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Numero do processo: 10580.731409/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011
PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, insculpido no art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio.
ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO.
O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias público-privadas.
BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrando-se o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendo-se à incidência das contribuições de que tratam.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito pela aquisição de peças aplicadas na prestação do serviço, como enumerado no tópico próprio do voto, bem assim, à apropriação dos créditos extemporâneos, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge DOliveira e André Henrique Lemos, quanto às subvenções para investimento. Os votos do relator e dos Conselheiros Augusto Fiel Jorge DOliveira, André Henrique Lemos e Mara Cristina Sifuentes foram coletados na sessão de agosto de 2017.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 14 09 /2 01 3- 74Fl. 2699DF CARF MF 2 BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito pela aquisição de peças aplicadas na prestação do serviço, como enumerado no tópico próprio do voto, bem assim, à apropriação dos créditos extemporâneos, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e André Henrique Lemos, quanto às subvenções para investimento. Os votos do relator e dos Conselheiros Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, André Henrique Lemos e Mara Cristina Sifuentes foram coletados na sessão de agosto de 2017. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo em referência encontrase apensado ao PA 10580.731563/2013 46 e cuida da análise de declarações de compensações relativas a janeiro/2010, abril/2011, maio/2011, junho/2011, agosto/2011 e novembro/2011, homologadas parcialmente. O despacho decisório destaca que o pretenso crédito referente a janeiro/2010 foi indeferido por falta de apresentação de arquivos magnéticos e conseqüente ausência de prova do direito vindicado. Quantos aos demais períodos de apuração, verificouse a glosa de créditos de bens não enquadráveis como insumos; créditos extemporâneos; diferenças entre os montantes indicados nos DACONs e nos arquivos magnéticos de notas fiscais de entrada, em relação a serviços utilizados como insumos e despesas com energia elétrica; despesas decorrentes de contratos de parceria públicoprivada, nos termos da Lei nº 11.079/2004, Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 10580.731409/201374 Acórdão n.º 3401004.022 S3C4T1 Fl. 11 3 classificados como aluguéis pelo contribuinte; despesas condominiais e de IPTU; e, locação de espaços para eventos festivos e reuniões de trabalho. Além das glosas realizadas, foram incluídos, na apuração do tributo, créditos presumidos de ICMS, considerados pelo contribuinte como subvenções para investimentos, em função de descumprimento de requisito para qualificação como tal. Em manifestação de inconformidade, o contribuinte dissertou sobre a não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e a da Cofins, concluindo que o conceito de insumo abrange todos os custos ou despesas necessárias à atividade operacional da empresa; que os bens glosados são empregados nos equipamentos de abastecimento de água e esgotamento sanitário; que a interpretação da fiscalização, quanto à extemporaneidade de aproveitamento dos créditos, está equivocada, a par de ser restritiva; que a glosa dos aluguéis não atentou para a especificidade e peculiaridades do contrato de parceria públicoprivada firmado, ao passo que o ajuste, dentre outras obrigações prevê, também, o pagamento de aluguéis pelo uso do bem; que, por não ser sujeito passivo do IPTU, a parcela cobrada pelos locadores é componente do aluguel; que a locação dos espaços para eventos atende a necessidades do exercício de sua atividade; que, de acordo com a legislação estadual, os créditos de ICMS usufruídos configuram subvenção para investimento e, nessa condição, não se constituem em receita tributável; e, por fim, contestou a exigência de multa pela compensação indevida. A DRJ Belém/PA reputou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativa (...), valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovado os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Incabível a utilização de créditos referentes a aquisições feitas em um período no cálculo da contribuição de período de apuração seguinte. A legislação de regência permite apenas a utilização de crédito excedente, depois de devidamente apurado em seu período respectivo. CRÉDITO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO E OUTRAS. Taxas de condomínio não se confundem com aluguéis, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita o desconto de crédito correspondente. ALUGUÉIS. A legislação de regência permite o desconto de despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, somente quando utilizados nas atividades da empresa.” Fl. 2701DF CARF MF 4 O recurso voluntário reafirmou a argumentação expendida por ocasião da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Em sede preambular, trago o conceito de insumo adotado no presente voto, que, hodiernamente, já se encontra relativamente sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, consoante o qual insumo corresponde ao bem ou serviço, inerente e necessário, empregado diretamente no processo de produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se consuma ou sofra alterações físico químicas por contato físico ou químico direto com o bem em produção ou o serviço prestado. Este conceito situase em posição intermediária entre a tese defendida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o equipara às matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, segundo a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (vide PN CST 65/79), e aquela defendida pelo ora recorrente, equivalente o seu alcance às despesas operacionais e custos de produção, da legislação do IRPJ, nos termos dos arts 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). A abordagem do tema foi feita com percuciência no voto proferido pelo Cons. Bernardo Leite de Queiroz Lima, exintegrante deste colegiado, no julgamento do Acórdão nº 3401002.859, cujo excerto peço licença para transcrever e que adoto, em parte, como razão de decidir: Os dispositivos das instruções normativas definiram como insumos na fabricação de bens destinados à venda, os bens que se enquadrem como matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. No que tange aos serviços, este serão considerados insumos quando forem aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Na prestação de serviços, serão considerados insumos os bens e serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Percebese que as instruções normativas adotaram o conceito de insumo utilizado na legislação atinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, ao restringir os insumos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, bem como outros bens que tenha desgaste em contato com o bem produzido. Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10580.731409/201374 Acórdão n.º 3401004.022 S3C4T1 Fl. 12 5 Este é um conceito bastante restrito, coerente com a materialidade do IPI, que está intrinsecamente relacionada ao processo de industrialização, a um ciclo econômico em que é possível aferir as diferentes etapas e identificálas de forma a impedir a indevida onerosidade em cada uma delas, de forma a garantir a nãocumulatividade. Não é, contudo, o caso do PIS e da COFINS, cujo fato gerador o ‘faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil’, não se relacionando diretamente a um determinado produto e sua industrialização, mas às receitas decorrentes da atividade empresarial como um todo. Não é possível, portanto, adotar para o PIS e a COFINS um conceito de insumo originário da legislação do IPI, uma vez que a materialidade daquelas contribuições e deste imposto são distintas, não guardando semelhança a justificar que se aproveite definições deste naquelas. Da mesma forma, a materialidade do PIS e da COFINS, conquanto mais próxima àquela do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, haja vista que o faturamento também é elemento que afeta este imposto, não se confundem. É cediço que, para se apurar o lucro de determinada pessoa jurídica, é necessário verificar o faturamento e as receitas desta para se alcançar o lucro líquido e, posteriormente, o lucro real, base de cálculo do imposto no regime de apuração real. Isto não significa, contudo, que as definições contidas na legislação do IRPJ são aplicáveis ao PIS e à COFINS, posto que, mesmo com suas semelhanças, tratamse de tributos distintos. Outrossim, caso aplicados os conceitos do IRPJ ao PIS e à COFINS, correse o risco de descaracterizar a materialidade destas contribuições. Assim, não é possível afirmar que o conceito de insumos corresponde exatamente ao de despesas necessárias do art. 299 do Decreto nº 3000/99 ou do custo de produção trazido no art. 290 deste mesmo decreto, não obstante algumas semelhanças entre o conceito de insumo e estas definições. Neste sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais desta 3ª Seção, no acórdão nº 3302001.916, em que foi adotado um conceito próprio de insumo, distinto tanto daquele previsto na legislação do IPI quanto da legislação do IRPJ, para fins de apuração dos créditos de PIS e COFINS. Por partilhar deste entendimento, segue transcrição de trecho do voto proferido naquele acórdão, o qual permite elucidar de forma clara a questão dos insumos: Fl. 2703DF CARF MF 6 (...) Em suma, em busca de um conceito de insumo que esteja em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI; bem como não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Adotando o conceito a que se chegou a CSRF no acórdão acima, é possível definir insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Partindo deste conceito, deve ser feita uma análise pormenorizada dos créditos de COFINS glosados no auto de infração e determinar se, dentro do conceito de insumo adotado, podem tais créditos serem mantidos ou não.” Destas colocações, ressalvo apenas a interpretação correspondente à possibilidade de se admitir a caracterização de insumo aos bens e serviços utilizados indiretamente no processo produtivo, na fabricação ou na prestação dos serviços. É que, permitir que o emprego indireto dos bens/serviços na produção possa gerar direito de crédito conduz justamente à incerteza que o conceito formulado pretende afastar, porquanto indiretamente todas as despesas concorrem para a formação do produto final ou serviço prestado pelo contribuinte, ou mesmo são necessários ao exercício de suas atividades. Assim, a compreensão adequada do termo “insumo”, tal como insculpido nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, alberga tãosomente os bens e serviços que são utilizados diretamente na produção, industrialização e prestação de serviços, afastados os que não satisfaçam essa condição. Portanto, reputo, desde logo, improcedente a acepção de “insumo” defendida pelo recorrente, em seu conceito amplíssimo, lastreada nos arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), que definem, respectivamente, custo de produção e despesas operacionais. Feitas as considerações inaugurais, passo ao exame individualizado das glosas e ajustes de base de cálculo. Dos bens utilizados como insumos Neste tópico examinamse as glosas de partes e peças aplicadas na manutenção dos equipamentos empregados na prestação do serviço, in casu, saneamento e distribuição de água. Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 10580.731409/201374 Acórdão n.º 3401004.022 S3C4T1 Fl. 13 7 Os produtos glosados consistem basicamente em contatores trifásicos, contadores auxiliares, fusíveis, interruptores, disjuntores, anéis, rolamentos, eixos, retentores, dentre vários outros, conforme planilha de efls. 2.378/2.428. A fiscalização promoveu a exclusão embasada nas disposições da IN SRF 404/2004, ao passo que tais produtos não se consumiriam, desgastariam ou perderiam suas propriedades físicas ou químicas por ação diretamente exercida sobre o “produto que está sendo fabricado”. O recorrente, por seu turno, asseverou o caráter de essencialidade destes produtos, anexando relatório detalhado com a indicação da função de cada uma destas peças na adequada prestação do serviço (efls. 2706/2710 – PA 10580.731563/201346). Do exame dos documentos acostados e dos fundamentos de glosa e de recurso, à luz do conceito de insumo adotado, alhures exposto, concluo que assiste parcial razão ao recorrente, eis que os bens glosados, em sua maior parte, correspondem a peças de reposição e produtos de reparo das máquinas e equipamentos da rede de distribuição e captação de água, utilizados diretamente na prestação dos serviços. Todavia, esse raciocínio não se aplica aos produtos que não se enquadram nesse grupo ou não são identificáveis claramente como tais, ou ainda, para os quais não houve indicação da forma de seu emprego na prestação do serviço, a saber: lâmpadas fluorescentes eletrônicas, pilhas elétricas alcalinas, interruptores simples, dobradiças porta painel divisória, chapas MDF fibra madeira, corrediças gaveta, cola contato madeira, vergalhão ferro redondo, arame cozido, pregos com cabeça, bocal lâmpada incandescente, lâmpada incandescente, estribo aço amarração, brita, rolos pintura, trinchas pintura, broxas, tinta fundo zarcão, tinta esmalte sintético brilhante alumínio, tinta base epoxi para piso/concreto azul, solvente thiner, tinta esmalte sintético acetinado, adesivo bianco base resina, massa selante base epoxi, escova manual aço carbono, catalizador pmek, sulfato de alumínio ferroso líquido concentrado, tela de nylon preta 1,5 m largura, brocas aco rápido haste paralela (todos os tipos), união pvc JR ¾”, TE PEAD eletrofusão 90 mm PN16 (PE100), luva redução PVC JR 2.1/2” x 2”, fita borda fina PVC 20 mm cor preta, conjunto guia cabo 13 mm e 19 mm, canaleta elétrica 50,0 x 50,0 x 2000 mm sist, cap pvc JS 85 mm, bucha redução longa, luva