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Numero do processo: 13888.005604/2010-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF 1.
Nos termos da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9202-005.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por concomitância da discussão da matéria nas esferas administrativa e judicial.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF 1. Nos termos da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por concomitância da discussão da matéria nas esferas administrativa e judicial. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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SÚMULA CARF 1. Nos termos da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por concomitância da discussão da matéria nas esferas administrativa e judicial. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra– Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 56 04 /2 01 0- 36 Fl. 551DF CARF MF 2 Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Em procedimento de fiscalização foi constatado que o contribuinte em epígrafe não informou em GFIP todo o valor da base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, bem como sobre valores pagos por serviços médicos prestados por Cooperativas de Trabalho no período de janeiro/2005 a dezembro 2009. Nesse contexto foram lavrados Autos de Infração relativos à obrigação principal (nº 37294.5587 e 37.294.5600). Tendo em vista que a lavratura dos Autos de Infração ocorreu sob a égide da MP 449/08, a retroatividade prevista no artigo 106, II, “c” do CTN foi observada em relação aos períodos anteriores à sua vigência, resultando na cobrança de multas de forma não uniforme para o período. Para o período de janeiro/2005 a dezembro/2005 a multa de 75% (artigo 35 A, Lei 8.212/91) se mostrou mais benéfica, de modo que sua cobrança foi realizada nos mesmos Autos de Infração que constituíram o crédito tributário sobre a obrigação principal. Para o período de janeiro/2006 a novembro/2008, foi lavrado o Auto de Infração que ora se analisa, para exigência de multa por infração à obrigação acessória, com base no artigo 32, IV, §5º, da Lei 8.212/91 anteriormente vigente. Enquanto que nos Autos de Infração relativos à obrigação principal foi lavrada multa de mora de 24%, tendo em vista ser a soma dessas multas mais benéfica ao contribuinte. No curso regular do processo administrativo a Impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada parcialmente procedente, para exclusão das multas relativas às contribuições cobradas sobre os pagamentos à contribuintes individuais, pela não comprovação dos mesmos. Mantevese a autuação em relação aos valores pagos à Cooperativa de Serviços. Tempestivamente, foi interposto o competente Recurso Voluntário pelo Contribuinte. No julgamento do referido Recurso a 3ª, Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamentos deste Tribunal, preliminarmente, declarou a decadência até a competência de 11/2005, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN e determinou que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 (...) PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 9202005.091 CSRFT2 Fl. 552 3 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. (...) CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) declarar a decadência até a competência de 11/2005, inclusive, com base no art. 150,§ 4º, do CTN: (ii) que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, tempestivamente, objetivando discutir a regra para contagem do prazo decadencial, se artigo Fl. 553DF CARF MF 4 173, I, ou 150, § 4º, ambos do CTN, bem como a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. O Contribuinte apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Inicialmente, cabe observar que o contribuinte ingressou com medida judicial, onde lhe foi concedida a antecipação dos efeitos da tutela para afastar a exigibilidade da retenção da contribuição vincenda de 15 % sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados, por intermédio de Cooperativas de Trabalho; bem como suspender a exigibilidade de procedimentos administrativos, dentre os quais o presente (Fls. 454 e seguintes). Nesse contexto, vislumbro aqui que a ação judicial proposta possui o mesmo objeto do presente processo administrativo, o que implica renúncia à instância administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 01, que assim determina: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, voto pelo provimento do Recurso da Fazenda Nacional, para declarar definitividade do crédito tributário, dada a concomitância de discussões na seara judicial e administrativa. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 9202005.091 CSRFT2 Fl. 553 5 Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.720508/2013-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-004.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 05 08 /2 01 3- 43 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 9202004.325 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Trata o presente processo de 02 autos de infração AI, às efls. 110 a 139, consolidados em 18/03/2013 e cientificados ao contribuinte em 26/03/2013, com relatório fiscal às efls. 101 a 104. O objeto dos presentes AI são as contribuições previdenciárias que englobam os créditos com descrição abaixo resumida: DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR 51.036.8042 Contribuição previdenciária descontada do produtor rural segurado especial, referente à aquisição da produção na alíquota de 2% e 0,1%, Lei nº 8.212/1991, art. 25, inc. I e II. 13.643.781,87 51.036.8050 Contribuição destinada a Outras Entidades e Fundos – Terceiros – SENAR, incidente sobre a aquisição da produção rural. 1.299.407,80 TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 14.943.189,67 A cooperativa fiscalizada, impugnou o AI DEBCAD nº 51.036.8042, em 24/04/2013, às efls. 236 a 256, e o AI DEBCAD nº 51.036.8050 em 15/04/2013, às efls. 142 a 157. A 7ª Turma da DRJ/POA não conheceu das impugnações, por unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 1043.848 de 09/05/2013, às efls. 268 a 275, declarando a definitividade do o crédito tributário lançado. A contribuinte, em 18/06/2013, interpôs também recursos voluntários, relativamente ao AI DEBCAD nº 51.036.8042 e nº 51.036.8050, argumentando, em resumo (extraído do relatório do acórdão de recurso voluntário): a) ofensa a coisa julgada, afirmando não haver relação jurídica entre o tributo insculpido no art. 25, I e II, da Lei 8.212/91 e a cooperativa, e sustentou que a ação declaratória oposta perante a Justiça Federal afastou a incidência do FUNRURAL, matéria idêntica a da autuação em fustigo, sendo descabida a contribuição previdenciária para o produtor rural pessoa física. b) que os atos cooperados, diferente dos atos cooperativos, não fazem parte da materialidade do tributo em tela, uma vez que, no primeiro ato, a cooperativa apenas recebe a produção que os cooperados livremente entregam, e que no segundo ato a cooperativa adquire a produção de não cooperados, hipótese que se subsume ao critério material da norma, porém não ocorrida. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 9202004.325 CSRFT2 Fl. 4 3 c) que o art. 25, da Lei 8.212/91, não definiu a hipótese de incidência do contribuição previdenciária, não podendo ensejar a cobrança do tributo, e que, por conta disso, faz jus a crédito tributário, pois realizou pagamentos indevidos à luz do citado dispositivo legal; d) que, nos termos da lei, a compensação dos créditos do FUNRURAL –afastados da relação jurídica, através de decisão judicial transitada em julgado – é perfeitamente válida e possível, lhe sendo dispensado informála nas GFIPs; e) que a exportação da produção rural é ato imune a tributação, afastando a incidência da contribuição previdenciária em destaque, consubstanciando erro grosseiro da Autuação; f) afirmou ser possível compensar os créditos antes do trânsito em julgado da ação judicial, à medida que seus créditos se originaram antes da entrada em vigor do art. 170A, do Codex Tributário, devendo ser aplicada a lei vigente na época do recolhimento indevido ou a maior; g) que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos membros da diretoria, a título de ajuda de custo, por se tratarem de verba de natureza jurídica indenizatória. h) afirmou que, em relação as informações omissas nas GFIPs, a multa aplicada é incabível, tendo em vista que depositava correspondente ao montante integral do tributo, ensejando a nulidade do auto de infração, i) e, por derradeiro, que as multas aplicadas consubstanciam bis in idem, uma vez que a Medida Provisória nº449/08 limitou a aplicação das multas pelo INSS em 20%, mais benigna e, portanto, aplicável ao caso. Com base nessas argumentação, requereu provimento do seu recurso para anular no todo ou em parte o AI DEBCAD nº 51.036.8050, especialmente em razão da existência de decisão judicial definitiva, com a aplicação do art. 62A do Regimento do CARF, bem como a anulação do AI DEBCAD nº 51.036.8042. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 11/02/2015, resultando no acórdão 2302003.635, às efls. 341 a 369, que: com relação às contribuições previdenciárias da empresa, por subrogação, negou provimento ao Recurso Voluntário, para manter a decisão de primeira, que havia não conhecido da impugnação, por concomitância da discussão junto ao Poder Judiciário e declarado a definitividade do crédito tributário no âmbito administrativo; e com relação à contribuição para o SENAR, negou provimento ao recurso, por entender que, nos autos não estavam comprovadas as alegações da recorrente, quanto à aquisição de cooperados, tampouco quanto à exportação da produção adquirida e, ainda, que a contribuição é devida nos termos da legislação de regência. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 9202004.325 CSRFT2 Fl. 5 4 Para fins de esclarecimento, a seguir encontrase reproduzida a ementa do acórdão: SEGURADO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. A contribuição do Segurado Especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,0 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. COOPERATIVA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pelo segurado especial, as vendas de sua produção rural realizadas a cooperativas constituídas e em funcionamento no país são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis. A imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88 alcança, tão somente, as receitas decorrentes de exportação, ou seja, decorrente da própria operação de exportação realizada com adquirente domiciliado no exterior. SENAR. SEGURADO ESPECIAL. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA. Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o SENAR tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas por Segurado Especial com empresas constituídas e em funcionamento no país, mesmo as cooperativas, como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, cuja comercialização ocorra diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A imunidade não alcança a receita decorrente de comercialização de produção rural, por Segurado Especial com empresa constituída e em funcionamento no País, a qual é Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 9202004.325 CSRFT2 Fl. 6 5 considerada como receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto rural. Recurso Voluntário Negado O acórdão, por sua vez, tinha a seguinte redação: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento quanto à contribuição previdenciária devida pela cooperativa, na condição de subrogada, ao adquirir produto rural de produtor rural pessoa física. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam pelo provimento do recurso. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. RE da contribuinte Cientificada do acórdão em 08/04/2015 (efl. 371), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência RE em 23/04/2015, às efls. 373 a 392. Apontou divergência em duas matérias: 1. inexigibilidade da contribuição sobre as receitas decorrentes de exportação, acórdãos paradigmas 240100.690 e 2401003.153; e 2. inconstitucionalidade da exigência e inexigibilidade das retenções para o SENAR, acórdãos paradigmas 2803003.319 e 2403002.984. Em 08/06/2015, por meio do despacho de efls. 534 a 543, o Presidente da Segunda Seção de Julgamento negou seguimento à divergência do item 1. e deu seguimento para que seja reapreciada apenas a matéria do item 2. A denegação do prosseguimento do item 1 se deu em razão de os cotejos entre os paradigmas e o acórdão recorrido não caracterizaram a divergência alegada. Na dicção do despacho: Enquanto a decisão recorrida decidiu que não há prova de que os produtores rurais eram cooperados, nem que a produção rural adquirida foi exportada, a decisão paradigma analisou caso em que não há dúvida de que decidiu que os produtores rurais eram cooperados e que a produção rural adquirida foi exportada Em face do seguimento parcial do RE, o Presidente do CARF, em despacho de e fls. 544 e 545, com base no art. 71 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, procedeu ao o reexame do RE mantendo o entendimento do despacho acima descrito. Das contrarrazões Fazenda Cientificada a Fazenda Pública em 01/09/2015, ela apresentou suas contrarrazões em 16/09/2015, às efls. 548 a 556. Em seu contraarrazoado, a Procuradora da Fazenda invoca o art 6º da Lei nº 9.528/1997, combinado com o inc. IV do art 30 da Lei n 8.212/1991 e §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 9202004.325 CSRFT2 Fl. 7 6 nº11.457/2007, como fundamentações para considerar que as contribuições para terceiros se sujeitam aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições estabelecidas pela Lei nº 8.212/1991 e das contribuições instituídas a título de substituição, assim, a obrigação de descontar e recolher os valores devidos pelo produtor rural pessoa física ao SENAR (em razão da obtenção de receita bruta auferida pela comercialização de produção rural) é do adquirente pessoa jurídica. No que toca à declaração de inconstitucionalidade da exação em razão do julgado pelo Plenário do STF no RE nº 363.852/MG, a correta interpretação do alcance daquela decisão que se debruça apenas sobre as leis nº 8.540/1992 e 9.528/1997, vigentes no momento que se iniciou a ação. A inconstitucionalidade que alcançou algumas normas destas leis decorria da ausência de previsão constitucional para incidência de contribuição social sobre a receita bruta na redação do inciso I do art. 195 vigente àquela época. Tanto era assim, que foi expresso em embargos de declaração, no mesmo acórdão, que haveria de se ter a cautela de não haver a retenção do recolhimento da contribuição sobre a receita bruta, seja direto ou seja por subrogação, apenas até que nova legislação baseada na EC nº 20/1998 viesse a instituir a contribuição. Por fim, a discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, encontrase atualmente com repercussão geral reconhecida no RE 718.874 (DJU de 11.09.2013), sem, contudo, contar com nenhuma manifestação de mérito pelo STF. Pelas razões acima expressas, a Procuradora requereu que fosse negado o provimento ao RE interposto pela contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Com relação à admissibilidade, há questão que necessita ser discutida. Com efeito, a decisão recorrida enfrentou a situação em que, havendo discussão judicial sobre a matéria, a impugnação não foi conhecida, conforme se verifica dos termos do próprio recurso voluntário: ... Ocorre que a Cooperativa promoveu integralmente os depósitos judiciais correspondentes a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, em relação ao período de 01/2009 a 12/2011. Isto é, tanto a contribuição social destinada ao INSS quanto a contribuição de terceiros destinada ao SENAR. No relatório fiscal desta autuação, no item 6, há menção de que não cabe discussão administrativa e/ou judicial devendo o processo ficar no aguardo de decisão final. O lançamento serve Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 9202004.325 CSRFT2 Fl. 8 7 apenas para evitar decadência. A DRJ segue a mesma linha nos seguintes termos: "declarar a definitividade do crédito tributário lançado, devendo esta exigência adequarse ao decidido pelo poder judiciário". (Grifos no original). Ora, os acórdãos paradigma tratam de situação em que efetivamente se discute a exigibilidade da contribuição por subrogação do adquirente, no caso de comercialização da produção rural de pessoa física. Ocorre que, nos paradigmas, não se enfrenta a questão absolutamente crucial e prejudicial da discussão concomitante junto ao Poder Judiciário. Portanto, é de não se conhecer do recurso, também quanto a esta matéria. Pelas razões acima expostas, voto por NÃO CONHECER DO Recurso Especial de divergência da contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.720508/201343 Acórdão n.º 9202004.325 CSRFT2 Fl. 9 8 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10880.914049/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção.
PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 1201-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator pela conclusões em relação à comprovação do IRRF.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator pela conclusões em relação à comprovação do IRRF. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 40 49 /2 01 0- 17 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (grifaremos): Trata o presente processo do Despacho Decisório de fl. 53 proferido pela DERAT/SÃO PAULO, o qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 38372.09947.310805.1.7.022805 e não homologou a compensação nos PER/DCOMPs indicados, nos quais a interessada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública decorrente de saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ, relativo ao anocalendário 2004. A não homologação/homologação parcial da compensação teve como fundamento a falta de comprovação de parcelas de composição do crédito, informadas nos PER/DCOMPs indicados, relativas ao IRRF. Parcelas de composição do crédito informadas nos PER/DCOMPs, IRRF, R$ 5.189.390,81, parcelas confirmadas, R$ 5.113.361,74, conforme demonstrado no Despacho Decisório. Assim, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo Não se conformando, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls.63/65), alegando, em síntese: na diferença de IRRF apurada e não considerada pela Receita Federal, os valores de maior relevância são relativos a órgãos públicos como a CEF, SUS e Banco Amazônia S/A que não entregaram os respectivos informes de retenção; os demais tomadores forneceram os informes de retenção, doc. 04; a falta dos informes de retenção não invalida a retenção nem atinge o direito ao crédito porque a Receita Federal possui meios de verificar as retenções efetuadas; protesta pela futura juntada dos referidos informes de retenção; pede reconhecimento do crédito e extinção definitiva do crédito tributário cobrado. Em sessão de 26 de março de 2015 a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Recife, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 4 3 Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como preliminar, aduz a Recorrente que já teria decaído o direito de revisitar a DIPJ de 2005, por força do disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, pois o Despacho Decisório, de 09 de março de 2010, não poderia analisar o saldo negativo relativo ao final do exercício de 2004. Não assiste razão à Recorrente. É forte neste Conselho o entendimento de que a fiscalização pode examinar documentos relativos a períodos superiores a cinco anos, especialmente nas hipóteses de pedido de compensação, até porque não se confunde o pleito da Recorrente com a possibilidade de lançamento pela Receita Federal. O lançamento de ofício é ato administrativo vinculado, cuja atividade encontrase limitada, quanto ao critério temporal, pelos artigos 150, § 4º e 173 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 5 4 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. e Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Ocorre que os prazos previstos pelo Código dizem respeito à possibilidade de a fiscalização efetuar novos lançamentos ou se pronunciar acerca do pagamento efetuado pelo contribuinte, sem qualquer relação com a hipótese em que este alega crédito líquido e certo passível de compensação ou restituição. A retenção na fonte não se confunde com o conceito de "pagamento antecipado" veiculado pelo CTN, da mesma forma como ocorre com as estimativas, até porque o imposto de renda devido no período sujeitase aos ajustes apurados de acordo com a sistemática do lucro real. No caso das compensações, não temos o "fato gerador" mencionado pelo artigo 150, mas o interesse do contribuinte em compensar créditos que reputa líquidos e certos e que, por decorrência lógica, só podem ser apurados ao final do exercício, quando da constatação de saldo negativo de IRPJ a pagar. Convém destacar que a compensação não tem como pressuposto a simples retenção na fonte, mas a existência de saldo negativo ao final do período, pois o IRRF é considerado apenas como antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração. Em conseqüência, o contribuinte deve deduzir o imposto retido do imposto de renda devido com base no lucro real do períodobase e somente o saldo negativo de imposto a pagar, que porventura decorra desse confronto na declaração, constitui crédito passível de restituição ou compensação. O prazo para o fisco homologar as compensações apresentadas pelo contribuinte é o previsto no artigo 74 da Lei n. 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 6 5 § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4oOs pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5oO prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6oA declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7oNão homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) (grifamos) As compensações objeto deste processo foram transmitidas em 23 de junho de 2009, 11 de novembro de 2005 e 31 de agosto de 2005, e como o Despacho Decisório é de 09 de março de 2010, não há qualquer obstáculo temporal à sua validade nem se trata de prazo decadencial como alega a Recorrente, pois todos os requisitos previstos em lei foram devidamente atendidos. Não se cuida, pois, de lançamento, mas da necessidade de o contribuinte comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, o crédito que pretende ver integralmente compensado. Afasto, portanto, a preliminar de decadência suscitada. Quanto ao mérito, aduz a Recorrente que, por erro seu, uma parcela das estimativas, que compôs o saldo negativo do período, não foi devidamente detalhada na DCOMP, mas estaria refletida na DIPJ 2005. Neste ponto, a Recorrente traz um longo arrazoado sobre o "erro formal" no preenchimento da DCOMP e pugna pelo seu reconhecimento neste Conselho. Contudo, tratase de argumento absolutamente novo, que não foi formulado na manifestação de inconformidade (fls. 62 a 65), de sorte que sequer foi apreciado pela decisão de primeira instância. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 7 6 Naquela peça de defesa, a Recorrente discorreu, em duas páginas, acerca da não apresentação dos comprovantes de retenção pelos responsáveis tributários, conforme reprodução integral a seguir: Referido saldo credor da DIPJ R$ 3.540.235,15 que originou os processos de compensação realizados pela empresa, é composto por retenções realizadas pelas fontes pagadoras (Clientes), dentre as quais as retenções de maior relevância foram praticadas, por órgãos da administração pública, Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde SUS, Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Banco do Brasil S/A. A Requerente não tem.dúvida acerca do valor do saldo credor de IRPJ suficiente para a compensação integral dos débitos informados nas Declarações de Compensação, como passa a demonstrar e comprovar documentalmente na presente manifestação. A diferença apurada pela Receita Federal do Brasil de R$ 2.531.251,24 se caracteriza em virtude da não apresentação de comprovantes de retenção do "IRPJ pelos responsáveis tributários, notadamente os de maior relevância, são órgãos da administração pública, Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde SUS, Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Banco da Amazônia S/A, tendo em vista que os demais tomadores (doc. 04), forneceram os respectivos. Apesar das diversas e reiteradas solicitações até o momento não foi recebido os informes de retenção dos órgãos da administração pública. Todavia, é de se considerar que a falta de apresentação dos informes de retenção, por parte da requerente, não invalida a retenção em si, tampouco o direito ao crédito daí decorrente. Isto significa dizer que, muito embora não tenham sido fornecidos os comprovantes pelas fontes pagadoras (Clientes), a Receita Federal possui meios de averiguar as retenções praticadas pelo responsável tributário, que deverá comproválas caso assim requerido pela Administração Tributária. Compete a Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde SUS, Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Banco da Amazônia S/A, responsáveis tributários, a comprovação dos recolhimentos dos impostos para a Receita Federal do Brasil, uma vez que os valores foram retidos e deduzidos das notas fiscais da requerente. Adicionalmente, a Requerente protesta pela futura juntada, dos respectivos informes de retenção, que solicitamos aos tomadores, mas não foram recebidos a tempo de protocolar a presente Manifestação de Inconformidade. Portanto, toda a argumentação relativa a esse suposto crédito decorrente de erro no preenchimento da DCOMP em função das estimativas não foi objeto da manifestação de inconformidade, vale dizer, não foi dada oportunidade para que o julgador de primeira Fl. 606DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 8 7 instância se manifestasse, em clara supressão de grau, até porque a matéria, segundo meu entendimento, teria que ser objeto de diligência, pois exigiria auditoria na contabilidade e nas declarações da empresa. Aliado a isso, entendo que em razão da natureza do erro alegado pela própria Recorrente não haveria direito líquido e certo quanto ao crédito pleiteado, até porque são mencionadas novas DCOMP, que teriam, inclusive, sido utilizadas para extinguir estimativas relativas aos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 2015(?): A ausência de detalhamento dessa parcela de crédito implicou no não reconhecimento do valor total de R$ 2.344.548,78 no saldo negativo em discussão. Ocorre que estimativas mensais de IRPJ compensadas ao longo do ano calendário de 2004, evidentemente, devem ser computadas nas parcelas de crédito (no valor total de R$ 7.533.939,59) que resultaram na formação do saldo negativo (no valor de R$ 3.540.235,15) apurado após o desconto do IRPJ apurado no período (no valor de R$ 3.993.704,44). Por oportuno, a Recorrente apresenta cópia das DCOMPs n°s 02417.00058.250804.1.7.024692 (Doc. 04), 10595.18492.250804.1.7.025710 (Doc. 05), 10762.81204.300704.1.7.021738 (Doc. 06), 08052.16771.300704.1.3.028475 (Doc. 07) e 07224.69264.300704.1.3.027527 (Doc. 08), utilizadas para extinguir as estimativas mensais de IRPJ, respectivamente, dos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 2015. Tendo em conta a demonstração que se extrai do quadro acima, é evidente que o valor total das parcelas de crédito indicado pela Recorrente corresponde exclusivamente ao valor das retenções de IRRF (R$ 5.189.390,81), quando, em verdade, a Recorrente teria direito a computar nessas parcelas de crédito também o valor total das estimativas mensais compensadas ao longo do ano (R$ 2.344.548,78). Fl. 607DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 9 8 Notese que, ao contrário do que alega a Recorrente, o fundamento para o não reconhecimento integral do direito creditório não foi a ausência de detalhamento da DCOMP pois isso sequer foi alegado na manifestação de inconformidade , mas a ausência de comprovação documental dos créditos, aliada a erros na apuração do valor, conforme demonstrado pela DRJ, mediante raciocínio e cálculos que serão apresentados mais adiante. Em razão do exposto, conduzo meu voto no sentido de não conhecer os argumentos formulados pela Recorrente quanto à composição de estimativas, nem tampouco aceitar os documentos anexados ao processo quando da interposição do voluntário ou posteriormente, com esteio nas disposições veiculadas pelos artigos 16, § 4º e 17 do Decreto n. 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas pode ser superada, portanto, quando demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses do comando ao norte reproduzido. e Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ressaltese, ainda, que a Recorrente juntou com o Voluntário outras DCOMP, estranhas ao processo, posto que transmitidas em 2004. Entendo, que não compete a este Conselho manifestarse sobre tais documentos, da forma como apresentados, pois devem ser considerados intempestivos, nos termos da legislação de regência. Isso porque a preclusão temporal para a apresentação de provas pode ser superada, eventualmente, quando demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses do comando ao norte reproduzido. Conquanto a aceitação de provas posteriores possa ser aceita, em razão do dispositivo legal e em homenagem ao princípio da verdade material, tal medida deve ser adotada com parcimônia, de sorte que esta Turma e Relator já decidiram, por diversas vezes, pela possibilidade de juntada de documentos quando estes constituem prova cabal e inequívoca do direito da Recorrente. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 10 9 Todavia, no caso em análise, constatase que a documentação intempestivamente juntada não tem o condão, no entender deste Relator, de subsidiar as alegações da Recorrente. Apreciar, neste momento, argumentos e documentos que não foram formulados ou apresentados às autoridades precedentes configura claro descompasso com os princípios que regem o processo administrativo e nem o fundamental preceito da verdade material socorre a interessada na hipótese, até porque as DCOMP apresentadas são, como visto, de 2004, e não estão relacionadas ao Despacho Decisório que originou os autos, razão pela qual devem ser consideradas impertinentes ao processo, assim como os fundamentos dela decorrentes. Afastada a discussão acerca da compensação das estimativas, por improcedente, remanesce no processo a análise sobre o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado pela Recorrente, pois o despacho decisório entendeu que não foi possível confirmar o valor total do IRRF indicado na DCOMP. A matéria foi objeto de análise pela decisão de piso e a documentação presente nos autos não me parece hábil para comprovar a pretensão da interessada. Aduz a Recorrente que parte das retenções não foi confirmada porque os responsáveis solidários não entregaram os comprovantes de retenção. Nesse contexto, entende a defesa que a Receita Federal teria como averiguar as retenções por meio dos seus próprios controles. Ocorre que o despacho decisório fundamentou seu entendimento justamente a partir dos elementos contidos nas DCOMP, DIPJ e demais declarações entregues pela contribuinte, além de ter verificado os dados sobre o IRRF das fontes pagadoras constantes dos sistemas da Receita Federal, conforme extratos presentes nos autos. Ressaltese que o ônus para a comprovação documental de direito creditório pertence ao interessado, dados os requisitos de liquidez e certeza para os valores pleiteados, conforme determina o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. e Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 11 10 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Aliás, a necessidade de prova e o respectivo ônus do contribuinte já foram extensamente discutidos na esfera judicial e no âmbito deste Conselho. No Superior Tribunal de Justiça o tema já foi debatido, entre tantos outros julgados semelhantes, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. Seguindo igual raciocínio, podemos encontrar inúmeros julgados no CARF, inclusive da lavra desta Turma, na qual se decidiu que no caso de compensação, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido (Acórdãos 110200432, 110200443, 110200438, entre tantos outros). A legislação do Imposto de