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Numero do processo: 15374.914693/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
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COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastandose entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.910035/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 46 93 /2 00 9- 95 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15374.914693/200995 Acórdão n.º 1402003.440 S1C4T2 Fl. 3 2 Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que estimativas recolhidas a maior/indevidamente só podem ser objeto de compensação ao final ou após o período de apuração do IRPJ e da CSLL. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que a Lei nº 9430/96 garante a compensação de quaisquer indébitos, fruto de recolhimento indevido ou maior, não se sustentando legalmente a impossibilidade invocada pela Autoridade Fiscal. Traz excertos jurisprudenciais e doutrinários. Também pugna pela inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 600/05 e invoca do princípio da busca pela verdade material. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, deixando de conhecer a matéria constitucional invocada e, na parte conhecida, negando provimento à defesa, por entender haver vedação expressa no art. 10 da IN nº 600/05 que impediria essa pretensão compensatória da Contribuinte. Ressaltase lá a vinculação daqueles N. Julgadores aos entendimentos da Receita Federal do Brasil. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, abandonando as alegações de inconstitucionalidade, mas reiterando e frisando a legalidade da compensação das estimavas, no mesmo período em que apurado o indébito, trazendo novos julgados deste E. CARF que corroboram sua pretensão e infirmam o posicionamento do v. Acórdão combatido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.428, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.910035/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.428): Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15374.914693/200995 Acórdão n.º 1402003.440 S1C4T2 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. O tema exclusivo agora sob análise é a possibilidade legal da Contribuinte utilizar em compensação, via DCOMP, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente, ainda no mesmo período de apuração. Como fica muito claro nos autos, o único fundamento para a denegação da compensação foi a suposta vedação da manobra intentada, como se verifica tanto no r. Despacho Decisório como, posteriormente, no v. Acórdão, ora recorrido, que expressamente invocam o art. 10 da IN SRF nº 600/05, vigente à época da transmissão da DCOMP. Registrese que não houve qualquer análise da materialidade do crédito ou da sua quantificação, ainda que a Recorrente tenha carreado documentação aos autos, sendo a motivação da não homologação da compensação exclusivamente jurídica. Pois bem, tal matéria sob apreço é tema há muito debatido neste E. CARF (e no predecessor E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da Súmula CARF nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como se observa da leitura de tal entendimento sumular, da mesma forma como defende a Recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Logo, o óbice imposto à Contribuinte não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Inclusive, não há qualquer limitação temporal da aplicabilidade da Súmula nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito de compensação. Contudo, apenas para robustecer o presente julgamento, esclarecese que existem inúmeros precedentes desta C. 1ª Seção que, especificamente, abordam e afastam a vedação Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15374.914693/200995 Acórdão n.º 1402003.440 S1C4T2 Fl. 5 4 contida no art. 10 da IN nº 600/05, para promover a devida e mandatória aplicação da referida Súmula. Nesse sentido, ilustrando aquilo acima consignado, confirase o recente Acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta C. 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (destacamos) Desse modo, merece reforma o v. Acórdão (assim como r. Despacho Decisório, digase), vez que lícita e viável a postura procedimental da Contribuinte. Porém, como já esclarecido, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do crédito empregado, fruto do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa (por consequência lógica do afastamento sumário da regularidade da postura da Recorrente, não havendo, então, em se falar de lapso nos julgamentos pretéritos). De forma reversa, agora, uma vez aceita a circunstância jurídica da compensação, mister proceder à devida análise de materialidade do valor utilizado. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15374.914693/200995 Acórdão n.º 1402003.440 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, tal análise não deve ser direta e imediatamente feita por esta C. 2ª Instância, sobre pena de supressão do iter regular processual, bem como do próprio direito de defesa da Contribuinte, devendo os autos serem remetidos à Unidade Local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindose novo Despacho Decisório, com o prosseguimento do regular do processo (garantida, inclusive, a apresentação de nova Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e todos outros apelos contemplados pela legislação). Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser os autos encaminhados à D. Unidade Local competente para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos e sistemas de informações internos da RFB. Deverá também ser retomado o curso natural e ordinário do processo administrativo após tal nova decisão." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000073/2002-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE SALDO CREDOR. INDEFERIMENTO.
Comprovada a ausência de saldo credor de IPI após confronto de débitos e créditos de IPI em procedimento de fiscalização ocasiona o indeferimento do pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3001-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE SALDO CREDOR. INDEFERIMENTO. Comprovada a ausência de saldo credor de IPI após confronto de débitos e créditos de IPI em procedimento de fiscalização ocasiona o indeferimento do pedido de ressarcimento.
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AUSÊNCIA DE SALDO CREDOR. INDEFERIMENTO. Comprovada a ausência de saldo credor de IPI após confronto de débitos e créditos de IPI em procedimento de fiscalização ocasiona o indeferimento do pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 00 73 /2 00 2- 44 Fl. 365DF CARF MF 2 Relatório Tratase de retorno do processo baixado em diligência para aguardar o julgamento do processo 13603.000976/200639 tendo em vista a sua decisão final consubstanciada no Acórdão 340100.979. O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento de efl 3 saldo credor de IPI acumulado no 3º trimestre de 2001 no valor de R$53.242,38 decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização em conformidade com o art. 11 da Lei 9.779/99. O despacho decisório, situado à fl.145 a 147, reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no Pedido de Ressarcimento no montante de R$6.553,02. A glosa parcial ocorreu em razão da apuração de irregularidades de apropriação indevida de créditos e de insuficiência de lançamento de IPI nas notas fiscais de saída, o que deu origem ao lançamento do auto de infração de IPI consubstanciado no processo administrativo fiscal 13603.000976/200639. Conjugado com esta situação, a fiscalização ainda lavrou o auto de infração, com a exigibilidade suspensa, consubstanciado no processo administrativo fiscal 13603.000977/200683 com o intuito exclusivo de prevenir a decadência. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: (i) o deferimento parcial foi concedido em virtude da suposta glosa dos créditos de IPI promovida no bojo do processo 13603.000977/200683; (ii) que o processo 13603.000977/200683 teve por objetivo obstar a decadência em virtude de decisão judicial autorizando a apropriação dos créditos em comento, entretanto não ocorreu a reconstituição da escrita fiscal da conta gráfica da manifestante; (iii) que o ressarcimento não poderia ter sido negado em virtude de o processo 13603.000977/2006 83 encontrarse com a exigibilidade suspensa; e (iv) em virtude destas informações requer seja dado provimento a manifestação de inconformidade. A DRJ de Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido conforme Acórdão no 0915.529 a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTO INDUSTRIALIZADO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. RESSARCIMENTO Indeferese o pedido de ressarcimento quando evidente a ausência de saldo credor de IPI favorável à contribuinte, porquanto todos os créditos passíveis de creditamento, sejam em razão da decisão judicial, sejam por decorrência de normas legais a que se submete a Administração Fiscal, já foram contabilizados no confronto com os respectivos débitos. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os termos dos argumentos descritos na Manifestação de Inconformidade, evidenciando ainda tratarse de novo fundamento sobre o qual não teve oportunidade de se manifestar, caracterizando cerceamento de defesa, pela supressão de instância, requerendo a anulação da decisão recorrida. Alternativamente requereu a suspensão do julgamento do processo até a análise final e irrecorrível do processo 13603.000976/200639. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13601.000073/200244 Acórdão n.º 3001000.637 S3C0T1 Fl. 366 3 A Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiu negar provimento conforme Acórdão no 20218.436 a seguir transcrito: Assunto: Imposto Sobre Produto Industrializado IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 Ementa: O direito creditório, em si, há de ser discutido no processo próprio, interposto pelo contribuinte, relativo ao pedido de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados à alíquota zero. Recurso Negado. O contribuinte apresentou Embargos de Declaração em face do Acórdão no 20218.436 alegando que houve omissão quanto ao efeito suspensivo do recurso apresentado contra a reformulação da conta gráfica nos autos do processo 13603.000976/200639, afirmando que as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, III do CTN. Diante destes Embargos, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu acolhêlo com efeitos infringentes anulando o Acórdão no 20218.436 e baixando o presente processo em diligência para aguardar o julgamento do processo 13603.000976/200639 por meio da Resolução 20201.228 de 08/05/2008. Dandose prosseguimento ao feito, diante do julgamento do processo 13603.000976/200639 cujo Acórdão foi juntado aos autos às efls 356 a 360, o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 367DF CARF MF 4 Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre glosa de crédito presumido de IPI em razão da apuração de irregularidades de apropriação indevida de créditos e de insuficiência de lançamento de IPI nas notas fiscais de saída, o que deu origem ao lançamento do auto de infração de IPI conforme explanado no relatório acima. Ficou decidido pelo sobrestamento do presente julgamento tendo em vista a necessidade de aguardar a decisão sobre a reformulação da conta gráfica constante dos autos do processo 13603.000976/200639. Em 29/09/2010 a 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu sobre o citado processo cuja ementa do Acórdão no 340100.979 transcrevo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTO INDUSTRIALIZADO – IPI Período de apuração: 10/07/2001 a 30/11/2001 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE REFRIGERANTES ESTABELECIDA PELA NOTA COMPLEMENTAR No 221 DA TIPI/98 A redução da alíquota do IPI incidente na venda de refrigerantes, estabelecida pela NC no 221 da TIPI/98, não é autoaplicável. Para que a contribuinte tenha direito a redução é necessário o cumprimento de alguns requisitos e a autorização expedida por declaração da Secretaria da Receita Federal. Recurso provido em parte” Importante destacar e relembrar a relação existente entre o pedido de ressarcimento objeto da presente demanda e o que consta do lançamento do crédito tributário consubstanciado no auto de infração do aguardado processo 13603.000976/200639. O pedido de ressarcimento de IPI foi parcialmente indeferido porque o saldo credor apurado pela recorrente ao final do 3º trimestre de 2001 não condizia com a realidade dos fatos conforme apurado em procedimento de fiscalização que analisou as obrigações tributárias relativas ao IPI no período de 01/07/2001 a 30/06/2002. No citado procedimento de fiscalização, ficaram constatadas as seguintes irregularidades em relação às entradas e saídas de mercadorias da recorrente: 1) Crédito Básico de IPI e (a) aquisição de mercadoria totalmente acabada destinada a revenda; (b) aquisição de bens para o ativo imobilizado; 2) Saída de Produtos com Insuficiência de Imposto em virtude de aplicação indevida de redução de 50% do imposto. De acordo com o Ato Declaratório Executivo no 30, de 30/05/2003, do Delegado da Receita Federal de Contagem – MG, foi concedida, com vigência a partir de 08/10/2001, a redução de 50% da alíquota de IPI de que trata a Norma Complementar (NC) 22 I da TIPI para os refrigerantes de Limão, Laranja e Guaraná por ela fabricados. Diante deste fato, a fiscalização apurou a diferença de IPI a pagar e efetuou o lançamento do auto de infração consubstanciado no processo 13603.000976/200639 e a consequente reconstituição da escrita fiscal. A decisão da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, cuja ementa foi acima reproduzida, decidiu pela manutenção do auto de infração do processo 13603.000976/200639 sustentando que a recorrente somente teria direito a redução de alíquota Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13601.000073/200244 Acórdão n.º 3001000.637 S3C0T1 Fl. 367 5 em 50% a partir de 08/10/2001 conforme reconhecido pelo Ato Declaratório, ou seja, para os refrigerantes de Limão, Laranja e Guaraná por ela fabricados. Destacou ainda que a recorrente não teria direito a redução da alíquota para os refrigerantes de cola e que, inclusive havia sido reconhecido pela recorrente. Portanto, diante da manutenção do lançamento do auto de infração do processo 13603.000976/200639, com a consequente reconstituição da escrita fiscal apurada pela fiscalização, procede a redução do saldo credor de IPI acumulado no 3º trimestre de 2001 de R$53.242,38 constante do Pedido de Ressarcimento para o montante de R$6.553,02. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 369DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903340/2015-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.741
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PIS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 40 /2 01 5- 67 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 3 No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.131 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Preliminares Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 4 A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 5 Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Do Princípio da Verdade Material Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 6 A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 7 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903340/201567 Acórdão n.º 3402005.741 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720158/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
Ementa:
LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP Nº 2158-35/2001. COLIGADA e CONTROLADA EM PORTUGAL E ESPANHA. INCONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, decidiu pela inaplicabilidade, com efeitos vinculante e erga omnes, do art. 74 da MP nº 2.158-35/2001, no caso de coligadas sediadas em países não sujeitos a tributação favorecida (não paraísos fiscais).
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÕES BRASIL-PORTUGAL E BRASIL-ESPANHA DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158-35/2001. NÃO OFENSA.
Não há incompatibilidade entre as Convenções Brasil-Portugal/Brasil-Espanha e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito.
TRATADOS INTERNACIONAIS BRASIL- PORTUGAL E BRASIL-ESPANHA.
Os Tratados firmados entre Brasil e Portugal, e entre Brasil e Espanha não impedem a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por suas controladas naqueles países.
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR.
De se permitir a compensação de tributo pago no exterior com o aqui devido, nos termos da lei.
AJUSTES REALIZADOS NO BRASIL.
De se desconsiderar os ajustes realizados no lucro após a disponibilização dos lucros. A demonstração financeira a ser considerada é aquela do país.
DESPESAS EXTRAORDINÁRIAS.
Se as despesas foram assim consideradas no país de origem, a legislação brasileira assim deve considerá-la, não cabendo ao Fisco brasileiro desconsiderá-la como tal.
RECEITA DE JUROS DE MÚTUO.
A forma como foi calculada os juros de mútuo levou em consideração o valor máximo da linha de crédito e não o valor efetivamente tomado. De se desconsiderar tal cálculo e por fim o lançamento.
CONTRATO DE MÚTUO. REGISTRO BACEN. TAXA LIBOR MAIS 3%.
Se o contrato de mútuo entre empresas ligadas foi efetivamente registrado no BACEN, e a taxa praticada é a LIBOR mais 3%, nos termos da legislação, não há que se falar em aplicação das regras de preços de transferência.
MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO.
Não tendo de uma forma geral o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, nem ficado caracterizada a tentativa de obstaculizar a fiscalização, conquanto não tenha tido condições de atendê-las plenamente descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispunha de elementos fornecidos pelo próprio contribuinte que subsidiaram à apuração da matéria tributável.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Aplicação da Súmula CARF 108. - Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-003.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em, i) Em primeira votação, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar as preliminares suscitadas, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à aplicação dos tratados, vencida a Conselheira Relatora e o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votaram por aplicar os tratados e cancelar integralmente a exigência. Por força do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 59 do Anexo II do RICARF, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild deixou de se pronunciar em relação às preliminares e a aplicação dos tratados, uma vez que as matérias tiveram sua votação encerrada na reunião de outubro de 2018, prevalecendo o voto já proferido pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) naquela sessão; e (ii) Em segunda votação, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar os ajustes referentes à sucursal de Angola, permitir a dedução do imposto pago em Portugal, cancelar as exigências referentes às variações cambiais de mútuo com controladas e à omissão de receitas de rendimentos financeiros, vencida a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite que votou por dar provimento parcial em menor extensão, mantendo a exigência referente à sucursal de Angola. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ART. 74 DA MP Nº 215835/2001. COLIGADA e CONTROLADA EM PORTUGAL E ESPANHA. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, decidiu pela inaplicabilidade, com efeitos vinculante e erga omnes, do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, no caso de coligadas sediadas em países não sujeitos a tributação favorecida (não paraísos fiscais). LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÕES BRASILPORTUGAL E BRASILESPANHA DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre as Convenções BrasilPortugal/Brasil Espanha e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. TRATADOS INTERNACIONAIS BRASIL PORTUGAL E BRASIL ESPANHA. Os Tratados firmados entre Brasil e Portugal, e entre Brasil e Espanha não impedem a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por suas controladas naqueles países. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR. De se permitir a compensação de tributo pago no exterior com o aqui devido, nos termos da lei. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 58 /2 01 3- 15 Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.402 2 AJUSTES REALIZADOS NO BRASIL. De se desconsiderar os ajustes realizados no lucro após a disponibilização dos lucros. A demonstração financeira a ser considerada é aquela do país. DESPESAS EXTRAORDINÁRIAS. Se as despesas foram assim consideradas no país de origem, a legislação brasileira assim deve considerála, não cabendo ao Fisco brasileiro desconsiderála como tal. RECEITA DE JUROS DE MÚTUO. A forma como foi calculada os juros de mútuo levou em consideração o valor máximo da linha de crédito e não o valor efetivamente tomado. De se desconsiderar tal cálculo e por fim o lançamento. CONTRATO DE MÚTUO. REGISTRO BACEN. TAXA LIBOR MAIS 3%. Se o contrato de mútuo entre empresas ligadas foi efetivamente registrado no BACEN, e a taxa praticada é a LIBOR mais 3%, nos termos da legislação, não há que se falar em aplicação das regras de preços de transferência. MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. Não tendo de uma forma geral o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, nem ficado caracterizada a tentativa de obstaculizar a fiscalização, conquanto não tenha tido condições de atendêlas plenamente descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispunha de elementos fornecidos pelo próprio contribuinte que subsidiaram à apuração da matéria tributável. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Aplicação da Súmula CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, i) Em primeira votação, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar as preliminares suscitadas, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à aplicação dos tratados, vencida a Conselheira Relatora e o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votaram por aplicar os tratados e cancelar integralmente a exigência. Por força do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 59 do Anexo II do RICARF, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild deixou de se pronunciar em relação às preliminares e a aplicação dos tratados, uma vez que as matérias tiveram sua votação encerrada na reunião de outubro de 2018, prevalecendo o voto já proferido pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) naquela sessão; e (ii) Em segunda votação, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar os ajustes referentes à sucursal de Angola, permitir a dedução do imposto pago em Portugal, cancelar as exigências referentes às variações cambiais de mútuo com controladas e à omissão de receitas de rendimentos financeiros, vencida a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite que votou por dar provimento parcial em Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.403 3 menor extensão, mantendo a exigência referente à sucursal de Angola. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório ANDRADE GUTIERREZ ENGENHARIA S/A., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, para exonerar (i) as exigências de lucros auferidos no exterior por controladas/sucursais na Argélia (integral); Peru (Const. Panorama integral); Espanha (San Sebastian parcial); e Portugal (Zagope parcial); (ii) da multa agravada de 112,5%, reduzida para 75%. Com relação aos lucros auferidos no exterior por sucursal na Colômbia, há nos autos prova de que a interessada buscou extinguir parte da obrigação por compensação, cujo cômputo de efeitos o julgador em primeira instância considerou que compete à Unidade da RFB encarregada da execução da decisão final administrativa. No mais, o lançamento foi mantido. Conforme relatório da decisão recorrida as razões do lançamento foram: Do Lançamento Tratamse de autos de infração trazer exigências de IRPJ e de CSLL, respeitante aos anoscalendário de 2008 e 2009 sob a sistemática do Lucro Real e regime de apuração anual, nos importes de R$ 77.661.786,95 e R$ 55.081.306,16, respectivamente, entre principal, multa de ofício (112,5%, tirante a glosa de base de cálculo negativa de CSLL, para o que assinalada multa de ofício no patamar de 75%) e juros de mora (esses calculados até 31/10/2013). A base tributável assinalada pela Fiscalização foi (a propósito, vide autos de infração de fls. 1178/1199): Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.404 4 1.1. O lucro auferido no exterior pela pessoa jurídica: (a) ora por via de suas sucursais sediadas em Angola, Antígua, Argélia, Colômbia, Congo e Venezuela; (b) ora por meio de pessoas jurídicas controladas pela Impugnante, então sediadas no Peru (Construtora Panorama), na Espanha (San Sebastian Participações S.L., controladora direta de Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e de Ostrava Trading e Serviços Internacionais Lda.), em Portugal (Zagope SGPS Lda.) e na Venezuela (SubVenezuela). 1.2. Quanto de receita financeira decorrente de juros ativos previstos em contratos de mútuo firmados com pessoas vinculadas sediadas no exterior (no caso, Constructora Andrade Gutierrez de CV, sediada no México, e Moldavian Corporation, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas) não reconhecido até o patamar mínimo previsto pelo art. 22, § 1º, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996). 1.3. Quanto de variação cambial ativa que deixou de ser reconhecido (não adicionado ao Lucro Líquido), assim relacionado aos ditos contratos de mútuo. 1.4. Quando de variação cambial passiva que, registrado em excesso, nessa justa porção deixou de ser adicionado ao Lucro Líquido (também relacionado aos referidos contratos de mútuo). 1.5. Saldo insuficiente da base de cálculo negativa de CSLL, a suportar a compensação levada a cabo pelo Contribuinte. 2. Consequência de tudo, ainda houve redução do volume de prejuízo fiscal acumulado até 31/12/20009 (o prejuízo fiscal acumulado até o início de 2008, no monte de R$ 40.139.544,54, considerada a compensação operada pelo próprio Contribuinte, bem que a utilização de ofício do saldo restante, isso para o fim de assimilar parte da infração verificada em 2008, foi zerado em fins desse mesmo ano). Assim se justificou a Fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal (fls. 1200/1217): Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, apresentada às fls. 1234/1358: 3.2. Prejudicialidade dos autos sob nº 16561.720200/201217 em relação ao presente feito, no segmento em que a Fiscalização, naqueles autos, levou à compensação “de ofício parcela significativa do saldo de prejuízo fiscal e a integralidade do saldo de base negativa de CSLL, existentes em 31/12/2007” (fl. 1235; destaques do original). Por outra, “a quantificação do valor da ‘matéria tributável’ do auto de infração de IRPJ e a manutenção do item 002 do auto de infração de CSLL (objeto dos presentes autos) estão condicionadas à decisão final nos autos do outro processo administrativo.” (fls. 1236/1237). 3.3. Sobre o fundamento legal da presente autuação, a dizer, o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a sua “eventual declaração de inconstitucionalidade pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL” conduzirá ao cancelamento dos “itens dos autos de infração relacionados aos supostos lucros auferidos no exterior [...]”(fl. 1240; destaques do original). Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.405 5 3.4. Não haveria previsão legal a sustentar a majoração da multa de ofício (de 75% para 112,5%) pela circunstância da alegada falta de apresentação de “alguns documento solicitados no curso da fiscalização” (fl. 1242; destaques do original). 