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10040528 #
Numero do processo: 10909.003075/2008-38
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69. A falta de apresentação da declaração de ajuste anual ou sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física à multa por atraso na entrega de 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, respeitado o valor mínimo de R$165,74, na exata dicção do art. 964, I, “a” do RIR/99 (art. 88, I, da Lei nº 8.981/95 e art. 27 da Lei nº 9.532/97) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49. A apresentação extemporânea da declaração de ajuste anual atrai a incidência da multaprevista na legislação de regência, tendo por base de cálculo o imposto de renda devido. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso de declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2003-004.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69. A falta de apresentação da declaração de ajuste anual ou sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física à multa por atraso na entrega de 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, respeitado o valor mínimo de R$165,74, na exata dicção do art. 964, I, “a” do RIR/99 (art. 88, I, da Lei nº 8.981/95 e art. 27 da Lei nº 9.532/97) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49. A apresentação extemporânea da declaração de ajuste anual atrai a incidência da multaprevista na legislação de regência, tendo por base de cálculo o imposto de renda devido. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso de declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 30 75 /2 00 8- 38 Fl. 54DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.721 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.003075/2008-38 Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 37/41): Por intermédio da Notificação de Lançamento de fl. 16, exige-se do Espólio de Juarez Mendes multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual (DIRPF) do exercício 2005, ano-calendário 2004, no valor de R$ 13.141,56 (treze mil e cento e quarenta e um reais e cinquenta e seis centavos). Os dispositivos legais infringidos constam da referida Notificação de Lançamento. Irresignada, a representante legal do Espólio de Juarez Mendes apresentou a impugnação de fls. 01 a 14, instruída com os documentos de fls. 15 a 27. Diz que ocorreu denúncia espontânea na entrega da declaração de ajuste anual em 06/03/2008, já que nem o contribuinte e nem o seu espólio foram instados a apresentá- la. Dessa forma, sustenta que cabe a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional, “que afasta a obrigação da multa nas denúncias espontâneas”. Afirma que “o artigo 88 da Lei 8.981/95, que estabelece multa de mora para a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado”, fere o instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Assevera que lei ordinária não pode se sobrepor ao CTN “pois ela é hierarquicamente inferior ao mesmo”. Alega que a aplicação do artigo 88 da Lei n° 8.981/95 em detrimento do disposto no artigo 138 do CTN, além de violar a hierarquia das leis, viola também os princípios da legalidade tributária e da segurança jurídica. Relata que o senhor Juarez Mendes faleceu em 02 de setembro de 2005. Sustenta que mesmo que fosse considerada legitima a aplicação do disposto no artigo 88 da Lei n° 8.981/1995, o Espólio somente poderia ser responsabilizado pela parcela da multa que se refere ao atraso que pode ser imputado ao de cujus. Isso porque, o espólio, por força do disposto no artigo 23, inciso II, do Decreto n° 3.000/1999, somente é responsável pelo tributo devido até a abertura da sucessão. Ressalta que o de cujus deixou de proceder a entrega da declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário 2004 em razão de problemas graves de saúde de seu filho e devido ao agravamento de doença (câncer) que o levou a morte em 02/09/2005. Requereu, ao fim, a declaração de nulidade da notificação de lançamento e, sucessivamente, a redução da multa para quatro por cento do valor do Imposto de Renda devido. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido. Cientificado da decisão, em 16/02/2012 (fls. 45), o espólio do contribuinte, por sua inventariante e representada por procurador habilitado interpôs, em 28/02/2012, recurso voluntário (fls. 47/51), repisando as alegações da peça impugnatória, no sentido de que cumpriu sua obrigação acessória, mesmo que em atraso e por motivo de força maior, antes da instauração de qualquer procedimento administrativo, não podendo assim ser penalizado, calhando na espécie a aplicação do instituto da denúncia espontânea ao teor do art. 138 do CTN. Alega ainda que o pagamento do tributo já se encontrava quitado em sua totalidade, inclusive com restituição a ser realizada, fazendo com que a falta de apresentação da declaração de ajuste em tempo hábil, não ocasionou qualquer prejuízo ao Erário. Alega também que, por força do art. 23 do RIR/99, o espólio responde até a abertura da sucessão, tendo sido a multa de 20% aplicada confrontante Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.721 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.003075/2008-38 com o disposto em lei, sendo que o percentual correto deveria ser de 4% sobre o imposto devido, porquanto o falecimento do contribuinte ocorreu quatro meses após o prazo para entrega da declaração de ajuste anual. Requer, ao final, seja decretada a nulidade da multa aplicada. Instrui a peça recursal com o documento de fls. 52. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da entrega intempestiva da declaração de ajuste anual – da multa de ofício e denúncia espontânea: O litígio recai sobre a multa aplicada em face da entrega intempestiva da DAA/2005 – que ocorreu efetivamente em 06/03/2008, portanto 35 meses depois do prazo regulamentar, importando na aplicação da multa no valor de R$ 13.141,56, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise acerca do todo processado, no sentido do afastamento da multa legal aplicada. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 37/41) e atendo-se às informações contidas no lançamento (fls. 18), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que o Recorrente, neste momento processual, não trouxe novas razões hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso – diga-se de passagem, limitando-se basicamente em repisar as alegações da peça impugnatória, acerca da espontaneidade pela apresentação da declaração de ajuste, mesmo que em atraso por motivo de força maior, não podendo assim ser penalizado, ao teor do art. 138 do CTN – me convenço do acerto da decisão de piso, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos norteadores do voto condutor na decisão recorrida (fls. 39/41), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF: 1. Artigo 138 do Código Tributário Nacional Como se vê do relatório supra, a representante legal do Espólio de Juarez Mendes inicia sua impugnação aduzindo que teria se caracterizado denúncia espontânea no presente Fl. 56DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.721 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.003075/2008-38 caso, visto que a entrega da declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário 2004, em 06/03/2008, ocorreu antes de qualquer procedimento de oficio do Fisco. Sucede que o instituto jurídico da denúncia espontânea da infração, previsto nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, não se aplica as multas decorrentes de infrações meramente formais, como as multas por atraso na entrega de declarações. Nesse diapasão, preceitua a Súmula n° 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, verifica-se que é totalmente incabível se falar em aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional no caso vertente. Da mesma forma, consta-se que não procede a alegação de que o artigo 88 da Lei n° 8.981/1995 fere o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, já que aquele dispositivo de lei ordinária trata de multas decorrentes de infrações meramente formais, ou seja, penalidades não alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea. 2. Responsabilidade do espólio A legislação tributária, ao tratar da responsabilidade do espólio pela entrega de declaração de ajuste anual do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física), assim preceitua: Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza) Seção V Espólio Art. 11. Ao espólio serão aplicadas as normas a que estilo sujeitas as pessoas físicas, observado o disposto nesta Seção e, no que se refere à responsabilidade tributária, nos arts. 23 a 25 (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 45, § 3º, e Lei nº 154, de 25 de novembro de 1947, art. 1º). § 1º A partir da abertura da sucessão, as obrigações estabelecidas neste Decreto ficam a cargo do inventariante (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 46). § 2º As infrações cometidas pelo inventariante serão punidas com as penalidades previstas nos arts. 944 a 968 (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 49, parágrafo único). Declaração de Rendimentos Art. 12. A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao ano-calendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 45, e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). § 1º Serão também apresentadas em nome do espólio as declarações não entregues pelo falecido relativas aos anos anteriores ao do falecimento, às quais estivesse obrigado. (...) (destacou-se) Instrução Normativa SRF (Secretaria da Receita Federal) n° 81, de 11 de outubro de 2001 Art. 4º As declarações de espólio derem ser: (...) Fl. 57DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-004.721 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.003075/2008-38 § 1º Enquanto não iniciado o processo de inventário ou arrolamento, as declarações de espólio devem ser apresentadas e assinadas pelo cônjuge meeiro, sucessor a qualquer título ou por representante destes. Responsabilidade dos Sucessores e do Inventariante Art. 23. São pessoalmente responsáveis: (...) § 2º A falta de apresentação das declarações de espólio, se obrigatórias, bem como sua apresentação fora dos prazos fixados, sujeita o espólio a multa prevista no art. 88 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações posteriores, observado o máximo de vinte por cento do imposto devido pelo espólio e o mínimo de R$ 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos). (...) Como se vê da leitura da legislação transcrita, após a abertura da sucessão, a entrega das declarações não entregues pelo de cujus relativas aos anos anteriores ao do falecimento passa a ser obrigação do seu espólio. Ainda segundo a legislação transcrita, a falta de apresentação das declarações de espólio, se obrigatória, bem como sua apresentação fora dos prazos fixados, sujeita espólio à multa prevista no artigo 88 da Lei n° 8.981/1995, com as alterações posteriores. Diante do exposto, portanto, resta evidente que não procede a alegação de que o Espólio de Juarez Mendes só poderia ser responsabilizado pela parcela da multa que se refere ao atraso que pode ser imputado ao de cujus, já que a partir da abertura da sucessão, a obrigação de entregar a declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário 2004 que o senhor Juarez Mendes não entregou, passou a ser do seu espólio. Cabe ressaltar, por fim, que a alegação de que o de cujus não entregou a declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário 2004 em decorrência de doença em seu filho e em si próprio, por si só, não tem o condão de elidir a presente exigência na esfera administrativa, visto que não existe previsão legal nesse sentido e que a atividade das autoridades administrativas é plenamente vinculada. Diante dos fatos, indene de dúvida que a exigência da multa por atraso na entrega da DAA/2005, nos termos em que foi exigido no lançamento objurgado e a despeito das alegações recursais, encontra-se prevista e regulamentada na legislação de regência (art. 7º da Lei n° 9250/95, art. 88 da Lei nº 8.981/95, art. 27 da Lei nº 9.532/97 e art. 16 da Lei nº 9.779/99), importando sua base de cálculo no valor correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo de R$ 165,74 (art. 88, § 1º, alínea “a’ , da Lei nº 8.981/95). No que tange à espontaneidade alegada, embora não contestando que entregou a declaração de ajuste após o decurso do prazo regulamentar, alega o Recorrente que, mesmo diante da situação pessoal vivenciada à época pelo de cujus em face do estado de saúde de seu filho, cumpriu sua obrigação fiscal a ele direcionada antes mesmo qualquer medida tomada por parte da fiscalização. Entretanto, também não há como acolher tal desiderato, pois descabe na espécie dos autos a regra prevista no art. 138 do CTN, uma vez que a espontaneidade alegada – traduzindo na incidência do instituto da denúncia espontânea – não acolhe os casos de multas aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias, consistentes no atraso de entrega da declaração de ajuste anual. Fl. 58DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-004.721 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.003075/2008-38 Ademais, em relação ao alcance da denúncia espontânea e da imposição da multa por apresentação intempestiva da DAA, e confirmando o acerto da decisão recorrida, cabe ressaltar que tais as matérias já se encontram pacificadas neste CARF, inclusive culminando com a edição das Súmulas nº 49 e 69: Súmula nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula nº 69 A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Cabe relembrar, por oportuno, que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto, a atividade fiscal, vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não sendo determinante para a realização do lançamento a intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, mas sim da ocorrência do fato gerador, competindo ao Fisco realizar a revisão da declaração de ajuste anual, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, na exata dicção dos arts. 136 e 142 do CTN. Por fim, vale salientar que, enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Conclusão Ante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento em face da entrega extemporânea da declaração de ajuste anual. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 59DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf

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10035491 #
Numero do processo: 10865.002095/2007-64
Data da sessão: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/2004 a 28/02/2006 GFIP. TERMO DE CONFISSÃO - NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. DESCONTO SEGURADOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, o débito foi confessado em GFIP; o relatório fiscal indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, os dispositivos legais envolvidos na presente notificação encontram-se discriminados por competência. Os valores foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de divida quando não recolhidos os valores nela declarados. A obrigação de efetuar o desconto das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais é devida a partir da competência abril de 2003, por força do art. 4° da Lei n ° 10.666, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 83/2002. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de co-responsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co-responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo-fiscais. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 205-01.034
Decisão: ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no mérito negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/2004 a 28/02/2006 GFIP. TERMO DE CONFISSÃO - NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. DESCONTO SEGURADOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, o débito foi confessado em GFIP; o relatório fiscal indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, os dispositivos legais envolvidos na presente notificação encontram-se discriminados por competência. Os valores foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de divida quando não recolhidos os valores nela declarados. A obrigação de efetuar o desconto das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais é devida a partir da competência abril de 2003, por força do art. 4° da Lei n ° 10.666, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 83/2002. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de co-responsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co-responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo-fiscais. Recurso Voluntário Negado.

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TERMO DE CONFISSÃO - NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. DESCONTO SEGURADOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. - O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, o débito foi confessado em GFIP; o relatório fiscal indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, os dispositivos legais envolvidos na presente notificação encontram-se discriminados por competência. Os valores foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de divida quando não recolhidos os valores nela declarados. A obrigação de efetuar o desconto das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais é devida a partir da competência abril de 2003, por força do art. 4° da Lei n ° 10.666, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 83/2002. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. • A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. DOCUÍ1ENTO INFORMATIVO. 132:asC:SOiNs'éR:7:7Q9.7T. ja.71: rn .nNAL CCO2105 = c- &enoja càa„ Processo n°10865.002095/200744 • Acórdão n.°205-01.034 Fls. 131 Isis Sousa Mo mau.. 4295 ura f.; A relação de co-responsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao . período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório • fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co-responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas fisicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo-fiscais. Recurso Voluntário Negado. 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 20 C C. / rt,F CONFERE ca:elit;:;-/ (:;_ -sra Processo n°10865.002095/2007-64 aras i t ha . 22 orito:NAL CCOICO5.ad g Acórdão n.° 205.01.034 9, o Fls. 132 Ists s„ dsa Mo Ma tr 42% Lira ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no mérito negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) *Relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha. JÚLIO SA lEIRA GOMES Presidentd rá;a_2". P. • r- AMO` f MIRA - Relator - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi e Adriana Sato. Processo if 10865.002095/2007-64 ,.., or, CCO2CO5 Acerclào n.° 205-01.034 0NpÇt-FeE - Fls. 133 Bras .,. %-ei.ri 6 12, hns r 'rlt-tre Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, inclusive a destinadas aos Terceiros, bem como a parcela a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, que não foram recolhidas pela sociedade empresária nas competências fevereiro de 2004 a fevereiro de 2006, relatório fiscal às tis. 30 a 31. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pelo recorrente, fls. 40 a 63. A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 72 a 79, mantendo o lançamento em sua integralidade. A recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 88 a 105, alegando em síntese: 1. Não houve dolo em relação a falta de pagamentos, havendo simples erro nos registros contábeis; II. Houve arbitramento sem que houvesse a constatação in loco; III. A aplicação da Selic é inconstitucional; IV. Não poderia ser imputada a responsabilidade aos sócios gerentes; V. A multa possui natureza confiscatória; VI. Requerendo que o recurso seja provido. Não foram apresentadas contra-razões. É o relatório. 4 Processo ti" 10865 0020992007-64CCOM-05 Acôrd5o " 205-01.034 e -20 Ce- Els 134Cilt EN' - - Gr opq Ia. -7+.4 ir-r/s se, p r,,.. , Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 107, pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES' Não assiste razão à recorrente quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, GFIP, conforme item 3 à fl. 30 do relatório fiscal, tendo inclusive se beneficiado da redução da multa; o relatório fiscal indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontra-se às fls. 04 a 09; os dispositivos legais envolvidos na presente notificação encontram-se discriminados por competência às fls. 19 a 21. A alegação da falta de recursos financeiros não é suficiente para afastar a responsabilidade tributária. Os valores foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § I° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de divida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: IV- informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciória e outras informações de interesse daquele Instituto; § I" As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos beneficios previdenciá rios, bem como constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não- recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GF1P ou registrados nas folhas de 5 Pmcesso n" 10865 002095'2007-64 C.rta::,:i.:AL. CCO2.'CO5 I " Acórdão n." 205-01 034 Brat:lha _03_, , og Fls. I 35 /sou Seu,-;:r Moura pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. A obrigação de efetuar o desconto das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais é devida a partir da competência abril de 2003, por força do art. 4° da Lei n ° 10.666, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 83/2002, nestas palavras: Art. 4" Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do InéS seguinte ao da competência. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notcação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irreleváveL (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei 17" 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE, MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de divida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, ,sç 1", do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1701/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. 6 C GINCFCEIRIVELI renjef011-17;JN-11-- jProcesso n° 10865.002095/2007-64 CC0CO5 Acórdão n.°205-01.034 Brasília. , 02 Fls. 136 Isis Sousa Moura diMuu Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por 1 • outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2° Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 1 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N 03 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co- responsáveis, não procede o argumento da recorrente. A relação de co-responsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co-responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas fisicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo-fiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrucào do processo administrativo- fiscal previdenciário os seguintes relatórios e documentos: X - Relação de Co-Responsáveis - CORESP, que láta todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; 2, c c7r7:77:: CONFERE CO?../ 6-0c-R-gGINI.AL Processo n° 10865.002095/2007-64CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-01.034 Brasilia, ja/ • Fis. 137 Isis Sousa Moura Matr. 4295 XI - Relação de Vínculos - VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vinculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vinculo éxistente e o período correspondente; Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. I", da Lei 11" 9.876/99) I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. I", da Lei n" 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. I", da Lei n" 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. I", da Lei n" 9.876/99). II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. I", da Lei n°9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. I", da Lei n°9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n°9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei n°9.876/99). III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. I", da Lei n°9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. I", da Lei n°9.876/99). . • CC.. - ouinta carnara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°10865.002095/2007-64 arasilia 09 19- CCO2/CO5 °Acórdão n.205-01.034• Isis Sousa Moura • Eis, 138 Mbar. 4295 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. I", da Lei n° 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizantento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. P; da Lei n" 9.876/99). § I" Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP n" 1.571/97, reeditado até a conversão na Lei n" 9.528/97) § 2" Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior mio incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP n" 1.571/97, reeditado até a conversão na Lei n°9.528/97) § 3" O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § I" deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP n" 1.571/97, reeditado até a conversão na Lei n" 9.528/97) yç 4° Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.876/99) Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão-Notificação (DN), haja vista os argumentos apontados pela recorrente serem incapazes de refutar o lançamento. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER DO RECURSO do notificado para no mérito NEGAR- LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de setembro de 2008 à 'Ir treo VIEIRA Relator • , • 9 Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10835.900537/2018-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/03/2016 PIS. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55, II, DA LEI Nº 8.212, DE 1991. CONSTITUCIONALIDADE. STF. RE 566.622. O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento dos Embargos no Recurso Extraordinário n° 566.622/RS, entendeu por fixar a tese relativa ao Tema n° 32 de repercussão geral, nos seguintes termos: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.” O espaço normativo que subsiste para a lei ordinária diz respeito apenas à definição dos aspectos meramente procedimentais referentes à certificação, à fiscalização e ao controle administrativo (ADIs 2.028; 2.036; 2.228; e 2.621, bem como no RE-RS 566.622). Em contrapartida, o inc. II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, foi julgado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Especial RE 566.622, em sua redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001, sendo exigível, à época de ocorrência dos fatos geradores do PIS, o registro junto ao Conselho Nacional de Assistência Social e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, para efeito de fruição da imunidade à Contribuição. CEBAS. NATUREZA DECLARATÓRIA. EFEITOS “EX TUNC”. ENUNCIADO 612 DO STJ À LUZ DO ENTENDIMENTO DO STF FIRMANDO NO JULGAMENTO DO EDCL NO RE 566622. O entendimento consolidado do STJ, expresso no enunciado de súmula de sua jurisprudência de nº 612, é no sentido de que “o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade”.
