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Numero do processo: 10880.721418/2010-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/08/2004, 17/08/2004, 21/08/2004, 26/08/2004, 28/08/2004, 31/08/2004
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, consoante o Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-005.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face a intempestividade.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/08/2004, 17/08/2004, 21/08/2004, 26/08/2004, 28/08/2004, 31/08/2004 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, consoante o Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face a intempestividade. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
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NÃO CONHECIMENTO. O contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, consoante o Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face a intempestividade. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 14 18 /2 01 0- 20 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/201020 Acórdão n.º 3801005.271 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10880.721418/201020, contra o acórdão nº 0734.488, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 26 de março de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo voo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB n.º 510/2005. A fiscalização junta planilha de fls. 10/11 com os dados de embarque e as datas de informação dos dados. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1) Embora a Impugnante tenha realizado todos os registros tempestivamente, a averbação das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de dois dias, tendo em vista a ocorrência de alguns problemas, de cunho eminentemente prático, que o Siscomex vem apresentando e apresentou, no momento da inserção dos dados no Sistema, pela Impugnante. Também as retificações das informações foram processadas como se fosse a primeira informação. 2) Acusa a contagem de prazo feita indevidamente nos fins de semana. 3) O lançamento das multas está em total desconformidade com o nosso ordenamento jurídico, uma vez que ocorre patente violação ao principio da razoabilidade, segundo o qual a atuação da Administração Pública, direta ou indireta, de qualquer dos Poderes, deve se pautar, como condição de legitimidade dos atos administrativos, ao lado de outros princípios, tais como, o da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, isonomia, boafé e o da motivação suficiente, como condição essencial para a validade dos atos administrativos, em geral. 4) Requer, ao final, a insubsistência do auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 Ementa: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/201020 Acórdão n.º 3801005.271 S3TE01 Fl. 4 3 Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com parcial procedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Embora tenha realizado todos os registros tempestivamente, a averbação das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de dois dias, de cunho eminentemente prático, que o Siscomex já vinha apresentado, no momento da inserção de dados; 2 Por diversas vezes, precisou ser interrompido a inserção de dados, por falha inerente do funcionamento do Sistema, que estava “fora do ar”, ocasionando esforço redobrado da empresa recorrente; 3 A recorrente procedeu ao registro dos dados de embarque, não o fazendo, em alguns casos, no prazo de dois dias à época previsto, em virtude de problemas técnicos do Siscomex; 4 Todos registros e informações dos embarques foram prestados antes de qualquer medida de fiscalização denunciadora das supostas infrações; 5 A denúncia espontânea regida pelo Decreto 37/66 afasta a aplicação de penalidades, tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, excepcionandose, apenas, as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento; 6 Quanto à apresentação da impugnação, é cediço que a razoabilidade integra o ordenamento constitucional brasileiro e que se constitui em princípio inarredável no tocante a elaboração das leis e no que diz respeito à autuação do Poder Executivo; 7 Conforme estabelecido pelo art. 46, caput, § 1º da IN/SRF nº 28/1994, a averbação consiste apenas na confirmação por parte da Autoridade Aduaneira, de que o embarque ou a transposição das mercadorias, de fato ocorreu. É o sucinto relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/201020 Acórdão n.º 3801005.271 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O presente recurso não deve ser conhecido posto que intempestivo. O contribuinte foi cientificado do resultado do acórdão nº 0734.494, em 09/04/2014, conforme comprovante de entrega (fl. 212), sendo protocolado o recuso que nos chega a apreciação em 13/05/2014, ou seja passados amis de 30 dias do da ciência do resultado. Nestes termos de acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, a contagem do prazo se iniciou no dia 10 de abril de 2014, encerrandose em 09/05/2014. “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Nestes termos, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.003798/2002-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997
DRAWBACK. SUSPENSÃO - DECADÊNCIA
Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 173 do CTN.
DRAWBACK FUNGIBILIDADE.
A fungibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.667
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. No mérito, por maioria de votos, em dai provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pela conclusão.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 DRAWBACK. SUSPENSÃO - DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 173 do CTN. DRAWBACK FUNGIBILIDADE. A fungibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. No mérito, por maioria de votos, em dai provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pela conclusão.
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IRA SEÇÃO DL JULGAMENTO Processo n" 10660 003798/2002-00 Recurso n" 339.455 Voluntário Acórdão n" 3102-0.667 — 1" Câmara! 2" Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2010 Matéria II/ Classificação Fiscal Recorrente I ATAS A S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSI IN 10: NORMAS GERAIS DE DIRIMO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 DRAWBACK. SIISPFNSÃO - DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso t, do CIN., isto é, o termo inicial para contagem do prazo decaderreial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, &r.n face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compiomisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do beneficio, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 17.3 do CTN. DRAWBACK l'UNGIBILIDADE. A Iiingibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessorio, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes 1-.,ufiásio e Nanci Gama. No mérito, por maioria de votos, em dai provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento ao recurso, O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pela conclusão. _ Luis marce o Guerra de Castro - Presidente Processo n' 10G60 00. 798/2002-00 53-C1 2 AcórcEo n " 3102-00,667 1'506 . -- B-Cáriz Veríssimo de Sena - Relatora EDITADO EM: 23/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Maria Regina Godinho (Suplente), Narrei Gania, 1-3eatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Euliasio (Suplente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para cobrança dc diferenças de Imposto de importação e Imposto sobre Produtos Industrializados (111), decorrentes do descumprimento dos compromissos assumidos pela autuada inerentes ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão. A Autuada promoveu a importação, sob o regime de drawback, de tampas semi-acabadas para industrialização de latas de alumínio. De acordo com os Atos Concessorios, o Contribuinte deveria beneficiar tais tampas de alumínio, exportando-as "acabadas", prontas. O lançamento originou-se da conclusão da fiscalização de que não teriam sido cumpridos Os respectivos Atos Concessorios de drawbaek. De acordo com a autoridade fiscal, os documentos apresentados pela Autuada não seriam suficientes para demonstrar o consumo de todo o material importado sob o regime especial aduaneiro no processo de produção das latas exportadas. A Autuada apresentou impugnação, na qual argüi, primeiramente, a decadência do direito da Fazenda Pública cobrar os créditos tributários, assim considerando as datas de importação como marcos iniciais do prazo decadencial. No mérito, aduz ser inaplicável o principio da vinculação lisica. A Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza julgou o lançamento integralmente procedente, por meio de acórdão assim ementado (fls. 413-414): ASSUNTO. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/04/1995 a 02/02/1996 DRAWBACI< SUSPENSÃO DECADÊNCIA PRAZO DE CONTAGEM ENCTRIMMLNTO DO REGIAM o termo inicial para Iins de contagem do prazo decadencial. Caso do regime Drawback-Suspensão, deverá ser estabelecido acordo com a regra geral prevista no art 173, inciso 1. do CTN, e COMO tal, a contagem inicia a partir do primeiro dia do eYercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter _2 l'weesso n" 0060 .00379W2002-00 S3-C1 T2 Acórdão n " 3102-00.667 H . 507 efetuado, ouse/a. da do encerramento do regime, e encerra após 5 anos /Vão Ocorreu o de c adâlcia do direito da Fazendo Pública eonstituir o crédito tributário .Ne constatado que o regime Drowback,SUspens-ão encerrou no ano de 2000 e o autuado tomou eiêneto do lançamento em 16 dc agosto de 2002. ..4,SSUNTO. RE'G1MES ADUANEIROS Período de apuração- 26/04/1995 a 02/02/1996 .DRA 'FRAC& ,S:USPP;1115i0. :011PROVAC.i O DA LIT11,1711ÇÃO DOS .INSUAIQS' FALTÁ DE APRE,S'EATI:4(jb DE !IMOS DE CONTROLE ausência de apresentação do Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque, ou de qualquer outro tipo de controle equivalente., de modo a comprovar de que os instemos importados sob a égide do regime Drawbetele-Suspensão foram (fetivame?tue incorporados ao produto objeto de eNportação, deseumprimento do compromisso assumido no respectivo aro coneessório, ensejando a exigência dos tributos .suspensos, acrescidos do..s acréscimos legais- devidos Letnçamento procedente. Irresignado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário no qual pede a refigma da decisão regional. Para tanto, repisa os argumentos .já expostos na impugnação. o relatório.. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário atende aos requisitos extrínsecos de adnússibilidade, razão pela qual o conheço. - Decadência No caso :, não se aplica a regra geral do art. 150 do (TN para a contagem do prazo decadcncial. lsso porque não havia na importação pagamento imediato dos tributos, haja sl.a o regime aduaneiro especial de drawback suspensão Na verdade, na importação com suspensão do crédito tributário, não há que se falar em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, § 4", pois se aplica a regra do artigo 173, inciso I, de acordo com a qual o prazo decadencial tem inicio no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter rsido efetuado" Ocorre que o lançamento somente pode ser realizado após o cumprimento do regime especial aduaneiro, quando é possível cotejar os produtos importados e os prOutos Pwcesso 10660 003798/2002-00 ,S3-C.112 Acórdão") " :3102-00,667 11 508 exportados sob o beneficio fiscal, de modo a analisar se houve, ou não, observância dos requisitos necessários ao gozo dos benefícios fiscais.. Assim, dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo concedido no ato administrativo de outorga do beneficio, o primeiro dia do exercício seguinte ao funt da validade do ato concessório do drawback é o rijes a quo para medir o prazo decadencial do incisol do artigo 173 do Código Tributário -Nacional I . Contudo, ao contrário do que decidiu a c. 1).R.1, entendo não ser possível - considerar como marco final do período de cumprimento do regime a data de entrega dos relatórios referentes ao Drawback. Não se confunde a obrigação principal (exportar a mercadoria compromissada, nos termos pactuados, fabricada a partir dos produtos importados sob o _regime especial) com a obrigação acessória (prestar contas sobre o cumprimento do regime, por meio de relatório). A decadência diz respeito à obrigação principal, ao pagamento dos tributos atinentes à importação da matéria prima necessária aos produtos que foram importados sob o regime de Drawback Suspensão. Isto posto, verifica-se que os Atos Concessários tiveram estes marcos temporais: Ato Concessório 0 Cumprimento até 0032-95/5-0 .31/03/1996 alterado para 26/04/1997 (11, 62) 0032-95/09-2 06/07/1996, alterado pata 20/08/1997 (11, 101) 0032-95/ -11-4 23/08/1996, alterado para 18/0/997 (11. 182) 0032-95/14-9 03/10/1996 alterado para 20/10/1997 (11, 219) • Apenas no primeiro dia Útil do ano seguinte ao final do regime, tornou-se possível ao Fisco verificar o inadimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial. Assim, o prazo &cadenciai somente iniciou em 01.01.1998, porquanto nos . quatro atos concessorios em exame o prazo final para cumprimento do regime findava-se em 1997. O prazo final para o lançamento foi, portanto, em 01/01/2003. Considerando que o Contribuinte fbi notificado dos lançamentos em 12/08/2002 (11 :2), tem-se que os lançamentos foram efetivados dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, não havendo, portanto, decadência sobre os respectivos créditos tributários. Desse modo, rejeita-se a preliminar de decadência, - Dos relatórios de Comprovação 1 Nesse sentido: Recurso 134816, Processo 10831 012174/2001-85, .lerceira (/amara do Terceiro Conselho de Contribuintes, rel Silvio Marcos Barcelos Fiáza,.julu 25/04/2007. - 4 Processo n" 10660 003798/2002-00 S3-Cri 2 Acórdào r 3102-00.667 11 509 No mei ito, merece reforma a decisão regional. Depreende-se dos documentos pertinentes ao Ato Concessório 0032-95/5-0, que o Contribuinte deveria exportar 658.170,742 kg de "tampas pa.ra. recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com capacidade igual ou superior a 350 rui, não cravadas" (fis. 61-62), no valor de US$ 4,080.658,60 dólares americanos. Nos relatórios de comprovação de drawback às fls. 63-65, corista a exportação de In 4.080.653,60.. A diferença ínfima entre o que foi pactuado e o que foi exportado, de apenas cinco dólares, não é relevante em face do volume total de exportações, data venia. Entendo que este Ato Concessorio n" 0032-95/5-0 deve ser considerado integral mente cumprido. No que se refere ao Ato Concessório n 0 0032-95/11-4, verifico que o mesmo foi, também, integralmente cumprido. Com efeito, à ti, 180, combinada com as fis„ 181-1.82, o Contribuinte comprometeu-se a exportar 181.144,166 kg ou 53,277,696 (milheiro) de "tampas para recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com. capacidade igual ou superior a 350 ml, acabadas" para manter o benefício -fiscal. À fl. 18.3 consta que foram exportados exatamente 181..144,166 kg ou 53.277,696 milheiros de tampas de alumínio, conforme pactuado. As incorreções verificadas nos registros de exportação, às Os. 201 e seguintes, [oram corrigidas a tempo e modo pelo Contribuinte, não prejudicando a produção de prova da efetiva exportação de peças. Quanto ao Ato Concessório 0032-95/09-2, cuja validade 10 prorrogada até 20/08/1997 (tis. 98-101), que o Contribuinte deveria exportar 694,385,968 kg, equivalente a 204,231;168 (Milheiro) de "tampas para recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com capacidade igual ou superior a .350 ml, acabadas" para manter o beneficio fiscal. No Relatório de Comprovação de Drawback às Os, 102 e seguintes, o Contribuinte colacionou comprovantes de exportação de produtos em valores equivalentes io previsto no Ato Coneessório n" 0032-95/09-2 e prorrogação. Com efeito, observa-se à 11.. 151 que foram exportados 693..334 k.g ou 201.828,240 (milheiro) de tampas de alumínio. Do exame dos documentos às fls. 143 e seguintes, conclui-se que cru várias RE o Contribuinte realizou o enquadramento da operação como drawback após a averbação do respectivo R.E. 'No entanto, verifico que o C.."ontribuinte logrou realizar as exportações em volume próximo ao pactuado, apresentando relatório de cumpi imento de Drawback, reparando, ainda, os equívocos atinentes aos registros das RE., Entendo, assim, que o Contribuinte alcançou o objetivo almejado pela Administração 'Pública ao conceder o beneficio do Drawback, assim considerado a comercialização externa, em volume financeiro, de produtos especificados no Compromisso de Exportação.. Ressalte-se, por oportuno, que não é necessária para a comprovação do cumprimento do regime de Drawback. a apresentação de Livro de Registro de Estoque ou de Controle da Produção, em face da natureza das mercadorias objeto dos Atos Concessórios em comento, A demonstração cabal de que foram utilizados, inequivocamente, as mesmas peças físicas importadas a partir da operação de importação prevista no ato concessório de drawbaek, é dispensável se operacionalizada, a tempo e modo, a operação prevista naquele ato concessório, e uma vez importadas peças fungíveis. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já proferiu acórdão unânime reconhecendo a fungibilidade dos insumos importados dentro do prazo coneessório no regime de Drawback.. Transcreve-se a ementa abaixo, para melhor ilustrar a questão: Processo ii 10(60.003798/2002-00 .S3-C11.2 Acórdão 3102-00.667 1.1 510 )11411/13A CK. COMPROVAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR -A essencialidade para 1ruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawhack eNhrl HO CiliiipriMellt0 do compromisso de exportação, e, uma vez, cumprido tal compromisso, faz jus O contribuinte ao direito de não pagar Os tributo incidentes na impor/ação dor insurno.s com benefício fiscal .DRAWBACK. HINGIBILIDARE. - A frim ,ibilidade dos insumo.s importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a Nua .substinticão por iclêntico.s do gênero, quantidade e qualidade, o que ilãO descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback, conforme Parecer Normativo CST n" 12/97 e Ato Deelaratório n". 20/96 da Coordenação- Geral do Sistema de Tributação Recurso especial negado. (Processo 11". 11065.001986/95-31, Recurso n." 301-119997, Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de: .• 21 de agosto de 2006, Acórdão ri ". CSRIV03-04.975, Relatem- ('ons. .1Vilton Luiz, Berrioli) No que se refere ao -último ato concessório, observo que, considerando O principio da fungibilidade, o mesmo foi parciahnente cumprido. Quanto ao Ato Concessório n" 0032-95/14-9, observa-se que foi compromissada a exportação de 287..655.040 kg de tampas de alumínio, equivalente a. US$ 2.453.064,77 (lis. 2:17 e 220). Depreende-se dos documentos às fls. 221-222 que foram exportados 286.811,596 Kg de tampas de alumínio, no valor de US$ .1,804..38236.. Portanto, o Ato (..".oncessório 0032-95/14-9 foi parcialmente cumprido.. - Multa do art. 44, I, da Lei n" 9.430/96 No que se refere à .multa pelo lançamento de oficio/filia de pagamento, a mesma deve .prosperar no tocante ao que não tiver sido cumprido no regime de drawback, Esta é a redação do art.. 44, inciso 1, da Lei n" 9.430/96 vigente a época do lançamento, ia verbis: Art 44. Aro.s casos de lançamento de oficio, . yerão aplicadas as. seguintes multas, calculadas sobre a totalidada ou dif. erença de tributo Ou contribuição .1- de .setenta e cinco /20r cento, nos. CaSOS Mn] de pagamento Ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após O ve.ricintento do prazo, sem o acrésdino de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração me ala, excetuada a hipótese do inciso .seguinte; ) Desse modo, deve ser reduzida a multa de ofício, de -modo que a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei ri' 9.430/96 incida apenas sobre os produtos não exportados conforme previsto no Ato Concessório n" 0032-95/14-9. Processo n' 10060 003798/2002-00 S3-C112 Acin ffio ii" 3102-00.667 H 5 1 - Da compensação dos créditos de IN Por fim, entendo que não se faz possível apreciar o pedido de compensação de créditos de 1P1 no presente processo administrativo, na medida em que o objeto da lide circunscreve-se ao cumprimento do regime de drawbaek. A compensação deve ser apreciada em pedido devidamente instruído, contõrme a legislação em vigor. - Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como cumprido integralmente o regime aduaneiro especial quanto ao Ato Concessorio 0032-95/5-0, Ato Concessório 0032-95/09-2 e ao Ato Concessorio a' 0032-95/11-4. Dou provimento parcial ao recurso voluntário, também, para que as diferenças de crédito tributário de 11 e 'PI incidam apenas sobre as importações inadimplidas referentes ao Alo Concessório n" 00.32-95/14-9, conforme se depreende dos respectivos relatórios de comprovação às Os. 221-222 dos autos. Deve ser reduzida a multa de ofício, de modo que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no art 44, 1, da 1 Li n° 9 4.30/96, de modo que essa incida apenas sobre o valor correspondente aos produtos não exportados, conforme previsto no Ato Coneessorio n" 0032-95/14-9 • Beatriz Veríssimo de Sena 7
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Numero do processo: 13807.012103/2001-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano calendário: 1997
DUPLICIDADE - Constatado que uma mesma parcela influenciou a apuração de dois itens do auto de infração, é de ser afastada essa dupla consideração.
INCORPORAÇÃO - BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL - Antes da MP 1.858-6, de 1999, não havia impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE BASES NEGATIVAS. Se as bases se tomaram insuficientes em razão de lançamento em período anterior, há conexão entre os processos, e o lançamento deve ser ajustado ao decidido quanto ao período anterior.
