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Numero do processo: 10120.720678/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica, em relação à parte que esteja sendo discutida judicialmente, renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Indefere-se a solicitação do sujeito passivo para a realização de diligência destinada à instrução de processo judicial em curso, por desnecessária ao desenvolvimento e julgamento do processo administrativo.
MATÉRIA DEVOLVIDA A JULGAMENTO. DELIMITAÇÃO. PRECLUSÃO.
É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 2401-003.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário, em razão da concomitância de ação judicial, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato acompanhou o Relator nas conclusões e apresentará declaração de voto para especificar a dissonância.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica, em relação à parte que esteja sendo discutida judicialmente, renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Indefere-se a solicitação do sujeito passivo para a realização de diligência destinada à instrução de processo judicial em curso, por desnecessária ao desenvolvimento e julgamento do processo administrativo. MATÉRIA DEVOLVIDA A JULGAMENTO. DELIMITAÇÃO. PRECLUSÃO. É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal. Recurso voluntário negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica, em relação à parte que esteja sendo discutida judicialmente, renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Indeferese a solicitação do sujeito passivo para a realização de diligência destinada à instrução de processo judicial em curso, por desnecessária ao desenvolvimento e julgamento do processo administrativo. MATÉRIA DEVOLVIDA A JULGAMENTO. DELIMITAÇÃO. PRECLUSÃO. É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 06 78 /2 01 4- 11 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 544 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário, em razão da concomitância de ação judicial, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato acompanhou o Relator nas conclusões e apresentará declaração de voto para especificar a dissonância. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 545 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), cujo dispositivo tratou de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1453.118 (fls. 367/369): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 DILIGÊNCIA. DEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 33/45, que o processo administrativo é composto por 2 (dois) autos de infração (AI), abrangendo as competências 01/2010 a 12/2012, a saber: i) AI nº 51.056.8211, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção rural, exigida da empresa adquirente na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física, nos termos do inciso IV do art. 30, c/c incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; e ii) AI nº 51.056.8220, relativo à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, exigida da empresa adquirente na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física, consoante o art. 6º da Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997. 2.1 Durante a ação fiscal, o sujeito passivo apresentou à fiscalização diversas ações judiciais ajuizadas por produtores rurais, pessoas físicas, com o propósito de afastar a incidência das contribuições sobre a receita bruta da comercialização rural, assim como a retenção pelas empresas adquirentes dessa produção rural (fls. 172/176). 2.2 Tendo em conta a documentação apresentada, foram excluídos do lançamento fiscal, segundo a autoridade lançadora, todas as aquisições provenientes de produtores detentores de ações judiciais com decisão favorável, correspondendo o crédito tributário lançado apenas às aquisições de pessoas físicas sem decisão judicial, com decisão judicial desfavorável ou, ainda que favoráveis, que não cumpriram as condições estabelecidas no respectivo provimento judicial (cf. item 11, do relatório fiscal). Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 546 4 2.3 Sobre o valor das contribuições não recolhidas foi aplicada multa de ofício majorada, no importe de 150% (cento e cinquenta por cento), com fundamento no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, c/c § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por ter a fiscalização constatada a ocorrência, em tese, de crime de sonegação previdenciária e/ou contra a ordem tributária. 3. Cientificado pessoalmente das autuações em 29/1/2014, às fls. 3 e 17, o contribuinte impugnou parcialmente a exigência fiscal, somente em relação ao AI nº 51.056.8211. No tocante ao AI nº 51.056.8220 solicitou o parcelamento do débito (fls. 305/311). 3.1 Em síntese, quanto ao AI nº 51.056.8211, a impugnante apresentou os seguintes argumentos: i) iniciado o procedimento de fiscalização, optou pelo ajuizamento de ação judicial, autuada sob o nº 0035160.43.2013.4.01.3500, por entender inconstitucional a exigência das contribuições sobre a comercialização rural, inclusive a previsão de subrogação do adquirente para fins dos recolhimentos, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários (RE) nº 363.852/MG e nº 596.177/RS; ii) foi deferida a antecipação de tutela somente em relação às aquisições realizadas posteriormente ao ajuizamento da demanda; quanto às operações comerciais anteriores, houve o indeferimento da liminar, por faltar a comprovação da aquisição de produtores rurais pessoas físicas, na qualidade de empregadores; iii) requer a conversão do julgamento administrativo em diligência, a fim de a fiscalização juntar aos autos os comprovantes dos produtores rurais, que tenham a qualidade de empregadores; e iv) solicita ainda a suspensão do processo administrativo até a decisão definitiva da ação judicial, em tramitação na Justiça Federal do Estado de Goiás. 4. Intimada em 16/9/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 384, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 15/10/2014 (fls. 386/394). 4.1 Além das alegações acima mencionadas, a peticionante acresce à sua peça recursal que: i) as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do julgamento em repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no âmbito deste Conselho, conforme previsto no art. 62A do Regimento Interno; Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 547 5 ii) há incorreção nas bases de cálculo do lançamento fiscal, porque foram incluídos "valores de aquisições de produtores portadores de liminares, sentença e acórdãos, sendo que os mesmos estão desobrigados do recolhimento de tais contribuições, conforme decisões anexas"; iii) considerando as ações judiciais impetradas pelos produtores, houve suspensão da exigibilidade das contribuições, o que afasta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário; e iv) há divergências entre códigos, nomenclaturas do lançamento e guias enviadas à recorrente para recolhimento. É o relatório. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 548 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Notícia a recorrente a interposição de ação judicial, sob o nº 0035160.43.2013.4.01.3500, em que solicita o reconhecimento da inexistência de relação jurídica para recolhimento das contribuições previdenciárias na condição de subrogada, em razão da inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 25, e inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, mesmo após a edição da Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001. Também pleiteia a suspensão da cobrança das referidas exações (fls. 395/409). 6. A existência de ação judicial com o mesmo objeto obsta o curso do contencioso administrativo, na linha de entendimento do enunciado da Súmula nº 1 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), assim redigida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 7. Ao optar pela discussão judicial, o sujeito passivo abdica da esfera administrativa. A renúncia às instâncias administrativas ou a desistência do recurso interposto configura fato impeditivo do direito de recorrer, não podendo ser conhecida a petição na parte concomitante. 8. Por outro lado, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. 9. Nesse cenário, não tomo conhecimento das razões de mérito referentes à exigência fiscal para recolhimento das contribuições previdenciárias pela recorrente, com fundamento no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física. 10. Quanto às matérias distintas do processo judicial, uma vez satisfeitos os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 549 7 Preliminares a) Suspensão do processo administrativo 11. Não há razão para o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário em face da escolha da via judicial, tendo em conta que a interposição de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, como antes visto, implica a renúncia às instâncias administrativas, ou a desistência do recurso interposto. b) Conversão do julgamento em diligência 12. A existência de dificuldades para comprovar a qualidade de produtores pessoas físicas, na condição de empregadores rurais, como só alegado pela recorrente, para fins de sanar a deficiência na instrução probatória do processo judicial em curso, é motivo que escapa à finalidade da diligência no âmbito do contencioso administrativo. 13. Com efeito, a necessidade da realização de diligência pressupõe que as provas contidas nos autos sejam insuficientes para o convencimento do julgador, de sorte tal que os fatos trazidos pelas partes inviabilizem uma decisão conclusiva sobre o direito aplicável ao caso concreto, no contexto do processo administrativo. 14. Assim exposto, por desnecessária ao processo administrativo, a diligência requerida não pode ser deferida. Mérito 15. A interposição do recurso voluntário transfere ao órgão "ad quem", conforme a extensão da petição, o reexame da matéria impugnada. Destarte, o recurso não lhe devolve o conhecimento de matéria não contestada quando da impugnação do lançamento. 16. Nessa linha de entendimento, dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 16.1 De tal forma que não é permitido inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas. 16.2 Sob pena de afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, questões não provocadas a debate na primeira instância por meio da peça vestibular, arguidas pela recorrente somente na fase recursal, constituem matérias preclusas, vedada a sua análise pelo órgão "ad quem". 16.3 Escapam dessa regra questões de ordem pública, as quais transcendem aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. 17. Por isso, ao confrontar impugnação e recurso voluntário, verifico que a alegação de inclusão pela fiscalização de valores advindos de comercialização com produtores rurais Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 550 8 detentores de decisões judiciais que os desobrigavam do recolhimento das contribuições previdenciárias é matéria ventilada somente na fase recursal e, portanto, preclusa. 18. De outro giro, ainda que se cogitasse a aceitação de provas a destempo, como medida excepcional a fim de privilegiar a verdade material, melhor sorte não acolheria a recorrente. 19. É que os elementos de prova deveriam sinalizar de maneira concludente e imediata a incorreção do lançamento fiscal por erro de fato, dispensandose a necessidade de emprego de cognição mais aprofundada. 19.1 Porém, a recorrente tão somente junta inúmeras decisões judiciais aos autos, conforme fls. 446/521, consistindo em uma massa desordenada de papeis, sem preocuparse em realizar a correlação nominal com os fatos geradores apurados pela fiscalização ou mesmo confrontálas com a planilha elaborada pela autoridade lançadora, em que estão listadas com detalhes as ações judiciais em nome de produtores rurais (fls. 172/176). 19.2 Para ser mais preciso, a autuada realiza uma única vinculação, a título exemplificativo, na qual cita a situação do produtor rural Eldo Marconi Pereira. 19.3 Acontece que, para este caso, a simples leitura da decisão judicial de fls. 448, proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, revela que o acórdão não alterou a determinação de primeira instância quanto à necessidade de comprovar a condição de empregador rural para afastar o recolhimento das contribuições previdenciárias, conforme ressalvado na planilha confeccionada pela fiscalização (fls. 172). 19.4 Relembro que a fiscalização menciona que procedeu à exclusão do lançamento fiscal relativamente a todas as aquisições provenientes de produtores rurais que detinham liminares ou outras decisões proferidas em ações judiciais que impossibilitavam a empresa adquirente, ora recorrente, de reter as contribuições previdenciárias incidentes na comercialização da produção rural (item 11 do relatório fiscal). 19.5 Não constato, assim, o mínimo indício de plausibilidade das alegações da recorrente. 20. De qualquer modo, dada a preclusão da matéria nesse ponto, os argumentos da recorrente deixarão de ser apreciados. 21. Por derradeiro, quanto à alegação de existirem divergências entre códigos e nomenclaturas do lançamento, a recorrente não demonstra, efetivamente, em que consistem, tampouco que estariam vinculadas ao litígio instaurado mediante a impugnação da exigência fiscal. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 551 9 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, em razão da concomitância de ação judicial, e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 552 10 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Da Preclusão. Acompanhei o voto do ilustre Relator em sua integralidade, todavia, no tocante ao tópico acerca da preclusão e delimitação da matéria devolvida a julgamento em sede de recurso voluntário, o fiz pelas conclusões. Assim, entendo necessário esclarecer, sucintamente, os motivos que me levam a acompanhar o Relator no presente caso e externar o meu posicionamento acerca da preclusão no processo administrativo fiscal. Para o Relator, a matéria não contestada em sede de impugnação não pode ser objeto de questionamento em sede de recurso voluntário, por força do art. 17 do Decreto 70.235/72, assim disposto: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Destaco, essencialmente, o seguinte excerto do excelente voto do ilustre Relator, para pontuar a presente declaração de voto: Sob pena de afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, questões não provocadas a debate na primeira instância por meio da peça vestibular, arguidas pela recorrente somente na fase recursal, constituem matérias preclusas, vedada a sua análise pelo órgão "ad quem". Pontuo o meu entendimento pessoal, pois, “questões” não provocadas, conforme mencionado pelo Relator, não podem ser consideradas as “alegações”, “razões”, ou mesmo “argumentos” não trazidos pelo impugnante e que sejam inseridos em sede de Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo é contínuo, possui fases distintas e a decisão de primeira instância por parte da DRJ pode, simplesmente, incluir novos argumentos, basearse em outras provas contidas nos autos de processo administrativo e não necessariamente pontuadas pelo Relatório Fiscal, o que necessitará novos argumentos/alegações por parte do recorrente. O art. 17 acima mencionado prevê sobre “matéria que não tenha sido expressamente contestada”. No meu entender, a “matéria” é justamente o objeto do lançamento, por exemplo: (1) contribuição previdenciária sobre a comercialização rural (FUNRURAL); (2) contribuição previdenciária sobre a folha de salários (parte patronal); (3) contribuição previdenciária sobre a folha de salários (parte segurados). Os três exemplos citados, são, inequivocamente, “matérias” do processo administrativo fiscal, e a preclusão do art. 17 só se configura acaso o impugnante deixe de atacar alguma dessas matérias, não tecendo quaisquer razões para combater o lançamento. Nessa hipótese caberá ao Fisco, até mesmo, já exigir a sua cobrança no caso de determinado tributo não ser contestado. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10120.720678/201411 Acórdão n.º 2401003.972 S2C4T1 Fl. 553 11 Todavia, não pode ser considerada a preclusão caso o impugnante combata o lançamento de Funrural, por exemplo, sob determinados argumentos e em sede de recurso voluntário, continue combatendo o mesmo lançamento, porém com argumentos absolutamente distintos, introduzidos somente em sede recursal. Nesse caso, não haverá que se cogitar a preclusão, posto que a matéria (Funrural), é objeto de contestação desde a interposição da peça impugnatória. Assim, no caso presente, acompanho o Relator pelas conclusões, posto que embora o recorrente tenha inserido suas novas alegações (sobre incorreções na base de cálculo do lançamento pela inclusão de produtores rurais com medidas judiciais que o desobrigam à retenção e recolhimento do Funrural) em meio ao tópico em que combate o Funrural, no mérito do recurso voluntário, tratamse de alegações acerca de particularidades do processo judicial existente, que não teria sido observadas e teriam acarretado em supostos erros da fiscalização na composição dos valores devidos, que não se adentram ao mérito do tributo lançado. Portanto, tendo em vista a particularidade do caso em análise, acompanho o relator pelas conclusões acima expostas. (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alexandre Tortato Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721261/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
EMBARGOS. SANEAMENTO. NECESSIDADE.
Presentes circunstâncias autorizadoras da admissibilidade do recurso manejado, cumpre à autoridade administrativa julgadora atuar no sentido de apreciar o mérito das razões aportadas ao processo. No caso vertente, em que foram identificados motivos capazes de emprestar efeitos infringentes ao julgado, a decisão contestada, acrescida dos pronunciamentos saneadores, deve ser retificada.
Numero da decisão: 1301-001.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos para, no mérito, DAR-LHES provimento PARCIAL, retificando o Acórdão nº 1301-001.605, nos termos do voto do relator. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Gonçalo Bonet Allage, OAB/PR nº 22.804.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Embargante JOTA ELE CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 EMBARGOS. SANEAMENTO. NECESSIDADE. Presentes circunstâncias autorizadoras da admissibilidade do recurso manejado, cumpre à autoridade administrativa julgadora atuar no sentido de apreciar o mérito das razões aportadas ao processo. No caso vertente, em que foram identificados motivos capazes de emprestar efeitos infringentes ao julgado, a decisão contestada, acrescida dos pronunciamentos saneadores, deve ser retificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos para, no mérito, DARLHES provimento PARCIAL, retificando o Acórdão nº 1301 001.605, nos termos do voto do relator. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Gonçalo Bonet Allage, OAB/PR nº 22.804. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 12 61 /2 01 1- 11 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.915 S1C3T1 Fl. 882 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração interpostos pela empresa em epígrafe, tendo por objeto o acórdão nº 1301001.605, prolatado por esta Primeira Turma na sessão de julgamento realizada em 26 de agosto de 2014. Em conformidade com o documento de fls. 866, a contribuinte foi cientificada do acórdão prolatado em segunda instância em 28/04/2015, de modo que, tendo impetrado os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em 29/04/2015, o fez com observância do prazo regimental. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Alega a embargante que o acórdão em referência contém omissões que precisam ser sanadas. Nessa linha, renova argumentos no sentido de que agentes fiscais envolvidos na ação fiscalizadora, especialmente o Auditor Fiscal Sérgio Massao Oshiro, gozavam de suspeição, o que, a seu ver, já autorizaria o acolhimento dos embargos interpostos. Adiante, traz considerações no sentido de que o acórdão embargado foi omisso em relação a alegações trazidas em sede de recurso voluntário para contestar a imputação de omissão de receitas de aluguéis e de ganhos de capital. Os Embargos de Declaração foram admitidos por meio do despacho de fls. 880. É o relatório. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.915 S1C3T1 Fl. 883 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Registro inicialmente que as imputações feitas pela Fiscalização por meio do presente processo administrativo dizem respeito às operações realizadas pela Sociedade em Conta de Participação (SCP) CASCAVEL JL SHOPPING, da qual a JOTA ELE CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA é sócia ostensiva. Em suas considerações iniciais, a embargante retoma argumentação, já expendida no recurso voluntário anteriormente interposto, acerca de uma suposta suspeição dos agentes fiscais envolvidos na ação fiscal da qual resultou a autuação. Relativamente a tais considerações, a contribuinte traz, como fundamentos para o acolhimento dos EMBARGOS, o fato de ter noticiado, após a impetração do recurso voluntário, o envolvimento do agente fiscal SÉRGIO MASSAO OSHIRO em questões particulares relacionadas à ela e o "grande debate" que isto teria provocado durante o julgamento do presente processo nesta instância julgadora. Com o devido respeito, o recurso manejado não pode ser admitido com base em tal argumentação, cabendo ressaltar que a alegada suspeição dos agentes fiscais Lorete Berlanda e Sérgio Massao Oshiro foi exaustivamente analisada pelo acórdão embargado. Adiante, a embargante sustenta que no recurso voluntário, ao tratar da imputação de omissão de receitas de aluguéis, apontou valores que não representaram receita, questão que, para ela, não foi apreciada pelo acórdão guerreado. No acórdão embargado, o Relator original, o Ilustre Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, ficou vencido em seu pronunciamento relativamente à nulidade suscitada (SUSPEIÇÃO dos agentes fiscais) e à imputação de ausência de tributação de ganho de capital. A matéria em debate (omissão de receitas de aluguéis) foi apreciada pelo Relator original e constituiu a parte não vencida do seu pronunciamento, conforme transcrição abaixo. II – DO MÉRITO Considerada a preliminar acima enfrentada, atinente à suspeição e/ou incompetência da Autoridade autuante, a rigor nem mesmo se deveria proceder à análise material das imputações contidas no bojo do presente processo, contudo, tendo em vista que no processos administrativos nº 10945.721263/201119 e nº 10945.721137/201237, minha proposta de voto, no tocante à nulidade, ficou vencida, entendo oportuno apreciarse o mérito de maneira sucessiva, sem com isso, sopesar ou amenizar a nulidade antes proclamada. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.915 S1C3T1 Fl. 884 4 Especificamente quanto ao mérito das imputações, temse que a Fiscalização detectou duas infrações nos resultados da Sociedade em Conta de Participação: i) omissão de receitas de aluguéis; ii) diferença de ganho de capital, sendo tais itens objetos do enfretamento abaixo. II.1 – Da omissão de receitas de aluguéis No que toca a este item da autuação, temse que a Fiscalização apurou omissão de receitas referentes a aluguéis, dispondose assim no Termo de Verificação Fiscal de folhas 190 em diante: ... A contribuinte, por sua vez, tem defendido que jamais recebeu as receitas de aluguéis identificadas pela autoridade fiscal, ficou apenas com a expectativa de direito, com a pretensão de receber seus créditos, justificando que os negócios mencionados pela Fiscalização envolveram apenas permutas, sem acréscimo patrimonial para a empresa, e que as benfeitorias recebidas como contrapartida dos créditos de aluguéis foram imediatamente destruídas pelos inquilinos que ocuparam os imóveis em momento posterior, ponderando que, pela inexistência de incremento no patrimônio da empresa não ocorreu omissão de receitas de aluguéis e os lançamentos do IRPJ e reflexos são improcedentes. Também tem argumentado, a recorrente, que os valores mencionados nos distratos e considerados como receita omitida pela fiscalização são compostos, além de aluguéis, por despesas de condomínio e pelo fundo de promoção, conforme está expresso nos referidos documentos e que o trabalho da autoridade lançadora seria falho, na medida em que se as chamadas receitas de aluguéis estão sujeitas à tributação, segundo a premissa que ela adotou, certamente o reembolso de despesas de condomínio e de fundo de promoção não estão. Defendeu assim, que do valor de R$ 33.784,13, tributado no 4º trimestre de 2006, R$ 1.940,40 referemse ao fundo de promoção e R$ 4.427,36 e R$ 221,37 (totalizando R$ 4.648,73) são despesas de condomínio, conforme demonstrativo anexado, ou seja, a incorreção do lançamento seria demonstrada, neste ponto, pela equivocada base de cálculo das exigências, que seria de R$ 27.195,00 (R$ 33.784,13 R$ 6.589,13). Relativamente à receita de R$ 96.949,99, tributada no 1º trimestre de 2007, segundo a contribuinte R$ 11.184,06 seriam relativos ao fundo de promoção e R$ 14.786,16 e R$ 739,30 (totalizando R$ 15.525,46) despesas de condomínio, conforme demonstrativo anexado, ou seja, a base de cálculo dos lançamentos seria de R$ 70.240,47 (R$ 96.949,99 R$ 26.709,52), o que igualmente comprovaria a precariedade do trabalho fiscal. Como se observa do trecho transcrito do TVF, a Fiscalização analisou a conta de ativo “1.2.2.1.0001 – Aluguéis a Receber”, à folha 14 do Livro Razão de 2007 da SCP (fl. 54), em que consta o registro de lançamento a débito, em data de 31/07/2007, no valor de R$ 251.590,82, e a crédito na conta de ativo realizável a longo prazo “1.2.1.1.0002 – Jota Ele Imobiliária e Administradora Ltda.”, sendo que a Fiscalização apurou que não haveria nenhuma contabilização de saldo de aluguéis a receber. Segundo constatou a Fiscalização, em setembro e outubro de 2007, o saldo de R$ 251.590,82 da conta “1.2.2.1.0001 – Aluguéis a Receber” foi zerado mediante cinco lançamentos a crédito, fazendo referências a benfeitorias e a distratos Fl. 884DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.915 S1C3T1 Fl. 885 5 celebrados com os locatários inadimplentes, sendo que tais lançamentos tiveram como contrapartidas débitos na conta transitória “4.1.1.1.0045 – Benfeitorias – Lojas”, conforme folha 200 do Livro Razão (fl. 56), sendo que o saldo de R$ 251.590,82 da dita conta (fl. 57) foi integralmente transferido para a conta “1.4.1.1.0001 – Cascavel JL Shopping” (fl. 58), que espelhava uma conta de investimentos do ativo permanente. É indiscutível nos autos, portanto, relativamente aos aluguéis inadimplidos na época dos seus vencimentos, que os valores foram, a posteriori, quitados pelos Locatários, tanto é assim, que a própria recorrente anuiu assinando os distratos, recebendo como pagamento as máquinas de ar condicionado, e demais benfeitorias. Ou seja, a Fiscalização, ao analisar os documentos encaminhados juntamente com a resposta (fls. 70/77) anotou que foram celebrados distratos de locação, nos quais se verifica que os locatários quitaram, na data de sua assinatura, os valores de alugueis devidos com a permanência de máquinas de ar condicionado e outras benfeitorias nas lojas. Se a contribuinte ou seus locatários supervenientes utilizaram ou não as máquinas e as ditas benfeitorias, é fato que desinteressa por completo ao deslinde do feito, não sendo legítimo concluir, contudo, que tenha assinado os distratos e ainda assim considere que inadimplidos os aluguéis e não oferecidas as receitas à tributação. Devese dar razão à decisão recorrida ao afirmar que na espécie a recorrente recebeu os aluguéis em atraso, nas datas dos distratos arrolados, sem oferecêlas à tributação, situação que justifica a exigência, de ofício, dos tributos a eles correspondentes, o que foi efetuado para os três últimos recebimentos, já que os dois primeiros foram atingidos pela decadência. Com essas considerações, se vencido na preliminar de nulidade, voto por manter hígidas as conclusões da decisão recorrida quanto a este item da autuação. Notase, pois, que, embora faça menção aos argumentos da contribuinte acerca dos valores que para ela não poderiam ser considerados como receita, o Ilustre Conselheiro Relator não tratou dessa questão em seu pronunciamento. Necessária, assim, a supressão da omissão. Faço isso com base na decisão de primeiro grau, por entender que a argumentação contida no voto condutor correspondente não é merecedora de qualquer reparo. Registra a decisão de primeira instância, relativamente às receitas de aluguéis: [..] 42. Finalmente, não procede a reclamação de que os valores mencionados nos distratos e considerados como receita omitida pela fiscalização são compostos, além de aluguéis, por despesas de condomínio e pelo fundo de promoção. A impugnante junta, em vão, documentos com o fim de comprovar que R$ 1.940,40 referemse ao fundo de promoção e R$ 4.427,36 e R$ 221,37 (totalizando R$ 4.648,73) são despesas de condomínio (doc. n° 03); que R$ 11.184,06 referemse ao fundo de promoção e R$ 14.786,16 e R$ 739,30 (totalizando R$ 15.525,46) são despesas de condomínio (doc. n° 04). Tais documentos são irrelevantes, já que, pelo regime do lucro presumido, o lucro é calculado pela aplicação de percentuais sobre a Fl. 885DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.915 S1C3T1 Fl. 886 6 receita bruta, sem previsão para deduções com despesas ou custos, que valem somente para a apuração pelo lucro real. Irretocável o consignado pela decisão de primeira instância, eis que a autuação foi promovida com base no lucro presumido, de modo que, diante da aplicação dos coeficientes de presunção, descabe falar em redução da matéria tributável em razão de custos e despesas. Tais custos e despesas, no regime de tributação pelo lucro presumido, estão representados pela diferença entre o total da receita e a parcela resultante da aplicação do coeficiente de presunção. Alega ainda a embargante que, no recurso voluntário, assinalou: É preciso destacar, ainda, que a r. decisão de primeira instância deixou de apreciar um dos argumentos contidos na impugnação, o que autoriza a declaração de sua nulidade, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Ficou sem análise a alegação no sentido de que, seguindo o critério, equivocado na visão da empresa, adotado pela autoridade autuante, com relação ao valor do FGTS, ao invés de R$ 165.846,67 o saldo da conta contábil 4.1.1.1.0010 em 13/11/2007 era de R$ 169.539,60 (fls. 160), o que reduz o ganho de capital em R$ 3.692,93. Diz que o acórdão embargado é omisso em relação a tal alegação e que "tal fato autoriza e justifica o acolhimento dos embargos de declaração, para que se dê provimento ao recurso voluntário com o reconhecimento da nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa ou, no mínimo, para que se reduza a base de cálculo da exigência em R$ 3.692,93, com o provimento parcial do recurso voluntário". Penso que assiste razão à embargante, não para que se reconheça a nulidade da decisão exarada em primeira instância, eis que o pleno exercício do contraditório restou resguardado, mas tão somente para, suprindo a omissão do acórdão embargado, considerar que, de fato, na apuração do GANHO DE CAPITAL espelhada às fls. 197 (Termo de Verificação Fiscal) a autoridade autuante deveria ter levado em conta o saldo da conta 4.1.1.1.0010 em 07/11/2007 (R$ 169.539,60), conforme fls. 160, e não em 05/10/2011 (R$ 165.846,67). Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de acolher, em parte, os embargos de declaração interpostos para reduzir a matéria tributável relativa ao GANHO DE CAPITAL em R$ 3.692,93, retificando o resultado do acórdão nº 1301001.605 de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO para DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Fl. 886DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.915 S1C3T1 Fl. 887 7 Fl. 887DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 18470.732148/2013-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
GLOSA DE DESPESAS.