Renda estabelece, ainda, dois critérios adicionais para o reconhecimento do direito creditório: a) a comprovação da efetiva retenção em nome do beneficiário; b) a demonstração de que os rendimentos foram oferecidos à tributação. Os artigos 231, III, 942 e 943 do Decreto n. 3.000/99 regulamentam a matéria nos seguintes termos: Art. 231 Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 12 11 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único.O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). §1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º). §2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos§§ 1º e 2º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifamos) Percebese que a apresentação do comprovante de retenção é condição essencial para o direito de compensação. Nesse contexto, a alegação de que as fontes pagadoras não encaminharam os comprovantes não tem o condão de afastar a exigência legal, até porque a Recorrente teve tempo suficiente para a sua solicitação e juntada aos autos. Aliás, entendo que a Recorrente deveria ter feito isso antes de qualquer tentativa de compensação, pois tratase de condição inexorável para o pleito, conforme estabelecem os artigos já reproduzidos. Notese que a empresa já havia alegado, ao tempo da impugnação, que apresentaria os comprovantes de retenção, mas não o fez. O crédito passível de compensação deve ser líquido e certo, como vimos, e esses requisitos exigem o fiel cumprimento à legislação. A matéria encontrase, inclusive, sumulada no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 13 12 Portanto, na esteira do que já restou decidido em primeira instância, o imposto a ser compensado fica limitado aos valores constantes dos controles internos da Receita Federal e das declarações apresentadas pela contribuinte e pelas fontes pagadoras. Por fim, destaquese que, em relação aos montantes pleiteados pela Recorrente, a DRJ analisou os documentos e sistemas e concluiu que parte deles não pode ser objeto de compensação, por força dos seguintes fundamentos, que reproduzo e acolho: Os informes de rendimentos anexados às fls. 70/175 não se referem às fontes pagadoras relacionadas no demonstrativo de Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas com o diagnóstico de "Retenção na fonte não comprovada" ou "Retenção na fonte confirmada parcialmente", fls. 59/60. A análise dos comprovantes de rendimentos anexados e que se referem às fontes pagadoras com CNPJ nº 02.658.544/000170 e nº 00.000.000/000191, ambas relacionadas no demonstrativo de Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas, será feita conforme orientações contidas na Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11/01/2012. Com referência às retenções na fonte relativas ao Tribunal Regional do Trabalho 13ª Região, CNPJ 02.658.544/000170, o contribuinte apresenta o informe de rendimentos de fls. 170. Entretanto, a retenção na fonte no montante de R$ 43,25 ( 3.604,19 x 1,2%) já foi considerada pela autoridade a quo, (em valor bastante aproximado, R$ 42,88), não havendo assim direito creditório adicional a ser reconhecido. Portanto, nada houve de acréscimo a justificar o valor não confirmado pela Receita Federal de R$ 15,17. A tela abaixo mostra a DIRF entregue pela fonte pagadora e o detalhamento mensal da receita: Com referência às retenções na fonte relativas ao Banco do Brasil, CNPJ nº 00.000.000./000191, o contribuinte apresenta o informe de rendimentos de fls. 72. Consta no demonstrativo de parcelas confirmadas parcialmente, fl. 59: Portanto, do valor informado no PER/DCOMP para o código 6147 de R$ 77.230,38, foi confirmado o valor de R$ 39.366,06 restando não confirmada a parcela de R$ 37.864,32 com a justificativa "retenção na fonte confirmada com outro código de Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914049/201017 Acórdão n.º 1201001.479 S1C2T1 Fl. 14 13 receita". O Comprovante Anual de Rendimentos apresentado se refere ao código de receita 6147 apresenta receitas no montante de R$ 25.445,98 e, portanto, a retenção relativa ao imposto de renda seria R$ 305,35, nada comprova que referido valor já não foi considerado na parcela confirmada no montante de R$ 39.366,06. Portanto, nada houve de acréscimo a justificar o valor não confirmado pela Receita Federal. Entendo, a partir do que consta dos autos, que o Recorrente não logrou êxito em comprovar créditos em montante superior ao que já foi reconhecido, razão pela qual não merece reparos a decisão de primeira instância. Por derradeiro, descabe, neste passo, qualquer alegação de prejudicialidade em relação a outros processos ou DCOMP, por força do que restou decidido neste voto, sendo certo que caberá à autoridade de jurisdição do contribuinte, quando de eventual execução da decisão na esfera administrativa, adotar as providências necessárias para evitar duplas cobranças ou incidências. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000474/2005-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2004
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Merecem ser providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existe obscuridade e erro material no acórdão embargado a serem sanados mediante retificação do relatório, voto, dispositivo e ementa da decisão embargada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Merecem ser providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existe obscuridade e erro material no acórdão embargado a serem sanados mediante retificação do relatório, voto, dispositivo e ementa da decisão embargada. Embargos Acolhidos.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Merecem ser providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existe obscuridade e erro material no acórdão embargado a serem sanados mediante retificação do relatório, voto, dispositivo e ementa da decisão embargada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 04 74 /2 00 5- 92 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10640.000474/200592 Acórdão n.º 9303003.885 CSRFT3 Fl. 211 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pela DRF/JFA, encarregada da execução do Acórdão nº 9303002.843, de 23 de janeiro de 2014, que teve a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2004 Ementa: DIFPapel Imune. MULTA INCIDÊNCIA LEI Nº 11.945/2009. A multa pela falta de apresentação da DIFPapel Imune incide uma única vez no montante de R$5.000,00 (cinco mil reais) por trimestre inadimplido. A embargante acusa o acórdão de conter vício de obscuridade em relação ao valor da multa aplicada por declaração em atraso, além de erro material, na parte do Relatório e do Voto em que há referência a recurso especial do contribuinte, em sede de recurso especial exclusivamente da Fazenda Nacional. O despacho de admissibilidade dos embargos declaratórios aponta os vícios da decisão nos seguintes termos: (...) O Acórdão nº 9303002.843 é no mínimo ambíguo quanto ao provimento dado. Vejase o dispositivo do acórdão embargado nega provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e dá provimento parcial a um inexistente Recurso interposto pela Contribuinte. Paradoxalmente, ao fazêlo, o Acórdão, em reformatio in pejus, agravou a situação do imaginário recorrente, já que “reduziu” para R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração não entregue a cada trimestre penalidade que já havia sido reduzida para R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais) pelo recorrido Acórdão nº 220100.237, fls. 154 a 160. O processo foi sorteado a este relator da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a fim de que seja colocado em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto é tempestivo, atende aos demais pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10640.000474/200592 Acórdão n.º 9303003.885 CSRFT3 Fl. 212 3 Consoante relatado, houve obscuridade e erro material no acórdão embargado: em primeiro lugar, há referência a recurso especial do contribuinte que efetivamente não ocorreu nos autos, uma vez que o recurso especial foi exclusivamente da Fazenda Nacional, inclusive não havendo contrarrazões por parte do contribuinte. Corolário disso, há obscuridade em relação ao valor da multa aplicada por declaração em atraso, porquanto o acórdão que originou o Especial apontava para R$ 15.000,00 (quinze mil reais) por declaração em atraso; ao passo que o acórdão recorrido fala em R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por trimestre inadimplido. Ab initio insta desfazer um equívoco do despacho de admissibilidade dos embargos declaratórios, ao apontar os vícios da decisão. Ao meu sentir, não existe nenhuma reformatio in pejus no acórdão recorrido, porquanto a penalidade havia sido reduzida para R$ 15.000,00 (quinze mil reais) no recorrido Acórdão nº 220100.237, fls. 154 a 160, e não R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), que seria o caso se a pessoa jurídica fosse optante pelo SIMPLES. Assim, se houvesse, de fato, um recurso especial do contribuinte, a penalidade de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por declaração não entregue a cada trimestre, determinada no acórdão ora embargado, seria uma redução em relação ao Acórdão nº 220100.237. De todo modo, esse detalhe é de somenos importância na conjuntura, haja vista não existir recurso especial do contribuinte, e portanto não existir veículo para redução da pena nesta esfera especial. A informação do Chefe da SACAT da DRF/JFA é bastante esclarecedora nesse sentido: O presente processo encontrase nesta Sacat para ciência ao contribuinte do Acórdão CARF Nº 220100.237 2ª Câmara/1ª TO, o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado. A PFN apresentou recurso especial ainda não apreciado pelo CARF. O contribuinte em questão foi intimado do referido Acórdão por edital, em 07/01/2011. Diante do acima exposto e considerando que o contribuinte não apresentou recurso especial nem contrarazões ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, proponho o retorno deste processo ao CARF para prosseguimento. Informo que foi desmembrado para o processo 10640.721.455/201141 o crédito tributário que não foi objeto de recurso especial pelo contribuinte. Em virtude do erro material e da obscuridade apontada, devem ser retificados o relatório, o voto, a conclusão e a ementa do acórdão recorrido, por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, nesta oportunidade, no sentido de sanear a decisão, retirando dessa todas as menções a recurso especial do contribuinte, e ao final simplesmente negando provimento ao recurso especial da PGFN. Na esteira disso tudo, penso que a decisão recorrida merece reparo, pois evidentes o erro material e a obscuridade apontada supra. Voto por ACOLHER OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, para suprimir do relatório do acórdão nº 9303002.843 o trecho: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10640.000474/200592 Acórdão n.º 9303003.885 CSRFT3 Fl. 213 4 Assim, voto por ACOLHER OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, para suprimir do relatório do acórdão nº 9303002.843 o trecho: A Contribuinte assenta elementos em sede de Recurso Especial iniciando por dizer da existência de equívoco do agente que lavrou o auto de infração em razão de não ter havido nenhum movimento relativo a papel imune no período nele constante haja vista que o estoque de papel imune foi transferido para a empresa Gráfica e Editora Centro Oeste Ltda. Portanto, continua, a partir do terceiro trimestre do ano de 2003 não foi responsável por movimentos relativos a papel imune e ainda que ao tentar enviar eletronicamente a Declaração, constatou que o sistema estava bloqueado e não aceitava declaração que informasse a posição “sem movimento”. Afirma que ao consultar via telefone a DRF de Cuiabá, foi informada de que estava dispensada da apresentação da declaração quando inexistisse movimento. Alega que o valor da multa aplicada é confiscatório e contraria a legislação pátria porque desconsidera os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade atingindo o nível financeiros de R$210.000,00 em decorrência da não apresentação de declarações sem movimento. Destaca que a utilização de Instrução Normativa para amparar o lançamento fere o princípio da legalidade ínsito no art. 5º, II da CF/88 que promana a materialização de lei para que o cidadão seja obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. E quanto à proibição ao confisco reverbera o inciso IV do art. 150 também da CF/88. Ainda, o voto e a conclusão do Acórdão nº 9303002.843 ficam retificados de: Os Recursos interpostos preenchem condições de admissibilidade, deles tomo conhecimento. (...) Decido agora como fiz no Acórdão 9303001.800 quando o resultado foi por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao Recurso interposto pela Contribuinte, aplicando a multa de R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração não entregue a cada trimestre, na conformidade do que preleciona o § 4º, inciso II da Lei nº 11.945/2009. Para: O Recurso interposto preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. (...) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10640.000474/200592 Acórdão n.º 9303003.885 CSRFT3 Fl. 214 5 Decido agora como fiz no Acórdão 9303001.800 quando o resultado foi por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Por fim, a ementa e a decisão merecem ser retificadas, respectivamente, para: Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2004 Ementa: DIFPAPEL IMUNE. MULTA. INCIDÊNCIA Instaurado o imbróglio jurídico de que a apresentação da declaração deve ser trimestral e a incidência da multa tem periodicidade mensal, explicitase a dúvida, acarretando a possibilidade no caso presente de que seja aplicado o inciso IV do art. 112 do CTN, que preleciona a adoção de interpretação mais favorável ao autuado. Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.726399/2009-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 322 1 321 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.726399/200979 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.105 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente MOACYR MONTENEGRO SOUTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 99 /2 00 9- 79 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726399/200979 Acórdão n.º 9202004.105 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726399/200979 Acórdão n.º 9202004.105 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726399/200979 Acórdão n.º 9202004.105 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726399/200979 Acórdão n.º 9202004.105 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726399/200979 Acórdão n.º 9202004.105 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 323DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 324DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726399/200979 Acórdão n.º 9202004.105 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 325DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11020.000537/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995
PIS. SEMESTRALIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INEXISTÊNCIA DO RECONHECIMENTO JUDICIAL SOBRE OS CRÉDITOS APONTADOS.
A decisão judicial que transitou em julgado não reconheceu o direito reclamado pela contribuinte. Assim, diante da inexistência de fundamentos concretos para a reforma da decisão guerreada, é de rigor a manutenção da mesma.