Numero da decisão: 3402-010.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a imunidade da Recorrente à contribuição a partir do protocolo do pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.585, de 29 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10835.900546/2018-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa, Carlos Frederico Schwochow de Miranda e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) a conselheira Renata da Silveira Bilhim e o conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55, II, DA LEI Nº 8.212, DE 1991. CONSTITUCIONALIDADE. STF. RE 566.622. O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento dos Embargos no Recurso Extraordinário n° 566.622/RS, entendeu por fixar a tese relativa ao Tema n° 32 de repercussão geral, nos seguintes termos: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.” O espaço normativo que subsiste para a lei ordinária diz respeito apenas à definição dos aspectos meramente procedimentais referentes à certificação, à fiscalização e ao controle administrativo (ADIs 2.028; 2.036; 2.228; e 2.621, bem como no RE-RS 566.622). Em contrapartida, o inc. II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, foi julgado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Especial RE 566.622, em sua redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001, sendo exigível, à época de ocorrência dos fatos geradores do PIS, o registro junto ao Conselho Nacional de Assistência Social e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, para efeito de fruição da imunidade à Contribuição. CEBAS. NATUREZA DECLARATÓRIA. EFEITOS “EX TUNC”. ENUNCIADO 612 DO STJ À LUZ DO ENTENDIMENTO DO STF FIRMANDO NO JULGAMENTO DO EDCL NO RE 566622. O entendimento consolidado do STJ, expresso no enunciado de súmula de sua jurisprudência de nº 612, é no sentido de que “o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 05 37 /2 01 8- 40 Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a imunidade da Recorrente à contribuição a partir do protocolo do pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.585, de 29 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10835.900546/2018-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa, Carlos Frederico Schwochow de Miranda e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) a conselheira Renata da Silveira Bilhim e o conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do indeferimento do Pedido de Restituição, o qual foi analisado pela Delegacia de Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente. De acordo com o Despacho Decisório, no referido PER foi indicado pela contribuinte um crédito original na data da transmissão de R$3.994,06 - que corresponde ao pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o PIS/PASEP/Folha de Pagamento. Contudo, o pedido de restituição foi indeferido haja vista que o pagamento indicado como indevido estava totalmente utilizado para quitar o débito da contribuição do mesmo período. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que o direito creditório decorre da decisão do Supremo Tribunal Federal no RE nº 636.941/RS, transitado em julgado em 22/04/2014, que declarou inconstitucional a incidência da Contribuição para o PIS das entidades beneficentes de assistência social, conforme o art. 195, § 7º da Constituição Federal. Relata que é Fundação Educacional, sem fins lucrativos, de interesse coletivo, filantrópica, com Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CGCEBAS/MEC, com vencimento para 11/06/2020, com plena obediência aos artigos 9º e 14 do CTN, bem como ao art. 55 da Lei nº 8.212/1991 e, nessa condição, fez o pedido de restituição do PIS por meio de PER/Dcomp uma vez que o pagamento é indevido. Isso posto, requer a restituição do PIS demonstrado no PER/Dcomp com os acréscimos legais, em face do pagamento indevido (imunidade tributária – STF). Ato contínuo, a DRJ julgou a manifestação de inconformidade do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa do acórdão nº 06-069.616, a seguir transcrita: Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/03/2016 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, com repercussão geral conhecida, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/PASEP, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste recurso, a Empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo os mesmos argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A lide trata de direito creditório do Contribuinte decorrente de suposto pagamento indevido de PIS/PASEP sobre folha de salários ocorrido no período de 25/01/2017. Visando utilizar o suposto crédito, a Recorrente apresentou Pedido de Restituição e Compensação (PER/DCOMP) que foi indeferido pela Autoridade Tributária sob o argumento de que inexistia crédito disponível. Em seu recurso, a Empresa pleiteia o reconhecimento da sua imunidade a essa Contribuição uma vez que se enquadraria no conceito de entidade beneficente em consonância com decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 636.941/RS, transitado em julgado em 22/04/2014, no qual foi declarada inconstitucional a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep das entidades beneficentes de assistência social, conforme o art. 195, § 7º da Constituição Federal. A questão, portanto, a ser decidida diz respeito aos requisitos legalmente exigidos para o gozo da imunidade destinada às entidades beneficentes. Em outros termos, é a conhecida discussão acerca da aplicação do art. 195 da CF/1988 e do disposto no art. 55 da lei n. 8.212/91 (revogado pela Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. Inicialmente, cumpre ressaltar que trata o caso de imunidade das contribuições, a exemplo do PIS/PASEP, disciplinada no art.195 da Constituição Federal, que foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212/91, posteriormente revogado pela Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, que deu novo tratamento à matéria, mas mantendo diversos requisitos para a fruição da imunidade. A imunidade às contribuições sociais para a seguridade social é apresentada no § 7° do artigo 195 da CF, verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7° - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. À época, o art,55 da Lei nº8.212/91 estabelecia os requisitos para que uma entidade beneficente fosse imune às contribuições previstas nos arts.22 e 23 desta lei: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 301DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 II - seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.187-13, de 2001). III - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3 o Para os fins deste artigo, entende-se por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2028-5) § 4 o O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2028-5) § 5 o Considera-se também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2028-5) § 6 o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3 o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.187-13, de 2001). Essa matéria passou a ser tratada pela Lei nº12.101/2009, principalmente nos arts. 3º e 29 a 31, os quais mantiveram diversos requisitos para a fruição da imunidade: Art. 3º A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de 12 (doze) meses de constituição da entidade, o cumprimento do disposto nas Seções I, II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respectivas áreas de atuação, e cumpra, cumulativamente, os seguintes requisitos: (Vide Lei nº 13.650, de 2018) I - seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1º; e II - preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidade sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº Fl. 302DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2187-13.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2187-13.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9732.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9528.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9732.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9732.htm#art1 http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=2028&processo=2028 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9732.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9732.htm#art1 http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=2028&processo=2028 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9732.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9732.htm#art1 http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=2028&processo=2028 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art195%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2187-13.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2187-13.htm#art3 Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I – não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos, exceto no caso de associações assistenciais ou fundações, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) II - aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III - apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS; IV - mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V - não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI - conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII - cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII - apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. § 1º A exigência a que se refere o inciso I do caput não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I - a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II - a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 2º A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 1o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I - nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II - o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Fl. 303DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 § 3º O disposto nos §§ 1o e 2o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. (Vide ADIN 4480) Para a entidade fazer jus a imunidade da Contribuição, o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº 636.941/RS, com Repercussão Geral, decidiu que são imunes à Contribuição para o PIS as entidades beneficentes de assistência social que atendam os requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91 vigente à época, conforme a seguir ementado: EMENTA: TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. REPERCUSSÃO GERAL CONEXA. RE 566.622. IMUNIDADE AOS IMPOSTOS. ART. 150, VI, C, CF/88. IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES. ART. 195, § 7º, CF/88. O PIS É CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (ART. 239 C/C ART. 195, I, CF/88). A CONCEITUAÇÃO E O REGIME JURÍDICO DA EXPRESSÃO “INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCAÇÃO” (ART. 150, VI, C, CF/88) APLICA-SE POR ANALOGIA À EXPRESSÃO “ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSITÊNCIA SOCIAL” (ART. 195, § 7º, CF/88). AS LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR SÃO O CONJUNTO DE PRINCÍPIOS E IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS (ART. 146, II, CF/88). A EXPRESSÃO “ISENÇÃO” UTILIZADA NO ART. 195, § 7º, CF/88, TEM O CONTEÚDO DE VERDADEIRA IMUNIDADE. O ART. 195, § 7º, CF/88, REPORTA-SE À LEI Nº 8.212/91, EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL (MI 616/SP, Rel. Min. Nélson Jobim, Pleno, DJ 25/10/2002). O ART. 1º, DA LEI Nº 9.738/98, FOI SUSPENSO PELA CORTE SUPREMA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16-06- 2000). A SUPREMA CORTE INDICIA QUE SOMENTE SE EXIGE LEI COMPLEMENTAR PARA A DEFINIÇÃO DOS SEUS LIMITES OBJETIVOS (MATERIAIS), E NÃO PARA A FIXAÇÃO DAS NORMAS DE CONSTITUIÇÃO E DE FUNCIONAMENTO DAS ENTIDADES IMUNES (ASPECTOS FORMAIS OU SUBJETIVOS), OS QUAIS PODEM SER VEICULADOS POR LEI ORDINÁRIA (ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91). AS ENTIDADES QUE PROMOVEM A ASSISTÊNCIA SOCIAL BENEFICENTE (ART. 195, § 7º, CF/88) SOMENTE FAZEM JUS À IMUNIDADE SE PREENCHEREM CUMULATIVAMENTE OS REQUISITOS DE QUE TRATA O ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E AQUELES PREVISTOS NOS ARTIGOS 9º E 14, DO CTN. AUSÊNCIA DE CAPACIDADE CONTRIBUTIVA OU APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE SOCIAL DE FORMA INVERSA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16-06-2000). INAPLICABILIDADE DO ART. 2 º, II, DA LEI N º 9.715/98, E DO ART. 13, IV, DA MP N º 2.158-35/2001, ÀS ENTIDADES QUE PREENCHEM OS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N º 8.212/91, E LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE, A QUAL NÃO DECORRE DO VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE DESTES DISPOSITIVOS LEGAIS, MAS DA IMUNIDADE EM RELAÇÃO À CONTRIBUIÇÃO AO PIS COMO TÉCNICA DE INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. EX POSITIS, CONHEÇO DO RECURSO Fl. 304DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 EXTRAORDINÁRIO, MAS NEGO-LHE PROVIMENTO CONFERINDO EFICÁCIA ERGA OMNES E EX TUNC. (negrito nosso) No acórdão recorrido, concluiu o Julgador a quo que nos termos da legislação citada e julgado do STF, para que uma entidade seja considerada imune é necessário que sejam atendidos, cumulativamente, todos os requisitos listados no art. 55, da Lei nº 8.212/91, posteriormente, revogado pela Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, que deu novo tratamento à matéria, mas mantendo diversos requisitos para a fruição da imunidade em seus arts. 3º e 29 a 31. Portanto, o desatendimento de qualquer uma das condições previstas no citado dispositivo impede a fruição da imunidade constitucional. Como se observa no acórdão recorrido, a decisão de indeferimento da Autoridade Fiscal foi mantida tendo em vista que não houve o atendimento pelo Contribuinte de todos os requisitos legais na forma prevista no art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009, e sequer a Empresa comprovou ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, para o período em análise (01/2017). Segundo o acórdão recorrido, os documentos apresentados às e-fls 35/36 (certificado CEBAS), são posteriores ao período em que ocorreu o pagamento tido como indevido. Essa questão da constitucionalidade dos requisitos para o exercício da imunidade tributária estabelecidos por meio lei ordinária foi enfrentada em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, decidido em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE 566.622), não cabendo mais debate. A decisão inicial do STF foi no sentido de declarar a inconstitucionalidade formal de todo o art.55 da Lei nº8.212/91 (revogado pela Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, mas mantendo diversos requisitos para a fruição da imunidade), uma vez que seria matéria reservada à lei complementar, restando assim ementada: IMUNIDADE – DISCIPLINA – LEI COMPLEMENTAR. Ante a Constituição Federal, que a todos indistintamente submete, a regência de imunidade faz-se mediante lei complementar. Vale reproduzir trecho do voto de Relator esclarecendo os termos da decisão: Em síntese conclusiva: o artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, prevê requisitos para o exercício da imunidade tributária, versada no § 7º do artigo 195 da Carta da República, que revelam verdadeiras condições prévias ao aludido direito e, por isso, deve ser reconhecida a inconstitucionalidade formal desse dispositivo no que extrapola o definido no artigo 14 do Código Tributário Nacional, por violação ao artigo 146, inciso II, da Constituição Federal. Os requisitos legais exigidos na parte final do mencionado § 7º, enquanto não editada nova lei complementar sobre a matéria, são somente aqueles do aludido artigo 14 do Código. No entanto, a última decisão de embargos declaratórios nos autos do Recurso Extraordinário 566.622, publicado em 11/5/2020 afirmou a constitucionalidade do inciso II, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, como destaco na ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA Nº 32. EXAME CONJUNTO COM AS ADI’S 2.028, 2.036, 2.228 E 2.621. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ARTS. 146, II, E 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. Fl. 305DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 CARACTERIZAÇÃO DA IMUNIDADE RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ASPECTOS PROCEDIMENTAIS DISPONÍVEIS À LEI ORDINÁRIA. OMISSÃO CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 55, II, DA LEI Nº 8.212/1991. ACOLHIMENTO PARCIAL. 1. Aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo são passíveis de definição em lei ordinária, somente exigível a lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da Lei Maior, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. 2. É constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. 3. Reformulada a tese relativa ao tema nº 32 da repercussão geral, nos seguintes termos: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.” 4. Embargos de declaração acolhidos em parte, com efeito modificativo. (negritos nossos) Como se observa do julgado, em suma, os dispositivos do art.55 da Lei nº 8.212/91, que tratam da definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social, foram considerados inconstitucionais pela decisão do STF por vício formal, uma vez que trata-se de matéria reservada à lei complementar. Porém, o requisito relativo a exigência de registro e ser portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, constante do inciso II desse mesmo artigo, foi considerado constitucional, podendo ser regulamentado por meio de lei ordinária, nos termos da tese firmada no voto vencedor. Também na ADI 4.480, apreciada pelo STF, o Tribunal decidiu ser inconstitucional a exigência de certas contrapartidas materiais para obtenção do CEBAS presentes na Lei nº12.101/2009, nas áreas de educação e assistência social, como requisito para imunidade às contribuições para a Seguridade Social, conforme ementa abaixo reproduzida: Ação direta de inconstitucionalidade. 2. Direito Tributário. 3. Artigos 1º; 13, parágrafos e incisos; 14, §§ 1º e 2º; 18, §§ 1º, 2º e 3º; 29 e seus incisos; 30; 31 e 32, § 1º, da Lei 12.101/2009, com a nova redação dada pela Lei 12.868/2013, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social. 4. Revogação do § 2º do art. 13 por legislação superveniente. Perda de objeto. 5. Regulamentação do § 7º do artigo 195 da Constituição Federal. 6. Entidades beneficentes de assistência social. Modo de atuação. Necessidade de lei complementar. Aspectos meramente procedimentais. Regramento por lei ordinária. 7. Precedentes. ADIs 2.028, 2.036, 2.621 e 2.228, bem como o RE-RG 566.622 (tema 32 da repercussão geral). 8. Ação direta de inconstitucionalidade parcialmente conhecida e, nessa parte, julgada parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 13, III, § 1º, I e II, § 3º, § 4º, I e II, e §§ 5º, 6º e 7º; art. 14, §§ 1º e 2º; art. 18, caput; art. 31; e art. 32, § 1º, da Lei 12.101/2009, com a nova redação dada pela Lei 12.868/2013. Nesse passo, é incontroverso nos autos que a Recorrente é portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, protocolado o processo em 28/06/2012, com validade de três anos a partir de 09/06/2017, no qual é atestado que a Empresa Recorrente atende aos requisitos constante em lei Fl. 306DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 para ser considerada entidade de assistência social sem fins lucrativos contempladas no art. 195, § 7º, da Lei Maior. A controvérsia nos autos diz respeito, assim, a possibilidade da retroatividade dos efeitos dessa declaração do CEBAS para a data do seu protocolo, como alegado pela Recorrente, haja vista que a portaria de concessão do certificado somente se deu 09 de junho de 2017, posterior, portanto, ao período em que se deu o suposto pagamento indevido pleiteado, em 01/2017. É assente na jurisprudência que a certificação (CEBAS) é documento de natureza declaratória, que atesta a condição do contribuinte que cumpre os requisitos do modo beneficente firmados em lei complementar e possibilita a fruição da imunidade. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça editou, em 2018, a Súmula nº612 dispôs sobre a validade do certificado, com o seguinte conteúdo: Súmula 612 - O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. (Súmula 612, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/05/2018, DJe 14/05/2018). Inclusive, a respeito da validade dos Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social como documento legal da fruição da isenção, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional – PGFN, exarou o ATO DECLARATÓRIO Nº 05 /2011 desistindo de interposição de recursos ou contestação sobre essa matéria, verbis: A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2132/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte.” JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.027.577/PR, 2ª Turma, relatora a ministra ELIANA CALMON, DJe de 26.02.2009; AgRg no REsp 756.684/RS, relatora a ministra DENISE ARRUDA, DJ de 02.08.07; REsp 413.728/RS, relator o ministro PAULO MEDINA, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/10/2002, DJ 02/12/2002, p. 283; AgRg no REsp 579.549/RS, relator o ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/08/2004, DJ 30/09/2004, p. 223; AgRg no REsp 382.136/RS, relator o ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2004, DJ 03/05/2004, p.95; REsp nº 478.239/RS, relator o ministro CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJ de 28.11.2005; MS nº 9.152, relator o ministro CASTRO MEIRA, DJ de 17.05.2004; AgRg no MS nº10.757, relator o ministro CASTRO MEIRA, DJ 03.03.2008. Brasília, 20 de dezembro de 2011 (negrito nosso) Fl. 307DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-010.616 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.900537/2018-40 Assim, em vista do efeito meramente declaratório do Certificado CEBAS e a retroatividade dos seus efeitos desde a data de protocolo do respectivo requerimento (efeito ex tunc), à época do pagamento indevido em 01/2017, o Contribuinte já fazia jus à imunidade ao PIS, uma vez que o seu certificado foi concedido em 09/06/2017, mas requerido em 28/06/2012, tendo efeito para reconhecimento da imunidade desde essa última data. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a imunidade da Recorrente à contribuição, a partir do protocolo do pedido do certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a imunidade da Recorrente à contribuição a partir do protocolo do pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 308DF CARF MF Original

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4840386 #
Numero do processo: 35426.000545/2006-01
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 205-01.089
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de voto acatada a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou o relator somente nas conclusões.Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T20:07:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T20:07:27Z; Last-Modified: 2009-08-06T20:07:27Z; dcterms:modified: 2009-08-06T20:07:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T20:07:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T20:07:27Z; meta:save-date: 2009-08-06T20:07:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T20:07:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T20:07:27Z; created: 2009-08-06T20:07:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-06T20:07:27Z; pdf:charsPerPage: 1026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T20:07:27Z | Conteúdo => CCO2CO5 • Fls. 117 4.14 MINISTÉRIO DA FAZENDA WS-C SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMAFtA Processo n° 35426.000545/2006-01 Recurso n° 144.235 Voluntário Matéria Decadência Acórdão n° 205-01.089 Sessão de 04 de setembro de 2008 Recorrente MUNICÍPIO DE CRAVINHOS - PREFEITURA MUNICIPAL E OUTRO Recorrida DRP RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica- se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2° CC/11i1F - Quinta CONFERE C01.1 O OR1Cii4P Bra 9 II 1 k 2 e . / 09 04,5,107R Dam - SOares Processo n" 35426.000545/2006-01 CCO2 CO5 • Acórdão n'205-01.089 Eis 118 ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de voto acatada a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompa o relator somente nas conclusões.Ausência justificada da Conselheira Renata Se • oc a \ Ir, JULIO n • ", !EIRA GOMES Presideáeie Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato 2° Cr faiF - Qualt : C : CONE:ER E C07.1 O Oft:G:.vAL ?G ,09 Brasil! Fe, ,,,,101 ‘,50..res 2 - net 11,9•77 Processo n° 35426.000545/2006-01 CCO2,CO5 • Acórdão n.° 205-01.089 Fls. 119 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD, de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte do segurado empregado, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, apuradas em decorrência da responsabilidade solidária, consoante consta do Relatório Fiscal e Anexos Integrantes da NFLD em exame, no montante de RS 16.931,62 (dezesseis mil, novecentos e trinta e um reais e sessenta e dois centavos), consolidado em 05.08.05. Ciência ao sujeito passivo do MPF em 06/0112005 e do lançamento em 05/08/2005. A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconformada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese: a) que o suposto débito abrange o período 10/97 a 12/97; b) que se tratando de encargos sociais cujo fato gerador ocorreu nos períodos de 1996 a 1998, tem-se que a quase totalidade do crédito fiscal apurado, entendido pela auditoria como devido, está prescrito, pois já transcreveu mais de 5 (cinco) anos, desde a sua constituição; c) o fato gerador do débito diz respeito a serviços prestados pela Empresa Vicente e Santos S/C Ltda; d) que, neste caso, a situação não está perfeitamente adequada aos termos da Lei, na medida em que a administração pública teve contra si lançamento de débito sem qualquer verificação acerca do recolhimento das contribuições previdenciárias do período por parte da empresa que realizou os serviços. Sobreleva mencionar que a NFLD sequer menciona a respeito deste tema; e) que o Auto de Infração foi elaborado sem que a verificação acerca da existência ou não de débito previdenciário do prestador de serviços, atribuindo-se ao ente de direito público interno, por aferição, a existência de débito relativos a encargos sociais prescritos; que este fato, refira toda eficácia do procedimento fiscal, já que infringe preceito obrigatório e vinculativo da atividade fiscal, o que nulifica o processo administrativo; e, f) que a empresa que prestou serviços para a administração pública efetuou o recolhimento em época própria dos respectivos encargos sociais; g) que é indispensável a realização da prova pericial, para constatar o efetivo recolhimento, por parte da prestadora de serviços, dos encargos sociais do período mencionado na NFLD e que o Município não é o responsável pela obrigação consignada no lançamento; h) que a prova é indispensável ao deslinde da controvérsia, sob pena de cerceamento de defesa; 1 2° CC/MF - Quinta Camara CONFERE COMO ORIGINAL Brasil: 7• O ?) / CS 3 río' s .4,440:11" S O 31'05 )1) 377 Processo n°35426.000545/2006-01 CCO2CO5 • Acórdão n°205-01.089 Fls. 120 i) que o julgamento antecipado do processo, quando há provas a produzir e matéria fática a dirimir, nomeadamente quando ele é contrário ao requerente das provas, é nulo, como tem decidido reiteradamente o Supremo Tribunal Federal. Transcreve Julgado; e, j) que a verdade que se persegue no processo é a tipicamente formal, ou seja, a que deflui dos fatos sobre os quais o julgador há de formar a sua convicção para dizer o direito, pois é somente com suporte no que resultou comprovado nos autos é que terá condições para proclamá-lo com segurança. Aguarda-se, pois, o deferimento das provas. É o relatório. 2° CCM1 F- - Ou•ni.1 CeOrNasr2eGarirb",0030t-to tL,......p.t_ "r19 • coares t:-33-'77 4 Processo n°35426.000545/2006-01 CCO2 CO5 • Acórdão n." 205-01.089 Fls 121 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Ea-mo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n° L569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 do C77V. _ _ Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da % - a • - 11:01 Constituição, e do parágrafo único do art. 5" do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § I" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: - "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei I ." I 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91. que tratam de prescrição_ _ . e decadência de crédito tributário''. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante 5 Processo n° 35426.000545/2006-01 CCO2/CO5 • Acórdão n.° 205-01.089 Fls. 122 em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esfera.sfederal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n"45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. I03-A da Constituição Federal e altera a Lei n' 9184, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2° O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. §1° O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173,1 do CTN. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. - Sala das essõe em 04 de setembro de 2008 kgli‘ JULIO (1 AR V IRA GOMES c amara o tur - Qua"oFttatnAt-er-t1 e com °corireg sai° 1,411- fscPares TágiOat4fri 6 exasiti- . _ Page 1 _0069800.PDF Page 1 _0069900.PDF Page 1 _0070000.PDF Page 1 _0070100.PDF Page 1 _0070200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10920.000098/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão, contradição ou erro material no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições.
Numero da decisão: 3302-013.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração para sanar o vício de omissão, com efeitos infringentes, a fim de que seja feita a reversão da glosa em relação ao material de embalagem (plásticos e papel). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-013.363, de 28 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10920.000091/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Denise Madalena Green, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Mariel Orsi Gameiro, Walker Araujo, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão, contradição ou erro material no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração para sanar o vício de omissão, com efeitos infringentes, a fim de que seja feita a reversão da glosa em relação ao material de embalagem (plásticos e papel). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-013.363, de 28 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10920.000091/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Denise Madalena Green, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Mariel Orsi Gameiro, Walker Araujo, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 00 98 /2 01 1- 38 Fl. 626DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-013.366 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.000098/2011-38 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração opostos contra o acórdão nº 3302-011.744 que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para: 1. reverter as glosas referentes ao transporte de toras de madeira retiradas de floresta até a planta industrial e à movimentação interna das matérias-primas e dos produtos semiacabados, bem como aos custos com os serviços de amarração e baldeio; 2. reverter as glosas referentes aos custos com combustíveis e lubrificantes utilizados nas máquinas que acondicionam as madeiras nos pallets; 3. reverter as glosas referentes às aquisições de lâminas e facas; 4. reverter as glosas referentes à aquisição de produtos químicos. A embargante sustenta que o acórdão padece de omissão quanto à análise dos créditos sobre despesas incorridas com embalagens (plásticos e papéis para embalar pallets). Nos termos do despacho de admissibilidade, os embargos foram admitidos para sanar o vício de omissão. Este é o relatório. Fl. 627DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-013.366 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.000098/2011-38 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, dos quais tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, o despacho de admissibilidade decidiu por bem admitir os Embargos de Declaração para sanar o vício de omissão, nos seguintes termos: De fato, a alegação foi aduzida no capítulo “3.2.5. Da glosa das embalagens – aquisição de plásticos e papel” do recurso voluntário, mas não foi apreciada no acórdão embargado, que foi elaborado na sistemática de recursos repetitivos tendo como paradigma o processo 10920.000089/2011-47. CONCLUSÃO Com base nas razões acima expostas, admito os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. Encaminhe-se para formação de novo lote de recursos repetitivos a ser sorteado no âmbito da turma, contendo os processos 10920.000091/2011-16, 10920.000095/2011-02, 10920.000097/2011-93, 10920.000098/2011-38, 10920.000102/2011-68, devendo ser escolhido um paradigma dentre os referidos, conforme artigo 4º da Portaria CARF nº 145/2018. De fato, o v. acórdão embargado não se pronunciou sobre o pleito da Embargante de reversão da glosa das embalagens (plásticos e papéis) utilizadas para os pallets que acondicionam as mercadorias produzidas pelo contribuinte, impondo, assim, a devida análise para sanar o vício apontado. Pois bem. A DRJ manteve a glosa sob o fundamento de que, por se tratar de embalagens de transporte e não de apresentação (aquelas que se incorporam ao produto fabricado), estão fora do contexto do conceito de insumos para fins de creditamento, já que sua utilidade é meramente transportar o produto acabado. Reproduzindo suas razões de defesa, a Recorrente aduz que “utiliza-se dos pallets para empilhar a madeira e assim viabilizar seu transporte, o posicionamento no caminhão ou mesmo nos containeres. A embalagem dos pallets com os plásticos e o papel utilizado visam garantir a segurança do transporte e sobretudo para garantir a qualidade do produto final. Tratam-se, portanto, de despesas essenciais e relevantes para a venda do produto final, sendo indevida a glosa do crédito apropriado sobre tais itens. Desta forma, todos os bens utilizados para garantir a qualidade e o devido transporte dos produtos fabricados pela Recorrente apontados pela fiscalização na planilha fiscal como “pallets” são, em verdade, insumos, entendidos estes como custos necessários para a atividade da empresa, havendo, pois, o direito aos créditos sobre tais aquisições, devendo, portanto, o v. acórdão recorrido ser reformado nesse ponto”. Fl. 628DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-013.366 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.000098/2011-38 Com razão a Recorrente. Isso porque os materiais de embalagem, sejam de apresentação ou de transporte, são utilizados com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições. Esses materiais são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. Nesse sentido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30 /06/2006 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. (Acórdão 3302-007.871 – 16.12.2019) Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração para sanar o vício de omissão, com efeitos infringentes, a fim de que seja feita a reversão da glosa em relação ao material de embalagem (plásticos e papel). Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer os Embargos de Declaração para sanar o vício de omissão, com efeitos infringentes, a fim de que seja feita a reversão da glosa em relação ao material de embalagem (plásticos e papel). (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho – Presidente Redator Fl. 629DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10925.900870/2017-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 MERCADORIAS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO. COOPERADOS. REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de cooperados para revenda, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e venda e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. PRODUÇÃO PRÓPRIA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. FRETES. AQUISIÇÕES. MERCADORIAS/INSUMOS. DESONERAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes na aquisição de mercadorias para revenda, bem como na aquisição de insumos empregados na produção dos bens destinados à venda, suportados pelo adquirente, integram, respectivamente, o custo da mercadoria vendida e da matéria-prima; assim, ainda que as aquisições tenham sido desoneradas das contribuições (alíquota zero, isenção ou suspensão), dão direito ao desconto de créditos da contribuição. MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO DE COOPERADO. CRÉDITOS. ALÍQUOTA CHEIA. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de insumos cooperados, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. FRETE. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. BENS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos de venda e/ ou dos insumos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETE. AQUISIÇÃO. EMBALAGEM. NÃO ENQUADRADA COMO INSUMO. BENS DE CONSUMO E DE USO COMUM. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE. As despesas com fretes na aquisição de embalagens não enquadradas como insumos, assim como a aquisição de bens de uso e de uso comum não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. FRETE. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. As despesas com frete na venda dos produtos processados/industrializados dão direito ao desconto de créditos das contribuições, ainda que tenha sido efetuada com suspensão da contribuição. FRETE. AQUISIÇÃO. LEITE IN NATURA. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O frete na aquisição de leite in natura (insumo), utilizado como matéria-prima na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerada da contribuição, dá direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties, para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS/DESPESAS. SAÚDE. DIVERSOS. CRÉDITOS. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com planos de saúde, para os empregados, envolvendo, pagamento a hospitais, clínicas médicas, laboratórios, referentes a exames, consultas médicas, raios-X, ressonância, etc., não dão direito ao desconto de créditos da contribuição. FRETES. MERCADORIA. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com fretes para remessa de mercadorias para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. ALOCAÇÃO. VALORES. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADO INTERNO. GLOSA DE CRÉDITO. REVERSÃO. A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo; assim, a glosa de crédito decorrente da alocação somente no mercado interno deve ser revertida. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. ESTORNO. CRÉDITO PRESUMIDO. 60% LEI Nº 12.350/2010. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Com a vigência da Lei nº 12.350/2010, subsiste o direito ao crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sobre os insumos utilizados na produção dos produtos/mercadorias previstos no referido artigo 8º, excepcionados os produtos/mercadorias elencados no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; assim, a glosa dos créditos sobre os insumos utilizados nos produtos/mercadorias não elencados no referido artigo 55 deve ser revertida. CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. ESTORNO. PRODUÇÃO DE RAÇÃO. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistem provas nos autos de que a Fiscalização glosou créditos descontados de insumos utilizados na produção de ração destinada aos produtores integrados, ou seja, ao sistema de parceria; assim, não há que se falar em reversão de glosa. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 55, LEI Nº 12.350/2010. OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. GLOSA. POSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa do crédito presumido da agroindústria, instituído pelo art. 55 da Lei nº 12.350/2010, objeto de pedido de ressarcimento específico, pendente de decisão administrativa; o direito ao desconto será julgado no outro processo, ou seja, no processo em que foi pleiteado. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. INSUMOS IMPORTADOS. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas. APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE RATEIO INFORMADO NO DACON RETIFICADOR. NÃO CONHECIMENTO. Não compete às Turmas Julgadoras do CARF apreciar retificação de Dacon visando a inclusão e/ ou exclusão de custos específicos das bases de cálculo das contribuições, por parte das sociedades cooperativas de produção agroindustrial, bem como para inclusão de receitas decorrentes de operações com cooperados e muito menos do índice de rateio. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 3301-012.365
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte quanto: 1) aos fretes na transferência de insumos de produção; 2) aos serviços na fábrica de ração; 3) da necessária observância da aplicação do índice de rateio do Dacon retificador; e, 4) à atualização do ressarcimento pleiteado/deferido pela Taxa Selic; e, na parte conhecida: A) por unanimidade de voto, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) mercadorias adquiridas de cooperados para revenda; 2) aquisições de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 3) aquisições de produtos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 4) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 5) serviços de saúde; 6) crédito presumido de 30,0% - estorno de crédito em relação à produção da ração vendida com suspensão; 7) glosa do crédito presumido previsto no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; 8) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de “crédito diferido – valor excluído mês”; B) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para reverter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referente à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens – mercadorias e insumos); 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos. aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta mesma lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda; e, C) por voto de qualidade, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos: 1) nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) nas transferências de mercadorias entre unidades; 3) nas remessas de mercadorias para armazenagem (entre armazéns e depósitos de terceiros). Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Lara Moura Franco Eduardo, Juciléia de Souza Lima e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.361, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10925.900863/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo.