OPERAÇÕES NÃO CITADAS NA ACUSAÇÃO FISCAL. Ainda que a autoridade fiscal tenha intimado o sujeito passivo a comprovar as despesas, a ausência de qualquer referência às irregularidades eventualmente constatadas na documentação apresentada representa vício material que impõe a declaração de nulidade do lançamento relativamente às parcelas correspondentes computadas na base imponível.
DEDUÇÃO DE DESPESAS DE SERVIÇOS EM DUPLICIDADE. Afasta-se a glosa se o sujeito passivo logra demonstrar que as notas fiscais de serviços suportam os lançamentos promovidos a título de despesa e ativados para posterior amortização.
Numero da decisão: 1302-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, ANULAR o lançamento relativamente às glosas de despesas de serviços prestados por PGS Data Processing Inc., votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior; e 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de despesas de serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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OPERAÇÕES NÃO CITADAS NA ACUSAÇÃO FISCAL. Ainda que a autoridade fiscal tenha intimado o sujeito passivo a comprovar as despesas, a ausência de qualquer referência às irregularidades eventualmente constatadas na documentação apresentada representa vício material que impõe a declaração de nulidade do lançamento relativamente às parcelas correspondentes computadas na base imponível. DEDUÇÃO DE DESPESAS DE SERVIÇOS EM DUPLICIDADE. Afasta se a glosa se o sujeito passivo logra demonstrar que as notas fiscais de serviços suportam os lançamentos promovidos a título de despesa e ativados para posterior amortização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, ANULAR o lançamento relativamente às glosas de despesas de serviços prestados por PGS Data Processing Inc., votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior; e 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de despesas de serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 21 48 /2 01 3- 69 Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 3 2 Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório PGS INVESTIGAÇÃO PETROLÍFERA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 18/12/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 7.450.373,58. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 881/894 a autoridade lançadora relata as verificações promovidas na apuração do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário 2009 e 2010, e anota que, com referência às despesas com prestação de serviços por pessoas jurídicas apontadas nos valores de R$ 32.645.899,45 (2009) e R$ 19.148.518,89 (2010), aceitou comprovantes apresentados pela fiscalizada, mas considerou alguns ineficazes para comprovação da efetiva prestação de serviços. Os valores correspondentes (R$ 14.049.158,06 em 2009 e R$ 7.285.729,50 em 2010) foram glosados na apuração do IRPJ e da CSLL em razão dos motivos assim expostos: 14. Para os serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda, CNPJ 07.785.858/000158, já havíamos detectado o tipo de serviços constantes do único contrato apresentado à fiscalização: "serviços de back office". 15. Além disso, o próprio contrato define o que seriam serviços de back office como todo e qualquer tipo de serviço prestado que tenha relação com a administração e operação da contratante, como serviços de contabilidade em geral, manutenção de regularidade fiscal, Recursos Humanos e Departamento de Pessoal. 16. A grande maioria das notas fiscais e comprovantes apresentados são condizentes com objeto previsto no contrato, e por isso foram aceitos pela fiscalização. 17. Porém, outras notas fiscais citadas nos lançamentos na conta contábil 4.2.1.02.020 " Serviços Prestados PJ", já haviam sido apresentadas anteriormente pelo contribuinte para comprovação dos valores lançados como "Outros Custos" em 2009 e 2010, conforme planilhas " Ativação 2009 e 2010" e " Documentos de comprovação ativação 2009 e 2010", ambas anexas a este termo. 18. O contribuinte controla seus custos anuais através da rubrica "Serviços em Andamento" subdividindoos em diversas bacias: Bacia de Santos, Bacia de campos, Bacia do Jequitinhonha, etc. 19. Os valores incorporados aos "serviços em andamento" (ativados conforme nomenclatura adotada pelo contribuinte) são reconhecidos como custos dos serviços prestados, segundo critério contábil adotado pelo contribuinte. 20. Sendo assim, os lançamentos referentes às notas fiscais 203, 225, 228, 231, 234, 239, 244, 247, 253, 004, 009, 013 e 018 já foram incluídas nos custos referentes às "Bacias de Campos e de Santos" sujeitas à amortização em 2009 , 2010 e em anos posteriores, e tinham em sua descrição serviços distintos dos constantes do contrato apresentado. 21. Para os serviços prestados por PGS Geophysial AS, item 10 do termo de intimação n° 05, o contribuinte apresentou um contrato de distribuição de custos de Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 5 4 geociência e engenharia, que na verdade é um termo que estabelece procedimentos para as diversas empresas que compõe o grupo PGS (membros): 22. Portanto não foi apresentado um contrato que respalde a prestação de serviços da PGS Geophysial AS à PGS Investigação Petrolífera Ltda. 23. Não foram apresentados documentos fiscais, nem documentos que pudessem comprovar a efetiva prestação de serviços, sendo apresentados apenas Licença de Pesquisa sísmica e contratos da PGS Investigação Petrolífera com a Petrobrás. 24. E sendo assim, os valores pagos a PGS Geophysial AS serão incluídos em auto de infração, como despesas não comprovadas. 25. Para os serviços prestados por PGS ASA, item 11 do termo de intimação n° 5, foi apresentado um contrato entre a Petroleum GeoService ASA e diversas "beneficiárias" , todas controladas pela PGS ASA e prestadoras de serviços sísmicos. 26. No artigo 2° foi estabelecido, de maneira pouco clara, o objeto do contrato: "Em conformidade aos termos e condições estabelecidos aqui, cada Beneficiária, pelo presente instrumento contrata a prestadora de serviços para fornecer, e a prestadora de serviços concorda em fornecer, os Serviços para tal Beneficiária, durante o período de duração deste Contrato continuamente e sem qualquer solicitação específica de qualquer Beneficiária sendo requerida. ". 27. O contrato estabelece ainda, em seus anexos 02 e 03, que as diversas empresas do grupo podem ser beneficiárias ou prestadoras dos serviços. 28. Os dispositivos transcritos a seguir, extraídos do contrato, estabelecem a extensa lista de serviços a serem prestados: " artigo 3.3 As prestadoras de serviços envidarão todos os esforços necessários para fornecer os Serviços descritos no Anexo III às Beneficiárias". " Serviços de executivos seniores, fornecimento de assistência e assessoria em questões estratégicas tais como processos de licitação e revisões de contrato, Fornecimento de informações financeiras e análise referente ao desempenho de sociedades do grupo, gerenciamento do Projeto MultiCliente, Controle de qualidade/ revisão de produtos de processamento de dados, estabelecimento de contato com clientes para prover a oportunidade de participar de licitação para conseguir contratos, negociação com clientes durante o processo de licitação e na concessão de contratos, gerenciamento de contas, fornecimento de apoio ao cliente, vendas e Marketing, Assistência à Beneficiária na administração da rede de empresas de vendas, análise dos relatórios das empresas de vendas em nome de beneficiária e participação na resolução de conflitos, coordenação da rede de empresas de vendas terceirizadas da Beneficiária, incluindo nomeação em nome da Beneficiária de agentes terceirizados e negociação dos termos do contrato do agente, assim como a monitoramento do cumprimento do acordo entre o agente e a Beneficiária; 29. Na contabilidade, os valores foram lançados na conta 4.2.1.02.054 "Consultoria/Gerenciamento Corporate" , tendo como histórico valor referente serviços de gerenciamento",sem a identificação de documento de suporte. 30. Não foram apresentados documentos fiscais, relatórios de vendas efetuadas ou qualquer outra comprovação da efetiva prestação dos serviços, nem indicadas as operações que deram causa aos pagamentos, tendo a empresa anexado unicamente um email que ela mesmo intitulou " evidência serviços PGS ASA". 31. Por fim, para os serviços prestados por PGS Exploration US, foi apresentado um "contrato de serviços" entre ela e algumas empresas do grupo. 32. O artigo 2° do contrato estabeleceu, também de forma pouco esclarecedora, o seu objeto: Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 6 5 "Em conformidade com os termos e condições estabelecidos aqui, cada Beneficiária pelo presente instrumento, contrata as Prestadoras de Serviços para fornecer e as Prestadoras de Serviços concordam em fornecer, os Serviços para tal Beneficiária, durante o período de duração deste Contrato continuamente e sem qualquer solicitação específica,de qualquer Beneficiária sendo requerida ". 33. Mais uma vez não há qualquer especificação dos serviços serem prestados entre as diversas empresas do grupo que podem ser prestadoras ou beneficiárias. 34. Os valores dos "serviços prestados" também foram lançados na conta 4.2.1.02.054 "Consultoria/Gerenciamento Corporate", os histórico não trazem qualquer informação referente à operação. 35. Quanto à comprovação da efetiva prestação dos serviços, mais uma vez não foi disponibilizado qualquer documento fiscal, relatório, parecer ou qualquer documento que tivesse serventia, razão pela qual os valores lançados e que provocaram a redução do resultado da empresa serão incluídos em auto de infração, como despesas não comprovadas. Às fls. 886/887 consta a origem contábil dos valores glosados, a qual pode ser assim resumida: Data Valor Pessoa jurídica citada no lançamento 31/03/2009 117.381,06 PGS Geophysical AS 31/03/2009 1.611.379,20 PGS ASA 31/03/2009 4.548.801,31 PGS Exploration US 30/06/2009 138.379,37 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 30/06/2009 691.562,56 PGS Geophysical AS 30/06/2009 302.498,00 PGS ASA 30/06/2009 5.676.204,48 PGS Exploration US 30/09/2009 286.565,53 PGS Geophysical AS 30/09/2009 382.291,50 PGS ASA 31/12/2009 161.764,44 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 31/12/2009 132.331,20 PGS ASA Total 14.049.158,65 Data Valor Pessoa jurídica citada no lançamento 29/01/2010 318.536,02 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 26/02/2010 408.768,05 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 31/03/2010 199.853,13 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 31/03/2010 187.005,00 PGS ASA 31/03/2010 439.375,67 PGS Exploration US 30/04/2010 282.852,73 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 31/05/2010 255.511,59 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 30/06/2010 244.370,59 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 30/06/2010 447.154,42 PGS Exploration US 30/06/2010 724.203,00 PGS ASA 30/07/2010 416.551,29 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 31/08/2010 290.477,52 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 30/09/2010 217.196,44 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 7 6 30/09/2010 5.522,06 PGS Data Processing Inc. 30/09/2010 412.604,01 PGS Exploration US 29/10/2010 403.333,88 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 30/11/2010 458.850,82 PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda 31/12/2010 197.835,99 PGS Data Processing Inc. 31/12/2010 1.985,86 PGS Data Processing Inc. 31/12/2010 3.292,68 PGS Data Processing Inc. 31/12/2010 18.410,29 PGS Data Processing Inc. 31/12/2010 675.561,26 PGS Exploration US 31/12/2010 676.477,20 PGS ASA Total 7.285.729,50 A contribuinte mencionou não ter tido tempo de apresentar comprovação das despesas glosadas em razão do período no qual o procedimento fiscal se desenvolveu, mas concordou com as glosas referentes a serviços tomados juntos às empresas PGS Geophysial AS, PGS ASA e PGS Exploration US, promovendo o pagamento dos tributos correspondentes com as reduções legais, e apresentou justificativas para as glosas decorrentes de serviços prestados por empresas PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda e PGS Data Processing Inc., referentes ao processamento e armazenamento de dados sísmicos, discordando da dedução em duplicidade afirmada pela Fiscalização relativamente aos serviços de PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda, pois apenas parte das notas fiscais referidas foi apropriada para posterior amortização, remanescendo parcela que foi regularmente deduzida e glosada pela Fiscalização. Com referência aos serviços prestados por PGS Data Processing Ltda, afirmou a nulidade do lançamento por falta de fundamentação, e disse não poder produzir sua defesa por falta de esclarecimentos na acusação fiscal. De toda sorte, discorreu sobre a relação comercial mantida pela pessoa jurídica e abordou as operações que teriam sido glosadas. A Turma Julgadora declarou não impugnadas as glosas referentes a serviços tomados juntos às empresas PGS Geophysial AS, PGS ASA e PGS Exploration US, e rejeitou os demais argumentos de mérito porque não evidenciado, nos elementos apresentados, a apropriação parcial alegada com referência aos serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda, e porque validamente promovida a glosa dos valores relativos a serviços prestados por PGS Data Processing Ltda, além de insuficientes os documentos apresentados em impugnação para comproválos. A decisão de 1ª instância restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 GLOSA DE DESPESAS Mantémse a glosa de despesas cuja efetividade não foi comprovada com documentação hábil. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009, 2010 GLOSA DE DESPESAS Mantémse a glosa de despesas cuja efetividade não foi comprovada com documentação hábil. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 8 7 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009, 2010 NULIDADE Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Cientificada da decisão de primeira instância em 01/11/2014 (fl. 1525), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 18/11/2014 (fls. 1527/1555). Preliminarmente reitera que realiza a atividade de aquisição de dados sísmicos, os quais são processados para posterior comercialização, contratando serviços de processamento dos referidos dados junto a terceiros, conforme contratos firmados, dentre outras com PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda e PGS Data Processing Inc., serviços que classifica de normais, usuais e necessários ao tipo de atividade desenvolvida. Com referência às despesas com PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda, reafirma que não houve dedução em duplicidade. Relata as intimações recebidas e as respostas apresentadas, especificando os contratos entregues e discordando da interpretação fiscal de que certas notas fiscais a eles vinculadas já teriam sido vinculadas a "outros custos", asseverou que os valores contabilizados na conta nº 4.2.1.02.020 (Serviços Prestados PJ) correspondiam a parte daquelas notas fiscais que não foi contabilizada como custos. Assevera que o valor total de cada uma das notas fiscais acima suportava ambos os lançamentos, consoante comprovado no Livro Razão, reapresentado por ocasião deste recurso. A recorrente transcreve a apreciação da matéria na decisão de 1ª instância e mais à frente aduz que a autoridade julgadora se baseou em demonstrativos elaborados pela Fiscalização, que não encontram qualquer embasamento nos documentos contábeis apresentados pela Recorrente. Insiste que os valores das notas fiscais referidas não foram integralmente rateados como custos entre as bibliotecas de dados sísmicos comercializadas em relação aos projetos das Bacias de Campos e de Santos, tendo sido parcialmente lançados como custo, e parcialmente como despesa, nos casos em que não está vinculado a essas bibliotecas. Apresenta planilha detalhando os valores lançados em custos e despesas, e acrescenta que concomitantemente aos lançamentos a débito dos valores contabilizados na conta 4.1.1.04.030 ("Serviços Prestados PJ Custos"), a Recorrente efetuou lançamentos a crédito de tais valores (líquidos de PIS e COFINS) na conta 4.1.1.040100 ("Apropriação para o Diferido") (doc. 05), para estornar tais valores do resultado. Ressalta, também, que o valor registrado na conta 4.1.1.04.030 ("Serviços Prestados PJ Custos") não foi feito em um único lançamento, mas sim levandose em conta os valores que seriam alocados para cada um das bibliotecas sísmicas da Recorrente. E junta cópia do Livro Razão para demonstrar que tais valores estornados (líquidos de PIS e COFINS) foram registrados em contas de ativo, de acordo com a biblioteca de dados sísmicos a que estavam vinculados, detalhando a partir de um exemplo o procedimento alegado. Salienta que a suposta duplicidade de lançamento da mesma nota fiscal foi o único argumento levantado pela fiscalização para glosar a despesa aqui tratada, inexistindo qualquer outro fundamento que pudesse afetar sua dedutibilidade. Assim, comprovado que a Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 9 8 despesa está suportada por contrato e nota fiscal, e afastada a duplicidade, pede o cancelamento do auto de infração. Passando às despesas com PGS Data Processing Inc., a recorrente individualiza as despesa glosadas, mas diz não ter como saber o motivo pelo qual tais despesas foram glosadas pelas autoridades fiscais, dado que a referida empresa não é mencionada no Termo de Verificação Fiscal, aspecto que enseja a declaração de nulidade do lançamento por ausência de fundamentação e consequente cerceamento ao seu direito de defesa. Invoca o disposto no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72 e o art. 50 da Lei nº 9.784/99, e cita jurisprudência em favor do reconhecimento da nulidade da exigência em circunstâncias semelhantes. Discorda da decisão recorrida que entendeu sanado o vício do lançamento em razão da tentativa da recorrente de se defender contra a glosa em questão. Assevera que tentou apresentar documentos que comprovassem a prestação de serviços com a empresa em questão, em patente demonstração de boafé, mas a autoridade julgadora de 1ª instância desconsiderou tais documentos, trazendo novas razões para manter a glosa em questão, em uma clara tentativa de inovação do lançamento! Cita julgado administrativo contrário à manutenção da exigência com motivação diversa daquela que ensejou o lançamento, porque tal atuação extrapolaria completamente a competência do órgão julgador, cerceando o direito de defesa da contribuinte. Subsidiariamente adentra ao mérito, asseverando que celebrou contrato de processamento de dados com a PGS Data Processing Inc., juntado à impugnação acompanhado das faturas (invoices) emitidas em razão da execução dos correspondentes serviços, além de documentos que comprovam o envio dos dados para processamento pela PGS Data Processing Inc. Na medida em que não houve qualquer questionamento acerca destas despesas, entende que os documentos são suficientes para comprovar sua efetividade. Assevera que a autoridade julgadora, em inovação, apontou que o contrato era datado de 2007 e fazia referência a aditivos que não foram apresentados, não restando demonstrada a correlação das despesas com os valores das invoices. E, embora estes questionamentos não tenham sido formulados no lançamento, esclarece que o contrato tinha vigência indeterminada, condicionada à execução dos serviços e entrega dos produtos, mas apresenta os aditivos relativamente ao processamento de dados sísmicos das Bacias de Santos e Campos, relacionados às invoices aqui tratadas, ressaltando que os transmittals vinculados a tais aditivos (registros de transmissão de dados sísmicos processados, enviados pela Recorrente aos seus clientes), os quais dão conta de demonstrar o resultado do processamento de tais dados sísmicos, já foram apresentados em sede de Impugnação pela Recorrente. Informa, ainda, a taxa de câmbio adotada para conversão dos valores das invoices, e conclui que esta glosa também deve ser cancelada. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre apreciar a arguição de nulidade do lançamento relativamente às glosas de serviços prestados por PGS Data Processing Inc.. A recorrente individualiza as despesas em debate, mas diz não ter como saber o motivo pelo qual tais despesas foram glosadas pelas autoridades fiscais, dado que a referida empresa não é mencionada no Termo de Verificação Fiscal. Discorda da decisão recorrida que entendeu sanado o vício do lançamento em razão de sua tentativa de se defender, observando que assim agiu em patente demonstração de boafé, mas a autoridade julgadora de 1ª instância desconsiderou tais documentos, trazendo novas razões para manter a glosa em questão, em uma clara tentativa de inovação do lançamento! De fato, inexiste qualquer referência à PGS Data Processing Inc. no Termo de Verificação Fiscal. Somente consta a indicação dessa pessoa jurídica nos demonstrativos anexos ao referido termo. Apreciando a arguição de nulidade também veiculada em impugnação, a autoridade julgadora de 1ª instância firmou que: Especificamente quanto às despesas registradas referentes à PGS Data Processing, ressaltese que em 27/08/2013, mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 2, a contribuinte foi intimada a apresentar contratos, notas fiscais, recibos, relatórios e demais comprovantes da efetiva prestação de serviços por pessoa jurídica, relativamente aos anoscalendário registrados no Razão, conforme planilha “ Prestação de Serviços PJ” (fls. 135 e 136 do processo planilha na qual referida empresa esta incluída). Obsevase que da referida planilha constam as despesas registradas como serviços prestados pela empresa PGS Data Processing Inc. (fl. 887) consideradas não comprovadas pelo Fisco. Evidentemente, daí a glosa efetuada. Tendo entendido que os documentos fornecidos inicialmente pela contribuinte eram insuficientes para uma analise conclusiva da totalidade das despesas, o Fisco intimou novamente a contribuinte a apresentar documentos complementares específicos, de algumas empresas. Todavia, o fato de não solicitar novamente, especificamente, documentos referentes à empresa PGS Data Processing Inc, não macula o lançamento, que foi baseado na glosa de despesa não comprovada pela contribuinte quando da resposta à intimação. A contribuinte apresentou na fase impugnatória documentos que comprovam o envio de dados pela empresa PGS Data Processing Inc., relativos às faturas (invoices) e contrato de prestação de serviço, mostrandose conhecedora da infração que lhe foi imputada. Assim, não se constata ofensa ao inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1072. Quanto à documentação apresentada com a finalidade de comprovar as despesas relativas à PGS Data Processing Inc., analisandoa, concluise serem insuficientes. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 11 10 O contrato juntado pela impugnante, é datado de 2007 e contém as seguintes cláusulas: 1 – DO OBJETO 1.1 O presente Contrato tem por objeto a execução pela CONTRATADA dos serviços de processamento e reprocessamento de dados que a CONTRATANTE necessite terceirizar, referente às diversas contratações assumidas por esta; 1.2 Em vista da diversidade de contratos a serem cumpridos mediante a execução do objeto deste instrumento, estabelecem as PARTES que a contratação entre as mesmas se dará através da elaboração de Termos Aditivos ao presente; (grifei) 1.3 Assim, cada serviço contratado à CONTRATADA pela CONTRATANTE, será objeto de Termo Aditivo específico, que, contudo, obedecerá às determinações gerais de contratação entre as PARTES, contidas no presente contrato. 4 DA VIGÊNCIA DO CONTRATO 4.1 – A vigência do presente, dadas as características e peculiaridades de seu objeto, está condicionada à execução dos serviços e entrega dos produtos, objeto de cada um dos termos Aditivos vigentes, sendo certo que as PARTES manterão ostensivo contato a propósito do andamento da execução do objeto do presente instrumento e de seus Termos Aditivos. Porém dos autos não constam termos aditivos do contrato, e além disso, não ficou demonstrado que os valores em moeda nacional, resgistrados na contabilidade correspondem aos valores calculados no cambio oficial. Assim, tampouco ficou comprovada a efetividade dos serviços da PGS Data Processing Inc. Ocorre que, ao receber a resposta da contribuinte à intimação para comprovação das despesas vinculadas à PGS Data Processing Inc. e nada mais exigir a este respeito nas intimações seguintes, a autoridade fiscal pode não só ter concluído que os documentos apresentados já eram suficientes para caracterizar a irregularidade que ensejaria a glosa das despesas correspondentes, como também pode ter constatado que os elementos eram aptos a legitimar os valores contabilizados. Por sua vez, a indicação das despesas correspondentes no anexo ao Termo de Verificação pode decorrer da primeira hipótese, como também pode representar erro na elaboração do demonstrativo. Notase, também, que há semelhança entre o procedimento adotado relativamente às despesas vinculadas à PGS Data Processing Inc. e aquele que ensejou a glosa das despesas por serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços. Todavia, as razões apresentadas para a glosa desta última não podem ser tomadas como empréstimo para avaliação dos serviços prestados por PGS Data Processing Inc. porque outras operações, vinculadas a Everest Tecnologia e Fitas Magnéticas foram também questionadas nos mesmos termos dos serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços, mas não resultaram em glosa. É certo que, em tese, a acusação fiscal não se esgota no conteúdo do Termo de Verificação Fiscal e do Auto de Infração. Outros termos lavrados no curso do procedimento fiscal também podem veicular as razões que justificam a alteração das bases tributáveis apuradas pelo sujeito passivo. Todavia, com referência às operações com PGS Data Processing Inc., somente há, nos autos, os termos de intimação que exigiram a sua comprovação, assim como de outros serviços cujo tratamento contábil foi semelhante, dentre os quais nem todos foram glosados. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 12 11 Frente a tais circunstâncias, a conduta da contribuinte de apresentar, em impugnação, os documentos que comprovam o envio de dados pela empresa PGS Data Processing Inc., relativos às faturas (invoices) e contrato de prestação de serviço, não evidenciam que ela era conhecedora da infração que lhe foi imputada, mas apenas que conhece os fatos ocorridos. A omissão acerca da irregularidade eventualmente vislumbrada pela Fiscalização na comprovação que lhe foi apresentada, não só impede que o sujeito passivo produza a prova correspondente para desconstituíla, como também impede o órgão julgador de avaliar sua suficiência. Em tais condições, discutir a validade da documentação apresentada em impugnação, ou mesmo em recurso voluntário, representaria clara inovação do lançamento, vedada nesta fase processual. Isto porque a motivação é elemento essencial na constituição do crédito tributário, e sua deficiência pode ser interpretada como vício material, por ausência de adequada descrição dos fatos (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72), ou por falha na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável (art. 142 do CTN). Em tais condições, é possível declarar a nulidade do lançamento por vício material ou mesmo a sua improcedência por deficiências de mérito. O fato, porém, é que em ambos os casos, depois da lavratura do auto de infração, não é mais possível a sua complementação, porque ausente uma das hipóteses previstas no art. 41, §1º, incisos I e II do Decreto nº 7.574/2001 (norma de natureza procedimental e assim de aplicação retroativa), ou mesmo a sua nova constituição na forma do art. 173, inciso II do CTN, por não se tratar de mero vício formal, e sim vício material, insuscetível de retificação mediante nova formalização do lançamento, porque dependente do acréscimo de aspectos fáticos e jurídicos ausentes na formalização original. Impõese, assim, a conclusão de que a acusação fiscal não reúne argumentação suficiente para justificar a glosa de despesas vinculadas a PGS Data Processing Inc., devendo ser anulado, por vício material, o lançamento referente a esta parcela. Estas as razões, portanto, para acolher a arguição de NULIDADE do lançamento relativamente à glosa, no anocalendário 2009, das parcelas de R$ 5.522,06, R$ 197.835,99, R$ 1.985,86, R$ 3.292,68 e R$ 18.410,29, decorrentes de operações com PGS Data Processing Inc.. Passando às despesas decorrentes de serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda, a autoridade lançadora não questionou a sua necessidade, inclusive observando que a grande maioria das notas fiscais e comprovantes apresentados são condizentes com objeto previsto no contrato, e por isso foram aceitos. A glosa decorre, essencialmente, do fato de determinadas notas fiscais terem sido apresentadas para comprovação de valores lançados como "Outros Custos" depois de ativadas como "Serviços em Andamento". A recorrente nega a dedução em duplicidade esclarecendo que apenas parte das notas fiscais indicadas foram vinculadas a "Outros Custos", sendo contabilizados na conta nº 4.2.1.02.020 (Serviços Prestados PJ) a outra parte daquelas notas fiscais que não foi contabilizada como custos. O procedimento fiscal teve em conta, inicialmente, os valores deduzidos pela contribuinte a título de "Outros Custos". Questionada, ela apresentou a planilha de fls. 86/88, Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 13 12 na qual detalha os valores computados na DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011. Na sequência, intimada a demonstrar a formação dos saldos passíveis de amortização, contabilizados nas contas nº 4.1.1.01.001 (Bacia de Campos), 4.1.1.01.002 (Bacia de Santos), 4.1.1.01.008 (Bacia do Jequitinhonha), 4.1.1.01.005 (Bacia do Camamu) e 4.1.1.01.006 (Bacia do Espírito Santo), a contribuinte apresentou extrato do Livro Razão com registros a partir de 2009, observando que dado o grande volume de documentos, sua apresentação seria feita mediante indicação daqueles selecionados pela Fiscalização (fls. 96/126). Em paralelo, a autoridade fiscal passou a questionar os valores deduzidos a título de "Serviços Pessoa Jurídica" na linha 04 da ficha 05A da DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011 (fls. 127/142), e a contribuinte apresentou, em resposta, os elementos de fls. 150/263. Voltando a questionar as amortizações, o fiscal autuante intimou a contribuinte a justificar os percentuais de apropriação dos valores ativados e a apresentar notas fiscais de serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços, Everest Tecnologia, Fitas Magnéticas e PGS Data Processing (fls. 264/271), obtendo em resposta os esclarecimentos de fls. 273/352, constando às fls. 286/294 e 328/334 as notas fiscais emitidas por PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda. No mais, com referência a estas operações, somente foi exigida da contribuinte a comprovação da efetiva prestação de serviços por PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda (fls. 354/355), cuja apresentação (fls. 356/872) convenceu a Fiscalização, como exposto na introdução desta abordagem. Examinando as notas fiscais juntadas às fls. 286/294 e 328/324, bem como os documentos apresentados em razão da dedução de "Serviços Pessoa Jurídica" (fls. 150/263), é possível identificar, nos autos formados pela Fiscalização, parte das notas fiscais cujos valores deduzidos como "Serviços Pessoa Jurídica" foram glosados. E, do confronto do valor da glosa com o da nota fiscal, constatase que, de fato, apenas parte do valor foi lançado como despesa, sendo outras parcelas apropriada nas contas nº 1.2.1.01 (Bacia de Campos) ou 1.2.1.02 (Bacia de Santos), para posterior amortização: Nota Fiscal Ativado Total Data NF Glosa Valor Fl. Valor Fl. Contabilizado 52.828,39 114 62.448,17 114 91.635,53 118 30/06/2009 203 138.379,37 585.480,00 328 198.831,73 118 544.123,19 32.560,34 115 156.591,78 120 7.546,75 120 8.434,79 121 116.879,72 121 31/12/2009 225 161.764,44 522.360,00 334 5.227,10 121 489.004,92 27.763,13 123 119.712,57 123 29/01/2010 228 318.536,02 562.440,00 164 73.867,16 123 539.878,88 31/08/2010 4 290.477,52 526.800,00 288 108.649,60 123 399.127,12 29/10/2010 13 403.333,88 510.420,00 286 97.180,65 123 500.514,53 18.812,92 123 30/11/2010 18 458.850,82 514.830,00 287 31.988,19 123 509.651,93 Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 14 13 A autoridade lançadora disse que as notas fiscais glosadas já haviam sido apresentadas anteriormente pelo contribuinte para comprovação dos valores lançados como "Outros Custos" em 2009 e 2010, conforme planilhas " Ativação 2009 e 2010" e " Documentos de comprovação ativação 2009 e 2010", ambas anexas ao Termo de Verificação Fiscal. A planilha "Ativação 2009 e 2010" evidencia, em 2009, vários itens de custo que totalizam R$ 203.161.544,86. Os documentos de comprovação detalhados na sequência totalizam as parcelas de R$ 3.612.797,22 e R$ 211.586.066,75, mas não há qualquer correspondência direta com os itens que compõem a primeira planilha. O mesmo se verifica no confronto de 2010, quando os itens de custo totalizam R$ 11.585.405,28 e os documentos de comprovação R$ 1.893.870,26 e R$ 11.534.590,82 (fls. 884/894). Assim, não é possível compreender o que a Fiscalização pretendeu demonstrar com estes elementos. De toda sorte, observase nos documentos de comprovação que parte das notas fiscais questionadas pela Fiscalização estão indicadas por valores inferiores ao de sua emissão. Apenas as notas fiscais nº 9, 13 e 18, 228, 231, 234, 239, 244, 247 e 253 estão citadas por seu valor integral. Estas inconsistências nos demonstrativos de suporte da acusação fiscal já evidenciam que a autoridade lançadora não observou os valores ativados para posterior amortização e contabilizados como despesa, centrando sua análise apenas no número das notas fiscais, aspecto suficiente para desmerecer a glosa promovida. Todavia, adentrando à análise dos elementos juntados à impugnação (cópias autenticadas das notas fiscais questionadas e dos registros no Livro Razão, fls. 1214/1421), é possível ali identificar os demais documentos que confirmam a impressão inicial, a partir dos elementos juntados pela Fiscalização, de que não houve dedução em duplicidade. De fato, no Razão da conta nº 4.2.1.02.020 (Serviços Prestados PJ), observa se que somente parte das notas fiscais questionadas, equivalente ao montante glosado, foi ali computada. A parcela excedente está contabilizada em outra conta (nº 4.1.1.04.030 Serviços Prestados PJ), mas sofreu reduções pela posterior transferência de parcelas correspondentes a créditos de PIS e COFINS. Embora a conta nº 4.1.1.04.030 também seja uma conta de despesa, o valor nela apropriado, depois de reduzido pelos créditos de PIS e COFINS, é contabilizado a crédito de outra conta de despesa nº 4.1.1.04.100 (Apropriação para o Diferido), com efeitos de estorno, mas em contrapartida a débito nas conta nº 1.2.1.01 (Bacia de Campos) ou 1.2.1.02 (Bacia de Santos), com consequente ativação daquele valor líquido para posterior amortização (fls. 1242/1385). Com este procedimento, do valor total da nota, parte é apropriada como despesa na conta nº 4.2.1.02.020, e da parcela excedente, parte é destinada como crédito na apuração não cumulativa de PIS e COFINS e outra parte é ativada para posterior amortização. Ao final, as despesas ativadas, computadas no saldo devedor da conta nº 4.1.1.04.030, são levadas a resultado juntamente com o saldo credor da conta nº 4.1.1.04.100 (fls. 13481370 e 13981406), anulando seus efeitos, e restando como redutora do resultado do exercício a parcela computada na conta nº 4.2.1.02.020 (fl. 1382/1384 e 1406/1418), além das amortizações posteriormente promovidas a partir das contas nº 1.2.1.01 e 1.2.01.02, mas aí tendo em conta parcela dos serviços distinta daquela que foi apropriada por meio dos registros na conta nº 4.2.1.02.020. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 15 14 O quadro abaixo indica as folhas nas quais estão registrados os valores em debate, e evidencia que o valor total da nota fiscal abrange a parcela glosada (registrada na conta nº 4.2.1.02.020) e a diferença destinada a ativação e a créditos de PIS/COFINS (registrada na conta nº 4.1.1.04.030), sendo que a soma da parcela glosada, dos créditos de PIS/COFINS e dos valores ativados equivalem ao valor total da nota fiscal: Nota Fiscal Glosa Excedente PIS/COFINS Ativado Total Data Nº Valor Fl. 4.2.1.02.020 Fl. 4.1.1.04.030 Fl. 4.1.1.04.030 Fl. 1.2.1.0102 Fl. Contabilizado 960,52 1294 52.828,39 114 4.424,20 1294 62.448,17 114 1.135,42 1294 91.635,53 118 5.229,82 1295 198.831,73 118 1.666,10 1295 7.674,16 1295 3.615,12 1295 30/06/2009 203 585.480,00 328 138.379,37 1376 447.100,63 1294 16.651,47 1295 585.480,00 137,21 1346 32.560,34 115 632,01 1346 7.546,75 120 2.847,12 1346 8.434,79 121 13.114,02 1346 116.879,72 121 153,36 1346 5.227,10 121 706,38 1346 156.591,78 120 592,01 1346 2.726,82 1346 2.125,09 1346 9.788,27 1346 95,04 1346 31/12/2009 225 522.360,00 334 161.764,44 1382 360.595,56 1344 437,75 1348 522.360,00 504,78 1386 27.763,13 123 2.325,07 1386 119.712,57 123 2.176,59 1386 73.867,16 123 10.025,52 1386 1.343,04 1386 29/01/2010 228 562.440,00 164 318.536,02 1406 243.903,98 1386 6.186,12 1386 562.440,00 1.218,75 1386 67.031,08 123 5.613,62 1386 55.056,66 123 1.001,03 1386 26/02/2010 231 543.300,00 1221 408.768,05 1408 134.531,95 1386 4.610,81 1386 543.300,00 1.304,47 1388 71.745,68 124 6.008,45 1388 231.764,86 124 4.213,91 1388 31/03/2010 234 534.300,00 1223 199.853,13 1408 334.446,87 1388 19.409,50 1388 534.300,00 184,18 1388 59.836,79 124 848,34 1388 144.500,35 124 1.087,94 1388 10.129,85 123 5.011,13 1388 2.627,28 1388 30/04/2010 239 519.180,00 1225 282.852,73 1410 236.327,27 1388 12.101,41 1388 519.180,00 23,86 1390 1.312,33 124 109,90 1390 131.493,45 124 2.390,79 1390 129.914,04 124 11.012,12 1390 2.362,07 1390 31/05/2010 244 545.010,00 1227 255.511,59 1410 289.498,41 1390 10.879,85 1390 545.010,00 102,26 1390 5.623,93 123 470,98 1390 195.057,90 124 3.546,51 1390 68.010,23 124 16.335,43 1390 1.236,55 1390 30/06/2010 247 540.450,00 1229 244.370,59 1412 296.079,41 1390 5.695,62 1392 540.450,00 282,57 1392 15.541,55 124 1.301,55 1392 84.835,86 124 1.542,47 1392 30/07/2010 253 527.160,00 1231 416.551,29 1412 110.608,71 1392 7.104,71 1392 527.160,00 1.923,87 1392 108.649,60 123 8.861,48 1392 105.813,05 124 1.975,45 1392 31/08/2010 4 526.800,00 288 290.477,52 1414 236.322,48 1392 9.099,03 1392 526.800,00 4.802,55 1394 264.140,18 123 30/09/2010 9 508.260,00 1235 217.196,44 1414 291.063,56 1394 22.120,83 1394 508.260,00 1.766,92 1394 97.180,65 123 29/10/2010 13 510.420,00 286 403.333,88 1414 107.086,12 1394 8.138,55 1394 510.420,00 342,05 1396 18.812,92 123 1.575,52 1396 31.988,19 123 581,60 1396 30/11/2010 18 514.830,00 287 458.850,82 1416 55.979,18 1396 2.678,90 1396 514.830,00 Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732148/201369 Acórdão n.º 1302001.743 S1C3T2 Fl. 16 15 Esclareçase que, para confirmar a duplicidade, a autoridade julgadora de 1ª instância tomou por referência o demonstrativo de fls. 889/894, elaborado pela Fiscalização, no qual parte das notas fiscais em referência está indicada por seu valor total, ensejando a conclusão de que elas teriam sido ativadas para posterior amortização. Todavia, como antes exposto, os demonstrativos elaborados pela Fiscalização não são claros e os registros contábeis apresentados em impugnação infirmam a acusação, sendo certo que a análise fiscal não traz qualquer abordagem contábil da duplicidade vislumbrada. Resta claro, assim, que não houve duplicidade de registro dos serviços em questão como despesa e como ativos amortizáveis, infirmandose a justificativa fiscal para glosa dos valores vinculados a PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às operações vinculadas a PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda. Considerando que as demais glosas não foram objeto de questionamento, o presente voto resulta no cancelamento integral da exigência em litígio, declarandose a NULIDADE o lançamento relativamente às glosas de serviços prestados por PGS Data Processing Inc. e a IMPROCEDÊNCIA do lançamento relativamente às glosas de serviços prestados por PGS Suporte Logístico e Serviços Ltda. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004206/2006-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PAF - LANÇAMENTO - ERRO DE FATO.- PREENCHIMENTO DECLARAÇÃO.- ÔNUS DA PROVA - A prova do erro de fato no preenchimento da Declaração é incumbência do contribuinte. Assim, realizado o lançamento com a observância de todas as informações existentes e normas legais aplicáveis, deve contribuinte provar o seu direito, devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas.
Numero da decisão: 1802-000.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao IRPJ e seus consectários, e, por voto de qualidade negar provimento ao recurso quanto à multa isolada. Vencidos os conselheiros Leonardo Lobo de Almeida, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco que davam provimento parcial ao recurso para limitar a multa isolada ao valor do IRPJ devido, nos termos do relatorioe voto que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 PAF - LANÇAMENTO - ERRO DE FATO.- PREENCHIMENTO DECLARAÇÃO.- ÔNUS DA PROVA - A prova do erro de fato no preenchimento da Declaração é incumbência do contribuinte. Assim, realizado o lançamento com a observância de todas as informações existentes e normas legais aplicáveis, deve contribuinte provar o seu direito, devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas.
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Recorrida 2* TURMA DA DRJ CURITIBA/PR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 PAF - LANÇAMENTO - ERRO DE FATO.- PREENCHIMENTO DECLARAÇÃO.- ÔNUS DA PROVA - A prova do erro de fato no preenchimento da Declaração é incumbência do contribuinte. Assim, realizado o lançamento com a observância de todas as informações existentes e normas legais aplicáveis, deve contribuinte provar o seu direito, devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. _ Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao IRPJ e seus consectários, e, por voto de qualidade negar provimento ao recurso quanto à multa isolada. Vencidos os conselheiros Leonardo Lobo de Almeida, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco que davam provimento parcial ao recurso para limitar a multa isolada ao valor do IRPJ devido, nos termos do relatorioe voto que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro José de Oliveira - Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor --,...., -------- .---....- -- --- ----="-- --,----::-.1------::1..--;---- -------;.--___,--- ,..----„---,;:, 1\{Ã------<'--'-:>--?:--------'-'-'''4 - - R RQL.t-S- LINS E SOUSA - Presidente. / ''''3c..- - Cei / - LEONARD OBO DE ALMEID . - Relator. i SÉ DE OLIVEIRA F r• " ' CO " A - Redator designado. - ' 04 NOV 2009 EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Leonardo Lobo de Almeida, Nelso Kichel (Suplente) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. „ -- 2 ' Processo n° 10935.004206/2006-15 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.205 Fl. 2 Relatório Cuida o presente de auto de infração de IRPJ, no valor total de R$ 124.023,10, incluindo juros de mora, multa de oficio e multa isolada, em razão da constatação, em procedimento interno de revisão de declarações do exercício de 2003, de divergência entre os valores informados na DIPJ e DCTF, ensejando, assim, o recolhimento da menor do IRPJ. Devidamente cientificada a contribuinte da lavratura do auto de infração, foi apresentada Impugnação, alegando, em síntese, que: - no exercício de 2003 declarou débitos de IRPJ e CSLL nas declarações DIPJ e DCTF incoerentes com o realmente apurado e devido, por não ter transportado os valores pagos por estimativa nos campos devidos, além de deixar de informar os valores a deduzir da base de cálculo negativa por prejuízos ficais; - na ficha 1 2, linha 18, o valor de R$ 135.169,39 está incorreto, devendo se declarar o valor de R$ 0,00, em razão de ter sido apurado lucro anual de R$ 627.085,68, adicionados de R$ 9.591,87 (despesas indedutíveis) e subtraídos do valor de R$ 191.003,27, relativo à compensação dos prejuízos fiscais, restando um passivo a recolher de R$ 87.418,57. No entanto, por ter efetivado o recolhimento de diversos DARFs relativo à estimativa de IR, não restaria imposto a ser pago; e - na ficha 17, linha 42, o valor correto seria R$ 1.378,93 e não R$ 56.437,71, pois ao se considerar o lucro anula de R$ 627.085,68, adicionados de R$ 9.591,87 (despesas indedutíveis) e subtraídos os valores relativos à compensação da base de cálculo negativa (R$ 191.003,27), ter-se-ia um passivo a recolher de R$ 40.110,69, já tendo efetuado o recolhimento de DARFs para pagamento por estimativa da CSLL. A 2a Turma da DRJ/CTA, considerando os argumentos apresentados na Impugnação, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para reduzir a exigência de IRPJ para R$ 46.384,61, com as respectivas multas e juros legais, mantendo integralmente a multa isolada, sob os seguintes fundamentos: - a autoridade fiscal procedeu à apuração considerando os valores recolhidos e tomando como base de cálculo o valor informado como devido na DIPJ (R$ 135.169,39), deduzindo as estimativas recolhidas (R$ 84.383,13), resultando no valor de imposto devido de R$ 50.786,26; - - no entanto, o total considerado como estimativa do IRPJ não corresponde à totalidade de recolhimentos efetuados no período, constando do banco de dados da SRF pagamentos no valor total de R$ 88.784,78, devendo-se, portanto, subtrair do valor apurado como devido a diferença dityR$ 4.401,65, resultando no valor de imposto de R$ 46.384,61; - a demonstração do resultado do exercício, de fato, coincide com o valor de R$ 627.085,68, todavia não pode ser aceita a compensação de prejuízo por não ter sido alterada, pela fiscalização, o lucro real apurado; ((), 3 -a autoridade fiscal partiu do lucro real apontado na DIPJ e limitou-se a deduzir os valores recolhidos a título de estimativa, não podendo se aceitar, em sede de impugnação, a alteração do lucro real mediante a simples informação de que dispunha de prejuízos a compensar, sem qualquer comprovação; - a aplicação da multa isolada encontra previsão no artigo 44 da Lei n.° 9430/96, tendo os valores sido corretamente apurados; e - em relação a CSLL, o pleito é objeto de outro processo administrativo. Inconformada, em 01.04.2008, a contribuinte, ora recorrente, interpôs recurso • voluntário, com os seguintes argumentos: - que informou corretamente na DIPJ os rendimentos para base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, estando estes de acordo com balancete de suspensão ou redução, no entanto, nas demais fichas deixou de informar e considerar o valor da compensação dos prejuízos fiscais; - que registrou em DCTF valores dos mesmos créditos tributários com discrepância, inclusive com recolhimentos mensais a maior; - não foi considerada pela autoridade fiscal as fichas 11 e 17 da DIPJ, tendo descartado a hipótese de erro parcial no preenchimento; - quanto a multa isolada, a autoridade administrativa apurou a diferença mensal dos valores recolhidos e os declarados na DIPJ, verificando, assim, o pagamento a menor nos meses de janeiro, abril, maio e junho, deixando, no entanto, de considerar os recolhimentos a maior realizado nos meses de março, outubro e dezembro; - possibilidade de ser admitida a compensação de prejuízos fiscais não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, a qual não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos; e - impossibilidade de cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de oficio, por serem ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. É o relatório. 4 Processo n° 10935.004206/2006-15 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.205 Fl. 3 - Voto Vencido Conselheiro Relator LEONARDO LOBO DE ALMEIDA, Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. De plano, importante ressaltar que o ora Recorrente reconhece a existência de divergências entre os valores declarados na DIPJ e DCTF com os valores efetivamente recolhidos. A controvérsia reside na possibilidade ou não da compensação de prejuízos fiscais supostamente existentes. A DRJ, em sua decisão, considerou a inexistência de provas hábeis a comprovar a existência de prejuízo a ser compensado, utilizando como base para cálculo do imposto devido o próprio valor de lucro real declarado na DIPJ, qual seja R$ 135.169,39. Considerando tal valor e os efetivamente recolhidos por estimativa mensal, ter-se-ia o valor de imposto devido R$ 46.384,61. Insurge-se a ora Recorrente sob o argumento da possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais, apesar da existência de erro de fato no preenchimento. Ocorre, porém, que não há nos autos qualquer prova hábil a demonstrar a existência de prejuízos a serem compensados. Analisando os autos, verifica-se que não foram juntadas as declarações dos anos anteriores, de forma a demonstrar inequivocamente a existência concreta de prejuízos a serem compensados. Ademais, apenas em sede recursal junta cópia do LALUR que, em seu sentir, seria suficiente a dar suporte às suas alegações. Na verdade, em que pese sua veemente argumentação, a contribuinte não apresentou, ao longo de todo o trâmite do presente processo administrativo, qualquer elemento que justificasse contabilmente o suposto erro cometido e os lançamentos realizados no LALUR. „- Observe-se que não se trata de servir ou não o citado livro como prova, mas sim apontar quais as causas que teriam levado à sua correta escrituração, uma vez que o registro no LALUR é apenas o reflexo de fatos ocorridos anteriormente. Na esteira desse entendimento, vale ressaltar que já se encontra pacífico nos Conselhos de Contribuintes o modo de regulação do ônus da prova em processo administrativo-fiscal, aplicando-se de forma subsidiária as regras do Código de Processo Civil. Confira-se: PAF - ÔNUS DA PROVA — cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá-los, comprová-los efetivamente, nos termos do Código de 5 • Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. (1° CC — 8° Câmara — Recurso n° 156782 — Relatora Conselheira Ivete Mala quias Pessoa Monteiro —julgado em 13/06/2007) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. No direito processual, administrativo e judicial, o ônus da prova é de quem alega quanto aos fatos constitutivos de seu direito. (2° CC — 20 Câmara — Recurso n° 139147 — Relator Conselheiro Gustavo Kelly Alencar —julgado em 03/07/2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA PROVA - Cabe ao contribuinte fazer a prova dos fatos que modificam ou extinguem o crédito tributário. Não se desincumbindo desse ônus, mantém-se a autuação. (1° CC — 5 0 Câmara — Recurso n° 12 7012 — Relator Conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt — julgado em 15/06/2005) Destarte, em sendo do contribuinte o ônus da prova quantos aos fatos por ele alegados, a teor do disposto no art. 16, III do Decreto 70.235/72 e no art. 333 do Código de Processo Civil, deve ser mantido o lançamento quanto ao valor do imposto devido. Por outro lado, em relação à aplicação de multa de oficio isolada em razão do não-recolhimento ou o recolhimento a menor de parcelas de antecipações do IRPJ, discordo da posição adotada pela r Turma da DRJ-Curitiba/PR. Em que pese o entendimento de que haveria incidência multa isolada por falta de recolhimento de estimativa sobre os valores da receita omitida, isso se caracteriza em bis in idem. Isso ocorre porque a multa isolada possui a mesma base de cálculo da multa de oficio. Deve-se, portanto, exonerar a autuada da multa isolada, já que a base de cálculo dele não pode ser o que se pagou como multa de oficio. Veja-se, a respeito, a jurisprudência deste Colegiado: -PENALIDADE - MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ - BASE ESTIMADA. Não cabe a aplicação concomitante da multa de oficio incidente sobre o - tributo apurado, e da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, 1°, inciso IV, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. Incabível a exigência da multa isolada. (1° CC — 7° Câmara — Recurso n° 148967 — Relator Conselheiro Jayme Juarez Grotto —julgado em 28/05/2008) MULTA ISOLADA - MULTA DE OFÍCIO - CUMULATIVIDADE - A aplicação da multa de oficio, cumulativamente com a multa isolada, implica em dupla penalização do mesmo fato e, por isso mesmo, esta deve ser 6 - Processo n° 10935.004206/2006-15 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.205 Fl. 4 afastada. (1° CC — 5" Câmara — Recurso n° 162680 — Relator Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento — julgado em 1 13/08/2008) , PENALIDADE - MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ POR ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA PELA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de oficio exigida pela constatação de omissão de receitas, que tiveram como base o mesmo valor apurado em procedimento fiscal. (1° CC — 8' Câmara — Recurso n° 133053 — Relator Conselheiro Nelson Disso Filho —julgado em 14/08/2003) Por tudo exposto, dou provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. 4L, e c 'd Lii. ‘/---(.1onardo o _ Imelda 1 , 1 , , Q7 Processo n° 10935.004206/2006-15 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.205 Fl. 5 - Voto Vencedor José de Oliveira Ferraz Corrêa, Conselheiro designado Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. A norma que estipula a penalidade aplicada pela Fiscalização está contida no art. 44, II, "b", da Lei 9.430/1996, conforme a redação dada 3t1M MP 303/2006 e Lei 11.488/2007, e o dispositivo legal prevê que a multa deve ser aplicada ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) ... b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, o entendimento contrário implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pela alínea "h" acima. Também é importante destacar que o texto legal diz "ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ...." e não "ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal ...", numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. 9 • Tudo isso que se disse até aqui serve para demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. E ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Assim, voto no sentido de também negar provimento ao recurso voluntário quanto à multa isolada pela falta de estimativas mensais. /sf2"--é de Ol iveira Ferraz Corrêa o
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Numero do processo: 16327.001073/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
PIS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA OPERACIONAL. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, impede o conhecimento do recurso administrativo. Súmula CARF nº 1.
MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Constatando-se a existência de concomitância com o processo judicial e a concessão de liminar antes do início da ação fiscal, exclui-se a multa de ofício.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. Súmula CARF nº 4.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício com base no art. 63, § 1º da Lei nº 9.430/96. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que votou no sentido de manter a multa de ofício. As Conselheiras Valdete Aparecida Marinheiro e Thais De Laurentiis Galkowicz votaram pelas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192, e pela recorrida o Dr. Frederico de Souza Barroso, Procurador da Fazenda Nacional.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA OPERACIONAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, impede o conhecimento do recurso administrativo. Súmula CARF nº 1. MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatandose a existência de concomitância com o processo judicial e a concessão de liminar antes do início da ação fiscal, excluise a multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. Súmula CARF nº 4. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício com base no art. 63, § 1º da Lei nº 9.430/96. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que votou no sentido de manter a multa de ofício. As Conselheiras Valdete Aparecida Marinheiro e Thais De Laurentiis Galkowicz votaram pelas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192, e pela recorrida o Dr. Frederico de Souza Barroso, Procurador da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 73 /2 01 0- 56 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 13/08/2010, lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição no período compreendido entre maio de 2009 e dezembro de 2009. Segundo o Termo de Verificação fiscal, o contribuinte ajuizou o mandado de segurança nº 2001.61.00.0315880 por meio do qual requereu a concessão de liminar para não recolher o PIS com base na Lei nº 9.718/98. A sentença foi proferida e após uma sucessão de embargos de declaração, o dispositivo da sentença assegurou ao contribuinte o afastamento do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e o direito de recolher o PIS com alíquota de 0,65% sobre o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta da venda de mercadorias e serviços, de acordo com o art. 1º da MP 2.15835, a partir de janeiro de 2000. A apelação da União foi negada. Em seguida a União interpôs os recursos especial e extraordinário. O TRF da 3ª Região suspendeu o recurso especial e julgou extinto o recurso extraordinário nos termos do art. 543B, § 3º do CPC. Narrou a fiscalização que com base nessa sentença o contribuinte passou a declarar os débitos do PIS com exigibilidade suspensa, mas a partir de maio de 2009 cessou de declarar débitos com exigibilidade suspensa e passou a declarar e recolher o PIS calculado com base apenas na conta COSIF nº 7.1.7.00.00.9. Em 15/03/2010, durante a ação fiscal, o contribuinte apresentou DCTF retificadoras dos citados períodos incluindo o PIS com exigibilidade suspensa. Com base no Parecer PGFN/CAT/nº 2.773/2007 a fiscalização entendeu que a base de cálculo do PIS é a totalidade das receitas operacionais da instituição financeira e tributou todas essas receitas com base na apuração determinada pelo anexo I da IN nº 247/2002. Tendo em vista que as DCTF retificadoras relativas aos débitos com exigibilidade suspensa foram apresentadas após o início da ação fiscal, a fiscalização aplicou a multa de ofício de 75% sobre tais débitos, ao argumento de que o contribuinte havia perdido a espontaneidade. Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: a) nulidade do lançamento, por falta de motivação do ato administrativo. Não houve a indicação de nenhum dispositivo legal, apenas meros dispositivos regulamentares, que não atendem à exigência legal de fundamentação dos atos administrativos; Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001073/201056 Acórdão n.º 3402002.788 S3C4T2 Fl. 7 3 b) incabível o lançamento com multa de ofício, pois a decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário foi proferida antes do início da ação fiscal; c) a decisão proferida pelo TRF 3ª Região no mandado de segurança 2001.61.00315880 afastaria a pretensão da Fazenda exigir o PIS sobre as receitas financeiras, não se aplicando, assim, a interpretação contida no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007; d) impossibilidade de se equiparar as receitas financeiras de bancos com receitas de prestação de serviços, pois as receitas financeiras sempre foram tratadas de forma distinta pela legislação tributária; e) do fato dos parágrafos 5º a 7º e 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não terem sido declarados inconstitucionais, não decorre a conclusão de que sejam aplicáveis, pois possuem inequívoca relação de dependência com a norma declarada inconstitucional (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98); f) impugnou a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício e atacou a cobrança dos juros com base na variação a taxa Selic. Por meio do Acórdão nº 31.170, a 8ª Turma da DRJSão Paulo, julgou a impugnação improcedente. Ficou decidido que quanto à base de cálculo existe concomitância deste processo administrativo com o mandado de segurança 2001.61.00.0315880, pois seu objeto consiste no direito de recolher o PIS com base no imposto de renda devido, afastandose as alterações da Lei nº 9.718/98. A DRJ entendeu que não houve nulidade em razão da falta de indicação de dispositivos legais, uma vez que os arts. 2º, I, "a", parágrafo único; art. 3º, 10, 26 e 51 do Decreto nº 4.524/2002 citam suas respectivas matrizes legais. Também ficou decidido que o lançamento não foi feito para prevenir a decadência, pois a fiscalização constituiu o crédito tributário de acordo com o que está prescrito na sentença. A fiscalização entendeu que a base de cálculo definida na sentença é a receita operacional da instituição financeira. A DRJ não conheceu da alegação quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício porque tal exigência não consta do auto de infração e julgou procedente a cobrança de juros com base na variação da taxa Selic. Regularmente notificado em 12/05/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/06/2011, alegando, em síntese, o seguinte: 1) nulidade do auto de infração por vício na motivação; 2) não cabimento da multa de ofício porque constou expressamente do auto de infração que o lançamento foi efetuado com exigibilidade suspensa; 3) a DRJ alterou o fundamento para a imposição da multa de ofício de "DCTF retificadora apresentada após o início da fiscalização" para "a exigibilidade do crédito tributário não estava suspensa"; 4) nulidade do acórdão da DRJ porque o ato administrativo é vinculado ao motivo declarado; 5) a exigibilidade do crédito tributário está suspensa porque o Acórdão do TRF da 3ª Região afastou expressamente a possibilidade de tributação das receitas financeiras, excluindo a aplicação do Parecer PGFN/CAT/ 2.773/2007; 6) impossibilidade jurídica de se equiparar as receitas financeiras a receitas de prestação de serviços; 7) os §§ 5º, 6º, 7º, 8º e 9º do art. 3º da Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Lei nº 9.718/98 não foram declarados inconstitucionais, mas sua aplicabilidade está prejudicada em face da relação de dependência que mantêm em relação ao § 1º que foi declarado inconstitucional; 8) contestou a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A defesa alegou em preliminar a nulidade do auto de infração por falta de motivação (violação do art. 10, IV, do PAF) porque no enquadramento legal só foram mencionados dispositivos do regulamento (decreto), em lugar de dispositivos legais (lei em sentido estrito). Não vislumbro a nulidade apontada, pois no termo de verificação, vinculado ao auto de infração, a fiscalização lastreou o lançamento em bases legais, conforme se constata no seguinte excerto extraído da fl. 193: (...) Desse modo, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade. No mérito, as questões postas para o deslinde deste colegiado são as seguintes: 1) se a fiscalização lavrou o auto de infração com exigibilidade suspensa ou não; 2) se existe concomitância de discussão com o processo judicial no qual o contribuinte questiona a ampliação da base de cálculo do PIS pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; 3) se é cabível ou Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001073/201056 Acórdão n.º 3402002.788 S3C4T2 Fl. 8 5 não a manutenção da multa de ofício; 4) legalidade da exigência de juros de mora com base na variação a taxa Selic. Caso se decida sobre a manutenção da multa de ofício, o colegiado deverá se manifestar também sobre o cabimento da exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. AAUUTTOO DDEE IINNFFRRAAÇÇÃÃOO LLAAVVRRAADDOO SSEEMM EEXXIIGGIIBBIILLIIDDAADDEE SSUUSSPPEENNSSAA EE CCOOMM IINNFFLLIIÇÇÃÃOO DDEE MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO PPOORR FFAALLTTAA DDEE RREECCOOLLHHIIMMEENNTTOO DDOO PPIISS.. Desde a impugnação a defesa vem alegando que a fiscalização lavrou o auto de infração com exigibilidade suspensa e, mesmo assim, lançou a multa de ofício com base no fato de o débito ter sido declarado após o início da ação fiscal (perda da espontaneidade). A defesa transcreve excertos do auto de infração e de outras partes do processo para sustentar que a fiscalização lavrou o auto de infração com suspensão da exigibilidade e, de forma absurda, lançou a multa de ofício. As coisas não ocorreram da forma como foi alegado pela defesa. Muito embora a fiscalização mencione no termo de verificação que o contribuinte vinha declarando em DCTF, com exigibilidade suspensa, os débitos apurados com base no mandado de segurança nº 2001.61.00.0315880; e também tenha feito referência a "crédito tributário com exigibilidade suspensa" no corpo do auto de infração, a verdade é que o contexto do termo de verificação demonstra justamente o contrário: ou seja, a fiscalização não efetuou o lançamento com exigibilidade suspensa, pois invocou como um dos fundamentos do ato administrativo o Parecer PGFN nº 2.773/2007, conforme constou da imagem do enquadramento legal acima colacionada. A menção ao referido parecer é incompatível com a lavratura de auto de infração com exigibilidade suspensa, pois na visão da Procuradoria da Fazenda Nacional, e também da fiscalização, a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não impede a exigência das contribuições ao PIS e COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras, uma vez que a base de cálculo para essas instituições sempre foi a receita operacional, mesmo antes da Lei nº 9.718/98. Ademais, a menção à "exigibilidade suspensa" feita no termo de verificação, se refere ao fato da instituição financeira ter declarado os débitos em DCTF sob tal condição, conforme deixa bem clara a seguinte passagem do termo de verificação (fls. 180): "(...) Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 (...)" O excerto acima deixa bem claro que a fiscalização não disse que o débito está com exigibilidade suspensa. O que o fisco disse foi que o contribuinte apresentou DCTF alegando que aqueles débitos se revestiam de tal condição. Já a menção ao "crédito tributário com exigibilidade suspensa", feita no corpo do auto de infração, parece ter sido resultado de descuido por parte do auditor, pois não foi especificado o número da ação. As características do texto revelam que se trata de um texto padrão que não foi adaptado ao caso concreto, conforme excerto a seguir, extraído da fl. 199: "(...) (...)" Observem senhores conselheiros, que realmente se trata de um texto padrão, totalmente genérico, que exige adaptações para cada caso concreto, a depender do tipo de ação e do tipo de provimento obtido pelo contribuinte, mas que não foi objeto de alteração por parte da fiscalização porque neste caso foi elaborado um termo de verificação vinculado ao auto de infração. Outro fundamento utilizado pela defesa para sustentar que o lançamento teria sido executado com exigibilidade suspensa, foi a pretensa justificativa da fiscalização para a exigência da multa de ofício. Ao contrário do alegado, a multa de ofício não está fundamentada na perda da espontaneidade do contribuinte, mas sim na falta de recolhimento da contribuição Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001073/201056 Acórdão n.º 3402002.788 S3C4T2 Fl. 9 7 decorrente da exclusão de algumas receitas operacionais da base de cálculo, conforme se extrai da seguinte parte do termo de verificação fiscal (fls. 191/192): "(...) (...) (...)" O contexto do termo de verificação não deixa nenhuma dúvida no sentido de que o auto de infração foi lavrado sem exigibilidade suspensa e que a multa de ofício está fundamentada na falta de recolhimento da contribuição pelo fato de o contribuinte não ter incluído na base de cálculo outras receitas operacionais, além daquelas contabilizadas na rubrica 71700009. Portanto, na visão da fiscalização (e do Parecer PGFN nº 2.773/2007) a base de cálculo do PIS é composta por todas as receitas operacionais, mesmo antes do advento da Lei nº 9.718/98. Sendo assim, na visão do fisco, a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 não ampara a pretensão do contribuinte em recolher a contribuição Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 apenas com base nos valores contabilizados na rubrica 71700009. Não tendo o contribuinte recolhido e nem constituído o crédito tributário por meio da DCTF, sujeitouse à exigência tributária com os consectários do lançamento de ofício. DDAA EEXXIISSTTÊÊNNCCIIAA OOUU NNÃÃOO DDAA CCOONNCCOOMMIITTÂÂNNCCIIAA NNOO CCAASSOO CCOONNCCRREETTOO.. A defesa vem sustentando desde a impugnação a existência de concomitância com o mandado de segurança nº 2001.61.00.0315880. O objeto deste processo administrativo é a exigência do PIS sobre as receitas operacionais da instituição financeira, notadamente suas receitas financeiras. Já o objeto do mandado de segurança impetrado consistiu na concessão de segurança para que a instituição financeira recolhesse o PIS com base na Lei Complementar nº 7/70, ou seja, sobre 5% do Imposto de Renda devido, sem se submeter ao art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, bem como o direito de compensar o indébito recolhido com base na legislação superveniente. O pedido formulado no mandado de segurança foi o seguinte (fls. 47): "(...) (...)" Conforme se verifica nos autos, em momento algum na inicial foi requerido ao Judiciário que as receitas financeiras e as demais receitas operacionais fossem excluídas da tributação. Contudo, o pedido original, embora não tenha sido específico para exclusão de receitas financeiras, foi genérico para excluir a tributação com base em qualquer receita, uma vez que o contribuinte se julgava no direito de recolher a exação sobre o imposto de renda Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001073/201056 Acórdão n.º 3402002.788 S3C4T2 Fl. 10 9 devido (LC nº 7/70). O pedido foi para não recolher com base na receita bruta (art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98) mas sim sobre o imposto de renda devido (LC nº 7/70). A liminar foi concedida parcialmente em 17 de dezembro de 2001, nos seguintes termos (fls. 56): "(...) (...)" A sentença confirmou a segurança parcial. Foi afastado o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, mantendose o critério de apuração vigente em 31/03/2003, e autorizada a compensação requerida (fl. 62). Após uma sucessão de embargos de declaração essa sentença passou a vigorar com o seguinte dispositivo (fl. 87) proferido em 18/09/2007: "(...) "(...) Portanto, a segurança foi concedida em parte para que a contribuição fosse apurada com alíquota de 0,65% incidente sobre a receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços, o que não resolve o problema deste processo porque cada uma das partes atribui conteúdo diferente à expressão "receita proveniente da venda de bens e serviços". A fiscalização entende que todas as receitas operacionais, inclusive as financeiras, são alcançadas Fl. 468DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 por aquela expressão. Já o contribuinte entende que o alcance do dispositivo se restringe aos valores contabilizados na rubrica 71700009. Ou seja, as únicas coisas que se podem estabelecer com segurança é que o contribuinte não pode recolher o PIS com base no imposto de renda devido e o fisco não pode exigir a contribuição com base na receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. O Judiciário ficou no meio termo. Definiu que o recolhimento deve ser com alíquota de 0,65% incidente sobre a receita bruta da venda de mercadorias e serviços. E o que significa essa expressão? Conforme já foi dito antes, a expressão "receita bruta da venda de mercadorias e serviços" possui significado diferente para a fiscalização e para o contribuinte. O banco considera que nessa expressão não se incluem as receitas financeiras. Já a fiscalização, escorada no Parecer PGFN nº 2.773/2007, considera que tal expressão inclui todas as receitas operacionais, inclusive as financeiras, porque no objeto social da instituição financeira estão incluídos os serviços de intermediação financeira. Nesse sentido, as receitas financeiras integrariam o faturamento de uma instituição financeira, pois decorreriam de sua atividade típica. Essa é a essência da controvérsia existente neste processo. Embora essa discussão não tenha integrado explicitamente a inicial do mandado de segurança, entendo que ela foi submetida ao Judiciário. A uma, porque o pedido inicial do mandado de segurança foi para não recolher com base em nenhuma receita, e sim com base no imposto de renda devido. E a duas, porque a controvérsia suscitada neste processo acabou sendo submetida explicitamente ao Poder Judiciário por meio do recurso de apelação interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 89/116). A Procuradoria da Fazenda Nacional sustentou na apelação exatamente a mesma tese contida no Parecer PGFN 2.773/2007, qual seja, a de que para as instituições financeiras a base de cálculo do PIS sempre foi a receita operacional, mesmo antes da Lei nº 9.718/98, e que essa lei não ampliou a base de cálculo do PIS (fl. 102). Vejamos o seguinte excerto do recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional: "(...) Fl. 469DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001073/201056 Acórdão n.º 3402002.788 S3C4T2 Fl. 11 11 E também no seguinte excerto de fl. 103: "(...) Fl. 470DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 "(...) Nos referidos excertos, a Procuradoria da Fazenda Nacional, sustentou a tese de que o art. 3º da Lei nº 9.718/98 era meramente interpretativo porque mesmo antes da existência dessa lei a base de cálculo do PIS era a receita operacional bruta da instituição financeira. No Acórdão do TRF da 3ª Região, recebido apenas no efeito devolutivo (fl. 114), a Juíza Consuelo Yoshida não se convenceu do acerto da tese defendida pela União, pois a referida magistrada entendeu que antes do advento da Lei nº 9.718/98, o termo faturamento significava apenas a receita bruta da venda de bens e serviços, não abrangendo nenhuma outra receita operacional ou não operacional. Sobre tal constatação, vejamos o seguinte excerto extraído da fundamentação do referido Acórdão (fl. 117): "(...) Fl. 471DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001073/201056 Acórdão n.º 3402002.788 S3C4T2 Fl. 12 13 "(...) Portanto, concluise que embora não tendo sido suscitada de forma explícita na inicial do mandado de segurança, a questão da incidência do PIS sobre as receitas operacionais da instituição financeira, acabou aflorando no recurso de apelação da União, tendo sido a tese fazendária repelida pelo Acórdão do TRF da 3ª Região, o que a meu ver torna inequívoca a existência de concomitância entre o mandado de segurança e este processo administrativo. Ainda que os senhores conselheiros entendam que a concomitância não restou estabelecida, em razão da questão da incidência do PIS sobre a totalidade das receitas operacionais não ter sido suscitada de forma explícita na inicial do mandado de segurança, pesquisa efetuada na página do TRF da 3ª Região revela que houve a interposição de recurso extraordinário por parte da União, em face do Acórdão relatado pela Juíza Consuelo Yoshida. O referido recurso extraordinário foi sobrestado pelo vicepresidente o TRF 3ª Região, com base na repercussão geral decretada pelo STF no RE nº 609.096, conforme se constata na página do tribunal http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20016 1000315880, in verbis: "(...) Fl. 472DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 29/11/2012SUSPENSO/SOBRESTADO POR DECISÃO DA VICEPRESIDÊNCIA Motivos de suspensão: STF RE 609.096/RS (...)" Com o sobrestamento do processo judicial determinado pelo TRF da 3ª Região, a sorte do mandado de segurança e também deste processo administrativo está inexoravelmente vinculada ao que restar decidido no RE 609.096. No referido recurso extraordinário, o Supremo Tribunal Federal discute a incidência do PIS e COFINS sobre as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras. Sendo assim, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1 ao presente processo, para não se tomar conhecimento do recurso voluntário quanto à questão da incidência do PIS sobre as receitas operacionais da instituição financeira, pois ainda que se entenda que a discussão travada em sede apelação não acarreta a concomitância, o Judiciário sobrestou o mandado de segurança para aguardar a decisão do STF quanto àquela questão (RE 609.096). DDOO ((NNÃÃOO)) CCAABBIIMMEENNTTOO DDAA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO Considerando que o mandado de segurança se processou com a concessão de medida liminar em 17/12/2001 e que a ação fiscal teve início em 14/12/2009 (fl. 07), é evidente a existência de cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário antes do início da ação fiscal, fato que autoriza a exclusão da multa de ofício, a teor do art. 63, § 1º da Lei nº 9.430/96. Não se olvide ainda, que na época em que o contribuinte foi notificado do lançamento (13/08/2010) já estava em pleno vigor o dispositivo da sentença de fl. 87, que determinava a apuração da contribuição com base no faturamento, com a acepção que lhe deu a Juíza Consuelo Yoshida do TRF da 3ª Região. O que significa que a base de cálculo era o faturamento na sua acepção tradicional, ou seja, sem adição de outras receitas operacionais (financeiras) ou não operacionais. Se a teor do art. 151, IV do CTN a mera concessão de liminar já suspende a exigibilidade do crédito tributário, com muito mais autoridade a sentença que confirmou aquela liminar manteve em pleno vigor a cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. A sentença sem dúvida alguma "é mais" do que uma liminar. E em direito, geralmente, quem pode o mais, pode o menos. Portanto, deve ser excluída deste lançamento a multa de ofício com base no art. 63, § 1º da Lei nº 9.430/96. Excluída a multa de ofício, não há interesse processual do contribuinte em ver decidida a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. DDOOSS JJUURROOSS DDEE MMOORRAA A última questão a ser enfrentada neste processo é a questão da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic sobre o tributo ora lançado de ofício. Essa questão é objeto da Súmula CARF nº 4, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 473DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001073/201056 Acórdão n.º 3402002.788 S3C4T2 Fl. 13 15 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No caso concreto, foi cabível o lançamento por meio de auto de infração porque o contribuinte deixou de informar os débitos em DCTF. A apresentação das DCTF retificadoras após o inicio da ação fiscal, torna esse fato incontroverso. No caso, deve prevalecer a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício porque a espontaneidade do contribuinte já havia sido excluída pelo termo de início de fiscalização. Apenas a multa de ofício deve ser excluída, em razão do caso concreto se enquadrar no art. 63, § 1º da Lei nº 9.430/96, em situação semelhante ao que a extinta Turma 3403 decidiu em relação ao auto de infração de COFINS no Acórdão 3403003.509. Com esses fundamentos, seguindo a mesma trilha do Acórdão nº 3403 003.509, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com o processo judicial (inclusão das receitas operacionais no faturamento da instituição financeira) e, na parte conhecida, por dar provimento parcial para excluir a multa de ofício com base no art. 63, § 1º da Lei nº 9.430/96. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 474DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16682.720836/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA MULTIDISCIPLINAR DE SAÚDE. SISTEMA DE AUTO-GESTÃO. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS FÍSICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTÔNOMOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DIRETA AOS FUNCIONÁRIOS. NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com o disposto no art. 22, III, da Lei 8.212/91, para que se enquadre os trabalhadores na qualidade de segurado autônomo/contribuinte individual, o serviço deve ser prestado diretamente ao tomador do serviço. Ademais, o art.28, §9O, q, da Lei 8.212/91, preconiza que não incidem contribuições previdenciárias sobre o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado. Precedentes.
