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Numero do processo: 13982.001049/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/12/2004 a 31/07/2009
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE. DE FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falar-se em violação da garantia ao contraditório até então.
PROVA EMPRESTADA. PONTO DE PARTIDA PARA INICIO DE PROCEDIMENTO FISCAL AUTÔNOMO. POSSIBILIDADE. LIMITES.
Nada obsta que a documentação compartilhada pelo Ministério Público Estadual seja tomada como ponto de partida para investigações acerca da legalidade no aproveitamento de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Essas provas compartilhadas por terceiros, porém, por si só, não podem servir de lastro para a autuação fiscal [glosa de créditos da
não cumulatividade do Pis e da Cofins sob o argumento de que as notas fiscais de entrada não corresponderam a uma efetiva compra de mercadorias], mormente quando não tenha a fiscalização aprofundado suas investigações no sentido de, mediante provas, rechaçar o argumento da autuada de que efetuava os pagamentos das notas fiscais em dinheiro, registrando-os por meio da conta Caixa, até porque esse procedimento não encontra vedação em
lei.
PROVA EMPRESTADA. UTILIZADA PARA A CONFIGURAÇÃO DA SONEGAÇÃO E FRAUDE. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. PARTICIPAÇÃO DO ACUSADO E DA AUTUADA NA OBTENÇÃO E PRODUÇÃO DAS PROVAS E NÃO OFERECIMENTO DO CONTRADITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Ausentes os pressupostos de admissibilidade das provas emprestadas [participação da acusada e da autuada na produção e na obtenção das provas, bem como o oferecimento do contraditório], de não se admitir a sua utilização, mormente quando o fisco se vale das conclusões tiradas noutro
processo administrativo para imputar a ocorrência de sonegação e fraude.
DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A
DO REGIMENTO DO CARF.
Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de
20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários da Cofins e do PIS/PASEP nos casos em que se confirma a existência de pagamento antecipado dessas contribuições é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a
contar da data do fato gerador, consoante, inclusive, decisão do STJ proferida na sistemática do artigo 543-C, do Código de Processo Civil. Aplicação ainda do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF. No caso, em que houve pagamento antecipado, atingidos pela decadência os lançamentos não relacionados às glosas dos créditos, dos períodos de apuração anteriores a
novembro de 2005.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 31/07/2005 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR. DIFERENÇAS NÃO CONTESTADAS. DEFINITIVIDADE.
Não tendo a autuada se insurgido contra a parte do lançamento que teve origem outra que não a glosa das notas fiscais de aquisição tidas como de fachada, de se mantê-lo, devendo, inclusive, ser considerado definitivo na esfera administrativa pela ausência de impugnação.
MULTA DE OFICIO CALCULADA SOBRE DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO. AGRAVAMENTO. DESCABIMENTO.
De se reduzir, de oficio, o percentual da multa de oficio, de 150% para 75%, aplicado sobre valores constituídos com base apenas na insuficiência de recolhimento da Cofins não decorrente das glosas dos créditos da não cumulatividade.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/07/2005 a 31/07/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR. DIFERENÇAS NÃO CONTESTADAS. DEFINITIVIDADE.
Não tendo a autuada se insurgido contra a parte do lançamento que teve origem outra que não a glosa das notas fiscais de aquisição tidas como de fachada, de se mantê-lo, devendo, inclusive, ser considerado definitivo na esfera administrativa pela ausência de impugnação. Aplicação da regra do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972.
MULTA DE OFICIO CALCULADA SOBRE DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO. AGRAVAMENTO. DESCABIMENTO.
De se reduzir, de oficio, o percentual da multa de oficio, de 150% para 75%, aplicado sobre valores constituídos com base apenas em insuficiência de recolhimento de Pis/Pasep não decorrente das glosas dos créditos da não cumulatividade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-001.794
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso para cancelar todos os lançamentos originados exclusivamente das glosas dos créditos e, em relação aos lançamentos decorrentes da diferença entre o valor devido e o valor recolhido, não decorrentes das glosas dos créditos, para cancelar os dos períodos de apuração de julho, setembro e outubro de 2005, em face da decadência, e para reduzir ao patamar de 75% a multa de ofício aplicada. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões na parte do voto relacionado à glosa dos créditos.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/2004 a 31/07/2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE. DE FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falarse em violação da garantia ao contraditório até então. PROVA EMPRESTADA. PONTO DE PARTIDA PARA INICIO DE PROCEDIMENTO FISCAL AUTÔNOMO. POSSIBILIDADE. LIMITES. Nada obsta que a documentação compartilhada pelo Ministério Público Estadual seja tomada como ponto de partida para investigações acerca da legalidade no aproveitamento de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Essas provas compartilhadas por terceiros, porém, por si só, não podem servir de lastro para a autuação fiscal [glosa de créditos da não cumulatividade do Pis e da Cofins sob o argumento de que as notas fiscais de entrada não corresponderam a uma efetiva compra de mercadorias], mormente quando não tenha a fiscalização aprofundado suas investigações no sentido de, mediante provas, rechaçar o argumento da autuada de que efetuava os pagamentos das notas fiscais em dinheiro, registrandoos por meio da conta Caixa, até porque esse procedimento não encontra vedação em lei. PROVA EMPRESTADA. UTILIZADA PARA A CONFIGURAÇÃO DA SONEGAÇÃO E FRAUDE. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. PARTICIPAÇÃO DO ACUSADO E DA AUTUADA NA OBTENÇÃO E PRODUÇÃO DAS PROVAS E NÃO OFERECIMENTO DO CONTRADITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Ausentes os pressupostos de admissibilidade das provas emprestadas [participação da acusada e da autuada na produção e na obtenção das provas, bem como o oferecimento do contraditório], de não se admitir a sua utilização, mormente quando o fisco se vale das conclusões tiradas noutro processo administrativo para imputar a ocorrência de sonegação e fraude. DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO REGIMENTO DO CARF. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários da Cofins e do PIS/PASEP nos casos em que se confirma a existência de pagamento antecipado dessas contribuições é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador, consoante, inclusive, decisão do STJ proferida na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil. Aplicação ainda do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. No caso, em que houve pagamento antecipado, atingidos pela decadência os lançamentos não relacionados às glosas dos créditos, dos períodos de apuração anteriores a novembro de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2005 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR. DIFERENÇAS NÃO CONTESTADAS. DEFINITIVIDADE. Não tendo a autuada se insurgido contra a parte do lançamento que teve origem outra que não a glosa das notas fiscais de aquisição tidas como de fachada, de se mantêlo, devendo, inclusive, ser considerado definitivo na esfera administrativa pela ausência de impugnação. MULTA DE OFICIO CALCULADA SOBRE DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO. AGRAVAMENTO. DESCABIMENTO. De se reduzir, de oficio, o percentual da multa de oficio, de 150% para 75%, aplicado sobre valores constituídos com base apenas na insuficiência de recolhimento da Cofins não decorrente das glosas dos créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2005 a 31/07/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR. DIFERENÇAS NÃO CONTESTADAS. DEFINITIVIDADE. Não tendo a autuada se insurgido contra a parte do lançamento que teve origem outra que não a glosa das notas fiscais de aquisição tidas como de fachada, de se mantêlo, devendo, inclusive, ser considerado definitivo na esfera administrativa pela ausência de impugnação. Aplicação da regra do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. MULTA DE OFICIO CALCULADA SOBRE DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO. AGRAVAMENTO. DESCABIMENTO. Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 729 3 De se reduzir, de oficio, o percentual da multa de oficio, de 150% para 75%, aplicado sobre valores constituídos com base apenas em insuficiência de recolhimento de Pis/Pasep não decorrente das glosas dos créditos da não cumulatividade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso para cancelar todos os lançamentos originados exclusivamente das glosas dos créditos e, em relação aos lançamentos decorrentes da diferença entre o valor devido e o valor recolhido, não decorrentes das glosas dos créditos, para cancelar os dos períodos de apuração de julho, setembro e outubro de 2005, em face da decadência, e para reduzir ao patamar de 75% a multa de ofício aplicada. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões na parte do voto relacionado à glosa dos créditos. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Relatório O presente processo versa sobre dois autos de infração lavrados em 29/11/2010 para a constituição de ofício de diferenças encontradas pelo Fisco na apuração e recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, ambos no regime da não cumulatividade, dos períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 2004 e julho de 2009, de forma ininterrupta. De acordo com o autor do procedimento fiscal, a auditoria foi iniciada a partir de comunicação formal do Ministério Público de Santa Catarina acerca de alegado esquema fraudulento de emissão de notas fiscais por parte da empresa Tozzo & Cia. Ltda., esquema esse, segundo o Fisco, do qual a autuada seria beneficiária. Referida fraude, em apertadíssima síntese, consistiria na saída de mercadorias dessa empresa Tozzo, uma atacadista, sem a emissão da nota fiscal correspondente e cujo destino seriam comerciantes interessados também em dar a saída desses produtos sem a emissão de documento fiscal. Paralelamente, e para manter certa regularidade no controle de seus estoques, a referida empresa Tozzo, emitiria em favor de outras pessoas jurídicas, geralmente na mesma localidade daqueles que haviam comprado sem nota fiscal, notas fiscais graciosas, de favor, isto é, sem que elas fossem acompanhadas das mercadorias nelas descritas. O controle financeiro dessas operações darseia mediante a emissão de duplicadas simuladas, as quais invariavelmente eram recebidas “via Caixa”, isto é, supostamente em dinheiro. E é nessa segunda parte da operação que entendeu a autoridade fiscal estar enquadrada a participação da ora autuada, ou seja, ela receberia e escrituraria notas fiscais de entrada de mercadorias de emissão da Tozzo, mercadorias, essas que, entretanto, não teriam adentrado nos seus estoques e tampouco teria havido o pagamento correspondente. Argumentou o Fisco Federal que esse procedimento se confirma na medida em que, devidamente intimada a apresentar a comprovação da entrada das mercadorias constantes das notas fiscais emitidas pela Tozzo nos seus estoques, bem como os pagamentos realizados, a autuada limitouse a responder que os pagamentos eram feitos com recursos saídos diretamente de seu “Caixa”, isto é, “não apresentou comprovantes de pagamento de forma diferente, ou seja, pelos meios costumeiramente utilizados que são os boletos bancários, cheques nominativos e transferências entre contas bancárias”, e que a comprovação do efetivo recebimento estaria no seu livro Reg. de Entradas de Mercadorias. Além disso, fiouse a autoridade fiscal nos vários depoimentos colhidos pelo Ministério Público e pelo Fisco do estado de Santa Catarina junto às pessoas que direta ou indiretamente conheciam e/ou operavam o “esquema”. Procedeu, então, o Fisco à glosa de todas as notas fiscais emitidas pela Tozzo e que, constantes da relação entregue pelo Ministério Público de Santa Catarina, constavam dos registros fiscais e contábeis da autuada, de sorte que os créditos de PIS/Pasep e Cofins então utilizados por esta para fins de dedução dos respectivos valores devidos a esses títulos foram desconsiderados pela fiscalização, o que fez exsurgir débitos dessas contribuições nos períodos correspondentes, débitos esses, entretanto, compostos de duas partes: uma obtida a partir da aplicação dos percentuais de 1,65% [Pis/Pasep] e de 7,6% sobre o exato montante das glosas, e a outra resultante de diferenças encontradas pelo fisco entre os valores devidos e os valores declarados/recolhidos pela empresa. Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 730 5 Para fins de aplicação da multa de oficio, considerou que o procedimento da autuada foi o de sonegar e fraudar o Fisco, haja vista que, a seu ver, teve por objetivo impedir o conhecimento por parte da administração do total das exações devidas durante o período em questão, razão pela qual se valeu do percentual de 150%, aplicandoo sobre todos os valores lançados, inclusive os originados de mera insuficiência de recolhimento por conta de prováveis equívocos da autuada quando do recolhimento. Elaborou, ainda, uma Representação Fiscal para Fins Penais em processo à parte. Nas duas impugnações apresentadas, para o Pis/Pasep e para a Cofins, a autuada, em sede de preliminar, arguiu a aplicação da regra contida no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, para que se considerem atingidos pela decadência os lançamentos relacionados aos períodos de apuração anteriores a novembro de 2005, em face do transcurso de cinco anos. Ainda como preliminar, argumentou que a observância do princípio constitucional inserido no inciso LV do artigo 5º, segundo o qual “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ele inerentes.”, teria sido violada na medida em as razões do lançamento, especialmente os depoimentos citados, as comunicações produzidas pelo juízo criminal e as ilações do Ministério Público somente lhe foram conhecidas com a lavratura do auto de infração, o que ensejaria a sua nulidade em face de flagrante cerceamento do seu direito de defesa. Adentrando nas questões de mérito, contestou com veemência a utilização das provas colhidas unilateralmente pelo Ministério Público de Santa Catarina em depoimentos prestados não perante ao juízo de direito da Comarca, mas perante o representante do MP e auditores fiscais de tributos estaduais em processo do qual não participou , especialmente por terem elas sido tomadas por empréstimo pelas autoridades fiscais, na figura processualmente conhecida como “prova emprestada”, através do compartilhamento de dados e informações. Neste ponto, argumentou a impugnante que tais provas ainda deverão passar pelo crivo do Poder Judiciário não podendo serem tomadas como definitivas, porquanto seu caráter é o de mera prova indiciária. Citou doutrina e trecho de decisão judicial sobre a matéria. Asseverou que todas as notas fiscais objeto da glosa estão revestidas das formalidades legais exigidas e encontramse devidamente escrituradas em seus livros fiscais e contábeis, bem como os seus respectivos pagamentos, consoante, aliás, ressalta, disporia o artigo 251 do Regulamento do Imposto de Renda, tido pelo Fisco como não atendido. Lembrou os termos do artigo 226 do Código Civil, segundo o qual “Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a quem pertencem, e, em seu favor, quando escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios.”.Quanto à forma de pagamento utilizada para a quitação das notas fiscais, argumentou que o ramo supermercadista recebe boa parte de suas vendas em moeda corrente, o qual, de outra parte, é meio lícito de liquidação de operações, não admitindose uma exigência para que as mesmas fiquem restritas aos instrumentos fornecidos pelo sistema bancário. Teceu considerações acerca do regime da não cumulatividade das contribuições em comento, argumentando que a presente exigência, fosse o caso, deveria vir acompanhada do respectivo estorno da receita do emitente das notas fiscais, sob pena de um benefício ilegal do erário. Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Quanto à utilização do percentual de 150% para a aplicação da multa de oficio, rechaçou que tivesse incorrido em uma conduta fraudulenta, valendose, basicamente, dos mesmos argumentos apresentados para contestar as provas emprestadas. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC, manteve integralmente o lançamento em decisão assim ementada: “PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. Na hipótese de ocorrência de dolo, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, a teor do art. 173, inc. I, do CTN. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. Na instrução do processo administrativo fiscal são admissíveis como provas elementos, informações e documentos coletados por outros órgãos oficiais e regularmente compartilhados com a Receita Federal do Brasil, limitandose o empréstimo às provas e não às conclusões do órgão em que foram coletadas. PROVA INDICIÁRIA. ADMISSIBILIDADE. É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Escrituração contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis. NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE. As Notas Fiscais fazem prova perante o fisco das operações comerciais das empresas na medida em que gozam de presunção de veracidade, presunção esta somente afastada, por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE AFASTADA. REGULAR EXIGÊNCIAS DE OUTRAS PROVAS. Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos casos em que a autoridade fiscal comprovou, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito que deu causa ao lançamento de ofício, este somente é afastado se o contribuinte lograr provar o teor das alegações que contrapõe às provas que o ensejaram. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FRAUDE. APLICABILIDADE . Caracterizado o evidente intuito de fraude, sobre os créditos tributários apurados em procedimento de ofício é aplicável a multa de oficio agravada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 731 7 No Recurso Voluntário apresentado a Recorrente contestou os argumentos utilizados pela DRJ e, com alguma ou outra ênfase, praticamente repetiu os mesmos argumentos de sua peça impugnatória. No essencial, é o Relatório. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Voto Conselheiro Relator Odassi Guerzoni Filho A tempestividade se faz presente, pois, cientificada da decisão da DRJ em 20/05/2011, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 06/06/2011. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Para melhor formação de vosso juízo acerca de tão tormentosa matéria a ser aqui debatida, reputo de fundamental importância o conhecimento dos detalhes da ação fiscal, o me que obriga a reproduzir excertos do Termo de Verificação Fiscal, de fls.609/618: “[...] 2. DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL Por meio do Oficio n° 0180901217192000001, de 16 de outubro de 2009 a D.Juíza Substituta Dra. Lizandra Pinto de Souza, disponibilizou para a Receita Federal do Brasil os dados magnéticos obtidos quando da busca e apreensão na empresa Tozzo & Cia Ltda os quais se encontravam sob custódia da ForçaTarefa do Ministério Público de Santa Catarina. Da mesma forma foram encaminhados cópia da decisão de busca e apreensão (dos autos n° 018.09.0187900), dos termos de apreensão e exibição e do pedido de compartilhamento de dados.(FLS. 365) Por sua vez, através do Oficio n° 340/2009/6 PJC PRCCT (fls. 367/368) o Ministério Público de Santa Catarina descreveu para a Receita Federal do Brasil as ocorrências do dia 17 de setembro de 2009, na cidade de Chapecó (SC), quando grupo de ForçaTarefa integrado por agentes do Ministério Público de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina apoiados pelos órgãos de segurança (Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federai), deram cumprimento a mandados de busca e apreensão relativos à chamada "Operação Nota Referente ATZO", tendo como alvo a empresa Tozzo & Cia Ltda. Os documentos apreendidos peio Ministério Público de Santa Catarina revelam que os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda organizaram esquema de vendas sem notas fiscais com a conseqüente emissão de notas fiscais e duplicatas simuladas para outros destinatários. O esquema fraudulento de vendas operavase da seguinte forma: Parte das mercadorias vendidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda eram entregues a motoristas funcionários, utilizando caminhões próprios, a destinatários que não desejavam receber nota fiscal (com intuito de revender as mercadorias também sem nota fiscal, sonegando os tributos e permitindo a permanência em regimes de tributação favorecidos como é o caso do SIMPLES). Estas entregas sem nota fiscal eram acompanhadas de um documento paralelo denominado de "Pedido ATZO". Por outro lado para manter a regularidade do estoque de mercadorias e para beneficiar interessados em registrar créditos de ICMS, os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda simulavam a venda de mercadorias com a emissão de notas fiscais para destinatários que não correspondiam aos verdadeiros adquirentes/recebedores das mercadorias. Tais notas fiscais eram denominadas pelos envolvidos de "Nota Referente", pois correspondia (ou se "referiam") a uma entrega de mercadoria sem nota fiscal, ou seja, referiase a um "Pedido ATZO". Sendo Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 732 9 assim, as vendas sem nota fiscal (Pedido ATZO) geravam uma nota fiscal ideologicamente falsa (Nota Referente) contendo um destinatário irreal. A fim de manter o controle financeiro do esquema fraudulento, a Tozzo & Cia Ltda., simulava a emissão de duplicatas que eram registradas e quitadas via caixa, dando uma aparência de regularidade para todas as operações. O esquema fraudulento acima mencionado pode ser comprovado pela leitura dos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC por pessoas ligadas (funcionários e prestadores de serviço) à empresa Tozzo & Cia Ltda, conforme excertos dos autos do processo judicial n° 018.09.0217192. (Fls. 369 a 441). De igual modo, o Ministério Público de SC por meio do Pedido de Compartilhamento de Dados (Fls. 320 a 332) e no Requerimento de Busca e Apreensão (Fls. 337 a 353), revela de forma didática a fraude antes mencionada. De igual modo, o Ministério Público de SC por meio do Pedido de Compartilhamento de Dados (Fls. 320 a 332) e no Requerimento de Busca e Apreensão (Fls. 337 a 353), revela de forma didática a fraude antes mencionada. Da mesma forma, o esquema fraudulento em tela está descrito em reportagem publicada na internet no sítio do Ministério Público de SC. (Fls. 442 a 445). Neste passo, impende salientar que as notas fiscais com destinatários forjados, quais sejam, as chamadas "Notas Referentes" eram identificadas nos sistemas informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda por meio do seguinte procedimento: Tais notas eram lançadas como tendo um desconto de 0,01 %. Esta conduta resta comprovada nos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC pelas seguintes pessoas: SILVIA LÚCIA BOROWICC exerce a função de ADMINISTRADORA DE DADOS DA EMPRESA TOZZO, conforme Fls. 391/393. ANDRE MARCOS GELHEN, exerce a função de DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA CONTROLE DE VENDAS E FINANCEIRO da empresa TOZZO e CIA LTA, conforme Fls. 394/397. DÁRIO MANICA, exerce as funções de DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS. MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA E DE REDE da empresa TOZZO e CIA LTDA, conforme Fls. 398/403. ANTONIO SERGIO NARDES FANFA, exerce a função de COORDENADOR DOS TRABALHOS DE SETOR DE CPD na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme Fls. 405 a 408. BRUNA DE ALMEIDA PRADO exerce a função de AUXILIAR DE VENDAS na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme Fls. 412 a 414. MARCOS LUIZ MOREIRA exerce a função de ASSISTENTE DE VENDAS na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme 421 a 422. E de curial importância ressaltar que as pessoas acima nominadas eram aquelas encarregadas de criar e controlar os sistema informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda. Daí a relevância dos seus depoimentos. Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Ainda nesta senda, o Ministério Público de SC, por meio do Ofício 942/09/CIE/MP, (Fl. 374verso), encaminhou à Receita Federal do Brasil cópia do oficio n° 3708/09 do Instituto de Criminalística, (Fl.366), acompanhado de um DVD contendo informações digitais apreendidas durante a operação realizada no dia 17 de setembro de 2009 na cidade de Chapecó. Da análise dos documentos recebidos (arquivos apreendidos na empresa Tozzo e Cia, conforme Fls. 366), constatouse que a empresa Brasão logrou proveito do esquema fraudulento já multicitado, visto que aquela (Brasão) foi beneficiária de notas fiscais graciosas (notas referentes) emitidas peia empresa Tozzo & Cia Ltda. A conclusão de que a empresa Brasão se beneficiou do esquema acima relatado, qual seja, a de receber notas fiscais graciosas (notas referentes) é o fato de que o relatório resultante do exame em mídia de armazenamento computacional2, e que está adunado a Fls. 446 a 604, discrimina a existência de vendas da empresa Tozzo & Cia que tiveram desconto de 0,01 % (parâmetro apontado nos depoimentos acima citados) e que apresentavam como adquirente (destinatário)da mercadoria a empresa I.J. G. 3. