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5960145 #
Numero do processo: 10880.721418/2010-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/08/2004, 17/08/2004, 21/08/2004, 26/08/2004, 28/08/2004, 31/08/2004 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, consoante o Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-005.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face a intempestividade. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.721418/2010­20  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­005.271  –  1ª Turma Especial   Sessão de  18 de março de 2015  Matéria  OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Recorrente  AEROVIAS DEL CONTINENTE AMERICANO AS AVIANCA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data  do  fato  gerador:  07/08/2004,  17/08/2004,  21/08/2004,  26/08/2004,  28/08/2004, 31/08/2004  RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.  O  contribuinte  deve  protocolar  sua  defesa  no  prazo  de  30  (trinta)  dias  contados da data da ciência do acórdão, consoante o Decreto nº 70.235/72.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário em face a intempestividade.     (assinatura digital)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.       (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator.    Participaram da  sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo  Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 14 18 /2 01 0- 20 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/2010­20  Acórdão n.º 3801­005.271  S3­TE01  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  10880.721418/201020,  contra  o  acórdão  nº  07­34.488,  julgado  pela  1ª.  Turma  da Delegacia  Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 26 de março  de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte.  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento de origem, que assim relatou os fatos:    A presente autuação refere­se à exigência da multa capitulada no  art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto Lei n.º 37/66, com a redação  da  Lei  n.º  10.833/2003,  no  valor  de R$ 5.000,00,  aplicada por  veículo/viagem, identificado pelo respectivo voo, por não prestar  as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido  na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB n.º 510/2005.  A  fiscalização  junta  planilha  de  fls.  10/11  com  os  dados  de  embarque e as datas de informação dos dados.  Intimada  da  autuação,  a  interessada apresentou  a  impugnação  alegando, em síntese, o que segue:  1)  Embora  a  Impugnante  tenha  realizado  todos  os  registros  tempestivamente,  a  averbação  das  referidas  informações  no  Sistema  foi realizada após o prazo legal de dois dias, tendo em  vista a ocorrência de alguns problemas, de cunho eminentemente  prático,  que  o  Siscomex  vem  apresentando  e  apresentou,  no  momento  da  inserção  dos  dados  no  Sistema,  pela  Impugnante.  Também  as  retificações  das  informações  foram  processadas  como se fosse a primeira informação.  2)  Acusa  a  contagem  de  prazo  feita  indevidamente  nos  fins  de  semana.  3) O lançamento das multas está em total desconformidade com  o nosso  ordenamento  jurídico,  uma  vez  que  ocorre  patente  violação  ao  principio  da  razoabilidade,  segundo  o  qual  a  atuação  da  Administração  Pública,  direta  ou  indireta,  de  qualquer  dos  Poderes, deve se pautar, como condição de legitimidade dos atos  administrativos,  ao  lado  de  outros  princípios,  tais  como,  o  da  legalidade,  impessoalidade, moralidade,  publicidade,  isonomia,  boa­fé e o da motivação suficiente, como condição essencial para  a validade dos atos administrativos, em geral.  4) Requer, ao final, a insubsistência do auto de infração.    A  DRJ  de  Florianópolis  (DRJ/FNS)  decidiu  pela  parcial  procedência  da  impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa:    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2007  Ementa:  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/2010­20  Acórdão n.º 3801­005.271  S3­TE01  Fl. 4          3 Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF  nº 1.364, de 10/11/2004  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Inconformada  com  parcial  procedência  de  sua  manifestação  de  inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que:    1­  Embora tenha realizado todos os registros tempestivamente, a averbação  das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de  dois  dias,  de  cunho  eminentemente  prático,  que  o  Siscomex  já  vinha  apresentado, no momento da inserção de dados;   2­  Por  diversas  vezes,  precisou  ser  interrompido  a  inserção  de  dados,  por  falha  inerente  do  funcionamento  do  Sistema,  que  estava  “fora  do  ar”,  ocasionando esforço redobrado da empresa recorrente;  3­  A recorrente procedeu ao registro dos dados de embarque, não o fazendo,  em alguns  casos,  no prazo de dois  dias  à  época previsto,  em virtude de  problemas técnicos do Siscomex;  4­  Todos  registros  e  informações  dos  embarques  foram  prestados  antes  de  qualquer medida de fiscalização denunciadora das supostas infrações;  5­  A denúncia  espontânea  regida  pelo Decreto  37/66  afasta  a  aplicação  de  penalidades,  tanto  de  natureza  tributária  quanto  de  natureza  administrativa,  excepcionando­se,  apenas,  as  penalidades  aplicáveis  na  hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento;  6­  Quanto  à  apresentação  da  impugnação,  é  cediço  que  a  razoabilidade  integra  o  ordenamento  constitucional  brasileiro  e  que  se  constitui  em  princípio  inarredável  no  tocante  a  elaboração  das  leis  e  no  que  diz  respeito à autuação do Poder Executivo;  7­  Conforme estabelecido pelo art. 46, caput, § 1º da IN/SRF nº 28/1994, a  averbação  consiste  apenas  na  confirmação  por  parte  da  Autoridade  Aduaneira, de que o embarque ou a transposição das mercadorias, de fato  ocorreu.    É o sucinto relatório.      Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/2010­20  Acórdão n.º 3801­005.271  S3­TE01  Fl. 5          4   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  O presente recurso não deve ser conhecido posto que intempestivo.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  resultado  do  acórdão  nº  0734.494,  em  09/04/2014, conforme comprovante de entrega (fl. 212),  sendo protocolado o recuso que nos  chega  a  apreciação  em  13/05/2014,  ou  seja  passados  amis  de  30  dias  do  da  ciência  do  resultado.  Nestes  termos  de  acordo  com  o Decreto  nº  70.235/72,  art.  33,  contados  na  forma do art. 5º do mesmo diploma legal, a contagem do prazo se iniciou no dia 10 de abril de  2014, encerrando­se em 09/05/2014.      “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.”    “Art.  5º  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos só se  iniciam ou vencem no dia de  expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser  praticado o ato.”    Nestes termos, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário.     (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator                                  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA

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6091497 #
Numero do processo: 10660.003798/2002-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 DRAWBACK. SUSPENSÃO - DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 173 do CTN. DRAWBACK FUNGIBILIDADE. A fungibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.667
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. No mérito, por maioria de votos, em dai provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pela conclusão.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena

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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 DRAWBACK. SUSPENSÃO - DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 173 do CTN. DRAWBACK FUNGIBILIDADE. A fungibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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IRA SEÇÃO DL JULGAMENTO Processo n" 10660 003798/2002-00 Recurso n" 339.455 Voluntário Acórdão n" 3102-0.667 — 1" Câmara! 2" Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2010 Matéria II/ Classificação Fiscal Recorrente I ATAS A S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSI IN 10: NORMAS GERAIS DE DIRIMO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 DRAWBACK. SIISPFNSÃO - DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso t, do CIN., isto é, o termo inicial para contagem do prazo decaderreial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, &r.n face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compiomisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do beneficio, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 17.3 do CTN. DRAWBACK l'UNGIBILIDADE. A Iiingibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessorio, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes 1-.,ufiásio e Nanci Gama. No mérito, por maioria de votos, em dai provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento ao recurso, O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pela conclusão. _ Luis marce o Guerra de Castro - Presidente Processo n' 10G60 00. 798/2002-00 53-C1 2 AcórcEo n " 3102-00,667 1'506 . -- B-Cáriz Veríssimo de Sena - Relatora EDITADO EM: 23/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Maria Regina Godinho (Suplente), Narrei Gania, 1-3eatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Euliasio (Suplente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para cobrança dc diferenças de Imposto de importação e Imposto sobre Produtos Industrializados (111), decorrentes do descumprimento dos compromissos assumidos pela autuada inerentes ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão. A Autuada promoveu a importação, sob o regime de drawback, de tampas semi-acabadas para industrialização de latas de alumínio. De acordo com os Atos Concessorios, o Contribuinte deveria beneficiar tais tampas de alumínio, exportando-as "acabadas", prontas. O lançamento originou-se da conclusão da fiscalização de que não teriam sido cumpridos Os respectivos Atos Concessorios de drawbaek. De acordo com a autoridade fiscal, os documentos apresentados pela Autuada não seriam suficientes para demonstrar o consumo de todo o material importado sob o regime especial aduaneiro no processo de produção das latas exportadas. A Autuada apresentou impugnação, na qual argüi, primeiramente, a decadência do direito da Fazenda Pública cobrar os créditos tributários, assim considerando as datas de importação como marcos iniciais do prazo decadencial. No mérito, aduz ser inaplicável o principio da vinculação lisica. A Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza julgou o lançamento integralmente procedente, por meio de acórdão assim ementado (fls. 413-414): ASSUNTO. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/04/1995 a 02/02/1996 DRAWBACI< SUSPENSÃO DECADÊNCIA PRAZO DE CONTAGEM ENCTRIMMLNTO DO REGIAM o termo inicial para Iins de contagem do prazo decadencial. Caso do regime Drawback-Suspensão, deverá ser estabelecido acordo com a regra geral prevista no art 173, inciso 1. do CTN, e COMO tal, a contagem inicia a partir do primeiro dia do eYercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter _2 l'weesso n" 0060 .00379W2002-00 S3-C1 T2 Acórdão n " 3102-00.667 H . 507 efetuado, ouse/a. da do encerramento do regime, e encerra após 5 anos /Vão Ocorreu o de c adâlcia do direito da Fazendo Pública eonstituir o crédito tributário .Ne constatado que o regime Drowback,SUspens-ão encerrou no ano de 2000 e o autuado tomou eiêneto do lançamento em 16 dc agosto de 2002. ..4,SSUNTO. RE'G1MES ADUANEIROS Período de apuração- 26/04/1995 a 02/02/1996 .DRA 'FRAC& ,S:USPP;1115i0. :011PROVAC.i O DA LIT11,1711ÇÃO DOS .INSUAIQS' FALTÁ DE APRE,S'EATI:4(jb DE !IMOS DE CONTROLE ausência de apresentação do Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque, ou de qualquer outro tipo de controle equivalente., de modo a comprovar de que os instemos importados sob a égide do regime Drawbetele-Suspensão foram (fetivame?tue incorporados ao produto objeto de eNportação, deseumprimento do compromisso assumido no respectivo aro coneessório, ensejando a exigência dos tributos .suspensos, acrescidos do..s acréscimos legais- devidos Letnçamento procedente. Irresignado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário no qual pede a refigma da decisão regional. Para tanto, repisa os argumentos .já expostos na impugnação. o relatório.. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário atende aos requisitos extrínsecos de adnússibilidade, razão pela qual o conheço. - Decadência No caso :, não se aplica a regra geral do art. 150 do (TN para a contagem do prazo decadcncial. lsso porque não havia na importação pagamento imediato dos tributos, haja sl.a o regime aduaneiro especial de drawback suspensão Na verdade, na importação com suspensão do crédito tributário, não há que se falar em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, § 4", pois se aplica a regra do artigo 173, inciso I, de acordo com a qual o prazo decadencial tem inicio no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter rsido efetuado" Ocorre que o lançamento somente pode ser realizado após o cumprimento do regime especial aduaneiro, quando é possível cotejar os produtos importados e os prOutos Pwcesso 10660 003798/2002-00 ,S3-C.112 Acórdão") " :3102-00,667 11 508 exportados sob o beneficio fiscal, de modo a analisar se houve, ou não, observância dos requisitos necessários ao gozo dos benefícios fiscais.. Assim, dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo concedido no ato administrativo de outorga do beneficio, o primeiro dia do exercício seguinte ao funt da validade do ato concessório do drawback é o rijes a quo para medir o prazo decadencial do incisol do artigo 173 do Código Tributário -Nacional I . Contudo, ao contrário do que decidiu a c. 1).R.1, entendo não ser possível - considerar como marco final do período de cumprimento do regime a data de entrega dos relatórios referentes ao Drawback. Não se confunde a obrigação principal (exportar a mercadoria compromissada, nos termos pactuados, fabricada a partir dos produtos importados sob o _regime especial) com a obrigação acessória (prestar contas sobre o cumprimento do regime, por meio de relatório). A decadência diz respeito à obrigação principal, ao pagamento dos tributos atinentes à importação da matéria prima necessária aos produtos que foram importados sob o regime de Drawback Suspensão. Isto posto, verifica-se que os Atos Concessários tiveram estes marcos temporais: Ato Concessório 0 Cumprimento até 0032-95/5-0 .31/03/1996 alterado para 26/04/1997 (11, 62) 0032-95/09-2 06/07/1996, alterado pata 20/08/1997 (11, 101) 0032-95/ -11-4 23/08/1996, alterado para 18/0/997 (11. 182) 0032-95/14-9 03/10/1996 alterado para 20/10/1997 (11, 219) • Apenas no primeiro dia Útil do ano seguinte ao final do regime, tornou-se possível ao Fisco verificar o inadimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial. Assim, o prazo &cadenciai somente iniciou em 01.01.1998, porquanto nos . quatro atos concessorios em exame o prazo final para cumprimento do regime findava-se em 1997. O prazo final para o lançamento foi, portanto, em 01/01/2003. Considerando que o Contribuinte fbi notificado dos lançamentos em 12/08/2002 (11 :2), tem-se que os lançamentos foram efetivados dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, não havendo, portanto, decadência sobre os respectivos créditos tributários. Desse modo, rejeita-se a preliminar de decadência, - Dos relatórios de Comprovação 1 Nesse sentido: Recurso 134816, Processo 10831 012174/2001-85, .lerceira (/amara do Terceiro Conselho de Contribuintes, rel Silvio Marcos Barcelos Fiáza,.julu 25/04/2007. - 4 Processo n" 10660 003798/2002-00 S3-Cri 2 Acórdào r 3102-00.667 11 509 No mei ito, merece reforma a decisão regional. Depreende-se dos documentos pertinentes ao Ato Concessório 0032-95/5-0, que o Contribuinte deveria exportar 658.170,742 kg de "tampas pa.ra. recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com capacidade igual ou superior a 350 rui, não cravadas" (fis. 61-62), no valor de US$ 4,080.658,60 dólares americanos. Nos relatórios de comprovação de drawback às fls. 63-65, corista a exportação de In 4.080.653,60.. A diferença ínfima entre o que foi pactuado e o que foi exportado, de apenas cinco dólares, não é relevante em face do volume total de exportações, data venia. Entendo que este Ato Concessorio n" 0032-95/5-0 deve ser considerado integral mente cumprido. No que se refere ao Ato Concessório n 0 0032-95/11-4, verifico que o mesmo foi, também, integralmente cumprido. Com efeito, à ti, 180, combinada com as fis„ 181-1.82, o Contribuinte comprometeu-se a exportar 181.144,166 kg ou 53,277,696 (milheiro) de "tampas para recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com. capacidade igual ou superior a 350 ml, acabadas" para manter o benefício -fiscal. À fl. 18.3 consta que foram exportados exatamente 181..144,166 kg ou 53.277,696 milheiros de tampas de alumínio, conforme pactuado. As incorreções verificadas nos registros de exportação, às Os. 201 e seguintes, [oram corrigidas a tempo e modo pelo Contribuinte, não prejudicando a produção de prova da efetiva exportação de peças. Quanto ao Ato Concessório 0032-95/09-2, cuja validade 10 prorrogada até 20/08/1997 (tis. 98-101), que o Contribuinte deveria exportar 694,385,968 kg, equivalente a 204,231;168 (Milheiro) de "tampas para recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com capacidade igual ou superior a .350 ml, acabadas" para manter o beneficio fiscal. No Relatório de Comprovação de Drawback às Os, 102 e seguintes, o Contribuinte colacionou comprovantes de exportação de produtos em valores equivalentes io previsto no Ato Coneessório n" 0032-95/09-2 e prorrogação. Com efeito, observa-se à 11.. 151 que foram exportados 693..334 k.g ou 201.828,240 (milheiro) de tampas de alumínio. Do exame dos documentos às fls. 143 e seguintes, conclui-se que cru várias RE o Contribuinte realizou o enquadramento da operação como drawback após a averbação do respectivo R.E. 'No entanto, verifico que o C.."ontribuinte logrou realizar as exportações em volume próximo ao pactuado, apresentando relatório de cumpi imento de Drawback, reparando, ainda, os equívocos atinentes aos registros das RE., Entendo, assim, que o Contribuinte alcançou o objetivo almejado pela Administração 'Pública ao conceder o beneficio do Drawback, assim considerado a comercialização externa, em volume financeiro, de produtos especificados no Compromisso de Exportação.. Ressalte-se, por oportuno, que não é necessária para a comprovação do cumprimento do regime de Drawback. a apresentação de Livro de Registro de Estoque ou de Controle da Produção, em face da natureza das mercadorias objeto dos Atos Concessórios em comento, A demonstração cabal de que foram utilizados, inequivocamente, as mesmas peças físicas importadas a partir da operação de importação prevista no ato concessório de drawbaek, é dispensável se operacionalizada, a tempo e modo, a operação prevista naquele ato concessório, e uma vez importadas peças fungíveis. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já proferiu acórdão unânime reconhecendo a fungibilidade dos insumos importados dentro do prazo coneessório no regime de Drawback.. Transcreve-se a ementa abaixo, para melhor ilustrar a questão: Processo ii 10(60.003798/2002-00 .S3-C11.2 Acórdão 3102-00.667 1.1 510 )11411/13A CK. COMPROVAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR -A essencialidade para 1ruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawhack eNhrl HO CiliiipriMellt0 do compromisso de exportação, e, uma vez, cumprido tal compromisso, faz jus O contribuinte ao direito de não pagar Os tributo incidentes na impor/ação dor insurno.s com benefício fiscal .DRAWBACK. HINGIBILIDARE. - A frim ,ibilidade dos insumo.s importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a Nua .substinticão por iclêntico.s do gênero, quantidade e qualidade, o que ilãO descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback, conforme Parecer Normativo CST n" 12/97 e Ato Deelaratório n". 20/96 da Coordenação- Geral do Sistema de Tributação Recurso especial negado. (Processo 11". 11065.001986/95-31, Recurso n." 301-119997, Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de: .• 21 de agosto de 2006, Acórdão ri ". CSRIV03-04.975, Relatem- ('ons. .1Vilton Luiz, Berrioli) No que se refere ao -último ato concessório, observo que, considerando O principio da fungibilidade, o mesmo foi parciahnente cumprido. Quanto ao Ato Concessório n" 0032-95/14-9, observa-se que foi compromissada a exportação de 287..655.040 kg de tampas de alumínio, equivalente a. US$ 2.453.064,77 (lis. 2:17 e 220). Depreende-se dos documentos às fls. 221-222 que foram exportados 286.811,596 Kg de tampas de alumínio, no valor de US$ .1,804..38236.. Portanto, o Ato (..".oncessório 0032-95/14-9 foi parcialmente cumprido.. - Multa do art. 44, I, da Lei n" 9.430/96 No que se refere à .multa pelo lançamento de oficio/filia de pagamento, a mesma deve .prosperar no tocante ao que não tiver sido cumprido no regime de drawback, Esta é a redação do art.. 44, inciso 1, da Lei n" 9.430/96 vigente a época do lançamento, ia verbis: Art 44. Aro.s casos de lançamento de oficio, . yerão aplicadas as. seguintes multas, calculadas sobre a totalidada ou dif. erença de tributo Ou contribuição .1- de .setenta e cinco /20r cento, nos. CaSOS Mn] de pagamento Ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após O ve.ricintento do prazo, sem o acrésdino de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração me ala, excetuada a hipótese do inciso .seguinte; ) Desse modo, deve ser reduzida a multa de ofício, de -modo que a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei ri' 9.430/96 incida apenas sobre os produtos não exportados conforme previsto no Ato Concessório n" 0032-95/14-9. Processo n' 10060 003798/2002-00 S3-C112 Acin ffio ii" 3102-00.667 H 5 1 - Da compensação dos créditos de IN Por fim, entendo que não se faz possível apreciar o pedido de compensação de créditos de 1P1 no presente processo administrativo, na medida em que o objeto da lide circunscreve-se ao cumprimento do regime de drawbaek. A compensação deve ser apreciada em pedido devidamente instruído, contõrme a legislação em vigor. - Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como cumprido integralmente o regime aduaneiro especial quanto ao Ato Concessorio 0032-95/5-0, Ato Concessório 0032-95/09-2 e ao Ato Concessorio a' 0032-95/11-4. Dou provimento parcial ao recurso voluntário, também, para que as diferenças de crédito tributário de 11 e 'PI incidam apenas sobre as importações inadimplidas referentes ao Alo Concessório n" 00.32-95/14-9, conforme se depreende dos respectivos relatórios de comprovação às Os. 221-222 dos autos. Deve ser reduzida a multa de ofício, de modo que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no art 44, 1, da 1 Li n° 9 4.30/96, de modo que essa incida apenas sobre o valor correspondente aos produtos não exportados, conforme previsto no Ato Coneessorio n" 0032-95/14-9 • Beatriz Veríssimo de Sena 7

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Numero do processo: 13807.012103/2001-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano calendário: 1997 DUPLICIDADE - Constatado que uma mesma parcela influenciou a apuração de dois itens do auto de infração, é de ser afastada essa dupla consideração. INCORPORAÇÃO - BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL - Antes da MP 1.858-6, de 1999, não havia impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE BASES NEGATIVAS. Se as bases se tomaram insuficientes em razão de lançamento em período anterior, há conexão entre os processos, e o lançamento deve ser ajustado ao decidido quanto ao período anterior.