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 MERCADORIAS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO. COOPERADOS. REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de cooperados para revenda, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e venda e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. PRODUÇÃO PRÓPRIA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. FRETES. AQUISIÇÕES. MERCADORIAS/INSUMOS. DESONERAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes na aquisição de mercadorias para revenda, bem como na aquisição de insumos empregados na produção dos bens destinados à venda, suportados pelo adquirente, integram, respectivamente, o custo da mercadoria vendida e da matéria-prima; assim, ainda que as aquisições tenham sido desoneradas das contribuições (alíquota zero, isenção ou suspensão), dão direito ao desconto de créditos da contribuição. MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO DE COOPERADO. CRÉDITOS. ALÍQUOTA CHEIA. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de insumos cooperados, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. FRETE. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. BENS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos de venda e/ ou dos insumos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETE. AQUISIÇÃO. EMBALAGEM. NÃO ENQUADRADA COMO INSUMO. BENS DE CONSUMO E DE USO COMUM. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE. As despesas com fretes na aquisição de embalagens não enquadradas como insumos, assim como a aquisição de bens de uso e de uso comum não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. FRETE. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. As despesas com frete na venda dos produtos processados/industrializados dão direito ao desconto de créditos das contribuições, ainda que tenha sido efetuada com suspensão da contribuição. FRETE. AQUISIÇÃO. LEITE IN NATURA. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O frete na aquisição de leite in natura (insumo), utilizado como matéria-prima na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerada da contribuição, dá direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties, para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS/DESPESAS. SAÚDE. DIVERSOS. CRÉDITOS. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com planos de saúde, para os empregados, envolvendo, pagamento a hospitais, clínicas médicas, laboratórios, referentes a exames, consultas médicas, raios-X, ressonância, etc., não dão direito ao desconto de créditos da contribuição. FRETES. MERCADORIA. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com fretes para remessa de mercadorias para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. ALOCAÇÃO. VALORES. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADO INTERNO. GLOSA DE CRÉDITO. REVERSÃO. A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo; assim, a glosa de crédito decorrente da alocação somente no mercado interno deve ser revertida. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. ESTORNO. CRÉDITO PRESUMIDO. 60% LEI Nº 12.350/2010. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Com a vigência da Lei nº 12.350/2010, subsiste o direito ao crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sobre os insumos utilizados na produção dos produtos/mercadorias previstos no referido artigo 8º, excepcionados os produtos/mercadorias elencados no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; assim, a glosa dos créditos sobre os insumos utilizados nos produtos/mercadorias não elencados no referido artigo 55 deve ser revertida. CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. ESTORNO. PRODUÇÃO DE RAÇÃO. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistem provas nos autos de que a Fiscalização glosou créditos descontados de insumos utilizados na produção de ração destinada aos produtores integrados, ou seja, ao sistema de parceria; assim, não há que se falar em reversão de glosa. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 55, LEI Nº 12.350/2010. OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. GLOSA. POSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa do crédito presumido da agroindústria, instituído pelo art. 55 da Lei nº 12.350/2010, objeto de pedido de ressarcimento específico, pendente de decisão administrativa; o direito ao desconto será julgado no outro processo, ou seja, no processo em que foi pleiteado. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. INSUMOS IMPORTADOS. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas. APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE RATEIO INFORMADO NO DACON RETIFICADOR. NÃO CONHECIMENTO. Não compete às Turmas Julgadoras do CARF apreciar retificação de Dacon visando a inclusão e/ ou exclusão de custos específicos das bases de cálculo das contribuições, por parte das sociedades cooperativas de produção agroindustrial, bem como para inclusão de receitas decorrentes de operações com cooperados e muito menos do índice de rateio. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).

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AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO. COOPERADOS. REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de cooperados para revenda, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e venda e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. PRODUÇÃO PRÓPRIA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. FRETES. AQUISIÇÕES. MERCADORIAS/INSUMOS. DESONERAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes na aquisição de mercadorias para revenda, bem como na aquisição de insumos empregados na produção dos bens destinados à venda, suportados pelo adquirente, integram, respectivamente, o custo da mercadoria vendida e da matéria-prima; assim, ainda que as aquisições tenham sido desoneradas das contribuições (alíquota zero, isenção ou suspensão), dão direito ao desconto de créditos da contribuição. MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 08 70 /2 01 7- 69 Fl. 9184DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 INSUMOS. AQUISIÇÃO/RECEPÇÃO DE COOPERADO. CRÉDITOS. ALÍQUOTA CHEIA. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição/recepção de mercadorias de insumos cooperados, inclusive de cooperativa singular, não implica operação de compra e sim ato cooperativo, que é isento das contribuições para o PIS e Cofins; assim, tal aquisição não gera créditos destas contribuições. FRETE. SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) - AVES, SUÍNOS, RAÇOES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema de parceria (integração) para a produção de aves e suínos utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda dá direito ao desconto de créditos. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. FRETE. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. BENS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos de venda e/ ou dos insumos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETE. AQUISIÇÃO. EMBALAGEM. NÃO ENQUADRADA COMO INSUMO. BENS DE CONSUMO E DE USO COMUM. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE. As despesas com fretes na aquisição de embalagens não enquadradas como insumos, assim como a aquisição de bens de uso e de uso comum não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. FRETE. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. As despesas com frete na venda dos produtos processados/industrializados dão direito ao desconto de créditos das contribuições, ainda que tenha sido efetuada com suspensão da contribuição. FRETE. AQUISIÇÃO. LEITE IN NATURA. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Fl. 9185DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 O frete na aquisição de leite in natura (insumo), utilizado como matéria-prima na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerada da contribuição, dá direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA FAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso voluntário contra decisão de primeira instância favorável ao contribuinte, em relação à reversão da glosa de créditos descontados sobre fretes na transferência de insumos entre os seus estabelecimentos. ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties, para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS/DESPESAS. SAÚDE. DIVERSOS. CRÉDITOS. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com planos de saúde, para os empregados, envolvendo, pagamento a hospitais, clínicas médicas, laboratórios, referentes a exames, consultas médicas, raios-X, ressonância, etc., não dão direito ao desconto de créditos da contribuição. FRETES. MERCADORIA. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com fretes para remessa de mercadorias para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. ALOCAÇÃO. VALORES. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADO INTERNO. GLOSA DE CRÉDITO. REVERSÃO. A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo; assim, a glosa de crédito decorrente da alocação somente no mercado interno deve ser revertida. REDUÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE 60% PARA 35%. SUÍNOS. AVES. MILHO. TRIGO. LENHA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou Fl. 9186DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. ESTORNO. CRÉDITO PRESUMIDO. 60% LEI Nº 12.350/2010. GLOSA. REVERSÃO. POSSIBILIDADE. Com a vigência da Lei nº 12.350/2010, subsiste o direito ao crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sobre os insumos utilizados na produção dos produtos/mercadorias previstos no referido artigo 8º, excepcionados os produtos/mercadorias elencados no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; assim, a glosa dos créditos sobre os insumos utilizados nos produtos/mercadorias não elencados no referido artigo 55 deve ser revertida. CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. ESTORNO. PRODUÇÃO DE RAÇÃO. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistem provas nos autos de que a Fiscalização glosou créditos descontados de insumos utilizados na produção de ração destinada aos produtores integrados, ou seja, ao sistema de parceria; assim, não há que se falar em reversão de glosa. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 55, LEI Nº 12.350/2010. OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. GLOSA. POSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa do crédito presumido da agroindústria, instituído pelo art. 55 da Lei nº 12.350/2010, objeto de pedido de ressarcimento específico, pendente de decisão administrativa; o direito ao desconto será julgado no outro processo, ou seja, no processo em que foi pleiteado. EXCLUSÃO. SALDO. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. CRÉDITO DIFERIDO. VALOR EXCLUÍDO NO MÊS. LIMITAÇÃO. GLOSA DECORRENTE, REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não procede a alegação de que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do crédito presumido da agroindústria para as sociedades cooperativa de produção agroindustrial. INSUMOS IMPORTADOS. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas. APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE RATEIO INFORMADO NO DACON RETIFICADOR. NÃO CONHECIMENTO. Não compete às Turmas Julgadoras do CARF apreciar retificação de Dacon visando a inclusão e/ ou exclusão de custos específicos das bases de cálculo Fl. 9187DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 das contribuições, por parte das sociedades cooperativas de produção agroindustrial, bem como para inclusão de receitas decorrentes de operações com cooperados e muito menos do índice de rateio. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte quanto: 1) aos fretes na transferência de insumos de produção; 2) aos serviços na fábrica de ração; 3) da necessária observância da aplicação do índice de rateio do Dacon retificador; e, 4) à atualização do ressarcimento pleiteado/deferido pela Taxa Selic; e, na parte conhecida: A) por unanimidade de voto, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) mercadorias adquiridas de cooperados para revenda; 2) aquisições de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 3) aquisições de produtos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 4) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 5) serviços de saúde; 6) crédito presumido de 30,0% - estorno de crédito em relação à produção da ração vendida com suspensão; 7) glosa do crédito presumido previsto no art. 55 da Lei nº 12.350/2010; 8) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de “crédito diferido – valor excluído mês”; B) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para reverter a glosa dos créditos descontados sobre e/ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referente à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens – mercadorias e insumos); 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos. aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta mesma lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda; e, C) por voto de qualidade, negar provimento, para manter a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos: 1) nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) nas transferências de mercadorias entre unidades; 3) nas remessas de mercadorias para armazenagem (entre armazéns e depósitos de terceiros). Fl. 9188DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Lara Moura Franco Eduardo, Juciléia de Souza Lima e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.361, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10925.900863/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ em Curitiba/PR que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento (PER) transmitido pelo contribuinte. Intimado do despacho decisório, inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma para que seja revertida a glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização e deferido, na íntegra, o ressarcimento pleiteado, atualizado pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: Primeiramente, faz um resumo dos fatos e das glosas realizadas. Após, contesta, em longo e detalhado recurso, as glosas realizadas com base em fundamentos que serão analisados ao longo deste voto. Anexa aos autos diversos relatórios e documentos fiscais com vistas a demonstrar os créditos da não cumulatividade que entende possuir. Requer, ao fim, o recálculo dos índices utilizados no rateio proporcional e pede a atualização dos créditos deferidos pela taxa Selic. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou-a procedente em parte, nos termos do Acórdão, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos Fl. 9189DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5/2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. COOPERATIVAS. CRÉDITO. BENS PARA REVENDA. As cooperativas somente podem descontar créditos calculados em relação a bens para revenda adquiridos de não associados. CRÉDITOS. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não gera direito ao crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. No âmbito do regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens, se esses forem adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país, se forem incorporadas ao ativo imobilizado e se estiverem associadas ao processo produtivo de bens destinados à venda. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. Os créditos decorrentes de custos de edificações e benfeitorias em imóveis nas atividades da empresa devem ser calculados sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês. FRETES SOBRE COMPRAS. PRODUTOS SEM INCIDÊNCIA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de fretes nas aquisições de produtos sem incidência do PIS/Pasep e da Cofins não geram direito ao crédito no regime não cumulativo, uma vez que não havendo a possibilidade de aproveitamento do crédito com a aquisição dos produtos transportados, também não o haverá para o gasto com o transporte. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos acabados entre os estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos em elaboração da mesma pessoa jurídica, por serem enquadrados como insumos, geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. FRETE NA AQUISIÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Cabe direito ao crédito sobre os valores dos fretes nas aquisições sujeitas ao crédito presumido, no mesmo percentual previsto para o crédito na respectiva aquisição. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A regra geral esculpida no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 autoriza que os créditos devidamente apurados sejam mantidos, mesmo após a venda com suspensão, isenção ou alíquota 0 (zero). Fl. 9190DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido apurado na forma do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, somente pode ser utilizado para dedução do valor do PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime de apuração não cumulativa. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. A alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/Pasep e de Cofins das agroindústrias, prevista no § 3º do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. LEI N.º 12.350/2010. A apropriação dos créditos presumidos de que trata o art. 55 da Lei n.º 12.350/2010 é vedada às pessoas jurídicas que efetuem a operação de venda de rações com suspensão das contribuições. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. CÁLCULO DO PERCENTUAL DE RATEIO. Não se confundindo com não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero, as receitas cuja exclusão da base de cálculo as cooperativas têm direito devem ser consideradas como receitas tributadas no cálculo do percentual de rateio para fins de segregação entre os créditos aproveitáveis por ressarcimento/compensação e os que somente podem ser descontados da contribuição apurada. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, requerendo a sua reforma, na parte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, e, consequentemente, o deferimento integral do ressarcimento pleiteado, acrescido da taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento. Em síntese, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte atende aos requisitos do art. 67 do Anexo II do RICARF. Nesta fase recursal, recorrente impugnou várias matérias, desde a glosa de créditos básicos e presumidos ao rateio e alocação de créditos. As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que instituíram o regime não cumulativo para o PIS e a Cofins, respectivamente, vigentes à época dos fatos geradores dos PER em discussão, assim dispunham, quanto ao desconto de créditos dessas contribuições e seus aproveitamentos: -Lei nº 10.637/2002: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: Fl. 9191DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; (...) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não- cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8 o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7 o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 9192DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 § 9 o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) - Lei nº 10.833/2003: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor; (...) § 1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não- cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 9193DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 § 8 o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7 o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9 o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1 o e 10 a 20 do art. 3 o desta Lei; III - nos §§ 3 o e 4 o do art. 6 o desta Lei; (...). Posteriormente, foram editadas as leis que instituíram o crédito presumido do PIS e da Cofins para a agroindústria, assim dispondo: -Lei nº 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); I - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Fl. 9194DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. IV - 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9º -A; V - 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9º-A. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência :1/10/2015) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (...) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (...). -Lei nº 12.058/2009: Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.04, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.80.00, Fl. 9195DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados nas posições 01.02 e 01.04 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2 o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1 o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3 o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 5 o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 6 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre-calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 5 o deste artigo poderá: I - efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II - solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 7 o O disposto no § 6 o aplica-se somente à parcela dos créditos presumidos determinada com base no resultado da aplicação sobre o valor da aquisição de bens classificados nas posições 01.02 (bovinos) e 01.04 (ovinos/caprinos) da NCM da relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 8 o O disposto neste artigo aplica-se também no caso de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3 o do art. 8 o da Lei n o 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I - ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II - ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1 o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: Fl. 9196DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 I - relativamente aos créditos apurados nos anos-calendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1 o de janeiro de 2010. § 2 o O disposto neste artigo aplica-se aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 37. A partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1 da NCM. - Lei nº 12.350/2010: Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1 o O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica. § 2 o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1 o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3 o O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 4 o O montante do crédito a que se referem o inciso III do caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação sobre o valor das mencionadas aquisições de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 9197DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 (...) § 6 o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 7 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre-calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 6 o deste artigo poderá: I – efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II – solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Os dispositivos legais citados e transcritos elencam os custos/despesas que dão direito a descontar créditos das contribuições, estabelecem o sistema de cálculo, sua utilização e o aproveitamento do saldo credor trimestral. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito de recurso repetitivo, quais os custos/despesas que devem ser considerados insumos, nos termos do inc. II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citado e transcrito anteriormente. Consoante à decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a impossibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". No presente caso, o contribuinte é uma sociedade cooperativa central que tem como atividades econômicas, dentre outras: a) A industrialização de produtos alimentares derivados do abate de suínos e aves, inclusive os subprodutos; b) A industrialização de produtos alimentares derivados de frutas, hortaliças e leguminosas, inclusive os subprodutos; c) A industrialização de produtos derivados de leite, inclusive os subprodutos; d) A industrialização de produtos derivados de bovinos e/ou peixes, inclusive os subprodutos; e) A industrialização de produtos derivados de soja, inclusive os subprodutos; f) A fabricação de massas alimentícias, produtos de panificação, doces e gelatinas. g) A fabricação de rações, concentrados e demais insumos para alimentação animal; h) A exploração agropecuária de suínos e pintos de um dia; e, a comercialização no atacado e no varejo dos produtos fabricados por ela. Assim, com fundamento nos dispositivos legais citados e transcritos, no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e nas atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente, passemos à análise das matérias impugnadas nesta fase recursal. II.1 – Bens para revenda: II.1.1) Mercadorias adquiridas de cooperados Os atos cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados/cooperados, pessoas físicas e/ ou jurídicas, não constituem operação de mercado e, consequentemente, não implicam contrato de compra e venda de produtos, conforme art. 79 da Lei nº 5.764/71. Fl. 9198DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 No julgamento do REsp nº 1.141.667, sob a sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que não incide PIS e Cofins sobre os denominados “atos cooperativos típicos”, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/71. Especificamente, em relação às sociedades cooperativas de produção agropecuária e industrial, a IN RFB nº 635/2006, art. 23, incisos I e II, reconheceu o direito de estas sociedades excluírem da base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive sob o regime não cumulativo, os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização dos produtos entregues à cooperativa. Essa exclusão foi mantida nas demais IN, conforme consta do art. 292 da IN RFB Nº 1.911/2019, literalmente: Art. 292. Sem prejuízo das exclusões aplicáveis a qualquer pessoa jurídica, de que tratam os arts. 27 e 28, bem como da especificada para as sociedades cooperativas no art. 291, as sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 5.764, de 1971, art. 79, parágrafo único; Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17): I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; (...). III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; (...) VII - os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da comercialização pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária. § 9º Considera-se custo agregado ao produto agropecuário de que trata o inciso VII do caput os dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão-de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Por sua vez, o § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, veda expressamente o desconto de créditos sobre aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Quanto à alegação de inconstitucionalidade do art. 23 da IN RFB nº 635/2006, atual art. 292 da IN RFB nº 1.911/2019, as Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para se manifestar sobre tal alegação. Aliás, trata-se de matéria sumulada nos termos da Súmula CARF nº 2 que assim dispõe: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 9199DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 Dessa forma, a glosa de créditos descontados sobre aquisições de cooperados, inclusive de cooperativas filiadas, deve ser mantida. II.1.2) Fretes relativos à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos e fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições Quanto aos fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, a Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos da Cofins não cumulativa, calculados sobre despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Este direito foi estendido para PIS, conforme disposto no art. 15, inciso IX, dessa mesma lei. Segundo o inciso IX do art. 3º daquela lei, as despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, quando o ônus for suportado pelo produtor/vendedor. Trata-se de hipótese restrita. Por isso, entendo que o valor do frete de produtos acabados entre estabelecimentos não dá direito a descontar créditos, pelos seguintes motivos: por não se enquadrar no disposto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003; por não se subsumir ao conceito de insumo, visto que se trata de produtos acabados; e, ainda por não se enquadrar no disposto no inciso IX do mesmo artigo, por ter ocorrido antes da operação de venda. Adicionalmente, com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre gastos com frete mercadorias entre estabelecimentos, de acordo com o Parecer Cosit nº 05 de 2018, esses gastos não podem ser considerados insumos. Nesse sentido, cabe referir os parágrafos 55 e 56, a seguir reproduzidos: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para o para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras (Grifei). Esse também é o entendimento do STJ no julgamento do AgRg nº REsp 1.386.141/AL e no AgInt no AgInt bi REsp nº 1.763.878/RS, Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 1º/03/2019. Dessa forma, como tais despesas não foram incorridas com fretes nas operações de venda, a glosa dos créditos deve ser mantida. Já em relação aos fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) para revenda não sujeitos ao pagamento das contribuições, assiste razão à recorrente. A Fiscalização glosou os créditos descontados sobre os custos com fretes nas aquisições de mercadorias para revenda sob o fundamento de que tais custos Fl. 9200DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 não dão direito ao desconto de créditos pelo fato de as mercadorias adquiridas não terem sido oneradas pelas contribuições. O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de mercadorias adquiridas para revenda está previsto no inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. O frete na compra de mercadorias para revenda, suportado pelo comprador, integra o custo da mercadoria vendida (CMV). O fato de a mercadoria adquirida não ter sofrida a tributação das contribuições para o PIS e Cofins, não impede o creditamento, uma vez o custo com o frete foi tributado. No presente caso, os fretes foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pela contribuição para o PIS e para a Cofins; assim, a recorrente faz jus ao desconto dos créditos calculados sobre tais custos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre os custos com fretes incorridos na compra de mercadorias para revenda, ainda que desoneradas da contribuição, deve ser revertida. II.1.3) Bens não compreendidos no período, objeto do PER em discussão A Fiscalização glosou crédito descontado sobre a aquisição do bem representado pela Nota Fiscal nº 51256. A recorrente defende a reversão da glosa do crédito descontado sobre a Nota Fiscal nº 51256, no valor de R$7.874,40 (BC), emitida em 28/09/2012, sob o argumento de que, a entrada ocorreu em 17/10/2012, quando, de fato, o crédito foi aproveitado. Do exame dos dados lançados na planilha “Relação de Glosas de Bens Não Compreendidos no Período de Apuração do Presente Pedido de Ressarcimento – Linha 1 –Aquisição de Bens para Revenda”, consta que a referida nota fiscal foi emitida em 28/09/2012 e a entrada da mercadoria ocorreu em 17/10/2012. Assim, levando em conta que o crédito descontado naquela nota fiscal não consta do valor do PER em discussão, a glosa deve ser revertida. II.2. Aquisição de bens e serviços utilizados como insumos II.2.1.a) Material de embalagem e etiquetas Segundo o Despacho nº 1404/2017 – Saort/DRF/JOA, os custos/despesas com material de embalagem e etiquetas cujos créditos foram glosados se referem aos seguinte produtos/mercadorias: filme stretch, fita cs 512 preta, película massa, tinta ink, tinta para carimbo, ad. jet-melt 3738Q, adesivo hot melt granulado para caixa de papelão ondulado, cola adesiva p/caixa de leite, fluido diluente p/tinta ink jet, fita adesiva transp. 