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Numero do processo: 10882.901639/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/JFA nº 0954.014, da 1ª Turma, proferido na sessão de 28 de agosto de 2014: Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 11932.10734.241209.1.3.040801, de débito(s) próprio(s) da requerente com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$37.572,74, recolhido em 25/03/2009. O valor do "crédito original na data de transmissão" informado na presente Dcomp é de R$13.707,56. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 01 63 9/ 20 12 -2 1 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10882.901639/201221 Resolução nº 3302001.003 S3C3T2 Fl. 3 2 Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débito(s) da contribuinte. Regularmente cientificada do Despacho Decisório, por via postal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual aduz preliminarmente o cabimento e a tempestividade da contestação apresentada e a reunião do(s) processo(s) nº(s) 10882.901638/201287, que trata(m) do mesmo crédito. No mérito, alega a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, não obstante ter promovido corretamente a retificação do Dacon, deixou de retificar a DCTF do correspondente período. Isso porque, segundo a manifestante, na apuração da contribuição devida no regime não cumulativo, deixou de descontar crédito sobre importação de mercadoria para revenda e, para comprovar o alegado, juntou aos autos planilhas de cálculo e a cópia das notas fiscais. É o relatório do necessário. Em sua manifestação de inconformidade a recorrente alegou que a não homologação da compensação solicitada não poderia prosperar, pois o crédito já existia quando do protocolo do pedido, entretanto, por um equivoco relacionado, quando do preenchimento da DCTF, levou ao não reconhecimento do crédito. Afirmou que verificado o erro, mesmo após a ciência do despacho decisório, promoveu a retificação das informações lançadas em DCTF, juntando aos autos documentos como, DCTF, planilhas de cálculo e diversas notas fiscais que dariam embasamento ao crédito pleiteado . A decisão da DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade da contribuinte, por entender que em que pese ter a recorrente juntado documentos contábeis e fiscais, parte das notas fiscais de importação de insumos seriam de período anterior, fato esse que impediria sua utilização. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/03/2009 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não comprovada a existência do crédito relativo ao pagamento a maior indicado na Dcomp, impõese a não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a r. decisão acima, a recorrente interpôs recurso voluntário onde mantém os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, juntando ao processo outros documentos que comprovariam suas alegações. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10882.901639/201221 Resolução nº 3302001.003 S3C3T2 Fl. 4 3 Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. O inconformismo contra a r. decisão de piso, cingise no motivo pelo qual foi indeferida a compensação pleiteada pela recorrente. No entendimento da Autoridade Fiscal Julgadora de 1ª instância, em que pese a contribuinte recorrente ter juntado aos autos documentos que demonstrariam a existência dos créditos pleiteados, o apelo não poderia ser atendido, pois os documentos fiscais versariam sobre outro período e não daquele informado no pedido de compensação. Observese parte das razões do acórdão guerreado: Em sua defesa, a manifestante alega que apurou e recolheu R$37.572,74 a título de PIS do mês fevereiro de 2009, mas verificou posteriormente que deixara de considerar na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade o valor da importação de mercadorias adquiridas para revenda, no montante de R$875.703,21, razão pela qual, segundo afirma a manifestante, seu saldo devedor no período de fevereiro de 2009, foi de R$23.707,56 (...),tendo acumulado, portanto, um crédito de Pagamento a maior de R$13.707,56 (...). Sobre a questão, cumpre citar a Lei 10.865/2004 que instituiu a incidência do PIS e da Cofins na importação de produtos estrangeiros ou serviços (PIS/Pasep Importação e Cofins Importação). Na hipótese de importação de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a pessoa jurídica importadora, submetida ao regime de incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, poderá se apropriar de créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, nos termos do artigo 15 da Lei 10.865/20041. De acordo com os demonstrativos efetuados pela interessada, fls. 56 a 58, originalmente foi apurada base de cálculo dos créditos de PIS/Pasep – Importação de fevereiro de 2009, no valor de R$3.706.928,91, posteriormente retificada para R$4.582.632,12. Para comprovar a nova base de cálculo, a interessada carreou aos autos as notas fiscais de fls. 11 a 30 e 59 a 99. Contudo, as notas fiscais, acostadas com a peça de defesa, respaldam apenas o montante de R$3.361.705,45, relativo à base de cálculo dos créditos de PIS/Pasep –Importação do mês de fevereiro de 2009, valor inferior ao da base de cálculo original. Isso porque parte das notas fiscais (fls. 60 a 90) foram emitidas em janeiro de 2009 e, por força do art. 3º, §1º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 2002, não podem ser consideradas na apuração do crédito do período examinado. Dessa forma, não restou comprovada a ocorrência de erro de fato no Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10882.901639/201221 Resolução nº 3302001.003 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento da DCTF , tampouco a existência do alegado pagamento a maior, de modo que a interessada não faz jus ao direito creditório ora solicitado, no valor de R$13.707,56. (destaquei) O art. 15 da Lei nº 10.865/2004, dispõe que as pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo de PIS e COFINS poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, nas seguintes hipóteses: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; No mesmo dispositivo acima transcrito, agora em seu § 2º, há a expressa previsão de aproveitamento dos créditos oriundos das importações de bens e serviços utilizados como insumos em períodos posteriores, caso não tenham sido aproveitados dentro do mesmo período, vejamos: Art. 15 (...) § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Como visto, é possível o aproveitamento dos créditos não consumidos no mesmo período, em períodos subsequentes, ao contrário do alegado na decisão recorrida. Ademais, tornase um tanto curiosa a negativa de aproveitamento posterior na hipótese, vez que a própria autoridade julgadora colacionou o dispositivo acima transcrito, em nota de rodapé às efls. 154. Não obstante, as decisões desse E. Conselho caminham no sentido de que a retificação das declarações pode ser feita antes ou depois do despacho, pois o critério temporal é irrelevante para fins de conhecimento do crédito. No entanto, somente a retificação das declarações não se presta a demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte, havendo a necessidade de apresentação de provas idôneas, como demonstrativos contábeis e documentos fiscais, que demonstrem a existência do crédito. Vale dizer, é necessário que o contribuinte demonstre por meio de provas o suposto equivoco no preenchimento das declarações originais (CSRFAcórdão nº 9303005.520). No âmbito deste Colegiado é pacífico o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do direito creditório é do contribuinte, conforme exemplificam os acórdãos trazidos abaixo: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10882.901639/201221 Resolução nº 3302001.003 S3C3T2 Fl. 6 5 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (Acórdão 3401005.408. Relatora Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Data da Sessão 24/10/2018.) Assim, é obrigação do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea, contábil e fiscal, a origem e liquidez do crédito pleiteado, o que no meu sentir, foi feito já na manifestação de inconformidade, onde foram juntadas planilhas de cálculo, cópias de documentos fiscais relacionados ao período em discussão o que, em tese, comprovariam a existência do crédito. Entendo que os documentos apresentados pela recorrente, ainda que de forma indiciária, são aptos a demonstrar do direito alegado. No entanto, no que tange aos créditos que a recorrente alega terem sido transportados do mês de janeiro de 2009, para o mês de fevereiro do mesmo ano, não foram apresentadas cópias de DCTF, DACON, ou cópias de livros contábeis que pudessem demonstrar de pronto que os créditos pleiteados não foram aproveitados e, consequentemente, poderiam ser transportados para o mês seguinte. Portanto, entendo que se faz necessária a análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, além de ser essa intimada a apresentar os documentos contábeis dos meses de janeiro e fevereiro de 2009, que indiquem a existência do crédito que informou ter sido transportado para o mês subsequente, uma vez não constar tal documentação do caderno processual. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) intime a recorrente para apresentar os documentos contábeis dos meses de janeiro e fevereiro de 2009, que indiquem a existência do crédito que informou ter sido transportado para o mês subsequente; (ii) confirme se a documentação apresentada Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10882.901639/201221 Resolução nº 3302001.003 S3C3T2 Fl. 7 6 corresponde efetivamente os lançamentos e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (iii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos, e é compatível com a documentação apresentada; (iv) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (v) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000602/2010-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/11/2008
DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AFERIÇÃO DE PROCEDIMENTO ADOTADO PELO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COBRANÇA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em prescrição de débitos se o Fisco, ao analisar as informações declaradas em DCTF, ateve-se apenas em aferir, quantitativamente, o procedimento levado a cabo pela própria contribuinte, não questionando, não modificando e nem procedendo à cobrança de nenhum daqueles valores.
CRÉDITOS DE IPI. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. DECISÃO JUDICIAL. CRÉDITOS INDEVIDOS.
A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamentodecréditodeIPImesmoquedestacadonaNotaFiscal.O SIMPLES é um regime tributário simplificado e exclusivo, abrangendo vários tributos e contribuições, inclusive o IPI. Uma decisão judicial transitada em julgado, que versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, não ampara as aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES.
CRÉDITOS DE IPI. DECISÃO JUDICIAL. MATÉRIAS-PRIMAS NÃO EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS INDEVIDOS.
Uma decisão judicial transitada em julgado, que versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, empregados no processo produtivo, não ampara o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de mercadorias que foram posteriormente objeto de operação de revenda.
CRÉDITOS DE IPI. PROVA DE FATOS. ÔNUS
Nos pedidos do contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como no presente processo, cabe ao requerente a demonstração clara do cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 373 do CPC, juntando e indicando nos autos os documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento.
Numero da decisão: 3402-006.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito referente à aquisição de pneus da empresa "LUJAN Comércio Importação Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos (CNPJ/MF 07.344.068/0001-37)", referente a nota fiscal nº 112, no valor R$ 117.000,00.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos,Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (Suplente convocado). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/1996 a 30/11/2008 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AFERIÇÃO DE PROCEDIMENTO ADOTADO PELO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COBRANÇA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em prescrição de débitos se o Fisco, ao analisar as informações declaradas em DCTF, ateve-se apenas em aferir, quantitativamente, o procedimento levado a cabo pela própria contribuinte, não questionando, não modificando e nem procedendo à cobrança de nenhum daqueles valores. CRÉDITOS DE IPI. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. DECISÃO JUDICIAL. CRÉDITOS INDEVIDOS. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamentodecréditodeIPImesmoquedestacadonaNotaFiscal.O SIMPLES é um regime tributário simplificado e exclusivo, abrangendo vários tributos e contribuições, inclusive o IPI. Uma decisão judicial transitada em julgado, que versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, não ampara as aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. CRÉDITOS DE IPI. DECISÃO JUDICIAL. MATÉRIAS-PRIMAS NÃO EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS INDEVIDOS. Uma decisão judicial transitada em julgado, que versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, empregados no processo produtivo, não ampara o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de mercadorias que foram posteriormente objeto de operação de revenda. CRÉDITOS DE IPI. PROVA DE FATOS. ÔNUS Nos pedidos do contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como no presente processo, cabe ao requerente a demonstração clara do cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 373 do CPC, juntando e indicando nos autos os documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito referente à aquisição de pneus da empresa "LUJAN Comércio Importação Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos (CNPJ/MF 07.344.068/0001-37)", referente a nota fiscal nº 112, no valor R$ 117.000,00. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos,Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (Suplente convocado). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1996 a 30/11/2008 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AFERIÇÃO DE PROCEDIMENTO ADOTADO PELO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COBRANÇA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em prescrição de débitos se o Fisco, ao analisar as informações declaradas em DCTF, atevese apenas em aferir, quantitativamente, o procedimento levado a cabo pela própria contribuinte, não questionando, não modificando e nem procedendo à cobrança de nenhum daqueles valores. CRÉDITOS DE IPI. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. DECISÃO JUDICIAL. CRÉDITOS INDEVIDOS. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamentodecréditodeIPImesmoquedestacadonaNotaFiscal.O SIMPLES é um regime tributário simplificado e exclusivo, abrangendo vários tributos e contribuições, inclusive o IPI. Uma decisão judicial transitada em julgado, que versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, não ampara as aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. CRÉDITOS DE IPI. DECISÃO JUDICIAL. MATÉRIASPRIMAS NÃO EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS INDEVIDOS. Uma decisão judicial transitada em julgado, que versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, empregados no processo produtivo, não ampara o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de mercadorias que foram posteriormente objeto de operação de revenda. CRÉDITOS DE IPI. PROVA DE FATOS. ÔNUS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 06 02 /2 01 0- 38 Fl. 2002DF CARF MF 2 Nos pedidos do contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como no presente processo, cabe ao requerente a demonstração clara do cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 373 do CPC, juntando e indicando nos autos os documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito referente à aquisição de pneus da empresa "LUJAN Comércio Importação Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos (CNPJ/MF 07.344.068/000137)", referente a nota fiscal nº 112, no valor R$ 117.000,00. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos,Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (Suplente convocado). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório 1. Por bem retratar os fatos que gravitam em torno da presente demanda, valhome de parte do relatório desenvolvido pela DRJ em Ribeirão Preto (SP) e retratado no Acórdão nº 1483.471, de 24/04/2018 (fls. 1.960/1.973), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade, em contrariedade à decisão que homologou parcialmente as compensações declaradas, conforme quadro logo adiante. O crédito utilizado nas compensações decorreu de decisão judicial transitada em julgado, cujo “Pedido de Habilitação de Crédito” (efls. 82/83) teve apreciação no processo administrativo nº 10930.002865/200918 (efls. 84/90). A análise do direito creditório ocorreu no processo nº 16366.720605/201334, atualmente localizado no arquivo. Já os débitos declarados nos PER/DCOMP acima, foram cadastrados e encontramse controlados no presente processo (...). O despacho decisório homologatório da compensação parcial, exarado às efls. 1604/1605 do processo nº 16366.720605/201334 (cópia às efls. 1957/1958 deste processo), utilizouse do Parecer SAORT/DRF/LON/570/2013 (efls. 1950/1956) como motivo de decidir. Este, por sua vez, apoiouse nas informações levantadas pela Fiscalização, consignadas no relatório fiscal (efls. 1379/1385). De acordo com referidos documentos, o valor do crédito pleiteado importou no montante de R$ 2.587.449,27 (dois milhões, quinhentos e oitenta e sete mil, quatrocentos e quarenta e nove reais, e vinte e sete centavos). No entanto, o valor reconhecido do direito creditório foi de R$ 1.396.901,61 (um milhão, trezentos e Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.003 3 noventa e seis mil, novecentos e um reais, e sessenta e um centavos), insuficiente para compensar a totalidade dos débitos declarados. O relatório fiscal (efls. 1379/1385) cuidou de analisar a certeza e liquidez do crédito, narrando, em resumo, os seguintes fatos: » A fiscalizada é beneficiária de decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança nº 2001.70.01.0117423/PR TRF 4a Região), podendo creditarse do IPI na aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, empregados na fabricação de produtos tributados desde 12/12/1996 (cinco anos imediatamente anteriores à impetração da ação). » A alíquota utilizada para fins de creditamento do IPI deverá ser a mesma utilizada na saída dos produtos industrializados pela empresa. Os créditos apurados em conformidade com a decisão poderão ser corrigidos pela taxa de juros SELIC até o trânsito em julgado da sentença (13/10/2006). » Constatouse que a empresa apropriouse, indevidamente, de créditos de IPI relativos a aquisições de matériasprimas/insumos de empresas optantes pelo SIMPLES. Estes créditos devem ser glosados. » A empresa apresentou planilhas contendo as notas fiscais de compra de aparelhos de refrigeração e pneus, as notas fiscais de revenda de tais produtos e as notas fiscais de venda dos produtos industrializados. Com base nestas planilhas, podese efetuar a proporção entre as matériasprimas/insumos utilizados no processo produtivo e os revendidos. Os valores de crédito relativos à aquisição de matériasprimas/insumos revendidos devem ser glosados por não encontrarem amparo na decisão judicial. » A empresa adquiriu de Grepo Transportes Ltda, CNPJ 04.551.043/000205, em 26/06/2008, um semireboque, placa CZB9119, nota fiscal nº 112, no valor de R$ 80.000,00. Ocorre que esta aquisição não se trata de matériaprima/insumo utilizados no processo produtivo. Tratase de bem móvel, classificado no ativo imobilizado, que não gera crédito de IPI. » A correção dos créditos pela taxa SELIC poderia se dar somente até o trânsito em julgado. Conforme se verifica dos Demonstrativos dos Créditos apresentados pela empresa, houve correção posterior a 13/10/2006. Assim, os valores excedentes devem glosados. » Notas fiscais de aquisições de matériasprimas/insumos no período de 12/12/1996 a 29/11/1998 não foram apresentadas, tendo a interessada informado que as mesmas foram extraviadas. Apresentou Livros Razão e de Registro de Entradas de Mercadorias. Desta forma, os respectivos créditos devem ser glosados. » Em 25/08/2006, a empresa adquiriu 130 pneus novos para caminhões e ônibus da empresa LUJAN Comércio Importação e Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos Ltda, CNPJ 07.344.068/000137, nota fiscal nº 112, no valor de R$ 117.000,00. Intimada a comprovar o pagamento e o recebimento das mercadorias adquiridas, informou que o pagamento foi efetuado pelo caixa em 25/09/2006, apresentando os livros Razão e Diário para comprovação. Na citada nota fiscal, não há carimbo de fiscalizações estaduais, não há discriminação do transportador Fl. 2004DF CARF MF 4 e nem carimbo de recebimento da mercadoria. A empresa LUJAN, no ano calendário de 2006, encontrase omissa de entrega de declaração (DIPJ). Diante disso, há que se glosar o crédito de IPI decorrente da referida aquisição. » Tendo em vista as irregularidades apuradas, o montante de glosa do crédito pleiteado importou em R$ 1.190.547,66. O Parecer SAORT/DRF/LON/570/2013 (efls. 1950/1956) cuidou de analisar as compensações realizadas, narrando que: » A empresa declarou débitos confessados em DCTF como compensados com crédito vinculado ao Mandado de Segurança nº 2001.70.01.0117423, ou seja, antes da transmissão das Declarações de Compensação em análise. Sendo os créditos anteriores aos débitos compensados, foram eles atualizados até a data em que utilizados, ou seja, até o vencimento de cada débito. » A partir do mês 04/2002, os créditos passaram a ser posteriores ao vencimento de cada débito. Deste modo, aos débitos foram acrescidos os consectários legais até a data do crédito. » Os créditos apurados pela Fiscalização até o mês 09/2006 (sujeitos à correção pela taxa SELIC) foram suficientes para quitar os débitos até o PA 03/2003 e parcialmente o débito de COFINS do PA 04/2003, sendo que, do valor devido de R$ 9.887,85, restou um saldo devedor de R$ 5.095,80. » A partir de 10/2006, os créditos não são mais corrigíveis. Prosseguindo nas compensações efetuadas pela contribuinte, remanesce R$ 36.328,07 de crédito em relação ao mês 10/2007 e demais créditos relativos aos meses 11/2007 a 11/2008. » O débito de COFINS, código 5856, PA 08/2010, vencido em 24/09/2010, compensado por meio da Declaração de Compensação nº 20491.64049.240910.1.3.515563, foi excluído do presente processo, haja vista que utilizou crédito relativo ao anocalendário 2009 (neste processo, os créditos se referem aos períodos de 12/1996 a 11/2008. Cientificada da decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (efls. 1397/1410), alegando, em síntese, que: ● Os créditos não poderiam ter sido utilizados para compensar débitos relativos aos períodos de apuração 11/2001 a 02/2005, devidamente constituídos pela entrega de DCTF. Eles deveriam ter sido cobrados dentro de cinco anos desde o momento da transmissão da obrigação acessória. ● É inaplicável, à espécie, as limitações impostas pela legislação do SIMPLES. Em nenhuma das manifestações judiciais se vê limitação de crédito às situações de compra de empresas do SIMPLES. Tratase de uma situação peculiar: um creditamento permitido com base em uma decisão judicial, sendo essa decisão o único parâmetro acerca da apuração do crédito. ● Os produtos fabricados pela Ibiporã são equipados com pneus e alguns (semirreboques ou sobrechassis frigoríficos ou isotérmicos) levam um equipamento de refrigeração. A empresa não tem atividade de revenda e não pratica a mera circulação de mercadorias, mas aplica tais produtos (pneus e equipamentos de refrigeração) em seu processo industrial, ainda que, em alguns casos, sejam faturados em separado. Juntamse cópia das notas fiscais dos produtos tido como de “revenda”, das notas fiscais dos produtos industrializados e respectivos controles de montagem. Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.004 5 ● Alguns fornecedores de pneus e equipamentos de refrigeração são optantes pelo SIMPLES, levando a Fiscalização a efetuar glosas em duplicidade. ● O semirreboque adquirido da Grepo Transportes foi recebida a base de troca, reformada e posteriormente revendida (em anexo a OS 20.148 e a duplicata 4074). Um semirreboque, para uma empresa fabricante desse bem, jamais poderia ser considerado um ativo imobilizado, porque não se trata de equipamento utilizado na produção, não é aplicado com finalidade administrativa e não vai ser utilizado pela empresa por mais de doze meses. ● Falhas de emissão do documento fiscal pela LUJAN Comércio Importação e Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos Ltda, CNPJ 07.344.068/0001 37 (nota fiscal nº 112, no valor de R$ 117.000,00), na aquisição de 130 pneus novos para caminhões e ônibus, não podem ser o único motivo à glosa do crédito. A documentação apresentada à Auditoria demonstra o pagamento do fornecedor e a regular contabilização desse material em seus livros. Ao final, a manifestante requer: o reconhecimento da prescrição relativamente aos débitos dos períodos de apuração 11/2001 a 02/2005, desvinculandose o crédito reconhecido de qualquer compensação com tais débitos; o reconhecimento do direito de crédito relativo às compras de insumos de fornecedores optantes pela tributação simplificada; o reconhecimento de que a aplicação da taxa SELIC foi operada estritamente nos termos da decisão judicial; o reconhecimento de que a entrada do semirreboque da empresa Grepo Transportes não pode ser entendida como aquisição de produto para integração ao ativo imobilizado, sendolhe conferida a inegável característica de insumo, gerador de crédito do imposto; o reconhecimento de que a aquisição de 130 pneus da empresa Lujan Comércio, Importação e Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos, CNPJ 07.344.068/000137, está devidamente comprovada pela documentação juntada aos autos, não sendo lícita outra conclusão apenas por defeitos na emissão do documento fiscal que não o invalidam. É o relatório do essencial. 2. Devidamente processada, a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente (fls. 1.397/1.410) foi julgada improcedente pelo citado acórdão nº 1483.471 (fl. 1.960), cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração do crédito: 01/12/1996 a 30/11/2008 CRÉDITOS DE IPI. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. DECISÃO JUDICIAL. CRÉDITOS INDEVIDOS. Fl. 2006DF CARF MF 6 O SIMPLES é um regime tributário simplificado e exclusivo, abrangendo vários tributos e contribuições, inclusive o IPI. Uma decisão judicial transitada em julgado, que versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, não ampara as aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. Assim, nos termos de vedação legal expressa, são insuscetíveis de aproveitamento os créditos de IPI concernentes aos insumos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES. CRÉDITOS DE IPI. DECISÃO JUDICIAL. MATÉRIAS PRIMAS NÃO EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS INDEVIDOS. Uma decisão judicial transitada em julgado, que versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, empregados no processo produtivo, não ampara o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de mercadorias que foram posteriormente objeto de operação de revenda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração do crédito: 01/12/1996 a 30/11/2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. PROVA DE FATOS. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração do crédito: 01/12/1996 a 30/11/2008 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AFERIÇÃO DE PROCEDIMENTO ADOTADO PELO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COBRANÇA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em prescrição de débitos se o Fisco, ao analisar as informações declaradas em DCTF, atevese apenas em aferir, quantitativamente, o procedimento levado a cabo pela própria contribuinte, não questionando, não modificando e nem procedendo à cobrança de nenhum daqueles valores. Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.005 7 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Intimado do teor da referida decisão via o eCAC em 27/04/2018 (fl. 1.981), a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário em 28/05/2018 (fl. 1.982), oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sua Manifestação de Inconformidade, ou seja, argumentou, em resumo, o que segue: (a) o reconhecimento da prescrição relativamente às referências 11/2001 a 02/2005 em ordem a afastar o posicionamento aconselhado pelo Parecer SAORT/DRF/LON 570/2014 (fls. 1597/1603) e acatado pelo Despacho Decisório (fls. 1604/1605), desvinculando se o crédito reconhecido de qualquer compensação com tais períodos; (b) o reconhecimento do direito ao crédito relativo às compras de insumos de fornecedores optantes pela tributação simplificada, uma vez que a apuração do crédito refoge à legislação ordinária de regência e encontra suas balizas únicas nas decisões judiciais, que não mencionaram limitação nesse sentido que pudessem dar fundamento à glosa praticada; (c) o reconhecimento de que a aplicação de correção pela taxa de referência do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) foi operada estritamente nos termos da decisão judicial, desde a referência em que os créditos foram gerados até a data do trânsito em julgado, o que se comprova pelo montante acumulado do índice utilizado; (d) o reconhecimento de que a entrada do semirreboque da empresa Grepo Transportes (CNPJ/MF 05.551.043/000205), documentada na Nota Fiscal 112, não pode ser encarada como aquisição de produto para integração ao ativo imobilizado (situação que não permitiria o crédito em relação à entrada) vez que, conforme demonstrado, tal equipamento foi dado como "entrada" na aquisição de um semirreboque novo e, após reformado pela Impugnante, foi vendido, o que lhe confere inegável característica de insumo, gerador de crédito do imposto; (e) o reconhecimento de que a aquisição de 130 pneus da empresa "Lujan Comércio, Importação e Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos" (CNPJ/MF 07.344.068/000137) está devidamente comprovada pela documentação juntada aos autos, não sendo lícito à Auditoria chegar à outra conclusão apenas por defeitos na emissão do documento fiscal que não o invalidam. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da Admissibilidade do recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação regente da matéria. Assim, dele se toma conhecimento. 2. Do objeto da lide Fl. 2008DF CARF MF 8 A lide está centrada, pela análise efetuado no Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as Declarações de Compensação apresentadas pela Recorrente (PER/DCOMP, relação fl. 3/52). Referese a compensação com créditos do IPI, reconhecidos por meio de decisão judicial transitada em julgado no processo judicial nº 2001.70.01.0117423/PR (fls. 54, 69/80 e 1.426/1.462), cuja habilitação se deu na DRF/Londrina (PR) por meio do PAF nº 10930.002865/200918. No processo judicial a Recorrente, informa ser fabricante de carrocerias para veículos automotores para transportes rodoviários (semirreboques e furgões para caminhões) e teve reconhecido direito para apurar (a) crédito com relação aos insumos adquiridos isentos, nãotributados e tributados à alíquota zero; (b) referente as operações posteriores a 12.12.1996; e (c) corrigidos pela aplicação da SELIC desde quando os créditos poderiam ter sido utilizados (ou seja, desde o momento da entrada do insumo) até o trânsito em julgado da ação (ocorrido em 13.10.2006). Após o trânsito em julgado, e com base nesse provimento foi apresentado Pedido de Habilitação de Crédito e, deferida a solicitação (Despacho Decisório fls. 55/61), a empresa passou a operar as compensações. De acordo com a análise procedida nos documentos apresentados ao Fisco, o valor do crédito pleiteado importou no montante de R$ 2.587.449,27. No entanto, o valor reconhecido do direito creditório foi de R$ 1.396.901,61, insuficiente para compensar a totalidade dos débitos declarados. 3. Contexto Em síntese, no Termo de Informação Fiscal (fls. 1.379/1.385), recomenda o reconhecimento apenas parcial do crédito pretendido, baseado no argumento de que determinadas situações não estariam aptas à geração de crédito, sendo os seguintes pontos: (a) aquisição de insumos de empresas optantes pelo regime simplificado (art. 5°, § 5° da Lei n. 9.317/96) SIMPLES; (b) aquisição de insumos que foram objeto de revenda, e não aplicados em produtos industrializados pela contribuinte; (c) aquisição de um semirreboque que teria sido integrado ao ativo imobilizado, situação que não permitiria o crédito em relação à entrada. A entrada em questão é aquela documentada na nota fiscal 112 emitida por Grepo Transportes (CNPJ/MF 05.551.043/000205); (d) aplicação de correção aos créditos após o trânsito em julgado; (e) falta de apresentação das notas fiscais do período 12.12.1996 a 29.11.1998; (f) aquisição não comprovada de insumos (130 pneus) da empresa "Lujan Comércio, Importação e Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos" (CNPJ/MF 07.344.068/000137). Com base nesse levantamento, a Fiscalização da DRF/Londrina propôs também (o que acabou acatado pelo Despacho Decisório de fls. 1.604/1.605), que parte do crédito confirmado fosse aplicado para saldar débitos declarados como "compensação" informada em DCTF relativamente ao período 11/2001 a 02/2005 (fls. 1.415/1.521). Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.006 9 4. Da aplicação de correção aos créditos (juros Selic) após o trânsito em julgado Ao final do Recurso Voluntário, a Recorrente requer o reconhecimento de que a aplicação da taxa SELIC foi por ela operada estritamente nos termos da decisão judicial. Aduz (fl. 1.997): "(...) Diante do que foi exposto e comprovado pela juntada dos documentos anexos e pela indicação de documentos constantes dos autos, a Impugnante vem respeitosamente REQUERER: (...) (c) o reconhecimento de que a aplicação de correção pela taxa de referência do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) foi operada estritamente nos termos da decisão judicial, desde a referência em que os créditos foram gerados até a data do trânsito em julgado, o que se comprova pelo montante acumulado do índice utilizado; (grifos do original) Essa matéria encontrase muito bem analisada pela decisão de piso, fundamentos que adoto como razões de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. "(...) Não obstante, não indica, exatamente, quais os pontos de discordância, se é que eles existem, em relação aos cálculos efetuados pela autoridade tributária. Além da rogativa acima, não se vê qualquer outra menção acerca do assunto na peça impugnatória. Ocorre que a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) é apreciar contestações contra decisões denegatórias proferidas pela autoridade tributária, nos termos em que reza o Regimento Interno da RFB. No caso, a interessada não apresentou contrarrazões à forma de correção aplicada pela unidade de origem, ao teor do art. 16, III, PAF. Cabe à manifestante firmar justificativas específicas, motivadas e corroboradas em razões e fatos que demonstrem suas objeções ao procedimento do Fisco. Neste contexto, é forçoso reconhecer não ter havido instauração de litígio sobre o tema. Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Fl. 2010DF CARF MF 10 Portanto, considerase também não contestada a correção aplicada pela autoridade tributária, reputandose matéria incontroversa, precluindo o direito da interessada a novas alegações quanto à mesma". 5. Da alegada Prescrição dos períodos: 11/2001 a 02/2005 Como já relatado, a análise do crédito ocorreu no PAF nº 16366.720605/201334, separado do controle dos débitos que são tratados nesses autos. No referido processo de crédito, verificase que no Parecer SAORT nº 570/2013 (fls. 1.950/1.956), contém observação segundo a qual parte do crédito confirmado deve ser utilizado para saldar débitos declarados como "compensação" informada em DCTF relativamente ao período 11/2001 a 02/2005 (fls. 1.415/1.521). Vejase: "(...) 7. Demonstrativos de cálculos referentes às compensações declaradas foram juntados às fls. 1392/1398. 8. No entanto, posteriormente, foram detectadas duas situações que interferiam em tais demonstrativos: neles havia sido incluído indevidamente o débito compensado na DCOMP 20491.64049. 240910.1.3.515563; a empresa impetrou o Mandado de Segurança nº 2001.70.01.0117423 em 12/12/2001 (Certidão de fls. 55/56) e a partir desse mesmo mês passou a utilizar o crédito que entendia ter direito para abater débitos de PIS (códigos 8109 e 6912), COFINS (códigos 2172 e 5856) e IPI (código 1097), de períodos de apuração situados entre 11/2001 a 02/2005, conforme confessou em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), de acordo com cópias juntadas às fls. 1415/1521, OU SEJA, antes da transmissão das Declarações de Compensação relacionadas no item 3 deste Parecer a empresa já havia utilizado parte de seu crédito para quitar outros débitos. 9. Constatados tais fatos, novos demonstrativos foram elaborados e juntados às fls. 1531/1578, nos quais inicialmente foram deduzidos, do crédito apurado pela Seção de Fiscalização, os valores informados em DCTF como compensados com o crédito oriundo do Mandado de Segurança nº 2001.70.01.0117423. Após esse procedimento, os créditos remanescentes foram utilizados para os débitos registrados nas Declarações de Compensação discriminadas no início deste Parecer. Tal propositura, foi acatada pela autoridade tributária conforme Despacho Decisório de fls. 1604/1605. A Recorrente, em sua manifestação, aduziu que não poderia a Fiscalização, propor tal medida, uma vez que os débitos relativos a períodos de apuração 11/2001 a 02/2005, devidamente constituídos pela entrega de DCTF (conforme anotado nos relatórios), deveriam ser cobrados dentro de cinco anos desde o momento da transmissão da obrigação acessória. Alega em seu recurso que "não se trata de reclamação descabida (conforme entendeu a autoridade julgadora em 1ª instância) mas de reforço da percepção de que o direito creditório analisado no processo 16366.720605/201334 deveria aplicado unicamente para compensação de débitos de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e COFINS tratados nos Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.007 11 PER/DCOMP que relaciona; que, pelo exposto do item "9" do Despacho transcrito acima, a autoridade fiscal não simplesmente "ratificou" as informações prestadas pela contribuinte em DCTF, mas destacou parte do crédito pretendido para "dar quitação" em compensações informadas nas declarações de créditos tributários de períodos de apuração situados entre 11/2001 a 02/2005, e que quando executados os trabalhos fiscais, já em 2013, havia transcorrido prazo superior a 5 anos em relação aos períodos 11/2001 a 02/2005". Não vislumbro razão à Recorrente neste tópico. Explico. Quando da análise dos PER/DCOMPs, o Fisco levou em consideração as compensações declaradas em DCTF, que o sujeito passivo vinculou com os créditos decorrentes do Mandado de Segurança nº 2001.70.01.0117423. Tratase de débitos declarados em DCTF desde 11/2001 até 02/2005. Como ponto de partida, essa questão restou muito bem delineada pela decisão de primeira instância, que adoto trechos como fundamentos e razões para decidir com fulcro no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. A reclamação é descabida, já que o trabalho em comento não objetivou a cobrança dos débitos declarados, mas tão somente aferir, quantitativamente, o procedimento levado a cabo pela própria contribuinte, apurandose o quantum disponível para as compensações posteriores, no caso, aquelas das DCOMP. Deveras, não se olvide que foi a Recorrente quem apurou e declarou os débitos como expressão da verdade e, sob esta perspectiva, não evidenciou erro escusável que pudesse afastar estes valores. Por fim, salientese que o Fisco não questionou as informações declaradas nas DCTF, não modificou e nem procedeu à cobrança de nenhum daqueles valores. Ao contrário, apenas as ratificou, de modo que carece de fundamento a pretensão da Recorrente. Correta, portanto, a decisão recorrida que ratificou integralmente os termos do despacho decisório, não merecendo nenhum reparo. 6. Da aquisição de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Inaplicável, à espécie, as normas ordinárias de maneira que em nenhuma das manifestações judiciais se vê limitação de crédito às situações de compra de empresas do SIMPLES". Assevera que não foi por outro motivo que a defesa afirmou que se trabalhássemos em uma situação ordinária, inteiramente fundamentada na legislação de regência, de fato seríamos forçados a concordar que existe vedação expressa no sentido de que empresas do regime simplificado não transferem crédito, segundo o comando do art. 5°, § 5° da antiga Lei n. 9.317/96. No entanto, tratase de uma situação peculiar: um creditamento permitido com base em uma decisão judicial, sendo essa decisão o único parâmetro acerca da apuração do crédito tais como situações geradoras, formas de apuração, alíquotas a serem aplicadas, e correção. "(...) Isso considerado, as decisões judiciais (repetimos, único parâmetro para apuração do crédito) não limitaram que não dariam crédito as aquisições de empresas do regime simplificado, devendo considerar que a compensação efetuada pela empresa é baseada estritamente na decisão passada em julgado, e não nos parâmetros ordinários da legislação". Fl. 2012DF CARF MF 12 De outro lado, a conclusão da decisão de piso, foi no sentido de que a aquisição de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES está fora das condições da decisão judicial transitada em julgado. Que a mesma versa sobre o crédito de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero. Outras situações que não essas, repitase, de produtos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, não se sujeitam ao decisum. Como é cediço, o regime tributário simplificado SIMPLES, abrange vários tributos e contribuições, inclusive o IPI. Não se trata de isenção, não tributação ou tributação à alíquota zero. No âmbito do SIMPLES, o IPI é calculado e pago segundo um percentual aplicado sobre o faturamento da empresa, havendo, até, um código de receita (arrecadação) específico para o IPISimples. A lei instituidora do SIMPLES Federal (Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996), assim determinava: Art. 3º . (...) § 1º A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: (grifouse) (...) e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; (...) Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (...) §5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Portanto, nos termos da Lei nº 9.317/96, art. 5º, §5º acima, é vedado à empresa do SIMPLES transferir crédito de IPI, através de operação de venda com destaque do imposto. Ainda que, equivocadamente, tenha havido destaque do IPI na nota fiscal emitida pela empresa optante do SIMPLES, não há direito ao crédito, sendo que a referida parcela deve ser agregada ao custo das mercadorias. Por dedução lógica, se a empresa inscrita no SIMPLES não pode transferir crédito relativo ao IPI, a empresa adquirente está impedida de registrar crédito de IPI resultante de aquisições de tais empresas. Ha que ser ressaltado que, posteriormente, a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, instituiu o SIMPLES Nacional revogando e substituindo a Lei nº 9.317, de 1996. Porém, o princípio de apuração e pagamento unificado foi preservado, consoante seus artigos 12 e 13, vedada a manutenção de créditos, de acordo com o artigo 23. E, prossegue a Recorrente alegando que o quadro de fornecedores optantes pelo SIMPLES que consta no processo 16366.720605/201334 (aqui, juntado fls. 125/127) relaciona uma maioria esmagadora de empresas comerciais, naturalmente não contribuintes do IPI, e o que se dessume disso é que a saída de mercadorias dessas empresas é naturalmente não tributada, situação que gera crédito à Recorrente segundo o provimento judicial. Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.008 13 "(...) O que isso revela é um desencaixe entre a linha de pensamento da Auditoria Fiscal e a tese que a Relatoria tentou suportar para, a posterior, dar fundamento à negativa do crédito. Isso se afirma quando se repara que o levantamento da Auditoria não apurou os ramos de atividade dos fornecedores". Por outro lado, a Fiscalização em sua Informação Fiscal de fl. 1.381, esclarece que todas as empresas fornecedoras optantes pelo Sistema SIMPLES foram confirmadas em consultas ao Sistema da RFB, conforme trecho abaixo reproduzido: Posto isto, como é consabido, nos pedidos do contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como no presente processo, cabe ao requerente a demonstração clara do cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 373 do Código de Processo Civil, juntando e indicando nos autos os documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, entendendo a autoridade fiscal que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não eram hábeis a demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, caberia à Recorrente trazer aos autos na manifestação de inconformidade, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 373, II do CPC, a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão da fiscalização. No entanto, a Recorrente não juntou provas nos autos demonstrando sua alegação de que tratamse de "empresas comerciais, naturalmente não contribuintes do IPI, e o que se dessume disso é que a saída de mercadorias dessas empresas é naturalmente não tributada, situação que gera crédito à Recorrente segundo o provimento judicial". A apresentação de provas, encontrase expresso no inciso III do art. 57 do Decreto nº 7.574/2011, que determina que a impugnação conterá os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Diste do acima exposto, correta, portanto, a decisão recorrida que ratificou integralmente os termos do despacho decisório, não merecendo nenhum reparo também. 7. Da Aquisição de Insumos para Revenda Resta consignado nos autos que a Recorrente tem como objetivo social a fabricação e venda de carrocerias metálicas para veículos automotores para transportes rodoviários (semirreboques e furgões para caminhões). Fl. 2014DF CARF MF 14 Informa a Recorrente em seu recurso que seus produtos saem da fábrica instalados sobre chassis de caminhões (no caso dos produtos denominados "sobre chassi"), ou puxados por caminhões/cavalos (semirreboques, nos casos de veículos articulados). Como qualquer implemento dessa natureza, os produtos por ela fabricados são equipados com pneus e alguns (semirreboques ou sobre chassis frigoríficos ou isotérmicos) levam um equipamento de refrigeração; que o fato de algumas notas fiscais trazerem na descrição do produto os dizeres “semireboque (...) sem pneu (...)”, conforme salientado pela decisão recorrida não invalidam a tese da Recorrente; que a empresa não tem atividade de revenda e que os levantamentos apresentados à época da Auditoria mostraram uma congruência entre a quantidade de pneus adquiridos e o número de semirreboques ou sobre chassis que saíram no mesmo intervalo. Afirma em seu recurso que "(...) as notas fiscais de "revenda" de pneus e equipamentos de refrigeração referenciam sempre uma nota de saída da mercadoria principal; diz que os produtos foram "acoplados". Ora, uma análise imparcial concluiria que tratamse igualmente de documentos fiscais legítimos, emitidos dentro das normas regulamentares e não havendo indícios de irregularidades, igualmente mereceriam fé". Apresentou (fls. 1.465/1.467) uma planilha esclarecendo a correlação entre as notas fiscais de saídas de veículos (implementos), o controle de montagem e saídas de pneus e equipamentos de refrigeração, e que nda análise desse quadro mostra que os pneus e equipamentos de refrigeração não foram revendidos. Por outro lado o Fisco constatou que a empresa deu saídas a produtos adquiridos de terceiros (pneus e equipamentos de refrigeração) que não foram empregados no processo produtivo, caracterizando revenda de mercadorias, o que impossibilitaria o creditamento na aquisição desses produtos. Afirma que o faturamento em separado evidencia se tratar de vendas de mercadorias, condição que estaria fora das hipóteses de creditamento permitidas segundo a determinação do processo 2001.70.01.0117423. Em sua Informação Fiscal de fls. 1.382/1.383, a Fiscalização relata que elaborou planilhas demonstrativas relacionando as notas fiscais de compras dos aparelhos de refrigeração e pneus e as notas fiscais de revenda dessas mercadorias. Vejase trecho: Informa a Recorrente que para melhor visualizar a cada uma das operações, juntou uma cópia da nota fiscal de "revenda", da nota fiscal de "produto industrializado", junto do respectivo controle de montagem, colocados um ao lado do outro de forma a tornar a visualização absolutamente clara, que os itens em conjunto demonstra que os equipamentos de refrigeração e pneus são todos acoplados em produtos fabricados pela empresa e, para fins práticos, são apenas faturados em documentos fiscais distintos. No entanto, como bem analisado pela decisão de piso, das cópias das notas fiscais, que os produtos industrializados em questão verificase que tratamse de carroçarias, classificadas no código NCM 8707.90.90, e semirreboques, classificados no código NCM 8716.39.00; que a operação de instalação dos pneus e dos equipamentos de refrigeração nas carroçarias e semirreboques é uma etapa de industrialização na modalidade de montagem (art. 4º, III, RIPI/2002, em vigor à época dos fatos); que os pneus e equipamentos de refrigeração são produtos adquiridos de terceiros e podem integrar os produtos industrializados pela Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.009 15 Recorrente, caracterizandose matériasprimas, desde que por ela montados e integrados nas carroçarias e semirreboques. Se fornecidos em separado, não se caracterizam matériasprimas, por inocorrência da operação de industrialização. Porém, se montados e integrados nas carroçarias e semirreboques, os pneus e equipamentos de refrigeração passam a fazer parte daqueles produtos, perdendo sua individualidade, do ponto de vista da legislação do IPI. Carroçarias e semirreboques são produtos industrializados que sofrem a tributação pelo IPI, cuja base de cálculo é o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento (art. 131, II, RIPI/2002). Significa dizer que os valores relativos aos pneus e equipamentos de refrigeração que integram as carroçarias e semirreboques devem compor a base de cálculo do imposto. Muito bem. É fato que ao se examinar as notas fiscais acostadas aos autos, constatase que todos os semirreboques e carroçarias saíram do estabelecimento em operações classificadas como “venda”, e que todos os pneus e equipamentos de refrigeração saíram em operações de “revenda”. Verificase também, pelas notas fiscais anexadas, que os valores relativos aos pneus e equipamentos de refrigeração não compuseram a base de cálculo do IPI, caracterizando a individualidade desses produtos. Constatase, ainda que os pneus e equipamentos de refrigeração sofreram incidência do ICMS. A falta de tributação pelo IPI e a incidência do ICMS respaldam a tese da mera circulação de mercadorias e a inexistência da operação de industrialização. Por fim, verificase que muitas das notas fiscais trazem na descrição do produto os dizeres “semireboque (...) sem pneu (...)”