Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 35166.001050/2006-08
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/08/2002
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FORMALIZAÇÃO.
O crédito tributário deve está revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, sua comprovação e fundamentação, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91.
LANÇAMENTO FISCAL. ANULAÇÃO.
É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.967
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para anular decisão de primeira instância, devendo ser proferida outra. Antes, porém, que seja
observado o princípio do contraditório e ampla defesa, realizando a citação da empresa PRODUSERV Processadora de Subprodutos Bovinos Ltda, CNPJ nº 03.296.351/000168 e filial 00260, para dar ciência do lançamento, de todos relatórios fiscais, decisões e diligências efetuadas, oferecendo impugnação se desejar. Após, retornem os autos para o regular processamento.
Deve ser esclarecido se foi caracterizada a responsabilidade solidária ou não
do recorrente por eventuais débitos apurados da PRODUSERV; se houve a figura de grupo econômico de fato ou não; se houve a cobrança do eventual débito da PRODUSERV e se ficou comprovada sua falta de capacidade para o pagamento das contribuições sociais em questão; se ficou constatada a existência de simulação ou não com fulcro no art. 116, parágrafo único, e no art. 149, VII, também da Lei nº 5.172/66 (CTN); enfim, as comprovações dos fatos geradores das contribuições sociais constantes do lançamento, sua fundamentação legal, inclusive analisando os questionamentos não respondidos da impugnação e recurso, como, a inexistência da solidariedade na contribuição de Terceiros, o porquê da não cobrança direta da PRODUSERV; objetivando a compreensão indubitável do lançamento fiscal.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 18 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201108
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/08/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FORMALIZAÇÃO. O crédito tributário deve está revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, sua comprovação e fundamentação, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91. LANÇAMENTO FISCAL. ANULAÇÃO. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35166.001050/2006-08
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 6800636
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-000.967
nome_arquivo_s : 280300967_35166001050200608_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 35166001050200608_6800636.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para anular decisão de primeira instância, devendo ser proferida outra. Antes, porém, que seja observado o princípio do contraditório e ampla defesa, realizando a citação da empresa PRODUSERV Processadora de Subprodutos Bovinos Ltda, CNPJ nº 03.296.351/000168 e filial 00260, para dar ciência do lançamento, de todos relatórios fiscais, decisões e diligências efetuadas, oferecendo impugnação se desejar. Após, retornem os autos para o regular processamento. Deve ser esclarecido se foi caracterizada a responsabilidade solidária ou não do recorrente por eventuais débitos apurados da PRODUSERV; se houve a figura de grupo econômico de fato ou não; se houve a cobrança do eventual débito da PRODUSERV e se ficou comprovada sua falta de capacidade para o pagamento das contribuições sociais em questão; se ficou constatada a existência de simulação ou não com fulcro no art. 116, parágrafo único, e no art. 149, VII, também da Lei nº 5.172/66 (CTN); enfim, as comprovações dos fatos geradores das contribuições sociais constantes do lançamento, sua fundamentação legal, inclusive analisando os questionamentos não respondidos da impugnação e recurso, como, a inexistência da solidariedade na contribuição de Terceiros, o porquê da não cobrança direta da PRODUSERV; objetivando a compreensão indubitável do lançamento fiscal.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4744172
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:50 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045585620992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 191 1 190 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35166.001050/200608 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280300.967 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente MATADOURO E FRIGORÍFICO EXTREMO NORTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/08/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FORMALIZAÇÃO. O crédito tributário deve está revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, sua comprovação e fundamentação, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91. LANÇAMENTO FISCAL. ANULAÇÃO. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para anular decisão de primeira instância, devendo ser proferida outra. Antes, porém, que seja observado o princípio do contraditório e ampla defesa, realizando a citação da empresa PRODUSERV Processadora de Subprodutos Bovinos Ltda, CNPJ nº 03.296.351/000168 e filial 00260, para dar ciência do lançamento, de todos relatórios fiscais, decisões e diligências efetuadas, oferecendo impugnação se desejar. Após, retornem os autos para o regular processamento. Deve ser esclarecido se foi caracterizada a responsabilidade solidária ou não do recorrente por eventuais débitos apurados da PRODUSERV; se houve a figura de grupo Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 192 2 econômico de fato ou não; se houve a cobrança do eventual débito da PRODUSERV e se ficou comprovada sua falta de capacidade para o pagamento das contribuições sociais em questão; se ficou constatada a existência de simulação ou não com fulcro no art. 116, parágrafo único, e no art. 149, VII, também da Lei nº 5.172/66 (CTN); enfim, as comprovações dos fatos geradores das contribuições sociais constantes do lançamento, sua fundamentação legal, inclusive analisando os questionamentos não respondidos da impugnação e recurso, como, a inexistência da solidariedade na contribuição de Terceiros, o porquê da não cobrança direta da PRODUSERV; objetivando a compreensão indubitável do lançamento fiscal. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 193 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD contra o contribuinte acima identificado, referente às contribuições previdenciárias de segurados e patronal, bem como, de Terceiros (outras entidades), sobre o total das remunerações dos empregados da filial 000260 da PRODUSERV Processadora de Subprodutos Bovinos Ltda, CNPJ nº 03.296.351/000168, em virtude do instituto da desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária (art. 116, §único, CTN), período de 06/2001 a 08/2002, objetivando a fiscalização de todas as empresas que utilizavam a unidade frigorífica, conforme Relatório Fiscal Complementar de fls. 102/108. Assim, o levantamento abrange o Matadouro e Frigorífico Extremo Norte Ltda, CNPJ: 03.501.363/0001 07, e apenas a filial 0002 da PRODUSERV que se localiza no estabelecimento do Matadouro e Frigorífico Extremo Norte Ltda. Ambos possuem Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. As remunerações foram pagas e/ou creditadas pela empresa PRODUSERV (arrendatária), porém o montante do débito constatado é atribuído a MATADOURO E FRIGORÍFICO EXTREMO NORTE (arrendador), pois a fiscalização considerou que esta empresa é responsável pelo débito apurado, tendo em vista que aquele contribuinte constituiu uma filial 0002 na unidade industrial de propriedade do devedor com finalidade exclusiva de fornecimento de mãodeobra, recebendo em troca subprodutos bovinos, consubstanciandose um contrato de prestação de serviço, mesmo que as partes o denomine como arrendamento (art. 123 do CTN), conforme cláusula 3a do contrato: CLAUSULA 3a Fica acordado entre as partes que os subprodutos bovino como: casco, chifre, bílis, sebo e a matéria prima usada na produção da farinha de carne e osso e farinha de sangue, de todo o rebanho abatido pela ARRENDADORA, será retido exclusivamente pela ARRENDATÁRIA a custo zero, comprometendose a ARRENDATÁRIA a efetuar a coleta dos mesmos e responsabilizandose pôr toda a mãodeobra usada dentro da industria, em troca dos subprodutos acima citados, obrigandose a entregar a carne e vísceras já resfriadas à ponto de transporte. § PRIMEIRO — A ARRENDATÁRIA será responsável pêlos encargos sociais assim como pôr qualquer ação trabalhista e previdenciária. As partes não comprovaram, por notas fiscais e/ou faturas os valores pagos a titulo de remuneração dos serviços prestados. O instrumento não possui o mínimo equilíbrio econômicofinanceiro, pois a PRODUSERV é uma pequena empresa, capital social de R$50.000,00, e não tem suporte para gerir ou se responsabilizar pela magnitude das folhas de pagamentos. O contrato celebrado tem como objetivo deixar livre o patrimônio da principal interessada (A arrendadora), pois é contrato de arrendamento para determinado lapso temporal e a arrendatária se responsabiliza por todos os custos de mãodeobra do parque industrial da arrendadora, recebendo como remuneração subprodutos bovinos. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 194 4 O estabelecimento filial 0002 que foi criado pela segunda alteração contratual, registrada na Junta Comercial do Estado do Pará — JUCEPA em 05/04/2001, cópia anexa, que prevê: a) a cláusula segunda informa sobre a abertura de uma filial no município de Castanhal (PA), no mesmo endereço do MATADOURO E FRIGORÍFICO EXTREMO NORTE; b) a celebração de novo contrato de arrendamento com a proprietária da unidade industrial, no caso EXTREMO NORTE. Os estabelecimentos da PRODUSERV foram criados com a finalidade exclusiva de prestação de serviços para as duas unidades frigoríficas citadas, fato que evidencia plenamente o intuito de acumulação de débitos para com a Previdência Social, pois tanto matriz e filial foram criadas, na realidade, para gerir unidades frigoríficas, fornecendo mãode obra e recebendo em troca subprodutos bovinos que não são mensurados economicamente. Como já mencionado anteriormente, as partes deixam de comprovar contabilmente os valores que remuneram o contrato. Assim, foi atribuído ao MATADOURO E FRIGORÍFICO EXTREMO NORTE LIDA, a responsabilidade pelos débitos previdenciários constatados, pois há diversas evidências que o contrato celebrado com a arrendatária tem a finalidade especifica de evasão de tributos, simulandose negócio jurídico, deixando a salvo o patrimônio da fiscalizada. A base de cálculo utilizada foi as GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social extraídas do Sistema Informatizado de Arrecadação da Previdência Social em razão da não apresentação dos documentos pela filial 0002 da PRODUSERV. Todas as guias de recolhimento da filial 0002 da PRODUSERV foram consideradas no lançamento. Levantamentos utilizados no lançamento: SRP Solidariedade/Produserv e DAL Diferenças de Ac. Legais. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte MATADOURO E FRIGORÍFICO EXTREMO NORTE LTDA foi cientificado da notificação em 22/01/2003 (fl. 01) e em 29/02/2003 (fl. 62), o contribuinte PRODUSERV em 05/03/2003 (fl. 63). Inconformado, EXTREMO NORTE LTDA apresentou impugnação às folhas 66 a 72. Não consta nos autos registro da impugnação da PRODUSERV. DA DILIGÊNCIA O Despacho Interlocutório (DI) n 9 12.401.4/0186/2003 (fl. 84) solicitou o pronunciamento da fiscalização notificante acerca das alegações do interessado de que não houve solidariedade. Como resposta, o notificante emitiu Informação Fiscal (fls. 87/97), afirmando que a empresa EXTREMO NORTE deve ser responsabilizada solidariamente por eventuais débitos apurados na PRODUSERV, haja vista o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, argumentando, em síntese, que: 6.1. Alega que o que se verificou na ação fiscal é que o ajuste chamado de "arrendamento" tem a finalidade de lesar a Previdência Social e é de caráter fraudulento. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 195 5 6.2. Traz à tona que a PRODUSERV mantém estabelecimento matriz no município de Xinguara/PA, no mesmo endereço da empresa MAFRIPAR FRIGORÍFICO INDUSTRIAL LTDA, que possui o seguinte controle acionário: os sócios LINCOLN LAFAIETE DA SILVEIRA BUENO e JOÃO FRANCO DA SILVEIRA BUENO, além da empresa EXTREMO NORTE DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Já a EXTREMO NORTE DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA possui dois sócios, justamente os Srs. LINCOLN LAFAIETE DA SILVEIRA BUENO e JOÃO FRANCO DA SILVEIRA BUENO. 6.3. Ressalta que, a exemplo do processo em tela, também existe contrato de arrendamento de instalações entre a PRODUSERV e a MAFRIPAR e que na ação fiscal ensejadora da NFLD n9 35.510.2544, o referido instrumento foi desconsiderado, responsabilizando solidariamente a MAFRIPAR pelo débito apurado. 6.4. Informa que os dois únicos sócios acionistas da PRODUSERV, WALDECYR COSTA DO MAR COIMBRA e THALES NERES PEREIRA foram empregados da empresa ELITE 410 DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, conforme consta no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS, que é controlada pelos sócios da MAFRIPAR FRIGORÍFICO INDUSTRIAL LTDA citados acima e da MFP ALIMENTOS LTDA (hoje denominada MAFRIPAR MATADOURO E FRIGORÍFICO PARAENSE). Informa, também, que THALES NERES PEREIRA é sócio do FRIGORÍFICO SERRA NORTE, empresa que celebrou contrato de arrendamento com a EXTREMO NORTE, de acordo com as alegações contidas na contestação da NFLD 35.561.7420. 6.5. Informa, também, que a ELITE DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA possui endereço no mesmo prédio comercial da MFP ALIMENTOS LTDA e que os sócios da ELITE, MANOEL FERREIRA DA FONSECA e VALDECI DE SOUSA OLIVEIRA, são também empregados da mesma, conforme se verifica no sistema CNIS, tendo o primeiro sido admitido em 01/08/98 e rescindido com a sua própria empresa em 10/11/98, e o segundo admitido em 02/05/96 e rescindido em 15/06/96. 6.6. Alega que a ELITE DISTRIBUIDORA é controlada pelos sócios da MAFRIPAR e da MFP, aduzindo que em outra ação fiscal, ensejadora da NFLD 35.525.8307, foram apreendidos vários documentos de emissão da ELITE assinados pelo Sr. LINCOLN LAFAIETE DA SILVEIRA BUENO, como cheques e outros de caráter bancário, além de procurações fornecidas pelo Cartório Queiroz Santos, outorgadas aos Srs. LINCOLN e JOÃO FRANCO DA SILVEIRA BUENO, dandolhes poderes gerais de administração sobre à referida empresa. 6.7. Diante de todo o exposto, aduz que os Srs. LINCOLN LAFAIETE DA SILVEIRA BUENO e JOÃO FRANCO DA SILVEIRA BUENO são os verdadeiros gestores da empresas ELITE DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, MAFR1PAR Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 196 6 FRIGORÍFICO INDUSTRIAL LTDA, MFP ALIMENTOS LTDA e, de acordo com as procurações anexadas ao processo (fls. 79 e 120), do MATADOURO E FRIGORÍFICO EXTREMO NORTE LTDA. 6.8. Aduz, também, que a PRODUSERV só trabalha com empresas controladas pelos referidos senhores e que estes arrendamentos são utilizados para dar aspecto de legalidade a verdadeira intenção dos sócios e procuradores da EXTREMO NORTE, que é a evasão de tributos, pois é celebrado um contrato de arrendamento, onde uma pequena empresa (PRODUSERV) se compromete a ceder mão de obra em troca de uma remuneração • descabida, favorecendo à notificada. 6.9. Questiona por que a EXTREMO NORTE não apresenta sua escrituração contábil e a documentação que comprova os pagamentos do suposto arrendamento, alegando que com isso poderia provar que está agindo dentro da legalidade, mas não o faz. 6.10. Assim, alega que a PRODUSERV foi criada apenas para manter relações com empresas geridas pelos Srs. LINCOLN e JOÃO BUENO, inclusive os endereços da matriz e da filial são os mesmos das empresas que estes senhores têm interesses, os sócios da PRODUSERV foram empregados de uma "laranja" do grupo (ELITE), além do contrato de arrendamento buscar, em verdade, salvaguardar o patrimônio da EXTREMO NORTE, com nítida finalidade sonegatória. 6.11. Finaliza, defendendo que existe uma simulação, pois em nenhum momento a notificada comprova a regular execução do ajuste, apenas alega o arrendamento para eximirse do débito verificado, devendo, portanto, ser considerada responsável solidária, com base no art. 124, I, da Lei n2 5.172/66 — Código Tributário Nacional (CTN). Foi emitido novo Despacho n 12.401.4/0144/2005 (fls. 99/100), solicitando o pronunciamento do notificante acerca da responsabilidade solidária entre as empresas. Como resposta, o notificante emitiu nova Informação Fiscal (fl. 101) e Relatório Fiscal Complementar (fls. 102/108), no qual alterou principalmente o item 05 do Relatório inicial, retirando o termo "solidariedade", apresentando para isso suas argumentações e informando que a empresa deve ser responsabilizada por eventuais débitos apurados na PRODUSERV, face à existência de simulação, com fulcro no art. 116, parágrafo único, e no art. 149, VII, também da Lei nº 5.172/66 (CTN). DA REABERTURA DO PRAZO PARA DEFESA O Relatório Complementar supracitado foi enviado ao contribuinte sendolhe reaberto o prazo para apresentação de defesa. O notificado contestou novamente o lançamento, consoante impugnação de fls. 113/119, alegando, dentro outros argumentos, que não é porque o notificante entende que inexiste equilíbrio econômico no contrato de arrendamento apresentado que se pode deixar de notificar uma da envolvidas no processo, principalmente porque a verdadeira responsável pelo débito existe e é justamente quem deixou de ser notificada (PRODUSERV). Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 197 7 A decisão de primeira instância administrativa fiscal (DECISÃO NOTIFICAÇÃO nº 12.401.4/0185/2006, de 30/06/2006) julgou procedente o lançamento, fls. 122 a 129. O contribuinte EXTREMO NORTE foi cientificado da decisão em 04/09/2006 (fls. 131), apresentando recurso voluntário em 04/10/2006, fls. 134 a 142, dentre outros argumentos, que é absolutamente inócua a tentativa de responsabilização de terceiro se nada há a ser recolhido, ou o pouco que há partiu de análise de recolhimentos perpetrados pelo sujeito passivo PRODUSERV. Foi emitida nova DECISÃONOTIFICAÇÃO nº 12.401.4/0121, de 27/04/2007, fls. 155/166, anulando a decisão anterior nº 12.401.4/0185/2006 por cerceamento do direito de defesa em razão de ter deixado de analisar vários pontos abordados na defesa interposta às fls. 113/119, como, contribuições destinadas a Terceiros e a cobrança em dobro uma vez que a responsabilidade da PRODUSERV pela EXTREMO NORTE se deu em função da não validade do contrato de arrendamento pelo INSS. A nova decisão observa que foi correto a desconsideração do negócio jurídico da existência da pessoa jurídica PRODUSERV, cabendo a EXTREMO NORTE a apresentação de documentos ou informações acerca dos fatos geradores atribuídos a PRODUSERV. Considerou impertinente a alegação de que a PRODUSERV deveria ser notificada para apresentar defesa, pois o verdadeiro sujeito passivo do débito em questão é a EXTREMO NORTE (item 45 da nova decisão, fl. 165). Ponderou que não cabe a alegação de que houve cerceamento de defesa para as duas empresas porque a EXTREMO NORTE aproveitou todos os prazos que lhe foram concedidos, rebatendo ponto a ponto todos os fatos geradores do presente lançamento e porque a PRODUSERV foi desconsiderada pela fiscalização pelos motivos relatados na decisão. O recorrente foi cientificado da nova decisão em 20/08/2007, fl. 185, apresentando recurso voluntário em 19/09/2007, fls. 173/179, alegando em síntese: Preliminarmente o recorrente foi intimado para apresentar documentos comprobatórios do recolhimento devido pela empresa PRODUSERV, e justamente por não ser o recorrente (EXTREMO NORTE) o sujeito passivo do crédito fiscalizado deixou de faze1o. Há no presente auto uma verdadeira balbúrdia processual causada pelas autoridades fiscalizadoras que, ao argumento de desconsideração da relação contratual de arrendamento, ora notifica uma empresa, ora outra para se defender, mas, sem trazer à colação qualquer documento comprobatório da real necessidade dessas desconsiderações, acaba por macular todo o processo administrativo. Assim, impõe cerceamento à defesa ora à PRODUSERV ora ao recorrente (EXTREMO NORTE), pois enquanto esta fica impossibilitada de apresentar documentos comprobatórios da quitação dos débitos porque não são seus, aquela igualmente deixa de fazê lo porque sequer foi chamada a apresentar impugnação, novamente comprometendo a defesa da Impugnante. Foi identificado um devedor e cobra de outro sem sequer dar aquele primeiramente identificado a oportunidade de se defender corretamente; o processo ao não notificar a empresa PRODUSERV na forma como determina a lei é nulo porque impede a análise de qualquer outra matéria meritória; a solidariedade só é admitida quando por alguma razão for inviável a cobrança do sujeito passivo titular da obrigação previdenciária. Esta hipótese não ficou Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 198 8 provada, assim como, não ficou comprovada a necessidade de se desconsiderar o contrato, tendo em vista que a empresa PRODUSERV sempre arcou com seus deveres; não existe solidariedade na contribuição de Terceiros, conforme art. 155 da Instrução Normativa INSS/DC n° 070/2002; a fiscalização não provou a simulação com fins de sonegação fiscal que corrobore a aplicação do art. 116 do CTN; No Mérito a própria autoridade administrativa admite o pagamento do tributo, mas afirma que fora feito por pessoa jurídica que não pode ser considerada como sujeito passivo do crédito, pois essa responsabilidade da PRODUSERV pela EXTREMO NORTE, aconteceu em função de contrato de arrendamento que não teria qualquer validade para ser oposto ao INSS. E novamente sobre isso não se manifestou a autoridade julgadora da impugnação. O tributo está recolhido; o recorrente não pode ser responsabilizado pela omissão dos recolhimentos da PRODUSERV; por fim, requer que seja acatada a preliminar para declarar nulo o lançamento, ou, no mérito, que seja declarado indevido o crédito tributário apurado por arbitramento, ante a falta de amparo legal para a eleição de cálculo. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 199 9 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso é tempestivo, conforme fls. 185, pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões. Consta dos autos que a empresa PRODUSERV Processadora de Subprodutos Bovinos Ltda, CNPJ nº 03.296.351/000168 e filial 000260, apenas foi intimada da notificação fiscal em 05/03/2003 (fl. 63), não sendo detectado registro de sua impugnação. Também, não se constatou sua ciência nas decisões expedidas e nas diligências efetuadas, tampouco seus argumentos. De conformidade com os reclamos da EXTREMO NORTE, o lançamento se deu com base nas GFIP e guias de recolhimentos efetuadas pela PRODUSERV, sendo atribuído a diferença a recolher a outra empresa (EXTREMO NORTE), ao argumento da fiscalização de desconsideração da relação contratual de arrendamento de unidade frigorífica utilizada por ambas, desconsiderando também a responsabilidade solidária, sem trazer à colação qualquer documento comprobatório da real necessidade dessas desconsiderações. Não ficou comprovada a inviabilidade da cobrança do lançamento da PRODUSERV tendo em vista que a empresa sempre arcou com seus pagamentos. A fiscalização não provou a simulação com fins de sonegação fiscal que corrobore a aplicação do art. 116 do CTN. A autoridade julgadora não se manifestou quanto à validade ou não do contrato de arrendamento entre as empresas e não analisou vários pontos abordados na defesa. O devedor originário PRODUSERV deve ser notificado na forma da lei para responder ao lançamento. O tributo está recolhido. Houve violação ao princípio do contraditório e ampla defesa. O crédito tributário deve está revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, sua comprovação e fundamentação, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91. A decisão conterá relatório do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação de todos os interessados, devendo referirse, expressamente, ao lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, conforme art. 31do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para anular decisão de primeira instância, devendo ser proferida outra. Antes, porém, que seja observado o Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.001050/200608 Acórdão n.º 280300.967 S2TE03 Fl. 200 10 princípio do contraditório e ampla defesa, realizando a citação da empresa PRODUSERV Processadora de Subprodutos Bovinos Ltda, CNPJ nº 03.296.351/000168 e filial 00260, para dar ciência do lançamento, de todos relatórios fiscais, decisões e diligências efetuadas, oferecendo impugnação se desejar. Após, retornem os autos para o regular processamento. Deve ser esclarecido se foi caracterizada a responsabilidade solidária ou não do recorrente por eventuais débitos apurados da PRODUSERV; se houve a figura de grupo econômico de fato ou não; se houve a cobrança do eventual débito da PRODUSERV e se ficou comprovada sua falta de capacidade para o pagamento das contribuições sociais em questão; se ficou constatada a existência de simulação ou não com fulcro no art. 116, parágrafo único, e no art. 149, VII, também da Lei nº 5.172/66 (CTN); enfim, as comprovações dos fatos geradores das contribuições sociais constantes do lançamento, sua fundamentação legal, inclusive analisando os questionamentos não respondidos da impugnação e recurso, como, a inexistência da solidariedade na contribuição de Terceiros, o porquê da não cobrança direta da PRODUSERV; objetivando a compreensão indubitável do lançamento fiscal. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/ 08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908529/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3402-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Renata da Silveira Bilhim, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Wed Nov 16 17:28:19 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202008
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10840.908529/2009-81
anomes_publicacao_s : 202009
conteudo_id_s : 6272634
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3402-002.654
nome_arquivo_s : Decisao_10840908529200981.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10840908529200981_6272634.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Renata da Silveira Bilhim, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
id : 8469444
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:31:13 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045591912448
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-09-17T11:53:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-09-17T11:53:03Z; Last-Modified: 2020-09-17T11:53:03Z; dcterms:modified: 2020-09-17T11:53:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-09-17T11:53:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-09-17T11:53:03Z; meta:save-date: 2020-09-17T11:53:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-09-17T11:53:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-09-17T11:53:03Z; created: 2020-09-17T11:53:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2020-09-17T11:53:03Z; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-09-17T11:53:03Z | Conteúdo => 0 S3-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10840.908529/2009-81 Recurso Voluntário Resolução nº 3402-002.654 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2020 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente EVIALIS DO BRASIL NUTRIÇÃO ANIMAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Renata da Silveira Bilhim, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto trecho do Relatório da 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto: Trata-se de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que homologou parcialmente a compensação declarada, no valor de R$ 79.110,45, dada a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento era inferior ao valor pleiteado e ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Regularmente cientificada da homologação parcial da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: O Sr. Auditor Fiscal considerou como crédito acumulado de período anterior (até 31/12/2004) apenas o valor de R$ 105.757,30 (cento e cinco mil reais, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 08 52 9/ 20 09 -8 1 Fl. 1973DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.908529/2009-81 setecentos e cinquenta e sete reais e trinta centavos), quando, na realidade, a Requerente possuía R$ 383.351,63 (trezentos e oitenta e três mil trezentos e cinquenta e um reais e sessenta e três centavos) de créditos. Explica-se. Durante os anos de 2004 e 2005 a Requerente apropriou-se de créditos extemporâneos de IPI referentes a: a) insumos consumidos em seu processo produtivo e dos quais a Requerente deixou de se creditar, apesar de existir legislação que lhe permitia a tomada do crédito e estar o IPI devidamente destacado nas notas fiscais de seus fornecedores — o valor total do crédito é de R$ 362.494,35 (trezentos e sessenta e dois mil quatrocentos e noventa e quatro reais e trinta e cinco centavos) (DOC. 04); b) materiais que haviam sido considerados como de uso e consumo mas que, após reiteradas análises, na realidade referiam-se a materiais intermediários utilizados pela Requerente em seu processo produtivo, os quais se desgastavam ou consumiam em contato direto com o produto final — o valor total do crédito é de R$ 7.513,67 (sete mil reais quinhentos e treze mil e sessenta e sete reais) (DOC. 05). Esses créditos as notas fiscais de entrada de matérias-primas, produtos intermediários, de embalagens e de materiais de uso e consumo utilizados pela Requerente durante os anos de 1999 a 2004, tendo sido respeitados os prazos prescricionais de tomada de crédito de IPI, devidamente escriturados nos Livros de registro de Apuração de IPI de 2004 e 2005.O melhor estudo da matéria indica que há sim espaço para o contribuinte creditar-se do IPI derivado da aquisição destes produtos que, se não se integram ao produto final, viabilizam o processo de industrialização, sendo consumidos durante o mesmo. Os produtos cujos valores foram considerados eram, em sua maioria, fitas adesivas, resistências, reagentes químicos, agulhas e papel filtro, todos eles fazendo parte do produto final e desgastando-se durante o processo de industrialização. Tem-se, portanto, que mesmo em se tratando de produtos empregados no processo de industrialização, ainda que sem se integrar ao produto final, a aquisição de tais bens, que não fazem parte do ativo permanente da empresa, gera evidente direito ao creditamento do IPI, posto que não há impedimento constitucional para esta providência, havendo, pelo contrário, disposição do RIPI/02 permissiva. Por fim, requereu a que reconsideração do despacho decisório para HOMOLOGAR TOTALMENTE a compensação de PIS e COFINS com os créditos de IPI objeto desta PER/DCOMP em questão e determine a anulação da cobrança da diferença do valor não homologado posto ser indevido. Protestou, ainda, pela juntada posterior da documentação contábil (notas fiscais, Livros de Entrada de Mercadorias), nos termos do artigo 17, do Decreto n° 70.235/72, com redação conferida pelo artigo 1°, da Lei n° 8.748/93 e pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive, a oral. A 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14-48.960, de 27 de fevereiro de 2014 (fls. 1793 a 1797), julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o despacho decisório. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DCOMP. SALDO INICIAL. APURAÇÃO. O saldo credor inicial do livro de apuração do imposto (que corresponde ao saldo credor final do período anterior) não é àquele a ser considerado na Dcomp Fl. 1974DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.908529/2009-81 como o saldo credor de período anterior. Na Dcomp, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal, pois os valores já ressarcidos não podem constar no cálculo para abatimento dos débitos do contribuinte no período seguinte, sob pena de dupla utilização. GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS USADOS COMO CUSTO. Tendo o IPI sido utilizado como custo, não pode ser escriturado no livro de apuração do imposto para abatimento de débitos sob pena de dupla utilização. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. Não existe previsão expressa no ordenamento jurídico pátrio para a correção monetária dos créditos escriturais do IPI, razão pela qual o contribuinte não pode efetuar tal correção. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão da DRJ em 09/06/2014 (fl. 1862), a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 07/07/2014 (fls. 1864 a 1883). com as seguintes alegações: (i) a existência de saldo credor de IPI decorrente da transposição do saldo credor de dezembro de 2004; (ii) a improcedência da glosa dos créditos extemporâneos de IPI decorrente da contabilização dos valores como custo e a inexigência de comprovação da repercussão jurídica e econômica do tributo indireto; e (iii) direito ao crédito extemporâneo decorrente de saídas tributadas relativas a produtos dados em bonificação. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator, mediante sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo que é necessário converter o julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A recorrente alega que havia saldo credor de IPI em dezembro de 2004 no valor de R$383.351,63, transposto para janeiro de 2005, que seria suficiente para a compensação pleiteada, e não o valor de R$105.757,30 que consta no Demonstrativo de Fl. 1975DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.908529/2009-81 Apuração do Saldo Credor Ressarcível anexo ao Despacho Decisório. Tal divergência deve ser aclarada pela unidade de origem. Assim se manifestou o julgador a quo acerca quanto ao saldo credor do período anterior: Também verifica-se confusão sobre os conceitos e os instrumentos que compõe a Declaração de Compensação, pois uma coisa é o preenchimento do livro de apuração de IPI e o saldo credor do imposto acumulado no final do período e o saldo inicial do período seguinte de apuração, outra é o preenchimento da Dcomp para a apuração do ressarcimento. Diferentemente de seu entendimento, o saldo credor inicial do livro de apuração do imposto (que corresponde ao saldo credor final do período anterior) não é àquele a ser considerado na Dcomp como o saldo credor de período anterior. Deve-se levar em conta que o que se pretende na Dcomp é a apuração do valor ressarcível dos créditos escriturados no trimestre e não ser uma simples conta- corrente do imposto na apuração do valor devido ou de seu crédito acumulado. Portanto, na Dcomp, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal. Por óbvio, os valores já ressarcidos não podem constar no cálculo para abatimento dos débitos do contribuinte no período seguinte, sob pena de dupla utilização. Sendo assim, somente é permitido constar do cálculo do crédito passível de ressarcimento os valores de períodos anteriores que não foram utilizados pelo contribuinte em ressarcimento ou compensação. Desta forma, o saldo credor passível de ressarcimento somente pode ser aquele demonstrado no PER/DCOMP, quando considerado os ajustes necessários decorrentes da utilização de créditos em outros trimestres, pois, na sistemática de apuração do IPI, há interrelação entre os períodos, na medida em que saldos credores são transportados para períodos subseqüentes e utilizados na dedução de débitos do imposto. Neste diapasão, na Dcomp, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL tem por finalidade evidenciar a apuração do saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre de referência. São considerados passíveis de ressarcimento, relativamente ao trimestre de referência, apenas os créditos escriturados neste trimestre. O saldo credor acumulado de trimestres anteriores é considerado não passível de ressarcimento no trimestre de referência, podendo ser utilizado, neste trimestre, apenas para deduzir, escrituralmente, os débitos de IPI. Portanto, o saldo credor inicial do demonstrativo (Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível no primeiro período de apuração - coluna b) corresponde ao Saldo Credor apurado ao final do trimestre-calendário anterior ajustado (reduzido) pelos valores dos créditos compensados em PERDCOMP de trimestres anteriores. Observe-se que o ressarcimento de créditos escriturados em outros trimestres, que não o de referência, deve ser pleiteado em PERDCOMP apresentado especificamente para cada trimestre. De acordo com referido demonstrativo, a empresa possuía R$ 105.757,30 de saldo credor de período anterior disponível para o abatimento de débitos de IPI no período. Fl. 1976DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.908529/2009-81 Pois o restante do saldo do período anterior foi utilizado por ressarcimento e/ou compensação. Tais valores serviram para abater os débitos do 1º Trimestre de 2005, sendo que o saldo credor no final do período montou em R$ 79.110,45. Correto, portanto, o despacho decisório eletrônico. Assim se insurgiu a Recorrente: Tanto em sua Manifestação de Inconformidade, quanto em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega que possui direito ao crédito extemporâneo de IPI referentes às seguintes operações: a) insumos consumidos em seu processo produtivo e dos quais a Requerente deixou de se creditar, apesar de existir legislação que lhe permitia a tomada do crédito e estar o IPI devidamente destacado nas notas fiscais de seus fornecedores — o valor total do crédito é de R$ 362.494,35 (trezentos e sessenta e dois mil quatrocentos e noventa e quatro reais e trinta e cinco centavos); b) materiais que haviam sido considerados como de uso e consumo mas que, após reiteradas análises, na realidade referiam-se a materiais intermediários utilizados pela Requerente em seu processo produtivo, os quais se desgastavam ou consumiam em contato direto com o produto final — o valor total do crédito é de R$ 7.513,67 (sete mil reais quinhentos e treze mil e sessenta e sete reais). No Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível anexo ao Despacho Decisório consta o valor de R$105.757,30 na coluna (b) - Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível, para o primeiro período de apuração, com a informação que o valor “será igual ao saldo credor apurado ao final do trimestre-calendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores”. Reproduzo o referido demonstrativo: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCIVEL Entretanto, não consta dos autos a demonstração dos ajustes efetuados, tanto considerando o pleito da recorrente, quanto o cálculo fiscal. Na DCOMP foi informado como Fl. 1977DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3402-002.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.908529/2009-81 saldo credor no período anterior o valor de R$542.615,79, que a própria recorrente afirma estar errado. Em seu recurso, alega que o valor seria R$383.351,63, ainda que a soma dos valores informados totalize R$ 370.008,02. Dessa forma, permanece a dúvida quanto à procedência do ajuste do valor efetuado pela Autoridade Fiscal, com base nos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores. Diante disso, com fundamento nos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a Autoridade Fiscal adote as seguintes providências: (i) Intime a empresa a demonstrar, caso tenha interesse, a vinculação entre as saídas de produtos em bonificação com as vendas efetuadas; (ii) explique e demonstre os ajustes efetuados no saldo credor de período anterior (31/12/2004) no valor de R$ 105.757,30, e no valor do trimestre em questão (Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível anexo ao Despacho Decisório, coluna b - Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível), e anexe as PERDCOMPs anteriores que foram usadas no ajuste processado. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 1978DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001689/2008-87
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
Ementa: INSUMOS. TERMO. ALCANCE.
São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE
CREDITAMENTO.
Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO DE
CRÉDITOS.
Possui direito ao crédito o contribuinte que prova ter adquirido energia elétrica em razão do processo produtivo.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES.
Somente poderá ser creditada as aquisições de combustíveis e lubrificantes que o contribuinte comprovar a sua participação no processo produtivo de bens ou serviços destinados à venda.
ANÁLISE PROBATÓRIA. INSTÂNCIA RECURSAL. DESCABIMENTO.
A priori, não se presta a instância recursal à analise de provas exceção das hipóteses do §4º, art. 16 do Decreto 70.235/1972.
