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Numero do processo: 15504.002923/2008-68
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE
ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO.
CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS.
Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pelas infrações.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.008
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pelas infrações. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 3' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por animidade de voto, em dar provimento ao recurso. -tZ CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio De Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Rogério de Lellis Pinto (Convocado), Lourenço Ferreira do Prado e Ewan Teles Aguiar (Convocado). Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o senhor Aldrey Vasconcelos Chaves, a quem foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.° 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. É o relatório. 2 Processo n° 15504.002923/2008-68 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.008 Fl. 116 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Quanto às preliminares, para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos deve-se considerar a revogação do art. 41 da Lei n.° 8.212/1991 pela MP n.° 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN assim dispõe: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; Vê-se que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, deve-se aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.° 8.212/1991, cancelando-se assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não posso deixar de transcrever o Parecer • PGFN/CDA/CAT n.° 190/2009, de 02/02/2009, que dá o tom de qual entendimento é adotado pela Administração Tributária: 22. Inicialmente, entendemos que nesse caso aplica-se a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no 3 cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.° 8.212/1991 Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto pelo provimento do recurso e exoneração do crédito tributário. Sala das Sessões, em 28 de abril de 2010 CARLOS ALBERTO MEES STR1NGARI Relator 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA :43,,qp,p CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n.°: 15504.002923/2008-68 Recurso n°: 160.394 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00.008. Bralia. 14 de junho de 2010 ( ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000346/2005-83
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3803-000.026
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Designado. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti (Relator), que votou pela anulação da decisão de primeira instância.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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RESOLVIN" os membros da 3a . TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAM ENTO, por maioria de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Designado. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti (Relator), que votou pela anulação da decisão de primeira instância. ALl -- NDRE KERN :Presidente ,e 4 . _ • ,, , Y--------- ITÉLC10 LAFETÁ REIS — Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Daniel M.auricio Vedato, Belchior Melo de Sousa e Ivan Allegretti. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima.. ; i i Relatório O relatório do acórdão proferido pela DRJ-Ribeirão Preto/SP (Acórdão n" 14- 16085, de 21 junho de 2007 -. Il.. 61) resume muito- bem. os fatos, motivo pelo qual o transcrevo abaixo: O contribuinte em epígrafe apresentou a Declaração de Compensação de /1. 01, infirmando que os créditos objeto de ressarcimento adviriam do processo n° 13956.000006/200 3-91. Conforme consta na cópia do Despacho Decisório (maio de 2005) relativo àquele processo, o interessado lá 1 .A-licionou o ressarcimento de R$ 82..5.58,44, o qual foi deferido e utilizado na compensação dos débitos lá declaradas no mesmo montante, sendo que tal crédito adviria do crédito presumido do 11'1, apurado no período em destaque, o qual totalizaria R$ 657.251,40, de acordo com o citado Despacho Decisório. Considerando que ainda possuía créditos ressarcíveis, o contribuinte protocolou as Declarações de Compensação listado, à fl. 09, incluindo a presente, no período de 04/08/2005 a 11/10/2005, sendo que só em .14/10/2005 transmitiu o pedido eletrônico de ressarcimento de . fis 18 (' 01365.31462.141005. 1.1 01-6980, pleiteando o crédito montante em R$ 682.676,46, o qual adviria do .saldo restante do indigitado crédito presumido, também entregou, em 25/10/2005, a petição de fl 17, na qual requereu a substituição do presente processo protocolado junto ao processo 1.3956.000006/200.3-9 1, para a citada PER/DCOMP. Diante disso, a DRF competente indeferiu o pedido de substituição e não homologou a declaração de compensação, em razão de esta ter Sido protocolada antes' do pedido de ressarcimento, ainda que o crédito já tivesse .sido objeto de análise pela fiscalização, fato que não autorizaria a retificação da presente DCOMP, nos termos da IN ,S7W n° 460/2004, .sendo que o pedido de retificação também fluo foi feito de acordo com o parágralb único do art .55 da mesma IN (apresentação de novo formulário,). Tempe.stivamente, o contribuinte apresentou sua maniA?.stação de inconformidade alegando. basicamente, que a SRF teria reconhecido corno passíveis de ressarcimento o saldo credor apurado no processo n" 139.56000006/2003-91, portanto a compensação estaria plenamente de acordo com o disposto no capta e no parágrafo primeiro da Lei n° 9.430/96. sendo que o crédito é relativo ao 2 0 trimestre de 2002 e constou no pedido original em 15/01/2003, logo em datas anteriores à presente DC01141). Ademais, consta no referido processo o .saldo do crédito, conforme copia juntada, no valor. de R$ 561_370,41, sendo que no campo _situação consta "ATIVO - AG. EMISSA.0 DA 08 E AO. ClENCIA DA APRECIAÇÃO DO PEDIDO", tendo o contribuinte tomado ciência em 08/06/2005. Assim, ainda que .Se admitisse a 1 necessidade de novo pedido, o qual foi feito em atendimento ao telefonema dado pela Auditora Fiscal da Receita Federal, Mary Mona 1 Oribe Hayashi, nada disso poderia prejudicar o direito adquirido da requerente, que teria sido deferido no processo n" 13956.000006 003- 9/, no instante em que o Fisco solicitou à manifestante que rettfbs..s.e o seu pedido através da nova DC111, informando os novos valore -s. ;0.1 t „ i. § 2 Processo n'' 13956 000346/2005-83 S3-1 E03 'Erro! A origem da referência não foi encontrada. n " 3803.00.026 Fl. 86 Dessa _fim ma, em razão do despacho denegatório pecar por excesso de .fOrmalisino que deixa de reconhecer a niaterialidade do crédito, bem como por inexistência de motivo e fundamento legal impeditivo das compensações realizadas, solicita que seja acolhida a presente manifestação e extinto os créditos tributários, objeto de carta de cobrança, pela compensação declarada, A DRJ-Ribeirão Preto/SP =manteve o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração. 01/04/2002 a 30/06/2002 DCOMP ORIGEM DOS' CRÉDITOS Indicado corno origem do crédito do contribuinte um processo de ressarcimento, .só se homologa a compensação se naquele processo restaram créditos, ou que não .furam ressarcidos em espécie, ou que •er-viram para compensações anteriormente declaradas. DCOMP RETIFICA DORA A retificação de urna DCOMP deve ser . feita de acordo com as normas estabelecidos pela legislação, sob pena de não ser conhecida pela administração. ,Soheitação Indeferida.. A contribuinte interpôs então recurso voluntário (11s. 69/83), no qual reitera os mesmos fundamentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro IVAN AI/FGR.E1-11 ' Relator • • O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Verifica-se que o primeiro pedido do contribuinte foi uma declaração de compensação, que tramitou no PA n" 13956,000006/2003-91, na qual indicava como crédito o valor de R$ 82,558,44 correspondente a crédito presumido de IPI do 2" trimestre de 2002. A compensação daquele processo foi homologada por Despacho Decisório proferido em 5 de maio de 2005, cujo demonstrativo de cálculos revelava que o valor total do crédito presumido daquele período era maior que o valor indicado pelo contribuinte, inclusive indicando-lhe qual seria o saldo remanescente. Foi por isso que em 15 de janeiro de 2003 o contribuinte apresentou a presente declaração de compensação, indicando no campo do crédito o PA n" 13956.000006/2003-91: r<. 3 \ pretendia utilizar o saldo que acreditava existir a seu favor, o qual acreditava estar disponível por força daquela decisão, A decisão proferida neste caso concreto cuidou então de esclarecer, referindo-se ao PA n" 13956,000006/2003-91, que "o objeto de análise, em uma DCOMP, é a procedência do crédito informado e se o montante é suficiente para quitar o débito tributário declarado. Por resultado tem-se a homologação, ou não, das compensações declaradas. Embora esteja implícito um valor restituível, ou ressarcivel, não se defere pedido de restituição ou de ressarcimento em urna DCOMP" e que "Para aproveitamento do crédito utilizado na DCOMP de n" 13956000006/2003-91 (saldo credor do IPI do 2" trimestre de 2002), em outras compensações (se ainda houver saldo), o interessado deverá apresentar Pedido de Ressarcimento de .11)I, utilizando-se do programa (...) PERDCOMP" (11. 38) Ou seja, a decisão proferida neste processo entendeu que o PA IV 13956.000006/2003-91 não era um pedido de ressarcimento, de modo que a decisão proferida naquele processo não concedia o direito de ressarcimento do total, mas se limitava a homologar a compensação pleiteada naquele processo. De tato, embora seja perfeitamente possível que um contribuinte primeiro apresente um pedido de ressarcimento do total e depois apresente um ou mais pedidos de compensação utilizando como créditos Os valores pleiteados no pedido de ressarcimento, neste caso aquele primeiro pedido não era de ressarcimento, nem se releria ao total do crédito. O pedido contido no PA n" 13956.000006/2003-91 era de compensação de um determinado crédito com um determinado débito, o que foi apreciado e deferido.. A decisão proferida no PA n" 13956.000006/2003-91 de fato não concedeu o direito de ressarcimento do valor total do credito presumido de 1P1 relativo ao 2" trimestre de 2002, mas limitou-se a homologar a compensação pleiteada pelo contribuinte, de um débito com um crédito. Já o acórdão da DRJ, embora reiterando o indeferimento do pedido de compensação deste caso, adotou um outro entbque. Entendeu que pelo fato de ter sido indicada a compensação do PA n" 13956.000006/2003-9 . 