimento Cunha) como recebidos pela pensão alimentícia em atraso, no total de R$ 8.100,00 no anocalendário 2010, assim como os valores recebidos relativos às pensões mensais (R$ 6.991,00), são compatíveis com os valores acordados judicialmente e, desse modo, devem ser acatados. Dessa forma, pelo conjunto probatório, entendo que devem ser acatadas as declarações da beneficiária e, em consequência, deve ser afastada toda a glosa de dedução de pensão alimentícia paga à sra. Leslie Nascimento Cunha no anocalendário de 2010, no valor de R$ 11.112,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 11.112,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001264/2007-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2008
PRAZO.
OPÇÃO. IMPEDITIVO LEGAL.
A legislação expressamente impede a opção pelo Simples Nacional pela pessoa jurídica que possua débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.
COMPROVAÇÃO.
As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria.
Numero da decisão: 1801-000.583
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2.05 1 11..0055 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.001264/200734 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.583 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de maio de 2011 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente ANTICO & ANTICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PRAZO. OPÇÃO. IMPEDITIVO LEGAL. A legislação expressamente impede a opção pelo Simples Nacional pela pessoa jurídica que possua débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. COMPROVAÇÃO. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13830.001264/200734 Acórdão n.º 180100.583 S1TE01 Fl. 3.05 2 Relatório Tendo em vista o fato de que a sua solicitação não foi processada pela RFB, a Recorrente solicitou em 04/09/2007, fls. 01/02, opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados, fl. 33: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de, 14 de dezembro de 2006, e no artigo 82 da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional por incorrer na(s) seguinte(s) situação(ões): Estabelecimento CNPJ: 49.882.681/000158 Débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação legal: inciso V do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. A pessoa jurídica poderá impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, no prazo de trinta dias, contado da data em que for feita a intimação deste Termo. A impugnação deverá ser dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento com jurisdição sobre o domicílio tributário do contribuinte e protocolada em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme disposto nos arts. 52, 15, 17 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Cientificada em 13/02/2008, fl. 36, a Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a impugnação em 28/02/2008, fls. 37/38, com as alegações abaixo transcritas: 1) Que o Requerente solicitou sua inclusão no Simples Nacional a partir de 01/07/2.007, em data de 04/09/2.007, juntando para tal pedido, cópias da tela de Opção pelo Simples Nacional com a mensagem: "Sua solicitação foi encaminhada com sucesso"(fls.04) e do Termo de Opção pelo Simples Nacional (fls.05); 2) Que em data de 31/01/2.008, a REQUERENTE recebeu o parecer do seu pedido INDEFERIDO com a alegação que a mesma estava com pendências junto a PGFN e débitos referentes ao Tributo Simples do ao Calendário 2.006, motivo pelo qual está impedida de ser Optante do Simples Nacional; 3) Acontece que, em relação ao débito referente ao tributo Simples de 2.006, o mesmo nunca existiu, o que ocorreu foi um atofalho na hora de preencher o Imposto de Renda Pessoa Jurídica da REQUERENTE, pois ao invés de informar que a mesma é MICROEMPRESA, foi informado erroneamente que era Empresa de Pequeno Porte, tanto é verídico tal fato que pode ficar provado pelo faturamento da REQUERENTE, além do mais, a mesma já apresentou a RETIFICADORA junto a Fl. 111DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13830.001264/200734 Acórdão n.º 180100.583 S1TE01 Fl. 4.05 3 Receita Federal do Brasil logo foi sabedora de tal erro, conforme faz prova com cópia em anexo; 4) No que diz respeito as pendências na PGFN, todos os processos estão "SUBJUDICE", ou seja, se encontram em Instância aguardando o parecer final. Informa ainda à V. Sª, que dos 05(cinco) processos 04(quatro) foram julgados PROCEDENTES à REQUERENTE e que, todos estão caucionados; 5) Diante o exposto e dos documentos acostados, requer à V. Sª RECONSIDERAÇÃO da Solicitação de Opção de INCLUSÃO AO SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2.007, conforme já solicitado anteriormente, pois só assim se fará pura e Cristalina JUSTIÇA!!! Termos em que, E. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/POR/SP nº 1425.516, de 29/07/2009, fls. 79/82: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 DÉBITO SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PENDÊNCIA IMPEDITIVA. REGULARIZAÇÃO. INCLUSÃO. INÍCIO DOS EFEITOS. Representa óbice à inclusão no SIMPLES NACIONAL a existência de débito sem a suspensão de sua exigibilidade, permitindose o ingresso do sujeito passivo quando regularizada a pendência impeditiva antes de esgotado o prazo para opção relativo ao anocalendário em questão ou, se posterior a regularização apenas a partir do anocalendário seguinte, caso faça nova opção. Notificada em 31/08/2009, fl. 89, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22/09/2009, fls. 90/91, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na impugnação, conforme abaixo evidenciado: 01) Que em relação aos débitos relativos a previdência do exercício 2.007, os mesmos inexistem, pois foram todas recolhidas em suas respectivas datas, tudo conforme a Lei do SIMPLES NACIONAL, conforme faz prova com os xerox das guias; 2) Que em data de 06 de novembro de 2.007, há pedido do SACAT, foi enviado o ato Constitutivo e a Declaração de Faturamento de 01 a 07 de 2.007, comprovando que preenchia os requisitos para Opção ao SIMPLES NACIONAL; 3) Que sendo RECONSIDERADA a opção no SIMPLES NACIONAL no ano de 2.007, verificará que não existem pendências previdenciárias e nem junto a PGFN, em nome da REQUERENTE; Fl. 112DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13830.001264/200734 Acórdão n.º 180100.583 S1TE01 Fl. 5.05 4 04) Tanto é verídico que, no próprio relatório se comprova a regularização das pendências relativas ao Simples no exercício 2.006, tendo todo direito de enquadrar no SIMPLES NACIONAL; 05) Além do mais, Nobres Julgadores, temos que levar em consideração que a empresa REQUERENTE jamais deixou de cumprir com suas obrigações, sempre recolheu seus tributos em dia, o que, hoje é difícil de se encontrar; Diante o acima exposto, REQUER à V. S. seja julgado TOTALMENTE PROCEDENTE o pedido de enquadramento no Simples Nacional da referida empresa REQUERENTE, RECONSIDERANDO a opção no exercícios de 07/2.007, 2.008 e 2.009, pois só assim se fará pura e cristalina Termos em que; P. e E. Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Cabe ressaltar que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; O indeferimento não prescinde da caracterização inequívoca da situação considerada impeditiva, bem como da comprovação de que a pessoa jurídica possua débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, para fins de opção pelo Simples Nacional. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13830.001264/200734 Acórdão n.º 180100.583 S1TE01 Fl. 6.05 5 Constam as seguintes pendências na PGFN, fls. 29/30 e 44/48: Nº da Inscrição Débito Data da Inscrição 8079900720512 Pis 05/03/1999 8069902727371 Cofins 05/03/1999 8029901249566 IRPJ 05/03/1999 8069902727452 CSLL 05/03/1999 8069921628588 CSLL 05/03/1999 As cópias dos documentos de arrecadação juntados às fls. 92/101 se referem à competência dos anos calendário de 2007 e 2008 e os débitos que motivaram o indeferimento estão inscritos em Dívida Ativa da União desde 1999. A Recorrente não apresentou as certidões que comprovam a regularidade fiscal ou prova da quitação integral dos tributos. As provas constantes nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis que demonstrem sua afirmativa de que o procedimento de ofício contém incorreções. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas produzidas no processo constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto. Logo, não lhe cabe razão. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 114DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001231/00-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992
RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. CABIMENTO.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação, nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos em Resolução do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 3401-003.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para assegurar que sejam aplicados, no caso em análise, os índices de atualização atualização/correção previstos na Resolução no 561, do CJF, que contemplam expurgos inflacionários. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. CABIMENTO. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação, nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos em Resolução do Conselho da Justiça Federal.
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EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. CABIMENTO. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação, nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos em Resolução do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para assegurar que sejam aplicados, no caso em análise, os índices de atualização atualização/correção previstos na Resolução no 561, do CJF, que contemplam expurgos inflacionários. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 12 31 /0 0- 13 Fl. 613DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição de fl. 21, datado de 17/04/2000, demandando créditos de FINSOCIAL em função de “ilegalidade do acréscimo que excedeu a 0,5% de alíquota”, de 01/1990 a 03/1992, no valor total de R$ 826.824,51. Às fls. 4 e 5, a empresa informa que deseja compensar a quantia com COFINS devida, “caso haja em época”, e com COFINS a pagar, e que seja a correção efetuada conforme UFIR, NE/CONJUNTA/SRF/COSIT/COSAR no 08/1997, e juros de 1% até 12/1995, e SELIC a partir de 01/1995 (planilha de cálculo à fl. 6 e DARF de pagamento às fls. 7 a 12). O pedido é indeferido no Despacho Decisório de fls. 55 a 57, por decadência, visto que o pedido data de 17/04/2000 e os indébitos excedem cinco anos contados de tal data, conforme artigos 156, 165 e 168 do Código Tributário Nacional (CTN) e Ato Declaratório SRF no 96/1999. Informa ainda o despacho decisório que, em função da decadência, não foram verificados os cálculos apresentados pela empresa, bem como a pertinência e a suficiência dos documentos apresentados e a confirmação dos pagamentos nos registros da SRF. Ciente da decisão da unidade local da RFB em 18/08/2003 (fl. 59), a empresa apresenta, em 16/09/2003 (fls. 75 a 81), documento intitulado de “impugnação” (em verdade, manifestação de inconformidade), no qual sustenta que: (a) o termo inicial para a contagem do período para pleitear a restituição, no caso, não é a data do pagamento, mas a data do ato normativo que atribua o direito à empresa (na hipótese, a Instrução Normativa SRF no 31/1997, conforme precedente invocado, da Câmara Superior de Recursos Fiscais); (b) A decisão de primeira instância, proferida em 18/12/2013 (fls. 103 a 107) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que o Ato Declaratório SRF no 96/1999 vincula o julgador administrativo, não podendo ser afastado, devendo o termo de início da contagem para o pedido de restituição ser o pagamento. Após ciência da decisão da DRJ, em 26/04/2004 (AR de fl. 110), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 112 a 119, em 11/05/2004 (fl. 136), reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade, agregando mais precedentes administrativos em seu favor. No então Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão no 303 32.170, de 16/07/2005 (fls. 138 a 143), foi rejeitada, por maioria, a alegação de decadência, determinandose unanimemente o retorno dos autos para a autoridade julgadora de primeira instância apreciar as razões de mérito. Ciente do acórdão em 17/02/2006 (fl. 144), a PGFN apresentou “Recurso Especial de Divergência” (fls. 146 a 154), em 22/02/2006, discordou do entendimento de segunda instância administrativa, de que o início da contagem de prazo para pleitear restituição do FINSOCIAL é 31/08/1995 (data de edição da Medida Provisória no 1.110/1995), apresentando divergência jurisprudencial, no sentido de que o prazo é contado do pagamento, como defenderam a decisão de piso e o despacho decisório. O recurso especial foi admitido pelo despacho de fls. 186/187, em 03/03/2006. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10875.001231/0013 Acórdão n.º 3401003.863 S3C4T1 Fl. 614 3 Ciente da admissão do recurso especial em 06/06/2006 (fl. 190), a empresa apresentou contrarrazões em 20/06/2006 (fls. 198 a 206), sustentando o paradigma colacionado tem por fundamento declaração de voto vencido, e é contrário à orientação dominante do tribunal administrativo, colacionado ementas de diversos julgados. Na Câmara Superior de Recursos Fiscais, o processo foi apreciado no Acórdão CSRF no 0306.023, de 08/09/2008 (fls. 253 a 260), no qual se decidiu, por maioria, por negar provimento ao recurso especial, sob o fundamento de que “o direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante a inexistência de ato específico do Senado Federal, o Parecer COSIT no 58, de 27/10/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da publicação da Medida Provisória no 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/2000”. Ciente da decisão da CSRF em 18/08/2009 (fl. 262), a PGFN interpôs Recurso Extraordinário, ainda em 18/08/2009 (fls. 264 a 276), para que a matéria fosse analisada pelo Pleno da CSRF, reiterando o argumento de que o termo de início da contagem de prazo para pedir restituição, no caso, é a data do pagamento, colacionando dissidência jurisprudencial, e informando que foi revogado o Parecer COSIT no 58/1998, usado como fundamento na decisão recorrida. O recurso extraordinário foi admitido pelo despacho de fls. 279/280, em 14/01/2011. E, ciente da admissão do recurso especial em 06/04/2011 (fl. 283), a empresa apresentou o expediente de fls. 285 a 287, em 24/05/2011, no qual afirma que interpôs contrarrazões ao recurso extraordinário em 18/04/2011, pela via postal (envelope de postagem às fls. 297/298), mas o funcionário da RFB sequer atestou o recebimento em AR. Reapresenta, então, as contrarrazões, às fls. 288 a 293, na qual acusa a peça da Fazenda de ser meramente protelatória, não contrapondo o decidido nem a jurisprudência dominante do tribunal administrativo. A Câmara Superior se manifesta, então, por seu Pleno, no Acórdão CSRF no 9900000.742, de 29/08/2012 (fls. 302 a 311), decidindo unanimemente pelo provimento parcial ao recurso, com fundamento no RE no 566.621/RS, julgado pelo STF, no sentido de que “para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4o, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador)”. Passa, então, a unidade local da RFB a analisar, no mérito, o pedido, demandando documentos à empresa (apresentados às fls. 320 a 501), e acrescentando documentos de controle da própria RFB (fls. 502 a 526). No Despacho Decisório de fls. 536 a 542, o crédito é parcialmente reconhecido, no montante de R$ 237.592,69, atualizados até 31/12/1995 (conforme planilha de fl. 541), detectando a fiscalização a prestação de informação incorreta sobre pagamentos, pelo postulante ao crédito. Fl. 615DF CARF MF 4 Ciente da nova decisão da unidade local da RFB em 05/09/2014 (fl. 545), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 29/09/2014 (fls. 548 a 557), argumentando que: (a) a atualização se deu conforme a tabela anexa à NE/CONJUNTA/SRF/COSIT/COSAR no 08/1997; (b) a atualização não utilizou os juros à Taxa SELIC de 31/12/1995 a 03/2000, conforme cálculo da inicial; (c) a atualização não validou os créditos até 03/2000, mas até 31/12/1995; e (d) o demonstrativo de pagamentos faz referência a arquivo não paginável, ao qual a empresa não teve acesso. A nova decisão de primeira instância, proferida em 26/02/2015 (fls. 574 a 577) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que “os indébitos tributários relativos a pagamentos efetuados entre 01/01/1988 e 31/12/1991 devem ser corrigidos pelos mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional na cobrança de seus créditos”, aplicandose as normas da RFB, e que deve ser corrigido o despacho decisório, pois o Acórdão no 9900000.742, do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgou improcedente a repetição de eventuais indébitos de fatos geradores ocorridos até 17/04/1990, por estarem prescritos, pelo que a inclusão dos valores referentes aos períodos de apuração de janeiro (R$ 4.117,33) e março de 1990 (R$ 819,67), caracteriza ofensa à coisa julgada, sendo indevida, devendo o valor reconhecido ser R$ 232.655,70. Após ciência da decisão da DRJ, em 09/03/2015 (termo de fl. 580), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 582 a 598, em 06/04/2015, reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade, no sentido de que: (a) é ilegal a aplicação da tabela anexa à NE/CONJUNTA/SRF/COSIT/COSAR no 08/1997, que contraria decisões da CSRF, os princípios da lealdade e moralidade administrativa, o direito à correção monetária (com todos os expurgos inflacionários) e a Súmula no 46 do TFR; e (b) caso entenda o CARF que deve ser aplicada a referida NE, a ela devem ser agregados os índices relacionados à fl. 597. Em 22/04/2015 o processo retorna ao CARF (fl. 611), e é sorteado a conselheiro que renuncia ao mandato, como se registra em 09/08/2016 (fl. 612). Em setembro de 2016, o processo foi a mim distribuído, por novo sorteio, visto que o relator original não mais compunha o colegiado. O processo não foi indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro, março e abril o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em maio de 2017, por fim, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10875.001231/0013 Acórdão n.º 3401003.863 S3C4T1 Fl. 615 5 Superado todo o histórico do processo, narrado no relatório, que passa pela possibilidade de restituição, e pelo valor a restituir, em decorrência de pagamentos reconhecidamente indevidos de FINSOCIAL, resta contenciosa apenas a forma de atualização dos créditos. Não há, nos autos, nenhum questionamento em relação ao montante principal a originalmente restituir, nem em relação ao fato de a DRJ ter detectado erro no montante apurado em despacho decisório, pelo que se considera que tais matérias já não compõem a lide. Sobre a atualização do débito, cerne do contencioso remanescente, há que se destacar, inicialmente, que a utilização da tabela anexa à NE/CONJUNTA/SRF/COSIT/COSAR no 08/1997, tão condenada na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, é exatamente a correção que demandava a empresa, em seu pedido inicial (fls. 4/5): Cabe, de antemão, uma apara, pois a Taxa SELIC se aplica apenas a partir de 01/01/1996, o que resta claro não somente do comando legal que rege a matéria (Lei no 9.250/1995, artigo 39, § 4o), mas do entendimento ficado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do antigo CPC, artigo 1036 do novo Código de Processo Civil), no REsp no 1.111.175/SP: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. Fl. 617DF CARF MF 6 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ.” (Primeira Seção, Rel. Min. Denise Arruda, unânime, 10 jun. 2009) (grifo nosso) E é outra decisão do STJ, na mesma sistemática dos recursos repetitivos, que trata da correção/atualização de débitos considerando os chamados “expurgos inflacionários”, como demanda a recorrente. Vejase o que dispõe o no REsp no 1.112.524/SP: “RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA . INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: ....). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciar se de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública:( ...) 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10875.001231/0013 Acórdão n.º 3401003.863 S3C4T1 Fl. 616 7 inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ) (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Corte Especial, Rel. Min. Luiz Fux, unânime, 1 set. 2010) (grifo nosso) E as decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este tribunal administrativo, por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF (em verdade, depois da Lei no 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19, V e § 5o da Fl. 619DF CARF MF 8 Lei no 10.522/2002, passaram a ser de acolhida obrigatória por toda a RFB, nas condições ali estabelecidas). Diante das recorrentes discussões sobre atualização/correção de valores tributários a restituir, houve manifestação da Fazenda sobre o tema, por meio do Ato Declaratório no 10, de 01/12/2008, do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, autorizando a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007”. No Ato, foram invocados os seguintes precedentes: AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007). O Manual de Cálculos da Justiça Federal, que pode ser consultado no sítio web do Conselho da Justiça Federal, assim, tem norteado não só decisões judiciais, mas decisões administrativas sobre atualização/correção de indébitos tributários. Vejamse decisões recentes do CARF, todas unânimes, de diferentes turmas, inclusive esta (e com minha participação), sobre o tema: “INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. Na atualização do indébito tributário é cabível a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, denominados de expurgos inflacionários, fixados na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de Julho de 2007, nos termos do entendimento sufragado nos Recursos Especiais nºs. 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux) e 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski), submetidos ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C, do CPC (Aplicação do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF/2015). (...)” (Acórdão no 3302003.748, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, unânime, sessão de 29 mar. 2017) (grifo nosso) “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Nos pedidos de restituição/compensação em procedimento pela via administrativa, deve incidir os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive com base no art. 62, §2º do RICARF, haja vista que tal Resolução está em sintonia com entendimento exarado pelo STJ no REsp 1.112.524/DF, julgado sob o rito de recurso representativo de controvérsia.” (Acórdão no 3402003.850, Rel. Cons. Diego Diniz Ribeiro, unânime, sessão de 20 fev. 2017) (grifo nosso) “(...) COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, impõese a aplicação, nos pedidos de restituição/ compensação em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10875.001231/0013 Acórdão n.º 3401003.863 S3C4T1 Fl. 617 9 Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF.” (Acórdão no 3401 003.230, Rel. Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira, unânime, sessão de 26 set. 2016) (grifo nosso) “ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Na atualização monetária de indébitos tributários é cabível a aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução nº 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal.” (Acórdão no 3301003.002, Rel. Cons. Francisco José Barroso Rios, unânime, sessão de 21 jun. 2016) (grifo nosso) O posicionamento sobre o tema é também unânime na Câmara Superior de Recursos Fiscais: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.” (Acórdão no 9303004.669, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, unânime, sessão de 16 fev. 2017) (grifo nosso) “RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.” (Acórdão no 9303004.351, Rel. Cons. Júlio Cesar Alves Ramos, unânime, sessão de 6 out. 2016) (grifo nosso) Creio que, pelo exposto, pouco resta a discutir sobre a forma de correção do indébito tributário no presente processo, visto que está assentado o posicionamento administrativo sobre a matéria, no sentido de aplicação, ainda que a pedidos administrativos, dos índices de atualização/correção previstos na Resolução no 561, do CJF, que contemplam expurgos inflacionários. Quanto à aplicação da Taxa SELIC, informase que não é cumulável com qualquer outro índice, conforme esclarece o citado REsp no 1.111.175/SP. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para assegurar que sejam aplicados, no caso em análise, os índices de atualização/correção previstos na Resolução no 561, do CJF, que contemplam expurgos inflacionários. Rosaldo Trevisan Fl. 621DF CARF MF 10 Fl. 622DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720176/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 1.036 do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTENTE. EXCLUSÃO DE PARCELAS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE PREVISTA NO ARTIGO 145 DO CTN
A exclusão de parcelas da base de cálculo requeridas em impugnação não implica a nulidade do auto de infração, mas sua alteração, a teor do artigo 145 do CTN.
BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE O ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO.
As contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidem sobre os atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa prestadora de serviço médico com terceiros tomadores do referido serviço, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as parcelas relativas às receitas financeiras, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Charles P. Nunes, que negavam provimento quanto à exclusão das receitas financeiras decorrentes da mora no recebimento de mensalidades dos planos de saúde em atraso.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 1.036 do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTENTE. EXCLUSÃO DE PARCELAS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE PREVISTA NO ARTIGO 145 DO CTN A exclusão de parcelas da base de cálculo requeridas em impugnação não implica a nulidade do auto de infração, mas sua alteração, a teor do artigo 145 do CTN. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE O ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO. As contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidem sobre os atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa prestadora de serviço médico com terceiros tomadores do referido serviço, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 259 1 258 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720176/200736 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.760 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PIS/Pasep Recorrente UNIMED DE SALVADOR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 1.036 do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTENTE. EXCLUSÃO DE PARCELAS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE PREVISTA NO ARTIGO 145 DO CTN A exclusão de parcelas da base de cálculo requeridas em impugnação não implica a nulidade do auto de infração, mas sua alteração, a teor do artigo 145 do CTN. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE O ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO. As contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidem sobre os atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa prestadora de serviço médico com terceiros tomadores do referido serviço, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 01 76 /2 00 7- 36 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 260 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as parcelas relativas às receitas financeiras, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Charles P. Nunes, que negavam provimento quanto à exclusão das receitas financeiras decorrentes da mora no recebimento de mensalidades dos planos de saúde em atraso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep, relativo ao período de 1º/01/2002 a 31/12/2002. O lançamento ocorreu sobre as receitas contabilizadas nas contas contábeis 3.1.1.01.01 Receitas de planos de saúde e 3.1.1.01.04 Receitas Financeiras. Em impugnação, a recorrente alegou, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração por não permitir o exercício livre de seu direito de defesa e, no mérito, que pratica apenas atos cooperativos, não auferindo lucro, rendas ou receitas e que estas são dos cooperados, bem como a realização de atividadesmeio, como propaganda, contratação de terceiros para prestação de serviços auxiliares e atendimento a usuários não cooperados não descaracteriza a impugnante como cooperativa. Por fim, requereu a realização de perícia contábil. A DRJ proferiu o Acórdão nº 0818957, julgando a impugnação improcedente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese: "1 nulidade da autuação em razão da não segregação dos atos não cooperativos erro e incerteza na determinação da base de cálculo. Precedente da CSRF Acórdão nº 910100.212, de 27/07/2009; 2 improcedência da autuação no que toca ao mês de janeiro de 2002. Ocorrência da decadência (art. 150 do CTN); 3 improcedência da autuação em razão do erro na determinação da base de cálculo, que foi majorada pela falta de exclusão das receitas provenientes de atos cooperativos, de Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 261 3 outros valores que não representam receita (compra de planos de saúdes pelos cooperados, descontos incondicionais, vendas do ativo permanente, reversões de provisões e recuperação de créditos baixados, resultados positivos de avaliação de investimentos, receita financeiras e sobras destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fates) e das parcelas previstas no § 9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, acrescido que foi pela Medida Provisória nº 2.15835/2001." Reiterou, ao final, a necessidade de realização de diligência fiscal. Na sessão de 28/11/2012, o julgamento foi convertido em diligência mediante a Resolução nº 3302000.262, para que fossem tomadas as seguintes providências abaixo transcritas: "(a) a Recorrente seja intimada a esclarecer, no prazo de 30 dias, quais valores compõe a rubrica contábil referente ao custo com atos cooperados. Ainda, especificamente, esclareça a Recorrente se dentre estas receitas estão os custo com rede própria. Caso negativo, indique a Recorrente onde estão, exatamente, registrados estes custos nos Documentos Contábeis trazidos à colação, apresentando, para tanto, planilha demonstrativa. (b) a autoridade administrativa deverá analisar as informações apresentadas pela Recorrente em relação ao item ‘a’ e elaborar parecer conclusivo no sentido de localizar os valores referentes ao custo com rede própria da Recorrente. (c) ainda, a autoridade administrativa deverá verificar o quanto alegado pela Recorrente em seu recurso voluntário às fls. 167, acerca dos pagamentos realizados entre as Unimed (de uma Unimed à Outra), uma vez que de acordo com o Balancete juntado aos autos houve receitas de intercâmbio. Neste aspecto, o que se questiona é: Houve pagamento de uma Unimed para outra? As ditas “receitas de intercâmbio” referemse a este tipo de pagamento? Solicitase que a autoridade administrativa elabore Parecer Conclusivo. Por seu turno, a autoridade fiscal elaborou relatório fiscal no qual informou que a recorrente fora intimada via AR, tendo este sido devolvido com a informação "mudou se". Assim, procedeuse à intimação da recorrente por edital, bem como notificouse via postal o liquidante em 13/02/2004, Sr. José Sinvaldo Oliveira da Silva, para, caso desejasse, comparecesse à Delegacia para retirar uma cópia do Termo de Diligência, que continha os elementos solicitados, informando, ao final, que o liquidante não compareceu. Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 262 4 O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminar, a recorrente alega a nulidade da autuação por ter a autoridade fiscal segregado os atos cooperativos dos atos não cooperativos. Destacase, de plano, que o Auto de Infração contém os requisitos legais exigidos no artigo 10 do Decreto 70.235/72 e foi lavrado por pessoa competente, não ocorrendo qualquer nulidade nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972 Verificase, ademais, que a questão é de mérito. De fato, como reconhecido na própria peça recursal, a autoridade fiscal considerou as duas receitas tributadas como atos não cooperativos, a saber, receitas de vendas de plano de saúde e receitas financeiras, cuja sujeição à tributação será discutida no mérito, o que não implica qualquer nulidade, mas, eventualmente, alteração no lançamento, conforme disposto no inciso I do artigo 145 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Assim, afastase a nulidade arguida. Em seguida, a recorrente pugnou pela decadência do lançamento em relação à competência de janeiro de 2002, uma vez que a ciência ocorreu em 23/02/2007, incidindo, pois, a regra insculpida no §4º do artigo 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A matéria "decadência do direito de constituir crédito tributário" encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do antigo CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Transcrevese a ementa: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 263 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 264 6 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º, do CTN, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Verificase na planilha de apuração de débito (efl. 19) que não houve informação sobre qualquer pagamento realizado pela recorrente, nem sua peça recursal traz qualquer menção a sua ocorrência. Destarte, não tendo havido prova da existência de qualquer pagamento relativo à competência janeiro/2002, o prazo decadencial regese pela regra do artigo 173, inciso I, do CTN e não pelo §4º do artigo 150, como alegado pela recorrente. No mérito, a recorrente defende a exclusão das parcelas de co responsabilidades cedidas, parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, previstas no §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, além da venda de planos de saúde aos próprios cooperados, os descontos incondicionais, as receitas decorrentes das vendas para o ativo permanente, os resultados positivos de avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e de lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição e que tenham sido computados como receita, as reversões de provisões operacionais e recuperação de créditos baixados como perda (não representam ingresso de novas receitas), previstas no §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, as receitas financeiras, as sobras destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fates (art. 28 da Lei 5.764/71) e pede que seja determinada a realização de diligência para se determinar a correta base de cálculo. As receitas autuadas foram a venda de planos de saúde conta 3.1.1.01.01 e as receitas financeiras 3.1.1.01.04. Quanto a estas últimas, procede a impugnação da recorrente. De fato, a autuação fundamentou a apuração da base de cálculo no artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, incluindo seu §1º. Ocorre que referido parágrafo teve a inconstitucionalidade reconhecida nos leading cases RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG, e assentada no RE 585.2351/MG, com repercussão geral reconhecida, nos termos da seguinte ementa: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 265 7 EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Tal decisão deve ser reproduzida nos julgamentos administrativos no âmbito deste Conselho, conforme disposto no §2º do artigo 62 do Anexo II do atual RICARF, aprovado pela Portaria MFnº 343/2015. As receitas financeiras decorreram de mora em recebimentos em atraso, descontos obtidos e rendas de aplicações financeiras, não configurando, pois, atividade típica da cooperativa e devem ser excluídas da base de cálculo. Concernente às demais exclusões, necessário, antes expor o entendimento sobre a sujeição das receitas de vendas de plano de saúde à tributação do PIS/Pasep e da Cofins. A matéria foi objeto de deliberação nesta turma em recentes julgados, especialmente o Acórdão nº 3302003.136, processo nº 16682.720633/201450, cujas razões externadas pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento transcrevo abaixo e as adoto como razão de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999: "1) Da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o ato cooperativo próprio e impróprio. Com base no artigo 79 da Lei 5.764/1971 e baseado em doutrina, a recorrente alegou que não havia incidência tributária das referidas contribuições sobre os atos cooperativos principais e auxiliares, porque os valores decorrentes de tais atos não representavam faturamento/receita bruta da atividade exercida pelas cooperativas, mas meros ingressos, sem exteriorização de conteúdo econômico inerente à atividade mercantil. Para a recorrente, os atos praticados pelas cooperativas médicas dividirseiam em atos cooperativos (principais e auxiliares) e atos não cooperativos. Os primeiros, segundo a recorrente, estavam fora do campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por conseguinte, a receita bruta deles advinda não integrava a base de cálculo dessas contribuições. A definição de atos cooperativos adota pela recorrente compreende todos aqueles praticados com o objetivo de realizar o objeto social da cooperativa e os dividiu em atos principais e auxiliares. Os atos cooperativos principais eram aqueles praticados entre cooperativa e cooperado e os auxiliares os praticados entre cooperativa e terceiros ou entre terceiros e cooperados. Já os atos não cooperativos seriam aqueles que não Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 266 8 tivessem vinculação direta com o objeto da cooperativa, ou seja, os negócios estranhos ao objeto social da cooperativa. Tal entendimento, induvidosamente, amplia o alcance definição legal de ato cooperativo apresentada no art. 79 da Lei 5.764/1971, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Por se tratar de definição veiculada em diploma legal, em razão do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972, aos integrantes deste Conselho é expressamente vedada afastála, em detrimento de qualquer outra apresentada na doutrina ou na jurisprudência, por mais bem elaborados ou “judiciosos” que sejam. E a propósito, depois de intensa controvérsia, essa também é a definição de ato cooperativo que, ao final, prevaleceu no âmbito da jurisprudência dos tribunais superiores, conforme a seguir demonstrado. Assim, com base no referido preceito legal, as sociedades cooperativas só praticam dois tipos atos ou negócios, a saber: a) os atos cooperativos (típicos, internos ou próprios), celebrado entre a cooperativa e o cooperado ou ainda entre a cooperativa e outra cooperativa a ela associada, para a consecução dos objetivos sociais; e b) atos não cooperativos (atípicos, externos ou impróprios) aqueles praticados com terceiros (não cooperados ou associados), ainda que para a consecução dos objetivos sociais. Além disso, o parágrafo único do art. 79 em comento, deixa claro que somente o ato cooperativo não implica operação de mercado, o que, em regra, assegurao possível de adequado, mas não privilegiado, tratamento tributário, conforme previsto no art. 146, III, “c”, da CF/1988; a contrario sensu, o ato não cooperativo tem natureza de operação de mercado, o que, em regra, submeteo a normal tratamento tributário. A propósito, a lei atualmente vigente (Lei 5.764/1971), que dispõe sobre o regime das sociedades cooperativas, expressamente, prevê a tributação das receitas/resultados obtidos com os atos não cooperativos, nos termos dos arts. 86 e 111, a seguir transcritos: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 267 9 Especificamente em relação à tributação das receitas auferidas pelas cooperativas pela Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, depois de longa discussão sobre a matéria, no âmbito da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos RREE 598.085/RJ e 599.362/RJ, realizado sob regime de repercussão geral, nas assentadas dos dias 5 e 6 de novembro do corrente ano, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deu provimento aos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, para reconhecer que as receitas das cooperativas auferidas da prestação serviços a terceiros estava sujeita à tributação das referidas contribuições. E esse entendimento, sabidamente, por determinação regimental, deve ser replicado nos julgamento deste Conselho. Em apertada síntese, nos referidos julgados, por unanimidade, o que raro em matéria tributária, o plenário do STF manifestou o entendimento que: a) a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins submetemse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), e que havia sim incidência das referidas contribuições sobre atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa prestadora de serviço com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas; b) a Lei 5.764/1971 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei ordinária e que o seu artigo 79 apenas definia o que seria ato cooperativo, sem nada definir quanto ao regime de tributação das cooperativas; c) a alegação de que as sociedades cooperativas não possuíam faturamento, nem receita e, por essa característica, não estavam sujeitas à incidência de qualquer tributo sobre suas atividades principais e acessórias, levava ao mesmo resultado prático de se conferir a elas, sem expressa autorização constitucional, imunidade tributária; d) o tratamento tributário adequado ao ato cooperativo era questão política que deveria ser resolvida na esfera competente, logo eventual insuficiência de normas não poderia ser tida por violadora do princípio da isonomia; e e) não havia hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, consequentemente, seria possível que uma lei formalmente complementar, mas materialmente ordinária, fosse revogada por lei ordinária, o que teria ocorrido no caso da revogação da isenção veiculada na Lei Complementar 70/1991 pela Medida Provisória 1.859/1999 e reedições seguintes, até a redação definitiva dada pela Medida Provisória 2.15835/2001, que validamente operaram a derrogação da norma concessiva de isenção da Cofins para as sociedades cooperativas. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 268 10 Para mais detalhes sobre entendimento esposado pelo STF nos referidos julgados, seguem reproduzidos, respectivamente, os enunciados das ementas dos citados RREE 598.085/RJ e 599.362/RJ: RE 598.085/RJ: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.15835. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 269 11 fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 270 12 adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. (RE 598085, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022015 PUBLIC 10 022015) Grifos não originais. RE 599.362/RJ: EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 271 13 concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 272 14 segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. (RE 599362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022015 PUBLIC 10022015) Grifos não originais. Em suma, da leitura dos referidos enunciados, extraise que, diferentemente do alegado pela recorrente, para a firme jurisprudência do STF os atos cooperativos (próprios ou internos) são aqueles realizados pela cooperativa com os seus próprios associados (cooperados) na busca dos seus objetivos sociais, e que as receitas provenientes dos atos (negócios jurídicos) praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviço integram o campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Especificamente no que tange à receita auferida pelas cooperativas médicas, operadoras de plano de saúde, decorrentes da venda de plano de saúde a terceiros não cooperados, a matéria foi objeto de julgamento, sob regime de repercussão geral, no âmbito do referenciado RE 598.085/RJ, e a decisão foi no sentido de que tais receitas integravam a base de cálculo das referidas contribuições, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. [...] 2) Da natureza jurídica da operação de venda de planos de saúde pelas cooperativas operadoras de plano de saúde. [...] [...]. Nos termos do caput do art. art. 79 da Lei 5.764/1971 os atos cooperativos são somente aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados e entre as cooperativas associadas entre si, para a consecução dos objetivos sociais da correspondente cooperativa. Logo, os atos ou negócios praticados pelas cooperativas com terceiros não são atos cooperativos. Assim, os atos praticados entre as cooperativas médicas e terceiros adquirentes de planos de saúde, por ser ato não cooperativo, caracterizase como operação de mercado, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, em decorrência, as receitas auferidas da realização dos referidos negócios integram o campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 273 15 Ainda sobre assunto, cabe ressaltar a evolução porque passou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, inicialmente, afastou a referida definição legal de ato cooperativo, e adotou definição de sentido e alcance ampliado defendido por parte relevante da doutrina, de que o ato cooperativo deve abarcar o conjunto de atos praticados pela entidade cooperativa com os associados (cooperados) ou não, que se revelem imprescindíveis para a consecução de seus objetivos sociais, conforme se infere do excerto extraído do voto condutor do REsp 903.699/RJ1, que segue transcrito: Extraise do raciocínio jurídico do ilustre Professor, portanto, que o conceito legal de ato cooperativo deve abarcar o conjunto de atos praticados pela entidade cooperativa em nome dos cooperados, e em benefício desses, com pessoas físicas ou jurídicas não–associadas, sem intuito de lucro nem receita, que se revelem imprescindíveis para a consecução de seus objetivos sociais, que é o de auxiliar os associados, organizando e planejando suas operações coletivas, ainda que tais atos se apresentem, aparentemente, atípicos. Nesse diapasão, não destoa do conceito de ato cooperativo a venda de bens ou serviços dos associados por intermédio da cooperativa, pois em conformidade com o seu mister, sendo certo que o resultado positivo obtido nessa operação não importa em receita da sociedade, pois transferido, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Porém, atualmente, a jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que ato cooperativo é somente aquele praticado entre a sociedade cooperativa e associados (cooperados) ou entre cooperativas associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Portanto, em consonância com os termos da definição veiculada no caput do art. 79 da Lei 5.764/1971. A título de exemplo citase o acórdão proferido no REsp 829.458/MG, de onde se extrai a parte relevante do enunciado da ementa que segue transcrito: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS SOBRE FATURAMENTO E SOBRE FOLHA. INCIDÊNCIA. COOPERATIVAS MÉDICAS. UNIMED. REPASSES PELOS SERVIÇOS PRESTADOS POR PROFISSIONAIS COOPERADOS E NÃO COOPERADOS À CLIENTELA DA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. RECEITAS DAS PRÓPRIAS ENTIDADES E NÃO DOS PROFISSIONAIS. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DESPROVIMENTO DO RECURSO. [...] REPASSES AOS MÉDICOS NÃO COOPERADOS: INCIDÊNCIA 18. Como já dito em tópico anterior, a fundamentação integral do Min. Castro Meira e parte dos argumentos da Min. Eliana Calmon estavam centrados no entendimento de que os arts. 2º e Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 274 16 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998 veiculariam base legal de dedução de valores no que se refere aos repasses aos médicos da base de cálculo do PISFaturamento. 19. Sabese que atos não cooperativos são tributados normalmente. A própria recorrente afirma em sua inicial, a saber: "Em decorrência da natureza sui generis das sociedades cooperativas, estas sempre tiveram um regime tributário próprio, no qual o ato cooperativo não sofre a incidência de tributos, e os atos não cooperativos são submetidos normalmente à tributação" (fl. 5). 20. Isso, aliás, está previsto expressamente no art. 2º, § 1º, da Lei 9.715/1998, a saber: "§ 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados" (grifo nosso). 21. O STJ, por sua vez, sempre decidiu que os serviços prestados por cooperativas médicas a terceiros (não associados) são passíveis de incidência de PIS, justamente porque aí se tem ato não cooperativo, conforme os seguintes julgados: a) REsp 746.382/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 12.9.2006, DJ 9.10.2006, p. 279; b) AgRg no AREsp 170.608/MG, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 9.10.2012, DJe 16.10.2012; c) AgR nos EDcl no REsp 84.75/MG, 1ª Turma , Rel. Min. Teori Albino Zavscki , DJe 16.3.2011; d) AgRg no Ag 1386385/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2.6/2011, DJe 9.6.2011. 22. Em relação à própria Unimed, na condição de operadora de plano de saúde, a Segunda Turma decidiu na mesma linha acima: "O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente" (AgRg no REsp 786.612/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17.10.2013, DJe 24.10.2013). 23. Presente esse contexto, interpretar o art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998 como benefício fiscal (dedução da base de cálculo) em favor dos repasses feitos pela Unimed aos médicos não cooperados seria contrariar o longo histórico de precedentes do STJ sobre a matéria. A discussão sempre foi saber se os valores recebidos pela Unimed de clientes e repassados a médicos cooperados seriam passíveis de incidência do PIS, ou não. Não as quantias referentes aos não cooperados. 24. Além disso, se o STJ entender pela exclusão da base de cálculo dos valores repassados aos não associados, com espeque no art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998, estará incidindo em flagrante contradição. É que soa ilógico admitir a tributação do valor que vai ser repassado ao médico cooperado, conforme esta própria Segunda Turma está decidindo, inclusive com base em Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 275 17 julgados do STF, e afastar a tributação do que for transferido ao médico não cooperado. 25. Se o STJ e STF se posicionaram no sentido de que os valores recebidos das cooperativas médicas dos seus clientes são receitas das próprias entidades e não dos médicos associados, com mais razão ainda os valores que serão repassados aos não associados. 26. Recurso Especial desprovido. (REsp 829.458/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Rel. p/ Acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 24/11/2015) grifos não originais Não é demais esclarecer que esta mudança de entendimento na jurisprudência do STJ decorreu dos recentes julgados do STF, proferidos em regime de repercussão geral, nos RREE 599.362/RJ e 598.085/RJ, em que decidido que as sociedades cooperativas médicas têm suas receitas brutas submetidas à incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, na forma do ordenamento em vigor, sobre os atos praticados por cooperativas com terceiros tomadores de serviços dos cooperados, conforme explicitado no tópico precedente. Dessa forma, em consonância com a atual jurisprudência consolidada do STF e do STJ, temse que os valores das mensalidades recebidos pelas cooperativas médicas dos seus clientes beneficiários, provenientes da venda de planos de saúde, são receitas das próprias entidades cooperativas e não dos médicos que lhe são associados, como entende a recorrente. Ademais, tais receitas não são provenientes de atos cooperativos, como defende a recorrente, mas de atos não cooperativos, porque não são provenientes de atos ou negócios realizados entre a cooperativa e terceiros, que não os associados (cooperados) ou cooperativas associadas, conforme definição veiculada no caput do art. 79 da Lei 5.764/1971. Dada essa condição, os valores das mensalidades pagas pelos filiados ao plano de saúde, induvidosamente, representam receita bruta da recorrente proveniente de atos não cooperativos e, nessa condição, integram a base de cálculo das referidas contribuições, nos termos art. 2º, combinado com o caput do art. 3º, ambos da Lei 9.718/1998, porém, fica assegurado às entidades cooperativas médicas, operadoras de plano de saúde, as deduções gerais, previstas no § 2º, e as deduções específicas, previstas no § 9º, ambos do art. 3º da Lei 9.718/1998." De fato, existem quatro recursos extraordinários sobre o tema: RREE 598.085/RJ, 599.362/RJ, 597.315/RJ e 672.215/CE, sendo que o RE 598.085/RJ e RE 672.215/CE versam especificamente sobre cooperativas de trabalho médico, enquanto os outros dois sobre outras cooperativas de trabalho. Os RREE 597.315/RJ e 672.215/CE não possuem decisão de mérito, enquanto o RE 598.085/RJ está em julgamento de embargos opostos pelas partes, ao passo que o RE 599.362/RJ transitou em julgado em 25/11/2016, no qual restou assentado a incidência da Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 276 18 contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros, nos termos da seguinte ementa: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Artigo 146, III, c, da CF/88. Possibilidade de tributação do ato cooperativo. Cooperativa. Contribuição ao PIS. Receita ou faturamento. Incidência. Fixação de tese restrita ao caso concreto. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. 1. A norma do art. 146, III, c, da Constituição, que assegura o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, é dirigida, objetivamente, ao ato cooperativo, e não, subjetivamente, à cooperativa. 2. O art. 146, III, c, da CF/88, não confere imunidade tributária, não outorga, por si só, direito subjetivo a isenções tributárias relativamente aos atos cooperativos, nem estabelece hipótese de não incidência de tributos, mas sim pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo, dispondo que lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. 3. O tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é uma questão política, devendo ser resolvido na esfera adequada e competente, ou seja, no Congresso Nacional. 4. No contexto das sociedades cooperativas, verificase a materialidade da contribuição ao PIS pela constatação da obtenção de receita ou faturamento pela cooperativa, consideradas suas atividades econômicas e seus objetos sociais, e não pelo fato de o ato do qual o faturamento se origina ser ou não qualificado como cooperativo. 5. Como, nos autos do RE nº 672.215/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, o tema do adequado tratamento tributário do ato cooperativo será retomado, a fim de se dirimir controvérsia acerca da cobrança de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes, também, sobre outras materialidades, como o lucro, tendo como foco os conceitos constitucionais de “ato cooperativo”, “receita de atividade cooperativa” e “cooperado” e, ainda, a distinção entre “ato cooperado típico” e “ato cooperado atípico”, proponho a seguinte tese de repercussão geral para o tema 323, diante da preocupação externada por alguns Ministros no sentido de adotarmos, para o caso concreto, uma tese minimalista: “A receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep.” 6. Embargos de declaração acolhidos para prestar esses esclarecimentos, mas sem efeitos infringentes. ACÓRDÃO Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 277 19 Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, em acolher os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infrigentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrente dos atos (negócios jurídicos). firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Brasília, 18 de agosto de 2016. MINISTRO DIAS TOFFOLI Relator Verificase que os ministros deixaram a controvérsia sobre a distinção entre atos típicos e atípicos, bem como a possibilidade de incidência das contribuições sobre o ato cooperativo para o julgamento do RE 672.215/CE. Não obstante, a decisão proferida no RE 599.362/RJ deve ser reproduzida nas decisões deste Conselho, de acordo com o artigo 62 do Anexo II do RICARF. Destarte, entendo que as receitas decorrentes das vendas de planos de saúde a terceiros não cooperados é sujeita à incidência das contribuições, admitidas as exclusões previstas em lei. Pontuese, ainda, que o STJ julgou o REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda e não se sujeitam à incidência de PIS/Pasep e Cofins, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 278 20 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, embora, aparentemente, contraditório com o julgado no RE 598.085/RJ, tal decisão deve ser reproduzida nos julgamentos proferidos por este Conselho, de acordo com o artigo 62 do Anexo II do RICARF, pois aquele recurso extraordinário ainda não é definitivo. O fato é que a decisão final sobre o tema, aparentemente, ocorrerá no julgamento do 672.215/CE. Enquanto isso, devem ser aplicadas as decisões proferidas no RE 599.362/RJ e REsp 1.164.716/MG. Concluindo, as receitas de vendas de planos de saúde a terceiros não cooperados é ato não cooperativo e deve compor a base de cálculo das contribuições. Porém, é de se reconhecer que não compõem a base de cálculo as receitas de vendas de planos de saúde aos próprios cooperados, as parcelas previstas no §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, as Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 279 21 exclusões previstas nos incisos I a IV do §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/19981 e as sobras destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fates (art. 28 da Lei 5.764/71), de que trata o §2º do artigo 1º da Lei nº 10.676/2003. Entretanto, todas estas exclusões foram solicitadas pela recorrente mediante a realização de diligência, pois nem em impugnação nem no recurso voluntário, trouxe qualquer elemento que demonstrasse tais valores. Assim, a Resolução nº 3302000.262 decidiu pela realização da diligência, na qual a recorrente poderia demonstrar os custos previstos no §9º do artigo 3º e quaisquer outros valores que entendesse excluídos da base de cálculo. No entanto, a recorrente, embora intimada na pessoa jurídica, e na pessoa física do liquidante, não demonstrou qualquer interesse processual em provar suas alegações e demonstrar as parcelas que deveriam ser excluídas, não se desincumbindo do ônus que lhe cabia, a teor do artigo 333, inciso II do anterior Código de Processo Civil, atual artigo 373, inciso II da Lei nº 13.105/2015 (novo CPC) e do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não sendo possível, por falta de comprovação, prover parcialmente o recurso voluntário no mérito, com exceção da exclusão das receitas financeiras. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as parcelas relativas às receitas financeiras. (assinado digitalmente) 1 I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10580.720176/200736 Acórdão n.º 3302004.760 S3C3T2 Fl. 280 22 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 280DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.001780/2001-88
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2001
FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, enseja, uma vez apurada em procedimento fiscal, o lançamento de ofício, com os devidos acréscimos legais.
SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO.
As sociedades civis que fizeram opção por regimes de tributação próprios de pessoas jurídicas, não perderam o direito ao gozo da isenção da COFINS, concedida pela LC nº 70/91, para os períodos de apuração até 31/03/1997, termo final após o qual passou a incidir segundo preceito do art. 56 da Lei nº 9.430/96.
COFINS. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO.
Válida a revogação implícita da isenção da COFINS pelo artigo 56 da Lei n 9.430, de 1996, cujo comando determinou que as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passassem a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços a partir do período de abril de 1997.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.