3.5. Ao contrário do que afirma a Fiscalização, teria o Contribuinte, sim, apresentado documentação suficiente a justificar itens de despesa da ordem de US$14.396.102,00 (ano de 2008) e de US$ 3.633.188,00 (ano de 2009), assim reconhecidas na apuração do resultado da sucursal sediada em Angola. Concretamente, reitera que ditos itens de despesa, conforme documentação de suporte juntada aos autos (alguns dos quais já evidenciados à Fiscalização), diriam respeito à indenizações por desapropriações, encargo esse que a Impugnante teve de arcar para a consecução do objeto contratado com o Governo de Angola (construção da “Via Expressa Luanda/Viana”; fl. 1282). Nessa ordem de ideias, incabível o refazimento desse resultado (como processado pela Fiscalização) que, a sua vez, implicou na formação de lucro, assim levado à tributação nos correntes autos. 3.6. Em referência ao lucro gerado na sucursal sediada na Colômbia, registra que, ainda no curso do procedimento fiscal, reconhecera equívoco próprio, com o que recalculara “o IRPJ e a CSLL do anocalendário de 2008” (fl. 1250) então incidentes, e providenciara a competente liquidação (via PER/DCOMP, fls. 117, 1676/1717). Uma tal circunstância – essa é a crítica do Interessado – não fora considerada pela Fiscalização. 3.7. Em referência ao lucro gerado na sucursal sediada na Argélia, registra que a Fiscalização teria se equivocado ao indicar em seu demonstrativo de fl. 1211 o importe de $ 43.070.260,00 (moeda local) a título de lucro auferido no exterior. O correto seria$ 30.528.579,00 (moeda local), valor esse que, convertido em Reais (R$ 1.026.554,01), como reconhece a própria Fiscalização, já teria sido ofertado à tributação, como consta no corpo da DIPJ do anocalendário de 2008 (fl. 906). 3.8. Em referência ao lucro gerado na controlada sediada no Peru, registra que a Fiscalização teria se equivocado ao indicar em seu demonstrativo de fls. 1211/1212 os importes de US$ 4.141.153,00 (para o ano de 2008) e US$ 4.189.412,00 (para o ano de 2009) a título de lucros auferidos no exterior. Os valores corretos seriam, respectivamente, US$ 3.004.864,00 e US$ 3.222.900,00, montes tais que, convertidos em Reais, como reconhece a própria Fiscalização, já teriam sido ofertados à tributação, como consta no corpo das DIPJs dos anoscalendário de 2008 e 2009 (fls. 916, 1058). 3.9. Em referência ao resultado apurado na controlada San Sebastian Participações SL (sediada na Espanha), pondera que ele já traria em si os resultados de Bellerive Serviços de Consultoria Lda. bem que o de Ostrava Trading (ambas sediadas na Zona Franca de Madeira), pessoas jurídicas de sua vez controladas pela primeira. Por outra, quando a Fiscalização traz os resultados de Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e de Ostrava Trading e os acrescem ao resultado de San Sebastian (controlada diretamente pela Impugnante), corresponderia isso a duplicar a colaboração do resultado de Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e de Ostrava Trading por sobre o resultado de San Sebastian Participações SL, certo que esse último resultado, posto à vista da Fiscalização no Balanço Consolidado de fls. 568 e 571, já traria incorporado os resultados de Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e de Ostrava Trading. 3.10. Os Tratados BrasilEspanha e BrasilPortugal, ambos tendentes a evitar a dupla tributação, seriam hábeis o bastante para inquinar qualquer tentativa de se tributar resultados oriundos de controladas sediadas naqueles justos Estados (quer se Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.406 6 considere tais resultados como “lucros”, quer se os tomem por “dividendos”). Tal seria o caso das controladas San Sebastian Participações SL (Espanha) e Zagope SGPS Lda. (Portugal). Especificamente, se equivocara a Fiscalização ao recorrer, como suporte de fundamentação argumentativa, aos “comentários da OCDE a alguns dos artigos do Modelo de Tratado da OCDE para Evitar a Dupla Tributação”, certo que ditos comentários estariam vincados ao contexto das “legislações CFCs (‘controlled foreign companies’)”, a dizer, à legislação antielisiva. Essa última, de sua sorte, é própria de países que fixam a tributação de lucros auferidos no exterior tãosó a partir do momento de sua efetiva disponibilização (pagamento), e esse não é o caso do Brasil (o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, diria exatamente isso). 3.12. E, finalmente, ainda sobre à controlada sediada em Portugal (Zagope SGPS,Lda.), ponderase sobre a existência de pagamento de tributo, assim efetuado por tal controlada, de ordem a se permitir, no mínimo, a respectiva compensação. 3.13. No conjunto e enfim, a autuação teria sido construída em base precária, certo que: (a) não se precisou a matéria tributável, com o quê, ilíquido o crédito tributário apurado; (b) faltara suficiente motivação, no passo em que a Fiscalização ou deixara de analisar/juntar documentos ofertados no curso do procedimento, ou, já em conclusão dos trabalhos, deixara de arrazoar em tópico específico sobre o porquê da manutenção de acusação de não oferecimento à tributação de lucros auferidos no exterior. Tais circunstâncias comprometeriam o exercício do direito de defesa. É o que sucederia com especial evidência no caso das sucursais/controladas sediadas em Angola, na Colômbia, em Antígua, na Argélia, no Congo e na Venezuela. [...] 3.17. Desconsiderara a Fiscalização os “saldos negativos de IRPJ e de CSLL, devidamente registrados nas DIPJs dos anoscalendário de 2008 e 2009” (fl. 1244; destaques do original). Em específico, diziase d’um “saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2008, no montante de R$ 556.867,33, e do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2009, no montante de R$ 605.571,36” (fls. 1275/1276; destaques do original). 3.18. Impertinente o agravamento da multa de ofício ao patamar de 112,5%, no passo em que “a suposta não apresentação de alguns documentos solicitados no curso da fiscalização” não realizaria quaisquer das hipóteses de agravamento como previstas no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quer seja: “(I) o contribuinte não presta esclarecimentos solicitados pela autoridade administrativa no curso da fiscalização; e (II) o contribuinte não apresenta os arquivos magnéticos” (fls. 1346/1347; destaques do original). Mais até, pois a se admitir presente a circunstância do art. 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996 (“prestar esclarecimento”), faltaria prova de “práticas ardis com o evidente propósito de não colaborar com a fiscalização e impedir o conhecimento dos fatos, o que, decididamente, não ocorreu no caso concreto” (fl. 1348). 3.19. Imprópria seria a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Da decisão da DRJ Em julgamento realizado em 11 de junho de 2014, a 1ª Turma da DRJ/SPO, considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 16 58.601, (efls. 1883 e ss), assim ementado: Fl. 2406DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.407 7 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 LUCRO NO EXTERIOR. TRATADOS PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. COMPATIBILIDADE COM O ART. 74 DA MP nº 2.158 35, de 2001. Sobre Tratados para evitar dupla tributação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil já expôs sua interpretação a respeito na Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2013 (disponível no seu sítio eletrônico): não há incompatibilidade entre tais espécies normativas e o apregoado no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO NO BRASIL. MONTANTE A SER ADICIONADO. A tributação dos lucros da sucursal/controlada sediada no exterior é realizada mediante a sua adição ao lucro líquido da pessoa jurídica matriz/controladora sediada no Brasil: integralmente, quando se tratar de sucursal; ou na proporção da participação da controladora no capital social da controlada, conforme o método da equivalência patrimonial. O montante a ser adicionado ao lucro líquido da matriz/controladora brasileira é o lucro auferido no exterior antes da incidência de tributação alienígena que seria equivalente ao IRPJ e à CSLL brasileiros. LUCROS NO EXTERIOR. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ESTRANGEIRAS. ESTRUTURA INTERNA. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. QUESTIONAMENTO. POSSIBILIDADE. Os demonstrativos financeiros em que estampada a formação do referido lucro (formado no exterior) são questionáveis de per si, bem como a documentação de suporte à sua confecção, pena de redução a nada d’um trabalho de fiscalização que se pretenda minimamente sério. Cabe cancelamento da parte da autuação cujo conjunto de elementos/instrumentos com pretensão probatória se encontra harmonizado com a versão defendida pelo Impugnante. TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. REQUISITOS. Para o tributo pago no exterior poder ser compensado no Brasil o Contribuinte deve apresentar a prova de pagamento reconhecido pela autoridade tributária local e pelo consulado brasileiro ou deve demonstrar que o comprovante de pagamento apresentado está previsto na legislação estrangeira. No presente caso, o contribuinte fez prova da primeira forma no caso da controlada sediada em Portugal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ausência de motivação não se confunde com discordância sobre a motivação apresentada. Presentes os motivos (textosdocumento) e uma sua mínima Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.408 8 articulação com os comandos normativos que se crêem incidentes, eventual insuficiência do trabalho de subsunção se resolve no cancelamento da exigência, e não em reconhecimento de cerceamento do direito de defesa (rectius, declaração de nulidade do ato impugnado). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008, 2009 MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. “Não tendo de uma forma geral o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, nem ficado caracterizada a tentativa de obstaculizar a fiscalização, conquanto não tenha tido condições de atendêlas plenamente descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispunha de elementos fornecidos pelo próprio contribuinte que subsidiaram à apuração da matéria tributável.” (CARF, 1ª Sessão de Julgamento, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão 1401000.970, de 08/05/2013). JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção do IRPJ impõese também à CSLL, naquilo que for cabível, uma vez que ambos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário (efls. 1956 e ss), onde sustenta os argumentos apresentados em sede de impugnação, principalmente nos seguintes tópicos, conforme Resolução de fls. 2378: Em preliminares (item III.1), a recorrente alega a nulidade parcial da decisão recorrida por preterição do direito de defesa. Isso teria ocorrido por ausência de análise de relevantes argumentos atinentes à liquidação de valores devidos a título de IRPJ e CSLL, mediante a transmissão de Declarações de Compensação durante o curso da fiscalização. Sustenta a recorrente, desde a impugnação, que os valores assim extintos não poderiam ter sido, como o foram, objeto de lançamento de ofício. A decisão de primeira instância não se teria pronunciado sobre este autônomo e específico argumento, aí residindo a nulidade alegada. Ainda em preliminares (item III.2), a recorrente alega que teria havido alteração da motivação original do lançamento, no que respeita aos lucros auferidos pela Controlada em Portugal – Zagope SGPS. Segundo afirma, o cerne da controvérsia, no lançamento, estaria relacionado à “baixa” do ágio registrado pela Zagope SGPS relativo à aquisição do investimento na Zagope Construções, no montante de E$ 46.048 mil, efetuada para adaptar as demonstrações financeiras da Zagope SGPS às Fl. 2408DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.409 9 regras contábeis brasileiras. O entendimento da autoridade lançadora teria sido de que, de acordo com o Regime Tributário de Transição (RTT, Lei nº 11.941/2009), a “baixa” do ágio não poderia afetar o resultado da Zagope SGPS, pois deveria se neutro do ponto de vista fiscal. No entanto, a decisão recorrida terseia afastado das motivações originais do lançamento e, além de não refutar os argumentos de impugnação, teria mantido a exigência, ao fundamento (diferente) de que o valor de E$ 46.048 mil não poderia ser classificado como despesa, tendo em vista a legislação comercial brasileira, e deveria ser, assim, desconsiderado. A inovação de razões na decisão seria causa de nulidade. A interessada colaciona jurisprudência e doutrina em suporte de sua tese. Na sequência, a recorrente passa a demonstrar questões que, por sua ótica, seriam prejudiciais, impeditivas do julgamento do presente processo neste momento, até que se conclua o julgamento administrativo do processo nº 16561.720200/201217. São elas: IV.1 – Saldos de Prejuízo Fiscal e Base Negativa de CSLL No processo administrativo nº 16561.720200/201217, a autuação ali formalizada, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007, absorveu, de ofício, parcela significativa do saldo de prejuízos fiscais e a integralidade do saldo de bases de cálculo negativas da CSLL, existentes em 31/12/2007. No presente lançamento, em que se discutem fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008 e 2009, a Autoridade Lançadora partiu do saldo reduzido (retificado), do que resultaram aqui exigências maiores do que aquelas a que se chegaria com os saldos originalmente apurados pelo contribuinte. Alerta a recorrente que o julgamento naquele processo ainda não é definitivo, tendo sido proferida decisão de primeira instância e estando pendente o julgamento do recurso voluntário interposto. Entende, assim, caracterizada a prejudicialidade entre os processos, e pede o sobrestamento do julgamento deste, até decisão definitiva naquele outro. IV.2 – Tributos Liquidados no Exterior pela Controlada em Portugal (Zagope e suas Controladas) A recorrente afirma que a decisão de primeira instância proferida no processo administrativo nº 16561.720200/201217 (anocalendário 2007), teria sido reconhecido o direito da interessada à compensação dos tributos liquidados no exterior pela Zagope (e suas controladas). No entanto, esses tributos não foram abatidos dos autos de infração, “ao argumento de que, na apuração original, a Recorrente teria apurado prejuízo fiscal, o que [...] inviabilizaria a pretendida dedução [...]”. A recorrente prossegue: 51. De toda forma, e apesar de não reconhecer a dedução para o anocalendário de 2007, a 1ª Turma da DRJ/SPO consignou na r. decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 16561.720200/201217 que os tributos liquidados no exterior pela Zagope (e suas Controladas) poderiam ser deduzidos em ano calendário posteriores a 2007. Confirase: “(...) Assim, o que se reconhece oportunamente como tributo sobre a renda pago no exterior no ano de 2007, i.é, R$ 1.697.035,58, haverá de ser reservado para eventual compensação ‘com o que for devido nos anoscalendário subsequentes a 2007”. (...)” A interessada lembra, mais uma vez, que o julgamento administrativo no outro processo se encontra ainda inconcluso e acrescenta que, “se os tributos liquidados Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.410 10 no exterior pela Zagope (e suas Controladas) não forem abatidos nos autos do Processo Administrativo nº 16561.720200/201217, deverão, então, ser deduzidos nos autos do processo administrativo em referência”. Da mesma forma que no item anterior, a recorrente entende caracterizada a prejudicialidade entre os processos, e pede o sobrestamento do julgamento deste, até decisão definitiva naquele outro. No mérito, os argumentos recursais podem ser sintetizados como segue, na sequência dos tópicos que constam da peça recursal: · V.1 DA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 142 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL A recorrente caracteriza os autos de infração como “mal lavrados”, e aponta as seguintes supostas violações ao art. 142 do CTN, diante do que postula pelo cancelamento integral das exigências fiscais: · V.1.1 — Ausência de juntada aos autos e análise conclusiva de documentos relevantes apresentados no curso da fiscalização A queixa da recorrente se refere, especialmente, aos documentos relacionados às despesas incorridas pela Sucursal de Angola e à liquidação de valores a título de IRPJ e CSLL · V.1.2 Ausência de motivação adequada e específica Aqui, a recorrente se refere à acusação fiscal de não oferecimento à tributação de supostos lucros auferidos no exterior por Sucursais e Controladas (especialmente no caso de Angola, Antigua, Argélia, Colômbia, Congo, Venezuela/Sucursal e Venezuela/Controlada). · V.1.3 Da Extrapolação dos Limites Legais aos Poderes de Fiscalização em Matéria de Lucros do Exterior O trabalho fiscal, nesse aspecto, terseia dedicado a “auditar” as demonstrações financeiras de Sucursais e Controladas no exterior e, ainda, a “revisar” as demonstrações de Controladas indiretas. A Fiscalização teria chegado ao extremo de glosar despesas da Sucursal de Angola. Afirma a recorrente que que “a legislação nacional não autoriza este tipo de ‘auditoria’, e muito menos a realização de ‘ajustes’ e glosas nas demonstrações financeiras das entidades estrangeiras”. · V.1.4 Do erro de critério na apuração da suposta omissão de receita financeira e do suposto ajuste a título de preço de transferência A recorrente reclama que teria sido apurada variação cambial sobre contrato firmado em Reais. Além disso, sustenta que a mera existência dos contratos de mútuo não significa que os respectivos valores tenham efetivamente entregues aos mutuários e naquele exato montante. O Fisco teria presumido a efetiva entrega dos valores. Com isso estariam integralmente comprometidas as acusações fiscais. · V.1.5 Desconsideração de créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL No lançamento, teriam sido desprezados créditos líquidos e certos de saldos negativos de IRPJ e CSLL, devidamente registrados nas DIPJs dos anoscalendário 2008 e 2009. · IV.1.5 Ausência de aprofundamento do trabalho fiscal Tal aprofundamento seria “absolutamente necessário e imprescindível no caso concreto em função da complexidade das matérias investigadas e do volume de informações e documentos” Fl. 2410DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.411 11 · V.2 DA IMPROCEDÊNCIA DAS ACUSAÇÕES FISCAIS · V.2.1 Controlada sediada em Portugal (Zagope) Neste item, em extensa argumentação, a recorrente traz seu ponto de vista acerca: do Tratado entre Brasil e Portugal para evitar a dupla tributação (aprovado pelo Decreto nº 4.012/2001); dos objetivos dos Tratados para Evitar a Dupla Tributação; da Dupla Tributação e do Mecanismo para Evitar a sua Ocorrência; da Interpretação Particularizada da Fiscalização e da r. Decisão Recorrida, da qual diverge, afirmando que o lucro tributado por meio do presente lançamento teria sido exatamente o mesmo já tributado em Portugal pela Zagope. A recorrente traz, também, seu entendimento acerca dos “Comentários da OCDE à Convenção Modelo e da Dupla Tributação Jurídica Internacional”, mencionados pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal. Na sequência, a interessada busca afastar a eventual caracterização da tributação aqui discutida como incidente sobre dividendos fictos, pois o Tratado Brasil Portugal apenas admite a tributação dos dividendos quando efetivamente pagos. Acerca da Solução de Consulta Interna COSIT n° 18, a recorrente considera falhas suas premissas e frágeis suas conclusões. A recorrente sustenta que a Zagope não teria auferido lucro no exterior. Traz argumentos contrários à desconsideração, pelo Fisco, do valor de E$ 46.048 mil a título de “despesas não operacionais”, lembra mais uma vez que a fundamentação para a autuação, quanto a esta matéria, teria sido alterada pela decisão de primeira instância, e conclui que a autuação não pode prosperar, por pretender tributar os resultados da Zagope SGPS apurados de acordo com critérios contábeis portugueses. Pede a recorrente que, na hipótese de ser mantido o lançamento, os tributos liquidados no exterior pela Zagope (e suas Controladas) sejam compensados com os montantes objeto dos autos de infração em discussão no presente processo. · V.2.2 Controlada Sediada na Espanha (San Sebastian) A recorrente argumenta que, independentemente do montante dos supostos lucros apurados nos anoscalendário de 2008 e 2009, os arts. 7º e 23 do Tratado entre Brasil e Espanha (aprovado pelo Decreto nº 76.975/1976) não autorizam sua tributação no Brasil. Os argumentos, nesse particular, são os mesmos aduzidos quanto ao Tratado entre Brasil e Portugal, no item anterior. · V.2.3 Sucursal de Angola A recorrente sustenta que teria comprovado a formação dos “Resultados Extraordinários”, a origem das despesas suportadas pela Sucursal de Angola (indenizações” e a ausência de lucro a ser tributado aqui no Brasil. · V.3 QUESTÕES SUBSIDIÁRIAS · V.3.1 Da Tributação do Lucro da Investidora Brasileira Neste tópico, a recorrente retoma a argumentação acerca dos Tratados Internacionais para evitar a dupla tributação, e expõe seu entendimento de que, no caso concreto (Portugal e Espanha), estaria sendo tributado em duplicidade, no Brasil e em cada um daqueles países, um único e mesmo lucro. · V.3.2 Recalculo dos créditos tributários Na hipótese de manutenção dos lançamentos, a recorrente pede que sejam recalculadas as exigências, computandose os créditos provenientes dos saldos Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.412 12 negativos de IRPJ e de CSLL, nos montantes de R$ 556.867,33 (fl. 839) e R$ 605.571,36 (fl. 991), respectivamente. · V.3.3 Não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A recorrente argumenta que os juros de mora não devem incidir sobre a multa de ofício lançada, por falta de previsão legal. · V.4 Recurso de Ofício A recorrente repisa todos os argumentos de defesa constantes da impugnação, e pede o desprovimento do recurso de ofício. A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário e razões ao recurso de ofício, às fls. 2287/2343, cujos argumentos, sinteticamente são: A Fazenda Nacional se manifesta contrariamente ao pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, até decisão final no processo administrativo nº 16561.720200/201217. Seu entendimento é de que as matérias aqui discutidas podem ser decididas de forma autônoma em relação àquele outro processo. A única consequência, por sua ótica, seria quanto à definição do saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL, o que diria respeito tão somente à fase de execução da decisão administrativa proferida pelo CARF, e não à apreciação dos aspectos materiais do lançamento. No que toca aos argumentos de violação ao art. 142 do CTN, a Fazenda Nacional busca, inicialmente, fazer distinções quanto à natureza de cada uma das reclamações, e passa a refutálos individualmente. A Fazenda Nacional se dedica a demonstrar a legalidade e correção da tributação dos lucros auferidos por intermédio da Controlada em Portugal, debruçandose sobre: a qualificação dos lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas ou coligadas; a classificação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 como norma CFC; a aplicabilidade do referido art. 74 frente ao Tratado para evitar a dupla tributação firmado entre Brasil e Portugal; e a interpretação que reputa correta desse Tratado. Na sequência, são abordados aspectos específicos quanto ao lucro tributável apurado na Zagope SGPS, buscando esclarecer a correção do procedimento fiscal. No que tange aos lucros auferidos por intermédio da controlada na Espanha, pede a extensão do raciocínio desenvolvido quanto ao Tratado entre Brasil e Portugal, pelo que também aqui o lançamento deve ser considerado procedente. Afinal, a Fazenda Nacional defende a legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, calculados à taxa SELIC, e conclui com o pedido de que seja negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Da Resolução: O processo chegou ao CARF e em 06/04/2016, pelo teor da Resolução nº 1301000.322, no qual a turma unanimemente determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos, trechos da Resolução: Fl. 2412DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.413 13 Esclareço, por relevante, que, ao quantificar as exigências do IRPJ, o Fisco efetuou, de ofício, a compensação de saldos pretéritos de prejuízos fiscais acumulados, observada a limitação legal de 30% (trava). Alerta a contribuinte que, no processo administrativo nº 16561.720200/201217, a autuação ali formalizada, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007, absorveu, de ofício, parcela significativa do saldo de prejuízos fiscais e a integralidade do saldo de bases de cálculo negativas da CSLL, existentes em 31/12/2007. No presente lançamento, em que se discutem fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008 e 2009, a Autoridade Lançadora partiu do saldo reduzido (retificado), do que resultaram aqui exigências maiores do que aquelas a que se chegaria com os saldos originalmente apurados pelo contribuinte. Por relevante, informo, desde já, que o processo nº 16561.720200/201217 teve sua impugnação julgada em 11/06/2014, sendo proferido o acórdão nº 1658.600, dando provimento parcial às pretensões do contribuinte. Foram interpostos recursos voluntário e de ofício, ainda não julgados em segunda instância. Consulta realizada no sistema eprocesso revelou que, em 11/03/2016, o processo se encontrava no SEDIS/CECAP/CARF, atividade "distribuir/sortear". Como se observa, uma das infrações discutidas no presente processo (a glosa de compensação de bases de cálculo negativas da CSLL) tem sua origem em outro processo. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá. Se, por hipótese, vier a ser decidido no outro processo pela improcedência dos lançamentos feitos pelo Fisco e pela correção do quanto apurado pelo sujeito passivo, isso implicará diretamente o restabelecimento das bases de cálculo negativas de CSLL do anocalendário 2007, com efeitos sobre as glosas de compensações no anocalendário 2008, aqui discutidas. Caso, na hipótese contrária, lá vier a ser decidida a correção dos ajustes do Fisco, a decisão aqui deverá ser pela procedência das glosas em 2008. Raciocínio muito semelhante se pode fazer quanto ao IRPJ, apenas com a ressalva de que, no presente processo, não se cuida de glosa por compensações indevidas (visto que no outro processo os prejuízos fiscais foram apenas reduzidos, não completamente absorvidos), mas sim de qual deve ser o valor correto (maior ou menor) do saldo de prejuízos acumulados ao final do AC 2007, ponto de partida para que se possa determinar com precisão a exação deste processo. Ainda que a prejudicialidade acima não fosse suficiente, há que se ter em conta, também, que a decisão de primeira instância no outro processo consignou a existência de pagamentos de tributos no exterior (Portugal), que não seriam passíveis de aproveitamento naquele processo (por motivos pelos quais não cabe aqui discutir), mas que seriam, sim, passíveis de eventual compensação com o que viesse a ser devido nos anoscalendário subsequentes a 2007. Ora, também essa matéria se encontra pendente de decisão definitiva, decisão essa que virá a influenciar a decisão a ser proferida no presente processo. Com essas considerações, tenho por claro que não se há de examinar, neste processo, questões discutidas em outro processo, especificamente acerca da correção ou não dos ajustes feitos pelo Fisco na apuração do resultado do anocalendário 2007. A correção ou não de tais ajustes é objeto do processo nº 16561.720200/2012 17. Fl. 2413DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.414 14 Lá é que foi feita a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário 2007 e, por isso mesmo, lá é o foro adequado para essa discussão. Tratase de matéria prejudicial àquela a ser discutida nos presentes autos. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos deste processo sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16561.720200/201217. 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16561.720200/201217. 3. A Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado após o cumprimento da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16561.720200/201217. À fl. 2398 foi juntado o despacho de encaminhamento, informando que o PA 16561.720200/201217 se encerrou por desistência do contribuinte para fins de adesão ao PERT. Foram juntados também, às fls. 2394/2397 os extratos do sistema Sapli. Assim, recebi os autos por sorteio em 12/04/2018. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Os autos de infração trazem exigências de IRPJ e de CSLL, relativos aos anoscalendário de 2008 e 2009 sob a sistemática do Lucro Real e regime de apuração anual, nos importes de R$ 77.661.786,95 e R$ 55.081.306,16, respectivamente, entre principal, multa de ofício agravada de 112,5% e juros de mora. A base tributável assinalada pela Fiscalização foi (a propósito, vide autos de infração de fls. 1178/1199): 1.1. O lucro auferido no exterior pela pessoa jurídica: (a) ora por via de suas sucursais sediadas em Angola, Antígua, Argélia, Colômbia, Congo e Venezuela; (b) ora por meio de pessoas jurídicas controladas pela Impugnante, então sediadas no Peru (Construtora Panorama), na Espanha (San Sebastian Participações S.L., controladora direta de Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e de Ostrava Trading e Serviços Internacionais Lda.), em Portugal (Zagope SGPS Lda.) e na Venezuela (SubVenezuela). 1.2. Quanto de receita financeira decorrente de juros ativos previstos em contratos de mútuo firmados com pessoas vinculadas sediadas no exterior (no caso, Constructora Andrade Gutierrez de CV, sediada no México, e Moldavian Corporation, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas) não reconhecido até o patamar mínimo previsto pelo art. 22, § 1º, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Fl. 2414DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.415 15 1.3. Quanto de variação cambial ativa que deixou de ser reconhecido (não adicionado ao Lucro Líquido), assim relacionado aos ditos contratos de mútuo. 1.4. Quando de variação cambial passiva que, registrado em excesso, nessa justa porção deixou de ser adicionado ao Lucro Líquido (também relacionado aos referidos contratos de mútuo). 1.5. Saldo insuficiente da base de cálculo negativa de CSLL, a suportar a compensação levada a cabo pelo Contribuinte. 2. Consequência de tudo, ainda houve redução do volume de prejuízo fiscal acumulado até 31/12/20009 (o prejuízo fiscal acumulado até o início de 2008, no monte de R$ 40.139.544,54, considerada a compensação operada pelo próprio Contribuinte, bem que a utilização de ofício do saldo restante, isso para o fim de assimilar parte da infração verificada em 2008, foi zerado em fins desse mesmo ano). Assim se justificou a Fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal (fls. 1200/1217): Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SP1, que lhe foi parcialmente procedente e intimada ao recolhimento dos débitos em 10/07/2014 (AR de fl. 1954), e apresentou em 08/08/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 1956 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Há Recursos Voluntário e de Ofício. RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratarei dos assuntos na sequência para melhor disposição dos fatos. A DRJ exonerou: (i) as exigências de lucros auferidos no exterior por controladas/sucursais na Argélia (integral); Peru (Const. Panorama integral); Espanha (San Sebastian parcial); e Portugal (Zagope parcial); (ii) da multa agravada de 112,5%, reduzida para 75%. Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.416 16 Com relação aos lucros auferidos no exterior por sucursal na Colômbia, há nos autos prova de que a interessada buscou extinguir parte da obrigação por compensação, cujo cômputo de efeitos o julgador em primeira instância considerou que compete à Unidade da RFB encarregada da execução da decisão final administrativa. No mais, o lançamento foi mantido. Preliminares Da Nulidade parcial da decisão recorrida por preterição do direito de defesa Da ausência de análise de relevantes argumentos de defesa da recorrente Da alteração da motivação original do lançamento Da violação ao art. 142 do CTN Autos de Infração "mal lavrados" Pugna a recorrente pela nulidade parcial da decisão recorrida por não apreciação de argumentos trazidos pela impugnante. Segundo ela, apesar de ter demonstrado e comprovado que no curso da fiscalização transmitiu DComps, em que liquidava valores relativos a IRPJ e CSLL dos períodos autuados, acrescidos de multa de mora de 20% e juros. E que apesar de não serem espontâneos, a autoridade administrativa poderia realizar o recálculo dos tributos devidos, com o acréscimo da multa de ofício de 75%, e após a dedução dos valores liquidados formalizar a exigência de eventuais diferenças. Não entendo haver nulidade, primeiro porque houve sim considerações da DRJ acerca do assunto, veja trechos abaixo: 32. A Fiscalização apontou, nesse segmento da autuação (sucursal sediada na Colômbia), conforme demonstrativo de fl. 1211, e já tudo convertido em Reais, um lucro auferido no exterior (ano de 2008) no importe de R$ 15.665.422,31. Cifra alguma veio consignada na DIPJ (fl. 909). De consequência, o monte infracional daí decorrente ficou mesmo em R$ 15.665.422,31. De seu turno, o Contribuinte, no curso do procedimento reconhece (fl. 117): Com relação ao valor dos “Ingressos no Operacionales”, informamos que a companhia – por lapso – deixou de considerar tal resultado em sua apuração fiscal dos exercícios de 2007 e 2008. Notando tal equívoco, por ocasião da fiscalização, a companhia optou por recalcular o IRPJ e a CSLL daquele período e proceder ao pagamento da diferença devida, por compensação, conforme detalhado no Anexo VI e recibos de entrega das referidas DCOMP’s que estão gravadas no CD anexo. (destaque do original) 33. As cópias de PER/DCOMP que seguem às fls. 1676/1717 (38379.60351.200911.1.3.041387, 11639.25796.200911.1.3.049409, 34237.22750.200911.1.3.049806, 26328.14866.200911.1.3.040278, 21768.80715.200911.1.3.046897, 04807.69899.200911.1.3.045295 e 23118.27298.200911.1.3.040074) dão conta da extinção, via compensação, de CSLL referente ao ano calendário de 2008, se tudo somado, considerados apenas os montes de principal em seus valores originários, do importe de R$ 1.364.003,47. Significa: há porção da autuação (exigência tributária em si, vinculada a um tanto da dimensão infracional imputada) contra a qual abre mão o Interessado de ulterior discussão. 34. Sobre o que reconhecido pelo Contribuinte como verdadeira infração própria (isto é, o não oferecimento à tributação, aqui, no Brasil, de resultado positivo apurado na sucursal sediada na Colômbia) no curso do procedimento fiscal e, portanto, sem o beneplácito da espontaneidade, mas, diziase, sobre esse exato segmento, o auto de infração, por esse só motivo, é procedente. Não é mais dizer, o lançamento, como instrumento formalizante da exigência, é imprescindível, sem o Fl. 2416DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.417 17 que não se constituiria meio documental suficiente a prestar o necessário suporte a expedientes ulteriores afetos à cobrança. Também, a multa de rigor é a de ofício (no caso, a básica, de 75%, ou essa majorada em 50%; particular discussão que será mais a frente abordada, essa do agravamento), certo que a constituição do crédito tributário se deu em procedimento de ofício. Mais, a eventual redução dessa multa de ofício, com supedâneo no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 (à conta de pagamento/compensação/parcelamento), cumprirá ser feito por autoridade encarregada dos expedientes de cobrança, certo que não há litígio instaurado sobre a sua raiz. Segundo, é certo que se trata de execução de valores, quando posteriormente, tais valores serão abatidos daqueles considerados eventualmente devidos. Por certo também, a existência da Súmula 33 do CARF: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Outro tópico levantado diz respeito à alteração da motivação original do lançamento. No entanto, tais alegações se confundem com a de mérito, não cabendo em sede de preliminar ou com a finalidade de se declarar nulo o acórdão ou o lançamento. De igual forma, nos termos do art. 59 e 60 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a nulidade da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No que se refere ao argumento de que os autos de infração seriam "mal lavrados", o que violaria o art. 142, do CTN: (I) não juntou aos autos e não analisou conclusivamente documentos relevantes apresentados no curso da fiscalização (especialmente os relacionados às despesas Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.418 18 incorridas pela Sucursal de Angola, aos prejuízos fiscais acumulados pela Sucursal da Colômbia e à liquidação de valores a título de IRPJ e de CSLL); (II) não motivou de forma adequada e específica a acusação fiscal de não oferecimento à tributação de supostos lucros auferidos no exterior por Sucursais e Controladas (especialmente no caso de Angola, Colômbia, Camarões e Portugal); (III) extrapolou os limites legais aos poderes de fiscalização em matéria de lucros no exterior, chegando ao ponto de descabidamente glosar despesas da Sucursal de Angola; (IV) desprezou créditos (líquidos e certos) decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL, devidamente registrados na DIPJ do anocalendário de 2007; e (V) não aprofundou o trabalho fiscal, o que, aliás, era absolutamente necessário e imprescindível no caso concreto em função da complexidade das matérias investigadas e do volume de informações e documentos. Ora,, não vejo como acatálos. Basta para isso verificar o Termo de Verificação Fiscal e os próprios autos de infração. A recorrente bem entende e bem se defende, conforme se vê pela Impugnação e Recurso Voluntário apresentado, de tal forma, que como acima colocado não vislumbro ofensa aos artigos acima mencionados, que ensejassem a nulidade do lançamento, ademais, muito também se confunde com as discussões de mérito, como análise de documentação. Assim, afasto as preliminares argüidas. Antes de passar ao mérito, importante ressaltar que o presente processo foi sobrestado em razão de uma relação de prejudicialidade com o PA 16561.720200/201217, no que tange à glosa de compensação de bases de cálculo negativa de CSLL, já que quando da autuação daquele processo, o fiscal procedeu na compensação de ofício, dos saldos pretéritos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, e neste processo, partiu do saldo já retificado. É certo que esse PA, conforme site do CARF, foi julgado em 17/05/2017, tendo sido proferida a decisão através do acordão 1201001.690 (Recurso Voluntário e de Ofício), do ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, onde o Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, que dava parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para afastar a tributação do resultado em Portugal e os Conselheiros Luis Toselli e Gustavo Guimarães, que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, em maior extensão, para afastar a tributação do resultado em Portugal e reconhecer a compensação do prejuízo apurado na Colômbia até o valor de 10.665.483.000,00, em pesos colombianos. Posteriormente, conforme despacho de encaminhamento, de fl. 2398, chega a informação de que o PA 16561.720200/201217 se encerrou por desistência do contribuinte para fins de adesão ao PERT. Bem como foi juntado aos autos o extrato do SAPLI Assim, com relação ao lançamentos das glosas de compensação de base negativa de CSLL, diante da desistência do contribuinte, permanecem as glosas aqui tratadas. DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Segundo o TVF, o objetivo o tratado serve apenas para evitar a dupla tributação internacional, na medida em que a recorrente não se confunde com a pessoa de sua Fl. 2418DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.419 19 controlada direta, não haveria ofensa aos tratados quando da tributação dos lucros da recorrente, quando retratado o lucro da sua controlada direta. Alega a recorrente a aplicação dos tratados para evitar a bitributação nos casos de Portugal (Zagope) e seu art. 7º, e Espanha (San Sebastian), tendo em vista também a decisão proferida pelo STF ADI 2588. Vejamos, agora, o que decidiu, de fato, o STF por ocasião do julgamento da ADI 2.588: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos l ucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. Fl. 2419DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.420 20 Empresas coligadas à pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida não se sujeitarão à regra encartada no art. 74 da MP 2.15835/2001. Quanto aos efeitos, e a sua vinculação, inclusive, aos órgãos administrativos, vejase a decisão final extraída da ata de julgamento, reproduzida na ementa do julgado ora tratado: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.158 35/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Vejamos o que determina o art. 7º do Tratado entre Brasil e Portugal: Artigo 7º Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável. Abaixo, trechos do ilustre professor Alberto Xavier: "a conclusão de que os tratados têm supremacia hierárquica sobre a lei interna e se encontram numa relação de especialidade em relação a esta, é confirmada em matéria tributária, pelo artigo 98 do Código Tributário Nacional que, em preceito declaratório dispõe que 'os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna e serão observados pela que lhes sobrevenha'. Observase, em homenagem à exatidão, que é incorreta a redação deste preceito quando se refere a revogação da lei interna pelos tratados. Com efeito, não se está aqui perante um fenômeno abrogativo, já que a lei interna mantém a sua eficácia plena fora dos casos subtraídos à sua explicação pelo tratado. Tratase, isso sim, de delimitação da eficácia da lei que se torna relativamente inaplicável a certo círculo de pessoas e situações, limitação esta que caracteriza precisamente o instituto da derrogação e decorre da relação de especialidade entre tratados e leis. Fl. 2420DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.421 21 Cumpre notar que a supremacia hierárquica dos tratados sobre as leis internas tem com o efeito exclusivo proibir a sua revogação por leis internas subseqüentes, não sendo porém o fundamento da sua 'aplicação prevalecente'. É que, ainda que tratado e lei ordinária tivessem paridade de valor hierárquico, a aplicação prevalecente do primeiro resulta diretamente de uma relação de especialidade". Transcrevo, também, trechos do Acórdão do ilustre Conselheiro Luis Flávio Neto, 9101003.617, que trata dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil com Portugal: Em termos gerais, o compromisso assumido por Estados que celebram acordos conforme a “Convenção modelo de acordos de bitributação da Organização para a Cooperação e Dese nvolvimento Econômico”(doravante “CM OCDE”)pode ser reduzido a três aspectos fundamentais: i) cada Estado permanece legitima do à tributação da renda derivada de atividades desenvolvidas em seu território; ii) cada Est ado permanece legitimado à tributação da renda de seus residentes; iii) diante da possibilidade de cumulação dos dois itens antecedentes, cabe ao Estado da fonte restringir a tributação em algumas hipóteses, bem como deverá o Estado da residência isent ar rendimentos ou conceder crédito em relação ao imposto pago àquele primeiro, nas hipóteses em que também lhe couber a tributação. Tal como concebida, a estrutura da CMOCDE privilegia o Estado da residência, importador de capitais: (i) a renda do trabalho ou de serviços pode ser tributado no Estado em que estes são executados; (ii) a renda passiva, como juros e dividendos, podem ser tributados pelo Estado da fonte até um determinado limite; (iii) o lucro das atividades empresariais serão tributadas no Estado da residência, salvo no que se refere aos lucros atribuíveis a um estabelecimento permanente no Estado da fonte1. No coração dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil, nos moldes da CMOCDE, consta a regra de que os lucros de empresas são tributáveis exclusivamente no Estado de residência da pessoa jurídica que os aufere. É o que se dá com a regra de distribu ição de competência para a tributação dos “lucros das empresas”, prevista no tratado BrasilPortugal, em seu art. 7o : 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável. 2. Com ressalva do disposto no nº 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado, serão imputados, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento estável os lucros que este obteria se fosse uma empresa distinta e separada que exercesse as mesmas atividades ou atividades similares, nas mesmas condições ou em condições similares, e tratasse com absoluta independência com a empresa de que é estabelecimento estável. 3. Na determinação do lucro de um estabelecimento estável é permitido deduzir as despesas devidamente comprovadas que tiverem sido feitas para realização dos fins prosseguidos por esse estabelecimento estável, incluindo as despesas de direção e as despesas gerais de administração igualmente comprovadas e efetuadas com o fim referido. 4. Nenhum lucro será imputado a um estabelecimento estável pelo fato da simples compra de mercadorias, por esse estabelecimento estável, para a empresa. 5. Para efeitos dos números precedentes, os lucros a imputar ao estabelecimento stável serão calculados, em cada ano, segundo o mesmo método, a não ser que existam motivos válidos e suficientes para proceder de forma diferente. 6. Quando os lucros compreendam elementos do rendimento especialmente 1 VASCONCELLOS, Roberto França. Aspectos Econômicos dos Tratados Internacionais em Matéria Tributária, in Revista de Direito Tributário Internacional n. 1. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 155156. Fl. 2421DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.422 22 tratados noutros Artigos desta Convenção, as respectivas disposições não serão afetadas pelas deste Artigo. (...) Tendo em vista a excepcionalidade da tributação dos rendimentos atribuíveis a estabelecimento localizado no Estado da fonte, tornase relevante também observar o disposto no art. 5 (7) do acordo BrasilPortugal, que assim dispõe: ARTIGO 5O – Estabelecimento Estável ou Estabelecimento Permanente (...) 7. O fato de uma sociedade residente de um Estado Contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerce a sua atividade nesse outro Estado (quer seja através de um estabelecimento estável, quer de outro modo) não é, por si só, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento estável da outra. O mesmo se verifica em relação ao art. 5(6) do acordo BrasilEquador: ARTIGO 5O – Estabelecimento Permanente (...) 6. O fato de uma sociedade residente de um Estado Contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerça sua atividade nesse outro Estado (quer seja por intermédio de estabelecimento permanente, quer de outro modo) não será, por si só, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento permanente da outra. Por sua vez, os acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil geralmente preveem que rendimentos como dividendos possam ser tributados pelo Estado da fonte até u m determinado limite, restando ao Estado de residência exigir apenas o percentual previsto em sua legislação doméstica que exceder tal montante. É o que se dá no art. 10O da Convenção BrasilPortugal, nos seguintes termos: ARTIGO 10 – DIVIDENDOS 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2. Esses dividendos podem, no entanto, ser igualmente tributados no Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos e de acordo com a legislação desse Estado, mas se o beneficiário efetivo dos dividendos for um residente do outro Estado Contratante, o imposto assim estabelecido não excederá: a) 10% (dez por cento) do montante bruto dos dividendos, se o seu beneficiário efetivo for uma sociedade que detenha, diretamente, pelo menos 25% do capital da sociedade que paga os dividendos, durante um período ininterrupto de 2 (dois) anos antes do pagamento dos dividendos; b) 15% (quinze por cento) do montante bruto dos dividendos, nos restantes casos. As autoridades competentes dos Estados Contratantes estabelecerão, de comum acordo, a forma de aplicar estes limites. 3. O termo "dividendos", usado neste Artigo, significa os rendimentos provenientes de ações, ações ou bônus de fruição, partes de minas, partes de fundadores ou outros direitos, com exceção dos créditos, que permitam participar nos lucros, assim como os rendimentos derivados de outras partes sociais sujeitos ao mesmo regime fiscal que os rendimentos de ações pela legislação do Estado de que é residente a sociedade que os distribui. Considera se ainda que o termo "dividendos" inclui os rendimentos derivados de conta ou de associação em participação. 4. O disposto nos nºs. 1 e 2 não é aplicável se o beneficiário efetivo dos dividendos, residente de um Estado Contratante, exercer atividade no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos, por meio de um estabelecimento estável aí situado, e a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a esse estabelecimento estável. Neste caso, são aplicáveis as disposições do Artigo 7º. 5. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante obtiver lucros ou rendimentos provenientes do outro Estado Contratante, este outro Estado não poderá exigir nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto na medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou na medida em que a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento estável situado nesse outro Estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre os lucros não distribuídos, mesmo que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, total ou parcialmente, em lucros ou Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.423 23 rendimentos provenientes desse outro Estado. 6. Serão também considerados dividendos os lucros remetidos ou pagos ou creditados por um estabelecimento estável situado num Estado Contratante à empresa do outro Estado Contratante a que este pertence, sendo aplicável o disposto no nº 2, alínea a). 7. O disposto nos nºs 2 e 6 não afetará a tributação da sociedade ou do estabelecimento estável no tocante aos lucros que deram origem aos rendimentos aí mencionados. O acordo BrasilPortugal estabelece, então, que os dividendos pagos por empresa holandesa (Estado da fonte) a residente no Brasil podem ser tributados, Portugal, à alíquota máxima de 10% ou 15%, restando ao Brasil (Estado de residência) exigir apenas o percentual previsto em sua legislação doméstica que exceder tal montante, pela concessão d e crédito do imposto pago no exterior. 3. A aplicação dos acordos de bitributação e a incompetência do Brasil para exercer a tributação levada a termo no AIIM sob julgamento. A interpretação e aplicação dos acordos de dupla tributação demanda atenção para algumas peculiaridades, em especial: Primeiro, quando um acordo de dupla tributação consignar expressamente a definição de um termo nele utilizado, esse sentido acordado por ambos os Estados contratantes deverá – para fins de aplicação da referida convenção – ser adotado independentemente dos conceitos e categorias do Direito interno de seus respectivos sistemas jurídicos domésticos. Essa é a norma prescrita pelo art. 3 (1) da generalidade dos acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil, à semelhança da CMOCDE. Referida norma consta expressamente no art. 3 (1) dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador; Segundo, quando o acordo de bitributação não definir expressamente um termo utilizado em seu texto, deverá ser verificado se há evidências em seu “contexto” (intrínseco e extrínseco) quanto aos sentidos consentidos pelos Estados e, subsidiariamente, também será possível o recurso ao Direito doméstico dos Estados contratantes. Essa é a norma prescrita pelo art. 3 (2) da generalidade dos acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil, à semelhança da CMOCDE, a qual consta também nos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador; Terceiro, na interpretação dos acordos de bitributação, inclusive na seleção de evidências sobre o sentido de um termo não definido pelo acordo internacional, devem ser respeitadas as normas prescritas pela Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (Decreto n. 7.030, de 14.12.2009, doravante “CVDT”). Não se trata se trata a CVDT de mera recomendação, mas de norma cuja observância é mandatória. Quarto, inclusive diante das normas da CVDT, os sentidos mutuamente atribuídos pelos Estados contratantes aos termos de um acordo de bitributação não podem ser desvirtuados ou alterados unilateralmente pelas partes. No presente caso, em que são relevantes especialmente as normas de distribuição de competências dos arts. 7o (“lucros de empresas”) e 10o (“dividendos pagos”) dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, fazse necessário verificar quais de seus termos foram definidos no respectivo texto do tratado e, ainda,quais não o foram. O art. 10 (3), dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, define o termo “dividendos” como “rendimentos provenientes de ações ou direitos de fruição; ações de empresas mineradoras; partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capit al assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado em que reside a sociedade que realiza a distribuição”. O dispositivo segue a tradição dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil. O sentido de dividendos estabelecido nesses tratados internacionais geralmente é ma is amplo que no Direito doméstico brasileiro, de forma a abranger aquilo que em nossa legisla ção interna possui sentidos diversos, como rendimentos de “partes beneficiárias” (Lei 6.404/76, arts. 46 a 51) e distribuição lucros em razão de debêntures (Lei 6.404/76, arts. 52 a 74).7 Para fins de aplicação do acordo internacional, devem ser adotados esses conceitos mais amplos, expressos em seu texto. Embora o termo “dividendos” esteja definido Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.424 24 expressamente no art. 10 (3) dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, o seu complemento “pagos” está entre os termos não definidos em seu texto, de forma que deve ser interpretado conforme o seu “contexto” e, caso este não forneça um sentido plausível, uma definição razoável deverá ser investigada no Direito doméstico dos Estados contratantes. O art. 3 (2) do tratado internacional em questão assim estabelece: 2. Para a aplicação desta Convenção por um Estado Contratante, qualquer expressão que nela não esteja definida terá o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado, relativamente aos impostos aos quais se aplica a Convenção, a não ser que o contexto imponha interpretação diversa. Prevê os acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, então, nosso dever de investigar um sentido ao termo “pagos” (ou, em última análise, à expressão “dividendos pagos”), no contexto do próprio acordo internacional. Apenas se esse “contexto” não prover um sentido plausível ao termo do acordo, este deverá ser investigado no Direito doméstico. Repitase que o julgador administrativo – assim como qualquer aplicador do Direito tributário internacional – tem o dever de se valer de evidências presentes no “contexto” dos tratados de bitributação para a interpretação