1 como origem dos créditos implicaria em que apenas se poderia utilizar no presente processo o valor que sobrasse naquele outro, tomando como base o valor indicado pelo contribuinte como crédito naquele pedido de compensação. Ou seja, como o contribuinte indicou corno crédito no 'PA n" 13956,000006/2003-91 o valor de R$ 82..558,44, e todo este valor foi utilizado naquele processo, não teria sobrado nada para ser utilizado neste. Com isso, o acórdão interpretou a presente declaração de compensação corno uma declaração complementar (ou sucessiva) da declaração de compensação apresentada no PA n" 13956.000006/2003-91. Mas há ainda um outro elemento a se considerar. Na manifestação de inconformidade o contribuinte explica que "inobstante ter apresentado as Declarações de Compensação na forma da lei, foi o representante da requerente contatado por telefone pela Auditora Fiscal da Receita Federal, para que procedesse a entrega de um Pedido de Ressarcimento de 1P1 para complementar o processo 1.3956,000006/2003-91, e que essa entrega teria de ser via PER/DCOMP. O representante da 'F..... 4 \. Processo n" 13956 0003-16/2005-83 S3-TE03 Erro! A origem da referência não foi encontrada. o " 3803.00.026 11 87 empresa concordou e prometeu proceder a entrega e realmente o fez. No entanto, no mesmo ato da solicitação, advertiu a mencionada auditora, que já haviam sido feitas várias compensações com Os créditos do referido processo," (11, 45/46). E continua explicando que, "assim, atendendo ao quanto determinado pelo referido agente, a requerente procedeu a entrega do Pedido de Ressarcimento de FPI, através do PER/DC.0MP I .7, em 14/10/2005, que recebeu o número 01365.31462.141005.11,01-6986 (fl. 17), e um requerimento formalizando um pedido de substituição da compensação, do processo n" 13956.000006/2003-91 para o processo n. 01365.31462,141005.1 .1.01-6986" (fl. 46). De fato, consta à lis, i 1 uma petição do contribuinte em que a contribuinte requer "a substituição dos processos abaixo indicados protocolados junto ao processo 13956,000006/2003-91 para o processo 01365.31462.141005.1.1.01-6986", fazendo então a listagem de todos os processo em que foram apresentadas declarações nas quais utilizava o pretenso saldo deferido por aquela decisão. A este respeito, decidiu o acórdão da DR,1 no sentido da rejeição do pedido, por entender que "à luz da legislação, a DIZE agiu corretamente ao não considerar aquela petição como urna DCOMP retificadora, tanto por não atender o disposto nos artigos 55 e 57 (não houve inexatidão material) da IN SRF IV 460/2004, como pela ausência da justificativa prevista 13.0 § do artigo 72 da mesma IN", concluindo assim que "a presente DCOMP não está suportada pelo pedido eletrônico de ressarcimento IV 01365.31462.141005.11,01-6986, nem se respalda em créditos ressarcidos excedentes no processo ir 13956.000006/2003-91" (11. 64). Confira-se o teor dos dispositivos referidos, da IN SRF 460/2004: Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de .finmulário (papel) somente .será admitida na hipótese de inexatidões materiais verOjeadas no preenchimento do referido documento ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. .58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. ParágralO único.. Na hipótese prevista no capta, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRE nova Declaração de Compensação, • • • • • • •• • • • • • • •••• Art. 76 § 22 Os formulários a que se afere o cuput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada (dell,- nicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP . ç 5 § 32 A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para • fins do disposto no § 22, no § Jz do art. 3=;no do art. 16 e no . 5S. 12 do ar! 26. a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. 42 A falha a que se refere o § 32 deverá ser- demonstrada pelo sujeito passivo à RU no momento da entrega do fbrmulário, .sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31 Entendo que tal entendimento deve ser reformado, Parece suficientemente claro e passível de ser compreendido que o pedido de compensação apresentado nestes autos pretendia aproveitar o saldo de crédito que foi indicado na decisão proferida no PA 13956.000006/2003-91. Os termos daquela decisão naturalmente geraram. tal expectativa ao contribuinte. Se tivesse parado aí, entendo que a autoridade fiscal deveria ter processado a declaração como um processo originário de compensação cujo crédito referia-se ao mesmo credito presumido de IN de período indicado no PA 13956.000006/2003-91. Deveria, assim, decidir neste caso o mérito do direito ao ressarcimento do credito presumido do IN no mesmo 2" semestre/2002, agora em relação à presente declaração de compensação. Ora, não é necessário maior esforço de interpretação para perceber as circunstâncias que davam suporte ao pedido do contribuinte. Bastaria, assim, receber-se a presente declaração de compensação como um. pedido relativo ao mesmo período e tipo de crédito referido no PA n° 13956.000006/2003-91, tudo em respeito ao principio constitucional da eficiência administrativa e do máximo aproveitamento dos atos praticados.. Mas é só isto. Não parou aí. Depois do equívoco justificável do contribuinte — ficando claro que pretendia utilizar o saldo de crédito referido na decisão proferida no PA nu 13956..000006/2003-91 —, este ainda lançou mão de tudo quanto foi recomendado -pela fiscalização, na tentativa d.e ajustar o seu equivoco. Foi então que transmitiu um pedido eletrônico de ressarcimento, pleiteando justamente aquele saldo referido pela decisão proferida no PA if 13956.000006/2003-91. E mais: cuidou de protocolar uma petição em cada processo administrativo que continha declarações de compensação que usavam o referido saldo, para então vincular todas as compensações ao referido pedido de ressarcimento. É de se perguntar o que mais se poderia exigir do contribuint ? Ou se tal procedimento revelaria algum tipo de dolo ou tentativa de burla do controle fiscal? _ 6 Processo n' 13956_000346/2005-83 S3-TE03 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n." 3803.00.026 Fl 88 A sucessão dos fitos e os documentos existentes nos autos ilustram a boa fé do contribuinte, devendo-se reconhecer como válido o procedimento que adotou para o efeito de retificar o erro material contido na declaração original de compensação. () erro material que autoriza a retificação — está no fato de ter-se acreditado inicialmente que a decisão proferida no PA n" 13956.000006/2003-91 asseguraria .o direito ao saldo de crédito nela indicado, valendo repisar que para isto também colaboraram Os termos da decisão, em especial seu desfecho. Com a apresentação do pedido de ressarcimento tornou-se claro que o contribuinte não pretendia forçar uma interpretação tendenciosa de que a decisão do PA n" 13956.000006/2003-91 lhe garantiria aquele saldo por ela referido. Todo o tempo, pelo que se extrai dos documentos existentes, o contribuinte tentou acertar, sendo que tudo partiu da expectativa gerada pela referida decisão no em relação ao pretenso saldo referido pela decisão do PA n" 1.3956..000006/2003-91.. Repise-se que a decisão proferida no PA n" 13956.000006/2003-91 não assegurou ao contribuinte o direito ao saldo total de crédito - nela apenas referido -, pois seus efeitos se limitaram a concretizar a. compensação entre o crédito e o débito indicados naquele processo, no limite do valor ali indicado.. Contudo, entendo que o pedido de declaração apresentado nestes autos pelo contribuinte deve ser interpretado e analisado pelo Fisco tal como se se referisse e de fato se refere — ao mesmo tributo e período dc apuração referidos no PA no 13956„000006/2003-91. Concluo, assim, que deve ser anulado o Despacho Decisório, para que outro seja proferido, julgando o presente pedido de compensação em relação ao mérito do direito ao crédito.. Mais: também entendo válido e eficaz o pedido do contribuinte no sentido de vincular a. presente compensação ao pedido de ressarcimento IV 01365,31462.141005A .1.,01- 6986, o que deve ser atendido. Fazê-lo é um meio de conferir segurança c ordem aos trabalhos do Fisco, de modo que a decisão a ser proferida neste caso deverá respeitar o que porventura se tenha sido decidido no processo administrativo em que tramita o referido pedido de ressarcimento. • IVA .,n liE CkET 1 Voto Vencedor Conselheiro HÉLCIO LAVE:VÁ REIS, Redator Designado 7 O presente processo refere-se à Declaração de Compensação protocolizada pelo contribuinte tendo por origem do crédito aquele apurado no processo administrativo IV 13956,000006/2003-91, em que se analisou urna outra .Declaração de Compensação (DCOMP), tendo a DRF Maringá/PR apurado Crédito Presumido de IPI relativo ao 2' trimestre de 2002 no valor de R$ 657.251,40. Contudo, o Pedido de Ressarcimento que embasara a outra Declaração de Compensação versava somente sobre o ressarcimento de R$ 82..558,44, valor esse bastante apenas para quitar o débito constante do referido processo 13956,000006/2003-91. Posteriormente, o contribuinte requereu a substituição da decisão contida no processo 13956,000006/2003-91 pelo Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido em 14/10/2005.. Em Despacho Decisório, a DRF Maringá/PR negou a substituição pretendida, baseando-se na Instrução Normativa SRF IV 46012004, art.. 26, § 5', que versa sobre a utilização de créditos relativos a pedidos de restituição/ressarcime.nto já tOrmalizados. Considerou a autoridade administrativa que, no presente caso, a origem do crédito encontrava-se em processo diverso em que se analisava urna outra Declaração de Compensação.. No seu entendimento, não se defere pedido de restituição ou ressarcimento em urna DCOM.P, mas por meio de PER/DCOMP, que se torna a origem do crédito para futuras compensações Ainda segundo a DRF Maringá/IR, "se o processo 13956.000006/2003-91 representasse um crédito para o interessado, este já teria sido ressarcido na forma da lei, pois que já passou por análise fiscal". A DRI Ribeirão Preto/SP, ao analisar a impugnação do contribuinte, considerou que o crédito objeto de ressarcimento no valor de R$ 82.558,44 já havia sido compensado com o débito de mesmo valor declarado no processo 13956M00006/2003-91, não restando, em principio, saldo a restituir/ressarcir. Segundo o julgador a quo, "o interessado optou por ingressar com o pedido eletrônico de ressarcimento n° 01365.31462..141005. 