Numero da decisão: 1102-000.090
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Sandra Faroni
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SI-C1T2 H. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELII0 ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ''Y 44.,e *tirita*/ PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1‘.....fiiéctfoi Processo n° 13807.012103/2001-78 Recurso n° 149.515 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1102-00.090 — C Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2009 Matéria CSLL Recorrentes 10' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo Votorantim Celulose e Papel S.A. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLI, Ano calendário: 1997 DUPLICIDADE - Constatado que uma mesma parcela influenciou a apuração de dois itens do auto de infração, é de ser afastada essa dupla consideração. INCORPORAÇÃO - BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL - Antes da MP 1.858-6, de 1999, não havia impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE BASES NEGATIVAS. Se as bases se tomaram insuficientes em razão de lançamento em período anterior, há conexão entre os processos, e o lançamento deve ser ajustado ao decidido quanto ao período anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR provimento ao recurso voluntário, nos telmos nos termos do relatório e voto que integram o julgado. , __-T---- 2///ZR7q SANDRA FARONI — Presidente e Relatora José Geraldo dos Santos 7/An - 77,/ t /-C, -1. Editado em : th 1 DEZ7 2en3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Earoni - (Presidente), João Carlos de Lima JUnior (Vice Presidente), Mário Sérgio Eemandes Barroso, Eric Moraes de Castro e Silva , José Sérgio Gomes (suplente convocado) e Natanael Vieira dos Santos (suplente convocado). 1 • Processo n° 13807.01210312001-7 g SI-C iT2 - • Acórdão n.°1102-00.090 Fl. 2. - Relatório Cuida-se de recursos, de oficio e voluntário, interpostos pela 10' Turma de Julgamento da DRS em São Paulo e por Votorantim Celulose e Papel S.A., em face da decisão que julgou procedente em parte o lançamento consubstanciado em auto de infração lavrado para formalizar exigências de CSLL do ano-calendário de 1997, do qual o contribuinte tomou ciência em 25/10/2001. Conforme consta da descrição dos fatos que integra o auto de infração (fls. 302), e que se reporta aos Termos de Constatação n" 07 c 08 (fls. 284 a 288) , os lançamentos correspondem a compensação de bases negativas da incorporada CELPAV. O Termo de Constatação n" 7 se refere à transferência, feita pela CELPAV, de bases negativas da CSLL de sua incorporada KSR, apurada na data da incorporação , ou seja, 01101197. Quanto a esse Termo, a matéria tributável apurada foi de R$ 11.611.903,64. O Termo de Constatação n° 8 se refere a insuficiência de bases negativas apuradas, após ajustes ao saldo acumulado em 31/12/96, em função de matérias fiscais apuradas para esse ano-calendário, no montante de R$ 31.508.098,45. Desse termo resultou a matéria tributável de R$ 24.168.612,07. Nos 'Felinos 7 e 8 a Fiscalização relata que no ano calendário de 1997 (i) houve compensação indevida de base de cálculo negativa de CSSL, transferida da incorporada KSR Indústria e Comércio de Papéis, apurada até a data-base da incorporação, ou seja, em 0110111997, referente à CELULOSE E PAPEL LTDA. (incorporada), no valor de RS11.611.903,64 e, (ii) ajustando os SALDOS DAS BASES NEGATIVAS ACUMULADAS DA CSSL em 01/01/1997, de R$25.201.182,53 (fis.283), considerando as matérias fiscais apuradas até então, relativas ao ano-calendário de 1996 (fis.286), verificou-se que o saldo se tornou insuficiente para absorver, sequer, a totalidade das matérias fiscais apuradas em 1996 — RS31.508.098,45 (fis.286). Portanto, considerando os efeitos dos ajustes decorrentes das matérias fiscais apuradas em 1996 não sobrou saldo suficiente para a compensação do valor de R$24.168.612,07, correspondente ao Lucro Real de 1997, que havia sido objeto de compensação pelo contribuinte (fis.283), dai resultando a matéria tributável no montante de R$35.780.515,71 (fls. 289). Em impugnação tempestiva a empresa requereu, preliminarmente, o julgamento conjunto deste processo com o de n" 13807.006036/2001-52. Afirmou que a decisão que afastar a matéria objeto daquela autuação, seja no todo ou em parte, que absorveram o saldo da base negativa da Impugnante em 31/12/96, restabelecerá o saldo cuja conseqüência é legitimar a compensação realizada em 1997 e esvaziar o fimdarnento da presente autuação. No mérito, disse que o direito à compensação da base negativa da contribuição social sobre o lucro está previsto no art. 44 da Lei n°8383/91. Acrescentou que a empresa incorporadora que absorve o patrimônio da incorporada que detém em sua escrita fiscal base de cálculo negativa de contribuição social sobre o lucro ainda não aproveitada passa a ser titular do direito de compensar este resultado negativo com base de cálculo positiva que vier a ser apurada posteriormente, pelo fenômeno da sucessão universal do art. 227, da Lei n." 6.404/76. Processo n° 13507.012103/2001-78 S1-C1T2 Acórdão n.°11(12-00.090 Fl. 3 Disse que o Decreto-lei ri° 2.341/87, art. 33 no que concerne à apuração da base de cálculo do IRPJ no caso de incorporação, vedou expressamente o direito de o sucessor proceder à compensação de prejuízos fiscais da empresa sucedida, porém, no que tange à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, somente em 1999, com o advento da MP n° 1858-6, aquela vedação do Decreto-lei 2.341/87 foi estendida à compensação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro pela empresa sucedida. Postulou não haver fundamento para aplicação da regra específica que trata da base de cálculo do imposto de renda, prevista no Decreto-lei 110 2 . 341/87, à base de cálculo da CSLL, antes da MP 1858-6, de 1999, impondo-se seja afastada integralmente a autuação fiscal. Contestou a determinação do valor tributável em face dos ajustes feitos pela fiscalização, na medida em que parcela deste montante tributável já foi objeto do item 1 do presente auto de infração, que também questionou a compensação realizada pela Impugnantc no ano calendário de 1997. Disse que, em relação ao item 2 da autuação, a Fiscalização somente poderia considerar como valor tributável o montante de R$12.556.708,43, correspondente à diferença entre o lucro tributável do ano-calendário de 1997, de R$24.168.612,07, e o valor já tributado no item 1 do auto, de R$11.611.903,64, sob pena de haver dupla tributação sobre o mesmo fato imponivel. Aduziu que a Fiscalização reduziu ilegitimamente o saldo de base negativa acumulada de contribuição social sobre o lucro da cru 31/12/95, c que se reflete no saldo acumulado em 31/12/97 (fis.336), por desconsiderar, no saldo de bases de cálculo negativa da CSLL, às fis. 278 a 281, no valor de Cr$ 318.845.111.211,00 correspondente ao saldo das bases negativas acumuladas da contribuição social sobre o lucro apurado pela em 31/12/92 e devidamente declarado na DIRPJ (doc n°02) entregue à Secretaria da Receita Federal. A Tumia de Julgamento reconheceu que estava havendo duplicidade de tributação sobre a parcela de RS11.611.903,64, e julgou procedente em parte o lançamento, excluindo a referida importância (R$11.611.903,64) do item 02, cujo valor mantido passou a ser de RS 12,556.708,43. Foi interposto recurso de oficio. Por sua vez, a empresa apresentou recurso voluntário, instruindo-o com arrolamento de bens. Na petição reeursal a empresa reedita as razões declinadas na impugnação quanto ao direito à compensação integral da base de cálculo negativa da incorporada (item 1) e quanto ao ajuste na base de cálculo da CSLL realizada pelo Fisco, no valor de R$ 2.354.882,53, e reafirma que em relação ao item 2 o julgamento deste processo está vinculado ao julgamento do processo 13807.006036/2001-52. Sobre o ajuste na base de cálculo da CSLL realizado pelo Fisco, no valor de R$ 2.354.882,53, diz que demonstrou na impugnação o erro cometido pelo Fisco, juntando planilhas (fis.362/365) e que essas planilhas sequer foram analisadas pela decisão recorrida.. É o relatório. 3 Processo n" 13807.012103/2001-78 Si-C1T2 Acórdão a.° 1102-00.090 Fl. 4 Voto Conselheira Sandra Faroni, Relatora Ambos os recursos atendem os requisitos legais. Deles conheço. Inicialmente, registro que as exigências se referem a bases de cálculo da CSLL da incorporada CELPAV. A matéria tributável que é objeto deste auto de infração compreende duas parcelas., o item 1, no valor de R$ 11.611.903,64e o item 2,110 valor de R$ 24.168.612,07. Essas matérias foram levantadas pela fiscalização da seguinte forma: Segundo a fiscalização, em 31/12/96 a empresa CELPAV (incorporada pela Votorantim) possuía saldo de bases de cálculo negativas de anos anteriores no montante de R$ 43.084.095,65. Para esse ano-calendário, a empresa apurou base positiva no montante de RS 29.504.816,95. Com tinha autorização judicial, a empresa compensou inteiramente as base positiva com as bases negativas de anos anteriores, ficando com um saldo a compensar de R$ 25.201.182, 33 Em 01/01/97 esse saldo foi acrescido de R$ 11.611.903,64, que era o saldo negativo da incorporada KSR, passando a R$25.201.182,33. Em 31/12/97 a empresa apurou base positiva no valor e R$ 24.168.612,07, que foi inteiramente compensado com base na autorização judicial, restando um saldo a compensar de R$ 1.032.570,26 Ocorre que, para o ano calendário de 1996, a fiscalização apurou infrações no montante de R$31.508.098,45, cujo lançamento é objeto do processo 13807.006036/2001-52. Com as infrações apuradas, a base de cálculo apurada para o ano, antes das compensações, passa a ser RS 61.012.915,40, e as bases negativas acumuladas em 31/12/96 foram insuficientes, segundo a fiscalização, para absorver a base positiva daquele ano, nada restando para 1997. Além disso, para o ano-calendário de 1997, a fiscalização apurou infrações no montante de R$29.905.777,16, cujo lançamento é objeto do processo 13807.006036/2001- 52. A fiscalização entendeu, também, ser vedada a transferência das bases negativas da incorporada (KSR). Assim, lançou como matéria tributável em 1997: (a) R$ 11.611.903,64, valor das bases negativas transferidas da KSR; (b) R824.168.612,07, correspondente à base positiva • Processo n°13807.012103/2001-78 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.090 Fl. 5 apurada pela CELPAV e compensada com bases acumuladas, que a fiscalização considerou inexistentes. A matéria tributável reduzida pela decisão recorrida corresponde a valor que estava sendo objeto de tributação em duplicidade, devendo a decisão, nesse aspecto, ser confirmada. De fato, a parcela de R$ 11.611.903,64 compôs a base tributável como glosa de transferência de bases negativas da KSR e como glosa de compensação por insuficiência de saldo. Quanto ao recurso voluntário, a Recorrente suscita três temas: (a) a inexistência, -antes da MP 1.858-6, de 1999, de impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida; (b) a dependência, deste processo, ao que for decidido no processo n° 13807.006036/2001-52 e (c) equívocos cometidos pela fiscalização no ajuste da base de cálculo. A compensação da base de cálculo negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro passou a ser permitida a partir de 01/01/92, com a Lei n° 8.383/91. A Lei 8.981/95 limitou a redução por compensação da base de cálculo negativa de períodos-base anteriores em, no máximo, 30%. O impedimento para o aproveitamento, pela sucessora, das bases de cálculo negativas da CSL1, da sucedida só surgiu com a Medida Provisória 1.858-6, cujo art. 20 estendeu à base de cálculo negativa da CSLL as disposições do Decreto-lei 2.341/87, relativas à compensação de prejuízo fiscal. O artigo 33 do mencionado decreto-lei vedava a compensação, por pessoa jurídica sucessora, de prejuízos da sucedida. Assim, em face da inexistência- de base legal em contrário, até a edição da Medida Provisória 1.858-6, de 29/06/1999, a transferência do saldo das bases negativas da CSLL da empresa incorporada para a empresa incorporadora era possível: A decisão recorrida manifesta entendimento em contrário, Ilmdamentando-se no art. 57 da Lei 110 8 . 981/95 , que dispõe: "Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.639, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidos a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação cru vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei." Equivocada, todavia, a interpretação dada pela decisão a quo. As nor tuas de apuração estabelecidas para o imposto de renda referem-se a lucro real, presumido ou arbitrado, e normas de pagamento dizem respeito à faculdade, quando a apuração é pelo lucro real, de optar pelo pagamento mensal com base em estimativas ou com base no lucro real efetivamente apurado para o período (mensal, antes da Lei 9.430;96, ou trimestral, a partir do ano-calendário de 1997). O próprio artigo 57 destaca que ficam "mantidos a base de cálculo e as a/ignotas previstas na legislação em vigor". Ora, a base de cálculo da contribuição social, a partir da Lei 8.383/91, era obtida após a compensação das bases negativas Por outro lado, nos termos do princípio da sucessão universal previsto no artigo 227 da Lei n° 6.404/76, a sociedade incorporadora sucede a incorporada em todos seus direitos e obrigações. Se não ç1562 5 Processo n°13807.012/03/2001-78 Sl-C112 - Acórdão n. © 1[02-00.090 Fl. 6 havia impedimento legal para a compensação de bases de cálculo negativas da sociedade sucedida, não há como impedi-la com base no art. 57 da Lei 8.981195, que expressamente mantém as normas então em vigor para fins de apuração da base de cálculo. Quanto à dependência, deste processo, ao que for decidido no processo n° 13807.006036/2001-52, tem razão a Recorrente. Como nesta mesma reunião este Colegiado reduziu a matéria tributável lançada naquele processo, a exigência sob litígio deverá ser adequada ao decidido no Acórdão n° .1102-00.0082.. Sobre os equívocos cometidos pela fiscalização no ajuste da base de cálculo, alega o contribuinte que a fiscalização não considerou o montante de Cr$ 318.845.111.211,00, correspondente ao saldo das bases negativas acumuladas da contribuição social sobre o lucro apurado pela em 31/12/92 e devidamente declarado na DIRPJ (doe n°02) entregue à Secretaria da Receita Federal. Esse fato também e objeto do processo n° ]3807.006036/2001-52, e confoutie Termo cuja cópia se encontra às fls. 368, a empresa foi cientificada da divergência entre os saldos em 31/12/95, das bases de cálculo negativas da CSLL da CELPAV apuradas pelo contribuinte e os apresentados nos controles da Secretaria da Receita, e intimada a proceder à regularização. Ocorre que, confonne Acórdão n°.1102-00.082, o ajuste determinado pela fiscalização foi julgado improcedente. Tendo em vista o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso voluntário. ) , Sandra Maria Faroni
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Numero do processo: 11080.005273/2003-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002
Ementa:
SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Deve ser indeferido pedido de adesão retroativa no SIMPLES, em situações não contempladas pelo art. 15, da Lei n.° 11.051/04.
