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Numero do processo: 13770.002325/2007-32
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO.
Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não-impugnada
na decisão recorrida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.541
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não-impugnada na decisão recorrida. Recurso Voluntário Negado.
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Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal nãoimpugnada na decisão recorrida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13770.002325/200732 Acórdão n.º 280102.541 S2TE01 Fl. 41 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7ª Turma da DRJ/BSA (Fls. 21), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls. 02 a 04), referente ao exercício 2005, anocalendário 2004. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício) 1.188,00 Multa de Ofício (passível de redução) 891 00 Juros de Mora (calculado até 30/11/2007) 436,23 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito á Multa de Mora) 9.832,44 Multa de Mora (não passível de redução) 1.966 44 Juros e Mora (calculado até 30/11/2007) 3.610 39 Total do Crédito Tributário 17.924 30 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte — glosa de dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, ano calendário 2004. Valor: R$ 9.832,24. Motivo da Glosa : falta dê comprovação. Omissão de Rendimentos de Pessoa Física e do Exterior— omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, conforme informação da DIMOB apresentada na Receita Federal do Brasil pela administradora de imóveis, relativos ao exercício 2005, anocalendário 2004. Valor: R$ 4.320,00. A ciência do lançamento ocorreu em 03/12/2007 (fls. 15) e, em 13/12/2007, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/09, alegando que não houve omissão, uma vez que os valores foram lançados como rendimentos recebidos de pessoa física, o Sr. Antonio Jorge Louvem, no valor de R$ 4.800,00, conforme informado pela imobiliária. Ressalta que fez sua declaração levando em consideração os dados da pessoa que efetiva o pagamento, uma vez que a imobiliária é simples administradora. O julgamento do presente processo pela DRJ/Brasília DF se deu em face da transferência de competência instituída pela Portaria RFB n° 1.023, de 30 de março de 2009, publicada no DOU em 02/04/2009. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13770.002325/200732 Acórdão n.º 280102.541 S2TE01 Fl. 42 3 Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/BSA entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. COMPENSAÇÃO DE IRRF. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Comprovado que o rendimento tributável considerado omitido foi devidamente informado em sua declaração de ajuste anual, improcede a omissão. Cientificado em 18/09/2009 (Fls. 30), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/09/2009 (fls. 31 a 37), argumentando em síntese que: (...) Procurei a Agência da Receita Federal, em Vitória, quando fui alertado de que eu apenas solicitei a impugnação de um dos itens, ficando sem comprovação o recolhimento na fonte do valor acima citado. Fui orientado a complementar o processo, enviando o comprovante da retenção efetuada pela empresa, tendo em vista que esse foi o valor glosado por falta de comprovação. II O Direito II.1 PRELIMINAR Posto o acima, estou anexando o COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANOCALENDÁRIO 2004, fornecido pela Companhia Siderúrgica de Tubarão CST, para que possam considerálo de forma a impugnar os dados da Notificação de Lançamento. II. 2 MÉRITO Tratase de documentação fornecida pela empresa onde os serviços foram prestados e constam os rendimentos e os impostos retidos na fonte referentes ao exercício de 2005, ano base 2004. Este documento está sendo anexado ao presente recurso. III A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13770.002325/200732 Acórdão n.º 280102.541 S2TE01 Fl. 43 4 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Não merece reforma o acórdão recorrido. Realmente o contribuinte não contestou a parte do lançamento relativa a glosa da dedução do IRRF. Assim, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972, tal matéria deve ser considerada não impugnada pelo contribuinte; in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Não impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal. Ademais, ressaltase que a fase recursal tem como fundamento o princípio do duplo grau de cognição, o qual atende ao princípio da ampla defesa. Nas palavras de JAMES MARINS: “A idéia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, LV, da CF/88. Representa, o direito a recurso, manifestação axiomática do direito à ampla defesa. Denominase de “hierárquico” o recurso que submete a revisão da decisão a órgão julgador, monocrático ou colegiado, de hierarquia superior, competente para reapreciação e rejulgamento da lide fiscal. (Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. Pg. 196)”. Da afirmação acima é possível compreender que o recurso tem como objetivo a revisão da decisão da DRJ. Dentro deste enfoque, fica estabelecida limitação ao Recorrente, no sentido de possuir prazo específico para alegar toda a defesa que entenda necessária, de modo que, passada esta fase depois de iniciado o processo administrativo, o Recorrente não pode, no recurso, alegar matéria não impugnada. Caso contrário, terse ia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria enorme contradição, pois não haveria quem analisasse em fase de recurso os argumentos levantados apenas em etapa recursal. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13770.002325/200732 Acórdão n.º 280102.541 S2TE01 Fl. 44 5 Este colegiado até tem entendido que a aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material; contudo tal entendimento tem sido aplicado quanto a preclusão da apresentação de provas, e não quanto a preclusão de matéria não impugnada. Neste sentido já decidiu este colegiado; in verbis: Processo n. 1.3707.001104/200549 Recurso n. 161.587 Voluntário Acórdão n. 280200.296 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de maio de 2010 Matéria IRPF Ex(s).: 2001 Recorrente CELIA CARDOZO ZUZART Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não impugnada na decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Ante tudo acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 10980.016632/2008-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004, 2005, 2006
ITR. NÃO INCIDÊNCIA. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDROELÉTRICAS.
Não há incidência do ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, bem como sobre as áreas de seu entorno.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004, 2005, 2006 ITR. NÃO INCIDÊNCIA. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDROELÉTRICAS. Não há incidência do ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, bem como sobre as áreas de seu entorno. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-19T15:00:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-08-19T15:00:42Z; Last-Modified: 2019-08-19T15:00:42Z; dcterms:modified: 2019-08-19T15:00:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:c43e4de9-6d87-4d2d-bcc5-15418505fad5; Last-Save-Date: 2019-08-19T15:00:42Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-19T15:00:42Z; meta:save-date: 2019-08-19T15:00:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-19T15:00:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-08-19T15:00:42Z; created: 2019-08-19T15:00:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2019-08-19T15:00:42Z; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-08-19T15:00:42Z | Conteúdo => S2TE01 Fl. 252 1 251 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.016632/200818 Recurso nº 886.319 Voluntário Acórdão nº 2801002.403 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de abril de 2012 Matéria ITR Recorrente COPEL GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004, 2005, 2006 ITR. NÃO INCIDÊNCIA. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDROELÉTRICAS. Não há incidência do ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, bem como sobre as áreas de seu entorno. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 259DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 253 2 Por sua pertinência, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 163/164), que reproduzo a seguir: “Contra a interessada supra foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 70 a 83, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2004, 2005 e 2006 acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 49.476,67, relativo ao imóvel rural denominado Usina Guaricana, com área de 363,0 ha., NIRF 3.533.7311, localizado no município de Guaratuba/PR. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que a contribuinte foi intimada a apresentar laudo técnico para comprovação do VTN declarado do imóvel nas DITRs dos Exercícios 2004 a 2006, de R$ 1,00; que a contribuinte não comprovou o VTN e apresentou a justificativa de que o imóvel está fora do mercado imobiliário por estar vinculado à concessão do serviço público de energia elétrica, mas não comprovou a afetação do mesmo à destinação alegada; que até a vigência da Lei nº 11.727/08, que acrescentou ao inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96, alínea que exclui o tributo de área alagada para reservatório de usina hidrelétricas autorizadas pelo poder público em comento, inexistia previsão legal que imunizava essa área, entendimento expresso no Parecer COSIT nº 15 de 24/03/2000; que, conforme transcrição nº 5.632, o imóvel em questão integra o patrimônio da empresa, ficando sujeito à incidência de tributo; que o fato de o imóvel ser utilizado parcialmente para o reservatório e o funcionamento da Usina não é alegação suficiente para se reconhecer que o mesmo não tem valor de mercado apurável; que foi alterado o valor da terra nua para o apurado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra da Receita Federal – SIPT, por falta de comprovação do declarado. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 01 a 69. Cientificada do lançamento, por via postal, em 03/12/2008 (fls. 85), a interessada apresentou a impugnação de fls. 87 a 102, em 23/12/2008, acompanhada dos documentos de fls. 103 a 160, onde argumentou, em suma, o que segue: o ITR tem função extrafiscal; desde que passou a ser de competência da União, prevaleceu a teoria de tratarse de um instrumento tributário a ser utilizado em conexão com o sistema da política agrícola e do processo de reforma agrária; o lançamento está impondo obrigação tributária sem causa definida na lei tributária, não tendo aplicado corretamente as normas da Lei n.º 9.393/96; o imóvel está vinculado à concessão do serviço público de energia, configurandose como um bem da União, um bem público de interesse de todos, e o concessionário não se configura como proprietário da área, não se verificando a existência do fato gerador do ITR, conforme o art 1º da Lei 9.393/96; o concessionário é mero detentor dos bens afetados à Fl. 260DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 254 3 concessão do serviço de energia; após encerrada a concessão, os ativos revertem à União; conforme Decreto Estadual n° 1.234 de 27/03/92, a área em questão esta inserida dentro da área de proteção ambiental de Guaratuba, além de estar destinada a uso especial para prestação de serviço público e, portanto, não se classifica como comercializável, caracterizandoa como imprestável a qualquer tipo de exploração, nos termos da alínea “c”, inciso II, do art. 10 da Lei n.º 9.393/96; ao entender como tributável a área total da usina, composta de área inundada e preservação permanente, a autoridade fiscal viola as normas da Lei nº 9.393/96, art. 10, § 1º, inciso II, alíneas “a” “b” “c”; não há um valor de mercado para o imóvel, por não ser possível comercializálo devido à sua vinculação direta à concessão de serviço público, bem como por possuir terras alagadas pelo reservatório, que são imprestáveis para o uso, e áreas destinadas à preservação ambiental, todos fatores que impedem apuração de preço no mercado, inexistindo uma base de cálculo para o ITR e não cabendo a exigência de Laudo de Avaliação do VTN da área; com relação ao preço de mercado, buscou esclarecimento junto ao Deral, que informou, em suma, que não foram contempladas em suas avaliações reservatórios para usinas hidrelétricas e outras áreas; transcreveu jurisprudência administrativa do antigo Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda fiscal tratando de não incidência do ITR sobre terras de concessionárias de energia elétrica e inexigência de apresentação do ADA para áreas de preservação permanente. não há possibilidade de cobrança de juros de mora e multa de ofício por não ter havido descumprimento de obrigação de recolhimento de tributo.” A 1a Turma da DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação improcedente (fls. 147/156), nos termos do voto do relator do respectivo acórdão, transcrito a seguir: “A impugnação foi apresentada com observância do prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto n.º 70.235/1972 e cumpre os requisitos para ser conhecida. Com a entrada em vigor da Lei n.º 9.393, de 1996, o ITR passou a ser tributo lançado por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro 1966, o Código Tributário Nacional – CTN. O procedimento assim realizado pelo contribuinte fica sujeito à verificação por parte da autoridade fiscal, sendo que o lançamento de ofício do ITR encontra amparo no art. 14, da Lei nº 9.393/1.996. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 255 4 O lançamento notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em decorrência da apresentação da impugnação, conforme disposto no art. 145, I, do CTN, se existir justificativa suficiente para tanto. De acordo com o sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, conforme dispõe seu artigo 16, inciso II, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária, cabe ao impugnante fazer a prova do direito ou do fato afirmado na impugnação, o que, não ocorrendo, acarreta a improcedência da alegação. A apresentação de provas pelo impugnante deve ser feita no momento da impugnação, conforme disposto no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972, acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997, abaixo transcrito, “verbis”: “§ 4 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” (g.n) É possível a juntada posterior de documentos, mas desde que observado o disposto no 5º do artigo citado, que assim dispõe, “verbis”: “§5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.” (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997). Cabe aqui recordar o disposto no art. 141 do CTN, que assim dispõe, “verbis”: “Art. 141 – O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias.” No lançamento questionado, a autoridade fiscal alterou o VTN declarado para o valor apurado com base no SIPT e procedeu à apuração do ITR devido aceitando todos os demais dados declarados nas DITRs dos Exercícios 2004, 2005 e 2006 processadas do imóvel em questão. Na impugnação, a interessada discordou da exigência alegando, em suma, que seu imóvel está localizado em área de proteção Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 256 5 ambiental e está afastado da tributação por se tratar de reservatório de água para usina hidrelétrica e bem da União, não possuindo valor de mercado. O pedido de retificação de declaração apresentado após a emissão da Notificação de Lançamento deve ser considerado como impugnação e, como tal, deve estar acompanhado de documentos que a justifiquem. Assim, é possível a retificação dos dados declarados, mas, para tanto, cabe ao contribuinte a comprovação dos dados corretos. Tratandose de imóvel rural, ainda que nele não sejam desenvolvidas atividades rurais, fica sujeito à tributação pelo Imposto sobre a Territorial Rural, previsto no art. 29 do CTN, de competência da União, o qual pode não ser exigível se ficar comprovado que o imóvel se enquadra nos critérios de imunidade e/ou isenção. O Imposto Territorial Rural regese pela Lei n.º 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Para melhor análise dos fatos, transcrevo a seguir o artigos 1º a 4º desse diploma legal, que tratam do fato gerador, imunidade, isenção e contribuinte desse imposto: “SEÇÃO I DO FATO GERADOR DO ITR “Art. 1º. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município em 1º de janeiro de cada ano. § 1º. O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. § 2º. Para os efeitos desta Lei considerase imóvel rural a área contínua formada de uma ou mais parcelas de terras localizada na zona rural do município. § 3º. O imóvel que pertencer a mais de um município deverá ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e, se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize a maior parte do imóvel. Imunidade Art. 2º. Nos termos do artigo 153, § 4º, in fine, da Constituição, o imposto não incide sobre pequenas glebas rurais, quando as explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, pequenas glebas rurais são os imóveis com área igual ou inferior a: Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 257 6 I 100ha, se localizado em município compreendido na Amazônia Ocidental ou no Pantanal matogrossense e sulmato grossense; II 50ha, se localizado em município compreendido no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; III 30ha, se localizado em qualquer outro município. SEÇÃO II DA ISENÇÃO Art. 3º. São isentos do imposto: I o imóvel rural compreendido em programa oficial de reforma agrária, caracterizado pelas autoridades competentes como assentamento, que, cumulativamente, atenda aos seguintes requisitos: a) seja explorado por associação ou cooperativa de produção; b) a fração ideal por família assentada não ultrapasse os limites estabelecidos no artigo anterior; c) o assentado não possua outro imóvel; II o conjunto de imóveis rurais de um mesmo proprietário, cuja área total observe os limites fixados no parágrafo único do artigo anterior, desde que, cumulativamente, o proprietário: a) o explore só ou com sua família, admitida ajuda eventual de terceiros; b) não possua imóvel urbano. SEÇÃO III DO CONTRIBUINTE E DO RESPONSÁVEL Contribuinte Art. 4º. Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Parágrafo único. O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro.” A situação do imóvel em questão não o enquadra em qualquer dos dispositivos citados relativos à imunidade e/ou isenção. Dos dispositivos citados concluise ainda que o imposto é devido por qualquer pessoa que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Por conseguinte, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, a interessada, em nome de quem foram apresentadas as DITRs que serviram de base para o presente lançamento, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 258 7 enquanto não for apresentada comprovação efetiva de transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. A interessada não negou que tem a propriedade do imóvel. O fato de o imóvel estar vinculado à concessão do serviço público de energia elétrica não é condição efetiva para ser considerado como bem da União. Não prosperam argumentos de que os reservatórios de água poderão integrar o conceito de rio e se enquadrar como “potenciais de energia hidráulica”, como previsto no inciso VIII do Art. 20 da Constituição Federal de 1988. A COSIT já tratou desse assunto no Parecer n.º 15, de 24 de março de 2000, afirmando que a “expressão ‘potencial de energia hidráulica’ da Lex Legum quer dizer tãosomente quedas d’água ou cachoeiras. Já o reservatório (áreas submersas), no caso, decorre do represamento das águas dessas quedas ou cachoeiras (de rio ou não), pela construção de barragens, com fins de exploração econômica. Por fim resta dizer ainda que as áreas do reservatório (áreas dos imóveis submersos) não estão subsumidas na expressão “lagos” do texto constitucional; pois aí há alusão a lagos da União em áreas de seu domínio ou propriedade (CF, art. 20, III). Na situação em tela, o lago formado pela represa (reservatório) não está situado em área de domínio da União, mas sim em áreas de domínio da empresa estatal (imóveis particulares da empresa submersos – adquiridos por desapropriação)”. As áreas afastadas da tributação pelo ITR estão relacionadas no art. 10, parágrafo 1º, inciso II, da Lei n.º 9.393/1996, que assim dispõe, “verbis”: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º. Para os efeitos de apuração do ITR considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 259 8 d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) Observese que, somente com o advento da Lei n.º 11.727, de 2008, a área alagada para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizadas pelo poder público passou a ser excluída da área tributável do imóvel, para fins de apuração do ITR. Assim, para fatos geradores ocorridos antes do advento dessa Lei, impõese reconhecer que tal área figurava como tributável, já que não se enquadrava na definição das demais áreas isentas de ITR previstas na Lei n.º 9.393/1996. Além disso, observase que a previsão legal referese apenas à área alagada e não a todas as áreas do imóvel rural onde se localiza tal área. Nos termos do disposto no art. 111 da Lei nº. 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional – CTN, deve ser interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Deve ser observado ainda o princípio da legalidade previsto no art. 176 do mesmo CTN, o qual dispõe que “a isenção (...) é sempre decorrente de lei.” No já citado Parecer COSIT n.º 15, de 2000, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal se posicionou favoravelmente a respeito da tributação de imóveis rurais que abriguem reservatórios, subestações e usinas hidrelétricas, conforme segue: INCIDÊNCIA DE ITR. IMÓVEL RURAL. Usina hidrelética. Produção e transmissão. Energia elétrica. Reservatório. Áreas submersas. Apuração do imposto. Estão sujeitos à incidência do ITR os imóveis rurais de pessoas físicas ou jurídicas, concessionárias ou delegatárias de serviços públicos de eletricidade, que abrigam os reservatórios, subestações e usinas hidrelétricas, com finalidade de produção, transformação, transmissão ou distribuição de energia elétrica, inclusive os adquiridos por desapropriação para essas atividades. A isenção do ITR, que o setor desfrutou até 1990, encontrase revogada, por força do § 1º do art. 41 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias da atual Carta Política da República, pois não houve a edição de lei ulterior confirmando a manutenção desse benefício fiscal.(grifei) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 260 9 As empresas concessionárias ou delegatárias de serviço público de eletricidade, pela inexistência de tratamento tributário específico para este setor na legislação do ITR, submetemse, inclusive quanto à apuração deste imposto, às mesmas regras dos demais contribuintes. Dispositivo legal: Lei nº 8.847/94 (art. 2º) e Lei nº 9.393/96 (art. 1º). É possível que no imóvel existam áreas não submersas que estejam afastadas da tributação por se enquadrarem em um das áreas descritas no art. 10, parágrafo 1º, inciso II, da Lei n.º 9.393/1996, porém, cabe ao contribuinte apresentar comprovação efetiva nesse sentido. Tal Lei somente afasta da tributação as áreas comprovadamente imprestáveis para exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal se essas forem declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (art. 10, § 1º, II, letra c), o que não foi comprovado para o caso ora tratado. Nas DITRs processadas foi declarada a existência no imóvel de área de preservação permanente de 50,0 ha., devidamente considerada pela autoridade fiscal no cálculo do imposto, e a contribuinte não apresentou comprovação que permita reconhecer a existência de área de preservação permanente maior. Às Delegacias de Julgamento, como órgãos integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, compete julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, obedecendo aos ditames da lei, sendolhe defeso apreciar arguições de inconstitucionalidade ou inaplicabilidade de textos legais, não sendo possível, portanto, analisar nessa instância se a norma em vigor aplicável à situação feriu princípios constitucionais. O julgador com mandato nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, ao elaborar seu voto, deve observar o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme art. 7º da Portaria MF n.