PROVAS. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual a não ser em casos excepcionais em que demonstre a impossibilidade de tê-lo feito naquela oportunidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3803-003.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 04 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Ementa: INSUMOS. TERMO. ALCANCE. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito. REGIME NÃO-CUMULATIVO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Possui direito ao crédito o contribuinte que prova ter adquirido energia elétrica em razão do processo produtivo. REGIME NÃO-CUMULATIVO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES. Somente poderá ser creditada as aquisições de combustíveis e lubrificantes que o contribuinte comprovar a sua participação no processo produtivo de bens ou serviços destinados à venda. ANÁLISE PROBATÓRIA. INSTÂNCIA RECURSAL. DESCABIMENTO. A priori, não se presta a instância recursal à analise de provas exceção das hipóteses do §4º, art. 16 do Decreto 70.235/1972. PROVAS. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual a não ser em casos excepcionais em que demonstre a impossibilidade de tê-lo feito naquela oportunidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
numero_processo_s : 10925.001689/2008-87
conteudo_id_s : 6778238
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 27 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3803-003.099
nome_arquivo_s : 380303099_10925001689200887_201206.pdf
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10925001689200887_6778238.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4576159
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:09 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045594009600
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-17T18:09:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-17T18:09:19Z; Last-Modified: 2014-07-17T18:09:19Z; dcterms:modified: 2014-07-17T18:09:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:1d087ffd-1033-4a4a-a0d1-59fb1b3238de; Last-Save-Date: 2014-07-17T18:09:19Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-17T18:09:19Z; meta:save-date: 2014-07-17T18:09:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-17T18:09:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-17T18:09:19Z; created: 2014-07-17T18:09:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2014-07-17T18:09:19Z; pdf:charsPerPage: 2140; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-17T18:09:19Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001689/200887 Recurso nº 941.880 Voluntário Acórdão nº 380303.099 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS Recorrente RENAR MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Ementa: INSUMOS. TERMO. ALCANCE. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito. REGIME NÃOCUMULATIVO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Possui direito ao crédito o contribuinte que prova ter adquirido energia elétrica em razão do processo produtivo. REGIME NÃOCUMULATIVO. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES. Somente poderá ser creditada as aquisições de combustíveis e lubrificantes que o contribuinte comprovar a sua participação no processo produtivo de bens ou serviços destinados à venda. ANÁLISE PROBATÓRIA. INSTÂNCIA RECURSAL. DESCABIMENTO. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 A priori, não se presta a instância recursal à analise de provas exceção das hipóteses do §4º, art. 16 do Decreto 70.235/1972. PROVAS. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual a não ser em casos excepcionais em que demonstre a impossibilidade de têlo feito naquela oportunidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, tendo como saldo disponível para ressarcimento o valor de R$ 91.789,78, referente a créditos da COFINS, apurados sob o regime da não cumulatividade, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, no 4° trimestre de 2007. A DRF em Joaçaba/SC deferiu parcialmente o pleito, reconhecendo o crédito no valor de R$ 37.472,31. Não acatou a apuração dos créditos referentes as operações de aquisição de bens caracterizados como embalagens destinadas precipuamente ao transporte de produtos acabados; valores não comprovados, aquisição de serviços de transportes de documentos; despesas de parcelamento, multa, juros, doações e outros tributos incluídos no valor da despesa com energia elétrica; despesas de aluguéis de pessoas físicas; e aquisição de combustíveis e lubrificantes consumidos por automóveis, o que totalizou o montante de R$ 74.169,83, Cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para o transporte de produtos industrializados e não como elementos promocionais, são insumos consumidos na fase final de industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na sua linha de produção. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as Fl. 805DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 380303.099 S3TE03 Fl. 2 3 embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em relação aos créditos glosados decorrentes de valores pagos a titulo de parcelamentos, multa, juros, doações e outros tributos incluídos no valor de despesa com energia elétrica, o recorrente entende como incorreta a glosa, tendo em vista que esse custo foi efetivamente suportado pela recorrente, e os valores sofreram a incidência da Cofins. Em relação à aquisição de combustíveis e lubrificantes, afirma que os mesmos são, de fato, utilizados no processo, de fabricação. Como prova, a recorrente anexa plano de contas e balancetes mensais. Ressalta que os combustíveis e lubrificantes utilizados em seus diversos veículos encontramse escriturados em sua contabilidade em contas distintas, e não foram objeto de pedido de ressarcimento. A DRJ em Florianópolis julgou improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo As suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro titulo as empresas concessionárias de energia elétrica. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Cientificado em 14/12/2011, apresentou Recurso Voluntário em 11/01/2012, por meio do qual alega em sede de preliminar, o cerceamento do direito de defesa, sob o pretexto de que a DRJ desconsiderou o pedido de diligência por entender que a diligência não supre a ausência de provas pelo sujeito passivo. No entender da empresa, a realização da diligência poderia decidir a questão e comprovar a existência dos créditos indeferidos, acarretando a reforma da decisão proferida pela DRF em Joaçaba/SC. Impugnou, ainda, as glosas das embalagens de apresentação, aduzindo que as alegações dos julgadores de piso, no sentido de que não foi possível confirmar se notas fiscais apresentadas pela contribuinte corresponderiam a embalagens de apresentação, não merecem prosperar. Em sua defesa, informa que existem documentos nos autos (fotos e notas fiscais) que apontam quais as operações de aquisição, constantes na lista de notas fiscais, foram destinadas para as embalagens de apresentação bem como a destinação destes insumos, contrapondo os argumentos da DRJ. Quanto despesas com energia elétrica referentes à multa, juros de mora e correção monetária, taxas e outros tributos, a Recorrente reforça que estes custos foram efetivamente suportados por ela e sofreram a incidência da COFINS pois constituem receitas da concessionária de energia elétrica. Em relação aos créditos sobre serviços diversos e lavagem de veículos, alega que tendo em vista constituírem parcela ínfima, não se opõe em relação à glosa. Ademais, repisou os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade, pleiteando a inclusão dos valores glosados a título de embalagem de apresentação; energia elétrica, combustíveis e lubrificantes na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Fl. 807DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 380303.099 S3TE03 Fl. 3 5 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre esclarecer que não foram impugnados os valores não homologados referentes a créditos decorrentes de valores não comprovados, despesas de aluguéis de pessoas físicas e aquisição de serviços de transportes de documentos. Desta forma, serão objeto de apreciação neste julgado apenas os itens que foram efetivamente contestados pelo contribuinte, quais sejam, aquisição de embalagem para fins de transporte, despesas com energia elétrica e aquisição de combustíveis e lubrificantes. DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Da leitura dos autos é possível se observar que a lide do presente processo se delimita ao conceito de insumos, matéria essa por diversas vezes apreciada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas que, apesar de sua acalorada discussão cujo fim ainda não se vislumbra, já restou devidamente pacificada no âmbito desta Turma Especial. Antes de adentrarmos na discussão do mérito da causa, há que ser observada a existência de preliminar suscitada pela contribuinte, no sentido de que os documentos apresentados pela ora Recorrente foram desconsiderados pelas autoridades de piso, e que, além disso, a negativa da realização de diligência com o fito de sanar eventuais dúvidas no processo, culminaram na violação do direito de defesa do autor. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito credit6rio como prérequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado as partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, esta, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, Fl. 808DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 de forma especifica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante park a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais; estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo licito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não '6 contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançam6nto de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é licito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o Pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é licito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, as partes componentes da relação jurídica. Já as pericias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, .matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Compulsando os autos observase que a ora Recorrente foi por diversas vezes intimada a apresentar a documentação contábil e fiscal que corroborassem o direito creditório pleiteado em Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação próprios. As intimações foram atendidas pela contribuinte de maneira que a lide encontrase devidamente instruída com um conjunto probatório hábil a firmar o livre convencimento do julgador. Do excerto trasladado acima, observase que o voto condutor muito bem delimitou o que se entende por ônus probatório no direito processual tributário, de modo que se permitiu o esclarecimento por parte da contribuinte que se esperava que a mesma apresentasse Fl. 809DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 380303.099 S3TE03 Fl. 4 7 suas provas contextualizadas, indicando os documentos que correspondiam a cada operação apontada por ela. Da mesma forma, entendo que as provas juntadas pela ora Recorrente em razão do contraditório, foram devidamente analisadas pelos julgadores a quo, o que inclusive motivou as considerações iniciais tecidas pelo relator do voto condutor quanto ao ônus da prova, e ensejou os esclarecimentos que citamos a seguir: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 0 que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Assim, não há como acatar a tese da contribuinte de que houve mácula ao seu direito de defesa por parte da DRJ em Curitiba, uma vez que lhe foi oportunizado a apresentação de toda a documentação apta a comprovar o crédito demandado (o que foi prontamente atendido por esta), e que o conjunto probatório foi devidamente apreciado, inclusive possibilitando a reforma do Despacho Decisório para reconhecer parte da glosa efetuada pela DRJ em Joaçaba no valor de R$ 1.769,96. Por estas razões, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa suscitada pela ora Recorrente em seu Recurso Voluntário. DO CONCEITO DE INSUMOS No tocante ao mérito da lide, a qual desboca para o conceito de insumos defendido pela receita federal e contraposto pela contribuinte, pedimos vênia para discordar da primeira e fazer as considerações iniciais que consideramos relevantes para a compreensão desta decisão. A Renar Móveis S.A. tem por objeto social a industrialização de móveis, embalagens e artefatos de madeira; o florestamento, reflorestamento, a produção de mudas e sementes e do extrativismo vegetal de florestas nativas ou formadas; o comércio, a exportação e a importação de móveis e artefatos de madeira e de seus insumos e embalagens; a participação em outros negócios, sociedades e empreendimentos. Busca o contribuinte através de declaração de ressarcimento e compensação, compensar seus débitos com crédito de Cofins nãocumulativa relativo ao 4º trimestre de 2007. Seu pleito foi parcialmente deferido, tendo a autoridade fiscal oportunamente esclarecido que Fl. 810DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 8 os valores glosados dizem respeito à aquisições que estariam fora do conceito de insumos tendo em vista que não configuram matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e também não são serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 811DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 380303.099 S3TE03 Fl. 5 9 [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 812DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 10 II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano Fl. 813DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 380303.099 S3TE03 Fl. 6 11 ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumo" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, jamais se conceberia. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais), conforme preceitua o RIR (Decreto 3000/99) nos arts. 290 e 299. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições Fl. 814DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 12 incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Assim, tal qual o Estudo realizado pela PGFN/COCAT, elaborado pela D. Procuradora Bruna Garcia Benevides, acerca do alcanse do termo “insumos” pra fins de creditamento das contribuições aqui abordadas, entendo que “apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Se entre tais dispêndios e os respectivos processos produtivos houver uma inerência direta, haverá, então, direito ao crédito pleiteado.” Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Neste ponto, faço minhas as palavras do Il. Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, no acórdão nº 310201.143, em trecho que transcrevo a seguir: “Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo.” Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo. O mesmo, também encontrase reproduzido no Resp 1.246.317 MG de relatoria do Min. Mauro Campbell e foi adotado por esta Turma Especial para fins de interpretação do conceito de “insumos” na legislação das contribuições sociais. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. DA GLOSA REFERENTE ÀS EMBALAGENS APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS DESTINADOS AO TRANSPORTE Fl. 815DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 380303.099 S3TE03 Fl. 7 13 O Despacho Decisório sustentou que as embalagens para o fim de transporte não geram direito ao creditamento tendo em vista que a legislação de regência conceitua o processo de industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. No entender da autoridade fiscal atuante, as embalagens que se destinam ao transporte dos produtos elaborados não compõem o processo de industrialização, diferentemente das embalagens de apresentação. Em sua defesa, a ora Recorrente alega que a Lei nº 10.833/02 não fez qualquer distinção quanto a essas duas espécies, não condicionando o aproveitamento à forma ou tipo de embalagem. Não há como concordar com o posicionamento adotado pela delegacia de origem e de julgamento. Isto porque, a embalagem de transporte integra o custo de venda do produto e faz parte do processo de industrialização da maçã, que só se encerra com a aquisição pelo consumidor final. A embalagem destinada ao transporte visa a conservação e proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis. Se o serviço de transporte das mercadorias integra a operação de venda, com custos suportados pelo produtor, tais embalagens se mostram imprescindíveis para a proteção e manutenção da integridade da maçã durante seu transporte, bem como, para garantir que o consumidor adquira um produto de qualidade, devem ser consideradas como insumos deste. Numa interpretação extensiva, podese considerar o material de transporte insumo sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. No caso da COFINS, o inciso IX deixou bem clara esta intenção quando incluiu os serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, quando suportados pelo vendedor. A própria lei mais recente, ao dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade expresso no art. 195, §12, da Constituição Federal, visando sempre diminuir os custos finais do produto, pelo nãorepasse a este destes tributos cobrados em toda cadeia produtiva, considerou a situação de o próprio produtor arcar com os custos de armazenagem e de frete, descontando se os créditos de PIS e COFINS destes serviços da base de cálculo das contribuições sociais. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Turma Especial, julgados em 19/08/2009 e 23/05/2012, respectivamente.1 Da mesma forma, entendo que a IN SRF 358, de 09/09/2003 ao incluir no conceito de insumos o material de embalagem utilizado no processo produtivo, não fez qualquer distinção se para apresentação ou para transporte de mercadorias. Justamente por ser genérico, pretendeu o legislador com o art. 8º § 4º, I da IN SRF nº 404/04, autorizar o creditamento de todo e qualquer material de embalagem desde que comprovadamente utilizado no processo de produção do bem. Desta feita, voto para reformar as decisões hostilizadas no sentido de considerar as aquisições de materiais (caixas de cartão corrugado, bobina papelão ondulado, diversos tamanhos de caixas, calços, bup de isopor, entre outros) que compõem embalagens utilizadas no transporte dos produtos industrializados pela empresa. 1 Resp nº 1125253/SC. Relatoria do Min. Humberto Martins. Acórdão nº 380302.983, da 3ª Turma Especial, da 3ª Seção. Relatoria do I. Cons. Jorge Victor Rodrigues. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 14 DA GLOSA REFERENTE AS DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA No que concerne às glosas referentes às despesas com energia elétrica, tais como parcelamentos, multa, juros, doações e outros tributos incluído nessas despesas de aquisição, defende a ora Recorrente que este custo foi efetivamente suportado por ela e que sofrem a incidência da COFINS, constituindo receita das empresas concessionárias. Da assertiva não se discorda, não há dúvidas que estes encargos foram efetivamente suportados pela Renar Móveis, como não poderia deixar de ser, contudo, melhor razão não lhe assiste neste ponto. O artigo 39, inciso IX da Lei n° 10.637/02, e o artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.833/03, a pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Todavia, a legislação de regência não permitiu o desconto da base de cálculo das contribuições sociais correspondente a penalidades e demais encargos com a energia elétrica como parcelamentos, multa, juros, doações e outros tributos, mas tão somente, o consumo de energia com vistas a viabilizar o processo produtivo da empresa. Assim, reputo por correta a glosa efetuada pela DRF em Joaçaba e mantida pela DRJ em Florianópolis em se considerar no crédito apenas a energia elétrica consumida e não os seus acessórios como multas e juros sobre atrasos. DA GLOSA REFERENTE ÀS AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES No tocante às despesas com combustíveis e lubrificantes, constatouse que a contribuinte buscou o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de combustíveis e lubrificantes para diversos automóveis que não são utilizados no processo de produção, lavagem de veículos, dentre outros, o que não se enquadraria no conceito de insumos do ponto de vista da autoridade fiscal. A Recorrente defende que a planilha de fls. 219 corresponde às aquisições de combustíveis destinadas exclusivamente ao processo de produção e em sua manifestação de inconformidade juntou planos de contas e balancetes mensais, os quais a DRJ em Florianópolis não considerou como aptos a comprovar sua destinação específica às máquinas que participam do processo de produção. Argumenta, ainda, que os combustíveis e lubrificantes consumidos pelos diversos veículos não foram objeto de pedido de ressarcimento justamente por não compor a apuração de créditos da COFINS. Por tal razão, estes valores foram contabilizados em contas distintas. As aquisições de combustíveis e lubrificantes objeto de glosas encontramse escrituradas no livro razão da requerente, discriminadas por centro de custos. Observando as notas fiscais apresentadas, constatase que as aquisições referemse em sua grande maioria à diesel comum, sendo que algumas notas fiscais correspondem a aquisição de lubrificantes, querosene e gás, e algumas notas fiscais de prestação de serviços de lavagem de veículos. Tendo em vista que a DRJ considerou serem insuficientes as notas fiscais, planos de contas e balancetes mensais sem a devida contextualização, a contribuinte aproveita Fl. 817DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 380303.099 S3TE03 Fl. 8 15 o momento processual do recurso voluntário e acosta aos autos uma listagem analítica de bens com informações de aquisição das respectivas máquinas e descrição de cada máquina e equipamento que participam do processo produtivo. Reza o parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 que “a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Preceitua, ainda, o mesmo artigo 16 que da impugnação constará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que comprovem o direito do impugnante. Como se percebe, o momento processual para apresentar as provas que a Recorrente entendessem cabíveis foi a Manifestação de Inconformidade, de modo que não se conhecerá dos documentos acima elencados nesta instância recursal. Observese que não se presta esta instância à análise probatória, entendimento já consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Excepcionalmente, admitese a apresentação da prova documental em sede de Recurso Voluntário quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação no momento oportuno, ainda que por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Em qualquer destes casos, deverá o contribuinte requerer à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, efetivamente e com fundamentos, a ocorrência de uma destas condições que encontramse previstas no parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72. Não vislumbramos, por conseguinte, a ocorrência de nenhuma das hipóteses acima mencionadas no presente caso. Ressaltamos, ainda, que a recepção do novo conjunto probatório exige a relevância destas novas provas e que sejam estas aptas e idôneas a comprovar o direito do pleiteante. Pertinente ressaltar, que a ora Recorrente não se opôs a glosa dos valores pertinentes a serviços diversos e lavagem de veículos. Em assim sendo, e tendo em vista que o direito ao creditamento está previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, a qual autoriza o desconto de créditos calculados em relação a insumos, incluindo os combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda, tal qual o caso da contribuinte, e que tais valores não foram devidamente comprovados no momento oportuno, qual seja, na manifestação de inconformidade, correta está a glosa mantida a este título. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito referente às aquisições de (caixas de cartão corrugado, bobina papelão ondulado, diversos tamanhos de caixas, calços, bup de isopor, entre outros) que compõem embalagens utilizadas no transporte dos produtos industrializados pela empresa, para o 4º trimestre de 2004 e negar quanto ao aproveitamento do combustível por falta de provas em tempo oportuno de que o combustível foi utilizado exclusivamente em máquinas utilizadas no processo produtivo. [assinado digitalmente] Fl. 818DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 16 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 819DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 380303.099 S3TE03 Fl. 9 17 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10925.001689/200887 Interessada: RENAR MÓVEIS LTDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380303.099, de 26 de junho de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 26 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 820DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.018561/2002-87
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA.
