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Numero do processo: 11020.000607/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO LEIS
Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03.
O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos.
Numero da decisão: 3402-001.677
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, deu-se provimento parcial para reconhecer o creditamento de óleo combustível, de peças gastas no processo produtivo e material de embalagem. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva que davam também o direito a compensação do crédito referente à aquisições de cooperativas.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, deuse provimento parcial para reconhecer o creditamento de óleo combustível, de peças gastas no processo produtivo e material de embalagem. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva que davam também o direito a compensação do crédito referente à aquisições de cooperativas. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 226/244) contra o Acórdão DRJ/POA nº 1031.825 de 26/05/11 constante de fls. 200/220 exarado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre RS que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 149/171, mantendo o Despacho Decisório (fls. 106) e respectivo Relatório de Verificação fiscal (fls. 99/105) da DRF de Caxias do Sul RS, que indeferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento de COFINS nãocumulativo apurado no 3º trimestre de 2008. O r. Despacho Decisório (fls. 106) e respectivo Relatório de Verificação fiscal (fls. 99/105) da DRF de Caxias do Sul RS, conclui pela glosa PARCIAL do crédito, aos seguintes fundamentos: “III. DESCRIÇÃO DAS IRREGULARIDADES FISCAIS CONSTATADAS 3.1 Dos valores lançados no DACON vs. memória de cálculo apresentada Em atendimento à Intimação da Fiscalização, a contribuinte apresentou, em formato eletrônico, arquivos referentes a memória de cálculo, na qual demonstra na forma de itens de notas fiscais e/ou lançamentos contábeis a origem do crédito lançado nos DACONs, bem como na contabilidade da empresa. Juntamente, foi solicitado que, acaso fosse constatado, com base na legislação vigente à época, o creditamento indevido de itens por parte da mesma, que os mesmos poderiam já ser excluídos na memória de cálculo apresentada, fazendo constar esta exclusão na documentação apresentada. Dessa forma, com base na memória de cálculo, bem como na documentação apresentada pela própria empresa, chegamos aos seguintes valores iniciais de base de cálculo de créditos, sobre os quais passamos a fazer nossa análise nos demais itens deste relatório. ...... Cabe ressaltar que na tabela acima estão computados tão somente os valores referentes aos créditos básicos, de PIS/COFINS, ou seja, aqueles lançados nas linhas 1 a 13 das fichas 06A e 16A, respectivamente. Os valores referentes ao crédito presumido estão resumidos abaixo: .... Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 3 3 Ressaltamos que o valor do crédito presumido referente ao mês de outubro de 2008 foi limitado àquele informado no DACON do contribuinte. Ainda, lembramos que o crédito solicitado no PERDCOMP deve estar sempre limitado àqueles valores contidos no DACON. 3.2 Apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis, despesas diversas, bens sujeitos à alíquota zero. Com base nos itens discriminados na memória de cálculo entregue pelo contribuinte e nas demais informações prestadas não consideramos na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade os custos e despesas relacionados a bens que não podem ser considerados insumos à luz da legislação vigente de PIS/COFINS nãocumulativos, pois não atendem, portanto, aos requisitos do inciso II, do art. 3º das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, In verbis: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;. (...) (grifo nosso) O inciso II, do art. 3º das Leis 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002, coloca como prérequisito que o bem ou serviço seja utilizado como insumo na produção de bens ou produtos destinados à venda. O conceito de insumo, por sua vez, é definido no § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002 (com as alterações da Instrução Normativa SRF n° 358, de 2003) e no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF n° 404, de 2004, como: § 4º. Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 4 4 Dessa forma não aceitamos na inclusão da base de cálculo dos créditos as seguintes despesas; 3.2.1 Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção) Através das verificações realizadas in loco, quando da visita à empresa para verificação dos créditos referentes aos anos calendário de 2006 e 2007, constatamos que o contribuinte utiliza empilhadeiras para diversos fins; descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maças na saída dos produtos do estabelecimento. Esta mesma informação também é confirmada pela empresa em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 22/02/2010. Neste mesmo termo, solicitamos, caso existente, a forma de apropriação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras face os diversos setores de atuação das mesmas. Em resposta, o contribuinte, informou que não possuía nenhuma forma especial de apropriação destes custos, despesas e respectivos créditos, pois entende que as empilhadeiras atuam no processo produtivo (packing e carregamentos). Este não é o entendimento desta fiscalização, pois, além de ser a empilhadeira utilizada para o mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã) a mesma é utilizada após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição). Nesta hipótese inexiste previsão legal para creditamento. Mesmo assim, questionamos a existência ou não de segregação de custos associados a estas diferentes funções, para que, acaso fosse superada a questão de ser ou não a empilhadeira um equipamento utilizado diretamente na produção e, portanto, operação que permitiria o creditamento, fosse possível agregar ao crédito somente o valor realmente utilizado na produção. Em resposta, o contribuinte não traz elementos que permitam realizar tal segregação. Pela análise da contabilidade do contribuinte também não encontramos nenhum tipo de segregação neste sentido. Dessa forma, retiramos da base de cálculo dos créditos todas as despesas vinculadas às empilhadeiras (combustíveis, partes e peças e serviços de manutenção), estando discriminado todos itens no Anexo II deste relatório. 3.2.2 Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção A aquisição de combustíveis e lubrificantes constitui parcela vultosa do total de créditos escriturados pela contribuinte, de acordo com a memória de cálculo apresentada pela contribuinte. Durante a execução da diligência fiscal à empresa para verificação dos créditos referentes aos anos calendário de 2006 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 5 5 e 2007, constatamos que grande parte destes combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores. Contudo, há de se lembrar que a contribuinte utiliza tais tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Tal constatação é embasada pelas informações contábeis da empresa, em especial no grupo de contas 13214 IMOBILIZAÇÕES EM ANDAMENTO. Analisando o razão das contas de nível inferior (nível 5), constatamos que nas contas referentes aos pomares ainda não produtivos existem lançamentos a débito cujas contrapartidas estão localizadas nas contas de estoque, em especial na conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Ou seja, a contribuinte adquire os combustíveis e lubrificantes, realizando um lançamento a crédito em fornecedores e a débito nas contas de estoque e PIS/COFINS a recuperar. Contudo, parcela deste estoque de combustíveis não é efetivamente utilizada como insumo, pois acaba destinada ao ativo imobilizado. Dessa forma, não pode a empresa solicitar o crédito relativo à parcela dos combustíveis que acaba sendo imobilizada, uma vez que terá o direito apenas quando da efetiva entrada em produção do pomar, através das respectivas cotas de depreciação, se for o caso. Assim, foi intimada a contribuinte a apresentar a segregação do uso dos combustíveis e lubrificantes identificando o local de consumo dos mesmos (máquina, trator, empilhadeira, pomar em produção, pomar em imobilização, etc.), juntamente com a descrição da efetiva utilização no processo produtivo da empresa. Em resposta, trouxe planilha eletrônica representativa do razão da conta 11701009, detalhando por área (em valor e em percentual) a baixa pelo consumo no mês. (arquivo magnético COMBUSTIVEIS11701009.xls) Da resposta da contribuinte extraise a seguinte destinação aos combustíveis e lubrificantes aqui discutidos: • Unidade de Queijo • Unidade de Classificação de frutas • Maça em formação • Unidade de Leite • Máquinas pesadas (MAPE) • Unidade de Mudas • Unidade de uvas • Pomares em imobilização Dentre as destinações dadas aos combustíveis verificase que parcela é destinada aos pomares em imobilização e para a oficina de máquinas pesadas (MAPE), sendo que nesta última é Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 6 6 possível afirmar que parte do consumo destes combustíveis e lubrificantes acaba também por ser imobilizada, conforme será explanado no item 3.2.4. Assim, de maneira análoga ao procedimento previsto no inciso II do parágrafo 8º do art. 3º das Leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, método este adotado pela contribuinte, consoante memória de cálculo e DACONs apresentados (a contribuinte lança os valores de crédito com base nos percentuais das receitas apuradas no mês), aplicamos aos valores de aquisição de combustíveis e lubrificantes constantes da memória de cálculo apresentada os percentuais de combustíveis e lubrificantes destinados às unidades produtivas (queijo, classificação, maçã, leite, mudas e uvas), conforme tabela abaixo. Os valores finais, referentes a combustíveis e lubrificantes, após a aplicação dos percentuais estão dispostos na forma do Anexo I. ........ 3.2.3 Produtos sujeitos à alíquota zero O contribuinte, no período, de acordo com a memória de cálculo apresentada, bem como por base em resposta à intimação relativa a análise de créditos de 2006 e 2007 (cópia em Anexo), apura créditos sobre aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero (vide tabela abaixo), consoante art. 1º da Lei 10.925, de 2004, os quais não podem ser incluídos na base de cálculo dos créditos face à expressa proibição constante do inciso II, §2° do art. 3º das Leis n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. Os bens e respectivos valores não aceitos pela fiscalização estão dispostos no Anexo II deste relatório. ..... 3.2.4 Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, despesas diversas) O contribuinte, no período sob análise, registra créditos sob a rubrica "Outras Operações com Direito a Crédito" em seus DACONs. Através da análise da memória de cálculo, constatase que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Questionada sobre a base legal para o creditamento, trouxe: "inciso II do artigo 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF 247/02 (artigo 66, §5°, I e II, inserido pela IN n° 358/03) e n° 404/04 (artigo 8°, §4°, I e II)(parte retirado de voto em recurso junto ao Conselho de Contribuintes)". Além disso também apresentou as Soluções de Consulta SRRF9 480/09 e SRRF 10 n° 138/08, bem como Solução de Divergência COSIT n° 35/08. Além da pretensa base legal do creditamento, trouxe também a contribuinte, nova memória de cálculo adicionando colunas para o número do bem aplicado, a descrição do bem, centro de custo, bem como a respectiva descrição de cada um dos itens inclusos como "Outros créditos". Da análise desta nova memória de Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 7 7 cálculo não encontramos hipóteses legais para creditamento, conforme análise abaixo: • Centro de custos MAPE (máquinas pesadas), MACE (manutenção civil e elétrica), DIFR e MANU: as despesas vinculadas a estes centros de custos, são direcionadas, em parte, ao ativo imobilizado, conforme lançamentos extraídos de contas do grupo 13214, não contendo assim a qualidade essencial de insumo. Através da análise da contabilidade apresentada, bem como dos demais documentos, não é possível realizar a segregação desta parcela direcionada ao ativo imobilizado; • Conservação de veículos: as despesas incluídas na memória de cálculo a título de conservação de veículos (Gol, Ford Courier, Kombi, Santana, Meriva, Fiat Strada e Saveiro, entre outros) não podem ser admitidas, pois não tratamse de máquinas e equipamentos que respondem diretamente pela produção. Além disso, parcela destas despesas estão incluídas no centro de custos MAPE (vide explanação acima); • Bens destinados a estoque/oficinas de maneira ampla, sem detalhamento de sua destinação, materiais de limpeza e higienização (detergentes, sabonetes, hipoclorito de sódio), manutenção de instalações (colchão, areia, tinta, cerca elétrica, entre outros), bins, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório: estas despesas não foram aceitas por não configurar nem insumo, tampouco despesas de manutenção com máquinas e equipamentos que respondam diretamente pela produção; • Medicamentos. • Vinho Assim, pelos motivos aqui expostos procedemos à glosa desses valores destas despesas lançadas na rubrica "Outras Operações com Direito a Crédito". Algumas das despesas acima referidas, lançadas pelo contribuinte nesta rubrica, também foram lançadas na rubrica "Bens utilizados como insumo", sendo que estas, pelos mesmos motivos aqui expostos também não foram consideradas. Além dos valores lançados na rubrica "Outras Operações com Direito a Crédito" também não aceitamos os seguintes bens lançados na rubrica "Insumos Linha 2": estacas e fita para enxertia bens que devem ser destinados ao imobilizado; decalco de caminhão, areia, palitos, lonas, materiais de limpeza e higienização e vinhos bens que não tem as características de insumo. A relação de bens e respectivos valores não aceitos pela fiscalização está contida no Anexo II deste relatório. Também não consideramos na base de cálculo de créditos os materiais classificados pelo contribuinte como sendo materiais de embalagem, mas que na verdade são meramente embalagens Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 8 8 de transporte, pois não é possível classificar tais embalagens dentro das hipóteses previstas no art. 3º das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, seja como insumo da produção (inciso II), seja como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). No que tange às embalagens temos que levar em conta dois tipos distintos de embalagem: a de apresentação e a de acondicionamento para transporte, conceitos estes sólidos na legislação do IPI, os quais são perfeitamente aplicáveis ao presente caso, pois separam a embalagem que pode ser considerada insumo da produção daquela que não o pode, No regulamento do IPI, em seu art. 6º, a embalagem para acondicionamento de transporte é definida como sendo aquela cujo acondicionamento atende, cumulativamente, as condições de ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, além de ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. O material de embalagem que não atender estas condições poderá ser considerado como embalagem de apresentação. Desta forma, não podemos classificar como embalagens utilizadas como insumos os seguintes bens incluídos pelo contribuinte (nas linhas 13 Outros valores e 2 insumos): • Cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; • Pallets e seus acessórios pregos e etiquetas utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; • Fitas/Amarras utilizados para "amarrar" as caixas de papelão sobre os pallets. Todos os valores e bens não aceitos pela fiscalização nos itens 3.2.1 a 3.2.5 acima referidos estão listados no Anexo II deste relatório, com exceção dos relativos a combustíveis e lubrificantes item 3.2.2 que se encontra na forma do Anexo I. 3.2.5 Materiais de transporte Também não consideramos na base de cálculo de créditos os materiais classificados pelo contribuinte como sendo materiais de embalagem, mas que na verdade são meramente embalagens de transporte, pois não é possível classificar tais embalagens dentro das hipóteses previstas no art. 3º das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, seja como insumo da produção (inciso II), seja como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). No que tange às embalagens temos que levar em conta dois tipos distintos de embalagem: a de apresentação e a de acondicionamento para transporte, conceitos estes sólidos na legislação do IPI, os quais são perfeitamente aplicáveis ao presente caso, pois separam a embalagem que pode ser Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 9 9 considerada insumo da produção daquela que não o pode, No regulamento do IPI, em seu art. 6º, a embalagem para acondicionamento de transporte é definida como sendo aquela cujo acondicionamento atende, cumulativamente, as condições de ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, além de ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. O material de embalagem que não atender estas condições poderá ser considerado como embalagem de apresentação. Desta forma, não podemos classificar como embalagens utilizadas como insumos os seguintes bens incluídos pelo contribuinte (nas linhas 13 Outros valores e 2 insumos): • Cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; • Pallets e seus acessórios pregos e etiquetas utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; • Fitas/Amarras utilizados para "amarrar" as caixas de papelão sobre os pallets. Todos os valores e bens não aceitos pela fiscalização nos itens 3.2.1 a 3.2.5 acima referidos estão listados no Anexo II deste relatório, com exceção dos relativos a combustíveis e lubrificantes item 3.2.2 que se encontra na forma do Anexo I. 3.3 Crédito sobre bens do imobilizado Conforme já exposto acima o contribuinte foi intimado a apresentar memória de cálculo que demonstrasse a origem dos valores lançados em seus DACONs. Contudo, inicialmente, deixou de apresentar o demonstrativo referente aos valores lançados a título de encargos de depreciação sobre bens do ativo imobilizado (com base no valor de aquisição), linha 10 das fichas de crédito sobre aquisições no mercado interno do DACON. Dessa forma, foi intimado a apresentar este demonstrativo, incluindo campos específicos para: "data de aquisição do bem, número da nota fiscal de aquisição, data de entrada de operação do bem, CNPJ e nome do fornecedor, descrição do bem, classificação do bem (máquina, equipamento, benfeitoria, outros bens), local de utilização, indicação se o bem foi adquirido novo ou usado, valor da aquisição, valor da base de cálculo, valor do crédito". Antes de analisar a base de cálculo utilizada pelo contribuinte em seus demonstrativos do crédito referente ao imobilizado, faremos uma análise da legislação relacionada ao assunto. Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 10 10 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) § 1° Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) Instrução Normativa SRF 457, de 2004 Art. 1° As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1° de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei n° 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei n° 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação serviços; e II edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. § 1° Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 11 11 depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF n° 162, de 31 de dezembro 1998, e n° 130, de 10 de novembro de 1999. § 2° Opcionalmente ao disposto no § 1°, para fins de apuração Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo prazo de: I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado; ou II. 2 (dois) anos, no caso de máquinas, aparelhos, instrumentos equipamentos, novos, relacionados nos Decretos n° 4.955, de 15 de janeiro 2004, e n° 5.173, de 6 de agosto de 2004, conforme disposição constante Decreto n° 5.222, de 30 de setembro de 2004, adquiridos a partir de 1o outubro de 2004, destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente. § 3° Fica vedada a utilização de créditos: I sobre encargos de depreciação acelerada incentivada, apurados na forma do art. 313 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento Imposto de Renda (RIR de 1999); e II na hipótese de aquisição de bens usados. Ou seja, a contribuinte só pode apurar créditos no prazo de 48 meses sobre o valor das aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Nos demais casos deverá a empresa calcular os seus créditos mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF n° 162, de 31 de dezembro de 1998, e n° 130, de 10 de novembro de 1999. É importante ressaltar que o crédito aqui referido também só poderá ser calculado para os bens adquiridos após 1º de maio de 2004, em cumprimento ao parágrafo primeiro do art. 31 da Lei 10.865, de 2004. Contudo, em uma análise preliminar dos arquivos apresentados pela contribuinte (arquivo magnético PISCOFINS_CAL2008.xls), constatase que o contribuinte apura créditos no prazo de 1/48 avos sobre outros bens que não máquinas e equipamentos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços: ....... Assim, não consideramos nenhum valor lançado a titulo de crédito sobre o imobilizado no período sob análise, visto que a contribuinte deixou de informar o solicitado no termo de intimação: descrição do bem, classificação do bem (máquina, equipamento, benfeitoria, outros bens) e local de utilização, informações estas essenciais para a conclusão da análise por Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 12 12 parte deste Auditor. A informação prestada pela contribuinte em meio magnético é parcialmente reproduzida neste processo (anexamos apenas a impressão referente a dezembro de 2008, já que a mesma engloba todas as operações creditadas nos meses anteriores), face a grande quantidade de páginas necessárias à visualização de todo o período, ficando arquivados todos arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte no dossiê desta verificação fiscal para fins de futuras averiguações. 3.4 Compras de Pessoa Física O contribuinte, no período sob análise, adquire produtos de pessoas físicas e realiza lançamento de créditos na linha 2 do DACON, conforme sua memória de cálculo. Tal procedimento não encontra embasamento legal, consoante § 3º do art. 3º das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Os valores destas compras não consideradas pela fiscalização estão listados abaixo: .................. IV. CONCLUSÃO Face às irregularidades acima apontadas, procedemos aos ajustes na base de cálculo dos créditos do contribuinte, conforme explanado nos itens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4 acima. Dos ajustes resultou a redução do saldo credor no período, conforme informação contida em detalhes no Anexo abaixo resumida. SALDO CREDOR APURADO NO MÊS COFINS 2006 ........... Com base nestes saldos, reconstruímos os saldos credores para os trimestres e processos aqui envolvidos. Dessa forma, conforme tabela abaixo, temos os seguintes valores a ser ressarcidos/compensados para o contribuinte: ...... Cabe lembrar, conforme tabelas acima, que, mesmo sem nenhuma intervenção da fiscalização, tendo por base somente os DACONs apresentados, o montante total solicitado pelo contribuinte no ano de 2008, ou seja R$ 2.238.160,61 não encontra suporte, visto que o total de créditos passíveis de ressarcimento nos DACONs é de R$ 2.209.932,07. Encerradas as verificações fiscais, proponho o encaminhamento dos autos ao Serviço de Orientação e Análise Tributária desta DRF para que, na esfera das atribuições daquele Serviço, sejam adotados os procedimentos julgados pertinentes em decorrência do direito de crédito apurado consoante argumentos expostos no despacho acima. De acordo.” Fl. 350DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 13 13 Por seu turno, a r. decisão de fls. 200/220 da 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre RS, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 149/171, mantendo o Despacho Decisório (fls. 106) e respectivo Relatório de Verificação fiscal (fls. 99/105) da DRF de Caxias do Sul –RS, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO . A arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa por se tratar de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DESPACHO DECISÓRIO . FUNDAMENTAÇÃO. DIREITO DE DEFESA . Restando a decisão administrativa fundamentada em análise dos documentos, fatos ocorridos e legislação aplicável, se mostra incabível a alegação de cerceamento de defesa. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE . No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento ou compensação, mostrase ônus da interessada a minuciosa comprovação da existência do direito creditório. PERÍCIA NÃO NECESSÁRIA. DESRESPEITO ÀS REGRAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO . A realização de perícia somente deve ocorrer quando não for possível a aferição dos fatos pelo conhecimento ordinário, devendo o pedido ser considerado como não formulado quando não houver respeito às regras do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INCIDÊNCIA NÃO – CUMULATIVA. BASE CRÉDITOS. INSUMOS. DE CÁLCULO. INSUMOS O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 14 14 em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES . Combustíveis e lubrificantes para que possam ser considerados como insumos devem ser consumidos em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (no caso, beneficiamento de madeira, comércio de madeira e produtos derivados, produção de painéis, compostos e compensados de madeira) e não utilizados em máquinas e veículos para transporte/manuseio de matériaprima e/ou produtos acabados. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO . É vedada a apuração de créditos da COFIN S nãocumulativa, quando da aquisição de insumos sujeitos à incidência de alíquota zero. CRÉDITOS . EMBALAGENS . TRANSPORTE . As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados, não geram direito ao crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS . As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO . ATIVO IMOBILIZADO . O desconto de créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode se dar se adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDIT O PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO. PREVISÃO LEGAL O eventual crédito presumido apurado com base no art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores), somente pode ser utilizado para dedução da contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue seu ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Assunto: Norma s de Administração Tributária” Fl. 352DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 15 15 Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 226/244) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade da r. decisão pela não apreciação de matéria constitucional, indeferimento de perícia e não apreciação de todos os créditos; b) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões de consulta e decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita; c) a legitimidade dos créditos referentes a despesas com empilhadeiras (aquisição de glp e manutenção, despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes despesas com aquisição de produtos com alíquota zero , despesas com bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, despesas despesas diversas, tais como as aquisições de manutenção de máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras), despesas com materiais de embalagem considerados com o materiais de transporte (tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets) crédito sobre bens do imobilizado, compras de pessoas físicas. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, e no mérito merece parcial provimento. Inicialmente, rejeito as preliminares, bem afastadas pela r. decisão recorrida que deve ser mantida e cujos fundamentos adoto como razões de decidir, lembrando que a Jurisprudência desta Corte Administrativa também já assentou que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, sendo certo ainda que, no caso excogitado (exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo “os magistrados e Tribunais – que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o benefício da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado.” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Agr. Reg. no AI nº 171.733SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237). Assim, nesse particular a r. decisão recorrida, deve ser mantida. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 16 16 No que toca às glosas dos créditos do PIS e COFINS NÃO CUMULATIVOS procedidas pela Recorrente, verificase que se prendem a aquisições de glp e lubrificantes, despesas com manutenção e aquisição, peças, bens destinados ao imobilizado (tais como máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras), despesas com materiais de embalagem considerados com o materiais de transporte (tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets). Inicialmente ressaltese tal como ocorre com outros tributos, no caso do PIS e da COFINS, a não cumulatividade constitucionalmente assegurada visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências das referidas contribuições nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A legislação de regência do PIS e da COFINS (Lei nº 10.63702 e Lei nº 10.833/03) autoriza a pessoa jurídica a descontar, do valor da contribuição incidente sobre o faturamento de bens ou serviços que forneça, os créditos das contribuições incidentes sobre os insumos e despesas de produção incorridos e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, relativamente a: a) bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, “utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes”; b) despesas com “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoas jurídica, utilizados nas atividades da empresa e pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; c) despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arredamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples; d) custos de “máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; e) despesas com “edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; f) valor dos “bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; e g).despesas com “energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Nesse ponto releva notar que a expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Assim, não há duvida que, por constituírem insumos necessários e imprescindíveis ao seu processo de fabricação dos produtos destinados à venda, a Recorrente faz jus ao crédito em relação às aquisições de glp e lubrificantes, despesas com manutenção e aquisição, peças, bens destinados ao imobilizado (tais como máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 3402001.677 S3C4T2 Fl. 17 17 cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras), despesas com materiais de embalagem considerados com o materiais de transporte (tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets). Isto posto, voto no sentido de no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando parcialmente a r. decisão recorrida para assegurar o direito ao ressarcimento dos créditos de COFINS em relação às aquisições de glp e lubrificantes, despesas com manutenção e aquisição, peças, bens destinados ao imobilizado (tais como máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras), despesas com materiais de embalagem considerados com o materiais de transporte (tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets). É como voto Sala das Sessões, em 15 de fevereiro de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA
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Numero do processo: 10950.720329/2020-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO PELO REGIME SUBSTITUTIVO. PROCEDIMENTOS E LIMITAÇÕES. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 3, DE 27 DE MAIO DE 2022.
A opção pela Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) pode ser manifestada, de forma expressa e irretratável, por meio de i) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais, ou (ii) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo.
CPRB. AUSÊNCIA DE OPÇÃO VÁLIDA.
A ausência de opção válida ao regime de apuração CPRB impede o contribuinte de fazer seus recolhimentos previdenciários por esse regime, sob pena de autuação fiscal.
Numero da decisão: 2302-003.896
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a adesão à CPRB referente ao ano de 2016. Vencido o relator que deu provimento total ao recurso. Designado redator o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa.
Sala de Sessões, em 6 de novembro de 2024.
Assinado Digitalmente
Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator
Assinado Digitalmente
Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Freitas de Souza Costa, Joao Mauricio Vital (substituto[a] integral), Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO PELO REGIME SUBSTITUTIVO. PROCEDIMENTOS E LIMITAÇÕES. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 3, DE 27 DE MAIO DE 2022. A opção pela Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) pode ser manifestada, de forma expressa e irretratável, por meio de i) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais, ou (ii) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo. CPRB. AUSÊNCIA DE OPÇÃO VÁLIDA. A ausência de opção válida ao regime de apuração CPRB impede o contribuinte de fazer seus recolhimentos previdenciários por esse regime, sob pena de autuação fiscal. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a adesão à CPRB referente ao ano de 2016. Vencido o relator que deu provimento total ao recurso. Designado redator o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa. Sala de Sessões, em 6 de novembro de 2024. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 2 Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Freitas de Souza Costa, Joao Mauricio Vital (substituto[a] integral), Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à contribuição previdenciária tendo em vista a verificação do cumprimento das obrigações tributárias que deixaram de ser recolhidas em razão do ajuste indevido, realizado no campo “Compensação” da GFIP, relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta em substituição à Contribuição Previdenciária Patronal sobre a folha de pagamento, no período de 01/01/2016 a 31/12/2017. De acordo com o Relatório Fiscal: No parágrafo 13 do artigo 9º, Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, determina que a opção pela tributação substitutiva prevista no art. 7º será manifestada mediante o pagamento da contribuição incidente sobre a receita bruta relativa a janeiro de cada ano, ou à primeira competência subsequente para a qual haja receita bruta apurada, e será irretratável para todo o ano calendário. (...) Conforme documentos apresentados em atendimento à intimação e consultas aos sistemas informatizados, a empresa IRTHA ENGENHARIA S/A, CNPJ 05.459.880/0001-82, não realizou o pagamento em janeiro dos respectivos anos calendários de 2016 e 2017 do Documento de Arrecadação de Receitas Federais – DARF, código de receita 2985 (Contribuição Previdenciária Sobre Receita Bruta – Art. 7º da Lei 12.546/2011), nos termos do parágrafo 13 do art. 9º da Lei 12.546/2011. Destaca que, uma vez que a opção pela sistemática da CPRB não foi regularmente efetuada, tem-se por equivocadas as informações apostas no campo “Compensação” das Gfip analisadas no período objeto do procedimento fiscal, cuidando o crédito tributário em tela do lançamento de tais informações indevidas. Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 3 Após a impugnação foi proferido o Acórdão 16-97.567 - 13ª Turma da DRJ/SPO , mantendo o lançamento. Inconformado com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso (efls. 271/299), onde alega em síntese: Que a manifestação tempestiva e expressa de opção pela CPRB através de suas obrigações acessórias e posteriormente por meio dos pagamentos, não deixam qualquer dúvida acerca da opção da Recorrente pelo recolhimento da CPRB nos anos de 2016 e 2017. Afirma que ao preencher e enviar suas obrigações acessórias mensais (DCTFs) relativa, por exemplo, ao mês de janeiro de 2016, a Recorrente informou, de maneira expressa, sua opção pelo recolhimento da CPRB para todo o ano-calendário tanto no campo de informações gerais, como na constituição do débito a título da referida contribuição, conforme reprodução das DCTF’s atualmente vigentes. Já em relação ao exercício de 2017, verifica-se a adesão da Recorrente à CPRB por meio das informações prestadas em GFIP referente ao mês de janeiro daquele ano, e aos recolhimentos de CPRB realizados no curso do ano, e desconsiderados pela fiscalização; Que em razão de dificuldades financeiras enfrentadas pela Recorrente (atualmente em recuperação judicial), os débitos apurados não puderam ser pagos em seus respectivos vencimentos por indisponibilidade de recursos para o referido adimplemento. Em que pese tenham os referidos débitos sido regularizados mediante a sua inclusão no parcelamento da MPV nº 766/2017, não há dúvidas de que sua constituição se deu no momento da opção da empresa pelo regime substitutivo (inclusive com a transmissão das obrigações acessórias da Recorrente como a DCTF, DCTF web, GFIP/SEFIP e outras), fato que, por si só, é suficiente para a formalização da opção pelo recolhimento da contribuição substitutiva. Informa que o E. STJ, no julgamento do Recurso Especial pela sistemática dos Recursos Repetitivos (art. 543-C do CPC/73) de observância obrigatória para os Tribunais judiciais e órgão de julgamento administrativo, firmou entendimento de que “a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF - constitui o crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência, habilitando-a ajuizar a execução fiscal”. Que no presente caso, ao transmitir as GFIP’s de 2016 e 2017 e as DCTF’s (dentre outras obrigações acessórias) com a indicação da CPRB devida nos referidos exercícios de janeiro, a Recorrente (i) realizou de forma inequívoca a opção pelo recolhimento das contribuições previdenciárias na modalidade substitutiva e (ii) constituiu o crédito tributário sob a sistemática do art. 7º da Lei nº 12.546/11. Questiona a interpretação contida no Acórdão recorrido aduzindo não restar dúvidas de que o fato de o mero atraso no pagamento da exação implicar na completa exclusão do contribuinte do regime de recolhimento mais benéfico, representa verdadeira ofensa à Razoabilidade e Proporcionalidade. Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 4 Colaciona decisões judiciais. Destaca também que ao se analisar o art. 9º, §13, da Lei nº 12.546/2011 que estabelece que “a opção pela tributação substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º será manifestada mediante o pagamento da contribuição incidente sobre a receita bruta relativa a janeiro de cada ano, ou à primeira competência subsequente para a qual haja receita bruta apurada, e será irretratável para todo o ano calendário”, verifica-se uma contradição na conclusão adotada pelo Acórdão recorrido. Aduz que, no momento do presente lançamento, os débitos de CPRB de janeiro de 2016 já se encontravam quitados no parcelamento (PRT), não há qualquer dúvida quanto a validade da opção realizada pela Recorrente, sendo a autuação totalmente descabida. Que a RFB ao analisar e deferir a consolidação do parcelamento formulado pela Recorrente, expressamente reconheceu a validade, existência e liquidez dos débitos de CPRB declarados relativos às competências de 2016, ato que, por decorrência lógica, implica no reconhecimento da opção da Recorrente pelo recolhimento da CPRB. Defende que uma vez fixado o critério jurídico por parte da RFB, tal não pode ser alterado para as competências passadas, sob pena de violação ao disposto no art. 146 do CTN; Diz que impedir a opção da Recorrente pelo recolhimento da CPRB, em razão do atraso no pagamento dos valores apurados a esse título para janeiro de 2016 e 2017, revela-se, em última análise, contrário aos princípios da boa-fé, razoabilidade e proporcionalidade; Destaca o entendimento sumulado do STF por meio dos enunciados nº 70, 323 e 547, bem como o da Súmula 127 do STJ, que sustenta, justamente, a vedação à utilização, pela Fazenda Pública, de meios coercitivos indiretos para obrigar os contribuintes ao pagamento de tributos, impedindo, assim, que o poder público crie óbice direto ou indireto à atividade profissional ou econômica do contribuinte, apenas com a finalidade de ver adimplida obrigação tributária. Alternativamente defende a impossibilidade da sua exigência sobre os valores pagos pela Recorrente a seus empregados a título de rubricas de natureza indenizatória. No caso concreto, os valores dos pagamentos feitos a título de (i) horas extras e seu respectivo adicional; (ii) férias gozadas; (iii) descanso semanal remunerado; (iv) adicional de domingo e feriados; (v) adicional noturno; (vi) adicional de insalubridade; (vii) adicional de periculosidade; (viii) faltas justificadas/legais ou licenças remuneradas; (ix) salário maternidade e licença paternidade; (x) vale alimentação em dinheiro ou ticket; (xi) adicional de transferência; (xii) aviso prévio indenizado; (xiii) adicional de férias (1/3 de férias); (xiv) auxílio acidente/doença; não são habituais, uma vez que o pagamento dessas verbas depende de acontecimentos e circunstâncias específicas e não previsíveis para acontecer. Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 5 Que caso se entenda pela procedência do presente auto de infração, deve-se ao menos, reconhecer a possibilidade de dedução dos valores já pagos pela Recorrente a título de CPRB do montante exigido a título de Contribuição Previdenciária Patronal. Questiona a aplicação da multa e juros. Ao fim requer que seja julgando totalmente improcedente o presente Auto de Infração, com o cancelamento da integralidade do crédito tributário. É o Relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator O recurso é tempestivo e atendo aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. No presente caso a autuação foi motivada por entender a autoridade fiscal que a recorrente não havia efetuado a opção pelo recolhimento das contribuições previdenciárias com base na receita bruta (CPRB), o que se daria, conforme exposto na legislação que rege a matéria, pelo pagamento tempestivo das contribuições devidas na primeira competência do ano, pagamento este inexistente O mérito do recurso consiste em saber se a opção pela Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) somente pode ser exercida com o pagamento. Conforme relatado acima, de acordo com o Relatório fiscal a empresa não fez a opção pela CPRB para os exercícios de 2016 e 2017, devendo recolher as contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212/91, ou seja, contribuir com a alíquota de 20% sobre as remunerações dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais, constantes da folha de pagamento. A decisão guerreada concordou com a fiscalização mantendo o lançamento. Ocorre que os entendimentos exarados na Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 14, de 05/11/2018, no sentido de que a opção se daria apenas pelo pagamento tempestivo da CPRB devida no mês de janeiro de cada ano, foi alterado com a publicação da SCI COSIT nº 3, de 27/05/2022, posterior ao julgamento de primeira instância, que, de forma diversa, reconheceu a confissão dos valores em DCTF como suficiente para opção pela CPRB, reformando integralmente a Solução de Consulta Interna nº 14, de 2018. Cabe frisar que, conforme se depreende do que foi discutido no presente processo administrativo, não há qualquer controvérsia instaurada acerca da correta declaração dos valores devidos a título de CPRB das competências em discussão na DCTF ou na DCTFWeb, conforme o período. Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 6 Assim, conforme já descrito, motivou o lançamento foi o entendimento da autoridade fiscal no sentido de que a lei define que a opção pela CPRB se dá exclusivamente com o pagamento da primeira competência devida no ano, não havendo qualquer indicação de outra forma de adesão. Em sentido diverso, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 3, de 27 de maio de 2022, analisando a questão e comparando-a a outra questão que guarda semelhança com a presente, qual seja a opção pelo lucro presumido para recolhimento do IRPJ, concluiu que em ambos os casos é possível que a opção também seja feita pela entrega da DCTF, ou, como no caso dos autos, da DCTFWeb (declaração que substitui a GFIP), entendimento já estaria sedimentado pela Solução de Consulta Interna Cosit nº 5, de 2008. Vejamos: 10. Entende-se, uma vez que o pagamento do imposto (que deveria ocorrer antes) não tenha ocorrido, a opção estaria manifesta e vinculada nas declarações, pois o débito declarado em DCTF, em declaração de compensação ou em pedido de parcelamento constitui confissão de dívida e pode ser encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União. (...) 17. A entrega espontânea da DCTF ou de Declaração de Compensação, bem como os parcelamentos requeridos caracterizam opção pelo lucro presumido, uma vez que constituem confissão de dívida, e são encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, quando não pagos administrativamente. 10. A norma jurídica formada pela conjugação de regras que disciplinam a opção pelo lucro presumido e de regras que regulamentam a entrega de declarações, além de atender a um exame lógico-jurídico da matéria, prestigia mais a adequação entre meios e fins, tendo em vista que autoriza o administrado a exercer o seu direito de opção mediante a utilização de instrumentos alternativos sem, contudo, prejudicar a fiscalização tributária. 11. Isso porque, conforme previsão legal, a opção exercida pelo contribuinte será irretratável para todo o ano-calendário, o que exclui a possibilidade de posterior retificação de documento de arrecadação de receitas federais relativo a pagamento já efetuado ou de declaração já apresentada – há uma preclusão lógica que limita o exercício do direito. 12. Neste ponto, cumpre verificar se os critérios interpretativos utilizados na Solução de Consulta Interna Cosit nº 5, de 2008, são também aplicáveis ao tema em análise, considerando-se o dever de coerência da administração tributária em suas sucessivas manifestações. 13. Entende-se que os fundamentos estabelecidos na Solução de Consulta Interna Cosit nº 5, de 2008, podem ser utilizados na presente Solução de Consulta Interna, com as adaptações necessárias, pelas seguintes razões: (1) os tributos federais estão sujeitos a semelhantes procedimentos de confissão e pagamento; (2) tanto no caso do IRPJ quanto no caso da CPRB, o legislador prestigiou o pagamento como elemento de manifestação de opção do regime; (3) em ambos Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 7 os casos, a interpretação sistemática da legislação conduz a uma norma jurídica mais ampla do que aquela extraível de um único dispositivo legal; e (4) as distinções existentes entre os regimes não são suficientes para justificar tratamento diferenciado. 14. Possível admitir, portanto, que a opção pela CPRB possa ser realizada, de forma expressa e irretratável, por meio de: (1) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais; ou (2) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo – atualmente, a Declaração de Débitose Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb) ou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 15. Trata-se de norma jurídica extraída da conjugação dos seguintes dispositivos legais: Lei nº 12.546, de 2011. Art. 9º Para fins do disposto nos arts. 7º e 8º desta Lei: (...) § 13. A opção pela tributação substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º será manifestada mediante o pagamento da contribuição incidente sobre a receita bruta relativa a janeiro de cada ano, ou à primeira competência subsequente para a qual haja receita bruta apurada, e será irretratável para todo o ano calendário. (Incluído pela Lei nº 13.161, de 2015) Decreto-Lei nº 2.124, de 1984. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Lei nº 9.430, de 1996. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...)§ 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifado)16. Adotada a premissa acima, resta analisar se há outras limitações (além da impossibilidade de retratação) que condicionem o exercício desse direito. 17. Inicialmente, cabe observar que, quando o legislador pretendeu estabelecer um termo final para a manifestação da opção pela CPRB, o fez expressamente, conforme se depreende dos seguintes dispositivos da Lei nº 12.546, de 2011: Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 8 Art. 7º Até 31 de dezembro de 2023, poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: (Redação dada pela Lei nº 14.288, de 2021). (...) § 7º As empresas relacionadas no inciso IV do caput poderão antecipar para 4 de junho de 2013 sua inclusão na tributação substitutiva prevista neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 8º A antecipação de que trata o § 7º será exercida de forma irretratável mediante o recolhimento, até o prazo de vencimento, da contribuição substitutiva prevista no caput , relativa a junho de 2013. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) § 9º Serão aplicadas às empresas referidas no inciso IV do caput as seguintes regras: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) III - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI no período compreendido entre 1º de junho de 2013 até o último dia do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei, o recolhimento da contribuição previdenciária poderá ocorrer, tanto na forma do caput, como na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide Lei nº 13.161, de 2015) (...) § 10. A opção a que se refere o inciso III do § 9º será exercida de forma irretratável mediante o recolhimento, até o prazo de vencimento, da contribuição previdenciária na sistemática escolhida, relativa a junho de 2013 e será aplicada até o término da obra. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013)18. Ressalvadas as hipóteses acima declinadas, não é possível extrair da legislação específica do tributo, ou mesmo da legislação conexa, um prazo final para o exercício do direito de opção pela CPRB. 19. A entrega intempestiva de declarações ou o pagamento do tributo após o prazo de vencimento sujeita o contribuinte a sanções próprias que não incluem a preclusão do direito de exercício de opção. 20. Embora não haja prazo para a manifestação da opção, cabe ressalvar que, uma vez instaurado o procedimento fiscal, caso seja constatada a ausência de confissão ou pagamento de CPRB, a fiscalização deverá apurar eventual tributo devido de acordo com o regime de incidência de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamentos, tendo em vista que, nesse caso, restará configurada a preclusão decorrente da omissão do sujeito passivo e da perda de sua espontaneidade, tendo em vista o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 9 (...) § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. 21. Para concluir a análise, registre-se que o alinhamento aos fundamentos contidos na Solução de Consulta Interna Cosit nº 5, de 2008, enseja a reforma da Solução de Consulta Interna Cosit nº 14, de 2018. Conclusão 22. Com base no exposto, conclui-se que: 22.1. A opção pela CPRB pode ser manifestada, de forma expressa e irretratável, por meio de: (1) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais; ou (2) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo – atualmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb) ou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP); 22.2. Ressalvados os casos expressamente estabelecidos na Lei nº 12.546, de 2011, não há prazo para a manifestação da opção pela CPRB; 22.3. Uma vez instaurado o procedimento fiscal, caso seja constatada a ausência de apuração, confissão ou pagamento de CPRB, a fiscalização deverá apurar eventual tributo devido de acordo com o regime de incidência de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamentos; e 22.4. Cumpre reformar, integralmente, a Solução de Consulta Interna nº 14, de 2018. Como se vê, a própria administração tributária já revisitou seu entendimento de que a opção pela CPRB se daria exclusivamente pelo pagamento tempestivo, alterando-o sob fundamentos sólidos, quais sejam: i) o § 13 do art. 9º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, não estabelece expressamente a tempestividade do pagamento inicial; e ii) a manifestação inequívoca do contribuinte deve ser considerada com base nas declarações por ele prestadas por meio da DCTFWeb, instrumento de confissão do crédito tributário, que torna o declarante responsável pelo débito confessado. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa VOTO VENCEDOR Conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa, redator designado Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 10 Parabenizo o ilustre Relator pelo excelente voto, com o qual me alinho quanto ao cancelamento da autuação referente ao ano-calendário de 2016. Contudo, divirjo de seu entendimento quanto ao cancelamento da autuação do ano-calendário de 2017, pelos motivos a seguir expostos. O mérito do recurso voluntário não consiste em saber se a opção pela Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) somente pode ser exercida com o pagamento. Tal questão restou superada pelos normativos supervenientes à autuação, expedidos pela própria RFB, e já citados no voto do relator. O cerne da questão que se coloca é se o contribuinte teria ou não feito uma hábil adesão à CPRB, tendo em vista a normatização superveniente. Inicialmente, cumpre resgatar alguns aspectos centrais da autuação realizada. As conclusões do Auditor-Fiscal quanto à adesão, ou não, do contribuinte à CPRB, estão expressas no Relatório Fiscal do Auto de Infração e, à luz dos normativos vigentes à época, ele chegou à correta conclusão de que não teria havido a necessária adesão válida à CPRB, que permitisse ao contribuinte adotar o referido regime de apuração de contribuições previdenciárias para os anos de 2016 e 2017. A opção pelo regime da CPRB se concretiza com o pagamento da contribuição de janeiro ou, na hipótese de ausência de receita neste mês, na primeira competência que houver receita proveniente de vendas. Este recolhimento teve interpretação restritiva pela RFB, não sendo possível a opção com pagamento em atraso, nem com a simples confissão em DCTF, conforme a Solução de Consulta Interna, nº 14, de 05 de novembro de 2018, emitida pela Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal do Brasil – Cosit. A alteração da legislação tributária incidente sobre a Folha de Pagamento (Desoneração da Folha) foi efetuada em agosto de 2011, por intermédio da Medida Provisória 540, de 02 de agosto de 2011, convertida na Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e ampliada por alterações posteriores (Lei nº 12.715/2012, Lei nº 12.794/2013 e Lei nº 12.844/2013). Essa Lei alterou a incidência das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas atuantes em diversas atividades econômicas, criando a tributação sobre a receita bruta e não mais sobre a folha de salário dos trabalhadores, tendo sido apelidada de “desoneração da folha de salários”. A Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) sujeitou as empresas por ela abrangidas de forma obrigatória até 30/11/2015 e facultativa a partir de 01/12/2015, substituindo a cota patronal incidente sobre a folha de pagamento a empregados e contribuintes individuais. Os artigos 7º e 8º da Lei nº12.546, de 14 de dezembro de 2011 traz informações sobre prazos, sujeitos passivos, bases de cálculo e alíquotas. O artigo 9º traz outros detalhamentos, como a forma como se deveria dar a opção pelo regime substitutivo CPRB. Art. 9º Para fins do disposto nos arts. 7º e 8º desta Lei: Fl. 341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 11 (...) § 13. A opção pela tributação substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º será manifestada mediante o pagamento da contribuição incidente sobre a receita bruta relativa a janeiro de cada ano, ou à primeira competência subsequente para a qual haja receita bruta apurada, e será irretratável para todo o ano calendário. (Incluído pela Lei nº 13.161, de 2015) (Vigência) O texto legal fala em pagamento da contribuição, não citando outras formas de extinção do crédito tributário, e não detalha se esse pagamento precisaria ser tempestivo ou não. A própria RFB, por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 03/2022, reviu e flexibilizou a referida interpretação, revogando a Solução de Consulta Interna, nº 14/2018, sem que houvesse qualquer alteração legislativa no citado §13. Destaque-se que, tanto a presente autuação, quanto o acórdão recorrido, precedem a este novo entendimento dado pela RFB. A novel SCI Cosit nº03/2022 traz a seguinte conclusão: Conclusão 22. Com base no exposto, conclui-se que: 22.1. A opção pela CPRB pode ser manifestada, de forma expressa e irretratável, por meio de: (1) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais; ou (2) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo – atualmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb) ou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP); 22.2. Ressalvados os casos expressamente estabelecidos na Lei nº 12.546, de 2011, não há prazo para a manifestação da opção pela CPRB; 22.3. Uma vez instaurado o procedimento fiscal, caso seja constatada a ausência de apuração, confissão ou pagamento de CPRB, a fiscalização deverá apurar eventual tributo devido de acordo com o regime de incidência de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamentos; e 22.4. Cumpre reformar, integralmente, a Solução de Consulta Interna nº 14, de 2018. Destaca ainda a SCI Cosit em seu texto: 19. A entrega intempestiva de declarações ou o pagamento do tributo após o prazo de vencimento sujeita o contribuinte a sanções próprias que não incluem a preclusão do direito de exercício de opção. 20. Embora não haja prazo para a manifestação da opção, cabe ressalvar que, uma vez instaurado o procedimento fiscal, caso seja constatada a ausência de confissão ou pagamento de CPRB, a fiscalização deverá apurar eventual tributo devido de acordo com o regime de incidência de contribuições previdenciárias Fl. 342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.896 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720329/2020-67 12 sobre a folha de pagamentos, tendo em vista que, nesse caso, restará configurada a preclusão decorrente da omissão do sujeito passivo e da perda de sua espontaneidade, tendo em vista o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Portanto, a RFB emitiu norma interpretativa revendo seu posicionamento sobre a aplicação da lei vigente à época dos fatos. O novo posicionamento, mais flexível, se mostra mais favorável ao contribuinte no presente caso. Dada a nova interpretação legal adotada pela RFB, cujos efeitos retroagem à época dos fatos, este colegiado constatou que à e-fl. 116 há a comprovação de que houve opção válida para o ano de 2016, afastando a autuação. Contudo, o mesmo não ocorre para o ano de 2017. A autuação fiscal sobre o ano de 2017 deve ser mantida por falta de opção válida. À e-fl 138 há a NÃO OPÇÃO PELA CPRB! Portanto, houve uma não opção, ou seja, uma renúncia expressa à adoção da apuração pela CPRB. À e-fl 156 há GFIP, que não é documento constitutivo do crédito, e às e-fls 233 e 234 há pagamentos apenas do mês de outubro/2017 em diante. Mesmo no parcelamento identificado não há o pagamento de janeiro de 2017. Logo, não apenas não houve uma opção válida à CPRB, como houve uma renúncia expressa (“não opção”) a essa forma de apuração. Diante desses fatos, mesmo considerando a normatização superveniente, não há como afastar a autuação sobre o ano de 2017. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a autuação referente ao ano-calendário de 2016. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa Fl. 343DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 13677.000143/2003-61
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessária ou julgamento do mérito) sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa, ainda mais quando cabia à contribuinte peticionaria do beneficio
fiscal comprovar seu direito e10uequívocos por ela mesma
cometidos quando da instrução do pleito.
DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica e os combustíveis não se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário, ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos. no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final.
SERVIÇOS PRESTADOS. A receita advinda de serviços prestados constantes do objeto social da empresa integram a receita operacional bruta, para efeitos do cálculo do crédito presumido do IPI. até a 26/03/03, quando passou a viger o novo entendimento da SRF. esposado através da IN SRF 313/03. que excluía da receita operacional bruta as receitas advindas da prestação de serviços.
RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição) conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708). pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39) § 4°, da Lei n° 9.250/95. aplicando-se a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 204-03.163
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Selic à partir do protocolo do pedido. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta (Relatora) e Henrique Pinheiro Torres. Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor. Ausente a Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente).
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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" •.-.,. .' Processo n2 Recurso fil! Ac6rdão ~2 Recorrente ~ecorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Conuibuintes 13677.000143/2003-61 141.087 ' 209-03.163 ALTIVO PEDRAS LTDA. DRJ em Juiz de Fora - MG 12'~MF IFI. .,," .. .' IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê- las desnecessária ou julgamento do mérito) sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa, ainda mais quando cabia à contribuinte peticionaria do beneficio fiscal comprovar seu direito e10uequívocos por ela mesma cometidos quando da instrução do pleito. , DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria- prima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica e os combustíveis não se caracterizam cOmo matéria-prima, produto intermediârio ,ou material de embalagem., pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos. no processo de fabricação, em decorrênCia de ação direta sobre o produto final. SERVIÇOS PRESTADOS. A receita advinda de'serviços prestados constantes do ~bjeto social da empresa integnun a receita operacional bruta, para efeitos do cálculo do crédito presumido do IPI. até a 26/03/03, quando passou a viger o novo entendimento da SRF. esposado através da IN SRF 313/03. que excluía da receita operacional bruta as receitas advindas da prestação de seiviços. < RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição) confonne já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708). pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39) ~ 4°, da Lei n° 9.250/95. aplicando-se a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ALTIVO PEDRAS LTDA. .., ", •• Processo 02 Recurso o!! Acórdão n2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677.000143/2003-61 141.087 2Qq-03.163 I ~CC-MF IFI. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a Selie á partir do protocolo do pedido. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta (Relatora) e Henrique Pinheiro Torres. Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor. Ausente a Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente). Sala das Sessões, em 09 de abril de 2008. 4-.....--< 4-?-~~~ rHenttque PÍnheiro 1arres ' Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros, Rodrigo Bemardes de Carvalho, . Ali Zraik Júnior e"Sílvia de Brito Oliveira. 2 I I. I I • I Processo nA Recurso n!! Acórdão nl! Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677.000143/2003-61 141.087 20&1-03.163 12'~_MF IFI. A fiscalização excluiu do cálculo do beneficio os valores relativos a gastos havidos com energia elétrica, incluiu nas receitas de exportação outras saídas não especificadas (CFOP 7.99); incluiu na receita bruta todas as saídas escrituradas nos livros fiscais, inclusive algumas que não se enquadram no conceito de receita operacional bruta (CFOP 5.99, 6.99 e 7.99) e deixou de considerar outras receitas operacionais (vendas à vista Filial I e serviços prestados à vista); e indeferiu os acréscin:os calculados à taxa Selic. A contribuinte apresentou manifestação de inconfonnidade alegando, em síntese: 1. as despesas havidas com energia elétrica compõe a base de cálculo do crédito presumido do IPI, discorrendo sobre' a conceituação da energia elétrica como produto intennediário; 2. somente foram consideradas pelo Fisco as notas fiscais CFOP 1.11 e 2.1), ignorando todas e quaisquer outras notas fiscais que não tivessem sido escrituradas nestes códigos; 3.' muitos insumos foram escriturados em outras entradas (CFOP 1.99 e 2.99), sendo necessária a realização de pericia para a verificação de tais entradas, já que os documentos que ampararam tais registros contábeis são muito numerosos para serem anexados ao processo; 4. não foram considerados os insumos vindo das filiais, uma vez que o crédito presumido foi calculado de forma centralizado na matriz; 5. a prestação de serviço não deve fazer parte da receita bruta conforme preceitua a própria SRF no art. 17 da IN SRF 418/04; . 6. é devida a correção dos valores a serem ressarcidos com base na taxa Selic conforme princípios constitucionais e julgados administrativos e dos tribunais; e 7. indica perito e formula quesitos a serem respondidos na perícia proposta, basicamente com o intuito de provar que foram escrituradas notas fiscais referentes a MP, PI e ME nos códigos CFOP 1.99 e 2.99; notas fiscais de madeiras (pinus. pinho ou eucalipto) utilizadas em embalagens foram escrituradas nos códigos CFOP 1.99 e 2.99; gás GLP (usado' no fomo em etapa do processo produtivo) e óleo diesel. (usado no processo produtivo) foram escriturados no CFOP 1.99 e 2.99, qual a força motriz usada nas serras, pás carregadeiras, empilhadeiras; valor da taxa Selie acumulada no peóodo; quais e os valores das notas fiscais de PI, MP e ME das filiais. A DRJ em Juiz de Fora - MG indeferiu a solicitação e denegou a perícia pelos seguintes motivos: L em relação às NF ditas como sendo referentes a entrada de MP, PI e ME escri~radas no CFOP 1.99 e 2.99 não foram apresentadas provas que am;\pssem . 3 . . f.~ --_0 .__....,.,==========."" ...=~-.-._~_c,~,=r::===========""""""==_,~ .. ., ~, ,. " Processo nl! Recurso nl! Acórdão nl! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677 .000143/2003-61 141.087 20q~03.163 2DCC-MF A. as alegações, embora tenham sido escrituradas apenas 07 NF nestes códigos no período; 2. quanto à não inclusão na base de cálculo de. MP, PI e ME advindo de filiais deve ser ressaltado que a base de cálculo do beneficio foi fomecida pela contribuinte, considerando os valores indicados nos CFOP 1.11 e 2.11, adicionados a gastos com energia elétrica, compatíveis com os registros no LRAIPI da matriz e DCTF apresentadas, cabendo a esta demonstrar e comprovar equívoco por acaso cometido; e 3. as referidas NF que a contribuinte alega ter escriturados em outros CFOP que não o 1.11 e 2.11 referem-se a aquisição de gás liquefeito de petróleo, lubrificantes, energia elétrica, que não podem ser considerados MP, PI e ME, r.azão pela qual se toma desnecessária a realização de perícia. Cientificada a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em sua defesa, em síntese as mesmas razões da inicial, nenhuma. menção fazendo, entretanto, sobre os preditos insumos vindos de filiais. Vale ainda atentar que não foram motivo nem do recurso nem da impugnação as glosas efetuadas pela fiscalização em decorrência de: inclusão nas receitas de exportação de outras saídas não especificadas (CFOP 7.99); inclusão na receita bruta de todas as saídas escrituradas nos livros fiscais, inclusive algumas que não se enquadram no conceito de receita operacional bruta (CFOP 5.99, 6.99 e 7.99) e desconsideração outras receitas operacionais (vendas à vista Filial I). Estes materiais, portanto, não integraram o litígio. É o relatório. .. Processo D2 Recurso Df! Acórdão n2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677.000143/2003-61 141.087 20H:'03.163 VOTO VENCIDO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANA TIA I ~CC-MF IFI. O recurso apresentado encontra-se revestido das formalidades. legais cabíveis, merecendo ser analisado. Primeiramente há de ser analisado o pedido de perícia solicitada pela recorrente. Neste ponto entendo correta a decisão recorrida ao tê-lo denegado. Vejamos: Em relação às NF ditas como sendo referentes à entrada de MP, PI e ME escrituradas no CFOP 1.99 e 2.99 não foram apresentadas provas que amparassem as alegações~ embora tenham sido escrituradas apenas 07 NF nestes códigos no período ... No que tange à não consideração de outras entradas referentes à aquisição de MP, PI e ME escrituradas em outros CPO? que não os CFOP 1.11 e 2.11 deve ser ressaltado que a base de cálculo do beneficio foi fornecida pela contribuinte, considerando os valores indicados nos CFOP 1.11 e 2.11, adicionados a gastos com energia elétrica. Tais valores são compatíveis com os registros no LRAIPI da matriz e DCTF apresentadas. Caso houvesse algum equívoco nos . valores a serem considerados deveria a recorrente demonstrar a incorreção através de provas documentais 'a. embasar o equívoco por ela mesma cometido. Entretanto assim não o fez limitando-se a solicitar a realização de perícia para que O Fisco produzisse por ela a prova do seu erro. Ademais disto, as referidas NF que a contribuinte alega ter escriturado em outros CFOP que não o 1.11 e 2.11 referem-se a aquisição de gás liquefeito de petróleo, lubrificantes, energia elétrica, que não podem ser considerados MP, PI e ME, razão pela qual se torna desnecessária a re8:lização de perícia. Assim sendo, entendo desnecessária a realização de perícia e a denego. A primeira questão de mérito a ser tratada refere-se à exclusão da base de cálculo do beneficio do crédito presumido de. IPI, deferido a empTesa produtora e exportadora de produtos nacionais pela Lei nO 9.363/96, 'como ressarcimento da contribuição para o PISlPasep e à Cofins, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), para utilização no processo produtivo, do valor referentes a custos havidos com energia elétrica, 61eo diesel e gás GPL. Esta matéria foi magistralmente enfrentada pelo ilustre Presidente e Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, quando do julgamento do RV 122.347, que a seguir transcrevo: Este Colegiado tem-se manifestado. reiterada';lente. contra a inclusão na base de cálculo do crédito presumido das despesas havidas com combustíveis. energia eletrica e com outros materiais que não integrem o produto fiMI ou que não sejam desgastados em contato direto com este, por entender que. para efeito da legislação fIScal. ditos materiais não se caracterizam como matéria-prima. produto intermediário ou material de embalagem. • ~ /~\ 5 Processo n2 . Recurso n2 Acórdão nl! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677.000143/2003-61 141.087 20!{'-03.163 1,'ee.MF IFI. De outro modo não poderia ser. senão vejamos: o artigo r da tei nO 9.363/96 enumera expressamente os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matérias-primas, produtos intermeáiários e materiais de embalagem. A Seu turno, o parógrafo único do artigo 3° da Lei nO 9.363/96 determina que seja utilizada,' subsidiariamente, a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - lP1 para a demarcação dos conceitos de matén'as-primas e produtos intermediários, o que é confirmado pela Portaria MF nO129, de 05/04/9S, em seu artigo 2°, 9 J". Préditos conceitos, por sua vez, encontramos no artigo 82, I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nO 87.981i82, (reproduzido pelo inciso 1 do art. 147 do Decreto nO 2.637/1988 - RIPI11988),assim definidos: "An. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados. poderão creditar-se: 1 ~ do imposto relativo a matérias-primos, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados. exceto os de aJiquota zero e os isentos. incluindo-se. entre as matérias-primas' e produtos intermediários. aqueles que, embora não se integrando ao nOVOproduto. (orem consumidos no processo de industrializacão, salvo se compreendidos entre os .bens do ativo permanente. " (grifamos) Da exegese desse dispositivo legal tem-se que somente se caracterizam. comO matéria- prima e ou produto intermediário os insumos empregados diretamente na industrialização de produto final ou que, embora não se integrem a este, sejam consumidos efetivamente em seu fabrico, isto é, sofram, em função de ação exercida efetivamente sobre o produto em elaboração, alterações tais como O desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas. A contrário senso. não integrando o prOduto final ou não havendo o desgaste decorrentes do contato fisico. ou de uma ação direta exercida sobre o produto emfabricação. predito insumo não pode ser considerado como matéria-prima ou produto intermediário. . Na esteira desse entendimento já trilhava a CoordenaÇão-Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal que, por meio do Parecer Normativo CST nO6511979. explicitou quais insumos que mesmo não integrando o produto final podem ser caracterizados C011UJ matéria-prima ou produto intermediário: "hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários stricto sensu. semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato fisico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação. ou por este diretamente sofrida ". Assim sendo, entendo não ser cabível à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das despesas havidas com combustíveis e energia elétrica, uma vez que estes produtos não podem, legalmente, para fins de apuração do beneficio em análise, enquadrar-se como matéria-prima, produto intermediârio ou material de embalagem, pois não incidem diretamente sobre o produto em fabricação. Quanto ao fato de a Lei nO 10276/2001, no seu art. Io, ~ 1o ter admitido a inclusão no cálculo do crédito presumido de combustíveis e energia elétrica, é de se observar, ~~6 Processo 02 Recurso nS! Acórdão 02 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13671.000143/2003-61 • 141.087 20f,L03.163 I ~CC.MF IFI. primeiramente, que tal dispositivo legal determina forma alternativa de cálculo do crédito presumido, não sendo, portanto, lei interpretativa. Alem disto verifica. se que realmente, o referido diploma legal permitiu a inclusão de energia elétrica e combustíveis no cálculo do crédito presumido, mas também fez