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Numero do processo: 13855.002661/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES.
As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação.
BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes.
As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária.
Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais.
CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. MULTA MANTIDA.
Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos.
MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto.
NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.
PROCESSO DE CONSULTA FISCAL.
Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada.
NULIDADE. PREJUIZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito.
LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO.
O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88.
Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o"Relatório de Representantes Legais - RepLeg"e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2202-004.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação. BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes. As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária. Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais. 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Presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88. Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.372 3 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855.002661/200745, em face do acórdão nº 1422.429, julgado pela 9ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 5 de março de 2009, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “O autodeinfração — AI — DEBCAD n° 37.105.2491, de 28/09/2007 e levado ao conhecimento do sujeito passivo em 08/10/2007, foi lavrado por ter a empresa deixado de preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, fato que constitui infração às disposições contidas no artigo 32, inciso I da Lei n° 8.212, de 24/07/91 c/c com o artigo 225, inciso I, parágrafo 9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração da Infração (fls. 23 a 25) a autuada, no período de 01/2002 a 01/2007, deixou de incluir como salário de contribuição as bolsas de estudo e pesquisa pagas aos seus professores empregados e residentes, através da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular – FUNADESP e as bolsas de estudos concedidas aos filhos e dependentes dos seus empregados. Foi aplicada a multa no valor de R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos), agravada por motivo de reincidência em infrações difererrtes, fundamentada nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e no artigo 283, inciso I alínea "a" c/c artigos 292, inciso IV e 373 do Decreto n° 3.048/99, valor atualizado através da Portaria Ministerial MPS n° 142, de 11/04/07. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.373 4 O sujeito passivo, dentro do prazo regulamentar, apresentou impugnação, na qual alega, em síntese: É nula a NFLD tendo em vista que os Mandados de Procedimento Fiscal MPF e os termos enviados pela fiscalização não são válidos, pois entregues a pessoas sem autorização para a prática de tais atos. Menciona, neste particular, inúmeros artigos de seu Estatuto Social e o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 e acrescenta que a apresentação de defesa não supre a nulidade em questão. Pende de apreciação junto à Secretaria da Receita Federal, consulta formulada sobre o objeto da presente autuação (documentos em anexo), protocoladas antes do início da ação fiscal, levandose em conta a nulidade do início da fiscalização como argumentado e provado no tópico anterior. Não incidência de contribuição social sobre bolsas pagas a título de pesquisa. Tece arrazoado sobre a não incidência de tal beneficio e esclarece sobre a instituição e forma de atuar da FUNADESP. Não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos. No presente caso não ocorre a hipótese de incidência dos tributos cobrados, pois, as bolsas de estudo são concedidas em decorrência de instrumentos normativos (com força de lei), de caráter transitório (com prazos de vigência determinados), não se configurando a habitualidade (cita definição contida em dicionário do termo "habitual"), não podendo o cumprimento ao disposto na CLT ser utilizado para compelir a empresa ao pagamento do tributo. Como inexistente o fato gerador do tributo, inexistente a obrigação da impugnante de registrar contabilmente as operações que se entendeu como tributadas, não existindo a obrigação acessória da escrituração, sendo indevida a multa aplicada. Como a impugnante é primária e tem bons antecedentes, em caso de procedência da autuação requerse seja relevada a multa na forma da legislação previdenciária. A multa aplicada é confiscatória, portanto, inconstitucional, posto que superior a vinte por cento, devendo assim ser cancelada. Afigurase a impossibilidade de comunicação ao Ministério Público Federal de suposta prática criminosa, posto que ainda não exaurida a via administrativa. Ofensa ao princípio da legalidade, vez que existe óbice para o apontamento de corresponsável legal por mero agente fiscalizador, representando arbitrariedade a desconsideração da personalidade jurídica da entidade. Finalmente, anexando documentos de fls. 381 a 544, requer: Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.374 5 A nulidade do AI por serem nulos os mandados de procedimento fiscal que deram termo inicial ao AI e, uma vez reconhecida tal nulidade, seja a Secretaria da Receita Federal impossibilitada de autuar a empresa até a resposta das consultas por ela formuladas; Caso não acolhida a nulidade arguida, decretação da improcedência do AI, vez que inviável a tributação de contribuições sociais sobre verbas que não compõem o salário; Caso superados os argumentos anteriores, seja cancelada a multa por ter efeito confiscatório ou seja relevada pelos bons antecedentes e primariedade da impugnante; Cancelamento do CORESP feito pela fiscalização e, Independente do resultado do procedimento administrativo, que não seja feita nenhuma comunicação ao Ministério Público Federal antes de exaurido o presente. Analisando a extensa argumentação apresentada pela autuada com relação às bolsas de estudos e pesquisa concluiuse pela necessidade de manifestação da autoridade autuadora através de informação complementar, quanto a todos os motivos do não enquadramento dos valores pagos a título de bolsas de estudo e pesquisa na alínea "t" do parágrafo 90. do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, em função do contido no Relatório Fiscal da Infração, quanto ao tema: "Após análise dos documentos apresentados ficou constatado tratarse de mecanismo triangular de pagamento de bolsas, efetuado da seguinte forma A ACEF realizou mensalmente, a partir de 1112002, o repasse de valores para a FUNADESP, que englobava o valor das bolsas, acrescido de 8% a título de contribuição conforme demonstram os seguintes documentos, anexos ao presente por amostragem: requisição de compra/autorização de pagamento; transferência bancárias de créditos, e listas mensais de beneficiários das bolsas (...) A fundação ao receber referidas importâncias, na forma de doações, repassava aos destinatários finais, na forma de bolsas de estudos; Os beneficiários das bolsas eram informados pela ACEF, que enviava para a FUNADESP lista com os respectivos nomes, inclusive com as informações bancárias, para que em seguida as doações efetuadas por ela à fundação fossem repassadas Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.375 6 diretamente nas contas dos bolsistas, menos do desconto da contribuição (8% sobre o total das bolsas) Os valores desembolsados na forma do item anterior se destinavam ao pagamento de bolsas de estudo para remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN — Universidade de Franca, da qual a autuada é mantenedora e a remunerar os residentes do hospital veterinário e de fisioterapia, que são exalunos que cursam residência e recebem bolsas em decorrência da carga horária prestada a UNIFRAN. (..). Remunerase pelo desempenho de atividades profissionais e prática prestadas pelos residentes. Desta forma os valores pagos a título de bolsas de estudo, na forma citada acima, são considerados "salário indireto" e constituem Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n" 8.212191, por não se enquadrar na hipótese de não incidência prevista no parágrafo 90, alínea "t" deste mesmo artigo, e, portanto deveriam ter sido adicionados à remuneração mensal dos segurados e inseridos nas Folhas de Pagamentos mensais". Tal informação complementar deveria ser expressa através de Relatório Fiscal Complementar, com ciência à autuada e reabertura do prazo de defesa sobre os pontos ali contidos. A autoridade fiscal se manifestou através do Relatório Fiscal Complementar de fls. 554/555, no qual esclarece que a alínea "t" do parágrafo T. do artigo 28 da Lei 8.212/91 dispõe que não integra o saláriodecontribuição: "o valor relativo aplano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo ". Em relação à primeira condição: valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, as bolsas em questão não se enquadram, uma vez que a educação básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, ou seja, não inclui a educação superior, conforme artigo 21, inciso I da Lei 9.394/96: "Art. 21. A educação escolar compõese de: I — educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental ensino médio; II — Educação superior. " Não se enquadram também na segunda condição, cursos de capacitação e qualificação profissionais, por se tratar de bolsas Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.376 7 de estudos destinadas a remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN e a remunerar os residentes do Hospital Veterinário e da Fisioterapia, e não a bolsas de estudos para cursos de capacitação ou qualificação. Não se enquadram ainda na terceira condição, que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, pois a autuada, a seu livre arbítrio, estabelece os requisitos e aprova os projetos cujos autoresempregados se tornam aptos a receberem as bolsas, disto resultando que a empresa escolhe e indica o beneficiário a quem a bolsa será dada, não a oferece a todos os empregados, deixando de cumprir este requisito de não incidência." Cientificado, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, defesa administrativa de fls. 558 a 580, na qual, inicialmente, reitera todos os itens da impugnação anteriormente apresentada e, em seguida repete os comentários e argumentações sobre a concessão de bolsas de estudo a título de pesquisa através da FUNADESP, sobre a não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos e sobre a impossibilidade de autuação pela inexistência de obrigação acessória de registro contábil por inexistência do fato gerador do tributo. A defendente nada traz de novo à discussão, vez que todos esses comentários e argumentações já haviam sido apresentados em sua primeira impugnação. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do auto de infração, mantendo o débito tributário e a multa aplicada. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 1210/1270, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Preliminarmente alega que há nulidade da autuação porque o MPF foi entregue a pessoa que não detinha poderes para recebêlo. Na visão da recorrente o MPF somente poderia ter sido entregue ao seu Diretor Presidente ou Diretor Superintendente, aos quais cabem os poderes de representação. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.377 8 Questão similar relativa à ciência da própria notificação fiscal de lançamento já foi superada nesse Conselho, o qual admite sua validade ainda que o recebedor não detenha poderes de representação. Nesse sentido a Súmula CARF 09: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por decorrência lógica, se é valida a ciência do lançamento ainda que o recebedor não detenha poderes para tanto, quanto mais o MPF que demarca o início da fiscalização. Assim, presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. Rejeitase, portanto as preliminares de nulidade suscitadas. Consulta fiscal. Sustenta o recorrente que não poderia ter sido lavrada a NFLD uma vez que havia processo de consulta pendente com o mesmo matéria objeto do lançamento. Acerca do processo de consulta dispõe do artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância Como se vê nenhum procedimento será instaurado quando o sujeito passivo tenha iniciado, previamente, o processo de consulta, cuja matéria seja semelhante. No caso dos autos, como bem apontado pela r. decisão recorrida o pedido de consulta protocolado pelo recorrente foi posterior ao procedimento fiscal, em setembro/2007, enquanto que a fiscalização teve início em 07 de março de 2007, antes portanto, das consultas trazidas aos autos. Uma vez que o sujeito passivo já estava sob procedimento fiscal quando da formulação das consultas em questão, não se verifica qualquer óbice à lavratura fiscal consubstanciada na presente NFLD. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.378 9 Logo, rejeito também a preliminar. Alegações de inconstitucionalidade. Caráter confiscatório da multa. A análise da alegação do efeito confiscatório da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade esbarra no fato de que este órgão julgador não dispõe de competência para analisála, pois isso implicaria em adentrar na suscitada colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 02 o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, não há acolher os argumentos da contribuinte quanto as alegações de inconstitucionalidade. Representação Fiscal Para Fins Penais. Quanto à questão argüida pela Autuada, referente à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP noticiada nos autos, cabe esclarecer que este órgão julgador não dispõe de competência para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 28 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, rejeitase a alegação da contribuinte. Relatório de Representantes Legais. A contribuinte também se mostra irresignada em relação ao item "11" do Relatório Fiscal, redigido nos seguintes termos: "Os responsáveis legais pelo débito encontramse discriminados no Relatório de Coresponsáveis — CORESP, anexo." Cumpre esclarecer que o Relatório de Coresponsáveis CORESP, previsto na redação original do artigo 660, X da Instrução Normativa MPS SRP 03/2005 (DOU de 15/07/2005) foi substituído pelo Relatório de Representantes Legais REPLEG, conforme alteração do citado dispositivo pela Instrução Normativa SRP 20, de 11/01/2007 (DOU de 16/01/2007). Assim, não existe nos autos o relatório CORESP, mas sim o REPLEG, o qual, em seus próprios dizeres, "...lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificacdo e período de atuação." Esclarecese que a menção ao CORESP no Relatório Fiscal não gera qualquer efeito em relação ao lançamento fiscal realizado, conclusão extraída da análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e artigos 27 e 28 da Portaria RFB 10.875/2007, sobre os Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.379 10 quais já se discorreu anteriormente no presente voto. Salientase o disposto na Súmula CARF nº 88, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não existe fundamentação jurídica nem fática para a argumentação e o pedido de exclusão de sócios, cumprindo notar que a autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, face ao artigo 202 do CTN, ressaltandose, porém, que eventual responsabilidade de cada um somente será posteriormente apurada, em sede de execução fiscal. Deste modo, rejeitase a alegação da contribuinte. Mérito. Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, a autoridade recorrida, acompanhando o entendimento da autuante, ficou adstrita à previsão constante no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.380 11 desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.381 12 considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Este Conselho possui julgados afastando a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, julgado por unanimidade pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, de Relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.382 13 Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes dos em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Multa aplicada CFL 30. Alega a contribuinte não ter praticado a infração apontada pela fiscalização, pois, segundo a defesa, não teria deixado de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo INSS. Assim, constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. No entanto, prevalecendo o entendimento de que não integra o saláriodecontribuição as bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, temos que sobre ela não estariam sujeita a incidência de contribuição previdenciária. Diante disso, não subsiste, in casu, a possibilidade de aplicação da multa no presente caso, pois demonstra a inexistência do caráter remuneratório das bolsas de estudos Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento quanto ao mérito. O i. Relator votou pela impossibilidade de aplicação da multa, entendendo que o valor pago a título de bolsa de estudos aos empregados e dependentes não integra o salário de contribuição. Entretanto, ressalto que o auto de infração foi lavrado por ter deixado a recorrente de incluir em folhas de pagamento os valores relativos a bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos empregados e dirigentes, assim como, a bolsas de pesquisa para os Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.383 14 professores (empregados), e pagamento de bolsa de estudos a médicos residentes (contribuintes individuais) Observo que a multa aqui analisada se originou dos mesmos fatos dos processos nº 13855.002592/200770 (julgado em 20/01/2016, em que foi exarado o Acórdão nº 2301004.301), e nº 13855.002706/200781 (que foi julgado neste 07/08/2018, em que foi exarado o Acórdão nº 2202004.645). Na ocasião do julgamento do processo nº 13855.002592/200770, prevaleceu o mesmo entendimento do processo nº 13855.002591/200725, que foi julgado neste 07/08/2018, em que foi exarado o Acórdão nº 2202004.644). Por isso, peço vênia para usar nas linhas seguintes as mesmas razões dos votos vencedores nos Acórdãos nº 2202004.644 e nº 2202004.645, ambos de minha redatoria. Em relação às bolsas de estudo aos dependentes dos segurados (processo nº 13855.002591/200725), entendo que tais verbas decorrem da relação de trabalhado dos segurados empregados com a recorrente, portanto, não é um benefício para o trabalho e sim pelo trabalho, caracterizandose como remuneração. De outra sorte, a Lei vigente à época dos fatos geradores não incluía os dependentes na hipótese de exclusão da incidência de Contribuição Previdenciária, assim como, não inclui a educação superior, conforme se vê: Lei nº 8.212/91 Art. 28 [...] § 9º [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Lei nº 9.394/96 Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Portanto, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Aliás, tal fato já foi julgado neste Conselho onde foi exarado o Acórdão nº 2301004.301, de 20/01/2016, no julgamento do processo nº 13855.002592/200770, onde se tratou da mesma matéria, lançada no mesmo procedimento fiscal, em que a recorrente era sujeito passivo, cuja única distinção foi em relação ao período, que a fiscalização achou por bem, lançar em número de Debcads diferentes. Por isso, peço vênia para transcrever trechos do voto vencedor, por concordar com as razões nele tratadas, no que respeita ao pagamento de bolsa aos dependentes: Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.384 15 11. Ainda que contenha inegável valor econômico, a bolsa de estudo ao trabalhador constitui um evidente investimento na qualificação deste, fornecendolhe meios para exercer a atividade profissional e a cidadania, cuja formação educacional revertese em favor da empresa e da sociedade. Ao não se destinar a retribuir o trabalho efetivo, é uma verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho. 12. Porém, a bolsa escolar concedida ao dependente do segurado empregado ou diretor, sob a forma de desconto na mensalidade, revela situação bem distinta. 13. Com efeito, esse tipo de concessão advém apenas da relação de trabalho e tem por finalidade precípua acrescer vantagem contraprestativa ao trabalhador, com ou sem vínculo empregatício, configurando clara remuneração indireta, na medida em que a utilidade é fornecida "pelo trabalho", e não "para o trabalho". 14. Ressalvo que, a meu sentir, a Lei n° 10.243, de 19 de junho de 2001, ao proporcionar nova redação ao art. 458, § 2o, da CLT, conforme já mencionado pelo relator, pretendeu excluir da remuneração, sob o prisma trabalhista, tão somente os valores despendidos com educação dos empregados, e não indistintamente os dispêndios com empregados e seus dependentes. 15. Entretanto, ainda que o conceito de remuneração, retirado da legislação trabalhista, influencie sobremaneira a seara previdenciária, os princípios basilares tributários, tais como legalidade e tipicidade, cuja aplicação é obrigatória ao custeio das prestações securitárias, impõem observar nas relações entre Fisco e contribuintes, entre outros, as regras matrizes de incidência e as hipóteses de exclusão tributária. 16. Nesse contexto, o legislador elegeu como base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária as parcelas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho, conforme expressam os arts. 22 e 28, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991. 17. Este mesmo legislador achou por bem explicitar, no art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, dc 1991, parcelas que estão fora do campo de incidência, seja pela ausência intrínseca da natureza remuneratória, sejam verbas que, mesmo destinadas a retribuir o trabalho, devem ser excluídas da tributação por opção legislativa. [...] 19. Notase que os dispêndios com a educação do trabalhador, em harmonia com o conceito de remuneração "para o trabalho", escapam à tributação, ainda que o legislador tenha limitado e condicionado a não integração à base de cálculo ao atendimento de certas condições. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.385 16 20. Por outro lado, a extensão da não incidência a qualquer gasto com a educação de familiares depende da expressa previsão em lei, dado o seu caráter de remuneração "pelo trabalho". 21. Apenas no ano de 2011, com a Lei n° 12.513, de 26 de outubro de 2011, que deu nova redação à alínea "t" do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, de 1991, o valor relativo a bolsa de estudo que vise à educação dos dependentes foi excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária, nesses termos: Art 28(...) §9°(...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; 22. Essa exclusão, porém, não se aplica aos autos, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente (art. 144, do CTN). Contudo, faço a ressalva que, mesmo nos casos em que a bolsa é paga ao empregado, mas para educação superior, entendo que não haveria incidência da Contribuição Previdenciária desde que o curso se enquadrasse como de "capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa", sendo necessário avaliar caso a caso; fora isso, haveria incidência de contribuição previdenciária, tanto antes quanto depois da alteração na alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque se assim quisesse, o legislador teria ampliado ao nível da educação superior, mas a despeito de estender a bolsa aos dependentes, achou por manter apenas a educação básica. No caso dos autos, as bolsas de estudo, mediante desconto nas mensalidades, foram concedidas aos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, e, portanto, não se enquadram na norma de não incidência de contribuição previdenciária, não merecendo reparos o acórdão recorrido. Em relação ao pagamento de bolsa de pesquisa para os professores e pagamento de bolsa a médicos residentes (processo nº 13855.002706/200781), como ressaltado pela auditoria, a natureza desses pagamentos não se enquadra como plano educacional que vise à educação básica, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, não estão amparados pela não incidência da letra “t” do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Aliás, a norma exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária as seguintes bolsas: Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.386 17 Art. 28 [...] § 9º [...] i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; [...] t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Pelo que se verifica, as bolsas concedidas pela recorrente não se enquadram em nenhuma das bolsas de que trata a norma de não incidência. Ademais, tendo em vista que a recorrente afirma a não incidência de tributação sobre as bolsas, vez que não existe contraprestação de serviço, nem benefício direto para o doador, há que se observar, em primeiro lugar, que a auditoria fiscal relata o pagamento de bolsas de estudo a médicos residentes. Nesse aspecto, ressalto que existem dispositivos normativos que demonstram o contrário do afirmado pela defesa, e, por isso colacionoos: Lei nº 8.212/91 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Decreto nº 3048 Art.9ºSão segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Vcomo contribuinte individual: [...] Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.387 18 j)quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) l)a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] §15.Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros:(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] Xo médico residente de que trata a Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] IIvinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) IIIquinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§7ºe 8ºdo art. 219;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2ºIntegra a remuneração para os fins do disposto nos incisos II e III do caput, a bolsa de estudos paga ou creditada ao médico residente participante do programa de residência médica de que trata o art. 4º da Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, na redação dada pelaLei nº 10.405, de 9 de janeiro de 2002.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifei). Assim, não há como negar a incidência de contribuição previdenciária, dada a natureza dessas bolsas apuradas pela fiscalização. Em segundo lugar, em relação à bolsa de pesquisa concedida aos empregados (professores), também não está inclusa nas hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária de que trata o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não se enquadra como educação profissional e tecnológica ou educação básica, como corretamente exposto no relato fiscal. Ademais, a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e o Decreto nº 5.205, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, ambos vigentes à época dos fatos geradores, estabeleciam o seguinte: Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.388 19 Lei nº 8.958/94 Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Decreto nº 5.205/2004 Art.6oAs bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994,constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. [...] §2oA bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. [...] §4oSomente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. Art.7oAs bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifei) Assim, para saber se a bolsa de pesquisa fornecida a seus empregados (professores) não estava passível de contribuição previdenciária, restaria verificar se era concedida nos termos da Lei nº 8.958/94 e do Decreto nº 5.205/2004. Essa análise foi abordada pelo julgador a quo (13855.002706/200781), de cujo voto extraio os seguintes trechos, que acolho como razões de decidir: Em razão da defesa fazer menção à Lei nº 9.250/95 art. 26 e também que a forma de atuar da FUNADESP é análoga a outras Entidades Públicas, vale dizer que encontramos no inc. XXVII do art. 72 da Instrução Normativa MPS SRP 3 de 14 de julho de 2005 (DOU de 15/07/2005), a previsão de não incidência de Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.389 20 contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, mas que diz respeito especificamente às bolsas concedidas em conformidade com a Lei nº 8.958, de 20/12/94, que dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio, e o Decreto nº 5.205 de 14/09/04, que Regulamenta a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, o que não se aplica a este caso. A Lei nº 8.958/94, e o Decreto nº 5.205/04 regem, tão somente, as relações entre instituições federais de ensino superior e pesquisa científica e as fundações de apoio, dispondo sobre a participação de servidores/professores das instituições federais contratantes nas atividades da contratada, não amparando a concessão de bolsa de ensino, pesquisa e extensão a alunos de qualquer outra instituição de ensino. (Grifei) Mais uma vez extraio trecho do acórdão recorrido (13855.002706/200781) que acertadamente estabelece a natureza remuneratória das bolsas de pesquisa concedidas aos empregados: Não se pode esquecer que a Defendente tem fins lucrativos e realiza atividades de ensino e pesquisa para atingir esses fins. Beneficiase com o trabalho dos pesquisadoresbolsistas, pois a realização das pesquisas e a divulgação de seus resultados servem para difundir e elevar o nome da Instituição, aumentando a procura por seus cursos de graduação e pósgraduação e maximizando seus lucros. Dessa forma, não é possível falarse em simples doação ou em inexistência de prestação de serviços: A Notificada beneficiavase do trabalho dos bolsistas. Neste passo e, ante a descrição dos fatos feita pela fiscalização, restou evidenciado que os resultados das atividades desenvolvidas pelos segurados empregados e também dos residentes, representam uma vantagem para o "doador" e uma contraprestação de serviços por parte dos mesmos, não importando o nome que se dê à atividade e ao pagamento, por força da legislação previdenciária, referida parcela tem natureza salarial e integra o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições sociais. Portanto, não há qualquer dispositivo que albergue a não incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas aqui debatidas. Assim, tendo prevalecido esse entendimento, a multa por descumprimento de obrigação acessória deve ser mantida, não merendo reparos o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 13855.002661/200745 Acórdão n.º 2202004.642 S2C2T2 Fl. 1.390 21 Fl. 1390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730407/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal.
Numero da decisão: 2001-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 04 07 /2 01 2- 13 Fl. 116DF CARF MF 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento, ano calendário 2009, exercício 2010, na qual apurouse as seguintes infrações: dedução indevida com dependentes, no valor de R$41.529,00, por falta de comprovação de tutela e/ou curatela, bem como dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$23.496,61, por falta de qualquer comprovação legal e de pagamento. A Notificação de Lançamento foi lavrada em 09/07/2012 e a ciência em 20/07/2012. O contribuinte ingressou com impugnação em 15/08/2012 alegando em síntese que se tratam de despesas incorridas, sem apresentar provas plausíveis para corroborar os supostos fatos alegados. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o contribuinte não comprovou o quanto alegado. Em sede de Recurso Voluntário, perdeu o contribuinte o prazo legal determinado na norma para a sua apreciação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Merece que seja trazido a baila, logo de início, que conforme Aviso de Recebimento (AR) a cientificação da Notificação de Lançamento ocorreu em 25/10/2017, sendo o recurso voluntário apresentado somente em 20/12/2017. Nesta senda, insta frisar que o prazo legal para formalização por escrito da impugnação ou recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência do ato que originou o procedimento, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993. Registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 5o, caput e parágrafo único, do Decreto no 70.235/1972, a contagem dos prazos é contínua, excluindose o dia de início e incluindose o de vencimento, e iniciase ou termina somente em dia de expediente normal. No caso de a intimação ser efetuada por via postal, como é o caso em apreço, a sua ciência se dá na data de seu efetivo recebimento no domicílio fiscal do contribuinte, com Aviso de Recebimento – AR, ainda que deste não conste a assinatura do próprio contribuinte, tal qual determina o inciso II do § 2º do artigo 23 do Decreto n.º 70.235/1972, com a redação dada pelo artigo 67 da Lei n.º 9.532/1997. Este é o entendimento da jurisprudência pronunciada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), in verbis: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10480.730407/201213 Acórdão n.º 2001000.634 S2C0T1 Fl. 3 3 Intempestivo, o Recurso Voluntário não instaura a fase litigiosa do procedimento, incompatibilizando o julgamento do mérito, consoante disposições do art. 28 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993; e Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação. Tendo em vista a evidente intempestividade do recurso entendo que não deve ser conhecido, por ausência delimitação de litígio nesta fase recursal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.729304/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 93 04 /2 01 1- 17 Fl. 68DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 28.908,36. Foi considerada, para efeito do lançamento fiscal, a informação constante da DIRF apresentada pela Caixa Econômica. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que quanto à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 746,64 o valor consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e que não houve omissão de rendimentos, pois foi recebido apenas o valor declarado. Junta original das fontes pagadoras bem como novo cálculo do imposto devido. A DRJ São Paulo, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro que o contribuinte declara um total de rendimentos de R$ 76.042,14, e que conforme DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras e informes de rendimentos apresentados o contribuinte auferiu: R$ 36.000,00, pagos por Gilbarco Do Brasil S/A Equipamentos (fl. 35), R$ 19.696,52, pagos pelo INSS (fl. 37) e R$ 28.908,36, pagos pela Caixa Econômica Federal (fl. 36), num total de R$ 84.604,88 e não no valor apontado pelo impugnante a fl. 13. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte questiona a tributação do juros de mora, sem apresentar nenhuma fundamentação para seu questionamento, solicita que seja adotado o regime de competência para os valores recebidos do INSS e alega suposto direito à isenção de IR sem apresentar nenhum argumento plausível ou evidência para tal. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de ter o contribuinte omitido rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação judicial. De acordo com o que fora amplamente exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o contribuinte recebeu os rendimentos acumulados, oriundos de ação judicial federal . A regra geral de levar ao ajuste anual os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) vigorou até o advento da Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, que inseriu o art. 12A na Lei n° 7.713, de 1988, instituindo forma de cálculo que Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.729304/201117 Acórdão n.º 2001000.706 S2C0T1 Fl. 3 3 prestigia parâmetro de cálculo mensal e não global, mediante a utilização de “tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”. Assim sendo, não há que se falar em qualquer outro regime de tributação se a lei claramente previa a adequada forma de se tributar os rendimentos recebidos acumuladamente neste período em análise, qual seja no ano calendário de 2007. Desta feita, não merece prosperar este pleito do contribuinte. No que se refere ao pleito de não tributar os juros sobre mora por terem natureza indenizatória, este é um tema ainda não pacificado jurisprudencialmente, mas a regra geral ainda aplicada é a incidência do imposto de renda sobre juros demora, inclusive quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, apesar de sua natureza indenizatória. Caso o contribuintes tenha interesse em discutir a aplicação ou não da lei aos juros moratórios, devem, pois, ingressar em juízo, ou seja, buscar, no Poder Judiciário, o reconhecimento de seu direito de não ter de incluir na base de cálculo do IR e da CSL o que recebem a título de juros de natureza indenizatória, posto que, em tese, são mera recomposição de patrimônio, não se confundindo com renda, proventos ou lucro. Mas este fórum não é o adequado para analisar a esta questão, ainda mais que foi um mero pleito do contribuinte, sem fundamento e sem nenhuma base ou arcabouço que sustente a causa de pedir. Por fim, argui o contribuinte que é isento e que não deveria ter tributação dos seus proventos. No entanto não traz nenhuma prova documental ou fática para justificar essa afirmação e pedido. Sem nenhum fundamento, mais uma vez pleito que parece ser absolutamente descabido. Nesta senda, verificando falta absoluta de fundamentação , comprovação fática ou documental do quanto argumentado e solicitado pelo contribuinte, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantido o lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 70DF CARF MF 4 Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910070/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2003
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 00 70 /2 00 9- 18 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.910070/200918 Acórdão n.º 1201002.421 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de CSLL calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução da CSLL apurada ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de CSLL. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.910070/200918 Acórdão n.º 1201002.421 S1C2T1 Fl. 4 3 Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.910070/200918 Acórdão n.º 1201002.421 S1C2T1 Fl. 5 4 Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008022/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
CIÊNCIA POR VIA POSTAL IMPROFiQUA. CIÊNCIA POR EDITAL.