º 58, de 17 de março de 2006. Resta ao julgador administrativo cumprir seu dever legal de aplicar a legislação tributária ao caso concreto. Para as áreas afastadas da tributação nos termos do art. 10, parágrafo 1º, inciso II, da Lei n.º 9.393/1996, além da comprovação da existência efetiva dessas áreas no imóvel, é necessário comprovar o cumprimento da obrigação de protocolar o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama, dentro do prazo estipulado na legislação tributária, como determinado no art. 10, § 3º no Decreto n.º 4.382, de 2002, que regulamenta a exigência do ITR. A exigência de entrega do ADA ao Ibama, além de constar de Instruções Normativas expedidas pela Receita Federal, está prevista expressamente na Lei nº Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 261 10 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1 º, com redação da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. 1º. Não há comprovação de que o imóvel se encontra inserido em uma das Unidades de Conservação previstas na Lei nº 9.985, de 2000, a qual instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, revogou o art. 5º da Lei nº 4.771/65 e estabeleceu os critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação, categorizadas em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. O objetivo das Unidades de Conservação descritas na Lei citada é a preservação do meio ambiente, de ecossistemas e da flora e fauna, porém algumas permitem a exploração do imóvel e outras a impedem totalmente, o que justifica diferenças entre as áreas de imóveis nelas localizados também para efeito de tributação ou não pelo ITR. O Decreto Estadual n.º 1.234/1992, que tratou da implantação da APA de Guaratuba, não impediu a exploração econômica dos imóveis nela localizados, tendo apenas indicado limites para essa exploração. Conforme disposto no artigo 14 da Lei nº. 9.985/2000, a Área de Proteção Ambiental integra o Grupo das Unidades de Uso Sustentável, e “tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais”, como previsto no “caput” de seu art. 15, que ainda prevê em seu parágrafo 2º a possibilidade de serem estabelecidas normas e restrições para a utilização de propriedade privada localizada em uma Área de Proteção Ambiental. O fato de o imóvel estar inserido em uma área maior onde há restrições de exploração, nos termos da legislação ambiental, não é suficiente para que suas áreas sejam consideradas isentas de tributação, cabendo a comprovação efetiva das áreas enquadradas nas isenções previstas na legislação tributária. Esse entendimento é observado pela Receita Federal e divulgado em manuais de preenchimento e de perguntas e respostas relativos às DITRs. Do exposto, resta demonstrada a necessidade de laudo técnico que detalhe devidamente a distribuição e dimensão das áreas do imóvel que se enquadrem nas isenções previstas no art. 10, parágrafo 1º, inciso II, da Lei n.º 9.393/1996, o qual não foi apresentado no presente caso. Para ilustrar, transcrevo a seguir parte do acórdão proferido pelo TRF1, AG 2005.01.00.0187053, em que se reconheceu a necessidade de discriminar devidamente as áreas do imóvel para o fim de enquadramento nas isenções da Lei n.º 9.393/1996: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ITR IMÓVEL RURAL ÁREA ESTADUAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ISENÇÃO (ART. 10, § 1º, II, B, DA LEI Nº 9.393/96): AUSENTE PROVA INEQUÍVOCA (ART. 273 DO CPC) AGRAVO PROVIDO. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 262 11 (...) 4 O simples fato de o imóvel estar, em princípio, localizado dentro de área estadual de "Proteção Ambiental" não induz, só por si, isenção tributária. A Lei nº 9.393/96 (em leitura apropriada) parece reclamar mais. Nãotributáveis seriam, sim, as "partes" de qualquer imóvel rural (encravado ou não em área de proteção ambiental) que, porventura (comprovadamente, na forma da lei), fossem "de preservação permanente"; "de reserva legal"; "de interesse ecológico"; ou "comprovadamente imprestáveis para exploração econômica". 5 Imóvel rural, pois, ainda que localizado em área de proteção ambiental, pode estar sujeito ao ITR, desde que nele estejam contidas glebas de terras economicamente aproveitáveis (com limitações ambientais, que sejam) não enquadráveis na exceção legal: isenção favor legal reclama interpretação restrita (art. 111, II, do CTN). 6 Decidir em oposto sentido, afastando crédito tributário da ordem de quase R$ 60.000,00, reclama prova inequívoca, aqui ausente, que só ampla instrução poderá, se o caso, evidenciar. (...) (Relator(a): DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, Julgamento: 18/07/2006, Órgão Julgador: SÉTIMA TURMA, Publicação: 04/08/2006, DJ p.76) A apuração do valor da terra nua, VTN, com base nos valores constantes em sistema da Secretaria da Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei n.º 9.393/1996, a seguir transcrito, “verbis”: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.” (g.n). Apesar de seus questionamentos, a contribuinte não apresentou comprovação que justifique reconhecer que o VTN efetivo do imóvel é menor do que o considerado pela fiscalização e, portanto, não há justificativa para sua alteração. O fato de o imóvel estar localizado em área de proteção ambiental e/ou servir para reservatório de água de usina hidrelétrica não é argumento suficiente para se reconhecer que o mesmo está “fora do mercado” e não possui um valor de mercado apurável. Ainda que vinculado à concessão do serviço público de energia elétrica, não é impossível que o imóvel seja de alguma forma alienado para outra concessionária, se houver interesse da União e observadas as exigências legais, o que pode ocorrer, inclusive, por encerramento do contrato de concessão. Também o fato de o Deral informar que não contemplou em suas avaliações reservatórios para usinas hidrelétricas e outras áreas Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 263 12 não significa necessariamente que essas áreas não possuem nenhum valor. O VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. Sem comprovação do VTN efetivo do imóvel e de erro de preenchimento da DITR quanto à distribuição das áreas do imóvel, não há justificativa para alteração do VTN tributável e demais dados considerados no lançamento de ofício. Quanto à jurisprudência citada na impugnação, impõese observar o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros...”. Sobre decisões judiciais, assim dispõe o Decreto n° 73.529, de 1974: Art. 1° É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Art. 2° Observados os requisitos legais e regulamentares, as decisões judiciais a que se refere o art. 1° produzirão efeitos apenas em relação às partes que integram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, o que se depreende do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional. No âmbito do processo administrativo fiscal, inexiste, até o momento, norma legal que atribua às decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa tal efeito. Portanto, mesmo que reiteradas, as decisões administrativas e judiciais não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. O crédito tributário exigido foi apurado conforme previsão legal, sendo o Imposto Territorial Rural calculado pela aplicação da alíquota de cálculo prevista no Anexo da Lei n.º 9.393/1996 sobre o VTN tributável, conforme o art. 11 dessa Lei. Ao imposto apurado foram acrescidos multa de ofício e juros de mora, nos termos da legislação citada no lançamento. O imposto pago pela contribuinte, no valor mínimo de R$ 10,00, foi Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 264 13 devidamente compensado, sendo mantida a exigência da diferença apurada, com os devidos acréscimos legais cabíveis no procedimento de ofício. Visto que a formalização da exigência por meio do Auto de Infração ocorreu em razão de a interessada ter fornecido informações inexatas nas DITRs 2004 a 2006 e não ter efetuado o recolhimento do tributo devido no prazo legal, a multa de ofício deve compor o crédito tributário lançado. Essa multa pode ser reduzida, nos percentuais informados nos artigos 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, de acordo com o disposto no § 3º do art. 44 da Lei n. 9.430/1996, o que deve ser providenciado pelo órgão local nos procedimentos de cobrança do crédito tributário. A exigência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, contados desde a data do vencimento do tributo, encontra amparo na Lei n.º 9.430/1996, artigo 61, § 3º. Diante de todo o exposto, não havendo nos autos elementos que infirmem o lançamento, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação e de manter o crédito tributário exigido.” Cientificada do acórdão de primeira instância em 23/06/10 (fls. 175), a interessada interpôs o Recurso de fls. 176/200, alegando, em suma, que: a) não há incidência do ITR sobre imóvel afetado à concessão do serviço público de energia elétrica; b) o fato gerador do ITR conforme o art. 29 do CTN, é a propriedade, a posse ou o domínio útil, sendo que, neste caso, nenhum destes aspectos encontramse preenchidos pela Recorrente, de forma que, descaracterizado um dos elementos da regra matriz de incidência do ITR, importa na não incidência do tributo; c) o imóvel sobre o qual a autoridade fazendária pretende exigir o ITR está localizado em uma área de preservação permanente, conforme se pode depreender do Decreto n° 1.234 de 27/03/1992; d) a apresentação do ADA não constitui uma condição legal para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, sob pena de violar o art. 10, § 1°, letra “a", e § 7° , da Lei n° 9.393/96. Nesse sentido também é o entendimento deste Conselho e do STJ, conforme decisões reproduzidas em seu recurso; e) parte do imóvel é constituído de área alagada para a formação do reservatório da respectiva usina hidroelétrica, como pode ser constatado pela Certidão de Transcrição do referido imóvel, bem como por declaração emitida pelo representante do IBAMAPR, não estando sujeita, portanto, à incidência do ITR, nos termos da Súmula CARF n° 45; Diante do exposto acima requer o conhecimento e provimento de seu recurso. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 265 14 Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. É pacífico o entendimento neste Conselho no sentido de que o ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatórios de usinas hidroelétricas. É o que dispõe a Súmula CARF n° 45, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 45 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Consta nos autos declaração firmada pelo representante do IBAMA no Estado do Paraná (fls. 55/56), datada de 25/07/2000, com firma reconhecida, anterior inclusive à ocorrência do fato gerador do ITR/2004/2005/2006, listando os imóveis rurais ocupados pela Companhia de Paranaense de Energia COPEL em regime de concessão, que integram áreas de preservação permanente, se destinam a abrigar instalações geradoras de energia elétrica e servem para assegurar a integridade dos reservatórios de água formados a partir do represamento dos cursos d'água. Entre tais imóveis encontrase aquele denominado "Usina Guaricana", NIRF 3.533.7311, localizado no município de Guaratuba/PR, objeto do lançamento em apreço. Cumpre assinalar que declaração expedida pela Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Governo do Estado do Paraná (fls. 57), que alimenta o Sistema de Preço de Terra SIPT, apesar de não ser específica para o referido imóvel, esclarece que nas avaliações do valor da terra nua realizadas por aquele Órgão não estão contemplados rios, lagos e reservatórios para usinas hidroelétricas, por não se classificarem para atividades agropecuárias. As áreas situadas no entorno dos reservatórios para usinas hidroelétricas também estão excluídas da tributação pelo ITR já que, por força do disposto no inciso II do artigo 10 da Lei n° 9.393/96 c/c art. 2o da Lei n° 4.771/65, as áreas marginais de lagos, reservatórios, dentre outros, são consideradas áreas de preservação permanente: Lei n° 9.393/96 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do I7 R, considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 266 15 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei n° 4.771/65: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7. 1989) 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7. 1989) 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 1 8.7.1989) 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais. (grifo meu) Convém ressaltar que, neste caso, a ausência da apresentação tempestiva do ADA encontrase suprida pela declaração prestada pelo IBAMA (fls. 55/56), firmada anteriormente à data de ocorrência do fato gerador, reconhecendo tais áreas como sendo de preservação permanente. Diante do exposto acima se extraem as seguintes conclusões: a) há impossibilidade de incidência de ITR no presente caso, posto que não há como se conceber valor de mercado para as terras abrangidas pelo imóvel objeto do lançamento, por se encontrar sob o regime de concessão de serviço público; b) não incide ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas existentes no citado imóvel; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 267 16 c) as áreas ao redor dos reservatórios de usinas hidroelétricas, existentes no imóvel em questão, não podem ser tributadas pelo ITR por se tratarem de áreas de preservação permanente, reconhecidas assim pelo IBAMAPR em data anterior à ocorrência do fato gerador. Por fim cumpre informar que as decisões da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca da matéria são sempre unânimes e no mesmo sentido de reconhecer a não incidência do ITR nestes casos (Acórdãos n° 920200.314, 920200.315 e 920200.316, sessão de 27/10/2009), sendo que os acórdãos de n° 920200.781 e 920200.782, proferidos na sessão de 14/04/2010, têm como interessada a COPEL, cujas ementas reproduzo a seguir: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. ITR. ÁREAS ALAGADAS PARA FINS DE CONSTRUÇÃO DE RESERVATÓRIO DE USINA HIDRELÉTRICA. NÃO INCIDÊNCIA DO ITR. Nos termos da Súmula n° 45 do CARF, o ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Recurso especial negado. (Acórdão n° 920200.781) IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. ITR. ÁREAS ALAGADAS PARA FINS DE CONSTRUÇÃO DE RESERVATÓRIO DE USINA HIDRELÉTRICA. NÃO INCIDÊNCIA DO ITR. Nos termos da Súmula n° 45 do CARF, o ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Recurso especial negado. (Acórdão n° 920200.782) Vale dizer que os processos relativos aos acórdãos acima transcritos tratam de ITR relativo a imóveis que se encontram abrangidos pela declaração firmada pelo representante do IBAMA no Estado do Paraná (fls. 55/56), tal qual o imóvel objeto do lançamento em discussão. Por tais razões voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016632/200818 Acórdão n.º 2801002.403 S2TE01 Fl. 268 17 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 12898.002241/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade do lançamento quando não se
vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO.
As despesas escrituradas em Livro Caixa têm sua dedutibilidade
condicionada não só a verificação da sua necessidade à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, mas, também, à sua comprovação nos estritos termos em que prevê a legislação tributária.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA.
Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de Livro Caixa.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.598
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada por falta de recolhimento do Carnê-leão, bem como para
desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. As despesas escrituradas em Livro Caixa têm sua dedutibilidade condicionada não só a verificação da sua necessidade à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, mas, também, à sua comprovação nos estritos termos em que prevê a legislação tributária. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de Livro Caixa. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 392 1 391 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.002241/200961 Recurso nº 916.997 Voluntário Acórdão nº 2801002.598 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente ACCACIO MONTEIRO BARROZO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. As despesas escrituradas em Livro Caixa têm sua dedutibilidade condicionada não só a verificação da sua necessidade à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, mas, também, à sua comprovação nos estritos termos em que prevê a legislação tributária. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de Livro Caixa. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 393 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada por falta de recolhimento do Carnêleão, bem como para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2/RJ. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Tratase de lançamento de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF relativo ao anocalendário de 2004, efetuado por meio do Auto de Infração lavrado em 02/12/2009 (fls. 186/199), em face do contribuinte acima identificado, no montante de R$ 623.511,95, sendo R$ 209.646,43, de imposto; R$ 121.573,95 de juros de mora calculados até 30/11/2009; R$ 176.015,98 de multa proporcional; e R$ 116.275,59 de multa isolada. Foram apuradas as seguintes infrações: 1) Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual); 2) Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (CarnêLeão); 3) Multas Isoladas Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de CarnêLeão. No curso do procedimento fiscal iniciado através do Termo de Início de Fiscalização lavrado em 13/11/2008 (fl. 05) foram emitidas intimações pela Auditoriafiscal e apresentados documentos pelo contribuinte. Relativamente a todo o procedimento fiscal desenvolvido, foi lavrado o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 151/185) no qual foram consignadas as informações a seguir. Observou a Auditoriafiscal que, do confronto das despesas escrituradas no Livro Caixa com as deduções consignadas na Declaração de Ajuste Anual, em quase todos os meses do ano Fl. 639DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 394 3 calendário 2004 foram declarados valores superiores aos constantes do Livro apresentado, reduzindo a base de cálculo do imposto em um total de R$ 102.428,41. Em atendimento ao Termo de Intimação n° 03 (fl. 45), por meio do qual foram solicitados comprovantes referentes a despesas escrituradas nos meses de janeiro a dezembro de 2004, foram apresentados pelo Contribuinte documentos referentes ao ano calendário de 2004, entre eles, Registro de Ocorrência n° 005 02579/2009 e Aditamento notificando a autoridade policial do extravio de quatro caixas com documentos referentes a despesas dos anos de 2004 e 2005. Da análise dos documentos, apurou a Autoridade Fiscal, com fundamento em legislação por ela citada e transcrita, deduções indevidas do Livro Caixa, relacionadas e individualizadas no "Demonstrativo das Despesas Não Comprovadas e Despesas Indedutíveis do AnoCalendário de 2004" (fls. 162/185). No tocante às glosas efetuadas, foram prestados esclarecimentos específicos relacionados a: despesa com pessoal a título de bônus e gratificação; dedução indevida de despesas com estagiários; dedução indevida da folha de pagamento; dedução de pagamentos efetuados a terceiros; dedução indevida do carnêleão; pagamento de aluguel e condomínio; dedução de despesas em nome das pessoas jurídicas Razão Consultoria das Relações de Consumo Ltda e Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos do Cidadão; despesas com imóvel situado em Itaipu Niterói; e despesas particulares. Em função do recolhimento a título de carnêleão em valor inferior ao devido mensalmente, foi lançada a multa isolada de 50% incidente sobre o imposto devido mensalmente e não pago, de acordo o artigo 44 da Lei 9.430/96, inciso II, alínea "b", com a nova redação dada pelo artigo 14 da Lei 11.488 de 15/06/2007. Além da multa isolada, foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 inciso II da Lei 9.430/96 tendo em vista estar configurado o evidente intuito de fraude conforme definido no artigo 72 da Lei 4502/64 assim como indícios de crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1º e 2° da Lei 8.137/90. Cientificado do Auto de Infração e do Termo de Verificação e Constatação Fiscal em 07/12/2009, conforme fl. 187, o Contribuinte apresentou Impugnação em 06/01/2010 (fls. 262/281), alegando, em síntese, que: Não procede a glosa das despesas efetuadas com estagiários. Estagiários são ínsitos à própria atividade do Advogado, que não pode dispensar a participação destes para a eficiente prestação dos serviços. Desta maneira, todas as despesas incorridas com os pagamentos aos estagiários devem ser mantidas, eis que necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. É transcrita a resposta n° 400, Fl. 640DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 395 4 do "Perguntas e Respostas " referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física Exercício 2009. Também não procede a glosa relativa aos abonos e gratificação, ao argumento de não terem sido recolhidos encargos trabalhistas e previdenciários. A eventual ocorrência de atraso, erro ou falta de pagamento de uma obrigação tributária com a Previdência não implica que as despesas respectivas deixem de dizer respeito à remuneração de terceiros com vínculo empregatício. A Fiscalização não contesta que tais despesas tenham sido feitas com os funcionários do Impugnante, portanto, não se trata de despesa não comprovada, mas considerada indedutível pela AFRFB. Não está correta a glosa das despesas incorridas com os funcionários do Impugnante lotados em São Paulo. Foram apresentados à Fiscalização a RAIS referente a tais funcionários e em anexo à impugnação, as GPS das competências de janeiro a maio de 2004, bem como o recolhimento do FGTS de dezembro de 2003 a abril de 2004. No tocante ao aluguel e condomínio das salas 1113 a 1115, da Avenida Rio Branco 185, tratamse de imóveis onde foi recebida a Fiscalização e onde se desenvolvem as atividades profissionais do Contribuinte. Não tem a mínima razoabilidade glosar despesas com uma ou outra sala em qualquer mês que seja, tento em vista ser impossível apartar o espaço físico ocupado. Está evidenciada a verossimilhança de todas as despesas incorridas com a totalidade das salas, seja com aluguel seja com o condomínio; devendo, portanto, ser restabelecida a dedução em sua totalidade. O imóvel de Itaipu é utilizado como apoio ao estabelecimento do Contribuinte, onde são arquivados documentos relativos a suas atividades profissionais. A manutenção de serviços de segurança e monitoramento no local demonstra a veracidade da informação prestada pelo Contribuinte. Ainda que a Fiscalização entendesse que o imóvel fosse considerado como também "utilizado para residência", não caberia a glosa total das despesas, uma vez, que, de acordo com o Parecer Normativo CST n° 60/78, poderia ser deduzida a quinta parte destas. E indevida a desconsideração das despesas em nome das pessoas jurídicas Razão Consultoria das Relações de Consumo Ltda e Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos do Cidadão IDDC. Transcreve o Impugnante os objetivos de tais pessoas jurídicas e aduz que as respectivas despesas são dedutíveis conforme resposta n° 399 do "Perguntas e Respostas", que trata das contribuições a sindicatos e associações. É correta a inclusão no Livro Caixa de despesas relativas à participação do Contribuinte em curso realizado na Escola de Magistratura do RJ. Tratase de dispêndio compatível com o exercício da atividade profissional e, consequentemente, com a Fl. 641DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 396 5 manutenção de suas receitas. Caso tenha havido engano na Declaração de Ajuste Anual, ao incluir tais gastos como despesa com instrução, caberia à Fiscalização a glosa desta e não eleger a dedução mais favorável (Livro Caixa) para incluir na base de cálculo. Por tal motivo, requer o Impugnante seja recomposta a despesa no Livro Caixa e, sendo o correto, excluíla da rubrica despesa com instrução. Da Multa Agravada Somente se justifica a aplicação de multa agravada, quando demonstrado o evidente intuito de fraude. A fraude não pode ser presumida, sendo o intuito de fraudar bastante diverso do erro de interpretação ou falha na escrituração de documentos. Caso fosse intenção do Contribuinte fraudar o Fisco, não haveria consignado e descrito claramente em seu Livro Caixa as despesas em relação às quais a AFRFB lançou a multa agravada. O intuito de fraudar implica simular despesas, falsear documentos, declarar despesas nunca incorridas ou outras condutas dolosas. A motivação apontada, de que o Contribuinte é Advogado e consta em seu site a especialidade tributária, não é apta a demonstrar intuito doloso. O fato de ser Advogado não exonera o Contribuinte da possibilidade de mal interpretar ou errar na aplicação da legislação. Ademais, o fato de atualmente constar em seu site a prestação de serviços em Direito Tributário não significa que o faça pessoalmente ou sozinho, nem que preste esse serviço no tocante a tributos federais. Assim, não restando comprovado, nem mesmo evidenciado o intuito do Contribuinte de fraudar, eis que em nenhum momento simulou despesas ou documentos, nem deixou de consignar a natureza dos gastos efetuados, há de ser declarada a improcedência da multa de 150%. Da Multa Isolada por Falta de Recolhimento do Carnêleão A multa por falta de recolhimento do carne leão não pode tomar como base de cálculo os rendimentos que já estejam sendo apenados com multa de ofício. Acerca da não coincidência entre as bases de cálculo de uma e outra multa não existe qualquer sombra de controvérsia, sendo unânime a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, cujos acórdãos exemplificativos são transcritos. A persistir a tributação a titulo de falta de recolhimento de carneleão, para a apuração da base de cálculo da multa de 50%, deverseia, a partir da base de cálculo declarada pelo Contribuinte, calcular o imposto devido, subtraindose deste o imposto recolhido. Da Decadência E incontroverso que o Imposto de Renda da Pessoa Física adequase ao conceito de lançamento por homologação, sendo Fl. 642DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 397 6 sua regra decadencial contada a partir do fato gerador do tributo. Diferentemente do IRPF resultante do ajuste anual em 31 de dezembro, o imposto devido a título de carneleão incide e é devido mensalmente, conforme, aliás, espelha a apuração feita pela Auditora Fiscal no demonstrativo de fls. 196 a 197. O lançamento da multa do carne leão difere daquele relativo ao do imposto com fato gerador anual. Os demonstrativos das infrações 001 e 002 explicitam, claramente, a diferença entre as datas de seus fatos geradores, ou seja, fato gerador mensal, em confronto com o anual. Ao Fisco é possível cobrar e efetuar o lançamento de ofício do imposto e da multa relativos ao recolhimento mensal obrigatório, no dia seguinte ao vencimento, o que confirma o termo a quo do prazo decadencial, ou seja, o mês seguinte ao recebimento dá renda. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 07/12/2009, não há sustentação para a cobrança relativa a pretensos fatos geradores ocorridos até novembro de 2004. Assim, quanto às infrações 002 e 003, deve ser declarada a improcedência do lançamento tributário, quer seja pela decadência do direito do Fisco, quer pela incorreta imposição da multa sobre base de cálculo decorrente de despesas glosadas.” A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 352/374, que restou assim ementado: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA CARNÊLEÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a multa isolada uma exigência decorrente do descumprimento da obrigação principal de recolher o carnê leão apurada mensalmente, seu fato gerador, quando do não recolhimento, se dá mensalmente, adequandose, no caso de recolhimento parcial do carnêleão, à sistemática do lançamento por homologação previsto no § 4 o do art. 150 do CTN. DESPESAS DEDUTÍVEIS NO LIVROCAIXA. São dedutíveis no livrocaixa os dispêndios que comprovadamente refiramse a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício; a emolumentos pagos a terceiros; ou a despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUTIBILIDADE NO AJUSTE ANUAL. São dedutíveis no ajuste anual as despesas com curso de especialização do contribuinte, não havendo opção de dedução destas despesas no Livrocaixa. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 398 7 DESPESAS COM IMÓVEL RESIDENCIAL. INDEDUTIBILIDADE NO LIVROCAIXA. São indedutíveis no Livrocaixa as despesas incorridas para manutenção de imóvel residencial quando as atividades profissionais do Contribuinte são exercidas em endereço comercial distinto do residencial. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS. DEDUÇÕES NO LIVRO CAIXA A alegação de extravio de documentos não se presta para afastar a incidência tributária prevista em lei, sobretudo quando não se exclui a possibilidade de obtenção de comprovantes dos pagamentos das despesas junto aos respectivos beneficiários. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito do Contribuinte de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda. MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. E cabível o lançamento da multa isolada sobre carne leão não recolhido concomitante à multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração inexata, visto se tratarem de infrações distintas. Regularmente cientificado daquele acórdão em 07/04/2011 (fl. 375), o interessado, representado por sua advogada (fl. 289), interpôs recurso voluntário de fls. 385/405, em 06/05/2011. Em sua defesa, discorda do entendimento da decisão recorrida que considerou pertinente a cumulação entre a cobrança da multa do carnêleão com a multa por lançamento de ofício, relativamente ao mês de dezembro de 2004, após ter reconhecido a decadência do lançamento da multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão referente aos períodos de janeiro a novembro de 2004. Alega que a DRJ inovou ao manter a glosa de bônus e gratificações, que foram considerados indedutíveis pela fiscalização, ao considerálos dedutíveis porém não comprovadas. Afirma que a DRJ manteve parcialmente a glosa das despesas incorridas com os funcionários lotados em São Paulo, considerando que não teriam sido comprovados, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004 parte dos ordenados desses funcionários, sendo que foi apresentado à fiscalização a RAIS referente a tais funcionários. Ademais, traz, em anexo, as GPS de competência de janeiro a maio de 2004, bem como o recolhimento do FGTS, de dezembro de 2003 a abril de 2004. No tocante ao aluguel e condomínio das salas 1113 a 1115, da Avenida Rio Branco 185, aduz ser cristalino tratarse de imóveis onde foi recebida a fiscalização e onde se desenvolvem suas atividades profissionais, razão pela qual não tem a mínima razoabilidade glosar despesas com uma ou outra sala em qualquer mês que seja, uma vez que se verifica fisicamente impossível apartar o espaço físico ocupado, aleatoriamente, e em determinados meses alternativamente. Entende ser indevida a glosa das despesas com o imóvel de Itaipu, bem como das despesas em nome das pessoas jurídicas Razão Consultoria das Relações de Consumo Ltda e Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos do Cidadão. Pretende seja recomposta a despesa referente à Escola de Magistratura do RJ no Livro Caixa, excluindoa da rubrica despesas com instrução. Em relação às demais despesas glosadas, vem corroborar o caso fortuito que motivou a deficiência em seus registros Fl. 644DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 399 8 (extravio de documentos), juntando, para tanto, o boletim de ocorrência policial e, também, as notificações extrajudiciais feitas aos prestadores cujos pagamentos foram efetuados pelo Impugnante. Diz juntar a este recurso os comprovantes de despesas disponíveis, que também afastam as glosas por Não Comprovação feitas pela Auditora. Prega que não restou comprovado, nem mesmo evidenciado o intuito de fraude, eis que em nenhum momento simulou despesas ou documentos, nem deixou de consignar a natureza dos gastos efetuados, portanto, há de ser declarada a improcedência da multa de 150%. Por fim, suscita a nulidade do feito, por absoluto erro na apuração da matéria lançada, sob o argumento de que toda a auditoria fiscal levou a AFRFB a constatar que, por todas as características mediante as quais se desenvolveram as atividades profissionais do Contribuinte, o legalmente correto seria o seu enquadramento como Pessoa Jurídica. Entretanto, possivelmente por efetuar uma autuação mais gravosa ao sujeito passivo na qualidade de Pessoa Física, foi desconsiderada a regra segundo a qual, na hipótese de dúvida entre o dispositivo aplicável, devese eleger o menos gravoso ao Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, quanto à suscitada nulidade do auto de infração, essa não merece acolhida. Diferentemente do alegado, a autoridade lançadora, em momento algum, sinalizou com provas circunstanciais que conduzissem à equiparação à pessoa jurídica, mormente considerando que o recorrente, em que pese o auxílio de empregados, exerce sua atividade de advogado de forma individual e, portanto, deve seguir a regra de tributação da pessoa física, conforme disposto no art. 150 do RIR/1999. Ademais, cabe ressaltar que o art. 59, do Decreto n° 70.235, de 1972 especifica como hipóteses de nulidade, os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, às quais não se aplicam ao presente procedimento fiscal. No mérito, quanto à glosa da dedução de despesas escrituradas no livro caixa, serão apreciados a seguir os questionamentos apresentados pelo recorrente. O interessado alega que a DRJ inovou ao manter a glosa de bônus e gratificações, que foram considerados indedutíveis pela fiscalização, ao considerálos dedutíveis porém não comprovadas. Relativamente às despesas com bônus e gratificações, a fiscalização assim fundamentou a referida glosa: “Da leitura do histórico no Livro Caixa, verificase que o contribuinte deduziu como despesas com pessoal pagamentos efetuados a título de bônus e gratificação. De acordo com o inciso I do artigo 75 do RIR/99 , a dedutibilidade das despesas Fl. 645DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 400 9 com remuneração a terceiros sujeitase ao vínculo empregatício e portanto, as gratificações e bônus devem compor a base de cálculo dos encargos trabalhistas e previdenciários. No entanto, nas folhas de pagamento apresentadas às fls. 5 a 115 do Anexo Único não se verifica a inclusão de bônus ou gratificação na remuneração dos funcionários, cabendo à fiscalização glosar estes pagamentos por serem indedutíveis. Sobre o assunto, a decisão recorrida esclareceu que: “assiste razão ao Impugnante quando afirma em suas alegações que o não recolhimento de eventuais encargos trabalhistas e previdenciários incidentes sobre rendimentos de trabalhadores com vínculo empregatício não torna tais rendimentos indedutíveis. De fato, em sendo os pagamentos efetuados a trabalhadores com vínculo empregatício, pode tal despesa ser dedutível no Livrocaixa. Contudo, o que se deve observar na motivação dada pela Fiscalização para a glosa é a ausência dos bônus e gratificações nas folhas de pagamentos apresentadas pelo Contribuinte. Se dentre as rubricas das folhas de pagamentos apresentadas não constaram os bônus e gratificações lançados no livrocaixa, o que se presume é que tais verbas não foram pagas a nenhum dos empregados listados, sendo, dessa forma, indedutíveis no Livro caixa. Observese que não houve inovação alguma no que se refere a esse aspecto, devendo ser mantida a glosa, uma vez que não foram apresentados documentos que demonstrem a natureza de tais verbas e quem foram os beneficiários dos pagamentos. Em seguida, afirma o recorrente que a DRJ manteve parcialmente a glosa das despesas incorridas com os funcionários lotados em São Paulo, considerando que não teriam sido comprovados, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004 parte dos ordenados desses funcionários, sendo que foi apresentado à fiscalização a RAIS referente a tais funcionários. Ademais, traz, em anexo, as GPS de competência de janeiro a maio de 2004, bem como o recolhimento do FGTS, de dezembro de 2003 a abril de 2004. Ao apreciar essa questão, a decisão de 1ª instância concluiu: Da análise conjunta das GFIPs e Rais apresentadas comparadas às despesas de remunerações e FGTS lançadas no Livrocaixa e glosadas pela Fiscalização, relacionadas a funcionários do Contribuinte lotados em São Paulo, devem ser consideradas comprovadas as seguintes deduções: MÊS FGTS LivroCaixa Remuneração Livrocaixa (Ordenados) Valor Glosado Valor Acatado Glosa Mantida Valor Glosado Valor Acatado Glosa Mantida 01/2004 R$ 168,87 R$ 135,69 R$ 33,18 R$3.114,20 R$ 1.619,06 R$ 1.495,14 02/2004 R$ 272,20 R$ 132,19 R$ 140,01 R$ 3.220,44 R$ 1.555,24 R$ 1.665,20 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 401 10 03/2004 R$ 246,32 R$ 135,45 R$ 110,87 R$ 2.834,00 R$ 1.593,54 R$ 1.240,46 04/2004 R$ 140,81 R$ 140,81 R$ 0,00 R$ 1.500,00 R$ 1.656,67 R$ 0,00 05/2004 R$ 0,00 RS 0,00 RS 0,00 R$ 1.141,00 R$ 1.375,64 R$ 0,00 Ainda, no item “3. Guias de Recolhimento Rescisório do FGTS” do acórdão recorrida, foi destacado que: Cumprese frisar que nos valores de FGTS glosados acima discriminados não foram incluídos os referentes aos funcionários lotados em São Paulo, visto que a análise das respectivas GFIPs já foi realizada em item anterior do presente Voto. Registrese, ainda, que os valores das GFIPs de fls. 314 a 316, lançados no Livrocaixa, não foram glosados pela Fiscalização, sendo estes documentos, portanto, inaptos a alterar os valores do Auto de Infração No item “4. GPS Rio de Janeiro das competências 12/2004 e 13/2004 (fls. 311/312) e GPS – São Paulo das competências 01/2004 a 05/2004 (fis. 317/322)”, consta que: As GPS referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobres as remunerações dos funcionários lotados em São Paulo apresentam os seguintes valores: Observase no Demonstrativo de Despesas não Comprovadas e Despesas Indedutíveis (fls. 162/185) que não houve glosa de valores referentes às GPS das competências 02 e 03/2004, pagas em 19/02/2004 e 02/04/2004, respectivamente. As demais GPS mostramse hábeis a comprovar a dedutibilidade das seguintes despesas glosadas: Mês Valor Glosado (A) Competência GPS Data Pagamento Valor Pago (B) Glosa Mantida (AB) 01/2004 R$ 454,33 01/2004 30/01/2004 R$418,60 R$ 35,73 03/2004 R$515,55 03/2004 31/03/2004 RS 515,55 R$ 0,00 04/2004 R$ 473,47 04/2004 29/04/2004 R$ 473,47 RS 0,00 Como se vê, já foram computadas todas as despesas consignadas nos documentos citados pelo recorrente, bem como demonstrado os valores glosados que restaram mantidos. O recorrente, por seu turno, contesta as glosas mantidas, sem, contudo, indicar qualquer inconsistência existente no levantamento então procedido. Com efeito, não merece reparos a decisão recorrida relativamente a glosa em tela. As glosas das despesas de aluguel e condomínio referentes às salas 1.113 a 1.115 situadas à Avenida Rio Branco 185, a despeito dos argumentos do interessado, devem ser mantidas, pois não houve a comprovação do efetivo pagamento das despesas lançadas no livro caixa, ou seja, não constam dos autos qualquer documento que comprove o efetivo dispêndio dos valores lançados no Livrocaixa a título de condomínio da sala 1.114 e de aluguel e condomínio da sala 1.113, conforme registrado pela decisão guerreada. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 402 11 Nada há a censurar o procedimento fiscal, no que diz respeito à glosa das despesas com o imóvel de Itaipu, tendo em vista que, pelo que consta dos autos, tratase de imóvel residencial cujo endereço é diverso daquele onde o Contribuinte exerce suas atividades profissionais. Ou melhor, não restou comprovado que os gasto com o referido imóvel consistem em despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Melhor sorte não socorre o recorrente no que se refere à glosa das despesas em nome das pessoas jurídicas Razão Consultoria das Relações de Consumo Ltda e Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos do Cidadão, eis que, consoante comprovantes de fls. 121, 126, 131 do Anexo Único, cuidam de recibos de pagamento de boletos bancários nos quais figuram como sacadas as pessoas jurídicas Razão Consultoria das Relações de Consumo e Instituto Brasileiro de Defesa do Cidadão – IDDC. Isto é, não é permitido considerar que despesas de outras pessoas sejam deduzidas no Livrocaixa do contribuinte. Também não há como acatar a pretendida exclusão da despesa com instrução declarada pelo contribuinte referente aos pagamentos efetuados à Emerj (curso de especialização em Direito Imobiliário), informadas na relação de pagamento e doações efetuado em montante de R$ 3.120,00 (sendo que deste total foi deduzido, em razão do limite legal para dedução desta despesa, o valor de R$ 1.998,00), para considerála como dedução do livrocaixa, considerando que, de acordo com a legislação de regência, tal gasto não deve ser lançada como despesa no Livro Caixa, pois é deduzida à parte, como o foi, a título de despesas com instrução. Salientese que a Pergunta n° 404 do Perguntas e Respostas mencionada pelo recorrente não se reporta a despesas como cursos, mas tãosomente a despesas com congressos e seminários. Portanto, não se aplica ao presente caso. No mais, verificase que o recorrente não apresentou novos elementos de prova que efetivamente pudesse comprovar as demais despesas pleiteadas como deduções a título de Livro Caixa. Ressaltese que o extravio de documentos não é motivo suficiente para afastar o dever de sua apresentação, cabendo ao contribuinte providenciar as respectivas segundas vias e, em caso, de não obtêlas, deve arcar com os créditos tributários decorrentes. No tocante à aplicação da multa de oficio qualificada, impende verificar se a conduta estampada nos autos coadunase aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502/1964. As infrações decorrentes de glosas de despesas ou omissões de rendimentos são apenadas, como regra, com multa de ofício de 75%. Inclusive, foi editada a Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”, a demonstrar que a simples omissão de receitas ou rendimentos não autorizam a qualificação da multa de ofício. Nesse sentido, para qualificar a multa de ofício, mister a ocorrência de uma conduta delituosa que exceda a simples omissão de rendimentos ou a glosa de despesas. Neste último caso, como exemplo, a qualificação da multa deve ser mantida quando o contribuinte Fl. 648DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 403 12 utiliza um documento que se reputa falso, ideológica ou materialmente, para alicerçar a despesa dedutível, tal como um recibo ou nota fiscal inidônea. Não foi o que aconteceu nestes autos. Tratouse, na espécie, de glosa de despesas pleiteadas como deduções a título de Livro Caixa, para as quais o contribuinte não apresentou os comprovante de pagamentos hábeis a confirmar as despesas declaradas. Frisese que não foi demonstrada a utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos, aí sim, uma hipótese que autorizaria a qualificação para o caso vertente. Assim, considerando que não se conseguiu imputar ao recorrente uma conduta adicional, além da decorrente de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de Livro Caixa, devese desqualificar a multa de ofício. Outrossim, temse que a multa isolada mantida, referente ao período de apuração dezembro de 2004, tem como base de cálculo imposto devido corresponde à dedução glosada a título de livrocaixa, ou seja, sobre essa base de cálculo incidiu a multa isolada decorrente da falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão e a multa vinculada de 75%. A impossibilidade da aplicação de duas multas sobre a mesma base de cálculo é matéria pacífica na Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: “IRPF. MULTAS ISOLADAS E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Processo 19647.003479/200310, Acórdão n° 9202 00.883, sessão de 11/05/2010). Neste sentido, deve ser cancelada a multa exigida isoladamente. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada por falta de recolhimento do CarnêLeão, bem como para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 649DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 12898.002241/200961 Acórdão n.º 2801002.598 S2TE01 Fl. 404 13 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N
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Numero do processo: 10980.008110/2008-42
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.406
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.008110/200842 Acórdão n.º 2801002.406 S2TE01 Fl. 88 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento às fls. 05/07, onde está o fisco a exigir do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 8.502,50, a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, incluídos a multa de oficio de 75% e os juros de mora, estes calculados até 30/05/2008. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada para o exercício de 2004, anocalendário 2003, resultando na glosa de dedução com despesas médicas no montante de R$ 13.290,15, em razão da não comprovação dos pagamentos “com disponibilidades de numerários coincidentes em data e valores”. Após a ciência do lançamento o interessado apresentou impugnação, à fl. 01, alegando, em síntese, que, além de recibos e extratos bancários, juntou ao processo declarações emitidas pelos profissionais prestadores dos serviços atestando que os pagamentos foram efetuados em espécie. Ao apreciar o litígio, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba(PR) decidiu, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo a exigência do crédito tributário, nos termos do Acórdão nº 0631.042, de 05/04/2011, às fls. 13/15. Cientificado do resultado do julgamento a quo em 18/05/2011, o contribuinte interpôs recurso em 20/06/2011, reiterando seus argumentos de defesa, mas sem apresentar preliminar quanto à tempestividade na apresentação da peça recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. De início, cabe apreciar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte em face da decisão proferida em primeira instância. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.008110/200842 Acórdão n.º 2801002.406 S2TE01 Fl. 89 3 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifei) No caso, a ciência ao contribuinte do Acórdão da 4a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR se deu em 18/05/2011 (quartafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR à fl. 20 dos autos. Ocorre que, somente em 20/06/2011 (segundafeira), após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso a este Conselho, foi apresentada petição, sem discussão quanto à sua tempestividade. O término do prazo para apresentação de Recurso Voluntário se deu em 17/06/2011 (sextafeira). Deste modo, está caracterizada a intempestividade da defesa apresentada, face o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, acima transcrito. Isto posto, VOTO por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 13866.000207/2002-16
Data da sessão: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA.
Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal.
INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO.
Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato fisico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado.
EXCLUSÕES LEGAIS.
No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA
DA TAXA SELIC.