Numero da decisão: 3302-003.324
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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SEMESTRALIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INEXISTÊNCIA DO RECONHECIMENTO JUDICIAL SOBRE OS CRÉDITOS APONTADOS. A decisão judicial que transitou em julgado não reconheceu o direito reclamado pela contribuinte. Assim, diante da inexistência de fundamentos concretos para a reforma da decisão guerreada, é de rigor a manutenção da mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. RICARDO PAULO ROSA - Presidente LENISA PRADO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Paulo Guilherme Dérouledé, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araújo e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 10 20 .0 00 53 7/ 20 07 -3 2 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2016 agosto de 2016 Processo Administrativo Fiscal Processo Administrativo Fiscal COMPANHIA APOLO DE SUPERMERCADOS COMPANHIA APOLO DE SUPERMERCADOS FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por muito bem espelhar os fatos narrados nos autos do processo sob julgamento, adoto o relatório formulado pela então relatora - Srta. Fabíola Cassiano Keramidas - apresentado na sessão do dia 23/05/2013: "Trata-se de compensações realizadas em papel que estão sendo avaliadas no presente processo por força de ação judicial (Mandado de Segurança n° 2005.71.07.00207-8 -decisão às fls. 21/23).O crédito decorre de outro processo judicial (97.15.01492-5), em que o contribuinte discutiu a constitucionalidade dos Decretos-lei n° 2.445 e 2449, ambos de 1988. Da análise dos autos constato que o cerne da discussão refere-se à existência de crédito, que por sua vez está intimamente ligado à forma de cálculo que foi determinada pelas decisões judiciais proferidas nos autos do processo n° 97.15.01492-5. Para melhor compreensão, peço vênia aos meus pares para reproduzir o quanto relatado na decisão de primeira instância administrativa, verbis: "Tal decisão, cuja cópia encontra-se às fls. 21 a 23. concedeu o direito de apresentar Declaração de Compensação sem cumprir os requisitos da Instrução Normativa SRF n° 517. de 25 de fevereiro de 2005 (Pedido de Habilitação do Crédito Judicial), uma vez que tal procedimento é obrigatório para a transmissão eletrônica de Declaração de Compensação. Foram anexadas outras Declarações de Compensação em papeis (fls. 4 a 9), além de diversas Declarações de Compensação eletrônicas transmitidas anteriormente à vigência da Instrução Normativa SRF n° 517/2005. O Agravo de Instrumento n° 2005.04.01.015591-9 interposto pela União perdeu o objeto quando a sentença judicial denegou a segurança em 08/09/2005 (fis. 24 a 28). A apelação recebeu somente efeito devolutivo em 30/09/2005 (fl. 15)." Efetuada a análise do crédito oferecido pelo contribuinte compensação na Ação Judicial n° 97.15.01492-5, em 20 de dezembro de 2005, foi proferido Despacho Decisório (fls. 173 a 175) considerando não declaradas as compensações dos débitos objeto das Declarações de Compensação em papel e não homologando a compensação dos débitos objeto das Declarações de Compensação eletrônicas, uma vez que, segundo demonstrativos efetuados pela SACAT/DRF/CXL (fls. 143 a 170), não há crédito a ser compensado (fls. 171 a 172). (grifo nosso) Ressalte-se que no item 18 do referido Despacho Decisório constou expressamente que não caberia manifestação de inconformidade em relação às compensações consideradas como não-declaradas. de acordo com o §2° do art. 31 da Instrução Normativa SRFn° 460/2004. A ciência da decisão administrativa deu-se em 29/12/2005 (fl. 176). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ/POA, tendo sido o mesmo encaminhado para apreciação, sem terem sido apartados os débitos cujas compensações foram consideradas não declaradas. Posteriormente, em 03/03/2006, houve a comunicação de que o Tribunal Regional Federal da 4° Região concedeu efeito suspensivo à Apelação do Mandado de Segurança no Agravo de Instrumento n° 2005.04.01.046224-5, permitindo ao contribuinte que continuasse a entregar Declarações da Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.000537/2007-32 Acórdão n.º 3302-003.324 S3-C3T2 Fl. 273 3 Compensação sem habilitação do crédito judicial (fls. 29 a 32). Foi, então, solicitado à DRJ/POA o retorno do processo n° 13016.000094/2005-11 a esta DRF. Tendo em vista que, até o presente momento, não houve alterações significativas no andamento da Apelação em Mandado de Segurança n° 2005.71.07.001207-8, decidiu-se por apartar os débitos constantes das Declarações de Compensação em papel entregues até a data da ciência do Despacho Decisório, a fim de dar continuidade à apreciação da manifestação de inconformidade pela DRJ/POA no processo n° 13016.000094/2005-11 referente aos débitos constantes nas Declarações de Compensação eletrônicas. Assim, tais Declarações de Compensação em papel foram transferidas do processo n° 13016.000094/2005-11 para o presente e, em obediência ao efeito suspensivo concedido à Apelação do Mandado de Segurança no Agravo de Instrumento n° 2005.04.01.046224-5, considerar-se-á as compensações não homologadas ao invés de não-declaradas, porque, conforme registrado acima, não há crédito a ser compensado. Em face do exposto e mais o que dos autos consta, não homologo a compensação dos débitos objeto das declarações de compensação vinculadas aos autos, em virtude do efeito suspensivo concedido no Agravo de instrumento n° 2005.04.01.046224-5. Inconformada, inicialmente, a contribuinte manifestou-se, em síntese, dizendo (fls. 189/190): "... como se vê, o eminente julgador administrativo de primeiro grau, ao que parece, ainda não desvinculou-se das práticas da ditadura, senão saberia que sobre a Decisão do Egrégio TRF4 não apenas "houve a comunicação " para a SRF e sim, o que houve, foi uma determinação para que respeitasse a Lei e os direitos do contribuinte. (...) Diante do exposto, reiterando o direito alcançado pelo contribuinte junto ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 4" Região (cópia anexa), requer seja declarado nulo o Despacho Decisório objeto desta, até o julgamento dos Recursos administrativos e/ou judiciais, que amparam a legalidade dos atos praticados pelo contribuinte." Posteriormente, assim arrazoa (fls. 192/193): "... Em síntese a autoridade administrativa de 1° Grau glosou os créditos do contribuinte declarados 'em papel', pois, segundo alega 'não há crédito a ser compensado' e que 'não caberia manifestação de inconformidade em relação às compensações consideradas como não declaradas'. No entanto, mais adiante, afirma que '... decidiu-se por apartar os débitos constantes das Declarações de Compensação em papel entregues até a data da ciência do Despacho Decisório, a fim de dar continuidade à apreciação da manifestação de inconformidade pela DRJ/POA. Por fim sentencia: 'considerar-se-á as compensações não homologadas ao invés de não- declaradas'. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Ora. o que se lê do 'despacho' da autoridade administrativa é, na verdade, uma miscelânea de ilegalidades e arbitrariedades jamais vista na administração federal, senão vejamos. Qual o dispositivo da legislação federal que lhe permite 'apartar' créditos do contribuinte sem que lhe tenha oportunizado manifestar-se ou, no mínimo, tomar conhecimento prévio deste fato? Se, como alega o agente federal, não caberia inconformidade, por que então desse 'continuidade ' na apreciação desta? Qual o amparo legal para o agente administrativo federal mudar o status do despacho decisório sobre os créditos do contribuinte de 'não declaradas' para 'não homologadas'? Por fim, em situação idêntica enfrentada pelo contribuinte (Processo n° 11020000536/2007-98), a 'decisão' foi em sentido diferente ao presente caso, o que nos leva concluir que a SRF está às cegas buscando de foram arbitrária e irracional simplesmente coibir o uso de um direito alcançado no Poder Judiciário. Fatos lamentáveis como este serão levados, novamente, ao judiciário. Resta evidente o cerceamento à defesa do contribuinte pelo tributante. Diante do exposto, requer seja declarado NULO o presente processo administrativo eis que eivado de ilegalidades e inconstitucionalidades. " Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a Primeira Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora - MG - proferiu o acórdão n° 09-35.867 (fls. 209/218 - eletrônica 211/220) por meio do negou a compensação requerida sob o argumento de inexistência de crédito: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para sobrestamento de processo administrativo, devendo o mesmo ser impulsionado de ofício pela Administração Pública, nos lermos do art. 2°, inciso XI, da Lei n° 9.784/1999. DESPACHO DECISÓRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade quando o Despacho Decisório é exarado por autoridade competente e atende a todos requisitos formais, possibilitando ao sujeito passivo, a partir dc então, o pleno exercício do direito de defesa no curso do processo. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendo-lhes competência para apreciar arguições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, provocadas no curso dos processos administrativos fiscais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Inconformada, a Recorrente opôs Recurso Voluntário (fls. 233/342) por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua inconformidade". Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.000537/2007-32 Acórdão n.º 3302-003.324 S3-C3T2 Fl. 274 5 Na sessão de 23/05/2013, a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara desta 3ª Seção de julgamentos converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, uma vez que o voto proferido pela então relatora foi acolhida por unanimidade. Por ser imperativo para a solução da lide, trago a conhecimento o raciocínio submetido a debate que ensejou a edição da Resolução n. 3302-000.305: "Da leitura dos dispositivos legais, parece-me que está com razão a Recorrente, no que se refere ao conhecimento da subsistência do critério da semestralidade, apregoado pela Lei Complementar n. 7/70. Não se coaduna com a realidade dos fatos o entendimento de que a base de cálculo foi alterada para o faturamento mensal. Todavia, é de meu entendimento que a decisão transitada em julgado concluiu que esta base de cálculo, de seis meses antes, deve ser atualizada. Pelo termos da decisão, a alíquota deve incidir sobre a base atualizada, e não estática. Às fls. 145 e segs, constam os cálculos da autoridade administrativa, onde se verifica que alguns períodos foram calculados com a semestralidade (ano de 1988), outros com a aplicação do prazo trimestral (ano de 1989/1990/ até out-1991) e outros ainda com o prazo mensal (out-1991/1995). Tendo em vista que não é esta a determinação judicial, voto no sentido de converter o presente processo em diligência, para que a autoridade administrativa refaça os cálculos da forma determinada pelo judiciário, ou seja, com base na Lei Complementar n. 7/70 (isto é, considerando a base de cálculo ocorrida seis meses antes - semestralidade), sendo que esta base deverá ser corrigida nos termos legais (Lei n. 7.691/88, Lei n. 7.799/89 e legislação subseqüente atinente à matéria). Cumpre relembrar que os créditos deverão ser corrigidos monetariamente pelos índices da OTN/BTN/INPC (março a dezembro de 1991), UFIR (janeiro/92 a dezembro/95) e, a partir de janeiro/96, com a aplicação somente da Taxa SELIC. Ainda, deverão ser incluídos os expurgos inflacionários de que tratam as Súmulas n. 32 e 37 desta Corte. Após, o contribuinte deverá ser intimado do resultado da diligência para, querendo, se manifestar no prazo de 30 dias". Ultimada a diligência com a apresentação da Informação DRF/CSL/Seort n. 62, de 5 de julho de 2013, a contribuinte foi cientificada sobre o teor do documento (Aviso de Recebimento Postal acostado à folha 268). No entanto, conforme atesta a certidão de folha 270, a contribuinte não apresentou suas manifestações dentro do prazo legal. Os autos do processo retornaram a este Conselho em 07/10/2013 (fl. 271). É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Voto Conselheira Lenisa Prado, A contribuinte foi intimada sobre o teor do acórdão recorrido em 10/08/2011 1 e interpôs tempestivamente o recurso voluntário sob julgamento em 25/08/2011 (fls. 233/242), motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A contribuinte colaciona ao recurso voluntário a decisão que deu provimento a Apelação Cível n. 2005.71.07.001207/8- RS. Extraio dessa decisão os fundamentos e conclusão: "1. Postula a apelante exercer seu direito de compensar créditos relativos à Contribuição ao PIS, reconhecido por decisão judicial, com débitos próprios no programa PER/DECOMP da Receita Federal, sem as restrições introduzidas peal Instrução Normativa SRF n. 517, de 25/02/2005. 2. As exigências daquela Instrução Normativa parecem entrar em conflito com as disposições do art. 74 da Lei n. 9.430, de 27/12/96, na redação dada pela Lei n. 10.637, de 29/09/2002. Sabe-se que o seu regime original a Lei n. 9.430/96 autorizava a compensação mediante requerimento à autoridade administrativa. A Lei n. 10.637/02, ao dar nova redação ao art. 74 da Lei n. 9.430/96, autorizou a compensação por iniciativa do próprio sujeito passivo, independentemente do prévio exame da administração, como decorre de seus expressos termos: (...) O regime adotado pela lei, como se depreende de seu texto, é o da compensação por iniciativa do sujeito passivo da obrigação tributária, sem prévia intervenção administrativa, reservando-se a esta o seu posterior exame e homologação. Sujeitar a compensação a um prévio processo de habilitação entraria em descompasso com o mandamento legal. A IN SRF n. 517/2005 impôs requisitos que extrapolam as exigências legais para o procedimento de compensação de créditos do contribuinte. Assim, merece ser concedida a segurança para determinar à autoridade coatora que disponibilize o acesso ao sistema PERD/COMP, permitindo o processamento da Declaração de Compensação, afastando-se a disposição restritiva de direito vinculada na IN 517/2005. Ante o exposto, voto por dar provimento a apelação". Com arrimo no trecho transcrito, a recorrente postula pelo direito a compensação requerida, já que os óbices impostos pela administração foram reconhecidos como ilegítimos. Ainda, a recorrente se insurge contra a inexistência de demonstrativos detalhando os cálculos efetuados pela Fiscalização, que fundamentaram a resposta negativa ao pedido compensatório. 1 Aviso de Recebimento postal acostado às folhas 231/232 dos autos eletrônicos. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.000537/2007-32 Acórdão n.º 3302-003.324 S3-C3T2 Fl. 275 7 Aponta contradição no despacho que indeferiu os créditos pleiteados porque, "ao denegar o direito da contribuinte informa, concomitantemente, que foram efetuados 'cálculos do crédito reconhecido" (fl. 237). Aduz que o Despacho Decisório conferiu interpretação equivocada às decisão favorável à contribuinte (Acórdão da Apelação Civel n. 2000.04.01.019147-1/RS), uma vez que efetivamente foi reconhecido o direito a apuração semestral da base de cálculo do PIS/PASEP. Em resposta a Resolução n. 3302-000.305 foi acostada aos autos a Informação DRF/CXL/Seort n. 62, de 5/07/2013 (fls. 265/266). Nesse documento a autoridade fiscal afirma que o acórdão proferido nos autos do julgamento da Apelação Cível n. 2000.04.01.019147/1-RS não reconheceu a semestralidade, e que naquele julgamento reiterou-se que a apuração do PIS é mensal, com vencimento no sexto mês subseqüente e os valores a serem recolhidos (seis meses após a apuração) devem ser corrigidos monetariamente. A autoridade fiscal transcreve trechos do voto do relator, que entende que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar n. 7/1970 trata sobre o prazo de vencimento e não de base de cálculo. Informa que foi negado provimento ao recurso de apelação do contribuinte e dado parcial provimento à remessa oficial, para que haja correção monetária no período entre a apuração e o vencimento da obrigação tributária referente ao PIS. E conclui: "Ou seja, se foi negado provimento ao apelo do contribuinte, conclui-se que a alegação do contribuinte, de que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior, constante do próprio 'Relatório' do voto condutor, não foi aceita pelo Tribunal" (fl. 266). Defende que o contribuinte estava ciente do indeferimento contido no acórdão proferido pelo TRF e, por esse motivo, interpôs recurso especial requerendo a semestralidade até então não reconhecida. Acosta aos seus esclarecimentos transcrições da petição de recurso especial aviada pelo contribuinte que corroboram seu entendimento. Esclarece que o recurso especial não foi admitido, tendo sido interposto agravo de instrumento, o qual foi negado provimento. Esta última decisão teve seu trânsito em julgado certificado em 16/05/2001. Por fim, o fiscal traz a seguinte informação: "12. Vale ainda salientar que não está correta a afirmação na Resolução de que a autoridade administrativa teria calculado alguns períodos com semestralidade (ano de 1988), outros com a aplicação do prazo trimestral (ano de 1989/1990/até out-1991) e outros ainda com o prazo mensal (out-1991/1995). 13. Na verdade, todos os períodos de apuração de 1988 a 1995 foram calculados mensalmente, ou seja, utilizando o faturamento do próprio mês, variando somente o vencimento dos períodos de acordo com a legislação da época. Ou seja, teve períodos em que o vencimento foi semestral, depois trimestral e depois Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 mensal. Mas trata-se apenas de vencimentos diferentes, sendo a base de cálculo sempre a utilizada a do próprio mês" (fl. 266). Como já dito, apesar de devidamente cientificada 2 sobre o teor da resposta do fiscal (Informação DRF/CXL/Seort n.62) a contribuinte quedou-se inerte. É de rigor esclarecer, ainda, que não há nos autos cópia integral da decisão proferida nos autos da Apelação n. 2000.04.01.019147-1. Também não é possível obtê-la no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, uma vez que os autos eram físicos e foram definitivamente baixados à origem em junho de 2001. Assim, considerando a inércia da recorrente em rebater as informações apresentadas pelo fiscal, é de rigor admitir integralmente suas constatações. Importa transcrever o pedido formulado no recurso voluntário sob análise: "Diante do exposto, requer o contribuinte seja REFORMADA a Decisão ora atacada, preliminarmente, com a declaração da Nulidade do presente Processo Administrativo conforme Decisão do TRF-4, e, no mérito, seja acolhida a tese de cerceamento de defesa pela inexistência de cálculo discriminado pela Fiscalização e, ainda pelo reconhecimento da semestralidade em favor do Contribuinte, tornando seus créditos 'declarados' e 'homologados', frente aos argumentos trazidos" (fl. 242). O pedido da contribuinte está arrimado na decisão judicial que teria reconhecido a existência dos créditos pleiteados (pois teria concedido direito a apuração semestral do PIS/PASEP). Por outro lado, de acordo com as informações trazidas pelo fiscal em diligência, a decisão não foi favorável a contribuinte. Desse modo entendo que não há como prosperar a pretensão da recorrente, por insubsistência dos créditos apontados. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Lenisa Prado - Relatora 2 Intimada em 27/08/2013, conforme atesta o Aviso de Recebimento postal acostado a folha 269. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002463/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2003