50 x 100, fita ades.bca.st-101, fita adesiva transparente s/impressão, fita de arquear, big bag de rafia, pallet one-way, folha miolo bolha ondulado p/forração de caixas, cx. pap. tampa, cx. pap., cx. pap. fundo, cx. pap. ondulado, fundo pap., canton. pap., chapa papelão, bobina de polietileno p/cobertura de paletes, bobina pead lisa, sc pol. transp., saco papel kraft, leite em pó 25kg, entre outros. Levando-se em conta a documentação carreada aos autos, notas fiscais e laudo técnico, concluímos que os custos/despesas incorridos com esses materiais de embalagens são essenciais ao desenvolvimento da atividade econômica da recorrente. Fl. 9201DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 Assim, enquadram-se no conceito de insumos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre esse item deve ser revertida. II.2.2) Outras aquisições a) Aquisições de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singular) A recorrente alega que a glosa dos créditos sobre aquisições de cooperativas filiadas é ilegal, conforme demonstrado no tópico II.1.1, do Recurso Voluntário e por se tratar da mesma matéria, para evitar repetição, apresenta os mesmos argumentos em defesa do direito de descontar créditos sobre tais operações. Naquele tópico, defendeu o direito de descontar créditos sobre as aquisições das cooperativas filiadas nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nºs 10.637/2003 e 10.833/2003. Ao contrário do seu entendimento, embora as aquisições sejam das mesmas pessoas jurídicas, aquisição (recepção) de cooperativas filiadas, trata-se de operações de naturezas diferentes, cujo direito ao desconto de créditos das contribuições, embora previsto no mesmo art. 3º, estão em incisos diferentes; O inciso I aplica-se a operações comerciais, ou seja, aquisições de bens para revenda; já o inciso II aplica-se a operações industriais e de prestação de serviços. O tópico II.1.1, tratou exclusivamente de aquisição para revenda, sendo que a glosa foi mantida porque, ao contrário do entendimento da recorrente, nas operações de revenda, apenas as aquisições tributadas dão direito ao desconto de créditos. Nas aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, se tributadas, o direito ao crédito está previsto no inciso II do art. 3º, casso contrário, não há direito ao desconto. Contudo, posteriormente, a Lei nº 10.925/2005, art. 8, instituiu o crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, “para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. A recorrente defende o desconto dos créditos determinados às alíquotas cheias (1,65% e 7,60%), sobre as aquisições (recebimentos) das cooperativas filiadas, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 9202DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 Segundo o inciso II do art. 3º dessas leis, a recorrente não tem direito ao desconto de créditos sobre as aquisições das cooperativas filiadas por se tratar de operações desoneradas das contribuições. Mas, segundo o art. 8º, §§ e incisos, da Lei nº 10.925/2004, citados e transcritos anteriormente, se atendidos os requisitos estabelecidos neste artigo, faz jus ao desconto de créditos presumidos da agroindústria sobre tais operações. No presente caso, além de a recorrente ter pleiteado o desconto de créditos às alíquotas cheias, não apresentou demonstrativo do valor dos créditos presumidos determinados sobre as aquisições de cooperativas filiadas, acompanhado das respectivas memórias de cálculo, notas fiscais, livros fiscais, Razão e outros que achava necessário para provar o valor do ressarcimento de tais créditos. Assim, mantém-se a glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização. b) Aquisições de produtos vendidos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010. A recorrente reclama créditos descontados sobre aquisições de insumos utilizados na fabricação de ração destinada à alimentação animal (suínos e aves), vendida com suspensão das contribuições. De fato, trata-se de custos/despesas, no valor de R$13.253.679,67, cujos créditos descontados sobre esse valor, teve sua glosa mantida pela DRJ. No Recurso Voluntário, a recorrente alegou expressamente que a DRJ concordou integralmente com os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito de ela descontar créditos sobre os insumos utilizados na fabricação de ração, adquiridos com a suspensão das contribuições. Contudo, por equívoco deixou de reverter a glosa sobre o custo no valor de R$13.253.679,67. Ao contrário do seu entendimento, a DRJ não concordou com a tese esposada por ela. A negativa de reverter a glosa dos créditos descontados sobre as aquisições de insumos, no valor de R$13.253.679,67, vinculados à produção de ração, teve como o fundamento a suspensão das contribuições na aquisição dos insumos. Segundo o § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, a aquisição de insumos desonerados das contribuições (desonerada do pagamento das contribuições) não dá direito ao desconto de créditos. Conforme consta da decisão recorrida, se atendidos os requisitos para o benefício do crédito presumido da agroindústria, a recorrente poderia ter apurado tal crédito e o descontado do valor das contribuições devidas, nos termos da legislação vigente. A recorrente alega que a amostragem de notas fiscais constante do Anexo I, comprovaria que os insumos teriam sido tributados pelas contribuições às alíquotas cheias. No entanto, do exame daquele anexo, verificamos que nenhuma nota fiscal de aquisição foi anexada a ele. De fato, contém apenas informações sobre notas fiscais. Além disto, do exame das informações constantes dele, verificamos que, em parte delas, o produto adquirido não foi identificado; na parte em que foram identificados, os produtos não são insumos da produção de ração, dentre eles, Fl. 9203DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 constam a aquisição de elementos de filtros de ar, papelão ondulado, adesivo e junta de motor a diesel, etiquetas adesivas, etc., e, em outra parte, os bens identificados (farinha de carne e osso, farelo de trigo, farelo de soja, óleo degomado de soja, etc.) são comercializados com suspensão das contribuições, conforme art. 54, inciso I, da Lei nº 12.350/2010, o que geraria crédito presumido e não créditos básicos. Também, no Recurso Voluntário, a recorrente não apresentou demonstrativo de apuração dos créditos reclamados naquele valor e respectivas memórias de cálculo. A apresentação das notas fiscais e o demonstrativo de apuração dos créditos reclamados são imprescindíveis para a análise do direito da recorrente e da comprovação da certeza e liquidez do valor reclamado. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas, no valor de R$13.253.679,67 (base de cálculo), deve ser mantida. c) Fretes entre estabelecimentos c.1) Fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e raçoes (insumos) No sistema integrado de produção de animais para abate e processamento/ industrialização, a indústria frigorifica fornece os animais para os produtores rurais fazerem a criação/terminação. Todos os custos de produção dos animais, tais como dos animais para terminação, da ração e dos medicamentos veterinários, do transporte de entrega dos animais e das coletas para o abate são bancados pela indústria frigorífica, Os produtores rurais são responsáveis apenas pelos serviços de criação pelos quais são remunerados. No presente caso, a recorrente, fornece os pintinhos e leitões para a criação e engorda dos frangos e suínos pelos seus cooperados (pessoas físicas/jurídicas), arcando com os custos de transporte para entrega dos animais aos produtores, da ração para os animais e demais insumos, bem como de suas coletas para o abate. As aves e suínos constituem a matéria-prima básica da produção dos bens destinados à venda, produzidos pela recorrente. Os custos com fretes incorridos com o sistema integrado compõem o custo da matéria-prima. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os fretes do sistema de parceria (integração) deve ser revertida. c.2) Fretes na transferência de insumos de produção A recorrente alegou no Recurso Voluntário que: Quanto a esses fretes a DRJ/CTA reconheceu que há o direito de crédito de PIS/Pasep de Cofins sobre os mesmos. No entanto, a despeito de ter reconhecido o crédito sobre a totalidade dos fretes vinculados a transferência de insumos de produção, ao fazer o cálculo do valor da glosa revertido, evidenciou uma base de créditos de apenas R$ 1.630.095,77, conforme se verifica no demonstrativo transcrito às fls. 10.891 dos autos. Ora, se a decisão a quo já reconheceu o direito de a recorrente descontar créditos das contribuições sobre fretes na transferência de insumos entre seus estabelecimentos, não há litígio, quanto a essa matéria, a ser decidido nesta fase recursal. Não cabe Recurso Voluntário contra decisão de Primeira Instância sobre matéria impugnada na manifestação de inconformidade e decidida favoravelmente ao contribuinte. O recurso voluntário somente é cabível sobre Fl. 9204DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 matérias cuja decisão a quo foi desfavorável. Se a decisão de primeira instância lhe foi favorável, não há litígio a ser decidido em segunda instância. O Decreto nº 70.235/72, assim dispõe quanto à equívocos nas decisões: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. (destaque não original) Por sua vez a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplinava a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), vigente na data em que o contribuinte foi intimado do acórdão recorrido, assim dispunha: Art. 27. O requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo, para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, será rejeitado por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, quando não demonstrar, com precisão, a inexatidão ou o erro. Já a Portaria ME nº 340, de 08/10/2020, vigente e que revogou aquela, assim dispõe: Art. 39. Será proferido novo acórdão para a correção de inexatidões materiais devido a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, mediante requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo. § 1º O requerimento de que trata o caput será rejeitado, por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, caso não seja demonstrado, com precisão, a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o Presidente da Turma entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o julgador relator ou, na impossibilidade deste, outro julgador designado. Assim, caberia ao contribuinte ter apresentado requerimento ao Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, solicitando a correção do valor da glosa revertida por ela. Assim, não conheceu dessa matéria. c.3) Fretes entre estabelecimentos para a transferência de produtos acabados A Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos da Cofins não cumulativa, calculados sobre despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Este direito foi estendido para PIS, conforme disposto no art. 15, inciso IX, dessa mesma lei. Segundo o inciso IX do art. 3º daquela lei, as despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, quando o ônus for suportado pelo produtor/vendedor. Trata-se de hipótese restrita. Por isso, entendo que o valor do frete de produtos acabados entre estabelecimentos não dá direito a descontar créditos, pelos seguintes motivos: por não se enquadrar no disposto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003; por não se subsumir ao conceito de insumo, visto que se trata de produtos acabados; e, ainda por não se enquadrar no disposto no inciso IX do mesmo artigo, por ter ocorrido antes da operação de venda. Fl. 9205DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 Adicionalmente, com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre gastos com frete mercadorias entre estabelecimentos, de acordo com o Parecer Cosit nº 05 de 2018, esses gastos não podem ser considerados insumos. Nesse sentido, cabe referir os parágrafos 55 e 56, a seguir reproduzidos: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para o para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras (Grifei). Esse também é o entendimento do STJ no julgamento do AgRg nº REsp 1.386.141/AL e no AgInt no AgInt bi REsp nº 1.763.878/RS, Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 1º/03/2019. Dessa forma, como tais despesas não foram incorridas com fretes nas operações de venda, a glosa dos créditos deve ser mantida. d) Fretes na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, como à alíquota zero, isenção e suspensão; na aquisição de cooperado; e, sobre bens que não se enquadram como insumo: d.1) Fretes na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, como à alíquota zero, isenção e suspensão O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda está previsto no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Os fretes incorridos na operação de compra de insumos, suportados pelo adquirente, integram o custo da matéria-prima adquirida. Assim, a parte da matéria-prima onerada pelas contribuições dá direito ao desconto de créditos. No presente caso, os fretes foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pela contribuição para o PIS e para a Cofins. Dessa forma, a glosa dos créditos sobre custos dos fretes incorridos com a aquisição de insumos, ainda que desonerados das contribuições, deve ser revertida. d.2) Fretes sobre aquisições de cooperados Neste item, defendeu o direito de descontar créditos sobre fretes incorridos com na aquisição de bens de cooperados, sob o mesmo fundamento do item anterior (d.1). Assim, com o mesmo fundamento do item imediatamente anterior (6.6), a glosa dos créditos sobre tais fretes deve ser revertida. d.3) Fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso comum Fl. 9206DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 Segundo o inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, apenas os bens e serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados a venda e na prestação de serviços dão direito ao desconto de créditos das contribuições. A recorrente reconheceu que o fundamento da DRJ para manter a glosa sobre as despesas dos fretes, em discussão neste item, foi a falta de identificação dos bens transportados. Nos autos não há elementos que permitam identificá-los como insumos do processo de produção dos bens destinados à venda. No Recurso Voluntário, informou que a relação dos documentos que compõem a base de cálculo dos créditos glosados consta no Anexo V do presente recurso, que corresponde ao Anexo XVI da manifestação de inconformidade. No entanto, do exame do Anexo V, não há como identificar a natureza dos produtos transportados. Naquele anexo “Relação dos Conhecimentos de Transporte Relativos a Fretes sobre Aquisição de Materiais de Embalagem” constam: mês; CNPJ Unidade; Nº Doc.; CNPJ Transportador; Nome do Transportador, Nº NF Transportada; Cód. Mercadoria Transportada; CNPJ Cliente/Fornecedor; e Valor da Base de Cálculo PIS/Pasep e Confins. Já no Anexo XVI, do exame das notas fiscais, verificamos que em algumas não há identificação dos produtos em outras a descrição é genérica, em que constam: conforme NFs e/ ou diversos volumes; nas nota fiscais em que foram identificados, contam aquisição de peças, calçados e bolsas de couro, fitas e produtos químicos. Não há como saber onde foram utilizados, se processamento/industrialização, se na fábrica de ração ou outro departamento. Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, deve ser mantida. e) Fretes sobre vendas com suspensão Trata-se de fretes sobre vendas de produtos (mercadorias) com suspensão das contribuições, tais como, ração, aves-matriz, bisteca, costela e lombo suínos resfriados/congelados, frangos resfriados/congelados, entre outros. O desconto de créditos das contribuições sobre fretes na operação de vendas está previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, em relação à Cofins, e no art. 15, inciso II, dessa mesma lei, quanto ao PIS. O fato de as despesas de fretes terem sido incorridos com o transporte de mercadorias vendidas com suspensão das contribuições não veda o direito do contribuinte descontar créditos. A condição para o desconto o suporte do frete pelo vendedor, a incidência das contribuições nos fretes pagos e comprovação da despesas mediante documento fiscal emitido pela pessoa jurídica prestadora do serviços. Assim, a glosa dos créditos sobre as despesas com fretes na operação de venda com suspensão das contribuições deve ser revertida. f) Fretes sobre aquisição de leite in natura, sem direito a crédito O frete na aquisição de leite in natura integra o custo da matéria-prima utilizada nos produtos processados/industrializados na unidade de produtos lácteos da recorrente. A aquisição do leite gera crédito presumido da agroindústria pelo fato de ter sido adquirido sem o pagamento das contribuições. No entanto, o custo do frete na sua aquisição integra o custo da matéria-prima utilizado no processamento do leite pasteurizado e na industrialização para produção de derivados, queijos, manteiga, iogurtes e outros produto, Fl. 9207DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 enquadrando-se como insumo nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Dessa forma, a glosa dos créditos sobre os custos/despesas com frete na aquisição de leite in natura deve ser revertida. g) Serviços na fábrica de ração A recorrente alegou no Recurso Voluntário que: “A DRJ/CTA deu integral provimento à Manifestação de Inconformidade, ou seja, reverteu as glosas perpetradas pela fiscalização. No entanto, ao efetuar o cálculo do valor do crédito revertido, incorreu em grave equívoco”. Ora, se a decisão a quo já reconheceu o direito de a recorrente descontar créditos das contribuições sobre os serviços na fábrica de ração, não há litígio, quanto a essa matéria, a ser decidido nesta fase recursal. Assim, com o mesmo fundamento do c.2, não conheço dessa matéria. Caberia ao contribuinte ter apresentado requerimento ao Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, solicitando a correção do valor da glosa revertida por ela. h) Serviços que não se agregam ao produto A recorrente defende o direito de descontar créditos sobre os seguintes gastos: 1) royalties - utilização genética na suinocultura e avicultura: e, 2) serviços de saúde As glosas, segundo consta do Recurso Voluntário, foram sobre os gastos incorridos com: “royalties-material genético”; e serviços de saúde; A recorrente tem como atividades econômicas, dentre aa suinocultura e a avicultura, produzindo e fornecendo para seus cooperados, pessoas físicas e jurídicas (cooperativas singulares) pintinhos de um dia e leitões para terminação no sistema integrado. Para estas atividade utilização matrizes de alto padrão genético. Pela utilização da genética avançada, paga royalties aos detentores das tecnologias de produção dos referidos animais para as empresas Agroceres PIC, Geneticporc, Embrapa e outras. As despesas incorridas com o pagamento de royalties para a produção das aves suínos, destinados ao abate e processamento/industrialização dos bens vendidos, são imprescindíveis ao desenvolvimento da atividade econômica da recorrente; assim, enquadram-se no conceito de insumos, dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Dessa forma, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF, adota-se, para os custos/despesas com serviços “Royalties - Material Genético Suíno”, o mesmo entendimento do STJ, naquele REsp, para reverter a glosa dos créditos apenas sobre esta rubrica. Já as despesas incorridas com saúde dos colaboradores (empregados) referentes a consultas médicas, gastos hospitalares, com clínicas e laboratórios não constituem insumos dos bens produzidos nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.211.170/PR, devendo ser mantida a glosa dos créditos. Assim, deve ser revertida a glosa apenas sobre os custos/despesas incorridos com royalties referente à genética aplicada na suinocultura e avicultura. Fl. 9208DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 i) Bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento A recorrente discordou da glosa de créditos sobre bens e serviços, no valor R$3.498.214,85 (base de cálculo), sob o argumento de que, no pedido de ressarcimento não foram incluídos créditos descontados sobre esse valor; embora os documentos fiscais tenham sido emitidos em julho, agosto e setembro de 2012, objeto do PER em discussão, o recebimento das mercadorias ocorreu no 4º trimestre de 2012; assim, os créditos foram descontados/aproveitados no 4º trimestre de 2012, quando foram escriturados. Do exame da manifestação de inconformidade, verificamos que a planilha elaborada pela Fiscalização e reproduzida no item II.2.2. “Outras incorreções em relação a créditos informados na Linha 02 – Bens utilizados como insumos e Linha 03 – Serviços utilizados como insumos (Item 2.3.2, p. 17-27), foram glosados créditos de período diverso do PER em discussão, calculados sobre o referido valor. Assim, levando em conta que os crédito descontados sobre aquele valor não constaram do valor do PER em discussão, a glosa deve ser revertida. II.3) Despesas de armazenagem de mercadorias e fretes na operação de venda: a) Fretes sobre transferência entre unidades Conforme consta do Recurso Voluntário, de fato, trata-se de fretes na transferência de produtos acabados entre as unidades da recorrente. O direito ao créditos sobre tais despesas já foi decidido nos itens I1.1.2 e II.2.2.c.3, Fretes entre estabelecimentos para a transferência de produtos acabados, deste voto. Assim, com o mesmo fundamento daqueles itens, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser mantida. b) Fretes sobre sistema de parceria (integração) O direito ao créditos sobre os custos/despesas com o sistema de parceria também já foi objeto deste voto, mais especificamente no item II.2.2.c.1, Fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e raçoes (insumos). Assim, com o mesmo fundamento daquele item, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser revertida. c) Fretes sobre operações de cooperados Neste item, defendeu o direito de descontar créditos sobre fretes incorridos com fornecimento e recebimento de bens a cooperados. Também, trata de matéria já decidida neste voto. Os fretes no fornecimento de bens para os cooperados constituem despesas na operação de venda e os fretes no recebimento (aquisição) de bens constituem custos dos bens utilizados como insumos e/ ou destinados à venda. O desconto de créditos sobre tais fretes está previsto nos incisos IX e II, respectivamente, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre fretes no fornecimento de bens para cooperados deve ser revertida. d) Fretes sobre remessa de mercadoria para armazenagem Fl. 9209DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 A Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos das contribuições sobre despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Este direito foi estendido para PIS, conforme disposto no art. 15, inciso IX, dessa mesma lei. Segundo aquele dispositivo legal, o desconto de crédito é sobre as despesas com fretes na operação de venda e não sobre fretes para movimentação de mercadorias entre armazéns e depósitos de terceiros. Assim, tais despesas não se enquadram no referido inciso nem conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, devendo ser mantida a glosa dos créditos. e) Fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento Neste item, discordou da glosa dos créditos descontados sobre uma base de cálculo no valor de R$37.478,44, sob o argumento de que, embora os documentos fiscais refiram-se ao 3º trimestre de 2012, objeto do PER em discussão, as operações, de fato, ocorreram em no 4º trimestre desse mesmo ano, quando os créditos foram descontados/aproveitados. Do exame da manifestação de inconformidade, verificamos que a planilha elaborada pela Fiscalização e reproduzida no item II.3, “Glosa de Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda – Linha 07, Fichas 06-A e 16-A do Dacon – Documentos Relacionados no Anexo VII e VIII, do Relatório Fiscal”, foram glosados créditos de período diverso do PER em discussão, calculados sobre o referido valor. Assim, levando em conta que os crédito descontados sobre aquele valor não constaram do valor do PER em discussão, a glosa deve ser revertida. II.4. Créditos presumidos – atividades agroindustriais: a) Alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado A recorrente defende o direito de alocar os créditos presumidos na proporção das receitas tributadas, não tributadas no mercado interno e de exportação. Os §§ 7º a 9º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, dispõe sobre o rateio das receitas, no caso de o sujeito passivo, ter parte de suas receitas submetidas à tributação das contribuições pelo regime cumulativo e parte pelo regime não cumulativo, visando à a apuração dos créditos descontados. O disposto nesses dispositivos legais aplica-se também ao rateio proporcional das receitas nos casos em que parte das receitas são tributadas e parte desoneradas. A IN RFB nº 1.911/2019 que trata das contribuições para o PIS e Cofins, assim dispõe quanto à apuração de créditos, nos casos em que o sujeito tem parte das suas receitas tributadas e parte desoneradas: Art. 226. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação a apenas parte de suas receitas, o crédito deve ser calculado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas (Lei nº 10.637, de Fl. 9210DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 2002, art. 3º, § 7º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 7º; e Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 1º Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deve registrar, a cada mês, destacadamente para a modalidade de incidência referida no caput e para aquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, as parcelas: I - dos custos, das despesas e dos encargos de que tratam os arts. 171, 173 e 181, observado o disposto no art. 164; e II - do custo de aquisição dos bens e serviços de que trata o art. 171 adquiridos de pessoas físicas, observado o disposto nos arts. 504 a 530. § 2º Para efeito do disposto neste artigo, o valor a ser registrado deve ser determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º, incisos I e II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, incisos I e II): I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns à relação percentual existente entre a receita bruta sujeita ao regime de apuração não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 3º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso I do § 2º, devem ser aplicados sobre o valor de aquisição de insumos, dos custos e das despesas, referentes ao mês de apuração, critérios de apropriação por rateio que confiram adequada distribuição entre os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa e os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração cumulativa. § 4º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso II do § 1º, a receita bruta total objeto do rateio proporcional corresponderá à soma das receitas de venda de bens e serviços auferidas pela pessoa jurídica nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 1º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 1º). § 5º O método eleito pela pessoa jurídica, referido no § 2º, deve ser aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, tendo de ser o mesmo para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 9º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 9º). § 6º As disposições deste artigo aplicam-se independentemente de os créditos serem decorrentes de operações relativas ao mercado interno ou do pagamento das contribuições incidentes na importação (Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 7º O disposto neste artigo aplica-se também para apuração dos créditos vinculados às receitas de exportação e às receitas sujeitas a suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, e art. 6º, § 3º; e Lei nº 11.033, de 2004, art. 17). Ora, segundo o disposto nos §§ 4º e 7º, tendo o contribuinte optado pelo rateio proporcional das receitas para o cálculo dos créditos presumidos, como no presente caso, os créditos descontados sobre os custos vinculados às receitas devem ser alocados para os respectivos mercados aos quais estão vinculadas. Dessa forma, acolho o pedido da recorrente, reconhecendo seu direito de alocar os créditos presumidos de acordo com a vinculação das receitas: mercado Fl. 9211DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 interno; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo. b) Redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos, aves, milho trigo e lenha Neste item, defendeu o cálculo do crédito presumido da agroindústria sobre aquisição de suínos, leitões para terminação, aves para abate, milho, milho extrusado, lenha e carvão vegetal, insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, no percentual de 60,0 % das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e não no percentual de 35,0 % utilizado pela Fiscalização. O percentual da alíquota do cálculo do crédito presumido do PIS/Cofins agroindústria constitui matéria sumulada pelo CARF, nos termos da Súmula nº 157 que assim dispõe: Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. No presente caso, conforme já demonstrado anteriormente, o contribuinte tem como atividade econômica, dentre outras, a agroindústria, com frigoríficos de abate de animais (aves e suinos), processamento de carne, produção de alimentos destinados à alimentação humana e animal e rações destinada à alimentação animal. Assim, por força do disposto no art. 72, caput, do RICARF, aplica-se ao presente caso essa súmula, reconhecendo o direito de a recorrente apurar o crédito presumido no percentual de 60,0 % das alíquotas previstas no art. 2º, caput, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, de acordo com a mercadoria produzida. c) Estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60%, em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010 A Fiscalização glosou os créditos sob o fundamento de que, com a entrada em vigor do art. 57 da Lei nº 12.350/2010, a recorrente não podia mais se beneficiar do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 prevê o desconto de créditos presumidos da agroindústria sobre os bens referidos no inciso II do art. 3º, caput, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, adquirido de pessoa física ou recebido de cooperado pessoa física, calculados no percentual de 60,0% das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por sua vez, o art. 55 da Lei nº 12.350/2010 prevê que as pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03 (carne suína fresca/congelada), 0206.30.00 (miudezas de suínos frescas) 0206.4 (miudezas de suínos congeladas), 02.07 (carnes de miudezas de aves frescas, resfriadas e congeladas) e 0210.1 (carnes suínas) da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar créditos presumidos sobre o valor dos bens (insumos) classificados nas posições 10.01 a 10.08 (cereais), exceto dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semi/branqueado), 12.01 (soja), 23.04 e 23.06 (ambos tortas e outros resíduos sólidos da extração de gordura/óleo vegetal), Fl. 9212DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 01.03 (suínos vivos), 01.05 (aves vivas) da NCM, e o valor das preparações classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na alimentação de suínos e aves, adquirido de pessoa física ou recebido de cooperado pessoa física, bem como de pessoa jurídica. O art. 57 da Lei nº 12.350/2010 determinou que a partir de 1º/01/2011 não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 às mercadorias ou produtos classificados nos códigos 02.03 (carne suína frescas/congelada), 0206.30.00 (miudezas de suínos frescas), 0206.4 ((miudezas de suínos congeladas), 02.07 (carnes e miudezas de aves), 0210.1 (carne suína) e 2309.90 (outra preparações para animais) da NCM. Do exposto, concluímos que, para os insumos (custos/despesas) utilizados na produção dos bens exportados classificados/discriminados no parágrafo imediatamente anterior, não mais se aplica o disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ou seja, a pessoa jurídica não tem mais direito ao crédito presumido sobre os custos/despesas utilizados como insumos na produção daqueles bens (mercadorias). No entanto, smj, na produção dos demais bens previstos no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, excepcionados os expressamente elencados no art. 55 da Lei nº 12.350/2010, persiste o direito ao crédito presumido da agroindústria nos termos do art. 8º daquela lei. Assim, a glosa dos créditos descontados dos insumos utilizados na produção dos bens previstos no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, excepcionados os bens (mercadorias/produtos) elencados no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, deve ser revertida. d) Crédito presumido de 30% - estorno de crédito em relação à produção de ração vendida com suspensão A recorrente alegou que a Fiscalização efetuou a glosa não só da ração vendida para terceiros com a suspensão das contribuições, mas de toda a produção, inclusive, da utilizada para o sistema integração/parceria. A DRJ considerou correto o procedimento adotado pela Fiscalização, sob o argumento de que o estorno (glosa) de créditos restringiu-se aos custos/despesas vinculados à ração vendida, inexistindo glosa quanto à ração fornecida para os parceiros do sistema integração da produção de aves e suínos. A recorrente alegou em seu recurso que apenas as unidades 02 (Chapecó I) e 43 (Erechim) vendem uma pequena parcela da ração produzida por ela. Segundo o demonstrativo do cálculo presumido da agroindústria elaborado por ela, o total de ração produzida no mês de julho/2012 foi de 41.118,0 toneladas, sendo que 6,13 % foi vendida e 94,87 utilizado nas parcerias. Já no Anexo VII, contendo: “a) Relatório de Controle de Produção de Ração Destinada à Alimentação de Animais Vivos; e b) Relatório de Notas Fiscais de Vendas de Produtos Destinados à Alimentação de Animais Vivos Classificadas na NCM 2309.90”, juntado ao Recurso Voluntário, consta produção/movimentação de ração pelas duas unidades referidas, no total de 41.117,8 toneladas e vendas no valor total de R$35.705.147,76. No despacho/relatório de auditoria nº 1404/2017-Saort/DRF/JOA, parte integrante do Despacho Decisório, está demonstrado os valores dos custos/despesas cujos créditos foram estornados. Para o mês de julho/2012, foi Fl. 9213DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 estornado o valor de custos/despesas, vinculados à ração vendida para terceiros pelas duas Unidades, no total R$1.788.124,63. Ora, levando-se em conta a informação da própria recorrente de que a ração vendida representa 6,13 % do total da produção física, e, ainda, considerando que o valor total das vendas para terceiros, no mês de julho/2012 (R$1.788.124,63), representou 5,01% da venda total, concluímos com segurança que o estorno efetuado pela Fiscalização foi somente dos créditos vinculados à venda para terceiros, inexistindo prova de que houve estorno dos créditos vinculados a toda produção. Assim, não há que se falar em reversão da glosa de créditos descontados sobre custos/despesas vinculados à produção da ração utilizada nas parceiras. e) Glosa do crédito presumido previsto no art. 55 da Lei nº 12.350/2010, incorretamente solicitado através de pedido eletrônico A Fiscalização glosou o valor de R$2.440.636,19 relativo ao crédito presumido de que trata esse dispositivo legal, sob o argumento de que não haveria amparo legal para incluir esse valor no pedido eletrônico em discussão. A recorrente alegou que tal justificativa é descabida e não tem amparo legal, devendo ser revertida a glosa daquele valor. Do exame dos autos, verificamos que aquele valor foi objeto de outro processo administrativo de nº 13982.720070/2018-51. Em consulta realizada no e-Processo, verificamos que aquele processo, no qual a recorrente pleiteou o mesmo valor de R$2.440.636,19, encontra-se ainda pendente de decisão definitiva. Na data em que efetuamos a consulta, estava na equipe EQAUD4-PISCOFINS-EQAUD-DEVAT09-VR, na atividade Emitir Parecer/Despacho. Ora, esse mesmo pedido de ressarcimento não pode ser objeto de mais de um processo administrativo, sob risco de decisão favorável e/ ou parcialmente favorável ao contribuinte implicar na duplicidade do valor ressarcido. O direito ao ressarcimento ou não do valor de R$2.440.636,19 será decidido no PER, objeto do outro processo administrativo de nº 13982.720070/2018-51. Assim, a glosa no valor R$2.440.636,19 deve ser mantida. f) Exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de “crédito diferido – valor excluído mês” Neste item, a recorrente alegou que a Fiscalização não aplicou corretamente a legislação que trata da limitação do valor do crédito presumido da agroindústria para as cooperativas de produção agroindustrial. Na decisão recorrida, esta matéria foi bem analisada e fundamentada. Assim, como comungo dos mesmos fundamentos da decisão recorrida, de relatoria do julgador Marcelo Miranda Ribeiro da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, adoto, em relação essa matéria, a sua decisão, como fundamento do meu voto, literalmente: Pois bem, por primeiro é se observar que a fiscalização sabe que a limitação do crédito presumido do art. 9º da Lei n.