É incabível a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3803-000.510
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para admitir a inclusão, na base de cálculo do beneficio, do valor das aquisições de cal virgem, empregada na lavagem da cana-de-açúcar. Vencido o Conselheiro
Daniel Maurício Fedato (Relator), que negou provimento ao recurso e o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin, que admitiu também a inclusão na base de cálculo do valor das aquisições de insumos a pessoas físicas. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato fisico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado. EXCLUSÕES LEGAIS. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic. Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não- contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. INSUMOS, GASTOS GERAIS DE. FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato fisico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado, EXCLUSÕES LEGAIS. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos.. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Sebe. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. lexan lre Kern - Presidente Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para admitir a inclusão, na base de cálculo do beneficio, do valor das aquisições de cal virgem, empregada na lavagem da cana-de-açúcar. Vencido o Conselheiro Daniel Maurício Fedato (Relator), que negou provimento ao recurso e o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin, que admitiu também a inclusão na base de cálculo do valor das aquisições de insumos a pessoas fisicas. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. _...._ Bekhidr- Melo d-é-S8usa — Redator Designado Partiparam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato (Relator), Fïélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Permeei Fiorin, Relatório Trata a matéria de Ressarcimento de Crédito Presumido de 1.P1, no montante de R$ 51281,35, referente ao período do quarto trimestre de 1998. A Interessada se insurge contra o Acórdão n" 14-14.702, proferido pela 2" Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que indeferiu o pleito com a seguinte consideração, "...o pedido de documento a posteriori à apresentação da manifestação de inconfOrmidade não pode ser aceito e dele não se toma conhecimento, pois a questão encontra-se preciosa.... ". Ementa da Decisão: "CRÉDITO PRESUMIDO DE IPL INSUMOS PESSOA FÍSICA.. Os valores referentes às aquisições de illS111770S de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal„ INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato fisico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado.. EXCLUSÕES LEGAIS. 3 Processo n" 13866 000207/2002-16 83-TE03 Acórdão n° 31303-00„510 Fl. 269 No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos RESSARCIMENTO. ATUALIZA çAio MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC É incabível a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Se/ie." A descrição dos fatos demonstra que em 27.06,2002, a Recorrente ingressou Pedido de Ressarcimento (fl..1).. Ocorre que sua solicitação não foi alcançada, pois teve como base para decisão, as informações apuradas no Termo de Informação Fiscal (fls. 49/56), em virtude das seguintes retificações efetuadas no cálculo do incentivo fiscal: "1. Apuração irregular das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na produção dos produtos acabados e não-vendidos; .2, Exclusão de valores de compras de instarias (cana de açúcar) de pessoas físicas não contemplados pela legislação regente do crédito presumido. 3. Exclusão de valores que não são caracterizados como matéria-prima, produtos intermediários e inalei-ia! embalagem; 4. Exclusão dos valores de insumo correspondente a 20% da cal virgem, utilizada para lavagem da cana-de-açúcar," Com o resultado das correções efetuadas no cálculo do crédito presumido, foi apurado um valor de crédito de R$ 7..043,74 (sete mil, quarenta e três reais e setenta e quatro centavos), que excluído o valor compensado com o IPI devido acumulado, no valor de R$17„468,14, resultou um saldo final negativo de IPI, não sendo homologadas, portanto, as compensações dos débitos da Cofins e PIS, constante da declaração de compensação de fl. 122 dos autos, sendo esta relativa ao processo administrativo n° 13866.000423/2002-61, anexado ao presente processo, conforme termo de juntada de processo por anexação de fi.. 121 dos autos, Não satisfeita com a Decisão do Despacho Decisório (fis,58/60), apresentou em suma a seguinte manifestação: 1. Inicia fazendo uma remissão às normas que instituíram o crédito presumido, bem como previram a possibilidade de compensação do crédito presumido de IPI com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. 2. Alega que é inconteste o direito da requerente em proceder à adição dos valores relativos aos illS111110,5 utilizados na industrialização de produtos inacabados ou acabados e não vendidos, que haviam sido excluídos da base de cálculo apurada no 3" trimestre de 1998, na base de cálculo do 4" trimestre de 1998. 3.Assevera que é ilegítima a exclusão dos valores relativos aos inSUMOS utilizados na produção de produtos inacabados e dos produtos acabados e não vendidos no 4" trimestre de 1998, tendo em vista .falta de disposição expressa na Lei n" 9.363/96 e inexistência de prejuízo ao Fisco. 4. Questiona a exclusão das compras de insumos de não contribuintes da COF1NS e do PIS, especialmente aquelas realizadas de pessoas .físicas, por considerar que a Lei n" 9.363/96 não faz qualquer restrição neste sentido, bem como referidas contribuições encontrarem-se embutidas no preço dos illS1117105 adquiridos pela requerente das pessoas físicas produtoras de cana-de-açúcar. 5 Argúi que o in,s-urno "cal virgem", misturado na água a ser utilizada na lavagem da cana-de-açúcar, exerce contato físico com o produto, sendo, portanto, inconteste o direito de inclusão dos valores relativos à sua aquisição na base de cálculo do crédito presumido cio .1PL Tais razões valem também para os insztmos "Dearborn T38" e "Dearborn Z25". 6 Tem direito à aplicação da atualização monetária de seu crédito presumido do objeto do ressarcimento, pela taxa SELIC, 7. Requer a homologação da declaração de compensação apresentada, fl. 122 dos autos, na medida em que há direito ao ressarcimento do crédito pleiteado," Com essa fundamentação, protestou pela posterior juntada de documentos necessários à resolução da lide. Como a URI não acatou seu pedido pelas considerações já citadas, apresenta a este Conselho, Recurso Voluntário repisando sua defesa (f is. 233/256), solicitando: a) que seja dado provimento ao presente Recurso, a fim de que os créditos pleiteados sejam reconhecidos em sua totalidade, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas; b) requer, outrossim, a juntada dos documentos comprobatórios do arrolamento de bens e direitos, na forma exigida pelo artigo 33 do Decreto n° 70135/72, com a redação dada pela Lei n° 10,522/2002 e Instrução Normativa SRF n° 264/2002; c) por fim, requer a posterior juntada de novos documentos que venham a auxiliar o julgamento desta demanda, face ao Principio da Verdade Material e protesta pela Sustentação Oral do alegado. Destacando ainda que, "...justamente em razão do Princípio da Verdade Material, que rege o processo administrativo, é que a questão, ao contrário da r. decisão, não se encontra preelusa...", Em síntese, é o Relatório. 4 5 Processo o" 13866 000207/2002-16 S3-1T03 Acórdão o" 3803-00.510 Fl. 270 Voto Vencido Conselheiro Daniel Maurício Fedato, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Conforme relatório demonstra, a Recorrente ingressa sua defesa contra a decisão que indeferiu seu pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, decorrente de exclusões efetuadas em seu cálculo do beneficio. No que se refere a questão do ajustes de estoques, que a Interessada alega o direito em proceder ., à adição dos valores relativos aos insumos utilizados na industrialização de produtos inacabados ou acabados e não vendidos, que haviam sido excluídos da base de cálculo apurada no 3" trimestre de 1998, e adicionados na base de cálculo do 4' trimestre de 1998. Informo que esses ajustes estão previstos no artigo 3' da Portaria MF 38/97, que regulamentou o cálculo e a utilização do crédito presumido, instituído pela Lei n" 9,363/96: Art. 3" O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o „fim específico de exportação.. ) § 3" No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. § 4" O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior, (grifo acrescido), Argumenta a interessada que se no 3' trimestre do ano-calendário de 1998, „deveria proceder a exclusão do valor dos inS1111105 utilizados na industrialização de produtos inacabados ou acabados e não vendidos, o mesmo valor deveria .ser adicionado na base de cálculo do crédito presumido relativo ao 4" trimestre de 1998, Ocone que no demonstrativo fiscal, não efetuou qualquer exclusão de valor relativo a insumos utilizados na produção de produtos acabados e não vendidos, relativamente ao 3" trimestre de 1998, Visto que, efetuou exportações no 2°, 3 0 e 4° trimestre de 1998, só neste último é que deverá ser efetuada a exclusão do valor dos insumos utilizados na produção de produtos acabados e não vendidos, conforme determina o § 3" citado acima.. Foi exatamente o que ocorreu, pois no último trimestre do ano efetuou-se a exclusão, relativo às matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. A respeito das aquisições de insumos de pessoas fisicas, foram expurgadas da base de cálculo do incentivo as compras realizadas de não-contribuintes de PIS e COFINS, ou seja, de pessoas fisicas.. Observe-se que o crédito presumido do IPI foi instituído pela Medida Provisória n" 948, de 1995, convertida na Lei n" 9,363, de 1996, com o escopo de promover a desoneração fiscal das contribuições do PIS e da COFINS, incidentes sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem no mercado interno, para utilização no processo produtivo do produtor exportador. Assim, deve ser observado, também, que o art. 6" da sobredita lei autorizou o Ministro da Fazenda a baixar os atos necessários ao cumprimento dos seus dispositivos, tendo a Portaria MF n" 38, de 27 de fevereiro de 1997, por meio do art. 12, autorizado a Secretaria da Receita Federal a expedir as normas complementares para a implementação do incentivo fiscal em debate. Ou seja, trata-se de um crédito presumido, porém, o ato de presumir, na realidade, traduz-se no fato de considerar o crédito em lide como se de IPI fosse, ou seja, mediante a concessão de um crédito extrafiscal no âmbito do IPI — analogamente a um crédito- prêmio de IPI— é feito o ressarcimento das espécies tributárias em discussão que incidem nas aquisições de insumos. É relevante frisar que a Lei n° 9.363, de 1996, no seu art. 1", determina que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e COF1NS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Não há a necessidade de comprovação do recolhimento dos tributos em foco pelos fornecedores dos insumos, todavia, a respectiva percussão sobre as aquisições deve ocorrer. Nota-se então o equívoco, porque há menção expressa no texto legal aos tributos incidentes sobre as aquisições, seja porque, para haver ressarcimento, vale dizer, indenização, reparação, compensação de valor relativo a determinado tributo, é necessário, antes de mais nada, que esse tributo tenha efetivamente incidido nas operações que tenham dado causa ao valor pleiteado, com a gravação dos insumos. Admitir o contrário, ou seja, acatar o ressarcimento independentemente da incidência das aludidas contribuições nos insumos, na prática, além de extrapolar o mandamento legal, também descaracterizaria o incentivo fiscal em questão, para se constituir em mera benesse aos exportadores, ao deferir créditos que não correspondam a uma compensação pelo ônus efetivamente suportado nas aquisições. Se a intenção do legislador fosse não levar em conta a incidência das contribuições em comentário sobre as compras de insumos, teria ele previsto a concessão do beneficio fiscal sem qualquer vinculação, isto é, este seria calculado diretamente sobre o valor das exportações, como ocorria com o crédito-prêmio de IPI de que trata o Decreto-Lei n° 491, de 05 de março de 1969, art. 1". As pessoas físicas não são contribuintes de PIS e COFINS, neste diapasão, evoco a Instrução Normativa SR': n°23, de 13 de março de 1997, art. 2", § 2": "§ 2" O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, confbrine definida no art. 2" da Lei n" 8,023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria- prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em 7 Processo n" 13866 00020712002-16 Acórdão o." 3803-00,510 S3-TE03 Fl 271 relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." A Lei n" 9.363, de 1996, art„3", refere-se ao "valor constante da respectiva nota .fiscal de venda emitida pelo fOrnecedor ao produtor exportador ." ao dispor sobre a apuração do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. A pessoa física normalmente não emite nota fiscal de venda (pode haver a emissão de nota de produtor), e, destarte, não há base para a aplicação da aliquota presumida de 5,37%; normalmente, o adquirente de insumos nessas circunstâncias emite nota fiscal de entrada para a devida escrituração das aquisições nos livros fisco-contábeis, Ressalte-se o posicionamento firmado no item 10 da orientação interna da Secretaria da Receita Federal, aprovada pela Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n" 312, de 1998, divulgada no Boletim Central SRF n" 147, de 1998, nos seguintes termos: "10) Tendo-se em vista que o índice de 5,37% utilizado para cálculo do benefício corresponde a duas operações sucessivas sujeitas a pagamento de PIS/COFINS, ocorrendo a hipótese de mercadorias fornecidas na segunda operação terem sido adquiridas de pessoas físicas produtor rural, sociedades cooperativas (ou outros não sujeitos ao pagamento daquelas contribuições), ou seja, tendo havido apenas uma operação com pagamento de P1S/COFINS, qual o procedimento a adotar para corrigir o aumento indevido no montante do benefício? R) Não há nenhum procedimento especifico a ser adotado em função do número de etapas anteriores. O índice a ser adotado é sempre 5,37%. No caso de o insumo ser .fOrnecido por pessoa jurídica não sujeita ao P1S/PASEP e COFINS, ou pessoa física, não há direito ao crédito presumido destes insumos (ainda que em etapas anteriores a estes fbmecedores tenha havido incidência das contribuições). Deve ser observada a regra do ,sç 2", do art. 2" da 1N23/97. Acerca da aquisição de insumos de fornecedores não-contribuintes de PIS e COFINS, pode ser suscitado o Parecer PGFN/CAT/N° 3092/2002: "Despacho • Aprovo o Parecer PGFN/CAT/N" 3092/200.2, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, cuja conclusão é no sentido de que o crédito presumido, de que trata a Lei n" 9„363, de 1996, somente será concedido ao produtor/exportador que adquirir inS1111105 de Ibrnecedores que efetivamente pagarem as contribuições instituídas pelas Leis Complementares n" 7 e n" 8, de 1970, e 70, de 1991" Com esse raciocínio, correta a glosa das aquisições de cana-de-açúcar de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido. A respeito dos insumos e conceitos, cal virgem, e "Dearbom T38" e "Dearbom Z25", apresento as considerações do Relator da DRI; "No que concerne à natureza dos gastos com cal virgem, "Dearborn T38" e "Dearborn Z25", entre outros, não consumidas no processo de industrialização, impende consignar que a legislação que rege a matéria para o eleito de cálculo do crédito presumido não se refere a /173'111110S genericamente utilizados na produção, mas especificamente à matéria-prima, ao produto intermediário e ao material de embalagem, Logo, para se considerar que tais gastos ensejam em direito ao crédito presumido, estes terão que se enquadrai . ' em algum daqueles insumas citados. O parágrafo único do art. 3" da Lei n" 9,363, de 1996, assim dispõe.' Art. 3°- Parágrajb único - Utilizar-se-á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, niatéria-prim a, produtos intermediários e material de embalagem.(Grilbu-se) Por sua vez, a Portaria 11/1F n°38 e a IN SRF n°23, ambas de 1997, que também regulamentam os dispositivos da Lei 9 363, de 1996, preceituam de modo expresso, no 16, do art. 3", e parágrafo único, do art. 8", respectivamente, que.. "Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI". Sendo assim, nos termos do disposto no parágralb único retro, para efeito de crédito do imposto, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — RIPI - aprovado pelo Decreto n" 2.637, de 25 de junho de 1998 — RIPI/98, no inciso I do seu art. 147, esclarece que se incluem no conceito de matéria-prima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. Observo pertinente o Parecer Normativo CST n" 65, já demonstrado no relatório da DRJ. Elucida a correta interpretação do inciso 1 do art., 66 do RIPI, 1979, o qual corresponde ao mencionado inciso I, do art. 147, do RIPI, de 1998.. Pela importância do entendimento ali expendido.. Que demonstra o objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os insumos consumidos na industrialização poderiam ser considerados matérias-primas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito. Esclarece, assim, que, dos insumos consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matérias-primas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Além do item n" 13 do Parecer Normativo n" 181, de 23, de outubro de 1974, também já demonstrado., 9 Processo o" 13866.000207/2002-16 Acórdão o." 3803-00.510 S3-TE03 F I '772 Nos termos dos Pareceres e em consonância com o inciso I do art. 147, do RIPI, de 1998, geram direito ao crédito, além das matérias-primas, produtos intermediários "stricto-sensu" e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em fünção de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. A Recorrente deixa claro que, embora tais produtos não sejam bens do ativo e tenham sido consumidos ou gastos para que se dê o processo industrial, não tiveram contato fisico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado. Esse entendimento, inclusive, conta com animo no Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, conforme testificam as ementas de Acórdãos já expostos. O valor correspondente ao consumo destes bens deve ser considerado como gasto geral de fabricação, ou custo indireto, incorrido na produção, sendo, via de regra, atribuído aos produtos por meio de rateio, como também os são outros custos incorridos, tais como inspeção, manutenção, almoxarifado, supervisão, seguros e administração da fábrica. Assim, por todo o exposto, deve-se concluir pela improcedência da interpretação e dos argumentos levantados pela empresa em sua manifestação. Sob o aspecto da inaplicabilidade da taxa selic na atualização do crédito presumido, do pedido de atualização monetária do crédito postulado, não se aplica aos ressarcimentos a norma do art. 66, § 3" da Lei IV 8.383, de 1991 e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central n° 46, de 25 de março de 1992. Aludida norma trata de restituição por pagamento indevido, ao passo que o presente feito se refere ao ressarcimento de crédito como incentivo fiscal à exportação, que não é a hipótese prevista na lei. Alias, não existe legislação especifica que preveja a atualização monetária (ou a incidência de juros) sobre o ressarcimento de créditos do IPI. Pelo contrário, a Instrução n" 460, de 18 de outubro de 2004, é taxativa ao dizer, no § 5" do seu art. 51. No contexto da compensação, tendo em vista o não reconhecimento do direito ao crédito presumido do IPI, nos termos pretendidos pela requerente, as compensações pertencentes ao presente processo não foram homologadas. E na argumentação do pedido de juntada posterior de provas, evoco os parágrafos 4" e 5" do art. 16 do Decreto n°70.235, que trata do PAF, redação dada pelo art.. 67 da Lei n" 9..5.32, de 1997: "Art. 16, A impugnação mencionará ) § 4 r A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual , a menos que.: (Parágrafo e alíneas acrescentados pela Lei n"9.53.2, de 10.12.1997) 10 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de fbrça maior; b)refira-se afalo ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor . fatos ou razões- posteriormente trazidas aos autos.. ,yr 5" - A juntada de documentas após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com . fitndanzentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágralb anterior" Em obediência a legislação acima a qual sou submetido, não posso tomar conhecimento. A questão encontra-se preclusa. Diante do exposto, nego deferimento. .e 41.--4 (o/- -- Daniel Maurício Fedato Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Redator Designado A divergência apontada na discussão do presente processo diz respeito unicamente à identificação tática de que a cal virgem é produto indispensável no processo produtivo seja do açúcar ou do álcool, e o atendimento do requisito do PN n" 6.5/79, segundo o qual a matéria-prima, o produto intermediário ainda que não se incorpore ao produto final tenha tido contato com o produto em processamento. O fundamento do voto do d. Relatou, escorado na mesma posição da URI, é de que a cal virgem não configura quaisquer dos elementos cujos valores compõem a base de cálculo do crédito presumido, quais sejam matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens, cio que esta Turma divergiu, entendendo que este elemento bem acomoda-se na categoria de produtos intermediários, descabendo uma definição minuciosa de outros limites além do que já fixara o referido parecer normativo, imprimindo-lhe uma carga de subjetividade e discricionariedade sem amparo normativa.. Pelo exporto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão, na base de cálculo do beneficio, do valor das aquisições de cal virgem, empregada na lavagem da cana-de-açúcar
score : 1.0
Numero do processo: 10580.009720/2004-42
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL — COFINS
Fatos geradores: 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000,
30/06/2000, 31/07/2000, 30/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001 , 30111/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/11/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE
FEVEREIRO DE 1999. OUTRAS RECEITAS., LEI Nº 9.718/98, § I" DO
ART. 3º. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS
LIMITADOS ÀS PARTES.
Nos termos da Lei n° 9.718/98, § 1º do art. 3º, a base de cálculo do PIS Faturamento é a totalidade das receitas, incluindo as demais receitas além daquelas oriundas da venda de mercadorias e prestação de serviços, sendo que a inconstitucional idade desse dispositivo, declarada pelo Supremo Tribunal Federal pri sede do controle difuso, não pode ser aplicada pelos Conselhos de Contribuintes até que seja editada sobre o tema resolução do
senado federal, súmula do STF, decreto do Presidente da República ou ato Secretário da Receita Federal do Brasil ou, ainda, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, estendendo para todos os efeitos da inconstitucionalidade declarada na via incidental, inicialmente.
DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O
DECLARADO. PAGAMENTOS EXTEMPORÂNEOS. VERIFICAÇÕES
OBRIGATÓRIAS. ESPONTANEIDADE.
As retificações e pagamentos procedidos pelo contribuinte após o inicio da ação fiscal, relativamente às suas obrigações tributárias, não impedem o lançamento de oficio em face de irregularidades constadas, sendo afastado, nessas condições, o beneficio da espontaneidade.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO.
Inexiste autorização legislativa para a remissão ou redução das penalidades aplicáveis ao contribuinte, bem como dos respectivos juros de mora, que não pagou o tributo devido no prazo legal e antes de iniciado o procedimento de oficio, sem prejuízo, contudo, de eventual alocação de pagamentos efetuados quando do procedimento de cobrança administrativa.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Fatos geradores: 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000,
30/06/2000, 31/07/2000, 30/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001 , 30/09/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/11/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE
FEVEREIRO DE 1999. OUTRAS RECEITAS. LEI Nº 9.718/98, § 1° DO
ARI. 3º. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUS0. EFEITOS
LIMITADOS ÀS PARTES.
Nos termos da Lei nº 9.718/98, § 1º do art. 3º, a base de cálculo do PIS Faturamento é a totalidade das receitas, incluindo as demais receitas além daquelas oriundas da venda de mercadorias e prestação de serviços, sendo que a inconstitucionalidade desse dispositivo, declarada pelo Supremo Tribunal Federal pri sede do controle difuso, não pode ser aplicada pelos Conselhos de Contribuintes até que seja editada sobre o tema resolução do
senado federal, súmula do STF, decreto do Presidente da República ou ato Secretario da Receita Federal do Brasil ou, ainda, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, estendendo para todos os efeitos da inconstitucionalidade declarada na via incidental, inicialmente.
DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O
DECLARADO. PAGAMENTOS EXTEMPORÂNEOS. VERIFICAÇÕES
OBRIGATÓRIAS. ESPONTANEIDADE.
As retificações e pagamentos procedidos pelo contribuinte após o inicio da ação fiscal, relativamente às suas obrigações tributárias, não impedem o lançamento de oficio em face de irregularidades constadas, sendo afastado, nessas condições, o beneficio da espontaneidade.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.