Numero da decisão: 1102-000.090
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Sandra Faroni

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SI-C1T2 H. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELII0 ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ''Y 44.,e *tirita*/ PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1‘.....fiiéctfoi Processo n° 13807.012103/2001-78 Recurso n° 149.515 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1102-00.090 — C Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2009 Matéria CSLL Recorrentes 10' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo Votorantim Celulose e Papel S.A. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLI, Ano calendário: 1997 DUPLICIDADE - Constatado que uma mesma parcela influenciou a apuração de dois itens do auto de infração, é de ser afastada essa dupla consideração. INCORPORAÇÃO - BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL - Antes da MP 1.858-6, de 1999, não havia impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE BASES NEGATIVAS. Se as bases se tomaram insuficientes em razão de lançamento em período anterior, há conexão entre os processos, e o lançamento deve ser ajustado ao decidido quanto ao período anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR provimento ao recurso voluntário, nos telmos nos termos do relatório e voto que integram o julgado. , __-T---- 2///ZR7q SANDRA FARONI — Presidente e Relatora José Geraldo dos Santos 7/An - 77,/ t /-C, -1. Editado em : th 1 DEZ7 2en3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Earoni - (Presidente), João Carlos de Lima JUnior (Vice Presidente), Mário Sérgio Eemandes Barroso, Eric Moraes de Castro e Silva , José Sérgio Gomes (suplente convocado) e Natanael Vieira dos Santos (suplente convocado). 1 • Processo n° 13807.01210312001-7 g SI-C iT2 - • Acórdão n.°1102-00.090 Fl. 2. - Relatório Cuida-se de recursos, de oficio e voluntário, interpostos pela 10' Turma de Julgamento da DRS em São Paulo e por Votorantim Celulose e Papel S.A., em face da decisão que julgou procedente em parte o lançamento consubstanciado em auto de infração lavrado para formalizar exigências de CSLL do ano-calendário de 1997, do qual o contribuinte tomou ciência em 25/10/2001. Conforme consta da descrição dos fatos que integra o auto de infração (fls. 302), e que se reporta aos Termos de Constatação n" 07 c 08 (fls. 284 a 288) , os lançamentos correspondem a compensação de bases negativas da incorporada CELPAV. O Termo de Constatação n" 7 se refere à transferência, feita pela CELPAV, de bases negativas da CSLL de sua incorporada KSR, apurada na data da incorporação , ou seja, 01101197. Quanto a esse Termo, a matéria tributável apurada foi de R$ 11.611.903,64. O Termo de Constatação n° 8 se refere a insuficiência de bases negativas apuradas, após ajustes ao saldo acumulado em 31/12/96, em função de matérias fiscais apuradas para esse ano-calendário, no montante de R$ 31.508.098,45. Desse termo resultou a matéria tributável de R$ 24.168.612,07. Nos 'Felinos 7 e 8 a Fiscalização relata que no ano calendário de 1997 (i) houve compensação indevida de base de cálculo negativa de CSSL, transferida da incorporada KSR Indústria e Comércio de Papéis, apurada até a data-base da incorporação, ou seja, em 0110111997, referente à CELULOSE E PAPEL LTDA. (incorporada), no valor de RS11.611.903,64 e, (ii) ajustando os SALDOS DAS BASES NEGATIVAS ACUMULADAS DA CSSL em 01/01/1997, de R$25.201.182,53 (fis.283), considerando as matérias fiscais apuradas até então, relativas ao ano-calendário de 1996 (fis.286), verificou-se que o saldo se tornou insuficiente para absorver, sequer, a totalidade das matérias fiscais apuradas em 1996 — RS31.508.098,45 (fis.286). Portanto, considerando os efeitos dos ajustes decorrentes das matérias fiscais apuradas em 1996 não sobrou saldo suficiente para a compensação do valor de R$24.168.612,07, correspondente ao Lucro Real de 1997, que havia sido objeto de compensação pelo contribuinte (fis.283), dai resultando a matéria tributável no montante de R$35.780.515,71 (fls. 289). Em impugnação tempestiva a empresa requereu, preliminarmente, o julgamento conjunto deste processo com o de n" 13807.006036/2001-52. Afirmou que a decisão que afastar a matéria objeto daquela autuação, seja no todo ou em parte, que absorveram o saldo da base negativa da Impugnante em 31/12/96, restabelecerá o saldo cuja conseqüência é legitimar a compensação realizada em 1997 e esvaziar o fimdarnento da presente autuação. No mérito, disse que o direito à compensação da base negativa da contribuição social sobre o lucro está previsto no art. 44 da Lei n°8383/91. Acrescentou que a empresa incorporadora que absorve o patrimônio da incorporada que detém em sua escrita fiscal base de cálculo negativa de contribuição social sobre o lucro ainda não aproveitada passa a ser titular do direito de compensar este resultado negativo com base de cálculo positiva que vier a ser apurada posteriormente, pelo fenômeno da sucessão universal do art. 227, da Lei n." 6.404/76. Processo n° 13507.012103/2001-78 S1-C1T2 Acórdão n.°11(12-00.090 Fl. 3 Disse que o Decreto-lei ri° 2.341/87, art. 33 no que concerne à apuração da base de cálculo do IRPJ no caso de incorporação, vedou expressamente o direito de o sucessor proceder à compensação de prejuízos fiscais da empresa sucedida, porém, no que tange à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, somente em 1999, com o advento da MP n° 1858-6, aquela vedação do Decreto-lei 2.341/87 foi estendida à compensação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro pela empresa sucedida. Postulou não haver fundamento para aplicação da regra específica que trata da base de cálculo do imposto de renda, prevista no Decreto-lei 110 2 . 341/87, à base de cálculo da CSLL, antes da MP 1858-6, de 1999, impondo-se seja afastada integralmente a autuação fiscal. Contestou a determinação do valor tributável em face dos ajustes feitos pela fiscalização, na medida em que parcela deste montante tributável já foi objeto do item 1 do presente auto de infração, que também questionou a compensação realizada pela Impugnantc no ano calendário de 1997. Disse que, em relação ao item 2 da autuação, a Fiscalização somente poderia considerar como valor tributável o montante de R$12.556.708,43, correspondente à diferença entre o lucro tributável do ano-calendário de 1997, de R$24.168.612,07, e o valor já tributado no item 1 do auto, de R$11.611.903,64, sob pena de haver dupla tributação sobre o mesmo fato imponivel. Aduziu que a Fiscalização reduziu ilegitimamente o saldo de base negativa acumulada de contribuição social sobre o lucro da cru 31/12/95, c que se reflete no saldo acumulado em 31/12/97 (fis.336), por desconsiderar, no saldo de bases de cálculo negativa da CSLL, às fis. 278 a 281, no valor de Cr$ 318.845.111.211,00 correspondente ao saldo das bases negativas acumuladas da contribuição social sobre o lucro apurado pela em 31/12/92 e devidamente declarado na DIRPJ (doc n°02) entregue à Secretaria da Receita Federal. A Tumia de Julgamento reconheceu que estava havendo duplicidade de tributação sobre a parcela de RS11.611.903,64, e julgou procedente em parte o lançamento, excluindo a referida importância (R$11.611.903,64) do item 02, cujo valor mantido passou a ser de RS 12,556.708,43. Foi interposto recurso de oficio. Por sua vez, a empresa apresentou recurso voluntário, instruindo-o com arrolamento de bens. Na petição reeursal a empresa reedita as razões declinadas na impugnação quanto ao direito à compensação integral da base de cálculo negativa da incorporada (item 1) e quanto ao ajuste na base de cálculo da CSLL realizada pelo Fisco, no valor de R$ 2.354.882,53, e reafirma que em relação ao item 2 o julgamento deste processo está vinculado ao julgamento do processo 13807.006036/2001-52. Sobre o ajuste na base de cálculo da CSLL realizado pelo Fisco, no valor de R$ 2.354.882,53, diz que demonstrou na impugnação o erro cometido pelo Fisco, juntando planilhas (fis.362/365) e que essas planilhas sequer foram analisadas pela decisão recorrida.. É o relatório. 3 Processo n" 13807.012103/2001-78 Si-C1T2 Acórdão a.° 1102-00.090 Fl. 4 Voto Conselheira Sandra Faroni, Relatora Ambos os recursos atendem os requisitos legais. Deles conheço. Inicialmente, registro que as exigências se referem a bases de cálculo da CSLL da incorporada CELPAV. A matéria tributável que é objeto deste auto de infração compreende duas parcelas., o item 1, no valor de R$ 11.611.903,64e o item 2,110 valor de R$ 24.168.612,07. Essas matérias foram levantadas pela fiscalização da seguinte forma: Segundo a fiscalização, em 31/12/96 a empresa CELPAV (incorporada pela Votorantim) possuía saldo de bases de cálculo negativas de anos anteriores no montante de R$ 43.084.095,65. Para esse ano-calendário, a empresa apurou base positiva no montante de RS 29.504.816,95. Com tinha autorização judicial, a empresa compensou inteiramente as base positiva com as bases negativas de anos anteriores, ficando com um saldo a compensar de R$ 25.201.182, 33 Em 01/01/97 esse saldo foi acrescido de R$ 11.611.903,64, que era o saldo negativo da incorporada KSR, passando a R$25.201.182,33. Em 31/12/97 a empresa apurou base positiva no valor e R$ 24.168.612,07, que foi inteiramente compensado com base na autorização judicial, restando um saldo a compensar de R$ 1.032.570,26 Ocorre que, para o ano calendário de 1996, a fiscalização apurou infrações no montante de R$31.508.098,45, cujo lançamento é objeto do processo 13807.006036/2001-52. Com as infrações apuradas, a base de cálculo apurada para o ano, antes das compensações, passa a ser RS 61.012.915,40, e as bases negativas acumuladas em 31/12/96 foram insuficientes, segundo a fiscalização, para absorver a base positiva daquele ano, nada restando para 1997. Além disso, para o ano-calendário de 1997, a fiscalização apurou infrações no montante de R$29.905.777,16, cujo lançamento é objeto do processo 13807.006036/2001- 52. A fiscalização entendeu, também, ser vedada a transferência das bases negativas da incorporada (KSR). Assim, lançou como matéria tributável em 1997: (a) R$ 11.611.903,64, valor das bases negativas transferidas da KSR; (b) R824.168.612,07, correspondente à base positiva • Processo n°13807.012103/2001-78 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.090 Fl. 5 apurada pela CELPAV e compensada com bases acumuladas, que a fiscalização considerou inexistentes. A matéria tributável reduzida pela decisão recorrida corresponde a valor que estava sendo objeto de tributação em duplicidade, devendo a decisão, nesse aspecto, ser confirmada. De fato, a parcela de R$ 11.611.903,64 compôs a base tributável como glosa de transferência de bases negativas da KSR e como glosa de compensação por insuficiência de saldo. Quanto ao recurso voluntário, a Recorrente suscita três temas: (a) a inexistência, -antes da MP 1.858-6, de 1999, de impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida; (b) a dependência, deste processo, ao que for decidido no processo n° 13807.006036/2001-52 e (c) equívocos cometidos pela fiscalização no ajuste da base de cálculo. A compensação da base de cálculo negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro passou a ser permitida a partir de 01/01/92, com a Lei n° 8.383/91. A Lei 8.981/95 limitou a redução por compensação da base de cálculo negativa de períodos-base anteriores em, no máximo, 30%. O impedimento para o aproveitamento, pela sucessora, das bases de cálculo negativas da CSL1, da sucedida só surgiu com a Medida Provisória 1.858-6, cujo art. 20 estendeu à base de cálculo negativa da CSLL as disposições do Decreto-lei 2.341/87, relativas à compensação de prejuízo fiscal. O artigo 33 do mencionado decreto-lei vedava a compensação, por pessoa jurídica sucessora, de prejuízos da sucedida. Assim, em face da inexistência- de base legal em contrário, até a edição da Medida Provisória 1.858-6, de 29/06/1999, a transferência do saldo das bases negativas da CSLL da empresa incorporada para a empresa incorporadora era possível: A decisão recorrida manifesta entendimento em contrário, Ilmdamentando-se no art. 57 da Lei 110 8 . 981/95 , que dispõe: "Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.639, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidos a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação cru vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei." Equivocada, todavia, a interpretação dada pela decisão a quo. As nor tuas de apuração estabelecidas para o imposto de renda referem-se a lucro real, presumido ou arbitrado, e normas de pagamento dizem respeito à faculdade, quando a apuração é pelo lucro real, de optar pelo pagamento mensal com base em estimativas ou com base no lucro real efetivamente apurado para o período (mensal, antes da Lei 9.430;96, ou trimestral, a partir do ano-calendário de 1997). O próprio artigo 57 destaca que ficam "mantidos a base de cálculo e as a/ignotas previstas na legislação em vigor". Ora, a base de cálculo da contribuição social, a partir da Lei 8.383/91, era obtida após a compensação das bases negativas Por outro lado, nos termos do princípio da sucessão universal previsto no artigo 227 da Lei n° 6.404/76, a sociedade incorporadora sucede a incorporada em todos seus direitos e obrigações. Se não ç1562 5 Processo n°13807.012/03/2001-78 Sl-C112 - Acórdão n. © 1[02-00.090 Fl. 6 havia impedimento legal para a compensação de bases de cálculo negativas da sociedade sucedida, não há como impedi-la com base no art. 57 da Lei 8.981195, que expressamente mantém as normas então em vigor para fins de apuração da base de cálculo. Quanto à dependência, deste processo, ao que for decidido no processo n° 13807.006036/2001-52, tem razão a Recorrente. Como nesta mesma reunião este Colegiado reduziu a matéria tributável lançada naquele processo, a exigência sob litígio deverá ser adequada ao decidido no Acórdão n° .1102-00.0082.. Sobre os equívocos cometidos pela fiscalização no ajuste da base de cálculo, alega o contribuinte que a fiscalização não considerou o montante de Cr$ 318.845.111.211,00, correspondente ao saldo das bases negativas acumuladas da contribuição social sobre o lucro apurado pela em 31/12/92 e devidamente declarado na DIRPJ (doe n°02) entregue à Secretaria da Receita Federal. Esse fato também e objeto do processo n° ]3807.006036/2001-52, e confoutie Termo cuja cópia se encontra às fls. 368, a empresa foi cientificada da divergência entre os saldos em 31/12/95, das bases de cálculo negativas da CSLL da CELPAV apuradas pelo contribuinte e os apresentados nos controles da Secretaria da Receita, e intimada a proceder à regularização. Ocorre que, confonne Acórdão n°.1102-00.082, o ajuste determinado pela fiscalização foi julgado improcedente. Tendo em vista o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso voluntário. ) , Sandra Maria Faroni

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Numero do processo: 11080.005273/2003-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002 Ementa: SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Deve ser indeferido pedido de adesão retroativa no SIMPLES, em situações não contempladas pelo art. 15, da Lei n.° 11.051/04.