Não integram o cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da COFINS, por falta de previsão legal.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Ao ressarcimento de IPI, inclusive do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96, inconfundível que é com a restituição ou compensação, não se aplicam os juros Selic.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2803-000.050
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DO
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: I) por maioria de votos, em negar a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento. Vencido o Conselheiro Luís Guilherme Queiroz Vivacqua; e II) quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANDRÉIA DANTAS LACERDA MONETA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Sat Jan 21 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Não integram o cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da COFINS, por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Ao ressarcimento de IPI, inclusive do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96, inconfundível que é com a restituição ou compensação, não se aplicam os juros Selic. Recurso Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10680.018561/2002-87
anomes_publicacao_s : 200903
conteudo_id_s : 6744104
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-000.050
nome_arquivo_s : 280300050_150088_10680018561200287_200903.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : ANDRÉIA DANTAS LACERDA MONETA
nome_arquivo_pdf_s : 10680018561200287_6744104.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: I) por maioria de votos, em negar a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento. Vencido o Conselheiro Luís Guilherme Queiroz Vivacqua; e II) quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
id : 4666157
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:33 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045612883968
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:35:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:35:30Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:35:30Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:35:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8950e01c-8054-4fba-a963-b684387950c9; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:35:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:35:30Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:35:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:35:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:35:30Z; created: 2010-08-17T14:35:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-08-17T14:35:30Z; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:35:30Z | Conteúdo => S2-TE03 Fl. 92 ,..,,,,,,., xg*, , MINISTÉRIO DA FAZENDA tãí,;i: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,,,- ? SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.018561/2002-87 Recurso n° 150.088 Voluntário Acórdão n° 2803-00.050 --- 3' Turma Especial Sessão de 11 de março de 2009 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente SIDERÚRGICA VALINHO S/A Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Não integram o cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da COFINS, por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Ao ressarcimento de IPI, inclusive do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96, inconfundível que é com a restituição ou compensação, não se aplicam os juros Selic. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: I) por maioria de votos, em negar a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento. Vencido o Conselheiro Luís Guilherme Queiroz Vivacqua; e II) quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso./ offr GILSOyMACEDO ROSENBURG FILHO i t Presidente i _ m ANDREIA DANTAS LACERDA ONETA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Kern e Luis Guilheime Queiroz Vivacqua. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 85/94) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 14/11/2007, contra acórdão n° 09-17.403 — 2 Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, que indeferiu o crédito presumido do IPI relativo às aquisições de insumos de pessoas fisicas e a atualização do mesmo pela taxa Selic, nos termos da ementa do acórdão (fls. 77), abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - 1PI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INSUMOS PESSOA FÍSICA. , Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível atualização monetária ou juros de mora incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento por ausência de previsão legal. Solicitação Indeferida. Em 30/12/2002, o contribuinte apresentou declaração de compensação pleiteando o reconhecimento do direito creditório relativo ao crédito presumido de IPI, regido pelas leis 9.363/96 e 10.276/2001, no intuito de ressarcir o valor de PIS/PASEP e COFINS incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, relativamente ao 2° trimestre de 2002, no valor de R$ 129.025,48, valor este posteriormente retificado para R$ 772.430,35, conforrne fls. 30. Em 16/03/2007 (fls. 43) a autoridade local deferiu parcialmente o crédito pleiteado, no valor de R$ 108.601,55 e indeferir o pedido de ressarcimento requerido através de (Per/Decomp) no valor de R$ 643.404,87, em decorrência das glosas efetuadas em relação às aquisições de carvão vegetal de pessoas fisicas e do frete não destacado em iç ta fiscal, tendo a contribuinte interposto Manifestação de Inconformidade (fls. 49/57). \ Ir A DRJ indeferiu a solicitação, nos termos da Ementa já transcrita. \\ 2 Processo n° 10680.018561/2002-87 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.050 Fl. 93 Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, aduzindo, em suma, possuir direito ao crédito presumido do IPI, previsto na Lei no. 9.363/96 e IN/SRF n° 23/97 também quando da aquisição de insumos de pessoas físicas, bem como ser possível a atualização do referido crédito pela Taxa SELIC, instituída pela Lei n°. 9.250/95. É o relatório. Voto Conselheira ANDREIA DANTAS LACERDA MONETA, Relatora O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Quanto à matéria em discussão, trata-se do beneficio fiscal instituído pela Medida Provisória n°. 948/95, convertida na Lei n°. 9.363/96, que fixou as bases do crédito presumido de IPI, concedido a estabelecimento produtor exportador como ressarcimento da contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Registre-se, inicialmente, que, a despeito da jurisprudência colacionada favorável à interessada, hoje em dia, adotou-se entendimento diverso em relação, consoante os argumentos que se seguem. A norma instituidora do beneficio tem a natureza incentivadora que a ordem jurídica considera conveniente estimular. O incentivo em questão consiste em um crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em função do valor das aquisições de insumos aplicados em produtos exportados. Tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos termos do art. 1° da MP n°. 948/95, posteriormente convertida na lei n°. 9.363/96. Para melhor análise, transcreve-se o referido artigo: "Art. 1° - O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares números 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 197; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo." (grifei) O legislador estabeleceu que o incentivo fiscal deve ser concedido como res- S*cimento da contribuição ao PIS e da COFINS. A em esa produtora exportadora paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e rece e l , posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do credito prl-umido. 3 Portanto, o crédito presumido é uma fauna de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. Nesse diapasão, verifica-se que o artigo 1° restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições incidentes nas respectivas aquisições". O ressarcimento de créditos por valores estimados, tratamento empregado pelo legislador na concessão de incentivos, visa facilitar os mecanismos de execução e controle. No presente caso os insumos adquiridos pela recorrente de pessoas fisicas não sofreram a incidência de contribuição e, portanto, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. Se alguma etapa anterior houve o pagamento de contribuição ao PIS e da COFINS, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento específico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no art. 1°. O estímulo concedido foi materializado como crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. Instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos/contribuições, que, direta oui indiretamente, houvesse onerado o produtor exportador é tarefa complexa e de muito difícil controle, pela qual não optou o legislador. Esse entendimento é reforçado através do que dispõe o art. 5° da Lei n°. 9.363/96, abaixo transcrito, o qual prevê o imediato estorno a ser promovido pelo produtor exportador, quando o seu fornecedor se beneficiar, através de restituição ou compensação, da contribuição que havia sido paga: "Art. 5 0 A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente." r Confoime se verifica, a despeito de que a lei isentiva deva ser interpretada literalmente, conforme preceitua o art. 111 do CTN, e no caso presente não haver qualquer resquício autorizativo de utilização dos insumos adquiridos de pessoas fisicas, nos quais não ocorreu a incidência da contribuição em sua Ultima etapa, ainda que a interpretássemos de modo sistêmico o resultado seria o mesmo, ou seja, não há previsão para tal beneficio. Alegar as hipóteses de fruição de tal beneficio equivale a criar regra jurídica nova. Portanto, não foi a edição de Instrução Nounativa que limitou a utilização dos créditos e sim a própria Lei n°. 9.363/96, instituidora do beneficio. Desse modo, quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas, não há o que ressarcir, dado que os fornecedores não são contribuintes das referidas contribuições. No que se refere à aplicação da taxa Selic no referido crédito, melhor sorte não assiste à recorrente. Não existe previsão legal para a incidência de juros ou correção m \etária sobre créditos escriturais de IPI, tendo a Lei n° 9.250/95 estabelecido a incidência cl., Taxa SELIC apenas nos casos de restituição ou compensação por pagamento indevido ou a maio \ \\4ii Processo n° 10680.018561/2002-87 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.050 Fl. 94 Nesse ponto, cumpre destacar que os institutos não se confundem e não mantém relação de gênero e espécie. De acordo com o artigo 165 do CTN, tem direito à restituição o sujeito passivo que pagou tributo indevidamente. Já o ressarcimento de que trata a Lei n° 9.363/96 é uma forma de incentivo fiscal concedido ao sujeito passivo. A lei estabelece que apenas nos casos de compensação ou restituição de tributos ou contribuições pagos indevidamente ou a maior haverá a incidência de juros equivalente à Taxa SELIC a partir de 1° de janeiro de 1996. Em se tratando de ressarcimento, não existe previsão legal especifica para essa incidência. Logo, indefere-se a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária no ressarcimento pleiteado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 11 de março de 2009. ANDREIA DANTAS LACERDA MONETA
score : 1.0
Numero do processo: 10700.000016/2008-44
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1992 a 01/05/2002
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE.
NOTIFICAÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. VIOLAÇÃO À LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. GPS ESPECÍFICA NECESSIDADE. EXIGÊNCIA LEGAL. REGULARIDADE. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.940
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em razão do reconhecimento da decadência em parte do crédito, ou seja, até a competência 12/1997, inclusive, estando hígidas à cobrança as competências de 1998, não acatando as demais teses
sufragadas, pois não há razão jurídica ou fática para reformar a decisão a quo e reconhecer a não incidência da contribuição ou a não responsabilidade da recorrente, quanto as competências sobejantes.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 18 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201108
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 01/05/2002 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. NOTIFICAÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. VIOLAÇÃO À LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. GPS ESPECÍFICA NECESSIDADE. EXIGÊNCIA LEGAL. REGULARIDADE. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10700.000016/2008-44
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 6799125
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-000.940
nome_arquivo_s : 280300940_10700000016200844_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10700000016200844_6799125.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em razão do reconhecimento da decadência em parte do crédito, ou seja, até a competência 12/1997, inclusive, estando hígidas à cobrança as competências de 1998, não acatando as demais teses sufragadas, pois não há razão jurídica ou fática para reformar a decisão a quo e reconhecer a não incidência da contribuição ou a não responsabilidade da recorrente, quanto as competências sobejantes.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4744132
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:50 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045613932544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 430 1 429 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10700.000016/200844 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280300.940 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria CP: CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPRESAS EM GERAL. Recorrente CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS E OUTRO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 01/05/2002 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. NOTIFICAÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. VIOLAÇÃO À LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. GPS ESPECÍFICA NECESSIDADE. EXIGÊNCIA LEGAL. REGULARIDADE. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em razão do reconhecimento da decadência em parte do crédito, ou seja, até a competência 12/1997, inclusive, estando hígidas à cobrança as competências de 1998, não acatando as demais teses sufragadas, pois não há razão jurídica ou fática para reformar a decisão a quo e reconhecer a não incidência da contribuição ou a não responsabilidade da recorrente, quanto as competências sobejantes. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 431 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 432 3 . Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 35.551.4788, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos empregados da empresa prestadora de serviços com cessão de mão de obra, relativamente a parte patronal, contribuição do segurado, SAT e SAT aposentadoria especial, que prestaram serviços à notificada, em razão do instituto da solidariedade, artigo 31, da Lei 8.212/91, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC – NFLD, de fls. 61 a 64, com período de apuração de 01/1992 a 04/200, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 39 a 46. O sujeito passivo CBTU foi cientificado da notificação, em 02/07/2003, Folha de Rosto da Notificação Fiscal – FR, fls. 01. O sujeito passivo Provecto Planejamento, Assessoria e Representações Ltda foi cientificado do lançamento, em 21/07/2003, AR, de fls. 73. O contribuinte Provecto apresentou sua defesa/impugnação, em 06/08/2003, as fls. 74, espelho de protocolo do sistema SIPPS, sendo a defesa juntada, as fls.75, que foi acompanhada dos documentos, de fls. 76 a 175. O contribuinte CBTU apresentou sua defesa/impugnação, em 26/08/2003, as fls. 177, espelho de protocolo do sistema SIPPS, sendo a petição juntada, as fls.178, e as razões de defesa, as fls. 179 a 182, que foi acompanhada dos documentos, de fls. 183 a 206. As defesas foram consideradas tempestivas, fls. 209 e 210. A Equipe de Análise, as fls. 211, baixou os autos em diligência para que a Seção de fiscalização SAFIS se prenunciase sobre os documentos acostados e a necessidade de retificação do crédito. O agente notificante expediu o Relatório Aditivo, de fls. 212, por intermédio do qual promoveu a correção do relatório inicial e da planilha que o acompanha, promovendo, ainda, a reabertura do prazo de defesa. Tal situação foi cientificado as notificadas, fls. 218 e 219, Historio de Objeto CBTU, data, em 19/12/2003, e AR, Provecto, data, em 22/12/2003. A notificada CBTU apresentou aditivo à impugnação, fls. 221 a 223, acompanhada dos documentos, de fls. 224 a 257. A Equipe de Análise, as fls. 259, baixou os autos em diligência, novamente, para que a SAFIS, se pronunciase sobre os documentos acostados e a necessidade de retificação do crédito. O agente notificante expediu o Parecer Conclusivo, de fls. 260 a 262, por intermédio do qual reconheceu a necessidade de retificação do lançamento, expedindo os Formulário FORCED, de fls. 263 a 265. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 433 4 O órgão julgador de primeiro grau emitiu a DecisãoNotificação DN N° 17.401.4/0403/2004, fls. 277 a 287, em 19/04/2004, acompanhada do Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 267 a 276. No qual o lançamento foi considerado procedente em parte e seu valor original consolidado foi alterado de R$ 190.822,38 para R$ 156.479,67. Os contribuintes tomaram conhecimento deste decisório, em 20/05/2004, CBTU, entrega pessoal, recibo, de fls. 288, AR, de fls. 291 Provecto. Irresignado o contribuinte CBTU impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 294, e razões recursais, as fls. 295 a 303, acompanhado dos documentos, de fls. 304 a 361, onde alega em síntese. Preliminarmente – • Que ocorreu decadência, pois tal prazo é de cinco anos, cabendo a aplicação do artigo 173,I, do CTN; Mérito – • Que a aplicação da alíquota de 20% sobre as notas fiscais não tem previsão legal e que atos normativos inferiores não podem realizar tal fixação, sob penas de ferir a legalidade; • Que a IN utilizada aplicou 40% de mão de obra, que esta extrapolou sua função ao modificar a base de cálculo do tributo, o que ofende a legalidade estrita, pois não se pode fixar a base de cálculo por ato administrativo; • Que a apresentação de guia específica não encontra guarida no artigo 16, § 4º, da IN 80/2002; • Que o item 21, da OS 51/1992 exonera a recorrente da responsabilidade solidária tributária, nos termos do inciso VI, do artigo 30, da Lei 8.212/91; • Finaliza requerendo: a) integral provimento ao recurso com reforma da decisão a quo, reconhecendo a não incidência/responsabilidade pelo tributo. A recorrente não realizou o depósito recursal substituindoo por arrolamento de bens, nos termos da decisão em MS, de fls. 359 a 361. A ADREC apresentou contrarrazões e remeteu o recurso ao CRPS, fls. 365 a 368, remetendo os autos a este órgão Entretanto, as fls. 369 a 370, consta a informação que a sentença em MS foi denegada e que a liminar foi cassada. Desta forma, foi solicitada a devolução do autos pelo CRPS,a fim de que o contribuinte promovesse o depósito recursal, caso quisesse. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 434 5 A CBTU foi cientificado desta situação, em 30/06/2004, fls. 373, e apresentou o manifestação, de fls. 375 e 376. O depósito recursal não foi efetivado e o recurso administrativo foi considerado deserto e emitido termo de trânsito em julgado. Contudo, as fls. 421 a 424, foi acostado decisão judicial – Acórdão em Apelação de MS, dando provimento ao recurso para afastar a exigência do depósito recursal. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo, fls. 428. Finalmente ao autos subiram ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 430. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 435 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme recibo de entrega, de fls. 288, datado de 20/05/2004, e extrato de protocolização do sistema SIPPS, de fls. 293, datado de 16/06/2004, a tempestividade, também, foi reconhecida, as fls. 426 e 429. Em Preliminar. Quanto ao depósito recursal, ainda, que necessário a época da impetração, hoje este não mais vige, uma vez que revogado pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Ainda, que se alegue que tal condição deva ser averiguada tendo como marco a data da interposição do recurso, tenho para mim que tal exigência estava com os dias contados, basta ver a ADIN 19767, que exclui do Decreto 70.235/72, tal exigência, acrescentada pela Lei 10.522/2002. Neste diapasão apresentase, também, a Súmula Vinculante n° 21 do STF, ou seja, se não tivesse sido revogado tal depósito na seara previdenciária, fatalmente este acabaria declarado inconstitucional, sendo inexigível desde a origem. Não fosse esses argumentos suficientes o Regimento Interno do CARF Portaria MF 256/2009, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, estabelece que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Assim, temse no caso a possibilidade do afastamento desta exigência, uma vez que em RE, conforme abaixo transcrito o STF já havia reconhecido a inconstitucionalidade do artigo 126, §§ 1° e 2°, da Lei 8.213/91, senão vejamos: RECURSO ADMINISTRATIVO DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo. (RE 389383, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/2007, DJe047 DIVULG 28062007 PUBLIC 29062007 DJ 29062007 PP00031 EMENT VOL 0228208 PP01625 RDDT n. 144, 2007, p. 235236. (grifos do subscritor). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 436 7 Tal decisão transitou em julgado em 14/09/2007, conforme resumo de andamento do processo, consultado no site do STF. No presente caso o depósito recursal foi afastado pela apelação em MS e, desta forma, tendo em vista os princípios da isonomia e da segurança jurídica admito o presente recurso. Registrese, ainda, por oportuno que o depósito recursal foi extinto pelo MP 413/2008 convertida na Lei 11.727/2008. A alegação de decadência encontra eco na legislação, uma vez que depois de proferida a decisão pela autoridade julgadora a quo o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. E conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Contudo, embora, argüida como preliminar tal questão leva a resolução de mérito da causa, sendo antecedente lógico. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem darseia pelo artigo 150, 4° ou 173, I, ambos do CTN. Aplica se o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STJ, sendo a teoria mais aceita e que, também, adoto, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso a meu ver as duas regras devem incidir, isto é, a do artigo 150, § 4° e a do artigo 173, I, ambos, da Lei 5.172/66, uma vez que no Parecer Conclusivo, de fls. 260 a 262, o agente notificante nos itens 2, 4 e 4.2, diz: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 437 8 2 A empresa prestadora de serviço apresentou defesa, fls, 75, anexando cópia autenticada de procuração datada de 27/11/2000, fls. 76, Mapa Demonstrativo dos recolhimentos para o INSS, fls. 77 a 81, cópias autenticadas das guias de recolhimento da Previdência Social referentes às competências 04/95 a 06/95, 09/95 a 07/96, 05/97 a 07/97, fls. 82, 87, 93, 101, 110, 118, 125, 132, 136, 143, 145, 151, 157, 160, 162, 165, 168, 171, 172, 173, 174,...”. (grifo do original) 4 Em relação as guias de recolhimento da previdência social (GRPS) juntadas ao processo das competências 05/95, 06/95, 02/96 a 07/96, 05/97 a 07/97 são especificas dos serviços prestados a tomadora CBTU, de acordo com disposto no item 3 da Ordem de Serviço INSS/DAF 03, de 13/08/1993 e parágrafo 4° , do art. 31 da lei 8.212/91, acrescido pelo art. 2°. da lei 9.032 de 28/04/95, DOU de 29/04/95, retificando o lançamento de crédito em relação as competências 06/95, 07/95, 03/96 a 07/96, 06/97 a 08/97. 4.2 As guias de recolhimento da Previdência Social retificam as notas fiscais constante do lançamento de credito, permanecendo o saldo entre o salário de contribuição calculado sobre as notas fiscais e as guias recolhidas, conforme a seguir demonstrado. No entanto, o Relatório Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 267 a 276, deixa claro que o crédito é composto das competências 05/95 a 07/95; 09/95 a 10/96; 12/96 a 08/97; 10/97; 04/98 a 12/98. Assim sendo, há competências em que houve pagamento e há competências onde não houve pagamento, o que faz incidir ambas as regras. Desta forma, para as competências 05/95 a 06/95; 09/95 a 07/96; 05/97 a 07/97 onde ocorreu a realização de pagamento deve incidir a regra do artigo 150, §4º. Como o crédito foi lançado, em 02/07/2003, fls. 01, retroagindose cinco anos terseia o marco da decadência, em 03/07/1998, desta forma todas as competências retrocitadas estão decadentes. No que tange, as competências em que não houve pagamento 07/95; 08/96 a 10/96 e 12/96; 01/97 a 04/97; 08/97 e 10/97; 04/98 a 12/98 deve incidir a regra do artigo 173, I, da lei 5.172/66. Como o crédito foi lançado, em 02/07/2003, fls. 01, retroagindose a contagem ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído ter seia o marco da decadência, em 01/01/1998, desta forma todas as competências retrocitadas até 12/97 estão decadentes. Resulta, assim, hígidas todas as competências do ano de 1998 lançadas no crédito. No presente caso aplicouse o Precedente da Primeira Seção do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC RESP 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009), nos termos do artigo 62A da Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 438 9 No mérito. A alíquota de 20% a que se refere a recorrente é geral e aplicada em regra as empresa, salvo as exceções legais. Aliás, o que se aplica ao caso, uma vez que o crédito foi constituído por aferição indireta – arbitramento – nos termos do artigo 33, §3º, da Lei 8.212/91, devido a aplicação da solidariedade do artigo 31, do citado diploma, tendo em vista a cessão de mão de obra, nos termos do Parecer AGU 55/2006, conforme ementa transcrita. EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãode obra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31). (grifo meu) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 439 10 Tal parecer recebeu a aprovação do Senhor Presidente da República, tornandose, assim, obrigatório para toda a Administração Pública Federal, artigo 40, § 1º, da LC 73/93. No caso dos autos sendo utilizado a técnica da aferição algum critério objetivo deve ser aplicado pelo órgão fiscalizador, mas tal critério é por este determinado e assim o fez o agente notificante, aplicando o que está definido no artigo 63, da IN/INSS 70/2002. Do contrário o prejuízo para a recorrente seria maior, pois tomarseia todo o valor da nota fiscal como base de cálculo da contribuição, porém a CF/88 só autoriza que a contribuição previdenciária incida sobre a mão de obra, pois, diz, folhas de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados à pessoa física que lhe preste serviço. Assim sendo, sabese que uma obra tem custo de mão de obra e materiais e equipamentos na aferição estimase os matérias e equipamentos e só se computa a mão de obra, o que é perfeitamente possível, pois a isto autoriza o artigo 33,§ 3º, da Lei 8.212/91. A exigência de GPS especifica é da lei, conforme artigo 31, § 4º, abaixo transcrito, assim não pode ser dispensada por IN, além do que, a citada IN é de 2002 e os fatos remontam a 1995 a 1998 período em que esta não vigia, sendo inaplicável, pelos dois motivos. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). (grifo meu) O crédito em questão não cuida de responsabilidade solidária nos termos do inciso VI, do artigo 30, da Lei 8.212/91. Mas sim da solidariedade em razão da cessão de mão de obra instituto do artigo 31, do citado diploma legal. Tal situação foi supramencionada e esclarecido quando da citação do Parecer AGU 55/2006. Desta fora, inexiste motivos para reformar a decisão a quo e reconhecer a não incidência da contribuição ou a não responsabilidade da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, em razão do reconhecimento da decadência em parte do crédito, ou seja, até a competência 12/1997, inclusive, estando hígidas à cobrança as competências de 1998, não acatando as demais teses sufragadas, pois não há razão jurídica ou fática para reformar a decisão a quo e reconhecer a não incidência da contribuição ou a não responsabilidade da recorrente, quanto as competências sobejantes. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10700.000016/200844 Acórdão n.º 280300.940 S2TE03 Fl. 440 11 . Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904007/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3402-002.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sílvio Rennan do Nascimento Almeida Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: SILVIO RENNAN DO NASCIMENTO ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Wed Nov 16 17:28:19 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202009
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 11065.904007/2008-20
anomes_publicacao_s : 202010
conteudo_id_s : 6284361
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3402-002.689
nome_arquivo_s : Decisao_11065904007200820.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : SILVIO RENNAN DO NASCIMENTO ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 11065904007200820_6284361.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Sílvio Rennan do Nascimento Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2020
id : 8512050
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:31:16 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045617078272
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-10-18T19:32:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-10-18T19:32:42Z; Last-Modified: 2020-10-18T19:32:42Z; dcterms:modified: 2020-10-18T19:32:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-10-18T19:32:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-10-18T19:32:42Z; meta:save-date: 2020-10-18T19:32:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-10-18T19:32:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-10-18T19:32:42Z; created: 2020-10-18T19:32:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-10-18T19:32:42Z; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-10-18T19:32:42Z | Conteúdo => 0 S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11065.904007/2008-20 Recurso Voluntário Resolução nº 3402-002.689 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2020 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente ELETRONICA SELENIUM S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Sílvio Rennan do Nascimento Almeida – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Trata-se de Processo Administrativo decorrente da apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12901.61241.141204.1.3.04-6820, utilizando-se de suposto crédito de Pagamento Indevido ou a Maior (PGIM), efetuado por DARF, recolhido em 15/09/2004, referente à COFINS do Período de Apuração 07/2004. A compensação foi não homologada em virtude da integral utilização do pagamento em outro débito. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte informou que por um lapso não havia retificado sua DCTF, providenciando, posteriormente, a retificação de sua declaração e juntada dos extratos em sede de Manifestação de Inconformidade. Em julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – RS, por unanimidade, concluiu-se pela improcedência da manifestação, conforme ementa que segue: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 04 00 7/ 20 08 -2 0 Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.689 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904007/2008-20 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com a decisão de primeira instância, apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando a necessidade de aplicação do Princípio da Verdade Material, devendo ser reconhecido o seu direito ao crédito. Destaca que realizou a retificação de sua DCTF e apresenta, em Recurso Voluntário, Cópia do Livro Diário e Registro Auxiliar de Apuração da COFINS, colocando-se ainda, à disposição para eventual necessidade de realização de perícia contábil. Por fim, requer o provimento do recurso ou retorno à fiscalização para realização de diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Relator. Constando dos autos a ciência em 16/06/2010 e, tendo sido o Recurso Voluntário postado em 16/07/2010, verifica-se sua tempestividade e cumprimento ao demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como já destacado em Relatório, o presente litígio versa sobre tema recorrente no âmbito do CARF, compensação não homologada com retificação de DCTF após a emissão do Despacho Decisório. A jurisprudência desse Conselho se mostra pacífica e, em consonância com o Princípio da Verdade Material e do Formalismo Moderado, tem-se admitido que, ainda que a retificação das declarações seja tardia (após a emissão da Decisão), poderia a administração reconhecer a existência do crédito, desde que comprovado por meio de documentação de lastro. O CARF tem ainda consolidado jurisprudência no sentido de admitir a apresentação documental em sede de Recurso Voluntário, desde que (i) não seja reflexo de inegável desídia do contribuinte, (ii) inovação jurídica, ou (iii) que se trate de documentação essencial à instrução processual desde seu início. Exposta a matéria de direito, partindo ao caso concreto, (i) não se pode afirmar o comportamento desidioso por parte do contribuinte, visto que retificou e apresentou cópia de suas declarações retificadoras em Manifestação de Inconformidade e, ao ser advertido pelo Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.689 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904007/2008-20 colegiado de primeira instância que deveria apresentar outros documentos comprobatórios, cuidou de juntar aos autos cópia do Livro Diário e Demonstrativo Auxiliar de Apuração do PIS, ressaltando que, se necessário, se colocaria à disposição para realização de perícia contábil. Acrescente-se ainda que, (ii) não se trata de inovação jurídica ou (iii) documentação essencial à instrução processual desde seu início. Pelo contrário, como se sabe, em virtude da crescente demanda por celeridade na tramitação dos Pedidos de Restituição, Ressarcimento, Reembolso e Declarações de Compensação, grande parte dos documentos são tratados por meio de análise automática, realizada pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC). Nessas análises, via de regra, não existe uma fase de instrução processual, com juntada de documentos, anterior à decisão do Auditor-Fiscal, momento em que poderia ser conferida maior amplitude ao Princípio da Verdade Material. Desta feita, entendo que deve ser relativizada, especialmente para tais casos (de Despachos Decisórios eletrônicos), a preclusão administrativa prevista no Decreto nº 70.235/72, atendendo inclusive ao previsto no art. 38 da Lei nº 9.784/99 1 , genérica para os processos no âmbito da administração pública federal. Em verdade, analisando-se os fatos processuais e os atos praticados, percebe-se que, no momento da emissão do Despacho Decisório, constou como motivo da inexistência do crédito a alocação do pagamento ao débito declarado em DCTF. Ciente do motivo, cuidou o contribuinte de retificar sua declaração e apresentar os extratos, entendendo ter satisfeito as exigências do Fisco. Entretanto, como já destacado, o colegiado a quo entendeu que deveria a recorrente, além de providenciar as retificações e extratos, apresentar documentação contábil e fiscal que comprovasse a certeza e liquidez do crédito alegado. Em que pese a necessidade de documentos comprobatórios do crédito, vale destacar que tal exigência específica não foi detalhada no momento da emissão do Despacho Decisório eletrônico, sendo precisamente exposta somente no Acórdão da DRJ. Desta feita, entendo inclusive que deve ser aceita a ocorrência de hipótese de exceção da preclusão, prevista no art. 16, §4º, “c” do Decreto nº 70.235/72. Portanto, tendo em vista a juntada de documentos buscando a comprovação de seu direito creditório, entendo que cabe à administração verificar as provas apresentadas, bem como produzir outras necessárias para apreciação específica do crédito ora em discussão, conferindo máxima abrangência aos princípios processuais já conhecidos. Nesse sentido, entendeu o CARF na Resolução nº 1002-000.079, de lavra do i. Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, de 20 de maio de 2019: “Pois bem; como se sabe, o CARF já dispõe de vasta jurisprudência no sentido de admitir apresentação documental em sede de Recurso Voluntário, desde que isso não seja reflexo de inegável desídia do Contribuinte, inovação jurídica, ou que se trate de acervo essencial à instrução do PAF ab initio. Nenhum desses aspectos macula o presente caso, ao qual ainda se acrescenta o aspecto do Recorrente ter juntado suas 1 "Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo." Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.689 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904007/2008-20 provas após saber o motivo do indeferimento de seu pedido (ausência de lastro documental). Portanto, tais fatos corroboram a intelecção jurisprudencial adotada por este Colegiado Administrativo, calcada na verdade material.” (grifou-se) Em conclusão, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que: a) Sejam apreciados os documentos juntados aos autos como prova do direito creditório, sem prejuízo da realização de intimação para solicitação de outros documentos necessários para a apreciação do alegado pela recorrente, elaborando ao final, Relatório de Diligência, destacando eventuais alterações ao direito creditório; b) Após elaboração do Relatório de Diligência, realizar ciência ao contribuinte, conferindo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, retornando os autos ao CARF para julgamento após o prazo concedido. (documento assinado digitalmente) Sílvio Rennan do Nascimento Almeida Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002689/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/07/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/2000.
Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos à título de Participação nos Lucros e Resultados.
A previsão dos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente é meramente exemplificativa, podendo as partes envolvidas elegerem os critérios que deverão ser observados para a percepção da verba a ser paga pelo empregador à título de PLR.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a)s Conselheiro(a)s Oseas Coimbra Junior.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 11 09:00:10 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201107
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/07/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/2000. Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos à título de Participação nos Lucros e Resultados. A previsão dos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente é meramente exemplificativa, podendo as partes envolvidas elegerem os critérios que deverão ser observados para a percepção da verba a ser paga pelo empregador à título de PLR. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10640.002689/2008-91
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 6794367
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-000.880
nome_arquivo_s : 280300880_10640002689200891_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 10640002689200891_6794367.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a)s Conselheiro(a)s Oseas Coimbra Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4743000
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045619175424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 178 1 177 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.002689/200891 Recurso nº 272.787 Voluntário Acórdão nº 280300.880 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2011 Matéria SALÁRIO INDIRETO: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente TRANSUR TRANSP. ROD. MANSUR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/07/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/2000. Considerandose o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos à título de Participação nos Lucros e Resultados. A previsão dos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente é meramente exemplificativa, podendo as partes envolvidas elegerem os critérios que deverão ser observados para a percepção da verba a ser paga pelo empregador à título de PLR. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a)s Conselheiro(a)s Oseas Coimbra Junior. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 179 2 Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Oseas Coimbra, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 180 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de TRANSUR TRANSP. ROD. MANSUR LTDA., em virtude do não recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes de remuneração paga aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados, no período de junho de 2004 a julho de 2005, conforme recibos de pagamentos, folhas de pagamentos e livro diário. Assim, de acordo com o Relatório Fiscal, o contribuinte não informou à Fiscalização quais os critérios utilizados na distribuição dos lucros aos segurados empregados, limitandose a fixar um valor de 20%. O contribuinte foi intimado pessoalmente no dia 19/06/2008, e apresentou defesa tempestiva protocolizada em 16/07/2008, juntada às fls. 107/115. A Delegacia da Receita de Julgamento manteve o lançamento em sua integralidade, em acórdão ementado nos seguintes termos (fls. 163/162): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2005 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS E DESTINADAS A SEGURIDADE SOCIAL. NÃO DESCONTO DOS SEGURADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. NÃO DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. NÃO DECLARADO EM GFIP. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta lei, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e do período a que se referem. Art. 37 da Lei n°8.212/1991. Entendese por salário de contribuição para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Integram a base de cálculo para incidência de contribuições previdenciárias a participação do empregado nos lucros ou Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 181 4 resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei especifica. A Administração Pública está sujeita ao principio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lançamento Procedente” Contra a decisão, o contribuinte apresentou recurso tempestivo em 11/12/2008 (fls.166/174), por meio do qual alega, em síntese, que: (a) a Recorrente efetuou os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados, de acordo com o disposto no acordo coletivo firmado, haja vista que este instrumento é de cumprimento obrigatório pelas partes envolvidas; (b) de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e o art. 2º da Lei nº 10.101/2000 não cabe discussão, de que este pagamento pode ser imposto à categoria econômica por via do acordo coletivo; (c) conforme o texto constitucional, a participação nos lucros e resultados não constitui remuneração para qualquer efeito legal, e portanto a legislação infraconstitucional não poderá impor regras ou limites à desvinculação da remuneração; (d) o entendimento do STJ é de que os valores pagos a título de PLR não podem ser incluídos no conceito de remuneração prevista no art. 475 da CLT, e assim sendo, não são alcançáveis pela contribuição para previdência social; (e) o art. 2º, § 1º, incisos I e II da Lei nº 10.101 apenas demonstra um roteiro para os instrumentos de negociação, e em nenhum momento obrigam as partes colocarem nos acordos o disposto nos incisos, possuindo a norma caráter meramente exemplificativos. Não apresentadas contrarrazões. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 182 5 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. A presente autuação decorre do não recolhimento pela Recorrente das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a seus empregados a título de participação nos lucros e resultados, no período de 06/2004 a 07/2005. Inicialmente, cumpre esclarecer que não são apenas as verbas decorrentes da folha de salários que estão sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias. Consoante o disposto no art. 195, I, da Constituição Federal de 1988, a contribuição da empresa incide sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo à pessoa física que lhe preste serviço mesmo sem vinculo empregatício. O mesmo entendimento poderá ser extraído das disposições contidas dos arts. 22, inciso III, e 28, inciso III, ambos da Lei nº 8.212/91, que, em total conformidade com o texto constitucional, assim determina: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados ou contribuintes individuais que lhe prestem .servicos.” “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Do disposto nos mencionados artigos é possível inferir que não só as parcelas pagas aos empregados em folha de salários é que terão a natureza remuneratória para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Contudo, há que se observar que existem parcelas que não sofrem incidência das referidas contribuições, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. É o caso dos Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 183 6 valores pagos aos empregados à título de participação nos lucros ou resultados, conforme preleciona o art. 28, § 9º, alínea j , da Lei n ° 8.212/1991: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” Não é, todavia, qualquer valor pago a título de participação nos lucros e resultados que está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Conforme se verifica da disposição acima transcrita, a única hipótese para que não haja a exigência do tributo é que a verba seja paga de acordo com lei específica. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 também remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Nestes termos, vêse que a Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. A esse respeito, vale conferir o que dispõe o Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, em seu item 02, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 confirma esse entendimento, fazendo menção, inclusive, ao posicionamento já adotado pelo Supremo Tribunal Federal: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 184 7 SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 185 8 Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) As normas constitucionais de eficácia limitada, como já visto, são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101/2000, que veio regular o assunto em tela, nos seguintes termos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 186 9 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial.” No presente caso, as parcelas pagas à título de PLR foram objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, por meio de acordo coletivo. Todavia, entendeu a autoridade lançadora que os referidos valores.foram pagos em desacordo com a lei, na medida em que não haveria, no acordo firmado entre as partes, regras claras e objetivas. A Lei nº 10.101/2000 é imperativa ao determinar a necessária existência prévia de convenção ou acordo coletivo, nos quais deveriam constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 187 10 As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. Já as regras adjetivas referemse não somente à previsão de recursos e discussão pelos empregados quanto às dúvidas ou divergências relativas ao cumprimento do acordo, mas também como serão demonstrados os mecanismos de aferição do que foi acordado e a periodicidade do pagamento. Desse modo, uma vez não cumpridos os requisitos previstos na lei específica, há que se considerar a parcela paga em desacordo com o ordenamento jurídico como parcela integrante do salário de contribuição, não podendo se enquadrar na hipótese de isenção prevista no ordenamento jurídico vigente. Com efeito, no presente caso, as regras para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados encontramse previstas nos acordos coletivos firmados entre as partes nos seguintes termos: “3 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 3.1 — As empresas concederão a titulo de participação nos lucros ou resultados, pagando até o dia 20 de julho de cada ano, uma quota única correspondente a: 20% (vinte por cento) do salário nominal do ano anterior. Limitado ao valor máximo de 20% do piso salarial do motorista. 3.2 — Conforme previsto na Constituição e na Lei n° 10.101 de 19/12/2000 e em todas as suas reedições posteriores, o pagamento previsto nesta cláusula não constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário não se aplicando o principio da habitualidade. 3.3 — A quantia a ser paga deverá ser compensada caso a empresa empregadora decida firmar outro acordo sobre a participação nos lucros ou resultados 3.4 — O pagamento da quota se sujeitará aos critérios estabelecidos a seguir: 1 — Terá direito à quota integral da PLR nas condições estabelecidas na clausula 3.1 da presente Convenção Coletiva de Trabalho, os empregados admitidos a partir da data de 01/01/2003 levando em consideração a proporcionalidade do tempo efetivamente trabalhado e da admissão. II — Os valores pagos pelas empresas, em cumprimento do disposto na presente clausula, serão compensados, caso as empresas sejam obrigadas ao pagamento de qualquer parcela a titulo de participação nos lucros ou resultados, em decorrência da legislação ou Medida Provisória superveniente ou por decisão da Justiça. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 188 11 III — Ficam desobrigados do cumprimento do disposto na presente clausula as empresas que já possuem outros tipos de programas de participação nos lucros ou resultados e as que concederam no mesmo período abono, gratificação ou qualquer outro prêmio em valor igual ou superior ao disposto nesta cláusula com a mesma finalidade. 1V — Conforme previsto na Constituição Federal e na Lei n°10.101 de 19/12/2000 e em todas as reedições posteriores, o pagamento previsto nesta cláusula no constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário não se lhe aplicando o principio da habitualidade.” Partindose do que dispõe a legislação de regência, é possível verificar que constam dos acordos firmados pelas partes regras claras acerca dos mecanismos de aferição do que foi acordado, bem como da periodicidade do pagamento. A disposição contida na Lei nº 10.101/2000 acerca de previsão dos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente é meramente exemplificativa, podendo as partes envolvidas elegerem os critérios que entenderem necessários. Nestes termos, ao contrário do entendimento manifestado pela autoridade lançadora e corroborado pela decisão de primeira instância, a ausência desses elementos não tem o condão de desnaturar a parcela paga à título de PLR. A natureza da parcela paga é ainda reforçada pela previsão contida no acordo coletivo, de que os referidos valores poderão ser deduzidos dos programas próprios de PLR criados pelas empresas. Não se pode perder de vista que a Lei nº 10.101/2000 foi editada com o único objetivo de assegurar ao trabalhador o direito à participação nos lucros e resultados na empresa, sem qualquer prejuízo que lhe possa ser causado pela imposição unilateral de regras que não lhe sejam favoráveis. Não havendo nos autos comprovação de efetivo prejuízo que tenha sido causado ao trabalhador pelo programa de PLR, tal como acordado pelas partes, não pode a Fiscalização desconsiderar a natureza do pagamento feito, para exigir da empresa o recolhimento das contribuições previdenciárias. Há que se levar em conta o objetivo maior da criação do referido instituto, cuja natureza não remuneratória encontrase prevista pelo próprio Texto Constitucional. É inquestionável que a sua configuração como direito social do trabalhador visa à melhoria da sua condição social e a desvinculação da remuneração pode ser compreendida como um incentivo para que os empregadores possam dividir com os seus empregados os lucros auferidos em suas atividades. Esse entendimento, inclusive, já foi manifestado pelo então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, como se verifica pela decisão abaixo colacionada: “30. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, fica evidente que os instrumentos de implementação do programa de participação nos lucros e resultados devem conter necessariamente: a) mecanismos de aferição das informações Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002689/200891 Acórdão n.º 280300.880 S2TE03 Fl. 189 12 pertinentes ao acordado; b) periodicidade da distribuição; c) período de vigência; e d) prazos para revisão do acordo. 31. Frisese que, para a fixação desses requisitos, outros critérios poderão ser adotados, exemplificando a norma dois deles: índices de produtividade, qualidade ou lucratividade e programa de metas, resultados e prazos. 32. Como também se constata da norma acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que os valores obtidos a título de participação não se confunda com remuneração.” (Acórdão 20501.228, Segundo Conselho de Contribuintes, Quinta Câmara, Data do julgamento: 08/10/2008) Não há dúvidas, portanto, de que os pagamentos efetuados não possuem natureza remuneratória, devendo ser afastada a incidência das contribuições previdenciárias tal como lançada pela autoridade fiscal. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa, para reconhecer a improcedência do lançamento consubstanciado nos presentes autos. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.000066/97-82
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Ementa: CONTRIBUIÇÃO CNA INDEVIDA.
A empresa em causa não tem a atividade rural como seu único
objeto, muito menos o principal. É da categoria econômica das
indústrias químicas e petroquímicas e não tem a obrigação legal de
contribuir para a CNA. No caso em tela, fica patente a inadequação
dos procedimentos de exigência da referida contribuição
empreendidos pela SRF.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-31.547
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 19 09:00:15 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200408
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO CNA INDEVIDA. A empresa em causa não tem a atividade rural como seu único objeto, muito menos o principal. É da categoria econômica das indústrias químicas e petroquímicas e não tem a obrigação legal de contribuir para a CNA. No caso em tela, fica patente a inadequação dos procedimentos de exigência da referida contribuição empreendidos pela SRF. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
numero_processo_s : 10410.000066/97-82
anomes_publicacao_s : 200408
conteudo_id_s : 4405147
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 303-31.547
nome_arquivo_s : 30331547_122760_104100000669782_012.PDF
ano_publicacao_s : 2004
nome_relator_s : ZENALDO LOIBMAN
nome_arquivo_pdf_s : 104100000669782_4405147.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
id : 4652852
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:32 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045622321152
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T15:24:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T15:24:13Z; Last-Modified: 2009-08-07T15:24:13Z; dcterms:modified: 2009-08-07T15:24:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T15:24:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T15:24:13Z; meta:save-date: 2009-08-07T15:24:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T15:24:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T15:24:13Z; created: 2009-08-07T15:24:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2009-08-07T15:24:13Z; pdf:charsPerPage: 1289; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T15:24:13Z | Conteúdo => . h.s.. . 1..i - tfe.t. 4,1 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10410.000066/97-82 SESSÃO DE : 11 de agosto de 2004 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 RECURSO N° : 122.760 RECORRENTE : COMPANHIA ALAGOANA INDUSTRIAL - CINAL RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE CONTRIBUIÇÃO CNA INDEVIDA. A empresa em causa não tem a atividade rural como seu único objeto, muito menos o principal. É da categoria econômica das indústrias químicas e petroquímicas e não tem a obrigação legal de • contribuir para a CNA. No caso em tela, fica patente a inadequação dos procedimentos de exigência da referida contribuição empreendidos pela SRF. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 11 de agosto de 2004 • JOÃOa6dLANDA COSTA Pr,Sidente 11. ZECá LOIBMANIP Relat , Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NILTON LUIZ BARTOLI, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e DAVI EVANGELISTA (Suplente). Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional MARIA CECÍLIA BARBOSA. um . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 RECORRENTE : COMPANHIA ALAGOANA INDUSTRIAL - CINAL RECORRIDA : DRJ/RECIFERE RELATOR(A) : ZENALDO LOIBMAN RELATÓRIO O contribuinte acima identificado, proprietário do imóvel rural denominado "Fazenda Santo Amaro", localizado no Município de Santa Luzia do Norte/AL, cadastrado na SRF sob o n°4021183-5, dentro do prazo legal apresentou a reclamação de fls. 02/04 (este processo foi desmembrado do processo 10410.001.975/95-58), solicitando o estorno da Contribuição Sindical do Empregador• do Imóvel, alegando que a finalidade dos imóveis rurais da CINAL não é agricultura, nem exploração econômica de terras, mas manter a estrutura natural da Bacia Hídrica do Rio dos Remédios em funcionamento e faz parte do projeto de ampliação da capacidade de vazão O fato gerador da Contribuição Rural (CNA) é a exploração econômica de terra rural, o que, segundo afirma, não é o caso. Consta à fl. 28 despacho decisório da DRF/Maceió em que conclui que "é de se cobrar a CNA juntamente com o ITR", indeferindo o pedido do contribuinte por falta de amparo legal. Conforme se noticia à fl. 48, o processo foi apartado do processo original n° 10410.001.975/95-58. Inconformado, o interessado contesta o despacho decisório, em impugnação tempestiva onde, em síntese, alega que: 1) É PJ de direito privado cujo objeto social é a implantação do núcleo industrial básico do Complexo Químico de Alagoas; a produção e venda de 111 utilidades para as empresas que ali se estabelecerem; 2) A propriedade em questão é uma das propriedades rurais do seu ativo permanente, que estão nas imediações do imóvel onde está instalado o seu estabelecimento fabril; 3) Tais imóveis do ativo permanente da impugnante visam à futura expansão do pólo Cloroquímico de Alagoas, mais especificamente, destina-se à construção de um lago de acumulação da barragem do Rio dos Remédios; 4) A impugnante não exerce nenhuma atividade agrícola ou pecuária nos referidos imóveis; 5) É empresa que participa da categoria econômica das Indústrias Petroquímicas e anualmente vem recolhendo ao Sindicato das Ind. Químicas, 2 ?("-- . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 Petroquímicas e de Resinas Sintéticas de Alagoas, a contribuição sindical de que tratam os artigos 579 e 591 da CLT, calculada sobre o seu capital social; 6) Foi surpreendida nos lançamentos do ITR194 e do ITR195, pela inclusão da Contribuição Sindical do Empregador devida à CNA, tendo por base o § 1° do art. 4° do Decreto-lei 1.166/71; 7) Os lançamentos não têm suporte na lei, posto que a impugnante é da categoria económica das indústrias químicas e petroquímicas, e, portanto, não tem a obrigação legal de contribuir para a CNA; 8) O lançamento está em desacordo com o disposto no § 1° do art. 4° • do Decreto-lei 1.166/71 c/c o § 30 do art. 580 da CLT. O Decreto-lei 1.166/71 dispõe que a contribuição sindical será lançada e cobrada proporcionalmente ao capital social, aplicando-se as percentagens previstas no art. 580, "c", da CLT; 9) Em dezembro de 1993 e de 1994 o seu capital social era de, respectivamente, CR$ 983.194.000,00 e R$ 9.398.457,00, e, de acordo com o § 3° do art. 580 da CLT, suas contribuições sindicais máximas deveriam ser de CR$ 607.178,43 em 1994, e de R$ 3.413,67 em 1995, conforme valores efetivamente recolhidos, e não tais valores multiplicados pelo n° de imóveis envolvidos, conforme consta do lançamento contestado (Obs: às fls. 70/72, estão as guias de recolhimento da contribuição sindical de 1995/1996-GRCS). A DRJ/Recife julgou em primeira instância o lançamento procedente em parte. Assim fundamentou sua decisão: a) Os imóveis se enquadram na letra "b" e também na letra "c" do item lido art.1° do Decreto-lei 1.166/71; 1111 b) Em consulta à DITR/94 apresentada pelo contribuinte (fls. 50 e 52/56) verifica-se que possui 6(seis) imóveis no país com área total de 1.966,0 hectares, sendo 04 imóveis no município, com área de 1.048,8 hectares. Portanto, enquadra-se na letra "c" do diploma legal indicado no item precedente. Vale dizer, o enquadramento sindical como empregador rural está correto e respaldado pela lei; c) As GRCS (fls. 70/72) anexadas ao processo original se referem aos exercícios de 1995 e 1996, e não a 1994 como se afirma na impugnação. Irresignado, o interessado apresentou recurso voluntário com as seguintes alegações principais: 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 - a definição de imóvel rural, segundo a Lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), art. 40, é aquele que se destina à exploração (efetiva ou potencial) extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, qualquer que seja sua localização. O critério da lei é o da utilização econômica; - Não é o caso. Os imóveis, a despeito da localização, reservam-se à construção de um lago de acumulação; - O art. 579 da CLT dispõe que a contribuição sindical é devida por aqueles que participarem de determinada categoria econômica ou profissional. A recorrente é da categoria das Ind. Químicas. e Petroquímicas, e recolhe contribuição sindical ao • Sinperal; - Ainda que, por absurdo, fosse considerada devida a contribuição CNA, de acordo com o § 1° do art. 4° do Decreto-lei 1.166/71, para o cálculo da Contribuição CNA deve ser observado o disposto no art. 580 da CLT, que estabelece critério de recolhimento proporcional ao capital social do empregador, por meio de aplicação das aliquotas conforme tabela progressiva a saber: Classe de capital Alíquota Até 150 VR 0,8% De 150a 1.500 VR 0,2% De 1.500 a 150.000VR 0,1% De 150.000 a 800.000VR 0,02% 111P - Ainda que o lançamento fosse procedente, o que contesta, verifica-se que a mera divisão do capital social pelo n° de propriedades não pode ser admitida como critério válido para que se estabeleça o percentual do capital social afeto ao imóvel específico, porque 100% do capital social é aplicado na atividade principal indústria química conforme notificação de fl. 69; no caso foi utilizada a aliquota de 0,02%; - Requer seja dado provimento total ao seu recurso voluntário. Encontra-se anexado à fl. 85 cópia de comprovante do depósito recursal. Esta Câmara, por meio de Resolução converteu o julgamento em diligência para que a repartição de origem providenciasse: 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 - Informação sobre os dados constantes no CNPJ - Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, relativamente às atividades desenvolvidas pela empresa interessada; - intime a empresa interessada a apresentar cópia autenticada do contrato/estatuto social, com as respectivas alterações, caso existam. Foram juntados os documentos de fls. 104/126. Estão às fls. 104/1190 Estatuto Social e Ata de Reunião do Conselho de Administração. Consta às fls. 120/121, extrato do Sistema CNPJ com informação sobre o CNAE da empresa e sua descrição. A recorrente fez juntar às fls. 123/126 adendo às suas alegações antes CD apresentadas, onde, principalmente, argúi a nulidade por vicio formal da notificação de lançamento em causa. Pede, em complemento, que sendo o presente processo resultado de desmembramento e análogo em matéria a outros dois processos já julgados nulos pelo Conselho de Contribuintes, igual decisão seja proferida neste. É o relatório. o MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 VOTO É de se conhecer do recurso, por ser tempestivo e por tratar de matéria da competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. Sem contestar a informação trazida pelo recorrente quanto a decisões pela nulidade das notificações em dois outros processos de seu interesse e com objetos semelhantes, peço licença para com base no Decreto 70.235/72, ultrapassar a discussão sobre nulidade da notificação por vício formal por vislumbrar que há de se dar provimento aos argumentos da interessada, veiculados no seu recurso voluntário. As informações trazidas pela recorrente e pela repartição de origem, anexadas às fls. 104/121 atestam que a tese trazida aos autos pela recorrente tem respaldo legal e jurisprudencial, restando comprovado que sua atividade não é preponderantemente rural. Adotarei, neste caso, o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Henrique Prado Megda, Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em relação ao Recurso n" 122.759 apresentado pela mesma empresa — CINAL - no curso do processo n° 10410.000065/97-10, e que serviu de guia à Resolução n° 302-1.057. Apenas serão adaptados ao texto os dados do presente processo. Assim foi o voto: "..Analisemos agora, de forma sistemática e integrada, a legislação que regulamente a cobrança CNA. O Decreto-lei 1.166/71 estabelece, em seus artigos 1" e 4": O'Art. I°. Para efeito do enquadramento sindical, considera-se 11- empresário ou empregador rural: c) os proprietários de mais de um imóvel rural, desde que a soma de suas áreas seja igual ou superior à dimensão do módulo rural da respectiva região.' Sob esse aspecto, a empresa interessada efetivamente está enquadrada como empregadora rural, restando agora perquirir-se sobre a forma de cobrança da contribuição sindical, o que está perfeitamente esclarecido no § 1° do art. 4" do mesmo Decreto-lei: 'Art. 4°. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 § 1°. Para efeito de cobrança da contribuição sindical dos empregadores rurais, organizados em empresas ou firmas, a contribuição sindical será lançada e cobrada proporcionalmente ao capital social, e para os não organizados dessa forma, entender-se-á como capital o valor adotado para o lançamento do imposto territorial do imóvel explorado, fixado pelo INCRA, aplicando-se em ambos os casos, as percentagens previstas no artigo 580, letra 'c', da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT.'