PARECER AGU/SRG-01/2008. AUSÊNCIA DE CARÁTER VINCULANTE. Tendo em vista que o parecer AGU/SRG-01/2008 não sofreu aprovação presidencial, lhe falta a força vinculante, motivo pelo qual sua aplicabilidade não deve ser observada de forma obrigatória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir os valores apurados no levantamento Serviços Médicos ou Odontológicos - Profissionais Credenciados na MAS.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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SISTEMA DE AUTOGESTÃO. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS FÍSICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTÔNOMOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DIRETA AOS FUNCIONÁRIOS. NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com o disposto no art. 22, III, da Lei 8.212/91, para que se enquadre os trabalhadores na qualidade de segurado autônomo/contribuinte individual, o serviço deve ser prestado diretamente ao tomador do serviço. Ademais, o art.28, §9O, “q”, da Lei 8.212/91, preconiza que não incidem contribuições previdenciárias sobre o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado. Precedentes. PARECER AGU/SRG01/2008. AUSÊNCIA DE CARÁTER VINCULANTE. Tendo em vista que o parecer AGU/SRG01/2008 não sofreu aprovação presidencial, lhe falta a força vinculante, motivo pelo qual sua aplicabilidade não deve ser observada de forma obrigatória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 36 /2 01 1- 01 Fl. 3220DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir os valores apurados no levantamento Serviços Médicos ou Odontológicos Profissionais Credenciados na MAS. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3221DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 16682.720836/201101 Acórdão n.º 2402004.873 S2C4T2 Fl. 290 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em face do acórdão que manteve integralmente o AI n. 37.327.2855, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa incidente sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que os fatos geradores do presente lançamento foram obtidos mediante o batimento das informações constantes em DIRF e folha de pagamentos, oportunidade na qual a fiscalização apurou que em folha deixaram de ser indicados pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Os pagamentos não informados foram classificados nas seguintes categorias: a) Serviços Médicos ou Odontológicos – Profissionais Credenciados na MAS : indicados como pagamentos efetuados pela recorrente a médicos e odontólogos que prestaram serviços aos seus funcionários, por meio do plano AMS b) Demais prestadores de serviços: pagamentos diversos efetuados a pessoas físicas, sobre os quais a recorrente não prestou qualquer esclarecimento em sede de ação fiscal. O lançamento compreende, as competências de 01/2007 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 06/12/2011 (fls. 01) Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a não ocorrência do fato gerador, uma vez que não fora a recorrente a tomadora de referidos serviços, mas sim os seus funcionários; 2. o fato da recorrente manter um benefício trabalhista em favor de seus funcionários não é suficiente a lhe equiparar aquela para quem tais serviços são prestados; 3. que os serviços, dirigidos exclusivamente aos beneficiários, são escolhidos sem interferência da impugnante, não existindo qualquer vínculo jurídico entre a PETROBRÁS e os profissionais de saúde, que possa ensejar uma cobrança previdenciária tendo por base de cálculo pagamentos feitos a contribuintes individuais. 4. à recorrente cabe, tão somente, viabilizar e operacionalizar o sistema, fazendo as intermediações Fl. 3222DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 necessárias entre os diversos profissionais, hospitais, clínicas e consultórios, pessoas físicas e/ou jurídicas, para que estas, quando solicitadas, prestem serviços diretamente aos beneficiários, pagando àqueles o valor dos serviços, por conta e ordem dos aludidos beneficiários. 5. cabe ao Estado a obrigação de prestar serviços de saúde, sendo que a impugnante, por meio da AMS, substitui o Estado, de forma supletiva, neste mister. 6. a Lei 9.656/98, posteriormente alterada pela MP 2.177 44/2001, equiparou as denominadas autogestões de saúde às operadoras de seguros privados de assistência à saúde. 7. a Lei dos Planos de Saúde definiu expressamente por conta e ordem de quem são tomados esses serviços, não podendo a fiscalização do INSS ampliar a interpretação para responsabilizar a recorrente. 8. ressalta que os pagamentos realizados pela impugnante aos profissionais credenciados são realizados em nome e por conta dos beneficiários da AMS, que, inclusive, dele se valem para abatimentos quando das suas declarações anuais de imposto de renda. 9. existem diferenças entre credenciamento, contratação e referência, sendo que a impugnante optou pelo credenciamento, em que não há o animus em celebrar a avença para uma determinada prestação de serviços. 10. a contabilização dos pagamentos é realizada na rubrica “despesas de pessoal encargos sociais e trabalhistas – AMS empregados”, o que não deixa dúvidas quanto a não incidência das contribuições previdenciárias, em observância ao disposto no art. 458, §2o, IV, da CLT; 11. referese ainda aos demais prestadores de serviço, afirmando que pelo menos 603 prestadores de serviço apontados no Auto de Infração, tiveram seus pagamentos devidamente declarados em GFIP, como comprovam documentos anexos, e que vários outros são transportadores autônomos, o que faz reduzir a base de cálculo da contribuição previdenciária, justificando a divergência apurada; 12. Ao final junta jurisprudência que entende deva ser aplicada ao caso. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 3223DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 16682.720836/201101 Acórdão n.º 2402004.873 S2C4T2 Fl. 291 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, o presente lançamento veio a ser lavrado em decorrência da recorrente ter pago remuneração a segurados autônomos contribuintes individuais, estes pessoas físicas que prestaram serviços médicos a seus empregados e beneficiários, sem vínculo empregatício. Em seu recurso aponta que tais pagamentos foram efetuados em decorrência de ser mantenedora de Plano de Assistência Multidisciplinar de Saúde, através do qual são credenciados profissionais da área de saúde (médicos e odontólogos), que prestam serviços diretamente a seus funcionários. Acrescenta que os serviços não são por ela tomados, bem como os pagamentos foram efetuados por conta e ordem dos funcionários que usufruíram dos serviços, os seus verdadeiros tomadores e beneficiários. Pois bem, fato é que, o presente tema, inclusive envolvendo a mesma empresa e o mesmo plano sob análise, já foi objeto de debate em alguns julgamentos levados a efeito por este Eg. Conselho, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que finalmente veio a entender pela impossibilidade do lançamento, tendo em vista que a própria legislação previdenciária permite tal conduta por parte dos contribuintes, ao determinar que não integra o salário de contribuição os valores pagos aos segurados empregados a título de assistência médica prestada pela própria empresa ou conveniada. Da análise de referidos julgados, sobretudo do acórdão n. 920202.246, de relatoria do Em. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, vejo que os argumentos trazidos à lume naquela oportunidade esgotam a matéria, de modo que peço vênias para adotálos como razão de decidir na presente oportunidade. Cito, a propósito: "Em que pesem as razões de fato e de direito da autoridade lançadora, a pretensão fiscal, contudo, não tem o condão de prosperar. Com efeito, da análise dos autos, constatase que os valores pagos pela contribuinte para o atendimento médico de seus funcionários, no Regime de Escolha Dirigida não se constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas, da mesma forma aplicada no Regime de Livre Escolha, como passaremos a demonstrar. Fl. 3224DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, para que haja incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a autônomos e/ou contribuintes individuais, ou melhor, para que se enquadre os trabalhadores (pessoas físicas) na qualidade de segurado autônomo/contribuinte individual, o serviço deve ser prestado diretamente ao tomador do serviço, bem como as importâncias pagas para retribuí los não podem ter natureza ressarcitórias, mas sim remuneratórias. (...) Destarte, o fato de empresa credenciar os profissionais (pessoas físicas), como a própria fiscalização inferiu eis seu Relatório Fiscal, não é capaz de acobertar o entendimento da autoridade lançadora de que os serviços eram prestados diretamente à empresa, mas sim, aos seus funcionários e dependentes, como robustamente demonstrado nos autos. Em outras palavras, observase que a contribuinte não contratou diretamente com as pessoas físicas (tidos como autônomos e contribuintes individuais) para prestação de serviços médicos à totalidade de seus segurados empregados, mas, sim, estes eram quem escolhiam onde seriam atendidos, se por pessoas físicas ou instituições, credenciadas ou não. Nesse ponto, aliás, cabe frisar que o atendimento médico não era oferecido tão somente aos funcionários que optassem pelos profissionais credenciados, podendo escolher qualquer profissional da área de saúde, com ou sem credenciamento. No meu sentir, o credenciamento se dava tão somente para efeito de controle dos serviços prestados, ou seja, para garantir a qualidade do atendimento médico aos segurados empregados da contribuinte e demais beneficiários. A rigor, esta iniciativa da recorrente encontra consonância com o preceito do artigo 197 da Constituição Federal e, lembrando que assistência médica é serviço público essencial, também denota um esforço para o cumprimento do disposto no artigo 6°, §1° do Estatuto dos Serviços Públicos, Lei n° 8.987, de 13/02/95, in verbis: (...) Na esteira desse entendimento, o prévio credenciamento dos prestadores de serviços (pessoas físicas e/ou instituições médicas) pode ser admitido, igualmente, como medida de fiscalização dos pagamentos dos serviços prestados aos segurados empregados/beneficiários, como forma de segurança da própria empresa. Ou melhor, no caso de atendimentos médicos realizados por instituições e/ou profissionais previamente credenciados, o pagamento se dava diretamente a estes. Caso contrário, por medida de segurança (no entendimento desse conselheiro), o Fl. 3225DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 16682.720836/201101 Acórdão n.º 2402004.873 S2C4T2 Fl. 292 7 empregado escolhia qualquer outro profissional e/ou instituição, promovia o pagamento e depois era reembolsado. Ora, a forma do pagamento do atendimento prestado por profissionais (pessoas físicas e/ou instituições), se diretamente a estes ou a partir de reembolso aos segurados empregados, não tem o condão de desnaturar parte do Programa de Saúde de AutoGestão da própria empresa. Tanto o Regime de Escolha Dirigida, como o de Livre Escolha se destinam a dar fiel cumprimento ao Plano de Assistência Multidisciplinar de Saúde AMS da autuada, a partir de Sistema de Autogestão. Dessa forma, concluise não haver qualquer diferença entre os dois regimes de atendimento médico, capaz de amparar o presente lançamento fiscal. Com efeito, em ambos os casos é a recorrente quem suporta o ônus financeiro da prestação de serviços, absolutamente iguais, digase de passagem. Mais a mais, as pessoas físicas profissionais da área de saúde não eram contratadas para prestação de serviços à recorrente, ou mesmo aos seus segurados empregados e/ou beneficiários, não havendo qualquer vínculo contratual entre estes. Admitir referida relação contratual, a partir de simples credenciamento dos profissionais, é presumir a ocorrência do fato gerador, o que não é aceito no direito tributário, a não ser quando se tratar de presunção legal, devidamente inserida na legislação de regência, onde invertese o ônus da prova ao contribuinte, o que não se vislumbra na hipótese vertente. A jurisprudência administrativa é firma e mansa nesse sentido, exigindo a comprovação dos fatos geradores dos tributos lançados, por parte do fiscal autuante, sobretudo quando o lançamento não se apoiar em presunções contempladas na legislação de regência, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: (...) Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. A corroborar esse entendimento, verificase que a própria autoridade lançadora confirma ter promovido o lançamento com base em uma presunção, ao inferir que o credenciamento das instituições e/ou profissionais prestadores de serviços implica em um contrato tácito (item 13.2, do Relatório Fiscal, às fls. Fl. 3226DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 468). Ou seja, inexiste comprovação de contrato de prestação de serviços entre os profissionais de saúde (pessoas físicas) e a notificada. Como se observa dos autos, a contribuinte detém plano próprio de Assistência Multidisciplinar de Saúde, sob sua administração e responsabilidade (Sistema de AutoGestão), não se cogitando em contratação de outras instituições e/ou pessoas físicas para o fim precípuo de referido Programa. Aliás, a própria legislação previdenciária permite tal conduta por parte dos contribuintes, ao determinar que não integra o salário de contribuição os valores pagos aos segurados empregados a título de assistência médica prestada pela própria empresa ou conveniada. É o que se extrai do artigo 28, § 9°, alínea "q", da Lei n° 8.212/91, como segue: (...) Como se vê, se a própria legislação de regência dispõe que as importâncias pagas a título de prestação de serviço médico próprio da empresa ou com ela conveniado não integram o salário de contribuição, ficando fora da base de cálculo das contribuições previdenciárias, não pode o fisco, no presente caso, pretender exigir referidos tributos com outra roupagem, "pagamentos a contribuintes individuais e/ou autônomos", impondo seja decretada a insubsistência do feito." Tais argumentos, a meu ver, esgotam toda a análise da matéria, a demonstrar que no presente caso, não se mostra possível a manutenção do lançamento do levantamento “Serviços Médicos ou Odontológicos – Profissionais Credenciados na MAS” Por oportuno, ressalto a existência do parecer AGU/SRG n° 01/2008, que conforme já restou amplamente demonstrado no julgamento supra mencionado, não possui natureza vinculante, por ausência de aprovação presidencial, motivo pelo qual não vejo como aplicálo no presente caso, sobretudo, diante da clarividência dos argumentos adotados a demonstrar a improcedência do lançamento. No entanto, além do lançamento da presente levantamento Serviços Médicos ou Odontológicos – Profissionais Credenciados na MAS”, verifico que também foram lançadas contribuições incidentes sobre valores pagos a contribuintes individuais pessoas físicas, assim denominadas como “Demais prestadores de serviços”. Sobre tal imputação, afirma a recorrente que pelo menos 603 prestadores de serviço apontados no Auto de Infração, tiveram seus pagamentos devidamente declarados em GFIP, como comprovam documentos anexos, e que vários outros são transportadores autônomos, o que faz reduzir a base de cálculo da contribuição previdenciária, justificando a divergência apurada Fato é que não vislumbro ter a recorrente trazido junto ao seu recurso qualquer comprovação acerca de tais fatos, seja da devida informação em GFIP, seja da condição de transportadores autônomos dos contribuintes individuais incluídos em tal Fl. 3227DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 16682.720836/201101 Acórdão n.º 2402004.873 S2C4T2 Fl. 293 9 levantamento. Pelo contrário, verifico que esta reconhece que sobre tais pagamentos deveria incidir a contribuição previdenciária, todavia, em patamares diferentes daqueles que foram adotados pela fiscalização. Assim, não se desincumbiu de seu ônus probatório, a demonstrar a impropriedade do lançamento quanto a este ponto. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, tão somente para dele excluir o levantamento Serviços Médicos ou Odontológicos – Profissionais Credenciados na MAS”. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3228DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10670.720059/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se trata de aplicação do princípio da irretroatividade das normas. Na data de transmissão da DCOMP, encontrava-se em pleno vigor a IN SRF n° 323/03, preconizando que os débitos a serem compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC.
É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 18 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Numero da decisão: 1101-000.807
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se trata de aplicação do princípio da irretroatividade das normas. Na data de transmissão da DCOMP, encontravase em pleno vigor a IN SRF n° 323/03, preconizando que os débitos a serem compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. JUROS DE MORA TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 59 /2 00 5- 00 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 3 2 designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 18 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Recorre a interessada contra a parte do Acórdão exarado pela DRJ/Juiz de Fora, na parte em que lhe foi desfavorável, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002. COMPENSAÇÃO ACIMA DO LIMITE DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. COBRANÇA CONTESTADA.SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. EXISTÊNCIA. De acordo com o disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Considerando que a contribuinte questiona exatamente a não suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que, no presente caso, a diferença entre crédito e débitos a serem compensados se deve ao fato da incidência de encargos moratórios sobre os débitos até a data da entrega da DCOMP, que se dê ao presente recurso o efeito suspensivo, apesar do disposto na IN SRF n° 460/04, art. 48, § 3°, inciso II. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se trata de aplicação do princípio da irretroatividade das normas. Na data de transmissão da DCOMP, encontravase em pleno vigor a IN SRF n° 323/03, preconizando que os débitos a serem compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. JUROS DE MORA TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Solicitação Deferida em Parte Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, por DEFERIR EM PARTE a solicitação da contribuinte em epígrafe, no sentido de que se dê ao presente recurso o efeito suspensivo desejado; adversamente, que se considere nãohomologada a compensação solicitada referente ao débito de R$ 153.404,75 e seus devidos acréscimos legais, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. No voto condutor consta da decisão recorrida constam os seguintes excertos: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 5 4 Consoante descrito no relatório, a empresa efetuou compensações com direito creditório devidamente reconhecido pela SAORT/DRFMontes Claros/MG, no valor de R$ 1.036.448,15. Posteriormente, a autoridade administrativa concluiu pela não homologação parcial da compensação pleiteada (fls. 22/27), tendo por base o disposto no art. 28 da IN SRF n° 210/02, posteriormente alterado pela IN SRF n° 323/03, a qual estabelece que na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência (art. 61 da Lei n° 9.430/96), até a data de transmissão da DCOMP. Ressaltese que a compensação efetuada a teor do artigo 66 da Lei n.° e8.383/1991, posteriormente alterada pela Lei n° 9.096/95, não acarreta a extinção do crédito tributário, pois o Fisco tem o poder de homologar ou não o referido pagamento, realizado a título de compensação, e de proceder ao lançamento de oficio, caso tenha sido feito a menor ou indevidamente: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Resumindo, o pleito, no que concerne ao direito creditório, foi deferido e as compensações foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido (devidamente corrigido), conforme o despacho decisório. Observase ainda que, tendo sido transmitido o pedido de restituição/compensação em 17/07/2003 (fl. 02), os débitos a serem compensados já se encontravam vencidos. Assim, restou configurada a insuficiência de créditos para a compensação dos débitos, incluídos os acréscimos moratórios (multa de mora e juros de mora), no montante de R$ 153.404,76, tendo em vista que o direito creditório, estampado neste processo, apenas garante a compensação até o limite dos valores nominais dos tributos vencidos. Sobre o assunto deve ser examinada a legislação pertinente, a qual preceitua que sobre os débitos vencidos submetidos à compensação, a partir da data de vencimento dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, deverão incidir acréscimos legais, quais sejam, multa e juros de mora, nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61 (...) A multa aplicada na consolidação dos débitos é multa de mora, limitada ao percentual de 20%, ou seja, a consolidação dos débitos para fins de compensação deve ser efetuada em atendimento ao que prescreve a legislação quanto aos acréscimos legais e em observância das regras da compensação quanto à valoração dos débitos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 6 5 À época da transmissão da DCOMP, em 17/07/2003, já vigorava a alteração procedida no art. 28 da IN SRF n° 210/02, pela IN SRF n°323/03 (...) Essa modificação, mantida pela Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, também no art. 28, foi introduzida porque não há mais sentido em procurar saber se o pedido de ressarcimento é anterior ou posterior a pedidos de compensação vinculados: a declaração de compensação é atrelada a um pedido eletrônico de reconhecimento de direito creditório (PER/DCOMP). Contudo, com o advento da IN SRF n° 460, de 2004, no art. 63, houve menção novamente à valoração dos débitos no que respeita a pedido de compensação deferido ou a Declaração de Compensação apresentada à Secretaria da Receita Federal até 27/05/2003 (...) Nesse caso, como já esclarecido, não carece de dúvidas que a PER/DCOMP foi transmitida em data posterior ao vencimento dos débitos, o que propiciou serem os acréscimos legais exigidos. A impugnante, por sua vez, questiona a aplicação retroativa da IN SRF n° 323/03, que deu nova redação ao art. 28 da IN SRF n° 210/02, precisamente na determinação, pela mesma, da incidência de encargos moratórios sobre o débito a compensar, caso a entrega da DCOMP tenha ocorrido após o vencimento do tributo a compensar, mesmo que os fatos geradores das obrigações tributárias a compensar tenham ocorrido anteriormente à publicação da referida IN. Cita, nessa linha de raciocínio, o inciso I do art. 103, o art. 106 e o inciso II do art 156, todos do CTN, a saber: Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: 1 os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a)quando deixe de definilo como infração; b)quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 7 6 tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A respeito do disposto no REsp 488.992MG, apresentado pela contribuinte, delineando que "... ao procedimento de compensação aplicase a legislação vigente à época em que se efetua o confronto dos créditos e débitos", equivocase a impugnante em sua interpretação, pois não há que se falar em confronto dos créditos e débitos sem a devida apresentação do PER/DCOMP, ou seja, o procedimento de compensação só se efetua quando da transmissão da respectiva PER/DCOMP, aplicandose a legislação então vigente à época de sua transmissão. Nesses termos, considerando que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas entram em vigor na data da sua publicação; considerando que a IN SRF n° 323/03 entrou em vigor em 28/05/2003; e, ainda, considerando que a data de transmissão da DCOMP se deu em 17/07/2003, podemos concluir que, quando da transmissão do PER/DCOMP vigorava a IN SRF n° 323/03. Não se trata aqui da aplicação do princípio da irretroatividade das normas, como delineia a reclamante. O ponto crucial, no presente caso, reside exatamente na data de transmissão da DCOMP, 17/07/2003 — e, não, como pleiteia a requerente, na data de ocorrência do fato gerador — quando, sem sombra de dúvidas, encontravase em pleno vigor a INSRFn° 323/03, que deu nova redação ao art. 28 da IN SRF n° 210/02, nos seguintes termos: "... os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação". Por derradeiro, alega não concordar com o juro de mora aplicado com base na taxa SELIC, estando estes em desacordo com a previsão do CTN, que como Lei Complementar foi recepcionado pela carta política vigente, não podendo pois ser contrastado por Lei Ordinária e muito menos por Instrução Normativa, ato administrativo inferior. Relativamente ao juro de mora, consignese que o art. 161 do Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo o parágrafo 1° do referido artigo que os juros serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se não for fixada outra taxa. E a taxa SELIC tem previsão de aplicabilidade no artigo 61, § 3° da Lei n° 9.430/96, acima transcrito. Quanto à validade ou não da legislação mencionada, cumpre observar o disposto no item Considerações Iniciais e Jurisprudência Apresentada, no início deste voto. Assim, por estar devidamente fundamentada a exigência, não cabe a este órgão julgador perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, "a" e III, "h" e § 1° da ' Constituição Federal. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 8 7 competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade vinculante para a Administração Pública. Por oportuno, porém, registrese ser imprópria a alegação de que tais juros seriam remuneratórios, pois o caráter compensatório ou remuneratório da taxa não depende da sua forma de fixação ou cálculo, mas sim da natureza do fato jurídico que provoca sua incidência. No caso de dívidas tributárias, o advento do termo fixado para cumprimento da obrigação e a não efetivação do pagamento gera a mora, e, por conseqüência, a incidência dos juros. O simples fato de a lei tributária ter escolhido uma taxa que pode servir de base para remunerar negócios jurídicos privados não significa a desnaturação do caráter moratório advindo da lei. (...) Nesse contexto, julgo por considerar deferida em parte a solicitação interposta pela contribuinte (fls. 35/47), no sentido de que se dê ao presente recurso o efeito suspensivo solicitado pela recorrente e, ainda, que se considere não homologada a compensação referente ao débito remanescente de R$ 153.404,75 e seus devidos acréscimos legais pertinentes. Irresignada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 114/122 (numeração digital), pugnando pela correção de seu procedimento e reforma da decisão recorrida, alegando (conforme reprodução literal de seus argumentos): “Como se confirma das decisões proferidas nesse processo, a única razão para a não homologação integral da compensação referente aos débitos listados na DCOMP foi a inclusão de supostos acréscimos moratórios naquele montante, tendo sido invocada de forma expressa a alteração promovida no art. 28 da IN SRF n.° 210/2002 pela IN SRF n.° 323/2003. Ocorre que essa alteração não pode ser considerada no presente caso, uma vez que não só os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na DCOMP são anteriores à vigência da IN SRF n.° 323/03, como a própria indicação da disponibilidade do crédito nos sistemas da Receita Federal se verificou antes do advento daquela norma. Com efeito, não há dúvidas de que o crédito considerado pela Recorrente tem sua origem no recolhimento a maior efetuado em 28.12.2001, sendo que a própria Delegacia de origem confirmou a liquidez e certeza desse crédito, reconhecendoo de forma integral em favor da Recorrente, bem como que ele se encontrava disponível no sistema da Receita (evidentemente, desde o seu recolhimento em 2001). Também se apresenta inequívoco que os débitos considerados na DCOMP e em análise nesse recurso tiveram seus vencimentos verificados em 15.03.2002 e 15.04.2002 (vide fl. 15) Ou seja, quando da apresentação da DCOMP, o crédito considerado pela Recorrente não somente era líquido e certo (como acabou confirmando o Despacho Decisório n.° 073/2005 e a decisão Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 9 8 ora recorrida), como já era de conhecimento da Receita Federal, uma vez que já a partir do recolhimento correspondente ao crédito (12.2001), passou a constar no sistema da Receita que aquele valor se encontrava disponível, tornandose possível a vinculação futura de débitos apurados pela Recorrente. Com efeito, assim constou do Despacho Decisório n.° 073/2005: "Considerando que o suposto pagamento efetuado indevidamente, informado pelo contribuinte em sua PER/DCOMP eletrônica encontrase disponível, comprovado através de tela do sistema "SIEF — FISC. ELETR. — Analisar Valores — Pagamento". Como se nota, todos esses fatos (fatos geradores dos débitos, recolhimento indevido e indicação no sistema da Receita da existência da disponibilidade do crédito) ocorreram antes do advento da IN SRF n.° 323/2003, de forma que se apresenta equivocado o argumento constante da decisão recorrida segundo o qual não se trata de aplicação retroativa da norma. É exatamente uma aplicação retroativa que se verifica nesse caso. Afinal, quando da origem do crédito considerado na DCOMP (e indicação no sistema da Receita da disponibilidade daquele valor recolhido indevidamente) e do vencimento dos tributos quitados na declaração, encontravase vigente a Instrução Normativa SRF n° 21/97, que determinava, em seu art. 13, § 30 , a data em que deveria se considerada realizada a compensação, senão vejamos: "Art. 13. Compete às DRF e às IRFA, efetuar a compensação. § 3° A compensação será efetuada considerandose as seguintes datas: (Redação dada pela IN SRF ng 73/97, de 15/09/1997) a) do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; (Incluído pela IN SRF ng 73/97, de 15/09/1997) b) do ingresso do pedido de ressarcimento em espécie, quando destinado à compensação com débito vencido; (Incluído pela IN SRF ng 73/97, de 15/09/1997) c) do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento em espécie houver ocorrido antes dessa data; (Incluído pela IN SRF ng 73/97, de 15/09/1997)" (destacouse) Disposições semelhantes apresentava a redação original do artigo 28 da Instrução Normativa n.° 210/2002: "Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 10 9 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; (...)"(destacouse) Portanto, a norma em vigor à época da indicação nos sistemas da Receita do crédito da Recorrente (pagamento não apropriado) e do vencimento dos débitos em questão, bem como aquela que a sucedeu, era expressa em determinar que a compensação é considerada realizada na data do pagamento indevido. Ou seja, a norma determina que, se o pagamento a maior é anterior ao vencimento do débito, a compensação é considerada efetuada na data da realização daquele pagamento, mesmo quando o pedido de compensação vinculado seja posterior ao vencimento do débito compensado. Como o recolhimento a maior ocorreu em 12.2001, passando a constar no sistema da Receita já a partir dessa data a disponibilidade do valor recolhido, não há dúvidas de que se deve aplicar o dispositivo em vigor naquele momento. No presente caso, por ter a DCOMP sido apresentada em julho de 2003, a Fiscalização, desrespeitando as IN's n.