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Numero do processo: 10855.000183/2005-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ALUGUÉIS. ERRO NA DIRF. PROVA.
A informações prestadas em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), salvo prova em contrário, são hábeis a comprovarem a omissão de rendimentos. Mera alegação de que os rendimentos pertenceriam a terceiros, desacompanhada de elemento de prova da propriedade do imóvel locado, é insuficiente para justificar a retificação do lançamento.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da
legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.811
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ALUGUÉIS. ERRO NA DIRF. PROVA. A informações prestadas em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), salvo prova em contrário, são hábeis a comprovarem a omissão de rendimentos. Mera alegação de que os rendimentos pertenceriam a terceiros, desacompanhada de elemento de prova da propriedade do imóvel locado, é insuficiente para justificar a retificação do lançamento. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos. Recurso Voluntário Negado.
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ALUGUÉIS. ERRO NA DIRF. PROVA. A informações prestadas em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), salvo prova em contrário, são hábeis a comprovarem a omissão de rendimentos. Mera alegação de que os rendimentos pertenceriam a terceiros, desacompanhada de elemento de prova da propriedade do imóvel locado, é insuficiente para justificar a retificação do lançamento. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Fl. 89DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10855.000183/200589 Acórdão n.º 2801001.811 S2TE01 Fl. 0 2 Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 05, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.450,53, acrescido de multa de ofício e juros de mora, bem como de saldo de imposto a pagar no total de R$321,58. A autuação decorreu de dedução indevida a título de despesas médicas (R$5.000,00), bem como de omissão de rendimentos de aluguéis (R$23.863,05, com IRRF de R$1.917,30). IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 73): 1) Apresenta por anexação documentos comprobatórios (recibos e notas fiscais) das despesas médicas deduzidas na declaração de ajuste anual; 2) Acerca da omissão de rendimentos de aluguéis recebidos da pessoa jurídica CNPJ 74.305.012/000106, estou providenciando cópia autenticada da DIRF retificada onde os valores declarados e o imposto devidamente pagos pelos pais (Alfredo Elias e Dolly Mathias Elias) que dispunham na época do direito de recebimento do referido aluguel. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3ª Turma DRJ/Campo Grande/MS, conforme Acórdão de fls. 70 a 76, julgou procedente o lançamento. Destacou que os recibos médicos objeto da glosa, emitidos por Luciana Aparecida Soares, não preenchem os requisitos mínimos legais. Quanto à omissão de rendimentos, ponderou que: (...) o fato de outras pessoas — no caso dos pais — auferirem rendimentos a partir da mesma fonte pagadora não implica que esta tenha elaborado a DIRF erroneamente, nem que os rendimentos informados não sejam da defendente, visto que poderiam ser rendimentos auferidos a partir de outro negócio jurídico, sobre o qual não haja informações no presente processo. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10855.000183/200589 Acórdão n.º 2801001.811 S2TE01 Fl. 0 3 O fato é que a fonte pagadora declarou à Receita Federal, sob as penas da lei, e responsabilizandose pelo imposto de renda retido na fonte, que foram pagos determinados rendimentos e ocorrido a retenção do imposto na fonte. Para contraporse a essa informação, deveria a interessada solicitar à fonte pagadora a retificação da DIRF prestada em tempo hábil, complementadoa com no mínimo uma declaração (prestada por representasse legal, devidamente identificada, e com cópia do instrumento que a qualificasse para tanto) em que elucidasse os motivos do suposto erro cometido e a real situação a ser considerada. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 24/11/2008 (fls. 81), a contribuinte apresentou, em 19/12/2008, o Recurso de fls. 82 a 84, reafirmando, em síntese, que os os rendimentos de aluguéis foram pagos a seus pais, que os incluiram em suas declarações de ajuste anual. Assevera que a fonte pagadora se equivocou ao retificar a DIRF, informando seu CPF como se fosse a beneficiária dos rendimentos. Quantos às despesas médicas, afirma que as pagou em dinheiro e de que não há obrigação legal de fazêlo por outro meio. Entende que os recibos apresentados são prova suficiente do direito alegado e atendem as disposições legais que regem a matéria. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 85, que também trata do envio dos autos a este Conselho, contendo ainda fls. 86, sem numeração, a saber, despacho de encaminhamento dos autos do SECEX/CARF para a Secretaria da Primeira Câmara/2ª SEJUL/CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio restringese a omissão de rendimentos de aluguéis e glosa de despesas médicas. Relativamente à omissão de rendimentos a interessada afirma que a fonte pagadora teria se equivocado ao informar seu CPF na DIRF, uma vez que seus pais foram os efetivos beneficiários dos valores pagos, tendo informado em suas declarações de ajuste anual as quantias percebidas. Importante destacar que a fonte pagadora dos aluguéis em discussão apresentou DIRF retificadora (fls. 42) informando o CPF da interessada como beneficiária dos Fl. 91DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10855.000183/200589 Acórdão n.º 2801001.811 S2TE01 Fl. 0 4 rendimentos de aluguéis objeto do lançamento. Ao impugnar o lançamento a contribuinte asseverava que solicitaria à fonte pagadora, Vilela Ribeiro e Filhos Ltda., que retificasse a DIRF. Ocorre que até o presente momento não se tem notícia dessa retificação. E mais, apesar de a interessada afirmar que os pais é que teriam sido os verdadeiros beneficiários dos rendimentos de aluguéis, o certo é que em nenhum momento a contribuinte cuidou de indicar a que imóvel se referiria o aluguel, a apresentar um contrato de locação que permitisse a este Colegiado pelo menos avaliar a possibilidade de erro na DIRF retificadora de fls 42 e, em decorrência solicitar uma diligência a fim de que a fonte pagadora prestasse esclarecimentos. Insta frisar que no julgado de primeira instância já havia sido pontuado para a interessada que: o fato de outras pessoas — no caso dos pais — auferirem rendimentos a partir da mesma fonte pagadora não implica que esta tenha elaborado a DIRF erroneamente, nem que os rendimentos informados não sejam da defendente, visto que poderiam ser rendimentos auferidos a partir de outro negócio jurídico, sobre o qual não haja informações no presente processo E mais, tanto na declaração da interessada (fls. 49 a 52) quanto de seu pai (fls. 32 a 35) há imóveis passíveis de serem locados. Portanto, nas circunstâncias em questão, seria importante que a interessada fizesse algum esforço probatório para corroborar sua alegação de que os rendimentos de aluguéis a ela atribuídos em realidade seriam os mesmos declarados pelos pais. Na ausência destes elementos, não há motivos para considerar que as informações constantes da DIRF retificadora, ativa nos sistemas informatizados administrados pela RFB, documento hábil a comprovar omissão de rendimentos, não merecem crédito, cabendo manter a omissão lançada. No tocante às despesas médicas, nos termos do inciso II, alínea “a”, §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. De acordo com o § 2º, III do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Ante a legislação acima mencionada, não obstante o sentimento de inconformidade da contribuinte, examinando os recibos objeto da glosa, às de fls. 11 a 13, emitidos Luciana Aparecida Soares, verifico que efetivamente não preenchem os requisitos legais acima mencionados, eis que não indicam o endereço da profissional, não especificam que serviços teriam sido prestados e nem quem teria sido o beneficiário dos mesmos. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10855.000183/200589 Acórdão n.º 2801001.811 S2TE01 Fl. 0 5 Portanto, considerando que nada novo foi apresentado em sede de recurso voluntário, cabe manter o acerto do julgado de primeira instância. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 93DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000226/2006-44
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de ofício, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.088
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada por falta de recolhimento do Carnê-Leão, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES RELNALDI E HENRIQUES RESENDE
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de ofício, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1900; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 132 1 131 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11041.000226/200644 Recurso nº 886.424 Voluntário Acórdão nº 2801002.088 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de novembro de 2011 Matéria IRPF OMISSÃO RENDIMENTOS Recorrente CARMEN NURIA MOREIRA SILVEIRA OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de ofício, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada por falta de recolhimento do CarnêLeão, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11041.000226/200644 Acórdão n.º 2801002.088 S2TE01 Fl. 133 2 Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 83 a 93, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 a 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$27.734,35, acrescido de multa de ofício e juros de mora, bem como de multa exigida isoladamente, por falta de recolhimento de Carnê Leão no valor de R$14.540,15, A autuação decorreu de constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e pessoas jurídicas em decorrência de trabalho sem vínculo empregatício. Sobre os rendimentos omitidos, recebidos de pessoas físicas, foi formalizada a exigência de multa isolada por falta de recolhimento do imposto devido a título de CarnêLeão. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 99 a 107), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 112): (...) ter verificado que alguns recibos de prestação de serviços não foram por ela emitidos, como pode se verificar pelo documento de fls. 27 no valor de R$ 480,00, cuja emitente é outra pessoa física. Insurgese, também, contra a aplicação dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, bem como não concorda com a multa isolada, pois já foi penalizada com a multa de ofício de 75% que, segundo ela, já é um confisco, mais a multa de 50% como multa isolada, totalizando 125% no total. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 4ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, conforme Acórdão de fls. 110 a 116, julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento. Destacou (grifos do original): (...) o mencionado recibo de fls. 27, no valor de R$ 480,00, não foi objeto de lançamento por omissão de rendimentos, conforme pode ser constatado pelo demonstrativo elaborado pela fiscalização de fls. 71. Afora isso, não se constata nos autos, a existência de outros recibos que alegadamente não teriam sido emitidos pela impugnante. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11041.000226/200644 Acórdão n.º 2801002.088 S2TE01 Fl. 134 3 Acrescentese, também, que a autuada sequer menciona em sua impugnação quais seriam os recibos que não teriam sido por ela emitidos, ficando no mero terreno abstrato das alegações sem prova. Além disso, observase que todos os documentos de fls. 06/70, relacionados na planilha de fls. 79, foram confirmados pela contribuinte como tendo sido recebidos de pessoas físicas por serviços prestados de psicologia. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 27/01/2010 (fls. 120), a contribuinte apresentou, em 26/02/2010, o Recurso de fls. 121 a 130. Principia recapitulando os fatos. Prossegue argumentando, em extenso arrazoado, que seria ilegal a utilização da taxa Selic para correção de débitos tributários. Defende que a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório. Discorda da exigência de multa isolda concomitantemente com a multa de ofício. Invoca jurisprudências e julgaods administrativos para robustcer seus argumentos. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 131, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, a interessada não contesta a omissão de rendimentos apontada pela autoridade lançadora, mas discute a constitucionalidade e a legalidade das penalidades aplicadas. Registrese, no tocante à alegação de que a multa aplicada seria confiscatória, contrariando os artigos 5º, inciso LIV, e 150, inciso IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, que a súmula nº 2, do CARF, assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por oportuno, frisese que a multa de ofício de 75% foi aplicada consoante a legislação que rege a matéria, sendo defeso a este Conselho negar aplicação à legislação em vigor. No tocante aos juros, cabe trazer à colação a Súmula nº 4, deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 04 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11041.000226/200644 Acórdão n.º 2801002.088 S2TE01 Fl. 135 4 no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Relativamente à multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, cabe destacar que esta foi calculada com base nas infrações apuradas no lançamento, mais precisamente, omissão de rendimentos percebidos de pessoas físicas (fls. 84, 86, 88, 91 e 92). Ora, consoante jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, essa não é devida concomitantemente com a multa de ofício. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/0104.987, de 15/06/2004) Por fim, quanto a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais invocados, destaquese que não foram trazidas à colação posições que vinculariam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada por falta de recolhimento do CarnêLeão. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 13882.001087/2008-61
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE.
Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão-somente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
MATÉRIA INCONTROVERSA.
Torna-se incontroversa matéria não questionada pelo contribuinte em seu recurso, não podendo ser objeto de apreciação pela autoridade de segunda instância.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. MATÉRIA INCONTROVERSA. Tornase incontroversa matéria não questionada pelo contribuinte em seu recurso, não podendo ser objeto de apreciação pela autoridade de segunda instância. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 43DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16448.EY0U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13882.001087/200861 Acórdão n.º 2801002.366 S2TE01 Fl. 41 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 04/08, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003, em que foi apurado um crédito tributário correspondente a R$ 22.519,96, decorrente da dedução indevida de previdência privada e FAPI no valor de R$ 860,36, e da dedução indevida de despesas médicas no montante de R$ 34.207,64, conforme descrição dos fatos e complementação da descrição dos fatos de fls. 05/06, reproduzida a seguir: “Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi. Glosa do valor de R$ 860,36, indevidamente deduzido a titulo de contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido do contribuinte, ou cujo beneficio não tenha sido deste ou de seus dependentes. Alteramos a contribuição à previdência privada paga à Brasilprev de R$ 3.198,16 para R$ 2.337,80, conforme documento apresentado pelo interessado Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 34.207,64, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS O contribuinte, após ter sido intimado, não comprovou através de cheques nominais ou comprovantes de saques bancários, as movimentações bancárias que comprovassem a efetividade dos pagamentos feitos aos profissionais abaixo elencados. Ressaltamos que somente a apresentação dos recibos e das declarações prestadas pelos profissionais não são suficientes Fl. 44DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16448.EY0U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13882.001087/200861 Acórdão n.º 2801002.366 S2TE01 Fl. 42 3 para se aceitar as despesas quando estas têm valores elevados, por não ficar evidenciado que houve o desembolso para pagamento das despesas. Despesas glosadas: Priscila Helena Silva CPF 150.194.09880 R$ 5.000,00 (psicóloga) Ana Paula Diniz Martins CPF 256.124.06819 R$ 2.000,00 (fisioterapeuta) Silvia Marcondes CPF 275.965.31881 R$ 6.000,00 (psicóloga) Luciana Aparecida Silva Ribeiro CPF 032.297.92641 R$ 10.000,00 (odontóloga) Renata Godoy Cappio CPF 274.706.13889 R$ 10.000,00 (odontóloga) Leandro Marques CPF 260.983.17810 R$ 5.000,00 (odontólogo) Total das despesas glosadas: R$ 38.000,00 Despesas Aceitas: Rosângela Monteiro Caltabiano CPF 070.847.29828 R$ 530,00 Unimed de Guaratinguetá CNPJ 45.207.131/000182 R$ 2.448,00 Total da despesa aceita R$ 2.978,00 Incluímos a despesa com a Unimed Juiz de Fora em nome de Alberto Nicolao a qual não havia sido informada pelo contribuinte R$ 3.792,36 Total da despesa dedutível na declaração R$ 6.770,36.” IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/03, em que alega o seguinte, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 23): “Em sua impugnação, o interessado afirma que com relação à previdência privada, além do valor admitido pela fiscalização, foi também pago pelo contribuinte R$ 2.449,49 em favor da dependente Letícia Vieira Armond Nicolao. No que diz respeito às despesas médicas, afirma que efetuou os pagamentos em dinheiro. apresentou os recibos corroborados com declarações dos prestadores. Acrescenta não haver lei que obrigue a efetuar o pagamento com cheques, transferências bancárias não podendo ser exigida a comprovação através desses documentos. Acrescenta que a fiscalização não apontou Fl. 45DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16448.EY0U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13882.001087/200861 Acórdão n.º 2801002.366 S2TE01 Fl. 43 4 os problemas relativos aos recibos e requer o cancelamento da notificação.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 8a Turma da DRJ/São PauloII julgou a impugnação improcedente, por entender que o valor representado no documento apresentado para fins de comprovação da dedução com contribuição à previdência privada é inferior em R$ 860,36 àquele inserido na Declaração de Ajuste. Ressaltou que o total da aludida dedução foi de R$ 11.525,51, valor no qual está contido o pagamento de R$ 2.449,49. Quanto às despesas médicas glosadas, considerou que, uma vez intimado a comprovar o efetivo desembolso de tais dispêndios, cabe ao contribuinte carrear aos autos provas nesse sentido, o que não ocorreu neste caso, razão pela qual a glosa deve ser mantida. Destacou que artigo 73 do RIR/1999, cuja matriz legal é o § 3° do art. 11 do Decretolei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar tais despesas, sendo que, neste caso, se desloca para ele o ônus probatório. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 07/05/10, o interessado apresentou, em 21/05/10, o Recurso de fls. 31/36, questionando somente a glosa das despesas médicas, com base nas seguintes alegações: a) a glosa das despesas médicas violou o art. 80, III, do RIR/99; b) todos os documentos apresentados para fins de comprovação das despesas médicas glosadas atenderam ao conteúdo do dispositivo legal acima citado; c) o contribuinte não está obrigado a comprovar tais despesas por meio de extratos bancários; d) o acórdão atacado afronta os princípios da legalidade e da razoabilidade; e) as despesas médicas foram designadas nos recibos, notadamente àqueles referentes ao tratamento odontológico, psicológico e de fisioterapia, os quais estão acompanhados de declarações, bem como a designação dos serviços. Ademais, a Receita Federal podia confrontar os aludidos pagamentos com as declarações daqueles profissionais que receberam e emitiram os respectivos recibos; f) a jurisprudência administrativa lhe é favorável, citando acórdão deste Conselho como exemplo. Diante do exposto acima requer o provimento de seu recurso. É o Relatório. Voto Fl. 46DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16448.EY0U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13882.001087/200861 Acórdão n.º 2801002.366 S2TE01 Fl. 44 5 Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que o recorrente não questionou a dedução indevida da previdência privada, razão pela qual a matéria tornouse incontroversa, não sendo objeto de apreciação deste julgamento. Em relação às despesas médicas glosadas, é importante destacar que na Complementação da Descrição dos Fatos (fls. 06) consta o esclarecimento de que a glosa ocorreu pelo fato de o contribuinte não ter comprovado a efetividade dos respectivos pagamentos. Convém ressaltar que, em princípio, admitese como prova idônea da dedução a título de despesas médicas os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, que contenham todas as indicações indispensáveis à identificação de quem efetuou o pagamento, em que data, referente ao tratamento de qual paciente, bem como a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ do emitente. Todavia, a apresentação dos recibos não impede o direito de o Fisco solicitar que o contribuinte comprove ou justifique a dedução declarada. Foi a lei, mais precisamente o DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º, que expressamente determinou que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar as deduções, deslocando para ele o ônus probatório, sendo que o § 4º daquele mesmo artigo previu a glosa das deduções, sem a audiência do contribuinte, quando forem exageradas ou não forem cabíveis. O referido dispositivo constitui a matriz legal do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Esclareçase que para se fazer jus a deduções na declaração de ajuste anual, se torna indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. A propósito de dedução de despesas médicas, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). Fl. 47DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16448.EY0U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13882.001087/200861 Acórdão n.º 2801002.366 S2TE01 Fl. 45 6 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais, entre eles a comprovação do efetivo pagamento, se assim for exigido pela autoridade lançadora, como neste caso, sendo reconhecido pelo próprio recorrente em sua impugnação. Desse modo, se o interessado foi intimado a comprovar o pagamento das respectivas despesas, conforme relatado na Complementação da Descrição dos Fatos de fls. 06, fazse necessário que ele apresente provas nesse sentido para que possa fazer jus à dedução declarada. E isso não ocorreu em relação às despesas que tiveram sua glosa mantida. Cumpre assinalar que os recibos em si, e mesmo uma declaração prestada pelo profissional, não constituem prova de pagamento das despesas médicas ali descritas. Isso porque um recibo, ou a declaração, em princípio, é uma documento particular, com efeito apenas entre as partes. Não é válido, porém, em si mesmo, contra terceiros, como prova dos fatos que atesta, cabendo ao interessado, se necessário for, comprovar a veracidade do fato por meio de provas materiais. É o que estabelece o art. 368 do Código de Processo Civil: Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Vale dizer que o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que haja correspondência entre os valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas. Isso porque, nesse caso, o ônus da prova cabe ao Fl. 48DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16448.EY0U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13882.001087/200861 Acórdão n.º 2801002.366 S2TE01 Fl. 46 7 contribuinte, de acordo com o disposto no art. 11, § 3º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943, e no art. 8º, inciso III, da Lei nº 9.250, de 1995. Acerca da alegação de ofensa a princípios constitucionais, cumpre informar que, nos termos da Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, e o reconhecimento de que tais princípios foram desrespeitados implica no pronunciamento da inconstitucionalidade das leis que os teriam afrontado. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto às decisões administrativas citadas, vale lembrar que não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por tais razões voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 49DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16448.EY0U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012 10:39:56. Documento autenticado digitalmente por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 25/04/2012 e WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.1019.16448.EY0U Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 5710CA2D632CD155FF1E211718F3A2AFD99320C6 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13882.001087/2008-61. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10510.004986/2007-75
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIOS. PROVA.