Numero da decisão: 1102-000.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto

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ASTEMMER COMÉRCIO E TRANSPORTE DE ALIMENTOS LTDA.  Recorrida  4ª TURMA DRJ/POA    Assunto: Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições das  Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ Simples  Ano­calendário: 1998, 2000, 2001, 2002  Ementa:   SIMPLES.  PEDIDO  DE  INCLUSÃO  RETROATIVA.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO LEGAL.  ­ Deve ser indeferido pedido de adesão retroativa no SIMPLES, em situações  não contempladas pelo art. 15, da Lei n.° 11.051/04.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  Assinado Digitalmente  ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA ­ Presidente.   Assinado Digitalmente  SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Ivete  Malaquias  Pessoa Monteiro (presidente da turma à época), João Carlos de Lima Júnior (vice­presidente),  João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes e Frederico de Moura Theophilo.    Relatório     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/2003­75  Acórdão n.º 1102­00.381  S1­C1T2  Fl. 2          2 Trata­se de pedido de inclusão retroativa no SIMPLES formalizado em 2003,  em relação ao período de 1998 a 2002 indeferido (fls. 46/48), com base no art. 9°, XIII, da Lei  n.° 9.317/96, em razão da prestação de serviços de assessoria em informática, conforme Ofício  do Instituto Nacional do Seguro Social (fl. 03) e contrato de constituição de sociedade acostado  nas fls. 12/16.  Cientificado do indeferimento, o Recorrente apresentou Impugnação (fl. 51),  colacionando aos autos  cópia de alteração contratual,  sob o entendimento de que  a atividade  exercida autorizaria sua inclusão no SIMPLES.  Em  atendimento  à  intimação  para  apresentar  Livro  Caixa  e  Talonários  completos  de  compras,  vendas  e  prestação  de  serviços,  dos  anos  de  1999  a  2003  (fl.  56),  a  Recorrente apresentou documentos nas fls. 58/118.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Porto  Alegre­  RS  indeferiu a solicitação de inclusão retroativa no SIMPLES, por entender que a documentação  acostada  aos  autos  comprovaria  o  desenvolvimento  de  atividades  vedadas  e  que  não  seria  possível a inclusão por período restrito.  Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário informando que, em  26  de  janeiro  de  2008,  procedeu  a  alteração  contratual  alterando  o  objeto  da  sociedade  para  “serviços de assessoria, consultoria e administração empresarial, com prestação exclusiva a um  único  cliente,  para  comércio  de  equipamentos  de  informática,  serviços  de  manutenção  e  reparação em equipamento de informática, estendendo a partir daí serviços a clientes inclusive  o antigo e exclusivo supra citado, embora não mais como assessoria.”  É o relatório.    Voto             Conselheiro Relator  Trata­se  de  pedido  de  inclusão  retroativa  do  SIMPLES,  formalizado  em  2003, para o período de 1998 a 2002 indeferido, sob o entendimento de que descabido o pleito  retroativo, além de vedada a opção para a atividade desempenhada por força da natureza dos  serviços prestados, com base no art. 9°, XIII, verbis:    “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:  XIII  ­  que  preste  serviços  profissionais  de  corretor,  representante comercial, despachante, ator,  empresário, diretor  ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico,  dentista,  enfermeiro,  veterinário,  engenheiro,  arquiteto,  físico,  químico,  economista,  contador,  auditor,  consultor,  estatístico,  administrador,  programador,  analista  de  sistema,  advogado,  psicólogo,  professor,  jornalista,  publicitário,  fisicultor,  ou  assemelhados,  e  de  qualquer  outra  profissão  cujo  exercício  dependa de habilitação profissional legalmente exigida;”  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/2003­75  Acórdão n.º 1102­00.381  S1­C1T2  Fl. 3          3 De  acordo  com  as  notas  fiscais  trazidas  aos  autos,  relativas  ao  período  de  1998  a  2002  (fls.  71/102),  os  serviços  prestados  pela Recorrente  no  período  caracterizam­se  como de manutenção, reparação e instalação de equipamentos de informática.  Referidos  serviços não estão elencados no  rol do  inciso XIII, do art. 9°,  da  Lei  n.°  9.317/96,  porquanto  não  se  exige  a  qualificação  de  engenheiro  e  também  não  há  exigência para inscrição em Conselho profissional.  Contudo, a Recorrente apenas em 2003 requer sua inclusão retroativa para o  período determinado de 1998 a 2002, sem qualquer respaldo legal.   Sobre o tema, julgo necessária a transcrição do art. 15, da Lei n.° 11.051/04  que,  em  seu  art.  15,  permitiu  expressamente  a  adesão  ao  SIMPLES  para  a  atividade  desempenhada  pela  Recorrente  e,  ainda,  autorizou  a  inclusão  retroativa  à  data  da  opção  da  empresa, verbis:  “Art. 15. O art. 4o da Lei no 10.964, de 28 de outubro de 2004,  passa a vigorar com a seguinte redação:  "Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII  do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas  jurídicas que se dediquem às seguintes atividades:(...)  IV  –  serviços  de  instalação,  manutenção  e  reparação  de  máquinas de escritório e de informática;(...)  §  1o  Fica  assegurada  a  permanência  no  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  –  SIMPLES,  com  efeitos  retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de  que  trata  o  caput  deste  artigo  que  tenham  feito  a  opção  pelo  sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não  se  enquadrem  nas  demais  hipóteses  de  vedação  previstas  na  legislação.  § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que  tenham  sido  excluídas  do  SIMPLES  exclusivamente  em  decorrência  do  disposto  no  inciso  XIII  do  art.  9o  da  Lei  no  9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao  sistema,  com  efeitos  retroativos  à  data  de  opção  desta,  nos  termos,  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais  hipóteses de vedação previstas na legislação.  § 3o Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2o deste artigo  ter  ocorrido  durante  o  ano­calendário  de  2004  e  antes  da  publicação  desta  Lei,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  –  SRF  promoverá  a  reinclusão  de  ofício  dessas  pessoas  jurídicas  retroativamente à data de opção da empresa.  § 4o Aplica­se o disposto no art. 2o da Lei no 10.034, de 24 de  outubro de 2000, a partir de 1o de janeiro de 2004."  Deflui­se do  texto do art. 15, da Lei n.° 11.051/04 que a Recorrente não se  amolda aos requisitos postos em lei necessários à inclusão retroativa no SIMPLES.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/2003­75  Acórdão n.º 1102­00.381  S1­C1T2  Fl. 4          4 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário.  É como voto.  Assinado digiltamente  Silvana Rescigno Guerra Barretto ­ Relator                                  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA

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Numero do processo: 19515.720071/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Consolidada em 18/01/2013 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE. Não há de se falar em concomitância com ação judicial, quando naquela se discute determinada exação com base numa legislação diferenciada do que trata no processo administrativo. No caso em tela há de considerar o fato gerador como embasador do lançamento com fulcro na legislação que trata a Lei 10.256/2001. Não há de considerar se trata de aquisição de produto de segurado especial ou não, pois o que importa é o fato gerador em si, suficiente para determinar a não concomitância. NULIDADE - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA - VALIDADE DA DECISÃO QUE DESOBRIGOU A RECORRENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS. INEXISTÊNCIA. Mandado de Segurança que tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea “a” do inciso V da Lei nº 8212/91, não corresponde ao lançamento da autuação do presente processo administrativo, eis que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele ‘mandamus’ judicial tenta a Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001. Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por sub-rogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele ‘writ’, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. NULIDADE - INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos “FLD - Fundamentos Legais do Débito”, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos. Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeu-se dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital - SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída). NULIDADE - DO DESCUMPRIMENTO DO “MÚNUS” ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE - INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO A Fiscalização não tem obrigação de investigar a real condição de empregadores dos fornecedores pessoas físicas da Autuada, eis que estando configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. Quem patrocina prova ao contrário do lançamento é o contribuinte e não a fiscalização que fará tal mister. A legislação de regência determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91). Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL - OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF Não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de contribuição social, eis que a legislação determina a retenção por sub-rogação. Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi - como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior. Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por sub-rogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas. No caso em tela o lançamento foi feito com base na Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentando-lhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Trata-se de obrigação por sub-rogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. NULIDADE - LAVRATURA DO’S AI’S COM RELAÇÃO À MATRIZ - DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física - firma individual - ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendo-o por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD - Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL - Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verifica-se que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe. DILIGÊNCIA Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO. DECADÊNCIA PARCIAL Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) - Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos. Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela. No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP. Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação. Portanto, no presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Há de observar que o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em converter o julgamento em diligência para verificação de suposta concomitância; b) em negar provimento ao recuso, nos termos de mérito, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração: Manoel Coelho Arruda Júnior. Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Manoel Arruda Coelho Júnior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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Mandado de Segurança que tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea “a” do inciso V da Lei nº 8212/91, não corresponde ao lançamento da autuação do presente processo administrativo, eis que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele ‘mandamus’ judicial tenta a Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001. Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por sub-rogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele ‘writ’, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. NULIDADE - INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos “FLD - Fundamentos Legais do Débito”, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos. Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeu-se dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital - SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída). NULIDADE - DO DESCUMPRIMENTO DO “MÚNUS” ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE - INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO A Fiscalização não tem obrigação de investigar a real condição de empregadores dos fornecedores pessoas físicas da Autuada, eis que estando configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. Quem patrocina prova ao contrário do lançamento é o contribuinte e não a fiscalização que fará tal mister. A legislação de regência determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91). Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL - OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF Não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de contribuição social, eis que a legislação determina a retenção por sub-rogação. Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi - como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior. Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por sub-rogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas. No caso em tela o lançamento foi feito com base na Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentando-lhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Trata-se de obrigação por sub-rogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. NULIDADE - LAVRATURA DO’S AI’S COM RELAÇÃO À MATRIZ - DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física - firma individual - ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendo-o por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD - Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL - Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verifica-se que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe. DILIGÊNCIA Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO. DECADÊNCIA PARCIAL Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) - Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos. Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela. No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP. Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação. Portanto, no presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Há de observar que o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2579; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 6          1 5  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.720071/2013­83  Recurso nº  99.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­004.040  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de maio de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  JBS S/A SUCESSORA DE FRIBOI LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  Consolidada em 18/01/2013  CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE.  Não há de se  falar em concomitância com ação  judicial, quando naquela se  discute  determinada  exação  com  base  numa  legislação  diferenciada  do  que  trata no processo administrativo.  No  caso  em  tela  há  de  considerar  o  fato  gerador  como  embasador  do  lançamento com fulcro na legislação que trata a Lei 10.256/2001.  Não há de considerar se trata de aquisição de produto de segurado especial ou  não, pois o que importa é o fato gerador em si, suficiente para determinar a  não concomitância.  NULIDADE  ­  NECESSIDADE  DE  LANÇAMENTO  PARA  PREVENIR  DECADÊNCIA  ­  VALIDADE  DA  DECISÃO  QUE  DESOBRIGOU  A  RECORRENTE  DO  RECOLHIMENTO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  EXIGIDAS. INEXISTÊNCIA.  Mandado  de  Segurança  que  tem  como  objeto  desobrigar  a  Recorrente  da  retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na  Lei nº 8.540/92, que alterou a  redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91,  em  relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas  que  sejam  empregadores,  de  que  trata  a  alínea  “a”  do  inciso  V  da  Lei  nº  8212/91,  não  corresponde  ao  lançamento  da  autuação  do  presente  processo  administrativo,  eis  que  não  há  concomitância  do  presente  PA  com  o  MS  interposto  pela  Recorrente,  já  que,  naquele  ‘mandamus’  judicial  tenta  a  Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor  rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001.   Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que  determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 71 /2 01 3- 83 Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     2 rural  pessoa  física  ou  segurado  especial,  por  sub­rogação,  é  a  Lei  10.256/2001 que nem foi aventada naquele ‘writ’, sendo objeto dele a Lei nº  8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91.   NULIDADE  ­  INEXISTÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  PARA  O  ARBITRAMENTO  Não  há  nulidade  do  lançamento  por  ausência  de  fundamentação  para  o  arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo  legal,  tendo  sido  praticados  em  conformidade  com  os  rigores  da  lei,  fundamentados  e  discriminados  no  Relatório  Fiscal  e  nos  anexos  “FLD  ­  Fundamentos Legais do Débito”, onde consta  toda a  legislação que embasa  os lançamentos, por rubrica e por competência.   Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor  rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos.   Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que  a  Fiscalização,  para  o  lançamento,  valeu­se  dos  documentos  contábeis  e  fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam  disponíveis  nos  arquivos  informatizados  da RFB  (GFIP, DIPJ),  no  Sistema  Público  de  Escrituração  Digital  ­  SPED  (arquivos  contábeis),  ou  foram  fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída).  NULIDADE  ­ DO DESCUMPRIMENTO DO  “MÚNUS” ATRIBUÍDO A  AUTORIDADE  FISCAL;  iv)  NULIDADE  ­  INSEGURANÇA  NA  DETERMINAÇÃO DA  INFRAÇÃO  ­  INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE  QUE  OS  PRODUTORES  NÃO  SÃO  EMPREGADORES;  v)  DA  ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO  A  Fiscalização  não  tem  obrigação  de  investigar  a  real  condição  de  empregadores dos  fornecedores pessoas  físicas da Autuada, eis que estando  configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa  física.  Quem patrocina prova  ao  contrário do  lançamento  é o  contribuinte e não  a  fiscalização que fará tal mister.  A  legislação  de  regência  determina  ao  adquirente  de  produto  rural  de  produtor  rural  pessoa  física  o  dever  da  contribuição  devida  à  Seguridade  Social,  incidente  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  da  sua  produção  rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E,  sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa  adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio  da sub­rogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91).  Referente à  contribuição devida para o SENAR, pelo produtor  rural  pessoa  física,  incidente  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  da  sua  produção  rural,  está  estabelecida no  art.  6º  da Lei n.º  9.528/97, na  redação da Lei  nº  10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à  empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições,  por meio da sub­rogação.  DA  ILEGITIMIDADE  DA  RECORRENTE  COM  RELAÇÃO  AO  FUNRURAL ­ OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF  Não  importa  se  são  segurados  especiais  ou  não  as  pessoas  físicas  que  a  Recorrente  adquiriu  os  produtos,  pois  de  qualquer  sorte  há  incidência  de  Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 7          3 contribuição  social,  eis  que  a  legislação  determina  a  retenção  por  sub­ rogação.  Quanto  a  observância  ao  decisório  do  STF,  ao  apreciar  o  Recurso  Extraordinário  n°  363.852  (Caso Mataboi  ­  como  ficou  conhecido),  o  voto  condutor  do Ministro  Relator Marco  Aurélio  foi  seguido  por  unanimidade  pelo  Pretório  Excelsior,  declarando  a  inconstitucionalidade  da  contribuição  do  produtor  rural  pessoa  física,  prevista  no  artigo  25,  I  e  II  da  Lei  n°  8.212/91,  incidente  sobre  a  receita bruta proveniente da comercialização  de  produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos  artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior.  Foi  declarada  a  inconstitucionalidade  do  artigo  30,  IV  da  Lei  n°  8.212/91,  com  redação  dada  pela  Lei  n°  9.258/97,  afastando  a  obrigação  de  o  adquirente  recolher,  por  sub­rogação,  a  contribuição  da  produção  rural  adquirida de pessoas físicas.  No  caso  em  tela  o  lançamento  foi  feito  com  base  na  Lei  nº  10.256/2001,  promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou  a  prever  a  tributação  sobre  a  receita.  Isto  porque,  a  legislação  de  2001  utilizou  o  texto  referente  à  contribuição  do  segurado  especial,  não  julgada  inconstitucional,  acrescentando­lhe  carga  normativa  nova.  Ou  seja,  o  legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto.  Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição  incidente  sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade  declarada  pelo  Pretório  Excelsior  foi  das  contribuições  incidentes  sobre  o  resultado  da  comercialização  da  produção  rural  e  não  sobre  a  receita,  como determina a lei.  DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR  Trata­se de obrigação por sub­rogação expressa na lei, ou seja, contribuição  devida  a  outras  entidades  e  fundos,  destinadas  ao  SENAR  (0,2%),  devidas  pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme  determina  o  artigo  6º,  da  Lei  9.528/97,  com  redação  data  pela  Lei  10.256/2001.  NULIDADE  ­ LAVRATURA DO’S AI’S COM RELAÇÃO À MATRIZ  ­  DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO  Ao  definir  a  empresa,  enquanto  contribuinte  das  contribuições  previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a  atividade  abstrata  de  organização  dos  fatores  da  produção  com  vistas  ao  lucro,  que  é  a  empresa,  mas  o  empresário,  seja  ele  pessoa  física  ­  firma  individual  ­  ou  pessoa  jurídica,  enquanto  aquele  que  exerce  tal  atividade,  fazendo­o por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos  definidos em lei como estabelecimento.  No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores  a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD ­ Discriminativos  do Débito  (fls.  669/711;  716/756),  e  RL  ­  Relatórios  de  Lançamentos  (fls.  762/815),  integrantes  dos Autos  de  Infração,  verifica­se  que  a  Fiscalização  apurou  os  fatos  geradores  ocorridos  nos  estabelecimentos  e  procedeu  ao  Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     4 lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais.  Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  e  ao  SENAR,  objeto  das  autuações em epígrafe.  DILIGÊNCIA  Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade  julgadora,  como  ocorreu  no  caso,  até  porque  as  provas  pretendidas  pela  Recorrente  é  de  sua  responsabilidade  e  não  podem  trazer  um  ônus  para  o  FISCO.  DECADÊNCIA PARCIAL  Súmula Vinculante  nº  8  do STF,  publicada  em 20/06/2008,  foi  declarada  a  inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo  decadencial  de  dez  anos  para  a  constituição  do  crédito  relativo  às  contribuições  previdenciárias,  devendo  ser  seguido  pela  Administração  Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) ­  Lei  n.º  5.172,  de  25/10/1966,  para  as  contribuições  previdenciárias,  e  as  devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos.  Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação  ou  ao  menos  parte  dele,  e  o  173,  I  do  mesmo  Caderno  se  não  houver  recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela.  No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a  base  de  cálculo  dos  recolhimentos  efetuados  pela  empresa,  nem  foram  declarados em GFIP.  Nessas  condições,  não  há  que  se  falar  nem  em  apuração  da  contribuição  devida,  nem  em  recolhimento  antecipado,  no  tocante  aos  fatos  geradores  objeto desta autuação.  Portanto,  no  presente  caso,  verificando  ausência  de  apuração,  ausência  de  declaração  e  ausência  de  recolhimento  das  contribuições  devidas,  a  Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e  173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91.  