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO.
Tendo resultado improfiqua a tentativa de ciência da decisão de primeira instância por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, correto o procedimento da Autoridade Administrativa de fazer publicar edital com essa finalidade. A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instancia, a interessada
apresentou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto n° 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-000.929
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso por perempto.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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CARL- MI. . 645 SI-C311 Fl. 645 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo le 19515.008022/2008-10 Recluse n" Voluntário Acórdão n° 1302-00.929 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente ITAJARA COMÉRCIO DE CARNES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 CIÊNCIA POR VIA POSTAL IMPROFiQUA. CIÊNCIA POR EDITAL. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. Tendo resultado improfiqua a tentativa de ciência da decisão de primeira instância por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, correto o procedimento da Autoridade Administrativa de fazer publicar edital com essa finalidade. A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instancia, a interessada apresentou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto n° 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto. • Ak._• Marcos Rodrigues de Mello — Presidente aldir Veiga RoyFia — Relator : ii fp ., ■ 7 . • 2 200 2 ;te 24/261201 21 Ir r21 2 Vv,P-A.D1P vFflA • 1. , 1--1!z '',;E'E;IT,F. • VERS 1. ) FM BrZAN(Mc) Fl. 646 S1-('3T2 Fl. 646 DI' ('ARI' :111: Processo n° 19515.008022/2008-10 Acórdão n.° 1302 -00.929 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizz°, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. Relatót io ITAJARA COMÉRCIO DE CARNES LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão no 16-21.405, de 14/05/2009, da 7' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. 0 presente processo versa acerca de Autos de Infração (fls. 386/390, 396/399 e 402, 408/412, 418/422, 428/432), lavrados ern 15/12/2008, atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para a Seguridade Social (INSS), relativo aos fatos geradores dos meses de janeiro a dezembro do ano-calendário de 2003, com o crédito tributário total de R$ 17.070.259,02, composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados ate 28/11/2008, apurados nos moldes do regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. Os referidos autos de infração decorreram de ilícito caracterizado em procedimento de verificação de cumprimento das obrigações tributárias perante o sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual, mediante exame dos extratos de contas bancárias, obtidos na forma da legislação de regência, perante as instituições financeiras, das quais a entidade registrou movimentação financeira no curso do período fiscalizado, restou configurado que o montante das receitas omitidas, apurado por presunção legal baseada em ingressos financeiros denotados à margem da escrituração contábil e fiscal da sociedade, representando importe superior aquele informado na Declaração Anual Simplificada transmitida pelo sujeito passivo. Assim, ficou revelada a ocorrência de omissões de receitas não escrituradas e a insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições devidos, ocasionados pela redução indevida na base de calculo dos tributos, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais encontram-se detalhados no corpo dos mencionados lançamentos, aditados e pormenorizados pelo Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 3641367), ora integrante e indissociável dos autos de infração. Cientificado pessoalmente do lançamento em 15/12/2008, o contribuinte apresentou impugnação em 09/01/2009 (fls. 435/444), na qual requer o cancelamento dos autos de infração, em síntese, apoiando-se nas seguintes alegações de fato e de direito: Inicialmente, após uma breve exposição dos fatos, assevera que as questões reportadas nos autos de infração resumem-se em apurar a movimentação financeira da impugnante, enquadrando-a no regime SIMPLES FEDERAL, tomando por base ttsmilacio digttalmentei contotme MP ti" 2200. 2 s'ci 24/08/2001 t•lo digitalmente ern 14/08/2012 poi WALD3R VE'GA os- 14!081?012 o SUELI 7.0RP -S SiLVESTRE VER;;;C; 3RAN',30 2 1)1 CARI. \11. H. 647 Processo n° 19515.008022/2008-10 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.929 Fl. 647 as informações contidas na Declaração Anual Simplificada relativo ao ano calendário de 2003, entregue em 28/06/2004, recibo 07.59.80.49.66-26, em cotejo com as efetivas transações bancárias levantadas na fiscalização; Reclama, porém, que a empresa requereu formalmente sua exclusão do regime de tributação atinente ao SIMPLES FEDERAL, em razão de ocorrência de excesso do limite de faturamento; Acrescenta que o pleito foi deferido pela autoridade administrativa, expedindo-se DECISÃO DICAT n° 110/2007, na qual comunicou que "o pedido de exclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL foi deferido a partir de 1 0/01/2004, conforme copia anexa à impugnação; Relata, ainda, que, em relação ao ano-calendário de 2003, a impugnante procedeu a entrega de Declaração Retificadora (DIPJ), recepcionada e processada em 11/08/2008, recibo n° 10.18.06.83.15-07, cuja cópia encontra-se acostada defesa, na qual, além de retificar os valores e os movimentos anteriormente repassados a RFB, as informações foram prestadas com base em exclusão do regime tributário simplificado, ou seja, compatíveis corn a movimentação dos recursos depositados/creditados nas contas bancárias, razão pela qual entende não ser cabível a autuação realizada mediante constatação de diferença apurada em cotejo com as informações contidas na declaração retificada. Nesse sentido, completa que os valores inseridos na declaração retificadora já são compatíveis com as diferenças apuradas no curso da ação fiscal; Subseqüentemente, argumenta que os valores apontados sob a rubrica "INSS", nos "Demonstrativos de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta", aplicando-se o percentual de 5,16% sobre a diferença apurada no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, não estão corretos, tendo em vista que, em relação aos valores apurados no ano de 2003, a impugnante efetivou parcelamento de débitos junto à Previdência Social — INSS, por intermédio de Lançamento de Débito Confessado (LDC), consolidado em 30/05/2005 — DEI3CAD n° 35.634.949-7, conforme cópia anexa, cuja divida vem sendo realizada normalmente pela impugn ante; Argumenta que no levantamento efetuado pelo INSS, consolidado em 30/05/2005, dentre outras contribuições, foram incluídos os valores devidos a titulo de INSS-EMPRESA referente ao ano-calendário de 2003, os quais foram também inseridas em duplicidade no procedimento em discussão; Encerra, questionando que, na hipótese de prevalência da autuação em destaque, impõe-se o abatimento dos valores apropriados a titulo de INSS- EMPRESA; Finalmente, a vista dos motivos e argumentos expendidos no corpo da peça impugnat6ria, requer a anulação dos lançamentos, ou, na remota hipótese de manutenção dos efeitos dos autos de infração, demanda a redução dos valores relativos ao INSS-EMPRESA apropriados no parcelamento formalizado perante a Previdência Social, ou, no caso de entendimento da autoridade administrativa, pede a conversão do julgamento em diligência para fins de revisão do levantamento fiscal, computando-se os fatos e documentos aduzidos na defesa. A 7' Turma da DRJ em Sao Paulo - I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão no 16-21.405, de 14/05/2009 (t1s. 568/580), considerou procedente o lançamento corn a seguinte ementa: , 2 200 2 (k. 211R):22(101 .12 r)f.» :tVA! , ;OCHA 3 H. 648 SI -C3T2 Fl. 648 DE CARE ME Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL APURADA COM FULCRO EM EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Ê legitima a lavratura de lançamento mediante aplicação da presunção legal de omissão de receita fixada com base na legislação de regência, nas hipóteses em que o sujeito passivo titular de conta bancária, regularmente intimado, não apresenta prova em contrário por intermédio de documentação hail e idônea, visando esclarecer a origem dos recursos financeiros creditados em conta de depósito ou de investimento. INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE O inicio do procedimento de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e corre/atos 'as infrações evidenciadas e configuradas no lançamento de oficio. SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. DIP.I RETIFICADORA APRESENTADA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. Demonstrada a perda da espontaneidade do sujeito passivo, a entrega de DIPJ Retificadora, após o inicio da ação fiscal, não tem eficácia para obstar a constituição de lançamento de oficio dos créditos tributários corre/atos, assim como das penalidades cabíveis e aplicáveis com fundamento na legislação de regência. PRELIMINAR. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. Considera-se não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos legais e impõe-se indeferir a solicitação que verse exclusivamente et busca e análise de documentação probatória, cuja anexação caberia ao próprio imp ugnante e deveriam constar dos autos no ato da interposição da defesa, independentemente de permissão da autoridade julgadora. A Autoridade Preparadora buscou dar ciência ao contribuinte da decisão de primeira instancia por via postal, mas a correspondência foi devolvida ao remetente (fl. 596). Na sequencia, foi publicado o Edital n° 174/2009 (fl. 597), afixado em dependência franqueada ao público em 28/07/2009 e desafixado ern 13/08/2009. A fl. 598, encontro termo de perempção, lavrado pela Autoridade Preparadora em 30/10/2009. Em 10/02/2011, o contribuinte compareceu aos autos (fls. 611/613), alegando que não foi cientificada da decisão de primeira instância e reclamando contra a publicação de edital, nos seguintes termos: d conforme MP r:" "L200-2 em 14:0a/2012 por JALDE R ROC tm 14 ,012012 por"-4,Goi I TORRES SILVEST RE - VE-_T:tS0 EM BRANCO Processo n° 19515.008022/2008-10 Acórdão n.° 1302-00.929 ' DI: CAR1- 1 7 1. 649 Processo n° 19515.008022/2008-1 0 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.929 Fl. 649 :t 1-g ■ tH'; 4 Entretanto, não é crivei que nenhum funcionário, preposto ou representante legal da contribuinte não tenha sido encontrado pelo Agente dos Correios, pois se trata de empresa em plena atividade e ate hoje sediada no mesmo endereço informado na Impugnação de fls. 435/444, à Rua Francisco Peixoto Bezerra n° 791 — Jardim Brasil, onde, alias, recebeu o Auto de Infração em epígrafe (comprovantes anexos). Até porque, o ramo de atividade da contribuinte (comércio varejista de carnes — açougues), obviamente, não permite a ausência de funcionários, preposto ou representante legal, nos dias e horários indicados no Aviso de Recebimento de fis. 595. Portanto, não se justifica a publicação de Edital sem a tentativa de intimação pessoal, ou ainda, sem nova tentativa de intimação postal, já que o Decreto n° 70.235/1972, não limita o número de tentativas desta modalidade de intimação. Requer, então, a devolução de prazo para interposição de recurso voluntário ao CARF. Finalmente, em 25/02/2011 (carimbo de recepção à folha 621), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 621/636, cujo conteúdo pode ser sintetizado conforme segue: Preliminarmente, a recorrente reafirma que somente tomou ciência da decisão a quo em 02/02/2011, ao comparecer espontaneamente à repartição para verificar o andamento do processo. Diante disso, reafirma igualmente as razões pelas quais entende que seu recurso seria tempestivo. Ainda em sede de preliminares, a interessada sustenta a nulidade da decisão recorrida, por não ter acatado seu pedido de conversão do julgamento em diligência, para o fim de verificação de parcelamento dos valores referentes ao INSS-EMPRESA. Acrescenta que seu pedido de diligência seria prova praticável e imprescindível, e que a recusa constituiria violação ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório, causa de nulidade da decisão. No mérito, a recorrente reitera os argumentos aduzidos na peça impugnatória, acerca da DIPJ retificadora que teria sido recebida e processada pela Administração Tributária em 11/08/2008. Por sua ótica, em tal declaração retificadora constariam valores compatíveis com os recursos depositados/creditados nas contas bancárias. Desde que essa declaração não foi recusada, seria descabida a autuação que teve por base o confronto corn os valores constantes da declaração original, retificada. Aduz ainda a contribuinte que os valores lançados a titulo de INSS estariam incorretos, em face de parcelamento, consolidado em 30/05/2005 (DEBCAD n° 35.634.949-7), cujas parcelas vem sendo pagas regularmente. Pede, então, o abatimento dos valores apropriados a titulo de INSS-EMPRESA, para o que entende imprescindível a realização de A recorrente conclui com o pedido de conhecimento e provimento de seu recurso e reforma da decisão a quo, para o fim de: Acatar a preliminar arguida e declarar a nulidade da decisão recorrida e, em decorrência, a nulidade e exclusão da exigência tributária. . ,AP e 2 2(K.,-2 de 24.8'2001 5 rRF - \17 1 EM BRANCO a) In '2 r-Bf ki,1,14D!R h:(7)=.2,HA r 650 SI-C3T2 Fl. 650 Di. ('AR!' M1' b) Ou, se não for esse o entendimento, a conversão do julgamento em diligência, "destinada a comprovar todo o alegado e demonstrado" e, ao final, dar provimento ao recurso e cancelando a exigência tributária. A fl. 644, encontro despacho da Autoridade Preparadora encaminhando o recurso voluntário a este CARF, enfatizando tratar-se de recurso interposto intempestivamente. o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A primeira questão a ser enfrentada é quanto à tempestividade ou não do recurso voluntário apresentado. Compulsando os autos, verifico que, para dar ciência A. impugnante da decisão de primeira instância, buscou a Autoridade Administrativa, num primeiro momento, valer-se da via postal. No entanto, essa via resultou frustrada, como atesta a correspondência devolvida ao remetente A fl. 596. Na sequência foi publicado o Edital n° 174/2009 (fl. 597), afixado em dependência franqueada ao público em 28/07/2009, terça-feira, e desafixado em 13/08/2009, quinta-feira. ik espécie são aplicáveis as disposições do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 23. Far-se-6 a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quern o intimar; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) ill - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) a) envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) ,sr 10 Quando resultar improficuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a assmado (ligitalmente conf:, ,,rrre U1P rO 2.20C 2 ce 2 '',; 00;2C 0 ': ado ■ figoalmente orn 14103/2012 pc, * VkiALDR VEIGA ROCHA cm 14/08,201',5 7A.:3Let: 1ORRES SILVESTRE - VP:-?,a) EM FRANGC; \A?, Processo n° 19515.008022/2008-10 Acórdao n.° 1302-00.929 . • • DI CAR H. (51 Processo n° 19515.008022/2008-10 -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.929 Fl. 651 intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) I - no endereço da administração tributária na internet,. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) 11 - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005) sç 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluido pela Lei n°11.196, de 2005) sç' 3' Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) ,sç' 4' Para fins de intimação, considera-se domicilio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, ei administração tributária; e (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) [.. Acerca dos prazos recursais, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes a ciência da decisão. 1-] Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instancia esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; A polêmica, no caso sob exame, diz respeito à tentativa de ciência por via postal. Não há qualquer questionamento acerca, ,clo endereço utilizado pela Autoridade (..(Plf:irrne 2.2e0. 2 de 24f08'2001 Jitglialf! ••• -; 1 O12012 riu; VJALDR VEIGA ROCA- IA ff'r I EL J 1 t_:qPES S:l VESI RE - VER:30 EM F3RANCO 7 H. 652 SI -C3T2 Fl. 652 Dls CARF MI: Preparadora, trata-se efetivamente do domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. No entanto, o contribuinte alega não ser crivei que nenhum funcionário, preposto ou representante legal tenha sido encontrado pelo Agente dos Correios, visto tratar-se de empresa em plena atividade e "até hoje sediada no mesmo endereço". Tal alegação não pode ser aceita, em face da literalidade do dispositivo legal acima transcrito. 0 fato é que a tentativa de entrega por via postal, a cargo do serviço regular de correios (ECT - Empresa de Correios e Telégrafos) resultou frustrada, não cabendo â Autoridade Administrativa perquirir os motivos pelos quais isso se deu, muito menos, especificamente, saber se havia ou não funcionários ou prepostos no local, aptos ao recebimento da correspondência. Tendo sido, como foi, a correspondência dirigida ao domicílio tributário do sujeito passivo, e frustrada a tentativa de sua entrega, o passo seguinte, nos termos da lei, é a publicação de edital para ciência da decisão de primeira instância. E também aqui os argumentos da recorrente não podem ser aceitos. Sua tese é de que o Decreto no 70.235/1972 não limitaria o número de tentativas de ciência, pelo que seria o caso de uma tentativa de intimação pessoal ou, ainda, nova tentativa de intimação postal, antes da publicação do edital. De se observar que o § I° do art. 23, anteriormente transcrito, especifica "quando resultar improficuo um dos meios previstos no caput deste artigo [..] ", de onde extraio que não se exige da autoridade administrativa que busque mais de uma via para a ciência, nem que insista em um dos meios que _id tenha resultado improfiquo. A contagem do prazo recursal deve iniciar quinze dias após a publicação do edital, a saber, em 13/08/2009, quinta-feira, esgotando-se esse prazo com o decurso de trinta dias, em 11/09/2009, sexta-feira, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. 0 recurso voluntário (protocolo de recepção à fl. 621) apresentado em 25/02/2011 é intempestivo, e não deve ser conhecido por este colegiado. Diante disso, meu voto é no sentido de não conhecer do recurso voluntário, eis que interposto fora do prazo legal. Waldir Veiga R cha egto assoado dIgitalmente conform° 2 2002 oe 2/00!200 1 cacio rilgitalmente ern 1 4103 12012 por VVN.DIN VCIGA :0 cuT 14/08:'?012 poE 2UELI TORRES SkA/FS:12E - VE4SO EM BRANCO Processo n° 19515.008022/2008-10 Acórdão n.° 1302-00.929
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907109/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 10 9/ 20 11 -9 3 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10930.907109/201193 Resolução nº 3402001.440 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10930.907109/201193 Resolução nº 3402001.440 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10930.907109/201193 Resolução nº 3402001.440 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.003904/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Denúncia espontânea. Aplicação às penalidades de natureza administrativa. Intempestrtdade no cumprimento de obrigação acessória. retroatuidade benigna.
Ao dar provimento integral ao recurso voluntário, o Acórdão de Recurso Voluntário desconsiderou o exame feito pelo Acórdão de Impugnação que identificou 5 (cinco) ocasiões em que são intempestivos os registros (averbações).
Numero da decisão: 3302-005.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes e negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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CONTRADIÇÃO. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AMERICAN AIRLINES INCL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Denúncia espontânea. Aplicação às penalidades de natureza administrativa. Intempestrtdade no cumprimento de obrigação acessória. retroatuidade benigna. Ao dar provimento integral ao recurso voluntário, o Acórdão de Recurso Voluntário desconsiderou o exame feito pelo Acórdão de Impugnação que identificou 5 (cinco) ocasiões em que são intempestivos os registros (averbações). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 39 04 /2 01 0- 74 Fl. 395DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 17/06/2010, formalizando a exigência de multa regulamentar no valor de R$ 105.000,00, pelos fatos descritos a seguir. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o art. 147, do DecretoLei 37/66, regulamentado pelo art. 203, inciso VI, da Portaria MF n.2 125, de 4 de março de 2009, com vistas à verificação do cumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37, da IN/SRF n° 28/1994, alterado pelo art. 12, da IN/SRF n.2 510/2005, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, referentes aos transportes internacionais realizados em maio de 2007 no Aeroporto Internacional do Rio de JaneiroALF/GIG. Considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação com prazo superior aos 2 (dois) dias concedidos ao transportador responsável, contados a partir da realização do embarque, assim considerado a data do voo, de acordo com o art. 39, inciso II, da IN/SRF n° 28/1994. Face à inobservância pela empresa de transporte internacional supra qualificada de prestar as informações sobre a carga transportada no devido prazo, lavrase o presente Auto de Infração para exigir a multa que trata o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n.2 37/66, com nova redação do art. 77, da Lei n.2 10.833/2003, aplicada para cada veículo identificado pelo respectivo voo, que transportou as cargas amparadas pelas Declarações de ExportaçãoDEs objeto da presente apuração, constantes no quadro colacionado às folhas 10 a 13 do processo digital. A empresa AMERICAN AIRLINES INC foi cientificada do presente auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 09/08/2010 ( folhas 23 ). Foi apresentada impugnação em 26/08/2010, de folhas 24 a 52. Alegouse, em síntese: ü A ausência de dolo e de dano ao erário; ü A possibilidade de relevação da multa aplicação do art. 654 do Regulamento Aduaneiro vigente à época da ocorrência dos fatos; ü A falta de razoabilidade e proporcionalidade da multa aplicada. DO PEDIDO Em face ao exposto, requer a Impugnante que a presente Impugnação seja julgada procedente, de modo a anular a multa imposta, (i) seja em razão de não caracterizada a infração, por ausência de dolo e de dano ao Erário,' (ii) seja pelo enquadramento na hipótese de relevação da multa, nos termos do artigo 654, do Regulamento Aduaneiro,' bem como (iii) por força da ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade que devem nortear todos os atos administrativos. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 3 3 Caso caracterizada hipótese de relevação da multa, requer seja o presente processo encaminhado ao Secretário da Receita Federal do Brasil para exame do pedido de relevação da multa, tendo em vista a delegação de competência prevista na Portaria MF n° 214/1979 (Parecer COSIT n° 39/2000). Em prol do princípio da eventualidade, na hipótese de mantida a infração em face da Impugnante, requerse que a penalidade imposta seja reduzida a uma multa singular por força da aplicação ao presente caso da teoria da continuidade delitiva, a qual impõe a imputação de somente uma multa para as infrações de mesma natureza apuradas em um procedimento único, nos termos dos Recursos Especiais n°s 1.066.088, 948.728, 616.412 e 178.066. Em 13 de maio de 2011, através do Acórdão n° 0724.401, a 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü Antes do exame do mérito do litígio, é de esclarecer, quanto à alegada inconstitucionalidade da legislação que deu ensejo à presente ação fiscal, que sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil órgãos da estrutura do Poder Executivo, não competem aos seus julgadores apreciar a conformidade de lei e/ou norma infralegal (complementar) regularmente editada, consoante o processo legislativo constitucionalmente previsto, a fim de declararlhe sua nulidade e/ou inaplicabilidade, haja vista tratarse de matéria reservada ao Poder Judiciário. Diferentemente do aduzido, à instância de julgamento administrativo fiscal compete o controle da legalidade do lançamento, em quanto ato administrativo, a fim de efetuar o exame relativo à adequação dos procedimentos fiscais com a legislação em vigor, cuidando, por conseguinte, pelo seu cumprimento. É como se têm direcionado tanto a doutrina quanto as jurisprudências judicial e administrativa, ao destacarem a incompetência das instâncias administrativas de julgamento para a apreciar questionamentos que versem sobre inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação fiscal tributária; ü Ao se analisar a definição legal contida nos textos sub examine, constata se que a informação exigida tem o efeito (finalidade) de determinar o controle aduaneiro apropriado que está previamente programado no sistema como reflexo de normas positivas que devem ser observadas em relação não à mercadoria desembaraçada, mas a operação de transporte, notadamente de embarque de mercadoria para o exterior, cuja atividade é de responsabilidade do transportador e demais intervenientes, portanto, tido como o indispensável para o fim proposto; ü Portanto, diferentemente do que entende a autuada, o caso sobre apreço é de aplicação direta e objetiva da norma, logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, não sendo facultado ao fisco Fl. 397DF CARF MF 4 fazer uso da discricionariedade para o fim de dosar sua aplicação (art. 142 do CTN); ü Ademais, quanto à alegada ausência de prejuízo ao Erário por conta do admitido registro intempestivo dos dados de embarque, é suficiente salientar que, em se tratando de direito tributário, a responsabilidade do infrator não tem a mesma natureza da responsabilidade penal e/ou cível, não cabendo falar, portanto, em modalidade culposa ou dolosa, uma vez que ila responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato'1' (art. 94, § 2°, do DL 37/1966 e art. 136 do CTN); ü Nestes termos, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/94 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da impugnante quanto à inaplicabilidade ao caso vertente da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/94 e suas alterações posteriores, tem por escopo completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita; ü A IN/SRF 510/05, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao retro citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/SRF 1.096/10, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu como prazo para registro dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no Siscomex, 7 (sete) dias, independentemente da modalidade de transporte efetuada; ü É de observar também que o artigo 37, com a redação dada pelas retro mencionadas instruções normativas (510/05 e 1.096/10), é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Portanto, o aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, e posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional; ü Quanto à alegada boafé, cabe assinalar que a presente penalidade tem por escopo sancionar o atraso na prestação das informações sob apreço, na medida em que visa disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória pelos transportadores e/ou seus representantes, que deveríam, portanto, cumprila até a data fixada para a inclusão dos dados de embarque da mercadoria exportada no sistema Siscomex. Por conseguinte, a respectiva multa é aplicada tão somente em razão do descumprimento dessa obrigação acessória, não se Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 4 5 cogitando quaisquer outras razões de natureza subjetiva, uma vez que se trata de infração objetiva, onde independe a intenção do agente ou a efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante dispõe o art. 94 do DL 37/66 (art. 602 do Decreto 4.543/2002); ü Quanto à pretensão de se aplicar a penalidade somente uma única vez, por conta de que o registro tardio não causou prejuízo ao fisco, é bem de ver que a impugnante não está sendo penalizada em razão da quantidade de dados de embarque que deixou de informar relativamente ao carregamento efetuado num vôo, mas por cada embarque, cujos dados foram informados intempestivamente, ou seja, apenas uma única multa de cinco mil reais, não havendo, portanto, sequer falar na prática da infração administrativa continuada, mas tão somente da sua reiteração na conduta infracional; ü Por conseguinte, é bem de ver que, uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma penal, é defeso à autoridade aduaneira, à luz dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, inclusive aventado pela impugnante, mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza; ü Por derradeiro, quanto à pretensa relevação de penalidade, apesar de consistir em poder discricionário da Administração, este somente poderá ser exercido dentro dos limites e condições estabelecidos em lei, e pela autoridade, para tanto, competente; ü Feitas essas considerações, é de se ver que para os embarques no Vôo AA/0904, ocorridos em 04.05.2007, 06.05.2007, 08.05.2007, 11.05.2007, 12.05.2007, 13.05.2007, 18.05.2007, 21.05.2007, 24.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 28.05.2007, 29.05.2007, 30.05.2007 e 31.05.2007, o novo prazo de sete dias, estatuído pela IN/SRF 96/10, para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 05.05.2007, 07.05.2007, 09.05.2007, 12.05.2007, 13.05.2007, 14.05.2007, 19.05.2007, 22.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 27.05.2007, 29.05.2007, 30.05.2007, 31.05.2007 e 01.06.2007, e venceu em 11.05.2007, 13.05.2007, 15.05.2007, 18.05.2007, 19.05.2007, 20.05.2007, 25.05.2007, 28.05.2007, 31.05.2007, 01.06.2007, 02.06.2007, 04.06.2007, 05.06.2007, 06.06.2007 e 07.06.2007. Portanto, são intempestivos os registros (averbações) efetuados pela transportadora apenas em 31.05.2007, 03.07.2007, 03.06.2007,29.05.2007 e 08.06.2007; ü Por fim, com relação aos embarques no Vôo AA/0950, ocorridos em 11.05.2007, 18.05.2007, 24.05.2007, 25.05.2007, 28.05.2007 e 29.05.2007, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 12.05.2007, Fl. 399DF CARF MF 6 19.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 29.05.2007 e 30.05.2007, e venceu em 18.05.2007, 25.05.2007, 31.05.2007, 01.06.2007, 04.06.2007 e 05.06.2007. Portanto, são tempestivos os registros efetuados pela transportadora; ü Em face do exposto e no que diz respeito à matéria litigiosa, voto por rejeitar as preliminares argüidas e por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o lançamento no valor de R$ 25.000,00, tendo em vista o princípio fundamental que determina que seja aplicada retroativamente a norma tributária penal mais favorável ao acusado. A empresa AMERICAN AIRLINES INC foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 09/01/2014, via aviso de recebimento, às folhas 146 do processo digital. Em 05/02/2014 (folhas 191), a empresa AMERICAN AIRLINES INC ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 147 a 185. Foi alegado que: ü O Auto de Infração é nulo por não comprovar as supostas infrações ocorridas pela ora Recorrente; ü A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; ü A possibilidade de aplicação do artigo 654 do Decreto Federal n° 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos), correspondente ao artigo 736 do Decreto n° 6.759/2009 (atual Regulamento Aduaneiro), quanto à relevação da multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; ü A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; ü Aplicase ao presente a teoria da continuidade delitiva. Em 27 de janeiro de 2015, através do Acórdão n° 3801004.794, a 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao Recurso Voluntário. Entendeu a Turma que: Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei n° 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de n° 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontra Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 5 7 se estabelecida no art. 37 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, in verbis: (...) Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: (...) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2° do artigo 102 do DecretoLei n° 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. (...) Fl. 401DF CARF MF 8 A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. (...) Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Regularmente intimada do Acórdão n° 3801004.794, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de folhas 221 a 227: Em síntese, alegouse que: ü O r. acórdão desafiado sustenta que o art. 102, § 2°, do DecretoLei n° 37 de 1966, com redação dada pela Lei n° 12.350 de 2010, passou a prever a possibilidade de exclusão de multa administrativa decorrente de descumprimento de obrigação aduaneira pelo instituto da denúncia espontânea; ü Em sentido contrário, decidiu o acórdão paradigma nº 3802000.570, da 2ª Turma Especial, na Sessão de 5 de julho de 2011. ü O precedente supra firmou o entendimento de que o art. 102, § 2°, do DecretoLei n° 37 de 1966, com redação dada pela Lei n° 12.350 de 2010, não se aplica à hipótese de não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei n° 37/66. ü A infração prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei n° 37/1966 é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação do registro de embarque. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada; ü Junta textos da doutrina e da jurisprudência do CARF nesse sentido. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 6 9 Regularmente intimada, a empresa AMERICAN AIRLINES INC apresentou suas Contra Razões, de folhas 241 a 259. Em resumo, foi alegado: ü Da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma; ü Da aplicação do instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias; ü Da existência de norma autorizadora; ü Da impossibilidade de se afastar a aplicação de previsão legal. Em 26 de abril de 2016, através do Acórdão n° 9303003.584, a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Entendeu a Turma que: ü As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicou se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente se ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito;; ü O Acórdão recorrido e o paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2°, do Decreto Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras; ü No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado; ü Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a Fl. 403DF CARF MF 10 sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea; ü Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de n° 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CódigoTributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração; ü Todavia, com a edição da Lei n° 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei n° 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Regularmente intimada, a empresa AMERICAN AIRLINES INC apresentou Embargos de Declaração em relação ao Acórdão n° 9303003.584, de 26 de abril de 2016, de folhas 285 a 296. Requereu a Embargante que fossem corridas a contradição e omissão existentes no acórdão embargado, de forma que a aplicação da denúncia espontânea às obrigações aduaneiras acessórias sejam analisadas exclusivamente sob a legislação aplicável ao direito aduaneiro, considerandose a literalidade da previsão constante do §2º do artigo 102 do Decretolei nº 37/66, com a redação promovida pela Lei nº 12.350/2010; bem como para que seja considerada a extensão dos efeitos da referida alteração, conforme consta expressamente dos termos de sua exposição de motivos já transcrita, sob pena de se estar afastando indevidamente a aplicação de norma válida e legítima, o que está além da competência dos Tribunais Administrativos. Em 31 de agosto de 2017, através do Acórdão n° 3302004.716, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Entendeu a Turma que: ü Sobre a denúncia espontânea, a turma de julgamento concluiu que a multa imposta deve ser cancelada, em estrita obediência ao artigo 138 do CTN, uma vez que a contribuinte informou à administração tributária as infrações por ela praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório; ü Sobre a nulidade do auto de infração, tal argumento não foi reconhecido por aquele Colegiado, já que "a fiscalização apresentou planilha contendo o número das declarações, a data do embarque e a data em que foi enviada a declaração e a que vôo pretendia" o que não resulta na nulidade argüida pelo contribuinte; Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 7 11 ü Sobre a ausência de dano ao Erário, foi afastada a argumentação sobre inexistência de dano aos cofres públicos porque prevaleceu o entendimento que houve embaraço à fiscalização. Regularmente intimada do Acórdão n° 3302004.716, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ingressou com novo Recurso Especial de folhas 376 a 381. Em síntese, alegouse que: ü De acordo com o art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais; ü Com a devida vênia, notase que o r. acórdão recorrido não empreendeu a melhor análise da legislação pertinente, tendo, no ponto, contrariado também a jurisprudência desse Eg. Conselho. Doravante se passará a demonstrar que a r. decisão merece ser reformada por esta Col. CSRF; ü Na hipótese dos autos, o v. acórdão recorrido afastou a aplicação da multa para os casos em que embora não tenha sido observado o prazo de 2 dias fixado na IN SRF n° 510/2005, vigente à época da infração, o contribuinte cumpriu a obrigação no prazo de 7 dias, previsto na IN/RFB n° 1.096/2010; ü A Turma entendeu que se aplica o prazo maior de sete dias à espécie, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN; ü Em sentido contrário, decidiu a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção de Julgamento do CARF no seguinte Acórdão Paradigma n° 3202000.544 2a Câmara / 2a Turma Ordinária, Sessão de 21 de agosto de 2012; ü O paradigma, ao analisar a mesma infração dos autos, afastou a aplicação retroativa da IN/RFB n° 1.096/10, ao entendimento de que a ampliação de prazo não se enquadra na hipótese de retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, do CTN; ü Portanto, evidenciada está a divergência jurisprudencial. Enquanto o acórdão recorrido aplica a IN/RFB n° 1.096/10 a fatos pretéritos, com fundamento em retroatividade benigna, o paradigma afasta a aplicação retroativa da aludida IN; ü Desse modo, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontram se presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, consoante o disposto no art. 67, Anexo II, do RICARF; ü A IN/RFB n° 1.096/10 não deixou de definir a conduta como infração, uma vez que a tipificação continua a mesma, ou seja, deixar de prestar informações sobre o embarque da mercadoria transportada Fl. 405DF CARF MF 12 dentro do prazo estabelecido pela Receita Federal. Somente se alterou o prazo estipulado para o cumprimento da obrigação; ü A penalidade aplicada também permaneceu a mesma, de modo que não verifica a hipótese de retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN; ü Nobres Conselheiros, “retroativadade benigna” no direito tributário referese às sanções e o CTN deixa isso muito claro. Não é qualquer tratamento benéfico da legislação que retroage, não é essa a inteligência do sistema tributário; ü Ora, se assim concluirmos, iremos eliminar completamente a função extrafiscal do Imposto de Importação, por exemplo. Sim, pois se qualquer tratamento fiscal que for mais benéfico retroagir, então uma redução da alíquota do II (para fomentar investimentos, por exemplo) teria que ser aplicada retroativamente às importações anteriores à diminuição da tarifa. Tal conclusão afronta o sistema e a função extrafiscal do tributo (se houvesse algum motivo extrafiscal para retroatividade da alíquota, então deveria haver disposição expressa ordenando a retroação); ü Vale ressaltar, ainda que o art. 106, do CTN é DIREITO EXCEPCIONAL. E, como se sabe, é regra elementar de hermenêutica que as exceções sejam interpretadas RESTRITIVAMENTE. Não há como estender a retroatividade benigna a assuntos alheios às sanções tributárias; ü Portanto, como não houve expressa disposição de lei, nem lei expressamente interpretativa, nem regulação de penalidades, então não há retroatividade. Houve tão somente alteração de prazo para o cumprimento de obrigação acessória, cuja inobservância continua sendo punida com a mesma pena; ü Desse modo, fica evidenciada a necessidade de reforma do acórdão recorrido, devendo ser mantido o lançamento integral da multa imposta. Em 17 de outubro de 2017, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, a 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF entendeu que foram atendidos os pressupostos formais de admissibilidade e em cumprimento ao disposto no art. 18, inc. III, do Anexo II do RICARF, deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Determinou o encaminhamento do presente processo à ALFGIGRJ, para cientificar o sujeito passivo do Acórdão nº 3302004.716, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls 376 a 381) e do presente despacho, assegurando o prazo de quinze dias para o oferecimento de contrarrazões, conforme o disposto no art. 69, do Anexo II, do RI CARF. O SECAT / GCPAR – Grupo de Controle, Previsão e Acompanhamento da Arrecadação da Alfândega no Aeroporto Internacional do RJ/ Galeão – Antônio Carlos Jobim levantou, segundo suas palavras, a seguinte inexatidão: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 8 13 ü Em 31 de agosto de 2017, a Terceira Seção de Julgamento da 3a Câmara/2a Turma Ordinária do CARF, proferiu o acórdão n° 3302 004.716 de fls.367 a 373, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para que, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN/SRF n° 1.096/2010) fossem canceladas; ü Considerando que a 2a turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) já havia se manifestado no sentido de aplicar ao fato a retroatividade da lei tributária, para beneficiar o sujeito passivo, e cancelar as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do novo prazo estabelecido pela IN/SRF n° 1.096/2010, observamos que houve um lapso no acórdão proferido pelo CARF. Em 16 de março de 2018, a 3a Seção de Julgamento do CARF, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos, admitiu os embargos interpostos pela Unidade Preparadora. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 16 de março de 2018, Despacho de Admissibilidade de Embargos, proferido pela 3a Seção de Julgamento do CARF, admitiu os embargos interpostos pela Unidade Preparadora. A embargante sustenta que o acórdão incorreu em lapso manifesto, o que enseja a aplicação do permissivo contido no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações. 2. DO OBJETO O SECAT / GCPAR – Grupo de Controle, Previsão e Acompanhamento da Arrecadação da Alfândega no Aeroporto Internacional do RJ/ Galeão – Antônio Carlos Jobim levantou, segundo suas palavras, a seguinte inexatidão: ü Em 31 de agosto de 2017, a Terceira Seção de Julgamento da 3a Câmara/2a Turma Ordinária do CARF, proferiu o acórdão n° 3302 004.716 de fls.367 a 373, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para que, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN/SRF n° 1.096/2010) fossem canceladas; Fl. 407DF CARF MF 14 ü Considerando que a 2a turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) já havia se manifestado no sentido de aplicar ao fato a retroatividade da lei tributária, para beneficiar o sujeito passivo, e cancelar as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do novo prazo estabelecido pela IN/SRF n° 1.096/2010, observamos que houve um lapso no acórdão proferido pelo CARF. 3. DO DEFERIMENTO Tomase como ponto de partida para a presente análise a parte final da fundamentação e o dispositivo do Acórdão de Impugnação: Feitas essas considerações, é de se ver que para os embarques no Vôo AA/0904, ocorridos em 04.05.2007, 06.05.2007, 08.05.2007, 11.05.2007, 12.05.2007, 13.05.2007, 18.05.2007, 21.05.2007, 24.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 28.05.2007, 29.05.2007, 30.05.2007 e 31.05.2007, o novo prazo de sete dias, estatuído pela IN/SRF 096/10, para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 05.05.2007, 07.05.2007, 09.05.2007,12.05.2007,13.05.2007,14.05.2007,19.05.2007,22.05. 2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 27.05.2007, 29.05.2007, 30.05.2007, 31.05.2007 e 01.06.2007, e venceu em 11.05.2007, 13.05.2007, 15.05.2007, 18.05.2007, 19.05.2007, 20.05.2007, 25.05.2007, 28.05.2007, 31.05.2007, 01.06.2007, 02.06.2007, 04.06.2007, 05.06.2007, 06.06.2007 e 07.06.2007. Portanto, são intempestivos os registros (averbações) efetuados pela transportadora apenas em 31.05.2007, 03.07.2007, 03.06.2007,29.05.2007 e 08.06.2007. Por fim, com relação aos embarques no Vôo AA/0950, ocorridos em 05.2007, 18.05.2007, 24.05.2007, 25.05.2007, 28.05.2007 e 29.05.2007, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 12.05.2007, 19.05.2007, 25.05.2007, 26.05.2007, 29.05.2007 e 30.05.2007, e venceu em 18.05.2007, 25.05.2007, 31.05.2007, 01.06.2007, 04.06.2007 e 05.06.2007. Portanto, são tempestivos os registros efetuados pela transportadora. Em face do exposto e no que diz respeito à matéria litigiosa, voto por rejeitar as preliminares argüidas e por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o lançamento no valor de R$ 25.000,00, tendo em vista o princípio fundamental que determina que seja aplicada retroativamente a norma tributária penal mais favorável ao acusado. (Grifo e negrito nossos) Da mesma forma se transcreve o dispositivo do Acórdão de Recurso Voluntário: Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n. 1.096/2010) sejam canceladas. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10715.003904/201074 Acórdão n.º 3302005.792 S3C3T2 Fl. 9 15 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. De fato existe uma contradição. Ao dar provimento integral ao recurso voluntário, o Acórdão de Recurso Voluntário desconsidera o profícuo exame feito pelo Acórdão de Impugnação que identificou 5 (cinco) ocasiões em que são intempestivos os registros (averbações) efetuados pela transportadora apenas em 31.05.2007, 03.07.2007, 03.06.2007, 29.05.2007 e 08.06.2007, o que implica na manutenção parcial do lançamento no valor de R$ 25.000,00. Com base nas razões acima expostas, acolho os embargos de declaração interpostos pela unidade preparadora, com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Voluntário e manter parcialmente o lançamento no valor de R$ 25.000,00. Jorge Lima Abud. Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.003462/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 17/01/2005 a 04/03/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada Operação Dilúvio (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos apresentados.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 17/01/2005 a 04/03/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada Operação Dilúvio (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio” (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 34 62 /2 00 8- 39 Fl. 11181DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre os Autos de Infração de fls. 4 a 721, para exigência de imposto de importação (no valor original de R$ 161.188,72), acrescido de juros de multa de ofício majorada (150% da diferença de tributo), e de multa pela diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado (100% da diferença de valor, totalizando R$ 3.067.519,54), em função de detecção de subfaturamento, em sete declarações de importação registradas em 2005 (DI no 05/00555464 – adições 001 a 005; DI no 05/00646915 adições 001, 005, 009, 013, 014, 016 e 017; DI no 05/00897721 adições 005 a 010 e 013, 017 e 018; DI no 05/01134730 – adições 001, 002, 004 a 007, e 010 a 012; DI no 05/01459647 adições 001 e 003; DI no 05/01528819 – adições 001 a 004; e DI no 05/01758270 adições 002, 004 e 006); de imposto sobre produtos industrializados incidente nas mesmas importações (no valor original de R$ 480.534,29), acrescido de juros de multa de ofício majorada (150%), também em função de subfaturamento, de multa por entrega a consumo de produto de procedência estrangeira importado fraudulentamente (no valor de R$ 4.853.392,97); e de Contribuição para o PIS/PASEPimportação (no valor original de R$ 72.219,52) e de COFINSimportação (no valor original de R$ 332.441,24), ambas acrescidas de juros de mora e de multa de ofício majorada (150%), para as mesmas importações, e sob o mesmo fundamento de subfaturamento, detalhado no Relatório de Fiscalização anexo. No Relatório de Fiscalização (fls. 73 a 236, com anexos às fls. 237 a 3411), narrase que: (a) o documento decorre de ações fiscais desenvolvidas em face da “OPERAÇÃO DILÚVIO”, que teve por objeto identificar a atuação fraudulenta de um grupo de empresas, capitaneadas por Marco Antônio Mansur (MAM), na área de comércio exterior, mais especificamente, no caso do presente processo, o “GRUPO NETWORK 1”, gerido e financiado por MARCELO ADORNO e WILLIAM HADDAD UZUM (doravante WILLIAM) que construiu um esquema próprio de importação e distribuição subfaturada de bens, envolvendo diversas pessoas físicas e jurídicas; (b) o relatório em relação ao “GRUPO NETWORK 1” é parte dos autos de infração levados a cabo nos processos administrativos no 15165.003462/200839 (MERCOTEX DO BRASIL LTDA, o presente processo); no 15165.003460/200840 (OPUS TRADING AMERICA DO SUL LTDA); no 15165.003455/200837 (MUCHMORE COMERCIAL LTDA); no 15165.003458/200871 (IACEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA); no 15165.003461/200894 (COTIA TRADING S.A.); e no 15165.003459/200815 (PROXIM IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA); (c) o relatório em relação ao “GRUPO NETWORK 1” tem por substrato documentação extraída de originais apreendidos pela Polícia Federal quando da deflagração da “OPERAÇÃO DILÚVIO”, tendo o Poder Judiciário, no processo no 2006.70.00.0224356, autorizado a utilização das provas produzidas no âmbito criminal em processos administrativos, tendo a fiscalização acrescentado a tais documentos as cópias de todas as declarações de importação analisadas nos autos, os dossiês relativos a pessoas físicas e jurídicas constantes do banco de dados da RFB e cópias das declarações de ajuste anual do IRPF de MARCELO ADORNO e WILLIAM; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 11182DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 179 3 (d) o “GRUPO NETWORK 1” tem operação vertical, que representada na figura à fl. 100 (com organograma real detalhado à fl. 119), efetua compras no mercado americano por meio da empresa NEILS, sendo os bens adquiridos, em seguida armazenados em Miami por NATIONS, que prevê a exportação utilizando CAPITOL FREIGHT como o transportador, sendo os produtos, posteriormente, importados no Brasil por EBIS EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA (doravante EBIS), INTERSMART, NETM, NETWORK e QoS, e vendidos no mercado brasileiro sob as marcas: Network I, M13 e QoS (os produtos e serviços exportados para outros países da América latina são vendidos pela empresa panamenha M13 International); (e) todos os bens estrangeiros analisados, importados pela MERCOTEX DO BRASIL LTDA (doravante MERCOTEX), OPUS, PROXIM, TUM1ZA, IACEX, COTIA e MUCHMORE deram entrada em empresas do “GRUPO NETWORK 1”, reais adquirentes desses produtos; (f) em todos os processos foram arrolados como responsáveis solidários (artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN) MARCELO ADORNO e WILLIAM, gestores e financiadores do esquema, e, nas importações realizadas em nome da MERCOTEX e da OPUS, também MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (doravante MARCO, como é designado no relatório fiscal), sendo as empresas do “GRUPO NETWORK 1” que se encontram baixadas ou como suspensas, responsabilizadas, por sucessão, nas pessoas dos sócios (artigo 129 do CTN); (g) a empresa EBIS foi relacionada como responsável solidária em todas as importações em que os bens tenham se destinado ou transitado (triangulado) pelas empresas NETM, M13 ou NETWORK, na qualidade de sucessora destas; (h) são pessoalmente responsáveis os diretores, gestores ou representantes das empresas, pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração da Lei (artigo 135, III do CTN), pelo que, em todos os processos MARCELO RALO, administrador do “GRUPO NETWORK 1”, foi arrolado como responsável, sendo que, nas importações via “Grupo MAM”, realizadas pelas empresas MERCOTEX e OPUS, adicionalmente, figuraram nessa condição MARCIO BUENO MARIKOSHI (doravante MÁRCIO) e FERNANDO MARQUES DA COSTA (doravante FERNANDO); (i) no curso das investigações que culminaram com a deflagração da “OPERAÇÃO DILÚVIO” foram identificadas onze declarações de importação subfaturadas, destinadas à M13 (EBIS), sendo seis registradas em nome da MERCOTEX e cinco pela OPUS, importadoras controladas pelo “Grupo MAM”; (j) no que diz respeito ao dolo, alega a fiscalização que ao longo de todo o relatório foram apresentadas provas incontestáveis da pratica de fraudes, simulações e conluios por parte dos agentes envolvidos no cometimento das irregularidades, o que autoriza a aplicação da multa de 150% sobre todos os impostos e contribuições não recolhidos; (k) o subfaturamento é documentado às fls. 139 a 152, nas quais se detalha o modus operandi empregado pelo “GRUPO NETWORK 1”, que reduziu, fraudulentamente, na quase totalidade das importações, a base de cálculo em percentuais que variaram entre 30% (via INTERSMART) 85% (agenciadas por FERNANDO, junto a importadoras de fachada do Grupo “MAM” ou inaptas, quando as exportações eram feitas via ALL NETWORK), sendo possível apurar o valor FOB real de compra (adotado como valor de transação, não havendo Fl. 11183DF CARF MF 4 necessidade de arbitramento de preço, a não ser nas situações excepcionais relacionadas à fl. 152); (l) as declarações de importação e os correspondentes documentos instrutivos dos despachos, produzidos com o intuito de burlar os controles exercidos pelo Estado, são ideologicamente falsos, sendo as notas fiscais relativas às vendas no mercado interno inidôneas para fazer prova em favor dos importadores e adquirentes, considerando que foram fraudulentamente emitidas para "esquentar" o valor das mercadorias e ocultar os reais adquirentes, constituindo a entrega a consumo dos bens irregularmente importados em prática predatória que fere a livre concorrência e o mercado doméstico, apenada com multa equivalente ao valor comercial dos bens (em não sendo possível apurar tal valor foi adotado o valor aduaneiro dos bens, consignado nas ordens de compra, acrescido dos impostos e contribuições incidentes sobre as operações de importação); (m) no “GRUPO MAM”, MARCO coordena as operações de importação realizadas nos portos e aeroportos do estado do Paraná e Santa Catarina, sendo o elo entre clientes, MARCO ANTONIO MANSUR seu pai, as importadoras e o pessoal administrativo e operacional destas empresas importadoras (MERCOTEX, em Maringá/PR; OPUS, também em Maringá/PR, gerenciada por MÁRCIO, que conduzia ainda negócios da MERCOTEX; e MERCOTEC, em Itajaí/SC), e, cf. email de fls. 163/167, em conjunto com FERNANDO, efetivamente promoviam subfaturamento de mercadorias na importação; (n) a MERCOTEX registrou declarações de importação subfaturadas tendo como destino o “GRUPO NETWORK 1”, mais precisamente a EBIS, como reconheceu MARCELO RALO, tendo participação importante ainda SILVIO PARADISO (doravante SILVIO), sóciogerente da MERCOTEX e procurador da ARMORI S.A. (quotista uruguaia com 99% da MERCOTEX); e (o) as tabelas e planilhas com valores consolidados, obtido o efetivo valor de transação, nas operações da MERCOTEX subfaturadas, constam às fls. 168 a 173. A empresa MERCOTEX foi cientificada da autuação em 04/12/2008 (AR à fl. 3430), e apresentou impugnação em 05/01/2009 (fls. 4284 a 4314), argumentando, em síntese, que: (a) há nulidade da autuação, pois a empresa não foi previamente cientificada do procedimento fiscal por Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); (b) há nulidade da autuação, pois a empresa não foi intimada a se manifestar sobre o procedimento de valoração efetuado pelo fisco; (c) a empresa atuou como importador por conta e ordem, de boafé, meramente prestando serviços (não tendo domínio sobre o ajuste de preços, e, portanto, não podendo subfaturar); (d) a empresa não tem conhecimento das documentações carreadas pelo fisco, não tendo participado de nenhuma prática relativa a subfaturamento; (e) a empresa responde solidariamente, no máximo, pelo pagamento de imposto, devendo recair as multas somente sobre as pessoas a respeito das quais paire a efetiva prática do ilícito, sendo pessoal e intransferível, conforme artigo 137 do CTN, sendo as condutas apuradas pelo fisco expressa e notoriamente dolosas (subfaturamento, falsificação de documentos e ocultação do real adquirente), não restando, no entanto, comprovado dolo da Fl. 11184DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 180 5 empresa, nem que esta concorreu para a prática da infração (que permitiria a responsabilização com base no artigo 95 do DecretoLei no 37/1966); (f) não foram observados os procedimentos de valoração aduaneira estabelecidos no GATT, havendo generalização nas conclusões sobre subfaturamento às DI objeto da autuação, com erros materiais; (g) foi emitida licença de importação (LI) para o preço declarado, pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC); (h) não configurado o dolo, deve ser afastada a majoração da multa de ofício (150%); e (i) houve bis in idem, ao se punir a declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto) e a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou arbitrado, devendo, em caso de eventual subfaturamento, ser aplicada, pela tipicidade, apenas a multa prevista no artigo 88,parágrafo único, da Medida Provisória no 2.15835/2001. Os responsáveis solidários foram cientificados e apresentaram impugnações conforme tabela a seguir (os argumentos de defesa que se repetem serão substituídos pelas letras a eles correspondentes, neste relatório): Responsável solidário Ciência da autuação (data/fls.) Impugnação (fls. / razões de defesa) EBIS (EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA) 04/12/2008 (AR à fl. 3434) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3797 a 3840), alegando, em síntese: argumentos “a”; “d”; “f”; “h”; (j) há ilegitimidade passiva, por não haver vínculo do sujeito com a prática das infrações imputadas, nem com o fato gerador dos tributos exigidos; (k) aplicase ao caso o artigo 112 do CTN; e (l) a Taxa SELIC é inaplicável a título de juros de mora. WILLIAM HADDAD UZUM 04/12/2008 (AR à fl. 3431) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3440 a 3487), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. MARCELO ADORNO 04/12/2008 (AR à fl. 3435) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3676 a 3717), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. MARCELO RALO 04/12/2008 (AR à fl. 3432) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3565 a 3602), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. FERNANDO MARQUES DA COSTA 04/12/2008 (AR à fl. 3433) Impugnação apresentada em 30/12/2008 (fls. 4330 a 4344), alegando, em síntese: argumentos “f” e “j”, com destaque para a existência de erros de cálculo na autuação. MARCIO BUENO MARIKOSHI 05/12/2008 (AR à fl. 3436) Solicitou inicialmente prorrogação do prazo para apresentar impugnação, em 29/12/2008 (fl. 3438), mas não apresentou qualquer Fl. 11185DF CARF MF 6 documento adicional (REVELIA). SILVIO PARADISO 04/12/2008 (AR à fl. 4544) Não apresentada (REVELIA). MARCO ANTONIO MANSUR FILHO 29/12/2008 (tentativa via AR à fl. 3421, e Edital às fls. 3420/4280/4542) Não apresentada (REVELIA). Em 30/10/2009, ocorreu o julgamento de primeira instância (fls. 4548 a 4604), no qual a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência das impugnações apresentadas, sob os seguintes fundamentos: (a) os casos de nulidade processual são apenas os previstos no artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, e a não participação na fase inquisitorial não prejudica o contraditório e a ampla defesa; (b) o MPF é documento interno, não havendo nulidade por eventuais falhas na sua emissão ou tramitação, e a revisão aduaneira não demanda MPF; (c) os administradores que tenham pleno domínio dos atos imputados como fraudulentos e praticam atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatuto, são responsáveis pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias não adimplidas, ainda que não figurem nos documentos constitutivos das sociedades empresariais; (d) caracteriza evidente intuito de fraude o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas instruído com faturadas comerciais inidôneas; (e) a valoração aduaneira é regida pelas regras do GATT, mas em caso de fraude, os procedimentos de valoração são regulados por regras específicas; (f) evidenciado o subfaturamento, são exigíveis os tributos devidos, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, bem assim da multa decorrente da declaração inexata do valor das mercadorias, calculada pela diferença entre o valor real e o declarado destas; (g) as multas administrativas e fiscais não possuem natureza confiscatória; e (h) a exigência de juros à Taxa SELIC é prevista expressamente nas normas que regulam a matéria. Nas tentativas de cientificar a empresa MERCOTEX a respeito da decisão de piso, o AR voltou com a mensagem “mudouse” (fl. 4738) e a empresa não foi localizada por três vezes (fls. 4752/4894), de modo que a ciência se deu por edital (fl. 4753/4987), afixado em 04/01/2010, não havendo registro de interposição de recurso voluntário. Os responsáveis solidários (mesmo os revéis) foram cientificados da decisão da DRJ e apresentaram recursos voluntários conforme tabela a seguir (os argumentos de defesa que se repetem serão substituídos pelas letras a eles correspondentes, neste relatório): Responsável solidário Ciência da decisão da DRJ (data/fls.) Recurso Voluntário (fls. / razões de defesa) EBIS (EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA) 03/12/2009 (AR à fl. 4622) Recurso Voluntário apresentado em 17/12/2009 (fls. 4755 a 4786), alegando, em síntese: argumentos “f”; “j”; (m) a decisão da DRJ é nula por omissão na apreciação de prova produzida; e (n) as multas são confiscatórias, desproporcionais e irrazoáveis, cabendo, no caso de diferença apurada no preço, somente a penalidade prevista no artigo 108, parágrafo único, do DecretoLei no 37/1966, havendo vedação de cumulatividade. WILLIAM HADDAD UZUM 03/12/2009 (AR à fl. 4628) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4638 a 4669), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j”; “k”; e (o) Fl. 11186DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 181 7 pelos artigos 50 e 53 do DecretoLei no 37/1966, o fisco tem 5 dias para registrar as irregularidades, após o desembaraço; (p) a decisão da DRJ é nula porque deixou de observar o “princípio da fundamentação” previsto no artigo 31 do Decreto no 70.235/1972, além da “legalidade objetiva”, da “vinculação” e da “isonomia”; (q) a autuação é pautada em documento alheio ao processo fiscal (referentes a processo criminal em andamento); e (r) as multas aduaneiras não são cumuláveis com a prevista na legislação do IPI. MARCELO ADORNO 03/12/2009 (AR à fl. 4626) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4692 a 4730), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j”; “k”; “o”; “p”; “q” e “r”. MARCELO RALO 03/12/2009 (AR à fl. 4630) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4674 a 4691, e 4921 a 4938), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j” e “k”. FERNANDO MARQUES DA COSTA 03/12/2009 (AR à fl. 4632) Recurso Voluntário postado em 31/12/2009 (fls. 4862 a 4883, e 4892), alegando, em síntese: argumentos “f” e “j”, com destaque para a existência de erros de cálculo na autuação. MARCIO BUENO MARIKOSHI Ausente nas três tentativas de entrega (fl. 4742). Ciência por edital (fl. 4753) afixado em 04/01/2010. Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. SILVIO PARADISO 03/12/2009 (AR à fl. 4634) Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. No entanto, foi apresentada a peça de fls. 4898 a 4912, intitulada de “recurso voluntário”, em 04/01/2010. Em tal peça, a pessoa física alega, em síntese: argumentos “a”; “b”; “f”; “h”; “i” e “j”. MARCO ANTONIO MANSUR FILHO 04/01/2010 (AR à fl. 4624, Edital às fls. 4635/4918 4919, e termo de recebimento de cópia – fl. 4743) Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. No entanto, foi apresentada a peça de fls. 4945 a 4972, intitulada de “recurso voluntário”, em 04/01/2010. Em tal peça, a pessoa física alega, em síntese: Argumentos “j”; “o” (sem menção explícita ao DecretoLei no 37/1966); (s) nulidade das intimações por edital, devendo os autos serem devolvidos à DRJ para apreciação de suas razões de defesa; (t) impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica em sede administrativa. Fl. 11187DF CARF MF 8 Em 10/12/2015 o processo foi sorteado ao Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, para relatoria (fl. 10324), tendo o conselheiro suscitado suspeição (fl. 10325). Em 18/05/2016, a empresa MERCOTEX, suscita “questão de ordem pública superveniente” para solicitar o adiamento do julgamento (fls. 10328 a 10337, com peças judiciais anexadas às fls. 10338 a 10369), fazendo menção ao uso ilegítimo nos autos de prova declarada ilícita pelo STJ, e pedindo a retirada de pauta do processo na sessão 19/05/2016, e o desentranhamento das provas declaradas ilícitas, bem como a supressão das menções correspondentes no relatório fiscal. Não encontrei registro de que o processo estivesse efetivamente pautado para a sessão de 18/05/2016. Aliás, a relatoria do processo foi novamente sorteada (a mim) apenas em 23/06/2016. Em 27/04/2017 o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução no 3401001.166, para que para que a unidade local da RFB adotasse as seguintes providências: (a) verificar e fundamentar a regularidade da ciência a respeito da decisão de piso dada a sujeitos passivos para os quais não se instaurou o contencioso, pela ausência de apresentação de impugnação; (b) verificar e fundamentar a afirmação de que foram tempestivos os recursos voluntários apresentados por pessoas que sequer apresentaram impugnação (fl. 4994); (c) atestar, ao tempo da ciência da autuação e da ciência da decisão de piso, com registro histórico e telas de amparo, qual(is) eram os CPF válidos de Marco Antonio Mansur Filho, e os endereços cadastrais vigentes informados à RFB, para cada CPF; (d) indicar, individualizada, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que efetivamente foram obtidos em ação fiscal autônoma, independente da realizada no bojo da “Operação Dilúvio”; e (e) indicar, individualizada, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que poderiam ser obtidos pela fiscalização diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial. Na Informação Fiscal de fls. 11030 a 11034, a unidade local revela, em relação ao quesito “c”, que houve a declaração, de ofício, da nulidade de um dos CPF de Marco Antonio Mansur Filho (no 342.685.71892) pelo Ato Declaratório Executivo no 40, de 25/11/2011. Em relação aos quesitos “d” e “e”, esclareceu que no caso dos autos, “a descoberta dos fatos narrados no relatório de fiscalização NETWORK 1 bem como o desvelamento do que se passou a chamar GRUPO MAM foram decorrentes da análise pela Receita Federal de documentos e arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da investigação criminal, mediante mandamus judicial, cujo compartilhamento fora autorizado judicialmente”, que “tratase de prova emprestada”, que “a descoberta dos fatos narrados na autuação somente fora possível com base na prova resultante das interceptações telefônicas e nas delas decorrentes”, e que “não há conhecimento de outras fontes independentes, ainda que apenas no âmbito fiscal”, sendo que o resultado para ambos os quesitos “é um conjunto vazio de elementos”. Em relação os quesitos “a” e “b”, a diligência passou ao SECAT da mesma Inspetoria da RFB, que alegou, à fl. 11036, que “os sujeitos passivos foram regularmente citados/intimados de todos os atos do processo” e que “em relação ao acórdão de impugnação, novamente todos os sujeitos passivos foram regularmente intimados”. Em nova conversão em diligência, por meio da Resolução no 3401001.166, de 30/01/2018, o colegiado unanimemente reiterou a indagação à unidade preparadora da RFB sobre qual era o endereço cadastral fornecido à RFB pelo Sr. MARCO Antonio Mansur Filho, em 05/12/2008 (anexandose a correspondente consulta histórica no sistema CPF), demandandose adicionalmente que, caso o endereço cadastral não fosse época, a “Rua Fl. 11188DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 182 9 Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000000 – São Paulo/SP”, justificasse a unidade da RFB qual a razão de ter tentado cientificar o Sr. MARCO em tal endereço. Juntadas telas do sistema CPF às fls. 11070 a 11073, informa a unidade preparadora, à fl. 11074, que, em relação ao CPF no 256.747.26817, consta eleito como domicílio tributário, no período de 21/07/2003 a 27/07/2009, o endereço à Rua Cruzeiro, 695, Bairro Barra Funda, CEP 01000000, na capital de São Paulo, exatamente aquele para o qual foi enviada a intimação referente à autuação. No despacho de fls. 11075/11076, determinase que ciência aos interessados, sobre ambas as resoluções do CARF e o relatório da diligência (comprovantes às fls. 11090 a 11098). Às fls. 11099 a 11105, consta manifestação da empresa EBIS, datada de 13/04/2018, defendendo a ilicitude da prova utilizada no lançamento, e, às fls. 11143 a 11148, manifestação de MARCELO ADORNO, MARCELO RALO e WILLIAM, com idêntica data, e no mesmo sentido. Em 10/05/2018, a empresa MERCOTEX peticiona (fls. 11171 a 11179), endossando a alegação de ilicitude da prova utilizada pela autuação. Na sequência, os autos foram devolvidos ao CARF, sendo distribuídos a este relator, em junho de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Tendo sido a admissibilidade efetuada na segunda conversão em diligência, seguese na análise dos recursos apresentados. Por ocasião da primeira conversão em diligência, foram efetuados cinco questionamentos à unidade preparadora da RFB, detectandose o não atendimento de apenas um deles, que ensejou a nova conversa em diligência, e se referia à regularidade da ciência ao Sr. MARCO Antonio Mansur Filho. A ciência da decisão de piso ao Sr. MARCO se deu por edital afixado em 05/12/2008 (fl. 3420/4280) e 12/12/2008 (fl. 4542), após tentativa frustrada pela via postal (cf. AR datado de 05/12/2008, com a mensagem “mudouse” fl. 3421, enviado para o seguinte endereço: “Rua Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000000 – São Paulo/SP”). E, pelas telas do sistema CPF juntadas às fls. 11072 e 11073, percebese que o endereço informado pelo sujeito passivo, com o CPF indicado na autuação e nas intimações (de no 256.747.26817), à RFB, era exatamente esse, tendo sido alterado apenas em 28/07/2009, para “Rua Alexandre Benois, 160, ap. 92, CEP 05729090, Vila Alexandre São Paulo”. Fl. 11189DF CARF MF 10 Assim, após a resposta à segunda diligência, restou patente a regularidade da intimação sobre a autuação, que foi efetuada ao endereço fornecido pelo sujeito passivo à RFB, à época, endereço esse que só foi alterado posteriormente, após o prazo de impugnação já decorrido, sendo improcedente a alegação de nulidade, e irrelevante a ciência posterior à decisão da DRJ a pessoa que já não compunha o contencioso, por ter sido revel na instância de piso. Portanto, e retomando a questão referente à admissibilidade, na segunda conversão em diligência, endossase que os recursos apresentados pela empresa EBIS e pelas pessoas físicas WILLIAM, MARCELO ADORNO, MARCELO RALO e FERNANDO preenchem os requisitos de admissibilidade, deles se conhecendo. Não havendo interposição de recurso voluntário pela empresa MERCOTEX e por MARCIO, analisouse a possibilidade de conhecimento dos recursos voluntários apresentados por SILVIO e MARCO, para os quais o contencioso não foi instaurado, configurandose a revelia ainda antes do julgamento do processo pela DRJ, mas que, sendo cientificados da decisão de piso, interpuseram recurso voluntário. SILVIO sequer discutiu o fato de ser revel na instância de piso. Por isso solicitouse objetivamente à unidade local da RFB, na conversão em diligência, que verificasse e fundamentasse a regularidade da ciência a respeito da decisão de piso dada a sujeitos passivos para os quais não se instaurou o contencioso, pela ausência de apresentação de impugnação, assim como a afirmação sobre a tempestividade dos recursos por eles eventualmente interpostos. Em resposta (à fl. 11036, em dois parágrafos), a unidade da RFB, que parece não ter entendido o questionamento, apenas reiterou o que já constava nos autos (e motivou a demanda por diligência): Endossese que parece a unidade ainda não ter percebido que chamou ao contencioso após a decisão de piso pessoas que nele já não figuravam, pois afetadas anteriormente pela revelia, como SILVIO, e, como agora se atesta, MARCO. Na ocasião da segunda conversão em diligência, simplificamos a pergunta: “Como pode ser tempestivo um recurso voluntário apresentado por pessoa que já não participava do contencioso, pois não apresentou impugnação”? Ou ainda: “Existe orientação da unidade local para que revéis sejam cientificados das decisões em processos para os quais não apresentaram impugnação”, e, caso exista tal orientação, “a ausência de apresentação de Fl. 11190DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 183 11 impugnação é entendida como suprida com eventual peça apresentada a título de recurso voluntário”, ou seja, “pode o sujeito passivo optar por juntarse ao contencioso apenas após a decisão de primeira instância?” Decidimos, no entanto, não se alongar nas perguntas, nem demandar nova diligência exclusivamente para isso, pois parece que a omissão da unidade local veio somente a atestar a dificuldade para responder a pergunta objetiva do CARF, que poderia ser desmembrada nas aqui expostas. Qualquer que tenha sido o motivo (que continua incógnito) para a unidade local da RFB cientificar revéis sobre decisão que já não lhes dizia respeito (e pior, considerar tempestivas suas manifestações), reitero que tal questão não tem o condão de “desfazer a revelia”, chamando o sujeito passivo ao contencioso. Assim, não conheço dos recursos voluntários apresentados por SILVIO e MARCO. Entendo, com isso, estarem devidamente esclarecidas as questões “a”, “b” e “c” da primeira conversão em diligência (a última delas endossada na segunda). Passarseia, assim, a analisar os recursos voluntários apresentados conhecidos, interpostos pela empresa EBIS e pelas pessoas físicas WILLIAM, MARCELO ADORNO, MARCELO RALO e FERNANDO. Cabe recordar, no entanto, as duas questões restantes que inicialmente ensejaram a conversão em diligência, endossando o tratamento a elas dado na segunda conversão, apenas pelo fato de haver, na turma de julgamento, diferentes posicionamentos externados sobre o tema, um reconhecendo válidos apenas os documentos derivados de ação fiscal autônoma daquela realizada no âmbito da “Operação Dilúvio” e outro reconhecendo como válidos os documentos que, ainda que obtidos na referida operação, poderiam ser simplesmente solicitados em procedimento normal de fiscalização pela RFB, sem necessidade de autorização judicial. Para tanto, demandouse à unidade local da RFB que: (d) indique, individualizada, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que efetivamente foram obtidos em ação fiscal autônoma, independente da realizada no bojo da “Operação Dilúvio”; e (e) indique, individualizada, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que poderiam ser obtidos pela fiscalização diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial. A pergunta “d” foi, a nosso ver, objetivamente respondida, informando a unidade preparadora da RFB (fls. 11033/11034) que: Fl. 11191DF CARF MF 12 Podese ainda entender que a resposta se refere também ao quesito “e” (apesar de provável erro de digitação na resposta), porque a RFB, não tendo conhecimento das interceptações, não teria como solicitar, dentro de suas competências, os referidos documentos e informações a que alude a corrente que propugna pela chamada “teoria da descoberta inevitável”. Ademais, nada acrescenta a unidade preparadora após tal excerto da resposta, simplesmente concluindo (fl. 11034) que: Assim, temos que restaram respondidos também os dois quesitos restantes, esclarecendo a própria fiscalização, literalmente, que a descoberta dos fatos narrados somente fora possível com base na prova resultante das escutas telefônicas, escutas essas que foram consideradas inválidas pelo juízo. De longa data esse colegiado administrativo tem analisado autuações decorrentes da chamada “Operação Dilúvio”, tanto que na primeira conversão em diligência, no presente processo, foram esclarecidos os posicionamentos divergentes existentes no colegiado (fls. 10381 a 10389), que endosso a seguir: Quando analisei, em maio de 2016, como relator, processo referente à “OPERAÇÃO DILÚVIO”, depareime com a questão referente à nulidade de interceptações telefônicas determinadas pelo Poder Judiciário. Sobre o tema, remeto ao voto então proferido: Da fl. 2248 à fl. 3709, figuram cópias de peças dos volumes 1 a 5 da Ação Penal no 2007.70.00.0257019, dependente do processo no 2006.70.00.0224356, na qual se percebe que são seis os réus: os três já apontados, e, ainda, Marco Antonio Mansur, Marco Antonio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Saleski, todos com denúncia oferecida por infração ao disposto no artigos 299 do Código Penal, combinado com o artigo 71 do mesmo código, recebida (fl. 2281). No volume 5 do processo (fls. 3419 e seguintes), consta a apreciação, pelo STJ, do HC no 142.045/PR (tendo como pacientes Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho), no qual foi concedida a ordem, por maioria, para "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito(sic)" (fl. 3421). Da decisão foram interpostos embargos de declaração em 09/01/2010, não apreciados até a data da anexação (11/04/2011). Percebese que diante da ausência de definitividade da decisão do STJ, o juízo decidiu pela suspensão dos autos, por seis meses, em 06/06/2011 (fl. 3600). Rejeitados os embargos apresentados (fl. 3601 a 3609), e negado seguimento a Recurso Extraordinário (RE), e a agravo no RE (ARE), autuado no STF sob o no 659.387, o juízo originário se manifesta (fls. 3607 a 3609), antes do julgamento do último agravo, em 08/11/20112, entendendo que restariam hígidas as 2 Verificamos, no sítio "web" do STF, que o último agravo também teve seguimento negado, pela Primeira Turma do STF, com publicação da decisão em 01/12/2011, e trânsito em julgado em 09/01/2012, sendo os autos Fl. 11192DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 184 13 provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes, e que: O Ministério Público é intimado a respeito da decisão, e se manifesta (fls. 3612 a 3618) no sentido de que a invalidação das escutas telefônicas não se alastra pelas demais provas constantes nos autos, obtidas em outras operações, e que o STJ não trancou ou extinguiu as ações penais, mas ordenou o retorno ao juízo originário "para determinações de direito". E é nessa peça, atinente ao HC no 142.045/PR, e redigida pelo Ministério Público Federal, em 15/12/2011, que se encontra o polêmico excerto que foi objeto de discussão no julgamento de piso administrativo: remetidos para baixa definitiva em 13/01/2012. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4149247>, acesso em 10.abr.2016. Fl. 11193DF CARF MF 14 Nas palavras do Ministério Público Federal, àquela data 15/12/2011, só restaria aos procedimentos administrativos calcados nos documentos obtidos na chamada "Operação Dilúvio" a alternativa do "salvo melhor juízo". E foi com base em tal manifestação do Ministério Público que o juízo de primeira instância, em 16/04/2012, decidiu pela absolvição sumária dos réus, conforme artigos 386, III e 397, III do Código de processo Penal (fls. 3671 a 3678), enviando os autos para arquivo em 20/09/2013 (fl. 3705). Mas, façamos uma pausa aqui na narrativa sobre as peças judiciais adicionadas em fase de diligência, para retomar a motivação dos trabalhos fiscais, no caso concreto em análise nestes autos, e checar se realmente foram realizados com base nos laudos elaborados pelo MPF. Vejamos, no relatório fiscal de fls. 17 a 37, quais conclusões derivam da chamada "Operação Dilúvio" e quais foram objeto de apuração individualizada pela RFB, pois, já de início, afirma o relatório (fl. 17), que foi realizada fiscalização na empresa: (...) (voto condutor no Acórdão no 3401003.171, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, sessão de 17 mai. 2016) (grifo nosso) Fl. 11194DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 185 15 Havendo reconhecimento judicial da ilicitude das provas decorrentes da “OPERAÇÃO DILÚVIO”, entendo que, ainda assim, poderia prosperar o lançamento, se alicerçado em fiscalização autônoma da RFB, à luz de dados, informações e documentos obtidos, e que não derivam da referida operação. Nem sempre é possível, no entanto, no estágio em que os processos chegam ao CARF, apartar os dados, informações e documentos que derivam de ação autônoma daqueles presentes na “OPERAÇÃO DILÚVIO”. Assim, são frequentes as demandas por conversão em diligência para que a unidade local o faça. Com exemplo recente, cabe citar a Resolução no 3402002.840, de 24 de novembro de 2016, sob a relatoria da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, que demandou à unidade local da RFB, com acolhida unânime do colegiado, que: E, como exemplo ainda mais recente, mencionese a Resolução no 3401 000.961, emitida por esta turma, em 24 de janeiro de 2017, na qual atuei como redator designado do voto vencedor. No caso em análise, o colegiado, majoritariamente (vencido apenas o relator, Conselheiro Robson José Bayerl), decidiu que a diligência anteriormente demandada à unidade local não havia sido atendida a contento, havendo necessidade de nova conversão em diligência, nos seguintes termos: “De forma diversa ao posicionamento do relator, entendo não ter sido cumprida a diligência, na forma em que demandada, de modo que o presente processo ainda não se encontra devidamente preparado para julgamento. Reiterese, a título de esclarecimento, a motivação da conversão unânime do julgamento em diligência, pela Resolução no 3202 000.185: Pelo exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF competente providencie o seguinte: a) Identificação, dentre as provas utilizadas para o lançamento, daquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; Fl. 11195DF CARF MF 16 b) Identificação das provas que derivaram do primeiro período de sessenta dias da interceptação telefônica; c) Identificação das provas produzidas por fonte independente (ex. apresentadas durante a ação fiscal); d) Identificação das provas que a Receita Federal poderia ter acesso independentemente de autorização judicial. Resta clara a preocupação do julgador em discernir o acervo probatório judicialmente considerado ilícito (posterior às escutas consideradas como avessas ao ordenamento) daquele resultante do período em que era legal a escuta telefônica, ou, ainda, de fonte independente. No Relatório de Diligência (fls. 15352 a 15356), mais parece a fiscalização preocuparse em defender a autuação do que em efetivamente responder, de forma objetiva, os questionamentos efetuados pelo julgador. Logo de início, afirma, enfaticamente, a autoridade fiscal, em relação a documentos apreendidos na chamada “Operação Dilúvio”, que (fl. 15352/15353): (...) Na resposta ao quesito “a”, a fiscalização não diligencia, mas apenas remete ao próprio relatório da ação fiscal, que já constava nos autos, afirmando que a autuação tomou em conta “vasta documentação” que é relacionada no item 8 do citado relatório. E a autoridade diligenciante, após limitarse a analisar peça fiscal já constante dos autos, passa a refutar afirmação constante na peça de defesa, em atividade que está longe do escopo da diligência demandada. O CARF não demanda (e nem pode demandar) diligência para que a unidade local da RFB externe posicionamento de direito sobre determinado tema. Assim, quando demandou à unidade local da RFB que discernisse, entre as provas utilizadas para o lançamento, aquelas que “efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas”, fixou, para isso, um critério jurídico, não deixando ao alvitre da unidade local o entendimento sobre o que seriam tais provas. Vejase o excerto que antecede a conclusão do voto pela conversão em diligência: “Por tais razões, compartilho do entendimento adotado pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, quando do julgamento do processo administrativo nº 12466.002006/200970, em 24/09/2013. Naquela oportunidade, decidiu a Turma julgadora converter o julgamento em diligência, por entender imprescindível identificarse, dentre as provas coletadas pela fiscalização, quais foram efetivamente afetadas pela decisão do STJ, separando daquelas que foram decorrentes da interceptação quando ela ainda era válida (os primeiros sessenta dias), além daquelas decorrentes de procedimentos fiscais realizados pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentro de sua competência legal.” (grifo nosso) Fl. 11196DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 186 17 Vejase que a anulação se refere a provas decorrentes das escutas, e não, restritivamente, às escutas, o que é endossado pela decisão judicial transcrita no mesmo voto: “Assim, permanecem hígidas as provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes. Os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também permanecem hígidos, pois derivaram de prova obtida licitamente. De outra parte, segundo os termos do julgado, as interceptações telefônicas realizadas a partir da quarta prorrogação autorizada encontramse maculadas pelo vício insanável da ilicitude. São, portanto, imprestáveis para fins de utilização de prova no processo penal. Correlatamente, os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também encontramse eivado de ilicitude, pela aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada", agora expressamente adotado pelo CPP (art. 157, § 1°, do CPP)” (grifo nosso) Parece não ter compreendido, a unidade local da RFB, o critério jurídico já fixado quando da conversão em diligência. E, dessa má compreensão, resulta a conclusão da resposta da unidade local da RFB (fl. 15354): A fiscalização, destaquese, não precisa apoiar posicionamento jurídico algum, devendo limitarse a responder o questionamento efetuado pelo tribunal administrativo. E o primeiro questionamento não foi respondido, porque a unidade local entendeu que sequer era necessário analisar as escutas telefônicas, para saber se derivaria alguma prova delas, bastando remeter aos elementos que já constam do própria autuação. Nega, assim, a unidade local, eficácia à própria decisão do STJ pela nulidade das escutas, pois esta não afetaria prova alguma, e nega também eficácia ao posicionamento exarado quando da conversão em diligência, que se referia a provas “decorrentes” das escutas, pois, segundo o entendimento da unidade local (vejase o excerto aqui transcrito), não haveria que se falar em prova decorrente da escuta. Em síntese, a unidade local da RFB, ao invés de atender ao demandado na diligência, pareceu apenas dela discordar. A autoridade diligenciante até ventilou que poderia ter solicitado Fl. 11197DF CARF MF 18 informações sobre as escutas à autoridade policial, mas não o teria feito porque entendia que isso não afetaria o resultado deste processo administrativo (à mesma fl. 15354): (...) Não consta nos autos qualquer demonstração de esforço da autoridade diligenciante para adicionar elementos ao processo, ou mesmo diligenciar, v.g., se determinada apreensão de documentos só foi possível porque, em escuta telefônica, ficouse sabendo onde estavam localizados ou escondidos. Aliás, a própria autoridade diligenciante, como exposto, considerou irrelevante analisar as escutas para saber se delas derivariam provas ilícitas. A resposta ao quesito “c” é, em meu entendimento, a mais importante para que se possa julgar com segurança o processo. A meu ver, a ilicitude das escutas, e das provas que dela derivam, não se alastra a procedimentos fiscais autônomos/independentes, levados a cabo pela RFB, à margem da citada operação especial conjunta. Daí ter sido demandado á unidade local esclarecer quais dos elementos de prova utilizados na autuação derivaram de fonte independente. A resposta da unidade local, lamentavelmente, vem a título exemplificativo, o que atenta contra o próprio teor da pergunta, que demandava a identificação “das provas”, e não de algumas das provas (fl. 15355): Que no auto de infração constam diversos elementos, de variadas fontes, já se sabia. Bastava ler os autos. O que se desejava da unidade local da RFB era que, entre tais elementos, apontasse, conclusiva e exaustivamente, com base em informações e registros de fiscalização que possua, além do que já figura nos autos, quais foram produzidos por fonte independente da operação especial conjunta. Tal informação é relevantíssima para os julgadores que considerariam apenas tais provas como lícitas. E, por isso, não pode ser aceita de forma exemplificativa. Deve a unidade diligenciante, entre todas as provas utilizadas como fundamento da autuação, indicar, conclusivamente, quais foram produzidas por fonte independente. A resposta ao quesito “d”, por outro lado, destinase a suprir dúvida daqueles julgadores que, filiados à escola da chamada “teoria da descoberta inevitável”, admitem inclusive as provas tidas judicialmente como ilícitas, desde que essas mesmas provas pudessem ser (mas não, necessariamente, houvessem sido) obtidas administrativamente pela RFB, dentro de suas competências, de forma lícita. Tal quesito parece ter sido razoavelmente compreendido pela autoridade diligenciante, Fl. 11198DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 187 19 embora também não haja listagem detalhada e exaustiva (fl. 15356): Entendo até que um julgador que comungue do entendimento que motivou o quesito “d” possa interpretar que o colegiado estaria apto a apreciar o processo, como propunha o relator, ainda que as respostas tenham sido dadas exemplificativamente. No entanto, para este julgador (conforme posicionamento externado no Acórdão no 3401003.171), e para a maioria do colegiado, como se percebe da votação empreendida nesta sessão de julgamento, revelase imprescindível, para apreciação do processo, que sejam buscados elementos que permitam verificar, conclusivamente, quais, entre as provas utilizadas na autuação, derivam da chamada “Operação Dilúvio”, e das escutas telefônicas consideradas ilícitas, e quais derivam de ação fiscal autônoma da RFB (ou mesmo de dados de sistemas internos da RFB). E, por óbvio, para responder tal questionamento, a autoridade diligenciante deve ir além do que já está nos autos, e é de conhecimento deste colegiado administrativo. Em outras palavras, deve diligenciar, investigar, juntar informações que permitam separar as provas lícitas das ilícitas, segundo o critério jurídico já fixado. Simplesmente afirmar que as provas documentais jamais derivariam de escuta telefônica (sem sequer desejar conhecer seu teor, por considerálo irrelevante para o resultado do julgamento) não se apresenta como resposta aos questionamentos efetuados. E contradiz informações do próprio Ministério Público, em 15/12/2011, sobre réu da “Operação Dilúvio”, no HC no 142.045/PR, já comentada no citado Acórdão no 3401003.171, disponível no sítio web do CARF: (...) Entendo, então, que o resultado da diligência, pela falta de conclusividade, e de labor investigativo, não permite o julgamento imediato do processo. E que o parecer do Ministério Público, por um lado, parece minimizar a importância dos quesitos “a” e “b”, efetuados à unidade local da RFB, e, por outro, torna efetivamente irrelevante (mas em sentido diametralmente oposto ao que defendeu a autoridade diligenciante) o extenso trabalho de exploração minuciosa das transcrições de escutas telefônicas. No entanto, deve a unidade diligenciante melhor responder aos quesitos “c” e “d”, inicialmente efetuados, relacionando, entre os elementos de prova indicados no Relatório de Verificação Fiscal (fls. 21 a 76 como email, contratos de câmbio, extratos bancários, e outros documentos), quais efetivamente foram obtidos (na linha de entendimento que motivou o quesito “c”) ou poderiam ser obtidos (na linha que culminou no quesito “d”) a partir de ação autônoma da fiscalização da RFB, independente Fl. 11199DF CARF MF 20 da chamada “Operação Dilúvio”, de forma conclusiva e exaustiva. Para tanto, e buscando facilitar e dar objetividade à atividade de diligência, demandase à unidade local da RFB que: (a) indique, individualizadamente, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que efetivamente foram obtidos em ação fiscal autônoma, independente da realizada no bojo da “Operação Dilúvio”; e (b) indique, individualizadamente, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que poderiam ser obtidos pela fiscalização diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial. A importância da boa resposta aos quesitos, pela unidade da RFB, reside no fato de que os julgadores que entendem que somente seriam lícitos os elementos de prova efetivamente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão o processo, e a procedência ou não da autuação, apenas à luz de tais documentos. Da mesma forma, os membros deste tribunal administrativo que interpretam que seriam aceitáveis todos os elementos de prova que possam ser regularmente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão os autos, e a manutenção ou não do lançamento, apenas à luz de tais documentos. Após a realização da diligência deve ser elaborado relatório conclusivo, a ser notificado à recorrente, para que esta, desejando, apresente manifestação, na forma a que se refere o artigo 35 do Decreto no 7.574/2011, antes do reenvio do processo a este tribunal administrativo.” (grifos no original) Por isso foram efetuados os questionamentos “d” e “e”, no presente processo, esclarecendose que a importância da boa resposta aos quesitos, pela unidade da RFB, reside no fato de que os julgadores que entendem que somente seriam lícitos os elementos de prova efetivamente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão o processo, e a procedência ou não da autuação, apenas à luz de tais documentos. Da mesma forma, os membros deste tribunal administrativo que interpretam que seriam aceitáveis todos os elementos de prova que possam ser regularmente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão os autos, e a manutenção ou não do lançamento, apenas à luz de tais documentos. No entanto, à luz da resposta da unidade da RFB, não resta documento a analisar, sendo a resposta aos quesitos “d” e “e” um “conjunto vazio”. Como destacamos em voto vencedor no Acórdão no 3401004.396, de 27/02/2018, em tese, este julgador tem todo o direito de discordar do entendimento externado pelo STJ (ainda mais por estar em desconformidade com a jurisprudência anterior e posterior do mesmo tribunal), mas, por outro lado, tem todo o dever de acatálo, sob pena de subversão do ordenamento jurídico, da função dos distintos poderes, e da unidade de jurisdição. Daí não compactuarmos com a tese que encampa a chamada “Teoria da Descoberta Inevitável”, que equivale, a nosso ver, a assimilar que os fins (quando considerados nobres) justificam os meios (ainda que ilícitos). Em outras palavras, a nosso ver, tal tese equivale a entender que é válida a prova, ainda que obtida ilicitamente de fato, quando esta poderia ser obtida de forma lícita, dentro dos poderes regulares da fiscalização. Fl. 11200DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Acórdão n.º 3401005.361 S3C4T1 Fl. 188 21 Nosso posicionamento, conforme externado em precedentes administrativos (Acórdãos no 3401003.171 e no 3401004.396), no entanto, acolhe toda e qualquer prova derivada de ação fiscal autônoma (alheia à chamada “Operação Dilúvio” ou derivada de documentos em posse da própria RFB v.g., registros em sistemas informatizados). Ambos os posicionamentos (o por nós defendido nosso e o por nós rechaçado) foram contemplados nas questões submetidas à diligência efetuada neste processo, e respondida com um “conjunto vazio”. E, afastada a escuta ilícita e as provas dela decorrentes (e ausentes provas autônomas, ou provas que a fiscalização poderia obter diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial, conforme reconhece a própria autoridade diligenciante), não merece prosperar o lançamento. Pelo exposto, entendo que, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio”, não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal, caracterizando carência probatória, devendo ser dado provimento aos recursos apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 11201DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720053/2015-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011
FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº10.426/02, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste.
PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CARACTERIZAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
Após o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes à determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio.Integram a remuneração e se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições.
Numero da decisão: 2202-004.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (Presidente).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº10.426/02, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CARACTERIZAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Após o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes à determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio.Integram a remuneração e se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 53 /2 01 5- 92 Fl. 1647DF CARF MF 2 Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (Presidente). Relatório Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, responsável pelo relatório, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF. Feito o registro. Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a multa isolada pela falta de retenção na fonte do imposto de renda da pessoa física. Intimada, a Contribuinte protocolou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional protocolou Contrarrazões. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 19/01/2015 foi lavrado Auto de Infração (fls. 1.226/1.231) para constituir crédito tributário imputando a seguinte infração: 0001 DEMAIS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES MULTA POR FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE DE IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO Multa devida em decorrência de falta de retenção na fonte de imposto ou contribuição, conforme relatório fiscal em anexo. Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.648 3 (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2010 e 31/12/2011: Art. 9° da Lei n° 10.426/02, com redação dada pelo art. 16 da Lei n° 11.488/07. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 3/26 e docs. anexos fls. 27/1.225), "REMUNERAÇÃO ATRIBUÍDA A EMPREGADOS E DIRETORES ESTATUTÁRIOS COMPLEMENTO SALARIAL APORTES EM PREVIDÊNCIA PRIVADA IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE FALTA DE RETENÇÃO LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA (...) 2. A ação fiscal de que trata o presente Termo de Verificação Fiscal foi determinada pela Administração Tributária Federal e compreendeu a fiscalização do Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte , relacionado aos aportes suplementares realizados pelo contribuinte aos administradores e empregados elegíveis ao Plano PGBL Empresarial , caracterizados como de natureza remuneratória, no período de apuração 2010 e 2011. (...) 4 Do Fato Gerador: A multa isolada aplicada ao contribuinte que faz parte deste Processo, teve origem nos aportes suplementares em contas de previdência complementar relacionados ao 5° Termo Aditivo ao contrato de Previdência Privada, denominado PGBL Empresarial, em que são elegíveis membros do Conselho da CIA, Diretores Estatutários, Superintendentes Executivos, Assessores jurídicos e a partir de 06/2011 Gerentes Regionais. Os valores aportados pelo contribuinte neste contrato se afastam da natureza de previdência complementar caracterizandose como de natureza remuneratória conforme este Termo de Verificação Fiscal (TVF) irá demonstrar nos itens abaixo. (...) 6 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL 6.1 Previdência Privada (...) O artigo 202 da Constituição Federal prevê a regulamentação dos regimes de previdência privada através de lei complementar. A Lei Complementar 109 de 29/05/2001 regulou o assunto. Os artigos 1° e 2° definem os objetivos da previdência privada: (...) O artigo 10 da Lei Complementar obriga que os regulamentos dos planos de benefícios contenham os critérios de elegibilidade, a forma de cálculo dos benefícios: Fl. 1649DF CARF MF 4 O artigo 16 da referida lei Seção II dispõe acerca dos planos de benefícios de entidades fechadas e a seção III dos planos de entidades abertas: (...) O artigo 19 da Lei Complementar define a finalidade das contribuições destinadas ao plano de previdência privada e as classifica de acordo com a sua destinação: (...) O artigo 26 da LC 109 regula acerca dos planos de benefício de entidades abertas: (...) Os artigos 68 e 69 Capítulo VIII Disposições Gerais dispõem sobre a dedutibilidade do IR e não incidência de contribuições sobre os valores aportados pelo empregador: (...) 6.2 Imposto de Renda na Fonte Dispõe o artigo 43 do Código Tributário Nacional acerca da incidência do imposto sobre a renda: (...) O conceito de rendimento bruto consta dos arts. 37, 38 e seu parágrafo único, todos do RIR/99: (...) Os artigos 43 e 624 do RIR/99 tratam especificamente da tributação sobre os rendimentos decorrentes do trabalho assalariado e da obrigação de retenção na fonte: (...) Neste ponto, abrese espaço de destaque para o artigo 9° da MP 16/2001, convalidado pela Lei n° 10.426/2002, que preconiza a cobrança de multa aplicável à fonte pagadora no caso de falta de retenção de Imposto, in verbis: (...) Por sua vez, o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 determina que: (...) 7 Dos Contratos Previdenciários mantidos pelo contribuinte: (...) Os Contratos Previdenciários acima não apresentaram características de incentivo ao trabalho ou premiação e as contribuições da Instituidora não foram objeto deste Auto de Infração. Além dos Contratos Previdenciários acima citados, em que participam empregados , diretores estatutários e membros do Conselho da CIA o contribuinte instituiu um plano de benefícios suplementares na CIA, datado de 30/07/1999, denominado PGBL Empresarial, através do 5° Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.649 5 Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada firmado em 20/06/1985, alterado pelo Termo Aditivo 05 E , datado de 01/06/2011 que modificou alguns artigos do 5°Termo Aditivo. Anexados ao presente Processo: 5° Termo Aditivo PGBLEmpresarial (Doc. 13) ; Termo Aditivo 05 E (Doc.20). (...) 8. Das características remuneratórias do PGBLEmpresarial. 8.1 Análise das Atas e Estatutos do contribuinte: (...) Da análise dos documentos societários da CIA, verificase que o Comitê de Remuneração, composto pela alta direção do Banco Bradesco, propõe ao Conselho de Administração (CA) os valores a serem pagos aos administradores estatutários do contribuinte , incluindo os valores dos aportes suplementares do plano PGBL Empresarial, e estas propostas são submetidas às Assembléias Gerais. O montante da remuneração global aprovada é distribuído pelo Conselho de Administração aos membros do Conselho e da Diretoria , conforme estipula o Estatuto Social da CIA. O PGBLEmpresarial, conforme expresso nos próprios documentos societários da CIA, está inserido dentro da política e diretriz da remuneração atribuída aos administradores pela CIA, não tendo relação com o objetivo da previdência complementar encontrado nos planos previdenciários citados no item 7 deste TVF extensivo a todos os empregados e administradores, que tem como finalidade instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário conforme exposto nas Demonstrações Financeiras publicadas. Os aportes suplementares do PGBLEmpresarial não levam em consideração critérios objetivos de planos previdenciários tais como idade e o tempo de expectativa de vida dos beneficiários e sim vinculados a resultados de negócios da CIA, retenção de talentos e reconhecimento dos serviços prestados. Esta afirmativa pode ser comprovada através dos valores de aportes suplementares do PGBLEmpresarial em comparação com os Contratos Previdenciários extensivos a totalidade dos empregados e administradores incluídos os também participantes do PGBL Empresarial: 8.2 Dos aportes suplementares realizados no PGBL Empresarial e dos resgates realizados pelos beneficiários: No Termo de Intimação Fiscal (TIF) datado de 18/08/2014 o contribuinte foi intimado a apresentar os aportes feitos no plano PGBL EMPRESARIAL de forma individualizada e por competência, bem como qual a metodologia utilizada para os aportes neste plano e a Fl. 1651DF CARF MF 6 memória de cálculo , já que no plano PGBL Empresarial não está estipulado regra geral para as contribuições do instituidor. O contribuinte apresentou planilhas solicitadas dos membros do Conselho e Diretoria Estatutária e outra dos Superintendentes e Gerentes Regionais (empregados) , com os aportes individualizados, por nome, competência e valor . A contribuição básica que aparece na planilha referese as contribuições da Instituidora dos Planos extensivos a totalidade dos administradores e que não faz parte deste AI. Somente a contribuição suplementar é que referese ao PGBL Empresarial. Planilha anexado ao Processo Doc. 10. (...) Em relação a memória de cálculo dos aportes apresentou o seguinte quadro abaixo (Doc. 14): CONTRIBUIÇÕES SUPLEMENTARES (Vigência de Janeiro/2010 a Maio/2011) TEMPO DE CARGO NA ORGANIZAÇÃO PERCENTUAL DO HONORÁRIO Até 1 ano 0,0% 1 a 5 anos 25,0% 5 a 8 anos 50,0% 8 a 10 anos 75,0% acima de 10 anos 100,0% CONTRIBUIÇÕES SUPLEMENTARES (Vigência a partir de Junho/2011) Conselho de Administração e Diretores Estatutários: 02 (dois) Honorários Mensais Superintendente Executivo: Valor Fixo R$ 38.000,00 Mensal Gerente Regional: Valor Fixo R$ 19.000,00 Mensal (...) A natureza remuneratória dos valores aportados ao "plano de previdência privada" PGBL Empresarial fica evidenciada quando se verifica que as "contribuições" eram definidas e alteradas pelo Conselho de Administração, de forma unilateral levando em consideração os resultados apurados nos segmentos de negócios, bem assim a alta qualificação, o tempo de serviço e o desempenho dos beneficiários, como declarou o contribuinte em sua resposta. Ressalte se que o contrato do PGBLEmpresarial é omisso quanto ao valor da contribuição da Instituidora limitandose a afirmar que este fará contribuições mensais ao PGBL conforme Item 3.3.1. do Termo Aditivo 5PGBLEmpresarial. Da análise do material apresentado pelo contribuinte, e a constatação da ordem de grandeza dos aportes suplementares, esta fiscalização entendeu relevante fazer uma comparação entre os valores aportados na previdência complementar supramencionados e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários como rendimento do trabalho informados na DIRF (declaração de imposto retido na fonte) do Banco Bradesco nos mesmos períodos e os resgates destes valores sempre em janeiro de cada ano. Das verificações efetivadas por esta fiscalização verificouse que os valores aportados na previdência complementar são substanciais . Segue, a título exemplificativo, quadro comparativo entre Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.650 7 os aportes feitos pelo contribuinte na previdência complementar PGBL Empresarial e os valores recebidos como rendimento do trabalho de alguns elegíveis no período fiscalizado: (...) Em relação ao resgate a Cláusula Quarta estipula que durante o prazo de diferimento o Participante poderá resgatar parte ou a totalidade da Conta reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante, mediante expressa autorização da Instituidora, observada a legislação pertinente. No item 4.3 o Participante por ocasião do desligamento da empresa poderá resgatar Conta Reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante. Diferente dos Planos extensivos a totalidade dos empregados e administradores. (...) Evidente que os resgates do PGBLEmpresarial atingem a parte da contribuição do patrocinador. Ao contrário do Contrato Previdenciário extensivo a todos os empregados em que a contribuição do patrocinador e do participante é de 4% do salário de participação , no PGBL Empresarial a contribuição do participante é imensamente menor que a contribuição da instituidora. Exemplificando caso concreto: Determinado administrador recebeu de honorários em 09/2011 R$ 260.000,00. O aporte suplementar do Banco Bradesco é de R$520.000,00, sendo que a contribuição ao plano PGBL Empresarial deste administrador é de R$ 26.000,00. Pela resposta do contribuinte concluise que todos os beneficiários do PGBL Empresarial podem resgatar qualquer valor , em qualquer momento, somente observada a legislação em vigor e prazo de carência. Ou seja, qualquer aporte do Instituidor na Conta do Participante este valor já passa a integrar o patrimônio do beneficiário . Até na hipótese deste beneficiário pedir o desligamento da empresa terá o direito de resgatar o saldo de sua conta Parte Participante e Parte Instituidora. O direito ao resgate no PGBL Empresarial da forma que está estipulada não é uma imposição legal, é uma forma do Banco Bradesco S/A garantir ao beneficiário que o valor aportado pelo contribuinte em sua Conta Reserva imediatamente integre seu patrimônio sem qualquer condição, pois os aportes estão inseridos na política remuneratória do contribuinte. Entendimento contrário, seriam ilegais as cláusulas de resgate estipuladas nos contratos Previdenciários extensivos a todos empregados e administradores, que não é o caso conforme sumulado pelo próprio STJ [súmula 290]. 8.3 Dos resgates realizados em janeiro: Esta fiscalização procurou verificar nos sistemas da Receita Federal do Brasil o motivo dos resgates realizados sempre em janeiro dos aportes suplementares. Constatouse que os administradores do Banco Bradesco, participantes do PGBL Empresarial, compraram de empresas que participam do capital do Banco Bradesco, ações da BBD Participações S/A CNPJ (...), sendo um lote adquirido no ano 2008 Fl. 1653DF CARF MF 8 para pagamento parcelado em 01/2010; 01/2011; 01/2012 e outro lote de ações , também adquirido em 2008 com vencimento em janeiro de 2013. (...) Conforme consta na descrição acima acerca da BBD Participações somente podem deter ações da BBD , membros do Conselho de Administração, Diretoria Estatutária e funcionários qualificados do Bradesco também elegíveis do PGBL Empresarial. As ações são adquiridas pelos administradores e pagas através de parcelas anuais todo mês de janeiro, coincidentemente o mês que os adquirentes resgatam valores substanciais no PGBL Empresarial. Cabe salientar que todo ano essas ações obtêm valorização pela equivalência patrimonial, além dos dividendos e juros sobre capital próprio que o acionista recebe. No ano calendário 2010 o resultado positivo que a BBD obteve nesta participação indireta no Banco Bradesco foi de R$239.430.909,50 ; no ano calendário 2011 o resultado positivo em participações societárias foi de R$291.960.667,50. Anexado ao Processo DIPJ BBD Participações a/c 2010 e 2011 (Doc. 24) 8.4 Dos aportes suplementares de beneficiários em gozo de benefício: (...) Constatouse que vários dirigentes e empregados em gozo de benefício do plano de previdência privada continuaram a receber os aportes suplementares da empresa nas suas contas . Portanto, se o contribuinte continua a aportar valores substanciais nas contas de dirigentes e empregados já em gozo de benefício, e segundo o regulamento do plano, os participantes nesta situação deveriam relacionarse diretamente com a Bradesco Vida e Previdência , concluise que os aportes tem outra finalidade que não a previdenciária. 9. Conclusão: A natureza remuneratória do PGBL Empresarial, conforme demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, fica caracterizada : Pelos aportes suplementares em valores substanciais que estão inseridos na política e diretriz traçada pela CIA em relação a remuneração de seus administradores e altos funcionários. A remuneração dos administradores, incluído o PGBL Empresarial, é recomendado pelo Comitê de Remuneração, Conselho de Administração e ratificadas na Assembléia Geral, de forma antecipada e unilateral, levando em consideração resultados apurados nos segmentos de negócio e a necessidade de reter talentos num mercado competitivo , conforme expresso nos Atos societários da CIA e nas respostas do contribuinte; Pelo regulamento do PGBL Empresarial que não prevê regras claras em relação as contribuições do patrocinador. Conforme Doc. 19 em anexo o Conselho de Administração aprova a forma de distribuição dos aportes extraordinários cujos valores são aprovados em Assembléia da CIA. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.651 9 Pelos resgates significativos autorizados pelo contribuinte sem qualquer finalidade previdenciária como demonstrado neste TVF; Pelo fato das contribuições feitas ao PGBL Empresarial não ter a finalidade de prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, visto que vários participantes estão em gozo de benefícios e continuam a receber os aportes suplementares da instituidora; Dessa forma , o PGBL Empresarial se afasta dos dispositivos da Lei Complementar 109/01 : a) em seu artigo 2° a LC 109/01 que estabelece que o regime de previdência complementar tem por objetivo instituir planos de benefício de caráter previdenciário; b) em seu artigo 10 a LC 109/01 estipula que tanto os requisitos de elegibilidade , como a forma de cálculo dos aportes pela Instituidora devem estar claramente definidos no regulamento do plano, o que não acontece no regulamento do PGBL Empresarial; c) O artigo 69 e parágrafo 1° da LC 109/01 prevê a não incidência de tributação e contribuições de qualquer natureza para custeio dos planos de benefício de natureza previdenciária, que como foi demonstrado, não é o caso do PGBL Empresarial instituído pelo contribuinte. Intimada em 21/01/2015 (fl. 1.234), a Contribuinte protocolou impugnação em 20/02/2015 (fls. 1.247/1.296 e docs. anexos fls. 1.297/1.479). A DRJ, analisando a defesa, proferiu o acórdão n° 0738.596, de 24/06/2016 (fls. 1.483/1.520), que manteve o lançamento e que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CARACTERIZAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Após o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes à determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS. MULTA ISOLADA. Fl. 1655DF CARF MF 10 Verificada a falta de retenção do imposto de renda na fonte após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de beneficiário pessoa física, será exigida da fonte pagadora a multa de ofício isolada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada por meio do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) em 20/07/2016 (fl. 1.525), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.528/1.587 e docs. anexos fls. 1.588/1.622) em 16/08/2016 (fl. 1.527) argumentando, em síntese: • Que a decisão da DRJ de manter o lançamento nos presentes autos diverge daquela alcançada por outra turma da DRJ no processo administrativo n° 16327.720335/201328, tocante à mesma matéria mas apenas a ano calendário diverso; • Que a fiscalização distinguiu equivocadamente o Plano de Previdência Privada da Recorrente em dois, um sendo a "regra geral" e outro "PGBL Empresarial", este restrito a apenas funcionários de cargos mais elevados e com natureza remuneratória que desvirtuaria o plano com descumprimento da legislação; • Que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, a Contribuinte mantinha um único Plano de Previdência Privada e, apenas, oferecia benefícios suplementares a determinados funcionários; • Que não há vedação legal, pelo contrário, que no art. 26, § 3°, da Lei Complementar n° 109/2001 há expressa permissão legal para que os planos instituídos em entidades abertas de previdência privada distingam grupos específicos de funcionários; • Que a natureza remuneratória está inferida pela fiscalização em função de fatos que decorrem das próprias normas legais e regulamentadora, as quais permitem contribuições em valores substanciais, direito de regaste etc. e impõem que os valores destinados aos administradores de empresas de capital aberto sejam aprovados em assembléia geral; • Que a CF/1988 permite e incentiva a participação dos particulares nas áreas saúde, previdência e assistência social e educação e que os benefícios oferecidos nesses âmbitos não têm relação com o trabalho prestado, ainda que vinculados a contrato de trabalho, tendo natureza benemerente, de forma que não integram o salário nem a remuneração dos empregados para nenhum efeito; • Que o sistema de previdência privada foi instituído pela Lei n 6.435/1977 e estimulado no DecretoLei n° 2.29/1986, e está atualmente regulado pelo art. 202 da CF/1988 e pela Lei Complementar n° 109/2001; • Que as contribuições à previdência privada não integram a remuneração, não incidindo o IRRF em função do art. 202, § 2°, da CF/1988 e dos arts. 68 e 69, § 1°, da Lei Complementar n° 109/2001, bem como pelo art. 6°, VIII, da Lei n° 7.713/1998, regulamentado pelo art. 39 do RIR/1999; • Sofrem tributação na forma da legislação aplicável, isso sim, os benefícios concedidos e os resgates, cf. art. 43, XI, da Circular SUSEP n° 338/2007; Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.652 11 • Que, tratandose de imunidade ou seja, decorrente da CF deve ser interpretação ampla, não podendo ser limitada por normas de hierarquia inferior; • "No caso concreto, como já dito, todos os fatos invocados pelas autoridades fiscais para justificar a exigência de contribuições previdenciárias, considerados indícios da suposta ilegalidade que teria sido praticada pelo Recorrente, ESTÃO PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE DISCIPLINA A MATÉRIA, NOS CONTRATOS E NO REGULAMENTO DO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, ESTE ÚLTIMO DEVIDAMENTE APROVADO PELA SUSEP" fl. 1.539; • Que não se aplica aos Planos de Previdência Privada Aberta a regra do art. 16 da Lei Complementar n° 109/2001, este voltado aos Planos de Previdência Privada Fechada; • Que, argumentativamente, ainda que o 5° Termo Aditivo fosse considerado um plano autônomo, não padeceria de ilegalidade porque o art. 26, § 3°, da Lei Complementar n° 109/2001 permite a instituição de plano de previdência abrangendo "uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador" • Que não se pode aplicar a regra do art. 28, § 9°, 'p', da Lei n° 8.212/1991, vez que incompatível com a Lei Complementar n° 109/2001, a qual, por ser posterior e por ter regulamentado inteiramente a matéria, revogou a parte final daquele comando, nos termos do art. 2°, § 1°, da LICC, entendimento já ratificado, entre outros, pelo acórdão CSRF n° 9202003.193, de 07/05/2014; • Que o REsp n° 1.468.436/RS, julgado pelo STJ em 01/12/2015, entendeu que o art. 69, § 1°, da Lei Complementar n° 109/2001 criou hipótese de não incidência; • Que conceder contribuições suplementares aos dirigentes visa exatamente o atendimento do objetivo fundamental do plano de previdência, que é garantir na aposentadoria o mesmo padrão alcançado quando na ativa e que as contribuições normais não seriam suficientes para tanto vez que os salários deles são mais altos; • Que, ao questionar as características do Plano PGBL de que os trabalhadores que têm remuneração maior precisam receber contribuições maiores para o plano de previdência o fisco está questionando o próprio mérito das normas constitucionais e legais que instituíram o atual sistema de previdência privada, e isso só poderia ser feito por alteração legislativa; • Que o acórdão 2403002.310, que analisou o mesmo Plano de Previdência Privada ora analisado, já reconheceu não haver violação ao art. 28, § 9°, 'p', da Lei n° 8.212/1001; • Que não existe dispositivo de legislação do IRPF que condicione a isenção dos planos de previdência a que as contribuições sejam em valores idênticos; Fl. 1657DF CARF MF 12 • Que a decisão da DRJ inovou ao invocar suposta violação ao art. 1° da Lei Complementar n° 109/2001, vez que o lançamento se fundou nos arts. 2°, 10 e 69 desse diploma; • Que a DRJ busca criar requisitos não estabelecidos na Lei para a aplicação da isenção; • Que para se aplicar a exigência imposta pela DRJ, seria necessário que a Lei a tivesse estabelecido; • Que, sendo "o resgate uma faculdade do beneficiário cuja observância dos prazos de carência só é controlada pela Entidade Aberta de Previdência Privada, não teria jamais a instituidora, no momento do aporte, como saber se e quando haverá resgate pelo beneficiário" fl. 1.561; • Que, ainda assim, a restrição para o levantamento dos fundos imposta pela DRJ não pode ser extraída do art. 1° da Lei Complementar n° 109/2001, norma genérica e introdutória, mormente quando ela própria faz referência à regulamentação dos demais artigos do seu corpo e o art. 27 expressamente permite o resgate total ou parcial dos fundos da previdência privada; • Que não há ofensa aos arts. 2°, 10 e 69 da Lei Complementar n° 109/2001, vez que "o suposto caráter não previdenciário do plano mantido pelo Recorrente é na verdade premissa da alegada violação" e que devem estar claras as formas de cálculo dos benefícios, e não dos aportes; • Que o Plano de Previdência foi apresentado e aprovado pela SUSEP, o que não ocorreria se estivesse em desacordo com a Regulamentação; • Que é possível afastar os argumentos suscitados pela DRJ para atribuir natureza remuneratória aos aportes: • conforme o art. 3°, 'b', do seu Regulamento, o Comitê de Remuneração trata não apenas da remuneração em sentido previdenciário, mas também de questões como participação nos lucros, planos de opção de aquisição de ações e de previdência complementar; • o fato de os aportes serem próximo ou coincidentes com os valores pagos como remuneração não desnatura, mas antes confirma o caráter previdenciários, vez que os Planos de Previdência têm como objetivo proporcionar aos beneficiários na inatividade o mesmo padrão de vida que tinham na ativa e, para alcançar esse fim, quanto mais alta a remuneração, mais alto também devem ser os aportes; • a própria DRJ toma como premissa que não é necessário dispor do plano para todos os funcionários e, ao mesmo tempo, conclui que é necessário disponibilidade para todos; de qualquer sorte, que já discorreu sobre a desnecessidade de que o plano seja disponível a todos os funcionários; • a DRJ se equivocou na leitura do 5° Termo Aditivo, vez que a Recorrente é a Instituidora e não a Companhia, não sendo permitido à Recorrente recusar a inscrição. Nesse contexto, é a Companhia, ou seja, a entidade seguradora que tem autorização para recusar propostas, e essa autorização decorre não dos termos do contrato, mas sim da expressa determinação Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.653 13 pelo art. 61 da Circular SUSEP n° 338/2007, repetida na Resolução CNSP n° 139/2005. Ainda, que a entidade seguradora só pode recusar os proponentes caso os mesmos não se demonstrem elegíveis, ou seja, não preencham os requisitos. Enfim, que mesmo que venha a ser rompido o vínculo de trabalho entre a Recorrente e o beneficiário da previdência, esta não pode excluílo do Plano, passando ele a ter direito de se relacionar diretamente com a Companhia seguradora nos termos do art. 15 do Regimento; • Que, a despeito de a DRJ afirmar que os profissionais têm o fato de que o dirigente passa a ser beneficiário do Plano de Previdência não é impeditivo para que continue trabalhando e, continuando vinculado à Recorrente, nada impede que continue aportando valores para melhorar a sua previdência privada; • o fato de que houve saques pelos beneficiários em janeiro de cada ano calendário não desnatura o Plano de Previdência pois, como admitido pela própria DRJ, a Lei Complementar n° 109/2001 não deixa dúvidas quanto à possibilidade de resgate total ou parcial pelos beneficiários, o que é ratificado pelo art. 56 da Resolução CNSP n° 139/2005 e pelo art. 19 da Circular SUSEP n° 338/2007. Nesse sentido, que os resgates foram parciais e cumpriram a legislação quanto ao prazo de carência. Ainda, que os resgates feitos em 2010 e 2011 se referem a aportes efetuados dois anos antes, respectivamente. Enfim, que o resgate é feito pelo beneficiário, não tendo a Recorrente nenhuma ingerência sobre o fato; • o fato de o art. 1° do Anexo I à Circular SUSEP n° 183/2002 facultar ao participante o direito de efetuar pagamentos adicionais não implica proibição para que a Instituidora o faça, sobretudo quando ali se estabelece que "poderão" e não que "deverão" se estipulados anteriormente o valor e a periodicidade das contribuições o direito de resgatar os valores sem carência, isso não é verdade já que há prazos de carência previstos na legislação e no contrato previdenciário, os quais foram rigorosamente cumpridos, e que essa questão não foi contestada pela fiscalização; • Que o art. 41, § 4°, da Lei Complementar n° 109/2001 não garante à autoridade fiscal a competência de declarar que um plano de previdência complementar aberto devidamente aprovado pela SUSEP não tem tal natureza; • Que não é possível cobrar multa isolada no presente caso vez que o art. 9° da Lei n° 10.426/2002 faz referência ao inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, o qual depende da constituição do crédito referente ao tributo. Apenas a hipótese do inciso II desse mesmo art. 44 é que admite a constituição da multa isoladamente; e • Que o Parecer Normativo COSIT n° 01/2002 é claro no sentido de que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto da pessoa física, quando se tratar de antecipação, se extingue quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual pela Pessoa Física. Indica os acórdãos CSRF n° 9202001.886, de 29/11/2011. e n° 9209002.288, de 08/08/2012. Fl. 1659DF CARF MF 14 Intimada a PGFN, esta protocolou Contrarrazões (fls. 1.626/1.644), na qual argumentou, em síntese: • Que para serem isentos, os depósitos não poderiam ter natureza de remuneração do trabalho e nem ser em função do exercício da atividade laborativa; • Que o fato de o depósito ser em conta de Previdência Privada não tem o condão de alterar a natureza remuneratória dos recursos; • Que o Plano Suplementar é parte integrante do Plano de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes, guardando relação de generalidade especialidade. Este, por sua vez, trata expressamente da cessação das contribuições da Recorrente quando o participante entrar em gozo do benefício. Uma vez que o Plano Suplementar nada dispõe sobre o tema, é possível afirmar que devem ser aplicadas as regras gerais, ou seja, de que cessam as contribuições da Recorrente quando o participante entrar em gozo do benefício. Ainda assim, a Contribuinte continuava a aportar valores em favor dos Participantes do Plano Suplementar. Uma vez que esses aportes não estavam amparados pelo contrato, não podem ter