Numero da decisão: 3803-000.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos: i) acolher a preliminar de decadência do direito do Fisco de proceder à constituição do crédito tributários referentes aos períodos de apuração 01 de janeiro de 1996 a 30 de agosto de 1996; ii) no mérito, da parcela remanescente do lançamento, por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Hélcio Lafetá Reis, que entendem que a isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991, beneficiava exclusivamente as sociedades civis de que trata o artigo 1º do Decreto-lei nº 2.397, de 1987. Ausente o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida DRJRIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2001 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, enseja, uma vez apurada em procedimento fiscal, o lançamento de ofício, com os devidos acréscimos legais. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. As sociedades civis que fizeram opção por regimes de tributação próprios de pessoas jurídicas, não perderam o direito ao gozo da isenção da COFINS, concedida pela LC nº 70/91, para os períodos de apuração até 31/03/1997, termo final após o qual passou a incidir segundo preceito do art. 56 da Lei nº 9.430/96. COFINS. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. Válida a revogação implícita da isenção da COFINS pelo artigo 56 da Lei n 9.430, de 1996, cujo comando determinou que as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passassem a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços a partir do período de abril de 1997. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 17 80 /2 00 1- 88 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.001780/200188 Acórdão n.º 3803000.027 S3TE03 Fl. 328 2 unanimidade de votos: i) acolher a preliminar de decadência do direito do Fisco de proceder à constituição do crédito tributários referentes aos períodos de apuração 01 de janeiro de 1996 a 30 de agosto de 1996; ii) no mérito, da parcela remanescente do lançamento, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Hélcio Lafetá Reis, que entendem que a isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991, beneficiava exclusivamente as sociedades civis de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 2.397, de 1987. Ausente o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0519.630, de 08 de outubro de 2007, da DRJ/Campinas/SP, fls. 133 a 135, que considerou procedente o lançamento, em face da manifestação de inconformidade, fls. 100 a 117. Cientificada da decisão em 30 de novembro de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 140 a 159, em 18 de dezembro de 2007, por meio do qual nada acrescenta, em substância, aos argumentos da manifestação de inconformidade, como segue. 1.reitera a jurisprudência do STJ dando provimento aos recursos que pleiteiam o direito à isenção das sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentadas, nos termos da LC nº 70/91, inclusive a Súmula nº 276, daquela Corte Superior; e 2.sustenta a impossibilidade de sua revogação pelo art. 56, da Lei nº 9.430/96, sob o argumento de que esta fere o princípio da hierarquia das leis; É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Este processo envolve análise distinta relativa a dois períodos de tempo. O primeiro, de 01 de janeiro de 1996 a 31 de março de 1997, sobre o qual é controverso o exercício do direito à isenção em função da opção da pessoa jurídica, sociedade civil de Fl. 328DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.001780/200188 Acórdão n.º 3803000.027 S3TE03 Fl. 329 3 prestação de serviços de profissões regulamentadas, pela tributação do IRPJ, como facultado pela Lei nº 8.541/92, para o qual se discute se ocorrida a revogação tácita ou implícita da norma isentiva da contribuição para a COFINS do art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/91. O segundo, de 1º de abril de 1997 a 30 de novembro de 2001, para o qual a controvérsia versa sobre a validade da revogação expressa, dessa mesma norma, editada pelo art. 56, da Lei nº 9.430/96, dado ser veiculada por lei ordinária. Para o primeiro período, entendo que a mencionada opção não cancela a isenção a elas concedida pelo art. 6º, II, da Lei nº 70/91. A uma, porque não houve revogação expressa do benefício isentivo pela lei que facultou a opção pela tributação na pessoa jurídica. A duas, porque não vejo que seu texto seja incompatível [revogando implicitamente], nem regule inteiramente a matéria tratada na norma tida por revogada [revogação tácita], nos termos do que estabelece o art. 2º, § 1º, da LICC1. Podese ver configurado o que reza o § 2º, do mesmo dispositivo legal, expressamente assentando a hipótese de nãorevogação da lei anterior, textualmente: “§ 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.” [grifo nosso]. Há, no caso, disposições concomitantes que não podem ser inquinadas de contraditórias. A matéria da lei anterior, a isentiva, não é regulada, muito menos inteiramente, pela nova lei, nº 8.541/92. O DecretoLei nº 2.397/87, ao tempo em que trata da nãoincidência do imposto de renda sobre o lucro apurado das ditas sociedades, e o considera distribuído diretamente aos sócios, prevê a forma de incidência do PIS e do FINSOCIAL. Observese, com isso, que, tributada a renda na pessoa física dos sócios, a sociedade já se encontrava sujeita à tributação das citadas contribuições, denotando não haver incompatibilidade entre a tributação do IR na pessoa física cumulada com a tributação de contribuições. Não se pode ver que tal incompatibilidade veio a ser reconhecida, e implicitamente, pela Lei nº 70/91 isentando da COFINS tais entidades. Se as sociedades referidas, uma vez sujeitas ao regime de tributação do IR na pessoa física não sofressem a incidência de contribuições, expresso isso de alguma forma nos próprios dispositivos do DecretoLei nº 2.397/87, poderseia deduzir por sua incompatibilidade, e resultante disto afirmar que, uma vez migrando para o regime tributário da renda na pessoa jurídica, haveria, necessariamente, de estar sujeito à incidência das contribuições. Desta leitura que os citados preceitos legais claramente permitem, não se pode considerar que houve, tácita ou implicitamente, a revogação da isenção concedida pelo art. 6º, II, da Lei nº 70/91. Terceiro, porque somente a Lei nº 9.430, de 1996, cinco anos após a concessão da isenção é que, expressamente, veio revogála. E o fez instituindo a incidência a partir de 1º de abril de 1997. Se esta não é uma norma interpretativa, mas material, como entender que a revogação que faz já se tinha feito operar por meio da opção facultada deste 1º de janeiro de 1993, pela Lei nº 8.541/92. 1 § 1º. A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º. A lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.001780/200188 Acórdão n.º 3803000.027 S3TE03 Fl. 330 4 Desse modo, até 31 de março de 1997 esteve em vigor a isenção concedida pela LC nº 70/91. Há que se ver, porém que, uma vez cientificada a autuada, em 04 de setembro de 2001, do lançamento contra si efetuado, os períodos de apuração de janeiro a agosto de 1996 estavam decaídos ao tempo de sua lavratura. Assim, deve ser cancelado o auto de infração relativamente aos períodos de janeiro a agosto de 1996, por decadência, e de setembro a março de 1997, em razão do mérito ora debatido quanto ao direito à isenção. De outro modo, deve ser mantido o lançamento quanto aos períodos de abril a novembro de 2001, por ser perfeitamente válida a revogação conduzida pelo art. 56, da Lei nº 9.430/96, sendo anacrônica a súmula nº 276, do STJ, uma vez decidida a matéria pelo Plenário do STF, em decisão final ocorrida em 17 de setembro de 2008, com repercussão geral para todos os tribunais regionais, SEM concessão da modulação dos seus efeitos para considerálos prospectivos, e, assim, deitou por terra a pretensão das sociedades civis, sendo a decisão vazada nos seguintes termos: Assunto: DIREITO TRIBUTÁRIO. LIMITAÇÕES AO PODER DE TROBUTAR. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. ... “O Tribunal, por maioria, desproveu o recurso, nos termos do voto do Relator, vencidos os Senhores Ministros Eros Grau e Marco Aurélio. Não participou da votação o Senhor Ministro Menezes Direito por suceder ao Senhor Ministro Sepúlveda Pertence, que proferira voto anteriormente. Em seguida, o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei nº 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos, vencidos os Senhores Ministros Menezes Direito, Eros Grau, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Carlos Britto. Por fim, o Tribunal, nos termos do voto do Relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente), acolheu questão de ordem suscitada por Sua Excelência para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Não participou da votação na questão de ordem o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, por ter se ausentado momentaneamente. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 17.09.2008. No RE 377.457, excertos de votos assentam a posição daquela Corte sobre situações específicas mais diretamente de interesse do presente julgamento: “Lei Complementar nº 70/91 tem natureza de lei ordinária para os fins específicos da fixação da isenção e, portanto, poderia ter sido revogada, como o foi, pelo art. 56, da Lei nº 9.430/96.” (voto Min. Carmen Lúcia). “A rigor, como se sabe – e a doutrina tem assentado isso de forma majoritária , não há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, mas apenas âmbitos materiais de atuação distintos. Uma lei complementar invadiu, como é o caso sob exame, o âmbito de competência material da lei ordinária, não há que se falar em quebra de hierarquia das leis, como se sustenta no RE sob exame.” (voto do Min. Ricardo Lewandowski). Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de lançar referente aos períodos de 1º de janeiro a 30 de agosto de 1996, Fl. 330DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.001780/200188 Acórdão n.º 3803000.027 S3TE03 Fl. 331 5 e para cancelar o auto de infração relativamente aos períodos de 1º de setembro a 31 de março de 1997, por estar vigente a isenção concedida pela LC nº 70/91. Sala das sessões, 06 de julho de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 331DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10768.003840/2003-67
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
Restituição. Compensação Contábil. Prescrição.
Comprovado na contabilidade escriturada à época dos fatos e com os documentos respectivos que a contribuinte procedeu a recolhimentos de estimativas e computou na apuração do resultado do ano-calendário, afasta-se a alegação de prescrição do direito de compensar o referido saldo, com débitos vincendos, ainda que não tenha promovido os registros contábeis mês a mês, em conta própria de estimativas.
DIPJ. DCTF. Contabilidade.
A contabilidade faz prova a favor do contribuinte e as declarações entregues ao fisco devem espelhar os registros contábeis, não vice-versa.
Numero da decisão: 1801-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. PRESCRIÇÃO. Comprovado na contabilidade escriturada à época dos fatos e com os documentos respectivos que a contribuinte procedeu a recolhimentos de estimativas e computou na apuração do resultado do anocalendário, afastase a alegação de prescrição do direito de compensar o referido saldo, com débitos vincendos, ainda que não tenha promovido os registros contábeis mês a mês, em conta própria de estimativas. DIPJ. DCTF. CONTABILIDADE. A contabilidade faz prova a favor do contribuinte e as declarações entregues ao fisco devem espelhar os registros contábeis, não viceversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 38 40 /2 00 3- 67 Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Estes autos já foram analisados anteriormente, o que ensejou a Resolução nº 00.004, de 07 de maio de 2009, e ora retorna para o julgamento. Aproveito o relatório então feito, bem como a proposição da realização de diligências, para historiar os fatos: “A empresa, em 08 de maio de 2003, pleiteou a compensação de débitos tributários – IRPJ e CSLL relativos a janeiro e fevereiro de 2003, com o saldo negativo de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário de 2002, nos valores de R$ 124.051,55 e R$ 41.713,30, respectivamente, consoante Declaração de Compensação – Dcomp de fls. 01 e 02. Instruiu a Dcomp com cópias: Lalur; fichas 12B e 17 da DIPJ 2002; DARF de recolhimentos de IRPJ e CSLL, por estimativa, referentes a fevereiro, março, maio e junho de 2002, janeiro, fevereiro e março de 2003 – fls. 07 a 26. As DCTF relativas aos meses de janeiro e fevereiro de 2003, IRPJ e CSLL, foram juntadas às fls. 28 e 29. Às fls. 39 consta do processo cópia da DCTF relativa ao mês de janeiro de 2000, espelhando que o valor do IRPJ devido fora compensado com o saldo negativo de IRPJ acusado no final do anocalendário de 1999. No espelho da DIPJ desse ano juntado às fls. 41 consta o referido saldo negativo de IRPJ. Às fls. 42 a 127 há espelhos das DIPJ entregues pela contribuinte desde o ano calendário de 1999 (exercício financeiro de 2000) até o anocalendário de 2002 (exercício financeiro de 2003), cópias das DCTF entregues e pesquisas de recolhimentos efetivamente realizados pela contribuinte dentro desse período. A contribuinte foi intimada a apresentar cópias das folhas do Razão nas quais efetuava as compensações pleiteadas (fls. 128), o que foi entregue conforme consta às fls. 136 e 137. Às fls. 138 a 145 a autoridade que analisou a Declaração de Compensação da contribuinte explicou, preliminarmente, que os saldos negativos de IRPJ e CSLL pleiteados como créditos nessa Dcomp foram resultados de anteriores compensações de estimativas pagas e saldos negativos de anos anteriores, havendo a necessidade de se examinar desde o ano calendário de 1999 para se verificar a legitimidade do requerimento da contribuinte, devido ao efeito cascata. A seguir resumese as conclusões extraídas da análise dos documentos juntados às fls. 07 a 137 – Parecer nº 010/2006 – fls. 138 a 145 : I – Do IRPJ a) anocalendário de 2000 (ex. 2001) : DCTF (entregue em atraso, 2005) – IRPJ estimativa 01/00 : R$ 201.109,15 (fls. 39). Esse valor foi compensado com o saldo negativo IRPJ da DIPJ do ano calendário de 1999 (ex. 2000), sem constituição de processo. Na apuração anual, a DIPJ/01 acusou um IRPJ a pagar, no ajuste, no valor de R$ 1.199,77 e a estimativa (ainda não declarada em DCTF) no valor de R$ 201.109,15. A contribuinte não se ‘auto deduziu’ da estimativa de janeiro na DIPJ. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003840/200367 Acórdão n.º 1801001.715 S1TE01 Fl. 3 3 A autoridade revisora não aceitou essa compensação em DCTF, alegando que por ter sido realizada em 2005, já se encontrava decaído o direito de utilizar o saldo negativo de IRPJ apurado em 1999, e declarou que não há saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, mas sim IRPJ a pagar. b) anocalendário de 2001 (ex. 2002) : DCTF – IRPJ estimativa 01/01 : R$ 200.377,35 (fls. 42/43). Esse valor foi compensado com o saldo negativo IRPJ da DIPJ do ano calendário de 2000 (ex. 2001), sem constituição de processo. Na apuração anual, a DIPJ/02 acusou um IRPJ, no ajuste, no valor de R$ 168.286,37 (fls. 44), mas descontado o IRRF e estimativa, a contribuinte apurou um saldo negativo da ordem de R$ 37.412,79 (fls. 45). A autoridade revisora não aceitou a compensação em DCTF, por saldo negativo inexistente no ano anterior, e, por conseguinte, declarou que não há saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001, mas sim IRPJ a pagar. c) anocalendário de 2002 (ex. 2003) : DCTF – IRPJ estimativas 01, 02, 05 e 06/02 : R$ 1.532,66, R$ 60.183,62, R$ 24.018,34 e R$ 14.013,43, respectivamente (total de R$ 99.748,05). Pagamentos das seguintes estimativas : R$ 24.303,49, R$ 23.150,55* e R$ 14.013,43, relativos a fevereiro, maio e junho (fls. 78). * esse mês consta na DCTF que a diferença entre o devido e o pago foi compensado com pagamento em DARF, efetuado a maior – fls. 79, confirmado pela autoridade competente. O valor referente a janeiro/02 e parte de fevereiro/02 foram compensados com o saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário anterior – R$ 1.532,66 + R$ 35.880,13 (=R$ 37.412,79), sem processo. Foi observado que o pagamento de estimativas em DCTF soma R$ 99.748,05 (fls. 49), mas o saldo negativo de IRPJ foi, indevidamente, informado no ajuste anual no valor de R$ 124.051,55. Novamente, a autoridade revisora não aceitou a compensação em DCTF, por saldo negativo inexistente no ano anterior, e, por conseguinte, reconheceu apenas o saldo negativo de IRPJ da ordem de R$ 62.335,26, ou seja, R$ 99.748,05 (estimativas pagas durante o ano), deduzido o valor não admitido com compensação do ano anterior, de R$ 37.412,79. II – Da CSLL De igual forma, procedeu a autoridade revisora em relação às bases de cálculo negativas de CSLL: a) anocalendário de 2000 (ex. 2001) : DCTF (entregue em atraso, 2005) – CSLL estimativa 01/00 : R$ 97.492,39 (fls. 88). Esse valor foi compensado com o saldo negativo CSLL das DIPJ dos anos calendários de 1998 e 1999 (exs. 1999 e 2000), sem constituição de processo. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Na apuração anual, a DIPJ/01 acusou uma CSLL a pagar, no ajuste, no valor de R$ 959,82. A autoridade revisora não aceitou essa compensação em DCTF, alegando que as DCTF anteriores (1998 e 1999) informam, a título de estimativas, valores totalmente discrepantes daqueles informados nas DIPJ correspondentes, sendo esses últimos valores maiores. Conclui que os saldos de CSLL informados nas DIPJ não possuem credibilidade e portanto não podem ser considerados créditos líquidos e certos, não podendo serem aceitos. Considera, ainda, analogamente ao saldo negativo de IRPJ do mesmo ano, por ter sido a compensação, em DCTF, realizada em 2005, que já se encontrava decaído o direito de utilizar o saldo negativo de CSLL apurado em 1999, e declarou que não há base de cálculo negativa para a CSLL, relativa ao anocalendário de 2000, mas sim CSLL a pagar. b) anocalendário de 2001 (ex. 2002) : DCTF – CSLL estimativa 01/01 : R$ 72.855,84 (fls. 99). Esse valor foi compensado com o saldo negativo CSLL da DIPJ do ano calendário de 2000 (ex. 2001), sem constituição de processo. Na apuração anual, a DIPJ/02 acusou uma CSLL, no ajuste, no valor de R$ 68.503,09 (fls. 103); observese que, às fls. 103, a contribuinte informa valor diverso a título de estimativa (R$ 90.676,45), apurando um saldo negativo da ordem de R$ 22.173,36. A autoridade revisora não aceitou a compensação em DCTF, por saldo negativo inexistente no ano anterior, e, por conseguinte, declarou que não há saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2001, mas sim CSLL a pagar. c) anocalendário de 2002 (ex. 2003) : DCTF – CSLL estimativas 01, 02, 05 e 06/02 : R$ 919,60, R$ 22.737,76, R$ 10.806,60 e R$ 5.764,84, respectivamente (total de R$ 40.228,80). Pagamentos das seguintes estimativas : R$ 1.484,00, R$ 10.806,60 e R$ 5.764,84, relativos a fevereiro, maio e junho (fls. 127). O valor referente a janeiro/02 e parte de fevereiro/02 foram compensados com o saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário anterior – R$ 919,60 + R$ 21.253,76 (=R$ 22.173,36), sem processo. Foi observado que o pagamento de estimativas em DCTF soma R$ 40.228,80 (fls. 107), mas o saldo negativo de CSLL foi, indevidamente, informado no ajuste anual no valor de R$ 41.713,30 (fls. 125). Novamente, a autoridade revisora não aceitou a compensação em DCTF, por saldo negativo inexistente no ano anterior, e, por conseguinte, reconheceu apenas o saldo negativo de CSLL da ordem de R$ 18.055,44, ou seja, R$ 40.228,80 (estimativas pagas durante o ano), deduzido o valor não admitido com compensação do ano anterior, de R$ 22.173,36. Às fls. 175 a autoridade competente exarou o Despacho Decisório homologando parcialmente a Declaração de Compensação apresentada, até os valores acima assinalados. Assim dois débitos de CSLL, estimativas, relativas aos meses de janeiro e fevereiro de 2003 foram extintos por compensação, restando em aberto os dois débitos, do mesmo período, a título de estimativa de IRPJ. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003840/200367 Acórdão n.º 1801001.715 S1TE01 Fl. 4 5 Esclarecido quanto à homologação pleiteada e razões do indeferimento parcial, passase a relatar sobre a manifestação de inconformidade entregue pela contribuinte às fls. 197 a 210, instruída pelos documentos de fls. 212 a 452, verso, dente os quais destacamse as DIPJ e DCTF, inclusive retificadoras, Lalur e planilha evidenciando os créditos tributários, tudo do período analisado. Em suma, alega que a decadência invocada pela autoridade que exarou o Parecer que, por sua vez, fundamentou o Despacho Decisório não procede, pois a contribuinte compensou, efetivamente, na forma da legislação vigente à época dos fatos os saldos negativos apurados. Os erros em DIPJ ou ausência de informação em DCTF são erros materiais e não implicam na perda do direito da contribuinte em utilizar os saldos negativos efetivamente existentes. As pequenas diferenças apontadas decorrem das correções dos referidos saldos pelos juros calculado à taxa Selic até a data da compensação com os créditos vincendos, informados em DCTF. Importante esclarecer que a autoridade que exarou o Parecer de fls. 138 a 145 representou à autoridade superior a cobranças das estimativas de IRPJ e CSLL apuradas como ainda devidas (por não ter aceitado as compensações com saldos negativos de exercícios anteriores), relativas aos meses de janeiro de 2000, 2001 e 2002 e fevereiro de 2002, que foram formalizadas nos processos nºs 19740.000111/200684 (IRPJ) e 19740.000110/200630 (CSLL), os quais tramitam juntamente a esse processo, em apenso, em razão de serem decorrentes e por força de sentença judicial proferida em Mandado de Segurança (nº 2006.51.01.0145400), cujo objeto tutelado é sobrestar as referidas cobranças e não obstar à contribuinte o direito em obter certidão positiva com efeitos de negativa, enquanto não houver o julgamento definitivo do presente litígio (fls. 459 a 466). Pelo Acórdão nº 1213.962 exarado pela Sexta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro – I/RJ, a manifestação de inconformidade interposta pela contribuinte foi indeferida e mantido, na íntegra, o despacho decisório da autoridade a quo. A turma julgadora indeferiu o pedido da contribuinte em apreciar provas documentais a serem futuramente trazidas aos autos, com fulcro no artigo 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72, com alterações – PAF, e, no mérito: a) invocou o artigo 12, e seus §§ 2º e 3º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 21/1997, para fundamentar que a contribuinte, necessariamente, deveria ter requerido a compensação de saldos negativos de exercícios anteriores com débitos vincendos, subseqüentes, da mesma espécie, não sendo válidas as compensações efetuadas em anoscalendários anteriores, consoante decidido pela autoridade a quo; b) acolheu a decadência da compensação dos saldos negativos apurados em 1999, com os débitos de mesma natureza, em janeiro de 2000, por entender, como a autoridade revisora, que a compensação efetuouse somente em 2005, fluido o prazo decadencial. Às fls. 490 a 504 a empresa interpôs Recurso Voluntário pretendendo a reforma da decisão colegiada de primeira instância administrativa. Argumenta: 1) Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário de 2000: Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 _ a empresa erroneamente apurou uma estimativa em janeiro de 2000 no valor de R$ 201.109,15, quando a norma tributária lhe autorizava compensar com os prejuízos fiscais de exercícios anteriores, acumulados; _ o valor correto seria, então, R$ 154.103,48, razão pela qual, o valor da estimativa paga a maior é da ordem de R$ 47.005,67 (indevida); _ a DCTF foi retificada em outubro de 2005; _ esta estimativa, de janeiro, foi compensada com o saldo negativo do ano calendário de 1999, constante da DIPJ/00 (R$ 206.898,93) – fls. 41; _ em março de 2000 a empresa novamente apurou IRPJ, no regime de estimativa, no valor de R$ 39.065,80 (R$ 193.169,28, valor acumulado); _ foi compensada com o saldo do mês de janeiro de 2000 (R$ 47.005,67) e sobrou, ainda o valor de R$ 7.939,87; _ em abril apurou nova estimativa a recolher, cujo valor acumulado foi da ordem de R$ 216.830,54; atualizando o valor do saldo negativo apurado em 31/12/1999, pela Selic, conforme autorizado pelo § 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/95, obtémse o valor de R$ 211.607,94; a diferença foi recolhida em R$ 5.222,60, em 05/06/2007; _ no ajuste anual, o saldo de imposto de renda a pagar, para o ano de 2000, foi da ordem de R$ 1.199,77, o que resulta em um direito aos valores das estimativas compensadas, a maior, da ordem de R$ 215.630,54 (valor atualizado), ou seja, saldo negativo de IRPJ a compensar. 2) Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário de 2001: _ não houve saldo negativo relativo ao anocalendário de 2001, tendo a contribuinte apurado estimativas (balanço de suspensão) no valor de R$ 166.286,37 e compensado com o saldo negativo oriundo de 2000. 3) Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário de 2002: _ a contribuinte compensou a estimativa de janeiro de 2002 com o saldo negativo de 2000, no valor de R$1.532,66; _ compensou parcialmente a estimativa de fevereiro, no valor de R$ 35.880,13; _ compensou parcialmente a estimativa de maio, no valor de R$ 867,79; _ a soma das estimativas apuradas nesse ano (jan/fev/mai/jun) perfaz o montante de R$ 99.748,05; _ esse valor – R$ 99.748,05 – acrescido de um recolhimento, indevido, em março de 2002, no valor de R$ 25.171,78, perfaz o saldo negativo de IRPJ pleiteado nessa Dcomp, no valor de R$ 124.051,55, tendo em vista que, no ajuste anual, a empresa não apresentou saldo de IRPJ a pagar. Com relação ao saldo negativo da CSLL, segue explicitando cada saldo negativo, desde o anocalendário de 2000, exatamente da mesma forma que demonstrou os saldos negativos de IRPJ. Discorre sobre o direito à compensação, a possibilidade de compensar débitos da mesma natureza sem prévio requerimento e requer seja aplicada a tese dos dez anos para a repetição dos indébitos tributários em se tratando de tributos sujeito ao lançamento por homologação. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003840/200367 Acórdão n.º 1801001.715 S1TE01 Fl. 5 7 Há duas matérias preliminares, pois, a serem analisadas na presente lide e que, suscitadas, impediriam o exame do direito material da contribuinte. [...] Daí, passo a apreciar o mérito da compensação pleiteada, consistente nos saldos negativos de IRPJ e CSLL nos valores de R$ 124.051,55 e R$ 41.713,30, respectivamente. Adianto que merece guarida a argumentação da recorrente em compensar os saldos negativos com os meses subseqüentes, corrigindoos pelos juros Selic, na forma do Ato Declaratório SRF nº 03/00: AD SRF 3/00 AD Ato Declaratório SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 3 de 07.01.2000 D.O.U.: 11.01.2000 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Observese os seguintes valores constantes das DIPJ entregues pelo contribuinte: fls Vlr IRPJ est/jan Vlr IRPJ anual Saldo Neg IRPJ s/ juros DIPJ 00 41 206.898,93 206.898,93 DIPJ 01 35/36 201.109,15 1.199,77 205.699,16 Em fase recursal a contribuinte demonstrou que retificou também a DIPJ/01, relativa ao anocalendário de 2000, da seguinte forma: fls Vlr IRPJ est/jan Vlr IRPJ est/mar Vlr IRPJ est/abr Vlr IRPJ anual Saldo Neg IRPJ s/ juros DIPJ 01 35/36 201.109,15 1.199,77 205.699,16 DIPJ 01 r 522 154.103,48 39.065,80 23.661,26 1.199,77 205.699,16 Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Esclareceu que não houve saldo negativo de IRPJ na DIPJ/02, mas houve pagamentos de estimativas no valor de R$ 166.286,37, restando, por conseguinte, um saldo negativo a compensar em períodos posteriores da ordem de R$ 39.412,79 (sem correção). Em relação ao anocalendário de 2002, DIPJ/03: fls. Vlr IRPJ – est/jan Vlr IRPJ – est/fev Vlr IRPJ – est/maio Vlr IRPJ – est/jun Vlr IRPJ – anual DIPJ 03 52 a 76 1.532,66 60.183,62 24.018,34 14.013,43 0,00 DARF 78 24.303,49 23.150,55 14.013,44 DCTF 79;246 247;311 (compensado) (comp. 35.880,13) (comp. 867,79) DARF 78 25.171,28 (abril/02) Saldo Negativo IRPJ – DIPJ 2003 (Somatória DARF + Compensações) 124.919,33 As compensações supra (anocalendário de 2002), que somam R$ 38.280,58, foram realizadas com o saldo negativo apurado no anocalendário de 2000 (DIPJ 01, retificadora) – R$ 39.412,79. A princípio, parece assistir razão à recorrente quanto ao valor do saldo negativo de IRPJ pleiteado na compensação objeto desse processo, todavia, entendo ser necessário que: I) os valores retificados em declarações de rendimentos (DIPJ) e os valores informados a título de débitos e créditos tributários federais (DCTF) e os controversos saldos negativos apurados em 1999 (DIPJ/00) devem ser checados junto à contabilidade da interessada; II) bem como juntado a esse processo pesquisa no sistema de acompanhamento do prejuízo fiscal e lucro inflacionário – Sapli (devido à retificação efetuada na DIPJ/01); III) e, ainda, verificadas se as DIPJ e DCTF juntadas pela contribuinte foram devidamente processadas pela Secretaria da Receita Federal; IV) conferindose, ainda, as correções efetuadas pela recorrente, pelos juros à taxa Selic; V) o mesmo deve ser verificado com os valores relativos aos saldos negativos de CSLL; VI) ao final, a autoridade designada à realização dessas verificações deve emitir um relatório conclusivo, em concordância ou não com o pleito da interessada, justificando se for o caso de discordar dos valores apresentados no Recurso Voluntário de fls. 490 a 504, tanto em relação ao saldo negativo de IRPJ, quanto relativo à CSLL; VII) deste relatório fiscal à contribuinte deve ser dada a devida ciência para, no prazo de trinta dias, se manifestar, se assim o desejar. Pelo exposto, resolvo baixar em diligência o presente processo, devendo ser encaminhado à DEINF do Rio de Janeiro para o devido cumprimento. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003840/200367 Acórdão n.º 1801001.715 S1TE01 Fl. 6 9 Deve ser observado, ainda, que o processo nº 19740.000110/200630, relativo a “Cobrança de Débito – CSLL” foi apensado a esse, consoante informado às fls. 931, mas o processo nº 19740.000111/200684, cujo assunto é “Cobrança de Débito – IRPJ”, e que tramita conjuntamente, não foi citado na informação, razão pela qual deve ser verificado se foi efetivamente apensado, de igual forma ao outro, a esse processo. Não tendo sido, deve ser providenciada a devida apensação.” Em resposta às intimações fiscais, a recorrente explicou a forma de contabilização dos valores que requer, juntou cópias do Razão, Diário e Darf de pagamentos – efls. . A conclusão do Relatório Fiscal atentou para o fato de a recorrente não haver feito, na contabilidade, os lançamentos de compensação das estimativas mês a mês, pelo que manifestouse no sentido de que os valores, solicitados depois de cinco anos, deveriam ser declarados prescritos – efls. . É o suficiente para o relatório, Passo ao voto Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Em preliminar, conforme relatado, constatouse duas matérias suscitadas no acórdão recorrido, que impediriam de analisar o mérito do litígio em pauta. Aproveito as razões de decidir expostas na Resolução nº 00.004/09 para fundamentar o presente voto, neste concernente: “A primeira concerne à ocorrência ou não de decadência do direito da contribuinte em utilizar o saldo negativo do IRPJ e CSLL oriundos do ano calendário de 1999. Ao meu ver, equivocamse as autoridades a quo ao atribuírem à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF o condão de executar a compensação, pois trata de documento informativo dos débitos tributários dos contribuintes, como o próprio nome diz, no qual se espelha a forma de pagamento ou extinção desses débitos, ou não, constituindo, nesses caso, confissão expressa de que há o débito. Ora, a Declaração em pauta, DCTF, bem como as DIPJ, ou mesmo DIRPF e tantas outras, todas são informativas e não comprovam, per si, de forma absoluta os dados que veiculam, devendose sempre buscar a documentação que lastreou tais informações prestadas. Assim é que, no caso das pessoas jurídicas que optam pela tributação segundo o seu lucro real, a compensação se efetua não na entrega do referido documento informativo, mas sim nos registros contábeis realizados à época devida, lastreados em documentação comprobatória, transcritos os resultados posteriormente nas DIPJ e DCTF entregues pelos contribuintes. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Impedir o direito que assiste aos contribuintes em compensar os saldos negativos de IRPJ e CSLL com os débitos vincendos de mesma natureza pelo mero fato de que no prazo legal não entregou a devida DCTF informando que efetuou a compensação, é o mesmo que negar, analogamente, um pagamento efetuado por DARF, porque o contribuinte não preencheu corretamente ou se emitiu na entrega da DCTF pertinente. Não tem cabimento. Certamente, os lapsos manifestos no preenchimento de documentos de entrega obrigatória ao fisco, ou ausência de entrega, não podem ferir os direitos materiais dos contribuintes, cuja matéria relevante encontrase registrada na contabilidade e informada em outra declaração prestada ao fisco (DIPJ). A sanção pela não entrega de DCTF no prazo hábil é a multa, penalidade cominada na norma tributária, mas não decai o direito do contribuinte, como já dito, firmado em documentos que fundamentam as informações. Poderseia falar em decadência do direito de compensar se, fluído o prazo qüinqüenal, o contribuinte quisesse alterar seus lançamentos contábeis por não ter registrado à época (ou dentro dos cinco anos) documentos pertinentes aos atos jurídicos praticados e pertinentes à apuração dos tributos. No exemplo hipotético, se o contribuinte não registrou na contabilidade o recolhimento de tributo, por DARF, e encontra essa guia de recolhimento após discorrido os cinco anos, em prestígio à segurança jurídica, não poderá mais consertar a contabilidade e aproveitarse do recolhimento, embora tenha, de fato, o efetuado. Por outro lado, se dentro dos cinco anos se depara com a não contabilização do referido DARF e o faz, retificando a contabilidade, nada há que se opor a Fazenda Pública. O débito tributário fora extinto. Na hipótese, pelo pagamento efetivo, no caso em concreto, similarmente, pela compensação com o saldo negativo que o fisco não desconstituiu e está registrado na contabilidade da empresa e transcrito, dos registros contábeis, para a DIPJ do ano de 1999. E, passando a parte fática nesse processo, a autoridade fiscal sequer examinou a legitimidade do saldo devedor negativo de IRPJ relativo ao ano de 1999, informado na DIPJ/2000, no valor de R$ 206.898,93, consoante espelho da referida declaração às fls. 41, não intimando a contribuinte a apresentar os livros contábeis no quais poderia verificar, cumulativamente à documentação pertinente, se o valor informado estava respaldado ou não na verdade material. Cabe ao fisco comprovar serem indevidos os valores, ainda que não os pudesse mais glosar, aí sim devido à decadência operada. O outro tópico preliminar que cabe ser apreciado concerne à argumentação trazida por ambas autoridades a quo ao argumentar que a contribuinte não requereu a compensação, seja por meio de processo, seja por PerDcomp. Como bem contra argumentado pela recorrente, a Instrução Normativa SRF nº 21/97, com alterações posteriores, exigia o requerimento para a compensação de débitos e créditos que não fossem da mesma espécie (artigo 12 invocado no acórdão vergastado). Mas não é o presente caso. Para compensações entre saldos negativos de IRPJ, CSLL e estimativas desses tributos, vincendas, aplicase o artigo 14 da referida IN SRF: Compensação Entre Tributos ou Contribuições da Mesma Espécie Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003840/200367 Acórdão n.