Somente são dedutíveis despesas médicas pagas no ano-calendário
em discussão, cujos beneficiários sejam o contribuinte ou seus dependentes declarados no ajuste anual, que estejam devidamente comprovadas nos autos, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-001.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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BENEFICIÁRIOS. PROVA. Somente são dedutíveis despesas médicas pagas no anocalendário em discussão, cujos beneficiários sejam o contribuinte ou seus dependentes declarados no ajuste anual, que estejam devidamente comprovadas nos autos, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10510.004986/200775 Acórdão n.º 2801001.978 S2TE01 Fl. 130 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 73 a 78, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.602,17, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de glosa de dedução pleiteada a título de despesas médicas, no valor de R$20.371,53, pelos motivos expostos às fls. 74, a saber: (...) verificase que além da falta de apresentação dos originais ou copia dos cheques nominais relativos os pagamentos, alguns recibos não especificam a quem os serviços foram prestados e/ou endereço dos profissionais, não preenchendo assim os requisitos legais, estabelecidos no § 2°, do art. 8°, da Le n° 9.250/95. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 e 02), acatada como tempestiva, discordando da exigência formalizada. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3ª Turma da DRJ Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 108 e 109, julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que acatou deduções no montante de R$9.905,41, referentes a Gilmar de O. Garrone (R$2.000,00), Anuar Maluli (R$5.300,00), Laboratório Fleury S/C Ltda. (R$222,42), Clínica Schimillevitch Diag. por Imagem S/C Ltda. (R$285,00), Monir Hanania (R$200,00) e Cassi (R$1.897,99). No tocante às glosas mantidas, destacou que os recibos emitidos por Lauro Barros Fontes e Eduardo Gomes Bispo não preenchem os requisitos legais especificados no Auto de Infração; que os cheques utilizados para o pagamento de despesas referentes a Gilmar de O. Garrone (R$2.000,00), Anuar Maluli (R$5.000,00) estão datados de 08/01/2003 e 04/01/2003, respectivamente, não podendo ser aceita a dedução na DIRPF exercício 2003; e que o próprio impugnante reconhece que as despesas relativas a empresa Campus Salvador S/C Ltda, de R$1.573,00 (fls. 10 e 96) decorrem de tratamento prestados à Denise Guimarães de Oliveira, não informada como dependente na declaração apresentada. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 24/02/2010 (fls. 111), o contribuinte apresentou, em 01/03/2010, o Recurso de fls. 112 e 113, argumentando, em síntese, que faz jus à dedução das despesas médicas referentes a Lauro Barros Fontes (R$470,00, conforme recibos originais), Eduardo Gomes Bispo (R$700,00, despesas com próteses que o requerente ainda hoje usa), Campus Salvador S/C Ltda (R$1.573,00, referente a Fl. 151DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10510.004986/200775 Acórdão n.º 2801001.978 S2TE01 Fl. 131 3 tratamento endocrinológico de sua esposa, mas como o recibo foi emitido em nome do interessado, julgou por bem deduzilo em sua DIRPF), Gilmar O. Garrone (R$2000,00) e Anuar Maluli (R$5.000,00), pois embora os cheques tenham sido descontados em janeiro de 2003, os proventos foram auferidos em 2002. Pondera que a cirurgia ocorreu em 2002 e que não pleiteou a dedução na DIRPF do exercício 2004. O recurso está acompanhado dos documentos de fls. 114 a 127, a saber, recibos médicos e cópia do acórdão recorrido. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 128, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese a glosa de despesas médicas. Quanto às despesas médicas glosadas, nos termos do inciso II, alínea “a”, §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. A dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, não se aplicando às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. Observase, portanto, que para se acatar uma despesa médica como dedutível é necessário que o contribuinte ou seus dependentes efetivamente tenham recebido serviços médicos e que tenha havido, no anocalendário a que se refere a declaração de ajuste anual, o correspondente pagamento pelo contribuinte. Ante o exposto, examinando os elementos de prova apresentados pelo contribuinte, verifico que não há como reformar o acórdão recorrido, pois não são dedutíveis as despesas médicas efetuadas com não dependente, no caso, a esposa do contribuinte (Campus Salvador S/C Ltda, R$1.573,00). Também impossível aceitar as despesas médicas pagas em Fl. 152DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10510.004986/200775 Acórdão n.º 2801001.978 S2TE01 Fl. 132 4 anocalendário posterior ao em lide (Gilmar O. Garrone, R$2000,00 e Anuar Maluli, R$5.000,00) ou respaldada em recibos que não identificam o paciente atendido (Recibos de fls. 114 a 117, emitidos por Lauro Barros Fontes, R$470,00, e recibo de fls. 119, emitido por Eduardo Gomes Bispo, R$700,00). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 153DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720100/2008-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO.
Sujeita-se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.101
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. Sujeita-se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. Recurso Voluntário Negado.