Há de observar que o  lançamento de ofício  formalizado em 31/01/2013,  as  competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não  tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do  prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  não  converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro  Mauro  José  Silva,  que  votou  em  converter  o  julgamento  em  diligência  para  verificação  de  suposta concomitância; b) em negar provimento ao recuso, nos termos de mérito, nos termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros Adriano Gonzáles  Silvério  e Manoel  Coelho  Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração: Manoel Coelho Arruda  Júnior.   Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 8          5 Marcelo Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)    Wilson Antonio de Souza Corrêa ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira,  Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio  de Souza Corrêa e Manoel Arruda Coelho Júnior.  Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     6 Relatório  Trata­se  de  crédito  previdenciário  constituído  através  de  dois  lançamentos,  formalizados com base nos mesmos elementos de prova:  · AIOP  DEBCAD  nº  51.011.001­0:  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal,  referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da  parte  da  empresa  (2%),  e  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  –  GILRAT  (0,1%),  devidas,  por  subrogação,  pelos  adquirentes  de  produto  rural  de  produtor rural pessoa física, previstas no artigo 25, incisos I e II e §§  3º  e  4º,  e  artigo  30,  incisos  III  e  IV,  todos  da  Lei  nº  8212/91,  na  redação vigente à época dos fatos geradores. Houve a propositura de  uma  ação  judicial  por  parte  da  Recorrente,  MS  nº  2001.61.00.0000509, onde a sentença outrora em vigor, que somente  abarcava  as  contribuições  relativas  à  aquisição  de  produto  rural  de  produtor  rural  pessoa  física  que  utiliza  empregados  (contribuintes  individuais), não está mais vigente. Os produtores rurais que possuem  CNPJ  perante  os  cadastros  da  RFB,  na  categoria  de  Contribuinte  Individual,  foram  considerados  como  tal,  e  foram  objeto  do  Levantamento  “PJ2”.  Em  relação  aos  demais  produtores,  para  os  quais  não  houve  comprovação  de  que  são  produtores  rurais  empregadores, foram objeto do Levantamento “PR2”, como segurado  especial;  · AIOP  DEBCAD  nº  51.011.002­9:  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal, relativo às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de  Aprendizagem  Rural  –  SENAR  (0,2%),  devidas,  por  subrogação,  pelos  adquirentes  de  produto  rural  de  produtor  rural  pessoa  física,  prevista no artigo 6º da Lei nº 9528/97, com a redação dada pela Lei  nº 10256/2001. Os códigos dos Levantamentos  também são: “PR2 –  Produção Rural”, e “PJ2 – Produção Rural com CNPJ”  Foi aplicada a multa de ofício de 75%, nos moldes do artigo 35A, da Lei nº  8212/91, acrescentado pela Lei nº 11941/2009, c/c artigo 44 da Lei nº 9430/96;  Tomou  ciência  do  lançamento  e  apressou­se  em  impugná­lo,  com  suas  razões, cujas quais não foram suficientes para alterar a decisão de piso, onde deve ciência no  dia 29/05/2013.  Inconformada,  em 27/06/2013 aviou o presente Recurso Voluntário  com as  seguintes  alegações:  i)  nulidade  –  necessidade  de  lançamento  para  prevenir  decadência  –  validade da decisão que desobrigou a recorrente do recolhimento das contribuições exigidas; ii)  nulidade  –  inexistência  de  fundamentação  para  o  arbitramento;  iii)  nulidade  –  do  descumprimento  do  “múnus”  atribuído  a  autoridade  fiscal;  iv)  nulidade  –  insegurança  na  determinação da infração – inexistência de provas de que os produtores não são empregadores;  v) da iliquidez da autuação vi) da ilegitimidade da recorrente com relação ao FUNRURAL; vii)  da ilegitimidade da recorrente com relação ao SENAR; viii) nulidade – lavratura do’s AI’s com  Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 9          7 relação  à matriz  –  deveria  ser  lançado  contra  cada  CNPJ/MF  especifico;  ix)do mérito  e  da  observância das decisões do STF; x) diligência; xi) decadência parcial;  Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento.  Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     8   Voto              Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator   O  presente  remédio  processual  recursivo  acode  as  exigências  processuais,  razão  pela  qual  dele  conheço  e  passo  analisar  as  suas  razões  de  defesa. Mas,  antes  porém,  mister trazer à baila que para a Fiscalização, conforme Relatório Fiscal que instruiu a presente  autuação, o fato gerador da obrigação principal é a AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE  PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – SEGURADO ESPECIAL.  Para este Julgador não  tenho esta distinção, eis que confirmada a obrigação  principal não importa se tratar ou não de segurado especial.  Então,  desde  já  há  de  esclarecer  que  não  haverá  pronuncia  se  se  trata  de  segurado especial ou não, pois o que vislumbro importante é que se houve fato gerador capaz  de incidir contribuição previdenciária, independente de ser segurado especial ou não.  i) NULIDADE – NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR  DECADÊNCIA  –  VALIDADE  DA  DECISÃO  QUE  DESOBRIGOU  A  RECORRENTE  DO  RECOLHIMENTO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  EXIGIDAS  Noticia  a  Recorrente  que  havia  decisão  que  a  desobrigava  recolher  as  contribuições exigidas no presente lançamento e foi reformada em sede de apelação. Mas que a  mesma  foi  reformada,  e  anatematizada  com  embargos  de  declaração,  sem  julgamento  definitivo.  Diz que os ED’s por  ausência de dispositivo  legal dizendo  se possui  efeito  suspensivo e devolutivo, deverá ser  recepcionado em ambos efeitos, por ser a regra geral. E,  por isto mesmo a autuação carece de requisitos que justifiquem o lançamento para prevenção  de decadência e com a exigência de multa e juros, significa imediata execução da decisão que  foi objeto de embargos de declaração.  Então, conclui, não havendo  justificativa para o  lançamento, o mesmo deve  ser anulado.  Dos  documentos  dos  autos  vê­se  que  o Mandado  de  Segurança  impetrado  tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre  a  produção  rural  prevista  na  Lei  nº  8540/92,  que  alterou  a  redação  do  artigo  25  da  Lei  nº  8.212/91,  em  relação  às  suas  aquisições  de  bovinos  junto  a  produtores  rurais  pessoas  físicas  que sejam empregadores, de que trata a alínea “a” do inciso V da Lei nº 8212/91.  Desta  forma,  está  tratando  naquele  ‘writ’  a  sub­rogação  da  Recorrente  ao  recolhimento  pelo  produtor  rural  pessoa  física,  conforme nos  informa  a  Fiscalização  em  seu  Relatório Fiscal às fls. 824, onde assentado está parte dele, cuja notícia é:  ‘.....  2.15  –  A  solicitação  de  informações  acerca  dos  fornecedores,  pessoas físicas, de produtor rural, conforme item “2” do Termo  de  Intimação  Fiscal  de  18/10/2012,  foi  necessária  devido  ao  Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 10          9 processo judicial nº 2001.60.00.000050­9, referente ao Mandado  de Segurança impetrado pela empresa em epígrafe perante a 22ª  Vara  Federal  da  Capital  –  SP,  com  fulcro  na  inconstitucionalidade  da  contribuição  rural  de  produtor  rural  pessoa  física,  assim  como  de  sua  sub­rogação  na  pessoa  do  adquirente  de  produto  rural  de  produtor  rural  pessoa  física.GN).  Então, destas premissas abstraí­se que não há concomitância do presente PA  com  o  MS  interposto  pela  Recorrente,  já  que,  naquele  ‘mandamus’  judicial  tenta  a  Impetrante/Recorrente afastar  recolhimento do adquirente de produtor  rural de produtor  rural  pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001.   E,  como  dito  alhures,  não  faz  diferença  para  este  Julgador  se  se  trata  de  segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente  de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por sub­rogação, é a Lei  10.256/2001  que  nem  foi  aventada  naquele  ‘writ’,  sendo  objeto  dele  a  Lei  nº  8.540/92,  que  alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91.   Portanto, não vislumbro concomitância com aquele ‘writ’, e por  isto não há  aplicação da Súmula CARF nº 01,  e  tão pouco há  a desejada nulidade  no  lançamento  como  quer a Recorrente.  ii)  NULIDADE  –  INEXISTÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  PARA  O  ARBITRAMENTO  Insubstanciosa  é  a  alegação  da  Recorrente  que  diz  haver  a  nulidade  do  lançamento  por  ausência  de  fundamentação  para  o  arbitramento.  Isto  porque  os  atos  administrativos nas autuações possuem motivo  legal,  tendo sido praticados em conformidade  com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos “FLD –  Fundamentos Legais  do Débito”,  onde  consta  toda  a  legislação  que  embasa  os  lançamentos,  por rubrica e por competência.   De mais a mais os fatos narrados no Relatório Fiscal, quanto a aquisição de  produto  rural  de produtor  rural  não  foi  negado pela Recorrente,  demonstrando  assim que há  motivos assaz para justificar os lançamentos objurgados.   E,  quanto  a um  possível  arbitramento,  vê­se  que  a Fiscalização  até  poderia  seguir esta seara se acudisse às hipóteses do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e artigo 447 da IN  RFB nº 971/2009. Mas o fato é que não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização,  para  o  lançamento,  valeu­se  dos  documentos  contábeis  e  fiscais  da  Recorrente,  próprios  à  verificação da base de  cálculo que estavam disponíveis nos  arquivos  informatizados da RFB  (GFIP,  DIPJ),  no  Sistema  Público  de  Escrituração Digital  –  SPED  (arquivos  contábeis),  ou  foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída).  Desta feita, a apuração do crédito tributário por meio destes documentos não  constitui arbitramento ou aferição  indireta, uma vez que eles  registram exatamente a base de  cálculo prevista na legislação previdenciária – sendo apuração direta.  Sem razão.  Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     10 iii) NULIDADE – DO DESCUMPRIMENTO DO “MÚNUS” ATRIBUÍDO  A  AUTORIDADE  FISCAL;  iv)  NULIDADE  –  INSEGURANÇA  NA  DETERMINAÇÃO DA  INFRAÇÃO –  INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE  QUE  OS  PRODUTORES  NÃO  SÃO  EMPREGADORES;  v)  DA  ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO  A  Recorrente  alega  que  exigiu  da  Fiscalização  que  esta  promovesse  uma  investigação para saber a real condição de empregadores de seus fornecedores pessoas físicas,  mas que não houve tal comportamento.  Ora,  acertada  a  decisão  da Fiscalização,  pois  estava  configurada  para  ela  a  condição  de  aquisição  de  produto  rural  de  produtor  rural  pessoa  física,  sem  que  nada  mais  deveria produzir, sendo certo que a Recorrente é que deveria produzir as suas peças defensivas,  se era este o objetivo.  E, mesmo não sendo constatado que os produtores rurais eram pessoas físicas  não empregadores, alega que a autuação é ilíquida e incerta.  Mas  tudo sem razão,  já que a  legislação especifica determina ao adquirente  de produto  rural de produtor  rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade  Social,  incidente  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  da  sua  produção  rural,  onde  está  estabelecida  no  art.  25  da  Lei  n.º  8.212/91,  esta  obrigação.  E,  sobre  a  arrecadação  e  recolhimento  das  contribuições,  determinou,  à  empresa  adquirente,  a  responsabilidade  pelo  recolhimento das contribuições, por meio da subrogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91).  Referente à  contribuição devida para o SENAR, pelo produtor  rural  pessoa  física,  incidente  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  da  sua  produção  rural,  está  estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo  30,  inciso  IV  da  Lei  nº  8212/91  estabeleceu,  à  empresa  adquirente,  a  responsabilidade  pelo  recolhimento das contribuições, por meio da subrogação.  Assim,  não  há  de  considerar  a  proclamada  nulidade  trazida  no  Recurso  Voluntário.  vi)  DA  ILEGITIMIDADE  DA  RECORRENTE  COM  RELAÇÃO  AO  FUNRURAL – ix) MÉRITO – OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF  Diz  que  não  responde  pelo  crédito  previdenciário  autuado  porque  não  é  contribuinte  da  exação,  eis  que  os  produtos  adquiridos  por  ela  não  foram  adquiridos  de  segurados especiais, e que não reteve as contribuições.  Em primeiro lugar, tenho que não importa se são segurados especiais ou não  as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência  de  contribuição  social,  e,  de  mais  a  mais,  não  reteve  por  incúria  sua,  eis  que  a  legislação  determina a retenção por sub­rogação.  Quanto  a  observância  ao  decisório  do  STF,  ao  apreciar  o  Recurso  Extraordinário  n°  363.852  (Caso  Mataboi  –  como  ficou  conhecido),  o  voto  condutor  do  Ministro  Relator  Marco  Aurélio  foi  seguido  por  unanimidade  pelo  Pretório  Excelsior,  declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no  artigo  25,  I  e  II  da  Lei  n°  8.212/91,  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas  nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior.  Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 11          11 Foi  declarada  a  inconstitucionalidade  do  artigo  30,  IV  da  Lei  n°  8.212/91,  com  redação dada pela Lei n° 9.258/97,  afastando a obrigação de o  adquirente  recolher,  por  sub­rogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas.  De fato, o Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, interposto por Frigorífico  Mataboi  S/A,  o  Pretório  Excelsior  declarou  a  inconstitucionalidade  da  obrigação  tributária  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção  rural  (Novo  FUNRURAL),  a  que  estava  obrigada a recolher na condição de substituta tributária, no Acórdão transcrito abaixo:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  COMERCIALIZAÇÃO  DE  BOVINOS  ­  PRODUTORES  RURAIS  PESSOAS  NATURAIS  ­  SUB­ROGAÇÃO  ­  LEI Nº  8.212/91  ­  ARTIGO  195,  INCISO  I,  DA  CARTA  FEDERAL  ­  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL Nº 20/98 ­ UNICIDADE DE INCIDÊNCIA ­  EXCEÇÕES  ­  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PRECEDENTE ­ INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR.  Ante o  texto constitucional,  não subsiste a obrigação  tributária  subrogada  do  adquirente,  presente  a  venda  de  bovinos  por  produtores  rurais,  pessoas  naturais,  prevista  nos  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº  9.528/97. Aplicação de leis no tempo ­ considerações.  (RE 363852, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno,  julgado em 03/02/2010, DJe­071 de 23­04­2010)  Reza o artigo 545­B do CPC que:  “Art.  543­B.  Quando  houver  multiplicidade  de  recursos  com  fundamento  em idêntica  controvérsia, a análise da  repercussão  geral  será  processada  nos  termos  do  Regimento  Interno  do  Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo.  Por  esta  razão  o  supramencionado  Acórdão  foi  utilizado  em  regime  de  repercussão  geral,  o  que  se  deu  através  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  596.177/RS, cuja ementa tem o seguinte escólio:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.  ART.  25  DA  LEI  8.212/1991,  NA  REDAÇÃO  DADA  PELO  ART.  1º  DA  LEI  8.540/1992.  INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF  em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor  rural  seja  empregador.  II  –  Necessidade  de  lei  complementar  para  a  instituição  de  nova  fonte  de  custeio  para  a  seguridade  social.  III  –  RE  conhecido  e  provido  para  reconhecer  a  inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicando­se  aos casos semelhantes o disposto no art. 543­B do CPC.  (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal  Pleno,  julgado  em  01/08/2011,  REPERCUSSÃO  GERAL  –  MÉRITO, DJe­165 de 29­08­2011)  Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     12 Numa  análise  percuciente  vê­se  dos  julgados  acima  que  a  inconstitucionalidade declarada foi ‘a supressão no texto do caput do art. 25 da expressão  “[...] do empregador rural pessoa  física e [...] referidos,  respectivamente, na alínea “a” do  inciso V [...]”. Sendo certo que preservou no dispositivo, texto e norma suficiente para não ferir  a contribuição social do segurado especial, arrimada no art. 195, § 8º, da Lei Maior.  Por outro lado, embora tenha havido a redução parcial do texto da cabeça do  dispositivo  inquinado,  a declaração  de  inconstitucionalidade  relativamente  aos  incisos  I  e  II,  entretanto,  ocorreu  sem  redução  de  texto  alguma.  Isso  para  que  o  texto  legislativo  permanecesse íntegro para com relação à norma exacional incidente sobre o segurado especial.  Em verdade, penso que  a  celeuma  toda  foi  criada porque  a Carta Maior de  1988 igualou os trabalhadores urbanos e rurais em direitos sociais,  inclusive com relação aos  benefícios previdenciários, o que de fato plagiou o princípio da equidade.  Todavia, o custo disto é que não foi bem preparado pelo legislador, eis que a  legislação  de  custeio  da  Previdência  Social,  que  da  mesma  forma  tinha  que  equiparar  empregadores rurais aos urbanos, passou obrigar do segundo a incidência da mesma alíquota,  ou seja, de 20% (vinte por cento) sobre a folha de pagamentos.  Entretanto,  o  legislador  originário  não  contou  com  duas  questões  desfavoráveis  a  tal  equiparação,  sendo  a  primeira  referente  a  questão  logística,  eis  que  para  realizar  a  fiscalização no campo seria uma  tarefa quase  impossível,  além de um custo muito  elevado,  e  que  a  tal  incidência  de  20%  oneraria muito  o  empregador  rural,  dado  a  diversos  fatores.  Assim, veio o novo FUNRURAL, tentando equilibrar as coisas e continuar a  assistir  o  empregado  do  campo,  e  alterou  a  forma  de  tributação  deste  para  onerar,  em  substituição à folha de pagamentos, o resultado da comercialização da produção rural (art.  25 da Lei nº 8.212/1991, alterado pelas Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997).  Este  novo  FUNRURAL,  como  visto  acima  não  foi  chancelado  pelo  Judiciário,  eis  que  o  julgou  inconstitucional  por  entender  que  há  criação  de  nova  fonte  de  custeio da Previdência Social sem o manejo de lei complementar (Recursos Extraordinários nºs  363.852/MG e 596.177/RS), no meu modesto entender ocorrendo um vício formal.  Desta forma, havia no novo Funrural, segundo os mencionados Acórdãos, um  vício formal, cujo qual, penso, já tinha sido sanado pela Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob  o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita.  Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial,  não julgada inconstitucional, acrescentando­lhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez  uso da  técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da  Lei  nº  10.256/2001,  a  contribuição  incidente  sobre  o  empregador  rural  pessoa  física  é  constitucional,  inconstitucionalidade  declarada  pelo  Pretório  Excelsior  foi  das  contribuições  incidentes  sobre o  resultado da  comercialização da produção  rural  e não  sobre  a  receita,  como determina a lei.  Sem Razão a Recorrente.  vii)  DA  ILEGITIMIDADE  DA  RECORRENTE  COM  RELAÇÃO  AO  SENAR  Trata­se de obrigação por sub­rogação expressa na lei, ou seja, contribuição  devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de  Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 12          13 produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97,  com redação data pela Lei 10.256/2001.  Na clareza da  lei cessa sua  interpretação. A  legislação está em pleno vigor,  não havendo nada no mundo jurídico que afasta a sua aplicação, devendo ser mantido a exação.  Sem razão a Recorrente.  viii)  NULIDADE  –  LAVRATURA  DO’S  AI’S  COM  RELAÇÃO  À  MATRIZ  –  DEVERIA  SER  LANÇADO  CONTRA  CADA  CNPJ/MF  ESPECIFICO  Alega  que  há  nulidade  dos  Autos  de  Infração  porque  não  foram  lavrados  contra cada CNPJ específico, mas apenas contra a matriz. O que não prospera, eis que a Lei  8.212/91 determina que é considerada empresa a firma individual ou sociedade que assume o  risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos  e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional.  A decisão de piso foi muito feliz em verberar sobre o tema, razão pela qual,  faço dela minhas palavras e peço vênia para transcrevê­la:  ....  25.3  Ao  definir  a  empresa,  enquanto  contribuinte  das  contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de  definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos  fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o  empresário, seja ele pessoa física – firma individual – ou pessoa  jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendo­o por  intermédio  do  conjunto  de  elementos  corpóreos  e  incorpóreos  definidos em lei como estabelecimento.  25.4 No entanto, cumpre distinguir entre a obrigação em si e a  responsabilidade.  À  primeira  vista,  podem  significar  sinônimos  da  mesma  realidade  fenomênica.  Contudo,  tal  não  se  mostra  efetivo. Em verdade, a  teoria das obrigações, enquanto relação  jurídica,  e  assim  também o  é  a  relação  de  sujeição  tributária,  assume uma particularidade dúplice, qual seja, a distinção entre  a obrigação e a responsabilidade.  25.5 A obrigação  se constitui  no  vínculo  jurídico pelo qual um  dos  sujeitos  deve  a  outro  uma  prestação,  e  ao  segundo  corresponde o direito de exigir seu adimplemento: é uma relação  de puro débito. Já a responsabilidade se constitui em corolário  do  inadimplemento da prestação obrigacional, ou seja, exsurge  secundária  e  condicionalmente,  a  partir  do momento  em que  o  devedor, obrigado à prestação, não a desempenha.  25.6 Assim, embora pareçam institutos semelhantes, se diferem.  Por  óbvio,  o  inadimplemento  da  obrigação  gera  a  responsabilidade  que  recai  sobre  o  elemento  patrimônio,  pertencente ou não ao devedor originário. Dessa forma, tanto a  legislação civil como a tributária definem os devedores, isto é, os  sujeitos  obrigados  à  prestação  que  se  constitui  o  objeto  da  Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     14 relação  jurídica,  e,  após  isto,  definem  os  responsáveis,  isto  é,  pessoas  que  podem ou  não  coincidir  com a  pessoa do  devedor  originário, daí advindo que a definição de sujeito devedor pode  conduzir à definição do responsável, mas não o contrário.  25.7 Muito embora o lançamento seja, ao final, consolidado no  estabelecimento  matriz,  enquanto  titular  organizacional  da  empresa, de rigor reconhecer que cada conjunto de informações  relativo ao lançamento, como a identificação da base de cálculo,  o  enquadramento  em  alíquotas,  devem  ser  devidamente  demonstrados  de  forma  segregada,  devendo  haver  a  consideração  de  crédito/débito  em  relação  a  cada  estabelecimento.  25.8 No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto  Rural  e  de  Valores  a  Lançar  juntadas  às  fls.  837/1.854,  em  cotejo  com  os  DD  –  Discriminativos  do  Débito  (fls.  669/711;  716/756),  e  RL  –  Relatórios  de  Lançamentos  (fls.  762/815),  integrantes dos Autos de Infração, verifica­se que a Fiscalização  apurou  os  fatos  geradores  ocorridos  nos  estabelecimentos  e  procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada  para cada uma das  filiais. Cada estabelecimento foi  tratado de  forma  independente  em  relação  aos  fatos  geradores  das  contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações  em epígrafe.  25.9  Assim,  ao  contrário  do  que  afirma  a  Impugnante,  foi  plenamente  respeitada a  regra de que  cada estabelecimento da  empresa, embora não provido de personalidade jurídica distinta,  é devedor das contribuições previdenciárias e de Terceiros cujos  fatos  geradores  tenha  praticado,  ainda  que  o  lançamento  se  consolide na responsabilidade do estabelecimento matriz.  Sem razão a Recorrente.  x) DILIGÊNCIA  A  diligência  requerida  pela  Recorrente  é  dispensável  para  o  julgamento  e  pode  ser  dispensada  pela  autoridade  julgadora,  como  ocorreu  no  caso,  até  porque  as  provas  pretendidas  pela  Recorrente  é  de  sua  responsabilidade  e  não  podem  trazer  um  ônus  para  o  FISCO.  