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Numero do processo: 10380.903445/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/1999
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de tributo ou de contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da estrita legalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou de contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da estrita legalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 34 45 /2 00 9- 16 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.903445/200916 Acórdão n.º 3302002.151 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 19/11/2005 a empresa HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA., já qualificada, ingressou com o pedido de restituição de COFINS, relativo a pagamento tido como indevido e efetuado no dia 15/10/1999. A DRF de origem indeferiu o pedido da recorrente, alegando a extinção do direito de a recorrente pleitear a restituição, conforme Despacho Decisório e Relatório de fl. 6. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade na qual alega, resumidamente, que o prazo de decadência, à época do pedido de restituição, era de dez anos, conforme disposto no artigo 16 da Lei nº 8.212/91, e a Súmula Vinculante nº 8 não se aplica a créditos pagos antes de 11/06/2008, data da conclusão do julgamento pelo STF. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE indeferiu o pedido da recorrente, nos termos do Acórdão nº 0816.672, de 25/11/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim entendida a da realização do pagamento na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art. 150, § 1° do CTN. SÚMULA VINCULANTE DECADÊNCIA. O artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, considerado inconstitucional pela Súmula Vinculante n° 8, tratava do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, e não do prazo decadencial para repetição do indébito tributário. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 23/12/2009, conforme AR de fl. 42, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 22/01/2010, o Recurso Voluntário de fls. 43/52, no qual reproduz os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório do essencial. Voto Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.903445/200916 Acórdão n.º 3302002.151 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais. Dele conheço. A recorrente está pleiteando a restituição de Cofins cujo pagamento, que entende indevido ou maior que o devido, foi realizado no dia 15/10/1999. O pedido de restituição foi apresentado no dia 19/11/2005, ou seja, na vigência da Lei Complementar nº 118/05. A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio das suas DRF e DRJ, entendeu extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição em tela em face do decurso do prazo, que entende ser de 05 (cinco) anos a contar do pagamento tido como indevido e objeto do pedido de restituição. Concordo e ratifico o entendimento da RFB e julgo improcedente os argumentos da recorrente quanto ao prazo para pleitear restituição de eventual pagamento indevido ou a maior de Cofins, que a recorrente entende regerse pelo art. 16 da Lei nº 8.212/91 e pela Súmula Vinculante nº 8 do STF. Estes dispositivos tratam do prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, pelo lançamento, e não do prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente, como bem disse a decisão recorrida. Sobre o prazo, e o termo a quo do mesmo, para pedir restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente, reza o art. 168 do CTN: “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória”. (negritei). Para terminar de vez a querela sobre o termo a quo da contagem do referido prazo de pedido de restituição, o Supremo Tribunal Federal, em sessão do Pleno realizada no dia 04/08/2011, julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621, para declarar inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e considerar válida a aplicação do novo prazo de 05 (cinco) anos, para pleitear restituição, tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Em outras palavras, para os pedidos de restituição apresentados a partir do dia 09/06/2005, o prazo para pleitear restituição contase da data do pagamento, conforme reza o art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, abaixo transcrito. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.903445/200916 Acórdão n.º 3302002.151 S3C3T2 Fl. 5 4 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional dispositivo da legislação tributária é de aplicação obrigatória pelo CARF, conforme expressa determinação contida no art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). No caso em análise, está o CARF autorizado a afastar a aplicação do referido art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, e obrigado a aplicar os demais dispositivos da referida lei complementar, em especial o seu art. 3º, acima transcrito, nos casos de pedido de restituição apresentados a partir do dia 09/06/2005. No caso dos autos, o pedido de restituição foi apresentado no dia 19/11/2005. Consequentemente, não merece prosperar o pleito da recorrente porque seu pedido de restituição foi apresentado no dia 19/11/2005, em plena vigência da Lei Complementar nº 118/05. Está, portanto, extinto o direito de a Recorrente pleitear a restituição do pagamento tido por indevido, visto que o mesmo foi realizado há mais de 05 (cinco) anos da data da apresentação do respectivo pedido de restituição. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator. . 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.903445/200916 Acórdão n.º 3302002.151 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000984/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007
RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO.
Constitui receita própria da atividade da Recorrente a aquisição para posterior revenda de ações, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas apresentarão declaração de voto.
Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, o Dr. Newton Neiva de Figueiredo Dominguet - OAB/SP 180.615, e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Rodrigo Moreira Lopes Procurador.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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MOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a aquisição para posterior revenda de ações, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a aquisição para posterior revenda de ações, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas apresentarão declaração de voto. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, o Dr. Newton Neiva de Figueiredo Dominguet OAB/SP 180.615, e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Rodrigo Moreira Lopes – Procurador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 84 /2 01 0- 66 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 308 a 369) apresentado em 21 de março de 2011 contra o Acórdão no 1629.255, de 28 de janeiro de 2011, da 10ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 242 a 270), cientificado em 18 de fevereiro de 2011, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de outubro e novembro de 2007, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. O objeto social da sociedade corretora é a subscrição de emissões de títulos e valores mobiliários para revenda, e a compra e venda de títulos e valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa de desmutualização das Bolsas de Valores, integra sua receita operacional. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas Fl. 650DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 649 3 formadas após a desmutualização das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita ao PIS compreende a receita de venda e mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. O objeto social da sociedade corretora é a subscrição de emissões de títulos e valores mobiliários para revenda, e a compra e venda de títulos e valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa de desmutualização das Bolsas de Valores, integra sua receita operacional. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CTRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração foi lavrado em 19 de agosto de 2010, de acordo com o temo de fls. 166 a 173. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 4 A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 166174, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, referente ao anocalendário de 2007, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir: 1. Da contribuinte A Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda tem por objeto, conforme cláusula segunda de seu contrato social (fls.2021), exercer as atividades típicas de sociedade corretora, segundo o prescrito no art.2o do Regulamento Anexo à Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 1.655/89. Sendo uma sociedade corretora, a empresa sujeitase, conforme art.8°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art.10, inciso 1, da Lei n° 10.833/2003, à tributação do PIS e Cofins na forma da Lei n° 9.718/98. 2. Da descrição dos fatos Chamouse “desmutualização” o processo de transformação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da BM&F, ambas associações sem fins lucrativos, em sociedades empresariais constituídas sob a forma de sociedades anônimas de capital aberto. Em 28/08/2007 o patrimônio da Bovespa era representado por títulos patrimoniais, os quais eram necessários para que os detentores desses títulos pudessem operar nessa bolsa. Em virtude das alterações societárias promovidas no curso da desmutualização, cada corretora associada devolveu seus títulos patrimoniais à Bovespa, até então uma sociedade civil sem fins lucrativos. Como forma de devolução do capital representado pelos títulos das corretoras associadas, a Bovespa entregou ações da nova empresa constituída, Bovespa Holding S/A, uma sociedade anônima com finalidade lucrativa. A proporção utilizada foi de 706.762 ações da Bovespa Holding S/A, a R$2,23 por ação, para cada título patrimonial devolvido. Por meio do Ofício Circular 225/2007DG (fls. 131133), de 18/09/2007, a Bovespa orientou suas associadas a registrar o valor das ações destinadas à venda no ativo circulante como “títulos disponíveis para negociação ou venda’’ (no caso de entidades financeiras, mercadorias em estoque para venda); e registrar no ativo permanente as ações consideradas investimento, portanto não disponíveis para venda e que comporiam os bens patrimoniais das sociedades empresariais. A Bovespa Holding solicitou às exassociadas corretoras que disponibilizassem parte das ações recebidas para oferta no mercado, impulsionando as negociações das ações da nova sociedade anônima no mercado. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 650 5 Após a devolução de capital, realizouse a oferta pública de ações (IPO) da Bovespa Hold ir S A, realizada no dia 26/10/2007, sendo cada ação negociada por R$23,00. O mesmo processo ocorreu com a BM&F, cujas corretoras associadas :levol eram seus títulos patrimoniais para formar uma sociedade anônima com fins lucrativos. l Cc. a título patrimonial da BM&F foi atribuído um lote de ações da BM&F S/A a R$1,00 por ação. Encerrada a devolução de capital, o fundo de investimento estrangeiro General Atlantic Latin América Investments, LLC, adquiriu um grande lote de ações diretamente da BM&F, que convidou as corretoras a ofertar individualmente, por meio de contrato de adesão, lotes de ações que somados atingissem a quantidade pretendida pelo fundo de investimento. Posteriormente, realizouse a oferta pública de ações (IPO) da BM&F S/A, realizada em 30/11/2007, na qual cada ação foi negociada por R$20,00. 2.1. Da desmutualização A desmutualização tem como característica essencial a devolução do patrimônio da entidade isenta (associação civil sem fins lucrativos). Antes desse processo, cada corretora necessitava ter títulos patrimoniais para poder operar em bolsa. Com a desmutualização esse requisito deixou de existir, e as corretoras poderiam operar nas bolsas desde que atendidos requisitos estabelecidos pelo Banco Central do Brasil. A contrapartida da operação de desmutualização das bolsas se deu por meio de subscrição de ações emitidas pelas novas sociedades empresariais criadas, BM&F S/A e Bovespa Holding S/A. As bolsas não exigiram obrigatoriamente que as corretoras disponibilizassem parte das ações nos respectivos IPO, nem que a disponibilizaçâo fosse feita na sua totalidade. Não foi caracterizada a intenção da contribuinte em manter as ações recebidas no ativo permanente da empresa. Ao contrário, a contribuinte alienou 100% de suas ações, de ambas as bolsas, não restando nenhuma ação em seu ativo permanente, conforme documento apresentado pela empresa às fls.62. 3. Da aplicação das normas contábeis A legislação societária, comercial e tributária não permite a classificação das ações em tela no ativo permanente da contribuinte. No subgrupo Investimentos do ativo permanente devem ser classificadas as ações e outros títulos de participação societária mantidos em caráter permanente, seja para se obter o controle Fl. 653DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 6 societário, seja por interesses econômicos, como fonte permanente de renda. A intenção de permanecer com o ativo é manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante sua inclusão no subgrupo Investimentos (havendo interesse de permanecer com o ativo) ou seu registro no ativo circulante (sem interesse de permanecer com o ativo). Se a intenção for alienar as ações, disponibilizandoas para venda até o fim do exercício social seguinte, as ações devem ser contabilizadas como investimentos temporários, no “Disponível” quando forem aplicações de liquidez imediata; no ativo circulante ate, se forem aplicações com prazo de resgate até o fim do exercício social seguinte; em Investimentos Temporários a Longo Prazo, se o prazo de resgate for superior a 360 dias da data do balanço. Portanto, investimentos temporários não devem ser contabilizados no ativo permanente. Anotese aqui que esses aspectos da apreciação contábil levam em conta a ordem jurídica anterior à Lei 11.638, de 28/12/2007, que modificou os critérios de elaboração e divulgação das demonstrações financeiras das sociedades por ações, sem. no entanto, modificar a qualificação contábil que as sociedades devem dar ao fato da aquisição das ações. No processo de desmutualização as corretoras firmaram acordos com as novas sociedades Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, disponibilizando parte das ações recebidas para compor o lote ofertado na IPO. Com esses acordos, as corretoras manifestaram suas intenções no sentido de alienar parte das ações, pelo que seu registro contábil indicaria qualidade de investimento temporário, gerando, quando realizado efetivamente, uma receita operacional. A intenção de permanência é caracterizada sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do períodobase seguinte àquele em que tiver sido adquirido o respectivo direito, conforme item 7.1. do Parecer Normativo CST 108 de 31/12/78, DOU de 09/01/79: 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., “as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa” (art. 179. , III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por “participações permanentes” e (2) quais seriam os “direitos de qualquer natureza”. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, Fl. 654DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 651 7 não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso. deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. Art. 179. As contas serão classificados do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; [...] III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; [..]) 4.Da apuração do crédito tributário de PIS e Cofins Conforme demonstrativo de fls.62 apresentado pela empresa, foram vendidas 4.908.015 ações da BM&F S/A no período de 16 a 30/11/2007 pelo valor de R$93.104.347,42. Sendo o valor contábil dessas ações R$4.898.015,00, a alienação produziu um resultado de R$88.206.332,42. Da Bovespa Holding S/A foram vendidas 4.240.572 ações em 30/10/2007, ao preço de R$23,00 por ação, gerando uma receita de R$97.533.156,00. Como o valor contábil dessas ações era de R$9.088.424,46 a alienação produziu um resultado de R$88.444.731,54. Foram alienadas 9.148.587 ações, representando 100% das ações das duas bolsas disponíveis para venda, e cujo resultado produzido foi de R$176.651.063,96, que é a base de cálculo do PIS e da Cofins. Os autos de infração (fls.154159 e 160165) foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: [...] DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 175196, acompanhada dos documentos de fls. 197240, em síntese alegando que: 1. Do processo de desmutualização Fl. 655DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 8 A desmutualização consistiu na operação de abertura de capital das bolsas de valores, mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedade anônima. Parte das antigas associações Bovespa e BM&F foram incorporadas, respectivamente, pela Bovespa Holding S/A e BM&F S/A. Conforme disposto nos artigos 44 e 2.033 do Código Civil, as associações podem ser cindidas e/ou incorporadas, não havendo que se falar em inexistência de previsão legal para a desmutualização. Com a cisão parcial e a incorporação das associações não houve dissolução ou liquidação da Bovespa e da BM&F, o que ensejaria a devolução aos associados dos títulos patrimoniais, mas mera transformação societária das mesmas para a forma de sociedade anônima, conforme art. 1.113 do Código Civil, e art.l0 da Instrução Normativa n° 88/2001 do Departamento Nacional do Registro do Comércio (DNRC). O patrimônio das antigas associações foi transferido às novas sociedades, com a substituição do investimento que os associados possuíam na Bovespa e BM&F para as novas empresas. Para os antigos associados, houve a troca das posições societárias da sociedade antiga para a nova, ocorrendo mera sucessão patrimonial pois foi mantido o investimento anterior (títulos patrimoniais) na nova sociedade (sob a denominação de ações). Diante da inocorrência da dissolução das antigas associações Bovespa e BM&F, não houve devolução dos títulos representativos do patrimônio dos exassociados (atuais acionistas), até porque a devolução de capital implicaria a retirada dos exassociados da sociedade, mediante o pagamento do valor dos títulos pela própria sociedade. Com a desmutualização, a impugnante recebeu, em ações, o equivalente aos títulos que detinha, mantendo sua participação na sociedade. Houve a substituição dos títulos por ações, ou, mera substituição de um ativo por outro. A autoridade fiscal indicou, no termo de verificação fiscal, que o número de ações recebidas pela impugnante corresponde exatamente ao ralor dos títulos patrimoniais substituídos. A natureza societária da Bovespa e da BM&F difere da natureza da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, passando de associações a sociedades anônimas. Logo, a parti ''ação deixou de ser representada por títulos e passou a ser por ações. Portanto, a troca dos títulos da Bovespa e da BM&F pelas ações das novas sociedades anônimas não altera a classificação contábil adotada antes do processo de desmutualização. 2. Da classificação contábil da participação societária A impugnante adquiriu títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F para poder atuar como corretora nessas bolsas de valores. Tal participação societária era contabilizada no ativo Fl. 656DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 652 9 permanente, por ser investimento de caráter permanente. Após a desmutualização, a impugnante recebeu ações que permaneceram contabilizadas no ativo permanente investimentos, pois se tratavam do mesmo investimento. Como a impugnante detinha há anos os títulos patrimoniais, não há que se dizer que teria permanecido com as ações em tela somente por um mês. A participação societária da impugnante não se iniciou com o recebimento das ações, mas sim com a aquisição dos títulos, cujo caráter de permanência era inconteste. A conversão dos títulos em ações não pode ser caracterizada como aquisição, sendo mera substituição de um valor mobiliário de propriedade da impugnante. O fato de ter havido alteração na denominação da participação societária da impugnante, de título para ação, não possui efeito contábil, devendo as ações continuar escrituradas na mesma conta de ativo permanente, pois representam a mesma participação detida pela impugnante e considerada permanente. De acordo com art. 179, inciso III, da Lei n° 6.404/76, são classificáveis como investimentos as participações permanentes em outras sociedades. Uma vez que a impugnante, quando da desmutualização, era detentora dos títulos patrimoniais há vários anos, resta evidente que as ações recebidas em substituição aos títulos têm o mesmo caráter. Como as ações substituíram os títulos, a contabilização das ações obedece o mesmo critério da contabilização dos títulos. Desse modo, os valores recebidos em contrapartida à alienação das ações, em 10 e 11/2007, não compõem a base de cálculo do PTS e da Cofins, por constituírem o ativo permanente da empresa. Assim, deve ser reconhecido o caráter permanente das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais, aplicandose a isenção prevista no art.3o, § 2o, inciso IV, da Lei n° 9.718/98 aos valores auferidos na alienação das ações. 3. Do equívoco no cálculo do montante tributável A fiscalização considerou, no cálculo do montante tributável, o valor integral da venda das ações, sem descontar o valor atualizado da participação societária. O Fisco pretende i inserir na base de cálculo do PIS e da Cofins todo o montante recebido como fruto da aliena ãc as ações. O Fisco deveria ter abatido da receita da venda o valor da participação societária atualizado pelo método da equivalência patrimonial e contabilizado no ativo permanente da impugnante. O art. 248 da Lei n° 6.404/76 impõe a observância do método da equivalência patrimonial para investimentos considerados relevantes em controladas ou coligadas. Todavia, é possível que certas empresas, em razão de legislação específica do setor no Fl. 657DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 10 qual se inserem, sejam obrigadas a observar o método da equivalência patrimonial em situações específicas, conforme o Parecer Normativo CST n° 78/78. No caso das instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional, compete ao Conselho Monetário Nacional definir normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições financeiras. Assim, o Banco Central aprovou o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), por meio da Circular Bacen n° 1.273/87, a qual impunha o registro dos títulos patrimoniais das bolsas em conta do ativo permanente. A cada balanço, as instituições eram obrigadas a atualizar o valor dos títulos patrimoniais de acordo com os valores informados pelas bolsas. Portanto, ao contrário do que sustenta a RFB na Solução de Consulta n° 10/2007, os títulos patrimoniais das antigas associações Bovespa e BM&F não estavam sujeitos à avaliação pelo custo de aquisição, mas sim pelo método da equivalência patrimonial. Pelo método da equivalência patrimonial, o balanço patrimonial das companhias deve conter a aplicação do percentual de participação em controladas ou coligadas nas quais detenha participação relevante sobre o valor do patrimônio líquido destas últimas, efetuando lançamentos de ajuste. Desse modo, o método de avaliação dos títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F imposto pelo Cosif segue os mesmos parâmetros do método da equivalência patrimonial para investimentos relevantes em controlada ou coligadas (ajuste em conta do ativo permanente em contrapartida de conta de patrimônio líquido). Conforme prescrito pela Portaria MF n° 785/77, devem ser excluídos do Lucro Real os valores da atualização dos títulos patrimoniais. O mesmo entendimento consta da Solução de Consulta Cosit n° 13/97. Considerando que o Banco Central e a Receita Federal impunham às instituições financeiras a observância do método da equivalência patrimonial para avaliação dos títulos da Bovespa e BM&F, concluise que a atualização desses títulos não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme art.3°, § 2o, II, da Lei n° 9.718/98. Portanto, o valor da participação societária, atualizado pelo método da 'Y. / equivalência patrimonial, para os meses de 09 e 10/2007 deveria ser descontado da receita da 'lpv alienação das ações para fins de incidência do PIS e da Cofins. Nesse passo, a autuação é nula por infringir o art. 142 do CTN, pois o montante foi calculado equivocadamente. Ao formalizar a constituição do crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve demonstrar a ocorrência do fato tributável, agindo de acordo com o princípio da legalidade (art. 150, inciso I, da CF). 4. Do regime de apuração do PIS e da Cofins Fl. 658DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 653 11 O STF, ao julgar o Recurso Extraordinário n° 357.950/RE, declarou inconstitucional o § 1º do art.3° da Lei n° 9.718/98, que conceituava faturamento como a receita bruta da pessoa jurídica, mantendo o conceito original de receita oriunda da venda de mercadorias e prestação de serviços, nos termos do art.2º da Lei Complementar n° 70/91. A receita oriunda da alienação de participação societária não se enquadra r o conceito de mercadoria ou prestação de serviços, não compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. Como o § 1º do art.3° da Lei n° 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo STF, deve ser cancelado o crédito tributário exigido, obedecendose às decisões proferidas pela Suprema Corte. Inclusive o § 1º do art.3° da Lei n° 9.718/98 foi revogado pelo art.79 da Lei n° 11.941/2009, comprovando a inconstitucionalidade do dispositivo. Logo, mesmo que as ações em tela não sejam classificadas como ativo permanente, a receita oriunda de sua alienação não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins, pois não caracteriza venda de mercadoria nem prestação de serviços. 