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO
Provado por Laudo Técnico que a empresa descreveu e classificou corretamente a mercadoria importada, deve o lançamento ser cancelado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-003.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 24 63 /2 00 3- 15 Fl. 506DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra auto de infração (fls. 3/10) que teve por objeto lançamento de ofício para exigência de multa do controle administrativo das importações por erro de classificação fiscal declarada na DI (art. 636, I, RA 2002) e de multa proporcional ao valor aduaneiro por "importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente" (art. 633, II, a, RA/2002). Entendeu a fiscalização aduaneira, em conferência física, que a mercadoria importada ao abrigo da DI 02/06530778 (fl. 13), descrita como "copolímero de acetato de vinila" e classificada na NBM 3905.29.00, por ser de difícil identificação, deveria ser submetida à realização de perícia técnica "a fim de que pudesse ser eficazmente aferido o tipo de mercadoria importada, o correto enquadramento na TEC, bem como a exatidão do crédito tributário correspondente". Foi elaborado Laudo Técnico (fls. 43/50) para responder os quesitos que constam às fls. 38/39, concluindo que a mercadoria importada tratavase de poliacetado de vinila. A fiscalização da DRF em Paranaguá intimou (fl. 58) o contribuinte para retificar a posição TEC para 3905.19.90, recolhendo as multas que vieram a ser o objeto do lançamento. A empresa respondeu (fl. 59), em 07/10/2002, que em contato com o representante do fabricante da mercadoria, este teria ratificado (fl. 60) que tratase a mesma de copolímero de acetato de vinila, conforme consta da DI, e não polímero de acetado de vinila. Acresceu que o representante do fabricante entrou em contato com o laboratório LATEC (onde foi elaborado o referido Laudo), tendo constatado que o método utilizado para a análise estava incorreto, "prontificandose o engenheiro químico responsável a realizar nova análise utilizandose desta vez de outros métodos...". Ademais, nessa correspondência, solicitou que fosse efetuada análise de contraprova, "através de outro laboratório a ser indicado pelo Eng. Químico Luiz Gomes, postulando prorrogação do prazo "até que fosse conhecido o resultado desta nova análise". A fiscalização, em 15/10/2002, desconheceu o pleito da empresa, limitandose a determinar que fosse refeita a reclassificação fiscal da mercadoria e o "cumprimento dos demais itens elencados no termo de intimação lavrado em 04/10/2002". Não tendo a empresa efetuado o recolhimento do crédito tributário, foi lavrado o auto de infração, informa o despacho de fl. 102. Foi impugnado o lançamento (fls. 63/70), em síntese, alegandose que a declaração do fabricante ratificou que a mercadoria tratavase de copolímero à base de acetato de vinila e etileno com NBM 3905.29.00, e que houve erro técnico na metodologia utilizada pelo engenheiro credenciado junto à RFB. Afirmou que o despachante teria amostra lacrada pela Receita para submeter à nova análise laboratorial. Conclui postulando a nulidade do auto de infração em face do cerceamento de defesa por ter a autoridade fiscal indeferido seu pedido de contraprova em nova análise, ferindo o princípio da verdade material. A DRJ Florianópolis, em 08/12/2006, julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 150/158), cancelando a multa por erro na classificação fiscal do art. 633, II, a, do RA/2002, por entender que o produto estava corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação, aplicando o ADN COSIT 12/1997. Foi mantida a multa proporcional (30 %) ao valor aduaneiro, no valor original de R$ 1.202,63 (fl. 173). Não resignada, a empresa interpôs o presente recurso voluntário (fls. 163/170), no qual, em suma, repisa seu argumentos impugnatórios, pontuando que o indeferimento de nova análise, da produção probatória, feriu a verdade material, uma vez que "todas as importações que a suplicante vem fazendo para adicionar ao produto que fabrica (argamassa), é, e tem sido copolímero à base de acetato de vinila e etileno com a classificação 3905.29.00". Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10907.002463/200315 Acórdão n.º 3402003.706 S3C4T2 Fl. 507 3 A Resolução 30301.483, da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 175/179), em 15/10/2008, baixou o processo em diligência nos seguintes termos: Às fls. 220/221, informação da Alfândega do Porto de Paranaguá, datada de 18/11/2009, dando conta de que não foi possível encontrar as amostras do produto em questão porque em 14/06/2006 ocorreu um incêndio no local, tendo sido "destruídos/inutilizados" as amostras. Em 08/11/2011, mais uma Resolução (fls. 225/230), novamente convertendo o julgamento do processo em diligência, com o seguinte teor: Foi acostado o Parecer Técnico 005/2012 emitido por Falcão Bauer Laboratório de Análises (fls. 474/475) emitido em 19/03/2012, o qual conclui: Fl. 508DF CARF MF 4 Cientificado do teor do referido Laudo, a recorrente manifestouse na petição de fls. 488/490, em resumo: É o relatório. Voto Apesar dos termos não muito cordiais da última manifestação da recorrente, devo admitir que este processo é um exemplo de como não se deve proceder quando, dentro de um quadro probatório revestido de todas evidências de que a empresa agiu de boafé, a fiscalização age em descompasso com a razoabilidade, não permitindo que fosse feito um exame da contraprova da mercadoria importada quando a empresa informou ao Fisco que o método de análise química estava incorreto. Por tal singelo fato, este processo vem se esgueirando pelos escaninhos da administração por aproximadamente treze anos, e no qual, após a decisão recorrida, se controverte o valor original de R$ 1.202,63. Sem contar que ficou mais de três anos parado com o antigo relator. Isso atenta contra o princípio da eficiência, pelo qual também deve pautarse a administração pública. Mas, finalmente, ante os termos do último Laudo anexado, resta inequívoco que a empresa, nestes autos, tem razão, tendo sido corretamente descrita e classificada a mercadoria, pelo que deve ser cancelado o auto de infração. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10907.002463/200315 Acórdão n.º 3402003.706 S3C4T2 Fl. 508 5 Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720906/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO.
A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos.
Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração.
FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE DERAM SUPORTE AOS VALORES DECLARADOS COMO RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE.
O sujeito passivo, ao não atender intimação do fisco para apresentar a documentação comprobatória da atividade rural informada na declaração de ajuste anual, abre ao fisco a possibilidade legal de arbitrar o tributo que entende devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felícia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente ROMULO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO. A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos. Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE DERAM SUPORTE AOS VALORES DECLARADOS COMO RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O sujeito passivo, ao não atender intimação do fisco para apresentar a documentação comprobatória da atividade rural informada na declaração de ajuste anual, abre ao fisco a possibilidade legal de arbitrar o tributo que entende devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 09 06 /2 01 3- 64 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felícia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13227.720906/201364 Acórdão n.º 2402005.525 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração que integra o presente processo. Nos termos do relatório fiscal de fls. 178/188, a ação fiscal que deu ensejo à lavratura em questão foi desencadeada por se constatar que o sujeito passivo realizou movimentação financeira, em conta bancária, incompatível com a receita declarada em sua DIRPF relativa ao anocalendário de 2010. Informase que o sujeito passivo foi regularmente intimado a apresentar documentação comprobatória da origem de valores creditados em contas bancárias, conforme relação apresentada no termo de intimação, bem como discriminar as receitas da atividade rural declaradas na DIRPF. Segundo a autoridade lançadora, o sujeito passivo limitouse a prestar o seguinte esclarecimento: “No ensejo informa ainda que a receita auferida pelo mesmo no período de Jan a Dez de 2.010 é oriundo da exploração pecuária, através de venda de bovinos. Outros valores que foram movimentados em suas contas correntes, tem origem em empréstimos bancários e/ou pessoais.” Foi então lavrado auto de infração decorrente de omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos em instituições bancárias sem comprovação da origem e por falta de escrituração da movimentação financeira da atividade rural. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ. Entendeuse que o fisco, diante da inércia do contribuinte em esclarecer a origem dos recursos depositados em contas bancárias, bem como pela constatação de omissão de receitas da atividade rural, efetuou o lançamento em estrito cumprimento à legislação de regência. Para o órgão a quo, a mera juntada de notas fiscais não seria suficiente para justificar as alegações defensórias, haja vista que não houve a perfeita vinculação das operações de venda de gado aos depósitos efetuados em contas correntes bancárias. O contribuinte tomou ciência da decisão em 12/03/2015, fl. 409, tendo o órgão preparador da RFB lavrado o Termo de Perempção de fls. 410, por perda do prazo recursal. Todavia, o sujeito passivo impetrou mandado de segurança, onde pede o processamento do seu recurso, o qual teria sido tempestivamente protocolizado em 13/04/2015. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Foi concedida liminar (fls. 425/435) no sentido de suspender a exigibilidade do crédito e determinar o processamento do recurso. Diante da medida judicial, a repartição da RFB decidiu suspender a exigibilidade do crédito e determinar o processamento do recurso que veio aos autos com as peças da ação judicial (ver despacho de fls. 439). No recurso de fls. 418/424, o sujeito passivo relatou os principais fatos processuais e apresentou as alegações a seguir para desconstituir o lançamento. Garante que o conjunto probatório carreado aos autos não deixa dúvida de que os depósitos efetuados nas contas bancárias do recorrente no anocalendário de 2010 decorreram do exercício da sua atividade agropecuária e da obtenção de empréstimos bancários e de particulares. Assegura que não incorreu na omissão de rendimentos decorrente da falta de identificação dos depósitos, posto que juntou prova da vinculação entre a movimentação financeira e a atividade que desenvolveu no período lançado. O fisco deveria ter se aprofundado na busca da verdade material, posto que tem o dever de atuar dentro da legalidade, não devendo prevalecer a imputação fiscal por presunção, quando o sujeito passivo apresenta elementos consistentes para afastála. Defende que na esteira da jurisprudência do CARF para que se caracterize a omissão de rendimentos não basta a identificação de depósitos, mas cabe ao fisco demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza do contribuinte. Reclama que o fisco não efetuou as diligências necessárias a afastar os argumentos e justificativas apresentadas pelo contribuinte. Afirma que os documentos juntados ao procedimento fiscal, tanto pelo fisco como pelo sujeito passivo, devem ser considerados tendose em conta a força probatória que possuem. Sustenta que o arbitramento da base de cálculo, nos termos do § 2.º do art. 18 da Lei n.º 9.250/1995, decorrente de suposta falta de escrituração da receita da atividade rural, não se sustenta, posto que o fisco não trouxe nenhuma informação decorrente de diligências realizadas para comprovar a irregularidade na escrituração mantida pelo contribuinte. Ao final, pede a declaração de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13227.720906/201364 Acórdão n.º 2402005.525 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que foi apresentado tempestivamente e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Observese que o prazo para recorrer encerrou no dia 12/04/2015 (domingo), tendo o recurso sido protocolizado no dia seguinte. Omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada É cediço que a partir de 01/01/1997 a disciplina da tributação dos depósitos bancários passou a ser dada pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 (alterado pela Lei n.º 9.481/1997), que traz a seguinte redação: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Fl. 463DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Observase que o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram por instituições financeiras em nome do contribuinte, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Na hipótese ventilada no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertese em desfavor do contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda. Tratase assim de uma presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Todavia, a presunção legal somente é afastada quando são carreados elementos probatórios que permitam a identificação da fonte do crédito, o seu valor e a data além, principalmente, da demonstração inequívoca da causa pela qual os créditos foram efetuados na conta corrente. Cada crédito em conta corrente deve ter íntima relação com a fonte dos recursos que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não se acatando comprovações que indiquem determinado documento para justificar a existência de vários depósitos. É de se ver que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister a simples apresentação de negativa geral ou afirmações genéricas acerca da origem dos recursos. Há estrita necessidade de que as provas refiramse a documentação hábil e idônea que possua vinculação inequívoca com os depósitos/créditos bancários. Passando ao caso concreto, verificase que o sujeito passivo respondeu laconicamente a intimação do fisco para apresentar comprovação dos depósitos, afirmando que decorreram de sua atividade agropecuária e de empréstimos obtidos de instituições financeiras e/ou de particulares. Esse tipo de comprovação não é suficiente para atestar a origem dos depósitos, posto que conforme vimos acima a identificação dos depósitos há de ser feita de Fl. 464DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13227.720906/201364 Acórdão n.º 2402005.525 S2C4T2 Fl. 5 7 forma individualizada, não sendo bastante comprovar que atuava no segmento do agronegócio no anocalendário fiscalizado. É de se ressaltar que para comprovar a origem dos rendimentos da atividade rural deveriam ter sido relacionadas notas fiscais de produtor, notas fiscais avulsas, notas fiscais de entrada emitidas pelos adquirentes ou mesmo notas promissórias vinculadas a notas fiscais de produtor, as quais teriam obrigatoriamente que estar relacionadas inequivocamente aos depósitos de origem não identificada. De outra banda, merece se enfatizar que o fisco excluiu da base de cálculo da apuração do tributo decorrente dos depósitos de origem não comprovada os valores que o próprio histórico do extrato bancário permitia a identificação, como é o caso de transferência de valores de contas de mesma titularidade, bem como de outras transações que o fisco entendeu identificáveis. O anexo II do relatório fiscal aponta ainda uma série de notas fiscais que o fisco recuperou e tratou como rendimentos da atividade rural, excluindo os valores correspondentes da apuração dos depósitos de origem não comprovada. Portanto, vejo que a autoridade cercouse de cautela para não incluir como omissão de rendimentos por falta de identificação da origem os recebimentos correspondentes às notas fiscais recuperadas, carecendo de razão o recorrente quando afirma que foram desconsiderados documentos que comprovam recebimentos pela sua atividade rural, como é o caso das notas fiscais em nome das empresas Frigoserve Caçoai Ltda. e Franco e Ramos Agroindústria Ltda. Observese, assim, que o procedimento adotado pelo fisco está em perfeita consonância com a legislação citada, posto que uma vez não tendo sido suficientemente comprovadas as origens dos depósitos, a identificação da infração com suas consequências jurídicas de apuração do imposto com aplicação dos acréscimos de juros e multa é medida obrigatória, que está dentro do campo do poderdever das autoridades tributárias. Como o lançamento está em total consonância com as normas de regência, em especial o art. 42 da Lei n.º 9.430/1996, acima transcrito, qualquer argumento que se contraponha a presunção legal de que os depósitos bancários não comprovados representam renda tributável, colocase em posição de confronto com texto literal de lei vigente e eficaz, o que não é admitido no processo administrativo fiscal, a quem não cabe apreciar as desconformidades da legislação ordinária frente à Constituição Federal, nos termos da Súmula n.º 02, a qual dispõe não ser esse Tribunal competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Omissão de rendimentos da atividade rural O recorrente aduz que o arbitramento da base de cálculo, nos termos do § 2.º do art. 18 da Lei n.º 9.250/1995, decorrente de suposta falta de escrituração da receita com atividade rural não se sustenta, posto que o fisco não trouxe nenhuma informação decorrente de diligências realizadas para comprovar a irregularidade na escrituração mantida pelo contribuinte. Inicialmente devemos ter em conta que o sujeito passivo foi intimado a comprovar as suas receitas com a atividade rural, conforme se extrai do relatório fiscal: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 " 2.6.2 Relacionar as receitas auferidas com Atividade Rural e declaradas em DIRPF, apresentando documentação que comprove a veracidade das receitas, despesas e demais valores integrantes do resultado daquela atividade, documentação esta que deve ser coincidente em datas e valores, com as Receitas da Atividade Rural lançadas na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF 2011, anocalendário 2010." Esta solicitação documental não foi atendida, todavia, o fisco na sua investigação conseguiu recuperar notas fiscais de produtor rural, as quais encontramse listadas no Anexo II do relatório fiscal. Citando a previsão do § 2.º do art. 60 do Regulamento do Imposto de Renda consubstanciado no Decreto nº 3.000/1999 RIR/99, a autoridade lançadora arbitrou a base de cálculo do imposto devido em vinte por cento da receita constante nas notas fiscais recuperadas. Vale a pena trazer a colação o dispositivo invocado pelo fisco: " Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 2º)." Ora, se o contribuinte, que fez a opção em sua DIRPF, fls. 389/395, de apurar o resultado da atividade rural pela diferença entre a receita bruta e as despesas de custeio, o arbitramento da base de cálculo em vinte por cento do valor das notas lhe foi, sem dúvida, mais favorável. Nessa toada, não merece acolhimento o seu inconformismo, mesmo porque sequer foi apresentado o Livro Caixa para fazer prova em seu favor e muito menos os documentos fiscais que embasaram a receita declarada em sua DAA. É impensável, ao meu sentir, tentar o contribuinte afastar um arbitramento, quando não apresenta ao fisco qualquer documento que possa vir em seu socorro, mormente, porque o método de aferição adotado foi aquele prevista em lei. Há de se ressaltar ainda que esses documentos também não foram carreados aos autos do processo administrativo fiscal, o que reforça a tese de que deve prevalecer o lançamento por arbitramento. Encaminho, por essas razões, também pela manutenção do lançamento sobre omissão de rendimentos da atividade rural. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13227.720906/201364 Acórdão n.º 2402005.525 S2C4T2 Fl. 6 9 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13878.000213/2005-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITO MODIFICATIVO