. Neste diapasão, o conjunto dos fatos relatados, tendo em vista os aspectos inicialmente expostos, denota a ocorrência de revenda, pura e simples, das referidas mercadorias e não se admite o creditamento do imposto na entrada dessas mercadorias. Nessa situação, cada um dos equipamentos de refrigeração e pneus adquiridos pela Recorrente não podem ser geradores de crédito do IPI passiveis de compensação, caracterizando razão para a glosa promovida pela Fiscalização. Sendo assim, não se admite o creditamento na entrada dessas mercadorias. 8. Da alegada Glosas em Duplicidades Argumenta a Recorrente que a partir do cruzamento de informações que serviu para montar uma lista dos fornecedores, deuse de cara com uma situação que não foi levada em conta pela fiscalização, que provocou um aumento na glosa, e que deveria ser revista, qual seja, algumas das empresas constantes da listagem de fls. 125/127 (optantes pelo SIMPLES) também são fornecedores de pneus e equipamentos de refrigeração. Que no julgamento pela DRJ considerouse que essa era uma alegação genérica na qual não se indicou valores, períodos, notas fiscais ou objetos de supostas glosas. Fl. 2016DF CARF MF 16 A Recorrente aponta 2 situações onde isso se observava: todas as notas fiscais de emissão da INB BORRACHAS GUAPORÉ COM DE PLÁSTICOS E BORRACHA LTDA (CNPJ nº 03.589.411/000152) e a NICKLEVISK & CIA (CNPJ nº 06.334.628/0001 00) que é fornecedora de equipamentos de refrigeração da marca RODOFRIO. Encerra salientando que não ocorreu a percepção e o cuidado da Auditoria (e do julgador em instância originária) em separar tais situações de forma a evitar que duas glosas, uma baseada no item tratado no tópico "compra de fornecedores optantes pelo regime simplificado" bem como pela alegada "aquisição de mercadorias para revenda". Pois bem. Ao verificar a Planilha de fls. 125/127 ("relação de fornecedores optantes pelo regime simplificado SIMPLES"), constatase que assiste razão à Recorrente, uma vez que as duas empresas indicadas em seu recurso, a INB BORRACHAS GUAPORÉ COM DE PLÁSTICOS E BORRACHA LTDA (CNPJ nº 03.589.411/000152) e a NICKLEVISK & CIA (CNPJ nº 06.334.628/000100) estão relacionadas no grupo empresas que foram glosadas pelas razões exposta no item "6" deste voto. No entanto, quando verificamos a Planilha DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS DE IPI VERIFICADOS (relação dos créditos de IPI não aproveitados e glosados por ano calendário 1996 a 2008" às fls. 1.303/1378), que a Fiscalização, ao apurar o direito creditório, listou todas as notas fiscais que entendeu hábeis a proporcionar o crédito e as notas fiscais que foram glosadas. Constatase que, nessa lista, não há a existência de notas fiscais repetidas. Como em seu recurso a Recorrente não indica os valores, períodos ou notas fiscais objetos das supostas glosas em duplicidade ou a maior, em fim não se identifica nenhum elemento capaz de demonstrar qualquer ocorrência de glosa alegada no que se refere as empresas INB BORRACHAS GUAPORÉ COM DE PLÁSTICOS E BORRACHA LTDA (CNPJ nº 03.589.411/000152) e a NICKLEVISK & CIA (CNPJ nº 06.334.628/000100). 9. Da Aquisição do Equipamento Usado (SEMIRREBOQUE) A Recorrente aduz que "a Autoridade Fiscal sustentou que a nota fiscal 112 (emitida por "Grepo Transportes" CNPJ/MF 05.551.043/000205) e que documenta a entrada de um semirreboque placa CZB 9119 no valor de R$ 80.000,00 corresponderia à entrada de um imobilizado e não um insumo (fl. 1.911). A empresa alega que tratase de insumo, uma vez que "muitos dos clientes da Impugnante entregam seus veículos usados como entrada para aquisição de um semirreboque novo, como é a prática que se observa no mercado de veículos. Foi exatamente nessa condição que a Impugnante recebeu o semirreboque da "Grepo Transportes" e, depois de reformálo, acabou vendido". Durante a fiscalização foi apresentada a ordem de serviço (OS) 20.148 e a duplicata 4074 que demonstram que se tratava de uma mercadoria recepcionada a base de troca, que foi tratada e posteriormente revendida, muito diferente, portanto, da situação que a fiscalização observou. Ressalta que "nessa condição, o semirreboque é inquestionavelmente um insumo, que foi aplicado no processo produtivo da empresa, e gera crédito do IPI nos termos da decisão judicial". No entanto para a fiscalização, tratouse de aquisição para o ativo imoblizado da empresa e portanto não gera direito ao crédito. Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.010 17 Como podemos observar em seu recurso, a Recorrente afirma que o equipamento foi recebido à base de troca, reformado e posteriormente revendido, devendo, por isso, ser admitido o crédito decorrente dessa aquisição. Instruiu a inconformidade com os seguintes documentos: nota fiscal nº 112, emitida por Grepo Transportes Ltda, CNPJ 04.551.043/000205, em 26/06/2008 (fl. 1911); CRV do veículo (fl. 1912); folhas destacadas do Registro de Entrada mês 07/2008 (fls. 1913/1915); folhas destacadas do Razão (fls. 1916/1918 e 1924/1929); nota fiscal de venda duplicata 4074 (fl. 1919); e folha 59 do Registro de Saídas (fls. 1921/1923). Informa ter apresentado à Fiscalização mas não juntou a OS 20.148, uma vez que não se localizou o documento nos autos. Do exame dos documentos apresentados, é possível extrair algumas informações. Na decisão recorrida informa que "aparentemente, há um erro no Registro de Entradas quanto à informação da entrada do semirreboque no estabelecimento pois, na linha com o registro da Grepo Transportes, consta o valor de R$ 1.600,00 e, logo acima, na linha do registro de Ferramentas Gerais, consta o valor de R$ 80.000,00 associado ao documento nº 112. Ambas as entradas foram registradas em data de 26/07/2008. Ressalvese que esta falha não está sendo considerada na presente análise". No Razão Analítico (fl. 1.917), mês 07/2008, verificase pagamento de “duplicata nº 112 a Grepo Transportes”, no valor de R$ 80.000,00. Da cópia da nota fiscal de venda, a Recorrente a identifica como duplicata 4074 (fl. 1.919). A esse documento, o Registro de Saídas relaciona o valor de R$ 115.000,00, sem incidência do IPI e com incidência do ICMS a 12% sobre uma base de cálculo (reduzida) de R$ 5.750,00. A data de saída é 15/09/2008, sob o código CFOP 6.108. Esse código (CFOP 6.108) reflete a venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro, destinada a não contribuinte em outro Estado. O código 6.108 é utilizado em operações de revenda e o código 6.107 nas vendas de produção própria. Em outras palavras, a venda do semirreboque foi descrita como operação de saída a não contribuinte do ICMS, de mercadoria que não sofreu processo de industrialização no estabelecimento. Desse conjunto de informações obtidas da análise dos documentos apresentados pela Recorrente deixa transparecer a ocorrência de operação de revenda do semirreboque, placa CZB9119, adquirido de Grepo Transportes Ltda. A aplicação de redução da base de cálculo do ICMS (redução de 95%), a não incidência do IPI e a realização de operação classificada no CFOP 6.108 todos esses fatores configuram inexistência de industrialização, impossibilitando o aproveitamento de crédito “ficto” com fundamento na decisão judicial. Mesmo que se possa considerar ter havido operação de industrialização, atribuindo a condição de matériaprima ao semirreboque usado, a não incidência do IPI impediria o aproveitamento de crédito judicial. Nos termos da decisão transitada em julgado, a contribuinte pode utilizarse dos créditos mediante a aplicação sobre os insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, da mesma alíquota incidente sobre o produto final em que empregados tais insumos. Sendo inexistente o IPI na saída do produto, a hipotética alíquota para o cálculo do crédito seria igual a zero. Fl. 2018DF CARF MF 18 Portanto, sem reparos à decisão de piso. 10. Da Aquisição NÃO COMPROVADA de PNEUS Aduz a Recorrente que, (...) o último ponto que gera glosa no sentir da Auditoria foi a aquisição de 130 pneus da empresa "Lujan Comércio Importação Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos" (CNPJ/MF 07.344.068/000137), no valor R$ 117.000,00". Informa que a empresa LUJAN, tratase de estabelecimento regularmente inscrito no CNPJ e ativo, cuja idoneidade de seus documentos fiscais não foi questionada ou objeto de procedimento fiscal que constatasse se tratar de estabelecimento/documentação irregular. Mesmo com o esclarecimento e com os documentos comprobatórios de como ocorreram os fatos (fls. 525/536), alega a Fiscalização que (a) era uma operação interna pelo uso do CFOP 5.102; (b) que a nota fiscal não tem carimbo de fiscalização de barreira fiscais; (c) que o documento não tem indicação do transportador (d) e não tem carimbo de recebimento da mercadoria pela empresa. Afirma que o documento fiscal anexado à fl. 525 (Nota Fiscal nº 112), descreve como destinatária das mercadorias a Indústria de Carrocerias Metálicas Ibiporã Ltda., e ainda que o CFOP tenha sido preenchido de maneira equivocada, esse ponto não invalida o documento fiscal. Nem mesmo a falta de indicação do transportador tem esse poder. Por outro lado, a Fiscalização relata que glosou os créditos apurados sobre a aquisição em 25/08/2006, de 130 pneus da empresa LUJAN Comércio Importação e Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos Ltda (com sede em Barueri SP), conforme discorre na Informação Fiscal (fl. 1.384), referente a nota fiscal nº 112, no valor de R$ 117.000,00. Ressalta que Intimada pela Fiscalização a comprovar o pagamento e o recebimento das mercadorias adquiridas, a empresa informou que o pagamento foi efetuado diretamente pelo caixa na data de 25/09/2006, apresentando os livros Razão e Diário para comprovação. Vejase: A Recorrente alerta de que tratase de um documento emitido antes da entrada em vigor da nota fiscal eletrônica, em um tempo em que os erros eram escusáveis e releváveis. A documentação apresentada à Fiscalização demonstra o pagamento do fornecedor e a regular contabilização desse material em seus livros, de maneira que as falhas de emissão do documento fiscal não podem ser o único apoio para se glosar o crédito. Que o documento está anotado no Registro de Entradas e o emissor está ativo e regular no CNPJ; não houve procedimento para declarar nula a inscrição no CNPJ nem para invalidar os documentos emitidos pela "Lujan", de tal maneira que até a presente data o documento é regular e cabia à administração a prova de situação contrária, não à Recorrente. Pois bem. Da análise da referida nota fiscal, de fato constatase que se trata de operação de venda dentro do próprio estado (CFOP 5.102); que não apresenta o carimbo de fiscalizações nos postos estaduais; não tem a discriminação do transportador e que não há o comprovante (carimbo) de recebimento da mercadoria pela empresa. Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.011 19 A fiscalização, em sua Informação Fiscal, relata que conforme os dados constantes do sistema da RFB, a empresa LUJAN, no anocalendário de 2006, encontrase omissa de entrega de declaração (DIPJ). Ou seja, a falta de comprovação da efetiva aquisição das mercadorias em comento levou a autoridade fiscal a desconsiderar os créditos apropriados, decorrentes dessa aquisição. De outro giro, alega a Recorrente que falhas de emissão do documento fiscal pela LUJAN não podem ser o único motivo à glosa do crédito. Entretanto, pela análise da DRJ, não foram essas falhas que desqualificaram o crédito, conforme acima descrito. As imperfeições do documento fiscal somente reforçam os indícios de irregularidades da operação comercial, de modo que caberia à Recorrente demonstrar cabalmente a sua concreta efetividade. Como dito tópico anterior, por envolver a fruição de créditos, cabe à suplicante o ônus de comproválos. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, adotado de forma subsidiária na esfera administrativotributária. O anterior Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), vigente à época dos fatos, já estabelecia: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. Tais disposições encontram correspondência nos artigos 373 e 435 do novo Código, atualmente em vigência (Lei nº 13.105, de 2015). Objetivando o atendimento desta questão, a Recorrente juntou os seguintes documentos fiscais e contábeis: cópia da Nota Fiscal nº 112, emitida por LUJAN Comércio Importação e Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos Ltda, CNPJ 07.344.068/000137, em 25/08/2008 (fl. 1.936); folhas destacadas do Livro de Registro de Entrada do mês 08/2008, demonstrando o lançamento da nota fiscal citada (fls. 1.937/1.939); e folhas destacadas do Livro Razão analítico nº 28 (mês 09/2006), demonstrando o pagamento (credito) da referida NF nº 112 da "Lujan", com crédito na conta "caixa". (fls. 1.940/1.942), bem como cópia do Livro Diário da empresa (fls. 526/531) . Como já dito, a decisão de piso ressalta que são justamente esses os documentos para os quais se pretende obter a comprovação da efetiva ocorrência dos fatos neles registrados. No entanto, é preciso lembrar a força probatória que possuem os livros e a escrituração contábil das empresas, conforme dispõem os artigos 378 e 379 do Código de Processo Civil bem como o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99, em vigor à época dos fatos), elemento que propiciou ao ex Conselheiro desta Turma Antonio Carlos Atulim, no Acórdão nº 3402002.862, identificar o relacionamento de tal força probatória dos livros com a distribuição do ônus da prova no processo administrativo fiscal, in Fl. 2020DF CARF MF 20 verbis: "Não é demais lembrar que a escrituração contábil goza da presunção de veracidade e legitimidade, a teor do que dispõe o art. 9º, §§1º e 2º do Decreto Lei nº 1.598/77. A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais. E, de outro lado, cabe ao contribuinte, em caso de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato". Versando este processo sobre pedido de compensação DCOMP/créditos de IPI, o ônus da prova das glosas efetuadas cabe ao contribuinte. Por outro lado, o fisco, se desincumbiu desse ônus, pois não contestou a veracidade e a legitimidade dos registros contábeis e declarações prestadas pelo contribuinte, baseando seu trabalho nos documentos produzidos pelo próprio fiscalizado. Sendo assim, resta ao contribuinte o ônus da prova de comprovar que as diferenças glosadas não procedem ou que estão incorretas, a teor do previsto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Pois bem. Ao meu sentir, foi exatamente isso que a Recorrente procurou demonstrar nos autos e o fez. Se não vejamos. A nota fiscal nº 112, cuja cópia encontrase anexada às fls. 525 e 1.936, descreve como destinatária das mercadorias a Indústria de Carrocerias Metálicas Ibiporã Ltda. (Recorrente), (muito embora o CFOP 5.102 devidamente preenchido tratase de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, dentro do Estado, o que não invalida o documento fiscal, nem mesmo a falta de indicação do transportador). Ao analisar as cópias dos Livros Fiscais e Contábeis, constatase que a referida Nota Fiscal (cópia às fls. 525 e 1.936), encontrase devidamente registrada no Livro de Registro de Entradas da empresa à fl. 1.938, o que atesta o seu recebimento pela empresa; no Livro Razão, restou comprovado o lançamento atinente ao pagamento a crédito da conta "caixa" no valor de R$ 117.000,00 (fl. 1.941) e na cópia do Diário Geral nº 15, referente ao mês 08/2006 da empresa (à fl. 529), consta o lançamento da aquisição da matéria prima referente a NF nº 112 da empresa Lujan. Como se vê, a documentação alcançada pela Recorrente demonstra o pagamento do fornecedor e a regular contabilização desse material em seus livros fiscais e contábeis, de maneira que as falhas de emissão do documento fiscal não podem servir de apoio para se glosar o crédito vindicado. Isto posto, entendo restar comprovado a efetiva operação de aquisição dos 130 Pneus da LUJAN, acatando, no caso, a solicitação de reconhecimento do crédito. Por essas razões, neste tópico, voto pela procedência do Recurso Voluntário, reconhecendo o direito do crédito pleiteado, revertendo o valor glosado na nota fiscal nº 112, referente a aquisição 130 pneus da empresa "LUJAN Comércio Importação Distribuição de Produtos Alimentícios e Automotivos" (CNPJ/MF 07.344.068/000137), no valor R$ 117.000,00. 11. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, reconhecendo somente o direito do crédito glosado referente a aquisição 130 pneus da empresa "LUJAN Comércio Importação Distribuição de Produtos Alimentícios e Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 16366.000602/201038 Acórdão n.º 3402006.321 S3C4T2 Fl. 2.012 21 Automotivos (CNPJ/MF 07.344.068/000137)", referente à nota fiscal nº 112, no valor R$ 117.000,00. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 2022DF CARF MF
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Numero do processo: 13701.000221/2002-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SO13RE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1984
IRPF. PDV.
