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Numero do processo: 10820.721025/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO
O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não-cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não-incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não-cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não-incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência nãocumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 10 25 /2 01 1- 10 Fl. 223DF CARF MF 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e nãoincidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 2ªTurma da DRJ/Porto Alegre (efl. 190 e ss): Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de COFINS não cumulativa vinculados à receita do mercado interno relativos ao 4º trimestre de 2006. Houve transmissão de DCOMPs. A repartição fiscalizadora efetuou auditoria e produziu Parecer SAORT, tendo sido emitido Despacho Decisório. Nesse deferiu se parcialmente o pedido de ressarcimento relativo à COFINS nãocumulativa vinculada à receita de mercado interno (4º trimestre de 2006), homologandose declarações de compensação. Restou crédito remanescente. Do Parecer e do Despacho Decisório a contribuinte apresentou, através de procurador, manifestação de inconformidade onde argumentou (de forma resumida): Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10820.721025/201110 Acórdão n.º 3001000.293 S3C0T1 Fl. 3 3 Aquisição de mercadorias para revenda não sujeitas ao pagamento das contribuições • a autoridade fiscalizadora constatou que a empresa adquiriu e revendeu mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições (sujeitas à alíquota zero). Excluiu, então, da base de cálculo dos créditos os valores das receitas de vendas daquelas mercadorias, cujas aquisições não se sujeitaram ao pagamento das contribuições. Mas as mercadorias adquiridas com alíquota zero não foram computadas na base de cálculo do crédito. Não caberia, portanto, nenhuma exclusão por parte do agente fiscalizador. Crédito presumido da agroindústria • a autoridade fiscalizadora alega que o crédito presumido não pode ser apropriado proporcionalmente às receitas de exportação. Disse que partir de agosto de 2004 esse crédito só pode ser utilizado para compensação das contribuições (PIS/COFINS) e que deveria ser informado integralmente na coluna de créditos vinculados ao mercado interno. Mas não há fundamento legal na legislação de regência do PIS/COFINS que impeça a apropriação do crédito presumido das atividades agroindustriais proporcionalmente à receita de exportação; • a autoridade fiscalizadora alega, ainda, que o crédito presumido das agroindústrias apurado após agosto de 2004, não pode ser utilizado para fins de ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela RFB. No entender do agente fiscalizador, somente são passíveis de ressarcimento os créditos previstos nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Como o crédito presumido agroindústria está previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não existe previsão para o ressarcimento do mesmo. Utilização do crédito presumido • com base no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a empresa, ao adquirir leite in natura dos produtores rurais, calculou o crédito presumido sobre estas aquisições. Considerando que a maioria das receitas de vendas é tributada à alíquota zero, esses créditos não são totalmente utilizados, o que acaba por gerar um saldo credor em conta gráfica; • o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2005, não só não impede o creditamento, mas textualmente garante a manutenção de crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas quando as vendas forem efetuadas à alíquota zero; • a autoridade fiscalizadora entendeu que o art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, previa o crédito apenas para dedução de débitos próprios de PIS/COFINS devidos em cada período de Fl. 225DF CARF MF 4 apuração, e que, portanto, não haveria previsão legal para o ressarcimento do crédito presumido; • a limitação do crédito presumido imposta pelo art. 9º da Lei n° 11.051, de 2004, aplicase somente aos bens recebidos de cooperados. Mas as operações da empresa (aquisição de leite in natura) são advindas de produtores e o restante são de produtores não associados. Daí a razão do acúmulo de créditos de PIS/COFINS. Assim, não há se falar em limitação de crédito presumido sobre as aquisições de leite in natura de pessoas físicas não associadas à empresa. A porcentagem de aquisição advindas dos cooperados não é suficiente para saldar o débito do imposto gerado em cada período. Portanto, todo o crédito presumido que sobra em conta gráfica é de terceiros não associados, razão pela qual dever ser mantido integralmente o direito ao crédito presumido sobre a aquisição de leite in natura de pessoas físicas não associadas. Rateio proporcional das receitas de vendas tributadas e não tributadas no mercado interno • a empresa identificou todos os insumos e despesas de produção que são vinculados diretamente à receita não tributada no mercado interno (como é o caso das embalagens do leite UHT), os tendo apropriado diretamente na coluna Não Tributadas no Mercado Interno. O mesmo foi feito com os custos e despesas vinculados à receita tributada; • como existem custos e despesas de uso comum (por exemplo, energia elétrica), esses foram rateados proporcionalmente à receita bruta auferida. Ocorre que a autoridade fiscalizadora, após fazer os ajustes na base de cálculo do PIS/COFINS, utilizou o critério de rateio para todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica, distorcendo assim o valor do crédito a ser ressarcido; • nas memórias de cálculo apresentadas para a autoridade fiscalizadora, foi demonstrado detalhadamente os critérios de rateio ou de apropriação direta de cada tipo de insumo. Portanto, o entendimento utilizado pelo Fisco além de não refletir a realidade, também contraria as orientações específicas para o preenchimento do DACON, razão pela qual não merece prosperar o critério de rateio utilizado pela autoridade fiscalizadora. A DRJ/Porto Alegre retrucou as alegações da Recorrente, confirmando o entendimento da autoridade lançadora. No Recurso Voluntário, a Recorrente, em suma, repete as alegações já expressas na Manifestação de Inconformidade. Preocupase, apenas, em explicitar as razões de uma alegada homologação tácita, que, anteriormente, havia exposto apenas nos “Pedidos”. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10820.721025/201110 Acórdão n.º 3001000.293 S3C0T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 15.570,74, (efl. 151), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Operações alcançadas pela alíquota zero (0%) Ao contrário do que alegado pela contribuinte, a autoridade fiscalizadora referiu textualmente que a contribuinte tem direito ao ressarcimento ou à compensação de saldos credores de créditos básicos de PIS e Cofíns, vinculados a receitas não tributadas (alíquota zero), obtidas no mercado interno, em relação aos insumos tributados que agregaram os valores das vendas de leite longa vida/pasteurizado, queijos tipo coalho, minas, prato, mussarela, ricota e requeijão. Assim, entendese correta a interpretação dada pela autoridade fiscalizadora. Apuração de créditos presumidos. Aquisições de leite in natura. Produtores não associados Disse a contribuinte, também, que as aquisições de leite in natura são advindas dos produtores, o restante são de produtores não associados à Impugnante, portanto, daí a razão do acúmulo do crédito de PIS e COFINS. Assim, não há se falar em limitação de crédito presumido sobre as aquisições de leite in natura de pessoas físicas não associadas à Impugnante. a verificação do Parecer produzido pela autoridade fiscalizadora permite inferir que ela referiu apenas aos casos de vendas com suspensão (art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004), no que tange à data de validade de tais operações (04/04/2006). Não consta que, no caso dos autos, tivesse havido glosa de créditos advindos de operações praticadas com pessoas jurídicas. Fl. 227DF CARF MF 6 Para contestar tal item, a contribuinte diz que o Fisco fez referência ao art. 9º da Lei nº 11.051, de 2004. Mas isso não procede, eis que tal artigo nada tem a ver com a situação exposta. Aquele artigo trata da apuração de eventual crédito presumido a ser apurado sobre bens recebidos de cooperados. Não consta que a manifestante (interessada) seja cooperativa, eis que, segundo o Parecer produzido pela repartição fiscalizadora, a empresa interessada é uma sociedade limitada, cujo objeto social é a fabricação de laticínios. Essa empresa é optante pelo Lucro Real (forma de tributação do IR), sujeitandose, portanto, à apuração de PIS/COFINS no regime nãocumulativo. Na verdade, a autoridade fiscal referiu ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, o que, evidentemente, não é a mesma coisa. Portanto, presumese correto o entendimento do Fisco quanto a este item. Regime nãocumulativo. Apuração de crédito presumido. Forma de utilização (Art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004) A forma de utilização do crédito presumido apurado de acordo com o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, constou claramente de disposições do ADI SRF nº 15, de 2005 (dispôs sobre o crédito presumido de que tratam os arts. 8º e 15 da citada Lei): Assim, o entendimento no âmbito da RFB, em regra, é de que o crédito presumido eventualmente existente não pode ser objeto de ressarcimento/compensação, o que, aliás, consta não só do precitado ADI nº 15, de 2005, mas, também, do art. 8º, § 3º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006. Devese atentar, ainda, que conforme o caso se mostra cabível a observação das disposições contidas na Lei nº 12.058, de 2009, com suas alterações, especialmente seu art. 33 e parágrafos com seus incisos, bem como na IN RFB nº 977, de 2009 (em especial os arts. 11, 12 e 13). Nesse passo, entendese correto o entendimento da autoridade fiscal. Rateio proporcional. Planilha Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, bem como da proporção a ser utilizada no rateio dos créditos básicos (fl. 181) Conforme assentou o agente fiscalizador em seu Parecer, procedeuse à separação dos valores de créditos básicos das contribuições relativos a insumos (bens e serviços), produtos adquiridos para revenda, energia elétrica, despesas de arrendamento mercantil e depreciação de bens, vinculados às vendas de leite longa vida, leite pasteurizado, leite cru refrigerado e queijos, daqueles vinculados às vendas dos demais produtos. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10820.721025/201110 Acórdão n.º 3001000.293 S3C0T1 Fl. 5 7 a autoridade fiscal constatou, em consonância com os DACONs transmitidos pela contribuinte, que para o período objeto da verificação inexistiam créditos básicos vinculados a receitas obtidas no mercado externo, tendo confirmado a apuração de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno e vinculados a receitas obtidas no mercado interno, tributadas e não tributadas, e de créditos presumidos relacionados às atividades agroindustriais. Portanto, não poderia ela afirmar que o crédito presumido não pode ser apropriado proporcionalmente às receitas de exportação (não consta tal assentamento no Parecer que produziu). Dessa forma, entendemse corretos os cálculos feitos pelo Fisco. Ônus da Prova Em entendendo a autoridade fiscal que os documentos/informações produzidas pelos contribuintes durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, ou entendendo inexistente o crédito, em razão de que as operações demonstradas pela interessada não são enquadráveis nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a este negar direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. Homologação tácita. Inexistência O termo inicial da contagem do prazo de 05 (cinco) anos para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é a data da apresentação da DComp, no caso ocorrida em 12/09/2008 (efl. 2). A ciência do despacho decisório deuse em 16/09/2011 (efl. 167). Assim, não ocorreu homologação tácita. Logo, também não merece acolhida tal argumento. Decisões Administrativas. Efeitos No que tange à decisão administrativa cuja ementa foi transcrita pela contribuinte, mostrase pertinente registrar que somente em casos especiais, devidamente expressos na CF ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. A Fl. 229DF CARF MF 8 regra geral é que as decisões administrativas tenham eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. Portanto, eventual julgado administrativo é inaplicável à presente lide. Pedido de Diligência/Perícia Devese indeferir o pedido de diligência/perícia, porquanto presentes nos autos os elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como por se tratar de matéria de prova que deveria ter sido apresentada juntamente com a peça de contestação. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688815/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.234
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 81 5/ 20 09 -4 9 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.688815/200949 Resolução nº 3402001.234 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.688815/200949 Resolução nº 3402001.234 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.688815/200949 Resolução nº 3402001.234 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002355/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Superada tal pleito, quando há conversão de diligência para análise de toda a documentação aposta na fase de impugnação.
DA ALEGADA FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA AUTUAÇÃO FISCAL.
Quando os valores decorrem dos depósitos bancários, e cuja origem não foi comprovada, não há que se falar em falta de liquidez e certeza da autuação fiscal.
VALORES OFERECIDOS EM DIPJ.DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS.
Há divergências se pode haver a exclusão, pois não há previsão legal para tanto. Contudo, entendendo aplicáveis ao caso, se torna uma situação mais benéfica ao contribuinte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA ALHEIA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. AGÊNCIA DE VIAGENS.PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
Apesar de não estarem escriturados em conta alheia, havendo documentação que forme a convicção necessária que parte de tais depósitos não correspondem às receitas da agência de viagens, e sim, são repassados a terceiros, devem ser excluídos da receita bruta do contribuinte.
CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
Numero da decisão: 1402-002.950
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável o montante de R$ 4.925.732,88.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Superada tal pleito, quando há conversão de diligência para análise de toda a documentação aposta na fase de impugnação. DA ALEGADA FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA AUTUAÇÃO FISCAL. Quando os valores decorrem dos depósitos bancários, e cuja origem não foi comprovada, não há que se falar em falta de liquidez e certeza da autuação fiscal. VALORES OFERECIDOS EM DIPJ.DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. Há divergências se pode haver a exclusão, pois não há previsão legal para tanto. Contudo, entendendo aplicáveis ao caso, se torna uma situação mais benéfica ao contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA ALHEIA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. AGÊNCIA DE VIAGENS.PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Apesar de não estarem escriturados em conta alheia, havendo documentação que forme a convicção necessária que parte de tais depósitos não correspondem às receitas da agência de viagens, e sim, são repassados a terceiros, devem ser excluídos da receita bruta do contribuinte. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Superada tal pleito, quando há conversão de diligência para análise de toda a documentação aposta na fase de impugnação. DA ALEGADA FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA AUTUAÇÃO FISCAL. Quando os valores decorrem dos depósitos bancários, e cuja origem não foi comprovada, não há que se falar em falta de liquidez e certeza da autuação fiscal. VALORES OFERECIDOS EM DIPJ.DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. Há divergências se pode haver a exclusão, pois não há previsão legal para tanto. Contudo, entendendo aplicáveis ao caso, se torna uma situação mais benéfica ao contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA ALHEIA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. AGÊNCIA DE VIAGENS.PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 55 /2 00 7- 46 Fl. 8362DF CARF MF 2 Apesar de não estarem escriturados em conta alheia, havendo documentação que forme a convicção necessária que parte de tais depósitos não correspondem às receitas da agência de viagens, e sim, são repassados a terceiros, devem ser excluídos da receita bruta do contribuinte. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável o montante de R$ 4.925.732,88. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 8363DF CARF MF Processo nº 19515.002355/200746 Acórdão n.º 1402002.950 S1C4T2 Fl. 8.363 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, que julgou IMPROCEDENTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Da autuação: A recorrente foi autuada em 22/08/2007 referente aos tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, PIS, CSLL, Cofins, INSS e ISSSimples), referente aos fatos geradores do anocalendário de 2003. O montante da autuação perfaz o valor de R$ 1.247.230,06, incluídos valores históricos dos tributos devidos, multa de 75% e juros de moras corrigidos até 08/2007. A autuação decorre basicamente da omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados, cuja origem não foi comprovada pela recorrente, após ser regularmente intimada durante o procedimento fiscal. Em decorrência desta omissão de receitas, houve, também, a autuação por insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada, pois haveria, neste novo contexto, um aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo adicional da receita omitida. Do Termo de Verificação Fiscal (efls. 443 a 446), extraímos o seguinte trecho caracterizador da motivação da autuação: Examinados os documentos parcialmente entregues e com os quais pretende justificar a movimentação bancária, verificamos que os mesmos se encontram acompanhados de supostos comprovantes, de uso exclusivamente interno, faltando, ainda, cópias de cheques que comprovariam a efetiva entrega de valores às agências de turismo, para as quais teriam prestados serviços vendas de passagens aéreas. Não obstasse esse fato, tais operações não se acham escrituradas. Posteriormente, a autoridade fiscal analisa as normas contábeis e a necessidade do correto registro das operações, corroborado com o embasamento obrigatório em documentação. Para tanto, fez a autuação, em que demonstra os seguintes quantitativos apurados para o anocalendário de 2003 (efl. 446): Receita declarada Simples............................................... .....R$ 58.547,69 Total apurado depósitos bancários não justificados...... R$ 5.527.927,04 Omissão de receita tributada............................................R$ 5.469.379,35 Fl. 8364DF CARF MF 4 Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (efls. 509 a 553), em que expõe, sucintamente, os seguintes argumentos e elementos: A recorrente é uma empresa de turismo, optante do Simples, que recebe valores, cujos os mesmos são repassados para a Rextur, empresa denominada tipo GSA, central de companhias aéreas que emite os bilhetes aéreos, ou para outras empresas, como a Gol Linhas Aéreas Inteligentes; Por conta destes repasses (despesas), os valores creditados em conta não representam integralmente receitas; A recorrente recebia valores de seus clientes para a aquisição de pacotes turísticos ou parte terrestre (locação de veículos, hotéis, etc). Posteriormente repassava estes valores a estes contratados, os quais, após o pagamentos, pagavam uma comissão, como é praxe no mercado. Foram estes valores de comissões que foram lançados à tributação de DIRPJ; Para demonstrar a situação fática que desenvolve suas atividades, anexou 36 volumes de documentos. Nestes volumes há informações financeiras da recorrente, procurando demonstrar as operações do seu diaadia; Questiona o prazo disponível durante a fiscalização para expor à autoridade fiscal toda a sua situação financeira, e como apurava receita; Questiona que o lançamento com base nos depósitos bancários é uma presunção fiscal de omissão de receitas. Além do mais, a autoridade fiscal teria se baseado em amostragem, o que caracterizaria iliquidez e incerteza do auto lavrado; Questiona que a falta de escrituração contábil, alegado pela autoridade fiscal, não procede, pois para contabilizar todas as operações financeiras, teria um dispêndio com contador muito alto, e incompatível com uma empresa optante do Simples. Contudo, de qualquer maneira, ofereceu à tributação todo o devido, que foram suas comissões recebidas; A autoridade fiscal deveria ter aprofundado os elementos para a devida apuração, e não se baseado em presunções de pegar os valores depositados em contacorrente e cruzado com os ofertados na DIRPJ. Para tanto, deveria ter demonstrado o nexo causal que represente a omissão de receitas, em cada depósito; Apresenta quatro exemplos para ilustrar a sua tese de que os valores por ela recebidos apenas transitaram por suas contas bancárias; Questionou, além das questões focais da autuação, o uso da taxa Selic, o montante da multa que caracterizaria confisco, os juros moratórios aplicados. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem manter a decisão da DRF, por unanimidade. Fl. 8365DF CARF MF Processo nº 19515.002355/200746 Acórdão n.º 1402002.950 S1C4T2 Fl. 8.364 5 A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE.DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição para a Seguridade Social INSS, e do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS Simples, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo Fl. 8366DF CARF MF 6 com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. RECEITA BRUTA. CONCEITO. A legislação de regência do regime simplificado define a receita bruta como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de ofício é devida multa de 75% no mínimo calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).” Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: No que tange ao cerne da questão primordial da autuação, o contribuinte optante pelo Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram para esta escrituração; Bastaria ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos; Não estaria tributando o depósito bancário, e sim a importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, deve ser considerada receita omitida, segunda a legislação aplicável não se pode confundir métodos de apuração de omissão de receitas com as formas de tributação do lucro. A presunção legal, pela qual se inverte o ônus da prova, tem este papel de caracterizar uma situação que pode servir de mote à autuação. A inexistência da presunção Fl. 8367DF CARF MF Processo nº 19515.002355/200746 Acórdão n.º 1402002.950 S1C4T2 Fl. 8.365 7 legal é que obriga a comprovação material do fato diretamente vinculado à subtração irregular das receitas; Apesar de operar no setor de turismo, recebendo valores de seus clientes para a aquisição de pacotes turísticos ou parte terrestre, deveria ter registrado os ingresso de recursos e o respectivo repasse aos prestadores de serviços numa conta alheia. Tais operações deveriam estar devidamente escriturados na contabilidade da empresa (amparados por documentos que servem de suporte para escrituração da conta alheia, como é o caso das cópias de cheques), de acordo com as normas do artigo 7º da Lei 9.317/96, que regeu o simples federal, o que não foi constatado pela autoridade fiscal; Assim, não tendo a interessada o cuidado de respeitar as normas de escrituração atinentes ao regime simplificado, não cabe a ela reivindicar a apuração do resultado da conta alheia, que sequer existe em seus registros contábeis; O relator procura demonstrar no seu voto que os exemplos de operações financeiras trazidas como exemplos pela recorrente não estão completos, havendo diferenças de alguns valores. A causa de tais divergências seria a não correta escrituração dos valores. Igualmente, isto deva trazer prejuízos aos valores das suas comissões; Procura demonstrar que as ementas e decisões acostadas à impugnação não refletem o cerne da questão envolvida na presente autuação; Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe e repisa, praticamente, os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória. Sucintamente, em contraponto à decisão recorrida, destaco: ataca as mesmas questões de nulidade de então, quais sejam o prazo exíguo para levantar e apurar todos os documentos que entende pertinentes a sua defesa, bem como planilhas. Contudo, tal documentação foram apreciados na decisão a quo; sob a premissa da presunção de omissão de receitas, a decisão recorrida deixou de analisar todas documentações levadas à apreciação fiscal, bem como ignorou o fato de que na agência de turismo existe a conta alheia, independente de estar escriturada ou não; o fisco tem o dever de apurar não só lançamentos, mas omissões, obrigações acessórias, etc, verificando o cabimento de presunção ou arbitramento para cada caso; ao somar a presunção para consolidar o valor do débito tributário, estarse ia caracterizando uma situação de iliquidez e incerteza; a Autoridade Fiscal não excluiu os valores já ofertados à tributação, incorrendo numa bitributação; Fl. 8368DF CARF MF 8 para se caracterizar a omissão de receitas pelos depósitos bancários, o lançamento só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente a omissão de rendimentos e em momento algum tal foi comprovado; Do seu pedido: Requer a anulação do julgamento e seu devido reexame em primeira instância; Improcedência do auto de infração, carecendo este de liquidez e certeza para sua exigibilidade; Recálculo da autuação que não considerou os lançamentos da DIPJ levados à tributação no ano calendário e não considerados na decisão de primeira instância; Expurgo de todo os valores indevidamente lançados como base de cálculo de tributação e omissão de receitas, vez que comprovados os gastos/despesas que provam os documentos juntados; Expurgo dos juros e multas incidentes sobre os tributos indevidos e sua repercussão na consolidação do crédito tributário; Da Resolução do Carf A presente autuação foi pautada e julgada em 04/06/2014, pelo presente colegiado, em que o relator de então propôs a conversão em diligência sob os seguintes argumentos: Houve a anexação na sua impugnação, de 36 volumes de documentos (fls. 674 a 7.751), com documentos referentes a sua movimentação financeira, para demonstrar suas efetivas despesas para terceiros nas suas operações ordinárias; O relator do acórdão a quo concluiu ser impertinente a pretensão da recorrente para comprovar a origem dos créditos lançados em suas contas bancárias, uma vez que a questão relevante para os autos é que tais operações não foram escrituradas na contabilidade da empresa, não sendo cabível a apuração de tais operações na citada conta alheia, acrescentando que não encontrou os cheques que comprovariam a efetiva entrega dos valores para as empresas para as quais intermediou serviços; O então relator do presente colegiado entendeu diversamente, pois os documentos acostados aos autos (os 36 anexos) deveriam ser analisados, em respeito ao princípio da verdade material; Destarte, propôs a conversão do julgamento em diligência, para analisar a documentação acostada, sendo acompanhado por todos os demais membros do colegiado. Das conclusões da Diligência Conforme despacho assinado em 16/05/2017 (efls. 8298 a 8321), houve a conclusão da diligência supramencionada. Fl. 8369DF CARF MF Processo nº 19515.002355/200746 Acórdão n.º 1402002.950 S1C4T2 Fl. 8.366 9 Nela constam os seguintes elementos: De uma maneira geral a relação (de documentos nos anexos) contém os valores creditados, por instituição financeira, com a indicação das faturas/duplicatas emitidas pela Marmaris e as correspondentes faturas/duplicatas dos seus fornecedores, a que o contribuinte pretende provar que são mero repasse; Através de uma análise de todos os elementos apresentados, mesmo questionando a diligência e a verdade material evocada, a autoridade fiscal chegou à conclusão de que nem todos os valores constantes nas duplicatas são integralmente repassadas, remanescendo diferenças. Faz uma demonstração de tal situação no despacho de atendimento à diligência; Estas diferenças estão exemplificadas no próprio texto do despacho, e estão detalhadas, totalmente, nos anexo I a VI (efls. 8323 a 8355); O montante, se valendo de um eventual critério de desconsiderar os valores repassados, o que no caso seriam debitados, como conta alheia, estão consolidados nas conclusões do despacho, no item 22 e 23; É o relatório. Fl. 8370DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Das Preliminares Da anulação do julgamento e seu devido reexame em primeira instância No seu pleito inicial, e mais objetivamente no pedido da sua peça recursal, a recorrente alega que não foram analisados e nem sequer mencionados pela decisão recorrida todos os elementos apresentados na sua impugnação. Sem juízo de valor a respeito, entendo materialmente que superada tal pleito, em virtude da Resolução 1402000.263, da sessão de 04 de junho de 2014, em que o presente processo foi convertido em diligência, para a unidade de origem, para análise de toda a documentação acostada nos anexos de 1 a 36. Ademais, de acordo com o artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há esta situação capitulada na decisão recorrida, evocada pelo recorrente, conforme da transcrição infra: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Destarte, não há no rol acima, a situação evocada pelo recorrente. Fl. 8371DF CARF MF Processo nº 19515.002355/200746 Acórdão n.º 1402002.950 S1C4T2 Fl. 8.367 11 De igual forma, não vislumbro a supressão de instância recursal, pois a autoridade julgadora a quo está na sua liberdade para formar convicção, dentre os elementos apresentados. Assim, REJEITO esta alegação de nulidade da decisão recorrida. Da falta de liquidez e certeza da autuação fiscal Alega a recorrente que a autoridade fiscal, ao somar a presunção para consolidar o valor do débito tributário, estarseia caracterizando uma situação de iliquidez e incerteza do auto lavrado. Não coaduno com tal alegação, pois a natureza dos valores autuados decorre dos depósitos bancários, e sua aplicação está regrada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração da feita da Lei nº 9.481/1993, em que versa já no caput e § 1º, o seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Ou seja analisandose a autuação, foi o aplicado pela Autoridade Fiscal. A presunção tão evocada pela recorrente decorre da situação da inversão do ônus probatório na aplicação deste artigo. Desta forma, sobre os créditos ocorridos nas contascorrentes cuja titularidade é da recorrente, e cuja origem não foi comprovada, é que foi aplicado o percentual estabelecido na legislação do Simples, para apuração dos tributos devidos. Destarte, não vislumbro a falta de liquidez e certeza alegada pela recorrente, do qual, REJEITO esta alegação. Não consideração dos valores oferecidos em DIPJ Não acompanho do alegado, pois analisandose o auto de infração, e respectivo Termo de Verificação Fiscal, há a exclusão dos valores ofertados à tributação pela recorrente, na sua DIPJ, no montante anual de R$ 58.547,69, distribuídos mensalmente. Inclusive, anexo ao TVF, há uma planilha (efl. 446) que consta o total de depósitos bancários não justificados ("omissão receita apurada"), os valores ofertados em DIPJ ("Receita Declarada/Simples"), e o valor em que houve a autuação ("diferença a tributar"). Fl. 8372DF CARF MF 12 Há até controvérsias se tal valor oferecido à tributação deve ser excluído ou não, posto que o art. 42 da Lei 9.430/1996 em nada menciona esta exclusão, tipificando a situação de caracterização de omissão de receitas todos os depósitos não justificados. No caso, a Autoridade Fiscal até se valeu de uma perspectiva mais benéfica à recorrente da interpretação da lei. Isto posto, REJEITO esta alegação da não consideração do valores oferecidos em DIPJ para serem excluídos do montante dos depósitos bancários caracterizados como omissão de receitas. Expurgo dos gastos/despesas que provam os documentos juntados O cerne da presente atuação são os valores depositados em contacorrente da recorrente, que, no seu entender, foram comprovados e são decorrentes de despesas que não são suas, o que é chamado contabilmente de conta alheia. No acórdão recorrido, há como impertinente a pretensão da recorrente para comprovar a origem dos créditos lançados em suas contas bancárias, uma vez que a questão relevante para os autos é que tais operações não foram escrituradas na sua contabilidade, não sendo cabível a apuração de tais operações na citada conta alheia, conforme dispõe o art. 2º, §2º, da 9.317/96: Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário, receita bruta igual ou inferior a RS 120.000,00 (cento e vinte mil reais); II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a RS 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (...) § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Acrescenta o relator da v. acórdão recorrido não ter encontrado cópias dos cheques que comprovariam a efetiva entrega dos valores para as empresas para as quais intermediou serviços. Contudo, muito oportunamente, em homenagem ao princípio da verdade material, este colegiado converteu o processo em diligência para uma análise mais detida dos valores apostos nos anexos 1 a 36 da impugnação, que buscariam comprovar que a receita bruta apurada da recorrente não seria aquela apurada pela Autoridade Fiscal. Aqui se sobrepõe a principal questão a ser dirimida, de qual seria receita bruta na atividade da recorrente, em respeito ao princípio da verdade material. No caso concreto da recorrente, o ideal seria contabilizar os valores em conta alheia, para a devida evidenciação dos mesmos quando da apuração da sua receita bruta. Fl. 8373DF CARF MF Processo nº 19515.002355/200746 Acórdão n.º 1402002.950 S1C4T2 Fl. 8.368 13 Contudo, não foi isso o ocorrido. Então, fica a questão de que caberia agora autuar e cobrar sobre tudo, quando consabidamente os valores são repassados para terceiros, no caso, companhias aéreas e hotéis, entre outros. Apesar de descumprir as formalidades contábeis e fiscais em relação ao registro das suas operações, acompanho da opinião de que a receita bruta a ser tributada é sempre a receita do próprio contribuinte, e não de terceiros. O mínimo conhecimento do mercado de que ora se cuida demonstra que as agências de viagens e turismo, na esmagadora maioria de suas operações, realizam a intermediação entre os fornecedores e passageiros, recebendo uma comissão para tanto. Tal tema tem suscitado algumas divergências na jurisprudência, com nuances próprios, dependendo da atividade exercida, conforme pesquisa efetuada por este relator. Contudo, coadunome à perspectiva de provado o auferimento de recursos de terceiros que não estão a configurar receita na medida em que dado o repasse a ser realizado representam mero ingresso, conforme julgado perante o Camara Superior de Recursos Fiscais abaixo transcrito: AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos a atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Os valores recebidos dos consumidores e repassados efetivamente aos fornecedores dos serviços prestados não configuram receita bruta da agência de turismo”.