Configurada a omissão e contradição na decisão recorrida, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir os vícios apontados no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, sem efeito modificativo, para suprir a omissão e contradição apontadas pela Embargante, inclusive na ementa constante do Acórdão nº 3402-002.826, de 25/01/2016.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITO MODIFICATIVO Configurada a omissão e contradição na decisão recorrida, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir os vícios apontados no acórdão embargado. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, sem efeito modificativo, para suprir a omissão e contradição apontadas pela Embargante, inclusive na ementa constante do Acórdão nº 3402-002.826, de 25/01/2016. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITO MODIFICATIVO Configurada a omissão e contradição na decisão recorrida, acolhemse os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir os vícios apontados no acórdão embargado. Embargos Acolhidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, sem efeito modificativo, para suprir a omissão e contradição apontadas pela Embargante, inclusive na ementa constante do Acórdão nº 3402002.826, de 25/01/2016. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 00 02 13 /2 00 5- 87 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Tratase de Embargos de declaração, tempestivo, interposto pelo Contribuinte acima identificado (fls. 763/767), ao amparo do art. 65 e seguintes, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, em face do Acórdão nº 3402002.826, de 25/01/2016 (fls. 702/726), que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech, integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não comprovação dos créditos, Fl. 847DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000213/200587 Acórdão n.º 3402003.245 S3C4T2 Fl. 847 3 referentes à não cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. Na apuração de PIS/Cofins não cumulativo,aprovada existência do direito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamento com os dados que se encontram ao seu alcance. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Embargante em 11/04/2016 (segunda feira, data da abertura do DTE eletrônico à fl. 761). Cientificado do referido Acórdão, em 18/04/2016, tempestivamente portanto, foi interposto os Embargos de declaração de fls. 763/767, apontando omissão e contradição no referido julgado. Quando da análise dos referidos arestos, o Presidente da 2ª Turma, conforme o Despacho S/Nº (4ª Câmara/2ª Turma Ordinária) à fl. 837, encaminhou o processo a este Conselheiro para análise dos aclaratórios argumentados em sua petição e que após manifestação por meio de informação escrita nos autos, solicita que o processo seja restituído à presidência, a fim de que seja ouvido também o redator designado. Vejase: "(...) Os embargos alcançam tanto o voto vencido do relator originário, quanto o voto vencedor do redator designado. Tendo em vista o disposto art. 65, § 7º, do RICARF, encaminho o processo inicialmente ao relator originário, a fim de que se manifeste sobre a admissibilidade dos embargos de declaração na parte em que apontou vícios no voto vencedor. Após sua manifestação por meio de informação escrita nos autos, solicito que o processo seja restituído a esta presidência, a fim de que seja ouvido o redator designado. Pois bem. Como demonstrado no Acórdão embargado, no caso concreto, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cujo crédito provém do saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não cumulativa, referente ao 2º trimestre de 2005. Este Colegiado, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas dos créditos tomados: (i) gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech; e (ii) água e seu tratamento 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo. Posto isto, a Embargante colaciona a seguir, no seu entender, os 3 vícios apontados pelo Acórdão embargado, na parte em que reverteu a glosa e a exigência do crédito tributário, os quais justificariam a oposição dos Embargos de declaração: 1ª contradição e omissão Fl. 848DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Aduz que ao redigir o Voto Vencedor, os fundamentos utilizados pelo Conselheiro designado contradizem o disposto na ementa do Acórdão embargado. "(...) Isto porque, o Voto Vencedor reverteu a glosa de crédito de PIS e COFINS sobre 40% do total de água (e seu respectivo tratamento) consumida pela Embargante em seu processo de produção. Entretanto, o trecho do Termo de Informação Fiscal colacionado pelo Relator não corresponde à glosa de créditos sobre água e produtos químicos acrescidos à água, mas, sim, à glosa de créditos oriundos dos gastos com produtos químicos acrescidos à água que se transforma em vapor durante o processo produtivo, in verbis (fls. 222, do v. acórdão): "Acerca da glosa de 40% sobre o total de água consumida, entendo Que tal vedação de creditamento não deva prosperar, sobretudo diante do minucioso trabalho do fiscal durante o procedimento de fiscalização, como se vê no item 16 do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Fisco, argumenta que: "(...) A água que e utilizada nos processos produtivos da empresa, unidades matriz e filial, recebe inúmeros produtos químicos para garantir sua qualidade (ver fls 464 item 1). Inicialmente parte da água será utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. Dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado (...)" [g n]. O trecho do Termo de Informação Fiscal colacionado no v. acórdão enfoca o "item 16", do referido Termo, como se este item contivesse a glosa de créditos oriundos de 40% do volume de água descartada e dos produtos químicos necessários à sua utilização e purificação. Entretanto, ao cotejar o "item 16" com os fundamentos expostos no acórdão, a Embargante observou que todos os valores glosados contidos no "item 16" correspondem, na realidade, a produtos químicos utilizados no processo de vaporização da água. Fica, portanto, demonstrada a contradição entre a ementa do v. acórdão e o Voto Vencedor. A glosa de créditos sobre o volume de 40% da água utilizada no processo produtivo e seu tratamento está contida no "item 17". Entretanto o Voto Vencedor do acórdão foi omisso por não incluir o "item 17" em sua fundamentação. Devese, portanto, sanar esta omissão, incluindo, na fundamentação do Voto Vencedor, o "item 17", para que ocorra, efetivamente, a reversão da glosa da água (e seu respectivo tratamento) que é descartada ao final do processo produtivo. 2ª contradição Argumenta que o acórdão contém uma segunda contradição entre a decisão prolatada e o item "5d", do voto do relator, que versa sobre a parcela de água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo. "(...) O Conselheiro Waldír Navarro Bezerra considerou procedente a glosa dos créditos originados na parcela de água que evapora durante o processo de produção, supostamente, porque a possibilidade de creditamento da energia sob a forma de vapor só teria sido concedida com a redação dada ao artigo 3º, da Lei n° 10.833/03, pela Lei n° 11.488/07. Ocorre que não há, na presente controvérsia, glosa de créditos sobre a água utilizada sob a forma de vapor, mas, sim e exclusivamente sobre os produtos químicos adicionados à água utilizada nas caldeiras para a produção de vapor, conforme descrição contida no "item 16". Fl. 849DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000213/200587 Acórdão n.º 3402003.245 S3C4T2 Fl. 848 5 Ora, os créditos glosados no "item 16" correspondem aos gastos com produtos acrescidos à água dedicada às caldeiras que se transforma em vapor. Consequentemente, tem a mesma natureza que os créditos glosados decorrentes das despesas com os produtos utilizados no tratamento da água utilizada no processo produtivo e descartada ao final do processo ("item 17", do Termo de Informação Fiscal"). No presente caso, reconhecese o direito ao crédito sobre os produtos necessários ao tratamento da água descartada que fez parte do processo produtivo da Embargante (item 17"), mas, contraditoriamente, mantémse a glosa de créditos sobre as despesas com produtos utilizados no tratamento da água utilizada nas caldeiras ("item 16") que gerarão o vapor utilizado no processo de produção. Deste modo, o item "5d", do voto do Relator, é contraditório, a uma por versar sobre elemento desconhecido, já que o "vapor" não foi glosado, mas, sim, as despesas com os produtos químicos utilizados na água que gerará o vapor e, a duas, porque concedeu o direito ao crédito sobre os gastos com o tratamento da água descartada, mas não com o tratamento da água que será transformada em vapor. 3ª contradição apontada Informa que há, ainda, contradição na ementa do acórdão que mencionou a suposta ausência de comprovação, por parte da Embargante, da utilização dos insumos no processo de produção. Ora, a única suposta glosa mantida foi a de produtos químicos utilizados na água que gerará o vapor ("item 16), sendo certo que restou comprovado, pelo voto vencedor, que toda a água é utilizada no processo produtivo, inclusive a água que gerará o vapor. Portanto, não há que se falar em ausência de comprovação. Além disso, consta do acórdão, que a glosa (inexistente) sobre o "vapor" foi acertada, já que a legislação que permitiria o seu creditamento (2007) é posterior aos fatos geradores do crédito (2005). Ou seja, ainda que subsista o erro, o motivo da manutenção da glosa (indevida) do "vapor" não é a ausência de comprovação, mas, sim, aplicação ou não da legislação (Lei n° 11.488/07). Ao final, requer que sejam os presentes embargos admitidos, postos para apreciação do Colegiado, para que sejam acolhidos para sanar os vícios apontados, na forma do art. 65, §§ 2º ao 6º, do RICARF. Esses são os fatos. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem Embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus Fl. 850DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 dias contados da ciência do acórdão. Nesse espeque, foi procedida à análise dos Embargos de declaração apresentados, verificado que atendem aos requisitos de admissibilidade e considerando a omissão e as contradições acima expostas, os mesmos devem ser admitidos, a fim de serem corrigidos os vícios apontadas pela Embargante (omissão e contradição), conforme Despacho do Presidente desta Turma Ordinária à fl. 845 e do Despacho elaborado pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto designado pelo Voto Vencedor à fl. 844. É cediço que o objeto dos Embargos de declaração tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. Passamos, então, à análise dos pontos elencados pela Embargante e as considerações proferidas pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, quanto ao voto vencedor: 1) Quanto ao Voto Vencedor: da alegada omissão e contradição no voto vencedor de que "A glosa de créditos sobre o volume de 40% da água utilizada no processo produtivo e seu tratamento está contida no 'item 17', do TIF Termo de Informação Fiscal", fazse necessária o seguinte aclaramento: A Embargante alega que na redação do Voto Vencedor foram invocados fundamentos que não se aplicariam à reversão da glosa proposta, nominalmente a menção ao item 16, mencionado no Acórdão embargado. Diante disso, apontou a existência de contradição, pelo fato do item 16 do Termo de Informação Fiscal versar sobre gastos com embalagens de transporte, pallet, papelão e filme stretch. Verificando às fls. 45/50 do processo, se verifica que o Embargante tem razão. Invocouse o item errado para reverter as glosas sobre a água evaporada, que não se integrou no fertilizante nitrogenado. Em rigor, o fundamento reside no item 18, verbis: Como se interpreta claramente da descrição acima dada, 100% da água é utilizada no processo produtivo, de diversas formas (produção de vapor, processos de fermentação, isolação e purificação, e composição do fertilizante nitrogenado), apesar de que apenas 60% dele será incorporado efetivamente ao produto final, restando 40% descartado após tratamento químico. Caso essa turma adotasse o vetusto conceito de insumo de IPI para os casos de PIS e COFINS, faria sentido a glosa de parcela da água que não fora incorporada ao produto. Todavia, temos firme entendimento de que a noção de insumo está relacionada ao processo produtivo como um todo e as despesas necessárias para sua ocorrência, ainda que não haja a incorporação física ao produto. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000213/200587 Acórdão n.º 3402003.245 S3C4T2 Fl. 849 7 Desse modo, corrigese a fundamentação da decisão embargada, para sanar a contradição apontada, mantendo a reversão da glosa de crédito de PIS e COFINS sobre os 40% da água descartada, contido no item 18 do TIF. 2) Quanto ao Voto do Relator: No que pertine à alegação de que o acórdão contém uma segunda contradição entre a decisão prolatada e o item "5, letra 'd" do Acórdão, que versa sobre a parcela de água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo, também assiste razão à Embargante e, portanto, aclarase o seguinte: De fato o Acórdão embargado considerou procedente a glosa elaborada pelo Fisco, dos créditos originados na parcela de água que evapora durante o processo de produção, porque a possibilidade de creditamento da energia sob a forma de vapor só teria sido concedida com a redação dada pelo artigo 3º, da Lei n° 10.833/03, incluído pela Lei n° 11.488/07. No entanto, na controvérsia, verificase que não há glosa de créditos sobre a água utilizada sob a forma de vapor, mas sim sobre os produtos químicos adicionados à água utilizada nas caldeiras para a produção de vapor, conforme descrição contida no "item 16" do Termo de Informação Fiscal (tratamento, que correspondem aos gastos com produtos acrescidos à água dedicada às caldeiras que se transforma em vapor). Verificase isto pelas alegações da Recorrente em seu recurso: "(...) Incorreta também é a glosa dos créditos correspondentes a parcela da água que não teve contato com o produto, uma vez que 100% da água utilizada é necessária para o processo produtivo, tal qual o vapor utilizado na secagem e finalização do produto, ou seja, parte indispensável na cadeia produtiva". Por outro lado, no presente caso, reconheceuse, pelo voto vencedor, o direito ao crédito sobre os produtos necessários ao tratamento da água descartada que fez parte do processo produtivo da Embargante (item 17, do TIF). Assim, o item "5, letra 'd" do voto (Da parcela da água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo (produção vapor), tornouse realmente contraditório, por versar sobre "vapor" (um tipo de energia), insumo este que não foi glosado pelo Fisco. O que foi objeto de glosa foram as despesas com os produtos utilizados na água que produzirá o vapor (tratamento), e tal glosa foi revertida pelo voto vencedor do Acórdão (conforme item (ii), dar provimento parcial, para reverter as seguintes glosas [...] água e seu tratamento). 3) Por fim, quanto à alegada contradição contida na ementa do acórdão que mencionou a suposta ausência de comprovação, por parte da Embargante, da utilização dos insumos no processo de produção, entendo que também assiste razão à Recorrente. Como a única glosa mantida foi a de produtos químicos utilizados na água que gerará o vapor (item 16, do TIF), sendo certo que restou comprovado pelo voto vencedor, que toda a água é utilizada no processo produtivo, inclusive a água que gerará o vapor (água e seu tratamento), não há mais que se falar em ausência de provas na ementa do Acórdão. Ressaltese que, com relação a glosa (inexistente) sobre o "vapor", muito embora se encontra fundamentada no Acórdão, já que a legislação que permitiria o seu creditamento (2007) é posterior aos fatos geradores do crédito (2005), o motivo da manutenção da glosa (indevida) do "vapor" não seria a ausência de comprovação, mas, sim, a aplicabilidade ou não da legislação do art. 3º, III, da Lei n° 10.833/07. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Assim, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios, sem efeito modificativo, para aclarar as contradições e omissão apontadas pela Embargante, inclusive na ementa da decisão constante no Acórdão nº 3402002.826, uma vez que não há que se falar em ausência de comprovação dos créditos referente ao "vapor". É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 853DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721893/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.
