Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10675.720844/2010-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/03/2005
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.056
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201203
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10675.720844/2010-71
conteudo_id_s : 5251510
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3801-001.056
nome_arquivo_s : Decisao_10675720844201071.pdf
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10675720844201071_5251510.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4876633
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:58:02 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075604000768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2141; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 1 1 0 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.720844/201071 Recurso nº 912.386 Voluntário Acórdão nº 380101.056 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de março de 2012 Matéria PIS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 380101.056 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.900083/2008-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA.
O conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte.
Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-000.996
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negou-se
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10909.900083/2008-24
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 6954468
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3801-000.996
nome_arquivo_s : 380100996_10909900083200824_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE LUIZ BORDIGNON
nome_arquivo_pdf_s : 10909900083200824_6954468.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4749202
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:58:01 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075626020864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 395 1 394 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.900083/200824 Recurso nº 918.811 Voluntário Acórdão nº 3801000.996 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2012 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente EMPRESA DE TRANSPORTE COLETIVO ITAJAÍ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 01/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Ausente justificadamente a conselheira Daniela Ribeiro de Gusmão. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10909.900083/200824 Acórdão n.º 3801000.996 S3TE01 Fl. 396 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Per/Dcomp 09164.61851.140604.1.3.046663), transmitida em 14/06/2004, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse por não homologar a compensação pleiteada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação de que os créditos já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, inicialmente, a contribuinte alega que o crédito é proveniente de pagamento originário de contribuições ao PIS, do período de apuração de 07/1994 a 09/1995 e não como consta da Dcomp, como sendo do período de apuração de 08/2003, devendo ser atribuído a erro de fato; que o débito da Cofins do período de apuração de 05/2004 é de R$ 27.555,74, conforme DIPJ e DCTF, tendo sido compensado em 8 (oito) Per/Dcomp distintas, conforme relaciona à fl. 10. Na seqüência, a contribuinte elabora um histórico a respeito do que argumenta ser a constituição material do direito. Neste tópico (II do Direito), aborda desde as alíquotas das contribuições ao PIS, conforme a Lei Complementar LC n°. 07/70 (PISDedução e PISRepique), bem como da vigência dos DecretosLei n°. 2.445/88 e n°. 2.449/88, os quais estabeleceram a incidência da contribuição sobre a receita operacional bruta à alíquota de 0,65%, até a decisão do Supremo Tribunal Federal, a qual declarou inconstitucionais estes últimos. Remete à suspensão da execução dos referidos decretos pelo Senado Federal, conforme a Resolução n°. 49 de 09/10/1995; à Medida Provisória n°. 1.175/95, art. 17, inciso VIII, e suas reedições, que teriam dispensado a constituição e inscrição em Dívida Ativa e o ajuizamento de ações fiscais; à Lei n°. 10.522/2002, em seu art. 18, inciso VIII; ao Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN n°. 1.185/95; ao Decreto n°. 2.346/97, que alterando o entendimento do anterior Parecer da PGFN, estabeleceu os efeitos retroativos à data da entrada em vigor do ato declarado inconstitucional; ao Parecer CAT n°. 437/98, da PGFN, onde ficou estabelecido o efeito extunc do ato do senado federal, por força do Decreto n°. 2.347/97. Alega que recolheu o PIS sobre a Receita Operacional com a alíquota de 0,65%, no período de apuração de 07/1994 a Fl. 397DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 09/1995, conforme DARF apensados, e que estava sujeito ao PISREPIQUE, sendo que essa diferença entre modalidades teria gerado os créditos em questão, líquidos e certos, com a correção monetária, de acordo com as planilhas constantes de sua manifestação de inconformidade (item II B). No item IIC de sua manifestação, a contribuinte aborda da "desnecessidade de ação judicial de terceiros efeito erga omnes", cita acórdão proferido pela 9a. Turma de Julgamento da DRJ/SP, e termina por alegar que os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos decretoslei n°. 2.445/88 e 2.449/88 pelo Supremo Tribunal Federal e a conseqüente suspensão de suas execuções podem e devem ser estendidos à contribuinte. No item II D, argumenta sobre o seu direito à compensação, em síntese, para alegar que, com base no art. 170 do CTN, é imprescindível apenas que o contribuinte comprove a certeza e a liquidez da seu crédito para contraporse ao crédito tributário que lhe está sendo exigido, o que independe\de autorização da Fazenda Pública ou de decisão judicial. No item II E, sustentando a inexistência de prescrição do crédito, reportase aos artigos. 165 e 168, I, e 156, I e VU do CTN, para alegar, em síntese, que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para que se opere a extinção do crédito tributário a ele referente, devem se verificar duas condições, o pagamento antecipado e a homologação do lançamento, no termos do art. 150, §§1º e 4º. do CTN. Defende, ainda, que o art. 3º da Lei Complementar n°. 118/2005, pela qual a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, é incompatível com a sistemática do art. 150, §§1°. e 4o . do CTN. Após uma longa exposição de motivos e teses, termina por reiterar que o crédito não se acha fulminado pela decadência e com isso o contribuinte tem direito às compensações pleiteadas no presente processo. No item III, alega da suficiência de saldo credor do PIS para compensar débitos da própria contribuição e da Cofins e apresenta planilha contendo os débitos de PIS compensados em cada Per/Dcomp, bem como o saldo remanescente após as compensações. No item IV, apresenta a lista dos documentos anexados: DIPJ do ano calendário de 2004; DCTF relativa ao 2o . trimestre de 2004, abrangendo o período de apuração de maio de 2004; DARF correspondente aos pagamentos do PIS e IRPJ dos períodos de apuração mensal de 07/1994 a 09/1995. Por fim, requer a homologação das compensações pleiteadas”. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10909.900083/200824 Acórdão n.º 3801000.996 S3TE01 Fl. 397 5 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Dada a natureza própria da Declaração de Compensação, a qual extingue o débito tributário, não é lícito, em sede de manifestação de inconformidade alterar a natureza ou o montante do crédito tributário nela declarado para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 198 a 248, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0723.017, da 4ª Turma da DRJ/Florianópolis/SC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não homologando a compensação declarada, fls. 191/194. Inicialmente cumpre esclarecer, não obstante as respeitáveis decisões dos órgãos julgadores trazidas na peça de defesa, que as decisões administrativas não se constituem em normas complementares contidas no art. 100 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que elas não possuem eficácia normativa, em razão da inexistência de lei que lhes atribua tal efeito e, por conseqüência, não têm o condão de vincular o julgamento em primeira instância. Compulsandose as peças que compõem o presente processo, verificouse que: (i) a recorrente entregou Per/Dcomp (fls. 01/05) no qual declarou um crédito de pagamento “indevido ou a maior” de PIS/Pasep, período de apuração (PA) 04/2003, valor de R$ 3.485,65, cuja arrecadação ocorreu em 15/05/2003 (fl. 03) e que foi utilizado para compensar o débito de Cofins, PA 05/2004, data de vencimento em 15/06/2004, no valor de R$ 3.005,90 (fl. 04); (ii) o valor do crédito declarado já foi utilizado para quitar débito do contribuinte em 30/04/2003 no valor de R$ 3.485.65. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente informa que ocorreu um erro de fato no preenchimento do PerDcomp, e que o crédito a ser utilizado para extinguir o débito da Cofins, PA 05/2004, de R$ 3.005,90, tem origem nos recolhimentos de Pis/Pasep referente aos período de apuração 07/1994 a 09/1995. Por ocasião da apresentação de sua peça recursal, fls. 198/248, aduz que e recolheu o PIS sobre a Receita Operacional a alíquota de 0,65%, no período de apuração de 07/1994 a 09/1995 (na vigência dos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais), sob o código de arrecadação de receitas 3885 (PIS RECEITA OPERACIONAL), e estava sujeita ao PISREPIQUE, sendo que essa diferença entre modalidades de recolhimento gerou crédito da contribuição em seu favor, conforme planilhas 1 e 2, fls. 17/19. Em análise do alegado, considerando estritamente as regras que regulam a compensação tributária, convém aclarar que a apresentação da Declaração de Compensação (DCOMP), a partir da MP nº 66, de 29/08/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002), traz como efeito principal a extinção do crédito tributário, mesmo que sob a condição resolutória de ulterior homologação por parte da Fazenda Nacional. Por evidente, o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pelo sujeito passivo deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), caso contrário, não há como homologar a compensação declarada. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10909.900083/200824 Acórdão n.º 3801000.996 S3TE01 Fl. 398 7 Na situação em concreto, a interessada postula a compensação de débito próprio com um crédito juridicamente inexistente, ou seja, esse possível crédito não goza de liquidez e certeza. Não é demais lembrar que o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito compete ao autor ( art. 333 do Código de processo Civil). A postulante, ao apresentar a manifestação de inconformidade, tinha a obrigação de carrear aos autos os elementos comprobatórios de sua pretensão, conforme dispõe o art. 333, do Código de Processo Civil (CPC) e o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, no entanto, limitouse a alegar ter ocorrido erro de fato, pois o crédito pretendido não seria aquele constante do PerDcomp apresentado, mas sim proveniente dos recolhimentos de Pis/Pasep dos períodos de apuração 07/1994 a 09/1995. Importante ressaltar, também, que as declarações, DCOMP e DCTF, não têm a natureza de simples documento formal, com característica única de informar algo à Fazenda Pública, mas sim instrumentos, legalmente previstos, que servem para extinguir o crédito tributário, no caso da primeira declaração, e documento de confissão de dívida, no segundo caso. Não resta dúvida, portanto, que o Per/Dcomp de fls. 01/05 não contempla um crédito líquido e certo que possa ser aproveitado na compensação da COFINS, PA 05/2004, data de vencimento em 15/06/2004, no valor de R$ 3.005,90. Importante ressaltar, também, que nessa instância administrativa não cabe apreciar pedido de restituição, mas tão somente o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, sendo competente para tal a unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Em razão disso, não há como homologar a compensação pretendida, devendo ser mantida a decisão recorrida. Diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 401DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901040/2017-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 13/07/2017
PIS/PASEP. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. REQUISITOS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. SÚMULA 612 DO STJ.
Em julgamento ao RE 566.622, o STF reconheceu que: (a) é exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas (Tema nº 32); (b) lei ordinária pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo; e (c) é constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001.
O inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estabelece que a entidade beneficente deve ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social que, posteriormente, passou a ser o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social.
O certificado de entidade beneficente de assistência social (Cebas), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Súmula 612 do STJ.
Numero da decisão: 3402-010.822
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.818, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10835.901036/2017-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202307
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/07/2017 PIS/PASEP. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. REQUISITOS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. SÚMULA 612 DO STJ. Em julgamento ao RE 566.622, o STF reconheceu que: (a) é exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas (Tema nº 32); (b) lei ordinária pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo; e (c) é constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. O inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estabelece que a entidade beneficente deve ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social que, posteriormente, passou a ser o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social. O certificado de entidade beneficente de assistência social (Cebas), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Súmula 612 do STJ.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10835.901040/2017-68
anomes_publicacao_s : 202310
conteudo_id_s : 6955416
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3402-010.822
nome_arquivo_s : Decisao_10835901040201768.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 10835901040201768_6955416.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.818, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10835.901036/2017-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2023
id : 10138275
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:58:00 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075630215168
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-10-17T18:39:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-10-17T18:39:19Z; Last-Modified: 2023-10-17T18:39:19Z; dcterms:modified: 2023-10-17T18:39:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-10-17T18:39:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-10-17T18:39:19Z; meta:save-date: 2023-10-17T18:39:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-10-17T18:39:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-10-17T18:39:19Z; created: 2023-10-17T18:39:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2023-10-17T18:39:19Z; pdf:charsPerPage: 2638; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-10-17T18:39:19Z | Conteúdo => S3-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10835.901040/2017-68 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-010.822 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2023 Recorrente CLINICA DE REPOUSO NOSSO LAR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/07/2017 PIS/PASEP. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. REQUISITOS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. SÚMULA 612 DO STJ. Em julgamento ao RE 566.622, o STF reconheceu que: (a) é exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas (Tema nº 32); (b) lei ordinária pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo; e (c) é constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. O inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estabelece que a entidade beneficente deve ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social que, posteriormente, passou a ser o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social. O certificado de entidade beneficente de assistência social (Cebas), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Súmula 612 do STJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.818, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10835.901036/2017-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 10 40 /2 01 7- 68 Fl. 248DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.822 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901040/2017-68 (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedente a impugnação. A decisão recorrida foi proferida com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543-B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento dos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem reproduzir os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Fl. 249DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.822 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901040/2017-68 Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em [...], em face do indeferimento do pedido de restituição constante do Per/Dcomp [...], nos termos do despacho decisório emitido em [...] pela DRF em [...]. No aludido PER, transmitido eletronicamente em [...], a contribuinte objetiva o reconhecimento de direito creditório no montante de R$ [...], correspondente ao valor total do pagamento de PIS/Pasep efetuado em [...], sob o código [...]. Segundo o despacho decisório, cientificado em [...], a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontrava-se vinculado a processo de parcelamento da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte informa ser uma instituição sem fins lucrativos, imune a impostos de qualquer natureza. Afirma que o PIS é indevido em razão do resultado do julgamento pelo STF do RE nº 636.941/RS, com repercussão geral. Salienta que o entendimento foi acatado pela PGFN por meio da nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. Entende que o indeferimento do pedido de restituição de parcelamento não se justifica. Insiste no deferimento do pleito. Em [...], o processo foi enviado para esta DRJ em [...], para julgamento. A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância, apresentando Recurso Voluntário, pelo qual pediu o provimento do recurso e do pedido de restituição. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Mérito Conforme relatório, versa o presente litígio sobre Pedido de Restituição transmitido eletronicamente, pelo qual a Contribuinte, enquanto instituição sem fins lucrativos, objetiva o reconhecimento de direito creditório correspondente ao valor total do pagamento de PIS/Pasep efetuado em 17/10/2012, sob o código 8301. O Egrégio Supremo Tribunal Federal, em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 636.941/RS, sob repercussão geral, decidiu que são Fl. 250DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.822 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901040/2017-68 imunes à Contribuição para o PIS as entidades beneficentes de assistência social que atendam os requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme Ementa abaixo reproduzida: EMENTA: TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. REPERCUSSÃO GERAL CONEXA. RE 566.622. IMUNIDADE AOS IMPOSTOS. ART. 150, VI, C, CF/88. IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES. ART. 195, § 7º, CF/88. O PIS É CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (ART. 239 C/C ART. 195, I, CF/88). A CONCEITUAÇÃO E O REGIME JURÍDICO DA EXPRESSÃO “INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCAÇÃO” (ART. 150, VI, C, CF/88) APLICA-SE POR ANALOGIA À EXPRESSÃO “ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSITÊNCIA SOCIAL” (ART. 195, § 7º, CF/88). AS LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR SÃO O CONJUNTO DE PRINCÍPIOS E IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS (ART. 146, II, CF/88). A EXPRESSÃO “ISENÇÃO” UTILIZADA NO ART. 195, § 7º, CF/88, TEM O CONTEÚDO DE VERDADEIRA IMUNIDADE. O ART. 195, § 7º, CF/88, REPORTA-SE À LEI Nº 8.212/91, EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL (MI 616/SP, Rel. Min. Nélson Jobim, Pleno, DJ 25/10/2002). O ART. 1º, DA LEI Nº 9.738/98, FOI SUSPENSO PELA CORTE SUPREMA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16-06- 2000). A SUPREMA CORTE INDICIA QUE SOMENTE SE EXIGE LEI COMPLEMENTAR PARA A DEFINIÇÃO DOS SEUS LIMITES OBJETIVOS (MATERIAIS), E NÃO PARA A FIXAÇÃO DAS NORMAS DE CONSTITUIÇÃO E DE FUNCIONAMENTO DAS ENTIDADES IMUNES (ASPECTOS FORMAIS OU SUBJETIVOS), OS QUAIS PODEM SER VEICULADOS POR LEI ORDINÁRIA (ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91). AS ENTIDADES QUE PROMOVEM A ASSISTÊNCIA SOCIAL BENEFICENTE (ART. 195, § 7º, CF/88) SOMENTE FAZEM JUS À IMUNIDADE SE PREENCHEREM CUMULATIVAMENTE OS REQUISITOS DE QUE TRATA O ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E AQUELES PREVISTOS NOS ARTIGOS 9º E 14, DO CTN. AUSÊNCIA DE CAPACIDADE CONTRIBUTIVA OU APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE SOCIAL DE FORMA INVERSA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16-06-2000). INAPLICABILIDADE DO ART. 2 º, II, DA LEI N º 9.715/98, E DO ART. 13, IV, DA MP N º 2.158-35/2001, ÀS ENTIDADES QUE PREENCHEM OS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N º 8.212/91, E LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE, A QUAL NÃO DECORRE DO VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE DESTES DISPOSITIVOS LEGAIS, MAS DA IMUNIDADE EM RELAÇÃO À CONTRIBUIÇÃO AO PIS COMO TÉCNICA DE INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. EX POSITIS, CONHEÇO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, MAS NEGO-LHE PROVIMENTO CONFERINDO EFICÁCIA ERGA OMNES E EX TUNC. A questão foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 2028, 2036, 2228, 2621 e 44804 e do Recurso Extraordinário (RE) 566.622, com repercussão geral reconhecida, conforme Ementa abaixo: REPERCUSSÃO GERAL - ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - IMUNIDADE - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - ARTIGO 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Admissão pelo Colegiado Maior. Fl. 251DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.822 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901040/2017-68 (RE 566622 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 21/02/2008, DJe-074 DIVULG 24-04-2008 PUBLIC 25-04-2008 EMENT VOL-02316-09 PP-01919) Em julgamento realizado em 23/02/2017, o Supremo Tribunal Federal, por maioria e nos termos do voto do Relator Ministro Marco Aurélio, deu provimento ao RE nº 566.622 e declarou a inconstitucionalidade de todo o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, concluindo que os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficente para gozarem dos benefícios da imunidade tributária são aqueles dispostos no art. 14 do Código Tributário Nacional. Em 02/03/2017, ao julgar as ADIs 2028, 2036, 2228 e 2621, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, III, da Lei 8.212/1991 e acrescentou-lhe os §§ 3º, 4º e 5º; arts. 4º, 5º e 7º da Lei 9.732/1998; arts. 2º, IV; 3º, VI, § 1º e § 4º; 4º, parágrafo único, do Decreto 2.536/1998; arts. 1º, IV; 2º, IV, e § 1º e § 3º; e 7º, § 4º, do Decreto 752/1993. Posteriormente, em 19/12/2019, o STF acolheu parcialmente os embargos de declaração opostos pela União no RE 566.622, para assentar a constitucionalidade tão somente do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos 1 : a) É exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas (Tema nº 32); b) Lei ordinária pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo; c) É constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. Portanto, as entidades beneficentes de assistência social, para fins de fruição da “isenção” das Contribuições de Seguridade Social, devem observar as contrapartidas previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. Por consequência, devem ser considerados como concedidos o CEBAS de que trata o art. 55, inciso II, da Lei 8.212/91 para todas as entidades que observam os requisitos dispostos em Lei Complementar (CTN). Por sua vez, conforme estabelecido pela Súmula nº 612 do Eg. STJ, tem natureza declaratória a decisão administrativa que concede o certificado e reconhece o preenchimento dos requisitos legais para gozo da imunidade. Vejamos: 1 Redatora: Ministra Rosa Weber - DOU: 11/05/2020 Fl. 252DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.822 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901040/2017-68 SÚMULA 612 – STJ: O certificado de entidade beneficente de assistência social (Cebas), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Pois bem. A Recorrente informou nos autos que cumpre com os requisitos previstos nos artigos 9º e 14º do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, consoante as seguintes Portarias que atesta, se tratar de Entidade de Assistência Social sem fins lucrativos: Portaria 1363 de 06 de dezembro de 2012, que abrange o período de 07/12/2012 a 06/12/2015; Portaria 1680 de 23 de novembro de 2016, que abrange o período de 07/12/2015 à 06/12/2018; e Portaria 1980 de 19 de dezembro de 2018, que abrange o período de 07/12/2018 a 06/12/2021. As Portarias em referência foram colacionadas em razões recursais, conforme abaixo: Fl. 253DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.822 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901040/2017-68 Fl. 254DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.822 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901040/2017-68 Observo que este processo paradigma tem fato gerador em 13/07/2017, abrangido, portanto, pela Portaria 1680 de 23 de novembro de 2016 (período de 07/12/2015 à 06/12/2018). Por tais razões, com relação ao período devidamente comprovado na forma definida pelos Tribunais Superiores, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a Unidade Preparadora analise a certeza e liquidez do direito creditório objeto deste litígio. Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.822 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901040/2017-68 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. ( documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 256DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730035/2016-16
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.916
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente julgamento na Terceira Câmara (DIPRO/COJUL) para que se junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 13819.904878/201295
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201810
numero_processo_s : 11080.730035/2016-16
conteudo_id_s : 6950996
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3302-000.916
nome_arquivo_s : Decisao_11080730035201616.pdf
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11080730035201616_6950996.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente julgamento na Terceira Câmara (DIPRO/COJUL) para que se junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 13819.904878/201295
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
id : 10133478
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:57:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075636506624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 151 1 150 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.730035/201616 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.916 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2018 Assunto Sobrestamento Recorrente FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente julgamento na Terceira Câmara (DIPRO/COJUL) para que se junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 13819.904878/201295. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Notificação de Lançamento Eletrônica para constituição de crédito tributário de multa isolada no percentual de 50% aplicada em decorrência de compensações nãohomologadas no processo nº 13819.904878/201295, com fulcro no §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, conforme efls. 2. Em impugnação, a recorrente aduziu que: 1. A impossibilidade de bis in idem, uma vez que sobre os débitos não compensados foi aplicada a multa de mora de 20%; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 30 03 5/ 20 16 -1 6 Fl. 151DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1023.08482.KIEB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1023.08482.KIEB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11080.730035/201616 Resolução nº 3302000.916 S3C3T2 Fl. 152 2 2. Falta de tipicidade, por ser a conduta típica o pedido de restituição de crédito indevido ou indeferido e, uma vez revogada a multa sobre o pedido de ressarcimento, estaria a multa sobre a declaração de compensação também revogada; 3. Falta de razoabilidade e proporcionalidade, uma vez que a multa aplicada visava coibir condutas dolosas e não penalizar contribuintes de boafé, representando forma de coibir os pedidos de compensação, em afronta ao artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 e artigo 170 do CTN; 4. A multa aplicada viola os direitos e garantias individuais; 5. Subsidiariamente, requer a suspensão do julgamento até a decisão definitiva no processo nº 13819.904878/201295. A Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1464.605, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de Apuração: 20/07/2011 a 19/08/2011 MULTA DE MORA E MULTA ISOLADA PELA NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COBRANÇA CONCOMITANTE. DUPLA SANÇÃO SOBRE MESMA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A cobrança de multa isolada prevista no § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, que decorre da não homologação de compensação, concomitantemente com a de multa de mora sobre o débito indevidamente compensado, que decorre da impontualidade do pagamento, não importa em dupla sanção sobre a mesma infração. MULTA ISOLADA DO § 17, DO ART. 74, DA LEI Nº 9.430/96. FATO GERADOR. O fato gerador da multa isolada prevista no § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, tanto na redação original do dispositivo incluído pela Lei nº 12.249/2010 quanto naquela conferida pela Lei nº 13.097/2013, é, de modo autônomo, a nãohomologação da compensação, sem subsidiariedade em relação à multa pelo indeferimento de pedido de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 20/07/2011 a 19/08/2011 DECRETO. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO OU INOBSERVÂNCIA PELOS ÓRGÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado, ressalvadas exceções não configuradas nos autos, afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Impugnação Improcedente Fl. 152DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1023.08482.KIEB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1023.08482.KIEB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11080.730035/201616 Resolução nº 3302000.916 S3C3T2 Fl. 153 3 Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme exposto no relatório, a Notificação de Lançamento Eletrônica de multa isolada decorreu da não homologação das compensações efetuadas no processo nº 13819.904878/201295, nos termos do inciso II do artigo 6º do Anexo II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. [...] Em consulta ao site do Carf (https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/exibirProces so.jsf), na data de 15/10/2018, verificase que o processo nº 13819.904878/201295 ainda não possui decisão definitiva, estando em fase de ciência do despacho de admissibilidade de embargos de declaração opostos em face do Acórdão nº 3301004.697 que negou provimento ao recurso voluntário, conforme extrato abaixo: Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 09/10/2018 RECEBER ORIGEM CARF TRIAGEMExpedido para: . TRIAGSRRF08SPO SPSECOJ/SECEX/CARF/MF/DF 09/10/2018 EXPEDIR PROCESSO / DOSSIÊDIPROCOJULCARFMFDF 19/09/2018 ANALISAR EMBARGO DE DECLARAÇÃOPRESI1ª TO3ªCÂMARA Fl. 153DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1023.08482.KIEB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1023.08482.KIEB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11080.730035/201616 Resolução nº 3302000.916 S3C3T2 Fl. 154 4 Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 3ªSEÇÃOCARFMFDF 18/09/2018 ENTRADA NO CARFTipo de Recurso: EMBARGOS DE DECLARAÇÃOData de Entrada: 18/09/2018Unidade: SERETCEGAPCARFMFDF 28/06/2018 DECISÃO PUBLICADADecisão: AcórdãoNúmero Decisão: 3301004.697Texto da Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.Winderley Morais Pereira Presidente(assinado digitalmente)Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator(assinado digitalmente)Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Defluise que o deslinde deste processo depende da decisão definitiva a ser proferida no processo principal, devendo, nos termos do artigo 121 da Portaria CARF nº 34/2015, o presente julgamento aguardar a decisão administrativa definitiva a ser ali proferida. Diante do exposto, voto no sentido de sobrestar o presente julgamento na Terceira Câmara (DIPRO/COJUL) para que se junte a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 13819.904878/201295. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 1 Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. Fl. 154DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1023.08482.KIEB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1023.08482.KIEB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 12/11/2018 13:51:00 por PAULO GUILHERME DEROULEDE. Documento assinado digitalmente em 21/11/2018 19:46:45 por PAULO GUILHERME DEROULEDE. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/10/2023. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.1023.08482.KIEB Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 11C48664EDBC982AA8F982BCD769E766402C62E69379456FDD8DD27BD53D5F95 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11080.730035/2016-16. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 23034.000135/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF N. 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO FNDE. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM A LEI.