PVC JS 60 mm e 32 mm, luva (união) compressão PP 32 mm PN10, adaptador compressão PP rosca fêma 20 mm x, cola cascola (lata 2,8 kg), dobradiça porta aço zincado 3.1/2”, chapa PVC lisa branca 2000 x 1000 x 2 mm, cimento portland comum, joelho 90 PVC JS 32 mm, parafuso francês aço carbono galv, bóia reservatório água torneira ¾” PVC, broca videa 8 mm, bucha redução curta, fita isolante baixa tensão, luva emenda compressão cobre estanhado borne, conector haste aterramento 5/8”, parafuso cab sext aço inox rosca total, base fusível NH, elo fusível distribuição, fusível NH, fechadura banheiro, lixa massa/parede, extensão elétrica, aparelho DVD, retentor 30 x 62 x 10 mm, cola líquida branca, cal hidratada, retentores, serras copo, “rebites”, telha ondulada fibrocimento, tubo hidráulico aço carbono, tinta spray, registro de pressão bronze macho/fêmea, argamassa cimentos especiais, parafuso fixação adufa parede 1”, verniz acrílico fosco, lixa ferro/metais, carro de mão capacidade caçamba PVC, bateria elétrica alcalina, plug PVC, registro esfera PVC, bucha bronze TM23, massa rejuntamento placa cerâmica, chapa de madeira compensada, junta carter roçadeira, vela ignição roçadeira, cabo acelerador roçadeira, retentor roçadeira, carretel giratório roçadeira, tambor embreagem roçadeira, mangueira combustível roçadeira, fechadura embutir, lâmpada vapor sódio, serra circular, isolador cônico saiado, disjuntor bifásico 30ª, grampo tipo “U”, massa corrida acrílica, Fl. 2705DF CARF MF 8 tinta acrílica fosca, adaptador PVC autoajustável, tubo PVC, joelho PVC, perfil tipo “H” emenda PVC e óleo lubrificante Singer multiuso. Esses produtos, pela sua natureza (ou por carência de informação), não podem ser tomados como insumos aplicados diretamente na prestação do serviço de fornecimento de água e tratamento de esgotos, atividade empresarial da recorrente, motivo pelo qual devem ser mantidas as glosas respectivas. Ressalva feita, deve ser provido em parte o recurso neste ponto para admissão dos demais itens glosados neste tópico. Do aproveitamento de créditos extemporâneos A fiscalização, sobre o tema, acentuou que o crédito só pode ser apropriado no mês a que se refira a aquisição, excepcionando o art. 3º, § 4º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 apenas a possibilidade de seu aproveitamento, o que não se confundiria com apropriação, de maneira que esta (apropriação) obedeceria ao regime de competência enquanto aquele (aproveitamento), a que alude o dispositivo, diria respeito à utilização do crédito, como saldo devedor, nos meses subseqüentes. A decisão de primeiro grau endossou integralmente este entendimento. Já o contribuinte, defendeu que o registro do crédito extemporâneo, sem submissão ao regime de competência, contaria com suporte no mesmo preceptivo. Por conveniente, trago à colação a redação em que vazado, agregando também o art. 6º da Lei nº 10.833/03, equivalente ao art. 5º da Lei nº 10.637/02 : “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. (...) Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 10580.731409/201374 Acórdão n.º 3401004.022 S3C4T1 Fl. 14 9 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” As autoridades administrativas indicaram que o contribuinte fizera uma errônea interpretação do dispositivo, pois a referência ao termo “crédito”, no predito parágrafo quarto, seria ao saldo credor acumulado e não ao crédito in especie pela despesa admitida. Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação Fl. 2707DF CARF MF 10 se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. . Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Das despesas com aluguel Primeiramente, investigo os pagamentos realizados às pessoas jurídicas Foz de Jaguaribe Construção e Locação S/A e Foz de Jaguaribe S/A, relativo ao Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO), nº 424/2006, Concorrência Nacional nº 026/26, cujo objeto, como o próprio título indica, consistia na construção e operação de um sistema para tratamento e disposição de esgotamento sanitário (efls. 2187/2223). Tratase de uma parceria públicoprivada, nos termos da Lei nº 11.079/2004 Segundo afirma a fiscalização, o contribuinte teria se apropriado de créditos, pelos valores pagos a título de contraprestação pelo objeto contratual, como se aluguel fosse, calcado no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. Destacou que, prevendo o objeto do contrato a construção e a operação do sistema, com previsão de entrega definitiva do empreendimento ao recorrente, ao cabo do prazo contratual – 18 anos –, não haveria compatibilidade com o contrato de locação, cujos requisitos são a temporalidade do uso e a restituição da coisa, principalmente. O recorrente tachou de simplista a interpretação atribuída pelas autoridades administrativas, afirmando que não foram consideradas as especificidades da legislação de regência das parcerias públicoprivadas. Demais disso, o Contrato de Direitos e Assunção de Obrigações, Construção e Locação e Outras Avencas (efls. 2264/2282), firmado como decorrência do Contrato de Concessão Administrativa nº 424/06, entre as partes interessadas, dentre elas o contribuinte, traria previsão que a remuneração dos concessionários, pela operação do sistema, efetivarseía pelo pagamento de aluguel, realçando trechos desse ajuste. A questão que se coloca em debate, nesta oportunidade, é a natureza dos pagamentos feitos pela recorrente às contratadas para execução do objeto contratual. O contrato de concessão administrativa trata, em sua cláusula 15, da contraprestação devida pela contratante, a recorrente, que seria devida mensalmente e quitada por meio de cessão de recebíveis previamente selecionados, no valor máximo de R$ 3.385.000,00, base em junho/2006, reajustado na forma prevista. A cláusula 15.2 estipulou que esta contraprestação mensal pela execução do objeto seria composta de duas partes, a saber: i) uma fixa, equivalente ao montante necessário para o pagamento da amortização do principal e dos juros da dívida contraída para os Fl. 2708DF CARF MF Processo nº 10580.731409/201374 Acórdão n.º 3401004.022 S3C4T1 Fl. 15 11 financiamentos obtidos, devidamente comprovados; e, ii) uma parcela variável, correspondente à diferença entre o valor máximo da contraprestação mensal e a parcela variável. Portanto, a remuneração avençada se dá a título de contraprestação pela execução do objeto. A Lei nº 11.079/2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria públicoprivada no âmbito da administração pública, em momento algum alude a pagamento de aluguel ou equivalente como forma de remuneração dos parceiros privados, fazendo remissão ao termo contraprestação, acertadamente utilizado no contrato de concessão administrativa. É certo que a recorrente firmou com os parceiros privados, como dito, um contrato secundário, cujo objeto era a cessão de todos os direitos do contrato de concessão à empresa construtora (Foz de Jaguaribe Construção e Locação S/A), no desiderato de viabilizar o financiamento junto à Caixa Econômica Federal, onde a forma de remuneração acordada seria o “aluguel”. No entanto, o termo “aluguel, no contexto contratual e sob minha ótica, foi utilizado como sinônimo de “contraprestação mensal”, como revela o item 3.1.1 do instrumento, porquanto este “aluguel” equivale exatamente ao cálculo da contraprestação mensal definida no contrato de concessão administrativa, cuidandose, então, da mesma verba. Não é demasiado acentuar que o contrato de concessão traz exigência expressa de transferência da titularidade do empreendimento à recorrente, ao final do prazo contratual de 18 (dezoito) anos, previsto para construção e operação do sistema. Assim, considerando as características da contraprestação mensal, mormente sua parcela fixa, definida em montante suficiente à cobertura do financiamento obtido pelo parceiro privado, aliado à previsão de conversão de propriedade ao final do contrato, o que se tem não é aluguel, mas sim o que o recorrente denominou em recurso, apropriadamente, diga se, de reembolso ou ressarcimento dos investimentos realizados pelo contratante. O termo “aluguel” previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 contempla tãosomente a remuneração pela locação de coisa, no sentido definido pela legislação civil. Neste diapasão, a teor do art. 565 do Código Civil (Lei nº 10.406/02), locação é o ajuste onde uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. Dentre os requisitos deste negócio jurídico está a necessidade de ser a coisa não fungível, isto é, não ser substituível por outra da mesma espécie, qualidade e quantidade, e, principalmente, que seja restituída ao final do contrato. Aliás, a infungibilidade está intrinsecamente relacionada à necessidade de restituição da coisa. No caso vertente, como amplamente demonstrado, a coisa não é devolvida ao parceiro privado, mesmo porque, fica na sua posse e propriedade enquanto durar o contrato, revertendose a sua propriedade ao parceiro público, personificado no recorrente, apenas quando do seu término. Fl. 2709DF CARF MF 12 A complexidade e especificidade das parcerias públicoprivadas, por si só, não vêm em auxílio do recorrente, porque a acepção do aluguel é aquela da legislação civil, enquanto espécie, de maneira que não abarca qualquer desembolso suportado pelo contribuinte em razão da fruição de um bem. Como dito, a contraprestação mensal prevista no contrato de concessão administrativa não revela natureza de aluguel de prédio, máquinas ou equipamentos, mas o reembolso dos investimentos realizados pelo parceiro privado. Outra rubrica glosada pelo Fisco referese ao IPTU e despesas condominiais, também incluídos sob o título “aluguéis”, ao passo que não poderiam ser qualificados como retribuição pela locação da coisa. Argumenta o recorrente, em contradita, que tais despesas gravam o imóvel, recaindo sobre a propriedade e cujo sujeito passivo é o locador, de modo que, na condição de locatário, tais despesas representariam o preço do aluguel. Mais uma vez não assiste razão ao contribuinte. O aluguel engloba tão somente a retribuição financeira pelo uso e gozo da coisa, decorrendo o ônus do IPTU e despesas condominiais de ajuste contratual específico, como revelam as cláusulas dos documentos de efls. 2088, 2095, 2098, 2110, 2120, 2137, 2153, 2157, etc. A assunção destes gastos, ainda que inerente aos contratos de locação, não se confunde com o aluguel, entendido exclusivamente como a retribuição pelo uso da coisa, motivo pelo qual não geram direito à apropriação de créditos da não cumulatividade. Por fim, concernente às despesas de locação de espaços para realização de reuniões, oficinas e eventos sociais promovidos pela recorrente, por óbvio não se trata de aluguel de prédio utilizado na atividade da empresa, eis que não se estar a locar um imóvel, mas sim um espaço para uso específico e de curta duração, não satisfazendo o desiderato da norma. Além do que, a referência às “atividades da empresa” açambarca tãosomente aquelas consideradas essenciais ao seu exercício, o que não se compagina com gastos relativos a “reunião de avaliação de desempenho ...”, “confraternização junina dos funcionários” e “oficinas ...”, como relatado pela fiscalização. Em conclusão, neste tópico, denegase o recurso. Das subvenções para investimento A acusação fiscal registra que o contribuinte não ofereceu à tributação supostas subvenções para investimentos, consubstanciadas em crédito presumido do ICMS, concedido pelo Estado da Bahia, ao passo que, analisadas sua características, verificouse não atender os requisitos para qualificarse como tal, consoante inteligência do PN CST 112/78. O recorrente, em resposta, esclareceu que indigitado crédito presumido equivale à integralidade do saldo devedor verificado em cada período de apuração, por força do art. 1º A do Decreto Estadual nº 6.734/97, do Estado da Bahia, que não condicionou a sua fruição à necessidade de destinação a investimento, não se caracterizando como subvenção, Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 10580.731409/201374 Acórdão n.º 3401004.022 S3C4T1 Fl. 16 13 mas renúncia de receita, para o ente estatal, e uma redução de custos para a empresa, de modo que não se enquadraria como receita, oportunidade que citou jurisprudência do STJ e do STF em seu favor. No recurso interposto o próprio contribuinte nega a qualidade de subvenção para investimento do benefício fiscal em comento, como se extrai da seguinte passagem do seu arrazoado: “Contudo, como fartamente demonstrado na impugnação, a Recorrente demonstrou não se tratar de subvenção, mas de RENÚNCIA DE RECEITA, tese sequer apreciada pela Delegacia de Julgamento.” (destacado) Portanto, não se cuidando de subvenção para investimento, como reconhece o contribuinte, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009. Respeitante à caracterização do benefício como “redução de custos”, não se pode olvidar a redação do art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, vigente à época dos fatos, verbis: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput.” Como já exposto em outras oportunidades, entendo que compõem a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, nas letras do preceptivo, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o que revela a extensão do conceito de receita formulado pela norma, cujas exclusões são, e somente aquelas, taxativamente relacionadas. Podese então afirmar que a pretensão do recorrente esbarraria na própria ausência de previsão legal, como decidido, por exemplo, no Acórdão 330101.428, exarado em 24/04/2012, verbis: “Ao contrário do entendimento da recorrente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, não prevê a exclusão das receitas decorrentes de recuperação das despesas da base de cálculo da Cofins. Segundo este diploma legal, a base de cálculo desta contribuição é a receita total auferida pela pessoa jurídica com as exclusões expressamente elencadas, assim dispondo: (...) Conforme se verifica deste dispositivo legal, as receitas decorrentes de recuperação de despesas não estão elencadas Fl. 2711DF CARF MF 14 dentro daquelas passíveis de exclusão da base de cálculo da Cofins.” De minha parte, entendo que o conceito de receita lá