Integram o salário-de-contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de vale alimentação, inclusive é entendimento pacificado do STJ que o auxilio alimentação pago em dinheiro ou em depósito em conta, corresponde a verba de caráter remuneratório, o que gera a incidência de contribuições previdenciárias.
MULTA PREVIDENCIÁRIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO.
A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento.
Numero da decisão: 2301-004.765
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos: (a) a relatora e a conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves que davam provimento parcial para: (a.1) excluir a penalidade imposta por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD n. º 37.317.768-2, por força da anistia conferida pela Lei nº 13.097/2015 e (a.2) ser aplicada a multa do art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96, em relação aos períodos de 05/2006 a 11/2008; (b) o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento integral ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Júlio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araújo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos: (a) a relatora e a conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves que davam provimento parcial para: (a.1) excluir a penalidade imposta por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD n. º 37.317.768-2, por força da anistia conferida pela Lei nº 13.097/2015 e (a.2) ser aplicada a multa do art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96, em relação aos períodos de 05/2006 a 11/2008; (b) o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento integral ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Júlio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araújo Nogueira.
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INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de vale alimentação, inclusive é entendimento pacificado do STJ que o auxilio alimentação pago em dinheiro ou em depósito em conta, corresponde a verba de caráter remuneratório, o que gera a incidência de contribuições previdenciárias. MULTA PREVIDENCIÁRIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO. A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos: (a) a relatora e a conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves que davam provimento parcial para: (a.1) excluir a penalidade imposta por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD n. º 37.317.7682, por força da anistia conferida pela Lei nº 13.097/2015 e (a.2) ser aplicada a multa do art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96, em relação aos períodos de 05/2006 a 11/2008; (b) o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento integral ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 93 /2 01 1- 06 Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 2 (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Júlio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araújo Nogueira. Relatório Contra o contribuinte acima referido, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: DEBCAD 37.358.9263 – no valor de R$ 2.755.813,95, no período de 05/2006 a 12/2008, consolidado em 24/10/2011, referente à contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (Levantamentos 1, 11, 12 – AUXILIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA e 2, 21, 22 – FOLHA DE PAGAMENTO). DEBCAD 37.358.9271 – no valor de R$ 1.488.481,69, no período de 05/2006 a 12/2008, consolidado em 24/10/2011, referente à contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição dos segurados (Levantamentos 1, 11, 12 – AUXILIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA). AI DEBCAD 37.313.7682 (Código de Fundamentação Legal – CFL 68): infração à Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV e §5º c/c o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 225, inciso IV e §4º, por ter a empresa apresentado GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. No Relatório Fiscal (fls. 194/208) consta: Da análise das folhas de pagamento apresentadas pelo Município de Florianópolis, verificouse a existência de rubricas intituladas “AUXILIOALIMENTAÇÃO” e “AUXILIOLANCHE”, pagas em pecúnia (moeda corrente) aos servidores ocupantes de cargos em comissão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Tais valores não foram considerados pelo autuado como saláriode contribuição dos segurados e nem declarados em Guias de Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 11516.721893/201106 Acórdão n.º 2301004.765 S2C3T1 Fl. 2.559 3 Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência GFIP. Para os demais segurados vinculados ao RGPS na condição de empregados o contribuinte considerou as verbas pagas em pecúnia, a título de auxílioalimentação, como saláriodecontribuição. As contribuições incidentes sobre os valores pagos em pecúnia aos servidores ocupantes de cargos em comissão a título de “AUXILIO ALIMENTAÇÃO” e “AUXILIOLANCHE” estão discriminadas nas planilhas “Base de Cálculo do Auxílio Alimentação / AuxílioLanche Pagos em Pecúnia” – ANEXO I (fls.209/1.325) e “Contribuição do Segurado Referente ao AuxílioAlimentação / AuxílioLanche Pagos em Pecúnia” – ANEXO II (fls.1.326/2.443), que demonstram a base de cálculo, por segurado e competência e foram lançadas sob os códigos de Levantamento 1, 11 e 12 – AUXILIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. Da análise das GFIPs, verificouse que na competência 06/2007, o órgão informou e recolheu a menor a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. A partir dessa competência (06/2007), conforme Decreto nº 6.042/2007, o CNAE do contribuinte passou a ser 84.116 – Administração Pública em Geral e a alíquota GILRAT passou para 2%. Contudo o autuado continuou a utilizar a alíquota de 1%. A diferença da contribuição devida está discriminada na planilha 3 “Auto de Infração CFL 68 – Diferença de GILRAT” do ANEXO IV (fl.2.476) e foi lançada sob o código de Levantamento 2 – FOLHA DE PAGAMENTO. Ao comparar os valores das contribuições devidas oriundas dos fatos geradores da folha de pagamento de salários com os valores recolhidos em Guia de Recolhimento da Previdência Social GPS, verificouse que, em algumas competências e filiais do contribuinte, houve recolhimento a menor do que o devido. As contribuições que deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte estão discriminadas na planilha 1 “Diferenças da Folha de Pagamento” do ANEXO III (fls. 2.444/2.473) e foram lançadas sob os códigos de Levantamento 2, 21 e 22 – FOLHA DE PAGAMENTO. O contribuinte deixou de informar valores de auxílioalimentação pago em pecúnia e outros valores constantes na folha de pagamento e informou a menor a alíquota GILRAT (na competência 06/2007). Em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa no valor total de R$ 160.065,15 com base na Lei nº 8.212/1991, artigo 32 § 5º, e RPS, artigo 284, inciso II e artigo 373. A multa foi aplicada nas competências 06/2007, 10/2007 e 03/2008. Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 4 Os valores das contribuições referentes aos fatos geradores não declarados em GFIP, bem como o valor máximo da multa e a multa aplicada por competência, estão discriminados na planilha 1 “Auto deInfração CFL 68 – MULTA APLICADA” do ANEXO IV (fl.2.474). Com a edição da MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a aplicação de multas por descumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias passou a ser regida por este novo diploma legal, com vigência a partir da competência 12/2008. Contudo, como o lançamento abrange período anterior a essa data, nos termos do CTN, artigo 106, inciso II, letra "c", fezse necessário realizar o cálculo comparativo entre as multas aplicáveis nos termos da lei vigente ao tempo da ocorrência dos fatos geradores e as novas multas instituídas pela MP nº 449/2008, conforme planilha “Safis – Comparação de Multas” (ANEXO VI, fls.2.480/2.481), aplicandose a mais benéfica ao contribuinte. Após essa comparação, a fiscalização concluiu que as multas mais benéficas, por competência, foram: a) 06/2007, 10/2007 e 03/2008: a multa dos AIs por descumprimento de obrigação principal foi aplicada nos termos da Lei nº 8.212/1991, artigo 35 (24%). Para tais competências também foi lavrado AI por descumprimento de obrigação acessória DEBCAD nº 37.313.7682 (CFL68), com multa aplicada com base na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, §5º, c/c RPS, artigo 284, inciso II e artigo 373; b) 04/2007, 05/2007, 08/2007, 09/2007, 01/2008 e 02/2008: a multa dos AIs por descumprimento de obrigação principal foi aplicada nos termos da Lei nº 8.212/1991, artigo 35A c/c a Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I (75%). Não foi lavrado AI por descumprimento de obrigação acessória referente a tais fatos geradores, uma vez que a multa de 75% visa punir as duas infrações. c) 05/2006 a 03/2007, 07/2007, 11/2007, 12/2007, 04/2008 a 11/2008: como as GFIPs foram enviadas após 3/12/2008 (vigência da MP nº 449/2008), foi lavrado AI por descumprimento de obrigação acessória DEBCAD nº 51.009.3485 (CFL 78), com multa aplicada nos termos da Lei nº 8.212/1991, artigo 32A, “caput”, inciso I, §§2º e 3º, acrescentados pela MP n° 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Nos AIs por descumprimento de obrigação principal, para as competências 05/2006 a 01/2007 não foi aplicada multa de ofício (pois nesse período os órgãos públicos não se sujeitavam à aplicação dessa multa) e para as competências 02/2007, 03/2007, 07/2007, 11/2007, 12/2007, 04/2008 a 11/2008 foi aplicada multa nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 (24%). e) 12/2008: essa competência também não fez parte do comparativo, pois se refere a período posterior à publicação da MP nº 449/2008. A multa dos AIs por descumprimento de obrigação principal foi aplicada Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 11516.721893/201106 Acórdão n.º 2301004.765 S2C3T1 Fl. 2.560 5 nos termos da Lei nº 8.212/1991, artigo 35A c/c a Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I (75%). O contribuinte foi cientificado dos autos de infração em 25/10/2011, por meio do Ofício Sefis/DRF/FNS nº 360 (assinatura aposta à fl.2.482) e, em 11/11/2011, apresentou defesa (fls. 2.485/2.487). Resumidamente alega: que os Auto de Infração lavrados devem ser revistos e considerados nulos. que é inviável a cobrança de servidor público municipal ativo vinculado ao RGPS da contribuição social incidente sobre auxílio alimentação, pois a Lei nº 10.887/2004, em seu artigo 4º, exclui tal verba da base de cálculo de contribuição, por ser indenizatória e não remuneratória. que é indiscutível que a verba paga a título de auxilio alimentação é parcela indenizatória e insuscetível de incidência contributiva previdenciária. Conclui que se a Lei nº 10.887/2004 excluiu expressamente o auxílio alimentação do cálculo da contribuição previdenciária e a Lei nº 8.460/1992 confere o caráter indenizatório a tal verba, mesmo que paga em pecúnia, é inadmissível a exação fiscal. A Turma Julgadora de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação apresentada, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA E DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 6 Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência do Acórdão 0252.988 8ª Turma da DRJ/BHE ocorreu em 08/05/2014 (fl. 2.543), mediante Aviso de Recebimento AR. Às fls. 2.542, foi juntado Ofício nº 36/2014/DRFFNS Secat EAC1, informando que a DRJ/BHE considerou não impugnados os "Levantamentos 2, 21 e 22 Folha de Pagamento", referente ao AI DEBCAD nº 37.358.9263, que passaram a constituir o PAF nº 11516.720211/201482 (DEBCAD nº 37.414.7248) e que foram desmembrados para imediata cobrança dos valores apurados e não contestados. Sobreveio recurso voluntário em 09/06/2014 (fls. 2.545/2.551), em que o recorrente, em apertada síntese, alegou que o auxílioalimentação é verba de natureza indenizatória, de acordo com a Lei Complementar Municipal nº 63/2003 em seu art. 81. Entende que a municipalidade ao "conceber o auxílioalimentação como verba indenizatória no bojo de sua legislação, não infringe qualquer norma jurídica, muito menos a Constituição Federal, haja vista, frisese, a ausência de dispositivo geral que conceitue a natureza de tal verba" É o relatório. Voto Vencido Conselheira Alice Grecchi O presente recurso possui os pressupostos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. De início, cumpre esclarecer que a contribuinte não impugnou os "Levantamentos 2, 21 e 22 Folha de Pagamento", referente ao AI DEBCAD nº 37.358.9263. Portanto, em que pese haja menção do referido Auto de Infração no recurso voluntário, esse não será objeto de apreciação, pois tratase de matéria não impugnada, conforme art. 17, Decreto 70.235/72, inclusive com os valores já desmembrados para cobrança imediata, por meio do processo nº 11516.720211/201482. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA DEBCAD 37.358.9263 e DEBCAD 37.358.9271 Tratase de contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como referente à contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição dos segurados (Levantamentos 1, 11, 12 – AUXILIO Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 11516.721893/201106 Acórdão n.º 2301004.765 S2C3T1 Fl. 2.561 7 ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA), incidentes sobre os valores pagos em pecúnia aos servidores ocupantes de cargos em comissão. A fiscalização constatou, através das folhas de pagamento, a existência de rubricas nomeadas como “AUXILIOALIMENTAÇÃO” e “AUXILIOLANCHE”, pagas em pecúnia (moeda corrente) aos servidores ocupantes de cargos em comissão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Tais valores não foram considerados pelo autuado como saláriodecontribuição dos segurados e nem declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência – GFIP. A recorrente alega que a Lei Complementar nº 63/2003, que instituiu o auxílioalimentação em âmbito municipal aos servidores públicos, efetivos ou não, conferiu caráter indenizatório ao benefício. Não assiste razão à recorrente. Com relação aos valores apurados em decorrência da verba paga a título de auxílioalimentação (auxíliolanche) em dinheiro, entendo que tal verba é saláriode contribuição e, por consectário lógico, deverá ser submetida à incidência da contribuição social previdenciária. Constatase que não houve pagamento “in natura” de auxílioalimentação, sendo os valores incluídos diretamente na folha de pagamentos, e o pagamento efetuado em pecúnia durante todo o período fiscalizado. A recorrente também não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme Relatório Fiscal (fl. 197). 