(Número do Processo 15374.000572/0037, Acórdão 9101002.359, Data da Sessão 16/06/2016) Isto tudo posto, valhome do Despacho proferido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (efls. 8298 a 8321), em que em atendimento à Resolução emanada por este Colegiado em sessão de 04 de junho de 2014. Neste Despacho há uma análise pormenorizada de toda a documentação acostada pela recorrente na sua peça impugnatória e recursal, e o respectivo cotejo com os extratos bancários. Conforme se extrai do Despacho emanado pela Autoridade Fiscal: 10 – Os documentos incluídos na impugnação e no recurso voluntário são basicamente: a relação com os valores creditados nas contas bancárias, as duplicatas/faturas emitidas pela Marmaris, os valores faturados pelos seus principais fornecedores (basicamente a Rextur Viagens e Turismo e a Gol), cheques e demonstrativos. Fl. 8374DF CARF MF 14 11 – De uma maneira geral a relação contém os valores creditados, por instituição financeira, com a indicação das faturas/duplicatas emitidas pela Marmaris e as correspondentes faturas/duplicatas dos seus fornecedores, a que o contribuinte pretende provar que são mero repasse. Nesta análise, e exemplificando, fica demonstrado que os valores não são integralmente repassados aos terceiros, restando diferenças. E encerra apresentando a planilha à efl 8321, item 23, , em que consta que o total de depósitos bancários não comprovados montam o valor de R$ 602.194,16, aos quais mantidas a perspectiva da autução, deve ser excluído o valor informado em DIPJ de R$ 58.547,69, remanescendo um valor de omissão de receitas baseado em depósitos bancários não justificados de R$ 543.646,47. Considerando que a autuação fiscal original considerou como diferença a tributar (efl. 446) o montante de R$ 5.469.379,35, haveria a diminuição no montante anual da base tributável do Simples (conforme cada tributo integrante) de R$ 4.925.732,88. Por conseguinte, dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário no que tange ao montante da receita bruta da recorrente no transcorrer do anocalendário de 2003. Do expurgo dos juros e multas incidentes sobre os tributos De maneira um tanto genérica, a recorrente se insurge contra a aplicação de multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic. Para tanto, acompanho o decidido no v. acórdão recorrido: 61. A autuada também questiona a aplicação da multa de ofício (75%). 62. A redação do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, vigente à época de ocorrência dos fatos geradores neste processo discutidos (anocalendário 2003), era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 8375DF CARF MF Processo nº 19515.002355/200746 Acórdão n.º 1402002.950 S1C4T2 Fl. 8.369 15 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. 63. A redação atual do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória nº 351/2007, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 8376DF CARF MF 16 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (...) 64. Como se observa, tanto a redação antiga, como a redação atual do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, prevê a multa de ofício no montante de 75% do tributo devido para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, hipóteses estas que abrangem a infração discutida no presente processo administrativo. Desta forma, estando a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 acima transcrito, que ainda não foi revogado ou julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, não há como o julgador administrativo vinculado à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála sob alegação de ofensa a quaisquer princípios jurídicos (vedação constitucional ao confisco, etc). 65. Assim, demonstrado que a multa de ofício foi correta e legalmente aplicada no percentual de 75% dos tributos devidos, descabem as afirmações da autuada em sentido diverso. 66. Quanto ao questionamento da impugnante sobre juros de mora com base na taxa Selic, é necessário verificar o que dispõem o caput e § 1º do artigo 161 do CTN, que assim determinam: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Fl. 8377DF CARF MF Processo nº 19515.002355/200746 Acórdão n.º 1402002.950 S1C4T2 Fl. 8.370 17 (...). 67. Observase que o § 1º do artigo 161 do CTN não estabelece teto para os juros de mora, mas apenas diz que eles serão de 1% se a lei não dispuser de modo diverso. Portanto, a lei ordinária pode determinar que os juros sejam menores ou que sejam maiores que 1% ao mês, já que diverso não significa apenas menor e o CTN não exaure qual deva ser a forma de cálculo dos juros de mora. Usando desta liberdade concedida pelo CTN, assim dispôs o legislador ordinário no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n.º 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei n.º 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n.º 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n.º 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (negritos acrescidos) 68. Os juros de 1% previstos no § 1º do artigo 161 do CTN somente seriam aplicáveis se a legislação ordinária nada dispusesse a respeito. Desta forma, a utilização da taxa Selic como índice de cálculo dos juros de mora está plenamente de acordo com as disposições legais vigentes, não havendo ofensa ao princípio constitucional da legalidade nem nulidade do lançamento, devendo ser mantida, pois a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar, sob pena de responsabilidade funcional, a lei introduzida regularmente no sistema jurídico e ainda não retirada do mesmo sistema por quem tenha competência constitucional para tanto. 69. A legalidade do uso da taxa Selic como juros de mora para cobrança de créditos tributários é confirmada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, reproduzindose abaixo trecho de ementa de julgado recente desta Corte, que é o órgão judicial que dá a última palavra sobre a interpretação de legislação tributária federal que não envolva discussão constitucional: 32. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95. (Acórdão unânime no Recurso Especial 719.350, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, Data do julgamento 16/12/2010, Data da Publicação no Dje 21/02/2011). Assim, REJEITO as alegações no que concerne aplicação de multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic. Fl. 8378DF CARF MF 18 Conclusão: O presente acórdão versa sobre a autuação fiscal de todos os tributos inclusos no presente processo, quais sejam IRPJ,CSLL, PIS, COFINS, INSSSimples e ISSSimples. Considerado o todo exposto no voto, conheço e DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da recorrente, no que concerne ao expurgo dos gastos/despesas provados na sua defesa, que caracterizariam repasses a terceiros, no montante anual da base de cálculo autuado do Simples (conforme cada tributo integrante) de R$ 4.925.732,88 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Fl. 8379DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720352/2017-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-006.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Introdução AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 52 /2 01 7- 40 Fl. 3564DF CARF MF 2 Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, acrescido de juros de mora e multa de ofício, decorrente de pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a titulo de afretamento de plataformas, navios e sondas, destinados a serviços de perfuração e correlatos, conforme auto de infração de efls. 2635 a 2638, cientificado à contribuinte em 20/12/2013. O procedimento fiscal com as razões da exigência dele decorrente está descrito no Termo de Verificação Fiscal – TVF, às efls. 2639 a 2759, sendo o montante do crédito tributário exigido de R$ 2.347.089.453,43, calculado até 31/12/2013. Em apertada síntese, a fiscalização: analisou contratos de afretamento de embarcações, firmados com empresas sediadas no exterior, e contratos de prestação de serviço, firmados com empresas sediadas no país, constatou tratarse de contratos conexos e, assim, considerou que o afretamento seria parte integrante e inseparável do contrato de prestação de serviços; concluiu que a prestação de serviços técnicos ensejaria a exigência de IRRF e constituiu o crédito tributário de ofício. O auto de infração foi objeto de impugnação pelo contribuinte, em 17/01/2014, anexada às efls. 2780 a 2847 dos autos. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/RJ1, no acórdão nº 1265.775, que, em 23/05/2014, julgou a impugnação improcedente, por unanimidade, para manter o crédito tributário lançado. Recurso voluntário Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/06/2014, às efls. 3048 a 3170. Naquele recurso, reiterou a argumentação posta em sua impugnação além de rebater pontos do acórdão recorrido. São, em apertadíssima síntese, as seguintes matérias arguidas no recurso voluntário: · nulidade do acórdão de impugnação em razão de introdução de fundamento ausente no auto de infração; · inocorrência do fato gerador do IRRF: o a coligação/união de contratos é figura aceita pela doutrina civilista; o existência de dois contratos distintos, de afretamento e de prestação de serviços de gestão comercial (sondagem, perfuração e exploração); o violação aos arts. 109 e 110 do CTN, pela fiscalização ao alterar o contorno e e perfil dos contratos privados em análise; o afretamento e exploração comercial são contratos autônomos, com características distintas e objetos diferentes; o há equívocos na decisão recorrida com relação à situação contratual e de fato nas operações; · não são tributáveis os valores pagos a países signatários de tratados para evitar dupla tributação; Fl. 3565DF CARF MF Processo nº 16682.720352/201740 Acórdão n.º 9202006.473 CSRFT2 Fl. 3.565 3 · seria inexigível o IRRF em relação às remessas efetuadas para afretadores localizados em países com tributação favorecida em razão de : o ofensa à segurança jurídica ao Estado de Direito e à Isonomia; o impossibilidade formal e material de o AD SRF nº 08/1999 ser revogado pela IN SRF nº 252/2002 alcançando apenas os atos posteriores à edição desta última; · de acordo com diversas fontes normativas, administrativas e judiciais, plataformas marítimas móveis são embarcações, sendo equivocado o entendimento contrário da decisão impugnada; e · não deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício aplicada pela fiscalização, por falta de base legislativa para tanto. A Fazenda Nacional, às efls. 3275 à 3316, apresentou contrarrazões ao recurso, em 17/08/2014, na qual rebate os argumentos da contribuinte. Apreciando o recurso, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento veio a prolatar, em 09/12/2015, o acórdão nº 2202003.063, às efls. 3317 a 3389, que teve as seguintes ementas: PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. ARGUMENTO SUBSIDIÁRIO INOVADO. ARGUMENTO PRINCIPAL SUFICIENTE. Não é nula a decisão de primeira instância que se fundamenta também em um argumento subsidiário inovado, quando o argumento principal adotado na decisão é bastante, por si só, para se concluir pela manutenção do lançamento. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. ARTIGO 12 DA CONVENÇÃO E PROTOCOLOS ADICIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EQUIPARADA A ROYALTIES. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitamse à tributação de acordo com o art. 685, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Fl. 3566DF CARF MF 4 TRATADO BRASILFRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO PERMANENTE. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. São características do estabelecimento permanente a existência de uma instalação material, com caráter de permanência, que esteja à disposição da empresa, a qual deve exercer sua atividade nesta instalação ou por meio desta. Na existência de um estabelecimento permanente, seus lucros podem ser tributados na fonte. PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. INCIDÊNCIA DO IRRF À ALÍQUOTA DE 25%. O artigo 8º da Lei nº 9.779/99 determina que a alíquota para o cálculo do imposto de renda retido na fonte é de 25% quando o beneficiário tiver sede em país com tributação favorecida. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO farão declaração de voto. Embargos da contribuinte Intimada (efl. 3390) do acórdão, em 19/02/2016 (fl. 3392), a contribuinte manejou embargos de declaração, às efls. 3394 a 3406, afirmando a existência de: i) contradição, pois, embora o acórdão tivesse entendido que as empresas estrangeiras, no caso concreto, estariam exercendo sua atividade por meio de um estabelecimento permanente no Brasil, manteve o lançamento de IRRF não obstante naquela hipótese ser outro o regime de tributação dos rendimentos imputáveis ao estabelecimento permanente, como visto, não sendo cabível a exigência de retenção na fonte; ii) omissão por entender que os pagamentos decorrentes de contratos de serviços técnicos e de assistência técnica, sem transferência de tecnologia, equiparamse a royalties, devendo ser tributados na fonte para evitar dupla tributação, porém omitiuse quanto ao fato de que há exceção nas regras do tratado BrasilFrança para o caso em que o beneficiário dos royalties, residente de um Estado contratante, tiver no outro Estado Contratante de quem provém os royalties um estabelecimento permanente no qual estão ligados efetivamente o direito ou o bem que deu origem aos royalties. Fl. 3567DF CARF MF Processo nº 16682.720352/201740 Acórdão n.º 9202006.473 CSRFT2 Fl. 3.566 5 Ao final, pleiteou a admissão dos embargos, para sanear a contradição e a omissão, inclusive com atribuição de efeitos infringentes. Os embargos da contribuinte não foram acolhidos pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Segunda Seção de Julgamento, pois no acórdão inexiste omissão ou contradição que justifiquem tais embargos, como explanado no despacho exarado em 13/05/2016, às fls. 3408 a 3413. RE da contribuinte Cientificada do resultado dos embargos (efl. 3414) em 23/05/2016 (fl. 3416), a contribuinte apresentou recurso especial de divergência, às fls. 3418 a 3466, em 06/06/2016. No recurso especial foram alegadas divergências quanto a duas matérias: a) incidência de Imposto sobre a Renda em razão da suposta bipartição artificial de contratos para a qual aponta como divergente o acórdão paradigma nº 1402001.439; e b) juros de mora sobre a multa de ofício, em divergência com o paradigma nº 3403001.541. No tocante a matéria "a)", a recorrente sustenta que o recorrido tem entendimento distinto ao do paradigma; este rechaçando a premissa da fiscalização de que uma suposta bipartição artificial de contratos teria por objetivo o uso indevido da regra prevista no artigo 1º da Lei nº 9.481/1997, aquele acolhendo a premissa da fiscalização de que a existência da bipartição artificial de contratos teria por objetivo o uso indevido da regra prevista no mesmo artigo. Já no que tange aos juros sobre a multa de ofício, enquanto o acórdão recorrido conclui que "Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic", o acórdão paradigma consagra entendimento diametralmente oposto, de que não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em análise do recurso, a Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento emitiu despacho, de fls. 3508 a 3521, em 15/06/2016, no qual deu seguimento parcial ao recurso especial apenas no tocante aos juros de mora sobre a multa de ofício. Negou se seguimento à matéria "a)" em razão de o paradigma tratar de analisar se as despesas efetuadas pela contratada seriam dedutíveis ou não para a contratada, fim inconfundível com o visado no acórdão recorrido, que buscava interpretar a regra da redução da alíquota a zero, prevista na Lei 9.481, de 1997, e dirigida à contratante. Assim conclui a Presidente a análise dessa matéria: Consequentemente, a análise dos contratos foi guiada pelas legislações que foram interpretadas por cada um desses acórdãos e pelas características de cada lançamento. Assim, em virtude das nuances de cada legislação e de cada um dos lançamentos, a análise dos contratos efetuada no recorrido teve um enfoque examinar se existia contrato de prestação de serviço, que é único, tendo o afretamento como parte integrante e indissociável do serviço (situação em que não se aplicaria a Fl. 3568DF CARF MF 6 Lei 9.481, de 1997), ou se existiria afretamento autônomo (hipótese em que se aplicaria a redução de alíquota da Lei 9.481, de 1997) , essa finalidade buscada no acórdão recorrido é inconfundível com o fim visado no paradigma identificar o efeito tributário dos denominados reembolsos recebidos pela contratada, se as despesas eram dedutíveis ou não para a contratada e a legalidade da forma como o lançamento foi feito em relação às despesas tidas pela autoridade fiscal como indedutíveis. Destarte, constatase que os acórdãos confrontados ocupamse de normas tributárias diversas, cada qual regida por legislação diferente, dando azo a lançamentos tributários com motivações e características próprias. De fato, não há sentido em se falar em "dar interpretação divergente à lei", quando estão envolvidas leis diferentes, com suas especificidades, de modo que não restou demonstrado o alegado dissídio interpretativo, o que impede o seguimento do recurso em relação à primeira matéria incidência de Imposto sobre a Renda em razão da bipartição artificial de contratos. (Grifos do original) Agravo da contribuinte Intimada (Intimação nº 896/2016, efl. 3522), em 24/06/2016 (efl. 3523), do despacho que deu seguimento parcial aos seu recurso especial de divergência, a contribuinte a ele interpôs agravo, às efls. 3524 a 3533, conforme previsão regimental do art. 71 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, em 30/06/2016. Argumenta que o despacho agravado efetuou exigência não prevista em regimento, de que a norma interpretada de forma divergente seja, necessariamente, fundamento do lançamento. Nada impediria que a divergência se dê quanto à norma que fundamente o acórdão recorrido e, embora não seja fundamento do lançamento do acórdão paradigma, tenha sido por ele interpretado de forma diversa para solução do litígio. Afirma, com base no acórdão 9202003.572, que o conhecimento da divergência presupõe que o entendimento consagrado noacórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Entende que o acórdão paradigma considerou impertinentes as considerações feitas no termo de verificação fiscal de que os contratos firmados prevendo 90% aos custos de afretamento e 10% para perfuração se prestam ao escoamento da maior parte dos recursos ao exterior, sem recolhimento do IRRF, tendo em vista previsão de alíquota zero no art. 1º, I, da Lei nº 9.481/1997. Assim, é evidente que se tal entendimento tivesse sido aplicado ao caso concreto aqui em litígio haveria de resultar em reforma do acórdão recorrido. O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em despacho de efls. 3534 a 3542, datado de 17/02/2017, deu guarida às seguintes conclusões: No paradigma, portanto, não foi rechaçada, pura e simplesmente, como faz parecer a Recorrente, a premissa da fiscalização de que houve a bipartição artificial de contratos; no caso, o entendimento foi assim exarado para efeito da análise da dedutibilidade das despesas, o que nenhuma relação tem com a Fl. 3569DF CARF MF Processo nº 16682.720352/201740 Acórdão n.º 9202006.473 CSRFT2 Fl. 3.567 7 matéria tratada no recorrido, atinente ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Destaquese, por fim, que o dissídio interpretativo arguido referese a suposta divergência na valoração de fatos e provas os contratos e não à Lei nº 9.841, interpretada no recorrido , haja vista que o voto condutor do paradigma nada aduz sobre a aplicação dessa norma, nem mesmo para fundamentar a decisão ali prolatada. Por isso, rejeitou o agravo e confirmou o seguimento parcial do recurso especial de divergência. Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão nº 2202003.063, do recurso especial de divergência da contribuinte e do despacho de admissibilidade em 21/03/2017, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou contrarrazões ao RE da contribuinte em 05/04/2017, conforme efls. 3556 a 3562. A Procuradora argumenta que por meio de interpretação sistemática do CTN, os artigos 161 e 113, § 1º, e art. 139, todos do CTN, levam a concluir que Código autoriza a exigência de juros de mora sobre crédito não integralmente recolhido no vencimento, seja de tributos ou seja de penalidade pecuniária, tendo esta a mesma natureza da obrigação principal. Assim, requer que seja negado provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. É o relatório Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Para fins de delimitação da lide, cabe esclarecer que encontrase em litígio apenas a questão da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. Quanto ao art. 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996, utilizado pela autoridade lançadora para fins de caracterização da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo assistir razão à Fazenda quanto à interpretação do mesmo abranger, à luz do caput do mesmo, não só o valor dos tributos em si, mas também a multa de ofício, visto que: (a) decorre, sim, a referida multa de ofício dos referidos tributos ou contribuições quando lançados pela autoridade tributária e, ainda, (b) a multa de ofício integra, ainda, a obrigação tributária principal, com fulcro no art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional, bem como o conceito de crédito tributário, cabível assim a incidência de juros de mora sobre seu valor, com fulcro no art. 161 do CTN. Fl. 3570DF CARF MF 8 Acerca desta última consideração, entendo decorrer tal abrangência da multa de ofício no conceito de crédito tributário diretamente do disposto nos arts. 142 e 161 do CTN, na forma brilhantemente disposta no voto de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão 9.202002.600, o qual adoto aqui como razões de decidir, in verbis: “(...) Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possuir natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa,como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Dessa forma, não há que se prover o recurso especial no tocante à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício objeto de lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento e manter o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 3571DF CARF MF Processo nº 16682.720352/201740 Acórdão n.º 9202006.473 CSRFT2 Fl. 3.568 9 Fl. 3572DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.006285/2001-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
Ementa: RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece do Recurso Especial que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.