De mais a mais, como alhures já pronunciado por diversas vezes, não importa  se  tratar  de  segurado  especial  ou  não  para  incidência da  contribuição  previdenciária  autuada  nos presentes autos.  Desta forma, dispensável a diligência, há de ser indeferida.  xi) DECADÊNCIA PARCIAL  Diz a Recorrente que a competência de janeiro de 2008 está fulminada pela  decadência, mas não prospera.  Conforme a Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008,  foi  declarada  a  inconstitucionalidade  do  artigo  45  da  Lei  nº  8.212/1991,  que  previa  o  prazo  decadencial  de  dez  anos  para  a  constituição  do  crédito  relativo  às  contribuições  previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto  Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 13          15 no Código Tributário Nacional  (CTN) – Lei  n.º  5.172,  de  25/10/1966, para  as  contribuições  previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos.  Assim,  há  de  ser  aplicado  o  artigo  150,  parágrafo  4º,  do  CTN,  se  houver  antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento  e ou antecipação alguma, como é o caso em tela.  Código Tributário Nacional  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  ...  De acordo com o Relatório Fiscal, foram lançadas as contribuições devidas à  Seguridade  Social,  da  parte  da  empresa  (2%),  e  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT  –  0,1%),  e  as  contribuições  devidas  ao  SENAR  –  0,2%,  devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física.  Tais  valores  não  integraram  a  base  de  cálculo  dos  recolhimentos  efetuados  pela empresa, nem foram declarados em GFIP.  Nessas  condições,  não  há  que  se  falar  nem  em  apuração  da  contribuição  devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação.  A apuração do valor devido e o recolhimento, pelo Contribuinte, não foram  promovidos de acordo com a determinação legal, nem foram completos. E conforme determina  o CTN:  Art.  149.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade administrativa nos seguintes casos:  (...)  V  quando  se  comprove  omissão  ou  inexatidão,  por  parte  da  pessoa  legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se  refere o artigo seguinte;  (...)  No presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e  ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de  ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91.  Dessa forma, tendo sido o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013,  as  competências  de  01/2008  a  12/2008  nele  foram  incluídas  legitimamente,  não  tendo  sido  nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173,  inciso I, do Código Tributário Nacional.  CONCLUSÃO   Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     16 Diante do exposto  tenho que o Recurso aviado encontra­se em consonância  com  a  legislação  processual,  razão  pela  qual  dele  conheço,  para  no  mérito  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.  É como voto.    Wilson Antonio de Souza Corrêa ­ Relator  (assinado digitalmente)              Declaração de Voto  Apresento na oportunidade declaração de voto em face do meu entendimento  quanto à impossibilidade de exigência da retenção da contribuição para o produtor rural, pessoa  física empregador, haja vista a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 30, da  Lei n. 8.212/91, quando do julgamento pelo STF do RE 363852.  Importa dizer que em 03/02/2010, o Plenário do STF , por unanimidade e nos  termos  do  voto  do  Ministro  Relator,  conheceu  e  deu  provimento  ao  recurso  extraordinário  acima numerado para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  subrrogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu  nova  redação  aos  artigos  12,  incisos  V  e VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na  Emenda Constitucional  nº  20/98,  venha  a  instituir  a  contribuição,  tudo  na  forma  do  pedido  inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Ministro Relator apresentou petição  da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a  Senhora Ministra Ellen Gracie, conforme se verifica da ementa abaixo:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  ­  PRESSUPOSTO  ESPECÍFICO  ­  VIOLÊNCIA  À  CONSTITUIÇÃO  ­  ANÁLISE  ­  CONCLUSÃO.  Porque  o  Supremo,  na  análise  da  violência  à  Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do  extraordinário,  a  conclusão  a  que  chega  deságua,  conforme  sempre  sustentou  a  melhor  doutrina  ­  José  Carlos  Barbosa  Moreira  ­,  em provimento  ou  desprovimento  do  recurso,  sendo  impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  COMERCIALIZAÇÃO  DE  BOVINOS  ­  PRODUTORES  RURAIS  PESSOAS  NATURAIS  ­  SUB­ROGAÇÃO  ­  LEI Nº  8.212/91  ­  ARTIGO  195,  INCISO  I,  DA  CARTA  FEDERAL  ­  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL Nº 20/98 ­ UNICIDADE DE INCIDÊNCIA ­  EXCEÇÕES  ­  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PRECEDENTE  ­  INEXISTÊNCIA  DE  LEI  COMPLEMENTAR.  Ante o  texto constitucional,  não subsiste a obrigação  tributária  Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 14          17 sub­rogada  do  adquirente,  presente  a  venda  de  bovinos  por  produtores  rurais,  pessoas  naturais,  prevista  nos  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº  9.528/97.  Aplicação  de  leis  no  tempo  ­  considerações.(RE  363852,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Tribunal  Pleno,  julgado em 03/02/2010, DJe­071 DIVULG 22­04­2010 PUBLIC  23­04­2010 EMENT VOL­02398­04 PP­00701 RTJ VOL­00217­  PP­00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 41­69)   Registre­se que o referido Acórdão transitou em julgado em 08/06/20111. É  cediço por aqueles que militam nesta seara do Direito que o Decreto n. 70.275/72 [PAF] prevê  que, no âmbito administrativo fiscal fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  salvo  quando  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do STF:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009)  [...]  § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:(Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal;(Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  [Grifo nosso]     Mesmo  sendo desnecessária  a  repetição, o Regimento do  Interno do CARF  aprovado pela Portaria MF n. 256/2009 resolveu reiterar o comando normativo:   Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos  de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  [Grifou­se]                                                              1  Informação  obtida  no  sítio  do  STF,  em  02/09/2014:  http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=363852&classe=RE&codigoClasse=0 &origem=JUR&recurso=0&tipoJulgamento=M  Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA     18 Ora,  ilustres Pares,  a  preocupação  é  tanta  da Administração Tributária  pela  não constituição e manutenção de créditos que tratam de matérias já amplamente discutidas em  sede  dos  Tribunais  Superiores  e  que  possuem  jurisprudência  consolidada,  que  a  Lei  n.  12.844/2013  alterou  o  art.  19,  da  Lei  n.  10.522/2002  para  autorizar  a  PGFN  a  não  interpor  recurso  ou  a  desistir  do  que  tenha  sido  interposto,  desde  que  inexista  outro  fundamento  relevante, na hipótese de a decisão versar sobre:      Art. 21. O art. 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passa  a vigorar com a seguinte redação:  “Art. 19. ........................................................................  ..............................................................................................  II  ­  matérias  que,  em  virtude  de  jurisprudência  pacífica  do  Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do  Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral,  sejam  objeto  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral  da  Fazenda  Nacional,  aprovado  pelo  Ministro  de  Estado  da  Fazenda;   ..............................................................................................  IV  ­  matérias  decididas  de  modo  desfavorável  à  Fazenda  Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento  realizado  nos  termos  do  art.  543­B  da  Lei  no  5.869,  de  11  de  janeiro de 1973 ­ Código de Processo Civil;   V  ­  matérias  decididas  de  modo  desfavorável  à  Fazenda  Nacional  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  julgamento realizado nos termos dos art. 543­C da Lei no 5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil,  com  exceção  daquelas  que  ainda  possam  ser  objeto  de  apreciação  pelo Supremo Tribunal Federal.   §  1º  Nas  matérias  de  que  trata  este  artigo,  o  Procurador  da  Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente:  I  ­  reconhecer  a  procedência  do  pedido,  quando  citado  para  apresentar resposta,  inclusive em embargos à execução  fiscal e  exceções  de  pré­executividade,  hipóteses  em  que  não  haverá  condenação em honorários; ou II ­ manifestar o seu desinteresse  em recorrer, quando intimado da decisão judicial.   ..............................................................................................  § 4º A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os  créditos  tributários  relativos  às  matérias  de  que  tratam  os  incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  nos  casos  dos  incisos  IV  e  V  do  caput.   §  5º  As  unidades  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se  refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas  Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/2013­83  Acórdão n.º 2301­004.040  S2­C3T1  Fl. 15          19 de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  nos  casos  dos  incisos IV e V do caput.   ..............................................................................................  §  7o  Na  hipótese  de  créditos  tributários  já  constituídos,  a  autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para  efeito  de  alterar  total  ou  parcialmente  o  crédito  tributário,  conforme o caso, após manifestação da Procuradoria­Geral da  Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.” (NR)  Nesse  sentido,  com  espeque  nos  argumentos  acima,  manter­se  lançamento  fundado  em obrigação  declarada  inconstitucional  pelo STF  repercute,  ao meu  sentir,  erronia  grave e que deve ser de pronto expurgada por esse Órgão Julgador.  Persistir  nesse  equívoco,  ao  meu  sentir,  apenas  procrastina  litígio  que  há  muito já foi encerrado pelo excelso STF.  Nesse  sentido,  VOTO  PELO  PROVIMENTO  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO  quanto  impossibilidade  do  lançamento  do  FUNRURAL,  com  espeque  no  inciso IV, do art. 30, da Lei n. 8.212/91.  É como voto.  Manoel Coelho Arruda Júnior    Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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6109307 #
Numero do processo: 11080.916559/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Pedido de Compensação. Ônus da Prova. O pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equívoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.192
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro

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IFORTIX INSTALAÇÕES E CONSTRUÇÕES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003  Pedido de Compensação. Ônus da Prova.   O  pressuposto  básico  para  a  formulação  de  pedido  de  compensação  é  a  demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não  há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na  alegação  de  equívoco  quando  do  cálculo  dos  encargos  legais  pelo  recolhimento  em  atraso,  sem  que  seja  apresentado  sequer  os  cálculos  empregados para apurar o suposto indébito.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luis Marcelo Guerra de Castro­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Almeida Filho, Nanci Gama  e Luis Marcelo Guerra de Castro.    Relatório     Fl. 42DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão  recorrido, que passo a transcrever:  A  empresa  citada  identificada  por  IFORTIX  INSTALAÇÕES  E  CONSTRUÇÕES LTDA  transmitiu  declaração de  compensação  (Dcomp)  em  20/01/2005,  informando  como  crédito  valor  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  Contribuição  para  o  PIS/Pasep, sendo que o valor total do pagamento é R$ 1.244,20..  A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre pelo  Despacho  Decisório  não  reconheceu  o  direito  pleiteado  e  não  homologou  a  compensação  declarada,  afirmando  que  o  DARF  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível  para  compensação  dos débitos informados em dcomp.  Tempestivamente,  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  alegando  que  em  algumas  oportunidades  teve  dificuldades  em  recolher  pontualmente  os  tributos.  Sempre  que  ocorreram  tais  fatos,  o  contribuinte  acabou  efetuando  o  pagamento do débito,  acrescido de multa  e  juros,  antes mesmo  da  apresentação da DCTF. Conforme art.  138 CTN,  as multas  recolhidas  nas  situações  acima  são  indevidas,  e,  ao  tomar  conhecimento de tal fato. o contribuinte alegou que mensurou o  crédito  e  procedeu  a  compensação  na  forma  da  legislação  em  vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu  dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas  de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas  efetuado,  além  de  constatar  o  pagamento  dos  tributos  espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que  se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência  do  crédito  utilizado  pelo  contribuinte  nas  compensações  glosadas.  Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado  no  voto  condutor,  decidiu  o  órgão  de  primeira  instância  pelo  indeferimento  do  pedido  de  compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA  ­  DÉBITOS  DECLARADOS  EM  DCTF  ­  PAGAMENTO  A  DESTEMPO  ­  IMPROCEDÊNCIA  ­  Pacífico  o  entendimento  tanto  no  âmbito  do  Poder  Judiciário  como  na  esfera  administrativa  de  que  não  constitui  denúncia  espontânea o pagamento de valores declarados cm DCTF, sendo  devida multa de mora pelo pagamento em atraso.  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  ­  Direitos  creditórios  pleiteados  via  Declaração  de  Compensação  ­  Nos  termos  do  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional,  essencial  a  comprovação  da  liquidez  e  certeza  dos  créditos  para  a  efetivação do encontro de contas.  Impugnação Improcedente  Fl. 43DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.916559/2009­73  Acórdão n.º 3102­01.192  S3­C1T2  Fl. 41          3 Após  tomar  ciência  da  decisão  de  1ª  instância,  comparece  a  autuada  mais  uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações  manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator  Tomo  conhecimento  do  presente  recurso,  que  foi  tempestivamente  apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção.  Aduz  a  recorrente,  que  tanto  o  órgão  de  jurisdição  quanto  o  julgador  de  primeira instância não cumpriam o dever de investigar a liquidez e certeza dos créditos em que  se fundaria o pedido de compensação litigioso.  Quanto à alegação, é preciso recordar o que dizia o art. 74 da Lei nº 9.430, de  1996, (original não destacado):   Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele  Órgão.(Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002)  Como  é possível  perceber,  a  apuração  do  crédito,  tarefa  a  ser  empreendida  pelo sujeito passivo nos termos do dispositivo transcrito, é o ponto de partida para formulação  de declaração de compensação.  Ora,  compulsando  os  autos,  o  que  se  verifica  é  que  não  foi  colacionado  qualquer elemento que demonstre o  indébito. Aliás, não foi  trazido sequer um demonstrativo  que discrimine quais foram os parâmetros utilizados para sua apuração.  Com  efeito,  o  sujeito  passivo  aduz  que  os  pagamentos  eram  indevidos,  de  acordo com determinado norte jurisprudencial, mas não traz ao processo sequer elementos que  permitam aferir se os fundamentos invocados seriam os mesmos que foram considerados para  o afastamento da multa em outros processos.  Noutro giro,  levando a discussão para o plano processual, de acordo com o  art. 16,  III do Decreto nº 70.2351, de 1972, caberia ao sujeito passivo carrear ao processo os  elementos respaldassem suas alegações.                                                              1 Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­ os motivos de fato e de direito em que se  fundamenta, os pontos de discordância e as  razões e provas que  possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  Fl. 44DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     4 Assim, considero prejudicada a discussão acerca do higidez da incidência de  multa moratória sobre tributos recolhidos espontaneamente em atraso.  Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário.  Sala das Sessões, em 1 de setembro de 2011  (assinado digitalmente)  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente e Relator                                Fl. 45DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

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Numero do processo: 10283.901763/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-002.056
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2054; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 124          1 123  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.901763/2009­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.056  –  3ª Turma Especial   Sessão de  12 de fevereiro de 2014  Matéria  IRPJ   Recorrente  BRAGA VEICULOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  O  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue ou que  lhe  serve de  impedimento,  devendo prevalecer  a  decisão  administrativa  que  não  reconheceu  o  direito  creditório  e  não  homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito  passivo  e  presentes  nos  sistemas  internos  da  Receita  Federal  na  data  da  ciência do despacho decisório.  Recurso provido em parte      Acordam  os membros  da  3ª  Turma  Especial  da  4ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no  mérito  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  a  possibilidade  de  formação  de  indébito  de  estimativas  recolhidas  a  maior  ou  indevidamente,  nos  termos  do  relatório e voto que integram o presente julgado.     (Assinado Digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Presidente        (Assinado Digitalmente)  Sérgio Luiz Bezerra Presta ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Walter  Adolfo  Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman,  Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 17 63 /2 00 9- 41 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/2009­41  Acórdão n.º 1803­002.056  S1­TE03  Fl. 125          2   Relatório  Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo,  adoto  parte  do  relato  do  contido  no  Acórdão  nº  01­22.007  proferido  pela  3ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Belém  ­  PA,  constante  das  fls.  47  e  seguintes  dos  autos,  a  seguir  transcrito:   “Trata­se  de  declaração  de  compensação  transmitida  em  31/08/2005  pela  contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 16.695,85 resultante  de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código  2362, do período de apuração de 09/2004, no valor originário de R$ 112.806,02.   A  Delegacia  de  origem,  em  análise  datada  de  25.03.2009  (fl.  06),  registra  que  “analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  (...),  foi  constatada  a  improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar­se de pagamento a  título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que  o  recolhimento  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa Jurídica  (IRPJ) ou  da Contribuição  Social  sobre  o Lucro Líquido  (CSLL)  devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ  ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada.  Cientificada  em  03/04/2009,  a  interessada  apresentou,  em  05.05.2009,  manifestação  de  inconformidade na qual alega (fls. 10/25):  a) A impugnante é optante pelo regime de pagamento de IRPJ pelo lucro real e, há época  recolhia mensalmente o imposto pela sistemática de estimativa e no período de setembro de  2004 realizou o pagamento de CSLL, Cod. 2362, no valor de R$ 112.806,02, todavia o valor  correto apurado  foi de R$ 96.110,17,  configurando então um recolhimento a maior que o  calculado e declarado na DCTF, no valor de R$ 16.695.85. Sendo mais claro,  recolheu a  maior  que  o montante  resultante  do  cálculo  da  estimativa. Utilizava­se  regularmente  dos  balancetes  para  a  suspensão,  redução  e  dispensa  do  imposto  mensal  prescritos  na  legislação. Entendia, todavia, que neste particular caso não se tratava de imposto estimado,  pois  a  quantia  paga  excedia  ao  cálculo  previsto  em  lei.  Assim,  como  em  qualquer  outro  tributo, deveria ser considerado como pagamento indevido ou a maior.  b) O que se defende aqui é o uso permitido do procedimento administrativo pela autoridade  para resolver, pelo seu livre convencimento, as questões de direito, dentro de um mínimo de  flexibilidade, permitido e fortemente estimulado pela norma administrativa regimental. Não  por outra razão, em face do saneamento das questões discutidas, cumpriria seu objetivo de  evitar a ida de toda sorte de litígios ao judiciário. É apenas isto que se pede aqui. Pede­se  simplesmente  que  seja  verificada  a  inaplicabilidade  ao  presente  caso  do  paradigma  escolhido  pela  autoridade.  O  pagamento  de  IRPJ  estimativa  é  antecipação  do  IR  anual,  calculada  conforme  a  legislação.  Por  outro  lado,  o  caso  em  tela  é  um  pagamento  em  excesso ao cálculo da estimativa e que não havia sido declarado.  c) Definindo a fonte de crédito de um jeito ou de outro, de "pagamento a maior" ou "saldo  negativo", os seus valores não são alterados. Ou melhor, se esse valor  for acumulado aos  demais  pagamentos  de  IR  estimativa,  se  obtém  como  resultado  um  novo  saldo  negativo  maior que o anterior exatamente no montante que aqui se defende como direito creditório.  Portanto,  o  fato  de  se  ter  denominado  como  fonte  do  crédito  o  pagamento  indevido  ou  a  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/2009­41  Acórdão n.º 1803­002.056  S1­TE03  Fl. 126          3 maior  não  provocou  qualquer  dano  ao  erário,  na  medida  em  que  a  contribuinte  foi  cauteloso em apurar primeiro o IR anual, para constatar o valor da parcela do seu crédito  que  denominou  de  pagamento  a maior,  separadamente  da  parcela  que  denominou  ‘saldo  negativo’.  O  procedimento  tomado  pela  Fazenda  nacional,  com  a  devida  venia,  contrasta  com  o  principio  basilar  do  processo  administrativo  da  busca  da  verdade  material,  pelo  qual  a  administração deve se utilizar de todos os meios para estabelecer o que é público e o que é  do particular por direito, não permitindo que um se aproprie ilegalmente do que é do outro,  protegendo assim o bem público. Refere  julgados  administrativos  e  conclui que a  simples  solicitação  para  que  a  Requerente  retificasse  os  pedidos  possibilitaria  a  denúncia  e  retificação do erro de preenchimento que prejudicou a percepção da exatidão e liquidez do  direito à  restituição e,  por  conseqüência da  compensação dos  valores  retificados. Por  tal  razão,  desde  já,  roga­se  a  esta  D.  Autoridade,  que  RECONSIDERE  a  referida  decisão  proferida  e  que  proceda  a  verificação  do  direito  à  compensação  da  Requerente  em  sua  totalidade.  d)  O  Código  Tributário  Nacional  preconiza  a  possibilidade  da  revisão  de  oficio  da  autoridade  pública,  em  razão  de  erro,  omissão  ou  intempestividade  por  parte  do  sujeito  passivo  da obrigação  tributária. Cita  julgados  judicial  e administrativos,  sustentando que  não  pode  ser  rechaçada  a  compensação  apenas  em  razão  de  diferença  de  entendimento  quanto à denominação do ‘tipo de crédito’ e, em razão de, no entendimento da autoridade, a  denominação  do  crédito  estar  errada,  deixando  de  examinar  que  o montante  apurado  de  saldo negativo não continha tal valor, deixado em separado para servir de fonte de crédito  para a compensação aqui em questão. Se tivesse aprofundado sua análise teria chegado a  conclusão inafastável que, independente da denominação dada pela contribuinte, o crédito  existia e então, poderia ser objeto de compensação.  