Comprovadas pelo Recorrente (i) a adesão ao PDV da empresa IBM; (ii) a natureza indenizatória das verbas recebidas, como incentivo à demissão voluntária, e (iii) a rescisão espontânea do contrato de trabalho, a restituição deve ser deferida.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.405
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PDV. Comprovadas pelo Recorrente (0 a adesão ao PDV da empresa IBM; (ii) a natureza indenizatória das verbas recebidas, como incentivo à demissão voluntária, e (iii) a rescisão espontânea do contrato de trabalho, a restituição deve ser deferida. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade deflcitos, em DAR provimento acsrUeurso, nos termos do voto do Relator. 11 J CAIO MARCOS CÂNDIDO - Presidente .x.3 • 4PA- 10-et Q ALEXANDRE NA • KI NIS OKA - Relator FORMALIZADO EM: 1 2 MAR 2010 Participaram, ainda, do julgamento os Conselheiros Ana Ney]e Olimpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Edgar Silva Vidal e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 69/74) interposto em 17 de junho de 2009, contra o acórdão de fls. 60/66, do qual o Recorrente teve ciência em 20 de maio de 2009 (fl. 68), proferido pela P Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II — RJ, que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do contribuinte para restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos que teriam sido recebidos a título de incentivo à demissão voluntária, durante o ano-calendário de 1983,110 valor, à época, de CR$ 18.654.454,00. O relatório contido no acórdão recorrido resume a controvérsia da seguinte forma: "A pessoa flsica em epígrafe, devidamente representada, ingressou em 21/03/2002 com pedido de restituição do imposto de renda na fonte (fls. 01, 02 e 05) incidente sobre verba recebida no ano-calendário 1983, exercício 1984, como decorrência de rescisão do contrato de trabalho com a empresa IBM BRASIL - INDÚSTRIA, MÁQUINAS E SERVIÇOS LTDA, CNPJ n2 33.372.251/0001-56, sob a alegação de que a importância lhe fora paga em razão de adesão à Programa de Demissão Voluntária (PDV). O pedido de restituição foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro, mediante decisão à fl. 14, na qual houve o indeferimento do pedido em virtude de se ter considerado decaído o direito de pedir do autor, com fulcro no disposto no art. 168, I, da Lei 11.2 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN) e incisos I e II do Ato Declaratório SRF n2 96, de 26 de novembro de 1999. Não resignada, a parte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 16 a 18, encaminhada à Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro que, por sua vez, manteve o entendimento emanado pela instância administrativa anterior mediante Decisão n2 9.466, de 21/07/2005 (fls. 21 a 24). Ciente desta etapa processual, o recorrente impetrou recurso junto ao Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 31 a 34), fato do qual resultou provimento deste emanado em Acórdão n2 102-47.430 (fls. 36 a 41), que determinou o afastamento da decadência e o retomo dos autos à unidade de origem para exame do pleito. Em cumprimento à determinação de análise do mérito, a autoridade a quo procedeu à análise do pedido de restituição com base na Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n2 2, de 02 de julho de 1999, do que resultou ' -o indeferimento do pleito sob o argumento de falha na instrução processual, tal como consigna Despacho Decisório fls. 45 a 47. Cientificado da decisão em 03/10/2008 (fl 48), o contribuinte encaminhou a esta DRJ manifestação de inconformidade de fls. 50 a 52, datada de 28/10/2008, onde reafirma a procedência de seu direito, aduzindo a existência de jurisprudência. Ademais, alega que a comprovação material do direito encontra-se perfeita pelos documentos anexos, quais sejam, Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho — fls. 06, 09 e 53; carta do ex-empregador - fls. 07 e 54 e carta aceite assinada pelo ora impugnante — fls 55 e 56. Processo n°13701.000221/2002-01 82-CITI Acórdão n.° 2101-00.405 Fl. 80 São acostados aos autos, ainda, declaração em que o interessado afirma não ser autor ou litisconsorte em ação judicial com igual objeto (fl. 04)." (fl. 62) A Recorrida indeferiu o pedido de restituição, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1984 PDV. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Superada a preliminar de decadência argüida mediante acórdão do Conselho de Contribuintes, cabe à autoridade administrativa a quo pronunciar-se quanto ao mérito do pedido. PROVA DA PARTICIPAÇÃO EM PDV., Não restando comprovada a participação em programa de demissão voluntária, toma-se inaplicável a não-incidência tributária prevista nas normas pertinentes às verbas obtidas em acordo trabalhista. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao solicitante o ônus da prova quanto a fato constitutivo de seu direito." (fl. 60) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 69/74, aduzindo que a Recorrida deixou de valorar a prova trazida aos autos, tendo em vista que (a) o termo de rescisão do contrato de trabalho bem destacou a verba chamada "Indeniz. Esp. Pessoal" como pagamento de "uma indenização voluntária de 1,5 salários mensais por ano de serviços prestados à IBM"; (b) a própria "Carta aceite" comprova que o Recorrente aceitou a rescisão de seu contrato espontaneamente; e (c) a mesma "Carta aceite" faz referência expressa à "Carta oferta" da empregadora, comprovando a existência do PDV. De tal modo a dissipar eventuais dúvidas a respeito, o Recorrente decidiu juntar cópia de oficio de 08/01/1999 da empregadora IBM, dirigido à Secretaria da Receita Federal, confirmando a implementação de programas de demissão voluntária, com oferecimento de indenização espontânea pessoal. É o relatório. I, 'r Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. De inicio, cumpre salientar que um dos princípios que regem o processo administrativo é o da verdade material, o qual prevalece sobre a verdade formal. Assim sendo, há que se afastar o apego exacerbado à forma, alegado no Parecer de fls. 45146, bem corno no ...voto exarado pela Relatora do acórdão recorrido, Dra. Valéria Guimarães Amar te, de fis. 3 63/66, o qual menciona o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 7, de 12/03/1999, que supostamente exige, para a validade da restituição, seja apresentada declaração retificadora pelo contribuinte. Em consonância justamente com o referido principio, assim coma o da legalidade, beneficiando a instrumentalidade do processo administrativo, se o contribuinte lograr comprovar (i) a adesão ao PDV da empresa IBM; (ii) a natureza indenizatória das verbas, como incentivo à demissão voluntária; e (iii) a rescisão espontânea do contrato de trabalho com qualquer meio de prova, principalmente documental, tal formalidade pode ser superada Em primeiro lugar, afasto, com a devida vênia, a alegação da Relatara do acórdão ora recorrido, no que tange à pretensa extensão do pedido do autor, o qual, a seu ver, foi estendido erroneamente para incluir "todas as verbas rescisórias" (fl. 66), quando, na verdade, o Recorrente deixou bem claro desejar ter restituído apenas o montante de CR$ 18.654.454,00, conforme discriminado no seu Tcuno de Rescisão de Contrato de Trabalho, acostado a estes autos em várias oportunidades, como à fl. 06, sendo que o montante por ele recebido, a titulo de indenização pela dispensa, atingiu CR$ 46.178.894,40. Por outro lado, o oficio enviado pela IBM Brasil — Indústria, Máquinas e Serviços Ltda., juntado aos autos às fls. 75/76, em nada beneficia o Recorrente, nem tampouco o prejudica, sendo na realidade uma prova inútil, tendo em vista que somente atesta a existência de Programa de Demissão Voluntária promovido pela empresa em relação aos anos compreendidos entre 1991 e 1999, período esse que em nada diz respeito à demissão do Recorrente, havida em 1983. A despeito disso, é plenamente comprovada a existência de PDV ofertado pela empresa em comento através da Carta enviada em 10 de dezembro de 2001 à Secretaria da Receita Federal, apresentada à fl. 07 por ocasião da solicitação do pedido de restituição, a qual fala no "Programa de Separação" oferecido a seus funcionários, dentre os quais se inclui o Sr. Ronald Pereira da Mota, ora Recorrente, programa esse "que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento." Outrossim, uma das condições para verificar o direito à restituição é a voluntariedade da rescisão do contrato de trabalho, requisito esse atendido por meio da carta de rescisão apresentada à E. 56. Além disso, foi emitida declaração também pela IBM, juntada à E. 55, que comprova a rescisão amigável do contrato. Por fim, devem ser discutidas as verbas pleiteadas. Tanto na carta emitida pela IBM, que comprova a adesão do Recorrente ao Programa de Separação, vigente à época do desligamento, bem como na declaração de rescisão amigável do contrato de trabalho, consta que o mesmo recebeu CR$ 28.699.152,00 a título de indenização por tempo de serviço, e CR$ 18.654.454,00 como gratificação especial em virtude de sua adesão ao Programa de Separação da época. Assim sendo, restou demonstrado que (a) o Recorrente participou de Programa de Demissão Voluntária, assim como que (b) as verbas recebidas não são trabalhistas decorrentes da rescisão do contrato de trabalho, e sim gratificação especial pela adesão ao referido programa. Em que pese a falta de apresentação de declaração retificadora, requisito meramente formal, atendidos todos os requisitos legais e probatórios, o recurso deve ser provido. 4 Processo n°1370/.000221/2002-01 52-CITI 'Acórdão n.° 2101-00Á05 Fl. 81 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 01 defevereir de 2010. - ,., I-1nu) Hwi,: v„ , ,Q Alexandre Nao i Nishio a • 5
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Numero do processo: 10783.921008/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 92 10 08 /2 01 1- 66 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.513 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.513 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10783.921008/201166 Acórdão n.º 3201004.817 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 529DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721419/2013-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso e essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 1401-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso e essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 19 /2 01 3- 89 Fl. 28758DF CARF MF 2 Relatório Em análise o Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 1681.277 8ª Turma da DRJ/SPO, que por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento, admitindo a dedução parcial da despesa de descontos concedido em renegociações no montante de R$ 22.352.423,30, consoante apurado pela diligência fiscal. Os autos de infração foram lavrados para exigência de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 137.036.662,95 (incluindo imposto/contribuição, multa de ofício de 75%, multa isolada e juros de mora calculados até 12/2013 fls. 2 e 522/543), da qual o contribuinte tivera ciência pessoal em 27/12/2013. A acusação fiscal está baseada na glosa de despesas referentes à: i) prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto; ii) perdas com financiamentos; iii) descontos concedidos com operações de renegociação de crédito; iv) perdas em operações de crédito. Também houve o lançamento de multas isoladas sob a acusação de insuficiência do recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, relativas ao mês de agosto de 2008. Em relação à primeira acusação referente a glosa de despesas de fraudes, a autoridade fiscal relata os seguintes fatos: A dedutibilidade das despesas de fraudes está condicionada ao cumprimento dos requisitos legais encontrados no art. 364 do RIR/99, que trata dos prejuízos causados por desfalque, apropriação indébita ou furto. À luz desta legislação foi analisada a planilha eletrônica "Fraudes BVF 2008.xlsx". O Anexo A do Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 13/12/2013 indica um total de R$ 271.110,29 de despesas de fraudes sem comprovação. A fiscalização analisou a documentação apresentada relativa às despesas com Perdas com Financiamento, contabilizadas na conta 81999650000003. A fiscalização teceu os seguintes comentários sobre o arquivo digital "Contratos_8199965.xlsx", sobre as perdas com financiamentos: (i) o montante demonstrado na amostragem realizada pelo sujeito passivo representa apenas 0,11% do valor total da despesa; (ii) a fiscalização não logrou encontrar os valores de "somaVrContabil" dentre os lançamentos do razão contábil; (iii) não foram anexados outros documentos comprobatórios, tais como cópias de contratos, fichas financeiras etc; (iv) o contribuinte alegou que a maioria dos valores contabilizados como perdas decorre de receitas contabilizadas a maior em períodos anteriores, portanto, sem nenhum efeito prejudicial à base de cálculo do IR e da CSLL. O sujeito passivo apresentou planilha de perdas no recebimento de créditos em três partes, conforme tabela abaixo: Fl. 28759DF CARF MF Processo nº 16327.721419/201389 Acórdão n.º 1401003.099 S1C4T1 Fl. 9.097 3 As perdas que não tiveram a dedutibilidade comprovada foram consolidadas pela fiscalização no Anexo B dos autos de infração. O arquivo "Ação Judicial Não Comprovada.xls" do Anexo B consolida as perdas glosadas pela falta de comprovação de procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias. Na autuação, sempre que possível, foi concedido ao sujeito passivo o benefício do instituto da postergação de pagamento (pela antecipação de despesa), conforme cálculo detalhado no item 5.2.9 do termo. O arquivo "Não Cumprimento do Prazo Legal.xls" do Anexo B consolida as perdas glosadas pelo não cumprimento do prazo legal desde a data de vencimento do crédito. A tabela abaixo apresenta um resumo com a consolidação mensal das glosas realizadas pela fiscalização: Foi realizado cruzamento de cada planilha de descontos com a base de dados das perdas em operações de crédito. Para os contratos repetidos foi glosada a despesa na apuração dos descontos concedidos, pois não há justificativa nos autos para que um contrato de crédito tenha a sua perda por inadimplência excluída na apuração do lucro real e, ao mesmo tempo, seja objeto de renegociação com a concessão de desconto como um último recurso para o recebimento do crédito. Não é aceitável que um mesmo contrato de crédito tenha uma perda deduzida de imediato a título de desconto concedido e, simultaneamente, tenha outra perda deduzida nos termos do art. 9º da Lei nº 9.430/96, pois isto poderia levar ao absurdo de se arbitrar uma parcela da perda que não precisaria respeitar os prazos da Fl. 28760DF CARF MF 4 referida lei para ser passível de dedução bastaria nomear uma parte da perda como desconto concedido para deduzila de imediato. Para cada mês, foi gerada uma planilha com a relação dos contratos que foram também deduzidos pelo sujeito passivo como perda no recebimento de créditos, cujos descontos foram glosados. Estas planilhas se encontram no Anexo "Documentos Comprobatórios Outros Descontos Concedidos em Renegociações". Dentre as planilhas que compõem os arquivos digitais apresentados, apenas as planilhas de "lançamentos" contém informações suficientes para suportar a dedutibilidade das despesas, e são estas que estão sendo consideradas pela fiscalização. Concluise que os valores considerados como indevidamente deduzidos são compostos por duas parcelas de glosas: descontos não comprovados pelo sujeito passivo e descontos relativos a contratos que foram incluídos pelo sujeito passivo simultaneamente nos arquivos de descontos deduzidos e de perdas no recebimento de créditos. Com relação aos valores glosados, o sujeito passivo foi devidamente intimado e reintimado pela fiscalização, contou com prazos dilatados, mas as informações apresentadas foram incompletas. O sujeito passivo optou por apurar a estimativa mensal do mês de agosto com base no levantamento de Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, ao passo que nos outros meses a opção foi pelo critério da Receita Bruta. Como todas as infrações demonstradas no termo se referem a glosa de despesas, o resultado é insuficiência de pagamento de estimativas de IRPJ e CSLL apenas para o mês de agosto/2008. A multa de ofício pela insuficiência de recolhimento no ajuste anual e a multa isolada pela insuficiência de recolhimento da estimativa apresentam fundamentações jurídicas e alíquotas distintas. Assim, nada impede que, além do lançamento de ofício pela insuficiência no recolhimento de tributos devidos no ajuste anual, seja aplicada também a multa isolada a que se refere o art. 44, II, b, da Lei nº 9.430/1996. Das perdas com financiamentos, temse que: j) A Impugnante excluiu das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em 2008, perdas com contratos de financiamentos, na ordem de R$ 11.060.143,38. Referidas despesas seriam relativas a alterações contratuais, ajustes de cálculos, recebimentos reconhecidos após liquidação de contrato e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários ("IOF"). k) Apesar do imenso esforço para recuperar informações contábeis antigas, juntamente com os respectivos documentos, e formular esclarecimentos devidos à D. Fiscalização, esta não as considerou e glosou integralmente as despesas a esse título. Além disso, fundamentou a glosa na ausência de documentos comprobatórios que não haviam sido solicitados, tais como cópias de contrato, fichas contratuais etc, haja vista que conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, foram solicitados à Impugnante apenas documentos contábeis. l) Ao longo do ano de 2008, foram movimentados nesta conta contábil específica (81999650000003) cerca de 36.000 (trinta e seis mil) contratos, o que perfaria um movimento médio diário de cerca de 100 (cem) contratos, sem considerar feriados e finais de semana. m) Resta inviável a coleta de todas as informações recebidas em tão exíguo prazo. Em razão disso, a Impugnante, quando da Fiscalização, apresentou Fl. 28761DF CARF MF Processo nº 16327.721419/201389 Acórdão n.