Nos termos do art. 28, § 9°, j da Lei 8.212/1991 e art. 214, § 9°, inciso X e §10 do RPS, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei 10.101/2000.
Numero da decisão: 2201-009.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer extintos pela decadência os débitos lançados até a competência 03/1999, inclusive.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernando Gomes Favacho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Fernando Gomes Favacho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202210
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF N. 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO FNDE. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM A LEI. Nos termos do art. 28, § 9°, j da Lei 8.212/1991 e art. 214, § 9°, inciso X e §10 do RPS, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei 10.101/2000.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 23034.000135/2004-15
anomes_publicacao_s : 202310
conteudo_id_s : 6954322
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2201-009.747
nome_arquivo_s : Decisao_23034000135200415.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : Fernando Gomes Favacho
nome_arquivo_pdf_s : 23034000135200415_6954322.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer extintos pela decadência os débitos lançados até a competência 03/1999, inclusive. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2022
id : 10135947
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:57:56 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075644895232
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-20T17:53:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-20T17:53:43Z; Last-Modified: 2023-09-20T17:53:43Z; dcterms:modified: 2023-09-20T17:53:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-20T17:53:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-20T17:53:43Z; meta:save-date: 2023-09-20T17:53:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-20T17:53:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-20T17:53:43Z; created: 2023-09-20T17:53:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-09-20T17:53:43Z; pdf:charsPerPage: 2160; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-20T17:53:43Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 23034.000135/2004-15 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.747 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2022 Recorrente ELFUSA GERAL DE ELETROFUSAO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF N. 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO FNDE. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM A LEI. Nos termos do art. 28, § 9°, “j” da Lei 8.212/1991 e art. 214, § 9°, inciso X e §10 do RPS, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei 10.101/2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer extintos pela decadência os débitos lançados até a competência 03/1999, inclusive. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 01 35 /2 00 4- 15 Fl. 217DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.747 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.000135/2004-15 Relatório Trata o Processo Administrativo em epígrafe de não pagamento de contribuição devida ou pagamento indevido ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, que figura como contribuinte ELFUSA GERAL DE ELETROFUSÃO LTDA – SP. O débito é relativo às competências janeiro a maio e dezembro/1997; janeiro a dezembro/1998; janeiro a dezembro/1999; janeiro a outubro e dezembro/2000, janeiro a julho, novembro e dezembro/2001. Na Notificação para Recolhimento de Débito – NRD 187/2004, de 06/04/2004 (fl. 36 a 42), a empresa foi notificada a recolher o valor de R$ 42.447,52. Conforme a Representação Administrativa datada de 10/07/2003 (fls. 04 a 08), na ação fiscal foram apurados débitos sob a rubrica “Participação nos Lucros/Resultados da Empresa” que a fiscalização lançou como base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista que a empresa vinha pagando essa participação em desacordo com a Lei n. 10.101. Conforme a Lei 10.101/00, art. 3º, §2º, é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa mais de duas vezes no mesmo ano civil. Com isto, tornam-se esses pagamentos integrantes da remuneração dos funcionários para fins previdenciários, de conformidade com o que define genericamente como salário-de-contribuição, o artigo 28, da Lei n° 8.212/1991 (ganhos habituais). Apurou-se ainda que, para os exercícios 2002 e 2003 (até julho/03), empresa fez os pagamentos de participação de conformidade com a Lei 10.101/2000. Em 15/04/2004 (fl. 44 a 56) a Elfusa Geral de Eletrofusão Ltda apresentou Impugnação com os seguintes argumentos: a) Conforme a defesa, o fato se dá no momento final de cada mês constante do levantamento. Dado que a autuada somente tomou conhecimento do lançamento no final de abril de 2004, e os fatos são anteriores a abril de 1999, ocorreu a decadência, com base no 150, §4º do CTN; b) Aduz que a participação nos lucros da empresa efetuados aos funcionários foram realizados em atendimento aos requisitos determinados na legislação, posto que a Constituição de 1988 (inciso XI do art. 7º) eliminou o caráter salarial da participação – é desvinculada da remuneração. Também afirma que a Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das Empresas, para os exercícios de 1996 a 1998, foram objeto de negociação mediante Acordos Coletivos com sindicato da categoria devidamente homologados no Ministério do Trabalho. Traz a Medida Provisória n° 1.698-46, de 30/06/1998, que exclui do campo de incidência de encargo trabalhista ou previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Datada de 14/03/2005, a Informação n. 828/2005 – DIADE/CGACI/DIFIN/FNDE/MEC (fls. 105 a 106) julgou que não há decadência para o crédito, com base na Instrução Normativa do INSS n° 100, de 18/12/2003, aprovada pela IN INSS/DC n° 107, de 22/04/2004 em seu artigo 583 § 2°, e no art. 45 da Lei 8.212/1991. Também entendeu que a empresa vinha pagando aos seus empregados valores sobre participação nos Fl. 218DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.747 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.000135/2004-15 lucros em desacordo com o que estabelece a Lei n° 10.101, ou seja, a empresa pagou mais de duas vezes ao ano. Indeferiu, portanto, a defesa. Cientificada em 19/05/2005 (fl. 116), a ora Recorrente interpôs em 17/07/2005 Recurso Voluntário (fls. 118 a 129). Nele reiteira os argumentos expostos na impugnação. Apresenta relação de bens e direitos para garantia no processo (fl. 130). Conforme Informação n. 524/2006 (fl. 165 a 166), concluiu-se que o recurso era “meramente protelatório, uma vez que, os questionamentos já foram debatidos quando da análise da defesa, portanto, a empresa não apresentou em seu recurso nenhum elemento novo” e que não recolhera a importância correspondente aos 30% do débito previsto no §2º do art. 15 do Decreto 3.142/1999. O Parecer n. 148/2007 (fl. 173 a 175) da Procuradoria Federal – FNDE afirma que os créditos constituídos oriundos da contribuição social do salário-educação e não inscritos na dívida ativa do FNDE já estão sob a administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Divisão de Cobrança de Contribuições Previdenciárias – DICOP pronunciou-se sobre o DEBCAD 49.981.255-7 (fl. 185) em documento datado de 19/04/2010. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento (fl. 186). É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Gomes Favacho, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, dado que a empresa foi cientificada em 19/05/2005 (fl. 116), e interpôs Recurso Voluntário em 17/07/2005 (fls. 118). A discussão sobre a exigência de depósito para admissibilidade de recurso administrativo perde sentido ante a Súmula Vinculante n. 21 do STF. Decadência Segundo a Notificação para Recolhimento de Débito, datada de 06/04/2004, o débito é relativo às competências janeiro a maio e dezembro/1997; janeiro a dezembro/1998; janeiro a dezembro/1999; janeiro a outubro e dezembro/2000, janeiro a julho, novembro e dezembro/2001. Posto isto, alega a contribuinte que a autuada somente tomou conhecimento do lançamento no final de abril de 2004. Dado que os fatos são anteriores a abril de 1999, ocorreu a decadência, com base no 150, §4º do CTN. Não deve prosperar a decisão da 1ª instância sobre o prazo decenal. O STF aprovou no DJe n. 172 de 12/09/2008 a Súmula Vinculante n. 08: São inconstitucionais o Fl. 219DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.747 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.000135/2004-15 parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Com o reconhecimento de que os débitos são tributários, e com isso seguem as regras do CTN, consolidou-se o entendimento – em se tratando de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal – pela possibilidade de incidência de duas regras: Ocorrendo o pagamento parcial da obrigação, o prazo decadencial para realizar o lançamento se sujeita ao disposto no § 4° do artigo 150 do CTN, e corresponde a 5 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato. Somente não ocorrendo qualquer pagamento relativo a obrigação é que se conta o mesmo prazo de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado – nos moldes do artigo 173, 1, do CTN. Se entendido, conforme o fez o FNDE, que não se cumpriu com a norma posta na Lei n. 10.101/2000, é dizer, pagou-se distribuição de valores a título de participação nos lucros em mais de duas vezes no mesmo ano civil, e isto aumenta a base de cálculo do pagamento do salário-educação, devo considerar que houve pagamento do tributo, ainda que de forma não integral. Com o pagamento a menor da Contribuição, tem-se a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Para frisar o ponto, estamos em consonância com a Súmula CARF n. 99, aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 09/12/2013: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Com o lançamento em 06/04/2004, todo o débito oriundo de fatos ocorridos até 06/04/1999 está decaído. Isto implica as competências de 01 a 05 e 12/1997; 01 a 12/1998; e 01 a 03/1999. Participação nos lucros conforme a Lei 10.101/2000 A decisão de 1ª instância julgou que a empresa vinha pagando aos seus empregados valores sobre participação nos lucros em desacordo com o que estabelece a Lei n° 10.101, ou seja, a empresa pagou mais de duas vezes ao ano. Em sua defesa, alega a ora Recorrente que a Constituição de 1988 (inciso XI do art. 7º) eliminou o caráter salarial da participação – é desvinculada da remuneração. Também afirma que a Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das Empresas, para os exercícios de 1996 a 1998, foram objeto de negociação mediante Acordos Coletivos com sindicato da categoria devidamente homologados no Ministério do Trabalho. E traz a Medida Provisória n° 1.698-46, de 30/06/1998, que exclui do campo de incidência de encargo trabalhista ou previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O salário de contribuição é composto pela totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei nº 8.212/91). Nos termos do art. 28, § 9°, “j” da Lei 8.212/1991 e art. 214, §9°, Fl. 220DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.747 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.000135/2004-15 inciso X e §10 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com Lei 10.101/2000. Vale observar que esta Lei, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, é oriunda de conversão de Medida Provisória sucessora da citada MP 1.698-46/1998 trazida à baila pelo Recorrente. Vale ainda observar que o §2º do art. 3º desta MP também trazia a vedação (É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil). Sobre a eliminação do caráter salarial da participação pela Constituição, descabe a análise constitucional da Lei 10.101 neste Conselho (Súmula CARF n. 02). Ocorre que esta limitação trazida, ainda mais restrita após redação dada pela 12.832/2013, busca justamente descaracterizar a ideia de participação de lucros como algo certo. Eis a diferença do salário. Consta na Constituição: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo. Não há, aqui, uma imunidade tributária. Não está o Constituinte delimitando competência, direta ou indiretamente, mas ordenando que seja proibida a redutibilidade do salário. A Lei 10.101 traz como condição para a PLR a negociação prévia (convenção ou acordo coletivo) e a vedação do pagamento em mais de duas parcelas. Os fatos ocorreram, com intervalos, do início 1997 até o fim de 2001. Ao verificar a Representação Administrativa, constato que (fl. 06 a 08) os pagamentos foram feitos com habitualidade quase mensal, e mesmo o acordo coletivo, conforme alegado na própria impugnação e recurso, são de 1996 a 1998. Dentre os precedentes, destaco a decisão no Ac. 2302-002.844 da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa Seção, julgado em 19/11/2013, Relator Conselheiro André Luís Mársico Lombardi; AC. 2201-004.461 j. em 08/05/2018 e AC nº 2201-003.796 j. em 08/08/2017, de relatoria da Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou parcial provimento para reconhecer extintos pela decadência os débitos lançados até a competência 03/1999, inclusive. (documento assinado digitalmente) Fernando Gomes Favacho Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.747 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.000135/2004-15 Fl. 222DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001676/2008-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTUAÇÃO REFLEXA. REEXAME DE MATÉRIA INDIFERENTE AO LANÇAMENTO.
Não há que se falar em alteração da multa por não declaração dos fatos geradores em GFIP - CFL 68, em razão da simples apropriação de recolhimentos efetuados pela pessoa jurídica interposta.
Numero da decisão: 9202-010.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Mauricio Dalri Timm do Valle (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTUAÇÃO REFLEXA. REEXAME DE MATÉRIA INDIFERENTE AO LANÇAMENTO. Não há que se falar em alteração da multa por não declaração dos fatos geradores em GFIP - CFL 68, em razão da simples apropriação de recolhimentos efetuados pela pessoa jurídica interposta.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 11065.001676/2008-48
anomes_publicacao_s : 202310
conteudo_id_s : 6955340
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 9202-010.938
nome_arquivo_s : Decisao_11065001676200848.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 11065001676200848_6955340.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Mauricio Dalri Timm do Valle (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
id : 10137663
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:57:58 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075653283840
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-08T02:01:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-08T02:01:14Z; Last-Modified: 2023-09-08T02:01:14Z; dcterms:modified: 2023-09-08T02:01:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-08T02:01:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-08T02:01:14Z; meta:save-date: 2023-09-08T02:01:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-08T02:01:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-08T02:01:14Z; created: 2023-09-08T02:01:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-09-08T02:01:14Z; pdf:charsPerPage: 1715; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-08T02:01:14Z | Conteúdo => CSRF-T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11065.001676/2008-48 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9202-010.938 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 22 de agosto de 2023 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PLÁSTICOS SCORPIO LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTUAÇÃO REFLEXA. REEXAME DE MATÉRIA INDIFERENTE AO LANÇAMENTO. Não há que se falar em alteração da multa por não declaração dos fatos geradores em GFIP - CFL 68, em razão da simples apropriação de recolhimentos efetuados pela pessoa jurídica interposta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Mauricio Dalri Timm do Valle (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Relatório Na origem, cuida-se de lançamento (DEBCAD 37.151.059-7) para cobrança de multa (CFL 68) por ter a empresa apresentado as GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 76 /2 00 8- 48 Fl. 651DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-010.938 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11065.001676/2008-48 O relatório fiscal encontra-se à fl. 16/103. Impugnado o lançamento às fls. 110/125, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de fora/MG julgou-o procedente às fls. 569/579. Cientificado do acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário às fls. 583/597. Por sua vez, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção deu provimento parcial ao voluntário por meio do acórdão 2402-010.570 – fls. 605/617. Inconformada, a União interpôs Recurso Especial às fls. 618/640, pleiteando pelo seu conhecimento e provimento, tal como fundamentado. Em 28/9/22 - às fls. 641/646 - foi dado seguimento ao recurso da União, para que fosse rediscutida a matéria “Apropriação de recolhimentos efetuados na sistemática do SIMPLES por empresa interposta de mão de obra” Cientificado do acórdão de recurso voluntário, do REsp da União e do despacho que lhe dera seguimento em 16/11/22 (fl. 649), o prazo transcorreu in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator A Fazenda Nacional tomou ciência (presumida) do acórdão recorrido em 30/1/221 (processo movimentado em 31/12/21 (fl. 2791 do processo apenso de nº 11065.001677/2008- 92)) e apresentou seu recurso tempestivamente em 3/2/22 (fl. 2815 do mesmo processo em apenso). Não havendo contrarrazões apresentadas e preenchidos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, conheço, pois, do recurso. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fosse rediscutida a matéria “Apropriação de recolhimentos efetuados na sistemática do SIMPLES por empresa interposta de mão de obra.” O acórdão de recurso voluntário foi assim ementado, naquilo que importa ao caso: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória vinculada à obrigação principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. Por sua vez, a decisão se deu no seguinte sentido: Fl. 652DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-010.938 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11065.001676/2008-48 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se da base de cálculo da multa aplicada, nos termos do voto do relator, os valores das contribuições exoneradas nos autos dos processos 11065.001677- 2008-92, 11065.001678-2008-37 e 11065.001679-2008-81, referentes à exigência da obrigação principal. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Como dito linhas acima, o presente caso trata do lançamento de multas - CFL68 - associadas aos processos de obrigação principal 11065.001678/2008-37 (contribuição dos segurados) e 11095.001677/2008-92 (contribuição da empresa), julgados nesta mesma sessão. Cumpre salientar, que não obstante o voto condutor da decisão recorrida ter feito menção ao fato de as obrigações principais consubstanciadas no processo 11.095.001679/2008- 81 (terceiros) não comporem a base de cálculo da multa em exame, houve por bem levá-lo ao registro do dispositivo, nos termos acima já consignado. Confira-se excerto do voto condutor: [...] Registre-se pela sua importância que, em relação especificamente à suposta contribuição para terceiros (objeto do referido processo 11065.001679/2008-81) sequer poderia / pode compor a base de cálculo da multa ora exigida, vez que a multa em análise tem como fato gerador “deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por meio de GFIP, dados relacionados aos fatos gerados de contribuição previdenciária” e, como cediço, a contribuição para terceiros não se destina para financiar a Seguridade Social. Neste espeque, considerando que a base de cálculo da multa aplicada no presente lançamento corresponde a 100% da contribuição não declarada (observado o limite legal) e lançada nos processos referentes ao descumprimento da obrigação principal e que, nos referidos processos, foi dado provimento aos respectivos recursos nos termos acima declinados, impõe-se o provimento parcial do recurso em análise. Pois bem. Como já relatado, trata o caso de Auto de Infração para cobrança de multas pela omissão de fatos geradores em GFIP, apuradas nos processos administrativos 11065.001678/2008-37 (contribuição dos segurados) e 11095.001677/2008-92 (contribuição da empresa), julgados nesta mesma Sessão Plenária. O recurso da Fazenda visa restabelecer o valor constituído de ofício em razão da impossibilidade do aproveitamento dos recolhimentos efetuados pela PJ PEGAMON nos lançamentos efetuados contra a recorrida nos processos acima. Pois bem. O recurso da União merece ser provido, mas por outro motivo. O ponto é que o fato gerador da multa acima consistia, à época do lançamento, na empresa apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Note-se que diferentemente dos casos em que há o afastamento da tributação sobre determinada rubrica lançada, quando então há o reflexo direto na infração em exame, o aproveitamento de valor recolhido, neste caso, não é capaz de contornar a infração praticada, que, ainda assim, continua a subsistir. Fl. 653DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-010.938 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11065.001676/2008-48 Essa é, pode-se dizer, a ideia por trás do racional do Enunciado de Súmula CARF nº148 1 , cuja aplicação pode vir a resultar na manutenção dessa multa mesmo na hipótese em que tenha sido declarada a decadência da obrigação principal correspondente. Nesse rumo, o provimento do recurso da Fazenda Nacional é medida que se impõe. Ressalto, outrossim, que competirá a unidade da RFB, quando da execução do julgado, a avaliação acerca da retroatividade das disposições previstas na MP 449/2008, dada a revogação dos § 5º do artigo 32 da Lei 8.212/91, já que referida matéria não foi devolvia ao reexame desta Turma. Forte no exposto, VOTO por CONHECER do recurso para DAR-LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti 1 Súmula CARF nº 148 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2019 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 654DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.731899/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO - DRJ. ERRO MATERIAL.
Inexistindo previsão legal e regimental de embargos de declaração para hipótese de decisão prolatada pela primeira instância do contencioso administrativo fiscal, bem como vindicando o contribuinte, em recurso voluntário, a correção de erro material efetivamente comprovado em decisão da DRJ, impõe-se determinar, em decisão de segunda instância, que se corrija o erro por ocasião da liquidação do julgado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
LIVRO CAIXA. DESPESAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. TITULARES. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SEREM NECESSÁRIAS À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA.