5. Do pedido Requer o cancelamento da autuação, tendo em vista que: a) a atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme art.3o, § 2o, inciso II, da Lei n° 9.718/98; b) as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais possuem caráter permanente, aplicandose a isenção do art.3o, § 2o, inciso IV, da Lei n° 9.718/98; c) o § 1o do art.3° da Lei n° 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo STF, e posteriormente, revogado, devendo ser desconstituído o PIS e a Cofins lançados, eis que a base utilizada para cálculo das contribuições advém de receitas advindas da alienação de participação societária." No recurso, a Interessada contestou as conclusões do acórdão de primeira instância, reafirmando as alegações da impugnação. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 620 a 645), em que alegou o seguinte: A Bovespa e a BMF (Bolsas) nasceram, respectivamente em 1967 e 1985, com contornos jurídicos de Associações sem Fins Lucrativos. Tal característica assim permaneceu até o ano de 2007, data em que sucederam as alterações na estrutura jurídica daquelas entidades que adiante serão mencionadas. [...] Fl. 659DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 12 Por mais engenhosas que tenham sido as operações societárias que culminaram com a transferência das atividades das Bolsas para uma S.A., não há como fugir da simplicidade dos fatos. Ou seja, ao final das operações, as associações civis sem fins lucrativos estavam extintas e, em seu lugar, constituíramse sociedades anônimas. Ora, os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização topográfica indica sua aplicação somente às sociedades empresárias (Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade; Subtítulo II – Da Sociedade Personificada; Capítulo X – Da Transformação, Da Incorporação, Da Fusão e Da Cisão das Sociedades). Corrobora esse entendimento, ou seja, de aplicação daqueles institutos jurídicos somente às sociedades mercantis, a Instrução Normativa Nº 88 do DNRC3, que, em pleno vigor, dispõe sobre o arquivamento dos atos de transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades mercantis. [...] Como se observa, ilustres Conselheiros (as), uma vez que a cisão e a incorporação não podem ser aplicadas às sociedades civis, as operações societárias resultaram, em verdade, na extinção das sociedades civis Bovespa e BM&F. Em casos como estes, a regra aplicável não é outra senão o artigo 61 do Código Civil. Citou trechos de decisões judiciais no sentido de suas alegações. Na sequência, tratou da classificação contábil das ações recebidas pela Interessada, mencionando o Ofício Circular n. 225/2007DG e destacando o seguinte: Ocorre que, por outros instrumentos firmados ao longo do processo de Desmutualização, os Associados da Bovespa se obrigaram, desde o início, a destinar parte das ações recebidas para negociação ou venda em IPO promovida pela S.A. recém criada. Dessa forma, não havia possibilidade de considerar tais ações como investimento, contabilizadas no Ativo Permanente, se, desde o início, já se destinavam à venda. Também mencionou o “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A e Outorga de Poderes” e afirmou que a Fiscalização não teria procedido com base em meras suposições, uma vez que aplicou o disposto no art. 179 da Lei n. 6.404, de 1976, destacando que “a alienação das ações foi realizada até o final do exercício subsequente ao ingresso dos bens no patrimônio do contribuinte – ou seja, entre 2007 e o final de 2008 – conforme atestam os documentos tomados em consideração pela Fiscalização”. A seguir, tratou da tributação dos valores pelas contribuições sociais e da aplicação dos juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 654 13 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, analisase a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, à vista da disposição do art. 62A do Regimento Interno do Carf e do RE n. 609.096. A ementa do acórdão de repercussão geral do referido RE foi a seguinte: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Podese verificar que se trata de incidência de Cofins e PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, natureza que, em determinado momento da defesa, a Interessada avoca para definir os resultados tributados no presente auto de infração. Há dois aspectos distintos a serem analisados: primeiramente, a de se a Cofins incide sobre receitas financeiras por ser a obtenção de tais receitas própria da atividade das instituições e, além disso, a existência ou não de sobrestamento dos processos no âmbito do próprio STF. Em relação à primeira questão, como se verá mais adiante, a conclusão dependeria da análise do mérito da matéria, em que se discute a natureza específica dos valores sujeitos à tributação. No tocante à segunda, não houve, no acórdão mencionado, ordem de sobrestamento dos recursos extraordinários, condição para o sobrestamento dos recursos administrativos no âmbito do Carf, de acordo com o dispositivo citado do Ricarf e a Portaria Carf n. 1, de 2012. Além disso, no julgamento da Petição n. 73.745/201STF, em que a Febraban, ao solicitar suas inclusão no processo como “acimus curiae”, requereu o sobrestamento das demais ações e recursos, o relator destacou o seguinte: Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 14 Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Portanto, nada disse o relator sobre o sobrestamento dos RE que estariam pendentes de julgamento no âmbito do STF, condição requerida para o sobrestamento dos recursos no âmbito do Carf. Portanto, não é o caso de sobrestar o julgamento do recurso. Feitas as considerações acima, passa à análise do mérito do recurso. A Fiscalização considerou, para concluir que a totalidade das vendas de ações estaria sujeita à incidência das contribuições, os fatos de que a empresa tem como objeto social a negociação de títulos e valores mobiliários, de que adquiriu as ações em questão para revenda e que as vendeu, representando o produto da venda faturamento de venda de mercadorias. À vista das questões levantadas no recurso, as questões a serem analisadas são: a natureza do resultado da venda das ações após a desmutualização; a caracterização do resultado da venda como faturamento; e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em relação à primeira questão, a Interessada alegou, em resumo, que teria havido apenas transformação do patrimônio, que se trataria de bens classificados no ativo permanente e que, portanto, não estaria o resultado sujeito à incidência da Cofins. Em relação a aspecto importante da questão, devidamente destacado abaixo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu o seguinte, na AC n. 313.991 (processo n. 000870605.2008.4.03.6100): TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 655 15 processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 16 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembléia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida. (http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/PesquisarDocumento?p rocesso=00087060520084036100) Portanto, segundo os fundamentos acima citados, os quais adoto plenamente, não houve, no caso, mera transformação para além do objetivo de continuidade e preservação patrimonial , mas alteração substancial do direito em questão, uma vez que a Interessada não era, anteriormente, detentora de ações da nova sociedade. Essa conclusão não é suficiente ao raciocínio que permite a tributação pela contribuição, uma vez que, segunda a Interessada, tratarseia de bem do ativo permanente e não do circulante. A Fiscalização considerou que, desde o início, as ações foram emitidas com a finalidade de venda em curto prazo (Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A e Outorga de Poderes) e, assim, não poderiam ser registradas no permanente. Tal interpretação está de acordo com o art. 179, I, da Lei das SA, sendo aplicável ao caso o Parecer Normativo CST n. 108, de 1978. Conforme consta dos autos, houve orientação no mesmo sentido pelo Ofício Circular n. 225DG, de 2007. Ainda assim, quanto à incidência das contribuições, restaria saber qual a natureza específica das receitas decorrentes da alienação das ações. Alega a Interessada que não representaria faturamento, conceituado como receita bruta da venda de produtos e serviços, à vista da inconstitucionalidade parcial do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. De fato, a tributação das referidas operações ou é efetuada de acordo com o que foi acima exposto ou de acordo com os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, uma vez que o caput do referido artigo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo os referidos §§, as exclusões seriam as mesmas do PIS, que estão definidas na Lei n. 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Portanto, para as instituições financeiras, a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, a venda das referidas ações, conforme já exposto anteriormente. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 656 17 Esclareçase que tais considerações não compreendem inovação, já que a Fiscalização claramente referiuse ao resultado operacional como parte da base de cálculo das contribuições. Portanto, o produto das referidas vendas está sujeito à incidência de PIS e Cofins, quer seja pela caracterização de vendas de mercadorias, quer seja pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras. Cabe ainda um esclarecimento. De respeito de matéria similar tratou o Ac. 20178.009, de 09 de novembro de 2004(RV 126.176), que teve o seguinte fundamento: Parecem ter sido esses os critérios que orientaram a conclusão da fiscalização de que o resultado da operação representaria faturamento: os referidos títulos caracterizamse como bens móveis e as receitas resultam de sua alienação. Entretanto, nem todo bem móvel pode caracterizarse como mercadoria. Segundo o conceito econômico, mercadoria é todo bem que se destina a satisfazer uma necessidade humana. O conceito é abrangente, mas preciso, e pressupõe a existência de consumo. Quem adquire a mercadoria ou tem a intenção de comercializá la (revenda) ou de consumila. No mercado, o comércio de mercadorias é feito contra pagamento em dinheiro, por meio de escambo ou cessão de crédito. Assim, há, no moderno mercado capitalista, meios para financiamento da aquisição de mercadorias. Os meios financeiros situamse no campo do financiamento da procura, enquanto que as mercadorias situamse no campo da oferta. O resultado da revenda de mercadorias advém de uma operação de alienação (ato de disposição), mas não se perde de vista que sempre haverá um consumidor disposto a adquirila para consumo. É o caso de uma revenda de um quadro (obra de arte). O resultado da alienação do quadro representa faturamento, pois se está falando de uma mercadoria que será consumida. O consumo, nesse contexto, representa o simples ato de utilização do bem no fim para o qual foi fabricado. No caso do quadro, é a sua exposição numa sala, por exemplo, para embelezamento ou apreciação. Tal não ocorre com os títulos em questão, pois sua finalidade é meramente financeira. Sua emissão tem o propósito de captar recursos no mercado e o adquirente originário e todos os demais têm o único propósito de obter ganhos financeiros, ou com o deságio na aquisição ou com a obtenção de ganhos no resgate. Não se trata, portanto, de bem destinado ao consumo (mercadoria), mas à obtenção de ganhos financeiros. A situação é semelhante à da própria moeda estrangeira e à dos títulos de crédito. Observese que a incidência da Cofins sobre os resultados das empresas que operam no mercado cambial e Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 18 das “factorings” (que operam com compra de títulos de crédito) ocorre pelo segundo critério (resultado operacional), e não pelo primeiro (conceito estrito de faturamento). Nesse caso, a incidência da Cofins se dá pelo resultado da operação (ganho), e não pelo valor da alienação da moeda estrangeira ou do título de crédito. Por fim, a incidência da Cofins pelo segundo critério (resultado operacional), no caso dos “Tbills”, é impossível, por que não se trata de título de crédito. Portanto, não se pode pretender que a Cofins incida sobre o resultado de alienação dos “Tbills”, nem pelo primeiro nem pelo segundo critérios. A conclusão do acórdão foi de que da operação com títulos mobiliários decorre receita financeira, representada pelo “spread”. Entretanto, tal raciocínio não pode ser aplicado às operações de vendas com ações, que não tem meramente representação monetária, por envolver vários outros direitos (algumas dão direito a representação, todas se qualificam como patrimônio da empresa etc.). Uma ação, portanto, é um bem móvel que não representa apenas valor de crédito, tanto é assim que, para efeito do imposto de renda de pessoas físicas, podem gerar ganho de capital em operações de renda variável. Nesse contexto, as ações podem, sim, ser vistas como mercadorias, de forma que o produto de sua venda enquadrase dentro do conceito de resultado das atividades empresariais, que é, segundo já citadas decisões do STF, a base de cálculo das contribuições. Finalmente, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a questão foi constatada quando do encaminhamento dos valores devidos, o que não permitiu a discussão prévia da matéria no âmbito da impugnação e do recurso. Vejase que a Portaria SRF n. 379, de 23 de dezembro de 1988, que tinha por pressuposto outra legislação, já revogada, determinava a incidência de correção monetária sobre a multa, o que é situação diversa do caso dos juros de mora. O Parecer SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 2 de abril de 1998, estabeleceu o seguinte: 3. Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referncial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, desde que estejam associadas a: Inicialmente, no caso da Selic, não havia previsão legal para incidência de juros sobre a multa, mas apenas sobre o tributo. O art. 84 da Lei n. 8.981, de 1995, dispunha expressamente que o tributo ou contribuição não pago no vencimento sujeitarseia à incidência dos juros. Ao instituir a Selic, a Medida Provisória n. 947, de 1995, art. 13, reportouse ao referido artigo, não prevendo incidência de juros sobre a multa. A Lei n. 9.065, de 1995, convertida da mencionada MP, manteve a disposição do art. 13, da seguinte forma: Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 657 19 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Entretanto, a Lei n. 9.430, de 1996, art. 61, § 3º, alterou a disposição: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A disposição não diz que os débitos devam decorrer diretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB. Como a multa de ofício decorre indiretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB, os juros incidem sobre a multa de ofício. À vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre os fatos. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 20 A controvérsia dos autos referese à incidência do PIS e da COFINS sobre a receita derivada da venda de participação societária da Recorrente, em sociedades que passaram por processo de transformação (de associações transformaramse em sociedades anônimas). Vale destacar que a tributação imposta no lançamento tem por base as disposições contidas na Lei nº 9.718/98, pois a Recorrente é uma sociedade corretora (submetida às disposições de referida norma), norma esta que estabelece que a base de cálculo das contribuições é o faturamento (e não a receita bruta). O Fisco entende que as receitas advindas das vendas das participações que a Recorrente possuía na BOVESPA e na BM&F – pós transformação em sociedades anônimas – é tributável pelas referidas contribuições porque (i) tais participações não poderiam estar classificadas no ativo permanente da Recorrente, bem como porque (ii) advém do desenvolvimento de seu objeto social, qual seja, a compra e venda de títulos e valores mobiliários, compondo então sua receita do desenvolvimento das atividades empresariais, receita esta que corresponderia à base de cálculo do PIS e da COFINS. Passo a analisar os pontos debatidos. (i) Do Registro em Ativo Permanente Em primeiro lugar, deve ser analisado se procede o questionamento fiscal, quanto à classificação destas participações societárias em conta do ativo permanente da Recorrente. Para tanto é necessário analisar se, com a transformação das associações em sociedades anônimas as respectivas participações societárias deveriam sofrer reavaliação e reclassificação, sendo retiradas da conta de ativo permanente e transferidas para contas de ativo circulante – como alega a fiscalização. Vale destacar que não se discute, em momento algum nestes autos, quanto à adequação da classificação no ativo permanente das participações societárias mantidas pela Recorrente nas associações (antes da transformação da BOVESPA e da BM&F), representada pela propriedade de títulos patrimoniais (que lhes garantia a atuação como corretoras de valores perante as duas instituições). A controvérsia limitase, portanto, ao momento da transformação das associações, quando o Fisco desconsidera a operação societária da forma como realizada pela BOVESPA e BM&F. Assim, para melhor compreensão da matéria, mister se faz dividila em dois aspectos: a primeira questão a ser avaliada referese à (a) operação societária; a qual consequentemente gera efeitos na conclusão da (b) classificação contábil das ações. (i.a.) Da Operação Societária Conforme esclarecido, a premissa da fiscalização para realizar o lançamento fiscal foi interpretar que, em decorrência das operações societárias procedidas, ocorreu a devolução – à Recorrente do capital investido na então associação sem fins lucrativos. Este Fl. 668DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 658 21 capital devolvido teria sido novamente investido, agora em outra sociedade. Como não poderia deixar de ser, este novo investimento, em decorrência das regras contábeis, teve que ser avaliado para poder adentrar ao patrimônio da nova sociedade e, uma vez que se tratava de ações, para as quais a Recorrente tinha intenção de venda, o registro contábil deveria ser realizado no ativo circulante. Em outras palavras, o Fisco entende que a conferência das ações das sociedades anônimas (pós transformação) aos associados da BOVESPA e da BM&F, representou uma nova aquisição de participação societária o que implicou na necessidade de reavaliação (e eventual reclassificação) do ativo, quando então, segundo entendimento fiscal, as ações deveriam ser registradas no ativo circulante, pois a Recorrente tinha, naquele momento, a intenção de vender tais ações. A Recorrente, por sua vez, defende que não houve devolução de capital, tampouco “nova” aquisição de participação societária, mas a mera substituição de um tipo de participação (títulos patrimoniais), por outro tipo de participação (ações). O que, portanto, não demandaria a necessidade de nova avaliação ou reclassificação destes ativos. Por este raciocínio, temse que estes ativos seriam, em verdade, o mesmo ativo até então contabilizado, apenas sob uma forma/título diferente. Esta diferença de interpretação realizada pelo Fisco e contribuinte é extremamente relevante, pois na hipótese de tratarse de investimento novo e não de manutenção de investimento antigo, já classificado contabilmente não resta dúvida que haveria a necessidade de nova avaliação do ativo com a conseqüência de uma nova classificação contábil deste ativo. Resumidos os fatos, passo a analisar as opções apresentadas. De acordo com a interpretação da fiscalização, a operação realizada resultou na devolução do capital para os associados. Mister se faz discorrer sobre este fato. A devolução de capital ocorre quando alguém que detém participação na sociedade decide desligarse ou, ainda, quando uma sociedade se extingue. Em ambas as ocasiões, a sociedade devolve o capital investido ao participante (que deseja se retirar, ou a todos, no caso de extinção). Logo, temse que a devolução do capital alcança as situações em que ocorre a extinção do investimento, ainda que para aquele associado em particular. A devolução deste capital ao investidor, faz com que este adquira total liberdade sobre o destino deste novo capital, o que significa disponibilidade econômica e jurídica. Logo, a operação deve ter a forma e a substância de extinção. Na situação em tela, contudo, formalmente não ocorreu nem uma nem outra hipótese (devolução do capital para todos os associados ou para um associado em particular). Conforme consta dos autos a Associação BOVESPA, em agosto/2007, se submeteu a uma operação societária que resultou na versão de boa parte de seu patrimônio para uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Nos termos do voto do ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, proferido nos autos do processo administrativo nº16327.001339/201061, que discutiu matéria idêntica à presente: “Inicialmente, a instituição sujeitouse a uma cisão parcial, com alocação dos ativos e passivos cindidos em duas sociedades, a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A., ambas constituídas imediatamente antes da operação. Em seguida, as ações emitidas por esta última sociedade foram incorporadas pela primeira, daí decorrendo a formação de uma subsidiária integral. Concluídos os atos societários, portanto, parte dos títulos patrimoniais emitidos pela Associação Bovespa foi extinta e substituída por ações Fl. 669DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 22 representativas do capital social da incorporadora, a Bovespa Holding S.A., a significar que, no ativo da recorrente e dos demais associados, as novas ações passaram a ocupar a posição dos antigos títulos (a ‘Desmutualização’).” A primeira questão a ser avaliada, portanto, referese à operação societária ocorrida. É possível à associação sem fins lucrativos submeterse a processo de cisão? Mais do que isso, é possível, à fiscalização desconsiderar o procedimento da forma como realizado? Ainda, é possível o entendimento apresentado pela fiscalização? No que se refere a possibilidade de uma associação sem fins lucrativos proceder à cisão, passo a análise dos dispositivos específicos referentes a este assunto. A fiscalização entendeu que, por ser tratar de associação sem finalidade lucrativa, aplicase ao caso o artigo 61 do Código Civil, o qual da seguinte forma determina, verbis: “Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.” – destacamos. Ao interpretar o dispositivo legal citado, a fiscalização concluiu que não seria possível, à uma associação sem fins lucrativos, transferir patrimônio para uma sociedade com finalidade lucrativa. Por outro giro, em vista desta impossibilidade, o agente fiscal considerou que a operação realizada pela BOVESPA gerou a devolução do patrimônio investido na associação para o associado, o qual procedeu a novo investimento, agora em sociedade com fins lucrativos. Alguns aspectos apresentamse relevantes. O primeiro é: pode ser realizada a cisão? Neste ponto divirjo do entendimento apresentado pela fiscalização. Data vênia, entendo que sim, é possível proceder a cisão, ainda que a parte cindida seja vertida para a constituição de uma sociedade lucrativa. É que entendo que a obrigatoriedade de versão do patrimônio para outra entidade sem fins lucrativos se aplica apenas no caso de dissolução da entidade, isto é, de extinção da personalidade jurídica. Este entendimento está pautado na interpretação dos termos da lei, verbis: “Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, (...) será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes” Vale salientar que não houve extinção das pessoas jurídicas, mas sim transformação. A transformação, por sua vez, de acordo com o Código Civil (artigo 1.1131) e a 1 Código Civil: Fl. 670DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 659 23 Lei das S/A (Lei nº 6.404/76 artigo 220), é meio de reorganização societária que se dá independentemente da dissolução ou liquidação da sociedade. Aliás, por tratarse de mera alteração do tipo da sociedade, esta não poderia, mesmo, extinguirse ou liquidarse, sob pena de não restar pessoa jurídica para ter seu tipo alterado. Por outro giro, a possibilidade de cisão está prevista no Código Civil, artigo 2.033, que expressamente se refere às entidades sem fins lucrativas, a saber: “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Neste sentido, determina o artigo 44 do mencionado Código: “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos; VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.” Confesso que o procedimento adotado pela BOVESPA suscitou dúvidas nesta relatora, mas não encontrei na legislação a limitação interpretada pela fiscalização, ao contrário, outras entidades sem fins lucrativos como clubes, entidades de ensino, etc já realizaram este procedimento, passando a auferir lucros e apurar tributos na pessoa jurídica cindida. Neste diapasão, é de meu entendimento que a cisão poderia ter sido realizada e que não houve extinção da pessoa jurídica, como interpretou a fiscalização. "CAPÍTULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse." Fl. 671DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 24 Imperioso esclarecer que, com isso não estou validando procedimentos societários abusivos realizados por associados. O ilustre Procurador Federal, ao proceder à sustentação oral em defesa do lançamento da forma como realizado, argumentou que as associações são constituídas e mantidas com incentivo público e que consiste abuso, após a associação estar consolidada justamente por contar com estes incentivos públicos, converter quase totalidade deste patrimônio para a iniciativa privada. Neste particular concordo com a Procuradoria. Realmente, ao proceder a análise sistemática do ordenamento, pareceme abusivo permitir que alguns particulares se aproveitem de patrimônio constituído e consolidado com base em incentivos públicos. A lei permite a cisão, mas não o abuso, operação com este supedâneo deve ser desconstituída por abuso de forma e até mesmo erro de substância. Todavia, in casu o auto de infração não foi lavrado com base na ocorrência de fraude, tanto é assim que não houve majoração de multa para o percentual de 150%. Da mesma forma, não houve alegação/comprovação, por parte da Fazenda, de que as operações societárias ocorreram com abuso de forma ou da ocorrência de lesão ao patrimônio público. Em conseqüência deste raciocínio, passemos ao próximo ponto, sendo a cisão ilegal para entidades sem fins lucrativos, a fiscalização poderia desconsiderála da forma como desconsiderou? Entendo que não. É importante ponderar que a operação societária foi efetivamente realizada, que os documentos societários foram devidamente registrados na Junta Comercial e que não houve desvio de finalidade por parte dos contribuintes envolvidos na operação societária, uma vez que os documentos de cisão demonstram claramente o objetivo pretendido pelos associados da BOVESPA. Não resta dúvida que a operação de cisão foi formalmente realizada e aceita. Tais aspectos são relevantes porque, conforme mencionado, a fiscalização desconsiderou a operação da forma como realizada para considerar como ocorrida outra realidade, qual seja, a restituição do capital investido e o novo investimento na pessoa jurídica que procedeu ao IPO. Todavia, esta desconsideração precisa ser justificada. Que os fatos ocorreram – ainda que formalmente desta maneira, não resta dúvida, assim, como é que poderiam ser desconsiderados? De acordo com a jurisprudência deste Tribunal, os atos podem ser desconsiderados se o propósito negocial, a razão que os justificam, não forem verdadeiras. Na hipótese da formalização do procedimento destoar com a realidade dos fatos. Ocorre que este não é o caso dos autos. Os fatos demonstram que os contribuintes pretendiam proceder a desmutualização e posterior abertura de capital da BOVESPA, e para atingir este objetivo procederam à cisão parcial. Não houve alteração em relação ao propósito negocial pretendido. Na hipótese de a fiscalização entender que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal, deveria rever o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN). Entretanto, o ato da desmutualização, que gerou efeito na contabilidade da Recorrente, não foi revisto. A operação societária realizada até o momento, pelas informações contidas nos autos – consiste em negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderada enquanto válida. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 660 25 Com este raciocínio, a meu sentir, somente seria possível desconsiderar os efeitos da desmutualização para a Recorente se a própria operação societária tivesse sido desconsiderada. O ato jurídico que deve ser analisado e, se o caso, desconsiderado, é a operação realizada pela própria BOVESPA. Caso o fato em si – a cisão da BOVESPA – não seja desconsiderado, tem que ser admitido como válido pelo Fisco, uma vez que foi devidamente formalizado e registrado nos órgãos competentes. Esclareço que com isso não estou dizendo que a JUCESP tem o poder de validar atos nulos ou ilegais, apenas que um ato jurídico perfeito tem que ser devida e justificadamente desconsiderado para deixar de surtir efeitos no mundo jurídico. Desta feita, haja vista que a cisão foi realizada, registrada e validada, que não há razão que fundamente a desconsideração do procedimento realizado posto que o propósito negocial foi devidamente atendido, entendo que não é permitido à fiscalização simplesmente desconsiderar a operação societária de cisão, interpretando que “na verdade” o que ocorreu foi uma devolução de capital com sucessivo investimento em nova sociedade. Ademais, e agora adentrando no aspecto da substância pretendida pelo Fisco, os investidores não tiveram, entre a desmutualização e a criação na nova sociedade, a disponibilidade jurídica dos valores investidos na entidade sem fins lucrativos, tanto é assim que não tinham opção de investir em outra sociedade qualquer. Este fato não ocorreu e não pode ser presumido. Portanto, concluo que a alegação do Fisco de que as ações recebidas quando da transformação da BOVESPA e da BM&F se deu em razão de devolução de capital, não se sustenta. No mesmo sentido, não há de se falar em “novas” empresas ou “novas” participações. As empresas sofreram alteração do tipo societário, modificando a forma de se organizar. O Fisco utiliza este argumento – de que houve devolução do capital – também para justificar seu entendimento de que as ações detidas pela Recorrente não se confundem com os títulos patrimoniais que detinha. Em decorrência do raciocínio acima apresentado, concluo que as premissas adotadas pelo Fisco estão equivocadas. Em primeiro lugar porque, como dito, não houve devolução de patrimônio e, em segundo lugar, porque justamente a equivalência das ações e dos títulos patrimoniais anteriormente detidos, no que se refere aos valores, bem como o fato de ter havido uma transformação do tipo societário, evidenciam que não se trata de nova aquisição de participação, mas mera substituição de um tipo de participação por outro, em razão da transformação das entidades. Tanto assim, que como bem observou o Fisco, quando da substituição dos títulos patrimoniais pelas ações, foi necessário conferir ações que representassem o mesmo valor dos títulos patrimoniais anteriormente detidos. Esta equivalência também evidencia se tratar de mera substituição de um tipo de título representativo de capital por outro. Por esta razão, a interpretação fiscal de que deveria ter sido registrado na contabilidade uma devolução de capital, distribuição de superávit, incorporação de bens e Fl. 673DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 26 obrigações ao patrimônio da Recorrente, com posterior aquisição de novas participações em “outras” sociedades anônimas, não se mantém pois esta realidade não ocorreu. (i.b.) Da Classificação Contábil das Ações A questão da operação societária é absolutamente relevante para a análise da classificação contábil das ações recebidas como troca pelos títulos que a Recorrente possuía da entidade sem fins lucrativos. Isso porque pelo raciocínio da fiscalização, como houve um novo investimento, necessária se faria uma nova classificação. Neste sentido, se a classificação contábil correntemente se faz no momento em que o ativo é adquirido, claro que a constituição de uma nova sociedade é o momento de classificação do ativo, assim, no instante da constituição da BM&F, antes da venda das ações, deveria ser verificada a intenção do contribuinte para com o ativo, classificandoo como permanente (se a intenção era de manutenção do investimento a longo prazo) ou circulante (se a intenção era disponibilizar as ações para venda). Todavia, conforme esclarecido, discordo deste posicionamento, no sentido de que a meu ver não se trata de novo investimento mas de manutenção de investimento antigo, haja vista que não coaduno com a interpretação de que houve a devolução do capital investido mas procedimento de cisão. Neste diapasão, a questão que me parece relevante é saber se haveria, para a Recorrente, no momento da desmutualização ou em qualquer outro instante antes da venda das ações, obrigação de reclassificar o ativo, alterando a forma de contabilização de permanente para circulante. É de se observar que os títulos foram adquiridos para o fim de investimento, sem que houvesse a intenção, por parte de Recorrente, de utilizálos para obtenção de lucros. Até porque, à época, a obtenção do título era requisito para a que a Corretora pudesse operar na Bolsa de Valores. Neste sentido, imperioso relembrar que, como bem esclarece o Parecer Normativo nº 03/80, citado pela Recorrente em sua defesa, temse como regra que a classificação contábil é determinada no momento da aquisição deste bem. Neste sentido, destaco trecho do citado Parecer, verbis: "5. Por conseguinte, tendo em vista os reflexos da alteração pretendida na apuração dos resultados da pessoa jurídica, é evidente que o contribuinte não tem faculdade de classificar as contas, ou reclassificálas, segundo critérios subjetivos de sua conveniência. Ao contrário, impõe se a rigorosa observância dos preceitos da lei comercial e fiscal. 6. Os critérios de classificação a serem observados devem ser aqueles consubstanciados nos arts. 178 a 182, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável por expressa determinação do § 4° do art. 70 do DecretoLei n° 1.598/77. No caso sob exame, a reclassificação, para o ativo circulante, de direitos registrados no ativo imobilizado fere frontalmente disposições Fl. 674DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 661 27 do art. 179 da Lei n° 6.404/76. Segundo a alínea I desta norma, somente podem ser incluídos no ativo circulante os direitos de crédito e os que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio ou da indústria da companhia, além das disponibilidades e das aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem." (destaquei) Assim, no momento da desmutualização, não resta dúvida que os títulos estavam registrados no ativo permanente da Recorrente e que esta classificação estava correta. Da mesma forma, pareceme claro que a classificação do bem deve obedecer à intenção de seu proprietário no momento de sua aquisição2, o que aliás, é confirmado pela boa técnica contábil, que determina a avaliação do bem no momento de seu registro na contabilidade da empresa. Tanto é assim que a fiscalização, para justificar a necessidade de nova classificação do bem, entendeu que houve uma devolução de patrimônio com investimento em nova sociedade, pois sem dúvida neste momento – realização de nova contabilidade – deve ser realizado o registro contábil, bem como deve ser questionada a intenção do contribuinte para referido o bem (se investimento permanente ou não). A dúvida, a meu sentir, é: a modificação de “título” para “ação” é condição suficiente para demandar a revisão/alteração do registro contábil ? Existe um momento para a reavaliação do registro contábil ? As ações são mercadorias ? A fiscalização cita, para justificar a autuação, informação da BOVESPA a todos os associados no sentido de que as ações “trocadas” deveriam ser registradas: no Ativo Circulante, em subconta especifica da conta Títulos. de Renda Variável, se a decisão for a de alienar as ações e no Ativo Permanente, em subconta especifica da conta Ações e Cotas se a decisão for a de .considerar essas ações como investimento. Fato é que não consta da nomenclatura jurídica uma regra clara que determine o momento de reclassificação do patrimônio na contabilidade. Neste sentido não se determina que a alteração tenha que ser realizada durante o ano calendário, no exato momento em que a empresa entende pela venda do ativo. 2 No presente caso, quando os títulos patrimoniais das entidades foram adquiridos a intenção da Recorrente era mantêlos, até porque deles dependia o desenvolvimento de sua atividade de corretora de valores, na medida em que era condição para o exercício de tal atividade a propriedade de tais títulos. Aliás, não se discute nestes autos o fato de que estes títulos foram adequadamente classificados como ativo permanente, visto que a fiscalização e DRJ concordaram expressamente com esta classificação. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 28 Ao buscar as normas complementares que esclarecerem os dispositivos legais e constitucionais, localizei o Parecer Normativo 108/78 – PN que da seguinte forma determina verbis: 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” A permanência do bem no patrimônio se presume na hipótese de o bem não ser vendido no mesmo exercício em que foi adquirido. In casu, o bem permaneceu no ativo da Recorrente durante muitos anos, o que demonstra que, neste aspecto, a “intenção de permanência” quando o bem foi adquirido está clara. Podese dizer que a alteração desta intenção de permanência se iniciou em agosto de 2007, quando realizados os procedimentos societários para desmutualização da BOVESPA. Isso porque o Protocolo de Intenções da cisão esclareceu o objetivo de transformação da parte da sociedade cindida em sociedade privada, bem como a posterior abertura de capitais. No caso em análise a venda das ações ocorreu nos meses subseqüentes ao IPO, ainda no ano de 2007. Todavia, ainda assim entendo que não se trata de venda de mercadorias, mas efetiva venda de ativos. É que o fato de o contribuinte tomar providências para que seu ativo fique mais valioso não significa que transformou este ativo em mercadoria. Não vejo como possível a mudança de substancia do bem, a meu ver este bem sempre foi um ativo, um investimento próprio. Por outro giro, a legislação expressamente exclui, da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, o valor referente à venda do ativo permanente. Logo, claro está que é possível realizar a venda de bens classificados no ativo permanente, no sentido de que não é preciso transferir o bem para o ativo circulante para proceder à sua venda. Os investimentos em discussão iniciaram o ano como título patrimonial e ficaram assim desde a existência da bolsa. O fato de a BOVESPA ter sido desmutualizada em agosto e do IPO ter ocorrido mais ao final do ano não altera a natureza do bem que continua sendo investimento próprio e, consequentemente, não, justifica a mudança de classificação contábil no próprio exercício e a reclassificação. Raciocínio inverso levaria à conclusão de inexistência/impossibilidade de opção de venda de ativo permanente. Isto porque, se as empresas forem obrigadas à reclassificação contábil do bem sempre que houver a intenção de venda do ativo, não haverá Fl. 676DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 662 29 venda de ativo permanente, posto que antes da venda ocorrerá mudança de rubrica contábil (de circulante para permanente ou de permanente para circulante). Neste sentido está a já citada redação do Parecer Normativo CST nº 3/80, a saber: “8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.” No mais, vale perscrutar qual é a essência do negócio jurídico em discussão. Da análise que faço, entendo que desde o início a Recorrente pretendeu vender seu ativo permanente, mesmo que na forma de ações e em procedimento de IPO. Para tal objetivo realizou a permuta de participações societárias (título x ação), sendo que corrobora esta interpretação o fato de serem sociedades com mesmo capital, mesmos investidores e mesma atividade econômica. Inicialmente cumpre registrar que a Deliberação CVM nº 29/86 esclarece que a contabilidade se baseia na essência e não na forma jurídica dos institutos, verbis: “(...) 2º) A contabilidade possui um grande relacionamento com os aspectos jurídicos que cercam o patrimônio, mas, não raro, a forma jurídica pode deixar de retratar a essência econômica. Nessas situações deve a Contabilidade guiarse pelos seus objetivos de bem informar, seguindo, se for necessário para tanto, a essência ao invés da forma.” (destaquei) No mesmo sentido, a Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade determina que nos registros contábeis devem seguir a essência do ato jurídico: “Art. 1º. (...) §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais.” (destaquei) As ações não foram adquiridas com a finalidade de mercancia, mas de investimento. E ainda que a desmutualização tenha ocorrido com o aval da Recorrente – os atos societários da cisão denotam que os associados estavam de acordo com o procedimento de alteração do tipo societário exatamente para alcançar a finalidade de proceder ao IPO – isso não significa, em minha interpretação, que o título se transformou em produto, ao contrário, significa que a Recorrente pretendia tornar seu ativo permanente bom para venda. Claro que o título ganhou “mais valia”, mas o fato de terse tornado mais valioso não mudou a situação e natureza de ser investimento próprio da Recorrente, inclusive registrado em seu próprio patrimônio. Por outro giro, o fato de terse transformado um investimento valioso justifica o interesse da Recorrente na venda do bem. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 30 Ademais, mister se faz avaliar os instrumentos assinados pela Recorrente no sentido de se comprometer com a alienação de parte das ações que receberia após a transformação das entidades em sociedades anônimas. Este fato faz com que tais ações devessem estar registradas no ativo circulante da Recorrente? Algumas considerações, neste particular, precisam ser realizadas. A Recorrente – assim como todas as demais associadas da BOVESPA e da BM&F – precisou se comprometer a vender parte das ações que receberia (em substituição aos títulos patrimoniais), como condição da realização da própria transformação das associações em sociedades anônimas. Na ocasião todas as corretoras que participavam da BOVESPA e da BM&F através de investimentos em títulos patrimoniais se comprometeram a alienar parte das ações substitutivas que viriam a receber, como forma de possibilitar a realização da própria transformação social. Quer dizer, para que as entidades pudessem se transformar em uma sociedade anônima, e considerando ainda que antes era uma entidade sem finalidade lucrativa, precisaria apresentar ao mercado uma oferta de ações, de modo a viabilizar a operação societária (abertura do capital). Assim, cada associado precisou se comprometer a alienar uma parte das ações que lhes caberia, em substituição aos títulos patrimoniais que até então detinham, para que pudesse ser aberto (ofertado) o capital das entidades, sob pena de a transformação não ocorrer (na hipótese, por exemplo, de nenhum dos associados às entidades, ofertar/vender as ações que receberiam). Por isso as associadas (inclusive a Recorrente) tiveram de assinar um instrumento através do qual se comprometiam a realizar a venda de parte das ações que receberiam em substituição aos títulos patrimoniais das associações, como forma de garantir a realização da transformação societária. Ainda, para garantir o sucesso da operação, as corretoras assinaram, também junto às entidades, termos através dos quais se comprometiam a alienar uma parcela das ações diretamente a um determinado fundo, que de acordo com negociações prévias com a BOVESPA e com a BM&F, garantiria a liquidez das operações, e o sucesso (mínimo) da abertura do capital (referido fundo comprometeuse a realizar a aquisição de parte do capital das entidades, no momento da abertura do capital, como forma de garantir a transformação das associações em sociedades anônimas). Portanto, a alienação destas participações societárias foi realizada como condição da realização da própria transformação societária que se realizaria. Este fato se comprova da análise dos instrumentos através dos quais a Recorrente se comprometeu a fazê lo, que foi assinado com as próprias entidades, e não com o potencial comprador (fls. 15/22). Registro ainda que, por mais que a Recorrente, neste momento, apresentasse a firme intenção de venda, isso não desnaturaria, a meu ver, a característica de investimento do patrimônio em comento, o qual foi adquirido com intenção de permanência no patrimônio. Significa, outrossim, que houve existe a intenção de venda do ativo imobilizado. Reiterando que a tese de que a Recorrente recebeu as ações em devolução de capital, o que justificaria nova avaliação contábil, com dito anteriormente, a meu sentir não procede, sendo que entendo que efetivamente houve a substituição dos títulos patrimoniais. Em relação à outra parcela das ações vendidas, também não se pode concluir que no momento da obtenção destes ativos a Recorrente visava sua venda, pois ainda que tais vendas tenham sido realizadas por liberalidade das corretoras (e da própria Recorrente), a venda da participação claramente não foi a razão pela qual tais participações adentraram o patrimônio das empresas. As ações não foram compradas no mercado para venda, já existiam no patrimônio da Recorrente como investimento permanente. A meu ver, são Fl. 678DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 663 31 investimentos próprios que se tornaram valiosos, razão pela qual a empresa decidiu vendêlos. O motivo pelo qual a Recorrente decidiu vender as ações foi porque elas foram valorizadas, não porque foram transformadas em mercadorias. Diante deste cenário – e mesmo que por hipótese se admita, apenas ad argumentandum, que se tratasse de aquisição de novos/outros bens – é evidente que também neste caso as ações não teriam sido adquiridas com a finalidade de serem alienadas. As ações teriam sido adquiridas, então, para substituir o capital investido nas entidades – ou seja, como afirma o Fisco, para recuperação do capital anteriormente investido. Aliás, ainda que fossem adotadas as alegações da autoridade fiscal, de que se trata de conferência de ações como forma de devolução de capital, mister constatar que, se devolução de capital é, então não poderia ser aquisição de ações para revenda. E, assim, sendo, não poderiam ser (re)classificados tais bens no ativo circulante da Recorrente, como pretendia a fiscalização. Com estas considerações, posto que adotada a premissa de que os bens em comento integram ao ativo permanente, cabe razão à Recorrente quanto à não incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado das alienações de tais bens, na medida em que há previsão legal expressa na Lei nº 9.718/98 afastando a tributação sobre tais receitas. Ante o exposto, conheço do recurso apresentado para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reformando assim a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Cabe a esse colegiado decidir acerca da procedimento que se convencionou designar por “desmutualização” da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e da Bolsa de Mercadorias e Futuros BMF, especificamente no que se refere ao tratamento tributário a ser dispensado ao ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da alienação pelo contribuinte das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais de Bovespa e BMF, por ele detidos, para fins de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. 1. Aspectos gerais da “desmutualização” As instituições autorizadas a operar na Bovespa e na BMF (conjuntamente denominadas “bolsas”), eram proprietárias de títulos patrimoniais representativos do capital dessas entidades, devidamente registrados em seus livros contábeis. As bolsas, até Fl. 679DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 32 recentemente, eram entidades civis sem fins lucrativos, contudo, tendo passado pelo processo de “desmutualização”, seu objeto passou a ser desenvolvido através de sociedades por ações, constituídas nos termos da Lei nº 6.404/76.. Nesse processo, os títulos patrimoniais foram substituídos por ações representativas do capital das novas sociedades. Em etapa subsequente procedeuse à alienação, no mercado, das ações recebidas pelos antigos detentores de títulos patrimoniais de forma a democratizar o capital dessas sociedades. A alienação se faz mediante ofertas públicas, secundárias das ações de Bovespa e BMF, transferindo os contribuintes a sua participação societária para os novos adquirentes. Por ocasião da alienação das ações, apurouse ou não ganho de capital, nos casos em que o valor de realização dos ativos foi superior ao seu respectivo custo de aquisição. Nesse contexto, esse colegiado deverá decidir sobre a incidência sobre o referido ganho de capital (sim, é de ganho de capital que estamos aqui a discorrer), para fins de incidência do PIS e da COFINS, o que exigirá transpassarmos pela legislação do IRPJ e da CSLL, inclusive no tocante à forma de determinação do custo de aquisição das ações que seria computado para fins de determinação do ganho de capital a ser tributado, caso esse colegiado decida adotar essa interpretação. 2. Da análise das operações realizadas 2.1 Natureza da “desmutualização” De forma geral, a “desmutualização” consistiu na conversão das bolsas, antigas entidades sem fins lucrativos, em sociedades com fins lucrativos constituídas sob a forma de companhia. O processo se fez observados os seguintes passos: (i) cisão parcial de Bovespa e BMF, com versão das parcelas de seus patrimônios para pessoas jurídicas com fins lucrativos; e (ii) troca dos títulos patrimoniais por ações das companhias criadas. Efetivada a “desmutualização“, procedeuse à venda compulsória firmada em compromisso de acionistas, pelos antigos detentores de títulos patrimoniais, no mercado, de parte das ações recebidas. O acordo firmado entre as partes envolvidas, bolsas e acionistas, determinou que essa venda se fizesse em até 180 dias a contar da desmutualização. As operações indicadas em (i) e (ii) acima integram um contrato amplo, atípico, formado a partir de contrato típico regulado em lei, a cisão, autorizada também para entidades sem fins lucrativos, pelo art. 2033, do Código Civil/CC, convergindo, ao mesmo tempo, para obter os efeitos da figura jurídica da transformação, também autorizada para entidades sem fins lucrativos no mesmo art. 2033 do CC. “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; Fl. 680DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 664 33 III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)” O artigo 61 do Código Civil, por seu turno, poderia lançar dúvidas sobre da possibilidade da destinação do patrimônio para uma nova sociedade, empresária, por sua redação: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. Porém, ao referirse ao artigo 56, esta admite claramente essa possibilidade: Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. A interpretação conjunta dos dois dispositivos afirma a possibilidade dessa destinação, ao determinar que sejam destinadas a outras associações sem fins lucrativos apenas a parcela remanescente “depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais do art. 56”, e quem são essas quotas ou frações ideais ? as dos associados. Se um clube de lazer decidir resolverse, e uma sociedade empresária for titular de quotas para o desfrute de seus empregados (aliás, indedutíveis para fins de IRPJ), ela receberá a sua quota ou fração, em seu nome. Não vejo portanto qualquer impeditivo legal para a execução da operação. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 34 É de se observar que pela cisão, parcelas de patrimônio das antigas bolsas, entidades sem fins lucrativos, foram transferidas para sociedades por ações, com fins lucrativos, sucedendo essas sociedades todos os direitos e obrigações referentes às referidas parcelas recebidas. De seu lado, os antigos detentores dos títulos patrimoniais tornaramse sócios das novas sociedades, capitalizandoas com suas antigas participações, sem qualquer alteração em sua situação patrimonial. A cisão está prevista no CC, art. 1122 e, de forma subsidiária no presente caso, na lei societária, art. 229. O recebimento das parcelas cindidas das bolsas, por sociedades com fins lucrativas, deu nascimento à transformação dessa parcela de patrimônio de entidade sem fins lucrativos para um patrimônio de entidade com fins lucrativos, convergindo, portanto, para a figura da transformação. Pela transformação a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro, devendo observar os preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado, no caso companhia. O tema é tratado nos arts. 1113 a 1115 do CC e 220 e 221 da lei societária. A transformação tem como principal decorrência a continuidade da sociedade transformada, no caso representada pelas parcelas patrimoniais parcelas vertidas no momento da cisão, atribuindose aos detentores dos títulos, convertidos em ações, todos os direitos de que anteriormente desfrutavam em relação a essas parcelas, apenas que, agora, sob uma entidade com fins lucrativos. É certo, pois, que os sócios das novas companhias mantiveram suas condições anteriores de detenção e tratamento dos ativos, da mesma forma que as novas sociedades sucederam direitos e obrigações das parcelas de patrimônio das bolsas. O que ser poderia arguir, e o que agora se faz, é se o contribuinte poderia ter agido de forma distinta, ou se estaríamos diante de uma operação sem propósito negocial ou desprovida de substância econômica, com o único fito de elidir a parcela dos tributos sobre o lucro, ou para evitar o surgimento de uma receita, ou seja, se esse “ganho de capital”, resultado de alienação de ativo permanente, não tributável pelo PIS e pela, poderia em algum momento terse constituído em uma “receita”, de natureza operacional, justamente porque “(in)dependente(mente) de sua denominação ou classificação contábil. Ou seja, se a partir de uma inferência contábil, a natureza jurídica da operação mudaria, e determinaria a sua forma de tributação. Estamos diante aqui, em minha opinião, de se a forma poderia modificar a essência da operação. 2.2 Histórico do tratamento contábiltributário dos títulos patrimoniais De forma a permitir a adequada compreensão de todos os aspectos relevantes aplicáveis à matéria, mister se faz recuperar o conjunto de dispositivos legais que regularam, ao longo do tempo, os títulos patrimoniais das bolsas. 2.2.1 Tratamento contábil A Lei n° 4.595/64 que dispõe sobre a atividade financeira no País , dentre outras matérias, deu competência ao Conselho Monetário Nacional – CMN para expedir normas gerais de contabilidade a serem observadas pelas instituições financeiras (art. . 4°). De sua vez, a Lei n° 6.385/76, em seu art. 223, §§ 1º, II e IV, e § 2º, conferiu igual prerrogativa à Comissão de Valores Mobiliários CVM, determinando ainda que tais disposições se apliquem, no que não forem incompatíveis, às instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil BACEN. Assim, o BACEN está autorizado a editar normas contábeis cuja observância pelas instituições financeiras e demais 3 Com a redação dada pelo Decreto Federal nº 3.995/01. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 665 35 entidades por ele autorizadas a funcionar é obrigatória, sendo que a CVM goza de idêntica prerrogativa, desde que as normas por ela editadas não sejam conflitantes com as determinações do BACEN. No que se refere à contabilização dos títulos patrimoniais das bolsas, nas instituições financeiras que os detinham, ela obedecia às disposições da Circular nº 1.273/87, do BACEN, que instituiu o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeira Nacional COSIF, de adoção obrigatória pelas referidas entidades.4. Dentre as normas instituídas pelo COSIF, mais especificamente no Elenco de Contas (e suas seções Relação de Contas e Função das Contas), destacamse as seguintes rubricas: (a) No Ativo Permanente, subgrupo Investimentos: 2.1.4.10.002 Títulos Patrimoniais, e seu desdobramento, 2.1.4.10.105 De Bolsas de Valores (b) No Patrimônio Líquido: 6.1.3.00.000 Reservas de Capital, e seu desdobramento, 6.1.3.70.009 Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais No descritivo da Função das Contas, dispõe o COSIF acerca das funções correspondentes às rubricas acima especificadas: (a) Títulos Patrimoniais (2.1.4.10.002), com seus desdobramentos De Bolsas de Valores (2.1.4.10.105) e demais. Função: Registrar os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e outros de propriedade da instituição, inclusive as contas patrimoniais da CETIP5. Ver itens 1.11.3.3 a 5 das Normas Básicas. As cotas patrimoniais da CETIP devem ser registradas nesta conta. (b) Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais (6.1.3.70.009) Função: Registrar o valor das atualizações anuais de títulos patrimoniais de bolsas e da CETIP. 4 A partir do período findo em 30.06.1988. 5 Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 36 Nas disposições contidas nas Normas Básicas, acima mencionadas, encontramse as orientações a serem observadas para fins de registro do valor dos títulos patrimoniais, bem como sua respectiva atualização: Seção: Ativo Permanente 11 Tópico: 3 Outros Investimentos 1 Constituem a carteira Outros Investimentos as seguintes aplicações: (...) (b) títulos patrimoniais; (...) 3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na data base do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na data base do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS, até o limite de seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. Assim, no que se refere ao tratamento contábil a ser adotado para fins de registro do valor correspondente aos títulos representativos dos patrimônios das bolsas, bem como sua respectiva atualização, o COSIF determinava que essa atualização deveria ser registrada em conta de ativo permanente, tendo como contrapartida reserva de capital no patrimônio líquido intitulada Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais. Ressaltese, apenas para enfatizar, que o registro da contrapartida da atualização dos títulos diretamente em conta de reserva de capital, de per si, já teria o condão de afastar qualquer efeito no resultado do período. 2.2.2 Tratamento tributário As manifestações oficiais quanto ao tratamento tributário da contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais remontam a período anterior à instituição do COSIF. Assim, a Portaria 785, datada de 23/12/77, editada pelo Ministro da Fazenda, dispunha: “O Ministro do Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no dispõe o artigo 223, “m”, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 76.186, de 2 de setembro de 1975, resolve: 1. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita, nem ganho de capital das corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro Fl. 684DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 666 37 real destas, desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. 2. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei n° 1.109, de 28 de junho de 1970, artigo 3°, § 3° (RIR, artigo 237)”. (D.O.U. de 23/12/1977).” (Grifos nossos) O dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda – RIR atinente à matéria, vigente à época e citado pela Portaria, trazia a seguinte redação: “Art. 223. Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência de aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos...” (com remissão, entre outros diplomas legais, ao art. 3° e respectivo § 1° do DecretoLei n° 1.109/70, que determinava que a não incidência se estendia aos sócios, acionistas ou titulares beneficiários, pessoas físicas ou jurídicas, podendo estas realizar aumentos de capital nas mesmas condições, mediante a incorporação dos valores distribuídos). À época da edição da citada Portaria, e até o final do exercício de 1987 (quando da publicação da Circular BACEN n° 1.273/87, que instituiu o COSIF), a contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas deveria ser efetuada em conta de resultado, integrando assim o lucro líquido do exercício e, por conseguinte, também o lucro real, base de cálculo do IR. Como se depreende, a Portaria foi editada com o fim precípuo de afastar a incidência do IR sobre o valor correspondente à atualização dos títulos, mediante a exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, respeitadas 3 (três) condições: que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas não fosse distribuído aos acionistas; que esse acréscimo constituísse reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital; e que não ocorresse redução de capital ou extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subsequentes, sob pena de tributação da parcela corresponde ao aumento de capital mediante a incorporação de reservas oriundas da atualização daqueles títulos, na pessoa jurídica, como lucro distribuído, ficando os respectivos sócios ou acionistas sujeitos à tributação pelo IR na declaração, ou na fonte, como disposto no DL 1109/70. A partir do exercício social de 1988, por força da entrada em vigor do Plano Contábil COSIF, a contrapartida credora da atualização positiva dos Títulos Patrimoniais das Bolsas de Valores deixou de transitar em resultado, passando a ser registrada em conta específica de Reserva de Capital, integrante do patrimônio líquido. A ausência de trânsito em resultado, por determinação do BACEN, eliminou qualquer reflexo tributário, exceto se houvesse uma especial determinação no sentido de que tal verba devesse ser tributada, o que não era o caso. Contudo, continuavam pertinentes as determinações da Portaria 785/77 no Fl. 685DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 38 sentido de que somente o registro em conta de reserva de capital, agora autorizada pelo BACEN, afastava o risco de tributação. As condições referentes à não distribuição dos lucros para afastar a tributação, na forma prevista na Portaria, decorriam do fato de que, à época, a distribuição de lucros e dividendos estavam sujeitas à incidência do Imposto sobre a renda na fonte IRF. A Portaria sob exame, embora não expressamente, foi revogada por ser incompatível com o sistema jurídico, pois que além de haver especial previsão do BACEN para registro da contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais, a partir de janeiro de 1996, por força do disposto no art. 10 da Lei nº 9.249/95, a distribuição de lucros e dividendos, não mais está sujeita à incidência do IRF, nem tampouco devem eles integrar a base de cálculo do IR do beneficiário. A restrição da Portaria, entretanto, continua aplicável a lucros anteriores a 1996. 2.3. Ações: aspectos contábeis e tributários 2.3.1. Considerações preliminares Primeiramente, importante mencionar dois fatos: no lançamento de ofício as autoridades fiscais cuidam de tentar configurar a operação como passível de tributação pelas contribuições do PIS e da COFINS nos seguintes termos, que transcrevemos por pensar ser importante para adequadamente contextualizarmos os fatos: 6. Do Direito A matéria aqui tratada transcende a simples questão tributária e contábil. Daí a necessidade de identificar, primeiro, a natureza jurídica das Bolsas e o regime jurídico a que estão sujeitas, e depois, a natureza da operação denominada desmutualização. 6.1 Da natureza jurídica da associação (Bolsa) e s e u regime jurídico A questão reside no seguinte: a desmutualização é uma simples SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS por Ações ou é uma DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO aos associados? Nesse sentido, a RFB j á se pronunciou na Solução de Consulta COSIT n° 10, d e 26 de outubro de 2007, in verbis. "O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei n° 6.404, de1976, e art.1.122 da Lei n° 10.406, de 202, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associação se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei n° 10.406, de 2002 (Código Civil). O art.61 da Lei n° 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa". Vejamos o que dispõe o art. 61 do Código Civil: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio liquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, Fl. 686DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 667 39 omisso este, por deliberação doas associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos. § 1° Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. Como se vê, o dispositivo é claro ao exigir que o estatuto de associação só possa destinar seu patrimônio em caso de dissolução, mesmo parcial, para outra entidade de fins não lucrativos. Porém, permite que os associados recebam em restituição, as contribuições prestadas no passado. Resta irrefutável a necessidade de que sejam observadas as limitações impostas pelo Código Civil. Assim, as contribuições prestadas no passado pelas corretoras, convertidas em títulos patrimoniais, não podiam ser destinadas a uma sociedade empresarial com fins lucrativos. Entretanto, a norma jurídica permite a DEVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO aos associados, referente às contribuições prestadas no passado, no caso, o valor dos títulos patrimoniais. Diante do acima exposto, concluise que houve uma Devolução de Patrimônio, seguida da aquisição das ações subscritas, apesar de a Bolsa denominar a operação de "cisão parcial", seguida de "incorporação". Não se trata, pois, d e mera SUBSTITUIÇÃO de títulos por ações. A devolução de patrimônio, alcançada pelo artigo 17 da Lei n° 9.532/97, foi objeto de Ação Fiscal no ano de 2009 e resultou em autuação de IRPJ e CSLL no Processo n°16327.001043/2009 14. 6.2 Da legislação tributária e aspectos contábeis A corretora CITIGROUP é tributada pelo PIS e pela COFINS, nos termos da Lei 9.718/98.Os artigos 2° e 3 o da referida lei estabelecem que as citadas contribuições devem ser calculadas com base no faturamento das pessoas jurídicas, faturamento este que corresponde a sua receita bruta. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, são permitidas algumas exclusões da receita bruta, que estão prescritas no parágrafo 2° do artigo 3o da Lei n°9.718/98. Entre as exclusões permitidas, encontrase a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente, prevista no inciso IV, do referido dispositivo legal. Art. 3 O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 40 (...) § 2 Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) Verificamos que a CITIGROUP excluiu as receitas da venda destas ações da base de cálculo do PIS e da COFINS, como comprovam os demonstrativos apresentados a esta fiscalização(fls. ) Examinando os registros contábeis, constatamos que a CITIGROUP, após subscrever e receber as ações da Bovespa Holding S A , classificouas no ativo permanente, inclusive aquelas vendidas no IPO. Entendemos que a classificação contábil correta das ações alienadas no IPO é ativo circulante, mais especificamente nas seguintes contas COSIF (Plano Contábil das Instituições Financeiras definido pelo Banco Central): 1 CIRCULANTE E REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 1.3 TÍTULOS DERIVATIVOS E VALORES MOBILIARIOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS 1.3.0.00.004 TÍTULOS FINANCEIROS DERIVATIVOS E VALORES MOBILIARIOS E INSTRUMENTOS 1.3.1.00.007 Livres 1.3.1.20.001 TÍTULOS DE RENDA VARIÁVEL 1.3.1.20.104 Ações de Companhias Abertas Como a legislação permite a exclusão das receitas da venda do ativo permanente, não há que se falar em exclusão da receita obtida na venda das ações da Bovespa no processo do IPO. A seguir, demonstramos por que as ações vendidas devem ser classificadas no Ativo Circulante. Vemos aqui, portanto, que a fiscalização fundamenta seu lançamento no fato de que a classificação contábil procedida pelo contribuinte fora incorreta, e que por isso o tratamento tributário seria inadequado. Com a devida vênia, é o oposto do que temos visto nesse E. Conselho, onde a fiscalização tem buscado, mormente nos casos em que se analisam reestruturações societárias, desconstituirse eventuais deduções (tais como de ágio), pelo fato de que as operações careceriam de fundamentação econômica. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 668 41 Há portanto uma inversão da ordem, a contabilidade sobreporseá à substância econômica da operação, caso prevaleça o entendimento desposado nesse lançamento. Teria, portanto, a ciência contábil de per si o poder de transformar a substância de uma operação em outra, para fins meramente tributários ? tecerei alguns comentários, de resto absolvidos de artigo que escrevi em outras circunstâncias: A ciência econômica em sua vertente neoclássica compreende o mundo pela ótica de que pessoas, empresas e governos são agentes racionais que escolhem também racionalmente a melhor opção para valeremse de recursos escassos para atender necessidades ilimitadas. Dentro do nosso contexto, as expressões econômicas que devem ser capturadas nesse estudo e que são capturadas pela ciência contábil e pelo Direito são renda, patrimônio e consumo. Resumidamente, estas são riquezas essenciais e que interagem dentro do nosso sistema e, também, que se comportam e podem ser medidas das mais diferentes formas. Ainda que existam vários métodos de medição e apuração, não podemos esquecer requisitos essenciais que são, respectivamente, riqueza nova acrescida, riqueza acumulada e riqueza consumida. Essas expressões econômicas ganham envergadura em diversas disciplinas específicas dentro da contabilidade e do direito seja ele comercial ou tributário. Tais disciplinas estão separadas basicamente pelas funcionalidades específicas de seus propósitos, todavia, sem se deslocar da unidade que deve ser mantida tanto no Direito quanto na Contabilidade. A Contabilidade é outra das ciências sociais que mede a riqueza, diferentemente da ciência econômica, entretanto, por meio de um processo de (i) reconhecimento, (ii) mensuração e (iii) evidenciação das ações econômicas em determinada entidade apurandose seu patrimônio e suas variações no tempo. No processo de reconhecimento, verificase qual é a classificação da ação de natureza econômica. Para obterse a classificação dessa ação econômica é necessário um conjunto de definições próprias da contabilidade, que não necessariamente fazem parte da economia ou do Direito, muito embora o fenômeno ocorra no mundo real para todas essas ciências. Assim também se comporta quando a contabilidade mensura, quando a ação de natureza econômica devidamente classificada recebe sua expressão monetária contábil. Essa expressão monetária pode não corresponder à expressão jurídica (uma venda registrada a valor presente, não tem o mesmo valor expresso no contrato de compra e venda) ou à expressão econômica (o patrimônio líquido não reflete, em regra, o valor de utilidade da marca desenvolvida pela entidade). Por isso a contabilidade exige método específico que conduza à evidenciação e que torne possível demonstraremse ao usuário das informações contábeis quais foram esses procedimentos de reconhecimento e de mensuração utilizados. Dessa forma o processo contábil possui uma lente própria – com seus usos, métodos e costumes para enxergar a realidade e retratála. 6 Fabio Konder Comparato também sistematiza esse entendimento7 afirmando que (...) o balanço como de resto toda a contabilidade não pode jamais ser um simples reflexo 6 Lopes, Alexsandro broedel e Roberto Quiroga Mosquera. In O Direito Contábil. Fundamentos Conceituais, aspectos da Experiência Brasileira e Implicações. , Controvérsias JurídicoContábeis São Paulo, Ed. Dialética, 2011, p. 59 7 Ensaios e pareceres de direito empresarial, forense,1977, p. 32 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 42 de fatos econômicos, porque, se trata de uma interpretação simbólica e, portanto, convencional, da realidade. De fato, a contabilidade é um instrumento de medição de riqueza, que adota como meio a organização sistemática e consistente dos registros econômicofinanceiros. Esse instrumento é frequentemente utilizado por especialistas de outras ciências, dentre elas o próprio Direito, que por sua vez, outras ocasiões também é utilizado pela ciência contábil. Um é fonte do outro em diversas situações, outrossim, não raro ambos distanciamse um do outro. Certamente a ciência contábil é importante para mensurar e reduzir consistentemente a uma linguagem universal as informações econômicas, todavia, ela não será sempre utilizada como parâmetro para fins de legislação societária ou tributária. Conforme Rodrigo de Freitas8 as hipóteses de incongruência entre a ciência contábil e o Direito devem ser procuradas na própria legislação (societária/tributária). 2.3.2 Do Fato gerador e base de cálculo do PIS e da COFINS Desde a Constituição Federal de 1988, com redação conferida pela Emenda Constitucional nº 20/1998, já havia a previsão da incidência dessas contribuições sobre a receita ou o faturamento da empresa, sendo que a base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos teve sua definição por meio das referidas Medidas Provisórias nº 66/2002 e nº 135/2003, respectivamente convertidas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, como seguem, prevendo como base de cálculo o valor do faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela empresa, independentemente da denominação ou classificação contábil a ela atribuídas,ou seja todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica nos seguintes termos: Lei nº 10.637/2002: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” Lei nº 10.833/2003: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” 2.3.3 Principais aspectos sobre o conceito de receita para fins de tributação do PIS e da COFINS 8 Freitas, Rodrigo de. In Ciência Contábil e Direito Contábil: a Nova Relação. Controvérsias JurídicoContábeis, Ed. Dialética, p. 424. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 669 43 O legislador ao escolher como base de cálculo do PIS e da COFINS a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”, no exercício da nova competência constitucional outorgada à União através da Emenda Constitucional nº 20/1998, olvidou de delimitar o sentido e alcance do termo “receita”. Ocorre que a simples menção ao termo “receita” em nossa Carta Constitucional implica na delimitação da liberdade do legislador infraconstitucional pelo legislador constituinte derivado, já que permitir ao intérprete ou ao legislador ordinário definir o sentido e alcance de institutos e conceitos constitucionalmente empregados seria autorizálos a que, arbitrariamente, firmassem nova discriminação de competência – hipótese não aceita pelo ordenamento jurídico pátrio. A nossa doutrina também se manifesta no sentido de que receita é uma espécie do gênero entrada, como ensina Geraldo Ataliba: “(...) Entrada é todo o dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. (...) Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que recebe (...)”