3.8. O órgão não está inscrito no PAT (Ofício PMF/SEFIMPLAM Nº 470/2011, de 02 de maio de 2011) e nem poderia estar, pois deve optar pelas modalidades de execução do programa que incluem a execução por serviço próprio (elaboração e distribuição de refeições) ou por serviço terceirizado (refeição transportada, administração de cozinha e refeitório, refeição convênio, alimentação convênio e cesta de alimentos). Como fica claro, o PAT não prevê o pagamento do auxílio alimentação em pecúnia, ou seja, não existe na hipótese excludente da incidência do saláriodecontribuição o pagamento em espécie para a alimentação do trabalhador. Em sentido contrário, entendo que auxílioalimentação (auxiliolanche) quando pago em pecúnia atrai a regra de incidência da contribuição previdenciária. Com isso, o auxílioalimentação pago em dinheiro deve ser considerado como integrante do salário de contribuição, visto que não resta excluído da incidência nos termos preceituados pela alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei no 8.212/1991, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 8 adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Percebese que o § 9º determina que “exclusivamente” a parcela "in natura" não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, que não é o caso dos autos ora analisado. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial. Esse entendimento está consubstanciado em precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos seguintes termos: AgRg no REsp 1568675 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL JULGADO EM 03.03.2016 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE VALOR PAGO, AO EMPREGADO, A TÍTULO DE FÉRIAS GOZADAS, ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE E DE INSALUBRIDADE, AUXÍLIOALIMENTAÇÃO E AUXÍLIO DE "QUEBRA DE CAIXA". INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. [...] V. De acordo com a jurisprudência desta Corte, "o STJ pacificou seu entendimento em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação" (STJ, AgRg no REsp 1.490.017/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/06/2015). Em igual sentido: STJ, AgRg no REsp 1.549.632/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/11/2015; AgRg no AREsp 731.246/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 11516.721893/201106 Acórdão n.º 2301004.765 S2C3T1 Fl. 2.562 9 09/11/2015; AgRg no REsp 1.493.587/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/02/2015. VI. Agravo Regimental improvido. _______________________________________________________ AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.450.705 RS (2014/00949541) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : TISCOSKI DISTRIBUIDORA COMERCIAL LTDA ADVOGADO : GLEISON MACHADO SCHÜTZ E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA RECURSO FUNDADO NO CPC/73. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. INCIDÊNCIA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA FEITO PELA EMPRESA. INCIDÊNCIA. [...] 3. O auxílioalimentação, quando pago habitualmente e em pecúnia, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes: AgRg no REsp 1562484/PR, Rel. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 18/12/2015; e AgRg no REsp 1493587/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 23/02/2015. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar Documento: 1501930 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJe: 13/04/2016 Página 1 de 15 Superior Tribunal de Justiça provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Napoleão Nunes Maia Filho e Benedito Gonçalves votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 07 de abril de 2016(Data do Julgamento) MINISTRO SÉRGIO KUKINA Relator Segue o mesmo entendimento a jurisprudência desse E. Conselho, em julgados, inclusive, da Câmara Superior, vejamos: Processo n° 11474.000026/200782 Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 10 Recurso n° 248.736 Voluntário Acórdão n° 230200.814 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria AFERIÇÃO INDIRETA. FOLHAS DE PAGAMENTO. AUXILIO ALIMENTAÇÃO Recorrente ESTADO DE SANTA CATARINA SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE Recorrida DRJFLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 01/02/2005 [...] AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. VER A DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTR1BUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT. Conforme entendimento pacificado do STJ, o auxilio alimentação pago e pecúnia, corresponde a verba de caráter remuneratório, o que gera a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado ______________________________________________________________ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 VALE ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de vale alimentação, apurados na contabilidade da empresa, independentemente da previsão em Convenção Coletiva de Trabalho, que não pode se opor à lei tributária. Recurso Especial do Contribuinte negado (Acórdão 9202003.870, Processo 10166.728.710/201120, Julgado em 10/03/2016, Relatora Maria Helena Cotta Cardozzo) No caso sob exame, além de a Recorrente, no período do lançamento, não estar inscrita no PAT, em relação a tal inscrição resta reconhecida a desnecessidade, inclusive, no Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, que em razão de reiteradas manifestações do Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu que o pagamento “in natura” do auxílioalimentação, independentemente de o empregador estar ou não inscrito no PAT, não se submete à incidência da contribuição previdenciária, uma vez que a “atitude do Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 11516.721893/201106 Acórdão n.º 2301004.765 S2C3T1 Fl. 2.563 11 empregador visa tãosomente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais”. No entanto, quando a alimentação for fornecida em pecúnia (dinheiro) e de forma habitual, a verba correspondente está sujeita à incidência de contribuições previdenciárias. DA MULTA PREVISTA NO ART. 35, LEI Nº 8.212/91 As contribuições sociais, pagas com atraso, ficavam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/91, redação original, cujos percentuais variavam, de modo que a multa poderia chegar ao patamar de 100%. Ocorre que, o art. 35 ganhou nova redação dada pela Lei n° 11.491/09 que transformou em lei a Medida Provisória MP n° 449, de forma que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430/96. " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. " O STJ julgando o agravo regimental da Fazenda Pública (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.343.805 SC), Relator Min. Humberto Martins, acompanhado por unanimidade, registrou que a jurisprudência daquela Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, verificandose que o art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei nº 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20% que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica. "Conforme consignado na decisão agravada, a jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial independentemente da natureza da multa, sem contudo descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20% que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 12 benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN.” Refirase que, para as Contribuições Previdenciárias, a aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída através da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008. Logo, considerando que o crédito fora constituído para o período 05/2006 a 12/2009, somente deve estabelecer multa de ofício para as competências de 12/2008 a 12/2009. O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, para os períodos anteriores a 12/2008, impõese, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96, uma vez que o art. 35 da Lei n.º 8.212/91 foi alterado pela Lei nº 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%. Nesse sentido, cabe transcrever excertos da ementa do acórdão nº 2403 002.912, do Relator Ivacir Júlio de Souza: “[...] MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso RETROATIVIDADE BENÍGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN, observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. [...]” DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (GFIP) DEBCAD n. º 37.317.7682 No que tange a autuação por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD n.º 37.317.7682, em virtude da apresentação de GFIPs com omissão de dados correspondentes a fatosgeradores de contribuições previdenciárias, essa não pode prosperar. Consta à fl. 40: Ocorre que foi editado regramento anistiando as infrações elencadas no art. 32A caput, inciso I e II, incluídos pela Lei 11.941/2009. Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 11516.721893/201106 Acórdão n.º 2301004.765 S2C3T1 Fl. 2.564 13 Primeiramente, vejamos a alteração da redação do art. 32 da Lei nº 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; [...] § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: […] Verificase que a diferença básica está na citação “dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. Resta evidente que se nem todos os dados referentes aos fatos geradores foram declarados é porque houve omissão em relação a alguns deles. Evidenciase, assim, que a infração anterior é idêntica a nova infração, mas apenas com uma outra roupagem e descrição. Desta forma, entendo que a multa do presente auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32A, uma vez que não haveria razão jurídica para se aplicar a anistia a uma infração e não a outra apenas porque o dispositivo legal é outro. Em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, mas sim o artigo 32 A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa. Superada a questão da aplicabilidade da Lei nº 13.097/2015 para infrações capituladas pelo art. 32 e não pelo 32A, da Lei 8.212/91, resta analisar o caso concreto. A nova legislação introduzida no ordenamento jurídico, em seu artigo 49, abaixo reproduzido, dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 14 desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Sobre o assunto, há decisões nesse sentido. Abaixo, ementa colacionada referente ao Acórdão 2803004.218 3ª Turma Especial, de 12.03.2013, Redator Designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Do acórdão supracitado, destaco excertos das razões de decidir contidas no voto vencedor. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devendo ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Portanto, a multa por descumprimento de obrigação acessória (omissões na GFIP) , aplicada no Auto de Infração DEBCAD n.º 37.317.7682, que teve fundamento o art. 32, inciso IV, §§3º e 5º, cuja redação quanto as penalidades aplicadas fora alterada pelo art. 32 A, "caput", inciso I e II, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, a qual se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei n º 13.097/2015. Logo, deve ser cancelado o Auto de Infração DEBCAD n. º 37.317.7682, nos termos do art. 49 da Lei nº 13.097/15. Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 11516.721893/201106 Acórdão n.º 2301004.765 S2C3T1 Fl. 2.565 15 Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir a penalidade imposta por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD n. º 37.317.7682, por força da anistia conferida pela Lei nº 13.097/2015 e com relação a multa de mora, que seja aplicada a multa fundamentada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96, em relação aos períodos de 05/2006 a 11/2008. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora Designada Multas Peço licença para discordar da relatora no que tange à exclusão da penalidade imposta por descumprimento de obrigação acessória, Debcad n.º 37.317.7682, e à redução da multa de mora ao percentual de 20%, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, em relação aos períodos de 05/2006 a 11/2008. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias referente ao período de 05/2006 a 12/2008 e multa por descumprimento de obrigação acessória (Debcad nº 37.317.7682 por deixar de informar na GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias), portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. Ainda, com base no mesmo documento, extraise que, no momento da aplicação da multa, já foi observado o princípio da retroatividade benigna, conforme os seguintes excertos: 2.1. A Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009), inseriu o art. 35A na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, alterando a forma de aplicação de penalidades quando do descumprimento da obrigação principal. 2.2. O art.106, II, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), determina a retroatividade da lei quando traga tratamento mais benéfico ao contribuinte. 2.3. Na aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória, verificada nesta auditoria, prevista no revogado art 32, § 5°, da Lei nº 8.212, de 1991, que se refere à não declaração em GFIP de todos fatos geradores – Código de Fundamento Legal – CFL – 68 (fato gerador não declarado e não pago), e também da sanção pecuniária pelo não pagamento Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 16 do tributo devido no prazo da lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991, o cotejo dessas multas, em conjunto, deve ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações referidas (mudança determinada pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009). 2.4. Para as competências 04 a 06 e 08 a 10/2007 e 01 a 03/2008: foi realizada esta comparação entre as multas atuais e as anteriores à MP nº 449, de 2008 (período de regência) para certificação da aplicação da multa menos onerosa, que consta da planilha “Safis – Comparação de Multas” (ANEXO VI do relatório fiscal). A coluna “Multa Menos Severa”, desta planilha, define qual multa deve ser aplicada em cada competência, ou seja, a menos onerosa ao contribuinte. 2.5. Neste comparativo, ficou evidenciado que as multas atuais são as menos onerosas nas competências 04, 05, 08 e 09/2007 e 01 e 02/2008. Já as multas anteriores (à MP nº 449, de 2008) são menos onerosas nas competências 06 e 10/2007 e 03/2008. (...) 2.6. As competências 05/2006 a 03/2007, 07, 11 e 12/2007 e 04/2008 a 11/2008: Não fazem parte da comparação de multa, uma vez que as datas de envio da GFIP ocorreram em período posterior à publicação da MP nº 449, de 2008, sendo aplicado AI CFL 78 (multa da obrigação acessória atual) e a multa pelo descumprimento da obrigação principal do período de regência. No Recurso Voluntário de fls. 2.545 a 2.551 não há qualquer manifestação acerca da matéria, não sendo contestada a legalidade do ato normativo, tampouco a sua inadequação ao caso concreto. Não tendo sido arguida tal matéria em sede recursal, e não se tratando de questão de ordem pública, entendo que não cabe a este colegiado conhecêla de ofício, sob pena de extrapolar os limites do recurso e incorrer em decisão ultra petita. Portanto, voto no sentido de manter os percentuais da multa aplicada no lançamento, tanto da multa previdenciária (obrigação principal), quanto da multa por descumprimento de obrigação acessória (Debcad nº 37.317.7682). (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 15/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO
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