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 0920300 2010 001810 (Fls. 124/126) foi efetuada diligência junto à empresa Brasão a fim de obter em meio magnético os seguintes elementos: arquivos de registros contábeis; notas fiscais de entrada; livro registro de entradas relativos ao período de 2004 até 2009. O contribuinte atendeu o requestado de forma regular, conforme documento a Fls. 131. Da análise dos registros de entradas de empresa Brasão emerge que as notas fiscais relacionadas as Fls. 446 a 604 (notas fiscais emitidas pela empresa Tozzo e Cia Ltda. com o desconto de 0,01 %) foram escrituradas pela autuada. Constatada utilização de notas fiscais "graciosas", propôsse o início de ação fiscal a fim de verificar as irregularidades na apuração de recolhimento de tributos administrados peia Receita Federal do Brasil. [...]” Enfrentemola, pois. Nulidade por cerceamento ao direito de defesa Não obstante, de fato, a ora autuada tivesse sido informada com mais detalhes acerca das reais motivações do fisco para a concretização do presente lançamento somente quando da ciência da autuação, não há que se falar em malferimento ao sagrado princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório. O procedimento administrativo de fiscalização é orientado pelo princípio inquisitivo, no qual o próprio Fisco investiga a correção da apuração do sujeito passivo, podendo resultar no lançamento tributário de oficio, se constatada pela autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador, conforme comando do art. 142 do CTN. Na fase investigatória, não se exige o contraditório. A participação do fiscalizado no procedimento se dá sob a forma de apresentação de documentos, declarações e esclarecimentos com o intuito de contribuir na identificação da verdade dos fatos. Segundo Alberto Xavier:"Estes direitos de participação procedimental não são suficientes para caracterizar a existência de um principio contraditório no procedimento Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 733 11 administrativo de lançamento, pois nele estão ausentes as suas características essenciais: a posição paritária das partes e o método dialético na investigação e na tomada de decisão" (Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário", Rio de Janeiro, 1998, 2ª edição, Forense, pg. 166) Para Antônio da Silva Cabral:"O procedimento administrativo é dominado pelo princípio inquisitivo e não pelo dispositivo, isto é, o próprio fisco investiga se o fato gerador ocorreu, verifica a existência da obrigação e pune o infrator. Tudo isso, a rigor, pode existir sem que o contraditório exista," (Processo Administrativo Fiscal, São Paulo, 1993, Saraiva,pg. 76.) O procedimento se transforma em processo com a impugnação da exigência tributária formalizada mediante o ato de lançamento, nascendo o conflito de interesses a partir desse momento, quando então se instaura o processo, conseqüentemente informado pelos princípios do contraditório e ampla defesa Nessa linha, transcrevo a ementa de alguns Acórdãos do então denominado Conselho de Contribuintes, dentre inúmeros encontrados: “NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO, INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo.(A. 230101.646, de 19/08/2010, votação unânime) NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Ao dever de investigar do Fisco correspondem amplos poderes investigatórios, inclusive mediante utilização de informações obtidas junto a terceiros, que têm o dever de colaborar. O principio do contraditório e ampla defesa preside a fase processual a partir da instauração do litígio com a impugnação. A fase de fiscalização, é presidida pelo principio inquisitorial.” (Acórdão nº 10196.975, de 16/10/2008, votação unânime). Instaurada a lide, com a impugnação apresentada, pôde exercer plenamente o seu direito de defesa e do contraditório a autuada, devendo, pois, ser afastada a prejudicial de nulidade do procedimento fiscal. Provas indiciárias Não obstante a presente ação fiscal tenha origem em informações prestadas pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina, no bojo de inquérito cuja conclusão e desfecho não se têm notícia nos autos, o fato é que tais informações sugeriram ao Fisco a existência de fortes indícios da existência de uma fraude fiscal, que tinha em uma das pontas a ora autuada. Diante desses indícios, aliás, acompanhados de imputações do parquet com base em profundo trabalho de investigação e de coleta de documentos feito pela Polícia Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Estadual e pela Secretaria de Fazenda daquele estado, cumpriu o Fisco federal uma orientação básica e que se mostra fundamental para dar suporte aos seus atos, qual seja, a de perguntar ao contribuinte se ele possuía elementos, documentos, informações, capazes de afastar aquelas gravíssimas acusações feitas diretamente contra a empresa Tozzo, e, indiretamente, contra si. De se ressaltar nesse ponto que, embora, de fato, nenhuma acusação tivesse sido feita pelo Ministério Público à ora autuada, o fato é que seus dados foram encontrados nas tais notas fiscais “de fachada” emitidas pela empresa Tozzo. Observese que o fato de as informações que lançaram suspeitas sobre o comportamento da autuada terem sido originadas de um processo de investigação iniciado por outro órgão do Poder Público em nada macula ou impede que a Administração Tributária Federal dê início ao “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, consoante, aliás, lhe está permitido no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Vou mais além. Esse “procedimento administrativo” tampouco necessita ser precedido de informações e documentos indiciários tal qual se deu no presente caso; basta qualquer tipo de informação de interesse do fisco, colhida mesma nas colunas sociais de um jornal [por exemplo, fulano de tal, que tem apresentado declarações de rendimentos com nenhum valor de imposto de renda a pagar, adquiriu uma aeronave de valor incompatível com a renda conhecida], para ensejar o início de uma “investigação” com o fito de apuração de eventual ilícito tributário. Nesse caso hipotético a que me referi, se o contribuinte esclarecer os fatos revelando que sua situação fiscal mostrase compatível com o dispêndio efetuado, não restará à autoridade fiscal alternativa senão a de encerrar o seu procedimento sem qualquer exigência de tributo. Então, em princípio, nada de irregular se constata no procedimento do fisco ao se basear em provas indicarias para iniciar a investigação. Prova Emprestada A recorrente clama pela nulidade do procedimento fiscal também sob o argumento de que todo ele está lastreado numa “prova emprestada” pelo Ministério Público Estadual, caracterizada, especialmente, pela existência de depoimentos testemunhais colhidos e/ou produzidos sem a sua participação pelo próprio Ministério Público e pelas autoridades fiscais estaduais. Por sua vez, a instância ora recorrida ponderou, em defesa do procedimento fiscal, que a utilização daqueles documentos visaria prestigiar os princípios da celeridade e da economia processual a fim de evitar a repetição desnecessária de atos processuais já esgotados. Antes de manifestarme sobre acerca da validade ou não do procedimento fiscal, considero pertinente trazer à baila trechos doutrinários acerca da “prova emprestada”, recorrendo para tanto, inicialmente, a Sérgio André Rocha, em seu Processo Administrativo Fiscal – Controle Administrativo do Lançamento Tributário, 4ª ed., Editora Lúmen Júris, Rio de Janeiro, 2010, p.201/202 “A prova emprestada é aquela que foi produzida no âmbito de outra relação jurídica processual, servindo para formar a convicção do julgador quanto à veracidade do fato que se pretende provar. Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 734 13 Como destaca Fabiana Del Padre Tomé, no âmbito tributário falase também em uma segunda acepção de prova emprestada, consistente na utilização de informações e documentos obtidos em outro procedimento de fiscalização, tendo fundamento legislativo no art. 199 do Código Tributário Nacional, [...]. Em suas palavras ‘a figura da prova emprestada assume, no âmbito tributário, duas acepções: i) aquela inerente ao direito processual civil, consistente na construção de uma nova prova, idêntica à já produzida em outro processo envolvendo as mesmas partes, como referido no subitem precedente; e ii) as informações fornecidas por qualquer das Fazendas Públicas, obtidas por meio de procedimentos fiscalizatórios por elas realizados. Considerada a prova emprestada no primeiro sentido, que denominamos prova emprestada processual, essa caracteriza uma prova de forte valor axiológico, produzindo os correspondentes efeitos, sujeitandose à apreciação do julgador no contexto probatório e atuando como elemento para formação de seu convencimento. A expressão prova emprestada tributária, por seu turno, costuma ser empregada para designar a segunda das acepções supra, nos termos prescritos pelo art. 199, caput, do Código Tributário Nacional’. No que se refere à prova emprestada processual, sua utilização é plenamente cabível no âmbito do processo administrativo, desde que os seus requisitos de admissibilidade estejam presentes. Tais requisitos, dos quais depende a legitimidade de sua produção, são os seguintes: a) que a mesma tenha sido produzida sob o crivo do contraditório; e b) que a parte cujos interesses são contraditados pela ‘prova emprestada’ tenha participado do referido contraditório, sendo parte no processo de onde a prova foi transladada. Tanto os tribunais pátrios quanto as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais têm reconhecido a possibilidade da utilização de provas produzidas nos autos de outros processos, desde que atendidos os pressupostos acima. Questão um pouco mais complexa referese à utilização da prova emprestada tributária, Concordase aqui, uma vez mais, com Fabiana Del Padre Tomé, quando esta afirma que ‘a informação advinda do órgão fazendário de outra pessoa política não é suficiente para, por si só, provar fato jurídico ou ilícito tributário, autorizando a lavratura de ato de lançamento ou de aplicação de penalidade’. [...]” (grifos meus) Por sua vez, Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martínez Lopes, em seu Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª ed. – São Paulo – dialética, 2004, p.174, escrevem: “Sobre esse tema, vale lembrar que a Constituição assegura ao cidadão o direito à regularidade no procedimento de obtenção de provas. Segundo Ada Pellegrini Grinover, existe ‘estreita conexão entre o regime da prova e as garantias constitucionais, uma vez que é exatamente no terreno da prova que a interação das garantias encontra efetiva aplicação. e o princípio do contraditório ficaria esvaziado de qualquer sentido, se as partes não fossem colocadas em condições de participar da formação da prova, em plano paritético’. E, portanto, sustenta a autora: ‘o primeiro requisito constitucional de admissibilidade da prova emprestada é a de ter sido produzida em processo formado entre as partes’. Por essa razão, o empréstimo é no máximo da prova e nunca das conclusões a que chega em outro processo. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 [...], se a prova é casual, ou seja, formada no curso de um determinado processo, terá baixado ou nenhum poder probatório, já que carece dos princípios de imediatidade, identidade física do juiz, concentração e oralidade que informam o Direito Processual no tocante à produção de provas. Assim, depoimentos prestados em um processo têm dificuldade de serem utilizados em outros, a não ser como meros indícios.” Dos documentos trazidos aos autos, especialmente aqueles compartilhados pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina sob autorização do Poder Judiciário, os tais documentos “emprestados”, bem como das providências adotadas pela fiscalização a partir deles, entendo que devemos analisar as argumentações da Recorrente sob dois prismas: um relacionado à glosa dos créditos da não cumulatividade, e outro relacionado à imputação de sonegação e fraude. a) prova emprestada utilizada para a glosa dos créditos Embora não se negue, ao contrário, que a presente ação fiscal foi iniciada a partir de uma relação de documentos fiscais e depoimentos testemunhais compartilhados pelo Ministério Público Estadual, constantes de outro processo, também resta evidente que a apuração das diferenças de PIS/Pasep e Cofins ao final exigidas deveuse ao fato de, sob os olhos da fiscalização, não ter a Recorrente se desvencilhado da tarefa de comprovar a efetiva entrada em seu estabelecimento das mercadorias constantes daquelas notas fiscais emitidas pela Tozzo, bem como o seu efetivo pagamento. Detalhando melhor a forma de atuação do fisco neste processo, ocorreu que, tendo recebido do Ministério Público também um DVD apreendido pelo fisco e polícia estaduais na empresa Tozzo contendo informações digitalizadas, logrou nesses dados encontrar o nome da empresa ora autuada como dentre aquelas beneficiárias do recebimento de notas fiscais falsas, ou seja, emitidas sem que tivesse havido de fato uma operação com mercadorias. A partir disso e tendo vista o teor dos depoimentos testemunhais também recebidos, intimou a ora autuada, para cada uma das centenas de notas fiscais emitidas pela Tozzo, a comprovar o efetivo recebimento das mercadorias ali mencionadas, explicar como se deu o pagamento dessas aquisições e a comprovar o efetivo pagamento, e disponibilizar referidas notas fiscais. Então, não tem razão a recorrente quando afirma peremptoriamente que o procedimento fiscal esteja lastreado tão somente em “provas emprestadas”, porquanto, como se disse alhures, a autoridade fiscal, com base nos “indícios” emergentes dos tais documentos, tracejou a sua linha própria de investigação e concluiu, em face da resposta obtida, pela caracterização de descumprimento da legislação do PIS/Pasep e da Cofins; daí o lançamento das diferenças encontradas. Observo, por fim, que essas minhas considerações não adentram ou não se prestam, ainda, a formar juízo acerca do mérito da autuação, propriamente dito, ou seja, restringemse, por enquanto, a defender a ideia de que não ocorreu o vício de nulidade na ação do fisco em relação ao uso das “provas emprestadas”. b) prova emprestada utilizada para a imputação dos crimes de sonegação e de fraude O mesmo não se pode dizer, porém, em relação à imputação da fraude e da sonegação, já que, conforme resta claro no processo, a autoridade fiscal formou tal convicção com base nas conclusões tiradas pelo Ministério Público Estadual naqueles documentos Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 735 15 “emprestados”, notadamente com base nos depoimentos colhidos junto aos integrantes da empresa Tozzo e que trazem detalhes acerca do modus operandi do esquema tido como fraudulento. Dito de outra forma, no presente caso não cuidou a autoridade fiscal de adotar procedimento próprio também para investigar a ocorrência da prática dos crimes de sonegação e de fraude; antes, baseouse unicamente nas conclusões préexistentes nas “provas emprestadas”, notadamente na imputação feita pelo Ministério Público Estadual. Não obstante os depoimentos trazerem minúcias acerca de como funcionaria o esquema fraudulento perpetrado pela Tozzo, e os fatos e documentos conspirarem em desfavor da ora autuada, o que deve ser aqui levado em conta é a não observância dos pressupostos de admissibilidade da “prova emprestada” acima referidos, quais sejam: ter havido a participação da acusada e da ora autuada na sua produção e obtenção e não ter havido o crivo do contraditório. Poderseá argumentar, em contraposição, que o contraditório tenha sido oferecido a autuada por meio do rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, na medida em que o Termo de Verificação Fiscal constante deste processo e cuja cópia era de conhecimento desta, tracejou contornos do conteúdo dos depoimentos, bem como o nome e função dos depoentes. Pois bem. Penso que a decisão deva considerar a observância do devido processo legal e do contraditório, o que a meu ver não ocorreu quando da produção das provas que acabaram por ser utilizadas pelo fisco neste processo. Faço agora um exercício teórico para demonstrar o quanto as “conclusões” do processo instaurado pelo Ministério Público influenciaram a atitude do fisco neste processo. Não tivesse a autoridade fiscal o conhecimento daquelas provas emprestadas e estivesse seu procedimento, digamos, voltado unicamente para a verificação do correto aproveitamento dos créditos da não cumulatividade do Pis/Pasep e da Cofins, muito provavelmente sequer se preocuparia com a validade das notas fiscais de entrada da empresa Tozzo, porquanto, aparentemente, nenhuma suspeita as mesmas irradiam, já que emitidas segundo as formalidades legais exigidas e devidamente registradas na escrita fiscal e contábil. Tampouco a informação de que teriam sido pagas em dinheiro vivo despertaria alguma suspeita no fiscal, já que, provavelmente, este também teria sido a forma de pagamento das demais compras. E, sabemos todos, embora arcaica e perigosa [sob o ponto de vista dos assaltos tão em voga hoje em dia], a utilização de dinheiro vivo para o pagamento das contas não é vedada pela lei. Então, para ter a plena certeza de que, primeiro, as notas fiscais emitidas pela Tozzo encontradas na autuada eram mesmo “de favor”, “frias” etc., caberia ao fisco aprofundar suas investigações, o que, certamente, não teria sido tarefa fácil, haja vista, especialmente, o sistema de escrituração contábil adotado pela empresa, que se vale da conta “Caixa” para registrar as entradas e saídas de dinheiro. Mas, dificuldades à parte, poderia, ou, deveria a fiscalização ter tomado depoimentos dos funcionários encarregados do recebimento das mercadorias e do pagamento Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 de compras; verificado os procedimentos de pagamento dos outros fornecedores; verificado a existência de gastos com transportes para as outras compras; efetuado um levantamento dos estoques, ainda que por amostragem; efetuado um levantamento da conta “Caixa”; efetuado uma pesquisa junto às instituições financeiras acerca da existência de contas bancárias não registradas etc., de modo a que não se tivesse qualquer dúvida acerca da efetiva participação da ora autuada no esquema tido como fraudulento da empresa Tozzo. Não tendo assim procedido, ao contrário, se fiado cegamente nas conclusões produzidas pelo Ministério Público Estadual, a autoridade fiscal tornou deveras enfraquecido, sob o ponto de vista da legalidade, princípio este embutido no princípio do devido processo legal e no princípio do contraditório princípio, o presente lançamento de oficio. Por mais fortes que sejam as evidências do exalado pelos depoimentos, a comprovação da participação da ora autuada no esquema de fraudes, que, frisese, sequer fora ouvida no inquérito instaurado pelo Ministério Público Estadual e tampouco nele mencionada, demanda muito mais provas do que o fato de ter sido encontrada nas duplicadas relacionadas às notas fiscais da Tozzo na autuada os tais “0,01%” e no fato de ter sido utilizada a conta “Caixa” para o pagamento das notas fiscais. Concluindo, o meu entendimento é que a imputação de sonegação e de fraude deve ser rechaçada porquanto fundadas unicamente nas conclusões do Ministério Público. Lançamentos relacionado às glosas dos créditos Como se viu, intimada a se manifestar sobre se as mercadorias constantes das notas fiscais tidas como de fachada emitidas pela empresa Tozzo haviam, de fato, adentrado no seu estabelecimento, bem como, em caso positivo, de que forma havia se dado o seu pagamento [se via boleto bancário, se transferência bancária etc., comprovandoo documentalmente], a autuada respondeu [fls. 120/122], palavras minhas, que o efetivo recebimento das mercadorias estaria comprovado pelos seus registros contábeis [que expressam o estoque de mercadorias] e fiscais [que atendem à legislação do ICMS] e pelos registros idênticos que certamente poderiam ser encontrados na empresa emitente. Quanto à forma de pagamento, afirmou que, especificamente em relação às notas fiscais relacionadas, o pagamento teria se dado em dinheiro, pagamentos esses que estariam devidamente registrados em seu Livro Diário. Para o Fisco, porém, essa resposta encaixouse perfeitamente nas características da fraude perpetradas pela Tozzo descritas pelos depoentes, notadamente, por conta de não terem sido apresentados os documentos, palavras do AuditorFiscal, “costumeiramente utilizados (sic) que são os boletos bancários, cheques nominativos e transferências entre contas bancárias”. Com a devida vênia, essa argumentação da autoridade fiscal, por si só, não pode sustentar a glosa das notas fiscais de compra. É que, como dito alhures, embora possa parecer estranho, atípico, temerário, sob o ponto de vista da perspectiva de assaltos, tão em voga atualmente, e de um descontrole administrativo ensejador de desvios de próprios funcionários etc., não existe impedimento legal para que os pagamentos, quaisquer que sejam eles, se deem mediante a entrega pura e simples de dinheiro “vivo”. Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 736 17 Não se contesta o fato de que o arcaico, obsoleto, método de contabilização de seus pagamentos [e recebimentos] mediante o uso da conta “Caixa”, possa sugerir a alguns a clara tentativa de sonegar e de fraudar o Fisco. Porém, não obstante eu tivesse me posicionado acima pela validade da utilização das “provas emprestadas” como ponto de partida para a devida apuração dos fatos, entendo que essa tarefa – a apuração dos fatos – não se deu de forma a não deixar qualquer dúvida quanto à conclusão tirada pela fiscalização. Ao contrário, pois, os argumentos que dão sustentação àquela conclusão [pagamento das compras com dinheiro] mostramse frágeis, pois, frisese, por si só, não têm o condão de descaracterizar a legitimidade das notas fiscais de compra emitidas pela Tozzo [porquanto, repitase, preenchem os requisitos formais de validade, estão escrituradas nos livros fiscais e contábeis de forma não vedada por lei] e, consequentemente, de referendar as glosas dos créditos do Pis e da Cofins efetuadas. Em face do exposto, de se cancelar as glosas dos créditos efetuadas pelo fisco, o que, necessariamente, implica no cancelamento da parte do o auto de infração que tem origem apenas naquelas glosas. Lançamento das diferenças de recolhimento [valor devido x valor recolhido] Conforme relatado, alguns valores foram constituídos de oficio pela fiscalização por conta de diferenças de recolhimento em desfavor da Fazenda Nacional e não foram contestados pela autuada, o que caracteriza a definitividade dessa matéria, podendo, inclusive, ser apartada para imediata cobrança. Vejase, por exemplo, no “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PIS A PAGAR APÓS AS GLOSAS DA FISCALIZAÇÃO”, à fl. 150, que, no mês de junho de 2005, os valores do Pis/Pasep e da Cofins constituídos de oficio, nos montantes de R$ 1.397,34 e R$ 6.436,24, decorrem unicamente da glosa dos créditos das notas fiscais da Tozzo. O mesmo não se dá, por exemplo, em relação ao mês de julho de 2005, já que os valores lançados do Pis/Pasep e da Cofins possuem um componente adicional, além daquele apurado a partir da glosa dos créditos, da ordem de R$ 18,54 e R$ 86,26, a título de Pis/Pasep e de Cofins, respectivamente. Esses valores, conforme dito acima, referemse a diferenças encontradas pelo fisco a partir do confronto entre os registros contábeis e fiscais e os valores informados em DCTF/recolhidos; isto é, nada têm a ver com a glosa. Essas diferenças foram obtidas do confronto entre os valores consignados nas linhas “9 – Pis/Pasep/Cofins a autuar” e os valores consignados nas linhas “5 – Glosa Créditos da Fiscalização”, às fls. 150/154, as quais podem ser aqui listadas: (valores em R$) Valores lançados originados não das glosas das notas de compra Período Pis/Pasep Cofins Período Pis/Pasep Cofins 07/2005* 18,54 86,26 04/2008 2,40 41,03 09/2005* 2,86 13,14 06/2008 0,63 0,00 Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Valores lançados originados não das glosas das notas de compra Período Pis/Pasep Cofins Período Pis/Pasep Cofins 10/2005* 2,91 13,38 07/2008 11,04 50,92 11/2005 0,00 0,60 08/2008 3,27 15,09 05/2006 13,72 63,32 09/2008 6,92 31,95 07/2006 7,93 36,65 11/2008 7,09 32,82 09/2006 9,00 41,54 12/2008 3,63 16,17 12/2006 15,19 68,06 01/2009 7,14 0,00 03/2007 9,87 45,55 02/2009 3,24 0,00 04/2007 2,85 13,20 03/2009 2,95 0,00 06/2007 1,18 5,43 04/2009 3,48 0,00 07/2007 6,99 32,23 05/2009 2,95 0,00 01/2008 23,12 76,83 06/2009 4,01 0,00 03/2008 476,67 2.195,54 07/2009 3,51 0,00 (*) atingidos pela decadência, conforme tópico abaixo De se manter, repito, os valores acima, exceção feita aos lançamentos dos meses de julho, setembro e outubro de 1995, em face da decadência [tema a ser tratado logo mais abaixo], porquanto a autuada sobre eles não se manifestou, nem na peça impugnatória e nem no recurso voluntário. Decadência Pelo fato de alguns valores lançados a título de Pis/Pasep e da Cofins possuírem dois componentes [um relacionado à glosa e outro relacionado a diferença entre o valor devido e o valor recolhido], e pelo fato de eu ter proposto o cancelamento do primeiro e a manutenção do segundo, haveremos de tratar o tema “decadência” de forma separada. à Decadência parcial dos lançamentos não relacionados à glosa dos créditos ATENÇÃO – RETIRAR ESTA PARTE DO VOTO – AFINAL, SE NÃO HOUVE IMPUGNAÇÃO, NÃO HÁ LIDE A SER ENFRENTADA PELO COLEGIADO. Não obstante a recorrente não tenha se dirigido especificamente a esse componente do lançamento [que, repitase à exaustão, nada teve a ver com as glosas dos créditos], acabou por reclamar para todo o auto de infração a aplicação da regra do § 4º do Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 737 19 artigo 150 do CTN, para fins de se declarar a decadência dos períodos de apuração anteriores a novembro de 2005. É que, tendo o auto de infração sido lavrado no dia 29/11/2010, pela regra do referido dispositivo, teria decaído o direito da Fazenda constituir os créditos tributários cujos fatos geradores tivessem se dado há mais de cinco anos. A recorrente tem razão, porquanto, para essa parte do lançamento, não há que se falar em fraude ou sonegação, o que ensejaria a aplicação da outra regra de contagem de prazo, qual seja, a do inciso I, do art. 173, do CTN. O Supremo Tribunal Federal, por meio da edição da Súmula Vinculante 8, definiu que o dispositivo legal que dava sustentação ao entendimento de que o prazo decadencial para o PIS/Pasep e para a Cofins era de dez anos, qual seja, o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, foi considerado inconstitucional. Então, temse que, para fins de definição do termo inicial do prazo decadencial dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, são dois os dispositivos legais a serem consultados, quais sejam, o artigo 173, inciso I, e o art. 150, § 4º, ambos do CTN, a depender da existência ou não de pagamento antecipado e/ou da existência ou não de imputação de dolo fraude ou sonegação, É que, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela da Portaria MF nº 586, de 2010, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E sobre a aplicação de tais dispositivos, o STJ vem adotando o seguinte posicionamento (contido no RE nº 973.733): “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Temse, então, que a aplicação deste ou daquele dispositivo, depende da existência ou não do pagamento antecipado, o que, no presente caso, nos remete para a análise do documento de fl. 313, no qual se colhe a informação da existência de DARF acusando a ocorrência de pagamento antecipado para os períodos de apuração de julho a outubro de 2005; ao menos. De se cancelar, pois, pela aplicação do disposto no § 4º do art. 150, do CTN, os lançamentos [não decorrentes das glosas de créditos] relacionados aos períodos de apuração de julho, setembro e outubro de 2005, do Pis/Pasep e da Cofins. à Decadência parcial ´dos lançamentos relacionados às glosas dos créditos (em sede de préquestionamento) Para a eventualidade do entendimento acima [cancelamento das glosas] vir a ser reformado pela instância superior, deixo registrado o nosso entendimento acerca da discussão sobre qual dispositivo do Código Tributário Nacional deva ser utilizado para fins de contagem do prazo decadencial no presente caso. Se o artigo 150, § 4º, como defende a recorrente, por entender não ter havido fraude e sonegação, e, neste caso estariam atingidos pela decadência os lançamentos dos períodos de apuração anteriores a novembro de 2005; ou se o artigo 173, I, como entende a Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.001049/201003 Acórdão n.º 340101.794 S3C4T1 Fl. 738 21 DRJ, que se manifestou pela ocorrência daqueles delitos, e, neste caso, nenhum lançamento estaria decaido. Caso venha a ser caracterizada a sonegação e fraude, resta, portanto, que não terá mesmo sido atingido pela decadência nenhum dos lançamentos, pois, tendo a autuada recebido o auto de infração ainda em novembro de 2010, não há que se cogitar da decadência para nenhum dos valores lançados, já que o mais antigo deles é do período de apuração de dezembro de 2004. É que, segundo a regra aplicável, qual seja, o inciso I do art. 173 do CTN, o início da contagem do prazo de cinco anos se dá no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido realizado, o que nos remete para um prazo fatal para o fisco como sendo a data de 31/12/10 para constituição de oficio do crédito tributário relacionado ao período de apuração mais antigo dentre os constantes do lançamento, qual seja, dezembro de 2004. Neste ponto, de rechaçar o argumento da recorrente de que, nem mesmo pela regra do inciso I, do art. 173, haveria que se descartar a ocorrência da decadência para o período de apuração de dezembro de 2004. Certamente ela não atentou para o fato de que, por “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado”, deve ser entendido 1º de janeiro de 2006 e não 1º de janeiro de 2005, haja vista que sendo o período de apuração encerrado no dia 31 de dezembro de 2004, somente em janeiro de 2005 é que poderia o Fisco efetuar algum lançamento. Concluindo, caso se entenda pela ocorrência da fraude, nenhum período correspondente poderá ser considerado como atingido pela decadência. Multa de oficio sobre os lançamentos não originados das glosas De se impor o cancelamento da multa de ofício no percentual de 150% para os lançamentos originados de mera diferença no recolhimento do Pis/Pasep e da Cofins, isto é, aqueles constantes da tabela inserida no tópico acima. É que, como já dito alhures, não pode ser estendido a eles a mesma imputação de fraude, porquanto não se originam das notas fiscais emitidas pela Tozzo e que restaram glosadas pela fiscalização. Tratase, à evidência, de mero descumprimento da legislação tributária para o qual a sanção cabível é a do inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no percentual de 75%, e não de 150%, consoante foi aplicado. De se reduzir, pois, o percentual da multa de oficio para 75% em relação aos valores lançados a título de Pis/Pasep e de Cofins constantes da tabela intitulada “Valores lançados originados não das glosas das notas de compra” acima reproduzida. Conclusão Em face de todo o exposto, afasto as prejudiciais de nulidade e dou provimento parcial ao recurso: a) para cancelar as glosas dos créditos relacionadas às notas fiscais emitidas pela Tozzo, o que implica no cancelamento dos lançamentos do Pis/Pasep e da Cofins correspondentes; b) para cancelar o lançamentos originados das diferenças entre o valor Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 22 devido e o recolhido [não decorrente das glosas] relacionados aos períodos de apuração de julho, setembro e outubro de 2005, em face da decadência; e c) para reduzir ao patamar de 75% a multa de oficio calculada sobre os valores lançados que não com base na referida glosa de créditos, valores esses para os quais não é cabível qualquer recurso da parte da autuada, haja vista a definitividade da matéria caracterizada pelo fato de contra eles não ter ela se insurgido na impugnação e no recurso voluntário. É como voto. Odassi Guerzoni Filho Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10980.722563/2016-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3302-002.801