1,1.01-.6986 pleiteando um montante de crédito no valor de R$ 682,676,46, o qual por não coincidir com o saldo supra-citado, não pode ser considerado corno um crédito liquido e certo".. Concluiu, também, que a DRF Maringá/PR agita em conformidade com a Instrução Normativa S.R.F n° 460/2004, artigos 55 e 57, ao não considerar a petição para troca da origem do crédito presumido, cujo teor é transcrito a seguir: Art. 55. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à .51?I'' • documento retificador gerado a partir do referido Programa.. Parágraló único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em ,fOrmulário (Papel), nas hipóteses em que admitida, deverá .ser requerida pelo .sujeito passivo mediante a apresentação à SRE de formulário retificador, o qual será .juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRE. Processo n° 13956 00034612005-83 S3- I . E03 Erro! A origem da referencia niio foi encontrada. n " 3803..00026 Fl. 89 Art. 57. A retificação da Declaração de Compen.sação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de .fOrmuldrio (papel) .somente será admitida na hipótc?se de inexatidões materiai.s verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no ar! .58. Em recurso voluntário, o contribuinte repisa os fundamentos da impugnação. Contudo, não se pode perder de vista que o pedido de ressarcimento originalmente entregue à Receita Federal se restringia a um crédito de R$ 82.558,44. O Crédito Presumido de 113 1 demonstrado no processo 1.3956.000006/2003-91 foi calculado apenas para que a autoridade fiscal se certificasse quanto à efetiva existência do crédito pleiteado pelo contribuinte. Somente a partir da apresentação do PER/DC.0MP é que as compensações correspondentes poderiam ser apresentadas tendo por base o crédito inlbrmado no pedido de restituição/ressarcimento. A solução adequada. nessa situação, que permitiria a formal conformação do pleito à legislação tributária que rege a matéria, seria o contribuinte apresentar Declaração de Compensação retificadora que se reportasse ao PER/DCOMP respectivo, contendo a origem do crédito a ser compensado. No entanto, não se pode olvidar que a presente demanda se originou de manifestação da própria Administração Fazendária no sentido de reconhecer, em despacho decisório fundamentado, o direito do contribuinte a um crédito por ela mesmo apurado, criando-se uma expectativa de direito que se desdobrou na presente controvérsia. Nesse sentido, tendo em vista os princípios da finalidade, da proporcionalidade, da razoabilidade, do interesse público e da eficiência que norteiam a atuação da Administração Pública — art. 2° da Lei n" 9.784/1999 para o deslinde da presente controvérsia, mostra-se mais profícuo que se busque os esclarecimentos necessários à efetiva análise do direito material requerido pelo contribuinte e já sinalizado como existente pela Fazenda Pública. Diante do exposto, DECIDO POR CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DflIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, com vistas a se obterem os seguintes esclarecimentos: a) confirmar a materialidade do(s) crédito(s) -pleiteado(s) constante(s) da PER/DCOMP transmitida eletronicamente pelo contribuinte; b) proceder a levantamento de todos Os PER/DCOMP e de todas as Declarações de Compensação do contribuinte entregues, pendentes ou não de apreciação, relativos ao mesmo período de apuração, confrontando-os com vistas a se identificar a existência comprovada de saldo creditório que cubra o somatório dos débitos passíveis de compensação; c) confirmar se a PER/DCOMP apresentada se refere ao mesmo período de apuração do crédito apurado pela autoridade fiscal no processo n° 13956,000006/2003-91., 9 É como voto. HÉ,I,CIO TAFETÁ REIS lo
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000035/2007-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 14/01/2003
ERRO FORMAL, A descrição incorreta da atividade da empresa, pela
atribuição de CNAE indevido, não caracteriza erro formal,
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESTAQUE NA NOTA FISCAL DA RETENÇÃO, A empresa que presta serviço com cessão de mão-de-obra, deve
destacar na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços o valor a ser retido pelo contratante.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 2403-000.052
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, nas preliminares por unanimidade de votos, em não acatar a tese de vicio formal e em negar a preliminar de decadência pela ocorrência de infração em período não decadente. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 14/01/2003 ERRO FORMAL, A descrição incorreta da atividade da empresa, pela atribuição de CNAE indevido, não caracteriza erro formal, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESTAQUE NA NOTA FISCAL DA RETENÇÃO, A empresa que presta serviço com cessão de mão-de-obra, deve destacar na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços o valor a ser retido pelo contratante. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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Processo n° 14485.000035/2007-32 Recurso n" 166.152 Voluntário Acórdão n" 2403-00.052 — 4° Câmara /3° Turma Ordinária Sessão de 8 de julho de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA HERMAN KLASING LTDA Recorrida DRJ-SÃO PAULO I/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 14/01/2003 ERRO FORMAL, A descrição incorreta da atividade da empresa, pela atribuição de CNAE indevido, não caracteriza erro formal, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESTAQUE NA NOTA FISCAL DA RETENÇÃO, A empresa que presta seviço com cessão de mão-de-obra, deve destacar na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços o valor a ser retido pelo contratante. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4° Câmara / 3' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, nas preliminares por unanimidade de votos, em não acatar a tese de vicio formal e em negar a preliminar de decadência pela ocorrência de infração em período não decadente. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, , . 2 ,_,....,.., CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e Relatar Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado), Cleusa Vieira de Souza (Convocada) e Ewan Teles Aguiar (Convocado), 1 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I, Acórdão 16 – 15,276 - 14a Turma DRJ/SPO I, folhas 48 a 54, que julgou procedente a autuação motivada por descumprirnento de obrigação tributária legal acessória. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF"), folha 4, a autuação refere-se ao fato de a empresa ter deixado de destacar em notas fiscais a retenção de 11%. A relação das notas fiscais sem destaque da retenção está apresentada à folha 6 e o período está compreendido entre 02/99 a 01/03. Em 21/06/2007 a empresa tornou ciência da autuação. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, folhas 58 a 68, onde alega, em síntese, que: 1. Ocorreu a decadência do direito de cobrar a multa aplicada, em relação ao descurnprirnento da obrigação acessória nos períodos de 02.02.1949 a 08.04.2002. 2, Houve erro formal pelo uso do código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE n°4521.7, 3. A recorrente recolheu integralmente as contribuições sociais ao INSS, nos períodos notificados, estando o crédito tributário lançado extinto pelo pagamento. 4. A falta foi corrigida com o efetivo recolhimento da obrigação principal. Portanto, a multa aplicada é improcedente, devendo ser relevada na sua integralidade. Finaliza o recurso requerendo a nulidade do lançamento pelo erro futurai, a desconstituição do lançamento pela decadência, seja reconhecida a abusividade da multa aplicada, uma vez que foram elaboradas folhas de pagamento por construção e requer a relevação da multa, pela correção da alegada infração cometida dentro do prazo da impugnação, acrescentando ao fato de se tratar de infração primária e não haver ocorrências agravantes. É o relatório. 2 Processo n° 14485 000035/2007-32 S2-C4T3 Acórdão n Õ 2403-00,052 Fl. 77 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator PRELIMINARES Decadência: A recorrente alega decadência. No lançamento, para fins de decadência foi aplicada a regra do artigo 45 da Lei 8,212/91„ Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a incanstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiada aplicá-la, Art. 103-A, O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas .federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forina estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extingue-se em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4 0, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173 é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributas cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade 3 administrativa, opera-se pelo ato em que a rveerida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1" O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an- teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3" Os atos a que se refere o parágralb anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação, § 4"Se a lei não . fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício fbrinal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único, O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento," Neste caso concreto, mesmo aplicando o critério mais favorável ao contribuinte, ainda resta a situação da nota fiscal n° 11.092, de 14/01/2003, emitida sem o destaque da retenção de 11%. Como basta 1 evento para caracterizar a infração, esta fica caracterizada com qualquer dos critérios de decadência previstos no CTN, Erro Formal O recurso registra que foi utilizado o código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE n°4521.7, quando o correto é o constante do cartão do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, qual seja, o código de descrição da atividade econômica principal n°41,20-4-00 Registra também que o código utilizado pela fiscalização foi desativado pela Resolução n° 1/2006 do Ministério do Planejamento. Alega que tal erro é erro formal suficiente para a anulação do lançamento. O artigo 173 do CTN prevê a anulação do crédito tributário quando verificado o vicio formal, Art. 