de seus termos. Não se trata de atitude discricionária, mas de medida essencial para que o acordo bilateral seja coerentemente apli cado por ambos os Estados contratantes, em conformidade com a CVDT e as demais normas do Direito internacional. Para levar a termo essa interpretação conforme o “contexto” dos acordos de bitributação, ao menos três fontes provedoras de evidências quanto aos sentidos de seus ter mos devem ser consultadas. contexto intrínseco: deve ser investigado o texto do acordo de bitributação, seu preâmbulo e anexos, documentos elaborados em conexão com o tratado, protocolos e acordos posteriores celebrados pelos Estados contratantes. Para tanto, podem ser adotadas expedientes tais como métodos de análise sintática e semântica, a interpretação do texto do acordo como um todo, testes comparativos da função e do sentido dos termos no acordo de dupla tributação como um todo, a identificação dos objetivos e propósitos do acordo a partir de detalhes de cada uma de suas partes; contexto extrínseco primário: deve ser investigada a existência de procedimentos amigáveis, dos chamados parallel treaties e, ainda, de práticas adotas pelos Estados por meio de suas autoridades administrativas, judiciárias e legislativas; contexto extrínseco secundário: deve ser investigada a existência de decisões de Cortes nacionais de terceiros Estados, doutrina dos publicistas mais qualificados das diferentes Nações, Convenção Modelo da OCDE e os seus respectivos Comentários, trabalhos preparatórios, atos unilaterais quanto à intenção dos Estados contratantes e circunstâncias relacionadas à conclusão da convenção fiscal. No presente caso, há evidências presentes tanto no contexto intrínseco quanto no contexto extrínseco dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, a s quais fornecem um claro e plausível sentido ao termo “pagos” (ou mesmo à expressão “dividendos pagos”) Assim, os lucros da controlada Zagope só poderiam ser tributados em Portugal, diante da competência exclusiva para se tributar esses rendimentos, não ocorrendo qualquer outra tributação, e aqui não se pode falar em se aplicar o art. 74 da MP 2.15835/01, já que incompatíveis. De igual forma o entendimento da DRJ. Também a recorrente refuta o argumento baseado na Solução de Consulta 18 COSIT, que trata do decidido na ADI 2588 STF, em que, por maioria de votos, entendeu que a norma brasileira se aplica às controladas de empresas brasileiras com sede em "paraíso fiscal", ou que naquelas de regime fiscal privilegiado. Assim, deixou de fora as coligadas sediadas em países com tributação normal, bem como rejeitouse a retroatividade da lei para se tributar aqueles lucros anteriores ao ano de 2002. Dessa forma, resta claro que nos casos de Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.425 25 controladas residentes em países não considerados como paraísos fiscais e coligadas em paraísos fiscais, não há decisão acerca do tema. Assim, no meu entendimento, não se aplica o art. 74 da MP 215835/01 quando da existência de tratados. Dessa forma, afasto o lançamento por estas razões. Como é sabido que o entendimento do Colegiado não é esse, avanço na análise. Ajustes realizados pela recorrente A empresa fiscalizada possuía 100% da empresa Zagope Construções. sediada em Portugal, essa empresa foi cindida em 2006, constituindose a empresa Zagope SGPS Ltd, também com sede em Portugal, posteriormente ela vendeu as ações detidas na Zagope Construções para a Zagope SGPS, diante do que, concluiu a Fiscalização, segundo o TVF que a cisão e suas justificativas ficaram sem sentido. Essa empresa Zagope SGPS tem participações em outras empresas do setor da construção civil, como na África (Angola, Argélia, Camarões, Gana, Guiné Equatorial, Mauritânia, Moçambique e República da Guiné), bem como da Europa (Portugal e Espanha). Intimada a apresentar as documentações, a Fiscalização identificou uma diferença nas demonstrações financeiras, uma vez que nas demonstrações contábeis locais apresentava lucro (E$19.456.000,00) e em reais constava um prejuízo (R$68.457.518,00) em 2008 e na DIPJ 2009/2008 um prejuízo de R$89.851.959,53. A diferença seria um despesa operacional de E$48.757.000,00, onde constava um valor de E$46.048.000,00 referente a um "Estorno de Ativo por Diferenças de Critérios Contábeis". Justifica, a recorrente, que excluiu tal valor pois a Lei 11.638/07 extinguiu a rubrica "Resultados de Exercícios Futuros" na contabilidade das empresas, realizando tal valor. A fiscalização, por sua vez, entendeu que tais modificações não têm efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, não podendo a empresa, simplesmente extinguir o saldo da rubrica REF, e sim reclassificálos para o Passivo Não Circulante, em conta representativa de receita diferida, nos termos do art. 299B, da Lei 6.404/76. Assim, pelos seguintes motivos, não considerou a despesa: Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.426 26 A DRJ, por sua vez, baseouse no art. 25, §2º, inc. I da Lei 9.249/95: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. [...] § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira (destacouse); 46. Então, já se sabe: o demonstrativo de resultado da controlada no exterior, Zagope SGPS Lda. (fl. 707, coluna à esquerda) não será assimilado ao contexto da tributação do residente nacional tal como está (fl. 707, coluna à esquerda), mas senão e apenas “segundo as normas da legislação brasileira”. 47. O art. 6º, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002, diz o mesmo: Art. 6º. As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.427 27 [...] § 2º. As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas pela filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, depois de traduzidas em idioma nacional e convertidos os seus valores em Reais, deverão ser classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, nas demonstrações financeiras elaboradas para serem utilizadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. (destacouse) 48. Então, a pergunta consequente é: no demonstrativo de resultado da controlada no exterior, Zagope SGPS Lda. (fl. 707, agora, coluna à direita), a rubrica “Despesas não operacionais”, na porção que responde por “Estorno de ativo por diferenças de critérios contábeis”, assim valorado em € 46.048.000,00 (conciliação nº 9 em nota de rodapé ao dito demonstrativo de fl. 707), e equivalente ao ágio reconhecido pela própria Zagope SGPS Lda. na aquisição das ações detidas pelo Contribuinte em Zagope Construções e Engenharia S/A, mereceria a classificação contábil de despesa, “segundo as normas da legislação comercial brasileira? A resposta é negativa. 49. D’outra forma, visualizese Zagope SGPS Lda. (estáse ciente que se trata d’uma pessoa jurídica alienígena, porém vindo seu demonstrativo de resultado para terras nacionais, há que se proceder a uma releitura das contas/subcontas ali existentes bem que das respectivas classificações contábilfiscais, como antes anotado). Essa pessoa jurídica adquiriu, numa operação intragrupo, do corrente Contribuinte as ações por ele detidas em Zagope Construções e Engenharia S/A (também pessoa jurídica alienígena). Por outra, Zagope SGPS Lda. adquiriu participação societária em Zagope Construções e Engenharia S/A e pagou/reconheceu ágio na respectiva operação. Segundo as normas da legislação brasileira (é o que se tem a fazer, conforme preceituado pelo art. 25, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.429, de 1995, e pelo art. 6º, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002), não há, aí, despesa incorrida e suportada por Zagope SGPS Lda., a menos: (1) de alienação do dito investimento por parte de Zagope SGPS Lda., por similaridade à legislação brasileira (art. 391, parágrafo único, do RIR/99), circunstância não demonstrada (a de alienação do investimento assim detido por Zagope SGPS Lda.); ou (2) de permissivo na legislação portuguesa que autorize tomar dito ágio como a concorrer, de pronto e de uma só vez, na formação do “lucro líquido” de Zagope SGPS Lda. em 2008, sendo tal monte, “antes de descontado o tributo pago no país de origem” (art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002), a base de cálculo do que a adicionar “ao lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica no Brasil” (art. 1º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002), circunstância essa também não demonstrada. 50. Não há que se confundir: uma coisa é a tributação do lucro auferido no exterior por pessoa jurídica domiciliada no Brasil por conta de suas filiais/sucursais sediadas no exterior; outra é o regime jurídico dispensado ao resultado (positivo ou negativo) da equivalência patrimonial assim apurado por pessoa jurídica domiciliada no Brasil em face de controlada/coligada sua sediada no exterior. Essa distinção é bem evidente no corpo do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, mencionado pelo Interessado: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.428 28 I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. § 7º. Os lucros serão apurados segundo as normas da legislação comercial do país de domicílio. (incluído pela Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013) 51. Então, vejase: a mecânica da equivalência patrimonial tem seu lugar garantido, mas “sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º” do art. 25 da Lei nº 9.249, 1995, isto é, sem prejuízo da tributação do lucro auferido por filial, sucursal, controlada ou coligada sediada no exterior. Em outras palavras: um tal lucro será tributado, sem intercorrência de qualquer ordem a respeito de resultados apurados via equivalência patrimonial (um tal resultado, a sabendas, não é computado na determinação do Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.429 29 lucro real, como o prediz o caput do art. 389 do RIR/99: “A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV)." Ressaltese aqui, também outros pontos levantados pela recorrente. A venda da sua participação na Zagope Construções para a Zagope SGPS pelo valor de E$89.000.000,00 foi definida com base em avaliação realizada por instituição financeira portuguesa, tal operação gerou um ganho de capital de R$129.868.350,00, devidamente incluídos nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL de 2006. Que se utilizou das normas brasileiras para fazer o ajuste, quando ajustou os critérios contábeis estrangeiros para os brasileiros. Que o valor considerado como despesa não operacional corresponde ao ágio de períodos anteriores e que adaptados aos critérios brasileiros foram "baixados" em 2008, em razão das novas regras contábeis. Cita inclusive que em razão do não reconhecimento de ágio decorrente de operações entre empresas do mesmo grupo. Nesse ponto, alinhome ao entendimento esposado no próprio lançamento. Se o ajuste se deu para fins da Lei 11.638/07 conforme apresentação juntada às fls. 247, a mesma baixa não poderia gerar efeitos para fins fiscais. Ademais, se como a própria recorrente reconhece tal despesa como sendo decorrente de "ágio interno", empresas do mesmo grupo, tal valor também não pode ser considerado como uma despesa dedutível. Assim, de se manter o ajuste efetuado pela fiscalização. Compensação de tributos pagos no exterior Neste ponto, relativo ao lucro da controlada em Portugal, Zagope, há um item que se refere ao aproveitamento do tributo lá pago, nos termos do art. 26§2º. da Lei 9.249/95: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. [...] § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. (destacouse) A DRJ reconheceu, após uma minuciosa verificação da documentação e cálculo, um montante de R$12.349.648,43 para o ano de 2008: Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.430 30 E com relação ao ano de 2009, de igual forma, reconheceu R$431.752,45: Ademais, aqui importante ressaltar outro ponto, decorrente do PA já mencionado que tratou do anocalendário de 2007, em que não foi permitido compensar o Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.431 31 imposto pago em 2007 já que o resultado havia sido negativo, mas o permitia fazer em anos subsequentes. Como tal decisão restou definitiva, de se permitir que tais valores sejam compensados em 2008 ou subsequentes. Dessa forma, entendo serem passíveis de compensação os tributos pagos em Portugal no ano de 2008. De igual forma para o ano de 2009 diante da documentação apresentada. San Sebastian Participações SL, Bellerive Serviços de Consultoria e Ostrava Tradig e Serviços Internacionais LTD (Espanha) Com relação aos argumentos relativos aos Tratados apresentados pela recorrente, reforço os mesmos já apresentados para Portugal acima. A decisão recorrida acatou argumentos da recorrente relacionados ao montante tributável, conforme se vê abaixo: 36. Nesse espaço, o viés de discórdia é de natureza interpretativa sobre os elementos que compõem as demonstrações financeiras de fls. 568 e 571, intituladas “SAN SEBASTIÁN PARTICIPAÇÕES S.L. – MEMÓRIA ESTADO DE GANÂNCIAS Y PERDIDAS SEGÚN I.F.R.S. (CONSOLIDADO), AL 31 DE DICIEMBRE DE 2008 [e de 2009, também] EXPRESADO EN EUROS”. Acresçase: não se discute o foro íntimo dos elementos que, juntos, deram origem a ditos demonstrativos. Por outra, o ponto de partida – tornado inconteste – são tais demonstrativos e/ou outros elementos (digase, mais demonstrativos, como os de fls. 299/608, relativos à Bellerive Serviços de Consultoria Lda., e de fls. 610, 650, relativos a Ostrava Trading, ambas controladas por San Sebastian Participações S.L.) que com eles se harmonizam. Nessa senda, pelo princípio da indivisibilidade da prova, como positivado no art. 373, parágrafo único, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil – CPC, segundo o qual o documento (precisamente, o de fl. 506) deve ser interpretado como um todo incindível, serve ele (documento) também em proveito do Contribuinte. É o que se verá. 37. A interpretação do Contribuinte merece ser prestigiada. Reproduzase o demonstrativo de fl. 568, referente ao anocalendário de 2008 (a ele foram acrescidas marcas/numeração em colunas para efeito de tornar mais fácil a explicação que se segue): Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.432 32 38. Nos dizeres do art. 1º, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002, os “resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica (Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e Ostrava Trading), na qual a filial, sucursal, controlada (San Sebastian Participações S.L.) ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada (San Sebastian Participações S.L.) ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil” (destacouse). 39. Ora, à míngua de maiores e específicas considerações por parte da Fiscalização, sem mais outros documentos juntados aos autos, são os elementos sob a coluna 8 (“CONSOLID.”), na reprodução acima, que melhor respondem ao dito comando normativo. Pelo que se vê, a coluna 3 (última linha) dá conta da apuração do resultado de San Sebastin Participações S.L. já incluída a participação dessa última em Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e Ostrava Trading, via equivalência patrimonial, expressamente referida no demonstrativo em consideração por “Efecto ValoracionEquivalencia patrimonial” (lembrese que o demonstrativo não foi intrinsecamente questionado). Já as colunas 4 e 5 (sempre última linha) coligem as participações de San Sebastian Participações Lda. nos resultados líquidos de Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e Ostrava Trading, respectivamente. Tais montantes, como indicado no coluna 7 (última linha), cumprem ser “ELIMIN” (leia se: subtraídos, em seu efeito líquido, i.é, € 4.665.351,00 – € 29.013,00 = € 4.636.338,00) da totalização expressa na coluna 6, certo que já considerados pela equivalência patrimonial. Enfim, se houve lucro auferido no exterior nesse segmento, tal foi de € 4.683.009,00, já oferecido à tributação (pelo menos em parte), como o reconhece a própria Fiscalização em seu demonstrativo de fl. 1211. No caso, o Contribuinte informava em sua DIPJ do anocalendário de 2008 um monte de R$ 12.283.433,23 (fl. 920) a esse justo título, quantia essa que, convertida à taxa de câmbio usada pela Fiscalização – R$ 3,23815 a cada 1€ – remonta o importe de € 3.793.349,05. Logo, com respeito à controlada sediada na Espanha e para o ano calendário de 2008, procede a identificação d’um monte infracional equivalente a € 889.659,95 (= € 4.683.009,00 € 3.793.349,05), ou seja, R$ 2.880.852,37 (= € 889.659,95 * R$ 3,23815/1€). 40. Também para o ano de 2009, seguese o mesmo. À míngua de maiores e específicas considerações por parte da Fiscalização, sem mais outros documentos juntados aos autos, são os elementos sob a coluna “CONSOLID.” do demonstrativo de fl. 571, que melhor respondem ao comando normativo veiculado no art. 1º, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002. Pelo que ali se vê, “SSINV. IND. IFRS” (última linha) dá conta da apuração do resultado de San Sebastin Participações S.L. já incluída a participação dessa última em Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e Ostrava Trading, via equivalência patrimonial, expressamente referida no demonstrativo em consideração por “Efecto ValoracionEquivalencia patrimonial” (lembrese que o demonstrativo não foi intrinsecamente questionado). Já as colunas “BELLERIVE” e “OSTRAVA” 4 e 5 (sempre última linha) coligem as participações de San Sebastian Participações Lda. nos resultados líquidos de Bellerive Serviços de Consultoria Lda. e Ostrava Trading, respectivamente. Tais montantes, como indicado no coluna “ELIMIN” (última linha), cumprem ser subtraídos (em seu efeito líquido, i.é, € 2.622.975,00 – € 788.879,00 = € 1.834.096,00) da totalização expressa na coluna “SUMA”, certo que já considerados pela equivalência patrimonial. Enfim, se houve lucro auferido no exterior nesse segmento, tal foi de € 2.249.724,00, já oferecido à tributação (pelo menos em parte), como o reconhece a própria Fiscalização em seu demonstrativo de fl. 1212. No caso, o Contribuinte informava em sua DIPJ do anocalendário de 2009 um monte de R$5.638.546,54 (fl. 1064) a esse justo título, quantia essa que, convertida à taxa de câmbio usada pela Fiscalização – R$ 2,50733 a cada 1€ – remonta o importe de € Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.433 33 2.248.825,06. Logo, com respeito à controlada sediada na Espanha e para o ano calendário de 2009, procede a identificação d’um monte infracional equivalente a € 898,94 (= € 2.249.724,00 € 2.248.825,06), ou seja, R$ 2.253,94 (= € 898,94 * R$ 2,50733/1€). 41. Em resumo, nesse tópico: a) para o anocalendário de 2008, a dimensão infracional fica reduzida de R$ 9.084.208,18 para R$ 2.880.852,37; e b) para o anocalendário de 2009, uma redução de R$ 12.340.038,02 para R$ 2.253,94. Entendo que não merece reparos a decisão neste ponto, cujo resultado foi objeto de recurso de ofício. Sucursal Angola Conforme o TVF: A recorrente alegou que comprovou a composição da conta "resultados Extraordinários", referemse a valores negativos de US$14.396.102,00 e US$3.633.188,00 e referemse a indenizações que a recorrente teve que suportar em função de desapropriações efetuadas para viabilizar o cumprimento de Contrato com o Governo de Angola. A decisão recorrida manteve o lançamento, pois em sua visão os documentos apresentados apontam que as despesas incorridas ocorreram a nome e à conta do Governo de Angola, e não uma despesa da sucursal e relacionada à produção de receita. 16. Em conclusão: a despeito do indício anotado no parágrafo 13 retro, a partir da documentação antes referenciada, não se consolida prova de que a sucursal sediada em Angola haja suportado, nos anos de 2007, 2008 e 2009, os importes de US$ 3.155.764,00, US$ 14.396.101,81 e US$ 3.633.188,44 a título de despesa/custo à conta de indenizações/expropriações. Se e quando a sucursal sediada em Angola desembolsou numerário para referido desiderato, o fez a nome e à conta do Governo de Angola, nada relacionado, portanto, com algum custo, alguma despesa vinculada à produção de receita. Custo/despesa, d’um lado, e receita d’outro, como relacionados no demonstrativo financeiro de fls. 133/134 dos autos sob nº 16561.720200/201217, estão imbricados (necessariamente imbricados) pela particular exploração econômica do objeto referido no “CONTRATO DE CONSTRUÇÃO DA VIA EXPRESSA LUANDA/VIANA”; os importes de US 3.155.764,00, US$ 14.396.101,81 e US$ 3.633.188,44 vindos depois da relação de custos/despesas, depois mesmo de apurado o resultado do exercício, mais as considerações acima, os transmutam em elementos de estraneidade. Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.434 34 Ademais, se lá em Angola tais despesas foram assim consideradas, não cabe à fiscalização brasileira descaracterizála como tal. É certo que a legislação brasileira não adentraria nas normas contábeis daquele país para dizer o que é despesa ou não. E assim dispõe a norma: Art. 6º As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. Afora isso, os contratos trazidos comprovam que a sucursal de Angola, juntamente com o Governo de Angola se incumbiu de realizar obra denominada "Via Expressa Luanda/Viana", e à sucursal obrigada a suportar as indenizações decorrentes de desapropriações efetuadas para a realização das obras. (fls. 1558 e ss e adendos 2281) No meu entendimento, em que pese os argumentos que mantiveram o lançamento, claro está pelas documentações apresentadas, que tais despesas foram da Sucursal Angola, que mediante contrato se obrigou a indenizar os proprietários para realização das obras. Fato este que está intrinsecamente ligado à atividade da empresa construção civil. (1441 e ss) Ressaltese, ainda, que no meu pensar, se uma parte não se encontra comprovada como despesa, posto que ela é necessária para a prática da sua atividade, deveria a fiscalização indicar quais não aceitaria e não a totalidade da despesa, visto ainda, que a documentação apresentada o foi feita em bases amostrais, (acima de 100.000,00) conforme intimação 3. Assim, de se afastar esses ajustes. Sucursal na Argélia Aqui o lançamento foi afastado pela DRJ, portanto sujeito ao Recurso de Ofício. Seguem as razões da decisão: Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.435 35 18. Nesse ponto, à míngua de maiores e específicas considerações por parte da Fiscalização, sem mais outros documentos juntados aos autos, seguese por fé a explicação do Contribuinte. 19. De fato, à fl. 284 consta um demonstrativo – “TABLEAU DES COMPTES DE RESULTATS” – do qual se retira: “RESULTAT FISCAL DE L’EXERCICE” no importe de $ 43.070.260,00 (moeda local). Tal valor, ainda com referência ao mesmo demonstrativo, provém d’uma adição sobre a rubrica “RESULTAT COMPTABLE DE L’EXERCICE”, esse no monte de $ 30.528.579,00 (moeda local), a dizer, a adição de $12.541.680,00 (moeda local), isso à conta de “Provisions non déductibles ou laissées sans emploi pendant l’exercice”. 20. Enfim, o que se está a decidir aqui é sobre a natureza do lucro que, apurado no exterior, há de ser adicionado ao lucro líquido da controladora/matriz sediada no Brasil. É o lucro contábil; não o fiscal. É que se deduz da letra do caput do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. (destacouse) 21. Vejase, a referência é expressa sobre a morada natural de onde se retira o resultado que, formado no exterior, há de ser adicionado ao lucro líquido da controladora/matriz sediada no Brasil: tal rubrica/importe está no balanço, elemento de natureza contábil, e não fiscal. 22. Razão, pois, ao Contribuinte nesse justo ponto. 23. A autuação, conforme demonstrativo de fl. 1211, e já tudo convertido em reais, consignou que, nesse segmento, o lucro auferido no exterior fora de R$ 1.448.280,56 para o ano de 2008 (resultado da conversão de $ 43.070.260,00, na moeda local), do que subtraído R$ 1.026.554,01 (o tanto declarado em DIPJ como disponibilizado, conforme fl. 906), restara como base de cálculo autuável o importe de R$ 421.726,55. Esse valor, a efeito do arrazoado acima, deve ser excluído do monte infracional atribuído ao ano de 2008 e no patamar de R$ 143.240.713,16. Sem outras considerações, vejo que o decidido mostrase lídimo. O valor tributável já havia sido oferecido à tributação, assim, de se negar provimento ao Recurso de Ofício. Controlada No Peru (Constructora Panorama S.A.) Aqui também, o lançamento foi afastado pela DRJ, portanto sujeito ao Recurso de Ofício. Seguem as razões da decisão: 24. Nesse espaço, o viés de discórdia é de natureza interpretativa sobre os elementos que compõem as demonstrações financeiras de fls. 407 e 416, intituladas “CONSOLIDADO PANORAMA BRGAAP – ESTADO DE GANANCIAS Y PERDIDAS 31/dez/08 [e] 31/dez/09”. Acresçase: não se discute o foro íntimo dos Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.436 36 elementos que, juntos, deram origem a dito demonstrativo. Por outra, o ponto de partida – tornado inconteste – são tais demonstrativos. Nessa senda, pelo princípio da indivisibilidade da prova, como positivado no art. 373, parágrafo único, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil – CPC, segundo o qual o documento (precisamente, os de fls. 407 e 416) deve ser interpretado como um todo incindível, serve ele (documento) também em proveito do Contribuinte. É o que se verá. 25. A interpretação do Contribuinte merece ser prestigiada. Reproduzase parte do demonstrativo de fl. 407 (o de fl. 416 é equivalente, apenas que afeto ao ano de 2009; na reprodução abaixo foram acrescidas marcas/numeração em colunas para efeito de tornar mais fácil a explicação que se segue): 26. Nos dizeres do art. 1º, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002, os “resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica (na espécie, o Consórcio “Constructor Tramo 4”, referido no demonstrativo acima pela sigla CCT4, no qual tomaram parte Camargo Correa Peru S.A. Ingenieria Y Construcciones, Constructora Panorama S.A. e Constructora Recife S.A.C., sendo certo que a participação de Constructora Panorama S.A. é equivalente a 33% do negócio, tudo conforme documentos de fls. 417/437), na qual a filial, sucursal, controlada (Constructora Panorama S.A.) ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada (Constructora Panorama S.A.) ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil” (destacouse). 27. Ora, à míngua de maiores e específicas considerações por parte da Fiscalização, sem mais outros documentos juntados aos autos, são os elementos sob a coluna 5 (“CONSOLIDADO.”), na reprodução acima, que melhor respondem ao dito comando normativo. Pelo que se vê, a coluna 1 (antepenúltima linha) dá conta da apuração do resultado de Constructora Panorama S.A. já incluída a participação dessa última no consórcio CCT4, via equivalência patrimonial, expressamente referida no demonstrativo em consideração por “Resultado Ingresso (Gasto) Equivalencia Patrimonial” (lembrese que o demonstrativo não foi intrinsecamente questionado). Já a coluna 2 (antepenúltima linha) colige a participação de Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.437 37 Constructora Panorama S.A. no lucro líquido do consórcio CCT4, montante esse que, na coluna 4 (antepenúltima e já considerada a “Provisión para Impuesto a la renda” a que responde o consórcio CCT4, no importe de US$ 555.520,00) cumpre ser “ELIMIN” (leiase: subtraído), certo que já considerado pela equivalência patrimonial. Enfim, se houve lucro auferido no exterior nesse segmento (ano de 2008), tal foi de US$ 3.004.864,00, já oferecido à tributação, como o reconhece a própria Fiscalização em seu demonstrativo de fl. 1211. No caso, o Contribuinte informava em sua DIPJ do anocalendário de 2008 um monte de R$7.019.964,01 (fl. 916) a esse justo título, quantia essa que, convertida à taxa de câmbio usada pela Fiscalização – R$ 2,337 a cada 1US$ – remonta o importe de US$ 3.003.835,69 (em nota ao demonstrativo de fl. 404 vêse que o Interessado valorara a taxa de câmbio em R$ 2,3362 para cada 1US$, circunstância que explica a diferença entre US$ 3.004.864,00 e US$ 3.003.835,69). 