mencionado melhor se amolda ao conceito normalmente utilizado em contabilidade, que abrange quaisquer valores recebidos e/ou a receber que aumentem os ativos ou reduzam os passivos, oriundos do exercício das atividades da pessoa jurídica, exemplificando: as receitas ativas como vendas, prestação de serviços, juros ativos, receitas com aluguéis, etc., e dentre os valores redutores das obrigações, os descontos obtidos e as variações cambiais ativas registradas em contas passivas. Este é o conceito amplo de “receitas” adotado pelo International accouting Standards Board1, através do Framework for the preparation and presentation of Financial Statements2. No Brasil, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, por intermédio do Pronunciamento Técnico CPC 30, assim expõe o seu conceito: “A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade.” Nesta linha intelectiva, irrefragável reconhecer que os denominados “reembolsos de custos”, decorrentes de benefícios fiscais, são considerados receitas e, por conseqüência, submetemse à tributação pelas contribuições nãocumulativas em epígrafe. Outrossim, não se diga que tais verbas poderiam ser, por analogia, equiparadas às reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, estabelecidas no art. 1º, § 3º, V, “b”, porquanto, tratandose as exclusões de exceção à norma geral de tributação, segundo as regras hermenêuticas, devem ser interpretadas restritivamente. No caso sub examine, o crédito presumido usufruído gera uma redução das despesas tributárias do recorrente, ocasionando uma “diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido”. Quanto à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça citada, por não se enquadrar na sistemática do recurso repetitivo, não é impositiva aos julgadores deste Conselho Administrativo. No tocante à decisão do Supremo Tribunal Federal, RE 606.107/RS, em que pese o julgamento sob o rito da repercussão geral, afora o fato de se tratar do mesmo tributo estadual – ICMS –, as situações jurídicas são completamente distintas, consistindo, nestes autos, crédito presumido equivalente ao montante do saldo devedor verificado no período de apuração, com conseqüente anulação dos valores a recolher; enquanto, no recurso extraordinário mencionado, discutiase a cessão a terceiros dos créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, em razão da imunidade pelas saídas destinadas à exportação. 1 Organização internacional sem fins lucrativos responsável pela formulação e validação de pronunciamentos internacionais na área de contabilidade. Consulta em http://pt. wikipedia.org, dia 06/03/2015. 2 Descrição dos conceitos básicos que devem ser respeitados na preparação e apresentação das demonstrações financeiras internacionais. Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 10580.731409/201374 Acórdão n.º 3401004.022 S3C4T1 Fl. 17 15 Distintos os fatos, não vislumbro possibilidade de aplicar o entendimento lá fixado, simplesmente por de se tratar de benefício fiscal atinente ao mesmo tributo, não sendo o caso de aplicação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15. Conclusão Com estas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pela aquisição de peças aplicadas na prestação do serviço, como enumerado no tópico próprio, bem assim, à apropriação dos créditos extemporâneos. Robson José Bayerl Fl. 2713DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.902423/2009-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.243
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 24 23 /2 00 9- 92 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.902423/200992 Acórdão n.º 9303005.243 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.080, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2001 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.902423/200992 Acórdão n.º 9303005.243 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.902423/200992 Acórdão n.º 9303005.243 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.902423/200992 Acórdão n.º 9303005.243 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.902423/200992 Acórdão n.º 9303005.243 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.902423/200992 Acórdão n.º 9303005.243 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722191/2008-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
"Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial."
Numero da decisão: 9202-006.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial."
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 326 1 325 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.722191/200808 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.272 – 2ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2017 Matéria IRPF Recorrente ROBERIO TEIXEIRA BRAGA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 91 /2 00 8- 08 Fl. 326DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente do fato de, supostamente ter o contribuinte classificado erroneamente rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributados. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de "Valores Indenizatórios de URV", conforme previsão da Lei estadual nº 8.730/03 e visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para URV em 1994. O lançamento abrange os anos calendários 2004, 2005 e 2006. Em impugnação, o Contribuinte argui serem as verbas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela Lei Estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo STF quando da promulgação da sua Resolução nº 245, a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possui natureza jurídica indenizatória. Após o trâmite processual, o auto de infração foi mantido pela Delegacia de Julgamento. Segundo a decisão as diferenças recebidas pelo Contribuinte estão sujeitas à incidência do imposto de renda, pois visavam a manutenção do valor real dos salários e como tal possuem natureza eminentemente salarial. Afastou a aplicação da Resolução nº 245 do STF, destacou que a competência para tratar do imposto é da União e portanto o dispositivo da lei baiana não teria qualquer efeito, afirmou que a incidência do tributo independe da denominação dada ao rendimento. Foi apresentado Recurso Voluntário o qual foi julgado parcialmente procedente tão somente para excluir a multa de ofício. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE CÁLCULO. Aplicase o regime de competência para a apuração do valor de imposto de renda devido, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10580.722191/200808 Acórdão n.º 9202006.272 CSRFT2 Fl. 327 3 MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considerase que houve boafé do contribuinte e exonerase a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte apontando os seguintes argumentos: i) ilegitimidade ativa e falta de interesse jurídico / econômico da RFB em fiscalizar e cobrar o IRPF decorrente da diferença da URV paga pelo Estado Bahia; ii) natureza jurídica das verbas pagas pelo estado da Bahia a título de diferença de conversão da URV; iii) erro na apuração da base de cálculo do tributo lançado, tributação indevida dos juros moratórios. Em exame e reexame de admissibilidade, somente foi dado seguimento quanto a discussão acerca da natureza da verba recebida, e sobre a tributação dos juros de mora. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão. Pautado originalmente para sessão de julgamento de 22 de junho de 2016, o colegiado identificou omissão do exame de admissibilidade em relação ao tema: ilegitimidade ativa e falta de interesse jurídico / econômico da RFB em fiscalizar e cobrar o IRPF decorrente da diferença da URV paga pelo Estado Bahia. Diante disto, por meio da Resolução nº 9202 000.024, foi determina a complementação do despacho de fls. 282/286. Em exame complementar, quanto a matéria acima apontada, constatouse que não foram indicados ou apresentados nenhum acórdão paradigma, e, por conseguinte, não houve demonstração de divergências interpretativas entre julgados, razão pela qual foi negado seguimento ao recurso também quanto a este ponto. Ao movimentar o processo, foi juntado às fls. 322 "despacho de encaminhamento" no sentido de ter o contribuinte ingressado com ação judicial para discussão do seu direito. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme descrito no relatório, estamos diante de recurso especial interposto pelo Contribuinte e o qual limitase a discutir a natureza jurídica das verbas pagas pelo estado da Bahia a título de diferença de conversão da URV para fins de incidência do Imposto de Renda. Fl. 328DF CARF MF 4 Embora de fato haja uma divergência jurisprudencial na tese apresentada pela Recorrente, nos termos em que fixado pelo respectivo despacho de admissibilidade, há nos autos incidente processual que merece ser apreciado. Estamos falando de renúncia apresentada pelo contribuinte em razão de ajuizamento de Ação Judicial para discussão do seu direito. Consta de quadro e despacho de fls. 321/322 que o contribuinte ingressou com ação judicial e efetuou a desistência do recurso: "O contribuinte ingressou com ação judicial. Foi efetuada a desistência do Recurso e suspensão por medida judicial." Assim, ao caso aplicase o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 o qual prevê que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação tributária importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Esse mandamento já foi internalizado por este Conselho por meio da Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Os autores Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez López, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (Editora Dialética. São Paulo 2010, p. 299) explicam que a súmula reflete o fundamento de que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no artigo 5º, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. A todo rigor, inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma mate´ria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Diante do exposto, caracterizada a concomitância, deixo de conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37301.000144/2002-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/10/2001
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/10/2001 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 1. 00 01 44 /2 00 2- 51 Fl. 145DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 37301.000144/200251 Acórdão n.º 2202004.297 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000626/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO DE ERRO FORMAL.
Comprovado o erro formal na emissão do acórdão do recurso voluntário acolhem-se os embargos apresentados para correção da falha e adequação ao tipo do acórdão.
Numero da decisão: 1401-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os presentes embargos apenas para corrigir lapso manifesto decorrente da formalização do acórdão anterior, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO DE ERRO FORMAL. Comprovado o erro formal na emissão do acórdão do recurso voluntário acolhem-se os embargos apresentados para correção da falha e adequação ao tipo do acórdão.
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CORREÇÃO DE ERRO FORMAL. Comprovado o erro formal na emissão do acórdão do recurso voluntário acolhemse os embargos apresentados para correção da falha e adequação ao tipo do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os presentes embargos apenas para corrigir lapso manifesto decorrente da formalização do acórdão anterior, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 06 26 /2 00 4- 31 Fl. 385DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de análise de crédito apresentado por meio de PER/DCOMP no qual, após a análise pela Delegacia de Origem o crédito foi apenas reconhecido e parte. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o crédito. Na análise da manifestação a Delegacia de Julgamento entendeu não assistir razão ao contribuinte e manteve, na íntegra a decisão da delegacia de origem que reconheceu apenas parcialmente o direito de crédito. Cientificado desta decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário contra o acórdão da manifestação de inconformidade. Analisada o recurso do contribuinte, foi emitido o acórdão nº 1401001.425, em 08 de dezembro de 2015, o qual apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. Retornando o processo à Delegacia de origem para ciência ao interessado a DRF/Limeira emitiu despacho de fls. 376, solicitação a correção do acórdão na parte em que inseriu como titulo da ementa ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF, quando o correto seria imposto de renda da pessoa jurídica. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401002.142 S1C4T1 Fl. 386 3 Assim retornaram os autos a este CARF para análise dos embargos inominados e correção do erro devido a lapso manifesto. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Conforme já delineado no relatório deste acórdão, a análise dos presentes embargos prendese, apenas e tão somente, à correção de erro material cometido quando da formalização do acórdão do recurso voluntário. O processo sob exame referese a análise de crédito de PER/DCOMP relativo à pessoa jurídica TRW AUTOMOTIVE LTDA. Quando foi formalizado o acórdão do recurso voluntário assim foi consignada sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. Da redação no assunto como IRPF em vez de IRPJ se insurgiu a delegacia de origem, remetendo os autos a este CARF para correção do lapso manifesto. Não há maiores análises a serem enfrentadas nos presentes embargos. Por óbvio o presente processo trata de análise de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, até mesmo porque o contribuinte deste processo é uma Pessoa Jurídica regularmente inscrita no cadastro do CNPJ. Fl. 387DF CARF MF 4 Assim, voto do sentido de serem acolhidos os presentes embargos com efeitos apenas de correção do lapso manifesto decorrente da formalização do acórdão anterior, a fim de que seja grafada a seguinte ementa em substituição à ementa original: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13910.720912/2013-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Aplicação da Súmula CARF nº 49.