Decisão:
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fábio Kirzner Ejchel (suplente convocado), Marina Righi Rodrigues Lara, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). Ausente o Conselheiro Mario Sergio Martinez Piccini, substituído pelo Conselheiro Fábio Kirzner Ejchel. RELATÓRIO Trata o presente processo do Despacho Decisório de fls. 799/801, cientificado em 07/06/2016, que, ao apreciar as DCTFs retificadoras apresentadas para alterar os valores do IPI do estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0004-89 apurados nos períodos entre 03/2010 e 10/2013 (com exceção dos meses 05/2010 e 07/2011, não retificados), concluiu pela não homologação das mesmas, sob o fundamento de divergência entre os valores do IPI apurados nas DIPJs originais e nas DCTFs retificadas. Salientou, ainda, tomando por base os documentos acostados às fls. 02/513 e demonstrativos de apuração do IPI de fls. 30/117, que "a empresa utilizou como crédito os valores do "IPI Importação de veículos transferidos", cuja origem não restou demonstrada na documentação fornecida". Fl. 1991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 2 O interessado apresentou a Impugnação de fls. 1042/1051 e seus anexos, nos termos do §5º, do art. 10, da IN RFB nº 1599/2015, na qual afirma ter retificado sua escrituração fiscal no período de 09/2009 a 11/2013 para corrigir os procedimentos adotados em relação à apuração do IPI, por sugestão do Auditor-Fiscal responsável pelo MPF nº 0720100.2014-00980-3 (fls. 08/12, emitido para análise de diversos PER/DCOMPs, processo nº 10880.934063/2014-61), e que os valores exibidos nos Livro RAIPI retificador coincidem com os valores indicados nas respectivas DCTFs retificadoras, apresentando a cópia dos mencionados livros retificadores. Os procedimentos que deram origem à necessidade de retificação das DCTFs podem ser descritos da seguinte forma: 1 - Do Procedimento Inicial Para efetuar a importação dos veículos que comercializava, a empresa utilizava-se de outra pessoa jurídica, nas denominadas importações por encomenda ou por conta e ordem. Na sequência, essa pessoa jurídica importadora transferia para um dos estabelecimentos da empresa (CNPJ 01.306.024/0006-40) os bens importados. Por ser o estabelecimento 0006-40 equiparado a industrial, a teor do disposto no art. 9º, IX, do Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212/2010), creditava-se este dos valores de IPI destacados nas notas fiscais de entrada dos veículos importados: Art. 9º Equiparam-se a estabelecimento industrial: (...) IX - os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 79, e Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, art. 13); Posteriormente, o estabelecimento 0006-40 transferia para o estabelecimento 0004-89, ora analisado, os veículos importados. Essas operações eram realizadas com suspensão do IPI, com fundamento no art. 43, X, do RIPI: Art. 43. Poderão sair com suspensão do imposto: (...) X - os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um estabelecimento industrial ou equiparado a industrial para outro da mesma firma; Finalmente, os veículos eram vendidos pelo estabelecimento 0004-89 aos consumidores finais, com destaque do IPI devido. Em síntese, assim ocorria: 1º) os veículos eram importados por pessoa jurídica importadora, por encomenda ou por conta e ordem da empresa, com o pagamento de IPI no desembaraço aduaneiro; Fl. 1992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 3 2º) a pessoa jurídica importadora transferia para outra pessoa jurídica, no caso em tela o estabelecimento 0006-40 da empresa, os bens importados, com este creditando-se dos valores de IPI que incidiram na importação; 3º) o estabelecimento 0006-40 transferia os automóveis importados ao estabelecimento 0004-89, com suspensão do IPI; e, 4º) o estabelecimento 0004-89 realizava as vendas ao consumidor final, apurando o valor do IPI devido. Da maneira como foram inicialmente estruturadas as operações da empresa, acima descritas, houve o acúmulo de créditos de IPI no estabelecimento 0006-40 e a apuração de IPI devido “cheio”, sem desconto de crédito algum, pelo estabelecimento 0004-89. 2 - Do Segundo Procedimento e das DCTF Retificadoras O segundo procedimento, do qual uma das consequências foi a apresentação das DCTF retificadoras, decorreu da não possibilidade de recuperação dos créditos de IPI acumulados pelo estabelecimento 0006-40. Como, inicialmente, o estabelecimento 0006-40 remetia os veículos importados para os demais estabelecimentos da empresa com suspensão do IPI, todo o valor do imposto por ele creditado decorrente da sua equiparação a estabelecimento industrial ficou acumulado na sua escrita fiscal, o que fez a empresa protocolizar pedidos de ressarcimento de IPI, dos quais posteriormente desistiu (fls. 9 a 12). O motivo da desistência dos pedidos de ressarcimento de IPI deveu-se ao fato de o crédito acumulado pelo estabelecimento 0006-40 não ser passível de ressarcimento, pois somente o saldo credor acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, poderá ser objeto de pedido de ressarcimento, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Diante da impossibilidade de recuperar os créditos de IPI pela via do ressarcimento, decidiu a empresa fazer nova apuração do imposto para os seus estabelecimentos, estruturando de forma diversa as suas operações. Fl. 1993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 4 Neste segundo procedimento, o estabelecimento 0006-40 transferiu para o estabelecimento 0004-89 os veículos importados, não com suspensão do IPI, mas apurando o imposto, utilizando como valor tributável os parâmetros estabelecidos pelo art. 195, II, do RIPI: Art. 195. O valor tributável não poderá ser inferior: (...) II - a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso II, e Lei no 9.532, de 1997, art. 37, inciso III); O estabelecimento 0004-89, por sua vez, vendia aos consumidores finais os veículos com destaque do IPI devido, apurando como IPI a pagar a diferença entre este e o imposto incidente na operação anterior. Resumindo, assim reestruturou a empresa as suas operações (fases 3ª e 4ª foram as afetadas): 1º) os veículos eram importados por pessoa jurídica importadora, por encomenda ou por conta e ordem da empresa, com o pagamento de IPI no desembaraço aduaneiro; 2º) a pessoa jurídica importadora transferia para outra pessoa jurídica, no caso em tela o estabelecimento 0006-40 da empresa, os bens importados, com este creditando-se dos valores de IPI que incidiram na importação; 3º) o estabelecimento 0006-40 transferia os automóveis importados ao estabelecimento 0004-89 com apuração do IPI; e, 4º) o estabelecimento 0004-89 realizava as vendas ao consumidor final apurando o valor do IPI devido, deduzindo deste o valor incidente na etapa anterior. Como resultado desse novo procedimento, o estabelecimento 0004-89 apurou valores de IPI a pagar menores do que os anteriormente apurados e declarados, com a consequente retificação dos valores informados em DCTF, os quais são o objeto da lide de que tratam os presentes autos. Em 14/12//2016, a DRJ-JFA emitiu o Despacho nº 023/2016 nos seguintes termos, em síntese: Os valores retificados a serem analisados, portanto, referem-se àqueles indicados na coluna “VALOR DCTF RETIFICADORA ATIVA” da planilha retro [com exceção dos PA 03, 04 e 06/2010, não retificados na DCTF pela perda do prazo de cinco anos, conforme esclarecimentos retro], os quais deverão ser confrontados com a escrituração fiscal do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, também retificada, segundo atestam os documentos indicados nas folhas consignadas na Fl. 1994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 5 última coluna da planilha. . Frise-se que a escrita retificada dos PA 03, 04 e 06/2010 também deverá ser analisada. Ocorre que o acatamento da retificação da escrita fiscal envolve questões que demandam análises adicionais típicas de procedimento de fiscalização, atinentes à apuração do IPI, naquilo que concerne à pertinência dos créditos e débitos escriturais retificados, isto é, se a alegada retificação da escrita fiscal atende aos ditames da legislação de regência. Entende esta Julgadora, portanto, pela necessidade de retorno dos autos ao SECAT/DRF CURITIBA/PR para análise da pertinência da escrituração retificada [inclusive dos PA 03, 04 e 06/2010, para os quais não houve retificação das DCTFs para adequação à escrita fiscal retificada pelos motivos já expostos] e da sua coerência ou não com as DCTFs Retificadoras objeto da presente análise [que, smj, são aquelas indicadas na coluna “Nº DCTF RETIFICADORA ATIVA” da planilha retro], emitindo-se, ao final, PARECER CONCLUSIVO acerca do tema e cientificando-se a pessoa jurídica interessada quanto ao seu conteúdo, reabrindo- lhe prazo para se manifestar, se assim lhe convir, devendo, posteriormente, retornar o processo a esta DRJ para análise e prosseguimento. Em cumprimento ao quanto disposto acima, foi realizada a diligência fiscal, com as conclusões apresentadas na Informação de fls. 1828/1835, lavrada em 29/01/2019: 4. Conclusão Diante de todo o acima exposto, por entender que o estabelecimento 0004-89 é somente comercial varejista, portanto, não contribuinte do IPI, não possui este direito ao crédito do imposto incidente nas operações de entrada de produtos industrializados. Para tal estabelecimento, como dito acima, referido IPI é custo. Para finalizar, evidencia-se, à medida que não se reconhece, por ser comercial varejista, a qualidade de contribuinte do IPI ao estabelecimento 0004-89, impedindo qualquer creditamento, que não incide IPI nas saídas que promove. A 3ª Turma da DRJ-Juiz de Fora (DRJ-JFA), em sessão datada de 27/06/2019, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação. Foi exarado o Acórdão nº 09-71.225, às fls. 1889/1902, com a seguinte Ementa: DCTF RETIFICADORA REDUTORA DE TRIBUTO. ANÁLISE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Constatada a impossibilidade da retificação pretendida, ante o confronto da legislação de regência do imposto com as razões que a fundamentam, resta a não homologação da retificação da DCTF retida para análise nos termos do art. 10 da IN RFB nº 1599, de 2015. O contribuinte, tendo tomado ciência da decisão da DRJ-JFA em 19/07/2019 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 1911), apresentou Recurso Voluntário em 20/08/2019, às fls. 1914/1930. É o relatório. Fl. 1995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 6 VOTO Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. Alega o recorrente que o inciso III do art. 9º do RIPI/2010, indicado no acórdão como fundamento para a não equiparação a industrial da sua filial, prevê, especificadamente, que somente serão considerados não equiparados a industrial e, consequentemente, não contribuintes do IPI, os estabelecimentos que operarem exclusivamente na venda a varejo, o que não é o seu caso, pois, da análise das operações realizadas no período, é possível verificar que, além das vendas de veículos a varejo, também ocorreram operações destinadas a pessoas jurídicas revendedoras, que adquiriram os veículos para venda posterior. À princípio, verifica-se que a própria Receita Federal tem o mesmo entendimento do contribuinte quanto ao fundamento jurídico, conforme se depreende da Solução de Consulta Cosit nº 30, de 03/02/2023: 16. O art. 9º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 — Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi/2010) -, enumera, em seus incisos, os estabelecimentos que são equiparados a industriais. Interessam à presente análise as hipóteses constantes dos incisos I a III (destacou-se): Art. 9º Equiparam-se a estabelecimento industrial: I - os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); II - os estabelecimentos, ainda que varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma; III - as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento da mesma firma, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso II (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II, e § 2º, Decreto-Lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); (...) 17. A consulente não tem dúvidas de que, na operação em que o seu “novo estabelecimento filial” importar produtos de procedência estrangeira e a eles der saída, ele será equiparado a industrial (inciso I do art. 9º do Ripi/2010). 18. O novo estabelecimento filial também será equiparado a industrial na hipótese em que ele receber, diretamente da repartição aduaneira que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da pessoa jurídica consulente. Frise-se, que, para este fim, o estabelecimento que receber os produtos pode ser tanto comercial atacadista quanto varejista (inciso II do art. 9º do Ripi/2010). Fl. 1996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 7 19. Resta, então, verificar as hipóteses de equiparação previstas no inciso III do art. 9º do Ripi/2010. O mencionado dispositivo equipara a industrial as filiais e demais estabelecimentos que exerçam o comércio de produtos que outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica tenha importado, industrializado ou mandado industrializar. Não ocorrerá essa equiparação somente se aqueles (“filiais e demais estabelecimentos”) operarem exclusivamente na venda a varejo, e desde que eles não comercializem produtos, recebidos diretamente da repartição aduaneira que os liberou, importados por outro estabelecimento da mesma empresa. 20. Como a ressalva feita no inciso III do art. 9º do Ripi/2010 refere-se a estabelecimentos que operem exclusivamente na venda a varejo e não se enquadrem no inciso II do art. 9º, pode-se asseverar que ela não se vale do conceito de “estabelecimento comercial varejista” constante do inciso II do art. 14 do Ripi/2010, a saber: Art. 14. Para os efeitos deste Regulamento, consideram-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, § 1º, e Decreto-Lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): (...) II - estabelecimento comercial varejista, o que efetuar vendas diretas a consumidor, ainda que realize vendas por atacado esporadicamente, considerando-se esporádicas as vendas por atacado quando, no mesmo semestre civil, o seu valor não exceder a vinte por cento do total das vendas realizadas. 20.1. Uma vez afastado esse conceito, tem-se que estabelecimentos que comerciem produtos importados por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica somente deixarão de ser equiparados a industrial se as suas vendas forem integralmente efetuadas a consumidor final, e desde que não recebam esses produtos diretamente da repartição aduaneira. 21. Assim, se o “novo estabelecimento filial” da pessoa jurídica consulente praticar, “de forma eventual operações de venda no mercado atacadista, permanecendo como preponderante as vendas realizadas no varejo”, ele revestirá a condição de estabelecimento equiparado a industrial ao exercer o comércio de “mercadorias que são importadas e remetidas em transferência por outro estabelecimento da mesma empresa”. Ao efetuar vendas por atacado, ainda que esporadicamente, o estabelecimento não se enquadrará, por óbvio, como exclusivamente varejista – e estará incluído entre aqueles obrigados ao pagamento do imposto e sujeitos às normas estabelecidas pela legislação de regência do IPI (isto é, será equiparado a estabelecimento industrial). 22. É importante ressaltar que, independentemente de o estabelecimento filial ser, ou não, equiparado a industrial, as operações de transferência de produtos de um para outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica sujeitas à incidência de IPI devem ser feitas com observância do valor tributável mínimo, consoante estabelecido nos arts. 195 e 196 do Ripi/2010. Fl. 1997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 8 (...) CONCLUSÃO 31. Ante o exposto, conclui-se e responde-se à consulente que: 31.1. equiparam-se a estabelecimento industrial as filiais, varejistas ou atacadistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição aduaneira, produtos importados por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica; 31.2. equiparam-se a estabelecimento industrial as filiais e demais estabelecimentos que exerçam o comércio de produtos que outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica tenha importado, industrializado ou mandado industrializar. Contudo, não ocorrerá essa equiparação somente se aqueles (“filiais e demais estabelecimentos”) operarem exclusivamente na venda a varejo, e desde que eles não comerciem produtos, recebidos diretamente da repartição aduaneira que os liberou, importados por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica; Quanto à matéria fática, observa-se que o recorrente anexou ao corpo do Recurso Voluntário cópias de notas fiscais como início de prova de que realizou, dentro do período em questão, vendas no atacado, o que implicaria não se enquadrar na exceção prevista no inciso III do art. 9º do RIPI/2010, ou seja, em uma análise superficial, seria estabelecimento equiparado a industrial. Corrobora com essa possibilidade o precedente invocado pelo recorrente no julgamento do processo administrativo nº 16645.720002/2016-49, cujo interessado é o estabelecimento da própria empresa PORSCHE BRASIL IMPORTADORA DE VEÍCULOS LTDA, de CNPJ 01.306.024/0001-36, acórdão nº 3301-006.873, Sessão de 25/09/2019, e cujos fatos narrados são exatamente os mesmos aqui discutidos, sendo que a única diferença entre os processos é a filial que está recebendo os veículos (e os créditos, por transferência da filial de CNPJ 01.306.024/0006-40): EMENTA: DCTF RETIFICADORA REDUTORA DE TRIBUTO. ANÁLISE. HOMOLOGAÇÃO. Verificados equívocos tanto por parte do Fisco quanto por parte da contribuinte, e sem intuito elisivo, considerando-se o princípio da verdade material, deve ser reconhecido o devido direito à equiparação a industrial da filial da recorrente e determinada a consequente revisão de ofício dos lançamentos do direito creditório. A Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração contra essa decisão, julgados no Acórdão nº 3301-010.182, Sessão de 29/04/2021: A embargante questiona se a equiparação dada no voto ocorreu em respeito à verdade material e assevera que há obscuridade quanto a que fatos materiais a Fl. 1998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 9 decisão se refere em contraposição a que aspectos formais estão sendo superados. Neste ponto, cabe retomar trecho da decisão embargada: Frise-se, de pronto, a inexistência de controvérsia quanto ao fato de se tratar de estabelecimentos varejistas aqueles aos quais se destinaram as saídas por transferência [dentre os quais o 01.306.024/0001-36, ao qual se referem as DCTF retificadoras aqui tratadas] (grifei) Ou seja, não se questionavam aspectos materiais ou fatuais, a contribuinte cumpria as condições legais para ser equiparada a estabelecimento industrial, mas não o era em razão de procedimento incorreto adotado com base em orientação equivocada fornecida pelo Fisco. Portanto, o formalismo que se decidiu superar foi justamente verificar a situação de fato e enquadrar corretamente a Recorrente, a despeito dos procedimentos incorretos adotados com base em informação equivocada proveniente do Fisco. Por fim, a embargante questiona por que na decisão embargada não se indicou a base legal do enquadramento. Reproduzo parte do artigo em pauta, para subsidiar o esclarecimento. Art. 9º Equiparam-se a estabelecimento industrial: I - os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); II - os estabelecimentos, ainda que varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma; III - as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento da mesma firma, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso II (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II, e § 2º, Decreto-Lei n o 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); (...) Conforme se depreende da manifestação da contribuinte, às fls. 4.153, o pleito era pelo enquadramento no inciso III do artigo transcrito. Dessa forma, como a decisão embargada deu provimento ao pleito da contribuinte neste ponto, para reconhecer seu direito de equiparação a industrial, cabe esclarecer que deve ser aplicado o inciso III do artigo 9º do RIPI/2010. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecimento de obscuridades da decisão embargada. Fl. 1999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 10 Em seguida foram opostos Embargos pela Unidade Preparadora, julgados no Acórdão nº 3301-013.980, sessão de 15/04/2024: Vê-se a razão da dificuldade de execução da decisão. Explico. A decisão do Acórdão de Recurso Voluntário nº 3301-006.87 reconheceu a equiparação a estabelecimento industrial da filial em Cariacica/ES (0006-40). No entanto, o pleito de equiparação se deu pelo estabelecimento matriz em São Paulo/SP (0001-36). A filial em Cariacica já era estabelecimento importador, portanto, equiparada a industrial, nos termos do Decreto nº 7.212, de 2010, que aprova o Regulamento do IPI: (...) Restava, desta forma, reconhecer, ou não, a equiparação do estabelecimento matriz em São Paulo. E foi nesse sentido que o Acórdão de Recurso Voluntário pretendeu caminhar, mas se equivocou ao reconhecer a equiparação da filial. Isso porque o Acórdão de Embargos nº 3301-010.182 buscou esclarecer tal ponto, ao afirmar que o contribuinte, que no presente é a matriz (0001-36), enquadra-se no art. 9º, III, do RIPI, já reproduzido acima. Não há, de fato, decisão que determine a revisão do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0720100.2014-00980-3, relativo ao Processo nº 10880.934063/2014-61, o qual analisou os Pedidos de Ressarcimento de IPI de 2010, da filial 0006-40, em Cariacica/ES. O que há, sem reabertura para discussão sobre o mérito da decisão, é o reconhecimento do estabelecimento matriz em São Paulo/SP (0001- 36) como equiparado à industrial. E é nesse sentido que o direito creditório deve ser verificado, para amparar a decisão da homologação das retificações das DCTFs de 2010. Destaca-se, por fim, que o Acórdão de Recurso Voluntário e o Acórdão de Embargos decidem, a meu ver, que foram superados os aspectos formais, devendo-se considerar os créditos da aquisição, pela matriz da recorrente em São Paulo/SP (0001-36), para determinar a consequente a homologação das DCTFs retificadoras. Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecer a obscuridade contida no acórdão embargado. Assim, partindo da premissa (ainda não julgada por esta Turma) de que o recorrente possa efetivamente ser considerado um estabelecimento equiparado a industrial (da mesma forma como foi decidido em relação à filial 0001-36 em São Paulo/SP), há que se verificar a regularidade da transferência dos créditos de IPI-Importação do estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0006-40 (importador/encomendante) para o estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0004-89 (recorrente/fiscalizado). Deve ser ressalvado que a equiparação a industrial com fundamento no inciso III do artigo 9º do RIPI/2010 deve ser interpretada com razoabilidade: não basta que o estabelecimento Fl. 2000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 11 realize uma única operação como atacadista para ser considerada afastada a exceção “(...) salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo (...)” de forma permanente, mesmo que, anos depois, não tenha mais realizado qualquer operação desta natureza. A avaliação sobre o enquadramento do contribuinte como equiparado a industrial deve ser realizada a cada novo período de apuração, pois a firma pode ser equiparada em um período, e deixar de ser no período seguinte, caso passe a operar exclusivamente no varejo. Deve- se ter em mente que a equiparação pode ocorrer inclusive apenas para algumas operações específicas, ou seja, em um mesmo dia a empresa pode realizar uma operação na qual seja equipara a industrial e precise pagar IPI, e outra na qual não esteja prevista essa equiparação. Logo, não há qualquer surpresa no fato da empresa ser equiparada em um mês e deixar de ser no mês seguinte, caso deixem de existir os pressupostos necessários para sua equiparação. Superada essa questão, ao menos prima facie, verifica-se que o recorrente poderia receber os créditos aqui discutidos de duas formas: (i) diretamente do estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0006-40, por meio de transferência de créditos, nos termos dos arts. 21 e 24 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1300, de 20//11/2012, ou (ii) através da utilização de notas fiscais para correção do valor do IPI que não havia sido destacado anteriormente, quando da saída do estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0006-40 para o estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0004- 89 (notas fiscais complementares). Sobre a primeira opção, a IN RFB nº 1300/2012 determina o seguinte: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subsequentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I - créditos presumidos do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II - créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III - créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item “6” da Instrução Normativa SRF nº 87, de 21 de agosto de 1989. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento depois de efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB Fl. 2001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 12 o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizá-los na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela RFB. § 3º São passíveis de ressarcimento, somente os seguintes créditos: I - os créditos relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre- calendário; II - os créditos presumidos de IPI a que se refere o inciso I do § 1º, escriturados no trimestre-calendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz; e III - o crédito presumido de IPI de que trata o inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997. (...) Art. 24. A transferência dos créditos do IPI de que trata o § 1º do art. 21 deverá ser efetuada mediante nota fiscal, emitida pelo estabelecimento que os apurou, exclusivamente para essa finalidade, em que deverá constar: I - o valor dos créditos transferidos; II - o período de apuração a que se referem os créditos; e III - a fundamentação legal da transferência dos créditos. § 1º O estabelecimento que estiver transferindo os créditos deverá escriturá-los no livro Registro de Apuração do IPI, a título de Estornos de Créditos, com a observação: “créditos transferidos para o estabelecimento inscrito no CNPJ sob o nº ... (indicar o número completo do CNPJ)”. § 2º O estabelecimento que estiver recebendo os créditos por transferência deverá escriturá-los no livro Registro de Apuração do IPI, a título de Outros Créditos, com a observação: “créditos transferidos do estabelecimento inscrito no CNPJ sob o nº ... (indicar o número completo do CNPJ)”, indicando o número da nota fiscal que documenta a transferência. § 3º A transferência de créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º do art. 21 por estabelecimento matriz não contribuinte do imposto será realizada mediante emissão de nota fiscal de entrada pelo estabelecimento industrial que estiver recebendo o crédito, devendo, o estabelecimento matriz, efetuar em seu livro Diário a escrituração a que se refere o § 1º. Em relação à emissão de notas fiscais complementares, o RIPI-2010 estabelece o seguinte: Hipóteses de Emissão Art. 407. A nota fiscal, modelos 1 ou 1-A, será emitida: (...) Fl. 2002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 13 XII - no destaque que deixou de ser efetuado na época própria, ou que foi efetuado com erro de cálculo ou de classificação, ou, ainda, com diferença de preço ou de quantidade; (...) XIV - nas transferências de crédito do imposto, se admitidas; (...) § 5º Nas hipóteses dos incisos XI e XII do caput, a nota fiscal não poderá ser emitida depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, adotado o mesmo critério quanto aos demais incisos se excedidos os prazos para eles previstos. Há que se ressaltar, por fim, que o crédito de IPI-Importação, não sendo dedutível, por inexistência de débitos na saída, pode ter sido considerado pelo estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0006-40 como custo, e deduzido do IRPJ e da CSLL. Não se pode esquecer que, no início do procedimento fiscal, a Autoridade Tributária informou que havia divergências entre os valores de IPI informados nas DIPJs e aqueles declarados nas DCTFs retificadoras. Nesse contexto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade Preparadora da Receita Federal adote as seguintes providências: 1 – Intimar o contribuinte a informar se realizou alguma transferência de crédito com base no art. 21 da IN RFB nº 1300/2012 e, se a resposta for positiva, a comprovar o cumprimento dos demais requisitos necessários, como a emissão de nota fiscal, por exemplo; 2 – Intimar o contribuinte a informar se, ao alterar seu procedimento de registro dos créditos, o estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0006-40 emitiu as notas fiscais necessárias para comprovar os créditos que embasaram a retificação das DCTFs, nos termos do que determina o art. 407, inciso XII, do RIPI. Em caso de resposta positiva, solicitar as referidas notas fiscais, em cópias ou meio magnético, a critério da Autoridade Fiscal responsável pela diligência; 3 – Intimar o contribuinte a informar se adotou algum procedimento alternativo para regularização da transferência dos créditos como, por exemplo, o cancelamento de todas as notas fiscais sem destaque do IPI e emissão de novas notas fiscais com o correspondente destaque; 3 – Intimar o contribuinte a comprovar que procedeu ao correto estorno dos créditos do estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0006-40 e o devido registro deste mesmo valor na escrituração contábil-fiscal do estabelecimento de CNPJ 01.306.024/0004-89, com vistas a comprovar a regularidade da transferência dos créditos no período objeto deste processo; 4 – Intimar o contribuinte a apresentar notas fiscais, para todos os meses do período objeto deste processo, que comprovem que realizou ao menos uma venda caracterizada como “venda no atacado” (segundo o conceito estabelecido no art. 14, inciso I, alínea “b”, do RIPI), com vistas a verificar em quais períodos o estabelecimento 01.306.024/0004-89 pode ser caracterizado como “equiparado a industrial”; Fl. 2003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.801 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.722563/2016-95 14 5 – Realizar a apuração dos saldos credores/devedores de IPI dos estabelecimentos 01.306.024/0006-40 e 01.306.024/0004-89, considerando o seguinte: 5.a) todas as saídas do estabelecimento 01.306.024/0006-40 para o estabelecimento 01.306.024/0004-89 serão tributadas, conforme o novo procedimento que o contribuinte resolveu adotar; 5.b) estas saídas deverão ser tributadas levando em conta o VTM previsto no art. 195 do RIPI vigente à época, usando o método do inciso I nos meses em que o contribuinte comprovar que seu estabelecimento 01.306.024/0004-89 realizou alguma operação caracterizável como “venda no atacado” e o método do inciso II nos meses em que o estabelecimento 01.306.024/0004-89 operou exclusivamente na venda a varejo; 5.c) as vendas do estabelecimento 01.306.024/0004-89, nos períodos em que não estiver caracterizado como “equiparado a industrial”, não deverão ser tributadas pelo IPI, assim como não lhe será permitida a tomada de créditos, como já indicado na “Informação”, à fl. 1835; 6 – Intimar o contribuinte a comprovar, para o período objeto deste processo, a extinção dos débitos gerados após a alteração no seu procedimento de registro de créditos, segundo o qual passou a tributar as saídas do estabelecimento 01.306.024/0006-40 para o estabelecimento 01.306.024/0004-89, com vistas a comprovar a regularidade da transferência dos créditos; 7 – Verificar se o contribuinte utilizou os créditos do IPI-Importação para dedução na base de cálculo do IRPJ e da CSLL como “custo”, o que caracterizaria a retificação das DCTFs como utilização em duplicidade do referido crédito. Em caso positivo, informar o montante de IPI- Importação deduzido como custo. Anexar aos autos as DIRPJs do período; 8 - Elaborar Relatório de Diligência com as conclusões do procedimento realizado, bem como apresentar quaisquer outras informações que julgar relevantes para o deslinde do feito, além das solicitadas nesta Resolução. A Autoridade Fiscal responsável pela diligência poderá solicitar do contribuinte ou de terceiros quaisquer documentos que entender necessários. O contribuinte deverá tomar ciência de toda a documentação produzida na diligência, sendo lhe concedido o prazo de 30 (trinta) dias para, caso deseje, se manifestar, após o qual o processo deverá ser remetido a este Conselho para prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 2004DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16707.003268/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/04/2005 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO
DE 11% (ONZE) POR CENTO.
A eventual restituição de valores retidos pressupõe, necessariamente, a comprovação do montante efetivamente devido de contribuições previdenciárias, o que se dá com a apresentação dos documentos, elementos comprobatórios e análise da situação fática apresentada.
Cabe ao Contribuinte apresentar os documentos comprobatórios do direito creditório pleiteado, conforme especificado na legislação de regência.
Numero da decisão: 2301-011.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Rigo Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Flávia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade e Rodrigo Rigo Pinheiro.
Nome do relator: RODRIGO RIGO PINHEIRO
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RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE 11% (ONZE) POR CENTO. A eventual restituição de valores retidos pressupõe, necessariamente, a comprovação do montante efetivamente devido de contribuições previdenciárias, o que se dá com a apresentação dos documentos, elementos comprobatórios e análise da situação fática apresentada. Cabe ao Contribuinte apresentar os documentos comprobatórios do direito creditório pleiteado, conforme especificado na legislação de regência. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Rigo Pinheiro - Relator Fl. 603DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Flávia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade e Rodrigo Rigo Pinheiro. RELATÓRIO Conforme reporta o Relatório do Acórdão recorrido, trata-se de requerimento de restituição de valores excedentes, relativos à retenção prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, no percentual de 11% (onze por cento), incidente sobre as Notas Fiscais de prestação de serviços de construção civil para a Secretaria de Estado da Infra-Estrutura – SIN, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, em face das contribuições previdenciárias incidentes sobre as folhas de pagamento. Originalmente, conforme fls. 242 e 243, o procedimento em análise era constituído do processo principal nº 16707.003268/2007-61, abrangendo as competências 03/2006 a 06/2006 e 08/2006, e do processo apensado nº 35818.006584/2006-09, abrangendo as competências 01/2005, 04/2005 a 09/2005, e 11/2005 a 13/2005. De acordo com a procuração de fls. 204/205, os Requerimentos de Restituição da Retenção – RRR foram feitos pela empresa Construtora Queiroz Galvão S/A, em nome do Consórcio da Redinha, acima identificado, do qual faz parte. A fim de instruir os requerimentos, foram apresentados, dentre outros documentos, o Contrato de Prestação de Serviços entre a Secretaria de Estado da Infra- Estrutura – SIN e o “Consórcio Queiroz Galvão/Construbase” (fls. 206/219), bem como o Instrumento Particular de Constituição de Consórcio entre as empresas Construtora Queiroz Galvão S/A, líder do consórcio, e Construbase Engenharia Ltda. (fls. 222/227 e fls. 230/234) A teor do despacho de fl. 235, foi procedido o cadastramento da matrícula CEI nº 41.210.01429/70, em favor do referido Consórcio. Para fins de análise da solicitação, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação nº 1448/2011, de 20/09/2011, fl. 245), para apresentação da seguinte documentação: declaração, sob as penas da lei, que não compensou os valores requeridos em competências posteriores, inclusive em outras empresas do grupo; GFIP´s retificadas para as competências contidas nos requerimentos; folhas do Livro Diário referentes aos empregados e contribuintes individuais do consórcio. Por meio de oito requerimentos, conforme fls. 247/269, sendo o último datado de 25/04/2012, o Interessado requereu dilação de prazo para apresentação de tais. Considerando tal cenário, foi emitido o Termo de Intimação nº 564/2012, de 08/05/2012, fl. 270, por meio do qual foi solicitado que o Contribuinte cumprisse as exigências da intimação anterior, e apresentasse comprovação e esclarecimentos sobre as compensações Fl. 604DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 3 relatadas, e retenções efetuadas de 08/2005 a 11/2005, nos mesmos valores, no CNPJ do Consórcio e matrícula CEI. Em resposta à intimação, o interessado entregou GFIP´s retificadas, conforme fls. 272/346. Às fls. 396/403, consta o Parecer nº 132/2012, da DEMAC/RJO/DIORT, concluindo pela improcedência do pedido de restituição. Em síntese, as razões apresentadas pela Fiscalização para o indeferimento foram as seguintes: diante das intimações, o Contribuinte apenas entregou as GFIP´s retificadas, e retificadas erroneamente, não cumprindo as demais solicitações de apresentação de documentos e esclarecimentos; e de acordo com as planilhas elaboradas pela Fiscalização (fls. 392/395 e 401/402), por meio da comparação dos Salários Base da FP com GFIP e RAIS da obra (matrícula CEI e CNPJ do Consórcio), e das compensações efetuadas pelas empresas do consórcio, verificou-se que as empresas Construtora Queiroz Galvão S/A (através da filial 33.412.792/0321-00), e Construbase Engenharia Ltda. praticamente compensaram todos os valores pleiteados nos pedidos de restituição, o que explicaria o porquê da não entrega da documentação pedida, inclusive da declaração de não compensação dos valores pleiteados. À fl. 407 consta a Comunicação nº 260/2013, com o indeferimento do pedido. Devidamente cientificado do Parecer e da Comunicação acima referidos em 29/05/2013, a teor do AR – Aviso de Recebimento de fl. 408, o Contribuinte apresentou, em 26/06/2013, a Manifestação de Inconformidade de fls. 417/430, acompanhada dos seguintes documentos: Procuração, substabelecimento e documentos dos procuradores, fls. 412/416, e 473/477; Estatuto Social e Atas, fls. 431/472; e GFIP´s e Relatórios de Compensações (docs. 2a a 2d), e páginas do Razão consolidado (doc. 03), da empresa Construbase Engenharia Ltda., às fls. 478/486. Na manifestação interposta, alega, em síntese, que: • Preliminarmente: Não há indicações claras sobre os equívocos cometidos nas retificações das GFIP´s, e que não se pode admitir o argumento de que “o consórcio não tem personalidade jurídica”; Fl. 605DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 4 Com a Lei nº 12.402/2011 e a IN nº 1308/2012, já vigentes quando da Intimação de 08/05/2012, é inconteste a capacidade dos Consórcios de serem empregadores, assumindo responsabilidades jurídicas, trabalhistas e fiscais, e, conseqüentemente, efetuarem declarações /GFIP´s; Outra falha na decisão combatida é a falta de clareza sobre quais os equívocos cometidos nas GFIP´s envolvidas, principalmente após as retificações promovidas, as quais estavam disponibilizadas nos autos e nos próprios sistemas informatizados da RFB; Não é correta a afirmativa de que houve utilização do crédito requerido pelas consorciadas, ao menos na proporção indicada pela Fiscalização, pois os apontamentos de créditos tidos como utilizados, principalmente em relação à consorciada Construbase, decorreram de empreendimentos distintos, com outros centros de custos; Na decisão combatida existem lapsos materiais decorrentes da menção de números/valores que não são compatíveis com os valores requeridos para restituição. Bastaria ao Fisco checar em seus sistemas informatizados, nas competências apontadas no RRR, os valores declarados em GFIP com os valores recolhidos em GPS, para estas competências em tais competências, para constatar a efetiva existência de créditos previdenciários a favor do contribuinte. Independentemente de tais checagens sistêmicas, os documentos carreados aos autos deste processo administrativo permitem a percepção da certeza e liquidez do vindicado crédito, sem prejuízo de serem promovidas regulares e possíveis checagens adicionais aos sistemas informatizados do próprio fisco previdenciário, como já mencionado, ou da conversão do julgamento em diligência. Conforme narrado na própria decisão administrativa, das intimações recebidas peio contribuinte no curso do processamento deste pedido de restituição, foram promovidas retificações e ajustes nas GFIP´s. Mas, se algo ainda permanecesse errado, deveria ser apontado de forma específica e clara, ou serem realizadas diligências fiscais complementares, e não simplesmente indeferir a restituição como se não existisse nenhum crédito a favor do contribuinte. Deste modo, a decisão deve ser anulada, por cerceamento de defesa, e por indeferimento genérico, sem realização de análises sistêmicas. - No mérito Menciona a Planilha 2 da decisão e alega que não é verdade a premissa de que a consorciada Construbase compensou-se de crédito reinvidicado neste RRR. - Consórcio Ponte da Redinha. Para comprovar a alegação foram juntados os seguintes documentos: Fl. 606DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 5 o a) RESUMOS DE GFIP, relacionados às competências 08/2010, 09/2010, 10/2010 e 12/2010 (docs. 02.a/02.d) que confirmam a regularidade das compensações efetuadas pela consorciada Construbase cujos valores se harmonizam com exatidão àqueles informados pelo fisco previdenciário; o b) parte de LIVRO RAZÃO CONSOLIDADO (período de 01/01/10 a 31/12/10), que indica claramente que os valores creditados decorrem de “sobras de retenção” referentes a empreendimento / consórcio distinto, qual seja, o Consórcio Arquivo Novo (doc 03). o b.i) a diferença do crédito total creditado com origem no Consórcio Arquivo Novo, no valor de R$ 311,379,45, corresponde aos R$ 313.775,00 compensados, ante a atualização da SELIC; o b.ii) de igual modo, é de se observar que também o valor de R$ 53.431,69 está exatamente contabilizado no competente RAZÃO, como originado do Consórcio Arquivo Novo, empreendimento absolutamente distinto do Consórcio Ponte da Redinha, este o vinculado ao RRR. Diante do erro material apontado, deve ser cancelada a decisão administrativa, ou eventualmente, o julgamento deve ser convertido em diligência. Do Processo nº 35818.006584/2006-09 Apensado Originalmente Conforme despacho de fl. 545, o processo de pedido de restituição e as competências envolvidas, do processo nº 35818.006584/2006-09 (apensado originariamente) estão também incluídas neste processo principal nº 16707.003268/2007-61. E a teor do Termo de Exclusão proferido no citado processo nº 35818.006584/2006-09, o referido processo foi excluído com a justificativa “PEDIDO JÁ CONTEMPLADO NO PROC 16707003268200761 Em 30 de julho de 2014, a 14ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A ementa abaixo retrata o quanto decidido: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/04/2005 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inocorre cerceamento do direito de defesa quando consta a fundamentação legal que embasou a decisão, bem como informação sobre a interposição de manifestação de inconformidade. Fl. 607DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 6 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, quando entendêl-as necessárias, indeferindo as que considerar sem motivação ou prescindíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/04/2005 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE 11% (ONZE) POR CENTO. A eventual restituição de valores retidos pressupõe, necessariamente, a comprovação do montante efetivamente devido de contribuições previdenciárias, o que se dá com a apresentação dos documentos, elementos comprobatórios e análise da situação fática apresentada. Cabe ao Contribuinte apresentar os documentos comprobatórios do direito creditório pleiteado, conforme especificado na legislação de regência, sob pena de indeferimento da restituição”. Às fls. 566/583, o contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário com exposição das mesmas razões de fato e de direito já expostas em seu instrumento impugnatório, sem inovações recursais e/ou documentais. Não houve apresentação de contrarrazões pela Fazenda Nacional. É o Relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade. Por isso, conheço-o para o presente julgamento. Conforme exposto, o Recorrente, em seu instrumento recursal, não inova em suas razões (impugnação e manifestação sobre a Informação Fiscal), nem traz novas provas, que não aquelas já carreadas aos autos. Diante disso, e considerando o quanto disposto no Acórdão combatido, embasada nas ponderações informadas nos autos, os quais demonstram a razão da manutenção do crédito tributário mantido neste tópico, adoto as razões da decisão recorrida a fim de confirmá-la, nos termos do inciso I, §2º, do artigo 114 do novel RICARF, a qual transcrevo trecho abaixo: Fl. 608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 7 “Da Legislação em Vigor à época dos Pedidos de Restituição 10.1 Inicialmente, cumpre enfatizar que a compensação ou restituição de contribuições previdenciárias tem seu pressuposto no artigo 89 da Lei 8.212, de 1991: (...) 10.2 Inicialmente, a Requerente insurge-se contra a falta de personalidade jurídica do consórcio, a qual ocasionou os erros cometidos nas retificações das GFIP´s. Alega que com a vigência da Lei nº 12.402/2011 e da IN nº 1308/2012, é inconteste a capacidade dos Consórcios de serem empregadores, assumindo responsabilidades jurídicas, trabalhistas e fiscais, e, conseqüentemente, efetuarem declarações /GFIP´s. No entanto, não lhe assiste razão. 10.3 O consórcio de empresas constitui uma modalidade de contrato atípico, de caráter associativo, carente de personalidade jurídica, tratando-se, portanto, de sociedade despersonificada que se extingue após o fim do empreendimento. 10.3.1 Visa à consecução de fins que ultrapassam a capacidade de cada sociedade isolada. 10.3.2 Não se trata de um “tipo societário”, mas de uma forma de organização empresarial composta por sociedades autônomas para a realização de um objetivo específico ou para habilitar as consorciadas com a soma de seus recursos e aptidões. 10.4 Como exposto pela Fiscalização, a Lei 6.404/76, muito claramente, prevê (no art. 278, parágrafo 1º) que o consórcio não possui personalidade jurídica, sendo sua formação, nos termos da lei, um mero instrumento visando coordenar o esforço comum em determinado empreendimento. 10.5 Ao contrário do que afirma a Interessada, não há que se falar na aplicação da Lei nº 12.402/2011 e da IN nº 1308/2012, que não eram vigentes à época do protocolo do pedido de restituição. 10.6 Deste modo, a decisão administrativa foi devidamente fundamentada e proferida em estrita observância dos dispositivos legais vigentes, não havendo, pois, que se cogitar em qualquer irregularidade. Da Inocorrência de Cerceamento de Defesa 10.7 A empresa também alega que o Parecer nº 132/2012, fls. 396/403, é incompleto no que se refere ao apontamento dos erros das GFIP´s, o que acarretou cerceamento ao contraditório e ampla defesa do Contribuinte. 10.8 No entanto, da análise dos presentes autos, verifica-se que não merece prosperar tal alegação: 10.8.1 Para a análise dos RRR´s em questão, foi feita pesquisa no sistema de arrecadação da DATAPREV, no CCORGFIP – Consulta Valores a Recolher x Valores Fl. 609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 8 Recolhidos x LDCG/DCG, e no CONRET - Consulta Valores de Retenção 11% declarados x recolhidos, além de consulta às GFIP´s; 10.8.2 Diante das constatações feitas, foi emitido o Termo de Intimação nº 1448/2011, solicitando que a empresa retificasse as GFIP´s e apresentasse a documentação faltante. Foi apontado pela Fiscalização que: • não foi apresentada a CND do término da obra; • o campo “retenção lei 9711” das GFIP´s estava em branco; • o consórcio não pode ter GFIP´s em seu CNPJ, por não ter personalidade jurídica, conforme a Lei nº 6404/76; 10.8.3 A empresa requereu 8 (oito vezes) dilação de prazo e foi emitido, então, o Termo de Intimação nº 564/12, que solicitou a documentação da intimação anterior, bem como fossem explicadas as compensações efetuadas de 2005 a 2007, na filial da consorciada líder, no CNPJ do consórcio e na matrícula Cei da obra, e das compensações de 2010 no CNPJ da outra consorciada; 10.8.4 Conforme a resposta do Contribuinte (fls. 272/346), só foram entregues GFIP´s, retificadas erroneamente, sendo que a Fiscalização pode constatar que apenas em 01/2005 a retenção está informada de acordo com o demonstrativo das notas fiscais. E não foram prestados esclarecimentos sobre as compensações efetuadas; 10.8.5 A Fiscalização elaborou, então, a partir de todas as informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, planilhas de comparação dos salários base das folhas de pagamento com GFIP e RAIS da obra (matrícula CEI e CNPJ do Consórcio), e das compensações efetuadas pelas empresas consorciadas. São as planilhas às fls. 392/395 e 401/402. 10.9 Portanto, ao contrário do que alega a Interessada, o Parecer nº 132/2012, complementado pelas citadas planilhas demonstrativas, informa com objetividade e clareza todas as verificações efetuadas pela Fiscalização, diante dos documentos e informações apresentados pela Requerente, e declarações/informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, atendendo todas as normatizações sobre a matéria, permitindo, assim, o exercício do direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa do Contribuinte, e cumprindo fielmente os princípios da Motivação e da Legalidade dos Atos Administrativos, não havendo o que se falar em nulidade. 10.10 No caso presente, trata-se de Requerimentos de Restituição de contribuições recolhidas em valor maior que o devido por conta da retenção de 11% do valor das notas fiscais de prestação de serviços de construção civil. De toda forma, ainda que as instruções vigentes procurem adotar mecanismos que visem facilitar ao Contribuinte se ressarcir, via restituição ou compensação, dos créditos relativos a contribuições recolhidas em procedimento de retenção incidente sobre a mão de obra incluída em notas fiscais de prestação de serviço, Fl. 610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 9 tal fato, contudo, não implica na alteração do princípio de que a restituição está sempre sujeita à comprovação da liquidez e certeza do montante das contribuições devidas pela empresa, das contribuições recolhidas e da respectiva diferença eventualmente recolhida a maior. 10.11 A restituição de contribuições previdenciárias recolhidas a maior, em virtude da retenção de 11%, condiciona-se à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondo-se a apresentação de documentação hábil e idônea, e informações e esclarecimentos solicitadas. 10.12 Constatadas divergências nas informações registradas nesses elementos, não se pode aferir daí a certeza e liquidez do crédito a ser restituído ao sujeito passivo. Deste modo, estas divergências constituem impeditivo para o deferimento da restituição pleiteada. 