28. Igual raciocínio cabe tendose em referência o demonstrativo de fl. 416. Se houve lucro auferido no exterior nesse segmento (ano de 2009), tal foi de US$3.222.900,00, já oferecido à tributação, como o reconhece a própria Fiscalização em seu demonstrativo de fl. 1212. No caso, o Contribuinte informava em sua DIPJ do anocalendário de 2009 um monte de R$ 5.611.712,92 (fl. 1058) a esse justo título, quantia essa que, convertida à taxa de câmbio usada pela Fiscalização – R$ 1,7412 a cada 1US$ – remonta o importe de US$ 3.222.899,68 (ou seja, a menos de aproximação centesimal, o mesmo que US$ 3.222.900,00). 29. A autuação, conforme os multicitados demonstrativos de fls. 1211/1212, e já tudo convertido em reais, consignou que, nesse segmento, o lucro auferido no exterior fora de: a) para o ano de 2008, R$ 9.677.874,56 (resultado da conversão de US$ 4.141.153,00), do que subtraído R$ 7.019.964,01 (o tanto declarado em DIPJ como disponibilizado, conforme fl. 916), restara como base de cálculo autuável o importe de R$ 2.657.910,55; b) para o ano de 2009, R$ 7.294.604,17 (resultado da conversão de US$ 4.189.412,00), do que subtraído R$ 5.611.712,92 (o tanto declarado em DIPJ como disponibilizado, conforme fl. 1058), restara como base de cálculo autuável o monte de R$ 1.682.891,25. Esses valores, a efeito do arrazoado acima e respectivamente, devem ser excluídos dos montes infracionais originalmente dimensionados em R$ 143.240.713,16, para o ano de 2008, e R$ 92.385.871,74 para o ano de 2009. Da mesma forma que no item anterior, verificase que o valor tributável já havia sido oferecido à tributação, assim, de se negar provimento ao Recurso de Ofício. Da Sucursal sediada na Colômbia Neste caso, a recorrente já havia realizado a compensação de valores que entendia correto, ainda que no curso da Fiscalização, o fez com multa de mora de 20% e juros de multa. É certo que tais valores serão considerados em sede de execução. Dos contratos de mútuo Segundo o TVF, a recorrente celebrou dois contratos de mútuos, uma com a Construtora Andrade Gutierrez de CV (México) e outra com a Moldavian Corporation (Ilhas Britânicas), ambas figurando a recorrente como mutuante. Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.438 38 Relata, ainda, que tais contratos não foram objetos de registro junto ao Banco Central. Que em análise dos lançamentos contábeis relativos à variação cambial verificou que o contribuinte reconheceu como receita financeira um valor a menor de variação cambial ativa e como despesa um valor maior (Anexos I a IV), diante da diferença tratou de lançálos, com base nos art. 375, 378 do RIR/99, art. 22, 28 da Lei 9430/96. A DRJ manteve o lançamento nos seguintes termos: 66. Nesse ponto, a argumentação do Contribuinte tende a confundir o direito nascido de ajuste contratual com a execução desse mesmo direito. Essas instâncias pertencem a planos distintos do fenômeno jurídico, ainda que referidas num mesmo suporte documental (contrato). Nessa peça (o contrato), primeiro se fixa seu objeto, i.é, direitos (e correspectivos deveres) atribuídos a tal e qual parte (plano da existência e validade do negócio jurídico); depois e só depois, dirseá nele sobre como haverão de ganhar concretude os direitos/deveres ali atribuídos (plano da eficácia). 67. Explicase mais. 68. É verdade que os contratos de mútuo que o presente Interessado firma com Moldavian Corporation (controlada indireta sediada nas Ilhas Virgens Britânicas) e Constructora Andrade Gutierrez S.A. de CV (subsidiária integral sediada no México) carregam, quando fazem referência aos seus objetos, a locução de até, no que importa à fixação d’um limite de direito de crédito conferido da primeira (mutuante) para as segundas (mutuárias): (1) “[...] the Lender shall lend to the Borrower and Borrower shall borrow from the Lender, an aggregate principal amount of up to R$ 10.000.000,00 [...]”; (2) “La MUTUANTE, en este acto, pone a disposición de la MUTUATARIA una línea de crédito por un monto de hasta US$ 15.000.000,00...[...] (fls. 807, 814; destaques acrescidos). Mas isso não importa qualquer espécie de condicionante ao monte compromissado. A mutuante comprometeu porção de seu patrimônio, criou (aquiesceu com isso contratualmente) restrição ao pleno gozo do direito de propriedade que guarnecia aquela justa porção de seu patrimônio. Os direitos de uso, gozo, fruição e sequela (que compõem o direito de propriedade) não estão mais presentes em sua inteireza por sobre o objeto contratado (o qual, no mínimo, experimentará uma nova classificação contábil, que, de per si, é indicativa dessa mudança de status do direito em mira). 69. Agora, sobre o como e quando as partes vão se portar para dar consecução ao traslado do direito posto em destaque nos contratos referidos, tal já se constitui numa série de expedientes próprios ao plano da eficácia, a concretude mesma do que avençado. Assim é a circunstância de se migrar o numerário referido todo d’uma vez ou em parcelas. 70. D’outra sorte, o aspecto de o contrato de mútuo com Moldavian Corporation referirse à espécie Reais não lhe retira a sua natureza de base, i. é, de se tratar d’uma operação financeira de foro internacional, circunstancialmente conduzida por meio de transferência internacional de moeda nacional (ao invés de, como de ordinário se vê, de transferência da própria moeda estrangeira). Tanto é assim que, com respeito a dito contrato, o próprio Contribuinte, como levado em conta pela Fiscalização no demonstrativo de fls. 1220/1221, no ano de 2008, reconheceu o importe de R$ 180.012,50 a título de variação cambial ativa (deveria têlo feito em R$ 2.330.083,43). Reiterese: ainda que o contrato de mútuo com Moldavian Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.439 39 Corporation tenha tido por estímulo o fato de que “some of the Borrower’s employees are Brazilians (‘Employees’) and wish to receive a portion of their payments in Brazil”, com o que “Each disbursement of the Loan shall be made in Reais, as requested by the Borrower, and delivered by the Lender directly to the Employees, […]”, transferência internacional de moeda nacional houve, no mínimo escrituralmente para efeito dos devidos registros contábeis na mutuária (fl. 814). 71. Mantida, pois, a autuação nesse ponto. Segundo a recorrente, os contratos estabeleciam linhas de crédito de no máximos de R$10.000.000,00 e de US$15.000.000,00, com previsão de entrega até dez/15. Ressalta que o valor foi estipulado em Reais e por isso não haveria que se falar em variação cambial. E que o valor registrado contabilmente como tal foi equivocado. O contrato com a controlada mexicana encontrase às fls. 807, e está clara a disponibilização de uma linha de crédito de até US15.000.000,00, por um período de 3 anos. Já o contrato com a Moldavian Corporation consta de fls. 814 e ss, e de igual forma disponibiliza uma linha de crédito de até R$10.000.000,00, até dez/15. E os cálculos efetuados pela fiscalização (fls. 1218 e ss) de fato demonstram que o que gerou a diferença de tributação foi que ele leva em conta que o valor disponibilizado é o máximo. O que de fato não aconteceu. Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.440 40 O fato de se possuir uma linha de crédito não quer dizer que aquele valor foi emprestado, mas sim que se tem um valor disponibilizado e pronto para ser utilizado, assim que requerido. Não é correto que se calcule juros e variação cambial sobre um valor que não foi emprestado. Concordo também, que no caso da Moldavian, o valor foi expresso em reais, não havendo que se falar em variação cambial, e de fato não é isso que gera a diferença no cálculo do Fiscal. Entendo que aqui não se trata de ajustes de preço de transferência, já que em que pese os contratos não estarem registrados no Banco Central, os mesmos possuem como taxa de juros aquela determinada legalmente Taxa LIBOR mais 3% art. 22, da Lei 9430/96. Art. 22. Os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base em taxa determinada conforme este artigo acrescida de margem percentual a título de spread, a ser definida por ato do Ministro de Estado da Fazenda com base na média de mercado, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) Produção de efeito § 1º No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo o valor apurado segundo o disposto neste artigo. § 2º Para efeito do limite a que se refere este artigo, os juros serão calculados com base no valor da obrigação ou do direito, expresso na moeda objeto do contrato e convertida em reais pela Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.441 41 taxa de câmbio, divulgada pela Banco Central do Brasil, para a data do termo final do cálculo dos juros. Assim, diante dos diversos pontos acima tratados, entendo que esses lançamentos devem ser afastados. Multa agravada de 112,5% A Fiscalização aplicou a multa agravada de 112,5% baseado no art. 44, §2º, I, da Lei 9430/96: Art. 44. [...] § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) O acórdão recorrido tratouse de reduzila para o patamar básico de 75%, segundo essas razões: 76. Se o Contribuinte, como no presente caso, vem de apresentar muito texto explicativo a bastante documentação trazida aos autos (vejamse as fls. 55/827: estáse, portanto, na casa da centena), se tais textos/documentos serviram de estímulo à própria Fiscalização para mais inquirir, se a autuação, enfim, vem a lume com base no que até ali apresentado, então não é o caso de “não atendimento pelo sujeito passivo [...] para prestar esclarecimentos”. Insuficiência do objeto demandado (a juízo da Fiscalização) não pode ser confundido com plena falta desse mesmo objeto, circunstância que, sim, obstacularizaria o evolver conclusivo de qualquer procedimento fiscal fundamentado naquilo que mais imediatamente (e que como sói acontece e assim se espera de ordinário) retrata a matéria tributável. Nesse passo, concordase com o Contribuinte e, permissa venia, tornase a citar julgado do CARF por ele referido (CARF, 1ª Sessão de Julgamento, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão 1401000.970, de 08/05/2013): Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.442 42 Ora, conforme se vê da documentação acostada aos autos não há como justificar o agravamento da multa sob o argumento de que não houve a prestação de informações. As respostas, e digase de passagem, diversas respostas, estão todas lá, das páginas 107 a 806!!! Talvez para o fiscal não tenha sido o suficiente, razão pela qual o autuou, mas vejo que não é cabível tal agravamento. Assim, de se negar o Recurso de Ofício. Juros sobre a multa de ofício Há requerimento por parte da recorrente de se afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, entretanto, diante da edição da recente Súmula deste CARF 108, a aplico. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER dos Recursos de Ofício e Voluntário, afastar as preliminares arguidas, e no mérito NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.443 43 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior Redator designado Não obstante o laborioso voto da ilustre Conselheira Relatora, ouso divergir do entendimento de que existe incompatibilidade entre os tratados internacionais celebrados nos moldes da convenção modelo da OCDE e o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Mesmo correndo o risco de redundância, convém fazer uma síntese das alegações da recorrente quanto à matéria. Disse ela que a autuação se baseia na premissa de que o tratado Brasil Portugal não impediria a tributação no Brasil dos lucros da empresa Zagope, residente em Portugal. A controvérsia, portanto, está no alcance da proteção conferida pelo artigo 7º (1) do tratado, pois, para a autoridade lançadora, aquele dispositivo não veicularia regra de tributação exclusiva, mas tão somente impediria a denominada "dupla tributação jurídica internacional": a tributação por dois Estados distintos do mesmo fato referido ao mesmo contribuinte. A autoridade fiscal teria concluído erroneamente que o lucro tributado seria aquele auferido pelo sócio da Zagope residente no Brasil; e que a tributação não seria incompatível com o Tratado Brasil Portugal, firmado nos moldes da OCDE. Aduziu que os tratados internacionais, em matéria tributária, fixam mecanismos para, ao mesmo tempo, evitar a dupla tributação da renda e a evasão fiscal. Segundo esse propósito, o Tratado Brasil Portugal dispõe que o lucro oriundo de empresa estabelecida em Portugal (Zagope) só pode ser tributado naquele país, sendo irrelevante a forma ou o mecanismo de atribuição desse lucro à empresa brasileira detentora do investimento (transparência fiscal, imputação de lucros ou disponibilidade ficta). Ressaltou que a empresa Zagope não possui estabelecimento estável no Brasil, nem a recorrente possui estabelecimento estável em Portugal. O tratado deve ser interpretado de boa fé e de modo a viabilizar o alcance de seus objetivos, ou seja, evitar a bitributação e a evasão fiscal. Entretanto, a interpretação da autoridade lançadora e da DRJ frustra tais objetivos na medida em que conduz a um efeito de tripla tributação: a) o lucro é tributado pelo país de residência da empresa que gerou o lucro, no caso, Portugal; b) o mesmo lucro é tributado, de plano, pelo país de residência dos sócios da empresa, o Brasil; e, por fim, c) o lucro volta a ser tributado, dessa vez na fonte, quando de sua efetiva distribuição aos sócios, sob a forma de dividendos, com base no artigo 10 do tratado (nessa hipótese, a tributação seria por ambos os países signatários). A recorrente insiste em que o lucro tributado pelo Brasil é o lucro da Zagope. Não por coincidência, as grandezas tributadas seriam exatamente as mesmas. Quanto aos comentários da OCDE à convenção modelo, reproduzidos no Termo de Verificação Fiscal TVF, a recorrente deu ênfase ao fato de que tais comentários dizem respeito à legislação CFC ("controlled foreign companies"), que consiste em normas específicas, adotadas por alguns países, com a finalidade de evitar abuso nas práticas de certos Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.444 44 contribuintes que procuram frustrar a tributação, no país de residência, dos lucros auferidos através de empresas controladas no exterior. Esse, entretanto, não seria o caso dos autos. É que, na maioria dos países que adotam a "tributação em bases universais", a tributação dos lucros auferidos no exterior, no mais das vezes, ocorre quando os lucros são efetivamente colocados à disposição de seus titulares, ou seja, quando são pagos (regime de caixa). Em caráter excepcional, e com o intuito de evitar práticas que buscam postergar ou impossibilitar a disponibilidade de certos tipos de lucro, frustrando a tributação, alguns países instituíram as denominadas normas "CFC", as quais possibilitariam a imediata tributação do lucro, independentemente da efetiva disponibilidade ou distribuição. Como as normas "CFC" são excepcionais e antielisivas, sua legitimidade estaria na dependência de alguns requisitos. Só poderiam ser aplicadas (i) quando a empresa, fonte do lucro, estivesse situada em país que não tribute a renda ou o faça adotando baixa tributação; (ii) quando se tratar de "rendas passivas"; ou ainda (iii) na hipótese de combinação de ambas as situações. Nesse contexto se inserem os comentários da OCDE transcritos no TVF. E é nessa medida que as normas "CFC" se compatibilizam com a convenção modelo. Sua aplicação restringese a casos de prática de atos abusivos. Por essas razões, tais normas não se aplicariam ao caso concreto. A recorrente, por fim, rechaçou a caracterização dos valores tributados como lucro ou dividendos fictos, em face da literalidade do artigo 10 do tratado, o qual, segundo a recorrente, só admite a tributação de dividendos efetivamente pagos. Com relação ao lucro da empresa sediada na Espanha, aplicarseiam os mesmos fundamentos apresentados para a empresa estabelecida em Portugal. Resumidamente, são essas as alegações do recurso. Aplicabilidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 O art. 74 da MP nº 2.15835 deu ensejo à discussão sobre sua constitucionalidade, chegando até o E. Supremo Tribunal Federal STF, que na ADI nº 2.588 se manifestou de forma definitiva sobre a matéria. No julgamento da referida ação direta, o E. STF afastou, com eficácia erga omnes, a aplicação da norma aos lucros apurados por empresas coligadas, situadas em países sem tributação favorecida, ou seja, países que não se enquadram no conceito de "paraíso fiscal". No mesmo julgado, entretanto, reconheceu Corte Suprema, de forma expressa e também com eficácia erga omnes, a constitucionalidade da norma quando aplicada aos lucros de empresas controladas, situadas em países que não tributam a renda, ou que o fazem em patamares inferiores aos praticados pelos demais países, ou que sejam desprovidos de controles societários e fiscais adequados. Aqui, ao contrário, do primeiro caso, tratase de países tidos como "paraísos fiscais". O E. STF, por ocasião do referido julgamento, considerou relevantes dois critérios: o da "jurisdição", ou seja, aquele que leva em conta o tipo de tratamento tributário Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.445 45 dispensado ao lucro pelo país de residência da empresa estrangeira; e o critério da influência da empresa estabelecida no Brasil sobre as decisões tomadas pela empresa estabelecida no exterior. Daí a importância de saber se a empresa do exterior é coligada ou controlada da empresa brasileira. Em outras palavras, importa saber se a empresa brasileira pode apenas interferir nas decisões da empresa do exterior, ou se tem o poder de determinar, unilateralmente, tais decisões. Considerando esses critérios, foram identificadas duas formas de aplicação da norma: a primeira tida por constitucional, a segunda incompatível com a Constituição. Entre esses dois extremos, existem situações a que, em tese, o art. 74 seria aplicável, mas para as quais o colegiado do E. STF não logrou obter o necessário consenso a respaldar um pronunciamento expresso sobre a constitucionalidade da norma. Portanto, para todos os casos que se encontram entre aqueles dois extremos, o art. 74 deve ser tido pelo CARF como constitucional, dado o princípio da presunção de constitucionalidade que milita em favor das leis. O CARF, entretanto, em situações específicas, pode legitimamente afastar a aplicação do art. 74 da MP nº 2.15835, se entender que o dispositivo está em conflito com norma de tratado internacional firmado pelo Brasil. Pelo critério da especialidade, o tratado há de prevalecer sobre as normas internas, cuja eficácia fica suspensa enquanto vigorar a disciplina específica conferida pelo tratado. No caso concreto, a controvérsia consiste em saber se as disposições do art. 74 da MP nº 2.15835 são compatíveis com os artigos 7º e 10º do tratado firmado entre Brasil e Portugal. Em primeiro lugar, é preciso verificar se a regra do art. 74 pode ser considerada uma norma CFC. Não obstante a afirmação da recorrente em sentido contrário, o art. 74 é majoritariamente classificado pela doutrina como uma norma CFC (controlled foreign corporation). O E. STF, em certa medida, assim também entendeu, tanto que atribuiu especial importância ao fato de a empresa estrangeira ter residência em paraíso fiscal, bem como ao grau de influência da empresa brasileira nas decisões tomadas pela empresa no exterior. Como norma CFC, o art. 74 se destina a eliminar os efeitos de práticas elisivas adotadas por empresas residentes no Brasil. Tais práticas consistiriam basicamente em postergar por tempo indeterminado a distribuição de lucros apurados por coligadas ou controladas no exterior, de modo a também diferir, por tempo indeterminado, a tributação dos respectivos dividendos. Discutese, nesse ponto, a compatibilidade das normas CFC com os tratados internacionais que seguem o modelo da OCDE, como é o caso do tratado firmado entre Brasil e Portugal. A esse respeito, a própria OCDE divulgou comentário, sustentando que as normas que buscam coibir práticas elisivas podem efetivamente ser aplicadas, a despeito da existência de tratado internacional para evitar a dupla tributação. Naquilo que interessa ao problema aqui examinado, reproduzemse os comentários da OCDE, extraídos do artigo do Professor Sérgio André Rocha: Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.446 46 Uma questão sempre levantada quando do exame das relações entre tratados internacionais e regras de tributação de lucros do exterior consiste no fato de a OCDE, nos comentários à sua Convenção Modelo, deixar claro que, salvo disposição específica negociada pelos Estados Contratantes, as regras previstas no tratado não afastariam a aplicação de regras antielusivas no formato CFC. Vejase, neste sentido, a seguinte passagem: "O uso de 'base companies' pode ser controlado através do uso de regras a respeito de 'controlled foreign companies'. Um número significativo de países membros e não membros adotaram este tipo de legislação. Embora o design desse tipo de legislação varie consideravelmente entre os países, uma característica comum dessas regras, que atualmente são reconhecias internacionalmente como um instrumento legítimo de proteção da base tributável doméstica, é que elas resultam em um Estado Contratante tributar seus residentes sobre renda atribuível à sua participação em certas entidades estrangeiras. Temse argumentado, com base em certa interpretação de regras da Convenção como o parágrafo 1 do artigo 7 e o parágrafo 5 do artigo 10, que esta característica comum da legislação sobre 'controlled forein companies' conflitaria com esses dispositivos. Pelas razões explicadas nos parágrafos 14 do Comentário sobre o Artigo 7 e 37 do Comentário sobre o Artigo 10, essa interpretação não está de acordo com o texto de tais dispositivos. Ela também não prospera quando os mesmos são lidos em seu contexto. Portanto, embora alguns países tenham achado ser útil esclarecer, em suas convenções, que a legislação sobre 'controlled fereign companies' não conflita com a Convenção, tal esclarecimento não é necessário. É reconhecido que a legislação sobre 'controlled foreing companies' estruturada dessa maneira não é contrária às regras da Convenção. (g.n.) (citado por Sérgio André Rocha no artigo Tributação de Lucros do Exterior, o Supremo Tribunal Federal e os Tratados Internacionais Tributários Celebrados pelo Brasil. Em Grandes Questões Atuais do Direito Tributário, 17º Volume / Coordenador Valdir de Oliveira Rocha. São Paulo: Dialética, 2013.) É certo que os comentários da OCDE não vinculam, nem precisam ser adotados de forma obrigatória. Mas seu posicionamento diante do problema é importante, tendo em vista que o Tratado BrasilPortugal adotou o modelo da OCDE. Além disso, o referido tratado não busca apenas evitar a dupla tributação, mas também evitar as práticas tendentes à evasão fiscal. Não é por outra razão que o art. 1º do Decreto nº 4.012/2001, que promulgou o tratado firmado entre Brasil e Portugal, menciona expressamente esse objetivo. Art. 1º A Convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa Destinada a Evitar a Dupla Tributação e a Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento, celebrada em Brasília, em 16 de maio de 2000, apensa por cópia ao presente Decreto, será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém. (g.n.) Como reconhece a recorrente, a interpretação das cláusulas do tratado deve levar em conta tais objetivos: a) evitar a dupla tributação; e b) prevenir a evasão fiscal em relação ao imposto sobre a renda. Por isso, a própria OCDE afirma que as normas CFC não conflitam com a Convenção, nem são contrárias às suas regras. Alega a recorrente que o art. 74 da MP nº 2.15835 não se enquadra no conceito de norma CFC, pois seu campo de incidência é excessivamente amplo, não Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.447 47 considerando nenhum dos dois requisitos inerentes às normas dessa natureza. Vale dizer, o art. 74 não está limitado a países de tributação favorecida (critério jurisdicional), nem a determinadas espécies de receitas (critério transacional). A propósito dessa alegação, cumpre dizer que, de acordo com os comentários da própria OCDE, o desenho da legislação que cuida do regime de transparência fiscal internacional varia de um país para outro. Não há padrão previamente definido no que tange aos pressupostos específicos de aplicação da norma CFC. O que lhe confere esse caráter é a finalidade, que é anular ou impedir os efeitos de procedimentos elisivos. De resto, a maior ou menor amplitude de uma norma CFC depende de escolha política de cada país. Quanto ao artigo 7º do tratado, podese afirmar que ele não conflita com o disposto no art. 74 da MP nº 2.15835, pois seu propósito é estabelecer a regra básica segundo a qual cada país tributa a renda da empresa (chamada estabelecimento estável) fixada em seu território. Eis a redação do artigo 7: Artigo 7º Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável. (g.n.) 2. Com ressalva do disposto no nº 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado, serão imputados, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento estável os lucros que este obteria se fosse uma empresa distinta e separada que exercesse as mesmas atividades ou atividades similares, nas mesmas condições ou em condições similares, e tratasse com absoluta independência com a empresa de que é estabelecimento estável. (g.n.) 3. Na determinação do lucro de um estabelecimento estável é permitido deduzir as despesas devidamente comprovadas que tiverem sido feitas para realização dos fins prosseguidos por esse estabelecimento estável, incluindo as despesas de direção e as despesas gerais de administração igualmente comprovadas e efetuadas com o fim referido. 4. Nenhum lucro será imputado a um estabelecimento estável pelo fato da simples compra de mercadorias, por esse estabelecimento estável, para a empresa. 5. Para efeitos dos números precedentes, os lucros a imputar ao estabelecimento estável serão calculados, em cada ano, segundo o mesmo método, a não ser que existam motivos válidos e suficientes para proceder de forma diferente. 6. Quando os lucros compreendam elementos do rendimento especialmente tratados noutros Artigos desta Convenção, as respectivas disposições não serão afetadas pelas deste Artigo. Pelos itens 1 e 2, caberá ao Estado em que estiver estabelecida a unidade econômica geradora do lucro o direito de tributar esses lucros, com exclusão do outro. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.448 48 A recorrente afirma, sem razão, que o art. 74 da MP nº 2.15835 alcançaria o lucro da empresa portuguesa e, assim, violaria o artigo 7º. A norma do art. 74 nem de longe tangenciou o patrimônio ou as rendas da empresa estrangeira. O efeito tributário da incidência da norma não implicou qualquer despesa ou decréscimo patrimonial que pudesse se refletir sobre a Zagope. A tributação atingiu, sim, o lucro que cabe à recorrente. Não há, portanto, afronta ao tratado. Em suma, o artigo 7º do Tratado Brasil Portugal não impede a aplicação do art. 74 da MP nº 2.12835, porquanto este dispositivo não frustra o objetivo do referido artigo 7º, que é assegurar que cada país tribute seu próprio residente, impedindo que os lucros da mesma pessoa fiquem sujeitos à tributação por dois países diferentes. Por outro lado, o art. 74 inibe práticas elisivas, o que está em conformidade com os objetivos dos tratados elaborados segundo o modelo da OCDE. Tributação de dividendos não distribuídos A recorrente, por outro lado, sustenta que o lançamento, realizado com fulcro referido art. 74, estaria desrespeitando o artigo 10 do tratado, visto que a tributação incidiu sobre dividendos não distribuídos. Segundo a recorrente, o artigo 10, ao se referir a dividendos pagos, estaria condicionando a tributação ao efetivo pagamento. Esta é a redação do artigo 10º: Artigo 10º Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2. Esses dividendos podem, no entanto, ser igualmente tributados no Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos e de acordo com a legislação desse Estado, mas se o beneficiário efetivo dos dividendos for um residente do outro Estado Contratante, o imposto assim estabelecido não excederá: a) 10% (dez por cento) do montante bruto dos dividendos, se o seu beneficiário efetivo for uma sociedade que detenha, diretamente, pelo menos 25% do capital da sociedade que paga os dividendos, durante um período ininterrupto de 2 (dois) anos antes do pagamento dos dividendos; b) 15% (quinze por cento) do montante bruto dos dividendos, nos restantes casos. As autoridades competentes dos Estados Contratantes estabelecerão, de comum acordo, a forma de aplicar estes limites. 