Numero da decisão: 9101-003.340
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Não se conhece do Recurso Especial que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 672 2 Relatório Trata-se de processo originado por Autos de Infração de IRPJ quanto ao ano- calendário de 1996, diante da compensação de prejuízo fiscal em percentual superior a 30% do lucro líquido, tendo o contribuinte proposto medida judicial na qual concedida decisão suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (fls. 97/99). Consta do Termo de Verificação (fls. 94) (...) VERIFIQUEI que o contribuinte acima identificado compensou com prejuízos anteriores o Lucro Real do exercício, em valor superior a 30 % do Lucro Líquido ajustado, em desacordocom o artigo 15 da Lei 9.065 de 1995. O valor compensado em excesso foi de R$ 1.745.135,44 (hum milhão, setecentos e quarenta e cinco mil, cento e trinta e cinco reais e quarenta e quatro centavos). Ressalte-se que, entretanto, o contribuinte se beneficia do provimento parcial obtido na Apelação em Mandado de Segurança de número 98.03.004215- 7/SP. Tendo em vista os fatos acima descritos, o imposto que deixou de ser lançado será objeto de Auto de Infração, a ser lavrado com Exigibilidade Suspensa, no intuito de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada (fls. 189): Assunto: Normas de Administração Tributaria Ano-calendário: 1996 Ementa: CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa. JUROS DE MORA. A incidência dos juros de mora independe de lançamento e ocorre mesmo durante o período em que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A indicação dos juros moratórios no Auto de Infração é cabível, ressalvando-se que, na data da conversão em renda os juros de mora devidos serão excluídos, se existirem depósitos judiciais tempestivos e integrais, pois equivalem a pagamentos à vista. Lançamento Procedente Após o julgamento da DRJ, em 03/04/2007, o contribuinte apresentou petição e documentos (DIPJ 1998, DIPJ 1999, DIPJ 2000, DIPJ 2001, DIPJ 2002 e DIPJ 2003), alegando que teria havido postergação (fls. 195/509). Pede seja aplicado o Parecer Normativo nº 2/96. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 673 3 O contribuinte foi intimado em 24/07/2007 do acórdão da DRJ (fls. 512), interpondo recurso voluntário em 22/08/2007 (fls. 515/526), no qual alegou, em síntese: (i) a nulidade da decisão da DRJ por ter desconsiderado petição protocolizada em 03/04/2017, (ii) que teria havido mera antecipação de despesas, diante da existência de lucro nos anos subsequentes; (iii) que o depósito judicial seria suficiente e, portanto, são indevidos os juros cobrados; (iv) a multa de mora também seria indevida. O recurso voluntário foi acolhido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, conforme ementa a seguir transcrita (fls. 592/599): IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% PARA A COMPENSAÇÃO POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO — O lançamento de ofício para exigir imposto de renda devido em razão da falta de observação da trava de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, deve atender ao disposto nos artigos 219 e 193 do RIR/94, relativo à postergação no pagamento do imposto. A conclusão do voto condutor é colacionada a seguir, tratando unicamente da postergação no pagamento do imposto de renda: Assim, equivocou-se a fiscalização, ao não considerar o direito remanescente de absorção dos prejuízos, pois as parcelas que a empresa compensou a maior além do limite de 30% - poderiam ter sido realizadas nos períodos seguintes àqueles consignados, e antes mesmo da autuação. Sob esse prisma, a fiscalização deveria ter efetuado a recomposição do Lucro Real nos períodos-base posteriores, considerando, quando a empresa tivesse apurado base de cálculo positiva, a compensação do prejuízo indevidamente aproveitado a maior pela empresa, cuja glosa foi procedida de oficio. Em outras palavras, deveria a autoridade autuante, ter aplicado o entendimento disposto no Parecer Normativo n° 02/96, isto é, dar o tratamento de postergação no pagamento do imposto de renda. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 23/03/2010 (fls. 602), que interpôs recurso especial em 27/04/2010 (fls. 603/606). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da prova de pagamento para reconhecimento dos efeitos da postergação. Indicou como paradigmas os acórdãos: (i) 103-22388, no qual se decidiu "a compensação de prejuízos em montante superior ao limite de 30% (...) resulta em postergação do recolhimento do tributo calculado no período em que se ultrapassou a trava legal, se restar comprovada a ocorrência de pagamentos efetuados em período de apuração subsequentes" e (ii) CSRF 01-06.055, que confirmou a decisão supra, constando do acórdão da CSRF que "A inobservância da trava geral hipótese de postergação quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subseqüentes. Se não demonstrada a postergação, mantém-se a exigência fiscal.” Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 674 4 O recurso especial da Procuradoria foi admitido por decisão do então Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção (fls. 623/626): (...) No paradigma, Acórdão nº 103-22.388, a relatora entendeu que a compensação de prejuízos fiscais é limitada ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado. Haverá postergação do pagamento do imposto, se restar comprovada a ocorrência de pagamentos efetuados em períodos de apuração subsequentes, o que não foi feito pelo contribuinte. Isto ficou bem claro no seguinte trecho do voto desse paradigma. (...) O entendimento do paradigma, Acórdão nº 103-22.388, também, é que a inobservância da trava geral de 30% para a compensação de prejuízos fiscais na hipótese de postergação deve ser comprovada com o pagamento do tributo em exercícios subsequentes. Já no acórdão recorrido, o relator entendeu que o lançamento de ofício para exigir imposto de renda devido em razão da falta de observação da trava de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, deve atender ao disposto nos artigos 219 e 193 do RIR/94 relativo à postergação no pagamento do imposto, mas não se manifesta a respeito da comprovação do pagamento do tributo postergado em exercícios subsequentes. Em uma análise prelibatória, entendo que o cotejo dos trechos das ementas dos paradigmas com o acórdão recorrido, permitem constatar a divergência alegada. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O contribuinte foi intimado em 14/09/2015 (fls. 633), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 29/09/2015 (fls. 638/642). Alega que o recurso especial não deveria ser conhecido, por falta de prequestionamento e falta de demonstração de divergência jurisprudencial, na medida em que o único tema tratado em recurso especial (necessidade de prova do pagamento do IRPJ em anos posteriores) não teria sido analisado pelo acórdão recorrido. Pede, ainda, seja negado provimento ao recurso especial. Nesta oportunidade, o contribuinte acosta aos autos guias de recolhimento (DARF), recolhidas em 31/03/1997 e 31/10/1997, 30/06/1997, 29/01/1999, 31/03/1999, 29/12/1999, 31/01/2000, 31/03/2000, 31/07/2000, 31/01/2001, 27/04/2001, 29/06/2001, 28/03/2001, 31/10/2002, 31/03/2003, com diferentes códigos (fls. 647/661). Em memoriais, o contribuinte acrescenta que não deveria ser conhecido o recurso especial por força de Súmula CARF. É o relatório. Voto Vencido Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 675 5 Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento O recurso especial é tempestivo. Passo a tratar da similitude fática entre acórdão recorrido e paradigmas, demonstração da divergência e prequestionamento, considerando que o contribuinte pede não seja conhecido o recurso por falta de cumprimento destes requisitos do recurso especial. Lembro que a Procuradoria apresentou dois acórdãos paradigmas: 103-22388 e CSRF 01-06.055 (ambos do processo administrativo nº 10283.000678/00-54). O cenário fático descrito no primeiro acórdão paradigma é o seguinte, conforme descrição do relatório desta decisão (103-22388): Petro Amazon Petróleo da Amazônia Ltda., foi autuada para exigência de crédito tributário de IRPJ, no montante de R$ 264.218,78, inclusive os consectários legais, sob a acusação fiscal de compensação indevida de prejuízos fiscais, na apuração do lucro real, superior ao limite de 30% do lucro real antes das compensações (...) Em seu alentado recurso voluntário, nos 46 (quarenta e seis) itens do tópico “B”, intitulado “B) razões jurídicas, fáticas e legais do recurso”, a contribuinte reprisa as preliminares e razões de mérito declinadas na impugnação e aduz novas preliminares e argumentos, tudo a seguir relacionado, resumidamente: (...) 19 – na compensação de prejuízos, mesmo que ultrapasse o limite de 30%, o imposto de renda lançado e contribuição social sobre o lucro são indevidos, por representarem mera postergação temporal; 20 – o 1º Conselho de Contribuintes vem decidindo pela legalidade da compensação de 100% dos prejuízos de que se trata de mera postergação do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, se houve lucros nos anos posteriores; 21 – houve simples postergação. (...) Diante deste quadro fático, decidiu a Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes no primeiro acórdão recorrido (103-22388): VOTO VENCIDO: A contribuinte evocou o instituto da postergação do pagamento imposto de renda para o exercício seguinte, alegando que a compensação integral do lucro real do ano-calendário de 1995, com os prejuízos acumulados, implicaria no pagamento de imposto a maior nos exercícios subsequentes. Fl. 675DF CARF MF https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 676 6 Discordo dessa tese de defesa. Primeiro porque entendo que o instituto da postergação, adotado na legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas, consubstanciado no artigo 273 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/199, RIR/99, que tem por matriz legal o artigo 6º, §5º, do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, é de trato contábil, referindo-se à postergação do pagamento imposto em razão da inobservância do regime de competência contábil, devido a inexatidão quanto ao período de apuração de receitas, rendimentos, custo ou dedução ou do reconhecimento de lucro, ou seja, opera-se antes da apuração do resultado do exercício, cujo lucro líquido será o ponto de partida para quantificação do lucro real (base de cálculo do IRPJ). Já a demonstração do lucro real, obtido a partir do lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições e exclusões autorizadas pela legislação tributária, é de trato extracontábil, no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, quando então se compensa eventuais prejuízos fiscais acumulados, inexistindo previsão para o tratamento da postergação do pagamento do imposto em virtude de irregularidades cometidas na apuração o lucro real, ao contrário do que ocorre com eventual inobservância do regime de competência contábil, devido a inexatidões quanto ao período de apuração de escrituração de receitas, custos e despesas. Em segundo lugar, a fiscalização circunscreveu-se ao ano- calendário de 1995, não estando o fisco obrigado a ampliá-la para exercício futuros com vistas a identificar eventual postergação no pagamento do imposto. É um direito e um dever da contribuinte, uma vez autuada em determinado exercício financeiro, identificar e verificar eventuais repercussões da autuação fiscal em relação aos exercícios seguintes, não abrangidos pela fiscalização, e promover os ajustes contábeis e fiscais, extracontábeis, especificamente no LALUR, refazendo as demonstrações do lucro real dos exercícios seguintes e, sendo o caso, promover a retificação das correspondentes declarações de rendimentos perante a Secretaria da Receita federal (...) A postergação, no caso não presente, não é algo que se alega genericamente que ocorreu, mesmo que se demonstre que houve pagamento de imposto de renda no exercício seguinte. É indispensável que seja comprovada e seja providenciada a recomposição do lucro real dos exercícios seguintes, considerando o lucro real de cada período mensal ou anual e o montante do prejuízo fiscal compensável, dentro do limite de 30%, o que demanda també3m a retificação das respectivas declarações de rendimentos em troca das já apresentadas pela contribuinte (....) Esse argumento de defesa, ao par de representar uma confirmação da irregularidade autuada, traz em seu bojo o vício Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 677 7 de tornar letra morta a legislação fiscal disciplinadora do limite para a compensação de prejuízos fiscais, na medida em que, para elidir a exigência fiscal, bastaria a contribuinte alegar, genericamente, que houve mera postergação do pagamento do imposto, sem efetuar as demonstrações, comprovações e controles típicos das declarações de rendimentos retificadoras. VOTO VENCEDOR De plano, destaco, especialmente, o parágrafo 4º do artigo 6º, do Decreto-lei nº 1.598, de 1977 (...) Advirto para o fato de que a fiscalizada tomou ciência do lançamento em janeiro de 31.01.2000, quando já estavam disponíveis ao Fisco as informações sobre os fatos geradores correspondentes ao intervalo entre 1996 e 1998. Nestes termos, poderia o autuante verificar se houve recolhimento do IRPJ posteriores a 1995, com o fim de calcular as postergações referentes ao ano-calendário retratado na autuação, levando em consideração a antecipação da compensação do prejuízo fiscal, que só poderia ser compensado futuramente. A existência e débitos relativos a fatos geradores ocorridos em 1996 está visível no “Demonstrativo de Consolidação para Pagamento Parcelado – processo nº 10283.005259/97-31”, à fl. 266, onde está consolidado o IRPJ decorrente dos fatos geradores compreendidos entre maio e novembro de 1996 (...) Também merece realce o quadro “Demonstrativo de Prestações em Atraso e a Vencer dos Parcelamentos Relacionados Acima”, à fl. 281, no qual se revela que o parcelamento referido foi integralmente pago (...) Como relatado, são indubitáveis os recolhimentos ocorridos em 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000, todos relativos ao ano- calendário de 1996, efetuados, todavia, antes da data da ciência do lançamento de ofício. (...) Em suma, estou convencido de que o Fisco deveria ter procedido ao cálculo dos recolhimentos postergados, já que há provas de pagamento posteriores a 1995. EM outras palavras, entendo que o lançamento de ofício do IRPJ está eivado de equívocos, com a cobrança de valores já recolhidos, ainda que posteriormente ao prazo legal, razão por que DOU provimento ao recurso voluntário. O primeiro paradigma, portanto, analisou recolhimentos de ano posterior (1996), concluindo pelo equívoco do lançamento em não considerar os efeitos da postergação, diante das informações (detidas pelo auditor fiscal autuante) de pagamentos posteriores de IRPJ (103-22388). Com relação a este primeiro paradigma, entendo que há similitude fática, eis que ambos os casos tratam de lançamento de IRPJ por conta de compensação acima dos Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 678 8 30%, sem que os auditores fiscais tenham aplicado os efeitos da postergação. Assim, afasto a alegação do contribuinte sobre falta de similitude fática. Não é exigida identidade, mas apenas similitude, que entendo presente. Não obstante a presença de similitude fática, o voto condutor acórdão paradigma (103-2288) manifestou entendimento sobre a existência de postergação, diante da informação (detida pelo auditor fiscal) de pagamento de IRPJ em ano posterior (1996). De outro lado, o acórdão recorrido não avaliou eventuais pagamentos, apenas decidindo que caberia ao auditor fiscal autuante o dever de lançar com os efeitos da postergação, na forma do Parecer Normativo nº 2/1996. (...) Por outro lado, existe a figura da postergação do Imposto de Renda, no termos do artigo 219 do Decreto no 1.041/94 — Regulamento do Imposto de Renda, que prevê: (...) Quando da ocorrência da postergação do imposto de renda, o oferecimento tributação das parcelas postergadas, de forma espontânea, por parte do contribuinte, ou mesmo em procedimento de oficio, deve obedecer aos ditames dos parágrafos 1° e 2° do citado artigo 219 do mesmo regulamento: O Parecer Normativo n° 02, de 28 de agosto de 1996, destinou- se a normatizar o procedimento da fiscalização no caso da constatação da inobservância do regime de apuração do imposto. Como visto acima, a autoridade fiscal, quando se deparar com as situações elencadas, ou seja, ao constatar que o contribuinte possui prejuízo fiscal compensável ou base de cálculo negativa da contribuição social, e, tendo deixado de observar o regime de reconhecimento das receitas e despesas, deve tomar as medidas necessárias para a devida aplicação da justiça fiscal, isto é, deve proceder de oficio a compensação de prejuízos, para o perfeito atendimento dos fundamentos propostos pelo PN 02/96. O procedimento fiscal ora em exame não observou os objetivos emanados pelo citado Parecer Normativo pois, inexistindo prazo para a compensação dos prejuízos fiscais, pode o mesmo ser compensado em qualquer época, até mesmo pode-se dizer que o prazo de compensação dura enquanto durar a atividade e existência da empresa. No caso dos autos, a contribuinte efetuou a compensação integral dos prejuízos fiscais existentes no ano-calendário de 1996, os quais foram aceitos pela fiscalização, até o limite de 30%, sendo glosadas as parcelas superiores a esse limite. (...) Entendo que, efetivamente a empresa não poderia ter realizado a compensação em valor superior ao limite estabelecido pela Lei nº 8.981/95, porém, o procedimento adotado pela fiscalização não se coaduna com a melhor forma de aplicação da justiça fiscal, pois é evidente que a irregularidade cometida pela Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 679 9 recorrente trata-se de caso típico de postergação do Imposto de Renda. A situação fática relatada por ambos os processos é similar, considerando que ambos os acórdãos tratam de lançamento decorrente da glosa superior ao limite de 30%, sem que este lançamento tenha aplicado efeitos da postergação e Parecer Normativo. A distinção existente entre a situação fática analisada (falta da análise de eventuais pagamentos nos anos subsequentes no acórdão recorrido), não afasta a necessidade de pronunciamento desta Turma da CSRF sobre as normas que regem a postergação e, assim, dirimir eventual divergência na interpretação da lei tributária. Até porque a análise desta prova decorre da interpretação da mesma norma tributária. Ocorre que o acórdão 103-2288 foi reformado pela CSRF, por meio do segundo acórdão identificado como paradigma (CSRF 01-06.055). Portanto, entendo que o acórdão 103-2288 (primeiro paradigma) não é hábil à demonstração da divergência, considerando o artigo 67, §10, do Regimento Interno do CARF vigente ao tempo da interposição do recurso especial (Portaria MF 256/2009). O RICARF previa em seu artigo 67, §10: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. De acordo com o citado §10, bastava que a tese tivesse sido superada para que o acórdão paradigma não fosse apto à demonstração de divergência, “independentemente da reforma específica do paradigma indicado”. Ora, havendo a reforma do acórdão paradigma, é evidente que a tese deste (paradigma) foi superado pela CSRF. Assim, este primeiro acórdão paradigma não demonstra a divergência na interpretação da lei tributária. Ressalto que o atual RICARF (Portaria MF 343/2015) é ainda mais claro, prescrevendo que não serve como paradigma o acórdão reformado na data da interposição de recurso: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF (...) § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído pela Portaria MF nº 39, de 2016) A despeito de se aplicar o RICARF anterior (Portaria MF 256/2009), vigente ao tempo da interposição do recurso, o atual RICARF (Portaria MF 343/2015) reforça a Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 680 10 interpretação sobre não ser cabível recurso especial com a superação de tese (de acórdão paradigma) reformado pela CSRF. Assim, não conheço o recurso especial quanto ao primeiro paradigma. Passo à análise do segundo paradigma. Em julgamento de recurso especial, a CSRF decidiu da forma seguinte no segundo acórdão paradigma (CSRF 01-06.055) no mesmo processo administrativo, então tratando especificamente do Parecer Normativo COSIT nº 2/1996 e exigindo a comprovação quanto a todos os anos subsequentes: Nos termos do referido Parecer, devem ser efetuados todos os ajustes e recomposições inerentes à legislação aplicável a ambos os exercícios, inclusive com a correção monetária sobre os valores que integrariam o Património Líquido da empresa, se corretamente contabilizados, deduzindo-se esses montantes da base de cálculo do período subseqüente (item 5.3, letras "d" e "e" do citado parecer). Só depois desses ajustes tornar-se-ia possível quantificar a postergação. Resta saber se, no presente caso, o -22lançamento deveria ter seguido a metodologia prescrita no Parecer Normativo COSIT n° 02/96, ou seja, se o contribuinte comprovou se tratar de mera postergação no pagamento do tributo. Pois bem, o contribuinte efetuou a compensação integral dos prejuízos fiscais existentes em 31/12/1994, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1995, os quais foram aceitos pela fiscalização, até o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, sendo glosadas as parcelas superiores a esse limite. Por outro lado, demonstra que no ano-calendário de 1996 apurou lucro no montante de R$ 68.861,79, sendo que não encontrei nos autos comprovação de lucro apurado nos anos- calendário subseqüentes. Quanto aos recolhimentos, o contribuinte de fato anexa aos autos vários recolhimentos, todos referentes ao ano-calendário de 1996. Ocorre que da análise da DIPJ exercício 1997, ano-calendário de 1996, fis.16 (dos autos de IRPJ), constata-se que o contribuinte apurou R$ 212.782,78 à título de lucro antes da compensação de prejuízo. O total do prejuízo corresponde a R$ 251.783,46 (períodobase de 1991 a 1994), somado ao montante de R$ 107.906,78 (período-base do ano-calendário de 1995). Assim, após a compensação integral efetuada no ano-calendário de 1996, ainda restou prejuízo no montante de R$ 146.907,46. Do exposto, depreende-se que a comprovação efetuada pelo contribuinte, relativamente ao lucro auferido e respectivos pagamentos para o ano-calendário de 1996, não é suficiente a demonstrar que a utilização antecipada de prejuízo fiscal pelo contribuinte só causou os efeitos da mora. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 681 11 Se não vislumbrada, in casu, hipótese de postergação, deve ser reformada a decisão recorrida. Neste caso, havendo similitude fática, já tratada anteriormente – por se tratar do mesmo processo administrativo do primeiro paradigma - , é mais evidente a divergência na interpretação da lei tributária. Ambos os acórdãos (recorrido e o segundo paradigma), tratam da postergação, na forma do artigo 6º, e parágrafos do Decreto-lei nº 1.598/1972, reproduzido em Regulamento do Imposto de Renda. Enquanto a Turma prolatora do acórdão recorrido entendeu que caberia à fiscalização “tomar as medidas necessárias para a devida aplicação da justiça fiscal, isto é, deve proceder de oficio a compensação de prejuízos, para o perfeito atendimento dos fundamentos propostos pelo PN 02/96.”, o a CSRF no segundo acórdão paradigma entendeu que “a comprovação efetuada pelo contribuinte, relativamente ao lucro auferido e respectivos pagamentos para o ano-calendário de 1996, não é suficiente a demonstrar que a utilização antecipada de prejuízo fiscal pelo contribuinte só causou os efeitos da mora.” Assim, entendo demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária com relação ao segundo paradigma, com o qual o acórdão recorrido guarda similitude fática. Por fim, ainda no conhecimento, rechaço a alegação do contribuinte sobre falta de prequestionamento da matéria. Afinal, o acórdão recorrido interpretou o artigo 6º, do Decreto-lei nº 1.598/1972, concluindo – na interpretação deste dispositivo – de forma distinta do segundo acórdão paradigma. A matéria, portanto, está devidamente prequestionada. Esclareço que, em memoriais, o contribuinte acrescenta que não deveria ser conhecido o recurso especial por força da Súmula CARF 36. No entanto, não é o caso de aplicação da súmula CARF 36, pois o Colegiado a quo não se pronunciou sobre a efetiva comprovação, pelo sujeito passivo, de pagamento do tributo em períodos posteriores. Diante disso, voto por conhecer do recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator designado. Coube-me o voto vencedor no tocante à solução da questão sobre o conhecimento do Recurso Especial fazendário, suscitado pelo recorrido. Percebe-se que a recorrente mencionou a necessidade da prova do pagamento do imposto de renda, nos períodos de apuração subsequentes, para que a compensação em excesso seja considerada postergação de pagamento, só que não soube precisar o dispositivo normativo sobre o qual haveria divergência interpretativa. Aliás, tenha-se em conta, antes de tudo, que os acórdãos recorrido e os paradigmas não divergem sobre a existência da trava de trinta por cento, para a compensação de prejuízos, conforme o artigo 15 da Lei nº 9.065/1995 Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 682 12 (embora o voto condutor do acórdão recorrido tenha feito referência à trava de 30% prevista no artigo 42 da Lei nº 8.981/1995). Aí não há dissídio. Repare-se que o acórdão recorrido relata que “existe a postergação do imposto de Renda, nos termos do artigo 219 do Decreto nº 1.041/96 – Regulamento do Imposto de Renda, que prevê: "a inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento do lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar (Decreto-lei n° 1.598/77, art. 6°, § 5°): I — a postergaçâo do pagamento do imposto para período-base posterior ao em que seria devido; ou a redução do lucro real em qualquer período--base." Adiante, consta também no acórdão recorrido: “[...] o Parecer Normativo n° 02, de 28 de agosto de 1996, destinou-se a normatizar o procedimento da fiscalização no caso da constatação da inobservância do regime de apuração do imposto. Como visto acima, a autoridade fiscal, quando se deparar com as situações elencadas, ou seja, ao constatar que o contribuinte possui prejuízo fiscal compensivel ou base de cálculo negativa da contribuição social, e, tendo deixado de observar o regime de reconhecimento das receitas e despesas, deve tomar as medidas necessárias para a devida aplicação da justiça fiscal, isto é, deve proceder de oficio a compensação de prejuízos, para o perfeito atendimento dos fundamentos propostos pelo PN 02/96.” Cabe anotar o seguinte trecho do aludido Parecer Normativo nº 2/1996, para explicitar o que importa ao conhecimento do presente Recurso Especial: “5. No que se refere à postergação do pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo, despesa, inclusive em contrapartida a conta de provisão, dedução ou do reconhecimento de lucro, determinações de natureza semelhantes vigem desde 1977, com o Decreto-lei nº 1.598, de 26 de dezembro daquele ano, de onde se transcreve: "Art. 6º............................................ ................................................... § 4º Os valores que, por competirem a outro período-base, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou de reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; (grifei) b) redução indevida do lucro real em qualquer período-base. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período-base de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 683 13 outro período-base a que o contribuinte tiver direito em decorrência de aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência." (os grifos são nossos) 5.1 - O art. 6º, de onde foram transcritos estes parágrafos, trata, em seu todo, de definir o que é o lucro real e de estabelecer os critérios para a sua correta determinação, seja pelo contribuinte, seja pelo fisco, como, aliás, esta Coordenação- Geral já se manifestou por intermédio do referido Parecer Normativo CST nº 57/79. 5.2 - O § 4º, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao período-base de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao período-base indevido e adicioná-la ao lucro líquido do período-base competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do período-base indevido e excluí-lo do lucro líquido do período-base de competência. 5.3 - Chama-se a atenção para a letra da lei: o comando é para se ajustar o lucro líquido, que será o ponto de partida para a determinação do lucro real; não se trata, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro líquido do exercício, na forma do subitem 5.2. Dessa forma, constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição social, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) tratando-se de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do lucro líquido do período-base em houver sido reconhecido e adicioná-lo ao lucro líquido do período-base de competência; b) tratando-se de custo ou despesa antecipada: adicionar o seu montante ao lucro líquido do período-base em que houver ocorrido a dedução e excluí-lo do lucro líquido do período-base de competência; c) apurar o lucro real correto, correspondente ao período-base do início do prazo de postergação e a respectiva diferença de imposto, inclusive adicional, e de contribuição social sobre o lucro líquido; d) efetuar a correção monetária dos valores acrescidos ao lucro líquido correspondente ao período-base do início do prazo de postergação, bem assim dos valores das diferenças do imposto e da contribuição social, considerando seus efeitos em cada balanço de encerramento de período-base subseqüente, até o período-base de término da postergação; e) deduzir, do lucro líquido de cada período-base subseqüente, inclusive o de término da postergação, o valor correspondente à correção monetária dos valores mencionados na alínea anterior; f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social, corretos, correspondentes a cada período-base, inclusive o de término da postergação, considerando os efeitos de todos os ajustes procedidos, inclusive o da correção monetária, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido; Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 684 14 g) apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido. 6. O § 5º, transcrito no item 5, determina que a inexatidão de que se trata, somente constitui fundamento para o lançamento de imposto, diferença de imposto, inclusive adicional, correção monetária e multa se dela resultar postergação do pagamento de imposto para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer período-base. 6.1 - Considera-se postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado período-base, quando efetiva e espontaneamente paga em período-base posterior.” (grifei) Claro está que o Parecer Normativo nº 2/1996 esclarece que a postergação a que se refere o artigo 6º, § 5º, alínea “a”, do Decreto-lei nº 1.598/1977 (ou a que se referia o revogado artigo 219, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041/1994) é “a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado período- base, quando efetiva e espontaneamente paga em período-base posterior.” Chama a atenção o fato de que, a despeito de se referir ao Parecer Normativo nº 2/1996, o acórdão recorrido não o seguiu, já que não se pautou pela exigência de comprovação do efetivo pagamento do imposto pago em período-base posterior. No entanto, o Recurso Especial fazendário não traçou uma linha sequer para apontar o papel central do artigo 6º, § 5º, do Decreto-lei nº 1.598/1977 (ou do artigo 219, inciso I, do RIR/94), no acórdão recorrido, como também não expôs, de maneira transparente, onde a divergência interpretativa mostrar-se-ia evidente, cotejando o acórdão recorrido com os paradigmas, em face de tal dispositivo normativo. A esse respeito, a PGFN limitou-se simplesmente a reproduzir as ementas dos acórdãos ofertados como paradigmas, que não fazem menção ao antedito artigo 6º, § 5º, do Decreto-lei nº 1.598/1977. Repare-se: " IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS SUPERIOR AO LIMITE DE 30%. HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO. A compensação de prejuízos em montante superior ao limite de 30%, de que trata o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995, resulta em postergação do recolhimento do tributo calculado no período em que se ultrapassou a trava legal, se restar comprovada a ocorrência de pagamentos efetuados em períodos de apuração subseqüentes." (acórdão nº 103-22388) "IRPJ - TRAVA PARA APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS - CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A inobservância da trava geral hipótese de postergação quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subseqüentes. Se não demonstrada a postergação, mantém-se a exigência fiscal. Recurso especial provido." (acórdão CSRF 01/06-055) Em outras palavras, carece o Recurso Especial da demonstração analítica da divergência, pois sequer soube indicar a legislação tributária interpretada de forma divergente, motivo por que não conheço do Recurso Especial fazendário, com base no artigo 67, § 1º, do RICARF- Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 39/2016. É como voto. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13808.006285/2001-38 Acórdão n.º 9101-003.340 CSRF-T1 Fl. 685 15 (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 685DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 13502.001217/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 21 7/ 20 07 -1 1 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13502.001217/200711 Resolução nº 2402000.639 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 158/186) em face do Acórdão n. 15 27.441 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR efls. 144/151 que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 37.054.6989 consolidado em 30/01/2007 e constituído em 30/01/2007 no valor total de R$ 9.432,66 Competências: 03/1995 a 04/1995 (efls. 02/34), com fulcro nas contribuições sociais devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 20 e 22, I, da Lei n. 8.212/91, e naquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), nos termos do art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, todas decorrentes do instituto da responsabilidade tributária, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 64/77. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 64/77), a NFLD DEBCAD n. 37.054.6989, em litígio, substituiu a NFLD DEBCAD n. 35.897.4933, de 30/12/2005, declarada nula pela DecisãoNotificação (DN) n. 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006, em virtude de equívoco no relatório "Fundamentos Legais do Débito". A NFLD DEBCAD n. 35.897.4933, por sua vez, tinha sido lavrada em substituição à NFLD DEBCAD n. 32.615.8367 (processo n. 18050.002253/200853), de 18/12/1998, cientificada à CARAÍBA METAIS em 21/01/1999, anulada por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 2035, de 02/09/2003. O crédito tributário em apreço foi lançado, conforme informado no Relatório Fiscal (efls. 64/77), em virtude da utilização de prestação de serviços remunerados de construção civil realizados por pessoas físicas vinculadas à empresa PAVTEST PAVIMENTAÇÃO TERRAPLANAGEM E ESTUDOS LTDA. CNPJ 15.130.388/000112 entre 03/1995 a 04/1995, havendo por fato gerador da contribuição previdenciária a remuneração aferida através das notas fiscais referentes às atividades de construção civil emitidas pela retrocitada empresa. O lançamento em lide foi efetuado em face da CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 (contribuinte fiscalizado), havendo a empresa PAVTEST PAVIMENTAÇÃO TERRAPLANAGEM E ESTUDOS LTDA. CNPJ 15.130.388/000112 sido qualificada devedor solidário. Irresignado com o lançamento, o contribuinte fiscalizado CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 apresentou a impugnação de efls. 106/125, julgada improcedente pela DRJ/SDR, nos termos do Acórdão n. 1527.441 (efls. 144/151), sumarizado na ementa abaixo transcrita: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13502.001217/200711 Resolução nº 2402000.639 S2C4T2 Fl. 4 3 A Recorrente (CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108) foi cientificada do teor do Acórdão n. 1527.441 (efls. 144/151) em 21/09/2011 (efls. 155 e 225), e apresentou, em 21/10/2011 (efl. 190), o Recurso Voluntário de efls. 158/186, tempestivo, portanto, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos que nortearam a impugnação de efls. 106/125. A empresa PAVTEST PAVIMENTAÇÃO TERRAPLANAGEM E ESTUDOS LTDA. CNPJ 15.130.388/000112 (devedor solidário), foi igualmente notificada (efl. 156), mas não compareceu aos autos. A pessoa jurídica PARANAPANEMA S/A, sucessora por incorporação universal de CARAÍBA METAIS S/A, atravessou petição às efls. 229/233 requerendo o julgamento de todos os recursos voluntários da empresa sucedida em uma só assentada, e, às e fls. 253/258, reitera o recurso voluntário de efls. 158/186, inclusive julgamento com urgência. É relevante destacar que não constam dos autos a NFLD DEBCAD n. 35.897.4933 (com o respectivo relatório fiscal); a DecisãoNotificação (DN) n. 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006; a NFLD DEBCAD n. 32.615.8367, de 18/12/1998 (com o respectivo relatório fiscal); e o Acórdão n. 2035, de 02/09/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que decretou a nulidade desta última. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13502.001217/200711 Resolução nº 2402000.639 S2C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 158/186) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, não constam dos autos a NFLD DEBCAD n. 35.897.4933 (com o respectivo relatório fiscal); a DecisãoNotificação (DN) n. 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006; a NFLD DEBCAD n. 32.615.8367, de 18/12/1998 (com o respectivo relatório fiscal), e o Acórdão n. 2035, de 02/09/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Em resumo, considerando a ordem crescente dos fatos: i) A NFLD DEBCAD n. 32.615.8367 foi declarada nula pelo Acórdão n. 2035, de 02/09/2003, do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Ambos documentos não constam dos autos; ii) A NFLD DEBCAD n. 35.897.4933 (que não consta dos autos) substituiu a NFLD DEBCAD n. 32.615.8367; iii) A NFLD DEBCAD n. 35.897.4933 foi declarada nula pela Decisão Notificação (DN) n. 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006 (que não consta dos autos); iv) A NFLD DEBCAD n. 37.054.6989, em apreço, substituiu a NFLD DEBCAD n. 35.897.4933; As peças processuais supra referidas são necessárias à apreciação do Recurso Voluntário (efls. 158/186), uma vez presente arguição de preliminar de decadência pelo recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 158/186) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à autoridade fiscal lançadora, no sentido de juntar aos autos a NFLD DEBCAD n. 35.897.4933 (com o respectivo relatório fiscal); a DecisãoNotificação (DN) n. 04.401.4/0189/2006, de 18/07/2006; a NFLD DEBCAD n. 32.615.8367, de 18/12/1998 (com o respectivo relatório fiscal), e o inteiro teor do Acórdão n. 2035, de 02/09/2003, do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006353/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte).
Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
Numero da decisão: 2201-004.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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Recorrente CARMO TUFFY JOAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 63 53 /2 00 9- 98 Fl. 502DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 503 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 441/465, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 421/435, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 285/296, lavrado em 30/12/2009, decorrente das seguintes infrações: (i) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, relativos aos anoscalendário 2004 e 2005; (ii) Acréscimo Patrimonial a Descoberto relativo ao período de dez/2004; (iii) omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, relativo a fato gerador ocorrido em junho/2005; (iv) omissão de rendimentos, relativos aos anoscalendário 2004 e 2005. A ciência do RECORRENTE ocorreu em 31/12/2009 (fl. 298). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 148.481,76, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício no percentual de 75%. De acordo com o Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal – TVF de fls. 264/268, constatase que o lançamento decorreu da análise da documentação encaminhada pelo RECORRENTE durante a fiscalização (fls. 22/215), conforme as seguintes constatações: Fl. 503DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 504 3 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas (itens i e iv ) Por meio do documento denominado "CONTRATO DE NOVAÇÃO E CONFISSÃO DE DIVIDA", datado de 17/04/2004, e respectivo aditivo, datado de 21/06/2004, constantes das fls. 24/27, firmado entre o contribuinte, na condição de credor, e DMARKET IND. E COM. DE ARTEFATOS PLÁSTICOS LIDA, na condição de devedor, foi verificado possível recebimento de valores pelo fiscalizado, como remuneração/juros decorrente da manutenção do referido crédito. Assim, o contribuinte foi intimado a informar os valores efetivamente recebidos e, em resposta, encaminhou documentação informando ter recebido os seguintes valores (fls. 234/235): O contribuinte fiscalizado informou também, no mesmo documento, o recebimento de R$ 134.000,00 como amortização do principal da dívida, revelando de forma inequívoca que os demais valores não se referem a amortizações, ainda mais quando confrontado com os valores informados na petição e anexos, constante das fls. 34/39, assinados pelo contribuinte e que, segundo o próprio, originou o Processo n.° 2006.0030.62295/50 junto à 21. Vara Civil da Comarca de Fortaleza Diante do Relatado, foram apurados os totais de R$ 121.658,00 e R$ 50.795,27 para os anoscalendário 2004 e 2005, respectivamente, como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, pagos por DMARKET IND. E COM. DE ARTEFATOS PLÁSTICOS LTDA Mediante a análise de DIRFs e comprovantes de rendimentos apresentados pelo RECORRENTE (fls. 146, 150, 151, 153, 250 e 252), foi constatado o seguinte: i. recebimento de rendimentos tributáveis recebidos de TUFFY GASPAROTTI ADVOGADOS ASSOCIADO em 2004 e 2005 equivalentes a RS 3.040,00 e R$ 3.440,00, respectivamente, sem declaração em DAA; ii. recebimento de rendimentos tributáveis recebidos do INSS em 2004 no valor de R$ 14.132,67, sem declaração em DAA; iii. recebimento de rendimentos tributáveis recebidos do INSS em 2005 no valor de R$ 15.454,09, sem declaração em DAA; Os valores das omissões de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas apontados acima estão detalhados na planilha de fl. 269. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 505 4 Ganho de Capital A escritura de venda e compra apresentada pelo RECORRENTE (fls. 42/43), datada de 20/06/2005, registra a venda, por R$ 200.000,00, para MARCELO HENRIQUE GOMES, do item 3 da Declaração de Bens e Direitos do RECORRENTE para os exercícios 2005 e 2006, que consiste em "UM TERRENO LOTE N°06 QUADRA 12 JARDIM MORUMBI COM FRENTE PARA A R. OSCAR DE ALMEIDA MATRICULA N° 19.272 AREA DE 1.134 M2, ADQUIRIDO EM 18/01/1999 DE JAQUES ELUF CPF 045.428.60825 — BRASIL", cujo custo de aquisição informado foi R$ 70.000,00 (fls. 103/105). Esta operação foi confirmada por meio de consulta à Declaração de Operações Imobiliárias – DOI (fls. 258/263) Não sendo informado pelo contribuinte fiscalizado em sua DAA do ano calendário 2005 a referida alienação e nem sendo apresentado ou localizado comprovante de recolhimento referente ao ganho de capital constatado, foi feito o lançamento do valor devido, conforme abaixo: Acréscimo Patrimonial a Descoberto Sobre esse tema, a fiscalização constatou o seguinte: “19) O contribuinte fiscalizado apresentou sua Declaração de Ajuste Anual para o IRPF/2005 com os valores de bens, direitos e obrigações, para o final do período, assim como seus rendimentos, com valores equivalentes a zero. Pela documentação apresentada em atendimento às intimações, em comparação com os valores informados para o inicio do período na Declaração de Ajuste Anual do IRPF/2006, foi possível considerar tais valores como equivalentes ao encerramento do período anterior. 20) Com base na conclusão acima, nos documentos apresentados pelo contribuinte, nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e nos valores apurados como omissões de rendimentos nos itens anteriores, foram elaboradas as Planilhas de Evolução Patrimonial anexas ao presente Termo, tanto para o contribuinte fiscalizado quanto para o seu cônjuge, LUCIA HELENA APARECIDA GASPAROTTI TUFFY JOAO, CPF 954.990.16887. Dessa forma foi apurado no anocalendário 2004 o valor de RS 16.809,91 (já consideradas as sobras de recursos do cônjuge), no mês de dezembro, como acréscimo patrimonial a descoberto, que se junta valor informado na Declaração de Ajuste Anual do fiscalizado, bem como dos demais valores tributáveis apurados no período, para a apuração do imposto devido.” Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 506 5 A planilha de evolução de patrimonial foram acostadas às fls. 270. Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 299/329 em 01/02/2010. A DRJ de origem assim resumiu as razões de defesa do RECORRENTE: “1 – que o procedimento adotado para se intimar o contribuinte implicaria na nulidade da autuação, pois não teria se atendido o princípio do contraditório e da ampla defesa. Pede nova citação para lhe propiciar maior tempo hábil a constituição de sua defesa. 2 – que os tributos aqui lançados estariam sujeitos ao prazo decadencial relativo aos tributos por homologação; tendo sido, pelo menos em parte, lançados quando já se operava a decadência. Ainda que fosse o caso de se aplicar o art.173, inciso I, do CTN, uma vez que a intimação ocorreu apenas em 04/01/2010, teria operado a decadência. 3 – que o valor junto a empresa DMARKET Ind e Com de Artefatos Plásticos Ltda, CNPJ nº 05.058.541/00014 (e ao sócio desta Sérgio Miranda CPF 200.641.95368) teria sido disponibilizado pelo contribuinte a fim de que o este adquirisse quotas da empresa citada; hipótese que não se efetivou. 3.1 – que o valor teria se tornado um empréstimo pessoal para o Sr. Sérgio Miranda e que, portanto, todos os pagamentos seriam devolução de pessoa física, sendo que a maioria dos pagamentos e documentos informariam transferência financeira oriunda de pessoa física. 3.2 – que haveria apenas erro formal de preenchimento da declaração pelo contribuinte. 4 – Pede pelo reconhecimento da denúncia espontânea do art.138 do CTN caso não se entenda da forma descrita acima, pois inexistia no mandado de procedimento fiscal previsão para análise do tema que somente foi lançado após a manifestação do contribuinte. 5 – Pede pela aplicação da denúncia espontânea com relação ao lançamento relativo ao Ganho de Capital pelas mesmas razões que constam no item 4. 6 – Alega que o Acréscimo Patrimonial a Descoberto estaria desvirtuado da realidade e que seriam refutados por laudo contábil a ser apresentado em tempo hábil, pedindo pela juntada ulterior. 7 – transcreve doutrina e jurisprudência.” Fl. 506DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 507 6 Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo/SP julgou procedente em parte o lançamento (fls. 421/435). O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte, caracterizando omissão de rendimentos, evidenciado por análise em que se cotejaram as aplicações realizadas com os recursos disponíveis no mesmo período, só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. OMISSÃO DE RENDIMENTO. Os rendimentos tributáveis omitidos devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. GANHO DE CAPITAL. VENDA DE IMÓVEL. Está sujeita à apuração de Ganho de Capital a operação que importe em alienação, a qualquer título, de bens e direito. O Ganho de Capital incidirá sobre a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do bem alienado. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos nos termos do art.173, I do CTN. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O Recurso Voluntário Fl. 507DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 508 7 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 31/07/2014, conforme atestado de ciente à fl. 439, apresentou o recurso voluntário de fls. 441/465 em 28/08/2014. Em suas razões, reitera o alegado na Impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINARES Nulidade da intimação O RECORRENTE afirma que a notificação do auto de infração foi encaminhada durante as festividades de fim de ano, e recebida pelo porteiro que o entregou a correspondência apenas em 04/01/2010. Assim, entendeu que não foi preservado o princípio do contraditório e ampla defesa, devendo ser concedido novo prazo para defesa. Contudo, o pedido do RECORRENTE não possui respaldo legal. De acordo com o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, a intimação do contribuinte poderá ser pessoal, por via postal ou eletrônica, sem benefício de ordem. Quando for postal, a correspondência será entregue ao domicílio fiscal eleito pelo contribuinte: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 509 8 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária;” Sendo assim, considerase intimado o contribuinte quando da data do recebimento da notificação enviada pela administração tributária para o seu domicílio fiscal, não necessitando que a correspondência seja recebida pelo próprio contribuinte. Neste sentido, transcrevo ementa de julgado do CARF: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 CITAÇÃO POR VIA POSTAL É válida e eficaz a intimação que chega ao endereço do domicilio tributário do sujeito passivo, ainda que tenha sido recebida pelo porteiro do prédio e, posteriormente, repassada ao interessado. Embargos acolhidos.” (acórdão 220100.414; 23/09/2009) Portanto, são insubsistentes as alegações do RECORRENTE. Decadência Afirma que, seja pela regra do art. 150, §4º, ou pela do art. 173, I, ambos do CTN, houve decadência dos créditos relativos ao período de 2004 (omissão de rendimentos e APD), uma vez que somente foi intimado do auto de infração em 04/01/2010. Primeiramente, é preciso esclarecer que o RECORRENTE foi intimado em 31/12/2009, conforme AR de fl. 298, e não em 04/01/2010, como alega. Conforme já exposto, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, na data do recebimento da notificação via postal. Quanto à suposta decadência, é preciso esclarecer que o fato gerador do IRPF é complexivo. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 510 9 possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...)” (acórdão nº 2402005.594; 19/01/2017) No caso concreto, o lançamento de créditos sujeitos ao ajuste anual (APD e omissão de rendimentos) engloba o período de janeiro/2004 a dezembro/2012. Ou seja, o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/2004. Mesmo aplicandose a regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN (05 anos a partir do fato gerador), por ser mais benéfica ao contribuinte, tem se que o lançamento poderia ser realizado até 31/12/2009, exatamente a data da intimação do RECORRENTE. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência dos fatos geradores e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. Esclarecimentos Antes de adentrar no mérito, é preciso esclarecer que o lançamento não decorreu de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários a descoberto. Sendo assim, as alegações de defesa apresentas acerca do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e sobre os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais que envolvem o tema “lançamento sobre extratos bancários” não guardam relação com o presente caso, haja vista que a omissão apontada pela fiscalização decorre de documentos e afirmações prestadas pelo RECORRENTE (contratos, Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, comprovante de rendimentos, etc.). MÉRITO Omissão de Rendimentos Sobre este tema, transcrevo abaixo trecho da defesa apresentada pelo RECORRENTE (fls. 453/454): Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 511 10 “Conforme constante de sua declaração realizou empréstimo 6. SERGIO MIRANDA, inscrito no CPF/MF sob o n. 200.641.953 68, sendo este sócio da empresa Dmarket Ind. e Com. De Artefatos Plásticos Ltda. De CNPJ/MF sob o n. 05.058.541/000194, valor este que seria destinado ao adiantamento de pagamento de aquisição de quotas da empresa descrita, transferência esta que não veio ser efetivada sendo que alguns valores ainda não pagos foram convertidos em empréstimos face a necessidade do Sr. Sérgio. Em correspondência encaminhada ao Fiscal, informou que todos os valores que vieram a ser declinados no auto foram objeto de amortização de principal da dívida pactuada, sendo que os valores vieram a ser pagos através de valores que tiveram sua saída financeira NA SUA MAIORIA DA PESSOA FÍSICA do sócio a quem veio a realizar o empréstimo E SOMENTE UM DEPOSITO DA EMPRESA Dmarket Ind. e Com. De Artefatos Plásticos Ltda. De CNPJ/MF sob o n. 05.058.541/000194. Logo todos os valores ajustados no auto são lastreados através de pagamentos e documentos que confirmam o empréstimo informado em declaração de Renda de 2004, ALÉM DO QUE SEQUER SAO CONSIDERADOS RENDAS OU RECEITAS DE 11, PESSOAS JURÍDICAS SENDO SOMENTE DE DEVOLUÇÕES DE ADIANTAMENTO DE PESSOA FÍSICA.” O fato acima narrado ensejou a omissão de rendimentos apontada no item 004 do auto de infração (fl. 295). No TVF, a autoridade fiscal afirma que tais valores teriam sido recebidos pelo RECORRENTE como remuneração/juros decorrente da manutenção do crédito oriundo de “CONTRATO DE NOVAÇÃO E CONFISSÃO DE DIVIDA” firmado com a DMARKET IND. E COM. DE ARTEFATOS PLÁSTICOS LIDA (fls. 24/27). Após intimar o contribuinte para informar os valores recebidos, o mesmo apresentou o documento de fls. 234/235 apontando valores e datas. No entanto, ao contrário do que entendeu a fiscalização, entendo que os mencionados valores são relativos a amortização do crédito que o contribuinte possuía em decorrência do mencionado contrato firmado com a DMARKET. A confusão causada talvez decorra do fato de que o RECORRENTE, ao listar as datas e valores recebidos, informou em relação ao último valor da lista (R$ 134.000,00) que se tratava de “amortização de principal, conforme consta em minha DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL COMPLET DO EXECRCÍCIO 2006 ANO CALENDÁRIO 2005”. Colaciona a informação do contribuinte: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 512 11 Assim, a autoridade fiscal entendeu que apenas este último valor de R$ 134.000,00 se referia à amortização da dívida, e que os outros valores (R$ 121.658,00 e R$ 50.795,27, para os anoscalendário 2004 e 2005, respectivamente) seriam omissão de rendimentos recebidos da DMARKET. Inferese que a autoridade lançadora tratou o valor de R$ 134.000,00 como amortização da dívida, por isso tributou apenas os demais valores, que seriam rendimentos decorrentes do contrato. Contudo, é preciso observar que o contrato foi firmado em abril/2004, ao passo que os pagamentos foram recebidos pelo contribuinte ao longo de 2004 e 2005. Sendo assim, não é crível que em tão curto espaço de tempo o crédito do contribuinte decorrente do mencionado contrato teria gerado juros da ordem de R$ 170.000,00 enquanto a amortização do principal foi de apenas R$ 134.000,00 no mesmo período. S.m.j., a informação prestada pelo contribuinte ao lado do valor de R$ 134.000,00 (que se tratava de “amortização de principal, conforme consta em minha DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL COMPLET DO EXECRCÍCIO 2006 ANO CALENDÁRIO 2005”) se refere a todos os valores por ele indicados, e não só ao último valor da lista. Não há dúvidas que o contribuinte é credor da DMARKET por ter emprestado a esta determinada quantia. Tanto que, ante o não pagamento dos valores, o RECORRENTE executou o referido contrato perante a 21ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza (processo n° 2006.0030.62295/50 – fls. 222/227). Através da documentação acostada aos autos, não se pode ter certeza de que os valores pagos pela DMARKET são rendimentos do RECORRENTE, sendo mais plausível que se tratem de amortização de crédito que o contribuinte possuía em decorrência de contrato firmado com a devedora. Portanto, entendo que deve ser afastado o lançamento relativo ao item 004 do auto de infração. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 513 12 Ganho de Capital – Denúncia Espontânea O RECORRENTE requereu fosse aplicado os benefícios da denúncia espontânea ao caso concreto, nos termos do art. 138 do CTN. Contudo, não há como acatar tal pleito. A denúncia espontânea ocorre quando o contribuinte apura crédito tributário ou corrige o ato antes de iniciado qualquer procedimento instaurado pelo Fisco. No entanto, no presente caso, o contribuinte apenas prestou os esclarecimentos e apresentou documentos à autoridade fiscal. Esta, munida das informações, efetuou o lançamento do crédito. Não houve qualquer apuração, correção de declararão ou pagamento de tributo antes do lançamento. O ato de o fiscal efetuar o lançamento com base nas informações colhidas do contribuinte não caracteriza a denúncia espontânea. Sendo assim, não pode ser acolhido o pleito do RECORRENTE. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Afirmou, basicamente, que a origem do APD foi determinada por erro de preenchimento da declaração. Contudo, deixa de apresentar qual seria esse erro. Desse modo, não há como fazer alterações no lançamento, pois a autoridade fiscal elaborou a planilha de evolução patrimonial (fl. 270) contendo todas as origens e despesas relativas ao anocalendário 2004 (fls. 271/284). Deste modo, foi verificado acréscimo patrimonial a descoberto no mês de dezembro/2004, no valor de R$ 16.809,81, tendo sido lavrado o imposto de renda sobre os respectivos valores, sujeito à tabela progressiva anual. O RECORRENTE, em nenhum momento de sua defesa, apresenta comprovação de recebimento de quaisquer rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, como forma de comprovar recebimento de recursos/origens que pudessem justificar o acréscimo patrimonial identificado. Considerando os sinais exteriores de riqueza, a autoridade realizou o lançamento com base no art. 55, XIII, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art.55. São também tributáveis: XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; O entendimento firme deste CARF é no sentido de que o lançamento de imposto de renda com base na presunção de omissão de rendimentos, com base no acréscimo patrimonial a descoberto, é possível quando a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 514 13 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Recurso negado. (processo nº 11543.000484/200165; 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 14/05/2014) Portanto, entendo que deve ser mantido o lançamento do imposto de renda relativo ao APD apurado. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de cancelar o lançamento relativo aos rendimentos recebidos da DMARKET IND. E COM. DE ARTEFATOS PLÁSTICOS LIDA. (item 004 do Auto de Infração). (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 514DF CARF MF Processo nº 19515.006353/200998 Acórdão n.º 2201004.143 S2C2T1 Fl. 515 14 Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001145/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL
Verificado erro material sanável, necessário dar provimento aos embargos de declaração sem efeito infringente.
