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Numero do processo: 10480.914165/2009-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 41 65 /2 00 9- 13 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914165/200913 Acórdão n.º 3801004.679 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.000873/2010-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998
IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL.REQUISITOS. TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE.
A aplicação de imunidade / isenção não deve ser aplicada em consideração a serviços terceirizados pela entidade, ou seja, contratação de serviços de mão-de-obra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicando-se o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL.REQUISITOS. TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE. A aplicação de imunidade / isenção não deve ser aplicada em consideração a serviços terceirizados pela entidade, ou seja, contratação de serviços de mão-de-obra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicando-se o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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CONTRIBUIÇÃO PATRONAL.REQUISITOS. TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE. A aplicação de imunidade / isenção não deve ser aplicada em consideração a serviços terceirizados pela entidade, ou seja, contratação de serviços de mão deobra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicandose o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 73 /2 01 0- 21 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000873/201021 Acórdão n.º 2803003.914 S2TE03 Fl. 230 2 (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000873/201021 Acórdão n.º 2803003.914 S2TE03 Fl. 231 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que crédito tributário do crédito tributário oriundo de contribuições (patronal) sobre valores de notas fiscais de serviço por mão de obra (KLAUS COSTA SEGURANÇA E VIGILÂNCIA DE VALORES LTDA), no período de 01/12/1998 a 31/10/1998. A ciência do crédito tributário 01.04.2010. O lançamento do crédito foi realizado substitutivamente ao anterior que fora primeiramente anulado com base na Nota Técnica CJ nº369/2002, procedeu a Reforma da referida decisão, anulando o lançamento através da DN — n. 21.003/287/2002,em 25/06/2002, contudo à indicada nota técnica teve os efeitos suspensos por decisão de antecipação de tutela nos autos da Ação Cível Pública n. 2005.34.00.0242080, da 4ª Vara Federal de Brasília, movida pelo Ministério Público Federal. Em tal decisão judicial foi declarada a suspensão do prazo decadencial para lavratura dos créditos e dos efeitos da Nota Técnica CJ n. 369/2002, bem como ordenou o prosseguimento dos procedimentos de apuração, lançamento e cobrança. Em razão da decisão judicial, a autoridade julgadora lavrou a Decisão Notificação n°21.003/0047/2006, que reformou a DN — n° 21.003/287/2002, e anulou os créditos por vício formal insanável(por conter débitos relativos a mais de um prestador de serviço), motivando o novo e atual lançamento, impugnado e julgado como procedente. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: em que as contribuições decadência e prescrição qüinqüenal dos créditos lançados, pois o vício apontado era de natureza material, também ser imune, inconstitucionalidade do SAT/RAT. Por fim, requereu que as intimações no presente feito, para serem válidas e vinculativas, sejam endereçadas, em nome, exclusivamente, do Dr. Márcio Pestana – OAB/SP 103.297 e da Dra. Maria Clara Villasbôas Arruda – OAB/SP 182.081A, ambos com endereço profissional na Avenida São Gabriel, nº 333 – 15º Andar, São Paulo – Capital. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000873/201021 Acórdão n.º 2803003.914 S2TE03 Fl. 232 4 Voto Gustavo Vettorato Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente, indefiro o pedido de intimação requerido pelo contribuinte, com fulcro no parágrafo único do art. 55 do RICARF. Tendo em vista os fundamentos contidos no acórdão recorrido no que diz respeito à data correta para contagem do prazo decadencial, entendo que a data do lançamento é o dia 01/04/2010, situação que afasta por completo a discussão sobre a matéria. 12.2.1. Fica claro a partir das transcrições acima (liminar proferida nos autos da ACP e DN nº 21.003/0047/2006), que as razões que embasaram a primeira decisão de nulidade (DN 21.003/287/2002), são totalmente diversas das que fundamentaram a segunda decisão de nulidade (DN nº 21.003/0047/2006). Salientase, também, que a nulidade proveniente da DN 21.003/287/2002 não produziu qualquer efeito, conforme acima exposto. Logo o lançamento somente pode ser considerado nulo a partir da DN nº 21.003/0047/2006. 12.2.2. Vale esclarecer que a prestadora de serviço não foi intimada da DN nº 21.003/0047/2006, pois não foi cientificada de nenhum procedimento fiscal que culminou na lavratura da NFLD/Debcad nº 35.002.3379, anulada pela referida decisão, situação já totalmente superada com a lavratura do presente auto substitutivo e ciência da referida prestadora. 12.2.3. Diante do acima exposto, o prazo estabelecido no art.173, II do CTN, deve ser contado a partir da ciência ao contribuinte da Decisão de Notificação nº 21.003/0047/2006, ocorrida em 24/04/2006, e não da ciência da Decisão de Notificação – DN nº 21.003/287/2002, cujos efeitos foram afastados em decorrência da citada decisão judicial. Assim, o presente auto de infração, que substituiu a NFLD/Debcad nº35.002.3379, foi lavrado regularmente em 29/03/2010, com ciência pessoal a Impugnante em 01/04/2010, observando, portanto, lapso temporal inferior a cinco anos, conforme dispõe o art.173, II do CTN, in verbis: (...) 13. Superada a alegação acima da Impugnante, passase a análise da alegação de decadência das competência 12/1996, com base no art.150, §4º do CTN. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000873/201021 Acórdão n.º 2803003.914 S2TE03 Fl. 233 5 Não se aplica, portanto, a decadência na forma requerida pelo contribuinte (§4º do art. 150 do CTN). O crédito está apto à cobrança, nos exatos termos expendidos pelo julgador a quo. De outra parte, o argumento de imunidade / isenção não deve ser acatado, tendo em vista que a discussão em questão diz respeito a serviços por ele terceirizados, ou seja, contratação de serviços de mãodeobra fornecida por empresa de serviços temporários, situação bem diversa da regra prevista no revogado art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Como bem explicitado no Relatório Fiscal, a constituição do crédito tributário se deu por aferição aplicandose o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais para apuração do salário de contribuição, dada a responsabilidade solidária estatuída na Lei nº 8.212/91, art. 31, com a redação original e posteriormente com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. Fato esse bem relatado, com base nas Ordens de Serviços INSS n. 83/1993 e 176/97, na falta de outros elementos probantes dos valores referentes especificamente à mão de obra. O pleito de inconstitucionalidade em relação ao financiamento do RAT também não merece prosperar, em razão de o CARF não ter competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Considerando a correção do lançamento, bem como do acórdão recorrido, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10140.000522/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - DIVERGÊNCIA ENTRE RESULTADO DE JULGAMENTO E MOTIVAÇÃO DISPOSTA NO VOTO VENCEDOR DO ACÓRDÃO.
Embargos acolhidos para adequar o resultado do julgamento com a motivação do voto vencedor do acórdão. Prevalência do entendimento do voto vencedor do acórdão embargado.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO. MULTA DE OFÍCIO.
O afastamento da punibilidade não se dá apenas com a realização da denúncia espontânea; esta deverá ser acompanhada do pagamento do tributo com os seus acréscimos moratórios. A multa de ofício somente é excluída pela denúncia espontânea da infração quando a denúncia estiver acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, não sendo pagamento a entrega da Declaração de Informações Econômicos-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 9101-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER e PROVER os embargos de declaração, para rerratificar a parte dispositiva do acórdão, mantida a decisão prolatada.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, LEONARDO MENDONÇA MARQUES (Suplente Convocado), PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Multa de Ofício. Embargante DELEGADO DA RFB EM CAMPO GRANDE Interessado AGRO LESTE COMÉRCIO REPRESENTAÇÃO E TRANSPORTE LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DIVERGÊNCIA ENTRE RESULTADO DE JULGAMENTO E MOTIVAÇÃO DISPOSTA NO VOTO VENCEDOR DO ACÓRDÃO. Embargos acolhidos para adequar o resultado do julgamento com a motivação do voto vencedor do acórdão. Prevalência do entendimento do voto vencedor do acórdão embargado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. O afastamento da punibilidade não se dá apenas com a realização da denúncia espontânea; esta deverá ser acompanhada do pagamento do tributo com os seus acréscimos moratórios. A multa de ofício somente é excluída pela denúncia espontânea da infração quando a denúncia estiver acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, não sendo pagamento a entrega da Declaração de Informações Econômicosfiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER e PROVER os embargos de declaração, para rerratificar a parte dispositiva do acórdão, mantida a decisão prolatada. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 05 22 /2 00 3- 11 Fl. 2846DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, LEONARDO MENDONÇA MARQUES (Suplente Convocado), PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fl.2742) opostos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil (RFB) em Campo Grande/MS, em face do Acórdão CSRF/0105.624, proferido pela 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 26/03/2007, da relatoria do então Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e tendo como redator designado o Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima. 2. Em sessão de 08/07/2004, mediante o Acórdão nº 10514.564, os membros da Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC) acordaram, "por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso apresentado por AGROLESTE COMÉRCIO, REPRESENTAÇÃO E TRANSPORTE LTDA. por perempto. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de não integração da relação tributária e manter a decisão que considerou o Sr. José Carlos Casarotto como responsável tributário, NÃO CONHECER da matéria relativa a retroatividade da quebra do sigilo bancário por preclusão e, no mais, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado", em decisão assim ementada: IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE NULIDADE DO PROCEDIMENTO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CARACTERIZAÇÃO E EFEITOS SUJEIÇÃO PASSIVA RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS ARBITRAMENTO DOS LUCROS. HIPÓTESES MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA Não se conhece de recurso voluntário interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no artigo 33, do Decreto n° 70.235, de 1972. A responsabilidade pelos créditos tributários correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração da lei, é pessoal do mandatário que atuou em nome da pessoa jurídica com plenos poderes, no período da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Demonstrado que o procedimento fiscal não incorreu nos vícios alegados pela defesa, improcede a arguição de sua nulidade. A mera apresentação da declaração de rendimentos no período em que a pessoa jurídica readquiriu a espontaneidade, que se achava excluída pelo início do procedimento fiscal, não configura a denúncia espontânea prevista no artigo 138, do CTN, se desacompanhada do pagamento dos respectivos tributos e acréscimos legais. A falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal, ainda que simplificada, constitui hipótese de arbitramento de lucros, o qual tomará por base a receita bruta conhecida. Não se conhece de recurso voluntário, na parte que versa sobre matéria não prequestionada no curso do litígio, em homenagem aos princípios do duplo grau de jurisdição e da preclusão, que norteiam o processo administrativo fiscal. DECORRÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz, é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. (Grifei) 3. O contribuinte acima identificado, inconformado com a decisão consubstanciada no Acórdão n° 10514.564 (Sessão de 08/07/2004 fls.2643/2670), ingressou às fls.2683/2687 Fl. 2847DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10140.000522/200311 Acórdão n.º 9101002.074 CSRFT1 Fl. 2.847 3 com RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA (RD), com fulcro no art. 32, II e § 1º e, 33 § 2º ambos do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16/03/98. 4. A recorrente do RD afirmou que o acórdão divergiu da jurisprudência administrativa e trouxe como primeiro paradigma o Acórdão nº 10194.503, de 18/02/2004, oriundo da Primeira Câmara do 1ºCC, que tem a seguinte ementa: INÉRCIA DA FISCALIZAÇÃO DURANTE 60 DIAS NULIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA Não é nulo o auto de Infração lavrado durante o período de espontaneidade readquirida pelo contribuinte após o lapso de 60 dias em que a fiscalização deixou de encaminhar ato por escrito que indicasse o prosseguimento dos trabalhos. DÉBITO DECLARADO DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O débito relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica declarado em DIRPJ, DIPJ ou DCTF espontaneamente entregue pode ser cobrado em conformidade com o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124/84. Declarase nulo, por desnecessário, o lançamento de ofício. 5. Outro acórdão paradigma indicado no RD foi o Acórdão nº 10193.666, de 19/10/2001, oriundo também da Primeira Câmara do 1º CC, que apresenta a seguinte ementa: Espontaneidade O ato de retificação de declaração só tem validade para inibir um lançamento após o início de fiscalização, se ultrapassado o prazo de 60 (sessenta) dias sem qualquer novo ato daquela. 6. O Presidente deu seguimento ao RD, conforme o Despacho Pres 105014/2005 (fls.2713/2715), por entender atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do recurso especial, na seguinte ordem de juízo: No acórdão combatido a Câmara recorrida entendeu que mesmo tendo o contribuinte entregado a declaração retificadora no período em que readquirira a espontaneidade, se essa não fosse acompanhada do pagamento dos tributos, não impediria a autuação. Já o acórdão paradigma a primeira Câmara entendeu que a entrega da DIPJ no período em que a empresa readquirira a espontaneidade impede o lançamento de ofício que tem como base a declaração original. (Grifei) 7. Esta Turma proferiu o Acórdão CSRF/0105.624, de 26/03/2007, cuja parte dispositiva restou assim redigida: Recurso especial parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AGRO LESTE COMÉRCIO REPRESENTAÇÃO E TRANSPORTE LTDA ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial, para afastar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes (Relator), Dorival Padovan e José Henrique Longo que deram provimento integral ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima. 8. A decisão embargada possui a seguinte ementa: Fl. 2848DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 CONFISSÃO DE DÍVIDAS DIPJ E DCTF Nos termos da IN SRF 127/98, a Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ no anocalendário de 1998 não configura confissão de dívida em relação ao Imposto e às contribuições. Nesse ano, é a DCTF que representa o instrumento hábil à constituição do crédito tributário conforme dispõe o art. 5º, § 1º, do Decretolei 2.124/84. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Legítimo o lançamento de ofício para constituição dos créditos tributários não recolhidos no prazo legal e apenas informados na DIPJ do anocalendário de 1998, exercício de 1999. 9. Extraise do voto vencedor do Acórdão embargado: Como a contribuinte não entregou as DCTFs relativa aos débitos de imposto e contribuições do período de 1988, correta a realização do lançamento de ofício pelo agente fiscal para constituir a obrigação tributária nascida com a ocorrência dos fatos narrados neste processo. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial. 10. A Embargante assim se pronunciou nos Embargos de Declaração: Por ocasião do retorno dos autos e no intuito de cumprir a decisão, nos deparamos com uma situação que enseja esclarecimento de contradição, conforme dispõe o Regimento Interno do CARF, art. 65... ... No Acórdão 0105.624, fl. 2.719, foi decidido "por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial, para afastar a multa de ofício". Já na redação do voto vencedor verificase que foi totalmente negado provimento ao recurso especial, fl. 2.735. Desta forma, apresentamos estes Embargos de Declaração para análise e manifestação desse Conselho acerca das contradições/ponderações apontadas. 11. Nesse passo, em razão da contrariedade, apontada pelo Delegado da RFB em Campo Grande/MS, entre o voto vencedor e o resultado do julgamento, o Presidente da CSRF, por meio de Despacho próprio às fls. 2836/2837, acolheu os embargos de declaração. 12. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Os embargos são tempestivos. 3. Conforme relatado, aduz a embargante a ocorrência de contradição no Acórdão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no que tange ao conteúdo do voto vencedor e ao resultado do julgamento. 4. De fato, tal contrariedade se faz presente, visto que o Conselheiro designado para redigir o voto vencedor, ao final de seu voto conclui: “Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial”. Entretanto, no resultado de julgamento, constou “ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial, para afastar a multa de ofício. ...”. Fl. 2849DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10140.000522/200311 Acórdão n.º 9101002.074 CSRFT1 Fl. 2.848 5 5. Como o acórdão embargado, de fato, negou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte e, a despeito de não ser o relator à ocasião, parece ter de fato assim intentado, em face dos motivos que sucederam a conclusão, entendo que o resultado de julgamento deve ser alterado para que nele se faça constar o que de fato foi decidido. 