3. O termo "dividendos", usado neste Artigo, significa os rendimentos provenientes de ações, ações ou bônus de fruição, partes de minas, partes de fundadores ou outros direitos, com exceção dos créditos, que permitam participar nos lucros, assim como os rendimentos derivados de outras partes sociais sujeitos ao mesmo regime fiscal que os rendimentos de ações pela legislação do Estado de que é residente a sociedade que os distribui. Considerase ainda que o termo Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.449 49 "dividendos" inclui os rendimentos derivados de conta ou de associação em participação. 4. O disposto nos nºs. 1 e 2 não é aplicável se o beneficiário efetivo dos dividendos, residente de um Estado Contratante, exercer atividade no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos, por meio de um estabelecimento estável aí situado, e a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a esse estabelecimento estável. Neste caso, são aplicáveis as disposições do Artigo 7º. 5. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante obtiver lucros ou rendimentos provenientes do outro Estado Contratante, este outro Estado não poderá exigir nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto na medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou na medida em que a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento estável situado nesse outro Estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre os lucros não distribuídos, mesmo que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, total ou parcialmente, em lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. 6. Serão também considerados dividendos os lucros remetidos ou pagos ou creditados por um estabelecimento estável situado num Estado Contratante à empresa do outro Estado Contratante a que este pertence, sendo aplicável o disposto no nº 2, alínea a). 7. O disposto nos nºs 2 e 6 não afetará a tributação da sociedade ou do estabelecimento estável no tocante aos lucros que deram origem aos rendimentos aí mencionados. A expressão dividendos pagos não tem o alcance que a recorrente supõe. Fosse intenção das partes impedir a tributação de dividendos fictos pelo país de residência daquele que recebe os dividendos, e haveria um dispositivo que, de forma expressa e inequívoca, deixasse claro esse óbice. Ademais, esse tipo de limitação tornaria inviável a aplicação da chamada norma CFC, que, segundo a OCDE, é compatível com a convenção modelo. A par desse aspecto normativo, uma circunstância fática deve ser posta em destaque. A recorrente, segundo o TVF, detinha, ao tempo dos fatos, o controle da entidade empresarial Zagope SGPS Ltd. Mais precisamente, a recorrente detinha 100% do capital da empresa portuguesa (fl. 1.201). Isso implica dizer que todos os atos de gestão e todas as decisões gerenciais da empresa portuguesa dependiam exclusivamente da vontade da recorrente, inclusive a destinação de lucros apurados ao final de cada período. Uma vez apurados os lucros pela Zagope, a recorrente adquiria de imediato, sobre tais lucros, a total disponibilidade, sem que o exercício desse direito pudesse ser impedido, obstado ou embaraçado por quem quer que fosse. O E. STF, no julgamento do RE nº 172.0581/SC, em que se discutia a constitucionalidade do Imposto de Renda na fonte sobre o lucro líquido, ao declarar constitucional a incidência do imposto nos casos de pessoa física titular de empresa individual, adotou entendimento semelhante, como revela a parte da ementa abaixo transcrita: Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.450 50 IMPOSTO DE RENDA. RETENÇÃO NA FONTE. TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL. O artigo 35 da Lei nº 7.713/88 encerra explicitação do fato gerador, alusivo ao imposto de renda, fixado no artigo 43 do Código Tributário Nacional, mostrandose harmônico, no particular com a Constituição Federal. Apurado lucro liquido da empresa, a destinação fica ao sabor de manifestação de vontade única, ou seja, do titular, fato a demonstrar a disponibilidade jurídica. Situação fática a conduzir à pertinência do principio da despersonalização. (g.n.) Na mesma linha, caminhou o voto da Ministra Ellen Gracie, no julgamento da ADI nº 2.588. Desse voto, é oportuno transcrever o seguinte trecho: 4.2 No caso das empresas controladoras situadas no Brasil, em relação aos lucros auferidos pelas empresas controladas localizadas no exterior, temse verdadeira hipótese de aquisição da disponibilidade jurídica desses lucros no momento da sua apuração no balanço realizado pela controladora. O art. 243 da Lei das Sociedades Anônimas (Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações da Lei n° 9.457, de 5 de maio de 1997), no seu parágrafo 2o, define empresa controlada como sendo aquela em relação à qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. A disponibilidade dos lucros auferidos pela empresa controlada, assim, depende única e exclusivamente da empresa controladora, que detém o poder decisório sobre o destino desses lucros, ainda que não remetidos efetivamente, concretamente pela empresa controlada, situada no exterior, para a controladora localizada no Brasil. Em consequência, a apuração de tais lucros caracteriza aquisição de disponibilidade jurídica apta a dar nascimento ao fato gerador do imposto de renda, não havendo nenhum descompasso entre o disposto no art. 74, caput da medida provisória em questão com o contido no caput e no parágrafo 2o do art. 43 do Código Tributário Nacional (acrescentado pela Lei Complementar n° 104/2001) e tampouco com os arts. 146, inciso III, alínea a e 153, inciso III da Constituição Federal. (g.n.) Pelas razões acima, é lícito afirmar que, no caso em exame, não se trata de dividendo ficto, nem presumido. A recorrente adquiriu efetivamente a disponibilidade da renda, em relação ao lucro apurado pela Zagope. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF já se posicionou sobre a questão aqui examinada. Naquela oportunidade, a controvérsia envolvia a compatibilidade do art. 74 da Medida Provisória nº 1.25835 com a Convenção Brasil Holanda (também firmada nos moldes da convenção modelo da OCDE), em especial os artigos 7 e 10. Entendeu a CSRF que a norma do art. 74 não viola as disposições do tratado, como se consta da ementa do Acórdão nº 9101002330, abaixo transcrita: Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.451 51 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da CSLL os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Lançamento procedente. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÃO BRASIL PAÍSES BAIXOS DESTINADA A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158 35/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre a Convenção BrasilHolanda (Países Baixos) e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Do voto condutor da decisão se pode extrair o seguinte trecho, no qual se encontram alinhadas as conclusões do ilustre Conselheiro Marcos Pereira Valadão: Desta forma, com base nas razões acima, podese concluir de forma incontornável o seguinte: A norma contida no art. 74 da MP n. 2.15835/2001 é norma que visa evitar o diferimento eterno do pagamento do IRPJ decorrente dos ganhos de atividades no estrangeiro das empresas brasileiras, enquadrandose no conceito de legislação de controladas no exterior (Controlled Foreign Corporations CFC). O Supremo Tribunal Federal entendeu constitucional a cobrança do IPRJ nessa modalidade, inferindose, portanto, sua adequação ao que é preconizado pelo art. 43 do CTN, embora tenha concluído por haver restrições no caso das coligadas no exterior matéria estranha ao presente processo. A norma contida no art. 74 da MP n. 2.15835/2001 não incide sobre o lucro da entidade estrangeira sobre o controle da entidade brasileira, mas sobre o seu reflexo no patrimônio da entidade brasileira, auferível pelo MEP e, por conseguinte, não há que se cogitar de aplicação do art. 7 das convenções modelo da OCDE dou da ONU. A norma contida no art. 74 da MP n. 2.15835/2001, ainda que considerada como incidente sobre a distribuição presumida de dividendos, o que afastaria de pronto a do art. 7 das convenções modelo da OCDE ou da ONU, afasta também a incidência imediata do art. 10 daquelas convenções visto que o art. 10 só se aplica aos dividendos efetivamente distribuídos o que não é o caso. Como a Convenção de Dupla Tributação BrasilHolanda não traz norma específica relativa à situação prevista na norma contida no art. 74 da MP n. 2.158 35/2001, e não há como fazer incidir no caso o art. 7 ou o art. 10 do referido Acordo, pelas razões já expostas, concluise que não há conflito entre a norma interna e a Convenção BrasilHolanda, sendo inapropriada qualquer alegação no sentido de violação do que dispõe o art. 98 do CTN (norma de resolução de conflitos) Método de equivalência patrimonial Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 16561.720158/201315 Acórdão n.º 1301003.473 S1C3T1 Fl. 2.452 52 Quanto ao método de equivalência patrimonial, a própria recorrente entendeu que o exame da questão não traria nenhum impacto à linha de defesa adotada. Além disso, como a recorrente detinha 100% do capital da Zagope, a expressão financeira do lucro tributado no Brasil guarda identidade com o lucro apurado em Portugal. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Ao auto de infração de CSLL deve ser aplicada a mesma decisão dada ao IRPJ, pois ambos os procedimentos recaíram sobre a mesma base fática, inexistindo qualquer dispositivo específico da legislação da CSLL que imponha solução distinta. Lucros apurados por controlada na Espanha Ao lucro apurado pela empresa estabelecida na Espanha aplicamse, em linhas gerais, os mesmos fundamentos acima expostos, no que tange à compatibilidade do art. 74 da MP nº 2.15835 com as disposições do tratado celebrado entre Brasil e Espanha. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso, no que tange à aplicação do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 aos rendimentos auferidos no exterior, acompanhando nos demais pontos o voto da ilustre Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 2452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902771/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifeste-se conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 02 77 1/ 20 08 -9 2 Fl. 810DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 811 ___________ Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, em 14.08.2009, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a não homologação parcial da compensação referente a crédito do IPI. Os autos já foram objeto de análise por esse Conselho, que converteu o julgamento do recurso em Diligência, através da 1ª Turma Especial, da Terceira Seção, nos seguintes termos: 1. Com base nas alegações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário apurar se houve o pagamento em duplicidade dos valores afirmados; 2. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Isto porque, conforme restou consignado no Recurso Voluntário e destacado no relatório e no voto condutor da Resolução, (...) Alega a recorrente que os créditos se, por um lado, teve os créditos por ela compensados reduzidos, por outro lado também teve, por ocasião da recomposição da apuração do IPI realizada no AI n° 15586.001512/200892, mantido intactos os débitos vinculados aos créditos não homologados. Agravase ao fato que a recorrente procedeu o pagamento do débito por meio do direito conferido na MP n° 470/09, do débito tributário que deixou de ser recolhido em função da utilização do crédito presumido de IPI. Assim, incluiu todos os débitos apurados no AI n° 15586.001512/2008 92 na anistia e desistiu da discussão administrativa. Conforme relatado, na decisão proferida pela DRJ/JFA, tornou imperativa a análise da dita duplicidade, assim determinando: "Na análise do auto de infração mencionado será verificada a ocorrência da mencionada duplicidade, sendo necessário que o julgamento dos pedidos de ressarcimento ocorra a priori" (fls. 425). Relata a Recorrente tal situação decorreu do fato de que o AI n° 15586.001512/200892 e a Manifestação de Inconformidade foram julgados em 28.08.2009, mas a Recorrente foi cientificada das decisões apenas em 18.01.2010, ou seja, quase quatro meses após a prolação dos acórdãos. Desconhecendo o teor das decisões, em 26.11.2009 a Recorrente desistiu da defesa apresentada no AI n° 15586.001512/200892 e quitou todos os débitos lançados. Relata ainda que em função das datas dos acontecimentos, o Fisco reconheceu a "duplicidade" no AI n° 15586.001512/200892 e não no presente processo. Notase do exposto, que a matéria exige esclarecimento, dado que houve quitação do débito, transcurso temporal diverso entre as manifestações e defesas, bem como permanece a dúvida sobre o procedimento fiscal de reconstituição da escrita fiscal, onde por um lado a Recorrente teve os créditos por ela compensados reduzidos e por outro lado, os débitos vinculados mantidos intacto. Desse modo, caberia questionar sobre o montante final do débito a ser considerado. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10783.902771/200892 Resolução nº 3401001.580 S3C4T1 Fl. 812 3 Em cumprimento à diligência, a chefe da Equipe de Parcelamento proferiu despacho informando o seguinte: Os processos em referência foram encaminhados à DRF/BHE/SECAT/Eqpar para que seja esclarecido se no processo 11962.000397/200924 (MP 470/2009) estão consolidados os valores constantes do processo 15586.001512/200892. A análise do parcelamento previsto na MP 470/2009 ficou a cargo de um Grupo de Trabalho criado especificamente para essa finalidade, não tendo a Equipe de Parcelamento participado. No entanto, em consulta ao Despacho emitido por esse Grupo de Trabalho, verificouse que a decisão final relacionada ao pedido da empresa CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A depende da conclusão do julgamento do processo 15586.001512/200892 pelo CARF. Em consulta ao SIEF, nessa data, verificouse que esse processo ainda está em julgamento. Em relação ao processo 15586.001512/200892, o Despacho Decisório do GT MP 470/2009 definiu que: – Caso o CARF modifique o julgamento da DRJ e confirme que os débitos do processo 15586.001512/200892 são devidos, o contribuinte, por ter solicitado sua consolidação nos termos da MP 470/2009, disporá de 30 dias após a intimação de cobrança para recolher a diferença apurada (R$ 52.248,79, em 11/2009) corrigida pela SELIC acumulada até a data de pagamento (CENÁRIO 1 DA MEMÓRIA DE CÁLCULO) – Caso o CARF confirme a exoneração dos valores, ratificando assim a decisão da DRJ, o processo 15586.001512/200892 não entra na consolidação da MP 470/2009, por ter sido exonerado. Por outro lado, o processo 15586.001512/200892, com a adesão do contribuinte ao parcelamento criado pela Medida Provisória 470/2009, teve julgamento terminativo favorável à Fazenda Nacional, em razão da desistência do litígio pelo contribuinte, tal como restou ementado quando do julgamento do recurso da Procuradoria (Acórdão 9303005.292), em 22.06.2017: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 31/07/2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. EFEITOS. O pedido de desistência total do sujeito passivo, formulado em qualquer etapa processual, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, implica a extinção ex tunc do litígio, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Após manifestação da Recorrente, em que sustenta que não haver mais dúvidas com relação à cobrança em duplicidade do tributo (auto de infração nº 15586.001512/200892 vs. Manifestações de inconformidade nº’s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892), e já quitado à vista em parcelamento, os autos retornaram ao CARF para seguir a julgamento; onde foi distribuído a mim para relatar. É o relatório. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10783.902771/200892 Resolução nº 3401001.580 S3C4T1 Fl. 813 4 VOTO Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de forma que lhe tomo conhecimento. Do Mérito Tal como se verifica da leitura das conclusões do Grupo de Trabalho responsável pela consolidação manual dos débitos no âmbito da anistia da MP 470/09, foi confirmado que os débitos controlados pelo PTA nº 15586.001512/200892 foram incluídos na anistia. Como a Câmara Superior de Recursos Fiscais homologou a desistência da Recorrente naquele caso, quando do julgamento do Recurso Especial da Procuradoria, os débitos naquele processo são plenamente e devidos e, diante do parcelamento com liquidação à vista, foram tipo como pagos. Assim, tendo em vista a coincidência fática entre os aludidos pedidos de compensação (que originaram os PTA´s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892) que vieram a ser indeferidos pelas mesmas razões que o auto de infração consignado no PTA 15586.001512/200892 – concidência inclusive reconhecida pela próprio DRJ – há de se arrastar as conclusões e efeitos do processo de lançamento de ofício aos processos que versam sobre as compensações negadas. Desta feita, devese reconhecer que houve cobrança em duplicidade dos valores controlados pelo presente processo, em comparação aos valores lançados no PTA 15586.001512/200892 (Auto de Infração); valores estes que, em razão da decisão terminativa pela CSRF e da respectiva liquidação durante o programa de parcelamento, deverão ser conciliados e excluídos dos valores lançados por conta do despacho decisório. Todavia, tendo em vista o término do julgamento do PTA 15586.001512/2008 92 (Auto de Infração), e em virtude de a diligência não esclarecer efetivamente se os valores que ali foram quitados em função da anistia guardavam relação com os montantes discutidos na compensação. Pelo exposto, sugiro nova conversão em diligência para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 813DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000808/2005-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA.
Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
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score : 1.0
Numero do processo: 10665.902844/2009-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso.
Numero da decisão: 9101-003.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/2005-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/2005-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/200511, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 28 44 /2 00 9- 73 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 9101003.798 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O processo cuida de PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte com o objetivo de quitar, via compensação, débitos de sua responsabilidade com direito creditório a título de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais de IRPJ/CSLL. É o suscinto relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 19647.004637/200511, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.797, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 19647.004637/200511. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.797: O recurso especial da Fazenda Nacional foi, inicialmente, admitido. Contudo, fazse necessário reanalisar sua admissibilidade neste momento. (...) O presente litígio diz respeito à possibilidade de aproveitamento de indébitos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em declarações de compensação. Esse tema foi objeto de amplos debates neste órgão de julgamento colegiado e decisões reiteradas no mesmo sentido deram origem à Súmula CARF nº 84, de seguinte teor: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, considerase possível a formação e o aproveitamento em compensações de indébitos de estimativa, desde que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 9101003.798 CSRFT1 Fl. 4 3 (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Verificase, assim, o acerto da decisão recorrida que reconheceu a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação no presente caso, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, será facultado ao contribuinte uma nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Nesse sentido, concluise que a decisão recorrida está em consonância com o disposto na Súmula CARF nº 84, enquanto o paradigma apontado, por sua vez, contraria o disposto na referida súmula, impedindo o conhecimento do recurso especial fazendário. (...) Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.721945/2011-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 19 45 /2 01 1- 16 Fl. 56DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.317,50, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Campos dos Goytacazes, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, anocalendário 2009. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 4.317,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Dedução Indevida de Despesas Médicas. No caso em tela, foram glosados, e impugnados pelo contribuinte, os seguintes pagamentos informados na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas: Danielle Elias Miquilito R$ 10.000,00 Danielle Queiroz Bernardo R$ 4.840,00 Adriano Ferreira Pimentel R$ 860,00 Com relação às despesas médicas supracitadas, como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal (pagamentos efetuados), é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. Mesmo que o contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços e declarações firmadas pelos profissionais, é licito Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.721945/201116 Acórdão n.º 2001000.742 S2C0T1 Fl. 57 3 à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Em sede de impugnação, o interessado somente apresentou os recibos emitidos pelos profissionais (fls. 10/16). Entretanto, tais documentos não são suficientes para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, mas somente os serviços prestados. Caberia ao contribuinte trazer aos autos a comprovação da efetividade dos pagamentos das despesas médicas através das cópias de cheques nominativos e/ou extratos bancários que atestassem a coincidência das datas e valores com as despesas supostamente incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento. Assim, fica mantida a glosa das despesas médicas (R$ 15.700,00). Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 4.317,50, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Ato contínuo, o contribuinte atendeu prontamente à solicitação do Fisco, e apresentou todos os recibos de pagamento, respectivos, devidamente autenticados pela autoridade que os recebeu. No entanto, surpreendentemente, a Receita passou a cobrar do contribuinte, ora recorrente, comprovantes de saques ou cheques emitidos para o pagamento de tais despesas, sob o argumento de que os recibos de pagamento, EMITIDOS PELOS PRÓPRIOS PROFISSIONAIS, não seriam suficientes para a comprovação do respectivo pagamento. Reiterando suas razões, o contribuinte observou que não utiliza cheques, e que promove seus pagamentos em moeda corrente, mas dificilmente conseguiria cotejar saques em datas e valores exatos aos pagamentos efetuados, posto que essas não são suas únicas despesas diárias ou mensais. Em que pese o entendimento adotado pelo E. Órgão Julgador, insta salientar que o mesmo CARECE DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL e não se sustenta. Fl. 58DF CARF MF 4 Isso porque, da simples leitura e consequente análise da normatização que trata do tema, podese concluir que o contribuinte concorreu com os meios de prova suficientes e bastantes a testarem o fato ensejador da dedução do Imposto de Renda de Pessoa Física, relativo às despesas médicas (Ano Base 2009). (...) Ora, o dispositivo é claro ao informar que os documentos inerentes à comprovação das despesas médicas são os respectivos recibos de prestação de serviços emitidos pelos correspondentes profissionais. APENAS NA FALTA (PERDA, EXTRAVIO, INEXISTÊNCIA) DE TAIS DOCUMENTOS, FRANQUEIASE AO CONTRIBUINTE FAZER TAL PROVA POR OUTROS MEIOS DITOS PRECÁRIOS. Dizemse PRECÁRIOS posto que, afora a emissão de um cheque nominativo no valor exato da despesa (que nem de perto é o único meio ou forma de pagamento), meros saques em conta não se prestam a comprovar com liquidez e certeza a respectiva relação jurídica, causa da dedução legalmente prevista. De fato, o contribuinte consultou extratos bancários da época (ano 2009, portanto há 5 anos atrás), mas encontrou INÚMEROS saques de valores diversos (superiores, inferiores e eventualmente semelhantes). No entanto, inegavelmente, nenhum meio de prova será tão robusto e irrefutável quanto os recibos emitidos para profissionais que prestaram os serviços de natureza médica. Reprisese: apenas na FALTA de tais documentos abrirseia ao contribuinte (e no interesse dele, de comprovar as despesas realizadas) a via da apresentação de outros documentos ditos COMPLEMENTARES e ALTERNATIVOS. O direito do Fisco em promover verificação esbarra no direito do contribuinte de, uma vez comprovado pelos meios jurídicos os respectivos pagamentos, de seremlhe operadas as devidas deduções. (...) Assim, temse que a comprovação das despesas é objetiva, e não se encontra na esfera de subjetividade do FISCO, em se dar por “convencido” ou não, cabendo, se muito, arguir falsidade dos documentos, o que não procede no caso em questão. Ante o exposto, REQUER: a) Seja o presente recurso recebido e conhecido em seu mérito, a fim de que sejam aceitas as deduções legais oriundas de despesas médicas; b) Em caso contrário, seja declinado o fundamento com base no qual se nega ao contribuinte esse direito, vez que já comprovou cabalmente as despesas, a fim de permitirlhe adequada defesa, eventualmente na via judicial. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.721945/201116 Acórdão n.º 2001000.742 S2C0T1 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide se limita à glosa das despesas médicas com os profissionais Danielle Elias Miquilito R$ 10.000,00; Danielle Queiroz Bernardo R$ 4.840,00; e Adriano Ferreira Pimentel R$ 860,00, no total de R$ 15.700,00, tendo como paciente o Recorrente e sua dependente legal para efeitos fiscais. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 60DF CARF MF 6 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.721945/201116 Acórdão n.º 2001000.742 S2C0T1 Fl. 59 7 quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) Fl. 62DF CARF MF 8 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.721945/201116 Acórdão n.º 2001000.742 S2C0T1 Fl. 60 9 assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 64DF CARF MF 10 De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de recibo assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 15.700,00. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 15.700,00. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001921/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa:
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS E DISPÊNDIOS. DESTINAÇÃO DAS SOBRAS.