(grifos nossos). Como se depreende da leitura do dispositivo legal acima transcrito, a recorrente, uma vez organizada em empresa, deve ter sua contribuição sindical lançada e cobrada proporcionalmente ao capital social. Quanto ao enquadramento sindical, este é regulamentado pelos o artigos 579 a 581 da CLT que serão explicitados a seguir: 'Art. 579. A contribuição sindical é devida por todos aqueles que participarem de uma determinada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, em favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão, ou, inexistindo este, na conformidade do disposto no artigo 591. Art. 580. A contribuição sindical será recolhida, de uma só vez, anualmente, e consistirá: 111- para os empregadores, numa importáncia proporcional ao capital social da firma ou empresa, registrado nas respectivas Juntas comerciais ou órgãos equivalentes, mediante a aplicação de aliquotas, conforme a seguinte tabela progressiva: Art. 581. o Quando a empresa realizar diversas atividades econômicas, sem que nenhuma delas seja preponderante, cada uma dessas atividades será incorporada à respectiva categoria econômica, sendo a contribuição sindical devida à entidade sindical representativa da mesma categoria. § 2°. Entende-se por atividade preponderante a que caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente, em regime de conexão funcional.' A simples leitura desses artigos permite concluir que a cobrança da contribuição sindical, no caso do empregador rural organizado em empresa, não está condicionada apenas à existência de imóveis rurais no seu patrimônio, como interpretou a autoridade julgadora monocrática, mas envolve a combinação de apenas dois fatores: o capital social e as atividades desenvolvidas pela empresa. 7 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 No caso em questão, a COMPANHIA ALAGOANA INDUSTRIAL não tem a atividade rural como seu único objeto, menos ainda o principal. Diante da clareza das normas que regem a matéria, conclui-se que a cobrança da contribuição que aqui se analisa, antes de qualquer outra providência, passa necessariamente pela pesquisa do objeto social da empresa, independentemente de esta possuir imóveis rurais em seu patrimônio. Assim, definidas as atividades desenvolvidas pela empresa, o segundo passo para a efetivação da cobrança da contribuição sindical é a incorporação destas atividades à respectiva categoria econômica, e a conseqüente aplicação da tabela do art. 580, III, da CLT, às parcelas do capital social correspondentes a cada • atividade. Portanto, há empresas que só desenvolvem a atividade rural, recolhendo apenas a contribuição sindical CNA, cuja base de cálculo é o total do capital social. Outras empresas, por sua vez, desenvolvem atividades múltiplas, sem que nenhuma delas seja considerada preponderante, razão pela qual recolhem contribuições sindicais para as diversas categorias econômicas, utilizando como base de cálculo a parte do capital social alocada a cada um das atividades. Há, também, empresas que, das múltiplas atividades que desenvolvem, uma delas é considerada preponderante, caso em que a contribuição sindical será recolhida apenas em favor da categoria econômica relativa à atividade principal. No caso em questão, trata-se de empresa essencialmente industrial e não seria cabível a cobrança da contribuição CNA. Mesmo que se considerasse que a empresa em tela, além de • desenvolver a atividade industrial, desenvolvesse também a atividade rural, ainda assim caberia determinar qual seria a atividade preponderante. A lógica aqui desenvolvida, decorrente da análise das normas que regulamentam a cobrança das contribuições sindicais dos empregadores, já foi consagrada pelo Segundo Conselho de Contribuintes e pelo Poder Judiciário. Dentre os vários Acórdãos sobre o tema, transcreve-se trechos do voto proferido no de n° 203-03.267, acolhido por unanimidade, da lavra do ilustre Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo: `...foram fixados 3(trés) critérios classificatórios para o enquadramento sindical das empresas ou empregadores a) critério por atividade única; 8 . - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA• RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 b) critério por atividades múltiplas;e c) critério por atividade preponderante. Os dois primeiros critérios, contidos no caput e § 1° do art. 581, não oferecem dificuldades, em contrapartida o terceiro critério — por atividade preponderante - inserto no § 2°, tem sido objeto de controvérsia no que se refere ao seu entendimento e à correta aplicação aos casos concretos. A este respeito formou-se, no âmbito deste Colegiado, respeitável base jurisprudencial, no sentido de aplicar o critério de atividade preponderante a diversos setores industriais, como ad exemplum, ao setor sucro-alcooleiro, cuja característica principal é o desenvolvimento de intensa atividade agrícola fornecedora de insumo para a produção de açúcar ou álcool, cujo processo de • fabricação é indiscutivelmente industrial, por natureza. Revela-se, destarte, a preponderância da atividade-fim de produção industrial sobre a atividade-meio de cultivo da cana-de-açúucar. Em decorrência, a recorrente está excluída do campo de incidência da Contribuição à CNA, por força do § 2° do art. 581 da CLT, que elegeu o critério da atividade preponderante em regra classificatória para o fim específico de enquadramento sindical." Quanto ao posicionamento do Poder Judiciário, este se encontra em sintonia com o entendimento aqui esposado, conforme Súmula 196, do STF, que abaixo se transcreve: "Ainda que exerça atividade rural, o empregado de empresa industrial ou comercial é classificado de acordo com a categoria do empregador." Diante do exposto, no caso em tela, fica patente a inadequação dos • procedimentos de exigência da contribuição CNA empreendidos pela SRF. Primeiramente, ainda na fase de lançamento, foi cobrada a contribuição CNA relativa a cada um dos imóveis rurais, com base no capital social total da empresa, partindo-se do principio de que esta só desenvolvia a atividade rural, e sem que fosse obedecida qualquer proporcionalidade. Assim, ainda que se tratasse de empresa rural, o total da CNA supostamente devido foi cobrado a maior, multiplicada por seis. A decisão de primeira instância, por sua vez, considerou erroneamente que a simples propriedade de vários imóveis já vincularia a empresa ao pagamento exclusivo da CNA, e tentou corrigir apenas a sua cobrança sêxtupla. Ainda assim adotou critério inusitado, completamente estranho à legislação de regência, efetuando a distribuição proporcional do capital social de acordo com a área de cada um dos imóveis rurais. 9 • . - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 Resumindo-se tudo o que foi dito, a contribuição sindical dos empregadores rurais organizados em empresas está vinculada essencialmente às atividades desenvolvidas, e a sua base de cálculo não pode ultrapassar o total do capital social, do contrário incorrer-se-á em inevitável bis in idem assim, mesmo no caso de atividades múltiplas, cada parcela do capital social só pode servir de base de cálculo para a contribuição sindical referente à respectiva atividade. No caso em questão, de acordo com a informação da repartição de origem quanto ao CNAE e dados extraídos do Sistema CNPJ e, a apresentação do contrato/estatuto social e respectivas alterações, com informações não contestadas pelo Fisco, demonstram que a empresa em causa efetivamente exerce apenas ou com preponderância a atividade industrial, a cobrança da contribuição CNA revelar-se-á O totalmente descabida, independentemente de existirem imóveis rurais em seu patrimônio, constituindo-se a exigência em autêntico bis in idem. Este entendimento já foi sacramentado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, transcrevendo-se a seguir a ementa e trechos do Acórdão 203-04.721, cujo voto proferido pelo ilustre Conselheiro Otacílio D. Cartaxo, foi acolhido por unanimidade: "ITR/94. CNA - incabível a exigência de contribuições sindicais rurais de empresa que, embora seja proprietária de imóvel rural, não exerça a atividade niral. A contribuição sindical é devida e recolhida em favor do sindicato da categoria económica da qual a empresa participe. ...a recorrente tem como atividade a geração e transmissão de energia elétrica, sendo sua categoria económica a industrialização. Assim está obrigada a recolher a contribuição sindical em favor da Confederação nacional das Indústrias (CNI) e não da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). A base de cálculo da Contribuição sindical à CNI é o capital social da empresa, enquanto que a base de cálculo à CNA é a parcela do capital social atribuída ao imóvel rural. A exigência da contribuição à CNA configuraria bis in idem, ou seja: a cobrança de duas contribuições sindicais sobre uma mesma parcela do capital social pelo mesmo agente". As informações trazidas pela recorrente e pela repartição de origem, anexadas às fls. 104/121 atestam que a tese trazida aos autos pela recorrente tem lo • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.760 ACÓRDÃO N° : 303-31.547 respaldo legal e jurisprudencial, restando comprovado que sua atividade não é preponderantemente rural. Diante do exposto, meu voto é por dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2004 - Z NA O LOIBMAN - Relator • . • , MINISTÉRIO DA FAZENDA n/» TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES +'tf nstia lft Processo n°: 10410.000066/97-82 Recurso n°: 122760 TERMO DE INTIMAÇÃO _ Em cumprimento ao disposto no § 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Terceira Câmara do Terceiro Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-31547. Brasília, 28/01/2005 Anel' e Daudt Prieto Preside e da Terceira Câmara o Ciente em Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911778/2009-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA.
CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC). CONTA DE
DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO.
FATURAMENTO E RECEITA.
Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade.
Numero da decisão: 3803-002.866
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos temos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Vítor Feitosa OAB/SP nº 246837.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 18 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2005 PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC). CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO E RECEITA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10983.911778/2009-20
conteudo_id_s : 6769612
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3803-002.866
nome_arquivo_s : 380302866_10983911778200920_201204.pdf
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10983911778200920_6769612.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos temos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Vítor Feitosa OAB/SP nº 246837.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4863826
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:31:02 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045641195520
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-09T17:13:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-12-09T17:12:41Z; Last-Modified: 2019-12-09T17:13:07Z; dcterms:modified: 2019-12-09T17:13:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6a0fb68d-df59-400a-8b0a-1e8e5e605df4; Last-Save-Date: 2019-12-09T17:13:07Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-09T17:13:07Z; meta:save-date: 2019-12-09T17:13:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-09T17:13:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-12-09T17:12:41Z; created: 2019-12-09T17:12:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-12-09T17:12:41Z; pdf:charsPerPage: 2065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-12-09T17:12:41Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 166 1 165 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.911778/200920 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 380302.866 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente TRACTEBEL ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC). CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO E RECEITA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos temos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Vítor Feitosa OAB/SP nº 246837. (assinado digitalmente) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Florianópolis/SC que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, consistente em alegada contribuição recolhida a maior, no valor de R$ 687.439,94, que se refere ao valor do recolhimento de R$ 482.210,96 atualizado até a data do pedido de restituição. Submetida a Declaração de Compensação (DCOMP) à apreciação da Receita Federal, expediuse despacho decisório (fls. 125) denegatório do direito pleiteado, em que se consignou que o valor recolhido e indicado como fonte do crédito já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débitos do sujeito passivo. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1 a 19), protestou pela juntada de novos documentos e pela produção de outras provas que pudessem ser consideradas imprescindíveis ao esclarecimento/comprovação da regularidade dos procedimentos adotados e requereu a homologação integral da compensação ou, alternativamente, que o processo fosse baixado em diligência à repartição de origem com vistas à confirmação da existência do direito creditório em face da não incidência da contribuição sobre os recebimentos oriundos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a fonte de seus créditos está associada à indevida consideração como receita de valores recebidos a título de "reembolso de despesas" no âmbito da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), ambas geridas pela Eletrobrás; b) anteriormente, por equivocado regramento contábil, classificavamse formalmente tais recebimentos como receitas, o que fazia com que sobre eles incidissem as contribuições sociais (PIS e Cofins), sendo que, posteriormente, "após amplo e exauriente debate técnico mantido junto à ANEEL", concluiuse que tais valores têm natureza de "reembolso de despesas", o que os afastaria da incidência das contribuições regidas pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003; c) os valores devidos da contribuição foram recalculados, expurgandose os “reembolsos de despesas”, do que originou o crédito pleiteado neste processo; d) os valores vinculados às contas CCC e CDE são incluídos, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no cálculo da conta dos consumidores residentes nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste, por meio das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás, que administra tais recursos e reembolsa as empresas geradoras de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.911778/200920 Acórdão n.º 380302.866 S3TE03 Fl. 167 3 energia elétrica que se utilizam de termoelétricas para atender à demanda de áreas isoladas da região Norte, dado o alto custo de geração de energia elétrica nessas condições; e) as geradoras de áreas isoladas da região Norte não arcam com os custos dos combustíveis fósseis destinados à geração da energia termoelétrica adquiridos com os recursos da CCC/CDE, os quais são rateados entre as distribuidoras e cobrados dos consumidores finais; f) os valores recebidos da CCC/CDE não podem ser considerados como receitas, pois, inobstante o fato de sua contabilização, no passado, como receitas de subvenção, tal procedimento encontravase em consonância com a redação anterior do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, que, após a constatação do equívoco pela ANEEL, foi alterado, por meio do Despacho n.° 657, de 30 de março de 2006, no sentido de classificálos em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos para produção de energia elétrica; g) também de acordo com a Nota Técnica n° 115 e a Nota Técnica n° 116, ambas da ANEEL, para as concessionárias de geração de energia elétrica, os repasses da CCC/CDE são "reembolsos de despesas"; h) a própria ANEEL esclareceu que os valores outrora contabilizados como "receitas de subvenção" deveriam ser contabilizados como "recuperação de custos", em conta retificadora dos dispêndios com matériaprima e insumos, não se integrando às receitas das concessionárias geradoras; i) de acordo com parecer emitido pelo tributarista Ives Gandra da Silva Martins, trazido aos autos, os valores oriundos da CCC não podem ser caracterizados como receitas; j) de acordo com a jurisprudência administrativa, em face do princípio da verdade material, não pode um eventual equívoco formal se sobrepor à realidade dos fatos, devendo os erros em declarações apresentadas à Administração tributária ser reparados após a demonstração da verdade real. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do Instrumento de Mandato, da documentação societária, das Notas Técnicas nº 115 e 116/2006 da ANEEL, de parecer do professor Ives Gandra da Silva Martins, de uma tabela intitulada “Memória de Cálculo”, de comprovantes de recolhimento da contribuição e do Despacho Decisório (fls. 20 a 125). A DRJ Florianópolis/SC não reconheceu o direito creditório (fls. 129 a 138), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2004 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. INCIDÊNCIA NO CASO DE TRIBUTAÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pela empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, tratam se de subvenções que integram a receita daquelas empresas, incluindose nos "resultados nãooperacionais" da atividade. Por conta disto, tais receitas devem ser incluídas nas bases de cálculo das exações que incidem sobre a receita bruta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DILIGÊNCIAS. DESCABIMENTO NO CASO DE LITÍGIO ACERCA DE QUESTÕES DE DIREITO Como as diligências são destinadas à elucidação de questões de fato não devidamente evidenciadas nos autos, não podem elas ser realizadas nos casos em que os litígios se resumem à elucidação de questões de direito. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que, de acordo com entendimentos expressos e formais da Receita Federal, “os valores arrecadados para a CCC compõem regularmente a base de cálculo do PIS e da COFINS (ou seja, são tidos como "receitas” daqueles entes), mas não dão ensejo ao creditamento de valores no âmbito do regime nãocumulativo em razão de não estarem associados a insumos adquiridos (Solução de Consulta COSIT n° 27, de 09/09/2008, Solução de Consulta SRRF/4ª RF/DISIT n° 87, de 29/09/2004, Solução de Consulta SRRF/4ª RF/DISIT n° 32, de 28/04/2004 e Decisão SRRF/lª RF/DISIT n° 30, de 11/09/1998)”. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.911778/200920 Acórdão n.º 380302.866 S3TE03 Fl. 168 5 Ainda segundo o relator, a Solução de Consulta SRRF/2ª RF n° 11, de 22/02/2006, “aborda o tema na esfera do Imposto sobre a Renda, afirmando que "os valores relativos à Conta Consumo de Combustíveis dos Sistemas Isolados destinamse à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, tratandose de subvenção que integra a receita das concessionárias, incluindose nos 'resultados nãooperacionais' da atividade, havendo de compor, assim, o lucro real apurado para fins do Imposto de Renda e bases imponíves reflexas, nos termos da legislação tributária vigente". Na sequência, afirma que criouse “um mecanismo de equalização de custos destinado a viabilizar as operadoras termoelétricas, possibilitando uniformização de preços aos consumidores finais por intermédio de uma sistemática de rateio entre as concessionárias do sistema, com o subseqüente repasse às concessionárias termoelétricas, destinado à compensação do custo superior incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis”. (...) Os “valores relativos à CCC têm por finalidade "subsidiar" a geração de energia elétrica com o uso de combustíveis fósseis, buscando compensar os custos elevados da geração termoelétrica. Neste sentido, mostrase indubitável seu caráter de "receita" do empreendimento, e não de "recuperação de custos", como quer defender a contribuinte. E isto porque no caso da recuperação de custos, a caracterização como tal depende, em regra, de uma operação posterior entre os dois entes que efetuaram a operação negocial anterior. Em outras palavras: para a caracterização da recuperação de um custo anteriormente sofrido, deve haver uma operação posterior, entre os mesmos dois entes, que represente um estorno daquilo que havia sido previamente negociado”, o que não ocorre no presente caso, pois, aqui, “a Eletrobrás, que é a gestora da CCC, reembolsa a empresa geradora de energia elétrica pelos desembolsos destinados à aquisição de combustíveis junto às empresas fornecedoras destes combustíveis. Ou seja, não há tecnicamente recuperação de custos, pois a operação entre a empresa geradora e a empresa fornecedora de combustíveis permanece inalterada; o que ocorre é que a Eletrobrás, um terceiro naquela relação negocial, com recursos.do CCC e nos termos da lei, reembolsa a adquirente dos combustíveis”. Não satisfeito, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 141 a 164) e reitera seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, ressaltandose a ausência de análise da DCTF retificadora apresentada anteriormente à inscrição em dívida ativa e antes do início do procedimento de fiscalização, conforme exige o art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 768, de 7 de março de 2008. Segundo o Recorrente, a “Receita Federal do Brasil possui o dever de averiguar materialmente os fatos ocorridos, não podendo se amparar em circunstâncias formais ou fatores alheios e especulativos para determinar a ocorrência de falaciosa não homologação de compensação pelo não processamento de declaração retificadora”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 De início, registrese que o Recorrente não trouxe aos autos, em nenhuma das oportunidades em que se manifestou, qualquer elemento probatório que atestasse o valor por ele pleiteado a título de pagamento indevido, não tendo sido apresentada a escrituração contábilfiscal ou qualquer outro documento que demonstrasse de forma hábil e idônea o indébito alegado. Nem mesmo as cópias das DCTFs original e retificadora a que o contribuinte faz referência foram trazidas aos autos para embasar sua argumentação. Consta dos autos, no que tange a essa questão, apenas a afirmativa do relator a quo de que a DCTF retificadora havia sido apresentada após a ciência do despacho decisório. Trouxe o Recorrente aos autos, no que se refere a elementos materiais de prova, apenas um demonstrativo por ele elaborado, denominado de “Memória de Cálculo”, em que se registram valores relativos às bases de cálculo da contribuição, mas desacompanhado de qualquer lastro probatório referente à escrita ou à documentação fiscal. Ora, a pessoa que alega ser detentora de um direito tem o dever de comprovar a sua pretensão. A defesa genérica desprovida de provas não é apta a favorecer a tese defendida pelo ora Recorrente. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação da declaração apresentada. Referido dispositivo assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, nem na fase de Manifestação de Inconformidade, nem no Recurso Voluntário, o interessado se predispôs a demonstrar de forma inequívoca a ocorrência de inobservância, por parte da Administração tributária, dos valores por ele declarados, nem a quantificação do indébito alegado, defendendose apenas quanto à matéria de direito, no que Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.911778/200920 Acórdão n.º 380302.866 S3TE03 Fl. 169 7 tange aos recebimentos oriundos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O contribuinte poderia ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação, os documentos necessários à demonstração do direito creditório. Contudo, nada foi trazido aos autos que pudesse embasar suas meras alegações. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. Ainda que se abstraísse das questões processuais, como a ausência de elementos materiais de prova (escrituração e documentos fiscais), ou ainda a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório, em prol do princípio da verdade material, há que se consignar que, no mérito, não nos alinhamos com os entendimentos externados pelo Recorrente em sua defesa. Conforme apontado pelo próprio Recorrente, até 30 de março de 2006, data do despacho nº 657, a ANEEL classificava os valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) sob a rubrica contábil de “receita operacional bruta”, passando, a partir daquela data, por provocação do ora Recorrente, a considerálos como “reembolsos de despesas”. Como o caso sob análise se refere a valor da contribuição devido no ano de 2005, sua tributação se encontrava em consonância com a normatização então vigente da ANEEL. Mas, mesmo que se cogitasse acerca da possibilidade de se imputar efeito retroativo às Notas Técnicas da ANEEL nº 115 e 116, ambas de 2006, há que se ressaltar que o entendimento externalizado por essa agência reguladora não se sobrepõe aos dispositivos da legislação tributária que versam sobre a incidência de tributos. Ainda que a ANEEL defina tais valores como “reembolsos de despesas”, essa titulação administrativa, de alcance restrito à área técnica regulada, qual seja, a geração e a distribuição de energia elétrica, não se sobrepõe aos fatos geradores tributários definidos na legislação de regência que dispõe sobre as hipóteses de incidência da contribuição, estas amparadas nos dispositivos constitucionais que definem a competência tributária da União para instituir contribuição social sobre o faturamento e as receitas auferidas pelos contribuintes elegidos pelo legislador constituinte. Conforme apontado pelo Recorrente, assim como pela autoridade julgadora de piso, os valores relativos às contas CCC e CDE, cobrados dos usuários das regiões Nordeste, Sudeste, Sul e CentroOeste, têm por finalidade "subsidiar" a geração de energia Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 elétrica em áreas isoladas da região Norte do País, estas abastecidas com energia oriunda da queima de combustíveis fósseis, buscandose, com o subsídio, compensar os custos elevados da geração de energia termoelétrica que oneraria desigualmente o consumo de energia elétrica nas áreas sob comento. Registrese que, de acordo com uma cartilha datada de outubro de 2008 produzida pela ANEEL, denominada “Por Dentro da Conta de Luz – Informação de Utilidade Pública”, disponível em seu sítio na internet (www.aneel.gov.br/arquivos/PDF/Cartilha_ 1p_atual.pdf), a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e a Conta de Desenvolvimento energético (CDE) são identificadas como destinadas a, respectivamente, “subsidiar a geração térmica principalmente na região norte (Sistemas Isolados)”, e “subsidiar as tarifas da subclasse residencial Baixa Renda”. Verificase, portanto, que se trata de subsídios destinados a equalizar o custo do consumo de energia elétrica nas diversas regiões do País, dadas as condições desiguais de sua geração. Os valores repassados às geradoras de energia elétrica de áreas isoladas vão compor o conjunto de ingressos que se agrupam sob a denominação genérica de “receitas”. Não se trata, como quer fazer crer o Recorrente, em “reembolso de despesas”, pois, conforme já salientado pelo relator a quo, nesses casos, temse a recuperação de valor dispendido no passado, tendose em conta suas dimensões qualitativa e quantitativa, estornandose um valor, em sua exata medida, que havia sido contabilizado como custo ou despesa e que depois veio a ser revertido. Os custos e as despesas decorrem da geração de energia elétrica nas localidades em que disponibilizada, em que se relacionam o prestador do serviço e os usuários da região. Os repasses das contas CCC e CDE, por seu turno, decorrem da lei e têm seu dimensionamento definido, não com base em valores exatos dos dispêndios efetivamente realizados, mas de fórmulas que possibilitam, com base em previsões, a equalização pretendida entre as geradoras de áreas isoladas e as demais instaladas no território nacional. Nos casos de subsídios, os valores repassados não correspondem exatamente aos custos incorridos, podendo superálos, ser coincidentes com eles ou, ainda, ser inferiores, assim como ocorre com o faturamento, que pode suplantar em muito o total de dispêndios, do que resultarão os lucros, ou ser inferior às despesas, casos em que se configurarão os prejuízos. A tributação das contribuições sociais incidentes sobre o faturamente e sobre as demais receitas independe da ocorrência posterior de lucro ou prejuízo, pois o fato imponível se esgota no momento da entrada dos recursos decorrentes da venda de produtos ou da prestação de serviços, assim como da obtenção de outras receitas, independentemente dos desdobramentos contábeis subsequentes. A tributação de receitas não se confunde com a tributação do lucro, pois, nesta, admitese a dedução de todos os dispêndios (custos e despesas) necessários e usuais ao funcionamento da sociedade empresária. Uma vez auferida uma receita, sobre ela incidirão as contribuições para o PIS e a Cofins, independentemente de se consubstanciarem, ao final, em lucro ou prejuízo. Toda atividade empresarial envolve custos que impactarão negativamente o saldo das receitas auferidas, o que, contudo, não significa que a parcela da receita absorvida Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.911778/200920 Acórdão n.º 380302.866 S3TE03 Fl. 170 9 pelos custos deixará de ser receita para fins de incidência da Cofins e da contribuição para o PIS. O critério que deve orientar a identificação de uma receita é o jurídico e não o econômico ou empresarial, pois parte significativa do que vier a ser auferido pelas pessoas jurídicas será vertida a terceiros a título de pagamento pelos serviços prestados, pelos bens adquiridos ou por outros custos e despesas incorridos. Os valores recebidos pelas geradoras de energia em áreas isoladas vêm suprir o seu baixo faturamento, dadas as condições adversas enfrentadas no desempenho de suas atividades, somandose às quantias obtidas a partir do serviço efetivamente prestado, de forma a tornar a sua atividade o mais isonômica possível em relação às das demais geradoras existentes nas demais regiões do País, privilegiandose a isonomia que deve alcançar todos os partícipes da produção nacional. Se se admitisse a redução das receitas ora analisadas em razão da parcela que será absorvida por custos ou despesas, tal procedimento deveria alcançar não apenas os repasses oriundos das contas CCC e CDE, mas, também, as parcelas do faturamento e das demais receitas percebidas pelas pessoas jurídicas, pois muitas delas serão consumidas por dispêndios necessários ao desempenho da atividade do sujeito passivo, privileginadose, da mesma forma, a isonomia que deve orientar a tributação em nível nacional. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, seja em razão da ausência de comprovação do indébito pleiteado, seja por se referir a ingressos que compõem a receita do sujeito passivo no âmbito da tributação da contribuição na sistemática não cumulatividade. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10983.911778/200920 Interessada: TRACTEBEL ENERGIA S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.866, de 26 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001460/2004-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar de omissão de acórdão que deixou de apreciar
documentos alusivos a deduções de exercícios estranhos à autuação objeto do processo em julgamento.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
A impugnação é que instaura a fase litigiosa do procedimento de exigência do crédito tributário, sendo considerada não impugnada a matéria que não
tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
DEDUÇÕES. DESPESAS. MEDICAS COMPROVAÇÃO.
A ausência de documentos probantes de supostas despesas médicas
impossibilita o aproveitamento das mesmas para dedução da base de cálculo
do Imposto de Renda de Pessoa Física.
REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PROCEDIMENTO
DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
A emissão de termo de intimação fiscal, por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Desta forma, se o contribuinte está sob procedimento fiscal, eventual apresentação de declarações retificadoras não caracteriza espontaneidade, tampouco enseja a nulidade do lançamento de ofício. Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-000.759
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
dt_index_tdt : Sat Nov 19 09:00:15 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201104
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar de omissão de acórdão que deixou de apreciar documentos alusivos a deduções de exercícios estranhos à autuação objeto do processo em julgamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A impugnação é que instaura a fase litigiosa do procedimento de exigência do crédito tributário, sendo considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DEDUÇÕES. DESPESAS. MEDICAS COMPROVAÇÃO. A ausência de documentos probantes de supostas despesas médicas impossibilita o aproveitamento das mesmas para dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física. REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A emissão de termo de intimação fiscal, por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Desta forma, se o contribuinte está sob procedimento fiscal, eventual apresentação de declarações retificadoras não caracteriza espontaneidade, tampouco enseja a nulidade do lançamento de ofício. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 18471.001460/2004-14
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 6699337
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-000.759
nome_arquivo_s : 280200759_18471001460200414_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001460200414_6699337.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
id : 4740109
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:44 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045647486976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 129 1 128 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001460/200414 Recurso nº 166.055 Voluntário Acórdão nº 280200.759 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria IRPF Recorrente LAURO FERNANDES PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar de omissão de acórdão que deixou de apreciar documentos alusivos a deduções de exercícios estranhos à autuação objeto do processo em julgamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A impugnação é que instaura a fase litigiosa do procedimento de exigência do crédito tributário, sendo considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DEDUÇÕES. DESPESAS. MEDICAS COMPROVAÇÃO. A ausência de documentos probantes de supostas despesas médicas impossibilita o aproveitamento das mesmas para dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física. REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A emissão de termo de intimação fiscal, por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Desta forma, se o contribuinte está sob procedimento fiscal, eventual apresentação de declarações retificadoras não caracteriza espontaneidade, tampouco enseja a nulidade do lançamento de ofício. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente eRelator. EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Luis Fabiano Alves Penteado (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003, anocalendário 2002, em decorrência da glosa de dependentes, despesas médicas, de instrução e de previdência privada/FAPI. Por meio desse auto de infração houve redução do imposto a restituir que foi apurado na Declaração de Ajuste Anual, de R$6.434,27 para R$1.379,11. Na parte final do Termo de Verificação Fiscal (fls. 82) consta que foram glosadas deduções pleiteadas indevidamente com dependente, despesas médicas e despesas com instrução não comprovadas, e que foram lavrados dois autos de infração, um para os anos calendário de 1999, 2000 e 2001, exercícios 2000, 2001 e 2002, em que o contribuinte já havia recebido a restituição pleiteada na declaração, e outro auto de infração para o ano calendário de 2002, exercício de 2003, em que a declaração do contribuinte ficou retida em malha e não houve recebimento da restituição pleiteada pelo contribuinte. DO TRABALHO INVESTIGATIVO DA RECEITA FEDERAL O Termo de Verificação Fiscal (fls. 81 e ss) contém descrição das peculiaridades da investigação desenvolvida pela Receita Federal: a) a ação fiscal resultou de amplo trabalho investigativo desenvolvido na Receita Federal, a partir da análise das declarações de ajuste anual apresentadas por contribuintes da 7ª Região Fiscal. b) a investigação desenvolvida na Receita Federal detectou cerca de 700 (setecentos) contribuintes da 7ª RF cujas declarações de ajuste anual, nos exercícios de 1999 a 2003, apresentaram declarações de ajuste anual com elevados valores de deduções de rendimentos tributáveis. Estas deduções, com valores elevados, levam a uma diminuição do imposto de renda devido, ocasionando o pagamento de restituição. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001460/200414 Acórdão n.º 280200.759 S2TE02 Fl. 130 3 c) a ocorrência de similaridade de procedimento entre centenas de contribuintes passou a ocorrer mais acentuadamente a partir do exercício de 2001, e de forma continuada. d) o padrão típico de comportamento caracterizase pela inclusão de despesas que não foram de fato incorridas, embora informadas como deduções de rendimentos tributáveis nas declarações de ajuste anual (despesas com saúde, instrução, previdência privada, dependentes, etc) e além da simples "criação" de deduções, constatase ainda casos de "majoração" de outras despesas dedutíveis. DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Na primeira instância de julgamento foram declaradas não impugnadas as glosas de dependentes, despesas com instrução e de previdência privada, reputando como impugnadas exclusivamente as despesas médicas. O órgão julgador considerou que os documentos apresentados (fls. 59/67 e 69/70) não eram hábeis para fins de dedução do imposto pois eram meras cópias, ao passo que o art. 46 da In SRF 15/2001 dispõe que a comprovação deve ser feita por meio de documentos originais (fls. 99). DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ciente da decisão de primeira instância em 03/01/2008 (fls. 104), o recorrente apresentou recurso voluntário em 31/01/2008 (fls. 105), no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. preliminarmente pleiteia devolução do prazo para apresentar impugnação, caso tenho precluído, para, se entender conveniente, aditar a defesa, em razão de dificuldades de obter cópia dos autos o que cerceou seu direito de defesa; 2. a premissa do acórdão recorrido de que os documentos referentes aos anoscalendário de 1999 a 2001 referemse a período estranho à autuação não é correta pois o Termo de Início de Fiscalização continha intimação para apresentação de documentos de 1999 a 2003, labutando em omissão o acórdão que deixou de apreciar os documentos relativos aos anoscalendário de 1999 a 2001; e 3. quanto ao anocalendário 2002, houve apresentação de Declaração de Ajuste Anual retificadora antes do início do procedimento fiscal (Termo de Início de Fiscalização) motivo pelo qual esse período não foi impugnado. Entre os documentos juntados com o recurso voluntário constam cópia de dois autos de infração: um no valor de R$8.639,53 (fls. 112/121) referente aos anoscalendário 1999 a 2001; outro de R$1.739,11 (fls. 122/127) que se refere ao anocalendário 2002 e à “redução do valor da restituição pleiteada pelo contribuinte cuja declaração ficou retida em malha” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A admissão do recurso torna irrelevantes as alegações iniciais do recorrente sobre a devolução do prazo para defesa. Para melhor compreensão do litígio é necessário que se esclareça que o contribuinte foi fiscalizado nos anoscalendário 1999 a 2002 e que essa fiscalização teve como conseqüências glosas das deduções pleiteadas indevidamente com dependente, despesas médicas e despesas com instrução não comprovadas, o que foi feito por meio de dois autos de infração. Um dos autos de infração trata dos anos calendário de 1999, 2000 e 2001, exercícios 2000, 2001 e 2002, em que o contribuinte já havia recebido a restituição pleiteada na declaração. Este auto de infração não integra o presente processo. O outro auto de infração trata do ano calendário de 2002, exercício de 2003, em que a declaração do contribuinte ficou retida em malha e não houve recebimento da restituição pleiteada pelo contribuinte. Devese deixar bem claro que o presente processo trata exclusivamente desse auto de infração anocalendário 2002 (fls. 84/88). Não obstante, o recorrente traz junto ao recurso voluntário cópia (fls. 122/127) tanto do auto de infração que é objeto desse processo (anocalendário 2002) como cópia do outro auto de infração (anoscalendário de 1999 a 2001, fls. 112/121). A juntada desses documentos (fls. 112/121) não tem o efeito de expandir os limites do litígio. Qualquer insurgência contra aquela autuação (anoscalendário 1999 a 2001) há de ser feita especificamente contra aquele auto de infração no âmbito do respectivo processo administrativo. Destarte, o litígio ora em julgamento trata exclusivamente do anocalendário 2002. Assim sendo, não houve omissão do acórdão recorrido como alega o recorrente pelo fato de não serem apreciados os documentos referentes aos anoscalendário 1999 a 2001. Consignase que a autuação decorreu de trabalho investigativo da Receita Federal contra um grupo formado de centenas de contribuintes cujo o padrão típico de comportamento caracterizavase pela inclusão de despesas que não foram de fato incorridas, embora informadas como deduções de rendimentos tributáveis nas declarações de ajuste anual (despesas com saúde, instrução, previdência privada, dependentes, etc), além da simples "criação" de deduções, bem como casos de "majoração" de outras despesas dedutíveis. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001460/200414 Acórdão n.º 280200.759 S2TE02 Fl. 131 5 Expostas essas considerações, devese ressaltar que, quanto ao ano calendário 2002, o argumento do recorrente é que houve apresentação de Declaração de Ajuste Anual retificadora antes do início do procedimento fiscal (Termo de Início de Fiscalização) motivo pelo qual não impugnou as glosas de dependentes, despesas com instrução e de previdência privada. Segundo o recorrente, a retificadora foi apresentada espontaneamente em 10 042004 (fls. 30), pois anteriormente ao recebimento do Termo de Início de Fiscalização em 26042004 (fls.18) A declaração que a fiscalização tomou como base da autuação foi a retificadora transmitida pela internet em 02122003 (fls. 04/07) que retificou a declaração original entregue em 30042003. Especificamente em relação à glosa de despesas médicas que foram mantidas pela DRJ em razão de os documentos apresentados serem cópias (fls. 59/67 e 69/70) e, portanto, inábeis para fins de dedução do imposto (art. 46 da In SRF 15/2001), não houve qualquer manifestação de inconformismo do recorrente e não foram apresentados os documentos originais. A análise da espontaneidade da declaração retificadora apresentada em 10 042004 requer que se aprecie o Termo de Intimação Fiscal recebido pelo contribuinte em 05 012004 (fls. 11/12) por meio do qual foi intimado a apresentar documentação referente às deduções pleiteadas nos exercícios de 1999 a 2003, e especialmente o Termo de Intimação Fiscal recebido em 02032004 (fls. 13/14) mediante o qual a Fiscalização, tendo em vista o não atendimento do Termo de Intimação anterior, reintimou o contribuinte a apresentar a referida documentação dos exercícios 1999 a 2003. Isso permite concluir que, em 10042004, cerca de um mês após receber o segundo Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte não agiu ao abrigo da espontaneidade, logo sua Declaração de Ajuste Anual retificadora entregue nessa condição é ineficaz. Outrossim, os demais termos escritos foram recepcionados pelo contribuinte em 26042004 (fls.18) , 24052004 (fls. 21), 09072004 (fls. 73/74), 04082004 (fls. 75/76) e 23092004 (fls. 82 e 84) de forma não houve qualquer lapso temporal que permitisse ao contribuinte agir sob o manto da espontaneidade. Registrese que, na tentativa de retificar a declaração objeto do procedimento de ofício, o contribuinte excluiu das deduções os valores que foram objeto da fiscalização e da autuação e , conseqüentemente, reduziu o valor do imposto a restituir para R$1.124,63. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