Inexiste autorização legislativa para a remissão ou redução das penalidades aplicáveis ao contribuinte, bem como dos respectivos juros de mora, que não pagou o tributo devido no prazo legal e antes de iniciado o procedimento de oficio, sem prejuízo, contudo, de eventual alocução de pagamentos efetuados quando do procedimento de cobrança administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.363
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator) e Rangel Perrucci Fiorin. Designado o Conselheiro Alexandre Kern para a redação do voto vencedor.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Fatos geradores: 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 30/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001 , 30111/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/11/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE FEVEREIRO DE 1999. OUTRAS RECEITAS., LEI Nº 9.718/98, § I" DO ART. 3º. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS LIMITADOS ÀS PARTES. Nos termos da Lei n° 9.718/98, § 1º do art. 3º, a base de cálculo do PIS Faturamento é a totalidade das receitas, incluindo as demais receitas além daquelas oriundas da venda de mercadorias e prestação de serviços, sendo que a inconstitucional idade desse dispositivo, declarada pelo Supremo Tribunal Federal pri sede do controle difuso, não pode ser aplicada pelos Conselhos de Contribuintes até que seja editada sobre o tema resolução do senado federal, súmula do STF, decreto do Presidente da República ou ato Secretário da Receita Federal do Brasil ou, ainda, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, estendendo para todos os efeitos da inconstitucionalidade declarada na via incidental, inicialmente. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO. PAGAMENTOS EXTEMPORÂNEOS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. ESPONTANEIDADE. As retificações e pagamentos procedidos pelo contribuinte após o inicio da ação fiscal, relativamente às suas obrigações tributárias, não impedem o lançamento de oficio em face de irregularidades constadas, sendo afastado, nessas condições, o beneficio da espontaneidade. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. Inexiste autorização legislativa para a remissão ou redução das penalidades aplicáveis ao contribuinte, bem como dos respectivos juros de mora, que não pagou o tributo devido no prazo legal e antes de iniciado o procedimento de oficio, sem prejuízo, contudo, de eventual alocação de pagamentos efetuados quando do procedimento de cobrança administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fatos geradores: 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 30/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001 , 30/09/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/11/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE FEVEREIRO DE 1999. OUTRAS RECEITAS. LEI Nº 9.718/98, § 1° DO ARI. 3º. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUS0. EFEITOS LIMITADOS ÀS PARTES. Nos termos da Lei nº 9.718/98, § 1º do art. 3º, a base de cálculo do PIS Faturamento é a totalidade das receitas, incluindo as demais receitas além daquelas oriundas da venda de mercadorias e prestação de serviços, sendo que a inconstitucionalidade desse dispositivo, declarada pelo Supremo Tribunal Federal pri sede do controle difuso, não pode ser aplicada pelos Conselhos de Contribuintes até que seja editada sobre o tema resolução do senado federal, súmula do STF, decreto do Presidente da República ou ato Secretario da Receita Federal do Brasil ou, ainda, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, estendendo para todos os efeitos da inconstitucionalidade declarada na via incidental, inicialmente. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO. PAGAMENTOS EXTEMPORÂNEOS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. ESPONTANEIDADE. As retificações e pagamentos procedidos pelo contribuinte após o inicio da ação fiscal, relativamente às suas obrigações tributárias, não impedem o lançamento de oficio em face de irregularidades constadas, sendo afastado, nessas condições, o beneficio da espontaneidade. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Inexiste autorização legislativa para a remissão ou redução das penalidades aplicáveis ao contribuinte, bem como dos respectivos juros de mora, que não pagou o tributo devido no prazo legal e antes de iniciado o procedimento de oficio, sem prejuízo, contudo, de eventual alocução de pagamentos efetuados quando do procedimento de cobrança administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '..n',7 0C. CONSELHO ADMINISTRArtIVO DE RECURSOS FISCA IS • TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10580.009720/2004-42 Recurso n" 245.637 Voluntário Acórdão n" 3803-00.363 — 3" Turma Especial Sessão de 12 de março de 2010 Matéria PlS/COFINS - OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente .P.R.EVIEW COMPUTADORES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COEINS Fatos geradores: 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 30/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001 , 30111/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/07/2002, .31/08/2002, 30/11/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, .30/06/2003, 31/07/2003, .30/09/2003, 31/10/2003, .30/1 .1/2003, 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE FEVEREIRO DE 1999. OUTRAS RECEITAS., LEI N' 9.718/98, § I" DO ART. 3".. INCONSTITUCIONALID.ADE, CONTROLE DWUSO. EFEITOS LIMITADOS ÀS PARTES., Nos termos da Lei n° 9.718/98, § 1' do art. 3', a base de cálculo do PIS Faturamento é a totalidade das receitas, incluindo as demais receitas além daquelas oriundas da venda de mercadorias e prestação de serviços, sendo que a inconstitucional idade desse dispositivo, declarada pelo Supremo Tribunal Federal pri sede do controle difuso, não pode ser aplicada pelos Conselhos d.e Contribuintes até que seja editada sobre o tema resolução do senado federal, súmula do STF, decreto do Presidente da. República ou ato Secretário da Receita Federal do Brasil ou, ainda, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, estendendo para todos os efeitos da inconstitucionalidade declarada na via incidental, inicialmente. DIFERENÇA APURADA ENTRE C) VALOR ESCRITURADO E Q DECLARADO, PAGAMENTOS E.XTEMPORÂNEOS, VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. ESPONTANEIDADE, As retificações e pagamentos procedidos pelo contribuinte após o inicio da ação fiscal, relativamente às suas obrigações tributárias, não impedem o lançamento de oficio em face de irregularidades constadas, sendo afastado, nessas condições, o beneficio da espontaneidade. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. Inexiste autorização legislativa para a remissão Ou redução das penalidades aplicáveis ao contribuinte, bem como dos respectivos .juros de mora, que não pagou o tributo devido no prazo legal e antes de iniciado o procedimento de oficio, sem prejuízo, contudo, de eventual alocação de pagamentos efetuados quando do procedimento de cobrança administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fatos geradores: 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 30/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 3 I /08/200 I , 30/09/2001, 30/11/2001, 311/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 3 I /03/2002, 30/04/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/1 1/2002, 31/01/2003, 3 .1/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A .PA.I.Z.TIR DE FEVEREIRO DE 1999. OUTRAS RECEITAS.. LE.I. N' 9..718/98, § 1° DO AR! . 3 0 .. INCONSTITUCIONALIDAD.F., CONTROLE DIFT1S0. EFEITOS LIMITADOS ÀS PARI:ES. Nos termos da Lei ri" 9.718/98, § do art. 3 0 , a base de cálculo do _PIS Faturamento é a totalidade das receitas, incluindo as demais receitas além daquelas oriundas da venda de mercadorias e prestação de serviços, sendo que a inconstitu.cionalidade desse dispositivo, declarada pelo Supremo Tribunal Federal pri sede do controle difuso, não pode ser aplicada pelos Conselhos de Contribuintes até que seja editada sobre o tema resolução do senado federal, súmula do STF, decreto do Presidente da República ou ato Secretario da Receita Federal do Brasil ou, ainda, do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, estendendo para todos os efeitos da inconstitucionalidade declarada na via incidental, inicialmente. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECI ARADO.. PAGAMENTOS EXTEMPORÂNEOS.. VERIFICAÇÕES 013R.".1.GATÓRIAS. ESPONTANEIDADE.. As retificações e pagamentos procedidos pelo contribuinte após o inicio da ação fiscal, relativamente às suas obrigações tributárias, não impedem o lançamento de oficio em face de irregularidades constadas, sendo afastado, nessas condições, o beneficio da espontaneidade. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Inexiste autorização legislativa para a reilliSSãO ou redução das penalidades aplicáveis ao contribuinte, bem como dos respectivos juros de mora, que não pagou o tributo devido no prazo legal e antes de iniciado o procedimento de oficio, sem -prejuízo, contudo, de eventual alocução de pagamentos efetuados quando do procedimento de cobrança administrativa. Recurso "Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colcgiado, por unanimidade de votos, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Latetá Reis (Relator) e Rangel Permeei Morim Designado o Conselheiro Alexandre Kern para a redação do voto vencedor.. 2 Ç"-k Processo o' 10580 009720/200142 83-1-F03 Acórdão n." 3803-00.363 F1 429 ( Alexan0r Kern -- Presidente e Redator Designado- Parttaparam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Henrique Martins de Lima, Belchior Melo de Sousa, Daniel Maurício Vedai°, Bacio Lafetá Reis (Relator) e Rangel Permeei Fiorin, Relatório lira 20 de setembro de 2004, a Fiscalização da. DR.F Salvador/13A lavrou auto de infração em desfavor do contribuinte supra identificado, relativo à insuficiência de recolhimento da Cofins e a diferenças apuradas em procedimento de verificações obrigatórias entre valores escriturados e declarados da mesma contribuição(fi s. 5 a 1.9). A insuficiência de recolhimento se deu em face da não inclusão na base de cálculo da contribuição dos valores das receitas d.e variações cambiais de operações liquidadas, nos termos da Lei ri' 931.8/1998. Em 13 de julho de 2007, o processo n" 10580.009721/2004-42, relativo a. lançamento de oficio de parcelas da contribuição para o PIS com base nos mesmos fundamentos do auto de infração da Cofins, foi juntado por anexação ao presente Ws.. 196 a 406). Inconformado com tais lançamentos, o contribuinte apresentou Impugnações em 22/10/2004 (tis, 113 a 189; 309 a 386) e requereu a declaração de improcedência dos autos de infração, alegando, em síntese, o seguinte: a) a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais nos termos da Lei IV 9718/1998 violaria (i) o art. 195 da Constituição Federal, por extrapolar a hipótese de incidência, (ii) o art, 146, III, da mesma Constituição, por ferir o princípio da hierarquia. das leis e (iii) o art. 110 do CTN, em face da alteração do conceito de faturamento; b) à época da edição da Lei n° 9.718/1998, não havia previsão constitucional para a exigência das contribuições sobre a "totalidade das receitas", o que veio a ocorrer apenas após a promulgação da Emenda Constitucional n" 20/1998, posterior à referida norma legal, não havendo previsão no ordenamento jurídico pátrio de constitucionalida.de superveniente, ou seja, "constitueionalização da norma dantes inconstitucional"; c) os débitos apurados em procedimento de verificações obrigatórias inexistiriam, pois os respectivos valores já haviam sido recolhidos espontaneamente ou se refeririam a parcelas retidas pelas fontes pagadora.s; d) cobrança indevida dos juros de mora em percentual superior ao de 1% ao (T--- mês previsto no CTN. V‘‘ ,<‘ 3 A DR,I Salvador/13.A julgou os lançamentos parcialmente procedentes (fls. 407 a 418), cancelando a exigência das contribuições relativas aos meses de agosto de 2001 e dezembro de 2002, por se referirem a valores retidos na fonte não computados na apuração fiscal.. Em relação à alegação de inconstitucionalidade e de ilegalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições perpetrado pela Lei n° 9,718/1998, o ,julgador a qua considerou que tal discussão exorbitaria a competência legal das instâncias ad miiii strativas, Quanto aos demais débitos apurados em procedimento de verificações obrigatórias, o relator afastou as alegações do então Impugnante, em razão do .1-ato de que os valores pagos e compensados por meio de PER/DComp não seriam oponíveis aos lançamentos de oficio, por terem sido declarados e recolhidos após o início das ações fiscais, quando o -beneficio da espontaneidade não mais socorreria o contribuinte. Considerou, contudo, que os valores pagos após a perda da espontaneidade seriam alocados no mon:lento da cobrança administrativa„ Afastou-se a alegação do impugnante de que teria ocorrido exigência indevida dos juros de mora com base na taxa Selic por se tratar de matéria plenamente apoiada na legislação de regência.. Não resignado, o contribuinte recorre a este Conselho (lis. 424 a 426) e reguei- a declaração da extinção do crédito tributário, repisando os mesmos argumentos e alegando que (...) a quebra da espontaneidade de que traia o ,ss' 1 0 , do artigo 70, do Decreto n' 70.235/72, implica, tão-somente, na perda da oportunidade de recolher o tributo, acrescido dos encargos moratórias (....) o que não retiraria a eficácia da constituição do crédito tributário por meio de "declaração de compensação" apresentada no curso da ação fiscal (11... 425). Faz referência, ainda, o Recorrente, a uma suposta exigência da multa regulamentar decorrente da falta de entrega da DIF Papel Imune, matéria essa estranha aos lançamentos de oficio ora sob análise.. Por fim, requer a redução da multa proporcional pelo fato de ter havido extinção do crédito tributário com a entrega da PER/DComp, ainda que posterior ao inicio da ação fiscal. É o relatório, Voto Vencido Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conheciniento. Processo n'' 10580.009720/2001-12 S3-T F03 Acórdão ri 3803-00.363 Fl 430 Trata-se de lançamentos de ofício das contribuições sociais Cotins e PIS decorrentes de insufi ciência de recolhimentos, tendo em vista a não inclusão na base de cálculo dos valores das receitas de variações cambiais de operações liquidadas, nos termos da Lei n° 9.718/1998, e de diferenças apuradas em procedimento de veri ficações obrigatórias entre valores escriturados e declarados. A DM Salvador/BA excluiu, dos lançamentos parcelas de &bitus relativos a valores retidos pelas fontes pagadoras e não considerados pela. Fiscalização na apuração das diferenças Controvertc-se, portanto, em relação às demais parcelas dos autos de infração consideradas procedentes pelo julgador a ano, "1". Alegação de inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo das contribuições decorrente da Lei n° 9.71811998. A Lei .n") 9.718/1998 foi publicada em novembro de 1998 quando vigia a. redação original do art. 195, 1, "b", da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento corno hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. Em razão disso, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitueionalidade da exação, conforme se depreende do excerto a seguir reproduzido: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE A.R.T020 3", § .1"„ DA LEI N" 9,718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 -- EMENDA CONSTITUCIONAL N" 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a _figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUlÁR10 — INSTITUTOS --- EXPRESSÕES E VOCÁBULOS — SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o principio da realidade, consideradas Os elementos tributários. CONIRIBUIGIO SOCIAL — PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO 1" DO ARTIGO 3' DA LEI N" 9..718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carla Federal anterior à Emenda Constitucional n" 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expre.ssões receita bruta e . faturamento como sinônimas, ./ungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços É inconstitucional o § 1" do artigo 3" da Lei n" 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auftridas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contai/ adotada. (STF, Plenário, RE 346.084/PR, RI 02/09/2006) - De acordo com o entendimento do STF, o alargamento posterior da base de cálculo da contribuição de "faturamento" para "receita e firturamento", operada por meio da 5 .Fmenda Constitucional n" 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência das contribuições sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica.. 1 :ssa mesma interpretação consta dos Recursos Extraordinários n' 357 .950/RS, 358273/RS e 390.840/MG, o que denota estar aquele tribunal caminhando para a consolidação de tal entendimento. Registre-se que, em 5 de agosto de 2009, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral e confirmou o entendimento da corte sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, prevista no parágralb 1" do artigo 3 0 da Lei 9.7 -18/98, reconhecendo que a receita bruta (láturamento) é apenas a "totalidade das receitas auferidas" pelas sociedades empresárias, in ver bis: RECURSO EX1R10RDINÁRI0 N" 527.602-3/SP PIS E COTIM' — LEI N° .9 718/98 — ENQUADRAMENTO NO INCLS'0 I DO ART. 195 DA CONSMUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA .Enquadrado o tributo no inciso Ido art. 195 da Constituição Pedem!, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. RECLIT4 BRUTA. E PATURAMEN10 A .sinottimia dos vocábulos Ação Declarai/via ri" 1. Pleno, relator Ministro .114-oreim Alves conduz à exclusão de aportes financeiros estranhos a atividade desenvolvida Esse mesmo entendimento pode ser melhor captado no seguinte julgamento do mesmo Supremo Tribunal Federal (STF): AI/636557 - AG REG, NO AGRA V() DE INSTRUMENTO DECISÁO AGRAVO REGIMEN1AL. TRIBUTÁRIO COFINS" ARTS 1, E 8" DA LEI Ai 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO • IMPOS,.S1BILIDADE MAJORAÇÃO DE ALLOU01A..- CONSTITUC7ONALIDADE. 1?ECONSIDERAÇÃO DA DECI,SÃO AGRAVADA.. ANÁLISE, DESDE LOGO, DO AGRAVO DE INSTRUMENTO AGRAVO PROVIDO. .R1. ,:CURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO ) 11 Em .5 de agosto de 200.9, no julgamento do Recurso Extraordinário 527.602, de relatoria do Ministro Eros Grau, o Plenário do Supremo bulia/ Federal reafirmou a jurisprudencia no sentido da ineon.stitueionalidade do art. 1", da Lei n. 9.718/98 e da constitucionalidade do ali 8" da mencionada lei, apreciada nos. Recurso.s Extraordinários ns. 346..084, 357 950, 3.58 273 e 390.840, Relator o Ministro Marco Aurélio, 01 15.82006 12 Manteve-.se o entendimento de que a noção de 'aturamento contida 110 art. 195, file.. I, da Constituição da República (norma anterior à Emenda Constitucional fl. 20/98) não autoriza a incidência tributária .sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. não .sendo possível a cymvalidação dessa imposição, mesmo com o advento de norma constitucional derivada (Emenda Constitucional ri. 20/98). Publique-.se . Brasília, 19 de novembro de 2009 Ministra CÁRMEN Lt 'ICIA Relatora À, „--)g 6 P1oces.so o' 10580.009720/2004-42 53-1E03 Acórdão n n 3803-00.363 R 431 Além desses julgados do STF, firmando o entendimento acerca da ineonstitucionalidade do § .1 0 do art.. 3 0 da Lei n° 9,718/1998, tem-se que a Lei n° 11.941/2009, em seu art.. 79, inciso XII, revogou expressamente aquele dispositivo, afastando, a partir de sua - vigência, a possibilidade de aplicação do alargamento do conceito da base da cálculo das contribuições sociais de que trata. Não se pode olvidar que o termo taturamento refere-se ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art.. 2' da 1,ei Complementar n° 70/1970, '17 verbis.: Art. 2' A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o /aturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) ParágralO único. Não integra a receita de que trata este artigo, P°°' efi.'ito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor a)do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O conceito legal de faturamento acima. reproduzido coincide com a modalidade de receita discriminada no inciso 1 do art. 187 da Lei das Sociedades por Ações (Lei n' 6.404/1976, ou seja, é receita bruta de vendas e de serviços, sendo esse o mesmo entendimento do STF. Portanto, considerando que o art„ 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e Formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, o conceito de faturamento não permite o alargamento da base de cálculo da contribuição para incluir outras receitas, mormente aquelas de caráter financeiro. O fato de o Supremo Tribunal :Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de "receita bruta"' não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo "receita bruta" foi considerado como coincidente com o de .faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. • A possibilidade de tributar o-utras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20/1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos • geradores das contribuições sociais, a "receita" genericamente considerada, O .Processo Administrativo Fiscal (PAF) - Decreto n° 70,235/1972 - e o Regimento lnterno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - C..'„ARF preveem dispensa, por parte dos julgadores, de observância de lei já declarada inconstitucional pelo Pleno do STF, a saber: ADIn 1-1/DP 7 Decreto n° 70.235/1972 (—) Art. 26-4. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos- de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob finulamento de inconstilucionalidade. _(Redação dada pela Lei 0" 11.941, de 2009) 6' O disposto 00 captt deste artigo não se aplica aos casas.. de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo.- (Incluído pela Lei n" 11.941, de 2009) 1 -- que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n 0 11.941, de 2009) Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos .Fiscais — Portaria IIIF n°256/2009 Art. 62 bica vedado aos membros das turmas de julgamento do CABE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Parágraf0 único O disposto no caput não se aplica aos ca.sos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo' - que já tenha sido declarado inconstitucional par decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (gritei) Diante do exposto, conclui-se que as parcelas dos lançamentos de oficio relativas à inclusão na base de cálculo das variações cambiais de operações liquidadas, tendo por base o art. 30, § 1 0 , da Lei n° 9,718/1998, encontram-se em desacordo com o entendimento até então j .'1 firmado em decisões do Pleno do Supremo Tribunal Federal, em razão do que deverão ser excluídas, juntamente com. os acréscimos legais correspondentes, do crédito tributário lançado. II. Recolhimentos efetuados após o inicio da ação fiscal. Perda da espontaneidade. No que se refere aos pagamentos efetuados pelo contribuinte após o inicio do procedimento fiscal, insta que se afirme que tal providência se deu quando não mais lhe eram garantidos os benefícios da espontaneidade prevista no art. 138 do C,TN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espmzliinea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 8 Processo) n" 10550. 