. Neste sentido, Marco Aurélio Greco considera que: “Nem todo “dinheiro” que “entra” no universo da disponibilidade da pessoa jurídica integra a base de cálculo da COFINS. Não basta ser uma “entrada” (mera movimentação financeira) é preciso que se configure como “ingresso”, no sentido de entrada como sentido de permanência e que resulte da atividade que corresponda ao seu objeto social (ou dele decorrente).” Ainda neste sentido, manifestouse Aires Fernandino Barreto (RDDT nº 5): “i.e.1. Ingressos e receitas Nem todos os valores que entram nos cofres das empresas são receitas. Os valores que transitam pelo caixa das empresas (ou pelos cofres públicos) podem ser de duas espécies: os que configuram receitas e os que se caracterizam como meros ingressos (que, na Ciência das Finanças, recebem a designação de movimentos de fundo ou de caixa). Receitas são entradas que modificam o patrimônio da empresa, incrementandoo. Ingressos envolvem tanto as receitas como as somas pertencentes a terceiros (valores que integram o patrimônio de outrem). São aqueles valores que não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe, para posterior entrega a quem pertencem. Apenas os aportes que incrementam o patrimônio, como elemento novo e positivo, são receitas.” José Antonio Minatel, por sua vez, após longo e aprofundado estudo acerca do conceito de receita no contexto constitucional, na lei societária, na ciência contábil, na economia, nas finanças públicas, na lei tributária, bem como sobre a diferença entre receita, faturamento e ingresso, entre outras análises, verificou ser possível “reconhecer os seguintes atributos imprescindíveis para qualificar essa específica realidade expressa sob o signo de receita”: Fl. 691DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 44 “a) conteúdo material: ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica; b) natureza do ingresso: vinculada ao exercício de atividade empresarial; c) causa do ingresso: contraprestação em negócio jurídico que envolva a venda de mercadorias ou prestação de serviços, assim como pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos e pela remuneração de investimentos; d) disponibilidade: pela definitividade do ingresso; e) mensuração instantânea: isolada em cada evento, abstraindo se dos custos e de periodicidade para a sua apuração. “ Nesse sentido, como bem observado por Ricardo Mariz de Oliveira, tratando em específico sobre o conceito de receita (onde não por acaso tece criticas à obra de De Plácido e Silva por, em sua ótica, confundir receita com ingresso ou entrada), para a contabilidade (1) a receita é algo que integra o resultado do período, (2) que existe quando terceiros efetuem o pagamento de uma transação ou assumam o compromisso firme de efetivá lo em decorrência de uma venda ou de serviços, (3) podendo também existir pelo desaparecimento de uma dívida ou pela geração natural de ativos. Relevante relembrar que tanto a lei que disciplina a contribuição ao PIS quanto aquela que aborda a COFINS preveem que a caracterização da receita independe da denominação ou classificação contábil. Não obstante a ressalva em questão possa inferir que todas as receitas podem ser objeto de tributação pelas contribuições em tela – exceto as exclusões, isenções e outros benefícios previstos em lei – não há como afastar os conceitos econômico e contábil de receita, mormente quando afirmados pelo novel denominado (mas não consensuado quanto à sua existência) Direito Contábil. Observamos, ainda, que o conceito de receita delimitado não é similar ao de renda, ou seja, que auferirse receita apenas ocorra quando há lucro ou ganho. Isto porque, para caracterização da receita, não se leva em conta nem custos nem despesas. Ou seja, “ainda quando haja uma venda com prejuízo, por ser o custo da coisa vendida maior que o preço da sua venda, este, de per si, representa um elemento positivo na formação do patrimônio. (...) Este isolamento do fator positivo, para a identificação do que seja receita, é que distingue receita de lucro, renda ou ganho (...)” (OLIVEIRA, Ricardo Mariz de apud SEHN, Solon. Op. cit., p. 159160). Além dessas espécies de receitas, existem outras, antes denominadas “não operacionais”, mas hoje consideradas simplesmente “outras receitas” (vide, por exemplo, a atual redação do art. 187, IV, da Lei 6.404/1976, em contraposição com a sua redação original). Como ensina a doutrina: “Com a edição da Lei nº 11.941/09, art. 187, inciso IV, deixa de existir a segregação dos resultados em operacionais e não operacionais. A partir do exercício de 2008, os normativos fazem referência apenas à segregação das atividades em continuadas e não continuadas. Assim, passam a ser reconhecidas como outras receitas e despesas operacionais os ganhos ou perdas que decorram de transações que não constituam as atividades ordinárias de uma entidade. Ou seja, o conceito de lucro Fl. 692DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 670 45 operacional engloba os resultados das atividades principais e acessórias, e essas outras receitas e despesas operacionais são atividades acessórias do objeto da empresa” (IUDÍCIBUS, Sérgio, et al. op. cit., p. 516). As outrora denominadas receitas nãooperacionais incluíam as receitas financeiras, as receitas com vendas de ativo permanente e as receitas extraordinárias. Essas espécies de receitas foram contempladas na legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, quando a norma literalmente dispôs que a totalidade das receitas inclui, além da receita bruta das vendas de bens e serviços, “todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica” (art. 1º, § 1º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), mantendo a previsão da Lei no. 9.718/98 Vêse, portanto, que a base de cálculo do PIS e da COFINS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela empresa, porém, não qualquer ingresso, mas aquelas cujo conceito jurídico e técnicocontábil encerra uma repercussão patrimonial positiva para a empresa. Concluindo, no caso concreto, tivemos, como consta dos autos, a alienação das ações recebidas em troca pela sua posição inicialmente mantida, porém, não deixou de ser uma alienação de ações de investimento próprio, que resultou contabilmente em uma receita de natureza nãooperacional. Se ainda assim julgássemos que essas receitas fossem submetidas á tributação, caberia a aplicação dos dispositivos da Lei nº 11.638/07 no sentido de que qualquer efeito decorrente das alterações da lei societária, que ocorreu de fato após a operação aqui analisada, seria necessariamente neutra do ponto de vista tributário. Prosseguindo, na percepção desse julgador, nada do que houve a posterior, ou independentemente de ter havido uma operação complexa, elidiria o fato de que a operação teve como propósito negocial a alienação da participação societária detida pelo contribuinte no mercado. Essa alienação apenas foi viável, sob a ótica do direito societário, pelo processo de conversão e troca de títulos representativos de um patrimônio por outros títulos, cuja colocação no mercado era possível, de acordo com a legislação de regência dos mercados de capitais. Não fazêlo significaria não apenas uma perda de oportunidade econômica para o contribuinte, mas também para a sociedade, para outros investidores, desejosos de adquirir essa participação do outro lado. Na origem, o contribuinte detinha títulos representativos de um patrimônio, cuja aquisição era obrigatória para o exercício, ai sim, de sua atividade econômica. A atividade principal do contribuinte, como instituição financeira, sempre foi negociar com ações em nome de terceiros, ou intermediar operações financeiras. As instituições financeiras, entretanto, não estão impedidas de negociar ações em seu próprio nome, podendo fazêlo inclusive à guisa de maximizar a sua rentabilidade, e manter a sua saúde financeira. Entretanto, a norma regulatória sempre exigiu que essas operações fossem registradas em contas separadas. Esses títulos representativos da antiga Bovespa sempre tiveram intenção de permanência até porque era a única forma de operação naquele mercado, e o fato de ter sido alienada não poderia transmutar a sua natureza, ainda que por força de uma interpretação e até mesmo de observância contábil dessa interpretação, em uma operação simples de negociação com ações realizadas por ordem de terceiros, no curto prazo, com fins meramente especulativos. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 46 O mesmo afirma o Professor Eliseu Martins às fls 19 e ss. do seu parecer, às fls 632 e ss. dos autos do Processo no. 16.327.001329/200991 2.3.4 Tratamento contábil das ações Como já foi comentado, os ativos têm seu registro contábil definido por ocasião de sua aquisição, considerandose a destinação que a sociedade pretende dar ao bem ou direito. Nesse sentido, como o título patrimonial era investimento diretamente vinculado às suas finalidade se e nos estritos termos do COSIF suscetível de registro como investimento permanente, suscetível de receber atualizações, sua conversão em ações de companhia não poderia merecer tratamento diferente. Dessa forma, até o momento da venda das ações deveriam elas estar classificadas como investimentos permanentes, ainda que sua venda parcial tivesse sido previamente ajustada, por força do acordo já mencionado. Observese que a manutenção de investimentos permanentes, nessa condição, até a data de sua venda, sempre fora aceita inclusive pelas autoridades fiscais, que não submetem o ganho oriundo da venda de investimento permanente à tributação antecipada, em nenhuma hipótese. De acordo com os autos, o contribuinte não detinha investimento relevante nas bolsas o que, por ocasião da substituição dos títulos anteriormente detidos, pelas ações representativas do capital das bolsas, determinava a sua classificação contábil sob a rubrica 2.1.9.90.003 Outros Investimentos que deveriam ser mantidos até o momento da venda se concretizada no ano de 2007, o mesmo exercício social da “desmutualização”. Ainda que as ações tenham sido alienadas em data posterior ao término do prazo pelo qual tivesse sido firmado o compromisso de manutenção da respectiva participação acionária, em decorrência da assinatura do referido acordo de acionistas, o tratamento contábil seria o mesmo: manutenção em conta de ativo permanente, até a venda dos bens, rubrica (2.1.9.90.003). Esse registro prestouse, exclusivamente, a substituir aquele correspondente aos títulos até então detidos (2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores), também classificáveis em conta integrante do Grupo Permanente – Investimentos. Ou seja, em nossa visão, o conjunto de atos praticados não poderia em qualquer hipótese, caracterizar uma “aquisição” de participação societária nova que justificasse a sua contabilização em conta diversa, como pretenderam as autoridades fiscais. Por fim, importante ressaltar que, a partir da data de recebimento das ações em substituição aos títulos anteriormente detidos, o valor do investimento que não estivesse sujeito à avaliação com base no método de equivalência patrimonial, de que tratam o art. 248 da Lei das S.A. e a Instrução CVM nº 247/96, deveria ser avaliado pelo método do custo de aquisição, nos termos do disposto no art. 183, III daquela lei, não mais se lhes aplicando as disposições anteriormente citadas, sobretudo a Circular BACEN nº 1.273/87 (no que se refere ao registro dos Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores). 2.3.5 Tratamento tributário da atualização dos títulos A primeira questão a ser avaliada diz respeito ao tratamento a ser dado à contrapartida da atualização dos títulos, registrada como reserva de capital, no momento em que estivessem sendo alienadas as ações das novas sociedades. A matéria deve ser analisada sob 2 (duas) diferentes linhas de interpretação que conduzem, sempre, à não tributação desse valor, a saber: (i) primeiramente, por causa da ausência de comando para cômputo da reserva na determinação do lucro real: a Portaria 785/77 foi editada com a finalidade de evitar a tributação da atualização dos títulos, vigorando ela, plenamente, para os lucros gerados até Fl. 694DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 671 47 1995. Nesse caso há dois diferentes aspectos a serem observados: cômputo da atualização no lucro real e cômputo da atualização para fins de IRF. No que tange ao cômputo no cálculo do lucro real, o RIR dispõe no art. 442 , parágrafo único:: “Art. 442 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § único O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real.” (Grifos nossos) A reserva de capital constituída pelas instituições financeiras, em decorrência da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas, não está contemplada dentre as reservas de capital não tributadas pelo IR, contudo essa atualização foi expressamente excluída do lucro real pelo Poder Executivo, nos exercícios em que foi reconhecida (até dezembro de 1995), não havendo, hoje, qualquer possibilidade de se determinar a sua inclusão no lucro real por força do princípio da segurança jurídica, que mantém a proteção de que ela desfrutou, no passado e, adicionalmente, por força da decadência que já teria se operado em relação aos períodos em que essa regra vigorou. Tampouco há previsão de que o montante da reserva devesse ser revertido para resultado, devendo ela ser usada, apenas, para aumento de capital ou compensação de prejuízos. Quanto à incidência do IRF, não ocorrendo a distribuição do lucro, ele não poderia ser cobrado e o evento da cisão das bolsas, seguido de sua transformação em companhia, bem como da venda das ações, não caracterizaram distribuição de lucros, para fins de IRF, na forma da Portaria 785/77. (ii) finalmente, pela “equiparação” dessa atualização àquela decorrente dos resultados oriundos de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação: o fundamento dessa interpretação decorre de específica manifestação da então Secretaria da Receita Federal SRF, contida no Parecer Normativo da então Coordenadoria do Sistema de Tributação CST n° 78/78, com a seguinte ementa: “Investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas devem ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido: 1) nas sociedades anônimas; 2) nas demais sociedades quando devam refletirse no balanço de sociedade anônima e 3) nas sociedades em que o exija lei especial.” (Grifo nosso) Muito embora o referido Parecer aborde apenas o tratamento tributário da contrapartida da avaliação, pelo método de equivalência patrimonial, de investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas, as fundamentações legais nele Fl. 695DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 48 descritas, que embasaram o entendimento das autoridades fiscais, são aplicáveis ao tratamento a ser dispensado às atualizações dos títulos patrimoniais das bolsas, creditadas em conta específica de reserva de capital pelas instituições financeiras. Observese que os títulos eram investimentos próprios da operação das sociedades, relevantes para sua atuação negocial, o que justifica a similitude pretendida. Ressaltese que o BACEN também entendia a natureza dos títulos dessa forma, pois que o COSIF determinou fossem eles classificados como ativo permanente, investimentos sujeitos a atualização. Além da expressa determinação procedimental do COSIF e a ausência de qualquer efeito tributário decorrente dessa metodologia são suficientes para concluir que o seu uso estava autorizado pelo sistema como se depreende da leitura do conteúdo do trecho, abaixo citado, do Parecer em questão: “7 Não obstante a generalidade das regras acima discutidas, ressalvese a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de empresas estabelecer outros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido. Particularmente, a Lei da Reforma Bancária (n° 4.595/64, art. 4°, item XII) atribui ao Conselho Monetário Nacional a fixação de normas contábeis para as instituições financeiras, assim como a Lei n° 6.385/76 (art. 22, parágrafo IV) deferiu às companhias abertas a fixação de padrões de contabilidade para companhias abertas. 7.1 – Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária, a imposição pelo Banco Central ou Comissão de Valores Mobiliários de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com os reflexos pertinentes na apuração do lucro real.” (Grifos nossos) Com base nos fundamentos legais mencionados no item 7 do Parecer, bem como nas referências por ele efetuadas aos atos normativos anteriormente citados, é possível afirmarse que, considerando a obrigatoriedade das instituições financeiras de registrarem a contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais, em conta específica de Reserva de Capital, por força das determinações emanadas do CMN (notadamente aquelas previstas pelo COSIF), à semelhança da contrapartida da aplicação da metodologia de equivalência patrimonial, os mesmos reflexos devem ser por elas observados no tocante à determinação do lucro real, portanto, nenhum efeito fiscal quanto ao Imposto de Renda e à Contribuição Social. À vista dos fatos, podemos concluir que os acréscimos correspondentes à atualização dos títulos não estariam (mas não é nossa competência julgálo) sujeitos à tributação pelo IR ou pelo IRF, no momento da venda, integrando o custo de aquisição dedutível para todas as finalidades. Nessa afirmativa, dois aspectos são importantes: (i) o respeito às disposições da Portaria 785/77 e ao sistema jurídico e (ii) a ausência da característica de distribuição de lucros da troca de títulos por ações. Ou seja, como anteriormente descrito, a única base imputável possível para fins de IRPJ e de CSLL seria como ganho de capital, o que no caso equipararseia ao resultado de equivalência patrimonial, de resto também não tributável para fins de PIS e da COFINS, por expressa previsão legal. 2.3.6 Tratamento tributário do ganho ou perda de capital na venda das ações Fl. 696DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 672 49 2.3.6.1 IR e CSLL Em que pese já repute suficiente para o deslinde da questão, teceremos comentários acerca do tratamento tributário pelo IRPJ e pela CSLL como se ganho de capital tributável fosse, para ao fim concluir quanto às nossas contribuições sociais. De acordo com o disposto no art. 418 do RIR/999, os resultados da alienação de bens do ativo permanente serão computados na determinação do lucro real. Ao tratar da forma pela qual se determina o ganho ou perda de capital, nos casos de alienação de investimentos avaliados pelo valor de patrimônio líquido, assim dispõe o RIR, em seu art. 426: “Art. 426 O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” (Grifos nossos) Assim, em consonância com o anteriormente disposto, o valor de custo das ações a ser computado para fins de determinação do ganho ou perda de capital, por ocasião de sua alienação, deveria equivaler ao valor de “patrimônio líquido” pelo qual o investimento estivesse registrado. Nesse valor estaria contemplado, portanto, o montante correspondente à contrapartida da atualização dos títulos, com base no valor informado pelas respectivas bolsas. No que se refere à determinação da base de cálculo da CSLL, a Lei nº 7.689/88 dispõe que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, apurado com observância da legislação comercial, antes da provisão para o imposto de renda. Diversas normas concernentes à apuração dessa base de cálculo foram posteriormente editadas sem, contudo, haver na legislação ordinária dispositivo legal que consolide as normas de apuração e pagamento da CSLL, o que somente foi efetuado pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal10 IN SRF nº 390/0411. Por ocasião da edição da Portaria nº 785/77 e do Parecer Normativo CST nº 78/78, normas que delimitaram, conforme abordado anteriormente, o tratamento fiscal a ser dispensado à contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais representativos do capital das bolsas de valores, a CSLL não havia sido instituída. 9 Disposição contida no Livro II, Título IV, Subtítulo III, Capítulo VII, que trata da tributação dos resultados não operacionais. 10 Atual Receita Federal do Brasil RFB. 11 Neste caso, as disposições da IN devem, necessariamente, estar suportadas por disposições constantes da legislação ordinária, sob pena de não aplicação, pelo contribuinte, naquilo que lhe for mais oneroso. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 50 Não obstante, são aplicáveis à CSLL os comentários anteriormente descritos em relação ao lucro real, no tocante ao cálculo do ganho de capital a ser tributado por ocasião da alienação das ações, uma vez que o ganho ou perda de capital decorrente da alienação de bens ou direitos integra o resultado do período, apurado em consonância com a legislação comercial (Lei nº 6.404/76 e alterações). A atualização dos títulos segue protegida de tributação, pois quando registrada não transitou em resultado e, hoje, nas diversas operações não se constitui em lucro ou resultado tributável, como já comentado. Outrossim, o tratamento tributário desse conjunto de operações para fins de IRPJ e de CSLL não vem sendo adequadamente compreendido por parte das autoridades fiscais. Manifestaramse de forma equivocada pela incidência do IR, porém, em momento anterior à venda (realização) das ações, no momento designado por “desmutualização”. De fato, as Soluções de Consulta da CoordenadoriaGeral de Tributação nº 10, de 26 de outubro de 2007, e da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil nº 521, de 07 de novembro de 2007, cujas respectivas ementas são idênticas pronunciaramse de forma diversa. A consulta acima mereceu por parte da Bovespa e da BMF, publicação de fato relevante onde questionaram a orientação tomada RFB. De fato, a consulta acima contém impropriedades diversas, a saber: (i) ignora o contrato atípico (cisão seguida de transformação) e os efeitos pretendidos pelas partes; (ii) ignora que os institutos previstos em lei podem ser utilizados por todo tipo de entidade exceto se o procedimento for vedado ou se a sua implementação for total e completamente incompatível com a situação à qual se pretende aplicálo. No que tange à cisão das bolsas, deixou de observar que o já citado art. 2033 do CC autoriza o uso desse instituto nas entidades sem fins lucrativos; (iii) considera que houve destinação de parcela de patrimônio das bolsas para entidade com fins lucrativos, em desacordo como o art. 61 do CC, quando a situação não é de destinação mas de cisão seguida de transformação (iv) considera que a avaliação das cotas, ou frações ideais das bolsas, deva ser feita pelo custo de aquisição, afastando desse conceito o valor da atualização determinada e protegida por lei; (v) conclui pela incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores;. (vi) muda entendimento manifestado anteriormente (Solução de Consulta COSIT nº 13, de 10.11.1997), em consulta então formulada pela Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (“ANCOR”), que tinha por objeto operação semelhante ao processo de “desmutualização”; (vii) descumpre o princípio da segurança jurídica, não observando as regras aplicáveis ao reconhecimento da atualização dos títulos e seus reflexos tributários, ao longo do tempo. Em termos práticos, a Solução de Consulta afirma que será tributado o resultado de atualização (equivalência patrimonial) do patrimônio das antigas bolsas, refletido no custo contábil dos títulos patrimoniais de seus associados, e que o fato gerador desse ganho de capital seria a cisão parcial do patrimônio das bolsas. A operação de cisão, feita a valores patrimoniais, Fl. 698DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 3302001.867 S3C3T2 Fl. 673 51 não gera para os partícipes, sócios ou associados, nenhum reflexo tributário, caracterizada que é pela sucessão universal, afastandose as hipóteses de alienação, realização, devolução ou similares de ativos. Não há qualquer acréscimo patrimonial gerado para os antigos detentores dos títulos, quando trocados por ações, razão pela qual mais uma vez equivocase a autoridade fiscal. Entendo pois que a manifestação das autoridades fiscais excedera completamente os limites da lei, concluindose que: (i) no momento da “desmutualização”, por configurarse mera sucessão, não há incidência de tributação, pelo IR ou pela CSLL, sobre eventual ganho gerado e (ii) na venda das ações, o ganho de capital deve ser calculado a partir do custo de aquisição atualizado pela forma preconizada pela Portaria 785/77 e pelo COSIF e, após, submetido à tributação pelo IR e pela CSLL. 2.3.6.2 Do PIS e da COFINS No que se refere à incidência das contribuições devidas ao PIS e à COFINS, pelas instituições financeiras, determina a Lei nº 9.718/98 que a sua base de cálculo é o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida a totalidade de receitas por ela auferida, sendo irrelevantes a classificação contábil adotada para as receitas. Admite a lei sejam excluídas à base de cálculo das contribuições o valor das receitas oriundas da venda de ativo permanente (art. 3º, § 2º, IV ). Como a participação societária oriunda da troca de títulos, por ações, caracterizase como sucessão, não afetando a natureza de investimento permanente de que os títulos já desfrutavam, cabe o registro das ações em igual rubrica. É de se entender, portanto, que a receita correspondente à venda das ações deve ser excluída de tributação a essas contribuições, especialmente porque, como já comentado, o adequado registro contábil deve ele ser feito na conta 2.1.9.90.003 Outros Investimentos (COSIF), integrante do Ativo Permanente, Investimentos Nesse contexto, entendo não haver incidência das contribuições ao PIS e COFINS, nos termos do art. 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718/98, sobre o montante do ganho de capital apurado (ou que vier a ser apurado enquanto durar a vigência do citado dispositivo) por ocasião da alienação das ações representativas do capital das novas companhias. Caso houvesse a incidência, ainda assim entendo que deveria para esse fim, ser computado como custo o valor atualizado do investimento na data da substituição dos títulos anteriormente detidos por ações, cujo montante deveria corresponder ao percentual de participação detido pela sociedade no patrimônio líquido informado pelas respectivas bolsas de valores. Enfatizese, novamente, que o fato de o ativo ser destinado à venda, por acordo de sócios, não o caracteriza como bem realizável, de curto ou longo prazo, pois que essa caracterização é dada no momento da aquisição. Dessa forma, eventual transferência da conta de ativo permanente para conta de circulante, como pretendeu a fiscalização, além de ser procedimento contrário à lei societária, não poderia gerar qualquer reflexo tributário para fins de PIS e COFINS, pois a alienação é de bem destinado ao objeto da sociedade que mantém essa característica até sua transferência ao comprador. Observese que a própria legislação atinente ao PIS e à COFINS considera irrelevante a contabilização (classificação), em que pese meu entendimento de que essa norma carece sempre de interpretação casuística (e por isso nesse voto o faço), dada à receita auferida para fins de tributação, no sentido de que à tributação não se excluem verbas que revestindo a Fl. 699DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 52 natureza de receita bruta foram contabilizadas em rubricas que não permitem inferir essa condição. Esse é justamente o caso em que a norma deve ser interpretada à luz dos fatos, do caso concreto, sob pena de relegar à insignificância todo o ordenamento jurídico econômica pátrio, em especial a lei societária e as normas cogentes reguladoras. A suposta irrelevância de que se revestiria a norma contábil, em termos de contribuições sociais, permite afirmar, em contrapartida, que uma indevida e antecipada contabilização de investimento, que sempre se caracterizou como permanente e assim esteve registrado, em rubrica do circulante, não ensejaria a tributação da correspondente receita, por ocasião da venda, sob a alegação de que a operação foi de investimento voltado à operação, sempre classificado no permanente e que essa transferência não seria suficiente para retirarlhe tal condição. A essência da operação sobrepõese à forma, aliás como determina o atual padrão contábil pós Lei no. 11.638/07. Reforça esse argumento a ausência de operação nova, alienação, distribuição de lucros ou similares. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 700DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.004796/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário:
2003
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, é
necessária a juntada de recibos que satisfaçam os requisitos formais previstos
no art. 8º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.250/95. Tendo em conta que, no
presente caso, foram complementadas as informações necessárias à aceitação
desses documentos, devem os mesmos ser considerados para composição da
base de cálculo do IRPF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.584
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, é necessária a juntada de recibos que satisfaçam os requisitos formais previstos no art. 8º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.250/95. Tendo em conta que, no presente caso, foram complementadas as informações necessárias à aceitação desses documentos, devem os mesmos ser considerados para composição da base de cálculo do IRPF. Recurso Voluntário Provido.