6. Inicialmente esclareço que não se discute se o contribuinte havia ou não readquirido a espontaneidade, isso está patente do voto vencedor do acórdão embargado: A contribuinte entregou a DIPJ do ano de 1998 depois de intimada no termo de início de fiscalização para apresentarem livros comerciais e fiscais, documentos e informações. A entrega da declaração foi realizada, em 25/02/2003, quando readquirida a espontaneidade pela contribuinte pelo transcurso do prazo de 60 dias do último ato praticado pela fiscalização, datado de 05/11/2002. (Grifei) 7. Para o deslinde da questão, fazse necessário conhecer do conteúdo do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 7.1. Como bem ensina o juiz federal João Marcelo Rocha1: "Pagamento do tributo e encargos. O afastamento da punibilidade não se dá apenas com a realização da denúncia espontânea. Esta deverá ser acompanhada do pagamento do tributo, acaso devido, com os seus acréscimos moratórios. ... Quando o valor da dívida relativa ao tributo e seus acréscimos não puderem ser, de plano, quantificados, deverá o sujeito passivo promover o depósito em valor provisioriamente estimado pela autoridade fiscal (CTN, art. 138, caput, última parte). Sem o pagamento ou o depósito, se for o caso, de nada valerá a denúncia. ... A denúncia, portanto, para que opere os efeitos excludentes da punibilidade, deve ser espontânea e acompanhada da reparação patrimonial da Fazenda, relativamente ao tributo, juros e, a nosso ver, multa de mora. ..." 7.2. Na palavras do doutrinador e juiz federal Leandro Paulsen2: Notícia do descumprimento x denúncia espontânea. A denúncia espontânea deve ser considerada como instituto jurídico tributário. Não basta a simples informação sobre a 1 ROCHA, João Marcelo Oliveira. Direito Tributário. 9a edição, revista, atualizada e ampliada. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2013. Pgs. 561 e 563. 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 6a edição. Porto Alegre: Livraria do Advogado: Esmafe, 2004. Pg. 969. Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 infração, desacompanhada do pagamento. Pelo contrário, é requisito indispensável à incidência do art. 138 que o contribuinte se coloque em situação regular, cumprindo, ainda que a destempo, suas obrigações principais. Para que ocorra a denúncia espontânea, com o efeito de elisão das penalidades, pois, exigese o pagamento do tributo e dos juros moratórios, sendo que a guia de recolhimento (DARF ou equivalente) já conterá os elementos necessários à sua identificação, servindo de comunicação ao Fisco. 8. O que se discute aqui é se a denúncia espontânea (feita através da retificação da DIPJ quando readquirida a espontaneidade) deve estar acompanhada do pagamento do tributo devido, entendido o pagamento como a entrega da DIPJ. 8.1. Assim, na visão do contribuinte, a entrega da DIPJ teria dupla função: tanto de denunciar espontaneamente como de fazer as vezes do pagamento (por entender que a entrega da DIPJ seria confissão de dívida). 8.2. A recorrente defendeu no RD que, por ser a DIPJ confissão de dívida, não teria havido apenas o enquadramento como denúncia espontânea (e conseqüentemente excluída a multa de ofício), mas haveria a desnecessidade do próprio lançamento de ofício. 9. O Acórdão entendeu que há necessidade do lançamento de ofício e que a DIPJ3 nesse período não configura confissão de dívida, função essa desempenhada pelas DCTFs4. Assim, também não é objeto de discussão se a DIPJ do exercício 1999 (anocalendário 1998) configura, ou não, confissão de dívida. O acórdão embargado, em sua ementa e no voto vencedor, é claro no sentido de que não há configuração de confissão de dívida. Essa não é a matéria trazida aos embargos. Rediscutir essa questão seria novo julgamento e extrapolar o escopo dos embargos. 10. Os embargos trata apenas da questão da manutenção da multa de ofício, e, para decidir esse ponto, devese esclarecer o que se deve entender por pagamento que acompanha a denúncia espontânea, para fins de exclusão da punibilidade em conseqüência da aplicação do art. 138 do CTN. Na verdade, o que ficou faltando no voto vencedor do acórdão embargado foi a conclusão lógica decorrente do julgado de que a DIPJ não configura confissão de dívida, ou seja, analisar o art. 138 frente ao decidido. 11. Assim, passo a complementar o acórdão embargado com essa conclusão. Como a entrega da DIPJ retificadora ao tempo da reaquisição da espontaneidade, nos termos da legislação e do julgamento, não configura confissão de dívida, então não se pode considerála como pagamento e, assim, não há o enquadramento ao art. 138 do CTN; pois, estando a denúncia espontânea desacompanhada do pagamento do tributo, não há que se falar em exclusão da multa de ofício. 12. No caso dos autos não houve qualquer pagamento e também não foram entregues as DCTFs relativas aos débitos de impostos e contribuições do anocalendário de 1998, logo não existe pagamento, e, portanto, restou desatendido pressuposto para exclusão da responsabilidade (multa de ofício). Ademais, não é o caso aqui de se analisar a questão do atendimento, ou não, do art. 138 por meio de parcelamento, tendo em vista a inexistência do mesmo. 13. Ademais, a qualificação da multa de ofício é matéria não questionada, pois a qualificação não foi objeto de julgamento nem do recurso voluntário, tampouco do recurso 3 Sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 127/1998. 4 Conforme se observa da Instrução Normativa SRF nº 126/1998, art. 7º. Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10140.000522/200311 Acórdão n.º 9101002.074 CSRFT1 Fl. 2.849 7 especial (não há sequer menção à multa no RD, ainda menos à qualificação). Portanto, não há que se adentrar na matéria em âmbito de embargos de declaração do recurso especial. 14. Feitas estas considerações sobre o acórdão embargado e tendo em vista que esses embargos não se prestam a um novo julgamento, mas, tão somente, para eliminar a contrariedade entre o voto vencedor e o resultado transcrito, complemento as razões proferidas no voto vencedor ao aplicar o decidido para afastar o art. 138, e, conseqüentemente, confirmar a decisão do Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. 15. Assim, devese ACOLHER os embargos para corrigir a parte dispositiva do Acórdão CSRF/0105.624, de 26/03/2007, onde deve constar que o resultado do julgamento foi no sentido de, por maioria, NEGAR provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, bem como para retificar que a decisão foi dada pela Primeira Turma da CSRF e não pela Segunda Turma da CSRF. 16. Ante o exposto, voto por ACOLHER e PROVER os embargos de declaração, para rerratificar a parte dispositiva do acórdão, nos termos do item anterior, mantida a decisão prolatada no acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720838/2010-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 20 83 8/ 20 10 -1 4 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720838/201014 Resolução nº 9303000.020 CSRFT3 Fl. 256 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720838/201014 Resolução nº 9303000.020 CSRFT3 Fl. 257 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720838/201014 Resolução nº 9303000.020 CSRFT3 Fl. 258 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001284/2003-07
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA.
A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado.
Numero da decisão: 1801-002.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 12 84 /2 00 3- 07 Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.300 2 Relatório LIBBS FARMACÊUTICA LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1630.067 (fl. 896), pela DRJ São Paulo I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata da declaração de compensação de fl. 2, da declaração de compensação de fl. 85, originalmente formalizada no processo nº 13804.0013255/200357, da declaração de compensação de fl. 221, originalmente formalizada no processo nº 13804.002348/200389, da declaração de compensação encontrada na fl. 1 do processo nº 13804.002347/200334, em apenso, e das 78 DCOMP listadas nas fls. 55/57. Todas as compensações foram não homologadas, conforme a seguinte motivação, contida no respectivo despacho decisório (fl. 61): Processo nº 13804.001284/200307: 13) Feitas essas considerações e sabendo que a Declaração de Compensação é vinculada à apuração de um crédito passível de restituição (art. 21 da IN/SRF n° 210/02 e art. 26 da IN/SRF n° 600/05) verificase, no presente caso, que na data de formalização da Declaração de Compensação de folha 01 (13/03/2003), não havia transcorrido o prazo decadencial, caracterizando a tempestividade do pedido. 14) Dessa forma, já devidamente caracterizada a tempestividade da solicitação, é necessário esclarecer que as compensações vinculadas ao processo aqui referido estão condicionadas à confirmação da apuração dos créditos (Lei n° 9.430/96, arts. 73 e 74; Decreto n° 2.138/97, arts. 1º e 2º ; e IN/SRF n° 600/05). 15) O pleito do contribuinte se refere a compensação com créditos alegadamente provenientes de três pagamentos a maior ou indevidos cujas cópias dos DARF se encontram às folhas 03 a 05. Tais DARF se referem aos pagamentos das estimativas mensais de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro do anocalendário 1998. 16) Verificouse em DIPJ que a apuração das estimativas de IRPJ para os meses de outubro, novembro e dezembro de 1998 encontramse devidamente registradas; inclusive os valores informados dos débitos de IRPJ que seriam quitados através de DARF (fls. 36 e 37), código 2362, são exatamente iguais aos valores pagos em DARF (fls. 03 a 05 e 41). 17) Constatouse que os débitos de IRPJ dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998 encontramse inteiramente declarados em DCTF (fls. 43 a 45) e correspondem aos valores apurados em DIPJ como "Imposto de Renda a Pagar" em tais meses (fls. 36 e 37). Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.301 3 Ainda na DCTF (fls. 43 a 45) é encontrada a informação do contribuinte de que os débitos declarados de IRPJ para esses meses teriam sido extintos com pagamentos em DARF nos códigos 6692 (IRPJ FINAM Estimativa) e 2362 (IRPJ PJ Obrigadas ao Lucro Real Entidades Não Financeiras Estimativa Mensal), onde os pagamentos em DARF de códigos 2362 são os mesmos cujas cópias foram apresentadas pelo contribuinte às folhas 03 a 05. 18) Em 26/04/2002, o contribuinte solicitou retificação das DCTF do 3ª e 4º trimestres do anocalendário 1998 através do processo administrativo n° 11610.010831/200206 (cópia no Anexo I). Em tal processo o contribuinte solicita que diversos débitos tenham a forma de extinção retificada de "pagamento" para "compensação com DARF" sem alterar os valores totais dos débitos (fls. 03, 04 e 07 do Anexo I). A retificação das DCTF foi procedida quando da decisão desse processo (Anexo I). 19) Ao analisar as informações das compensações sem processo efetuadas quando da solicitação de retificação das DCTF do anocalendário 1998, verificouse que o contribuinte informa como DARF para extinguir os débitos declarados em tal ano, débitos esses que já haviam sido pagos em outros DARF, um pagamento realizado em 31/03/1995 no valor de R$ 1.896.077,56 (fl. 51) utilizado para quitar débito de IRPJ código 2430 (PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS DECLARAÇÃO DE AJUSTE) referente à apuração anual do anocalendário 1994 (fls. 13 a 66 e 80 a 104 do Anexo I). 20) Mas de acordo com os itens 06 a 12, anteriores, o prazo decadencial para que o contribuinte pudesse efetuar as compensações com DARF declaradas no processo n° 11610.010831/200206 (fls. 13 a 66 e 80 a 104 do Anexo I) havia transcorrido quando completados cinco anos da data do pagamento do DARF informado, o que ocorreu em 31/03/2000. Portanto, mesmo que houvesse pagamento a maior quando foi pago o DARF em 31/03/1995 (fl. 51), o que não ficou constatado, na data em que o contribuinte informa a retificação dos débitos já pagos e declarados em DCTF, 26/04/2002 (fl. 01 do Anexo I), o suposto crédito que o contribuinte pretendia utilizar para compensações já havia sido atingido pelo instituto da decadência, não sendo possível, pois, a convalidação de todas as compensações com DARF efetuadas sem processo que utilizaram tal crédito. 21) Dessa forma, todos os débitos declarados em DCTF que já se encontravam pagos mas tiveram sua forma de extinção retificada quando da solicitação do processo n° 11610.010831/200206 (fls. 03, 04, 07, 13 a 66 e 80 a 104 do Anexo I), devem ter seus respectivos DARF, que serviram oportunamente para seus pagamentos, alocados no sistema Fiscel, sendo seus valores inteiramente amortizados pelos débitos declarados. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.302 4 22) Portanto, não cabe a alegação de pagamento indevido ou a maior para os pagamentos detalhados na folha 02 deste processo, já que eles foram utilizados para pagar débitos declarados que teriam sido posteriormente compensados com créditos já decaídos e, portanto, inexistentes, o que leva tais débitos a serem amortizados pelos seus respectivos DARF originalmente pagos. Podese verificar, ainda, que o terceiro débito da folha 02, período de apuração dezembro/1998, não fazia parte da solicitação de retificação da DCTF e portanto o DARF correspondente já deveria estar inteiramente utilizado em sua amortização no sistema Fiscel (fl. 84 do Anexo I e fl. 48 deste). 23) Como, de acordo com o contribuinte, parte dos débitos de IRPJ, inicialmente pagos com os DARF indicados à folha 02, teve sua forma de extinção retificada para "compensação com DARF", o que levou à análise de tal compensação nos itens 19 e 20 anteriores, fazse necessário estender a análise para todos os débitos que teriam sido extintos por compensação com suposto crédito já extinto pela decadência proveniente do DARF indicado no item 19. 24) Assim, o contribuinte também solicitou, em 26/04/2002, retificação das DCTF do I o e 2o trimestres do anocalendário 1998 através do processo administrativo n° 11610.010830/2002 53 (cópia no Anexo II). Em tal processo o contribuinte solicita que diversos débitos, ou parte deles, tenham a forma de extinção retificada de "pagamento" para "compensação com DARF" sem alterar os valores totais dos débitos (fls. 03, 04, 07 e 08 do Anexo II), exceto o débito de código 0561 da 1ª semana de janeiro de 1998 (fl. 03 e 17 do Anexo II) que contribuinte solicita o aumento de tal débito, apesar de não especificar a forma de extinção da diferença aumentada (fl. 17 do Anexo II). A retificação das DCTF foi procedida quando da decisão desse processo (Anexo II). 25) Mas, a exemplo dos débitos retificados após solicitação do contribuinte no processo n° 11610.010831/200206, o crédito informado para compensações dos débitos retificados após solicitação do contribuinte no processo n° 11610.010830/2002 53 já se encontrava extinto quando da solicitação, já que se trata do mesmo crédito utilizado naquele, e que a solicitação foi efetuada na mesma data (ver item 20, anterior) 26) Dessa forma, todos os débitos declarados em DCTF que já se encontravam pagos mas tiveram sua forma de extinção retificada quando da solicitação do processo nº 11610.010830/200253 (fls. 03, 04, 07, 08, 14 a 67 e 82 a 131 do Anexo II) devem ter seus respectivos DARF, que serviram oportunamente para seus pagamentos, alocados no sistema Fiscel, sendo seus valores inteiramente "amortizados pelos débitos declarados. Processos n°s 13804.001325/200357, 13804.002348/200389 e 13804.002347/200334: Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.303 5 27) Os processos 13804.001325/200357, 13804.002348/2003 89 e 13804.002347/200334, a exemplo deste, também possuem Declarações de Compensação visando compensar débitos tributários com créditos de pagamentos indevidos ou a maior efetuados anteriormente. E mais, como todos os supostos pagamentos indevidos ou a maior cujos créditos neles pleiteados serviram para pagar débitos de IRPJ que posteriormente sofreram retificação na forma de extinção através das solicitações dos processos n°s 11610.010831/200206 e 11610.010830/200253, descritos nos itens 18 e 24 anteriores, e o crédito informado para a nova forma de extinção, compensação com DARF sem processo, é o mesmo analisado nos itens 19 e 20, os três processos foram juntados a este de forma a estender a eles a mesma análise aqui efetuada. 28) Como o crédito informado nas solicitações de retificação das DCTF do anocalendário 1998 para compensações com DARF já havia sido extinto pela decadência quando das solicitações (itens 19 e 20), os pagamentos anteriormente efetuados para quitar os débitos que posteriormente sofreram retificação por solicitação do contribuinte devem ser totalmente amortizados para extinguir seus respectivos débitos. Assim, todos os recolhimentos por DARF que o contribuinte alega, nas folhas 02 do processo 13804.001325/200357, Í3804.002348/200389 e 13804.002347/200334, constituírem pagamentos indevidos ou a maior são totalmente devidos e, portanto, não geram créditos para subsidiar compensações de débitos em tais processos. 29) Além disso, os 14 primeiros pagamentos, em destaque, do demonstrativo da folha 02 do processo n° 13804.001325/2003 57 já se encontravam extintos pela decadência quando da solicitação de compensação de tal processo, 14/03/2003, e, portanto, não poderiam gerar crédito de pagamento indevido ou a maior para subsidiar compensações. 30) Existe ainda o fato de que todos os débitos do código 0561, IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado, encontravamse devidamente declarados em DCTF e oportunamente pagos em DARF (fls. 63 a 128 do processo n°13804.001325/200357), incluindo os DARF dos demonstrativos das folhas 02 dos processos n°s 13804.001325/200357, 13804.002348/200389 e 13804.002347/200334. A soma desses mesmos débitos declarados em DIRF para o anocalendário 1998 corresponde a R$ 1.113.342,31 (fl. 129 do processo n°13804.001325/200357). A inexistência do crédito para compensações, com DARF e sem processo, dos débitos cujos pagamentos encontramse nos demonstrativos das folhas 02 dos processos n°s 13804.001325/200357, 13804.002348/200389 e 13804.002347/200334 levam todos esses pagamentos a serem utilizados para amortizar seus respectivos débitos. E a soma de todos os pagamentos efetuados pelo contribuinte para quitar débitos de código 0561 no anocalendário 1998 (fls. 116 a 128 e 130 do processo n° 13804.001325/200357) é R$ 1.050.484,58, portanto menor do que o declarado em DIRF (fl. 129 do mesmo processo). Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.304 6 31) Nesse caso, mesmo que um dos pagamentos de código 0561 efetuados pelo contribuinte seja em valor maior do que o débito por ele declarado e apurado, o que poderia erroneamente subentender a existência de pagamento indevido ou a maior, o fato de os valores declarados em DIRF (como IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado) servirem de informação aos empregados da empresa como sendo os valores de IR retidos na fonte em seus benefícios e, portanto, ficando disponíveis para que tais beneficiários pudessem lançálos em suas DIRPF, restituindo a eles o saldo credor de IRPF decorrente, leva à conclusão de que o montante pago de IRRF com código 0561 teve o encargo financeiro transferido aos empregados até o montante do valor declarado pela empresa em DIRF. 32) A Lei n° 5.172/1966 CTN, em seu art. 166, assim dispõe: "Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla." 33) Como a soma dos pagamentos de código 0561 efetuados pelo contribuinte é menor que o montante declarado em DIRF em benefício dos empregados, e tais pagamentos correspondem aos únicos créditos existentes para extinção dos respectivos débitos declarados, não haveria de se caracterizar a apuração de pagamento indevido ou a maior, em benefício do interessado, em nenhum dos pagamentos de código 0561 realizados por ele no anocalendário 1998. DCOMP eletrônicas: 34) Foi, então, pesquisada a existência de DCOMP eletrônicas cujos créditos informados seriam alguns dos DARF com alegação de pagamento indevido ou a maior, o qual não se caracterizou devido a tais DARF terem sido integralmente amortizados pela não convalidação das compensações sem processo informadas quando da Solicitação de Alteração de DCTF dos processos n°s 11610.010831/200206 e 11610.010830/200253. Assim, foram encontradas as DCOMP eletrônicas listadas às folhas 54 a 56. 35) Débitos incluídos na lista de retificação da forma de sua extinção constante da Solicitação de Alteração de DCTF do processo n° 11610.010830/200253 (fls. 03, 04, 07, 08, 14 a 67 e 82 a 131 do Anexo II) tiveram seus pagamentos originalmente efetuados, sendo seus DARF integralmente amortizados com a não convalidação das compensações sem processo informadas em tal Solicitação de Alteração de DCTF. Os DARF correspondentes, originalmente pagos, são inteiramente devidos e, portanto, não podem originar créditos para as DCOMP eletrônicas listadas à folha 54, como foram nelas informadas. 36) Da mesma forma, os débitos incluídos na lista de retificação da forma de sua extinção constante da Solicitação de Alteração Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.305 7 de DCTF do processo n° 11610.010831/200206 (fls. 03, 04, 07,13 a 66 e 80 a 104 do Anexo I) tiveram seus pagamentos originalmente efetuados, sendo seus DARF integralmente amortizados com a não convalidação das compensações sem processo informadas em tal Solicitação de Alteração de DCTF. Os DARF correspondentes, originalmente pagos, são inteiramente devidos e, portanto, não podem originar créditos para as DCOMP eletrônicas listadas à folha 55 como foram nelas informadas. 37) Débitos não incluídos nas listas de retificação da forma de sua extinção constantes das Solicitações de Alteração de DCTF dos processos n° 11610.010830/200253 e 11610.010831/2002 06 foram suspensos no sistema Fiscel indicando como motivo a retificação do processo n° 11610.010831/200206, a exemplo do débito da folha 48 (ver item 22). Por não fazerem parte de tais Solicitações de Alteração de DCTF, tais débitos devem amortizar integralmente os DARF dos pagamentos originalmente efetuados. Dessa forma tais DARF são, inteiramente devidos e não podem originar créditos para as DCOMP eletrônicas listadas à folha 56, como foram nelas informadas. 38) Feitas toda as análises e baseado nas conclusões expostas nos itens 22, 26 e 28, anteriores, proponho a não homologação dos débitos compensados nas Declarações de Compensação dos processais n°s 13804.001284/200307, 13804.001325/200357, 13804.002348/200389 e 13804.002347/200334, encontrados às folhas 27 e 52 deste processo, a não homologação das DCOMP eletrônicas listadas às folhas 54, 55 e 56 e a não convalidação das compensações sem processo, com DARF, realizadas para os débitos descritos nas folhas 03, 04 e 07 do Anexo I e nas folhas 03, 04, 07 e 08 do anexo II. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, em síntese: i) não há que se falar em decadência dos pagamentos realizados em 1995 por serem estes utilizados em 2002, porque tais pagamentos não foram utilizados para débitos de 2002 e sim para débitos de 1998, o que era plenamente possível devido ao prazo para retificação das DCTF's ser de 5 anos, portanto, com relação às DCTF's de 1998, tal prazo se expiraria apenas em 2003; ii) a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios é inconstitucional e fere a legislação. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 896). O acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.306 8 Não se homologam as DCOMPs cujos pagamentos oferecidos como origem de crédito, à título de indevidos, servem para quitar débitos constantes de DCTF. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A instância administrativa não se manifesta a respeito de supostas inconstitucionalidades e/ou ilegalidades da legislação tributária. Cientificado dessa decisão em 12/04/2011, por via postal (fl. 913), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 1258), em 12/05/2011, em que alega, em síntese: i) a DCTF retificadora foi homologação pela Administração Tributária; ii) as compensações seguiram a legislação vigente; iii) o prazo para pleitear a compensação se inicia após decorridos cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, para o fisco homologar, ainda que tacitamente (quando, então, o crédito tributário é extinto), somados mais cinco anos para ser pleiteada a compensação, totalizando, assim. dez anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador (tese dos "cinco mais cinco"); iv) no processo administrativo fiscal, é assegurado ao contribuinte o direito à ampla defesa e ao contraditório, sendo equivocada a alegada impossibilidade dos órgãos de julgamento apreciar a aplicação da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Em resumo, o contribuinte apurou estimativas de IRPJ em 1998, declarando em DCTF e pagando os valores declarados. Em 2002, o contribuinte solicitou a retificação dessas DCTF para alterar a forma de extinção das referidas estimativas, de pagamento para compensação com DARF, cujo pagamento havia sido realizado em 1995. As DCTF retificadoras foram auditadas pelo Fisco e convalidadas. Os pagamentos de estimativa de 1998, agora disponíveis, foram utilizados para compensar outros débitos, por meio das declarações de compensação em análise. Em despacho decisório, a Administração Tributária entendeu que os pagamentos realizados em 1995 já estavam prescritos quando foram utilizados nas DCTF retificadoras em 2002 e, em razão disso, determinou que os pagamentos originais, realizados em 1998, deveriam ser utilizados para o pagamento das estimativas. Com isso, não haveriam os créditos declarados nas compensações em análise. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.307 9 Adicionalmente, verificou que o total das retenções de IRRF realizadas pelo contribuinte em 1998, conforme o que foi declarado em DIRF, é superior ao total recolhido, o que seria suficiente para não homologar as compensações baseadas em crédito de IRRF daquele ano. Por fim, verificou que as compensações listadas na fl. 56 têm como crédito pagamentos que não foram contemplados nas DCTF retificadoras e, por isso, não seriam passíveis de compensação. Como se vê, o primeiro fundamento utilizado para não homologar as compensações em tela é a decadência dos indébitos de 1995. O dispositivo legal que determina o prazo de decadência para a restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é o artigo 168, inciso I, do CTN, que tem a seguinte redação: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; A Receita Federal há muito firmou o entendimento de que a data de extinção do crédito tributário a que se refere o dispositivo supracitado é a data do pagamento antecipado do tributo ou, no caso, a data de apuração do saldo negativo, conforme se verifica no disposto no §10 do artigo 26 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, in verbis: Art. 26. Omissis ... § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a referida extinção do crédito tributário se dá com a homologação do pagamento que, em regra, ocorre tacitamente após cinco anos contados da data do fato gerador, conforme o artigo 150, §4º, do CTN. De efeito, o prazo decadencial seria de dez anos a contar da data do fato gerador, sendo cinco para a homologação tácita e cinco para a contagem do prazo previsto no artigo 168, I, ao que ficou alcunhado o título de “tese dos cinco mais cinco”. O artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, veio para determinar a correta interpretação do indigitado artigo 168, I, do CTN: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.308 10 Assim, conforme o novo dispositivo, a tese dos cinco mais cinco deveria ser superada e o prazo de decadência deveria ser de cinco anos a contar do pagamento antecipado, o que corresponde ao posicionamento adotado pela Administração Tributária. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça prolatou decisões em que foi descaracterizado o caráter interpretativo do referido dispositivo, impedindo a sua aplicação retroativa, conforme a argüição de inconstitucionalidade nos embargos de divergência em recurso especial 2005/00551121 (AI nos EREsp 644736 / PE): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.309 11 direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida. A inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, declarada incidentalmente pelo STJ, foi levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que deu solução final às divergências quando, em sessão plenária, julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, de reconhecida repercussão geral. Naquela assentada, o STF verificou o caráter modificativo do artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, ante a consolidada jurisprudência do STJ, e a conseqüente inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do mesmo diploma legal, conforme transcrito abaixo: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.310 12 conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Conforme visto, a decisão do STF não apenas declarou a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, afastando a aplicação retroativa do artigo 3º, mas também reconheceu como parte do ordenamento jurídico a tese dos cinco mais cinco, introduzida pela jurisprudência consolidada do STJ. Com isso, a decadência do direito de repetir o indébito perante o Fisco possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deve acolheu a referida decisão judicial, trazendoa para o âmbito do processo administrativo tributário, por força do artigo 62A do seu Regimento Interno, que determina a reprodução, pelos conselheiros do CARF, das decisões do STF e do STJ que possuam repercussão geral ou sejam objeto de recursos repetitivos. Nesse sentido, esta corte administrativa emitiu a Súmula nº 91, que tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Na espécie, o contribuinte formalizou as compensações com créditos de 1995 por meio de retificação das respectivas DCTF, em 2002, razão pela qual deve ser adotado o prazo de decadência de dez anos. Dessa forma, verificase que a compensação é tempestiva. Vencida a questão da decadência, há que se verificar a liquidez e certeza desse crédito e a sua suficiência ou insuficiência para quitar os débitos das estimativas de 1998. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13804.001284/200307 Acórdão n.º 1801002.194 S1TE01 Fl. 1.311 13 Nesse sentido, verificase que as DCTF retificadoras foram auditadas e homologadas pela Administração Tributária, o que autoriza o reconhecimento do crédito apontado. Entendo que a apontada divergência entre o total das retenções de IRRF realizadas pelo contribuinte em 1998, conforme o que foi declarado em DIRF, e o total recolhido não é razão suficiente para não homologar todas as compensações baseadas em crédito de IRRF daquele ano. Todavia, a unidade de origem constatou que as DCOMP relacionadas na fl. 57 (fl. 56 do processo em papel) não foram contempladas nas referidas DCTF retificadoras, o que afasta a possibilidade de sua homologação em razão de inexistência dos créditos lá demonstrados. Por tais razões, voto pela procedência em parte do recurso voluntário, para reconhecer em parte o crédito pleiteado e homologar: a declaração de compensação de fl. 2; a declaração de compensação de fl. 85, originalmente formalizada no processo nº 13804.0013255/200357; a declaração de compensação de fl. 221, originalmente formalizada no processo nº 13804.002348/200389; a declaração de compensação encontrada na fl. 1 do processo nº 13804.002347/200334, em apenso; e as DCOMP listadas nas fls. 55 e 56 (fls. 54 e 55 do processo em papel). Restam não homologadas as DCOMP listadas na fl. 57 (fl. 56 do processo em papel). (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15956.000368/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 36 8/ 20 08 -1 1 Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório HENRIQUE PINHATTI, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 155.803.778 00, com domicílio fiscal na cidade de Monte Alto, Estado de São Paulo, à Rua Jose Luiz Franco da Rocha, n.º 575, Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls.1285/1304, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1310/1350. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto SP, em 08/12/2008, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 02/12), com ciência por AR, em 09/12/2008 (fls. 1181), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.941.393,77 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de oficio qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2003 a 2006, correspondente aos anoscalendário de 2002 a 2005, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2003 a 2006, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme o exposto em nosso Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, que faz parte do Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Infração capitulada no art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei nº 10.451, de 2002; art. 1º da Lei nº 11.119, de 2005. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, datado de 08/12/2008 (fls.13/22), entre outros, os seguintes aspectos: que através do Termo de Início de Fiscalização de 9 de março de 2007 o fiscalizado foi intimado a apresentar: (a). Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo contribuinte, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior; (b). Lista com nomes dos bancos, n° de agência e n° de conta corrente de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta; (c). Documentação hábil comprobatória da relação de dependência dos dependentes informados nas declarações de ajuste anual; (d). Comprovantes das despesas médicas; (e). Laudo relativo aos serviços prestados pelos profissionais da área de saúde; (f). Planilhas Demonstrativo da Receita; das Despesas de Custeio e Investimentos e de Financiamentos Rurais; que, em 21 de maio de 2007, foi emitida Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF); Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 4 3 que, em 21 de maio de 2007, foi emitida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira n° 08.1.09.002007000763 endereçada ao Banco Bradesco S/A; que, em 1° de junho de 2007 o Banco Bradesco S/A informou estar realizando pesquisas e tão logo sejam concluídas seriam encaminhadas; que, em 15 de junho de 2007 o Banco Bradesco S/A apresentou documentação financeira de conta corrente existente na instituição financeira; que, em 2 de julho de 2007 o Banco Bradesco S/A apresentou documentação faltante de conta corrente existente na instituição financeira; que com relação ao solicitado no Termo de Início de Fiscalização, o fiscalizado, através da correspondência datada de 18 de abril de 2007, solicitou dilação de 30 dias para a apresentação da documentação solicitada; que, em 1° de outubro de 2007, através do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos, o fiscalizado foi intimado a apresentar a planilha Atividade Rural Demonstrativo das Receitas referente à fazenda Primavera exercício 2003 anocalendário 2002, haja vista a mesma não ter acompanhado a documentação encaminhada; que em 29 de janeiro de 2008, através do Termo Comprovação Créditos CC, o fiscalizado foi intimado a informar/comprovar as operações efetuadas a crédito nas contas correntes e nas aplicações financeiras e foi informado de que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados ensejaria lançamento de ofício a título de omissão de rendimentos; que, em 8 de fevereiro de 2008, através do Termo de Intimação Fiscal, o fiscalizado foi intimado a apresentar a planilha Atividade Rural — Demonstrativo das Receitas referente à fazenda Primavera exercício 2003 anocalendário 2002, haja vista a mesma não ter acompanhado o documentação encaminhada; que, através da correspondência datada de 22 de fevereiro de 2008, o fiscalizado apresentou os comprovantes de despesas relativo a sua atividade profissional relativo aos anos de 2002 a 2005 e reiterou a informação referente ao extravio de talões de notas fiscais do anocalendário de 2002 da fazenda Primavera; que, em correspondência datada de 22 de fevereiro de 2008, o fiscalizado, em resposta ao Termo Comprovação Créditos CC, solicitou dilação de mais 60 dias e apresentou diversas informações superficiais a respeito dos valores creditados em contas correntes; que através da correspondência datada de 26 de março de 2008, seu advogado devidamente constituído apresentou procuração "ad judicia et extra" solicitou "proceder a carga do processo administrativo pelo prazo de 10 (dez) dias, bem como, seja prorrogado o prazo de apresentação com reinicio da contagem após vistas dos autos do procedimento."; que, em correspondência datada de 16 de julho de 2008, o fiscalizado manteve a informação informou quanto à planilha Atividade Rural, alegando perda de documentação; apresentou o bloco de Notas Fiscais do Sítio Rio Claro e, quanto às solicitações de comprovação dos créditos efetuados em contas correntes e aplicações financeiras, apresentou Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 5 4 explicações vagas e imprecisas, não apresentando qualquer documentação comprobatória dos créditos efetuados. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 08/01/2009, a sua peça impugnatória de fls.1186/1226, instruído pelos documentos de fls.1228/1264, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que, portanto, dúvida não resta que o fato gerador do Imposto sobre a renda de pessoa física para fins de tributação quando da existência de omissão de rendimentos lançada por Presunção com base em extratos bancários será o mês em que houver o crédito pela Instituição financeira. Vale dizer, se um depósito foi credito do mês de fevereiro, neste mês será considerado como fato gerador acaso se caracterize como receita omitida da tributação e sofra o lançamento por presunção, nos termos do art. 42 da Lei n. 9430/96; que no caso vertente, consoante faz prova a declaração de rendimentos em anexo, o impugnante exercia atividade rural, tendo inclusive declarado valores no período e que não foram considerados no auto de infração; que se quer dizer com isso é que a base de cálculo e alíquota utilizada pelo Fisco para lavratura do auto de infração limitase a 20% da suposta receita omitida; que assim, de início destacase que a movimentação financeira não reflete a variação patrimonial (omissão de receitas) vivenciadas por qualquer contribuinte, sendo, via de conseqüência, impossível a tributação pelo imposto sobre a renda nos termos estampados no auto de fração; que logo, não se presta a afirmação de que os valores creditados em conta corrente indicam renda declarada disponível, o que nos permite afirmar que o auto de infração encontrase baseado em presunções sem qualquer conteúdo probatório mínimo; que como demonstrado pela autoridade fiscalizadora, a fiscalização utilizouse, para lavrar o auto de infração impugnado, simplesmente, da análise de contas bancárias, violando, assim, os princípios da irretroatividade e do sigilo, resguardados pela CF/88; que, sendo assim, a prova que embasa o lançamento fiscal é totalmente ilícita, pois inexiste decisão judicial autorizando o procedimento fiscal; que a própria fiscalização, fazendo tábua rasa do preceito constitucional, adquiriu os extratos bancários diretamente das instituições financeiras, sem ordem judicial; que como se viu, o Fisco pretende obter informações, seja diretamente com o contribuinte, seja por intermédio das instituições bancárias, tais como débitos em conta corrente, pagamentos, saques, transferências, aplicações, etc.; que, aliás — apenas para deixar claro o raciocínio — o preceito constitucional estabelece que não será sequer objeto de deliberação, a proposta de emenda constitucional tendente a abolir os direitos e garantias individuais. Destarte, se não é admitida nem a deliberação de proposta de emenda constitucional que intente abolir aqueles direitos, por óbvio que uma lei complementar também não pode fazêlo; Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 6 5 que, portanto, nem mesmo a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, não tem o condão de tornar o Fisco Federal Independente de autorização judicial, ou seja, não pode afastar o prévio exame do Poder Judiciário sobre o cabimento da quebra do sigilo, transferindo tal prerrogativa à própria administração pública, aos próprios INTERESSADOS na suposta "investigação"; que neste sentido, o STF tem admitido, bem antes da edição da Lei Complementar nº 105/01, que o sigilo bancário somente pode ser quebrado em duas hipóteses: em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e por ordem judicial, desde que, em ambos os casos, estejam fundamentadas as duas situações excepcionais; que é entendimento sedimentado em nosso ordenamento jurídico, no sentido de que o sigilo bancário só deve ser aberto por decisão judicial ou nos casos, limitadíssimos, de algum órgão ser, por expressa menção da Constituição, equiparado ao Judiciário, como é o caso das Comissões Parlamentares de Inquérito (artigo 58, § 3º, CF/88); que os valores espelhados nos extratos bancários, que serviram de base para a autuação, representam o mesmo dinheiro, que foi e voltou da conta inúmeras e repetidas vezes. A renda do Impugnante, contudo, foi e continua sendo incerta, parcamente incrementada pela atividade de desconto de cheques; que é preciso ter em mente que os extratos bancários podem conter empréstimos, valores liberados por cheques especiais, circulação de valores entre bancos, e muitas outras situações que não afetam a renda do Impugnante em cada ano, porquanto não representam "plus"; que exatamente por isso que o E. Conselho de Contribuintes já pacificou entendimento no sentido de não admitir os depósitos bancários como suposto indicativo de omissão de receita, para fins de lançamento tributário; que é preciso que a fiscalização apresente elementos comprobatórios seguros da suposta renda, o que não foi feito. Estamos, sem dúvida, diante de um caso em que as autoridades fiscalizadoras buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta ao Impugnante, o que é arbitrário, inadmissível e ilegal; que Ab initio, nem se cogita a aplicação da multa de 150% prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 18 da Medida Provisória n. 303/2006; que isto porque conforme as disposições constantes do art. do CTN aplicase ao lançamento as disposições legais vigentes à época do fato gerador. No caso, inexistia previsão legal para aplicação da multa no percentual de 150%; que segundo porque é princípio básico do direito penal a impossibilidade da retroatividade in pejus, ou seja, prejudicando a situação do réu, no caso, Recorrente; que deste modo, em virtude da evidente ausência de dolo e a sua efetiva comprovação por parte do fisco a multa deve ser reduzida ao patamar de 20%. Tratase de verdadeiro absurdo a imposição do percentual de 150%; Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 7 6 que em matéria tributária, portanto, a natureza dos juros moratórios é uma só: visa recompor o patrimônio do Estado, lesado pela demora do devedor em adimplir a obrigação; a mora (atraso), pois, é pressuposto da incidência desta espécie de juros, elemento essencial para sua existência; que à luz dessas considerações, é preciso verificar se a taxa de juros adotada pela d. fiscalização reflete esta natureza, sob pena de ser inservível para aquele fim; que da leitura destas normas infralegais, é fácil perceber que a TAXA SELIC é resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercado, que são publicados diariamente. É uma "taxa de referência" calculada e divulgada unilateralmente pelo BACEN, que se utiliza, para tanto, da variação do custo do dinheiro e da flutuação desse custo no mercado financeiro; que reflete, pois, um autêntico pagamento pelo uso de dinheiro alheio, ou seja, um meio de remunerar o capital, característica que lhe confere, à evidência, natureza remuneratória; que por isso, a sua adoção como supostos juros "moratórios" (sic) é expediente ilegal e inconstitucional, pois desnatura por completo o pressuposto e a finalidade desta espécie de juros; a TAXA SELIC, da forma como existente e calculada hoje, não guarda qualquer correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta do tributo não pago, como se busca nos juros moratórios; que a Lei n2 9.065/95 está desrespeitando o artigo 110 do C.T.N., à medida em que desnatura a cobrança dos juros incidentes sobre os débitos tributários em atraso, transmudandolhes o caráter, de moratório (que é o efetivamente correto, porquanto pressuposto do acréscimo) para remuneratório (reflexo dos elementos que integram o cálculo da TAXA SELIC); que a Lei nº 9.065/95 não encontra fundamento no artigo 161, § 1 2, do C.T.N., porque este dispositivo complementar autoriza a definição de outra taxa de juros, desde que contenha e reflita natureza moratória, e não remuneratória; que não foi o que ocorreu com a Lei nº 9.065/95, que, por via indireta, acabou por conferir natureza remuneratória aos juros incidentes sobre os débitos tributários em atraso, violando por completo o perfil moratório que lhe é conferido por lei complementar. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo II, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que analisando tão somente o ano mais longínquo, o de 2002, pela regra do art. 173, I do CTN, não há que se falar em decadência do crédito tributário, posto que o prazo decadencial estenderseia até 31/12/2008, e o crédito tributário foi constituído em 09/12/2008 (fl. 1.181). Seguindo a mesma linha de reflexão, é óbvio que também inexiste decadência para os anoscalendário subseqüentes, no caso, 2003, 2004 e 2005; que o acesso aos dados sigilosos em casos legalmente previstos e circunstâncias formalmente motivadas não significa a devassa da privacidade dos Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 8 7 contribuintes, como insiste a opinião leiga. É preciso ter uma compreensão ampla deste tema, interpretando os dispositivos legais em consonância com todo o sistema jurídico. Esta questão é de extrema importância e gera conseqüências das mais diversas quando mal interpretada tanto no sentido do sigilo absoluto quanto da sua extinção sem limites; que a preocupação central, na verdade, não deve ser propriamente a possibilidade da transferência das informações das instituições financeiras, pois isto já está previsto e possibilitado pela legislação vigente (Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001). A reflexão cabível deve ser sobre a forma e controle da transferência dos dados, a fim de evitar abusos ou agressões aos direitos dos contribuintes, titulares das informações que irão circular entre os órgãos estatais, conforme a finalidade para a qual estão sendo requeridas; que a fiscalização é uma das atividades preponderantes da Administração Tributária, devendo a legislação traçar os meios legais para que a Fazenda Pública possa exercer esta importante e complexa atividade, inclusive, indicando os instrumentos viáveis para efetuar com segurança e eficiência as diligências necessárias através dos procedimentos administrativos cabíveis; que no caso em exame, foram perfeitamente cabíveis as requisições de informações de dados bancários, em face da persistência do litigante em não entregar à fiscalização os seus extratos bancários, na sua totalidade, por ter sido intimado em 13/03/2007 (fl. 24), conforme termo de fls. 23/24, sem que houvesse apresentado todos os documentos ali solicitados; que se trata de um raciocínio evidentemente falacioso. A simples leitura do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, revela que a proibição restringiase ao uso da informação prestada pelo banco para lançamento de exação distinta da CPMF. Em nenhum momento aquela norma legal estipulou que, caso o fenômeno subjacente à movimentação econômica configurasse fato gerador de outro tributo, o contribuinte respectivo estaria imunizado da obrigação de recolhêlo; que a meu ver, o aludido § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, seja com a original, seja com a nova e vigente redação, referese apenas ao trato das informações, sem jamais pretender estabelecer qualquer regramento relativo à incidência tributária dos fenômenos geradores da movimentação financeira; que é óbvio, portanto, que o aludido diploma legal em nenhum momento cria, para quem quer que seja, o direito subjetivo de deixar de recolher algum tributo que incida sobre determinado fato econômico. À toda evidência, a CPMF incide sobre a simples movimentação financeira, mesmo aquela desprovida de repercussão econômica, como o saque de recursos para o cofre pessoal, enquanto o imposto de renda ou o ICMS, por exemplo, incidem sobre o conteúdo econômico, a operação que gerou a CPMF; que com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, cabe afastar o pedido da diligência proposto pelo contribuinte, posto se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento; que no caso vertente, a autoridade autuante agiu com acerto. Diante do indício de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação em Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 9 8 tela, operou a inversão do ônus da prova, cabendo ao interessado, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência; que ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada; que o objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos; que desta forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. O depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; que é o caso, pois o litigante não logrou comprovar com documentação hábil e idônea que os valores depositados têm origem em vendas da atividade rural, por falta de coincidências de dados, como data e valor, entre as notas fiscais da atividade rural e os valores individuais de depósitos bancários; que descabida a pretensão do sujeito passivo de tributação dos rendimentos omitidos pelo regime tributário diferenciado e benéfico, aplicável aos rendimentos da atividade rural, sob a alegação de que exerce tão somente a atividade de ruralista; que para efeito da tributação mais benéfica da atividade rural, há a necessidade de comprovar, através da apresentação de documentação hábil e idônea, que as receitas omitidas decorreram dessa atividade, para não desvirtuar todo o sistema de tributação contrariando normas expressas sobre o tema, a exemplo dos artigos 57 a 71 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda — RIR/I 999; que fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária; que dessa forma, o intuito doloso está plenamente demonstrado, restando evidenciados os ardis característicos do evidente intuito de fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Física IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 10 9 cada anocalendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos ao CarnêLeão. Inexistindo retenção do imposto de renda na fonte pagadora ou recolhimento do carnêleão, a regra da decadência deslocase para o art. 173, I do CTN. SIGILO BANCÁRIO. É equivocada a alegação de quebra indevida do sigilo bancário, quando as Requisições de Movimentação Financeira foram feitas em face da negativa do sujeito passivo em atender às intimações fiscais, na sua totalidade, tendo a fiscalização observado as normas regulamentadoras da matéria. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O princípio da irretroatividade, acolhido no art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal de 1988, não é absoluto, estando vedada a retroatividade das leis apenas quando houver violação ao direito adquirido, à coisa julgada e ao ato jurídico perfeito. Em matéria tributária, a Constituição Federal garante a irretroatividade apenas da lei que institua ou majore tributo (art. 150, inciso III, alínea " a" ), mas nada obsta a retroatividade da lei tributária material que não tenha por objeto instituir ou majorar tributo, ou a retroatividade da lei tributária formal (lei que regula o modo pelo qual deve ser realizada a atividade de lançamento). PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n° 9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, só fica submetido ao regime de tributação mais benéfico da atividade rural, quando demonstrado de forma clara e inequívoca o vínculo de cada depósito individualizado com o produto da venda da atividade rural. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 11 10 É aplicável a multa de oficio agravada de 150% nos casos em que, no procedimento de oficio, constatase que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de causar dano ao erário público. ENCARGOS LEGAIS . JUROS DE MORA. A cobrança dos juros de mora juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é exorbitante, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 27/04/2009, conforme Termo constante à fl. 1307, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (22/05/2009), o recurso voluntário de fls. 1310/1350, instruído pelos documentos de fls. 1351/1362, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que no presente caso, "data venia", houve evidente preterição do direito de defesa, uma vez que preteriuse as alegações, na impugnação, no sentido de que estamos diante de atividade rural, pelas simples razões já demonstradas nos autos e pelo indeferimento de perícia, de fundamenta importância para a verificação das alegações não apreciadas e que causam é nulidade da r. decisão; que o cerceamento de defesa é evidente, diante de tais fatos, tendo em vista o princípio da legalidade. Isto porque, por força do princípio da legalidade, a autoridade administrativa, principalmente quando provocada tem o dever de analisar se os atos administrativos praticados estão em consonância com a Lei; que frisase que com relação presente fiscalização, o d. agente fiscal nunca compareceu a domicílio do recorrente, hipótese em que facilmente poderia comprovar que o mesmo é produtor rural (mangas) nunca tendo exercido qualquer outra atividade; que a terceira razão que dá ensejo à nulidade da decisão, diz respeito ao princípio da razoabilidade, que sempre deve nortear a decisões administrativas, de conformidade com os arts. 5, inciso LIV, d, Constituição Federal e V, da Lei Federal n. 9.784/99, que regula o processo administrativo federal; que o principio da razoabilidade impera com cláusula de justiça dos atos estatais, a fim de que estes não se vinculem simplesmente, a aspectos formais de validade, possibilitando, assim, o cotejo pelo Poder Judiciário, de aspectos substanciais, fazendo com que se compatibilizem com, todo o sistema jurídico, ou melhor, que se preservem os valores fundamentais do ordenamento jurídico; que, portanto, dúvida não resta que o fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa física para fins de tributação quando da existência de omissão de rendimentos lançada por presunção com base e extratos bancários será o mês em que houver o crédito pela instituição considerado como fato gerador acaso se caracterize como receita omitida tributação e sofra o lançamento por presunção, nos termos do art. 42 da Lei nº 9430/96; Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 12 11 que consoante documentos anexos apresentados no curso da fiscalização, o Recorrente buscou demonstrar por todas a: formas possíveis o fato de que estamos diante de produtor rural e, via de conseqüência, a tributação deveria ser feita nesses moldes; que o D. Agente fiscal, simplesmente ignorou realidade e deixou de considerar a atividade rural desenvolvida pelo Recorrente, n caso, cultura de manga, o que poderia ser facilmente comprovado com uma simples diligência ao imóvel rural de sua propriedade e constantes das Declarações de Rendimentos Sítio Rio Claro e Sítio Primavera; que é entendimento sedimentado em nosso ordenamento jurídico, no sentido de que o sigilo bancário só deve ser aberto por decisão judicial ou nos casos, limitadíssimos, de algum órgão ser, por expressa menção da Constituição, equiparado ao Judiciário, como é o caso das Comissões Parlamentares de Inquérito (artigo 58, § 3, CF/88); que é preciso que a fiscalização apresente elementos comprobatórios seguros da suposta renda, o que não foi feito Estamos, sem dúvida, diante de um caso em que as autoridades fiscalizadora buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta ao Recorrente, o que é arbitrário, inadmissível e ilegal; que em virtude da evidente ausência de dolo e a sua efetiva comprovação por parte do fisco a multa deve ser reduzida ao patamar de 20%. Tratase de verdadeiro absurdo a imposição do percentual de 150%. É o Relatório. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 13/22 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal os seguintes excertos: Que através do Termo de Início de Fiscalização de 9 de março de 2007 o fiscalizado foi intimado a apresentar: (a). Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo contribuinte, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior; (b). Lista com nomes dos bancos, n° de agência e n° de conta corrente de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta; (c). Documentação hábil comprobatória da relação de dependência dos dependentes informados nas declarações de ajuste anual; (d). Comprovantes das despesas médicas; (e). Laudo relativo aos serviços prestados pelos profissionais da área de saúde; (f). Planilhas Demonstrativo da Receita; das Despesas de Custeio e Investimentos e de Financiamentos Rurais. Que, em 21 de maio de 2007, foi emitida Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF). Que, em 21 de maio de 2007, foi emitida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira n° 08.1.09.002007000763 endereçada ao Banco Bradesco S/ª Que, em 1° de junho de 2007 o Banco Bradesco S/A informou estar realizando pesquisas e tão logo sejam concluídas seriam encaminhadas. Que, em 15 de junho de 2007 o Banco Bradesco S/A apresentou documentação financeira de conta corrente existente na instituição financeira. Que, em 2 de julho de 2007 o Banco Bradesco S/A apresentou documentação faltante de conta corrente existente na instituição financeira. Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 14 13 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 15 14 administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 16 15 Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 17 16 impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. “À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 18 17 dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 19 18 presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 20 19 o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 15956.000368/200811 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.435 S2C2T2 Fl. 21 20 Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 13874.000222/2003-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Julio Cesar Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Julio Cesar Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata este processo de auto de infração de infração (fls. 07/09) lavrado para exigir a contribuição PIS em virtude de falta de recolhimento dos períodos de apuração de fevereiro, de julho, de agosto e de setembro de 1998. Em sua impugnação, a contribuinte alegou: (a) inicialmente a decadência do direito de lançar do período de apuração de fevereiro de 1998, pois a ciência da autuação teria ocorrido somente em 08/07/2003; (b) que desconhece os motivos da irregularidade informada, pois os pagamentos foram devidamente realizados, e que o pagamento do período de apuração de fevereiro de 1998 foi realizado por compensação no Processo Administrativo n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 74 .0 00 22 2/ 20 03 -4 6 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13874.000222/200346 Resolução nº 3401000.856 S3C4T1 Fl. 3 2 13874.000153/9814 o qual solicita seja anexado ao presente já que ele havia sido feito com código errado de receita. Junta cópias de DARFs e do extrato do protocolo do processo de compensação. A R. 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto apreciou o auto de infração e a impugnação e demais documentos que instruem o processo e concluiu: · Pelo não acolhimento da decadência do período de apuração de fevereiro de 1998, por entender que não houve pagamento e a regra decadencial é a do art. 170, I do CTN, e o termo a quo seria janeiro de 1999, logo a ciência em julho de 2003 foi antes do termo final desse prazo (janeiro de 2004). · No mérito, que não assiste razão à contribuinte, pois: (a) o pagamento que seria dirigido ao PA de 02/1998 foi objeto de restituição; (b) faltaram provas a corroborar suas alegações. E explicaram, in verbis: Analisando a documentação constante dos autos, verificase que a alegação da contribuinte não pode ser comprovada, pelas seguintes razões. O contribuinte apresentou DCTF referente ao 1º Trimestre de 1998. em 06/05/1998 e, em relação ao 3º Trimestre de 1998, em 25/11/1999. informando os créditos de PIS, conforme demonstrativos (fls. 10/11). Entretanto, apresentou DCTF com débitos do PIS. de igual valor, com liquidação indicada pelos DARFs em questão, referente ao 3º Trimestre de 1997, conforme extrato de fls. 31/35. Os pagamentos foram alocados a esta DCTF, que foi apresentada em 21/05/1999, deixando a descoberto os períodos de apuração referentes ao 3° Trimestre de 1998. A interessada abstevese de esclarecer a situação dos débitos incluídos na DCTF referente ao 3º Trimestre de 1998. Em relação à liquidação do PIS do período de apuração de fevereiro de 1998, ela não ocorreu conforme reivindicado pela defesa. Extratos dos sistemas de controle de pagamentos da SRF informam que o valor do DARF recolhido em 10/03/1998, sob código de receita 2172. foi objeto de pedido de restituição e não de compensação (fls. 41 e 51). Portanto o débito do PIS de fevereiro de 1998 permaneceu como não pago. A exigência foi baseada nos dados informados pela contribuinte em sua DCTF. Portanto, se a interessada pretendia demonstrar sua razão, deveria apresentar prova de sua alegação. · e "Mesmo que apresentasse outra DCTF retificadora, seria incabível homologar automaticamente o pagamento pela simples nova retificação de DCTF, vez que esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que a retificação a destempo da DCTF exige a verificação da exatidão das informações a ela referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Sem comprovação, não se pode desconstituir uma exigência baseada na confissão de dívida instrumentalizada pela DCTF". Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13874.000222/200346 Resolução nº 3401000.856 S3C4T1 Fl. 4 3 · Exonerar a multa de ofício graças à retroatividade benigna doa rt. 18 da Lei n. 10.833/2003: "Apesar de a Lei n° 10.833, de 2003, não definir penalidade menos severa do que a prevista na redação do art. 90 da MP 2.15835, o resultado é o mesmo: ao deixar de prever a multa de ofício para o caso em tela, abre espaço para a exigência de penalidade menos severa, qual seja, a multa de mora, nos termos dos arts. 43 e 61 da indigitada Assim, o lançamento da multa de ofício deve ser cancelado, podendo a multa moratória ser exigida." O Acórdão n. 1434.160, de 09/06/2011, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES. As alegações desacompanhadas de provas que as corroborem devem ser desconsideradas no julgamento. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Exonerase a multa de ofício imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/1998 SÚMULA VINCULANTE DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n2 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte ingressou com recurso voluntário, com o que repisa o que disse na impugnação, afirma que as provas foram juntadas com a impugnação, ao contrário do que afirma a decisão de 1º grau. Pede a declaração de improcedência do auto de infração e a correção da situação. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13874.000222/200346 Resolução nº 3401000.856 S3C4T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso voluntário e atendidos demais requisitos de admissibilidade. O auto de infração objeto deste processo teve como motivo a não localização dos recolhimentos do PIS nos PA 02/1998, 07/1998, 08/1998 e 09/1998. Com relação ao PA 02/1998, a contribuinte afirma que efetuou o pagamento em 10/03/1998 com código de receita equivocado (n. 2172 ao invés de 8109) ver DARF às fls. 30 , mas que essa situação teria sido solucionada através do processo 13874.000153/9814. O extrato de fls. 42 obtido em consulta ao sistema SINAL em 04/08/2004 informa que esse pagamento teria sido restituído em 16/07/2001 com base no processo administrativo aqui indicado, motivo por que os julgadores a quo entenderam que o respectivo débito permanece em aberto. Às fls. 54 consulta feita em 2010 ao sistema Trata Pagamento traz registro de que teria havido restituição. Com relação aos PAs 07,08 e 09 de 1998 a contribuinte junta cópia dos DARFs (fls.32). No entender dos Julgadores de 1ª Instância, como a contribuinte apresentara DCTF referente ao 3º trimestre de 1997 e relacionada a esses (DARFS), esses pagamentos teriam sido alocados para esse trimestre de 1997 e o 3º trimestre de 1998 teria permanecido descoberto de pagamento. Ocorre que a autoridade da unidade jurisdicionante, às fls. 45, em 09/08/2004, assim consignou: O contribuinte em epígrafe está apresentando impugnação ao Auto de Infração DCTF PIS do ano calendário de 1997 e 1998 , alegando que o débito , alvo do referido Auto , foi liquidado por pagamento antes da lavratura do mesmo , porém apresenta as seguintes inconsistências: 1 para o 3º trimestre de 1997 foram apresentadas duas declarações de DCTF sendo uma delas referentes aos débitos e pagamentos do 3º trimestre de 1998 e esta declaração é que alimentou o sistema de 1997 , daí os pagamentos de 1998 foram alocados automaticamente via DCTF e como consequencia gerou ao auto de infração de 1998; 2 os pagamentos referentes aos débitos da declaração correta do 3º trimestre de 1997 estão disponíveis no sistema. Estando o processo devidamente formalizado, encaminhese o presente à SACAT/DRF/SOROCABA , para análise e manifestação. Lendo as cópias das DCTFS referidas, pareceme que a contribuinte perpetrou equivoco ao identificála como pertencente a 1997, quando o correto seria 1998. Os pagamentos relacionados nessas DCTFs indicam que os PAs são os de 1998. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13874.000222/200346 Resolução nº 3401000.856 S3C4T1 Fl. 6 5 Contudo, estamos diante de uma situação que pode revelar não só um desencontro nos registros relacionados a esses débitos e pagamentos. Primeiramente, a recorrente entende que houve 'compensação' do pagamento feito em 10/3/1998 para quitar o PIS do PA de 02/1998. Mas as telas de consulta informam ter havido restituição. Ademais, pareceme que o contribuinte aponta um erro de preenchimento nas DCTF's, coroborado pela autoridade administrativa da jurisdição; mas divergindo dos documentos apreciados pela DRJ. Há um conflito de entendimentos a esse respeito, e a solução não reside nesses documentos juntados. Proponho a esta E Turma aprovar a conversão do julgamento em diligência para a unidade jurisdicionante: (a) instruir este com cópia do processo 13874.000153/9814 e, se possível, cópia dos registros que comprovam a efetividade da restituição à contribuinte (cópia da ordem bancária concluída com sucesso ou documento equivalente) do pagamento de 10/03/1998 acima citado. (b) verificar e, se for o caso reconhecer, se a contribuinte apresentou em duplicidade DCTF para o 3º trimestre de 1997. E se a última transmissão dessa declaração se referiria, de fato, ao 3º trimestre de 1998. E se há pagamentos nos sistemas de controle da Receita Federal feitos pelo contribuinte em condições de serem considerados em condição de quitar os débitos dos PAs dos citados trimestres de 1997 e 1998. Que seja dada ciência à recorrente desta decisão e das informações prestadas pela unidade jurisdicionante, podendo ela se manifestar em cada situação no prazo de 30 dias. Ao final seja devolvido este processo ao CARF. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910858/2008-35
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 59 1 58 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910858/200835 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.678 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA PAULO MAURO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 58 /2 00 8- 35 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910858/200835 Acórdão n.º 3803006.678 S3TE03 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 2.479,80, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910858/200835 Acórdão n.º 3803006.678 S3TE03 Fl. 61 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910858/200835 Acórdão n.º 3803006.678 S3TE03 Fl. 62 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910858/200835 Acórdão n.º 3803006.678 S3TE03 Fl. 63 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10920.003269/2004-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
AUXÍLIO COMBUSTÍVEL INDENIZAÇÃO
A verba paga sob a rubrica "auxilio combustível " tem por objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, quo, não se incorpora à remuneraçao do fiscal para qualquer eleito e, portanto, está fora
do campo de incidência do IRPF.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2101-000.901
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Raimundo Tostas dos Santos
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INDENIZAÇÃO A verba raga sob a rubrica "auxilio combustível " tern por ob¡etivo indenizar gastos coin uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, quo, não se incorpora à remuneraçao do fiscal para qualquer eleito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. R.eciaso voluntario provido.. Vistos, telatados o discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recut so, nos termos do voto do Relator.. EDITADO FM! 1 1 FEV 2011' Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre .Naoki Nisbioka, Gonçalo .Bonet Allage, Odrnir Fernandes e Ana Neyle Olímpio Itolanda, Relatório 0 recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n" 07-15 037, (H. 22), que, pot maioria de votos, julgou procedente o Auto dc Infração A infração indicada no lançamento e Os argumentos de defesa suscitados na impugnação forarn sintetizados peio úrgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata-se de Auto de inflação originado peta revisão da Declaração de Ajusto Antral do Imposto de Renda Pessoa Física do exercieio 2000, am-calendário 1999, no gnat -foi alterado o imposto a restituir no valor de R$ 4.405,82, calculado pelo contibuinte ern Declaração R.etificadora, para imposto a restituir após a revisão no valor de R$ 1 719,78, apurando restituição indevida. a devolvei - corrigida, no valor de R$ 3.442,14, conforme documentos de fls. 12/17 Par meio do formulatio "Demoustrativo das In liações", de fls. 14, e "Descrição dos Fatos Anexo ao Auto de Infração", de Us 16/17, verilica-se que a autuação foi lavrada par on iissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, Lima vez que o contribuinte apreserlion declaração retilieadora que excluiu dos rendimentos tributáveis os valores recebidos a tin& de indenização de transporte, baseando-se em decisão judicial proferida pela Just:lea Estadual, proposta contra o Secretario de Administração do Estado de Santa Catarina, responsável pela tributação na fonte dos ifeddos rendimentos Observa-se também, corn base no Formulário "Mensagens", de lis 13, que a had da declaração relativa dos rendimentos recebidos dc pessoas jurídicas [di alterada para R$ 65.811,91 Inconformado corn a exigência, o interessado apresentou a. impugnação de Its. 01/11, na qual defend° o caráter indenizatório da verba auxilio combustive] ou indenização pelo uso de veículo proprio, e diz que não pode prevalecer o Patecer da Secretaria da Receita Federal externado na Solução de Consulta n° 73, de 2000, que concluiu pelo caráter reinuneratório da verba do auxilio combustível. Afirma que a verba é igualmente paga aos ser vidores públicos federais, sob a denominação de indenização de transporte, e é devida ao servidor clue realizar despesas corn a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por torça das atribuições próprias do cargo, con fonile disposições do art 60 da Lei n° 8.112/90 Referida verba não integra o rendimento bruto para eleito do imposto de renda, nem n se incorpora aos proventos de aposentadoria ou as pensões Desta Forma, a Receita Federal, ao aplicam a exação estaria desrespeitando o principio da igualdade tributaria, estabelecendo tratamento desigual entre servidores municipais, estaduais e tedemis. Cita precedentes do Tribunal de Justiça de São Paulo, do Tribunal Regional da 4a Região e do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, cm que se declara que a verba denorninada auxilio combustive] tern caráter indenizatório, não se sujeitando á incidência do imposto de rendr Diz que decisões do Superior Tribunal de Justiça conlir main que as verbas (RIC COMpOCII1 os vencimentos, mas que nao são incorporáveis, aos proventos de aposentadoria, não podem constituir base de calculo para pagamento de tributos e connibuições Alega que o Sindicato dos fiscais da Fazenda do Estado de Santa Catarina (SINDIFISCO), do qual o irnpuguante é filiado , impetrou mandado de segurança ptlante o l'uocc,so ut" I 0920 00320912004-51 S2-C 1 1 1 Ac6rd5o n 2 01-00..901 1 1. -) tribu».al de Justiça do Estado de Santa. Catarina, distribuído sob o n" 200.2.009536-8, com o intuito de excluir da base de calculi) do imposto do r onda a verba denominada Auxilio Combustível, sendo que a segurança pleiteada fbi deferida. Expõe que o mesmo SINDIFISCO propôs ação de ropeLiçiio de indébito contra o b.stado de Santa Catarina, distribuida sob o n" 023.02.037993-8, para clue sejain restittridos os valores indevidamente retidos a titulo de imposto,de reii.da sobre a verba "auxilio combustivel". Assim, entende que a declaração retificadora que apresentou apcna.s antecipou est ituição do imposto que tatahnente sera determinada pela Justiça. Doren& que a competência para conhecer a ação .judieial na qual se discute a restintiçao de imposto de yen& retido de servidor publico estadual é da TOM iça Comum e não da Federal Argúi que a teor do art. 157, inciso I, da (i"onslituição l'edei al, "o produto d a. arrceadação do imposto de renda sobre pagamentos a servidor público estadual é iribut° estadual, portanto a I1nião Federal não necessita internar a lide." Ampara-se também cio pieced elites juc.]ieinii s Em face das razões expostas, requer a declaração de nulidade do auto de infraeão, corn a conseqüente exoneração do pagamento do imposto mencionado Em seu apelo ao CARF, às tis, 29/35, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgdo .julgador a. quo.. F. o relalOrio. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator recurso atende os requisitos de admissibilidade.. A matéria em litigio já foi exaustivamente debatida na extinta Segunda Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que sempre manifestaa entendi meato lavorável ao suieito passivo, quanto A. natureza. indenizatória e, portanto, não tributável, do auxin() combustivel. Por coincidência, recursos de divergência interpostos pela Procuradoria da. liazenda Nacional — referentes a lançamentos dos exercícios de 2001 e 2003, efetuados contra este mesmo contribuinte (Carlos Eduardo Abdon) e versando sobre a mesma matéria foram recentemente julgados pela 4" Turma da CSRF, sessões dc 13/04/2010 e 11/05/2010 (Acórdãos n"s 9202-00.767 e 9202-00,858, respectivamente).. Por .unanimidade de votos, a Camara Superior manifestou o entendimento de que a verba paga sob a rubrica "auxilio combustível" constitui ressarcimento de custos e por força de sua natureza indenizatoria, encontra-se extern a. ao camp() de incidência do tributo. Eis os fundamentos do voto condutor: 0 litígio que ora se apresenta versa sobre a incidência, ou não, do imposto de renda sobre as verbas recebidas pelo contribuinte a titulo de auxilio combustível. Jurisprudência. das ('amaras do 1" Conselho de Contribuintes são no sentido de que vet ba paga soh a rubrica combustível' tom por objetivo indenizar gastos corn uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba 3 de natureza indenizatória, que ao se incorpora i rerriuneiae5o do fiscal para qualquer efeito e, portanto, esta tbia do campo de incid6ncia do HUI , De modo que, a lim de evitar tautologia, reporto-me a excel . tOS (10 Voto condutor do Acórdao 106-15 .455, de 23/03/2006, de relator ia do conselheiro Wiltiido Augusto Marques, que apreciou o tema corn a atencao que merece: No mérito, a discussão cinge-se on tomo da natureza da 'ciba percebida pelo contribuinte. Para a fisealizacão o auxílio combustível ton natureza reililiflerat6r10, que para o contribuinte cuida-.se de verba ind(wizator ia. 0 entendimento do Fisco fin vazado em vista a percepção de que o "auxílio combustível" .seria recebido todos as Auditores Fiscais do .Estado de Santa Catarina, independente da realização ou não de _Yerviço externo Em sendo assim, não haver ia que Si'. falar cm indenização por uso de veiculo próprio para prestação de .serviços pitblicos em decor- r - Jricia do trabalho deseinpenhado de lato, .se estaria (home de uma verba de 61111h0 1V1111.111crotól -i 0 . Ocorre que não C asse o ca.so. NO ha pereepçi'io indistinta„ pot iodos os funcionarios, do auxilio combustive/ Ao reves, apc.'na..s- aquele.s pertencem ao quadro do OPA, Grupo de Operações de Fiscalização e Arrecadação, e que percebem a referida verba 1,42 tato, o dispositivo (pie prevê a forma de pagamento da referida indenização, ja deixa antever que ha nitida co-relacdo entre O set - viço extern() cksempenhado e a indenização recebida Dispõe o art 3" do Decreto n 4.606/90, do Egad° de Santa Catarina Ai I . 3"- 4 indenização pelo uso de veiculo prop - io ele que !Tutu o inciso Jill do 52" do artigo I" da Lei n" 7 881, de 22 de dezeinivo de 1989, flea limitada a 25% (vinte e clue° por - cento) do redo,- maxim° remuneração ncle previsto e .sera conlerida mediante a utilização (/o.s itérios • 12,.M (doze inteiros e eineo décimos por cento) pelo desempenho das atividades previstas no item 1 do Anexo 1 ou pet° evercicio de Junção cm orgdo da estrutura orfzanizacional de SeCfetaria da Pazenda, II 12,5% (doze Inteiros e cinco décimos pot cent()) pelo des-einpenho das ettividades pi evistas nos item Z 3 ou 4 pela antecipação prevista na alínea "a" da Nota Ill do .Anexo I ou pelo exercício de cargos de Inspetor Auxiliar de Fiscalização de Mereadorias em nansito, Assessor de Coordenador Regional da Fazenda Estadual au Coordmador Regional da Fazenda Estadual ou da Flilly7o de Supervisor I/O Post° Fiscal Pois hem, MC511-10 110 caso inciro I, as atividades realizadas pelas fiscais compreendem uso de veiculo pi optio para serviço e.xterno, conforme demonstra a tran_serix,:ão abaixo • ANEA0 1 FISCAL DE TRIBUTOS ESTADUALS' E EIS( 41, DE MER(.7.41)ORI4S EM TRANSIT() 771REF,4 1)E5ENVOLVIDA 4 1 ) / -001:S( . 1 li I 0920.003269/2004-5 I S2-C1 . 1 . 1 Ac.61 - cLio n '' 2101-00..901 01 3 Pelo ell'aicie das funções inerentes r fiscalização de tributes, inehisive informação em processos, inscrição e altera (ão cadash ai, verilicação CIO maquina registradora e/ou urinal porno dc venda, plamões . fiscals em Coordenadorias Regionais, Oi ("A 1' iSe(li 8, Postos 1718C018 fiXOS' e MOVeis ou ern voltarnes, devida menue tificadas pelo Corte Por °tilt 01(1(10, o pagamento é diferenciado conforme a ear,!:;a de serviço cisterns) seja maior Incnor, variando enn e o percentual de 12,5% a 25% do valor maxim() de remuneração recebida 2W.-ro ha quo .se falar, portanto, em verba paga a todos os firm:ion& ios indistintamente. 0 "auxilio combust/eel" .somente ("! pago aqueles que efilivamente realizam ser viço 4 ...x.terno, e apenas a urn .5rup0 determinado de Elsa-ifs Isso que 8e extrai do , §2°, inciso Vii da Lei 7.881/89 do Estado de Santa Cenarina Art I" - Ressalvados 0.5 casos de acumulação nenhum .servidor ativo e inativo da Administração Direta, lndir eta, de ihnarquill 011 Fundação instituída pelo Estado, podera feceber mensalmente, a qualquer lindo, dos cojrcs pUblicos e.s- taduai.s, imporlancia superior ao valor per (TIMM como remuneração, cm cs-pécie, a qualquer por Deputado Estadual, Seeretavio de Estado e Desembargador- . §2" - Vic(' excluídas do limite previsto neste artigo hnpoplandai pOrC.:(...'bidas a Ord° de. indenização 7elo uso de veiculo próprio, pia desempenho de firnçõt!.s de inspeção oafiscalização de tributos„ por ocupante:s . dos cargos de Grupo: Fiscalização e Arrecadação PAR e cargos isolados de inspetor de Exatoria e Inspetor Auxiliar de .Fiscalização de Mercadoricts em Transito, no ambit() da regWio administrativoliscal, na for ma a ser pl.evista cm regulamento I la 'arias decisões do Tribunal de Justiça de Santa Catarina sobre o term', conjorme identificou o contribuinte em Impugnação e RCCUISO Voluntário, e f//ide COn fitlflür no endereço eletrônico do Tribunal. Essas decisões, foram vazadas 41'J)/ '/.5f( OS provas colacionadas aos autos-, e todas- são contestes ne .5- entitle de tratar-se de verba de cunho indenizatório. A hipótese de incide>ncia do imposto de renda CSki ptevista no at-fig() 43 do C1N ,Segundo referido dispositivo não é disponibilidade de qualquer renda ou proventos que representa hipótese de incidência do huposto de Renda, mas apenas aqueles que provoquem acréscimo patrimonial Na lk.y."io de Sacha Ca/ri-ion, in Curso de Direito nibutário Brasileiro, pág. 448. Seja ló como for, quer a renda, produto do capital, do trabalho e da combinação de ambos, quer os demais proventos não compreencfidos na definição, devem trçuluzir tun autnento patrimonial dentre dois momentos de tempo É o acréscimo 5 patrimonial, ern seu dinamismo acreseentador de mais patrimánio, que constitui .substância tributável pelo impost() No ca.so, a verba perecbida pelo Recorrente tem natureza de rendimentos, cabendo analisar somente .se ocorreu OU náo hipótese de elereill1.0 patrimonial que permita a inciflJneia do ingio.sto de renda. Com eleito, sistema tributtirio pátrio 100 á todo e qua/quer acréseimo patrimonial que permite a incidéricia do II? Somente os acréscimos pau imoniais a titulo oneroso estáo .sujcitos a incideneia do impost() de renda, já que todos os (fermis sáo considoados como dc natureza indenizatória e, portanto, /bra do campo incidéricia. Neste sentido, segue liçáo de Hem y 7'ilbery in Comentários ao Código iiibutário Nacional, pág 289 pesquise" citada conclui pela manutencáo do conceit() oneioso de imposto de renda no atual sistema coleslaw:lone-it, concluseio essa que nos parece col' reta Por outro lado a possibilidade da inteipretaçáo do art 43 do C'IN cm .sentido mais ampler Mier é totalmente alastada, embora a rejere'nela expre.s.sa do Projeto 00 acréscimo pall 'merinol (11/talo ,graluito na redaçõo final tenha sido eliminada Por outro lado o tu)I do art 4.3, inciso II, na0 &Sangue, o que, em principio, obi iria a ,faculdade para run entendimentoliscalista, abrangendo todos os acréscimos patrinioniais. náo compreendidos no incise" anterior -- sejam onero.YO.V ou gratuitos. Repetimos, tal alargamento, todavia, lido se coaduna coin o conceito tradicional constitucional que vem das Constilifie6es anteriores e foi mantido na Magna Carta vigente, son alto acões 0 Plenário do Supremo 'Tribunal Federal, no mesmo Recurso Extraordimirio n. .11.7.887-6 (ementa retrotranscrita), Rel. Min Carlos Mário Vello.so„ em decisão de 25-5-1988, confirmou a intributabilidade dos acréscimos patrimoniais gratuitos 11(A seguintes termos. "Renelas e proven/os de qualquer natureza o conceito implica reconhecer a existéricia de receita, lucro, proveito, ,s -!anho, etc; éscimo que ocorrem mediante o ingresso ou o aulerimento de algo, a titulo oneroso (DI de 23-4-1993, p 6923) 0 auxilio combustive/ recebido visa ressarcir gastos do ,rluditor Piscal corn a realiza áo de serviço externo ern veículo próprio. Taft, nítida feiéeTio indenizatória, assim como o auxilio combustível recebido pelos servidores da Unieio Está, portanto, fora do campo de incidência do imposto de renda brise-se, ademais, que tat verba TO° se incorpora para qualquer deito a remuncraçáo do Fiscal, o que cvidencia ainda mais sett earater indeniza/ócio, e denota a impossibilidade de incidência imposto de render Pt.oces,:o n' I 0920 003269/200• -5 I S2-C1 . 1 . côrdno n 2 101-00,901 1.'; I 4 Ante o C.A po.te, conheço do recurso e dou-lhe proviinento. cediço quo o fato fNrador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou turidiea da renda e de proventos de qualquer natureza, a teor do art. 43 do CI - N. Por certo, as erbas de catAter indenizatório (reposietlo ou ecomposi0o patrimonial) nil() se submetem a tal tributo. Partilho do entendimento de tine aqui se traía de nao-incidência, e no de isen0o, o que, se coffer() -for, dispensaria, de kilo, a cdi0o de lei coin a final idade de nao se cobrar ü tributo.. Nao ha por que isentar aquilo quo csta Cora do campo de incidência. tago à colação as ementas de dois julgados do Conselho de Contribuintes, que decidiram exatamente na linha do reconheci -m.ento da nao incidência do TR sobre o "auxilio combustivel": 41.1.1711,10 COMBUSTÍVEL INDENI/A(746 - A verba pagei sob a rubrica combustiver tern poi. objetivo indenizar gastos coin uso de veiculo próprio para ealização de serviços externos de fiscalização Neste contexto, cr.> verba de natureza indenizatói ia, que não se incenpora à iemunciacão do fiscal para qualquer efeito e, poi taw°, c!stei Ibra do campo de incidência do IRPF" (Aeótdão n" 102-47 982, de 1910. 2006, da 2" Gilliam do 1`)CC) "IND E N1/7 -1(I POR UTILIZA ,10 D1 f; VEÍCULo IROPR10 .TRIBUTACJO ----- A tributação independe da denominação dos rendimentos bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer. fOrma e a qualquei- titulo„situação que não se verifica em relay-10 indenização pelo uso de veiculo próprio para o desempenho de finNlies de inspeção ou fiscalização de tributos recebidas 7)01. ocupantes do 'cargo de Auditor Fi,scal de Tributos Estaduais, pasto que de mesma natureza juridic( daquela paga a ,S'ervidor Público da União." (Acórdão n" 106-15287, de 2601 2006, da 6" Cãmara do 1" ( C) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Acrescento a estes fundamentos que a natureza do valor percebido tem a ver com a sua origem: se é produto do trabalho, do capital, ou de ambos, ou ainda, se decorrente dc proventos de qualquer natureza entire estes os aereseimos patrimoniais de origem não identificada. Sendo resultado de qualquer uma dessas origens, o valor percebido é de natureza tributãvel e somente pode ser excluído do campo de incidência quando presente norma que o coloque externo a esses limites. A concessao do referido auxilio significa que a. Administracdo Pública Fstadual de Santa Catarina. no disponibiliza veiculo para o desenvolvimento das atividades inetentes ao cargo.. 0 uso do veiculo particular não conduz apenas a custos corn combustível, CIA 7 mas a outros como o oleo lubrificante do motor, o filtro de ar, o filtro de oleo do motor, o .filtro de combustive', a depreciação do veiculo pelo acumulo dc distancias percorridas, popularmente conhecido como "quilometragem", entre tantos a diminuir esse patrimonio da pessoa.. Assim, considerando que essa verba nil() integra a .remuneração do servidor, e que os custos correspondentes .constituem imposições depreciativas do patrimônio de letereneia, apesar dela não constituir valor em conespondência unívoca ao efetivo gasto, tem natureza indenizatória. Como ja alirmado no inicio deste voto, sempre manifestei o mesino entendimento ern. julgamentos de que participei 11.0 extinto ['timely° Conselho de Contribuintes (AcOtTios n"s 102-48,046, 102-47 619, 102-49331, 102-47.390, 102-47.759, 102-47.579), razão pela qual dou provimento ao recurso. José RaitiTü.ni T ta Santos 8
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Numero do processo: 15540.720247/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
LANÇAMENTO. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. AVALIAÇÃO DA PROVA EM RELAÇÃO AO CASO CONCRETO.
1. Apesar do recorrente afirmar que era empregado da empresa Nova Friburgo e possuir CTPS assinada por esta, as declarações de Walter Bonifácio de Feriras e dos funcionários Márcio Luiz de Souza da Silva, Luis Fernando Ferreira Figueiredo e Wellington Teixeira Marinho, estes afirmando que o verdadeiro dono da empresa Nova Friburgo era Reinaldo Pereira Fialho, somado ao fato de que todas as empresas indicadas à fl. 11 dos autos, vinculadas ao recorrente, usavam os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço utilizado por Reinaldo e sua esposa como seus domicilio fiscais, quando analisadas em conjunto, nos levam ao convencimento de que o recorrente Reinaldo, na condição de sócio de fato, agiu com abuso de direito, ensejando sua responsabilidade pelo crédito tributário, não pela simples razão de ser sócio de fato e sim pela prática de atos próprios, usando o nome de terceiros, tudo com a finalidade que não oferecer à tributação os valores que foram objeto de lançamento.
2. Ademais, no momento em que o termo de verificação fiscal mencionou que a empresa Nova Friburgo chegou a ter 200 (duzentos) funcionários, está demonstrado que esta materialmente existia e que o recorrente, em conjunto com esta, praticava os atos de comércio. Tais atos, ainda que formalmente em nome da Nova Friburgo, tinham a participação efetiva do recorrente Reinaldo, incidindo aqui a situação descrita no artigo 124, I do CTN, não por interesse econômico, que existe em todas as transações comerciais, mas sim por participação na situação jurídica em que se constitui os fatos geradores objeto da exigência tributária. Neste sentido, demonstrada a solidariedade e diante da baixa da empresa Nova Friburgo, andou bem o agente fiscal que descreveu os fatos de forma adequada e lavrou o auto de infração em face ao recorrente, não havendo o que se falar em nulidade e tampouco em necessidade de intimação das pessoas que constavam como sócias da empresa Nova Friburgo para responderem pela exigência.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 1402-001.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. AVALIAÇÃO DA PROVA EM RELAÇÃO AO CASO CONCRETO. 1. Apesar do recorrente afirmar que era empregado da empresa Nova Friburgo e possuir CTPS assinada por esta, as declarações de Walter Bonifácio de Feriras e dos funcionários Márcio Luiz de Souza da Silva, Luis Fernando Ferreira Figueiredo e Wellington Teixeira Marinho, estes afirmando que o verdadeiro dono da empresa Nova Friburgo era Reinaldo Pereira Fialho, somado ao fato de que todas as empresas indicadas à fl. 11 dos autos, vinculadas ao recorrente, usavam os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço utilizado por Reinaldo e sua esposa como seus domicilio fiscais, quando analisadas em conjunto, nos levam ao convencimento de que o recorrente Reinaldo, na condição de sócio de fato, agiu com abuso de direito, ensejando sua responsabilidade pelo crédito tributário, não pela simples razão de ser sócio de fato e sim pela prática de atos próprios, usando o nome de terceiros, tudo com a finalidade que não oferecer à tributação os valores que foram objeto de lançamento. 2. Ademais, no momento em que o termo de verificação fiscal mencionou que a empresa Nova Friburgo chegou a ter 200 (duzentos) funcionários, está demonstrado que esta materialmente existia e que o recorrente, em conjunto com esta, praticava os atos de comércio. Tais atos, ainda que formalmente em nome da Nova Friburgo, tinham a participação efetiva do recorrente Reinaldo, incidindo aqui a situação descrita no artigo 124, I do CTN, não por interesse econômico, que existe em todas as transações comerciais, mas sim por participação na situação jurídica em que se constitui os fatos geradores objeto da exigência tributária. Neste sentido, demonstrada a solidariedade e diante da baixa da empresa Nova Friburgo, andou bem o agente fiscal que descreveu os fatos de forma adequada e lavrou o auto de infração em face ao recorrente, não havendo o que se falar em nulidade e tampouco em necessidade de intimação das pessoas que constavam como sócias da empresa Nova Friburgo para responderem pela exigência. Recurso Voluntário negado.