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (c.'inco) anos, contados.- / 4 Processo n° 14485 000035/2007-32 S2-C4T3 Acórdão ri' 2403-00M52 Fl. 78 II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Antonio Airton Ferreira, no artigo Normas Gerais de Direito Tributário - Lançamento Anulado por Vício Formal - Novo Lançamento - Alcance da Norma - CTN art. 173, 11, assim define vício formal no contexto do artigo 173 II do CTN: Luiz Henrique Barros de Arruda, com a experiência haurida nos vários anos do exercício das magnas .funções de Auditor-Fiscal, de Coordenador-Geral do Sistema de Fiscalização e de destacado Conselheiro do Egrégio Conselho de Contribuintes, à página 82 do seu Processo Administrativo Fiscal publicado pela Editora Resenha Tributária, define assim o vício formal: "O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. Formalidade é, pois, todo o ato ou .fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da .formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva (Marcelo Caetano, Manual de Direito Administrativo, 10" ed., Tomo 1, 1973, Lisboa." De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, vol IV, Forense, r. ed., 1967, pág 1651, detalha mais essa definição: "As formalidades mostram-se prescrições de ordem legal para feitura do ato ou promoção de qualquer contrato, ou solenidades próprias à validade do ato ou contrato. Quando as .formalidades atendem à questão deforma material do ato, dizem-se extrínsecas. Quando se referem ao !Onda, condições ou requisitos para a sua eficácia jurídica, dizem-se intrínsecas ou viscerais, e habitantes, segundo se apresentam como requisitas necessários à validade do ato (capacidade, consentimento), ou se mostram atos preliminares e indispensáveis à validade de sua formação (autorização patema, autorização do marido, assistência do tutor; curador etc" (grifas acrescidos). As lições desses dois Mestres evidenciam a importância de se estabelecer com rigor a distinção entre formalidade extrínseca e intrínseca, sendo legítimo afirmar que há casos em que a omissão de forma, como, por exemplo, a falta de indicação do dispositivo legal infringido, desde que o fato esteja perfeitamente identificado, por não caracterizar um vício intrínseco , não prejudica a validade do procedimento fiscal, como reconhece pacificamente a nossa jurisprudência administrativa. Todavia, se a ausência de .formalidade for intrínseca ou visceral - a definição do fato tributário, por hipótese - ela determina a nulidade do ato administrativo de lançamento, .fora do contexto do vício .formal O código CNAE, no registro da Previdência, está presente no cadastro das empresas por ser utilizado para verificação do grau de risco das contribuições relativas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão da incapacidade laborativa, que não é objeto do presente lançamento. 5 Portanto, visto que o citado erro não tem as características de essencial e indispensável ao lançamento que gerariam a nulidade, refuto a argumentação presente no recurso. MÉRITO O auto de infração decorre da constatação pela fiscalização que a empresa deixou de destacar em notas fiscais a retenção de 11%, que estava obrigada pelo parágrafo primeiro do artigo 31 da Lei 8,212/91, Art. 31, A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou .fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota .fiscal ou fatura, enz nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5 do art. 33. (Redação dada nela Lei n°9.711, de 1998). § 1' O valor retido de que trata o capta, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuiçôes destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço, LRedação dada peia Lei n°9.711, de 1998). A relação das notas fiscais sem destaque da retenção está apresentada à folha 6 e o período está compreendido entre 02/99 a 01/03, sendo que não são todos os meses do intervalo com notas sem destaque. A empresa alega que recolheu as contribuições e que a falta foi cumprida com esses pagamentos. Para fundamentar a discussão, deve-se apresentar o conceito de obrigação acessória e registrar a previsão legal de que o não cumprimento de obrigação acessória converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.. Para tanto, abaixo transcrevo artigo 113 do CTN. Art. 113, A obrigação tributária é principal ou acessória, .§ 1" A obrigação principal surge com a ocorrência do ,fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2" A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestaçóes, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 6 Processo n° 14485 000035/2007-32 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.052 Fl 79 Entendo estar claro que efetuar registros nas notas fiscais conforme determina a lei é obrigação tributária acessória e que o pagamento das contribuições não substitui os registros que a lei determina. Entendo também que está bem caracterizado que a empresa emitiu nota fiscal sem destaque da retenção de 11% prevista no parágrafo primeiro do artigo 31 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 8 de julho de 2010 (- CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR1— Relator 7
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Numero do processo: 10860.001782/2003-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1202-000.059
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONÇALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Nelson Lósso Filho – Presidente – Orlando José Gonçalves Bueno – Relator – Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donasollo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Flávio Vilela Campos, Nereida Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata-se de Declaração de Compensação formulada em papel, conforme documentos de fls. 1 a 104, cujo protocolo se deu em 30 de abril de 2.003, objetivando a utilização de créditos oriundos de saldo negativo de IRPJ e de CSLL relativos ao exercício de 2002, ano-calendário 2001, no montante de R$ 81.703,67 e R$ 27.963,68, respectivamente. Nas fls. 105 a 107, a Delegacia Regional de Taubaté prolatou seu Despacho Decisório, aduzindo basicamente que a Requerente, tendo optado pelo recolhimento de IRPJ com base no regime de estimativa e/ou suspensão, apura eventuais indébitos através de Balanço Geral somente após o encerramento do período-base. Deste modo, entende que documento hábil à comprovação do indébito tributário é a Declaração apresentada pelo contribuinte. Todavia, em análise aos documentos acostados, constatou que as fichas 12A (Cálculo do IR Sobre o Lucro Real) e 17 (Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FI LHO Processo nº 10860.001782/2003-89 Resolução n.º 1202-00.059 S1-C2T2 Fl. 2 2 Líquido) de sua Declaração de Rendimentos não reconheciam tais indébitos, motivo pelo qual julgou por bem não homologar as compensações declaradas, adotando a seguinte ementa. “ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. EMENTA: SALDO CREDOR NA APURAÇÃO ANUAL DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIO DE 2002. ANO CALENDÁRIO 2001. Não lograda a comprovação do valor do Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, apurado no balanço anual em conformidade com a legislação, não se deve reconhecer o indébito tributário para fins de utilização em procedimento de compensação de débitos de responsabilidade da interessada. Compensação – Somente os créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional podem ser utilizados na compensação de débitos tributários, quando administrados pela RFB e satisfeitas as condições previstas nas normas de regência. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS.” Contra tal Despacho Decisório o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, nas fls. 110 a 615, aduzindo, em síntese, que realmente apurou prejuízos nos anos-calendário de 2.000 e 2.001, tornando impossível o aproveitamento dos créditos gerados, mas que preencheu equivocadamente as DIPJ´s referentes aos anos de 2000 e 2001 e as DCTF´s concernentes aos 1º e 2º trimestres de 2001. Diante disso, procedeu às retificações nas Declarações, juntadas em sede de Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, visando a homologação das compensações efetuadas e declaração definitiva de extinção dos débitos concernentes ao processo administrativo n.º 10860.001782/2003-89. Em face da Manifestação de Inconformidade apresentada, a 4ª Turma de DRJ em Campinas se manifestou, nas fls. 670 a 677, aduzindo que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa tão somente o exame da liquidez e certeza dos repasses dos pagamentos a maior aos cofres públicos. Assim, cabe ao contribuinte, por intermédio de documentação hábil e idônea, comprovar a existência do crédito. Partindo de tal premissa e compulsando os Autos, entendeu a DRJ Campinas pela existência de apenas parcela do crédito, conforme demonstrado pela mesma. Por conseguinte, adotou a ementa infra: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2.001. COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ESTIMATIVAS. A constatação de que houve a apuração das estimativas pela contribuintes nas respectivas fichas da Declaração de Rendimentos, embora o total dela não tenha sido Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FI LHO Processo nº 10860.001782/2003-89 Resolução n.