°'s 21/97 e 210/02 (redação original do art. 28), considerou como efetuada a compensação na data da apresentação da DCOMP, aplicando na apuração dos débitos declarados a incidência dos acréscimos moratórios. Por esse motivo o crédito foi considerado insuficiente e a compensação não foi totalmente homologada. Como visto, a correta interpretação do artigo 13 da IN n.° 21/97, reiterado no artigo 28 da IN n.° 210/02, é no sentido de que se considera realizada a compensação na data do recolhimento a maior, pouco importando a data da apresentação da DCOMP. A precisão desta interpretação é realçada justamente pela edição, em abril de 2003, da IN n.° 323/03, alterando o artigo 28 da IN n.° 210/02, para atribuirlhe a seguinte redação: "Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Ou seja, conforme se observa, somente com relação aos créditos declarados e aos débitos apurados após abril de 2003, a Receita Federal passou a considerar que a compensação teria se realizado na data da Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 11 10 apresentação da DCOMP e não na data do recolhimento indevido, como determinava a IN n.° 21/97 e a redação original do art. 28 da IN n.° 210/02. No caso, não é possível se aplicar de forma retroativa as disposições constantes da IN n.° 323/03, uma vez que: a) o crédito compensado foi constituído e indicado à Receita Federal em datas anteriores aos fatos geradores dos débitos compensados; b) os débitos compensados tiveram fatos geradores e vencimentos anteriores à publicação da citada Instrução Normativa. Essa aplicação retroativa implica em violação aos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, uma vez que a Recorrente não pode ser surpreendida com aplicação de norma que não existia no ordenamento jurídico quando apurou créditos e débitos passíveis de serem compensados. Salta aos olhos que quando a Recorrente apresentou o seu pedido de compensação o fez tendo em vista que o valor de seu crédito existente desde dezembro de 2001 correspondia aos valores dos débitos, não podendo ser surpreendida com a alteração unilateral dos valores dos débitos compensados, decorrente de aplicação retroativa de norma administrativa. Devese ressaltar que o princípio da segurança jurídica é a baliza utilizada pelo Código Tributário Nacional ao definir a vigência e aplicação da legislação tributária. Tanto que o inciso I do seu artigo 103 dispõe que a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros ou pendentes. O objetivo da norma geral tributária é claro em impedir a aplicação da nova norma tributária sobre situações jurídicas já consolidadas, evitandose os deletérios efeitos da "surpresa" fiscal. Resta claro o equívoco incorrido pela r. decisão recorrida ao dar enfoque apenas à data da entrega da DCOMP e à legislação vigente àquela época, deixando de considerar a legislação que efetivamente vigorava quando restou configurado o recolhimento a maior que ensejou o crédito indicado, o fato gerador e vencimento do débito vinculado àquele crédito e, principalmente, a indicação nos sistemas da Receita acerca da disponibilidade daquele crédito. Portanto, tendo em vista os argumentos acima expostos, verifica se que a exigência mantida pela decisão recorrida é claramente ilegal, vez que, pelas disposições constantes do artigo 13 da IN n.° 21/97 e 28 da IN n.° 210/02, em sua redação original, não havia que se falar em inclusão de acréscimos moratórios entre a data do vencimento do débito e a entrega da declaração de compensação. Pelo exposto, requerse o provimento do presente recurso, para determinar a reforma parcial da decisão recorrida, restando homologadas Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 12 11 de forma integral as compensações indicadas na DCOMP n.° 38960.93905.170703.1.3.046971”. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720059/200500 Acórdão n.º 1101000.807 S1C1T1 Fl. 13 12 Voto PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do voto e do presente Acórdão. Tendo em vista não constar dos autos minuta ou quaisquer informações acerca das razões de decidir da Conselheira originalmente designada e que a levaram a NEGAR provimento ao recurso voluntário, este Redator ad hoc se limitará a traduzir a posição estampada na ata da sessão em que foi realizado o julgamento para consecução do voto, consignando, porém, que o faz meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não está vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão e que levaram a Turma a negar provimento ao recurso voluntário, com as quais posso ou não concordar em situações concretas. Pois bem, como se vê no extrato da ata, a Conselheira rejeitou os argumentos da recorrente e alinhou sua decisão com a da decisão a quo, mantendo a exigência do crédito tributário em discussão e NEGANDO PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Sala de Sessão, 13 de setembro de 2012. Nara Cristina Takeda Taga Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19311.000202/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.550
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IFC INTERNATIONAL FOOD COMPANY INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S.A.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos resolvem os membros da Câmara declinar da competência e encaminhar o processo para a Primeira Seção., nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IFC INTERNATIONAL FOOD COMPANY INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S.A. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos resolvem os membros da Câmara declinar da competência e encaminhar o processo para a Primeira Seção., nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .0 00 20 2/ 20 09 -1 2 Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19311.000202/200912 Resolução nº 2202000.550 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, IFC INTERNATIONAL FOOD COMPANY INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S.A., foi lavrado auto de infração à legislação do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, lavrado em 11/05/2009, para constituição do crédito tributário de R$8.440.707,83, relativo às multas e aos juros isolados, por falta de retenção e recolhimento do IRRF, tendo em conta as irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 829/866, parte integrante da peça acusatória. Transcrevese o excerto relativo à exigência em apreço: "(...) d) Multa isolada e juros por não retenção de IRRF. José e Alessandra beneficiaramse dos custos arcados pela IFC, no valor de R$49.874.396,16, conforme planilha "Pagamentos realizados em beneficio dos sócios" anexa, onde os custos estão discriminados conforme registrados em conta Empréstimo de Sócios da empresa Zest e parcelas pagas pela IFC após a incorporação. Esses pagamentos constituem distribuição de recursos aos sócios em valor superior ao lucro apurado pela contabilidade. Portanto, não se incluem na isenção prevista no artigo 39, inc. XXIX, e 654 do RIR/99. O aumento da riqueza dos sócios, embora realizado em contrapartida a uma diminuição da riqueza da empresa, constitui rendimento tributável, conforme disposto na Lei 7.713/88, art 30, §40; Decreto 3.000/99 RIR arts. 37 e 38; e IN SRF n° 15/2001, art. 5, §§ 7° e 8°. Tratandose de fraude a lei societária com utilização, em tese, de simulação, incide o artigo 55, inciso X do RIR/99. Está sujeito à retenção na fonte, conforme arts 620 e 639 do RIR/99. Não houve retenção na fonte, como se verifica na DIRF emitida pela IFC juntada ao processo. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte apresentou cópia de Contrato de Licença de Uso de Patente celebrado em 31/10/2005 com o sócio José Machado Barbosa Neto. Verificase no livro razão lançamentos a crédito da conta 21020305 Empréstimo de Sócios, em contrapartida a débitos à conta 11040107 Royalties a Pagar Patentes Sócios em 31/10/2005 e 26/12/2005. Posteriormente, os empréstimos foram pagos pela IFC com a transferência de um imóvel (chácara) a José e Alessandra, casados em regime de comunhão parcial de bens, conforme cópias de documentos fornecidos pela IFC e juntados ao processo. O contribuinte não declarou em DIRF a retenção do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre os royalties pagos, conforme arts 620, 631 e 717 do RIR/99. Não encontramos recolhimentos da empresa relativos ao IRRF devido sobre os royalties pagos. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19311.000202/200912 Resolução nº 2202000.550 S2C2T2 Fl. 4 3 O não recolhimento de IRRF pela fonte pagadora sujeitaa ao lançamento de multa e juros previstos no art. 9° da Lei n° 10.426/2002; no art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96; nos arts. 722 e 957 do RIR/99, conforme Parecer Normativo SRF n° 1 de 24/09/2002, item 16, b) e subitem 16.1. Na planilha "Pagamentos realizados em beneficio dos sócios" as datas de vencimento foram obtidas no sítio da Receita Federal na Internet, opção Agenda Tributária, utilizando os códigos 8045 Demais Rendimentos, para os pagamentos em beneficio dos sócios, e 3208 Royalties. A planilha anexa "Taxa SELIC acumulada para cálculo de juros" apresenta as taxas utilizadas. Tendo em vista os valores mensais das retiradas individuais dos sócios (DIRF juntada ao processo) a aplicação da tabela progressiva do imposto dáse pela alíquota de 27,5%. Efetuamos o lançamento de multa isolada e juros pelo não recolhimento de IRRF sobre os pagamentos listados. Aplicase multa isolada no valor de 50% do imposto não retido e juros devidos no período entre a data em que deveria ter sido recolhido o imposto e a data de entrega da declaração de ajuste da pessoa física.” Cientificado do lançamento, em 18/05/2009, o contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 888/948, em 17/06/2009, alegando em sua defesa basicamente as mesmas razões de fato e de direito apresentadas em relação às exigências de IRPJ e CSLL, formalizadas no Processo n° 19311.000203/200967. A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, entendeu por bem julgar procedente em parte, excluindo apenas uma pequena parte do lançamento por ajuste na base de cálculo. A DRJ ao apreciar o mérito assim se pronunciou: No que tange ao mérito, importa consignar inicialmente que a partir das razões de decidir adotadas no processo n° 19311.000203/200967, no qual foram autuados os lançamentos de IRPJ e CSLL, lavrados contra a IFC, e decorrentes dos mesmos fundamentos fáticos, procedente também se configura o presente lançamento de multa e juros isolados, por falta de retenção e recolhimento do IRRF devido contra a mesma empresa. Na verdade, comprovado que a IFC assumiu todo o encargo financeiro da operação de aquisição de quotas pelos sócios remanescentes, tendo custeado não apenas o pagamento devido ao alienante (4 parcelas), mas também as despesas com traduções, avaliações, seguro, serviços advocatícios e carta fiança, que se encontram discriminadas na planilha elaborada pela fiscalização, de fls. 867, configurada está a hipótese de incidência do IRRF prevista no art. 639 do RIR/99. Insatisfeito o recorrente interpõe recurso, onde reitera as razões da impugnação. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19311.000202/200912 Resolução nº 2202000.550 S2C2T2 Fl. 5 4 Em petição datada no dia 07/10/2013, o recorrente solicita que o processo seja retirado de pauta e que ocorra o apensamento com os Processos Administrativos No. 19311.000203/200967, 19311000201/200978 e 19311.000200/200923. É o relatório. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19311.000202/200912 Resolução nº 2202000.550 S2C2T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Antes de apreciar a matéria objeto do recurso cabe apontar uma questão prejudicial. Cabe reconhecer a conexão entre o presente lançamento e aqueles formalizados no âmbito dos processos administrativos n° 19311.000203/200967 (Matéria: IRPJ e CSLL; Interessado: IFC), 19311.000201/200978 (Matéria: IRPF; Interessado: José Barbosa Machado Neto) e 19311.000200/200923 (Matéria: IRPF; Interessado: Alessandra Orlandi Barbosa Machado), tendo em conta a identidade dos fundamentos fáticos e jurídicos das diversas autuações, no que tange à caracterização, como simuladas, das operações societárias de aquisição de quotas, por interposta pessoa, e de subseqüente incorporação desta última, devendo ser decididos simultaneamente. Tendo em vista esses fatos, sobre a competência atribuída às diversas Seções: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19311.000202/200912 Resolução nº 2202000.550 S2C2T2 Fl. 7 6 Desse modo, com base nos dispositivos transcritos, proponho o redirecionamento do presente processo para a primeira Seção, por força da competência regimental, para que este processo seja julgado em conjunto com os processo conexos mencionados anteriormente. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13308.000191/2002-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. RELATÓRIO 1. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI formulado pelo contribuinte e referente ao 1°. trimestre de 2001. Após procedimento fiscal que visou a comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza opinou pelo indeferimento total do crédito (fls. 216/218). 2. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 220/239), a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Belém/PA (fls. 250/256) nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 08 .0 00 19 1/ 20 02 -7 7 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000191/200277 Resolução nº 3402000.739 S3C4T2 Fl. 814 2 Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art.11 da Lei n° 9.779, de 1999, vinculase ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. Na ausência de provas, nos autos, que permitam presumir a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento da pretensão. (grifos nosso). 3. Diante da r. decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 263/283, o qual, submetido à apreciação perante este Tribunal Administrativo, foi convertido em diligência pela então Relatora do caso, Conselheira Nayara Bastos Manatta, juntamente com a Turma julgadora, o que foi realizado nos seguintes termos: ...entendo necessário que a fiscalização se pronuncie sobre o cumprimento de cada um dos requisitos previstos na Lei n° 9.363, de 1996, para fruição do beneficio em tela, respondendo, objetivamente, se, a vista dos documentos fiscais e escrita fiscal e contábil da recorrente, é possível, para o período de apuração de que tratam estes autos: a) calcular o valor total das aquisições de MP, PI e ME; e b) descrever detalhadamente o processo produtivo da recorrente; c) determinar a quantidade de insumos empregados na fabricação dos produtos industrializados e saídos, acabados, do estabelecimento da recorrente, por período de apuração; d) registro de créditos relativos as aquisições de insumos devidamente comprovados por meio de documentação hábil, por período de apuração; e) saída de produtos acabados do estabelecimento da recorrente por período de apuração, e o montante do IPI devido correspondente a tais saídas; (...). 4. Referido processo foi baixado em diligência, oportunidade em que a fiscalização intimou o contribuinte por três vezes consecutivas (fls. 307/310, 332/335 e 352/355) para que este apresentasse documentos contábeis hábeis a apurar a correição do crédito por ele (contribuinte) apontado em seu pedido de ressarcimento. 5. Apenas após a terceira intimação adveio resposta do contribuinte (fls. 376/384), oportunidade em que ele (contribuinte) apresentou apenas parte dos documentos exigidos pela fiscalização. Os documentos então apresentados foram os seguintes: Fl. 814DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000191/200277 Resolução nº 3402000.739 S3C4T2 Fl. 815 3 (i) arquivo magnético com planilha das Notas Fiscais de Entrada referentes aos insumos adquiridos com incidência de PIS/PASEP e COFINS e utilizados no processo produtivo de bens exportados para o exterior; (ii) descrição do seu processo produtivo; (iii) relação de outros processos administrativos com o mesmo tema aqui tratado; e (iv) arquivo digital com planilha onde consta parte das notas fiscais de entrada referentes aos insumos adquiridos para emprego na industrialização, bem como planilha com parte das notas fiscais de saída; 6. Nesta mesma oportunidade o contribuinte pleiteou a concessão de prazo para a apresentação dos demais documentos faltantes, o que aparentemente foi indeferido pela fiscalização, haja vista que na sequência os autos foram remetidos para este Tribunal Administrativo. 7. É o relatório. RESOLUÇÃO Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Relator 8. Conforme bem pontuado pela Relatora que me antecedeu no presente caso, não se trata aqui de se discutir a validade do crédito em um plano normativo, haja vista que, no presente caso, tal questão é, s.m.j., inconteste1. Em verdade, o ponto nodal para a definição do presente caso diz respeito a prova, em concreto, do referido crédito de IPI. 9. E, para que tal prova fosse realizada em concreto, a fiscalização determinou que o contribuinte apresentasse um infinidade de documentos e que estão abaixo listados: 1. No cumprimento das exigências previstas na IN SRF 86/99 e na IN SRF 86/2001, apresentar, para cada estabelecimento produtor e exportador da empresa, em arquivo digital, meio magnético, Programa Microsoft Office Excel: 1.1. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Entradas PJ Contribuintes PIS/PASEP e CORNS" anexo, planilha das Notas Fiscais de Entrada referentes aos insumos adquiridos com incidência de PIS/PASEP e COFINS e utilizados no processo produtivo de bens exportados para o exterior (inciso I, art. 3° da Portaria MF 38/97; 1 Para ser fiel ao que fora dito pela então Relatora do caso, segue abaixo trecho do seu voto (fls. 287) que implicou a conversão do presente julgamento em diligência: "A questão crucial a ser tratada neste recurso não se refere ao direito creditório previsto em lei, mas a sua comprovação. Se efetivamente restou comprovado que as MP, PI e ME foram efetivamente usadas no processo produtivo da empresa ou de terceiros por sua conta e ordem." Fl. 815DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000191/200277 Resolução nº 3402000.739 S3C4T2 Fl. 816 4 inciso I, art. 3° da Portaria MF 64/03; inciso I, art. 3° da Portaria MF 93/04); 1.2. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Entradas PF e/ou PJ Não Contribuintes PIS/PASEP e COFINS" anexo (Pessoas Físicas, Cooperativas e as Pessoas Jurídicas preponderantemente exportadoras que adquirem insumos com suspensão da cobrança do PIS/PASEP e COFINS — segundo previsto no art. 40 da Lei n° 10.925/04 — não sofrem a incidência destas Contribuições), planilha das Notas Fiscais de Entrada referentes aos insumos adquiridos sem incidência de PIS/PASEP e COFINS e utilizados no processo produtivo de bens exportados para o exterior (inciso I, art. 3° da Portaria MF 38/97; inciso I, art. 3° da Portaria MF 64/03; inciso I, art. 3° da Portaria MF 93/04); 1.3. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Entradas PJ Contribuintes PIS/PASEP e COFINS Produtos Não Acabados ou Não Vendidos" anexo, planilha das Notas Fiscais de Entrada referentes aos insumos adquiridos com incidência de PIS/PASEP e COFINS e utilizados na produção de produtos não acabados ou dos produtos acabados mas não vendidos no último trimestre do ano ou no último trimestre em que houver realizadoi exportação (§ 39., art. 30 da Portaria MF 38/97; § 3 9, art. 3° da Portaria MF 64/03; § 39, art. 3° da Portaria MF 93/04); 1.4. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Entradas PFI e/ou PJ Não Contribuintes PIS/PASEP e COFINS Produtos Não Acabados ou Não Vendidos" anexo (Pessoas Físicas, Cooperativas e as Pessoas Jurídicas preponderantemente exportadoras que adquirem insumos com suspensão da cobrança do PIS/PASEP e COFINS — segundo previsto no art. 40 da Lei n° 10.925/04 — não sofrem a incidência destas Contribuições), planilha das Notas Fiscais de Entrada referentes aos insumos adquiridos sem incidência de PIS/PASEP e COFINS é utilizados na produção de produtos não acabados ou dos produtos acabado,s mas não vendidos no último trimestre do ano ou no último trimestre em que houver realizado exportação ,(§ 39, art. 3° da Portaria MF 38/97; § 39, art. 3° da Portaria MF 64/03; § 32, art. 30 da Portaria MF 93/04); 1.5. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Saídas Exportação" anexo, planilha das Notas Fiscais de Saída dos valores que compõem, na condição de produtor exportador, sua Receita Bruta de Exportação (inciso II, art. 30 da Portaria MF 38/97; inciso II, art. 3 0 da Portaria MF 64/03; inciso II, art. 30 da Portaria MF 93/04); 1.6. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Saídas Vendas" anexo, planilha das Notas Fiscais de Saída cujos valores compõem sua Receita Operacional Bruta (inciso II, art. 3° da Portaria MF 38/97; inciso II, art. 3 0 da Portaria MF 64/03; inciso II, art. 3 0 da Portaria MF 93/04); 1.7. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Transferência Crédito Presumido" anexo, planilha das Notas Fiscais de Saida de transferência de Crédito Presumido da matriz, por ela não utilizado, para estabelecimento industrial ou equiparado a industrial da mesma pessoa jurídica (caso o estabelecimento matriz não seja Fl. 816DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000191/200277 Resolução nº 3402000.739 S3C4T2 Fl. 817 5 contribuinte do IPI, planilha das Notas Fiscais de Entrada de Transferência de Crédito Presumido do estabelecimento que estiver recebendo o crédito), para efeito de dedução do valor do IPI devido nas operações de mercado interno (§§ 1 9 e 2°, art. 40 da Portaria MF 38/97; §§ 1°2° e 30, art. 4° da Portaria MF 64/03; §§ 2 ° e 3°, art. 40 da Portaria MF 93/04); 2. No cumprimento das exigências previstas na IN SRF 86/99 e na IN SRF 86/2001, apresentar de forma consolidada para toda a empresa, em arquivo digital, meio magnético, Programa Microsoft Office Excel: 2.1. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Dados para Cálculo do Custo dos lnsumos (MP,PI e ME) Adquiridos de Contribuintes do PIS/PASEP e COFINS e Utilizados na Produção de Produtos Exportados" anexo, planilha com os dados solicitados; 2.2. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Dados para Cálculo do Custo dos Insumos (MP,PI e ME) Adquiridos de Não Contribuintes do PIS/PASEP e COF1NS e Utilizados na Produção de Produtos Exportados" anexo, planilha com os dados solicitados; 2.3. De acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Receita de Exportação, Receita Operacional Bruta, Utilização e Transferência de Crédito" anexo, planilha com os dados solicitados; 3. Livros Contábeis (ver itens "b", "c" e "d" de OBSERVAÇÕES): 3.1. Livro Diário; 3.2. Livro Razão Auxiliar; 4. Demonstrativo(s) do Crédito Presumido — DCP; 5. De acordo com o DecretoLei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, apresentar o(s) registro(s) especial(ais) na Gecex (antiga Cacex) do Banco do Brasil SA e na Secretaria da Receita Federal da(s), de acordo com normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda, da(s) Comercial Exportadora adquirente(s) de mercadoria(s) produzida(s) pela empresa e vendida(s) com fim específico de exportação; 6. Para cada estabelecimento da empresa: 6.1. Livros Fiscais, (ver item "h" de OBSERVAÇÕES): 6.1.1. Livro Registro de Entradas — modelo 1; 6.1.2. Livro Registro de Saídas — modelo 2; 6.1.3. Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque — modelo 3 (ou controle equivalente); 6.1.4. Livro Registro de Impressão de Documentos Fiscais — modelo 5; 6.1.5. Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências — modelo 6; 6.1.6. Livro Registro de Inventário — modelo 7; Fl. 817DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000191/200277 Resolução nº 3402000.739 S3C4T2 Fl. 818 6 6.1.7. Livro Registro de Apuração do IPI — modelo 8; 6.2. Em arquivo digital, meio magnético, Programa Microsoft Office Excel, de acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Entradas" anexo, planilha das Notas Fiscais de Entrada referentes aos insumos adquiridos para emprego na industrialização de produtos de fabricação do estabelecimento industrial, material de embalagem (ME), matériasprimas (MP) e 'produtos intermediários (PI) integrados ao produto final ou consumidos no processo de industrialização, cujos valores de IPI tenham sido considerados como crédito na apuração deste imposto; 6.3. Em arquivo digital, meio magnético, Programa Microsoft Office Excel, de acordo com o "Modelo Hipotético Planilha Excel Saídas" anexo, planilha das Notas Fiscais de Saída; 6.4. Notas fiscais de entrada referentes aos insumos adquiridos para emprego na industrialização de produtos de fabricação do estabelecimento industrial, material de embalagem (ME), matérias primas (MP) e produtos intermediários (PI) integrados ao produto final ou consumidos no processo de industrialização, cujos valores de IPI tenham sido considerados como crédito na apuração deste imposto; 6.5. Notas Fiscais de Saída; 6.6. Descrição de todo o processo produtivo com relação dos itens que o compõem — se realiza ou realizou operação(es) de Industrialização por Encomenda como Encomendante, listar o(s) período(s); — caso afirmativo, listar o(s) Estabelecimentos Industrial(ais) que realiza(m) ou realizou(aram) a Industrialização por Encomenda: Razão Social, CNPJ, endereço, telefone, nome(s) do(s) responsável(eis) pela gerência da industrialização; 6.7. Relação do(s) produto(s) de fabricação do estabelecimento, indicando a(s) classificação(ões) fiscal(ais), com respectiva(s) alíquota(s) e, em caso de isenção ou imunidade, com a indigitação do(s) instrumento(s) legal(ais) que lhe(s) confere(m) a condição argüida; 6.8. Relação de todas as matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), especificando se adquiridos no mercado interno ou no mercado externo, indicando as classificações fiscais, com respectivas alíquotas, associados a cada produto fabricado, discriminando as quantidades utilizadas ou consumidas no processo produtivo, inclusive os percentuais de perda. 10. Importante registrar que parte significativa dos documentos listados acima já se encontrava anexada fisicamente no processo administrativo em epígrafe2 , o que foi 2 Tais como (i) relação de insumos que redundaram no pedido de crédito de IPI (fls. 31 e s.s. e 151 e s.s.), (ii) registro de controle de produção e de estoque (fls. 135 e s.s.), (iii) Demonstrativo do cálculo dos valores da DCP Fl. 818DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000191/200277 Resolução nº 3402000.739 S3C4T2 Fl. 819 7 ignorado pela fiscalização, assim como também foi ignorado o pedido de dilação de prazo realizado pelo contribuinte para fins de apresentação dos demais documentos faltantes. 11. Também é fundamental consignar que a discussão aqui travada por este específico contribuinte no caso em comento não é nova aqui no CARF. Isto porque o Recorrente teve, para períodos diferentes do aqui apurado, outros pedidos de ressarcimento negados, os quais redundaram em recursos voluntários interpostos para este Tribunal Administrativo3, todos eles julgados procedentes, conforme se observa da seguinte ementa exemplarmente colacionada: Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM REMETIDOS PARA COMPLETA INDUSTRIALIZAÇÃO EM ESTABELECIMENTOS DE TERCEIROS. CABIMENTO. CONCEITO DE ESTABELECIMENTO PRODUTOR. O estabelecimento exportador, equiparado a produtor nos termos do art. 4° da Lei n. 4.502/64 faz jus ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96, seja por se enquadrar no conceito de exportador, seja porque este conceito não pode alterar• o objetivo da norma, de garantir o ressarcimento das exações ao PIS e Cofins incidentes no ciclo de produção de produtos exportados na forma de precedente jurisprudencial deste e. Conselho de Contribuintes. APLICAÇÃO TAXA SELIC. Não se revestindo a atualização monetária de nenhum plus, deve ser aplicada aos valores a serem ressarcidos a título de incentivo fiscal, sob pena de afrontar a própria lei instituidora do beneficio, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. De outro turno, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese de verdadeiro enriquecimento ilícito da outra parte. Aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento." Recurso Voluntário Provido em Parte. (P.A. n. 308.000054/9994). 12. Assim, diante das particularidades fáticas aqui narradas, há fortes indícios quanto à validade – parcial ou total – do crédito apresentado pelo contribuinte, ora Recorrente, o que, por seu turno, depende de apuração numérica no plano concreto. 13. Logo proponho que o presente feito seja novamente baixado em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências: originados das entradas ou saidas de Notas Fiscais (fls. 156/157); (iv) notas fiscais de saída do industrializador por encomenda para o contribuinte encomendante (fls. 167 e s.s. e 186 e s.s.); e, ainda (v) registro contábil das mercadorias exportadas (fls. 175 e s.s.). 3 Os quais são retratados pelos processos administrativos n.s 13308.000054/9994, 13308.000072/9976, 13308.000082/0006 e 13308.000086/0096. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13308.000191/200277 Resolução nº 3402000.739 S3C4T2 Fl. 820 8 (i) intimar o contribuinte no endereço constante nos autos4 para que, no prazo improrrogável de 90 (noventa) dias, apresente os documentos faltantes para viabilizar a constatação numérica do crédito aqui debatido; (ii) ato contínuo, que a fiscalização apure, de forma detalhada, qual o montante do referido crédito (inclusive, se possível, com base apenas nos documentos já constantes nos autos) ou fundamente, de forma analítica, a impossibilidade de fazêlo; e, por fim (iii) concluída a diligência, que o contribuinte seja novamente intimado para, querendo, possa se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias. 14. Não se trata aqui de cautela em busca de uma idealizada e muitas vezes ilusória verdade real, mas de efetivamente prestigiar um modelo de Administração Pública que paute suas condutas pela ideia de moralidade e busque, acima de tudo, a perseguição, em concreto, da tutela do interesse público primário (de toda a coletividade) e não apenas a satisfação de um interesse público de caráter secundário (da Administração enquanto parte litigante). 15. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. 4 I.e., no correto endereço físico do contribuinte (Av. Raimundo Alconforado, n. 777, Alto do Guaramiranga, Canindé/CE CEP n. 62.700000) ou, se possível, por intermédio do seu ambiente virtual junto a Receita Federal do Brasi, mas não no endereço utilizado pela fiscalização para o cumprimento da diligência anteriormente determinada, o qual não tem qualquer correspondência com o caso em questão. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10920.720482/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
Ementa:
TERCEIRO INTERESSADO. PROCEDIMENTO FISCAL REGULAR. ATO DECLARATÓRIO DE BAIXA DA INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE.