10.13 E é isto o que acontece no presente caso: as informações prestadas pela Fiscalização da RFB, através do Parecer nº 132/2012 dão conta da existência de divergências, entre os valores solicitados para restituição, e os dados contidos nos documentos apresentados e/ou constantes dos sistemas informatizados da RFB, que, ao contrário do que afirma a Requerente, foram sim consultados e verificados pelo Fisco. 10.14 Em relação aos princípios da ampla defesa e do contraditório: (...) 10.15 Ante o exposto, no presente caso, não se vislumbra qualquer violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, nem tampouco “indeferimento genérico, sem realização de análises sistêmicas”, visto que: (i) os procedimentos fiscais realizados seguiram rigorosamente a legislação em vigor; (ii) a Requerente foi devidamente intimada, através de 2 Termos de Intimação, a apresentar as informações e os documentos necessários à análise do pedido de restituição. Cabe observar que da ciência do Termo de Intimação nº 1448/2011 (23/09/2011) até a resposta da empresa (29/05/2012), passaram-se 8 meses; (iii) o Fisco analisou tanto os documentos apresentados bem como os dados constantes dos sistemas de interesse da RFB; (iv) a Interessada foi cientificada do Parecer nº 132/2012 e da Comunicação nº 260/2013, ambos elaborados de modo que o Contribuinte tivesse pleno conhecimento dos fundamentos, de fato e de direito, que motivaram o indeferimento dos pedidos de restituição; (v) a Requerente pronunciou-se com a apresentação de manifestação de inconformidade. Fl. 611DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 10 Da Análise da Restituição Pleiteada 10.16 A Interessada alega que não é verdade a premissa de que a consorciada Construbase compensou-se de crédito reinvidicado neste RRR. - Consórcio Ponte da Redinha. Para comprovar a alegação faz juntada de documentos (docs. 02a /02d e doc. 03) 10.17 Como já exposto, o Contribuinte foi intimado a apresentar: • declaração, sob as penas da lei, que não compensou os valores requeridos em competências posteriores, inclusive em outras empresas do grupo; • GFIP´s retificadas para as competências contidas nos requerimentos; • folhas do Livro Diário referentes aos empregados e contribuintes individuais do consórcio; • comprovação e esclarecimentos sobre as compensações relatadas, e retenções efetuadas de 08/2005 a 11/2005, nos mesmos valores, no CNPJ do Consórcio e matrícula CEI. 10.18 No entanto, o Contribuinte apenas entregou GFIP´s retificadas. 10.19 Deste modo, o Fisco procedeu à verificação dos dados constantes nos sistemas informatizados da RFB, conforme descrito na decisão administrativa em tela. Foram elaboradas as planilhas de comparação dos Salário Base da FP com GFIP e Rais da obra (matrícula Cei e CNPJ do consórcio), e das compensações efetuadas pelas empresas do consórcio. 10.20 Portanto, o Auditor Fiscal analisou todos os documentos, declarações e informações fornecidas pelo próprio Contribuinte, e os motivos do indeferimento da restituição pleiteada residem nas próprias declarações, informações e documentos produzidos pelo Contribuinte, os quais são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 10.21 Em relação aos documentos juntados às fls. 478/486, não são capazes, por si só, de comprovar a alegação de que as compensações efetuadas pela consorciada Construbase, nas competências 08/2010, 09/2010 e 10/2010, referem-se ao Consórcio Arquivo Novo, empreendimento distinto do Consórcio Ponte da Redinha., de modo que não restou demonstrada a liquidez e certeza dos valores pleiteados para restituição nestas competências. 10.22 Quanto à compensação efetuada em 12/2010 pela Construbase, conforme o Parecer nº 132/2012, não há “GPS dessa retenção no sistema de arrecadação da Dataprev”. 10.23 Não bastasse isto, não se pode esquecer que até o momento, decorridos mais de 2 anos desde o Termo de Intimação nº 1448/2011, não foi apresentada a “declaração, sob as penas da lei, que não compensou os valores requeridos em competências posteriores, inclusive em outras empresas do grupo”. Fl. 612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 11 10.24 Sendo assim, verifica-se que os motivos para o indeferimento do requerimento de restituição permaneceram inalterados. Como já exposto, não se apresenta nos autos a certeza e a liquidez dos créditos pleiteados pelo Requerente. 10.25 A impossibilidade de se apurar a exatidão desses créditos, por sua vez, constitui obstáculo ao deferimento do pedido. Do Pedido de Diligência - Indeferimento 11. Observe-se que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal. E é justamente nesta fase do processo administrativo que a Interessada deve exercer o seu direito de ampla defesa, ocasião em que deve comprovar suas alegações. 11.1 Também nos termos do artigo 333, inciso I do Código de Processo Civil (CPC), a manifestação de inconformidade deve vir acompanhada das provas dos fatos alegados, o que não ocorreu no presente caso. (...) 11.2 Nesses termos, cabia à Requerente apresentar ou demonstrar as alegações capazes de desconstituir a decisão administrativa que opinou pelo indeferimento do pleito, tendo em vista que os atos administrativos possuem como atributo intrínseco a presunção de legitimidade. 11.3 E com relação ao pedido de realização diligência, vale ressaltar que o artigo 35, caput, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, dispõe que: (...) 11.4 Em suma, a realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento e, portanto, tais procedimentos visam à formação de convicção do julgador. 11.5 Dessa forma, considerando que o Parecer nº 132/2012, de fls. 396/403, foi corretamente fundamentado, gozando de presunção de legitimidade, e que o Contribuinte não apresentou nos autos quaisquer alegações ou documentos que justificassem a realização de diligências, o pedido de diligência será indeferido, nos termos do artigo 35, caput, do Decreto nº 7.574/2011. CONCLUSÃO 12. Ante o exposto, VOTO por julgar IMPROCEDENTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, mantendo integralmente a decisão administrativa que indeferiu o Requerimento de Restituição do Contribuinte”. Fl. 613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.316 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16707.003268/2007-61 12 Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário, a fim de afastar as preliminares exaradas e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Rigo Pinheiro - Relator Fl. 614DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10680.724341/2010-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MULTA DE OFÍCIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (CFL 68).
Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração à legislação de regência, sujeitando-se a multa do art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, e arts. 284, III, com redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003, e 373 do RPS.
Numero da decisão: 2001-006.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Wilsom de Moraes Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Andressa Pegoraro Tomazela, Cleber Ferreira Nunes Leite (suplente convocado) e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (CFL 68). Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração à legislação de regência, sujeitando-se a multa do art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, e arts. 284, III, com redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003, e 373 do RPS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Wilsom de Moraes Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Andressa Pegoraro Tomazela, Cleber Ferreira Nunes Leite (suplente convocado) e Wilderson Botto. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão proferida pela DRJ/BHE - acórdão nº 02-44.223, que negou provimento à impugnação apresentada pela contribuinte, em face do AIOA - DEBCAD nº 37.298.788-5. Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 68/72): AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 43 41 /2 01 0- 04 Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.882 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.724341/2010-04 Trata-se de infração à Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/1997, combinado com o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, artigo 225, inciso IV, § 4º, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o referido relatório, a AFAM, recolhe a contribuição previdenciária utilizando indevidamente códigos próprios de entidade filantrópica que goza da isenção dessa contribuição sem, contudo, preencher os requisitos legais necessários para tanto. Portanto, recolhe e informa na GFIP valor de contribuição menor do que o efetivamente devido. O valor da penalidade corresponde a R$ 11.180,29, conforme previsto no artigo 32, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97 e no artigo 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto 4.729/2003), e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O Relatório Fiscal informa que a empresa é infratora primária e que não ficou configurada a circunstância agravante prevista no inciso V do artigo 290 do RPS. O Auto-de-Infração-AI foi lavrado em 17.11.2010, tendo o autuado dele tomado conhecimento em 26/11/2010 (fls. 01). Em 28/12/2010, a autuada apresentou defesa, consoante documentos de fls. 46/67, onde apresenta os argumentos relatados, a seguir, de forma resumida. Inicialmente, faz o relato dos fatos e ressalta o caráter social do trabalho por ela desenvolvido. Declara gozar de imunidade tributária por preencher todas as condições previstas no “artigo 14 da Lei 8.212/91”, assim como nos termos do art. 6°, III, da LC nº 70/91, na condição de Entidade Beneficente de Assistência Social. Alega que ao revés do que consta no auto de infração, a impugnante possui todos os certificados exigidos pela Lei 8.212/91. Diz que o entendimento do STF tem sido no sentido de que na falta de lei complementar que discipline sobre condições a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para obterem o benefício da imunidade, basta estarem presentes as condições dos artigos 9º e 14º do CTN. Argumenta que a figura da imunidade é uma desoneração concedida em um texto constitucional, não cabendo ao legislador infraconstitucional impor qualquer condição restritiva ou reduzir de alguma forma o benefício concedido pela Carta Magna. Esclarece que à época do fato gerador, a entidade tinha apenas três funcionárias em seu quadro de pessoal o que, por si só, não poderia gerar uma multa nessa ordem de valor, por descumprimento de obrigação acessória. Diz que analisando o cálculo discriminado da multa, verifica-se que houve aplicação de multa sobre multa, o que é defeso pela legislação. Alega que a entidade atendeu todos os requisitos do artigo 55 da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.429/96, já que é detentora do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, emitido pelo CNSS e do “Registro de Registro de Entidades de Fins Filantrópicos” fornecido pelo CNAS, o que justifica o benefício. Argumenta que a obrigação acessória foi cumprida, ou seja, a expedição de GFIP, e que apenas a inserção de um código em outro número, não poderá levar ao arbitramento de multa, já que a melhor interpretação é no sentido da capacidade contributiva do devedor. Registra que a autoridade administrativa descumpre sua função quando não aplica a lei ao caso concreto à luz da Constituição e que compete à Administração Pública anular Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.882 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.724341/2010-04 seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos. Requer seja acolhida a impugnação na sua totalidade e o cancelamento do débito fiscal reclamado. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL - GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Cientificada da decisão, em 17/07/2013 (fls. 74/75), a contribuinte, por procuradora habilitada interpôs, em 05/08/2013, recurso voluntário (fls. 76/77), insurgindo-se contra a manutenção da autuação, alegando, em brevíssima síntese, que preenche todas as condições previstas no art. 55 da Lei nº 8.212/91, bem como o art. 6º, III da LC nº 70/91, na condição de entidade beneficente de assistência social, esclarecendo que a imunidade foi requerida perante o INSS, na forma do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, possuindo registro no CNAS desde outubro de 2006. Alega ainda que o arbitramento da multa em valor exorbitante irá prejudicar o cumprimento da missão institucional da AFAM e até levar ao encerramento das atividades aos menores necessitados que precisam ser abrigados em situações excepcionais e temporais. Requer, ao final, a aplicação e deferimento da imunidade por ser entidade beneficente, com a consequente improcedência do auto de infração lavrado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 78/86. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.882 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.724341/2010-04 Do descumprimento de obrigação acessória – da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias: Insurge-se, a Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/BHE, que manteve a penalidade apurada, por ter emitido GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, importando na aplicação da multa, no valor de R$ 11.180,29, prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 (acrescentado pela Lei nº 9.528/97) e arts. 284, III (com redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) e 373 do RPS, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da multa de ofício aplicada. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, da análise dos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 68/72) e aliado às informações contidas na autuação e no relatório fiscal da infração (fls. 2/5 e 33/43), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que a Recorrente não trouxe, nesta fase processual, novas alegações contundentes a modificar o julgado – diga-se de passagem, limitando-se basicamente em repisar as alegações da peça impugnatória, sem contudo comprovar o cumprimento cumulativo dos requisitos necessários ao direito à imunidade/isenção traçados na legislação de regência e vigente à época, sobretudo pela falta de apresentação do certificado de Entidade de Assistência Social (CEAS), ao teor do art. 55, II da Lei nº 8.212/91, além de não ter requerido a isenção junto à RFB, como lhe competia, calhando assim na regularidade da multa imposta pela entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias – me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos norteadores do voto condutor (fls. 70/72), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no art. 114, § 12, I da Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023 (Novo RICARF): Inicialmente cabe esclarecer, que a legislação aplica-se ao tempo da ocorrência dos fatos. Até 29/11/2009 esteve vigente o artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 e as exigências nele descritas não podem ser substituídas por exigências contidas em legislação posterior. O direito à imunidade/isenção na forma prevista na Lei nº 12.101/2009 somente pode ser operado a partir de sua vigência. O lançamento abrange o período de 01/2006 a 10/2007 e 13/2007, anterior à Lei 12.101/2009, e, portanto, no qual as entidades beneficentes de assistência social somente estariam isentas do recolhimento das contribuições previdenciárias se cumprissem cumulativamente os requisitos da legislação em vigor naquele período, qual seja, do art. 55 da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II - seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n) III - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; III - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.882 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.724341/2010-04 IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (g.n) § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entende-se por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo § 5º Considera-se também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Conforme se pode constatar da leitura do transcrito dispositivo legal, para gozarem de isenção de contribuições previdenciárias, as Entidades Beneficentes de Assistência Social - EBAS devem atender cumulativamente aos requisitos estampados nos incisos e parágrafos daquele art. 55. Em consequência, a prova do direito à isenção deve ser feita mediante apresentação de documentos que comprovem o cumulativo preenchimento de todos os requisitos legais, inclusive de documento que demonstre ter a entidade requerido e obtido deferimento da isenção junto ao INSS/SRFB, na forma do §1º do art. 55 da Lei 8.212/91. Ou seja, enquanto vigente o art. 55 da Lei n º 8.212/1991, se a interessada reunisse os requisitos exigidos para o benefício, deveria requerer o reconhecimento deste direito. Não o fazendo não há que se falar em direito à imunidade/isenção neste período. De acordo com o relatório fiscal a Associação possui o registro no CNAS deferido em outubro de 2006, mas não possui o Certificado de Entidade de Assistência Social - CEAS, além de não ter requerido a isenção junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, a AFAM não tem direito à isenção prevista no referido artigo, no período 01/2006 a 11/2008, uma vez que, além de não possuir o Certificado de Entidade de Assistência Social - CEAS, não juntou prova do preenchimento do requisito do §1º do art. 55 da Lei 8.212/91, ou seja, prova de deferimento, pela Administração Tributária, de pedido de isenção. Desta forma, o fato de a empresa ter apresentado as GFIPs com informação do valor de contribuição menor do que o efetivamente devido, caracterizou infração à Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/1997, combinado com o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, artigo 225, inciso IV, § 4º, estando plenamente caracterizada a procedência da autuação. Quanto à penalidade aplicada, esta foi calculada de conformidade com o previsto no artigo 32, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97 e no artigo 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto 4.729/2003), e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Não procede a alegação da impugnante de que houve aplicação de multa sobre multa. Nos critérios para aplicação da penalidade e cálculo de seus valores, foram observadas rigorosamente as disposições legais aplicáveis, indicadas pela autoridade fiscal no auto Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-006.882 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.724341/2010-04 de infração, tendo a fiscalização, elaborado, com vista a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, o comparativo das multas aplicadas em decorrência das alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela MP 449/2008 e a multa vigente antes das referidas alterações (fls. 40/43). De acordo com o referido comparativo ficou demonstrado que, para as competências 01/2006 a 10/2007 e 13/2007, a multa mais benéfica ao contribuinte é a vigente antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, como lançado no AI sob análise. Não tem como ser acolhido, também, o argumento da impugnante de que por ter cumprido com a obrigação acessória de expedição de GFIP, a inserção de um código em outro número, não poderá levar ao arbitramento de multa, uma vez que a Lei 8.212/91, na redação vigente na época dos fatos geradores, prevê em seu artigo 32, inciso IV, §§ 5º e 6º, a aplicação de penalidades pelo preenchimento incorreto da GFIP. Finalmente, não se verifica nos autos quaisquer vícios que ensejem a nulidade do trabalho fiscal e do lançamento em tela. Portanto, restando desatendido o cumprimento das obrigações acessórias, em estrita conformidade com a legislação de regência, e tendo sido observado as alterações trazidas pela MP nº 449/2008, aplicando a multa mais benéfica à contribuinte, correta é a manutenção da penalidade, razão pela qual reconheço a subsistência do crédito tributário exigido. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o auto de infração lavrado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 94DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000162/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2002
Ementa:
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO ANTERIOR AO VACATIO LEGIS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC.
Conforme decisão do STF em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, nos pedidos de ressarcimento efetuados após o vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo para o ressarcimento é de cinco anos, a contar da data do recolhimento indevido, na forma art. 3º, da mencionada lei complementar.
Numero da decisão: 3401-001.809
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMÕES DE MENDONÇA
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ementa_s : Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2002 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO ANTERIOR AO VACATIO LEGIS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC. Conforme decisão do STF em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, nos pedidos de ressarcimento efetuados após o vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo para o ressarcimento é de cinco anos, a contar da data do recolhimento indevido, na forma art. 3º, da mencionada lei complementar.
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO ANTERIOR AO VACATIO LEGIS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. Conforme decisão do STF em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, nos pedidos de ressarcimento efetuados após o vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo para o ressarcimento é de cinco anos, a contar da data do recolhimento indevido, na forma art. 3o, da mencionada lei complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 61DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13220.RYG1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS protocolado em 02/08/2007 (fl.01), o qual, segundo razões da Contribuinte (fls.02/06), foi recolhido a maior, em decorrência de ter incluído na base de cálculo o valor do ICMS. Segundo o demonstrativo apresentado pela Contribuinte (fl.18), os recolhimentos a maior ocorreram entre julho de 1997 e junho de 2002. Em despacho decisório (fls.20/22), a autoridade fiscal negou a restituição, por entender que está decaído o direito da Contribuinte, pois ultrapassado mais de cinco anos entre o pagamento e o protocolo do pedido. Além disso, caso não houvesse decadência, segundo conteúdo do despacho decisório, a Contribuinte não teria o direito creditório, pois o ICMS compõe a base de cálculo da PIS. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.24/41), mas a DRJ manteve o indeferimento, prolatando acórdão com a seguinte ementa (fls.43/44): “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 26/02/2010 (fl.45) e interpôs Recurso Voluntário em 25/03/2010 (fls.46/54), alegando, em resumo, o seguinte: 1 O prazo para a restituição do PIS é de dez anos; 2 O ICMS não incide sobre o PIS, pois o imposto não integra o faturamento da empresa, pois é receita do erário; 3 O art. 39, § 4o, da Lei nº 9.250/95, dispõe que os valores indevidamente recolhidos devem ser atualizados pela Taxa Selic. Ao final, a Recorrente requereu que fosse deferido o pedido de restituição e que o valor recolhido indevidamente seja atualizado pela Selic. É o Relatório. Fl. 62DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13220.RYG1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13974.000162/200767 Acórdão n.º 3401001.809 S3C4T1 Fl. 58 3 Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele tomo conhecimento. A Recorrente busca o reconhecimento de seu direito creditório e devolve para apreciação deste Conselho as seguintes matérias: prazo decadencial para o pedido de restituição do PIS; inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição; e atualização pela Taxa Selic dos valores recolhidos indevidamente. 1. Do prazo decadencial para a contribuinte pleitear a repetição de indébito de tributos lançados por homologação O art. 168, inciso I, do CTN, determina que o direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação extingue em cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. Por sua vez, a Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, em seu art. 3o, determina o seguinte: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. Em outros julgamentos, este Conselheiro entendia que a presente lei era interpretativa, tendo, assim, aplicação retroativa. Apesar disso, em 04/08/2011 o Supremo Tribunal Federal julgou o RE Recurso Extraordinário nº 566621, reconhecendo a sua Repercussão Geral, e decidiu que a Lei Complementar nº 118/2005, na verdade, trouxe inovação normativa, de modo que a sua aplicação não retroage. Dessa forma, para os pedidos de ressarcimento efetuados antes do vacatio legis da citada lei, isto é, antes de 09 de junho de 2005, aplicase o entendimento firmado pelo STJ, pelo qual o prazo para o ressarcimento é de dez anos. Para os pedido formulados após o vacatio legis, aplicase o prazo de cinco anos, em conformidade com Lei Complementar nº 118/2005. Abaixo segue a ementa do julgamento do RE nº 566621: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO Fl. 63DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13220.RYG1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifo nosso) Como no julgamento do STF foi reconhecida a sistemática do art. 543B, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: Fl. 64DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13220.RYG1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13974.000162/200767 Acórdão n.º 3401001.809 S3C4T1 Fl. 59 5 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Como o pedido foi protocolado em 02/08/2007, conforme fl. 01, o prazo decadencial a ser aplicado é o de cinco anos, a contar da data do pagamento indevido. Assim, está decaído o direito à restituição do crédito, haja vista que o pedido referese aos pagamentos efetuados entre julho de 1997 a junho de 2002. Desse modo, ficam prejudicadas as demais matérias. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Fl. 65DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13220.RYG1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 20/06/2012 12:29:29. Documento autenticado digitalmente por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 20/06/2012. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 21/06/2012 e JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 20/06/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0120.13220.RYG1 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 1E6489A6AF9C92BC2F130534A1423C3F2A635203 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13974.000162/2007-67. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16191.000445/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO FORMULADO SEM OS MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO QUE AMPARAM O PEDIDO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO RECURSAL.
Recurso voluntário formulado de maneira genérica, sem apresentar os motivos de fato e de direito que amparam o pedido, acarretando seu não conhecimento por ausência de pressuposto de admissibilidade.
PEDIDO FEITO NOS AUTOS PARA REALIZAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INEXISTÊNCIA PREVISÃO NO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do Recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -RICARF.