º 1202-00.059 S1-C2T2 Fl. 3 3 informado na Apuração Anual do encerramento do período, caracteriza erro de preenchimento da DIPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ e da CSLL condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução; a identificação, existência e a disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais ou no encerramento do ano-calendário, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações efetuadas, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. Constatada a liquidação parcial das estimativas declaradas por meio da compensação com créditos relativos ao Ressarcimento do IPI, reconhece-se parcialmente o direito creditório pleiteado e homologam-se as compensações até o limite desse direito. Rest/Ress. Def. em Parte – Comp. Homolog. em Parte” Desta decisão o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, constante nas fls. 682 a 696, aduzindo sinteticamente o que se segue. Em relação aos créditos referentes ao IRPJ, o juízo “a quo” identificou um débito de R$ 34.959,73, pois considerou ter-se procedido aos adimplementos de IRRF sem que efetuada qualquer declaração em DIRF ou juntado DARF comprovando o pagamento. Ocorre que a DRJ não se atentou às alegações em sede de Manifestação de Inconformidade, na qual se indicou o pagamento de IRPJ nos valores de R$ 1.218,03 e R$ 35.647,63, acrescidos dos consectários legais, cujas cópias dos DARF´s foram anexadas, pagamentos estes considerados para efeitos de apuração de créditos de IRPJ apurados em 31 de dezembro de 2.001. Com isso, conclui que a diferença apurada pela DRJ foi devidamente quitada por tais DARFs, requerendo pela homologação da diferença não reconhecida em sede de Manifestação de Inconformidade. Quanto aos créditos referentes à CSLL, alega ter efetuado compensação no montante de R$ 22.873,33, por intermédio de pedido de ressarcimento de IPI, e que tal compensação, protocolizada no dia 19/11/01 sob o código 2484, já teria sido homologada tacitamente, pelo decurso de mais de cinco anos do pedido, sem manifestação da autoridade fazendária. Diante de tais argumentos, requer o conhecimento e integral procedência do Recurso Voluntário, para o fim de homologar as compensações efetuadas e decretar a extinção dos débitos relativos a IRPJ e CSLL exigidos nos autos deste processo administrativo É o Relatório. VOTO Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FI LHO Processo nº 10860.001782/2003-89 Resolução n.º 1202-00.059 S1-C2T2 Fl. 4 4 Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a Recorrente se insurge contra a decisão de primeira instância que indeferiu parcela de compensações procedidas, por não ter reconhecido pagamentos realizados a título de IRPJ e compensação procedida, com utilização de créditos de IPI, cuja homologação se deu por ter o Fisco quedado inerte por mais de 5 (cinco) anos do protocolo do Pedido. Assim, dizendo respeito a questões atinentes à convalidação de pagamentos realizados, alegados em sede recursal, cujas averiguações não foram procedidas nas instâncias pretéritas, e que somente podem ser melhor elucidadas se por intermédio de análise minuciosa e confirmatória dos documentos fiscais, em confronto com as informações transmitidas à SRFB, mister se faz a conversão do julgamento em diligência, para elucidação do suscitado em sede de Recurso Voluntário, dando prevalência ao princípio da verdade material , a fim de que seja apresentado ao exame desta instância recursal. Desta feita, cumpre baixar em diligência a fim de que a autoridade de origem certifique o seguinte: - quanto ao IRPJ, conferir e confirmar, ou não, o pagamento de IRPJ nos valores de R$ 1.218,03 e R$ 35.647,63, acrescidos dos consectários legais, cujas cópias dos DARF´s foram anexadas, pagamentos estes considerados para efeitos de apuração de créditos de IRPJ apurados em 31 de dezembro de 2.001, ou seja, na apuração do saldo negativo; - a manifestação quanto aos créditos referentes à CSLL, pois alega ter efetuado compensação no montante de R$ 22.873,33, por intermédio de pedido de ressarcimento de IPI, e que tal compensação, protocolizada no dia 19/11/01, já teria sido homologada tacitamente, pelo decurso de mais de cinco anos do pedido. Após a competente diligência, retorne os autos para a apreciação de mérito do pedido. Eis o meu voto. Brasília, 09 de novembro de 2010. Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FI LHO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.015443/2002-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1202-000.028
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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Recorrida 4' TURMA/DRJ-RECIFE/PE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. NELSON L 8040 - Presidente e Relator.21- EDIT O EM: 10 7 MM 14 I (A 10 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente de turma). Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Géo Verçoza, Orlando José Gonçalves Bueno (Vice presidente de turma), José Sergio Gomes(suplente convocado), Silvana Rescigno Guerra Barreto(suplente convocada). 111 ji , Processo n° 10480.015443/2002-73 SI-C2T2 Resolução n.° 1202-00028 Fl. 2 Relatório. Retoma o recurso a julgamento nesta E. Turma, após cumprimento de diligência determinada na sessão de 28 de julho de 2006, por meio da Resolução n° 108-00.343, com a juntada aos autos das decisões de primeira e segunda instância solicitada, além de apensado o processo n° 10480.014279/2002-87. Por pertinente, para tomar mais compreensíveis as matérias em julgamento, a seguir reproduzo o relatório apresentado naquela oportunidade: "Contra a empresa Premier Produtos Alimentícios Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 167/182, e seu decorrente, CSL, fls. 183/197, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade nos anos-calendário de 1998 a 2002, descrita às fls. 179/182: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termos de intimação, deixou de apresentá-los.' Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolizada em 11 de dezembro de 2002, em cujo arrazoado de fls. 202, alega, em apertada síntese que não foi concedido pra7n razoável para apresentação dos livros contábeis, além do arbitramento do lucro ter gerado uma carga tributária bem acima da realidade, pois não levou em consideração as despesas incorridas. Em 11 de julho de 2003 foi prolatado o Acórdão n°5.390, da 4° Turma de Julgamento da DRI em Recife, fls. 205/210, que considerou procedente o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: MICROEMPRESA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. A empresa que ultrapassar, no ano-calendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 720.000,00 (cento e vinte mil reais) estará excluída do SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real trimestral implica no arbitramento do lucro. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida á receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR11999, acrescidos de vinte por cento. LUCRO ARBITRADO — APURAÇÃO. No regime de apuração do Lucro Arbitrado é utilizado um percentual sobre a receita conhecida para encontrar o lucro da empresa que servirá de base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica. Á diferença entre a receita conhecida e a base de cálculo do imposto c"-.j? 2 Processo n° 10480.015443/2002-73 SI-C2T2 Resolução n.° 1202-00028 Fl. 3 correspondente exatamente a parte considerada pela legislação como custos/despesas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA —CSLL. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. Lançamento Procedente' Cientificada em 30 de julho de 2003, AR de fls. 249, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolizado em 08 de agosto de 2003, em cujo arrazoado de P. 215/219 repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnató ria, agregando, ainda, que não foi cientificada do ato declaratório executivo que a excluiu do regime de tributação do SIMPLES, conforme previsto no parágrafo único do art. 23 da Instrução Normativa n° 250/2002, não sendo assegurado a sua ampla defesa. O auto de infração por arbitramento não poderia ter sido lavrado, uma vez que a recorrente estava cadastrada no SIMPLES, não podendo ser tributada como uma pessoa jurídica normal." É o Relatório. 3 Processo n°10480.015443/2002-73 S1-C212 Resolução m° 1202-00028 Fl. 4 Voto. Conselheiro NELSON LOSSO FILHO Após o cumprimento da diligência proposta pela Resolução n° 108-00.343, da sessão de 28/07/06, foi apensado aos autos o processo n° 10480.014279/2002-87, que controla a exclusão do SIMPLES da pessoa jurídica Premier Produtos Alimentícios Ltda. Pela análise dos elementos constantes do processo n° 10480.014279/2002-87, vejo que ele encontra-se arquivado, haja vista a empresa não ter apresentado impugnação ao Ato Declaratório Executivo n° 189, de 07/11/2002, publicado no DOU em 12/11/02. Em seu recurso, ao se defender do auto de infração para a exigência de tributo, a contribuinte sustenta ter ocorrido cerceamento ao direito de defesa, em virtude de não ter tido ciência regular do ato declaratório excludente do regime beneficiado, dele não se defendendo, não podendo o lançamento fiscal prosperar. Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso voluntário, visto ser necessária a prova da ciência da contribuinte do ato deelaratório que a excluiu do SIMPLES, na forma prevista pelo Decreto n° 70.235/72, não bastando para tal simples publicN- /16 to] atn nn flrn oficio'ela TTti4n. Assim, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência, com o retomo do processo à repartição de origem, para que seja juntado aos autos o documento comprobatório da ciência pela empresa do ato declaratório que a excluiu do SIMPLES. Após a conclusão da diligência, deve ser cientificada a recorrente do seu resultado, abrindo-se prazo para sua manifestação. NELSON L SO L O 4 •
score : 1.0
Numero do processo: 10480.014519/2002-43
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3803-000.055
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior . Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Daniel Mauricio Eedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de RS 27390,83, acumulado no 2" trimestre de 2000, com fundamento no art. I I da Lei n 9 9.779, de 19 de janeiro de 1999, regulamentada pela Instrução Normativa SRF n9 33, de 4 de março de 1999, cumulado com pedido de compensação. A verificação prévia do pleito constatou que o requerente creditava-se da correção monetária, calculada com juros Selic sobre o valor do imposto incidente na entrada de insumos, e dava saída de produtos impressos (calendários), tributados com aliquota positiva, sem destaque do imposto, razão pela qual reconstituiu-se sua escrita fiscal (Demonstrativo nas fls. 196 a 201), expurgando a correção monetária, por falta de previsão legal, e lançando de oficio o imposto não lançado pelo contribuinte por meio do Auto de Infração objeto do processo administrativo n 9 19647.006391/2005-11. Dessa reconstituição emergiu saldo credor menor do que o requerido, redundando em deferimento apenas parcial do ressarcimento, homologando as compensação apenas até onde suportou o direito creditório reconhecido, nos termos do Despacho Decisório de Os. 218. Processo n" 10480.014519/2002-43 S3-1 V.03 Resolução n° 3803-00.1155 ri 286 Sobreveio reclamação, julgada improcedente pela DRI/REC-5" Turma. O Acórdão n2 11-22.577, de 5 de junho de 2008, fls. 255 a 261, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE PRODU1 OS INDUSIRI-ILIZADOS Periodo cie apuração 01/04/200(1 a 30/062000 1P1 SERVIÇOS GRÁFICOS 155 Irrelevante paia dele, minai a incidência do IPI o lato de que serviços prestados pai comi ibuinte estão catalogados em lista anexa