Numero da decisão: 1001-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Aplicação da Súmula CARF nº 49.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 72 09 12 /2 01 3- 11 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13910.720912/201311 Acórdão n.º 1001000.202 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 26 a 31) interposto contra o Acórdão nº 1452.010, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 21 a 23), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 17), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de agosto de 2010. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/5) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário repetindo os exatos mesmos termos exarados por ocasião da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13910.720912/201311 Acórdão n.º 1001000.202 S1C0T1 Fl. 4 3 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Tratase de analisar lançamento referente à multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de agosto de 2010. A impugnante alega que teria ocorrido denúncia espontânea da infração, nos termos do CTN, art. 138, portanto a multa seria inaplicável. Esclareçase que o CTN, art. 113, dispõe que a obrigação tributária é principal ou acessória e que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Os §§ 2º e 3º do artigo retrocitado assim dispõem: § 2º – A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º – A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária., e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória de apresentação de DCTF, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração/notificação de lançamento. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso no cumprimento de obrigação acessória. A respeito do assunto, os esclarecimentos formulados no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, por Aldemario Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, demonstram a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória, com se depreende a seguir: O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no artigo 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: Principal – Multa (penalidade pecuniária) e Multa – Inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito, simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o Principal do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13910.720912/201311 Acórdão n.º 1001000.202 S1C0T1 Fl. 5 4 Esclareçase que o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria é o mesmo, já tendo sido, inclusive, objeto de Súmula, que transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão à impugnante quando afirma que a legislação citada no auto de infração estaria ferindo o CTN. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001434/2005-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
MPF. NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de
planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.
UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI n° 10.174/2001.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35)
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°14)
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - DISPONIBILIDADE.
Na apuração de eventual variação patrimonial do contribuinte deve ser levado em conta a disponibilidade advinda de recursos previamente consignados na Declaração de Ajuste tempestivamente entregue.
Preliminares rejeitadas.
Multa de oficio reduzida.
Numero da decisão: 2201-000.544
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. Por maioria, no mérito, desconsiderar o acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao mês de janeiro de 2001 e reduzir a multa de oficio para 75%, nos termos do voto do
Relator. Vencido parcialmente o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 MPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI n° 10.174/2001. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35) MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°14) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - DISPONIBILIDADE. Na apuração de eventual variação patrimonial do contribuinte deve ser levado em conta a disponibilidade advinda de recursos previamente consignados na Declaração de Ajuste tempestivamente entregue. Preliminares rejeitadas. Multa de oficio reduzida.
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I " * MINISTÉRIO DA FAZENDA yy„ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE.RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10925.00143412005-71 Recurso n° 160.909 Voluntário Acórdão n° 2201-00.544 — 2. Câmara / ia Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010 Matéria IRPF - Ex(s).: 2001, 2002 Recorrente RICARDO CARLOS RIPICE Recorrida 4TURNIA/DRJ-FLORIANDPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 MPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI n° 10.174/2001. O art. 11, § 3 2, da Lei né 9311/1996, com a redação dada pela Lei n9 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF n2 35) MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°14) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - DISPONIBILIDADE. Na apuração de eventual variação patrimonial do contribuinte deve ser levado em conta a disponibilidade advinda de recursos previamente consignados na Declaração de Ajuste tempestivamente entregue. Preliminares rejeitadas. Multa de oficio reduzida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. t(1614 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. Por maioria, no mérito, desconsiderar o acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao mês de janeiro de 2001 e redu; a multa de oficio para 75%, nos termos do voto do Relator. Vencido parcialm- • e o n• elh-' ,if tmelli Nunes da Silva. F • Assis de Oliveira Júnior - Presidente /1T.' ro do 1/eu Farah — Rela • EDITADO EM: n L„. Participaram do presente july: • ento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Et ardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva ; Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). 2 Processo ri0 !0925001434/2005-71 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.544 a 2 Relatório Ricardo Carlos Ripke recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 4'• Turma da DIU de Florianópolis/SC, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 962 a 979. Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF (fls. 03 a 08), no montante de R$ 756653,41, acrescido de multa de oficio e de juros de mora, calculados até 30/06/2005. A infração apurada pela fiscalização foi de: i - omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregaticio recebidos de pessoa jurídica; ii - rendimentos excedentes ao lucro presumido/arbitrado pagos a sócios ou acionistas; iii - acréscimo patrimonial a descoberto; iv - omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do auto de infração em 13/07/2005, o recorrente interpôs impugnação em 12/08/2005 (fls. 732 a 762), e documentos (fls. 765 a 928), sustentando, em síntese: a) nulo o procedimento fiscal que possui irregularidades na emissão e prorrogação do MPF; b) é vedada a utilização das informações bancárias relativas a CPMF para a instauração de procedimento fiscal atinente ao IRPF; c) impossibilidade de tributação de valores recebidos como antecipação de contrato. Os valores recebidos antecipadamente não se enquadram no conceito de renda definido pelo art. 43 do CTN, portanto, deve ser afastado o imposto exigido por falta de previsão legal; d) não incidência do imposto de renda sobre distribuição de lucro presumido. Os agentes fiscais não observaram os lucros "distribuiveis" nos anos-calendário de 2000 e 2001, constantes das declarações de rendimentos da empresa SoftConsult às fls. 307/365, nem solicitaram à empresa a apresentação dos balancetes mensais para aquele período; e) inocorrência de saldo credor de caixa. Deve ser considerado no Demonstrativo da Variação Patrimonial à E. 31, para justificar o acréscimo patrimonial a descoberto — APD, apurado em janeiro/2001, o saldo existente em 31/12/2000, declarado como "investimento em moeda estrangeira" no valor de R$ 84.800,00, bem como os "lucros movimentados anteriores a 2000"; 1 3 O inocorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a saber: i - os depósitos efetuados em suas contas correntes referem-se à distribuição de lucros da empresa SoftConsult, o que já teria sido comprovado pelas planilhas, cópias de cheques, extratos bancários e demais documentos apresentados às fls. 143/234, 248/294 e 622/718, durante a ação fiscal; ii - os valores depositados nem sempre coincidem com os dos cheques emitidos pela SoftConsult, posto que esta os teria emitido em valor maior, sendo pratica comum emitir cheque de valor maior e nominal à agência bancária para pagamento, além dos lucros, de várias outras contas ao mesmo tempo. Para comprovar a argumentação "junta aos autos as cópias das fitas de caixa dos bancos CEF e Banco ItaU S/A, relativos a todos os depósitos efetuados nas suas contas correntes manadas naquelas instituições financeiras (doc. 03), onde se apura o ingresso (no banco) de valor e a distribuição (por depósitos e pagamentos) daquele mesmo valor"; iii - que combinou verbalmente com os agentes fiscais a apresentação das fitas de caixa ainda no curso dos procedimentos fiscais (fls. 719/724). Todavia, o prazo necessário para a produção das cópias (pelo menos 30 dias segundo os gerentes das instituições financeiras) não foi aguardado pelos agentes fiscais que lavraram o auto de infração, antes mesmo da apresentação daqueles documentos. Pelos documentos apresentados durante a ação fiscal e as fitas de caixa apresentadss com a impugnação (doc. 03) se pode constatar que "não há sequer um depósito bancário não comprovável", portanto, não ocorreu à infração apontada; g) não configuração do dolo, fraude ou conluio de que trata o art. 71 da Lei 4.502/1964. As três infrações apontadas pelos agentes fiscais não caracterizam o ato de fraude dolosa. Cita Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes e invoca o artigo 112 do CTN, pleiteando a redução da multa para 75%; h) inaplicável a taxa SELIC. A 4. Turma da DRJ de Florianópolis/SC proferiu Acórdão n° 07-9.689 mantendo integralmente a exigência, consubstanciada nas ementas abaixo transcritas: MPF. PRORROGAÇÃO. MEIO DE FORMALIZAÇÃO. A partir da Portaria SRF n.o 3.007/2001, a prorrogação de procedimento fiscal regularmente iniciado por via da emissão de MI'F, passou a ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível ao contribuinte na Internet. LEGISLAÇÃO TRIBU7ÁRL4. MATÉRL4 PROCEDIMENTAL. RETROA77VIDADE. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 4 • Processo a° 10925.001434/2005-71 S2-C2T1 Acórdão tr.° 2201-00.544 FL. 3 UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF. LIMITES. A utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, relativo a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei na 10.174/2001, é legitimada pelo § .1 2 da art. 144 do C77V, por se tratar de procedimento que ampliou os poderes de investigação das autoridades fiscais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tributáveis ou não, só pode ser elidida mediante prova em contrário. ACRÉSCIMO PATRIMONLIL Á DESCOBERTO. RECURSOS EM DINHEIRO. Valores declarados corno dinheiro em espécie no final de um ano-calendário só servem para acobertar acréscimos patnMoniais no ano-calendário seguinte mediante prova inconteste de sua existência. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÓNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ónus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PÁRA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. MULTA QUALIFICADA. Configurada a existência de dolo, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. 4 5 Cientificado da decisão de primeira instância em 08/06/2007 (fl. 958), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 10/07/2007, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação: É o relatório. • # 6 Processo n° 10925.001434/2005 .71 52.C2T1 Acórdão n.° 2201-00.544 Fl. 4 Voto Conselheiro 'Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega preliminarmente o insurgente nulidade do procedimento fiscal em função de irregularidades na emissão e prorrogação do MPF. Inicialmente deve ser esclarecido que o ato de instituição do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é de natureza infralegal e em decorrência do princípio da legalidade (CF, art. 5 0, inc. II) e da hierarquia das leis, o referido ato não pode conceder, ampliar, restringir ou retirar competência atribuída por lei ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de realizar ação fiscal e efetuar o respectivo lançamento. É o que determina o art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a venficar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funciona. O MPF é, portanto, um instrumento que tem como objetivo além do gerenciamento da ação fiscal pela Administração Fazendária, oferecer segurança ao contribuinte, possibilitando a confirmação, via internes, da ação fiscal em curso, da sua extensão e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária. Ademais, o referido instrumento não é sequer pressuposto obrigatório para o ato administrativo do lançamento, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. Todo o raciocínio acima encontra amplo respaldo na jurisprudência desta Casa, conforme ementa a seguir transcrita: NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa, prazo estipulado no MI'?, a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a 7 • punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz.(Acárda os 106-13138 e 106-13440). Corrobora todo o exposto o fato de que ensejam nulidade do processo administrativo fiscal apenas disposições contidas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, in verbis: Art. 59. mo nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providéncias necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem a mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Portanto, não merece prosperar a alegação de nulidade do lançamento, em decorrência de questões relativas à emissão e trâmite do MPF. Em outra passagem alega o recorrente que é vedada a utilização das informações bancárias relativas a CPMF para a instauração de procedimento fiscal referente ao IRPF. Assevera, ainda, que a atividade fiscal partiu de informações financeiras obtidas em período anterior a 10/01/2001, portanto, antes do inicio da vigência da Lei n° 10.174/2001. Em relação à utilização de informações concernentes a CPMF para a constituição do crédito tributário, invoco a Súmula CARF n° 35: O art. 11, § 32, da Lei N2 9.311/96, com a redação dada pela Lei N2 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (grifei) Portanto, a Secretaria da Receita Federal está autorizada a utilizar as informações obtidas pela CPMF, ainda que retroativamente para instaurar procedimento administrativo com o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador de obrigação tributária, na forma estabelecida na Lei n° 10.174, de 2001. Destarte, não há como acolher as preliminares suscitadas pelo recorrente. Em relação ao mérito, alega o suplicante que não possível tributar valores recebidos como antecipação de contrato, pois, segundo seu ponto de vista, não houve acréscimo patrimonial na forma prevista no art. 43 do CTN, visto que o montante recebido antecipadamente não se enquadra no conceito de renda. Compulsando-se os autos, mais precisamente o Contrato de Prestação de Serviços (fi. 236), verifica-se que o parágrafo 2°, da Cláusula r estipula claramente que: 8 • Processo n° 10923.0014342005-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 220140.544 F1. 