º 1801001.715 S1TE01 Fl. 7 11 rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (grifos não pertencem ao original) Afasto, por conseguinte, as duas preliminares suscitadas pela autoridade que analisou a Dcomp de fls. 01 e 02, acolhidas pela turma julgadora de primeira instância, reformando o acórdão nesses dois pontos.” Cuidase, então, de analisar o mérito em face à contabilidade e razões explicitadas pela recorrente. I) Saldo Negativo de IRPJ De fato, como observado pela autoridade fiscal responsável pelas diligências realizadas, a recorrente não contabilizou mês a mês as estimativas devidas em conta contábil própria; resolveu aportar os valores direto contra o saldo final apurado de IRPJ/CSLL. Todavia, constato que registrou na contabilidade os pagamentos mensais, por DARF, o que lhe dá o direito de deduzir os valores do saldo final apurado no anocalendário. Desta forma, mais uma vez, esclareçase que a entrega de declarações formais retificadoras (discriminando as estimativas mês a mês), em prazo superior a cinco anos, não pode ser o motivo para desconsiderar a compensação de estimativas versus saldo final anual. O tributo foi efetivamente pago antecipadamente. Subtrair o direito da recorrente a compensar com o resultado anual porque não registrou na contabilidade o pagamento em conta própria às estimativas, ou porque não compensou os tributos nas DCTF mês a mês na época própria, fere o princípio da indisponibilidade do crédito tributário. Os documentos que comprovam o que segue foram juntados às efls. 1.128 a 1.184. Verifico que nas fls. do Razão Analítico, 1999, assim restou registrado: Conta contábil: 1.2.4.4.1.04 – Imposto de Renda Estimado Data Histórico Débito 02/1999 pago conf Darf ref 01/99 20.637,89 05/1999 pago conf Darf abr/99 39.969,43 06/1999 pago conf Darf mai/99 2.238,40 07/1999 pago conf Darf IR jun/99 71.686,85 08/1999 pago IRPJ jul/99 66.591,26 Saldo.......................................................................... 201.123,88 Conta contábil: 1.2.4.4.1.01 – Imposto de Renda na Fonte Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 04/1999 imposto retido IRB em 05/04 5.545,93 (outros valores foram estornados) A recorrente juntou aos autos os comprovantes de arrecadação respectivos (efetivamente pagos nas datas registradas, extraídos do sistema da Receita Federal). Considerando que não houve IRPJ a pagar, nem a restituir, ao final do ano calendário de 1999 (DIPJ entregue em 21/06/2000 – original), concluise que o Saldo Negativo daquele ano, formado pelas estimativas pagas e IRRF, perfaz R$ 206.669,81 e este valor deveria ter constado na DIPJ/00. Considero, portanto, legítimo o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 no valor de R$ 206.669,81 (composto por estimativas + IRRF). Passandose à análise do saldo negativo do anocalendário de 2000, Observa se que na DIPJ/01 entregue pela recorrente em 29/06/2001, portanto à época dos fatos, foi informado uma estimativa devida da ordem de R$ 201.109,15 referente a janeiro. Mas, na contabilidade, de fato, não houve o registro da estimativa devida em janeiro, no valor de R$ 201.109,15, constituída em DCTF entregue em outubro de 2005. Todavia, na conta contábil “Imposto de Renda em Restituição”, em 31/05/01 há registrado o IRPJ compensado “conf. declaração de ajuste” no valor de R$ 1.199,77 (suponho que estimativa de 2000) e o Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 199.924,11. Imposto de Renda em Restituição Conta contábil: 12441.103.01000 Saldo 199.924,11 Passo ao anocalendário de 2001: Em 31/12/01 novo registro na conta contábil “Imposto de Renda em Restituição”: Conta contábil: 1.2.4.4.1.04 – Imposto de Renda Estimado Data Histórico Débito 31/12 Quitação do IRPJ do Exercício 2001 162.511,32 Saldo final:............................................................................. 37.412,79 Observo que o IRRF, no valor de R$ 5.775,05 constou no Diário como pagamento também do IRPJ devido apurado em 2001, zerando esta conta. Para o anocalendário de 2001, portanto, restou o saldo acumulado de IRPJ no valor de R$ 37.412,79. Passo à análise do anocalendário de 2002. Os registros contábeis não foram anexados aos autos pela autoridade fiscal. Mas, no Relatório Fiscal foram confirmadas como efetivamente pagas as seguintes estimativas: Período de Apuração Pagamentos Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003840/200367 Acórdão n.º 1801001.715 S1TE01 Fl. 8 13 Fevereiro/02........................................ 24.303,49 Maio/02............................................... 23.150,55 Junho/02............................................. 14.013,43 A recorrente em manifestação a respeito das conclusões das diligências anexa aos autos comprovante de pagamento (Darf) extraído do sistema da Receita Federal da seguinte estimativa, recolhida no vencimento: Período de Apuração Pagamentos Março/02........................................ 25.171,28 Todavia, não faz comprovação que este valor foi devidamente contabilizado, razão pela qual não pode ser considerado. Esclarece, ainda, que apurou as estimativas de janeiro e fevereiro de 2002 e compensouas com o saldo acumulado de IRPJ: Período de Apuração Compensação Janeiro/02........................................ 1.532,66 Fevereiro/02.................................... 35.880,13 (Valor total = 37.412,79 = ao saldo negativo de IRPJ apurado em 2001) Todas as estimativas do anocalendário de 2002 (recolhidas e compensadas) perfazem, pois, o valor total de R$ 98.880,26 (124.051,54 – 25.171,28). Tendo em vista que não foi apurado IRPJ devido pela recorrente, o saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, é da ordem de R$ 98.880,26. Desta forma, a compensação do IRPJ devido com o saldo negativo de IRPJ proveniente de 1999 foi registrada na contabilidade. Em assim sendo, considerando os valores registrados nesta conta “Imposto de Renda em Restituição”, 1.2.4.4.1.04, como indicativa do saldo negativo de IRPJ registrado à época dos fatos, abrese divergência com o parecer da autoridade a quo, bem como com o acórdão recorrido. Reconhecese, portanto, o crédito tributário de saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2002, no valor de R$ 98.880,26. II) Saldo Negativo de CSLL Passo a analisar os registros contábeis efetuados no Livro Razão Analítico Ano – Calendário 1999: Conta contábil: 1.2.4.4.2.01 – Antecipação de CSLL Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 Data Histórico Débito 01/1999 Abertura do ex de 1999 59.101,75 Conta contábil: 1.2.4.4.2.02 – Contribuição Social em Restituição Data Histórico Débito 01/1999 Abertura do ex de 1999 6.631,52 Conta contábil: 1.2.4.4.2.03 – Contribuição Social Estimado Data Histórico Débito 02/1999 Pago conf. Darf ref. 01/99 7.244,12 Por conseguinte, o valor da CSLL acusado na contabilidade apresentada perfaz R$ 72.977,39, para o anocalendário de 1999. Observo que o Darf apresentado pela recorrente, relativo à CSLL de julho de 1999, no valor de 18.858,88, não foi contabilizado, pelo que não pode ser considerado. A CSLL do anocalendário de 1999 não resultou nem a pagar, nem a restituir. Em assim sendo, deveria constar na conta contábil Contribuição Social em Restituição no ano calendário de 1999, o valor de R$ 72.977,39. Ano – Calendário 2000 Conta contábil: 01.02.04.04.02 – Contribuição Social em Restituição Data Histórico Débito Saldo Anterior (a ser retificado no Razão) 72.977,39 31/12 – Valor provisão CSLL para dez/00 (32.281,33) Saldo 40.696,06 Ano – Calendário 2001 Conta contábil: 01.02.04.04.02 – Contribuição Social em Restituição Data Histórico Débito Saldo Anterior (a ser retificado no Razão) 40.696,06 31/05 Estorno da comp da CS do ex/2000 32.281,33 31/05 – Compensação da CS conf declaração de ajuste (959,92) 31/12 – Quitação da CS do exercício 2001* (68.503,09) Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003840/200367 Acórdão n.º 1801001.715 S1TE01 Fl. 9 15 Saldo 3.514,38 Desta forma, verifico na contabilidade da recorrente que a recorrente solicitou, neste processo, o saldo negaivo da CSLL relativa ao anocalendário de 2002, mas comprovou somente em relação ao anocalendário de 2001, o qual resultou em um saldo negativo de CSLL no valor de R$ 3.514,38. Não merecem acolhidas, pois, as razões recursais no que se refere ao saldo negativo de CSLL, anocalendário de 2002, mantendose o decidido no despacho decisório. CONCLUSÃO Isto posto, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ, no valor original de R$98.880,26, acrescido da atualização devida, bem como homologar as compensações até o limite deste valor. Deve ser observado que uma parte deste crédito já foi reconhecida pela autoridade competente. Quanto aos processos de cobranças e/ou referentes a inscrições na Dívida Ativa da União, por serem relativos a débitos confessados pela recorrente, foge à competência deste órgão a competência para se manifestar a respeito, devendo a recorrente buscar solução junto à unidade de jurisdição, ou à Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 14479.001171/2007-29
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. MULTA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA.
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
Desnecessidade de realização de perícia por ser prescindível, pois os elementos necessários à convicção do julgador estão presentes nos autos.
As contribuições sociais previdenciárias no presente caso estão sujeitas à multa a ser aplicada nos termos do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, devendo esta ser limitada a 75%, em respeito ao artigo 35 - A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei 8.212/91 na redação anterior a MP 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. MULTA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Desnecessidade de realização de perícia por ser prescindível, pois os elementos necessários à convicção do julgador estão presentes nos autos. As contribuições sociais previdenciárias no presente caso estão sujeitas à multa a ser aplicada nos termos do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, devendo esta ser limitada a 75%, em respeito ao artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei 8.212/91 na redação anterior a MP 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 11 71 /2 00 7- 29 Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.001171/200729 Acórdão n.º 2803002.431 S2TE03 Fl. 1.311 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.001171/200729 Acórdão n.º 2803002.431 S2TE03 Fl. 1.312 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela TELEMÁTICA SISTEMAS INTELIGENTES LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 40/41), os créditos lançados referemse às contribuições devidas à seguridade social, referente a rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados autônomos, contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em época própria ao Ministério da Previdência e Assistência Social – INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. 3. O acórdão (fls. 1263/1264) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE DOSTF. Com a publicação do enunciado da Súmula Vinculante n° 8 do STF que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos. SUPERVENIÊNCIA DE PARECER. O Parecer PGFN/CAT ri 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n° 73/1993). CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obrigada a recolher a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga ou creditada, a qualquer título, aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços bem como arrecadar as contribuições dos mesmos, descontandoas da respectiva remuneração. Art. 12, V, art. 22, III e art. 30, I,. alínea “b”, todos da Lei 8.212/91. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia solicitada pela empresa deve expor os motivos que a justifique, com a formulação dos quesitos referente aos exames desejados, considerando não formulado o pedido que não preenche o disposto no art. 16, IV do Decreto 70.235/72. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSAO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas exceções do art.16, §4°do Decreto n° 70.235/72. INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.001171/200729 Acórdão n.º 2803002.431 S2TE03 Fl. 1.313 4 em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente em Parte” 4. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) desrespeito ao princípio do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, diante do não provimento quanto ao pedido de perícia e juntada de novos documentos no processo; b) invalidade da obrigação exigida, pois a recorrente promoveu pagamento a pessoas jurídicas e realizou reembolso de despesas, situações estas em que não se aplica essa contribuição. 5. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.001171/200729 Acórdão n.º 2803002.431 S2TE03 Fl. 1.314 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA 2. No que tange a alegação de desrespeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, em razão do indeferimento do pedido de perícia, cabe destacar a desnecessidade de tal documento probatório, pois os elementos necessários à convicção do julgador estão presentes nos autos. 3. Corroborando o entendimento exposto, o art. 18, do Decreto 70.235/72 dispõe da seguinte forma: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” 4. Portanto, não prospera a alegação do contribuinte, pois o julgador pode analisar as provas necessárias à formação de sua convicção, não estando vinculado à análise de provas que não sejam pertinentes ou sejam desnecessárias ao esclarecimento dos fatos. Além disso, não consta nos autos nenhum incidente processual que comprove a dificuldade da recorrente em se defender, o que demonstra o acerto do agente fiscal. 5. Cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 6. O contribuinte foi autuado em razão das contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados autônomos/contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. 7. No decorrer do processo, foi solicitada a realização de diligência por meio do Despacho n.º 0102 (fl. 1217), e, em seu atendimento foi apresentado o Termo de Encerramento de Diligência (fls. 1222/1226), em que se concluiu pela retificação do Anexo I Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.001171/200729 Acórdão n.º 2803002.431 S2TE03 Fl. 1.315 6 do auto de infração, que por falha da auditoria deixou de incluir o multiplicador e o valor limite. Foram retificados também alguns valores referentes ao reembolso de despesas. Além disso, foram majorados valores em razão da ausência de lançamento anterior dos recibos de autônomos apresentados posteriormente com outros documentos pela empresa. 8. Em seu recurso voluntário, insurgese o contribuinte relativamente à exigência da obrigação, pois dispõe que o pagamento a pessoas jurídicas e o reembolso de despesas são situações em que não se aplica essa contribuição. 9. Observase, entretanto, que os documentos relativos a pessoas jurídicas (ff. 72/152) foram alcançados pela decadência (01/2000 a 11/2001), como consta do Acórdão 16 21.915 que reconheceu a decadência de parte do crédito tributário, com base na Súmula 08 do Supremo Tribunal Federal. 10. No que se refere ao reembolso de despesas, como explicitado anteriormente, houve retificação dos valores, como consta do Termo de Encerramento de Diligência. 11. Ademais, todas essas despesas foram lançadas na Conta Serviços Pessoas Físicas, conforme esclareceu a fiscalização, fl. 1226, o que demonstra a ocorrência do fato gerador, como disposto no art. 22, inciso III, que assim dispõe: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).” 12. Assim, sobre tais questões, nego provimento ao recurso do contribuinte. DA MULTA APLICADA 13. No caso destes autos o período fiscalizado é 01/2000 a 12/2006 que foi lançado em 21/12/2007, ou seja, a multa aplicada variaria de 24% a 100%, a depender da fase do processo administrativo. 14. No caso destes autos a multa aplicada é 75%, como isso pode ser mais benéfico ao contribuinte? Este patamar de 75% só será mais benéfico quando a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação das Lei 9.876/99, chegasse a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento. 15. Feitos estes esclarecimentos necessários entendo que deve ser aplicado ao lançamento a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, devendo esta ser limitada a 75% em respeito ao artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. 16. Aplicando a situação acima, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.001171/200729 Acórdão n.º 2803002.431 S2TE03 Fl. 1.316 7 17. Notese, no caso, não se pode aplicar a multa do artigo 61, § 2º, “a”, pois o presente auto cuida de lançamento de ofício, isto é, aquele realizado pelo fisco. CONCLUSÃO 18. Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação anterior a MP 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000409/99-15
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/10/1988 a 01/10/1989
COTA DE CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A EXPORTAÇÃO DE
CAFÉ. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PROFERIDA
PELO STF NO CONTROLE DIFUSO. RESOLUÇÃO DO SENADO.
EFEITOS "ERGA OMNES".
A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal (STF), por via incidental, somente tem efeito geral e para todos (erga omnes) quando editada Resolução do Senado, excluindo do mundo jurídico o preceito legal inquinado, ou ato do Poder Executivo, estendendo aos dulials contribuintes os efeitos da decisão.
No caso, com a edição da Resolução do Senado n° 28, de 2005 (DOU de 22/06/2005), que suspendeu "a execução dos arts. 2° e 4° do Decreto-Lei n°2.295, de 21 de novembro de 1986, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal,
nos autos do Recurso Extraordinário n° 408.830-4 - Espirito Santo", a presente questão está superada
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE RESTITUIÇÃO, PRAZO
DECADENCIAL DE 5 (CINCO) ANOS. TERMO INICIAL. DATA DO
PAGAMENTO.