restrições outras não previstas na Lei n° 9363/96, conforme se depreende da leitura integral do art. 10 e seus parágrafos, tais como redução do quociente a 5 quando restar superior, o limite dos custos será de 80% da receita bruta operacional: ArL 1! Alternativamente ao disposto na Lei ~ 9.363. de 13 de dezembro de 1996, a pessoa juridica produtora e. exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IP/), como ressarcimento relativo às contribuições'para os Progra"¥lS de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (P/SIPASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. S j2A base de cálculo do crédito presumido será o sOnuJtóriodos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I ~ de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiri,dos no mercado interno e utilizados no processo produ~ivo; /1- correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. S ]Q O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálcuJo referida no f ]11., dofator calculado peJafórmula constante do Anexo. i J2 Na determinação do fator (F), indicado' no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: 1-o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; li - o valor dos custos previstos no i JIl será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. i .f2 A opção pela altemativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá. obn'gatoriamente: 1- o último trimestre-calendário de 2001, quando exercida neste ano; 11- todo o ano-calendário, quando exercida nos anos subseqüentes. j 52 Aplicam-se ao crédito presumido determinado nafonna deste al'tigo todas as dem~is normas estabelecidas na Lei nO 9.363. de 1996. j (f Relativamente ao periodo de r de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. ~l' Para osfins do disposto no art. 14 da Lei Complementar nO 101, de 4 de maio de ~ o monta'!te anr,talda renúncia, apurado, na forma do j 6': nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, . u~_7_ Processo n2 Recurso nll Acórdão n2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677 .000143/2003-61 141.087 20:q-03.163 ~°Ld o salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do I (/l. em relação àprevisão de receitas, para omesmoperíodo. deduzido o valor da renúncia. Além do mnis. para que a recorrente pudesse se utilizar desta forma de cálculo do crédito presumido era necessário quefIZesse tal opção perante a SRF, o que de fato não OCOrreu. Em relação à inclusão de receitas advindas da prestação de serviços no cálculo do crédito presumido do IPI deve ser observado que a Lei n° 9363/97 define como base de cálculo dó crédito presumido do IPI. no seu art. 2° o percentual correspondente à relação entre a receita o de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador: Art. 2fl A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação. sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos na artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Por sua vez o parágrafo único do art. 3° do referido dispositivo legal determina que utilizar-se-á o conceito de re~eita bruta operacional contido na legislação do Imposto de . Renda para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI: _. Art. JIl Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. ]1, tendo em vista o valor constante da respectiva nota o fiscal de venda emitida pelo fornecel/or ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizar-se-á. subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção. matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem. A. Lei nO4.506, de 1964. art. 44, e o Decreto-Lei nO 1.598. de 1977, art. 12 - matriz legal do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 - explicita o que seja uma receita bruta e os critérios para que possa ser identificada como tal. . Art. 279. A receita brota das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Por suà vez a receita operacional bruta é aquela correspondente à receita advinda de venda de produtos e serviços, ou seja, aquelas receitas advindas das atividades próprias da empresa. seja ela de venda de mercadorias ou de serviços. E. no caso dos autos, dentre os objetivos sociais da recorrente estA a "indústria e comércio de ardósia e granitos. a prestação de serviços com máquinas pesadas; a execução de serviços de transporte de carga e a exploração e aproveitamento de jazidas minerais em todo o território nacional" . ----------.-------_._------------~------- .~_.i. ..:::JI- Processo 02 Recurso n2 Acórdão 02 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677.000143/2003-61 141.087 2o+l"03.163 12'C~MF IFI. Verifica-se, ponanto, que a receita da prestação de serviços correspondentes aos objetivos sociais da empresa compõe a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Tal entendimento está explicitado na IN SRF 23/97, no seu art. 8° que dispôs sobre o Cálculo e a Utilização do Crédito Presumido instituído pela Lei nO 9.363, de 13 de dezembro de 1996: Art. 8°Para efeitos desta InstruçãoNormativa, considera-se: 1 - receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de ~onta alheia; II - receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com ofim específico de exportação, de mercadorias nacionais; Jll : vençja com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Parágrafo único. Os conceitos de produção, matérias-primas. produtos intermediários e materiàl de embalagem são os.constantes da legislação do IPI. Este entendimento, deve-se ressaltar, estava plenamente de acordo com o disposto na Lei n° 9363/96, confonne já se demonstrou acima. Por sua vez, apenas através da IN SRF 313/03, editada após a publicação e vigência da Lei nO 10276/2001 que previa nova sistemática para o cálculo do crédito presumi~o do IPI, é que o conceito de receita operacional bruta restou reduzido ao "produto da venda de produtos industrializados de produção da pessoa jurídica, nos mercados internos e externos", , extraindo-se por conseqüência, da base de cálculo do benefécio as receitas advindas da prestação' de serviços constantes do objeto social da empresa. Entretanto, tal dispositivo infra legal só pode ser aplicado a partir da sua publicação, não sendo possível retroagi-Io para alcançar fatos gerarlores pretéritos, que é o caso dos autos. Desta fonna, correta a inclusão pelo fisco, das receitas da prestação de serviços na receita operacional bruta para efeitos de cálculo do crédito presumido do IPI no periodo objeto do pedido, quando ainda não havia sido editada a referida IN SRF 313/03. No que diz respeito à atualização monetária dos créditos do IPI a serem ressarcidos com base na Lei n° 9363/96, ou seja, ressarcimento de crédito presumido do IPI. É de se verificar, primeiramente, como bem'frisou a decisão recorrida, que não se trata de repetição de indébito tributário, para a qual há previsão legal expressa para as atualizações monetãrias, mas sim de pedido de ressarcimento de créditos presumido do IPI. Vejamos que o Parecer AGUIMF n° 01196 trata especificamente de correção monetária no caso de repetição de indébito tributário. O indébito tributário é representado por um recolhimento indevido ou a maior que o devido, ou seja, nos casos em que houve recolhimento a maior beneficiando a Fazenda Nacional. " Processo D2 Recurso Dl Ac6rdão D2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677 .000143/2003-61 141.087 20~"03.163 I "=MF IFI. Neste caso toma-se lógico que na restituição do indébito tributário os créditos existentes em favor do sujeito passivo sejam corrigidos monetariamente pelos mesmos índices que a Fazenda usa para corrigir seus créditos. Neste escopo é que veio a norma contida no artigo 66 e seu parágrafo 3°, da Lei nO 8.383/91 tratando exclusivamente do indébito tributário e sua compensação com valores de' créditos tributários devidos, determinado em seu parágrafo 3° que tais operações sejam efetuadas pelo valor do tributo ou contribuição ou 'receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR, in litteris: Art. 66. Nos .casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, .mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisãó de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. 93 - A compensação ou restituição será efetuada'pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR Da . disposição literal da norma invocada tem-se que não contempla o .ressarcimento de crédito presumido do IPI. O ressarcimento de créditos presumido do IPI trata-se, em verdade de um incentivo fiscal, já que o legislador criou-o com o objetivo de estimular as exportações, ressarcindo as contribuições para o PIS e a Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas. produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de mercadorias 'a serem exportadas. Diferente, portanto, da restituição, pois não há pagamento ,indevido, mas sim um incentivo concedido pelo legislador para estimular a exportação. O crédito presumido do IPI é um incentivo fiscal destinado a estimular o produtor/exportador, devendo o exercício deste beneficio se dá nos exatos termos da lei que o concedeu. Assim, à falta de disposição legal de amparo é inadmissivel a aplicação de correção monetária ao ressarcimento de crédito presumido do IPI. . Desta fonna, diante da ausência de qualquer nonna legal que autorize a atualização monetárià de ressarcimento de crédito presumido do IPI, é de se negar o pedido da recorrente. Assim sendo, nego provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2008.f.~~ATIA 10 .~=~======----.,...-'--===="",==-..-- ••.•• t Processo nA Recurso nA Acórdão nA Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677.000143/2003-61 141.087 20~03.163 I ~C~MF IFI. VOTO VENCEDOR DO CONSELHEIRO-DESIGNADO LEONARDO SIADE MANZAN Em relação ao reconhecimento da aplicação da Taxa Selic para atualização monetária de ressarcimento, única parte em que fui vencedor, respeitando o entendimento da Ilustre relatora. discordo do seu posicionamento, pelas razões a seguir expostas. Considerando que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, tenho que as regras atinentes à restituição devem ser aplicadas ào ressarcimento. Assim,. incide a Taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento, em decorrência do' que dispõe o art. 39, ~ 4°, da Lei n° 9.250/95. A aplicação de juros calculados à Taxa Selic é entendimento da Câmara Superior, sedimentado no Acórdão CSRF/02-01. 160, relatado pelo Ilustre Conselheiro da Segunda Tunna. Dalton César Cordeiro de Miranda. O voto proferido no referido processo é esclarecedor, pelo que são transcritos os principais excertos: Concluindo. entendo, por derradeiro, ser devida a incidência da denominada Taxa SEUC a partir da efetivação do pedido de ressarcimento. . Com efeito. a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes firmou entendimento no sentido de que até o advento da Lei 9.250/95. ou até o exercício de 1995, inclusive, não obstante a inexistência de expressa'disposição legal neste sentido. os créditos incentivados de IPI deveriam ser corrigidos monetariamente pelos mesmos índices até então utilizados pela Fazenda Nacional para atualização de seus créditos tributários. Tal direito é reconhecido por aplicação analógica do disposto no I 30, do artigo 66. da Lei 8.383/91. Todavia. com a desindexação da economia. realizada pelo Plano Real. e com o advento da citada Lei 9.250/95. que acabou com a correção monetária dos créditos dos contribuintes contra a Fazenda Nacional havidos em decorrência do pagamento indevido de tributos, prevaleceu o entendimento de que a partir de então não haven'a mais direito à atualização monetária, e de que não se poderia aplicar a Taxa SELIC para tal fim, pOis. teria a mesma natureza jurídica de taxas de juros, Oque impedin"a sua aplicação como índice de con-eção monetária. Tal entendimento, entretanto, merece uma melhor reflexão. Tal necessidade decorre de um equívoco no exame da natureza jurídica da denominada Taxa SELlC. Isto porque. em recente estudo sobre a matén'a, o Ministro Domingos Franciul/i Netto. do Superior Tribunal de Justiça, expressamente demonstrou que a referida taxa se destina também a afastar os efeitos da inflação, tal qual reconhecido pelo próprio Banco Central do Brasil. Por outro lado. cumpre observar a utilização da Taxa SEL1Cpara fins tributários pela Fazenda Nacional. apesar possuir natureza híbrida - juros de mora e correção monetária -, e o fato de a correção monetán"a ter sido extinta pela Lei 9.249/95. por seu art. 36. n, se dá exclusivamente a título dej~ros de mora (art. 61. I 30, da Lei 9.430/96). Ou seja. o fato de a atualização monetária ter sido expressamente banida de nosso ordenamento não impediu o Governo Federal de. por via transversa. garantir o valor __ ~_lJL • • Processo na Recurso na Acórdão n2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13677.00014312003-61 141.087 20;lk-03.163 I ,'CCoM' IFI. real de seus créditos tributários através da utilização de uma taxa de juros que traz em si embutido e escamoteado índice de correção monetária. Ora, diante de tais considerações. por imposição dos principios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que ao contribuinte titular do crédito incentivado de IPI. a quem, antes desta suposta extinção da correção monetán'a, se . garánta. por aplicação analógica do artigo 66. i 30. da Lei 8.383/91, conforme autorizado pelo art. 108. /, do Código Tributário Nacional. direito à correção monetária - e sem que tenha existido disposição expressa neste sentido com relação aos créditos incentivados sob exame -, se garanta agora direito à aplicação da denominada Taxa SELlC sobre seu crédito, também por aplicação analógica de dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, i 40, da Lei 9.250/95 - que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido -, crédito este que em caso contrário restará minorado pelos efeitos de uma inflação enfraquecida, mas ainda verificável sobre o valor da moeda. A incidência de juros sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido teve origem exatamente com o advento do citado art. 39, i 40, da Lei 9.250/95, pois, antes disso, a incidência dos mesmos. segundo o i único do art. 167. do Código Tributário Nacional. só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do enunciado 188 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a aplicação da Taxa Selic, a partir do protocolo do pedido. Éomeu voto . . Sala das Sessões, em 09 de abril de 2008. 12 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012
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Numero do processo: 10675.903028/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO.
Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-001.723
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente BANCO TRIANGULO S/A Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna, OAB 87198/MG. Nayra Bastos Manatta Presidente Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo transmitiu, em 29 de novembro de 2006, Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com crédito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente de pagamento em valor maior que o devido no período de apuração de abril de 2002. A compensação não foi homologada em virtude de o pagamento indicado como origem do crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de UberlândiaMG procedeu à revisão de ofício do despacho decisório para novo exame do direito creditório, tendo em vista tratarse de crédito reclamado nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 2000.38.03.000.7782, por meio do qual se pretendeu garantir o direito ao recolhimento do PIS, a partir de 1° de janeiro de 2001, à alíquota de 0,65% sobre o faturamento, afastandose a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. No novo despacho decisório, a autoridade fiscal concluiu que, após a realização dos cálculos dos créditos decorrentes do supracitado MS, não havia crédito disponível e não homologou a compensação declarada. Contra essa decisão, foi protocolizada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), que, por sua vez indeferiu a manifestação, com o entendimento de que, à vista da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS impetrado pela contribuinte, a base de cálculo da contribuição pra o PIS alcançaria as receitas das “chamadas operações bancárias ("spreads", prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc..)”, que constituiriam a essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Não se conformando com a decisão do colegiado de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – a decisão transitada em julgado proveu integralmente o seu Recurso Extraordinário (RE) e foi proferida com base no art. 557, § 1°A, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), ou seja, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, que circunscrevem as receitas oriundas das atividades empresariais, para incidência do PIS, à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; II – com o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi assegurada a restituição/compensação dos valores recolhidos a mais que o devido; III – a decisão proferida pelo STF não só declarou a inconstitucionalidade do precitado dispositivo legal como também determinou o conceito de faturamento para incidência do PIS; e Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903028/200968 Acórdão n.º 3402001.723 S3C4T2 Fl. 187 3 IV – para se delimitar o conceito de faturamento consignado na decisão monocrática proferida pelo Ministro Cezar Peluso, é necessário buscar esse conceito na jurisprudência do STF e não na posição pessoal do Ministro. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso ou o sobrestamento do processo, tendo em vista a repercussão geral reconhecida no RE n° 609.096. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Preliminarmente, cumpre registrar que o RE n° 609.096 cuida da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e, em 04 de março de 2011, teve repercussão geral reconhecida pelo STF. Foram sobrestados os processos judiciais que cuidam dessa matéria, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowski, em 10 de junho de 2011, no RE 609096; contudo, no caso em exame, a ora recorrente possui ação própria já transitada em julgado, que trata da sua base de cálculo para incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Portanto, não cogita aqui o sobrestamento do presente julgamento. Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tão somente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Ora, de acordo com a decisão judicial em questão, a recorrente, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2000 e regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, a contribuição para o PIS deve incidir apenas sobre o faturamento “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Em face disso, pareceme idene de dúvida que os valores do PIS recolhidos sobre base de cálculo que não configura receita bruta de venda de mercadoria ou de prestação de serviços tornaramse indevidos em face da decisão judicial transitada em julgado em favor da recorrente e, ademais, considerando que essa decisão foi proferida com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, entendo que sua interpretação deve ser consoante com a interpretação dada para os casos submetidos a este colegiado e apreciados à luz da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, com reconhecimento de repercussão geral. Destarte, por comungar o entendimento expendido pelo Conselheiro Robson José Bayerl, designado para redigir o voto vencedor do Acórdão n° 340300.581, proferido na sessão de 30 de setembro de 2010, no julgamento do recurso voluntário n° 256.916, interposto nos autos do processo n° 16327.000980/200511, transcrevo trecho desse voto vencedor a seguir: (...) Destarte, é irretorquível o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo excelso pretório, contudo, tal manifestação se limitou àquele dispositivo que, justamente, veiculava o pretenso conceito de “receita bruta”, ordinariamente conhecido como “alargamento” da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Não se pode olvidar, entretanto, que os arts. 2º e 3º, caput, da referida Lei nº 9.718/98 permaneceram incólumes, de tal sorte que há, sim, definição da base de cálculo da exação, in casu, o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, senão veja se: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Portanto, o conceito a ser buscado no ordenamento jurídico tributário é o de “receita bruta” da pessoa jurídica, porquanto aquele predicado pelo indigitado art. 3º, § 1º não é mais válido, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903028/200968 Acórdão n.º 3402001.723 S3C4T2 Fl. 188 5 não me parecendo razoável buscarse, como pretende o voto vencido, com a devida vênia, uma base de cálculo extraordinária para a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Reitero, a base de cálculo já existe e, como já dito, equivale ao faturamento, assim entendido como a receita bruta apurada pelo contribuinte. Dentro do microssistema das contribuições sociais sobre faturamento (PIS e Cofins), convergem, ainda que por via oblíqua1, as definições constantes do art. 72, V do ADCT (regulada pela Lei nº 9701/98) e Lei nº 9.715/98, que reeviam à legislação do IRPJ para aclarar o sentido da expressão “receita bruta”, cujo art. 279 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: “Art.279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” De outro ângulo, a Lei nº 9.718/98, além de reconfigurar a Cofins, teve por desiderato unificar o regime de apuração de ambas as contribuições, o que se revela pela leitura de seu art. 1º e de seu contexto geral. Nesta trilha, sendo ela inegavelmente sucessora da LC 70/91, no que concerne à Cofins, não é descabida o empréstimo de seu conceito de faturamento, bastante assemelhado à literalidade daquele adrede reproduzido, sendo na essência idêntico, ex vi do art. 2º, caput: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” Tenho que esta definição é a mais consentânea com a sistematização pretendida pelos sucessivos diplomas que trataram do tema em data mais recente, até o advento da não cumulatividade, nomeadamente, Lei Complementar nº 70/91, Medida Provisória nº 1.212/95 (convertida na Lei nº 9.715/98) e art. 72, V do ADCTF. Cuidase, na espécie, de integração da legislação tributária, em face do lacunoso conceito de receita bruta na regra matriz de 1 Digo por via oblíqua ao passo que o art. 72, V do ADCT informa que a base de cálculo será a receita bruta operacional, como definida pela legislação do imposto de renda, ao passo que a Lei nº 9.715/98 (arts. 2º c/c 3º) indica como base de cálculo o faturamento mensal, assim entendida a receita bruta, tal como prevê a legislação do imposto de renda. Ou seja, ainda que por caminhos diversos, a conclusão é a mesma. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 6 incidência do PIS/Pasep, aplicandose à hipótese as previsões do art. 108 do Código Tributário Nacional. Acentuo que a integração, ora feita, a partir da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS alcança tãosomente a acepção do termo “receita bruta”, para estabelecimento do que venha a ser “faturamento”, e não a própria definição da base de cálculo da exação, o que seria vedado pelo § 1º do mesmo dispositivo. Pertinente, a este respeito, o escólio de Luciano Amaro2, quando examina o instituto da integração da legislação tributária: “Prevê o art. 108, após a analogia, o emprego dos princípios gerais de direito tributário (item II), antes de mencionar os de direito público (item III). Costumase falar, também, ao invocaremse os princípios para suprir lacunas da lei , em analogia juris, a par da analogia legis. Nesta, buscase uma norma para suprir a lacuna; naquela, a solução para a lacuna achase através do processo lógico de conformação do regramento do caso concreto com o conjunto do direito vigente, o que supõe que se invoquem os princípios integrantes desse sistema, e não uma norma; a utilização de certa norma posta no sistema traduziria analogia legis. O caminho é parecido com o da interpretação sistemática; nesta, temse uma norma, cuja interpretação se busca em harmonia com o sistema jurídico em que ela se insere; na analogia juris, procurase construir norma para o caso concreto que se harmonize com o sistema jurídico em que a disciplina desse caso deve ser inserida.” Em síntese, consigno meu entendimento que, eleito o faturamento como base de cálculo da contribuição para o PIS e sendo este equivalente à receita bruta, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, não atingidos pela decisão do STF, à luz de uma interpretação sistemática e da integração da legislação pertinente ao tema, devese entender como a receita das vendas de bens e serviços de qualquer natureza, ainda que fornecidos de forma conjunta, como aduz a sobredita legislação. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, lembrando que o provimento parcial é devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário decorrente da incidência do PIS apenas sobre a receita bruta de vendas de mercadoria e/ou de prestação de serviços. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Relatora Sílvia de Brito Oliveira 2 DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 203. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903028/200968 Acórdão n.º 3402001.723 S3C4T2 Fl. 189 7 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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Numero do processo: 12420.000819/2019-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2017
GILRAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO.
Cabível a autuação quando constatada conduta irregular do contribuinte, mesmo havendo depósito do montante integral, mas não a multa de ofício vinculada à contribuição lançada.
Numero da decisão: 2001-007.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Relator
Assinado Digitalmente
Honório Albuquerque de Brito – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa (substituto[a]integral), Lilian Claudia de Souza, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2017 GILRAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. Cabível a autuação quando constatada conduta irregular do contribuinte, mesmo havendo depósito do montante integral, mas não a multa de ofício vinculada à contribuição lançada.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2017 GILRAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. Cabível a autuação quando constatada conduta irregular do contribuinte, mesmo havendo depósito do montante integral, mas não a multa de ofício vinculada à contribuição lançada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Relator Assinado Digitalmente Honório Albuquerque de Brito – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa (substituto[a]integral), Lilian Claudia de Souza, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Fl. 108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.575 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12420.000819/2019-23 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 09-74.302, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA) que julgou procedente o lançamento referente ao valor da exação fiscal que se encontra devidamente consubstanciada no documento que se encontra às fls. 3/8, devidamente acompanhada do correspondente Relatório de Fiscalização de fls. 9/10. Nos termos do relatório da r. decisão, tem-se que: Trata-se de um lançamento relativo a divergência de Gilrat sobre bases declaradas de empregado em Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) no período 1/2016 a 6/2017, no valor originário de R$ 89.082,65, mais multa e juros. O lançamento ocorreu em decorrência do cruzamento das informações declaradas pelo contribuinte, informações dispostas em legislação tributária e informações constantes de outros órgãos. Foi verificada a adequação da informação fornecida em GFIP com seu CNAE face às disposições legais pertinentes. Também foi verificada com a GFIP as informações disponibilizadas pelo Conselho Nacional de Previdência Social sobre o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) do sujeito passivo. Constatada a divergência entre o apurado e o informado, nos estabelecimentos disponíveis, a diferença foi lançada através do presente processo. O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 3/5/2019 (folha 13) e apresentou impugnação em 31/5/2019 (folha 15). Informa o pagamento dos tributos em juízo, mediante ação do sindicato patronal ao qual é filiada (Sindimetal-PR), no mandado de segurança coletivo 5002339- 92.2010.404.7000. Na apuração do depósito, o faz à alíquota de RAT 1% e FAP 0,9765% até 13/2016 e 0,8460% a partir de 1/2017. Tem então o RAT ajustado depositado de 1,9765% de 1/2016 a 13/2016 e 1,5460% de 1/2017 a 6/2017 (folha 19). À folha 58, a Sefis/DRF/CTB despacha analisando erros de fato nº lançamento, entendendo que o lançamento decorreu especificamente de diferença de alíquota RAT de 1% (diferença de 2% declarado e 3% devido) e que a ação questiona o SAT majorado pelo FAP. Em síntese, é o relatório do relevante dos autos. O acórdão 09-74.302, (fls. 74/79), da 5ª Turma da DRJ/JFA foi ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2017 GILRAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. Fl. 109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.575 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12420.000819/2019-23 3 Cabível a autuação quando constatada conduta irregular do contribuinte, mesmo havendo depósito do montante integral, mas não a multa de ofício vinculada à contribuição lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte tomou ciência da decisão em 08/07/2020, conforme documento de fls. 87, e, em 05/08/2020 apresentou recurso voluntário (fls.91/92). Em suas razões recursais, o contribuinte alega o seguinte: a) Reafirma os mesmos argumentos que foram expendidos em sua peça impugnatória; b) Que a matéria objeto do lançamento estaria albergada pela exigibilidade do crédito tributário em face de ação judicial; c) Finalmente, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. VOTO Conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, Relator O presente recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais formalidades legais, por isso tomo conhecimento. 1. Delimitação da lide Cinge-se o mesmo estritamente com relação ao questionamento do enquadramento legal da matéria que se encontra devidamente consubstanciada no lançamento que se encontra às fls. 3/8. 2. Mérito 2.1. Artigo 114, § 12, I, do anexo II, da Portaria nº 1.634/2023 (RICARF) Considerando que a matéria defensiva versada no presente recurso voluntário é a mesma que já foi arrostada pela autoridade de piso, sem nenhuma inovação, resolvo assumir a fundamentação de decidir trazida no r. voto, nos termos do artigo 114, § 12, I, do anexo II, da Portaria nº 1.634/2023 – RICARF, verbis: A impugnação preenche os requisitos para ser admitida. Ação Judicial Inicialmente, há que se fixar se o mandado de segurança, que se encontra atualmente (consulta em 18/3/2020) sobrestado aguardando decisão em repercussão geral, tem por objetivo questionar a contribuição lançada. Fl. 110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.575 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12420.000819/2019-23 4 Não consta dos autos a inicial da ação judicial, mas há decisão liminar juntada às folhas 47 a 50. Nesta, consta que o sindicato “pretende, liminarmente, não seja exigido de seus associados o recolhimento do SAT – Seguro Acidente de Trabalho com alíquotas majoradas em decorrência da aplicação do FAP – Fator Acidentário Previdenciário. Pondera-se, em suma, que a majoração da alíquota da contribuição ao SAT por meio de alteração promovida por ato infralegal fere o princípio da legalidade tributária”. A peça defere “o pedido de liminar, para determinar que a autoridade impetrada se abstenha de exigir das empresas substituídas pelo Sindicato autor o SAT calculado com base no fator acidentário previdenciário (Decreto nº 6.957/2009), devendo continuar a exigir a exação da forma como estava ocorrendo até 31 de dezembro de 2009”, facultando-lhe o depósito. Pois bem, até o advento do Decreto 6.957/2009, o CNAE preponderante informado (2869-1/00) possuía a alíquota de 2% de RAT, dada pelo Decreto 6.042/2007, que também incluiu o art. 202-A ao RPS, determinando a aplicação do FAP. Com a vigência desse primeiro Decreto, a referida alíquota RAT foi majorada para 3% e o FAP continuou a ser apurado em conformidade com o definido no art. 10 da Lei 10.666/2003 (vigente até a presente data). Assim, entendemos que as GFIP apresentadas o foram em conformidade com a decisão liminar, apesar de ter declarado o FAP 1,00, quando devia ser 0,9765 ou 0,8460. Verifica-se também, do conta-corrente da empresa, que toda a contribuição declarada foi objeto de pagamento ou LDCG/DCG. A diferença, portanto, é o que estaria sub-judice e passível de suspensão através dos depósitos judiciais. Depósitos Judiciais Passando-se à análise referente aos efeitos no lançamento dos depósitos judiciais, tem-se que o assunto é disciplinado pela Solução de Consulta Interna Cosit 3/2016. Dela extraímos os seguintes excertos: 2. A consulente informa que a motivação da consulta decorre “da ciência de decisão judicial que determinou a nulidade de lançamento de ofício de crédito tributário já constituído por depósito judicial, antes do início da ação fiscal” e que “condenou a União a pagar honorários de sucumbência, apesar de o crédito ter sido lavrado com exigibilidade suspensa.” 3. Discorre sobre vários atos da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, notadamente o Parecer PGFN/CAT/Nº 941/2007, o Parecer PGFN/CAT/Nº 796/2011, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 383/2012, e a NOTA/PGFN/CRJ/Nº 1114/2012, bem como ato da própria Receita Federal, qual seja, a Nota Técnica Cosit nº 29, de 23 de dezembro de 2010. Fl. 111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.575 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12420.000819/2019-23 5 4. Tais atos confluem, conforme colacionado pelo consulente, para o entendimento de que: a) “a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se encontra pacificada acerca da desnecessidade de lançamento especificamente nos casos em que o contribuinte discute a exação e deposita integralmente o valor discutido”; b) resta superada a posição que “afirmava que ante o depósito integral do montante em litígio, a autoridade fiscal deveria efetuar o lançamento tributário”, visto que “nas hipóteses de tributos com lançamento por homologação, a autoridade administrativa somente procederá o lançamento no caso de depósito em valor inferior ao efetivamente devido, ou ainda, se alguma outra conduta irregular do contribuinte tornar o lançamento necessário, com base nº entendimento de que não haverá risco de decadência do crédito tributário caso não ocorra o lançamento do valor efetivamente depositado, uma vez que o depósito judicial equivale à declaração do contribuinte sujeita a homologação tácita do fisco”; c) “as declarações que o contribuinte presta sobre o crédito tributário na guia de depósito judicial têm o condão de constituir o respectivo crédito tributário enquanto o depósito vinculado a tal declaração gera a suspensão da exigibilidade daquele crédito”; d) “o entendimento atual da jurisprudência do STJ é assente no sentido de que o depósito judicial, com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário, provoca a constituição do crédito tributário, sendo desnecessário o ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa em relação ao valor depositado”; e) “na hipótese de prévio depósito judicial não há necessidade e deve ser dispensada a instauração de processo administrativo fiscal prévio à inscrição do crédito em Dívida Ativa da União, como nos moldes estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, pois o débito estaria quantificado por meio do termo de depósito”; f) “a posição jurisprudencial do STJ sobre a matéria é no sentido que as declarações prestadas pelo contribuinte sobre o crédito tributário, na guia de depósito judicial, equivalem àquelas feitas em confissão de dívida, pois contém todos os elementos necessários à identificação da norma individual e concreta, bem como do valor devido”; ... 17. Já para a hipótese de “outra conduta irregular”, por certo é cabível a autuação fiscal, a fim de deixar caracterizada, na constituição do crédito tributário, dentre outros requisitos, a descrição do fato e a disposição legal infringida, contidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, como, por exemplo, o próprio fato de deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 (art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35, de Fl. 112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.575 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12420.000819/2019-23 6 2001, na redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013, c/c art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996); bem como em situações em que o depósito se der em valor inferior ao efetivamente devido ou sem a correta “identificação e individualização da expressão monetária devida em razão da realização do fato jurídico tributário”, conforme explicitado no item 14. O total objeto do presente lançamento, compreendendo as competências 1/2016 a 6/2017, perfaz R$ 89.082,65 (folhas 5 e 6), em valores originais. Segundo os dados fornecidos na impugnação, a contribuição depositada remonta R$ 217.966,10 para o mesmo período (folhas 19, 24 e 25), contando eventuais acessórios de multa e juros. Para verificação da integralidade dos depósitos, procedemos a imputação dos pagamentos a título de depósitos juntados (folhas 19, 24 e 25, 28 a 46) aos créditos lançados (identificados à folha 5), produzindo o relatório de folhas 65 e seguintes onde se verifica que os depósitos são suficientes para suspender a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, II do CTN. A confecção da GFIP, prevista no art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, está assim prevista no Manual GFIP/Sefip 8.4: 7 – INFORMAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DISCUTIDAS JUDICIALMENTE Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP normalmente de acordo com a legislação. Não deve elaborar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Caso a decisão judicial altere a obrigação, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP de acordo com a sentença, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. O referido procedimento aplica-se também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB. Assim, em consonância com a Solução de Consulta citada, cabível o lançamento, posto que as GFIP apresentadas não se encontravam em conformidade com os dispositivos que regulam sua confecção. Em relação à multa aplicada, no entanto, essa Turma tem sustentado, por maioria, em julgamentos anteriores, que tal lançamento não se coaduna com a efetivação do depósito constatado. Eventual incorreção de GFIP constatada deveria ser objeto de lançamento próprio, por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit 3/2016 Conclusão Fl. 113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.575 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12420.000819/2019-23 7 Pelo exposto, votamos pela exclusão da multa de ofício aplicada, e observado que os demais acessórios moratórios serão excluídos na medida da conversão do depósito em renda se o impugnante perder a causa judicial. 3. Conclusão Não trazendo o ora recorrente aos autos novos elementos fáticos e jurídicos visando a arrostar a decisão de piso que se encontra vergastada por intermédio do presente recurso voluntário, tenho que nenhum reparo merece a decisão proferida pela mencionada autoridade. Ante o exposto, CONHEÇO do presente recurso voluntário para, no mérito, NEGAR- LHE PROVIMENTO. É como voto. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima Fl. 114DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000302/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
PRAZO PARA PRESTAR AS INFORMAÇÕES.