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DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, é necessária a juntada de recibos que satisfaçam os requisitos formais previstos no art. 8º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.250/95. Tendo em conta que, no presente caso, foram complementadas as informações necessárias à aceitação desses documentos, devem os mesmos ser considerados para composição da base de cálculo do IRPF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Antonio de Padua Athayde Magalhaes, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Carlos Cesar Quadros Pierre e Tania Mara Paschoalin. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13706.004796/200830 Acórdão n.º 280101.584 S2TE01 Fl. 71 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2003, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 3 a 5, em que foi apurada dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 33.951,15., resultando num saldo de imposto a restituir ajustado de R$ 6.742,51. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 3 a 5 em 12/06/2008 (fl. 50), o Contribuinte apresentou em 11/07/2008 a impugnação de fl. 1, pleiteando, em síntese, que fossem canceladas as glosas de despesas médicas efetuadas no auto de infração em epígrafe, juntando, para esse fim, os comprovantes de despesas médicas de fls. 8 a 44. Em 29/09/2008, o Interessado juntou a petição de fl. 48 e o laudo pericial de fl. 49." Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. As deduções de despesas médicas somente são permitidas quando preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado com o escopo de promover a cobrança de suposto débito de IRPF devido pela Recorrente no ano calendário de 2003. Isso porque, segundo apurado por procedimento fiscalizatório, o Recorrente teria deduzido, indevidamente, despesas médicas da base de cálculo de seu IRPF. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13706.004796/200830 Acórdão n.º 280101.584 S2TE01 Fl. 72 3 No corrente Recurso Voluntário, o Recorrente se insurge tão somente contra a glosa das despesas odontológicas realizadas com o Dr. Luiz Ricardo Paraizo Garcia, abrindo mão do seu direito de contestar as demais glosas remanescentes. Nesse sentido, com relação à glosa contestada, apurase da decisão recorrida que a mesma só não foi aceita de forma imediata em razão dos recibos emitidos pelo referido profissional não indicarem, de forma expressa, o beneficiário do tratamento odontológico. Ocorre que, anexo ao presente recurso, fora juntada declaração desse profissional de saúde (fl.61), da qual se infere, de forma clara e indiscutível, que o paciente que recebeu seu tratamento foi efetivamente o Recorrente. A referida declaração, portanto, convalidou os vícios existentes nos recibos emitidos por aquele profissional, tornandoos consetâneos com as exigência decorrentes do art, 8º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.250/95. Em sendo assim, deve ser restabelecida a dedução pleiteada pelo Recorrente, especialmente no que tange aos recibos emitidos pelo Dr. Luiz Ricardo Paraizo Garcia, no valor de R$ 14.000,00 (quatorze mil reais). Logo, dou provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000207/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1997 a 30/05/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO
QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do
artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão,conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 2401-001.098
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1997 a 30/05/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão,conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. 41 Ob.". \ ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente e. • ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 16095.000207/2008-78 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.098 Fl. 313 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em tine fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decatléncia sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4' ou 173, do CTV). É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 • ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 4 0 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 16095.000207/2008-78 Recurso n°: 161364 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.098 a Br.: ' de março de 2010 ..... ELIA . MPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração 1 Data da ciência: / / i i Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900426/2008-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3801-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
Arno Jerke Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl Relator designado ad hoc.
EDITADO EM: 08/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Andréia Dantas Lacerda Moneta, Arno Jerke Junior, José Luiz Bordignon
Nome do relator: ARNO JERKE JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. Arno Jerke Junior - Relator. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator designado ad hoc. EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Andréia Dantas Lacerda Moneta, Arno Jerke Junior, José Luiz Bordignon
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. Arno Jerke Junior Relator. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator designado ad hoc. EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Andréia Dantas Lacerda Moneta, Arno Jerke Junior, José Luiz Bordignon AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 04 26 /2 00 8- 85 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 21.07.2004, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada, com crédito de Cofins referente a pagamento indevido, no valor de R$ 8.351,17, recolhido através de DARF em 13.02.2004. A DRF/Belém, através de despacho decisório eletrônico (fl.17), considerou nãohomologada a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Cientificada em 05.05.2008 (fl. 19) a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02) na qual informa que, após haver confessado em DCTF e quitado o débito, constatou que o valor real a ser pago seria menor, motivo pelo qual efetuou a retificação de sua declaração e de seu Dacon, utilizando o crédito resultante no PER/DCOMP ora em análise. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base no seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Não concordando com essa decisão a recorrente apresenta Recurso Voluntário apontando as mesmas razões que as apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10280.900426/200885 Acórdão n.º 3801000.675 S3TE01 Fl. 145 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Redator Designado ad hoc. Deixo consignado, de plano, que fui designado redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, conforme despacho abaixo colacionado, fls.: Tendo sido constatado pela Secretaria da Câmara que o acórdão referente ao processo acima especificado está pendente de formalização e com base na atribuição deferida pela art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 RICARF, designo o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl redator ad hoc para formalizar o Acórdão nº 380100.675, de 28/02/2011, tendo em vista que o relator, Conselheiro Arno Jerke Junior, não mais compõe o colegiado. O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL 4 Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário muito bem redigido, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário, Sidney Eduardo Stahl – Relator ad hoc Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL
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Numero do processo: 23034.002779/98-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1993 a 28/02/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN.
PAF. FORMALISMO. IMPRESCINDIBILIDADE DA PROVA DOCUMENTAL.
A legislação tributária exige que todos os atos e fatos jurídicos praticados pelo Contribuinte sejam devidamente representados por um documento escrito, contabilizados em títulos próprios da contabilidade, devidamente informados em documentos específicos e/ou declaratórios a serem encaminhados ao Fisco. Tal documentação deve ser mantida sob a guarda e responsabilidade da empresa enquanto não estiverem caducas ou prescritas as eventuais obrigações tributárias deles decorrentes.
PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (FNDE). GLOSA DE DEDUÇÕES. INDENIZAÇÃO A EMPREGADOS.
A empresa deve demonstrar ao FNDE que deduziu corretamente do salário-educação as indenizações pagas a seus empregados em decorrência da quitação de mensalidade paga a escola particular frequentada por seus dependentes.
RELAÇÃO DE ALUNOS INDENIZADOS (RAI). A empresa deve demonstrar que observou a legislação, comprovando a entrega tempestiva da RAI ao FNDE e comprovar que, ao final do semestre, o segurado pagou todas as mensalidades escolares e que seu dependente frequentou regularmente a escola.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício contra a decisão que acatou a fluência do prazo decadencial com base no disposto pelo artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, vencido o Conselheiro Relator, que entendeu aplicar-se o artigo 173, I do mesmo diploma legal. Designada para fazer o voto vencedor a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. PAF. FORMALISMO. IMPRESCINDIBILIDADE DA PROVA DOCUMENTAL. A legislação tributária exige que todos os atos e fatos jurídicos praticados pelo Contribuinte sejam devidamente representados por um documento escrito, contabilizados em títulos próprios da contabilidade, devidamente informados em documentos específicos e/ou declaratórios a serem encaminhados ao Fisco. Tal documentação deve ser mantida sob a guarda e responsabilidade da empresa enquanto não estiverem caducas ou prescritas as eventuais obrigações tributárias deles decorrentes. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (FNDE). GLOSA DE DEDUÇÕES. INDENIZAÇÃO A EMPREGADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 27 79 /9 8- 93 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A empresa deve demonstrar ao FNDE que deduziu corretamente do salário educação as indenizações pagas a seus empregados em decorrência da quitação de mensalidade paga a escola particular frequentada por seus dependentes. RELAÇÃO DE ALUNOS INDENIZADOS (RAI). A empresa deve demonstrar que observou a legislação, comprovando a entrega tempestiva da RAI ao FNDE e comprovar que, ao final do semestre, o segurado pagou todas as mensalidades escolares e que seu dependente frequentou regularmente a escola. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício contra a decisão que acatou a fluência do prazo decadencial com base no disposto pelo artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, vencido o Conselheiro Relator, que entendeu aplicarse o artigo 173, I do mesmo diploma legal. Designada para fazer o voto vencedor a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/1993 a 28/02/1998. Data da lavratura da NRD: 23/11/2006. Data da Ciência do NRD: 01/12/2006. Tratase de Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 00190/2006, a fl. 149, emitida em 23/11/2006 pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE CoordenaçãoGeral de Execução e Operação Financeira, correspondente à glosa de Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.002779/9893 Acórdão n.º 2302002.421 S2C3T2 Fl. 598 3 deduções indevidas, alusivas ao período de 2º semestre de 1996 ao 2º semestre de 2002, conforme Quadro de Atualização de Débito, a fls. 144/147. Apurou o FNDE, consoante Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, a fls. 116/120, a existência de débito de deduções para indenização, do 2º semestre/96 ao 2º semestre/2002, embora, não tenha sido mencionado nos referidos termos. O Recorrente ofereceu impugnação a fls. 154/158 contestando a referida cobrança. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão 0341.712 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 181/186, julgando parcialmente procedente o lançamento, para deste fazer excluir as obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 12/96 a 11/2001, em razão do decurso do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativo às competências em questão, recorrendo de ofício desta decisão, e retificando o débito na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 187/194. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16 de junho de 2011, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 196. Inconformado com a decisão proferida pelo órgão julgador a quo, o Recorrente ofereceu Recurso Voluntário a fls. 200/204, deduzindo seu inconformismo nas alegações que se vos seguem: · Que houve falta de fundamentação na decisão recorrida, eis que esta se limitou a enumerar os elementos apresentados na defesa e a pronunciar a decadência, não adentrando os pedidos realizados pelo Recorrente, principalmente no que diz respeito aos períodos já pagos e a realização de perícia nos registros internos da CAIXA para que fossem apurados os valores realmente devidos; · Que são indevidos os valores cobrados pela NRD n° 0190/2006; · Que seja procedida rigorosa perícia nos registros internos da CAIXA, de forma a se saber o montante realmente devido. Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O Julgamento foi convertido em diligência, para que a fiscalização se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito dos os comprovantes de pagamento referentes às competências 12/2001, 03/2002, 05/2002, 06/2002, 07/2002, 08/2002, 10/2002, 11/2002 e 12/2002 e as Declarações de Frequência e respectivos contracheques acostados aos autos pela Recorrente, conforme Resolução desta Turma Ordinária a fls. 278/284. Fruto do incidente processual acima referido, foi emitida Informação Fiscal a fls. 279/286. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Devidamente cientificado do resultado e conteúdo da Diligência comandada, o sujeito passivo manifestouse a fls. 581/582. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Vencido Conselheiro: Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/06/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18/07/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DO RECURSO DE OFÍCIO A análise da decadência foi conduzida pelo órgão judicante administrativo de 1ª instância de acordo com o entendimento majoritário adotado por este Sodalício. Com efeito, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. De há muito, entende majoritariamente esta Turma, em sua escalação titular, que ao lançamento de contribuições previdenciárias cujos fatos geradores somente poderiam ter sido apurados mediante ação fiscal, aplicarseia o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, como se revela o presente caso, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.002779/9893 Acórdão n.º 2302002.421 S2C3T2 Fl. 599 5 §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, entende este Relator que o lançamento encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, figurando a ciência do sujeito passivo como mero atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o contribuinte. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Muito embora entenda este Relator que o instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrese regulamentado única e exclusivamente no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, e que ao caso presente operarseia a incidência das disposições inscritas no inciso I do citado dispositivo legal, e que o termo inicial do prazo decadencial se firme na data da lavratura do lançamento, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Nessas condições, demonstrada a existência de recolhimentos antecipados relativos à rubrica em relevo, e tendo sido a ciência da Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 00190/2006 efetuada em 1º de dezembro de 2006, o lançamento em questão Fl. 601DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 alcançaria, tão somente, as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Correta, portanto, a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, motivo pelo qual se nega provimento ao Recurso de Ofício. 3. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1. DAS PRELIMINARES Alega o Recorrente ter havido falta de fundamentação na decisão recorrida, eis que esta se limitou a enumerar os elementos apresentados na defesa e a pronunciar a decadência, não adentrando os pedidos realizados pelo Recorrente, principalmente no que diz respeito aos períodos já pagos e a realização de perícia nos registros internos da CAIXA para que fossem apurados os valores realmente devidos. Tal alegação é improcedente. Todas as alegações ofertadas pelo Recorrente em sede de impugnação ao lançamento, relativas a supostos pagamentos ou a estarem inclusos em outros Processos Administrativos Fiscais, referemse a período já excluído do presente lançamento em razão do decurso do prazo decadencial, de molde que a análise e deliberação a respeito de tais questões se revela despicienda em virtude da perda do objeto. Com efeito, as competências a que se referiu a CEF em seu instrumento de defesa já foram devidamente excluídas do presente lançamento. Quanto ao pedido de realização de perícia, cabe iluminar ao Recorrente que a prova pericial tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento da autoridade lançadora na ocasião da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para Fl. 602DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.002779/9893 Acórdão n.º 2302002.421 S2C3T2 Fl. 600 7 o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide desenvolvese o presente Processo Administrativo Fiscal, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 603DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. No caso vertente, o requerimento para produção de prova pericial foi apresentado de forma vaga e imprecisa. Além de não demonstrar a sua necessidade, o impugnante não atendeu aos requisitos legais para sua concessão, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do seu perito, não podendo a autoridade julgadora fechar os olhos às exigências legais a todos impostas para a formulação do pedido de perícia. Dessarte, considerando que o Recorrente, em sua impugnação, apenas formulou pedido de perícia sem observar os requisitos essenciais fixados no inciso IV do art. 16 supra, imperiosa é a incidência do preceito inscrito no §1º do supra transcrito dispositivo legal, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de perícia. 3.2. DOS ALEGADOS RECOLHIMENTOS Argumenta o Recorrente ter conseguido recuperar os comprovantes de pagamento referentes às competências 12/2001, 03/2002, 05/2002, 06/2002, 07/2002, 08/2002, 10/2002, 11/2002 e 12/2002, bem como, a título de amostragem, as Declarações de Frequência e respectivos contracheques. De fato, o Recorrente traz aos autos, a fls. 209/217, diversos comprovantes de arrecadação direta de Salário Educação, nos quais se encontram consignados valores de Dedução para o SME, dedução essa tida como indevida, razão pela qual os valores deduzidos integram o objeto do vertente lançamento. Traz, igualmente, comprovações de frequência a fls. 218/277. Em virtude de o conteúdo de tais documentos poder representar alterações quantitativas nos fatos geradores apurados pela fiscalização e, em consequência, no quantum debeatur do lançamento, o julgamento houvese por convertido em diligência, para que a fiscalização se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pela Recorrente. Analisando o conjunto documental coligido pela Notificada, a Fiscalização se pronunciou no seguinte da manutenção do crédito tributário. O sistema de manutenção de ensino – SME foi um programa desenvolvido pelo FNDE visando a proporcionar o ensino fundamental a empregados e dependentes de empregados de empresas, o qual foi estabelecido em quatro modalidades: Escola própria; Aquisição de Vagas; Indenização de empregado e indenização de dependente. A participação da empresa no citado programa dependia do encaminhamento de Formulário de Autorização para Manutenção de Ensino – FAME ao FNDE, acompanhado de Guia de Recolhimento da Previdência Social comprobatória da efetivação do recolhimento relativo ao último mês que antecedesse a entrega ou remessa. Os recursos destinados ao aprovisionamento do SME, em específico para a modalidade indenização de dependente, ocorre conforme se vos segue: Fl. 604DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.002779/9893 Acórdão n.º 2302002.421 S2C3T2 Fl. 601 9 a) A empresa retém, do valor total mensal da contribuição para o FNDE, a importância correspondente ao número de beneficiários multiplicado pelo valor da vaga vigente (in casu, R$ 21,00). b) Recolhe a diferença entre a contribuição para o FNDE incialmente calculada e o valor retido. O valor retido deve, necessariamente, corresponder ao exato número de alunos cadastrados no Sistema Informatizado de Acompanhamento do SME – SIGA, realizado por meio de povoamento de alunos no sistema de Relação de Alunos Indenizados – RAI, encaminhado eletronicamente. Entretanto, a partir de 1997, apenas os alunos já beneficiados pelo Programa no exercício de 1996 poderiam ser cadastrados no sistema RAI, inexistindo mais a possibilidade de inscrição de novos alunos. A empresa alega, em sede de Recurso Voluntário que já havia quitado os valores cobrados referentes às competências 12/2001, 03/2002, 05/2002, 06/2002, 07/2002, 08/2002, 10/2002, 11/2002 e 12/2002, apresentando, ainda, as Declarações de Frequência e respectivos contracheques. Ocorre, todavia, que a legislação de regência estatui que a condição inafastável que a comprovação do atendimento dos alunos por meio da modalidade Indenização de Dependentes fosse feita, única e exclusivamente, mediante o encaminhamento do arquivo RAI, por meio eletrônico de transmissão de dados, que deveria ser aceito pelo SIGA. Cumulativamente, o quantitativo de alunos deve coincidir com o valor total deduzido no mês ou semestre anterior ao informados, considerando o valor de R$ 21,00 por vaga. Informação nº 1018/2012 da DIASE/CGFSE/DIGEF/FNDE a fls. 572/573 atesta que as guias cujas cópias foram apresentadas pelo Recorrente referemse aos mesmos valores pagos e deduzidos contidos no Demonstrativo de Recolhimento relativos aos exercícios de 2001 e 2002, a fls. 280/281. Consta no Demonstrativo por Estabelecimento a fls. 282/283, extraído do sistema SIGA, a existência de divergências entre o número de vagas no cadastro do FNDE e o valor deduzido ao longo do semestre, divergências essas que geraram a diferença no valor deduzido indevidamente no 2º semestre de 2001 e nos dois semestres de 2002, diferenças essa que oram constituem a NRD ora em julgamento. Devidamente intimada acerca do conteúdo da Informação acima aludida, a CEF argumenta que a comprovação por meio da RAI foi inviabilizada em virtude de inconsistências no programa FNDE relativas aos dados dos alunos, que geraram erro no encaminhamento dos arquivos pela captação dos dados da RAI. O Recorrente alega ter regularizado as divergências existentes entre o cadastro e o valor deduzido, transferindo a responsabilidade pela não identificação de tal regularização à indisponibilidade do Sistema de Captação de Dados da RAI. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Tais alegações não merecem o amparo pretendido, pois, conforme declarado pelo Recorrente, as inconsistências nos dados dos alunos referiamse dados qualitativos dos alunos (nome, data de nascimento), mas o que gerou a divergência foi, precisamente, o quantitativo de alunos. Por outro lado, o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento permite que a empresa verifique sua situação com relação às deduções efetuadas para as modalidades Indenização de Dependentes, Indenização de Empregados e Escola Própria. Esse relatório compara o valor deduzido em cada semestre com o número de alunos efetivamente cadastrados no Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental SME. A ocorrência de divergências apurada no semestre pode ser decorrente de lançamentos de deduções e compensações fora do semestre ou de problemas de incorreções na transmissão de dados da Relação de Alunos Indenizados – RAI. O FNDE orienta que, caso seja apurado que o arquivo RAI transmitido possui quantidade de alunos diferente da cadastrada no sistema do FNDE, a empresa deve encaminhar novamente o arquivo RAI pela Captação dos Dados da RAI, sendo o processamento do arquivo informado à empresa por meio do endereço eletrônico que consta na página. Tal providência não foi adotada pelo Recorrente para a retificação das informações constantes no cadastro do FNDE. Optou, por sua conta e risco, em atribuir a responsabilidade pelas divergências apontadas à indisponibilidade do Sistema de Captação de Dados da RAI, escusandose. O Recorrente, ao revés, deveria ter recheado suas alegações justificativas com as imprescindíveis provas materiais que demonstrassem, efetivamente, que o quantitativo de alunos atendidos na modalidade em relevo correspondia ao montante das deduções efetuadas. Muito embora extremamente difundido pelos causídicos militantes do Direito Tributário, a busca sem mesuras da verdade material, nesse ramo do Direito, não passa de um mito etéreo que não consegue vencer, nem por instantes, as expressas determinações inseridas nas leis tributárias que reclamam todas pelo formalismo exacerbado. Não resta dúvida que a verdade material se configura na meta colimada pelo julgador de qualquer ordem, seja nas diversas instâncias judiciais, seja nas variadas áreas administrativas. O que varia, com certeza, é o âmbito de perquirição da verdade material, o qual, de regra, se circunscreve às provas acostadas aos autos. No ramo do Direito Tributário, a legislação impõe a observância de um formalismo hercúleo, o qual, muita vez, suplanta a própria verdade material demonstrada nos autos, como sói ocorrer nas hipóteses de retenção de contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 30, I, ‘a’ e 31 da Lei nº 8.212/91, este, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, e art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Nesses casos, mesmo que reste demonstrado que a empresa obrigada não efetuou a retenção das respectivas contribuições previdenciárias (verdade material), estas sempre se presumirão feitas, oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Dessarte, nessas e em outras hipóteses, de nenhuma valia será a verdade material eis que a lei expressamente a desconsidera. Prevalece a presunção absoluta. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.002779/9893 Acórdão n.º 2302002.421 S2C3T2 Fl. 602 11 O ramo do direito tributário se configura, quiçá, como aquele mais agrilhoado pelos imperativos do formalismo, tanto no âmbito do direito material quanto na parte processual, o qual não pode ser desprezado pelo operador do direito, circunstância que caracterizaria negativa de vigência à norma tributária impositiva e eficaz. A legislação tributária exige que todos os atos e fatos jurídicos praticados pelo Contribuinte sejam devidamente representados por um documento escrito, contabilizados em títulos próprios da contabilidade, devidamente informados em documentos específicos e/ou declaratórios a serem mantidos pela empresa ou encaminhados ao Fisco, tais como DIRF, DIPJ, GFIP, folhas de pagamento, RAIS, etc. Tais documentos, por força de lei, devem ser mantidos sob a tutela e guarda da empresa enquanto não estiverem caducas ou prescritas as obrigações tributárias delas decorrentes. Nessa perspectiva, avulta que negligenciada não pode ser a forma dos atos jurídicos, quando a legislação tributária assim o exige, sob pena de nulidade. Da áurea pena da Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha colhemos o ensinamento que reza: “A civilização é formal. As formas desempenham um papel essencial na convivência civilizada dos homens; elas delimitam espaços de ação e modos inteligíveis de comportamento para que a surpresa permanente não seja um elemento de tensão constante do homem em seu contato com o outro em sua busca de equilíbrio na vivência com o outro e, inclusive, consigo mesmo". Não por acaso já prelecionava Ihering: "Inimiga jurada do arbítrio, a forma é a irmã gêmea da liberdade". Como é cediço, a voz de defesa do sujeito passivo em matéria tributária se propaga em ondas documentais, jamais em singulares alegações verbais desacompanhadas do inseparável esteio de provas materiais. Por tais razões, no Processo Administrativo Fiscal, a prova meramente testemunhal fala ao vácuo, não sendo admitida em virtude da falta de previsão legal, da carência de logica processual e da fragilidade intrínseca. Verba volante scripta manent. Obrigando, como de fato obriga, a legislação tributária o assentamento de todos os fatos jurígenos tributários em documentos específicos, assim como a guarda destes pelo Contribuinte, a recusa ou sonegação de qualquer documento ou a sua apresentação deficiente autoriza a Autoridade administrativa a lançar de ofício a importância reputada como devida, mesmo que por apuração de sua base de cálculo por aferição indireta, transportando para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário, a teor dos artigos 148 do CTN e 33 da Lei nº 8.212/91. No caso ora em debate, a informação a fls. 279/286 já havia pugnado pela negativa de provimento do pleito pretendido pela CEF, em razão da não apresentação de novos documentos que permitissem comprovar que o valor deduzido correspondiam efetivamente à quantidade de alunos beneficiários do programa. Devidamente cientificado do resultado e conteúdo da Diligência comandada, o sujeito passivo retorna à carga, em manifestação a fls. 581/582, para reiterar os mesmos Fl. 607DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 argumentos anteriormente formulados, sem rechear suas alegações com qualquer substrato de prova material, não ultrapassando os limites da mera argumentação verbal. Suficientes e bastantes fossem as meras alegações verbais para a elisão tributária, a arrecadação de qualquer país do Globo seria igual a zero. Dessarte, singelas alegações despidas dos indispensáveis indícios de prova material produzem no Direito Tributário o mesmo efeito que a ineloquência do silêncio. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da presente autuação, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou o Recorrente, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Outrossim, CONHEÇO do Recurso de Oficio para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, igualmente . É como voto. Arlindo da Costa e Silva Voto Vencedor Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Relator no que pertine ao prazo decadencial afeto ao presente caso. Como dito no acórdão, trata a presente notificação lavrada em 23/11/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 01/12/2006, de contribuições previdenciárias relativas a glosa de deduções indevidas alusivas ao período de 01/01/1993 a 28/02/1998. O prazo decadencial foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008. Na ocasião, por unanimidade de votos, foram Fl. 608DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.002779/9893 Acórdão n.º 2302002.421 S2C3T2 Fl. 603 13 declarados inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 os quais autorizavam a Seguridade Social constituir seus créditos no lapso de 10 (dez). Deste julgamento resultou a publicação da Súmula Vinculante nº 08. De acordo com o art. 103A da Constituição Federal/88, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, com a publicação da mencionada Súmula, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional, vide: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. As contribuições previdenciárias, assim como toda e qualquer obrigação tributária, uma vez não recolhidas dentro de certo período de tempo (cinco anos), serão exigidas pelo órgão fazendário no prazo decadencial previsto no art. art. 173, inciso I, do CTN no caso de não haver o recolhimento antecipado: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No entanto, havendo pagamento parcial, a contagem do prazo qüinqüenal deverá ocorrer nos termos do art. 150, §4º do CTN, alterando, com isso, o dies a quo. Se antes, o início da contagem ocorria com o primeiro dia do exercício seguinte, com esta nova norma, o fato gerador ressalta a importância da contagem, iniciandose a partir de então, vejamos: "Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O marco inicial para a contagem do prazo é a data do fato gerador, no caso, o período de 01/01/1993 a 28/02/1998. O termo final é a data da ciência do auto de infração (01/12/2006) se esta ocorreu no lapso temporal conferido pela lei tributária , não simplesmente a data da sua lavratura. Isto porque não basta que o lançamento seja formalizado. Para que surta os efeitos pretendidos deve obedecer ao princípio da publicidade (art. 37 CF/88) e, como tal, a notificação do contribuinte é condição sine qua non para a sua validade. Assim determina a Constituição Federal: “Art. 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” (grifo nosso) A ampla defesa e o contraditório também são resguardados pela notificação do contribuinte (art. 5º, LV, da CF/88). É através da intimação que o sujeito passivo é informado sobre a existência do lançamento lavrado em seu desfavor. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.002779/9893 Acórdão n.º 2302002.421 S2C3T2 Fl. 604 15 O processo administrativo, para ser válido, deve ensejar ao contribuinte a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas as razões do lançamento e, a partir de então, produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações. Neste sentido, nos ensina o doutrinador James Marins, em seu livro Direito Processual Tributário Brasileiro (5ª edição, Ver. Dialética, pág. 171/172): “...Todo Processo Administrativo, para que se afigure constitucionalmente válido, deve ensejar ao particular a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter formal e material e de produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações...” No caso em análise, a ação fiscal compreendeu o período de 01/01/1993 a 28/02/1998. A ciência pelo contribuinte ocorreu em 01/12/2006. Neste contexto, decorrido o prazo quinquenal entre a data do fato gerador e a ciência do sujeito passivo, temse que, de fato, decaiu o direito do Fisco Previdenciário promover qualquer lançamento devendo todas as competências serem excluídas da cobrança. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10510.004205/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios
processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de
defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad
quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de
supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA
CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91.
A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade
beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos
fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91.
A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência
do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao
autoenquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.728
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em
negarlhe
provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao autoenquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007. Data da lavratura do AIOP: 20/11/2009. Data da Ciência do AIOP: 25/11/2009. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da Entidade em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, consoante declarações prestadas pelo contribuinte em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 19/22. Informa a Autoridade Lançadora que o sujeito passivo apresentou GFIP registrando código FPAS 639, específica para entidades isentas, embora a entidade notificada não fosse titular do direito a tal benefício fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 29/36. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvado/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 61/63 julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/04/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 66. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 67/75, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: § Que a autuação foi resultante da Decisão Judicial nº 70/2009 que havia indeferido pedido de isenção, a qual foi revogada em 2ª instância. § Que as razões para o indeferimento da isenção garantida à Recorrente pela CF/88 deixaram de existir, tendo em vista que a entidade atende todos os requisitos do CTN. § Que a lei 9.732/98 é inconstitucional eis que estabeleceu uma série de restrições para a fruição da imunidade de que trata o art. 195, §7º da CF/88, as quais praticamente inviabilizam o benefício constitucional; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 103 3 § Que o acórdão recorrido, ao afirmar que o Recorrente não é abraçado pelo art. 203 da CF/88, apresenta uma interpretação que restringe as determinações constitucionais; § Que os requisitos a serem obedecidos pela entidade Recorrente para ter direito à imunidade tributária são aqueles determinados pelo art. 14 do CTN; § Que é reconhecida pelos órgãos certificadores como Entidade Beneficente de Assistência Social, tendo direito à imunidade tributária; § Que a lei nº 12.101/2009 revogou todos os artigos das leis anteriores relacionados à matéria. Aduz que o citado diploma legal, ao estabelecer critérios para a concessão de isenção para as entidades reconhecidas como beneficentes de assistência social não mais exige o pedido de reconhecimento de isenção perante o INSS. Entende o Recorrente que a lei nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, aplicase a ato ou fato pretérito, em razão do princípio da retroatividade benigna fixado no art. 106, ‘c’ do CTN, haja vista que no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova; § Que os juros e as multas aplicadas caracterizam verdadeiro confisco das receitas da entidade recorrente; Ao fim, requer a reforma da decisão recorrida. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 14/04/2001. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Afirma o Recorrente que a lei 9.732/98 é inconstitucional eis que estabeleceu uma série de restrições para a fruição da imunidade de que trata o art. 195, §7º da CF/88, as quais praticamente inviabilizam o benefício constitucional. Argumenta, também, que a lei nº 12.101/2009 revogou todos os artigos das leis anteriores relacionados à matéria. Aduz que o citado diploma legal, ao estabelecer critérios para a concessão de isenção para as entidades reconhecidas como beneficentes de assistência social não mais exige o pedido de reconhecimento de isenção perante o INSS. Entende o Recorrente que a lei nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, aplicase a ato ou fato pretérito, em razão do princípio da retroatividade benigna fixado no art. 106, ‘c’ do CTN, haja vista que no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova. Pondera, igualmente, que os requisitos a serem obedecidos pela entidade Recorrente para ter direito à imunidade tributária são aqueles determinados pelo art. 14 do CTN. Aduz que as razões para o indeferimento da isenção garantida à Recorrente pela CF/88 deixaram de existir, tendo em vista que a entidade atende todos os requisitos do CTN. Por derradeiro, entende o Recorrente que os juros e as multas aplicadas caracterizam verdadeiro confisco das receitas da entidade recorrente; Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, suscitadas pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 104 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Não se mostra despiciendo frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, não poderão ser conhecidas por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as questões já decididas pelo órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 105 7 3.1. DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Por definição legal, constituise tributo toda prestação pecuniária compulsória, expressa em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Originariamente, o CTN elencou como tributos os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria. Com o advento da publicação da nova Carta Constitucional, tanto a mais balizada doutrina, como também, os tribunais superiores, máxime o STF, passaram a acomodar no conceito de Tributo também as contribuições sociais bem como os empréstimos compulsórios, em virtude de essas exações ostentarem igualmente os elementos objetivos caracterizadores fixados no art. 3º do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. A Constituição da República estabeleceu no §7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifos nossos) Cabe inicialmente trazer à tona que a matéria relativa ao estabelecimento de parâmetros e condições para concessão de isenção de contribuições previdenciárias às entidades beneficentes de assistência social não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o documento legislativo com vocação para o atendimento de tais afazeres é a lei ordinária federal. A questão ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Sintonizado na mesma frequência da Suprema Corte, o Senado Federal entrou com cerol fino na questão em relevo, fazendo expedir o Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, o qual cortou na mão qualquer dúvida ainda renitente a respeito do Instrumento Normativo com aptidão para a delimitação das condições de contorno da hipótese de não incidência em debate, ad litteris et verbis: SENADO FEDERAL – SM nº 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro. Com referência ao oficio n° 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Senador MAURO BENEVIDES Presidente Diante desse cenário, não restam mais dúvidas de que a matéria atinente à isenção ora em abordagem houve por confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 106 9 expressamente serem isentas de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998. §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Nessa prumada, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. As provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário: O próprio Recorrente admite que “no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova”. No caso em apreciação, o lançamento tributário houvese por formalizado em razão de a entidade recorrente não ter efetuado tempestivamente o recolhimento das contribuições previdenciárias por ela devidas, consoante exigência fiscal inscrita na Lei nº 8.212/91. Constatou o agente fiscal notificante que, mesmo sem ser titular do direito de isenção em realce, a entidade informava nas GFIP o código FPAS 639, que é específico para as Entidades Beneficentes de Assistência Social reconhecidas pela autarquia previdenciária, mediante Ato Declaratório, como detentoras do direito a isenção de contribuições previdenciárias. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 107 11 Noticiese que a carência do direito formal à isenção se mostra ainda mais evidenciada pelo fato de a entidade em voga ter o pedido de isenção em realce indeferido mediante Decisão Judicial. Não procedem pois as alegações recursais de que a autuação foi resultante da Decisão Judicial nº 70/2009 que havia indeferido pedido de isenção. Muito menos em virtude da tese de que a entidade de saúde não estaria abraçada pelo art. 203 da CF/88. O acórdão recorrido, a fl. 63, é de clareza solar ao dispor, ipsis litteris: “Logo, as entidades de saúde não gozam da imunidade prevista no §7º do art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Não obstante, elas podem se subsumir às regras de isenção previstas no legislação infraconstitucional. E assim será tratada a entidade sujeito passivo do Auto de Infração (AI), ora sob julgamento, sob a ótica jurídica da isenção. [...] Seguindo, os lançamentos se referem ao período de 01/01/2006 a 31/12/2007 e a isenção que o sujeito passivo deseja ver reconhecida tinha assento normativo na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. O sujeito passivo adotou durante o período de lançamento a conduta de se autoenquadrar como entidade isenta, ainda que não tenha protocolado pedido de reconhecimento de isenção. [...] Assim, a ausência do pedido formal de reconhecimento de isenção e do despacho concessivo desautoriza o sujeito passivo ao auto enquadramento e ao gozo da isenção. Por seu turno, não é a decisão judicial em sede de ação civil pública que impõe o lançamento tributário e sim o dever legal em função da ausência de reconhecimento da isenção pela administração tributária por omissão de pedido do contribuinte e da falta de recolhimento das contribuições sociais previdenciárias do empregador. Afastado o argumento de desnecessidade de ato declaratório de reconhecimento de isenção, sem questões adicionais, não há nos autos motivos para reparos à autuação” Cabenos enfatizar que, por se tratar de hipótese de renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva, a teor das disposições plasmadas no art. 111, II do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 II outorga de isenção; Por tais razões, se nos afiguram totalmente improcedentes as alegações ora defendidas pelo Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720200/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
A realização de perícia depende de determinação da autoridade administrativa, se entendê-la necessária e indispensável. Se a prova a ser é documental, o indeferimento da perícia não causa cerceamento do direito de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
No pedido de repetição ou de compensação o ônus de comprovar de forma cabal e específica seu direito é do contribuinte.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IRRF INCIDENTE EM SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS.
As cooperativas de trabalho devem discriminar nas faturas as importâncias dos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados das importâncias que corresponderem a outros custos ou despesas, para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda retido na fonte de que trata o art. 652 do RIR/99.
Não atende ao disposto a simples indicação na fatura de percentual incidente sobre o valor total faturado.
Indeferido o direito crédito não se homologa a compensação dele decorrente.
Numero da decisão: 2202-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida pelo Conselheiro Odmir Fernandes (Relator). No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Fez sustentação oral, a representante legal do contribuinte, Dra. Andréa de Toledo Pierri, inscrita na OAB/SP sob o nº 115022.