º 11.051/2004 limita-se ao saldo a pagar de PIS e de Cofins, pois assim explicou no Despacho Decisório: Ainda em relação a utilização do crédito, o art. 9º da Lei n.º 11.051, de 29 de dezembro de 2004, esclarece que o valor do crédito presumido relativo aos bens Fl. 9214DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 recebidos de cooperados limitam-se ao saldo a pagar do PIS e da COFINS decorrentes das vendas de produtos dele derivados. Ademais, deve-se observar que o direito ao crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n.º 10.925/2004, calculado sobre insumos de bens recebidos de cooperados, limita-se ao valor devido de PIS/Pasep e de Cofins. Não há na norma nada que determine que, caso o valor do referido crédito calculado em determinado período de apuração supere o montante das contribuições a pagar, o valor excedente possa ser transposto para o período seguinte. Veja a norma: Art. 9º O direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, recebidos de cooperado, fica limitado para as operações de mercado interno, em cada período de apuração, ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (Vigência) (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 1º . O disposto neste artigo aplica-se também ao crédito presumido de que trata o art. 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. § 2º O disposto neste artigo não se aplica no caso de recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado. Além disso, é de se registrar que a contribuinte não demonstrou que outras exclusões, além das previstas no art. 15 da MP n.º 2.158-35/2001, foram feitas pela autoridade a quo. Igualmente, não demonstrou que a fiscalização incluiu no cálculo da limitação porventura existente créditos relativos às aquisições de não cooperados. Não comprovou, outrossim, qual valor teria remanescido de períodos de apuração anteriores que deveriam ser transpostos, se fosse possível, para os meses analisados neste processo. Deve-se registrar, também, que houve reapuração do crédito presumido em tela (art. 8° da Lei n.º 10.925/2004) com a aplicação do percentual de 35% (e não 60% como feito pela fiscalizada), tema que já foi acima discutido acima e que resultou num valor menor do crédito deferido à interessada. Portanto, correto o critério adotado pela Fiscalização quanto à utilização dos créditos para abater os débitos apurados mensalmente. Assim, mantenho a decisão a quo neste item, negando-lhe provimento. II.5) Insumos importados A Fiscalização glosou os créditos sobre insumos importados sob o argumento de que não se enquadram no inciso II do art. 3º Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. A recorrente alega que se trata de aquisição de peças importadas necessárias ao seu processo produtivo e, portanto, devem ser considerados insumos. Como prova, citou e apresentou o Anexo XXXII onde os bens estão discriminados. Do exame daquele anexo e das notas fiscais de importações (amostragem), verificamos que se trata da aquisição de peças e equipamentos para reposição e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados em suas plantas industriais, abrangendo as unidades frigorificas, de lácteos e de fábrica de ração. Os custos/despesas com peças e equipamentos para reposição e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção dos bens destinados à venda Fl. 9215DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 são imprescindíveis ao desenvolvimento das atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente. Assim, tais custos/despesas enquadram-se no conceito de insumos, para efeito de desconto de créditos das contribuições, dado pelo STJ na decisão do julgamen4o do REsp nº 1.221.170/PR, devendo ser revertida a glosa dos créditos. II.6) Da necessária observância da aplicação do índice de rateio informado no Dacon retificador A recorrente alegou que as exclusões da base de cálculo, próprias das sociedades cooperativas, previstas no art. 11 da IN SRF nº 635/2006, têm natureza de isenções; assim poderiam ser enquadradas no art. 17 da Lei nº 11.0333/2004, o que implicaria no direito de compensar os respectivos créditos, nos termos dos incisos I e II do art. 16 da Lei nº 11.116/2015. Alegou também que este foi o entendimento da RFB esposado na Consulta de nº 46/2012, feita por ela própria. Assim, retificou os Dacon para alterar os índices do rateio proporcional para alocar as exclusões das bases de cálculo realizadas nos termos do art. 11, incisos II e V, da IN SRF Nº 635/2006, visando garantir seu direito à compensação dos créditos vinculados aos custos previstos nesses incisos. A IN SRF nº 635/2006, então vigente, assim dispunha: Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I -exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II -exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; (...) IV -exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V -dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; (...) Por sua vez, a Lei nº 11.033/2004, assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Já a Lei nº 11.116/2005, estabelece: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003,e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004,poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 9216DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Na Consulta nº 46/2012 apresentada pela recorrente, a SRRF09/Disit da RFB assim concluiu: (...) Diante do exposto, soluciona-se a consulta respondendo à interessada que os ajustes de base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins previstos no art. 11, II e V, da IN SRF nº 635, de 2006, não impedem a manutenção dos créditos porventura apurados na forma do art. 3ª, II da Lei n' 10.637, de 2002 e no art. 3' da Lei n' 10.833, de 2003, consoante previsto no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004. (grifos nossos) Da análise desses dispositivos legais, verificamos que o art. 11 da IN SRF nº 635/2006 trata de exclusões das bases de cálculo do PIS e da Cofins, por parte das cooperativas de produção agroindustrial, para a apuração do valor devido sobre o faturamento mensal; o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 trata de vendas desoneradas das contribuições cujos custos de aquisição para revenda e/ ou dos insumos utilizados na produção dos bens vendidos foram onerados, ou seja, sofreram a incidências das contribuições; e, finalmente, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 trata de créditos básicos previstos no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Quanto à solução na Consulta nº 46/2012, ao contrário do entendimento da recorrente, a SRRF09/Disit da RFB apenas reconheceu que os ajustes de base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins previstos no art. 11, II e V, da IN SRF nº 635, de 2006, não impedem a manutenção dos créditos porventura apurados na forma do art. 3ª, II da Lei n' 10.637, de 2002 e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, consoante previsto no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Portanto, não há que se falar em retificação de Dacon para incluir receitas decorrentes de operações com cooperados, seja na aquisição de bens para comercialização e/ ou de bens utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda. Assim, não conheço dessa matéria. III) Atualização monetária do crédito pela taxa Selic A recorrente carreou aos autos cópia do Mandado de Segurança Nº 5002894- 04.2018.4.04.7203/SC, apresentado contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC no qual requereu, dentre outros pedidos, que a autoridade coatora compelida efetue o ressarcimento dos créditos do PIS e da Cofins atualizado pela taxa Selic depois de transcorrido o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do respectivo protocolo administrativo. Ora, a opção do contribuinte pela via judiciária para a discussão do seu direito ao ressarcimento do saldo credor das contribuições, atualizado monetariamente pela Selic, em discussão neste processo administrativo, implicou renúncia ao poder de recorrer administrativamente, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decreto-lei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Trata-se de matéria sumulada pelo CARF nos termos da Súmula Vinculante nº 01, literalmente: Súmula CARF nº 1 Fl. 9217DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, por força no disposto no art. 72, do RICARF, obrigatoriamente, aplica- se esta súmula ao presente caso, para não conhecer do Recurso Voluntário, quanto à atualização monetária do ressarcimento deferido. Em face do exposto, não conheço do recurso voluntário do contribuinte quanto: 1) fretes na transferência de insumos de produção; 2) serviços na fábrica de ração; 3) da necessária observância da aplicação do índice de rateio do Dacon retificador; e, 4) à atualização do ressarcimento pleiteado/deferido pela Taxa Selic; e, na parte conhecida, dou-lhe provimento parcial para reverter as glosas dos créditos descontados sobre e/ ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referentes à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens – mercadorias e insumos): 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos, aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos) utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial para reverter as glosas dos créditos descontados sobre e/ ou decorrentes de: 1) fretes nas aquisições de bens (insumos/mercadorias) não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, isenção, suspensão); 2) bens não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 3) material de embalagem e etiquetas; 4) fretes do sistema de parceria (integração) – aves, suínos e rações (insumos); 5) fretes nas aquisições de cooperados; 6) fretes nas vendas de bens (mercadorias) com suspensão da contribuição; 7) fretes Fl. 9218DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 3301-012.365 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.900870/2017-69 na aquisição de leite in natura (insumo); 8) custos/despesas incorridos com royalties referentes à genética aplicada na suinocultura e avicultura; 9) bens e serviços utilizados como insumos não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 10) fretes nas operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens – mercadorias e insumos): 11) fretes não compreendidos no período de apuração do pedido de ressarcimento; 12) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 13) redução do crédito presumido de 60,0% para 35,0% sobre suínos, aves, milho, trigo e lenha (insumos); 14) estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60,0% em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010, excepcionados os insumos utilizados na produção dos bens elencados do art. 55 desta lei; e, 15) insumos importados (peças de reposição e manutenção das máquinas e equipamentos) utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 9219DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10880.934390/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do Fato Gerador: 13/01/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição/ressarcimento ou a declaração de compensação apresentados desacompanhados de provas quanto ao montante do direito creditório devem ser indeferidos/não-homologados. O contribuinte deve trazer ao processo elementos comprobatórios de suas alegações, tais como sua Escrituração Contábil-Fiscal e os documentos que lhe dão suporte, como notas fiscais e/ou contratos. Ausentes tais elementos, a simples apresentação de documentos produzidos unilateralmente pelo recorrente sequer podem ser considerados indícios aptos a motivar a requisição de uma diligência fiscal.
Numero da decisão: 3402-010.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição/ressarcimento ou a declaração de compensação apresentados desacompanhados de provas quanto ao montante do direito creditório devem ser indeferidos/não-homologados. O contribuinte deve trazer ao processo elementos comprobatórios de suas alegações, tais como sua Escrituração Contábil-Fiscal e os documentos que lhe dão suporte, como notas fiscais e/ou contratos. Ausentes tais elementos, a simples apresentação de documentos produzidos unilateralmente pelo recorrente sequer podem ser considerados indícios aptos a motivar a requisição de uma diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 43 90 /2 01 4- 12 Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.685 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.934390/2014-12 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o Relatório da DRJ – Juiz de Fora (DRJ-JFA): O interessado transmitiu a Dcomp nº 10184.60797.231009.1.7.04-0486, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 5856, efetuado em 13/01/2006 (PA 12/2005); A DERAT/São Paulo/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual requer a nulidade do Despacho Decisório, tendo em vista que “até o momento estamos no aguardo da expedição da revisão de ofício por parte desta fiscalização aberta referente ao período de dezembro 2005, para que possamos juntar ao processo a documentação necessária e cabível de acordo com a fundamentação e embasamento apresentado pelos auditores”; É o breve relatório. A 2ª Turma da DRJ-JFA, em sessão datada de 16/02/2017, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade. Foi exarado o Acórdão nº 09-61.962, às fls. 112/116, com a seguinte Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. O direito creditório a ser reconhecido, desde que não exista outros fatores, é a diferença entre o valor do pagamento efetuado a maior e o do débito do período, declarado em DCTF. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ em 18/04/2017 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 125), apresentou Recurso Voluntário em 18/05/2017, às fls. 128/130. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. I - ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. II – DOS FATOS O Despacho Decisório (fl. 105) não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: Fl. 199DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.685 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.934390/2014-12 Pelo fundamento apresentado acima, verifica-se que o crédito foi negado porque o valor do pagamento realizado foi no exato valor do débito confessado em DCTF. Trata-se de situação rotineiramente analisada neste Conselho, na qual o contribuinte alega que o seu débito era inferior ao originalmente apurado, porém não retifica a DCTF. Nesse contexto, ao apresentar Pedido de Restituição, o sistema não consegue identificar nenhum saldo em favor do contribuinte. A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, deferindo a restituição, mesmo quando a DCTF não foi retificada, porém desde que o contribuinte faça prova de que o débito apurado posteriormente é realmente inferior àquele declarado originalmente. Tal requisito é decorrência do que determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172/66 (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Vejamos, portanto, quais as alegações do contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 03/07), no sentido de demonstrar qual o valor correto do seu débito: PARTE A QUESTÕES PRELIMINARES O Despacho Decisório é materialmente nulo, conforme demonstraremos em nossas arguições a seguir. Em 12/09/2013 conforme demonstra o Termo de Intimação Fiscal 01/2013 (anexo 4) a DERAT — Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária/DERAT, iniciou processo de auditoria fiscal sobre os créditos tributários de PIS e COFINS com fim específico de submeter a análise as Declarações de Compensação (DCOMP) transmitidas pelo contribuinte alegando pagamento indevido ou a maior dos períodos de apuração de dezembro/2004, julho/2005, dezembro/2005, setembro/2006 e dezembro/2006. Desta auditoria em andamento a contribuinte recebeu em sua caixa postal, sendo a mesma optante pelo DTE — Domicílio Tributário Eletrônico o resultado da análise dos períodos abaixo, com a informação do número do processo: (...) Fl. 200DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.685 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.934390/2014-12 Os processos 10880.722445/2014-43 e 16349.720068/2013-31 referentes ao período de dezembro 2006 foram protocoladas Manifestação de Inconformidade em 22/08/2014 (anexos 5 e 6). Os processos 12585.720015/2014-57, 16349.720083/2013-89 e 10880.970842/2011-87 foram recebidos em nossa caixa postal em 23/09/2014, estando ainda no prazo para protocolo de manifestação de inconformidade. O que a contribuinte pretende demonstrar é que até o momento estamos no aguardo da expedição da revisão de ofício por parte desta fiscalização aberta referente ao período de dezembro 2005, para que possamos juntar ao processo a documentação necessária e cabível de acordo com a fundamentação e embasamento apresentado pelos auditores. (...) PARTE B QUESTÕES DE MÉRITO Em face de todas as razões acima aduzidas, a Manifestante solicita que seja impugnado e cancelado o Despacho Decisório que outrora origina a presente Manifestação de Inconformidade. Tal pedido tem sustentação no fato de que o contribuinte aguarda o resultado da revisão de ofício do período aludido do crédito pleiteado na PER/DCOMP objeto desta Manifestação. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade, assim, nesse estado de coisas, o referido Despacho Decisório não pode ser mantido, dessa feita, deve ser cancelado por falta dos fundamentos que o sustentava. DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: 1. Cópia do Estatuto Social da manifestante 2. Cópia da Procuração do Sr. José Maurício Lopes da Silva Júnior 3. Cópia da CNH do Sr. José Maurício Lopes da Silva Júnior 4. Termo de Intimação Fiscal 01/2013 5. Protocolo Manifestação de Inconformidade Processo 10880.722445/2014-43 6. Protocolo Manifestação de Inconformidade Processo 16349.720068/2013-31 7. Fundamentação Legal Manifestação de Inconformidade Processo 16349.720068/2013-31. A referida “Fundamentação Legal Manifestação de Inconformidade Processo 16349.720068/2013-31” se encontra às fls. 16/99. A DRJ analisou as “Informações Complementares”, elaboradas pela mesma Autoridade Tributária que não homologou a compensação, e decidiu por dar provimento parcial à Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.685 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.934390/2014-12 O Despacho Decisório informa que “Para informações complementares da análise de crédito, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br menu ‘Onde Encontro’, opção ‘PERDCOMP’, item ‘PER/DCOMP-Despacho Decisório’”. Nas citadas “Informações Complementares da Análise de Crédito” temos: PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 10184.60797.231009.1.7.04-0486 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 23/10/2009 Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 090629415 Crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 380.542,31 Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Ou seja, o valor do pagamento efetuado em 13/01/2006, código 5856, é de R$632.578,97, sendo que desse valor R$315.543,99 foram alocados ao débito do período conforme declarado na DCTF pela empresa. No SIEF-Pagamentos consta que, do total pago, R$315.543,99 foram alocados ao débito do período, R$313.859,66 foram reservados ao presente processo e R$3.175,32 foram bloqueados para um suposto PER/DCOMP nº 512041192310091348570, como se vê na tela abaixo. Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.685 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.934390/2014-12 Considerando que o nº 512041192310091348570 não é um número de PER/DCOMP válido e que em pesquisa no SIEF não se encontrou qualquer declaração com esse valor, o bloqueio deve ser desconsiderado. Assim, o valor de crédito a ser reconhecido à manifestante é de R$317.034,98 (R$632.578,97 - R$315.543,99 = R$317.034,98), que é o valor de crédito a ser reconhecido à manifestante. Registre-se que esse valor difere do requerido pela empresa na Dcomp nº 10184.60797.231009.1.7.04-0486, ora em análise, que foi de R$380.542,31. Pelo exposto, voto pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, pelo reconhecimento do direito creditório no valor de R$317.034,98 referente ao pagamento efetuado em 13/01/2006 (PA 12/2005), código 5856, e pela homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. O contribuinte, irresignado com essa decisão, apresentou Recurso Voluntário (fls. 128/130) nos seguintes termos, litteris: II — O Direito II.1 — PRELIMINAR O Despacho Decisório é materialmente nulo, sendo o a Manifestação de Inconformidade e o direito creditório devendo ser reconhecido integralmente, conforme demonstraremos em nossas arguições a seguir. (a) A manifestante ratifica o montante de crédito apresentado no preenchimento do PER/DCOMP n° 10184.60797.231009.1.7.04-0486 (Anexo 9) no tocante ao valor original do crédito inicial, o valor informado é de R$380.542,31. (b) A manifestante apurou débito no valor de R$ 315.543,99 conforme DCTF (Anexo 5) e procedeu ao recolhimento do DARF objeto do PERDCOMP que originou o despacho decisório no valor de R$ 632.578,97 (Anexo 7), além disso recolheu um segundo DARF em 18/01/2006 (PA 12/2005), código 5856 no valor de 63.507,33 (Anexo 6), desta forma o pagamento a maior no período foi 380.542,31 (632.578,97 + 63.507,33 — 315.543,99 = 380.542,31). (c) A manifestante reconhece o erro que originou a falta de cruzamento das informações por parte dos sistemas da RFB, pois poderia ter procedido de duas formas: (i) retificar a DCTF informando que o valor pago do débito no DARF de R$63.507,33 seria o valor integral do DARF e por conseguinte o valor pago do débito do DARF de R$ 632.578,97 seria de R$ 251.407,94; ou (ii) mediante a forma que foi entregue a DCTF ter procedido com um segundo PER/DCOMP para a compensação do DARF 63.507,33. (d) A manifestante entende que apesar do erro, tendo já seu direito e seu mérito julgado procedente não resta dúvida pelos documentos ora apresentado que o valor de seu crédito é de R$ 380.542,31. II. 2 — MÉRITO Na época do fato gerador a manifestante apurou para o período Dezembro/2005 o valor de COFINS a recolher no montante de R$696.086,30, sendo o débito quitado em dois DARFs o primeiro 632.578,97 (Anexo 7) recolhido em 13/01/2006 e o segundo 63.507,33 (Anexo 6) recolhido em 18/01/2006 com os acréscimos legais. Fl. 203DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.685 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.934390/2014-12 Posteriormente houve uma revisão desta apuração, onde foi apurado um valor de COFINS a recolher no montante de 315.543,99. Comparando-se as duas apurações vemos que tal diferença resultou num pagamento a maior de 380.542,31. Tal diferença deu-se basicamente em função de constatado erro em relação a créditos que não tinham sido apropriados na primeira apuração. O período de dezembro/2005, fato gerador do crédito já fora inclusive objeto de fiscalização, conforme demonstra o Termo de Intimação Fiscal 01/2013 (folha 15 — anexo 4), de qualquer forma conforme corrobora o Acordão resta apenas o mérito com relação ao valor do crédito pleiteado, que conforme as informações complementares da análise de crédito na folha 114 do processo, página 3 do Acordão é de R$315.543,99, mas com os novos fatos, argumentos e documentos adicionados neste recurso fica claro pela simples soma dos DARFs pagos referentes ao fato gerador subtraídos do valor devido é crédito é o valor já apontado pela manifestante no PERDCOMP objeto deste processo, ou seja R$ 380.542,31. Documentos anexados 1. Copia do estatuto social da manifestante 2. Copia da procuração Viviane Soares Viveiros 3. Copia da CNH Viviane Soares Viveiros 4. Copia da Ata de nomeação dos diretores Flavia Schiavon e Alexandre Faria 5. Cópia DCTF Dezembro/2005 6. Cópia do DARF 5856 no valor de 63.507,33 7. Cópia do DARF 5856 no valor de 632.578,97 8. PERDCOMP 10184.60797.231009.1.7.04-0486 9. DACON 4° Trimestre 2005 III – PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Analisando os fundamentos utilizados no Recurso Voluntário para sustentar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório, transcritos no tópico anterior, observo que, na verdade, o recorrente limitou-se a tecer argumentos sobre o mérito. Contudo, para a declaração de nulidade, faz-se necessário comprovar a ocorrência de uma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, ou a ausência de algum dos requisitos do art. 10 do mesmo diploma legal: Do Procedimento (...) Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 204DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.685 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.934390/2014-12 III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Das Nulidades Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ora, da leitura dos excertos do Recurso Voluntário acima colacionados depreende-se que a não homologação da compensação decorreu de erro quando do preenchimento da DCTF, confessado pelo próprio contribuinte. Não há sequer um único argumento do contribuinte no sentido de comprovar a necessidade de declaração de nulidade. Nesse contexto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório. IV – FUNDAMENTAÇÃO DE MÉRITO O recorrente insiste que o valor correto a lhe ser restituído é de R$380.542,31. No entanto, a mera alegação de redução do valor do débito anteriormente declarado não basta para justificar a reforma da decisão contestada; faz-se mister a prova de que houve erro de fato no preenchimento da declaração. O contribuinte não apresentou documentos aptos a comprovar suas alegações, mas tão somente uma simples conta matemática, resultado da subtração entre o valor pago via DARF e o valor que alega ser o correto para o débito do tributo. O contribuinte deveria ter apresentado documentos que pudessem infirmar os fundamentos do Despacho Decisório, ou mesmo suprir a carência probatória apontada, em especial com a apresentação de uma memória de cálculo da apuração da contribuição, acompanhada de sua Escrituração Contábil-Fiscal (para que pudesse ser feito o devido cotejo e confirmação dos valores inseridos no cálculo) e, assim, comprovar sua alegação de que o débito do tributo informado na DCTF original estaria errado. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 somente autoriza a compensação com créditos líquidos e certos do contribuinte: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 205DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.685 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.934390/2014-12 Ao que se constata, não há qualquer certeza sobre o montante do crédito pleiteado. Pro fim, verifico que o contribuinte alega que o pagamento indevido ou a maior tem origem em 2 DARFs, que totalizam R$ R$696.086,30, o primeiro R$632.578,97 (Anexo 7) recolhido em 13/01/2006 e o segundo R$63.507,33 (Anexo 6) recolhido em 18/01/2006. Como o valor do débito declarado foi de R$315.543,99, haveria um saldo a restituir no montante de R$380.542,31. Ocorre, contudo, que, ao analisar a DCOMP apresentada pelo contribuinte, verifica-se, à fl. 102, que apenas um desses DARFs foi indicado para ser restituído. Não se sabe, inclusive, se o segundo DARF não consta em outra DCOMP, o que caracterizaria uma duplicidade no pleito de repetição de indébito. Nos termos do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Sendo caso em que o contribuinte alega possuir um direito creditório contra a União, é dele o dever de comprovar essa alegação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido. V - DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 206DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10730.012679/2009-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PRAZO PRESCRICIONAL E DECADENCIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 123. NÃO OCORRÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial será: (a) primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (art. 173, I, do CTN); (b) fato gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, desde que não constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º, do CTN). Na hipótese dos autos, a ocorrência de imposto de renda retido na fonte, relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual, caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do CTN. Mantém-se o lançamento, porquanto constituído dentro do lustro legal. Somente começará a correr o prazo prescricional para cobrança do crédito tributário, após sua constituição definitiva, ao teor do art. 174 do CTN. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. SÚMULA CARF Nº 63. Para ser beneficiada com o instituto da isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e a contribuinte ser portadora de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, nos termos do art. 5º, XII e § 1º da IN SRF nº 15, de 06/02/2001. Não restando comprovado o atendimento às exigências cumulativas legais, impõe-se o não reconhecimento do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto.