Numero da decisão: 2401-011.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Elisa Santos Coelho Sarto – Relatora
Assinado Digitalmente
Miriam Denise Xavier – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Elisa Santos Coelho Sarto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ELISA SANTOS COELHO SARTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO FORMULADO SEM OS MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO QUE AMPARAM O PEDIDO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO RECURSAL. Recurso voluntário formulado de maneira genérica, sem apresentar os motivos de fato e de direito que amparam o pedido, acarretando seu não conhecimento por ausência de pressuposto de admissibilidade. PEDIDO FEITO NOS AUTOS PARA REALIZAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INEXISTÊNCIA PREVISÃO NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do Recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Elisa Santos Coelho Sarto – Relatora Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Elisa Santos Coelho Sarto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 31/10/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO FORMULADO SEM OS MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO QUE AMPARAM O PEDIDO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO RECURSAL. Recurso voluntário formulado de maneira genérica, sem apresentar os motivos de fato e de direito que amparam o pedido, acarretando seu não conhecimento por ausência de pressuposto de admissibilidade. PEDIDO FEITO NOS AUTOS PARA REALIZAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INEXISTÊNCIA PREVISÃO NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do Recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Elisa Santos Coelho Sarto – Relatora Fl. 280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.969 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16191.000445/2015-14 2 Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Elisa Santos Coelho Sarto e Miriam Denise Xavier (Presidente). RELATÓRIO O presente processo refere-se à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.591.985-0 (e-fls. 65-70). A bem da celeridade, peço vênia para aproveitar boa parte do relatório já elaborado pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos do INSS, na ocasião de julgamento em primeira instância e que bem elucida a controvérsia posta para, ao final, complementá-lo (e-fls. 212 e ss): De acordo com o relatório fiscal, trata-se de crédito da Seguridade Social composto de alíquota de 1% (hum por cento) destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre: 1.1 valores pagos a título de participação nos lucros da empresa, no período 02/2000 a 10/2002, em desacordo com o disposto na Lei n° 10.101/2000, e por esse motivo considerado pela Fiscalização como salário-de-contribuição. 1.2 valores de salário-maternidade pagos no período de 02/2000 a 04/2001, e não considerados como salário-de-contribuição. 1.3 salário-de-contribuição constante da folha de pagamento do estabelecimento 62.318.951/0011-32, no período de 02/2002 a 08/2002. Ainda conforme o relatório, a Empresa obteve decisão judicial no Mandado de Segurança n° 2000.61.00.010189-9, autorizando-a a recolher 1% (hum por cento) para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Acrescenta que na NFLD n° 35.591.984-2 foi lançada a alíquota de 1% (hum por cento), respeitando-se a aludida decisão judicial. Ressalte-se que, pelo enquadramento da Empresa no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE, a alíquota aplicável é 2% (dois por cento). Fl. 281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.969 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16191.000445/2015-14 3 O lançamento foi efetuado com base na escrituração contábil, folhas de pagamento de segurados empregados, Guias de Recolhimento da Previdência Social — GPS e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP. A empresa foi regularmente cientificada da ação fiscal por meio do MPF - Mandado de Procedimento Fiscal e TIAF - Termo de Início da Ação Fiscal, bem como dos documentos solicitados mediante TIAD - Termo de Intimação para Apresentação de Documentos. A empresa tomou ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em 30/06/2003, por intermédio de procurador. A Impugnação foi protocolada em 21/07/2003 e, resumidamente, traz as seguintes alegações (e-fls 76-89): 1. Preliminarmente, alega a incompetência dos auditores para lançamento das NFLDs. Alega que o endereço constante no Termo de Início de Fiscalização de Auditoria – TIAF era antigo, na cidade de São Paulo. O endereço atual da sede de direito e de fato da empresa é em São Bernardo do Campo. A sede não se encontra na circunscrição da Cex São Paulo, deveria ter sido redirecionada para Gerência Executiva competente. Os auditores foram informados da alteração da sede, mas continuaram os trabalhos mesmo assim. A Recorrente teve que deslocar sua documentação para atender a fiscalização. Como o trabalho foi desenvolvido fora da sede, ficou impossibilitada de complementar o trabalho fiscal. Requer a nulidade das NFLDs por vício de competência. 2. A Recorrente foi constituída como Sociedade Anônima, não havendo sócio, de forma que a co-responsabilidade jamais pode ser imputada a todos que participaram da diretoria, como consta na NFLD. Pede que sejam excluídos os nomes dos diretores do CORESP; 3. No mérito, alega que a NFLD se baseou em serviços de outras pessoas jurídicas e estabeleceu indevidamente vínculos empregatícios; 4. Foi fiscalizada pelo INSS e sofreu lavratura de NFLD. Esclarece que as NFLDs em questão foram lavradas após o encerramento da fiscalização, o que toma indevida a nova fiscalização, já que na verdade trata-se de uma re-fiscalização desconsiderando o trabalho fiscal já realizado, o que é no mínimo um atestado de incompetência para a própria fiscalização. A fiscalização deveria ser restrita aos serviços e aos funcionários da defendente, como foi a anterior, e não ser realizada de forma ampla, a ponto de abranger outros serviços que não estão ligados à Recorrente; Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.969 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16191.000445/2015-14 4 5. Médicos ou paramédicos que prestam serviços jamais podem ser considerados empregados, se não houver vinculo empregatício devidamente reconhecido através de contrato de trabalho ou pela Justiça do Trabalho; 6. Não pode a fiscalização reconhecer qualquer vínculo empregatício de médicos ou qualquer pessoa que preste serviço. Só a Justiça do Trabalho pode dizer se em determinada prestação de serviço ocorreu ou não vínculo empregatício; 7. O Relatório Fiscal incluiu receitas e faturamento de outras pessoas jurídicas. As contribuições restringem-se ao faturamento ou receitas e lucro do sujeito passivo da obrigação, conforme art. 195, I da Constituição Federal. Não há como efetuar qualquer lançamento em faturamento, receita ou lucro de outras pessoas; 8. O auditor da Previdência Social utilizou cálculos e métodos que não podem ser aceitos, pois estão em desacordo com os dados contábeis e documentos à disposição da fiscalização. O levantamento específico apenas contábil não tem validade, pois não foi acompanhado por técnico da Recorrente e deixou de considerar dados relevantes; 9. A Recorrente não teve oportunidade de defesa para demonstrar que as contribuições apuradas não correspondem à realidade, o que cerceou o seu direito de defesa; 10. Requer que o julgamento seja transformado em diligência, para que seja procedido novo levantamento, garantindo o direito à ampla defesa; 11. Alega que não incide contribuição sobre as diárias para viagem para cobrir as despesas de execução de serviço até o limite de 50% do salário, bem como a ajuda de custo paga ao empregado, fato que não foi verificado. Ademais, os abonos pecuniários de férias, aviso prévio indenizado, décimo terceiro salário 1ª parcela, férias indenizadas (inclusive em dobro e proporcionais), indenização adicional, salário família não sofrem incidência da contribuição devendo ser excluídos.; 12. Os dispositivos legais constantes da NFLD são abrangentes estendendo-se a todos os fatos imputáveis como infração o que dificulta a defesa da defendente em cada caso particular; 13. Contesta também o lançamento relativo ao Seguro de Acidente do Trabalho, posto que a Lei n° 8.212/91, inciso 11, do artigo 22 deixou de dizer quais são as atividades consideradas de risco leve, médio e grave susceptíveis à tributação. Como isso não ocorreu, o executivo editou Decreto suplementando base de cálculo da contribuição, havendo, destarte, violação do princípio da estrita legalidade tributária em que compete à função legislativa a função de Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.969 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16191.000445/2015-14 5 prescrever exaustivamente sobre a norma tributária. Colaciona doutrina e jurisprudência; 14. A Recorrente também não concorda com a aplicação e o modo de calcular os juros de mora pelos equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia- SELIC, que não pode ser aplicada para fins tributários, já que inexiste lei, além do que supera o limite de 1% por cento ao mês previsto no artigo 161 § 1º do CTN, violando a norma geral e constitucional, portanto, mostrando também confiscatória; 15. Ao fim, requer o acolhimento das preliminares ou o julgamento pela improcedência do lançamento. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos do INSS, por meio da Decisão- Notificação nº 21.401.4/0221/2004, de e-fls. 153-164, julgou procedente o lançamento fiscal, rejeitando as preliminares e declarando o contribuinte devedor da Seguridade Social do crédito constante na NFLD. A decisão foi ementada da seguinte forma: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA DO AFPS. CORESPONSÁVEIS. REFISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. DÉCIMO-TERCEIRO SALÁRIO. SAT. JUROS SELIC. É facultado ao Fisco recusar o estabelecimento eleito pelo contribuinte como centralizador quando houver prejuízo à ação fiscalizadora. A citação nominal dos diretores da pessoa jurídica no anexos da NFLD marca a condição de representantes legais e não solidariedade em relação ao crédito tributário lançado. As hipóteses de refiscalização estão previstas em ato normativo do INSS e têm amparo legal. Não há que se falar em cerceamento de defesa durante a ação fiscal quando esta foi acompanhada por representante legal da empresa, que forneceu os documentos necessários. A presunção de veracidade do ato administrativo de lançamento fiscal inverte o ônus da prova Não há qualquer ilegalidade na cobrança de contribuição para a Seguridade Social incidente sobre o décimo-terceiro salário. Entendimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal. A discussão judicial cujo objeto seja idêntico ao do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo fiscal, motivo pelo qual não cabe apreciação das alegações relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.969 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16191.000445/2015-14 6 Os juros aplicáveis aos créditos da Seguridade Social estão previstos em legislação especial. A previsão constitucional de taxa de juros de 12% ao ano foi revogada pela Emenda Constitucional n° 40/2003. Em 21/10/2004, foi expedido o Termo de Trânsito em Julgado (e-fl. 177), por ter decorrido o prazo para apresentação de recurso sem que houvesse sido impetrado e por não ter havido pagamento ou parcelamento do lançamento. Entretanto, em 31/03/2005, a Recorrente protocolou uma Reclamação Fiscal (e-fls. 184-187), sustentando que, apesar de ter enviado o recurso administrativo de forma tempestiva, este não foi adequadamente apreciado pelo competente setor de análises fiscais, caracterizando vício intransponível. O recurso não havia nem sequer sido entranhado aos autos. Na e-fl. 188, foi juntado o Aviso de Recebimento do Recurso enviado, tendo sido recebido em 13/10/2004. O Recurso Voluntário (e-fls. 193-194) traz as seguintes alegações: 1. Por se tratar de diversas e distintas rubricas caracterizadas como salário-de- contribuição, buscará impugná-las de forma específica, sem prejuízo da oportuna juntada de documentos demonstrativos da irregularidade de tais cobranças, no curso da instrução processual do recurso administrativo ora apresentado; 2. Promove uma impugnação geral a todas estas rubricas, não concordando com a sua integração ao salário de contribuição, e, estará, no curso da instrução processual deste feito administrativo, trazendo aos autos os elementos necessários à comprovação da irregularidade do labor fiscal consumado a respeito; 3. Destaca o interesse em promover sustentação oral quando da solene sessão de julgamento junto ao CRPS, sendo que a intimação para tal data deverá ser encaminhada ao escritório de seu procurador. Em análise pela Chefe do Serviço de Análise de Defesas e Recursos (e-fl. 204), o recurso foi considerado tempestivo, mas deserto, por falta de garantia de instância, uma vez que a Recorrente não comprovou depósito recursal determinado pelo art. 126, parágrafo 1º da Lei 8.213/91, c.c. o art. 305, parágrafo 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. À e-fl. 206 foi expedido novo Termo de Trânsito em Julgado, em 09/06/2005. Conforme despacho da Procuradoria da Fazenda Nacional (e-fls. 261), em 06/04/2017, foi extinta a execução fiscal em andamento com base na Súmula Vinculante 21 do STF e dado prosseguimento à análise administrativa sobre a procedência da cobrança. Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.969 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16191.000445/2015-14 7 VOTO Conselheira Elisa Santos Coelho Sarto, Relatora Como descrito anteriormente, foi realizada a correção dos aspectos formais de tempestividade e necessidade de depósito recursal. No entanto, dando prosseguimento à análise de admissibilidade, percebe-se que o Recurso interposto se limita apenas a realizar uma impugnação geral a todas as rubricas, não concordando com a sua integração ao salário de contribuição. Muito embora seja aplicável ao processo administrativo fiscal o princípio do informalismo moderado, a irresignação do contribuinte deve atender a requisitos formais mínimos elencados nos arts. 15 e seguintes do Decreto nº 70.235/72, dentre os quais se destaca o disposto no inciso III do seu art. 16: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; É ônus do contribuinte, por conseguinte, apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a alteração ou a invalidação da decisão atacada; trata-se de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede a formulação de negação ou impugnação de caráter genérico. Neste sentido tem decidido o CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não há como se conhecer de Recurso Voluntário que não ataca os fundamentos do acórdão recorrido, por ausência de dialeticidade (inteligência do artigo 17 do Decreto 70.235/72, cumulado com os artigos 932, inciso III, e 1.010, inciso III, ambos do Código de Processo Civil).” (Processo nº 10880.667966/2011-88; Acórdão nº 3302- 010.374; Relatora Conselheira Denise Madalena Green; sessão de 26/01/2021) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-011.969 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16191.000445/2015-14 8 Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. (Processo nº 10945.900581/2014-89; Acórdão nº 3401-006.913; Relator Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; sessão de 25/09/2019) ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. A matéria recorrida de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. CARF. DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. (Processo nº 19647.001117/2010-13; Acórdão nº 2002-008.488; Relator Conselheiro Andre Barros de Moura; sessão de 19/06/2024). Insuficiente, portanto, fazer afirmações genéricas. Quanto ao pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do Recorrente para a realização de sustentação oral, este não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do artigo 37 do Decreto nº 70.235 de 1972, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009. As partes ou seus patronos devem acompanhar a publicação da pauta de julgamento no Diário Oficial da União (DOU), com antecedência de 10 (dez) dias e no site da internet do CARF, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Diante do exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Elisa Santos Coelho Sarto Fl. 287DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11516.722516/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
ACESSO A INFORMAÇÕES PELO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO.
Ainda que em determinadas circunstâncias e obedecendo a regras específicas o acesso às informações bancárias por parte do Fisco, sem autorização judicial, esteja previsto na legislação vigente, no presente caso, os extratos bancários foram fornecidos à autoridade fiscal pela própria Contribuinte, não caracterizando, portanto, a alegada obtenção ilícita de prova e nem a quebra do sigilo bancário.
Numero da decisão: 1401-007.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado), Andressa Paula Senna Lisias e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 ACESSO A INFORMAÇÕES PELO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. Ainda que em determinadas circunstâncias e obedecendo a regras específicas o acesso às informações bancárias por parte do Fisco, sem autorização judicial, esteja previsto na legislação vigente, no presente caso, os extratos bancários foram fornecidos à autoridade fiscal pela própria Contribuinte, não caracterizando, portanto, a alegada obtenção ilícita de prova e nem a quebra do sigilo bancário.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-08-19T17:33:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-08-19T17:33:22Z; Last-Modified: 2024-08-19T17:33:22Z; dcterms:modified: 2024-08-19T17:33:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-08-19T17:33:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-08-19T17:33:22Z; meta:save-date: 2024-08-19T17:33:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-08-19T17:33:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-08-19T17:33:22Z; created: 2024-08-19T17:33:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2024-08-19T17:33:22Z; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-08-19T17:33:22Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11516.722516/2012-67 ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 16 de julho de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE FRIGORÍFICO NOVAERA LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 Fl. 1338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 2 ACESSO A INFORMAÇÕES PELO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. Ainda que em determinadas circunstâncias e obedecendo a regras específicas o acesso às informações bancárias por parte do Fisco, sem autorização judicial, esteja previsto na legislação vigente, no presente caso, os extratos bancários foram fornecidos à autoridade fiscal pela própria Contribuinte, não caracterizando, portanto, a alegada obtenção ilícita de prova e nem a quebra do sigilo bancário. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado), Andressa Paula Senna Lisias e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado pela Interessada em face da decisão de primeira instância ter julgado procedente em parte a sua Impugnação, conforme constou no Acórdão de nº 15-036.232 proferido pela 2ª Turma da DRJ/SDR em sessão de 07 de agosto de 2014. Eis as ementas do acórdão recorrido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que os Autos de Infração foram lavrados por pessoa que detém a respectiva competência e que as infrações apontadas foram clara e suficientemente descritas nos Autos de Infração e demais Fl. 1339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 3 termos que o integram, proporcionando ao contribuinte pleno direito ao contraditório e à ampla defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 ACESSO A INFORMAÇÕES PELO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. Ainda que em determinadas circunstâncias e obedecendo a regras específicas o acesso às informações bancárias por parte do Fisco, sem autorização judicial, esteja previsto na legislação vigente, no presente caso, os extratos bancários foram fornecidos à autoridade fiscal pela própria Contribuinte, não caracterizando, portanto, a alegada obtenção ilícita de prova e nem a quebra do sigilo bancário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A verificação da existência de falhas, vícios e deficiências insanáveis na escrituração contábil, que a tornem imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, e para determinar o lucro real, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base na receita bruta conhecida. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores depositados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica, quando regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Confirmada, em parte, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento, ressalvando-se, com relação ao PIS e à Cofins, na modalidade de incidência cumulativa, que as referidas exigências fiscais, tal como apuradas nos respectivos lançamentos, não contrariam decisão do STF que rejeitou o chamado alargamento da base de cálculo dessas contribuições, uma vez que não resta configurado nos autos que a tributação Fl. 1340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 4 tenha incidido sobre receita não decorrente da venda de mercadoria e/ou de serviços. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Aproveito o relatório da decisão recorrida, de forma resumida: Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes ao ano calendário de 2009, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 1.180 a 1.197, no valor de R$130.675,55 (cento e trinta mil, seiscentos e setenta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos); de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 1.198 a 1.211, no valor de R$69.603,99 (sessenta e nove mil, seiscentos e três reais e noventa e nove centavos); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, às fls. 1.212 a 1.220, no valor de R$164.008,61 (cento e sessenta e quatro mil, oito reais e sessenta e um centavos; e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, às fls. 1.221 a 1.230, no valor de R$35.527,04 (trinta e cinco mil, quinhentos e vinte e sete reais e quatro centavos), acrescidos da multa de ofício, de 75% (setenta e cinco por cento), e de juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de arbitramento do lucro, nos quatro trimestres do ano-calendário de 2009, com base no art. 530, inciso II, do RIR/1999, tendo em vista o que foi detalhadamente descrito no item 3, subitem 3.1 do Relatório de Fiscalização, às fls. 1.231 a 1.245. O lucro arbitrado foi calculado a partir de: 1) omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, conforme Relatório de Fiscalização, item 3, subitens 3.1 e 3.2, em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; e art. 537 do RIR/1999. 2) receitas operacionais oriundas da venda de produtos de fabricação própria, conforme Relatório de Fiscalização, item 3, subitens 3.1 e 3.3, em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995; e art. 532 do RIR/1999. Os Auto de Infração relativos à CSLL, à COFINS e ao PIS, as duas últimas sob a sistemática da incidência cumulativa, decorreram desses mesmos fatos.[...] No Relatório de Fiscalização, às fls. 1.231 a 1.245, o Autuante declara, em síntese, que: – a ciência do Termo de Início de Fiscalização (TIF) se deu em 09/07/2012. Em 16/07/2012, a Fiscalizada disponibilizou todos os elementos que lhe foram exigidos, inclusive seus livros comerciais e fiscais em meio magnético (arquivos PDF e SPED) e apresentou dois instrumentos particulares de procuração, constituindo seus procuradores para representá-la durante os trabalhos de fiscalização. Em 28/08/2012, a Fiscalizada foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 001 e seus Anexos, dos fatos verificados na análise de Fl. 1341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 5 seus Livros Diário e Razão e extratos bancários, e para comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta mantida junto ao Banco Bradesco. Em 13/09/2012, a Fiscalizada apresentou resposta por escrito, acompanhada de planilha de valores e de 01 (um) documento, cuja origem dos depósitos bancários logrou comprovar; 3. DESCRIÇÃO DOS FATOS E INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL VERIFICADOS PELA FISCALIZAÇÃO 3.1 Desclassificação da Escrituração Comercial – Arbitramento do Lucro – para o ano-calendário de 2009, a Fiscalizada optou pelo lucro real anual, com suspensão dos pagamentos mensais, em face da apuração de prejuízo fiscal, conforme registros na Parte A do Lalur, e deveria ter registrado em sua escrituração comercial todas as operações realizadas no período, de modo que pudesse identificar sua efetiva movimentação financeira e o lucro real ou prejuízo fiscal apurado; – nas operações de compra e venda de mercadorias ou insumos, os registros contábeis seriam efetuados através dos seguintes lançamentos: 1) as vendas de mercadorias devem ser registradas nas contas de receitas específicas; se realizadas à vista, as contrapartidas podem ser registradas na conta caixa ou bancos, de acordo com a forma de recebimento; se realizadas a prazo, as contrapartidas devem ser registradas na conta de direitos a receber de clientes, sem prejuízo dos registros pertinentes à baixa dos estoques e apropriação dos respectivos custos; 2) as compras de mercadorias ou insumos para industrialização devem ser registradas nas contas específicas de estoques; se realizadas à vista, as contrapartidas podem ser registradas na conta caixa ou bancos, de acordo com a forma de pagamento; se realizadas a prazo, as contrapartidas devem ser registradas na conta de fornecedores; – as regras acima devem ser cumpridas independentemente dos critérios contábeis adotados para o controle da movimentação financeira, inclusive bancária, dos recebimentos de direitos e dos pagamentos de obrigações. O critério contábil de controle financeiro geralmente adotado pelas empresas é o de fazer transitar contabilmente pela conta caixa todos os pagamentos efetuados e todos os recebimentos, cuja finalidade é simplificar e facilitar, através dos registros contábeis em uma única conta do razão, principalmente o controle financeiro. Entretanto, esse critério contábil exige, obrigatoriamente, dois lançamentos contábeis para o registro de uma operação realizada. Exemplifica, descrevendo a forma de contabilização (sempre por meio de dois lançamentos) do pagamento de um título referente à aquisição de mercadorias ou insumos, à vista e a prazo, do recebimento de uma venda de mercadorias, à vista e a prazo, assim como do recebimento de um empréstimo ou financiamento bancário; – na sua escrituração comercial relativa ao ano de 2009, a Fiscalizada adotou o critério contábil de fazer transitar pela conta Caixa todos os pagamentos e recebimentos, com o propósito ou não de manter um controle de sua Fl. 1342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 6 movimentação financeira, contudo, não observou as regras contábeis acima descritas, vindo a apresentar deficiências e vícios insanáveis que a tornaram imprestável para controlar e identificar sua movimentação financeira, inclusive bancária, e para determinar o lucro real/prejuízo fiscal do período em questão. A análise realizada nos livros e nos extratos bancários teve por objetivo a verificação da origem dos valores creditados na conta mantida no Banco Bradesco, como demonstrado no TIF nº 001 e seus Anexos, e atentou para os seguintes fatos: a) Verificação e Análise Fiscal das Entradas e Saídas do Caixa sob o enfoque das Receitas das Vendas de Mercadorias a Prazo, dos Recebimentos de Clientes e dos Depósitos em Conta Corrente nos Bancos – esse exame teve por objetivo verificar se os valores decorrentes das vendas a prazo recebidos dos seus clientes, que circularam contabilmente pela conta Caixa, a título de “entradas de caixa”, seriam suficientes para lastrear os créditos (depósitos) bancários efetuados em 2009 na conta mantida junto ao Banco Bradesco, a título de “saídas de caixa”. Isso porque, à exceção dos valores referentes às aplicações e aos resgates das operações financeiras em CDDI, dos valores referentes a cinco depósitos (ver letra “c”) e dos valores referentes aos pagamentos de despesas de energia elétrica, telefones, impostos e contribuições mediante darf e tarifas bancárias, cujos montantes não foram expressivos em relação aos totais movimentados no caixa, os demais valores creditados e debitados nos extratos bancários da referida conta bancária, registrados na conta Banco Bradesco, transitaram contabilmente, primeiro, pela conta Caixa; – a análise dos fatos sob esse enfoque está descrita, detalhadamente, no TIF nº 001, item 1 e Anexo A, cujos totais diários de receitas, dos recebimentos de clientes e dos depósitos para bancos em conta corrente estão resumidos por mês- calendário no Quadro nº 001 que apresenta. Considerando as grandes discrepâncias entre os valores, tanto mensais quanto anuais, consolidados no Quadro nº 001 e os saldos inicial e final da conta Clientes, mantidos no Balancete Patrimonial do ano de 2009, a conclusão primeira da Fiscalização foi a de que os valores creditados na conta mantida no Banco Bradesco, no período em questão, não tiveram sua origem nas receitas contabilizadas; b) Verificação e Análise Fiscal das Entradas e Saídas do Caixa sob o enfoque dos saques em conta corrente nos Bancos para pagamentos de obrigações e despesas e dos