Numero da decisão: 1102-000.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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Recorrida 4ª TURMA DRJ/POA Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1998, 2000, 2001, 2002 Ementa: SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Deve ser indeferido pedido de adesão retroativa no SIMPLES, em situações não contempladas pelo art. 15, da Lei n.° 11.051/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado Digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado Digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (presidente da turma à época), João Carlos de Lima Júnior (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes e Frederico de Moura Theophilo. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/200375 Acórdão n.º 110200.381 S1C1T2 Fl. 2 2 Tratase de pedido de inclusão retroativa no SIMPLES formalizado em 2003, em relação ao período de 1998 a 2002 indeferido (fls. 46/48), com base no art. 9°, XIII, da Lei n.° 9.317/96, em razão da prestação de serviços de assessoria em informática, conforme Ofício do Instituto Nacional do Seguro Social (fl. 03) e contrato de constituição de sociedade acostado nas fls. 12/16. Cientificado do indeferimento, o Recorrente apresentou Impugnação (fl. 51), colacionando aos autos cópia de alteração contratual, sob o entendimento de que a atividade exercida autorizaria sua inclusão no SIMPLES. Em atendimento à intimação para apresentar Livro Caixa e Talonários completos de compras, vendas e prestação de serviços, dos anos de 1999 a 2003 (fl. 56), a Recorrente apresentou documentos nas fls. 58/118. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação de inclusão retroativa no SIMPLES, por entender que a documentação acostada aos autos comprovaria o desenvolvimento de atividades vedadas e que não seria possível a inclusão por período restrito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário informando que, em 26 de janeiro de 2008, procedeu a alteração contratual alterando o objeto da sociedade para “serviços de assessoria, consultoria e administração empresarial, com prestação exclusiva a um único cliente, para comércio de equipamentos de informática, serviços de manutenção e reparação em equipamento de informática, estendendo a partir daí serviços a clientes inclusive o antigo e exclusivo supra citado, embora não mais como assessoria.” É o relatório. Voto Conselheiro Relator Tratase de pedido de inclusão retroativa do SIMPLES, formalizado em 2003, para o período de 1998 a 2002 indeferido, sob o entendimento de que descabido o pleito retroativo, além de vedada a opção para a atividade desempenhada por força da natureza dos serviços prestados, com base no art. 9°, XIII, verbis: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/200375 Acórdão n.º 110200.381 S1C1T2 Fl. 3 3 De acordo com as notas fiscais trazidas aos autos, relativas ao período de 1998 a 2002 (fls. 71/102), os serviços prestados pela Recorrente no período caracterizamse como de manutenção, reparação e instalação de equipamentos de informática. Referidos serviços não estão elencados no rol do inciso XIII, do art. 9°, da Lei n.° 9.317/96, porquanto não se exige a qualificação de engenheiro e também não há exigência para inscrição em Conselho profissional. Contudo, a Recorrente apenas em 2003 requer sua inclusão retroativa para o período determinado de 1998 a 2002, sem qualquer respaldo legal. Sobre o tema, julgo necessária a transcrição do art. 15, da Lei n.° 11.051/04 que, em seu art. 15, permitiu expressamente a adesão ao SIMPLES para a atividade desempenhada pela Recorrente e, ainda, autorizou a inclusão retroativa à data da opção da empresa, verbis: “Art. 15. O art. 4o da Lei no 10.964, de 28 de outubro de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades:(...) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática;(...) § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 3o Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2o deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal – SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. § 4o Aplicase o disposto no art. 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de 1o de janeiro de 2004." Defluise do texto do art. 15, da Lei n.° 11.051/04 que a Recorrente não se amolda aos requisitos postos em lei necessários à inclusão retroativa no SIMPLES. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/200375 Acórdão n.º 110200.381 S1C1T2 Fl. 4 4 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digiltamente Silvana Rescigno Guerra Barretto Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 19515.720071/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Consolidada em 18/01/2013
CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE.
Não há de se falar em concomitância com ação judicial, quando naquela se discute determinada exação com base numa legislação diferenciada do que trata no processo administrativo.
No caso em tela há de considerar o fato gerador como embasador do lançamento com fulcro na legislação que trata a Lei 10.256/2001.
Não há de considerar se trata de aquisição de produto de segurado especial ou não, pois o que importa é o fato gerador em si, suficiente para determinar a não concomitância.
NULIDADE - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA - VALIDADE DA DECISÃO QUE DESOBRIGOU A RECORRENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS. INEXISTÊNCIA.
Mandado de Segurança que tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea a do inciso V da Lei nº 8212/91, não corresponde ao lançamento da autuação do presente processo administrativo, eis que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele mandamus judicial tenta a Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001.
Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por sub-rogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele writ, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91.
NULIDADE - INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO
Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos FLD - Fundamentos Legais do Débito, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência.
Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos.
Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeu-se dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital - SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída).
NULIDADE - DO DESCUMPRIMENTO DO MÚNUS ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE - INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO
A Fiscalização não tem obrigação de investigar a real condição de empregadores dos fornecedores pessoas físicas da Autuada, eis que estando configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física.
Quem patrocina prova ao contrário do lançamento é o contribuinte e não a fiscalização que fará tal mister.
A legislação de regência determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91).
Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação.
DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL - OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF
Não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de contribuição social, eis que a legislação determina a retenção por sub-rogação.
Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi - como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior.
Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por sub-rogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas.
No caso em tela o lançamento foi feito com base na Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentando-lhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei.
DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR
Trata-se de obrigação por sub-rogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001.
NULIDADE - LAVRATURA DOS AIS COM RELAÇÃO À MATRIZ - DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO
Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física - firma individual - ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendo-o por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento.
No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD - Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL - Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verifica-se que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe.
DILIGÊNCIA
Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO.
DECADÊNCIA PARCIAL
Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) - Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos.
Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela.
No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP.
Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação.
Portanto, no presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91.
Há de observar que o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em converter o julgamento em diligência para verificação de suposta concomitância; b) em negar provimento ao recuso, nos termos de mérito, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração: Manoel Coelho Arruda Júnior.