Despesas realizadas por titulares de serviços notariais e de registro, lançadas em Livro-Caixa, somente são passíveis de dedução na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física se restar comprovado terem sido necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA A PARTIR DE 2007. SÚMULA CARF nº 147.
Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%).
Numero da decisão: 2202-010.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a correção do erro material relativo a soma das glosas canceladas para R$ 369.521,43, determinando o recalculo do imposto, da multa de ofício e da multa isolada.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Gleison Pimenta Sousa, Leonam Rocha de Medeiros, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202310
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO - DRJ. ERRO MATERIAL. Inexistindo previsão legal e regimental de embargos de declaração para hipótese de decisão prolatada pela primeira instância do contencioso administrativo fiscal, bem como vindicando o contribuinte, em recurso voluntário, a correção de erro material efetivamente comprovado em decisão da DRJ, impõe-se determinar, em decisão de segunda instância, que se corrija o erro por ocasião da liquidação do julgado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 LIVRO CAIXA. DESPESAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. TITULARES. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SEREM NECESSÁRIAS À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Despesas realizadas por titulares de serviços notariais e de registro, lançadas em Livro-Caixa, somente são passíveis de dedução na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física se restar comprovado terem sido necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA A PARTIR DE 2007. SÚMULA CARF nº 147. Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10880.731899/2012-43
anomes_publicacao_s : 202310
conteudo_id_s : 6955384
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2202-010.396
nome_arquivo_s : Decisao_10880731899201243.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 10880731899201243_6955384.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a correção do erro material relativo a soma das glosas canceladas para R$ 369.521,43, determinando o recalculo do imposto, da multa de ofício e da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Gleison Pimenta Sousa, Leonam Rocha de Medeiros, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2023
id : 10137950
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:57:59 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075660623872
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-10-17T01:18:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-10-17T01:18:02Z; Last-Modified: 2023-10-17T01:18:02Z; dcterms:modified: 2023-10-17T01:18:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-10-17T01:18:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-10-17T01:18:02Z; meta:save-date: 2023-10-17T01:18:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-10-17T01:18:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-10-17T01:18:02Z; created: 2023-10-17T01:18:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2023-10-17T01:18:02Z; pdf:charsPerPage: 2415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-10-17T01:18:02Z | Conteúdo => SS22--CC 22TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa FFaazzeennddaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10880.731899/2012-43 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2202-010.396 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 5 de outubro de 2023 RReeccoorrrreennttee ELVIO PEDRO FOLONI IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO - DRJ. ERRO MATERIAL. Inexistindo previsão legal e regimental de embargos de declaração para hipótese de decisão prolatada pela primeira instância do contencioso administrativo fiscal, bem como vindicando o contribuinte, em recurso voluntário, a correção de erro material efetivamente comprovado em decisão da DRJ, impõe-se determinar, em decisão de segunda instância, que se corrija o erro por ocasião da liquidação do julgado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 LIVRO CAIXA. DESPESAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. TITULARES. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SEREM NECESSÁRIAS À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Despesas realizadas por titulares de serviços notariais e de registro, lançadas em Livro-Caixa, somente são passíveis de dedução na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física se restar comprovado terem sido necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA A PARTIR DE 2007. SÚMULA CARF nº 147. Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a correção do erro material relativo a soma das AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 18 99 /2 01 2- 43 Fl. 910DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 glosas canceladas para R$ 369.521,43, determinando o recalculo do imposto, da multa de ofício e da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Gleison Pimenta Sousa, Leonam Rocha de Medeiros, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 864/896), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (e-fls. 830/854), proferida em sessão de 08/01/2019, consubstanciada no Acórdão n.º 10-63.743, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (DRJ/POA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o pedido deduzido na impugnação (e-fls. 615/658), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. São dedutíveis as despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas em Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. DESPESAS COM TRANSPORTE. As despesas com transporte somente são dedutíveis se forem efetuadas por representante comercial autônomo. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. PLANO DE SAÚDE. Constituem despesas dedutíveis da receita decorrente do exercício de atividade de cunho não assalariado, inclusive aquela desempenhada por titulares de serviços notariais e de registro, a alimentação e o plano de saúde fornecidos indistintamente pelo empregador a todos os seus empregados, desde que devidamente comprovadas, mediante documentação idônea e escrituradas em livro Caixa. LIVRO CAIXA. APLICAÇÃO DE CAPITAL. É indedutível o valor gasto na aquisição e manutenção de bens com vida útil igual ou superior a um ano. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ- LEÃO. Apurando-se omissão de rendimentos sujeitos ao recolhimento do Carnê-Leão, é pertinente a multa exigida sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido, que será cobrada isoladamente. Fl. 911DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para o período de apuração em referência, com auto de infração juntamente com as peças integrativas e respectivo Relatório Fiscal (e-fls. 14/24) juntado aos autos, foi bem delineado e sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá-lo: O interessado acima qualificado foi autuado, tendo sido lhe exigido o crédito tributário no montante de R$ 1.107.419,01, nele compreendidos imposto, multa de ofício de 75%, juros de mora e multa exigida isoladamente, relativo ao ano-calendário 2009, em decorrência da apuração de dedução indevida de despesas de Livro Caixa, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal (fls. 02 e seguintes). Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que peço vênia para reproduzir: O contribuinte, às fls. 615 a 658, impugna tempestivamente o lançamento, juntando os documentos de fls. 659 a 819, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. O interessado é titular de serventia extrajudicial não oficializada, popularmente conhecida como "Oficial de Registro de Imóveis", que consiste em serviços públicos exercidos em caráter privado, por delegação do Estado, nos moldes do artigo 236 da Constituição Federal de 1988. Do Direito Legislação de regência Como Oficial do 6º Registro de Imóveis da Capital, o Impugnante está sujeito às normas estabelecidas no § 1º do art. 8º da Lei nº 7.713/88. Nos termos do art. 6º da Lei nº 8.134/90, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro (art. 236 da Constituição Federal), poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I - a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II - os emolumentos pagos a terceiros; III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Os parágrafo §§ 1º e 2º do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99) estabelece que: § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei 8.134, de 1990, art. 6º, § 2º). O Impugnante atendeu a ambos os parágrafos acima citados. Só no ano de 2009 (período fiscalizado) recolheu aos cofres públicos a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) o montante de R$ 1.153.657,11. Assim não há que se falar em infringência ao § 1º do art. 73 do RIR/99. Fl. 912DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 Dessa forma, as despesas lançadas no Livro Caixa, apresentadas e comprovadas para a Fiscalização, preenchem o requisito de necessidade, normalidade e usualidade, conforme demonstrar-se-á a seguir, por código de natureza. Assessoria Jurídica (Código de Natureza 18) No Termo de Verificação Fiscal (fls. 17 e 18), a Autoridade Fiscal afirma que: De fato, as despesas com honorários advocatícios para defesa do cartório não preenchem o requisito de serem necessárias à percepção da receita – relacionam-se, isto sim, à preservação de renda ou patrimônio já percebido anteriormente. Também não representam despesas de custeio, as quais se caracterizam como despesas incorridas na prestação de serviços correntes ou na manutenção daqueles anteriormente criados. Embasa seu entendimento na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT nº 101, de 22 de abril de 2004: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF EMENTA: Os gastos efetuados com o pagamento de honorários advocatícios a profissionais contratados para a defesa de cartório não são dedutíveis da receita decorrente do exercício de atividade não-assalariada por não configurarem despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. As despesas glosadas, no total de R$ 95.826,78, estão relacionadas na fl. 25 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal. Não deve prevalecer a glosa dessas despesas, pois elas são, sim, necessárias a manutenção da fonte pagadora. Ressalte-se que a glosa foi pela totalidade das despesas desse grupo (Código de Natureza 18), no montante de R$ 95.826,78. Ocorre que os pagamentos foram efetuados para 7 (sete) escritórios diferentes e, dessa forma, os documentos devem ser analisados individualmente. As despesas com os Escritórios: Nino Gerardi (R$ 14.850,00); Lobo e Orlandi (R$ 2.306,00); Junqueira e Junqueira (R$ 42.000,00); Hoower (R$ 500,00), referem-se aos serviços de assistência jurídica prestadas na Serventia (advogados de cada um dos Escritórios ficam em média dois dias por semana no Cartório), com o objetivo de melhor cumprir com sua finalidade, justamente nos termos da "Cartilha Extrajudicial" apresentada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (item 4.4). No desempenho de suas funções, é imprescindível assessoria jurídica especializa no Cartório, para orientação àqueles que pretendem uma solução jurídica para um problema (item 4.4). Dessa forma, tais despesas são necessárias à percepção da receita do Cartório e à sua manutenção, atendendo a legislação para sua dedução. As despesas incorridas com o Escritório Mallet Advogados (R$ 24.752,77) referem-se a processos de reclamações trabalhistas movidos contra o Cartório por exfuncionários. No caso são dois processo movidos pelos ex-funcionários Issac Rocha de Carvalho (Doc. 50) e Ângelo Furlan Filho (Doc. 51). Dessa forma, essas despesas são mais que necessárias, pois envolvem questões relacionadas com funcionários do Cartório, devendo ser restabelecida a dedução. As despesas com o Escritório Kamoi (R$ 10.818,01), referem-se à prestação de serviços advocatícios para acompanhamento processual da ações judicial onde se discute a modalidade de tributação pelo Imposto Sobre Serviços (ISS) dos serviços notariais, através da qual se busca um direito do Cartório e, como tal, tais despesas devem ser consideradas dedutíveis, devendo também ser restabelecida a dedução. A despesa com o Escritório Evandro (R$ 600,00) também é decorrente da prestação de serviços advocatícios para acompanhamento processual da ações judicial em Ação Declaratório de Inexistência de Relação Jurídico Tributaria nº 583.53.2007.105946-0, através da qual se busca um direito do Cartório e, como tal, essa despesa deve ser considerada dedutível, devendo também ser restabelecida a dedução. Os recibos e notas fiscais de pagamentos das despesas (Doc. 06 a 49) acima relacionadas foram anexadas com o objetivo de demonstrar e comprovar, pelas suas descrições, que se tratam de despesas diferentes (assessoria na Serventia e Fl. 913DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 acompanhamento processual), e que se encaixam perfeitamente no conceito de necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte pagadora, atendendo o disposto no inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90, devendo, portanto, ser restabelecida a dedução. Por último, ressaltamos que, não serve como fundamento para glosa das despesas com honorários advocatícios, a Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT nº 101/2004, posto que, além de aplicável somente ao consulente, pode tratar de outra situação fática totalmente diferente e, realmente, não dar direito à dedução. Fornecedores outros (Código de Natureza 24) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 18), a Autoridade Fiscal afirma que: Em relação aos itens relacionados no quadro em questão nada há que se dizer quanto à essencialidade das despesas e em relação à necessariedade das despesas (presentes, suporte para televisão, cartões de natais, caixas de presentes, flores) verifica-se que não configuram despesas necessárias à percepção da receita ou à manutenção da fonte produtora e, por isso, não são despesas dedutíveis. Ressalta a Fiscalização a existência, nesse código de natureza, lançamentos de despesas com estacionamentos no montante de R$ 1.156,59, que também foram objeto de glosa. As despesas são necessárias à percepção da receita do Cartório. Quanto às demais despesas lançadas nesse Código de Atividade, no total de R$ 8.898.08 e informadas na fl. 18 do Termo de Verificação Fiscal, também devem ser mantidas, pois são dispêndios do Cartório, para melhor atendimento de seus clientes, devendo, portanto, serem restabelecidas. Telefônica, contas relativas aos números 5085-0095 e 5539-7582 (Código de Natureza 27) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 18), a Autoridade Fiscal afirma que telefone número 5539-7582, está em nome do Cartório, porém em endereço diferente e, dessa forma, as despesas serão objeto de glosa. As despesas glosadas, no total de R$ 1.875,25, estão relacionadas às fls. 26 e 27 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal. O endereço do 6º Cartório é: Av. Lins de Vasconcelos nº 2376 e o endereço que consta na conta do telefone 5539-7582 é: Av. Luis de Vasconcelos nº 2.378, CNJ 02. O endereço da conta do telefone nº 5539-7582 é do Cartório, que dá acesso à loja superior, também utilizada pelo Cartório. Anexamos uma conta desse telefone para comprovar o endereço (Doc. nº 52). Comprova-se assim a regularidade dessa despesa, devendo ser restabelecida a dedução no valor total de R$ 208,47, relacionadas às fls. 26 e 27 do Termo de Verificação Fiscal. Despesa Bancária (Código de Natureza 29) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 19), a Autoridade Fiscal afirma que: Tarifas bancárias diversas, taxas administrativas, encargos financeiros não preenchem o requisito de serem necessárias à percepção da receita, relacionamse, isto sim, ao custo da movimentação da receita já auferida anteriormente. Também não representam despesas de custeio, as quais se caracterizam como despesas incorridas na prestação de serviços correntes ou na manutenção daqueles anteriormente criados. Desta forma, pela impossibilidade de enquadramento nos incisos do art. 6º da Lei nº 8.134/90, as despesas relacionadas neste item não são admissíveis como despesas dedutíveis. A manutenção de conta corrente bancária em nome do Cartório é uma necessidade. E a manutenção dessa conta corrente gera despesas. As despesas com Tarifas bancárias diversas, taxas administrativas, encargos financeiros diferentemente do posicionamento da Fiscalização, preenchem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade do Cartório, atendendo o disposto no inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90. Investimentos – Móveis e Utensílios (Código de Natureza 35) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 19), a Autoridade Fiscal afirma que: Aquisição de mesas, cadeiras, calculadoras, máquina de escrever são considerados aplicação de capital, nos termos do Parecer Fl. 914DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 Normativo CST nº 60/1978, portanto, estes tipos de dispêndios não são dedutíveis. Realmente trata-se de pequenas compras de mesa, cadeiras, calculadoras e outros de pequenos valores, e como tal, foram lançados como despesas, em atenção à determinação estabelecida na Instrução Normativa RFB nº 12.007, de 9 de fevereiro de 2010, que, no inciso II do § 2º do art. 9º. Vejamos: Art. 9º A pessoa física sujeita à apresentação da Declaração de Ajuste Anual deve relacionar nesta os bens e direitos que, no Brasil ou no exterior, constituam, em 31 de dezembro de 2008 e de 2009, seu patrimônio e o de seus dependentes relacionados na declaração, bem como os bens e direitos adquiridos e alienados no decorrer do ano-calendário de 2009. (...) § 2º Fica dispensada a inclusão de: (...) II - bens móveis, exceto veículos automotores, embarcações e aeronaves, bem como os direitos, cujo valor unitário de aquisição seja inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais); Dessa forma, diferentemente do que afirmou a Fiscalização, essas poucas compras de pequenos valores, não se enquadram no conceito de investimento de capital, mas sim de despesas, devidamente escrituradas no Livro Caixa, posto que, os valores, individualmente considerados, são inferiores a R$5.000,00. Cursos/congressos (Código de Natureza 42) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 19), a Autoridade Fiscal afirma que: Despesas com cursos de gramática e produção de texto não são necessárias à percepção da receita e nem à manutenção da fonte pagadora, portanto, tais despesas serão glosadas. As despesas glosadas, no total de R$ 301,50, estão relacionadas na fl. 30 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal. Não deve prevalecer a glosa dessa despesa, cuja dedução está amparada pelo Parecer Normativo COSIT nº 60/1978, quando fala também da dedução dos gastos relativos à participação em congressos e seminários. No presente caso estamos diante de uma despesa para pagamento do "Curso de Extensão em Atualização Gramatical de Textos em Língua Português", realizado pelo Sindicato dos Escreventes e Auxiliares Notarias e Registrais do Estado de São Paulo, visando melhor qualificar as funcionárias do Cartório, para desempenho das suas funções, sendo, portando, dedutíveis. Despesas Copa (Código de Natureza 44) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 19), a Autoridade Fiscal afirma que: Gastos com gás e água potável, também não são consideradas à percepção da receita e nem à manutenção da fonte pagadora nos termos do art. 6º da Lei nº 8.134/90, portanto, são despesas indedutíveis. 5.8.2 As despesas glosadas, no total de R$ 9.936,42, estão relacionadas às fls. 30 a 32 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal. Tais despesas estão relacionadas com os funcionários e clientes (água e cafezinho). Despesas Diversas (Código de Natureza 45) A Fiscalização segregou essas despesas em dois grupos (fls. 19 e 20), sendo que: - despesas de condução, que inclui gastos com táxi, combustível, estacionamentos (inclusive de aeroporto): a) as despesas relacionadas com transporte, locomoção, combustíveis e estacionamento não são despesas dedutíveis quando dispendidas em serviços notariais e de registros, nos termos da alínea "b" do § do Art. 6º da Lei nº 8.134/90; - outras despesas, que inclui gasto com mochila, relógio, carrinho, velcro, carregador de celular, mídia de DVDs virgens - b) não há que se falar quanto a serem necessárias à percepção da receita e nem à manutenção da fonte pagadora,. As despesas glosadas, no total de R$4.529,60, estão relacionadas na fl. 32 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal. As despesas acima são necessárias à percepção da receita do Cartório. Diversos compromissos são assumidos em nome do Cartório e, para cumprir essa finalidade, são Fl. 915DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 incorridos diversos tipos de despesas, como as que agora se discute, transporte, locomoção, combustíveis e estacionamento. Quanto às demais despesas lançadas nesse Código de Atividade (item b), com mochila, relógio, carrinho, velcro, carregador de celular, mídia de DVDs virgens, são todas despesas incorridas para atender as necessidades do Cartório e, por decorrência, necessárias para a percepção da sua receita e à manutenção da fonte pagadora. Tais despesas preenchem o requisito de necessidade, normalidade e usualidade, atendendo ao disposto na legislação citada, devendo, portanto, ser restabelecida a dedução. Assessoria em Administração de contratos (Código de Natureza 46) No TVF, à fl. 20, consta: Conforme contrato de locação de serviços celebrado entre o contribuinte e a empresa MMF Administração e Participação S/C Ltda., CNPJ 02.169.677/0001-83 os serviços locados compreendem: a) Assessoria e acompanhamento de serviços prestados por terceiros; e b) Aluguéis de bens, tais como, móveis e utensílios, bens móveis em geral, equipamentos, etc. Em relação ao item a) a dedutibilidade destas despesas requer que se reflita sobre a possibilidade de enquadrá-las como "necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora", conforme requer o inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90. Já com relação ao item b) indagado sobre tais despesas, através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal e anexo, de 22/06/2012, o contribuinte, como dito anteriormente, não apresentou quaisquer justificativas, apenas apresentou, neste caso específico, o contrato de locação e notas fiscais/ recibos das despesas. Diante disso, não pudemos constatar, através da documentação apresentada, que os equipamentos, periféricos, móveis, utensílios e instalações e linhas telefônicas objeto da locação em questão são utilizadas nas atividades inerentes aos serviços cartorários, pois a apresentação de um contrato de locação de serviços, onde há descrições genéricas de equipamentos, móveis, utensílios, etc e apresentação dos comprovantes de pagamentos da locação não fazem prova do uso dos bens citados anteriormente e se o bem é necessário à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora nos ermos do inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90. As despesas são as seguintes: (a) Assessoria e acompanhamento de serviços prestados por terceiros, cujas despesas totalizam R$ R$ 240.000,00; e (b) Locação de Bens Móveis em geral (móveis e utensílios para computadores e periféricos, máquinas e equipamentos, cujas despesas totalizaram R$ 180.000,00. Quanto às despesas do item (a) a Fiscalização entendeu que não se enquadram como necessárias à percepção da receita e nem à manutenção da fonte pagadora. Para as despesas referidas no item (a) a Fiscalização juntou, às fls. 595 a 599, o Instrumento Particular de Contrato de Locação de Serviços que estabelece, em sua Cláusula 1ª : CLÁUSULA 1ª Pelo presente instrumento, e na melhor forma de direito, a CONTRATANTE loca os serviços da CONTRATADA para administrar os contratos de serviços prestados por terceiros bem como alugar da CONTRATADA bens móveis em geral e equipamentos dentre outros, inerente à atividade da CONTRATANTE, A Cláusula 3ª (fl. 596), por sua vez, elenca os serviços de Assessoria e acompanhamento de serviços prestados por terceiros. Vejamos: - gestão entre a CONTRATANTE e a prestadora do serviços; - assessoramento da CONTRATANTE com vistas à obtenção de melhores preços e qualidade, bem como a manutenção da rotina para o estabelecimento da relação comercial entre CONTRATANTE E CONTRATADA; - administrar os contratos com os prestadores de serviços e todas as demais pessoas e empresas envolvidas na atividade do 6º Cartório; Fl. 916DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 - a verificação do cumprimento das cláusulas contratuais entre CONTRATANTE e os prestadores de serviços bem como manter a CONTRATANTE informada sobre todas as ocorrências normais e extraordinárias; - toda e qualquer providência que lhe competir, nos termos do presente contrato, necessário para o bom andamento das atividades. O Impugnante comprova, através do contrato, que as despesas são necessárias para a percepção da sua receita e à manutenção da fonte pagadora. Ao contrário, tais despesas são de vital importância para o bom funcionamento e andamento do Cartório, e se caracterizam, todas, como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora, devendo ser revertida a glosa das despesas efetuadas, no montante de R$ 240.000,00, pagas a título de Assessoria e acompanhamento de serviços prestados por terceiros, abaixo relacionadas e devidamente comprovadas no processo de Fiscalização, que atestou a idoneidade desses documentos. Quanto às despesas relativas ao item (b) Locação de Bens Móveis em geral (móveis e utensílios para computadores e periféricos, máquinas e equipamentos), no total de R$ 180.000,00, a glosa foi em razão da falta de constatação de quais os equipamentos, periféricos, móveis, utensílios, instalações e linhas telefônicas foram objeto da locação. Com a apresentação do contrato e dos documentos comprobatórios dos pagamentos das despesas, o Impugnante acreditou ter atendido à fiscalização. O contrato (fls. 595 a 599), os comprovantes de pagamentos entregues à Fiscalização devidamente lançados no Livro Caixa, a relação anexa (Doc. 58), comprovam que os bens objeto da locação são necessários à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora, devendo, também, ser restabelecida a dedução das despesas devidamente comprovadas no processo de Fiscalização, que atestou a idoneidade desses documentos. Seguro Saúde (Código de Natureza 52) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 21), a Autoridade Fiscal afirma que: As despesas efetuadas com plano de saúde para os empregados contratados pelo Cartório não se enquadram no conceito de "despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora", pois não têm o caráter de essencial e indispensável à geração da receita, nos termos do inciso III, do art. 51 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001 e, sim, têm caráter de espontâneo por parte do contribuinte. E, em sendo assim, não são consideradas despesas dedutíveis para efeito de cálculo de IRPF. A Autoridade Fiscal efetua a glosa dessas com base no inciso III do art. 75 do RIR/99 e no inciso III do art. 51 da IN SRF nº 15/2001, que são a mesma coisa, ou seja, que o contribuinte pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Trata-se de um acordo firmado quando da contratação do funcionário, que coloca o benefício do plano de saúde como condição para sua contratação, cujo benefício é reconhecido como legítimo pelo Impugnante, que assume a responsabilidade pelo seu