ao Decreto-lei o' 406. de 31 de dezembro de 1968 visto que a hipótese de incidéocia do ISS não se confunde com a do I PI - operação que se emacie, iza dentre as modalidades de industrialização pi cristas no Decreto o ° 4 .544, de 26 de dezembro de 2002 (MIN-2002) Solicitação Indeferida Cuida-se agora de recurso voluntário contra a decisão da DRI/REC. O arrazoado de fls. 266 a 274, após síntese dos fatos relacionados, retoma os argumentos já expedidos por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade : a) de que os calendários personalizados que fábrica estão sujeitos exclusivamente ao 1SS, posto que se destinam à utilização pelo consumidor final, e não à revenda no mercado; b) a aplicação da taxa Selic aos saldos credores acumulados está amparada na jurisprudência administrativa, e; c) não há incidência de muita de mota sobre os débitos compensados, tendo em vista que as declarações de compensação foram formuladas antes de qualquer procedimento fiscal, embora depois do vencimento dos débitos, Disserta sobre o perfil constitucional do 1P1 e sobre o critério jurídico para a distinção entre o campo de incidência desse imposto e o do 1SS, articulando excertos de doutrina com a jurisprudência do STJ, do extinto IfR e do Conselho de Comi ibuintes, para fundamentar seu argumento de não-incidência do 1P1 sobre impressos personalizados. No que diz respeito à aplicabilidade da correção monetária sobre o valor dos créditos escriturais, apoia- se em interpretação analógica do art. 39 da Lei n2 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e em jurisprudência administrativa. Conclui, requerendo a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada e o provimento de seu recurso, para o fim de desconstituir a reconstituição da escrita fiscal procedida pela Fiscalização, autorizar o ressarcimento requerido e homologar. integralmente as compensações declaradas, É o Relatório. VOTO Conselheiro Alexandre Kern, Relatar 2 Processo n" I 0480.014519/2152-13 Resolução n 3803110.055 83- [I03 H 287 Presentes os pressupostos recursais, a petição de lis, 266 a 274 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRI-REC-5" Turma n .e. 11-21577, de 5 de junho de 2008. Conforme relatado, a reconstituição da escrita fiscal da qual resultou o saldo credor autorizado ao requerente, ora recorrente, foi controvertida nos autos do processo administrativo n° 19647.006391/2005- k Em consulta ao sistema Comprot, constato que o processo se encontra na SET CAD Dl V ATI VA-PFN-PE desde 30/06/2010. Não há dúvida, a decisão final daquela controvérsia é questão prejudicial para o deslinde do presente litígio, razão pelo qual voto por que se converta o presente julgamento em diligência, baixando-se o processo à origem, para que a autoridade preparadora informe qual foi a decisão final proferida naquele processo e sua eventual repercussão sobre o saldo credor discutido neste plocesso. Sala das Sessões, em 29 de setembro de .2010 Alexandre Kern 3 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção - Terceira Câmara CARF-MF Fl Processo 10480.014519/2002-43 Interessada: FACFORM IMPRESSOS LTDA. Encaminhem-se, de ordem, os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Resolução IV 3803-000.05, de fls.. , e demais providências .5 Brasília, 5 de novembro de 20I0.
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Numero do processo: 13603.002514/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3801-000.241
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRF-Contagem/MG, nos termos da presente Resolução.
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRFContagem/MG, nos termos da presente Resolução. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Magda Cotta Cardozo, Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Daniela Ribeiro de Gusmão, José Luiz Bordignon e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva. Fl. 428DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.002514/200737 Resolução n.º 3801000.241 S3TE01 Fl. 420 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJJuiz de Fora/MG, abaixo transcrito: “Trata o presente processo da DCOMP nº 21073.60643 (cópia às fls. 01 a 21), que informa como lastro da compensação declarada saldo credor do IPI relativo ao 1º trimestre de 2004, apurado pelo estabelecimento 59.128.553/000410 (fl. 02). Para verificação da legitimidade dos créditos alegados foi instaurado procedimento fiscal cujos resultados estão consolidados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 25 a 31. A auditora fiscal constatou que a contribuinte deixou de destacar o IPI nas vendas de emulsões asfálticas e asfaltos modificados por polímeros, produtos classificados sob o código 2715.0000, sujeitos à alíquota da 5% na TIPI. Os valores do IPI que deixaram de ser destacados foram apurados pela fiscalização. Após reconstituição da escrita fiscal do imposto (cópia às fls. 24), com adição dos débitos levantados pela auditora, os saldos credores originalmente apurados se converteram em saldos devedores, cujos valores foram exigidos por intermédio de Auto de Infração, processo 10976.000603/200801. Em decorrência dos saldos devedores apurados na reconstituição da escrita fiscal, a auditora opinou pelo indeferimento do pedido em sua totalidade (fl. 31), o que foi seguido pelo Despacho Decisório de fls. 38 a 40. Em 12/05/2009 a requerente protocolou a manifestação de inconformidade de fls. 46 a 58 discordando da nãohomologação da compensação declarada. Requereu, inicialmente, a suspensão da exigibilidade do débito que resultou da nãohomologação da compensação declarada. Quanto à defesa do direito creditório, seus argumentos são focados no entendimento de que os produtos que industrializa conceituamse como derivados de petróleo, estando albergados pela imunidade conferida pelo art. 155, § 3º, da Constituição Federal.” Analisando o litígio, a DRJJuiz de Fora/MG considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 387/388), conforme ementa abaixo transcrita: SALDO DEVEDOR. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. A apuração de saldos devedores do IPI em reconstituição da escrita fiscal, após computar débitos apurados pela fiscalização, impossibilita o reconhecimento do direito creditório originalmente apurado pela contribuinte. Às fls. 393 a 417 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • A suspensão requerida se refere ao próprio processo de crédito, que não deve ser objeto de análise até a conclusão definitiva do processo de nº 10976.603/200801, ao qual se vincula; Fl. 429DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.002514/200737 Resolução n.º 3801000.241 S3TE01 Fl. 421 3 • O processo indicado, no qual foi apropriado o crédito pleiteado, encontrase sob debate na instância administrativa, razão pela qual o crédito a ele correspondente encontrase com a exigibilidade suspensa; • O Acórdão nº 0926.344, proferido naqueles autos, reconheceu a decadência do período entre 07/2003 e 11/2003, excluído da exigência o valor de R$ 220.487,87, o que exigiria nova recomposição da escrita fiscal da recorrente, que pode corresponder a reconhecimento de seu direito de crédito; • Nesse sentido, necessária a conversão do presente julgamento em diligência, para a devida recomposição, uma vez que a decadência reconhecida em relação ao lançamento não se aplica ao crédito, utilizado pela recorrente no prazo de cinco anos; • Assim, requerse a realização de diligência; • A particularidade do presente caso exige sua discussão no âmbito administrativo, para comprovar que faticamente os produtos comercializados pela recorrente são derivados de petróleo, enquadrados na previsão constitucional de imunidade; • Privar a recorrente da apreciação de suas razões no âmbito administrativo mostrase como violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa; • Descabida a alegação do acórdão recorrido, pois, tratandose de matéria que foge à análise exclusivamente jurídica, essencial sua análise; • Para fins do disposto no artigo 155, § 3º, da Constituição, os asfaltos emulsificado e modificado comercializados pela recorrente têm natureza de derivado de petróleo, como define a ANP, por meio da Resolução nº 2/2005, entendimento já referendado pela RFB; • O antigo DNC também reconhece a inclusão de tais produtos na imunidade citada; • Tal questão já foi objeto de perícia, em razão de auto de infração lavrado contra a empresa, tendo o CC determinado a realização de diligência, produzindose laudo pericial emitido pelo IPR, cujos trechos são transcritos; • O Decreto nº 4.544/2002 não restringiu a derivação de petróleo a um modelo de imediaticidade na qual, qualquer processo posterior à passagem pela torre de refino representaria descaracterização do derivado básico de petróleo; • O referido Decreto lança os conceitos de derivação e refino, sem lhes dar definições; • Quanto ao refino, apenas a Lei nº 9.478/97 o caracteriza como um conjunto de processos; Fl. 430DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.002514/200737 Resolução n.º 3801000.241 S3TE01 Fl. 422 4 • Ainda que se adotasse a tese da RFB, a imediaticidade não poderia ser negada a tais produtos, pois o cimento asfáltico, uma vez agregado ao emulsificante ou ao polímero, não deixa de ser asfalto, pois tais operações não o reconstituem como asfalto, mas apenas viabilizam o transporte e aplicação; • Entender de forma diversa, significaria que a imunidade não seria do produto, mas exclusivamente da refinaria; • O asfalto emulsificado é constituído pelo Cimento Asfáltico Petrificado, comercializado pela Petrobras com imunidade, sendo adicionados água e emulsificante, a fim de mantêlo em estado líquido, permitindo seu transporte e manuseio; • Não há como negar a condição de hidrocarbonetos que o RIPI faz remissão, pois, conforme laudo, os produtos em tela são constituídos de hidrocarbonetos; • Relativamente à constituição dos produtos, a mera existência do termo “predominante” prova que a pura constituição de hidrogênio e carbono não é fato que defina os hidrocarbonetos, mas sim a constituição hegemônica destas substâncias; • A recorrente tem direito ao creditamento de valores adquiridos quando da aquisição de insumos, pouco importando que estes sejam imunes, isentos ou não tributados, conforme decisões transcritas do CC e do STJ; • A nãocumulatividade do IPI não se sujeita a nenhuma limitação constitucional; • O direito ao creditamento nascido com a aquisição de insumos desonerados não depende de lei que o regule, sendo conseqüência das disposições constitucionais sobre o IPI. É o relatório. Voto O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O presente processo tem origem, como visto, em declaração de compensação apresentada pela recorrente (fls. 01 a 21), na qual a empresa informa como origem do direito creditório valores de IPI a serem ressarcidos. Às fls. 25 a 31 consta termo de verificação, elaborado pela autoridade fiscal em decorrência da verificação, na escrita fiscal da requerente, da procedência da compensação pretendida, concluindo, relativamente ao período objeto do presente pedido (1º tri/2004), não haver valores a serem ressarcidos, negandose, portanto, o pedido. Fl. 431DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.002514/200737 Resolução n.