e)  Independentemente do equívoco que  fora perpetrado pela Requerente, ainda assim, não  se pode olvidar a subsistência da obrigação da Fazenda Pública em restituir ou compensar  pagamentos indevidos feitos a título de tributo, pois esta obrigação decorre do fato de haver  recebido valor sem fundamento na lei, ou seja, fora dos estritos termos dos seus comandos.  Outro  fato que deve ser  relevado ao analisar a  situação aqui em  foco é que o ERRO DE  FATO não configura fato gerador de tributo, deixando o valor recebido sem base legal em  forma  de  indébito  que,  de  igual  maneira  também  é  consagrado  na  Jurisprudência  dominante, dá direito à repetição. Refere decisões judicial e administrativa”.  A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém ­ PA, na sessão de 13/06/2011,  ao  analisar  a manifestação  de  inconformidade  apresentada,  proferiu  o Acórdão  nº  01­22.007  entendendo  por  unanimidade  de  votos,  “julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade”, em decisão assim ementada:  “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Ano­calendário: 2005  PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  As  decisões  judiciais  administrativas  relativas  a  terceiros  não  possuem  eficácia  normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts.  96 e 100 do Código Tributário Nacional.  DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.  Considera­se  não  homologada  a  declaração  de  compensação  apresentada  pelo  sujeito passivo quando não reste comprovada a existência e oponibilidade à Receita  Federal do Brasil do crédito apontado como compensável.   Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/2009­41  Acórdão n.º 1803­002.056  S1­TE03  Fl. 127          4 Manifestação  de  Inconformidade  Improcedente  Direito  Creditório  Não  Reconhecido”  Cientificado da decisão de primeira instância em 25/07/2011 (segunda­feira)  (AR constante das fls. 56), a BRAGA VEÍCULOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe,  inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 01­22.007, recorre em 24/08/2011 (fls. 58  e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do  julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos:  “1.   Seja  acolhida  a  preliminar  de  nulidade  para  anular  o  Acórdão  01­ 22.007; ou,  2.   Se pelas razões e provas for possível julgar o pleito favoravelmente ao  sujeito passivo, seja declarado improcedente o Acórdão objurgado;  3.  Seja homologada a compensação declarada por meio do PER/DCOMP  n.° 02454.44183.310805.1.3.04­1429;  4. Seja determinada a baixa do débito em nome da interessada referente ao  tributo compensado na forma do item anterior; e, por fim,  5.  Após  todas  as  providências  de  praxe,  seja  arquivado  o  processo  à  epígrafe”.  Na  referência  às  folhas  dos  autos  considerei  a  numeração  do  processo  eletrônico (e­processo).  É o relatório do essencial.    Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/2009­41  Acórdão n.º 1803­002.056  S1­TE03  Fl. 128          5 Voto             Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA ­ Relator  Observando  o  que  determina  os  arts.  5º  e  33  ambos  do  Decreto  nº.  70.235/1972  conheço  a  tempestividade  do  recurso  voluntário  apresentado,  preenchendo  os  demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento.  Antes  de  adentra  ao  mérito  da  questão,  passo  a  analisar  a  preliminar  de  nulidade levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. e segs dos autos.  Procurei  as  razões  que  embasariam  a  suposta  nulidade  do  Acórdão  nº  01­ 22.007 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA e simplesmente não  encontrei. Na verdade o recurso voluntário trata: a) da tempestividade (fls.); b) dos fatos (fls.);  c) da existência e suficiência do direito creditório (fls.); c) da possibilidade do oferecimento de  provas  (fls.);  d)  da  incompetência  da  delegacia  de  julgamento  para  alterar  o  fundamento  do  lançamento (fls.); e) do mérito (fls.); e f) dos pedidos (fls.).   Ou  seja,  nas  paginas  do  recurso  voluntário,  a  Recorrente  não  apresenta  nenhuma razão, fato ou  indicio que fundamente a suposta nulidade do Acórdão nº 01­22.007  proferido pela 3ª Turma de  Julgamento da DRJ em Belém – PA. Assim, voto no  sentido de  rejeitar a preliminar de nulidade.  Ultrapassado  esse  ponto,  passo  agora  à  questão  de  mérito,  que  foi  bem  sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA, quando afirmou às fls. dos  autos:  “Ressalte­se que  em  se  tratando de pedido de  restituição/compensação o  contribuinte  figura  como  titular  da  pretensão  e,  como  tal,  possui  o  ônus  de  prova  quanto  ao  fato  constitutivo  de  seu  direito.  Em  outras  palavras,  o  sujeito  passivo  possui  o  encargo  de  comprovar,  por  meio  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  existência  do  direito  creditório,  demonstrando,  notadamente  por  intermédio  de  sua  escrita  contábil  e  fiscal  e  respectiva  documentação de suporte, que o pagamento  foi realmente indevido. Assim, em tais hipóteses  faz­se  indispensável  a  exibição  dos  registros  contábeis  da  conta  de  ativo  do  tributo  a  recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no  livro ‘Diário’, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  os  lançamentos  de  eventuais  compensações,  os  registros  pertinentes  do  livro “LALUR”  etc,  haja  vista  que a Declaração de  Informações Econômico  Fiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal.”       Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/2009­41  Acórdão n.º 1803­002.056  S1­TE03  Fl. 129          6 Diante do que consta dos autos, vejo que a 3ª Turma de Julgamento da DRJ  em Belém – PA não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa  pagos  a maior,  o  que  é,  incontestavelmente,  um  equívoco,  tendo  em  vista  que  a Recorrente  apresentou as DCTF’s que suportam o crédito utilizado (fls. 27).  Além  do  mais,  quando  o  pagamento  efetuado  é  superior  ao  débito  IRPJ  declarado,  o  valor  considerado  como  estimativa  IRPJ  efetivamente  paga  é  o  pagamento  limitado ao montante declarado.  Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB  são  alimentados  pelos  débitos  declarados  em  DCTF,  bem  como  pelo  fato  do  próprio  contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito.  Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de  primeira  instância  e,  no  mérito  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância  e,  no  mérito  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  a  possibilidade  de  formação  de  indébito  de  estimativas  recolhidas  a  maior  ou  indevidamente,  reformando, desta  feita,  parte da decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em  Belém – PA.   (Assinado Digitalmente)  Sérgio Luiz Bezerra Presta                              Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA

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Numero do processo: 11128.006110/2006-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/09/2001 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
Numero da decisão: 3803-005.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Hélcio  Lafetá  Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.   Relatório  A contribuinte protocolou junto à Inspetoria da Alfândega de Santos Pedido  de Reconhecimento de Crédito Tributário e Restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN  SRF nº 600/05.  Desse pedido consta:  Informações  acerca  da  incorporação  da  PANASONIC  DO  BRASIL  LTDA  pela  sucessora  PANASONIC  DO  BRASIL  LIMITADA  (atual  denominação  de  PANASONIC  DA  AMAZÔNIA S.A.);   Que  importou  mercadorias  produzidas  no  México,  que  posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram  para o Brasil  ao amparo da DI nº 01/0936084­7, em operação  de  comercialização  internacional,  havendo  as  mesmas  sido  desembaraçadas na Alfândega de Santos em 21/09/2001.  Que o México é país signatário da ALADI e, por  tal  razão,  faz  jus  à  redução  de  20%  sobre  a  alíquota  normal  do  imposto  de  importação,  independentemente  da  localização  geográfica  do  exportador, no caso os EUA.  Que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento  da  redução  da  alíquota  de  imposto  de  importação  não  foi  possível,  pois  esse  sistema  de  processamento  de  dados  administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de  redução  tarifária  da  ALADI  nos  casos  em  que  o  exportador  esteja  localizado  em  país  membro  da  referida  Associação,  contrariando,  assim,  o  sistema  jurídico  vigente,  que  permite  a  realização da operação praticada.  Que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX  foi realizado nos termos seguintes: “Exportador ­ Nome: AMAC  CORPORATION  ­  País:  ESTADOS  UNIDOS.  E  Fabricante/Produtor  ­  Nome:  KYUSHU  MATSUSHITA  DE  BAJA CALIFÓRNIA ­ País: MÉXICO.  Que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral  do  imposto  de  importação  (débito  automático  em  conta  corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que  pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do  certificado de origem.    Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/2006­69  Acórdão n.º 3803­005.998  S3­TE03  Fl. 9          3 Nas  razões  de  direito  aduziu  pela  expressa  previsão  para  a  realização  da  operação  de  importação  e  da  redução  tarifária  nos  moldes  referenciados  (Decretos  nºs  90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº  252  do  Comitê  de  Representantes  da ALADI,  cuja  regulamentação  no  Brasil  deu­se  com  a  edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999.  A  contribuinte  também  formulou  consulta  à  COANA  acerca  do  preenchimento da DI para  fruição de benefício  de preferência  tarifária,  obtendo a orientação  adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, Coordenação­Geral de  Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento  da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descrita (fls.  75/78).  A  contribuinte  formalizou  o  Pedido  de  Retificação  de  Declaração  de  Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 30.397,08 (fls.), havendo o pedido  sido indeferido através de Despacho Decisório nº 140/2011, da lavra do Grupo de Restituição e  Parcelamento  – GRESP  (fls.),  sob  a  alegação  de  que  as mercadorias  produzidas  no México  foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial TO027, doc  de fl., foram descarregadas em solo americano e em 22/08/2001foi emitida a fatura comercial  PC 05225 (fls.49/51) pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da  interessada,  PANACONIC  DO  BRASIL  LTDA,  sendo  as  mercadorias  embarcadas  para  o  Brasil em 28/08/2001, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque  (BL) de fls., portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro  país,  não  integrante  da  ALADI  (EUA),  conforme  atesta  o  Certificado  de  Origem  em  questão.  Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pela  contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 161/20111 pelo Servido de Orientação e  Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos (fls. 135/137), que indeferiu o pleito, eis  que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art.  1º,  da  Resolução ALADI  nº  252,  em  especial  as  constantes  nos  incisos  ‘i’  e  ‘ii’,  já  que  as  mercadorias  não  transitaram  pelo  território  dos  EUA  por  motivos  geográficos  ou  por  requerimentos  de  transporte  e  estavam  destinadas  a  comércio  por  empresa  sediada  naquele  país.  Inconformado  o  sujeito  passivo  interpôs  a  sua  manifestação  de  inconformidade, protestando que o único fundamento para o  indeferimento da restituição é o  fato  das mercadorias  originárias  do México  terem  transitado  pelos  Estados Unidos  antes  de  serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu  nenhuma  disposição  do  acordo  firmado  no  âmbito  da  ALADI,  devendo  tal  despacho  ser  reformado,  reiterando,  ademais,  as  razões  de  fato  e  de  direito  aduzidas  no  pedido  de  reconhecimento  de  crédito  (fls.  01/  ),  para  requer  a  declaração  de  ineficácia  do  referido  despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito.  Há o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho  Decisório  DRF/SOROCABA/SEORT  nº  538,  de  19/08/2010,  que  deferiu  o  pedido  anteriormente  formulado  pela  contribuinte  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  10855.003858/2008­94 (fls. 174/175), a título de precedente.  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 Conclusos  foram  os  autos  submetidos  ao  pronunciamento  da  1ª  Turma  da  DRJ/SP2,  que  por  através  do  Acórdão  nº  17­57.679,  de  16/02/2012  proferiu  decisão,  cuja  ementa transcreve­se adiante.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II  Data do fato gerador: 21/09/2001  Solicitação  de  RECONHECIMENTO  DO  CREDITO  TRIBUTÁRIO,  em  virtude  de  mercadoria  produzida  no  México,  país  integrante  da  ALADI,  pleiteando  o  direito  à  redução  do  Imposto  de  Importação  de  20%  sobre  a  alíquota normal.   A  alínea  b),  do  item  quatro,  do  artigo  19,  do  DECRETO  n°  3.325  de  31/12/199 DOU 31/12/1999,  impõe  três  condições  simultâneas  para  que  se  contemplem a redução do Imposto.  A interessada não logrou êxito em justificar que a mercadoria transitou pelos  Estados  Unidos  da  América  do  Norte  por  motivos  geográficos  ou  por  considerações referentes a requerimentos do transporte.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido.    O entendimento vazado na decisão em comento segue a mesma linha daquele  profligado  no  Despacho  Decisório  nº  140/2011,  da  lavra  do  Grupo  de  Restituição  e  Parcelamento – GRESP de que a mercadoria em questão foi faturada por operador de terceiro  país, não integrante da ALADI (EUA), e que não foram atendidas as condições elencadas na  alínea ‘b’ do item quatro do artigo 1º da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes  nos  incisos  “I”  e  “II”,  já  que  as  mercadorias  não  transitaram  pelo  território  dos  EUA  por  motivos geográficos ou por  requerimento de  transporte  e estavam destinadas  a comércio por  empresa sediada naquele país.  Acerca  da Decisão  nº  203,  proferida  pela Divisão  de Tributação  da  8ª  RF,  pautou­se  o  entendimento  exarado  no  acórdão  suso  mencionado,  que  a  mesma  se  refere  a  INTERMEDIAÇÃO  DE  EMPRESA  DE  TERCEIRO  PAÍS  NÃO  MEMBRO  DA  ASSOCIAÇÃO, não refletindo a situação em comento, ou seja, mercadorias transportadas em  trânsito  por  um  ou  mais  países  não  participantes.  Além  disso,  não  faz  qualquer  concessão  quanto  às  exigências  solicitadas  pelo  artigo  19,  do DECRETO n°  3.325  de  31/12/199 DOU  31/12/1999.  No que atine às duas decisões proferidas na instância superior administrativa  e  colacionadas  aos  autos  pela  interessada,  o  voto  condutor  assinalou  que  ambas  possuem  o  mesmo teor e, em que pese o  respeito ao entendimento esposado e suas  razões, não é essa a  conclusão  que  se  depreende  das  exigências  da  alínea  b),  do  item  quatro,  do  artigo  19,  do  DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. É explicita a exigência de que as únicas  justificativas para trânsito por um ou mais países não participantes são por motivos geográficos  ou  por  requerimentos  de  transporte  e  estavam  destinadas  a  comércio  por  empresa  sediada  naquele país, o que a interessada não comprovou.   A  Contribuinte  tomou  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  em  15/03/2012 e protocolou o  seu  recurso voluntário na DRF em Campinas/SP, em 12/04/2012,  reiterando as mesmas razões de fato e de direito expendidas na exordial, entretanto de maneira  pormenorizada, haja vista que a operação de importação foi realizada nos moldes da Resolução  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/2006­69  Acórdão n.º 3803­005.998  S3­TE03  Fl. 10          5 nº 252, art. 1º, item quatro, alínea ‘b’, “I” e “II” e item nono, do Comitê de Representantes da  ALADI, ex vi do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99.   Aduziu,  inclusive,  que  no  âmbito  da  ALADI  admite­se  que  a  mercadoria  produzida em um determinado País (ex: México) seja embarcada para o Brasil com trânsito em  terceiro País que não seja membro da referida associação (ex: Estados Unidos), devendo, nesta  situação,  indicar  no  campo  “observações”  do  Certificado  de  Origem  que  a  mercadoria  será  faturada por terceiro país,  identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do  exportador (“que em definitivo será o que fature a operação a destino”).  Persiste na defesa de que o trânsito das mercadorias por território de país não  membro da ALADI se deu por conveniência geográfica,  implicando inclusive em redução de  custos operacionais; que apesar de o México ter acesso ao Oceano Atlântico, como consignado  na  decisão  recorrida,  o  Porto  de  Houston  oferece  condições  infinitamente  melhores  que  os  portos mexicanos com saída para esse oceano.  Ressalta  que  se  trata  de  uma  questão  de  logística,  em  razão  de  maior  facilidade e conveniência, motivos o bastante para todas as empresas do mesmo grupo adotar  esse  caminho  para  o  transporte  das  mercadorias:  México  –  EUA  –  Brasil,  sem  que  haja  qualquer  benefício  outro  para  a  Recorrente.  Tanto  é  assim  que  a  própria  documentação  já  indicava o destinatário final.  Enfatizou a Recorrente que a eventual  falta de  justificativa para a operação  ter  como  etapa  os  EUA  antes  do  destino  final  (Brasil),  alegada  no  acórdão  combatido,  não  serve  como  referência  para  a  mitigação  do  direito  creditório,  ora  pleiteado,  pois  toda  a  documentação que acompanhava a DI, já anexada ao pedido de restituição, faz prova do direito  a  redução  tarifária  que,  não  foi  concedida  no  desembaraço  por  exclusiva  impossibilidade  técnica  do  próprio  SISCOMEX,  inclusive  o  doc.  10  anexo  ao  pedido  de  restituição  que  menciona como destino final das mercadorias a PANASONIC DO BRAZIL LTDA, restando  demonstrado portanto, que desde a entrada das mercadorias nos EUA já havia a consignação de  que seu destino final seria o Brasil.  Consubstanciou  o  alegado  mencionando  a  Decisão  nº  203,  DOU  de  15/09/1999, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, que foi  ratificada pelo  Ofício  nº  2006/00263  da  COANA,  além  de  jurisprudência  administrativa  na  qual  é  parte  interessada,  por  meio  dos  Acórdãos  nº  CSRF/03­04.584  (11128.000691/00­50)  e  CSRF/03­ 04.585 (11128.000687/00­82), cuja ementa se reproduz:  IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO –  ACORDO  ALADI  –  REDUÇÃO  TARIFÁRIA  –  TRIANGULAÇÃO – não constitui descumprimento dos requisitos  para  a  concessão  do  benefício  de  redução  do  imposto  de  importação  o  fato  de  quando  do  transporte  de  mercadoria  originária  de  país  participante,  transitar  justificadamente  por  país  não  participante,  por  inteligência  do  art.  4º,  alínea  ‘b’,  e  seus  itens,  do  Regime  Geral  de  Origem,  da  Resolução  78,  firmado  entre  o  Brasil  e  a  Associação  Latino  americana  de  Integração – ALADI, aprovado pelo Decreto nº 98.874/90.  Recurso especial provido.  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 Cumpridas  as  exigências  requer o provimento do  recurso  e a declaração  de  nulidade do acórdão recorrido pelo cerceamento do direito de defesa.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator    O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade,  dele conheço.  A querela devolvida a este Colegiado resume­se ao atendimento ou não das  condições elencadas na Resolução ALADI nº 252, para fazer jus ao beneplácito da redução em  20% da tarifação do imposto de importação, na operação realizada.  A  questão  inaugural  pelo  ponto  de  vista  de  elemento  material  de  prova  restringe­se  à  verificação  da  origem  da mercadoria,  do  local  de  embarque  e  do  seu  destino  final.  O Certificado de Origem  informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS  UNIDOS MEXICANOS  PAIS  IMPORTADOR  BRASIL,  além  da  norma  que  dá  amparo  à  operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.).  No mesmo sentido o documento, denominado:  “TRANSPORTATION  ENTRY  AND MANIFESTO  OF  GOODS  SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED  STATES  CUSTOMS  SERVICE”,  informa  que  a  mercadoria  ali  registrada foi importada do México, em, por meio de caminhão,  via  direta,  tendo  por  porto  estrangeiro  de  embarque  BAJA  CALIFORNIA  e  como  destino  final  SÃO  SEBASTIÃO,  PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM  155, Brasil.  Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN, informa que o local de recebimento  da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON  e de desembarque como sendo o Porto de Santos.  Do ponto de vista da legislação tem­se que o Decreto nº 3.325/99, DOU de  31/12/99,  dispõe  sobre  a  execução  da  Resolução  nº  252,  do  Comitê  de  Representantes  da  ALADI. Assim dispõe o art. 1º dessa Resolução:  Art. 1º. A Resolução nº 252, que aprova o  texto consolidado e ordenado da  Resolução nº 78, do Comitê de Representantes da Associação Latino­americana de Integração,  apensa por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cumprida tão inteiramente como nela  se contem.  Por sua vez o item quarto dessa Resolução estabelece:  Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos  tratamentos preferenciais, as mesmas devem  ter  sido  expedidas  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/2006­69  Acórdão n.º 3803­005.998  S3­TE03  Fl. 11          7 diretamente  do  país  exportador  para  o  país  importador.  Para  tais efeitos, considera­se com expedição direta:  (...);  As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países  não  participantes,  com  ou  sem  transbordo  ou  armazenamento  temporário,  sob  a  vigilância  da  autoridade  aduaneira  competente nesses países, desde que:  o  trânsito  esteja  justificado  por  motivos  geográficos  ou  por  considerações referentes a requerimentos do transporte;  não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de  trânsito;  não  sofram,  durante  seu  transporte  e  depósito,  qualquer  operação  diferente  da  carga  e  descarga  ou  manuseio  para  mantê­las em boas condições ou assegurar sua conservação.  Finalmente, o item nono do mesmo normativo assim registra:  Nono.  Quando  a  mercadoria  objeto  de  intercâmbio  for  faturada  por  um  operador  de  um  terceiro  país,  membro  ou  não  membro  da  Associação,  o  produtor  ou  exportador  do  país  de  origem  deverá  indicar  no  formulário  respectivo,  no  campo  relativo  a  “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país,  identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo,  será o que fature a operação a destino.  Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências:  (i)  As  mercadorias  importadas  sob  o  amparo  da  DI  nº  01/0936084­7, de 21/09/2001, efetivamente tiveram como origem  o  País  do  México,  transitaram  pelos  EUA,  e  tiveram  como  destino final o Brasil;  (ii) A operação de importação em comento seguiu de acordo com  as orientações contidas no item ‘b’ e alíneas ‘i’ e ‘ii’ do artigo 1º  da Resolução nº 252;  Em razão do tipo de operação de importação por ela realizada, a Recorrente  alegou que teria direito à redução do imposto de importação de 20% sobre a alíquota normal,  bem  assim  que  por  ocasião  do  registro  da  DI  no  SISCOMEX,  o  referido  sistema  não  reconheceu esse direito.  O imbróglio ensejou a realização de consulta pela ora Recorrente formulada à  SRF  sob  o  protocolo  nº  3633/2006,  em  27/07/06,  sobre  o  preenchimento  de  declaração  de  importação para fruição de benefício de preferência tarifária.   Tais  assertivas  constam  do Of.  nº  2006/00263,  de  06/10/06,  expedido  pela  Coordenação Geral  de Administração Aduaneira,  cujos  itens  5  a  12  explicitam que  houve  o  cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no  item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência  tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10.  