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TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 508DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16212.B422. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.720100/200882 Acórdão n.º 280102.101 S2TE01 Fl. 510 2 Relatório O recorrente, parte devidamente qualificada nos autos, por meio de seu advogado (procurador), pleiteia junto a este Egrégio Conselho a reforma da decisão de primeira instância às fls. 450/458, e para tanto, apresenta o Recurso Voluntário às fls. 469/505. Por bem resumir os fatos, transcrevese, a seguir, o Relatório constante da decisão recorrida (fls. 452/453): [...] Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, por Auditor – Fiscal da DRF/Brasília DF, o Auto de Infração de fls. 357/363, cuja ciência se deu em 07/11/2008 (fl.400). O valor do crédito tributário apurado é de R$704.325,07, e está assim constituído em Reais: Imposto de Renda Pessoa Física ....................... 299.548,82 Juros de Mora (calculados até 31/10/2008) ....... 180.114,64 Multa Proporcional (Passível de Redução) ....... 224.661,61 Total do Crédito Tributário ............................... 704.325,07 DA AUTUAÇÃO O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originou se na constatação das infrações listadas a seguir: Omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e demonstrativos de Variação Patrimonial referente aos anoscalendário de 2004 e 2005. Enquadramentos legais no Auto de Infração. DA IMPUGNAÇÃO. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 05 de dezembro de 2008, impugnação ao lançamento, às fls. 404/415, mediante as alegações relatadas, resumidamente, a seguir: Argumenta que na Escritura Pública de compra da Fazenda Santo Antônio, no município de Planaltina – GO, o montante de R$358.000,00 corresponderia à terra nua e R$742.000,00, corresponderia a benfeitorias, totalizando R$1.100.000,00. Entende que acréscimos patrimoniais a descoberto somente podem ser apurados sobre o valor da terra nua, uma vez que as benfeitorias podem ser consideradas como despesas da atividade rural. Transcreve parte do artigo 123, do Decreto 3.000/99 para corroborar sua tese. Fl. 509DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16212.B422. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.720100/200882 Acórdão n.º 280102.101 S2TE01 Fl. 511 3 Afirma ter adquirido a fazenda Santo Antônio em três parcelas, R$300.000,00, em agosto/03; R$450.000,00, em novembro/03 e R$350.000,00, em julho/04. Explica ter contraído empréstimos nos valores de R$41.233,40 (doc.02) e R$193.865,75 (doc.03), que somados a rendimentos isentos e não tributáveis (R$122.515,12), rendimentos tributados na fonte (R$6.957,14) e receita bruta da atividade rural (R$36.100,92), resulta em receitas totais de R$400.672,33, no mês de janeiro/03. Além disso, acredita ser necessário retirar da planilha aplicações de recursos no montante de R$206.000,00, em julho/03, referente à aquisição da Fazenda Brocotó,situada no município de Formosa, que está subjudice, por meio de dúvidas sobre o cancelamento de registro imobiliário, o que impediu que o imóvel comprado fosse incorporado ao seu patrimônio, logo, não há que se falar em acréscimo patrimonial. Os recursos para o pagamento da segunda parcela da compra da Fazenda Santo Antônio, no valor de R$450.000,00, estão expressos nos documentos 6, 7, 8 e 9, que somam R$238.329,01, bem como nos documentos 3 e 10 e documento de fl.299, que totalizam R$181.766,40, ficando demonstrada a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto. Em julho/04, conforme documentos 11, 12 e 13, teria recebido em pagamento por lenhas e implementos, o montante de R$81.974,26, que somados aos demais rendimentos constantes da planilha da Fiscalização, dão sustentação ao pagamento da terceira e última parcela de aquisição da fazenda. Como a fazenda foi comprada com “Porteira Fechada”, o contribuinte teria desembolsado somente R$750.000,00, com a compra do imóvel, uma vez que R$350.000,00 foram obtidos com a venda de bens que faziam parte da aquisição da fazenda, ou seja, R$81.974,26, foi obtido com a venda de lenha e R$238.329,01, com a venda de lenhas, gado e cercas de aroeira (19Km), totalizando R$320.303,27, montante que foi utilizado para pagar a prestação de R$350.000,00. Nos meses de outubro e novembro de 2004, teria contraído mais dois financiamentos, um na CREDIBRASÍLIA (R$60.000,00) e outro no Banco do Brasil (R$200.000,00), conforme documentos de fls.309310 e 304306. Destaca que os R$200.000,00 são oriundos de cédula de crédito rural, com destino ao custeio de lavoura de soja, tipo de financiamento em que o dinheiro não passa pelas mãos do tomador do empréstimo, mas vai, diretamente, aos fornecedores dos insumos agrícolas. Transcreve várias ementas de acórdãos do Conselho de Recursos Fiscais que entende esposarem suas teses. Fl. 510DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16212.B422. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.720100/200882 Acórdão n.º 280102.101 S2TE01 Fl. 512 4 Conclui a impugnação solicitando que seja considerada como aplicação de recursos pela aquisição da fazenda, o montante de R$358.000,00, referente à terra nua, excluindose R$742.000,00, relativa às benfeitorias, e cancelar o auto de infração, uma vez que teria sido demonstrada a origem dos recursos referentes às aplicações apuradas pela Fiscalização. É o relatório. [...] A 3a Turma de Julgamento da DRJ/Brasília (DF), em decisão unânime, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão DRJ/BSB n° 0339.148, de 16/09/2010, às fls. 450/458. Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 22/11/2010, conforme AR – Aviso de Recebimento à fl. 468, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2010, às fls. 469/505, por meio de seu advogado, apresentando sua discordância tãosomente quanto à “variação patrimonial a descoberto” apontada pelo Fisco para o anocalendário 2003. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como se observa do Relatório, nessa fase recursal, cingese à discussão somente em torno da infração “acréscimo patrimonial a descoberto” atinente ao anocalendário 2003. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada no Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), artes. 55, XIII, 806 e 807 (Leis nºs 4.069/1962, arts. 51, § 1º, e 52, e 7.713/1988, arts. 3º, § 4º): Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 7.713/88, art. 3°, § 4°); (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. (...) Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que Fl. 511DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16212.B422. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.720100/200882 Acórdão n.º 280102.101 S2TE01 Fl. 513 5 as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. (Lei n° 4.069/1962, art. 51, § 1°). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Lei n° 4.069/1962, art. 52)" A jurisprudência administrativa é pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fim de se elidir a tributação erigida por acréscimo patrimonial injustificado, conforme Acórdãos emanados do então Conselho de Contribuintes, a seguir colacionados: PROVA A tributação de acréscimo patrimonial não justificado pelo total dos rendimentos auferidos pelo contribuinte, só pode ser elidida por meio de prova em contrário.” (Ac. 10612485, sessão de 23/01/2002) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROVA DOS RECURSOS O afastamento da variação patrimonial a descoberto somente é possível se há prova inequívoca do ingresso dos recursos." (Ac. 10612203, sessão de 19/09/2001) IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tributáveis ou não, só pode ser elidida mediante prova em contrário." (Ac. 10242582, sessão de 12/12/1997) Verificase, portanto, que a variação patrimonial a descoberto é matéria cujo ônus da prova foi transferido para o contribuinte, por presunção legal, uma vez que a prova de infração fiscal pode ser realizada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas, de conformidade com os arts. 131 e 332 do Código de Processo Civil, e o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em seu recurso o contribuinte argumenta que teria adquirido o imóvel “Fazenda Santo Antonio” (exfazenda Juba e Caeté) “sem dinheiro”. Reconhece que pagou pelo imóvel o valor de R$ 1.100.000,00 (um milhão e cem mil reais), mas alega que a compra se deu com “Porteira Fechada”, ou seja, aduz que teria desembolsado somente R$ 358.000,00 pelo valor da Terra Nua, sendo que o valor remanescente de R$ 742.000,00 foi pago ao próprio vendedor do imóvel, Sr. Vaines Vaz Pinto, após inventário dos bens (lenhas, gados, e cercas de aroeira, máquinas agrícolas) que havia na referida fazenda. Neste ponto, cumpre destacar que a decisão recorrida corretamente apreciou a questão, conforme se denota dos excertos a seguir transcritos, cujos fundamentos adoto na presente decisão: “(...) para fins de apuração de omissão de rendimentos evidenciada por acréscimos patrimoniais a descoberto, não há diferença entre pagamentos da terra nua ou de benfeitorias na aquisição de imóveis rurais, uma vez que, de qualquer forma, o Fl. 512DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16212.B422. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.720100/200882 Acórdão n.º 280102.101 S2TE01 Fl. 514 6 contribuinte efetuou o pagamento, portanto, tinha os recursos, e esses devem ter origem no próprio patrimônio declarado do contribuinte, ou em rendimentos declarados, sob pena de configurar omissão de rendimentos. Por esse motivo, deve ser mantido como aplicação de recursos, nos demonstrativos de variação patrimonial, os pagamentos efetuados a título de aquisição de benfeitorias em imóvel rural. Deve ser lembrado que, para que a aquisição de benfeitorias em imóvel rural seja considerada como despesa da atividade rural e não integrar a declaração de bens do contribuinte, o valor pago por elas deve ser destacado na escritura de compra e venda e oferecido a tributação como despesa da atividade rural, o que não ocorreu, de modo que o valor pago por elas deve integrar o patrimônio do contribuinte, juntamente com o valor pago pela terra nua. Os empréstimos vinculados à atividade rural, comprovadamente utilizados nessa atividade, não se prestam para justificar variação patrimonial de outra natureza, de modo que, um empréstimo vinculado à aquisição de um trator e não pode justificar a compra de um apartamento. AQUISIÇÃO DA FAZENDA JUBA. (...) TERCEIRA PARCELA R$350.000,00 – AGOSTO/2004. A defesa concorda que houve pagamento de parte do valor acordado pela compra da fazenda Juba, no valor de R$350.000,00, em agosto de 2004. O contribuinte apresenta cópias de cheques, totalizando R$81.974,26 (fls.439/441), que não apresentam indícios de que teriam sido depositados, além disso, não foi possível identificar que tenham passado pelas contas correntes cujos extratos constam dos autos. Ainda que demonstrado que correspondam, efetivamente, a receitas da atividade rural, não é possível determinar que estas receitas não estejam incluídas nas receitas da atividade rural já levadas em conta pela Fiscalização. Outro fato a se destacar é que dois desses cheques, totalizando R$25.000,00 (fl.439), foram emitidos por pessoa física, não sendo possível inferir se são provenientes da atividade rural, sem que sejam apresentadas provas adicionais. A defesa afirma ter vendido lenhas e implementos que fariam parte da fazenda adquirida de “porteira fechada”, em valor totalizando R$238.329,01, em junho/2004, entretanto, não menciona, na impugnação, as provas destas operações. Tampouco foi possível, da leitura dos autos, localizar algum documento que comprove as alegadas operações, de modo que estes valores não serão introduzidos como origens de recursos no demonstrativo de evolução patrimonial. Fl. 513DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16212.B422. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.720100/200882 Acórdão n.º 280102.101 S2TE01 Fl. 515 7 (...)” Ainda em relação a essa sua argumentação, juntamente com a peça recursal o contribuinte apresenta a documentação às fls. 487/505. São termos e declarações, além de cópias de comprovantes de depósitos bancários e de cheques de emissão de terceiros. Todavia, após a devida análise, observase que referidos documentos são insuficientes a comprovar suas alegações, senão vejamos: termo às fls. 487/488, e cópia de comprovante de depósito que teria sido efetuado por Osmar Luis Silva, à fl. 489 não se revelam documentos hábeis a comprovar a alegada operação de “compra e venda” de um veículo trator entre o recorrente e o Sr. Vaines Vaz Pinto (vendedor do imóvel em questão), verificandose ausente nos autos a prova do registro de transferência da propriedade deste bem no órgão competente (DETRAN); termos colacionados às fls. 490/491 e 493/504, cópia de cheque à fl. 492 e de comprovante de depósito à fl. 505 – conforme já ressaltado no acórdão recorrido, não revelam indícios de que referidos valores teriam sido depositados, não havendo como asseverar que tenham transitado pelas contas correntes cujos extratos constam dos autos. E mais, ainda que correspondessem, efetivamente, a receitas da atividade rural, não é possível determinar que estas receitas não estejam incluídas nas receitas da atividade rural já consideradas pela autoridade lançadora. Deveras, como dito acima, o principal efeito da presunção é a inversão do ônus da prova no procedimento fiscal. Presumida a ocorrência do fato gerador, a produção de provas, por parte da autoridade lançadora, é dispensada. É responsabilidade do administrado, nesse ínterim, demonstrar (provar) que não ocorreu o fato imponível do imposto de renda. No mais, não obstante o contribuinte reitere sua alegação de defesa, novamente deixa de trazer em seu auxílio documentação hábil a ilidir a infração apurada pela fiscalização. Isto posto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 514DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16212.B422. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 08/12/2011 16:53:58. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 08/12/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 08/12/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.1019.16212.B422 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: A8E6AFCD99E2AFA2FFEB702EFE67376972430599 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10166.720100/2008-82. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16542.000287/2003-31
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
SIMPLES. REPRESENTANTE COMERCIAL. VEDAÇÃO.