009720/2004-42 S3-TE03 Acórdão n.." 3803-00363 11 4132 Parágrafir único Não se .considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de .fiscalização, relacionados com a infração. (grifei) O Decreto n° 70235/1972 assim dispõe sobre a matéria: Ari. 7" O procedimento . fiscal tem início com . (Vide Decreto n" 3.724 de 20011 I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu prepo.sto; I' O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.. (grifei) Subjacente aos dispositivos das normas gerais acima transcritos, tem-se que o legislador tributário (Lei IV 9.430/1996) garantiu. ainda aos contribuintes um prazo mais benéfico para quitar com suas obrigações mesmo já tendo tido início o procedimento de fiscalização, confirme se depreende do artigo a seguir reproduzido: Art. 47 A pessoa .fi.sica ou jurídica submetida a ação fiscal por parle da Secretaria da Receita ./dera/ poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo d.e início de fiscalização, os tributos c contribuições ja declarados., de que for .sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento e.spontaneo Contudo, o presente caso não se substitue na previsão do art. 47 s-upra, pois os pagamentos efetuados pelo Recorrente após a ciência do inicio da ação fiscal referiam-se a valores não declarados, não podendo, portanto, se valer do beneficio da espontaneidade. Portanto, relativamente às parcelas dos lançamentos de oficio não declaradas e não pagas antes do início da ação fiscal, conclui-se pela correta atuação da Fiscalização, exigindo-se o tributo apurado em procedimento de -fiscalização, bem como os acréscimos legais cabíveis (juros de mora e multa de oficio), o que não impossibilita sua eventual alocação quando do procedimento de cobrança administrativa. "11. Acréscimos legais. Juros de mora e multa de ofício. Quanto aos acréscimos legais exigidos nos autos de infração, o CTN assim dispõe: Art.. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros c1c mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e P[22 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária 9 1 '' Se a lei mio dispuser de modo diverso, os juros. de mora são calcuhulo.s à laxa de um por cento ao mês.. Constata-se que a fixação dos juros em 1% ao mês nos termos acima transcritos somente se aplica se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei. n" 9.065/1995 fixa os juros a serem aplicados 110 caso de •pagamento extemporâneo de qualquer tributo da competência da União nos seguintes termos: Art. 13.. A partir de 1" de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c. do parágralO único do art. 14 da Lei ri" 8.847, de 28 (1C átfleito de 1994, com a redação dada pelo ar. I. 6" da Lei n' 8 850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo att..90 . da Le n" 8.984 de 1995, o art. 84 inei„so L e o art. 91, 12t1±a2ï11'o única, alínea a.2, da Lei n" 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa rderencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais.. ., acumulada mensalmente (grifei) O art, 84, inciso 1, da Lei n° 8,981/1995, acima referenciado, trata dos juros a serem acrescidos aos tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal não pa gos nos prazos previstos na legislação tributária, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1" de janeiro de 1995. Também a Lei n° 9.430/1996 prevê a exigência de juros de mora da seguinte forma: Ari 61. 0.s débitos para com a União, decorrentes de tributos e c.antribuições administrados pela Secretaria da Receita Federai cujos fato.s geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de aira,10 (-) 3" Sobre os débitos a que Se refere esie ar ligo incidirão juros de mora calculados à taxa a que .se ro/ercre o §. 3" do art. 5 e, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencirnenlo do prazo ate o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês mie pagamento. (Vide Lei n" 9.716, de 1998) Referida matéria, inclusive, já se encontra su.mulada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tu verbis: ,.S'á mula CAIU' n" 4 A partir de 1" de abril de 1995, Os juros moratórias incidentes' sobre débitoç tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil .são devidos, no período de Madimplência„ à taxa rx.ftrencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - ,SELfC para títulos federais Sobre as multas de oficio, o artigo 44 da Lei n" 9.430/1996 assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, .serão aplicadas as .seguintes multas. (Redação da4,r)ela Lei n" 11.488, de 2007) , Processo n' f 0580 009720/200442 53-0. E03 Acórdão ii 3803-00.363 ri 433 / - de 7.5% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou c:.ontribuição nos casos de , fidta de pagamento ou recolhimento, de Mia de deelaraçâo e nos. de declaração inculta,. _edr.k.4.o dada pela Lei n" 11.488, de 2007) dc 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, ..çobre o valor do pagamento mensal: ?edação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) Portanto, constata-se inexistir autorização legislativa para a remissão ou redução das penalidades aplicáveis ao contribuinte, bem como dos respectivos juros de mora, que não pagou o tributo devido no prazo legal e antes de iniciado o procedimento de ofício. Mais uma vez, registre-se que tal constatação não impossibilita eventual alocação de pagamentos efetuados pelo contribuinte quando do procedimento de cobrança administrativa. IV. Conclusão. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo ser excluídas do crédito tributário lançado de oficio as parcelas relativas à inclusão na base de cálculo das variações cambiais de operações liquidadas, tendo por base o art. 3", § 1', da Lei n° 9..718/1998, por se encontrarem em desacordo com o entendimento até então já firmado em decisões do Pleno do Supremo Tribunal Federal., É como voto. ,,y44 lidei o La feta Reis'. Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator Designado Ouso dissentir do ínclito Conselheiro-Relator, Dr. "Ideio Lafetá Reis, no que pertine à incidência das contribuições sociais sobre as demais receitas, nos termos da Lei n" 9.718, 27 de novembro de 1998, .matéria sobre a qual esta Terceira Turma Especial tem-se tormentosamente debruçado.152,. Percebendo estar cada vez mais isolado nessa posição, considero muito oportuna a possibilidade de manifestar meu entendimento no sentido de que a inconstitucionalidade do § 1' do art.. 3' da Lei a' 9,718, de 1998, muito embora reiteradamente declarada pelo em sede recurso extraordinário, ainda não 'pode ser aplicada em sede de julgamento administrativo.. Como a inconstitucionalidade do referido dispositivo de lei -foi declarada na vi.a incidental - Recursos Extraordinários irs 357,950, .358273, 390.840 e 346.084, especialmente -, com efeitos meramente inter parte, até que sobrevenha ato do Secretário da Receita Federal do 'Brasil ou do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, cancelando os lançamentos de oficio da espécie, conforme autorizado pelo caput do art, 4' do Decreto n(2 2346, de 1.0 de outubro de 19972 , deScabe a este órgão julgador administrativo considerar tal inconstitucional idade. A competência para conhecer e julgar matéria de cunho constitucional é privativa do Poder Judiciário, nos termos dos mis 97 e 102, 1, "a", ITT e §§ 1° e 20 , da Constituição da República Federativa do "Brasil de 1988 — CRFB/88. No âmbito do Poder Executivo, o controle de constitucionalidade é exercido em alguns poucos casos (mis.. 66, § 1°;, 103, I e § 4 0 , e; 102, § 1" e § 3', todos da CRFB/88) No mais, o Poder Executivo só deve se pronunciar acerca de inconstitucionalidade depois do julgamento da matéri pelo Judiciário.. Assim é que o Decreto . 110 2.346, de -1997, com supedâneo nos arts, 131 da 1,ei n" 8.213, de 1991 (cuja redação foi aliciada 'pela .MP n`" 1.523-12, de 1_997, convertida na Lei n° 9.528, de 1997) e 77 da Lei n" 9.430, de 1996, estabelece que as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, devem ser unifinmemente observadas pela Administração Publica Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos. Consoante o referido Decreto, o Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da Republica ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida. pelo Judiciário em caso concreto. Também o Secretário da Receita Federal do Brasil e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, ficam autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que não mais sejam constituídos ou cobrados Os valores respectivos Após tal determinação, C5() o crédito tributário cuja constituição ou cobrança não mais é cabível esteja sendo impugnado ou com. recurso ainda não definitivamente julgado, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Eazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (parágrafo único do art.. 40 referido Decreto, cuja interpretação não pode ser dissociada nem do caput desse artigo, nem do art.. 1", incluindo respectivos parágrafos, do Decreto em comento). O Decreto n" 2.346, de 1997, ainda determina que, havendo manifestação jurisprudencial reiterada e uniforme e decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, fica o Procurador-Geral da Fazenda Nacional autorizado a declarar, mediante parecer. fundamentado, aprovado pelo .Ministro de Estado da Fazenda, as matérias em relação às quais é de ser dispensada a apresentação de recursos. Alternativamente, evitando maiores prejuízos para os cofres públicos com gastos pela sucumbência em processos judiciais e demora para os contribuintes, o SIF poderia, quem sabe, editar súmula vineulante, nos termos da Lei n" 11.417, de 19 de dezembro de 2006 12 Processo n" 10580.009720/2001-12 S3- I E03 Acórdão n." 3803-00,363 F 1. 434 Na forma do citado Decreto, aos órgãos do Executivo competem tão-somente observar os pronunciamentos do judiciário acerca de inconstitucional idades, quando definitivos e inequívocos, não lhes competindo apreciar inconstitucionalidades. Assim, não cabe a este conselho administrativo, como órgão ..judicante do Executivo Federal que é, deixar de aplicar a legislação em vigor antes que o Judiciário se pronuncie, de forma definitiva e em decisão com efeitos erga ("nes. Não era outro o sentido da proibição que constava do art... 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MI' n'2 147, de 25/06/2007 — RI-CC, publicado cm 28/06/2007.. Também 110 Regimento anterior encontrava-se disposição no mesmo sentido (art. 22-A da Portaria ME n" 55, de 16/03/98, com a alteração da Portaria ME n" 103, de 23/04/2002). Apesar de o novo Regimento Interno do CAIU (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria ME ir` 256, de. 22 de junho de 2009 • RI/CARF), no seu art.. 62, parágrafo único, inc.. T, repetir a inovação introduzida pelo art. 49 do RI-CC, em redação que não mais se refere, expressamente, à ação direta de inconstitucionandade - ao contrário do Regimento veiculado pela P-MM n" 55, de 1998„ cujo art.. 22-A, parágrafo único, inc. I, que se referia expressamente à ação direta -, não vejo relevância na alteração. É que o Regimento Interno, seja o antigo ou o atual, há de ser interpretado em conjunto com o Decreto n" 2,346, de 1997. Neste, por sua vez, inexiste qualquer autorização para aplicação de inconstitucionalidade declarada na. via incidental (cujos efeitos são inter partes. cabe ressaltar), antes de Resolução d.o Senado Federal ou de pronunciamento do Presidente da República, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou do Procurador-Geral da Fazenda.Nacional.. A norma a ser extraída do texto do inc. I do paragrath único do art.. 62 do RI/CARF é rigorosamente idêntica à norma retirada do inc.. 1 do parágrafo -único do art. 22-A do Regimento anterior, na redação dada pela Portaria Mi ri) 10.3, de 2002., A expressão "ação direta" não precisava constar da redação anterior, tanto quanto sua omissão na redação atual é irrelevante. É assim porque, tanto antes como agora, não há outorga de competência a este órgão julgador administrativo para aplicar inconstitucionalidade declarada na via incidental, exceto após uni. dos pronunciamentos acima mencionados, Finalmente, aos que dão relevância à nova redação do Regimento, a ponto de nela, verem autorização para aplicar, de tbrma ampla, inconstitucionalidade incidental, sublinho que portaria ministerial nunca. poderia ir a tanto„ Se pretenderem declarar a inconstitucionalidade do § 1 0 do art. 3" da Lei n" 9.718, de 1998, hão de buscar tal poder noutro ato legal, nunca num infralegal regimento interno de um órgão do Poder Executivo. Assim, a base de cálculo das contribuições, nos períodos de apuração a partir de .janeiro de 2000 (este é exatamente o mais antigo, no caso do presente processo) engloba as demais receitas, além da oriunda de venda de mercadorias e da prestação de serviços.. --Alx md re Kern - 13
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Numero do processo: 16327.004027/2003-80
Data da sessão: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999,
30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.
Decisões judiciais desprovidas do efeito erga omnes não têm o condão de alcançar terceiros não participantes da lide. A autoridade administrativa julgadora não se encontra vinculada a decisões envolvendo terceiros estranhos ao processo sob análise, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001,
31/05/2001, 30/06/2001
RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE
Nos termos do Código Tributário Nacional, a aplicação retroativa de lei se restringe aos casos em que seja expressamente interpretativa ou se refira a infrações ou penalidades.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001,
31/05/2001, 30/06/2001
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Nos termos da Constituição Federal e da legislação de regência, as cooperativas de crédito equiparam-se às instituições financeiras, aplicando-se-lhes o mesmo regime de tributação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.500
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Decisões judiciais desprovidas do efeito erga omnes não têm o condão de alcançar terceiros não participantes da lide. A autoridade administrativa julgadora não se encontra vinculada a decisões envolvendo terceiros estranhos ao processo sob análise, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE Nos termos do Código Tributário Nacional, a aplicação retroativa de lei se restringe aos casos em que seja expressamente interpretativa ou se refira a infrações ou penalidades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nos termos da Constituição Federal e da legislação de regência, as cooperativas de crédito equiparam-se às instituições financeiras, aplicando-se-lhes o mesmo regime de tributação. Recurso Voluntário Negado.
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Decisões judiciais desprovidas do efeito erga 011111eS não têm o condão de alcançar terceiros não participantes da lide. A autoridade administrativa julgadora não se encontra vinculada a decisões envolvendo terceiros estranhos ao processo sob análise, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência, ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fino gerador: .31/01/1999, 28/02/1999, 31/0.3/1999, .30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, .31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, .31/12/1999, .31/01/2000, 28/02/2000, .31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, .31/07/2000, 31/08/2000, .30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, .31/01/2001, 28/02/2001, .31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE Nos termos do Código Tributário Nacional, a aplicação retroativa de lei se restringe aos casos em que seja expressamente interpretativa ou se refira a infrações ou penalidades, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, .31/0.3/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, .31/07/1999, .31/08/1999, .30/09/1999, .3(11-10/1999, *.n Alexa dre Kem — Presidente 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nos termos da Constituição Federal e da legislação de regência, as cooperativas de crédito equiparam-se às instituições financeiras, aplicando- se- lhes o mesmo regime de tributação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Rodrigo Pereira de Mello (Suplente), Daniel Mauricio Fedato e Rangel Permeei Fiorin, Relatório Em 11 de dezembro de 2003, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo/RJ lavrou auto de infração em desfavor do contribuinte supra identificado (Es.. 5 a 15), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), em face da constatação de insuficiência de recolhimento do tributo, cuja diferença foi apurada a partir de informações prestadas pelo contribuinte (Es. 17 a 243). Nos termos constantes do Termo de Verificação Fiscal (fls. 17 a 19), as cooperativas de crédito são tributadas como as demais instituições financeiras, sendo que, no período de junho de 1994 a janeiro de 1999, a contribuição para o PIS a cargo dessas entidades incidia sobre a receita bruta, com admissão de algumas exclusões ou deduções. A partir de fevereiro de 1999, por meio da Lei n° 9 718/1998, art. 3', §§ 5° e 6', e de 22 de maio de 2003, com o advento da Lei n° 10.676/2003, ampliou-se o rol das deduções ou exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS devida pelas cooperativas de créditos, f''srr 2 Processo n" 16.327 004027/2003-80 S3-TE03 Acórdão n " 380340-500 Fl 474 Não se conformando, o contribuinte apresentou Impugnação (fis. 245 a .358) e requereu a declaração de improcedência do auto de infração, alegando, em síntese, o seguinte: a) violação do texto constitucional em face da criação de restrições ao seu direito de liberdade, tendo em vista que preenchera as planilhas contendo as bases de cálculo da contribuição a partir de parâmetros fixados pela própria agente fiscal; b) todos os atos praticados pelas cooperativas de crédito seriam passíveis de qualificação como "atos cooperativos"; e) as cooperativas deteriam características especiais que as distinguiriam das demais sociedades, constituindo-se numa associação de pessoas voltadas a objetivos comuns, fundando-se em ajuda mútua; d) as cooperativas de crédito seriam instituições financeiras, mas não bancos, sendo-lhes permitidas somente algumas das faculdades detidas pelos bancos, não lhes sendo assegurado, exemplificativamente, acesso à Câmara de Compensação de cheques e de outros papéis; e) às cooperativas de crédito seriam impostas obrigações de dispêndios não suportadas pelos bancos, inexistindo em sua contabilidade lucro ou renda tributável, nos moldes do art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo os seus resultados pertencentes aos sócios; d) as cooperativas centrais teriam como sócios cooperativas singulares, das quais se distinguiriam, tendo por atribuições, dentre outras, a promoção e a integração entre as cooperativas filiadas, prestando-lhes assessoria e serviços de centralização financeira e administrativa; e) todos os valores movimentados pelas cooperativas centrais pertenceriam a outras sociedades cooperativas, sendo seus atos isentos dos atributos relativos às operações de mercado com intuito de lucro; f) a Fiscalização violou a Constituição Federal ao exigir tributo de entidade que não aufere lucro, receita ou faturamento; g) a Constituição Federal dispensaria tratamento especial às cooperativas, assegurando-lhes a não incidência tributária; h) a disposição do inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) não teria o intuito de delimitar nova condição estrutural às sociedades cooperativas de crédito, mas apenas regular a tributação das exceções ao serviço cooperativo de crédito previsto no art. 79 da Lei n° 5.764/1971 — Lei Cooperativista. Em 2.3 de março de 2005, o contribuinte, pretendendo se valer da norma da retroatividade benigna prevista nos artigos 106, 1, e 144, § 1°, do CTN, protocolizou junto à Receita Federal pedido de recálculo do valor exigido no auto de infração em razão de norma superveniente — Lei n° 11.051/2004, art. 30 — que modificou a apuração dos valores devidos a titulo de Cofins e PIS pelas sociedades cooperativas de crédito, assegurando-lhes o direito à exclusão dos ingressos decorrentes do ato cooperativo, o que abarcaria as rendas decorrentes de empréstimo, assim corno as receitas de aplicações e as sobras apuradas no exercício (tis, 356 a 358), A DRJ São Paulo I/SP julgou o lançamento procedente (fis, 363 a 378), afastando as alegações de nulidade do auto de infração em cuja lavratura se observaram as disposições legais cabíveis, bem corno aquelas relativas à inconstitueionalidade ou ilegalidade de leis por falecer competência à autoridade administrativa na apreciação dessas matérias. A autoridade julgadora a quo fundamentou sua decisão na Lei n° 9.718/1998 que determinou a apuração da contribuição para o PIS devida pelas sociedades cooperativas de crédito incidindo sobre a totalidade das receitas, independentemente de se tratar de ato cooperativo. Decidiu, também, pela inaplicabilidade da retroativa benigna do CTN em razão do fato de que a Lei n° 11,051/2004 não seria expressamente interpretativa, tendo o seu artigo 30 entrado em vigor somente a partir da data da sua publicação, nos termos do art, 34, III da mesma norma. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (tis. 387 a 461), requer o reconhecimento da improcedência do auto de infração, repisando os mesmos argumentos de mérito e alegando que a decisão da DRi São Paulo 1/SP se apresentara contraditória em seus fundamentos por se calcar em textos legais inaplicáveis à espécie e por ignorar as decisões jurisdicionais que excluiriam a imposição tributária sob comento É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele torno conhecimento, Conforme acima relatado, trata-se de contrariedade ao lançamento de oficio da contribuição para o PIS, em face da constatação de insuficiência de recolhimento do tributo, cuja diferença foi apurada a partir de informações prestadas pelo contribuinte. L Decisões judiciais. Ausência de vinculação O Recorrente alega que a autoridade julgadora a quo ignorou as decisões judiciais colacionadas na impugnação, favoráveis à exclusão da imposição tributária nos termos ora observados. Contudo, decisões judiciais desprovidas do efeito erga oinne_s não têm o condão de alcançar terceiros não participantes da lide. Além disso, os precedentes do Superior Tribunal Federal (Sn) reproduzidos à fl, 262 versam sobre as sociedades cooperativas enquanto gênero, não fazendo qualquer referência às cooperativas de crédito, rn 4 Processo n" 16327.004027/2003-80 S3-T E03 Acórdão n." 3803-00.500 FI 475 Portanto, tem-se que a autoridade administrativa julgadora não se encontra vinculada a decisões envolvendo terceiros estranhos ao processo sob análise, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência, II. Cooperativas de crédito. Regime jurídico. Alega, ainda, o Recorrente que a DR' São Paulo 1/SP decidiu de forma contraditória quanto aos fundamentos, calcando-se em textos legais inaplicáveis à espécie. Conforme será a seguir demonstrado, tais alegações não procedem. As sociedades cooperativas receberam tratamento especifico pela Constituição Federal de 1988, que, em seu art. 146, III, "c", definiu que lei complementar disciplinaria o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Em outros dispositivos, a Constituição Federal versou sobre o assunto, in verbis: Art„5° XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento, ( ) Au. 174: Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. 5.2 " - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras- formas de associativismo. § 3" - O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros. § - As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XV'', na forma da lei (grifei) Conforme registrou o parecerista João Bellini Júnior ! acerca da natureza jurídica das sociedades cooperativas em geral, estas (..