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     8 Seguindo  a  orientação  contida  no  ofício  suso  mencionado  a  Recorrente  protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração  de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 30.397,08 (fls.).  A  título  de precedente  há o  pedido  de  reconhecimento  de direito  creditório  formulado  pela  Recorrente  nos  autos  do  processo  nº  10855.003858/2008­94,  o  qual  foi  deferido  por  meio  do  Despacho  Decisório  DRF/SOR/SEORT  nº  538,  de  19/08/10  (fls.  174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de  importação.  Ainda  em  Relação  ao  tema  a  Recorrente  trouxe  à  baila  a  Decisão  nº  203,  DOU de  15/09/99,  proferida  pela Divisão  de Tributação  da  8ª Região  Fiscal,  como  também  jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus  argumentos.  Ora,  há  o  reconhecimento  expresso  pelos  órgãos  oficiais,  seja  no  âmbito  regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas,  devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na  Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI.  Ressalte­se  que  o  Despacho  Decisório  nº  140/2011,  apenas  analisou  os  mesmos  documentos  colacionados  aos  autos  e  concluiu  que  as  mercadorias  não  podem  ser  beneficiadas  com  a  redução  pretendida,  pois  supostamente  foram  transacionadas  com  uma  empresa  sediada  nos  EUA,  mediante  fatura  comercial  T0027,  foram  descarregadas  em  solo  americano em 22/08/2001 e depois foi emitida fatura comercial PC06049 (fls. 15/17), ou seja,  em razão da mercadoria haver sido faturada por operador em terceiro país, não  integrante da  ALADI.  Data vênia, consoante o disposto na legislação pertinente já mencionada, não  constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto  de  importação  o  fato  de  quando  do  transporte  de mercadoria  originária  de  país  participante,  transitar  justificadamente  por  país  não  participante  e,  quando  demonstrada  a  operação  como  expedição  direta  e  cumpridos  os  demais  requisitos  de  origem,  há  que  se  reconhecer  o  cabimento do benefício d o direito creditório proveniente do  imposto  recolhido a maior. São  precedentes o Acórdão CSRF/03­04.584 e CSRF/03­04.585, mencionados pela Recorrente.  Ante  todo  o  exposto  oriento  meu  voto  para  dar  provimento  ao  recurso  interposto, para reconhecer o direito creditório.  É assim que voto.  Sala de Sessões, em 23 de janeiro de 2014.    Jorge Victor Rodrigues – Relator                             Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/2006­69  Acórdão n.º 3803­005.998  S3­TE03  Fl. 12          9     Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10909.000663/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/06/2008, 25/06/2008, 02/09/2008, 03/09/2008, 10/09/2008, 15/09/2008, 16/09/2008, 18/09/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3803-006.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/06/2008, 25/06/2008, 02/09/2008, 03/09/2008, 10/09/2008, 15/09/2008, 16/09/2008, 18/09/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/2009­09  Acórdão n.º 3803­006.947  S3­TE03  Fl. 801          2 Prazos  para  a  prestação  de  informações,  na  forma do  artigo  22  da  IN RFB  800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do  caput  do  art.  50  IN  RFB  800/2007,  posteriormente  alterado  pela  IN  RFB  899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009.   Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN  RFB 800/2007), a ser observado durante o  tempo de vacância do art. 22 da  mesma Instrução Normativa.   Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na  forma  do art.  37  c/c o  art.  107,  ambos do Decreto­lei  37/1966,  com  redação dada  pela Lei 10.833/2003.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso. Vencidos  os Conselheiros Hélcio  Lafetá Reis  e  João Alfredo Eduão  Ferreira, que davam provimento.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente da 3ª Câmara  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Belchior Melo  de  Sousa,  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator  ad  hoc),  João  Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).  Relatório  Tendo  sido  designado  como  relator  ad  hoc  neste  processo,  reproduzo  o  relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa,  em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento.  Trata­se  de  auto  de  infração  em  que  a  fiscalização  impõe  multa  à  ora  Recorrente  por  ter  deixado  de  observar  os  prazos  para  a  “prestação  de  informações  sobre  veículo ou carga transportada, ou a operação que seria executada”.  Segundo  a  Fiscalização,  o  transportador  ou  o  agente  de  cargas  estão  obrigados  a  prestar  à  Receita  Federal  do  Brasil  informações  sobre  a  chegada  das  cargas  transportadas, na forma e nos prazos definidos pela legislação.  No  caso,  as  embarcações  atracaram  no  Porto  de  Itajaí/SC  em  24/04/2008;  20/06/2008;  28/08/2008;  02/09/2008;  03/09/2008;  04/09/2008;  09/09/2008;  10/09/2008;  15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, sendo que a Recorrente procedeu a desconsolidação das  Fl. 801DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/2009­09  Acórdão n.º 3803­006.947  S3­TE03  Fl. 802          3 CE  Mercantes  somente  em  23/06/2008;  25/06/2008;  02/09/2008;  03/09/2008;  10/09/2008;  15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008.(fls. 11)  Por tal motivo, a Recorrente foi autuada pelo descumprimento de obrigação  acessória, qual seja, a inobservância de prazo para a prestação de informação perante a RFB.  Inconformada,  a  Recorrente  apresentou  impugnação,  sustentando,  preliminarmente, a nulidade do auto de infração pela ausência de descrição clara dos fatos e do  próprio enquadramento legal, e no mérito, o não descumprimento do prazo, eis que a prestação  de  informações estaria disciplinada no artigo 22 da IN RFB 800/2007, cujos efeitos somente  entraram em vigor em 1º de abril de 2009, por força da IN 899/2008.  A Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Florianópolis­ SC julgou improcedente a impugnação, mantendo a autuação. Segundo a DRJ/FNS, revelou­se  insubsistente  a  alegação  de  nulidade  formal,  pelo  que  rejeitou  a  preliminar.  E  no  mérito,  concluiu que embora o  artigo 22 da  IN RFB 800/2007 não estivesse em vigor ao  tempo dos  fatos,  a  solução  do  caso  estava  no  parágrafo  único  do  artigo  50  da  IN  RFB  800/2007,  que  impunha  prazos  de  antecedência  para  a  prestação  de  informações  inerentes  ao  Controle  Aduaneiro.  Inconformada,  a  Recorrente  apresenta  Recurso  Voluntário,  repisando  os  mesmos argumentos.  Em síntese, este é o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc  Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad  hoc  neste  processo,  adoto  o  voto  redigido  pelo  relator  original,  em  conformidade  com  os  termos constantes da ata de julgamento.  Preenchidos  os  requisitos  formais  de  admissibilidade  e  conhecimento  do  Recurso Voluntário procede­se ao julgamento.  Preliminarmente, alega o recorrente que o auto de infração não observou as  formalidades previstas nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972.  Pela leitura do auto de infração, constata­se que o douto auditor­fiscal não só  descreveu  de  forma  suficientemente  objetiva  e  cristalina  os  fatos  e  fundamentos  legais  e  normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o  comércio  internacional  marítimo  e  as  partes  eventualmente  envolvidas,  o  que  contribuiu,  decisivamente, para a exata compreensão da autuação.  Ou  seja,  não  verifico  uma  dúvida  sequer  relativa  aos  fatos  narrados  pela  fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado.  Deste modo, não merece guarida a alegação de violação aos incisos III e IV  do artigo 10 do Decreto 70.235/1972, pelo que rejeito a preliminar.  Fl. 802DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/2009­09  Acórdão n.º 3803­006.947  S3­TE03  Fl. 803          4 Passo a analisar o mérito do recurso.  A questão me parece bastante simples.  A Recorrente  está  certa  ao  defender  que  as  disposições  do  artigo  22  da  IN  RFB 800/2007 não são  aplicáveis ao caso em exame, visto que os  fatos datam de 2008 e os  efeitos  do  artigo  supramencionado  fluiriam  somente  após  1º  de  abril  de  2009,  na  forma  do  caput do artigo 50 da IN RFB 800/2007, com redação dada pela IN 899/2008.  Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância  dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo  50 da IN RFB 800/2007, cuja redação segue abaixo:  Art.  50. Os  prazos  de  antecedência  previstos  no  art.  22  desta  Instrução  Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009.  Art.  50.  Os  prazos  de  antecedência  previstos  no  art.  22  desta  Instrução  Normativa  somente  serão  obrigatórios  a  partir  de  1º  de  abril  de  2009.(  Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 )  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  exime  o  transportador  da  obrigação de prestar informações sobre:  I  a  escala,  com  antecedência  mínima  de  cinco  horas,  ressalvados  prazos  menores estabelecidos em rotas de exceção; e  II  as  cargas  transportadas,  antes  da  atracação  ou  da  desatracação  da  embarcação em porto no País.   (destaquei)  Veja­se  que  tanto  o  transportador  quanto  o  próprio  agente  de  cargas,  qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto­lei  37/1966,  com  redação  dada  pelo  artigo  77  da  Lei  10.833/2003,  têm  o  dever  de  prestar  informações  à  Receita  Federal  do  Brasil,  na  forma  e  prazos  estabelecidos  pela  própria  Administração.  Art.  37. O  transportador  deve  prestar  à  Secretaria  da Receita Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior  ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)   § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome  do  importador  ou  do  exportador,  contrate  o  transporte  de  mercadoria,  consolide  ou  desconsolide  cargas  e  preste  serviços  conexos,  e  o  operador  portuário,  também  devem  prestar  as  informações  sobre  as  operações  que  executem e respectivas cargas.   Ora, impossível se cogitar que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da  IN RFB  800/2007,  deixar­se­ia  de  aplicar  a  regra  prevista  no  caput  do  artigo  50  da mesma  Instrução Normativa.  Fl. 803DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/2009­09  Acórdão n.º 3803­006.947  S3­TE03  Fl. 804          5  Tal dispositivo diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN  RFB 800/2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”.  Tendo em vista que as embarcações atracaram em 24/04/2008; 20/06/2008;  28/08/2008;  02/09/2008;  03/09/2008;  04/09/2008;  09/09/2008;  10/09/2008;  15/09/2008;  16/09/2008  e  18/09/2008,  e  a  Recorrente  somente  procedeu  a  desconsolidação  das  CE  Mercantes  em  23/06/2008;  25/06/2008;  02/09/2008;  03/09/2008;  10/09/2008;  15/09/2008;  16/09/2008  e  18/09/2008,  não  houve  respeito  aos  prazos  de  antecedência  previstos  na  legislação normativa em questão.  Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece  bastante  razoável  para  fins  de  efetivo  controle  aduaneiro,  impõe­se  sim  a  aplicação  da  correspondente multa.  E em relação à multa, não há como eximir a Recorrente, pois esta decorre de  lei específica, na forma do artigo 107 do Decreto­lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77  da Lei 10.833/2003, in verbis:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  (...)  IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):  (...)  e)  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga;  (...)  Assim, penso que a exigência fiscal está correta, de modo que não vislumbro  argumentos capazes de infirmar a presente autuação.  Em tempo, registramos que a tese levantada pela empresa recorrente, acerca  da denúncia  espontânea prevista na  atual  redação do artigo 102 e parágrafos  do Decreto­Lei  37/66, não se aplica ao caso dos autos. Explico a partir da transcrição do dispositivo legal:  Art.102 ­ A denúncia espontânea da  infração, acompanhada, se  for o caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988)      §  1º  ­  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada:  (Incluído  pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)      a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da mercadoria;  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  Fl. 804DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/2009­09  Acórdão n.º 3803­006.947  S3­TE03  Fl. 805          6     b)  após  o  início  de qualquer  outro  procedimento  fiscal, mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)      § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades  aplicáveis  na  hipótese  de mercadoria  sujeita  a  pena  de  perdimento.  (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010)  Como se vê, o parágrafo 1º do artigo 102 do Decreto­lei 37/66 não considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria.  O  ato  que  determina  o  início  do  despacho  aduaneiro  de  importação  é  o  registro da DI no Siscomex. No caso dos autos há uma particularidade que envolve as novas  ferramentas  à  disposição  do  controle  aduaneiro,  sobretudo  a  implantação  do  SISCOMEX  Cargas, cujos prazos de  transmissão de  informação de conteúdo de carga estão disciplinados  pela  IN  800/2007.  Isto  é,  pela  observância  obrigatória  do  SISCOMEC  Cargas,  o  despacho  aduaneiro terá início no momento da inclusão das informações no referido sistema, cujo prazo  limite será o da atracação.    Vejamos as razões extraídas do próprio auto de infração:  A Receita Federal do Brasil, no âmbito da competência conferida pelo Art.  37  do Decreto­Lei  n.°  37,  de  18  de novembro  de  1966,  com  redação dada  pelo  Art.  77  da  Lei  n.°  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003  e  na maneira  prevista no Art. 64 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabeleceu  que o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações,  cargas e unidades de carga nos portos alfandegados deverá ser procedido  de  acordo  com a  Instrução Normativa RFB n°  800,  de  27  de dezembro  de  2007, que em seus Artigos 10 e 52 dispõe:  "Art.  1º  ­  0  controle  de  entrada  e  saída  de  embarcações  e  de  movimentação  de  cargas  e  unidades  de  carga  em  portos  alfandegados  obedecerá  ao  disposto  nesta  Instrução  Normativa  e  será  processado  mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado  de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga.  Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no  caput  serão  prestadas  à  Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  (RW)  pelos  intervenientes,  conforme estabelecido nesta  Instrução Normativa,  mediante o uso de certificação digital: (grifo nosso)  I  ­  no  Sistema  de Controle  da Arrecadação  do Adicional  ao Frete  para  Renovação  da  Marinha  Mercante  (Mercante),  gerenciado  pelo  departamento  do  Fundo  da  Marinha  Mercante  (DEFI0),  pelos  transportadores, agentes marítimos e agentes de Carga; e   II ­ diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes".  Conforme explicitado, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27  de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela  Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de  informações  se  dá  por  meio  de  transmissão  e  recepção  eletrônicas,  autenticadas por via de certificação digital.  As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou  Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como às relativas  Fl. 805DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/2009­09  Acórdão n.º 3803­006.947  S3­TE03  Fl. 806          7 às  escalas,  aos  dados  constantes  nos  Manifestos  Marítimos  e  nos  Conhecimentos  de Carga,  devem  ser  prestadas  no  Sistema  de Controle  da  Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante  (Mercante),  sendo  gerenciadas  pela  Receita  Federal  através  do  Sistema  Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga.  Mais especificamente, a prestação das  informações  referentes à carga dar­ se­á  pela  elaboração  no  Sistema  Mercante  do  Conhecimento  Eletrônico  (C.E.­Mercante)  que,  por  sua  vez,  tem  como  base  os  dados  constantes  no  B/L.  (...)  0  planejamento  das  ações  de  Fiscalização,  a  partir  da  implementação  do  Siscomex  Carga,  está  fundamentado  em  critérios  de  análise  de  risco.  0  gerenciamento  de  risco  constitui  a  ferramenta  que  tem  permitido  a  transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por  um  lado,  maior  celeridade  no  processo  de  despacho  de  mercadorias  e  consequentemente  redução  dos  custos  incidentes  sobre  o  comércio  internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no  País, no exterior, e por outro  lado, mais rigor no controle da aplicação da  legislação pertinente.  Esta  análise  deve  ocorrer  previamente  às  operações  de  comércio  exterior,  com  o  conhecimento  dos  dados  informados  nos  sistemas  Mercante  e  Siscomex  Carga  que  nortearão  os  atos  da  Receita  Federal  do  Brasil,  providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo  a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros.  Conseqüentemente,  a  falta  da  prestação  de  informação  ou  sua  ocorrência  fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio,  causando  sério  entrave  ao  exercício  do  Controle  Aduaneiro,  facilitando  a  ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de  prejudicar o combate A pirataria.  Portanto,  a  atracação  se  deu  nos  dias  24/04/2008;  20/06/2008;  28/08/2008;  02/09/2008;  03/09/2008;  04/09/2008;  09/09/2008;  10/09/2008;  15/09/2008;  16/09/2008  e  18/09/2008,  e  a  Recorrente  somente  procedeu  a  desconsolidação  das  CE  Mercantes  em  23/06/2008;  25/06/2008;  02/09/2008;  03/09/2008;  10/09/2008;  15/09/2008;  16/09/2008  e  18/09/2008, ou seja, já no curso do despacho aduaneiro, o que atrai a hipótese de não aplicação  da denúncia espontânea prevista no artigo 102 do Decreto­Lei 37/66.  Derradeiramente,  ainda  existe outra  regra que afasta  a denúncia  espontânea  no  caso  dos  autos.  Trata­se  do  parágrafo  3º  do  artigo  612  do  Regulamento  Aduaneiro,  aprovado pelo Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos. In verbis:  Art. 612, § 3º  ­ Depois de  formalizada a entrada do veículo procedente do  exterior não mais  se  tem por espontânea a denúncia de  infração  imputável  ao transportador.  Diante  do  exposto,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  formal  do  auto  de  infração,  e  no  mérito,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  mantendo­se  a  exigência fiscal.  É como penso. É como voto.  (assinado digitalmente)  Fl. 806DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/2009­09  Acórdão n.º 3803­006.947  S3­TE03  Fl. 807          8 Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc                               Fl. 807DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 11050.002276/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/11/2008 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11050.002276/2008­19  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3801­004.817  –  1ª Turma Especial   Sessão de  27 de janeiro de 2015  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO  Recorrente  ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 04/11/2008  MULTA  REGULAMENTAR.  DIREITO  ADUANEIRO.  AGENTE  MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA  A  legislação  prevê  que  o  agente  marítimo,  assim  como  o  transportador  internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham  concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima  a figurar no polo passivo de auto de infração.  MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE  INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.  A multa por prestação de informações fora do prazo encontra­se prevista na  alínea  "e",  do  inciso  IV,  do  artigo  107  do  Decreto  Lei  n  37/1966  prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo  por  se  tratar  de  obrigação  acessória  em  que  as  informações  devem  ser  prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.   MULTA  REGULAMENTAR.  DESCUMPRIMENTO  DE  DEVER  INSTRUMENTAL.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  A  denúncia  espontânea  não  alcança  as  penalidades  exigidas  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais  caracterizados  pelo  atraso  na  prestação de  informação à administração aduaneira, mesmo após o  advento  da nova redação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40  da  Lei  nº  12.350/2010.  A  aplicação  deste  dispositivo  deve­se  considerar  o  conteúdo  da  “obrigação  acessória”  violada.  Isso  porque  nem  todas  as  infrações  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais  são  compatíveis  com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo  fazer  ou  não  fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo. Nestas  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 22 76 /2 00 8- 19 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 3          2 Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral  ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.   (assinado digitalmente)  Flávio De Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Redator designado.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 4          3 Relatório  Trata­se  de  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  lavrado  face  ao  descumprimento  da  obrigação  acessória  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita  Federal  do Brasil,  de acordo com o que dispõe  o  art.  107,  inciso  IV,  alínea “e”,  do Decreto  lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003.  Regularmente  cientificada,  a  interessada  apresentou  a  impugnação  na  qual  alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista  que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e  que não  responde por eventuais  tributos e/ou obrigações  acessórias devidos por esta. Afirma  que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual  não  pode  ser  pessoalmente  responsabilizada  pela  autuação  em  tela,  até  porque  a própria  Lei  (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque  não  deixou  de  prestar  informação  no  prazo  previsto  em  Regulamento.  Apenas  retificou  posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e  não se encontra tipificada na alínea  'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a  redação  dada  pela  Lei  10.833/03.  Aduz  que  a  autuação  carece  de  elemento  essencial  de  validade,  pois,  conforme  o  art.  113,  §  2º  do CTN,  não  há  um  fim  específico  e  próprio  que  justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo  estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da  Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui  que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de  dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após  ter  formalizado  a  denúncia  espontânea,  o  que  a  exime  de  qualquer  penalidade,  conforme  o  disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja  redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de  julho de 2010, bem como o art.  138,  caput,  do  Código  Tributário  Nacional.  Requer  seja  anulado  ou  cancelado  o  auto  de  infração.   A  DRJ  de  Florianópolis  (DRJ/FNS)  decidiu  pela  improcedência  da  impugnação, mantendo  o  crédito,  sendo  o Acórdão  dispensado  de  ementa,  de  acordo  com  a  Portaria SRF n° 1.364, de 10/11/2004.  Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs  Recurso Voluntário, expondo que:  Por  ser  uma  agência  de  navegação  da  transportadora  não  poderia  ser  considerado  representante  do  transportador  para  fins  de  responsabilidade  tributária  não  lhe  correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66;   Alega  que  a  sua  declaração  extemporânea  teria  os  mesmos  efeitos  que  a  denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias;  Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva  legal, conforme art. 97, V do CTN;  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 5          4 Entende  que  sua  conduta,  retificação,  seria  atípica  com  relação  à  sanção  prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66;  Alega  que  a  multa  regulamentar,  enquanto  obrigação  acessória,  carece  de  validade  essencial,  por  não  estar  demonstrado  o  interesse  da  arrecadação  ou  fiscalização  de  tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma;  Entende que não deixou de apresentar  informações dentro do prazo referido  pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas.  