pagamento integral. Dessa forma, quando da celebração do contrato de trabalho com seus funcionários, o Impugnante assumiu a obrigação de pagar integralmente o plano de saúde, e esse encargo passa a ser considerado como custos necessários à obtenção da receita, razão pela qual, à luz do artigo 6º, I, da Lei nº 8.134, de 1990, deve ser deduzido integralmente da base de cálculo. Por tais razões, as despesas incorridas com plano de saúde devem ser restabelecidas. Juros/IOF Cheque Especial (Código de Natureza 61) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 21 e 22), a Autoridade Fiscal afirma que: Despesas relativas a encargos financeiros devido à utilização de empréstimos bancários (tais como são reconhecidos a utilização dos limites de "cheque especial") não é uma necessidade inerente à atividade cartorial. Deriva, isto sim, da opção do contribuinte relativamente à Fl. 917DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 forma como administra o fluxo de caixa e faz uso dos recursos financeiros do cartório. É opção do contribuinte, por exemplo, controlar adequadamente suas retiradas a fim de manter no caixa do estabelecimento os recursos necessários para honrar suas despesas. Assim sendo, as despesas derivadas de obtenção ou uso de linhas de crédito junto à instituição financeira não se configuram como "necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora", não podendo, portanto, ser admitidas como despesas dedutíveis. Os encargos financeiros devido à utilização de empréstimos bancários são despesas que preenchem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade do Cartório, atendendo o disposto no inciso III do art. 6o da Lei n°8.134/90, devendo ser restabelecida a dedução. Empréstimos /Adiantamentos de funcionários (Código de Natureza 64) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 22), a Autoridade Fiscal afirma que: Da mesma forma que o item 13) as despesas com empréstimos/adiantamentos pagos a funcionários fora da folha de pagamento, ou seja, quando não faz parte da remuneração do funcionário, têm caráter de espontâneo por parte do contribuinte. E, em sendo assim, não são consideradas despesas dedutíveis para efeito de cálculo de IRPF ainda mais, quando não houve apresentação de recibos assinados pelos beneficiários. Foram despesas realizadas com empréstimos a funcionário e não tem, de forma alguma, o caráter de espontâneo por parte do Impugnante. Como são acordos estabelecidos com seus funcionários, no qual assumiu também essa responsabilidade, não está praticando liberalidade, mas sim, assumindo obrigações anteriormente assumidas, devendo, portanto, ser restabelecida a dedução. Empréstimos / Adiantamentos a funcionários (Código de Natureza 75) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 22), a Autoridade Fiscal afirma que não foram apresentadas quaisquer justificativas, recibos/holerites assinados e que também é incomum o pagamento da 2ª parcela do 13º salário antes do mês de dezembro. Alega que não constatou a correspondência entre datas e valores elencados neste item e os valores constantes nas fichas financeiras de cada funcionário na folha de pagamento no ano-calendário de 2009 e a falta de descontos e concluiu pela não comprovação dessas despesas. Vejamos: Da mesma forma que o item 13) as despesas com empréstimos/ adiantamentos pagos a funcionários fora da folha de pagamento, ou seja, quando não faz parte da remuneração do funcionário, têm caráter de espontâneo por parte do contribuinte. E, em sendo assim, não são consideradas despesas dedutíveis para efeito de cálculo de IRPF ainda mais, quando não houve apresentação de recibos assinados pelos beneficiários. Foram despesas realizadas com o adiantamento da 2ª parcela do 13º Salário, conforme solicitados pelos funcionários. É usual do Impugnante e já costume dos funcionários o adiantamento do 13º salário. A justificativa para tais pagamentos são as solicitações dos funcionários. Os pagamentos estão comprovados pelas transferências bancárias para cada um dos solicitantes. A abaixo relação indica as datas, os nomes dos funcionários e os valores dos adiantamentos solicitados. Na frente de cada nome são indicados os números dos documentos anexados que justificam e comprovam os respectivos pagamentos. Não fosse a grande movimentação de todos os documentos para atendimento Fiscalização o Impugnante comprovaria, de forma mais detalhada, essas despesas. Dessa forma, quando novamente organizados, requer, desde já, pela juntada à posterior daqueles que julgar necessários. Tais despesas são necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte pagadora, preenchendo os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade do Cartório, atendendo o disposto no inciso III do art. 6o da Lei n° 8.134/90, devendo ser restabelecida a sua dedução. Taxa de cartão de crédito (Código de Natureza 77) Fl. 918DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 No Termo de Verificação Fiscal (fl. 22), a Autoridade Fiscal relembra a definição do termo "necessário" apresentado no item 4.10.1 e afirma que as taxas cobradas – pela administradora de cartões de crédito /débito – pelos recebimentos dos emolumentos através de cartões de créditos/débitos não possuem a características de algo que tem que ser feito pelo modo indicado, ou que não se podia deixar de fazer, portanto, tais despesas não se enquadram como necessárias à percepção da receita e nem à manutenção da fonte pagadora, portanto, não são admissíveis como despesas dedutíveis. Para evidenciar as argumentações (pois todos os registros e documentos de despesas foram minuciosamente verificados pela Fiscalização), a defesa anexa os três extratos da VisaNet (Doc. nº 91 a 93) onde aparecem os valores das três primeiras taxas indevidamente glosadas pela Fiscalização e relacionadas na fl. 36. Tais despesas caracterizam, nos dias de hoje, a sobrevivência do Cartório, pois é a forma de pagamento mais utilizada pelos clientes pelos serviços prestados pelo Cartório. ISS – Depósito Judicial (Código de Natureza 781) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 23), a Autoridade Fiscal relata que os lançamentos elencados neste item se referem a depósitos judiciais de processo inconcluso. Afirma também que: O regime de caixa, ao qual se vincula a escrituração do Livro Caixa, implica em que as despesas sejam computadas em perfeita sincronia com o desembolso dos valores correspondentes, entendendo-se esse desembolso como perda definitiva da titularidade sobre o montante desembolsado. No caso de depósitos judiciais, até o momento do trânsito em julgado da ação, não se pode falar em perda da titularidade. Esta ocorrerá, ou não, a depender da parte que obtiver o ganho da causa. Somente neste momento, e no caso de decisão desfavorável, estará caracterizada a perda definitiva da titularidade e o depositante poderá lançar como despesa os valores depositados. Assim sendo, os lançamentos referidos neste item não correspondem a despesas dedutíveis. O depósito judicial refere-se à Ação Judicial nº 053.09.013135-5 visando a declaração da inexistência da relação jurídica tributária entre o autor e a ré e, alternativamente, a tributação do autor pelo ISS sob a forma de trabalho pessoal, com base em valor fixo. Comprova-se o depósito na citada ação através da guia de depósito anexa (Doc. nº 94), referente ao primeiro depósito efetuado, do ISS do mês de abril de 2009. Ocorre que no mês de abril de 2009 foi proferida a decisão interlocutória indeferindo o pedido de antecipação dos efeitos da tutela (Doc. 95). E em novembro do mesmo ano (2009) foi proferida a decisão que julgou improcedente a ação (Doc. 96). Dessa forma, o Impugnante lançou os valores dos depósitos efetuados com despesas com base na decisão, que indeferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela e julgou improcedente a ação. Assim, os lançamentos do ISS dos meses de abril a novembro de 2009 constituem-se em necessárias, atendendo o disposto no inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90, devendo ser restabelecida a dedução. Atente-se também que no Livro Caixa são relacionadas, mensalmente, as receitas e despesas relativas à prestação de serviços sem vínculo empregatício. É o chamado "regime de caixa". Dessa forma, o não lançamento do ISS que foi objeto de depósito como despesas incorridas no mês, para dedução da receita, acarretará numa tributação a maior do IRPF. Em face dos argumentos e provas trazidos nos autos, seria por demais gravoso a manutenção das glosas efetuadas pela Fiscalização, lastreadas em documentos entregues para a Fiscalização que atestou sua regularidade formal (hábeis e idôneos) e seus registros. Em vista de todo exposto, considerando o Princípio da Verdade Material que rege o processo administrativo fiscal, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, a defesa requer que seja acolhida a impugnação, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Fl. 919DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 Em 04/04/2013, no prazo legal de 30 dias para a apresentação da impugnação, previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235/1971, o contribuinte apresenta aditamento às razões de impugnação (fls. 821 a 824), conforme a seguir. O Auto de Infração exigiu também "multas isoladas – Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão". Dessa forma, na eventual hipótese de manutenção de algumas das glosas efetuadas pela Fiscalização, restaria também sobre o valor do imposto, além da multa de ofício, a multa isolada aplicada no Auto de Infração, pois a Fiscalização imputou ao Impugnante duas multas: (i) a punitiva pelo não recolhimento do tributo e (ii) a multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão. Não deve prevalecer a aplicação da multa isolada com base nos dispositivos legais acima transcritos, em razão da impossibilidade da sua cobrança cumulativa com a multa de ofício do Auto de Infração. Aplicada a multa de ofício ao tributo apurado em lançamento de oficio, a ausência de anterior recolhimento mensal (via carnê-leão) do referido imposto não deve ocasionar a aplicação cumulativa da multa isolada, JÁ QUE ESTA SOMENTE é APLICÁVEL DE FORMA ISOLADA, de modo a se evitar a dupla penalização sobre a mesma base de incidência. Efetuado o lançamento de diferença do imposto cabe, sim, a cobrança da multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo, não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Esta última poderia ser exigida quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnê-leão. Assim, é incabível a aplicação de multa pelo não pagamento da antecipação e pelo não pagamento do imposto devido quando do ajuste anual, devendo, portanto, ser cancelada a exigência da "Multas isoladas – Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão". Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa sempre circunscrita a glosa de deduções de livro caixa e a multa isolada do carnê-leão do contribuinte tabelião foi acolhida em parte pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário, conforme bem sintetizado na ementa alhures transcrita que fixou as teses decididas. Não se acolheu a maior parte das alegadas despesas vindicadas como dedutíveis, consoante analisado em capítulos nominados: (a) Assessoria jurídica; (b) Fornecedores outros (Código de Natureza 24); (c) Telefônica, contas relativas aos números 5085-0095 e 5539-7582 (Código de Natureza 27); (d) Despesa Bancária (Código de Natureza 29); (e) Investimentos - Móveis e Utensílios (Código de Natureza 35); (f) Despesas Diversas (Código de Natureza 45); (g) Assessoria em administração de contratos (Código de Natureza 46); (h) Juros/IOF Cheque Especial (Código de Natureza 61) e Taxa de cartão de crédito (Código de Natureza 77); (i) Empréstimos/Adiantamentos de funcionários (Código de Natureza 64); (j) Empréstimos/Adiantamentos a funcionários – 2ª parcela 13º Salário (Código de Natureza 75); e (k) ISS - Depósito Judicial (Código de Natureza 781). Entretanto, a DRJ acolheu e entendeu: (a) que são dedutíveis e aceitos os gastos com cursos e congressos relacionados à qualificação profissional dos funcionários do cartório (comprovados) sendo cancelada a glosa do valor de R$ 301,50 relativo ao mês de abril; (b) que são dedutíveis e aceitas as despesas com copa, no valor de R$ 9.936,42; e (c) que são dedutíveis e aceitas as despesas efetuadas com plano de saúde para os empregados contratados pelo Cartório sendo excluído da base os valores pagos a Healtwork Med. Trabalho, a Kalimed Serv. Med. e a Marítima Saúde, comprovados e escriturados no livro Caixa. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF Fl. 920DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 No recurso voluntário, apresentado pelo espólio do sujeito passivo, anexando certidão de óbito do contribuinte, reitera-se os termos da impugnação, no que foi vencido, postulando-se a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar o lançamento. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 22/01/2019, e-fl. 861, protocolo recursal em 19/02/2019, e-fl. 864, e despacho de encaminhamento, e-fl. 906), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia é relativa ao lançamento de ofício e se refere a glosa de deduções de livro caixa e a multa isolada do carnê-leão do contribuinte, que foi tabelião público. Consta informação nos autos que o contribuinte faleceu e o inventariante se habilitou representando o espólio. No recurso voluntário, reitera-se os termos da impugnação. Adicionalmente, é afirmado que deve ser retificado a liquidação do julgamento da DRJ, pois a soma das glosas canceladas seria de R$ 369.712,13, embora à e-fl. 852 o Acórdão informe R$ 368.815,83. É dito na peça recursal que todas as despesas glosadas estão devidamente escrituradas no Livro Caixa, com suporte em documentos fiscais idôneos e necessárias à percepção da receita, devendo, portanto, ser restabelecida a dedução. Reporta-se, assim, às razões da impugnação e demais elementos constantes dos autos. Afirma-se que o recorrente cuidava da sua atividade profissional (Oficial de Registro de Imóveis) e dos seus deveres fiscais. Diz que somente no ano de 2009 (período Fl. 921DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 fiscalizado) recolheu aos cofres públicos a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) o montante de R$ 1.153.657,11. Sustenta que as despesas glosadas atendem os requisitos para sua dedutibilidade, ou seja: (i) são necessárias à percepção da receita e (ii) à manutenção da fonte pagadora. Advoga que, pelos recolhimentos mensais do carnê-leão, é descabida a aplicação da multa isolada (alínea "a" inciso II do art. 44 da Lei 11.488/2007), devendo, portanto, ser cancelada. Assevera que estava sujeito às normas estabelecidas no § 1.º do art. 8.º da Lei n.º 7.713/88. Nessa condição, e nos termos do art. 62 da Lei n.º 8.134/90, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro (art. 236 da Constituição Federal), poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I - a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II - os emolumentos pagos a terceiros; III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Pondera que a Solução de Consulta DISIT/SRRF01 n.º 25, de 10 de agosto de 2010, prevê a possibilidade de contratação de outros profissionais sem vínculo empregatício. Neste contexto, o recorrente vai sempre mantendo os argumentos impugnatórios iniciais, já relatados alhures. De fato, o recorrente mantém idêntica linha argumentativa posta na impugnação, com comentários adicionais com o fim de controverter a DRJ. Ocorre que, após análise das alegações e das provas colmatadas aos autos, este julgador, diante do conjunto probatório conferido nos fólios processuais, está confortável com as razões de decidir da primeira instância, inclusive quanto ao mérito, por suas próprias razões de decidir, que já enfrentam o debate em foco, sempre em igual debate e controvérsia. Destarte, passo a adotar, doravante, como meus, aqueles fundamentos da decisão de piso, que mantiveram a parcela ainda controvertida do lançamento, com os quais concordo e entendo suficientes, propondo a confirmação e adoção da decisão recorrida nos pontos transcritos na sequência, com fulcro no § 1.º do art. 50 da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.º do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015, que instituiu o Regimento Interno do CARF (RICARF), verbis: Jurisprudência administrativa e judicial Com relação à jurisprudência judicial, esclarece-se que a eficácia dos acórdãos dos tribunais limita-se especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte do processo de que decorreu o acórdão. Quanto às decisões administrativas aludidas pelo Contribuinte ao longo de sua peça impugnatória, cumpre observar que essas só se aplicam aos autos nos quais foram proferidas não sendo cabível seu emprego a qualquer outro processo, mesmo que versando sobre a mesma matéria, por não se constituírem em norma geral. Despesas do Livro Caixa Quanto às despesas do Livro Caixa, a sua dedutibilidade é regulada pelo art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que estabelece: Art. 6º O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I - a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; Fl. 922DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 II - os emolumentos pagos a terceiros; III - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995). b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995). c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9º e 10 da Lei nº 7.713, de 1988. § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro-caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3º As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano-base, não será transposto para o ano seguinte. (...) Da leitura do referido texto legal deve-se ter presente, preliminarmente, os três requisitos cumulativos para a dedutibilidade das despesas: a) devem ser necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; b) devem estar escrituradas em livro caixa; c) devem ser comprovadas mediante documentação idônea. Para serem dedutíveis, as despesas devem estar escrituradas no livro caixa e devidamente discriminadas e identificadas em documentos hábeis e idôneos, para que possam ser comprovados os desembolsos e analisada a pertinência da despesa, não sendo aceitos como idôneos: documentos sem identificação clara do contribuinte, com identificação em nome de terceiro ou não aposta quando de sua emissão; contendo assinaturas não identificadas ou sem assinatura; os tickets de caixa e notas fiscais que não identifiquem, de forma precisa, o adquirente, o produto fornecido ou o serviço prestado; recibos não identificados e documentos semelhantes. As despesas de custeio, para serem dedutíveis devem ser “necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora”. Saliente-se que ambas as exigências não são alternativas e sim cumulativas, ou seja, as despesas, além de serem necessárias à percepção da receita, devem também ser necessárias à manutenção da fonte pagadora, concomitantemente. Passa-se, a seguir, a análise das despesas escrituradas no livro Caixa glosadas. 1. Assessoria jurídica As despesas provenientes de assessoria jurídica foram glosadas por não serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O contribuinte argumenta que: a - as despesas com os Escritórios: Nino Gerardi (R$ 14.850,00); Lobo e Orlandi (R$ 2.306,00); Junqueira e Junqueira (R$ 42.000,00); Hoower (R$ 500,00), referem-se aos serviços de assistência jurídica prestadas na Serventia com o objetivo de melhor cumprir com sua finalidade, nos termos da "Cartilha Extrajudicial" apresentada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; b - as despesas com o Escritório Kamoi (R$ 10.818,01), referem-se à prestação de serviços advocatícios para acompanhamento processual da ações judiciais onde se discute a modalidade de tributação pelo Imposto Sobre Serviços (ISS) dos serviços notariais, através da qual se busca um direito do Cartório; c - a despesa com o Escritório Evandro (R$ 600,00) também é decorrente da prestação de serviços advocatícios para acompanhamento processual da ação judicial Fl. 923DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 em Ação Declaratório de Inexistência de Relação Jurídico Tributária nº 583.53.2007.105946-0, através da qual se busca um direito do Cartório; d - as despesas incorridas com o Escritório Mallet Advogados (R$ 24.752,77) referem-se a processos de reclamações trabalhistas movidos contra o Cartório pelos ex- funcionários Issac Rocha de Carvalho e Ângelo Furlan Filho, juntando os documentos de fls. 749 e 750. As despesas com assessoria jurídica dos escritórios mencionados nos itens a, b e c, supra, não se configuram despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. As despesas com reclamatórias trabalhistas, a princípio, seriam despesas de custeio do Cartório. No entanto, os documentos trazidos pelo contribuinte - ficha do processo trabalhista, em que é parte Issac Rocha de Carvalho, mandado de citação, penhora e avaliação, cujo exequente é Ângelo Furlan Filho, e faturas de fls. 727 a 738, não permitem vincular os pagamentos mensais, efetuados no ano-calendário 2009, ao Escritório Mallet Advogados. Assim, deve ser mantida a glosa das despesas com assessoria jurídica. 2. Fornecedores outros (Código de Natureza 24) Está correta a glosa das despesas relacionadas neste item, referentes a presentes, suporte para televisão, cartões de Natal, caixas de presentes, flores, por não se configurarem despesas necessárias à percepção da receita ou à manutenção da fonte produtora. Com relação às despesas com estacionamento glosadas, no montante de R$ 1.156,59, na legislação tributária, transcrita neste voto, é vedada expressamente a dedução de despesas com locomoção e transportes, salvo no caso de representante comercial autônomo. Assim, todos os demais profissionais estão impedidos de deduzir essas despesas da base de cálculo do imposto de renda, tanto para apuração do recolhimento mensal quanto para determinação do ajuste anual. 3. Telefônica, contas relativas aos números 5085-0095 e 5539-7582 (Código de Natureza 27) Foi glosada a despesa relativa a conta da linha telefônica 5539-7582 por estar em endereço diferente do cartório. O endereço do 6º Cartório é: Av. Lins de Vasconcelos nº 2376 e o endereço que consta na conta do telefone 5539-7582 é: Av. Luis de Vasconcelos nº 2.378, CNJ 02. O impugnante alega que o endereço é da loja superior, também utilizada pelo Cartório, no entanto, não há, nos autos, prova de que a referida loja faz parte das instalações do Cartório. Mantida, portanto, a glosa das despesas. 4. Despesa Bancária (Código de Natureza 29) Tarifas bancárias diversas, taxas administrativas, encargos financeiros não têm a natureza de despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, não se configurando como despesas dedutíveis. 5. Investimentos - Móveis e Utensílios (Código de Natureza 35) Foram glosadas as despesas referentes a aquisição de mesas, cadeiras, calculadoras, máquina de escrever. O contribuinte alega que se trata de compras de pequenos valores referentes a mesa, cadeiras, calculadoras e outros, e como tal, foram lançados como despesas, em atenção à determinação estabelecida na Instrução Normativa RFB nº 12.007, de 9 de fevereiro de 2010 que, no inciso II do § 2º do art. 9º: Art. 9º A pessoa física sujeita à apresentação da Declaração de Ajuste Anual deve relacionar nesta os bens e direitos que, no Brasil ou no exterior, constituam, em 31 de dezembro de 2008 e de 2009, seu patrimônio e o de seus dependentes relacionados na Fl. 924DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 declaração, bem como os bens e direitos adquiridos e alienados no decorrer do ano- calendário de 2009. (...) § 2º Fica dispensada a inclusão de: (...) II - bens móveis, exceto veículos automotores, embarcações e aeronaves, bem como os direitos, cujo valor unitário de aquisição seja inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais); Dessa forma, entende, o autuado, que bens de pequenos valores não se enquadram no conceito de investimento de capital, mas sim, de despesas, devidamente escrituradas no Livro Caixa, posto que, os valores, individualmente considerados, são inferiores a R$5.000,00. Saliente-se que o dispositivo legal supratranscrito trata do limite de valor para a obrigatoriedade de declarar os bens e direitos. Com relação a despesas do livro Caixa, não são considerados dedutíveis os valores pagos na aquisição de bens ou direitos, ainda que indispensáveis ao exercício da atividade profissional, que tenham vida útil superior ao período de um exercício e não se caracterizem como consumíveis tais como: instalação de escritório, máquinas, equipamentos, instrumentos, mobiliários, etc. Apenas o valor relativo às despesas de consumo é dedutível no livro caixa. 1- São despesas as quantias despendidas na aquisição de bens próprios para consumo, tais como material de escritório, de conservação, de limpeza e de produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, conservação, e integralmente dedutíveis no livro Caixa, quando realizadas no ano-calendário. 2- Considera-se aplicação de capital o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício e que não sejam consumíveis, isto é, não se terminem com sua mera utilização. Por exemplo, os valores despendidos com benfeitorias, instalação de escritório, aquisição e instalação de máquinas, equipamentos, instrumentos, mobiliários, etc. Assim, está correta a glosa dos valores em questão. (...) 8. Despesas Diversas (Código de Natureza 45) a) Despesas de condução - gastos com táxi, combustível, estacionamentos (inclusive de aeroporto). Na legislação tributária, transcrita neste voto, é vedada expressamente a dedução de despesas com locomoção e transportes, salvo no caso de representante comercial autônomo. b) Outras despesas - gastos com mochila, relógio, carrinho, velcro, carregador de celular, mídia de DVDs virgens. As despesas referidas não são consideradas necessárias para a percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Portanto, estão corretas as glosas efetuadas. 9. Assessoria em administração de contratos (Código de Natureza 46) Conforme contrato de locação de serviços celebrado entre o contribuinte e a empresa MMF Administração e Participação S/C Ltda, os serviços locados compreendem: a) Assessoria e acompanhamento de serviços prestados por terceiros, cujas despesas totalizam R$ 240.000,00; e b) Aluguéis de bens, tais como, móveis e utensílios, bens móveis em geral, equipamentos, cujas despesas totalizaram R$ 180.000,00. As despesas referidas no item "a" não se revestem das características de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Fl. 925DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 As despesas do item "b", foram glosadas por não ter sido comprovado que os equipamentos, periféricos, móveis, utensílios, instalações e linhas telefônicas, objeto da locação, são utilizadas nas atividades inerentes aos serviços cartorários, tendo em vista que, no contrato de locação de serviços, as descrições de equipamentos, móveis, utensílios, etc. são genéricas, e a apresentação dos comprovantes de pagamentos da locação não fazem prova do uso dos bens, impossibilitando a verificação se o bem é necessário à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Saliente-se que somente a conta contábil "Máquinas e Equipamentos" da MMF Administração e Participação S/C Ltda, juntada com a impugnação (fls. 757 a 773), não é suficiente para a comprovação do tipo de bens locados. Tendo em vista a motivação da glosa, cabia ao impugnante trazer elementos adicionais capazes de comprovar suas alegações, nos termos do artigo 15 do Processo Administrativo Fiscal. Assim, deve ser mantida a glosa das despesas decorrentes do contrato de locação de serviços celebrado entre o contribuinte e a empresa MMF Administração e Participação S/C Ltda por falta de comprovação da necessidade à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. (...) 