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Manoel Arruda Coelho Júnior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Mandado de Segurança que tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea a do inciso V da Lei nº 8212/91, não corresponde ao lançamento da autuação do presente processo administrativo, eis que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele mandamus judicial tenta a Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001. Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por sub-rogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele writ, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. NULIDADE - INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos FLD - Fundamentos Legais do Débito, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos. Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeu-se dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital - SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída). NULIDADE - DO DESCUMPRIMENTO DO MÚNUS ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE - INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO A Fiscalização não tem obrigação de investigar a real condição de empregadores dos fornecedores pessoas físicas da Autuada, eis que estando configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. Quem patrocina prova ao contrário do lançamento é o contribuinte e não a fiscalização que fará tal mister. 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DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL - OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF Não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de contribuição social, eis que a legislação determina a retenção por sub-rogação. Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi - como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior. Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por sub-rogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas. No caso em tela o lançamento foi feito com base na Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentando-lhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Trata-se de obrigação por sub-rogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. NULIDADE - LAVRATURA DOS AIS COM RELAÇÃO À MATRIZ - DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física - firma individual - ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendo-o por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD - Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL - Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verifica-se que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe. DILIGÊNCIA Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO. DECADÊNCIA PARCIAL Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) - Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos. Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela. No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP. Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação. Portanto, no presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Há de observar que o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Consolidada em 18/01/2013 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE. Não há de se falar em concomitância com ação judicial, quando naquela se discute determinada exação com base numa legislação diferenciada do que trata no processo administrativo. No caso em tela há de considerar o fato gerador como embasador do lançamento com fulcro na legislação que trata a Lei 10.256/2001. Não há de considerar se trata de aquisição de produto de segurado especial ou não, pois o que importa é o fato gerador em si, suficiente para determinar a não concomitância. NULIDADE NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA VALIDADE DA DECISÃO QUE DESOBRIGOU A RECORRENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS. INEXISTÊNCIA. Mandado de Segurança que tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea “a” do inciso V da Lei nº 8212/91, não corresponde ao lançamento da autuação do presente processo administrativo, eis que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele ‘mandamus’ judicial tenta a Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001. Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 71 /2 01 3- 83 Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 rural pessoa física ou segurado especial, por subrogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele ‘writ’, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. NULIDADE INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos “FLD Fundamentos Legais do Débito”, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos. Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeuse dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída). NULIDADE DO DESCUMPRIMENTO DO “MÚNUS” ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO A Fiscalização não tem obrigação de investigar a real condição de empregadores dos fornecedores pessoas físicas da Autuada, eis que estando configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. Quem patrocina prova ao contrário do lançamento é o contribuinte e não a fiscalização que fará tal mister. A legislação de regência determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da subrogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91). Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da subrogação. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF Não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 7 3 contribuição social, eis que a legislação determina a retenção por sub rogação. Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior. Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por subrogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas. No caso em tela o lançamento foi feito com base na Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentandolhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Tratase de obrigação por subrogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. NULIDADE LAVRATURA DO’S AI’S COM RELAÇÃO À MATRIZ DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física firma individual ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendoo por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verificase que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe. DILIGÊNCIA Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO. DECADÊNCIA PARCIAL Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos. Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela. No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP. Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação. Portanto, no presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Há de observar que o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em converter o julgamento em diligência para verificação de suposta concomitância; b) em negar provimento ao recuso, nos termos de mérito, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração: Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 8 5 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Manoel Arruda Coelho Júnior. Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 Relatório Tratase de crédito previdenciário constituído através de dois lançamentos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: · AIOP DEBCAD nº 51.011.0010: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa (2%), e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (0,1%), devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, previstas no artigo 25, incisos I e II e §§ 3º e 4º, e artigo 30, incisos III e IV, todos da Lei nº 8212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Houve a propositura de uma ação judicial por parte da Recorrente, MS nº 2001.61.00.0000509, onde a sentença outrora em vigor, que somente abarcava as contribuições relativas à aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física que utiliza empregados (contribuintes individuais), não está mais vigente. Os produtores rurais que possuem CNPJ perante os cadastros da RFB, na categoria de Contribuinte Individual, foram considerados como tal, e foram objeto do Levantamento “PJ2”. Em relação aos demais produtores, para os quais não houve comprovação de que são produtores rurais empregadores, foram objeto do Levantamento “PR2”, como segurado especial; · AIOP DEBCAD nº 51.011.0029: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR (0,2%), devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, prevista no artigo 6º da Lei nº 9528/97, com a redação dada pela Lei nº 10256/2001. Os códigos dos Levantamentos também são: “PR2 – Produção Rural”, e “PJ2 – Produção Rural com CNPJ” Foi aplicada a multa de ofício de 75%, nos moldes do artigo 35A, da Lei nº 8212/91, acrescentado pela Lei nº 11941/2009, c/c artigo 44 da Lei nº 9430/96; Tomou ciência do lançamento e apressouse em impugnálo, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para alterar a decisão de piso, onde deve ciência no dia 29/05/2013. Inconformada, em 27/06/2013 aviou o presente Recurso Voluntário com as seguintes alegações: i) nulidade – necessidade de lançamento para prevenir decadência – validade da decisão que desobrigou a recorrente do recolhimento das contribuições exigidas; ii) nulidade – inexistência de fundamentação para o arbitramento; iii) nulidade – do descumprimento do “múnus” atribuído a autoridade fiscal; iv) nulidade – insegurança na determinação da infração – inexistência de provas de que os produtores não são empregadores; v) da iliquidez da autuação vi) da ilegitimidade da recorrente com relação ao FUNRURAL; vii) da ilegitimidade da recorrente com relação ao SENAR; viii) nulidade – lavratura do’s AI’s com Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 9 7 relação à matriz – deveria ser lançado contra cada CNPJ/MF especifico; ix)do mérito e da observância das decisões do STF; x) diligência; xi) decadência parcial; Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento. Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator O presente remédio processual recursivo acode as exigências processuais, razão pela qual dele conheço e passo analisar as suas razões de defesa. Mas, antes porém, mister trazer à baila que para a Fiscalização, conforme Relatório Fiscal que instruiu a presente autuação, o fato gerador da obrigação principal é a AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – SEGURADO ESPECIAL. Para este Julgador não tenho esta distinção, eis que confirmada a obrigação principal não importa se tratar ou não de segurado especial. Então, desde já há de esclarecer que não haverá pronuncia se se trata de segurado especial ou não, pois o que vislumbro importante é que se houve fato gerador capaz de incidir contribuição previdenciária, independente de ser segurado especial ou não. i) NULIDADE – NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA – VALIDADE DA DECISÃO QUE DESOBRIGOU A RECORRENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS Noticia a Recorrente que havia decisão que a desobrigava recolher as contribuições exigidas no presente lançamento e foi reformada em sede de apelação. Mas que a mesma foi reformada, e anatematizada com embargos de declaração, sem julgamento definitivo. Diz que os ED’s por ausência de dispositivo legal dizendo se possui efeito suspensivo e devolutivo, deverá ser recepcionado em ambos efeitos, por ser a regra geral. E, por isto mesmo a autuação carece de requisitos que justifiquem o lançamento para prevenção de decadência e com a exigência de multa e juros, significa imediata execução da decisão que foi objeto de embargos de declaração. Então, conclui, não havendo justificativa para o lançamento, o mesmo deve ser anulado. Dos documentos dos autos vêse que o Mandado de Segurança impetrado tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea “a” do inciso V da Lei nº 8212/91. Desta forma, está tratando naquele ‘writ’ a subrogação da Recorrente ao recolhimento pelo produtor rural pessoa física, conforme nos informa a Fiscalização em seu Relatório Fiscal às fls. 824, onde assentado está parte dele, cuja notícia é: ‘..... 2.15 – A solicitação de informações acerca dos fornecedores, pessoas físicas, de produtor rural, conforme item “2” do Termo de Intimação Fiscal de 18/10/2012, foi necessária devido ao Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 10 9 processo judicial nº 2001.60.00.0000509, referente ao Mandado de Segurança impetrado pela empresa em epígrafe perante a 22ª Vara Federal da Capital – SP, com fulcro na inconstitucionalidade da contribuição rural de produtor rural pessoa física, assim como de sua subrogação na pessoa do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física.GN). Então, destas premissas abstraíse que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele ‘mandamus’ judicial tenta a Impetrante/Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001. E, como dito alhures, não faz diferença para este Julgador se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por subrogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele ‘writ’, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Portanto, não vislumbro concomitância com aquele ‘writ’, e por isto não há aplicação da Súmula CARF nº 01, e tão pouco há a desejada nulidade no lançamento como quer a Recorrente. ii) NULIDADE – INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Insubstanciosa é a alegação da Recorrente que diz haver a nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento. Isto porque os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos “FLD – Fundamentos Legais do Débito”, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. De mais a mais os fatos narrados no Relatório Fiscal, quanto a aquisição de produto rural de produtor rural não foi negado pela Recorrente, demonstrando assim que há motivos assaz para justificar os lançamentos objurgados. E, quanto a um possível arbitramento, vêse que a Fiscalização até poderia seguir esta seara se acudisse às hipóteses do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e artigo 447 da IN RFB nº 971/2009. Mas o fato é que não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeuse dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital – SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída). Desta feita, a apuração do crédito tributário por meio destes documentos não constitui arbitramento ou aferição indireta, uma vez que eles registram exatamente a base de cálculo prevista na legislação previdenciária – sendo apuração direta. Sem razão. Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 iii) NULIDADE – DO DESCUMPRIMENTO DO “MÚNUS” ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE – INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO – INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO A Recorrente alega que exigiu da Fiscalização que esta promovesse uma investigação para saber a real condição de empregadores de seus fornecedores pessoas físicas, mas que não houve tal comportamento. Ora, acertada a decisão da Fiscalização, pois estava configurada para ela a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física, sem que nada mais deveria produzir, sendo certo que a Recorrente é que deveria produzir as suas peças defensivas, se era este o objetivo. E, mesmo não sendo constatado que os produtores rurais eram pessoas físicas não empregadores, alega que a autuação é ilíquida e incerta. Mas tudo sem razão, já que a legislação especifica determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da subrogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91). Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da subrogação. Assim, não há de considerar a proclamada nulidade trazida no Recurso Voluntário. vi) DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL – ix) MÉRITO – OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF Diz que não responde pelo crédito previdenciário autuado porque não é contribuinte da exação, eis que os produtos adquiridos por ela não foram adquiridos de segurados especiais, e que não reteve as contribuições. Em primeiro lugar, tenho que não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de contribuição social, e, de mais a mais, não reteve por incúria sua, eis que a legislação determina a retenção por subrogação. Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi – como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior. Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 11 11 Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por subrogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas. De fato, o Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, interposto por Frigorífico Mataboi S/A, o Pretório Excelsior declarou a inconstitucionalidade da obrigação tributária incidente sobre a comercialização da produção rural (Novo FUNRURAL), a que estava obrigada a recolher na condição de substituta tributária, no Acórdão transcrito abaixo: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 de 23042010) Reza o artigo 545B do CPC que: “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. Por esta razão o supramencionado Acórdão foi utilizado em regime de repercussão geral, o que se deu através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, cuja ementa tem o seguinte escólio: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 Numa análise percuciente vêse dos julgados acima que a inconstitucionalidade declarada foi ‘a supressão no texto do caput do art. 25 da expressão “[...] do empregador rural pessoa física e [...] referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V [...]”. Sendo certo que preservou no dispositivo, texto e norma suficiente para não ferir a contribuição social do segurado especial, arrimada no art. 195, § 8º, da Lei Maior. Por outro lado, embora tenha havido a redução parcial do texto da cabeça do dispositivo inquinado, a declaração de inconstitucionalidade relativamente aos incisos I e II, entretanto, ocorreu sem redução de texto alguma. Isso para que o texto legislativo permanecesse íntegro para com relação à norma exacional incidente sobre o segurado especial. Em verdade, penso que a celeuma toda foi criada porque a Carta Maior de 1988 igualou os trabalhadores urbanos e rurais em direitos sociais, inclusive com relação aos benefícios previdenciários, o que de fato plagiou o princípio da equidade. Todavia, o custo disto é que não foi bem preparado pelo legislador, eis que a legislação de custeio da Previdência Social, que da mesma forma tinha que equiparar empregadores rurais aos urbanos, passou obrigar do segundo a incidência da mesma alíquota, ou seja, de 20% (vinte por cento) sobre a folha de pagamentos. Entretanto, o legislador originário não contou com duas questões desfavoráveis a tal equiparação, sendo a primeira referente a questão logística, eis que para realizar a fiscalização no campo seria uma tarefa quase impossível, além de um custo muito elevado, e que a tal incidência de 20% oneraria muito o empregador rural, dado a diversos fatores. Assim, veio o novo FUNRURAL, tentando equilibrar as coisas e continuar a assistir o empregado do campo, e alterou a forma de tributação deste para onerar, em substituição à folha de pagamentos, o resultado da comercialização da produção rural (art. 25 da Lei nº 8.212/1991, alterado pelas Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997). Este novo FUNRURAL, como visto acima não foi chancelado pelo Judiciário, eis que o julgou inconstitucional por entender que há criação de nova fonte de custeio da Previdência Social sem o manejo de lei complementar (Recursos Extraordinários nºs 363.852/MG e 596.177/RS), no meu modesto entender ocorrendo um vício formal. Desta forma, havia no novo Funrural, segundo os mencionados Acórdãos, um vício formal, cujo qual, penso, já tinha sido sanado pela Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentandolhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei. Sem Razão a Recorrente. vii) DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Tratase de obrigação por subrogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 12 13 produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. Na clareza da lei cessa sua interpretação. A legislação está em pleno vigor, não havendo nada no mundo jurídico que afasta a sua aplicação, devendo ser mantido a exação. Sem razão a Recorrente. viii) NULIDADE – LAVRATURA DO’S AI’S COM RELAÇÃO À MATRIZ – DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO Alega que há nulidade dos Autos de Infração porque não foram lavrados contra cada CNPJ específico, mas apenas contra a matriz. O que não prospera, eis que a Lei 8.212/91 determina que é considerada empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. A decisão de piso foi muito feliz em verberar sobre o tema, razão pela qual, faço dela minhas palavras e peço vênia para transcrevêla: .... 25.3 Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física – firma individual – ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendoo por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. 25.4 No entanto, cumpre distinguir entre a obrigação em si e a responsabilidade. À primeira vista, podem significar sinônimos da mesma realidade fenomênica. Contudo, tal não se mostra efetivo. Em verdade, a teoria das obrigações, enquanto relação jurídica, e assim também o é a relação de sujeição tributária, assume uma particularidade dúplice, qual seja, a distinção entre a obrigação e a responsabilidade. 25.5 A obrigação se constitui no vínculo jurídico pelo qual um dos sujeitos deve a outro uma prestação, e ao segundo corresponde o direito de exigir seu adimplemento: é uma relação de puro débito. Já a responsabilidade se constitui em corolário do inadimplemento da prestação obrigacional, ou seja, exsurge secundária e condicionalmente, a partir do momento em que o devedor, obrigado à prestação, não a desempenha. 25.6 Assim, embora pareçam institutos semelhantes, se diferem. Por óbvio, o inadimplemento da obrigação gera a responsabilidade que recai sobre o elemento patrimônio, pertencente ou não ao devedor originário. Dessa forma, tanto a legislação civil como a tributária definem os devedores, isto é, os sujeitos obrigados à prestação que se constitui o objeto da Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 14 relação jurídica, e, após isto, definem os responsáveis, isto é, pessoas que podem ou não coincidir com a pessoa do devedor originário, daí advindo que a definição de sujeito devedor pode conduzir à definição do responsável, mas não o contrário. 25.7 Muito embora o lançamento seja, ao final, consolidado no estabelecimento matriz, enquanto titular organizacional da empresa, de rigor reconhecer que cada conjunto de informações relativo ao lançamento, como a identificação da base de cálculo, o enquadramento em alíquotas, devem ser devidamente demonstrados de forma segregada, devendo haver a consideração de crédito/débito em relação a cada estabelecimento. 25.8 No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD – Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL – Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verificase que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe. 25.9 Assim, ao contrário do que afirma a Impugnante, foi plenamente respeitada a regra de que cada estabelecimento da empresa, embora não provido de personalidade jurídica distinta, é devedor das contribuições previdenciárias e de Terceiros cujos fatos geradores tenha praticado, ainda que o lançamento se consolide na responsabilidade do estabelecimento matriz. Sem razão a Recorrente. x) DILIGÊNCIA A diligência requerida pela Recorrente é dispensável para o julgamento e pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO. De mais a mais, como alhures já pronunciado por diversas vezes, não importa se tratar de segurado especial ou não para incidência da contribuição previdenciária autuada nos presentes autos. Desta forma, dispensável a diligência, há de ser indeferida. xi) DECADÊNCIA PARCIAL Diz a Recorrente que a competência de janeiro de 2008 está fulminada pela decadência, mas não prospera. Conforme a Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 13 15 no Código Tributário Nacional (CTN) – Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos. Assim, há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela. Código Tributário Nacional Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ... De acordo com o Relatório Fiscal, foram lançadas as contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa (2%), e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT – 0,1%), e as contribuições devidas ao SENAR – 0,2%, devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física. Tais valores não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP. Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação. A apuração do valor devido e o recolhimento, pelo Contribuinte, não foram promovidos de acordo com a determinação legal, nem foram completos. E conforme determina o CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) No presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Dessa forma, tendo sido o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 16 Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator (assinado digitalmente) Declaração de Voto Apresento na oportunidade declaração de voto em face do meu entendimento quanto à impossibilidade de exigência da retenção da contribuição para o produtor rural, pessoa física empregador, haja vista a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 30, da Lei n. 8.212/91, quando do julgamento pelo STF do RE 363852. Importa dizer que em 03/02/2010, o Plenário do STF , por unanimidade e nos termos do voto do Ministro Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário acima numerado para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Ministro Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie, conforme se verifica da ementa abaixo: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 14 17 subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações.(RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL00217 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Registrese que o referido Acórdão transitou em julgado em 08/06/20111. É cediço por aqueles que militam nesta seara do Direito que o Decreto n. 70.275/72 [PAF] prevê que, no âmbito administrativo fiscal fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [Grifo nosso] Mesmo sendo desnecessária a repetição, o Regimento do Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009 resolveu reiterar o comando normativo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou [Grifouse] 1 Informação obtida no sítio do STF, em 02/09/2014: http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=363852&classe=RE&codigoClasse=0 &origem=JUR&recurso=0&tipoJulgamento=M Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 18 Ora, ilustres Pares, a preocupação é tanta da Administração Tributária pela não constituição e manutenção de créditos que tratam de matérias já amplamente discutidas em sede dos Tribunais Superiores e que possuem jurisprudência consolidada, que a Lei n. 12.844/2013 alterou o art. 19, da Lei n. 10.522/2002 para autorizar a PGFN a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Art. 21. O art. 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 19. ........................................................................ .............................................................................................. II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; .............................................................................................. IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 1º Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente: I reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, inclusive em embargos à execução fiscal e exceções de préexecutividade, hipóteses em que não haverá condenação em honorários; ou II manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. .............................................................................................. § 4º A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 15 19 de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. .............................................................................................. § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.” (NR) Nesse sentido, com espeque nos argumentos acima, manterse lançamento fundado em obrigação declarada inconstitucional pelo STF repercute, ao meu sentir, erronia grave e que deve ser de pronto expurgada por esse Órgão Julgador. Persistir nesse equívoco, ao meu sentir, apenas procrastina litígio que há muito já foi encerrado pelo excelso STF. Nesse sentido, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO quanto impossibilidade do lançamento do FUNRURAL, com espeque no inciso IV, do art. 30, da Lei n. 8.212/91. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.916559/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
Pedido de Compensação. Ônus da Prova.
O pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equívoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.192
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Pedido de Compensação. Ônus da Prova. O pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equívoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Fl. 42DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A empresa citada identificada por IFORTIX INSTALAÇÕES E CONSTRUÇÕES LTDA transmitiu declaração de compensação (Dcomp) em 20/01/2005, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que o valor total do pagamento é R$ 1.244,20.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre pelo Despacho Decisório não reconheceu o direito pleiteado e não homologou a compensação declarada, afirmando que o DARF foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato. o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de primeira instância pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDÊNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados cm DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Impugnação Improcedente Fl. 43DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.916559/200973 Acórdão n.º 310201.192 S3C1T2 Fl. 41 3 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Aduz a recorrente, que tanto o órgão de jurisdição quanto o julgador de primeira instância não cumpriam o dever de investigar a liquidez e certeza dos créditos em que se fundaria o pedido de compensação litigioso. Quanto à alegação, é preciso recordar o que dizia o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, (original não destacado): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Como é possível perceber, a apuração do crédito, tarefa a ser empreendida pelo sujeito passivo nos termos do dispositivo transcrito, é o ponto de partida para formulação de declaração de compensação. Ora, compulsando os autos, o que se verifica é que não foi colacionado qualquer elemento que demonstre o indébito. Aliás, não foi trazido sequer um demonstrativo que discrimine quais foram os parâmetros utilizados para sua apuração. Com efeito, o sujeito passivo aduz que os pagamentos eram indevidos, de acordo com determinado norte jurisprudencial, mas não traz ao processo sequer elementos que permitam aferir se os fundamentos invocados seriam os mesmos que foram considerados para o afastamento da multa em outros processos. Noutro giro, levando a discussão para o plano processual, de acordo com o art. 16, III do Decreto nº 70.2351, de 1972, caberia ao sujeito passivo carrear ao processo os elementos respaldassem suas alegações. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 44DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Assim, considero prejudicada a discussão acerca do higidez da incidência de multa moratória sobre tributos recolhidos espontaneamente em atraso. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 1 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 45DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901763/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-002.056
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido em parte
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decisao_txt : Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
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COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido em parte Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 17 63 /2 00 9- 41 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 125 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0122.007 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 47 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/08/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 16.695,85 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 09/2004, no valor originário de R$ 112.806,02. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.03.2009 (fl. 06), registra que “analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 03/04/2009, a interessada apresentou, em 05.05.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/25): a) A impugnante é optante pelo regime de pagamento de IRPJ pelo lucro real e, há época recolhia mensalmente o imposto pela sistemática de estimativa e no período de setembro de 2004 realizou o pagamento de CSLL, Cod. 2362, no valor de R$ 112.806,02, todavia o valor correto apurado foi de R$ 96.110,17, configurando então um recolhimento a maior que o calculado e declarado na DCTF, no valor de R$ 16.695.85. Sendo mais claro, recolheu a maior que o montante resultante do cálculo da estimativa. Utilizavase regularmente dos balancetes para a suspensão, redução e dispensa do imposto mensal prescritos na legislação. Entendia, todavia, que neste particular caso não se tratava de imposto estimado, pois a quantia paga excedia ao cálculo previsto em lei. Assim, como em qualquer outro tributo, deveria ser considerado como pagamento indevido ou a maior. b) O que se defende aqui é o uso permitido do procedimento administrativo pela autoridade para resolver, pelo seu livre convencimento, as questões de direito, dentro de um mínimo de flexibilidade, permitido e fortemente estimulado pela norma administrativa regimental. Não por outra razão, em face do saneamento das questões discutidas, cumpriria seu objetivo de evitar a ida de toda sorte de litígios ao judiciário. É apenas isto que se pede aqui. Pedese simplesmente que seja verificada a inaplicabilidade ao presente caso do paradigma escolhido pela autoridade. O pagamento de IRPJ estimativa é antecipação do IR anual, calculada conforme a legislação. Por outro lado, o caso em tela é um pagamento em excesso ao cálculo da estimativa e que não havia sido declarado. c) Definindo a fonte de crédito de um jeito ou de outro, de "pagamento a maior" ou "saldo negativo", os seus valores não são alterados. Ou melhor, se esse valor for acumulado aos demais pagamentos de IR estimativa, se obtém como resultado um novo saldo negativo maior que o anterior exatamente no montante que aqui se defende como direito creditório. Portanto, o fato de se ter denominado como fonte do crédito o pagamento indevido ou a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 126 3 maior não provocou qualquer dano ao erário, na medida em que a contribuinte foi cauteloso em apurar primeiro o IR anual, para constatar o valor da parcela do seu crédito que denominou de pagamento a maior, separadamente da parcela que denominou ‘saldo negativo’. O procedimento tomado pela Fazenda nacional, com a devida venia, contrasta com o principio basilar do processo administrativo da busca da verdade material, pelo qual a administração deve se utilizar de todos os meios para estabelecer o que é público e o que é do particular por direito, não permitindo que um se aproprie ilegalmente do que é do outro, protegendo assim o bem público. Refere julgados administrativos e conclui que a simples solicitação para que a Requerente retificasse os pedidos possibilitaria a denúncia e retificação do erro de preenchimento que prejudicou a percepção da exatidão e liquidez do direito à restituição e, por conseqüência da compensação dos valores retificados. Por tal razão, desde já, rogase a esta D. Autoridade, que RECONSIDERE a referida decisão proferida e que proceda a verificação do direito à compensação da Requerente em sua totalidade. d) O Código Tributário Nacional preconiza a possibilidade da revisão de oficio da autoridade pública, em razão de erro, omissão ou intempestividade por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Cita julgados judicial e administrativos, sustentando que não pode ser rechaçada a compensação apenas em razão de diferença de entendimento quanto à denominação do ‘tipo de crédito’ e, em razão de, no entendimento da autoridade, a denominação do crédito estar errada, deixando de examinar que o montante apurado de saldo negativo não continha tal valor, deixado em separado para servir de fonte de crédito para a compensação aqui em questão. Se tivesse aprofundado sua análise teria chegado a conclusão inafastável que, independente da denominação dada pela contribuinte, o crédito existia e então, poderia ser objeto de compensação. e) Independentemente do equívoco que fora perpetrado pela Requerente, ainda assim, não se pode olvidar a subsistência da obrigação da Fazenda Pública em restituir ou compensar pagamentos indevidos feitos a título de tributo, pois esta obrigação decorre do fato de haver recebido valor sem fundamento na lei, ou seja, fora dos estritos termos dos seus comandos. Outro fato que deve ser relevado ao analisar a situação aqui em foco é que o ERRO DE FATO não configura fato gerador de tributo, deixando o valor recebido sem base legal em forma de indébito que, de igual maneira também é consagrado na Jurisprudência dominante, dá direito à repetição. Refere decisões judicial e administrativa”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 13/06/2011, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0122.007 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência e oponibilidade à Receita Federal do Brasil do crédito apontado como compensável. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 127 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 25/07/2011 (segundafeira) (AR constante das fls. 56), a BRAGA VEÍCULOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0122.007, recorre em 24/08/2011 (fls. 58 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “1. Seja acolhida a preliminar de nulidade para anular o Acórdão 01 22.007; ou, 2. Se pelas razões e provas for possível julgar o pleito favoravelmente ao sujeito passivo, seja declarado improcedente o Acórdão objurgado; 3. Seja homologada a compensação declarada por meio do PER/DCOMP n.° 02454.44183.310805.1.3.041429; 4. Seja determinada a baixa do débito em nome da interessada referente ao tributo compensado na forma do item anterior; e, por fim, 5. Após todas as providências de praxe, seja arquivado o processo à epígrafe”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 128 5 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de adentra ao mérito da questão, passo a analisar a preliminar de nulidade levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. e segs dos autos. Procurei as razões que embasariam a suposta nulidade do Acórdão nº 01 22.007 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA e simplesmente não encontrei. Na verdade o recurso voluntário trata: a) da tempestividade (fls.); b) dos fatos (fls.); c) da existência e suficiência do direito creditório (fls.); c) da possibilidade do oferecimento de provas (fls.); d) da incompetência da delegacia de julgamento para alterar o fundamento do lançamento (fls.); e) do mérito (fls.); e f) dos pedidos (fls.). Ou seja, nas paginas do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhuma razão, fato ou indicio que fundamente a suposta nulidade do Acórdão nº 0122.007 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA, quando afirmou às fls. dos autos: “Ressaltese que em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Assim, em tais hipóteses fazse indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro ‘Diário’, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc, haja vista que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal.” Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 129 6 Diante do que consta dos autos, vejo que a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa pagos a maior, o que é, incontestavelmente, um equívoco, tendo em vista que a Recorrente apresentou as DCTF’s que suportam o crédito utilizado (fls. 27). Além do mais, quando o pagamento efetuado é superior ao débito IRPJ declarado, o valor considerado como estimativa IRPJ efetivamente paga é o pagamento limitado ao montante declarado. Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB são alimentados pelos débitos declarados em DCTF, bem como pelo fato do próprio contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, reformando, desta feita, parte da decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 11128.006110/2006-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/09/2001
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA.
Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
Numero da decisão: 3803-005.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39387.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB DF 39387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 61 10 /2 00 6- 69 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A contribuinte protocolou junto à Inspetoria da Alfândega de Santos Pedido de Reconhecimento de Crédito Tributário e Restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN SRF nº 600/05. Desse pedido consta: Informações acerca da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); Que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil ao amparo da DI nº 01/09360847, em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos em 21/09/2001. Que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA. Que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. Que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. Que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral do imposto de importação (débito automático em conta corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/200669 Acórdão n.º 3803005.998 S3TE03 Fl. 9 3 Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil deuse com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. A contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descrita (fls. 75/78). A contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 30.397,08 (fls.), havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório nº 140/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls.), sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial TO027, doc de fl., foram descarregadas em solo americano e em 22/08/2001foi emitida a fatura comercial PC 05225 (fls.49/51) pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo as mercadorias embarcadas para o Brasil em 28/08/2001, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque (BL) de fls., portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pela contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 161/20111 pelo Servido de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos (fls. 135/137), que indeferiu o pleito, eis que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado o sujeito passivo interpôs a sua manifestação de inconformidade, protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição é o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado, reiterando, ademais, as razões de fato e de direito aduzidas no pedido de reconhecimento de crédito (fls. 01/ ), para requer a declaração de ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito. Há o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pela contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894 (fls. 174/175), a título de precedente. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conclusos foram os autos submetidos ao pronunciamento da 1ª Turma da DRJ/SP2, que por através do Acórdão nº 1757.679, de 16/02/2012 proferiu decisão, cuja ementa transcrevese adiante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/09/2001 Solicitação de RECONHECIMENTO DO CREDITO TRIBUTÁRIO, em virtude de mercadoria produzida no México, país integrante da ALADI, pleiteando o direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal. A alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999, impõe três condições simultâneas para que se contemplem a redução do Imposto. A interessada não logrou êxito em justificar que a mercadoria transitou pelos Estados Unidos da América do Norte por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O entendimento vazado na decisão em comento segue a mesma linha daquele profligado no Despacho Decisório nº 140/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP de que a mercadoria em questão foi faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), e que não foram atendidas as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do artigo 1º da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos “I” e “II”, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimento de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Acerca da Decisão nº 203, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª RF, pautouse o entendimento exarado no acórdão suso mencionado, que a mesma se refere a INTERMEDIAÇÃO DE EMPRESA DE TERCEIRO PAÍS NÃO MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO, não refletindo a situação em comento, ou seja, mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes. Além disso, não faz qualquer concessão quanto às exigências solicitadas pelo artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. No que atine às duas decisões proferidas na instância superior administrativa e colacionadas aos autos pela interessada, o voto condutor assinalou que ambas possuem o mesmo teor e, em que pese o respeito ao entendimento esposado e suas razões, não é essa a conclusão que se depreende das exigências da alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. É explicita a exigência de que as únicas justificativas para trânsito por um ou mais países não participantes são por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país, o que a interessada não comprovou. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 15/03/2012 e protocolou o seu recurso voluntário na DRF em Campinas/SP, em 12/04/2012, reiterando as mesmas razões de fato e de direito expendidas na exordial, entretanto de maneira pormenorizada, haja vista que a operação de importação foi realizada nos moldes da Resolução Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/200669 Acórdão n.º 3803005.998 S3TE03 Fl. 10 5 nº 252, art. 1º, item quatro, alínea ‘b’, “I” e “II” e item nono, do Comitê de Representantes da ALADI, ex vi do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99. Aduziu, inclusive, que no âmbito da ALADI admitese que a mercadoria produzida em um determinado País (ex: México) seja embarcada para o Brasil com trânsito em terceiro País que não seja membro da referida associação (ex: Estados Unidos), devendo, nesta situação, indicar no campo “observações” do Certificado de Origem que a mercadoria será faturada por terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do exportador (“que em definitivo será o que fature a operação a destino”). Persiste na defesa de que o trânsito das mercadorias por território de país não membro da ALADI se deu por conveniência geográfica, implicando inclusive em redução de custos operacionais; que apesar de o México ter acesso ao Oceano Atlântico, como consignado na decisão recorrida, o Porto de Houston oferece condições infinitamente melhores que os portos mexicanos com saída para esse oceano. Ressalta que se trata de uma questão de logística, em razão de maior facilidade e conveniência, motivos o bastante para todas as empresas do mesmo grupo adotar esse caminho para o transporte das mercadorias: México – EUA – Brasil, sem que haja qualquer benefício outro para a Recorrente. Tanto é assim que a própria documentação já indicava o destinatário final. Enfatizou a Recorrente que a eventual falta de justificativa para a operação ter como etapa os EUA antes do destino final (Brasil), alegada no acórdão combatido, não serve como referência para a mitigação do direito creditório, ora pleiteado, pois toda a documentação que acompanhava a DI, já anexada ao pedido de restituição, faz prova do direito a redução tarifária que, não foi concedida no desembaraço por exclusiva impossibilidade técnica do próprio SISCOMEX, inclusive o doc. 10 anexo ao pedido de restituição que menciona como destino final das mercadorias a PANASONIC DO BRAZIL LTDA, restando demonstrado portanto, que desde a entrada das mercadorias nos EUA já havia a consignação de que seu destino final seria o Brasil. Consubstanciou o alegado mencionando a Decisão nº 203, DOU de 15/09/1999, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, que foi ratificada pelo Ofício nº 2006/00263 da COANA, além de jurisprudência administrativa na qual é parte interessada, por meio dos Acórdãos nº CSRF/0304.584 (11128.000691/0050) e CSRF/03 04.585 (11128.000687/0082), cuja ementa se reproduz: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ACORDO ALADI – REDUÇÃO TARIFÁRIA – TRIANGULAÇÃO – não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante, por inteligência do art. 4º, alínea ‘b’, e seus itens, do Regime Geral de Origem, da Resolução 78, firmado entre o Brasil e a Associação Latino americana de Integração – ALADI, aprovado pelo Decreto nº 98.874/90. Recurso especial provido. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cumpridas as exigências requer o provimento do recurso e a declaração de nulidade do acórdão recorrido pelo cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese ao atendimento ou não das condições elencadas na Resolução ALADI nº 252, para fazer jus ao beneplácito da redução em 20% da tarifação do imposto de importação, na operação realizada. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.). No mesmo sentido o documento, denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN, informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Do ponto de vista da legislação temse que o Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99, dispõe sobre a execução da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI. Assim dispõe o art. 1º dessa Resolução: Art. 1º. A Resolução nº 252, que aprova o texto consolidado e ordenado da Resolução nº 78, do Comitê de Representantes da Associação Latinoamericana de Integração, apensa por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cumprida tão inteiramente como nela se contem. Por sua vez o item quarto dessa Resolução estabelece: Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/200669 Acórdão n.º 3803005.998 S3TE03 Fl. 11 7 diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase com expedição direta: (...); As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Finalmente, o item nono do mesmo normativo assim registra: Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: (i) As mercadorias importadas sob o amparo da DI nº 01/09360847, de 21/09/2001, efetivamente tiveram como origem o País do México, transitaram pelos EUA, e tiveram como destino final o Brasil; (ii) A operação de importação em comento seguiu de acordo com as orientações contidas no item ‘b’ e alíneas ‘i’ e ‘ii’ do artigo 1º da Resolução nº 252; Em razão do tipo de operação de importação por ela realizada, a Recorrente alegou que teria direito à redução do imposto de importação de 20% sobre a alíquota normal, bem assim que por ocasião do registro da DI no SISCOMEX, o referido sistema não reconheceu esse direito. O imbróglio ensejou a realização de consulta pela ora Recorrente formulada à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Seguindo a orientação contida no ofício suso mencionado a Recorrente protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 30.397,08 (fls.). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo nº 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Recorrente trouxe à baila a Decisão nº 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Ressaltese que o Despacho Decisório nº 140/2011, apenas analisou os mesmos documentos colacionados aos autos e concluiu que as mercadorias não podem ser beneficiadas com a redução pretendida, pois supostamente foram transacionadas com uma empresa sediada nos EUA, mediante fatura comercial T0027, foram descarregadas em solo americano em 22/08/2001 e depois foi emitida fatura comercial PC06049 (fls. 15/17), ou seja, em razão da mercadoria haver sido faturada por operador em terceiro país, não integrante da ALADI. Data vênia, consoante o disposto na legislação pertinente já mencionada, não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício d o direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. São precedentes o Acórdão CSRF/0304.584 e CSRF/0304.585, mencionados pela Recorrente. Ante todo o exposto oriento meu voto para dar provimento ao recurso interposto, para reconhecer o direito creditório. É assim que voto. Sala de Sessões, em 23 de janeiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/200669 Acórdão n.º 3803005.998 S3TE03 Fl. 12 9 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10909.000663/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/06/2008, 25/06/2008, 02/09/2008, 03/09/2008, 10/09/2008, 15/09/2008, 16/09/2008, 18/09/2008
PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente.
COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003.
Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente.
Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52).
Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009.
Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa.
Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3803-006.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/06/2008, 25/06/2008, 02/09/2008, 03/09/2008, 10/09/2008, 15/09/2008, 16/09/2008, 18/09/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Inferese ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 06 63 /2 00 9- 09 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 801 2 Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de auto de infração em que a fiscalização impõe multa à ora Recorrente por ter deixado de observar os prazos para a “prestação de informações sobre veículo ou carga transportada, ou a operação que seria executada”. Segundo a Fiscalização, o transportador ou o agente de cargas estão obrigados a prestar à Receita Federal do Brasil informações sobre a chegada das cargas transportadas, na forma e nos prazos definidos pela legislação. No caso, as embarcações atracaram no Porto de Itajaí/SC em 24/04/2008; 20/06/2008; 28/08/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 04/09/2008; 09/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, sendo que a Recorrente procedeu a desconsolidação das Fl. 801DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 802 3 CE Mercantes somente em 23/06/2008; 25/06/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008.(fls. 11) Por tal motivo, a Recorrente foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a inobservância de prazo para a prestação de informação perante a RFB. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação, sustentando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração pela ausência de descrição clara dos fatos e do próprio enquadramento legal, e no mérito, o não descumprimento do prazo, eis que a prestação de informações estaria disciplinada no artigo 22 da IN RFB 800/2007, cujos efeitos somente entraram em vigor em 1º de abril de 2009, por força da IN 899/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC julgou improcedente a impugnação, mantendo a autuação. Segundo a DRJ/FNS, revelouse insubsistente a alegação de nulidade formal, pelo que rejeitou a preliminar. E no mérito, concluiu que embora o artigo 22 da IN RFB 800/2007 não estivesse em vigor ao tempo dos fatos, a solução do caso estava no parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, que impunha prazos de antecedência para a prestação de informações inerentes ao Controle Aduaneiro. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos. Em síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. Preliminarmente, alega o recorrente que o auto de infração não observou as formalidades previstas nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Pela leitura do auto de infração, constatase que o douto auditorfiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos e fundamentos legais e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional marítimo e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Deste modo, não merece guarida a alegação de violação aos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972, pelo que rejeito a preliminar. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 803 4 Passo a analisar o mérito do recurso. A questão me parece bastante simples. A Recorrente está certa ao defender que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800/2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da IN RFB 800/2007, com redação dada pela IN 899/2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, impossível se cogitar que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800/2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 804 5 Tal dispositivo diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800/2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que as embarcações atracaram em 24/04/2008; 20/06/2008; 28/08/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 04/09/2008; 09/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação das CE Mercantes em 23/06/2008; 25/06/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir a Recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) Assim, penso que a exigência fiscal está correta, de modo que não vislumbro argumentos capazes de infirmar a presente autuação. Em tempo, registramos que a tese levantada pela empresa recorrente, acerca da denúncia espontânea prevista na atual redação do artigo 102 e parágrafos do DecretoLei 37/66, não se aplica ao caso dos autos. Explico a partir da transcrição do dispositivo legal: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 804DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 805 6 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Como se vê, o parágrafo 1º do artigo 102 do Decretolei 37/66 não considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. O ato que determina o início do despacho aduaneiro de importação é o registro da DI no Siscomex. No caso dos autos há uma particularidade que envolve as novas ferramentas à disposição do controle aduaneiro, sobretudo a implantação do SISCOMEX Cargas, cujos prazos de transmissão de informação de conteúdo de carga estão disciplinados pela IN 800/2007. Isto é, pela observância obrigatória do SISCOMEC Cargas, o despacho aduaneiro terá início no momento da inclusão das informações no referido sistema, cujo prazo limite será o da atracação. Vejamos as razões extraídas do próprio auto de infração: A Receita Federal do Brasil, no âmbito da competência conferida pelo Art. 37 do DecretoLei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo Art. 77 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e na maneira prevista no Art. 64 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabeleceu que o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados deverá ser procedido de acordo com a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, que em seus Artigos 10 e 52 dispõe: "Art. 1º 0 controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RW) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: (grifo nosso) I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), gerenciado pelo departamento do Fundo da Marinha Mercante (DEFI0), pelos transportadores, agentes marítimos e agentes de Carga; e II diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes". Conforme explicitado, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como às relativas Fl. 805DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 806 7 às escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga dar seá pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. (...) 0 planejamento das ações de Fiscalização, a partir da implementação do Siscomex Carga, está fundamentado em critérios de análise de risco. 0 gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e consequentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate A pirataria. Portanto, a atracação se deu nos dias 24/04/2008; 20/06/2008; 28/08/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 04/09/2008; 09/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação das CE Mercantes em 23/06/2008; 25/06/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, ou seja, já no curso do despacho aduaneiro, o que atrai a hipótese de não aplicação da denúncia espontânea prevista no artigo 102 do DecretoLei 37/66. Derradeiramente, ainda existe outra regra que afasta a denúncia espontânea no caso dos autos. Tratase do parágrafo 3º do artigo 612 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos. In verbis: Art. 612, § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade formal do auto de infração, e no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. É como penso. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 806DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 807 8 Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 807DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11050.002276/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/11/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.002276/200819 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.817 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/11/2008 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 22 76 /2 00 8- 19 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito, sendo o Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10/11/2004. Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 5 4 Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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