No caso de sociedades cooperativas que praticam atividades mistas (atos cooperativos e não cooperativos), a escrituração contábil da sociedade deve segregar as receitas e correspondentes dispêndios (custos e despesas) segundo sua origem (atos cooperativos e atos não cooperativos), onde serão excluídos
da tributação os resultados dos atos cooperativos.
Se a escrita contábil (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, ter-se-á
como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não
alcançada pela não incidência tributária.
É indevido o método de cálculo utilizado para proporcionalizar as receitas tributáveis e não tributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), em afronta ao item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80.
Numero da decisão: 1202-000.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, considerar definitiva a matéria não expressamente contestada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS E DISPÊNDIOS. DESTINAÇÃO DAS SOBRAS. No caso de sociedades cooperativas que praticam atividades mistas (atos cooperativos e não cooperativos), a escrituração contábil da sociedade deve segregar as receitas e correspondentes dispêndios (custos e despesas) segundo sua origem (atos cooperativos e atos não cooperativos), onde serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Se a escrita contábil (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, ter-se-á como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. É indevido o método de cálculo utilizado para proporcionalizar as receitas tributáveis e não tributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), em afronta ao item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS E DISPÊNDIOS. DESTINAÇÃO DAS SOBRAS. No caso de sociedades cooperativas que praticam atividades mistas (atos cooperativos e não cooperativos), a escrituração contábil da sociedade deve segregar as receitas e correspondentes dispêndios (custos e despesas) segundo sua origem (atos cooperativos e atos não cooperativos), onde serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Se a escrita contábil (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. É indevido o método de cálculo utilizado para proporcionalizar as receitas tributáveis e nãotributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), em afronta ao item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 999 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, considerar definitiva a matéria não expressamente contestada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata o processo da exigência do IRPJ e da CSLL de Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico, formalizada em Autos de Infração, relativos aos anos de 1999 e 2000, com a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na Taxa Selic, fls. 660 e seguintes. O objeto da sociedade cooperativa, constante do art. 7º do seu Estatuto Social, tem a seguinte redação, fls. 16: “UNIMED VS objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus médicos cooperados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento progressivo e a defesa econômico social dos médicos cooperados, proporcionandolhes condições para o exercício de suas atividades e aprimoramento da assistência saúde; II o combate às diferentes formas de intermediação mercantil na prestação de serviços do médico ao paciente.” De acordo com resposta à intimação efetuada pela fiscalização, a autuada efetua a contabilização das receitas da seguinte forma, fls. 11: “Conta 311 — Receitas dos Atos Cooperativos Principais São contabilizadas nesta conta as receitas dos planos empresariais e familiares, tanto de prépagamento como de custo operacional, as receitas de intercâmbio estadual e nacional dos atos principais, ou seja, as receitas realizados Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1000 3 por médicos cooperados. Também contabilizamos neste grupo as receitas particulares, de consultas médicas, procedimentos, remoções realizados no nosso pronto atendimento por médicos da cooperativa, e as deduções da receita, que são os cancelamentos de alguns contratos. Conta 312 — Receitas dos Atos Cooperativos Auxiliares Nesta conta são contabilizadas as receitas dos planos empresarias e familiares, de pré pagamento ou de custo operacional, as receitas de intercâmbio estadual e nacional dos atos auxiliares, que são as receitas provenientes dos serviços credenciados (laboratórios, hospitais, fisioterapias, clínicas). Bem como as deduções destas receitas, ou seja, os contratos cancelados e os tributos, Pis e Cofins. Conta 313 — Receitas dos Atos Não Cooperativos Nesta conta contabilizase as receitas com os atos não cooperativos e seus respectivos cancelamentos. Para a Unimed Vale do Sinos receitas de atos não cooperativos são aquelas provenientes dos planos odontológicos. Conta 32 — Receitas Operacionais Indiretas Aqui são contabilizadas as receitas das aplicações financeiras, os juros recebidos, descontos obtidos, variações monetárias ativas, comissões e a reversão da provisão de crédito de liquidação duvidosa.” Segundo mencionado no Relatório de Trabalho Fiscal, de fls. 672 a 688, a autuada deveria ter tributado todo o resultado obtido nos anos de 1999 e 2000, face a distribuição (indevida) aos associados de lucros auferidos em atividades tributáveis. Os lucros foram distribuídos de forma indireta aos associados, de duas formas: i) dos lucros contabilizados (que a autuada chama de sobras), parte foi distribuída aos associados e parte foi capitalizada mediante integralização de capital com parcela do resultado obtido para, na sequência, distribuílos com a retirada do associado da sociedade; e ii) por ter sido considerado como “custo” os valores adiantados mensalmente aos médicos cooperados pela prestação dos serviços colocados à disposição da cooperativa., ao invés de contabilizar tais valores a débito de conta do Ativo Circulante a título de “adiantamento de sobras”. Efetuada a contabilização dessa forma, teria havido acréscimo indevido nesses “custos”, acarretando uma distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das “receitas tributáveis” e das “receitas nãotributáveis”, fls. 684/685. O critério utilizado para definir as receitas tributáveis foi de acordo com o “custo”, utilizandose a proporcionalidade do custo entre os “Atos Cooperativos Principais” e aos “Atos Cooperativos Auxiliares”. Entendeu a fiscalização ser incorreta a utilização desse método para apuração das receitas tributáveis. A distribuição de “lucros” aos associados (chamado pela autuada de “distribuição de sobras”), devem ser tributados, posto que encontra expressa vedação legal (art. 24, § 3º da Lei n.º 5.764/71), configurando afronta à finalidade da sociedade cooperativa e a seu elemento essencial, que é o nãoobjetivo de lucro. Ao considerar todo o resultado apurado como tributável, a fiscalização procedeu à glosa, na apuração do Lucro Real e na base de cálculo da CSLL, dos valores excluídos no LALUR a título de “Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas”, Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1001 4 nos valores de R$ 443.047,53 e de R$ 385.359,10, nos anos de 1999 e 2000, respectivamente, fls. 650/655. Em seguida, por bem resumir os fatos ocorridos, passo a adotar o relatório do Acórdão nº 1017.644 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 934 a 952, o qual transcrevo em parte: “A análise do Relatório do Trabalho Fiscal (fls. 672688) elucida que foi considerado na base de cálculo do IRPJ e da CSLL todo o resultado positivo nos anoscalendário de 1999 e 2000 (fl. 677), em razão da distribuição aos associados de lucros auferidos em atividades tributáveis. Os lucros foram distribuídos por meio de dois procedimentos: A) capitalização dos lucros — disponibilidade jurídica e econômica: 1. a autuada trata os lucros (que não podem ser distribuídos) como se fossem sobras (que são distribuíveis). 0 faz chamando os lucros de sobras, uma vez que não distingue os atos típicos de cooperativas, geradores de sobras, dos atos típicos empresariais, geradores de lucros, nominando ambos de "atos cooperativos" (ou seja, atos cooperativos principais e atos cooperativos auxiliares, ver fl. 11); 2. parte de tais lucros foi capitalizada na conta "Capital Subscrito" e foi distribuída a cooperados no momento em que estes se retiraram da sociedade; 3. além disso, para calcular os juros sobre o capital, a autuada utiliza como base de cálculo o montante do capital atualizado, isto é, incluindo a capitalização de lucros e de juros sobre o capital de períodos anteriores e, em seguida, capitaliza também os referidos juros, aumentando ainda mais a conta de capital, disponibilizando os lucros capitalizados (que são indisponíveis) jurídicamente (pela capitalização) e, em determinadas situações, economicamente (na retirada de sócios cooperados). B) superavaliação de custos do ato nãocooperativo intrínseco (chamado pela fiscalizada de atos cooperativos principais): 1. houve a contabilização dos pagamentos mensais efetuados a médicos cooperados como custos da cooperativa, o que é indevido, pois não há relação de mercado nos atos realizados entre a cooperativa e o cooperado (art. 79 da Lei n° 5.764/71), de tal sorte que os desembolsos efetuados pela cooperativa não poderiam ser considerados como custos, haja vista (1) que a finalidade da referida sociedade é justamente colocar à disposição dos sócioscooperados clientes dispostos a usufruírem seus serviços, e (2) em hipótese alguma pode ser considerado custo repasse feito pela cooperativa ao associado, pois este não presta serviço àquela, mas, ao contrário, é a cooperativa que presta serviços ao associado; 2. a autuada reconhece que a "complementação de honorários" pagos aos cooperados faz parte das sobras, conforme provam os "Relatórios de Gestão" (fls. 200 e 237) e "Ata de Assembléia" (fl. 358). Logo, os honorários pagos aos cooperados também compõem as sobras, que são adiantadas aos sócios. As sobras repassadas não compõem os custos da cooperativa. 3. a fiscalizada utiliza como critério de determinação das receitas tributáveis para fins de IRPJ e de CSLL os valores relativos: (1) aos custos dos atos não cooperativos intrínsecos (para a fiscalizada atos cooperativos principais), os quais não são tributáveis e (2) aos custos dos atos nãocooperativos extrínsecos (atos cooperativos auxiliares, no entender da fiscalizada), que são tributáveis. Deste Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1002 5 modo, ao contabilizar tais adiantamentos como custos dos nãoatos cooperativos intrínsecos, ocorreu distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das receitas tributáveis e das nãotributáveis para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, uma vez que tais pagamentos não devem ser computados como custos dos atos nãocooperativos intrínsecos, mas sim contabilizados a débito da conta do Ativo Circulante como adiantamento de sobras. Assim, procedendo, a fiscalizada auferiu, de fato, sobras em valores inferiores aos valores repassados aos médicoscooperados no decorrer do exercício (a titulo de adiantamento de sobras). Por conseguinte, existiu distribuição de lucros (que a atuada chama de sobras). DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou, em 12/06/2003, tempestivamente, impugnação conjunta ao IRPJ e à CSLL (fls. 691700), alegando, em síntese, que: 1. a autoridade administrativa conceituou de forma equivocada, como não cooperativos, os atos cooperativos principais e auxiliares que pratica; 2. oferece os resultados dos atos cooperativos auxiliares à tributação, e optou por capitalizar esses resultados, já descontados os valores pagos a titulo de IR e de CSLL e retendo na fonte os valores pagos a titulo de IRPJ e de CSLL; 3. a autoridade fiscal entendeu que não poderia ter havido tal capitalização e descaracterizou a cooperativa, excluindo, "como custo operacional direto, portanto dedutível da receita decorrente desses atos cooperativos, do valor correspondente ao repasse dos mesmos, tal como realizado pela cooperativa, aos seus médicos associados", sendo que "os atos mencionados retirados foram para a apuração da base de cálculo dos tributos exigidos, sem que houvesse correspondente retirada da receita". Assim, a receita decorrente dos atos cooperativos foi integralmente levada em conta para efeitos de cálculo de IRPJ e da CSLL, sem contrapartida nas correspondentes despesas. Em decorrência, foi aumentado "o resultado tributável da autuada, gerando uma distribuição de sobras aos cooperados em valor superior àquela efetivamente realizado pela cooperativa, para efeitos de ser declarado que a mesma distribuirá resultados de atos tributáveis, tidos pelo fisco como não cooperativos". No recálculo do imposto de renda, acabou sendo atingido todo o resultado da autuada, independente de advir de atos cooperativos ou não; 4. a autuação afronta o art. 3°, § 1º, do Decretolei n° 1.598/97, o art. 47 da Lei n° 4.506/64 (arts. 290 e 299 do RIR 99) e o art. 168 do RIR 99, bem como os Pareceres Normativos CST 73/75 e 38/80; 5. a legislação do IRPJ, no art. 279 do RIR/99, determina a contabilização de tais ingressos como receita operacional. Logo, ao desconsiderarse, para apuração das sobras, o custo dos atos cooperativos, há contrariedade à legislação. 0 erro está em considerar que os valores mensalmente percebidos por um cooperativado são sobras, ou seja, resultados de uma sociedade após o exercício, o que desmente o próprio nome de sobras, cujo cálculo advém de resultarem da diferença entre os valores arrecadados pela cooperativa e os valores pagos, ao longo do exercício, ao associado. Tais pagamentos são operação normal, não podendo ser considerado sobras importância pagas mensalmente ao trabalhador, pois são contrapartidas de produção a partir da qual nascem as sobras, o que é reconhecido pelo art. 628 do RIR/99 (art. 7° da Lei n° 7.713/88); 6. o regime tributário aplicado na autuação é de uma sociedade civil profissional, contrariando o disposto no PN CST 15/83.” Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1003 6 Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1017.644 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 934 a 952, com o seguinte ementário: COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DO LUCRO AUFERIDO. CAPITALIZAÇÃO DAS COTASPARTES COM 0 LUCRO AUFERIDO. IMPOSSIBILIDADES. FRAUDE AO REGIME JURÍDICOTRIBUTÁRIO COOPERATIVO. TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO GLOBAL 1. A inexistência de lucro é princípio tão forte que caracteriza, enquanto sociedades, as cooperativas (Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3°, caput). 2. Sendo assim, como regra geral, as cooperativas praticam atos que não geram lucro. Se não há lucro, (1) não incidem os tributos cuja base de cálculo o tem como pressuposto (IR e CSLL) e (2) não há lucro para distribuir. 3. Como exceção, as cooperativas praticam atos que geram lucro, o que é permitido (1) explicitamente pelos arts. 85, 86 e 88 da Lei n 5.764/71 e (2) implicitamente pelo sistema normativo próprio a estas sociedades, na forma permissiva regulamentada pelo Regulamento do Imposto de Renda, art. 183, caput. Exemplo de ato gerador de lucro e implicitamente permitido é a aplicação de recursos da cooperativa junto ao mercado financeiro. 4. Uma vez que a ausência de lucro faz parte da essência das cooperativas, o sistema legal, ao permitido excepcionalmente, criou regras que impedem os membros de fruílo diretamente, determinando sua destinação ao Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social (FATES) (art. 87 da Lei nº 5.764/71). 5. Essa interpretação tomada em um contexto no qual se verifica que as permissões explícitas para o lucro estabelecidas pela Lei nº 5.764/71 são insuficientes para atender as atuais demandas associativas, sociais e de mercado não excepciona a regra que impossibilita as cooperativas distribuírem o lucro que porventura aufiram. Se a Lei nº 5.764/71 permite excepcionalmente às cooperativas auferirem lucro (arts. 85, 86 e 88), em nenhum momento permite que o lucro seja distribuído aos associados. Não haveria de ser diferente com outros atos geradores de lucro, que somente são permitidos às cooperativas em decorrência de depreensão hermenêutica. 6. A incorporação do lucro ao patrimônio da cooperativa (FATES) vai ao encontro dos ideais cooperativistas, uma vez que este fundo objetiva o fortalecimento da sociedade que o constitui (a qual poderá promover a capacitação técnica de seus associados) e do movimento cooperativista como um todo (através do fomento A educação cooperativista), além de viabilizar assistência social aos membros e empregados da sociedade. 7. Quando a cooperativa aufere de lucro, incidem os tributos cuja base de cálculo o tem como pressuposto (IRPJ e CSLL). Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1004 7 8. É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de beneficio às cotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada (Lei 5.764, art. 23, § 3 °). 9. A distribuição, por uma cooperativa, do lucro gerado, frauda o regime jurídico cooperativo. 10. A capitalização das cotaspartes com o lucro frauda o regime jurídico cooperativo. 11. Utilizarse, para cálculo dos juros sobre o capital próprio, das cotaspartes capitalizadas pelo lucro frauda o regime jurídico cooperativo. 12. A autuada: (1) capitaliza cotaspartes com lucros, (2) utiliza, para cálculo dos juros sobre o capital próprio, das cotaspartes capitalizadas pelo lucro, e (3) distribui os lucros integralizados nas cotaspartes na retirada dos associados, fraudando, com tais atos, o regime jurídicotributário cooperativo. 13. Resta ao Fisco, evidenciando tais situações, tributar o resultado global da cooperativa. (RIR 99, art. 182, § 2°) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO Quanto à Contribuição Social sobre o Lucro valem as mesmas ponderações tragadas em relação ao Imposto sobre a Renda, conforme parágrafo único do art. 6° da Lei no 7.689/88, considerada a necessária conformidade que deve existir da decisão do lançamento decorrente com o decidido no lançamento que lhe deu origem. Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido, podem ser assim resumidos, conforme transcrição que segue: “[...] Ocorre que a interessada atua no mercado oferecendo planos de saúde. Nestes, se obriga a ofertar aos seus beneficiários/consumidores: a) os serviços de seus membros cooperativados (médicos) e b) os serviços de terceiros, nãovinculados à cooperativa, como hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos. Esses últimos (hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos), contratados pela cooperativa, se obrigam, mediante contraprestação previamente ajustada, a prestar seus serviços aos beneficiários da cooperativa. 0 pagamento desta contraprestação acarreta um custo para a cooperativa. Em contrapartida, a autuada embute um valor para cobrir tais custos no preço dos contratos que firma com seus beneficiários/consumidores. É este o resultado positivo que redunda em lucro para a cooperativa (ganho de intermediação de serviços de terceiros). 0 lucro auferido, como visto, deve ser dirigido ao FATES. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1005 8 [...] A autuada, em afronta à determinação de dirigir o lucro para o FATES, misturou o lucro com as sobras, como admite expressamente à fl. 528 ("Em relação ao item 1 a resposta é sim, todos os resultados auferidos nos anos de 1999 e 2000, quer fossem de atos principais ou de atos auxiliares foram tratados como sobras"). Após, utilizou o lucro para capitalizar as cotaspartes, que são subscritas pelos associados no momento do ingresso na cooperativa, de acordo com o art. 24 da Lei no 5.764/71: Art. 24. 0 capital social será subdividido em cotaspartes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior saláriomínimo vigente no pais. No entanto, há expressa disposição legal que não permite a capitalização do lucro às cotaspartes, ou ainda o estabelecimento de outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros (excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidem sobre a parte integralizada) (art. 24, § 3º da Lei n° 5.764/71): § 3°. É vedado ás cooperativas distribuírem qualquer espécie de beneficio ás cotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada. Não bastasse esse fato, a autuada distribuiu este lucro quando da retirada de associados, em nova afronta ao § 3° do art. 24 da Lei no 5.764/71 e ainda utilizou, para o cálculo dos juros sobre o capital próprio, do valor das cotaspartes capitalizadas pelo lucro. [...] 8°) é indevido o modo que a autuada utiliza para distinguir, para fins de cálculo dos tributos devidos, as receitas tributáveis das nãotributáveis, ou seja, "o critério utilizado já há muito tempo pela Unimed Vale dos Sinos para o rateio das receitas auferidas para definir a base de cálculo do IRPJ é de acordo com o custo. Encontrase a proporcionalidade do custo referente aos Atos Cooperativos Principais e aos Atos Cooperativos Auxiliares" (fl. 45). A utilização do custo (mais apropriadamente, dispêndio) proporcional entre os atos nãocooperativos intrínsecos (atos cooperativos principais, para a autuada) e os atos nãocooperativos extrínsecos (atos cooperativos auxiliares, para a autuada) como critério para o rateio das receitas auferidas (entre atividades próprias da cooperativa e aquelas de intermediação de negócios de terceiros, como hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos) afronta o item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80, item 5. Isto porque como visto, não há destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos (os ingressos não indicam individualizadamente a que espécie de prestação se destinam, porque recebidos a um único titulo e em pagamento de contraprestação múltipla e heterogênea), e, deste modo, devese tributar o resultado global da cooperativa. 9°) uma vez que é indevida a utilização do método de proporcionalizar as receitas tributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), o erro de critério nos parâmetros deste método (ou seja, a superavaliação dos custos por ter a cooperativa considerado, erroneamente, resultados — honorários médicos — como dispêndios ou custos), não é fundamento para o lançamento do resultado global da cooperativa. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1006 9 10°) é fundamento suficiente para o lançamento do resultado global da cooperativa (1) a capitalização das cotaspartes com o lucro e/ou (2) a utilização, para o cálculo dos juros sobre o capital próprio, do valor das cotaspartes capitalizadas pelo lucro, e/ou (3) a distribuição de seu lucro por via indireta, integralizadoo às cotaspartes do capital social e as distribuindo aos associados que se retiraram, passo a abordar a questão da superavaliação dos custos dos atos não cooperativos intrínsecos (item 5.1 do auto de infração) ou a falta de destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos. Passo agora a analisar a legislação citada pela impugnante, que não a socorre. A maior parte das alegações tenta provar a natureza jurídica de custo (mais apropriado seria dizer dispêndios) do repasse mensal de honorários aos médicos cooperados. No entanto, como visto — apesar de não ser correto tal posicionamento —, o montante dos dispêndios não possui qualquer influência neste lançamento, uma vez que ele não pode ser usado como critério de discriminação das receitas tributáveis, no estrito teor do PN CST 38/80. Em sua peça recursal, a recorrente praticamente repisa os mesmos argumentos trazidos com a impugnação. Argumenta, em síntese, que o lançamento foi feito em contrariedade à legislação que rege a contabilização das sociedades cooperativas, sendo indevida a desconsideração do custo dos atos cooperativos para apuração das sobras ao final do período. A seu favor, menciona doutrina a respeito das sociedades cooperativas, assim transcrita, fl. 972: “Assim, os gastos contabilizados pela sociedade cooperativa devem ser segregados nos livros contábeis segundo sua natureza; se incorridos para gerar receitas dos cooperados (atos cooperativos), tais gastos devem ser contabilizados em conta de apuração de sobras ou faltas. Ao contrário, se os gastos forem incorridos para gerar receitas decorrentes de atos não cooperativos , então devem registrados como despesa da sociedade, para a apuração do resultado(lucro ou prejuízo) tributável pelo imposto de renda e contribuição social”. Alega, ainda, que diferentemente do que foi dito na decisão recorrida, os valores arrecadados e repassados aos associados cooperados são tidos como ingressos e não receitas, transcrevendo a respeito, excerto da Norma Brasileira Contábil NBC –T 10. Aduz que as sobras são a devolução da retenção dos honorários médicos que ficaram com a cooperativa para fazer frente às despesas societárias, as quais são devolvidas ao final do exercício, fazendo incidir a tributação na pessoa física, jamais na pessoa jurídica. O pagamento mensal, em uma cooperativa, cujo objeto é angariar serviços aos cooperativados, é operação normal, não podendo ser consideradas como “sobras” importâncias mensalmente pagas aos trabalhadores/médicos. São contrapartidas de produção a partir das quais nascem as sobras. Protesta pela descaracterização da personalidade jurídica da cooperativa com a finalidade de se efetuar a exigência tributária. Menciona, ainda, que o acórdão recorrido deixou de considerar o pedido de parcelamento da CSLL, no âmbito do Paesparcelamento especial, de que trata a Lei n° 10.684, Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1007 10 de 30 de maio de 2003, conforme requerimento datado de 30/07/2003, fls. 979, requerendo a sua exclusão do presente litígio. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre registrar que efetivamente a autuada solicitou o parcelamento no âmbito do “Paes”, de que trata a Lei n° 10.684, de 2003, relativo à CSLL exigida na presente autuação, conforme requerimento da fl. 979. Dito parcelamento encontrase acompanhado no processo nº 11065.004778/200319, conforme Despacho exarado pela DRF/Novo Hamburgo, de fls. 992 a 994, razão pela qual os valores lançados a esse título devem ser excluídos do presente litígio. Dessa forma, resta no presente processo a discussão a respeito da exigência do IRPJ. A fiscalização constatou que a sociedade deveria ter tributado todo o resultado obtido nos anos de 1999 e 2000, face a distribuição (indevida) aos associados de lucros auferidos em atividades tributáveis. Conforme relatado neste acórdão, os lucros foram distribuídos, de forma indireta aos associados, de duas formas: i) dos lucros contabilizados (que a autuada chama de sobras), parte foi distribuída aos sócios, parte foi capitalizada com a integralização de capital com parte do resultado obtido para, na sequência, distribuílos com a retirada do associado da sociedade; e ii) pelo acréscimo indevido na rubrica “custos” dos “atos cooperativos principais”, acarretando uma distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das “receitas tributáveis” e das “receitas nãotributáveis”. Inicialmente, cumpre esclarecer à recorrente que, em nenhum momento, seja no Relatório Fiscal, seja no Acórdão recorrido, foi defendida a tese de que se deveria descaracterizar a natureza jurídica da sociedade cooperativa para fins tributários. O que ocorreu, em síntese, foi a identificação da distribuição de lucros feita de forma indireta, bem como a majoração dos custos contrapostos às receitas auferidas nos “atos cooperativos principais”, o que ocasionou uma desproporção no rateio das receitas tributáveis e das não tributáveis, tendo sido tributado apenas o resultado positivo dos atos não cooperativos. Assim, é de se afastar, de imediato, todas as alegações trazidas na peça recursal em relação a alegada descaracterização, pois se trata de matéria não utilizada como fundamento no lançamento fiscal. Já em relação à distribuição dos lucros feitos de forma indireta aos associados, relativo às sobras contabilizadas, onde parte foi distribuída aos sócios, e parte foi capitalizada para, na sequência, distribuílos quando da retirada do associado da sociedade, (item i) da irregularidade apurada pela fiscalização), cumpre dizer que essas matérias não foram objeto de contestação expressa na peça recursal, reputandose definitivamente julgadas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1008 11 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em que pese a constatação acima, julgo pertinente esclarecer que a própria autuada reconheceu, fl. 528, que todos os resultados auferidos nos anos de 1999 e 2000, quer sejam resultados de atos principais (sobras) ou resultados de atos auxiliares (lucros), foram tratados como sobras. As “sobras” podem ser distribuídas aos associados (art. 80, II da Lei nº 5.764, de 1971). No entanto, há expressa disposição legal que não permite a capitalização do lucro às cotaspartes, ou ainda o estabelecimento de outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros (excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidem sobre a parte integralizada), a teor do § 3° do art. 24, da Lei nº 5.764, de 1971. Art. 24. 