11. Juros/IOF Cheque Especial (Código de Natureza 61) e Taxa de cartão de crédito (Código de Natureza 77) Está correta a autoridade fiscal ao afirmar que as despesas relativas a encargos financeiros devido à utilização de empréstimos bancários (utilização dos limites de "cheque especial"), assim como as despesas derivadas de obtenção ou uso de linhas de crédito junto à instituição financeira, não são uma necessidade inerente à atividade cartorial, mas sim, uma opção do contribuinte relativamente à forma como administra o fluxo de caixa e faz uso dos recursos financeiros do cartório. Por conseguinte, devem ser mantidas as glosas respectivas. 12. Empréstimos/Adiantamentos de funcionários (Código de Natureza 64) Foram glosadas as despesas referentes a empréstimos aos funcionários fora da folha de pagamento, por falta de previsão legal para a dedução. O termo empréstimo pressupõe a cedência gratuita e temporária de recursos, que serão devolvidos pelos tomadores, não se configurando em dispêndio para o mutuante. Nesse sentido, está correta a glosa. 13. Empréstimos/Adiantamentos a funcionários – 2ª parcela 13º Salário (Código de Natureza 75) O impugnante alega que as despesas glosadas neste item referem-se ao adiantamento da 2ª parcela do 13º Salário, conforme solicitado pelos funcionários. Junta as solicitações de adiantamento e comprovantes de depósitos bancários de fls. 777 a 804. No procedimento fiscal, foi constatado que não há correspondência entre as datas e os valores elencados neste item e os valores constantes nas fichas financeiras de cada funcionário na folha de pagamento no ano-calendário de 2009. Ainda, na folha de pagamento dos funcionários, referente ao mês de dezembro de 2009, foram pagos valores integrais a título de 13º salário e descontados apenas a 1ª parcela do 13º salário, indicando que o valor da 2ª parcela foi considerada como despesa no mês de dezembro, e que, sendo considerada no mês dos alegados adiantamentos, estaria sendo computada em duplicidade. O contribuinte solicita a juntada posterior de documentos para a comprovação mais detalhada de sua alegação. No entanto, até o momento do julgamento dos autos, não foi apresentado nenhum elemento, pelo que fica prejudicado o referido protesto. Fl. 926DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 14. ISS - Depósito Judicial (Código de Natureza 781) A glosa dos depósitos judiciais teve a seguinte motivação: No caso de depósitos judiciais, até o momento do trânsito em julgado da ação, não se pode falar em perda da titularidade. Esta ocorrerá, ou não, a depender da parte que obtiver o ganho da causa. Somente neste momento, e no caso de decisão desfavorável, estará caracterizada a perda definitiva da titularidade e o depositante poderá lançar como despesa os valores depositados. Assim sendo, os lançamentos referidos neste item não correspondem a despesas dedutíveis. O depósito judicial refere-se à Ação Judicial nº 053.09.013135-5, visando a declaração da inexistência da relação jurídica tributária entre o autor e a ré e, alternativamente, a tributação do autor pelo ISS sob a forma de trabalho pessoal, com base em valor fixo. Em consulta ao site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, constata-se que o referido processo judicial encontra-se ainda em tramitação. Assim, está correta a glosa, haja vista que o desembolso, no regime de caixa, a que está submetida a escrituração do Livro Caixa somente será considerado com a decisão desfavorável transitada em julgado e a conversão do depósito judicial em renda da entidade tributante. De mais a mais, exceto quanto ao inventário e quanto à decisão da Apelação do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no processo do ISS, a representação do recorrente não trouxe nenhum elemento complementar documental novo aos autos, que não estivesse sob o manto da preclusão, que pudesse robustecer ou melhor fundamentar a irresignação para demonstrar eventual equívoco na decisão da DRJ, a qual se apresenta hígida, consistente e bem fundamentada. Em relação a decisão da lide judicial sobre o ISS, o recorrente não apresentou certidão de trânsito em julgado, tampouco atacou com motivação documental consistente o fundamento da DRJ no sentido de ser necessário para o computo da despesa a comprovação da conversão do depósito judicial em renda da entidade tributante. Fato é que os valores referentes aos depósitos judiciais correspondentes ao ISSQN, relacionados a serviços prestados, somente poderão ser deduzidos, ainda que relacionados a exercícios de anos anteriores, no momento de sua extinção, ou seja, quando convertidos em renda ao ente tributante, o que não era o caso na espécie das glosas efetivas, já que ainda se tratavam de meros depósitos e eventual conversão em renda ocorreria (ou ocorrerá) em ano-calendário posterior, sendo nele computada a despesa uma vez convertida em renda ao ente tributante. Em relação as despesas provenientes de assessoria jurídica, mesmo tendo adotado as razões de decidir da DRJ, pondero e comento que, ao meu sentir, a despesa de custeio necessária é tanto aquela essencial ou indispensável à percepção do rendimento, quanto o dispêndio útil ou oportuno para a obtenção dos rendimentos e para a própria administração da fonte produtora dos ganhos e exploração da atividade pela pessoa física (Oficial de Cartório no trabalho não assalariado), que se apresenta de forma usual ou normal vinculado à fonte produtora de rendimentos (art. 6º, inciso III, da Lei n.º 8.134, de 1990), todavia, no caso dos autos, apesar de numa primeira análise aparentar fazer sentido as alegações recursais acerca da assessoria jurídica dentro desta premissa, o fato é que assiste razão à decisão de piso e a autoridade lançadora na glosa referida, pois não resta demonstrado claramente nos elementos colacionados, malgrado o propósito alegado, consistir efetivamente em despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, considerando a documentação comprobatória apresentada abarcada por recibos e muitos sem descrição do efetivo serviço prestado, de forma que não há segurança de que realmente as despesas indicadas nos recibos guardem conexão direta com a atividade de tabelião exercida pelo recorrente e que sejam necessárias a fonte produtora dos rendimentos, impondo-se a manutenção do lançamento por seus próprios fundamentos. Fl. 927DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 Em relação as despesas provenientes de deslocamento, ainda que se alegue serem necessárias e decorrentes de serviços para o cartório, assinatura de atos e termos vinculados a atividade registral, e que a vedação legal seria apenas para o deslocamento do próprio contribuinte, não assiste razão ao recorrente, uma vez que o seu entendimento não é a correta interpretação da legislação tributária, a qual efetivamente veda tal dedução. Em relação as demais despesas glosadas, a decisão da DRJ, acima reproduzida, bem sintetiza o debate e as razões da glosa com as quais convirjo. Em relação a irresignação contra a multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão, considerando se tratar do ano-calendário 2009, não assiste razão ao recorrente por ser aplicável a Súmula CARF n.º 147, a qual dispõe: “Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%)”. No caso específico os fatos geradores estão sob a vigência da referida Medida Provisória n.º 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. A referida súmula é vinculante, conforme Portaria ME n.º 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020. Quanto a alegação adicional para retificar a liquidação do julgamento da DRJ, pois a soma das glosas canceladas seria de R$ 369.712,13, embora à e-fl. 852 o Acórdão informe o valor diferente que aponta para R$ 368.815,83, tem-se que anotar que realmente há um erro na soma das glosas canceladas, porém o valor totaliza R$ 369.521,43 (e não R$ 369.712,13). Constato na análise das somas do e-fls. 850/852 que a DRJ não calculou corretamente as somas de janeiro (deixou de fora R$ 705,60 da glosa cancelada de despesas de copa da competência citada). Neste sentido, também deve ser retificado o recálculo do imposto, da correspondente multa de ofício de 75% e da multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão em relação a referida competência (janeiro). Sendo assim, com parcial razão o recorrente, unicamente para corrigir a soma das glosas canceladas pois o valor totaliza R$ 369.521,43 (e não R$ 368.815,83 apontado no e-fl. 852), deste modo se impõe referida retificação, bem como o recalculo do imposto, da correspondente multa de ofício de 75% e da multa isolada por falta de recolhimento do carnê- leão. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Em apreciação racional da lide, motivado pelas normas aplicáveis à espécie e elementos colacionados, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, em resumo, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para reformar o acórdão da DRJ unicamente para corrigir a soma das glosas canceladas pois o valor totaliza R$ 369.521,43 (e não R$ 368.815,83 apontado no e-fl. 852, que contém erro de cálculo), deste modo se impõe referida retificação, bem como o recalculo do imposto, da correspondente multa de ofício de 75% e da multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Fl. 928DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-010.396 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.731899/2012-43 Dispositivo Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para determinar a correção do erro material relativo a soma das glosas canceladas para R$ 369.521,43, determinando o recalculo do imposto, da multa de ofício e da multa isolada. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 929DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720901/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2006, 2007
LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis.
GLOSA DE DESPESA
Comprovado que as notas fiscais representativas de custo não refletem a realidade das operações mercantis, correta a glosa dos respectivos custos, ainda que registrados na contabilidade. Legítima a exigência do respectivo tributo.
INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF N. 2.
O questionamento quanto a inconstitucionalidade de lei ultrapassa os limites da competência administrativa, consoante orientação do Parecer Normativo nº 329, de 1970, da Coordenação do Sistema de Tributação.
SUJEIÇÃO PASSIVO SOLIDÁRIA
Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
DECADÊNCIA
Nos termos do art. 149, inciso V do CTN, em havendo omissão ou inexatidão quanto ao disposto no art. 150, deve ser efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, contando-se o prazo decadencial conforme preceituado no art. 173, inciso I.
MULTA QUALIFICADA
A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo-se como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido. Artigo 44, inciso II, da Lei 9.430 de 1996.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-006.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga e Andre Luis Ulrich Pinto.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. GLOSA DE DESPESA Comprovado que as notas fiscais representativas de custo não refletem a realidade das operações mercantis, correta a glosa dos respectivos custos, ainda que registrados na contabilidade. Legítima a exigência do respectivo tributo. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF N. 2. O questionamento quanto a inconstitucionalidade de lei ultrapassa os limites da competência administrativa, consoante orientação do Parecer Normativo nº 329, de 1970, da Coordenação do Sistema de Tributação. SUJEIÇÃO PASSIVO SOLIDÁRIA Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECADÊNCIA Nos termos do art. 149, inciso V do CTN, em havendo omissão ou inexatidão quanto ao disposto no art. 150, deve ser efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, contando-se o prazo decadencial conforme preceituado no art. 173, inciso I. MULTA QUALIFICADA A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo-se como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido. Artigo 44, inciso II, da Lei 9.430 de 1996. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10665.720901/2011-12
anomes_publicacao_s : 202310
conteudo_id_s : 6954332
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1401-006.709
nome_arquivo_s : Decisao_10665720901201112.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10665720901201112_6954332.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga e Andre Luis Ulrich Pinto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2023
id : 10136262
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:57:57 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075682643968
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-10-04T23:01:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-10-04T23:01:51Z; Last-Modified: 2023-10-04T23:01:51Z; dcterms:modified: 2023-10-04T23:01:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-10-04T23:01:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-10-04T23:01:51Z; meta:save-date: 2023-10-04T23:01:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-10-04T23:01:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-10-04T23:01:51Z; created: 2023-10-04T23:01:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2023-10-04T23:01:51Z; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-10-04T23:01:51Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10665.720901/2011-12 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-006.709 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2023 Recorrente FERDIL PRODUTOS METALÚRGICOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. GLOSA DE DESPESA Comprovado que as notas fiscais representativas de custo não refletem a realidade das operações mercantis, correta a glosa dos respectivos custos, ainda que registrados na contabilidade. Legítima a exigência do respectivo tributo. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF N. 2. O questionamento quanto a inconstitucionalidade de lei ultrapassa os limites da competência administrativa, consoante orientação do Parecer Normativo nº 329, de 1970, da Coordenação do Sistema de Tributação. SUJEIÇÃO PASSIVO SOLIDÁRIA Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECADÊNCIA Nos termos do art. 149, inciso V do CTN, em havendo omissão ou inexatidão quanto ao disposto no art. 150, deve ser efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, contando-se o prazo decadencial conforme preceituado no art. 173, inciso I. MULTA QUALIFICADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 09 01 /2 01 1- 12 Fl. 1519DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo-se como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido. Artigo 44, inciso II, da Lei 9.430 de 1996. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga e Andre Luis Ulrich Pinto. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte contra o Auto de Infração de fls. 05/29, lavrado com o objetivo de constituir crédito tributário referente a IRPJ e CSLL, referentes ao ano-calendário de 2006 e 2007, no valor histórico de R$ 9.912.611,75. Tendo tomado ciência acerca do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 664/700) pugnando pela improcedência integral do Auto de Infração, o que fez com base nas seguintes alegações: Fl. 1520DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 a) No mérito, alega que a Fiscalização considerou inidôneas determinadas Notas Fiscais de entrada, referente a mercadorias adquiridas para revenda, e que a declaração de inidoneidade ocorreu após consumadas as operações de revenda, de modo que atingiu negócios jurídicos perfeitos e acabados, e, portanto, glosou créditos de PIS e COFINS por meio do Auto de Infração n.º 10665.000836/2010-24, o qual está vinculado ao presente processo; b) Que como consequência do Auto mencionado acima, foi lavrado o presente Auto de Infração, já que com base no art. 249 do RIR, a Fiscalização estornou o valor das mercadorias em estoque no dia 1º de janeiro de 2006, adquiridas no exercício anterior, contadas e inventariadas no dia 31/12/2005, dos custos no exercício seguinte; c) Que tal procedimento acabou por atribuir ao conceito de “renda” sentido diverso daquele previsto na legislação, notadamente porque desconsiderou como custo dedutível as mencionadas Notas Fiscais, as quais foram devidamente registradas no Livro de Entradas, no controle de produção e no estoque do Impugnante, e que tanto é verdade que tais mercadorias foram objeto de revenda, gerando receitas incorporada à renda declarada ao Fisco; d) Que o controle do Impugnante acerca da idoneidade das Notas Fiscais e da regularidade da sua escrita podem ser observadas a partir das seguintes contas: e) Que para desconstituir os registros fiscais do Impugnante, o Fisco deveria apresentar provas suficientes a desconstituí-lo, já que cabe a ele o ônus da prova apto a ensejar o lançamento, não podendo valer-se de mera suposição combinada com erro formal na emissão de notas fiscais (CFOP equivocado) para ignorar os registros fiscais e contábeis do Impugnante; f) Que no caso em apreço, em nenhuma etapa da fiscalização, o Fisco preocupou-se em demonstrar corretamente a renda ou disponibilidade financeira da empresa, tanto que o Agente Fiscal, sem nunca ter presenciado um carregamento sequer no pátio da empresa, afirmou que as Notas Fiscais de revenda, ao contrário do que consta nos registros fiscais, acobertariam em realidade saídas de produtos produzidos pelo próprio Impugnante, e que este teria simulado as operações de revenda; Fl. 1521DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 g) Que não é porque o setor de faturamento da empresa errou ao emitir as Notas Fiscais com apontamento do CFOP impróprio, que as mercadorias adquiridas de terceiros, como tal lançadas em todos os controles da empresa, passaram à condição de produtos gerados pelo Impugnante; h) Que no caso em apreço as mercadorias adquiridas foram devidamente inventariadas ao final do exercício, com base nos critérios legais, e que o fisco não poderia glosar estoques sem a prova concreta do erro ou incongruência dos fatos ocorridos; i) Que em havendo dúvida ou incerteza acerca do fato gerador ou da norma aplicável, deve-se aplicar o entendimento mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN; j) Que o fato de o Impugnante receber de terceiras mercadorias iguais a que produz, destinadas a revenda, individualizando através de registros próprios, todas as operações com elas realizadas, não permite ao fisco presumir que tais mercadorias foram geradas/produzidas nos estabelecimentos do Impugnante, levando-se em conta apenas a indicação errónea do CFOP nas notas fiscais de venda; k) Que a multa aplicada deveria ser cancelada, em razão de sua patente confiscatoriedade, posto absorverem o patrimônio do Impugnante, já que as multas aplicadas ao presente caso ultrapassam em 200% o valor do principal exigido, bem como porque o próprio Governo Federal, através da edição da Lei n.º 9.298/96, limitou as multas de mora em 2% do montante da prestação; l) Que, subsidiariamente, a multa punitiva de não poderia superar a multa de 75%, prevista no inciso I, art. 44 da Lei 9.430/96, já que para o agravamento da penalidade para o patamar de 150% não basta a falta do recolhimento do tributo, mas demanda a comprovação do intuito de fraude, o que não foi feito no caso em comento; m) Que não tendo sido comprovada a má-fé dos sócios do Impugnante, não se poderia falar em responsabilidade pessoal destes; n) Por fim, que o julgamento do presente feito deveria aguardar o resultado do julgamento do Auto de Infração n.º 10665.000836/2010-24, tendo em vista que a inidoneidade das Notas Fiscais em comento está sendo discutida naqueles autos. Posteriormente, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, proferiu o Acórdão n.º 02-34.206 (fl. 1.403/1.414) abaixo ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1522DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 Ano-calendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. INCONSTITUCIONALIDADE. O questionamento quanto a inconstitucionalidade de lei ultrapassa os limites da competência administrativa, consoante orientação do Parecer Normativo nº 329, de 1970, da Coordenação do Sistema de Tributação. SUJEIÇÃO PASSIVO SOLIDÁRIA Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECADÊNCIA Nos termos do art. 149, inciso V do CTN, em havendo omissão ou inexatidão quanto ao disposto no art. 150, deve ser efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, contando-se o prazo decadencial conforme preceituado no art. 173, inciso I. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - PROVAS As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. Toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas em lei. MULTA QUALIFICADA A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo-se como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido. Artigo 44, inciso II, da Lei 9.430 de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando esta providência revela-se prescindível para instrução e julgamento do processo. Análise de prova documental acostada aos autos e já cientificada à impugnante, para simples Fl. 1523DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 conferência de informações, não justifica a realização de exame pericial, podendo tal análise ser efetuada pela defendente, carreando ao processo o resultado dessa verificação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 GLOSA DE DESPESA Comprovado que as notas fiscais representativas de custo não refletem a realidade das operações mercantis, correta a glosa dos respectivos custos, ainda que registrados na contabilidade. Legítima a exigência do respectivo tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 GLOSA DE DESPESA Comprovado que as notas fiscais representativas de custo não refletem a realidade das operações mercantis, correta a glosa dos respectivos custos, ainda que registrados na contabilidade. Legítima a exigência do respectivo tributo. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inicialmente, a DRJ destaca que as alegações referentes aos procedimentos fiscais constantes no Auto de Infração n.º 10665.000836/2010-24 não serão analisados, já que alheios ao presente feito, notadamente o que se refere à tese do negócio jurídico perfeito, mas que mesmo que fosse aplicável ao presente caso, tal alegação não teria respaldo já que não tendo decaído o direito do Fisco em efetuar o lançamento, é dever da Fiscalização analisar os assentamentos contábeis e fiscais de qualquer contribuinte. Em seguida consigna serem irrelevantes as alegações do Impugnante, de que as operações em comento estariam registradas em seus livros, já que o simples registro, sem documentação idônea que comprove as informações ali postas, não se presta a afastar a exigência fiscal. No caso em concreto, verificou-se que haviam sido registrados na escrita do Impugnantes operações de revenda que em verdade se referem a vendas de produção própria, já que o Impugnante não logrou comprovar a aquisição dos produtos ou o pagamento aos fornecedores. Pelo contrário, alega que ao longo da fiscalização restou verificado que os fornecedores indicados nos documentos inidôneos declararam que não efetuaram qualquer operação com o Impugnante, que não receberam qualquer valor deste, que as notas fiscais não são de emissão deles, e que estas foram consideradas inidôneas por ato da receita estadual. Além disso, que foi verificado pela Fiscalização que os caminhões transportadores das mercadorias são de propriedade da empresa Transportadora Pitangui, pertencente ao grupo do Impugnante, e que Fl. 1524DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 os pagamentos das aquisições foram creditados nas contas da transportadora ou do próprio Impugnante. Dessa forma, atesta que o lançamento não foi realizado com base em presunção, mas que foi devidamente provada a utilização de documento inidôneo com o objetivo de reduzir o valor a ser oferecido à tributação, bem como que não tendo o Impugnante juntado qualquer documento apto a infirmar tais conclusões, estas devem ser mantidas. Arremata que o caso em concreto não se refere a simples ausência de recolhimento de tributos, mas do registro contábil/fiscais de operações com utilização de documentos forjados com o único e específico objetivo de se evadir das obrigações tributárias, de modo que a má-fé do contribuinte está devidamente comprovada. Por tal razão, mostra-se correto o agravamento da multa, assim como a responsabilização solidária dos sócios. Por fim, deixou de apreciar as alegações de confiscatoriedade da multa, posto que a análise de tais alegações foge da competência daquele órgão. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.423/1.469), em que basicamente reitera os argumentos tecidos na defesa. Posteriormente, os autos foram convertidos em diligência à Secretaria da lª Seção do CARF (fls. 1.484/1.489), para que esta aguardasse o trânsito em julgado do PAF de n.º 10665.000836/2010-24, cuja conexão com o presente feito foi reconhecida pelo i. Relator à época, bem como para que juntasse aos autos o Acórdão correspondente. Em 03/04/2018, foi firmado Termo de Apensação, para juntar aos presentes autos o Acórdão proferido no PAF de n.º 10665.000836/2010-24 (fls.1.493/1.507), que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, de modo que os presentes autos se encontram maduros para julgamento. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, constitui-se basicamente em reprodução da impugnação cujos argumentos foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Fl. 1525DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 No mais, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I - verificação do quórum regimental; II - deliberação sobre matéria de expediente; e III - relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas e parcialmente acolhidas pela decisão recorrida. Assim, , desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: Voto A empresa tomou ciência dos autos de infração em 13/04/2011, Avisos de Recebimento de fls.649/651, e apresenta sua impugnação em 13/05/2011, fls. 653. Atendida a legislação de regência, toma-se conhecimento da impugnação referente aos autos de infração constantes do presente processo. Atendida a postulação formulada no tópico I da impugnação. Para o tópico II – DOS FATOS – BREVE SÍNTESE, não há qualquer análise a ser efetuada por tratar-se de simples resumo. No tópico “ANÁLISE DO PROCEDIMENTO FISCAL”, a impugnante apresenta as razões que entende pertinentes. Registre-se que, em resumo, tem-se que a fiscalização glosou valores registrados na contabilidade da impugnante por considerar os documentos inidôneos. Este é verdadeiramente o cerne do litígio. Fl. 1526DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 No entanto, primeiramente, vejamos os demais argumentos apontados na impugnação, para que não se argua carência de análise de qualquer tema apresentado na defesa. 