º 1401003.099 S1C4T1 Fl. 9.098 5 explicações detalhadas relativas a apenas um dia, em que, excepcionalmente, foram movimentados 12 contratos, conforme tabela reproduzida do Termo de Verificação Fiscal. n) Cumpre, ainda, referir que a Impugnante possui a documentação comprobatória das despesas deduzidas, que só não foi apresentada à Fiscalização por dois motivos: primeiro, porque a Impugnante nunca foi intimada para tanto; e, segundo, em razão da enorme quantidade de documentos, que certamente ocupariam mais de um cômodo da repartição responsável pela fiscalização da Impugnante. o) De qualquer modo, parte da referida amostragem é, novamente, aqui juntada (doc. 03), para que não restem dúvidas quanto ao procedimento adotado pela Impugnante para as deduções em tela. Assim, nos referidos documentos anexos é possível encontrar (i) cópias dos contratos de financiamento, (ii) telas de sistema que indicam reimplantes ou liquidação dos contratos, bem como (iii) os respectivos lançamentos contábeis. p) O termo "reimplante de contrato" diz respeito a contratos que sofreram correção ou alteração de fluxo financeiro, para correção de algum indicador (a exemplo de taxa de juros). Assim, ao serem reinseridos no sistema operacional, recalculamse os valores envolvidos no contrato, podendo ocorrer ajustes positivos ou negativos. Os positivos são reconhecidos nas respectivas contas de receitas vinculadas à operação e os negativos contabilizados na rubrica contábil de Perdas, eliminando o efeito da receita contabilizada a maior quando do "implante" original da operação. q) Quando havia o reimplante de contratos, o IOF era recalculado automaticamente e recolhido. No entanto, referido valor não contabilizada. No exemplo acima, o era cobrado , ou melhor, repassado ao cliente, motivo pelo qual a perda era valor da perda a título de IOF corresponde à diferença entre o IOF aferido na data do reimplante ((R$ 300,82) e o IOF apurado na data do financiamento (R$110,19), o que perfaz o valor de R$ 190,63. r) A despeito da demonstração acima realizada, mostrase importante, ainda, exemplificar outros eventos de perdas em financiamentos, conforme explicações relativas aos contratos objeto da amostragem (doe. 03 acima referido): Exemplo 1: Contrato n° 10142000000038 Registro em perdas com financiamento: R$ 0,02. Motivo: Cancelamento e Reimplante de operação No momento do cancelamento, o valor presente calculado pelo sistema (contrato) estava divergente da posição diária (parcela), promovendose o ajuste em perdas. Casos como esse ocorrem quando, por algum motivo, o contrato era cancelado, sendo reimplantado subsequentemente. Nessas situações, quando do reimplante, o valor presente é calculado automaticamente, sendo que diferenças a menor são contabilizadas como perdas. Exemplo 2: Contrato n.° 11019000406401 Registro em perdas com financiamento: R$ 928,36. Motivo: Ajuste comparativo entre o valor da liquidação e o saldo de valor presente do contrato No momento da liquidação do contrato (01/12/2008), o sistema não identificou o recebimento e registrou o valor presente como perda. Posteriormente (05/12/2008), o sistema reconheceu o recebimento e registrou o saldo como Receita. Casos como esse ocorrem quando há falhas sistêmicas em que não há o reconhecimento do pagamento recebido. Assim, quando sanada referida falha, o valor da parcela recebida é registrado como receita, não havendo qualquer impacto sob o ponto de vista fiscal. Fl. 28762DF CARF MF 6 Exemplo 3: Contrato n.° 11019000864604 Reimplante de contrato em função de alteração de fluxo financeiro: R$ 2.383,00 (R$ 2.192,37 + R$ 190,63 (IOF)). No reimplante da operação, apurouse redução do valor presente, cuja diferença foi registrada em perdas. O reimplante também gera novo valor de IOF, que não é cobrado novamente do cliente e também é, consequentemente, registrado como perda. s) Temse, portanto, que a referida amostragem, ao contrário do que restou alegado no Termo de Verificação Fiscal, é hábil para comprovar a efetividade das despesas lançadas na conta contábil n° 81999650000003. Com efeito, apesar de se mostrar pequena dentro do universo de contratos, não há dúvidas de que amostragem colacionada é representativa o procedimento adotado pela Impugnante. Exigir qualquer outro percentual de amostragem equivaleria a um imenso volume de contratos que seria inviável não só à Impugnante de carrear dentro do prazo estabelecido, mas também à própria Fiscalização de analisálos em tempo hábil. t) Nesse sentido, não é demais ressaltar que se está diante de um universo de quase um milhão de contratos relativamente à glosa de despesas usuais, normais e necessárias à atividade da Impugnante, englobando perdas com financiamentos e descontos concedidos. Assim, mesmo que fosse possível apresentar todos os contratos durante a ação fiscal, a D. Fiscalização necessitaria de, no mínimo 2,7 anos para analisálos se, por óbvio, tivesse recursos técnicos e humanos para avaliar 1.000 (mil) contratos por dia! bando perdas com financiamento e descontos concedidos. u) Ao desconsiderar a prova por amostragem feita pela Impugnante, a Fiscalização acaba por lançar com base em presunção, a despeito da inexistência de previsão legal para tanto na legislação tributária. v) Outra alegação para a não consideração da aludida amostragem e para a glosa integral das despesas a esse título consistiu na impossibilidade de localizar referidos lançamentos no respectivo razão contábil da Impugnante. w) No Livro Razão pertinente, os lançamentos se encontram agrupados por dia, e. por isso, necessitase de uma análise mais aprofundada. De fato, totalizando tais relatórios por dia, é possível elaborar tal confronto. x) A afirmação da D. Fiscalização de que os valores das informações analíticas não coincidem com o razão contábil, com a devida vênia, não subsiste, haja vista que, conforme demonstrado acima, as informações analíticas apresentadas pela Impugnante coincidem com os lançamentos contidos no seu livro razão. y) Diante disso, não é razoável a desqualificação da amostragem oferecida no curso da ação fiscal, uma vez que é representativa do procedimento adotado pela Impugnante para casos semelhantes e por representar despesas típicas da atividade exercida. z) Uma vez que, em nenhum momento, restou questionada a classificação das despesas relativas a "perdas com financiamentos" como usuais, normais e necessárias às atividades da Impugnante, nos termos do artigo 299 do RIR/99, e diante da comprovação e validação do procedimento para a alocação de referidas despesas, temse que as glosas efetuadas pela D. Fiscalização não poderá prevalecer, devendo ser canceladas por esta colenda Turma de Julgamento. Dos Descontos Concedidos em Operações de Renegociações aa) Após o cotejo entre o valor constante no balancete da Impugnante com os valores contidos nas informações analíticas possíveis de serem levantadas até o momento, a Fiscalização houve por bem considerar indedutível a diferença Fl. 28763DF CARF MF Processo nº 16327.721419/201389 Acórdão n.º 1401003.099 S1C4T1 Fl. 9.099 7 encontrada, sob aalegação de que não haviam sido apresentadas informações analíticas para a referida diferença. bb) Ao longo da ação fiscal, não foram requisitados quaisquer documentos físicos que comprovassem a efetividade das despesas, tais como contratos, fichas cadastrais, informações de sistemas de processamento de dados. Referida situação, provavelmente, se deve à imensa quantidade de documentos que precisariam ser carreados. De fato, como já referido, estáse diante de uma base de quase um milhão de contratos, que envolve despesas dedutíveis relativas a descontos em renegociações e perdas em financiamentos. cc) O critério utilizado pela Fiscalização para aceitar as despesas com renegociações foi a quantidade de informações analíticas possíveis de serem levantadas pela Impugnante nos prazos concedidos. Isto é, o que foi apresentado foi aceito pela Fiscalização como despesa dedutível. Por outro lado, o que não foi possível de ser levantado à época, foi glosado pela Fiscalização e deu origem aos autos de infração ora impugnados. dd) Após o encerramento do procedimento de fiscalização e a lavratura dos autos de infração momento em que se evidenciou que a Fiscalização buscava as informações analíticas relativas às despesas com renegociações de contratos, a Impugnante continuou os trabalhos de recuperação e composição das informações analíticas solicitadas pela D. Fiscalização, sendo que, até o momento, a diferença apontada de R$ 99.036.134,90 seria reduzida a R$ 16.664.941,20. ee) A Impugnante obteve êxito em amealhar extraordinária quantidade de informações analíticas mais de 71.000 páginas de informações analíticas, o que equivaleria a adição de cerca de 355 volumes ao presente processo administrativo, isto, é claro, considerando que cada volume teria por volta de 200 folhas. ff) Considerando, todavia, que a quantidade de informações analíticas é tamanha a ponto de sua apresentação aos autos se tornar fisicamente inviável, a Impugnante ora anexa aos autos uma amostragem relativa a um mês (doc. 09), o que já perfaz o impressionante volume de cerca de 3.400 páginas de documentos, ou a criação de 17 (trinta) volumes extras ao presente processo administrativo. Ressalta se que os analíticos ora juntados representam menos de 5% do total de relatórios gerados até o momento. gg) Paralelamente, em razão da impossibilidade física de anexar toda a documentação apurada até o momento, a Impugnante junta as informações analíticas até agora levantadas em planilhas eletrônicas, devidamente validadas pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais ("SVA"). hh) A diferença acima apontada está sendo objeto de novos esforços para comprovação do referido valor, sendo que a Impugnante, desde já, requer, com fundamento no princípio da verdade material, a juntada posterior da documentação, a fim de demonstrar a efetividade das despesas deduzidas a título de descontos concedidos em renegociações de contratos, de modo a cancelar referidas glosas. ii) Diante da comprovação analítica ora efetuada, nos exatos termos do que requereu a D. Fiscalização ao longo do procedimento fiscal, concluise que os autos de infração ora impugnados não poderão prosperar, devendo ser julgados improcedentes por essa C. Turma Julgadora, cancelandose, por completo os lançamentos fiscais decorrentes da glosa de despesas com renegociação de contratos. Duplicidade de Deduções Fl. 28764DF CARF MF 8 jj) As glosas de repetição foram especificadas no Anexo C do auto de infração de IRPJ. O mencionado Anexo C não traz os números dos contratos que teriam sido objeto de dedução em duplicidade, o que dificulta a apresentação da defesa. kk) Mesmo sem saber quais contratos foram considerados pela D. Fiscalização para o cálculo das "glosas de repetição", devese referir que é, sim, possível que eventos em um mesmo contrato ensejem lançamentos relativos a descontos concedidos e perdas em operações de crédito, não havendo, portanto, duplicidade de deduções. Isso, inclusive, restou devidamente explicado na resposta ao Termo de Intimação de 04.09.2013. ll) Apenas para ilustrar, demonstrarseão os eventos relativos ao contrato de n° 12035000108190. A parcela desse contrato de n° 7 restou renegociada, em julho de 2007, com redução de 30% da multa e dos juros, o que gerou um desconto de R$ 23,38 e 7,62, respectivamente (planilha detalhada consta do doe. 8), que foi contabilizado como perda. mm) Ocorre que, o cliente não adimpliu as parcelas seguintes. Diante disso, em outubro, iniciouse a cobrança contenciosa, quando, por acordo entre as partes, o cliente entregou o veículo e o contrato foi baixado como perda e lançado como "perda em operação de crédito". nn) O valor desta perda de R$ 760,68 decorre da diferença entre o valor presente do contrato no momento do acordo (R$ 5.560,68) e o valor do veículo recebido (R$ 4.800,00), o que perfaz o valor acima deduzido, conforme demonstram as planilhas constantes dos documentos anexos (doc. 8 acima referido). oo) Desse modo, resta comprovado que o mesmo contrato pode gerar eventos diferentes, não coincidentes em datas e valores. Não havendo que se falar, em hipótese alguma, de dedução de valores em duplicidade. pp) Em razão de não haver duplicidade de deduções, temse que os autos de infração ora impugnados deverão ser julgados improcedentes por essa DRJ, cancelandose as "glosas das repetições", conforme consta no Anexo C do auto de infração. Perdas em Operações de Crédito qq) A Fiscalização também auditou as exclusões referentes a perdas em operações de crédito, representadas na linha 09B/05 da DIPJ. Basicamente, verificouse o atendimento dos requisitos constantes no artigo 9º da Lein° 9.430/96. rr) Apesar de ter reconhecido expressamente a ocorrência da postergação, a D. Fiscalização não observou o comando legal. Isto é, ao invés de ter descontado o tributo pago do valor do tributo calculado de acordo com os autos de infração e lançado, paralelamente, a cobrança da multa e dos juros decorrentes da postergação, A a D. Fiscalização houve por bem trazer os tributos pagos a valores de 2008, descontandose, indevidamente, a multa e os juros. ss) Ao analisar o artigo 273 do RIR/99, depreendese que o dispositivo autoriza a cobrança do tributo líquido do tributo pago em outra competência. Além disso, referido dispositivo permite apenas o lançamento de multa e de juros relativos ao período da postergação, o que, a princípio, deveria ser realizado por meio de auto de infração, não prevendo, em nenhum momento, trazer o montante postergado a "valor presente" com o desconto da multa e juros, como equivocadamente procedeu à Fiscalização. tt) A D. Fiscalização deve considerar o imposto pago pela Impugnante no outro período de apuração em que se constatou o equívoco cometido e compensálo Fl. 28765DF CARF MF Processo nº 16327.721419/201389 Acórdão n.º 1401003.099 S1C4T1 Fl. 9.100 9 com o imposto ora exigido (sem qualquer redução) e, paralelamente, lançar eventuais multas e jurosincidentes. Esse é o procedimento contido no Parecer Normativo COSIT n° 2/96, de aplicação obrigatória pelas autoridades fiscais federais. uu) Em que pese o fato de a Impugnante ter efetuado o recolhimento do montante de R$ 17.205.566,77, a título de IRPJ, e de R$ 10.117.830,88, a título de CSLL nos anoscalendário subsequentes, a D. Fiscalização, em consequência ao procedimento adotado de trazer o tributo pago ao valor presente, apenas considerou as quantias de R$ 11.442.217,32 e R$ 6.735.285,96, a título de IRPJ e CSLL, respectivamente, no momento de efetuar a apuração do valor supostamente devido em 2008, deixando de considerar os montantes de R$ 5.763.349,45 e R$ 3.382.544,92, respectivamente. vv) O método utilizado pela D. Fiscalização para aferir os reflexos da postergação do pagamento dos tributos, além de não ter fundamento legal, é mais oneroso à Impugnante. ww) Sobre o assunto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF") manifestouse no sentido de que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento fiscal nos casos em que a D. Fiscalização deixa de observar os procedimentos legais pertinentes à postergação de pagamento do imposto. xx) Tendo em vista os julgados proferidos pela CSRF/CARF de forma reiterada e considerandose que a D. Fiscalização, ao inovar a legislação aplicável trazendo a "valor presente" os tributos pagos no anocalendário posterior, descontandose a multa e os juros incidentes, não observou os procedimentos corretos para lavratura de autos de infração. Portanto, forçoso concluir pela nulidade do lançamento em tela, em razão do evidente erro no critério jurídico utilizado para sua lavratura. Impossibilidade da Exigência da Multa de Mora yy) Ao adimplemento tardio da obrigação, decorrente da postergação do pagamento do tributo, aplicase o instituto da denúncia espontânea, conforme estabelece o artigo 138 do Código Tributário Nacional ("CTN"). zz) Como houve o recolhimento do tributoem período de apuração posterior, seria cabível apenas a cobrança dos jurosmoratórios, conforme entendimento esposado em diversas oportunidades pela CSRF. aaa) Tendo a Impugnante efetuado, em última análise, a confissão espontânea da sua dívida, mediante o recolhimento do tributo devido em momento anterior à existência de qualquer processo administrativo relacionado à infração por ela cometida, exatamente nos termos do parágrafo único do artigo 138 do CTN, temse que a sua responsabilidade pela ausência de recolhimento dos tributos em questão está excluída, não havendo