É vedada a opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que exerça a atividade de representante comercial.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3803-000.068
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 SIMPLES. REPRESENTANTE COMERCIAL. VEDAÇÃO. É vedada a opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que exerça a atividade de representante comercial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1 -, n--(1-:, r TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 16542.000287/2003-31 Recurso n" 141.020 Voluntário Acórdão n" 3803-00.068 — 3" Turma Especial Sessão de 18 de maio de 2009 Matéria SIMPLES - INCLUSÃO Recorrente AÇÃO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. ME. Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 SIMPLES. REPRESENTANTE COMERCIAL. VEDAÇÃO. É vedada a opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que exerça a atividade de representante comercial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. M RCELO GUERRA DE CASTRO Presidente 4RE C ili 4.LANDA Rn ! Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros André Luiz Bonat Cordeiro e Jorge Higashino. 1 , Processo n" 16542.000287/2003-31 s3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.068 Fl. 107 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por Ação Comércio e Representações Ltda. ME contra Acórdão n°07-11.193, de 01 de novembro de 2007 (fls. 97 a 100), proferido pela 3" Turma da DRJ-Florianópolis/SC, que indeferiu solicitação da empresa de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: "Por meio da petição de 28 de maio de 2003, à11. I, vem a pessoa jurídica (microempresa) acima identificada solicitar sua inclusão retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro empresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, a partir de 1 2 de janeiro de 1997, até 31 de dezembro de 2002, nos termos seguintes: Em virtude de um erro e uma informação equivocada do contabilista anterior, a empresa acima citada por se encontrar em situação cadastral "aparentemente regularizada", sempre recolheu e declarou como SIMPLES. Sabe-se que a atividade de representação comercial é vedada à opção do SIMPLES, no entanto tal constatação fora percebida somente no envio da PJ2003, que por sua vez não pode ser transmitida pelo fato acima citado. Com base nas guias em anexo, tem-se a clara noção da idoneidade da empresa, que sempre manteve suas obrigações municipais, estaduais e federais em dia, pois na época da opção do simples, em 1997, a empresa comercializava produtos alimentícios como balas, chocolates, bolachas, podendo então optar pelo simples, pela atividade exercida na época. Diante destes argumentos solicitamos com máxima urgência a colaboração desta Secretaria para que tal pendência seja regularizada retroagindo a opção pelo SIMPLES a 01/01/1997 e então possamos enviar a Declaração de Pessoas Jurídicas Simplificadas 2003, e se possível autorizar a empresa alterar a forma de tributação para lucro-presumido a partir de Janeiro de 2003. Foram juntadas à petição cópias dos recibos de entrega ou envio via Internet das Declaraçóes Anuais Simplificadas — PJ Simples, correspondentes aos anos-calendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001. Cópia da declaração relativa ao ano- calendário de 2002, não entregue nem enviada, encontra-se às fls. 8 a 11. Às fls. 12 a 37, encontram-se cópias de Darf-Simples 4 2 Processo n" 16542.000287/2003-31 S3-1' E03 Acórdão 0. 0 3803-00.068 Fl. 108 relativos a meses dos anos-calendário de 1997 até fevereiro de 2003. Por solicitação da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário — Sacat da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis — SC, de 4 de dezembro de 2003 (fl. 42), a requerente produziu cópias de seu instrumento de constituição e alterações. (fls. 46 a 55), em que o objeto social declarado é "Comércio e Representações de Produtos de Gêneros Alimentícios" «is. 46 e 49). Já na consolidação realizada em 17 de julho de 2006, por ocasião da 4" alteração contratual (fls. 92 a 95), o objeto social apresenta-se assim expresso: "Cláusula Quarta — A sociedade le111 como objeto social: Representações comerciais e agentes do comércio de produtos alimentícios, bebidas e ftuno (51.17-9/00)." (fl. 93) Por meio do Despacho Decisório de fls. 84/85, de 27 de junho de 2007, foi a petição inicial indeferida "[....1 por falta de amparo legal, [..], e a requerente intimada a: [...] recolher (PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS..), dentro do prazo de trinta dias a contar do recebimento do AR, podendo solicitar a compensação ou restituição com os valores recolhidos a título do SIMPLES, e apresentar Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais de Pessoa Jurídica — DIPJ, escolhendo a modalidade de apuração, Lucro Real ou Presumido e DCTF's, que estiver obrigado a partir 2001, [...]" (11. 85) Intimada em 3 de setembro de 2007 (fl. 89), a microempresa interpôs, em 27/9/2007, manifestação de sua inconformidade com o despacho referido (11. 90), assim expressa: [ . 1 vem através deste solicitar a revisão do processo n2 em virtude do despacho ora proferido pelo Órgão competente, e com base nessas informações repassadas em 2003, solicito que seja revisto a decisão e a intimação de recolher os impostos dos períodos relacionados na intimação ARF/SJE/SC n. 079/2007 de 27 de julho de 2007. (destaque aposto) Esta solicitação se faz, pois a continuidade de manutenção no regime simplificado ocorreu em virtude do sistema de receita não criticar em tempo hábil seu funcionamento, autenticados assim por vários períodos as informações, dispondo a empresa a cumprir uma situação aparentemente normal." A DRJ, por maioria de votos, não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento de sua inclusão ao Simples por entender que a interessada possui atividades de representação comercial. Q43 Processo n" 1 6542,000287/2003-31 S3-TE03 Acórdào n.° 3803-00.068 Fl. 109 Cientificado do referido acórdão em 06 de dezembro de 2007 (fl. 102), o interessado apresentou recurso voluntário em 21 de dezembro de 2007 (fl. 103) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. r 4 Processo o' 16542.000287/2003-31 S3-TE03 Acórdiio 0. 0 3803-00.068 Fl. 110 Voto Conselheiro REG IS XAVIER HOLANDA, Relator Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. O indeferimento da inclusão da recorrente no Simples ocorreu devido ao exercício de atividade de representante comercial nos termos do art. 90, XIII da Lei n" 9.317/96: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, .físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida:" (negritei) No presente caso, o contrato social da sociedade (fls. 46 a 48), de 23 de junho de 1989, traz como objeto social "Comércio e Representações de Produtos de Gêneros Alimentícios". Já na consolidação realizada em 17 de julho de 2006, por ocasião da 4" alteração contratual (fls. 92 a 95), o objeto social apresenta-se assim expresso: "Cláusula Quarta — A sociedade tem como objeto social: Representações comerciais e agentes do comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo (51.17-9/00)." (ti. 93) Ademais, a recorrente não carreou aos autos qualquer elemento concreto apto a demonstrar que os serviços prestados pela empresa envolveriam exclusivamente o exercício de atividade de simples comércio de produtos alimentícios. Ao contrário, com base nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf (fls. 70 a 80) vê-se que outras pessoas jurídicas declararam ter feito à ora recorrente pagamentos sujeitos à retenção do Imposto de Renda na Fonte — IRRF, tais como poderiam ser, pela natureza da atividade declarada como objeto social, comissões devidas a representantes comerciais, em anos-calendário compreendidos no período pleiteado para inclusão no Simples. Dessa forma, não cabe aplicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF n" 16, de 02 de outubro de 2002, que dispõe sobre a retificação de oficio, por parte da autoridade fiscal, da opção pelo Simples nos casos de erro de fato, uma vez que a empresa se encontrava em situação impeditiva de ingresso nesse regime simplificado. Q5/ Processo n" 16542.000287/2003-31 83-T E03 Acórdão n." 3803-00.068 Fl. I I I Noutro giro, não merece acolhida a alegação do recorrente de que a continuidade de apresentação de Declarações Simplificadas e recolhimentos por DARF- Simples ocorreram em virtude do sistema de receita não criticar em tempo hábil seu funcionamento. Ora, até mesmo a regular inscrição no Simples confere ao contribuinte apenas a presunção relativa de adequação legal a este regime, mas, uma vez constatado algum impedimento, sua exclusão deve ser feita pela Administração Tributária por dever de oficio. Nesse sentido, no que se refere à forma de exclusão do Simples, a Lei n" 9.317/96 disciplina que esta será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio: "Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-á: II- obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9'; Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2 0 do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Assim, de forma semelhante nos procedimentos de inclusão retroativa, resta claro que cabia inicialmente ao contribuinte a vigilância quanto ao fato de incorrer ou não em qualquer das situações impeditivas constantes do art. 9" da Lei n" 9.317/96. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessõe . ei *: e mio de 2009. 1 1 REGIS X a l' Hl; 404 - Relatordi g76
score : 1.0
Numero do processo: 00875.052089/83-29
Data da sessão: Wed Oct 21 00:00:00 UTC 1987
Ementa: REGIME ESPECIAL ADUANEIRO. "DRAW BACK" só cabe a tributação e penalidades aplicáveis às mercadorias não aplicadas nos produtos exportados dentro do prazo do regime, mesmo que o Relatório de Comprovação seja apresentado fora do prazo.