Saldos de Caixa Apurados – os fatos descritos acima (letra “a”) deveriam, necessariamente, produzir efeitos contábeis negativos sobre o caixa da Fiscalizada. Assim, o enfoque deste exame tem por objetivo verificar a razão pela qual os saldos diários e mensais da conta Caixa, no ano de 2009, apresentaram natureza devedora, quando deveriam ter apresentado, a princípio, natureza credora, provocando o chamado “estouro de caixa”. Observou-se então se os valores sacados (mediante cheques espécie, cheques pagamentos, débitos em conta, cheques compensados, transferências bancárias, etc) contra a conta Banco Bradesco, para o pagamento de despesas e Fl. 1343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 7 obrigações, que transitaram pela conta Caixa, a título de “entradas de caixa”, tiveram seus respectivos valores revertidos através de lançamentos contábeis, a título de “saídas de caixa”, para as contas específicas das despesas pagas ou das obrigações liquidadas; – a análise sob esse enfoque está descrita, detalhadamente, no TIF nº 001, item 2 e Anexo B, cujos totais diários dos saques efetuados na conta mantida no Banco Bradesco, das diversas formas citadas acima, estão resumidos, por mês, no Quadro nº 002 que apresenta. Tanto os totais mensais quanto os anuais constantes do Quadro nº 002 demonstram que uma parcela significativa das “entradas de caixa”, oriundas da conta Banco Bradesco, não ingressaram, comprovadamente, no caixa, pelas seguintes razões: 1) as diferenças expressivas e discrepantes (coluna I) entre os valores contabilizados na conta Caixa, a título de entradas (coluna G) e de saídas (coluna H) de caixa, oriundos da conta Banco Bradesco; 2) a própria forma de liquidação efetuada pelo Banco Bradesco dos respectivos documentos bancários, conforme explicações ao final do Anexo B do TIF nº 001, comprovam que seus valores foram transferidos a terceiros; – portanto, a Fiscalização concluiu que esses valores não poderiam compor os saldos de caixa, para quaisquer fins. Assim, estornando os valores correspondentes aos recursos financeiros oriundos da conta Bradesco que não ingressaram comprovadamente na conta Caixa (Quadro nº 002, coluna I), os saldos mensais dessa conta apresentariam valores credores, conforme demonstrado no Quadro nº 003 que apresenta; c) Verificação e Análise Fiscal das Entradas e Saídas do Caixa sob o enfoque dos Créditos (Depósitos) Bancários a Comprovar a Origem dos Recursos Utilizados nestas Operações – considerando os fatos descritos acima (letras “a” e “b”), a Fiscalização concluiu que os valores creditados na conta no Banco Bradesco não poderiam ter sua origem nos saldos disponíveis de caixa. Assim, o enfoque desse exame teve por objetivo verificar, com base nos extratos bancários e nos registros contábeis efetuados em outras contas no Livro Razão, a origem dos créditos (depósitos) efetuados na conta mantida no Banco Bradesco. Como dito anteriormente (letra “a”), os valores dos resgates das aplicações em CDDI e os valores referentes a cinco depósitos bancários (discriminados em planilha que apresenta), que foram creditados na conta mantida no Banco Bradesco, não transitaram pela conta Caixa, mas, tão-somente através da conta Banco Bradesco, cujas contrapartidas, visto que efetuadas nas contas específicas, permitiram a identificação da origem dos seus valores; – por sua vez, alguns dos valores creditados na conta mantida no Banco Bradesco, que transitaram pela conta Caixa, a título de entradas, em contrapartida com a conta Clientes, puderam ter sua origem identificada através dos registros contábeis (datas coincidentes ou aproximadas no mês e valores idênticos) efetuados nas contas específicas de clientes, como nos exemplos discriminados em Fl. 1344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 8 planilha que apresenta. Os fatos acima descritos (inclusive nas letras “a” e “b”), aliados à impossibilidade de identificar, na escrituração comercial, a origem dos demais créditos (depósitos) bancários efetuados na conta mantida no Banco Bradesco, resultou na análise fiscal demonstrada no TIF nº 001, item 3 e Anexo C, cujos valores identificados pela Fiscalização e valores a comprovar pela Fiscalizada estão totalizados por mês no Quadro nº 004 que apresenta. As respostas da Fiscalizada aos questionamentos contidos no TIF nº 001 e Anexos estão descritas no subitem 3.2; d) Verificação e Análise Fiscal das Entradas e Saídas do Caixa sob o enfoque dos Estoques, das Compras, dos Custos, dos Fornecedores e das Obrigações Trabalhistas – em face do expressivo montante dos créditos (depósitos) bancários, em relação ao montante dos recebimentos das vendas de mercadorias (letra “a”), aliado ao expressivo montante dos saques efetuados contra a conta Banco Bradesco, para o pagamento de despesas e obrigações, que transitaram contabilmente pela conta Caixa, a título de “entradas de caixa” (letra “b”), o enfoque desse exame fiscal, detalhado no Quadro nº 005 que apresenta, teve por objetivo verificar indícios de omissão de receitas ou de compras de mercadorias/produtos em montantes expressivos, de modo que pudessem influenciar ou distorcer os resultados registrados na escrituração comercial da Fiscalizada. Os valores constantes no Quadro nº 005 comprovaram a existência de tais indícios. Isto porque a Fiscalizada não registrou em sua escrituração comercial valores correspondentes às compras/custos de produtos/mercadorias e nem valores correspondentes às vendas/receitas de produtos/mercadorias capazes de acobertar os créditos (depósitos) efetuados na sua conta mantida no Banco Bradesco; 3.2 OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA POR CRÉDITOS (DEPÓSITOS) BANCÁRIOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS – tendo em vista os fatos descritos no subitem 3.1, no dia 28/08/2012, a Fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados na conta mantida no Banco Bradesco, conforme TIF nº 001 (Anexo C). Em resposta, a Fiscalizada apresentou, em 13/09/2012, esclarecimentos acompanhados de uma planilha e de 01 (um) documento, justificando a origem dos recursos nos seguintes termos: [...] – dos créditos bancários sujeitos à comprovação da origem, a Fiscalização acatou somente o efetuado no dia 02/09/2009, no valor de R$60.000,00, em que foi juntado o documento contábil-financeiro representado pela Cédula Rural Pignoratícia contratada com o Banco Bradesco. O registro contábil dessa operação no Livro Razão se deu a débito da conta Banco Bradesco e a crédito da conta Empréstimo, com o histórico “Valor Referente a Empréstimo Rural a Verificar”. A Fiscalizada não apresentou documentos comprobatórios relativos aos demais Fl. 1345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 9 créditos bancários constantes da planilha fiscal. Além disso, cumpre esclarecer os seguintes pontos: [...] montante dos créditos bancários discriminados no TIF nº 001, Anexo C, coluna “Valor a Comprovar Fiscalizada”, estaria contido o valor de R$2.032.740,17, correspondente ao montante faturado pela empresa no exercício de 2009 e acobertado por documentos fiscais, foram acatados pela Fiscalização, pelas seguintes razões: [...] – portanto, os créditos (depósitos) bancários efetuados nas contas de sua titularidade, cuja origem dos recursos não puderam ser comprovadas pela Fiscalizada, configuram omissão de receitas (RIR/99, art. 849), conforme valores discriminados no Quadro nº 006 que apresenta; 3.3 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ SOBRE O LUCRO ARBITRADO APURADO SOBRE AS RECEITAS DA ATIVIDADE DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA – em decorrência do arbitramento do lucro da Fiscalizada, conforme descrito no subitem 3.1, restou a tributação das receitas auferidas no ano-calendário de 2009 decorrentes das vendas de produtos/mercadorias escrituradas no Livro Registro de Saídas do ICMS n° 007, nos termos das regras do lucro arbitrado, cujos valores mensais estão discriminados no Quadro nº 007 que apresenta; 3.4, 3.5 e 3.6 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL, DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS (TRIBUTAÇÕES REFLEXAS) – os fatos e as infrações descritas nos subitens 3.1, 3.2 e 3.3 se constituíram também em infrações à legislação tributária da CSLL, do PIS e da Cofins, resultando na falta e/ou insuficiência de recolhimento sobre as bases de cálculo apuradas; [...] DA IMPUGNAÇÃO 2. DAS PRELIMINARES 2.1 DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS FISCAIS DOS SUPOSTOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS 2.1.1 Do não Atendimento a Todos os Requisitos Previstos no Artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, de Observância Obrigatória [...] Fl. 1346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 10 2.1.2 Da Ausência de Autorização Judicial para o Acesso do Fisco aos Dados Bancários da Autuada [...] 3. DAS RAZÕES DE DIREITO QUE AFASTAM A EXIGIBILIDADE DOS ALEGADOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS · apesar de confiante no acolhimento da preliminar pleiteada, permite-se a autuada adentrar no mérito da questão, em face do princípio da eventualidade. A Fazenda Nacional, para constituir os supostos créditos ora combatidos, adotou como critério o confronto dos montantes mensais creditados na conta bancária da empresa com os valores registrados no balanço patrimonial, no razão analítico da conta crédito de clientes, e com o extrato do CDB (aplicação financeira). Utilizou como base de cálculo dos tributos em questão todos os créditos, de origem comprovada e não comprovada, sendo que, no atinente a esses últimos, não considerou sua natureza, ou seja, se tais depósitos eram originários da venda de mercadorias (faturamento), ou provenientes de financiamentos e de outras receitas não equiparadas a financiamentos, algumas delas, inclusive, já tributadas na fonte; [...] Da decisão recorrida – voto Diante do exposto, VOTO por afastar as preliminares de nulidade e cerceamento do direito de defesa e, no mérito, por considerar PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação, mantendo, em parte, os lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$130.650,60 (cento e trinta mil, seiscentos e cinquenta reais e sessenta centavos); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$69.592,76 (sessenta e nove mil, quinhentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos); à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$35.520,28 (trinta e cinco mil, quinhentos e vinte reais e vinte e oito centavos); e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$163.977,41 (cento e sessenta e três mil, novecentos e setenta e sete reais e quarenta e um centavos), de acordo com o demonstrativo a seguir, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), e de juros de mora. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada em 19 de setembro de 2014 da decisão recorrida, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário, onde após discorrer sobre o procedimento fiscal e voto da decisão recorrida, passa a fazer argumentações genéricas, tais como, em resumo: Fl. 1347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 11 [...] Fl. 1348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 12 [...] Fl. 1349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 13 [...] Fl. 1350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 14 É o relatório do essencial. VOTO Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele conheço. Como relatoriado, Insurge-se a contribuinte com argumentações tendentes a descaracterizar a tributação com base nos depósitos bancários, com alegações do tipo, ilegalidade do lançamento tributário efetuado com base exclusivamente em extratos bancários, presunção de fato gerador de imposto de renda e contribuições sociais, além de violações à princípios constitucionais. A legislação do imposto de renda, como vimos, autoriza ao fisco presumir a omissão de receitas diante da existência de depósitos bancários sem comprovação de origem. É o que reza o art. 42 da Lei nº 9.430/96: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 1351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 15 (...)” O dispositivo supra não faz distinção entre depósitos bancários (créditos) contabilizados ou não contabilizados, de forma que se os créditos bancários estão inseridos na escrituração contábil, não significa que não se possa perquirir acerca de suas origens, portanto, não inibe e nem impede a tributação com base no texto legal supra. Não é preciso desqualificar a contabilidade da empresa para, então, se proceder a lançamento por conta de omissão de receitas em face de créditos bancários de origem não comprovada. O simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de rendimentos, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, no caso dos autos não as apresentou. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, (e não a simples movimentação/transmissão de valores e de créditos de natureza financeira, como alegado na impugnação aos tributos/contribuições lançados) caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Reitere-se, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque, depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Mas, pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido - ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta provém de rendimentos então omitidas. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. Consoante Termo de Intimação Fiscal nº 001 com seus Anexos A, B, C e D às fls.992 a 1.092, o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras ali indicadas. A fiscalização aceitou a comprovação da origem de diversos créditos bancários, conforme destacado pela decisão recorrida: A Fiscalização aceitou também a comprovação da origem de diversos créditos bancários, relacionados no TIF nº 001, Anexo A, coluna 3, no valor total de R$2.053.332,03, relativos aos recebimentos de clientes, que transitaram pela conta Caixa, a título de “entradas de caixa”, em contrapartida da conta Clientes (individualizada por cliente), identificados a partir do cotejo dos lançamentos contábeis com os extratos bancários, tendo emvista a coincidência de valores e a coincidência, ou grande proximidade, das datas de registrode cada operação. Tais Fl. 1352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 16 valores estavam incluídos na coluna “Valor a Comprovar Fiscalizada” do Anexo C do TIF nº 001. Desse modo, o total das receitas omitidas, presumidas com base nos créditos (depósitos) bancários de origem não comprovada, no valor de R$4.512.074,09, demonstrado no Quadro nº 006, que faz parte do Relatório de Fiscalização, às fls. 1.231 a 1.245, integrou o cômputo do lucro arbitrado, base de cálculo do imposto apurado de ofício, juntamente com as receitas oriundas de sua atividade fim – comércio atacadista de carnes bovinas suínas e derivados –, devidamente escrituradas no Livro de Registro de Saídas do ICMS nº 007, no valor total de R$2.032.740,17, discriminadas no Quadro nº 007, constante do citado Relatório de Fiscalização. No caso em questão, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei no 9.430/1996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de conta(s) bancária(s) com expressiva movimentação financeira em comparação à receita declarada, intimou o contribuinte a manifestar-se quanto a cada um dos depósitos efetuado na referida conta e a juntar a documentação que comprovasse a origem de tais ingressos. A Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, a que se refere a contribuinte, estabelecia a ilegitimidade dos lançamentos de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos e depósitos bancários: “É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários”. (Grifei.) Trata-se de juízo firmado com base na legislação então vigente (década de 80 do século passado), consolidando entendimento jurisprudencial coevo. Na esteira da Súmula, o Decreto-lei nº 2.471/88 determinou o cancelamento dos débitos para com a Fazenda Nacional, originários de cobrança do imposto de renda, arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Conforme destacado na decisão recorrida: Os referidos extratos bancários, todos do Banco Bradesco, constam do presente processo, às fls. 878 a 991. Desse modo, conclui-se que foi a própria Contribuinte que apresentou ao agente fiscal, quando intimada, os respectivos extratos bancários, não havendo, portanto, que se falar de obtenção ilícita de dados e nem tampouco em quebra de sigilo bancário e violação de dispositivos constitucionais. O lançamento fiscal, relativo ao ano-calendário de 2009, foi realizado com base no regime do lucro arbitrado, uma vez que a escrituração contábil da empresa apresentou deficiências e vícios insanáveis que a tornavam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, e para determinar o lucro real ou o prejuízo fiscal do período, conforme subitem 3.1 do Relatório de Fiscalização. Fl. 1353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.061 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722516/2012-67 17 A base de cálculo do imposto (lucro arbitrado) foi apurada mediante a aplicação do percentual de 9,60% sobre a receita bruta conhecida, composta pelo somatório das receitas de sua atividade, provenientes da venda de produtos de fabricação própria, escrituradas no Livro Registro de Saídas do ICMS, consoante, subitem 3.3 do Relatório de Fiscalização, com as receitas omitidas, oriundas de créditos (depósitos) bancários de origem não comprovada, de acordo com a presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme subitem 3.2 do Relatório de Fiscalização. No mais, a apreciação de arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da validade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo deste poder. Não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito confiscatório dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. A questão já foi, inclusive, objeto de súmula em instância administrativa superior, no caso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio da Portaria CARF de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula CARF n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão É o voto, pela rejeição da preliminar de nulidade dos lançamentos e, quanto ao mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 1354DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10680.918409/2018-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014
PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PROCEDÊNCIA. SANEAMENTO. COMPLEMENTAÇÃO DOS FUNDAMENTOS. EFEITOS INFRINGENTES. INTEGRAÇÃO.
Para saneamento dos vícios verificados no Acórdão, os embargos devem ser conhecidos e integrados à decisão embargada. Verificada a inexatidão material, por lapso manifesto ao redigir o voto vencedor, acolhem-se os embargos de declaração para saneamento e complementação dos fundamentos do Acórdão embargado, objetivando suprimir a falha e alterar a parte dispositiva/conclusiva e ementa do Acórdão.
CRÉDITOS. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGA E DESCARGA. PRODUTOS ACABADOS. NÃO CABIMENTO.
Despesas portuárias na exportação de produtos acabados não constituem insumos do processo produtivo do Contribuinte, por não se enquadrarem no conceito fixado de forma vinculante pelo STJ quanto aos critérios de essencialidade e relevância. Tais serviços não guardam qualquer vínculo com o processo produtivo da empresa.
Numero da decisão: 9303-015.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão do voto vencedor, agregando os fundamentos referentes a “despesas portuárias”, e a contradição na ementa, cujo texto deve ser substituído, em relação a “despesas portuárias”, pelo que consta na ementa do presente acórdão. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-015.131, de 14 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10680.731065/2018-80, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PROCEDÊNCIA. SANEAMENTO. COMPLEMENTAÇÃO DOS FUNDAMENTOS. EFEITOS INFRINGENTES. INTEGRAÇÃO. Para saneamento dos vícios verificados no Acórdão, os embargos devem ser conhecidos e integrados à decisão embargada. Verificada a inexatidão material, por lapso manifesto ao redigir o voto vencedor, acolhem-se os embargos de declaração para saneamento e complementação dos fundamentos do Acórdão embargado, objetivando suprimir a falha e alterar a parte dispositiva/conclusiva e ementa do Acórdão. CRÉDITOS. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGA E DESCARGA. PRODUTOS ACABADOS. NÃO CABIMENTO. Despesas portuárias na exportação de produtos acabados não constituem insumos do processo produtivo do Contribuinte, por não se enquadrarem no conceito fixado de forma vinculante pelo STJ quanto aos critérios de essencialidade e relevância. Tais serviços não guardam qualquer vínculo com o processo produtivo da empresa. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão do voto vencedor, agregando os fundamentos referentes a “despesas portuárias”, e a contradição na ementa, cujo texto deve ser substituído, em relação a “despesas portuárias”, pelo que consta na ementa do presente acórdão. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Fl. 615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 2 Acórdão nº 9303-015.131, de 14 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10680.731065/2018-80, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, e Liziane Angelotti Meira (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. A lide versa sobre Embargos de declaração, nos termos do art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015 e alterações posteriores (que corresponde ao art. 116 do Anexo do novo Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF no 1.634, de 21/12/2023), opostos pelo Contribuinte, em face do decidido no Acórdão de Recurso Especial, que restou assim ementado (na parte que interessa ao deslinde da questão): CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ. Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. DESPESAS PORTUÁRIAS. Considerando-se a atividade exercida pelo Sujeito Passivo na extração e venda de minério de ferro, os serviços portuários mostram-se essenciais e relevantes à sua operação, tendo em vista que a sua supressão impediria a ocorrência do resultado pretendido ou, no mínimo, reduz substancialmente as suas qualidades. As despesas portuárias, sendo essenciais e relevantes ao processo produtivo do Contribuinte, enquadram-se no conceito de insumos estabelecido no art. 3o, inciso II, das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003”. O dispositivo da decisão encontra-se vazado nos seguintes termos: “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, deu-se provimento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Erika Costa Camargos Autran, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan”. (grifo nosso) Após a decisão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial com relação às seguintes matérias: “direito de crédito calculado sobre despesas com transporte do produto acabado” e “despesas portuárias”, que teve seguimento em exame monocrático de admissibilidade. O recurso especial foi julgado pela 3ª Turma da CSRF, dando-se provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, como registrado no resultado aqui já transcrito, designando-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Ao ser notificado da decisão, o Contribuinte alegou existência de contradição/obscuridade relativa à análise do direito de crédito das despesas com “fretes de produtos acabados” e erro material na parte dispositiva do acórdão embargado. a) Da alegada contradição/obscuridade relativa à análise do direito de crédito pelos “fretes de produtos acabados” Alega o Contribuinte que o Voto Vencedor mostra-se incongruente e estaria em contrassenso com entendimento fixado pela RFB, sobre o tema - tomada de créditos sobre frete no transporte de produtos acabados, destinados à exportação, até o porto, e com a SC SRRF 08/Disit nº 197, de 2011. Além disso, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional, para comprovação da divergência interpretativa não guardaria similitude fática com o caso versado nestes autos. No Despacho de Admissibilidade dos Embargos opostos restou consignado que “...da leitura da peça recursal, no ponto, evidencia a pretensão de simplesmente rediscutir a matéria posta à apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, o que é inviável em sede de embargos”. Destacou-se ainda no Despacho: “Vale lembrar que foi franqueada ao recorrente a oportunidade de apresentar as contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, momento em que poderia e deveria arguir a suposta dessemelhança fática entre as decisões paradigmática e recorrida, a comprovar o dissídio jurisprudencial, bem como, expor a argumentação necessária e suficiente à manutenção da decisão exarada no acórdão de recurso voluntário”. Ao final, decidiu-se que o inconformismo do sujeito passivo com a decisão não é passível de reapreciação por meio de Embargos de declaração quando não detectado qualquer defeito que afete sua clareza ou coerência ou, ainda, impeça a sua execução em razão de seu Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 4 conteúdo, especialmente quando se busca, de forma enviesada, contraditar as razões de decidir e conferir um efeito infringente que não é inerente à espécie recursal. b) Erro material na parte dispositiva do aresto embargado. No Despacho de Admissibilidade dos Embargos, informa-se que, relativamente ao erro material, assevera o contribuinte que o Dispositivo do Acórdão embargado registra o provimento integral do Recurso Especial da Fazenda Nacional, quando o correto seria o seu provimento parcial. Neste tópico, cabe observar que, de fato, o resultado consignado para o julgamento é incompatível com a ementa do Acórdão. Conforme o Dispositivo da decisão, foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por voto de qualidade, com o arrolamento dos conselheiros vencidos e a designação do redator, sem maiores detalhamentos. O voto vencedor, contudo, pronunciou-se apenas em relação a despesas com fretes sobre produtos acabados, silenciando sobre as “despesas portuárias”, o que pode apontar para dois cenários: (a) o provimento teria sido parcial, apenas para despesas com fretes sobre produtos acabados, estando errada a parte dispositiva do julgado; ou (b) o voto vencedor teria sido omisso sobre o tema das “despesas portuárias”, estando correta a parte dispositiva, mas incorreta a ementa, no que teria acatado os créditos referentes a despesas portuárias. O voto vencido indiscutivelmente negou provimento à integra do Recurso Especial manobrado pela Fazenda Nacional, enquanto o voto vencedor circunscreveu-se ao provimento em relação “aos fretes de produtos acabados”, nada mencionando sobre as “despesas portuárias”. À vista desse cenário, parece haver uma inconsistência no resultado do julgamento a merecer saneamento pela Turma julgadora. A partir do exposto, o Presidente da CSRF deu seguimento parcial aos embargos de declaração exclusivamente para que se promovam os ajustes necessários no Dispositivo do Acórdão embargado, a fim de adequá-lo ao relatório/votos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Trata-se de análise de Embargos de declaração interpostos tempestivamente pelo Contribuinte. O recurso merece acolhida para que se analise o alegado erro material existente no Acórdão embargado, em atendimento ao art. 65, Anexo II, Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 5 do RICARF (art. 118, Anexo, do novo RICARF, aprovado pela Portaria MF 1.634/2023). Preliminarmente, há de se observar que os Embargos são apenas um meio formal de integração do ato decisório, pelo qual se exige do seu prolator uma sentença ou Acórdão complementar que opere a dita integração. Como relatado, por meio do Acórdão embargado, esta 3ª Turma da CSRF acordou, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, deu-se provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por voto de qualidade: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, deu-se provimento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Erika Costa Camargos Autran, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (grifo nosso) Recordo que participaram da votação os seguintes Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Valcir Gassen, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente(s) o conselheiro(a) Liziane Angelotti Meira, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. No Relatório do Acórdão embargado, restou informado que: “Não resignada com o acórdão na parte que lhe foi desfavorável, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre o valor dos gastos com “despesas com transporte do produto acabado” e “despesas portuárias”. Para comprovar a divergência, colacionou como paradigma o acórdão n o 9303-011.668. Em sede de exame de admissibilidade, conforme despacho 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara, de 25 de abril de 2022, proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Não foram apresentadas contrarrazões pelo Sujeito Passivo. (grifo nosso) Como pode ser verificado na cópia da ATA referente as Sessões do dia 16 de março de 2023, extraída do site oficial do CARF, resultou decidido oficialmente o julgamento da seguinte forma: Relator(a): VANESSA MARINI CECCONELLO Processo: 10680.731065/2018-80 Recorrente: FAZENDA NACIONAL e Interessado: UNAMGEN MINERACAO E METALURGIA S/A. ACÓRDÃO 9303-013.901 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, deu-se provimento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 6 Migiyama, Valcir Gassen e Erika Costa Camargos Autran, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (grifo nosso) Ressalta-se que no Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial, o Presidente da 2ª Câmara reuniu em uma só divergência as duas despesas: “(...) Passa-se ao exame da argumentação da recorrente no presente caso concreto. 