Nos termos do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 01/04/2009. Contudo, isso não exime o transportador e demais intervenientes da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, cujo prazo até 31/03/2009 é antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. TRÂNSITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema SISCOMEX, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO ADUANEIRA. INDEPENDENTE DE DANO AO ERÁRIO OU INTENÇÃO DO AGENTE.
Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 3102-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações envolvendo princípios constitucionais, e, na parte conhecida, para negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Luiz Carlos de Barros Pereira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Keli Campos de Lima (suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Karoline Marchiori de Assis, substituída pela conselheira Keli Campos de Lima.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. PRAZO PARA PRESTAR AS INFORMAÇÕES. Nos termos do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 01/04/2009. Contudo, isso não exime o transportador e demais intervenientes da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, cujo prazo até 31/03/2009 é antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. TRÂNSITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema SISCOMEX, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO ADUANEIRA. INDEPENDENTE DE DANO AO ERÁRIO OU INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-09-06T11:57:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-09-06T11:57:49Z; Last-Modified: 2024-09-06T11:57:49Z; dcterms:modified: 2024-09-06T11:57:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-09-06T11:57:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-09-06T11:57:49Z; meta:save-date: 2024-09-06T11:57:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-09-06T11:57:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-09-06T11:57:49Z; created: 2024-09-06T11:57:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2024-09-06T11:57:49Z; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-09-06T11:57:49Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 12466.000302/2010-70 ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 23 de julho de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE JAS DO BRASIL AGENCIAMENTO LOGÍSTICO LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. PRAZO PARA PRESTAR AS INFORMAÇÕES. Nos termos do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 01/04/2009. Contudo, isso não exime o transportador e demais intervenientes da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, cujo prazo até 31/03/2009 é antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. TRÂNSITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema SISCOMEX, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. Fl. 153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 2 RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO ADUANEIRA. INDEPENDENTE DE DANO AO ERÁRIO OU INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações envolvendo princípios constitucionais, e, na parte conhecida, para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Luiz Carlos de Barros Pereira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Keli Campos de Lima (suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Karoline Marchiori de Assis, substituída pela conselheira Keli Campos de Lima. RELATÓRIO Trata o presente processo de auto de infração por prestar informações de registro de conhecimento de carga de forma intempestiva, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. A empresa responsável pela carga lançou a destempo o conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Segundo a auditoria, os seguintes fatos ensejaram a aplicação da penalidade no montante de R$ 5.000,00: A empresa JAS DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ 36.181.089/0001-87, agente de carga, deixou de prestar informação tempestiva sobre a carga representada pelos CE MERCANTE MASTER 120905061214229 E CE HOUSE 120905062.819507. 0 CE MASTER foi disponibilizado para desconsolidação em 28/05/2009, e o CE HOUSE foi informado na desconsolidagão em 01/06/2009, as 16:13 horas. No entanto, a atracação da embarcação MAERSK JEFFERSON ocorreu as 12:51 horas do dia 03/06/2009, de forma que o prazo entre a informação do CE HOUSE e a Fl. 154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 3 atracação do navio foi inferior a"48 horas, configurando o descumprimento do prazo previsto no inciso III do artigo 22 da IN RFB N° 800/2007. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento do prazo na informação dos dados de desconsolidação no Siscomex, sujeitando o infrator à multa de R$ 5.000,00 por cada informação prestada intempestivamente, perfazendo o total de R$ 5.000,00. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, além da relevação de penalidade e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que, de fato, as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Ato contínuo, a DRJ – RIO DE JANEIRO (RJ) julgou a Impugnação do Contribuinte improcedente, mantendo a multa lançada. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste recurso, a empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. O presente lançamento decorreu de prestação de informações intempestiva de registro sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que execute constante do sistema SISCOMEX. Segundo a Fiscalização, o deferimento de cada protocolo equivale a uma prestação de informação fora do prazo, por cada Master, estabelecido na IN RFB nº800/2007, sujeitando-se à multa prevista na alínea “e” do inciso IV, do art.107, do Decreto-lei nº37/66, com redação dada pelo art.77 da Lei nº10.833/2003 e regulamentada pelo art.728, inciso IV, alínea “e”, do Decreto nº6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), in verbis:. Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) Fl. 155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 4 IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga. (negrito nosso) Noticia-se nos autos que o agente de cargas JAS DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS, deixou de prestar as informações tempestivamente informação do conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca de registro sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que execute é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Feitas essas breves considerações sobre a matéria em litígio, passa-se à sua análise. Das Infrações Anteriores a 01/04/2009 – Suspensão dos Prazos de Antecedência Neste tópico, a Recorrente destaca que a multa aplicada teve seu fato gerador ocorrido no período de transição da IN 800/07. Ou seja, ocorreu em um momento em que a OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA AOS PRAZOS ESTAVA SUSPENSA, conforme regulamentação trazida pela IN 899/08, que alterou o art. 50. Por meio dessa Instrução a observância aos prazos passaria a ser obrigatória a partir de 1º de abril de 2009. Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de abril de 2009. Portanto, os fatos apontados anteriormente a essa data não podem ser considerados infração, razão pela qual devem ser excluídos e, consequentemente, cancelado o crédito exigido por meio deste auto de infração. Sem razão a Recorrente. Nos termos do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 01/04/2009. Contudo, isso não exime o transportador e demais intervenientes da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, cujo prazo até 31/03/2009 é antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ilegitimidade Passiva do Agente Marítimo Fl. 156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 5 A recorrente sustenta a ilegitimidade passiva. Aduz, em suma, que não se pode admitir a sua responsabilização por atos praticados por terceiros, na medida em que não se confunde nem se equipara à figura do agente desconsolidador. De plano, afasto o argumento da recorrente de que, por ser empresa agência marítima (mandatária) do transportador não estaria configurada a sua responsabilidade quanto à prática da infração lançada, pois há disposição expressa legal estabelecendo a sua responsabilização, na qualidade de representante do transportador estrangeiro no país 1 , conforme se confere no art. 32 do Decreto-lei nº 37/1966, in verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (negrito nosso) Como se sabe, o agente de carga é um prestador de serviços logísticos que, em nome do importador ou do exportador, contrata o transporte de mercadoria, consolida ou desconsolida cargas e presta serviços conexos (art. 37, § 1º do Decreto-Lei nº 37/1966). De acordo com o artigo 2º, V, § 1º da IN/RFB nº 800/2007, o transportador foi classificado da seguinte forma: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV - o transportador classifica-se em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; 1 IN RFB nº 800/2007: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. Fl. 157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 6 b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratando-se de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional. (sem destaques no texto original) (negritos nossos) Em suma, os conhecimentos únicos (tipo BL) e genéricos (master, MBL) devem ser incluídos pela empresa de navegação nacional ou pela agência marítima responsável pela informação do manifesto de carga no Sistema Mercante, uma vez que detém as informações contidas em um Conhecimento de Embarque, sendo gerado um número de Conhecimento Eletrônico Master para identificação e controle da carga. O agente de carga, outro lado, efetua a desconsolidação eletrônica do Conhecimento Master, informando no Sistema Mercante o respectivo Conhecimento House (Filhote, MHBL) ou Conhecimentos Agregados. A obrigação de prestar informação pelo agente de carga sobre a desconsolidação é prevista pela IN/SRF nº 800/2007 por meio de seu artigo 18, que assim dispõe: Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. Com isso, o agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação, tem legitimidade passiva para responder pela multa prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei nº 37/1966. Valendo ressaltar, ainda, que, em se tratando de infração à legislação aduaneira e em vista de que a agência de navegação concorreu para a prática da infração em questão, deve ela responder solidariamente pela correspondente penalidade aplicada, em consonância com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do art.94 e inciso I do art. 95 do Decreto- lei no 37/66 c/c com o art. 135, inciso II do CTN: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. Art. 95. Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 7 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; (...) (negritos nossos) Evidente então que o agente marítimo, na condição de representante do transportador estrangeiro no país, é o responsável solidário com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Além do mais, houve o julgamento dessa mesma matéria no REsp n º1.129.430/SP, de relatoria do Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX, julgado pelo STJ no regime do art. 543C/Recursos Repetitivos, no qual foi decidido que somente após a vigência do Decreto-lei nº 2.472/88 que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições, assume a condição de responsável tributário. Trago trecho do referido julgado que denota o entendimento sobre a temática ora analisada: 14. No que concerne ao período posterior à vigência do Decreto-Lei 2.472/88, sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem, à luz inclusive do parágrafo único, do artigo 124, do CTN) do "representante, no país, do transportador estrangeiro. Nesse mesmo sentido, tem sido a vasta jurisprudência do CARF, conforme exemplificam os seguintes julgados: AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. (Acórdão nº3401005.385, da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de relatoria do Conselheiro Tiago Guerra Machado, sessão de 23 de outubro de 2018) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO ADUANEIRA. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. O agente marítimo, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, é parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração, tendo em vista sua responsabilidade solidária quanto à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. (Acórdão nº3001-001.146 da 1ª Turma Extraordinária, de relatoria do Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, sessão de 12 de fevereiro de 2020) Fl. 159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 8 Dessa forma, resta configurada a legitimidade passiva da recorrente por expressa previsão legal. Denúncia espontânea Na sequência, a Recorrente pleiteia que o instituto da denúncia espontânea seja aplicada ao caso, pois as informações foram prestadas bem antes de qualquer medida da Fiscalização, conforme determina o art. 102, § 2º, do Decreto-Lei nº 37/66, específica para as infrações administrativas desvinculadas da arrecadação do tributo. Quanto à aplicação desse instituto ao caso, o CARF recentemente publicou a Súmula nº126, na qual nega a aplicação da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Esta Súmula foi publicada exatamente para a situação ora analisada, qual seja, aplicação de multa por não prestar informação à Fiscalização aduaneira no prazo previsto em norma. Como se sabe, as Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no artigo 123, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1,634/2023. Inexistência de prejuízo ao erário A Recorrente afirma, por fim, em sua defesa, que o atraso na referida informação não teria causado qualquer prejuízo à fazenda pública, descaracterizando a infração objeto do processo ora analisado, pois necessário se faz demonstrar a ocorrência de efetivo dano ao erário.. Assim, não tendo havido comprovação de dano em concreto ao erário, imperioso é o reconhecimento da nulidade do procedimento fiscal. Não cabe razão à Recorrente, uma vez que o potencial dano ao erário não consta no tipo infracional previsto na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, como determinante para aplicação da penalidade. É posição predominante nas turmas colegiadas do CARF que o dano ao erário decorre da própria lei. Comprovadas as condutas que compõe o tipo, está caracterizada a ocorrência de dano ao erário. Assim, não há necessidade de se discutir a existência ou não de dano ao erário porque a Fl. 160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 9 própria lei define que existe dano ao erário se os elementos apurados se enquadram no tipo infracional. A legislação foi expressa e específica ao estabelecer a responsabilidade pela infração independente da intenção ou mesmo dos efeitos do ato praticado. Assim, a partir do momento que se prestam informações fora do prazo estabelecido, o bem jurídico tutelado pela norma, o controle aduaneiro, é violado, ficando prejudicada a fiscalização das operações de comércio exterior. Nesse sentido, o Decreto-Lei nº 37, de 1966: Art.94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. [...] § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (negrito nosso) Destarte, ainda que a conduta do Contribuinte não resulte em diferenças de tributos, a violação ao controle aduaneiro enseja a aplicação da norma punitiva. Aplicação doe princípios da proporcionalidade e razoabilidade Quanto às questões constitucionais suscitadas pelo contribuinte, a exemplo de razoabilidade e proporcionalidade, essas matérias estão na competência de julgamento do Poder Judiciário, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1º e 2º. Nesse sentido, a súmula Carf nº2, conforme transcrito a seguir: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, não deve ser conhecida essa matéria constitucional. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações envolvendo princípios constitucionais, e, na parte conhecida, para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.615 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12466.000302/2010-70 10 Fl. 162DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.022082/95-64
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1993 a 31/12/1993
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Inexistente a contradição apontada é de se rejeitai os embargos interpostos.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 2202-000.119
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da Segunda
Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração no Acórdão nº 204-03.318, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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score : 1.0
Numero do processo: 10580.006998/2004-68
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2003
PIS. DCOMP. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM BASE EM CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL.
Para que o contribuinte possa se compensar de créditos tributários adquiridos mediante cessão de crédito de terceiros, resultante de decisão judicia] transitada em julgado, deve provar os exatos contornos da cessão dos créditos, sua homologação pelo juiz da causa, a liquidez dos valores resultantes daquela decisão e o atendimento ao preceito do § 2° do art 37 da IN SRF n° 210/2002.
MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N° 11.488/07.
Deve-se aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 204-03.273
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao
recurso para excluir a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Esteve presente ao julgamento o Dr. Adriano de Amorim Alves.
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2003 PIS. DCOMP. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM BASE EM CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL. Para que o contribuinte possa se compensar de créditos tributários adquiridos mediante cessão de crédito de terceiros, resultante de decisão judicia] transitada em julgado, deve provar os exatos contornos da cessão dos créditos, sua homologação pelo juiz da causa, a liquidez dos valores resultantes daquela decisão e o atendimento ao preceito do § 2° do art 37 da IN SRF n° 210/2002. MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N° 11.488/07. Deve-se aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN. Recurso voluntário provido em parte.