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SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. AVALIAÇÃO DA PROVA EM RELAÇÃO AO CASO CONCRETO. 1. Apesar do recorrente afirmar que era empregado da empresa Nova Friburgo e possuir CTPS assinada por esta, as declarações de Walter Bonifácio de Feriras e dos funcionários Márcio Luiz de Souza da Silva, Luis Fernando Ferreira Figueiredo e Wellington Teixeira Marinho, estes afirmando que o verdadeiro dono da empresa Nova Friburgo era Reinaldo Pereira Fialho, somado ao fato de que todas as empresas indicadas à fl. 11 dos autos, vinculadas ao recorrente, usavam os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço utilizado por Reinaldo e sua esposa como seus domicilio fiscais, quando analisadas em conjunto, nos levam ao convencimento de que o recorrente Reinaldo, na condição de sócio de fato, agiu com abuso de direito, ensejando sua responsabilidade pelo crédito tributário, não pela simples razão de ser sócio de fato e sim pela prática de atos próprios, usando o nome de terceiros, tudo com a finalidade que não oferecer à tributação os valores que foram objeto de lançamento. 2. Ademais, no momento em que o termo de verificação fiscal mencionou que a empresa Nova Friburgo chegou a ter 200 (duzentos) funcionários, está demonstrado que esta materialmente existia e que o recorrente, em conjunto com esta, praticava os atos de comércio. Tais atos, ainda que formalmente em nome da Nova Friburgo, tinham a participação efetiva do recorrente Reinaldo, incidindo aqui a situação descrita no artigo 124, I do CTN, não por interesse econômico, que existe em todas as transações comerciais, mas sim por participação na situação jurídica em que se constitui os fatos geradores objeto da exigência tributária. Neste sentido, demonstrada a solidariedade e diante da baixa da empresa Nova Friburgo, andou bem o agente fiscal que descreveu os fatos de forma adequada e lavrou o auto de infração em face ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 47 /2 01 2- 58 Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 14 2 recorrente, não havendo o que se falar em nulidade e tampouco em necessidade de intimação das pessoas que constavam como sócias da empresa Nova Friburgo para responderem pela exigência. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Pelo que se extrai do auto de infração de fls. 06 e seguintes, datado de 07/08/2012, a presente exigência decorre de depósitos bancários de origem não comprovada, em cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Exigiuse IRPJ, CSLL, com fatos geradores trimestrais e PIS e Cofins com fatos geradores mensais. Segundo a autoridade fiscal, o recorrente era sócio de fato da empresa Nova Friburguense 28 Ind. e Com. de Carnes Ltda, que foi extinta em 14/05/2009 (fl. 723) o que ensejou a lavratura do auto de infração contra o sócio de fato. Da acusação fiscal, à fl. 11 dos autos, transcrevo os seguintes trechos: Nos últimos 10 anos Reinaldo criou 3 (três) empresas em nome de interpostas pessoas, para exercerem a mesma atividade econômica fabricação de produtos de carne (CNAE: 1013901), com sede nos mesmos imóveis (sendo dois deles de sua propriedade) e usando sempre os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço por ele utilizado para ser o seu domicílio fiscal e o de sua esposa. Antes de oficializar o fim da Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda, e para dar continuidade as suas atividades econômicas, fundou em 11/07/2008 a empresa Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, CNPJ nº 10.171.633/000116, voltando a usar os nomes do seu sogro, João da Silva Sobrinho e de Marcelo Luiz de Souza. Posteriormente estas pessoas foram substituídas, respectivamente, por Gesse Valença e Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 15 3 Marcelino Pereira Fialho. Esta empresa está ativa e funciona na Rua Gomes Teixeira n° 260, Laranjal, São Gonçalo. Da análise das declarações de ajuste anualDAA referentes aos exercícios de 2007 a 2010 apresentadas pelo interessado, constatouse que ele trabalhou como empregado em todas as empresas que fundou em nome de terceiros. Na empresa Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda se fazia passar por gerente de produção. Além disso, ele foi empregado do interessado de 17/06/2003 a 01/02/2006, período em que trabalhou na Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda, conforme informações contidas no Cadastro Nacional de Informações SociaisCNIS anexado ao processo. Exercendo simultaneamente, no papel, duas atividades que, na prática, são impossíveis de serem realizadas, ou seja, empregado em uma empresa e sócio administrador de outra. Trabalhou ainda na Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, outra empresa fundada pelo interessado, até 23/09/2011, quando faleceu1. O interessado, na condição de sócio de fato e responsável tributário, foi intimado a comprovar com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados nas contas correntes da empresa. Alegou que foi gerente de produção da referida empresa no período de 06/11/2007 a 06/03/2009, que não tem mais nenhum contato com os seus proprietários e não tem a menor possibilidade de atender à intimação, pois nunca participou como sócio ou diretor. Não tendo o responsável tributário e verdadeiro proprietário da empresa comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nesses depósitos, a fiscalização, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizou os referidos recursos como receitas omitidas nos anoscalendário de 2007 a 2009 e arbitrou o lucro por falta de livros contábeis da empresa. Segundo consta da fl. 12 dos autos, diante da situação da intenção do verdadeiro sócio ocultarse, a fiscalização "com base no artigo 167 do Código Civil e artigos 135, 136 137 e 149, VII, do CTN, imputou a Reinaldo a Responsabilidade Tributária e lavrou em seu nome o auto de infração. Cientificado do lançamento em 24/08/2012 (fls.860/861), o interessado apresentou em 20/09/2012 a impugnação de fls. 865/908, alegando, em síntese, que: nulidade do lançamento, pois foi desconsiderada a personalidade jurídica do contribuinte Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda, imputandolhe a responsabilidade tributária; como é cediço, o Código Tributário Nacional não possui regra própria quanto à aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, sendo aplicada, em casos tributários, a regra contida no artigo 50, do Código Civil; é imperativo, desse modo, que a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica sujeitese à observância do devido processo legal, não se admitindo seu emprego sem decisão judicial específica; 1 Este parágrafo, segundo pode se deduzir do exame dos autos, referese à Zózimo Luiz Fereguetti Braga, cuja certidão de óbito de fls. 848 indica que veio a falecer em 23/09/2011. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 16 4 a autoridade fiscal enquadra o interessado nas normas dos arts. 135, 136, 137 e 149 inciso VII do Código Tributário Nacional sob o ponto de vista de dissolução irregular da responsável fiscal tributária Nova Friburguense 28 Ind. Com. de Carnes Ltda; ocorre que, no momento da dissolução da referida empresa, foram obedecidas todas as normas exigidas por lei, não havendo o que falar em dissolução irregular; mesmo que se admitisse hipótese de movimentação financeira sem a comprovação da origem, a fiscalização recairia por força de dispositivos invocados na pessoa dos sócios Zózimo Luiz Fereguetti Braga e Jovelina de Souza da Silva, sempre com total obediência ao devido processo legal, com a indispensável propositura por parte da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional da medida cautelar fiscal; a autoridade fiscal utilizou como base de cálculo a movimentação feita em duas contas bancárias distintas: 148.5016 e 148.5024. Na análise da movimentação financeira, notase a entrada de numerário depositado na conta 148.5016 sendo transferido para a conta suplementar 148.5024, que era a "conta aplicação"; a utilização de ambos os saldos como base de cálculo além de injusta é ilegal, eis que o único fato gerador de tributos na hipótese seria o rendimento da aplicação financeira; falta ao auto de infração seu principal elemento que é a prova da existência de efetivo rendimento do contribuinte. A fiscalização limitouse a buscar em quebra de sigilo os depósitos pelo sistema COAF, sem rastrear os destinos dos saques ocorridos após a compensação dos cheques depositados, que eram picados em diversos pagamentos a fornecedores e empregados da citada empresa extinta; estranha é a fundamentação no art. 530 do RIR/1999, posto que o enquadramento legal é que dá o condão à fiscalização lançar o crédito tributário, devendo existir nexo causal entre a presunção (depósito bancário) e a lei, a qual prevê a cobrança tributária. o auto de infração que não estiver baseado em lei está totalmente viciado e deve ser declarado nulo; A DRJ, por meio do acórdão de fls. 1.475 a 1.499 deu provimento parcial à impugnação para: I considerar devidos o imposto sobre a renda de pessoa jurídica no valor de R$ 1.962.172,16, a contribuição para o programa de integração social no valor de R$ 526.244,88, a contribuição social sobre o lucro líquido no valor de R$ 880.428,65, a contribuição para financiamento da seguridade social no valor de R$ 2.428.817,29, acrescidos de multa de ofício de 150% e de encargos moratórios. (excluiuse a exigência do primeiro e segundo trimestres de 2007, período em que a empresa era optante pelo SIMPLES e não cabia o arbitramento)2; 2 "....Somente após a exclusão da pessoa jurídica da sistemática do SIMPLES é que se tornaria válido o arbitramento de seu lucro. Em sendo assim, ante a falta de ato administrativo de exclusão do SIMPLES, há de considerar indevido o arbitramento de lucro relativo ao primeiro semestre de 2007. Relativamente aos demais fatos geradores lançados, devem ser levados em conta os recolhimentos já efetuados pela empresa (fls.1459/1474). Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 17 5 II ratificar a responsabilidade tributária atribuída a Reinaldo Pereira Fialho; III excluir a responsabilidade tributária atribuída a Jovelina de Souza da Silva. Da decisão acima referida a parte interessada foi intimada em 12/06/2013 (fl. 1.506) e apresentou o recurso de fls. 1.507 e seguintes, protocolizado em 09/07/2013, em que alega: a) nulidade do auto de infração; b) que a empresa foi regularmente extinta e, se fosse o caso de subsistir a infração os demais sócios da empresa, Srs. Zózimo Luiz e Jovina de Souza, que constam do contrato social, deviam ser intimados; c) que há bis in idem, pois o valor questionado era depositado na conta nº 148.5016 e, posteriormente, transferido para a conta de investimento 148.5024, sem que a autoridade fiscal tivesse se atido a este fato, tributando duplamente os mesmos valores; d) que a multa de 150% é incabível por afrontar o artigo 150, IV, da Constituição Federal, devendo ser reduzida a 2% (fl. 1.515); e) que é incabível a exigência de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 18 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado, foi interposto pela parte interessada que pretende ver reformada a decisão recorrida. Assim, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito. Conforme termo de início de fiscalização datado de 20/08/2010 (fl. 110), encaminhado ao Sr. Zózimo Luiz Fereguetti Braga e à Jovina de Souza da Silva, o procedimento fiscal teve por objetivo a empresa Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda (ARs fls. 112/114), cujo encerramento das atividades e baixa na Junta Comercial, conforme indica o Termo de Constatação Fiscal, deuse em 14/05/2009. À fl. 116 há comunicado datado de 05/05/2010, publicado na imprensa, feito por Zózimo, indicando que o local onde se encontrava a documentação da empresa Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda havia sido atingido pela catástrofe natural que atingiu a região nos dias 05 e 06 de abril de 2010, destruindo a referida documentação. Inobstante a extinção da empresa, Zózimo Luiz Fereguetti Braga apresentou a petição de fl. 118, juntando os extratos bancários de fls. 119 a 310, referente à conta nº 148501 6 e os extratos de fls. 316 e seguintes referente à conta nº 148.5024. À fl. 617 consta o termo de intimação nº 002, datado de 05/03/2012, novamente endereçado à Nova Friburguense para que esta comprovasse a origem dos recursos creditados nas contas bancárias acima identificados, cuja relação consta da planilha de fls. 619/693. O termo de intimação 002, conforme indica o AR de fl. 694, também foi endereçado a Reinaldo Pereira Filho que apresentou a petição de fls. 698, data 10/04/2012, dizendo ter sido apenas funcionário da citada empresa, desconhecendo por inteiro a questão referente aos depósitos bancários. Para comprovar a situação de funcionário juntou cópia da CTPS e termo de rescisão do contrato de trabalho datado de 06/03/2009 (fl. 701/703). Nos autos, ainda se verificam os seguintes eventos que tenho por relevantes: a) Declaração de fl. 727, datada de 09/11/2011, em que Walter Bonifácio de Feriras, diz ter autorizado Reinaldo a administrar e manter a parte que o declarante tinha em determinado imóvel, ficando com Reinaldo os aluguéis; b) Contato de locação de fl. 728/730, com início em 01/11/2006 e término previsto para 01/11/2011, em que Reinaldo aluga à empresa Nova Friburgo o imóvel situado na Rua Cardeal Arco Verde, LT 23, QD 23, Laranjal, São Gonçalo/RJ. c) Termos de Declarações de fls. 735, 742 e750, em que Márcio Luiz de Souza da Silva, Luis Fernando Ferreira Figueiredo e Wellignton Teixeira Marinho afirmam Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 19 7 que trabalharam na empresa Nova Friburgo, conhecendo Zózimo Luiz Ferreguetti Braga que era chefe de transportes e que Reinaldo era o verdadeiro dono da empresa; d) Dentre os documentos que merecem referência, destaco a certidão de óbito de fl. 848, indicando que Zózimo Luiz Ferreguetti Braga, veio a falecer em 23/09/2011, portanto em data bem anterior à lavratura do auto de infração. Passando ao exame do mérito, reconheço que andou bem o acórdão recorrido quando destacou que no caso dos autos não há o que se falar em responsabilidade tributária de Jovelina de Souza da Silva, a quem o termo de verificação fiscal não dirige qualquer acusação e nem faz referência que esta devesse responder pelo crédito tributário. Na verdade, o equívoco em relação ao chamamento ao processo de Jovelina de Souza da Silva deuse a partir do despacho de fl. 1.444, em que o ilustre relator, na DRJ, determinou diligência para que lhe fosse dado ciência a esta do auto de infração lavrado contra Reinaldo. Vêse que o auto de infração não foi lavrado em face da empresa, e nem podia, visto que se encontrava extinta e, tampouco, não foi lavrado contra os exsócios, a quem não foi atribuída qualquer irregularidade no procedimento de baixa da empresa. Igualmente, o acórdão recorrido também foi preciso na exclusão da exigência do crédito tributário em relação ao primeiro semestre de 2007, período em que a empresa era optante pelo SIMPLES. Neste sentido, destaque à seguinte passagem do citado acórdão, demonstrando o acerto quanto à decisão recorrida: "72. No primeiro semestre do anocalendário de 2007, a Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda encontravase inscrita no sistema simplificado de recolhimento de tributo (Simples Federal). No segundo semestre de 2007 e no anocalendário de 2008, optou pela tributação com base no lucro presumido (fl.109). .... 78. Conforme já mencionado anteriormente, no primeiro semestre de 2007, a empresa estava submetida à sistemática do SIMPLES, ou seja, a um tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte, regulado pela Lei nº 9.317, de 1996, e alterações posteriores, no qual não é apurado “lucro” para incidência dos impostos e contribuições sociais. 79. O art. 14 da referida Lei prevê as hipóteses de exclusão, de ofício, da pessoa jurídica da sistemática do SIMPLES. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo (art. 15, §3º, incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). 80.Quanto aos efeitos de tal exclusão, o art. 16 assim dispõe: Art. 16.A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarse á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. 81. Portanto, somente após a exclusão da pessoa jurídica da sistemática do SIMPLES é que se tornaria válido o arbitramento de seu lucro. Em sendo Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 20 8 assim, ante a falta de ato administrativo de exclusão do SIMPLES, há de considerar indevido o arbitramento de lucro relativo ao primeiro semestre de 2007. Relativamente aos demais fatos geradores lançados, devem ser levados em conta os recolhimentos já efetuados pela empresa (fls.1459/1474). No mais, não comungo com os fundamentos da decisão recorrida quando invoca o artigo 1.110 do Código Civil para exigir pagamento dos sócios. Se fosse cabível aplicação de tal dispositivo a exigência ficaria limitada à soma dos valores que o sócio recebeu quando da partilha em face da dissolução da sociedade. É isto que está dito com todas as letras na norma invocada pela decisão recorrida. Neste sentido, para melhor exame da matéria, transcrevo a seguinte passagem do acórdão guerreado: "95 (...) O encerramento das atividades foi comunicado à Receita Federal do Brasil em 05/03/2010, antes, portanto, do início da fiscalização ( 20/08/2010). 96. O art. 1.110 do Código Civil dispõe que “ Encerrada a liquidação, o credor não satisfeito só terá direito a exigir dos sócios, individualmente, o pagamento de seu crédito, até o limite da soma por eles recebida em partilha, e a propor contra o liquidante ação de perdas e danos”. 