3.1 Direito de crédito calculado sobre despesas com transporte do produto acabado e despesas portuárias.” “(...) De acordo. Com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68 do Anexo II do RICARF, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para as matérias “Direito de crédito calculado sobre despesas com transporte do produto acabado e despesas portuárias”. (grifo nosso) No Voto Vencido, a relatora, da mesma forma, considerou a matéria em uma única divergência (aliás, o paradigma de divergência é o mesmo para ambas as questões); porém, para melhor elucidação dos fatos, separou a divergência em dois temas: “Não resignada com o acórdão na parte que lhe foi desfavorável, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre o valor dos gastos com “despesas com transporte do produto acabado” e “despesas portuárias”. Para comprovar a divergência, colacionou como paradigma o acórdão n o 9303-011.668”. (grifo nosso) Como se vê, foi por isso que restou assentado, consoante dispositivo da decisão em ATA que, no mérito, por voto de qualidade, foi dado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com o arrolamento dos conselheiros vencidos e a designação do redator, sem maiores detalhamentos. No entanto, diante da divergência sujeita a pronunciamento, qual seja: “despesas com fretes sobre produtos acabados e despesas portuárias”, apenas quanto a “despesas com fretes sobre produtos acabados” tratou o Voto Vencedor pelo redator designado. Atesto o lapso exatamente por ter sido eu mesmo o redator designado, utilizando voto vencedor sobre despesas com fretes sobre produtos acabados que já era corriqueiro na turma, e utilizado em dezenas de processos sobre esse mesmo tema. Cito, a título ilustrativo, os votos vencedores sobre esse exato tema que elaborei para os Acórdãos: 9303-013.573 a 579; 9303-013.583 a 591; 9303-013.572; 9303- 013.961 e 9303-013.962. Assim, o texto-padrão por mim utilizado no voto vencedor deveria ter mencionado expressamente as despesas portuárias, que utilizam o mesmo Fl. 620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 7 racional jurídico dos fretes sobre produtos acabados. Tal situação foi atestada, por exemplo, em outros votos vencedores que proferi: “CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ. Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis n o 10.637/2002 e n o 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. CRÉDITOS. DESPESAS ADUANEIRAS NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RAZÕES SEMELHANTES ÀS ADOTADAS EM JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ, PARA FRETES DE TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis n o 10.637/2002 e n o 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, visto que tais despesas não constituem insumos ao processo produtivo, por ocorrerem posteriormente a tal processo, e nem constituem fretes de venda. A mesma razão de decidir se presta a despesas aduaneiras na exportação, que são despesas incorridas após o processo produtivo, não se enquadrando nem como insumos à atividade produtiva, nem como fretes de venda.” (Acórdãos 9303-961 e 962, Red. Designado Cons. Rosaldo Trevisan, vencidos os Conselheiros Erika Costa Camargos Autran - relatora, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, sessão de 13.abr.2023) (grifo nosso) CRÉDITOS. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RAZÕES SEMELHANTES ÀS ADOTADAS EM JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ, PARA FRETES DE TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis n o 10.637/2002 e n o 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, visto que tais despesas não constituem insumos ao processo produtivo, por ocorrerem posteriormente a tal processo, e nem constituem fretes de venda. A mesma razão de decidir se presta aos serviços portuários na exportação, que são despesas incorridas após o processo produtivo, não se enquadrando nem como insumos à atividade produtiva, nem como fretes de venda. (Acórdão 9303-014.067, Red. Designado Cons. Rosaldo Trevisan, vencidos os Conselheiros Erika Costa Camargos Autran - relatora, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, sessão de 13.abr.2023) (grifo nosso) Portanto, restou omisso o voto vencedor em relação ao tema, e incorreta a parte da ementa que assevera: DESPESAS PORTUÁRIAS. Fl. 621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 8 Considerando-se a atividade exercida pelo Sujeito Passivo na extração e venda de minério de ferro, os serviços portuários mostram-se essenciais e relevantes à sua operação, tendo em vista que a sua supressão impediria a ocorrência do resultado pretendido ou, no mínimo, reduz substancialmente as suas qualidades. As despesas portuárias, sendo essenciais e relevantes ao processo produtivo do Contribuinte, enquadram-se no conceito de insumos estabelecido no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. O próprio paradigma utilizado pela Fazenda Nacional para a interposição do recurso especial o endossa, em situação em que igualmente ficaram vencidos os mesmos Conselheiros que foram vencidos no Acórdão recorrido: “PIS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. CRÉDITOS. DESPESAS PORTUÁRIAS. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Não há como caracterizar que esses serviços portuários de exportação seriam insumos do processo produtivo para a produção de açúcar e álcool. Não se encaixarem no conceito quanto aos fatores essencialidade e relevância, na linha em que decidiu o STJ. Tais serviços não decorrem nem de imposição legal e nem tem qualquer vínculo com a cadeia produtiva do Contribuinte. (Acórdão 9303- 011-668 – resultado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa de fretes sobre produtos acabados e despesas portuárias na exportação, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (grifo nosso) Assim, é evidente que o provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional foi integral, diante de julgados anteriores e posteriores do mesmo colegiado, devendo-se o erro apontado a mera omissão de pronunciamento do voto vencedor sobre o tema, que adotou texto-padrão que contemplava expressamente apenas os fretes de produtos acabados. Destarte, o julgado exige saneamento, com acolhida dos embargos. Buscando aclarar o resultado, remeto exatamente ao precedente aqui destacado, Acórdão 9303-014.067, e a seus fundamentos para destacar que, conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003), não há Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 9 amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, visto que tais despesas não constituem insumos ao processo produtivo, por ocorrerem posteriormente a tal processo, e nem constituem fretes de venda, e que a mesma razão de decidir se presta aos serviços portuários na exportação, que são despesas incorridas após o processo produtivo, não se enquadrando nem como insumos à atividade produtiva (como pareceu entender o voto vencido no acórdão embargado), nem como fretes de venda. No presente caso, com relação às despesas portuárias, o Contribuinte esclarece que, à época das operações em questão, para escoamento do minério, era necessário o seu carregamento em vagões ferroviários, que os levavam até o pátio do porto. Em seguida, a empresa contratada era responsável por descarregar os trens, armazenar e empilhar o minério em condições de ser recuperado pelo equipamento (máquina), fazer a operação de manobra dos navios, recuperar o minério do solo e colocá-lo dentro dos porões dos navios, fazendo ainda o rechego da carga, afirmando que seria “...impossível realizar qualquer exportação de minério por via marítima sem incorrer em tais custos”. No Voto Vencido do Acórdão embargado, a Relatora consigna que, com relação às despesas portuárias, verifica-se também serem essenciais e relevantes ao processo produtivo do Sujeito Passivo, e que, consoante as etapas de produção e venda do minério descritas em sede de recurso voluntário, e não contestadas pela Fazenda Nacional, as despesas portuárias referem-se aos valores pagos às empresas que operam o porto no qual o minério de ferro é manuseado, armazenado e embarcado em navios para exportação. De outro lado, no Recurso Especial, a Fazenda Nacional entende que não há como caracterizar os serviços portuários como insumos do processo produtivo para a produção, pois não se encaixam no conceito quanto aos fatores essencialidade e relevância (em que decidiu o STJ) e tais serviços não decorrem nem de imposição legal e nem tem qualquer vínculo com a cadeia produtiva do Contribuinte (referem-se ao produto acabado - pós-produção). Em relação ao direito a crédito sobre o valor das despesas com serviços ocorridos nas instalações portuárias, na exportação (remoção e movimentação de mercadorias), entendo - e sempre entendi - que não se assegura tal direito na legislação que rege as contribuições não cumulativas. Esses custos se referem a gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação, remoção, embarque, desembarque e estadia. Conforme informado pelo Contribuinte, sua atividade concentra-se no ramo extração de minérios (para exportação), que demanda transporte desde a produção até a logística de distribuição de seus produtos. Nesse contexto, analisando a peculiaridade desses serviços no porto, entendo que não há como caracterizar que seriam insumos do processo produtivo para a produção de minérios. Primeiro porque são serviços pagos e realizados após o encerramento Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-015.150 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10680.918409/2018-63 10 do processo produtivo. Segundo, por não se encaixarem no conceito quanto aos fatores essencialidade (elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou do serviço) e relevância (integrar ou fazer parte do processo de produção), na linha em que decidiu no Recurso Especial n. 1.221.170/PR, do STJ. Saliente-se ainda que tais serviços (despesas) não decorrem nem de imposição legal e nem apresentam qualquer vínculo com a cadeia produtiva do Contribuinte. Por fim, concluo destacando que, as despesas glosadas não se confundem também com despesas que podem ser caracterizadas como fretes ou a armazenagens na operação de venda, de que trata o inc. IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003 e que, portanto, não há previsão legal para o crédito. Sendo assim, acolho os embargos para suprir o vício detectado, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão do voto vencedor, agregando os fundamentos referentes a “despesas portuárias”, e a contradição na ementa, cujo texto deve ser substituído, em relação a “despesas portuárias”, pelo que consta na ementa do presente acórdão. Por fim, para saneamento dos vícios verificados no Acórdão, os Embargos de declaração devem ser conhecidos e integrados à decisão embargada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão do voto vencedor, agregando os fundamentos referentes a “despesas portuárias”, e a contradição na ementa, cujo texto deve ser substituído, em relação a “despesas portuárias”, pelo que consta na ementa do presente acórdão. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 624DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010712/2006-06
Data da sessão: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. SUMULA ADMINISTRATIVA.
OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO.
Nos termos do § 4° do art. 72 do Regimento Interno do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos.
NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 02.
Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária".
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. DECADÊNCIA.
O direito à restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente, seja qual for o motivo, extingue-se no prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, a teor do art. 168, I do Código Tributário Nacional, combinado com o art. 165 do mesmo código. A regra se aplica
mesmo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, consoante interpretação dada pela Lei Complementar n° 118/2005, cuja aplicação retroativa se dá por ser expressamente interpretativa nos termos do art. 106 do CTN.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3402-000.704
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos o Conselheiro Leonardo Siade Manzan e a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel (Suplente), que davam provimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-14T12:30:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-14T12:30:14Z; Last-Modified: 2011-10-14T12:30:14Z; dcterms:modified: 2011-10-14T12:30:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:106e2fbc-4055-4a40-9f7e-19a22416ac04; Last-Save-Date: 2011-10-14T12:30:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-14T12:30:14Z; meta:save-date: 2011-10-14T12:30:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-14T12:30:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-14T12:30:14Z; created: 2011-10-14T12:30:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-10-14T12:30:14Z; pdf:charsPerPage: 1897; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-14T12:30:14Z | Conteúdo => S3-C4T2 H i MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.010712/2006-06 Recurso n° 238.934 Voluntário Acórdão n° 3402-00.704 — 41 / 2' Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2010 Matéria Restituição/Compensação PIS Recorrente LOJAS HIRT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL NORMAS REGIMENTAIS. SUMULA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do § 4° do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais apróvado pela Portaria MF no 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos. NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 02. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, "0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. DECADÊNCIA. O direito à restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente, seja qual for o motivo, extingue-se no prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, a teor do art. 168, I do Código Tributário Nacional, combinado com o art. 165 do mesmo código. A regra se aplica mesmo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, consoante interpretação dada pela Lei Complementar n° 118/2005, cuja aplicação retroativa se dá por ser expressamente interpretativa nos termos do art. 106 do CTN. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos o Conselheiro Leonardo Siade Manzan e a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel (Suplente), que davam provimento. s Manatta - Presidente Processo n0 10980.010712/2006-06 83-C412 Acórdão n " 3402-00.704 Fl 2 .I " ro Cesar A ves Ram's - Relator ED. TADO EM 19/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Raquel Mota Brandão Minatel (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Leonardo Siade Manzan e Nayra Bastos Manatta. Relatório Recorre a empresa acima qualificada de decisão que indeferiu pedido de restituição por ela formalizado em 26 de setembro de 2006 referente a recolhimentos da contribuição PIS/PASEP efetuados entre fevereiro de 1999 e agosto de 2001. As parcelas decorreriam da consideração de que o §1° do artigo 3° da Lei 9.718 é inconstitucional consoante decisão plenária do STF proferida em 09/11/2005. Vale dizer que a empresa utilizou o formulário previsto na IN SU* 210/2002, fazendo-o acompanhar por petição em que justifica o seu uso e, quanto ao direito postulado, declara que: "Com a decisão do STF, restou restabelecida (sic) as bases de cálculo previstas nas Leis Complementares n's 7/70 e 70/91, para o PIS e a Cofins, respectivamente, até a entrada em vigor das Leis ?es 10 637/02 e 10.833/03 que ampliaram a base de cálculo, só que agora sob a égide da EC n° 20/98, portanto a ampliação das bases a partir de então passou a ser constitucional. Por isso, tendo em vista a inconstitucionalidade da legislação que alterou a LC 7/70, e tendo em vista a ausência de lei posterior a EC n° 20/98 criando contribuição sobre todas as receitas, conclui-se que o PIS não é devido quando recolhido nos moldes da Lei 9.718/98.. Portanto, pela petição não se tem certeza se a empresa está postulando a totalidade do valor recolhido ou somente o excesso em comparação à legislação anterior, que ele indica ser a LC 7/70. A planilha que a segue deixa transparecer que apenas se postula o excesso. Esse aspecto não chegou sequer a ser examinado no despacho decisório proferido pela DRF Joinville (fls. 18/20), dado que se entendeu decaído o direito a qualquer postulação em virtude da fluência do prazo previsto nos arts. 165 e 168 do CTN. 0 despacho fundamento esse entendimento na Lei Complementar 118/2005, arts. 3° e 4°. cÇH Processo no 10980.010712/2006-O6 S3-C4 -1-2 Acórdão ri ° 3402-00.704 Fl 3 Vale dizer que a petição inicial do contribuinte não abordara tal matéria. Ela foi, entretanto, enfrentada ern manifestação de inconformidade que veio a ser examinada pela DRJ Florianópolis. Ali, como no presente recurso, postula a empresa que o prazo decadencial (ou prescricional) para a restituição de tributos sujeito ao lançamento por homologação de que cuida o art. 150 do CTN, embora de cinco anos, somente começa a fluir após a homologação tácita ou expressa do recolhimento efetuado, podendo chegar a dez anos, como já reiteradamente definido pelo STJ. Nada menciona acerca da Lei Complementar 118/2005. A decisão original foi, todavia, mantida pela DRJ, e com os mesmos fundamentos expendidos pela DRF. Por isso, a empresa reapresenta no recurso tempestivamente ofertado a tese dos cinco mais cinco, agora enfrentando expressamente a Lei 118, com base em decisão do próprio STJ que a considerou não interpretativa e, portanto, aplicável apenas a fatos posteriores a sua edição, consoante ementa que transcreve. É o Relatório, Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Como já dito, o recurso é tempestivo e, além disso, a matéria em discussão é da competência desta Seção do CARF, de modo que se deve conhecer do recurso. Mas não lhe assiste razão, devendo ser mantida, pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, a decisão proferida pela DR.1. É que, como ali bem anotado, a aplicabilidade dos arts, 165 e 168 às restituições acerca de tributos sujeitos a lançamento por homologação sempre gerou controvérsias na doutrina, especialmente nos casos em que o pagamento se mostrava indevido ou a maior em razão de decisão judicial, aplicável a todos os contribuintes, que afirmasse inconstitucional a lei em que se baseava. Alguns entendiam, e ainda entendem, que o termo inicial do prazo seria a própria declaração de inconstitucionalidade que tivesse efeitos gerais. Contar-se-ia, assim, da data de publicação de Resolução do Senado que desse tais efeitos a decisões reiteradas do STF proferidas no controle difuso. Seus partidários querem estendê-la para alcançar inconstitucionalidade proclamada por aquele órgão em decisão plenária, ainda que a Constituição não lhe da efeito erga °nines. No meu entender', porém, toda a controvérsia cessa com a edição da Lei Complementar 118/2005. t. que ela expressamente afirma que tais artigos se aplicam a todas as hipóteses de restituição, mesmo à que aqui se discute. É o que reza o seu art. .30: Processo n° 10980.010712/2006-06 S3-C412 Acórdo n '3402-00.704 Fl 4 Art, 3 0 Para efeito de intelpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5,172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 ° do art 150 da referida E para não deixar dúvidas o legislador afirmou, no artigo 4 0, tratar-se a LC de norma interpretativa, aplicável, pois, de forma retroativa . Confira-se o artigo: Art 4' Esta Lei entra em i vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art, 3', o disposto no art 106, inciso 1, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, A clareza do dispositivo é rneridiana e repele, a meu sentir, todas as interpretações que a pretendem somente aplicável a fatos ocorridos após a sua edição. Há duas: a que vincula a aplicabilidade do art. 3° ao prazo de cento e vinte dias e a, ainda mais radical, que simplesmente repele o próprio texto legal que afirma expressamente submeter-se tal artigo A. regra do art. 106 do CTN. exatamente essa interpretação que pretende a empresa ver aplicada aqui com base na decisão do STJ que a proclamou. Há, porem, dois óbices intransponíveis. Decorrem ambos do fato de que isso requer considerar a própria Lei, ou ao menos esse art. 4°, inconstitucional, Foi o que fez, de forma transversa, o acórdão do STJ, como, aliás, denota, a ressalva feita pelo Ministro João Noronha. E digo transversa porque o STJ não proclamou expressamente aquela inconstitucionalidade. Não há outro caminho, contudo, para dizer que o artigo 4° só se aplica para frente se ele expressamente afirma o contrário. E assim, aliás, já o disse o STF ao examinar os efeitos das decisões do ST3 que, apoiadas nessa sua consolidada jurisprudência, negam seguimento a recursos extraordinários sobre a matéria, que se de inconstitucionalidade se trata, e assim penso, a última palavra há de ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal no cumprimento de seu desiderato constitucional. Forçoso reconhecer, para finalizar, que, até o momento, não há decisão deste último órgão que acolha tal inconstitucionalidade do art. 4° da LC. Há, isto sim, decisão que impõe lhe sejam encaminhados os recursos extraordinários que pretendam discutir a questão. Dessa forma, a pretensão da empresa tem de ser vista como a tentativa de que este órgão administrativo proclame, originariamente, aquela inconstitucionalidade Não o pode, o que já é objeto da Súmula Administrativa n° 02 do antigo Conselho de Contribuintes, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF por força do art. 72 de seu Regimento. Assim sendo, impossível afastar a aplicação retroativa do disposto no art, 3° da Lei Complementar 118 ate que o STF o afirme inconstitucional, torna-se obrigatório mantel . a decisão atacada nos seus exatos termos. 4/\ Processo n° 10980 010712/2006-06 S3-C4T2 Acórdfio n ° 3402-00.704 Fl. 5 É que o próprio contribuinte reconhece que o seu pedido foi formalizado mais de cinco anos após os recolhimentos efetuados, em afronta aos arts. 165 e 168 do CTN que aquele artigo entendeu aplicáveis mesmo aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Voto, pois, por negar provimento ao recurso do contribuinte. J 10 CÉSAR ALVES RAMOS 5
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Numero do processo: 18186.726270/2017-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/07/2014
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 178.
A inexistência de tributo apurado ao final do ano-calendário não impede a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa na forma autorizada desde a redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2014
CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESPROPORCIONALIDADE DE MULTA APLICADA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1301-007.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-007.026, de 13 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 18186.726274/2017-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento Assinado Digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Iágaro Jung Martins, José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL TARANTO MALHEIROS
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2014 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 178. A inexistência de tributo apurado ao final do ano-calendário não impede a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa na forma autorizada desde a redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/2014 CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESPROPORCIONALIDADE DE MULTA APLICADA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-007.026, de 13 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 18186.726274/2017-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento Assinado Digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Iágaro Jung Martins, José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.027 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.726270/2017-35 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente o lançamento, relativo à multa isolada decorrente do não recolhimento de estimativas de IRPJ confessadas em DCTF. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Sobreveio deliberação da Autoridade Julgadora de 1ª instância, considerando a “Impugnação Improcedente”, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2014 DISPENSA DE EMENTA Acórdão sem ementa, em cumprimento ao disposto no art. 2º da Portaria RFB nº. 2.724, de 27 de setembro de 2017. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repete as razões de Impugnação. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo (e-fls. 163 e 165), pelo que dele se conhece. MÉRITO: LAVRATURA DE MULTA ISOLADA APÓS TÉRMINO DE ANO- CALENDÁRIO E EFEITO CONFISCATÓRIO E DESPROPORCIONAL DE MULTA Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.027 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.726270/2017-35 3 Quanto à matéria, a Autoridade Julgadora de piso se manifestou no termos a seguir transcritos, registrando-se que a parte interessada “não apresentou novas razões de defesa perante a segunda instância”, propondo-se “a concordância com os fundamentos da decisão recorrida”, nos termos do inc. I do § 12 do art. 114 do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprova o RICARF: “Em sua peça defensiva, o sujeito passivo aponta que, apesar de ser incontroversa a ocorrência da infração, a aplicação da penalidade seria descabida, em face de seu caráter confiscatório e por ter sido aplicada após o encerramento do ano- calendário. A aplicação de multa isolada de CSLL após o encerramento do ano-calendário é escorreita, vez que o bem jurídico tutelado (fluxo regular de recursos para a Administração Tributária, antes do encerramento do período de apuração) continua ofendido após o encerramento do período de apuração ao qual se refere a estimativa inadimplida e mesmo que o sujeito passivo apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. E, ademais, equivaleria a negar eficácia ao dispositivo legal em foco aceitar que somente seria punida a infração em análise caso fosse constatada antes do encerramento do ano-calendário. Tal interpretação distorcida ainda significaria expressiva vantagem à opção pelo lucro real anual em detrimento à regra geral de apuração trimestral do lucro tributável. Os Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional citados na peça defensiva não prestigiam as ideias defendidas pelo Impugnante. De fato, os Pareceres PGFN/CAT nº. 1.658, de 2011, e 193, de 2013, apenas apontam a impossibilidade da cobrança de estimadas confessadas em DCTF, não abordando o cabimento de penalidade isolada sobre estimativas inadimplidas. Destaque-se, que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional alterou posteriormente seu entendimento, passando a compreender que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL seriam passíveis de cobrança após o encerramento do ano-calendário, desde que confessadas em DCOMP e utilizadas na declaração do imposto de renda para fins de apuração do saldo do tributo a recolher ou passível de restituição (saldo negativo). Tal alteração de entendimento consta do Parecer PGFN/CAT nº. 88, de 2014, também citado na peça defensiva. A Súmula CARF nº. 82, seguindo o mesmo entendimento prestigiado nos Pareceres PGFN/CAT nº. 1.658, de 2011, e 193, de 2013, apenas aponta o descabimento de constituição de estimativas de IRPJ ou CSLL após o encerramento do ano- calendário, não tratando da multa isolada cabível sobre estimativas inadimplidas. Destaque-se que a existência de farta jurisprudência administrativa acerca do cabimento de lançamento de multa isolada sobre estimativas inadimplidas após o encerramento do ano-calendário, mesmo que, ao final do período de apuração, o sujeito passivo tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL (n. r.: nessa esteira, aprovou-se, em sessão realizada em 06/08/2021, o enunciado sumular CARF de nº 178, que assenta que ‘[a] inexistência de tributo apurado ao final do ano-calendário não impede a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa na forma autorizada desde a redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996’). Cita-se, a título ilustrativo, os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: [...] Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.027 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.726270/2017-35 4 (...) Por fim, em relação ao aventado caráter confiscatório e desproporcional da multa aplicada, insta apontar que tal matéria não se encontra no campo de apreciação desta instância administrativa, devendo ser carreada ao Poder Judiciário, que detém competência para a discussão de tal questão. Cabe observar, neste ponto, o artigo 59 do Decreto n.º 7.574/2011, e a Súmula nº 2 aprovada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a seguir transcritos, segundo os quais não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma legal pela Administração. [...] (...) Portanto, com base em todo o exposto, JULGO IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, MANTENDO INTEGRALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO” (grifou-se). Por todo o exposto, conheço o Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento Assinado Digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Fl. 148DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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