(Assinatura digital)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator
(Assinatura digital)
Antonio Lopo Martinez Relator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A realização de perícia depende de determinação da autoridade administrativa, se entendê-la necessária e indispensável. Se a prova a ser é documental, o indeferimento da perícia não causa cerceamento do direito de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. No pedido de repetição ou de compensação o ônus de comprovar de forma cabal e específica seu direito é do contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IRRF INCIDENTE EM SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS. As cooperativas de trabalho devem discriminar nas faturas as importâncias dos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados das importâncias que corresponderem a outros custos ou despesas, para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda retido na fonte de que trata o art. 652 do RIR/99. Não atende ao disposto a simples indicação na fatura de percentual incidente sobre o valor total faturado. Indeferido o direito crédito não se homologa a compensação dele decorrente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720200/200748 Recurso nº 999 Voluntário Acórdão nº 2202002.249 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria Compesação de IRRF Recorrente UNIMED CAMPINAS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A realização de perícia depende de determinação da autoridade administrativa, se entendêla necessária e indispensável. Se a prova a ser é documental, o indeferimento da perícia não causa cerceamento do direito de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. No pedido de repetição ou de compensação o ônus de comprovar de forma cabal e específica seu direito é do contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IRRF INCIDENTE EM SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS. As cooperativas de trabalho devem discriminar nas faturas as importâncias dos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados das importâncias que corresponderem a outros custos ou despesas, para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda retido na fonte de que trata o art. 652 do RIR/99. Não atende ao disposto a simples indicação na fatura de percentual incidente sobre o valor total faturado. Indeferido o direito crédito não se homologa a compensação dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância argüida pelo Conselheiro Odmir Fernandes (Relator). No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 02 00 /2 00 7- 48 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Fez sustentação oral, a representante legal do contribuinte, Dra. Andréa de Toledo Pierri, inscrita na OAB/SP sob o nº 115022. (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator (Assinatura digital) Antonio Lopo Martinez – Relator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.720200/200748 Acórdão n.º 2202002.249 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Campinas/SP, que não reconheceu o direito de crédito e não homologou o pedido de compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. O processo PER/DCOMP nº 14781.82393.041103.1.3.059225, no qual o contribuinte declara a extinção de débito de IRRF de seus cooperados (cód. 0588), no valor de R$ 72.579,27, com crédito decorrente das retenções na fonte do imposto de renda originadas nas faturas emitidas contra seus clientes pessoas jurídicas no mês de junho de 2003. Com o Despacho Decisório de fls. 118/119, foi indeferido o pedido de homologação da compensação, pela inadequação das faturas de não segregar os valores da prestação de serviços pessoais de seus associados conduzindo a errônea e indevida indicação de crédito por IRRF de cooperativa. O contribuinte foi cientificado da decisão em 23/11/2007 (AR fls. 124) e apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 125/131). A decisão recorrida na Manifestação de Inconformidade (fls. 183/191), com ciência em 01/02/2010 (AR fls. 194), não reconheceu o direito de crédito e não homologou a compensação pela falta de demonstração da certeza e liquidez do direito ao crédito indicado na declaração de compensação. A decisão recorrida vem assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 Perícia. Não Cabimento. Dependendo a perícia contábil de convencimento da autoridade julgadora quanto à sua necessidade, incabível a sua realização em se tratando de matéria passível de prova documental, bem como quando a documentação acostada aos autos se mostra suficiente para formar a convicção do julgador. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 Declaração de Compensação. Ônus Probatório. Nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é da contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. Declaração de Compensação. Direito Creditório. IRRF incidente em Serviços Prestados por Cooperados. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 As cooperativas de trabalho deverão discriminar, em suas faturas, as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados das importâncias que corresponderem a outros custos ou despesas, para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda retido na fonte de que trata o art. 652 do RIR/99. Não se enquadra no disposto acima a simples indicação na fatura de percentual incidente sobre o valor total faturado. Indeferido o direito creditório não se homologa a compensação dele decorrente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário (fls. 195/201), protocolado em 02.03.2010, sustenta, em síntese, cerceamento do direito de defesa, pelo indeferimento da perícia contábil destinada a demonstrar a correta apuração da base de cálculo e do recolhimento do imposto, bem como o seu direito ao crédito e a compensação declarada. É o breve relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.720200/200748 Acórdão n.º 2202002.249 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de Recurso Voluntário em pedido de compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF devido pela Recorrente, cooperativa de serviços médicos, pela prestação de serviços a terceiros, por intermédio dos seus associados, com o IR Fonte das faturas dos serviços tomados realizada pelos associados aos clientes, pessoas jurídicas, no mês de junho de 2003. A decisão recorrida não admitiu a compensação pela falta de comprovação do direito pretendido e da retenção do IRFonte em razão de “... as faturas apresentadas não atendem a legislação vigente, impossibilitando a identificação da base de cálculo do imposto referido no art. 652 do RIR/99...” Sustentou a decisão recorrida, “... a legislação tributária determina as informações necessárias a serem fornecidas no preenchimento das notas fiscais/faturas, como especificado no ADN COSIT n° 01, de 1993, ao tratar da retenção do IRRF pelas Cooperativas de Trabalho, bem como na IN SRF n° 306, de 2003, específica para os casos de pagamentos efetuados às Cooperativas por entidades da Administração Pública Federal.” Destacou a decisão recorrida que a prova pericial deveria vir com defesa – impugnação para comprovar os fatos, se as notas fiscais preenchem os requisitos de lei. Nas razões de recurso sustenta a Recorrente apenas preliminar de cerceamento do direito de defesa, pelo indeferimento da perícia contábil destinada a comprovar a correta apuração da base de cálculo do imposto de renda retido na fonte das faturas de prestação de serviços para permitir o reconhecimento do direito de crédito e a compensação declarada. No mérito nada é alegado. Aprecio a matéria preliminar relativo ao cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento da produção da prova pericial. Na manifestação de inconformidade a Recorrente sustentou “... nas faturas emitidas pela Requerente estão discriminados os valores correspondentes aos contratos firmados com a pessoa jurídica, bem como o custo do cadastramento e 2a via de cartão. E mais, no mesmo documento fiscal a Requerente faz menção a um percentual incidente sobre o total da fatura que corresponde aos serviços prestados pelos cooperados, ou seja, a base de cálculo do imposto de renda, e destaca, ainda, o valor a ser retido na fonte.” (Destacamos). Continua, .... da mesma forma equivocada a decisão que não homologou a compensação ao afirmar que não estão segregados os valores decorrentes da prestação de serviços pessoais”. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 O esclarecimento acerca do procedimento adotado pela Requerente na emissão de suas faturas foi demonstrado no cumprimento da intimação de 03 de outubro de 2007. A compensação indeferida e mantida pela decisão recorrida decorre do imposto devido na forma do art. 45 da Lei n° 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n° 8.981, de 1995: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. § 1o O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. § 2o O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada anocalendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda." (Destacamos). RIR/1999: Pagamentos a Cooperativas de Trabalho e Associações Profissionais ou Assemelhadas Art. 652. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição (Lei nº 8.541, de 1992, art. 45, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 64). § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, § 1º). § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada anocalendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro de Estado da Fazenda (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, § 2º). Tratandose de pagamentos à cooperativa por entidades da administração pública federal também há obrigatoriedade da retenção na fonte do Imposto de Renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, na forma do art. 64, da Lei n° 9.430, de 1996 (com mesma disposição na Lei 8.981/95). Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.720200/200748 Acórdão n.º 2202002.249 S2C2T2 Fl. 5 7 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade socialCOFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1° obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2° O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3°O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4° O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5° O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. RIR/1999: Pagamentos Efetuados por Órgãos Públicos Federais Art. 653. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência do imposto, na fonte, na forma deste artigo, sem prejuízo da retenção relativa às contribuições previstas no art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 223, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 64, § 5º). § 2º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 64, § 1º). Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 § 3º O valor do imposto retido será considerado como antecipação do que for devido pela pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 64, § 3º). § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda somente poderá ser compensado com o que for devido em relação a esse imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 64, § 4º). § 5º A retenção efetuada na forma deste artigo dispensa, em relação à importância paga, as demais incidências na fonte previstas neste Livro. § 6º Os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES não estão sujeitos ao desconto do imposto de que trata este artigo. A Instrução Normativa SRF n° 306, de 2003, regulamentando o art. 64 da Lei 9.430/96, estabelece que não havendo segregação do valor dos serviços pessoais prestados pelos cooperados dos outros custos e despesas cobrados nas faturas de prestação de serviços emitidas pela cooperativa, a retenção na fonte incide sobre a totalidade da prestação (art. 22, §§ 4° e 8°, da INSRF n° 305/2003). Art. 22. Nos pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho e às associações de profissionais ou assemelhadas serão retidos, além das contribuições referidas no art. 20, o imposto de renda na fonte à alíquota de 1,5% (um e meio por cento), sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados, utilizandose o código 3280. § 1º Na hipótese de o faturamento das entidades referidas neste artigo envolver parcela de bens ou serviços fornecidos por terceiros não cooperados ou não associados, contratados ou conveniados, para cumprimento de contratos com os órgãos públicos, aplicarseá a tal parcela a retenção do imposto de renda e das contribuições estabelecida no art. 1º desta Instrução Normativa, no percentual total, previsto no Anexo I Tabela de Retenção, de: I 5,85% (cinco inteiros e oitenta e cinco centésimos por cento), mediante o código de arrecadação 6147, no caso de serviços prestados com emprego de materiais; ou II 9,45% (nove inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento), mediante o código 6190, para os demais serviços. § 2º Para efeito das retenções de que trata o § 1º, as cooperativas de trabalho e as associações de profissionais ou assemelhadas deverão segregar, em suas faturas, as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados (pessoas físicas) das importâncias que corresponderem aos demais bens ou serviços fornecidos diretamente pelas cooperativas (atividade específica), bem assim, emitir fatura separada relativa aos serviços prestados por terceiros não cooperados, contratados ou conveniados, para atendimento de demandas contratuais. § 4º Na hipótese de emissão de documentos sem observância das disposições previstas nos §§ 2º e 3º, deste artigo, a retenção do imposto de renda e das contribuições se dará sobre o total da Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.720200/200748 Acórdão n.º 2202002.249 S2C2T2 Fl. 6 9 Nota Fiscal ou Fatura, no percentual de 9,45% (nove inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento), sob o código de receita 6190 (demais serviços), do Anexo I Tabela de Retenção, desta Instrução Normativa. § 5º Nos pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho médico, administradoras de plano de saúde e seguro saúde, a retenção a ser efetuada é a constante da rubrica. "demais serviços", no percentual de: § 6º No caso de terceirização de serviços médicos (locação de mãodeobra), por intermédio de cooperativas de trabalho ou associações médicas, para o fornecimento de mãodeobra nas dependências do tomador dos serviços, a retenção será efetuada de acordo com inciso I do § 3º, quando se tratar de associados da cooperativa, e, de acordo com a alínea "a", inciso II do § 3º, para os serviços prestados por não associados da cooperativa. § 7º Na hipótese do § 6º, as cooperativas de trabalho ou associações médicas deverão segregar, em duas faturas distintas, as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados das importâncias que corresponderem aos serviços prestados por não associados da cooperativa. § 8º A inobservância do disposto no § 7º acarretará a retenção do imposto de renda e das contribuições sobre o total da Nota Fiscal ou Fatura, sob o código de receita 6190, do Anexo I Tabela de Retenção, desta Instrução Normativa. O exame do recurso, conforme frisamos, é apenas da preliminar de cerceamento de defesa, pelo indeferimento da prova pericial requerida pela Recorrente. A prova pericial foi inferida pela decisão recorrida, sob o seguinte fundamento: Ainda que se admitisse ser plausível a apresentação pela contribuinte de outros elementos comprobatórios, suficientes a confirmar os dados dos documentos fiscais de sua emissão, porque não atendidos os requisitos legais para o seu correto preenchimento, tratase de matéria de prova a ser regularmente ofertada, por ora da manifestação de inconformidade, mormente quando se constata não ter sido satisfeita a instrução processual que competia ao sujeito passivo, a despeito da oportunidade oferecida pela fiscalização. Nesse caso, a diligência e/ou perícia só se justificaria se trazidos na defesa outros documentos a demonstrar a composição do percentual apontado nas faturas anexadas, sobre os quais pairasse dúvida, não sendo esta a hipótese dos presentes autos. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Por tais razões, indeferese o pedido de perícia solicitado. (Destacamos). No processo administrativo o interessado não pode ficar na dependência exclusiva da administração, precisa agir e trazer aos autos algum elemento comprobatório da matéria alegada, ainda que se cuide de prova indiciária. Precisa demonstrar o conflito. Se é o percentual e se são dezenas, centenas ou milhares de notas fiscais, que traga uma, duas, mas traga e comprove o fato, torne litigiosa o coisa, do contrário prevalece a autuação. Não significa isto admitir a figura da presunção, apenas que o autuado não conseguiu, ainda que de forma indiciária, demonstrar fato contrário ao lançamento, seja, modificativo, impeditivo ou extintivo do direito à autuação. No processo administrativo tributário a prova técnica que o interessado pretenda produzir pode vir com a defesa (impugnação) ou com o recurso, de forma a tornar a matéria controvertida, vez que a autuação lançamento possui a presunção de veracidade. O julgador pode indeferir a realização da prova pericial, como fez a decisão recorrida, mas exige fortes razões da justificativa, muita prudência e cautela do julgador para não ofender a garantia maior do Estado de Direito que é exatamente o direito de defesa. Cautela porque toda prova qualquer que ela seja, não se destina apenas ao julgador de primeira instancia – a DRJ na hipótese, mas igualmente ao Tribunal ad quem, no caso a este Conselho. O autuado pediu a produção de prova pericial desde o inicio, com justificativa do pedido, indicação de assistentes técnicos e formulação de quesitos, isto desde a manifestação de inconformidade (fls 138), atendeu conforme vemos, no arts. 16, III e 18, do Decreto n° 70.235 de 1972, com força de lei: Art. 16. A impugnação mencionará: ....... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.720200/200748 Acórdão n.º 2202002.249 S2C2T2 Fl. 7 11 complexidade dos trabalhos a serem executados. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. O art. 2°, da Lei 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e possui aplicação subsidiária ao procedimento administrativo fiscal (art. 69): Art. 2°.... Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: .... X — garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e a interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio." (Destacamos). Sustentou a Recorrente que as faturas permitem essa apuração e comprovação dos fatos. O indeferimento da prova pericial levou em conta a impossibilidade da comprovação desse fato, ou seja, da base de calculo e de que a perícia deveria vir com a Impugnação. Deveria, mas não necessariamente. Não fosse assim não haveria todo um procedimento na forma da realização da prova pericial. Anoto ainda que a exigência de segregar, em duas faturas distintas, as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados das importâncias que corresponderem aos serviços prestados por não associados da cooperativa não é exigência da Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 lei, mas de Instrução Normativa da Receita Federal daí, pensamos, maior razão para a produção da prova pretendida. Pode ser que a autuada nada comprove, no entanto, em homenagem a garantia maior do Estado Democrático de Direito, é necessário conferir esse direito ao contribuinte, e assim espancar a alegação do cerceamento do direito de defesa. Com a ordem constitucional de 1988 o processo administrativo foi equiparado ao judicial, com isso é necessário admitir a prova para evitar o cerceamento de defesa, salva clara a impertinência. Ademais, aqui não se cuida apenas de autuação, mas de pedido de compensação não homologado, resultado com isso na exigência (autuação) do valor do IRRF declarado pelo contribuinte. Dessa forma, é necessário anular a r. decisão recorrida, para que outra seja proferida, após conferir oportunidade a Recorrente da produção da prova pericial requerida, que fica deferida, de forma evitar cerceamento de defesa. O assistente técnico deve ser intimado do dia e hora do trabalho pericial, podendo ao final subscrever o laudo ou apresentar trabalho discordante, com prazo razoável para manifestação. A Recorrente formulou quesitos e indicou assistente técnico, conforme determina a lei do processo administrativo fiscal, podendo a autoridade fiscal também formular os seus quesitos, com suplementares mesmo após o laudo para esclarecimento de fatos controvertidos. Havendo laudo discordante necessária nova manifestação do perito sobre o conflito da matéria de fato. A d. Autoridade administrativa poderia ter assinalado prazo para o assistente da Recorrente apresentar a prova pretendida, conforme destacou na decisão recorrida, mas conferindose oportunidade para manifestação posterior do perito da Fazenda. Caso divergente o laudo, oportunidade para nova manifestação ao assistente da Recorrente. Isto é o exercício do contraditório, na mesma esteira da garantia constitucional do direito de defesa aos acusados em geral. Ante ao exposto, pelo meu voto, reconheço a preliminar do cerceamento do direito de defesa e dou provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, para outra ser proferida, depois de conferida oportunidade da produção da prova pericial à Recorrente. Caso vencido nesta preliminar, no mérito mantendo a decisão recorria, por falta de prova do direito reclamado, vez que nada foi alegado e nada foi comprovado. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.720200/200748 Acórdão n.º 2202002.249 S2C2T2 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado O presente voto referese tão somente em relação a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não realização de perícia, formulada pelo Conselheiro Relator. Inobstante, respeitável entendimento do Conselheiro Relator, divirjo do mesmo no que toca ao alegado cerceamento do direito de defesa. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível à solução da lide administrativa, mormente quando formulado de forma genérica. Registrese, por pertinente, que a realização de perícia depende de determinação da autoridade administrativa, se entendêla necessária e indispensável. Se a prova a ser produzida no processo deve ser documental, o indeferimento do pedido de perícia em nada cerceia o direito de defesa do contribuinte. Cabe ainda mencionar, que a garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. Entretanto, não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no art. 18, do Decreto 70.235, de 1972. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar por cerceamento do direito de defesa pela não realização de perícia. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Designado Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 19515.007383/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.669
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os valores referentes à verba alimentação.
Nome do relator: ADRIANA SATO
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RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 279DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os valores referentes à verba alimentação. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. EDITADO EM: 16/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes De Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato Fl. 280DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO Processo nº 19515.007383/200831 Acórdão n.º 230201.669 S2C3T2 Fl. 267 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 13/11/1998 De acordo com o Relatório Fiscal, os valores lançados neste Auto de Infração referemse a Terceiros e foram apurados no período de 01/2004 a 12/2004, com base na escrituração contábil, livros: Razão e o Diário n° 05, devidamente registrado no 9° Oficial de Reg. de Títulos e Documentos e Civil de Pessoas Jurídicas da Capital sob n° 2457, em 13/11/07, Notas Fiscais, Recibos e demais documentos apresentados. Os fatos geradores do presente Auto de Infração foram: Ajuda de Custo e Taxa de Entrevista: valores pagos a segurados que prestaram serviços, não foram identificados pela Recorrente e foram lançados no Diário, contas: Ajuda de Custo e Taxa de Entrevista. Folha de Pagamento (bolsa de estudo): valores levantados que não estão consignados na Folha de Pagamento, porém consta da contabilidade da empresa — conta: 3.03.07 — Treinamentos, referente ao pagamento de bolsa de estudo para empregados e filho de uma empregada (planilha em anexo). Alimentação do Trabalhador (cesta básica e vale refeição): valores levantados em razão da Recorrente não ter apresentado o comprovante de inscrição no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador do ano calendário 2004, sendo os mesmos pagos em desconformidade com a legislação previdenciária, integram o saláriodecontribuição e, as contribuições relativas a estes pagamentos foram lançadas no presente auto como base de cálculo de contribuições previdenciárias.. A Recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese: natureza jurídica da ajuda de custo ou taxa de entrevista; ausência de retributividade e habitualidade; não incidência na bolsa de estudos; exclusão da base de cálculo das cestas básicas e dos vale alimentação; ilegal inclusão dos sócios no pólo passivo; A 12ªTurma da DRFBJ julgou o lançamento procedente, e, inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: da hipótese de incidência da contribuição previdenciária; da natureza jurídica da ajuda de custo, taxa de entrevista; ausência de habitualidade e retributividade; Fl. 281DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO 4 da não incidência sobre a bolsa de estudos; exclusão da base de cálculo das contribuições incidentes sobre cestas básicas e vale alimentação; ilegal inclusão dos sócios no pólo passivo. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO Processo nº 19515.007383/200831 Acórdão n.º 230201.669 S2C3T2 Fl. 268 5 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. O período de autuação dos gestores está claramente delimitado no Relatório de Representantes Legais Repeleg, que acompanha o auto de infração, às fls. 17. Tal relação de representantes, anexadas aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os dirigentes no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. O auto de infração foi lavrado somente contra a pessoa jurídica e no momento, não se fala em coresponsabilidade pelo crédito constituído. Tratase apenas de uma informação que poderá ser utilizada futuramente pela própria Administração ou pelo Judiciário, nos limites impostos pela lei . Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para o pagamento do crédito. Ademais, o relatório de representante legal e de Vínculos (fls. 17/18) fazem parte de todos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e Auto de Infração e servem para relacionar todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO 6 Não deve persistir o lançamento em relação às contribuições sobre os valores equivalentes às cestas básicas. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) O Recorrente alega em seu recurso e na sua defesa que nenhuma das pessoas envolvidas no levantamento ajuda de custo ; taxa para entrevista são seus funcionários, ou foram funcionários ou prestadores de serviços da empresa recorrente/impugnante, não configurando a situação de segurados contribuintes individuais. Alega também que se trata de pessoas entrevistadas pela empresa, que recebem indenizações pelas despesas havidas para a realização de entrevistas, não se caracterizando a hipótese autorizadora da aplicação de Auto de Infração. Conforme consta do Relatório Fiscal, foi solicitado ao recorrente, através de TIAD, a identificação dos recibos apresentados, com o nome de todas as pessoas que receberam os valores pela prestação de serviços, lançados no Diário e contas ajuda de custo e taxa de entrevista, e, uma vez não cumprindo a solicitação, o recorrente permitiu que a fiscalização apurasse a contribuição previdenciária sobre mencionada verba. Também não pode prosperar o argumento do Recorrente que as pessoas que receberam os valores de ajuda de custo e taxa de entrevista sem a efetiva prova de suas alegações. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO Processo nº 19515.007383/200831 Acórdão n.º 230201.669 S2C3T2 Fl. 269 7 Cumpre ressaltar que as pessoas físicas remuneradas pela empresa são segurados obrigatórios, como constatado pela Auditoria Fiscal. No que tange a alegação da não incidência da bolsa de estudos, temos que a Recorrente ao confirmar.a concessão de bolsas de estudos para empregados e ao filho de uma empregada, e , que mencionados benefícios possuem caráter assistencial, não configura salário utilidade, não integram o salário de contribuição e não compõem a base de cálculo das contribuições apuradas não merece prosperar por falta de amparo na legislação vigente, vez que o valor relativo às bolsas de estudos só não terão natureza jurídica salarial, e não integrarão o salário de contribuição se for pago em conformidade com o disposto na alínea "t" do §9 do art. 28 da Lei ri 8.212/91. A não incidência, no caso, referese apenas ao valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20/12/96, sendo que em nenhum momento referiuse a dependente de empregado, nem a curso superior. Examinando o dispositivo legal que cuida da matéria verificase que a isenção exposta está condicionada a plano educacional que vise à educação básica e à extensão dos cursos de capacitação e qualificação profissional (educação profissional) a todos os dirigentes e empregados e, ainda assim, desde que vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. É importante notar que a concessão de bolsas de estudos aos filhos e/ou dependentes dos empregados não tem por objetivo a capacitação destes últimos (empregados), logo não se enquadra na isenção prevista no art. 28, §9°, "t", da Lei 8.212/91, correspondendo na verdade em vantagem patrimonial aos empregados que reduzem seus gastos com a educação de seus filhos e dependentes. Consta às fls. 112/113, planilha demonstrativa do saláriodecontribuição (janeiro a dezembro de 2004) contendo o nome dos segurados, valores da folha de pagamento, valores da bolsa de estudo, total do saláriodecontribuição com a inclusão dos valores da bolsa de estudo, diferença de saláriodecontribuição, desconto devido segurado, desconto segurado e diferença desconto segurado. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO 8 Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO Processo nº 19515.007383/200831 Acórdão n.º 230201.669 S2C3T2 Fl. 270 9 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 287DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO 10 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Por todo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições referente a verba alimentação. Adriana Sato Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MAR CO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO
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Numero do processo: 16327.912325/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 08/02/2006
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da CPMF é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-001.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da CPMF é cabível o reconhecimento do direito creditório até o valor apurado em diligência fiscal e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 23 25 /2 00 9- 31 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação da compensação teve como motivo a entrega da DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que deve ser homologada a compensação. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma do despacho decisório. A DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Direito Creditório. Prova. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 12 3 Direito de Crédito. Regime de Retenção. Ônus Financeiro. Comprovação. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que pleiteou a compensação de crédito de CPMF (Cod. 5869), recolhidos indevidamente, com débitos do mesmo tributo. Menciona que o crédito em questão decorre de valor recolhido indevidamente, em face de que na qualidade de substituto tributário efetuou retenção e o respectivo recolhimento da contribuição CPMF sobre diversas operações praticadas pelos seus clientes. Esclarece que o crédito tem como origem o estorno da CPMF de clientes que sofreram retenções indevidas. Destaca que procedeu aos estornos dos valores relativos à CPMF indevida, e assim passou a suportar o ônus tributário. Aduz que a não homologação da compensação ocorreu pela entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. No entanto, procedeu a retificação da DCTF, contemplando o crédito controvertido. Sustenta que o erro no preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento da compensação pretendida. Outrossim, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior, a assunção do encargo financeiro. Colaciona doutrina e jurisprudências administrativa e judicial. Por fim, requer a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 01/02/2006, inclusive verificasse se, de fato, o ônus financeiro recaiu sobre a instituição financeira. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e confirmou parcialmente a legitimidade do crédito, visto que a documentação apresentada em atendimento à intimação fiscal (em especial a de fls. 79 a 121, e fls. 565 a 568) comprova a cobrança indevida da CPMF dos clientes listados, bem como o estorno destes valores na conta dos clientes, no valor total de R$ 10.370,51. Esclareceu, ainda, que a interessada deixou de detalhar os valores relativos aos demais clientes em virtude do seu elevado número (2.307 conforme informado às fls. 98). Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 13 4 A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência e não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Assiste razão parcial à recorrente, conforme será demonstrado. Ao realizar a diligência e confirmar parcialmente a legitimidade do direito creditório a delegacia de origem reconheceu que é parcialmente legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 10.370,51, relativo ao recolhimento realizado em 08/02/2006, utilizado na PER/DCOMP nº 09735.27231.150206.1.3.047920. É importante frisar que o simples erro no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, como ocorreu nestes autos administrativos. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.912325/200931 Acórdão n.º 3801001.804 S3TE01 Fl. 15 6 No caso em discussão, o direito creditório se apresentou parcialmente líquido e certo nos termos da diligência fiscal, pois restou comprovado que a interessada indevidamente, na qualidade de substituto tributário, efetuou retenção e o respectivo recolhimento da contribuição CPMF sobre diversas operações praticadas pelos seus clientes, tendo procedido os respectivos estornos dos valores e suportado o ônus tributário nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, constatase que em relação ao período de apuração em discussão, a contribuinte tem um crédito de pagamento a maior da CPMF no valor do crédito original utilizado na DCOMP, R$ 10.370,51. Não se pode perder de vista que a interessada implicitamente concordou com os cálculos da autoridade fiscal, uma vez que devidamente cientificada da diligência optou por não se manifestar. Em remate, ficou caracterizado o direito creditório parcial vinculado à compensação efetuada. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor apurado na diligência fiscal e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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