97. Pelo Código Tributário Nacional CTN, a regra é preservar o direito do Estado de reaver seu crédito. A empresa dissolvida, representada pelo sócio responsável, deve continuar para responder pelo crédito tributário enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional de proceder ao lançamento. No caso dos autos o encerramento da empresa, sob os aspectos formais, deu se de forma regular e para efeitos tributários não tem qualquer aplicação o disposto no artigo 1.110, do Código Civil, anteriormente transcrito. Observo que na data do encerramento da empresa, devidamente comunicado aos órgãos competentes, inclusive Receita Federal, não havia débitos pendentes e tampouco procedimento fiscal em curso. Neste cenário, a responsabilidade aos sócios somente é cabível nas hipóteses em que resultar comprovadas infrações no exercício da gerência ou de outro cargo, abusou do poder ou infringiu a lei, o contrato social ou estatutos. Ratificando tal entendimento destaco a seguinte jurisprudência: Ementa: CIVIL. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS DO ABUSO DA PERSONALIDADE. ART. ANALISADO: 50, CC/02. 1. Ação de prestação de contas distribuída em 2006, da qual foi extraído o presente recurso especial, concluso ao Gabinete em 05/07/2013. 2. Discutese se o encerramento irregular da sociedade empresária, que não deixou bens suscetíveis de penhora, por si só, constitui fundamento para a desconsideração da personalidade jurídica. 3. A criação de uma sociedade de responsabilidade limitada visa, sobretudo, à limitação para os sócios dos riscos da atividade econômica, cujo exercício, por sua vez, a todos interessa, na medida em que incentiva a produção de riquezas, aumenta a arrecadação de tributos, cria empregos e gera renda, contribuindo, portanto, com o desenvolvimento socioeconômico do País. 4. No entanto, o desvirtuamento da atividade empresarial, porque constitui verdadeiro abuso de direito dos sócios e/ou administradores, é punido pelo ordenamento jurídico com a Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 21 9 desconsideração da personalidade jurídica da sociedade, medida excepcional para permitir que, momentaneamente, sejam atingidos os bens da pessoa natural, de modo a privilegiar a boafé nas relações privadas. 5. A dissolução irregular da sociedade não pode ser fundamento isolado para o pedido de desconsideração da personalidade jurídica, mas, aliada a fatos concretos que permitam deduzir ter sido o esvaziamento do patrimônio societário ardilosamente provocado de modo a impedir a satisfação dos credores em benefício de terceiros, é circunstância que autoriza induzir existente o abuso de direito, consubstanciado, a depender da situação fática delineada, no desvio de finalidade e/ou na confusão patrimonial. 6. No particular, tendo a instância ordinária concluído pela inexistência de indícios do abuso da personalidade jurídica pelos sócios, incabível a adoção da medida extrema prevista no art. 50 do CC/02 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (STJ, RESP 1.395.288/SP, rel. min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, j. 11/02/2014, Dje 02/06/2014). Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUPOSTA OFENSA AO ART. 535 DOCPC. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. EXECUÇÃO FISCAL.ENCERRAMENTO DO PROCESSO FALIMENTAR. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO IMPEDE OREDIRECIONAMENTO DO PROCESSO EXECUTIVO FISCAL. INVIABILIDADE DEREDIRECIONAMENTO NO CASO CONCRETO. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC . 2. Não obstante a falência seja forma de dissolução regular da sociedade, o encerramento do processo falimentar não implica exclusão de eventuais irregularidades que possam ter sido praticadas pelo sócio responsável e que tenham relação com o não pagamento do tributo devido. Assim, o fato de haver dissolução regular da sociedade, por si só, não impede o redirecionamento da execução fiscal.Nesse sentido : REsp 958.428/RS , 2ª Turma, Rel. p/ acórdão Min.Herman Benjamin, DJe de 18.3.2011. 3. No entanto, malgrado seja possível o redirecionamento da execução fiscal, mesmo após o encerramento da falência da empresa executada,tal providência não se revela possível no caso dos autos. No que se refere ao disposto nos arts. 134 e 135 do CTN , a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que as regras previstas nos artigos referidos aplicamse tãosomente aos créditos decorrentes de obrigações tributárias, de modo que, em se tratando de cobrança de multa administrativa,mostrase inviável o pedido de redirecionamento fulcrado em tais artigos (REsp 408.618/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de16.8.2004; AgRg no REsp 735.745/MG , 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 22.11.2007; AgRg no Ag 1.360.737/SC , 1ª Turma, Rel.Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 9.6.2011). 4. Em relação ao disposto no art. 50 do CC/2002 , verificase que o pedido de redirecionamento baseiase tão somente na responsabilidade decorrente do não pagamento do valor executado (multa administrativa), olvidandose o exequente (ora recorrente) de apontar alguma circunstância que, nos termos da jurisprudência desta Corte, viabilize o redirecionamento da execução fiscal. Impende ressaltar que "a responsabilização dos administradores e sócios pelas obrigações imputáveis à pessoa jurídica, em regra, não encontra amparo tãosomente na mera demonstração de insolvência para o cumprimento de suas obrigações (Teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica)", fazendose "necessário para tanto, ainda, ou a demonstração do desvio de finalidade (este compreendido como o ato intencional dos sócios em fraudar terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica), ou a demonstração da confusão patrimonial (esta subentendida como a inexistência, no campo dos fatos, de separação patrimonial do patrimônio da pessoa jurídica ou de seus sócios, ou, ainda, dos haveres de diversas pessoas jurídicas" (REsp1.200.850/SP, 3ª Turma, Rel. Min. Massami Uyeda, DJe de 22.11.2010). 5. Recurso especial não provido. (REsp 1.267.232. Segunda Turma do STJ. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. J. 1º/09/2011). Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 22 10 Ementa: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO CONTRA OS SÓCIOS.ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. EXTINÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO PÚBLICO. 1. O redirecionamento da execução fiscal contra o sócio da empresa falida encontra óbice na ausência de causa justificadora, eis que fundada no simples fato de ter havido o encerramento do processo falimentar sem o pagamento do crédito oriundo da falta de recolhimento de tributo devido pela pessoa jurídica. É assente na jurisprudência que a responsabilidade dos sócios, em relação às dívidas fiscais contraídas pela empresa, somente se afirma se aquele, no exercício da gerência ou de outro cargo, abusou do poder ou infringiu a lei, o contrato social ou estatutos, ou, ainda, se a sociedade foi dissolvida irregularmente. Ademais, a decretação de falência não caracteriza dissolução irregular da sociedade, porque,s além de estar prevista legalmente, consiste em uma faculdade estabelecida em favor da empresa insolvente. 2. A suspensão da execução fiscal, sem baixa na distribuição, é medida adequada para a hipótese de não localização do devedor ou bens passíveis de constrição judicial, nos termos do artigo 40 da Lei 6.830 /80. Este, contudo, não é o caso dos autos. Após o ajuizamento da ação executiva e a citação da executada (massa falida), sobreveio a notícia do encerramento de sua falência, sem que houvesse a quitação do débito exeqüendo ante a insuficiência do acervo patrimonial. Com a liquidação dos bens arrecadados e a extinção da lide falimentar, desapareceu não só a massa falida inclusive para figurar no pólo passivo da demanda executiva, já que nada mais há para ser requerido em relação a ela como também o interesse da exeqüente na prestação jurisdicional reclamada, haja vista a inexistência de ativo para a satisfação da dívida que remanesceu. 3. Não há ofensa ao princípio da indisponibilidade dos créditos públicos, uma vez que a extinção do feito não implica renúncia, desistência ou extinção dos créditos, nem impede a propositura de nova ação, desde que tem repercussão meramente processual, restando incólume o direito material envolvido (TRF4 APELAÇÃO CÍVEL : AC 40891 RS 2005.04.01.0408913. Jul. 31/05/2006). Ementa: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA PERDA DE OBJETO REDIRECIONEMTNO CONTRA OS EXSÓCIOS IMPOSSIBILIDADE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 'EX LEGE' DO SÓCIO, ENTÃO DERIVADA DA COMBINAÇÃO DO ARTIGO 124 , II , DO CTN , COM O ARTIGO 13 DA LEI Nº 8.620 /93 SUPERVENIÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449 /2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941 /09, QUE REVOGOU O ARTIGO 13 DA LEI Nº 8.620 /93 SITUAÇÃO LEGAL NOVA MAIS BENÉFICA QUE, SUPRIMINDO A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PRESUMIDA, DEVE RETROAGIR (ARTIGO 106 DO CTN ), SENDO A PARTIR DAÍ IRRELEVANTE O ALOJAMENTO DO SÓCIO/DIRETOR NA CDA APELAÇÃO IMPROVIDA. 1. Com o encerramento definitivo do processo de falência da empresa executada, deixando esta de existir, não podendo prosseguir a execução fiscal contra a massa falida, por inexistência de sujeito passivo. 2. Diante da combinação entre o artigo 124 , II , do Código Tributário Nacional com o artigo 13 da Lei nº 8.620 /93, descabia afirmar a irresponsabilidade do diretor/sócio porque na singularidade do débito previdenciário o que vigorava era a solidariedade decorrente da força da lei (ex lege). 3. Superveniência de alteração legislativa. A partir da Medida Provisória nº 449 de 3/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 /09, cujo art. 65, VII, expressamente revogou o art. 13 da Lei 8.620/93 de modo a excluir do mundo legal a solidariedade passiva entre a empresa e os sócios/diretores, de modo que sobreviverá essa possibilidade somente quando à luz do art. 135 do CTN for demonstrado o excesso de poderes de gestão ou o Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 23 11 cometimento de infração a lei, por parte dos responsáveis pela empresa devedora da Previdência Social. 4. Essa novidade veiculada através de medida provisória derrogadora do dispositivo legal tributário gravoso deve retroagir aos fatos geradores que renderam a CDA que se acha sob execução, na forma do art. 106 do CTN . É que se trata de matéria (responsabilidade de sócio) submetida a discussão pendente em juízo, sendo que a lei superveniente deixa de tratar a posição do sócio/diretor como gravosa para dele também exigir o tributo. Suprime a responsabilidade presumida do sócio/diretor, de modo que além de se aplicar aos fatos geradores presentes e futuros, por questão de isonomia material deve retroagir aos pretéritos; isso não ocorrendo, pessoas que se encontram em posição de sócio ou diretor de sociedades por cotas e anônimas, em idêntica situação, podem vir a ser discriminados sem justificativa. 5. Apelo improvido. Da responsabilidade imputada a Reinaldo Pereira Fialho Fixados os parâmetros acima indicados, passo a examinar a responsabilidade tributária imputada ao recorrente Reinaldo Pereira Fialho, destacando que esta não se deu em razão do encerramento das atividades da empresa e sim por ter este, mediante um conjunto de atos previamente idealizados, constituído inúmeras empresas, em nome de terceiros, operando com estas durante determinado tempo, com posterior baixa, com o objetivo de não ser identificado como sujeito passivo ou integrante de empresa com prática de fato gerador sem o recolhimento dos respectivos tributos. Apesar do recorrente afirmar que era empregado da empresa Nova Friburgo e possuir CTPS assinada por esta, as declarações de Walter Bonifácio de Feriras e dos funcionários Márcio Luiz de Souza da Silva, Luis Fernando Ferreira Figueiredo e Wellington Teixeira Marinho, estes afirmando que o verdadeiro dono da empresa Nova Friburgo era Reinaldo Pereira Fialho, somado ao fato de que todas as empresas indicadas à fl. 11 dos autos, vinculadas ao recorrente, usavam os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço utilizado por Reinaldo e sua esposa como seus domicilio fiscais, quando analisadas em conjunto, nos levam ao convencimento de que o recorrente Reinaldo, na condição de sócio de fato, agiu com abuso de direito, ensejando sua responsabilidade pelo crédito tributário, não pela simples razão de ser sócio de fato e sim pela prática de atos, usando o nome de terceiros, tudo com a finalidade que não oferecer à tributação os valores que foram objeto de lançamento. A propósito da matéria em julgamento escrevi: "Solidariedade ou Responsabilidade de quem não é Procurador, Preposto, Mandatário, não Integra o Quadro Social e usa a Empresa para Exercer Atividades Comerciais A solidariedade entre duas pessoas jurídicas, entre uma pessoa jurídica e uma pessoa física ou entre duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídicotributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro que não faz parte de seu quadro de profissionais, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita ou aos lucros advindos dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 24 12 Ademais, tenhase presente que a atividade econômica, de natureza civil ou comercial, pode ser exercida por pessoa jurídica ou por pessoa física. O artigo 150, § 1º, II, do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado no Decreto nº 3000, de 1999, prevê que devem ser tributadas como empresas individuais “as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 41, § 1º, alínea "b"). Assim, nos casos em que a pessoa física compra e vende produtos, situação que se verifica com frequência entre pequenos comerciantes, vendedores ambulantes, comércio de veículos usados e comércio de produtos agrícolas, a tributação desta deve se dar como se pessoa jurídica fosse, na forma de firma individual. Situação diversa é quando a pessoa física realiza atividades, fornecendo bens ou serviços, valendose de pessoa jurídica constituída em nome de outrem. Neste caso é preciso distinguir se a pessoa jurídica que está sendo utilizada para o exercício das atividades efetivamente se constitui em ente jurídico dotado de estrutura destinada à prática dos atos voltados ao comércio ou à prestação de serviços ou se tem existência apenas formal. Nos casos em que a empresa não pratica as atividades constantes de seu objeto social, possuindo apenas existência formal, ainda que sirva para emissão de documento fiscal, a tributação deve recair em relação àquele que efetivamente praticou o ato jurídico tributário. Não é o registro formal, mas sim a efetiva existência no mundo real que identifica a ocorrência de situação sobre a qual incide a norma tributária. Quando pessoa jurídica materialmente existente, ou por assim dizer, dotada de estrutura necessária para exercer as atividades a que se propõe, as executa em conjunto com outra pessoa, natural ou jurídica, temse caracterizada a situação descrita no artigo 124, I, do CTN, isto é, a solidariedade decorrente de interesse comum a situação que constitua o fato gerador. Nestas situações todos são solidárias e qualquer um pode vir a responder pela integralidade do débito tributário. No momento em que o termo de verificação fiscal mencionou que a empresa Nova Friburgo chegou a ter 200 (duzentos) funcionários, está demonstrado que esta materialmente existia e que o recorrente, em conjunto com esta, praticava os atos de comércio. Tais atos, ainda que formalmente em nome da Nova Friburgo, tinham a participação efetiva do recorrente Reinaldo, incidindo aqui a situação descrita no artigo 124, I do CTN, não por interesse econômico, que existe em todas as transações comerciais, mas sim por participação na situação jurídica em que se constitui os fatos geradores objeto da exigência tributária. Neste sentido, demonstrada a solidariedade e diante da baixa da empresa Nova Friburgo, andou bem o agente fiscal que descreveu os fatos de forma adequada e lavrou o auto de infração em face ao recorrente, não havendo o que se falar em nulidade e tampouco em necessidade de intimação das pessoas que constavam como sócias da empresa Nova Friburgo para responderem pela exigência. II Da alegação de dupla tributação em face dos depósitos bancários Inobstante a extinção da empresa, Zózimo Luiz Fereguetti Braga, apresentou a petição de fl. 118, juntando os extratos bancários de fls. 119 a 310, referente à conta nº 1485016 e os extratos de fls. 316 e seguintes referentes à conta nº 148.5024, onde se verifica créditos indicando como histórico a transferência da mesma titularidade. Cito como exemplo a situação verificada na fl. 328 dos autos onde no dia 25/07/2007 encontrase a transferência, da mesma titularidade, do valor de R$ 86.800,00 e no dia 26/07/2007 outro valo no montante de R$ 120.800,00. Examinando a planilha que relacionou os depósitos bancários, à fl. 645, no que diz respeito à conta nº 148.5024, observo que os valores acima indicados não compuseram Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402001.858 S1C4T2 Fl. 25 13 a base de cálculo da exigência. Ainda assim, prossegui na análise da prova e não localizei nenhum valor indicado nos extratos bancários como sendo transferência da mesma titularidade que estivesse compondo a base de cálculo dos depósitos bancários de origem não comprovada. No mais, apesar de alegação neste sentido, a parte recorrente não exemplifica uma única situação demonstrando a tributação de depósitos oriundos de contas da mesma titularidade. Com tais fundamentos, rejeito a alegação de que há dupla tributação em relação a depósitos bancários. ISSO POSTO, rejeito as alegações de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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