É o sucinto relatório.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 6          5   Voto Vencido  Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  O  recurso  voluntário  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal,  reunindo  os  demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto.  Ilegitimidade Passiva  Muito  embora  compartilhe do  entendimento que  as  agências marítimas  não  possam  ser  sujeitas  da multa  prevista pelo  art.  107,  IV,  alínea  “e” do Decreto­Lei  nº  37/66,  devendo  ser  estas  serem  impostas  somente  ao  transportador,  tenho  que  no  presente  caso  tal  argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu  CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que:  A sociedade  tem por objeto a navegação marítima de  longo curso marítima  (...)  o  exercício  das  atividades  de  agente  de  transporte multimodal,  assessoria  ao  transporte  marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...)  Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma  agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto  à prática da infração objeto dos autos.  Diversos  são  os  julgados  deste  Conselho  onde  foi  compreendido  que  a  obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontra­se estabelecida no art.  37  do Decreto­Lei  nº  37/66,  com a  redação  dada  pelo  art.  77  da Lei  nº  10.833,  de  2003,  in  verbis:  Art.  37.  O  transportador  deve  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas,  bem  como  sobre  a  chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado.  § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que,  em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte  de  mercadoria,  consolide  ou  desconsolide  cargas  e  preste  serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar  as  informações  sobre  as  operações  que  executem  e  respectivas  cargas.  Ultrapassados  tais  argumentos,  entendo  que  a  penalidade  não  deve  ser  aplicada no presente caso por motivos diversos.  Denúncia Espontânea   Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado  o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas.  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 7          6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do  auto  de  infração.  Portanto,  nos  termos  do  art.  138,  caput,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea:  “Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do  pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentado  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com  a  infração.”  Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma,  no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar  amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea.  Esse  instituto  jurídico  tem  lugar  quando  o  contribuinte  informa  à  administração  as  infrações  por  ele  praticadas,  antes  de  iniciado  qualquer  procedimento  fiscalizatório.  A  vantagem  dessa  confissão  prévia  e  espontânea  para  o  contribuinte  está  na  consequência legal que o instituto lhe garante.  No presente caso tem­se que o pedido de retificação prestado pela recorrente  foi  anterior  lavratura  do Auto  de  Infração,  bem  como  de  qualquer  outra  intimação  da RFB.  Deste modo, aplica­se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea.  O  Código  Tributário  Nacional  disciplina  no  art.  138  a  exclusão  da  responsabilidade quando a denúncia  espontânea  for acompanhada do pagamento do  tributo e  dos  juros  de mora,  restringindo  tal  hipótese  quando  caracterizado  o  início  do  procedimento  administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único.  Destaca­se também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de  julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da  denúncia  espontânea  não  contemplava  as  obrigações  acessórias  autônomas,  sem  qualquer  vínculo  direto  com  o  fato  gerador  do  tributo.  Porém,  com  a  vigência  da  norma  acima,  foi  modificado  o  §  2º,  do  art.  102  do  Decreto­Lei  nº  37/66,  incluindo  as  penalidades  administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis:  Art. 102. A denúncia espontânea da  infração, acompanhada, se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  a imposição da correspondente penalidade.  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria;  b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente a apurar a infração.  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 8          7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento.  (grifou­se)  No presente caso,  temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de  qualquer  procedimento  de  fiscalização,  caracterizando  a  denúncia  espontânea,  devendo  ser  excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do  artigo 102 do Decreto­Lei nº 37/66.   Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória  nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração  legislativa  processada  pela  referida Medida  Provisória,  conforme  determina  o  artigo  106  do  CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso.  Acrescenta­se  ainda  que  este  Egrégio  Conselho  tem  compartilhado  deste  entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo:  DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO  A  retificação  de  informação  prestada  em  registro  de  conhecimento  de  carga  antes  de  qualquer  procedimento  da  fiscalização  aduaneira,  está  amparada  pela  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  102,  do  mesmo  diploma  legal  (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão  de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo)  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  APLICAÇÃO  AS  PENALIDADES  DE  NATUREZA  ADMINISTRATIVA.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.   A alteração do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/66 promovida pela  Medida  Provisória  nº  497/2010,  posteriormente  convertida  na  Lei  nº  12.350/2010,  que  incluiu  as  penalidades  de  natureza  administrativa,  dentre  aquelas  alcançadas  pela  denúncia  espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento,  em  razão  da  retroatividade  benigna,  nos  termos  do  art.  106,  inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara  / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro  Álvaro Arthur L. de Almeida Filho)  Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de  05  de  fevereiro  de  2009,  que  regulamenta  a  administração  das  atividades  aduaneiras,  e  a  fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que:  Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do  pagamento  dos  tributos  dos  acréscimos  legais,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade (Decreto­Lei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo Decreto­Lei  no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput).  (…)  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 9          8 §3o Depois de  formalizada  a  entrada do veículo  procedente do  exterior não  mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador.  O  texto  original  do  Decreto  nº  6.759/2009  previa  em  seu  §3oque  a  espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior  e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea.  Note­se que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei  nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação:  Art. 102. A denúncia espontânea da  infração, acompanhada, se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  a imposição da correspondente penalidade.  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria;  b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente a apurar a infração.  § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento.  (grifou­se)  Note­se que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser  lido em conformidade com a  Lei  nº  12.350/2010.  Trata­se  de  norma  superior  e  posterior.  Assim,  tanto  pelo  critério  da  hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei  posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009,  de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir,  sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade.  Diante  da  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  entendo  pelo  provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para  fins de privilégio do devido processo legal.  Reserva Legal  A  infração  em  tese  cometida  pela  recorrente  se  encontra  caracterizada  pela  apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo  estabelecido,  por  força  do  art.  107  do  Decreto­Lei  37/66,  com  redação  dada  pela  Lei  nº  10.833/03,  c/c  art.  44  da  Instrução  Normativa  28/94,  com  redação  dada  pela  Instrução  Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07.   No que tange a  tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta  igualmente  e  inicialmente  tipificada  no  art.  107  do  Decreto­Lei  31/66,  que  estabelece  a  aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada,  bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização.   Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 10          9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas  que por vezes  se  encontram dentro dos procedimentos  fiscais,  no  caso  específico de normas  que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão  sujeitas  a  reserva  legal  do  art.  97  do  CTN,  por  não  compreenderem  o  rol  de  matérias  lá  estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior,  como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS  Datadofatogerador:31/12/1998  OBRIGAÇÃO  ACESSORIA.  PRAZO.  INSERÇÃO  SISCOMEX  DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS.  O  prazo  de  inserção  das  informações  do  embarque  de  mercadoria  no  SISCOMEX  é  de  sete  dias,  contados  do  dia  do  efetivo  embarque. Não  se  aplica  a  norma  processual  do  artigo  210  do  Código  Tributário  Nacional,  neste  caso  prevalece  o  prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de  que  não  contemplam  aspectos  da  hipótese  de  incidência,  estão  fora  da  reserva  legal  prevista  no  artigo  97  do CTN. Constado  inserção  além  do  prazo  fixado,  impõe  negar  provimento  ao  recurso.  RecursoNegado.  Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso  não estivesse prejudicada a análise desta matéria.  Obrigação Acessória  Carece  de  razão  a  alegação  da  recorrente  quanto  à  carência  de  elemento  essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória.  Isto  porque  as  obrigações  acessórias  não  possuem  uma  relação  de  dependência  de  uma  obrigação  principal.  Como  o  próprio  artigo  citado  pela  recorrente  são  prestações  positivas  ou  negativas,  fazer  ou  não  fazer  algo  em  benefício  do  interesse  arrecadatório ou fiscalizatório.  No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma  obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever  de  declarar  o  bem  carregado  e  cujas  informações  contidas  auxiliam  o  fisco  a  verificar  a  adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a  importadora estaria correta em sua escrituração fiscal.   Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa,  conforme  art.  107  do Decreto  lei  37/66,  é  uma obrigação  acessória  de  declaração  ao  fisco  e  cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização.   Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias  dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo  descumprimento.   Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 11          10 Ressalto  que  este  seria  o  entendimento  caso  não  estivesse  prejudicada  a  análise.  Tipificação  A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de  declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do Decreto­Lei 37/66, posto que não  deixou de prestar  informações sobre o veículo ou sobre a carga  transportada entendendo que  retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar.  Entendo que  não  assiste  razão  a  recorrente,  tendo  em vista  que no  auto  de  infração  é  possível  verificar  que  o  recorrente  apresentou  Conhecimento  de  Embarque,  promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do  Decreto­lei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no  prazo  por  ela  estabelecido,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas,  bem como  sobre  a  chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”.  O  entendimento  deste  Conselho,  inclusive  para  esta  empresa  em  autuação  pretérita foi o seguinte:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009  MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE  MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA  A  legislação  prevê  que  o  agente  marítimo,  assim  como  o  transportador  internacional,  respondem  solidariamente  por  quaisquer  infrações  que  tenham  concorrido  para  a  prática,  solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no  polo passivo de auto de infração.  MULTA  REGULAMENTAR.  DIREITO  ADUANEIRO.  PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.  A multa por prestação de informações fora do prazo encontra­se  prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei  n  37/1966  prescindindo,  para  a  sua  aplicação,  de  que  haja  prejuízo  ao  Erário,  sobretudo  por  se  tratar  de  obrigação  acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e  prazo estabelecidos pela Receita Federal.  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  FORA  DO  PRAZO.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  Não  há  que  se  falar  em  denúncia  espontânea  de  obrigação  acessória  se  a  norma  em  comento  tem  como  finalidade  a  prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado  pela  legislação,  prazo  esse  que  não  seria  observado  se  se  considerar  que  a  prestação  de  informações  fora  do  prazo  configuraria denúncia espontânea.  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 12          11 Recurso Voluntário Negado.  Nesta  senda,  uma  vez  não  cumprindo  o  prazo  de  apresentação  das  declarações  o  transportador  já  incorre  no  fato  gerador  da  multa  regulamentar,  resta  devidamente  enquadrada  a  conduta  da  recorrente  à  infração  referida,  não  havendo  qualquer  traço de atipicidade.   Ressalto  que  este  seria  o  entendimento  caso  não  estivesse  prejudicada  a  análise.  Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007   Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50  da  IN 800/07,  informa  que  os  prazos  de  antecipação  de  informação  previstos  no  art.  22º  da  mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos:  Art.  50.  Os  prazos  de  antecedência  previstos  no  art.  22  desta  Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde  janeiro de 2009.  Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador  da obrigação de prestar informações sobre:  I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados  prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e  II  as  cargas  transportadas,  antes  da  atracação  ou  da  desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso)  Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para  a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são  obrigatórios  a partir de 1ºde  janeiro de 2009, dispõe que o  transportador  tem a obrigação de  prestar  informações  sobre  as  cargas  transportadas  antes  da  atracação  ou  da  desatracação  da  embarcação em porto no País.  Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção  de  efeitos da  IN RFB nº 800/2007, qual  seja 31 de março de 2008,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas  devem  ser  prestadas  pelas  transportadoras  antes  da  atracação  ou  da  desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo  também descumprido pelo contribuinte.  Em  adição,  havendo  prazo  que  estabeleça  o  início  da  vigência  das  antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa  800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução  Normativa  SRF  n°  28,  de  1994,  com  a  redação  dada  pela  IN  SRF  n°  510,  de  2005,  para  a  apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado.  Ressalto  que  este  seria  o  entendimento  caso  não  estivesse  prejudicada  a  análise.  Penalidade Aplicada Por Viagem   Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 13          12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada  uma das declarações de  forma extemporânea,  tendo em vista que o entendimento da Receita  Federal  sobre  o  assunto  em  Consulta  Interna  teria  determinado  que  o  transportador  fosse  multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº  8 de 14 de fevereiro de 2008.  Não  obstante  os  auditores  fiscais  tenham  interpretado,  em  sua  maioria,  a  legislação  como  que  a  multa  deveria  ser  aplicada  por  cada  declaração  fora  do  prazo,  o  dispositivo  legal  deixa  brecha  para  tanto  interpretar  que  a  penalidade  deve  ser  aplicada  por  viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da  multa,  a  tipificação  da  conduta,  no  caso,  deixar  de  apresentar  informações  nos  prazo  estabelecidos à Receita Federal e  identificação do  infrator, qual  seja a empresa de  transporte  internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga.  Neste  sentido,  entendo  que  se  deve  interpretar  a  norma  de  forma  mais  favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta  estabelecido  no  art.  112,  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN,  segundo  o  qual  “a  lei  tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  interpreta­se  da  maneira  mais  favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  natureza  ou  extensão  de  seus  efeitos;  à  autoria,  imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação.  Sobre  o  tema  em  comento,  tem­se  decidido  nas  sessões  deste  Conselho  a  interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos:  Assunto:  Obrigações  Acessórias  Ano­calendário:  2006  ILEGIMITIDADE  PASSIVA.  MULTA.  REGISTRO  DE  DADOS  DE  EMBARQUE  MARÍTIMO  EM  ATRASO.  EXPORTAÇÃO.  RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para  figurar  no  polo  passivo  da  autuação,  o  transportador  que  registou  os  dados  de  embarque  fora  do  prazo  estabelecido  no  art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência  dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do Decreto­Lei nº 37/66  c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94.  REGISTRO  DE  DADOS  DE  EMBARQUE MARÍTIMO  EM  ATRASO.  PENALIDADE  APLICADA  POR  VIAGEM  EM  VEÍCULO  TRANSPORTADOR.Ocorrendo  dúvida  quanto  à  natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza  ou  extensão  de  seus  efeitos;  à  autoria,  imputabilidade,  ou  punibilidade;  e  à  natureza  da  penalidade  aplicação,  ou  à  sua  gradação, deve ser aplicada a  interpretação mais  favorável ao  acusado  (art.  112, CTN).A multa  prescrita no  art.  107,  inciso  IV, alínea “e”, do Decreto­Lei nº 37/66 referente ao atraso no  registro  dados  de  embarque  de  mercadorias  destinadas  à  exportação  no  Siscomex  é  aplicada  por  viagem  do  veículo  transportador  e não por  carga  (Declaração para Despacho de  Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE  COMPROVAÇÃO.  Não  comprovada  documentalmente  o  alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da  cobrança  e  a  consequente  identidade  de  objetos  entre  dois  processos  administrativos  fiscais.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  ART.  138,  CTN.  MULTA.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 14          13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não  merece  ser  conhecido,  ex  vi  dos  arts.  16,  inciso  III  e  17,  do  Decreto  nº  70.235/72.  (Recurso  Voluntário  nº  11968.001039/2007­17,  Relator  Bruno Mauricio Macedo  Curi,  da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em  11/09/2013)  Nestes  termos,  entendo  que  a  penalidade  do  art.  107,  IV,  alínea  “e”  do  Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as  penalidades  aplicadas por declaração excluídas para que  fiquem apenas a multa aplicada por  viagem apurada no auto de infração.  Ressalto  que  este  seria  o  entendimento  caso  não  estivesse  prejudicada  a  análise.  Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário.  É assim que voto.  (assinatura digital)  Paulo  Antônio  Caliendo  Velloso  da  Silveira  –  Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 15          14 Voto Vencedor  Conselheiro Marcos Antonio Borges,  Em  que  pese  o  entendimento  do  relator,  ouso  dele  discordar  em  relação  à  aplicação do instituto da denúncia espontânea.  Da aplicação do instituto da denúncia espontânea  No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega  extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração  formal,  não  podendo  ser  considerada  como  infração  de  natureza  tributária  apta  a  atrair  o  instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.  A prestação de  informações no Siscomex, como é o  caso,  é uma obrigação  acessória e,  aplicando­se essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula  CARF n° 49, que adota a mesma interpretação:  Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração.  No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102  do Decreto­Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010:  Art.102 ­ A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   §  1º  ­  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria; (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)  Apesar  de  alguns  julgados  recentes  do  CARF  estarem  admitindo  a  caracterização  da  denúncia  espontânea  com  fundamento  da  nova  redação  do  dispositivo,  entendo que na aplicação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, deve­se analisar o conteúdo  da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de  deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações  caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo.  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 16          15 Esse  entendimento,  do  qual  eu  compartilho,  foi  evidenciado  em  voto  do  eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a  TO. S. de 22/08/2013:  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última,  incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais  (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo,  comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No  âmbito  da  legislação  aduaneira,  em  consonância  com  o  disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de  aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado  art. 102.  A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração,  a  denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar  o fluxo inevitável do tempo.  Compõem  essa  última  modalidade  toda  infração  que  tem  o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última  modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 17          16 citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática  de  infração desse jaez.  Assim,  a  aplicação da denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo,  no  caso  a  prestação  de  informação  no  Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no  esvaziamento  do  dever  instrumental,  comprometendo  o  controle  aduaneiro  efetuado  pela  autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia.  Entende­se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades  exigidas  pelo  descumprimento  de  obrigações  acessórias  caracterizadas  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração  aduaneira.  Desta  forma,  em  virtude  de  todos  os  motivos  apresentados  e  dos  fatos  presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.  Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 3801­004.817  S3­TE01  Fl. 18          17  (assinado digitalmente)  Marcos  Antonio  Borges                 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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