Numero da decisão: 2003-004.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 123. NÃO OCORRÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial será: (a) primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (art. 173, I, do CTN); (b) fato gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, desde que não constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º, do CTN). Na hipótese dos autos, a ocorrência de imposto de renda retido na fonte, relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual, caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do CTN. Mantém-se o lançamento, porquanto constituído dentro do lustro legal. Somente começará a correr o prazo prescricional para cobrança do crédito tributário, após sua constituição definitiva, ao teor do art. 174 do CTN. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. SÚMULA CARF Nº 63. Para ser beneficiada com o instituto da isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e a contribuinte ser portadora de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, nos termos do art. 5º, XII e § 1º da IN SRF nº 15, de 06/02/2001. Não restando comprovado o atendimento às exigências cumulativas legais, impõe-se o não reconhecimento do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 26 79 /2 00 9- 35 Fl. 51DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.725 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.012679/2009-35 (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 28/31): Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.03105, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2004, para cobrança do crédito tributário de R$ 3.920,74. O lançamento é decorrente da seguinte infração: 1. omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 12.450,32 O enquadramento legal encontra-se às fls.04 e 05. Inconformada a interessada ingressou com a impugnação de fls.01/02, instruída com os documentos de fls. 06/11, alegando que: 1. foi acometida de moléstia grave e, após longo tratamento cirúrgico, quimioterápico e radioterápico, foi aposentada e, por consequência, os seus rendimentos foram classificados como rendimentos isentos e não-tributáveis (cópia do D.O. do Estado do Rio de Janeiro, em anexo); 2. a partir daí o seu documento de declaração de rendimento anual apontava seus rendimentos como "rendimento não-tributável". Mas, com a mudança do antigo CPDERJ (Centro de Processamento de Dados) do antigo RJ para o PRODERJ, por erro administrativo ou de digitação, nos contracheques e nos comprovantes de rendimentos foram omitidos a classificação de isentos e não-tributáveis, passando equivocadamente a serem classificados como rendimentos tributáveis; 3. os formulários de ajuste anual possibilitavam a anexação da xerox do D.O. Estadual de que trata o presente mérito e respectiva informação do equívoco do órgão estadual, em relação à classificação do "rendimento não-tributável"; 4. atualmente, os formulários de ajuste de "rendimentos" não possibilitam o espaço para a exposição de fatos e documentos comprobatórios em questão; 5. foram apresentados requerimentos à SARE (Secretaria de Estado e Administração e Reestruturação) sem que a correção do mérito fosse efetivada, ou seja, retificada a fita DIRF; 6. em 26/11/2009, a solução do processo referido no protocolo SARE (atual CASE) foi solucionado, com a devida correção, classificando os rendimentos reclamados no presente processo como rendimentos isentos do imposto de renda (segue em anexo cópia em xerox autenticada); 7. à vista de todo o exposto, solicita o cancelamento do débito fiscal. Fl. 52DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.725 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.012679/2009-35 A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito fiscal exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAFÍSICA- IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS.MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preenche os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, e o outro que relaciona-se à existência da moléstia tipificada no texto legal. Cientificada da decisão em 12/11/2013 (fls. 38/39), a contribuinte, em 10/12/2013, interpôs recurso voluntário (fls. 40/41), alegando, preliminarmente, a ocorrência da decadência e prescrição do crédito tributário, pelo decurso do tempo, pois já se passaram mais de cinco anos da data do fato gerador, ao teor do art. 174 do CTN e, no mérito, alega que foi acometida de moléstia grave (neoplasia maligna), tendo sua aposentadoria por invalidez decretada em novembro de 1978, portanto preenche os requisitos para a concessão de isenção tributária, tanto que a fonte pagadora informa que os rendimentos recebidos são isentos do imposto de renda, descabendo à RFB exigir a comprovação através de prontuário médico de uma moléstia a qual sofre há mais de 30 anos, mesmo tendo ciência de que foi tratada pelo sistema público de saúde. Requer, ao final, cancelamento do débito fiscal reclamado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 42/47. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Alega a Recorrente a ocorrência da prescrição do crédito tributário, por decurso do prazo para a sua constituição, uma vez que já se passaram mais de cinco anos da data do fato gerador da obrigação tributária. Contudo, razão não lhe socorre. De início, cabe salientar que o fato gerador do imposto de renda é complexivo e compreende a disponibilidade econômica ou jurídica apurada no decorrer do ano, se aperfeiçoando no dia 31/12 de cada ano-calendário, sobretudo levando-se em conta que a tributação do imposto de renda pessoa física só se perfectibiliza tornando-se definitiva com a declaração de ajuste anual, ao teor da legislação de regência. Fl. 53DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.725 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.012679/2009-35 Alia-se o fato de que ocorreu a retenção do IR Fonte na DAA/2005 (fls. 18/20), cuja retenção efetuada representa antecipação do pagamento do imposto de renda submetido ao ajuste anual a atrair, para fins de contagem do prazo decadencial, a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN, cujo entendimento, diga-se de passagem, também já se encontra sumulada neste CARF: Súmula nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Com efeito, constatada a ocorrência de IRRF, o termo inicial da contagem do prazo decadencial se deu em 31/12/2004, escoando-se impreterivelmente em 31/12/2009. E, certificando que o lançamento foi lavrado em 03/11/2009 (fls. 5), tendo sido sendo a Recorrente regularmente notificada em 16/11/2009 (fls. 24), inclusive apresentando impugnação regular em 02/12/2009 (fls. 1/4), não se operou a decadência, porquanto estava ainda em curso o lustro legal e regulamentar para constituição do crédito tributário. Logo, no que se refere a prescrição suscitada, vale destacar que tal instituto sequer começou a fluir, uma vez que o crédito tributário não se encontra definitivamente constituído, a atrair a norma prevista no art. 174 do CTN, situação que somente irá ocorrer com o esgotamento da via administrativa, estando o crédito apurado, por conseguinte e no presente momento, com sua exigibilidade suspensa, ao teor do art. 151, III do CTN. Portando, rejeito a preliminar suscitada. Mérito Da omissão de rendimentos apurada - Dos rendimentos considerados como isentos por moléstia grave – Do não preenchimento dos requisitos legais: O litígio recai sobre a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 12.450,32, considerados pela Recorrente como isentos em face da moléstia grave que lhe acometera, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da omissão apurada. Assim, passo ao cotejo dos documentos constantes dos autos, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção autuação traçados na decisão recorrida (fls. 30/31): Ab initio, é de se informar que, de acordo com o documento de fl.10, a contribuinte é aposentada do Governo do Estado do Rio de Janeiro (matricula 034.728-0), desde 16/11/1978 (data da publicação da Portaria de Aposentadoria). Consequentemente, os rendimentos por ela auferidos da citada fonte pagadora têm a natureza de aposentadoria. Quanto ao outro requisito indispensável à concessão da isenção, é de se ressaltar que não consta do presente laudo pericial que identifique ser a interessada portadora de moléstia grave. Ressalte-se que a Sra. Carmen Lucia de Castro Sampaio alega em sua peça defensória que por equívoco da fonte pagadora seus rendimentos foram, depois de anos, classificados como tributáveis. Alega, ainda, que, em 26/11/2009, a SARE - Secretaria de Estado e Administração e Reestruturação (atual CASE) solucionou seu problema, classificando os rendimentos reclamados no presente Fl. 54DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-004.725 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.012679/2009-35 processo como rendimentos isentos do imposto de renda, de acordo com a cópia do documento de fl. 08, devidamente autenticado. Repise-se que, para comprovação da isenção ora arguida, faz-se necessária a apresentação de documento que corrobore que o valor recebido pela parte interessada tem a natureza de provento de aposentadoria ou reforma e pensão e que a existência da moléstia tipificada no texto legal está comprovada mediante a apresentação de laudo pericial oficial. Frise-se que, o fato de a fonte classificar os rendimentos da contribuinte "como isentos por ser portadora de moléstia grave", não a exime da apresentação da documentação necessária à comprovação da isenção pleiteada. (...) Diante das exposições supra, verifica-se que a contribuinte não faz jus à isenção prevista no inciso XIV do artigo 6º, da Lei nº 7.713/1998 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995, por não ter comprovado, mediante a apresentação de laudo pericial oficial, ser portadora de moléstia grave. No que se refere a alegação de que a contribuinte fazia jus ao benefício fiscal em face da moléstia grave que lhe acometera, necessário socorrer à legislação de regência. Neste sentido, assim prevê o art. 30 da Lei nº 9.250/95, assim redigido: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Por seu turno, a IN SRF nº 15, de 06/02/2001, ao normatizar o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, assim dispôs: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII - proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Já a IN SRF nº 1500, de 29/10/2014, ao dispor sobre normas gerais de tributação relativas ao IRPF, trouxe a seguinte redação: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências (...) II – proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por pessoas físicas com moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids), e fibrose cística (mucoviscidose), comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis de controle, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma, observado o disposto no §4. Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-004.725 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.012679/2009-35 III - valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso II do caput, exceto a decorrente de moléstia profissional, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis de controle, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da concessão da pensão, observado o disposto no § 4º; Pois bem. Em que pese as razões suscitadas, após detida análise dos autos, entendo que não há como prosperar a insurgência recursal. Ao teor da legislação de regência, para fazer jus ao benefício fiscal em face de moléstia grave, de fato, deverão ser cumpridos dois requisitos cumulativos necessários à concessão da isenção pleiteada. Um reporta-se à natureza dos valores recebidos que devem necessariamente ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, que foi atendido – uma vez que os rendimentos tidos por omitidos referem-se a proventos de aposentadoria recebidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro (fls. 15), situação, aliás, aquiescida pela própria decisão recorrida – e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, que não foi satisfeito – isto porque não foi trazido aos autos laudo médico pericial emitido por serviço oficial, o que impede a obtenção da isenção pleiteada, não sendo suficiente para tanto a simples declaração médica relatando as licenças para tratamento de saúde concedidas à Recorrente em face do seu estado mórbido (fls. 46/47). Neste ponto, cabe transcrever a ementa da SCI COSIT nº 11, de 28/06/2012, que relaciona os dados a serem observados no laudo pericial a justificar o benefício fiscal: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID- 10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Para efeito do reconhecimento das isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n 2 7.713, de 22 de dezembro de 1988, sem prejuízo das demais exigências legais relativas à matéria, somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, ou seja, instituídas e mantidas pelo Poder Público, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal, não podendo ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. Dispositivos Legais: Art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; art. 30, caput, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 56DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-004.725 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.012679/2009-35 Neste contexto, e corroborando o acerto da decisão recorrida, não restando comprovado por documentação hábil e contundente ter sido a Recorrente portadora de moléstia grave consoante a legislação de regência – que imprescinde da apresentação do laudo médico pericial oficial devidamente formalizado, documento este relevante à obtenção do benefício fiscal, e levando-se em conta que a norma isentiva deve ser interpretada literalmente, ao teor do art. 111, II do CTN – impõe-se o não reconhecimento à isenção no caso concreto, razão pela qual, mantenho subsistente o crédito tributário apurado. Não obstante, ainda que assim não fosse, cabe salientar que tal matéria já se encontra pacificada neste CARF, inclusive culminando com a edição da Súmula nº 63: Súmula nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por fim, cabe relembrar que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto, a atividade fiscal, vinculada e obrigatória, na exata dicção do art. 142 do CTN, competindo ao Fisco revisar a declaração de ajuste anual, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, sob pena de responsabilidade funcional. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de prescrição suscitada e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 57DF CARF MF Original

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Numero do processo: 13973.000599/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. RECEITA BRUTA GLOBAL. LIMITE ULTRAPASSADO. Tendo sido caracterizada a existência de grupo econômico de fato, não é permitida a adesão e permanência ao simples na hipótese em que a receita bruta global ultrapassa o limite estabelecido pela legislação.
Numero da decisão: 1402-006.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para: (i) limitar a exclusão objeto do Ato Declaratório Executivo n° 263/2009 até 31.12.2006; e (ii) excluir dos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS o período de janeiro/2007 a junho/2007. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-07-28T18:06:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-07-28T18:06:43Z; Last-Modified: 2023-07-28T18:06:43Z; dcterms:modified: 2023-07-28T18:06:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-07-28T18:06:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-07-28T18:06:43Z; meta:save-date: 2023-07-28T18:06:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-07-28T18:06:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-07-28T18:06:43Z; created: 2023-07-28T18:06:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2023-07-28T18:06:43Z; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-07-28T18:06:43Z | Conteúdo => S1-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13973.000599/2009-72 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-006.518 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2023 Recorrente SOLETEX INDUSTRIA TEXTIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. RECEITA BRUTA GLOBAL. LIMITE ULTRAPASSADO. Tendo sido caracterizada a existência de grupo econômico de fato, não é permitida a adesão e permanência ao simples na hipótese em que a receita bruta global ultrapassa o limite estabelecido pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para: (i) limitar a exclusão objeto do Ato Declaratório Executivo n° 263/2009 até 31.12.2006; e (ii) excluir dos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS o período de janeiro/2007 a junho/2007. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório 1.Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 961/975) interposto em face do v. acórdão de e-fls. 929/949, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade de e-fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 05 99 /2 00 9- 72 Fl. 1010DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 766/772 e a impugnação de e-fls. 871/881, mantendo a exclusão do simples nacional, nos termos do Ato Declaratório Executivo de e-fls. 763, bem como mantendo integralmente o crédito tributário em litígio, relativo aos lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) relativos aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro/2006 a junho/2007, nos termos constituídos nos respectivos autos de infração de e-fls. 03/51. 2.Para melhor compreensão a respeito da matéria versada nos autos e por bem descrever os fatos, consulte-se o Relatório da r. decisão recorrida: Trata o presente processo de dois assuntos: exclusão do SIMPLES e lançamento de tributos. Desta maneira, para melhor compreensão, iremos tratar os temas em separado. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A exclusão do SIMPLES foi promovida pelo Ato Declaratório Executivo n° 263, de 3 de Dezembro de 2009 (fl. 763), expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Joinville - SC, em virtude da interessada possuir em seu quadro social sócio que participa com mais de 10% do capital social de outra empresa e cuja receita global ultrapassa o limite legal, conforme o disposto no inciso IX do art. 9° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, surtindo efeitos retroativos a partir de 1º de janeiro de 2004, nos termos do inciso II do artigo 15 da Lei antes referida. O Ato Declaratório Executivo n° 263/2009 foi instruído pelo Despacho Decisório SACAT n° 533/2009 (fls. 759/762), cujos termos transcrevemos parcialmente: "Trata o presente de representação fiscal para que se procedesse à análise da viabilidade da exclusão da empresa SOLETEX Indústria a Comercio de Malhas Ltda, retroativa a 1° de janeiro de 2004, da modalidade de arrecadação do SIMPLES (Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996) pela participação de sócio ou titular com mais de 10 % do capital de outra empresa cuja receita bruta global ultrapassa o limite permitido (fls. 1 a 45). A empresa citada optou pelo SIMPLES em 1° de janeiro de 2001, sistema do qual foi excluída automaticamente em 30 de junho de 2007 pelo advento do SIMPLES Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) vigente desde 1° de julho de 2007 (antiga fl. 411 - atual 755). No texto da representação apresentada pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil temos que, em cumprimento dos Mandados de Procedimento Fiscal MPF's no's 09.2.02.00-2008-01554-2 e 09.2.02.00-2008-00665-9 emitidos contra as empresas SOLETEX Indústria e Comércio de Malhas Ltda e REMATEX Indústria e Comércio de Malhas Ltda, respectivamente, foi constatado que as duas empresas constituem grupo econômico de propriedade do mesmo núcleo familiar (Família Rahn), e administrado pelo Sr. Renaldino Rahn e que, somadas, as receitas brutas daquelas ultrapassam o limite legal para permanência no sistema de arrecadação diferenciada do SIMPLES. O Sr. Renaldino Rahn possui envolvimento administrativo com as empresas do grupo econômico desde 22 de julho de 1999 (antiga fl. 412 - atual 756). Dados do sistema IRPJ confirmam a receita bruta global de R$ 2.196.786,42 (dois milhões cento e noventa e seis mil setecentos e oitenta e seis reais e quarenta e dois centavos) declarada pelo grupo econômico para o ano- calendário de 2003, receita aquela superior ao limite legal de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), o que impediria a continuidade da opção pela sistemática de arrecadação do SIMPLES no exercício de 2004 (antiga fl. 413, atual 757). (...) Quanto às vedações à opção assim dispõe o artigo 90 da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996: Fl. 1011DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 Art.9°. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: IX- cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°; O artigo 2°, mencionado acima, trata da definição de Microempresa e de Empresa de Pequeno Porte onde temos: Art. 2°. Para fins do disposto nesta Lei, considera-se: II - empresa de pequeno porte a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano- calendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (Redação dada pela Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998). Os valores discriminados no inciso acima transcrito foram válidos entre 1° de janeiro de 1999 e 31 de dezembro de 2004. No caso em questão, a comunicação e conseqüente exclusão do SIMPLES deveria ter sido realizada pela própria empresa, conforme artigo 13, inciso I, alínea "a", da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que ora se transcreve: (...) Não tendo procedido conforme determina a legislação, fica o contribuinte sujeito a exclusão de oficio (artigo 14, Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996): (...) Considerando a superação do limite legal da receita bruta global acumulada no exercício de 2003 como ocorrendo no mês de dezembro, situação mais favorável contribuinte, os efeitos da exclusão do SIMPLES passarão a contar de 1° de janeiro de 2004 conforme determina o artigo 15, inciso II da Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996: Art. 15. A exclusão do SIMPLES, nas condições de que tratam os arts. 13 e 14, surtirá efeito: ... II - a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9° desta Lei; (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005). Para efetivar-se esta exclusão, determina a IN SRF 608, de 09 de janeiro de 2006, em seu artigo 23, parágrafo único, que haverá emissão de Ato Declaratório Executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa. DECISÃO Em face do exposto, com base na documentação anexada ao presente processo e considerando a legislação que rege a matéria (Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996, IN SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006), conclui-se pela ocorrência de infração legislação por possuir a contribuinte em seu quadro SÓCIO QUE PARTICIPA COM MAIS DE 10% (DEZ POR CENTO) DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA E CUJA RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSA 0 LIMITE LEGAL PARA PERMANÊNCIA COMO OPTANTE, o que, porconseqüência, exige que se proceda à EXCLUSÃO da empresa da sistemática de arrecadação do SIMPLES com efeitos contados a partir de 01 de janeiro de 2004 como determina o inciso II do artigo 15 da Lei n°9.317 acima transcrito. Encaminhe-se ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Joinville para proceder à emissão do Ato Declaratório Executivo de exclusão." A empresa foi devidamente cientificada de sua exclusão do SIMPLES através da Intimação n° 602/2009, de 15 de dezembro de 2009 (fl. 764). E, inconformada, em 19 de janeiro de 2010, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 766/772, onde alega em síntese o que segue: - a alegação de que o sócio gerente da empresa Soletex, seria também sócio de outra empresa, e Fl. 1012DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 que a soma da receita bruta destas ultrapassaria o limite legal permitido para a manutenção da empresa no Simples Federal é totalmente sem fundamento; - segundo afirma o agente fiscal o Sr. Renaldino Rahn, seria também responsável pela administração da empresa Rematex; - tal não pode proceder, primeiramente, porque os contratos sociais das empresas em questão demonstram que não existe participação de sócios comuns no quadro societário das empresas; - o Sr. Renaldino foi sócio da empresa Rematex até o período de 2006, quando vendeu sua participação societária e adquiriu sua participação na empresa Soletex; - o agente fiscal utiliza-se para fins de fundamentar a exclusão, o fato de que as empresas Soletex e Rematex serem pertencentes a parentes, como se fosse proibido a pessoas pertencentes a um mesmo grupo familiar iniciar atividades em mesmo ramo de mercado; - o fato dos sócios serem parentes, não significa por si só, que haja confusão entre as empresas; - no em caso tela, cada empresa possui seu próprio quadro de funcionários, seu próprio parque fabril; - não existe entre as empresas qualquer espécie de dependência financeira; - cada empresa é responsável por seu próprio faturamento, suas próprias vendas, enfim sua própria administração; - o que se percebe no presente caso é que o agente fiscal se apega a detalhes isolados, e os transforma em situação que não correspondem a prática regular; - como o próprio agente fiscal assinalou, os sócios das empresas envolvidas guardam relação de parentesco, logo, é natural que haja um intercâmbio de informações entre as empresas; - no entanto o que se tratava de prática comum no mercado, mesmo entre empresas que não guardam a relação de parentesco entre seus sócios, como as informações relativas a compradores, fornecedores ou representantes comerciais, no presente caso acabou sendo interpretada como participação na administração da empresa o, que de fato nunca ocorreu; - como dito não existe dependência entre as empresas, em especial no que concerne ao setor financeiro destas, nem houve entre elas sequer mútuo realizado, ou qualquer outra situação que pudesse apontar a mais leve ingerência entre as partes; - caso houvesse ingerência ou administração compartilhada, facilmente haveria uso comum dos numerários, fato que em momento algum o agente fiscal conseguiu demonstrar, e não conseguiu demonstrar, simplesmente porque tal fato nunca ocorreu; - não se pode permitir que a presunção do agente fiscal, seja motivo para impor à empresa, absolutamente regular, a privação de utilização de sistema de recolhimento de tributos que tem por objetivo fomentar as micro e pequenas empresas nos termos do disposto no artigo 179 de nossa Constituição Federal; - diante do exposto, ou seja, pelo fato de não haver a suposta identidade de sócios nas empresas Soletex e Rematex, requer-se desde já a reforma do despacho proferido, devendo desta forma ser a Impugnante mantida no SIMPLES, eis que preenche todos os requisitos necessários para tanto; - outra ilegalidade que a Receita Federal vem procedendo é em relação aos efeitos retroativos da exclusão; - de plano, verifica-se ofensa ao artigo 150, III, "a" da Constituição Federal, que prevê o principio da anterioridade da lei tributária, sendo impossível a cobrança de tributos dos contribuintes; - o artigo 15 da Lei 9.317/96, que prevê a partir de quando os efeitos da exclusão do SIMPLES passam a produzir efeitos é inconstitucional, pois afronta a Constituição Federal que determina a irretroatividade da lei tributária, conforme exposto acima; - não se pode admitir que o mês em que ocorreu a situação excludente, tornado assim obrigatório o pagamento, não seja outro senão aquele em que se torne definitiva a decisão tomada pela Receita, ou no mínimo a data em que a recorrente recebeu a notificação do Ato Declaratório Executivo; - cabe à Receita Federal apurar e fiscalizar a situação do contribuinte quando este opta em ingressar no SIMPLES, não podendo o contribuinte ser penalizado pela omissão do Fisco; Fl. 1013DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 - não se pode admitir que o mês em que ocorreu a situação excludente, tornado assim obrigatório o pagamento, não seja outro senão aquele em que a Impugnante recebeu a notificação do Ato Declaratório Executivo; - o Tribunal Regional Federal da 3a Região concedeu liminar, assegurando que a exclusão do Simples pela Receita Federal não pode ter efeito retroativo, passando a surtir efeito a partir do mês seguinte em que a empresa é comunicada; - o TRF entende que é ilegal o dispositivo da Receita que estaria exigindo os quatro últimos anos de diferença entre a tributação normal e aquela prevista no Simples; - traz à colação jurisprudência judicial às fls. 771/772; - finaliza requerendo o cancelamento do ato de exclusão mantendo-se desta forma a impugnante como optante do Simples; - alternativamente, caso não seja este o entendimento deste órgão Julgador, requer que a exclusão só venha a surtir seus efeitos a partir do momento em que se tornar definitiva a decisão a ser proferida nestes autos, retroaja apenas até a competência de dezembro de 2009, momento no qual a empresa Impugnante foi notificada do Ato Declaratório. - traz à colação jurisprudência judicial às fls. 771/772; - finaliza requerendo o cancelamento do ato de exclusão mantendo-se desta forma a impugnante como optante do Simples; - alternativamente, caso não seja este o entendimento deste órgão Julgador, requer que a exclusão só venha a surtir seus efeitos a partir do momento em que se tornar definitiva a decisão a ser proferida nestes autos, retroaja apenas até a competência de dezembro de 2009, momento no qual a empresa Impugnante foi notificada do Ato Declaratório. DA AUTUAÇÃO Em razão da exclusão da empresa do SIMPLES, foram lavrados autos de infração relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2006 a 30/06/2007, tendo em vista as pessoas jurídicas excluídas do SIMPLES sujeitarem-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, como previsto no artigo 16, da Lei nº 9.317/1996: " Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas."(negritei) Por tal razão, foram lavrados autos de infração, no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Joinville - SC, em 23/09/2010, para exigir da empresa: o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 33.268,14 (fls. 832/841); a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 8.776,82 (fls. 842/850); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 39.497,64 (fls. 851/859) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 15.579,78 (fls. 860/868), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2010. O valor total do crédito tributário constituído é R$ 206.434,25, conforme demonstrativo de fl. 790. Em virtude do contribuinte, regularmente intimado, não ter escriturado os livros comerciais e fiscais, necessários para determinação do Lucro Real, conforme resposta de fls. 793/795 (antigas fls. 438 a 440), a empresa teve seu lucro arbitrado, com fundamento no artigo 530, inciso I, do RIR/1999, a seguir: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º ): I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal;" O arbitramento teve como base a receita bruta declarada pela SOLETEX nas declarações localizadas às folhas 800/824. Junto ao auto de infração veio o Termo de Verificação Fiscal (fls. 827/831), o qual transcrevemos parcialmente: Fl. 1014DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 (...)"A SOLETEX foi intimada, em razão da exclusão da mesma do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apresentar livros comerciais e fiscais, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal de folhas 436 e 437. (atuais fls. 791/792) A resposta foi apresentada em 05/08/2010 (folhas 438 a 440). Resumidamente, a SOLETEX alegou que, por ter apresentado manifestação de inconformidade contra a exclusão da empresa do SIMPLES, ainda permanece no sistema. Por este motivo, a SOLETEX entende que não cabe refazer a sua escrituração e optar por outra forma de tributação. 2.2 — TERMO DE INTIMACAO FISCAL 0 Termo de Intimação Fiscal as folhas 441 e 442, cuja ciência foi por A.R em 03/09/2010, foi lavrado com o objetivo de solicitar a SOLETEX, novamente, livros comerciais e fiscais. A reposta foi apresentada em 14/09/2010 (folhas 443 e 444). A contribuinte voltou a alegar que ainda permanece no SIMPLES e que, por este motivo, entende que não cabe refazer sua escrituração e optar por outra forma de tributação. 3. DOS PAGAMENTOS DE SIMPLES Os pagamentos de SIMPLES efetuados pela contribuinte, dos períodos de apuração entre janeiro de 2006 e junho de 2007, são mostrados na tabela abaixo. (ver fl. 829) (...) Os pagamentos mostrados na tabela acima foram repartidos entre os tributos e contribuições incluídos no SIMPLES, conforme planilhas de folhas 470 e 471. Após a repartição dos pagamentos efetuados, os valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP que serão compensados nesta autuação foram consolidados na tabela abaixo. (ver fl. 829) (...) 5.1 - FALTA DE RECOLHIMENTO - IRPJ A SOLETEX foi excluída do SIMPLES, conforme ADE de folha 416, e não efetuou o recolhimento do IRPJ e das contribuições reflexas, ou seja, também apuradas com base na receita bruta, segundo as normas aplicadas às demais pessoas jurídicas (...) 5.2 - FALTA RECOLHIMENTO DE PIS/PASEP - APURAÇÃO REFLEXA A apuração da contribuição para o PIS/PASEP encontra-se na tabela abaixo, onde fica demonstrada a compensação com os valores de PIS/PASEP já pagos pela SOLETEX. (ver fl. 829) (...) 5.3 — FALTA RECOLHIMENTO DE COFINS — APURAÇÃO REFLEXA A apuração da COFINS encontra-se na tabela abaixo, onde fica demonstrada a compensação com os valores de COFINS já pagos pela SOLETEX. (ver fl. 830) (...) 5.4 — FALTA RECOLHIMENTO DE CSLL— APURAÇÃO REFLEXA O Auto de Infração e os demonstrativos de apuração e de multa e juros encontram-se conforme tabela abaixo." (ver fl. 830) Devidamente cientificado do lançamento em 28/09/2010 (fls. 838, 848, 857e 865), o contribuinte apresentou, em 26/10/2010, a impugnação de fls. 871/881, onde alega em síntese o que segue. Inicialmente contesta sua exclusão do SIMPLES, pelas mesmas razões indicadas na manifestação de inconformidade. Propugna ser impossível o lançamento, porque enquanto não transitar em julgado o processo administrativo que pretende sua exclusão do Simples, não há que se falar em necessidade de reconstituição de sua contabilidade ou mesmo de opção quanto a sua forma de tributação, pois que está, para todos os efeitos, incluída em na sistemática de recolhimento do Fl. 1015DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 Simples. Aduz que de acordo com a Constituição Federal uma sentença/decisão só poderá produzir seus efeitos após seu devido transito em julgado, como disposto em seu artigo 5º. Alega que o lançamento desconsidera completamente seu direito à ampla defesa, uma vez que as razões apresentadas pela Impugnante que sequer foram objeto de análise em sede administrativa, e já está se aplicando a sanção, qual seja o lançamento reflexo em função de sua exclusão do Simples. Nesta toada, entende que a administração está julgando a impugnante culpada, ao lhe aplicar pena decorrente de processo que não teve seu trânsito em julgado e nem sequer foi julgado em primeira instância a manifestação de inconformidade quanto ao ato declaratório que pretende promover sua exclusão do SIMPLES. Repisa o argumento de não ser possível a exclusão retroativa do SIMPLES, em função do artigo 150,III, "a", da Constituição Federal. Defende que ainda que fosse possível efetuar o lançamento que o mesmo deveria permanecer com sua exigibilidade suspensa até que fosse julgada sua manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES. Nesta mesma direção afirma que o lançamento só poderia ter sido efetuado para prevenir a decadência. No seu pedido final requer que: - após análise do mérito, seja cancelado o auto de infração porque não se operou a suposta exclusão da Impugnante do programa Simples; - não sendo este o entendimento deste órgão Julgador, que o lançamento efetuado seja referente apenas ao período posterior à notificação da Impugnante de sua exclusão, o que seu deu em dezembro de 2009, momento no qual a empresa Impugnante foi notificada do Ato Declaratório 263/2009; - caso entenda-se que a exclusão do Simples não pode ser discutida nestes autos, que se determine a suspensão da ação até que mesma seja decida nos autos próprios. 3.A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade e a impugnação em decisão assim ementada (e-fls. 929/950): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006,2007 SOBRESTAMENTO. DESCABIMENTO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. Uma vez iniciado o processo, compete à própria administração impulsioná-lo até sua conclusão, descabendo o sobrestamento de seu curso. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006, 2007 OPÇÃO. CONDIÇÃO VEDADA. Não pode optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão de ofício do SIMPLES dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte e surtirá efeito, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317/1996, a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO Fl. 1016DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 Deve ser arbitrado o lucro, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO Deve ser mantido integralmente o lançamento quando formalizado com estrita observância aos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, e o contribuinte não apresenta em sua impugnação provas e razões que acarretem sua modificação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2006, 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Na ausência de argumentos diferenciados, aplica-se ao lançamento decorrente aquilo que restou decidido em relação ao principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4.Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário via do qual, em breve resumo, deduz as seguintes alegações:  Preliminarmente:  nos autos do processo administrativo n° 13973.000600/2009-69, foi proferida decisão que reconheceu indevido o ato declaratório que havia promovido a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, tendo inclusive cancelado todos os lançamentos efetuados naquele processo. Os motivos que embasaram a tentativa de exclusão do Simples Nacional são exatamente os mesmos que embasaram o presente auto de infração;  Mérito:  o que gerou o presente auto de infração foi o fato de a empresa ter sido excluída dos programas Simples Federal, instituído pela Lei n° 9.317/96, bem como do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n° 123/06, este já revisto, tendo se entendido pela manutenção da empresa;  ocorre que os Atos Declaratórios de exclusão, os quais excluíram a empresa do Simples Federal e Nacional, não podem proceder, eis que não se verifica, em nenhum dos casos, o motivo que supostamente teria ensejado a exclusão (Atos Declaratórios 263/09 e 94/10);  nas exclusões efetuadas, alega-se que o sócio gerente da Recorrente seria também sócio de outra empresa, e que a soma da receita bruta destas ultrapassaria o limite legal permitido para a manutenção da empresa no Simples Nacional;  no caso em tela, afirma o agente responsável pela fiscalização, que o Sr. Renaldino Rahn seria também responsável pela administração da empresa Rematex;  os contratos sociais das empresas em questão demonstram que não existe participação de sócios comuns no quadro societário das empresas; Fl. 1017DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72  o Sr. Renaldino foi sócio da empresa Rematex até o período de 2006, quando vendeu sua participação societária e adquiriu sua participação na empresa Soletex;  o agente fiscal utiliza-se, para fins de fundamentação para exclusão, do fato das empresas Soletex e Rematex serem pertencentes a parentes, como se fosse proibido a pessoas pertencentes a um mesmo grupo familiar iniciar atividades em mesmo ramo de mercado;  o fato dos sócios serem parentes, não significa por si só, que haja confusão entre as empresas;  no caso em tela, cada empresa possui seu próprio quadro de funcionários, seu próprio parque fabril;  cada empresa é responsável por seu próprio faturamento, suas próprias vendas, enfim sua própria administração;  o agente fiscal se apega a detalhes, e os transforma em situações que não correspondem à prática regular;  como o próprio agente fiscal assinalou, os sócios das empresas citadas guardam relação de parentesco, logo, é natural que haja um intercâmbio de informações entre as empresas;  no entanto o que se trata de prática comum no mercado, mesmo entre empresas que não guardam a relação de parentesco entre seus sócios, como as informações relativas a compradores, fornecedores ou representantes comerciais, no presente caso acabou sendo interpretado como participação na administração da empresa, o que nunca ocorreu;  não existe dependência entre as empresas, em especial no que concerne ao setor financeiro destas;  não houve entre elas sequer mútuo realizado, ou qualquer outra situação que pudesse apontar a mais leve ingerência entre as partes. Caso houvesse ingerência ou administração compartilhada, facilmente haveria uso comum dos numerários, fato que em momento algum o agente fiscal conseguiu demonstrar, e não conseguiu demonstrar, simplesmente porque tal situação nunca ocorreu;  não se pode permitir que a presunção do agente fiscal seja motivo para impor à empresa, absolutamente regular, a privação de utilização de sistema de recolhimento de tributos que tem por objetivo fomentar as micro e pequenas empresas nos termos dispostos em nossa Constituição Federal;  cita precedente do CARF e o artigo 179 da Carta Magna;  ainda que se admitisse poder a autoridade fiscal proceder a lançamento devido a exclusão de sistema de recolhimento de tributos que ainda não se efetivou, outra ilegalidade que a Receita Federal vem cometendo é em relação aos efeitos retroativos da exclusão;  cabe a ofensa ao artigo 150, III, "a" da Constituição Federal, que prevê o princípio da anterioridade da lei tributária;  o Fisco não pode retroagir os efeitos da lei tributária para cobrar tributos dos contribuintes, devendo observar o principio da anterioridade da lei Fl. 1018DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 prevista na Carta Maior. O artigo 31 da Complementar n° 123/06, que prevê a partir de quando os efeitos da exclusão do SIMPLES passam a produzir efeitos, é inconstitucional, pois afronta a Constituição Federal, que prevê a irretroatividade da lei tributária. A cobrança de um tributo deve obedecer a anterioridade da lei, não podendo desta forma retroagir seus efeitos a fim de obrigar o contribuinte; ao pagamento de tributos antes da vigência da obrigação. Mesma situação aplica-se ao artigo 15 da Lei n° 9.317/06;  sabe-se que cabe à Receita Federal apurar e fiscalizar a situação do contribuinte quando este opta em ingressar no SIMPLES, não podendo o contribuinte ser penalizado pela omissão do Fisco;  não há como alegar qualquer má-fé por parte do contribuinte, que visando reduzir sua carga tributária opta pelo tratamento simplificando e o Fisco, que possui condições de verificar a situação do contribuinte, fica inerte, requerendo após certo lapso temporal, no caso concreto após cerca de quatro anos, que o contribuinte pague todo o período em que esteve no SIMPLES, bem como multa e juros;  não se pode admitir que o mês em que ocorreu a situação excludente, tornado assim obrigatório o pagamento, não seja outro senão aquele em que a Impugnante recebeu a notificação do Ato Declaratório Executivo;  cita precedentes do TRF da 1ª Região;  ainda que a Impugnante venha a ser excluída do Simples, tanto Federal quanto Nacional, o lançamento que ora se combate só pode ser efetuado a partir da notificação da exclusão; e  há que se considerar que grave falha foi cometida, ao não se considerar os valores já recolhidos nos períodos em questão sob a égide do Simples. É fato que no período em que a empresa procedeu ao recolhimento de forma simplificada, seja sob a égide da Lei n° 9.317/96 ou da Lei Complementar n° 123/06, os recolhimento foram devidamente efetuados. No entanto, para surpresa da Recorrente, além de se proceder a sua indevida exclusão do programa Simples, sequer, o auditor fiscal considerou os recolhimentos efetuados, para fins de abatimento dos valores combatidos. 5.É o relatório. Voto Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator. 6.O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade. 7.Cuidam os autos da exclusão da empresa Soletex Indústria e Comércio de Malhas Ltda. da sistemática de arrecadação do Simples, com efeitos contados a partir de 1º.01.2004, levada a efeito em razão da contribuinte possuir em seu quadro sócio que participa Fl. 1019DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa e cuja receita bruta global ultrapassa o limite legal para permanência como optante. 8.Além disso, também constituem objeto do feito os autos de infração de IRPJ (e- fls. 832/841), PIS (e-fls. 842/850), COFINS (e-fls. 851/859) e CSLL (e-fls. 860/868). PRELIMINAR DE MÉRITO: DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO EM SENTIDO CONTRÁRIO À PROFERIDA NOS PRESENTES AUTOS 9.Preliminarmente, alega a Recorrente que nos autos do processo administrativo n° 13973.000600/2009-69 foi proferida decisão, cuja cópia instrui o Recurso Voluntário (e-fls. 989/1007), que reconheceu a improcedência do ato declaratório que promoveu a sua exclusão do Simples Nacional, tendo inclusive cancelado todos os lançamentos efetuados naquele processo, sendo que os motivos que lá embasaram a tentativa de exclusão do Simples Nacional são exatamente os mesmos que motivaram os autos de infração em discussão no presente processo. 10.Com efeito, verifica-se que no processo n° 13973.000600/2009-69 foi exarado acórdão pela mesma 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), ostentando a seguinte ementa (e-fls. 989): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO EXCLUDENTE. Comprovado que em 31 de dezembro do ano em que foi ultrapassado o limite previsto na Lei Complementar 124/2006, que o sócio da empresa optante não mais integrava o quadro social de outra empresa, descabe a exclusão da empresa com fundamento no inciso IV, § 40, do artigo 30 da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 CANCELAMENTO DO ADE. REPERCUSSÃO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Cancelado o ato declaratório de exclusão do SIMPLES NACIONAL permanece a empresa neste regime, não podendo prosperar a autuação de imposto de renda de pessoa jurídica, em virtude da autuada estar submetida a outras normas de tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2007, 2008 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Na ausência de argumentos diferenciados, aplica-se ao lançamento decorrente aquilo que restou decidido em relação ao principal. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado 11.O Relatório daquela decisão permite compreender a similitude entre a matéria em discussão naqueles autos e a que se encontra em apreciação no presente feito, conforme se depreende da leitura dos seguintes trechos (e-fls. 991): (...) A exclusão do SIMPLES foi promovida pelo Ato Declaratório Executivo n° 264, de 4 de Dezembro de 2009 (fl. 772), expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Fl. 1020DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 Joinville - SC, em virtude da interessada possuir em seu quadro social sócio que participa com mais de 10% do capital social de outra empresa e cuja receita global ultrapassa o limite legal, conforme o disposto no inciso XII do artigo 17 da Lei Complementar n° 123/2006, surtindo efeitos a partir de 10 de JULHO de 2007, conforme disposto no inciso lido artigo 31, da mesma Lei. (...) Em razão da exclusão da empresa do SIMPLES, foram lavrados autos de infração relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 01/07/2007 a 31/12/2008, tendo em vista as pessoas jurídicas excluídas do SIMPLES NACIONAL sujeitarem-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (...) 12.Todavia, a causa do cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 264/2009 motivou-se no fato de que o sócio da Recorrente, Renaldino Rahn, já não mais participava do quadro social da empresa Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda. em 31 de dezembro de 2006, pois dela se retirou em 16.12.2006. Confira-se: (...) Como visto, a causa da exclusão se funda no entendimento da fiscalização de que o Sr. Renaldino Rahn, sócio gerente da empresa Soletex, seria também sócio de outra empresa, no caso a Rematex, da qual participa como sócio-gerente desde sua fundação, até 15/12/2006, com 50% do capital social desta última. O Sr. Renaldino Rahn de fato participou do quadro social da Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda, desde a sua fundação, em 12 de abril de 1992 (fls. 107/1 13), sob outra denominação social - Budi Comércio de Malhas Ltda, até 16 de dezembro de 2006, com 50% do capital social da empresa, quando então vendeu suas quotas e retirou-se da sociedade, como consta na VI alteração contratual (fls. 163/175). É o que está descrito inclusive à fl. 05 da Representação Fiscal - Exclusão do SIMPLES FEDERAL (fls. 02/46), com pequena divergência quanto à data da saída do sócio da empresa: (...) (...) Ocorre que segundo as provas acostadas aos autos, em 31 de dezembro de 2006, o sr. Renaldino Rahn era comprovadamente sócio da Soletex Ind. e Com. de Malhas Ltda, onde ingressou em 01 de novembro de 2006 ((ls. 93/1 05), mas já não mais participava do quadro social da Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda, pois dela se retirou em 16 de dezembro de 2006, quando vendeu suas quotas do capital, como consta na cláusula III, da VI alteração contratual (fl. 166), sendo ainda a alteração contratual registrada na Junta Comercial em 21/12/2006, também antes do fim do ano calendário Com base em todos estes elementos, concluo que em 31 de dezembro de 2006, quando ocorreu a ultrapassagem do limite de R$ 2.400.000,00, o sr. Renaldino Rahn, comprovadamente sócio da Soletex Ind. e Com. de Malhas Ltda, não mais possuía qualquer quota da Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda, razão pela qual a impugnante não incidiu na vedação prevista no inciso IV, § 40, do artigo 3° da Lei Complementar n° 123, de 14 dezembro de 2006. 13.Isso porque, no processo 13973.000600/2009-69, que tinha por objeto os fatos geradores ocorridos no período de 01.07.2007 a 31.12.2008, a exclusão do SIMPLES promovida pelo Ato Declaratório Executivo nº 264/2009, como visto, produziu efeitos a partir de 10.07.2007, ou seja, posteriormente à saída de Renaldino Rahn do quadro societário da empresa Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda. 14.Já nos presentes autos, a exclusão do SIMPLES foi promovida pelo Ato Declaratório Executivo n° 263/2009 (e-fls. 763), com efeitos retroativos a partir de 1º.01.2004, ou seja, abrange período anterior à saída do sócio Renaldino Rahn do quadro social da empresa Fl. 1021DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda., onde permaneceu até 16.12.2006, abarcando os fatos geradores ocorridos de 01.01.2006 a 30.06.2007. 15.Desse modo, se até dezembro de 2006 Renaldino Rahn manteve a qualidade de sócio de ambas empresas, a partir de janeiro de 2007 já não gozava dessa condição (conforme se verá mais detalhadamente no tópico seguinte) e, nesse aspecto, assiste razão à Recorrente ao invocar a aplicação dos mesmos pressupostos que motivaram o cancelamento do ADE 264/2009, uma vez que a exclusão da empresa do SIMPLES foi determinada por ter incidido na vedação prevista pelo inciso IX do artigo 9º da Lei nº 9.317, de 1996, litteris: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º; (...) 16.Portanto, considerando ser indene de dúvida que a partir do mês de janeiro de 2007 o sócio Renaldino Rahn já não participava da empresa Rematex, merece ser limitada a exclusão objeto do Ato Declaratório Executivo n° 263/2009 até 31.12.2006, assim como expurgado dos lançamentos de ofício relativos ao IRPJ, à CSLL, à COFINS e ao PIS, o período de janeiro/2007 a junho/2007. 17.Já a exclusão do SIMPLES e seus efeitos em relação aos créditos tributários do período anterior (2006) constitui matéria que se confunde com o mérito e com ele será examinado no tópico seguinte. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL E DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES 18.Nos termos do ADE de e-fls. 763, a Recorrente foi excluída do Simples por possuir em seu quadro societário sócio que participa com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa e cuja receita global ultrapassa o limite legal. Confira-se: 19.Sustenta que não existe participação de sócios comuns no quadro societário das empresas em questão, sendo que Renaldino Rahn foi sócio da empresa Rematex até o período de 2006, quando vendeu sua participação societária e adquiriu sua participação na Recorrente, e que o Fl. 1022DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 fato dos sócios serem parentes não significa, por si só, que haja confusão entre as empresas, sendo natural que haja um intercâmbio de informações entre elas. 20.Aduz que cada empresa possui seu próprio quadro de funcionários, seu próprio parque fabril e é responsável por seu próprio faturamento, suas próprias vendas, enfim sua própria administração, não existindo dependência entre elas, em especial no que concerne ao setor financeiro. 21.Ademais, segundo a Recorrente, não houve sequer mútuo ou qualquer outra situação que pudesse apontar a mais leve ingerência entre as empresas. 22.Alega, ainda, que a atribuição de efeitos retroativos à exclusão implica em ofensa ao artigo 150, III, "a" da Constituição Federal, que prevê o princípio da anterioridade da lei tributária, de modo que ainda que venha a ser excluída do Simples, tanto Federal quanto Nacional, o lançamento só pode ser efetuado a partir da notificação da exclusão. 23.A r. decisão recorrida assim enfrentou a questão: (...) Como visto, a causa da exclusão se funda no entendimento da fiscalização de que o Sr. Renaldino Rahn, sócio gerente da empresa Soletex, seria também sócio de outra empresa, no caso a Rematex, da qual participa como sócio-gerente desde sua fundação, até 15/12/2006, com 50% do capital social desta última. O Sr. Renaldino Rahn de fato participou do quadro social da Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda, desde a sua fundação, em 12 de abril de 1992 (fls. 107/113), sob outra denominação social - Budi Comércio de Malhas Ltda, até 16 de dezembro de 2006, com 50% do capital social da empresa, quando então vendeu suas quotas e retirou-se da sociedade, como consta na VI alteração contratual (fls. 163/175). É o que está descrito inclusive à fl. 05 da Representação Fiscal - Exclusão do SIMPLES FEDERAL (fls. 02/46), com pequena divergência quanto à data da saída do sócio da empresa: "f.3) Renaldino Rahn — sócio-gerente — desde a fundação até 15/12/2006— detentor de 50% do capital social da empresa;" Fica claro inexistirem dúvidas quanto ao fato do sr. Renaldino Rahn participar com 50% do capital social da Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda, desde a sua fundação, em 12 de abril de 1992, até 16 de dezembro de 2006, como consta no contrato social de fl. 175. Quanto à participação do sr. Renaldino Rahn no capital social da Soletex Ind. e Com. de Malhas Ltda, a 4ª alteração do contrato social da empresa indica que seu ingresso na mesma deu-se em 01 de novembro de 2006 (fls. 92/104), constando ali textualmente: "Cláusula 1ª - Fica a partir desta data, admitido na sociedade o Sócio: RENALDINO RAHN, brasileiro, natural de Jaraguá do Sul/SC, casado (...) Cláusula 2ª Retira-se da sociedade o Sócio: REINALDO RAHN, já qualificado acima, vende a totalidade de suas, quotas 5.000 (cinco mil) quotas, no valor nominal de R$ 1,00 (um real), totalizando R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para o Sócio RENALDINO RAHN, já qualificado acima, (...) Cláusula 3ª - 0 capital social é R$ 10.000,00 (dez mil reais), em moeda corrente nacional totalmente subscrito e integralizado, dividido em 10.000 (dez mil) quotas no valor nominal de R$ 1,00 (um real), que fica assim distribuído entre os sócios: Sócios %. nº de quotas VALOR TOTAL RENALDINO RAHN 50 5.000 R$ 5.000,00 Fl. 1023DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 REINOR RAHN 50 5.000 R$ 5.000,00 TOTAL 100 10.000 R$ 10.000,00" De acordo com os contratos sociais está evidenciado que o sr. Renaldino Rahn ingressou na sociedade apenas em 01 de novembro de 2006, quando adquiriu as quotas de Reinaldo Rahn. Todavia, segundo o Ato Declaratório Executivo n° 263/2009, instruído pelo Despacho Decisório SACAT n° 533/2009 (fls. 759/762), o sr. Renaldino Rahn seria administrador de ambas as empresas, que constituiriam um mesmo grupo econômico, como descrito à fl. 759: "(...) No texto da representação apresentada pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil temos que, em cumprimento dos Mandados de Procedimento Fiscal MPF's no's 09.2.02.00-2008-01554-2 e 09.2.02.00-2008-00665-9 emitidos contra as empresas SOLETEX Indústria e Comércio de Malhas Ltda e REMATEX Indústria e Comércio de Malhas Ltda, respectivamente, foi constatado que as duas empresas constituem grupo econômico de propriedade do mesmo núcleo familiar (família Rahn), e administrado pelo Sr. Renaldino Rahn e que, somadas, as receitas brutas daquelas ultrapassam o limite legal para permanência no sistema de arrecadação diferenciada do SIMPLES. O Sr. Renaldino Rahn possui envolvimento administrativo com as empresas do grupo econômico desde 22 de julho de 1999 (antiga fl. 412 - atual 756)." Para chegar a tal conclusão, de maneira a excluir a empresa do SIMPLES, o Delegado da Receita Federal de Joinville valeu-se das razões contidas neste processo, ao qual faz referência textual no seu ADE: "Art. 1º A exclusão da empresa SOLETEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MALHAS LTDA, CNPJ n° 01.242.532/0001-06, do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES — por possuir em seu quadro societário SOCIO QUE PARTICIPA COM MAIS DE 10% (DEZ POR CENTO) DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA E CUJA RECEITA GLOBAL ULTRAPASSA O LIMITE LEGAL sendo vedada sua opção por esta sistemática de arrecadação, conforme o disposto no inciso IX do art. 9° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e demais informações contidas no processo administrativo n° 13973.000599/2009-72."