1 – Fato jurídico perfeito e acabado A impugnante registra que: “A autuada e ora impugnante foi submetida a procedimento fiscal para verificação dos recolhimentos e/ou compensações na liquidação do PIS e da COFINS devidos no exercício de 2005. Naquela ocasião verificou-se que a fiscalizada havia adquirido mercadorias para revenda, - ferro gusa irregular-, cujas entradas foram acobertadas por notas fiscais declaradas inidôneas pela Fazenda Estadual de MG no final daquele ano, portanto, depois de consumadas as operações. Mesmo assim, fazendo incidir, retroativamente, sobre negócios jurídicos perfeitos e acabados os efeitos dos atos declaratórios de inidoneidade, o fisco glosou os creditamentos lastreados nos referidos documentos, expedindo na formalização da cobrança dos tributos que entendeu devidos, o auto de infração ne 10665.0008362010-24. Vejam no quadro seguinte as notas fiscais tidas como inidôneas que motivaram os estornos de créditos apropriados pela empresa, objeto de parte da autuação acima.” Relaciona os atos declaratórios do fisco estadual, os nomes das empresas e resumo do texto dos citados atos. Prossegue: Ao que tudo indica, visualizando a possibilidade de sucesso da fundamentada defesa apresentada no processo anterior, onde a questão da não-cumulatividade do PIS e da COFINS foi abordada no sentido tal como vem sendo tratada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, resolveram, então, via do que pensam e acham sobre a realidade dos negócios consumados há mais de 5(cinco) anos, portanto, sob o aspecto tributário, impossíveis de serem revistos, considerar inexistente o que houve de mais concreto naquela época - o efetivo recebimento das mercadorias adquiridas e consequente ingresso nos estoques da adquirente - para, via da concepção própria de custos não dedutíveis, com invocação do disposto no art. 249 do RIR, estornar o valor das mercadorias em estoque no dia 1Q de janeiro de 2006, adquiridas no exercício anterior, contadas e inventariadas no dia 31/12/2005, dos custos no exercício seguinte.” Este argumento é prontamente rechaçado. Primeiro porque a impugnante se refere a procedimentos fiscais constantes do processo 10665.000836.2010/24 que não é objeto do presente litígio. O lançamento referido encontra-se pendente de julgamento no Conselho Administrativo Fiscal, em virtude de ter a 1ª Turma da DRJ/BHE julgado improcedente a impugnação apresentada naquela ocasião nos termos do Acórdão 02- 28.862, de 04 de outubro de 2010. Por outro lado, ainda que se referisse ao presente processo, 10665.720901/2011-12, não encontra respaldo uma vez que não se aplica à presente situação a tese de negócio jurídico perfeito e acabado. O fisco tem o dever, se não caracterizado o instituto da decadência, e neste caso não se caracterizou, de analisar os assentamentos contábeis e fiscais de qualquer contribuinte. Constatado que tais registros não se encontram respaldados pela legislação de regência e que houve omissão no cumprimento das obrigações tributárias, por dever de ofício, a autoridade deve proceder ao devido lançamento. 2 – Inexistência de venda de produtos de terceiros A fiscalização registra: Conforme cópias das notas fiscais, por amostragem, relativas às vendas contabilizadas nas contas acima, constatou-se que os bens vendidos são produtos de fabricação própria (ferro gusa) e sub-produtos (ferro-gusa formato irregular). Não se tratando, como faz querer entender o contribuinte, de venda de mercadoria adquirida de terceiros. As vendas ocorreram, porém, foram lançadas em contas indevidas para poder sustentar o Fl. 1527DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 lançamento dos custos de mercadorias adquiridas de terceiros, operação essa que não ocorreu conforme se demonstra abaixo. Além disso, há o lançamento na contabilidade de receitas que em tese seriam de mercadorias adquiridas de terceiros ( sucatas ), mas na realidade são vendas de produção própria ( ferro gusa ou sucatas ), com o fim específico de dar fundamento ao lançamento de baixa das pseudomercadorias adquiridas (sucatas) como custos de vendas.” A impugnante, em sua contestação, argumenta que: “As notas fiscais de compras, posteriormente declaradas inidôneas, encontram-se devidamente registradas no livro de entradas, no controle de produção e do estoque da adquirente, cujas operações com ela realizadas foram devidamente contabilizadas. E mais, os produtos por elas acobertados foram comprovadamente recebidos pela destinatária. Tanto é verdade que foram objeto de operações de revenda, gerando receitas incorporadas à renda declarada ao fisco. Por isso mesmo, a inidoneidade em si, principalmente quando declarada posteriormente à consumação das operações, não certifica a inexistência do negócio, a ponto de afastar da adquirente o direito de abater das receitas havidas no exercício seguinte, inclusive nas operações de revenda, para fins de apuração da renda, o valor das referidas aquisições, cujos pagamentos encontram-se devidamente contabilizados. Não obstante a correspondência lógica entre os dados lançados nos referidos documentos e os fatos registrados nos livros fiscais e contábeis, inclusive os presumidamente constatados, como é o caso dos estoques inventariados, apega-se o fisco em informações colhidas de quem realmente pode ter cometido algum deslize e tenta esquivar-se da responsabilidade para, a contrário senso com a realidade consumada, imputar à fiscalizada a obrigação de pagar imposto de renda e CSLL sobre renda que efetivamente não teve. “Ora, não é porque o setor de faturamento da empresa errou ao emitir as notas fiscais com apontamento do CFOP impróprio, que as mercadorias adquiridas de terceiros, como tal lançadas em todos os controles da empresa, passaram à condição de produtos gerados pela autuada. Numa situação como esta, indaga-se: O que há de prevalecer, um conjunto de registros antecedentes e posteriores à emissão das notas fiscais, ou o erro no apontamento do CFOP? A título de exemplo destacamos os registros e contabilização das revendas efetivadas no período fiscalizado com respectivos registros nas contas 3.1.1.01.0002 - FERRO GUSA ADQ. TERCEIROS DIV. e 3.1.1.02.0002 - FERRO GUSA ADQ. TERCEIROS SGP, onde foram lançadas as importâncias correspondentes, respectivamente, aos somatórios das notas fiscais que acobertaram tais operações no período, muito embora nelas tenha sido mencionado CFOP incorreto. Verifica-se, também, que na conta 3.2.1.01.0002 - FERO FUSA ADQ. TERCEIROS foi lançada a importância correspondente a baixa dos custos pertinentes às operações supracitadas. Lado outro, a contrário senso do que afirma o fisco, em razão das citadas operações, nenhum lançamento foi feito a título de operações com produtos de produção própria. Para alcançar o desejado resultado, que nem sinal da sua concretização consegue aviventar, diz o fisco, em contradição com o que certifica os registros fiscais da empresa, que as mercadorias acobertadas pelas notas fiscais tidas como inidôneas não adentraram nos estabelecimentos da adquirente. Questão como esta não pode e não deve ser julgada em função do que é simplesmente alegado. Há que se fazer valer a prova. A autuada e ora impugnante, além dos registros nos livros fiscais próprios, inclusive o Controle da Produção e do Estoque, promoveu saídas de mercadoria adquirida de terceiros, cujas receitas foram objeto de registro na conta própria, o que certifica, salvo prova em contrário, a efetividade dos negócios”. Fl. 1528DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 Em primeiro degrau, há de se concluir por desnecessários os argumentos da impugnante de que as operações se encontram registradas em seus livros. Efetivamente estão. A própria fiscalização registra esta circunstância. Naturalmente que o simples registro contábil de operações mercantis não se prestam para afastar exigência fiscal. Se assim o fosse, dispensada seria a fiscalização. Para que a escrituração contábil se constitua em prova é indispensável que esteja lastreada em documentação hábil e idônea que comprove de forma inquestionável os fatos registrados. Por óbvio, cabe ao contribuinte manter sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação das suas operações. No caso presente, como já se afirmou anteriormente, não tendo sido caracterizada a decadência, a fiscalização procedeu ao lançamento por entender que a impugnante não comprovou a aquisição e o pagamento dos produtos que registrou em sua contabilidade como custo. A questão presente, repita- se à exaustão, cinge-se à existência ou não de comprovação das aquisições dos insumos descritos nas notas fiscais emitidas pelas empresas. Dessa forma, não se está imputando ao contribuinte a obrigação de conhecer a regularidade fiscal de seus fornecedores, ou indagar se estes cometeram ou não algum deslize, mas tão-somente a obrigação de provar que as transações comerciais de fato ocorreram. A fiscalização afirma que as vendas efetuadas pela impugnante referem-se a produtos de fabricação própria e não de mercadoria adquiridas de terceiros. Logo, conclui indevida a apropriação dos respectivos custos. Abstraindo-se de serem as notas ficais consideradas inidôneas, o fato de não haver venda de mercadorias de terceiros, por si só, já confirmaria a procedência do lançamento. Se não houve venda daquilo que se adquiriu, por consequência, não existe custo a ser considerado. Por outro lado, ainda que venda houvesse, a comprovação da aquisição haveria de ser suportada com documentos para que se auferisse o custo real. A impugnante, por sua vez, afirma que concretizou vendas de mercadorias de terceiros e que teria ocorrido simples erro de classificação contábil/fiscal, indagando: “O que há de prevalecer, um conjunto de registros antecedentes e posteriores à emissão das notas fiscais, ou o erro no apontamento do CFOP?” A fiscalização afirma que, conforme cópias das notas fiscais, por amostragem, constatou que os bens vendidos são de fabricação própria. A impugnante apenas indaga. Não apresenta qualquer relação ou qualquer nota fiscal. Afinal, em que ocasião, quais notas apresentam o CFOP equivocado, quais os valores? A impugnante não se dá ao trabalho de informar. Os documentos relacionados ao final de sua impugnação são cópias de atos constitutivos, CNPJ, de identidade de advogados, de livros e demonstrações contábeis, na expressiva maioria, documentos já apresentados pela fiscalização. 3 – Saldo credor de contas do ativo. A fiscalização afirma ainda que: A fiscalização verificou a utilização indevida dos custos lançados nas contas acima, conforme cópia do razão. Como constatado, esses custos referem-se a aquisição de ferro-gusa adquiridos de terceiros lastreadas por notas fiscais inidôneas. O contribuinte contabilizou em 2005 várias aquisições de ferro gusa adquiridos de terceiros, que formaram o saldo devedor inicial de 2006 conforme abaixo: 1.1.2.02.0002 FERRO GUSA ADQ TERCEIROS DIV 2.545.266,86D 1.1.2.02.0005 FERRO GUSA ADQ TERCEIROS SGP 2.443.206.29D e saldo credor no final de 2007 de: 1.1.2.02.0002 FERRO GUSA ADQ. TERCEIROS - DIV 1.092.940,59 C 1.1.2.02.0005 FERRO GUSA ADQ. TERCEIROS - SGP 557.364,18 C Como se verifica pelos saldos acima e pelos balancetes em anexo, há contas do ativo com saldo credor, demonstrando que o contribuinte lançou como custo valores superiores aos existentes na contabilidade e os valores lançados na contabilidade não deveriam estar lançados, tendo em vista a origem estar amparada em documentos inidôneos, conforme explicado abaixo. Fl. 1529DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 Detalhe importante é que o saldo inicial lançado no balancete de 2007 é o saldo inicial de 2006 e não o saldo final de 2006 que seria o correto. Anexamos um balancete acumulado de 2006 e 2007 que confirma o saldo final credor em 2007, verificando o excesso de utilização das supostas compras de ferro gusa irregular. A impugnante contesta... Em notório desrespeito aos atos registrais da empresa, chega ao absurdo de afirmar a inexistente e ilógica constatação de saldo credor nas contas 1.1.2.02.0002 (Ferro Gusa Adq. Terceiros Div) e 1.1.2.02.0005 Ferro Gusa Adq. Terceiros SGP), integrantes do ativo, no final do exercício de 2007. Com isto, evidentemente, tenta de forma transversa, justificar a total desconsideração dos fatos ocorridos que se encontram devidamente registrados. Contudo, tal afirmativa é, como as demais, incongruentes com os lançamentos, como se vê na cópia dos balancetes anexos e que foram entregues ao fisco durante as diligências. Citando o art. 43 do CTN, a impugnante entende que nenhum levantamento fiscal seria suficiente, por si só, para demonstrar disponibilidade econômica ou jurídica de empresa fiscalizada. E complementa: “Assim sendo, não é porque se pensa e acha que houve aquisição tão somente das notas fiscais, tidas como inidôneas, que o fisco está habilitado a desconsiderar todos os demais registros fiscais e contábeis da empresa, requalificando, a partir de meras e incomprovadas suspeitas, os resultados operacionais da fiscalizada.” Novamente a impugnante clama pela intocabilidade de seus registros contábeis. Não há qualquer desrespeito. O que se tem é a obrigação de se comprovar, com documentação pertinente, os registros efetuados. O argumento da disponibilidade econômica soa estranho à presente situação. A autuação não faz qualquer menção a esta circunstância. Engana-se também quando afirma que o fisco desconsiderou todos os demais registros fiscais e contábeis. A atuação da fiscalização restringiu-se a demonstrar a utilização de documentos que não condizem com a realidade. Naturalmente que, diante desta constatação, o resultado final que deveria ser oferecido à tributação é outro, diferente daquele pretendido pela impugnante. Não houve qualquer manipulação de dados, não houve lançamento com base em probabilidade, não houve suposição como afirma a impugnante. O fato concreto foi devidamente demonstrado: utilização de documentos inidôneos com o objetivo de reduzir o valor a ser oferecido à tributação. De qualquer forma, a constatação de que a conta apresenta ou não saldo credor não oferece qualquer elemento para impactar a decisão. Isto porque, apesar desta indicação, a fiscalização não se utilizou deste dado para sedimentar a autuação, como se verá a seguir. Enfim, como assinalado, as circunstâncias acima analisadas, nos itens 1 a 3, podem ser reconhecidas como indícios, mas não se prestam para resolver definitivamente o litígio, ainda que se conclua pela improcedência dos argumentos apresentados pela impugnante. Isto posto, examinemos o cerne da questão que é a glosa dos valores lançados como custo, objeto inicialmente da intimação encaminhada à impugnante, de fls. 197/199, indicando os valores para cada ano-calendário e a demonstração da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, tem-se que foram utilizados nos autos de infração única e exclusivamente estes mesmos valores referentes as notas fiscais, inexistindo qualquer indicação de valor relativo a saldo credor da conta de mercadorias em estoque. A fiscalização afirma que Ficou constatado que as aquisições de ferro gusa irregular (sucatas) não ocorreram, os fornecedores declararam que não efetuaram qualquer operação com a Ferdil, não Fl. 1530DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 receberam qualquer valor, as notas fiscais não são de emissão deles, foram consideradas inidôneas por ato da receita estadual. Se não bastasse a negativa dos fornecedores à fiscalização, foi verificado que os caminhões transportadores das mercadorias são de propriedade da empresa Transportadora Pitangui, pertencente ao grupo da empresa fiscalizada, e que já pertenceram à empresa Ferdil, ver cópia do razão nos documentos probatórios, e, além disso, os pagamentos dos referidos insumos foram creditados nas contas da transportadora ou da própria Ferdil conforme apurado no processo anterior citado acima. Por sua vez a impugnante insiste na tese da imunidade absoluta dos registros contábeis, afirmando: “Para alcançar o desejado resultado, que nem sinal da sua concretização consegue aviventar, diz o fisco, em contradição com o que certifica os registros fiscais da empresa, que as mercadorias acobertadas pelas notas fiscais tidas como inidôneas não adentraram nos estabelecimentos da adquirente. Questão como esta não pode e não deve ser julgada em função do que é simplesmente alegado. Há que se fazer valer a prova. A autuada e ora impugnante, além dos registros nos livros fiscais próprios, inclusive o Controle da Produção e do Estoque, promoveu saídas de mercadoria adquirida de terceiros, cujas receitas foram objeto de registro na conta própria, o que certifica, salvo prova em contrário, a efetividade dos negócios” Desnecessário repetir argumentos para concluir pela improcedência de tal argumento, por já suficientemente analisado. A impugnante não contesta as conclusões da fiscalização acima transcritas no que diz respeito ao transporte, ao fato de os pagamentos terem sido creditados nas suas próprias contas e/ou nas contas das transportadoras que ao grupo pertencem. Ora, se não se comprova a efetiva aquisição dos insumos e o pagamento a quem forneceu, outra conclusão não se pode chegar que as tais aquisições não seefetivaram. Portanto, concluo por suficientemente demonstrado a inidoinedade das notas fiscais que pretensamente serviram de lastro ao registro dos custos, uma vez que os argumentos apresentados pela defesa não se encontram lastreados em qualquer documentação. E não se trata de inversão do ônus da prova. O fisco afirma que não houve o pagamento das mercadorias aos fornecedores indicados nas respectivas notas fiscais, e sim à própria empresa e/ou empresas do mesmo grupo. A impugnante não aborda este aspecto em sua defesa. Continua simplesmente na insistente repetição da inquestionabilidade dos registros contábeis, inclusive afirmando que “Para confirmação destas informações é suficiente a avaliação dos registros lançados nas principais contas” Não. Não é suficiente. Para ser, necessário é provar que efetivamente pagou aos fornecedores, enfim, apresentar, documentos comprobatórios da efetividade da operação. E isto a impugnante não faz. Prevalecer seus argumentos significa a extinção de todos os órgãos encarregados de fiscalização e revogação imediata de toda a legislação tributária. As empresas registrariam em sua contabilidade o que lhes fosse interessante e jamais poderiam ser alvo de qualquer questionamento. Argumento por demais esdrúxulo. Não se trata de suspeitas ou presunção. O fato concreto apontado nos autos permite concluir que as operações acobertadas pelas citadas notas fiscais não foram de fato realizadas. A impugnante transcreve o art.112 do CTN, para sustentar a sua afirmativa de que: “Na falta de prova do fato alegado na sustentação da falsa conclusão, - (existência de renda não oferecida à tributação) – esta se torna frágil e inconcebível ou, pelo menos, eivada de incertezas. Na dúvida e/ou incerteza quanto ao fato ou à norma legal aplicável na sua regulamentação, aplica-se o disposto no art. 112 do CTN.” Fl. 1531DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 Argumento totalmente incompreensível e descabido. Não houve qualquer dúvida para capitulação legal do fato, natureza (inciso I), natureza ou circunstâncias (inciso II), autoria (inciso III) ou natureza da penalidade aplicável (inciso IV). Portanto, não se trata de interpretação da lei. Trata-se efetivamente de comprovação da existência do fato tal qual descrito nos respectivos autos de infração e termo de verificação fiscal, com a indicação precisa de todos os elementos necessários e suficientes para sedimentar a exigência. Por tudo que foi exposto, comprovada também está a utilização de artifícios para se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias. Não há qualquer elemento que determinasse ao fisco proceder outros levantamentos. Ao contrário do entendimento da impugnante resta suficiente provado que o fato enquadra-se nos dispositivos citados pela fiscalização. A conclusão da fiscalização abaixo transcrita não se refere a presunção, mas a fatos demonstrados e provados: “Como demonstrado, a boa-fé na aquisição das referidas mercadorias fica afastada quando quem transporta a mercadoria é a própria adquirente ou transportadora do grupo, o efetivo pagamento não é comprovado, caracterizado está a má-fé da empresa, com o intuito de reduzir o tributo devido, o que agravará a multa devida e, por consequência, a representação fiscal para fins penais.” Não se trata de simples ausência de recolhimento de tributos, mas do registro contábil/fiscais de operações com utilização de documentos forjados com o único e específico objetivo de se evadir das obrigações tributárias. Por consequência, nenhum reparo contra a qualificação da multa majorada. Pelo mesmo raciocínio, fundamentos e provas, não encontra ressonância a pretensão da impugnante em afastar a indicação da responsabilidade solidária dos Senhores José Aparecido de Miranda e Antônio Kleber Álvares de Abreu Machado, conforme termos de Sujeição Passiva Solidária que se encontram às fls. 38/40 e 41/43. Com relação ao argumento de confisco, por ofensa à Constituição Federal, cabe registrar que o questionamento quanto à inconstitucionalidade de lei ultrapassa os limites da competência administrativa, consoante orientação do Parecer Normativo nº 329, de 1970, da Coordenação do Sistema de Tributação. No penúltimo tópico, a impugnante entende que houve apuração errônea da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que fora autuada a título de PIS/COFINS e, portanto, deve-se aguardar a decisão administrativa final e, caso mantida aquela exigência, os valores devem ser deduzidos do total ora lançado. Esta pretensão não encontra respaldo legal. Para que isto fosse possível seria necessário que a impugnante tivesse procedido aos assentamentos contábeis/fiscais amparados em documentação idônea, ao tempo oportuno. De igual forma, não há qualquer amparo para que se aguarde o julgamento definitivo do processo anterior para se adotar as medidas determinadas pela legislação. Finalmente, quanto ao pedido de perícia, concluo que a prova dos fatos controvertidos constantes do presente processo não depende de conhecimento técnico especializado, que possa justificar a realização de uma perícia, uma vez que as informações questionadas constam explicitamente de documentos anexados aos autos, estando acessíveis ao exame tanto por parte da defendente como do julgador, sendo possível, portanto, elucidar as questões levantadas, conforme apreciado nos fundamentos relativos ao mérito. A maioria dos quesitos reporta-se a confirmar se as operações encontram-se ou não registradas, se a impugnante possui ou não controles de estoques, valores de estoques, etc. Questões já abordadas e devidamente analisadas. O quesito que trata da descrição lançada nas notas fiscais de revenda que a impugnante afirma serem vendas de produtos adquiridos de terceiros foram apresentadas pela fiscalização. A Fl. 1532DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 impugnante, ao contrário, não apresenta uma sequer. Os dois últimos quesitos, que se transcrevem, dispensariam qualquer comentário, para se concluir pela total impertinência: “Há nos autos provas efetivas e contundentes da destinação da receita tributável no valor informado pelo fisco? Justificar a resposta de forma pormenorizada Diante das respostas aos quesitos antecedentes, pode-se afirmar que o feito fiscal se deu por presunção, não tendo o fisco constatado as irregularidades que aponta? Justificar e especificar.” Quanto ao primeiro quesito, não se sabe a que destinação a defesa se refere. Se pretende se referir ao oferecimento da receita à tributação, a resposta é sim. Está suficientemente provado que a impugnante não destinou integralmente o resultado das suas operações à tributação. Por outro lado, determinar o destino das receitas não oferecidas à tributação não oferece qualquer subsídio para se decidir se as notas fiscais são ou não inidôneas. Isto já foi provado, inclusive com a demonstração de que o pagamento das aquisições foi efetuado para a própria empresa/empresas do grupo e não aos emitentes das notas fiscais. Para o segundo quesito, comenta-se tão somente para efeito didático, uma vez que o julgamento de processo administrativo tributário é de competência, privativa de julgadores formalmente designados. No caso concreto, este relator analisou os fundamentos da autuação e da defesa, de forma pormenorizada, especificada e justificada, e diante das provas constantes dos autos e pela carência de fundamentação/ausência de apresentação de provas pela defesa, concluiu que o feito fiscal não se deu por presunção, tendo o fisco constatado as irregularidades apontadas. Assim, tal verificação, por óbvio, prescinde da medida cogitada pela defesa. Pelo exposto, concluo pelo indeferimento do pedido de perícia. CONCLUSÃO Por tudo que foi demonstrado, encaminho o voto para indeferir o pedido de perícia e, no mérito, julgar improcedente a impugnação para manter integralmente o crédito tributário constante dos presentes autos. Da análise dos fatos vê-se que a questão é eminentemente fática e documental, e a recorrente permanece com alegações genéricas e não enfrenta concretamente o detalhado trabalho fiscal, bem como a análise perpassada pela DRJ que detalhou as razões para não acolhimento dos documento apresentados e o descumprimento dos requisitos para dedutibilidade das despesas. Conforme se verificou, a fiscalização no decorrer da ação fiscal referente aos tributos de PIS e COFINS do ano-calendário de 2006 e 2007, verificou que o contribuinte utilizou como custo dedutível a aquisição, ocorrida em 2005, de sucatas de terceiros que no procedimento fiscal processo n° 10665000836201024, constatou tratar de notas fiscais inidôneas, portanto não passível de dedução como custo. Diante da constatação houve a ampliação do objeto da fiscalização também para os tributos de IRPJ e CSLL referente ao ano-calendário de 2006 e 2007 e as provas do processo 10665000836201024. Fl. 1533DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-006.709 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720901/2011-12 Entre outras matérias, glosou-se custos do ano calendário de 2007, aproveitando- se das ilações feitas outro processo atinentes à consideração de notas fiscais de entrada inidôneas. Da mesma forma, a qualificação da multa requer o juízo de valor sobre as provas constantes no processo n. 10665000836201024. A glosa de custos lastreia-se na inidoneidade de notas fiscais de compras de insumos registradas na contabilidade da empresa autuada, proveniente de diversos fornecedores com os quais ela teria supostamente transacionado, referentes a empresas declaradas inaptas por inexistência de fato ou que alegaram que não transacionaram de forma alguma com a Recorrente. No referido processo o contribuinte ainda teve oportunidade de se manifestar em sede de diligência não tendo logrado êxito em comprovar a idoneidade das notas fiscais, razão pela qual teve o seu Recurso negado. No presente processo entendo que o caminho deva ser o mesmo. Ademais, o volume de recursos e operações realizadas pelo contribuinte, bem como as provas que atestam a inexistência das referidas operações, o que nos leva a graves fatos como utilização de documentos falsos apenas reforçam a atuação dolosa com a intenção de sonegar tributos, razão pela qual também deve ser mantida a qualificação e responsabilização dos sócios. Também não há necessidade de conversão em diligência vez que a mesma já foi realizada nos autos do processo n. 10665000836201024, nenhuma nova prova foi trazida aos autos e o processo encontra-se maduro para julgamento. Desta feita, nos termos da faculdade garantida pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, adoto a decisão da DRJ como razões de decidir, acrescidas das razões aqui expostas, e voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1534DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728014/2013-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 01/02/2013
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO RESPOSTA A INTIMAÇÃO. MULTA.