5 Independentemente do valor estipulado no capta, no intuito de assegurar a qualidade e urgência dos serviços relacionados na cláusula Primeira, haja vista a signcativa quantidade de recursos envolvendo aquelas ações, a Contratante repassara ao Contratado, a título de adiantamento geral, para pagamento de custas processuais gerais, despesas de viagens e estadias, de acompanhamento junto aos Tribunais de despesas cartoriais gerais e outras despesas quaisquer em relação à administracão da uelas ações. o valor de R$ 600.000,00(seiscentos mil reais) a ser pagão no decorrer de 2001. Pelo que se depreende da leitura do parágrafo 2°, da Cláusula 2 2, foi estipulada a quantia de R$600.000,00 para a contratada a título de "acompanhamento junto aos tribunais", das ações da contratante, sem prejuízo das outras atividades relacionadas às citações. Portanto, restou claramente definido, nesta mesma cláusula, o compromisso profissional do contratado perante a contratante, na medida em que tal adiantamento garantiria inclusive à "administração daquelas ações". Ademais, relativamente aos gastos envolvendo custas processuais, despesas com viagens, estadias e cartoriais, poderia, pois, o recorrente, caso demonstrasse ter suportado tais encargos, reduzir do valor adiantado, vez que em sua essência tais gastos representa ressarcimento de despesas. Entretanto, não foi carreado aos autos qualquer comprovante de despesas relacionadas com a prestação de serviços, na forma estabelecida no parágrafo 2°, da Cláusula 22. Portanto, entendo que o valor recebido configurou indubitavelmente fato gerador do imposto de renda, na forma preconizada pelo art. 43 do CTN. Prossegue o suplicante alegando que o valor de R$ 130.791,05, relativo aos anos-calendário 2000 e 2001, refere-se a lucro presumido distribuído mensalmente pela SoftConsult, portanto, isento de tributação nos termos da Lei n° 9.249/1995. Para demonstrar o alegado solicita o recorrente (11.752), ainda em sede de impugnação: (.) a realização de diligência para apurar fato comprovável por documentos fiscais não solicitados por conta do procedimento de fiscalização (.) até porque pela análise dos documentos aquela infração não ocorreu, conforme se comprova dos balanços mensais juntados aos autos. (doc.02). Diante da solicitação supra os autos foram convertidos em diligência para que a autoridade lançadora confrontasse os documentos apresentados, às fls. 765 a 789, com os registros contábeis da empresa SoftConsult. Pois bem, concluída a análise da escrita contábil da empresa (fls. 935/937), constatou a autoridade autuante que: Não assiste razão ao interessado. A conta contábil resumida 221, embora pareça ter saldo positivo em 01/01/2001 (R$62.129,91) é na verdade negativa em R$13.558,41; já que houve aumento de capital de R$75.000,00 9 em maio de 2000 (vide razão contábil fls. 458), absorvendo todo o saldo de lucros acumulados do ano anterior. Para finalizar, mesmo que pudessem ser aceitos os mencionados relatórios, apurando-se manualmente o saldo da conta de lucros acumulados, constata-se que nem assim os argumentos do contribuinte prosperam. Verifica-se a ausência de saldos positivos suficientes para a pretendida distribuição de lucros. Senão vejamos: Em janeiro/2000 foi realizada uma distribuição de lucros aos três sócios de R$45.000,00 (vide livro diário fis. 559). Já o relatório do mês de janeiro/2000 (fls. 765), apresenta os seguintes saldos: Receita Bruta de R$45.123,22 (consideradas as deduções de vendas) e despesas gerais de R$16.392, 97 (consideradas as receitas financeiras). Restari tamso um saldcleapenas R$28. 730.35. insuficiente para justificar a distribuição de lucros efetuada. Nos períodos subseqüentes ocorre o mesmo, demonstrando a impropriedade dos relatórios para amparar as pretensões do impugnante. Com relação ao ano-calendário 2001, o contribuinte apresentou apenas o relatório do mês de dezembro de 2001, não alterando em nada os fatos constatados. Destarte, devem ser refutados completamente os relatórios juntados pelo contribuinte, por não satisfazer a legislação comercial e societária, além de não atender as normas contábeis (transcrição no livro diário, apuração do resultado e transferência para lucros acumulados, assinatura do representante legal e contador habilitado). Pelas razões apontadas, constata-se que os valores pagos ao inareza'urídica de rendimentos tributáveis e não de lucros distribuídos. Pelo que se extrai do relatório fiscal, o repasse de recursos efetuado para o sócio-recorrente, tem natureza tributável e não de lucros distribuídos. Verifica-se, pois, que em seu instrumento recursal o suplicante não contrapõe, tecnicamente, as conclusões obtidas pela autoridade lançadora, limitando seu inconformismo, na alegada falta de participação dos levantamentos efetuados pelo órgão fiscalizatório. Deixo aqui consignado que para deferir o pleito do suplicante é necessário que seja, objetivamente, apontada as falhas constantes no relatório confeccionado pela autoridade fiscal. Destarte, meras alegações, desacompanhadas de provas, não podem ser contrapostas aos levantamentos efetuados pelo Fisco. Portanto, conclui-se que não restou comprovado nos autos a existência de lucros isentos passíveis de distribuição. Em outra passagem insurge o recorrente contra o acréscimo patrimonial a descoberto apurado em janeiro de 2001, no valor de R$ 25.775,97, pois, segundo alega, havia saldo de caixa de R$ 84.800,00, conforme registro em sua Declaração de Ajuste do ano- calendário 2000. Arremata, ainda, que a origem destes recursos advém de sobras dos lucros e dividendos distribuídos pela empresa SoftConsult, ao longo de 2000. gh,1• ,ft to •Processo n° 10925.001434/2005-71 52-C2T1 Acórdão m° 2201-00544 Fl. 6 • Por sua vez, entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que a aplicação que gerou o acréscimo patrimonial a descoberto foi à integralização de capital na empresa Irmão Ripke Ltda., no importe de R$30.000,00, em janeiro do ano seguinte e, precisamente nesta data, o recorrente não possuía recursos para tal. Assim, coocluiu o relator da decisão a quo "... transferência de recursos de um exercício financeiro para outro só é admitida quando há prova inconteste da efetiva disponibilidade do quentura requerido, ou seja, prova de que a renda não foi consumida dentro do próprio ano." Com o devido respeito às autoridades julgadoras de primeira instância, entendo que o acórdão recorrido, neste ponto, merece ser reformado. Pelo que se depreende da análise da Declaração de Ajuste Anual, ano- calendário 2000 (fls. 39 a 41), o recorrente informou como rendimentos isentos e não tributáveis o valor de R$ 140.000,00, relativo a lucros e dividendos recebidos. Por sua vez, entendeu a autoridade fiscal que parte deste valor, ou seja, R$ 110.689,40, relativo ao mesmo ao ano-calendário, representou excesso de lucro distribuído, sujeitando o referido rendimento à tabela progressiva. Em que pese à tributação operada pela fiscalização, não se pode olvidar que o recorrente declarou tempestivamente o valor de R$ 84.800,00. Por outro lado, no cálculo do acréscimo patrimonial, as sobras de recursos informadas na declaração de bens e direitos de determinado ano devem ser transpostas para o outro, mormente quando a fiscalização não faz prova de que foram consumidos. Esse entendimento encontra-se assentado no conselho de. contribuinte, consoante a ementa abaixo transcrita: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - DISPONIBILIDADE- Na apuração de eventual variação patrimonial do contribuinte deve ser levaçlo em conta a disponibilidade advinda de recursos previamente consignados na Declaração de Ajuste tempestivamente entregue. (Recurso Voluntário 162.107) Portanto, não há como deixar de considerar o referido valor como disponibilidade para o ano seguinte, especialmente para fins de integralização de capital na empresa Irmão Ripke Ltda, ocorrida em janeiro de 2001. Ante ao exposto, deve ser desconsiderado a acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao mês de janeiro de 2001. Na seqüência, afirma o recorrente que inexistem depósitos bancários sem origem comprovada, asseverando que alguns depósitos efetuados a titulo de distribuição de lucros da SoftConsult podem não coincidir, todavia, através da documentação carreada, fica demonstrada toda a movimentação e origem dos recursos (fls. 144/145). Por meio de uma análise mais detida dos autos verifica-se que a fiscalização excluiu da relação de fls. 136/139 todos os valores cuja origem ficou devidamente comprovada pelo recorrente, conforme anotado na planilha de fls. 22/25, anexa ao auto de infração. Entretanto, os documentos que não se prestaram a comprovar a origem não foram considerados. $11 Exemplificando, no dia 31/12/1999 houve um crédito representado pela distribuição de lucros no valor de R$ 7.000,00. Posteriormente, houve um débito relativo ao pagamento de parte desta distribuição no valor de R$ 2.000,00, em 20/01/2000 e R$ 4.000,00, em 24/01/2000 (fls. 144/145). Todavia, a fiscalização considerou comprovado apenas o depósito efetuado no banco liai no valor de R$ 2.000,00, conforme consta na cópia de cheque carreada (fl. 650). Em relação ao crédito de R$ 4.000,00, efetuado no banco Itan, o contribuinte apresenta apenas um comprovante de depósito inominado (fl. 148), afirmando originar-se da SoftConsult. Ressalte-se que os depósitos para os quais foram apresentadas cópias de cheques, relativos aos lucros distribuídos, foram excluídos da exigência, ainda que divergentes dos recibos apresentados pelo recorrente, conforme consta às fls. 146, 149, 154, 157, 161, 164, 167, 170, 175, 177, 179, 183, 189, 190, 196, 203, 208, 211, 215, 218, 223, 226, 227 228, 229, 230, 231, 232, 233, 234. Deve-se ainda registrar que os documentoi trazidos pelo recorrente na impugnação (fls. 790 a 928), em verdade nada comprovam, posto que não foi possível fazer uma vinculação precisa das origens dos depósitos. Ademais, quando se tenta cotejar os registros do "Movimento de Transações Sem Fonnülário" (fls. 790 a 928), com os depósitos bancários efetuados nas contas do recorrente, não é possível estabelecer uma relação segura de a origem dos recursos efetivamente vieram das SoftConsult. Neste ponto valho-me das observações lançadas pelo relator do aresto guerreado, o qual peço venia para reproduzi-lo: Alegações genéricas e tentativas de justificar depósitos agrupados por via de documentos também agrupados não podem ser acatadas como hábeis ao afastamento da presunção. Em regra, ou o contribuinte demonstra a origem de cada um dos depósitos por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, de forma individualizada, ou então deve arcar com o peso da presunção legal. Tal ônus, ressalte-se, é atribuição da lei, e não da vontade da autondade fiscal. Os documentos trazidos pelo requerente na impugnação, às fis. 790 a 928, em nada alteram a lide, posto que não comprovam a origem dos depósitos. A simples apresentacào do número do cisme do qual teria se oripinado o depósito não é hábil para elidir a tributarão. posto que não identifica, ao menos, o emitente do cheque. Não foi feita pela contribuinte a • demonstração individualizada da • orirem de cada valor depositado. A apresentação de documentos bancários com a indicação de códigos não decifrados, contas não identificadas, nem a composição detalhada de que documentação se refere a cada depósito não pode ser aceita para justificar os depósitos bancários de origem não comprovada. Destarte, deve ser mantida a exigência, relativamente a este ponto, nos exatos termos concebidos pela autoridade fiscal. Por fim, insurge o suplicante contra a aplicação da multa qualificada, alegando que a simples omissão de rendimentos ou suposto acréscimo patrimonial a descoberto não caracteriza dolo, fraude ou simulação, devendo ser aplicada à penalidade de 75%, nos termos do inciso Ido art. 44 da Lei n° 9.430/1996. 4 12 Processo n° 10925.00143412005-71 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.544 Fl. 7 Pois bem, pelo que se extrai do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 14/21), concluiu a autoridade fiscal que "... a conduta dolosa do contribuinte está evidente e materializada, face a total incompatibilidade do rendimento declarado e as várias infrações aqui demonstradas. Sendo assim, face ao exposto acima, aplicamos a multa de oficio de 150%, de acordo com o inciso lido art. 44 da Lei n°9.430/1996." Portanto, entendeu a autoridade lançadora que o recorrente agiu com dolo, na forma do art. 71 da Lei n°4.502/1964, a saber: Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Todavia, peço venha para discordar do entendimento esposado pela autoridade fiscal. Tenho reiteradamente afirmado que somente caberia a qualificação da multa de oficio quando restasse demonstrado o evidente intuito de fraude ou seja, a ação livre e consciente do contribuinte com objetivo de fraudar o Fisco. Como não há elemento de prova nos autos capaz de demonstrar a intencionalidade de sua ação, não há como considerar a qualificadora para os valores lançados. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio deverá ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos. Desta forma, como a fiscalização não comprovou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando-se de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude não cabe a aplicação da multa qualificada. Esse é o entendimento desta Casa, consoante à ementa transcrita: MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICAtIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Outrossim, nos termos da Sumula n° 14 deste Primeiro Conselho, simples omissão na caracteriza evidente intuito defraude. (Acórdão 106- 17037, sessão de 10/09/2008, Rel. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti) Invoco, ainda, a aplicação da Súmula CARF n2 14, que transcrevo: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. 13 Incomprovada a fraude ensejadora da multa qualificada, esta não pode subsistir. Desta forma, deve o percentual da multa de oficio ser reduzido para 75%. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, desconsiderar o acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao mês de janeiro de 2001 e reduzir a multa de oficio para 75%. EDU • à ei TADEU F • • 14 " MINISTÉRIO DA FAZENDA_ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10925.001434/2005-71 Recurso n° : 160.909 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segun a Câm. a da Se: nda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00.544. Brasili• s, FRANC SCO ASS DE OLIVEIRA JUNIOR President da Seguno .1. Câmara da Segunda Stçâo- Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial 1 ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910691/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 02/04/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.557
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 02/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 91 /2 01 1- 70 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.910691/201170 Acórdão n.º 3402004.557 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.140, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/04/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.910691/201170 Acórdão n.º 3402004.557 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.910691/201170 Acórdão n.º 3402004.557 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.910691/201170 Acórdão n.º 3402004.557 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.015070/2008-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
DISPONIBILIZAÇÃO E/ OU TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA
A disponibilização e/ ou a transferência de créditos financeiros a outras pessoas jurídicas, ainda que realizadas, sem contratos escritos, mediante a escrituração contábil dos valores cedidos e/ ou transferidos, constitui operação de mútuo sujeita à incidência do IOF.