º 3801000.241 S3TE01 Fl. 423 5 Em decorrência, após a reconstituição da escrita fiscal, foi efetuado lançamento, por meio do processo nº 10976.000603/200801 (fls. 97 a 161), para exigência do imposto apurado. Tal diferença tem origem na classificação fiscal dos produtos “emulsões asfálticas” e “asfaltos modificados”, para os quais, até o período dez/2006, a empresa emitia notas fiscais de saída sem o destaque do IPI. A autoridade fiscal, no entanto, entendeu ser aplicável a tais produtos a alíquota de 5%, observando, ainda, que a empresa ajuizou a Ação Ordinária nº 2006.34.00.0192504 (1901647.2006.4.01.3400), objetivando ver reconhecida a imunidade tributária para os referidos produtos, tendo sido indeferida a antecipação de tutela, bem como negado provimento ao agravo de instrumento interposto. Nos autos do processo nº 10976.000603/200801 foi proferido acórdão pela DRJ/Juiz de Fora – MG (fls. 382 a 386), considerando parcialmente procedente o lançamento, excluindo alguns períodos de apuração em razão da decadência do direito de lançar. Atualmente, o processo se encontra no CARF para julgamento de recurso voluntário, tendo sido incluído em sessão realizada em março/2011, cuja decisão ainda não se encontra disponibilizada no sítio daquele órgão. Como se vê, a não homologação da compensação pleiteada no presente processo decorre diretamente dos fatos e conclusões constantes do termo elaborado pela autoridade fiscal, bem como da manutenção do lançamento de IPI efetuado por meio do processo nº 10976.000603/200801. Mantidas as glosas realizadas pela autoridade fiscal na apuração do IPI feita pelo contribuinte, serão exigíveis os valores deste imposto objeto daquele processo, assim como deverá ser mantida a não homologação da compensação requerida nos presentes autos. Assim, os fundamentos de fato e de direito que basearam a negativa em análise são os mesmos que fundamentaram aquele lançamento. Deste modo, não há como ignorar a conexão entre o presente processo e aquele. Em decorrência, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de origem para: 1. Aguardar a decisão administrativa definitiva a ser proferida nos autos do processo nº 10976.000603/200801, juntando cópia ao presente processo; 2. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Fl. 432DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13975.000313/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.380
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10510.904226/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.293
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Andrea Medrado Darze. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904226/200921 Resolução n.º 3801000.293 S3TE01 Fl. 2 2 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSalvador/BA (fl. 22v), abaixo transcrito: A interessada transmitiu em 27/03/2008 o PERDCOMP eletrônico 39777.60521.270308.1.3.041372 visando utilizar R$17.223,74 do DARF do tributo de código de receita 5856, período de apuração relativo a fevereiro/2004, no valor total de R$30.702,28, na compensação de débito declarado. A DRF/Aracaju emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl.05) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls.08/09) alegando que o débito correto do tributo recolhido indevidamente era de R$12.555,05, este que foi objeto da DCTF retifícadora, conforme recibo de entrega n° l 4.24.17.76.6000. E, assim, considerandose o recolhimento efetuado no vencimento, há um crédito no valor de R$18.147,23, utilizado parcialmente no PER/DCOMP ora em litígio, devendose homologar a compensação declarada.” Analisando o litígio, a DRJSalvador/BA entendeu por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade e não homologar a compensação declarada (fls. 22), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2004 DCTF RETIFICADORA POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. COMPENSAÇÃO. Deixase de homologar a compensação quando não comprovado o crédito objeto do PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Às fls. 34 a 48 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em síntese: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904226/200921 Resolução n.º 3801000.293 S3TE01 Fl. 3 3 • Decadência do direito do fisco de cobrar os débitos objeto do pedido de compensação; • O erro de preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada, não pode ensejar na ausência de reconhecimento do pagamento indevido ou maior realizado pelo contribuinte; É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904226/200921 Resolução n.º 3801000.293 S3TE01 Fl. 4 4 VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Sem maiores delongas, de pronto, devese afastar o pedido de perícia apresentado no Recurso de Voluntário, uma vez que o Recorrente deixou de apresentar quesitos e a qualificação do assistente técnico, nos termos do artigo 16, inciso IV do Decreto 70.235/72. Confirase a redação do referido artigo: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Por outro lado, corrobora com o indeferimento do pedido de perícia o fato de o Recorrente não ter formulado tal pedido quando apresentou sua Manifestação de Inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Aracajú, nos termos do citado artigo do Decreto que rege o procedimento administrativo fiscal. Com relação à preliminar de decadência argüida no Recurso Voluntário, também não assiste razão ao Recorrente. Explicase. O Recorrente, ao apresentar declaração de compensação junto à Receita Federal, pretendia pagar débitos de “CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal” (código 248401), cujos fatos geradores se deram em Janeiro de 2008, com créditos de “PISFaturamento” (código 8109), que foram, ao argumento do Recorrente, indevidamente recolhidos em 14/11/2003. Como se denota dos autos, a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracajú, que não homologou a compensação apresentada pelo Recorrente, foi emitida em 07/10/2009, sendo este cientificado em 27/10/2009 (fls. 05 a 11). Sem adentrar no mérito da aplicação, in casu, do artigo 150, § 4º ou do artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda cobrar, em 07/2009, supostos débitos, cujos fatos geradores se deram, repitase, em Janeiro de 2008. Não se pode admitir qualquer argumentação no sentido de que o que se discute na compensação é a existência ou não de créditos, já que a decisão combatida pelo Recorrente Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904226/200921 Resolução n.º 3801000.293 S3TE01 Fl. 5 5 cobra débitos que, ao entender da fiscalização, não foram pagos por ausência de créditos passíveis de serem compensados. Por tal motivo, fica claro a inocorrência do instituto da decadência no presente caso. Com relação ao mérito, conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA), sob o argumento de que “ (...)DCTF retifícadora não produz efeitos quando o contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme prevê o inciso III do § 2 o do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007. Assim, quando da transmissão e da análise do PERDCOMP em tela, o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito declarado pela contribuinte...” (fl. 29). Ocorre, contudo, que o Recorrente, como demonstrado tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário ora analisado, retificou a sua DCTF, para ali constar que não era devido o PIS e que, por isso, os valores recolhidos seriam indevidos, sendo, assim, passíveis de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto, a princípio, o Recorrente faria jus aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Aracajú. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Salvador (BA) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904226/200921 Resolução n.º 3801000.293 S3TE01 Fl. 6 6 Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... ....... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904226/200921 Resolução n.º 3801000.293 S3TE01 Fl. 7 7 No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 302 39947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904226/200921 Resolução n.º 3801000.293 S3TE01 Fl. 8 8 negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser consideradas, in casu, as Declarações retificadas pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Aracajú, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados na compensação não foram utilizados para o pagamento de outros tributos e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que constam anexados aos Autos, a DIPJ retificada (fl. 15 e 16), bem como o comprovante de pagamento do DARF, cujo crédito foi utilizado pelo Recorrente. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/SalvadorBA, sob a alegação de ter sido elaborada posteriormente ao indeferimento da compensação, além de ter sido apresentada sem outros documentos comprobatórios do direito do Recorrente. Desta forma, indeferindo o pedido de perícia formulado, bem como a preliminar de decadência; tendo em vista o acima exposto e o fato de não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/AracajúSE para: 1. Apurar se os valores dos créditos indicados pelo Recorrente em sua compensação não foram utilizados para o pagamento de outros tributos; 2. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10680.721770/2013-64
Data da sessão: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2009