„.) são criadas para a prestação de SOCIEDADES COOPERATIVAS - REGIME JURÍDICO E ASPECTOS TRIBUTÁRIOS (Publicado na Revista de Estudos Tributários no 4, p.5) ek4 serviços aos seus associados, sendo esta sua característica básica, Já Pontes de Miranda2 doutrinava que "a sociedade cooperativa é sociedade em que a pessoa do sócio passa à frente do elemento econômico e as conseqüências da pessoa/idade da participação são profundas, a ponto de torná-la espécie de sociedade („)". Sua fOrmação parte do princípio que é mais vantajoso, a pessoas com o mesmo interesse comum, associarem-se e cooperarem mutuamente na consecução desses objetivos. Em relação especificamente às cooperativas de crédito, a Constituição Federal dedicou-lhes tratamento diferenciado, conforme se depreende dos dispositivos a seguir transcritos: Art. 192. O sistema ,financeiro nacional, estruturado de forma a que disporá, inclusive, sobre: ) WH o .fimeionamento das cooperativas de crédito e 0,9 requisitas para que possam ter condições de operacionalidade e estruturação próprias das instituições .financeiras. ) Art, 192 O sistema financeiro nacional, estruturado de fOrma a promover o desenvolvimento equilibrado do Pais e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram (Redação dada pela Emenda Constitucional n" 40, de 2003) - Grifei Verifica-se que as cooperativas de crédito foram inseridas pelo Poder Constituinte na estrutura do sistema financeiro nacional, sendo equiparadas às instituições financeiras, cujo funcionamento depende de autorização prévia do Banco Central do Brasil, a quem cabe a fiscalização de suas atividades, nos termos dos artigos 17 e 18 da Lei n° 2.595/1964, que assim dispõem: Art. 17. Considerant-se instituições ,financeiras, para os eleitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros Parágrafo único Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor; equiparam-se às instituições . financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual, Art 18. As instituições financeiras .somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras. 2 Francisco Cavalcante Pontes de Miranda in Tratado de Direito Privado, 2 ed , Rio de Janeiro, Borsoi, Tomo XLIX, 5 247, p 429. 7 Processo n" 16327 004027/2003-80 S3-TE03 Acórdão n " 3803-00..500 Fl 476 • I" Além das estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedadeç de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de -Mores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas Micra ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados ,financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras (grifei) O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), em seu art. 72, V, define expressamente que as instituições financeiras de uma forma geral, dentre as quais se inserem as cooperativas de crédito, nos termos do art. 22, § 1°, da Lei n° 8212/1991, são contribuintes da contribuição para o PIS, instituída pela Lei Complementar n° 7/1970, nos seguintes termos: Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência,- (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão n° 1, de 1994) ) III - a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da aliquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1" do Art. 22 da Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios .financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de I" de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento„suleita alteração por lei ordinária, mandrias as demais normas da Lei n" 7.689, de 15 de dezembro de 1988; (Redação dada pela Emenda Constitucional tf 10. de 1996) - Grifei ) - a parcela do produto da arrecadação da contribuição de que trata a Lei Complementar n" 7, de 7 de setembro de 1970, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o inciso III deste artigo, a qual será calculada, nos exercícios .financeiros de 1994 a 1995, bem assim nos períodos de 1"de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997 e de I" de julho de 1997 a 31 de dezembro de 1999, mediante a aplicação da aliquota de setenta e cinco centésimos por cento, sujeita a alteração por lei ordinária posterior, sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza Redação dada pela Emenda Constitucional tf 17, de 1997), Constata-se que os dispositivos acima foram introduzidos pelas Emendas Constitucionais n° 10/1996 e 17/1997, portanto, anteriormente ao período de apuração do lançamento de oficio, sendo que a alegação do Recorrente de que disciplinariam apenas as exceções ao serviço cooperativo de crédito não guarda qualquer correspondência com o texto supra, inexistindo qualquer diferenciação específica da base de cálculo da contribuição rRara o 8 PIS devida pelas cooperativas de crédito, sendo-lhes aplicada, como a todas as demais instituições financeiras, a legislação tributária identificada, Nesse contexto, tem-se que a abordagem da natureza jurídica das cooperativas de crédito passa inexoravelmente pelo regime próprio das instituições financeiras, Se a Constituição Federal, de um lado, tratou das cooperativas de forma abrangente, por outro, no capítulo do Sistema Financeiro Nacional, definiu o disciplinamento aplicável às cooperativas de crédito de forma específica e apartada, O que a Constituição diferenciou não pode ser objeto do arbítrio do legislador' infraconstitucional, cuja atividade, também disciplinada pela Constituição Federal, deve se circunscrever nos limites definidos pelo constituinte, A Constituição de um país deve ser compreendida corno marco fundador de um ordenamento sistemático e unitário 3 , cuja permanência e eficácia não podem se apartar da coerência e nem fugir das decisões constitucionais subjacentes ao sistema corno um todo. Ela é o alicerce e o fundamento de validade de todo o ordenamento jurídico.. Se a Constituição delimita suas normas — princípios e regras —, distinguindo- as de acordo com as situações regidas, o faz tendo como foco os fins econômicos ou sociais a que aspira na busca por urna sociedade mais justa e legítima Objetiva-se a promoção da ordem, da estabilidade e da unidade por meio de estruturas normativas condizentes com a real idade4„ Se as cooperativas de crédito foram inseridas na Ordem Econômica e Financeira, isso se deu em razão de sua natureza jurídica encontrar-se amalgamada pelo valores aí preservados, e deve ser a partir desse núcleo axiológico que se deve interpretar a sua natureza e vislumbrar o regime jurídico aplicável a essas sociedades. Se a Constituição Federal as equiparou às instituições financeiras, será nessa condição que elas deverão ser encaradas; e a partir daí, identificar a legislação de regência que, no presente caso, determinará ou não a tributação relativa à contribuição para o PIS. III. A contribuição para o PIS devida pelas cooperativas de crédito. Assim como fez a Constituição Federal, a legislação infraconstitucional também discriminou as cooperativas em geral das cooperativas de crédito. A Lei n° 5:764/1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas, distinguiu as cooperativas de crédito em relação às demais em diferentes momentos do seu texto, como ocorreu nos artigos 78, 92, inciso I, 97, parágrafo único e 103, merecendo destaque os dois últimos que assim dispõem: Art 97. Ao Conselho Nacional de Cooperativismo compete. I - editar atos normativos para a atividade cooperativista nacional,- II - baixar nornias regulamentadoras, complementares e iiiteiptetativas, da legislação cooperativista,- 3 BARACHO, José Alfredo de Oliveira Direito processual constitucional; aspectos contemporâneos Belo Horizonte: Fórum, 2008, p 528 4 idem, p 47 rp\ Piocesso n" 16327 004027/2003-80 AcóRião n." 3803-00.500 53-T E03 Fl 477 ) Parágralb único. As atribuições do Conselho Nacional de Cooperativismo não se estendein às cooperativas de habitação, às de crédito e às seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, no que forem regidas por legislação própria, Art. 103 As cooperativas permanecerão subordinadas, na parte normativa, ao Conselho Nacional de Cooperativismo, com exceção das de crédito, das seções de crédito das agrícolas mistas e das de habitação, cujas normas continuarão a ser baixadas pelo Conselho Monetário Nacional, relativamente às duas primeiras, e Banco Nacional de Habitação, com relação à última, observado o disposto no artigo 92 desta Lei. (grifei) No mesmo sentido, a Lei n° 4,595/1964, que disciplina a Política e as Instituições Monetárias, Bancárias e Crediticias e cria o Conselho Monetário Nacional, que dá o mesmo tratamento das instituições financeiras às cooperativas de crédito, conforme se verifica a seguir: Art, 18, As instituições financeiras somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras. ,s'; 1" Além do.s estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou .jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. ( ) Art. 55. Ficam transferirias ao Banco Central da República do Brasil as atribuições cometidas por lei ao Ministério da Agricultura, no que concerne à autorização de funcionamento e fiscalização de cooperativas de crédito de qualquer tipo, bem assim da seção de crédito das cooperativas que a tenham. (Grifei) Dos excertos acima, constata-se que as leis não fazem distinção entre cooperativas singulares ou centrais, sendo que o art. 55 acima reproduzido, expressamente, define a transferência para o Banco Central da prerrogativa de concessão de autorização de 9 funcionamento das cooperativas de crédito de qualquer tipo, o que demonstra inexistir tratamento diferenciado a qualquer delas. O Regulamento da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cotins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, aprovado pelo Decreto IV 4.524, de 17 de dezembro de 2002, aparta de forma expressa a tributação das cooperativas de crédito, equiparando-as — como não poderia deixar de ser em face do comando expresso da Constituição Federal — às instituições financeiras, in verbis: Art. 26. Os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, ,financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem deduzir da receita bruta o valor (Lei n" 9.701, de 17 de novembro de 1998, ar( I" , inciso III, e Lei n" 9,718, de 1998, ar! 3", 4 4" e 5" e inciso I do 6" , com a redação da Medida Provisória n" 2,158-35, de 2001, art. 2" ): Art. 59. A alíquota do PIS/Pasep não-cumulativo incidente sobre a receita auferida pelas pessoas jurídicas- de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, tributadas com base no lucro real, será de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), a partir de 1" de dezembro de 2002 (Lei n" 9,715, de 1998, ar! 2", inciso 1, e Medida Provisória n°66, de 2002, arts. 2"e 8") Parágrafo único, O disposto no caput não se aplica. 1- a cooperativas, 11 - a bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, .financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito; empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito, entidades de previdência complementar abertas e fechadas e associações de poupança e empréstimo; (Grifei) Nos termos do art. 26 supra, a apuração da base de cálculo das contribuições Cofins e para o PIS das cooperativas de crédito coincide com aquela própria das instituições financeiras, devendo se dar dessa mesma forma a apuração dos tributos devidos, lá o art. 59 evidencia que a legislação mantém-se coerente, discriminando as cooperativas de crédito em relação às demais, mesmo quando se refere a dispositivos a elas não aplicáveis. Dessa forma, como bem agiu a Fiscalização, ao proceder ao lançamento de oficio da contribuição para o PIS, tendo por fundamento legal os mesmos dispositivos aplicáveis às instituições financeiras e não aqueles destinados às cooperativas em geral. ne 10 II Processo o" 16327.004027/2003-80 S3-TE03 Acórdão ." 3803-00,500 H 478 Como o auto de infração se refere a fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1999 a junho de 2001, naquele momento, para fins de cálculo da contribuição para o PIS devido pelas instituições financeiras, vigia a Lei n° 9.718/1998, com redação dada pela Medida Provisória if 1.858-9, de 24 de setembro de 1999, bem como no art, .3', §§ 2° e 3° da Lei Complementar n° 7/1970. Portanto, não há o que reparar no lançamento de oficio operado em conformidade com o sistema jurídico pátrio, IV. Retroatividade benigna, Lei IP 11.051/2004 Quanto à redução da base de cálculo da contribuição para o PIS operada por meio das Leis n° 10..676/2003 e 11,051/2004, a sua aplicação retroativa para alcançar os fatos objeto do lançamento não encontra respaldo na legislação de regência. Referidas leis não imprimiram efeitos retroativos a seus dispositivos. Pela natureza da norma superveniente e não havendo comando expresso em sentido contrário, não se vislumbra a possibilidade de retroatividade de seus dispositivos a fatos geradores ocorridos em momento anterior à sua vigência, não se lhes aplicando o contido no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 106 A lei aplica-se a ato ou fato pretérito - 1 - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados,' ii - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer. exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido .fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Por não se tratar de lei expressamente interpretativa, nem se referir a ato não definitivamente julgado que antes era tratado corno infração, penalidade ou contrário à lei, as disposições do art. 106 do CTN acima transcrito não autorizam a aplicação retroativa das Leis n° 10,676/200.3 e 11.051/2004 ao presente caso. Nesse sentido, já se posicionou Luciano Amaro ao tratar da retroatividade benigna presente na alínea "b" do inciso II do art. 106 do CTN, a saber: Já a alínea 'b do dispositivo conllita com o previsto na alínea 'a r . Com efeito, cuida a alínea 1,' da hipótese em que certo ato, que era contrário a uma exigência legal (de ação ou de omissão.), deivou de ser tratado como tal pela lei nova. Vale dizer-. o ato configurava uma infração à lei da época de sua prática, mas a lei nova deixa de considerá-lo como infração. Ora, essa é exatamente a hipótese da alínea `a — (AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro, São Paulo: Saraiva, 2006). As infrações tributárias abrangem tanto o fato jurídico do não cumprimento da obrigação tributária principal (pagamento de tributo) e acessória (deveres instrumentais) quanto as infrações penais tributárias (crimes fiscais). No primeiro caso, tem-se a infração tributária como o fato jurídico ilícito consistente no não cumprimento do dever de pagar o tributo ou de cumprir com as obrigações tributárias acessórias. O descurnprirnento da obrigação tributária, principal ou acessória, enseja a imposição de uma penalidade, que, em Direito Tributário, consiste na aplicação de multas, ora de caráter moratória, ora com viés sancionatório, Constata-se, portanto, que o art. 106, inciso II, alíneas "a", "b" e "c", ao prever a retroatividade benigna, está a se referir às infrações tributárias e às penalidades advindas de seu cometimento, sendo esse o entendimento exarado pelo professor . Alexandre Rossato da Silva Avila que assim se pronunciou: Na hipótese do inciso II do art 106 do CTN, a lei tributária posterior à ocorrência da infração que .for mais benéfica ao contribuinte deverá ser aplicada retroativamente. A lei do presente, por ser mais benigna em relação à vigente por ocasião das infrações pretéritas, produzirá os seus efeitos no passado O dispositivo refere-se exclusivamente às penalidades impostas por infração à legislação tributária Ou seja, diz respeito apenas às multas, sejam moratórias ou punitivas. O princípio a ser aplicado é o mesmo do direito penal ("a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu Podemos dizer, a lei tributária não retroagirá, salvo, em matéria ele penalidades, para beneficiar o contribuinte. A retroatividade benigna não abrange o tributo, os juros ou a correção monetária. O tributo deverá ser apurado de acordo com a lei vigente no momento do ,fato gerador, não podendo ser invocada a aplicação retroativa quando a norma posterior reduzir a carga tributária (ÁVILA, Alexandre Rossato da Silva, Curso de direito tributário. Verbo Jurídico. Porto Alegre: 2008, p, 197). Grifei. A sistemática de apuração da contribuição para o PIS não pode fugir à regra do Código Tributário Nacional, devendo o lançamento respectivo se reportar ao momento do nascimento da obrigação tributária, observando-se a legislação tributária vigente.. Alterações posteriores na forma de apuração do tributo somente serão aplicáveis para as situações futuras, salvo quando se referir à imposição de multas, que, nesses casos, poderão retroagir nos termos do art. 106, II, do CTN (retroatividade benigna). Tais entendimentos encontram-se conforme o comando constitucional que restringe a retroatividade da lei àquelas de natureza penal, ou seja, que cuida das infrações e das penalidades, ia verbis: Art .5"( .) XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu,. Processo n" 16327 004027/2003-80 S3-TE03 Acói dão n " 3803-00.500 H 479 A Lei n" 9,784/1999, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e que se aplica, subsidiariamente, aos processos administrativos específicos — dentre os quais se inclui o Processo Administrativo Fiscal — nos termos do seu art, 69, assim dispõe: Art. 2'? A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos aáninistrativas serão observados, entre outros, os critérios de: ( ) XIII- interpretação da norma administrativa da . forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação, Grifei Não há, portanto, suporte legal para a aplicação retroativa das Leis n° 10,676/2003 e 11.051/2004 ao presente caso, seja por não se tratar de leis expressamente interpretativas, seja por não se referir a infrações ou penalidades, V. Conclusão Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, urna vez que o auto de infração referente à contribuição para o PIS fora elaborado em conformidade com as normas que regem a tributação das cooperativas de crédito, equiparadas constitucional e infraconstitucionalmente às instituições financeiras. vs, É como voto. cio Lafetá ReisHá 13
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Numero do processo: 10880.032047/88-61
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 1990
Numero da decisão: 303-00.308
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo, em diligência, à origem, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Neiva de Amorim.
Nome do relator: HELIO LOYOLLA DE ALENCASTRO
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ACORDÃO N.o " , '. Recurso n.O 111.222 - Proc. n!! 10880-032047/88-61 Recorrente S•A. INDÚSTRIAS REUNIDAS F. MATARAZZO E OUTRAS Recorrid DRF/S.ÃO PAULO-SP R E S O L U çà O N!! 303-0.308 '. •• • Vistos~ relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por S.A. INDÚSTRIAS REUNIDAS F. MATARAZZO E OUTRAS. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade dB votos, em converter o julgamento do processo, em diligência, à origem, nos termos do voto do relator . Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Neiva de Amorim . da Fazenda Nacional. Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes COQ selheiros: PAULO CtSAR BASTOS CHAUVET, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, LUIZ EDUARDO SÁ RORIZ, HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO, CARLINDO DE SOUZA MACHADO, JOst ALVES DA FONSECA e ZORILDA LEAL SCHALL. ResoLução: 303-.o:~'308 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROC. N2 10880-032047/88-61 RECURSO N2 111.222 RECORRENTE: S.A. INDÚSTRIAS REUNIDAS F. MAT.ARAZZO E OUTRAS RECORRIDAS: DRF/SÃO PAULO-SP R E L A T Ó R I O E V O T O .' • A ora recorrente, e empresas.;~,coligadas,tiveram deferi- do conforme cópia do Termo de Aprovação (fls. 3/8) e Certifica- do Befiex n2 019/76 (fls. 9/10) __ Programa Especial de Exportação, compromissando-se a exportar produtos manufaturados especificados, no valor FOB não inferior a US$ 159~OOOU~)Ob.00>:noprazode 10 anos, a saber, de 12/12/74 a 30/11/84. Rbi.'.ófíCion~iT73'- ,de ci3/06186;~:0 i;: .Sr. Secretário-Executi- vo dirigiu-se ao Sr. Coordenador de Fiscalização da SRF, dando Cog ta que a BEFIEX, em reunião plenária de 17/12/85, resolvera decla- rar encerrado, por decurso de prazo e inadimpl~ncia contratual, o precitado compromisso de exportação. Aberta a fiscalização, foi constatado, conforme relatQ rio de fls. 157/160, que as empresas beneficiárias do regime expoI taram, apenas, US$ 91,034,416.00, representativos de 57,25% do mog tante a que se haviam obrigado. Ademais disso, além da contrapartidade importação (c/isen- çao do 1.1. e do I.P.I.) de máquinas e equipamentos do valor FOB de US$ 9,900,000.00,direito que lhes fora assegurado pela cláusula quinta do aludido Termo de Aprovação do PEEx., as empresas excede- ram tal limite em US$ 74,189.61. A BEFIEX, em reunião plenária de 25/02/88 e após exame do Relatório de Fiscalização da SRF bem assim da carta da empresa datada de 15/07/87, resolveu manter a decisão plenária de 17/12/85; ratificando, assim, o encerramento por inadimpl~ncia contratual do PEEx - Certificado n2 019/76, reduzindo em 20% (vinte por cento os tributos devidos, de acordo com o art. 42 do Dl. n2 1219/72. Adveio, então, o A.I. de fls. 38, 38v. e 39, para fins de exig~ncia dos impostos, 1.1., I.P.I., c.m. e j.m. corresponden- tes, bem assim multa de mora relativa ao complemento dos tri~~tos . Com guarda do prazo legal, as empresas S.A. Ind~strias Reunidas F.MATARAZZO e S.A. Ind~strias MATARAZZO DO P~Á impugnaram o feito, alegando a exist~ncia de relevantes motivos de fato e e • • • Recurso:lll.222 Resolução: 303-0~.308 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL direito para justificar a reapreciação do caso, e de motivos deteI minantes da alegada inadimplência parcial do compromisso, a saber: a) as exportações efetivamente realizadas pela FERMEN- TA - PRODUTOS QUíMICOS AMÁLIA S.A. _ uma das empresas compromissa- das __ , em razao de ter exportado produtos não incluídos no PEEX.i b) a vendas dos ativos operacionais da S.A. Indústrias Matarazzo do Paraná e da S.A. GEON do Brasil, coobrigadas do pro- gramai c) a exportação de café solúvel pela COCAM, empresaigual:. mente compromissária, em operação da ordem de US$ 200,000,000.00 e que também não acolhida pela BEFIEX, sob alegação de que café sOlQ vel nao se inclui no rol dos manufaturados. Informação fiscal de fls. 198/111, opinando pela manu- tenção A.I. impugnado. Em seguida (fls. 113/115), está lançada:a.'decisão"a quo", assim ementada: liAinadimplência do contribuinte ao descumprir compromisso de ex- portação firmado com o Befiex PROGRAMA ESPECIAL de Exportação_, gera o obrigatório ;',:rec!:blhimento dos tributos dispensados a título de incentivos fiscais (I.Importa- ção e I. Produtos Industrializados) e acréscimos legais pertinentes." Inconformadas, as empresas autuadas interpuseram recuI so tempestivo a este Colegiado (£ls. 119/126). Em seu arrazoado, além de argumentarem que nao houve a suscitada inadimplência contratual, argúem que, consoante despa- cho do Sr. Ministro do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio, que acolheu parecer da consultoria jurídica do órgão n2 08/89, foi dado provimento a recurso das empresas (Proc. MIC/Ng-26000-06746/88-12 - "ape:nsadoproc. /MF n2 10168-002337/88-07), em decorrência do qual as ~licantes seriam, pelo contrário, adimplentes do compromisso firmado. As peças referidas (Parecer n2 08/89, recurso e despacho ministerial), entretanto, não se encontram integradas a este autos. Desse modo, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência, à origem, para fins de integração (detais elementos de convicção ao processo, por serem necessáriosà instrução *' Recurso:lll.222 Resolução: 303-0:.308 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL do feito e à composição de lide, devendo, para tanto, a repartição fiscal intimar as empresas em causa a oferecerem as peças requeri- das. DE ALENCASTRO - Presidente e Relator .110,,.: • Sala HÉLIO m 19 de 1990. 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000848/2003-23
Data da sessão: Mon Jun 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
DCOMP. DÉBITO NÃO CONFESSADO. MANIFESTAÇÃO DE
INCONFORMIDADE. INCABIMENTO.