Numero da decisão: 303-25.048
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Afonso Celso Mattos Lourenço e Salustiano de Pinho Pessoa Neto, na forma do relatório e votos, que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR
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Recorrente CUMMINS BRASIL S/A Recorrid DRF - GUARULHOS - sp. REGIME ESPECIAL ADUANEIRO. "DRAW BACK" só cabe a tribu- tação e penalidades aplicáveis às mercadorias nao apli- cadas nos produtos exportados dentro do prazo do regi- me, mesmo que o Relatorio de Comprovação seja apresenta do fora do prazo. VIST O, relatado e discutido o presente processo; ACORDAMos Membros da Terceira Câmara do Tercei- ro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimen- to parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Afonso Celso Mattos Lourenço e Salustiano de Pinho Pessoa Neto, na forma do relatório e votos, que passam a integrar o presente julgado. Brasília - DF,Aeem 21 de out de 1987 iik Ár r ? HÉLIO LOYe LA ALENCASTRO - Presidente PAULO AFFONSEC DE BARR S ARIA JUNIOR- Relator O ALEXANDRE COSTA e LUNA FREIRE - Proc. da Faz. Nacional VISTO EM SESSÃO DE: 23 I E f 987 RECURSO NO PROCURADOR N 2 : 303-0.948 Participaram,ainda, do presente julgamento os seguinte Conselheiros: AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, LUIZ CARLOS NOGUEIRA, SALUSTIANO DE PINHO PESSOA NETO, CARLINDO DE SOUZA MACHA- DO E SILVA E RUBENS PELLICCIARI. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MF - 32 CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA RECURSO Ng 106.658 ACÓRDÃO N g 303 - 25.048 RECORRENTE: CUMMINS BRASIL S/A RECORRIDA ; DRF - GUARULHOS - SP. RELATOR : PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR. RELATÓRIO Adoto, na integra, o Relatório do Acórdão n 2 303 1- 23.883 (fls. 122) que, pela maioria desta Câmara, anulou a ação fiscal a partir da intimaçao por entender não regularmente formalizada a exi- gencia ao descumprir o ART. 9 2 do Decreto 70.235/72, relatório esse que leio em Sessao e que passa a fazer parte deste, como se aqui es tivesse transcrito, de autoria do então Conselheiro Sidney de Campos Pessoa. Por força de Recurso da Douta Procuradoria desta Câmara (fls. 133 a 135), decidiu a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fis- cais reformar a dita decisão, determinando o julgamento do mérito da questão. Pela Resolução 303/0015, resolveu esta Câmara converter o julgamento em diligencia à CACEX (fls. 214) conforme o voto do mes- mo Relator do Acórdao antes mencionado (fls. 215), o qual também leio em sessão e deste passa a fazer parte como nele estivesse escri to, para verificar se o Regime Especial foi mesmo cumprido como ale- ga a RECTE. Trata-se de importação de peças sob o Regime de "DRAW BACK" Suspensão, outorgado pela CACEX através de Ato Concessório n2 636-83/014, de 12/02/83, relativamente ao qual observou-se "inadim - plemento do compromisso de exportação", conforme Relatório de Compro vação de fls. 01 a 22. A interessada solicitou, e a CACEX concordou, em prazo adicional, fazer nova demonstração da destinação própria quanto ao material importado. A decisão de 1 @ Instância nao levou tal pleito em conside ração por já haver sido iniciada a açao fiscal com a Notificação feita a RECTE. Atendendo à Resolução desta Câmara, a CACEX,pelo oficio DEMEQ/IMTRA 6-87/9506 de 26/06/87, encaminha a este Conselho diver - sos processos aqui em exame, parecendo-me serem eles todos assemelha dos, assinalando que entre 1982 e 1984, a interessada obteve a emis- são de 51 Atos Concessórios de "DRAW BACK" modalidade suspensão. Não tendo a empresa requerido a prorrogaQão de seu prazo de validade, 11 deles, entre os quais os 7 em questao, a Agência de Guarulhos baixou-os entre novembro de 1983 e dezembro de 1984 , comu nicando à DRF/Guarulhos a existência de saldo de mercadorias naciona lizar. Considerando que muitos dos insumos indicados como não integrantes do processo de produção dos bens exportados foram real - mente neles empregados, a Cacex autorizou a substituição dos Relató- rios de Comprovação correspondentes aos Atos já baixados, de forma a excluir da relação dos componentes a nacionalizar aqueles que efe- tivamente foram incorporados aos materiais exportados. 5) ...3- . Recurso 108.658 Acórdão 303 - 25.048 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL E aqui transcrevo o último parágrafo desse oficio da Ca- cex: "Isso posto, encaminhamos os novos relatórios de comprovação de draw-back relativos aos ofícios que determinaram os processos de co brança em tela, que deverão substituir, para efeito de cállcblo dos tributos e multas cor- respondentes, os documentos originalmente en- viados 'a DRF de Guarulhos." (grifo nosso). O novo Relatório de Comprovação referente ao Ato Concessó rio objeto deste processo está anexado aos autos, composto ele de inúmeros anexos, nos quais informa a Cacex exitirem itens baixados e outrosa nacionalizar. É o Relatório. ,,,91 ({) )). • , Recurso 108.658 Acórdão 303 - 25.048 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL VOTO Levando em consideração que a CACEX,acolheu o pedido da RE CTE para refazer Relatório de Comprovação, considerando ter havido engano no original, pois diversos dos bens importados no regime de "DRAW BACK" foram efetivamente aplicados nos produtos exportados, en tendo ter cabimento o pleito da empresa. De fato, o fato gerador dos tributos (a nacionalização dos produtos importados) nao ocorreu pois vários dos itens foram apli cados nas mercadorias remetidas ao exterior não podendo, assim,serem considerados nacionalizados. Seria a RECTE onerada e penalizada por ter nacionalizado produto que foram remetidos ao exterior. Face ao exposto, dou provimento, parcial, ao recurso para que, na execução do Acórdão, a autoridade fiscal, examinando as informaçOes prestadas pela CACEX, determine o_que deva ser tributa- do, com os acréscimos legais devidos por nao haver aplicado em produtos exportados, conforme .Anexos de n g 2017 a 2024. Sala das SessOs, em 21 de outubro de 1987 ..... ...„......._„- 4 PAULO AFFONSECA DE BARROS FARI NIOR - Relator OLS/CF
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Numero do processo: 13971.001136/2007-86
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. OCORRÊNCIA.