Não obstante o procedimento fiscal instaurado em face da contribuinte, motivado pela inexistência de fato da empresa fornecedora de seus produtos, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar a efetiva realização das operações suspeitas e o correspondente pagamento, tendo sido corretas as glosas perpetradas pela fiscalização.
Estando presentes nos autos todos os elementos que fundamentaram a autuação, colhidos no curso da ação fiscal instaurada em face da própria contribuinte, não é imprescindível a publicação de Ato Declaratório Executivo para a declaração de inaptidão ou baixa de ofício da inscrição no CNPJ da empresa fornecedora das aquisições.
Numero da decisão: 3402-002.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Valdete Aparecida Marinheiro e Thais de Laurentiis Galkowicz votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: TERCEIRO INTERESSADO. PROCEDIMENTO FISCAL REGULAR. ATO DECLARATÓRIO DE BAIXA DA INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE. Não obstante o procedimento fiscal instaurado em face da contribuinte, motivado pela inexistência de fato da empresa fornecedora de seus produtos, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar a efetiva realização das operações suspeitas e o correspondente pagamento, tendo sido corretas as glosas perpetradas pela fiscalização. Estando presentes nos autos todos os elementos que fundamentaram a autuação, colhidos no curso da ação fiscal instaurada em face da própria contribuinte, não é imprescindível a publicação de Ato Declaratório Executivo para a declaração de inaptidão ou baixa de ofício da inscrição no CNPJ da empresa fornecedora das aquisições.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: TERCEIRO INTERESSADO. PROCEDIMENTO FISCAL REGULAR. ATO DECLARATÓRIO DE BAIXA DA INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE. Não obstante o procedimento fiscal instaurado em face da contribuinte, motivado pela inexistência de fato da empresa fornecedora de seus produtos, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar a efetiva realização das operações suspeitas e o correspondente pagamento, tendo sido corretas as glosas perpetradas pela fiscalização. Estando presentes nos autos todos os elementos que fundamentaram a autuação, colhidos no curso da ação fiscal instaurada em face da própria contribuinte, não é imprescindível a publicação de Ato Declaratório Executivo para a declaração de inaptidão ou baixa de ofício da inscrição no CNPJ da empresa fornecedora das aquisições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Valdete Aparecida Marinheiro e Thais de Laurentiis Galkowicz votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 04 82 /2 01 4- 01 Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belém/PA, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração para a exigência de IPI, multa de ofício qualificada e juros, em face de a contribuinte ter deixado de recolher o imposto, em decorrência da escrituração e da utilização de crédito indevido de notas fiscais inidôneas, conforme consta no auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal, que parcialmente se transcreve: ORIGEM DA FISCALIZAÇÃO 1.1 FISCALIZAÇÃO NA EMPRESA ELCION PEREIRA A fiscalização na empresa acima, INDUSTRIA DE FERRAMENTAS KWC LTDA CNPJ 95.858.858/000106 (denominada algumas vezes somente como KWC), foi uma decorrência direta da constatação da INEXISTÊNCIA DE FATO da empresa Elcion Pereira CNPJ 10.518.565/000119. Tendo em vista que a KWC escriturou em sua contabilidade, no período de 2011 a 2012, diversas notas fiscais de compras de insumos originárias da empresa Elcion Pereira (inexistente de fato), foi aberto este MPFFiscalização na empresa FERRAMENTAS KWC e procedeuse à glosa dos respectivos custos de insumos indevidamente contabilizados. 1.2 CONSTATAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE FATO DA EMPRESA ELCION PEREIRA No item 2 estão reproduzidas as provas, constatações e evidências que constam na REPRESENTAÇÃO PARA BAIXA DE OFÍCIO DE CNPJ Processo 10920.723881/201335 da empresa Elcion PereiraME. A representação teve como conseqüências, inicialmente, a suspensão da inscrição no CNPJ e posteriormente, por falta de impugnação, a conseqüente baixa de ofício do CNPJ da empresa Elcion Pereira ME, conforme dispõe a Instrução Normativa RFB n° 1.183 de 19 de agosto de 2011: (...) 1.3. ITEM 2.5.2 DO PROCESSO DE BAIXA DO CNPJ DA EMPRESA ELCION PEREIRA Como citado acima a declaração da Inexistência de Fato da empresa Elcion PereiraME, Processo 10920.723881/201335, já seria motivo suficiente para a glosa das "compras" de insumos, se escrituradas. Mesmo considerando a Baixa da empresa Elcion PereiraME, foi aberta a fiscalização na empresa Ferramentas KWC visando a apuração dos fatos, a efetiva escrituração ou não dos custos pela KWC, a extensão do envolvimento da KWC Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.696 3 nas operações de "compra de notas fiscais", assim como coleta de informações para apurar os envolvidos na "venda/compra" de notas fiscais. No subitem 2.5.2 do PROCESSO DE BAIXA DO CNPJ DA EMPRESA ELCION PEREIRA N° 10920.723881/201335, reproduzido neste Termo como item "2. REPRODUÇÃO DAS CONSTATAÇÕES DO PROCESSO 10920.723881/201335", constavam os fatos da fiscalização que estava sendo feita em paralelo na empresa Ferramentas KWC. Como no Processo de Baixa de CNPJ os fatos da fiscalização específica na KWC foram citados de forma resumida, os procedimentos detalhados da fiscalização na empresa Ferramentas KWC estão agora relatados integralmente neste item 1.3, portanto o histórico completo da fiscalização na KWC. (...) 1.3.2 FISCALIZAÇÃO NA FERRAMENTAS KWC CNPJ 95.858.858/000106 Em 04.09.2013, a empresa FERRAMENTAS KWC foi intimada a esclarecer/comprovar pagamentos efetuados a Elcion Pereira ME, da qual havia aquisições em valores de aproximadamente R$ 5.600.000,00 (2011) e R$ 5.800.000,00 (2012). Na contabilidade os pagamentos foram registrados contra a conta caixa. (...) (...) A resposta do contribuinte, no que se refere à negociação com a Elcion Pereira foi vaga, informou não ter os recibos, pois pagou todos em dinheiro {mesmo quando se paga em dinheiro deveria haver recibos). Da economia de informações prestadas em relação às negociações concluise que a empresa não demonstrou interesse em apresentar provas das efetivas negociações. Em 29.10.2013, o RPFDiligência na empresa FERRAMENTAS KWC foi transformado em RPFFiscalização com o objetivo de oportunizar a empresa comprovar as efetivas compras de mercadorias da Empresa Elcion PereiraME uma vez que, com o andamento da fiscalização e as diligências até então realizadas, havia a forte suspeita da inexistência de fato da empresa Elcion Pereira. (...) Em 27.11.2013 a empresa protocola nova resposta (fls. 24/25), agora no MPF de Fiscalização, em que ratifica as informações já prestadas por ocasião do MPFDiligência. A resposta é feita de forma geral percebendose uma clara tentativa de se esquivar da prestação de informações que esclareçam o "modo operandis" da compra de notas fiscais uma vez que, na altura da fiscalização, não restavam dúvidas da inexistência da empresa Elcion PereiraME e que as operações eram de "compra/venda" de notas fiscais. Reprodução de parte da resposta "pouco esclarecedora" do contribuinte, em que admite a comercialização 168 das 177 Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 notas fiscais da intimação que no total representam o valor de R$ 9.269.752,13 (nove milhões, duzentos e sessenta e nove mil, setecentos e cinqüenta e dois reais e treze centavos), sem nenhum comprovante de pagamento, tudo pago em dinheiro, (fls. 24/25). (...) Em 08.01.2014 a empresa protocola resposta (fls. 136/138) em que informa que 51 das 52 notas fiscais da intimação foram contabilizadas, exceto a de N° 1.059, ratifica a informação que também realizou todos os pagamentos em dinheiro, na data da entrega da mercadoria, na própria sede da KWC e por isto não tem os recibos (ou seja, afirma que como pagou em dinheiro não tem recibos ???, mesmo tendo pago no total o valor de R$ 2.022.501,56 dois milhões de reais), cita o direito constitucional de não apresentar extratos bancários, informa não ter tido contato com o Sr. Valdemiro Bakun, informa que os pagamentos eram feitos em dinheiro à pessoa que se apresentava como dono da empresa e, se abstém de apresentar documentos que esclareçam as transações. Da resposta constou: (...) A resposta ao Termo de Intimação N° 01 seguiu a mesma linha das outras respostas, ou seja: constatase uma desmotivação da empresa para esclarecer as operações de compras dos insumos, talvez por não ter mesmo o que informar já que a empresa Elcion Pereira, como constatado nesta altura da fiscalização se mostrou inexistente de fato. (...) 2REPRODUÇÃO DAS CONSTATAÇÕES DO PROCESSO 10920.723881/201335 (...) 2. HISTÓRICO 2.1 INTRODUÇÃO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em procedimento de fiscalização do contribuinte retro citado visando a verificar a regularidade das obrigações fiscais relativas IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E IOF, referentes aos anoscalendário 2010 a 2012, se constatou o que segue: A ação fiscal na empresa ELCION PEREIRA ME, CNPJ 10.518.565/000119 se iniciou com o Termo de Diligência N° 01/2013, de 10.09.2013. A Diligência foi resultado de trabalho desenvolvido pela SRFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) com o objetivo de identificar empresas com possíveis indícios de emissão de Notas Fiscais com o único propósito de gerar custos, porém inexistentes de fato. No trabalho da SRFB foram relacionadas empresas que possivelmente estariam simulando operações de vendas, denominadas "noteiras", assim como as empresas destinatárias destas notas fiscais, denominadas "destinatária NFe". Dentre as empresas da jurisdição da DRF Joinville foi relacionada como possível "noteira" a empresa acima identificada. Numa análise inicial, chamou a atenção, que a empresa não realiza movimentação financeira, não declara Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.697 5 receitas e não efetua recolhimento de tributos, apesar do grande volume de emissão de notas fiscais de vendas pela mesma. (...) 3 APURAÇÃO DOS VALORES DEVIDOS Tendo em vista as constatações dos itens anteriores só restou à fiscalização a glosa dos insumos "adquiridos" da empresa Elcion PereiraME e indevidamente lançados na contabilidade da empresa Ferramentas KWC como custos e, os conseqüentes lançamentos de ofício dos tributos decorrentes das glosas, conforme os 217 e 841 do RIR/99, levandose em consideração os seguintes aspectos: Absoluta impossibilidade de apropriação de custos provenientes de "notas fiscais inidôneas". Inexistência de Fato da empresa Elcion Pereira; Mesmo que a empresa Elcion Pereira tivesse atividades comerciais (comprovouse que só existia para emitir notas fiscais inidôneas), seria impossível a empresa Elcion Pereira emitir 1.084 notas fiscais eletrônicas de venda quando se constatou que não há registros de uma única nota fiscal de compra de mercadorias para que, aí sim, pudesse revendêlas; Em relação à empresa Elcion Pereira constatouse que a empresa não realizou movimentação financeira, não declarou receitas e não efetuou recolhimento algum de tributos; A própria admissão pelo Sr. Elcion Pereira "sócio" da empresa quando afirmou que nunca vendeu ou comprou mercadorias, só assinou papéis para um "tal" de Zé abrir a empresa e afirmou nem saber quem é realmente esse "tal" de Zé, demonstrando claramente que possivelmente a empresa foi aberta somente com intuito de fraudar o fisco; A falta de comprovação (que neste caso seria impossível) por parte da empresa Ferramentas KWC da comprovação das compras de insumos. (...) Paradigma Processo n° 11065.003762/200461 GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO. É legítima a glosa de custos operacionais quando o registro das compras fundamentase em documentos inábeis para a Comprovação das operações registradas na escrituração mercantil e o contribuinte não comprova, simultaneamente, o ingresso das mercadorias e a realização dos pagamentos. Diante dos fatos não há que se falar em crédito de IPI pela compra de insumos provenientes de notas fiscais inidôneas, já que sobre estes créditos o DECRETO N° 7.212, DE 15 DE JUNHO DE 2010 dispõe que só podem se creditar: (...) A contribuinte apresentou impugnação, alegando e requerendo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Preliminarmente, solicita a anulação do Auto de Infração, alegando “auto de infração é procedimento para aplicação de penalidade, já a notificação de lançamento, a forma adequada para constituir o crédito tributário”. Em seguida, discorre, sobre a impossibilidade do contraditório e ampla defesa: (...) Cita ainda, a Lei 9784/99 e solicita a anulação do Auto de Infração. Argumenta que no Termo de Verificação de Ação Fiscal consta a representação de baixa da empresa ELCION, porém somente o Ato Declaratório Executivo é que concretiza a baixa da pessoa jurídica perante o CNPJ. Sobre os efeitos da exclusão de ofício: Mesmo que houvesse regularidade quanto a declaração de inaptidão esta somente pode produzir efeitos em relação a terceiros após a sua publicação. No caso concreto os fatos arrolados são alusivos aos anos de 2011 e 2012, ou seja, preteritamente até mesmo ao início da presente fiscalização. Passa a tratar então, da comprovação das operações e afirma: A Impugnante comprou de fato os diversos produtos constantes nas notas fiscais ora glosadas. A nota fiscal é o documento hábil para representar a operação de compra e venda dos produtos e, portanto, servir de lastro ao registro na escrituração, consoante dispõe o art. 9º do Decreto lei n° 1.598/77: (...) Assim, a contabilização de operação de aquisição de matériaprima lastreada em nota fiscal faz prova em favor do adquirente, ou seja, da Impugnante. De outra baila, não se desincumbiu a fiscalização de fazer prova de que os produtos adquiridos não foram utilizados no processo produtivo da Impugnante. Logo, não há que se falar que a operação não ocorreu. Por conseguinte, a empresa Elcion, uma vez que emitiu documentos contábeis, recebeu seus numerários e entregou os produtos realizou operações reais perante a Impugnante. Tanto isso é verdade que a despesa impactou no resultado da Impugnante. Se alguém se aproveitou indevidamente da empresa, ou que esta agia irregularmente, a Impugnante não tinha essa informação, tanto que, consoante diz o fisco no TVAF, a apuração da inexistência de fato daquela empresa somente se deu em ato contínuo a presente fiscalização. Apresenta CD com o SPED com os dados de entrada, saída e inventário que comprovam que a matériaprima utilizada em sua produção foi condizente com as compras efetuadas, solicita perícia, indica perito e quesito a ser respondido. Sustenta, ainda, o impugnante, que a fiscalização em momento algum foi examinar se havia alguma incompatibilidade entre a produção da Impugnante e as mercadorias adquiridas e acrescenta: (...) Logo, as notas fiscais são provas da entrega do produto. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.698 7 Alega que o fisco não produziu nenhuma prova da não utilização da mercadoria e sendo o processo administrativo, um ato formal, culminaria na sua nulidade. Defende ser terceiro de boafé (...) (...) Sobre as penalidades, requer que as normas e princípios de direito penal, especialmente, quanto à eventual dúvida em relação aos fatos e documentos colhidos pelo fisco, sejam consideradas. Acerca da multa de 150%, alega que sua conduta não se enquadra nas hipóteses previstas na legislação. Que não há clareza, nem precisão em relação aos fatos e que qual fundamentação legal justificaria a majoração da multa. Argumenta ainda que, a imprecisão na tipificação, implica no cerceamento do contraditório e da ampla defesa, acarretando a nulidade do ato. (...) Desse modo, pelas diversas razões retro aduzidas, deve ser excluída integralmente a imposição da penalidade de 150%. Sucessivamente, requer a sua minoração para 75%. Requer, por fim: Diante das razões acima elencadas, a Impugnante requer que sejam acolhidas as suas razões de pedir para julgar improcedente o(s) auto(s) de infração impugnado(s), no todo ou em parte, conforme solicitado e fundamentado em cada item desta impugnação. Por fim, renova o pedido de perícia previsto no art. 36 do Decreto n° 7.574/11. Apresenta como perito/assistente técnico o Sr. Ricardo Brendle, brasileiro, Casado, Engenheiro de produção mecânica, CPF n. 890.887.86020 inscrito no CREA/SC sob o número 1192198, residente e domiciliado na rua Guilhermina H. de Oliveira, 340 Bairro Costa e Silva. CEP 89220865. Joinville SC. O quesito a ser respondido é: 1) A matériaprima adquirida da empresa Elcion PereiraME é compatível com as saídas de produtos e estoque registrados na contabilidade? Ato contínuo ao presente protocolo entrega CD com os dados do SPED, devidamente criptografado. Carreia aos autos, decisões administrativas e judiciais. Mediante o Acórdão nº 0130.491, de 12 de novembro de 2014, a 3ª Turma da DRJ/BEL julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Glosamse os créditos do imposto (IPI) escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes, sendo que o sujeito passivo não tenha comprovado o efetivo ingresso dos produtos no estabelecimento industrial e o pagamento pelas aquisições. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância pela abertura dos arquivos correspondentes no sistema eprocesso em 04/12/2014. O decurso de prazo da disponibilização na caixa postal deuse em 12/12/2014. Em 11/12/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que: DA IMPOSSIBILIDADE DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA Diversos fatos foram imputados à empresa Elcion em processo administrativo os quais a Recorrente somente teve conhecimento pelo conteúdo do TVAF. Cabe, também, destacar que no direito processual, sempre que um ato venha a causar efeitos que restrinjam direitos de Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.699 9 terceiros, o terceiro tem que ser chamado ao feito, sob pena de esses efeitos não ultrapassarem a pessoa do processado, já que, ao terceiro, uma vez não participando da relação processual, não tem a oportunidade do exercício do contraditório e a ampla defesa, cerceandolhe o direito de defesa. Portanto, uma vez que a Recorrente não foi oportunamente chamada a intervir no processo referido pela autoridade fiscal, foram desrespeitados os corolários constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa, motivos pelos quais os atos praticados pela Elcion e suas consequências não podem atingir a Recorrente. Entretanto, o acórdão recorrido entendeu que não há nenhuma nulidade no presente procedimento fiscal: (...) Destarte, com o devido respeito, uma vez que a Recorrente não foi oportunamente chamada a intervir no processo referido pela autoridade fiscal, foram desrespeitados os corolários constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa, motivos pelos quais devem ser tornados nulos os autos de infração, reformando a decisão recorrida. DA AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Diz o fisco no Termo de Verificação de Ação Fiscal TVAF que foi oferecida representação de baixa da empresa Elcion. Ao final da peça acusatória consta que a aludida representação foi encaminhada à "consideração superior". Porém, a representação para baixa é procedimento prévio e, tãosomente, o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE expedido pelo Delegado da RFB, e outros, é que concretiza a baixa da pessoa jurídica perante o CNPJ. O próprio acórdão traz esse entendimento: Como se depreende da análise dos preceitos normativos aduzidos, as consequências tributárias se configuram com a declaração de inaptidão, mediante a edição de Ato Declaratório Executivo (ADE), ou seja, os documentos fiscais emitidos pelas empresas declaradas inaptas podem ser reputados como inidôneos, ou tributariamente ineficazes, podendo, no âmbito do IPI, ser glosados os créditos na escrita fiscal do terceiro interessado (no caso, a autuada), salvo comprovação do pagamento pelo preço da mercadoria e do real ingresso desta no estabelecimento industrial (inversão do ônus da prova). ( grife nosso) Todavia, em contradição, afirmou que "não obstante a legislação destacada, há elementos suficientes nos autos que atestam a inidoneidade da documentação fiscal emitida pela empresa fornecedora da contribuinte: ELCION PEREIRA ME." Portanto, "não é necessário que se aguarde a declaração de inaptidão pela autoridade competente da Secretariada Receita Federal." Há disposição normativa expressa no sentido da necessidade do ADE para baixa do CNPJ da empresa: Instrução Normativa RFB n° 1.183 de 19 de agosto de 2011 (...) Art. 29. (...) Aludido documento em momento algum é citado no Termo de Verificação de Ação Fiscal. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 LEI N° 9.784 . DE 29 DE JANEIRO DE 1999. (...) A ausência destes elementos tornam o ato nulo. DECRETO N° 70.235. DE 6 DE MARCO DE 1972. Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Segue recentíssima jurisprudência deste Conselho que tornou nulo processo fiscal com insuficiente descrição dos fatos, sem a necessária nitidez do conteúdo ilícito que estaria sendo imputado. (...) CARF Acórdão n° 920202.333, de 24/09/2012,(...) Logo, sem esse fundamento, ilegal é todo o ato daí subjacente, no caso, a exação fiscal em apreço, devendo ser modificado o acórdão recorrido. DOS EFEITOS PROSPECTIVOS DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO Além do mais, mesmo que houvesse regularidade quanto a declaração de inaptidão esta somente pode produzir efeitos em relação a terceiros após a sua publicação. No caso concreto os fatos arrolados são alusivos aos anos de 2011 e 2012, ou seja, preteritamente até mesmo ao início da presente fiscalização. Nesse sentido impende transcrever o Recurso Especial Repetitivo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rei. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, (...) 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "( ... )os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.700 11 pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1148444/MG, Rei. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) Aludida decisão se aplica ao CARF (processo administrativo), consoante art. 62 do seu Regimento Interno. DA PROVA DA OPERAÇÃO Sabese que a nota fiscal é o documento hábil para representar a operação de compra e venda dos produtos e, portanto, servir de lastro ao registro na escrituração, consoante dispõe o art. 9o do Decreto lei n° 1.598/77: (...) Assim, a contabilização de operação de aquisição de matéria prima lastreada em nota fiscal faz prova em favor do adquirente, ou seja, da Recorrente. De outra baila, não se desincumbiu a fiscalização de fazer prova de que os produtos adquiridos não foram utilizados no processo produtivo da Recorrente. Logo, não há que se falar que a operação não ocorreu. Por conseguinte, a empresa Elcion, uma vez que emitiu documentos contábeis, recebeu seus numerários e entregou os produtos realizou operações reais perante a Recorrente. De outro baila, foi juntado à Impugnação Administrativa um CD com o SPED encaminhado ao fisco que informa os dados de entrada, saída e inventário que comprovam que a matéria prima utilizada em sua produção foi condizente com as compras efetuadas. Inclusive, foi requerida a realização de perícia nos termos do art. 36 do Decreto 7.574/2011 para demonstrar tal intento. Todavia, tal pedido foi indeferido no acórdão recorrido, motivo pelo qual se ratifica este pedido. DA AUSÊNCIA DE APURAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS Consoante se observa, a fiscalização em momento algum foi examinar se havia alguma incompatibilidade entre a produção da Recorrente e as mercadorias adquiridas. Evidentemente que como a aquisição se deu nos idos dos anos de 2011 e 2012 já não seria possível, mais de um ano após, a Recorrente demonstrar fisicamente que havia em estoque alguma Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 matéria prima vinda da empresa Elcion, até porque já consumida. Ademais, devido à natureza do produto na prática não há separação por lotes e fornecedores do produto. Logo, as notas fiscais são provas da entrega do produto. De outra baila, o fisco no seu dever investigativo poderia ter estimado as entregas em relação às aquisições, observado o estoque contábil, enfim, realizado alguma prova da não utilização da mercadoria. É cediço que o processo administrativo é ato formal. Este, por sua vez, que deve conter todos os elementos e provas para a comprovação do ilícito. A inexistência culmina em sua nulidade. Portanto, até por força do art. 112 do CTN, devem ser cancelados os autos de infração. DA AUSÊNCIA DE CULPA TERCEIRO DE BOAFÉ Conforme se observa do conteúdo do Termo de Verificação de Ação Fiscal TVAF em 2013 foram constatados diversos indícios de que a empresa Elcion Pereira ME seria inexistente de fato. Ou seja, até a aquisição das mercadorias (2011 e 2012) a Recorrente não tinha meios de saber que havia qualquer irregularidade em relação à aludida empresa, tanto que sua situação no site da SRFB estava como ativa (regular). Logo, no mínimo há que ser considerada terceira de boafé. Contudo, preferiu acusar a Recorrente de ter comprado notas fiscais de alguém com CNPJ regularizado. Ou seja, em princípio, tanto o fisco quanto a Recorrente foram vítimas da empresa Elcion, pelo menos, analisando os argumentos apontados pelo fisco. Assim, não havendo culpa, muito menos dolo (intenção) da conduta prevista como hipótese de incidência (tipificação legal) para imputar a pena, não se pode haver condenação. A empresa não pode ser responsabilizada nem civilmente (administrativamente), nem penalmente, mormente por ser terceira de boafé. DAS PENALIDADES INTERPRETAÇÃO SEGUNDO O DIREITO PENAL É cediço que, quando se trata de penalidade, se aplica ao direito administrativo os princípios de direito penal. Portanto, pugnase no julgamento do presente processo administrativo sejam levadas em consideração as normas e princípios de direito penal, especialmente quanto à eventual dúvida em relação aos fatos e documentos colhidos pelo fisco. DA MULTA QUALIFICADA DE 150% Para fundamentar, o fisco sustenta que "a empresa...ao incluir em sua contabilidade custos com compras de insumos provenientes de 'notas fiscais inidôneas'. cometeu, não só infração fiscal, mas crime de sonegação fiscal...foi aplicada, sobre os valores do tributo e contribuições apurados com base na receita não declarada, a multa qualificada de 150%. estatuída no art. 44, inciso I, e §1° da Lei 9.430/96...". Consoante se observa pelo fundamento retro descrito em momento algum está dito qual das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 se subsumiria a conduta da Recorrente. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.701 13 Logo, denotase que não há clareza, nem precisão em relação aos fatos, bem como a qual fundamentação legal justifica a majoração penal da Recorrente. Como visto, são 3 dispositivos legais e nenhum deles trata de notas fiscais inidôneas, núcleo da razão fática da penalidade aplicada. Os elementos tipificados são, fraude, conluio e sonegação (dolo), os quais frisase não foram citados como elementos da pena aplicada. Esta imprecisão, por si só implica no cerceamento do contraditório e da ampla defesa que causam a nulidade do ato. Ademais, diante da aludida imprecisão atraem a aplicação do art. 112 do CTN, posto que há dúvida em qual capitulação pretende ver a Recorrente punida. Não se pode identificar a natureza da penalidade, nem as circunstâncias materiais, sua natureza e a extensão de efeitos: (...) De outra banda, conforme se observa da fundamentação, em momento algum está citado que a Recorrente dificultou a fiscalização, tal fato, por si só, exclui o dolo de fraudar a fiscalização. Ademais, consoante se observou, a Recorrente adquiriu as mercadorias mediante a apresentação, no ato da compra, das respectivas notas fiscais; houve contabilização das operações; a empresa Elcion constava como empresa apta junto ao CNPJ no momento das compras; não houve prova de que a mercadoria não foi recebida pela Recorrente; ou seja, não há nos autos prova cabal de que houvesse o intuito de fraude, pelo contrário. A NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO X NOTIFICAÇÃO FISCAL Por fim, consoante se observa dos autos foi aplicado Auto de Infração para fins de cobrança dos aludidos tributos. Todavia, o "Auto de Infração" é meio próprio para aplicação de penalidades, não para a constituição de crédito tributário. O Decreto 70.235/1972 assim dispõe: (...) Como já afirmado, o "auto de infração'' é procedimento para aplicação de "penalidade", já a "notificação de lançamento" a forma adequada para constituir "crédito tributário". Dessa maneira, uma vez que o procedimento correto para o lançamento fiscal deveria ser a notificação fiscal e, não o Auto de Infração, há desrespeito à forma exigida em lei razão pela qual se requer sua respectiva anulação. DOS REQUERIMENTOS Diante das razões acima elencadas, a Recorrente requer que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conheça e dê provimento ao presente Recurso para modificar a decisão recorrida conforme solicitado em cada item deste recurso, julgando totalmente improcedente o auto de infração. Por fim, renova o pedido de perícia previsto no art. 36 do Decreto n° 7.574/11. Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Atendidos também aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. "DA NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO X NOTIFICAÇÃO FISCAL" Alega a recorrente que, uma vez que o procedimento correto para o lançamento fiscal deveria ser a notificação fiscal, e não o Auto de Infração, há desrespeito à forma exigida em lei, razão pela qual seria cabível sua respectiva anulação. No entanto, os dispositivos citados pela recorrente não dão suporte a sua tese. Embora o auto de infração seja mesmo o meio próprio para a aplicação de penalidades no âmbito tributário, não há, na legislação, qualquer impedimento para que também constitua o crédito tributário decorrente de tributos, desde que contenha todos os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e observe o disposto no art. 142 do CTN: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. "DA IMPOSSIBILIDADE DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA" Alega a Recorrente que não foi oportunamente chamada a intervir no processo referido pela autoridade fiscal, instaurado em face da empresa Elcion Pereira, tendo sido desrespeitados os corolários constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa, motivos pelos quais deveriam ser tornados nulos os autos de infração. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.702 15 Conforme está descrito nos autos, tendo em vista os fatos apurados em face da empresa Elcion Pereira, que culminaram na sua baixa de ofício em face da inexistência de fato, a ora recorrente foi intimada, inicialmente em procedimento fiscal de diligência, a apresentar esclarecimentos e documentos acerca das operações efetuadas com essa fornecedora, mas como as respostas da recorrente mostraramse insuficientes, foi então, instaurado o procedimento mais amplo de fiscalização para apurar os fatos: 1.3.2 FISCALIZAÇÃO NA FERRAMENTAS KWC CNPJ 95.858.858/000106 Em 04.09.2013, a empresa FERRAMENTAS KWC foi intimada a esclarecer/comprovar pagamentos efetuados a Elcion Pereira ME, da qual havia aquisições em valores de aproximadamente R$ 5.600.000,00 (2011) e R$ 5.800.000,00 (2012). Na contabilidade os pagamentos foram registrados contra a conta caixa. (...) (...) A resposta do contribuinte, no que se refere à negociação com a Elcion Pereira foi vaga, informou não ter os recibos, pois pagou todos em dinheiro {mesmo quando se paga em dinheiro deveria haver recibos). Da economia de informações prestadas em relação às negociações concluise que a empresa não demonstrou interesse em apresentar provas das efetivas negociações. Em 29.10.2013, o RPF Diligência na empresa FERRAMENTAS KWC foi transformado em RPF Fiscalização com o objetivo de oportunizar a empresa comprovar as efetivas compras de mercadorias da Empresa Elcion PereiraME uma vez que, com o andamento da fiscalização e as diligências até então realizadas, havia a forte suspeita da inexistência de fato da empresa Elcion Pereira. (...) Em 27.11.2013 a empresa protocola nova resposta (fls. 24/25), agora no MPF de Fiscalização, em que ratifica as informações já prestadas por ocasião do MPFDiligência. A resposta é feita de forma geral percebendose uma clara tentativa de se esquivar da prestação de informações que esclareçam o "modo operandis" da compra de notas fiscais uma vez que, na altura da fiscalização, não restavam dúvidas da inexistência da empresa Elcion PereiraME e que as operações eram de "compra/venda" de notas fiscais. Reprodução de parte da resposta "pouco esclarecedora" do contribuinte, em que admite a comercialização 168 das 177 notas fiscais da intimação que no total representam o valor de R$ 9.269.752,13 (nove milhões, duzentos e sessenta e nove mil, setecentos e cinqüenta e dois reais e treze centavos), sem nenhum comprovante de pagamento, tudo pago em dinheiro, (fls. 24/25). (...) Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 De forma que não corresponde à realidade a alegação da recorrente de que teria tido conhecimento dos fatos em face da empresa Elcion Pereira somente no termo de verificação fiscal, eis que ela própria foi submetida a um procedimento fiscal prévio para esclarecer e comprovar a idoneidade das suas operações com a outra empresa, no que, não obstante as oportunidades que lhe foram oferecidas, não logrou êxito. No mais, houve o atendimento ao devido processo legal. Os tributos e penalidades foram apurados em regular procedimento fiscal instaurado em face da própria recorrente, a qual foi cientificada da autuação e apresentou suas defesas em primeira e segunda instâncias. Também não houve qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente no auto de infração ou na decisão recorrida. De forma que improcede a alegação da recorrente neste tópico de "impossibilidade do contraditório e ampla defesa". "DA AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO" Suscita aqui a recorrente nulidade em face de o presente auto de infração ter sido lavrado antes da publicação do Ato Declaratório Executivo (ADE) que baixou a inscrição no CNPJ da empresa Elcion Pereira. A título somente de informação, tratandose de publicação oficial no Diário Oficial da União, de 28/04/2014, página 29, o ADE que baixou a inscrição da empresa Elcion Pereira desde a sua abertura, que segue abaixo, foi realmente posterior à autuação: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 17, DE 25 DE ABRIL DE 2014 Declara a baixa de ofício de pessoa jurídica perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), por inexistência de fato. O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM JOINVILLE, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 302 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e nos termos do art. 80, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e tendo em vista o disposto no § 2º do art. 29 da Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 19 de agosto de 2011, com nova redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.398, de 16 de setembro de 2013, e, considerando a representação formalizada no processo administrativo nº 10920.723881/201335, declara: Art. 1º A baixa de ofício da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da empresa Elcion Pereira, CNPJ nº 10.518.565/000119, por inexistência de fato, conforme disposto na alínea "a", inciso II do art. 27 da Instrução Normativa RFB nº 1.183 de 19 de agosto de 2011, com data retroativa à sua abertura. Art. 2º Este ato entrará em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. KLEBS GARCIA PEIXOTO JUNIOR Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.703 17 No entanto, esse fato em nada altera as conclusões obtidas pela fiscalização, registradas no presente processo em face da ora recorrente, eis que as glosas dos créditos não decorreram diretamente da baixa de ofício da empresa fornecedora. Como já dito, foi instaurado um procedimento fiscal em face da própria recorrente, esse sim, motivado pelas constatações de inexistência de fato da sua fornecedora, no decorrer do qual foram oferecidas oportunidades à recorrente em demonstrar que efetivamente ocorreram as operações sob suspeita, objeto das notas fiscais emitidas pela empresa Elcion Pereira. Como bem pontuou o julgador de primeira instância, que, "não obstante a legislação destacada, há elementos suficientes nos autos que atestam a inidoneidade da documentação fiscal emitida pela empresa fornecedora da contribuinte: ELCION PEREIRA ME". Após o regular procedimento fiscal instaurado em face da ora recorrente, o auto de infração e a decisão de primeira instância foram proferidos pelas autoridades competentes, sem cerceamento do direito de defesa, com atendimento ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 142 do CTN, não havendo que se falar em nulidade desses atos administrativos. "DOS EFEITOS PROSPECTIVOS DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO" Alega a recorrente que a declaração de inaptidão somente poderia produzir efeitos em relação a terceiros após a sua publicação, no entanto, além de não se tratar de inaptidão, mas de baixa de ofício da inscrição no CNPJ da empresa fornecedora, como já esclarecido, as irregularidades dessa outra empresa apenas ensejaram a abertura de procedimento fiscal em face da recorrente, para que ela comprovasse a eventual idoneidade das operações suspeitas. O recurso especial citado no recurso voluntário REsp 1148444/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos, não socorre a recorrente, eis que esse precedente diz respeito ao ICMS, e não ao IPI, bem como a recorrente não comprovou ser terceira de boafé, não havendo que se falar em sua aplicação obrigatória pelo CARF. "DA PROVA DA OPERAÇÃO" Alega a recorrente que a nota fiscal seria o documento hábil para representar a operação de compra e venda dos produtos e, logo, serve de lastro ao registro na escrituração, consoante dispõe o art. 9o do Decretolei n° 1.598/77, assim, a contabilização de operação de aquisição de matériaprima lastreada em nota fiscal faria prova em seu favor. No entanto, diante da ausência da comprovação da idoneidade das notas fiscais, o dispositivo citado não favorece a recorrente. Não há que se olvidar que o procedimento fiscal foi instaurado justamente para verificar se efetivamente ocorreram as aquisições da recorrente objeto das notas fiscais com fundadas suspeitas da idoneidade, eis que a fornecedora da autuada nessas operações, na verdade, atuava com a compra e venda das próprias notas fiscais, e não das mercadorias nela descritas. Por certo, as "aquisições" objeto das notas fiscais seriam registradas corretamente na Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 contabilidade da recorrente, pois era mesmo esse o intento da fraude para o registro dos créditos de IPI das "aquisições". Não obstante as oportunidades oferecidas à recorrente no curso do procedimento fiscal e na impugnação, como bem explicitou a decisão recorrida, cujos trechos abaixo transcritos adoto como fundamento de decidir, nos termos do art. 50, §1° da Lei nº 9.784/99, ela não comprovou que efetivamente ocorreram as aquisições objeto das notas fiscais suspeitas: (...) O conjunto de constatações feitas pelo Fisco com relação à inaptidão da empresa ELCION PEREIRA ME (sua não localização, bem como a de seus reais sócios, a emissão irregular das notas fiscais sem a consignação de requisitos exigidos pela legislação do IPI, a incapacidade financeira do sócio constante do contrato social, a falta de movimentação financeira/bancária, a falta de declarações de rendimentos, falta de pagamento de tributos e contribuições, o fato de todos os clientes da empresa somente a pagarem pelo fornecimento de mercadorias em dinheiro, entre outros) permite concluir que a emissão de documentos fiscais por essa empresa foi feita com a finalidade de dar legitimidade às operações realizadas por terceiros, que se aproveitaram disso para não efetuar ou efetuar pagamento a menor de tributo incidente sobre seus negócios. (...) Diante dos fatos apurados relativamente à empresa fornecedora, somente os recibos de pagamentos rubricados pelo suposto sócio desta empresa e a escrituração destes recibos na contabilidade da interessada são ineficazes para provar a operação quanto fundada em documentos ineficazes/inidôneos. Tais documentos não podem ser aceitos como hábeis a comprovar a operação, sem a existência de qualquer outro registro ou título que possa lastrear financeiramente a operação e identificar a contribuinte como pagadora e a empresa fornecedora como beneficiária do pagamento. A simples alegação de que a empresa registrou, pagou e utilizou as compras que diz terem sido efetuadas não se faz suficiente. Não basta avaliar os elementos constantes da própria nota fiscal e os registros da transação de saída/entrada para industrialização nos livros da contribuinte. É imprescindível a comprovação da efetividade das operações, ou seja, da entrada das mercadorias no estabelecimento da contribuinte e do efetivo pagamento ao fornecedor. Toda a transação pode, com base em documentação não eficaz, ser escriturada perfeitamente, sem erros ou vícios, mas o que se discute aqui é que sendo a documentação ineficaz, a escrituração não é válida a surtir efeitos, a menos que a empresa comprove o efetivo pagamento e a entrada destas mercadorias em seu estabelecimento e seu destino. Toda a documentação pode ter sido produzida, a nota fiscal, os recibos, a escrituração contábil e fiscal, etc., e não condizer com a efetiva transação comercial que ocorreu. O que se pretende é que a empresa apresente, de forma inequívoca, a comprovação do pagamento à Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.704 19 empresa fornecedora, o efetivo recebimento das mercadorias e sua utilização. Com relação às compras efetuadas nos anos de 2010, 2011 e 2012, no valor total de R$ 9.269.752,13, a contribuinte afirma ter sido efetuado o pagamento em dinheiro e não apresentou sequer os recibos. Somente sua escrituração contábil não pode comprovar cabalmente que tais valores foram efetivamente para pagamento do fornecedor e da mercadoria adquirida. O pagamento em dinheiro pode ter como destinatários terceiros (pessoas estranhas à transação), portanto, não vincula qualquer operação de compra e venda, principalmente quando as Notas Fiscais de compra são reputadas inidôneas. Tal fato, sem a comprovação de que a mercadoria realmente ingressou no estabelecimento da empresa e foi utilizada na fabricação de determinado produto não merece crédito. Destaquese ainda que não consta nenhum comprovante de pagamento ou ainda comprovante de saque dos recursos. Ademais, nas notas fiscais de compra não consta indicado o transportador das mercadorias e não houve comprovação do pagamento do frete, ou seja, não foram apresentados comprovantes de transporte das mercadorias, o comprovante do recebimento destas mercadorias, nem o pagamento deste transporte. Também não restou demonstrado em qual produto estes insumos foram utilizados, relacionandoos às vendas da interessada. Sendo assim, não há nos autos qualquer comprovação do recebimento ou ingresso dos produtos no estabelecimento da contribuinte. Repisese, diante da constatação de inidoneidade das notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora e registradas na contabilidade da contribuinte, os documentos apresentados não são bastante para fazer a comprovação desejada, além de serem inconsistentes. É imprescindível que as provas e argumentos carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que foi imputado pelo fisco. Em se tratando de uma questão de prova, incumbe o seu ônus a quem alega ou aproveita. O litigante tem a obrigação de apresentar, juntamente com a impugnação, as provas que militam em seu favor e que sustentam os argumentos apresentados. Desta forma, em que pese a argumentação apresentada na peça impugnatória, a contribuinte não comprovou o pagamento do preço respectivo e que a mercadoria efetivamente entrou em seu estabelecimento. A insuficiência de elementos comprobatórios impede o acatamento das razões da impugnante, pelo julgador administrativo, nos termos dos dispositivos acima transcritos do Decreto nº 70.235/72, ensejando a desconsideração dos argumentos. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 (...) [grifos da Relatora] Tendo em vista que incumbiria à impugnante o ônus da prova de eventual elemento modificativo da autuação, não seria o caso de, em sede de recurso voluntário, realizar a diligência requerida para produzir a prova que a impugnante não logrou êxito em fazêlo. Há que se esclarecer que está preclusa, neste momento processual, a produção de novas provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72. É por ocasião da apresentação da impugnação que a recorrente deveria ter produzido a prova necessária à comprovação das suas alegações. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. No entanto, as diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela requerente. As diligências destinamse à solução de dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, à impugnante, ora recorrente. Assim, entendo que deve ser indeferido o pedido de perícia da recorrente, em conformidade com o art. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista a preclusão para a produção de provas neste momento processual, bem como ao fato de que seria de sua incumbência a apresentação de provas em contraposição à pretensão fiscal, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. "DA AUSÊNCIA DE APURAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS" Somente as notas fiscais não seriam suficientes para comprovar a efetiva aquisição das mercadorias, não obstante a eventual dificuldade da recorrente para produzir a prova em face do tempo decorrido, mormente quando: foram emitidas por empresa fornecedora que atuava na compra e venda de notas fiscais, não se comprovou a vinculação dos pagamentos a essas operações e não se comprovou os transportes das mercadorias correspondentes, como já esclareceu a decisão recorrida. Nesta esteira, diante da ausência de qualquer prova da efetiva existência das operações, a matéria não comporta dúvida razoável para a aplicação do art. 112 do CTN, como quer a recorrente. Como já analisado neste voto, não se vislumbra nulidade no auto de infração, que continha todos os elementos e provas para a produção dos efeitos que lhe são próprios, sendo que o procedimento fiscal que lhe deu origem foi instaurado para se apurar a eventual regularidade das aquisições da recorrente. "DA AUSÊNCIA DE CULPA TERCEIRO DE BOAFÉ" Diante da não comprovação da efetiva aquisição das mercadorias e do pagamento do preço, não restou demonstrada pela recorrente a pretensa condição de adquirente de boafé. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10920.720482/201401 Acórdão n.º 3402002.954 S3C4T2 Fl. 1.705 21 Por analogia com o raciocínio expresso na Súmula 509 do STJ, abaixo transcrita, sobre créditos do ICMS, somente após demonstrada a veracidade da operação de compra e venda poderia a recorrente aproveitar os créditos respectivos: “É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. [grifos da Relatora] "DAS PENALIDADES INTERPRETAÇÃO SEGUNDO O DIREITO PENAL" Como já dito acima, a matéria não comporta dúvida razoável que pudesse favorecer a recorrente com a aplicação dos princípios mencionados de direito penal. "DA MULTA QUALIFICADA DE 150%" Também não procede a alegação da recorrente de que a sua conduta não se subsumiria aos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, vez que os atos apurados, de operações escrituradas para o direito ao crédito de IPI sem amparo em aquisições reais de mercadorias, foram tendentes a reduzir o montante do tributo devido. O fato de a recorrente não ter dificultado o procedimento fiscal, não a exime dos atos já praticados, nem descaracteriza o dolo de sua conduta. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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