Relativamente aos débitos não confessados pelo sujeito passivo, o
lançamento de oficio é o ato jurídico que, nos termos do Art. 142 do CTN, perfaz o único instrumento legal para formalizar a pretensão fazendária e conferir exigibilidade ao crédito tributário, razão pela qual o exercício do direito creditório, nestes casos, deve se dar em sede de impugnação ao lançamento, e não via manifestação de inconformidade contra a não homologação de declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.485
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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Recorrida DR,J - CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 DCOMP, DÉBITO NÃO CONFESSADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCABIMENTO. Relativamente aos débitos não confessados pelo sujeito passivo, o lançamento de oficio é o ato jurídico que, nos termos do Art. 142 do CTN, perfaz o único instrumento legal para formalizar a pretensão fazendária e conferir exigibilidade ao crédito tributário, razão pela qual o exercício do direito creclitório, nestes casos, deve se dar em sede de impugnação ao lançamento, e não via manifestação de inconformidade contra a não homologação de declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso,. Alexandi Kern - Pre dente •••/'4 ^.' OV::2A56* Daniel Maurício Fedato Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Daniel Maurício Fedato (Relator) e Rangel Permeei Fiorin. Relatório A matéria a ser tratada versa sobre declaração de compensação de débitos do período de apuração de 07,2001 e 11.2001 a 04,2002, com supostos indébitos do PIS relativos ao período de 10.1995 a 02.1996. O presente Recurso Voluntário é contra o Acórdão n" 06-13.923, de 28 de março de 2007, proferido pela DRI - Curitiba/PR, (fls. 193/207), que votou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, relativamente à não homologação da declaração de compensação apresentada em 27.03.2003. Ementa da decisão: "DCOMP. DÉBITO NÃO CONFESSADO. MANIFESTA 0'0 DE INCONFORMIDADE INCABIMENTO. Relativamente aos débitos não confes.sados pelo sujeito passivo, o lançamento de oficio é o ato jurídico que, nos termos do Art. 142 do CTN, perfaz o único instrumento legal para formalizar a pretensão fazendária e conferir exigibilidade ao crédito tributário, razão pela qual o exercício do direito creditó rio, nestes casos, deve se dar em sede de impugnação ao lançamento, e não via manifestação de inconfOrmidade contra a não homologação de declaração de compensação." A Interessada apresentou os documentos de fls. 03/129, dos quais se destacam: (a) declaração de que os valores peticionados não foram e nem serão objeto de pedido de restituição, bem como de que não se encontram sub judice; (b) listagem de créditos a recuperar; e (c) às fl. 06/08, cópias de DAM' do código de receita 3885, pagamentos havidos entre 14/11/1995 e 15/03/1996.. E à ff 131, intimação da Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort) da Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa/PR (DRF/PIG) para a interessada, entre outras providências relativas à instrução de seu pleito, "esclarecer- o(v) motivo(v) dos pagamentos indevidos ou a maior infirmados como créditos a serem compensados", com ciência em 03/07/2003 (AR à fl. 132). Como bem descreveu a DR', "O despacho decisório de Jis. 134/135, datado de 08/12/2003, a Saort/DRF/PTG houve por bem não homologar as compensa çôes declaradas pelo sujeito passivo, sem análise do mérito, em . face de a interessada não ter atendido à precitada intimação de fi. 131. 2 Processo o' 10940 00084812003-23 S3-TE03 Acórdão ri " 3803-00.485 Fl. 231 Às fls. 136/137, representação da Saort/DRF/PTG, no sentido de que seja promovido o lançamento de oficio relativamente aos débitos fiscais indicados na declaração de compensação, que restaram não pagos; àfl. 139, despacho no sentido do arquivamento do processo. Cientificada em 10/12/2003 (AR à fl. 138), a contribuinte apresentou em 09/01/2004 a manifestação de inconfbrmidade de fls. 141/146, na qual apresenta os argumentos a seguir sintetizados. Em preliminar, alega que não .foi validamente intimada das diligências requeridas pela autoridade administrativa, nem tampouco da decisão ora impugnada, com violação do disposto no art. 23, 11, do Decreto n," 70,235, de 1972, tendo tomado ciência da decisão proferida no presente processo em 08/01/2004, a partir de diligência de seu procurador junto à DRF/PTG; reclama, também, de que o encaminhamento de intimação pelo correio, com AR, Ibi recebida por pessoa que não eia sua representante legal ou procuradora, ou seja, pessoa que não poderia promover o ato de recebimento de tal correspondência em seu nome, não havendo, assim, a 'prova de recebimento' de que .fala o mencionado dispositivo legal; por tais razões, que ter-Me-ia ocasionado 'graves prejuízos ao seu amplo direito de defesa' considera nula a intimação promovida, devendo-se proceder a nova intimação ao seu procurador. Quanto ao procedimento de compensação, após transcrever o art. 49 da Lei n" 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.o 9.430, de 1996, bem como o art. 21 da IN SRF n." 210, de 2002, alega que cabia apresentar 'declaração de compen,sação` para levar ,formalmente seu pleito à apreciação da SRF, o que teria feito, restando evidente que, finalmente, cumpriu com todas as obrigações previstas na legislação para a apreciação do mérito de seu pedido; assim, caso o fisco não concordasse com os créditos apresentados, ou com os débitos mencionados, deveria apontar, de forma fundamentada, as razões para a não aceitação de sua declaração, o que, no caso, não ocorreu, havendo a não homologação por 'ziposta ausência de envio de fbtocópia autenticada da carteira de identidade do sócio gerente da empresa Contribuinte, bem como da alteração de contrato social', Por tais razões, requer a reforma da decisão impugnada, pedindo que se efetue nova apreciação do pleito administrativo formulado. Às fls. 148/163, documentos relativos à regularização da representação da interessada; com o despacho de fls. 164/165, o processo .foi encaminhado a esta DRJ/CT A para apreciação da manifestação de inconformidade; por sua vez, à fl. 165, despacho desta DRI/CTA, COM a seguinte redação "conforme despacho decisório de fls. 134//3.5. não houve apreciação de mérito.. De orientação da Sra. Delegada da DRJ em Curitiba a DRF, no que se refere à solicitação de documentos autenticados ao contribuinte, deve observar o Decreto n." 83.936/79 (desburocratização) e, para que não haja supressão de instância, apreciar as petições, se for o caso, no que se refere ao mérito.. A Saort/DRF Ponta Grossa", Às .11,s, 166/168, despacho decisório exarado em 13/08/2004, pela Saort da DRF em Ponta Grossa/PR, no qual, mencionando o Ato Declaratório SRF n"96, de 1999, diz - 3 que, no caso, considerando a data da protocolização (27/03/2003), todos os pagamentos efetuados entre novembro de 1995 e março de 1996, encontram-se .fidminados pela decadência, sendo que o chefe daquele órgão declarou insubsistente o despacho decisório de/Is, 134/135, e decidiu pela não homologação da declaração de compensação. Cientificada em 17/08/2004 (AR de fl, 169), a interessada apresentou em 14/09/2004 a inanifestação de inconformidade de , f1s, 1 70/1 77, na qual formula as seguintes. alegações, a seguir sintetizadas. Argumenta que o entendimento exarado pela autoridade .fiscal é contrário "aos mais acertados preceitos de direito, bem corno a todos os precedentes oferecidos por nossos tribunais Ç a seguir, diferenciando os prazos de decadência de prescrição, e concluindo por se tratar, no caso, de prazo decadencial, diz que sendo a contribuição para o .137S um 'tributo' sujeito a lançamento por homologação, não há que se dar por decaídos os indébitos sob exame, Menciona, a propósito, a posição do STJ (transcreve ementas de julgados às Ils 1 72/1 76), de que a contagem do prazo de cinco anos prevista no art 168 do CTN, deveria iniciar-se na data em que houver a homologação do lançamento, o que acontece, quando tácita, em cinco anos a contar da ocorrência do ,fluo gerador, por interpretação conjunta dos arts, 168, 1, 156, Vil e 150, §4 0, todos do CTN, o que, In case, representaria dez (10) anos, contados dos , fatos geradores relativos a cada pagamento, estando, a seu ver, preservado o direito de restituição/compensação para todos os pagamentos arrolados no pedido original," Mediante a negativa da DRJ de Curitiba/PR„ apresenta Recurso (fls 219/226), aguardando deste Conselho análise do mérito e deferimento, pois entendeu que nenhum dos argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade fora analisado. É o relatório, Voto Conselheiro Daniel Mauricio Fedato, Relatou <-17- 4 Processo n" 10940 000848/2003-23 S3-TE03 Acórdão n." 3803-00.485 F 1. 232 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatório demonstra, trata a matéria de Declaração de Compensação objetivando extinguir débitos relativos ao PIS, com a utilização de créditos por ele apurados, decorrentes de pagamentos supostamente realizados a maior, ou indevidamente. No Despacho Decisório as compensações não foram homologadas, face da decadência em relação ao direito creditório. Insatisfeita, apresentou manifestação de inconformidade, onde a DRi não conheceu da impugnação, pois que foi considerada inadmissível sua manifestação. Pois considerou-se na época que o lançamento tributário processo é obrigatório.. Ocorre que após consulta, em 23.08.2007, conforme pode ser constatado ao final, fls. 210/215, "...procedeu-se no sistema Profisc, exclusão deste processo_ ", conforme tela de fl. 208, vez que, quando do competente lançamento de oficio os valores indevidamente compensados serão incluídos no sistema de controle próprio para tratar do auto de infração correspondente. Todavia, os débitos indevidamente compensados, foram por ele vinculados em DCTF à presente compensação, conforme fls. 182/189. Nota-se que os débitos compensados, relativos a fatos geradores ocorridos em 2001 haviam sido encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em Divida Ativa da União, conforme fis, 209/210. Entretanto, noticiou-se às -fls. 191/192, a adoção de providências no sentido de se promover o cancelamento da cobrança executiva. E como descreveu a Delegacia da Receita Federal de Ponta Grossa/PR, "Em referência aos débitos objeto deste processo, relativos a fatos geradores verificados entre janeiro e março de 2002, tem-se que as vincula ções procedidas pelo declarante em suas DCTF foram validadas no sistema de controle pertinente - sief fiscalização eletrônica, como se nota às .11s. 210/211.. No que concerne ao débito de abril daquele ano, verifica-se que tal valor foi suspenso no sistema de controle «1212). Por „fim, relevante destacar que os débitos tratados neste processo já haviam sido objeto da representação de fls. 136/137, visando o seu lançamento de oficio, emt face da não homologação das compensações, decorrente do despacho decisório de ,fis. 134/135, no qual não se analisou o mérito do pedido formalizado. Ocorre que, após a manifestação do declarante às ,fls. 141/146, e, em virtude do despacho exarado na parte final da .f1. 165, pelo Senhor Chefe do Secoj da DRJ/CTA o referido despacho decisório .foi tido como insubsistente, nas termos da peça de .fls, 166/168. Conforme relatado às fis. 191/192, o procedimento originado pela representação de fls. 136/137 não poderia ser utilizado para se constituir a exigência dos débitos, Diante do exposto, proponho o encaminhamento dos autos à Seção de Fiscalização - 5 Salis, desta Delegacia da Receita Federal do Brasil, a _fim de que se represente ao Titular daquela Seção os finos acima reportados, visando é constituição, por lançamento de ofício, dos débitos indevidamente compensados neste processo, nos termos do art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2003, e, em consonância com o acórdão de _fls. 193/205, Após, retorne-se a esta Seção para verVicaçães no sistema de cobrança pertinente em relação aos débitos." Sob este figurino e conhecendo do mérito, nego deferimento ao Recurso Voluntário em face da decadência que se opera em relação ao direito creditório buscado. Daniel Mauricio Fedato 6
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720030/2008-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado no DIAT, por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.562
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado no DIAT, por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 131 2 Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Eivanice Canário da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte interessado foi emitida, em 04.08.2008, a Notificação de Lançamento n° 021 03/00011/2008 de fls. 01/05, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 333.029,61, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado "Fazenda Boa Esperança", cadastrado na RFB, sob o n° 7.259.9332, com área declarada de 7.297,7 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu/PA. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2004 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal n° 02103/00010/2008 de fls. 13 e verso, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao IBAMA; 2º Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei n° 4.771/1965, acompanhado de ART registrada no CREA, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o art. 9º do Decreto nº 4.449/2002; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei n° 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 132 3 Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte protocolou correspondência de fls. 15/16, em 25.04.2008, acompanhada dos documentos de fls. 17/18 e 19, solicitando prorrogação, até o dia 01.06.2008, para apresentação dos documentos arrolados na intimação. Tal solicitação foi indeferida por meio do Termo de Indeferimento de Prorrogação de Prazo de fls. 21 e verso e conforme consta do "Complemento da Descrição dos Fatos", às fls. 02/03. Por não ter sido apresentado qualquer documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2004, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de preservação permanente de 6.620,1 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 20.000,00 (R$ 2,74/ha), que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$ 729.770,00 (R$ 100,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$ 145.944,00, conforme demonstrado às fls. 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02/03 e 05. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 29.08.2008, às fls. 28, ingressou o contribuinte, em 18.09.2008, com sua impugnação de fls. 29/35, instruída com os documentos de fls. 36, 37, 38/48, 49, 50/54 e 55, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: preliminarmente, alega que a área total do imóvel não é a declarada de 7.297,7 ha e sim de 6.346,18 ha conforme Laudo de Avaliação, em anexo; salienta que às áreas de preservação permanente encontramse preservadas e conservadas, conforme prova o Laudo Técnico elaborado pela empresa especializada PHOTOSAT Processamento de Imagens Ltda; esclarece que não foi declarado o quantitativo de área de reserva legal, pois houve confusão ao declarar área de preservação permanente no lugar da área destinada a reserva legal e que o imóvel possui uma área de vegetação primária de 5.634,46 ha, conforme consta do Laudo de Avaliação; informa que foi declarada uma área tributável de 677,6 ha (área de pastagens + área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural), sendo que o imóvel possui área aberta/área de pastagem de 711,72 ha, conforme laudos anexos; preliminarmente, ainda, requer que seja feita uma retificadora da declaração em face das diferenças apontadas; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 133 4 entende que, no mérito, os enquadramentos alegados como legais já se encontram superados pelas jurisprudências de nossos Egrégios Tribunais de Justiça; ressalta que o caso tratase de POSSE e não de PROPRIEDADE e dessa maneira a legislação que disciplina o ITR (Lei n° 9.393/96) e o Código Florestal (Lei n° 4.771/65) prevêem tãosomente a averbação da área de reserva legal para imóvel PROPRIEDADE, e, não POSSE, no Cartório de Registro de Imóveis, para o fim de comprovar a sua existência e da mesma forma, temse a área de preservação permanente; reitera que as áreas de preservação permanente encontramse realmente preservadas e conservadas, conforme demonstrado e provado por meio dos Laudos Técnicos, inclusive com imagens de satélites LANDSAT 5 e LANDSAT 7; considera que a Lei n° 9.393/1996, ao dispor sobre a forma de apuração do ITR fixou competência para a RFB estabelecesse prazos e condições para a apuração e pagamento do imposto, no entanto, não delegou competência à administração fazendária para a instituição de exigências capazes de alterar a base de cálculo e a alíquota do ITR, que somente poderá ser fixada ou alterada por lei; entende que são insubsistentes as exigências contidas no § 4º do art. 10 da IN/SRF n° 43/97, alterada pela IN/SRF n° 67/97, vez que a apresentação do ADA é mera formalidade condicional à comprovação da existência da reserva legal, já que IN não é instrumento hábil para impor condições para exclusão de área tributável, para fins de apuração de ITR, portanto, fere o Princípio Constitucional da Reserva de Lei; cita e transcreve Decisões Judiciais para referendar sua tese; considera, quanto ao VTN, que deve ser estipulado o VTI/ha, onde de acordo com a ABNT, achase o VTN por meio da diferença entre o VTI e o valor das benfeitorias e tomandose por base o:: valores oferecidos pelo contribuinte chegase ao VTN/ha, que deve ser adotado para efeito da DITR, o que poderá ser provado por meio da apresentação de Laudo Agronômico de Vistoria; requer que seja julgada improcedente a Notificação de Lançamento e reavaliado, conforme exposto, requerendo que todas e quaisquer notificações sejam enviadas para o escritório profissional do advogado Delmiro dos Santos, situado a Av. Nazaré, n° 272, Sala 1004, Belém, Pará, CEP: 66035170; . por fim protesta por todos os meios de provas direito admitidas, inclusive apresentação de Laudo Agronômico de Vistoria.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 75/78, que restou assim ementado: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 134 5 PRELIMINAR RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto a distribuição das áreas do imóvel, que não são objeto da lide. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, devem estar incluídas no requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, além de se exigir a averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel e, em se tratando de área de posse, que tenha sido firmado Termo de Ajustamento de Conduta, também, em data anterior ao fato gerador. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 25/10/2011 (AR fl. 92), a interessada, representada por seu advogado (fl. 108), interpôs o recurso de fls. 94/107, em 21/11/2010. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação: É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, é de se afastar a pretensão da recorrente em relação à retificação da área total do imóvel e da área de pastagem, pois, conforme bem observou a decisão recorrida, além de a contribuinte não estar amparada pela espontaneidade, não há documentação hábil nos autos a comprovar a existência de tais áreas à época do fato gerador, como o registro de imóvel e declaração de produtor rural indicando o rebanho apascentado no imóvel. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 135 6 Registrese que as referida áreas não foram objeto de alteração pela fiscalização, haja vista que o lançamento cuida de glosa da Área de Preservação Permanente e alteração do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. A contribuinte defende que a apresentação de ADA é desnecessária para a exclusão da Área de Preservação Permanente da área tributável do imóvel, para fins de apuração do ITR. Diante disso, vale fazer uma recapitulação de parte da legislação referente ao ADA. Sua exigência, inicialmente, foi estabelecida no §4º, art. 10, da Instrução Normativa SRF nº 43, de 08 de maio de 1997, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1º de setembro de 1997: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...) II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...)” (Grifos acrescidos). O Ibama, por sua vez, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) Posteriormente, a Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, alterou a redação do §1º, art. 17O, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, determinando a obrigatoriedade de utilização do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 136 7 "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) O § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, por sua vez, apenas estabelece que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: “§ 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (grifos acrescidos) Observese que o modelo do ADA não sofreu alteração desde a edição da Portaria Ibama nº 162, de 1997, até o advento da IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a mencionada Portaria e estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural DITR, que tenham informado: I a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do lTR; e II a área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas e a área extrativa no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, conforme Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996; (...) Art 7º O declarante deverá apresentar o ADA em uma das modalidades que segue: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 137 8 I pela apresentação por meio eletrônico ADAWeb; II pela apresentação do formulário padrão conforme anexo I. (...) Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras.” (Grifos acrescidos) Finalmente, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA , deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. (...) Art. 9º. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 138 9 de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber.” (Grifos acrescidos) Diante da legislação acima transcrita, que inclusive avança no tempo além do exercício em exame, verificase que a partir do exercício 2001 a Lei estabeleceu a utilização do ADA como um dos requisitos para que algumas áreas não sejam tributadas pelo ITR. Entre tais áreas, sempre previstas na legislação, se incluem as de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico), de Preservação Permanente ou, mais recentemente, as de Servidão Florestal ou Ambiental (prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente), as Coberta por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração (Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006) ou as Alagadas para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público (Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008). Inferese que essa foi a forma escolhida pela Administração Pública para evitar distorções e assegurar que a exclusão do crédito tributário está em consonância com a realidade material do imóvel. Importante destacar que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 139 10 (...)”. (grifos acrescidos) Ora, para o exercício em questão, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido na IN SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, art. 9º, § 3º, incs. I e II, sendo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR. Não obstante as considerações acima, não se pode esquecer que o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, no exame do caso concreto, se o único fundamento do lançamento foi a ausência do ADA, como aqui se verifica, se faz necessário investigar se o contribuinte, até a data de ocorrência do fato gerador, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das áreas de interesse ecológico incluídas na DITR e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. No caso, nada há nos autos que comprove a comunicação a órgão de fiscalização ambiental acerca da existência da Área de Preservação Permanente informada na DITR. Portanto, os argumentos apresentados não são hábeis a afastarem o acerto do lançamento e da decisão recorrida, mormente considerando que o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento da referida área como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado, ou, pelo menos, da comprovação do cumprimento, tempestivo, da solicitação deste requerimento, nos termos da legislação de regência. A recorrente também contesta o arbitramento do VTN, trazendo como principal ponto de sua defesa o laudo apresentado, já durante o procedimento fiscal, que não foi aceito pela fiscalização, por não atender às normas da ABNT (NBR 146533). De fato, verificase que, no referido laudo, não existe sequer um dado de mercado efetivamente utilizado, ou melhor, o VTN trazido pela defesa no Laudo de Avaliação/Laudo Técnico (fls. 111/127) não se baseia em preço de mercado na data de ocorrência do fato gerador (1º/01/2004). Observese que a contribuinte teve chance de se defender na fase impugnatória e, agora, em sede de recurso, de forma a comprovar que o arbitramento foi equivocado. Ocorre que a peticionaria não logrou refutar o valor arbitrado pela fiscalização, sendo certo que poderia ter apresentado novo laudo de avaliação com observância das condições exigíveis para avaliação de imóveis rurais fixadas pela Norma Brasileira para Avaliação de Imóveis Rurais, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, contendo, dentre outros, os seguintes requisitos: 1 escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; 2 a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; 3pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, transações e ofertas. A norma da ABNT,ainda, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720030/200818 Acórdão n.º 280102.562 S2TE01 Fl. 140 11 estabelece que pelo menos cinco elementos amostrais devam ser efetivamente utilizados na determinação do valor. Assim, há de prevalecer o arbitramento do VTN, nos moldes em que consubstanciado no Auto de Infração, pois, de acordo com o disposto na NBR/ABNT 14653 – parte 3, a conclusão que se impõe é que o documento fornecido pelo contribuinte não pode ser considerado um laudo de avaliação, muito menos de grau de fundamentação II. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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