É de de cancelar o lançamento fiscal, para devolução de restituição indevida, quando restar comprovada nos autos a existência da alegada duplicidade de cobrança de crédito tributário.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-002.094
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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DUPLICIDADE DE COBRANÇA. OCORRÊNCIA. É de de cancelar o lançamento fiscal, para devolução de restituição indevida, quando restar comprovada nos autos a existência da alegada duplicidade de cobrança de crédito tributário. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13971.001136/200786 Acórdão n.º 280102.094 S2TE01 Fl. 67 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 02/04, relativo à declaração de ajuste anual do exercício 2003, anocalendário 2002, que exige a restituição indevida a devolver no valor de R$ 450,00, além do juros de mora correspondentes. O lançamento é decorrente do resultado apurado pelo contribuinte em sua DIRPF/2003 Retificadora. Em sua impugnação, o contribuinte solicitou o cancelamento do presente lançamento pelo motivo de já ter sido autuado e multado sobre a referida notificação, conforme comprova documentos em anexo. A 6ª Turma da DRJ/FNS/SC, conforme Acórdão de fls. 53/54, considerou improcedente a impugnação. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 12/11/2010 (fl. 59), o interessado interpôs recurso voluntário de fl. 63, em 13/12/2010. Em sua defesa, alega que se trata de crédito tributário exigido em duplicidade, vez que o mesmo já foi parcelado e quitado no Processo nº 13971.000902/200795. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente sustenta que o crédito tributário em questão já foi objeto de cobrança no Processo nº 13971.000902/200795. Quanto a esse argumento, assim se manifestou a decisão recorrida; “Conforme se constata dos autos, verificase que não procede os argumentos apresentados pelo contribuinte. Em 21/03/2003 foi apresentado pelo impugnante declaração de imposto de renda, ano calendário 2002, fls. 47/49, cujo resultado foi de imposto a restituir no valor de R$ 583,68. Este valor foi restituído ao contribuinte, conforme consta dos autos, fl. 02. Entretanto, em 26/03/2007, o impugnante apresentou declaração retificadora, o que pode ser constatado às fls. 50/52 dos autos. Nesta declaração foi alterado o valor de deduções relativas a despesas médicas, de R$ 3.824,00 para R$ 824,00, espontaneamente pelo contribuinte, o que alterou o resultado do imposto declarado. 0 resultado da declaração retificadora foi imposto a restituir de R$ 133,68. Desta forma, como já havia sido depositado pelo fisco o valor de R$ 583,68, o presente lançamento tem com fato motivador apenas o ressarcimento aos cofres públicos da diferença de R$ 450,00 recebida indevidamente pelo contribuinte, em Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13971.001136/200786 Acórdão n.º 280102.094 S2TE01 Fl. 68 3 função das próprias informações que este apresentou ao fisco em 2007, retificando a declaração originalmente apresentada em 2003. O impugnante traz aos autos diversos documentos em sua impugnação, fls. 08/42. Tratase de cópias do processo administrativo 13971.000902/200795, que se refere a procedimento efetuado pela fiscalização que culminou em lavratura de auto de infração, em decorrência de infrações apuradas para os anos calendários 2001, 2002, 2004 e 2005, que resultou em lançamento de imposto de renda suplementar de R$ 2.745,86, em 13/04/2007. O contribuinte solicitou parcelamento deste débito, processo 13971.000902/200795, o que pode ser constatado do Pedido de Parcelamento de Débitos —PEPAR, fl. 05 e anexou inclusive parcela de pagamento do citado parcelamento, conforme DARF fl. 08, recolhida no código de receita 2904, em 25/04/2007 Assim, resta evidente que o débito relativo ao presente lançamento, que trata de restituição indevida a devolver, não mantém correspondência com o processo 13971.000902/200795, como pretendeu demonstrar o contribuinte.” Conforme registrado pela decisão recorrida, o lançamento constante do Processo 13971.000902/200795 abrange o anocalendário de 2002, que também é objeto do presente lançamento. Compulsando as cópias daquele processo, às fls. 05/42, verificase que, no que tange ao anocalendário de 2002, foram glosadas despesas médicas no montante de R$ 3.331,17 e despesas com instrução no montante de R$ 309,00. Aliás, o autor daquele feito ressaltou que o contribuinte apresentou declaração de ajuste retificadora quando já havia perdido a espontaneidade para retirar despesas médicas não comprovadas, com claro objetivo de tentar escapar das penalidades previstas no caso de um lançamento de oficio. Importa observar que, na presente notificação, foi apurada uma base de cálculo de R$ 17.574, 64, que resulta em imposto a restituir de R$ 133,68. Já, considerando a respectiva base cálcula apurada, para o mesmo período, no Processo 13971.000902/200795, ou seja, no valor de R$ 18.214,81, o imposto a restituir corresponde a R$ 37,65. Como já foi restituído ao contribuinte o valor de R$ 583, 68, o valor correto da restituição indevida a devolver é de R$ 546,03, conforme foi exigido no Processo 13971.000902/200795, porém a título de imposto, além da multa de ofício e juros de mora. Neste sentido, resta claro que o valor da restituição indevida a devolver de R$ 450,00 exigido no presente processo, de fato, já está incluso no valor montante exigido no Processo nº 13971.000902/200795. Portanto, é de se concluir pela insubsistência deste lançamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 13971.001136/200786 Acórdão n.º 280102.094 S2TE01 Fl. 69 4 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N
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Numero do processo: 10980.014855/2007-60
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.083
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.014855/200760 Acórdão n.º 280102.083 S2TE01 Fl. 104 2 Relatório Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 04/06, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (suplementar), referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, no valor total de R$ 2.624,63, incluídos a multa de oficio (75%) e os juros de mora, estes calculados até 28/09/2007. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, a autoridade fiscal efetuou a glosa do valor de R$ 4.815,66 referente a despesas médicas pleiteadas pela contribuinte em sua declaração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 4.815,66, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8°, inciso II, alínea “a”, e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS: Somente foram comprovadas as seguintes despesas médicas: R$ 8.750,00 com JULIANA LUCENA SCHUSSEL, e R$ 2.485,18 com UNIMED. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, às fls. 01/02, alegando, em síntese, que: entrou em contato com a profissional que lhe prestou serviços de fisioterapia Michelle Carolina Prodo, a qual lhe forneceu uma declaração, no valor de R$ 4.015,00; foram glosados R$ 4.815,66, no entanto, o único documento faltante seria o de R$ 4.015,00; concorda com o valor pleiteado da Unimed R$ 2.715,84, o qual foi superior ao do comprovante de pagamento apresentado pela operadora de R$ 2.485,18, aduzindo que o valor consignado em sua DIRPF foi obtido pela soma dos valores pagos, enquanto o comprovante fornecido pela Unimed acusa valor inferior de R$ 230,66; colaciona o documento à fl. 15 para comprovar o pagamento de R$ 570,00 ao Funsep. Como não havia nos autos cópia da intimação que solicitava a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, o órgão julgador de primeira instância requisitou à unidade lançadora (DRF/CuritibaPR) que verificasse a existência de providência nesse sentido e, caso contrário, que fosse a contribuinte intimada a comprovar o efetivo pagamento das Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.014855/200760 Acórdão n.º 280102.083 S2TE01 Fl. 105 3 despesas constantes da declaração à fl. 13, mediante apresentação da forma de pagamento utilizada e respectiva documentação (tais como: cheques bancários, transferências bancárias, saques bancários, ou outros meios de disponibilidade financeira, sempre em valores e datas compatíveis com os alegados recibos fornecidos pela prestadora dos serviços). Em cumprimento ao solicitado na diligência, foram anexados ao processo os documentos às fls. 22/24 e 29/53. Na seqüência, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba (PR), em decisão unânime, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/CTA nº 06 27.849, de 17/08/2010, às fls. 55/57. Constam da peça decisória as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Restabelecemse as deduções de despesas médicas comprovadas por documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada ã comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso, que não se considera suprida pela simples apresentação de extratos bancários sem indicação de saques coincidentes em data e valor com pagamentos que sequer foram discriminados na declaração fornecida pela suposta profissional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 20/10/2010, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 61, a contribuinte interpôs, em 18/11/2010, o Recurso Voluntário às fls. 63/66, reiterando a argumentação posta por ocasião da impugnação ao lançamento. Informa ainda a recorrente que: foram localizados os recibos mensais emitidos pela Fisioterapeuta MICHELLE CAROLINA PRODO, os quais haviam sido extraviados devido a reformas em sua residência, motivo pelo qual não foram apresentados juntamente com a impugnação, tendo sido juntada apenas a Declaração de Prestação de Serviços Fisioterápicos. Tais recibos mensais seguem em anexo; foram realizadas em 2004 um total de 61 sessões de fisioterapia motora para Lombalgia (dor nas costas), entre os meses de fevereiro e outubro do referido ano, o que dá em média 06 sessões por mês, sendo que está perfeitamente coerente o valor dos serviços prestados (conforme discriminado na Declaração de Prestação de Serviços Fisioterápicos), assim como o total declarado em recibo; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.014855/200760 Acórdão n.º 280102.083 S2TE01 Fl. 106 4 afirma que de acordo com sua movimentação financeira ficam perfeitamente comprovados os pagamentos efetuados à fisioterapeuta, pois tais pagamentos eram feitos tanto semanalmente, quanto mensalmente, e os extratos bancários dão suporte legal ao pagamento em espécie, assim como o pagamento de outras despesas; devido à enfermidade Lombalgia (dor nas costas) o tratamento foi realizado em sua residência, conforme comprovação através dos recibos mensais, visto que não poderia ser atendida através do Plano de Saúde da UNIMED, pois o mesmo não possuía profissionais que atendessem em domicílio; os gastos com despesas médicas estão perfeitamente compatíveis com a renda declarada e que os mesmos não superam nem 10% de sua renda bruta anual; concorda em que se mantenha a GLOSA efetuada no valor de R$ 230,66, referente ao plano de saúde UNIMED. Por fim, requer a recorrente o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Nessa fase recursal a discussão restringese à glosa de despesa médica no valor de R$ 4.015,00 declarada pela recorrente como tendo sido realizada com serviços de fisioterapia prestados no ano de 2004 pela profissional Michelle Carolina Prodo. Do exame dos autos, observase que a glosa em questão ocorreu sob as determinações restritivas contidas no artigo 8°, inciso II, alínea “a”, e § 2o, da Lei n° 9.250, de 1995, com a regulamentação estabelecida pelos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001. O artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995, assim dispõe: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas. a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (....) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.014855/200760 Acórdão n.º 280102.083 S2TE01 Fl. 107 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaque nosso) Assim, na espécie dos autos, observase que, ante ao valor expressivo declarado pela recorrente a título de dedução com despesas médicas, coube ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, conforme se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções, o que implica o contribuinte trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado, e que, no caso em pauta, está relacionado à comprovação do efetivo pagamento dos dispêndios informados pela declarante como tendo sido efetuados com profissionais da área da saúde. Neste contexto, impende salientar que a simples apresentação de recibos e declarações, por si sós, não são hábeis para comprovar valores elevados de despesas médicas. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço, como também do pagamento correspondente. Este tem sido o entendimento deste Egrégio Conselho em situações similares, conforme destacado no julgado a seguir transcrito: IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1° CC 10416647/1998). Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.014855/200760 Acórdão n.º 280102.083 S2TE01 Fl. 108 6 (grifei) Nesse sentido, com relação à única despesa que restou em debate, no valor de R$ 4.015,00, verifico que não cabe reparos à decisão recorrida, que bem analisou a questão, conforme se pode denotar de trecho do voto ali proferido, o qual peço vênia para reproduzilo a seguir: fls. 56/57 dos autos “[...] A impugnante, por solicitação desta instância de julgamento (fls. 21, 26 e 35/37), foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas supostamente havidas com a fisioterapeuta Michelle Carolina Prodo (R$ 4.015,00), bem assim, a apresentar os recibos que teriam sido fornecidos pela profissional, conforme declaração à fl. 13. Em atendimento juntou os extratos da conta corrente junto ao Banco Itaú (fls. 41/53), esclarecendo, à fl. 38, que os valores dos recibos discriminados abaixo, haviam sido pagos em espécie, sendo que foram efetuados vários saques para pagamento de diversas despesas, dentre as quais, os recibos mencionados. Ou seja, não se acostou qualquer recibo, e na declaração à fl. 13, bem assim, nos esclarecimentos prestados à fl. 38, não foram discriminadas as datas em que tais despesas, no montante de RS 4.015,00, teriam sido pagas. Pela análise da movimentação financeira, notase que a contribuinte utilizase quase que integralmente de cheques, cheques eletrônicos e débitos em conta como meios usuais de pagamentos, inclusive para saldar valores inexpressivos, tais como: R$ 20,00 fl. 41, R$ 36,46 fl. 42, R$ 25,30 fl. 43, R$ 55,00 fl. 48, R$ 36,00 fl. 49, dentre outros, não sendo crível que usasse outra forma de pagamento para efetuar pagamentos de valor elevado, no caso, RS 4.015,00. Também não se verificam em sua movimentação financeira saques que pudessem dar suporte ao alegado pagamento em espécie. Os saques de pequeno valor e esparsos remetem à prática pela qual as pessoas procuram ter dinheiro para o pagamento das pequenas despesas do diaadia, como, por exemplo, ônibus, táxi, lanches, etc. Tal padrão de comportamento é verificado em todos os meses do período. Assim, é inaceitável a tese defendida pela impugnante, de que efetuou o pagamento em moeda com os saques bancários. [...]” Não obstante a recorrente tenha colacionado aos autos juntamente com sua defesa recursal os mencionados recibos mensais, às fls. 74/76, denotase que tal documentação se mostra insuficiente à comprovação do efetivo pagamento do montante declarado, pois, em confrontando as informações ali contidas com os saques constantes dos extratos bancários às fls. 41/53 e 78/101, temse que, não há como relacionar, de maneira conclusiva, estes valores Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10980.014855/200760 Acórdão n.º 280102.083 S2TE01 Fl. 109 7 movimentados em conta corrente bancária com as despesas que a contribuinte alega terem sido realizadas com sessões de fisioterapia, ratificandose o entendimento da decisão recorrida. Portanto, a documentação apresentada pela interessada não se revela como elemento de prova hábil e suficiente a estabelecer a necessária convicção para a validação da dedução em comento, persistindo, deste modo, ausente nos autos a efetiva comprovação do respectivo desembolso. Por fim, ressaltese que, na análise de prova, à autoridade julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, tomo por consistente a manutenção da glosa a título de despesas médicas no valor de R$ 4.015,00, como destacado no acórdão recorrido. Isto posto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 13984.001555/2003-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE -
SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. IMPEDIMENTO.
Excesso de Receita de Pessoa Jurídica da Qual Participe Sócio Detentor de Percentual Superior a 10% do Capital.
EFEITOS
Na vigência da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, a exclusão motivada pelo excesso de receita de pessoa jurídica de que participe sócio com mais de 10% do capital gera efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se caracteriza o excesso.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3803-000.035
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO
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Recorrida DRJ-BRASILIA/DF ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. IMPEDIMENTO. Excesso de Receita de Pessoa Jurídica da Qual Participe Sócio Detentor de Percentual Superior a 10% do Capital. EFEITOS Na vigência da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, a exclusão motivada pelo excesso de receita de pessoa jurídica de que participe sócio com mais de 10% do capital gera efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se caracteriza o excesso. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. dee" L O GUERRA DE CASTRO - Presidente AN b; Z I A CO EIRO - Relator Porfie !aram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Regis Xavier Holanda e Jorge Higashino. ? Processo n° 13984.001555/2003-45 53-TE03 Acórdão n.° 3803-00.035 Fl. 65 .. Relatório Por bem relatar os fatos, sinteticamente, adoto o relatório proferido pela DRJ/BSA (fls. 43/44), o qual passo a transcrever. "A exclusão da interessada da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3° da Lei 9.317/196, denominada Simples, foi efetuada por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso IX do art. 9° da referida lei. A manifestante contesta sua exclusão do Simples sob o argumento de que o sócio retirou-se da sociedade. Assim, requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua exclusão e que se determine sua permanência no Simples. Ciente de sua exclusão do Simples (fls.38) a empresa apresentou, tempestivamente, SRS (Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples), porém por um erro no sistema da Receita não houve a suspensão do Ato Declaratório, o que ocasionou a exclusão da empresa no CNPJ, fato que foi desfeito com a utilização do código 317 da Receita Federal (fls. 40)." Após os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF), que após analisar os argumentos apresentados na impugnação, indeferiu a solicita cão mantendo o Ato Declaratório Executivo de exclusão, nos termos da ementa transcrita adiante (fls.43/44): Assunto: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. Ano-Calendário: 2002 Ementa: Opção pelo Simples — Condição Vedada — Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre e uma ou mais das vedações à opção estabelecida em lei. Solicitação Indeferida. Diante da decisão proferida pela DRJ/Brasília e respectiva ciência (AR fls. 46), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 47/51), argumentando em síntese: a) A recorrente desde 2001, ano em que foi enquadrada no sistema Simples de tributação, exerce atividades baseadas neste tipo de tributação, restando seu desenquadramento possível comprometimento à continuidade de suas atividades. \\ funcionários b) O desenquadramento poderá gerar prejuízos não só aos sócios, , como também a terceiros contratados, afetando a economia de um modo geral. 2 •":1 Processo n° 13984.001555/200345 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.035 Fl. 66 c) A empresa apresentou nos últimos anos vários atos frente à Receita Federal, não sendo em nenhum momento informada de que estaria sendo feita sua exclusão do sistema Simples. Por fim, requer que, somente se comprovada a condição de afastamento do simples pela empresa, proceda-se a sua devida exclusão tomando como base o ano de 2001. É o relatório. 3 7 Processo n° 13984.001555/2003-45 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.035 Fl. 67 . Voto Conselheiro ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO, Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES fundamentou-se na hipótese de extrapolação do limite legal de faturamento e existência de sócio comum das empresas com participação superior a 10%, a apreciação da regularidade da exclusão centra-se nesse ponto. Assim, a análise ora realizada limita-se à verificação da ocorrência da hipótese do art. 90, IX, da Lei 9317/96, abaixo transcrito em nome da clareza: Art. 90 Mio poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (4 IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°; Não restam dúvidas de que a recorrente incorreu na hipótese excludente, tendo em vista que seu sócio Genir Stormowski figurou nos anos de 2001, 2002, na empresa e concomitantemente nas empresas — ambas optantes pelo regime de lucro presumido de tributação - Transbeve Transportes Ltda. e Incobel Indústria e Comércio de Bebidas Ltda., com participação de 75% em cada uma. E mais, restou comprovada a superação do limite legal de faturamento que autorizaria sua permanência no SIMPLES, o que demonstra a correção de sua exclusão Ante a tais argumentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-s ria exclusão do simples a partir de 01/01/2002. ,41,Sala e . ssões, em 16 de março de 2009. II 04,..4., AND ' Ii it -1 : ONAT CORD IRO - Relator I &19 4 Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1
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