caráter previdenciário, tendo, isso sim, caráter remuneratório; • Que os arts. 10, I, e 28 da Lei Complementar n° 109/2001 impõem a obrigatoriedade de transparência quanto à forma de cálculo dos benefícios e que seja elaborado um plano anual de custeio, os critérios que determinavam os aportes não foram esclarecidos; • Que são critérios levados em consideração para determinar o valor dos pagamentos os "resultados apurados" e a "fidelidade, competência e dedicação" dos dirigentes, ou seja, critérios que são usados para determinar pagamentos em razão do trabalho e, logo, justificam a conclusão de que os aportes são verbas remuneratórias; • Que a fixação dos valores que serão aportados é realizada pelo Comitê de Remuneração, o que ratifica a conclusão de que têm caráter remuneratório; • Que a "indiferença manifestada pelo Contribuinte/Instituidora quanto aos critérios para determinar (i) suas contribuições, (ii) a forma de cálculo dos beneficios e para (iii) elaboração do plano de custeio somente encontra explicação no fato de que o chamado Plano de Previdência Suplementar é mecanismo remuneratório e não para formação de reservas previdenciárias." fl. 1.631; • Que o Plano de Previdência Suplementar continha as cláusulas 4.1 e 4.2, as quais previam a possibilidade de retirada da totalidade dos valores aportados, e que a Fiscalização constatou que os Participantes efetivamente faziam resgates periódicos, anuais, em datas próximas e em valores correspondentes aos montantes aportados no ano antecedente pela Instituidora; • Que a previsão de resgate da totalidade das contribuições aportadas de forma incondicional desnatura o caráter previdenciário, atentando contra o art. 202 da CF/1988, vez que impede a formação da poupança; • Que o art. 14, III, da Lei Complementar n° 109/2001 permite expressamente o resgate das parcelas aportadas pelo próprio Participante, sendo indevida a Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.654 15 ampliação feita pela Recorrente em relação aos aportes feitos por ela, Instituidora; • "35. Ante o exposto, não obstante o resgate constituía direito do Participante, as características que cercam os resgates operados, no caso, denotam o uso da previdência complementar para remuneração indireta. Em que pese a tautologia, temos que (i) os resgates são feitos com habitualidade, a indicar que o padrão de bemestar dos beneficiários deles depende; (ii) os resgates compreendem os valores aportados pela Instituidora, a demonstrar que não se trata de mero cumprimento de Lei, mas de direito pactuado entre as partes e (iii) os resgates correspondem à totalidade dos montantes aportados, o que é incompatível com a constituição de reservas previdenciárias." fls. 1.632/1.633 • Que o fato de os aportes corresponderem muitas vezes ao mesmo valor percebido a título de remuneração corrobora a natureza remuneratória. Se os valores fossem efetivamente mantidos como poupança a ser capitalizada para a previdência, resultariam em quantias muito superiores aos necessários para provar a manutenção do padrão de bemestar correspondente à fase em que o indivíduo trabalhava. Por comparação, no Plano Geral os aportes representam 8% do valor da remuneração dos participantes; • Que "não é o "apelido" conferido a uma parcela que irá definir a sua natureza, sendo relevante aferir se o pagamento segue as regras previstas em lei para neutralizar o efeito remuneratório." fl. 1.634; • Que " a ausência de informações relativas à forma de cálculo das contribuições e dos benefícios evidencia que não há a preocupação com o gerenciamento de riscos para garantir a solvência e o equilíbrio financeiros1 que caracteriza a atuação das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, conforme Manual de Boas Práticas da PREVIC." fl. 1.634; • Que o "cuidado em amparar a estrutura do Plano de Previdência de aspectos de regularidade formal não tem o condão de afastar o caráter remuneratório das verbas, quando confrontado com: a) a habitualidade dos resgates da totalidade dos valores aportados, conforme permissivo contratual b) a ausência de qualquer preocupação com o equilíbrio atuarial do Plano de Previdência." fl. 1.635; • Cita precedente que manteve o lançamento em situações idênticas, especificamente o acórdão CARF n° 2402004.108, ratificado pelo acórdão CSRF n° 9202004.345; • Que, quanto à possibilidade de multa isolada, esclarece que a redação do art. 9° da Lei n° 10.426/2002 foi alterado pela Lei n° 11.488/2007, mas "a única modificação ocorrida foi a exclusão da hipótese de exigência de multa isolada no caso de a fonte pagadora efetuar o recolhimento em atraso sem o acréscimo de multa de mora." fl.. 1.640; • Que a "Lei 10.426/02 não fez nenhuma ressalva quanto à possibilidade de aplicação isolada da multa pela falta de retenção do Imposto de Renda, não sendo dado ao intérprete criar restrições onde nem mesmo a própria lei o fez." fl. 1.641; Fl. 1661DF CARF MF 16 • Que o entendimento em relação à distinção da multa de ofício vinculada ou isolada ao tributo, na forma do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, foi exposta no Parecer Normativo Cosit n° 01/2002, aprovado em 24/09/2002, que concluiu que "independentemente de não mais ser exigível da fonte pagadora o tributo, sobre ela deve recair o lançamento da multa de ofício pela falta de retenção, que, em tal hipótese, só podia ser cobrada de forma isolada." fl. 1.643; • Cita precedente o acórdão CSRF n° 9202003.583, de 03/03/2015, que aplica a multa isolada em caso de não retenção na fonte após o final do prazo de declaração pela pessoa física; e • "74. Finalmente, convém ter em mente que, sob pena de se instituir indesejado tratamento desleal para com aqueles que cumprem rigorosamente os seus deveres, a fonte pagadora devese sujeitar à sanção, embora dela não se possa mais exigir o imposto, após o encerramento do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual do beneficiário. 75. Se não houver sanção para as fontes pagadoras que não efetuam as retenções e os recolhimentos a que estão obrigadas, o caráter impositivo dessas obrigações ficará seriamente ameaçado." fl. 1.644. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, responsável pelo voto, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo, integralmente, as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, aproveitando para registrar minha divergência em relação a elas, o que não me vincula aos fundamentos por ele adotados em seu voto. Feito o registro. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. PRELIMINAR Argumenta a Recorrente que a DRJ inovou ao fundamentar a manutenção do lançamento com base no art. 1°, da Lei Complementar n° 109/2001, o qual não teria sido suscitado quando do lançamento. Pelo contrário, esclarece que o lançamento se lastreou nos arts. 2°, 10 e 69 da mesma Lei. Retornando à decisão recorrida, percebese que a DRJ efetivamente citou o art. 1° da Lei Complementar n° 109/2001. Entretanto, não assiste razão à argumentação da Contribuinte, uma vez Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.655 17 que o Relatório Fiscal também se lastreou nesse comando legal. Efetivamente, indicao expressamente quando, no item 6.1 Previdência Privada, discorre sobre a legislação aplicável e esclarece que os seus preceitos gerais estão contidos no art. 202 da CF/1988 e nos arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 109/2001. Nessa senda, não há que se falar em inovação nem em nulidade da decisão recorrida por esse fundamento. 2. MÉRITO Superada a nulidade suscitada pela Recorrente, impende analisar o mérito da lide. Resumemse a dois pontos principais: (1) a possibilidade ou não de impor multa isolada por falta de retenção na fonte dos rendimentos da pessoa física sujeitos ao ajuste anual após o prazo para a apresentação das declarações e (2) a natureza jurídica, se remuneratória ou previdenciária, dos aportes efetuados pela Recorrente no Plano de Previdência Privada. 2.1. Da multa isolada: O lançamento ora sob litígio tem por objeto a constituição de multa isolada, na forma do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, em função da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda quando do pagamento de remuneração a pessoa física. Argumenta a Contribuinte pela impossibilidade de constituição da multa isolada no presente caso, uma vez que a multa do referido comando legal só se poderia impor quando em conjunto com o crédito referente ao tributo. Nesse sentido, esclarece que após o prazo para a apresentação da declaração de ajuste anual a responsabilidade pelo recolhimento do tributo passa a ser da pessoa física que auferiu o rendimento. Nesse sentido, não podendo ser constituído o crédito do tributo propriamente dito, não pode ser constituída a multa de ofício nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, também com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Em outras palavras, entende ser impossível a aplicação da multa do art. 9° de forma isolada, como fez a autoridade lançadora. Analisando a questão, a DRJ concluiu que "Como vimos, a alteração legislativa [da Lei n° 11.488/2007] após o citado Parecer Cosit n° 1, de 2002, pouco de substancial trouxe no tocante à matéria tratada nos autos. Quando existe previsão de tributação na fonte, a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos, e a falta de retenção for verificada após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e após o encerramento do período de apuração, no caso de pessoa jurídica, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. Em suma, nesse caso, o rendimento deveria ser tributado pelo beneficiário do rendimento, exigindose da fonte pagadora a multa de ofício de forma isolada, prevista no artigo 9° da Lei n° 10.426, de 2002, e os juros de mora." fl. 1.519 Também a Fazenda Nacional argumenta, em suas Contrarrazões, ser sim possível aplicar a multa isolada no presente caso. Esclarece que, em relação à redação do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, alterada pela Lei n° 11.488/2007, "a única modificação ocorrida foi a exclusão da hipótese de exigência de multa isolada no caso de a fonte pagadora efetuar o recolhimento em atraso sem o acréscimo de multa de mora." Fl. 1663DF CARF MF 18 Primeiramente, é importante registrar que tanto a Recorrente quanto a DRJ e a Fazenda Nacional utilizam o mesmo Parecer Normativo Cosit n° 01/2002 para fundamentar as suas respectivas posições. É importante registrar, entretanto, que o Parecer se funda na legislação anterior à Lei n° 11.488/2007, que alterou a legislação referente à penalidade nesses casos de falta de retenção. Seja como for, imperiosa a análise do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, especialmente comparando a redação original que lastreou o referido Parecer Normativo com a redação dada em 2007: Redação Original Redação dada pela Lei n° 11.488/2007 Art. 9° Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) Art. 9° Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) A leitura isolada do art. 9° da Lei n° 10.426/2002 poderia permitir a afirmação efetuada pela Fazenda Nacional. Efetivamente, constatase que a Lei n° 11.488/2007 (1) substituiu a referência ao inciso II pela referência ao § 1°, ambos do art. 44 da Lei n° 9.430/1996; e (2) excluiu a aplicabilidade da multa em caso de recolhimento após o prazo sem o acréscimo da multa de mora. Contudo, é imperioso anotar que a Lei n° 11.488/2007 alterou também o art. 44 da Lei n° 9.430/1996: Redação Original Redação dada pela Lei nº 11.488/2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.656 19 quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Observase que a multa de ofício era estipulada, originalmente, em dois patamares nos incisos do caput, i.e., na forma simples e na forma qualificada. Já no § 1° se determinava que as multas, ou seja, ambas as hipóteses do caput, poderiam ser aplicadas em conjunto com o tributo ou de forma isolada. Já na redação dada pela Lei n° 11.488/2007, a Lei passou a distinguir nos incisos do caput dois tipos diferentes de multas, a multa conjunta com o tributo e a multa isolada. A questão da duplicação da multa passou a ser tratada no § 1°, que expressamente se limitou à hipótese do inciso I do caput. Em outras palavras, no próprio art. 44 da Lei n° 9.430/1996 já se percebe que é possível fazer remissão ao inciso I do caput, sem aplicar as mesmas regras para o inciso II do mesmo caput. Retornando ao art. 9° da Lei n° 10.426/2002, percebese que a redação dada pela Lei n° 11.488/2007 faz referência exclusivamente à hipótese do inciso I do caput do art. 44. Melhor esclarecendo: o legislador restringiu a penalidade do art. 9° à multa do inciso I do art. 44. Isso significa que a penalidade aplicável é apenas aquela da multa conjunta com o tributo. Quisesse o legislador permitir a imposição de multa isolada, teria feito referência aos incisos I e II do caput do art. 44. Ou melhor, simplesmente faria referência às multas do art. 44, sem especificar ou restringir uma de suas hipóteses. Preferiu restringir especificamente à hipótese do inciso I, o que significa que excluiu a multa do inciso II. Fl. 1665DF CARF MF 20 Não se argumente que essa linha de entendimento torna letra morta o comando do art. 9° da Lei n° 10.426/2002. A verdade é que continua aplicável em diversas hipóteses, tais como quando o lançamento é efetuado antes do prazo da entrega das DAA, com seu respectivo pagamento, ou quando a tributação é exclusiva na fonte. Apenas, não é aplicável no caso ora sob julgamento. Seja como for, essa posição encontra amparo em diversos precedentes desse e.CARF, dentre os quais citamse: FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIENCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, "c", do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa. Recurso especial negado. (acórdão CSRF n° 9202 002.288, de 08/08/2012) PRELIMINAR. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, prevista no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, com redação data pela Lei n° 11.488, de 2007, não pode ser aplicada isoladamente nos casos em que o imposto não mais é exigível da fonte pagadora. (acórdão CARF n°2201003.295, de 17/08/2016) AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9° DA LEI N°. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI N°. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9° da Lei n°. 10.426/2002, promovida pela Lei n°. 11.488/2007, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei n°. 9.430/96. (acórdão CARFn°2201003.262, de 12/07/2016) AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9° DA LEI N°. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI N°. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9° da Lei n°. 10.426/2002, com redação dada pela Lei n°. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei n°. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata. (acórdão CARFn°2401004.065, de 28/01/2016) Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.657 21 Diante do exposto, é necessário dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração. 2.2. Da natureza dos aportes A par da questão supra atacada, que são suficientes para ferir de morte o lançamento, também se encontra em litígio a discussão acerca da natureza jurídica dos aportes efetuados pela Recorrente no Plano de Previdência PGBLEmpresarial em favor de seus dirigentes. Fiscalizando a empresa, a autoridade fazendária concluiu que os valores aportados pela Recorrente em favor dos seus dirigentes no Plano de Previdência Privada PGBLEmpresarial não tinham natureza jurídica previdenciária. Pelo contrário, concluíram que se tratavam de remuneração e, nesse caminho, estavam sujeitos à tributação do IRPF com retenção na fonte. Seus fundamentos foram resumidos no Relatório Fiscal da seguinte forma: "9. Conclusão: A natureza remuneratória do PGBL Empresarial, conforme demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, fica caracterizada : Pelos aportes suplementares em valores substanciais que estão inseridos na política e diretriz traçada pela CIA em relação a remuneração de seus administradores e altos funcionários. A remuneração dos administradores, incluído o PGBL Empresarial, é recomendado pelo Comitê de Remuneração, Conselho de Administração e ratificadas na Assembléia Geral, de forma antecipada e unilateral, levando em consideração resultados apurados nos segmentos de negócio e a necessidade de reter talentos num mercado competitivo , conforme expresso nos Atos societários da CIA e nas respostas do contribuinte; Pelo regulamento do PGBL Empresarial que não prevê regras claras em relação as contribuições do patrocinador. Conforme Doc. 19 em anexo o Conselho de Administração aprova a forma de distribuição dos aportes extraordinários cujos valores são aprovados em Assembléia da CIA. Pelos resgates significativos autorizados pelo contribuinte sem qualquer finalidade previdenciária como demonstrado neste TVF; Pelo fato das contribuições feitas ao PGBL Empresarial não ter a finalidade de prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, visto que vários participantes estão em gozo de benefícios e continuam a receber os aportes suplementares da instituidora;" fl. 23. Tendo a Recorrente impugnado, a DRJ conclui pela procedência do lançamento, uma vez que (1) os aportes para a previdência eram estabelecidos pelo Comitê de Remuneração; (2) os aportes eram em valores substanciais e, em muitos casos, no mesmo montante do rendimento do trabalho; (3) critérios para elegibilidade eram definidos exclusivamente pela Instituidora, a qual poderia recusar a proposta de inscrição do participante e não haviam regras clara para os aportes do patrocinador; (4) muitos participantes já em gozo do benefício continuaram a receber aportes em seu favor; (5) foram constatados resgates em valores substanciais e geralmente em janeiro; (6) que os participantes têm o direito de resgate sem carência. Em suma, concluiu pela soma de todos esses Fl. 1667DF CARF MF 22 elementos, que o plano não atendia ao objetivo da Lei, que é a constituição de reservas que garantam um benefício futuro. Por fim, em suas Contrarrazões, a Fazenda Nacional ratifica que têm natureza remuneratória, ressaltando que (1) foram feitos aportes em favor de participantes em gozo do benefício e sem previsão contratual; (2) não haviam regras clara para determinar as contribuições a cargo da empresa instituidora, em descumprimento aos arts. 10 e 18 da LC n° 109/2001; (3) o resgate da totalidade dos valores aportados é incompatível com o caráter da previdência; (4) os valores aportados não são condizentes com o caráter previdenciário, especialmente quando a Contribuinte não demonstrou preocupação com o equilíbrio atuarial do Plano. Por sua vez, a Recorrente busca confrontar cada um desses argumentos. Segundo ela, (1) há previsão legal permitindo planos de previdência privados distinguindo grupos específicos; (2) os valores pagos à previdência privada não integram a remuneração cf. art. 202, § 2°, da CF/1988, arts. 68 e 69, § 1°, da LC n° 109/2001, e art. 6°, VIII, da Lei n° 7.713/1988 e regulado pelo art. 39 do RIR/1999; (3) se trata de imunidade, prevista na constituição, e portanto deve ser entendida de forma ampla; (4) o STJ já reconheceu no REsp n° 1.468.436/SP que o art. 69, § 1°, da LC n° 109/2001 instituiu hipótese de não incidência; (5) o plano de previdência foi aprovado pela SUSEP; (6) o art. 16 da LC n° 109/1999 não se aplica in casu, porquanto destinado aos Planos de Previdência Fechados; (7) os aportes complementares aos dirigentes visa exatamente garantir a constituição de reservas previdenciárias, uma vez que eles têm rendimentos superiores aos demais funcionários e necessitam desses aportes para constituir o saldo suficiente no PGBL para que obtenham benefícios condizentes; (8) o lançamento e a decisão recorrida buscam criar requisitos não existentes na Lei para admitir a isenção; (9) o resgate é um direito do participante do Plano, não tendo a Instituidora qualquer ingerência; (10) o plano foi aprovado pela SUSEP, o que não ocorreria se estivesse em desacordo com a legislação e a regulamentação; (11) a despeito de receber o nome de Comitê de Remuneração, esse comitê trata não apenas de remuneração em sentido previdenciário, mas também de outros elementos, como o PLR, os planos de aquisição de ações e, inclusive, da previdência complementar; (12) é a Companhia seguradora, e não a RecorrenteInstituidora, que pode recusar os proponentes e, mesmo nesses casos, só pode fazêlo em situações especificais, tais como o proponente não preencher os requisitos para aderir ao Plano Suplementar; (13) o fato de que o Participante do Plano de Previdência está em gozo do benefício não impede que continue a aportar valores para melhorar a sua previdência; (13) que o art. 1° do Anexo I à Circular SUSEP n° 183/2002 não proíbe a Instituidora de efetuar aportes adicionais; (14) a DRJ se equivocou ao afirmar que os profissionais podem resgatar os valores independente de carência, visto que há prazos estipulados na legislação e no contrato previdenciário, que foram cumpridos, fato jamais contestado pela autoridade lançadora; e (15) o art. 41, § 4°, da LC n° 109/2001 não garante à autoridade fiscalizadora a competência para afastar a natureza previdenciária de um plano privado devidamente aprovado pela SUSEP. Passamos à análise dos argumentos. Sobre a existência de Plano(s) com beneficiários diversos: Argumenta a Recorrente que há um único plano ofertado a todos, e sobretudo que é possível a oferta de benefícios distintos para certos grupos de funcionários. A verdade é que, como bem já esclareceu a DRJ, essa questão não foi fundamento do lançamento: "Em análise dos autos, constatase que as citadas contribuições têm sim natureza remuneratória. Todavia, isso não decorre da alegada inobservância ao disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991, que estabelece que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, deve estar disponível à totalidade dos empregados da empresa." fl. 1.507 Por esse motivo, despiciendo alongar sobre matéria inócua ao deslinde do julgamento. Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.658 23 Quanto ao valor dos aportes e da política de remuneração: A primeira conclusão alcançada pela autoridade lançadora foi que os valores aportados eram substanciais, que estavam inseridos na política de remuneração da Recorrente, sendo recomendado pelo Comitê de Remuneração, levando em consideração os resultados apurados nos seguimentos do negócio e a necessidade de reter talentos. Com relação à resposta da Contribuinte, durante a fiscalização, de que os aportes são feitos em favor dos seus colaboradores como forma de reter talentos, nada mais óbvio. O objetivo de toda atividade empresarial é o lucro e qualquer despesa que tenha outro objetivo foge ao propósito intrínseco da atividade empresária. Nesse sentido, como regra, os dispêndios incorridos terão o objetivo de maximizar o lucro, ainda que de forma indireta, como é o caso do patrocínio esportivo, que se faz não pelo amor ao esporte e sim como forma de propagar a marca. No mesmo sentido, se institui um Plano de Previdência, não o faz por mera liberalidade em favor dos beneficiários, mas sim com o objetivo de reter seus talentos. Não apenas no plano suplementar, mas também no plano geral. Isso porque, ao escolher entre duas possíveis empregadoras em condições idênticas de trabalho, de ambiente de trabalho, de salário etc., se uma delas oferecer esse benefício e a outra não, então é certo que o profissional escolherá ela. Acontece que a Constituição Federal expressamente desvinculou os Planos de Previdência Privada dos contratos de trabalho, estipulando como cláusula constitucional que não serão tidos como remuneração. Em outras palavras, não é tido como contraprestação do trabalho. Fêlo com o objetivo exatamente de incentivar as empresas a instituir tais benefícios aos seus empregados. Diversas rubricas têm o mesmo objetivo de incentivar a retenção de talentos e, ao mesmo tempo, não configuram remuneração para fins do contrato de trabalho. São exemplos a participação nos lucros e resultados, a complementação do auxíliodoença e a prestação de serviços médicos. Tais benefícios não são obrigatórios, podendo ou não ser instituídos pelas empresas; as empresas que os oferecem, fazemno com o objetivo de reter talentos, ou seja, para incentivar seus trabalhadores a permanecerem nos empregos, e não por fundamentos absolutamente altruístas como se poderia querer. Ainda assim, quando pagos em conformidade com a Lei, não configuram remuneração para fins previdenciários. Em suma, o fato de que os aportes ao Plano de Previdência em apreço são feitos para reter talentos não é elemento apto a desnaturálo. Antes, é mera constatação da realidade prática, como são quaisquer aportes feitos a quaisquer Planos de Previdência. Quanto ao fato de que os aportes são sugeridos pelo denominado Comitê de Remuneração, nada de estranho. Conforme o Estatuto Social (fls. 310/335), o Comitê de Remuneração é um entre diversos comitês (e.g. Comitê de Conduta Ética, Comitê de Controles Internos e Compliance), e tem por objetivo propor ao Conselho de Administração as políticas e diretrizes de remuneração dos administradores estatutários. Portanto, o Comitê não tem efetivo poder decisório, mas tão somente consultivo, podendo propor, mas não determinar. Outrossim, do seu Regimento (fls. 336/338) se percebe que esse Comitê tem o objetivo de traçar asdiretrizes gerais para as remunerações fixas e variáveis, as quais incluirão bônus, PLR etc., e nem por isso desnaturarseá tais rubricas. Pelo contrário, o valor dos aportes foi definido pela Assembléia de Acionistas cf. Atas anexadas (fls. 173 e 174). Não poderia ser diferente, vez que os aportes foram feitos em favor dos dirigentes da empresa e, nos termos do art. 152 da Lei das S.A.1, a definição do seu montante se Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, INCLUSIVE BENEFÍCIOS DE QUALQUER NATUREZA e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. Fl. 1669DF CARF MF 24 encontra dentro da competência da Assembléia. Admitir que os próprios administradores estabelecessem o valor dos aportes que serão realizados em seu favor nos Planos de Previdência Privada atentaria contra o direito dos acionistas, mormente daqueles minoritários. Enfim, alcançase a questão central desse ponto: segundo a autoridade lançadora, os valores aportados são substanciais e a Contribuinte não apresentou regras claras para a apuração dos valores a serem aportados. Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que o Plano de Previdência Privada ora sob análise, especificamente na parte suplementar instituída no 5° Aditivo, tenha como beneficiários dirigentes e administradores da Contribuinte. São pessoas físicas que recebiam altíssimas remunerações, muito distantes da remuneração dos beneficiários da regra geral do plano. Como exemplificou a autoridade lançadora, houve dirigente que auferiu rendimento na ordem de R$ 6.240.000,00 no ano calendário de 2011, ou seja, R$ 520.000,00 por mês (em cálculo simplificado, sem considerar a existência de pagamentos do adicional de férias e do décimo terceiro). Por sua vez, é questão pacífica que o objetivo da Previdência Privada é buscar oferecer ao beneficiário um rendimento na aposentadoria similar àquele auferido na ativa. Ou seja, garantir que a renda mensal do trabalhador não sofra uma brusca alteração quando parar de trabalhar, limitandose ao montante pago pela previdência pública. Por certo ninguém há de argumentar que esse objetivo se destina apenas ao trabalhadores com renda baixa ou média. O simples fato de que o indivíduo recebe rendimentos na ordem de centenas de milhares de reais por mês não lhe retira o direito de buscar meios de garantir que continuará auferindo renda nesse patamar após a sua aposentadoria. E um desses meios é a constituição de previdência particular que pague mensalidades nesses valores. A autoridade lançadora, assim como a DRJ e a PGFN questionaram o valor dos aportes, considerados substanciais. Acontece que no Plano de Previdência Privada ora sob análise os benefícios são calculados conforme o valor do saldo da provisão matemática apurado na data da concessão da renda. Isso significa que o valor da renda não é préfixado, mas sim apurado conforme o montante das contribuições feitas ao Plano de Previdência Privada: se o saldo for maior, a renda mensal será maior; se o saldo for menor, a renda mensal também será menor. É o que estabelece o 5° Aditivo (fls. 295/299), "3.2 No PGBL o valor do Benefício será calculado em função dos recursos acumulados na Conta de Reserva de Participante — Parte INSTITUIDORA e Conta de Reserva do Participante — Parte Participante." fl. 295. Para fins de exemplificação, é interessante fazer no sistema online da SUSEP uma simulação do benefício no PGBL instituído no processo n° 10.003048/01232: 2 https://www2.susep.gov.br/safe/menumercado/PVGBL/Plano.aspx/Calcular?planoId=11609&tipoPlanoId=1&mo dalidadeRendaId=3 Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.659 25 Em outras palavras, supondo que um dirigente do sexo masculino tenha nascido em 01/01/1960 e queira se começar a gozar do benefício com exatos 60 anos idade mínima conforme a cláusula 3.3.6 do 5° Aditivo , que tenha auferido rendimento mensal na ordem de R$ 520.000,00 (exemplo de renda retirado do Relatório Fiscal), tenha optado pela modalidade renda vitalícia com prazo mínimo de 30 anos, então ele deverá acumular um saldo de R$ 108.000.000,00 (cento e oito milhões) na sua conta de reservas da previdência. Tomado esse valor em consideração, é realmente admissível que os aportes sejam consideráveis. Fl. 1671DF CARF MF 26 Reafirmase: se a previdência privada tem por objetivo garantir um rendimento no mesmo patamar daquele auferido na atividade, então é necessário que se considere o rendimento do indivíduo in concreto, e não um rendimento médio nacional ou outro que a autoridade fiscalizadora considere suficiente. Não se pode ausente Lei impor que o benefício da Previdência Privada de limite a R$ 1.000,00, R$ 10.000,00 ou mesmo R$ 100.000,00, especialmente quando o indivíduo tem rendimento normal de R$ 520.000,00. Retornando ao Relatório Fiscal, constatase que a Contribuinte aportou em favor do dirigente citado oito parágrafos acima, um total de R$ 5.460.000,00 no anocalendário de 2011. Se também para ele for necessário acumular um saldo de R$ 108.000.000,00 no PGBL para manter o mesmo rendimento de R$ 520.000,00 mensal, então seriam necessários quase vinte anos de aportes por parte da Instituidora. Portanto, percebese que os aportes são substanciais quando analisados isoladamente, porém proporcionais quando tomados em consideração os cálculos apresentados. Enfim, também não pode prevalecer o argumento de que não foram esclarecidos os cálculos para apurar os aportes. Pelo contrário, constatase que a Contribuinte apresentou ainda durante a fiscalização tabela indicando a forma como seriam calculados os aportes, tabela essa que foi transcrita no Relatório Fiscal: CONTRIBUIÇÕES SUPLEMENTARES (Vigência de Janeiro/2010 a Maio/2011) TEMPO DE CARGO NA ORGANIZAÇÃO PERCENTUAL DO HONORÁRIO Até 1 ano 0,0% 1 a 5 anos 25,0% 5 a 8 anos 50,0% 8 a 10 anos 75,0% acima de 10 anos 100,0% CONTRIBUIÇÕES SUPLEMENTARES (Vigência a partir de Junho/2011) Conselho de Administração e Diretores Estatutários: 02 (dois) Honorários Mensais Superintendente Executivo: Valor Fixo R$ 38.000,00 Mensal Gerente Regional: Valor Fixo R$ 19.000,00 Mensal Nesse âmbito, registrase que a autoridade lançadora criticou ainda a alteração dessa tabela pelo Conselho de Administração e não pela Assembléia. Entretanto, conforme as Atas, constata se que a Assembléias de Acionistas aprovou o valor global dos aportes à Previdência Privada, sendo irrelevante a forma de fazêlo desde que não ultrapasse aquele valor global. Ainda que esses cálculos não fossem condizentes, e que a Contribuinte não tivesse apresentado a tabela acima, a verdade é que o Plano de Previdência Privada foi devidamente aprovado pela SUSEP. Em outras palavras, é necessário tomar como premissa que os cálculos atuariais estão corretos. Cabe à autoridade lançadora, isso sim, o ônus de infirmálos, demonstrando que os valores aportados estão inadequados, que levariam a benefícios muito superiores àqueles desejados ou indicados pela Instituidora e pela operadora do PGBL. É que o ônus das provas deve ser bem distribuído. Quando o lançamento se baseia em mera glosa da declaração, o ônus recai sobre o Contribuinte: cabe a ele demonstrar a veracidade das informações declaradas. Quando o lançamento se lastreia em outras infrações, então cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência da infração. Por exemplo, tratandose de omissão de rendimento por Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.660 27 depósitos bancários, cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência dos depósitos bancários; quando o lançamento recai sobre a omissão de rendimentos decorrente do ganho de capital, cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência da alienação. In casu, se o lançamento tem por objeto a desconfiguração da natureza jurídica dos depósitos feitos em Plano de Previdência Privada devidamente constituído, então cabe à autoridade lançadora comprovar que o montante tem natureza jurídica de rendimento e não de contribuição à previdência privada. Se o argumento para comprovar que o depósito tem natureza de rendimento é que o aporte é desproporcional, então deve comproválo, demonstrando o seu excesso, demonstrando que não é condizente com a realidade. Pelo contrário, não apresentou cálculos nem critérios concretos, mas apenas ilações genéricas baseadas no espanto quanto à ordem de grandeza dos valores envolvidos. Efetivamente, se os valores aportados são excessivos, então qual o montante seria admissível? Qual o valor dos aportes que seria aceito como adequado? Com base em qual critério alcançou esse valor? Quais os cálculos desenvolvidos para alcançar o valor que seria suficiente para garantir aos dirigentes um benefício da Previdência Privada compatível com aquele auferido do trabalho? Em suma, seja porque a autoridade lançadora não se desincumbiu do seu ônus de comprovar o montante adequado para os aportes, seja porque a Contribuinte apresentou a sua tabela de cálculos, seja ainda porque, conforme simulação na SUSEP, os valores dos aportes são proporcionais aos benefícios desejados, então esse fundamento não pode subsistir. Quanto aos aportes efetuados em favor de participantes já em gozo do benefício Ainda segundo o lançamento, os aportes têm natureza de remuneração porquanto alguns dos Participantes do Plano Previdenciário Privado já se encontravam em gozo do benefício. Também não pode prevalecer esse fundamento. Em primeiro lugar, porque não atinge todos os depósitos. No máximo, afetaria os aportes específicos feitos em favor dos Participantes já em gozo. Jamais poderia afetar os aportes feitos em favor dos Participantes que ainda não gozavam do benefício. Em segundo lugar, porque, como esclarecido no item anterior, o benefício do PGBL é apurado conforme o saldo previsto na data da concessão da renda. Em outras palavras, o aporte feito em favor de quem já está em gozo do benefício acaba por melhorar a sua situação, de sorte que a aumentar o benefício no mês seguinte. Se o Participante optou por iniciar o gozo dos benefícios assim que preencheu os requisitos, certamente observará rendimento inferior àquele que poderia obter caso tivesse continuado efetuando aportes. Nesse caminho, ao aportar novos valores elevará o seu saldo e obterá rendimento mensal maior. Eis que resta justificável a continuidade dos aportes mesmo após a concessão do gozo do benefício. Em terceiro lugar, é possível observar que o Regulamento do Plano de Previdência Privado Geral efetivamente estabelece que: "3.8 As contribuições mensais, pagas pela INSTITUIDORA e pelos Participantes, cessarão em relação a cada Participante, quando este entrar em gozo de um dos Benefícios previstos no Plano de Benefícios, falecer ou requer o cancelamento de sua inscrição no mesmo." fl. 281; (...) Fl. 1673DF CARF MF 28 "12.4 Os Participantes e/ou Beneficiários em gozo de um dos Benefícios constantes do Plano de Benefícios, previstos neste Contrato, passarão a se relacionar diretamente com a COMPANHIA, e continuarão a recebêlos na forma pactuada, totalmente desvinculados de quaisquer obrigações da INSTITUIDORA." fl. 290. Essas cláusulas servem exatamente para exonerar a Contribuinte de qualquer responsabilidade em relação ao Plano Previdenciário a partir do instante em que é concedido o benefício, mas também exonera o Participante da responsabilidade de continuar efetuando aportes. Desse ponto em diante, apenas a Companhia é que tem responsabilidade de pagar o benefício, e de fazê lo diretamente ao Participante, que, por sua vez, também só poderá cobrar dela, e não da instituidora, o pagamento dos benefícios. Se é verdade que essas cláusulas estabelecem que cessa a obrigação da Instituidora, em nenhum lugar proíbea de continuar efetuando aportes. Pode, isso sim, optar por continuar a fazer aportes em favor dos Participantes, mesmo os que já estão em gozo do benefício. Esses aportes posteriores serão facultativos, mas nem por isso deixarão de ser contribuições para a previdência privada. Eventualmente, implicarão melhoria do benefício em favor do Participante, trazendoo a patamar mais próximo do rendimento auferido na atividade. Enfim, uma vez que não há nenhuma proibição de aportes após a concessão do benefício, mas apenas dispensa, então não há irregularidade que justifique o lançamento. Quanto ao resgate: Enfim, resta a questão dos resgates efetuados pelos Participantes. Segundo desenvolvem a autoridade lançadora, a DRJ e a PGFN, o fato de que os valores aportados pela Contribuinte foram resgatados em sua quase integralidade pelos Participantes é indício de que esses aportes jamais tiveram o objetivo de compor o saldo da previdência privada, sendo antes remuneração. A autoridade lançadora faz comparação dos resgates efetuados com a remuneração auferida no mesmo ano. Por sua vez, a DRJ afirma que os Participantes resgatavam os valores sem respeito a prazos de carência. Enfim, a PGFN argumenta que os resgates da quase integralidade dos valores aportados de forma habitual demonstra que os Participantes dependiam desses valores para manter o seu padrão de vida, que impede a constituição das reservas e isso fere o caráter previdenciário e, enfim, que o levantamento da integralidade dos valores depende da aquiescência da Instituidora. É necessário, primeiro, fazer alguns esclarecimentos. Conforme a Lei Complementar n° 109/2001: Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. (...) Art. 27. Observados os conceitos, a forma, as condições e os critérios fixados pelo órgão regulador, é assegurado aos participantes o direito à portabilidade, inclusive para plano de benefício de entidade fechada, e ao resgate de recursos das reservas técnicas, provisões e fundos, total ou parcialmente. Já a SUSEP, em página dedicada ao esclarecimento de informações ao público em geral3 , anota que: 3 http://www.susep.gov.br/menu/informacoesaopublico/planoseprodutos/previdenciacomplementaraberta Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.661 29 Prazo de diferimento: período de tempo compreendido entre a data da contratação do plano pelo participante e a data escolhida por ele para o início da concessão do benefício, podendo coincidir com o prazo de pagamento das contribuições; (...) Resgate: a restituição ao participante do montante acumulado na provisão matemática de benefícios a conceder relativa ao seu benefício. O Resgate é obrigatório nos planos de benefício por sobrevivência (aposentadoria), sendo concedido ao participante que desistir do plano, no valor correspondente ao montante acumulado em sua provisão matemática de benefícios a conceder. Nos demais planos, deverá ser observado o contrato (regulamento). (... ) * Qual a carência para portabilidade e resgate? Posso efetuálos de forma parcial? R. Para o resgate total, o prazo de carência estará compreendido entre 60 (sessenta) dias e 24 (vinte e quatro) meses, de acordo com o estabelecido no Regulamento. Para os resgates parciais, o prazo de carência estará compreendido entre 60 (sessenta) dias e 6 (seis) meses, de acordo com o estabelecido no regulamento. A portabilidade será pela totalidade dos recursos e o prazo máximo de carência será de 60 (sessenta) dias, de acordo com o estabelecido no regulamento. Em outras palavras, é necessário distinguir o prazo de diferimento do prazo de carência para resgate. No caso ora em análise, o prazo de diferimento é de, no mínimo, dez anos (cláusula 4.5.'b' do Regimento Geral do Plano). O Participante não é, nem poderia ser, obrigado a aguardar o prazo de diferimento para resgatar o seu saldo, uma vez que o prazo de carência para resgate é de, no máximo, vinte e quatro meses, conforme a própria SUSEP. Portanto, não há nenhuma irregularidade no fato de que os Participantes resgatavam os seus respectivos saldos antes do fim do prazo de diferimento, desde que tenham respeitado o prazo de carência para resgate. Em que pese a autoridade lançadora tenha criticado os resgates, e tenha feito comparativo do resgate de 2010 e de 2011 com as remunerações pagas nos mesmos anos, respectivamente, jamais imputou qualquer infração ou desrespeito ao prazo de carência para resgate. Nesse caminho, é necessário concluir que a DRJ equivocouse ao afirmar que os Participantes não respeitavam o prazo de carência; talvez quisesse afirmar que não respeitavam o prazo de diferimento. Enfim, convém resumir as conclusões já alcançadas: • O resgate do saldo é um direito do Participante; • O prazo máximo de carência para o resgate é de dois anos, podendo ser inferior; e • Não há acusação no lançamento de desrespeito ao prazo de carência. Fl. 1675DF CARF MF 30 Tomando essas conclusões como premissas, é necessário concluir que o Participante que resgata o seu saldo antes do prazo de diferimento, mas após o prazo de carência, não comete irregularidade. Efetivamente, a Constituição Federal atribuiu à Lei Complementar a competência para dispor sobre as Previdências Privadas. A Lei Complementar n° 109/2001, que rege a matéria, admite em seu art. 27, supra transcrito, a possibilidade de resgate total dos recursos de reserva técnica, sem fazer nenhuma ressalva. Portanto, ainda que discorde do sentido filosóficomoraleconômico da Lei, não cabe ao aplicador do direito contestála. Não é sem razão, nesse contexto, a que a autoridade lançadora argumenta que os resgates impedem a formação de saldo apto a gerar benefícios previdenciários. Efetivamente, se o Participante não permite que se acumulem depósitos em seu favor, não terá benefícios a gozar. Entretanto, não pode o aplicador do direito alterar o conteúdo expresso da Lei ao argumento de que é ilógico. Se a Fazenda Nacional entende ser pequeno o prazo de dois anos, ou mesmo indevido o direito ao resgate, então deve trabalhar para alterar a legislação; não pode, enquanto vigente a norma, imputar infração ao cidadão que exerce o direito legalmente estabelecido. A título argumentativo, ainda que fosse aplicável o art. 14 da Lei Complementar n° 109/2001, estipulado expressamente para os Planos de Previdência de Entidades Fechadas, também aos Planos de Previdência de Entidades Abertas, em detrimento do art. 27 da mesma Lei, não há ali proibição de resgate dos valores aportados também pela Instituidora. Pelo contrário, há, isso sim, obrigação de que sejam resgatáveis no mínimo os valores aportados pelo próprio Participante. Enfim, a principal questão. Se o resgate é um direito do Participante, se é ato exclusivamente seu, não se pode atribuílo à Recorrente, como se ela é quem tivesse agido. In casu, a autoridade lançadora afirma que o resgate dos valores aportados faz com que perca o caráter previdenciário. Ainda que se desconsidere a expressa permissão legal para o resgate integral, é o Participante, e não a empresa, quem realiza os resgates. Pelo contrário, nem mesmo se pode argumentar que a Contribuinte laborou para facilitar esse levantamento, estabelecendo o prazo mínimo admitido pela SUSEP. A verdade é que o prazo imposto, de dois anos, é exatamente o máximo permitido. Nada mais poderia fazer a Recorrente. No que toca às cláusulas 4.1 e 4.2 do 5° Aditivo, que condicionam o resgate durante o período de diferimento à "expressa autorização da INSTITUIDORA", percebese que são cláusulas inócuas, vez que criam requisitos para um direito garantido por Lei. Enfim, para que se pudesse atribuiu à Recorrente o ato dos Participantes, seria necessário imputar a ocorrência de conluio. I.e., seria necessário reunir em uma mesma conduta ambas as partes, a Instituidora que efetuou o aporte e o Participante que o resgatou. Acontece que tal acusação não existe nos autos. Dispositivo Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.662 31 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator designado Acompanhando o relator quanto à preliminar, passo ao exame das questões de mérito. Da multa isolada. Tenho por pertinente e em conformidade com a legislação de regência, a multa isolada aplicada pela fiscalização, com base no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, situação essa não alterada com o advento da Lei n° 11.488/07. Nesse sentido, vem decidindo a CSRF seguidamente, vide, ilustrativamente, os acórdãos de n° 9202003.834 (j. mar/16) e de n° 9202005.537 (j. ago/17). Concordando plenamente com o entendimento exarado naquela ocasião, peço vênia para transcrever os fundamentos alinhavados voto condutor do primeiro acórdão citado no parágrafo anterior, os quais passo agora a transcrever: "No tocante a aplicação da penalidade, entendo correta sua incidência posta no auto de infração e mantida até o acórdão recorrido. Primeiramente, a penalidade do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.488/2007 descreve uma infração que é deixar a fonte pagadora de reter ou recolher o imposto ou contribuição, independentemente de ser o tributo pago ou não. Logo, não me parece lógico que a remissão ao artigo 44 da Lei 9.430/1996, também com a redação dada pela mesma lei de 2007, viesse para impossibilitar a penalização da conduta reprovada pelo sistema, que já existia. Entender diferente seria aceitar que a conduta reprovável não fosse sancionada pela mesma norma que impõe a sua sanção. Outrossim, o art. 44 da Lei 9.430/1996, definia fato gerador autônomo de penalidade e a multa por falta de recolhimento do IRRF se lastreava apenas na base de cálculo daquela norma; continuou a fazêlo após a edição da Lei n° 11.488/2007. Adoto ainda as considerações e argumentos sobre a matéria expostos pela i. Conselheira Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, tratando da mesma matéria, em voto exarado no acórdão n° 9202003.583, de 03/03/2015, nesta 2a Turma da CSRF: 'Referida multa foi aplicada à fonte pagadora, com fundamento no art. 9°, da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. De plano, não há que se falar em suposta retroatividade benigna (art. 106, inciso II, "a", do CTN), considerandose que a penalidade em tela teria sido extinta inicialmente pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdera eficácia, e depois pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Ora, os fatos geradores objeto da autuação ocorreram em novembro e dezembro de 2007, portanto já na vigência da Lei Fl. 1677DF CARF MF 32 n° 11.488, de 15/06/2007, de sorte que se a penalidade ora tratada houvesse efetivamente sido extinta o que aqui não se admite ela haveria de ser afastada pela simples aplicação direta da citada lei, e não por meio do art. 106, II, "a", do CTN. Entretanto, tal nuance não merece ser discutida, tendo em vista que a multa em tela nunca foi extinta, conforme será demonstrado. (...) O que está sendo cobrado, no presente caso, é unicamente a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora, da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: "Art.9°. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado." O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.663 33 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I. juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)"Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1° se amolda à exigência estabelecida no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei n° 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1° do art. 44 vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9°, da Lei n° 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1°, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Fl. 1679DF CARF MF 34 Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9°, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei n° 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: "Os arts. 7o a 9° ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9°, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior." (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9°, da Lei n° 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória n° 16, de 2001. Com a edição da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo passou a ter a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.664 35 b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)"Assim, o art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1°. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas "a" e "b"). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, promovida pela Lei n° 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9°, da Lei n° 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9° teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1°). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9°, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9°, promovida pela mesma Lei n° 11.488, de 2007: "Art. 9° Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1°, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de Fl. 1681DF CARF MF 36 retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado." Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9°, da Lei n° 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. As conclusões acima ficam evidenciadas no quadro comparativo a seguir: Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.665 37 Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, é o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terse ia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. Em síntese, no entender desta Conselheira, há que se diferenciar o imposto devido, cuja obrigação principal é do beneficiário do rendimento, da multa pela falta de retenção/recolhimento do IRRF, cuja obrigação é da fonte pagadora, na qualidade de responsável. Assim, após o prazo final para entrega da declaração de pessoa física, o que cessa é a responsabilidade da fonte pagadora sobre o recolhimento do tributo cuja obrigação passa a ser do beneficiário. Entretanto, a falta de responsabilidade sobre o recolhimento do tributo não exime a fonte pagadora do pagamento da multa pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher o imposto, e é exatamente esta a exigência que ora se analisa. Nesse passo, assim estabelece o item 16 do Parecer Normativo COSIT n° 1, de 2002, que deve ser considerado na sua integralidade, e não apenas em parte. Confirase: "16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: Fl. 1683DF CARF MF 38 a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora." Destarte, tendo ou não os rendimentos sido oferecidos à tributação, remanesce a aplicação da penalidade pela falta de retenção e recolhimento por parte da fonte pagadora. Não há que se falar aqui de aplicação do percentual de 50% à multa, por falta de previsão legal expressa, mas sim a aplicação dos percentuais defnidos em lei (75% ou 150%), conforme acima esclarecido. Assim, é de se negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo também quanto a esta matéria." Portanto, não vejo motivos, sob esse prisma, para que seja afastada a multa isolada questionada. Dos aportes ao plano de previdência PGBL Empresarial. Partilhando este Conselheiro das bem articuladas razões da decisão contestada quanto à matéria, cabe reproduzilas no essencial (fls. 1506 e ss), de modo a que passe a integrar a fundamentação deste voto vencedor. Deve ser alertado ainda que, ao final, serão feitas, adicionalmente, breves considerações acerca da controvérsia. Como veremos a seguir, entendo que as contribuições realizadas pelo autuado ao plano de previdência complementar em favor de membros do Conselho da Companhia, diretores estatutários, superintendentes executivos, assessores jurídicos e gerentes regionais podem, sim, configurar remuneração, se não comprovado o caráter previdenciário dessas contribuições. Ficando caracterizada a natureza remuneratória, cabe a incidência do imposto de renda na fonte, por tratarse de pagamento de rendimentos que foram integrados ao patrimônio dos beneficiários. DA NATUREZA JURÍDICA DAS CONTRIBUIÇÕES Cabe frisar, primeiramente, que a apuração da natureza dos pagamentos questionados deve, necessariamente, levar em conta um cuidadoso exame das circunstâncias fáticas, para que seja apurado se o objetivo visado pelos pagamentos das contribuições era, efetivamente, financiar a concessão de benefícios futuros. Para fins tributários, para que pagamentos de plano de previdência complementar não sejam caracterizados como de natureza remuneratória, deverão, necessariamente, ter por objetivo a formação de reservas garantidoras da implementação de benefícios. Há que se considerar que a Lei Complementar n° 109, de 2001, liberou o resgate em razão de ser a adesão ao plano facultativa. Se o empregado pode, ou não, aderir ao plano, também pode decidirse pelo resgate. Nisso não há nenhuma ilegalidade ou ilicitude. Porém, para fins tributários, há que se levar em conta que o pagamento de plano de previdência privada, pelo empregador, é pagamento habitual sob a forma de utilidade, que foi isentado da tributação. Assim sendo, forçoso apurar o objetivo da isenção concedida, e somente os pagamentos que visem atingir esse objetivo é que farão jus à isenção. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.666 39 Resta claro que o objetivo da concessão da isenção foi incentivar a celebração de planos de previdência privada, por outras palavras, incentivar a formação de reservas que possibilitem a concessão futura de benefício. A formação das reservas garantidoras do benefício é da essência dos planos de previdência privada, conforme se extrai da transcrição abaixo da Lei Complementar n° 109, de 2001: Art. 1° O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Se os pagamentos não se destinam a garantir a concessão de um benefício futuro, não se justifica que sejam os mesmos isentados da tributação. Em análise dos autos, constatase que as citadas contribuições têm sim natureza remuneratória. Todavia, isso não decorre da alegada inobservância ao disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991, que estabelece que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, deve estar disponível à totalidade dos empregados da empresa. Entendo que os valores pagos a título de previdência privada no regime aberto (como é o caso em análise) não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária desde que não sejam caracterizados como instrumento de incentivo ao trabalho, ou seja, desde que não tenham natureza remuneratória. Neste sentido, é a seguinte ementa de julgamento proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário do Banco Bradesco S/A nos autos do processo administrativo n° 16327.720218/201364: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Após o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições (Ac. 2402004.108, sessão de 14/05/2014) Sobre a matéria, transcrevo em parte o voto condutor do citado Acórdão n° 2402 004.108, de lavra do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em sessão de 14/05/2014: Fl. 1685DF CARF MF 40 Previdência Complementar Privada em Regime Aberto O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.667 41 natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1° Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (g.n) Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: "desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes" já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9°, alínea "t" da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: ... Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea "t" da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar n° 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1° O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4° As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. Fl. 1687DF CARF MF 42 § 1° Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1° O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2° O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3° Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1° Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2 ° Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.668 43 Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9°, "p" da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar,artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos elecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Fl. 1689DF CARF MF 44 Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho,eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e,portanto, gratificação. (g.n.) [...] No caso dos autos, o caráter remuneratório das contribuições feitas pelo autuado fica evidenciado pelas seguintes razões fáticas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 3 a 25): a) A empresa possui um Comitê de Remuneração, composto por 3 a 5 membros, escolhidos entre os integrantes do Conselho de Administração. Da leitura e interpretação do regimento do Comitê de Remuneração, verificase que sua linha geral de atuação é estabelecer a remuneração dos administradores com base nas metas de desempenho, tanto da empresa como individuais, estabelecidas pelo Conselho de Administração; b) As reuniões do Comitê de Remuneração definiam os valores a serem pagos aos administradores estatutários do Banco Bradesco a título de previdência privada, sendo que eram feitas sempre antes das Assembléias Gerais, ou seja, os valores eram definidos pela direção do Banco e apenas ratificados nas Assembléias. Logo, o Comitê de Remuneração da Organização Bradesco estipulava de forma antecipada e unilateral o valor a ser aportado na previdência complementar a seus dirigentes; c) Verificouse que o montante destinado como remuneração dos administradores no ano calendário de 2010 foi de até R$ 170.000.000,00, e verba de até R$ 170.000.000,00 para custear planos de previdência complementar dos administradores do Banco. Para o ano calendário de 2011, os referidos montantes foram alterados para até R$ 250.000.000,00 para remuneração dos administradores e de até R$ 250.000.000,00 destinada a custear Planos de Previdência Complementar Aberta aos administradores; d) Constatouse que o Banco Bradesco S/A possui um Plano de Previdência Complementar fechado, disponível a totalidade de seus empregados desde junho de 1985, e um outro plano, chamado "PGBL EMPRESARIAL", disponível apenas para o presidente do conselho, os conselheiros, diretores estatutários, diretores técnicos, assessores da diretoria, superintendentes executivos e, a partir de 01/06/2011, também para os gerentes regionais, de acordo com o 5° Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada; e) Para o PGBL EMPRESARIAL os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela Instituidora, que pode recusar a proposta de inscrição do participante, e não prevê regras claras em relação às contribuições do patrocinador; os participantes em gozo de benefícios passarão a se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência S/A, não havendo mais obrigações contratuais para a Instituidora; f) O Impugnante não comprovou o caráter previdenciário/atuarial das contribuições vertidas para a previdência privada complementar. A empresa apresentou os aportes feitos por ela como instituidora para os elegíveis ao plano PGBLEMPRESARIAL. Foi realizada uma comparação entre os valores aportados na previdência complementar e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários como rendimento do trabalho, informados na DIRF (Declaração de Imposto Retido na Fonte) do Banco, nos mesmos períodos, e se verificou que Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.669 45 os valores aportados na previdência complementar são substanciais e em vários casos no mesmo montante do rendimento do trabalho, conforme quadro a seguir, a título de exemplo: Ano calendário 2010 Ano calendário 2011 Nome Dirf cód 561 PC Dirf cód 561 PC Antonio Bornia 4.680.000,00 4.680.0000,00 6.240.000,00 5.460.000,00 Domingos F Abreu 3.600.000,00 3.600.000,00 4.800.000,00 4.200.000,00 Marlene M Milan 1.368.000,00 1.368.000,00 1.928.000,00 1.716.000,00 João A. Alvarez 2.880.000,00 2.880.0000,00 4.800.000,00 4.080.000,00 Julio S. C. Araujo 3.600.000,00 3.600.0000,00 4.800.000,00 4.200.000,00 Mario da S. T. Junior 4.680.000,00 4.680.0000,00 6.240.000,00 5.460.000,00 g) Constatouse, também, que vários dirigentes e empregados em gozo de benefício do plano de previdência privada continuaram a receber os aportes da empresa nas suas contas, e se concluiu que estes deveriam ter outra finalidade que não a previdenciária, pois o regulamento do plano prevê que os participantes nesta situação deveriam se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência; h) Verificouse, ainda, nos sistemas da RFB, resgates de previdência privada em valores substanciais realizados pelos participantes do PGBLEMPRESARIAL, via de regra, em janeiro. A título exemplificativo, transcrevese quadro com os valores resgatados da previdência complementar pelos beneficiários citados acima: Ano calendário 2010 Ano calendário 2011 Nome Dirf cód 3223 Dirf cód 3223 Antonio Bornia 9.020.438,78 3.717.642,10 Domingos F Abreu 5.596.200,56 2.730.781,82 Marlene M Milan 1.165.037,70 826.773,23 João A. Alvarez 5.596.200,56 2.287.787,31 Julio S. C. Araujo 6.695.897,62 2.859.729,22 Mario da S. T. Junior 9.020.438,78 3.717.642,10 Esses fatos todos demonstram que o plano não atende ao objetivo fixado no artigo 1° da Lei Complementar 109, de 2001, para o regime de previdência privada de caráter complementar: a constituição de reservas que garantam a constituição de benefício futuro. O fato de o valor das contribuições do autuado para este plano de previdência privada não estar claramente estabelecido no seu próprio contrato, ao contrário do que alega o Impugnante, também demonstra o caráter remuneratório de tais pagamentos, visto que a previsão contida no artigo 1° do Anexo I da Circular SUSEP n° 183, de 2002, de possibilidade de contribuição adicional de qualquer valor, a qualquer tempo, destinase ao participante do plano de previdência privada, e não a seu Instituidor, conforme a seguinte redação: Art. 1° O valor e a periodicidade das contribuições poderão ser estipulados na proposta de inscrição, sendo facultado ao participante efetuar pagamentos adicionais de qualquer valor, a qualquer tempo. É de se ressaltar o fato de o montante total das contribuições ao plano de previdência privada em vários casos igualar à remuneração registrada como recebida nos anos de 2010 e Fl. 1691DF CARF MF 46 2011 pelos administradores do Banco. Contribuições tão elevadas não seriam necessárias para financiar um plano que visa apenas complementar o benefício decorrente da Previdência Social, já que este plano tem por objetivo manter, de forma aproximada, o nível da renda auferida pelo segurado antes da inatividade. Verificase, portanto, que os pagamentos questionados não visaram a constituição de reservas garantidoras de benefícios, restando evidente a sua natureza remuneratória. O efeito prático da formalização do plano de previdência privada foi apenas o de permitir ao autuado, ao invés de depositar os pagamentos diretamente na conta de membros do Conselho da Companhia, diretores estatutários, superintendentes executivos, assessores jurídicos e a gerentes regionais, efetuar o depósito dos valores na conta do plano de previdência privada. Tais profissionais, porém, têm direito ao resgate sem carência, inviabilizando a formação das reservas e auferindo, na prática, uma complementação salarial. Não foi objetivo do legislador conceder isenção a pagamentos dessa natureza. Cabe ressaltar, por fim, que mesmo que tivesse sido comprovada a afirmação de que o plano de previdência privada da Bradesco Vida e Previdência S/A, que segue as regras registradas no documento reproduzido às fls. 295 a 300 (5° Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada) e às fls. 341/342 (Termo Aditivo n° 05E ao convênio de adesão ao Plano I Contrato de Previdência Privada para empregados e dirigentes e empresa firmado em 20 de junho de 1985), foi autorizado pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), tal fato não teria o condão de tornar o lançamento das exigências contidas no presente auto de infração improcedente porque na seara tributária a Receita Federal do Brasil não se encontra vinculada a atos emitidos pela SUSEP. Nesse sentido, cabe citar o disposto no § 4°, do artigo 41, da Lei Complementar n° 109, de 2001: Art. 41. No desempenho das atividades de fiscalização das entidades de previdência complementar, os servidores do órgão regulador e fiscalizador terão livre acesso às respectivas entidades, delas podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e quaisquer documentos, caracterizandose embaraço à fiscalização, sujeito às penalidades previstas em lei, qualquer dificuldade oposta à consecução desse objetivo. § 1° O órgão regulador e fiscalizador das entidades fechadas poderá solicitar dos patrocinadores e instituidores informações relativas aos aspectos específicos que digam respeito aos compromissos assumidos frente aos respectivos planos de benefícios. § 2° A fiscalização a cargo do Estado não exime os patrocinadores e os instituidores da responsabilidade pela supervisão sistemática das atividades das suas respectivas entidades fechadas. § 3° As pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao regime desta Lei Complementar ficam obrigadas a prestar quaisquer informações ou esclarecimentos solicitados pelo órgão regulador e fiscalizador. § 4° O disposto neste artigo aplicase, sem prejuízo da competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária. (destacouse) [...] Entendo, portanto, que as contribuições realizadas pelo autuado ao plano de previdência complementar em favor de membros do Conselho da Companhia, diretores estatutários, superintendentes executivos, assessores jurídicos e gerentes regionais se afastam da natureza de previdência complementar, caracterizandose, assim, como de natureza remuneratória, pois não foi comprovado o caráter previdenciário dessas contribuições. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.670 47 Nessa direção foi também a conclusão no julgamento proferido mediante o Acórdão 0737.588 5a. Turma da DRJ/FNS, de 10/07/2015, que julgou improcedente a impugnação do Banco Bradesco S/A (processo administrativo n° 16327.720052/201548) ao lançamento mediante auto de infração de contribuições previdenciárias decorrentes da mesma matéria tratada nos autos. Observese que o Impugnante citou na peça de defesa ementas de acórdãos de uma corrente do CARF manifestando entendimentos favoráveis ao seu pleito. Contudo, a jurisprudência é útil forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, porém sem eficácia normativa para a Administração, pois, quando se referir à ação em que não seja ela participante, não se poderá beneficiar do seu resultado (artigo 472, do CPC). Excetuando a apreciação de inconstitucionalidade dotada de efeitos erga omnes, ou Súmula Vinculante (art 103A, CF/88), as decisões da Justiça produzem efeito apenas inter partes nos processos em que exaradas e, embora úteis para formar o convencimento do julgador administrativo, não vinculam as decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da RFB. A vinculação também não se aplica às lições doutrinárias e, via de regra, somente as decisões do CARF nos processos em que o interessado participe. Ou seja, a doutrina e, via de regra, as decisões do CARF são destituídas de força normativa para vincular as decisões administrativas das DRJ. Nessa linha, citações e transcrições usadas neste voto também objetivam mostrar o entendimento do relator, mas não são vinculantes. Desse modo, constatase como muito bem fundamentada a decisão contestada, valendo dizer que não prospera o argumento recursal no sentido de que a única condição constitucional para que os aportes em referência sejam considerados isentos é que sejam efetuados a empresa de previdência privada regularmente constituída. Ora, não se pode perder de vista que a previdência complementar tem por fito proporcionar ao trabalhador, a despeito do nível hierárquico que tenha em determinada empresa ou instituição, proteção previdenciária adicional àquela proporcionada pelo regime geral. E o que é proteção previdenciária? É garantir a continuidade de benefício financeiro quando da aposentadoria, bem como enfrentar infortúnios como invalidez ou doenças. Assim, não se confunde com poupança ou fundos de investimentos, por exemplo, que possuem regras distintas no que diz respeito à tributação pelas contribuições previdenciárias. Em outras palavras, os aportes em planos de previdência complementar não se constituem em meras aplicações de recursos em investimentos financeiros, mas sim devem se destinar a cobertura de eventos que requerem cobertura previdenciária. E, ainda que a decisão a quo tenha se equivocado pontualmente em relação a interpretação de algum aspeto do regulamento do plano como parece ter ocorrido, aparentemente, com a confusão entre o vocábulo 'companhia' constante do "5a Termo Aditivo", vinculado conforme alegado, ao recorrente e não a instituidora, como compreendeu o acórdão atacado isso não tem dimensão minimamente suficiente para ofuscar as bem construídas e comprovadas conclusões do Fisco no caso sob análise. O caráter remuneratório inerente ao denominado "PGBL EMPRESARIAL" está devidamente circunstanciado, como visto, pelos vários elementos coligidos aos autos pela fiscalização; por exemplo, a já mencionada estipulação antecipada e unilateral, pelo Comitê de Remuneração da Organização Bradesco, das contribuições mensais a serem aportadas ao plano, sendo considerados Fl. 1693DF CARF MF 48 resultados apurados nos segmentos de negócios, tempo de serviço e desempenho dos beneficiários o que as aproxima a prêmio desempenho ou mesmo gratificação e não critérios previdenciários, tais como idade e tempo de expectativa de vida. Acrescentese, em reforço, que diversos documentos societários da companhia Notas Explicativas de Demonstrações Financeiras, Formulários de Referência, revelam, de modo consistente, que os ditos PGBL integravam as "práticas de remuneração" voltada para esses altos dirigentes da instituição. No pertinente à falta de esclarecimento sobre a forma de cálculo dos aportes no regulamento do plano, com razão a fiscalização, pois não há como se estabelecer uma projeção sequer aproximada da forma de cálculo dos benefícios, como requerem os ditames do art. 10 da LC n° 109/01, sem o regramento antecedente dos aportes, por decorrência lógica, merecendo ser anotado que o 5a Termo do Aditivo, mencionado pelo recorrente, define apenas em sentido amplo a composição da carteira de investimentos, e não a aludida forma de cálculo. Também há que se refutar o raciocínio do recorrente, e partilhado em certa medida pelo D. Relator, no sentido de que a existência de resgates livres, inclusive das reservas e provisões técnicas, por serem permitidos pela lei, não poderiam servir de amparo para a autuação. Nesse sentido, particularmente, verificase que o resgate anual periódico de elevados montantes dos PGBL, em valores bastante próximos aos aportes realizados um ou dois anos antes, evidencia, na prática, que os ditos planos constituemse em alocações temporárias de elevadas quantias de caráter inequivocamente remuneratório, sem qualquer vínculo com a formação de reservas que garantam o benefício supostamente contratado, como demonstrado à saciedade tanto pela fiscalização, quanto pelas ponderadas razões da decisão de primeira instância e da PGFN. Sob a escusa de estarse a contribuir para a manutenção do padrão remuneratório dos contemplados, temse então mero trânsito desses elevados valores pelos planos, na busca de conferirlhes um verniz previdenciário e furtarse à tributação a que estariam submetidos, caso não fosse utilizado o expediente em questão. Portanto, não há porque reformar a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1694DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.723126/2014-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de que o valor da exclusão do lucro líquido se deu de forma devida acarreta inexistência de infração.
Numero da decisão: 1302-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de que o valor da exclusão do lucro líquido se deu de forma devida acarreta inexistência de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 31 26 /2 01 4- 09 Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.734 2 Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/BEL, complementandoo ao final: Trata o presente processo de Autos de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anoscalendário de 2008 a 2010. A Fiscalização apurou, no curso do procedimento fiscal, as seguintes infrações: a) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS; b) MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA; c) EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL EXCLUSÕES INDEVIDAS; d) MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. Em decorrência das infrações apuradas, foram constituídos os seguintes créditos tributários: Fl. 2734DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.735 3 Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.736 4 Reproduzo, a seguir, alguns excertos no Termo de Verificação de Infração (fls. 44/49): A) EXCLUSÃO INDEVIDA DA BASE DE CALCULO DO IRPJ A.1) Anocalendário de 2008 O contribuinte excluiu indevidamente da apuração da base de cálculo do IRPJ o valor correspondente à variação cambial liquidada passiva, conta n° 675670, no montante de R$6.760.415,35, conforme balancete e Lalur anexos. A exclusão é indevida tendo em vista que o contribuinte excluiu tal despesa por duas vezes: primeiramente, na apuração do lucro contábil, na DRE; depois, no cálculo do lucro real, no Lalur, infringindo os dispositivos legais constantes do Decreto n° 1.598/77, art. 6o, §3o, alínea "a", a seguir transcrito, que permite o ajuste por exclusão, desde que tal exclusão não tenha sido computada no resultado do exercício. [...] Como se observa no balancete, em anexo, o valor da variação cambial liquidada passiva, conta n° 675670, já havia sido computado, ou seja, excluído na apuração do resultado do exercício, portanto, não poderia ser novamente excluído na apuração do lucro real. Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.737 5 No Lalur não está evidente tal exclusão. Contudo, o contribuinte, em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 2, demonstrando os valores que compõem as exclusões ao lucro líquido do exercício, no montante de R$49.996.424,59, evidencia claramente que o valor de R$6.760.415,35 faz parte de tal exclusão, conforme planilha apresentada pelo contribuinte, em anexo. [...] Entretanto, apesar de a infração ser de R$6.760.415,35, o valor a ser lançado é R$1.235.636,92, a fim de ajustar o valor do prejuízo fiscal existente no Sapli (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Calculo Negativa da CSLL). Ocorre que o valor do prejuízo fiscal erroneamente declarado na DIPJ/2009, anexa, referente ao anocalendário de 2008, e que alimentou o Sapli, foi de R$2.790.921,92, quando deveria ser de R$8.315.700,35, conforme o livro de apuração do lucro real (Lalur), em anexo. Este valor escriturado no Lalur, após reduzido pela infração de R$6.760.415,35, resulta em R$ 1.555.285,00, saldo de prejuízo fiscal que deve constar no Sapli. Logo, o valor a ser lançado para que o saldo do prejuízo fiscal no Sapli resulte em R$1.555.285,00 é de R$1.235.636,92. A.2) Anocalendário de 2009 Para o ano de 2009, o contribuinte foi intimado a justificar o valor de R$138.249.808,87 excluído do lucro líquido. Em resposta, o contribuinte justificou que desse montante o valor de R$137.529.052,05 era oriundo das variações cambiais e monetárias, restando uma diferença de R$720.756,82 sem comprovação, passível portanto de lançamento. Nos recortes a seguir evidenciamos a exclusão indevida. [...] A.3) Anocalendário de 2010 Para o ano de 2010, no qual o contribuinte teve lucro líquido de R$59.854.927,95, o mesmo foi chamado a justificar o valor de R$123.418.730,96, excluído do lucro líquido para apuração do lucro real, conforme termo de início. Em sua resposta, o contribuinte informou que o valor de R$123.418.730,96 era composto em sua maioria pelo prejuízo acumulado da empresa Rio Tinto Alcan Brasil Ltda (RTAB), CNPJ 07.138.319/000127, no valor de R$98.362.349,76, conforme recorte abaixo: Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.738 6 Contudo, não existe previsão legal para tal exclusão. Pelo contrário, o art. 514 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), Decreto n° 3.000/99, in verbis, reza expressamente o contrário: "Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (Decretolei n° 2.341, de 1987, art. 33). (grifei) Como se vê, pela legislação citada, os prejuízos fiscais das empresas incorporadas não podem ser compensados nas empresas sucessoras. Portanto, tal exclusão é indevida. [...] Cumpre observar que a empresa Rio Tinto Alcan Brasil Ltda., CNPJ 07.138.319/000127, conforme DIPJ/2010RTAB, em anexo, foi incorporada pela Alcan Alumina Ltda., contribuinte fiscalizado, em março de 2010 e alienada no mesmo mês pelo valor de R$188.189.939,61, com custo da ordem de R$68.406.566,54, gerando um ganho de capital de R$119.783.373,07, devidamente lançado como receita nãooperacional, conforme razão (contas 981400, 982400 e grupo 361), balancete, DRE e DIPJ/2011, em anexo. B) EXCLUSÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Para a contribuição social, vale a descrição das infrações acima, uma vez que por força do disposto no art. 57, da Lei n° 8.981/95 e alterações posteriores, as mesmas normas de apuração estabelecidas para o imposto de renda a ela se aplicam, conforme descrito abaixo: [...] Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.739 7 Portanto, as exclusões indevidas na base de cálculo do imposto de renda também o são para o cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Resumindo: R$6.760.415,35 para o ano de 2008; R$720.756,82 para o ano de 2009 e R$98.362.349,76 para o ano de 2010. C) MULTA ISOLADA POR FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ No anocalendário de 2010, o contribuinte fez opção pela tributação com base no lucro real e apuração do imposto de renda e da contribuição social anual, com cálculo da estimativa mensal com base em balanço ou balancete de redução ou suspensão, conforme consignado em sua DIPJ/2011, em anexo. Em março de 2010, contudo, o contribuinte ajustou indevidamente o lucro líquido do período com a utilização de prejuízo fiscal da empresa incorporada, Rio Tinto Alcan Brasil Ltda (RTAB), no valor de R$98.362.349,76, conforme balancete levantado em março e o lucro o lucro real apurado no período, ambos anexos. Como visto anteriormente, o art. 514 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) veda expressamente a compensação de prejuízo de empresa incorporada. Portanto, glosandose o respectivo valor, o contribuinte deveria ter recolhido a estimativa no valor de R$22.865.087,25, incluído o adicional. Não o fez. Desse modo, por força do disposto no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996, in verbis, é devida a multa isolada no valor de R$ 11.432.543,62, pela falta do não pagamento da estimativa, conforme planilha de cálculo em anexo: [...] D) MULTA ISOLADA POR FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DA CSLL Como descrito anteriormente, pelo disposto legal, art. 57, da Lei n° 8.981/95 e alterações, as mesmas normas de apuração estabelecidas para o imposto de renda se aplicam à CSLL. Desse modo, vale o que reza o art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, conforme demonstrado na planilha de cálculo anexa, o contribuinte deveria ter recolhido a CSLL estimada no valor de R$8.233.591,41. Não o fez. Portanto, também, é devida a multa isolada no valor de R$4.116.795,70. [...] Inconformados com a autuação da qual tomaram ciência em 13/10/2014 (fls. 398/400), o contribuinte e os responsáveis apresentaram impugnações em 11/11/2014 (fls. 403/468, fls. 547/843 e fls. 403/468) alegando: ALCAN ALUMINA LTDA a) Que, na resposta ao termo de intimação, a Impugnante teria demonstrado a composição dos valores que foram excluídos na apuração do lucro Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.740 8 real e da base de cálculo da CSLL, e que teria indicado, erroneamente, a exclusão de prejuízos acumulados da RTAB; b) Que nunca teria excluído prejuízos referente à sociedade que incorporou; c) Que, no Lalur, constaria a informação referente à exclusão de “Resultado de incorporação da RTAB”; d) Que o “Resultado de incorporação da RTAB” que teria sido excluído seria fruto de equívoco no procedimento de contabilização da incorporação da RTAB, que teria refletido indevidamente, na Impugnante, o resultado (positivo) da incorporada em sua demonstração do resultado do exercício; e) Que o Lalur da Impugnante indicaria exclusão de “resultado”, e que esse termo poderia significar elemento positivo (lucro) ou negativo (prejuízo), de tal forma que a informação constante desse documento não poderia ser entendida, sem maiores investigações e análises, especialmente documentais, como sendo exclusão de “prejuízo acumulado da empresa RTAB”; f) Que bastaria uma checagem mais atenta da documentação da Impugnante para se concluir que a exclusão diria respeito a valores indevidamente contabilizados e que não representariam acréscimos patrimoniais tributados pelo IRPJ e pela CSLL; g) Que existiria flagrante equívoco na premissa adotada (exclusão de prejuízos fiscais da incorporada), o que teria levado ao lançamento fiscal com base no art. 514 do RIR/99; h) Que, em 31 de março de 2010, a Impugnante teria incorporado a RTAB, momento em que essa sociedade, juridicamente, teria deixado de existir; i) Que a Fiscalização teria feito a afirmação, equivocada e confusa, de que a RTAB teria sido incorporada pela Impugnante, em março de 2010, e que teria sido alienada no mesmo mês; j) Que, quando do evento de incorporação, ao invés de registrar tãosomente os ativos líquidos transferidos via sucessão universal, em contas patrimoniais, a Impugnante teria efetuado lançamentos reflexos do resultado da RTAB em seu próprio resultado; k) Que o resultado positivo (lucro) da RTAB, verificado antes do evento de incorporação, teria sido registrado também na Impugnante, como se resultado dela fosse, o que se trataria de mero equívoco de procedimento; l) Que o ganho na alienação de investimento, no montante de R$119.783.373,07, tal como apontado pela Fiscalização, corresponderia a resultado auferido pela RTAB, indevidamente replicado na escrita contábil da Impugnante; Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.741 9 m) Que o laudo técnico contábil elaborado pela empresa BDO RCS AUDITORES INDEPENDENTES demonstraria os fatos alegados pela Impugnante; n) Que a incorporação seria a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações; o) Que a expressão “absorvida por outra” significaria a extinção da sociedade incorporada em virtude da sucessão universal (transferência de todos os direitos e obrigações para o conjunto patrimonial da incorporadora); p) Que, na incorporação, seria transferido o “patrimônio” da incorporada à incorporadora; q) Que, no evento de incorporação, seriam transferidos os elementos do ativo e do passivo, ou seja, o patrimônio líquido da sociedade incorporada, e que não deveriam ser transferidas nenhuma conta de resultado; r) Que, neste caso concreto, a Impugnante era controlada pela RTAB; s) Que, de acordo com o balanço patrimonial, a participação da RTAB na Impugnante seria de R$217.399.634,64; t) Que, de acordo com o “Protocolo e Justificação de Incorporação”, as quotas representativas do capital social da Incorporadora detidas pela Incorporada seriam canceladas; u) Que, eliminando o efeito da participação da Incorporada na Incorporadora, o resultado da incorporação teria sido um aumento do patrimônio líquido, mais especificamente na conta capital social, no montante de R$91.291.737,62; v) Que seriam simples e evidentes os efeitos da incorporação envolvendo controladora e controlada, mas que, neste ponto, teria surgido o erro no procedimento de contabilização da operação, o qual estaria devidamente comprovado no laudo técnico; w) Que, para o evento de incorporação, deveriam ser levantados balanços específicos no qual os ativos e passivos são avaliados pelo valor de mercado ou contábil, o que teria sido realizado na database de 03/03/2010 (valor contábil); x) Que, no patrimônio líquido da RTAB, de R$308.691.372,26, já estaria refletido o resultado de R$111.559.632,79, por ela apurado até o dia 03/03/2010; y) Que o resultado da RTAB, no valor de R$111.559.632,79, teria sido registrado também na Impugnante, o que teria alterado o prejuízo apurado de R$13.121.536,62 para um lucro de R$98.362.349,76; Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.742 10 z) Que o resultado da RTAB (R$9.739.343,86), apurado entre 04/03/2010 e 31/03/2010, em respeito à legislação em vigor, teria sido registrado na Impugnante; aa) Que teria sido correta a exclusão de R$98.362.349,76, por erro de contabilização no evento de incorporação, e que a exclusão feita pela Impugnante teria sido menor do que a de direito, tal como teria sido apontado pelo laudo técnico; bb) Que o resultado de R$111.559.632,79, apurado pela RTAB, seria decorrente, principalmente, da alienação de participação societária por ela detida (valor de alienação: R$188.189.939,61; valor contábil: R$68.406.566,54; ganho de capital: R$119.783.373,07); cc) Que, diante de indiscutível erro na contabilização, não se poderia tratar o resultado da RTAB como se fosse da Impugnante, sob pena de distorção da materialidade do IRPJ e da CSLL; dd) Que o erro cometido pela Impugnante não teria o condão de transformar meros lançamentos equivocados em acréscimo patrimonial tributável; ee) Que o lançamento ora combatido não se sustentaria em vista do princípio da verdade material; ff) Que não seria possível a exigência cumulativa de multa isolada e multa de ofício, por representar dupla penalidade sobre o mesmo fato; gg) Que não seria aplicável a multa qualificada de 150%; hh) Que a Fiscalização não teria tecido nenhuma consideração a respeito da aplicação da multa qualificada; ii) Que, diante (i) da absoluta ausência de motivação no lançamento quanto à qualificação da multa, (ii) da inexistência de descrição da conduta dolosa da Impugnante, (iii) da carência de demonstração e comprovação da conduta típica exigida pelo tipo infracional descrito na norma jurídica invocada, seria totalmente improcedente a qualificação da multa de ofício; jj) Que o julgamento deveria ser convertido em diligência, caso a Turma de Julgamento entenda que a robusta prova documental apresentada na impugnação, bem como o laudo técnico, não são suficientes à demonstração total da improcedência do auto de infração. Por fim, o contribuinte apresentou o seguinte pedido: Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.743 11 RIO TINTO ALCAN INC e RONALDO DEL BUONO RAMOS a) Que a Fiscalização teria atribuído responsabilidade solidária à Impugnante simplesmente pelo fato de ser sócia do contribuinte; b) Que não teria sido escrita nenhuma palavra sequer a respeito da suposta conduta comissiva ou omissiva da Impugnante, nem tampouco a respeito da vinculação de tal conduta com o suposto crédito tributário devido pelo contribuinte; c) Que a atribuição de sujeição passiva solidária careceria dos mínimos requisitos legais essenciais ao lançamento, de modo que se imporia o reconhecimento imediato de sua nulidade por vício material; d) Que ficaria nítida a violação ao direito de ampla defesa e contraditório da Impugnante, a qual estaria impossibilitada de identificar a acusação que sobre si recai; e) Que o mero inadimplemento da obrigação tributária não geraria, por si só, a responsabilidade do sóciogerente; Por fim, os responsáveis apresentaram o seguinte pedido: Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.744 12 Em 21/06/2016, esta Turma de Julgamento determinou a realização de diligência para que fossem juntados aos autos deste processo os arquivos referentes à Escrituração Contábil Digital (ECD) do contribuinte e da sociedade empresária por ele incorporada. Após terem sido tomadas as providências mencionadas, os autos do processo retornaram a esta Turma para julgamento. Após análise das razões de impugnação, a Turma “a quo” considerou como não impugnados os valores referentes às infrações dos anoscalendário de 2008 e 2009, e julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido em relação ao anocalendário 2010, nos termos da ementa do Acórdão 0134.687 – 1ª Turma da DRJ/BEL abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de que o valor da exclusão do lucro líquido se deu de forma devida acarreta inexistência de infração. Devidamente cientificado da decisão, o sujeito passivo não apresentou Recurso Voluntário e não se pronunciou sobre o recurso de ofício; também não houve requisição dos autos para interposição de contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.745 13 Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Por não vislumbrar a necessidade de reparos, nos termos do art. 57, § 3º do RICARF, adoto as razões de decidir da DRJ, a seguir transcritas: Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.746 14 Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.747 15 Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.748 16 Fl. 2748DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.749 17 Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.750 18 Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.751 19 Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.752 20 Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.753 21 Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.754 22 Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.755 23 Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.756 24 Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.757 25 Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.758 26 Conclusão Em face ao exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão de 1a instancia em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.759 27 Fl. 2759DF CARF MF
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