Numero da decisão: 9303-005.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DISPONIBILIZAÇÃO E/ OU TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA A disponibilização e/ ou a transferência de créditos financeiros a outras pessoas jurídicas, ainda que realizadas, sem contratos escritos, mediante a escrituração contábil dos valores cedidos e/ ou transferidos, constitui operação de mútuo sujeita à incidência do IOF.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.015070/200800 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.582 – 3ª Turma Sessão de 17 de agosto de 2017 Matéria IOF MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MULTICORP COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DISPONIBILIZAÇÃO E/ OU TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA A disponibilização e/ ou a transferência de créditos financeiros a outras pessoas jurídicas, ainda que realizadas, sem contratos escritos, mediante a escrituração contábil dos valores cedidos e/ ou transferidos, constitui operação de mútuo sujeita à incidência do IOF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 50 70 /2 00 8- 00 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 180 a 193) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3101001.094 (fls. 170 a 178) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 25/04/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 IOF. RECURSOS DA CONTROLADA EM CONTA DA CONTROLADORA. CONTA CORRENTE. RAZÃO DE SER DA HOLDING. Os recursos financeiros das empresas controladas que circulam nas contas da controladora não constituem de forma automática a caracterização de mútuo, pois dentre as atividades da empresa controladora de grupo econômico está a gestão de recursos, por meio de contacorrente, não podendo o Fisco constituir uma realidade que a lei expressamente não preveja. Recurso Voluntário Provido O presente processo tem origem em Auto de Infração (fls. 93 a 98), e respectivo Relatório de Ação Fiscal (fls. 99 a 105), lavrado para exigência de IOF Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários sobre operações de mútuo entre a empresa autuada, Multicorp Indústria e Comércio de Embalagem Ltda., e a sua controladora, Olvebra Industrial S/A, a qual detêm 99,99% do seu capital social. No Relatório de Ação Fiscal (fls. 99 a 105), a Fiscalização consigna que solicitou à empresa Multicorp a apresentação do contrato de mútuo realizado entre a mesma e Olvebra Industrial S/A, referente ao fluxo de valores creditados e debitados, através de conta corrente bancária, bem como os DARF´s relativos aos recolhimentos de IOF incidentes sobre as operações especificadas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005. Em resposta, a Fiscalizada declarou inexistir contrato de mútuo entre as referidas pessoas jurídicas, esclarecendo que há um condomínio entre as duas empresas do mesmo grupo econômico para maximizar recursos. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 4 3 Em face dos documentos e esclarecimentos apresentados, na análise das operações, a Fiscalização concluiu que: [...] Análise das operações: A MULTICORP LTDA, no período fiscalizado, janeiro de 2004 a dezembro de 2005, realizou operações financeiras com sua controladora OLVEBRA Industrial S/A, verificandose, na análise contábil, saldos devedores. A fiscalização da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre considerou estas operações de créditos correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sujeitas à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamentos e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras, conforme determina o artigo 13 da Lei 9779 de 19 de janeiro de 1999. Sendo assim, verificados os saldos devedores da OLVEBRA para com a MULTICORP, foram elaboradas as planilhas práticas do período de janeiro de 2004, mês a mês até dezembro de 2005 (folhas 67 a 81) para cálculo do imposto sobre operações financeiras, calculado pela soma dos saldos devedores diários, incluindo os dias não úteis, no último dia do mês, aplicandose a alíquota de 0,0041%, conforme determina o artigo 70, inciso I, alínea "a" do Decreto 4494 de 03/12/2002. [...] Após intimada da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 124 a 127), defendendo a não incidência de IOF por se tratarem de operações financeiras de fomento mercantil com empresas de crédito realizadas pela sua controladora Olvebra Industrial S/A que detém 99,99% das quotas da empresa Multicorp, cujos valores líquidos eram creditados diretamente na conta corrente desta última. A impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário, consoante Acórdão nº 1029.977 da 3ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, de 18 de fevereiro de 2011 (fls. 150 a 152), cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS Os valores depositados por uma pessoa jurídica em conta de outra pessoa jurídica têm natureza de mútuo se a empresa não provar por contrato ou outros documentos natureza jurídica distinta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 5 4 Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 159 a 161), ao qual foi dado provimento nos termos do Acórdão nº 3101001.094 (fls. 170 a 178) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 25/04/2012, ora recorrido, por ter entendido a maioria do Colegiado que "não houve a contratação de mútuo entre a Recorrente e sua Controladora, da qual é controlada, mas sim, entendo ser contrato de contacorrente pelo qual a Holding administra o caixa do grupo". Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 180 a 193), alegando divergência jurisprudencial quanto à exigência de IOF sobre operações financeiras realizadas entre empresa controladora e sua respectiva controlada, alegando trataremse de operações com natureza de mútuo. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou o acórdão paradigma nº 330200.616. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) restou demonstrada a divergência jurisprudencial pois, nos casos confrontados, questionavase sobre a incidência de IOF em contratos caracterizados pela Fiscalização como operações de mútuo entre empresa coligadas, sendo que a decisão recorrida entendeu por indevida a incidência, por se tratar de contrato de contacorrente, enquanto que o paradigma concluiu terem as operações natureza de mútuo entre pessoas jurídicas, ainda que não suportadas por contrato específico, atraindo a tributação pelo IOF consoante art. 13 da Lei nº 9.779/99; (b) considerando a competência atribuída à União pelo art. 153, inciso V, da Constituição federal para instituir impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários, sem restringir às operações de crédito efetuadas entre instituições financeiras, foi editada a Lei nº 9.779/99, cujo art. 13 estendeu a incidência do IOF sobre operações de crédito para as operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; (c) o Decreto 4.494/2002, novo regulamento do IOF, dispõe em seu art. 2º, I, "C" que o IOF incide sobre operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, e no art. 7º, I, "a", §13, determina que nas operações de crédito entre pessoas jurídicas, inclusive as decorrentes de registros ou lançamentos contábeis, a base de cálculo do imposto é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês; (d) defende estarem incluídas nas operações de mútuo entre pessoas jurídicas, ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sujeitas à incidência do IOF, as realizadas por meio de contacorrente e sem prazo de vencimento definido. Conclui a Fazenda Nacional que, em razão de cada empresa ligada ser uma pessoa jurídica distinta das demais, não há como acatar a formação de um caixa único para pagamento de despesas comuns, e por isso as operações efetuadas entre a Autuada e sua controladora, registradas em contacorrente, caracterizam a realização de operações de crédito decorrentes de mútuo; Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 6 5 (e) ao final requer o provimento do recurso especial, com a reforma do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, prevalecendo a conclusão externada pela autoridade julgadora de primeira instância. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 3100571, de 14 de agosto de 20144 (fls. 195 a 197), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à incidência de IOF nas operações financeiras realizadas entre empresa controladora e sua controlada, sendo que o acórdão recorrido entendeu trataremse de operações de contacorrente, não equiparável ao mútuo, e o paradigma consigna serem operações de mútuo, atraindo a incidência do imposto. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 202 a 205) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, cingese a controvérsia a definirse se as operações realizadas entre a empresa autuada e sua controladora caracterizamse como contrato de mútuo ou como operações de contacorrente, e, por conseguinte, se há ou não incidência do IOF. Conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal, no caso dos autos, a Contribuinte Multicorp no período entre janeiro de 2004 a dezembro de 2005, realizou operações financeiras com sua controladora Olvebra Industrial S/A, tendo verificado a existência de saldos devedores na análise contábil. A Fiscalização interpretou referidas transações como operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sujeitandoas à incidência do IOF nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, mesma norma aplicada às operações de financiamentos e empréstimos efetuadas pelas instituições financeiras, segundo a qual: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 7 6 sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. O ponto central da análise do recurso especial está em definirse, portanto, se as operações financeiras efetuadas entre a controladora e a controlada têm natureza jurídica de mútuo de recursos financeiros, atraindo a incidência do IOF consoante art. 13 da Lei nº 9.779/99, anteriormente citado, ou se constituem em remessas recíprocas de valores, a"crédito" e "débito", em uma só conta, caracterizando o contrato de contacorrente, este autônomo em relação ao mútuo, e não havendo a incidência do IOF. O art. 153, inciso V, da Constituição Federal outorgou à União a competência para instituir imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários. Temse, portanto, estabelecidas quatro bases econômicas para a incidência do tributo: operações de crédito; operações de câmbio; operações de seguro e operações relativas a títulos ou valores mobiliários. Assim, o IOF incidirá sobre os negócios jurídicos que tenham como objeto referidos bens ou valores crédito, câmbio, seguro ou títulos e valores mobiliários. A Lei nº 5.143/1966 instituiu o IOF sobre crédito e seguro, cabendo ao Banco Central do Brasil a competência para fiscalização e arrecadação. Posteriormente, foi sancionado o Código Tributário Nacional, a Lei nº 5.172/66, com status de lei complementar, a qual, ao tratar do Imposto sobre Operações Financeiras, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (arts. 63 a 67), estabeleceu o fato gerador e a base de cálculo do tributo, o contribuinte e sobre a competência do Poder Executivo para alterar a alíquota do imposto. O art. 1ª da Lei nº 5.143/66 estabeleceu a hipótese de incidência do IOF crédito, nos seguintes termos: "o imposto sobre operações financeiras incide nas operações de crédito e seguro, realizadas por instituições financeiras e seguradoras, e tem como fato gerador: I no caso de operações de crédito, a entrega do respectivo valor ou sua colocação à disposição do interessado; [...]". O art. 2º, inciso I, do referido diploma legal, por sua vez, definiu como base de cálculo do tributo, nas operações de crédito, "o valor global dos saldos das operações de empréstimos, de abertura de crédito e de desconto de títulos, apurados mensalmente; [...]". Foram determinados, ainda, como contribuintes do imposto os tomadores de crédito, e como responsáveis as instituições financeiras referidas no art. 17 da Lei nº 4.595/64, consoante o disposto nos artigos 4º e 5º, ambos da Lei nº 5.143/66. As referidas normas são compatíveis com o art. 153, inciso V, da Constituição Federal de 1988 e artigos 63, inciso I e 64, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nessa esteira, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 153, inciso V, ao reestruturar o Sistema Tributário Nacional, manteve o IOF como imposto de competência da União. A legislação do IOF foi recepcionada pela Carta Magna, consoante art. 34, §5º do Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 8 7 ADCT Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. O IOF foi regulamentado pelo Decreto nº 2.219/1997, revogado e substituído pelo Decreto nº 4.494/2002, o qual, por sua vez, foi revogado e substituído pelo Decreto nº 6.306/2007, atualmente em vigor, e que traz as quatro incidências do IOF no art. 2º1. Com relação à incidência do IOF sobre operações de crédito, o art. 63, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN estabelece como fato gerador a entrega total ou parcial ou colocação do montante ou valor à disposição do tomador, in verbis: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. 1 Decreto nº 6.306/07. Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei no 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1o); b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, § 1o, inciso III, alínea “d”, e Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); II operações de câmbio (Lei no 8.894, de 21 de junho de 1994, art. 5o); III operações de seguro realizadas por seguradoras (Lei no 5.143, de 1966, art. 1o); IV operações relativas a títulos ou valores mobiliários (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o); V operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial (Lei no 7.766, de 11 de maio de 1989, art. 4o). § 1º A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 63, parágrafo único). § 2º Excluise da incidência do IOF referido no inciso I a operação de crédito externo, sem prejuízo da incidência definida no inciso II. § 3º Não se submetem à incidência do imposto de que trata este Decreto as operações realizadas por órgãos da administração direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e, desde que vinculadas às finalidades essenciais das respectivas entidades, as operações realizadas por: I autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II templos de qualquer culto; III partidos políticos, inclusive suas fundações, entidades sindicais de trabalhadores e instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 9 8 Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. Com a superveniência do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, houve o alargamento do campo de incidência do IOF, passando a abranger também operações de crédito, entendidas como mútuo de recursos financeiros, realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, ainda que não de natureza financeira. O IOFcrédito passou a abranger operações de mútuo fora do âmbito do mercado financeiro, limitandose, no entanto, o campo de incidência às operações de crédito correspondentes a "mútuo de recursos financeiros". Para regulamentar o IOFcrédito, está em vigor o Decreto nº 6.306/2007, com alterações posteriores à sua edição, que estabelece em seu art. 3º, §3º 2 as operações de crédito que estariam sujeitas à incidência do referido imposto, consolidando o disposto na legislação vigente sobre a matéria Lei nº 5.143/66, Decretolei nº 1.783/80 e Lei nº 9.532/97. Nos termos do Decreto nº 6.306/07, portanto, são integrantes do conceito de operações de crédito: (a) as operações de empréstimos, abertura de crédito e desconto de títulos, todas realizadas por instituições financeiras; (b) as operações de factoring, e (c) as operações de mútuo de recursos financeiros, referidas no art. 13 da Lei nº 9.779/99. Para compreensão do campo de incidência do IOF sobre as operações de crédito, necessário delimitarse o conceito de "operações de crédito", adotado em sentido restrito pela legislação tributária. Elucidativa é a lição do saudoso jurista Alberto Xavier 3, nos seguintes termos: [...] 2 Decreto nº 6.306/2007. Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1º Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2º O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7o, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). 3 XAVIER, Alberto. A Distinção entre Contrato de Contacorrente e Mútuo de Recursos Financeiros para Efeitos de IOF. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 208, fls. 15 a 26. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 10 9 Sucede que, no que concerne ao caso peculiar de operações realizadas por pessoas jurídicas não financeiras, a lei ordinária (Lei nº 9.779/1999) voltou de novo a autolimitarse, restringindo o âmbito de incidência ao conceito bem mais restritivo de "mútuo de recursos financeiros". Tivesse a lei ordinária adotado o conceito amplo de "operação de crédito", com raízes na lei constitucional e na lei complementar, poderseia sustentar, com alguma verossimilhança, que os fluxos financeiros realizados por uma parte poderiam subsumirse em tal conceito, na medida em que poderiam representar um diferimento no tempo de uma prestação, para usar o clássico conceito de "operação de crédito" de João Eunápio Borges. Com efeito, o conceito de "operação de crédito" foi entre nós objeto de clara lição pelo referido autor. "Em qualquer operação de crédito o que sempre se verifica é a troca de um valor presente e atual por um valor futuro. Numa venda a prazo, o vendedor troca a mercadoria o valor presente e atual pela promessa de pagamento a ser feito futuramente pelo comprador. No mútuo ou em qualquer modalidade de empréstimo, à prestação atual do credor corresponde a prestação futura do devedor. O crédito é, pois, economicamente, a negociação de uma obrigação futura; é a utilização dessa obrigação futura para a realização de negócios atuais. [...] Na noção de crédito estão implícitos os seguintes elementos: a) a confiança: quem aceita, em troca de sua mercadoria ou de seu dinheiro, a promessa de pagamento futuro, confia no devedor. Confiança que pode não repousar exclusivamente no devedor, mas em garantias pessoais (aval, fiança) ou reais (penhor, hipoteca, etc.) que ele ofereça em segurança da oportuna realização da prestação futura a que se obrigou; mas, de qualquer forma, é sempre a confiança elemento essencial do crédito; b) o tempo, constituindo o prazo, o intervalo, o período que medeia entre a prestação presente e atual e a prestação futura. [...]" Mesmo, porém, em sentido amplo, o contrato da contacorrente apenas se pode subsumir no conceito de operação de crédito no momento e por ocasião do encerramento da conta, pois até esse momento é latente um estado de indeterminação absoluta da quantia a restituir e da pessoa a quem cabe a restituição [....]. (grifouse) As operações de crédito, em sentido amplo, portanto, são todos os negócios jurídicos em que uma das partes efetua prestação presente, confiando em uma contraprestação futura. Os elementos da confiança e do tempo estão presentes em todas as operações de IOF eleitas pelo legislador como operações de crédito: empréstimos, abertura de crédito, desconto de títulos realizadas por instituições financeiras, operações de factoring e mútuo de recursos financeiros. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 11 10 Assim, no que concerne às operações realizadas por pessoas jurídicas não financeiras, verificase ter a Lei nº 9.779/99 restringido o âmbito de incidência do IOF ao conceito restrito de "mútuo de recursos financeiros", cabendo averiguarse a hipótese de referida expressão contemplar os negócios jurídicos que, mesmo não se caracterizando como mútuo no sentido técnico e jurídico, possam ter efeitos econômicos semelhantes aos da operação de crédito, como no caso dos contratos de contacorrente. Analisandose a lei fiscal, à luz dos institutos de Direito Civil, conforme determina a regra geral de hermenêutica contida no art. 110 4 do Código Tributário Nacional, a interpretação conferida pela Receita Federal que inclui o contrato de conta corrente dentre essas operações não está em consonância com o objetivo da Lei nº 9.779/99. Persistir na indevida imposição de tributação pelo IOF sobre os fluxos financeiros decorrentes de contratos de conta corrente, sob o argumento do art. 13 da Lei nº 9.779/99, representaria emprego de analogia vedada expressamente no art. 108, §1º do Código Tributário Nacional. Nessa esteira, importa traçar os conceitos de contrato de mútuo financeiro e do contrato de contacorrente, os quais levarão à conclusão da não incidência do IOF sobre este último. O contrato de mútuo financeiro encontra sua definição no art. 586 do Código Civil5, sendo um negócio jurídico bilateral no qual o mutuário é obrigado a devolver ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. O mútuo caracterizase, portanto, como sendo o empréstimo de coisas fungíveis. Além disso, tem como função econômica permitir que o mutuário utilize temporariamente da coisa fungível com obrigação de a restituir. Há, no contrato de mútuo, uma predeterminação das posições de credor e devedor, e do valor a restituir. Por sua vez, o contrato de conta corrente, embora não regulamentado no ordenamento jurídico pátrio, encontrase referido em leis esparsas. Há um contrato de conta corrente quando duas partes reúnem os seus negócios, efetuando a remessa de valores e transformam os seus créditos em artigos de "deve" e de "haver" (crédito e débito), sendo que somente no seu encerramento é verificado o saldo a pagar pela parte que restar devedora. Assim, apenas na liquidação do contrato de conta corrente poderseá definir a figura do devedor e o montante a ser pago. O negócio jurídico tem por função primordial, assim, "a organização de uma relação econômica continuativa entre duas ou mais partes que realizam entre si uma pluralidade de operações dando origem a fluxos financeiros recíprocos, de tal modo que só no encerramento da conta se faça a sua liquidação financeira pela diferença".6 O contrato de conta corrente apresenta as seguintes características próprias: (a) as partes são designadas de correntistas ou correspondentes; (b) constituemse nos fluxos financeiros as remessas efetuadas por um remetente em favor de um recipiente; (c) a contabilização dos referidos fluxos financeiros é feita na forma de artigos ou partidas de "deve" 4 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 5 Código Civil de 2002. Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 6 XAVIER, Alberto. A Distinção entre Contrato de Contacorrente e Mútuo de Recursos Financeiros para Efeitos de IOF. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 208, fls. 15 a 26. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 12 11 e "haver"; e (d) encerrase a conta por meio de balanço provisório ou definitivo buscando apurar o saldo decorrente da soma aritmética dos artigos ou partidas de "deve" e "haver". Diversamente do contrato de mútuo, a contratação de conta corrente é irrevogável e indivisível, sendo que: a irrevogabilidade está no fato de o fluxo financeiro perder a sua autonomia como crédito isolado e independente, e só poder ser liquidado quando houver o balanço final; e a indivisibilidade significa serem os artigos de "deve" e "haver" um todo indivisível, não podendo ser reclamados individualmente. Nessa forma de contratação, ainda, não há predeterminação das figuras de "credor" e "devedor", nem mesmo do valor a ser liquidado por diferença, pois dependerá das remessas feitas pelas partes na vigência do contrato. Os contratos de contacorrente, portanto, distanciamse das operações de crédito, pois não resultam em obrigações creditícias entre as partes envolvidas, ou pelo menos até a sua conclusão. Na prática contratual em referência, verificase a escrituração contábil de créditos e débitos em razão de movimentações de recursos financeiros recíprocos, não havendo a obrigatoriedade de restituição de coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade, o que ocorre nos contratos de mútuo ou em outras operações de crédito. Por meio do art. 13 da Lei nº 9.779/99, a extensão dada ao IOF pelo legislador, dentro das operações de crédito, foi tão somente para abarcar a espécie operações de mútuo, excluindose os contratos de contacorrente. Nessa linha relacional, o parágrafo 1º do dispositivo legal em referência não determina o fato gerador do IOF, mas sim o momento em que se considera como ocorrida a operação tributável, correspondente à realização do mútuo. Entendese não haver o alargamento da previsão de incidência de IOF para qualquer operação de crédito efetuada entre pessoas jurídicas não financeiras, como é o caso dos contratos de contacorrente entre empresas do mesmo grupo econômico. Ocorre que as operações financeiras efetuadas entre as empresas coligadas ora em análise caracterizamse como contratos de contacorrente, por meio dos quais são gerenciados os recursos financeiros do grupo econômico de forma consolidada, não se sujeitando, portanto, à incidência do IOF nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/997. Devese ter em conta também que não ficou evidenciado no caso dos autos que a transferência de recursos deuse tão somente com propósito fiscal. Nos grupos econômicos, a empresa holding tem a função de, além de participar do capital das demais, oferecer recursos imprescindíveis à sobrevivência das controladas e coligadas. Não se trata de um empréstimo propriamente dito, mas sim de administrar e/ou gerenciar o caixa e os recursos bens, títulos ou dinheiro do mesmo grupo de empresas. A caracterização das operações negociais efetuadas entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico não pode ficar ao exclusivo critério da Receita Federal. Afastam a hipótese de incidência do IOF, ainda, as seguintes considerações: o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 22 de junho de 1999, não espelha entendimento de estarem abrangidos no campo de incidência do IOF os contratos de 7 A título de nota, a discussão relativa à constitucionalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/99 está sendo travada perante o Supremo Tribunal Federal, em sede de repercuassão geral, no recurso extraordinário nº 590.186/RS, encontrandose os autos conclusos ao Relator desde 16/09/2016. Além disso, está pendente de julgamento, também no âmbito do Supremo Tribunal Federal, tratando do mesmo tema, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1763, ajuizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo CNC em 19/01/1998. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 13 12 conta correntes sob o fundamento de que albergariam mútuo de recursos financeiros. Dispõe o ato administrativo estarem sujeitos ao art. 13 da Lei nº 9.779/99, isto sim, os mútuos de recursos financeiros efetuados sob a forma contábil de uma conta corrente. Referido Ato Declaratório, ainda, foi revogado pela IN RFB nº 907, de 09 de janeiro de 2009; na hipótese de haver a estipulação de juros, não é elemento relevante para a caracterização do contrato como mútuo. Assim, não deve incidir o IOF sobre os contratos de contacorrente praticados entre empresas do mesmo grupo econômico, por não estarem enquadrados nas hipóteses previstas no art. 13 da Lei º 9.779/99. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno da incidência do IOF sobre operações financeiras realizadas entre a empresa controlada (autuada) e sua controladora, contabilizadas no Realizável a Longo Prazo, na conta 1.2.02.02 Olvebra Industrial S.A. Os valores eram disponibilizados para a controladora em conta bancária de débitos e créditos. A legislação tributária que regulamenta o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários – IOF sobre operações de mútuos entre pessoas jurídicas, assim dispõe: Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999: “Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 14 13 § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador.” Decreto nº 4.494, de 03 de dezembro de 2002: “Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei nº 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1º); (...); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13).(destaque não original) Art.7ºA base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: (...). § 13.Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso.” Ora, os dispositivos legais citados e transcritos determinam a cobrança do IOF sobre operações de créditos correspondentes a mútuos de recursos financeiros, como no presente caso. Ao contrário do entendimento da autuada (interessada), para caracterizar o mútuo não é necessário a realização de contrato escrito nem a cobrança de juros sobre a quantia cedida e/ ou disponibilizada, basta a transferência de recursos a outra pessoa jurídica. Também, ao contrário do seu entendimento, esposado nas Contrarrazões, o crédito tributário foi lançado e exigido nos termos do § 2º do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, ou seja, de quem concedeu o crédito, no presente caso, a controlada. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 15 14 Configura mútuo financeiro qualquer operação que importe na transferência de recursos financeiros de uma pessoa jurídica para outra, sejam estes recursos transferidos diretamente, como exemplo, a transferência de dinheiro, em espécie, e/ ou mediante depósitos bancários, com saque pelo mutuário, ou, ainda, indiretamente como a transferência de recebíveis e/ ou de valores mobiliários, com resgate ou venda pelo mutuário que fica com os valores à sua disposição. No presente caso, ficou demonstrado, mediante documentos contábeis e bancários, que a autuada (interessada) transferiu recursos financeiros para a empresa controladora. Todas as operações foram escrituradas em sua contabilidade. O Parecer Normativo CST nº 23, de 1983, já se manifestara sobre a caracterização de operações de mutuo assim dispondo: “2.1 – Não tem relevância a forma pela qual o empréstimo se exteriorize; contrato escrito ou verbal, adiantamento de numerário ou simples lançamento em conta corrente, qualquer feito que configurar capital posto à disposição de outra sociedade sem remuneração, ou com compensação financeira inferior àquela estipulada na lei, constitui fundamento para aplicação da norma legal.” Corroborando esse entendimento, foi editado o Ato Declaratório nº 30, de 24/03/1999, que assim declara: “Art. 1º. O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma, e quando o mutuante for pessoa jurídica” Também o Ato Declaratório SRF nº 07, de 22/01/1999, esclareceu que se incluem na incidência do IOF sobre operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, prevista no art. 13 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, aquelas sem prazo de vencimento definido e realizadas por meio de conta corrente. A título de esclarecimento, cabe citar e transcrever o entendimento do antigo Segundo Conselho de Contribuintes sobre esta mesma matéria, nos termos da ementa do Acórdão nº 20402.386, de 26/04/2007, conforme segue: “IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF, ainda que o concedente do crédito não seja instituição financeira nem entidade a ela equiparada. Recurso Negado.” Neste mesmo sentido assim decidiu o STJ no RESP nº 1.239.101/RJ, cuja ementa transcrevo abaixo: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 9303005.582 CSRFT3 Fl. 16 15 FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas" e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. (Destaquei) 2. Recurso especial não provido. Dessa forma, demonstrado que a autuada (interessada) realizou operações de créditos que, para todos os efeitos, se enquadram como empréstimos efetuados a outra pessoa jurídica de seu grupo empresarial, tais operações sujeitamse ao IOF, nos termos diploma legais citados e transcritos anteriormente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 13981.000097/2005-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
PIS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte.
Numero da decisão: 9303-005.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, em razão de inclusão do saldo remanescente do débito no PERT (IN nº 1711/2017). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Recorrentes FRAME MADEIRAS ESPECIAIS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, em razão de inclusão do saldo remanescente do débito no PERT (IN nº 1711/2017). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 00 97 /2 00 5- 19 Fl. 526DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3401 001.568, de 01/09/2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DILIGÊNCIA. INFORMAÇÕES A CARGO DO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizála quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte. PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. Tratandose de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES SEM IDENTIFICAÇÃO ADEQUADA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13981.000097/200519 Acórdão n.º 9303005.666 CSRFT3 Fl. 527 3 COM OS BENS PRODUZIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de uma identificação precisa dos insumos e dos valores respectivos, impede que se possa vinculálos aos bens produzidos e constitui obstáculo à apuração dos créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. IMOBILIZADO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DE ARTEFATOS DE MADEIRA. SISTEMA DE ASPIRAÇÃO E TRANSPORTE DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de equipamentos empregados na aspiração e transporte de partículas de madeira e seus compostos, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. No recurso especial, a PFN insurgese contra a aceitação, no acórdão recorrido, de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep em relação a materiais de embalagem (etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme strech e fita de aço) e equipamentos empregados na aspiração e no transporte de partículas de madeira e seus compostos. Visando comprovar a divergência, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 310100.795 e 20312.448. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do despacho de fls. 418/419. E as contrarrazões da contribuinte encontramse anexadas às fls. 425/435. Cientificada, a contribuinte também apresentou recurso especial de divergência, por meio do qual alega que, em homenagem ao princípio da verdade material, deverseia ter realizado uma diligência fiscal a fim de reconhecerse o direito aos créditos glosados. Para comprovar o dissenso, alega divergência de interpretação em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 10419.436 e 10196.764. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 503/508. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 511/515). Posteriormente, a contribuinte compareceu aos autos, informando a desistência do recurso especial e do direito relativo à matéria que dele constou. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido reconheceu o crédito da contribuição sobre as aquisições de todos os materiais destinados à embalagem dos produtos, sejam de apresentação ou mesmo de transporte, o primeiro acórdão paradigma concluiu que as embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (tais Fl. 528DF CARF MF 4 como as embalagens de apresentação: etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme strech e fita de aço), porque utilizadas após a conclusão do processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (as embalagens para transporte), não geram o direito ao mesmo crédito. Contudo, divergimos da conclusão adotada no exame de admissibilidade quanto ao segundo tema proposto no recurso especial: a concessão de créditos sobre os equipamentos empregados na aspiração e no transporte de partículas de madeira e seus compostos. O motivo é o seguinte: o segundo acórdão paradigma discorreu sobre o conceito de insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins no regime não cumulativo, enquanto aqui o caso é outro: o fato de os equipamentos, regularmente incluídos no ativo imobilizado da contribuinte, serem ou não utilizados no seu processo produtivo. Neste caso, como se sabe, o crédito incide sobre a respectiva taxa de depreciação, matéria que constitui fundamento legal diverso para o creditamento. Conhecido em parte, passamos à análise do mérito do litígio. Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13981.000097/200519 Acórdão n.º 9303005.666 CSRFT3 Fl. 528 5 restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. Segundo consta dos autos, a glosa revertida pela Câmara baixa diz com as aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita Fl. 530DF CARF MF 6 de aço, materiais que, a nosso sentir, embora sirvam ao transporte, constituem, sim, insumos, pois, caso não embalados corretamente, haveria evidente risco de dano aos produtos industrializados (artefatos de madeira). A propósito do tema, esta Turma de CSRF já entendeu que, a depender do produto fabricado, as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode tornálo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: A propósito do tema, esta Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode tornálo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. (g.n.) No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13981.000097/200519 Acórdão n.º 9303005.666 CSRFT3 Fl. 529 7 Ressaltamos, ainda, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluem se os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confira se: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Fl. 532DF CARF MF 8 No caso examinado, o material de embalagem era utilizado exclusivamente no acondicionamento de portas de madeira em contêineres, portanto, não serviam à apresentação do produto, mas à preservação de suas características durante o seu transporte. É bem verdade que, mais recentemente, esta mesma Turma entendeu, pelo voto de qualidade, não haver previsão legal para o creditamento, em decisão que restou assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. (CSRF/3ª Turma, rel. do voto vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.531, de 16/08/2017) A discussão travada neste último julgamento disse com o cabimento ou não do creditamento quanto à aquisição das embalagens utilizadas no transporte de maçãs, para a preservação de suas características, do estabelecimento produtor até o seu consumidor final (sem reutilização posterior). Muito embora tenhamos acompanhado a divergência, detivemonos melhor sobre o tema e chegamos à conclusão de que, em casos tais, cabe, sim, o creditamento, porque em conformidade com o critério dos "gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer para a produção de bens e serviços", porém afastamos o crédito naquelas situações em que as embalagens destinadas a viabilizar o transporte podem ser continuamente reutilizadas, como, por exemplo, os engradados de plásticos, não descartados ao final da operação. Ademais, e isso nos parece de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regramatriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13981.000097/200519 Acórdão n.º 9303005.666 CSRFT3 Fl. 530 9 I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Em conclusão, e considerando tudo o que vimos de expor, alteramos os nosso entendimento para permitir o creditamento do PIS/Cofins apenas nos casos em que a embalagem de transporte, destinada a preservar as características do produto durante a sua realização, é descartada ao final da operação, vale dizer, para o casos em que não podem ser reutilizadas em operações posteriores (para nós, a produção vai até o emprego desta embalagem, ou seja, o inclui). Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, negolhe provimento. E não conheço do recurso especial interposto pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 534DF CARF MF
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