Independentemente da origem, o único termo inicial de contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do direito de restituição do indébito tributário é odiado pagamento do tributo indevido (art. 168, c/c art. 165, do CTN).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.613
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gama
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13841.000409/99-15 Recurso n° 342.648 Voluntário Acórdão n° 3102-00.613 — V Câmara' r Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2010 Matéria COTA CAFÉ Recorrente SANTA CRISTINA EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/1988 a 01/10/1989 COTA DE CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PROFERIDA PELO STF NO CONTROLE DIFUSO. RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS "ERGA OMNES". A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal (STF), por via incidental, somente tem efeito geral e para todos (erga omnes) quando editada Resolução do Senado, excluindo do mundo jurídico o preceito legal inquinado, ou ato do Poder Executivo, estendendo aos dulials contribuintes os efeitos da decisão. No caso, com a edição da Resolução do Senado n° 28, de 2005 (DOU de 22/06/2005), que suspendeu "a execução dos arts. 2° e 4° do Decreto-Lei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 408.830-4 - Espirito Santo", a presente questão está superada INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE RESTITUIÇÃO, PRAZO DECADENCIAL DE 5 (CINCO) ANOS. TERMO INICIAL. DATA DO PAGAMENTO. Independentemente da origem, o único termo inicial de contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do direito de restituição do indébito tributário é odiado pagamento do tributo indevido (art. 168, c/c art. 165, do CTN). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gama. ,Luis iv erra de Castro - Presidente - NA:r „ ... ....... José Fernande- do Nascimento - Relator EDITADO EM: 19/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de restituição de Cota de Contribuição sobre Exportação de Café, instituída pelo Decreto-lei n°2.295, 1986, formalizada em 30/08/1999, por meio do Pedido de Restituição de fl. 01, complementado pela petição de fls. 41162 e planilha de atualização de fls. 152/158, referente aos supostos recolhimentos indevidos realizados nos meses de outubro a dezembro de 1988, janeiro a maio de 1989, julho a agosto de 1989 e em outubro de 1989. O pleito foi formulado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF 21, de 1997, que se encontrava vigente na data de sua protocolização. Os demais fatos relevantes do processo, foram assim resumidos no relatório encartado no Acórdão recorrido, que passo transcrever: Em seu petitório, fls. 41/62, alega a inconstitucionalidade Cota de Contribuição de Café do IBC, fundada no voto do relator Alinistro Carlos Venoso (RE n° 191.044-5, SP), bem como no voto do Ministro limar Gaivão, segundo o qual a inconstitucionalidade da cobrança já nasceu em sua instituição, transcrevendo alguns trechos desse voto. Destaca, ainda, os votos desses mesmos Ministros, no Recurso Extraordinário n°214206-9 Alagoas. Entende ter o direito a reaver tudo quanta pagou, desconsiderando a ocorrência do prazo decadencial, entendimento alias (sic) anteriormente aceito pela administração federal conforme Parecer Cosit n' 58/98. Destaca que no RE n 43.995-RR, o Ministro César Asfor Rocha, declara que o "direito de pleitear a restituição, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta. Ou com a suspensão pelo • Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta". Processo n°1384! 000409/99-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.613 Fl. 307 Alega também o direito de restituição dos valores pagos com a devida atualização monetária, de conformidade com a Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 8/97, bem como a incorporação dos índices do MC e do INPC do IBGE, e taxa Selic, e que desde 1970 a correção monetária vem sendo admitida na repetição cio indébito e na compensação. Acresce que o STJ (cita o RESP n° 51.007-41, Ministro Demócrito Reinaldo) vem estendendo a correção monetária a toda e qualquer questão judiciária, como meio de resguardo da satisfação do débito, assim como a própria Lei n 6.899/81 que determina a aplicação da correção monetária aos débitos oriundos de decisão judicial. Cita outras decisões dos tribunais e manifestação de alguns doutrinados. Às fls.02/40, junta os a4RF's de recolhimento, e às 118.152/158, a planilha de cálculo de atualização dos pagamentos efetuados. Às fls. 171, a DRJ/Campinas-SP, considerou-se incompetente para o julgamento do pedido. Cientificado, fls.173v., o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, lis. 174/183 dessa decisão, por considerar aquela unidade competente para apreciar o pleito. Nesta DRJ SPO II o processo foi distribuído a esta julgadora que determinou o seu retorno à DRJ Campinas/SP, para julgamento do pedido de Restituição, por considerar de sua competência conforme despacho delis. 194. O processo retornou aquela unidade, onde foi objeto de exame e Decisão de fi.s.195/198, indeferindo o pedido. Cientificado o contribuinte, em 03/01/2007, fls. 203v., apresentou, sua Manifestação de Inconformidade, em 09/01/2007 fls. 208/233, tempestivamente,atendendo o disposto no art. 48 da IN SRF n° 600/2005. Acresce em sua Manifestação de Inconformidade a informação sobre o RE n°408.830-4, de 15/04/2004, onde o relator Ministro Carlos Velloso fez constar na ementa a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n` 2.2951186, frente á constituição de 1967,,. enquanto que a Resolução do Senado Federal estendeu a todos os contribuintes a declaração de inconstitucionalidade da Contribuição à Cota de Café do IBC. Transcreve em seu petitório o art.18 da lei n° 11.051/2004, resultante da conversão da M,P n` 219/04, que dispõe sobre o não ajuizamento da execução fiscal e cancelamento de lançamentos e inscrição relativamente à Cota de Contribuição de Café devido ao IBC. Traz também decisão do Conselho de Contribuintes onde foi acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência, considerando a contagem do prazo a partir do reconhecimento . _ do caráter indevido da exação tributária (CSRF — Acórdão 01- • 952 3 03.239; Terceiro Conselho: Acórdão 301-30742, 301-30773 — Primeira Câmara; 302-35343). Considera, ainda, que a discussão deveria girar em tomo da prescrição e não da decadência, ressaltando que a doutrina moderna que somente após a publicação da decisão do Plenário do STF é que se tem o inicio da contagem do prazo prescricional para a restituição do quanto indevidamente recolhido. Recorda outra forma admitida pela jurisprudência pra contagem do prazo prescricional em questão, que poderia ser considerada iniciada com a Lei n°11051/2004. Argüi (sic) que a Cota de Contribuição ao 1BC era tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo o agente administrativo o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária pra efetuar o lançamento ou homologar os recolhimentos do contribuinte, portanto o direito de pleitear a restituição só prescreveria após aquela data., recordando que esse tem sido o entendimento jurisprudencial (Agravo Regimental —Relatar Min.José Delgado, I" Turma, EREsp n' 327.043/DF). Buscou trazer o entendimento, ocasional, do STJ, de que o contribuinte dispõe de dez anos para buscar o seu direito creditório, contados a partir do recolhimento indevido, enquanto ainda não vigente a LC n° 11872005 (Resp 653748/CE,Rel.Min.José Delgado; Resp 858.538/SP, Rel2Ylin. Teori Albino Zavasckz)). Por outro lado, se contado a partir da publicação da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, concluir-se-á que em 30/08/1999, data do protocolo do pedido de restituição, não se pode aventar da decadência/prescrição. Finalmente, reitera que a restituição devida seja atualizada conforme fundamentação e demonstrativo já apresentado em seu petitó rio inicial. Na sessão de 18 de abril de 2007, a Primeira Turma da DRJ — São Paulo II (DRJ/SPOII), nos termos do julgamento consignado no Acórdão n° 17-17.946 (fls. 235/248), por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada, com base nos fundamentos assim resumidos na ementa que segue transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1988 a 01/10/1989 Ementa: Restituição do Indébito: Extensão de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, pelos órgãos julgadores administrativos, nos casos de controle difuso. Prazo decadencial: Contribuição para o IBC. Inconstitucionalidade: Os órgãos administrativos de julgamento, podem estender os efeitos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, nos casos de controle difuso, se houver inequívoca manifestação do Supremo Tribunal 4, Processo n° 13841.000409/99-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.613 Fl. 308 FederaL Quando a decisão do STF não trata especificamente do mesmo assunto, a extensão não pode ser adotada. (Lei n° 9.430/96, art. 77, do Decreto n' 2.346/97 e Parecer PGFN n' 948/98). Decadência: O direito não pode retroagir no tempo por períodos indefinidos e sem limite, pois feriria o próprio princípio da segurança das relações jurídicas, que é seu fundamento. A declaração de inconstitacionaliciade produz e,frito "ex time salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional, não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial ( Decreto n° 2.346/97).0 prazo decadencial conta-se a partir do pagamento indevido, por analogia do disposto no artigo 168, Ido CIN (Parecer PGFN n° 1.538/99 e ADN-SRF n° 96/99). Solicitação Indeferida Em 16/0512008, a interessada tomou ciência do referido Acórdão, por via postal (fl. 253). Inconformada, em 21/0512008, protocolou na Unidade de origem o Recurso Voluntário de fls. 2561290, em que reapresenta as razões de defesa aduzidas na Manifestação de Inconformidade de fls. 210/233, e acrescenta, de forma conclusiva, em relação ao inicio do prazo prescricional do direito de restituição, que ele somente se inicia a partir (i) da publicação do acórdão do STF, (ii) da publicação da Ml' n°219, de 2004, convertida na Lei n°11.051, de 2004, (iU) da edição da Resolução do Senado 11028, de 2005, ou ainda, ad argumentandum, (iv) após 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. No final requer seja dado provimento integral ao presente recurso e deferido in totum o presente pedido de restituição, sendo os valores recolhidos acrescidos de correção monetária plena, até 31/12/1995, na forma estabelecida na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n°08, de 22 de junho de 1997, incluindo os expurgos inflacionários, e da taxa Selic, a partir de 01/01/1996, nos termos do § 4° do art. 39 da Lei n°9.250, de 1995. Em cumprimento ao despacho de fl. 304, os presentes autos foram enviados ao extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Na sessão de 19 de outubro de 2009, por sorteio, foram distribuídos a este Conselheiro. Voto Conselheiro José Femandes do Nascimento, Relator O presente recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Das questões superadas. Inicialmente, cabe analisar a extensão dos efeitos .da declaração de inconstitucionalidade da cobrança da Quota de Contribuição sobre Operações dp/Éxportação de Café, proferida pelo Colendo STF no Acórdão resultante do julgamento do Recurso Extraordinário (RE) ri0 191.044 5/SP (DJ de 31/10/97), questão suscitada pela recorrente, desde o pleito inicial, reapresentada no presente recurso, e que foi abordada como fundamento de decisão no Despacho Decisório da autoridade administrativa da Unidade de origem (fls. 195/198) e no voto condutor do Acórdão recorrido (235/248). A recorrente, com base nos votos que integravam o referido julgado, apresentou entendimento de que o Colendo STF havia declarado a ineonstitucionalidade do Decreto-lei n° 2.295, de 1986, desde sua origem, ainda sob a égide da Constituição Federal de 1967. Diversamente entenderam a autoridade administrativa da Unidade de origem e a Turma julgadora de primeira grau, para quem o dito julgado havia apenas declarado a não recepção do citado Decreto-lei pela Constituição Federal de 1988. Os fatos demonstraram que a razão estava com os defensores da segunda tese. A prova cabal veio com a prolação pelo plenário do Colendo STF, na sessão de 15/04/2004, do Acórdão proferido no julgamento do RE n°408.830-4/Es (ai de 04/06/2004), cuja decisão unânime tem o seguinte teor, in verbis: "conhecido e desprovido o Recurso Extraordinário e declarado, 'incidenter tantum', a inconstitucionalidade dos artigos 2° e 4° do Decreto-lei 229511986 frente à Constituição de 1967". Assim, entendo superada a presente controvérsia. Outra questão que também foi apresentada pela recorrente e debatida nas decisão e julgamento anteriores, diz respeito os efeitos perante terceiros do Acórdão proferido no citado RE n° 191.044 5/SP. Segundo a recorrente, que se baseara em entendimento exarado no Acórdão n° 303-31.118, da lavra da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, o Parecer PGFN n°948, de 1998, e o Decreto n°2.346, de 1997, a extensão dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do citado Decreto-lei para os demais contribuintes prescindia de Resolução do Senado Federal ou de ato de caráter geral editado pelo Poder Executivo. Diferentemente, entendeu a autoridade administrativa da Unidade de origem, para quem, no âmbito controle difuso, sem eficácia erga °nines, a extensão 'para os demais contribuintes só seria possível se houvesse expedição de súmula pela Advocacia Geral da União (AGU) ou a edição de ato geral do Secretário da Receita Federal ou do Procurador- Geral da Fazenda Nacional. Por sua vez, a Turma julgadora a quo entendeu que, como o dito Acórdão do Colendo STF não abordara a questão da inconstitucionalidade sob a égide da Constituição de 1967, os recolhimentos realizados antes da nova Constituição, como no caso em tela, não estavam amparados pelo referenciado julgado. Com a edição da Resolução do Senado n°28, de 2005 (DOU de 22/06/2005), que suspendeu "a execução dos arts. 2° e 4° do Decreto-Lei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 408.830-4 - Espirito Santo", no meu entender, a presente questão também está superada, haja vista que os efeitos da dita decisão foram estendidos para os demais contribuintes. Do cerne da presente controvérsia. Demonstrada a irrelevância das questões anteriormente abordadas para o deslinde da presente controvérsia, verifica-se que o cerne da presente controvérsia limita-se a f rma de contagem do prazo decadencial (ou prescricional, segundo alguns) de 5 (cinco) anos do direito de o contribuinte pedir a restituição do indébito tributário. Objetivamente, a discordância, nos presentes autos, gira em torno do termo inicial de contagem do referido prazo. ítjt: Processo n° 13841.000409199-15 S3-C1T2 Acórdao a.° 3102-00.613 Fl. 309 De um lado, o entendimento manifestado pela autoridade julgadora titular da Unidade de origem, que foi ratificado pelos membros da Turma julgadora da DR.T/Silo Paulo II, é no sentido de que a única data que marca o início da contagem do prazo quinquenal de decadência do direito de repetir o indébito tributário é a data da extinção do crédito tributário, que corresponde, no caso em apreço, aos dias em que a interessada realizou os pagamentos dos valores indevidos das cotas da Contribuição incidente sobre exportações de café, relativas ao período de outubro de 1988 a outubro de 1989, conforme Darf de fls. 02/40. Por outro lado, entende a recorrente que o termo a azia do dito prazo seria: a) em caráter principal, (i) a data da publicação dos acórdãos proferidos pelo plenário do STF, declarando incidenter tantum a inconstiticionalidade dos arts. 2' e 4' do Decreto-lei n° 2.295, de 1986, nos julgamentos dos RREE n's 191.044-5 e 408.830-4; (ii) a data da publicação da MP n°219, de 2004, convertida na Lei n° 11.051, de 2004; ou (iii) a data da edição da Resolução do Senado n°28, de 2005; e b) em caráter eventual, apenas ad argumentandum, a data após 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador da Quota de Contribuição sobre Operações de Exportação de Café, relativa aos referidos recolhimentos. DA PRELIMINAR: DECADÊNCIA DO DIREITO DE PLEITEAR À RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Alega a recorrente que, no presente caso, não houve a decadência do direito de pleitear a restituição dos indébitos tributários, em suma, com base nos seguintes argumentos: a) o regime de pagamento indevido, bem como a restituição do respectivo indébito tributário, previsto no art. 165 do CTN, não se aplica a hipótese de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF; • b) a data da publicação do acórdão do STF, em que declarada a inconstitucionalidade de norma instituidora de tributo, atribui aos pagamentos, realizados anteriormente ao referido evento, a qualificação jurídica de indevido e, por conseguinte, passaria a ser o termo inicial de contagem do prazo prescricional de restituição dos indébitos tributários (princípio da adio nata); e c) a data da publicação do ato geral do Poder Executivo, que estende aos demais contribuintes os efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, seja no controle principal ou incidental, passaria a ser o termo inicial de contagem do prazo prescricional do direito de repetir os respectivos indébitos tributários. Do pagamento indevido: alcance jurídico do art. 165 do CTN. No que tange ao primeiro ponto, a questão central é saber se o art. 165 do CTN contempla todas hipóteses de pagamento indevido, inclusive, nos casos de vício de • • ' inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo. Para tanto, entendo oportuno analisar o inteiro teor do art. 165 do CTN, que segue transcrito: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual jOr a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido,' - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatária". (gritos não originais). Nos termos do referido preceito legal, o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo nos casos de "cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável". Com base no trecho em destaque, entendo que nele estão contempladas, especificamente, as hipóteses de pagamento indevido em face de vício de ilegalidade e de inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo. Corrobora com esse entendimento, a relevante doutrina de Leandro Paulseni, que preleciona, ad litteram: Em verdade, nenhum indébito é tributo devido. Do contrário, não seria indébito. Ocorre que o art. 165 e os artigos seguintes, incluindo o art. 168, dispõem justamente sobre os valores que, embora indevidos, tenham sido pagos a titulo tributário. Esta é precisamente a sua hipótese de incidência. Qualquer que seja o fundamento para afastar a existência da obrigação tributária (pagamento efetuado por simples erro de cálculo, pagamento efetuado forte em instrução normativa ilegal, pagamento efetuado pela incidência de lei inconstitucional), aplica-se sempre o regime de repetição estabelecido no CriV. (grilos não originais) Do termo inicial: data da publicação do acórdão do STF. No que tange ao segundo ponto, com devida vênia, não vejo no ordenamento jurídico brasileiro suporte para o entendimento esposado pela recorrente, pois, não há no direito positivo qualquer óbice de natureza instrumental ou processual que impeça o contribuinte de, antes da declaração de inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo, exercer o seu direito de petição ou de ação. Logo, se o direito de petição ou de ação era plenamente exercitável desde a data do pagamento, juridicamente, não há razão plausível para que o termo inicial do prazo PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 9. ed. Porto Alegr: Livraria do Advo gado; ESMAFE, 2007, p. 1.067. Processo n° 13841.000409/99-15 53-C1T2 Acárdão n.° 3102-00.613 Fl. 310 decadencial (ou prescricional, como entende a recorrente) do direito de repetir o indébito tributário seja transposto para a data da publicação do acórdão proferido pelo STF. Neste sentido é o entendimento doutrinário de Eurico Marcos Diniz de Sant?, conforme excerto a seguir transcrito: O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionaliclade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do principio da actio nata. Trata-se de petição de principio: signca sobrepor como premissa a conclusão que se pretenda O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação, serve tão-só como novo fundamento jurídico para exercitar o direito de ação ainda não desconstimido pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CT.V. (grifes não originais) Cabe ressaltar ainda que no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial (REsp) n° 435.835/SC3 , a jurisprudência predominante no E. STJ entendia que o termo inicial do prazo decadencial, nos casos de devolução de tributos declarados inconstitucionais pelo STF, era contado a partir data (i) do trânsito em julgado da decisão do STF que, em controle concentrado, declarasse a inconstitucionalidade do preceito legal ou normativo; e (ii) da publicação da Resolução do Senado, nas hipóteses de controle difuso de constitucionalidade. É representativo desse entendimento, o teor do Acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 587.976/RS 4 , cuja ementa segue transcrita: TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - LEIS 7.787/89 E 8.212/91 - COMPENSAÇÃO - PRESCRIÇÃO - TERMO A QUO. 1. Após inúmeras divergências, a Primeira Seção desta Corte pacificou entendimento em torno do termo a quo da prescrição, concluindo: a)nas ações em que se questiona a devolução (repetição ou compensação) de tributos lançados por homologação não declarados inconstitucionais pelo STF„ aplica-se a tese dos 'cinco mais cinco; b) nas ações em que se questiona a devolução (repetição ou compensação) de tributos lançados por homologação declarados inconstitucionais pelo STF, o termo a quo da prescrição é: 2 SANT', Eurico Marcos Diniz de. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. 2. ed. São Paulo: Max. Limonad, 2001. p. 276-277 3 Relator p/ acórdão: Ministro José Delgado, julgado em 24.03.2004, publicado no DJ de 04.06.2007, p. 287. 4 Relatora: Ministra Eliana Calmou, julgado em 19.03.2003, publicado no DJ de 15.03.2004, p, 262. 7;9/ -n '5 - a data da publicação da resolução do Senado Federal nas hipóteses de controle difuso de constitucionalidade (EREsp 423.994/MG); e - a data do trânsito em julgado da decisão do STF que, em controle concentrado, concluir pela inconstitucionalidade do tributo (REsp 329.444/DF). (.) (grilos originais) Por sua vez, no julgamento do EREsp n° 435.835/SC, a Primeira Seção do STJ reconsiderou o entendimento até então prevalecente naquele Tribunal e passou a adotar o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade não influía no termo inicial de contagem do prazo decadencial de repetição do indébito tributário, previsto no art. 168 do CTN. Ademais, a partir de então, firmou-se entendimento no âmbito daquela E. Corte que os únicos termos iniciais, para fins de contagem do citado prazo, são aqueles fixados no art. 168 do CTN. Neste sentido, veja o inteiro teor da ementa do Acórdão proferido no julgamento do EREsp n° 435.835/SC, a seguir transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRM. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. I.Está uniforme na I" Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançado pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. Por conter os fundamentos jurídicos que embasaram a mudança de jurisprudência em foco, é de todo oportuno trazer à baila os trechos do voto do Ministro Teori Albino Zavascki, a seguir transcritos Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o inicio do prazo prescricional não a um termo (= fato fitturo e certo), mas a uma condição (= fato fitturo e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, merbio que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. "' Processo n° 13841.000409/99-15 53-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.613 Fl. 311 Do termo inicial: data da publicação do ato do Poder Executivo. Pelas mesmas razões aduzidas anteriormente, com devida vênia, não vejo no ordenamento jurídico brasileiro suporte para o entendimento esposado pela recorrente. Reafirmo, agora com o respaldo na jurisprudência do E. STJ, que o único teimo que marca o inicio da contagem do referido prazo é a data da extinção do crédito tributário, mediante pagamento, conforme estabelecido no art. 168, I, do CTN. Com efeito, o entendimento defendido pela recorrente fere de morte os princípios da segurança jurídica, da separação dos poderes e da legalidade, além de contrariar frontalmente o regramento expresso no art. 168 do CTN. Tal entendimento só ganhou guarida na jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e da extinta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Não tenho noticias de que o Poder Judiciário tenha abraçado a referida tese. Cabe registrar, por oportuno, que atualmente, a Terceira Seção da CSRF do CARF reconsiderou o entendimento que vinha conduzindo os seus julgamentos sobre a matéria em apreço, e, por maioria, vem decidindo no sentido de que nem a declaração de inconstitucionalidade nem tampouco a edição de ato normativo de caráter geral pelo Poder Executivo não teriam influência na forma de contagem do prazo para repetição do indébito tributário. Em decorrência da referida mudança de entendimento, a Terceira Turma da CSRE passou admitir, a partir de então, como termo inicial para a contagem do citado prazo, unicamente as duas hipóteses contidas no preceito normativo veiculado pelo art. 168 do CTN, a saber: a) a data de extinção do crédito tributário; e b) a data em que se tomar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial. Neste sentido, confira-se o teor da ementa do Acórdão n° 9303-00.079, proferido na sessão de 07 de julho de 2009, nos autos do processo n° 10880.01609/98-04, a seguir transcrita, ipsis litteris: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/1989 a 30/04/1992 FLVSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. É ilustrativo da mudança de entendimento em questão, as razões aduzidas nos excertos do voto condutor do referido Acórdão, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a seguir reproduzidos, in verbis: Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação (NN i da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse i e \ E \ilt 1 . y de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo lega?, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, cujo art. 3° deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso 1, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1°, da Lei n°5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, 1, do CIN. 1-1 Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declarató rios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento, deve-se reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de forma afixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CIN o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de inicio, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STI, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Com suporte nas razões apresentadas, rejeito a presente alegação da recorrente. Da tese dos "cinco mais cinco". 5 Pacificou-se, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei-que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados , - inconstitucionais. p12 • Processo n° 13841.000409199-15 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.613 Fl. 312 Percebendo a interessada a fragilidade das teses principais suscitadas, em caráter eventual, propugna pela aplicação, ao caso em tela, da denominada tese dos "cinco mais cinco", segundo a qual o início do prazo do decadencial para repetir o indébito tributário somente ocorreria após a homologação tácita realizada 5 (cinco) anos após à ocorrência do fato gerador, o que implicaria no prazo decadencial total de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos do fato gerador até a homologação tácita, acrescido de mais 5 anos a partir da data da referida homologação. Cabe ressalva que, até o advento da Lei Complementar n° 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria da doutrina e da jurisprudência, seguindo o entendimento majoritário dos Ministros integrantes da Primeira Seção do STJ, defendiam para os indébitos tributários, relativos aos tributos sujeito ao lançamento por homologação, o critério de contagem do prazo decadencial segundo a tese denominada de "cinco mais cinco". Embora não concorde com a referida tese, no entanto, reconheço que ela foi construída em base em interpretação dos preceitos legais que tratam da matéria, a saber, os seguintes dispositivos do CTN: artigos 156, inciso VII, e 168, inciso I, combinado com art. 150, §§ 1° e 4°. A premissa básica adotada pelos defensores da citada tese estava baseada no fato de que a extinção do crédito tributário, nos casos de tributos submetidos ao lançamento por homologação, somente se efetivaria na data da homologação do pagamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para a homologação tácita era de cinco anos, a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4°, do CTN, na prática, ante ausência de homologação expressa, que é a regra, o termo inicial de contagem somente ocorreria a partir de completado o prazo quinquenal fixado para a homologação. Com advento da Lei Complementar n° 118, em 10 de fevereiro de 2005, cujo art. 3° atribuiu interpretação autêntica ao inciso I do art. 168 do CTN, a dita interpretação perdeu o seu suporte hermenêutico, pois este novel comando legal esclareceu que, mesmo na hipótese de lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado e não na data da homologação do lançamento (tácita ou expresssa), como alegava os defensores da dita tese. O referido preceito legal tem a seguinte redação, in verbis: Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 2 do art 150 da referida Lei. A partir da edição do referido diploma legal, no âmbito da doutrina e da jurisprudência, a controvérsia principal passou a ser a definição da sua natureza jurídica, haja vista que a parte final do art. 4° da dita lei havia lhe atribuído natureza interpretativa e, por conseguinte, efeito pretérito, nos termos do art. 106, I, do CTN. Em suma, o ceme da controvérsia passou a ser o momento a partir do qual o transcrito dispositivo legal passaria a produzir seus efeitos jurídicos. Seriam eles Tffosoectivos, para o futuro? Ou retroativos, para atingir também os fatos geradores pretéritos? • \13 Inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do citado trecho do art. 40, com o argumento de que ele afrontava os princípios constitucionais da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2°) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5', XXXVI), decidiu a Primeira Seção do STJ que o referido art. 3° tinha eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre as situações que ocorresse a partir de sua vigência, isto é, a partir de 09 de junho de 2005, não se aplicando as ações ajuizadas antes desta data. Contra esse entendimento, insurgiu-se a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, por meio do Recurso Extraordinário n° 432.090-1/SP. Por sua vez, o Colendo STF, em decisão plenária, entendeu que, no afastamento da aplicação da 2 a parte do mencionado art. 4°, houvera declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Com esse argumento, acolheu referido recurso e lhe deu provimento, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do STJ. Em cumprimento a decisão proferida pela Corte Maior, o E. ST1, por intermédio da sua Corte Especial, por unanimidade, no julgamento da Argüição de Ineonstitucionalidade (AI) nos Embargos de Divergência em Recurso Especial (EREsp) n° 644.736/PE (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 17/04/1995, p. 9551), acolheu a arguição de inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005, que dava efeito interpretativo e, por conseguinte, aplicação retroativa ao citado art. 3°. Nesse julgamento, o argumento apresentado pelo Egrégio colegiado para declarar inválido o mencionado trecho do citado art. 4° foi de que o citado art. 30 havia inovado no plano normativo, o que descaracterizaria a natureza meramente inteipretativa nele explicitada. Ademais, no referido julgamento, decidiu o citado Órgão especial, atribuir eficácia prospectiva ao referido art. 3°, incidindo apenas sobre as situações ou fatos que ocorressem a partir da sua vigência, que se deu em 9 de junho de 2005. Em consequência, se não podia o Órgão fracionário do Egrégio STJ afastar a aplicação da segunda parte do referido artigo 4°, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3°, com muito mais razão falece a esta Turma julgadora não aplica- lo com base em idêntico fundamento. Por isso, enquanto não houver decisão definitiva do Colendo STF sobre a matéria, entendo que o referido comando legal continuará vigente e eficaz, e tendo aplicação cogente. Sobre tal aspecto, merecem ser trazidos à baila excertos do brilhante voto proferido pelo nobre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a seguir transcritos: "A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisclicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por r Processo na 13841.000409/99-15 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.613 Fl. 313 um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capitulo III - Do Poder Judiciário - do Titulo IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determin ada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidacle fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivantente ao Poder Judiciário". (grifos do original). Além dos sólidos argumentos jurídicos retroexplicitados, cabe enfatizar que, atualmente, há disposição legal expressa vedando este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Neste sentido, dispõe o art. 26-A do Decreto tf' 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF), com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941, de 2009. O referido dispositivo encontra-se reproduzido no art. 62 no Regimento Interno deste E. Conselho. Cabe esclarecer ainda que os extintos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes sumularam a referida matéria, consignando que falece competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade. Com base em tais considerações, rejeito a aplicação, ao caso vertente, da tese dos "cinco mais cinco", por entender que, após a vigência do art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 1995, o único termo inicial de contagem do prazo decadencial de repetição do indébito tributário, inclusive nos casos de lançamento por homologação, nos termos do art. 168, I, do CTN, é a data do pagamento, ainda que realizado de forma antecipada. II — DA CONCLUSÃO Nos presentes autos, como o pedido de restituição foi formulado em 30/08/1999, somente os indébitos extintos (pagos) cinco anos antes da referida data, ou seja, até 30/08/1994 não estariam fulminados pela decadência. Como o pagamento mais recente efetuado pela recorrente foi efetuado em 24/10/1989 (fl. 40), concluo que o pedido em tela não merece acatamento, pois, na data de sua apresentação, já se encontrava extinto pela decadência o direito de restituição aos indébitos tributários nele pleiteado. Ante...todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Re, ;para ma er na integra o Acórdão recorrido. Losé Fernandes do Nascimento • 27
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001582/88-91
Data da sessão: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 1989
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINCIPIO DA DECORRÊNCIA.
Tendo em vista acórdão que determinou a baixa do processo matriz para saneamento e prolação de novo decisum, impõe-se a
remessa dos autos decorrentes à mesma instância para que outra decisão seja , proferida em face do que for solucionado
em relação ao lançamento principal.
Numero da decisão: 101-78.377
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à D.R.F. em Brasília (DF), a fim de que seja prolatada nova decisão de primeiro grau, à vista do que for decidido no processo matriz, depois do saneamento devido, nos termos do relatório e voto Que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Eduardo Rangel de Alckmin
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-06T08:39:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-06T08:39:44Z; Last-Modified: 2009-07-06T08:39:44Z; dcterms:modified: 2009-07-06T08:39:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-06T08:39:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-06T08:39:44Z; meta:save-date: 2009-07-06T08:39:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-06T08:39:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-06T08:39:44Z; created: 2009-07-06T08:39:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-06T08:39:44Z; pdf:charsPerPage: 1387; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-06T08:39:44Z | Conteúdo => PROCESSO N9 10166-001.582/88-91 •-',':u, :*'?t • . :4 4-? MINISTÉRIO DA FAZENDA MHP Sessão de 23 de fevereiro de 19 89 ACORDÃO N.101-78.377 Recurso n.o 52.066 - IRF - ANOS de 1984 a 1986 Recorrente IPANEMA - EMPRESA DE SERVIÇOS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BRASÍLIA (DF). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINC1- RIO DA DECORRÊNCIA. Tendo em vista acórdão que determinou a baixa do processo matriz para saneamento e prolação de novoudecisuiii, impõe-se a remessa dos autos decorrentes à mesma instância para que outra decisão seja proferida em face do que for solucionado, em relação ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IPANEMA - EMPRESA DE SERVIÇOS GERAIS E TRANS- PORTES LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remes_ sa dos autos à D.R.F. em Brasília (DF), a fim de que seja prolatadal nova decisão de primeiro grau, à vista do que for decidido no proces_ so matriz, depois do saneamento devido, nos termos do relatório e vo_ to Que passam a integrar o presente julgado, Sala das Sessões (DF), em 23 de fevereiro de 1989. / URGEL = REI'' LO'ES - PRESIDENTE i P/,,... ' enimmI áljA... li (1,' ED DO " GE. • ALCKMIN - RELATOR OPP AFor N A, SO FERREIRA D -' POS - PROCURADOR DA FAZEN- VISTO EM DA NACIONAL, SESSÃO DE: 73 FEV ';` v.v. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MI— PANDA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PI MENTEL e CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER. 2 i. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10166-001.582/88-91 RECURSO N9: 52.066 ACÓRDÃO N9: 101-78.377 RECORRENTE N9: IPANEMA - EMPRESA DE SERVIÇOS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. RELATÓRIO Trata-se de exigência de imposto deirenda da fonte,' relativa aos anos de 1984 a 1986, decorrente de ação fiscal de que resultou imputação de omissão de receita pela contribuinte, carac- terizada pela não contabilização de notas fiscais de prestação de serviços e outras infrações. Cientificada do lançamento em 17-02-88, a empresa protocolizou impugnação em 16-03-88, reportando-se aos mesmos argu ' mentos expendidos nos autos principais, relativo ã exigência de im posto de renda da pessoa jurídica. Instada a se manifestar, a Fiscalização sustentou a procedência da revisão do lançamento em questão (fls. 21/23). A decisão de primeiro grau está assim ementada: "IMPOSTO DE RENDA FONTE Aplica-se o decidido no processo matriz do qual este é decorrente." Irresignada, a contribuinte interpôs recurso a este Colegiado, com base no disposto no art. 33 do Decreto ne 70.235/72, pretendendo a reforma da decisão de primeiro grau.t DMF DF /19 C-C - Secgraf 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10166-001.582/88-91 3 Acórdão n9 101-78.377 Informo, outrossim, que esta Câmara apreciando os re- cursos interpostos nos processos principais, através dos Acórdãos n9s. 101-78.326 e 101-78.334 decidiu: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCIPIO DA UNICIDADE DO LANÇAMENTO. O Auto complementar lavrado quando em curto prazo para impugnação do Auto inicial deve ser acostado ao processo principal e ser analisado conjuntamente com o segundo." 74 É o relatório. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10166-001.582/88-91 4 Acõrdão n9 101-78.377 1 VOTO Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator: Consoante é cediço, em se tratando de processo admi- nistrativo fiscal, por se fundar em um só conjunto fático há estrei ta relação entre o lançamento dito , principal e o decorrente, sendo que a análise feita em relação ao primeiro pode ser aproveitada quan to ao segundo, se nos autos relativos a este o sujeito passivo não apresenta matéria nova. Cuida-se, assim, do chamado princípio da decorrência. No caso, a Câmara, apreciando os autos principais, en tendeu ser necessário o seu retorno para a instância de origem, a fim de que houvesse o saneamento dos processos (fossem autuados em conjunto os processos atinentes aos autos de infração original e complementar) e nova decisão fosse proferida. Assim, em virtude do já aludido princípio da decorrên cia, também os presentes autos devem ser remetidos ã digna Autorida de julgadora a auo para que nova decisão seja proferida em face do que restar decidido nos autos matrizeV._- Observo, contudo, que também no tocante ao lançamento decorrente de IRF houve autuação em separado de vários Autos de In- fração. Nsse sentido, verifica-se que o processo n9 10166-000.869/88-21 também versou sobre revisão do lançamento atinente ao imposto aludi do, nos anos de 1983 a 1986. Isto posto, assim, como ocorre em con- cerriência aos autos principais, também devem ser consolidados :os processos referidos, com a apreciação conjunta das diversas revi- ses de lançamento.Ag É como voto. Ofr R Irn ..ord JeS EDUARDO '4 GE DE ALCKMIN - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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