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QUARTA CÂMARA Processo n° 10580.006998/2004-68 Recurso n° 134.856 Voluntário Matéria COMPENSAÇÃO; CRÉDITO DE TERCEIROS; MULTA ISOLADA; RETROATIVIDADE BENIGNA Acórdão n° 204-03.273 Sessão de 04 de junho de 2008 , Recorrente CLIDIO CETTOLIN COMÉRCIO LTDA. Recorrida DRJ em SALVADOR/BA • ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PAsEP i 2 Ano-calendário: 2003 I . --------z1 ?-2 --1 .4 PIS. DCOMP. COMPENSAÇÃO 1 ' ã N - I ADMINISTRATIVA COM BASE EM CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL.Itc. _ ,‘I to,i Jr:: a LU 1 Cr CC •ZI d .1 .. j ceca kg Para que o contribuinte possa se compensar de \i créditos tributários adquiridos mediante cessão de . crédito de terceiros, resultante de decisão judicial P: 'A transitada em julgado, deve provar os exatos C3 contornos da cessão dos créditos, sua homologação 't pelo juiz da causa, a liquidez dos valores resultantes daquela decisão e o atendimento ao preceito do § 2° do art. 37 da IN SRF n° 210/2002. MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N° 11.488/07. - Deve-se aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN. Recurso voluntário provido em parte. .. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. if - • k ' OA FAZt t.tmiit - • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10580.006998/2004-68 . 6R4S1LI4 Acórdão o.° 204-03.273Fls. 96 .7 ,#•• ISTO ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Esteve presente ao julgamento o Dr. Adriano de Amorim Alves. . 9"-J. ter 412IQUE PINHEIRO TORRES Presidente .111War -- CataaaisÁrr, _ _ _ ~mem/ L • • - "DO SIADE MA AN Relator - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Junior, Silvia de Brito Oliveira e Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente). • C. A I: .2 Cu Processo n.° 10580.006998/2004-68 Acórdão n.°204-O3.273 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 97 BRASILIA ff/ iSt-04"7'41 Relatório Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, adoto e passo a transcrever o relatório da DRJ em Salvador/BA, ipsis literis: Trata-se de Manifestação de Inconformidade (fls. 15/18) da interessada contra o Parecer SEORT n° 396/04-PJ (fis. 12/13), proferido pela Delegacia da Receita Federal em Salvador, que não homologou a Declaração de Compensação Eletrônica (PER/Dcomp) de fls. 01/04. A interessada informou que o crédito a compensar se originaria da Ação Judicial n° 2001.01.00035245-6, com trânsito em julgado em 01/06/1989, em favor de terceiro (Pedro Felzemburg & Cia. Lida), razão pela qual a DRF/Salvador não homologou a Dcomp. Irresignada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em comento, alegando, em síntese, que: • O pleito da contribuinte é assegurado por lei complementar, e em se tratando de compensação de créditos federais com débitos também federais, inexiste oposição à natureza da obrigação; • O art. 286 do Código Civil autoriza a cessão de crédito, que foi efetuada mediante instrumento legal; • A IN SRF n°210, de 2002, em cujo artigo 30 se fundamentou a não homologação da compensação, contraria o disposto em lei complementar, subtraindo direito legal e legítimo da contribuinte; • Houve, portanto, ofensa ao principio da legalidade. A DRJ em Salvador/BA indeferiu a solicitação da contribuinte em decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 Ementa: NEGATIVA DE EFICÁCIA. IMPOSSIBILIDADE. A presunção de validade milita em favor de leis e atos normativos do Poder Público, e só se desfaz quando incide o mecanismo de controle jurisdicional estatuído na Constituição. CRÉDITO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Considera-se não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiros. Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão de Primeira Instância, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário a este Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, reiterando os termos de sua Manifestação de Inconformidade. • MIN. t3A FAZENDA - ez, CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10580.006998/2004-68 BRASiLIA L51 ......... Acórdão n.° 204-03.273 der j • Fls. 98 o, /'" /visto Foi apensado a estes autos o Processo n° 10580.011261/2004 67, relativo a auto de infração que lançou multa de oficio isolada, no percentual de 75%, incidente sobre débitos indevidamente compensados. É o Relatório. • _ MIN. DA t' /V.h.ft ja • Processo n.° 10580.006998/2004-68 CONFERE COM O ORIGINAL Acórdão n.° 204-03.273 BRASÍLIA 1.5..1_02_121_ Fls. 99 ar»Sr/ VISTO Voto Conselheiro LEONARDO SIADE MANZAN, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que, dele tomo conhecimento e passo à sua análise. Conforme relato supra, a contribuinte efetuou Declaração de Compensação de créditos cedidos por terceiros, obtidos através de decisão judicial transitada em julgado. A DRF em Salvador/BA não homologou as compensações declaradas, conforme Parecer SEORT n° 396/04 (fls. 12/13), com base no art. 30 da IN/SRF n° 210/2002, por ter verificado que os créditos decorrentes da Ação Judicial n° 1998.33.00.017228-8, informada na PER/Dcomp, pertenciam a terceiros. Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alega que houve cessão de créditos, efetuada por instrumento legal, autorizada pelo Código Civil. A DRJ em Salvador/BA julgou improcedentes as alegações da contribuinte e manteve a não homologação das compensações declaradas, por terem sido efetuadas com créditos de terceiros. A contribuinte, em seu Recurso Voluntário, aduz que, para os créditos relativos à Ação Judicial n° 1998.33.00.017228-8, que culminou na Execução de titulo Judicial n° 2001.01.00.035245-6, onde litigou a empresa Pedro Felzemburg e Cia. Ltda., já foram expedidos precatórios e efetuados os depósitos para resgate. Ato continuo, a contribuinte reafirma a ocorrência da cessão de créditos entre as empresas Pedro Felzemburg e Cia. Ltda. e Clidio Cettolin Comércio e Representações Ltda., ora Recorrente. No entanto, não consta nos autos qualquer documento que comprove a aludida cessão de créditos, nem tampouco, cópia de decisão judicial que homologue tal cessão ou determine a compensação de tais créditos com débitos da contribuinte. Pelo contrário, a própria contribuinte informa, nas razões de seu recurso, que requereu judicialmente a integração do pólo ativo da Ação de Execução de Titulo Executivo Judicial n° 2001.01.00.035245-6, juntamente com a empresa Pedro Felzemburg e Cia. Ltda., em razão da Cessão de Créditos realizada entre ambas, e que o Agravo de Instrumento ainda não foi apreciado. Portanto, não há qualquer prova de que a recorrente seja possuidora dos créditos informados na PER/Dcomp de fls. 01/04. Aliás, na página 02 da declaração, a contribuinte informa ser o crédito de terceiros. Resta claro a impossibilidade de se compensar débitos com créditos de terceiros, tal é a inteligência do art. 30 da IN/SRF n° 210/2002, verbis: , LiA r (ri- CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10580.006998/2004-68 BRASILI / (2-ei Acórdão n.°204-03.273 Fls. I 00 VISTO Art. 30. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação a que se refere o caput não se aplica ao débito consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, bem assim aos pedidos de compensação formalizados perante a SRF até 07 de abril de 2000. Não obstante, outro óbice à homologação das compensações declaradas se encontra no descumprimento do disposto nos parágrafos do art. 37 da mesma IN/SRF n° 210/2002, que trata de compensação com créditos discutidos judicialmente. Vejamos: Art 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do tránsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. § 12 A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá requerer ao sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou da compensação, que lhe seja encaminhada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditó rio foi reconhecido. § 22 Na hipótese de titulo judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. § 32 Não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 42 A compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado com débitos do sujeito passivo relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF dar-se-á na forma disposta nesta Instrução Normativa, caso a decisão judicial não disponha sobre a compensação dos créditos do sujeito passivo. Dessa forma, não há nos autos prova da cessão de crédito, nem *de inteiro teor de decisão judicial que reconheceu o direito creditório, tampouco da desistência da execução judicial, motivo pelo qual não deve ser homologada a declaração de compensação realizada. Quanto à multa isolada, esta foi lançada com base no art. 18 da Lei n° 10.833/03, em razão de compensação indevida por se tratar de crédito não passível de compensação por expressa disposição legal. No entanto, a referida multa deve ser exonerada em estrito atendimento ao Princípio da Retroatividade Benigna das Leis, consagrado pelo art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional - CTN. Vejamos a legislação vigente à época do lançamento: • MIN. GA t•A..:1_!,•-)... • ..• • CONFERE COM O ORIGINAI • Processo n.° 10580.006998/2004-68 Acórdão n.° 204-03.273 BRASILIA _/5--/...É2 7 Lei' Fls. 101.411. etrafr 1 :to a; # VISTO Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de com pensacão por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n2 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Grifei) Em dezembro de 2004, com o advento da Lei n° 11.051/04, que modificou o art. 18 da Lei n° 10.833/03, as hipóteses de incidência da multa isolada foram reduzidas aos casos em que a não-homologação da compensação declarada pelo contribuinte se desse em razão da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502/1964, verbis: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não-homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n2 4.502, de 30 de novembro de 1964. Por fim, a MP n°351/07, convertida na Lei n° 11.488/07 restringiu ainda mais as hipóteses de cabimento da multa isolada, determinando sua imposição apenas quando a compensação não seja homologada em vista da comprovação de falsidade na declaração do• contribuinte, senão vejamos: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória rf 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Como anteriormente dito, a multa isolada foi lançada em razão de compensação indevida por se tratar de crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, não havendo comprovação e nem sequer indício de falsidade em declarações apresentadas pela contribuinte. Dessa forma, as alterações no art. 18 da Lei n° 10.833/03 trazidas pela Lei n° 11.051/04 e posteriormente pela Lei n° 11.488/07 devem ser aplicadas retroativamente em beneficio dos contribuintes, razão pela qual deve ser exonerada a multa isolada. No caso específicO destes autos, à época do lançamento, em novembro de 2004, ainda não havia a previsão legal de cabimento da multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada, visto que tal norma foi introduzida em nosso ordenamento jurídico pela Lei n° 11.051/04, acrescendo ao art. 18 da Lei n° 10.833/03 um quarto parágrafo e alterando o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Dessa forma, impossível manter o lançamento da multa isolada com base em legislação não vigente à época da lavratura do auto de infração, devendo retroagir a lei tributária tão somente para beneficio do contribuinte. IV11N. A ::::. • Processo n.° 10580.006998/2004-68 Acórdão n.° 204-03.273 CONFERE COM O ORiGINAL BRASILIA Fls. 102 "-» %)1( VISTO Considerando os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar parcial provimento ao presente Recurso Voluntário, para exonerar a multa de oficio de 75 %, em virtude da retroatividade benigna do art. 18 da Lei n° 11.488/07. É o meu voto. Sala das Sessões, e 04 de junho de 2,1! -00rame__ reaaaler-- SIADE áfOrN - Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10315.000481/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Dec 24 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 1402-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macêdo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macêdo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macêdo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.864 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000481/2010-43 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SPO, sessão de 20 de maio de 2016 (fls. 333/341), que negou provimento à impugnação apresentada (fls. 297/309), mantendo os lançamentos de “multas passíveis de redução - falta/atraso de apresentação da declaração sobre operação imobiliária –DOI - serventuários da justiça”, conforme auto de infração (fls. 2/15), período junho/2005 a janeiro/2010, abaixo reproduzido (fls. 5): Cientificada dos lançamentos e irresignada, a contribuinte acostou a impugnação referida, alegando (fls. 297/309): Anexo I, constam todos os atos notariais que foram atingidos pelo Instituto da Prescrição, o que eiva de nulidade o Auto de Infração ora impugnado, pois originou-se do procedimento de verificação das obrigações tributárias de instrumentos prescritos, anteriores a 15 de junho de 2006; contudo, por não terem sido aceitos pelo Sr. fiscal, requer-se a V. Sa, nos termos do que determina a Lei n° 10.426/2002, c/c art° 112 e 106, do CTN, que definem infrações ou cominam penalidades, seja dada a interpretação mais benéfica, e, consequentemente seja aplicada a legislação mais favorável à IMPUGNANTE; Anexo III, os erros de cálculo em que incorreu e que eivam de nulidade insanável o Auto de Infração; devidos pelos atos relacionados com a primeira aquisição imobiliária para fins residenciais, financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação, serão reduzidos em 50% (cinqüenta por cento). (Redação dada pela Lei n° 6.941, de 1981), aplicável ao atual programa popular do Governo Federal "Minha Casa Minha Família". Submetida à apreciação da 2ª Turma da DRJ/SPO, foi prolatada decisão (fls. 333/341) na qual a Turma julgadora afastou as alegações sobre nulidade, decadência, ilegalidade e Fl. 385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.864 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000481/2010-43 3 inconstitucionalidade e, no mérito, manteve o lançamentos, conforme razões de decidir expostas no voto condutor: “Inicialmente cumpre assinalar que o litígio refere-se à impugnação apresentada em face da autuação sofrida pela contribuinte de valores da multa por atraso na entrega da DOI. A mencionada penalidade tributária encontra previsão no art.8º da Lei n 10.426/2002: “Art. 8o Os serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. 1º A cada operação imobiliária corresponderá uma DOI, que deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação, sujeitando-se o responsável, no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, à multa de 0,1% ao mês-calendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o disposto no inciso III do § 2o. § 2º A multa de que trata o § 1º: I - terá como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração; II - será reduzida: a) à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de ofício; b) a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação; § 3º O responsável que apresentar DOI com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração retificadora, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á à multa de R$ 50,00 (cinqüenta reais) por informação inexata, incompleta ou omitida, que será reduzida em cinqüenta por cento, caso a retificadora seja apresentada no prazo fixado.” A contribuinte alega que houve erros de cálculo e que a Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973) preceitua em seu art. 290, que os emolumentos devidos pelos atos relacionados com a primeira aquisição imobiliária para fins residenciais, financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação, foram reduzidos em 50% (cinqüenta por cento). Apesar de a contribuinte ter apresentado planilha em que visa justificar as inconsistências apuradas pela autoridade fiscal, no entanto, não houve a Fl. 386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.864 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000481/2010-43 4 apresentação de documentação comprobatória das operações, ora realizadas, ou seja, as escrituras de negociação dos imóveis com discriminação de preço, data, características do imóvel e demais pertinentes para a comprovação dos fatos discriminados na tabela acostada aos autos. Sem a documentação comprobatória fica sem suporte material a planilha apresentada pela interessada (fls.317/329). Pelas razões expostas, não cabe razão à contribuinte devendo ser mantido o presente Auto de Infração. (...) CONCLUSÃO Do exposto, voto pela procedência do lançamento e pela manutenção do crédito tributário lançado neste PAF”. Decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA POR ATRASO NA DECLARAÇÃO. O atraso na entrega da declaração enseja a aplicação da multa prevista na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando do r. decisum, a contribuinte acostou recurso voluntário (fls. 352/365) alegando nulidades, confisco e no mérito a incorreção do trabalho fiscal. Requerendo ao final (RV - fls.365): É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.864 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000481/2010-43 5 VOTO Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator Antes de qualquer análise, há prejudicial processual que necessita de apreciação, no caso, a possível intempestividade da peça recursal de 2º Grau. Explico. Na forma do disposto no PAF (Decreto nº 70.235, de 1972), os recursos contra as decisões exaradas pelas autoridades julgadoras de 1ª Instância deverão ser interpostos em até trinta dias após a ciência do Acórdão recorrido, conforme expresso dizer do artigo 33: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Pois bem, como se observa nos autos, a ciência do Acórdão de 1º Grau deu-se em 10 de junho de 2016 (fls. 348 - “AR”), conforme reprodução abaixo: Fl. 388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.864 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000481/2010-43 6 De outro lado, existem DUAS datas referenciando-se ao protocolo do Recurso Voluntário, a saber: a) “Termo de solicitação de juntada” (fls. 351), com a data de 22/07/2026, impondo seja decretada a intempestividade da peça recursal (fls. 352): b) Protocolo em carimbo na “folha de rosto” (1ª página) do recurso voluntário “em papel” com a data de 12/07/2016, quando se atestaria a tempestividade. Fl. 389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.864 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000481/2010-43 7 Ou seja, informações conflitantes que entendo necessitam de esclarecimento por parte da unidade de origem e da autoridade preparadora, posto se tratar de prejudicial processual. Além disso, consta dos autos “Termo de Perempção”, ou seja, informação de que o recurso voluntário seria intempestivo (fls. 350): Portanto, dissintonia de informações que, repito, devem ser aclaradas. Nesse sentido, entendo que os autos devem ser remetidos à unidade de origem da RFB para que a autoridade preparadora confirme QUAL a efetiva data de protocolo do recurso voluntário e sua tempestividade ou não. Prestados os esclarecimentos solicitados, os autos devem voltar para julgamento no CARF. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.864 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000481/2010-43 8 Fl. 391DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001558/2004-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/10/1999, 08/11/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Inexistente a omissão apontada, devem ser rejeitados os embargos de declaração opostos com a finalidade de modificar o acórdão recorrido por meio da revisão de mérito do julgado.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-000.645
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração no Acórdão n° 204-03.272, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/10/1999, 08/11/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Inexistente a omissão apontada, devem ser rejeitados os embargos de declaração opostos com a finalidade de modificar o acórdão recorrido por meio da revisão de mérito do julgado. Embargos rejeitados.
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