que se falar, em hipótese alguma, em recolhimento de multa moratória. bbb) Ainda que, mesmo que não se aplicasse o instituto da denúncia espontânea ao presente caso, também não seria devida a multa de mora, em razão da inexistência de previsão legal para sua cobrança. ccc) Deveras, de acordo com a redação do artigo 273, § 2º, do RIR/99, pode se entender que na postergação de imposto serão devidos juros e multa moratórios. Contudo, a cobrança da multa de mora não encontra respaldo em dispositivo legal, Fl. 28766DF CARF MF 10 pois na redação do § 7° do art. 6° do Decretolei n° 1.598/77, a que o próprio artigo 273 do RIR/99 faz referências como seu fundamento legal, existe apenas a previsão para a cobrança da correção monetária e os juros de mora. ddd) Resta demonstrado que a cobrança de multa moratória em casos de postergação no pagamento de tributos é destituída de fundamento legal. Das Glosas de Despesas relativas a Prejuízos por Desfalque, Apropriação Indébita e Furto eee) Para que as despesas com desfalque, apropriação indébita e furto sejam dedutíveis, é necessário o cumprimento de três requisitos, quais sejam, (i) haver o prejuízo, (ii) que ele tenha sido caudado por empregados ou terceiros e (iii) exista inquérito trabalhista ou queixa criminal. fff) A D. Fiscalização admitiu a entrega dos referidos documentos em grande parte das operações glosadas. No entanto, em seu entender, eles não teriam supostamente conseguido demonstrar que a Impugnante teria sofrido efetivo prejuízo. Esta é, precisamente, a justificativa para a maioria das glosas. ggg) No entendimento da Fiscalização, o simples fato de o cartão de outra instituição financeira ter sido bloqueado indicaria que a Impugnante teria recuperado o valor transferido. hhh) De fato, como se pode constatar, a Impugnante efetivamente dispôs de certo numerário e o depositou em outra instituição financeira. Este fato, por si só, demonstra o prejuízo sofrido pela Impugnante. O fato de os cartões das contas terem sido bloqueados não quer dizer que a Impugnante recuperou o dinheiro que foi indevidamente transferido. Com efeito, não é possível supor que, pelo simples fato de a conta ter sido bloqueada, o valor depositado tenha retornado à esfera jurídica da Impugnante. iii) A Impugnante provou o seu direito à dedutibilidade dos prejuízos causados por fraude, com os documentos exigidos pela legislação tributária (artigo 364 do RIR/99). jjj) Para que a D. Fiscalização pudesse, com sucesso, infirmar as provas apresentadas, deveria ter realizado a contraprova, ou seja, demonstrado que o dinheiro retornou à Impugnante, o que não ocorreu. kkk) O que está ocorrendo é a exigência de produção da denominada prova negativa por parte da Impugnante, no sentido de que ela demonstre que não recebeu referidos valores novamente. Isso demandaria que a Impugnante demonstrasse, de forma pormenorizada, todas as receitas auferidas desde 2008, o que além de não ser possível, mostrase totalmente desproporcional e desarrazoado. lll) A D. Fiscalização deveria ter provado a alegada ausência dos prejuízos com fraude sofridos pela Impugnante, não lhe sendo lícito exigir prova negativa. De fato, a Impugnante cumpriu todos os requisitos para a dedutibilidade dos referidos dispêndios, não sendo possível provar que não fora ressarcida, algum dia, dos prejuízos sofridos e, ainda, que tivesse sido ressarcida, o valor recuperado seria, evidentemente, reconhecido como receita pela Impugnante, com a devida tributação. Apreciados os argumentos da impugnação relativos a exclusão das glosas, ilegalidade da multa isolada e ilegalidade incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o lançamento foi mantido em parte, admitindo a dedução parcial da despesa de descontos Fl. 28767DF CARF MF Processo nº 16327.721419/201389 Acórdão n.º 1401003.099 S1C4T1 Fl. 9.101 11 concedidos em renegociações no montante de R$ 22.352.423,30, consoante apurado na diligência fiscal, mantendose as demais glosas. Inconformada, a Recorrente apresentou voluntário alegando: (i) os vícios de cerceamento do direito de defesa da Recorrente, decorrentes da falta de análise de documentos e argumentos, implicam na nulidade da decisão, nos termos do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 (item II); (ii) a Autoridade Lançadora adotou um critério equivocado para constituição de créditos tributários no caso de postergação do reconhecimento de despesas, o que acarreta a improcedência do lançamento (item III.1); (iii) há prova suficiente nos autos para legitimar as despesas reconhecidas com financiamento (item III.2); descontos concedidos em operações de renegociação (item III.3); e prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto (item III.4); (iv) em caráter subsidiário, não deve prevalecer a aplicação das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas (item IV.1); e (v) em caráter subsidiário, a conversão do julgamento em diligência (item V). É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto passo a analisálo. Preliminares de nulidade por cerceamento de defesa e ausência de fundamentação do acórdão recorrido. Dos descontos concedidos em operações de Renegociação. A Recorrente certifica que excluiu das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, em 2008, perdas a título de “Descontos Concedidos em Renegociações de Contratos”. No entanto, a Fiscalização glosou, indevidamente, o montante de R$ 99.036.134,90. Isto porque, segundo o Termo de Verificação Fiscal, a glosa decorreu: (i) da falta de comprovação dos descontos concedidos; e (ii) da suposta duplicidade de dedução, uma vez que certos contratos haviam sido também considerados nas deduções a título de perdas no recebimento de créditos, tendo ela impugnado os autos de infração, demonstrando a regularidade dos descontos concedidos e a ausência de duplicidade de despesas deduzidas. Fl. 28768DF CARF MF 12 Para a manutenção da glosa, a DRJ baseou seu entendimento nos seguintes elementos de prova: Com relação às despesas de descontos concedidos em renegociações (conta 81952301000001) no valor de R$ 230.499.557,00 escrituradas no anocalendário de 2008, a fiscalização havia intimado o contribuinte em 14/06/2012 a apresentar planilha analítica demonstrando a composição dos valores deduzidos. Inicialmente foi apresentada apenas uma planilha contendo informações por amostragem. Após reintimação, em 04/09/2013, o contribuinte apresentou as planilhas com as informações analíticas examinadas pela fiscalização. Foi glosada a parcela da despesa que não constou nas planilhas analíticas, ou seja, a diferença entre o valor escriturado pelo contribuinte e o total apurado a partir dos lançamentos individualizados contidos nas planilhas, consoante detalhado no TVF. A apuração consistiu em somar todos os lançamentos a débito na conta 81952301000001 e descontar o total lançado a crédito nessa mesma conta (estornos), em cada mês. Foram ainda excluídos os lançamentos relativos a contratos que apareciam concomitantemente nas planilhas relativas a perdas em operações de crédito, pois o autuante entendeu que estaria caracterizada uma duplicidade indevida de dedução. O valor da glosa fiscal foi de R$ 99.036.134,90. Como o impugnante apresentou novas planilhas que, segundo alega, comprovariam grande parte das despesas glosadas, o processo foi baixado em diligência para que a fiscalização as analisasse e se manifestasse. Também foi solicitado verificar se seria possível haver deduções regulares de descontos concedidos e de perdas em operações de créditos gerados por um mesmo contrato, conforme alegou o impugnante. A autoridade fiscal analisou as planilhas apresentadas e apurou, utilizando a mesma forma de cálculo adotada na autuação, valores inferiores aos apresentados pelo impugnante. Dos R$ 82.371.193,70 alegados na peça recursal (fls. 588), apenas foram confirmados na diligência lançamentos de despesas no montante de R$ 22.352.423,30 (fls. 5950). Com relação aos descontos concedidos e perdas em operações de créditos concomitantes para um mesmo contrato, a autoridade fiscal constatou que tal ocorrência é possível em tese, mas, em razão de não dispor de contabilidade completa, não houve como verificar individualizadamente os lançamentos efetuados pelo contribuinte. Aprofundando na análise dos elementos apresentados pelo contribuinte, a autoridade fiscal solicitou ainda documentos e esclarecimentos pormenorizados sobre uma amostra de 514 contratos. No seu Relatório Fiscal (fls. 5937/5970), aponta algumas falhas específicas nos lançamentos referentes a 7 contratos e outras inconsistências identificadas nos documentos apresentados. Informa que muitos dos documentos fornecidos relativos à amostra (“telas” de sistemas, relações de parcelas, etc.) careciam de maior confiabilidade, e que em 41,63% dos casos não houve a apresentação dos contratos. Conclui que não foi possível atestar os valores escriturados pelo contribuinte, eis que a informação consta de forma sintética no SPED. Contudo, deixara de analisar um laudo apresentado pela contribuinte onde aponta equívocos na análise dos 7 contratos escolhidos pela autoridade fiscal na conclusão de seu trabalho. Justamente em razão dessa negativa da unidade de origem em receber o laudo acompanhado de elementos probatórios de maneira arbitraria e sem qualquer justificativa Fl. 28769DF CARF MF Processo nº 16327.721419/201389 Acórdão n.º 1401003.099 S1C4T1 Fl. 9.102 13 razoável, a Recorrente sustenta seu pedido de nulidade do procedimento de diligência e, por conseguinte, do acórdão DRJ que se lastreou no resultado da diligência para manter em parte o lançamento. Aduz a Recorrente que em sua análise, a Autoridade Fiscal desconsiderou documentos apresentados com base nos seguintes argumentos: “1) Por erro de informação no anexo às intimações (houve falta do número de alguns contratos), foram excluídas desta análise alguns contratos de maio e toda a amostra de novembro). 2) A empresa carreou à fiscalização um número muito maior de informações sobre contratos do que o inicialmente solicitado. Foram analisados apenas os arquivos referentes às amostras solicitadas, os demais contratos apresentados foram descartados” (fls. 5.9525.953). Documentos foram rejeitados sob o argumento de que como não haviam sido solicitados pela autoridade diligenciante esta não estaria condicionada a sua análise, contrapondo esse argumento a Recorrente sustentou que quanto ao Laudo, as informações nele contidas demonstram de maneira cabal a correição da contabilização da Recorrente, o qual deveria ter sido analisado pela Autoridade Fiscal. Referido Laudo e sua maciça documentação suporte foram apresentados pela Recorrente em 16/01/2017 (Doc. 02), mas sequer foram juntados aos autos do processo administrativo, tendo sido “descartados” (nas palavras da própria Autoridade Fiscal). O Laudo teve de ser apresentado novamente pela Recorrente em sua Manifestação ao Termo de Encerramento de Diligência (fls. 60196039), ocasião em que foi juntado – não tendo a Autoridade Fiscal anexado a maciça quantidade de documentos apresentados em 16/01/2017. Porém, a DRJ persistiu na recusa de análise do laudo. Além de não analisar o Laudo apresentado, elaborado pela EY, a DRJ também não apreciou os seguintes argumentos da Recorrente: (i) contidos em sua Manifestação ao Relatório de Encerramento de Diligência relativos aos equívocos metodológicos cometidos pela Autoridade Fiscal (item III da Manifestação); e (ii) os documentos e argumentos apresentados no item II.1.a da Impugnação (Despesas com Financiamento) não foram analisados. Com relação a esse último, consta a expressa negativa da DRJ em analisálos. O cerceamento do direito de defesa da Recorrente é nítido, pois provas e argumentos por ela trazidas aos autos deste processo não foram analisados, devendo o acórdão recorrido ser declarado nulo, até porque o fundamento da manutenção do lançamento é justamente a falta de provas por parte da contribuinte suficientes a elidir a glosa. Além da recusa na análise dos documentos trazidos pela parte por ocasição da diligencia fiscal, verificase que pela decisão de piso, a maioria da Turma manteve integralmente o lançamento, sem justificar o porquê de sua decisão, tendo um dos julgadores aceitado a redução do lançamento, sem, contudo, apresentar declaração de voto. Assim, diante de ausência de justificativa da não consideração das conclusões da Autoridade Fiscal pela DRJ, temse a violação da regra de fundamentação prevista no artigo 31 do Decreto nº 70.235/1972, bem como o cerceamento do direito de defesa da Recorrente, que implica sua nulidade em virtude do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 28770DF CARF MF 14 Portanto, reconheço a nulidade do acórdão recorrido, tendo em vista a ausência de fundamentação e o cerceamento do direito de defesa resultantes da não consideração das conclusões contidas no Relatório de Encerramento de Diligência, segundo o qual: Desta forma, necessário se faz anular a decisão da DRJ por ausência de fundamentação, uma vez que seguindo os critérios eleitos pela fiscalização no cálculo por amostragem seria de rigor a dedução das despesas no montante de R$ 22.352.423,30, descrito pela diligência fiscal (fls. 5950). Até porque, conforme resultado da diligência, foi glosada a parcela da despesa que não constou nas planilhas analíticas, ou seja, a diferença entre o valor escriturado pelo contribuinte e o total apurado a partir dos lançamentos individualizados contidos nas planilhas, consoante detalhado no TVF. A apuração consistiu em somar todos os lançamentos a débito na conta 81952301000001 e descontar o total lançado a crédito nessa mesma conta (estornos), em cada mês. Foram ainda excluídos os lançamentos relativos a contratos que apareciam concomitantemente nas planilhas relativas a perdas em operações de crédito, pois o autuante entendeu que estaria caracterizada uma duplicidade indevida de dedução. O valor da glosa fiscal foi de R$ 99.036.134,90. Como a Recorrente apresentou novas planilhas que, segundo alega, comprovariam grande parte das despesas glosadas, o processo foi baixado em diligência para que a fiscalização as analisasse e se manifestasse. Também foi solicitado verificar se seria possível haver deduções regulares de descontos concedidos e de perdas em operações de créditos gerados por um mesmo contrato, conforme por ela alegado. A autoridade fiscal analisou as planilhas apresentadas e apurou, utilizando a mesma forma de cálculo adotada na autuação, valores inferiores aos apresentados pelo impugnante. Dos R$ 82.371.193,70 alegados na peça recursal (fls. 588), apenas foram confirmados na diligência lançamentos de despesas no montante de R$ 22.352.423,30 (fls. 5950). Como bem considerado pelo Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano durante o julgamento se a DRJ não aceitava a dedutibilidade das despesas então consideradas na diligência, cuja apuração seguiu o padrão da autoridade autuante conforme destacou a autoridade diligenciadora, então os julgadores "a quo" assumiram que não concordavam com o Fl. 28771DF CARF MF Processo nº 16327.721419/201389 Acórdão n.º 1401003.099 S1C4T1 Fl. 9.103 15 procedimento de investigação fiscal, o que revelaria uma inovação no critério de apuração, que decorreria no cancelamento do lançamento e não na sua manutenção como foi feito. Ainda, no critério da autoridade autuante, em nenhum momento foram feitas análises e conclusões por amostragem, como foi feito na realização das diligências, isto porque dos R$ 230.499.557,00, contabilizados em Descontos Concedidos (despesas), a autoridade autuante aceitou R$ 131.463.422,10 (tabela 12), cerca de 57%, e, seguindo este padrão de apuração/averiguação, a autoridade diligenciadora informou que aceitaria como dedutível a importância de R$ 22.352.423,30, o que subiria para 67% o percentual de dedutibilidade confirmada pelo Fisco. Neste sentido, fosse o caso de negar o critério adotado pela autoridade autuante, utilizado pela autoridade diligenciadora para chegarse ao montante de R$ 22.352.423,30, a consequência a princípio, pelo entendimento exposto pela DRJ seria pela anulação do lançamento por discordância do critério ou metodologia utilizada na autuação e não a sua manutenção. Razão pela qual pela falta de fundamentação do porquê não foi aceito o resultado da diligência que ampliava a exoneração do crédito lançado, bem como pela não análise da prova juntada em sede de manifestação durante o procedimento de diligência, uma vez que a acusação é justamente a falta de prova dos valores deduzidos, sem os esclarecimentos necessários sobre motivos de assim agir, justamente para garantir a contribuinte o exercício pleno da ampla defesa face os motivos da recusa na análise do laudo, necessário o retorno dos autos à unidade julgadora, para que promova novo julgamento com o adequado enfrentamento acerca destes dois pontos. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Isso porque, deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso. Sendo assim, os autos deverão retornar àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. Fl. 28772DF CARF MF 16 Ademais, o retorno dos autos à DRJ também se apresenta essencial para fins de evitar supressão de instância. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 28773DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.900395/2016-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO.
Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3302-006.685
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
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Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 95 /2 01 6- 41 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10860.900395/201641 Acórdão n.º 3302006.685 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PerDcomp transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, no despacho decisório, a Receita Federal efetuou a compensação usando apenas o valor original do direito creditório, sem considerar os juros equivalentes à taxa SELIC que incidem sobre ele. Assim sendo, pede que a manifestação de inconformidade seja provida, para o fim de reconhecer o direito à atualização dos valores compensados e de homologar integralmente a compensação realizada.. A DRJ Belo Horizonte julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02074.083. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega, em breve síntese, que o valor informado se refere ao valor original atualizado pela Selic; que não separou os valores de original, juros e multa; que o valor do direito creditório contempla a compensação pretendida, devendo ela ser homologada na plenitude. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.675, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10860.900385/201614, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.675): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10860.900395/201641 Acórdão n.º 3302006.685 S3C3T2 Fl. 4 3 A lide posta nos autos diz respeito a questão fática. Não se discute interpretação da legislação tributária. O recorrente não se insurge contra a atualização do débito compensado a destempo, tampouco com a forma de atualização utilizada pela Autoridade Tributária para corrigir o direito creditório. Acontece que o sujeito passivo se equivocou quanto ao valor a ser compensado pelo seu indébito tributário, explico: Podemos extrair da análise da Per/Dcomp nº 03339.46253.170815.1.3.047194, os seguintes dados: a) O sujeito passivo possuía um crédito no valor de R$ 4.372,41, referente a recolhimento indevido da Cofins, realizado em 25/05/2011. Ao seu crédito foi adicionada a taxa Selic acumulada, no percentual de 41,07%. O resultado foi um crédito final de R$ 6.168,16; b) O sujeito passivo possuía um débito tributário no valor de R$ 6.168,16, referente ao mês de setembro de 2013, a título de Cofins. Buscou compensar esse débito com o indébito descrito no item anterior. Ocorre que o recorrente esqueceu dos juros e da multa que incidem sobre o valor do principal nos casos em que a compensação é efetuada após o vencimento do tributo. Sobre essa sistemática, reproduzo o voto da instância a quo que a tratou de forma didática e objetiva, verbis: Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. De acordo com o art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 da mesma IN e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Rege a incidência de acréscimos legais sobre débitos o art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo esse artigo, sobre os débitos não pagos no prazo, incidem multa de mora e juros de mora. O percentual dos juros de mora equivale à taxa SELIC, nos meses de atraso anteriores ao do pagamento, e a 1%, no mês do pagamento. A extinção do débito compensado considerase ocorrida na data da transmissão da DCOMP. Por fim, de acordo com o § 1º do art. 43 da IN SRF n.º 1300, de 2012, a compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrado pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Aplicando a sistemática acima explicitada, temos que: O valor do crédito foi de R$ 4.372,41 + 1.795,75 (tx Selic) = R$ 6.168,16. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10860.900395/201641 Acórdão n.º 3302006.685 S3C3T2 Fl. 5 4 O valor do débito tributário foi também de R$ 6.168,16. Não obstante, esse valor não pode se referir na sua totalidade ao principal e sim ao principal, multa e juros moratórios. Nesta linha, o correto valor do principal que foi compensado foi de R$ 4.408,97, pois o restante foi direcionado para a quitação da multa no valor de R$ 881,79, e dos juros no valor de R$ 877,38. Diante desse quadro, devese dizer que o sujeito passivo continuou com um débito da Cofins, referente ao mês de setembro de 2013, no valor de R$ 1.759,19. Resultado da diferença entre seu crédito de R$ 6.168,16 e o débito de R$ 4.408,97. Pelos motivos expostos, não há como reformar a decisão a quo no sentido de homologar a compensação em sua plenitude, pois o indébito tributário que a lastreava era em valor inferior ao valor do débito declarado na Dcomp. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902399/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.788
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
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Recorrente BRAZIL TRADING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada). Relatório Tratase de pedido de compensação relacionado a crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS Não cumulativo. Após a transmissão de despacho decisório não homologando a compensação pleiteada, sob a justificava do crédito pleiteado ter sido utilizado para quitar débito de PIS Não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 02 39 9/ 20 13 -8 1 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10783.902399/201381 Resolução nº 3402001.788 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo do período, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade informando que os débitos de PIS originariamente informados em DCTF foram revisados e reduzidos, ensejando em pagamento indevido ou a maior no período. Como comprovante, apresentou, dentre outros documentos, cópia da DCTF e DACON retificadores. Esta defesa foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento, nos termos do Acórdão nº 06054.102 que concluiu que a retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original.: Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade do despacho decisório, face a ausência de motivação expressa para a não homologação da compensação pleiteada; (ii) no mérito, a necessidade de reconhecimento do crédito, devidamente respaldado pela retificação dos documentos fiscais (DCTF e DACON). Sustenta a possibilidade de retificação da DCTF para refletir os dados do DACON mesmo após a transmissão do PER/DCOMP (Parecer Normativo COSIT n.º 2/2015), indicando a possibilidade da conversão do processo em diligência para confirmar a validade das informações. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.773, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.902380/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.773): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Entendo, contudo, pela necessidade de conversão do processo em diligência para verificar a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10783.902399/201381 Resolução nº 3402001.788 S3C4T2 Fl. 4 3 analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10783.902399/201381 Resolução nº 3402001.788 S3C4T2 Fl. 5 4 modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elabore relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000277/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2402-007.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente RUBENS MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe se o não reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 02 77 /2 01 0- 11 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13766.000277/201011 Acórdão n.º 2402007.133 S2C4T2 Fl. 84 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 6ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0346.601 (fls. 48), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2009, por AFRFB da DRF/Vitória. O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos tabela progressiva, no valor de RS 108.613,95, pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Detalhamento: O contribuinte não apresentou Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave. A base legal do lançamento encontrase nos autos. O contribuinte teve ciência do lançamento em 16/03/2010, conforme documento de fl. 41, e, em 23/03/2010, apresentou impugnação, em petição de fl. 02/03, acompanhada dos documentos de fls. 04 a 11 e 36 a 39, por meio da qual alega o seguinte: que entrou com pedido de benefício, para fins de isenção de imposto de renda por moléstia grave, conforme estabelecido na Lei 7.713, art. 6°, inciso XIV e instrução normativa n° 07/1989 da Secretaria da Receia Federal do Brasil, o que foi deferido em setembro de 2007, conforme faz prova com laudo do INSS, cópia anexa; que, apesar do deferimento ter ocorrido em setembro de 2007, o Oficio foi feito em março de 2009, e, com isso, apesar do Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13766.000277/201011 Acórdão n.º 2402007.133 S2C4T2 Fl. 85 3 contribuinte ter o direito reconhecido, teve seu rendimento tributado com desconto na fonte; que, diante do direito reconhecido pelos órgãos competentes, entende que de fato o rendimento é não tributável, conforme foi apresentado na declaração de ajuste do anocalendário 2009, e que o contribuinte teve descontado indevidamente seu imposto na fonte; que com isso é justo que se tenha a compensação pelo que se foi descontado indevidamente; que a declaração de ajuste apresentada retrata corretamente a situação do contribuinte no exercício, diante da isenção concedida legalmente; que a informação prestada pela fonte pagadora é divergente e incorreta, uma vez que não está de acordo com o direito concedido e teve inclusive desconto na fonte; que, à vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o debito fiscal reclamado, e considerando a declaração apresentada. A DRJ julgou procedente improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 0346.601 (fls. 48), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA POR MOLÉSTIA GRAVE. Para que se conceda a isenção dos rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão, em razão de moléstia grave, é necessário que a moléstia grave seja comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 57, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13766.000277/201011 Acórdão n.º 2402007.133 S2C4T2 Fl. 86 4 Conforme exposto no relatório supra, a Fiscalização apurou Imposto de Renda Suplementar em decorrência da constatação da seguinte infração à legislação tributária: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos tabela progressiva, no valor de RS 108.613,95, pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Detalhamento: O contribuinte não apresentou Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave. O Contribuinte sustenta, em síntese, fazer jus à isenção do IR, por ser portador de moléstia grave. A DRJ, sobre a matéria, concluiu que: No presente caso, o rendimento no valor de R$ 108.613,95, declarado pelo contribuinte como isento e não tributável, teve sua classificação alterada pela autoridade fiscal para rendimento tributável, em razão do interessado não ter comprovado o segundo quesito transcrito acima, ou seja, não ter apresentado o Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial que especificasse a moléstia grave. Da análise dos documentos apresentados pelo interessado, verificouse que foi juntado Ofício/2009, de 24 de março de 2009, emitido por Técnico do Seguro Social, fls. 06, referente à isenção de Imposto de Renda do contribuinte. Por meio desse documento, afirmouse que a perícia médica deferiu o pedido de isenção de imposto de renda do contribuinte, desde setembro de 2007, conforme estabelecido pela Lei nº 7.713/1988, art. 6º, inciso XIV e IN da nº 07/1989 da Secretaria da Receita Federal, e que a nova solicitação, feita em 17/03/2009, também foi deferida pela perícia médica. Em que pese o Ofício apresentado pelo contribuinte faça referência à isenção pleiteada de imposto de renda em razão de moléstia grave e afirme que junta médica deferiu esse pedido, esse documento não substitui a apresentação do Laudo Médico requerido pela legislação que rege a matéria (RIR/1999, art. 39, §4º). Registrese que a necessidade de apresentação do Laudo já havia sido ressaltada pela autoridade fiscal que, ao lavrar a Notificação de Lançamento em questão, fez constar da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” que “O contribuinte não apresentou Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave”. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13766.000277/201011 Acórdão n.º 2402007.133 S2C4T2 Fl. 87 5 Dessa forma, uma vez que não foram atendidas, cumulativamente, as duas condições previstas pela legislação tributária para que seja concedida a isenção de imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria em razão de moléstia grave, mantenho o lançamento tributário. Como se vê, corroborando o entendimento perfilhado pela fiscalização, a DRJ manteve incólume o lançamento fiscal em face da não apresentação de laudo oficial especificando a moléstia grave. Pois bem!! Da Moléstia Grave Quanto à alegação de que o Interessado faria jus a isenção do imposto de renda em razão de ser portador de moléstia grave, fazse mister salientar que a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei nº 7.713, de 1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: Art.6 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Vejamos, in verbis, o teor do artigo 30 da referida lei: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13766.000277/201011 Acórdão n.º 2402007.133 S2C4T2 Fl. 88 6 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. No caso em análise, a DRJ desconsiderou o Ofício de fls. 06, emitido pelo Instituto Nacional de Seguridade Social informando que, após análise da documentação apresentada, restou deferido o pedido de isenção de Imposto de Renda no seu benefício, desde Setembro de 2007, conforme estabelecido na Lei 7.713, art. 6º, inciso XIV e Instrução Normativa no 07/1989 da Secretaria da Receita Federal – por não se tratar de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave. Em que pese, entretanto, a razoabilidade do entendimento perfilhado pelo órgão julgador de primeira instância, entendese que, neste ponto, a conclusão alcançada pela DRJ não é a mais correta. Isto porque, não se deve ignorar o fato de que o Ofício de fls. 06 se trata de documento oficial emitido pelo próprio INSS, sendo expresso ao afirmar que, após análise da documentação apresentada, restou deferido o pedido de isenção de Imposto de Renda no seu benefício, além de citar, também de forma expressa, o art. 6º, inc. XIV, da Lei 7.713/88, o que, por si só, já se afiguraria o suficiente, no entendimento deste relator, para reconhecer a isenção arguida pelo Recorrente no caso concreto. O contribuinte, com vistas a afastar a premissa adotada pela fiscalização e corroborada pela DRJ, reapresentou, em sede de recurso voluntário, o susodito Ofício do INSS, acompanhado dos respectivos documentos, a saber: * Parecer do Médico Perito do INSS, de fls. 71, atestando que, conforme análise da documentação médica apresentada pelo Requerente na solicitação de Isenção de Imposto de Renda retido na fonte, referente ao benefício acima, há enquadramento conforme estabelecido na Lei 7.713, art. 6º, inciso XIV e Instrução Normativa no 07/1989 da Secretaria da Receita Federal, Lei nº 8.541/92, art. 47 e Lei nº 8.112/91 (RJU), Lei nº 9.250/95, art. 30, § 2º (IN da SRF nº 25/96, art. 5º, XII e RIR/99, art. 39, XXXIII) e Lei nº 11.052/2004; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13766.000277/201011 Acórdão n.º 2402007.133 S2C4T2 Fl. 89 7 * Laudo Médico particular, datado de agosto/2007, informando que o Recorrente é portador de cardiopatia isquêmica e diabetes mellitus (fls. 72); * Laudo Médico do SUS, datado de outubro/2007, também informando que o Recorrente é portador de cardiopatia isquêmica e diabetes mellitus (fls. 73). Registrese, pela sua importância, que o médico signatário do laudo médico do SUS, Dr. Luiz Bento F. Coelho, está devidamente registrado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do governo federal, conforme se infere da imagem abaixo: Neste contexto, sendo o Recorrente portador de moléstia grave prevista na legislação de regência da matéria e sendo os rendimentos por si percebidos proventos de aposentadoria, fato não contestado pela fiscalização, registrese, impõese o reconhecimento do seu direito à isenção do IR no caso concreto. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.901267/2006-90
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 25977.83239.150803.1.3.042521 cujo crédito seria decorrente de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 12 67 /2 00 6- 90 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.901267/200690 Acórdão n.º 3003000.137 S3C0T3 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior de PIS (código 8109), do período de apuração de fevereiro de 2003, no valor de R$ 232,13. Após processada foi exarado o Despacho Decisório (efls. 7) no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: · Para o mês de fevereiro de 2003, o valor a pagar de PIS seria de R$ 1.815,71, mas foi pago o valor de R$ 6.117,46, efetivando um pagamento a maior de R$ 4.301,75. · • Não há que se falar em PIS a pagar em 2003, visto que no ano foram pagos DARFs no total de R$ 32.211,63, ao passo que o PIS devido foi de apenas R$ 31.956,42. · • Por equívoco, o PER/DCOMP em comento não foi cancelado oportunamente, mas a ausência deste pedido não causou prejuízo ao Fisco. · • Requer o cancelamento do PER/DCOMP nº 25977.83239.150803.1.3.042521. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 1525.388. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o recolhimento já estaria vinculado a um débito declarado em DCTF e a falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.901267/200690 Acórdão n.º 3003000.137 S3C0T3 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior da contribuição ao PIS/Pasep, do período de apuração de fevereiro de 2003, conforme planilha anexada aos autos. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual informa ter reapurado a base de cálculo do tributo, porém sem nenhum documento que a embasasse. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Esclarece ainda a autoridade julgadora de 1ª Instância da impossibilidade do cancelamento do referido PERDCOMP que foi vinculado pela própria contribuinte na DCTF do 3º trimestre de 2003, na qual consta que para o PA de julho de 2003 foi indicado um débito de R$ 2.090,95, sendo que desse valor, a parcela de R$ 232,13 está vinculada ao mencionado Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.901267/200690 Acórdão n.º 3003000.137 S3C0T3 Fl. 5 4 PER/DCOMP, informação esta não elidida pela recorrente com a juntada de eventual DCTF retificadora e demais documentos comprobatórios. O fato é que o caso presente não trata apenas de preenchimento incorreto de PER/DCOMP, cuja simples retificação geraria o direito de crédito do contribuinte. A questão sob análise envolve crédito já utilizado para a compensação de outro débito do contribuinte. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13106.000318/2010-34
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DIPJ - . PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica - DIPJ - após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE NOVA COBRANÇA
Comprovado o recolhimento da multa através de guia DARF no decorrer do processo, não se pode efetuar novo lançamento sobre o mesmo fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para apenas reconhecer já ter ocorrido o pagamento da multa discutida nos presentes autos, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE NOVA COBRANÇA Comprovado o recolhimento da multa através de guia DARF no decorrer do processo, não se pode efetuar novo lançamento sobre o mesmo fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para apenas reconhecer já ter ocorrido o pagamento da multa discutida nos presentes autos, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 10 6. 00 03 18 /2 01 0- 34 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13106.000318/201034 Acórdão n.º 1003000.554 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 14 38.681 da 3ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e manteve a multa por atraso na entrega de DIPJ. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em razão de lançamento no qual era exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da DIPJ, relativa ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Defendeu a contribuinte que, ao optar pelo Simples Nacional, não foi considerada como data da opção a data do registro na junta comercial, mas data posterior, fato que levou à cobrança da multa. A DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO. DIPJ. DATA DE OPÇÃO NO SIMPLES NACIONAL. No período compreendido entre a data de registro da empresa e a data da opção pelo Simples Nacional, fica ela sujeita às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive à entrega da DIPJ, nos prazos previstos na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário defendendo que: (i) A empresa foi constituída em 26/10/2007 e a opção pelo regime do Simples Nacional se deu na data do deferimento da inscrição no cadastro municipal em 10/12/2007; (ii) Entende que a opção deveria retroagir à data da constituição da empresa, a Recorrente deixou de entregar DIPJ referente ao período de 26/10/2007 a 10/12/2007, entregando apenas a DASN referente a esse período; (iii) A DIPJ 2008 foi entregue, de forma espontânea, em 16/06/2010. Informa ter efetuado o pagamento da multa aproveitando o desconto de 50%, porém, após o julgamento da defesa, foi novamente cobrada pela multa já quitada. Por fim, requereu o cancelamento do débito fiscal e a devolução do valor pago, ou, caso não seja esse o entendimento, que seja reconhecido o pagamento efetuado no dia 30/07/2010. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13106.000318/201034 Acórdão n.º 1003000.554 S1C0T3 Fl. 4 3 É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente defende o cancelamento da multa aplicada, sob o argumento de que apresentou o DASN em 2008 referente ao período desde a abertura da empresa e que não concorda com o fato de ser considerado apenas a data do registro no Simples Nacional. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 2º No momento da opção, o contribuinte deverá prestar declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações previstas no art. 12, independentemente da verificação efetuada conforme disposto no art. 9º. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13106.000318/201034 Acórdão n.º 1003000.554 S1C0T3 Fl. 5 4 Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. (c) obedecidas as condições acima, a opção produzirá efeitos a partir da data do ultimo deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, sendo essa também a data considerada como início de atividade. Em razão do deferimento da opção pelo Simples Nacional, verificase ter a Recorrente obedecido as condições (itens "a" e "b" supra) determinadas pelo art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, para empresa em início de atividade. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13106.000318/201034 Acórdão n.º 1003000.554 S1C0T3 Fl. 6 5 Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tão somente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional cumprindo as condições da norma e, por conseguinte, tem o direito de ter seu registro no Simples considerado a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, sendo esse igualmente a data considerada como início de atividade (incisos V e VI do art. 7º da Resolução CGSN nº 04/ 2007). Pelas informações no processo, a data do último ultimo deferimento municipal coincidiu com a data de registro no Simples Nacional, porém restou não abrangido pelo regime simplificado o período entre a abertura da empresa (26/10/2007) até a data do último deferimento municipal em 10/12/2007. Temse que, nos estritos termos legais, o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em relação ao pedido alternativo, de reconhecimento do pagamento da multa, de fato, consta no processo acostado ao recurso voluntário às fls. 21 a 30, comprovação de recolhimento de guia DARF, cujo pagamento de R$ 250,00, código 5338, foi efetuado no dia 30/07/2010, atendendo aos termos constantes na notificação de lançamento também anexada ao recurso voluntário. Em razão disso, entendo que a multa discutida nestes autos já foi recolhida, não podendo ser aplicada nova multa sobre o mesmo fato gerador, qual seja o atraso no envio da DIPJ do período de 26/10;2007 a 10/12/2007. Isto posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reconhecer que a multa objeto deste processo foi recolhida através de guia DARF em 30/07/2010, devendo ser cancelada qualquer nova cobrança em relação a multa discutida nestes autos. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 42DF CARF MF
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