0 capital social será subdividido em cotaspartes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior saláriomínimo vigente no país. § 3°. É vedado ás cooperativas distribuírem qualquer espécie de beneficio ás cotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada. No presente caso, a interessada também incorreu em violação ao art. 87, da Lei nº 5.764, de 1971, que determina que os resultados apurados com não associados (lucros) deverão ser levados à conta do FATES: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Assim, concluise que a autuada, ao efetuar a destinação do resultado do período, incorreu na ilegal transferência, à conta capital, de parcela do “lucro” auferido, parcela esse que sofreu o acréscimo dos juros sobre o capital e que também foi distribuída aos associados quando da sua retirada, procedimentos esses feitos de forma contrária a legislação. A esse respeito, cabe registrar da existência de expressa disposição legal que não permite a capitalização do lucro às cotaspartes, ou ainda, estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, consoante § 3° do art. 24, da Lei nº 5.764, de 1971, acima transcrito. A seu turno, o art. 182, e parágrafos, do RIR/99, estabelece serem tributáveis os resultados quando as cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotas partes de capital: Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1009 12 sem objetivo de lucro (Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 69). § 1° É vedado ás cooperativas distribuírem qualquer espécie de beneficio ás quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n°5.764, de 1971, art. 24, § 3°). § 2° A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. (grifei) Com efeito, verifico dos autos, fls. 683, que a soma dos valores dos lucros distribuídos relativo a capitalização do resultado (da parte referente aos lucros auferidos) e dos juros aplicado sobre o capital integralizado, ultrapassa com folga os valores glosados pela fiscalização nos anos de 1999 (R$ 443.047,53) e de 2000 (R$ 385.359,10) (fl. 661), de modo que é razão suficiente para o lançamento ora examinado, o resultado integral (sem qualquer exclusão) apurado pela cooperativa nos anos de 1999 e 2000, face a constatação de ter sido indevida: (1) capitalização das cotaspartes com o lucro (fl.680 R$ 240.443,70 e R$ 360.084,64) e/ou (2) utilização, para o cálculo dos juros sobre o capital, do valor das cotas partes capitalizadas pelo lucro (fl. 680 – R$ 269.648,91 e 348.469,53), e/ou (3) a distribuição de seu lucro por via indireta, integralizadoo às cotaspartes do capital social, aos associados que se retiram da sociedade (valores exemplificativos às fls. 678/679). Dessa forma, concluo que mostrase suficientemente fundamentado, para o lançamento fiscal, as irregularidades apontadas no item anterior (item i) da irregularidade fiscal), que não foi contestada expressamente, devendo, portanto, ser mantida a exigência fiscal relativa ao IRPJ. Mesmo considerando a conclusão retro, considero pertinente, para que não se alegue cerceamento do direito de defesa, que este colegiado também se manifeste a respeito da irregularidade fiscal do item ii): acréscimo indevido na rubrica “custos” dos valores de honorários médicos relativos aos “atos cooperativos principais”. Este fato teria acarretado, segundo a fiscalização, a distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das “receitas tributáveis” e das “receitas nãotributáveis”. Para melhor compreensão da matéria examinada, transcrevo, na sequência, parte do voto condutor do acórdão recorrido, que muito bem descreve as atividades desenvolvidas pela sociedade cooperativa: “Pois bem, a interessada é cooperativa médica, espécie de cooperativa de trabalho. Deste modo, exerce seu papel facilitando a colocação do trabalho de seus médicos associados no mercado. Assim, o resultado positivo da atuação médica (consultas, visitas a pacientes internados e procedimentos clínicos e cirúrgicos) irá gerar sobras (resultados positivos de sua atividade), as quais não são tributáveis pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e pela Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido. Ocorre que a interessada atua no mercado oferecendo planos de saúde. Nestes, se obriga a ofertar aos seus beneficiários/consumidores: a) os serviços de seus Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1010 13 membros cooperativados (médicos) e b) os serviços de terceiros, nãovinculados à cooperativa, como hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos. Esses últimos (hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos), contratados pela cooperativa, se obrigam, mediante contraprestação previamente ajustada, a prestar seus serviços aos beneficiários da cooperativa. 0 pagamento desta contraprestação acarreta um custo para a cooperativa. Em contrapartida, a autuada embute um valor para cobrir tais custos no preço dos contratos que firma com seus beneficiários/consumidores. E este o resultado positivo que redunda em lucro para a cooperativa (ganho de intermediação de serviços de terceiros).” Com relação à cooperativa de médicos, que ora se examina, assim se manifestou o Parecer Normativo CST nº 38, de 31/10/80 DOU 05/11/80, que muito bem elucida a matéria, abaixo transcrito: “3. DAS COOPERATIVAS DE MÉDICOS 3.1 Atos Cooperativos As cooperativas singulares de médicos, ao executarem as operações descritas em 2.3.1, estão plenamente abrigadas da incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional, tais como os que buscam a captação de clientela; a oferta pública ou particular dos serviços dos associados; a cobrança e recebimento de honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos honorários recebidos; a apuração e cobrança das despesas da sociedade, mediante rateio na proporção direta da fruição dos serviços pelos associados; cobertura de eventuais prejuízos com recursos provenientes do Fundo de Reserva (art. 28, I) e, supletivamente, mediante rateio, entre os associados, na razão direta dos serviços usufruídos (art. 89). 3.2 Atos NãoCooperativos, Diversos dos Legalmente Permitidos Se, conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os nãocooperativos excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 Intermediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objeto social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que, evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 Organização Mercantil Estas atividades, francamente irregulares para esse tipo societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1011 14 operacional, neste particular, envolve (1) atividade econômica, (2) fins lucrativos, (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de risco. Esta afirmação melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas entre a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados; percebese, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerarse como cooperativa a entidade que tivesse como único objetivo a revenda de bens e serviços. 3.5 Ainda por incabível qualquer alegação tendente a considerar tratarse de cooperativa mista (art. 10, § 2), c/c art. 7º, da lei citada), é fácil depreender que a diversificação das prestações de bens/serviços que dependem de intermediação, poderia ensejar a escalada a outras, sob alegação de afinidade, como por exemplo, fornecimento de refeições, locais de repouso e veraneio, tratamento dentário, assistência social e quiçá até serviço funerário. Já o item 5 do mesmo Parecer Normativo CST nº 38/80, existe a previsão da forma como deverão ser apurados os resultados tributáveis no caso dos ingressos (receitas das mensalidades) das cooperativas não indicarem individualizadamente a que espécie de prestação se destinam: “5. APURAÇÃO DOS RESULTADOS TRIBUTÁVEIS 5.1 Como foi dito inicialmente, deve o imposto de renda ter por base de cálculo o resultado determinado a partir da escrituração contábil, que apresente destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos, como explicitado no PN CST nº 73/75. Todavia, não houve tal destaque, como no caso em que os ingressos não indiquem individualizadamente a que espécie de prestação se destinam, porque recebidos a um único título e em pagamento de contraprestação múltipla e heterogênea, a escrita será imprestável para a apuração do lucro real. 5.2 Farseá mister, então, arbitrar o lucro, como determinado pelo artigo 7º, IV, do Decretolei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, e legislação regulamentar.” É exatamente o que ocorre no presente caso. A sociedade cooperada em exame, recebe ingressos originados das mensalidades pagas pelos seus clientes, pessoas físicas e pessoas jurídicas, destinados a cobrir os dispêndios da sociedade, seja em relação aos associados da cooperativa (médicos) seja em relação a terceiros não associados (hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos). É sabido que o resultado das operações com terceiros, não associados, sofrem a incidência tributária, devendo haver a segregação das receitas e das despesas entre os atos cooperativos e os não cooperativos (com não associados) a fim de possibilitar a correta apuração da base tributável, nos termos do citado Parecer: “Diversos atos normativos estabeleceram o entendimento de que as sociedades cooperativas tem a obrigação de destacar em sua escrituração contábil as receitas não compreendidas como típicas ou normais a esse tipo societário, bem como os correspondentes custos, despesas e encargos, a fim de ser apurado o lucro a ser oferecido à tributação (PN CST nº 73/75, D.O. de 04.08.75),” (...) Pois bem. No caso em análise não há a segregação das correspondentes receitas e custos, entre as atividades cooperativas e não cooperativas. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1012 15 O critério utilizado pela autuada para o rateio das receitas auferidas para definir a base de cálculo do IRPJ foi unicamente de acordo com o “custo”, utilizandose a proporcionalidade do “custo” referente aos “atos cooperativos” e do custo referente aos “atos não cooperativos”. A meu ver, entendeu corretamente a fiscalização que a utilização do método de proporcionalizar as receitas tributáveis em razão dos custos (dispêndios) não possui suporte na legislação tributária. Contudo, creio que o agente fiscal equivocouse na interpretação de que os honorários pagos aos médicos cooperados não teriam a natureza de custo, refazendo os cálculos das receitas tributáveis e nãotributáveis com o mesmo método (errôneo) de proporcionalizar as receitas tributáveis em razão dos custos (porém desconsiderando os honorários médicos como custos), fls. 684/685, de modo que deveria ser considerado como resultado tributável todo o resultado apurado pela autuada, e não somente parte dele. Já a requerente argumenta, em síntese, que o lançamento foi feito em contrariedade à legislação que rege a contabilização das sociedades cooperativas, no sentido de não ter se considerado para apuração das sobras, ao final do período, os custos (honorários médicos) dos atos cooperativos. Creio que a controvérsia em relação a considerar os honorários médicos como parcela dos custos das atividades cooperativas é irrelevante para a solução do caso. Os itens 5.1 e 5.2 do Parecer Normativo CST nº 38/80 acima transcritos, esclareceram de forma diferente a questão. Estabeleceu o referido parecer que, não havendo destaque, individualizadamente, a que espécie de prestação os ingressos se destinam, porque recebidos a um único título e em pagamento de contraprestação múltipla e heterogênea, a escrita será imprestável para a apuração do lucro real. Não havendo destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos, farseá mister, então, arbitrar o lucro como determinado pelo artigo 7º, IV, do Decretolei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, e legislação regulamentar.” No presente caso, inexiste apuração em separado das receitas das atividades próprias da cooperativa e das receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros decorrentes de ganhos, por exemplo, com a revenda de diárias e serviços hospitalares, de laboratórios, de fisioterapeutas e odontológicos, que são vendidos em seus planos de saúde. A esse respeito, vejamos o que dispõe o item 6 do PN CST 73/75: Parecer Normativo 73/75: 6. Nessas condições, devem ser apuradas em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros. Igualmente computados em separado os custos diretos e imputados as receitas com as quais guardam correlação. A partir daí, e desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de receitas, devem eles ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas. Conseqüentemente, o lucro operacional a ser considerado para efeito de tributação corresponderá ao resultado da receita derivada das operações efetuadas com terceiros, diminuída dos custos diretos pertinentes, e, ainda, do valor dos custos e encargos, indiretos proporcionalmente relacionado com o percentual que as receitas oriundas das operações com terceiros representem sobre o total das Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1013 16 receitas operacionais. Feitos os cálculos nos termos descritos, ao lucro operacional que resultar sujeito à tributação serão acrescidos os resultado líquidos das transações eventuais. A autuada, ao contrário do que estabelece o PN CST 73/75 acima transcrito, não possui em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros, mas busca diferenciar as receitas tributáveis e não tributáveis a partir de seu “custo conhecido”, sem nenhum suporte para aplicação desse método. Dessa forma, se a escrituração não segregar as receitas e as despesas/custos segundo a sua origem (atos tributáveis e nãotributáveis), o resultado da cooperativa será tributado de forma global, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela nãoincidência tributária. Neste sentido, decidiu o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ementário que se transcreve: SOCIEDADE COOPERATIVA Não são alcançados pela incidência do imposto de renda os resultados dos atos cooperativos. 0 resultado positivo de operações praticadas com a intermediação de terceiros, ainda que não se incluam entre as expressamente previstas nos artigos 86 a 88, da Lei 5.764/71, é passível de tributação normal pelo imposto de renda. Se, todavia, a escrituração não segregar as receitas e as despesas/custos segundo a sua origem atos cooperativos e não cooperativos ou, ainda, se a segregação feita pela sociedade não se apoiar em documentação hábil que a legitime, o resultado global da cooperativa será tributado, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. (grifouse) (Número do Recurso: 146547. Terceira Câmara. Número do Processo: 10830.005877/200418. Tipo do Recurso:voluntario. Data da Sessão: 19/10/2006. Relator: Leonardo de Andrade Couto. Decisão: Acórdão 10322690) Dessa forma, concluise que o método adotado pela autuada para o rateio das receitas tributáveis e não tributáveis, utilizandose unicamente o custo proporcional a essas receitas, afronta o item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80, devendose, deste modo, tributar o resultado global da cooperativa. Haja vista os fundamentos acima expostos, voto que seja considerada definitiva, na esfera administrativa, a matéria não expressamente contestada no recurso e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1014 17 Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10855.902068/2009-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
null
Numero da decisão: 1002-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão recorrido, com retorno dos autos para a DRJ, reconhecendo a possibilidade da primeira instância analisar a legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PER/DCOMP n.º 32128.20391.230805.1.3.04-5078.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. É nula a decisão da DRJ que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do Despacho Decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindose apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Exegese da Súmula CARF n.º 84. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 20 68 /2 00 9- 74 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 123 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão recorrido, com retorno dos autos para a DRJ, reconhecendo a possibilidade da primeira instância analisar a legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PER/DCOMP n.º 32128.20391.230805.1.3.045078. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n° 32128.20391.230805.1.3.045078, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL:2484). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período ". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 06/16, acompanhada dos documentos de fls. 17/46, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) apesar de correta a fundamentação utilizada, a mesma não se aplica ao caso em tela; c) realizou uma primeira apuração baseado na estimativa mensal, no mês de fevereiro de 2005, recolhendo a quantia de R$ 4.469,36; d) constatou erro na apuração da CSLL, sendo o valor apurado para o mês de Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 124 3 fevereiro de 2005 revertido para R$ 1.970,31; e) de posse desse saldo credor, o contribuinte realizou as compensações devidas, mas não seria caso de preenchimento do PER/Dcomp, mas sim de compensação direta, conforme determina a legislação tributária; f) com base na IN SRF n° 21/97, em seu artigo 12, §1°, o contribuinte realizou a compensação dos tributos ora indeferida; g) dos lançamentos realizados pelo contribuinte nasce, em virtude do recolhimento a maior, o saldo credor e não da apuração normal como julgou o r. agente fazendário; h) os informes fiscais demonstram que toda a operação de compensação foi regularmente escriturada; i) o contribuinte apenas cometeu o equívoco quanto ao preenchimento de obrigação acessória (PER/Dcomp) não podendo ser penalizado com a perda de seu direito creditório previsto em lei; j) a independência entre as obrigações principais e acessórias podem ser extraídas da doutrina e da jurisprudência; k) o PER/Dcomp fora preenchido erroneamente, porém as operações foram efetuadas tempestiva e regularmente; 1) para fundamentar a decisão, o agente fiscalizador utilizase dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e essa mesma legislação reconhece o direito à compensação nos moldes em que o contribuinte procedeu; m) conforme se verifica do enunciado legal emitido pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte realizou suas compensações atendendo completamente o que prevê a norma legal, não incorrendo tais operações em quaisquer irregularidades. Ao final, em virtude de haver apresentado tempestivamente o pedido de compensação, ter realizado todos os registros da operação de compensação em seus livros contábeis e fiscais, haver declarado em suas obrigações acessórias as compensações realizadas, bem como o crédito compensado não ter nascido de regular procedimento de apuração, mas sim de erro de recolhimento a maior, requer a reforma total da decisão e deferimento da compensação realizada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1433.498, de 27 de abril de 2011 (efl. 50), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 CSLL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais da CSLL, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 125 4 final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador da contribuição social sobre o lucro líquido da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de contribuição a pagar ou saldo negativo de CSLL, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de I o de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 61), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original). Registra que procedeu a compensação na forma do parágrafo 1º do artigo 12 da IN SRF nº 21/97 e que "Com base na capitulação legal contida no dispositivo acima citado, o Contribuinte procedeu à compensação dos tributos ora indeferida" e que "Este é o entendimento desta Nobre Casa, PROFERIDA NO Recurso Voluntário n° 507.579, onde fora proferido o acórdão n° 140100.420 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária...". Afirma que "Conforme se pode extrair da documentação colacionada ao Pedido de Restituição apresentado, os livros fiscais e contábeis do Contribuinte, demonstram que toda a operação de compensação foi regularmente escriturada, utilizandose créditos sadios e afastando assim qualquer dolo relativo à evasão fiscal ou mesmo de sonegação por parte do Contribuinte." Destaca o fato de que "as DCTF's relativas aos períodos da compensação foram regularmente processadas e entregues pelo Contribuinte, que fez constar a operação de compensação em obrigação acessória". Diz que "realizou uma primeira apuração baseado na estimativa mensal onde restou, no mês de fevereiro de 2005, código 2484, um valor a recolher no montante de R$ 4.469,36 (quatro mil, quatrocentos e sessenta e nove reais e trinta e seis centavos)" e que "Após realizar este recolhimento, em verificação de auditoria interna promovida pelo Contribuinte, fora constatado erro na apuração, sendo que o saldo correto para o mês Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 126 5 02/2005, foi revertido para R$ 1.970,31 (Hum mil, novecentos e setenta reais e trinta e um centavos) (...) ". Justifica que " (...) tal erro deuse em função de equivoco na interpretação da legislação tributária, pois conforme será adiante demonstrado, não seria caso de preenchimento do PER/DECOMP, mas sim de compensação direta, conforme determina a mesma legislação tributária". Sustenta que "Conforme se pode extrair das obrigações acessórias regularmente apresentadas pelo Contribuinte, inclusive a DIPJ, todos os valores registrados apresentam a apuração correta, onde o saldo credor nasce em virtude do recolhimento a maior, realizado pelo Contribuinte e não da apuração normal como julgou o r. agente fazendário". Argumenta que " (...) apenas cometeu o equivoco quanto ao preenchimento de obrigação acessória (PER/DECOMP), não podendo ser penalizado por tal equivoco com a perda de seu direito creditório previsto em lei". Reitera que "Inobstante a brilhante fundamentação utilizada à embasar as razões pelas quais é negada a compensação realizada pelo contribuinte, notese que a mesma legislação dá ao Contribuinte o direito de haver realizado a compensação nos moldes em que o fez, pois conforme já demonstrado, o saldo credor compensado não nascera da apuração normal, mas de erro na apuração e recolhimento a maior do que o devido." Como forma de lastrear sua argüição, apresenta acórdãos de jurisprudência sobre o assunto e escólio de doutrina. Ao final requer a reforma total da decisão recorrida e o deferimento da compensação nos termos em que realizada. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado para apreciação da matéria na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329, de 2017. Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 32128.20391.230805.1.3.045078 transmitido em 23/08/2005 (efls. 5), sob a alegação de tratarse o crédito de R$ 2.499,05 (valor original) de pagamento a título de Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 127 6 estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, conforme excerto seguinte do Despacho Decisório de não homologação da compensação: Como se observa, a base normativa utilizada no despacho decisório é composta pelos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN), pelo artigo 74 da lei nº 9.430/96 e pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Este último continha a seguinte redação: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. O dispositivo supra foi revogado pelo artigo 11 da IN RFB nº 900/2008, reproduzido abaixo: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 128 7 período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Vêse que a IN RFB nº 900/2008 retirou o impedimento normativo à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, que passou a ter tratamento jurídico de indébito tributário, sendo, portanto, passível de restituição ou compensação na forma dos artigos 165 e 170 do CTN. Considerando que o despacho decisório de não homologação da compensação foi emitido em 25/03/2009 (efls. 5) e que o artigo 11 da IN RFB nº 900/2008 teve vigência a partir de 31/12/2008 (data de sua publicação), impõese a aplicação deste dispositivo à situação do ora Recorrente, eis que o PER/DCOMP nº 32128.20391.230805.1.3.045078 encontravase pendente de análise na data de alteração da legislação citada, atraindo, por analogia, o inciso I do artigo 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Esta intelecção encontra amparo na Solução de Consulta Interna nº 19/2011 da CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB (COSIT), da qual extraemse os trechos seguintes (grifos nossos): (...) 12. Muitas vezes é difícil distinguir nos atos normativos a função complementar da função interpretativa. Em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, estabeleceu que a Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação (função complementar, de natureza procedimental). 12.1 Contudo, no presente caso, os arts. 10 das IN SRF nº 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, têm nítido caráter interpretativo, pois visam dar o entendimento da administração tributária acerca das normas Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 129 8 materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. 13. Assim, em face do caráter interpretativo do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, é de se responder à primeira questão da seguinte maneira: a alteração de entendimento constante do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (...) Ademais, há súmula do CARF sobre o assunto que corrobora com o entendimento aqui esposado: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Por todo o exposto, e consoante jurisprudência desta 2ª TE já manifestada em julgados anteriores sobre esse mesmo tema, voto por declarar a nulidade do acórdão n. 14 33.498 exarado pela DRJ/RPO e por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a possibilidade de análise da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PERD/COMP nº 32128.20391.230805.1.3.045078, devendo a DRJ/RPO proceder a análise do direito creditório postulado na boa e devida forma, inclusive determinando de ofício, se necessário, a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo sujeito passivo, independentemente de requerimento expresso, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 129DF CARF MF
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