Numero da decisão: 2201-004.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a decisão atacada, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 06/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ERRO MATERIAL Verificado erro material sanável, necessário dar provimento aos embargos de declaração sem efeito infringente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a decisão atacada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 06/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 45 /2 00 8- 11 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 2201004.151 S2C2T1 Fl. 918 2 Relatório 1 Tratase de embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda de fls. 908/909 opostos em face do V. Acórdão 1101003.298 fls. 01/08 j. em 10/06/2011 pela extinta 2ª Turma da 1ª Câmara dessa 2ª Seção que negou provimento ao recurso de ofício e não conheceu do recurso voluntário interposto pelo contribuinte em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA. RECOLHIMENTO AO FUNDO ESPECIAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Na apuração de infração de omissão de emolumentos recebidos por serventuários da Justiça são dedutíveis, a título de despesas escrituradas em livrocaixa, as quantias recolhidas ao Fundo Especial do Tribunal de Justiça. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. RO Negado e RV Não Conhecido Fl. 918DF CARF MF Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 2201004.151 S2C2T1 Fl. 919 3 2 – Os embargos foram opostos para sanar erro material, recebidos através da decisão da Presidência dessa 2ª Seção às fls. 914/916 assim indicado: “Requer a embargante, nos termos do art. 66 do RICARF, a correção de inexatidão material contida no acórdão n.º 210201.379. Segundo a embargante, no trecho abaixo indicado do acórdão embargado, houve erro material: Voto Conselheira Núbia Matos Moura Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte para: (i) reduzir a infração de omissão de emolumentos de tabelião de R$ 2.486.897,45 para R$ 911.454,58; (ii) reduzir a multa isolada para R$ 342.966,57 e (iii) reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de emolumentos de tabelião de 150% para 75%. (destaques da embargante) Conforme decidido pela DRJ de origem, a infração relativa à omissão de emolumentos de tabelião foi reduzida de R$2.486.897,45, para o valor de R$1.575.442,87 (o valor da redução é que foi no valor de R$911.454,58) e, por sua vez, a multa isolada foi reduzida de R$ 342.966,57 para R$ 217.641,64. (grifo da embargante). Destaca trecho da decisão da DRJ: Fl. 919DF CARF MF Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 2201004.151 S2C2T1 Fl. 920 4 ‘Assim, do montante de rendimentos lançados como omitidos (R$2.486.897,45), há de se deduzir as despesas no valor de R$911.454,58, perfazendo o valor de R$1.575.442,87 a ser mantido como omissão de rendimentos na infração nº 1 da descrição dos fatos (fls. 562/563).’ (destaques da embargante) Nesses termos, a Fazenda Nacional requer que sejam realizadas as retificações acima indicadas e demonstradas. É o breve relato. Passo ao exame. Considerando que se trata de embargos opostos contra decisão por colegiado extinto, analiso sua admissibilidade, na qualidade de Presidente da Seção a qual o referido colegiado estava subordinado. Com relação ao erro material, de fato assiste razão à Embargante. Realmente, compulsando os autos, especialmente no trecho do voto que analisa o Recurso de Ofício, ao qual foi negado provimento, constatase a inexatidão material devida a lapso manifesto apontada pela Fazenda Nacional. Diante do exposto, devese acolher os Embargos Inominados e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pela Procuradoria da Fazenda Nacional.” 3 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 2201004.151 S2C2T1 Fl. 921 5 5 – Com razão o embargante uma vez que de fato houve mero erro material quando da formalização do V. Acórdão pela Conselheira Relatora na época. 6 – Após analise da decisão da DRJ de fls. 795/807 verificase que realmente houve o imputado erro material e nesse sentido necessário o recebimento do recurso para a retificação do V. Acórdão, para fazer parte integrante e modificativo do V. Acórdão o seguinte texto: Onde se lê: Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte para: (i) reduzir a infração de omissão de emolumentos de tabelião de R$ 2.486.897,45 para R$ 911.454,58; (ii) reduzir a multa isolada para R$ 342.966,57 e (iii) reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de emolumentos de tabelião de 150% para 75%. Modificase para: Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte para: (i) reduzir a infração de omissão de emolumentos de tabelião de R$ 2.486.897,45 para R$ R$1.575.442,87; (ii) reduzir a multa isolada para R$ Fl. 921DF CARF MF Processo nº 18471.001145/200811 Acórdão n.º 2201004.151 S2C2T1 Fl. 922 6 R$217.641,64 e (iii) reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de emolumentos de tabelião de 150% para 75%. Conclusão 7 Diante do exposto, conheço e recebo os embargos para corrigir o erro material existente acima indicado na fundamentação. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 922DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.726429/2015-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO.
Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico.
Numero da decisão: 9101-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação da matéria relacionada aos juros de mora sobre multa de ofício, constante do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação da matéria relacionada aos juros de mora sobre multa de ofício, constante do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 64 29 /2 01 5- 99 Fl. 1718DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL relacionado à amortização de ágio, nos anos de 2010, 2011 e 2012, com aplicação de multa de 75%. As infrações são descritas no Relatório de Ação Fiscal (fls. 1030): V – Conclusão (...) Após a descrição minuciosa das operações que envolveram o ágio amortizado pela fiscalizada, concluiuse que o mesmo é indedutível para fins fiscais, pelos seguintes motivos, em resumo: a) Não se enquadra no conceito de ágio contabilmente e tributariamente aceito, uma vez que além de não ter sido produto de um efetivo desembolso, originouse em operação que envolveu partes interdependentes (incorporação de ações de Bunge Alimentos por Serrana – Bunge Brasil – em 19/12/2001); b) a condição para o atendimento do pressuposto de sua amortização para fins fiscais (art. 386, III, do RIR/99) foi provocada com a introdução de uma empresa veículo, criada excepcionalmente para este fim, em seguida incorporada, numa operação desprovida de qualquer propósito negocial; ao final em existindo ainda a investidora (controladora) Bunge Brasil, bem como a investida (controlada) Bunge Alimentos, não se confirmou o cumprimento do art. 386, III do RIR/99. O contribuinte apresentou impugnação administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte pela manutenção do lançamento (fls. 1251): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ÁGIO. PARTES RELACIONADAS. MINORITÁRIOS. Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. A presença de sócios minoritários diversos não altera a natureza intragrupo do negócio entre controladora e controlada. ÁGIO. AQUISIÇÃO NÃO ONEROSA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. INDEDUTIBILIDADE. Não há possibilidade jurídica da formação de ágio em uma aquisição não onerosa. O pagamento é da essência do ágio. Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 11080.726429/201599 Acórdão n.º 9101003.534 CSRFT1 Fl. 1.719 3 ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO – SPE. Não se confundem Sociedade de Propósito Específico – SPE e empresaveículo. A SPE é pessoa jurídica cujo objetivo é realizar uma atividade econômica materializada em um único empreendimento ou negócio específico. A Empresaveículo não tem por finalidade o exercício de uma atividade econômica, mas viabilizar o planejamento tributário. ÁGIO. INCORPORAÇÃO FICTA. INDEDUTIBILIDADE. A incorporação sem substância econômica que une em uma única sociedade uma pessoa jurídica existente no mundo dos negócios e outra sem existência econômica não é bastante para configurar o requisito legal que autoriza a amortização fiscal do ágio sob pena de fazer letra morta do requisito legal que prevê a necessidade da ocorrência de reorganização societária sob uma de suas formas: incorporação, cisão ou fusão para a amortização fiscal do ágio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ é constituído por uma série de eventos jurídicos, ocorridos ao longo do anobase. Em 31 de dezembro, encerrase a apuração do imposto. Nessa data, ocorre o fato gerador e surge a obrigação tributária. DECADÊNCIA. FATOS PRETÉRITOS. NATUREZA PROBATÓRIA. POSSIBILIDADE. A análise da formação do ágio tem natureza de prova e independentemente da data do fato a que se reporte, está sujeita à livre apreciação pelo fisco que pode efetuar o lançamento com base nela desde que o fato gerador esteja dentro do prazo decadencial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1720DF CARF MF 4 O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1297), alegando: (i) decadência, considerando a data das operações societárias; (ii) validade das amortizações de ágio; (iii) não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho decidiu dar provimento ao recurso especial, rechaçando a alegação de decadência mas acolhendo a legitimidade da amortização do ágio (fls. 1405): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário. Não resta configurada a hipótese de decadência no presente caso. ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. O art. 20 do DecretoLei no 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR/1999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstância da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vínculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 11080.726429/201599 Acórdão n.º 9101003.534 CSRFT1 Fl. 1.720 5 UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 15/05/2017 (fls. 1432), que interpôs recurso especial em 14/06/2017 (fls. 1433). Neste recurso alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da amortização do ágio (interno), constando como paradigmas os acórdãos: (i) 1101000899 (processo administrativo nº 19515.005924/200977) e (iii) 1402001.460 (processo administrativo nº 16561.720026/201113). O recurso especial foi admitido pela Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF (fls. 1660), conforme decisão cujos trechos são colacionados a seguir: No Recurso Especial (REsp) a Fazenda Nacional contesta o julgado valendose de seu entendimento contrário à compreensão colegiada do acórdão recorrido, postulando pela indedutibilidade do ágio interno não pago, amortizado após operação de reestruturação societária (incorporação reversa) com uso de empresaveículo e sem finalidade negocial, sugerindo haver divergência jurisprudencial em relação à interpretação dos artigos 7.º e 8.º da Lei n.º 9.532/97, 385 e 386 do RIR/99, conforme fragmentos abaixo reproduzidos. (...) Objetivamente, a comparação das situações de fato, concretas, tratadas nos acórdãos paradigmas e recorrido resulta ponderar pelo reconhecimento de que as situações envolvidas não são as mesmas, porém, é possível identificar semelhanças nos pronunciamentos relativamente às questões "confusão patrimonial" e "empresa veículo", que, dissociadas dos fatos, podem viabilizar a comprovação da divergência. Os três acórdãos enfrentaram reorganização societária precedida de operação de investimento societário onde houve geração de ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura, utilização de empresa veículo, ausência de efetivo pagamento e de propósito negocial. A seguir a apreciação mais detida dessa semelhança. Na investigação do sentido das ementas e dos votos condutores, constatase que os dois acórdãos paradigma trazem entendimentos diversos do acórdão recorrido. No acórdão paradigma 1101000.899, 1.º paradigma, a posição pela dedutibilidade do ágio decorrente de reavaliação por expectativa de rentabilidade futura é pela possibilidade, quando há extinção da empresa real investidora, adquirente da participação societária que gerou a parcela do ágio amortizado. Concentrando a análise no voto vencedor deste 1.º paradigma, percebese que a discussão e a conclusão passam pela apreciação/valoração dos art.s 7.º e 8.º da Lei n.º 9.532/97, quanto a definir se estes se aplicam a operações de reestruturação societária realizadas com utilização de empresa veículo, configurado o ágio interno, quando não há extinção da empresa adquirente da participação societária. O exame de Fl. 1722DF CARF MF 6 alguns trechos do voto vencedor deste 1.º paradigma, transcrito abaixo, permite verificar melhor a posição deste colegiado. (...) O confronto das situações alvo de julgamento administrativo no 1.º paradigma e no acórdão recorrido revela divergência de intelecção relativamente à interpretação do art. 8.º da Lei n.º 9.532/97, com reflexo na interpretação do art. 7.º da referida Lei. No 1.º acórdão paradigma, 1101000.899, as razões do voto vencedor, em sua leitura das normas citadas, estabelecem que somente a incorporação, fusão ou cisão entre a pessoa jurídica investida (real adquirente) e a pessoa jurídica investidora, adquirente da participação societária, permite amortização de ágio correlacionado à participação societária da real adquirente na investida, por extinção da parcela do investimento correspondente ao ágio, dada a absorção de patrimônio entre as envolvidas na operação de que resultou o ágio. Acrescenta que deve haver constatação efetiva da ocorrência deste formato de reestruturação, descredenciando o uso de empresa veículo que vise a artificializar extinção do investimento societário que gerou o ágio posteriormente amortizado. No acórdão recorrido fica patente a posição pela tolerância à utilização da empresa veículo e pelo entendimento de que os artigos 7.º e 8.º da Lei 9.532/97 não limitam a forma pela qual a reorganização societária possa permitir o proveito da amortização do ágio na hipótese do inciso III do citado art. 7.º. Aponta a decisão recorrida para o reconhecimento da hipótese do dispositivo como direito à dedutibilidade do ágio, ao contrário do paradigma, que pontua pela sua condição de exceção à regra da indedutibilidade. Inferese, portanto, que as situações tratadas nesses acórdãos são similares, tendo sido identificadas conclusões dessemelhantes sobre a questão da confusão patrimonial, com interpretação desigual da legislação tributária aplicável. O acórdão recorrido centrou a discussão na amplitude do conceito da expressão "incorporação" trazida pela lei e o acórdão paradigma levantou outros aspectos pertinentes. Na continuação da exploração das ementas dos acórdãos paradigmas, constatase que o 2.º acórdão paradigma, 1402 001.460, também traz entendimento diverso do acórdão recorrido, mostrandose pela impossibilidade de amortização do ágio decorrente de aquisição de participação societária ligada à perspectiva de rentabilidade futura, quando a operação de reorganização societária envolver incorporação reversa não suportada por motivação negocial ou societária concreta, não houver efetivo pagamento ligado ao surgimento do ágio, for utilizada empresa veículo para manobrar artificialmente a operação de reestruturação, sem propósito econômico, e quando constatada geração de ágio interno, construído dentro do mesmo grupo econômico. (...) Tendo em vista o que foi acima exposto e examinado e, com fundamento nos artigos 18, inc. III, 67 e 68, do Anexo, II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, decido DAR SEGUIMENTO ao Recurso Especial relativamente à interpretação dos artigos 7.º e 8.º da Lei n.º 9.532/97, 385 e 386 do RIR/99. Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 11080.726429/201599 Acórdão n.º 9101003.534 CSRFT1 Fl. 1.721 7 Em 28/04/2017, o contribuinte foi intimado (fls. 1676), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 14/08/2017 (fls. 1678). Em síntese, pede seja negado provimento ao recurso especial, sustentando: (i) a validade da operação, não se tratando de ágio interno; (ii) a inexistência de empresa veículo, confirmandose a validade da operação; É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto a decisão da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial, passando a analisar o seu mérito. Ágio Interno O DecretoLei nº 1.598/1977 delimitava o ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma seguinte ao tempo dos fatos tratados nestes autos: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 1724DF CARF MF 8 § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). A aquisição da participação societária também é referida pelo artigo 7º, caput, da Lei nº 9.532/1997 em redação vigente ao tempo dos fatos dispunha: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 11080.726429/201599 Acórdão n.º 9101003.534 CSRFT1 Fl. 1.722 9 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Os dispositivos (artigo 20, do Decreto 1598/77 e 7º, da Lei nº 9.532/1997, reproduzidos no RIR/99) são claros em exigir: aquisição de participação societária (caput). Pois bem. A aquisição podese dar em contrato de compra e venda, definido da forma seguinte pelo renomado civilista Orlando Gomes: A compra e venda é contrato bilateral, simplesmente consensual, oneroso, comutativo, ou aleatório, de execução instantânea, ou diferida. Fl. 1726DF CARF MF 10 Sua bilateralidade não comporta dúvida. Do acordo de vontades nascem obrigações recíprocas: para o vendedor, fundamentalmente, obrigação de entregar a coisa com o ânimo de transferirlhe a propriedade; para o comprador, a de pagar o preço. A dependência recíproca dessas obrigações e de outras estipuladas em complementação, configura o sinalagma característico dos contratos bilaterais perfeitos. (Contratos, Rio de Janeiro, Forense, 2009, f. 266, Coordenador Edvaldo Brito, atualizadores Antonio Junqueira de Azevedo e Francisco Paulo de Crescenzo Marino) É fundamental ao contrato de compra e venda, conforme lições de Orlando Gomes, a existência de uma obrigação de entregar a coisa com ânimo de transferência da sua propriedade e o pagamento do preço. E a vontade pelas partes – explicitada por indícios tratados no processo deve ser o de pagamento de preço e entrega da coisa para a operação se amoldar ao arquétipo da compra e venda, pois este sinalagma é “característico dos contratos bilaterais perfeitos”. No caso destes autos, não me parece que a vontade das partes fosse a de transferência de participação societária. Nesse sentido, é o Relatório Fiscal (fls. 1030): 2.3. Da origem do ágio amortizado pela fiscalizada Em procedimento fiscal anterior que resultou nos processos administrativos fiscais números 11065.723278/201181 e 11065.723979/201111, a fiscalizada foi questionada a respeito da origem e fundamento econômico do ágio por ela amortizado. Em sua resposta (fls. 402/404), informou que o ágio amortizado resultou na transferência do acervo líquido correspondente aos negócios de ingredientes funcionais de Bunge Alimentos, formalizada em 08/04/2003, quando parte do patrimônio líquido (ativos e passivos) desta foi transferido sob a forma de integralização de capital, incluindo o Ativo Diferido relativo à Reserva de Ágio sobre Investimentos (...). A Reserva de ágio parcialmente transferida por Bunge Alimentos para a fiscalizada teve origem, segundo esta, na reestruturação societária do grupo Bunge, realizada ao longo dos anos calendário de 2001 e 2002, que pode ser assim resumida: a) o ágio teria se formado quando a companhia Serrana S/A (...) incorporou as ações das empresas Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes (...), que continuaram existindo como subsidiárias integrais daquela; b) em seguida a empresa Bunge Brasil (antiga Serrana) constitui duas subsidiárias integrais – Bunge I de Participações S.A. e Bunge II de Participações S.A. (...), transferindo para estas, a título de integralização de capital, a totalidade das participações nas empresas Bunge Fertilizantes e Bunge Alimentos, respectivamente; c) na sequência, as empresas Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes incorporam Bunge II e Bunge I, respectivamente, passando a amortizar o ágio. (...) Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 11080.726429/201599 Acórdão n.º 9101003.534 CSRFT1 Fl. 1.723 11 V – Conclusão (...) Após a descrição minuciosa das operações que envolveram o ágio amortizado pela fiscalizada, concluiuse que o mesmo é indedutível para fins fiscais, pelos seguintes motivos, em resumo: a) Não se enquadra no conceito de ágio contabilmente e tributariamente aceito, uma vez que além de não ter sido produto de um efetivo desembolso, originouse em operação que envolveu partes interdependentes (incorporação de ações de Bunge Alimentos por Serrana – Bunge Brasil – em 19/12/2001); b) a condição para o atendimento do pressuposto de sua amortização para fins fiscais (art. 386, III, do RIR/99) foi provocada com a introdução de uma empresa veículo, criada excepcionalmente para este fim, em seguida incorporada, numa operação desprovida de qualquer propósito negocial; ao final em existindo ainda a investidora (controladora) Bunge Brasil, bem como a investida (controlada) Bunge Alimentos, não se confirmou o cumprimento do art. 386, III do RIR/99. A despeito disso, decidiu a Turma a quo, conforme voto condutor que seria dedutível a despesa com amortização do ágio: Do Ágio Interno e seu Efetivo Pagamento O ponto de partida para as discussões sobre reconhecimento do ágio, deve ser a análise dos dispositivos legais aplicáveis. De outra forma não poderia ser, haja vista estarmos frente ao Direito Tributário Brasileiro que, por sua estreita vinculação à lei, fez supor que mais do que sua atinência ao princípio da legalidade, o mesmo deve observância ao princípio da tipicidade cerrada. No âmbito da legalidade, então, não havia nenhuma restrição ao aproveitamento do ágio em relação a operações efetuadas com partes relacionadas, até o advento da Lei nº 12.973/2014, o que admitia o ágio gerado no mesmo grupo econômico. Nesse aspecto, é importante ressaltar que a oposição ao ágio interno possui raízes vincadas na contabilidade. Isto porque, o ágio, como o mais intangível dos intangíveis, por implicar uma grande dificuldade de mensuração, fez com que a teoria contábil apenas admitisse seu reconhecimento quando decorrente de uma negociação de mercado (“at arm’s lenght”), e não conhecesse daquele ágio avaliado no interior de um grupo econômico. Outrossim, diferentemente do que consta na decisão recorrida, entendo que, o fato de a Lei nº 12.973/2014 proibir, expressamente, a dedutibilidade do goodwill surgido em operações societárias realizadas entre partes dependentes, confirma que, sob a égide da legislação tributária anterior, não era proibida a amortização do ágio gerado entre partes dependentes. (...) Fl. 1728DF CARF MF 12 Desta feita, aqui devese reconhecer o distanciamento entre a teoria contábil e a tributária pois, embora contabilmente o ágio exija uma participação de terceiros, a legislação tributária jamais trouxe semelhante ressalva. Do ponto de vista tributário, o investidor deve, sempre, registrar um ágio que corresponderá, sempre, à diferença positiva entre o valor patrimonial e o preço pago pela participação societária, como exige o art. 20 do DecretoLei 1.598/77, não cabendo ao intérprete distinguir onde a lei não distingue. (...) Conforme a exposição acima transcrita, a “aquisição” presente no art. 385, II, do RIR/99, é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. No caso, a subscrição de ações de uma empresa em outra é uma espécie, isto é, um meio pelo qual se pode adquirir uma empresa, seja por incorporação, cisão ou fusão. Além disso, a legislação acima colacionada exige a presença de um fundamento econômico, e discrimina os possíveis fundamentos para tanto. Portanto, presente qualquer dos fundamentos elencados no dispositivo, a operação caracterizase como onerosa, e o ágio é existente. Não há, como dito alhures, exigência de um pagamento efetuado por terceiros para que se caracterize a onerosidade da operação. Neste ponto, também discordo da decisão de 1ª instância. (...) Da Acepção do Vocábulo Incorporação Outro ponto controvertido entre as alegações da PGFN e Recorrente, reside nas distintas interpretações conferidas ao comando do art. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Isto porque, enquanto a PGFN afirma que não faz sentido permitir amortização quando não há extinção nem do investidor e nem da sociedade investida; o Recorrente, de maneira distinta, assevera que a lei não condiciona, nem implícita nem tacitamente, a amortização fiscal à extinção da pessoa jurídica; o que a lei requer é a união, em um mesmo patrimônio, do ágio com receitas que o justificaram, a fim de haver o devido emparelhamento entre custo e receita, isso podendo ocorrer mesmo que não haja extinção da sociedade. (...) Regressando ao caput do art. 7º, c/c inciso III do mesmo dispositivo, da Lei 9.532/97, temos que “a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão (...) poderá amortizar o valor do ágio (...)”. Como se infere da leitura do dispositivo, o evento incorporação se mostra como um permissivo a amortização, não havendo qualquer distinção do tipo de incorporação apta a ensejar a amortização. Assim, conforme exposto acima, sabese que a lei societária prevê dois tipos de incorporação (de ações e de sociedade). Outrossim, a previsão da lei tributária admite a “incorporação” como permissivo à amortização do valor do ágio, sem fazer qualquer distinção entre os tipos de incorporação presentes na lei 6.404/76 (arts. 227 e 252). Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 11080.726429/201599 Acórdão n.º 9101003.534 CSRFT1 Fl. 1.724 13 Logo, sabese que onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir. Portanto, o entendimento sustentado pela PGFN no sentido de ser possível a amortização do valor do ágio na aquisição do investimento apenas quando este seja extinto mediante incorporação/fusão/cisão, é equivocado. Assim, o ágio formado quando a companhia Serrana S/A incorporou as ações das empresas Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes, as quais continuaram existindo como subsidiárias integrais daquela, consistiu em autêntica incorporação de ações, regulada pelo art. 252 da Lei 6.404/76, e apta a ensejar a amortização fiscal procedida. Do Uso de EmpresaVeículo Por fim, resta solucionar o seguinte questionamento: a incorporação que se utiliza de uma empresaveículo é bastante para autorizar a amortização fiscal do ágio? (...) Pois bem, nesse mérito é importante ressaltar que a inteligência dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 de fato considera a possibilidade de operações de reestruturação societária objetivando a efetiva amortização do ágio apurado. Não há nestes, ou em quaisquer outros dispositivos legais, restrições quanto à forma empregada nas reorganizações, desde que, ressaltase, não haja fraude ou dissimulação. (...) In casu, observase que a empresa Bunge II foi constituída sob a forma de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE, designada unicamente para atender aos interesses societários, entre eles estando o de segregar os ágios obtidos nas aquisições da Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes. Assim, fica evidente que o intuito final da constituição da empresa foi possibilitar a amortização do ágio registrado anteriormente. No entanto, não há dispositivo legal a proibir a sobredita reorganização societária, ou seja, a Lei apenas disciplina a forma como deve se dar a amortização do ágio anteriormente registrado (incorporação, fusão e cisão), contudo, não dispõe sobre as formas admitidas para os negócios jurídicos referidos, e nem cabe à Fiscalização condicionar tais formas. No caso destes autos, também, não há comprovação do nexo de causalidade entre a constituição da empresa veículo e alguma infração tributária. Como o conduto do voto vencedor, adotando sua fundamentação, não vislumbro artificialidade na criação da “empresaveículo” (Bunge II). Também comungo do entendimento do relator do acórdão recorrido sobre a subscrição de ações ser forma de aquisição de empresa. No entanto, o fato das operações terem ocorrido dentro do grupo econômico é um fato a ser considerado. Afinal, se não há operação de compra e venda legítima dentro do próprio grupo econômico, artificialidade devidamente identificada pelo Relatório Fiscal, não é legítima a amortização do ágio. Fl. 1730DF CARF MF 14 O relato do acórdão recorrido atesta que a operação que gerou o ágio ocorreu dentro do Grupo Bunge, tanto que todos as etapas da operação persiste a controladora de todas as empresas envolvidas (Bunge Ltda., fls. 1.416 a 1424). A respeito do ágio interno, destaco considerações de Luis Eduardo Schoueri: O que se condena é a simulação, a mentira, a operação que não existiu na realidade: assim, se não houve preço em uma relação entre partes relacionadas na qual se registrou ágio, tal operação deverá ser desconsiderada. Resta evidente, aí, que não houve uma compra e venda, uma aquisição de participação societária na qual poderia haver o pagamento do ágio. Comprovada a simulação, plenamente justificável e autorizada a desconsideração do planejamento realizado. (Ágio em Reorganizações Societárias – Aspectos Tributários, Dialética, 2012, fl. 112) Pondero que o renomado professor entende que “em princípio, não há, na legislação tributária, qualquer dispositivo que impeça o reconhecimento e a utilização do ágio gerado internamente, entre partes relacionadas”. Não compartilho de tal entendimento, eis que, na maioria das situações – se não em todas , é artificial o ágio gerado intragrupo, vislumbrandose simulação pelas partes contraentes. A jurisprudência desta Turma da CSRF, por maioria à qual me filio, adota entendimento pela impossibilidade de dedução de ágio produzido dentro do grupo econômico, em face de sua artificialidade. De fato, a ausência de partes independentes e desembolso por quem adquire impede a dedutibilidade do ágio. Em que pese a existência de desembolso no caso dos autos, pareceme que a relação entre as empresas envolvidas (todas dentro do grupo) são suficientes para justificar a indedutibilidade da despesa com amortização do ágio. A esse respeito, é o acórdão nº 9101002.550, proferidos por esta Turma e no qual acompanhei o relator a respeito do ágio interno, além de diversos outros julgamentos no mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. (Acórdão 9101002.550) Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial da Procuradoria, reformando o acórdão recorrido. Conclusão Por tais razões, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Procuradoria, reformando o acórdão recorrido. Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 11080.726429/201599 Acórdão n.º 9101003.534 CSRFT1 Fl. 1.725 15 Voto, ainda, pela baixa dos autos à Turma Ordinária para julgamento de tema não apreciado e devidamente tratado em recurso voluntário pelo contribuinte (incidência de juros de mora sobre a multa de ofício). (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1732DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.722318/2013-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO.
A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual.
Numero da decisão: 1001-000.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 23 18 /2 01 3- 03 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13819.722318/201303 Acórdão n.º 1001000.268 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 67 e 80) interposto contra o Acórdão nº 1668.619, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 61 a 64), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Este processo trata de pedido de inclusão no Simples Nacional a partir de 13/09/2012, protocolizado em 21/08/2013 (fls. 2). Tal pedido foi analisado pela DRF/SBC/Seort, que o indeferiu por meio do Despacho Decisório DRF/SBC/SEORT nº 338, de 19/11/2014 (fls. 11 a 12). A autoridade a quo alega que a data de abertura da empresa constante do CNPJ é 13/09/2012, ao passo que a solicitação de opção pelo Simples Nacional foi efetuada em 21/05/2013, ou seja, após o prazo de 180 dias estabelecido no art. 6º, §7º, da Resolução CGSN nº 94/2011. Assim, concluiu pelo indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional. Cientificada do despacho decisório por via postal em 21/11/2014 (fls. 58), a contribuinte apresentou, em 23/12/2014, a manifestação de inconformidade de fls. 15 a 22, acompanhada dos documentos de fls. 23 a 56. Alega que exerce a atividade de fabricação e prestação de serviços de serralheria, exceto esquadrias, atividade que requer a obtenção de licença perante os órgãos de fiscalização e controle ambiental. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13819.722318/201303 Acórdão n.º 1001000.268 S1C0T1 Fl. 4 3 Argumenta que iniciou os trâmites legais para sua constituição com o registro de seu contrato social na Junta Comercial do Estado de São Paulo em 13/09/2012 (fls. 30 a 33). Acrescenta que, em 14/01/2013, obteve sua inscrição perante a Municipalidade de São Bernardo do Campo (fls. 34 e 35), o que possibilitou a formalização de pedido de licença ambiental, tendo sido expedida em 22/04/2013 a licença prévia de instalação e funcionamento (fls. 36 a 38). A recorrente alega que somente depois da concessão da licença ambiental pôde requerer a inscrição estadual e a inscrição no CNPJ, que foram efetivadas em maio/2013 (fls. 39). Ressalta que até então não exerceu nenhuma atividade, visto que sequer possuía inscrição no CNPJ. Sustenta que tanto a Lei Complementar nº 123/2006 quanto a Resolução CGSN nº 94/2011 estabelecem o prazo de 180 dias para opção pelo Simples Nacional contado da inscrição no CNPJ Alega que o despacho decisório que indeferiu o pedido de inclusão no Simples Nacional foi baseado em informação equivocada, visto que considerou a data de 13/09/2012, sendo que, na verdade, a inscrição no CNPJ ocorreu somente em maio/2013. A recorrente também argumenta que iniciou efetivamente suas atividades apenas em julho/2013. Sustenta que, comprovada a existência de erro em seu cadastramento junto ao CNPJ, que ocorreu somente em maio/2013, não há motivo para o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional. Ante o exposto, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, a fim de que seja incluída no Simples Nacional desde a data de seu cadastramento no CNPJ, ou seja, maio/2013." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando a mesma fundamentação jurídica e alegações fáticas já esposadas em primeira instância É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13819.722318/201303 Acórdão n.º 1001000.268 S1C0T1 Fl. 5 4 "(...) A Lei Complementar n° 123/2006, que instituiu o Estatuto Nacional da microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispõe que a opção pelo Simples Nacional darseá na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN. Lei Complementar n° 123/2006: “Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário.” Por sua vez, a Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional n° 94/2011, regulamentou a opção ao Simples Nacional, cujos excertos abaixo transcritos aplicamse ao caso: Resolução CGSN n° 94/2011: “Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) (...) § 5º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º) I a ME ou EPP, após efetuar a inscrição no CNPJ, bem como obter a sua inscrição municipal e, caso exigível, a estadual, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) § 7º A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º)” (g.n.) Portanto, a Resolução estabelece duas condições concomitantes: a opção pelo Simples Nacional deverá ser feita em até 30 dias depois do último deferimento de inscrição estadual ou municipal e não poderá ser feita após decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante no CNPJ. A requerente defende que se deve considerar a data de inscrição no CNPJ como termo inicial de contagem do prazo de 180 dias. No entanto, o art. 6°, § 7° da Resolução CGSN n° 94/2011 é explícito ao informar que a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13819.722318/201303 Acórdão n.º 1001000.268 S1C0T1 Fl. 6 5 empresa estará na condição de optar pelo Simples Nacional como empresa em início de atividade até 180 dias da data de abertura constante do CNPJ, que corresponde à data do registro do contrato social na Junta Comercial, de acordo com o item 1.1.11 do Anexo VIII da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, vigente à época da inscrição da recorrente no CNPJ (maio/2013). No caso, a recorrente registrou seu contrato social na Junta Comercial em 13/09/2012 e solicitou sua inscrição no CNPJ apenas em maio/2013, alegando que seria necessária a obtenção prévia de licença ambiental, que foi expedida em 22/04/2013. Entretanto, cabe observar que a licença ambiental não consta da relação de documentos necessários para a inscrição no CNPJ, a teor do disposto nos artigos 13 a 15 da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, não se justificando a demora em solicitar a inscrição no CNPJ. Sendo 13/09/2012 a data de abertura constante do CNPJ, a solicitação de opção pelo Simples Nacional efetuada em 21/05/2013 (fls. 5) ultrapassou o limite previsto no art. 6°, § 7° da Resolução CGSN n° 94/2011.)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 88DF CARF MF
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