A falta de resposta a intimação da fiscalização para prestação de esclarecimentos é hipótese de embaraço à fiscalização nos termos do art.107, IV, alínea c do Decreto-lei nº37/66 com a redação dada pelo art.77 da Lei nº10.833/03.
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO . PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Osprincípiosconstitucionaisdavedaçãoaoconfiscoedaproporcionalidade sãodirigidosaolegisladoreaocontrolejurisdicionaldaconstitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributáriaporalegaçãodeinconstitucionalidade.SúmulaCarfnº2.
Numero da decisão: 3002-002.764
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Ricardo Rocha de Holanda Coutinho.
Nome do relator: ANNA DOLORES BARROS DE OLIVEIRA SA MALTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 01/02/2013 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO RESPOSTA A INTIMAÇÃO. MULTA. A falta de resposta a intimação da fiscalização para prestação de esclarecimentos é hipótese de embaraço à fiscalização nos termos do art.107, IV, alínea c do Decreto-lei nº37/66 com a redação dada pelo art.77 da Lei nº10.833/03. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO . PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Osprincípiosconstitucionaisdavedaçãoaoconfiscoedaproporcionalidade sãodirigidosaolegisladoreaocontrolejurisdicionaldaconstitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributáriaporalegaçãodeinconstitucionalidade.SúmulaCarfnº2.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10314.728014/2013-34
anomes_publicacao_s : 202310
conteudo_id_s : 6952709
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3002-002.764
nome_arquivo_s : Decisao_10314728014201334.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : ANNA DOLORES BARROS DE OLIVEIRA SA MALTA
nome_arquivo_pdf_s : 10314728014201334_6952709.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Ricardo Rocha de Holanda Coutinho.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2023
id : 10134059
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:57:53 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075689984000
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-26T15:41:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-26T15:41:06Z; Last-Modified: 2023-09-26T15:41:06Z; dcterms:modified: 2023-09-26T15:41:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-26T15:41:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-26T15:41:06Z; meta:save-date: 2023-09-26T15:41:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-26T15:41:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-26T15:41:06Z; created: 2023-09-26T15:41:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2023-09-26T15:41:06Z; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-26T15:41:06Z | Conteúdo => SS33--TTEE0022 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10314.728014/2013-34 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3002-002.764 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 16 de agosto de 2023 RReeccoorrrreennttee REVOCAR DISTRIBUIDORA DE AUTO PECAS EIRELI IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 01/02/2013 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO RESPOSTA A INTIMAÇÃO. MULTA. A falta de resposta a intimação da fiscalização para prestação de esclarecimentos é hipótese de embaraço à fiscalização nos termos do art.107, IV, alínea “c” do Decreto-lei nº37/66 com a redação dada pelo art.77 da Lei nº10.833/03. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO . PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Osprincípiosconstitucionaisdavedaçãoaoconfiscoedaproporcionalidade sãodirigidosaolegisladoreaocontrolejurisdicionaldaconstitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributáriaporalegaçãodeinconstitucionalidade.SúmulaCarfnº2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Ricardo Rocha de Holanda Coutinho. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 80 14 /2 01 3- 34 Fl. 323DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.764 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10314.728014/2013-34 Trata-se de recurso voluntário apresentado face ao Acórdão nº 104-000.826, proferido pela 6ª Turma da DRJ04, que decidiu por julgar improcedente a impugnação, mantendo a exigência de R$ 5.000,00 por multa por embaraço à fiscalização. Por bem relatar os fatos, faço uso do relatório da DRJ, conforme abaixo: Em 06.08.2013 foi lavrado auto de infração, contra a empresa Revocar Distribuidora de Auto Peças Ltda., para cobrança de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto-Lei nº 37 de 18 de novembro de 1966, pelo não atendimento à intimação para apresentação de documentação fiscal e contábil, no curso de procedimento de fiscalização. Passo a relatar de forma resumida, o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is) do Auto de Infração. 1) Em 01.02.2013, foi dada ciência, por via postal, do Termo de Início de Fiscalização e Intimação SEFIA III nº 029/2013, sendo dado à empresa Revocar um prazo de dez dias para apresentação de documentos de interesse da fiscalização. 2) Tendo em vista o não atendimento à citada intimação, foi enviado, em 20.02.2013, o Termo de Intimação Fiscal nº 061/2013 ao endereço da Revocar, reintimando-a a apresentar a documentação que fora solicitada pelo Termo nº 029/2013. A correspondência retornou com o seguinte motivo: “número inexistente". 3) Uma nova tentativa de intimação se deu em 27.02.2013 com o envio ao endereço da Revocar, cadastrado nos sistemas da RFB, do Termo de Intimação Fiscal nº 066/2013, mas a correspondência mais uma vez retornou com a informação “endereço inexistente". 4) No intuito de se obter os documentos necessários aos trabalhos de fiscalização, foram enviados os Termos de Intimação nº 076/2013 e 077/2013 aos sócios da Revocar, respectivamente Eusa Reis de Freitas e Enio Reis da Silva, tendo o primeiro termo de intimação retornado com a informação “mudou-se”, enquanto que o segundo foi entregue em 11.03.2013. 5) Afixou-se, ainda, o Edital de Intimação nº 04, de 06.03.2013, no saguão da IRF/SPO, intimando a Revocar a comparecer no Serviço de Fiscalização Aduaneira III para tomar ciência dos Termos de Intimação nº 061/2013 e 066/2013. 6) Em 18.03.2013, foi recebida pela fiscalização, correspondência encaminhada pela Revocar, identificada como “Contra-Notificação" às intimações enviadas pela fiscalização, de onde se extrai o seguinte trecho. 2) No mais, consigna-se que a questão quanto à entrega da documentação solicitada está sub judice, e aguarda-se o pronunciamento judicial, quanto à suspensão do procedimento fiscalizatório. 7) Em 19.03.2013, foi indeferida a liminar solicitada pela Revocar em sede de ação de mandado de segurança, que havia sido impetrado em 15.02.2013. Transcrevem-se trechos da referida decisão. Trata-se de mandado de segurança, pelo qual a impetrante pleiteia obter a concessão de liminar para “suspender o procedimento fiscalizatório, inbindo-se qualquer sanção, até o trânsito em julgado da presente ação”. Ao final, postula pela concessão de segurança, para “determinar a ilegalidade do ato impugnado, inibindo-se toda e qualquer exigência de apresentação de extratos bancários e contas correntes mantidas pela impetrante”, (...) Partindo-se da premissa de que o contribuinte realizou as declarações corretas e verdadeiras de seus dados financeiros, é evidente que não sofrerá qualquer surpresa indesejável ao final do procedimento fiscal instaurado. Ademais, tratando-se de pessoa jurídica, a própria legislação empresarial e tributária exige a guarda, pelo prazo de 5 anos, dos livros contábeis e fiscais detalhados sobre a sua situação financeira. Ainda, o Fl. 324DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.764 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10314.728014/2013-34 artigo 195 do Código Tributário Nacional prevê: “Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los”. Não vislumbro, portanto, nenhuma ilegalidade ou abuso de poder praticado pela autoridade impetrada. Não há violação ao direito da intimidade e sim cumprimento do dever de fiscalização pela Administração Tributária. Outrossim, caso seja lavrado algum auto de infração, terá o contribuinte oportunidade de defesa, mediante impugnação no prazo legal, tudo de acordo com a legislação que rege a matéria. Isto posto, INDEFIRO o pedido de liminar, por ausência de seus pressupostos, notadamente o fumus bonis iuris. 8) Tendo em vista o indeferimento da liminar, foram enviados os termos de intimação a seguir relacionados, para que fossem entregues os documentos solicitados por meio do Termo de Intimação nº 029/2013: - Termo de Intimação nº 090/2013, enviado à Revocar, que retornou em 20.03.2013 com a informação “número inexistente”; _ Termo de Intimação nº 091/2013, enviado para Euza Reis Freitas, que retornou com a informação “ausente”; - Termo de Intimação nº 092/2013, enviado para Enio Reis da Silva, que foi entregue em 22.03.2013. 9) Em 28.03.2013, a Revocar encaminhou à fiscalização, cópia do agravo de instrumento que havia interposto contra o indeferimento da liminar. 10) Tendo em vista que, em 17.04.2013, foi publicado despacho mantendo a decisão que indeferiu a liminar, foram enviados os termos de intimação a seguir relacionados, para que fossem entregues os documentos solicitados por meio do Termo de Intimação nº 029/2013: - Termo de Intimação nº 156/2013, enviado à Revocar, em 08.05.2013, e mais uma vez foi devolvido pelos Correios com a informação “número inexistente”; - Termo de Intimação nº 157/2013, enviado para Eusa Reis Freitas, entregue em 13.05.2013; - Termo de Intimação nº 158/2013, enviado para Enio Reis da Silva, entregue em 13.05.2013. 11) Em 22.05.2013, foi recebida pela fiscalização, correspondência encaminhada pela Revocar, identificada como “Contra-Notificação" às intimações enviadas pela fiscalização, de onde se extrai o seguinte trecho. 2) No mais, consigna-se que a questão quanto à entrega da documentação solicitada está sub judice, e aguarda-se o pronunciamento judicial, quanto à suspensão do procedimento fiscalizatório. 3) informa que não houve sentença ou julgamento do mérito do mandado de segurança impetrado, sendo certo que a entrega dos documentos impugnados implicarão inevitavelmente na PRÓPRIA PERDA DE OBJETO DA AÇÃO. 12) Em 18.06.2013, foi publicada a sentença que denegou a segurança pleiteada, julgando extinto o processo. 13) Vê-se que, mesmo diante de inúmeras intimações para que a Revocar apresentasse a documentação necessária a realização da fiscalização, nenhum documento foi entregue, tendo a Revocar preferido judicializar a questão, ao que tudo indica com finalidade de ver alguns créditos serem alcançados pela decadência. 14) Ressalte-se que não foram solicitados somente extratos bancários à Revocar. Também foram solicitadas cópias dos RG e CPF dos sócios, cópias dos documentos constitutivos da empresa, bem como arquivos contábeis e notas fiscais. No entanto, Fl. 325DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.764 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10314.728014/2013-34 apesar da Revocar, no âmbito do judiciário, questionar o pedido para apresentação dos extratos bancários, nenhum documento foi entregue à fiscalização até o momento. 15) A Revocar, quando apresentou alguma satisfação à fiscalização, o fez por meio de “contra-notificações”, com o errôneo entendimento de que o procedimento fiscalizatório estaria suspenso simplesmente pelo fato de ter sido impetrada a ação judicial. No entanto, em nenhum momento a fiscalização recebeu notificação da justiça para suspender o procedimento fiscal. 16) Donde conclui-se: Sendo assim, pela negativa de apresentação da documentação contábil e fiscal da empresa, com claro intuito de dificultar a fiscalização aduaneira, aplica-se a multa do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, artigo 107, IV, “c”, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). A ciência do Auto de Infração foi dada por via postal em 12.08.2013. Da Impugnação Em 30.08.2013, foi apresentada a impugnação de fls. 110/114, que de forma resumida passo a relatar. 1) No procedimento de fiscalização instaurado contra a impugnante, a autoridade administrativa buscou a obtenção de dados bancários dos anos de 2008 e 2009, protegidos por sigilo, sem amparo judicial e sem o devido processo legal, infringindo, por via reflexa, o devido processo administrativo, que é regido pelos Princípios da Administração Pública, conforme art. 37, caput, da Constituição Federal. 2) Para que a fiscalização não ficasse sem resposta, a impugnante informou que a legalidade da exigência de documentos protegidos pelo sigilo bancário estava sendo discutida judicialmente, e que aguardava o pronunciamento definitivo da justiça para, de acordo com o que viesse a ser decidido, atender à intimação. 3) Não há que se falar que a impugnante causou embaraço à fiscalização, pois prestou os devidos esclarecimentos quanto à judicialização da questão. O acesso à justiça é direito fundamental previsto no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal. Logo, utilizar ação de Mandado de Segurança, para buscar reparação contra ato que busca lesar seu direito à privacidade, por meio da quebra do sigilo bancário, não se trata de “manobra" ou "escusa" contra a fiscalização, mas de remédio constitucional. 4) Do Pedido: EX POSITIS, uma vez caracterizada a ilegalidade do arbitramento da multa, na medida em que a Impugnante jamais embaraçou a D. Fiscalização, requer-se o afastamento da multa arbitrada, na medida em que não houve, em nenhum momento, embaraço à fiscalização, na medida em que a Impugnante apenas busca preservar seus direitos, reservando-se no direito de cumprir decisões judiciais. Requer-se, ainda, a suspensão do procedimento fiscalizatório, inibindo-se qualquer sanção posterior, até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 0002679-30.2013.406.6100. Por fim, requer-se que todas as intimações referente ao presente Processo Administrativo sejam feitas em nome do advogado Dr. Edson Almeida Pinto, inscrito na OAB/SP n. 147.390, com endereço na Rua José Maria Lisboa n. 41, 9º andar, CEP: 01423- 000, são Paulo/SP, sob pena de nulidade. É o que importava relatar. Ao proferir decisão, a DRJ manteve a multa aplicada por entender que a impugnante não atendeu às intimações dentro do prazo que lhe foi dado, incorrendo na conduta tipificada na alínea “c”, do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei nº 37/1966, para a qual se prevê aplicação da sanção de multa por ação ou omissão que embarace, dificulte ou impeça a ação da fiscalização aduaneira, inclusive pela não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. Fl. 326DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.764 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10314.728014/2013-34 A recorrente foi cientificada da decisão proferida pela DRJ em 15/06/2021 e interpôs Recurso Voluntário em 01/07/2021 alegando a que não houve embaraço à fiscalização já que apresentou todas as intimações fazendárias, além de alegar o caráter confiscatório da multa. É o relatório. Voto Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade, sendo assim, dele tomo conhecimento. 1) DAS ALEGAÇÕES DE AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Inicialmente, os argumentos que envolvam inconstitucionalidades da Lei (confisco, desproporcionalidade) e ou ilegalidades do Decreto, não são passíveis de fundamentação de acórdão do CARF conforme comandam o art. 26 A do Decreto 70.235/72, bem como a Súmula Carf nº 2, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2) DO EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO A questão posta em discussão se refere a pertinência e adequação da autuação fiscal imposta a ora recorrente por ter, supostamente, embaraçado ou dificultado a fiscalização e, por isso, ter ficado sujeita a penalidade prevista na alínea "c" e “e”do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Quanto ao ato em si, que teria caracterizado, segunda a fiscalização mesmo diante das inúmeras tentativas realizadas pela fiscalização para que a REVOCAR apresentasse a documentação solicitada, afim de que o trabalho de auditoria pudesse ser realizado, a empresa não entregou nenhum dos documentos solicitados, preferindo enveredar-se para as vias judiciais com argumentos de cunho claramente protelatório, objetivando, s.m.j., a decadência de possíveis créditos tributários apurados em irregularidades que a fiscalização pudesse encontrar, já que a documentação solicitada refere-se a operações realizadas nos anos de 2008 e 2009. Compulsando os autos, verifico que as documentações requeridas pela fiscalização foram: Fl. 327DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-002.764 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10314.728014/2013-34 Não obstante os argumentos da recorrente afirmar que a questão posta em exame é a exigência de documentos atinentes ao sigilo bancário da empresa Recorrente, entendo de maneira diversa. Extratos bancários até estão cobertos pelo sigilo fiscal e gozam de proteções jurídicas peculiares, mas notas fiscais e arquivos contábeis podem e devem ser apresentados à fiscalização para que a função precípua exercida pelo órgão possa se concretizar. Eis a razão, inclusive, da existência do tipo de embaraço à fiscalização. A tipicidade em evidência consiste no dever jurídico de prestar informação à autoridade aduaneira imprescindível para a fiscalização do contribuinte. Fl. 328DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3002-002.764 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10314.728014/2013-34 Com isso, não é toda e qualquer “não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal” que resultará no cometimento da infração em apreço, mas apenas a falta de resposta à intimação realizada no curso do procedimento fiscal e desde que reste configurada a ocorrência de embaraço, dificuldade ou impedimento à realização da ação de fiscalização aduaneira. No meu entender, a cada solicitação feita pela fiscalização, o ora recorrente anexava cópias de agravos em razão de ações judiciais interposta sobre a matéria. Que, diga-se de passagem, é direito seu recorrer ao judiciário quando achar pertinente, sendo, esta uma garantia constitucional. Contudo, as apresentações de demonstrativos contábeis e notas fiscais não eram feitas, sem qualquer argumento plausível para tanto. O objeto da presente controvérsia limita-se à discussão acerca da legalidade da aplicação da multa por embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação, capitulada na alínea “c” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, que segue transcrita: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; [...]; (grifos não originais) Analisando esse dispositivo, observo que a penalidade se dirige ao ato de embaraçar, dificultar ou impedir a ação fiscal por qualquer forma, sendo um exemplo dessas formas – a que o legislador devotou especial atenção - o não atendimento a uma intimação fiscal. Assim, sem passar despercebida, inclusive, a topologia do dispositivo normativo acima transcrito, o fato de não apresentação de resposta à intimação somente caracterizaria o presente tipo infracional quando restasse claro o embaraço, a dificuldade ou o impedimento à ação de fiscalização aduaneira advindo de tal omissão. Isso porque, se o procedimento de fiscalização em apreço tinha por objetivo a análise de suposta interposição fraudulenta, somente a falta de resposta à intimação fiscal que resultasse no embaraço, dificuldade ou impedimento a esse procedimento fiscal configuraria a infração em tela, que no meu entender, é exatamente o que se observa no caos em apreço, já que as notas fiscais e demonstrativos contábeis não foram apresentados. E ainda que a interposição fraudulenta não reste configurada em autos apartados, o elemento típico do embaraço à fiscalização é autônomo e resta configurado nos autos. Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta Fl. 329DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3002-002.764 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10314.728014/2013-34 Fl. 330DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000016/2002-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/1997
DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO.