(negritei). Por sua vez, o Despacho Decisório SACAT nº 533/2009, reporta-se à Representação Fiscal - Exclusão do SIMPLES FEDERAL (fls. 02/46 - antigas fls. 1 a 45), claramente referidas no mesmo: "RELATÓRIO Trata o presente de representação fiscal para que se procedesse à análise da viabilidade da exclusão da empresa SOLETEX Indústria a Comercio de Malhas Ltda, retroativa a 1° de janeiro de 2004, da modalidade de arrecadação do SIMPLES (Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996) pela participação de sócio ou titular com mais de 10 % do capital de outra empresa cuja receita bruta global ultrapassa o limite permitido (fls. 1 a 45)." O processo que ora se analisa esteve na Agência da Receita Federal do Brasil em Jaraguá do Sul, que jurisdiciona o contribuinte, desde 15 de dezembro de 2009, quando esteve à sua disposição para interposição de manifestação de inconformidade, em conformidade com os termos da Intimação nº 602/2009 (fl. 764). Nos termos da Representação Fiscal - Exclusão do SIMPLES FEDERAL (fls. 02/46), apesar do contido nos contratos sociais, o sr. Renaldino Rahn administraria e representaria as empresas SOLETEX E REMATEX, como consta às fls. 05/06: "3- Alta administração das empresas Soletex e Rematex: 3.1- Apesar dos comandos contidos nas cláusulas de seus contratos sociais, que apresentam: a) Renaldino Rahn, como sócio-gerente da Soletex desde 01/11/2006 e da Rematex desde a fundação até 15/12/2006; Fl. 1024DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 b) Reinor Rahn, como sócio-gerente da Soletex desde 02/06/1997; c) Roseli Siqueira Rahn, como sócia-gerente da Rematex desde 16/12/2006; os documentos descritos nos itens 3.1.1 a 3.1.6 atestam que o sócio Renaldino Rahn administra e representa as duas empresas: 3.1.1- Instrumento público de procuração registrado no livro 0350, folha 0061 do Tabelionato de Notas e Oficio de Protestos de Títulos Áurea Muller Grubba, em Jaraguá do Sul, no dia 14 de dezembro de 2005, tendo como outorgante a empresa Soletex, representada pelos irmãos Reinaldo e Reinor Rahn, que nomeiam como procurador o Sr. Renaldino Rahn, com amplos e especiais poderes para gerir e administrar a outorgante, observando-se que, conforme contratos sociais, na data desta procuração, o Sr. Renaldino Rahn era sócio- gerente da Rematex e o Sr. Reinor Rahn era o único sócio-gerente da Soletex, porém quando de sua qualificação como outorgante foi registrado a profissão de agricultor. 3.1.2- Certificado de Matricula e Alteração — CMA, emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS no dia 28 de janeiro de 2003, relativo h obra de propriedade da Soletex, matriculada sob o no 36.690.02189/70 onde, no campo destinado à assinatura do responsável consta a assinatura do Sr. Renaldino Rahn que, conforme contratos sociais, naquela data era sócio-gerente da Rematex. 3.1.3- Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, emitido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Santa Catarina — CREA- SC no dia 10 de março de 2003, relativo h obra de propriedade da Soletex onde, no campo destinado à assinatura da empresa consta a assinatura do Sr. Renaldino Rahn que, conforme contratos sociais, naquela data era sócio-gerente da Rematex. 3.1.4- Projeto arquitetônico executado em novembro de 2001, relativo à obra com 2.053,20 m2, de propriedade da Soletex onde, no campo destinado h assinatura do proprietário consta a assinatura do Sr. Renaldino Rahn, na qualidade de procurador." (NEGRITEI) Tais documentos estão contidos no Anexo III (fls. 177/184) e de fato demonstram que desde 14 de dezembro de 2005 foram conferidos amplos poderes ao sr. Renaldino Rahn para administração da SOLETEX, porém, antes disso, já respondia pela empresa (fls. 179/181), constando inclusive como seu proprietário no documento de fls. 183, de novembro/2001. Nenhuma destas evidências é refutada textualmente pela empresa em sua manifestação de inconformidade. Afora estes documentos, outros ainda corroboram a efetiva participação do sr. Renaldino Rahn na da administração da SOLETEX na época em que, segundo contratos sociais seria somente sócio gerente da REMATEX. Para ilustrar a afirmação, aponto alguns deles: comprovantes de transferência bancária - Banco do Brasil - 2004 e 2005 (fls. 189/191, 197, 201/203; comprovantes de transferência bancária - Bradesco - 2004 e 2005 (fls. 195, 199, 211 e 215) e agendamento/pagamento de guia da Previdência Social - Banco do Brasil - 2004 (fl. 193). A comprovação da efetiva participação do sr. Renaldino Rahn na administração da SOLETEX, no que se refere a transações bancárias, é assim referida na Representação Fiscal (fl. 12): "Documentos relativos à transações bancárias — pagamentos, transferências, etc realizadas pelo Sr. Renaldino Rahn, em nome da Soletex, e que corroboram para comprovar a efetiva participação na administração desta empresa na época em que conforme contratos sociais, era somente sócio-gerente da Rematex. Nestes documentos apresentam-se impressas as seguintes expressões: a) "Transação efetuada com sucesso por: 30599011 RENALDINO RAHN", nos casos em que a conta movimentada é do Banco do Brasil S.A.; e b) " SOLETEX IND.E COM.DE MALHAS LTDA - Renaldino Rahn — Seu último acesso, foi em 'dia da semana', 'dia do mês' de 'mês' de 'ano" nos casos em que a conta, movimentada é do Banco Bradesco S.A." De forma análoga, nenhum destas afirmações é refutada de forma textual pela Fl. 1025DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 impugnante. Na verdade na manifestação de inconformidade, a empresa limita-se a afirmar, com base nos contratos sociais que o "Sr. Renaldino foi sócio da empresa Rematex até o período de 2006, quando vendeu sua participação societária e adquiriu sua participação na empresa Soletex". Aduz ainda que o "agente fiscal se apega a detalhes isolados, e os transforma em situação que não correspondem a prática regular". Entretanto, nos autos constam provas fortíssimas no sentido de comprovar a atuação do sr. Renaldino Rahn na administração da SOLETEX, pelo menos desde novembro de 2001, quando assinou o Projeto arquitetônico relativo à obra com 2.053,20 m2, de propriedade da Soletex (fl. 183). Outro aspecto a ser destacado é que uma série de outras evidências indicam que a SOLETEX e a REMATEX constituem um grupo econômico, conforme argumentos e provas acostadas aos autos, que igualmente não foram objeto de contestação pela interessada, como o relatado à fl. 45: "5- Os fatos relatados a partir do item 2, envolvendo a Soletex e a Rematex: a) o mesmo objeto social — Confecção de outras peças do vestuário; b) a composição societária, onde a família Rahn detém 100% do capital social; C) a gerência das duas empresas exercida pela mesma pessoa — Sr. Renaldino Rahn — comprovada, entre outros elementos, por instrumento público de procuração; d) as informações dos Laudos Técnicos das Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT e das folhas de pagamento, evidenciando estrutura de setores e cargos completamente desproporcionais para resultados equivalentes; e) o expressivo volume de vendas para os mesmos clientes, inclusive com os mesmos códigos; f) os mesmos vendedores, inclusive com os mesmos códigos; g) os mesmos produtos vendidos, com a mesma referência, descrição e preços; h) o compartilhamento dos fatores de produção e da estrutura administrativa, comprovam a realidade fática de que a Soletex e a Rematex constituem grupo econômico e, por conseqüência, o faturamento conjunto — vide Tabela 06, do iten14.6 — ultrapassa os limites previstos nas Leis no 9.732, de 11/12/1998 — R$1.200.000,00, vigente até 31/12/2005 — e no 11.196, de 21/11/2005 — R$2.400.000,00, vigente a partir de 01/01/2006. Em sua defesa a interessada alega que o fato de as empresas Soletex e Rematex serem pertencentes a parentes, não significa por si só, que haja confusão entre as empresas, mas as provas nos autos revelam o contrário. Defende ainda que cada empresa possui seu próprio quadro de funcionários, seu próprio parque fabril, que não existe entre as empresas qualquer espécie de dependência financeira e que cada empresa é responsável por seu próprio faturamento, suas próprias vendas, enfim sua própria administração. A despeito de tais alegações, na Representação Fiscal consta que: "Outra conduta que corrobora para comprovar a existência de grupo econômico de fato, envolvendo as empresas Soletex e Rematex, é o expressivo volume de vendas para os mesmos clientes, conforme apresentado na tabela 07, adiante, que, relativamente ao período compreendido entre agosto de 2004 a dezembro de 2005, demonstra: a) a identificação dos clientes comuns, isto é, o nome das pessoas jurídicas para as quais são realizadas vendas pelas duas empresas; b) por empresa, o valor das vendas para cada um dos clientes; C) a parcela de faturamento para clientes comuns em relação ao faturamento total." De maneira a dar suporte a tais afirmações, o agente fiscal elaborou a tabela de fls. 26/30, com o nome do cliente comum e o valor de vendas de cada empresa - SOLETEX e REMATEX. Fl. 1026DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 Na Representação Fiscal é ressaltado ainda que as empresas se utilizam da mesma equipe de vendas externa, como descrito à fl. 31: "4.7.1- Além do expressivo volume para os mesmos clientes, as vendas são realizadas pela mesma equipe de vendas externas, conforme fica demonstrado na tabela 08, adiante, que identifica: a) o código e o nome da pessoa física ou jurídica que efetuou as vendas constantes no campo "DADOS ADICIONAIS — Vendedor" das notas fiscais fatura de saída das duas empresas; b) o valor das vendas realizadas pelas pessoas descritas na alínea "a", em nome da Soletex e Rematex, destinadas a diversos clientes, cujos faturamentos aconteceram no mês de maio/2007." Os documentos que deram suporte a tais afirmações estão contidos nos anexos IV e V (fls. 185/290 e 294/427), os quais também não foram refutados pela empresa. Quanto a tais aspectos, não referidos expressamente no Ato Declaratório Executivo n° 263, de 3 de Dezembro de 2009 (fl. 763), expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Joinville - SC, mas sim na Representação Fiscal, a empresa propugna textualmente que (fl. 874): "No entanto o que se tratava de prática comum no mercado, mesmo entre empresas que não guardam a relação de parentesco entre seus sócios, como as informações relativas a compradores, fornecedores ou representantes comerciais, no presente caso acabou sendo interpretada como participação na administração da empresa o, que de fato nunca ocorreu." Por conta da contestação de fatos referidos na Representação Fiscal, infere-se que a empresa dela teve conhecimento no período em que o processo esteve à sua disposição na Agência da Receita Federal do Brasil em Jaraguá do Sul que a jurisdiciona - 15 de dezembro de 2009 a 19 de janeiro de 2010 - quando impugnou (ver fls. 764/766). A empresa defende não existir dependência entre as mesmas, em especial no que concerne ao setor financeiro destas, pois nem houve entre elas sequer mútuo realizado ou uso comum dos numerários. Todavia, não junta aos autos qualquer prova disso, nem desqualifica os inúmeros argumentos e provas que demonstram sua ligação. Postula que o agente fiscal teria se utilizado de presunção para excluí-la da SIMPLES, no entanto, tal argumento não se sustenta em face das inúmeras provas juntadas aos autos, que caracterizaram situação impeditiva à adesão ao SIMPLES pela empresa, determinando assim a sua exclusão do sistema pelo Delegado da Receita Federal de Joinville que emitiu o Ato Declaratório Executivo n° 263, de 3 de Dezembro de 2009 (fl. 763). Tudo isto leva a crer que realmente a SOLETEX e a REMATEX constituam um mesmo grupo econômico, com o objetivo de usufruir benefícios fiscais, como destacado na Representação Fiscal à fl. 25: "4.6.1- As informações da tabela 06, retro, corroboram para comprovar a composição de grupo econômico de fato, envolvendo as empresas Soletex e Rematex, com o objetivo de usufruir os benefícios concedidos às empresas optantes pelo SIMPLES, tendo em vista as condutas a seguir discriminadas: 4.6.1.1- O faturamento é rateado entre as duas empresas — vide, também, a tabela 07, adiante, — para que, na empresa optante, permaneça abaixo dos limites legais para permanência no SIMPLES. Registre-se que, em todo o período analisado, a soma do faturamento anual das duas empresas supera os limites previstos nas leis: a) no 9.732, de 11/12/1998 — R$1.200.000,00 — vigente até 31/12/2005; b) no 11.196, de 21/11/2005 — R$2.400.000,00 — vigente a partir de 01/01/2006. 4.6.1.2- A mão-de-obra é alocada na empresa optante — Soletex — pois, nesta condição, está dispensada da incidência da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamentos. A tabela 06 esclarece muito bem este fato, na medida em que, no desenvolvimento da mesma atividade e para a obtenção de um mesmo faturamento médio — R$ 1,42 milhão: a) a Soletex mantém vinculo com um número médio de 68,95 trabalhadores, cuja Fl. 1027DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 massa salarial média importa em R$ 469.105,75; b) a Rematex mantém vinculo com um número médio de apenas 4,43 trabalhadores, cuja massa salarial média importa em R$ 28.584,85." A despeito da caracterização de que as empresas constituem o mesmo grupo econômico, a exclusão da empresa do SIMPLES não foi determinada por este fato, mas sim por ter incidido na situação a seguir, prevista no artigo 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996: “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º;” O limite mencionado no inciso II do art. 2º da mesma lei, após a redação dada pelo art. 3º da Lei n° 9.732 , de 11 de Dezembro de 1998, é de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) auferido em todo o ano calendário. Por sua vez, o art. 13 da mesma lei estabelece a obrigatoriedade de a pessoa jurídica efetuar a sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES mediante comunicação própria sempre que incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º da Lei nº 9317/96, entre elas a situação em que o titular ou sócio da empresa optante participa com mais de 10% no capital da outra empresa e cujo faturamento global superou o limite legal para permanência no SIMPLES, em determinado ano calendário após sua inclusão no sistema. Não fazendo esta comunicação, deve ser excluída de ofício, nos termos do artigo 14, I da mesma lei, o que veio a ocorrer. Neste ponto destaco que as provas contidas nos autos revelam a atuação do sr. Renaldino Rahn como sócio-gerente, administrador de fato, da SOLETEX, pelo menos desde novembro de 2001, apesar de formalmente ter ingressado na sociedade em 01 de novembro de 2006 (fls. 92/104). Caracterizado que o sr. Renaldino Rahn é sócio de fato da Soletex Ind. e Com. de Malhas Ltda e que o mesmo participou do quadro social da Rematex Ind. e Com. de Malhas Ltda, desde a sua fundação, em 12 de abril de 1992 (fls. 107/113), até 16 de dezembro de 2006, com 50% do capital social desta última, resta demonstrado que no ano de 2003, na condição de sócio de fato da SOLETEX, o sr. Renaldino Rahn, integrava também o quadro social da REMATEX, sendo possuidor de mais de 10% do capital social desta última. (...) 24.Com efeito, a exclusão da Recorrente do Simples Federal decorreu da circunstância de que as duas empresas (Soletex e Rematex) constituíram grupo econômico de fato, de propriedade do mesmo núcleo familiar (Família Rahn), cuja administração era concentrada na pessoa de Renaldino Rahn. São pródigos os elementos probatórios constantes dos autos nesse sentido:  Renaldino Rahn integrou o quadro societário da emprsa Rematex desde a sua fundação, em abril/1992, até dezembro/2006 (e-fls. 107/113 e 163/175);  apesar do ingresso formal de Renaldino Rahn no quadro societário da Recorrente apenas em novembro/2006 (e-fls. 92/104), seu envolvimento administrativo com as empresas do grupo é muito anterior, pois, entre outros aspectos:  foi nomeado pela Recorrente em dezembro/2005 como procurador, com amplos e especiais poderes de gestão e administração (e-fls. 178);  representou a Recorrente em vários atos praticados em janeiro e março/2003, inclusive em projeto arquitetônico relativo à obra com Fl. 1028DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 2.053,20 m2, em novembro/2001 (e-fls. 181/184);  realizou diversas transações bancárias desde agosto/2004 em nome da Recorrente (e-fls. 189 e seguintes);  foram produzidos Laudos Técnicos das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT’s) para a Recorrente (e-fls. 561/663) e para a empresa Rematex (e-fls. 668/747), com: (i) coincidência das datas das vistorias (14.07.2008); (ii) acompanhamento pelo mesmo representante da empresa (Sra. Eliane Rux); e (iii) indicando o desenvolvimento da mesma atividade (confecção de outras peças do vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida) e alocação maciça da mão-de-obra na Recorrente (empresa optante do Simples);  expressivo volume de vendas para os mesmos clientes (cfe. item 4.7 da Representação Fiscal, e-fls. 25); e  vendas realizadas pela mesma equipe de vendas externas ( cfe. item 4.7.1 da Representação Fiscal, e-fls. 31). 25.O fato de pessoas de uma mesma família integrarem o quadro societário de empresas independentes não configura, por si só, a formação de grupo econômico. Contudo, abstraindo-se a relação de parentesco entre os envolvidos, a situação dos autos revela clara imiscuição entre as empresas, apontando para a existência de grupo econômico de fato, onde Renaldino Rahn era sócio de ambas as empresas desde antes do período objeto da autuação, muito embora nem sempre formalmente. 26.Destaque-se que não é a existência de grupo econômico de fato que incorre na hipótese de exclusão do Simples, mas sim a situação fática dele resultante, consistente na dependência entre as empresas, que atuam como empreendimento único. Nesse contexto, em que claramente houve uma unidade de comando exercido por sócio de fato, o faturamento, para fins de apuração do limite legal, não pode ser tomado individualmente, por cada empresa integrante do grupo, mas na sua totalidade, e é neste sentido em que se verifica a extrapolação do limite da receita bruta anual global, evitando que as empresas integrantes do grupo econômico se beneficiem indevidamente do Simples. 27.Já em relação à irretroatividade dos efeitos da exclusão do Simples, rememore- se que a mesma encontra seu fundamento de validade no então vigente inciso II do artigo 15 da Lei 9.317/96, verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II - a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; (...) 28.No mais, no que tange às questões constitucionais abordadas pela Recorrente, alerte-se que as mesmas não comportam conhecimento, ex-vi do disposto no artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, segundo o qual “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, conforme, aliás, Fl. 1029DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 disposto na Súmula CARF nº 2 1 e no artigo 62, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015 2 . 29.Por fim, destaque-se que os valores recolhidos pela Recorrente na sistemática do Simples já foram compensados na apuração dos valores devidos, conforme noticia o item 3 do Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 827/831, não havendo nada a prover nesse quesito: 30.Por via de consequência, não há reparos a serem feitos em relação à exclusão da Recorrente do Simples Federal objeto do Ato Declaratório Executivo n° 263/2009, bem como quanto aos lançamentos referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) relativos aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro/2006 a dezembro/2006. 1 Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 2 RICARF, Anexo II, artigo 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Fl. 1030DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1402-006.518 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13973.000599/2009-72 DISPOSITIVO 31.Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, conheço parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dou-lhe parcial provimento para: (i) limitar a exclusão objeto do Ato Declaratório Executivo n° 263/2009 até 31.12.2006; e (ii) excluir dos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS o período de janeiro/2007 a junho/2007. (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca Fl. 1031DF CARF MF Original

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4841457 #
Numero do processo: 37169.003328/2006-79
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/09/2005 DOCUMENTO OU LIVRO SEM FORMALIDADES LEGAIS. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita informação verdadeira, conforme determinado na Legislação. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 205-01.040
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no mérito negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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MINISTÉRIO DA:FAZENA -D Tf. teljird, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° 37169.003328/2006-79 Recurso n° 144.264 Voluntário Matéria Auto de Infração :Obrigações Acessórias em Geral Acórdão n° 205-01.040 Sessão de 03 de setembro de 2008 Recorrente CONSTRUTORA MERIDIANA LTDA Recorrida DRP FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador 23/09/2005 DOCUMENTO OU LIVRO SEM FORMALIDADES LEGAIS.Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita informação verdadeira, conforme determinado na Legislação Recurso Voluntário Negado t:;k( Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • t,"; • ceirJW: - Cuir.ta Caargarm •• 'g I Cf_ COM O OF2!Cli—ji, 4'14 ,40 • Processo n°37169.003328/2006-79 ;1u3 _ ccorcos Acórdão n.° 205-01.040 rip :Lousa Moura agibail; Fls. 138 tok Matr. 4295 •\tr :3 r %.Çdb e Yt,5 ACORDAM os MexbtFd ?À%ÂÏÂÀ'a&6jffi5O CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no mérito negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ausência justificada da Conselheira Renata Souza Rocha. l i e, JULIO „ SA t IEIRA GOMES Presidente Agi k A • C 0 OLIVEIRA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Marco André Ramos Vieira Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato, Liege Lacroix Thomasi 2 1 . wilet~ %st i.& t. -2 . , r• • * i• . PrOcesso n°37169.003328/2006-79 IaCCO2/CO5- 2° CCI'lra - Quintn Tira vt., cor.: FERE COm O Ouicin./AL . .-Acórdão n.° 205-01.040 Fls. 139Brasilta __,Zeto_Saça . 0° t7i, 1 ts,s r.ousa Moura ‘,4% tç't 1 Matr. 42.'95 r ;+ .1 • 1 aS , .4, '.. : t2; I x-sososewpm:, . A --. ) r 7 ', .1 -;,....,AYi . .Rela tó rio Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária, em Florianópolis/SC (DRP), Decisão-Notificação (DN) 20.401.4/0055/2006, fls. 0103 a 110, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, lavrada em 31/03/2004. Segundo a fiscalização, a autuação foi lavrada devido a recorrente ter apresentado documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita informação verdadeira, descumprindo obrigação, acessória legal, conforme previsto na Legislação. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no Relatório Fiscal da Infração (RF), fls. 027 a 029, todos detalhados e claros no RF e em seus anexos. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 084 a 092. A DRP analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, fls. 0103 a 110. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0113 a0131. No recurso, a recorrente alega, em síntese, que: 1. O recurso é tempestivo; 2. A documentação que fimdamentou a autuação, presente me processo judicial, foi extraída indevidamente da empresa, com objetivo de extorsão, situação já comprovada no processo crime; 3. De posse dessa documentação, a fiscalização baseou esta autuação e o arbitramento de valores lançados; 4. Assim, as provas são ilícitas e há incompatibilidade da fundamentação legal com a infração descrita; 5. Outra irregularidade presente é o cerceamento de defesa, decorrente do elevado número de notificações (56), enviadas "maliciosamente" na mesma data, impossibilitando, no prazo concedido (quinze dias), o exercício da ampla defesa; 6. Há vicio formal insanável devido a processamento de todos lançame s após a data de processamento do Mandado de Procedimento (MPF); 7. A fiscalização, conforme Termo de Encerramento de Açã Fiscal (TEAF), encerrou-se em 10/08/2005 e a notificação da vécorrente ocorreu em 27/09/2005, resultando em nulidade do lançamento; 3 . a 11 s • C-f3"?;-;1:1FC'.11f -: COM Oi 0cRi:21ZA I_ •R.,t, 4, ,s3 # li• Processo n° 37 I 69.003328/2006 13flail _-79 a CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-01.040 Isps Soutsa Moura gr.3i3 ottsil) Fls. 140Matr, 4206 -•• •Aq St " sio',~744E* t'S 8. Há decisões da Quarta CAJ do CRPS neste sentidb; 9. Há nulidade, pois a notificação sobre o lançamento ocorreu após o prazo de vigência do MPF; 10. Há nulidade, também, no exíguo prazo concedido pra defesa (quinze dias), frente ao enorme número de notificações recebidas (cinqüenta e seis); 11. Há ilicitude nas provas que embasam a autuação; 12. Não há fundamentação, fática e legal, para a autuação; 13. A fundamentação legal que ampara o lançamento não condiz com a realidade dos fatos; 14. Há necessidade de prova pericial para a confirmação da contabilidade da recorrente; 15. Ante o exposto, requer: a) o recebimento do recurso; b) o cancelamento da autuação, pelos motivos expostos; e c) não sendo acolhidas as preliminares, que o processo seja baixado em diligência para a produção de prova pericial, a fim de comprovar a regularidade da contabilidade, indicando perito. Em suas contra-razões, fls. 0135 a 0136, a DRP, em síntese, manifestou-se pela procedência da decisão. Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, há questão que necessita de esclarecimento para no : - decisão. A autuação ocorreu devido a recorrente, segundo a fiscalização ter apl. - .e• .do documento ou livro sem as fonnalidades legais exigidas. O motivo da autuação ocorreu devido a recorrente ter deixado e ançar na escrituração contábil lançamento não relacionado aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no RF, fl. 027. 4 • - • • 4a, .• ORIGINAL .• • • Processo e 37169.003328/2006-79 MD-05 . 44 11) CCO2CO5 Acórdão n.° 205-01.040 ;; ;,; Moura Fls. 141 ••.t, Metr, 4296 ak r • 0, Ik WfreotWfw/y5011G • ,44105/121!Ii21:. 1-lá, inclusive, planilha e cópias de documentos que servem para comprovar o motivo da autuação, fls. 042 a 073. Portanto, não há razão no argumento de que a documentação que fundamentou a autuação, presente em processo judicial, não possui legitimidade. Quanto à alegada exigüidade ara defesa, que cercearia seu direito à defesa, esclarecemos que esse prazo é determinado pela Legislação. Decreto 3.048/1999: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidos pelos órgãos competentes. §2" Recebida a notificação, a empresa, o empregador doméstico ou o segurado terão o prazo de quinze dias para efetuar o pagamento ou apresentar defesa. Nesse sentido, ressaltamos à recorrente que estamos em um Estado Democrático de Direito, em que as regras jurídicas - Constituição, Leis, Decretos, Portarias, etc. - possuem mecanismos, presentes na Constituição, para sua elaboração, manutenção e extinção. Regras jurídicas vigentes devem ser obedecidas por todos, até que seja extinta, pelo mecanismo hábil e pelo órgão competente. Portanto, não há como afastar a aplicação da Legislação. Quanto à suposto vicio, devido o lançamento ocorrer após o prazo de vigência do MPF, esclarecemos que há enunciado do CRPS que esclarece essa situação. Na redação do Enunciado ri ° 25 do CRPS, abaixo transcrito, não há ressalva do tipo de ciência que será conferida ao contribuinte: pessoal, postal com aviso de recebimento ou por edital. Não havendo ressalva do tipo de ciência, não pode o intérprete, no caso esta Câmara, reduzir o alcance de tal dispositivo. Enunciado N" 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF - não acarreta nulidade do lançamento. Portanto, não há razão no argumento. Pela análise do processo e das alegações da recorrente, não e , ntramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão. 5 t. :/ - Quinta Camara. •. ec..;m:c.tr.:3 COM O ORIGINAL 4 -W • ág IR.. " I. Processo n°37169.003328/2006-79 Stasilin tb.. ¡Cf:? CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-01.040 !gr% SCUISa Moura INC etp<114 Fls. 142 NAGetr. 4wos ..te",01‘ Nar libte44/44tnioeiri .-unit 4 • da....010~401` 1 .- DL Assim, o lançamento e a decisão encontram-se revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. DO MÉRITO Quanto à solicitação de prova pericial, verificamos que a mesma encontra-se em desacordo com o previsto na legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. g 1° Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Como o pedido de perícia não possui os requisitos previstos na legislação, considero-o não formulado. Finalmente, a decisão em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que prescreve a Legislação. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar pr. -nto ao recurso. Sala da9 S / de setembro de 2008 RC O OLIVEIRA 6 Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1

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