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR MÉDIO DAS DITR. SIPT. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Não cabe a manutenção do arbitramento do VTN com base no valor médio das DITR do município (SIPT), quando não for considerada a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 2402-008.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-008.890, de 2 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10680.721441/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2009 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR MÉDIO DAS DITR. SIPT. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Não cabe a manutenção do arbitramento do VTN com base no valor médio das DITR do município (SIPT), quando não for considerada a aptidão agrícola do imóvel. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-008.890, de 2 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10680.721441/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Luís Henrique Dias Lima. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório excertos do relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 70 /2 01 3- 64 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.14083.CGWS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.898 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.721770/2013-64 Trata-se de recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), Exercício: 2009, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Serra do Maquiné”, cadastrado na RFB sob o nº 1.543.569-5, com área declarada de 2.224,2 ha, localizado no Município de Caeté/MG, decorrente da glosa da área de reserva legal de 462,7 ha, além de alterar, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, com consequentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável. Intimada, a Contribuinte apresentou impugnação, acompanhada de documentos probatórios. O órgão julgador de primeira instância administrativa deu parcial provimento à impugnação, conforme sumarizado na ementa do acórdão proferido: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Improcedente a arguição de nulidade quando a Notificação de Lançamento contém os requisitos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as hipóteses do art. 59, do mesmo Decreto. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Comprovado nos autos a averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, ratificando o dado informado no Ato Declaratório Ambiental (ADA), cabe considerar tal área para fins de exclusão do cálculo do ITR/2010. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT - NBR 14.653-3), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Impugnação Procedente em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte O parcial provimento se deu sobre o reconhecimento da área de reserva legal, que destaca-se: Desta forma, cabe restabelecer, para fins de exclusão do cálculo do ITR/2010, a área de reserva legal declarada de 462,7 ha, glosada pela fiscalização sob a alegação de falta de averbação tempestiva dessa área à margem da matrícula do imóvel, por essa restar comprovada nos autos. Intimada, a Contribuinte interpôs o recurso voluntário em exame no qual protestou pela reforma da mesma. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.14083.CGWS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.898 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.721770/2013-64 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da Admissibilidade do Recurso Voluntário O recurso voluntário (fls. 137-144) é tempestivo. Logo, dele conhecerei. Do Valor da Terra Nua Sobre o Valor da Terra Nua, a Recorrente alega que a autoridade fiscal valeu-se de critérios subjetivos ao proceder ao arbitramento do valor da terra nua pela aplicação do SIPT, que, na verdade, trata-se de sistema supostamente estabelecido com base no artigo 14 da Lei nº 9.393/96. Constata-se dos artigos 2º e 3º da Portaria SRF nº 447/02, que aprova o aludido sistema, que a RFB não franqueia o acesso ao contribuinte aos dados nele inseridos, o que impossibilita que ele confira as informações levantadas, os cálculos efetuados e se cumprem efetivamente os critérios legais, afrontando, assim, o princípio da legalidade e o próprio direito de defesa do contribuinte. Neste ponto, entendo que assiste razão à recorrente. O SIPT - Sistema de Preços de Terras, como importante instrumento de atuação do Fisco na fiscalização do ITR, possui bases legais que justificam a sua existência, qual seja o artigo 14 da Lei n° 9.393/96. Contudo, o fato de ter previsão em lei não significa, em absoluto, uma legitimidade incondicional. Muito ao contrário. A mesma lei que o legitima também prevê o seu regramento. Ou seja, os seus limites. Nessa linha, o próprio regramento do Sistema de Preços de Terra - SIPT prevê que as informações que comporão o sistema considerarão levantamentos realizados pelas Secretárias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, e o objetivo desse direcionamento, é, evidentemente, realizar o princípio da verdade material, tão caro ao Direito Tributário. Assim é que para que dispõe o artigo 14, da Lei nº 9.393/96 o seguinte: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.14083.CGWS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.898 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.721770/2013-64 § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. O artigo 12, inciso II, § 1º, a Lei nº 8.629/93, assim prevê: Art. 12. Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I - localização do imóvel; II - aptidão agrícola; III - dimensão do imóvel; IV - área ocupada e ancianidade das posses; V - funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1 o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder-se-á à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendo-se o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2 o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3 o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. Com efeito, da tela SIPT juntada aos autos à fl. 11, apenas consta um valor de VTN/ha regional, todavia sem qualquer menção à aptidão agrícola: E, neste caso, entendo que assiste razão à Recorrente, pois ao observar os extratos que serviram de base para a fiscalização arbitrar o VTN do ITR, verifiquei que consta apenas o VTN médio apurado com base na localização (fl. 10), não havendo qualquer informação que considerasse a aptidão agrícola para fins de arbitramento. Neste caso, com base nos extratos anexados aos autos, nota-se que o arbitramento do VTN realizado pela fiscalização, não levou em consideração a aptidão agrícola e utilizou para o lançamento o VTN médio das declarações entregues no município. Portanto, entendo que a fiscalização não cumpriu o mandamento legal do disposto nos artigo 14, § 1°, da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, c/c com o artigo 12, da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, quando Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.14083.CGWS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.898 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.721770/2013-64 utilizou, para efeito do arbitramento, o VTN médio informado no SIPT, sem levar consideração o fator de aptidão agrícola. Além disso, o VTN, da forma como foi arbitrado, não tem utilidade para sustentar a recusa do valor declarado pela recorrente, tornando irrelevante a questão da não apresentação do laudo técnico de avaliação e assim restabelecer o VTN declarado pela empresa. Ademais, acrescenta-se que o fundamento para restabelecer o VTN declarado pela recorrente, quando a fiscalização arbitrou o VTN pelo SIPT e não levou em consideração o fator aptidão agrícola, pode ser corroborado pelo acórdão nº 9202007.251 proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Oportuno, apresento outro julgado no mesmo sentido: Numero do processo: 11070.720030/2007-11 Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 BRT 2019 Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 BRT 2019 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar, após a entrega da DITR. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO APRESENTADO. LAUDO TÉCNICO. DOCUMENTOS INFORMATIVOS. NÃO SUBSTITUI O ADA. O laudo técnico bem como outros documentos informativos apresentados não suprem a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR MÉDIO DAS DITR. SIPT. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Não cabe a manutenção do arbitramento do VTN com base no valor médio das DITR do município (SIPT), quando não for considerada a aptidão agrícola do imóvel. JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. A doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado com decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ em matéria infraconstitucional, não vinculam o julgamento na esfera administrativa. LEGALIDADE. OBRIGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DO ADA. PRINCÍPIO DA Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.14083.CGWS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-008.898 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.721770/2013-64 VERDADE MATERIAL. NÃO DESOBRIGA. Não cabe aplicar o princípio da verdade material para desobrigar o contribuinte de cumprir uma obrigação legal, qual seja, entrega do ADA. TAXA DE JUROS. SELIC. APLICAÇÃO.LEGALIDADE. Está correto o procedimento fiscal de exigir juros calculados com base na taxa Selic, contados desde a data do vencimento do tributo não pago pela contribuinte. Numero da decisão: 2202-005.027 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado pela recorrente, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento integral ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, que manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. - Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte FIlho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA Assim, voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para manter o valor do VTN declarado pela Recorrente. Face ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente Redator Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.14083.CGWS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VILMA SANTOS DA GRACA em 06/11/2020 17:38:00. Documento autenticado digitalmente por VILMA SANTOS DA GRACA em 06/11/2020. Documento assinado digitalmente por: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA em 07/11/2020. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/02/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0222.14083.CGWS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: CD544BFD98077E9F6435C58A25BA31A04DF4EFB1FC8C7BD3B432759548ACCD78 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10680.721770/2013-64. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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