Até a entrada em vigor da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, que promoveu alteração no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, tão-somente os valores informados como saldos a pagar é que poderiam ser considerados confissão de divida nos termos do art. 5º do Decreto-lei 2.124/84 e inscritos de imediato na Dívida Ativa da
União.
VALIDADE DA COMPENSAÇÃO.
Para a compensação ser válida é necessário que o contribuinte atenda os requisitos legais próprios da operação, ou seja, a compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto no Decreto nº 2.138, de 29/01/1997.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-000.980
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Thu Oct 19 15:52:13 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201111
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/1997 DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. Até a entrada em vigor da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, que promoveu alteração no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, tão-somente os valores informados como saldos a pagar é que poderiam ser considerados confissão de divida nos termos do art. 5º do Decreto-lei 2.124/84 e inscritos de imediato na Dívida Ativa da União. VALIDADE DA COMPENSAÇÃO. Para a compensação ser válida é necessário que o contribuinte atenda os requisitos legais próprios da operação, ou seja, a compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto no Decreto nº 2.138, de 29/01/1997. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10384.000016/2002-89
conteudo_id_s : 6954048
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3801-000.980
nome_arquivo_s : Decisao_10384000016200289.pdf
nome_relator_s : JOSE LUIZ BORDIGNON
nome_arquivo_pdf_s : 10384000016200289_6954048.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
id : 10135446
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Thu Oct 19 15:57:55 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1780200075741364224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 110 1 109 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.000016/200289 Recurso nº 261.274 Voluntário Acórdão nº 3801000.980 – 1ª Turma Especial Sessão de 8 de novembro de 2011 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente DINIZ FILHO CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/1997 DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. Até a entrada em vigor da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, que promoveu alteração no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, tãosomente os valores informados como saldos a pagar é que poderiam ser considerados confissão de divida nos termos do art. 5º do Decretolei 2.124/84 e inscritos de imediato na Dívida Ativa da União. VALIDADE DA COMPENSAÇÃO. Para a compensação ser válida é necessário que o contribuinte atenda os requisitos legais próprios da operação, ou seja, a compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto no Decreto nº 2.138, de 29/01/1997 . Recurso Voluntário Negado Fl. 191DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 18/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), José Luiz Bordignon, Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.000016/200289 Acórdão n.º 3801000.980 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, fls. 22/30, para formalização e cobrança do crédito Tributário nele estipulado, no valor total de RS 59.561,94, incluindo encargos legais. O lançamento teve origem na Auditoria Interna das Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF's relativas aos primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 1997, onde foi constatada: FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo Ia "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF" e Anexo III "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar". Enquadramento Legal: Artigo 1º e 4 , da Lei n° 7.689/88; art. 25 combinado com o art. 57, da Lei nº 8.981/95; art. 1º e 19, da Lei n° 9.249/95; arts. 2º e 6º (combinado com o art. 28) e arts. 30, 55 e 60, da Lei n° 9.430/96; art. 97, da Lei n° 9.532/97. • MULTA VINCULADA Enquadramento Legal: Artigo 160, da Lei n° 5.172/66; art. 1º , da Lei n° 9.249/95; art. 44 e inciso I e § 1º , inciso I, da Lei n° 9.430/96. • JUROS DE MORA Enquadramento Legal: Artigo 160, §1º, da Lei n° 5.172/66; art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3º , da Lei n° 9.430/96. Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 11/12/2001, por meio de Aviso de Recebimento (fls. 34), o contribuinte apresentou impugnação em 04/01/2002 (fls. 01/06), afirmando que: O crédito tributário objeto da presente lide, abrange o ano calendário de 1.997, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal e os demonstrativos de apuração que acompanha o Auto de Infração de fls. 02/07. Tratase de Auto de Infração originário da realização de Auditoria Interna nas DCTF's dos quatro trimestres do ano calendário de 1.997, na forma prevista nas Instruções Normativas da Secretaria de Receita Federal n° 045/98 e 077/98. O autor do procedimento fiscal indica nos relatórios de Auditoria Interna de pagamentos informados na DCTF, que os mesmos não foram efetuados de forma integral e que não há processos de compensação do referido tributo na SRF, gerando em conseqüência, um crédito Fl. 193DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 tributário a pagar igual àqueles informados na mencionada Declaração, por não haver o pagamento correspondente. Alegações que não correspondem à realidade dos fatos, tendo em vista que a autuada efetuou os recolhimentos através dos respectivos DARF's (cópias em anexo) e, os valores que não foram alvo de recolhimento foram devidamente compensados através do Processo de Compensação n° 10384001681/9300, que, como bem se pode observar, não foi alvo de verificação por parte do autor da autuação, uma vez que em seu relatório ele se reporta a inexistência do Processo n° 10384.0016821/9364 nos arquivos da SRF, processo este que também nos é desconhecido. Portanto, não há que se falar em falta de recolhimento da COFINS, vez que a soma dos valores recolhidos com os valores que foram objeto de compensação correspondem ao valor total devido. Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, serão exigidos por meio de auto de infração, observados o disposto nas Instruções Normativas da SRF n° 94, de 24 de Dezembro de 1.997, e 45, de 1.998. O tratamento dos dados informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, está regulamentado no artigo 2º e seus parágrafos, da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 045, de 05 de maio de 1.998, com nova redação dada pelo artigo 1º, da Instrução Normativa da SRF n° 015, de 14 de Fevereiro de 2.000, nos termos que segue: (...) A Instrução normativa da Secretaria da Receita Federal n° 094, de dezembro de 1.997, que dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições administrados pela SRF, estabelece normas a serem dos pelos agentes do fisco nos procedimentos de Auditoria interna, decorrentes dos dados informados na DCTF nos termos que segue: (...) Seguindo o procedimento determinado pela IN SRF n° 094/97, a DCTF foi distribuída, para exame, ao Auditor Fiscal da Receita Federal, Givanaldo José Aquino da Silva, para proceder a Auditoria nos dados informados na mencionada declaração, que teria que intimar a requerente para prestar esclarecimentos sobre a falta de recolhimento, in verbis: (...) Ora senhor julgador, compulsando os autos, verificase a ausência de intimação para que o contribuinte preste informações a respeito da falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Se o autor do procedimento fiscal tivesse intimado a requerente para prestar esclarecimentos junto à própria Fl. 194DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.000016/200289 Acórdão n.º 3801000.980 S3TE01 Fl. 112 5 Secretaria da Receita Federal, teria constatado que não há diferença de tributo a recolher, pois de fato o montante cobrado é relativo a valores já devidamente recolhidos e outros que foram objeto de compensação através do Processo n° 10384001681/9300, conforme se comprova através das cópias dos DARF's do respectivo período e do Processo de Compensação que seguem anexos a esta. Assim, não há porque prosperar o lançamento em discussão. Por outro lado, o lançamento do crédito tributário deve obedecer obrigatoriamente o disposto no art. 142 do CTN, procedimento que está regulado no art. 5º da IN do SRF n° 094/97, o que não ocorreu na presente autuação, se não vejamos: Na análise do lançamento que ora se contesta, verificamos que a matéria tributável, que na descrição dos fatos alega ser a falta de recolhimento, o que na verdade não ocorreu, conforme se comprova através das cópias dos DARF's e do Processo de Compensação anexos, onde se verifica que o valor aqui cobrado é igual ao da importância recolhida e àquela objeto de compensação por parte da requerente. Assim, o lançamento objeto da presente lide é nulo, por lhe faltar um dos elementos obrigatórios, o fato gerador da obrigação, ou seja, a falta de recolhimento. De todo o exposto, fica demonstrado que não pode prosperar o lançamento de, oficio objeto da presente lide, para exigir o pagamento da COFINS, apurados com base na alegação de que houve falta de recolhimentos, quando na verdade não houve a falta de recolhimento mas sim compensação de valores realizadas através do devido processo legal. Assim, requer o cancelamento do mencionado lançamento. III DO PEDIDO Senhor Delegado, isto exposto e com base no inciso I, do artigo 145 e 149, do Código Tributário Nacional, pede a V. Sa. que seja julgado improcedente o Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, que tem sua fundamentação legal nos arts. 1º a 4º da Lei Complementar n° 70/91; art. 1º da Lei n° 9.249/95; art. 57 da Lei n° 9.069/95; arts. 56 e parágrafo único e arts. 60 e 66 da Lei n° 9 430/96 por ser de inteira justiça. Posteriormente, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (CE), analisando a defesa do autuado quanto ao pagamento não localizado referente ao período de apuração 01 01/1997 no valor de R$ 4.410,02, assim se manifestou (fls. 44): (...) Fl. 195DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 1.Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal às fls. 23 . 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/06, com seus argumentos de defesa. 3. Da análise dos autos, conforme demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 35/37, verificase a improcedência dos créditos tributários nele demonstrados 4. Diante do exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), determino o cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes dos demonstrativos , de fls. 37. 5. Encaminhese o presente para ciência ao interessado desta decisão e demais providências. 6. Antes, porém, a DRJ/Fortaleza para apreciar, quanto ao remanescente, o mérito da impugnação. " Posteriormente, conforme consta do Pedido de Diligência 1038/2007(fls. 45/47), o processo foi baixado em diligência para que a SEFIS/DRF/FLA verificasse se os valores remanescentes foram devidamente compensados através do Processo de Compensação n° 10384001681/9300, conforme alega a requerente. Atendendo a solicitação constante no aludido Pedido de Diligência 1038/2007(fls. 45/47), a fim de esclarecer os fatos controversos neste processo, a autoridade diligenciadora informou que: "Consolidando as informações apostas nos documentos de folhas 50/51, 52 e 54 e em atenção à solicitação de providências de folha 47, esclareço: 1 O contribuinte em tela é o interessado no processo 10384.001682/9364. O processo 10384.001681/9300 tem como interessada outra pessoa jurídica: Comercial Diniz Ltda, CNPJ 23.624.083/000195; 2 O processo 10384.001682/9364 foi objeto da petição de folha 01, para a qual foi proferido o Parecer 110/94, de 11 de novembro de 1994, o qual não reconheceu o direito creditório pleiteado. Não sendo apresentado recurso, foi arquivado em 02 de fevereiro de 1995; 3 Para melhor visualização, desarquivei o processo 10384.001682/9364 e o juntei a este. Além disto, anexei cópias da petição juntada em 02 de maio de 1997 ao processo de Comercial Diniz Ltda; 4 Em 02 de maio de 2007 foi juntada ao processo 10384.001681/9300 a petição (cópia anexa) subscrita em nome de Diniz Filho e Cia. Ltda (mas que faz referência ao processo 10384.001681/9300). Essa petição tinha como objeto pedido de Fl. 196DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.000016/200289 Acórdão n.º 3801000.980 S3TE01 Fl. 113 7 compensação baseado na IN SRF 31, de 08 de abril de 1997; 5 Como se vê, houve erro do contribuinte (cujo representante legal é o mesmo da pessoa jurídica Comercial Diniz Ltda) ao indicar processo errado para s e juntar sua petição; 6 Isto posto, concluise que não houve efetivação de compensação que extinguisse os débitos guerreados; 7 Assim, considerando que não houve extinção dos débitos impugnados, por compensação, no processo de interesse do contribuinte Diniz Filho e Cia. Ltda, assim como considerando que a petição aposta no processo de Comercial Diniz Ltda consistia em pedir compensação com fundamento na IN SRF 31/97, encaminhese à DRJ/FOR para o exercício de sua competência”. A Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendario: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. AUDITORIA DE DCTF. IMPOSTO DECLARADO. PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. Logrando o contribuinte comprovar parcialmente ter efetuado o recolhimento da COFINS correspondente a pagamento não "localizado, insubsiste, em parte, o lançamento subseqüente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, cancelase a multa de oficio aplicada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 EXIGÊNCIA FISCAL. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento, quando na formalização do crédito tributário foram respeitadas as disposições contidas no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° Fl. 197DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 8 70.235/72, e foi assegurado à autuada o direito ao contraditório e ampla defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Desconfigurase a preterição do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado do auto de infração e seus anexos sendolhe assegurado o direito a questionar a exigência nos termos das normas que tratam do processo administrativofiscal. Lançamento Procedente em Parte”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 78 a 94, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, acrescentando, em síntese: • Que parte da autuação efetuada pelo fisco e mantida pela autoridade julgadora de primeira instancia, está relacionada à compensação dos valores pagos indevidamente a título de FINSOCIAL, à alíquota acima de 0,5%, nos períodos de 09/89 a 03/92, com os valores devidos da COFINS, conforme demonstrado nos autos. Em havendo sido realizada a compensação de créditos do Finsocial com a Cofins, na forma da lei, deve ser cancelado o lançamento, tendo em vista que a compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário. • Que tratase de matéria julgada, em que o direito de compensação da requerente é reconhecido. Logo, não pode prosperar a presente autuação, por se tratar de matéria com jurisprudência pacifica neste sentido, requerendo desde logo o cancelamento da presente autuação. • Que a Autoridade fiscal não pode exigir da requerente, através de lançamento de ofício, valores referentes à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS do anocalendário de 1.997, referente aos períodos de apuração do mesmo ano, porque estes valores já estão declarados em suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e DCTF. REQUER: Srs. Presidente e Membros da Câmara do Conselho de Contribuintes, isto exposto, e com base no artigo 33, do Decreto n° 70.235/72, pede a V. Exas. que revejam e cancele o ACÓRDÃO DRJ/FOR N° 08 13.719, de 24 de Julho de 2008 (fls. 64/73) proferido pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância, para julgar improcedente o Auto de Infração Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, que tem sua fundamentação legal nos arts. arts. 1º e 4º , da Lei Complementar n° 70/91, art. 1º , da Lei n° 9.249/95; art. 57, da Lei n° 9.069/95 e arts. 56 e parágrafo único, 60 e 66, da Lei n° 9.430/96, por entender ser ato de inteira justiça. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.000016/200289 Acórdão n.º 3801000.980 S3TE01 Fl. 114 9 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0813.719, da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza, que julgou parcialmente procedente a impugnação, excluindo a multa de ofício em virtude da retroatividade benigna, fls. 64/73. A recorrente, em sua peça recursal, traz a exame as mesmas preliminares de nulidade. Desse modo, em respeito ao princípio da economia processual e por comungar do mesmo entendimento do relator do acórdão recorrido, reproduzo, a seguir, a fundamentação do referido acórdão para não acatar a preliminar de nulidade argüida. “O contribuinte suscitou questões preliminares de nulidade do auto de infração, argüindo a existência de vícios formais, representados pela violação dos princípios da prévia cientificação do contribuinte. Não obstante a pretensão do impugnante quanto à existência prérequisito legal ao lançamento, as exigências legais previstas em lei para a validade do lançamento e, quando for o caso, do auto de infração correspondente, são aquelas estatuídas nos artigos 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72 (PAF), respectivamente, em nenhum dos quais há referência à prévia ciência do autuado, como analiso a seguir. O art. 142 do CTN prevê as seguintes etapas imprescindíveis à concretização do lançamento: verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade, quando cabível. Na situação sob exame o lançamento constituiuse mediante a lavratura de um auto de infração, logo o ato de sua formalização deveria submeterse às prescrições do art. 10° do PAF, que consistem na competência do autuante e na observância das formalidades pertinentes ao seu conteúdo indispensável, destacandose como essenciais: a qualificação do autuado; a descrição do fato, da disposição legal infringida e da penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 10 A par do estabelecimento de pressupostos indispensáveis à constituição e à formalização do lançamento a legislação tributária prevê, expressamente, duas hipóteses de nulidade para o aludido ato, a saber: a incompetência do agente e o cerceamento do direito de defesa, consoante dispõe o art. 59 do PAF, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pela análise dos preceitos legais que regem a constituição e o lançamento tributário, aduzo que o feito fiscal ora examinado consubstancia um ato administrativo perfeito, válido e eficaz, desde que constituído e formalizado na estrita observância dos ditames legais”. No mérito, fundamenta sua defesa nas seguintes teses: a) Que o débito de cofins foi compensado com os valores pagos indevidamente a título de FINSOCIAL, à alíquota acima de 0,5%, nos períodos de 09/89 a 03/92. b) Que o lançamento não pode prosperar porque os valores já foram declarados em suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e DCTF. Passo, a seguir, à análise das matérias em questão: Quanto a compensação alegada pela interessada, é importante registrar que a mesma não é detentora de ação judicial que lhe assegure o direito de compensar um eventual crédito originário de pagamento a maior, em razão da declaração de inconstitucionalidade da majoração de alíquotas do FINSOCIAL, pela Lei n° 7.689/88, art. 9º; Lei n° 7.787/89, art.7°; Lei n° 7.784/89, art. 1º e Lei n° 8.147/90, as quais elevaram de 0,5% a 2,0%. Nesse aspecto, importante dizer que a referida decisão só produz efeitos entre as partes envolvidas naquela ação específica. É o que se depreende do art. 472 do Código de Processo Civil (CPC), in verbis: “A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio, todos interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros”. Para que o julgamento do Supremo Tribunal Federal (SRF) tivesse efeito erga omines, faziase necessário que o Senado editasse uma resolução suspendendo os efeitos da lei julgada inconstitucional, conforme art. 52, inciso X, da Constituição Federal, in verbis: “Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...) Fl. 200DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.000016/200289 Acórdão n.º 3801000.980 S3TE01 Fl. 115 11 X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. (...)”. Na situação em comento, o Senado Federal não emitiu nenhum ato que suspendesse a aplicabilidade das leis julgadas inconstitucionais pelo STF. Não menos importante trazer a lume, é o fato de que a recorrente solicitou administrativamente a restituição de eventual crédito originário de pagamento a maior de Finsocial, em virtude do aumento de alíquotas pelas leis acima citadas, sendo indeferido seu requerimento e arquivado o processo. Tratase do processo nº 10384.001682/9364. Quanto a pretensa compensação alegada, na qual acosta as planilhas de fls. 07 e 19, não é demais lembrar que, para ter validade a operação realizada, não pode a contribuinte executála sem observar os dispositivos legais que regem a matéria. Vejamos o comando dos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, vigente à época da suposta compensação: “ Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração”. Nessa linha, foi editado o Decreto nº 2.138, de 29/01/1997, ratificando este entendimento, senão vejamos: “Art. 1º É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, Fl. 201DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 12 mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Art. 2º O sujeito passivo, que pleitear a restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, pode requerer que a Secretaria da Receita Federal efetue a compensação do valor do seu crédito com débito de sua responsabilidade. Art. 3º A Secretaria da Receita Federal, ao reconhecer o direito de crédito do sujeito passivo para restituição ou ressarcimento de tributo ou contribuição, mediante exames fiscais para cada caso, se verificar a existência de débito do requerente, compensará os dois valores. Parágrafo único. Na compensação será observado o seguinte: a) o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição respectiva; b) o montante utilizado para a quitação de débitos será creditado à conta do tributo ou da contribuição devida”. Pela legislação acima colacionada, depreendese que a compensação será efetuada pela Receita Federal, após ter sido reconhecido o crédito do contribuinte, a partir de requerimento por ele encaminhado. Assim, não obstante a alegação de que os débitos exigidos no auto de infração foram extintos pela compensação, a recorrente não logrou comprovar o crédito alegado, nem mesmo apresentou documentos que comprovem que a Receita Federal autorizou a compensação. Portanto, não há compensação comprovada, sendo exigida a Cofins dos períodos de apuração 06 a 10/97. Quanto a segunda tese defendida pela requerente, qual seja de que o lançamento não pode prosperar, pois os valores já foram declarados em suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e DCTF, portanto deveriam ser encaminhados a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, pois não foram pagos nem compensados. É de se dizer que essa tese também não militou em favor da recorrente, visto que a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício observou o disposto na Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Destacase que, na contramão do entendimento da recorrente, o art. 1º da IN SRF nº 77/98 determinava a inscrição em Dívida Ativa da União somente dos valores informados na DCTF como saldos a pagar: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão Fl. 202DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.000016/200289 Acórdão n.º 3801000.980 S3TE01 Fl. 116 13 comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União”. (grifouse) Da mesma forma, o art. 2º da IN SRF nº 77/98 estabeleceu a incidência da multa de ofício quando houvesse falta de recolhimento ou recolhimento fora do prazo, em decorrência de falta de declaração ou de declaração inexata. “Art. 2º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna, decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa física ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratórios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3º, da Lei nº n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF nºs 94, de 24 de dezembro de 1997, e 45, de 1998. § 1° Quando da alteração dos dados informados nas declarações das pessoas físicas ou jurídicas e do ITR, ou na DCTF, resultar apenas a redução do imposto a compensar ou a restituir ou de prejuízo fiscal, as irregularidades serão objeto de auto de infração, sem o acréscimo de multa. § 2° Os débitos a que se refere o caput, constantes de auto de infração, poderão ser pagos: I até o vigésimo dia, contado da ciência do lançamento, com o acréscimo de multa moratória, dispensada, nesse caso, a exigência da multa de lançamento de ofício (art. 47 da Lei nº n° 9.430, de 1996); II do vigésimoprimeiro até o trigésimo dia, contado da ciência do lançamento, com o acréscimo de multa de lançamento de ofício, reduzida em cinqüenta por cento (art. 44 e § 3° da Lei nº n° 9.430, de 1996); III a partir do trigésimoprimeiro dia contado da ciência do lançamento, com o acréscimo da multa de ofício, sem redução (art. 44 da Lei nº n° 9.430, de 1996”.(grifouse) Da leitura desses dispositivos legais, inferese que apenas os valores informados como saldos a pagar é que poderiam ser considerados confissão de dívida nos termos do art. 5º do Decretolei 2.124/84 e inscritos de imediato na Dívida Ativa da União. Desse modo, sobre os valores declarados em DCTF, cujos créditos vinculados a eles não foram confirmados, devese manter o lançamento. Diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar Fl. 203DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 14 provimento ao recurso apresentado, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 204DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
